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Alguns problemas ligados ao emprego de azulejos mudéjares em Portugal nos sécs. XV e XVI

Maria José Goulão

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Alguns p oblemas ligados ao emp ego de azulejos «mudéja es» em Po ugal nos séculos XV e XVI Ma ia José Goulão (Faculdade de Belas A es da Uni e sidade do Po o) GOULÃO, Ma ia José – Alguns p oblemas ligados ao emp ego de azulejos «mudéja es» em Po ugal nos séculos XV e XVI. Sep. de: “Relaciones a ís icas en e Po ugal y España”. [S.l.]: Jun a de Cas illa y Leon, 1986. p. 129-154. I. INTRODUÇÃO: O AZULEJO «MUDÉJAR» COMO PONTO DE PARTIDA DA DECORAÇÃO MURAL AZULEJADA EM PORTUGAL A la ga e an iga adição do emp ego de azulejos como elemen o deco a i o em Po ugal em as suas aízes em Espanha 1 . Com e ei o, os p imei os exempla es de azulejos exis en es no nosso país o am impo ados dos g andes cen os p odu o es espanhóis, que se man i e am du an e la gos anos como os únicos o necedo es do me cado nacional. Ao longo das cen ú ias de Qua ocen os e Quinhen os, as emessas indas de Espanha, umas de g ande ul o e de alo a ís ico ines imá el, ou as mais modes as, ans o ma am adicalmen e o aspe o de mui os dos nossos edi ícios de ca á e eligioso e ci il. A deco ação ce âmica o nou-se de al o ma ap eciada que se c iou uma e dadei a moda, o que se comp eende endo em con a o g ande e ei o deco a i o dos azulejos «mudéja es», o seu ela i amen e baixo cus o e ácil aplicação. O começo da p odução nacional e a c iação de o icinas no nosso país su gem assim como espos a a es e gos o pela deco ação ce âmica, o iginando uma adição a ís ica que não mais se pe deu 2 . 1 A p óp ia pala a azulejo, idên ica ao e mo espanhol e que de e e chegado a Po ugal com os p imei os exempla es impo ados da Andaluzia e do Le an e, con i ma a in luência espanhola na c iação do gos o nacional pela deco ação ce âmica. Segundo J.M. dos San os Simões, os mais an iguos documen os esc i os encon ados a é hoje em Po ugal nos quais apa ece a pala a azulejo – ou azuleijo – são os o ais manuelinos de inícios do século XVI (RAFAEL SALINAS CALADO: Azulejos – Cinco séculos de azulejo em Po ugal, Lisboa, Fundação Calous e Gulbenkian, 1980, s/p e J.M. DOS SANTOS SIMÕES: Azuleja ia em Po ugal nos séculos XV e XVI – In odução ge al, Lisboa, Fundação Calous e Gulbenkian, 1969, pp. 41 e 42). 2 «Só no inal da e a quinhen is a, du an e o pe íodo do domínio espanhol (1580-1640), quando o País pe de a independência, é que o azulejo adqui e a pe sonalidade e o ca á e que o i á a nacionaliza . A si uação polí ica, longe de a e a o desen ol imen o da a e azuleja , em acili á-lo a a és dos meios écnicos azidos pela impo ação dos olei os andaluzes» (RAFAEL SALINAS CALADO: Ob.ci .). II. TIPOLOGIA DOS AZULEJOS IMPORTADOS DE ESPANHA NOS SÉCULOS XV E XVI Os azulejos de p o eniência espanhola usados en e nós nos séculos XV e XVI são conhecidos pelo e mo gené ico de «mudéja es». Tal designação liga-se não só aos locais de o igem desses mesmos azulejos – as ola ias espanholas onde se azia sen i a in luência das p oduções ce âmicas da a e mudéja – como ambém aos mo i os o namen ais neles p edominan es – en elaçados complexos e laça ias geomé icas, no malmen e em disposição adial ou es elada -, ca ac e ís icos daquela a e espanhola 3 . Embo a o e mo em ques ão con inue a se o concei o ope a ó io mais p á ico e co e o, não deixa no en an o de se e ela de ce o modo imp eciso pa a designa de o ma gené ica uma p odução ce âmica abundan e e a iada, que se es endeu po quase dois séculos. É necessá io, po an o, e em a enção que sob es a e minologia se englobam não só os exempla es di e amen e in luenciados pela a e mudéja , como ambém os p odu os de gos o híb ido, com mo i os deco a i os gó icos ou o namen ação de es ilo ma cadamen e enascen is a 4 . Embo a o cen o po excelência de i adiação da ce âmica mudéja enha sido a egião da Andaluzia, com p olongamen os em Cas ela, encon am-se ambém em Po ugal