scieee AI-readable full text Open interactive document viewer

Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos na valorização de espaços classificados

Ana Maria Azevedo Ferreira

Full text

Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos na valorização de espaços classificados Ana Maria Azevedo Ferreira Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Ciências da Universidade do Porto em Ecologia, Ambiente e Território 2015 Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres na valorização de espaços classificados Ana Maria Azevedo Ferreira MSc FCUP 2015 2.º CICLO Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos na valorização de espaços classificados Ana Maria Azevedo Ferreira Mestrado em Ecologia, Ambiente e Território Biologia 2015 Orientador David Afonso da Rocha Gonçalves, Professor Auxiliar, Faculdade de Ciências da Universidade do Porto Coorientador João José Pradinho Honrado, Professor Auxiliar, Faculdade de Ciências da Universidade do Porto FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. Todas as correções determinadas pelo júri, e só essas, foram efetuadas. O Presidente do Júri, Porto, ______/______/_________ FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. “A melhor época para plantar uma árvore foi há 20 anos atrás; o segundo melhor tempo é agora.” Provérbio Chinês FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. Agradecimentos Á estrela mais brilhante do céu que me acompanhou no início desta saga e que agora me ajuda de outra forma, obrigada Avó. A todos os meus familiares, em especial a minha mãe e irmã pelos momentos de paciência e motivação, e aos meus primos “Sá” pela disponibilidade e carinho. Ao Luís, amigo, namorado e companheiro de inúmeras visitas ao local de estudo. Obrigada por me motivares e ajudares a chegar ao fim desta etapa. A todos os professores que ao longo da minha vida académica me transmitiram conhecimento e me fizeram crescer. Agradeço de uma forma particular nesta fase ao Professor David Gonçalves e Professor João Honrado pela ajuda e orientação dada e por tornarem possível a realização desta dissertação. A todos os meus colegas e amigos M:EAT em especial à Rita Amaral pela motivação e pelo inglês. Aos biólogos e “não biólogos” pelo companheirismo. Aos meus afilhados JC, amigos e conhecidos que me foram transmitindo motivação durante esta etapa. E por fim, às minhas fiéis amigas sempre presentes. i FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. Resumo A biodiversidade é um recurso há muito explorado pelo Homem. Com a agitação quotidiana cada vez mais acentuada, o Homem pode retirar deste recurso uma alternativa natural para seu lazer. Os núcleos naturais em áreas urbanas e periurbanas ganham novos adeptos, e com eles surge a necessidade de políticas de gestão e recuperação destas áreas. O conceito de pedestrianismo remete-nos para uma atividade realizada na natureza. Aliando este conceito com a interpretação do que é observável em espaços únicos da natureza, podemos estar perante uma alternativa simples para o envolvimento de várias gerações em meios naturais, ricos em biodiversidade e presentes em áreas metropolitanas. A presente dissertação tem como objetivo principal a elaboração de uma proposta de uma rede de percursos pedestres interpretativos da biodiversidade numa área protegida em contexto metropolitano, a Paisagem Protegida Regional do Litoral de Vila do Conde e Reserva Ornitológica de Mindelo (PPRLVCROM). Para tal foi desenvolvida uma revisão bibliográfica detalhada sobre a importância dos espaços protegidos em contexto periurbano e sobre as abordagens à sua valorização. Em paralelo, implicando visitas, foi realizada a caracterização da área em estudo, dos seus principais habitats e espécies de fauna e flora, com uma atenção particular às espécies mais comuns da avifauna e da flora vascular, pela maior facilidade da sua observação e identificação por um público generalista. Foi assim possível delinear uma rede de percursos e locais de paragem interpretativa tendo como base infraestruturas já existentes e locais privilegiados relativamente à avifauna e património tanto natural como cultural desta área. São propostos quatro percursos que atravessam diferentes habitats presentes na área e oito pontos de observação/interpretação ao longo destes percursos. Propõe-se assim a criação de uma alternativa local de lazer, através de uma rede de percursos interpretativos que tirem partido da paisagem e habitats presentes nesta zona. Palavras-chave: biodiversidade, áreas urbanas e periurbanas, pedestrianismo, percursos interpretativos, PPRLVCROM ii FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. Abstract Ever since the beginning of Mankind, Man has been exploring Nature. With the day-to-day life becoming more intense, Man has found in Nature an alternative to its leisure. Islets of natural habitats in peri-urban and urban areas are gaining projection, and with them the necessity of policies to ensure their recovery. The concept of Pedestrianism focuses on an activity that is performed in nature. Together, this concept and the interpretation of what can be observed in unique natural spaces, creates a simple alternative to gather various generations in natural areas, that are rich in biodiversity and present in metropolitan areas. The main goal of this dissertation is the development of a proposal for a network of biodiversity interpretative walking trails inside a protected area in a metropolitan context: the Paisagem Protegida Regional do Litoral de Vila do Conde e Reserva Ornitológica do Mindelo (PPRLVCROM). In order to do so, a literature review was carried out focused on the importance of protected areas in the peri-urban context, and the approaches made to its valuation. At the same time, a characterization of the study area was made, with special emphasis on the main habitats and fauna and flora species, focusing particularly on the most common avifauna species and vascular flora, given these species are easily observed and identified by a more generalist public. This characterization relied on field trips to the study area. It was possible to delimitate a network with several trails and interpretative stop. We propose four trails that go through the different habitats types in the area, and eight observation/interpretation points along these trails. A new leisure alternative is thus proposed, through a network of interpretative trails, that rely on the landscape and habitats that exist in this area. Keywords: Biodiversity; Peri-urban and urban areas; Trekking; Interpretative walking trails; PPRLVCROM. iii FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. iv Índice 1. Introdução .............................................................................. 1 2. Biodiversidade e percursos interpretativos em contexto urbano e periurbano ........................................................................... 3 2.1. Importância da biodiversidade ....................................................................... 3 2.2. Biodiversidade em contexto urbano e periurbano .......................................... 5 2.3. Percursos pedestres e sua importância ......................................................... 7 2.3.1 Aspetos gerais ....................................................................................... 7 2.3.2 A realidade Portuguesa ........................................................................ 12 2.4. Percursos pedestres interpretativos em contexto urbano e periurbano ........ 14 3. Metodologia .......................................................................... 18 3.1. Área de estudo: Paisagem Protegida Regional do Litoral de Vila do Conde e Reserva Ornitológica de Mindelo ................................................................. 18 3.1.1. Enquadramento geográfico ................................................................. 18 3.1.2. Geologia, orografia e solos .................................................................. 19 3.1.3. Climatologia e Hidrografia ................................................................... 20 3.1.4. Flora e Fauna ...................................................................................... 20 3.1.5. Acessibilidade e potencialidade de percursos interpretativos na PPRLVCROM ............................................................................................... 22 3.2. Principais habitats e espécies associadas ................................................... 23 3.2.1. Praias ................................................................................................. 23 3.2.2. Dunas Litorais .................................................................................... 23 3.2.3. Charcos temporários interdunares ...................................................... 24 3.2.4. Duna Fóssil, fieiros e florestas dunares ............................................... 25 3.2.5. Florestas naturais (bosquetes de carvalho, sobreiro e galerias ripícolas) ...................................................................................................................... 26 3.2.6. Curso terminal da Ribeira de Silvares ................................................. 28 3.2.7. Estuário do Rio Ave / Ribeira da Varziela ............................................ 29 FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. 3.2.8. Litoral rochoso (Castro de S. Paio) ...................................................... 30 3.2.9. Masseiras e outros espaços agrícolas ................................................ 31 3.3. Metodologia seguida na elaboração da proposta de percursos .................... 32 4. Resultados e discussão ........................................................ 33 4.1 Rede de percursos ........................................................................................ 33 4.2 Pontos de observação e conteúdos interpretativos ....................................... 34 4.2.1 Estuário do Rio Ave / Foz da Ribeira da Varziela ................................. 35 4.2.2 Ponto elevado do passadiço já existente .............................................. 36 4.2.3 Zona agro-florestal ............................................................................... 40 4.2.4 Foz da Ribeira da Silvares ................................................................... 42 4.2.5 Zonas agro-urbanas ............................................................................. 43 4.2.6 Praia Nova (Vila Chã) .......................................................................... 44 4.2.7 Zona do Castro de S. Paio ................................................................... 46 4.3 Sinalética complementar e outras intervenções ............................................ 48 5. Conclusões .......................................................................... 50 6. Referências bibliográficas .................................................... 51 7. Anexos ................................................................................. 