Relatório de Estágio Profissional - "IN LOCO"
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Universidade do Porto Faculdade de Desporto Relatório de Estágio Profissional Relatório de Estágio Profissional apresentado com vista à obtenção do 2º ciclo de Estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário (Decreto-lei nº 74/2006 de 24 de Março e o Decreto-lei nº 43/2007 de 22 de Fevereiro). Orientador: José Vírgilio Santos Silva Rita Tavares Ribeiro Porto, 27 de Setembro 2013
Ficha de Catalogação. Ribeiro, R. (2013). Relatório de Estágio Profissional. Porto: R. Rita. Relatório de Estágio Profissional para a obtenção do grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. PALAVRAS-CHAVE: ESTÁGIO PROFISSIONAL, PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA, REFLEXÃO, EDUCAÇÃO FÍSICA
In Loco "Os diletantes são-no geralmente de ideias ou de emoções - porque para compreender todas as ideias ou sentir todas as emoções basta exercer o pensamento ou exercer o sentimento, e todos nós, mortais, podemos, sem que nenhum obstáculo nos coarcte, mover-nos liberrimamente nos ilimitados campos do raciocínio ou da sensibilidade.” Eça de Queiroz
AGRADECIMENTOS Após ter chegado ao fim desta etapa da minha vida, considero de importância primordial agradecer a todos aqueles que me acompanharam neste longo percurso académico, e que contribuíram de forma incansável para a concretização deste grande objetivo/sonho. Desta forma, a todos deixo os meus sinceros agradecimentos: À Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP), por toda a formação que me concedeu. À Escola Básica e Secundária do Cerco (SEDE), pelo fantástico acolhimento, disponibilidade que me ofereceu e que se tornou uma das pedras basilares durante este ano. Ao Professor José Virgilio Silva, por toda a orientação, disponibilidade demonstrada na concretização deste Relatório de Estágio e na construção do meu “eu” enquanto professora. Aos meus colegas de estágio, Liliana e Emanuel, em especial ao Emanuel pela compreensão e amizade que sempre me demonstrou ao longo do ano lectivo, bem como o auxílio em todas as atividades propostas e obstáculos que iam surgindo. À Professora Cooperante, Dárida Castro, por todos os conhecimentos que me dotou, pelo apoio incessante, pela preocupação e envolvimento constante. Por me ter deixado viver este ano à minha maneira e por me ter proporcionado a descoberta e constante evolução enquanto docente. Foi outra das pedras basilares neste processo contínuo, bem como um protótipo a seguir. Aos meus amigos por todo o apoio e amizade demonstrada no decorrer deste ano. Em especial á Sofia Ferreira pelo auxílio constante em todas as dificuldades com que ia deparando. Aos meus pais e irmãos por toda a confiança que sempre depositaram em mim, pelo amor e encorajamento. A todos o meu OBRIGADA! V
INDÍCE GERAL AGRADECIMENTOS ................................................................................... V ÍNDICE GERAL ............................................................................................ VII ÍNDICE DE FIGURAS .................................................................................. XI ÍNDICE DE QUADROS ........................................................................ ……XIII INDICE DE ANEXOS .................................................................................. XV RESUMO ..................................................................................................... XVII ABSTRACT .................................................................................................. XIX ABREVIATURAS ......................................................................................... XXI 1.Introdução……………………………………………………………………… 21 2. Á descoberta do meu “EU”………………………………………………… 25 •2.1- Viagem ao Passado……………………………………………………….. 27 •2.2- Estágio Profissional: a sua significância e expetativas………………… 29 3. Enquadramento da Prática Profissional…………………………………...33 •3.1. Contexto legal, institucional e funcional do Estágio Profissional………..35 3.1.1. Áreas de Desempenho do Estágio Profissional………………………....36 •3.2. Enquadramento conceptual………………………………………………. 37 3.2.1. Definição do “Ser professor”…………………………………………….. 37 3.2.2. Definição do “Ser Professor de Educação Física”……………………. 38 3.2.3. Importância de Emergir na Reflexão…………………………………… 39 •3.3. A primeira Escola………………………………………………………….. 41 3.3.1. A (R) Educação…………………………………………………………… 41 3.3.2- Escola Básica e Secundária do Cerco (SEDE)……………………….. 42 3.3.3- A minha primeira turma………………………………………………….. 43 4.Realização da prática profissional………………………………………… 47 •4.1- Área 1- Organização e gestão do ensino e aprendizagem……………. 49 4.1.1 O meu Primeiro Dia ……………………………………………………….. 49 4.1.2 Escola para todos – o seu contributo para o processo de ensino aprendizagem……………………………………………………………………… 50 4.1.2.1 A importância da análise dos Programas de Educação Física na Escola……………………………………………………………………………… 51 VII
4.1.2.2 O Planeamento……………………………………………………………. 52 4.1.2.3 O Planeamento Anual…………………………………………………..... 53 4.1.2.4 O Planeamento da Unidade Didática………………………………….. 54 4.1.2.5 O Plano de aula…………………………………………………………….55 4.1.2.6 A emergência da inclusão da condição física em todas as aulas de EF………………………………………………………………………………….. 57 4.1.2.7 O previsto e o imprevisto……………………………………………….. 58 4.1.3 “In Loco”…………………………………………………………………….. 60 4.1.3.1 A importância do controlo da turma no processo de ensino aprendizagem…………………………………………………………………….. 60 4.1.3.2 A importância da postura do professor……………………………….. 61 4.1.3.3 Uma pedagogia afetiva.…….…………………………………………... 61 4.1.3.4 A competição como elo da motivação………………………………… 63 4.1.4 A avaliação…………………………………………………………………. 64 4.1.4.1- A avaliação diagnóstico (inicial)………………………………………. 65 4.1.4.2- Avaliação sumativa ……………………………………………………. 66 4.2- Área 2 E 3 – Participação na Escola e Relação com a Comunidade………………………………………………………………………. 68 4.2.1- Torneio COMPAL AIR……………………………………………………. 68 4.2.2 Torneio de Futsal – “Cerco Futsal Cup”…………………………………. 68 4.2.3 Corta Mato………………………………………………………………….. 70 4.2.4- Tutoria ……………………………………………………………………... 71 4.2.5- Dia do Desporto Escolar…………………………………………………. 72 4.3 - ÁREA 4 - DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL………………………………………………………………….. 73 4.3.1- Relação do IMC e da prática desportiva regular na aptidão física em alunos de 7ºano…………………………………………………………………... 74 4.3.1.1- Introdução……………………………………………………………….. 75 4.3.1.2- Revisão da literatura…………………………………………………… 76 4.3.1.2.1- Índice de massa corporal (IMC)…………………………………….. 76 4.3.1.2.2- Atividade física regular………………………………………………. 78 4.3.1.2.3- Aptidão física…………………………………………………………. 79 4.3.1.3- Objetivo do estudo……………………………………………………… 80 4.3.1.4-Hipoteses do estudo……………………………………………………..80 VIII
4.3.1.5- Metodologia……………………………………………………………... 81 4.3.1.5.1- Caraterização da amostra…………………………………………… 81 4.3.1.5.2- Procedimentos de avaliação………………………………………… 82 4.3.1.5.3- Avaliação da composição corporal…………………………………. 82 4.3.1.5.4- Avaliação da aptidão aeróbia……………………………………….. 83 4.3.1.5.5- Procedimentos estatísticos………………………………………….. 83 4.3.1.6-Apresentação de resultados…………………………………………… 83 4.3.1.7- Discussão de resultados………………………………………………. 90 4.3.1.8- Conclusões……………………………………………………………… 91 5- Conclusão…………………………………………………………………….. 93 Referências Bibliográficas……………………………………………………. 99 Anexos …………………………………………………………………………... 103 XIX
RESUMO O presente documento tem o intuito de abordar todas as vivências e marcos importantes, práticos, desenvolvidos ao longo do Estágio Profissional 2012/2013. O Estágio Profissional tem como finalidade o desenvolvimento pessoal e profissional. Promove o conhecimento anteriormente adquirido bem como a aplicabilidade do mesmo. Este relata uma reflexão contínua e aprimorada de todas as dificuldades sentidas durante o ano letivo, no que concerne, as todas as tarefas realizadas. A fim de fundamentar esta reflexão, foram realizadas pequenas introspeções diárias que sustentaram, e tiveram a função de fio condutor, e que desta forma guiaram e auxiliaram na elaboração de estratégias, que enriqueceram a minha prática. A realização deste Estágio Profissional, integrado, decorreu na Escola Básica e Secundária do Cerco (SEDE), com um Núcleo de Estágio composto por 3 elementos, em turmas de 7º e 11ºano. A supervisionização foi efetuada pela professora cooperante, docente na Escola do Cerco, Dárida Castro. Por sua vez a orientação partiu do Professor Orientador, José Virgílio Silva. O presente documento encontra-se dividido em quatro partes, sendo elas: a introdução, a descoberta do meu “EU” , o “Enquadramento da prática profissional”, onde as temáticas abordadas são: “Ser Professor”, “Ser Professor de Educação Física” e “A importância de emergir na reflexão”. Enquadro ainda a Escola Básica e Secundária do Cerco (sede) e a turma a que lecionei. E a , que preconiza todas as tarefas elaboradas e reflexões em termos práticos das 4 áreas de desempenho, sendo elas : Área 1- “Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem”; Área 2 e 3 “Participação na Escola e Relação com a Comunidade” e Área 4 – “Desenvolvimento Profissional”. PALAVRAS-CHAVE: ESTÁGIO PROFISSIONAL, PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA, REFLEXÃO, EDUCAÇÃO FÍSICA. XVII
ABSTRACT The following document is intended to address all experiences and practical milestones developed during the Professional Internship 2012/2013. The Professional Internship aims at the personal and professional development. Promotes the knowledge previously acquired as well as the applicability of the same. This reports a continued and detailed reflection of all difficulties felt in the performed tasks during the school year. In order to support this reflection, there were small daily introspections that supported and had the function of conductor thread, and thus guided and assisted the development of strategies that have enriched my practice. The execution of this integrated Professional Internship held at the Primary and Secondary School of Cerco (Headquarters) with a Internship core composed by three elements, in classes of 7th and 11th year. The supervision was conducted by the cooperating teacher, lecturer in the School of Cerco, Dárida Castro. On the other hand the guidance was performed by the tutor, José Virgílio Silva. This document is divided into four parts, namely: the introduction, the discovery of my "I", the "Framework of practice" where the issues addressed are: "Being Teacher", "Being Teacher of Physical Education "and" The emerging importance of the reflection."I frame has a Primary and Secondary Siege (HQ) and the class that I taught. And "Realization of practice", which calls for all tasks and reflections developed in practical terms of four performance areas, namely: Area 1 - "Organization and Management of Teaching and Learning"; Area 2 e 3 "Participation School and Community Relations "and area 4 -" Professional Development". KEYWORDS: PROFESSIONAL TRAINING, PHYSICAL EDUCATION TEACHER, REFLECTION, PHYSICAL EDUCATION. XIX
