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O contributo da obra lexicográfica de Rafael Bluteau para a história do ensino do Português como língua estrangeira: o Methodo breve, y facil para entender Castellanos la lengua portugueza

Rogelio Ponce de León Romeo,Sónia Duarte

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O CONTRIBUTO DA OBRA LEXICOGRÁFICA DE RAFAEL BLUTEAU 373 Revista da Faculdade de Letras — Línguas e Literaturas, II Série, vol. XXII, Porto, 2005, pp. 373-429 O CONTRIBUTO DA OBRA LEXICOGRÁFICA DE RAFAEL BLUTEAU PARA A HISTÓRIA DO ENSINO DO PORTUGUÊS COMO LÍNGUA ESTRANGEIRA: O Methodo breve, y facil para entender Castellanos la lengua portugueza ROGELIO PONCE DE LEÓN e SÓNIA DUARTE [email protected] e [email protected] 1. Considerações gerais É sobejamente conhecido que a relação entre a língua portuguesa e a língua castelhana carece historicamente da normalidade que, por outro lado, caracteriza a relação de cada uma delas em separado com outros idiomas. No contexto de afirmação das línguas vulgares, o discurso linguístico quinhentista configurou conceptualmente a especificidade dessa relação nos termos do que ficou conhecido como “a questão da língua”1, definindo um conflito que, a partir de finais da centúria, será fundamentalmente condicionado pelo contexto de União Ibérica e pela situação de sobreposição linguística que a mesma implicou2, e que se 1 Cf. Maria Leonor Carvalhão Buescu, Babel ou a ruptura do signo. A Gramática e os gramáticos portugueses do século XVI, Lisboa, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 1983, pp. 215-261. 2 Cf. Pilar Vázquez Cuesta, A língua e a cultura portuguesa no tempo dos Filipes, Lisboa, Publicações Europa-América, p. 142; Fernando Vázquez Corredoira, A construção da língua portuguesa frente ao castelhano – o galego como exemplo a contrario, Santiago de Compostela, Edicións Laiovento, 1998, pp. 38-39. ROGELIO PONCE DE LEÓN e SÓNIA DUARTE 374 prolongou até final do século XVII3. Por sua vez, o discurso gramaticográfico setecentista deixará transparecer a tensão entre a vontade de superação dessa situação, plasmada no tópico do louvor da língua portuguesa, e a permanência de um estatuto de menoridade relativamente ao Espanhol, como atesta, sob o pseudónimo de António de Melo da Fonseca, José de Macedo – um dos primeiros autores a tratar esta matéria no século XVIII. Logo na primeira página do Prologo ao Leitor do seu Antidoto da Lingua Portugueza (Lisboa 1710)4, é afirmado: «Eu nunca me descontentei tanto da nossa Lingua, como se descontentaõ muitos grammaticos, que affirmaõ temerariamente, que ella he muito peor que a Castelhana [...]»5. Assumindo o Espanhol como referência contrastiva para exaltação do Português6, a obra de José de Macedo, é ainda reveladora da familiaridade da tradição gramatical portuguesa com o Espanhol, familiaridade essa que, não obstante, como adverte Dieter Messner7, não impede simultaneamente problemas de domínio da língua. Dir-se-ia mesmo que, associada a um contexto de marcada aversão ao Espanhol – por extensão de uma animosidade politicamente motivada contra Espanha –, a familiaridade favoreceu o desconhecimento ou, pelo menos, o não reconhecimento da diversidade e da consequente necessidade de estudar a língua do outro e de lhe dar a conhecer a própria, como se colocava quanto a outros idiomas. Tal poderá explicar, quer no campo estritamente linguístico, quer no campo da didáctica das línguas, o quase vazio de edições portuguesas orientadas para o estudo do Espanhol ou para a difusão do Português entre os Espanhóis anteriormente à publicação do Diccionario Castellano y Portuguez de Rafael Bluteau 3 Cf. Paul Teyssier, História da Língua Portuguesa, Lisboa, Livraria Sá da Costa, 2001, p. 71. 4 Desta obra há uma edição com comentário ao cuidado de Ana Maria Leite (Dissertação de Mestrado apresentada ao Departamento de Línguas e Culturas da Universidade de Aveiro, Edição da autora, Aveiro, 2002 [suporte electrónico]). 5 José de Macedo, Antidoto da lingua portugueza, Amesterdão, Miguel Diaz, 1710, Prologo, não paginado. 6 Chama-se particularmente a atenção para o Capítulo III, intitulado Comparase a nossa lingua com a Castelhana em algumas meudezas (ibid., p. 8). Consultámos o exemplar conservado na Biblioteca Pública Municipal do Porto (BMP) sob a cota I-12-21. 7 Cf. «La lexicografía bilingüe portugués-español», conferência apresentada ao Congresso da União Latina, San Millán de la Cogolla (Outubro de 2003). Agradecemos ao autor a cedência do texto ainda não publicado. Uma primeira versão do referido estudo foi editada em Alemão (cf. «Bemerkungen zur zweisprachigen Lexikographie Portugiesisch-Spanisch» in Lusorama, 57-58, 2004, pp. 145-155). O CONTRIBUTO DA OBRA LEXICOGRÁFICA DE RAFAEL BLUTEAU 375 (Lisboa 1721)8, que, com vista a facilitar o acesso por parte do público castelhano, integra o volume VIII do seu Vocabulario Portuguez & Latino (Coimbra e Lisboa 1712-1721 + 2 supl. 1727-1728). Efectivamente, Bluteau (Londres 1638 – Lisboa [?] 1734)9 institui-se como uma figura singular na contradição entre o cosmopolitismo iluminista e o antiespanholismo persistente no século XVIII português. Entre meados do século XVII e meados do século seguinte, assiste-se em Portugal à afirmação dos estrangeirados e da sua cultura, criando-se um clima favorável não só à estância de portugueses no estrangeiro, mas também à entrada de estrangeiros em Portugal10, particularmente no âmbito de intercâmbio cultural, no contexto de valorização da universalidade, da razão, da ciência e do cosmopolitismo que caracteriza o movimento das luzes em Portugal11. Bluteau, com ascendência e formação francesas, e detentor de uma formação multifacetada, cosmopolita e poliglota, acorde com o espírito ilustrado da época, é disso um exemplo. Nesse quadro de abertura à cultura vinda do exterior, e particularmente de França – assumida então como paradigma cultural –, importa, contudo, ressalvar uma excepção no que se refere a Espanha, pois a não superação total do trauma que constituíram os sessenta anos de monarquia dual (1580- -1640) e a sua memória recente, faziam persistir um sentimento de antiespanholismo que se estendia aos mais diversos domínios e, particularmente, ao linguístico. Neste contexto, o papel desempenhado pela obra de Bluteau na ruptura com tal ressentimento histórico afigura-se de grande importância. No entanto, apesar do reconhecimento do valor do contributo linguístico do autor12, e apesar da projecção alcançada pelo seu Vocabu- 8 Rafael Bluteau, Diccionario castellano y portuguez para facilitar a los curiosos la noticia de la lengua Latina, con el uso del Vocabulario Portuguez, y Latino in Vocabulario Portuguez, & Latino, vol. VIII, Lisboa Occidental, Pascoal da Sylva, 1721. Consultámos o exemplar conservado na BMP com a cota K-13-10. 9 Para mais informação de índole biobibliográfica, cf. Tomás Caetano de Bem, Memorias Historicas e Chronologicas da sagrada religião dos Clerigos Regulares em Portugal e suas conquistas, Lisboa, Regia Officina Tipografica, 1792, t. I, pp. 283-317; Inocêncio Francisco da Silva, Diccionario bibliographico portuguez, Lisboa, Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 2001 (1858-1923), t. VII, pp. 42-45 [suporte electrónico]; Hernani Cidade, Lições de Cultura e Literatura Portuguesas, Coimbra, Coimbra Editora, 1984, vol. II, pp. 29-47. 10 Cf. António Coimbra Martins, s.v. «Estrangeirados» in Dicionário de História de Portugal, Porto, Iniciativas Editoriais/Livraria Figueirinhas, 1975, pp. 468. 11 Ibid., s. v «Luzes», p. 87. 