56 v FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. mais elevado de espécies vegetais endémicas, mas também o terceiro em espécies ameaçadas, e apresenta 43% da fauna de vertebrados terrestres presentes no conjunto da União Europeia, Noruega e Suíça (Araújo, 2003). A partir do final dos anos 80, com a entrada de Portugal na União Europeia, surgem no nosso país leis sobre as mais diversas questões ambientais, entre elas a defesa do litoral e a proteção das espécies. Em 1990 é criado o Ministério do Ambiente e Recursos Naturais, e em 2009 entra em vigor o Tratado de Lisboa, que vem trazer à União Europeia respostas e desafios para a sustentabilidade da utilização de recursos naturais (Borrego, 2010). Como referido anteriormente, as sociedades dependem dos serviços dos ecossistemas e da biodiversidade, sendo por isso fundamental adotar políticas de conservação da natureza e da biodiversidade. O conceito de conservação da natureza é relativamente recente em Portugal. Em 1970, com a Lei n.º 9/70, de 19 de Junho, que atribui ao Governo a incumbência de promover a proteção da Natureza e dos seus recursos em todo o território, introduz-se este e outros conceitos, como o de proteção de paisagens e sítios, gestão nacional dos recursos naturais e de salvaguarda da sua renovação natural. Atualmente o organismo que gere e detém autonomia administrativa e financeira para as áreas protegidas é o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). É com a aprovação da Lei de Bases do Ambiente, em 1987, que passam a constar no sistema jurídico os conceitos de área protegida de âmbito regional e local, de acordo com as suas salvaguardas. A sua gestão fica afeta às autarquias locais e associações de municípios. Em 1993, o Decreto-lei n.º 19/93, de 23 de Janeiro, cria e define a Rede Nacional de Áreas Protegidas, contribuindo para a proteção de espaços naturais e paisagens, preservação de fauna e flora e ainda dos seus habitats. Em 2008 é revogado pelo Decreto-lei n.º 142, de 24 de julho, no qual se pode ler (artigo 19.º), relativamente ao tipo de área em que se insere a PPRLVCROM: “1. Entende-se por “paisagem protegida” uma área que contenha paisagens resultantes da interacção harmoniosa do ser humano e da natureza, e que evidenciem grande valor estético, ecológico ou cultural; 2. A classificação de uma paisagem protegida visa a proteção dos valores naturais e culturais existentes, realçando a identidade local, e a adopção de medidas compatíveis com os objectivos da sua classificação, designadamente: a) A conservação dos elementos da biodiversidade num contexto da valorização da paisagem; b) A manutenção ou recuperação dos padrões da paisagem e dos processos ecológicos que lhe estão subjacentes, promovendo as práticas tradicionais de uso do solo, os métodos de construção e as manifestações sociais e culturais; c) O fomento das iniciativas que beneficiem a 4 FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. geração de benefícios para as comunidades locais, a partir de produtos ou da prestação de serviços. A salvaguarda destes locais denota uma intensão de preservação dos recursos para o futuro, apesar do país continuar a apresentar aspetos negativos em fenómenos como o dinamismo territorial da população e as alterações da estrutura demográfica (envelhecimento da população), o processo de urbanização e a pressão no litoral, o declínio de certas formas de articulação entre o trabalho na agricultura, indústria e serviços (Queirós, 2001/02). Outro campo de ação em que Portugal se insere é a Rede Natura 2000, que se apresenta como uma rede ecológica a nível europeu, com o objetivo principal de garantir a biodiversidade através da conservação dos habitats naturais, fauna e flora selvagens (Sá, 2012). As áreas protegidas e zonas de Rede Natura representam cerca de 21% do nosso território (Dias, 2013). 2.2 Biodiversidade em contexto urbano e periurbano A biodiversidade urbana poderá ser definida como “a riqueza específica dos organismos (incluindo variação genética) e a diversidade de habitats dentro e nas zonas limítrofes das áreas urbanas” (Müller, 2010). Cerca de metade da população europeia vive em áreas de paisagem artificializada, tendo como tendência o crescimento. A expansão urbana leva à fragmentação de habitats e perda de biodiversidade, mas também cria e mantém habitats não existentes em mais nenhum local, como é o caso dos jardins do Palácio de Cristal no Porto ou o Central Park em Nova Iorque, sendo este local apenas uma pequena ilha no meio de um vasto complexo urbano. Apesar do aglomerado urbano, algumas cidades apresentam-se como ecossistemas de níveis elevados de biodiversidade, devido aos seus habitats naturais e seminaturais, parques e jardins e ainda ao facto de terem sido construídas em zonas de ecótono (zona de estuário, colinas, etc.), as quais potenciam a diversidade de espécies. Nestas áreas são distinguíveis diferentes espaços, como os “grey structures” (zonas construídas, impermeáveis), “green structures” (zonas plantáveis, permeáveis), “blue structures” (rede hidrográfica da cidade, incluindo estruturas artificiais) e ainda “Brown fields” (solo com estrutura permanente, que ficou vaga ou abandonada), os quais permitem a sobrevivência de várias espécies apesar do ambiente artificial que as rodeia. Assim torna-se importante a criação de políticas de conservação no planeamento das áreas urbanas, permitindo a mitigação dos efeitos negativos do crescimento urbano na biodiversidade (Farinha-Marques et al., 2011). 5 FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. O desafio que se impõe com esta conservação é de igual importância em áreas regionais com paisagens intensamente cultivadas, desta forma limitantes em termos de condições de habitats para as espécies de fauna, bem como para a proliferação da flora. O tamanho, forma e grau de isolamento das áreas naturais em meio periurbano afetam a dinâmica entre as espécies presentes. É relevante referir que a sensibilização das populações locais para este fenómeno é importante, tendo em conta uma possível recuperação do habitat em larga escala, bem como na criação de ilhas de biodiversidade (Viana & Pinheiro, 1998). A perceção da importância dos serviços de ecossistemas contribui para a valorização da ecologia urbana (Cardoso, 2011). O progresso levou a sociedade a dissociar-se da natureza, mas através da educação ambiental este fenómeno alterouse, pois cada vez mais os cidadãos procuram outras formas de bem-estar e de lazer. Como já referido os ecossistemas são fonte de saúde e segurança, para além de serem um meio de sobrevivência e reguladores dos desafios inerentes às alterações climáticas. Estes valores precisam de ser integrados nas políticas urbanas, permitindo o aumento da resiliência urbana e redução da pegada ecológica de cada cidade. Estes serviços são definidos como os benefícios que os seres humanos podem retirar das funções dos ecossistemas (direta ou indiretamente). Alguns exemplos são os alimentos, o ar puro, a recreação, a redução de ruido, a prevenção de cheias, etc.. Estes benefícios dependem da qualidade e quantidade de zonas verdes presentes em determinada área, podendo ir desde um parque até às florestas e montanhas envolventes. O valor que damos a estas funções dos ecossistemas pode-se traduzir em valor monetário ou não monetário. A perda de vegetação poderá levar a custos económicos para salvaguardar a temperatura no interior das habitações, bem como para garantir o isolamento de ruídos. A longo prazo este fenómeno poderá trazer agravantes no que diz respeito, por exemplo, a inundações. Já em termos não monetários podemos dar como exemplo a diversidade e riqueza de espécies que são fonte de bem-estar mental e inspiração para artistas e não só (Elmqvist, 2013). Porém é de mencionar que existem incómodos inerentes às áreas naturais ou espaços naturais em áreas urbanas, como é o caso das alergias provocadas pelo pólen das árvores, acessos com detritos arbóreos, animais selvagens em áreas urbanizadas, custos de manutenção de rede hídrica e rodoviária, devido a raízes expostas e queda de árvores aquando de fenómenos naturais, etc. A Área Metropolitana do Porto (AMP) é um exemplo da existência da preocupação das entidades públicas no que respeita à interação destas áreas com a população dos grandes centros urbanos, bem como com os turistas. O turista 6 FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. contemporâneo procura o ar livre com o intuito de aprendizagem sobre o local de visita, a observação das espécies e a apreciação do património cultural e estudo da natureza (Dias, 2013). Como já referido, a ocupação do ambiente urbano ignora, por vezes, áreas vulneráveis, como encostas íngremes ou áreas alagáveis, levando a perdas económicas, sociais e ambientais; as estruturas artificiais destas áreas interferem e bloqueiam dinâmicas naturais, que por vezes têm consequências a curto prazo, como por exemplo os deslizamentos. É importante, portanto, a consciência de cada cidadão, dos inúmeros benefícios que trazem as zonas verdes, para tornar as cidades mais resilientes e sustentáveis (Cardoso, 2011). 2.3 Percursos pedestres e sua importância 2.3.1 Aspetos gerais A prática de pedestrianismo entende-se como a atividade de percorrer distâncias a pé em trilhos sinalizados, permitindo desta forma um contacto próximo com a paisagem (Tovar & Carvalho, 2010). Assim, o caminho não é um fim mas um meio de desfrutar de valores culturais e paisagísticos únicos (Sá, 2012). Este conceito distingue-se do de montanhismo por se desenvolver em torno do lazer, desfrute do meio e pela baixa exigência em termos de dificuldade e perigos (Brandão, 2012). Países da Europa como a Áustria, França, Alemanha, Grã-Bretanha e Suíça, apresentam uma longa tradição na atividade do pedestrianismo e uma vasta rede de percursos sinalizados e com bons materiais de divulgação, incluindo também informações sobre locais de abrigo e alojamentos turísticos ao longo dos percursos. Existem federações, clubes e outras organizações (exemplos: França - Fédération Française de la Randonnée Pédestre (FFRP); Reino Unido – Ramblers) que fornecem programas para além do público em geral, para pessoas com mobilidade reduzida, jovens, programas por região, entre outros (Dias, 2013). Os percursos podem apresentar variações quanto à função, forma, grau de dificuldade, extensão, marcações, duração e tipologia de informação. Estes são fatores influenciadores da atratividade de um percurso, bem como as particularidades da área onde se encontra (Dias, 2013). Estes podem ser associados a motivações culturais, natureza, históricas ou ainda religiosas (Ferreira, 2011). Relativamente à função, podemos encontrar percursos de carácter recreativo e/ou educativo, sendo estes últimos capacitados de forma à interpretação do ambiente natural envolvente (Braga et al., 2007). Existem ainda percursos com função de vigilância, utilizados sobretudo por serviços administrativos (Oliveira & Melo, 2009). 7 FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. Quanto ao formato do percurso, podemos ter os mais variados: Circular (figura 1): Em que é oferecida a possibilidade de se voltar para o ponto de partida, sem repetir o percurso ou o cruzamento com outros visitantes, suavizandose a pressão exercida sobre o caminho e o ambiente (Braga et al., 2007). Figura 1 - Esquematização de um percurso circular; retirado de Braga et al. (2007). Forma de oito (figura 2): Favorecidos em áreas limitadas, aumentando o seu uso e aproveitamento do espaço, (Campos & Ferreira, 2006), aumentando a oportunidade de observação de diversos pontos de interesse que cada território pode oferecer (Ferreira, 2011). Figura 2 - Esquematização de um percurso em forma de oito; retirado de Braga et al. (2007). Linear (figura 3): Que possibilita a ligação do caminho principal a algum destino como lagos, cavernas, etc., mas apresenta a desvantagem do caminho de volta ser igual ao de ida e o cruzamento com outros visitantes (Campos & Ferreira, 2006). É a forma mais apropriada para percursos de longa distância ou com um objetivo específico (Braga et al., 2007). Nesta forma existe a possibilidade de interpretação e observação de uma série de lugares, devendo existir neste caso três espaços; o ponto de partida, os pontos de interesse e o ponto de chegada (Ferreira, 2011). 