Pegada ecológica da Faculdade de Economia do Porto.
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Pegada ecológica da Faculdade de Economia do Porto Bruno José Mendes Tese de Mestrado para a obtenção do Grau de Mestre em Economia e Gestão do Ambiente Orientado por: Maria Manuela de Castro e Silva Porto 2014
ii I-Breve nota biográfica O autor desta dissertação fez o seu percurso frequentando sempre escolas públicas tendo concluído o Secundário na ES Maia. Em seguida, ingressou na FCUP ( Faculdade de Ciências da Universidade do Porto) onde concluiu a Licenciatura em Ciências e Tecnologias do Ambiente, tendo terminado a mesma em 2012. Com esta dissertação o candidato pretende obter o Grau de Mestre em Economia e Gestão do Ambiente na Faculdade de Economia da Universidade do Porto.
iii II-Agradecimentos É difícil enumerar todas as pessoas que intervieram nesta caminhada até ao momento, e desde já agradeço a todas as que não estejam referenciadas nesta dissertação, que direta ou indiretamente me ajudaram. Em primeiro lugar, gostaria de agradecer à Direção da FEP todo o apoio e disponibilidade demonstrados nesta jornada. Também, uma palavra de agradecimento aos funcionários que, de uma forma célere e profissional, me facultaram os dados necessários para a elaboração da tese. De seguida, dar o meu muito obrigado à pessoa que me esteve a orientar ao longo deste ano letivo, refiro-me à Professora Maria Manuela de Castro e Silva, que desempenhou o seu papel de orientadora da minha dissertação com muito empenho, contribuindo decisivamente para a sua conclusão atempada. Por último mas não menos importante, o meu agradecimento à minha família que sempre me apoiou nos momentos menos bons e me deu condições para a concretização do meu objetivo. Neste contexto, um especial agradecimento à Verónica, minha companheira, que me deu sempre o apoio necessário para me manter concentrado no trabalho.
iv III-Resumo Cada vez mais as alterações climáticas e as enormes taxas de poluição e de produção de resíduos são um tema preocupante nas sociedades contemporâneas. Tendo em conta este panorama, torna-se necessário agir de forma a contrariar a tendência. Sendo os recursos finitos, surge então a necessidade de uma mudança na cultura e atitude dos indivíduos, optando por formas de viver mais amigas do ambiente, traçando assim o caminho para um futuro mais sustentável. Uma forma muito utilizada de medir essa sustentabilidade é a utilização de indicadores como por exemplo, a pegada ecológica. Este indicador é cada vez mais utilizado para avaliar o impacto do consumo humano nos recursos naturais e no ambiente. O principal objetivo deste estudo prende-se na necessidade de alertar a comunidade escolar para a realidade da sobre-exploração de recursos naturais, realizando-se um estudo da pegada ecológica da Faculdade de Economia do Porto. Para levar a cabo este estudo utiliza-se o Método MC3 criado a partir do conceito de pegada ecológica. Este método foi já utilizado por inúmeros estudos a várias organizações, nomeadamente na Universidade Sri Ramaswamy Memorial (Nagarajan et al, 2011), numa Empresa Vitivinicola do Chile (Quezada, 2013), e empresas portuguesas tais como a STEF (Soares, 2013) e EFACEC (Branco, 2012). Este método releva as contas financeiras das organizações traduzindo esses gastos em impacto no ambiente. Da aplicação deste método aos consumos da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, conclui-se acerca do seu impacto ambiental como sendo relativamente baixo, apesar de existirem várias oportunidades de melhoria, bem como quais as categorias de consumo com maior contributo para a pegada ecológica desta organização. Palavras-chave: Ambiente, pegada ecológica, capital natural, recursos, consumo, poupança, indicador de sustentabilidade
v IV-Abstract Climate change, huge pollution fees and waste production are increasingly a matter of concern in contemporary societies. Given this scenario, it becomes necessary to act to counter the trend. We need a deep change in culture and attitude of individuals in order to fulfill the requirements of a more sustainable society. This requires opting for different lifestyles, more friendly to the environment. Sustainability indicators as ecological footprint are widely used to measure and to assess the impact of human consumption on natural resources. The main objective of this study relates to the need to alert the school community to the reality of over-exploitation of natural resources, pursuing an estimation of the ecological footprint of the Faculdade de Economia do Porto, thus blazing the trail towards a more sustainable future. To carry out this study we use the MC3 method created from the concept of ecological footprint. This method has been used by numerous studies to various organizations, notably in Sri Ramaswamy Memorial University (Nagarajan et al, 2011), a Chile‟s Wine Company (Quezada, 2013), and portuguese companies such as STEF (Soares, 2013) and EFACEC (Branco, 2012). This method reveals the financial accounts of organizations by translating these expenditures on environmental impact. Applying this method to the Faculdade de Economia do Porto‟s consumption, we conclude that the environmental impact is relatively low, although there are several opportunities for improvement as well as we highlight what categories of consumption contribute most to the organization‟s ecological footprint. Key words: Environment, ecological footprint, natural capital, resources, consumption, savings, sustainability indicator
vi V-Índice i Breve nota biográfica ii Agradecimentos iii Resumo iv Abstract v Índice vi Índice de figuras vii Índice de tabelas viii Índice de abreviaturas 1. Introdução 1 2. Contextualização e análise das origens do problema ambiental 3 2.1- Indicadores de sustentabilidade 4 2.2- Recursos Naturais 8 3. Sustentabilidade 9 3.1- Quais os pilares da sustentabilidade 9 4. Pegada ecológica e conceitos básicos subjacentes 11 4.1- Capacidade de suporte 11 4.2- Hectares globais 12 4.3- Fatores de produtividade 13 4.4- Fatores de equivalência 15 4.5- Biocapacidade 17 4.6- Pegada ecológica- Abordagem conceptual e metodológica 19 4.7- Saldo ecológico 21 4.8- Pontos fortes da pegada ecológica 23 4.9- Críticas da pegada ecológica 25 4.10- Metodologia de cálculo da pegada ecológica 27 4.10.1- Abordagem do composto 29 4.10.2- Abordagem do componente 30 5. Metodologia – MC3 v2 32 5.1- Método MC3 v2 33 5.2- Melhorias do MC3 v2 relativamente ao MC3 v1 35 5.3- Standards MC3 2010 35 5.3.1- MC3: Alcance e perspetiva 36 5.3.2- MC3: Cálculo da pegada dos combustíveis 37 5.3.3- MC3: Cálculo da pegada de energia elétrica 37 5.3.4- MC3: Cálculo da pegada dos materiais 38 5.3.5- MC3: Cálculo da pegada dos serviços 38 5.3.6- MC3: Cálculo da pegada agrícola 39 5.3.7- MC3: Cálculo da pegada florestal 39 5.3.8- MC3: Cálculo da pegada da água 39 5.3.9- MC3: Cálculo do traço da ocupação do solo 39 5.3.10- MC3: Cálculo da pegada dos resíduos 40 5.3.11- MC3: Ajustes e resultados 40 5.4- Vantagens e desvantagens do MC3 v2 41 6. Estudo de caso: aplicação do conceito de pegada ecológica à Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP) 44 6.1- Caraterização da organização 44
vii 6.2- Pegada ecológica de FEP 44 6.2.1- Categorias de consumo 45 6.3- Visão global da pegada ecológica da FEP 54 6.4- Oportunidades de melhoria 56 7. Considerações finais 61 Bibliografia 63 Webgrafia 67 Anexos 68
viii VI-Índice de figuras: Nº Figura: 1) Curva de Kuznetz 3 2) Os 3 pilares da sustentabilidade 9 3) Repartição das áreas bioprodutivas 13 4) Hectares globais por tipo de área em 2007 16 5) Evolução da biocapacidade e da pegada ecológica 18 6) Evolução da degradação das áreas bioprodutivas até 2008 20 7) Reserva ecológica 21 8) Défice ecológico 22 9) Overshoot 22 10) Distribuição da pegada ecológica por sectores 56
ix VII-Indice de tabelas Nº da tabela: 1) Fatores de produtividade 14 2) Fatores de equivalência 15 3) Vantagens e desvantagens da abordagem do composto e do componente 31 4) Estrutura da folha de cálculo MC3 34 5) Exemplo da folha de cálculo MC3 34 6) Emissões diretas 46 7) Emissões indiretas 47 8) Materiais 48 9) Serviços e contratos 49 10) Recursos agropecuários 50 11) Recursos florestais 51 12) Água 52 13) Uso do solo 53 14) Resíduos 54