ABREVIATURAS EP – Estágio Profissional EF – Educação Física DT – Diretor de Turma MEC – Modelo de Estrutura do Conhecimento FADEUP- Faculdade de Desporto da Universidade do Porto PC – Professora Cooperante UD – Unidade Didática IMC- Índice de massa corporal PDR- Prática desportiva regular ApF- Aptidão Física XXI
1.Introdução
1.INTRODUÇÃO “O que é ter uma profissão? O que é ser professor? Ambas as palavras derivam do latim professum, que por sua vez vem do verbo profitēri: "declarar perante um magistrado, fazer uma declaração, manifestar-se; declarar em alto e bom som, afirmar, assegurar, prometer, protestar, obrigar-se, confessar, mostrar, dar a conhecer, ensinar, ser professor" (Houaiss). Na busca incessante desta profissão,foi necessário realizar uma reflexão de tudo o que ocorreu nos anos transatos e no ano presente. Neste sentido, torna-se primordial, incidir sobre os pontos fortes e os fracos. O relatório final de estágio, é um documento que preconiza todos estes pontos, e é desenvolvido individualmente no EP do 2º ano, do mestrado em ensino da educação física nos ensinos básico e secundário da FADEUP. O EP é realizado no último ano de mestrado, cuja principal função é a profissionalização do estudante, no cargo da docência da disciplina de EF. Este documento, ilustra uma reflexão minuciosa sobre todas as dificuldades sentidas nas determinadas tarefas, todos os objetivos pretendidos e alcançados e quais as estratégias utilizadas na realização das mesmas. Preconiza uma dualidade de conceitos pois por um lado, é o fim da vida académica, e de um ciclo de aprendizagens enumeras, que foram postas em prática ao longo do EP, mas por outro situa-se num processo contínuo e inacabado na área da docência. O meu objetivo primordial passou por vivenciar ao máximo tudo o que este ano me proporcionou, centrando-me numa formação global dos meus alunos, adaptando-me ao contexto e a cada um em particular. O meu EP, foi realizado na Escola Básica e Secundária do Cerco (sede), sob a orientação de uma professora da escola, a professora cooperante, e por um professor orientador da faculdade. O meu núcleo de estágio era constituído por três elementos, sendo que eu e o Emanuel lecionavamos a uma turma de 7ºano, e a Liliana a uma turma de 11ºano. 23
economia do tempo, no que concerne as tarefas a realizar, estimulou-me à pesquisa ao querer saber mais. Todos estes aspetos permitiram um maior entusiasmo em todas as tarefas, bem como o aumento do rendimento individual. Criamos e cultivamos um bom grupo de trabalho, que para além de unido foi critico, pois ajudamo-nos mutuamente, nas barreiras que foram urgindo. Aprendemos com as virtudes de cada um, e tentamos tirar o melhor daquilo que se revelou um sucesso e melhoramos aquilo em que fraquejamos. Assim sendo as nossas diferenças contribuíram para o aumento da bagagem de cada um de nós. Em relação a escola, no que diz respeito às suas instalações e material desportivo, esta apresenta excelentes condições, tanto em espaços cobertos como ao ar livre. Os membros da comunidade escolar, sempre se mostraram disponíveis em todos os momentos, integrando-me desde cedo em todas as atividades. No que concerne aos alunos, estes apresentavam muitas dificuldades, no que diz respeito, a sua disponibilidade motora, bem como a sua apetência para a prática. No que diz respeito ao comportamento e empenhamento, numa fase inicial, tinham muitas dificuldades em perceber o “jogo”, bem como estarem em empenhamento motor. O meu objetivo passou por mantê-los motivados a frequentar as aulas de Educação Física ao longo de todo o ano letivo e incutir neles o gosto por uma atividade física regular, contribuindo para sua formação integral enquanto cidadãos e para hábitos quotidianos. No que toca à Professora cooperante, a Professora Dárida Castro, caraterizo-a pela máxima disponibilidade que nos concedeu a fim de nos colmatar dúvidas e aumentar o nosso leque de conhecimentos e saberes. E saliento como aspeto bastante positivo, o facto de me ter dado liberdade para lecionar, fornecendo-me assim autonomia, oportunidade para errar, corrigir o erro e potenciar as minhas virtudes. A fim de permitir a minha integração num plano definido por objetivos pedagógicos respeitando os saberes específicos do ensino da Educação Física com via ao desenvolvimento educativo e formativo do aluno. Em relação ao Professor Orientador da FADEUP, este preconizou o meu desenvolvimento, através de feedbacks, no que concerne a minha forma de 30
lecionar, apresentou-me soluções a fim de colmatar os problemas que ocorreram ao longo deste ano. Relativamente ao Grupo de Educação Física, a primeira perceção que tive é que este não é muito coeso. No entanto, através de todas as atividades realizadas, pude constatar que a minha primeira perceção estava errada. Como o passar do tempo este revelou-se, um espaço onde as opiniões convergiam, mas com um objetivo comum, voltado para os quatro pilares que a UNESCO, estabeleceu para fundamentar a educação: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser. Tendo sempre em conta a comunidade escolar. O professor, quando adquire a sua habilitação profissional, está longe de ser considerado um profissional acabado e amadurecido, na medida em que, os conhecimentos que adquiriu ao longo da sua formação inicial são insuficientes para o exercício das suas funções ao longo da carreira, reconhecendo, assim, a necessidade de crescimento e de aquisições diversas, assumindo ele próprio o comando do seu desenvolvimento (Ponte, 1994). Assim sendo, considero que o percurso é longo, tendo ainda muito para experimentar, para vivenciar sozinha e, sobretudo para aprender com os meus próprios erros. Espero, ao longo deste processo de ensino - aprendizagem poder colmatar muitas das minhas lacunas enquanto profissional bem como potenciar alguns dos meus pontos fortes com vista a uma competência profissional e um ensino eficaz. Em jeito de conclusão, é de importância primordial salientar que todas estas expetativas estão focalizadas para uma única meta, que é o processo de ensino e aprendizagem, que não se carateriza apenas pelos alunos, mas engloba um conjunto de pressupostos que potencia a eficiência do processo de ensino. E que para tal, torna-se necessário reunir um conjunto de conhecimentos adquiridos ao longo dos últimos anos, mas também usando os ensinamentos adquiridos ao longo da minha vida. Para poder, posteriormente, continuar a construir, com eficiência, a minha atividade docente. 31
3. Enquadramento da Prática Profissional
3.1. Contexto legal, institucional e funcional do Estágio Profissional “O estágio é uma importante parte integradora do currículo, a parte em que o licenciado vai assumir pela primeira vez a sua identidade profissional e sentir na pele o compromisso com o aluno, com sua família, com sua comunidade com a instituição escolar que representa sua inclusão civilizatória, com a produção conjunta de significados em sala de aula, com a democracia, com o sentido de profissionalismo que implique competência - fazer bem o que lhe compete.” Andrade (2005, p.2). O EP da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP), encontra-se inserido nos 3º e 4º semestres, no 2º Ciclo de Mestrado do Ensino da EF nos Ensinos Básico e Secundário. Este é composto pela Prática de Ensino Supervisionada e pelo Relatório Final de EP. Encontra-se superiormente enquadrado por determinadas exigências legais e institucionais do Decreto-lei nº 74/2006 de 24 de Março e do Decreto-lei nº43/2007 de 22 de Fevereiro, remetendo à obtenção ao grau de Mestre e à habilitação profissional para a docência. O EP é limitado por documentos estruturantes, sendo eles, o Regulamento Geral dos segundos ciclos da FADEUP e o Regulamento do curso de Mestrado em Ensino de EF e Regulamento Geral dos segundos Ciclos da UP. Sendo o Regulamento da Unidade Curricular do EP, este ocorre introduzido num núcleo de estágio, sobre a orientação de um professor(a) cooperante que pertence à escola cooperante e um professor(a) orientador(a) da Faculdade. Ao Professor Cooperante a tarefa incumbida é a de acolher e orientar um grupo constituído por três a quatro estudantes – estagiários, intitulado núcleo de estágio, durante um ano letivo, em que cada um assume uma das turmas do mesmo. Relativamente ao Professor Orientador, este tem a função de auxiliar os alunos durante todo o seu percurso, no que concerne a sua aprendizagem, bem como esclarece-los em todos os parâmetros do EP. O Estudante – Estagiário, tem a missão de elaborar um conjunto de tarefas propostas pelos documentos orientadores do Estágio e pelos professores orientadores. 35
3.1.1. Áreas de Desempenho do Estágio Profissional Segundo Lei nº 11788, de 25 de Setembro de 2008, Art.1º, inciso 2: O estágio visa ao aprendizado de competências próprias da atividade profissional e à contextualização curricular, objetivando o desenvolvimento do educando para a vida cidadã e para o trabalho. As competências anteriormente referidas, direcionadas para o ensino eficaz da Educação Física e Desporto, estão organizadas em quatro áreas de desempenho, sendo elas: I. Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem, II. Participação na Escola, III. Relação com a comunidade, IV. Desenvolvimento profissional. A área 1 (Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem) preconiza a conceção, o planeamento, a realização e a avaliação do ensino. Pretende-se que o estudante-estagiário, elabore a sua estratégia de intervenção sustentada pelos objetivos pedagógicos, que respeite as regras, que tenha um conhecimento alargado e válido no ensino da Educação Física, que posteriormente, o levará à lecionação de um ensino eficaz e pedagogicamente correto. A área 2 ( Participação na Escola) reúne todas as atividades não letivas efetuadas pelo estudante-estagiário, para que ajude o estudante-estagiário na sua integração na comunidade escolar. O seu objetivo passa por mostrar o seu contributo para o sucesso educativo, enriquecer o seu papel enquanto professor de EF, na disciplina e na escola. A sua intervenção deve ser contextualizada, cooperativa, responsável e inovadora. A área 3 (Relações com a Comunidade) abrange as atividades que permitem o conhecimento quer do meio regional quer do meio local, tendo por objetivo um conhecimento mais alargado no que concerne as condições locais, e a ligação da escola com o meio envolvente. Assim sendo, o estudante tem a tarefa de compreender e moldar as componentes mais significativas da comunidade e aplica-las no processo de ensino-aprendizagem. Por último, a área 4 (Desenvolvimento Pessoal), abarca todas as atividades e vivências relevantes no processo de construção da competência profissional, que promove o sentido de pertença e identidade profissionais, a sua colaboração e a sua abertura, no que diz respeito à inovação. O objetivo passa por incutir no estudante-estagiário, a necessidade do desenvolvimento profissional tendo como ferramentas de trabalho a reflexão sobre as condições 36