8 FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. Figura 3 - Esquematização de um percurso linear; retirado de Braga et al. (2007). Anéis contíguos (figura 4): permite aos visitantes diversas opções, de acordo com as suas capacidades físicas e/ou motivações (Braga et al., 2007). Figura 4 - Esquematização de um percurso em anéis contíguos; retirado de Braga et al. (2007). Anéis satélites (figura 5): tal como o anterior, permite expandir o número de possibilidades de escolha do visitante (Braga et al., 2007). Figura 5 - Esquematização de um percurso em anéis satélites; retirado de Braga et al. (2007). Labirinto (figura 6): nesta forma é fundamental uma boa sinalização, pois apresenta uma grande variedade de opções, explorando desta forma uma região ao seu máximo (Braga et al., 2007). 9 FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. Figura 6 - Esquematização de um percurso em labirinto; retirado de Braga et al. (2007). Quanto ao nível ou graus de dificuldade dos percursos, ele dependerá das características da pessoa, considerando as variáveis de condição física, peso, eventual bagagem, do comprimento do percurso, relevo e climatologia (Campos & Ferreira, 2006). Isto faz com que existam diversas propostas em relação à classificação do grau de dificuldade dos percursos (Ferreira, 2011). Relativamente à extensão dos percursos, podemos encontrar na bibliografia diversas nomenclaturas consoante os países; mesmo em Portugal encontramos diferenças entre várias regiões. De aspeto bastante relevante são as marcações presentes nos percursos, apesar de não haver uma marcação universal. Numa tentativa de uniformização foram criados os princípios gerais adotados na Declaração de Bachyne, aprovada na Assembleia-geral da Federação Europeia de Pedestrianismo (European Ramblers Association, ERA), em Outubro de 2004 (Braga et al., 2007). Existem vários métodos para o cálculo da duração de um percurso, sendo que esta depende, fundamentalmente, da extensão, dos desníveis, das dificuldades do terreno e dos períodos de paragem do caminhante (Braga et al., 2007). Utilizando a fórmula referida em Cunha (2013), o tempo de duração é calculado através de T= t1+0,5t2, em que t1 corresponde à distância reduzida, ou seja, distância entre dois pontos e o tempo de caminhada entre estes, sem ter em conta o desnível do terreno; t2 – tempo de duração para vencer o desnível médio (diferença entre o ponto de saída e o ponto de chegada), tendo em conta uma análise hipsométrica ao percurso. Em termos gerais, considera-se que, em média, uma pessoa de condição física normal e transportando uma carga leve, percorre 4 a 5 km numa hora, e que em uma hora, uma pessoa de condição física normal percorre em média 300 a 350 m de desnível. É ainda acrescentado a T o tempo gasto em pausas, entre 10 a 20% do total. De 10 FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. qualquer forma, o mais seguro será apresentar valores médios para o percurso (Braga et al., 2007). Os percursos interpretativos podem ser guiados ou autoguiados (Campos & Ferreira, 2006). Nos primeiros, o percurso é adaptado pelo guia a cada grupo, e é sobre este que recaí o sucesso da caminhada. Nos percursos autoguiados são utilizados elementos de apoio visuais e gráficos (direção a seguir e elementos a destacar) (Sá, 2012). A criação de um percurso implica a preparação do percurso, usualmente já existente, permitindo, desta forma, a sua revitalização. Para tal poderão ser necessárias ações de desmatação e limpeza, colocação de proteções em zonas menos seguras, construção de pontes e instalação de áreas de descanso, bem como a correta sinalização. A revitalização também deverá ter em consideração as características naturais, históricas e culturais, bem como a vulnerabilidade das espécies presentes nessa zona (Dias, 2013). O pedestrianismo é considerado uma das modalidades denominadas de Desportos da Natureza (Braga et al., 2007). Os percursos pedestres mais procurados encontram-se em áreas de montanha e de elevado interesse natural, como é o caso das áreas da Rede Nacional de Áreas Protegidas e a Rede Natura 2000 (Tovar & Carvalho, 2010). Este tipo de percursos detém uma importância elevada, pois estão associados ao contacto com a natureza, ao bem-estar físico e à descoberta, para além de estarem associados à informalidade, baixo custo e fácil acesso (Tovar & Carvalho, 2010). É importante que nos projetos de implementação de percursos seja considerado o número máximo de pessoas (visitas) num determinado período de tempo, que a área poderá suportar antes que ocorram alterações nesses locais. A esse valor dá-se o nome de capacidade de carga turística. Apesar de elevada importância nem sempre consta nas Cartas de Desporto Natureza (Monteiro, 2010). Com a implementação do percurso torna-se importante a realização da avaliação dos impactes, levando a cabo ações de monotorização, anuais ou semestrais, em que fatores como; coberto vegetal, presença de espécies invasoras e erosão do solo sejam identificados. Deverá ser realizado um plano de recuperação para que esta atividade não coloque em risco a viabilidade dos ecossistemas. Informações acerca dos comportamentos adequados são fundamentais e devem constar nos meios de divulgação dos percursos, mas também ao longo do percurso. 11 FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. São exemplos: seguir pelo percurso marcado, não depositar resíduos e não recolher amostras vegetais ou geológicas, assim como evitar fazer barulho e manter a distância dos animais (Dias, 2013). Para além do solo, água, vegetação e fauna, podemos destacar dois tipos de impactes: ecológico, alterações biofísicas indesejadas infligidas nos recursos naturais, e recreativos, distúrbios causados pelo uso público na qualidade da experiência vivida pelos visitantes (presença de outros visitantes nas redondezas). Para proceder à monotorização é fundamental a escolha de indicadores para esse efeito. Exemplos de indicadores são, características biofísicas, sociais e ecológicas, que permitem avaliar dados atuais e apontar uma tendência (Monteiro, 2010). O pedestrianismo é atualmente uma das atividades recreativas mais procuradas, seja de forma individual, ou em grupo. Desde que corretamente geridos e definidos são bons instrumentos de ordenamento e potenciadores da valorização do património natural e construído das áreas associadas (Miranda, 2013). 2.3.2 A realidade Portuguesa A prática do pedestrianismo, como atividade regulamentada, é relativamente recente em Portugal. O seu início terá ocorrido na década de 90, quando surgem as primeiras divulgações das normas de marcação/sinalização dos primeiros percursos e a edição das primeiras publicações (Tovar & Carvalho, 2010). Relativamente à caracterização de percursos, no nosso país existem diferentes propostas de classificação quanto ao grau de dificuldade dos percursos. De acordo com a Portaria nº 34/2004, de 13 de Maio, nos Açores, os percursos são classificados como plano, ou com inclinações suaves, sendo percursos “à partida acessíveis a qualquer pessoa que apresente uma forma física dentro da normalidade”, como ondulados, “percurso que apresenta subidas e/ou descidas pouco acentuadas, exigindo um maior esforço físico, mas adequado a qualquer pessoa que mantenha uma actividade física regular” e ainda como acidentado, “percurso com declives acentuados, que por vezes, se sucedem. Exige um grande esforço físico, só sendo aconselhado para pessoas em boa forma física” (Braga et al., 2007). No "Regulamento de Homologação de Percursos Pedestres", da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal (FCMP; FCMP, 2006), são referidos cinco graus de dificuldade, (sem no entanto ser referida as respetivas características): I - muito fácil, II - fácil, III - algo difícil, IV - difícil, V - muito difícil. 12 FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. Quanto à extensão dos percursos, segundo a FCMP (2006), os percursos podem ser de grande rota (GR) (grandes extensões, por vezes milhares de quilómetros, e que unem povoações, cidades ou até países), de pequena rota (PR) (trajetos curtos, com extensão máxima de 30km) e percurso local (PL) (em que a totalidade ou mais de metade do caminho decorre em ambiente urbano). As marcas a utilizar na marcação de percursos são: caminho certo, caminho errado e mudança de direção: à esquerda e à direita, em que os parâmetros aceites para cada um deles consta no “Regulamento de Homologação de Percursos Pedestres”, da FCMP (FCMP, 2006). Em Portugal, a entidade responsável pela implementação de percursos pedestres e a sua homologação é a FCMP, que também representa Portugal junto das instâncias internacionais neste contexto. A história da FCMP remonta a 1945, quando foi criada a Federação Portuguesa de Campismo (FPC); em 2003 assumiu a denominação atual (FCMP, 2015). Em 2001 a então FPC publica um manual, “Percursos pedestres – Normas para a implementação e marcação”, tendo em vista a uniformização dos percursos pedestres em Portugal. Cabe também à atual FCMP a regularização das infraestruturas onde se pode praticar esta modalidade, tendo sido desenvolvido o "Regulamento de Homologação de Percursos Pedestres" (FCMP, 2006), que rege a implementação de percursos. Estas diretrizes surgem em conformidade com os princípios de Bachyne e têm em conta a qualidade e segurança dos participantes e ainda a preservação ambiental. De acordo com o regulamento existente, o processo de homologação estende-se por cinco fases, projeto, registo, implantação, homologação e manutenção (Brandão, 2012). Uma vez apresentada a proposta do percurso, a FCMP procede à vistoria e emissão posterior de parecer, tendo em conta que, se for positivo, será realizada a assinatura de um compromisso de manutenção pelo período de cinco anos, podendo ser revogada a qualquer momento, devido à desobediência em relação a algum fator constante no regulamento, sendo que esta entidade atua sempre no sentido de colaboração com a entidade promotora do percurso, fornecendo as informações relativas à resolução de anomalias. Segundo Brandão (2012), já foram implantados e homologados mais de 3 500 km em mais de 115 municípios. Tendo em conta os locais onde é praticado o pedestrianismo, podendo ser também em percursos não homologados, as atividades realizadas em áreas protegidas são da responsabilidade do ICNF, onde terão em conta as regras e 13 FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. significativos. A horticultura tradicional nesta área, apesar da pouca expressão, encontra soluções peculiares contra a adversidade que podemos encontrar em sistemas agro-marítimos, transformando extensões arenosas dunares e afloramentos rochosos em sistemas de agricultura distintos, sendo eles as masseiras e os terraceamentos. A ocupação florestal é sobretudo feita por bouças constituídas por pinheiro bravo e eucalipto, outrora parte integrante das rotações da gestão dos campos agrícolas, estas áreas estão atualmente pouco produtivas, devido em grande parte à presença de parcelas de dimensões reduzidas, as quais não permitem uma boa gestão florestal (Honrado et al., 2007). 