6 -Indicadores ambientais -Indicadores económicos -Indicadores sociais -Indicadores institucionais (incluem a estrutura e a forma de funcionamento das organizações) De acordo com o autor referido, os indicadores de sustentabilidade numa outra perspetiva, podem ficar subdivididos em 3 grandes grupos de indicadores: Indicadores de Pressão – caraterizam as pressões sobre os sistemas ambientais e podem ser traduzidos por indicadores de emissão, eficiência energética, planeamento e intervenção no território e de impacte ambiental. Indicadores de Estado – refletem a qualidade do ambiente num dado momento; são os indicadores de sensibilidade, de risco e de qualidade ambiental. Indicadores de Resposta – avaliam a capacidade de resposta da sociedade às alterações e preocupações ambientais; podem ser incluídos neste grupo os indicadores de adesão social, de sensibilização e de atividades de grupos sociais importantes. Com o crescimento das preocupações ambientais, foi criado um conceito que serve para definir quais os limites do nosso consumo. Nasce assim o conceito de desenvolvimento sustentável. O conceito de „desenvolvimento sustentável‟ foi referenciado pela primeira vez em 1987, no relatório da United Nations World Comission on the Environment and Development aquando da publicação “Brundtland Report” mais conhecido como Relatório de Brundtland, “Our Common Future” (UNWCED, 1987). Com a publicação deste relatório, a popularidade deste conceito subiu consideravelmente fazendo com que o mesmo fosse divulgado por todo o mundo como uma forma de vida justa e amiga do ambiente. O ponto de partida deste relatório foi o reconhecimento da possibilidade de ameaça para a satisfação das necessidades humanas. Esta preocupação teve origem no atual padrão de consumo que esquece aspetos essenciais que podem, a longo prazo, colocar em causa o próprio processo de desenvolvimento. O conceito de sustentabilidade pode dividir-se em duas vertentes: sustentabilidade forte e fraca (Lima, 2006). Para se compreender melhor estas duas vertentes é necessário apreender o conceito de capital natural e capital humano (ou não natural). Capital natural engloba todos os recursos e serviços que a natureza fornece diretamente e sem qualquer custo monetário, de forma a garantir a constituição e manutenção de
7 vida no Planeta, nomeadamente os recursos renováveis e não renováveis. Este pode ser dividido em capital natural crítico e não crítico. O capital natural crítico representa um subconjunto de capital que de forma alguma não pode ser substituído, pois representa a base de sustentação da vida. Na outra face da moeda existe o capital humano que pode ser definido como a disponibilização de recursos como o capital financeiro, tecnológico, intelectual, etc. (Lima, 2006). Alguns economistas, nomeadamente Daly (2007), creem que os dois tipos de capital (capital natural e não natural) não são substituíveis entre si, mas sim complementares, partindo da premissa de que o capital natural funciona como fator limitante do crescimento económico. Baseado nestes conceitos, pode-se assim referenciar as duas vertentes da sustentabilidade. Sustentabilidade forte (Daly, 2007) pode ser definida como possibilidade dos sistemas económicos e ambientais poderem existir em conformidade de forma a nunca prejudicar o ambiente. Esta vertente da sustentabilidade não permite a substituição do capital natural em detrimento do capital humano, garantindo assim a preservação do mesmo. Já na sustentabilidade fraca, Daly (2007) refere que os sistemas económicos se sobrepõem sempre relativamente aos sistemas ambientais, permitindo desta forma a substituição de capital natural por capital não natural em contraponto com o que acontece na outra vertente. Neste ramo da sustentabilidade a prioridade reside na maximização do bem-estar social, não tendo em atenção a preservação do capital natural. Com a sustentabilidade fraca assume-se que o esgotamento de uma fonte de recursos não coloca qualquer entrave para o desenvolvimento e crescimento da população, pois poderia ser facilmente substituída por outra. Em suma, os recursos são perspetivados como meros objetos de utilização pelo ser humano. Alguns autores (ex. Pearce e Turner, 1990; Neumayer, 2003) defendem ainda a existência de mais duas vertentes da sustentabilidade - sustentabilidade muito fraca e sustentabilidade muito forte - que representam os extremos das mesmas apresentadas anteriormente. A sustentabilidade muito fraca não impõe quaisquer limites a substituibilidade do capital natural, encarando-o como infinitamente substituível, desde que se verifique um aumento do bem-estar. A principal diferença relativamente à sustentabilidade fraca reside na inexistência de limites na substituibilidade do capital natural. Já na sustentabilidade muito forte, para além de exigir a preservação do capital natural (capital natural crítico), também exige a preservação da natureza tal como ela é (capital natural não crítico) não permitindo qualquer substituição de capital natural por capital não natural. Estes conceitos são necessários para o entendimento da importância da sustentabilidade para o equilíbrio dos sistemas naturais, sociais ou económicos.
8 Daly (2007) entendeu que, para qualquer economia ser sustentável a longo prazo, deve respeitar algumas normas: - A taxa de consumo de recursos nunca deve exceder a taxa de regeneração dos mesmos - A utilização de recursos não renováveis deve ser efetuada de forma racional, permitindo o uso destas mesmas reservas por um período maior - A consequente produção de resíduos nunca deve exceder a capacidade assimilativa do ambiente A sustentabilidade deve ser tida em conta na medida em que nos conduz para um caminho onde o equilíbrio é a palavra dominante. Uma forma de medir esta sustentabilidade é a utilização de indicadores de sustentabilidade nomeadamente a pegada ecológica. Esta foi tornada célebre nos anos 90 aquando da publicação da obra de Wackernagel e Rees, “Our Ecological Footprint” e representa atualmente um dos principais indicadores de sustentabilidade utilizados. 2.2- Recursos naturais Segundo o Governo Brasileiro (2005) o aumento do nível de exigência da população traduziu-se num aumento do nível de consumo de recursos naturais. Atualmente e com o nível de consumo realizado, seriam necessários em alguns países o dobro dos recursos que a sua bioprodutividade permite. Assim sendo, torna-se essencial optar por um estilo de vida mais sustentável onde se poderia identificar algumas caraterísticas essenciais que devem fazer parte de qualquer estratégia de consumo sustentável: • O consumo deve ser parte de um estilo de vida sustentável inserido numa sociedade toda ela focada na sustentabilidade; • Requer justiça no acesso aos recursos, à estabilidade económica e social para todas as gerações; • O consumo material deve tornar-se cada vez menos importante, deixando assim de fazer parte do conjunto de serviços essenciais para a obtenção de satisfação; • Deve ser consistente com a conservação e melhoria do ambiente natural.
9 3- Sustentabilidade: 3.1- Quais os pilares da sustentabilidade Com o enorme consumo de recursos que se tem notado atualmente, surge a necessidade de se consumir de forma mais sustentável. Segundo o Relatório de Brundtland (UNWCED, 1987), o desenvolvimento sustentável é aquele que consegue satisfazer as necessidades das gerações no presente sem comprometer as gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades. A sustentabilidade assenta em 3 pilares centrais, o económico, o social e o ambiental (Pereira, 2008). Estes pilares interagem entre si, sendo que a perda de qualquer um dos três coloca em causa a sustentabilidade do sistema. Figura 2: Os 3 pilares da sustentabilidade Fonte: Pereira, 2008 Relativamente ao aspeto social, trata-se do capital humano de um empreendimento, comunidade, ou sociedade, sendo que o principal objetivo reside no bem-estar dos trabalhadores, traduzindo-se num ambiente de trabalho mais agradável, pensando na saúde do operário e da respetiva família, contribuindo para um mais fácil acesso a outras regalias como a educação ou saúde (Pereira, 2008). No aspeto económico, são analisadas as vertentes ligadas à produção, distribuição e consumo de recursos, sendo necessário ter em conta todos os aspetos que sustentam o conceito de sustentabilidade. Sustentabilidade Natureza Diversidade biológica, serviços ambientais, resiliência Sociedade Diversidade cultural, justiça social, participação Economia Suprir necessidades básicas, desenvolvimento equilibrado, produção de bens e serviços
10 Por último, mas não menos importante, aparece a vertente ambiental que se refere a tudo aquilo que é fornecido diretamente ou indiretamente pela natureza e que está presente num empreendimento ou sociedade. No cruzamento das três vertentes da sustentabilidade nasce o desenvolvimento sustentável. Baseados em Soares (2013), podem ser identificados princípios básicos com os quais o desenvolvimento se rege. -Princípio da equidade: cada indivíduo tem o direito, mas não obrigação de usufruir da mesma quantidade de solo disponível. - Princípio do poluidor pagador (PPP): o poluidor deve responsabilizar-se pela poluição e por isso deve suportar as despesas de abate da poluição, para assegurar que o ambiente permaneça num estado aceitável. - Princípio da prevenção: pressupõe avaliação e quantificação credível dos riscos/probabilidades para eliminar ou diminuir os danos – medidas para garantir um risco máximo aceitável. -Princípio da precaução: quando há consideráveis incertezas e não existem provas científicas sobre a causalidade, magnitude, probabilidade e natureza do dano - riscos mais imprevisíveis, incertos e não quantificáveis.
