Relatório de Estágio realizado na Farmácia Moreira Padrão
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Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* II * Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas Relatório de Estágio Profissionalizante Farmácia Moreira Padrão janeiro de 2016 a julho de 2016 Ana Catarina Couto Reis Areal Orientadora : Dra. Maria Júlia Moreira Padrão ______________________________________ Tutor FFUP: Prof. Doutora Helena Vasconcelos ______________________________________ setembro de 2016 *
Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* III Declaração de Integridade Eu, Ana Catarina Couto Reis Areal, abaixo assinado, nº __________, aluno do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, declaro ter actuado com absoluta integridade na elaboração deste documento. Nesse sentido, confirmo que NÃO incorri em plágio (acto pelo qual um indivíduo, mesmo por omissão, assume a autoria de um determinado trabalho intelectual ou partes dele). Mais declaro que todas as frases que retirei de trabalhos anteriores pertencentes a outros autores foram referenciadas ou redigidas com novas palavras, tendo neste caso colocado a citação da fonte bibliográfica. Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, ____ de ______________ de ______ Assinatura: ______________________________________
Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* IV Agradecimentos Quero agradecer primeiramente à Dra. Maria Júlia Padrão pela amabilidade com que me recebeu na Farmácia Moreira Padrão e por toda a disponibilidade demonstrada na transmissão de todos os conhecimentos essenciais à minha formação que foram, indubitavelmente, uma mais valia na minha vida profissional. A todos os membros da equipa um muito obrigada pois sempre se mostraram dispostos a ajudarme e a esclarecer todas as minhas dúvidas, o que contribuiu significativamente para a minha adaptação à realidade profissional, contribuindo para que esta experiência se tornasse um desafio extremamente enriquecedor e compensador. Queria também agradecer à Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto e à minha tutora, Professora Doutora Helena Vasconcelos, por sempre se ter prontificado a ajudar-me. Por fim, agradeço à minha família e ao David pela compreensão, apoio e carinho nesta importante etapa da minha vida.
Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* V Resumo Para a conclusão do curso de Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto realizei um estágio profissionalizante em farmácia comunitária com duração de seis meses. O estágio em questão decorreu na Farmácia Moreira Padrão, na Trofa, de 11 de janeiro a 10 de julho de 2016, sob a orientação da Dra. Maria Júlia Moreira Padrão. O estágio em farmácia comunitária foi para mim a etapa mais aguardada durante todo o curso. Este estágio profissionalizante possibilitou-me um contacto direto com a realidade do mundo profissional e com o funcionamento de uma farmácia e, ao mesmo tempo, permitiu-me consolidar os conhecimentos adquiridos ao longo de todo o curso junto de profissionais com experiência na área que me foram proporcionando uma aprendizagem constante. Foram seis meses muito intensos com experiências novas que me permitiram desevolver competências pessoais na promoção do bem estar e na dispensa do medicamento. Desta forma, pretendo com este relatório descrever a prática farmacêutica diária e relatar de forma sucinta todas as atividades que desenvolvi. Este relatório encontra-se dividido em duas partes, sendo que a primeira corresponde à descrição detalhada do estágio, ou seja, de todo o funcionamento da farmácia, do que aprendi e das atividades que desempenhei. A segunda parte corresponde ao desenvolvimento científico de temas que me suscitaram interesse durante este período de estágio e que me levaram a uma pesquisa mais profunda para prestar aconselhamentos mais ricos e personalizados.
Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* VI Lista de abreviaturas BPF Boas Práticas de Farmácia BPO Peróxido de Benzoílo DHT Dihidrotestosterona FEFO First Expired, First Out FF Forma Farmacêutica FMP Farmácia Moreira Padrão GH Grupo Homogéneo HDL Lipoproteínas de alta densidade HTA Hipertensão Arterial * INFARMED Autoridade Nacional de Medicamentos e Produtos de Saúde, I.P. IVA Imposto de Valor Acrescentado LDL Lipoproteínas de baixa densidade MM Medicamento Manipulado MNSRM Medicamento Não Sujeito a Receita Médica MSRM Medicamento Sujeito a Receita Médica PV Prazo de Validade PVP Preço de Venda ao Público SNS Sistema Nacional de Saúde
Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* VII Índice Parte I – Descrição do estágio 1- Organização da farmácia 1.1. Espaço físico, funcional e exterior ................................................................................. 1 1.2. Espaço interior ............................................................................................................... 1 1.3. Composição e função dos recursos humanos ................................................................ 2 1.4. Enquadramento socioeconómico ................................................................................... 3 2- Fontes de informação .......................................................................................................... 3 3- Medicamentos e outros produtos existentes na farmácia 3.1. Medicamentos sujeitos a prescrição médica obrigatória ............................................... 4 3.2. Medicamentos não sujeitos a prescrição médica ........................................................... 4 3.3. Produtos cosméticos e higiene corporal ......................................................................... 5 3.4. Medicamentos homeopáticos ......................................................................................... 5 3.5. Produtos fitoterapêuticos e suplementos alimentares .................................................... 6 3.6. Produtos para alimentação especial e produtos dietéticos ............................................. 6 3.7. Produtos e medicamentos de uso veterinário ................................................................. 6 3.8. Dispositivos médicos ..................................................................................................... 7 4. Gestão de stocks 4.1. Fornecedores e normas legais de aquisição ................................................................... 7 5. Encomendas e aprovisionamento.......................................................................................... 8 5.1 Realização de encomendas ............................................................................................. 8 5.2. Receção e conferência de encomendas .......................................................................... 9 5.3. Marcação de preços ....................................................................................................... 9 5.4. Armazenamento de produtos ......................................................................................... 10 5.5. Controlo de prazos de validade ...................................................................................... 11 5.6. Gestão de devoluções ..................................................................................................... 11 6. Atendimento ao público
Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* VIII 6.1. Prescrição médica e validação de receitas ..................................................................... 12 6.2. Interpretação e avaliação farmacêutica da prescrição médica ....................................... 13 6.3. Dispensa de medicamentos ............................................................................................ 14 6.4. Dispensa e controlo de medicamentos psicotrópicos e estupefacientes ........................ 15 6.5. Medicamentos genéricos e preços de referência ........................................................... 15 6.6. Comparticipação de medicamentos ............................................................................... 16 6.7. Direito de opção do utente ............................................................................................. 17 6.8. Aconselhamento farmacêutico ....................................................................................... 17 6.9. Implementação da nova receita electrónica ................................................................... 17 7. Conferência de receituário e faturação ................................................................................ 18 8. Medicamentos manipulados ................................................................................................. 18 9. Outros cuidados de saúde prestados na farmácia ................................................................. 20 10. Formações .......................................................................................................................... 21 Parte II – Trabalhos desenvolvidos 1. A acne – Etiopatogenia e Tratamento I. Contextualização e objetivos ............................................................................................ 22 II. Acne ................................................................................................................................. 22 III. Epidemiologia ................................................................................................................. 23 IV. Etiologia .......................................................................................................................... 23 V. Diagnóstico da acne ......................................................................................................... 24 VI. Patogénese ...................................................................................................................... 24 VII. Manifestações clínicas ................................................................................................... 26 VIII. Tratamento ................................................................................................................... 28 IX. Impacto psico-social da acne .......................................................................................... 33 X. Caso prático...................................................................................................................... 33 2. Colesterol - uma breve abordagem I. Contextualização ............................................................................................................... 34
Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* IX II. Incidência ......................................................................................................................... 34 III. Colesterol ........................................................................................................................ 35 IV. Principais tipos de colesterol .......................................................................................... 35 V. Fatores que afetam os níveis de colesterol ....................................................................... 36 VI. Valores de colesterol recomendáveis .............................................................................. 36 VII. Tratamento não farmacológico e farmacológico ......................................................... 36 VIII. Rastreio ao colesterol total ........................................................................................... 37 3. Hipertensão Arterial – fundamentos básicos I. Epidemiologia .................................................................................................................... 38 II. Hipertensão arterial – aplicação na farmácia comunitária ............................................... 39 III. Fisiopatologia .................................................................................................................. 39 IV. Fatores de risco e prevenção da doença cardiovascular.................................................. 40 V. Tratamento da hipertensão arterial.................................................................................... 40 4. Diabetes – a pensar nos utentes da FMP............................................................................... 41 5. Piolhos – da prevenção ao tratamento – guia prático .......................................................... 41 6. Suplementos vitamínicos...................................................................................................... 41 Conclusão.................................................................................................................................. 42 Referências bibliográficas........................................................................................................ 43 Anexos...................................................................................................................................... 48
Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* X Índice de Anexos Anexo 1: Fachada da Farmácia Moreira Padrão.................................................................... 48 Anexo 2: Área de atendimento ao público da Farmácia Moreira Padrão.............................. 48 Anexo 3: Montra realizada..................................................................................................... 48 Anexo 4: Panfleto colesterol.................................................................................................. 49 Anexo 5: Panfleto diabetes.................................................................................................... 50 Anexo 6: Piolhos – da prevenção ao tratamento................................................................... 51 Anexo 7: Suplementos alimentares........................................................................................ 53 Anexo 8: Cronograma das atividades desenvolvidas ao longo do estágio............................ 54
Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* 5 MNSRM preferível para a situação concreta que procura solucionar, promovendo o uso racional do medicamento e controlando o fenómeno de automedicação. 3.3. Produtos cosméticos e higiene corporal Entende-se por produto cosmético “qualquer substância ou mistura destinada a ser posta em contacto com as partes externas do corpo humano (epiderme, sistemas piloso e capilar, unhas, lábios e órgãos genitais externos) ou com os dentes e as mucosas bucais, tendo em vista, exclusiva ou principalmente, limpá-los, perfumá-los, modificar-lhes o aspeto, protegê-los, mantê-los em bom estado ou de corrigir os odores corporais”(Decreto-Lei n.º 176/2006, de 30 de agosto). O Infarmed tem por missão regular e supervisionar o mercado de produtos cosméticos segundo os mais elevados padrões de proteção da saúde pública, garantindo o acesso dos profissionais de saúde e dos consumidores a produtos cosméticos de qualidade e seguros. Na FMP existe uma vasta gama de produtos de cosmética sendo comercializadas linhas como a Avéne®, Galénic®, Vichy®, La Roche Posay®, Uriage®, entre outras. Ao longo do meu estágio, pude assistir a várias formações promovidas pelas diferentes marcas de produtos comercializados na farmácia, o que me tornou mais apta a responder às necessidades de cada utente e a fazer aconselhamentos mais personalizados e enriquecidos. 3.4. Medicamentos homeopáticos Segundo o Decreto-Lei 176/2006 de 30 de agosto, um medicamento homeopático é um medicamento obtido a partir de substâncias denominadas stocks ou matérias-primas homeopáticas, utilizando um processo de fabrico descrito na farmacopeia europeia, ou na sua falta, em farmacopeia utilizada de modo oficial num Estado membro. Este mesmo decreto-lei estabelece dois procedimentos para a autorização de medicamentos homeopáticos: - um processo de registo simplificado, para os medicamentos homeopáticos introduzidos no mercado sem indicações terapêuticas e sob forma farmacêutica e dosagem que não apresentem riscos para o doente; - um regime idêntico ao dos restantes medicamentos de uso humano, para os medicamentos homeopáticos comercializados com indicações terapêuticas, ou com uma apresentação susceptível de apresentar riscos para o paciente, sem prejuízo das características próprias a que devem obedecer os ensaios tóxico-farmacológicos e clínicos destes medicamentos. A FMP não possui grande variedade de medicamentos homeopáticos, uma vez que estes não são significativamente solicitados por parte dos utentes. Contudo, tive a experiência de dispensar um Osciloccoccium®, dos laboratórios BOIRON, onde dei alguma informação técnica sobre este tipo de medicação a uma senhora que se encontrava constipada e era contra as substâncias químicas.
Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* 6 3.5. Produtos fitoterapêuticos e suplementos alimentares Os produtos fitoterapêuticos são produtos à base de plantas e são utilizados na profilaxia, no tratamento de doenças ou no alívio dos sintomas, na sua maioria adjacentes a outra terapêutica. Na FMP existe uma grande variedade de produtos naturais com grande procura por parte do utente que acredita ser inócuo, contudo estes também possuem ações farmacológicas, o que pressupõe contraindicações e efeitos adversos. Desta forma, uma vez mais, o farmacêutico assume um papel fulcral na correta utilização destes produtos, devendo sempre fornecer todas as indicações para um correto aconselhamento. Os produtos fitoterapêuticos são controlados de acordo com o descrito no Estatuto do Medicamento. Os suplementos alimentares são regulados pelo Decreto-lei nº 136/2003 de 28 de junho, e são utilizados como um complemento ao regime alimentar para suprimir algumas carências, mas nunca para substituir a dieta [5]. 3.6. Produtos para alimentação especial e produtos dietéticos Os produtos destinados a uma alimentação especial estão regulados pelo Decreto-lei nº 74/2010 de 21 de junho, e distinguem-se dos alimentos de uso corrente pela sua composição ou processo especial de fabrico, tendo como objetivo alcançar um estado nutricional pretendido. Estes produtos destinam-se a pessoas com perturbações metabólicas ou que se encontrem em condições fisiológicas especiais, que necessitem de um controlo sobre as substâncias ingeridas e, também, a latentes ou crianças jovens em bom estado de saúde [6]. Na FMP tive a oportunidade de contactar e vender alguns produtos como o FORTIMEL® ou o FRESUBIN® especialmente formulados a pessoas com distúrbios metabólicos, mas também outros produtos alimentares destinados a crianças e latentes de várias marcas como NUTRIBÉN®, APTAMIL®, NOVALAC®, ENFALAC®, entre outros, que apresentam diversas gamas de forma a abranger um maior número de necessidades da população. 3.7. Produtos e medicamentos de uso veterinário Os medicamentos e produtos destinados a uso veterinário têm legislação específica e são regulados pelo Decreto-lei nº 184/97 de 26 de julho. De acordo com este documento, um medicamento veterinário é um produto que possui propriedades no tratamento ou na prevenção de doenças e da sua sintomatologia, destinado a animais [7]. Na FMP estes produtos estão acondicionados num local específico, separados dos medicamentos de uso humano e a sua identificação está facilitada pela menção no rótulo «USO VETERINÁRIO», impressa em fundo verde, tal como regulamenta o mesmo Decreto-lei. Ao longo do meu estágio verifiquei que os medicamentos de uso veterinário que tiveram mais procura foram os antiparasitários e os anticoncecionais para cães e gatos.
Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* 7 3.8. Dispositivos médicos É estabelecido no Decreto-Lei nº 145/2009, de 17 de junho as regras a que devem obedecer a investigação, o fabrico, a comercialização, a entrada em serviço, a vigilância e a publicidade dos dispositivos médicos e respectivos acessórios. Os dispositivos médicos são instrumentos de saúde destinados, especificamente pelo seu fabricante, a serem utilizados como forma de prevenir, diagnosticar ou tratar uma doença no ser humano, sem que, para isso, se tenha que recorrer a ações farmacológicas, metabólicas ou imunológicas [8]. Durante o meu estágio vendi diversos dispositivos médicos, como por exemplo: material de penso, seringas, sondas de alimentação, sacos de ostomia, preservativos, meias de compressão, entre outros. 4. Gestão de stocks 4.1. Fornecedores e normas legais de aquisição A aquisição dos medicamentos e outros produtos pela farmácia pode ser feita através da compra a distribuidores grossistas, que funcionam como intermediário entre a farmácia e a indústria farmacêutica, ou pela compra direta a laboratórios ou seus representantes legais [9]. A compra a armazenistas apresenta vantagens, como entregas rápidas, possibilidade de compra de uma extensa variedade de produtos e aquisição apenas de produtos necessários, nas quantidades desejadas, mediante as vendas do dia. A FMP possui cerca de três principais fornecedores: Alliance Healthcare, OCP e Cooprofar, para as quais se efetuam diariamente encomendas, sendo que são enviadas preferencialmente encomendas para a Alliance e Cooprofar. Diariamente nesta farmácia são entregues por estes fornecedores cerca de três encomendas de modo a assegurar uma resposta às necessidades imediatas manifestadas pelos utentes. A seleção do fornecedor depende de vários critérios, entre eles: horário de entrega da encomenda e número de entregas diárias (entregas somente em dias úteis ou também aos fins de semana e feriados, uma ou mais entregas diárias); condições de pagamento (por exemplo: pronto-pagamento, pagamento a 30 dias), descontos comerciais (percentagem de desconto ou bonificação em produto que se obtém na compra de uma determinada quantidade) e satisfação dos pedidos (envio de todos os produtos pedidos, quantidade de produtos em falta/esgotados). A opção entre comprar produtos diretamente à indústria farmacêutica justifica-se em algumas situações, nomeadamente quando os laboratórios oferecem melhores condições de compra, como por exemplo, oferecendo descontos. É preferível a compra direta aos laboratórios quando estes oferecem condições económicas atrativas, como descontos ou campanhas promocionais. Contudo, estas encomendas exigem a compra em maiores quantidades o que implica
Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* 8 um maior investimento e stock. Desta forma, este tipo de aquisição só se torna rentável quando se trata de produtos com elevada rotatividade. Em relação a estas encomendas diretas, a FMP realiza encomendas de medicamentos genéricos em grandes quantidades, de laboratórios muito procurados pelos utentes desta farmácia, com descontos muito vantajosos. Na FMP os pedidos requeridos aos fornecedores são efetuados por via modem e via telefone. Por via modem são realizadas as encomendas chamadas de “reforço de venda” , que correspondem a produtos/medicamentos vendidos desde a última encomenda efetuada e ainda produtos em falta detetados durante esse mesmo período. Por outro lado, pedidos de medicamentos/produtos esporádicos que a farmácia não disponha no momento e cuja confirmação de existência no armazenista e envio seja necessária, são efetuados por via telefónica. 5. Encomendas e aprovisionamento O aprovisionamento é o conjunto de operações administrativas e económicas que permitem colocar os medicamentos e outros produtos à disposição dos utentes. Foi nesta atividade, junto do Dr. Luís, que iniciei o meu estágio. O Dr. Luís teve sempre a amabilidade de me ir explicando todos os passos do circuito do medicamento, desde a realização de encomendas, à sua receção e armazenamento nos respetivos locais. 5.1. Realização de encomendas A realização de uma encomenda tem como objetivo repor o stock da farmácia ou providenciar um produto solicitado pelo utente. Na FMP realizam-se encomendas com o auxílio do sistema informático, SIFARMA® 2000 que, após averiguar produtos vendidos nesse dia que se encontram abaixo do stock mínimo estabelecido, sugere a encomenda dos mesmos para reposição. Esta tarefa sempre ficou a cargo do Dr. Luís, que me mostrou ser possível aprovar ou não a encomenda gerada pelo sistema, bem como retirar ou adicionar produtos à mesma. Depois de aprovada, a encomenda é enviada ao armazenista via modem. Recentemente a Cooprofar criou um gadget que permite verificar a disponibilidade de produto e realizar a sua encomenda imediata, o que se tem mostrado uma mais valia na rapidez da resposta do farmacêiutico ao utente, sempre que este solicita um produto que não faça parte do stock da farmácia. As matérias-primas utilizadas no laboratório da FMP são também encomendadas ao armazenista.
Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* 9 5.2. Receção e conferência de encomendas A receção e verificação de encomendas assumem um papel crucial na logística da farmácia. São atividades que devem ser feitas com a máxima atenção de forma a evitar eventuais erros, que assumem repercussões negativas no bom funcionamento da farmácia, uma vez que são fonte de problemas relacionados com o stock da farmácia. Aquando da chegada das encomendas à farmácia verificamos que estas são transportadas em “banheiras” com cor caraterística de cada distribuidor e vêm identificadas com o nome da farmácia, um código numérico e um código de barras. Estas fazem-se acompanhar de uma guia de remessa/factura em duplicado, que contem os dados necessários à receção dos produtos. Para este efeito, recorre-se ao menu “Receção de Encomendas” no software SIFARMA® 2000 e procede-se à seleção da encomenda em questão; introduz-se o número da fatura e o seu valor total. De seguida, procede-se ao seu rececionamento, através da leitura ótica do código nacional do produto (CNP) dos medicamentos. Contudo, é necessário para a sua correcta receção ter em conta determinados aspetos como: averiguar se todos os produtos faturados foram, de facto enviados; verificar o estado de conservação das embalagens; proceder à atualização dos prazos de validade dos produtos cujo stock esteja a zero ou quando as embalagens rececionadas tenham um prazo de validade inferior ao das embalagens já existentes na farmácia; corrigir ou atribuir o PVP aos produtos novos ou aos produtos cujo preço esteja alterado; proceder à transferência dos produtos esgotados para outro fornecedor e, atualização automática dos stocks dos produtos. Quando a encomenda se faz acompanhar de produtos que necessitam de condições especiais de armazenamento a baixas temperaturas é realizado o seu imediato acondicionamento no frigorífico da farmácia [10]. É de realçar que, quando na encomenda existe uma matéria-prima, esta deverá ser acompanhada do seu respectivo boletim de análise obrigatório, que é arquivado no dossier destinado para o efeito. Caso seja a primeira vez que esta matéria-prima é recebida na farmácia, para além do boletim de análise deverá vir acompanhada das normas de segurança. Outra situação especial, depreende-se com o facto da encomenda vir provida de medicamentos estupefacientes e psicotrópicos devendo estes ser acompanhados por uma requisição com a discriminação dos medicamentos enviados, assinado e carimbado pelo diretor técnico, dado que estes medicamentos são sujeitos a um controlo especial [11]. Finda a receção e conferência da encomenda, confirma-se a sua entrega e compara-se o valor total da fatura com o valor apresentado no sistema informático, que deverá coincidir, revelando que a tarefa foi executada corretamente. Durante o estágio, esta foi das primeiras tarefas que realizei, o que me possibilitou familiarizar com os medicamentos e produtos farmacêuticos de que a farmácia dispunha. 5.3. Marcação de preços O Decreto-Lei nº 112/2011, de 29 de novembro, delibera a obrigatoriedade da indicação do
Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* 10 PVP na rotulagem dos medicamentos [12]. Para os medicamentos sujeitos a receita médica, o valor é definido pelo INFARMED, que disponibiliza uma tabela mensal, a partir da qual se confere os PVP. No caso dos produtos de venda livre, compete à farmácia atribuir-lhes um PVP, que tem em conta o preço de faturação, o Imposto de Valor Acrescentado (IVA) e a margem que a farmácia pretende obter [13]. Determinado o PVP, são depois impressas as etiquetas autocolantes contendo o CNP do produto, designação, preço e taxa de IVA, tendo o cuidado de não ocultar nenhum dado (lote, do PV e informações em português). 5.4. Armazenamento de produtos Terminada a etapa de receção e conferência de encomendas, procede-se ao armazenamento dos produtos recebidos, seguindo-se algumas regras fundamentais para um funcionamento rápido e eficaz. Deste modo, na FMP os medicamentos são armazenados em gavetas metálicas também designadas por “rombics” sendo estes separados tendo por base a F.F. destes. Para além da separação de acordo com a F.F., são também colocados por ordem alfabética do seu nome e seguem a rotatividade das existências “First Expired, First Out” (FEFO) colocando os produtos de menor prazo de validade (P.V.) armazenados à frente daqueles que possuem um PV mais alargado evitando a retenção de produtos mais antigos com consequente expiração do seu PV. Existem ainda dois grupos de medicamentos a ter em especial atenção no armazenamento: os medicamentos psicotrópicos e estupefacientes que estão armazenados numa gaveta no interior da farmácia, não acessível ao publico, de modo a promover um controlo mais rigoroso destas substâncias, e os medicamentos que necessitam de refrigeração e que são prioritariamente colocados no frigorífico de porta transparente. Para assegurar que os produtos mantêm as suas qualidades originais, o interior do frigorífico deve-se encontrar a uma temperatura entre os 2 - 8 ºC, diariamente monitorizada a partir de um termómetro que regista as variações de temperatura [14]. Para que se assegurem as condições de conservação dos produtos, segundo as BPF, estes têm que estar guardados num sítio protegido da luz solar direta, com uma temperatura ambiente inferior a 25ºC e humidade inferior a 60% [15,16]. Estes parâmetros são controlados na FMP quinzenalmente, através da análise dos registos dos termohigrómetros situados nos diversos locais onde se armazenam produtos [17]. Quando a disponibilidade de espaço na zona de atendimento e nos módulos se esgota, os produtos são colocados no armazém no piso -1 da farmácia, constituindo um stock passivo, pronto a suprir as faltas do stock ativo. O armazenamento de medicamentos foi uma tarefa que executei desde o primeiro dia de estágio e que me conferiu bastante destreza e rapidez para a fase do atendimento ao público.
Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* 11 5.5. Controlo de prazos de validade O controlo dos PV de todos os produtos farmacêuticos é fulcral para uma boa gestão da farmácia e para a segurança dos utentes. Como referi no ponto anterior, para auxiliar neste controlo, aquando da sua receção, os produtos são armazenados de acordo com o princípio do FEFO. Há a possibilidade de fazer uma devolução aos fornecedores de produtos cujo PV esteja próximo do fim e, para isso, é necessário o seu controlo periódico. Na FMP, para além da essencial etapa de verificação e atualização dos PV, aquando da receção da encomenda, todos os meses é impressa, através do SIFARMA® 2000, uma lista onde constam todos os produtos cujo prazo de validade termina num período de três meses, a contar do mês da sua emissão, sendo exceções os produtos que fazem parte do protocolo da diabetes mellitus e os medicamentos de uso veterinário, pois a devolução dos mesmos deverá ser realizada com cinco e seis meses de antecedência, respetivamente. Desta forma, todos os produtos que são discriminados na lista emitida são individualmente e de forma manual verificados, sendo devolvidos ao respectivo fornecedor os produtos que se inserem no intervalo considerado acompanhados de uma “Nota de Devolução” em duplicado. Quando estes produtos são retirados é necessário fazer uma correção dos seus PV no programa informático, colocando-se sempre o PV mais curto dos que se mantêm no stock, no ítem “Correção de Prazos de Validade”. Ao longo do estágio, participei em todos os controlos de PV realizados na FMP, assim como em todas as devoluções daí decorrentes. 5.6. Gestão de devoluções São diversos os motivos pelos quais há a necessidade para a realização de devoluções no contexto da farmácia comunitária, entre eles: PV a expirar ou expirado, produtos pedidos por engano, produtos enviados com PV curtos, produtos enviados que não foram encomendados, produtos enviados mas que se apresentam danificados, produtos enviados que não foram faturados e produtos retirados de circulação por ordem do do INFARMED ou do laboratório que os comercializa. Na FMP, para se fazer uma devolução recorre-se ao SIFARMA® 2000, seleciona-se o ítem “Criar Devolução” no menu “Gestão de Devoluções”, indica-se o fornecedor para o qual se pretende fazer a devolução e, de seguida introduzem-se os produtos, referindo para cada caso o motivo da devolução e o número da fatura desse produto. Ao concluir a devolução é emitida uma nota de devolução em triplicado, que é assinada, datada e carimbada pelo profissional que a realizou, onde vem especificado o produto, o número de embalagens devolvidas, o preço, o número da fatura onde foi debitado e o motivo da devolução. O triplicado é arquivado na farmácia e o original e duplicado acompanham os produtos devolvidos, que saem automaticamente do stock da farmácia. O fornecedor pode aceitar a devolução (e, neste caso, substitui o produto ou emite uma nota de crédito), ou pode rejeitar a devolução, assumindo a farmácia o respetivo prejuízo resultante
Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* 12 da quebra. O software SIFARMA® 2000 auxilia na regularização das devoluções através do menu (“Regularização de Devoluções”) que permite verificar se a devolução foi ou não aceite. Em caso afirmativo, indica-se qual a modalidade escolhida para a regularização; caso tenha sido rejeitada, os produtos voltam a fazer parte do stock da farmácia. Se enviarem novos produtos para compensar a devolução, então estes devem ser introduzidos, entrando para o inventário da farmácia. Ao longo do estágio tive a oportunidade de realizar várias devoluções pelos diversos motivos, e pude assim conhecer todo o processo inerente. 6. Atendimento ao público 6.1. Prescrição médica e validação de receitas As prescrições médicas que chegam a farmácia podem apresentar-se sob duas formas de validade: pode ser uma receita normal, com validade de 30 dias a contar da data de prescrição, ou uma receita renovável, com validade de 6 meses e que é emitida em três vias, destinada a um tratamento prolongado [18, 19]. A receita pode ainda ser manual ou eletrónica [19]. Contudo, de acordo com a Portaria nº 137-A/2012 de 11 de maio, o prescritor tem o dever de utilizar a receita eletrónica, embora possa adotar o método manual em casos excecionais nas seguintes situacões: caso ocorra falência do sistema informático; impossibilidade de adaptação à receita electrónica; prescrição no domicílio ou noutras situações, desde que não ultrapasse a prescrição de quarenta receitas por mês. A exceção que permite ao médico prescrever manualmente tem que estar devidamente assinalada no documento de receita pré-impresso. Por outro lado, as receitas renováveis não podem ser prescritas de modo manual [19, 20]. Quando o utente chega a farmácia com uma receita, o farmacêutico deve de imediato verificar se esta se encontra válida. Para o efeito, uma receita só é considerada válida se cumprir os requisitos estabelecidos, que são: apresentar o número da receita; local e data de prescrição; identificação e assinatura do médico prescritor; nome e número de utente ou de beneficiário de subsistema; entidade financeira responsável (mediante a qual é efetuada a comparticipação dos medicamentos); designação comum internacional (DCI) da substância ativa ou designação comercial do medicamento (quando não existe grupo homogéneo (GH) com um genérico comparticipado ou o medicamento não é comparticipado); dosagem; FF; dimensão da embalagem; número de embalagens e identificação do despacho que estabelece o regime especial de comparticipação de medicamentos, se aplicável [19]. Em cada receita apenas podem estar prescritos até quatro medicamentos, em que a prescrição de cada medicamento apenas pode ser até duas embalagens, exceto no caso dos medicamentos prescritos se apresentarem sob a forma de embalagem unitária [19].
Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* 13 Quanto às receitas com medicamentos psicotrópicos e estupefacientes, estes têm que ser prescritos numa receita individual, ou seja, que não contenha mais nenhum tipo de medicamento. O mesmo acontece com os produtos destinados ao controlo da diabetes mellitus incluídos no Programa Nacional de Prevenção e Controlo da Diabetes. Em relação aos medicamentos manipulados, também estes devem ser prescritos numa receita à parte e que inclua a menção “Manipulado” ou “FSA” no caso de serem comparticipados [19, 20]. Quando o utente se dirige à farmácia com prescrição médica para aviar MSRM, tem a oportunidade de escolher qual o medicamento que pretende levar, se genérico ou de marca, com base na DCI. Se o medicamento prescrito estiver incluído num GH, o farmacêutico tem o dever de informar o utente sobre a existência de alternativas e disponibilizar três opções desse GH que se incluam nos cinco mais baratos do mercado [19]. Existem também situações em que a prescrição inclui o nome comercial do medicamento, como é o caso de ser um medicamento não comparticipado, ou quando não existe um GH com um genérico comparticipado e, nestes casos, o médico tem de incluir na receita uma das seguintes exceções [19-20]: • Exceção a), quando se trata de um medicamento com margem ou índice terapêutico estreitos; • Exceção b), no caso de ter ocorrido uma reação adversa prévia; • Exceção c), quando o doente faz um tratamento de tempo superior a 28 dias. Quando o médico prescritor seleciona a exceção a) ou b), o utente não tem direito de optar por outro medicamento, tendo que ser dispensado a marca comercial prescrita. No caso da exceção c), o utente pode optar pelo medicamento prescrito ou por outro com um PVP inferior [19, 20]. É importante que o farmacêutico durante o atendimento verifique todos estes requisitos para fazer um correto aviamento da receita, indispensável para a receita não seja recusada. 6.2. Interpretação e avaliação farmacêutica da prescrição médica Após a validação da receita médica, segue-se a interpretação da receita e a respetiva avaliação farmacoterapêutica por parte do farmacêutico. Segundo as BPF, o farmacêutico deve analisar cada prescrição médica como um caso indivualizado, questionando o utente sobre a sua condição e percebendo, desta forma, se o medicamento prescrito é o adequado para a sua sintomatologia, se existe algum tipo de interação ou contraindicação entre a prescrição e outra medicação a ser feita pelo utente, assim como a dose, frequência e duração do tratamento [10]. O farmacêutico deve ainda contactar o médico caso tenha alguma dúvida na prescrição ou detete alguma incompatibilidade [15].
Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* 14 6.3. Dispensa de medicamentos A dispensa de medicamento é a principal competência da atividade farmacêutica numa farmácia comunitária. Segundo as BPF, quando o farmacêutico avia uma receita, ou somente quando lhe é solicitado aconselhamento de MNSRM, deve garantir a segurança do utente e que este receba toda a informação indispensável à correta utilização dos medicamentos, para promover o sucesso da farmacoterapia e o uso racional do medicamento. Deve ainda mostrar a sua total disponibilidade, proporcionando um aconselhamento personalizado, com uma linguagem clara, objetiva e adequada, tendo em conta o nível sociocultural do utente. Se este se fizer acompanhar de uma receita médica, o farmacêutico deve validá-la, interpretá-la e avaliá-la (pontos 6.1. e 6.2.) e, sempre que for oportuno deve ainda reforçar a informação oral com informação escrita [10]. Todos estes processos revelam a importância do farmacêutico enquanto detentor de conhecimento e transmissor de informação. Recentemente uma nova atualização no software SIFARMA® 2000, denominada “Verificação”, surge na reta final do atendimento, e permite ao farmacêutico confirmar que os códigos de barras da receita são coincidentes com os códigos de barras dos medicamentos que estão a ser dispensados. Este novo atalho permite acabar com a dispensa errada de medicação, com consequentes prejuizos tanto para a farmácia como para o utente. A dispensa de medicamentos é executada pelo software SIFARMA® 2000; selecionandose o menu “Atendimento” e, de seguida, a tecla F2 ou F3, caso seja uma venda sem ou com comparticipação, respetivamente. Numa dispensa com comparticipação, introduzem-se os códigos de barras presentes na receita por leitura ótica e, em seguida, seleciona-se o plano de comparticipação mencionado na receita. Após o registo dos medicamentos e término da venda, são impressos os produtos comparticipados no verso da receita, que deve ser assinada pelo utente confirmando, assim, que lhe foram cedidos os medicamentos e que exerceu, ou não, o seu direito de opção na escolha dos medicamentos, se aplicável. Posteriormente, cabe ao farmacêutico responsável por este processo de aviamento, assinar, datar e carimbar a receita no verso. Caso o utente não se faça acompanhar de uma receita médica e tenha algum problema que possa ser solucionado sem recorrer ao médico, o seu farmacêutico deve debruçar a sua atenção em perceber a sintomatologia e questionar o utente de toda a medicação que já toma, de modo a resolver o seu problema com sucesso na farmacoterapia, promovendo sempre o uso racional do medicamento. É ainda possível fazer-se uma venda suspensa, quando se trata de doentes crónicos que no momento não tenham receita médica e que posteriormente a trazem, sendo emitido um comprovativo de venda suspensa, que deve apresentado quando se fizerem apresentar da receita. Desde cedo que, durante o meu estágio, me foi dada oportunidade de acompanhar a minha orientadora nos seus atendimentos, e com ela pude aprender todo este processo e como agir em variadíssimas situações de aconselhamento.
Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* 21 estejam fora do Plano Nacional de Vacinação, cumprindo as normas de segurança. Todos estes cuidados de saúde prestados são devidamente acompanhados por um farmacêutico, que oferece um aconselhamento personalizado a cada situação, de forma a promover a saúde. É de notar que o controlo de glicemia, pressão arterial e peso são parâmetros gratuitos, e desta forma, há um número bastante acrescido de pessoas que frequentam diariamente a FMP para o controlo destes parâmetros. Na FMP estão constamente expostos materiais educacionais para a gestão da saúde, programas de promoção da saúde e prevenção da doença adaptáveis a uma vasta gama de populações e grupos etários. A FMP também participa no Sistema Integrado de Recolha de Embalagens e Medicamentos fora de uso, patrocinado pela Valormed, que visa a reciclagem. Desde o início do meu estágio que acompanhei alguns funcionários da FMP na prestação de todos estes serviçoes e no aconselhamento inerente aos utentes, principalmente nas determinações bioquímicas e no controlo da pressão arterial, sendo que, passei gradualmente a fazê-lo de forma autónoma. A FMP dispõe de profissionais com conhecimentos especializados na área da segurança e eficácia dos medicamentos e que promovem constantemente o uso racional do medicamento. 10. Formações * Durante todo o período de estágio pude presenciar que são inúmeras as vezes que delegados de informação médica visitam a FMP. Muitas vezes fomos visitados por representantes das marcas, a fim de nos facultarem formações e informações adicionais de produtos já existentes ou ainda apresentarem novos produtos. Estas formações têm como objetivo apresentar os seus produtos em detalhe, esclarecer dúvidas e fornecer informações para que seja feito um aconselhamento personalizado e adequado visando uma melhoria não só na satisfação do cliente mas também no número de vendas. Uma vez que tive a oportunidade de contactar diretamente com os responsáveis de formação aquando da visita à farmácia, não tive necessidade de me deslocar até eles quando davam formações pontuais. Foi-me dada toda a liberdade de os questionar, após os ouvir, sempre que fizeram visitas à farmácia. Sempre disponibilizaram todo o tempo necessário a fim de me apresentarem todo o seu portfólio, desde a informação técnica à experimentação de todos os produtos na própria pele, de modo a avaliar o perfil de absorvância, cheiro e textura do produto.
Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* 22 Parte II – Trabalhos desenvolvidos 1. A acne – Etiopatogenia e Tratamento I. Contextualização e objetivos Durante o meu estágio foi enorme a minha necessidade em saber mais sobre a acne. Enquanto estive ao balcão, foram diversos os casos que me solicitaram aconselhamento para este problema, e deles surgiu a minha curiosidade incessante de saber mais para aconselhar melhor. Desta forma, o meu objetivo principal foi perceber a etiologia desta dermatose e quais os tratamentos farmacológicos e não farmacológicos inerentes a este problema. Considero que o desenvolvimento deste tema foi fundamental para alguns dos atendimentos que realizei, pois só desta forma consegui fazer um aconselhamento personalizado, cuidadoso e enriquecedor. A acne é uma doença como tantas outras que merecem especial atenção, e na área da dermocosmética é essencial perceber os mecanismos etiopatogénicos subjacentes a ela. II. Acne Acne vulgaris é uma dermatose inflamatória e multifatorial do folículo pilossebáceo, sendo uma das dermatoses mais frequentes na população em geral, com uma incidência maior em adolescentes e adultos jovens [30]. Os folículos pilossebáceos constituem o maior apêndice ao nível da estrutura da pele e são constituídos pelo folículo piloso e por glândulas sebáceas [31]. As glândulas sebáceas são glândulas holócrinas que regulam a atividade dos xenobióticos e apresentam não só ação antibacteriana como ainda pró- e anti-inflamatória, participando também na cicatrização [32]. À exceção das palmas das mãos e dorso dos pés, podemos encontrar estas glândulas distribuídas por qualquer zona, estando maioritariamente distribuídas pelo rosto, costas e peito [32]. Quanto ao folículo piloso, a sua raíz situa-se na zona mais profunda da derme enquanto que o topo do pêlo avança no sentido da abertura folicular da epiderme, como podemos ver representado na Figura 1 [33]. Figura 1: As três camadas da pele: a epiderme, a derme e a hipoderme. Representação dos folículos pilosos, das glândulas sebáceas e sudoríparas, dos nervos e os vasos sanguíneos [34].
Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* 23 III. Epidemiologia À data de 2010, a acne afetava em todo o mundo cerca de 650 milhões de pessoas, o que corresponde a cerca de 9,4% da população, mostrando-se ligeiramente mais comum em mulheres (9,8%) do que em homens (9,0%) [35]. Nos EUA afeta cerca de 40-50 milhões de indivíduos, sendo o pico na adolescência, com 85% de jovens afectados entre os 12-24 anos [36]. Um estudo de prevalência no Norte de Portugal demonstrou que 42,1% de jovens tinha acne antes dos 15 anos, 55,8% dos 15-29 anos, 9,2% dos 30-40 anos e 2,1% em indivíduos com mais de 40 anos [37]. IV. Etiologia Na literatura estão descritas quatro causas distintas que contribuem para o desenvolvimento da acne e que podem variar de pessoa para pessoa [38]. Estas causas são: o aumento da secreção do sebo; a proliferação da bactéria Propionibacterium acnes (P. acnes); o excesso da queratinização folicular, que provoca a obstrução do folículo com a consequente formação de comedões; e a reação inflamatória/imunitária, que gera a libertação de mediadores de inflamação no folículo e derme adjacente, cuja reação é responsável pelas lesões inflamatórias [33]. Por outro lado, fatores genéticos, dietéticos, hormonais e psicológicos, isolados ou interrelacionados, podem estar envolvidos na etiologia da acne vulgar [39]. • Fator genético: Exerce grande influência na origem e na gravidade da acne vulgar, influenciando tanto o controlo hormonal como a hiperqueratinização folicular e secreção sebácea, contudo não tem efeito na infeção bacteriana [39]. • Alimentação: A relação entre o desenvolvimento de acne e a alimentação é controversa, contudo alimentos como chocolate, produtos láteos, nozes, alimentos gordurosos e hidratos de carbono de alto indíce glicémico conduzem a uma associação positiva [39]. Quanto à ingestão de alimentos com indíce glicémico elevado (ricos em açúcar e cereais refinados), uma vez que conduzem a hiperinsulinemia, que por sua vez desencadeia uma cascata de fenómenos endócrinos, estão implicados na patogénese da acne [40]. • Hormonas: Os andrógeneos são a principal hormona responsável pelo aumento da produção de sebo na medida em que o seu órgão alvo é a glândula pilossebácea. Desta forma, uma alta concentração desta hormona levará a um desencadeamento da acne. É a porção de androgéneos que não se encontra ligada à proteína das hormonas sexuais (porção livre em circulação) que atuará ao nível dos recetores específicos das células alvo, provovando um aumento da secreção de sebo [40]. • Fatores psicológicos: o fatores psicológicos e neurológicos provocam alterações hormonais que podem desencadear e/ou exacerbar a acne [40].
Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* 24 V. Diagnóstico da acne Acne não é uma doença infecciosa e não pode ser transmitida de pessoa-a-pessoa. Contudo, o duto pilossebáceo e a superfície cutânea são colonizadas por microorganismos – P.acnes, Staphylococcus epidermidis e o fungo Pityrosporum ovale – entre os quais P.acnes predomina [31]. O diagnóstico de acne é baseada na imagem em laboratório e evidência clínica de Propionibacterium e Staphylococcus, cuja quantidade na pus examinada se encontra normalmente aumentada. É necessário obter uma amostra de pus formado na parte inferior do folículo inflamado para o sucesso da técnica de amostragem [41]. A acne vulgar é quase sempre de fácil diagnóstico, podendo ser classificada de acordo com o tipo de lesão predominante. Contudo, as diferentes formas – comedónica, pápulo-pustulosa, nódulo-quística – podem, algumas vezes, gerar dificuldades no diagnóstico. O esquema de classificação do grau de severidade da acne preconizado pela Academia Americana de Dermatologia inclui três níveis: leve, moderado e severo. A acne também pode ser graduada em níveis de I a IV, conforme a gravidade do quadro [42]. VI. Patogénese Como já referido anteriormente, a acne é uma doença crónica do folículo pilossebáceo. Os fatores implicados na etiopatogenia da acne vulgaris são [43]: a. Hiperprodução sebácea; b. Hiperqueratinização folicular; c. Colonização do folículo piloso por microorganimos; d. Reação inflamatória/imunitária com libertação de mediadores inflamatórios no folículo e derme adjacente. a) Hiperprodução sebácea O aumento da secreção de sebo pela glândula sebácea está relacionado com vários fatores [44]: • Elevada produção de androgéneos; • Diminuição da proteína transportadora de hormonas sexuais (SHBG) (com consequente aumento dos níveis de androgéneos livres); • Aumento da atividade da enzima 5α-redutase (responsável pela transformação da testosterona em dihidrotestosterona (DHT) [38]); • Aumento da capacidade do recetor intracelular ao androgéneo. Na puberdade, como os níveis de testosterona atingem o seu pico máximo verifica-se também uma maior atividade destas glândulas [45]. Estas hormonas vão atuar em dois locais: nos
Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* 25 queratinócitos e nos sebócitos. Os sebócitos são os responsáveis pela produção de novos androgéneos e local onde, através da 5α-redutase, há a transformação da testosterona em DHT - forma ativa que atua na unidade pilossebácea, responsável pelas alterações sebáceas, nas áreas seborreicas, sobretudo face e tronco [38]. A 5α-redutase é também a enzima responsável por regular a excreção de lípidos e, como se encontra aumentada, haverá um desequilíbrio entre a produção de sebo e a sua excreção, o que levará a uma acumulação de sebo no folículo com bloqueio do duto e consequentemente ao processo inflamatório [45]. O sebo é formado pela glândula sebácea por um processo holócrino, ou seja, as células da glândula desfazem-se e convertem-se em lípidos. Assim, é uma mistura de lípidos que pode ser convertida em ácidos gordos livres comedogénicos e irritantes por microorganismos presentes na glândula [31]. Quanto à composição do sebo, este varia de um indivíduo normal para um indivíduo acneico. Em ambos os indivíduos, a proporção de ácidos gordos livres, de colesterol e seus ésteres e de escaleno são similares. No entanto, a proporção de triglicerídeos nos indivíduos normais é de 46%-52%, face aos 60%-68% do grupo acneico, e a de ésteres de cera é maior entre os acneicos (20%-26%) em relação aos não acneicos (9%-12%) [46]. Quanto à sua origem, o colesterol e os seus ésteres têm origem epidérmica (glandular) e são libertados pela glândula conforme a excreção sebácea de cada indivíduo. Por outro lado, os ácidos gordos livres vêm da hidrólise dos triglicerídeos, que aumenta quanto maior for o tempo de exposição cutânea do sebo [46]. b) Hiperqueratinização folicular A comedogénese, resultante da hiperqueratinização folicular, é dos fatores etiopatogénicos mais importantes. A estimulação androgénica que leva a uma hiperprodução de sebo, condiciona todas as anomalias ao nível da diferenciação, proliferação e adesão dos queratinócitos. Desta forma, os queratinócitos permanecem agregados e obstruem o canal do folículo piloso, formando uma espécie de rolha, impedindo a drenagem do conteúdo sebáceo produzido pela glândula, o que tem como consequência a formação de microcomedões e mais tarde, comedões [47]. Por outro lado, os ácidos gordos quando se acumulam por um longo período de tempo no infundíbulo glandular, têm a capacidade de irritar o epitélio e, desta forma, levam à hiperqueratinização e inflamação [46]. Também o metabolismo dos hidratos de carbono tem um efeito sobre a hiperqueratinização folicular. Uma vez que IGF-1 e IGRBP-3 regulam a proliferação de queratinócitos e a sua apoptose, correspondentemente, quando ocorre uma hiperinsulinemia, esta leva a um aumento de IGF-1 livre e a uma redução de IGFBP-3, contribuindo para a hiperproliferação de queratinócitos no folículo [46].
Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* 26 c) Colonização do folículo piloso por microorganimos Os principais microorganismos responsáveis pela colonização do folículo piloso são P. acnes e Staphylococcus albus. São os responsáveis pela alteração dos lípidos do sebo, em especial pela formação de ácidos gordos livres, os quais têm propriedades pró-inflamatórias [47]. Quando há hiperprodução sebácea pela glândula, há proliferação maioritariamente de P. acnes, com formação de lesões inflamatórias e libertação de enzimas e fatores quimiotáticos [46]. O microcomedão consiste numa lesão elementar e não inflamatória que resulta da obstrução e dilatação do folículo pilossebáceo. O sistema imune reconhece o excesso de microorganismos e promove inflamação que se manisfesta com o aparecimendo das ‘borbulhas” [42]. d) Reação inflamatória/imunitária P. acnes produz fatores peptídicos quimiotáxicos para neutrófilos, ativa o complemento e provoca a libertação de enzimas lisossómicas destrutivas pelos neutrófilos. Estes fenómenos criam um ciclo de quimiotaxia e uma inflamação neutrofílica intensa [31]. P. acnes intervem no processo inflamatório através da produção de citoquinas como a IL-1β, IL-8, interleucina-12 (IL-12) e TNF- α [33]. A produção citoquinas é mediada pelos receptores TLR [45]. P.acnes provoca uma imediata e longa reação inflamatória após de ligar ao receptor TLR-4 [38; 48]. Esta reação prolifera nos comedões com libertação de lipases que irão atuar no sebo ao nível dos triglicerídeos, reduzindo-os a ácidos gordos livres e glicerol [38; 48]. Os fragmentos de P.acnes e os ácidos gordos livres propagam-se através da parede do folículo, o que permite uma migração dos neutrófilos por quimiotaxia [38; 48]. Os neutrófilos vão produzir enzimas de defesa por imunidade não específica, como as metaloproteases, o que provoca a rompimento da parede do folículo pilossebáceo, desencadeando o processo inflamatório local [38; 48]. Após a lesão da parede folicular, vários agentes – substâncias similares à prostaglandina, aminoácidos, ácidos gordos de cadeia curta e lípases – são produzidos por células inflamatórias e P. acnes. Esses agentes são extrudados na derme, causando mais inflamação [31]. VII. Manifestações clínicas Do ponto de vista clínico, a manifestação da acne traduz-se com lesões inflamatórias ou não inflamatórias, sendo que a primeira manifestação se representa pelo aparecimento de microcomedão que evolui para comedão. Quanto às lesões não inflamatórias estas dividem-se em comedão fechado (ponto branco) ou comedão aberto (ponto negro), enquanto que as lesões inflamatórias apresentam-se como pápula, pústula, quisto ou nódulo [31]. O processo de evolução de um comedão é lento, demora cerca de dois meses desde o seu estavo primário (microcomedão) e distribui-se, na maioria das vezes, na cara, peito e parte superior
Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* 27 das costas. Enquanto que os comedões fechados (brancos) surgem como primeira manifestação da acne, os abertos (negros) resultam da oxidação dos ácidos gordos e do aumento de deposição da melanina [49]. Como já foi referido, uma anomalia da queratinização provoca uma obstrução do duto pilossebáseo por um tampão de queratina e, como consequência, as bactérias (P.acnes), sebo e escamas queratinosas aderem entre si, levando à formação do comedão, ou cravo. Se a obstrução for superficial, resultarão pápulas e pústulas. Se for profunda, poderão ocorrer pápulas, nódulos e quistos maiores e mais profundos, com formação de cicatrizes, que correspondem às formas mais severas da acne, com inflamação granulomatosa [31]. Na acne mais severa, a depressão irregular coberta de pele atrófica, resultante da destruição do folículo pilossebáceo por reação inflamatória é chamada de cicatriz, e pode levar a uma desfiguração permanente [47]. Apesar do polimorfismo desta dermatose, é possível definer três tipos de acne com base na manifestação clínica predominante [47]. a) Comedónica b) Pápulo-pustulosa c) Nódulo-quística A acne comedónica necessita muitas vezes de diagnóstico diferencial pois pode ser associada a diferentes manifestações [47]: • Milia: representa-se por pequenas pápulas assintomáticas e esbranquiçadas na cara; • Ceratose ou hiperceratose folicular: caracteriza-se por micropápulas foliculares monomorfas tanto nas partes laterais do rosto como na zona externa dos braços; • Verrugas planas: correspondem a pequenas pápulas verruciformes aplanadas de tonalidade amarelo-acastanhado que se dispersam na face; • Molusco contagioso: são pequenas pápulas dispersas com centro umbilicado; • Siringomas: são pequenas pápulas lisas da cor neutra, que se localizam nas pálpebras. Na acne pápulo-pustulosa existem manifestações clínicas que podem necessitar de diagnóstico diferencial [47]: • Foliculite por Gram negativas: é constituída por pequenas pápulo-pústulas monomorfas assintomáticas, na área da barba; • Foliculite estafilocócica: apresenta pápulo-pústulas foliculares, dolorosas e com uma elevada reação inflamatória, na área da barba; • Foliculite por fungos: apresenta pápulo-pústulas foliculares assintomáticas, com grande dimensão, geralmente no mento e lábio superior;
Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* 28 • Pseudofoliculite da barba: mais frequente na raça negra, e que se caracteriza por pápula, pústulas e cicatrizes, geralmente com localização na região cervical; • Acne iatrogénica: provocada por alguns medicamentos (corticóides tópicos ou orais, vitamina B12, halogénios e outros). Manifesta-se pelo aparecimento geralmente súbito, de pápulo-pústulas monorfas e pequenas, na face e tronco; • Dermatite perioral: apresenta pequenas pápulas eritematosas, geralmente de incidência na região perioral; • Rosácea: não se observam comedões. Representa-se por pequenas pápulo-pústulas inflamatórias, que se distribuem pelo mento, regiões malares e nariz, geralmente na mulher adulta e pré-menopáusica. Quanto à acne nódulo-quística, esta forma severa difere da acne vulgar na gravidade dos sinais clínicos, na sua cronicidade e até na resistência à terapia de rotina. Ocorre em ambos os sexos mas mais frequentemente em homens, apresentando pápulas, nódulos profundos e dolorosos, além de cicatrizes desfigurantes, às vezes com formação de quelóide. Frequentemente, o distúrbio persiste até ao início da meia idade. Face, tórax e dorso podem estar afetados, isoladamente ou em conjunto. O tratamento foi revolucionado pela isotretinoína [31]. VIII. Tratamento O tratamento da acne tem como objetivo controlar todos os diferentes fatores que contribuem para o desenvolvimento da patogenia [50]. Desta forma, pretende-se não só controlar a hiperqueratose de retenção e diminuir a produção de sebo, mas também reduzir a população bacteriana e a inflamação [50]. Outro aspeto fundamental no tratamento é a prevenção de sequelas da acne, como são exemplo as cicatrizes. Uma vez que são múltiplos os fatores envolvidos, o tratamento deverá ser individualizado e não estereotipado, otimizando todas as terapêuticas instituídas e aumentando a eficácia terapêutica. O número de lesões, a extensão e gravidade do tipo de acne permitem classificar a acne em ligeira, moderada ou grave, servindo de guia para a conduta do seu tratamento [47]. Como as demais estruturas epidérmicas, as glândulas sebáceas são continuamente fabricadas e provavelmente precisam de um mês para chegar à maturidade. Isso pode explicar porque o tratamento se deve prolongar por esse tempo, para que ocorram resultados [31]. A. Tratamento tópico O tratamento tópico é a primeira escolha para as formas não inflamatórias da acne e para a acne inflamatória ligeira, mas também está recomendado nas formas leves a moderadas de acne ou ainda nas formas mais graves como adjuvantes de tratamentos sistémicos [50].
Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* 29 Durante o meu estágio constatei que os fármacos com aplicação tópica mais prescritos numa fase inicial do tratamente são os retinóides, os antibióticos e o peróxido de benzoílo (BPO). Por outro lado, os medicamentos com ácido azelaico, glicólico ou salicílico são prescritos numa segunda etapa visto demonstrarem vantagens numa fase de manutenção, como adjuvantes dos antiacneicos de primeira linha, apesar de terem eficácia limitada [50]. i. Retinóides São eles o fármaco de 1ª linha para a acne leve e moderada. O principal mecanismo de ação dos retinóides é ao nível da diferenciação celular e da queratinização, combatendo a hiperqueratose característica da acne vulgar e a consequente formação de microcomedões, inibindo assim o processo de comedogénese. Por outro lado, também têm atividade anti-inflamatória e previnem a formação de novas lesões, mantendo a remissão da acne [51]. Nas lesões já existentes, promovem a expulsão do comedão [52]. Contudo, apesar de possuirem propriedades anti-inflamatórias verificase que no início da terapêutica e em pele mais sensível, esta ação possa ser mascarada pelo seu potencial irritativo [50]. NA FMP, os retinóides tópicos disponíveis são: o Ketrel® (Tretinoína em creme (0,05%)), o Isotrex® (isotretinoína em gel (0,05%) e o Differin® (adapaleno em creme e gel (0,1%)). Quanto à atividade comedolítica, a isotretinoína, a tretinoína e o adaptaleno têm uma ação similar, apesar deste último ser um retinóide de 3ª geração com melhor perfil de tolerabilidade. No entanto, o seu início de ação é mais lento. Quanto aos efeitos adversos, estes causam, muitas vezes, irritação, fotossensibilidade e pele seca [50]. ii. Ácido Azelaico Este ácido é utilizado quer para acne inflamatória quer para não inflamatória [56]. É uma terapêutica eficaz no tratamento da acne suave a moderada pápulo-pustular uma vez que possui um efeito comedolítico, antimicrobiano e anti-inflamatório [53]. A sua ação revela-se tão eficaz como a da isotretinoína a 0,05% na acne comedogénica e é melhor tolerado que o BPO e tretinoína, no entanto o início de ação é mais lento que o verificado com o BPO [55]. Os efeitos adversos mais comuns são o prurido, descamação, sensação de queimadura e eritema, contudo têm a vantagem de não apresentar fotossensibilidade [54]. iii. Antibióticos Os antibióticos tem a sua ação nas duas últimas etapas da fisiopatologia da acne, ou seja, na colonização por P. acnes e na consequente resposta inflamatória/imunitária [57]. Ao evidente efeito antimicrobiano direto que possuem, com diminuição de P. acnes, também
Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* 30 possuem variadas ações anti-inflamatórias, como são exemplo a produção de citocinas e de ácidos gordos livres no infundíbulo piloso; a diminuição da quimiotaxia dos neutrófilos, a inibição da sintetase do óxido nítrico e aumento da produção de prostaglandinas e de superóxido dismutase [56]. A principal indicação dos antibióticos tópicos é na acne inflamatória ligeira, em que demonstraram ser bem tolarados, apesar de terem um início de ação lento [50]. Esta classe de fármacos deve ser interrompida assim que houver melhoria clínica evidente e devem ser suspendidos ou substituídos, se ineficazes, após 6 a 8 semanas de aplicação regular [50]. Na FMP, dentro desta classe de fármacos, encontram-se disponíveis a eritromicina e a clindamicina, nomeadamente o ZINDACLIN® 1% 10 mg/g Gel (que possui estes dois antibióticos) e o Duac ®10 mg/g + 50 mg/g Gel que possui clindamicina e BPO. iv. Peróxido de Benzoílo Trata-se de um agente antibacteriano e comedolítico utilizado como substituto dos antibióticos tópicos, na acne inflamatória ligeira a moderada [31]. Por vezes, encontra-se combinado com outros antibióticos tópicos pela sinergia na redução da P. acnes e pela prevenção do desenvolvimento de resistências microbianas [50]. Uma vantagem deste agente antimicrobiano é o fato de não estar associado ao desenvolvimento de resistências bacterianas e possuir eficácia similar à dos antibióticos tópicos, contudo apresenta como efeito adverso o fato de irritar a pele, podendo causar dermatites de contacto [50]. Na FMP, o BPO é comercializado na forma de loção de limpeza e de gel, em concentrações de 5 e 10%, com a marca Benzac®. B. Tratamento sistémico O tratamento sistémico da acne engloba antibióticos orais, fármacos hormonais, isotretinoína e ainda combinações entre estes. Nas formas moderadas a graves da acne, os antibióticos orais estão mais indicados, uma vez que têm um inicio de ação mais rápido comparativamente com os antibióticos tópicos, mas são igualmente bem tolerados [50]. i. Antibióticos As tetraciclinas são os antibióticos de 1ª linha pelas vantagens que apresentam relativamente à segurança, eficácia e resistências microbianas [50]. Por outro lado, os macrólidos como a eritromicina, azitromicina e claritromicina além de apresentarem problemas de tolerância, possuem uma eficácia limitada face ao aumento de estirpes
Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* 37 rezudir cerca de 51% das LDL) [57]. VIII. Rastreio ao colesterol total na XI Feira da Saúde na Escola Secundária da Trofa Durante a Feira da Saúde, realizei 50 rastreios ao colesterol a um leque muito diversificado de pessoas: desde jovens alunos, a funcionários e professores de jovem e média idade. Verifiquei que os jovens ainda não tinham noção do que era o colesterol e nunca tinham realizado um rastreio ao colesterol contudo, o mesmo não se verificou com os adultos. Com base dos resultados que obtive, tendo em conta o sexo e a idade de cada indivíduo, realizei um gráfico (Figura 2). Este gráfico encontra-se distribuído por colunas de duas cores, azuis e rosas, correspondentes ao sexo feminino e masculino, e separado pelas seguintes faixas etárias: dos 13 aos 23 anos, dos 24 aos 34 anos, dos 35 aos 45 anos e dos 46 aos 66 anos. Cada barra representa a média dos valores de colesterol para cada faixa etária e sexo. Após análise, verifiquei que os níveis de colesterol mais alto se verificam nos indivíduos do sexo masculino entre os 35-45 anos, com uma média de 222,6 mg/dl. Também pude verificar que são preocupantes os valores em jovens dos 24 aos 34 anos, a sua média ultrapassa o limite máximo recomendável (190 mg/dl). Enquanto realizei o rastreio, fazia uma pequena abordagem ao tema, tendo sempre em consideração os valores de cada indíviduo, fazendo um aconselhamento do estilo de vida e alimentação de deveria adquirir. Em suma, esta atividade tornou-se uma experiência bastante enriquecedora no meu percurso académico e a adesão da comunidade educativa foi exemplar denotando interesse e cuidado com a sua saúde. Considero que os panfletos foram uma mais valia tanto para a FMP como para todos aqueles a quem os distribuí durante a feira da sáude, uma vez que não só ilucidaram os utentes do que realmente é o colesterol, mas também de todos os perigos subjacentes. Esta atividade prática (Anexo 4) demonstrou ser um guia útil para os utentes mais idosos da FMP, sendo que muitos destes me revelaram que iam mostrá-lo a familiares e afixá-lo na porta do frigorífico para terem sempre cuidado com os alimentos. * * 174,9* 168,6* 198,5* 190,0* 196,8* 221,6* 196,0* 204,0* 0,0* 50,0* 100,0* 150,0* 200,0* 250,0* f* m* f* m* f* m* f* m* [13*F*23]* [24*F*34]* [35*F*45]* [46*F*66]* ***********************************valores*de*colesterol*total*obtidos**** Figura 2: média dos valores de colesterol total, distribuídos por sexo e faixa etária. (f): sexo feminino; (m): sexo masculino ****************Idade*e*sexo*dos*utentes* Concentração*de*colesterol*total*(mg/ml)*
Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* 38 3. Hipertensão Arterial – fundamentos básicos* * I. Epidemiologia A hipertensão arterial (HTA) é um dos principais problemas de saúde no mundo. Em 2001, aproximadamente 7,6 milhões de mortes e 92 milhões de anos de vida perdidos por incapaciadade em todo mundo, foram devido à HTA. A prevalência da HTA na população geral é de 30-45% [62], sendo que em Portugal existem cerca de dois milhões de hipertensos, mas apenas 25 milhões estão medicados e só 11% tem a tensão arterial efetivamente controlada [63]. A probabilidade de que um indivíduo de meia idade ou mais velho desenvolva hipertensão durante a sua vida é de 90%. A proporção de pessoas hipertensas varia de acordo com vários aspetos, nomeadamente a raça, sendo a tensão mais elevada nos negros e mais baixa nos brancos. A idade, bem como a região geográfica onde cada pessoa vive, também são fatores importantes. O género influencia, na medida em que o sexo masculino tem maior prevalência de HTA. Relativamente ao nível socioeconómico, foi demonstrado que está inversamente relacionado com a prevalência, morbilidade e mortalidade relacionadas com a HTA [64]. A prevalência da HTA varia entre os diferentes países e populações. A pressão arterial aumenta com a idade, sendo que a sistólica aumenta até, aproximadamente, à oitava década de vida, e a diastólica atinge a fase de platô por volta dos 50 anos de idade, e pode mesmo diminuir. A pressão arterial sistólica média é mais elevada nos homens do que nas mulheres durante o início da vida adulta, embora o aumento relacionado com a idade seja mais pronunciado para o sexo feminino [65]. II. Hipertensão arterial – aplicação em farmácia comunitária HTA é definida como sendo o valor de pressão arterial a partir do qual a instituição de terapêutica medicamentosa reduz a mortalidade e morbilidade relacionadas com a mesma. Devem ser realizadas duas ou mais medições da tensão, na posição sentada e num ambiente calmo, após 5 a 10 minutos de repouso. A braçadeira deve ser posicionada ao nível do coração e a largura da mesma deve corresponder a pelo menos 40% da circunferência do braço, com um comprimento suficiente para rodear bem todo o braço, envolvendo 80% do mesmo [66]. A classificação atual é dividida em vários níveis (Tabela 1), sendo que o valor normal de tensão arterial num indivíduo adulto é definido como aquele em que a sistólica é inferior a 120 e a diastólica inferior a 80 [67, 68].
Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* 39 Tabela 1 – Classificação da tensão arterial. Adaptada de : “Guidelines for the Management of Arterial Hypertension” [62] Sociedade Europeia de Cardiologia Pressão Sistólica Pressão Diastólica Ótima <120 <80 Normal 120 - 129 80 - 84 Normal Alta 130 - 139 85 - 89 Hipertensão de grau I 140 - 159 90 - 99 Hipertensão de grau II 160 - 179 100 - 109 Hipertensão de grau III ≥ 180 ≥ 110 Hipertensão sistólica isolada ≥ 140 < 90 III. Fisiopatologia Relativamente à fisiopatologia, a HTA é dividida em primária (essencial ou idiopática) cuja causa médica não é identificada, correspondendo este tipo de HTA a 95% de todos os casos, ou secundária. Os 5% restantes correspondem à HTA secundária, que é provocada por outras patologias identificáveis, como por exemplo, doenças renovasculares, feocromocitoma, aldosteronismo, entre outras. A maioria dos pacientes não apresenta sintomas específicos relacionados com a elevação da tensão arterial. A cefaleia é considerada, popularmente, um sintoma de HTA, no entanto esta apenas ocorre em pacientes com hipertensão grave, ocorrendo mais de manhã e na região ocipital. Existem alguns sintomas não específicos relacionados com a elevação da pressão arterial, como as tonturas, as palpitações, o cansaço fácil e a impotência [65]. IV. Fatores de risco e prevenção da doença cardiovascular A HTA está frequentemente associada a fatores de risco adicionais para a doença cardiovascular. Desta forma, é essencial avaliar outros aspetos importantes no doente, nomeadamente o seu perfil lipídico (colesterol total superior a 200mg/dL), os hábitos tabágicos, a idade e género (maior risco em homem com idade superior a 55 anos ou mulher com idade superior a 65 anos). O peso e a gordura abdominal são aspetos muito importantes a ter em consideração, sendo o risco mais elevado em pessoas obesas cujo perímetro abdominal é superior a 88cm (nas
Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* 40 mulheres) ou 102cm (nos homens). A história familiar de doença cardiovascular prematura (no género masculino considera-se quando inferior a 55 anos e no género feminino quando inferior a 65 anos) é outro ponto relevante a considerar quando se realiza a abordagem e avaliação da tensão arterial de um doente [69]. As intervenções no estilo de vida são um ponto fundamental para o tratamento da HTA. Desta forma, um farmacêutico deve aconselhar todos os pacientes a quem tenha sido diagnosticada HTA ou que apresentem valores bordline ou fatores de risco importantes, a adotarem uma dieta variada, nutricionalmente equilibrada, rica em legumes e frutas e pobre em gorduras (totais e saturadas). A prática regular de exercício físico (30-60 min, 4-7 dias por semana), a restrição do consumo excessivo de álcool, a cessação do consumo de tabaco e diminuição do consumo de sal, são outros pontos a ter em consideração para a prevenção da HTA [69]. V. Tratamento da hipertenção arterial O tratamento farmacológico deve ser instituído após tentativa de alterações do valores com a implementação das alterações do estilo de vida. Existem várias classes de anti-hipertensores, devendo-se, inicialmente, começar com monoterapia quando existe risco baixo ou moderado, ou terapêutica associada quando o risco é alto ou muito alto. Dentro das várias classes, os diuréticos tiazídicos ou análogos (clorotalidona ou indapamida) são uns dos aconselhados como terapêutica de primeira linha. Os modificadores do eixo renina-angiotensina-aldosterona, de preferência os inibidores da enzima de conversão da angiotensina (como por exemplo, captopril, enalapril, lisinopril...) ou, em alternativa, os antagonistas do receptor da angiotensina (losartan, candesartan, entre outros), são outra opção não menos eficaz. Existem muitas outras classes de antihipertensores, como os diuréticos de ansa, os beta bloqueadores, os bloqueadores dos canais de sódio, que podem ser utilizados em associação entre si ou em esquema de monoterapia [62,65]. Um fator importante a ter em consideração são os principais efeitos adversos de cada classe de antihipertensores, de forma a ser possível aconselhar o utente a dirigir-se ao seu médico, de forma a proceder a revisão da terapêutica instituída. A exemplo disso, enquanto estive a fazer atendimento ao balcão, um senhor de meia idade queixava-se de muita tosse e comichão na garganta, pedia-me um antitússico. Fiz-lhe um pequeno questionário e pude concluir que essa tosse se devia ao enalapril que tinha começado a tomar. O enalapril pertence ao grupo dos inibidores da enzima de conversão da angiotensina, e este grupo de fármacos tem como principal efeito adverso a tosse que o senhor me descrevera. Desta forma, não lhe dei o antiússico como me pedia, mas aconselhei-o a ir ao médico na tentativa que lhe fosse alterado a classe de fármaco. Existem vários aspetos que se deve ter em conta para se proceder a instituição de determinado grupo farmacológico, como por exemplo, a idade do doente, se existe ou não lesão em órgãos alvo, outras doenças associadas, situações que condicionem a adesão à terapêutica, factores económicos, entre outros [65, 70]. Dentro dos vários tipos de contra-indicações existem algumas fundamentais
Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* 41 para reconhecimento de um farmacêutico face a um utente medicado para a HTA. Relativamente às mulheres grávidas, é contra-indicação absoluta a toma de IECAs ou de ARAs [62, 70]. No entanto, no caso de um doente asmático um bloqueador-beta não deve ser indicado como opção terapêutica. Com a realização do meu estágio, apercebi-me da importância de alertar os utentes sobre os factores de risco e as várias medidas a serem tomadas como forma preventiva, acabando por concluir que uma grande percentagem não tinha noção dos valores de referência, dos várias atitudes e estilos de vida a tomar, bem como do controlo da sua própria tensão arterial. 4. Diabetes – panfleto para os utentes da FMP Ao longo do meu estágio, como realizei imensas medições de glicemia, maioritariamente a uma população idosa e diabética, achei oportuno realizar um panfleto (Anexo 5) apelativo à diabetes, aos seus riscos, complicações e como prevenir. Distribuí-o variadíssimas vezes aos utentes da FMP e considerei uma ferramenta bastante ilustrativa e útil. 5. Piolhos – da Prevenção ao Tratamento – guia rápido para os farmacêuticos da FMP Quando cheguei à FMP desde cedo percebi que não estava apta a fazer aconselhamentos sobre esta dinâmica. Além de não conhecer os produtos disponíveis, não sabia a diferença entre eles e o modo de ação de cada um. Desta forma, achei oportuno criar um “guia rápido de prevenção e tratamento”, ou seja, uma tabela (Anexo 6) que de forma sucinta diferencia-se os vários produtos que a FMP dispunha, para que tanto eu como os farmacêuticos da equipa da FMP conseguíssemos de forma rápida saber as diferenças e modo de aplicação de cada um. 6. Suplementos vitamínicos – comparação da composição Após a minha ida para o atendimento ao balcão, verifiquei que havia uma percentagem grande de indivíduos a recorrer à farmácia a solicitar suplementos vitamínicos com diversas finalidades: ou porque se sentiam demasiado cansados após o exercício físico, ou porque estavam numa fase de exames e pretendiam mais memória, ou porque se sentiam esquecidos e cansaços, entre outros. Daqui surgiu a minha grande dificuldade: como saber o que aconselhar com tantos suplementos que a FMP dispunha. Assim, fiz uma tabela comparativa (Anexo 7) com os principais suplementos alimentares à venda na FMP para perceber a diferença entre eles e qual o mais adequado a cada tipo de carência. Considerei esta ferramenta como uma mais valia para poder fazer um aconselhamento mais personalizado.
Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* 42 Conclusão O papel do farmacêutico em ambiente de farmácia comunitária é de extrema relevância para a qualidade dos cuidados de saúde prestados. Como especialista do medicamento, assegura que a farmacoterapêutica instituída respeita o uso racional do medicamento e é segura para o doente. O estágio na Farmácia Moreira Padrão proporcionou-me uma constante aprendizagem através das inúmeras tarefas que diariamente relizei (Anexo 8). Neste estágio consegui pôr em prática todas as valências que cimentei ao longo de cinco anos de Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas: desde a parte teórica à sua aplicação prática. A relação com os utentes tornou-se a parte mais desafiante, pois estar a apta a explicações sobre qualquer assunto e medicamento, nem sempre é fácil. Assim, este estágio também me permitiu excelente adaptação ao ambiente profissional. Conhecer o funcionamento de uma farmácia era o que mais ansiava desde cedo e, enquanto estagiária, esta oportunidade superou as minhas expectativas e tornou-se uma motivação para que um dia a minha carreira profissional passe por este setor.
Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* 43 Referências bibliográficas [1] Boas Práticas de Farmácia: Manual de Objectivos de Qualidade [2] Ministério da Saúde (2012). Decreto-lei nº 172/2012 de 1 de agosto. Diário da República, 1ª série. nº 148; [3] INFARMED, I.P. (2007). Deliberação nº 414/CD/2007, de 29 de outubro; [4] Ministério da Súde (2006). Decreto-lei nº 176/2006 de 30 de agosto. Diário da República, 1ª série, nº 167; [5] Ministério da Saúde (2003). Decreto-lei nº 136/2003 de 28 de junho. Diário da República. 1ª série – A. nº 147; [6] Ministério da Saúde (2010). Decreto-lei nº 74/2010 de 21 de junho. Diário da República. 1ª série. nº 118; [7] Ministério da Saúde (1997). Decreto-lei nº 184/97 de 26 de julho. Diário da República. 1ª série – A. nº 171; [8] Ministério da Saúde (2009). Decreto-lei nº 145/2009 de 17 de junho. Diário da República. 1ª série – A. nº 115; [9] Ministério da Saúde (2007). Decreto-lei nº 307/2007 de 31 de agosto. Diário da República. 1ª série. nº 168; [10] Conselho Nacional da Qualidade (2009). Boas Práticas Farmacêuticas para Farmácia Comunitária. Ordem dos Farmacêuticos. 3ª revisão [11] Ministério da Saúde (1993). Decreto-lei nº 15/93 de 22 de janeiro. Diário da República. 1ª série – A. nº 18; [12] Ministério da Saúde (2011). Decreto-lei nº 112/2011 de 29 de novembro. Diário da República. 1ª série. nº 229; [13] Ministério da Saúde (2007) Decreto-Lei nº 65/2007, de 14 de março. Diário da República [14] INFARMED, I.P.: Informações sobre a conservação dos medicamentos em caso de onda de calor. Acessível em http://www.infarmed.pt [acedido em 30/05/2016] [15] Conselho Nacional da Qualidade (2009). Boas Práticas Farmacêuticas para Farmácia Comunitária. Ordem dos Farmacêuticos. 3ª revisão; [16] Ministério da Saúde (2013). Despacho nº 11254/2013 de 30 de agosto. Diário da República. 2ª série. nº 167; [17] Ministério da Saúde (1998). Despacho nº 348/98, de 15 de junho. Diário da República. 1ª série; [18] Ministério da Saúde (2013). Despacho nº 11254/2013 de 30 de agosto. Diário da República. 2ª série. nº 167;
Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* 44 [19] Ministério da Saúde (2012). Portaria nº 137-A/2012 de 11 de maio. Diário da República. 1ª série. nº 92; [20] INFARMED, I.P. (2012). Normas relativas à dispensa de medicamentos e produtos de saúde. Versão 1.0; [21] Ministério da Saúde (2011). Decreto-lei nº 112/2011 de 29 de novembro. Diário da República. 1ª série. nº 229; [22] Ministério da Saúde (2010). Decreto-lei nº 48-A/2010 de 13 de maio. Diário da República. 1ª série. nº 93; [23] Ministério da Saúde (2010). Decreto-lei nº 106-A/2010 de 1 de outubro. Diário da República. 1ª série. nº 192; [24] Ministério da Saúde (2004). Portaria nº 1474/2004 de 21 de dezembro. Diário da República. 1ª série. nº 297; [25] Ministério da Saúde (2010). Portaria nº 364/2010 de 23 de junho. Diário da República. 1ª série. nº 120; [26] Nova Receita Eletrónica: Preguntas Frequentes. Acessível em http://www.receitaeletronica.pt [acedido em 14/06/2016]; [27] Associação Nacional das Farmácias: Notícias – Conheça a receita eletrónica. Acessível em http://www.anf.pt [acedido em 14/06/2016]; [28] Administração Central do Sistema de Saúde (2015). Manual de Relacionamento das Farmácias com o Centro de Conferência de Faturas do SNS. Versão 1.15; [29] Ministério da Saúde (2004). Portaria nº 594/2004 de 2 de junho. Diário da República. 1ª série – B. nº 129; [30] Vivier, A. Atlas de Dermatologia Clínica. Elsevier, 3ª edição; [31] Carton, J.; Daly, R. e Ramani, P. Chapter 16: skin disease. Em Clinical Pathology. Oxford University press. 2007: 389; [32] Makrantonaki, E.; Ganceviciene, R. e Zouboulis, C. An update on the role of the sebaceous gland in the pathogenesis of acne. Dermatoendocrinol. 2011; 3(1): 41-49; [33] Chapter 1. Anatomy and Physiology of the Hair and Skin. Section I Scientific Considerations. 1-17; [34] Disponível em: #<http://escola.britannica.com.br/assembly/135568/A-pele-humana-tem- tres-camadas-a-epiderme-a-derme>. Acedido em: 21 de agosto de #2016. [35] RJ Hay et al. The Global Burden of Skin Disease in 2010. Journal of Investigative Dermatology (2014), Volume 134; [36] Grob JJ, Stern RS, Mackie RM, Weinstock WA, editors. Epidemiology, causes and prevention of skin diseases. Cambridge, MA: Blackwell Science, Cambridge; 1997;
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Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* 46 retinoids in acne-an evidence-based overview. J Dtsch Dermatol Ges. 2008;6(12):1023- 1031; [52] Brunton, L. L.; Lazo, J. S. e Parker, K. L. Chapter 62. Dermatological pharmacology section XIII. Em Dermatology. Goodman E Gilman’s. The Pharmacological Basis of therapeutics. The Mc Graw-Hill companies. Inc. 2006;11: 1701; [53] Goldberg, D. J. e Berlin, A. Acne and Rosacea. Epidemiology, diagnosis and treatment. Manson Publishing Ltd. 2012; [54] Part III a common inflammatory skin diseases. Chapter 15. Acne vulgaris. Em Evidencebased dermatololgy. Blackwell publishing. Luigi Naldi (ed). 2008;2:91; [55] Helms, R. A.; Quan, D. J.; Herfindal, E. T. e Gourley, D. R. Chapter 10. Common skin disorders. Em Textbook of therapeutics. Drug and disease management. Lippincott Williams&Wilkins. 2006;8:211; [56] Dreno B. Topical antibacterial therapy for acne vulgaris. Drugs 2004; 64 (21): 2389-97; [57] Carrageta M. Tudo o que deve saber sobre o colesterol . Lisboa: Fundação Portuguesa de Cardiologia, 2008; [58] Rifai N, Bachorik, PS, Albers, JJ: Lipoproteins and Apolipoproteins. In: Text Book of Clinical Chemistry. Edited by Burtis C, Ashwood, E, 3rd edn. Philadelphia: WB Saunders & Co; 1999; [59] High cholesterol: get the lowdown. NPS Medicinewise, 2015. [Acedido a 6.06.2016] Disponível em: http://www.nps.org.au/publications/consumer/medicinewiseliving/2015/high-cholesterol; [60] Semenkovich, CF. Disorders of lipid metabolism. In: Goldman L, Schafer AI, eds. Goldman's Cecil Medicine. 24th ed. Philadelphia, PA: Elsevier Saunders; 2011:chap 213. [61] Hobbs FDR, McGregor E, Shepherd J: Pharmacotherapy: Improving the Lipid Profile: Wiley-Blackwell; 2009; [62] Mancia G, De Backer G, Dominiczak A, et al. 2007 Guidelines for the Management of Arterial Hypertension: The Task Force for the Management of Arterial Hypertension of the European Society of Hypertension (ESH) and of the European Society of Cardiology (ESC). J Hypertens 2007; 25:1105–87; [63] Epidemiologia da Hipertensão arterial, Sociedade Portuguesa de Cardiologia. Acessível em: htto://spc.pt/spc (acedido a 20 de julho de 2016) [64] CARRETERO, OA; Oparil S. (Janeiro 2000). "Essential hypertension. Part I: definition and etiology.”. Circulation 101 (3): 329–35. (em inglês). Am Fam Physician 72 (7): 1391- 8; [65] Kasper D., et al. Harrison. Principios de Medicina Interna, 19e
Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* 53 Anexo 7- Suplementos alimentares – tabela comparativa *
Relatório*de*Estágio*Profissionalizante** Farmácia*Moreira*Padrão,*Trofa* 54 * ANEXO**8* Cronograma*das*atividades*desenvolvidas*ao*longo*do*estágio*na*FMP,*que*me*foram* adquirindo*mais*autonomia*e*capacidade*de*exercer*o*papel*farmacêutico.* * Atividades 1º mês 2º mês 3º mês 4º mês 5º mês 6º mês Encomendas e aprovisionamento ✔* ✔* ✔* ✔* ✔* ✔* Controlo de PV * ✔* ✔* ✔* * * Conferência de receituário * ✔* ✔* ✔* ✔* ✔* Testes bioquímicos ✔* ✔* ✔* ✔* ✔* ✔* Realização de MM * * ✔* ✔* * ✔* Acompanhamento de atendimentos ao público junto da orientadora de estágio * * ✔* ✔* * * Atendimento ao público autónomo * * * ✔* ✔* ✔* *