3.1.3 Climatologia e Hidrografia Como já referido, nesta região podemos encontrar um clima ameno (influência atlântica), com uma temperatura média anual de 13,8 °C, com uma amplitude térmica anual de 9,1°C, bastante ventosa e com geadas praticamente inexistentes (Honrado et al., 2007). São possíveis de identificar cinco bacias hidrográficas principais, com a presença de várias ribeiras de dimensões variadas, a Ribeira da Varziela (a norte, desaguando num sapal na sua maioria aterrado junto à foz do Rio Ave), a Ribeira de Silvares (em Mindelo, desaguando diretamente no mar, sendo a sua foz considerada uma zona húmida), as bacias das ribeiras de Vila Chã, as bacias das ribeiras afluentes ao Rio Ave e ainda parte da bacia do Rio Onda (Labruge) (Honrado et al., 2007). 3.1.4 Flora e Fauna A flora presente na área de estudo apresenta uma paisagem diversificada em que ainda é possível verificar a ocorrência de parcelas de vegetação natural. Foram identificados 448 táxones (espécies, subespécies ou variedades) de plantas vasculares nesta região, e 15 habitats naturais, sendo 3 prioritários. De entre estes habitats destacam-se as dunas litorais quer pela sua extensão quer pelo seu valor ecológico elevado. Nesta área é de destacar a presença de espécies endémicas do Noroeste Ibérico, incluindo dois endemismos exclusivamente lusitanos: a Coincya johnstonii, espécie endémica exclusiva do litoral da AMP, com pequena distribuição, e com elevada especificidade e sensibilidade ecológica relativamente ao seu habitat, e a Jasione maritima var. sabularia, espécie exclusiva das dunas portuguesas a norte de Aveiro. Outros exemplos de endemismos presentes são o caso da Viola henriquesii (violeta, presente em dunas secundárias) e a Spiranthes aestivalis (orquídea, presente pontualmente em prados associados a depressões húmidas). Outros habitats de 20 FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. destaque são o caso das zonas húmidas, associadas aos principais cursos de água e as áreas ruralizadas em ambiente urbano e rural. Estudos existentes relativos à brioflora relatam 39 espécies identificadas, destacando-se Brachythecium glaerosum e Fissidens adianthoides, táxones raros em Portugal e ainda Drepanocladus aduncus var. aduncus e Eurhynchium schleicheri, táxones considerados “Vulneráveis” (Honrado et al., 2007). Relativamente à fauna, a PPRLVCROM, apresenta uma grande diversidade, tendo em consideração que se encontra numa área próxima de grandes centros urbanos. Em Honrado et al. (2005) é realçado o valor desta zona para a avifauna: entre 1953 e 1984, sobretudo em resultado da atividade de anilhagem científica de aves então desenvolvida, o número de espécies registadas ascendia a 126; entre 1990 e 2005 foram registadas mais 16 espécies diferentes. Recentemente, mais nove outras espécies foram registadas na zona (Santos, 2014; D. Gonçalves, com. pessoal; ver anexo 1). Portanto, o número de espécies que alguma vez foram observadas na zona, e que foi possível confirmar, será de cerca de 151, sendo que algumas das que foram observadas na zona há alguns anos, deixaram entretanto de o ser, por vários motivos, o principal as alterações de habitat entretanto ocorridas. A título de exemplo, estima-se que 52% destas espécies sejam residentes e 56 espécies apresentam-se protegidas pela Convenção de Bona. Em termos de habitat 18 das espécies estão associadas a corredores ripícolas, 28 espécies ligadas à zona intermareal e as restantes (105) são caraterísticas de habitats “terrestres”. Apesar do aumento da pressão imobiliária e da degradação dos habitas, são de destacar dois locais importantes para a avifauna da PPRLVCROM, o estuário do Rio Ave e zona de praia e sapal adjacentes, e a área original da ROM (Honrado et al., 2007). Relativamente a outros vertebrados, é possível observar várias espécies de anfíbios (82% do número total de espécies de anfíbios em Portugal está aqui presente, 14 espécies de 17 existentes em Portugal) e répteis (10 espécies, duas classificadas como “vulneráveis” no Livro Vermelho dos Vertebrados (Cabral et al., 2006). No caso dos mamíferos, foram detetadas 14 espécies, sendo sete espécies (ouriço - Erinacaeus europaeus, morcego-anão - Pipistrelus pipistrelus, esquilo – Scurius vulgaris, musaranho-anão-de-dentes-vermelhos - Sorex minutus, musaranho-de- dentes-brancos-grande - Crocidura russula, rato-dos-prados-mediterrânico – Microtus lusitanicus e a doninha - Mustela nivalis) de elevada importância de proteção, visto constarem na lista de espécies protegidas pela Convenção de Berna. Na PPRLVCROM conseguem fácil acesso a alimento, refúgio e local de reprodução. Será 21 FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. importante realçar a presença do coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus) devido ao seu declínio em Portugal e pela sua ausência no litoral norte do país. Um grupo não estudado nesta área é a ictiofauna das ribeiras, possuindo estas um elevado grau de poluição, é de esperar a inexistência de peixes (Honrado et al., 2007). Passando para os invertebrados (347 espécies já inventariadas), estes apresentam nesta área um carácter heterogéneo, sendo a praia e o meio dunar, zonas com espécies raras e estritamente litorais como a borboleta Brithys crini e o escaravelho Isocerus purpurascens. Aqui também podemos encontrar uma espécie apenas conhecida nesta zona litoral a norte do Rio Sado e Noroeste de Portugal continental, o grilo (Trigonidium cicindeloides). As borboletas e as traças são os grupos com maior representação (288 espécies). São também possíveis de encontrar caracóis e lesmas (10 espécies), libélulas e libelinhas (3 espécies), percevejos e cigarrinhas (12 espécies), bichas-cadelas (1 espécie), joaninhas, pirilampos e escaravelhos (31 espécies) e Araneae (1 espécie) (Honrado et al., 2007). 3.1.5 Acessibilidade e potencialidade de percursos interpretativos na PPRLVCROM A PPRLVCROM, encontrando-se no perímetro urbano, apresenta várias ofertas em termos de acessibilidades. Para a área é possível deslocar-se com viatura própria (encontrando estacionamento em vários locais) ou de transporte público. Neste último caso, os visitantes poderão optar por uma das várias empresas de autocarros da zona, ou pelo metropolitano do Porto (Linha B – Estações: Espaço Natureza, Varziela, Mindelo, Árvore e Azurara). Será de destacar a passagem de peregrinos nos trajetos dos vários Caminhos de Santiago neste caso os referentes à costa, o que poderá potenciar ainda mais o interesse da população não residente pela PPRLVCROM. Assim, e tendo ainda em conta a elevada oferta hoteleira na cidade de Vila do Conde, parece evidente que esta área apresenta um elevado potencial como zona de lazer associada à natureza e à sua preservação, pelo que os percursos interpretativos iriam trazer uma mais-valia, tanto para a população local como para toda a cidade e área metropolitana. 22 FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. 3.2 Principais habitats e espécies associadas 3.2.1 Praias Na PPRLVCROM podemos encontrar dois tipos de sedimentos ao longo da costa, rochas sedimentares erodidas por agentes físicos e químicos (areia; figura 8 a)) e afloramentos rochosos. Estas áreas são ricas em avifauna. Entre as espécies que é possível encontrar, destacam-se as limícolas, como é o caso do pilrito-das-praias (Calidris alba), bastante comum nas praias portuguesas, bem como, a gaivota-de- patas-amarelas (Larus michahellis; figura 8 b)). Figura 8 – a) Praia de Mindelo e b) Larus michahellis. 3.2.2 Dunas Litorais Como referido anteriormente, as dunas junto à linha de costa (figura 9 a)) têm elevada importância. Cobertas de vegetação rasteira e arbustiva, apresentam uma área de mais de 100 hectares e possuem espécies raras no nosso país. (Macedo, 2004) Nestes locais podemos encontrar as espécies descritas anteriormente como endemismos, mas também espécies comuns da flora e fauna dunar, como é o caso do feno-das-areias (Elymus farctus; figura 9 b)) e a alvéola-branca (Motacilla alba; figura 9 c)). Outras espécies de aves possíveis de observar na zona dunar e na linha de costa são o borrelho-de-coleira-interrompida (Charadrius alexandrinus), a única limícola nidificante na área, o pintassilgo (Carduelis carduelis), as petinhas (Anthus trivialis e Anthus pratensis) e o cartaxo-comum (Saxicola torquata). Em termos de herpetofauna, neste habitat temos várias espécies de sapo, como o sapo-de-unha- negra (Pelobates cultripes), o sapinho-de-verrugas-verdes (Pelodytes punctatus), o sapo-corredor (Bufo calamita), sardão (Lacerta lepida), e também cobras, como a a) b) 23 FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. cobra-de-ferradura (Coluber hippocrepis) e a cobra-rateira (Malpolon monspessulanus). Quanto à presença de mamíferos podemos encontrar a toupeiracomum (Talpa occidentalis), o ouriço-cacheiro (Erinaceus europaeus) e a raposa (Vulpes vulpes) (Silva, 2003). Figura 9 – a) Dunas litorais, b) Elymus farctus e c) Motacilla alba. 3.2.3 Charcos temporários interdunares Estes locais encontram-se abrigados dos ventos do mar, em zonas deprimidas e aplanadas, em que é possível a retenção de água com maior facilidade sendo por consequência áreas de elevado valor florístico e faunístico (figura 10 a)). Nestas áreas é possível encontrar várias espécies de herpetofauna; da flora, realce para o Juncus effusus (figura 10 b)); da avifauna, temos o exemplo da andorinha-das-barreiras (Riparia riparia; figura 10 c)), para além das espécies presentes nas zonas contíguas. Figura 10 – a) Charco temporário, b) Juncus effusus e c) Riparia riparia. AnaFerreira a) 24 b) Autor desconhecido c) Paulo Marta c) AnaFerreira b) AnaFerreira a) Autor desconhecido FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. 3.2.4 Duna Fóssil, fieiros e florestas dunares A sul da área da antiga ROM podemos encontrar uma duna fóssil (figura 11 a)), formação rara na Região Norte e de importante preservação (Silva, 2003). Ela está inserida numa zona de fieiros, a que correspondem as dunas interiores arborizadas, paralelas à linha de costa, representativas da paisagem outrora tradicional desta área e que deixam a possibilidade de reconstituição da estrutura completa do ecossistema dunar (Macedo, 2004). Segundo Silva (2003) a componente florestal da área de estudo estaria dividida em duas estruturas principais (Mata de Árvore (Norte), Mata de Árvore (Sul) e Mindelo; ver anexo 2), sendo que atualmente a primeira encontra-se bastante reduzida devido à crescente urbanização no local, sendo que apenas uma pequena área pertence ainda hoje a PPRLVCROM. Estas duas matas (figura 37) são predominantemente constituídas por pinheiro-bravo (Pinus pinaster) e eucalipto (Eucalyptus globulus), encontrando-se este último em expansão. Nesta área podemos então encontrar o pinheiro bravo (Pinus pinaster; figura 11 b)) e, entre as aves, a pega-rabuda (Pica pica; figura 11 c)), bem como outras espécies características de zonas de bosque. Figura 11 – a) Duna fóssil, b) Pinus pinaster e c) Pica pica. c) AnaFerreira Paulo Marta a) b) AnaFerreira 25 FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. 