11 4- Pegada ecológica e conceitos básicos subjacentes O planeta atravessa atualmente um período bastante difícil na sua história no que diz respeito ao ambiente, sendo o melhoramento das condições de vida das pessoas e o aumento da taxa populacional no mundo algumas das principais causas, como é amplamente reconhecido na literatura (Hogan, 2011; Umbelino, 2005; Wackernagel e Rees, 1996). Uma das consequências deste elevado crescimento populacional, foi um aumento da qualidade de vida, que por sua vez deu origem a um outro problema que no futuro terá efeitos nefastos na vida das pessoas, a questão da sobre-exploração de recursos (GFN, 2010). Definido assim este panorama, torna-se necessário alterar esta situação, de modo que o futuro das próximas gerações não esteja em risco. Desta forma, a sustentabilidade constitui-se como um fator crucial nesta mudança (Lima, 2006) e o aparecimento de indicadores que possam medir este fator ganham uma enorme importância. A pegada ecológica é um desses indicadores, sendo utilizado quer a nível local (Quezada, 2013), quer a nível global (WWF, 2012 b), quer ainda a nível organizacional (Branco, 2012) A pegada ecológica pode ser definida como sendo um indicador que mede os impactos causados pelo ser humano ao ambiente. Este conceito foi criado por William Rees e por Mathis Wackernagel em 1996 aquando do lançamento do livro escrito por ambos, apelidado de “Our Ecological Footprint”. Com este indicador é feita uma estimativa da área necessária para compensar o consumo de recursos naturais 4.1- Capacidade de suporte: Diretamente relacionado com a pegada ecológica, aparece o conceito de capacidade de suporte que, segundo Wackernagel e Rees (1996), é definida como o tamanho máximo da população de uma dada espécie que um determinado espaço consegue suportar sem colocar em causa o equilíbrio e a sustentabilidade dos ecossistemas. O valor da capacidade de suporte de uma dada área é um valor constante, não sendo influenciado pelo aumento da tecnologia bem como o avanço da mesma. Por outro lado, a tecnologia apenas melhora a performance energética, traduzindo-se num menor impacto na natureza. Apesar de no final a tendência ser a mesma, ou seja, maior utilização do terreno, a capacidade que essa determinada área consegue suportar é a mesma. Esta situação garante uma maior taxa de produção com o mesmo espaço. No entanto, os ganhos obtidos através do aumento da tecnologia não são bem aproveitados na medida em que, em vez de aplicarem estes ganhos em formas de reabilitação de capital natural,
12 aproveitam para produzir um pouco mais aumentando o seu lucro e causando o mesmo impacto que teria sem o surgimento de tecnologia (Costa, 2008). Uma definição comummente utilizada de capacidade de carga, segundo Hardin (1997, p.1) é: “o número máximo de espécies que podem ser suportadas indefinidamente por um determinado habitat, levando em consideração mudanças sazonais e ocasionais, sem a degradação do meio ambiente e a diminuição da capacidade de carga no futuro”. Para além de tudo isto, algumas empresas aproveitam a circunstância de muitas tecnologias contribuírem para uma menor pegada ecológica de modo a disfarçar o impacto da sua atividade. Por exemplo, as indústrias da agricultura, florestas e mineração aproveitam o facto do avanço tecnológico permitir produzir com consumos inferiores aos atuais para poderem produzir mais, usando tecnologia de ponta, causando um impacto igual ou superior ao que causariam sem a existência desta tecnologia. (Wackernagel e Rees, 1996). Contudo, a indústria e a natureza podem coexistir em conformidade, isto se a sustentabilidade for tida em conta (Lima, 2006). Se uma empresa apenas exportar o excedente do consumo da população e se a produção nunca esgotar o capital natural garantindo a sua regeneração, é possível que as empresas não tenham um impacto tão negativo nos ecossistemas. O que acontece hoje em dia é o gasto abusivo de capital natural, sem haver uma preocupação pela regeneração do mesmo, sendo o objetivo primordial a maximização do lucro da organização. Neste seguimento assume-se que a pegada ecológica possa representar uma solução para o problema da atualidade, garantindo uma quantificação do impacto causado. Essa quantificação é realizada usando uma unidade pré-definida sendo ela o hectare global. 4.2-Hectares globais Após a introdução do conceito de pegada ecológica e depois da sua divulgação foi necessário encontrar um denominador em comum para assim comparar os valores obtidos. Para o cálculo da pegada ecológica é usada uma unidade específica que se apelida de Hectare Global. A WWF (2012) define Hectare global como sendo igual a um hectare cuja produtividade seja igual à média das produtividades dos 11,2 mil milhões de hectares bioprodutivos existentes em todo o mundo. Para este contexto, a bioprodutividade não diz respeito à capacidade de produção de biomassa, mas sim à capacidade de atingir uma produção máxima agrícola.
13 Para esta conversão são tidos em conta os fatores de equivalência e os fatores de produtividade de cada terreno, garantindo assim a diferenciação dos países relativamente ao uso dos seus recursos. Este total de 11,2 biliões de hectares bioprodutivos representa apenas ¼ da superfície total do planeta (Pereira, 2008). Estes 11,2 biliões de hectares são divididos em várias partes como está representado no diagrama da figura 3. Figura 3: Repartiçao das áreas bioprodutivas 4.3-Fatores de produtividade A produtividade pode ser definida como a quantidade de recurso ou energia empregue que é convertida em capital manufaturado, ou seja, pode dizer-se que mede e eficiência dos processos de utilização dos recursos (Soares, 2013). Um exemplo da medição da produtividade é o fator de produtividade de um país onde se divide o PIB pelo uso de energia ou materiais utilizados (Soares, 2013)
14 Desta forma, os fatores de produtividade demonstram até que ponto uma área bioprodutiva é mais ou menos produtiva relativamente à média global mundial do mesmo tipo de área. O fator de produtividade representa a razão entre a área que um país utiliza para produzir os seus bens e a área que seria necessária para produzir os mesmos bens, com as médias de produtividade mundial. Fator de Produtividade Relativamente aos vários de tipos de área, cada país possui os seus fatores de produtividade para cada tipo de área bioprodutiva, sendo necessária a atualização anual destes valores. Tabela 1: Fatores de produtividade (Fonte: GFN 2010) (assumindo a média mundial de produtividade de uma área bioprodutiva como 1): Na tabela representada acima, pode verificar-se alguns valores das produtividades dos diferentes tipos de áreas biologicamente produtivas, em diferentes países. A partir desta tabela pode afirmar-se que um hag de floresta na Alemanha, produz cerca de 10 vezes mais recursos que um hag na Argélia (GFN, 2010). Os fatores de produtividade são calculados anualmente para os diferentes tipos de áreas produtivas, ocorrendo por vezes algumas variações. Estas variações estão relacionadas geralmente com diversos fatores nomeadamente, o avanço tecnológico e as mudanças nas práticas de gestão utilizadas.
15 4.4-Fatores de equivalência O fator de equivalência indica o uso específico de um determinado tipo de área relativamente à média mundial da utilização de todos os tipos de áreas biologicamente produtivas (GFN, 2010). Os fatores de equivalência podem assim ser calculados através da seguinte expressão: Fator de Equivalência Desta forma se pode comparar as taxas de produção de diferentes tipos de áreas bioprodutivas em diferentes locais. Na tabela 2 estão representados os fatores de equivalência de algumas áreas bioprodutivas. Tabela 2: Fatores de Equivalência (Fonte: GFN, 2010) Através desta tabela pode concluir-se que, por exemplo, os espaços destinados ao cultivo são mais produtivos que os espaços florestais. Esta conclusão pode ser retirada olhando para os respetivos fatores de equivalência. De certa forma, os fatores de equivalência são utilizados para converter os hectares de terra bioprodutivos em hectares globais, dando a conhecer quais dos hectares de uma determinada área são bioprodutivos. Um modo de demonstrar esta discrepância entre as duas medidas está representado na figura seguinte.
22 Figura 8: Défice ecológico (Fonte: 4 ) Outro conceito relacionado com o saldo ecológico é o overshoot, podendo ser local ou global (GFN, 2010). O overshoot local acontece quando a capacidade de regeneração dos ecossistemas é excedida, não dando tempo dos mesmos se regenerarem. A principal diferença entre o overshoot relativamente ao deficit ecológico reside no facto do deficit ecológico se basear na diferença entre a pegada ecológica e a biocapacidade. O overshoot global acontece quando a capacidade regenerativa do planeta é ultrapassada, ou seja, a utilização de recursos supera a oferta dos ecossistemas. Nesta escala global o overshoot e o deficit ecológico são coincidentes devido à Lei de conservação da matéria, que enuncia que a quantidade de matéria num sistema fechado é constante. Figura 9: Overshoot (Fonte: WWF, 2012) 4 Retirado do site http://www.cronicadearagon.es/wordpress/destacadas/el-planeta-entra-hoy-en-deficit- ecologico-anual
23 As variações da pegada ecológica mundial são influenciadas por alguns fatores externos dando origem a enormes alterações no equilíbrio dos ecossistemas. (WWF, 2012) → Crescimento populacional – o aumento populacional é um fenómeno que se tem verificado nos últimos anos devido ao aumento da esperança média de vida provocada pelo melhoramento das condições de vida da população. Segundo a WWF (2012), em 2050 prevê-se que a população mundial atinja um valor a rondar os 10 biliões de habitantes. → Aumento do consumo – com o aumento da dimensão populacional, os níveis de exigência para os ecossistemas satisfazerem as necessidades populacionais aumentam, traduzindo-se numa maior pressão. → Eficiência na preparação dos serviços – os processos que transformam as matériasprimas em serviços por vezes não são muito eficientes, não garantindo a máxima utilização dos recursos. 4.8-Pontos fortes da pegada ecológica Ao longo do tempo têm vindo a ser identificados os problemas ou limitações do cálculo da pegada ecológica, garantindo assim o aperfeiçoamento deste indicador de sustentabilidade. Neste seguimento, começa-se por enumerar as principais vantagens relativamente ao cálculo da pegada ecológica. Segundo alguns autores (Ex: Wackernagel, 1996, Bellen, 2002, Amaral, 2010, Soares, 2013, Andrade, 2006), as principais vantagens na utilização da pegada ecológica como indicador de sustentabilidade residem no facto de ser um indicador: -Geral: inclui uma grande variedade de impactos humanos e pressões ao ambiente dando assim um caráter mais amplo à sua análise, garantindo um resultado mais adequado à situação atual. -Confiável: são utilizadas fontes de informação fiáveis, nomeadamente fontes nacionais ou mesmo internacionais. Este fator é de extrema importância dado que a veracidade dos dados se traduzirá em resultados mais coincidentes com a verdade. -Conciso e detalhado: conclusão é clara e simples, sendo de fácil compreensão, fazendo com que possa ser consultado por qualquer pessoa e onde cada um pode saber qual o seu verdadeiro impacto nos ecossistemas. Além disto, é um relatório bastante detalhado garantindo assim um grande rigor na investigação. -Conservador: não tem em conta dados especulativos ou com uma grande margem de erro. Este fator torna-se importante na medida em que não permite que a influência de fatores externos possa colocar em causa a investigação.
