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O perú de Bush Jr. como doutrina

Ariana Cosme,Rui Trindade

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Artigo notícias do Dia-a-dia com novo endereço www.apagina.pt/ Dia-a-Dia Edição Impressa Último jornal Nº 184 Dezembro 2008 Nº 184 em Formato PDF PEDIDOS de assinatura do jornal ( Portugal e estran g eiro ) Arquivo ARQUIVO de j ornais anteriores TEXTOS arquivados por autores HOJE: 6.508 textos on-line Pesquisar o arquivo Ou Frase nmlkjinmlkj Pesquisar Dos LEITORES Para submeter artigos, ler regras aqui: PROPOSTAS de publicação INQUÉRITOS em votação A Página da Educação Arquivo - Arti g o O perú de Bush Jr. como doutrina Já sabíamos há muito que a mulher de César não tem de ser honesta, desde que faça tudo para o p arecer. O perú de plástico que Bush Jr. ostentou p ara as televisões na visita que realizou às tropas americanas, no Iraque, não fez mais que o confirmar. O comentário do insuspeito Luís Delgado, na TSF, exaltando como um facto positivo a rapidíssima reacção de Morais Sarmento à notícia da revista «Visão» sobre o caso Lusíada, porque abona em favor da capacidade de reacção política a factos adversos que o actual governo demonstrou, também. O facto de se aprovar legislação por medida para se contornar os obstáculos de um quadro legal que, no entanto, se mantém inalterável p ara todos aqueles que não têm familiares ou amigos no governo e nos círculos do poder não é coisa que incomode, hoje, por aí além, o referido comentador. Do mesmo modo que não o incomodou o facto da decisão ter marginalizado, entre outros, ministros que deveriam ter uma p alavra a dizer sobre o assunto, como José Luís Arnaut que supervisiona tudo o que diz respeito ao sector cooperativo ou Figueiredo Lopes que é o responsável pelo sector das fundações. Enfim, os governos não têm que ser honestos, têm que fazer tudo para parecer que o são. Eis a moral da história que se depreende quer da doutrina que o p erú iraquiano de Bush Jr. põe a nú, quer da intervenção que Luís Delgado protagonizou acerca do caso Lusíada. Uma moral que, no entanto, esconde alguma coisa. Em rigor, dever-se-ia afirmar, antes, face àquilo que nos é revelado quer p or Bush Jr. quer por Luís Delgado que os governos não têm, de facto, que ser honestos desde que a sua máquina de propaganda se encontre bem afinada e activa, de forma a fazer-nos crer que o perú é verdadeiro e que o governo PSD/PP é honesto e competente. Alguém se lembra da demissão de Isaltino Morais ou da palavra de honra de Martins da Cruz que, Autor do Artigo Ariana Cosme Fac. de Psicologia e Ciências da Educação, Univ. de Porto tr[email protected]t Rui Trindade Faculde de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto tr[email protected] Inf. sobre o artigo Jornal "a Página" Nº 130 Ano 13 | Janeiro 2004 Pag. 20 Imprimir este artigo Versão para impressão Abre uma nova janela com este artigo numa versão mais amiga da impressora. LIVRARIA PUBLICIDADE EXTERNA Page 1 of 3 11-02-2009http://www.apa g ina.pt/arquivo/Arti g o.asp?ID=2874 INQUÉRITOS em arquivo CONTACTOS e cartas à redacção afinal, se mexera bastante mais em prol do futuro da filha do que aquilo que anunciara ao país ? Que repercussões políticas tiveram as sanções duras e inéditas que o Banco de Portugal aplicou a Tavares Moreira, porta-voz do PSD para as questões das Finanças ? O que irá acontecer com Abílio Morgado, o Secretário de Estado da Reforma Educativa, face à sua incapacidade em explicar o engrossar do número de falcatruas ao nível da colocação dos professores que o Sindicato de Professores da Zona Centro tem vindo a denunciar ? Alguém se lembra ainda das promessas de David Justino acerca do combate à indisciplina nas escolas ? O que mudou desde a implementação do decreto-lei que fez aprovar logo em Dezembro de 2002 ? Será que os professores deixaram de viver no inferno, passando a descansar em autênticos paraísos terreais ? E que mudanças substanciais ocorreram desde então, do ponto de vista da qualidade do ensino, com a introdução da nova legislação sobre avaliação que vinha pôr cobro ao laxismo que o DecretoLei nº 98/A de 1992 e, p osteriormente, o Decreto-Lei nº 30 de 2001 instituíram ? Porque é que os arautos do rigor e da exigência não desancaram, desta vez, na estratégia anunciada pelo Ministro da Educação, numa entrevista por si concedida ao «Expresso» (15/11/2003), quando este, em resposta à necessidade de melhorar a avaliação dos alunos p ortugueses nas provas do PISA, não propõe qualquer medida pedagógica de fundo, tal como tem andado a prometer, mas sessões de treino específicas que permitam, de forma manhosa e irresponsável, apresentar resultados que em nada correspondem ao que, de facto, os alunos sabem e aprendem nas escolas que frequentam ? Porque é que não ouvimos o inefável Pacheco Pereira, a activa Filomena Mónica ou o sedutor Marcelo Rebelo de Sousa zurzir numa solução tão demagógica e perversa ? Os exemplos acerca da política educativa dos dois ministérios relacionados com a educação não se ficam por aqui. Há um filão imenso para explorar que permite demonstrar como o perú intragável de Bush Jr. constitui a expressão de uma doutrina p olítica que, no caso português, tem vindo a apaziguar, por exemplo e por enquanto, os efeitos p olíticos da pateada que os bombeiros ofereceram ao Ministro da Administração Interna e, por sua vez, os benfiquistas dedicaram a Durão Barroso na inauguração do novo estádio da Luz. Uma doutrina que tenta transformar o inequívoco e dramático agravamento do défice do subsector Estado num facto aceitável, apesar de todos os congelamentos salariais e dos cortes a eito que a Drª Manuela Page 2 of 3 11-02-2009http://www.apa g ina.pt/arquivo/Arti g o.asp?ID=2874 Ferreira Leite tem andado a fazer em tudo o que é domínio do sector público e, dentro deste, nas áreas do social, da saúde e da educação. Uma doutrina que permite que os nossos comentadores comecem p or ignorar a tese daquele ministro alemão que elege a política de finanças seguida pelo governo p ortuguês como a prova do que não se deve fazer, em nome do PEC, num tempo de recessão económica, para, em seguida, se dedicarem, também, a justificar afanosamente as razões do voto favorável do mesmo governo às pretensões de quem manda em Paris e em Berlim, diametralmente opostas àquelas que o governo PSD/PP, contra todas as evidências e o mais perfeito bom-senso, tem vindo a assumir desde o início do seu mandato. A questão, hoje, não consiste, no entanto, em saber até quando é que a doutrina do perú vai continuar a vigorar. É inútil discutir o que, actualmente, é o inevitável. A questão que se nos coloca é outra, p assa por saber que formas concretas é que irá assumir. Uma pequena e discreta notícia, numa p ágina ímpar de um jornal de referência, sob o negócio dos submarinos e a aquisição de armamento ou uma redacção inteligente e ortograficamente cuidada de um despacho inócuo e p arcimonioso ? A questão que se nos coloca, hoje, é a de saber, então, como é que enquanto cidadãos resistimos, o que é o mesmo que inquirir como é que participamos, nos dias que correm, na construção de uma sociedade democrática. Page 3 of 3 11-02-2009http://www.apa g ina.pt/arquivo/Arti g o.asp?ID=2874