12 Cf. Maria Filomena Gonçalves, «Notas sobre as Prosas Portuguezas de Rafael Bluteau e a Historiografia Linguística do século XVIII» in Filologia e Linguística Portuguesa, ROGELIO PONCE DE LEÓN e SÓNIA DUARTE 376 lario Portuguez & Latino13 e, embora em menor grau, pelo Diccionario Castellano y Portuguez, a vertente de mediação luso-espanhola da sua obra, salvo algumas recentes excepções14, alcançou relativamente pouca visibilidade em estudos críticos, particularmente da perspectiva que aqui se assume e que se orienta para o papel auxiliar desempenhado pelo Diccionario na formação de uma tradição didacticográfica do Português especificamente orientada para o público hispanófono, em geral, e espanhol, em particular. Tal contributo consubstancia-se no texto do Methodo breve, y facil para entender Castellanos la lengua portugueza, que surge entre os textos preliminares do Diccionario Castellano y Portuguez, e sobre o qual incidirá o presente estudo, com vista a situá- -lo face à referida tradição e a avaliar a sua importância para a mesma. Para tal, tratar-se-á aqui de perceber em que medida este texto se prende de alguma forma com o ensino-aprendizagem do Português como Língua Estrangeira e de traçar os seus possíveis antecedentes neste âmbito, sem perder de vista a verdadeira natureza do mesmo e que deriva da sua 5, 2002, pp. 7-25; id., «O Prólogo e o Catálogo de Autores do Vocabulario Portuguez e Latino: as ideias linguísticas de Bluteau no contexto da historiografia da Língua Portuguesa» in Gladis Massini-Cagliari et alii (orgs.), A descrição do Português: Lingüística Histórica e Historiografia Lingüística, Araquara, FCL-UNESP, Editora Cultura Acadêmica, 2002, pp. 25-65. 13 Cf. Clotilde de Almeida Azevedo Murakawa, «D. Rafael Bluteau: marco na lexicografia portuguesa de setecentos» in ANPOLL/GT Historiografia da Lingüística Brasileira (orgs.), III Colóquio sobre Línguas Gerais. A Trilogia Gramática-Catecismo-Dicionário, 2002. Edição electrónica: <http://www.fflch.usp.br/dl/anpoll2/clotildecoloquio 2002.htm.htm> (Última consulta: 3 de Agosto de 2005). 14 Cf. José Antonio Sabio e Catalina Jiménez, «O Diccionario Castellano y Portuguez de Rafael Bluteau: um dicionário moderno?» in Ivo Castro (ed.), Actas do XII Encontro Nacional da Associação Portuguesa de Linguística, Lisboa, Colibri, 1997, vol. II, pp. 537- -547; Ulrike Mühlschlegel, «Anticastellanos, y Misoportuguezes tengan paciencia: Rafael Bluteau como mediador entre o português e o espanhol» in Rolf Kemmler et alii (eds.), Estudos de história da gramaticografia e lexicografia portuguesas, Frankfurt am Main, Domus Editoria Europaea, 2002, pp. 145-157; Dolores Corbella, «Contribución a la historia de la lexicografía luso-española: el Diccionario castellano y portuguez de Raphael Blutetau» in Cristóbal Corrales et alii (eds.), Nuevas Aportaciones a la Historiografía Lingüística. Actas del IV Congreso Internacional de la Sociedad Española de Historiografía Lingüística, Madrid, Arco/Libros, 2004, t. I, pp. 385-398; Maria Filomena Gonçalves, «Prosopopeia del idioma portuguez a su hermana la lengua castellana (1721): D. Rafael Bluteau y las lenguas peninsulares» in Nuevas Aportaciones... act. cit., pp. 669-677; Rogelio Ponce de León Romeo, «Textos para la enseñanza-aprendizaje del español en Portugal durante el siglo XIX: una breve historia» in Actas del XV Congreso Internacional de ASELE, Sevilha, Faculdade de Filologia da Universidade de Sevilha (22-25 de Setembro de 2004), no prelo. O CONTRIBUTO DA OBRA LEXICOGRÁFICA DE RAFAEL BLUTEAU 377 integração numa obra lexicográfica concreta. Por sua vez, a consideração das circunstâncias históricas que marcaram o relacionamento entre Portugal e Espanha, assim como das representações mútuas a que aquelas deram lugar previamente à edição do Methodo revelar-se-á de uma importância fulcral para entender tanto o carácter tardio da produção de materiais didácticos para aprendizagem do Português por espanhóis e vice-versa, como a sua escassez, perante a qual o texto em estudo exige um relevo diferente daquele que tem recebido. 2. O Methodo breve, y facil, o Diccionario Castellano y Portuguez e a tradição lexicográfica precedente Não se pode descurar que o Methodo, cuja extensão não atinge as dez páginas15, não é editado autonomamente enquanto material didáctico para a aprendizagem do Português por hispanófonos, mas sim em articulação com outros textos que introduzem e complementam o Diccionario Castellano y Portuguez. O Methodo surge no termo da Prosopopeia del idioma portuguez a su hermana la lengua castellana16 e vai seguido de uma Tabla de palabras portuguezas remotas de la lengua castellana. O primeiro destes dois textos – a Prosopopeia – constitui uma espécie de prólogo em que, através do recurso retórico de dar a voz à própria língua portuguesa, se aduzem razões para justificar a sua aprendizagem pelos espanhóis – justificando, portanto, o texto do Methodo –, enquanto 15 O texto doutrinal não ocupa mais do que página e meia; julgamos, no entanto, que a Tabla de palabras portuguezas remotas de la lengua castellana constitui um apêndice do Methodo necessário para entender a concepção didáctica do autor. Um argumento a favor desta opinião é a alteração do critério do próprio autor, que, num primeiro momento, teria optado por situar a Tabla no fim do Diccionario castellano y portuguez: «Destas [das palabras remotas] se allarà, una tabla al fin del Diccionario Castellano, y Portuguez» (Rafael Bluteau, Methodo breve, y facil para entender castellanos la lengua portugueza in Diccionario..., op. cit., p. 15); este critério, contudo, não se materializa na disposição tipográfica da edição do Diccionario, na medida em que a Tabla é apresentada depois do Methodo. O mesmo critério prevaleceu na composição da folha de rosto da obra, onde se pode ler: «Precede a dicho Diccionario, un discurso intitulado, Prosopopeia del idioma Portuguez, a su hermana la lengua castellana; Y a este discurso se sigue una Tabla de palabras Portuguezas, mas remotas del idioma Castellano». Por conseguinte, pensamos que a Tabla dever ser integrada no quadro teórico do Methodo. Sobre a Tabla, cf. Dolores Corbella, «Contribución...», art. cit., pp. 388-390. 16 Sobre este texto, cf. Maria Filomena Gonçalves, «Prosopopeia del...», art. cit. ROGELIO PONCE DE LEÓN e SÓNIA DUARTE 378 17 Por se desviar do nosso objectivo, não se tratará aqui das opções terminológicas do autor relativamente à designação das suas obras lexicográficas: tabla; diccionario; vocabulário. Será contudo pertinente observar que o seu uso denuncia a formação de um critério que contrasta com o panorama de certa arbitrariedade a que se assiste até ao século XVIII. Sobre este quadro de imprecisão terminológica, cf. Günther Haensch e Carlos Omeñaca, Los diccionarios del Español en el siglo XXI, Salamanca, Ediciones Universidad de Salamanca, 2004, pp. 52-53; Mar Campos Souto e José Ignacio Pérez Pascual, «El diccionario y otros productos lexicográficos» in M. Medina Guerra (coord.), Lexicografía española, Barcelona, Ariel, 2003, pp. 55-59; especificamente, sobre as opções de Bluteau, cf. Clotilde de Almeida Azevedo Murakawa, «D. Rafael Bluteau...», art. cit. 18 O título completo é Vocabulario Portuguez & Latino Aulico, Anatomico, Architectonico, Bellico, Botanico, Brasilico, Comico, Ciítico, Chimico, Dogmatico, Dialectico, Dendrologico, Ecclesiastico, Etymologico, Economico, Florifero, Forense, Fructifero, Geographico, Geometrico, Gnomonico, Hydrographico, Homonymico, Hierologico, Ichtyologico, Indico, Isagogico, Laconico, Liturgico, Lithologico, Medico, Musico, Meteorologico, Nautico, Numerico, Neoterico, Ortographico, Optico, Ornithologico, Poetico, Philologico, Pharmaceutico, Quidditativo, Qualitativo, Quantitativo, Rethorico, Rustico, Romano, Symbolico, Synonymico, Syllabico, Theologico, Terapeutico, Technologico, Uranologico, Xenophonico, Zoologico, authorizado com exemplos dos melhores escritores portuguezes, & latinos. que o segundo dos referidos textos – a Tabla – corresponde a uma espécie de glossário que serve de anexo e complemento ao Methodo. Uma das ilações que se retira do anteriormente exposto é que a obra em estudo constitui efectivamente um texto com contornos didácticos explícitos, mas sem pretensões de assumir o estatuto de manual didáctico. Pela centralidade que esta questão ocupa no presente estudo, o seu desenvolvimento fica reservado para um apartado posterior, sublinhando- -se de momento a edição do Methodo dentro de uma obra de carácter