24 -Flexível: permite o estudo de vários ramos, garantindo sempre a veracidade dos resultados, dando assim a conhecer quais os parâmetros mais importantes a serem analisados e identificando os fatores chave para a resolução do atual problema. -Compreensível: o resultado é de fácil compreensão, apesar do seu enorme rigor na investigação; é compreendido por todas as pessoas, dada a forma como é calculado, o indicador fornece sempre os resultados numa unidade de medida universal. -Educador: excelente elemento para a sensibilização de toda a comunidade. É um grande elemento para a educação ambiental. -Planeamento de estratégias futuras: é bastante importante para os governos, pois informa os mesmos acerca dos fatores mais importantes a serem corrigidos num futuro próximo (Soares, 2013). Para além destas caraterísticas, Soares (2013) realça o facto de serem análises facilmente comparáveis entre si, o que conduziu a um grande crescimento deste método fazendo com que fosse reconhecido como um indicador de sustentabilidade, atingindo uma grande popularidade. Com a divulgação deste indicador de sustentabilidade foram encontradas outras vantagens relativamente à sua utilização. Segundo Andrade (2006) a pegada ecológica interliga varias questões ou temas de sustentabilidade, como por exemplo a equidade. Andrade (2006) também identificou a grande importância no que diz respeito ao alerta para consequências futuras, assumindo a continuidade de alguns cenários problemáticos, como por exemplo o consumo excessivo de recursos naturais. Além do que já foi referenciado, Andrade (2006) considera que a pegada ecológica funciona como uma ferramenta de formulação de cenários futuros possíveis, facilitando a projeção de ações antecipativas que possam colmatar os problemas atuais. Outra das vantagens do uso da pegada ecológica prende-se no facto da mesma estar em concordância com as leis da termodinâmica, o que a torna mais fiável (Carballo et al, 2008). Este indicador tem também a capacidade de detetar as áreas mais sensíveis e as mais pressionadas pelo ser humano, dando assim a possibilidade de encontrar formas para colmatar essa mesma pressão antes de ocorrerem danos maiores (Soares, 2013). Com o estudo da pegada ecológica numa série temporal pode-se revelar se os atuais padrões de consumo da população estão a tender para uma situação de overshoot ou para uma situação onde é possível a construção de reservas ecológicas, ou seja, um desenvolvimento sustentável.
25 4.9-Críticas da pegada ecológica Com o passar dos anos, diversos autores foram desenvolvendo críticas acerca da utilização da pegada ecológica como indicador de sustentabilidade. Segundo Costa (2008), as primeiras críticas caem sobre os métodos de cálculo que apenas consideram o uso das energias renováveis, enquanto que as energias não renováveis só são tidas em conta em relação às emissões que produzem aquando da sua transformação, não tendo em conta o possível esgotamento das suas reservas. Com a enorme pressão exercida pelo ser humano na natureza, os danos causados são mais divulgados conduzindo assim a outra crítica. Este indicador de sustentabilidade assenta no facto de apenas ter em conta a vertente ambiental, desprezando os impactos causados ao nível económico e ao nível da sociedade (WWF, 2006, Venetoulis e Talberth, 2008 e Costa, 2008). Desta forma não respeita os 3 pilares da sustentabilidade, tornando-se assim um indicador incompleto. A poluição causada pelo ser humano pode apresentar-se em várias formas conduzindo a impactos diversos. Assim sendo, nasce a crítica relativamente à abrangência do estudo, ou seja, este indicador apenas tem em conta o uso do solo e as emissões de CO2 libertadas, desprezando uma grande panóplia de outras pressões exercidas pelo ser humano e desprezando também a emissão de outros gases, que embora sejam produzidos em menor quantidade, tem um impacto bastante acentuado no equilíbrio dos ecossistemas. Além do que foi referido anteriormente, a disponibilidade de dados representa uma grande barreira que condiciona grandemente uma das partes mais importantes no estudo da pegada ecológica. Por outro lado, diversas áreas do Planeta Terra são desconsideradas no cálculo da pegada ecológica, devido ao facto de estas não serem utilizadas diretamente pelo ser humano. Segundo Pereira (2008), estas zonas deveriam ser tidas em conta no cálculo, pois desempenham importantes ações, nomeadamente na manutenção do equilíbrio de ecossistemas, garantindo a existência de vida no planeta. Venetoulis e Talberth (2008), após a introdução do conceito de Produtividade Primária Líquida (PPL), sugeriram também a introdução de alguns parâmetros que poderiam ser relevantes para validação da pegada ecológica como um bom indicador de sustentabilidade. Segundo estes autores, este indicador deveria incluir a superfície inteira da Terra na biocapacidade, reservar uma fração da biocapacidade para outras espécies, modificar as considerações sobre as taxas de sequestro de carbono e utilizar a PPL como base para um novo fator de equivalência.
26 Segundo a WWF (2010), uma das fraquezas da pegada ecológica como indicador de sustentabilidade assenta no facto de não ter em conta a capacidade dos ecossitemas de assimilar os resíduos produzidos pela atividade humana. Outros trabalhos já foram realizados sobre a temática da pegada ecológica sendo um deles publicado pela GLA (Greater London Authority) em 2003. Segundo esta publicação, a pegada ecológica apresenta algumas limitações, onde se pode realçar a inexistência de alternativas que façam alterar as enormes disparidades entre a pegada ecológica e a biocapacidade. Esta organização realça que o facto de serem usadas proxys conduz a possíveis erros de precisão de resultados. A elevada simplicidade dos resultados pode conduzir a uma situação de descrédito relativamente as pressões exercidas, ou seja, pode dar a impressão que as melhorias efetuadas num dado local do planeta podem compensar as elevadíssimas pressões efetuadas noutros locais do mesmo (Soares, 2013). Esta ideia está completamente errada, pois todos devem acarretar com as consequências dos seus atos em vez de esperar que alguém possa colmatar esse impacto causado (PPP-princípio poluidor pagador). O facto da pegada ecológica dar especial atenção à pressão efetuada aos ecossistemas, transmite a ideia de que apenas mede o overshoot insustentável dando apenas a informação da pressão exercida. Assim sendo, deixa de ser considerado um indicador de sustentabilidade eficaz, pois não avalia a sustentabilidade ecológica (Monfreda et al, 2004). Outra crítica apontada a este indicador de sustentabilidade é a inexistência de distinção da forma como a terra é aproveitada, ou seja, uma dada atividade pode causar um impacto menor, mas causando uma diminuição do nível de eficiência do terreno (destruição). Esta diminuição de eficiência não é tida em conta no estudo da pegada ecológica. Soares (2013) chama a atenção para o facto de que se uma determinada população usa de forma ineficiente um dado terreno mas sem o destruir, essa pode ser uma situação sustentável. Em contrapartida se ocorrer destruição, essa área pode nunca mais ser utilizada, ou seja, uma pegada maior pode ser mais sustentável do que uma pegada pequena, dependendo da forma como o terreno é utilizado. Devido ao facto do estudo da pegada ecológica olhar apenas para um espaço temporal curto, ou seja cerca de um ano normalmente, faz com que se trate de um indicador estático. Esta caraterística transmite algumas desvantagens na medida em que traduz a relação entre o consumo e os recursos num determinado momento de tempo (Wackernagel, 1996). A pegada ecológica é, atualmente, muito utilizada nas decisões políticas e governamentais devido aos limites de poluição impostos nas últimas décadas. No entanto, é em seguimentos da aplicação deste indicador nas decisões políticas que
27 surgem dois problemas principais. O primeiro, recai na utilização de pequenas populações, podendo conduzir a erros de análise devido ao facto de não serem populações suficientemente representativas. O outro problema realça a dificuldade em comparar resultados, dado que são utilizados vários métodos de análise e de recolha de dados (Wiedmann et al, 2006). Outra crítica reside no facto da pegada ecológica não ter em conta o local onde os recursos são extraídos. Em vez disso, esta contabilização é feita no país onde são consumidos, distorcendo por vezes os valores calculados para a pegada ecológica de um país (Costa, 2008). Ainda segundo o mesmo autor, o avanço tecnológico é muitas vezes desprezado, impossibilitando uma redução da pegada ecológica através da implementação de diversas tecnologias que poderiam aumentar a eficiência dos processos, garantindo um melhor aproveitamento dos recursos. Por último, é de realçar a complexidade dos cálculos efetuados para a estimativa da pegada, sendo simplificados com a utilização de folhas de cálculo existentes. Apesar das inúmeras critícas apontadas a este indicador de sustentabilidade, o mesmo tem conquistado cada vez mais apoiantes, garantindo assim a sua divulgação e desenvolvimento. Uma prova desta evolução é a publicação de uma grande quantidade de artigos científicos e estudos sobre esta temática (ex: Costa, 2008; Soares, 2013; Branco, 2012). A aceitação deste indicador de sustentabilidade por grandes organizações ambientais no mundo (WWF e Greenpeace) faz com que cada vez mais se refira esta metodologia de estudo. 4.10-Metodologia de cálculo da pegada ecológica O cálculo da pegada ecológica pode ser dividido em várias etapas. Seguindo de perto a metodologia indicada em Wackernagel & Rees (1996) e Bellen (2002), indicam-se de seguida os sete passos propostos: Etapa 1 - numa primeira fase é definido o âmbito da investigação, ou seja, define-se qual a população em que se pretende calcular a pegada ecológica. Etapa 2 – em seguida, é feito o levantamento dos parâmetros a ter em conta neste cálculo. Geralmente este levantamento é feito considerando 5 categorias de consumo, agrupando-os em cada uma delas. Etapa 3 – após a colheita de informação acerca das 5 categorias do estudo da pegada ecológica, calcula-se o consumo de cada organização ou país em cada uma dessas 5 categorias. Este cálculo pode ser realizado utilizando a seguinte expressão: Consumo = Produção Doméstica + Importação – Exportação