exempla es p o enien es de Valência, onde p edominou o ab ico do azulejo pin ado à mão, sem esmal e e u ilizado pa a pa imen os ou e os. Exis em en e nós azulejos da zona de p odução alenciana que di e em g andemen e dos modelos se ilhanos, não só pelas écnicas u ilizadas no seu ab ico e deco ação, como pelo colo ido e pelos mo i os que ap esen am, com eduzida aplicação de emas de inspi ação muçulmana. Os exempla es que nos es am pouco ou nada êm de mudéja 5 e são a os, deixando p essupo uma impo ação espo ádica e limi ada. Op ámos no en an o po lhes aze b e es e e ências ao longo da nossa exposição, pois pensamos que nos podem o nece alguns con ibu os quan o às impo ações em ge al, embo a o seu es udo ul apasse al ez o âmbi o do nosso abalho. 3 O P o . Dou o PEDRO DIAS, no seu li o O mudeja ismo na a e coimb ã – séculos XV e XVI, Coimb a, Uni e sidade de Coimb a, 1979, p. 9, de ine a a e mudéja em sen ido es i o como as «a i idades a ís icas dos muçulmanos que i em em e i ó io c is ão» e, em sen ido amplo, como «qualque mani es ação que em e a c is ã enha in luências islâmicas». É e iden e que seguimos aqui o concei o mais ala gado. 4 FELICIANO GUIMARÃES: Azulejos de igu a a ulsa, Gaia, Edições Pá ia, 1932, p. 17. 5 O his o iado LEOPOLDO TORRES BALBÁS: A s Hispaniae – His ó ia uni e sal del a e hispânico, ol. IV, Mad id, Edi o ial Plus-Ul a, 1949, é o único au o que conhecemos que conside a an o a ce âmica alenciana como a andaluza como mani es ações de a e mudéja . Pensamos que ao azê-lo se guiou mais po azões c onológicas do que p op iamen e pelas a inidades exis en es en e ambas, que são e e i amen e eduzidas. Pa a além das ajolas, nome dado ao ipo especí ico do azulejo alenciano, exis em em Po ugal es ígios de al a dons, lad ilhos de o ma o hexagonal i egula , e de lose as, pequenos lad ilhos quad ados que se combina am no malmen e com os al a dons. Quan o aos azulejos de ab ico andaluz, ag upados sob a designação comum de «mudéja es», encon amos em Po ugal exempla es ep esen a i os dos ês ipos de écnicas u ilizadas – o alica ado 6 , a co da seca 7 e a a es a ou cuenca 8 -, ac o que e le e uma impo ação abundan e, ab angendo um pe íodo de empo ela i amen e longo. III. A CRONOLOGIA DAS IMPORTAÇÕES Nenhum dos exempla es de azulejos «mudéja es» exis en es em Po ugal de que emos conhecimen o se encon a da ado, o que di icul a g andemen e a a e a de es abelece uma c onologia an o quan o possí el co e a das impo ações. Com e ei o, não e a hábi o dos al a e os espanhóis da a ou assina as suas p oduções. O ab ico de azulejos em sé ie e a conside ado mais como uma pequena indús ia a esanal do que como uma o ma de a e que digni icasse o a esão que execu a a al a e a, não lhe concedendo o es a u o de e dadei o a is a. Na al a de azulejos da ados, e emos que eco e a exempla es da á eis ou documen ados, is o é, àqueles cujas épocas de ab ico ou de ins alação se podem dep eende de documen os coe os que a eles açam e e ência cla a e p ecisa. Nes e g upo encon am-se os azulejos «mudéja es» se ilhanos que e es iam quase o almen e a Sé Velha de Coimb a e que a maio ia dos especialis as elaciona com um documen o 9 , da ado de 31 de ou ub o de 1503, 6 A écnica do alica ado consis ia no co e de placas de ba o cozido e esmal ado em pedaços de o mas geomé icas a iadas, os alice es, usados depois pa a compo desenhos polic omos egula es. Es e p ocesso su giu em Se ilha possil elmen e no século XIII, azido pelos a í ices mou os do eino muçulmano de G anada e pe du ou a é Quinhen os, embo a o seu uso a dio enha sido espo ádico. 