e a aplicabilidade das atividades, da experiência, da investigação constante e de outros recursos que permitem o desenvolvimento profissional. 3.2. Enquadramento conceptual 3.2.1. Definição do “Ser professor” “A diversidade e complexidade que caracteriza o ato de ensinar implica necessariamente um conceito de professor diferente, alguém que é capaz de se questionar, de analisar, de encontrar soluções para os seus problemas mas sobretudo de intervir perante os mesmos. A esse se chama de professor reflexivo.” (António Camilo Cunha, 2008) O EP, sendo um plano de intervenção na área profissional, que engloba objetivos pedagógicos, que assentam em saberes específicos da EF, tendo em vista o desenvolvimento educativo e formativo do aluno, proporcionou-me o contacto com uma realidade bem diferente no que diz respeito á profissão docente, bem como as tarefas e obrigações do mesmo. Assim sendo, pude constatar, que ser professor, não é apenas debitar matéria e conhecimentos. Constitui-se como um processo complexo, inacabado e em constante mutação. Ser professor, tal como Ribeiro (2010) refere, requer uma multiplicidade de tarefas, na medida em que ao professor cabe a tarefa de gerir a aula, mas também gerir as relações pessoais, interações entre os elementos da comunidade escolar, e desta com a restante comunidade. Ou seja, esta profissão, ultrapassa todas as competências didáticas, entendendo-se até a capacidade de dar resposta com precisão a todas as funções as quais é sujeito. Cumprir apenas o currículo, torna-se insuficiente. Este deve ter a capacidade, em contexto prático, de ser governador, decisivo, ter um olhar assertivo e interpretativo. Ser capaz de criticar e analisar a sua atuação e buscar sempre novas metodologias e implementa-las, tendo em conta o contexto em que se insere. Ser professor é ser plural, é “como um conjunto de esquemas que permite engendrar uma infinidade de práticas adaptadas a situações sempre renovadas 37
sem nunca se constituir em princípios explícitos” (BOURDIEU In PERRENOUD, 1997, p.39). É enquadrar o seu ensino, com a máxima qualidade e pertinência, preparando o seu estudante para a vida adulta, concedendo-lhe, não só conhecimentos e saberes, mas também, competências de um cidadão, criador da sua própria identidade, assentada em regras e valores. Ser professor implica também uma análise minuciosa, de todas as competências gerais e transversais dos planos curriculares, moldando as suas finalidades, objetivos e conteúdos, perante a realidade em que se encontra. O processo de ensino-aprendizagem exige, aqueles que fazem do ensino profissão, uma resposta planeada e estruturada. Pois o planeamento adequado, traduz-se como um meio crucial para a intervenção pedagógica. “Vivemos num mundo de constantes mudanças e devemos estar abertos a elas. Ter flexibilidade no mundo de hoje é uma característica que pode levar a alcançar objetivos pessoais e principalmente profissionais!” (Eder Medeiros). Perante tal realidade, esta profissão exige uma planificação, que abarca uma reflexão e representação mental, acerca do que irá ser abordado, tendo como objetivo e produto final, uma prática sistematizada, lógica, sequencial e coerente. 3.2.2. Definição do “Ser Professor de Educação Física” “ A Educação Física ensina através do corpo o que você não é capaz de dizer com palavras ou explicar em números.” (Grazielle Dias) Mas o que é realmente a EF? Como surgiu? Qual a sua importância? O que é ser Professor de EF? Estas foram questões que me coloquei, e que considero de importância primordial na escolha da minha profissão. Assim sendo, pude constatar, através de uma pesquisa, que a EF, surgiu no século XVIII, nas obras de filósofos que se preocupavam e indagavam acerca da Educação. A formação da criança e do jovem começou a ser vista como, uma educação mais completa, que não engloba somente a mente, mas também o corpo e o espírito. “Ocupo-me, como é óbvio, da formação humana. Pertenço ao número dos que se consagram à edificação do corpo e da alma, dos gestos e sensações, das 38
emoções e reacções, das inquietações e expressões, das atitudes e posturas, das palavras e acções. Porque o acto desportivo constrói e revela o homem por dentro e por fora” (Bento, 2008, p. 54). Em boa verdade, a EF é uma disciplina completa, pois contempla o indivíduo a nível motor, social e cognitivo. Através dela, o aluno aprende como melhorar o seu movimento, no campo da organização temporal e espacial. Obtêm a capacidade de executar habilidades, no que concerne, a manipulação, locomoção e estabilização bem como a combinação entre as mesmas. Recebe conhecimentos, no que diz respeito, a sua biologia e conhecimento do seu próprio corpo e de como este reage e pode ser estimulado. Oferece-lhe cultura e saberes relativamente a história e regras de uma modalidade. A ideia de que o Professor de EF, tem apenas como função educar corpos, está incompleta, pois este não se limita apenas a ensinar o movimento, vai para além desta realidade, um Profissional da EF, é caraterizado por uma formação complexa, ampla e rigorosa, que não se limita apenas a uma matéria, mas sim a um aglomerar de várias. A sua imensidão não permite a aquisição de verdades imutáveis, mas sim a uma atualização constante, assente numa prática de índole reflexiva. 3.2.3. Importância de Emergir na Reflexão “Ninguém começa a ser educador numa certa terça-feira às quatro horas da tarde. Ninguém nasce educador ou marcado para ser educador. A gente se faz educador, a gente se forma, como educador, permanentemente, na prática e na reflexão sobre a prática.” (Paulo Freire) É de importância primordial para que tem a Profissão de Educar, ser um professor prático mas ao mesmo tempo reflexivo. Construir as suas próprias conceções, no que concerne, aquilo que representa e que o levará a uma prática de sucesso. Ao longo do EP, esta dialéctica da prática/reflexão, acompanhou-me e permitiu que conseguisse resolver problemas que iam surgindo, que analisasse 39
4.Realização da prática profissional
4.1- Área 1- Organização e gestão do ensino e aprendizagem 4.1.1 O meu Primeiro Dia “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”. (José Saramago) Estaciono o carro, respiro fundo. Penso na nova etapa que vou ter pela frente. Dirijo-me até a entrada principal, observo atentamente tudo o que está a minha volta. Desde o edifício da portaria, as expressões de quem me rodeava. Estava ansiosa para ver onde iria trabalhar, aprender e crescer. Após ter-me reunido com o grupo de Estágio e com a PC, fizemos uma pequena visita à escola. Não podia acreditar no que via, o meu local de Estágio não podia ter melhores condições. Salas de aula devidamente equipadas e com tecnologia avançada, a sala de professores recheada de conforto e alegria. Parei e pensei que o tempo e a dedicação, levaram a que neste momento estivesse do outro lado. O lado a quem dizem “Bom dia Professora”, e neste momento sentia-me orgulhosa. Continuamos então a visita, passando pelo polivalente destinado ao convívio dos alunos, que estava bem limpo e adequado. Prosseguimos até polidesportivo onde eram as aulas de EF, encontrei então um espaço com excelentes condições, bolas de todas as modalidades e em quantidades ideias, material de atletismo em excelente estado, uma sala de ginástica com uma multiplicidade de aparelhos. Um paraíso para quem tem esta profissão. É que para além de toda a qualidade no interior, ainda havia um espaço exterior amplo, com pista de atletismo, caixa de areia e dois campos de Basquetebol. Pensei então, as condições não podiam ser melhores, mas como será a minha PC? E o meu núcleo de Estágio? E o grupo de EF?.Após pouco contato com a minha PC, pode constatar que me concedia espaço e autonomia para errar, para construir o meu próprio “eu” sem seguir nenhum protótipo. Disponibilidade máxima para dissipar todas as minhas dúvidas, ensinar e contribuir de uma forma ativa para a minha formação. O meu Núcleo de Estágio, demonstrou um espaço de partilha e entreajuda e que se cubstânciou um pilar durante o EP.” Uma boa colecção de anedotas e máximas é o maior tesouro para o homem experiente, se ele souber entremear as primeiras em lugares convenientes na conversação e lembrar-se das segundas no momento oportuno.”(Johann 49
Goethe). É nesta linha de pensamento, que considero que o grupo de EF, foi um local onde tentei retirar a máxima de informação e formação, através da experiência de cada professor. Observei aulas, tentei conviver e questionar sempre que me surgia alguma dúvida e insegurança. Perante tal realidade, o ambiente onde me inseri no poderia ser mais positivo, agradável, motivante e saudável, completamente propicio a aquisição de novas experiencias e ensino/aprendizagem do meu “eu” enquanto Estudante- Estagiária. 4.1.2 Escola para todos – o seu contributo para o processo de ensino aprendizagem. “Se os homens não fossem iguais, seriam incapazes de compreender-se entre si e aos seus ancestrais, ou de fazer planos para o futuro e prever as necessidades de gerações vindouras. Mas se não fossem diferentes, se cada ser humano não diferisse de todos os que existiram, existem ou virão a existir, os homens não precisariam do discurso ou da acção para se fazerem entender. Com simples sinais e sons poderiam comunicar as suas necessidades (...) à semelhança do que ocorre com os animais.” (Arendt, 1981, p. 188). A Escola é um local de troca de conhecimentos e saberes entre seres Humanos com cargos diferentes. É resultado de processos históricos complexos e nunca neutros. Cubstância a construção social, organizada, pensada e construída por grupos sociais dominantes num determinado momento. É considerada um espaço com funções explícitas, que pressupõem educar, socializar, ensinar, e outras ocultas, como a reprodução de classes sociais, dominação cultural das classes dominantes. Tendo a Escola tais caraterísticas, é necessário debruçar o olhar para o aluno como um caso isolado, como um ser humano com identidade própria e peculiar. Perante tal realidade, o professor, está constantemente a ter de se adaptar ao contexto escolar e a tudo o que este engloba. Após uma explicação da PC acerca do programa TEIP, que entre muitas medidas, apoia as populações mais carenciadas e tenta dar resposta à 50