28 Etapa 4 – feito o cálculo do consumo dessas 5 categorias, divide-se esses valores pela população total. Com esta operação obtem-se os consumos médios per capita dessa mesma população. Etapa 5 – a partir do consumo médio per capita de cada categoria de consumo, estimase a área necessária para suportar esse consumo. Este valor é obtido dividindo o consumo médio de cada categoria pela sua produtividade média. Após a obtenção de um valor, este mesmo equivale a um determinado tipo de área biologicamente produtiva. Onde, aa(i) – Área per capita necessária à produção de cada categoria c(i) – Consumo médio de cada produto numa dada população p(i) – Produtividade média de cada produto De forma facilitar os outros cálculos, todos os valores são convertidos na unidade de medida utilizada para o cálculo da pegada ecológica, hectare global (hag). Etapa 6 – conhecidas as áreas necessárias à produção de todos os produtos consumidos por uma determinada população, realiza-se a soma dessas áreas, obtendo-se a pegada ecológica per capita. pe = ∑ aa(i) onde, pe –Pegada ecológica per capita Feito este cálculo, obtém-se a área necessária para suportar o consumo de uma única pessoa numa determinada população. Etapa 7 – conhecido o valor da etapa anterior, calcula-se a pegada ecológica da população total, multiplicando o valor obtido na etapa anterior pela dimensão total da população. PE = N × pe onde, N – Dimensão da população PE – Pegada ecológica da População O cálculo da pegada ecológica tem vindo a ser alterado ao longo dos anos e embora tenha um conceito universal, existem diversas formas de a calcular. Partindo destas
29 mudanças, emergem duas abordagens principais do cálculo deste indicador: a Abordagem do Composto e Abordagem do Componente (Soares, 2013). Embora tenham duas formas diferentes de atuar, ambas tem o mesmo objetivo, convergindo assim para um ponto em comum. 4.10.1-Abordagem do composto Os criadores do conceito de pegada ecológica desenvolveram a abordagem do composto (Wackernagel e Rees, 1996). Esta abordagem consiste na utilização de dados retirados de fontes internacionais, no cálculo da pegada ecológica. A principal caraterística desta abordagem é a escala do cálculo efetuado, que geralmente representa um país ou uma área geográfica mais alargada. Representa assim um modelo de cálculo Top-down (DEFRA, 2005; Costa, 2008; Monfreda et al, 2004; Soares 2013). A principal vantagem da utilização desta abordagem reside na comparação das pegadas de diferentes países. Esta comparação é geralmente apresentada num relatório internacional que evidencia as pegadas de diferentes países. A primeira edição deste relatório data do ano de 1997, apresentando-se como Footprint of Nations, tendo no entanto alterado esta designação para National Footprint Accounts. Atualmente este relatório faz parte do relatório anual Living Planet Report realizado pela WWF (Costa, 2008). Segundo DEFRA (2005), a versão de cálculo desta metodologia, assenta em 4 passos principais: 1º - Coleta de dados acerca da produção interna do país, tendo em conta também as importações e exportações. Para a obtenção destes dados é necessário recorrer a bases de dados que garantam a veracidade dos mesmos. As organizações mais utilizadas neste passo são a FAO (Food and Agriculture Organization das Nações Unidas ) e a EEA (Environmental European Agency). 2º - Tratamento dos dados recolhidos no 1º passo, ou seja, consumo = produção + importação – exportação. A relevância deste passo reside no cálculo da pressão exercida através do uso de recursos naturais. 3º - Conversão dos consumos através do uso de fatores de produtividade e de equivalência. Nesta fase os consumos são traduzidos em áreas necessárias para suportar um determinado consumo, sendo medidas em hag. 4º - Nesta última fase, os dados são agregados, dando origem ao valor final da pressão exercida pelo consumo de recursos. No final, os resultados desta metodologia darão origem à pegada ecológica de um determinado país, estando dividido nas diferentes categorias de consumo.
30 4.10.2-Abordagem do componente Esta abordagem foi desenvolvida pela Best Foot Forward em 1996 tendo sido denominada EcoCalTM. Com o passar dos anos esta metodologia foi-se desenvolvendo passando a chamar-se EcoIndexTM. Esta metodologia parte dos dados regionais, ou seja de uma menor escala comparando com a abordagem de composto, diferindo da mesma pela diferença de escala. Assim sendo, esta perspetiva, ao contrário da referida no ponto anterior, é considerada Bottom-up (Soares, 2013). Outra caraterística desta abordagem assenta na análise através de componentes da pegada ecológica. Esta forma de pensamento analisa o impacto causado pelas diferentes atividades humanas, ou seja, os componentes que causam danos ao ambiente, dando no final uma análise dividida em componentes. Segundo DEFRA (2005), as atividades tidas em conta nesta perspetiva são: Consumo direto de energia – este componente inclui o consumo de energia e de combustíveis fósseis Uso de transportes – este componente engloba todo o transporte realizado através de meios que funcionem com recursos não renováveis Consumo de alimentos – esta parte inclui toda a atividade relacionada com o consumo e produção de alimentos Consumo de água – representa a pegada ecológica da água Produção de resíduos – neste capítulo estão incluídos os resíduos produzidos através das várias atividades humanas Edifícios e infraestruturas – esta categoria representa a área edificada que não pode ser considerada como biologicamente produtiva Esta abordagem respeita os passos indicados na abordagem do composto, sendo a diferença mais relevante a escala do estudo. Em suma, são duas perspetivas diferentes, mas que têm um objetivo em comum, ou seja, o cálculo da pegada ecológica de uma população. Embora a abordagem do componente seja mais simples, pois analisa a pegada por componente, não substitui a abordagem do composto. Pelo contrário, as duas complementam-se entre si (Costa, 2008). Embora sejam muito parecidas, ambas tem vantagens e desvantagens, que se realçam no quadro que se segue (DEFRA, 2005):
31 Tabela 3 – Vantagens e Desvantagens da abordagem do composto e da abordagem do componente Abordagem do composto Abordagem do componente Vantagens Dados recolhidos mais completos e mais fiáveis dado que provêm de fontes oficiais, internacionais e reconhecidas Valores facilmente repetidos numa base anual Facilidade de comparação de resultados entre países Apresentação dos resultados é feita de forma a facilitar a sua utilização (ex: energia, transportes, etc) Esta abordagem pode ser utilizada na análise de outras áreas Desvantagens Pouca precisão nos resultados Resultados não são utilizados para fins políticos Grande número de fontes pode adulterar os resultados Diferença nas unidades pode tornar as comparações difíceis Disponibilidade de dados bem como a variação de metodologia pode dificultar a repetição dos resultados Fonte: DEFRA, 2005
38 - A energia renovável autogerada pela organização não é contabilizada como contrapegada. 5.3.4-MC3: Cálculo da pegada dos materiais - Neste grupo incluem-se como fontes de emissão as mercadorias ou materiais de fluxo, os materiais amortizáveis e os materiais não amortizáveis. Cada um destes inclui mais de 20 grupos de materiais, desde os menos intensivos como as matérias-primas, passando pelos mais intensivos como máquinas ou eletrodomésticos. - A fonte dos dados, tal como é normal neste ferramenta, são os relatórios de contas financeiras das empresas. As empresas tentam revelar esses dados utilizando sempre unidades em comum. Posteriormente, é feita uma conversão de Euros para toneladas ou quilograma, facilitando assim a comparação dos cálculos. - Dados como a intensidade energética dos materiais são obtidos a partir de autores como a WWF e a BFF (Best Foot Forward). - Após a saída dos produtos da empresa e durante o seu uso, bem como da sua eliminação, a pegada ecológica correspondente a esta fase não recai sobre o produtor, mas sim sobre o consumidor. - No caso dos materiais de construção cuja pegada não é conhecida, são usadas as formas polinomiais para o cálculo do preço dos contratos públicos. 5.3.5-MC3: Cálculo da pegada dos serviços - Estão incluídos neste cálculo todos os serviços de baixa mobilidade 5 , alta mobilidade 6 , transportes de pessoas e mercadorias e por último utilização de serviços públicos. - Dados fornecidos pelas contas financeiras das empresas. - A conversão de Euros para unidades físicas, como litros de gasóleo, é efetuada calculando a percentagem de combustível envolvido na faturação. - Os fatores de conversão da pegada da mobilidade são selecionados preferencialmente em gigajoules por pessoa ou tonelada de mercadoria por quilómetro, em vez de emissões de CO2. 5 Serviços de baixa mobilidade, exemplos: escritório, hotelaria, telefone, serviços médicos, serviços culturais, serviços de limpeza de interiores, alugueres de parques industriais ou centros comerciais 6 Serviços de alta mobilidade, exemplos: serviços de limpeza de exteriores, correio