7 P ocesso simpli icado que subs i uiu a écnica do alica o du an e o úl imo qua el do século XV, concen ando num só lad ilho quad ado de molde le an ino, os mo i os a é aí ob idos pela junção de á ios alice es. Nas placas de ba o ainda esco azia-se o desnho a a és de incisões; depois de uma cozedu a p é ia, enchiam-se essas incisões com imã mis u a oleosa que isola a as á eas onde se aplica iam as co es, impedindo a sua mis u a. Es e p ocesso, mui o mais ápido e de baixo cus o, pe mi iu um aumen o signi ica i o da p odução e, logo, uma maio di usão. 8 No início do século XVI, gene alizou-se o uso da écnica de a es a ou cuenca. Os desenhos e am ob idos pela p essão de um molde de madei a no ba o ainda esco; as conca idades p oduzidas pelo molde em al o ele o ica am delimi adas po a es as, que pe mi iam um bom isolamen o das co es aplicadas nessas conca idades ou cuencas. 9 Documen o ansc i o de o ma incomple a em JOSÉ GESTOSO Y PÉREZ: His ó ia de los ba os id iados se illanos desde sus o ígenes has a nues os dias, Se ilha, 1903 (ci ado po Ve gílio CORREIA: Azulejos, ol. I, Coimb a, Li a ia Gonçal es, 1956, pp. 5-7). no qual se mencionam in e mil ma a edis de azulejos encomendados po mes e Oli a , en alhado , mo ado em Coimb a, a Fe nán Ma ínez Guija o e a Ped o de He e a, seu ilho, olei os de T iana. Tudo indica que es es azulejos sejam os da Sé Velha de Coimb a, comp ados po D. Jo ge de Almeida, bispo da diocese, a a és do mes e en alhado lamengo Oli ie de Gand, um dos au o es do e ábulo da capela-mo do e e ido emplo, aos olei os se ilhanos de que a a o documen o 10 . Acei ando que os azulejos «de labo es» mencionados no documen o em ques ão sejam os exempla es, na sua maio ia de a es a, que o a am a an iga Sé conimb icense, emos que já no início do século XVI se expo a am pa a Po ugal quan idades conside á eis des e ipo de e es imen o ce âmico 11 . Reynaldo dos San os inse e na sua c onologia de azulejos da ados ou da á eis 12 os exempla es de a es a encon ados a pa imen a a capela sepulc al de Ga cia de Resende, no con en o do Espinhei o, em É o a, a ibuindo-os ao ano de 1520, com base na da a de cons ução da capela, exis en e numa insc ição do escudo dos Resende, sob e o pó ico. In elizmen e, a c onologia dos azulejos da á eis, quan o ao pe íodo que nos impo a conside a , limi a-se a es es dois casos, o úl imo dos quais nem seque nos dá qualque indicação sob e a impo ação p op iamen e di a. A in es igação heu ís ica, baseada em documen os esc i os, e e uada pelos á ios his o iado es da a e que se deb uça am sob e es a ma é ia, pe mi e-nos a ança um pouco mais, mas mui o há ainda a aze . A exis ência de alguns documen os, a maio pa e dos quais já de idamen e ansc i os e publicados po José Ges oso y Pé ez 13 , ajuda-nos a dei a alguma luz sob e a c onologia das impo ações de azulejos «mudéja es» da Andaluzia. Es as e -se-iam iniciado ainda no século XV, aumen a am de in ensidade depois de 1500 e con inua am de o ma egula du an e mais meio século. Os p imei os exempla es impo ados de Se ilha e ão sido os mosaicos ce âmicos ei os na écnica do alica ado, no pa imen o da capela e do qua o di o de D. A onso VI, no Paço de Sin a. Embo a su jam dú idas quan o à sua o igem se ilhana 14 , de endida po Reynaldo dos San os 15 , o ce o é que, a 10 São des a opinião PEDRO DIAS: Ob.ci ., pp. 38-40, VERGÍLIO CORREIA: Ibidem e REYNALDO DOS SANTOS: O azulejo em Po ugal, Lisboa, Edi o ial Sul Limi ada, 1957, pp. 39-43. 11 «Sin emba go el mayo desa ollo de la nue a écnica debió ene luga en el úl imo cua o del siglo (compi iendo com el en onces lo escien e de cue da seca). (…) La g an expo ación que de es os azulejos se lle ó a cabo en Se illa po los años de 1500 a di e sos pun os de la Península incluso a Po ugal, co obo a lo an es expues o» (SANCHO CORBACHO: La ce âmica andaluza – Azulejos se illanos del siglo XVI de cuenca, Se ilha, 1953, ci ado po REYNALDO DOS SANTOS: Ob. ci ., p. 42). 12 REYNALDO DOS SANTOS: Ob. ci ., p. 154. 