necessidade dos alunos e expetativas dos mesmos. Foi neste momento que comecei a perceber a definição de Escola para todos. Segundo a Constituição Portuguesa, no Artigo n.º 74, “O ensino deve contribuir para a superação de desigualdades económicas, sociais e culturais.” No entanto, esta igualdade não pressupõe que se dê o mesmo a todos, mas sim o que realmente lhes faz falta. “A necessidade de se pensar inclusivamente em educação nunca foi tão importante quanto nesta última década. Temos sido dolorosamente relembrados do quanto a paz e a estabilidade ficam abaladas quando a diversidade deixa de ser valorizada.” (In: Savolainen et alii, 2000, P. 29). Assim sendo, as instituições devem incluir todos os seus membros, respeitando as diferenças. “Educar na e para a diversidade passou a ser uma exigência - e um desafio - da Escola que ser quer inclusiva: Uma escola capaz de garantir não só o acesso á educação a todas as crianças e jovens em idade escolar mas, sobretudo, tornar efectiva a educabilidade de todas as crianças e jovens, independentemente das suas características pessoais e sociais” (Ainscow, 1999, 2000; César, 2003; Melro, 2003; Ruela 2000). Uma Escola que permita que os alunos vivenciem o sucesso, que é flexível, no que concerne ao currículo, estimula o desempenho do aluno e o interesse do mesmo. Tudo isto leva um processo de ensino aprendizagem mais rico, mais fundamentado e por conseguinte mais eficaz. 4.1.2.1 A importância da análise dos Programas de Educação Física na Escola. “ Sentimos o escorregadio da incerteza, percebemos a tonalidade da incompletude. Não há respostas fechadas quanto à dicotomia entre as perspectivas de inclusão e a manutenção das “identidades coartadas” pela exclusão diária e contumaz. Não se constrói um currículo de forma apriorística, através de planilhas rígidas e objetivos estereotipados. Ele é vivo, produto de uma construção coletiva, vivenciado no quotidiano da Educação.” (Oliveira e Costa, 2002) 51
Em boa verdade, o currículo não pode ser visto como um círculo fechado e rígido, mas sim como um ponto de partida para os Professores para que posteriormente o adaptem e moldem segundo as condições da Escola e do grupo de alunos que irá lecionar. O seu objetivo primordial, em conformidade com os seus colegas, é o desenvolvimento dos alunos. Para que tal seja possível é necessário que cada Escola molde o seu programa. Após ter conhecido pormenorizadamente as instalações e a constituição da turma, e a fim de organizar o processo ensino - aprendizagem com qualidade, foi necessário elaborar o planeamento anual. Para elaborar este planeamento, foi necessário e primordial, analisar as competências gerais e transversais dos planos curriculares, assim como os programas de educação física, articulando as suas finalidades, os objetivos, conteúdos e indicações metodológicas. Esta análise permite uma intervenção pedagógica cuidada e bem estruturada. Como anteriormente foi referido, os Programas de EF, constituem-se apenas como um documento de referência, que auxilia o professor no planeamento tendo em conta as condições da Escola, da turma e do aluno em particular. Tendo por base estes suportes teóricos, o ponto de partida foi consultar os Programas Nacionais de Educação Física bem como as orientações do grupo disciplinar. Assim sendo, segundo os programas e em consonância com a escola, o material existente, as instalações, o “roulement” dos espaços, foi elaborado planeamento anual. Este planeamento foi igualmente reajustado para a turma, tendo como objetivo central a operacionalização dos objetivos e das atividades formativas visando o aperfeiçoamento efetivo dos alunos, em todas as modalidades abordadas. Estas alterações são detetadas e identificadas através da avaliação inicial e contínua. 4.1.2.2 O Planeamento “O planejar é uma realidade que acompanhou a trajetória histórica da humanidade. O homem sempre sonhou, pensou e imaginou algo na sua vida.” (Mengolla, San’tAnna, 2001, p.15) 52
De facto planear algo, acompanha o Homem desde os seus primórdios, desde as ações simples às mais complexas. Mas quando se fala de planeamento não nos podemos restringir ao quotidiano, pois este acontece em vários setores. Na ação educativa este é utilizado para a organizar, pois permite que responder as questões relativamente ao que pretende ensinar. “É um instrumento direcional de todo o processo educacional, pois estabelece e determina as grandes urgências, indica as prioridades básicas, ordena e determina todos os recursos e meios necessários para a consecução de grandes finalidades, metas e objetivos da educação.” (MENEGOLLA & SANT’ANNA, 2001, p.40). Cabe ao professor, estruturar o seu planeamento, estuda-lo minuciosamente, coordena-lo e tendo em conta a realidade escolar e a necessidade dos seus alunos, visando atingir um objetivo ou solucionar problemas adversos. Este é primordial e um alicerce para a carreira docente. Esta tarefa demonstrou-se, apesar de complexa elaboração, essencial durante todo o ano letivo. Permitiu que tivesse sempre os objetivos bem definidos ao longo de todo o EP. 4.1.2.3 O Planeamento Anual Este constitui-se como um documento de carater global cujo objetivo é situar o programa. Uma vez que as UD e os planos de aula abarcam aspetos relativamente à didatica, a metodologia e a pontos mais incidentes do ensino, o planeamento anual não contém pormenores relativamente a como o professor deve atuar, no entanto, para o realizar torna-se crucial uma análise de índole reflexiva e a longo prazo. Os objetivos, no que concerne a cada período são apresentados em geral. Preconiza a primeira etapa na preparação do ensino, que engloba a bateria de tarefas iniciais do professor. Estas tarefas são compostas por uma analise do programa, e posteriormente adapta-lo à turma e à faixa etária dos alunos. Uma vez que o grupo disciplinar de EF, já tinha definido anteriormente as modalidades a abordar ao longo do ano letivo, a tarefa que nos foi 53
incumbida posteriormente foi a de elaborar a sequência e extensão das matérias. A fim de melhorar e tornar mais rico e preciso o processo de ensino aprendizagem, a minha PC indicou-me quem tinha sido o professor da minha turma no ano transacto. Após um diálogo, produtivo e pertinente com o professor, pude obter informações cruciais acerca da turma e das suas dificuldades. Posteriormente pude então criar o planeamento anual, tendo por base, as condições da escola, o roulement dos espaços e o clima. Confesso que esta tarefa foi um pouco complexa. Pois tivemos de criar uma sequência das UD, ordena-la e atribuir-lhe as horas para a sua concretização. Tivemos ainda de ter em conta, as aulas destinadas às baterias de testes do fitnessgram, os feriados, as visitas de estudo, as atividades escolares entre outras atividades que não nos permitiam lecionar. Apesar do planeamento anual apresentar caraterística caraterísticas fechadas e que vão minuciosamente ao detalhe, na prática por vezes tive de me adaptar ao espaço e ao material que tinha disponível no momento. Como afirma Bento (1987), o ensino é criado duas vezes: primeiro na conceção e depois na prática. As diferentes modalidades abordadas encontram-se no anexo 1. 4.1.2.4 O Planeamento da Unidade Didática A UD e o seu planeamento, mostraram-se ser um guião que me auxiliou ao longo de todo o processo de ensino-aprendizagem, relativamente a lecionação de todas as modalidades e a planificação dos planos de aula. Saber o que abordar e como abordar cada parâmetro facilitou na preparação das aulas, na medida em que, anteriormente tudo já tinha sido pensado e organizado, de uma forma lógica, pertinente e adequada. Posso afirmar que a UD é, e foi uma pedra basilar para a preparação de todas as aulas. Numa fase inicial tive algumas dificuldades na realização das mesmas, mas com o auxílio da minha PC e do meu núcleo de estágio esta tarefa tornouse cada vez menos dificultada. Discutimos os conteúdos a abordar, trocamos ideias e esta organização tornou mais clara. 54
A sua planificação revelou-se essencial para elaborar uma sequência de ordem lógica e específica de todas as modalidades a abordar, cuja meta era garantir o desenvolvimento dos alunos a nível motor, social e cognitivo. A atividade docente desenrola em torno da UD e do seu planeamento. Assim sendo, foi por intermédio dela que se levantaram as duvidas, no que diz respeito, a metodologias, à didática e ao que realmente demonstra ser relevante abordar. Esta tarefa obrigou-me a pesquisar a quer saber mais acerca de cada modalidade, aprofundando e enriquecendo assim o meu conhecimento, a minha formação e as minhas habilidades na atividade de docência. Tornou-me ainda mais concisa pois os objetivos para cada aula já haviam sido definidos anteriormente. Relativamente a sua duração, esta já tinha sido estabelecida anteriormente, aquando a realização do planeamento anual. Para a realização da UD, utilizei o Modelo de Estrutura do Conhecimento (MEC), (Vickers, 1990) que se encontra subdividido em três fases: sendo a primeira a fase de análise, a segunda a fase das decisões, e a terceira a fase de aplicação. Este é igualmente composto por oito módulos, de ordem sequencial e lógica, que se completam. Assim sendo, o módulo 1, diz respeito à análise da modalidade, o 2 à do envolvimento e o 3 à da análise dos alunos, o 4 à extensão e sequência dos conteúdos, o 5 à definição dos objetivos, o 6 à configuração da avaliação, o 7 às progressões de ensino aprendizagem e o 8 às aplicações reais. Este modelo demonstrou-se imprescindível ao longo de todo o EP, pois permitiu que recolhesse todas as informações necessárias e pertinentes para todo o processo de ensino-aprendizagem. Em anexo 2, encontra-se uma UD. 4.1.2.5 O Plano de aula Para que se vivencie o êxito durante a atividade docente e o processo de ensino aprendizagem é necessário o planeamento cuidado da aula que se vai lecionar. A ausência do mesmo leva a que padeçam de organização, dinâmica e por consequência o desinteresse por parte dos alunos. O planeamento das aulas inclui os objetivos relativamente à organização e coordenação das atividades a realizar, bem como a elaboração de estratégias 55