lexicográfico e ao serviço da mesma. O referido texto constitui antes de mais uma aproximação contrastiva ao léxico do Português do ponto de vista de um hispanófono, estabelecendo-se entre os princípios do Methodo, o léxico da Tabla e o do Diccionario17 uma relação de complementaridade, que denuncia a subsidariedade dos objectivos pedagógicos aos lexicológicos. Por sua vez, como se depreende da análise do título completo do Diccionario, também este é subsidiário da obra que o acolhe – o Vocabulario Portuguez & Latino18. Assim sendo, outra conclusão que se pode retirar é que o fim último, quer do Diccionario, quer do Methodo é, portanto, o conhecimento do Latim e não o do Português. Por entre os preceitos do Methodo, observando as muitas coincidências lexicais entre o Português e o Espanhol, Bluteau, chega mesmo a questionar a utilidade de um dicionário deste par de línguas, justificando-o finalmente por um fim que lhe é exterior: O CONTRIBUTO DA OBRA LEXICOGRÁFICA DE RAFAEL BLUTEAU 379 «En segundo lugar entran las palabras Portuguezas, totalmente semejantes a las Castellanas; ellas en el Diccionario Castellano, y Portuguez, que se sigue, se allaran apuntadas con el termino Idem, ò con la abreviatura Id. y son tantas, y tan comunes a las dos naciones, que para el curioso, que en tres horas de aplicación continua, ò interpolada pudiere, y quisiere tomar de memoria las observaciones de arriba, juntamente con las palabras Portuguezas, remotas de la lengua Castellana, de las quales mas abaxo se darà noticia, para dicho curioso serà quasi escusado dicho Diccionario. Pero como es obra dirigida a facilitar el uso de la lengua Latina, no me arrepiento del trabajo, que tomè en hazerle, quanto mas que sin preceder Diccionario Castellano, y Portuguez, muchas veces tropeçaria el Componedor Latino, y errando la palabra, ò entendiera que tenia falta, ò desconfiado de poderla descubrir, dexaria la empreza, y culparia el Autor»19. Efectivamente, a subsidariedade da aprendizagem do Português ao acesso ao seu Vocabulario Portuguez & Latino, é uma ideia recorrente dentro da argumentação que encontramos na Prosopopeia: «[...] Desea mi curiosidad introduzirme en los Reynos de Castilla, no ya con la pretension de que los Castellanos aprendan a hablar Portuguez, mas con el intento, que los curiosos de lenguas lo entiendan, para aprovecharse del nuevo Vocabulario, Portuguez, y Latino que, se està acabando de imprimir»20. Mais adiante o autor regressa à mesma ideia: «Agora con vuestra licencia, entro en la tercera parte de mis proposiciones, que es la utilidad, que resultara a vuestra nacion de la noticia de la lengua Portugueza, con el uso del Vocabulario Portuguez, y Latino»21. Não obstante, tendo em conta o esforço argumentativo desenvolvido no texto anteriormente citado para justificar a aprendizagem do Português 19 Rafael Bluteau, Methodo..., p. 15. 20 Id., Prosopopeia... in Diccionario..., op. cit., p. 3. 21 Ibid., p. 10. ROGELIO PONCE DE LEÓN e SÓNIA DUARTE 380 pelos espanhóis, à luz de razões de diversidade, facilidade e utilidade22, talvez esta nota acerca da eventual inutilidade do seu dicionário possa ser relativizada e encarada como uma nota de modéstia e estratégia retóricas, com vista, no segundo caso, a vincar a facilidade na aprendizagem do Português, a partir da ideia de proximidade entre as duas línguas. Mas, independentemente de o Latim poder efectivamente ser o fim último do conjunto dos referidos trabalhos de Bluteau, e em particular do seu Diccionario, a verdade é que o interesse desta obra para a lexicografia vulgar peninsular se vê reconhecido – curiosamente fora da Península –, como o documenta uma edição independente do Diccionario castellano y portuguez saída à luz em 1841, no Rio de Janeiro23. É nesse sentido que, na linha de Ulrike Mühlschlegel24, o que aqui se pretende sublinhar é precisamente o seu mérito na mediação, não entre o Espanhol e o Latim, mas sim entre o Espanhol e o Português, mérito esse cujo relevo cumpre avaliar à luz da tradição precedente. Sendo inegável o contributo de Bluteau para o posterior desenvolvimento da lexicografia monolingue do Português25 e a sua relevância no campo da lexicografia bilingue do par Latim-Português ou mesmo Latim- -Espanhol26, é, não obstante, no âmbito do par de línguas Espanhol- 22 Bluteau sintetiza essa argumentação no início do texto: «y assi digo, que a todo castellano discreto conviene saber Portuguez, lo primero, porque es idioma diverso, lo segundo, porque es facil de entender, lo tercero, porque de la inteligencia de dicho idioma le resultarà utilidad.» (ibid., p. 4). Sobre a argumentação e estratégias utilizadas por Bluteau na Prosopopeia, cf. Maria Filomena Gonçalves, «Prosopopeia del...», art. cit., pp. 671-676; Ulrike Mühlschlegel, «Anticastellanos...», art. cit., pp. 149-151. 23 Cf. Inocêncio Francisco da Silva, Diccionario..., op. cit., t. VII, p. 45. 24 Cf. Ulrike Mühlschlegel, «Anticastellanos...», art. cit. 25 Parece consensual que o clérigo teatino merece um lugar destacado no campo da lexicografia do Português pelo seu papel pioneiro na fixação de um corpus de referência autorizado, como referem José Antonio Sabio e Catalina Jiménez, «O Diccionario...», art. cit., p. 537. Acresce ainda que embora o seu Vocabulario seja em rigor uma obra de lexicografia bilingue, o desequilíbrio de informação em prejuízo do Latim tem sustentado a sua questionação enquanto tal por parte de alguns autores (cf. Pilar Salas, «Algunas notas sobre el léxico del Diccionario Castellano y Portuguez de Raphael Bluteau» in Res Diachronicae, no prelo; agradecemos à autora a cedência dos estudos referenciados ao longo do presente trabalho). 26 Neste domínio, a obra de Bluteau tem, contudo, antecedentes que o próprio reconhece, como se pode comprovar pela consulta do seu Vocabulario de Vocabularios Portuguezes, Castelhanos, Italianos, Franceses, e Latinos, com a noticia dos tempos, e lugares, em que foraõ impressos, incorporado no suplemento II do seu Vocabulario, onde, para o primeiro par de línguas, refere obras de Bento Pereira, Jerónimo Cardoso, Agostinho Barbosa, Amaro de Roboredo, Duarte Nunes de Leão, Francisco Sanches, Ambrósio Calepino e Thoma de Luce. Relativamente ao par Latim-Espanhol, são aí O CONTRIBUTO DA OBRA LEXICOGRÁFICA DE RAFAEL BLUTEAU 381 -Português que o seu trabalho vem efectivamente preencher um vazio, já que o seu parece ser o primeiro dicionário bilingue Espanhol-Por- tuguês27. Entre as obras que Bluteau enumera no seu Vocabulario de Vocabularios, não aparece referenciada nenhuma obra desse género e, apesar de se registar anteriormente algum contributo lexicográfico neste sentido, a sua é a primeira com o formato de um dicionário, sendo que em última instância os contributos lexicográficos anteriores remontam à tradição lexicográfica bilingue em Latim e à tradição plurilingue que o contempla, e os antecedentes mais directos da lexicografia vulgar aparecem inseridos em obras de outro tipo, como as listas de léxico que complementavam materiais para aprendizagem das línguas vulgares por estrangeiros cuja edição se intensifica a partir do século XVI28. No caso do Espanhol e do Português, salientam-se enquanto antecedentes lexicográficos do trabalho de Bluteau em Portugal, Porta de Línguas de Amaro de Roboredo (Lisboa 1623)29 e Prosodia in vocabularium trilingue latinum, lusitanum et castellanum digesta do P.e Bento Pereira (Évora 1634)30. apontados os trabalhos de Diego Jiménez Árias, Antonio de Nebrija, Fr. Lopes, Bartolomé Bravo, Pedro de Salas, John Minschew, J. Alonso, Cornelium Valerium Louvanii, Onophrio Povio e Calepino, ou ainda um trabalho anónimo de 1579, que surge referenciado junto com o de Calepino entre os vocabulários latinos plurilingues (Cf. Rafael Bluteau, Vocabulario de Vocabularios... in Suplemento ao Vocabulario Portuguez, & Latino. Parte II, Lisboa Occidental, Pascoal da Sylva, 1728, pp. 535-548). Não obstante o conhecimento da tradição lexicográfica românica precedente, Bluteau tem também consciência de que se vive no seu tempo uma situação deficitária: «De este genero de libros [i. e. os Diccionarios vulgares, y latinos] estan los Portugueses tan mal proveidos, como los Castellanos» (Prosopopeia..., op. cit., p. 12). Sobre o par de línguas Espanhol-Latim, cf. Günther Haensch e Carlos Omeñaca, Los diccionarios..., op. cit., pp. 265-266, Isabel Acero Durántez, «La lexicografía plurilingüe del Español» in Lexicografía española..., op. cit., pp. 175-204; Barbara Freifrau von Gemmingen, «Los inicios de la lexicografía española» in Lexicografía española..., op. cit., pp. 151-174; Aquilino Sánchez Pérez, Historia de la enseñanza del español como lengua extranjera, Madrid, Sociedad General Española de Librería, 1992, pp. 74-79. Sobre a lexicografia latino-portuguesa, cf. Telmo Verdelho, As origens da Gramaticografia e da Lexicografia Latino-Portuguesas, Aveiro, INIC, 1995, pp. 135-475. 