13 JOSÉ GESTOSO Y PÉREZ: Ob. ci . Es a ob a pa ece-nos undamen al, mas não oi possí el consul á-la di e amen e is o ela não se encon a nas nossas biblio ecas. 14 J.M. DOS SIMÕES: Ob. ci ., pp. 57-59. con i ma -se es a iliação, se encon am en e os mais an igos exempla es impo ados da Andaluzia que se conse am em Po ugal. Com e ei o, sendo o alica ado uma écnica an e io a da co da seca e à da a es a, que ep esen am es ádios e olu i os supe io es, é de c e que es es exempla es enham sido impo ados no século XV, numa da a pos e io à omada de A zila po D. A onso V em 1471 e possi elmen e an e io a 1479, al u a em que num documen o e e en e ao al a e o Fe nán Ma ínez Guija o se lê que «po se muy buen o icial de Po ogal e de o as pa es lo bienen a busca e lle a de su ob a pa a odo el eyno» 16 . Seja qual o o ipo de azulejos a que se e e e o documen o de 1479, o ce o é que nes a da a já se e e ua am expo ações de Se ilha pa a o nosso país 17 . As impo ações man êm-se de o ma con ínua du an e a p imei a me ade do século XVI, con o me se dep eende não só da exis ência de impo an es núcleos de azulejos «mudéja es» de co da seca e de a es a, como ambém dos á ios documen os esc i os que a elas se e e em. Da ada de 14 de junho de 1501, exis e uma esc i u a pela qual Ped o de He e a endeu a Al on Ál a ez «cie a labo de su o icio» (não se sabe que ipo de ce âmica se ia, mas podia bem a a -se de azulejos), com a condição de lhe comp a em Po ugal um esc a o, ob igando-se a azê-lo pa a Se ilha 18 . Em 24 de maio de 1502, «Es eban Rod íguez, a mado de sa dina, ecino de Sezimb a que es en el eino de Po ugal econoció en su a o una deuda de 400 ma a edizes, impo e de 200 azulejos que de aqui ecebió» 19 . Em 17de ou ub o de 1503, «Agus ín González, me cado es an e en la ciudad de Lisboa, econocióse deudo de Ped o de e e a e de Diego Rod íguez de San Román po 6.070 ma a edís de cie a labo que les comp o» 20 . Também es a esc i u a é ambígua quan o ao ipo de ce âmica que oi obje o de ansação, mas sendo a o icina de Ped o de He e a especializada na p odução de azulejos, de e se es e o p odu o em ques ão. 15 REYNALDO DOS SANTOS: Ob. ci ., pp. 27-30. 16 T ansc i o po JOSÉ GESTOSO Y PÉREZ: Ob. ci ., cap. VII, pp. 175 e sgs. (ci ado po VERGÍLIO CORREIA: Ob. ci ., pp. 5-7). 17 «A ecen e descobe a de pa imen os alica ados numa capela do claus o da Sé de Lisboa, ainda em es udo, pode á cons i ui um no á el documen o da u ilização des e a o ipo de ce âmica, num pe íodo do século XIV» (RAFAEL SALINAS CALADO: Ob. ci .). 18 JOSÉ GESTOSO Y PÉREZ: Ob. ci . (ci ado po REYNALDO DOS SANTOS: Ob. ci ., pp. 42 e 43 e po J.M. DOS SANTOS SIMÕES: Ob. ci ., p. 65). 19 JOSé GESTOSO Y PÉREZ: Ob. ci ., p. 376 (ci ado po REYNALDO DOS SANTOS: Ob. ci ., p. 38). J.M. DOS SANTOS SIMÕES: Ob. ci ., pp. 65 e 66, ap esen a uma e são ligei amen e di e en e do mesmo documen o. 20 JOSÉ GESTOSO Y PÉREZ: Ob. ci ., p. 266 (ci ado po REYNALDO DOS SANTOS: Ob. ci ., pp. 35 e 36). De 31 de ou ub o de 1503 é o documen o já a ás e e ido, pa e do qual, na e são de Ve gílio Co eia, passamos a ci a : «De e maes e oli a en allado eçino de la çibdad de Coynb a quês en el eyno de po ogal a e and [sic] ma ines guija o e a Ped o de e e a su ijo eçinos de T iana p esen e el dicho Ped o de e e a, o a qualquie e delos, e c… eyn e mill ma a edis de es a moneda usual que co e en cas illa… que son en su pode de que es pagado e enuncian la esebcion…» 21 . No Li o uncado da ecei a e da despesa de And é Gonçal es, do ano de 1508, mencionam-se ambém emessas de azulejos: «I em Em qua o ze dias do mês de dezemb o do quinhen os e oi o Reçebeo o di o almoxa i e de Diogo ba budo eado das ob as dez mill e çem o e co en a e seis peças dos quaes lhe deu conhecimen o em o ma» 22 . No o al de Lisboa, e o mado em 1501, ambém se az e e ência aos azulejos «que ie em de o a do Regno pe oos» ou que» apo a am ou en a am em algum ou o luga e po o do Regno, assi do ma quomo da e a» 23 . Todos es es documen os ilus am uma abundan e co en e de impo ações. Na maio pa e dos casos, de e a a -se de exempla es de a es a, cuja manu a u a adqui e, po ola a de 1500, impo ância mui o supe io . O ab ico de azulejos de co da seca em e i ó io c is ão pa ece limi a -se ao einado dos Reis Ca ólicos, sendo es es mui o mais a os em Po ugal. Os azulejos de a es a espalha am-se no nosso país a pa i do início do século XVI, sob o in luxo das ob as manuelinas. Os úl imos des es ipos se