necessário que o aluno sinta a atenção por parte do professor, e que o ensino esteja direcionado para ele. Quando tal acontece, o ambiente que se vive é harmonioso e motivante para ambas as partes. No primeiro dia de aulas, após ter estabelecido todas a regras para o ano letivo, discorri acerca da relação que pretendia com eles. Relação esta de entreajuda e cooperação. Pretendia que me respeitassem e prometi que os iria respeitar e auxiliar em tudo o que estivesse a meu alcance, a fim de criarmos um ambiente agradável e divertido. Não estaria apenas como professora mas como amiga e conselheira. Após ter conseguido o controlo da turma, comecei a desenvolver esta competência. Conversava acerca do fim-de-semana, sobre o futebol, sobre as notas, sobre os testes e sobre o que iríamos abordar na aula. “Penso que a minha relação com os alunos, têm-se traduzido num aliado durante as minhas aulas. Saber o que mais gostam, mostrar disponibilidade no diálogo e interesse, transformou-se numa estratégia por mim adotada, a fim de os alunos cumprirem com as tarefas propostas de forma entusiasta.” (Reflexão da aula 31 e 32) Tendo em conta o contexto em que ocorreu o EP, considero que este tenha sido uma ferramenta na aquisição desta competência. Pois a maior parte das famílias, devido ao desemprego, têm a tendência a adquirir estilos de vida pouco éticos, e a importância dada a escola e ao(s) filho(s) é muito reduzida. Este factor provoca na criança comportamentos desviantes. Perante tal realidade, o meu objetivo centrou-se na prevalência das regras, de um código linguístico adequado a uma sala de aula e de uma relação com cada um em particular. Para me ajudar neste processo, tentei obter o máximo de informações possíveis junto da Diretora de turma, acerca da situação familiar de cada aluno, bem como os resultados obtidos nos anos transactos. Efetuando um balanço entre aquilo que pretendia e o que realmente sucedeu, considero o resultado positivo. Pois, consegui criar um ambiente agradável, sendo que nenhum dos alunos me faltou ao respeito, e procuravamme constantemente para a resolução de problemas. Penso que a minha personalidade divertida e brincalhona, me permitiu chegar mais perto deles. 62
“A escola não pode ser propriedade de um partido; e o mestre faltará em seus deveres quando empregue a autoridade de que dispõe para atrair seus alunos à rotina de seus preconceitos pessoais, por mais justificados que lhes pareçam”. (Durkheim, 1978, p.49). Tendo por base tal afirmação, creio que a relação entre o professor e o aluno e a interação entre ambos, tem influência direta em todo o processo de ensino aprendizagem podendo condiciona-lo ou potencia-lo. O olhar do professor deve ser heterogéneo, devido a diversidade do ser humano e as caraterísticas próprias que lhe são inerentes, de modo a que consiga lidar com grupos diferentes e conquista-los, tendo em conta a dualidade de benefícios. 4.1.3.4 A competição como elo da motivação “A competição é intrínseca ao processo evolucionário do homem e toca todas as manifestações humanas.” (Rodrigues dos Santos, v. 2, n. 1, 2011) Sendo eu uma desportista que vivência, todos os processos considero como momento alto da semana e do treino em si, o jogo. A altura em que aplico os conhecimentos anteriormente adquiridos e que compito com as minhas colegas ou com outras equipas. Os sentimentos adquiridos neste momento, são de autossuperação e realização. Tendo em conta esta realidade considero que, durante o ensino da EF a competição esteja sempre presente. Esta tem a função de motivação, o aluno tem a necessidade de vencer e trabalhar sempre para um objetivo. Através dela, ele auto se compara e avalia todas as suas progressões durante qualquer atividade. A sua preocupação não se centra apenas nele mas nos restantes colegas. Quando esta competitividade positiva acontece, os princípios de solidariedade e cooperação enaltecem, conseguindo que cada um obtenha um desempenho cada vez melhor. Cabe ao professor ressalvar esta competitividade positiva, não permitindo que se torne doentia, extinguindo qualquer comportamento de supervalorização dos alunos com maior apetência, provocando nos com menos apetência sentimentos de descriminação e de falta de motivação para a prática. 63
Cabe aos educadores, eliminar a velha máxima de que só quem vence é que tem valor, incutindo a ideia de que era impossível existir o vencedor se não existissem outros participantes. Neste sentido, procurei durante todas as aulas exercícios de índole competitiva, com equipas heterogéneas. Notei que desta forma os alunos se mantinham mais motivados para a prática e para o desenvolvimento pessoal. A diversidade de modalidades abordadas, permitiu explorar a capacidade mais relevante de cada aluno, podendo assim vivenciar diferentes papéis, desde líder, em que todos procuravam imitar, a aprendiz. O facto de puder ressalvar as diferentes capacidades de cada um permitiu criar um ambiente de inclusão e de valorização pessoal. 4.1.4 A avaliação “A avaliação de competências vem se configurando como uma necessidade em um contexto mais e mais comprometido com a qualificação de profissionais, principalmente porque não há correspondência entre a aquisição de saberes e a capacidade de mobilizá-los ou aplicá-los; não há, de modo geral, certificação de domínio de conhecimento ou de capacidade laboral em decorrência da posse de um diploma escolar, de uma credencial de formação [...] “ (SOUZA, 2005, p.70). “A atividade de avaliação é inerente ao ser humano e integra, quando não, fundamenta as suas decisões, sendo, portanto, de necessidade vital. Talvez por isso, “[...] conhecer algo equivale a avaliá-lo, atribuir-lhe um valor, um significado, a explicá-lo, e isto tanto na experiência comum, quanto nos mais sistemáticos processos científicos" (BARTOLOMEIS, 1981, p.39). Em boa verdade, qualquer atividade do ser humano necessita de uma avaliação prévia, no momento e posteriormente. A instituição escola, e neste caso mais especifico a disciplina de EF, não são exceções a regra. A avaliação permite ao professor identificar o nível do aluno e atuar sobre ele. Esta não pode ser apenas vista numa perspetiva unidirecional, centrada somente no aluno, pois a avaliação possibilita ao professor alterar ou manter as suas estratégias, tendo sempre em vista uma otimização da sua praxis. O processo 64
de ensino aprendizagem é influenciado pela avaliação, pois: “avaliação da aprendizagem necessita, para cumprir o seu verdadeiro significado, assumir a função de subsidiar a construção da aprendizagem bem-sucedida. A condição necessária para que isso aconteça é de que a avaliação deixe de ser utilizada como um recurso de autoridade, que decide sobre o destino do educando, e assuma o papel de auxiliar o crescimento.”( Luckesi, 2003, p.166). No ano transato, as didáticas preconizavam vivências relativamente a todas as etapas do ensino. Sendo a avaliação uma delas, sempre considerei uma tarefa complexa. Neste sentido sempre que recorri a ela, procurei sempre a opinião da minha PC e dos meus colegas para refinar esta minha capacidade. 4.1.7.1- A avaliação diagnóstico (inicial) “A avaliação diagnóstica, assim como as demais modalidades de avaliação, requer a valoração, a determinação, a descrição e classificação de algum aspecto do comportamento do aluno” (BLOOM; HASTINGS; MADAUS, 1983, p.97). Esta avaliação inicial permite ao professor identificar caraterísticas dos alunos, relativamente as áreas que domina e às que tem mais dificuldades. Pretende-se que o professor efetue um, “[...] delineamento dos conhecimentos, dos atributos, das características, das habilidades e, porque não, das competências que os educandos já possuem e que se constituíram ao longo de suas vidas – suas concepções prévias, seus acertos e seus erros” (SOUZA, 2005, p.73).É um alicerce na determinação de objetivos e por conseguinte na elaboração da UD. O professor através dela adequa os conteúdos face as informações que retirou. Esta avaliação é efetuada antes de qualquer processo de instrução. Revelou-se para mim de importância primordial. Pois através dela, pude construir todo o meu trabalho na área de docência, tendo em vista obtenção de todos os objetivos traçados. Uma pedra basilar em todas as modalidades abordadas, garantindo-lhes objetividade, moldada às caraterísticas da turma e do aluno em particular, articulando todo o processo de ensino aprendizagem. Esta salvaguardou muitas das vezes a minha inexperiência, colmatando 65
questões relativas a subjetividade e objetividade daquilo que queria avaliar e de como pretendia avaliar. Numa fase inicial, indagava-me se o comportamento dos alunos influenciaria aquilo que pretendia observar e que isso poderia condicionar todo o processo pedagógico adequado. Foi então que, a fim de me elucidar acerca das minhas inseguranças e dúvidas, pedi ajuda a minha PC, para que através da sua experiencia me pudesse auxiliar e encaminhar nesta difícil tarefa. O Emanuel, o meu colega de estágio, revelou-se também uma ajuda crucial, pois uma vez que ambos lecionavamos ao 7ºano, a troca de ideias e opiniões foi constante. Após a aula, durante os intervalos e em reuniões sempre se mostrou disponível e sem dúvida forneceu-me feedbacks positivos, para a minha constante refinação desta capacidade. Ouvir a opinião de várias pessoas, fez com que reformulasse a minha perspetiva. Agora entendo que a avaliação diagnóstica traduz-se como um fio condutor para o professor. Fornece-lhe informações acerca daquilo que o aluno já sabe e domina num determinado conteúdo ou matéria. Através destas informações o professor formula objetivos, e exercícios didáticamente adequados às particulares da turma e do aluno. Assim sendo o aluno obtém uma relação daquilo que sabe com o que posteriormente irá aprender, potenciando a sua envolvência e motivação para a prática. 4.1.7.2- Avaliação sumativa “Classifica os resultados de aprendizagem de acordo com os níveis de aproveitamento estabelecidos [...]” (MARCONDES, 2000, p.6) A avaliação sumativa permite ao professor identificar se os objetivos demarcados foram cumpridos, podendo assim efetuar uma reflexão acerca daquilo que foi ou não atingido e o porquê. Imite informações acerca do aluno, e da qualidade do ensino do professor. “Consiste em um processo de síntese de uma temática abordada, de um curso levado a termo, de um nível de ensino finalizado. Assim, constitui um momento, demarcado no tempo e que pode prolongar-se e estender-se a uma sequência de eventos programados, que permite determinar o grau e a qualidade das aprendizagens manifestas em 66