27 José Antonio Sabio e Catalina Jiménez, «O Diccionario...», art. cit., p. 538. 28 Aquilino Sánchez Pérez, Historia..., op. cit., p. 75. 29 Também mencionado por Bluteau, no Vocabulario de Vocabularios. Jose Antonio Sabio e Catalina Jiménez (cf. «O Diccionario...», art. cit., p. 538, n.ª 2) advertem para o facto de Telmo Verdelho indicar o papel desta obra enquanto antecedente da do teatino francês. Da Porta de linguas foi consultado o exemplar disponível na Biblioteca Pública de Évora (BPE) com a cota NR 645. 30 A obra, referida por Bluteau no seu Vocabulario de vocabularios, é inicialmente publicada em versão trilingue. Telmo Verdelho (cf. «Historiografia linguística e reforma ROGELIO PONCE DE LEÓN e SÓNIA DUARTE 388 grupos -lh  -ll (maravilha  maravilla). O diferente comportamento do autor relativamente à consideração dessas divergências poderá ser explicado pelo facto de os casos anteriores não estarem integrados em terminação de palavra e de Bluteau assumir como critério para a organização destes vocábulos a incidência nas terminações53. Este critério é apontado por Ulrike Mühlschlegel54 a propósito da não consideração de diferentes regularidades que se detectam noutros vocábulos também referidos por Bluteau dentro do mesmo grupo. Efectivamente, o texto diferencia formalmente essas situações das anteriores do seguinte modo: «De mas de estas, y otras terminaciones Portuguezas, que tienen grande afinidad con el Castellano, hay otro grande numero de Vocablos Portuguezes que solo con una, ò dos letras se diferencian v. g. Fazer, hazer. Fender, hender. Brando, blando [...], y otros muchos, que por brevedad omito» 55. De entre as situações mencionadas por Bluteau a título meramente exemplificativo, algumas há que, como adverte Mühlschlegel56, são passíveis de ser sistematizadas como manifestações de divergência regulares: 53 Cf. Rafael Bluteau, Methodo..., op. cit., p. 14: «Primeramente, en un bolver de ojos puede conocerse la differencia de los Vocablos de mucha semejança; basta reparar en la terminacion». Esta é a frase com que introduz o conjunto de situações reunidas no primeiro quadro. 54 Cf. «Anticastellanos...», art. cit., p. 152. 55 Não fica claro se se refere a outras manifestações da mesma terminação ou se a terminações diferentes que não chega a identificar. A omissão é justificada pelos propósitos de brevidade invocados (Cf. Rafael Bluteau, Methodo..., op. cit., p. 15). 56 Cf. «Anticastellanos...», art. cit., p. 152. 57 Apresentam-se todos os exemplos mencionados por Bluteau. 58 Não enumerados por Mühlschlegel, que, no entanto, reconhece outras possibilidades para além das por si indicadas. Vocablos, que con el Castellano tienen mucha semejança (II): Outras regularidades Traços divergentes monotongação / ditongação de /o/, /e/ breves latinos mudança de <f-> para <h-> substituição da vibrante simples pela lateral líquida58 Exemplos57 forte / fuerte; morte / muerte; torto / tuerto; porta / puerta fazer / hacer; fender / hender brando / blando; frauta / flauta; branco / blanco O CONTRIBUTO DA OBRA LEXICOGRÁFICA DE RAFAEL BLUTEAU 389 Escapam a esta sistematização casos pontuais de divergência ortográfica: agoa / agua; fragoa / fragua; sorver / sorber, bem como o caso dos pares lingua / lengua e pérola / perla. Seguidamente, ao referir-se aos restantes dois grupos de vocábulos – os totalmente semelhantes e os de pouca ou nenhuma semelhança –, Bluteau remete para o Diccionario, no que se refere aos primeiros, e para a Tabla, no que se refere aos segundos, ficando neste ponto absolutamente clara a relação de complementaridade entre os três textos. Relativamente aos vocábulos idênticos, há a acrescentar o facto de o autor chamar a atenção para o elevado número dos mesmos, que vêm assinalados no Dicionário com o termo idem ou com a sua forma abreviada – id. –. Mühslchlegel59 dá indicação do seu peso dentro do conjunto da obra, calculando que esses vocábulos correspondem a quase 50% das 22000 entradas. Quanto ao grupo dos vocábulos mais afastados do Castelhano registados na sua Tabla, Bluteau alerta para a sua exiguidade e justifica- -a de acordo com uma selecção tendo em vista o uso “culto y político”. Apesar da nota de modéstia do autor, Mühlschlegel qualifica-a como «uma abundante lista alfabética de 1200 palavras com equivalentes» e alerta para o facto de que entre as palavras consideradas divergentes, algumas há que também poderiam estar integradas em algum esquema de regularidade60. No que se refere às implicações didácticas das opções metodológicas de Bluteau, é de salientar que a orientação para o léxico e para uma obra escrita conformou o texto do Methodo, conduzindo-o para objectivos muito concretos no plano das competências a adquirir, objectivos esses que o autor não se cansa de repetir na Prosopopeia, vincando a modéstia das suas pretensões. Será conveniente recuperar aqui algumas dessas passagens – não obstante já citadas anteriormente – para as ler agora à luz do que aqui se pretende sublinhar: «[...] Desea mi curiosidad introduzirme en los Reynos de Castilla, no ya con la pretension de que los Castellanos aprendan a hablar Portuguez, mas con el intento, que los curiosos de lenguas lo entiendan, para aprovecharse del nuevo Vocabulario, Portuguez, y Latino, que se està acabando de imprimir»61. 59 Cf. «Anticastellanos...», art. cit., p. 154. 60 Ibid., p. 153. A autora exemplifica com o caso de síncope do ‘n’ intervocálico (ter / tener). 61 Rafael Bluteau, Prosopopeia..., op. cit., p. 3. Itálico nosso. ROGELIO PONCE DE LEÓN e SÓNIA DUARTE 390 A mesma ideia desenvolve-se mais adiante: «No pretendo, que violente su natural, y se obligue a hablar Portuguez, quiero que quando yo le hablare, ella me entienda: no le faltarà con que entretenerse en obras Historicas, Politicas, Oratorias, Poeticas, Belicas, y Asceticas de Autores de mi tierra, que merecieron la estimacion de los doctos. Suavissima hermana mia, este es todo el intento desta Prosopopeia. Para mas facilmente conseguir mi pretension, al fin deste discurso pondrè un methodo breve, y facil, para que todo Castellano curioso pueda entender en menos de dos horas la mayor parte del idioma Portugués»62. Das passagens reproduzidas se depreende que Bluteau não tinha a pretensão de oferecer ao leitor espanhol uma obra que o preparasse para os diferentes planos de domínio da língua portuguesa, mas apenas a de lhe proporcionar uma bagagem lexical suficiente para prevenir grandes dificuldades de interpretação do texto escrito. A expressão oral está, como se vê, explicitamente excluída dos seus propósitos, o que se encontra em concordância com a convicção exposta no seu Vocabulario de Vocabularios de que a partir de determinado nível etário é já pouco provável a aquisição de um bom nível de expressão oral. «Esta he a razaõ, que me obriga a reprezentar aos curiozos de Linguas, que em idade madura naõ porfiem em querer fallar outra lingua que a sua, porque por limpa, e bem compaginada, que seja, sempre cheirarà à vasilha, e, como diz o vulgo, Negro velho naõ aprende língua»63. Se tal fosse o seu objectivo, o leitor fracassaria pela falta de notas sobre a forma de pronunciar determinadas letras64, e Bluteau, porque o sentiu na pele, tem perfeita consciência da sua importância para quem aprende a falar uma língua estrangeira: 62 Ibid., p. 10. Itálico nosso. 