3.2.5 Florestas Naturais (bosquetes de carvalho, sobreiro e galerias ripícolas) Outrora eram visíveis espessos mantos arbóreos de quercíneas caducifólias, com a presença de castanheiros (Castanea sativa) e de carvalhos (Quercus robur) com elevado interesse económico para a população (figura 12 a)). Do ponto de vista biogeográfico, a região de Vila do Conde integra-se na associação vegetal de Quercus robur (figura 12 b)), que se desenvolve em solos frescos a maior parte do ano. Atualmente, apesar de ser escassa a presença de caducifólias, em detrimento das espécies anteriormente mencionadas, e das inúmeras espécies invasoras presentes, ainda se poderão encontrar disseminadas na área de estudo espécies arbóreas e arbustivas nativas. Nas margens das linhas de água, podemos encontrar espécies próprias de zonas ribeirinhas, como é o caso do amieiro (Alnus glutinosa), freixo (Fraxinus angustifolia), choupo (Populus sp.) e salgueiro (Salix atrocinerea) (Silva, 2003). Em relação aos habitats listados na Diretiva Comunitária “Habitats”, nesta área foram identificados 15 tipos de habitats, dos quais 3 são considerados prioritários (Honrado et al., 2007): são eles: (1130) Vegetação halófila de estuários (prados e juncais); (1210) Vegetação anual halonitrófila de dunas litorais; (1230) Vegetação casmofítica de rochedos litorais e matos de plataformas costeiras; (2110) Vegetação perene de dunas embrionárias; (2120) Vegetação perene de dunas frontais (ou primárias); (2130) Vegetação perene de dunas interiores (ou secundárias) (habitat prioritário); (2150) Matos psamófilos de tojo-arnal em dunas descalcificadas (habitat prioritário); (2170) Salgueirais dunares de Salix arenaria; (2180) Plantações antigas de pinheiro-bravo, com subcoberto de espécies autóctones; (2190) Depressões dunares com água livre e vegetação característica; (2230) Prados anuais em dunas litorais; (2330) Prados acidófilos xerofíticos de Corynephorus canescens em dunas secundárias; (6420) Juncais de depressões húmidas em dunas litorais; (91E0) Bosques ripícolas de salgueiros e/ ou amieiros (habitat prioritário); (9230) Bosquetes de carvalhos, com ou sem outras espécies (sobreiros, castanheiros, salgueiros). 26 FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. Figura 12 – a) Fragmento de floresta natural, b) Quercus robur e c) Garrulus glandarius. Nesta área existem plantas vasculares com elevado valor de conservação, algumas já mencionadas, como endemismos em zonas dunares, mas também são referência as espécies Ruscus aculeatus (listada no Anexo B-V do Decreto-Lei 140/99), Centaurium chloodes (Endemismo do Sudoeste Europeu com distribuição pontual em Portugal), Myosotis ramosissima subsp. globularis (Endemismo do Ocidente Europeu com distribuição pontual em Portugal) e Salix arenaria (Espécie com distribuição pontual em Portugal) (Honrado et al., 2007). Tendo em conta as áreas e espécies anteriormente referidas podemos encontrar nesta área de bosque uma grande quantidade de avifauna residente e migradora, como é o caso das seguintes espécies: melro (Turdus merula), pisco-de- peito-ruivo (Erithacus rubecula), pombo-torcaz (Columba palumbus), rola-comum (Streptopelia turtur), águia-de-asa-redonda (Buteo buteo), gaio-comum (Garrulus glandarius; figura 12 c)), coruja-do-mato (Strix aluco) carriça (Troglodytes Troglodytes), ferreirinha-comum (Prunella modularis). Quanto à herpetofauna, podemos observar a presença da salamandra-de-pintas-amarelas (Salamandra salamandra), sapo-comum (Bufo bufo), sapo-corredor (Bufo calamita), sardão (Lacerta lepida), cobra-de-ferradura (Coluber hippocrepis) e a cobra-rateira (Malpolon monspessulanus). Entre os mamíferos será possível encontrar o ouriço-cacheiro (Erinaceus europaeus) e a raposa (vulpes vulpes) (Honrado et al., 2007). b) c) a) AnaFerreira AnaFerreira 27 FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. 3.2.6 Curso terminal da Ribeira de Silvares A Ribeira de Silvares (figura 13 a)) surge na zona industrial de Modivas e segue até Mindelo onde desagua no mar. Esta é a indicação natural para a divisão entre as freguesias de Árvore e Mindelo. Alguns estudos realizados no ano de 1988 (Honrado et al., 2007), indicam problemas graves de poluição, na sua maioria de origem doméstica, que levam à limitação da atividade biológica no local. A sua recuperação é bastante importante pois são sistemas de elevado potencial para a biodiversidade, já que atravessa tanto áreas de bosque, como terrenos de cultivo, tornando-se num habitat singular para vertebrados e invertebrados (Honrado et al., 2007). A parte terminal da ribeira forma uma lagoa que se encontra numa depressão inundável, apresentando-se como habitat escolhido por numerosos grupos de aves aquáticas, como as garças (Ardea cinerea, Bubulcus ibis, Egretta garzetta), galinhade-água (Gallinula chloropus; figura 13 b)), e ainda aves limícolas, para além das aves presentes no corredor ripícola ao longo da ribeira (ver anexo 1). Quando à herpetofauna estas zonas são consideradas “hotspots” de diversidade, em especial para os anfíbios (rã-de-focinho-pontiagudo - Discoglossus galganoi, rã-ibérica - Rana ibérica e rã-verde Rana perezi) mas também é notada a presença de répteis como o lagarto-de-água (Lacerta schreiberi) e a cobra-de-água-viperina (Natrix maura) (Silva, 2003). Figura 13 – a) Curso terminal da Ribeira de Silvares, b) Gallinula chloropus. b) AnaFerreira Paulo Marta a) 28 FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. Quanto à flora, o corredor ripícola apresenta-se nas mais variadas formas tendo em conta os vários tipos de áreas que atravessa, sendo de lamentar a presença de espécies exóticas invasoras no local, estando estas também presentes noutras áreas da PPRLVCROM, como é o caso do chorão-da-praia (Carpobrotus edulis). 3.2.7 Estuário do Rio Ave / Ribeira da Varziela Figura 14 – a) Estuário do Rio Ave/Ribeira da Varziela, b) Ardea cinerea e c) Anas platyrhynchos. A ribeira da Varziela (figura 14 a)), apenas tem a sua foz na área da PPRLVCROM. Apesar da pouca extensão dentro da zona de estudo apresenta elevada importância para esta área, pois desagua perto da foz do Rio Ave, local de elevada biodiversidade. Tal como referido para a ribeira de Silvares, esta ribeira em 1988, também apresentava graves problemas de poluição, mas neste caso de origem industrial. Mas o potencial de recuperação é significativo, visto que foram observados invertebrados bentónicos e macrófitas aquáticas que indicam boa qualidade da água em zonas mais a montante da ribeira (junto à zona industrial). Junto à foz a plantação de espécies típicas de zonas salobras melhoraria o habitat das aves limícolas que aí podemos observar. No plano para a zona apresentado em Honrado et al., (2007), é referido que nesta zona seria de interesse colocar três ou quatro pontos acessíveis à população para a observação da ribeira e da biodiversidade aí presente, servindo de rede de monotorização. Na zona de estuário do Rio Ave, existia um sapal, que entre 1958 e 2000, terá sofrido um decréscimo de área de cerca de 70%, devido principalmente à construção de um estaleiro de construção naval (1976 - 1989) (Macedo, 2002). O que resta desta b) c) AnaFerreira a) Autor desconhecido Rui Francisco 29 FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. Aquando da sua inserção é também proposta a colocação de postos de observação referidos posteriormente neste trabalho. A constituição dos painéis é baseada em espécies comuns de observação e identificação, tanto de fauna como de flora. Segue o exemplo de painel para esta área (figura 19). Figura 19 – Proposta de conteúdos para os painéis 1 e 2. 4.2.2 Ponto elevado do passadiço já existente Este local encontra-se em plena duna junto à linha de costa, numa obra realizada pela Câmara Municipal de Vila do Conde (CMVC), como valorização do litoral sul do concelho através da criação de percursos pedonais e cicláveis ao longo do litoral de Vila do Conde (figura 20). Figura 20 – Ponto elevado do passadiço. AnaFerreira 36 FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. Devido a sua localização podemos observar espécies características do habitat dunar, da linha de costa e do sistema agro-florestal. A zona, para além de importante para a avifauna é também importante ao nível da herpetofauna. Em Portugal a extensão da linha de costa (fronteira entre a terra e o mar) é elevada, mais de 800 quilómetros. Ao longo desta extensão existem areais e falésias com elevada biodiversidade. Podemos encontrar espécies de aves, algumas residentes mas na grande maioria migradoras (Rodrigues, 2004). Na PPRLVCROM encontramos um extenso cordão dunar. O habitat dunar é caracterizado por três tipos de formações: as dunas móveis, que são as mais comuns caso haja ação contínua do vento; as dunas fixas, que são estabilizadas por exemplo com vegetação e fósseis; as dunas formadas e consolidadas em época geológica antiga. Na PPRLVCROM é possível encontrar estes três tipos de dunas. Estas formações geram-se com a presença de areia seca, vento, uma superfície de deposição e um pequeno obstáculo (exemplo: pedra ou planta). Após um primeiro acumular de areia o processo continua e forma-se uma duna. Para este sistema é necessário criar condições de adesão a barlavento (donde o vento entra) e de proteção a sotavento (donde o vento saí). A medida que esta formação cresce começa uma migração da duna para sotavento provocada pelo vento nos seus grãos de areia. Assim, as dunas apresentam uma face exposta ao vento e uma face protegida. Os sistemas dunares são conjuntos de dunas organizados de acordo com as condições de vento de um determinado local. Com o afastamento da “primeira” duna formada da linha de costa poderá surgir condições para a criação de outra duna mais litoral. Este processo poderá permitir a estabilização da “primeira” duna, agora com menos influência do vento, e a sua recobertura com vegetação, fixando-se. Este fenómeno poderá acontecer até que todo o sistema dunar esteja fixo, o que pode acontecer por exemplo se houver plantação de espécies vegetais fixadoras. A “duna primária” corresponde à formação mais próxima da linha de costa que poderá variar ao longo da proximidade da zona de rebentação mas que se mantém mais ou menos constante permitindo até a fixação de plantas. Segue-se a “duna secundária”, sendo que o espaço entre elas se designa de “espaço interdunar”. A “duna primária” e a “duna secundária” são formações muito sensíveis e a sua passagem apenas deverá ser pedonal ou em construções sobrelevadas. Quando a 37 FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. vegetação é constantemente pisada a ponto de desaparecer a areia solta não apresenta resistência e avança colocando em risco toda a duna. Podem ser tomadas medidas para repor/fixar areia como a plantação de vegetação e colocação de paliçadas. Estes processos são lentos e necessitem de ações de gestão e manutenção (BTCV, 1999; Carter, 1991; McHarg, 1992). Neste ponto elevado do passadiço já existente é proposta a implementação de dois painéis (figuras 21 e 22), o primeiro correspondente às espécies possíveis de observar na linha de costa, em que é proposta a sua colocação de frente para oeste e outro correspondente ao habitat dunar em que é proposta a sua colocação de frente para sul. Figura 21 – Proposta de conteúdos para o painel 3. 38 FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. Figura 22 – Proposta de conteúdos para o painel 4. Neste local para efeitos de interpretação da paisagem e dos habitats presentes é proposta a colocação de uma mesa de paisagem (figura 23). Propõe-se a sua colocação de frente para o lado este desta plataforma. Figura 23 – Proposta de conteúdos para a mesa de paisagem. 