confrontação com os resultados esperados” (SOUZA, 2005, p.74). Assim sendo, identifica se realmente as metas propostas estavam adequadas ao nível dos alunos. Para que esta seja de carater minucioso é primordial, “ estar atento aos processos, para que sejam consistentes ao nível de produzir os resultados que desejamos e ansiamos; e, necessitamos de estar atentos ao produto como parâmetro para o dimensionamento e controle de nossas ações”. (Luckesi, 2005, p.20). Para os alunos, esta avaliação constitui-se como um patamar a atingir. Eles lutam sempre para alancar um determinado nível, transpondo ao longo do tempo as suas dificuldades e obstáculos que vão surgindo. É a razão em busca de um resultado. Durante o EP, a atribuição desta nota final relevou-se constrangedora. Na medida em que, me questionava constantemente se realmente o meu olhar pouco treinado seria o mais correto na atribuição de valores, enquadrando os alunos nos níveis a que realmente pertenciam. Senti que o tempo destinado a esta avaliação era reduzido, pois não conseguia observar pormenorizadamente cada aluno, em cada conteúdo. No que diz respeito as grelhas utilizadas para a avaliação, tive dificuldade em sintetizar os conteúdos que pretendia observar. Numa fase inicial estes eram muito extensos, dificultando ainda mais a capacidade de observar cada aluno em particular. Contudo, após uma reunião com a PC e com o núcleo de estágio, tentamos estabelecer, tendo em conta o nível da turma, e perante todos os exercícios lecionados ao longo da UD, uma grelha mais concisa e objetiva. Após aplicar essa grelha e atribuir valores aos alunos, discutimos acerca da pertinência e veracidade daquilo que foi observado. Pude constatar que esta avaliação de caráter classificativo, revela-se um ponto de motivação para os alunos. Uma boa nota pode conduzir o aluno a um comportamento de autossuperação e ambição. 67
4.2- Área 2 E 3 – Participação na Escola e Relação com a Comunidade 4.2.1- Torneio COMPAL AIR O torneio “Compal Air”, consiste num torneio de basquetebol, que tem como objetivo promover a modalidade. As competições realizaram-se na escola, e após apurados os vencedores de cada escalão, estes disputam os distritais e posteriormente os nacionais. O grupo de EF, pediu-nos auxílio na organização deste evento e nos aceitamos o desafio. Promovemos o evento junto de todas as turmas, com o intuito de ter o maior número de participantes possível. Disponibilizamos na sala dos professores, um local onde todos os professores poderiam colocar as fichas de inscrição das suas turmas. Fechadas as inscrições, deparamo-nos que o número era vasto de participantes, quer do sexo masculino quer do feminino. No dia do evento, montamos os campos, distribuímos as fichas de jogo e íamos chamando as equipas que iriam jogar, com a ajuda do tecnológico de Desporto. Apesar da ótima organização do torneio, não conseguimos que este concluísse durante a manhã, tendo então de fazer uma pausa para o almoço e retoma-lo posteriormente, para se efetuarem os jogos das finais. Considero que a organização deste evento foi de sucesso. Pois o espaço foi aproveitado ao máximo, permitindo assim uma maximização do tempo. No final do torneio os prémios foram distribuídos por professores de EF e pelo Diretor da Escola, que esteve quase sempre presente em todos os jogos, realizados na parte da manhã. Este evento permitiu-me que tivesse contacto com outros alunos da comunidade escolar. 68
Torneio Compal Air 1 4.2.2 Torneio de Futsal – “Cerco Futsal Cup” O torneio “Cerco Futsal Cup “, surge o ano transato pelo núcleo de estágio da FADEUP, e uma vez que os alunos participaram com entusiasmo e alegria, achamos pertinente realizar uma segunda edição do mesmo. Este torneio estendia-se ao longo dos três períodos letivos, funcionando em formato de campeonato. Esta modalidade é de influência nos alunos, contudo não é possível que todos participem no Desporto Escolar. O seu objetivo passa por promover a prática dentro da comunidade escolar, possibilitar a participação de todos e integrar o Curso Tecnológico de Desporto na organização e gestão de um evento desportivo. Efetuamos primeiramente uma reunião com o 2º ciclo, posteriormente com o 3º e de seguida com o secundário. Nesta reunião, explicamos o formato do torneio, bem como as regras e os deveres de cada jogador, promovendo sempre o fairplay, e o espírito de entre ajuda e cooperação. Efetuamos também o sorteio da equipas para formar os grupos, e por conseguinte contra quem iriam jogar. O torneio não podia ter assistência, uma vez que o ano passado alguns alunos danificaram o material do pavilhão. No que concerne a dinamização do torneio, esta era efetuada pelo nosso núcleo de estágio em cooperação com o Curso Tecnológico de Desporto. O marketing e a publicidade, era feito através de cartazes afixados em todos os pavilhões e pela divulgação do DT. A arbitragem era feita pelo núcleo de estágio e pelo Curso Tecnológico de Desporto. A entrega dos prémios aos vencedores e participantes foi no dia do Desporto Escolar. 69
No que diz respeito ao torneio em si, numa fase inicial, apenas se realizava à terça-feira após o período de aulas. No entanto, devido ao número elevado de equipas vimo-nos obrigados a realiza-lo também à terça, quarta e quinta na hora do almoço nos dois pavilhões, e da parte de tarde após as aulas terminarem. Numa fase inicial, quando as equipas se encontravam na fase de grupos, havia muitas faltas de comparência das equipas, o que dificultou o nosso trabalho. Contudo após a fase de grupos, as equipas compareciam aos jogos, mostrando um elevado grau de qualidade na modalidade. Não se registaram comportamentos de indisciplina ou falta de respeito, por qualquer elemento da organização. Este torneio foi sem dúvida uma porta aberta para conhecer a comunidade escolar mais pormenorizadamente. Este evento demonstrou o grau de envolvência extremamente elevado, pelo que foi prazeroso e gratificante realiza-lo. Cerco Futsalcup 2 4.2.3 Corta Mato O Corta mato destina-se a toda a comunidade escolar. Esta foi preparada por todo o grupo de EF com a colaboração dos núcleos de estágio e o curso tecnológico de Desporto. A tarefa que nos foi incumbida foi a da entrega e recolha dos dorsais. Para rentabilizar esta tarefa, utilizamos um documento em Excel que continha os nomes dos participantes e o respetivo número do dorsal. Assim sendo, cada professor tinha de colocar o nome dos seus alunos que iriam participar no 70
computador da sala dos professores a fim de, posteriormente, facilitar a entrega dos dorsais e da classificação. No dia da atividade foi-nos pedido para chegar um pouco mais cedo para colaborar na sinalização dos percursos e auxiliar nas tarefas do grupo Tecnológico de Desporto. Após termos terminado esta tarefa, fomos para a zona de chegada, onde retirávamos os dorsais aos alunos e colocávamos a classificação no computador. Considero que o corta mato foi bem organizado e estruturado. Existiu cooperação entre todos os membros da comunidade escolar que se refletiram em todo o sucesso da atividade. As funções estavam bem distribuídas e explicitas. O número de inscrições foi elevado o que enriqueceu o evento. Os prémios oferecidos tornaram-se um fator de motivação para os participantes, bem como o lanche no final da prova. Esta foi, sem dúvida, mais uma experiencia enriquecedora que me permitiu obter uma perceção de todas as etapas e de todos os recursos necessários para um evento desta dimensão. Permitiu-me ainda, através da observação de professores mais experientes, constatar que para que tudo corra bem é necessária dinâmica e espírito de cooperação e entreajuda. 4.2.4- Tutoria Desde criança que gosto de perceber o porquê das coisas e a sua essência. Após ter observado várias aulas do meu colega Emanuel, reparei que os comportamentos desviantes eram constantes, contudo a curiosidade de ver para além da cortina, levou-me a pedir a minha PC para assistir a algumas sessões de tutoria que eram dadas por ela, a um aluno da turma dele. Esta escola, como já foi referido anteriormente, íntegra o programa TEIP, assente em 2 eixos. Sendo que um deles, o eixo 2, diz respeito à - Prevenção do abandono, absentismo e indisciplina. Uma das suas ações é precisamente a Ação Tutorial, com a finalidade de tutorar “ alunos sinalizados em significativo risco de abandono, elevado absentismo e comportamento disruptivo” (Projeto Educativo TEIP3). A primeira sessão que assisti, conheci a mãe do aluno, e a professora pôs-me a par de toda a situação do mesmo. Nas seguintes, o tema abordado circundava o porquê de determinadas atitudes, o que o levava a estar na 71
calcula-se através da divisão do peso do indivíduo pela sua altura. Assim sendo, a fórmula de cálculo do IMC = massa / (altura x altura). (OMS) Perante os factos reportados pela literatura existente acerca desta temática, é perceptível a importância da atividade física, no combate a esta doença. A realização de atividade física em contexto escolar ou de sala de aula reveste-se de suma importância para a aquisição de hábitos de vida saudáveis assim como no desenvolvimento cognitivo e motor de indivíduos destas idades. (Revista de Desporto e Saúde da Fundação Técnica e Cientifica do Desporto.) Neste sentido, torna-se urgente agir, focando a nossa atenção para casos mais alarmantes, tentando assim extinguir esta doença em idades mais baixas. 4.3.1.2.2- Atividade física regular Torna-se evidente que a atividade física se traduz como um benefício para a saúde. A prática regular de exercício constitui um elemento essencial à promoção da saúde e prevenção de algumas doenças que acometem indivíduos e grupos populacionais. Apesar dos jovens serem a parcela mais ativa da população, os indicadores de sedentarismo crescente têm alertado os profissionais de saúde pública. (Paulo Vinícius Carvalho Silva.) A promoção da saúde envolve comportamentos individuais e familiares, bem como políticas públicas eficientes, que protejam as pessoas contra ameaças à saúde e promovam um senso geral de responsabilidade pela maximização da segurança, da vitalidade e do funcionamento integral da pessoa. (OMS) No que concerne as crianças e jovens, esta traduz-se como um fator potenciador da autoestima, da aceitação social e da sensação de bem-estar. (Bois et al.,2005). A carga de atividade física necessária para jovens alcançarem maior capacidade funcional e saúde, deve incluir uma ação moderada a intensa durante, pelo menos, uma hora por dia. As crianças mais sedentárias deveriam praticar atividade física moderada a intensa durante pelo menos 30 minutos por dia. (Cavill, Biddle e Sallis, 2001). 78