63 Id., Vocabulario de Vocabularios..., op. cit., p. 538. 64 Seguindo Pilar Salas (cf. «Los comienzos de la lexicografía bilingüe con el portugués y el español. El Diccionario castellano, y portuguez de Raphael Bluteau» in Res Diachronicae, II, p. 350), devemos contudo ressalvar, no caso da Tabla, a indicação da sílaba tónica em algumas palavras. Essa não parece ser no entanto uma preocupação fundamental, como o demonstra não só a irregularidade da referida indicação, mas O CONTRIBUTO DA OBRA LEXICOGRÁFICA DE RAFAEL BLUTEAU 391 «Ha perto de sessenta annos, que afflito em Portugal, mas ainda taõ desconfiado da certeza da pronuncia, que para segurar o pouco Portuguez, que eu sey, antes o quizera fiar da penna, que da lingua, porque a penna, sem pronunciar falla; e naõ pode a Lingua fallar sem pronunciar»65. Pela falta dessas mesmas notas fonéticas se deduz que tão-pouco a compreensão oral se encontra entre os seus objectivos, pois elas seriam necessárias ao reconhecimento dos sons. Acresce ainda o facto de que todas as referências à utilidade a retirar deste Methodo apontam para o acesso ao texto escrito: o seu Vocabulario, ou as obras de diferente índole acima referidas. Em nenhum momento se refere à compreensão de enunciados orais, pelo que, quando na citação transcrita Bluteau afirma «quiero que quando yo le hablare, ella me entienda», o verbo hablar parece ser usado em sentido figurado. Assim, o seu propósito não será outro senão a compreensão escrita, sendo ainda de sublinhar que o autor não aspira senão a oferecer meios para alcançar a compreensão da – citando de novo – «mayor parte del idioma Portuguez»66. Importa portanto chamar a atenção para o facto de que a meta neste domínio não é a compreensão total, mas sim parcial dos enunciados escritos. Aliás, outra coisa não seria condizente com as características de brevidade e facilidade do método proposto. Relativamente à expressão escrita, não há qualquer menção desta; no entanto, um método que visasse essa competência, teria de orientar-se não só para o léxico isoladamente, mas também para as regras que determinam o seu uso de acordo com a classe gramatical a que pertencem, assim como para as regras que definem a sua combinação no enunciado, ou seja, deveria introduzir o leitor nalgumas noções de morfologia e sintaxe do Português, o que não acontece, não obstante a consideração da morfologia como critério de organização dos traços regulares divergentes entre o Português e o Espanhol e não obstante as condicionantes morfológicas de algumas dessas regularidades67. Bluteau não entra em considerações teóricas relatitambém o facto de que, no Dicionário, é o critério da economia e brevidade que prevalece, já que, como adverte a mesma autora noutro texto (cf. «Algunas notas...», art. cit.), a opção de assinalar as palavras idênticas por ‘ibid.’, acarreta a perda dessas mesmas notas. 65 Rafael Bluteau, Vocabulario de Vocabularios..., op. cit., p. 537. 66 Id., Prosopopeia..., op. cit., p. 10. 67 É o caso da terminação portuguesa –aõ, que, como ilustra o primeiro quadro, assume em Espanhol equivalências diferentes segundo a categoria gramatical (substantivo/ verbo). ROGELIO PONCE DE LEÓN e SÓNIA DUARTE 392 vamente a questões de índole gramatical, do mesmo modo que prefere não explicitar questões de etimologia ou de história da língua, e, provavelmente por isso, não explicita o enquadramento nesse âmbito dos resultados históricos regulares das terminações latinas. O autor limitou rigorosamente os seus objectivos em função de uma aplicação prática concreta e parece cingir-se ao estritamente necessário, no respeito pela “brevidade e facilidade” a que se propôs. 4. Considerações finais No termo deste trabalho importa rever algumas das linhas de força a que se pretendeu dar visibilidade. Recuperando o já aludido noutros pontos a respeito da complementaridade entre a actividade lexicográfica e a produção de materiais didácticos, é chegado o momento de sublinhar em que medida o texto de Bluteau oferece um contributo relevante nesse sentido. Tal associação entre a tradição lexicográfica plurilingue e bilingue e a tradição didacticográfica está na base do desenvolvimento da primeira a partir do momento em que as línguas vulgares ganham lugar enquanto objecto de estudo68. Se a restante tradição europeia é rica em exemplos de obras lexicográficas pensadas com vista a uma utilização didáctica na aprendizagem de línguas estrangeiras69, o mesmo não acontece, como já foi referido, no contexto ibérico, no que concerne à aprendizagem dentro desse mesmo contexto das duas línguas peninsulares em questão. O mérito de Bluteau não é o de inaugurar tardiamente essa tradição, pois a sua obra não tem tanto em vista o público escolar e o contexto de aula, mas mais a biblioteca de um público ilustrado70. Dir- -se-ia mesmo que, muito pelo contrário, Bluteau inverte essa tradição (lexicografia ao serviço da didáctica de línguas estrangeiras) e coloca a didacticografia ao serviço da lexicografia, mas, dando continuidade à associação entre os dois domínios, o seu mérito está em romper no contexto ibérico com um passado de costas voltadas à aprendizagem mútua, propondo a aprendizagem do Português pelos espanhóis com vista ao acesso a uma sua obra lexicográfica (o Vocabulario) e, portanto, 68 Cf. Isabel Acero Durántez, «La lexicografía...», art. cit., p. 177. 69 Cf. Aquilino Sánchez Pérez, Historia..., op. cit., pp. 11-16, 74-79, 139-142, 185- -192. 70 Tal abrange tanto o Methodo, aqui em estudo, como o Diccionario, que o acolhe. Efectivamente, se o primeiro não corresponde a um manual didáctico, o segundo não constitui um dicionário escolar. O CONTRIBUTO DA OBRA LEXICOGRÁFICA DE RAFAEL BLUTEAU 393 o conhecimento passivo da língua. Após o seu contributo, cujo precedente em Howell, como se viu, não assume o mesmo significado, só precisamente cem anos depois é que se registará a edição de algum material de carácter nitidamente didáctico para aprendizagem do Espanhol – as já referidas Taboas, de José Vicente Gomes de Moura. Depois destas, ter-- se-á de esperar ainda mais vinte sete anos pela que parece ser a primeira gramática do Espanhol em Portugal71 – a Grammatica Hespanhola para uso dos Portuguezes de Nicolau António Peixoto (Porto, 1848). Do lado espanhol, teve de transcorrer bastante mais tempo que em Portugal sobre o Methodo de Bluteau para que surgisse a primeira gramática do Português em Espanha – o Méthodo Gaspey-Otto-Sauer. Gramática Elemental de la lengua Portuguesa, de Francisco Carrillo Guerrero (Madrid, 1911). Em apêndice, apresentamos o texto do Methodo breve, y facil para aprender Castellanos la lengua Portugueza com a Tabla de palabras portuguezas, remotas de la lengua castellana72, cujo propósito, como já foi referido, está intimamente relacionado com aquele, ao ponto de, em nossa opinião, integrar-se na concepção didáctica subjacente ao Methodo. Na nossa edição, seguimos o texto publicado por Pascoal da Sylva, procedendo à correcção das gralhas tipográficas e doutras faltas, que são indicadas no aparato crítico no fim do texto. A introdução, no texto, de * indica que se regista divergência relativamente ao original no que se refere à consideração ou não-consideração de determinados termos como entradas autónomas. Respeitando a ordem alfabética no estabelecimento das entradas, integrou-se na entrada precedente alguns termos que não seguiam o referido critério. 