ilhanos en iados pa a Po ugal o am al ez os da quin a de Bacalhoa. Como as ob as des a casa se concluí am em 1554, segundo a insc ição da en ada, de e e sido po es a al u a que se coloca am os úl imos exempla es impo ados de Se ilha. Ence a a-se assim o ciclo do azulejo «mudéja », que ab angeu um pe íodo ligei amen e supe io a cem anos de meados do século XV a meados da cen ú ia seguin e 24 . Quan o aos azulejos pa a pa imen os alencianos, sabemos que Manises os expo ou pa a á ios países eu opeus, onde e am mui o ap eciados desde inais de T ezen os a é a inícios do século XVI, al u a em que as o icinas da 21 JOSÉ GESTOSO Y PÉREZ: Ob. ci . (ci ado po VERGÍLIO CORREIA: Ob. ci ., pp. 5-7). 22 Documen o ansc i o na ob a do Conde de SABUGOSA: O Paço de Cin a, Lisboa, Imp ensa Nacional, 1903, p. 222. 23 Documen o ansc i o em JOAQUIM DE VASCONCELLOS: Ce âmica po uguesa, II Sé ie, Po o, Tipog a ia Elze i iana, 1884, p. 112. 24 Nes a al u a – meados do século XVI – a louça e os azulejos de Tala e a de la Reina, onde se desen ol eu a écnica da majólica impo ada de I ália, começa am a impo -se, acabando po a uina as ola ias mudéja es de Se ilha. zona de Valência en a am em declínio de ido à conco ência das peças de a es a se ilhanas 25 . Po ugal pa icipa dessa expo ação no século XV, sendo al ez os lad ilhos alencianos encon ados no Paço Real da Alcáço a, em Lisboa, no an igo Paço dos In an es, em Beja, na quin a de Bacalhoa, em Azei ão, no con en o de Jesus, em Se úbal e no Paço Real e na quin a do Al o, em Sin a, os es emunhos mais an igos da impo ação de azulejos espanhóis. Es es exempla es de em e sido p oduzidos e expo ados pa a Po ugal num pe íodo de empo que an ecedeu e ab angeu o apogeu dos cen os manu a u ei os de Manises e Pa e na, is o é, en e 1460 e 1480 26 . IV. AS FONTES DE IMPORTAÇÃO Pa a a impo ação de azulejos «mudéja es», eco eu-se sob e udo às ola ias de Se ilha, que o am desde o século XV o g ande oco de p odução. Além das p o as documen ais já acima e e idas, as semelhanças de pad ão en e alguns azulejos da quin a da Bacalhoa e do con en o da Conceição de Beja e os exempla es exis en es na ig eja do con en o de San a Paula e na casa de Pila os de Se ilha 27 , e o çam es a hipó ese e são indicado es cla os da p e e ência dada em Po ugal à p odução se ilhana. As ob as do Alcáce de Se ilha, que se p olonga am de 1360 a é ce ca de 1500, a aí am inúme os a í ices e ce amis as indos do eino mou o de G anada. Es es acaba am po se ixa na egião, indo abalha pa a as an igas o icinas mou iscas de ola ia exis en es desde o século XII e cuja p odução se inha man ido sem g andes al e ações, apesa da econquis a de Se ilha em 1271. 25 LEOPOLDO TORRES BALBÁS: Ob. ci .; JUAN AINAUD DE LASARTE: A s Hispaniae – His o ia uni e sal del a e hispânico, ol. X, Mad id, Edi o ial Plus-Ul a, 1952. 26 Vá ias en a i as de da ação, an o quan o possí el exa a, dos azulejos le an inos exis en es em Po ugal o am já le adas a cabo. De en e a mui a bibliog a ia, des acamos J.M. DOS SANTOS SIMÕES: Azulejos de Beja, «A qui o de Beja», ol. I, asc. IV, Ou ub o-Dezemb o 1944, pp. 309-323, Idem, Ob. ci ., pp. 53-55. 27 CÂNDIDO MARRECAS: Os azulejos da Casa do Capí ulo do Con en o da Conceição, «Diá io do Alen ejo», Beja, 22.IV.1940, e e e-se à «semelhança absolu a en e a ba a que e mina supe io men e o silha da Casa do Capí ulo, e a ou a que o ma a ol a aba ida sob ejacen e à es á ua umula do sepulc o de Don León En ique, na ig eja de San a Paula, em Se ilha». Diz ainda es e au o : «O desenho des a ce cadu a é o iginal e mui o no á el. Rep esen a cla amen e um exempla de es ilização ege al ( al ez oncos de azinhei as) e é uma a ian e, mais eliz de desenho, dessa ou a ba a que encima os painéis que o am in e io men e o pá io da chamada Casa de Pila o, em Se ilha. E é ão pe ei a a semelhança en e aqueles e os seus i mãos bejenses e ão exa a a ep odução do o na o que é líci o supo -lhe o igem e molde comum». REYNALDO DOS SANTOS: Ob. ci ., p. 51 e J.M. DOS SANTOS