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Editorial

Marianne Lacomblez

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4 Plur(e)al [1] tem já uma longa história, feita de vários percursos que se encontraram, se enriqueceram e ampliaram progressivamente uma refl exão sustentada por: • Programas de cooperação entre equipas científi cas de países europeus e latino-americanos – à procura de meios duradouros para desenvolver trabalhos comuns; • Publicações conjuntas - à procura de uma língua mediadora para uma maior difusão dos estudos e das pesquisas realizadas; • Encontros de uma comunidade científi ca, cada vez mais alargada - à procura de uma plataforma para debater as suas convicções e as suas dúvidas. A criação da Plur(e)al passou por fases sucessivas e a sua concretização deve muito a todos os que, provenientes de vários países e de várias disciplinas científi cas, deram as primeiras ideias, formularam sugestões de aperfeiçoamento, abriram as portas das suas experiências e dos seus conhecimentos ou aceitaram uma participação activa no Comité Editorial, assim como no Comité Científi co Internacional. O próprio processo da elaboração desta iniciativa deu logo à Plur(e)al, além do seu cunho internacional, o cariz de plataforma que ambicionamos que passe a assumir-se como um fórum de difusão, de partilha e de construção de visões sobre as formas de investigar e de agir no domínio do trabalho. Esta plataforma será virtual, já que a revista será electrónica. Mas a sua ancoragem não deixará de ser real, já que o objectivo é o de publicar artigos de investigação, de estudo e de refl exão, que recorrem de forma privilegiada à análise da actividade real de trabalho – por constituir o lugar onde se revela concretamente a centralidade do trabalho na história individual e colectiva. Esta opção não invalida a pluralidade das abordagens. Numa lógica de parceria e de cooperação não hierarquizada, a proposta de abertura pluridisciplinar que pretendemos convoca a integração dos conhecimentos disponíveis sobre o trabalho humano. Enfi m, e obviamente se tivermos em conta os fundamentos da sua criação, a revista pretende conferir maior visibilidade a pesquisas e refl exões redigidas nas línguas portuguesa e espanhola, prevendo-se uma periodicidade de dois números por ano. Este primeiro número, tal como os seguintes, apresentará um conjunto de contributos que, ao nível dos princípios orientadores, privilegiam intervenções, investigações ou estudos com as seguintes características: • Equacionam o trabalho real a partir de critérios de contextualização e de exequibilidade, em detrimento de critérios que derivem do universal e do ideal; • Contribuem para a acção/transformação das situações concretas; • Confi guram processos/temáticas inovadoras que concorrem para o desenvolvimento dos conhecimentos científi cos e de intervenção; • Apresentam (ou remetem para) dados que sustentam as sugestões formuladas. Mas a intenção desta primeira edição é também permitir uma apreensão mais concreta do projecto global da revista. Neste sentido, pretendemos dedicar os números iniciais da Plur(e)al à apresentação gradual de uma amostra das diferentes rubricas previstas. • Assim, o artigo de Rafael Gonzalez poderá servir de referência aos contributos potenciais para a rubrica “Pesquisa empírica”. O estudo que nos apresenta procurou melhor identifi car as condições em que se enquadram as relações de serviço de intervenção psico-educativo-sanitárias e as competências que daí resultam. O autor optou, neste artigo, por realçar a metodologia desenvolvida, estando no entanto atento à possibilidade de generalização dos resultados e ao alargamento do quadro teórico, para além das situações específi cas analisadas. • A rubrica “Estudo de caso” exemplifi ca-se com o texto de Cecília De La Garza. No quadro de um estudo europeu, vinte e cinco acontecimentos críticos (“interoperáveis”, isto é, acontecimentos que envolvem um condutor ou uma locomotiva estrangeira numa zona francesa) foram analisados e ajudaram a demonstrar como um método de análise de acidentes pode contribuir para a concepção segura de uma futura organização e para recomendações