71 Cf. Rogelio Ponce de León Romeo, «Textos...», art. cit. 72 O estabelecimento do texto foi, como já referimos, realizado a partir do exemplar do Diccionario castellano, y portuguez guardado na BMP (cota K-13-10). ROGELIO PONCE DE LEÓN e SÓNIA DUARTE 394 APÊNDICE METHODO BREVE, Y FACIL PARA entender Castellanos la lengua Portugueza. Para la nacion Castellana, no hay idioma mas facil de entender, que el Portuguez. En menos de tres horas podrà un Cas[p. 14, c. b]tellano curioso entenderle casi todo. La demostracion es clara. Dividan-se los Vocablos Portuguezes en tres classes; una de Vocablos, que con el Castellano tienen mucha semejança; otra de Vocablos, totalmente semejantes; y otra de los que tienen poca, ò ninguna analogia. Primeramente, en un bolver de ojos puede conocerse la differencia de los Vocablos de mucha semejança; basta reparar en la terminacion. Las terminaciones de los adjectivos Portuguezes en avel, hazen en Castellano able; Affavel, Mudavel, Amavel, &c. Afable, Mudable, Amable. Las terminaciones en ivel, hazen ible; visivel, horrivel, possivel, &c. visible, horrible, possible, &c. Las terminaciones de los substantivos Portuguezes en ade, en Castellano hazen ad; Bondade, Autoridade, Dignidade, &c. Bondad, Autoridad, Dignidad, &c. en ede, hazen ed; Sede, Parede, Rede; Sed, Pared, Red, &c. en ide, hazen id, Vide, Lide, &c. Vid, Lid, &c. en ude hazen ud, Virtude, Ataude, Laude, &c. Virtud, Ataud, Laud, &c. Muchas terminaciones Portuguezas en alho, en Castellano hazen ajo, Atalho, Gasalho, Espantalho, &c. Atajo, Agasajo, Espantajo, &c. Las en ento, hazen iento; Alento, Assento, Abatimento, &c. Aliento, Assiento, Abatimiento, &c. En otros muchos Vocablos de dicha terminacion no ay variedad, v. g. Tormento, Accento, Argumento, &c. son totalmente Castellanos, y Portuguezes. Los Vocablos Portuguezes terminados en eyra, y eyro, hazen ordinariamente era, y ero en Castellano; v. g. Carreyra, Cabeceyra, Cabelleyra, &c. Carrera, Cabezera, Cabellera, &c. Archeyro, Carpinteyro, Espadeyro, &c. Archero, Carpintero, Espadero, &c. Muchos Vocablos Portuguezes, terminados en ilha, se escriven en Castellano con l doblado, como Maravilha, Zangadilha, Quadrilha, &c. Maravilla, Zancadilla, Quadrilla, &c. lo mismo sucede en los terminados en ilho, Cercilho, Ladrilho, Novilho, &c. Cercillo, Ladrillo, Novillo. Los substantivos Portuguezes, que acaban en aõ, en Castellano acaban en ion Ambiçaõ, Dilaçaõ, Discriçaõ, &c. Ambicion, Dilacion, Discrecion, O CONTRIBUTO DA OBRA LEXICOGRÁFICA DE RAFAEL BLUTEAU 395 &c. mas las terceras personas de los Indicativos, y Futuros, en aõ, en Castellano acaban en an, v. g. Andaõ, Amaõ, Abrazaõ, &c. Andan, Aman, Abrazan, &c. Andaraõ, Amaraõ, Abrazaraõ, &c. Andaran, Amaran, Abrazaran, &c. [p. 15, c. a] Ordinariamente la M final de las diciones Portuguezas se trueca en N, v. g. Clarim, Florim, Jasmim, &c. Clarin, Florin, Jasmin, &c. Desdem, Almazem, Belem, &c. Desden, Almazen, Belen, &c. De mas de estas, y otras terminaciones Portuguezas, que tienen grande afinidad con el Castellano, hay otro grande numero de Vocablos Portuguezes, que solo con una, ò dos letras se diferencian, v. g. Fazer, hazer. Fender, hender. Brando, blando. Sorver, sorber. Lingua, lengua. Forte, fuerte. Morte, muerte. Torto, tuerto. Agoa, agua. Frâgoa, frâgua. Porta, puerta. Frauta, flauta. Branco, blanco. Perola, perla, y otros muchos, que por brevedad omito. En segundo lugar entran las palabras Portuguezas, totalmente semejantes a las Castellanas; ellas en el Diccionario Castellano, y Portuguez, que se sigue, se allaran apuntadas con el termino Idem, ò con la abreviatura Id. y son tantas, y tan comunes a las dos naciones, que para el curioso, que en tres horas de aplicación continua, ò interpolada pudiere, y quisiere tomar de me[p. 15, c. b]moria las observaciones de arriba, juntamente con las palabras Portuguezas, remotas de la lengua Castellana, de las quales mas abaxo se darà noticia, para dicho curioso serà quasi escusado dicho Diccionario. Pero como es obra dirigida a facilitar el uso de la lengua Latina, no me arrepiento del trabajo, que tomè en hazerle, quanto mas que sin preceder Diccionario Castellano, y Portuguez, muchas vezes tropeçaria el Componedor Latino, y errando la palabra, ò entendiera que tenia falta, ò desconfiado de poderla descubrir, dexaria la empreza, y culparia el Autor. La tercera classe es de las palabras Portuguezas, mas remotas de la lengua Castellana. Destas se allarà una tabla al fin del Diccionario Castellano, y Portuguez; conosco, y confiesso que es diminuta, y que havrà muchos otros Vocablos differentes de los Castellanos; pero la mayor parte de los que faltan, son de oficios Fabriles, y materias vulgares, que en estilo culto, y politico raras vezes tienen lugar. ROGELIO PONCE DE LEÓN e SÓNIA DUARTE 396 TABLA DE PALABRAS PORTUGUEZAS, REMOTAS DE LA LENGUA CASTELLANA. A Aba de chapêo. Ala de sombrero. Abada. Regazada. Abâno. Aventadêro. Fazer de Abôbada. Bobedar. Abrandar. Calmar. Abûtre. Ave. Buitre. AC Acalentar o menino. Arrullar el niño. Acarar. Confrontar. Acinte. Provocacion. Despecho. Fazer acintes. Provocar. Acotovelar. Codear. Dar de codo. Açougue. Carniceria. Açude. Acequia. Acugular. Colmar. Açular o caõ. Azuzar. AD Adoçar. Adulzar. Aduelas. Costillas de cuba. AF Affeyçoar alguma cousa. Facionar. Dar forma. Afferrolhar. Aherrojar. Afinarse de fóme. Ailarse de ambre. Aformosear. Ermosear. Afogar. Aogar. Afrontado no rosto. Abochornado. Afundarse. Undirse. AG Agrimonia. Erva. Agerato, ò tambien Agrimonia. Agrilhoar. Poner grillos. Agrura. Aspereza. O CONTRIBUTO DA OBRA LEXICOGRÁFICA DE RAFAEL BLUTEAU 397 AI Ainda. Aun. Ajoujar. Uncir, ò unzir, ò unir. Ajoelharse. Arrodillarse. Ajuntar cabedal. Acaudalar. AL Alambre. Esclarimiento. Electro. Ambar, de que se hazen rosarios. Alampada. Lampara. Alçaprema. Gatillo. Alcatifa. Alfombra. Alcatruzarse. Encorbarse. Alcoviteyro. Alcaguete, ò Alcahuete. Alecrim. Romêro. [p. 16] Aletria. Fidêos. Alfâce. Lechuga. Alfarrobeyra. Planta. Garrovo, ò Algarrovo. Alfaya. Alaja. Alfayate. Sastre. Alfazema. Espliego. Alfinete. Alfiler. Alfobre. Era de ajos, zebollas, &c. Alforvas. Erva. Alhaluas. Algibêbe. Ropavejero. Algibeyra. Faltriquera. Algôz. Bochin, Berdugo. Alguidar. Lebrillo. Barreña, ò Barreño. Alguma cousa. Algo. Alheaçaõ. Enagenacion. Alhear. Enagenar. Alheyo. Ageno. Alimpaduras. Granzas. Alimpar o trigo da palha no calcadouro. Aventar el trigo, vieldar, ò ventilar trigo. Alinhavar. Ilvanar. Almofariz. Almirez. Almorreymas. Morroidas, ò Almorranas. Almotolia. Alcuza. Aceytera. Alongar. Alexar. Alporcas. Lamparones. ROGELIO PONCE DE LEÓN e SÓNIA DUARTE 404 Carcarejar. Vid. Cacarejar. Cardeo. Cardeno. Carocha. Coroza. Caroço. Huesso de fruta. Carpideyra. Plañidera. Carpir. Llorar arañando-se, &c. Carrancudo. Ceñudo. Rostituerto. Carreyra de cavallos. Corredera de cavallos. Carreyro. Carril. Caruncho. Carcoma. Casa de botaõ. El ojal. Casca de arvore. Cortesa. Casquinha. Cascarilla. Castiçal. Velon. Cavâco. Cepilladura. Cayadeyra, ou cayadeyro. Mujer, ò hombre que blanquea. Cayar. Blanquear. Caeyro. El que haze cal. CE Cea. Cena. Cedo. Temprano. Ceyra. Espuerta. Esportilla. Celleyro. Granero. Cem. Ciento. Cenoura. Erva. Pastinaca. Centinodia. Erva. Cien nudillos. Centopea. Escolopendra. Ceo. Cielo. Cerejeyra. Arvore. Cerezo. Ceroulas. Calçoncillos. Cerralheyro. Cerragero. Certãa. Sarten. Certidaõ. Certificacion. Cesso. Siesso. CH Chacina. Cecina. Chacinar. Salar. Cecinar. Chaga. Llaga. Chamiça. Tomiza. O CONTRIBUTO DA OBRA LEXICOGRÁFICA DE RAFAEL BLUTEAU 405 [p. 18] Chaõ, substantivo. Suelo. Chaõ, adjectivo. Llano, plano. Chapeo. Sombrero. Chafalhaõ. Chacotero. Chave. Llave. Cheyro. Olor. Cheyrar. Oler, odorar. Cheyroso. Oloroso. Cheyo. Lleno. Chiar. Chillar. Chicharos. Galangas. Chicoria. Erva. Endibia. Chicoria branca. Escarola. Chocarreyro. Bufon. Truhan. Chocarrice. Truhaneria. Jugleria. Chocas. Caxcarrias. Choraõ. Lloron. Chorar. Llorar. Chover. Llover. Choviscar. Llovisnar. Chupar. Chotar. Chumbar. Emplomar. Chumbo. Plomo. Chuva. Lluvia. Chuvoso. Llovedizo, ò lluvioso. CI Ciar. Celar, ò7 zelar. Tener celos, ò tener zelos. Ciborio. Copon sagrado. Cidadaõ. Ciudadano. Cidrada. El dulce, que de el acitron se haze. Cidraõ. Acitron. Cidreyra. Erva. Abejera. Cigano. Gitano. Cingidouro. Ceñidor. Cinza. Ceniza. Cinzento. Ceniziento. Cioso. Zeloso. 