SIMÕES: Ob. ci ., p. 70 e e em exempla es de azulejos da Bacalhoa semelhan es aos do palácio se ilhano do ma quês de Ta i a. O a abalde de T iana, si uado na ma gem di ei a do Guadalqui i , o a, desde o início, o núcleo mais impo an e de al a e ías mudéja es. Em 1491, os Reis Ca ólicos a o ece am o es abelecimen o de mou iscos em T iana, dando assim no o impulso às ola ias aí exis en es, que abas ece am copiosamen e o me cado po uguês. A ola ia de Fe nán Ma ínez Guija o, mais a de en egue ao seu ilho Ped o He e a, é, de en e as o icinas ianei as, aquela cujas expo ações pa a Po ugal nos pa ecem mais abundan emen e documen adas. A esc i u a, publicada po Ges oso y Pé ez, que ace ca de Guija o diz que «po se muy buen o icial de Po ugal e de o as pa es lo bienen a busca e lle a de su ob a pa a odo el eyno» 28 , dá-nos uma ideia da ama alcançada po es a al a e ía. Não e á ce amen e sido a única, mas a es e espei o os ex os da época publicados a é à da a e de que emos conhecimen o, não nos o e ecem e e ências conc e as sob e as ou as ola ias. Quan o aos azulejos le an inos, e am impo ados de Valência, cen o de ab icação com in luências hispano-mou iscas. Sabemos que Manises e Pa e na, nos a abaldes de Valência, expo a am os seus p odu os não só pa a o es o da Península como ambém pa a F ança, I ália e Ingla e a. Os exempla es de azuleja ia alenciana encon ados no nosso país, embo a não enham a sua o igem cla amen e documen ada, co espondem aos ipos mais comuns de Manises e Pa e na, pelo que é de supo a exis ência de uma co en e expo ado a na di eção de Po ugal 29 , embo a mui o mais modes a que a que es abelecemos com Se ilha. Em elação à zona de Cas ela, mais conc e amen e a Toledo, onde se p oduzi am azulejos de co da seca e de a es a, du an e o pe íodo que nos in e essa es uda , não conhecemos nenhuma p o a conc e a da sua exis ência em Po ugal. Pode e ha ido impo ações des a egião, mas a impossibilidade de sepa a as p oduções daquela cidade das de Se ilha, de ido à sua semelhança, di icul a a a e a de as iden i ica . 28 Documen o ansc i o po JOSÉ GESTOSO Y PÉREZ: Ob. ci ., cap. VII, p. 175 (ci ado po VERGÍLIO CORREIA: Ob. ci ., pp. 5-7). 29 A es e espei o, a i ma J.M. DOS SANTOS SIMÕES: Ob. ci ., p. 53: «Po ugal pa icipa dessa expo ação, à qual não e ão sido es anhas as elações es abelecidas pelo In an e D. Ped o (1418-1428) e, mais pa icula men e, depois do seu casamen o com a ilha do Conde de U gel, D. Isabel, e des e o de seu ilho, o Condes á el D. Ped o, e éme o Rei dos Ca alães em 1463». V. A COMERCIALIZAÇÃO E O TRANSPORTE DOS AZULEJOS Pensamos que a maio pa e dos con ac os com as ola ias espanholas, com is as à impo ação de azulejos, de ia se ei a po in e mediá ios po ugueses ou espanhóis, que se enca ega am ambém, e en ualmen e, do seu anspo e. Embo a escasseiem os dados conc e os ela i os à sua come cialização, emos alguns documen os sob e o comé cio da louça impo ada de Espanha que nos pode ão o nece escla ecimen os sob e o assun o. O o al de Lisboa, e o mado em 1501, e que já ci amos pa cialmen e nes e abalho, es abelece os di ei os de po agema paga pela louça e azulejos que de em en ada no Reino:«I em da mallega, e azulejos que ie em de o a do Regno pe oos, despois de se paga ho di ei o da Al ândega, se aquella mesma pessoa, que ho pagou, quize i a hás di as couzas pe a o a, assi pe ma , quomo pe e a, nom paga am mais di ei o de Po age, dizendo pe seu ju amen o, que há dizimou, e ai po sua. Pe oo se ou em comp a a di a mallega, e azulejos, e a i a pe a o a da Cidade, e e mo, ou há ou e de o a da di a Cidade, e e mo pe a ende , assi pe ma , quomo pe e a, nom indo pe oos, paga á dois eis po cen o de odo ho que cus a pe ju amen o das pa es. E se há di a mallega, e azulejos apo a am, ou en a am em alguu ou o luga e po o do Regno, assi do ma quomo da e a, e hi se paga seu di ei o, se despois ie em aha di a Cidade, pos o que pela oos enham, nom se paga á aqui mais di ei o da en ada que os di os dois eis po cen o. E is o