39 - O arrendamento de ativos, locais ou franquias nunca são contabilizados como pegada, pois caem fora do alcance da organização. 5.3.6-MC3: Cálculo da pegada agrícola - Inclui como fonte de emissão todos os alimentos provenientes de atividades como agricultura, pesca, ou criação de animais. Neste grupo também estão incluídos os serviços de restaurante e bar. - As produtividades naturais devem ser obtidas através de fontes como a FAO. - O impacto dos produtos agrícolas e de criação de animais é compensado com a contra pegada, uma vez que o espaço produtivo se transmite desde a fonte de produção até à cadeia de distribuição. 5.3.7-MC3: Cálculo da pegada florestal - Inclui como fontes de emissão 3 grupos de madeiras que variam desde maior intensidade a menor, papel, resina, borracha e cortiça. - Com o objetivo de conseguir dados fiáveis para o cálculo da pegada, é preferível a utilização de dados de produtividade a partir de bases de dados da FAO. - A pegada florestal nunca poderá ser compensada por contra-pegada ( contra-pegada consiste no investimento das organizações na colmatação da pegada ecológica existente, como por exemplo, o reflorestamento) a não ser que haja um certificado que garanta que toda a madeira utilizada provem de explorações sustentáveis. 5.3.8-MC3: Cálculo da pegada de água - Assume-se como fonte de emissão todo o consumo de água, quer potável, quer não potável. - A pegada hídrica inclui tanto o gasto energético por metro cúbico de água como a pegada do uso do solo. 5.3.9-MC3: Cálculo do traço da ocupação do solo - Inclui toda a ocupação de espaço, quer no solo, quer em espaços aquáticos.
40 - A pegada dos solos é nula quando os produtos produzidos num determinado local são utilizados posteriormente por terceiros. Doutra forma, a pegada é igual ao espaço ocupado. - Quando o espaço é explorado por terceiros, a sua produção é interpretada como contra-pegada. - O total da contra-pegada de um terreno pode ser utilizado como indicador de capital natural, dando assim a conhecer qual a sua capacidade de albergar biodiversidade. - A pegada de carbono obtida no MC3 é automaticamente convertida em pegada ecológica para assim facilitar os cálculos adjacentes. - Quando os valores obtidos têm como unidade o hectare, é necessário converter os mesmos para hectares globais por meio dos fatores de equivalência, mostrando assim qual a produtividade média global de uma determinada área bioprodutiva. - A conversão de pegada de carbono para pegada ecológica é feita segundo os fatores de absorção que podem ser obtidos pelo IPCC. 5.3.10-MC3: Cálculo da pegada de resíduos - Inclui como fonte de emissão toda a produção de resíduos perigosos e não perigosos. - Deverá ser feita uma adaptação para se considerar toda a produção de resíduos possível. - Para a recolha de fatores de emissão devem ser utilizadas fontes fidedignas como o IPCC (Intergovernamental Panel on Climate Change) e Comissão Europeia. - Os gases de efeito de estufa diferentes do CO2 convertem-se para CO2 equivalente através do potencial de aquecimento, contando um período de 100 anos. Estes GEE devem estar incluídos no Protocolo de Quioto. 5.3.11-MC3: Ajustes e resultados A pegada dos produtos - Ao contrário do que a GFN entende como sendo a pegada ecológica, segundo o método MC3, a pegada ecológica dos produtos de uma organização é a parte proporcional da organização que corresponde à produção desse produto. A pegada das organizações é vista com uma abordagem bottom-up, calculando-se a partir dos seus inputs que fazem parte do fabrico desse produto. Nos outputs, com abordagem top-
41 down, obtem-se o valor final a partir da pegada do conjunto das organizações que fazem parte do seu fabrico, uso e eliminação. Ecotiquetagem de produtos e organizações - No MC3 são etiquetados todos os produtos de forma a facilitar a propagação da informação de um ponto para o outro sem necessitar do diálogo entre os elos da cadeia. O principal objetivo é que todos os produtos de uma economia estejam etiquetados. - É proposta uma unidade em comum para a etiquetagem que é toneladas de CO2 por toneladas de produto. - A etiquetagem deverá ser feita ao final de cada ano, o que obriga as empresas a calcular a sua pegada ecológica até ao final do ano. Aplicações dos indicadores de sustentabilidade - O MC3, como indicador integrado e sustentabilidade, pode ser expresso por várias formas: ambientalmente a unidade utilizada é quantidade de produto por tonelada de CO2, socialmente a unidade utilizada é o número de empregos gerados por unidade de ecoeficiência e por último, economicamente, a unidade utilizada é a ecoeficiência. 5.4-Vantagens e desvantagens do MC3 v2 Vantagens: A primeira vantagem deste método reside no facto de ser completo, transparente e tecnicamente viável, baseado no conceito criado por Wackernagel e Rees (1996). Além disto, os cálculos efetuados nesta ferramenta não requerem qualquer tipo de conhecimento específico acerca da metodologia, sendo possível ser utilizado por qualquer pessoa. Assim sendo e tendo em conta a origem das informações utilizadas neste método (relatórios financeiros das empresas), a recolha de informação e a veracidade da mesma está garantida (Carballo et al, 2008). Para este cálculo é necessário conhecer quais os elos da cadeia de valor dos produtos produzidos e quais os intervenientes nos mesmos. A pegada de cada produto vai passando de elo para elo, acumulando-se progressivamente ao longo do seu ciclo de vida. Devido ao facto de se conhecer todos os intervenientes do ciclo de vida dos produtos, torna mais fácil a tomada de decisões para o melhoramento dos processos do fabrico dos mesmos. Este facto permite introduzir pequenas modificações no ciclo de vida dos produtos, garantindo um menor impacto no ambiente (Carballo et al, 2008).
42 Segundo Domenech (2009), o método MC3 permite controlar o nível de sustentabilidade e qual o progresso que se desenvolve nesse sentido. Este controlo é conseguido através do cálculo da pegada ecológica das organizações, conseguindo assim alterar possíveis comportamentos menos aconselháveis por parte das empresas. Autores como Carballo (2008 e 2010) e Domenech (2010) creem que a PEO pode ser utilizada como uma ferramenta de apoio à gestão das empresas. Desta forma entendem que a PEO é capaz de identificar possíveis procuras menos sustentáveis de capital natural. Estas procuras insustentáveis são as principais causadoras de grandes perturbações da biosfera. Além disto, estes autores acreditam que é um excelente meio de comunicação da situação da empresa no que diz respeito à performance ambiental, é muito importante no planeamento de possíveis ações da empresa no setor ambiental, social e financeiro da mesma e por último, permite obter previsões das empresas no que diz respeito ao impacto causado. Outra das vantagens deste método discutida por Domenech (2010) reside no facto de ser possível o cálculo simultâneo da pegada da organização em questão bem como do cálculo da pegada do produto. Segundo alguns autores (ex. Carballo, 2008 e Domenech, 2010) a PEO, devido ao facto da análise dar importância a todos os elos da cadeia de valor dos produtos, isso garante que as pegadas dessas etapas da cadeia de valor sejam analisadas individualmente, permitindo a intervenção nos elos mais problemáticos. Isto garante o controlo total, quer da fase de fabrico, quer da fase de consumo bem como da eliminação dos produtos. Com a utilização desta metodologia garante-se que todos os responsáveis pela causa de perturbações no ambiente, inerentes a uma determinada atividade, sejam penalizados ou simplesmente responsabilizados pelos seus atos. Este fator garante alguma justiça, pois não são apenas as empresas produtoras e serviços as causadoras de perturbações no planeta, mas sim todos aqueles que intervêm diretamente com os produtos. Por último, outra das vantagens apontadas a esta metodologia reside na facilidade de execução e da grande fiabilidade dos dados recolhidos durante a investigação. Estes dados, como já foi referido anteriormente, provêm dos relatórios de contas financeiras das empresas a serem estudadas. Além disto, permite ao investigador adicionar e retirar parcelas, tornando este método bastante flexível, podendo ser deste modo mais generalizada a utilização deste indicador. Desvantagens: Como qualquer processo de investigação, o método MC3 também apresenta algumas lacunas que tornam por vezes a metodologia ineficiente e ineficaz.