7 ò] ó Pascoal da Sylva ROGELIO PONCE DE LEÓN e SÓNIA DUARTE 406 Ciumes. Zelos. Cirieyro. Cerero. CL Claraõ. Claridad. Clavina. Carabina. CO Coalhada. Quajada. Coalhado. Quajado. Coar. Colar. Cobra. Culebra. Cobiça. Codicia. Cobiçar. Codiciar. Cobrir a cepa. Acogombrar la cepa. Coçar. Rascar. Coçadura. Rascadura. Côcaras. Assentarse de côcaras, sentarse en cuclillas. Côcegas. Cosquillas. Coceguento. Cosquillento. Coelho. Conejo. Coentro. Culantro. Colhêr. Substant. Cuchâra. Colheyta. Cosecha. Côlica, ou dor de colica. Torçon, ò Toroçon. Comichaõ. Comezon. Comichoso. Quegixoso. Comprido. Largo. Conezia. Canonicato. Congossa. Erva. Pervinca. Consoada. Colacion de ayuno. Coque. Mogicon. Corar. Colorear. Coralina. Mallorquiana. Corregedor da Corte. Alcalde de Corte. Correjôla. Erva. Polineta. Corrimaõ de escada. Passamano de escalera. Cortiça de colmea. Corcho. Coruja. Lechuza. Cotio. Cocido. Cotovelo. El codo en el braço. O CONTRIBUTO DA OBRA LEXICOGRÁFICA DE RAFAEL BLUTEAU 407 Cotovelada. Codada. Cotovia. Ave. Coalla. ò Cogujada. Covado. Medida de codo. Covasinha. Cobachuela. Couce. Coz. Couceyra, ou leme da porta. Gonze. Couceyra. Umbral. Coveyro. Sepulturero. Couve. Ortaliza. Col. Coxa da perna. Muslo. CR Cravo. Flor. Clavel. Crestar as colmeas. Destinar las colmenas, y agora castrar. Criança. Niño, que mama. Cristaleyra. Muger, que echa ayudas. Cronha de espingarda. Caja de escopeta. CU Cucarne. Juego de faba. Cume. Cumbre. Cuspinhar. Escupir a menudo. Cuspo. Saliva. Custo. Gasto. Cutello. Cuchillo. DE Deado. Decanado. Debrum. Ribête. Cortapisa. Debulha. Trilla. Debulhar. Trillar. Debulho. Bandulho. Docotar. Cortar las ramas al arbol. Degrao de escada. Escalon. Deytado. Echado. Estendido. Delir. Desleir. Depennar. Deplumar. Dependurar. Colgar. Suspender. Depenicar. Arrancar poco a poco las plumas, ò cabellos. Derrabar. Descolar. Derradeyro. Ultimo. ROGELIO PONCE DE LEÓN e SÓNIA DUARTE 408 Derrear. Derrengar. Desagastar. Desenojar. Desapossar. Desposseer. Desarranjar. Desordenar. Desarranjo. Desorden. Desengonçar. Desquiciar. Desbotado. Descolorido. Descambar. Resvalar cayendo. Descascar. Descortezar. Descida. Ladera. Desembebedar. Desemborrachar. Desempoar. Sacudir el polvo. Desencastoar as contas. Desengastar el Rosario. Desencavar a espada. Desguarnecer la espada. Desendividarse. Pagar, satisfazer deudas. Desenferrujar. Acicalar. Desenxabido. Desabrido. Desfechar. Abrir. Desfeyta. Disculpa. Desfiado. Desilado. Desfolhar. Deshojar. Desgadelhar. Desgreñar. Deslombado. Derrengado. Desmamar. Destetar. Desmancho. Desorden. Desmazelado. Negligente. Desmazelo. Descuydo. Pereza. Negligencia. Desmiolar. Dessesar. Despeytorarse. Despechugarse. Despîr. Desnudar. Despido. Desnudo. [p. 19] Despojo do inimigo. Botin. Desqueyxar. Desquixarar. Destorrar. Desterronar. Detença. Demora. Devagar. Despacio. Deveza. Dehesa. Dez. Diez. O CONTRIBUTO DA OBRA LEXICOGRÁFICA DE RAFAEL BLUTEAU 409 DI Dispor. Disponer. Disposto. Dispuesto. Divida. Deuda. DO Dô. Luto. Dobadeyra. Muger debanadera. Dobadoura. Debanadera, ò argadillo. Dobar. Debanar. Doença. Enfermedad. Doentio. Enfermizo. Dona. Dueña. Doninha. Comadreja. Doesto. Injuria. Afrenta. Doudice. Locura. Doudo. Loco. Dozia, ou duzia. Dozena. EL Elo da vide. Tixerêta de la vid. Eloendro. Planta. Adelfa. EM Embalar. Mecer, mecedêro, he o berço, com que se embala a criança. Embasbacado. Enagenado, tolamente admirado. Embebedar. Emborrachar. Embigo. Ombligo. Emborralhado. Cubierto de ceniza. Empacho no estomago. Aito. Empalheyrar. Empajar. Empecilho. Impedimento. Empertigado. Espetado. Empigem. Empeyne. Empoado. Polvorizado. Empoar. Polvorizar. Empolar. Ampollar, hacer ampollas. Empreyta. Pleyta de esparto. Obra de empreytada. Destajo. Empreteyro. Destagero. Empurraõ. Empellon. ROGELIO PONCE DE LEÓN e SÓNIA DUARTE 410 EN Encanado. Acanelado. Encapelado mar. Mar empollado, mar reboltoso. Encarvoar. Denegrir. Encodear. Encostrar. Encosto. Respaldar. Encubertado. Animal. Armadillo. Endividarse. Adeudarse. Endoenças. Quinta feyra de Endoenças. Jueves Santo. Endoudecer. Enloquecer. Endro. Erva. Eneldo. Enfadonho. Molesto.8 Fastidioso. Enfarado. Fastidiado. Enfeytiçar. Echizar. Engasgar. Atragantarse. Engatinhar. Andar a gatas. Engayolado. Enjaulado. Engeytado menino. Niño exposito. Engulhos. Bascas de estomago para vomitar. Enjojo. La nuca del buey. Enjôo. Revolución de estomago. Enlabutar. Enlodar. Enlear. Embaraçar. Enlourecer. Enrubiar. Ensaboar. Enjabonar. Ensandecer. Atontarse. Enloquecer. Ensejo. Occasion. Ensosso. Insipido. *Parede ensossa. Albarrada de pîedras secas. Entaõ. Entonces. Entrevado. Tullido. Entrevar. Tullir. Entrudo. Carnes tolendas. Enveja. Embidia. Envejar. Embidiar. Enviuvar. Embiudar. Enula campâna. Erva. Ala. Enxada. Azada. Enxame. Enjambre. 8 Molesto.] Molesto Pascoal da Sylva O CONTRIBUTO DA OBRA LEXICOGRÁFICA DE RAFAEL BLUTEAU 411 Enxergaõ. Gergon. Enxergar. Discernir. Enxô. Azuela. Enxovalhar. Ensuciar. Enxôvia. Calaboço. Enxoval. Axuar. Enzinheyra. Arbol. Encina. ER Erva babosa. Azivar. Erva cavallina. Camedreos. Erva cidreyra. Abejera. Erva de andorinha. Celidonia. Erva de S. Joaõ. Coraçoncillo. Erva doce. Anis. Erva dos pegamaços. Lampaços. Erva molarinha. Palomilla, y Palomina; pero mira, que tambien se llama assi el estiercol de la paloma. Ervar. Untar con yervas. Ervilhas. Guisantes. Ervilhal. Campo de guisantes. ES Esbaforido. Apresurado, y con ansia. Esbarrar. Resvalar. Esbarrondadeyro. Resvaladero. Esbofado. Anhelado. Sin aliento. Esborrachar. Estruxar. Esbravejar. Gritar enojado. Esbugalhados olhos. Ojos saltados. Esbulhar. Despojar. Esbulho. El tomar por fuerça. Esburacado. Agujereado. Esburacar. Agujerear. Esburgar a fruta. Mondar la fruta. Escabellado. Desgreñado. Escachar. Abrir por medio, abrir con violencia de alto abaxo. Escada. Escalera. Escaninho. Caxon de arca. Escapola. Escarpia. Escarduçar a lãa. Cardar la lana. ROGELIO PONCE DE LEÓN e SÓNIA DUARTE 412 Escarrador. Gargagiento. Escarrar. Escupir. Escarro. Gargâjo. Escopedina. Escoar. Escurrir. Escondedouro. Escondrijo. Esconço. Obliquo. Escorralhas. Escurrideras. Escorregar. Resvalar. Escorregadiço. Resvaladiço. Escorregadouro. Resvaladero.9 Deslizadero. Escorva. Fogon. Cazoleta. Escorvar a espingarda. Cevar la escopeta. Escrofulas. Lamparones. [p. 20] Escumilha. Perdigones para caçar. Esfalfado. Exhausto de fuerças. Esfalfarse. Consumir las fuerças. Esfolado. Desollado. Esfolar. Desollar. Esgaravatador de detes. Mõdadientes. Esgares. Ademanes. Esguichar. Seringar. Esmola. Limosna. Esmoleyro. Limosnero. Esmorecer. Perder animo. Desmayarse. Espadoas. Espaldas. Espalhar. Esparcir. Espancar. Dar de palos. Maltratar con palos. Espartenha. Alpargata. Espeque. Pontal. Apoyo. Pôr10 espeques. Poner puntales. Apuntalar. Espeto. Asador. Espinhela. La paletilla del estomago. Espirrar. Estornudar. Espirrar no fogo, como faz a folha de louro, o azeyte com agua, &c. Respender. Espirro. Estornudo. Espivitar. Despavilar. 9 Resvaladero.] Resvaladero Pascoal da Sylva 10 Pôr] Por Pascoal da Sylva ~ O CONTRIBUTO DA OBRA LEXICOGRÁFICA DE RAFAEL BLUTEAU 413 Espojarse a besta. Rebolcarse. Espora. Espuela. Espreytar. Assechar. Aguaitar. Espreytador. Assechador. Espreguiçarse. Esperezarse. Esquecer. Olvidar. Esquecido. Olvidado. Esquecimento. Olvido. Esquentador. Calentador. Esquivar. Desviar. Apartar. Esquivo. Uraño. Estalagem. Meson. Posada. Estalajadeyra. Mesonera. Estaleyro. Taraçana. Estazado. Mucho cansado. Estear. Serenar. Estojo. Estuque. Estouro. Estallido. Estreado. Moço bem estreado. Moço bien parecido. Estribeyro. Cavallerizo. FA Face. Cara. Az. Faz. Facha, ou facho. Achon. Fachos. Fuegos. Almenara de fuegos. Faisca. Chispa. Falcaõ. Alcon. Falla. Habla. Fallador. Hablador. Dezidor. Parlero. Fallar. Hablar. Fanhoso. Gangoso. Fallar fanhoso. Hablar gangoso. Farellos. Salvados. Farinha. Arina. Farinhento. Ennarinado. Faro. Tomar o faro. Usmar, ò usmear. FE Fechadura. Cerradura. Feyçoens do rosto. Facciones. Feyjaõ. Fasol. Judia. Judiguelo. Judihuelo. Feyra, ou Feria. *Segunda feyra.Lunes. *Terça feyra. Martes. *Quarta feyra. Miercoles. *Quinta feyra. Jueves. *Sesta feyra. Viernes. ROGELIO PONCE DE LEÓN e SÓNIA DUARTE 420 Maceyra. Manzano. Machadinha. Destraleja. Machado. Destral. Hacha. Feyto