39 FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. 4.2.3 Zona agro-florestal Na PPRLVCROM são identificáveis três sistemas de agricultura. As culturas forrageiras associadas à agropecuária bovina leiteira, a horticultura tradicional e os sistemas tradicionais agro-marítimos. A horticultura tradicional visível especialmente em Mindelo, Vila Chã e Labruge detém neste local condições climáticas favoráveis, quer pela menor amplitude térmica, quer pela menor frequência ou ausência de geadas. A sua produção é realizada em solos arenosos e com declive acentuado. Relativamente à produção de culturas forrageiras são identificados dois tipos de culturas temporárias: na primavera/verão o milho e durante o inverno o azevém. Este sistema de cultura é visível ao longo da PPRLVCROM. Por fim e devido a condições presentes no local (proximidade ao meio marítimo) este sistema é caracterizado por um conjunto de soluções que tentam otimizar a ecologia presente. Foram desta forma criados terraços com taludes suportados geralmente por muros de pedra (em zonas litorais mais declivosas e com afloramentos graníticos), estruturas protetoras do vento, onde foi realizado o rebaixamento da plataforma de plantação das zonas dunares e a criação de muros de pedra nas zonas com afloramentos rochosos (sistema designado por “masseira”), e ainda recriadas técnicas agro-marítimas seculares para obtenção de fertilizantes/corretivos naturais (Honrado et al., 2005). O ecossistema agro-florestal (figura 24), em que a floresta é entrecortada por campos agrícolas, apresenta inúmeras vantagens pois contribui para a proteção contra o vento, cria condições para diversos habitats, diminui o risco de incêndio e preserva a biodiversidade presente. Este ecossistema é portanto excelente em termos de biodiversidade (Honrado et al., 2005). A floresta na PPRLVCROM não reflete a aptidão dos solos mas sim a gestão dos ciclos agroflorestais impostos pelo Homem e ainda o interesse pela cultura de espécies economicamente rentáveis. As culturas presentes são sobretudo de pinheirobravo (Pinus pinaster) e eucalipto (Eucalyptus globulus), tendo vindo a verificar-se a presença espontânea de diversas espécies de acácias (nomeadamente Acacia longifolia) na orla das matas. No interior destes povoamentos podemos encontrar carvalhos (Quercus robur) e sobreiros (Quercus suber) com dimensões elevadas. Nas dunas alinhadas paralelamente à costa (formação conhecida por “fieiros”) em solos pobres e degradados podemos encontrar pinheiro-bravo. Junto às linhas de água podemos encontrar um corredor ripícola rico em espécies típicas desses locais, assim como um elevado número de espécies exóticas com carácter invasor. 40 FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. Figura 24 – Área agro-florestal. Para esta área (figura 24) é proposta a implementação de um painel (figura 25). Figura 25 – Proposta de conteúdos para o painel 5. 41 AnaFerreira FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. 4.2.4 Foz da Ribeira de Silvares Sendo o mais extenso curso de água que atravessa a PPRLCVROM, a Ribeira de Silvares (figura 26) é um importante local de observação de aves e herpetofauna. Figura 26 – Foz da Ribeira de Silvares. A ribeira de Silvares apresenta um bom corredor ripícola apesar das várias espécies exóticas e invasoras presentes. A presença de flora nas suas margens permite a absorção da água das chuvas no inverno e controlo da erosão das suas margens. Este ecossistema alimenta reservatórios naturais subterrâneos de água doce para utilização humana e serve de abrigo e de alimentação para aves migratórias. Para esta área é proposta a colocação de um painel (figura 27) inserido no interior de um observatório (referido posteriormente neste trabalho). Figura 27 – Proposta de conteúdos para o painel 6. AnaFerreira 42 FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. 4.2.5 Zonas agro-urbanas Como referido para o caso das zonas agro-florestais, estas zonas agro-urbanas (figura 28) na periferia dos centros urbanos apresentam uma elevada biodiversidade. Figura 28 – Zona agro-urbana. Por vezes elas servem de abrigo (casas desabitadas e casas agrícolas) a varias espécies, como é o caso de algumas espécies de andorinhas e de morcegos. Nesta área proposta para a colocação de um painel (figura 29), é visível a interação Homem/Natureza, que os meios rurais propiciam. Este painel poderá ser um meio para chamar a atenção da população e visitantes para a importância destes espaços, fazendo referência à duna fóssil visível neste local a sua implementação poderia ser realizada junto à mesma devido ao crescimento das culturas que não permitem a visualização panorâmica desta área. Figura 29 – Proposta de conteúdos para o painel 7. AnaFerreira 43 FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. 4.2.6 Praia Nova (Vila Chã) Os dois painéis seguintes referem-se ao litoral rochoso presente na PPRLVCROM (figura 30). Figura 30 – Zona intermareal. Os ecossistemas marinhos podem ser divididos em diferentes tipos. A zona intermareal (também designada por intertidal ou mediolitoral) abrange as praias rochosas, as praias arenosas, as arribas e as ilhotas. As principais diferenças entre as praias presentes nesta área de estudo (arenosas e rochosas) prendem-se de entre vários fatores, com a diversidade e abundância de espécies. As áreas entre marés são condicionadas pela maré, sendo que os seus organismos estão adaptados a esta condição. Perto da zona intermareal existe a zona supralitoral, “patamar” raramente coberto pela água do mar e que estabelece a fronteira entre o domínio marítimo e terrestre. Nesta zona podemos encontrar espécies como o líquen negro (Verrucaria maura), o líquen amarelo (Caloplaca marina) e o gastrópode Littorina neritoides. A zona mediolitoral está totalmente compreendida entre a zona de marés e podemos encontrar espécies como as cracas (Chthamalus spp.), as lapas (Patella spp.), os mexilhões (Mytilus galloprovincialis) e ainda algas como a Fucus spiralis. No interior desta zona podemos encontrar poças permanentes e onde são visíveis espécies como as algas calcárias (Lythothamnia), algas verdes, (Ulva), algas castanhas (Sargassum sp.), ouriços (Paracentrotus lividus), anémonas (Actinia equina) e anelídeos (Eulalia viridis) (Santos, 2013). Neste local ainda são visíveis técnicas seculares para a obtenção de fertilizantes naturais. Outrora eram capturados cardumes de caranguejo, o “pilado”, detentores de um alto teor de cálcio permitiam a drenagem de terrenos. Outra técnica consistia na apanha de algas, “sargaço” (figura 31), que ajudava a aumentar a retenção de água e nutrientes nos solos arenosos. Através destas técnicas foi possível AnaFerreira 44 FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. a instalação de culturas como os cereais praganosos (trigo e centeio) e o linho (Honrado et al., 2005). Atualmente a utilização de fertilizantes naturais encontram-se em vias de desaparecimento. Neste local da PPRLVCROM ainda é visível a apanha do “sargaço” nomeadamente a sua secagem. O “pilado” rico em carbonato de cálcio e proteína é um alimento muito apreciado pelas aves. Este local é ainda hoje um habitat com grande diversidade de aves. O painel identificativo proposto para este local é apresentado na figura 32. Figura 31 – “Sargaço”. Figura 32 – Proposta de conteúdos para o painel 8. AnaFerreira 45 FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. Costa, H., Araújo, A., Farinha, J. C., Poças, M. C. & Machado, A. M. (2000). Nomes Portugueses das Aves do Paleártico Ocidental. Assírio & Alvim, Lisboa. Cunha, M. I., Freire, A. L., & Silva, J. Â. (2013). Concepção e Valorização de um Percurso Pedestre no Parque Natural da Arrábida: o caso de estudo das Terras do Risco. Tese - Mestrado em Ecologia e Gestão Ambiental, Universidade de Lisboa , Faculdade de Ciências. Dadvanda, P., Nieuwenhuijsena, M.J., Esnaolaa, M., Fornsa, J., Basagañaa, X., Alvarez-Pedrerola, M., Rivasa, I., López-Vicentea, M., Pascuala, M. C., Suf, J, Jerrettg, M., Querole, X. & Sunyera, J. (2015). Green spaces and cognitive development in primary schoolchildren. Proceedings of the National Academy of Siences 112: 7937-7942. Dias, G., Brilha, J. B., Alves, M. I., Pereira, D. I., Ferreira, N., Meireles, C., . . . Simões, P. P. (1999). Contribuição para a valorização e divulgação do património geológico com recurso a painéis interpretativos: exemplos em áreas protegidas do NE de Portugal. Projeto PNAT/1999/CTE/15008, financiado pela FCT e pelo ICN. Ciências da Terra (UNL), pp. I32-I35. Dias, S. M. (2013). Avaliação de impactes dos percursos de natureza no Parque Natural da Arrábida. Tese - Mestrado em Engenharia do Ambiente, Perfil de Gestão e Sistemas, Universidade Nova de Lisboa. Elmqvist, T. (2013). Valuing ecosystem services in urban areas. the URBES project. http://icta.uab.cat/Documents_Internet/Projectes/URBES/URBES_FactSheet03. pdf Fachim, E., & Guarim, V. L. (1995). Conservação da biodiversidade: espécies da flora de Mato Grosso. Acta bot. bras. 9(2): 1995. Farinha-Marques, P., Lameiras, J. M., Fernandes, F., Silva, S., & Guilherme, F. (2011). Urban biodiversity: a review of current concepts and conributions to multidisciplinary approaches. Innovation – The European Journal of Social Science Research, 24(3). FCMP, F. (2006). Regulamento de Homologação de Percursos Pedestres. http://www.cm-nisa.pt/desporto/regulamentopercursospedestres.pdf (consultado em 21-04-2015). Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal. (2015). http://www.fcmportugal.com/Historial.aspx (consultado em 19-04-2015) 52 FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. Federação Portuguesa de Campismo (2001). Percursos pedestres : normas para implantação e marcação / Federação Portuguesa de Campismo. Lisboa: Centro de estudos e formação desportiva. Gabinete de documentação e informação. Fennel D.A. (1999). Ecotourism: an introduction. Routledge, London. ISBN 0-415- 14237-7. Ferreira, F. D. (2011). Percursos, território e património: o caso de Vila Nova de Gaia. Tese, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Departamento de Geografia. Honrado, J., Alves, P. C., Andresen, T., Cunha, M., Almeida, P. F., Múrias, T., . . . Vale, M. (2007). Paisagem Protegida do Litoral de Vila do Conde. Proposta de Criação, CIBIO-UP. Honrado, J., Gonçalves, J. A., Figueiredo, J., Caldas, F. B., Lomba, Â., Alves, P. C., . . . Granja, H. (2005). Estudo prévio para a elaboração de um plano estratégico com vista ao ordenamento e gestão da Reserva Ornitológica de Mindelo e área envolvente do concelho de Vila do Conde. Relatório Sectorial, Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos - Universidade do Porto, Porto. Honrado, J., Gonçalves, J. A., Figueiredo, J., Caldas, F. B., Lomba, Â., Alves, P. C., . . . Granja, H. (2005). Estudo prévio para a elaboração de um plano estratégico com vista ao ordenamento e gestão da Reserva Ornitológica de Mindelo e área envolvente do concelho de Vila do Conde. Síntese Global, Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos - Universidade do Porto, Porto.ICNF (2015). Paisagem Protegida Regional do Litoral de Vila do Conde e Reserva Ornitológica de Mindelo. http://www.icnf.pt/portal/naturaclas/ap/amb-reg-loc/paisproteg-reg-lit-vila-conde-e-res-ornit-mindelo (consultado