43 Uma das limitações mais importantes de acordo com Carballo, (2008) reside na impossibilidade de decompor toda a atividade de todas as empresas em elos. Por vezes as atividades de produção estão interligadas entre si, pelo que é aconselhável olhar para os vários processos que ali se desenrolam como um todo e não em pequenas fases de produção. Além deste fator, por vezes a informação necessária para o cálculo da PEO não é de fácil acesso, impossibilitando o desenrolar da investigação. Informações relativamente a fatores de produtividade, fatores de absorção, fatores de equivalência, mix energético da empresa, podem ser de difícil acesso. Outra limitação desta metodologia recai na dupla contabilização de alguns fatores. Um exemplo desta dupla contagem pode ser o seguinte: quando uma empresa utiliza materiais que provêm de outros produzidos pela própria empresa, neste caso a contabilidade da pegada desses materiais já foi feita, sendo repetida noutros elos mais avançados da cadeia de valor do produto ou serviço. Isto sucede porque a pegada ecológica é apenas referente a um ano de atividade de uma empresa. Depois desse ano, caso os produtos saídos dessa empresa voltem a entrar, são de novo contabilizados, traduzindo-se num erro que pode alterar a veracidade dos resultados. Por último, em termos de cálculos, a folha disponibilizada, apesar de ser de fácil uso e acesso, requer um vasto conhecimento para perceber quais os cálculos envolventes nesta ferramenta (Soares, 2013).
44 6- Estudo de caso: aplicação do conceito de pegada ecológica à Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP) 6.1-Caraterização da Organização A FEP representa atualmente uma das faculdades com maior reconhecimento e prestígio da Universidade do Porto, sendo um local de referência da cidade. O edifício localiza-se no Polo Universitário do Porto junto ao reconhecido Hospital de São João. A FEP foi fundada em 1953 na sequência de um incêndio que atingiu o edifício localizado na baixa do Porto, sendo transferida, em Junho de 1974, para o Campus da Asprela. A FEP é um dos edifícios pioneiros a surgir no local que mais tarde se veio a tornar um grande centro de instituições universitárias. O arquiteto responsável pelo projeto das atuais instalações da FEP foi Viana de Lima, conjugando assim a opção pela modernidade do autor, com uma visão arquitetónica mais conservadora da época. Esta instituição foi responsável pela formação de muitas pessoas, uma grande parte das quais atualmente com carreiras prestigiadas. Além de um ponto de enorme interesse por parte de visitantes, a FEP representa uma parte de cada estudante que por aqui passou. No decorrer deste estudo foi possível avaliar a forma de funcionamento e gestão desta instituição o que possibilitou a retirada de conclusões importantes para este estudo. Esses resultados serão expostos no ponto seguinte desta investigação. 6.2-Pegada Ecológica da FEP. Partindo do principal objetivo desta investigação que se prende no cálculo da pegada ecológica da FEP, foi possível obter muita informação acerca do tema da pegada ecológica e sobre a realidade da FEP sendo que esta última representa um local de grande importância para o autor desta dissertação. O ano ao qual o estudo se refere é 2013. Para efeitos de cálculo da pegada ecológica foi utilizado o método MC3, já aplicado a várias instituições (referenciadas no decorrer desta investigação) Este método tem por base uma folha de cálculo onde podem ser inseridos os valores relativos aos consumos das instituições, fornecendo o resultado em unidades facilmente comparáveis.
45 Para o cálculo da pegada ecológica da FEP, os consumos desta instituição foram divididos em vários grupos de forma a facilitar o tratamento dos dados. Esses grupos são: emissões diretas, emissões indiretas, uso de materiais, uso de solo, uso de água, uso de materiais agropecuários, serviços inerentes à atividade da FEP, recursos florestais e por fim produção de resíduos. Esta subdivisão em grupos é assim estipulada tendo em conta a organização da folha de cálculo MC3 que apresenta esta divisão. Os dados foram fornecidos pela administração da FEP e algumas das organizações diretamente ligadas à atividade da mesma. De seguida apresenta-se sumariamente os elementos que fazem parte de cada categoria proposta na folha de cálculo: 6.2.1-Categorias de consumo: Emissões diretas Emissões indiretas Materiais Serviços Recursos agropecuários Recursos florestais Água Uso do solo Resíduos Emissões diretas As emissões diretas referentes à atividade da FEP baseiam-se na manutenção da temperatura do edifício mais antigo. Neste edifício são utilizados radiadores que funcionam a gás e que garantem o aquecimento do mesmo edifício durante todo o período de inverno. Durante grande parte do inverno de 2013 estes mesmos aparelhos estiveram desligados devido a avaria técnica o que poderá conduzir a um cenário um pouco diferente relativamente aos anos anteriores. Este facto, associado à não utilização de materiais que consigam reter o calor representam uma enorme fonte de gasto de recursos para a instituição. Este cenário apenas é verificado no edifício central, pois no edifício das pós-graduações o mesmo já não acontece, devido aos materiais que compõem o mesmo serem mais eficientes, permitindo a acumulação de calor no inverno e manutenção de uma temperatura amena no verão, traduzindo-se assim numa menor taxa de perda de energia e consequente diminuição de utilização de recursos.
46 Segundo a Folha de cálculo MC3, o valor obtido para a pegada ecológica foi: Tabela 6- Emissões diretas Emissões diretas Consumo em litros Gás natural 141862 Pegada ecológica 341 Gás natural Consumo Em litros Fornecido pela FEP Em € por ano Multiplicação pelo preço do Gás Em toneladas por ano Litros× 0,8* /1000 *densidade=0,8 Em Gj/t Poder calorífico Em Gj por ano t/ano×Gj/t depois de obter este valor multiplica-se por 0,32 que é o fator de conversão do gás natural Fator de emissão Usados os fatores presentes na folha de cálculo MC3 Pegada de carbono por ecossistema (PCO) Gj/ano× fator de emissão Pegada por tipo de ecossistema PCO/fator de absorção Fonte: Soares, 2013 Emissões indiretas Esta categoria de consumo é referente ao gasto de eletricidade das instalações da FEP que incluem o edifício central e o edifício das pós-graduações. Para o cálculo desta categoria foram utilizados dados fornecidos pela instituição que posteriormente foram divididos em diferentes partes tendo em conta o mix energético nacional. Para obter o mix energético foi consultado o site da EDP onde foi possível verificar com clareza a informação pretendida. Após esta pesquisa foram inseridos os valores na folha de cálculo dando o respetivo resultado.