A fim de combater esta doença mundial é necessário, alertar desde cedo as crianças e jovens para todas as repercussões, que a inexistência da prática de exercício físico pode acarretar. Neste sentido, e sendo o professor de EF um amante do corpo e do movimento, é primordial que este esteja atento a casos mais evidentes e que aja sobre eles. No entanto as suas estratégias devem incluir a identificação de fatores culturais, individuais e da sociedade, que afetam o desenvolvimento e a manutenção, a longo prazo, do aumento dos padrões de atividade física. Um aspecto importante é que tais estratégias devem respeitar particularidades e necessidades de seus respectivos públicosalvo.( Sothern et al. ,1999). 4.4.1.2.3- Aptidão física A aptidão física é a capacidade de realizar as actividades quotidianas com serenidade e menor esforço. Existem duas abordagens, uma é a aptidão física relacionada à saúde e a outra é a relacionada à performance desportiva. A primeira refere-se à condição física nas capacidades que estão profundamente relacionadas com a saúde e à qualidade de vida das pessoas sendo a flexibilidade, a resistência, aeróbia, a força e composição corporal. E a segunda refere-se à aptidão para o desempenho em actividades desportivas que associam, além das capacidades acima citadas, a agilidade, velocidade, equilíbrio postural e coordenação motora. A aptidão para performance tem uma interferência das questões genéticas, já na aptidão para à saúde, os componentes podem ser melhorados mais facilmente, ou seja nós temos uma maior interferência. (Mariana Ribeiro, 2009). No entanto, não esquecendo as diferenças existentes entre os objetivos da saúde, da aptidão física e da performance, são comportamentos comuns, pela inclusão de atividade física regular, a recuperação muscular e orgânica, a não adopção de hábitos tabágicos e ou uso de substâncias ilícitas, a atenuação no consumo de bebidas alcoólicas, o combate eficaz ao stress, ao acesso a hábitos de vida saudáveis, ou seja, sem riscos para a saúde (Howley e Franks, 1992). 79
Aptidão Física 4 Pretende-se então, que as crianças e jovens, obtenham uma resistência cardiorrespiratória, bem como uma capacidade de se manterem em tarefas, que impliquem grandes grupos musculares, o maior tempo possível. Sendo a escola o local onde as crianças despendem a maior parte do seu tempo, torna-se uma estratégia para a obtenção de rotinas para uma vida ativa e saudável. 4.3.1.3- Objetivo do estudo Este estudo pretende verificar a relação do IMC e da prática de exercício de forma regular em concordância com a aptidão física. Isto é, se os alunos com IMC elevado e praticantes de exercício de forma regular, apresentam melhores resultados no que concerne a aptidão física, do que aqueles que não praticam e apresentam IMC inferior. 4.3.1.4-Hipoteses do estudo Após uma leitura minuciosa acerca de alguns documentos relacionados com esta temática foram estabelecidas três hipóteses: 1. Existe uma relação entre PDR e ApF. 2. Existe uma relação entre IMC e ApF. 3. Existe uma relação entre PDR e IMC. 80
4.3.1.5- Metodologia 4.3.1.5.1- Caraterização da amostra A amostra do estudo engloba, 108 alunos de 7ºano, 64 elementos do sexo feminino e 44 do sexo masculino, em que as suas idades estavam compreendidas entre os 12 e 13 anos. No que concerne a seleção da amostra, esta foi feita na escola Básica e Secundária do Cerco, na cidade do Porto. Os dados dos alunos utilizados, foram retirados, das duas turmas atribuídas ao núcleo de estágio da FADEUP, das duas turmas do núcleo de estágio do ISMAI e de uma outra turma de um professor docente. A fim de facilitar todos os processos do estudo, nenhum dos alunos selecionados era portador de qualquer tipo de deficiência e participavam assiduamente nas aulas de EF. Todos os alunos que compõem a amostra participam normalmente nas aulas de educação física, não apresentando qualquer tipo de deficiência física ou mental, previamente diagnosticada, que pudesse interferir nos procedimentos. O quadro nº1 e 2 representam o número de alunos distribuídos por idade e género e as respetivas médias, o número da amostra (N), desvio padrão da população. Quadro nº1: Idade Total 12 13 Género Feminino Total da amostra 52 12 64 % do Género 81,3 18,8 100,0 % Idade 48,1 11,1 59,3 % do Total 48,2 11,1 59,3 Masculino Total da amostra 35 9 44 % do Género 79,5 20,5 100,0 % Idade 32,4 8,3 40,7 % do Total 32,4 8,3 40,7 Total Total da amostra 87 21 108 % do Género 80,6 19,4 100,0 % Idade 100,0 100,0 100,0 % do Total 80,6 19,4 100,0 81
Quadro nº2: Género N Mínimo Máximo Média Desvio Padrão Feminino 64 12 13 12,19 0,531 Masculino 44 12 13 12,20 0,529 Total 108 12 13 12,19 0,531 A amostra em estudo (n=108) apresenta uma idade média de 12,19 anos. Tendo por base o quadro nº1, verifica-se que a percentagem de elementos do sexo feminino é de 80,6%, e do sexo masculino 19,4%. A idade dos sujeitos de estudo, é caraterizada como uma fase de transição da idade infantil para a adolescência. Assim sendo o seu corpo está em transformação a nível biológico, morfológico e fisiológico. . 4.3.1.5.2- Procedimentos de avaliação No que diz respeito a recolha de dados, esta foi feita através das informações recolhidas no inicio do ano, tendo por base o inquérito sociobiográfico. Este inquérito demonstrou a máxima pertinência, uma vez que permitiu, analisar a turma em global e o aluno em particular. Fornecendo assim parâmetros cruciais, que serviram de objeto para o presente estudo, uma vez que os alunos tinham de descriminar o seu percurso desportivo, e as horas que praticam. Foram também utilizados os testes de Fitnessgram, a fim de obter dados correspondentes a composição corporal e aptidão aeróbia. 4.3.1.5.3- Avaliação da composição corporal Como já foi referido anteriormente, para obtenção de dados referentes a composição corporal foram utilizados os testes de Fitnessgram. Através dele, procedeu-se ao cálculo do IMC. Esta é uma medida de referência internacional reconhecida pela OMS (Organização Mundial da Saúde), e determina se um individuo se encontra em risco de obesidade. O seu cálculo é feito através da divisão do peso do indivíduo em quilogramas, pela sua altura, em metros, ao quadrado. Assim sendo a sua formula estandardizada para o efeito é [IMC= Peso (Kg) / Altura (m)]. 82
4.3.1.5.4- Avaliação da aptidão aeróbia A avaliação da aptidão aeróbia foi igualmente obtida, através de dados do Fitnessgram. Foi utilizado então teste do vaivém, cujo objetivo é “ correr percursos de ida e volta de 20 metros, com cadência progressiva em vários níveis, com períodos consecutivos de um minuto, alcançando a linha do lado contrário antes do sinal sonoro, até ao limite fixado, de acordo com género e idade. Quando não se alcança a linha ao sinal sonoro, inverte-se o sentido da corrida no momento em que se ouve, mesmo antes de chegar à linha; quando se chegar antes do sinal sonoro deve-se aguardar pelo sinal. O teste termina na segunda vez (não necessariamente consecutiva) que o aluno não conseguir atingir a linha ao sinal sonoro.”( Sebenta de Conhecimentos.) 4.3.1.5.5- Procedimentos estatísticos Relativamente aos procedimentos estatísticos, imprescindíveis para a análise dos resultados obtidos, recorri ao programa estatístico SPSS (Estatística Package for the Social Sciences). Assim sendo, foram colocados os dados na matriz de variáveis, correspondentes ao IMC, os valores obtidos no teste de vaivém do Fitnessgram, e a prática regular de desporto. Posteriormente, seguiu-se a análise dos dados obtidos que permitiram retirar as conclusões perante à amostra. 4.3.1.5.6- Pontos de corte utilizados Os alunos forram classificados segundo as tabelas de referência de: The cooper Institute for Aerobics Research, Dallas, Texas (1992,1999). Estas tabelas estão em anexo 5. 4.3.1.6-Apresentação de resultados O quadro nº3 representa a relação existente entre o género e a prática desportiva regular. 83
Quadro nº3: Prática Desportiva Regular Total P Pratica Não pratica Género Feminino Total 20 44 64 % Género 31,3 68,8 100,0 Masculino Total 27 17 44 ,001 % Género 61,4 38,6 100,0 Total Total 47 61 108 % Género 43,5 56,5 100,0 Perante uma análise do quadro nº3, verifica-se uma associação significativa entre os elementos em avaliação influência a prática desportiva. Pois, os “rapazes”, praticam e têm mais gosto pelo desporto que as “raparigas”. Constata-se que 68,8% indivíduos do sexo feminino não pratica atividade física regular, enquanto apenas 38,6% do sexo masculino não praticam. O quadro nº4 representa a correlação entre o IMC e o Género. Quadro nº4: IMC Total p ,001 Abaixo da zona saudável Dentro da zona saudável Excesso de peso Género Feminino Total 3 49 12 64 % Género 4,7 76,6 18,8 100,0 Masculino Total 4 30 10 44 % Género 9,1 68,2 22,7 100,0 Total Total 7 79 22 108 % Género 6,5 73,1 20,4 100,0 Neste quadro pode-se verificar, a associação entre o género e o IMC é inexistente, isto é, o género não se demonstra como um factor sobre o IMC. Na medida em que, 76,6 % das alunas se encontra dentro da zona saudável, bem como 68,2% dos alunos. 84
O quadro nº 5 apresenta a relação entre o género e a aptidão física. Quadro nº5: Aptidão Física Total p ,000 Zona ótima Dentro da zona saudável Fora da zona saudável Género Feminino Total 3 14 47 64 % Género 4,7 21,9 73,4 100,0 % Aptidão Física 30,0 41,2 73,4 59,3 % do Total 2,8 13,0 43,5 59,3 Masculino Total 7 20 17 44 % Género 15,9 45,5 38,6 100,0 % Aptidão Física 70,0 58,8 26,6 40,7 % do Total 6,5 18,5 15,7 40,7 Total Total 10 34 64 108 % Género 9,3 31,5 59,2 100,0 % Aptidão Física 100,0 100,0 100,0 100,0 % do Total 9,3 31,5 59,2 100,0 No que concerne a este quadro, verifica-se que existe uma associação significativa relativamente ao género e a aptidão física dos alunos. Mais uma vez pode ser associado o género como um fator influenciador da aptidão física. 85
O quadro nº6 apresenta a relação entre a prática desportiva regular e a aptidão física. Quadro nº6: ApF Total P Zona ótima de prestação Dentro da zona saudável de prestação Fora da zona saudável de prestação P.D.R Pratica desporto regularmente Total 7 21 20 48 ,001 % P.D.R 14,6% 43,8% 41,7% 100,0% % Vaivém 87,5% 60,0% 30,8% 44,4% % Total 6,5% 19,4% 18,5% 44,4% Não pratica desporto regularmente Total 1 14 45 60 % P.D.R 1,7% 23,3% 75,0% 100,0% % Vaivém 12,5% 40,0% 69,2% 55,6% % Total 0,9% 13,0% 41,7% 55,6% Total Total 8 35 65 108 % P.D.R 7,4% 32,4% 60,2% 100,0% % Vaivém 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% % Total 7,4% 32,4% 60,2% 100,0% Perante o quadro nº6, pode-se verificar, que existe uma associação significativa entre a prática desportiva regular e a aptidão física. Isto transmite que, os alunos que praticam atividade física de forma regular apresentam melhores resultados no teste do vaivém. Traduzindo em valores, 43,8 % dos alunos que praticam desporto regularmente encontram-se dentro da zona saudável e 75% dos alunos que não pratica desporto regularmente encontramse fora da zona saudável de aptidão física. 86