pollas pessoas, que há ou e em pe a ende » 30 . Es e ex o, que em pelo menos o in e esse de se dos poucos que se e e em conc e amen e à come cialização dos azulejos, p o a a exis ência de come cian es que se enca ega am do anspo e daqueles pa a Po ugal, jun amen e com a louça, pa a aqui se em ansacionados. C emos que os azulejos, que não e am naquele pe íodo um a igo de uso comum, se iam obje o de encomendas especiais, ei as a a és dos me cado es de louças que se desloca am a Espanha, ou de in e mediá ios possuindo negócios no país izinho e escolhidos pa a o e ei o. Nos documen os ci ados po Ges oso y Pè ez, menciona-se quase semp e um in e mediá io. Na esc i u a de 14 de junho de 1501, Ped o de He e a endeu o p odu o do seu abalho a um al Al on Ál a ez, que de ia se um come cian e habi uado a ope a en e os dois países, pois comp ome ia-se a comp a um esc a o em Po ugal e a en egá-lo em Se ilha ao e e ido olei o. 30 Documen o ansc i o em JOAQUIM DE VASCONCELLOS: Ob. ci ., p. 112. VII. RAZÕES DA GENERALIZAÇÃO DO EMPREGO DE AZULEJOS «MUDÉJARES». O DISTRITO DE COIMBRA COMO EXEMPLO DA SUA AMPLA UTILIZAÇÃO Das ob as de eli e às humildes ig ejas pa oquiais, os azulejos «mudéja es» e ela am-se du an e o século XVI como um elemen o deco a i o mui o di ulgado e ap eciado. As azões des a gene alização p endem-se na u almen e com as an agens que al ipo de deco ação ap esen a a. Não sendo um p odu o excessi amen e ca o, o e ecia possibilidades quase in ini as de u ilização, podendo se usado sem dis inção em edi ícios de ca á e eligioso ou ci il, em pa edes ex e nas ou in e nas, em abóbodas, pá ios, co edo es, caixas de escada, bancos de ja dim ou salões. O seu b ilho esmal ado, as co es o es e os mo i os u ilizados con e iam-lhe um acen uado sabo exó ico, de que se i ou pa ido ao associá-lo à a qui e u a mudéja . Nas cons uções mais modes as, alguns exempla es de azulejos bas a am pa a gua nece um on al de al a ou um odapé, conseguindo-se sem g ande despesa uma deco ação polic oma du adou a e is osa. Em oda a egião de Coimb a, o seu uso gene alizou-se apidamen e, depois de D. Jo ge de Almeida e encomendado os exempla es que deco a am a Sé Velha. Alguns dos e es imen os ce âmicos exis en es nes a egião podem mesmo e sido encomendados em Se ilha jun amen e com o que se des ina a àquele emplo e dis ibuídos pelo bispo-conde pelas ig ejas do pad oado da Sé 51 . No dis i o de Coimb a, emos conhecimen o de in a e se e cons uções di e en es, na sua maio pa e ig ejas pa oquiais, onde o am encon ados es ígios de deco ação com azulejos «mudéja es», quase semp e de a es a e se ilhanos 52 . Em algumas des as ig ejas, como na do con en o de S. Paulo de F ades, o e es imen o cob e ainda uma pa e conside á el do in e io , nes e caso a capela-mo . Pe an e ão abundan e espólio, não es am dú idas quan o à g ande di ulgação alcançada en e nós po es e ipo de deco ação que, segundo o P o . Ped o Dias, «e a em mui os casos o único oque de luxo ao alcance da bolsa das modes as populações u ais» 53 . 51 PEDRO DIAS: Ob. ci ., p. 252. 52 ANTÓNIO NOGUEIRA GONÇALVES e VERGÍLIO CORREIA: In en á io a ís ico de Po ugal – Dis i o de Coimb a, Lisboa, Academia Nacional de Belas A es, 1952 e Idem, In en á io a ís ico de Po ugal – Cidade de Coimb a, Lisboa, Academia Nacional de Belas A es, 1947. 53 PEDRO DIAS: O mudeja ismo…, p. 44. VIII. EFEITOS DECORATIVOS ORIGINAIS E INOVADORES CONSEGUIDOS COM OS AZULEJOS «MUDÉJARES» Em Po ugal, o emp ego de azulejos «mudéja es» nem semp e se cingiu a uma me a cópia dos e ei os deco a i os mais comuns no país izinho. Com e ei o, emos en e nós á ios exemplos e elado es de no as conceções deco a i as, pouco usuais ou mesmo desconhecidas em Espanha. Como não i emos acesso di e o a alguns dos monumen os onde es as no as conceções se ize am sen i , limi ámo-nos às in o mações colhidas nas ob as de J.M. dos San os Simões 54 e de Reynaldo dos San os 55 , que, à al a de no os elemen os, nos pa ecem dignas de c édi o, dada a econhecida en e gadu a