precisas, neste âmbito. Editorial Volume 1 | nª1 | 2005 | pp.4-5 5 • Para os “Resumos de teses, comunicações”, sempre publicados nas duas línguas da Plur(e)al, optámos neste número por uma diversifi cação acentuada das temáticas, das abordagens e das origens geográfi cas de autores de teses de doutoramento: Vanina Mollo (FR) sintetiza a sua tese em ergonomia justifi - cando as várias etapas da pesquisa desenvolvida sobre o uso dos recursos, a adaptação dos saberes e a gestão da autonomia na decisão terapêutica; Marta Santos (PT) situa a sua tese, em psicologia do trabalho, relativa ao projecto de uma sociedade do conhecimento, traçando o percurso que a conduziu, a partir da obra de Lev Vygotski, a uma análise das práticas efectivas de formação contínua em Portugal; e Suyanna Barker (BR) resume a sua tese em saúde pública, realçando as dramáticas do uso de si de jovens mães trabalhadoras e delineando cartografi as do trabalho em territórios insuspeitáveis. • A rubrica “Apresentação de obras” permite-nos prestar homenagem a um autor, não só incontornável no âmbito da tradição científi ca em que se insere a Plur(e)al, como de incansável criatividade para a concepção de uma plataforma virtual – Ivar Oddone, cuja obra nos é situada por Ricardo Vasconcelos e Marianne Lacomblez. • As “Revisões temáticas” darão particular atenção, na abordagem do tema em análise, não só à actualidade da revisão, bem como às sínteses anteriores já publicadas. Neste sentido, Sara Ramos e Marianne Lacomblez tiveram por objectivo traçar um percurso possível para a história da investigação sobre envelhecimento e trabalho, descrevendo a evolução dos estudos efectuados neste domínio, desde os primeiros trabalhos realizados nos anos 20 e os seus desenvolvimentos durante o período do pós-guerra até à actualidade. Pretenderam refl ectir de forma crítica sobre o modo como esta evolução aconteceu, as relações com as condições sócio-económicas e demográfi cas que caracterizaram cada época e as implicações teórico-metodológicas que esta evolução produziu, quer na forma como é conceptualizado o envelhecimento, quer ao nível dos métodos privilegiados nas investigações. • A rubrica “Recensões críticas” poderá, nos próximos números, referir várias publicações. Desta vez, optámos pela apresentação de um só livro. Claúdia Osório, assumindo uma leitura “marcada por uma experiência em saúde do trabalhador”, ajuda-nos a percorrer os “Labirintos do Trabalho: interrogações e olhares sobre o trabalho vivo”. Trata-se de uma obra de vários autores organizada por Marcelo Figueiredo, Milton Athayde, Jussara Brito e Denise Alvarez e publicada no Brasil. • “O dicionário” é, na verdade, uma rubrica com estatuto particular. Publicada nas duas línguas da Plur(e)al, ela será ainda “cumulativa” já que o leitor terá sempre um acesso privilegiado ao seu conteúdo, consultando o site. Para a sua abertura, optámos pela primeira letra do abecedário e por uma palavra que situámos no coração deste projecto. Yves Schwartz aceitou, assim, abrir o longo caminho previsto com uma defi nição da palavra “actividade”. • Enfi m, a rubrica “Importa-se de repetir?...”, permitiu-nos dar visibilidade à parceria estabelecida com a revista electrónica PISTES desde os primórdios do nosso projecto, que não só tem constituído um modelo de referência de grande importância na gestação de Plur(e)al, como nos permitiu a publicação conjunta do artigo de Chantal Leclerc, em língua francesa em www.pistes.uqam.ca e aqui em língua portuguesa: “Intervir contra o assédio no trabalho: cuidar e reprimir não basta”. A pergunta subjacente a este contributo consiste em saber quais são as vias de intervenção em matéria de luta contra o assédio psicológico no trabalho. A procura de respostas conduziu a autora a realçar as vantagens e limites de certas formas de intervenção de natureza fortemente psicológica ou jurídica. A todos, desejamos uma boa leitura à luz dos olhares plur(e)ais que estas pesquisas veiculam sobre o real. Pelo Comité Executivo da revista. Marianne Lacomblez [1] Entretanto renomeada de Laboreal, conforme explicação no Editorial do Volume II Número 1 da Revista. Editorial Marianne Lacomblez