em 4 de Abril de 2015 Macedo, P. (2004). Propostas de intervenção para a Reserva Ornitológica de Mindelo. Versão para discussão 5.0, Movimento PROMindelo, Mindelo. Macedo, P. A. (2002). Land use Change in Mindelo Ornithological Reserve. Ed. EUROCOAST(The Changing Coast). McHarg, I. (1992). Design with nature. John Wiley and Sons. New York. 53 FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. Miranda, S. M. (2013). Turismo natureza e aventura no Geoparque Porto Santo - Contributos para o desenvolvimento turístico sustentável. Tese - Mestrado em Turismo, Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril. Monteiro, L. C. (2010). O conceito de capacidade de carga aplicado á carta de desporto natureza do parque natural da Arrábida na vertente pedestrianismo. Tese - Mestrado em Arquitetura Paisagista, Universidade Técnica de Lisboa, Instituto Superior de Agronomia, Lisboa. Müller, N. (2010). Urban biodiversity and design. Oxford: Wiley-Blackwell. Oliveira, C. P. (2013). Caracterização do mercado de actividades de Turismo de Natureza em Portugal. Tese - Mestrado em Engenharia do Ambiente perfil em Gestão e Sistemas Ambientais, Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Ciências e Tecnologia. Oliveira, S. C., & Melo, R. S. (2009). As trilhas do Jardim Botânico Benjamim Maranhão (João Pessoa - PB) como recurso para interpretação ambiental. Caderno Virtual de Turismo. Osório, B. M. (2010). Aplicação dos sistemas de informação geográfica ao turismo na natureza: concepção de percursos pedestres para o concelho de Lamego. Tese - Mestrado em sistemas de informação geográfica e modelação territorial aplicados ao ordenamento, Universidade de Lisboa, Instituto de Geografia e Ordenamento do Território. Padinha, D., Miguel, S., Ministro, J. S., Lopes, A., & (Coord). (2009). Birdwatching no Algarve - Propostas de Estruturação e Organização. Queirós, M. (2001/02). Os parques naturais e o ordenamento do território em Portugal. (E. Colibri, Ed.) Inforgeo 16/17, pp. 141-150. Ribeiro, L. M. (2013). Conhecimento tradicional, agroecossistemas e atividades alternativas em meio rural. Estudo de caso no Parâmio, Trás-os-Montes, Portugal. Tese - Mestrado em Agroecologia, Escola Superior Agrária de Bragança. Rodrigues, A. (2004). Novas Viagens - Actividades Económicas (1.ª edição). Lisboa: Texto Editora. Sá, A. (2012). Rede de percursos de natureza da Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António: uma interpretação sustentável. Tese - 54 FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. Mestrado em Arquitetura Paisagista, Universidade do Algarve, Faculdade de Ciências e Tecnologia. Santarém, F. C. (2013). Assessment of the Ecotourism Potential of Hiking Trails in Castro Laboreiro. Tese - Ecologia, Ambiente e Território, FCUP, Biologia. Santos, A. F., Dalanesi, P. E., Davide, A. C., & Zanzini, A. C. (1998). Implantação de uma trilha interpretativa, no Parque Florestal Quedas do Rio Bonito, Lavras - MG. Sociedade de Ecologia do Brasil. Santos, J.D.G. (2014) Avaliação do estado atual da avifauna da Paisagem Protegida Regional do Litoral de Vila do Conde e Reserva Ornitológica de Mindelo. Relatório da UC "Estágio", curso de Biologia, Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. Santos, P. T. (2013). Diversidade biológica na península ibérica no contexto europeu. Silva, S. M. (2003). Protecção da Natureza e controle do crescimento urbano – o caso da Reserva Ornitológica de Mindelo. Projecto - fc, Universidade de Aveiro, Ambiente e Ordenamento - Planeamento Regional e Urbano. Torres, M. A. (2011). Impacte Socioeconómico da observação de aves no Baixo Alentejo: o caso da Zona de Protecção Especial de Castro Verde. Mestrado em Ecologia e Gestão Ambiental, Faculdade de Ciências - Universidade de Lisboa, Departamento de Biologia Animal. Tovar, Z., & Carvalho, P. (2010). Pedestrianismo e Percursos Pedestres em Portugal - Paisagens, Património e Desenvolvimento. Porto: Actas do XII Colóquio Ibérico de Geografia - Faculdade de Letras - UP. UNRIC - Centro Regional de Informações das Nações Unidas. (2015). Década das Nações Unidas para a Biodiversidade 2011-2020: Viver em harmonia com a natureza! http://www.unric.org/pt/actualidade/30777-decada-das-nacoes-unidas (consultado em 27 de Maio de 2015). Viana, V. M., & Pinheiro, L. A. (1998). Conservação da biodiversidade em fragmentos florestais. Série Técnica IPFP pp. 25-42. 55 FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. 7. Anexos Anexo 1 - Fauna Aves - Lista das espécies observadas na PPRLVCROM (Honrado et al, 2005; Santos, 2014; observações adicionais comunicadas pessoalmente por observadores de aves), com indicação do habitat principal, estatuto fenológico e estatutos de conservação (Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, Convenção de Bona, Convenção de Berna e Diretiva Aves). Biótopos principais: M: mar alto, ZI: zona intermareal (praia, estuário e sapal do Ave), F: zonas florestadas, A: zonas abertas (dunas e campos), Ri: zonas ripícolas (linhas de água); Ru: zonas rupícolas (rochosas ou escarpadas); U: urbano (meio urbano). Fenologia: Mp: migrador de passagem, MI: migrador invernante, ME: migrador estival, R: residente. Os nomes comuns portugueses seguem, regra geral, os nomes propostos por Costa et al. (2000). Estatutos de conservação a) Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal (LVVP; Cabral et al., 2006) EN: "Em Perigo"; VU: "Vulnerável"; NT: "Quase ameaçado"; LC: "Pouco Preocupante"; DD: "Informação Insuficiente"; NA: "Não Avaliado" b) Convenção de Berna - Convenção sobre a Vida Selvagem e os Habitats Naturais na Europa Anexo II: Espécies da fauna estritamente protegidas; Anexo III: Espécies da fauna protegidas c) Convenção de Bona - Convenção sobre a Conservação de Espécies Migradoras da Fauna Selvagem Anexo I: Espécies que estão em perigo de extinção; Anexo II: Espécies cujo estado de conservação é desfavorável e é necessário que os Estados da área de distribuição se esforcem por concluir acordos d) Diretiva Aves (2009/147/CE) Anexo I: Espécies mencionadas no anexo I são objeto de medidas de conservação especial respeitantes ao seu habitat, de modo a garantir a sua sobrevivência e a sua reprodução na sua área de distribuição. Anexo II-A: As espécies enumeradas na parte A do anexo II podem ser caçadas na zona geográfica marítima e terrestre de aplicação da diretiva. Anexo II-B: As espécies enumeradas na parte B do anexo II podem ser caçadas apenas nos Estados-Membros para os quais são mencionadas. Anexo III-A: Para as espécies referidas na parte A do anexo III, as seguintes atividades não são proibidas, desde que as aves tenham sido legalmente mortas ou capturadas ou legalmente adquiridas de outro modo: venda, transporte para venda, detenção para venda e ainda o ato de pôr à venda as aves vivas, ou aves mortas, bem como qualquer parte ou qualquer produto obtido a partir da ave, facilmente identificáveis. Anexo III-B: Para as espécies mencionadas na parte B do anexo III, as atividades referidas anteriormente podem ser autorizadas e para esse efeito prever limitações, desde que as aves tenham sido legalmente mortas ou capturadas ou legalmente adquiridas de outro modo. A - Lista ordenada por ordem alfabética do Nome comum Nome comum Nome científico Biótopos Fenologia LVVP Berna Bona D. Aves Abibe Vanellus vanellus A MI LC III II II-B Açor Accipiter gentilis F R VU II II Águia-de-asa-redonda Buteo buteo F R LC II II Alcatraz-comum Larus marinus ZI MI LC II-B Alvéola-amarela Motacilla flava A ME LC II Alvéola-branca Motacilla alba A R/MI LC II Alvéola-cinzenta Motacilla cinerea A R/MI LC II Andorinha-das-barreiras Riparia riparia A R LC II Andorinha-das-chaminés Hirundo rustica A ME LC II 56 FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. Nome comum Nome científico Biótopos Fenologia LVVP Berna Bona D. Aves Andorinha-das-rochas Ptyonoprogne rupestris Ru/U R LC II Andorinha-do-mar-ártica Sterna paradisaea ZI/M Mp - II II I Andorinha-do-mar-comum Sterna hirundo ZI ME/Mp EN II II I Andorinha-dos-beirais Delichon urbica A ME LC II Andorinhão-preto Apus apus A ME LC III Bico-de-lacre-comum Estrilda astrild Ri R - III Borrelho-de-coleira-interrompida Charadrius alexandrinus ZI R LC II II I Borrelho-grande-de-coleira Charadrius hiaticula ZI MI LC II II Borrelho-pequeno-de-coleira Charadrius dubius ZI Mp LC II II Carriça Troglodytes troglodytes F R LC III Cartaxo-comum Saxicola torquata A R LC II II Cartaxo-nortenho Saxicola rubetra A ME VU II II Chamariz Serinus serinus F R LC II Chapim-azul Parus caeruleus F R LC II Chapim-carvoeiro Parus ater F R LC II Chapim-de-poupa Parus cristatus F R LC II Chapim-rabilongo Aegithalos caudatus F R LC II Chapim-real Parus major F R LC II Chasco-cinzento Oenanthe oenanthe A ME LC II II Cia Emberiza cia F R LC II Codorniz Coturnix coturnix A ME LC III II II-B Combatente Philomachus pugnax ZI MI EN III II I; II-B Coruja-das-torres Tyto alba A R II Coruja-do-mato Strix aluco F R LC II Corvo-comum Corvus corax F R NT III Corvo-marinho-de-faces-brancas Phalacrocorax carbo ZI MI LC III Cotovia-de-poupa Galerida cristata A R LC III Cotovia-pequena Lullula arborea A R/MI LC III I Cruza-bico Loxia curvirostra F R/Mp VU/DD II Cuco Cuculus canorus F ME LC III Cuco-rabilongo Clamator glandarius F ME VU II Escrevedeira-amarela Emberiza citrinella F R VU II Escrevedeira-de-garganta-preta Emberiza cirlus F R LC II Escrevedeira-dos-caniços Emberiza schoeniclus Ri R/MI VU/LC II Esmerilhão Falco columbarius F MI VU II II I Estorninho-malhado Sturnus vulgaris F MI LC II-B Estorninho-preto Sturnus unicolor F R LC II Estrelinha-de-cabeça-listada Regulus ignicapilla F R/MI LC II Estrelinha-de-poupa Regulus regulus F MI LC II Faisão Phasianus colchicus A R (largadas) NE III II-A; III-A Falaropo-de-bico-grosso Phalaropus fulicarius ZI MI - III II Falcão-peregrino Falco peregrinus F R VU II II I Felosa-comum Phylloscopus collybita F ME/MI LC II II Felosa-das-figueiras Sylvia borin F ME/Mp VU II II Felosa-de-bonelli Phylloscopus bonelli F ME LC II II Felosa-do-mato Sylvia undata F R LC II II I Felosa-dos-juncos Acrocephalus schoenobaenus Ri Mp - II Felosa-icterina Hippolais icterina F Mp - Felosa-malhada Locustella naevia Ri Mp - II Felosa-musical Phylloscopus trochilus F Mp - II II Felosa-pálida Iduna opaca F ME DD II Felosa-palustre Acrocephalus palustris Ri Mp - II Felosa-poliglota Hippolais polyglotta F ME LC II Felosa-unicolor Locustella luscinioides Ri ME VU II Ferreirinha-comum Prunella modularis A R LC II Franga-d'água Porzana porzana Ri R DD II II I Fuinha-dos-juncos Cisticola juncidis Ri R LC II Fuselo Limosa lapponica ZI MI LC III II I; II-B Gaio-comum Garrulus glandarius F R LC II-B Gaivota-de-asa-escura Larus fuscus ZI R/MI VU/LC II-B Gaivota-de-patas-amarelas Larus michahellis ZI R LC III 50 FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. Nome comum Nome científico Biótopos Fenologia LVVP Berna Bona D. Aves Gaivota-parda Larus canus ZI MI LC III II-B Galinha-de-água Gallinula chloropus Ri R LC III Garajau-comum Sterna sandvicensis ZI MI NT III II I Garça-boieira Bubulcus ibis Ri R LC II Garça-branca-pequena Egretta garzetta ZI R LC II I Garça-real Ardea cinerea Ri MI/R LC III Gavião Accipiter nisus F R LC II II Gralha-preta Corvus corone F R LC II-B Guarda-rios Alcedo atthis Ri R LC II I Guincho-comum Larus ridibundus ZI MI/ME LC III II-B Laverca Alauda arvensis A MI/R LC II-B Lugre Carduelis spinus F MI LC II Maçarico-bastardo