dos au o es. A Sé Velha de Coimb a, huje p e icamen e desp o ida da sua deco ação ce âmica o iginal, e e em empos um e es imen o quase o al, de al modo imponen e que se podia conside a um conjun o único. De ac o, as peças, na sua maio ia de a es a, e es iam odas as pa edes do emplo a é ao a anque dos a cos de abobamen o, bem como os pila es, as capelas e os a cossólios. O emp ego dos azulejos de o ma a cob i as pa edes a é a g ande al u a con as a a com as soluções deco a i as mais comuns em Espanha, onde aqueles não ul apassa am no malmen e a al u a dos lamb is. Assim deco ado, o in e io da Sé Velha de ia cons i ui um exemplo único e g andioso, onde a polic omia e o exo ismo da ce âmica mudéja se associa am à sob iedade e pu eza de linhas da a qui e u a omânica e enascen is a. Na ig eja con en ual de S. Paulo de F ades ob e e-se um e ei o deco a i o no á el, i ando-se pa ido dos desenhos e colo ações de o ma a ob e um conjun o onde impe a a monumen alidade. Também a ig eja pa oquial de S. Ma eus, no Bo ão, concelho de Coimb a, conse a dois on ais do al a -mo da p imi i a ig eja con en ual que são um bom exemplo da a e e o iginalidade dos lad ilhado es po ugueses; nes e caso, pa a obs a a esquemas epe i i os, op ou-se po coloca no cen o da composição os pad ões cons i uídos po á ios azulejos, de esquema oc ogonal, odeando-os de ou os de desenho miúdo. A capela de Ga cia de Resende, no con en o do Espinhei o, em É o a, cujo piso de ijolei a se encon a o nado com azulejos «mudéja es», cons i ui um exemplo mui o a o, único en e nós, da in eg ação des es em pa imen os lad ilhados. Mas é na quin a da Bacalhoa, em Azei ão, que se conse am os melho es exemplos des a busca de soluções o iginais e imagina i as. D. A onso de Albuque que, homem de gos o equin ado e de g ande sensibilidade, de e e o ien ado os lad ilhado es aquando da colocação dos azulejos indos 54 J.M. DOS SANTOS SIMÕES: Ob. ci .. 55 REYNALDO DOS SANTOS: Ob. ci .. de Se ilha; só assim se pode explica a o iginalidade da deco ação da escada ia da en ada e de duas das salas da Casa do Lago, onde aqueles o am colocados em diagonal, disposição es a desconhecida na Andaluzia. A busca da monumen alidade e da o iginalidade sem descu a uma ce a noção do equilíb io, p eocupações que es i e am ce amen e na base de oda a deco ação ce âmica, e le em bem uma adap ação des e ipo de e es imen o ao gos o nacional. Um bom exemplo do emp ego p o ano dos azulejos «mudéja es» é a on e de Góis, cujo a co se ap esen a e es ido de exempla es se ilhanos. O emp ego da azuleja ia «mudéja » adqui iu assim no nosso país aspe os ino ado es, u o do gos o e da sensibilidade a ís ica ipicamen e nacionais, o ganizando-se em esquemas que i am o máximo pa ido das suas as as po encialidades deco a i as. IX. CONCLUSÃO Res a-nos, à laia de conclusão, sublinha que o es udo da azuleja ia «mudéja » exis en e em Po ugal não se encon a ainda de modo nenhum o almen e esgo ado. Com e ei o, à medida que o nosso abalho oi omando o ma, ape cebemo-nos das lacunas exis en es nes e campo da in es igação. Pa a além das di iculdades que encon ámos pa a euni a bibliog a ia exis en e em língua po uguesa sob e o assun o, mui o dispe sa em e is as e jo nais, a documen ação já ansc i a e publicada ap esen a-se mui o limi ada. Algumas das hipó eses le an adas necessi am de se apoiadas pelo ecu so sis emá ico a on es esc i as, passí eis de escla ece um ce o núme o de p oblemas e de colma a á ias lacunas. Pa ece-nos pois impo an e insis i na necessidade de um abalho a u ado de ansc ição e publicação dessas mesmas on es, ce amen e labo ioso mas imp escindí el pa a o p og esso des a ma é ia. Um es udo ap o undado des e assun o e á de se soco e da análise não só dos aspe os a ís icos p op iamen e di os, mas ambém dos ac os de o dem económica, social e men al susce í eis de con ibui de o ma de e minan e pa a uma comp eensão global do enómeno. Foi segundo es a pe spe i a que p ocu amos, de o ma dece o limi ada, o ien a o nosso abalho.