ao machado. Hecho a macha martillo. Meganaça. Burdel. Mâgoa. Magulladura. Magoar. Magullar. Malassada. Tortilla de guevos. Mamar. Chotar. Mangerona. Erva. Agedrea. Mangoal. Varal, para sacudir el trigo. Trillo no es Mangoal, es otro instrumento para el mismo efeto. Manteyga. Manteca. Mantilhas. Pañales, en que embuelven niños. Marchetar. Taracear. Mariola. Ganapan. Marmeleyro. Membrillero. Marmelo. Membrillo. Marraõ. Verraco. Puerco para casta, marrano, ò cochino de un año. Mataborraõ. Estraça. Maunça, ou gastaõ de fuso. Torcedero. Mãy. Madre. ME Meyas. Medias. Mechas. Pajuelas de açufre. Meda de feno. Almear de Eno. Meygo. Halagueño. Meymendro. Erval. Veleño. Meyrinho aranha. Alguazil de las moscas. Melancia. Sandîa. Meminho. Dedo meminho. Miñique. Menino. Niño. Mexerico. Chisme. Soplo. Mexeriqueyro. Chismoso. Soplon. Mexilhaõ, marisco. Telinas. Milharas de peyxe. Guevos de pescado. MI Miolos. Sesos. O CONTRIBUTO DA OBRA LEXICOGRÁFICA DE RAFAEL BLUTEAU 421 MO Mocho. Ave. Coceyo. Mofino. Mesquino. Molho. Salsa. Monturo. Muladar. Morangos. Fresas. Morcego. Morcielago, ò morciegalo. Moreyra. Arbol. Moral. Morgado. Mayorasgo. Mover. Malparir. Môvito. Abortadura, ò aborto. MU Murchidaõ. Marchitez. Murcho. Marchito. Murraõ. Moco. Murraõ de candea. Moco de candil, ò Pabesada. NE Nevada, ou neveda. Erva. Nevadera. NI Ninguem. Nadie. NO Nô. Nudo. Noa. Nona. Nôdoa. Mancilla. Noyte. Noche. Noitibô. Ave. Autillo. Noyva. Novia. Noyvo. Novio. Nora. Nuera. NU Nueza. Desnudez. Nuveyro. Nubada. OC Oco. Hueco. Oculos. Anteojos. Oculos de ver ao longe. Anteojos de larga vista. ROGELIO PONCE DE LEÓN e SÓNIA DUARTE 422 OL Olhado. Ogeo. Ojo15. Dar olhado. Hojar, ò16 ogear. Olhar. Mirar. Orelhas. Orejas. Olho. Ojo. Olho à lerta. Ojo a visor. Oliveyra. Azeytuno. Oliva. OM Ombreyras. Postas de puerta. ON Ontem. Ayer. OR Orfaõ. Huerfano. Ortelãa. Yerba buena. OS Ossinho. Guescillo. Osso. Gueso. OU Ouçaõ. Arador de mano. Ovens, ou ovencadura. Hobanques. Ovo. Guevo, ò huevo. Ouregaõ do mato. Tomillo salsero. Ouriço. Erizo. Outeyro. Cerro, ò17 zerro. Costanilla. Outeyrinho. Cerrillo. PA Pa. Pala. Padar. Paladar. Padejar o trigo. Palear el trigo. Padeyra. Panadera. Palito dos dentes. Mondadientes. 15 Ojo] ojo Pascoal da Sylva 16 ò] ou Pascoal da Sylva 17 ò] ou Pascoal da Sylva O CONTRIBUTO DA OBRA LEXICOGRÁFICA DE RAFAEL BLUTEAU 423 Palito das orelhas. Escarva orejas. Palheyro. Pajar. Palreyro. Hablador. Parlero. Panella. Olla, ò ulla de cobre. Papajantares. Mogollon, ò mogollonista. Papeliço. Alcatraz para especies. Papelaõ. Carton. Papo. Garguero. Papoula. Amapôla. Passar o papel. Esparzirse el papel. Pata do cavallo. Empeyne. Pavio. Pavisa. Pay. Padre. PE Pê de fruta. Peçon de fruta. Pê de uvas, depois de pisadas. Orujo, ò borrujo. Pedintaõ. Pordiosero. Pedra, ò18 pedrisco. Granizo. Chover pedra. Granizar. [p. 23] Pedra, ou penedo. Canto. Pedreyra. Cantêra. Peyxe, ou pexe. Pez. Pescado. Pelle. Piel. Pellejo. Penedo. Escollo. Peneyra. Arnero, ò arinero.19 Cernidor. Penna. Pluma. Percalço. Percanços. Perfilhar. Prohijar. Persovejo. Chinche. Pertinho. Cerquita. Perû. Pavo. Pescoço, ou pescosso. Cuello. PI Pia. Pila. Ser Padrinho de pia. Sacar de pila. Picheleyro. Estañador, ò Estañero. Pilha. Rima. Pingadeyro, ou pingadouro. Casuela para pringar. 18 ò] ó Pascoal da Sylva 19 arinero.] arinero, Pascoal da Sylva ROGELIO PONCE DE LEÓN e SÓNIA DUARTE 424 Pingo. Pingre, ò churre. Pintacilgo. Ave. Gilgero. Piparôte. Floretada. Pisar. Hollar. Piscar. Guiñar. Playna. Dola de carpintero. PO Pô. Polvo. Podôa. Hoz podadera. Poeyra. Polvareda. Polvo, peyxe. Pulpo. Pomba. Palôma. Pombal. Palomar. Pontalete. Apoio. Puntal. Pôr pontaletes. Apuntalar. Apoiar. Porca. Cochina. Porco. Cochino. Porquinho. Cochinillo. Poupa. Ave. Abubilla. PR Prègar. Predicar. Pregar. Clavar. Prego. Clavo. Prioriz. Dolor de costado. De proposito, de caso pensado. A sabiendas. PU Pulo. Bote de Pelota. QU Quebrar os queyxos. Desquixarar. Quente. Caliente. Quinta. Casa de campo. RA Rabicha. Gurupera. Rachador de lenha. Partidor de leña. Ranger de dentes. Rechinar los dientes. Rayvar. Rabiar. O CONTRIBUTO DA OBRA LEXICOGRÁFICA DE RAFAEL BLUTEAU 425 RE Rebeca. Violin. Rebecaõ. Violon. Reboliço. Bullicio. Rebôlo. Aguçadera. Recoveyro. Traquinero. Rede suspensa, em que dorme o Gentio do Brasil, &c. Hamâca. Rede de uvas. Colgado de uvas. Rego. Surco. Remela. Lagaña. Remeloso. Lagañoso. Pitarroso. Retrôz. Seda. RI Ribeyro. Arroyo. Riscar. Canzelar. RO Rocada. Estambre. Roda de Freyras. Torno de Monjas. Rola. Tortola. Rolo, ou velinha. Candililla. Cerilla. Romãa. Granada. Rosmarinho. Cantueso. Rosnador. Gruñidor. Rosto de sapato. Empeyne. RU Rua. Calle. Ruasinha. Callexon. Mulher, que corre as ruas. Callegera. Ruge ruge de tripas. Surrio. SA Sachar. Escardar. Sacho. Escardillo. Sâcola. Alforja. Saybro. Gusjuelo. Salsa. Apio domestico. Sanguinaria. Yerva polyganota. Sâpia. Arbol. Pinavete. Sardo, ou sardento. Pecoso. ROGELIO PONCE DE LEÓN e SÓNIA DUARTE 426 SE Segurelha. Axêdrea, ò20 timbra. Seyxal. Guijarral. Seyxo. Guijarro. Sella. Silla. Pôr a sella. Ensillar. SI Simples para abobada. Cimbria, ò21 arcos para bobeda. Sino. Campana. *Torre dos sinos. Campanârio. SO Sò, por só. Asolas. Soalheyro. Solana. Sobejos de mesa. Relieves, sobras de la mesa. Sobrancelhas. Cejas. Sôfrego. Tragon. Gloton. Solho. Peyxe. Esturion. Soslayo. Desgayre. Sovela. Alesna. Sovereyra. Alcornoque. Surgiaõ22. Cirujano. TA Talha de azeyte. Azeytera. Tanchagem. Llanten. Tanger. Tañer. Tanger asnos. Arrear asnos. Tanoeyro. Tonolero, ò23 botero. Tanque, ou viveyro de peyxe. Alberca, ò estanque de pescado. Taramela. Taravilla, ò citola de molino. Tartaruga. Tortuga. Taverneyra do campo. Ventera. TE Tecelaõ. Tegedor. Teyga. Corbe. 20 ò] ó Pascoal da Sylva 21 ò] ó Pascoal da Sylva 22 Surgiaõ] Surgiao Pascoal da Sylva O CONTRIBUTO DA OBRA LEXICOGRÁFICA DE RAFAEL BLUTEAU 427 Tenta. Calador de Cirujano. Tento para calcular. Giton. Ter. Tener, haver. Tercôl. Espigon. Testa. Frente. Testo. Casco de Barro. [p. 24] TI Til. Arbol. Texo. Tincal. Borrax. Tirar. Sacar. Titela. El blanco del Ave. TO Toca. Madriguera de conejo. Tocha. Acha de cera. antorcha. Toleyraõ. Tonton. Bobarron. Tolête. Escalmo. Tolo. Bobo. Necio. Torga. Planta. Tamarîz. Tormentilha. Erva. Siete en rama. Tornada. Buelta. Torneja de carro. Estorneja. Torneyra. Canilla de cuba. Tornozello. Tovillo. Torraõ com raiz. Cesped. Tosador. Tundidor. Tosar. Tundir. Tosquiar. Trasquilar, ò24 Tresquilar. Toscanejar. Dormitar. Tosse. Tos. Toupeyra. Topo. TR Tramoço. Altramuz. Treçô, ou Açor macho. Torzuelo. 23 ò] ó Pascoal da Sylva 24 ò] ó Pascoal da Sylva ROGELIO PONCE DE LEÓN e SÓNIA DUARTE 428 Trela. Atrailla. Tremelga. Torpigo.25 Tremer. Temblar. Tremonha. Tolva, ò embudo de molino. Tremor. Temblor. Trempe, ou Trepeça. Trevedes. Tresbordar. Rebosar. Trevo, ou Trifolio. Erva. Trevôl. Tributo. Pecho. Pagar tributo. Pechar. Tributario. Pechero.26 Trincar. Crugir. Troca. Cambalache. TU Tûbaras da terra. Criadillas, ò27 turmas de tierra, Topetos, ò28 Teveras. Tufo. Casta de piedra.29 Tova. VA Valverde. Planta. Mirabêl. Varapao. Pertiga. Vassoura. Escova. Vazante. Menguante de mar. VE Veado. Ciervo. Venado. Veyga. Egido. Velinha, ou Rolo. Belilla, ò Cerilla. Velhinho. Vejete. Ventas. Respiraderos de las narizes. Venzego. Ave. Maçarico. Verga de porta. Lintel. Vergoens. Ronchas. Vezinhança. Vecindad. 25 Tremelga. Torpigo.] Tremelga Torpigo, Pascoal da Sylva 26 Pechero.] Pechero, Pascoal da Sylva 27 ò] ó Pascoal da Sylva 28 ò] ó Pascoal da Sylva 29 Piedra.] piedra Pascoal da Sylva O CONTRIBUTO DA OBRA LEXICOGRÁFICA DE RAFAEL BLUTEAU 429 VI Vinda. Venida. Boa vinda. Bien venida. Viola. Guitarra. Virar de dentro para fóra. Bolver lo de adentro a fuera. Virotes da espada. Gavilanes. Vitella. Ternera. Unhagata. Erva. Gatillos, ò gatinos. VO Você. Usted. Volta. Buelta. Volta de pescoço. Balona. Volta na tripa. Retortijon. Voo. Buelo. UR Urze. Tamariz. ZA Zambro. Estevado. ZI Zimbro. Planta. Enebro. ZO Zombaria. Burla. ZU Zunîdo. Zumbido. Zurrapa. Zupia.