Tringa glareola ZI Mp - II II I Maçarico-das-rochas Actitis hypoleucos ZI MI/R VU/VU II II Maçarico-de-bico-vermelho Limosa limosa ZI MI/Mp LC III II II-B Maçarico-galego Numenius phaeopus ZI MI/Mp VU III II II-B Maçarico-real Numenius arquata ZI MI LC III II II-B Marrequinha-comum Anas crecca Ri MI LC III II II-A; III-B Melro Turdus merula F R LC III II-B Mocho-de-orelhas Otus scops A ME DD II Mocho-galego Athene noctua A R LC II Narceja-comum Gallinago gallinago ZI R/MI CR/LC II II-A; III-B Noitibó-da-europa Caprimulgus europaeus F ME VU II I Ógea Falco subbuteo F ME VU II II Papa-amoras-cinzento Sylvia curruca F Mp - II II Papa-amoras-comum Sylvia communis F ME/Mp LC II II Papa-figos Oriolus oriolus F ME LC II Papa-moscas-cinzento Muscicapa striata F ME NT II II Papa-moscas-preto Ficedula hypoleuca F Mp - II Pardal-comum Passer domesticus A R LC Pardal-francês Petronia petronia A R LC III Pardal-montês Passer montanus A R LC III Pardela-de-barrete Puffinus gravis M Mp - III Pato-real Anas platyrhynchos Ri R/MI LC III II II-A; III-A Pega-rabuda Pica pica F R LC II-B Peneireiro-vulgar Falco tinnunculus F R LC II II Perdiz-vermelha Alectoris rufa A R LC III II-A; III-A Perna-vermelha-comum Tringa totanus ZI R/MI CR/LC III II II-B Pernilongo Himantopus himantopus ZI Mp LC II II I Petinha-das-árvores Anthus trivialis A ME NT II Petinha-dos-campos Anthus campestris A ME LC II I Petinha-dos-prados Anthus pratensis A MI LC II Petinha-ribeirinha Anthus spinoletta A MI EN/LC II Picanço-barreteiro Lanius senator A ME NT II Picanço-real Lanius meridionalis A R LC II Pica-pau-malhado-grande Dendrocopos major F R LC II Pica-pau-verde Picus viridis F R LC II Pilrito-comum Calidris alpina ZI MI LC II II Pilrito-das-praias Calidris alba ZI MI/Mp LC II II Pintarroxo-comum Carduelis cannabina F R LC II Pintassilgo Carduelis carduelis F R LC II Pisco-de-peito-azul Luscinia svecica Ri Mp/MI LC II II I Pisco-de-peito-ruivo Erithacus rubecula F R LC II II Pombo-comum Columbia livia F R LC III II-A Pombo-torcaz Columbia palumbus F R/MI LC II-A; III-A Poupa Upupa epops F R/ME LC II Rabirruivo-de-testa-branca Phoenicurus phoenicurus A ME LC II II Rabirruivo-preto Phoenicurus ochruros A R LC II II Rola-comum Streptopelia turtur F ME LC II II II-B Rola-do-Mar Arenaria interpres ZI MI LC II II Rola-turca Streptopelia decaocto F R LC III II-B FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. Nome comum Nome científico Biótopos Fenologia LVVP Berna Bona D. Aves Rolieiro-europeu Coracias garrulus F ME CR II I I Rouxinol-bravo Cettia cetti Ri R LC II II Rouxinol-comum Luscinia megarhynchos F ME LC II II Rouxinol-pequeno-dos-caniços Acrocephalus scirpaceus Ri ME NT II Sombria Emberiza hortulana F ME DD III I Tarambola-cinzenta Pluvialis squatarola ZI MI/Mp LC III II II-B Tarambola-dourada Pluvialis apricaria A MI LC III II II-B; II-B Tentilhão-comum Fringilla coelebs F R LC III Tentilhão-montês Fringilla montifringilla F MI DD III Torcicolo Jynx torquilla F ME DD II Tordo-comum Turdus philomelos F R/MI NT/LC II II-B Tordoveia Turdus viscivorus F R LC III II-B Tordo-zornal Turdus pilaris F MI DD III II-B Toutinegra-de-barrete-preto Sylvia atricapilla F R LC II II Toutinegra-de-cabeça-preta Sylvia melanocephala F R LC II II Toutinegra-tomilheira Sylvia conspicillata F ME NT II II Trepadeira-comum Certhia brachydactyla F R LC II Trigueirão Emberiza calandra A R LC III Verdilhão Carduelis chloris F R LC II Zarro-comum Aythya ferina Ri MI/R VU/EN III II-A; III-B B - Lista ordenada por ordem alfabética do Nome científico Nome comum Nome científico Biótopos Fenologia LVVP Berna Bona D. Aves Açor Accipiter gentilis F R VU II II Gavião Accipiter nisus F R LC II II Felosa-palustre Acrocephalus palustris Ri Mp - II Felosa-dos-juncos Acrocephalus schoenobaenus Ri Mp - II Rouxinol-pequeno-dos-caniços Acrocephalus scirpaceus Ri ME NT II Maçarico-das-rochas Actitis hypoleucos ZI MI/R VU/VU II II Chapim-rabilongo Aegithalos caudatus F R LC II Laverca Alauda arvensis A MI/R LC II-B Guarda-rios Alcedo atthis Ri R LC II I Perdiz-vermelha Alectoris rufa A R LC III II-A; III-A Marrequinha-comum Anas crecca Ri MI LC III II II-A; III-B Pato-real Anas platyrhynchos Ri R/MI LC III II II-A; III-A Petinha-dos-campos Anthus campestris A ME LC II I Petinha-dos-prados Anthus pratensis A MI LC II Petinha-ribeirinha Anthus spinoletta A MI EN/LC II Petinha-das-árvores Anthus trivialis A ME NT II Andorinhão-preto Apus apus A ME LC III Garça-real Ardea cinerea Ri MI/R LC III Rola-do-Mar Arenaria interpres ZI MI LC II II Mocho-galego Athene noctua A R LC II Zarro-comum Aythya ferina Ri MI/R VU/EN III II-A; III-B Garça-boieira Bubulcus ibis Ri R LC II Águia-de-asa-redonda Buteo buteo F R LC II II Pilrito-das-praias Calidris alba ZI MI/Mp LC II II Pilrito-comum Calidris alpina ZI MI LC II II Noitibó-da-europa Caprimulgus europaeus F ME VU II I Pintarroxo-comum Carduelis cannabina F R LC II Pintassilgo Carduelis carduelis F R LC II Verdilhão Carduelis chloris F R LC II Lugre Carduelis spinus F MI LC II Trepadeira-comum Certhia brachydactyla F R LC II Rouxinol-bravo Cettia cetti Ri R LC II II 59 FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. Nome comum Nome científico Biótopos Fenologia LVVP Berna Bona D. Aves Borrelho-de-coleira-interrompida Charadrius alexandrinus ZI R LC II II I Borrelho-pequeno-de-coleira Charadrius dubius ZI Mp LC II II Borrelho-grande-de-coleira Charadrius hiaticula ZI MI LC II II Fuinha-dos-juncos Cisticola juncidis Ri R LC II Cuco-rabilongo Clamator glandarius F ME VU II Pombo-comum Columbia livia F R LC III II-A Pombo-torcaz Columbia palumbus F R/MI LC II-A; III-A Rolieiro-europeu Coracias garrulus F ME CR II I I Corvo-comum Corvus corax F R NT III Gralha-preta Corvus corone F R LC II-B Codorniz Coturnix coturnix A ME LC III II II-B Cuco Cuculus canorus F ME LC III Andorinha-dos-beirais Delichon urbica A ME LC II Pica-pau-malhado-grande Dendrocopos major F R LC II Garça-branca-pequena Egretta garzetta ZI R LC II I Trigueirão Emberiza calandra A R LC III Cia Emberiza cia F R LC II Escrevedeira-de-garganta-preta Emberiza cirlus F R LC II Escrevedeira-amarela Emberiza citrinella F R VU II Sombria Emberiza hortulana F ME DD III I Escrevedeira-dos-caniços Emberiza schoeniclus Ri R/MI VU/LC II Pisco-de-peito-ruivo Erithacus rubecula F R LC II II Bico-de-lacre-comum Estrilda astrild Ri R - III Esmerilhão Falco columbarius F MI VU II II I Falcão-peregrino Falco peregrinus F R VU II II I Ógea Falco subbuteo F ME VU II II Peneireiro-vulgar Falco tinnunculus F R LC II II Papa-moscas-preto Ficedula hypoleuca F Mp - II Tentilhão-comum Fringilla coelebs F R LC III Tentilhão-montês Fringilla montifringilla F MI DD III Cotovia-de-poupa Galerida cristata A R LC III Narceja-comum Gallinago gallinago ZI R/MI CR/LC II II-A; III-B Galinha-de-água Gallinula chloropus Ri R LC III Gaio-comum Garrulus glandarius F R LC II-B Pernilongo Himantopus himantopus ZI Mp LC II II I Felosa-icterina Hippolais icterina F Mp - Felosa-poliglota Hippolais polyglotta F ME LC II Andorinha-das-chaminés Hirundo rustica A ME LC II Felosa-pálida Iduna opaca F ME DD II Torcicolo Jynx torquilla F ME DD II Picanço-real Lanius meridionalis A R LC II Picanço-barreteiro Lanius senator A ME NT II Gaivota-parda Larus canus ZI MI LC III II-B Gaivota-de-asa-escura Larus fuscus ZI R/MI VU/LC II-B Alcatraz-comum Larus marinus ZI MI LC II-B Gaivota-de-patas-amarelas Larus michahellis ZI R LC III Guincho-comum Larus ridibundus ZI MI/ME LC III II-B Fuselo Limosa lapponica ZI MI LC III II I; II-B Maçarico-de-bico-vermelho Limosa limosa ZI MI/Mp LC III II II-B Felosa-unicolor Locustella luscinioides Ri ME VU II Felosa-malhada Locustella naevia Ri Mp - II Cruza-bico Loxia curvirostra F R/Mp VU/DD II Cotovia-pequena Lullula arborea A R/MI LC III I Rouxinol-comum Luscinia megarhynchos F ME LC II II Pisco-de-peito-azul Luscinia svecica Ri Mp/MI LC II II I Alvéola-branca Motacilla alba A R/MI LC II Alvéola-cinzenta Motacilla cinerea A R/MI LC II Alvéola-amarela Motacilla flava A ME LC II Papa-moscas-cinzento Muscicapa striata F ME NT II II Maçarico-real Numenius arquata ZI MI LC III II II-B Maçarico-galego Numenius phaeopus ZI MI/Mp VU III II II-B FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. Nome comum Nome científico Biótopos Fenologia LVVP Berna Bona D. Aves Chasco-cinzento Oenanthe oenanthe A ME LC II II Papa-figos Oriolus oriolus F ME LC II Mocho-de-orelhas Otus scops A ME DD II Chapim-carvoeiro Parus ater F R LC II Chapim-azul Parus caeruleus F R LC II Chapim-de-poupa Parus cristatus F R LC II Chapim-real Parus major F R LC II Pardal-comum Passer domesticus A R LC Pardal-montês Passer montanus A R LC III Pardal-francês Petronia petronia A R LC III Corvo-marinho-de-faces-brancas Phalacrocorax carbo ZI MI LC III Falaropo-de-bico-grosso Phalaropus fulicarius ZI MI - III II Faisão Phasianus colchicus A R (largadas) NE III II-A; III-A Combatente Philomachus pugnax ZI MI EN III II I; II-B Rabirruivo-preto Phoenicurus ochruros A R LC II II Rabirruivo-de-testa-branca Phoenicurus phoenicurus A ME LC II II Felosa-de-bonelli Phylloscopus bonelli F ME LC II II Felosa-comum Phylloscopus collybita F ME/MI LC II II Felosa-musical Phylloscopus trochilus F Mp - II II Pega-rabuda Pica pica F R LC II-B Pica-pau-verde Picus viridis F R LC II Tarambola-dourada Pluvialis apricaria A MI LC III II II-B; II-B Tarambola-cinzenta Pluvialis squatarola ZI MI/Mp LC III II II-B Franga-d'água Porzana porzana Ri R DD II II I Ferreirinha-comum Prunella modularis A R LC II Andorinha-das-rochas Ptyonoprogne rupestris Ru/U R LC II Pardela-de-barrete Puffinus gravis M Mp - III Estrelinha-de-cabeça-listada Regulus ignicapilla F R/MI LC II Estrelinha-de-poupa Regulus regulus F MI LC II Andorinha-das-barreiras Riparia riparia A R LC II Cartaxo-nortenho Saxicola rubetra A ME VU II II Cartaxo-comum Saxicola torquata A R LC II II Chamariz Serinus serinus F R LC II Andorinha-do-mar-comum Sterna hirundo ZI ME/Mp EN II II I Andorinha-do-mar-ártica Sterna paradisaea ZI/M Mp - II II I Garajau-comum Sterna sandvicensis ZI MI NT III II I Rola-turca Streptopelia decaocto F R LC III II-B Rola-comum Streptopelia turtur F ME LC II II II-B Coruja-do-mato Strix aluco F R LC II Estorninho-preto Sturnus unicolor F R LC II Estorninho-malhado Sturnus vulgaris F MI LC II-B Toutinegra-de-barrete-preto Sylvia atricapilla F R LC II II Felosa-das-figueiras Sylvia borin F ME/Mp VU II II Papa-amoras-comum Sylvia communis F ME/Mp LC II II Toutinegra-tomilheira Sylvia conspicillata F ME NT II II Papa-amoras-cinzento Sylvia curruca F Mp - II II Toutinegra-de-cabeça-preta Sylvia melanocephala F R LC II II Felosa-do-mato Sylvia undata F R LC II II I Maçarico-bastardo Tringa glareola ZI Mp - II II I Perna-vermelha-comum Tringa totanus ZI R/MI CR/LC III II II-B Carriça Troglodytes troglodytes F R LC III Melro Turdus merula F R LC III II-B Tordo-comum Turdus philomelos F R/MI NT/LC II II-B Tordo-zornal Turdus pilaris F MI DD III II-B Tordoveia Turdus viscivorus F R LC III II-B Coruja-das-torres Tyto alba A R II Poupa Upupa epops F R/ME LC II Abibe Vanellus vanellus A MI LC III II II-B 61 FCUP Biodiversidade em contexto metropolitano: os percursos pedestres interpretativos da natureza na valorização de espaços classificados. Proposta de tipologia de observatórios: Estuário do Rio Ave/Ribeira da Varziela Margem direita da Ribeira da Varziela 68 http://www.intabar.com/observatorios-aves-madera/2-27-38-27.htm