O quadro nº7 representa a relação entre o Índice de massa corporal e a aptidão física. Quadro nº7: Aptidão Física Total p Zona ótima Dentro da zona de prestação Fora da zona de prestação IMC Abaixo da zona saudável Total 1 9 5 15 0,59 % IMC 6,7% 60,0% 33,3% 100,0% % T.Vaivém 12,5% 25,7% 7,7% 13,9% Dentro da zona saudável Total 7 23 47 77 % IMC 9,1% 29,9% 61,0% 100,0% % T.Vaivém 87,5% 65,7% 72,3% 71,3% Excesso de peso Total 0 3 13 16 % IMC 0,0% 18,8% 81,2% 100,0% % T.Vaivém 0,0% 8,6% 20,0% 14,8% Total Total 8 35 65 108 % IMC 7,4% 32,4% 60,2% 100,0% % T.Vaivém 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% Analisando o quadro nº7, verifica-se que não existe uma associação relevante entre o IMC e ApF. O que significa que o excesso de peso, não se traduz como um factor de influência no teste do Vaivém. É crucial realçar que os alunos que se enquadram na zona do Índice de Massa Corporal, correspondem a 61% dos alunos que se situam fora da zona saudável de prestação. 87
5.Conclusão "Vamos ter muiiiiitas saudades de estagiários tão disponiveis, tão simpáticos, tão TUDO, estagiários como o stor Manu e a stora Rita. Vocês fizeram valer todos os minutos das aulas de Física, fizeram-nos acreditar que éramos capazes tanto nas aulas, a fazer qualquer modalidade, como na vida, deramnos toda a motivação possível, mostraram-nos o quão boa pode ser a relação estabelecida entre professor e aluno. Espero para o ano ter uma foto vossa no Baile de Finalistas para que possa recordar quem fez de mim uma verdadeira Finalista, que não só concluiu o secundário, como aprendeu a ser alguém com valores que se devem sobressair ao longo da nossa vida." Bárbara Lima (Aluna da Escola Básica e Secundária do Cerco) Considero este ano recheado de experiências positivas, quer no campo humano, quer no campo de formação pedagógica. A Escola Básica e Secundária do Cerco, preconiza um conjunto de desafios e simultaneamente grandes objetivos educativos sem descurar os objetivos sociais. Foram estas algumas das linhas orientadoras de todo o trabalho por mim realizado. Num jeito pessoal, estive perante realidades pedagógicas bem distintas, e algumas delas de caráter alarmante, que me obrigaram a definir constantemente variadas estratégias, como educadora e como pessoa. Mostraram-me que ser professor não se resume a um debitar de conhecimentos. "Professores ideais são aqueles que se transformam em pontes e que convidam os alunos a cruzá-la, depois de ter facilitado a sua passagem, com alegria e colapso, incentivando-os a criar pontes a partir das suas próprias atitudes." (Nikos Kazantzakis, escritor, poeta e pensador grego). Assim sendo, ser professor transcende o campo educativo, ser professor é ter um olhar debruçado na turma em geral e no aluno em particular. Atendendo as suas dificuldades, e moldando a sua forma de agir formando cidadãos conscientes dos direitos e deveres. (Luis Alves, coach e palestrante) Todo o percurso académica percorrido até então, incluindo o EP, foi em prol de uma bagagem formativa que me acompanhará em todos os dias da minha carreira, permitindo-me, a capacidade de lidar com todos os obstáculos que a profissão apresenta. 95
Para a busca da minha identidade profissional, foi necessário enaltecer a minha capacidade de reflexão e autocrítica. Ajustar e reajustar, todas as metodologias e técnicas utilizadas. Ultrapassar os meus pontos fracos, recorrendo á experiencia da minha PC e dos meus colegas de estágio, tornouse primordial. Olhando para trás, relembro o primeiro dia repleto de inquietações e inseguranças, mas ao mesmo tempo uma ansiedade e vontade entusiasmantes de me envolver numa nova realidade. Agora considero-as positivas, pois serviram como degrau para a minha formação. Todos os feedbacks, escutei-os com atenção, tentando progredir o máximo que conseguia. Este aspeto revelou-se um fator impulsionador na minha relação com a comunidade escolar. A minha relação com os professores de EF era cada vez mais próxima, bem como a relação com os alunos da escola. Outro factor que ajudou a minha integração e entusiasmo na envolvência com a escola, foram as atividades realizadas, e a observação das aulas dos meus colegas de estágio e da minha PC. Em forma de análise balanceada, esta observação contínua, traduziu-se numa aprendizagem, mais completa e no meu entender extremamente necessária. Isto é, eu e os meus colegas partimos da mesma meta, inexperiente, mas ao mesmo tempo com vista numa maximização das nossas potencialidades. Primeiramente como alunos do curso de EF e posteriormente, como educadores que irão ingressar no mercado de trabalho. Através do olhar minucioso das suas aulas, adotei a capacidade de identificar estratégias divergentes das que tinha em mente e por vezes erros de atuação, que me permitiram autocorrigir. Por outro lado, a experiencia da minha PC, foi preponderante, para elevação da minha fasquia enquanto estagiária, onde procurei sempre o cultivo de dúvidas e conhecimentos."O bom ensino é mais uma doação de perguntas que um direito de dar respostas certas." (Josef Albers) Em boa verdade, e em jeito de reflexão, todo este EP, se traduziu num modelo de ensino-aprendizagem cíclico e continuado. Perante o local onde realizei o EP, encontrei uma multiplicidade de variantes propícias a temas pertinentes para estudo. Uma vez que esta escola integra o programa TEIP3, que tem como objetivos melhorar a qualidade das aprendizagens traduzida no sucesso educativo dos alunos, combater a indisciplina, o abandono escolar precoce e o absentismo, criar condições para 96
a orientação educativa e a transição qualificada da escola para a vida ativa e promover a articulação entre a escola, os parceiros sociais e as instituições de formação presentes no território educativo, (Terceiro Programa de Territorialização de Politicas Educativas de Intervenção Prioritária (TEIP3) foi criado pelo Despacho Normativo do Ministro de Educação, de 25 de Setembro de 2012.) torna-se assim um palco de situações diversas e relevantes, suscetíveis a projetos de estudo. Estas mesmas retratam problemas imergentes na sociedade atual, tais como disfuncionalidade familiar e social, baixo nível socioeconómico e exclusão de padrões referentes a hábitos conducentes a uma vida saudável. Este último tópico, foi o selecionado por mim como objeto de estudo. De facto o excesso de peso tem-se vindo a revelar uma epidemia da sociedade de hoje em dia. Hábitos alimentares incorretos e a adoção de uma vida sedentária são duas entre várias causas que levam à obesidade. Esta doença tende a predominar na fase adulta, no entanto, o foco alarmante centra-se no seu cada vez mais precoce aparecimento, e no seu prolongamento pelas faixas etárias. Sendo o professor de EF um amante do culto de um corpo e mentes saudáveis, torna-se impossível não atuar e agir perante tal realidade. Assim sendo, neste prespetiva, cabe ao professor detetar casos evidentes e arranjar estratégias para combater o aparecimento desta doença. Uma vez que os professores desta disciplina não conseguem controlar a alimentação dos seus alunos, têm de incutir o gosto pela prática desportiva, bem como as vantagens da mesma. Adquiri e aprimorei a capacidade de planeamento, bem como a perceção da importância inequívoca da mesma. Planear bem, é um passo gigante para alcançar os objetivos pretendidos. Saber como a escola funciona, quais as regras de ouro, tornou-se crucial para o relacionamento com a comunidade envolvente. "A educação é um ato de ação e reflexão permanente, que é possível ao homem, pois ele é um ser inacabado e que sabe da sua imperfeição, esta busca leva-o a sua perfeição. A educação, portanto implica numa busca que é realizada pelo homem, por isso o homem deve ser sujeito da sua própria educação, não podendo ser um mero objeto (…) Não há seres educados e não educados, todos estão em processo de educação, esta educação por sua vez não é absoluta e permanente. Nesta conceção, a educação não pode se 97
originar de um ato de doação, que o educador faz ao educando, mas, num processo que se realiza no contato do homem com o mundo vivenciado, o qual está em constante movimento, por isso os conceitos e as formas como se desenvolvem as relações do homem com o mundo não podem ser aceitas como algo que não pode ser mudado ou transformado." ( Paulo Freire) Como consideração final, considero que este ano foi sem dúvida marcante e positivo, pois adquiri saberes e competências que andarão de braço dado com a minha carreira docente. A nível pessoal e profissional, levo uma melhor e mais bem preparada Rita para o que o futuro me reserva. Ao mesmo tempo grata pelo caminho que construí e percorri, e pelas pessoas que o partilharam comigo e que de certa forma deixaram o seu cunho pessoal no meu crescimento. Apesar de considerar o meu percurso positivo, tenho a consciência que fechei um ciclo e iniciei outro. Pois apesar de ter terminado o EP, o meu eu professora encontra-se inacabado e em processo de construção. 98
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Anexos
10’ - Exercitar o lançamento em apoio sem oposição Lançamento em apoio e na passada “Lançamentos ao cesto” Alunos dispostos em duas filas. Numa, os alunos colocam-se na direção do cesto, com bola. A outra fila está disposta do lado direito representando o spot adjacente ao portador da bola. Quem tem bola passa ao colega da outra fila e “corta” para o cesto para receber de novo a bola. Variante: Após 4 minutos, o mesmo exercício do lado esquerdo. - Passar a bola para o local onde o colega estará e não para onde está - Receber a bola direcionado para o cesto - Parar antes de lançar - Mão esquerda por trás da bola quando lançar do lado esquerdo. - Mão direita por trás da bola quando lançar do lado direito 110
15’ - O aluno ocupa os spots racionalmente e corta para o cesto após passar mostrando a mão-alvo Passe e corte 3x0. Em meio campo o jogador 1 passa para o jogador 2 ou 3 e corta para o cesto. Se receber finaliza. Se não receber sai pelo lado da bola, enquanto o jogador com bola dribla para a zona central “Cria uma linha de passe à esquerda ou direita da bola” “Levanta a mão-alvo para pedir a bola” “Se não recebes após cortar ocupa o spot livre” “Coloca-te entre o adversário e o cesto” 25’ - O aluno realiza marcação individual e protege a bola com o corpo quando não tem linha de passe. Jogo 3x3 Em meio campo, em que a bola tem que passar por todos os elementos antes de lançar. “Cada um marca o seu” “Acompanha o teu colega” Os alunos organizam-se 4 equipas com 5 elementos. 111
Final 5’ Relaxar e alongar os grupos musculares mais solicitados. Alongamento Dos principais músculos exercitados. Palavras-chave: “sente a alongar.” Todos os alunos em círculo. Jogo “Rugby Basquete” e 3x3: Equipa A: Paulo Santos Pedro Martins Ana Pinto Renato Bastos Cátia Mendes Equipa D: Nelson Costa Maria Magalhães Carina Alves Flávia Silva Inês Benedito Equipa C: Rúben Moreira Bruno Olaio Tânia Caetano André Cardoso Bruna Maia Equipa B: Rui Ramos Vítor Gabarras Lara Costa Angélica Rodrigues Ana Soares Renato Bastos 112
Anexo.4- Pontos de Corte 113