47 Esse resultado é representado na tabela que se segue: Tabela 7- Emissões indiretas Emissões indiretas Consumo em Kwh Eletricidade 289.864,1 Pegada ecológica 330,5 Contra-pegada 40,3 Eletricidade Consumo anual Em Kwh por ano Informação fornecida pela FEP Em € por ano Kwh/ano× preço da eletricidade Em toneladas por ano (Gj/ano)/poder calorífico Gj/Kwh 1Kwh=0,0036Gj Gj/ano Gj/ano=(Kwh/ano)×(Gj/kwh)/fator de produtividade Fatores de emissão Fatores de emissão contidos na folha de cálculo MC3 Produtividade energética Produtividade energética contida na folha de cálculo MC3 Pegada de carbono por ecossistema (PCO) Gj/ano× Fator de emissão Pegada ecológica por tipo de ecossistema PCO/fator de absorção Fonte: Soares, 2013 Este valor (pegada = 330,5 hag) é considerado baixo devido ao facto de cerca de 70% da energia consumida no nosso país ser proveniente de fontes renováveis o que torna uma energia limpa (retirado do site da EDP) 7 . No total a FEP apresenta uma pegada energética de 671,6 hag. Um estudo feito na Universidade de Redlands (Venetoulis, 2001) comprovou que a sua pegada energética era de 1900 hag bastante superior à registada na FEP. 7 http://www.edpsu.pt/pt/origemdaenergia/Folhetos%20de%20Rotulagem/Rotulagem%20de%20energia% 20el%C3%A9trica%20EDP%20SU%202013.pdf
54 Resíduos Nesta categoria são inseridos todos os desperdícios efetuados pela FEP durante a sua atividade. Nesta secção estão incluídos os resíduos recolhidos pelas equipas de limpeza dos corredores de FEP, do bar e da cantina. A grande parte dos resíduos produzidos são considerados como não perigosos, daí terem um impacto ligeiramente inferior. Por essa razão, esta parcela é uma das que pode ser mais eficazmente gerida no sentido de diminuir a quantidade de resíduos produzidos. Tabela 14- Resíduos Resíduos Consumo em toneladas Resíduos (inclui perigosos e não perigosos) 83,2 Emissões 0,3 Pegada ecológica 25,6 Em comparação com o estudo realizado por Soares (2013) (12,7 hag), os valores relativos e a pegada dos resíduos são bastante parecidos, apresentando a FEP valores um pouco mais elevados. Resíduos Consumo anual Em toneladas por ano Dados fornecidos pela FEP Fatores de emissão Valores presentes na folha de cálculo MC3 Pegada de carbono por ecossistema (PCO) Resíduos não perigosos: PE× fator de absorção Emissões: (t/ano)× potencial de aquecimentos Pegada ecológica por tipo de ecossistema Resíduos não perigosos: (t/ano)× índice de conversão Emissões: PCO/fator de absorção Fonte: Soares, 2013 6.3-Visão global da pegada ecológica da FEP No geral, a FEP apresenta uma pegada ecológica de 2160,8 e uma contra pegada de 192,1. Isto significa que necessita de uma área de 2160 ha para colmatar a quantidade
55 de recursos consumidos durante um ano. Este valor não é considerado elevado, comparativamente com outras instituições, no entanto em condições normais de funcionamento desta instituição este valor seria provavelmente um pouco mais elevado. Esta instituição não consome combustíveis fosseis em abundância e, como já foi referido no decorrer da investigação, o sistema de aquecimento do edifício central da FEP esteve desligado durante o inverno de 2013. Este fator é de extrema importância, pois os gastos no aquecimento são uma das principais fontes de poluição. Partindo deste ponto, é importante realçar a existência de oportunidades de melhoria ambiental da FEP, fazendo com que o seu impacto no ambiente seja menor. A eletricidade é também um ponto onde a pegada ecológica é reduzida, pois uma grande parte da eletricidade consumida em Portugal provém de fontes renováveis que tem pegada ecológica muito pequena. Já nos materiais o cenário é diferente pois, devido à constante necessidade de melhoramento das condições de estudo para os estudantes, esta instituição é obrigada a adquirir e trocar os equipamentos que possui por outros mais recentes desprezando os atuais, apesar de na maior parte das vezes os mesmos se encontrarem em bom estado. A necessidade contínua de serviços de manutenção é outra das fontes de gasto para a FEP, devido ao facto do edifício central necessitar constantemente de intervenção. Relativamente aos serviços e contratos realizados pela FEP, estes contribuem também para o impacto causado no ambiente, apresentado uma pegada ecológica de 277,9 hag. Os recursos agropecuários utilizados na FEP são consumidos nomeadamente no bar e na cantina. Aqui é o local onde os alunos se alimentam durante a sua estada na FEP, o que resulta também num gasto para a instituição. Todo o mobiliário utilizado na FEP engloba-se no grupo dos recursos florestais. A FEP está obrigada a substituir periodicamente grande parte do mobiliário que possui devido ao enorme desgaste de que é alvo ao longo dos anos letivos. A água utilizada na FEP embora não atinja níveis considerados excessivos, representa um gasto relevante para a organização. No decorrer na investigação foram sugeridas algumas formas de alterar esta situação garantindo uma diminuição do seu impacto. A área ocupada pela FEP representa também um grande impacto para o ambiente, pois não premeia a existência de uma grande quantidade de espaços verdes. Por último, os resíduos produzidos pela instituição em causa contribuem também para o impacto causado ao ambiente. A resolução ou atenuação deste problema passa pela redução da quantidade de resíduos produzidos. Em suma, a pegada de FEP não é muito elevada apesar de existirem pontos em que poderia ter um melhor desempenho, o que leva a crer que cada vez mais as instituições
56 optam por melhorar os seus processos garantindo uma maior eficiência das operações o que se traduz em bons resultados. Partindo deste ponto, existem oportunidades de melhoria da performance ambiental desta instituição que devem ser tidas em conta num futuro próximo. No entanto e devido ao facto desta investigação ser relativa apenas ao ano de 2013, pode distorcer um pouco os resultados obtidos. Uma forma de colmatar esta distorção seria realizar este projeto com um período de tempo mais alargado para assim poderem ser retiradas conclusões com maior fiabilidade. Figura 10- Distribuição da pegada ecológica por setores Fonte: Elaboraçao própria 6.4-Oportunidades de melhoria O método MC3 engloba várias categorias de estudo da pegada ecológica, tal como foi demonstrado ao longo desta dissertação. Conhecida a pegada ecológica da FEP, torna-se importante saber quais são as oportunidades de melhoria para esta instituição, fazendo com que o impacto da sua atividade seja minimizado. Neste seguimento são Gás natural Eletricidade Materiais Serviços e Contratos Recursos Agropecuários Recursos Florestais Água Uso do Solo Resíduos Pegada ecológica da FEP
57 apresentadas algumas ações que podem reverter este cenário atual e que têm sido sugeridas na literatura (ex. Soares, 2013; QUERCUS; Branco, 2012). a) Emissões Nesta secção uma das parcelas que mais contribui para a pegada ecológica de uma forma negativa é o consumo de eletricidade. Desta forma torna-se necessário encontrar formas para diminuir o impacto do seu uso tais como: Utilizar maioritariamente energia verde (apesar de atualmente uma grande parte da energia utilizada provir de fontes limpas) diminuindo ao máximo a utilização de combustíveis fosseis. Apostar na utilização de aparelhos de recolha de energia renovável, tais como turbinas eólicas e painéis solares. A utilização de tecnologias de isolamento térmico seria uma das formas para reduzir a utilização dos sistemas de aquecimento do edifício central da FEP. Utilização de tecnologias de eficiência energética e materiais de baixo consumo energético, tais como lâmpadas LED, seria uma excelente forma de diminuir o consumo de eletricidade desta instituição. Utilização de detetores de movimento para o acionamento da iluminação em áreas menos frequentadas, tais como WC. Não deixar equipamentos em stand by tais como PC‟s ou fotocopiadoras A divulgação dos problemas de esgotamento de recursos, bem como da pressão exercida sobre o planeta através das atividades quotidianas e a elaboração de listas de boas práticas ambientais seria proveitoso para a melhoria do atual estado de conservação dos ecossistemas. b) Materiais A utilização de materiais é também uma grande fonte de gasto para a FEP, pois a atividade realizada nas suas instalações requer a existência de uma grande quantidade de materiais de escritório tais como mesas, cadeiras, computadores, etc. A situação é agravada pelo facto de existir necessidade de substituição dos equipamentos de forma a garantir o bom desempenho da atividade realizada na FEP. De forma a reduzir o impacto causado através da compra de materiais, são apresentadas de seguida algumas sugestões. Optar pela compra de materiais verdes e certificados ambientalmente. Diminuir ao máximo o desperdício de materiais, optando em vez disso pela reutilização dos mesmos. Optar pela reparação de equipamentos tecnológicos em vez da sua troca pode significar uma diminuição acentuada dos gastos gerados.
58 A produção nacional é outra via para a diminuição da pegada dos materiais. Assim sendo, a opção de compra de materiais produzidos dentro do território nacional contribuirá para a diminuição da pegada ecológica, pois vai retirar a pegada do transporte desses produtos. c) Serviços e contratos Os serviços de manutenção e limpeza são os que mais pesam nesta secção na pegada ecológica da FEP. Estes serviços são essenciais para o bom funcionamento das instalações, daí ser imperativo uma diminuição do seu custo. A escolha das empresas contratadas para a manutenção e limpeza das instalações devem ter em conta a certificação das mesmas e formas de atuação mais amigas do ambiente. O trabalho pode ser realizado sem ser necessário utilizar compostos perigosos que podem pôr em causa o ambiente. Esta escolha passa também pelos certificados verdes das empresas em questão e de que forma operam. Importante apostar nas empresas nacionais e regionais, pois diminui muito o gasto de combustível nas deslocações. Diminuir ao máximo estas deslocações, optando sempre por uma gestão mais eficiente das solicitações dos serviços a estas empresas, de forma a diminuir as deslocações d) Recursos agropecuários Outra grande parcela da pegada ecológica da FEP assenta no consumo de produtos alimentares nas suas instalações. Devido à grande variedade de origens dos alunos da FEP, existe a necessidade de disponibilizar formas diversas de alimentação dentro da FEP, tornando assim a vida dos alunos mais fácil. Para diminuir o impacto causado por esta atividade, é necessário respeitar algumas sugestões apresentadas de seguida. A opção por produtos frescos é uma forma de diminuir o impacto causado ao ambiente, pois não requer a utilização de equipamentos de congelação que emitem grandes quantidades de poluentes com o seu funcionamento. Reduzir o consumo de carne vai com certeza diminuir a pegada ecológica, pois vai reduzir para zero as emissões provenientes da sua criação. A produção de carne requer a utilização de uma grande quantidade de água e além disso liberta para a atmosfera uma grande quantidade de gases de efeito de estufa. Promover uma alimentação mais saudável pode contribuir para a diminuição da pegada ecológica da FEP.
59 e) Recursos florestais Os principais recursos florestais consumidos na FEP assentam no uso de mobília feita em madeira e papel. Tal como referido anteriormente, são bens essenciais e insubstituíveis no dia-a-dia da atividade aí realizada. No entanto, pode ser tomado um conjunto de ações para diminuir o impacto causado pelo consumo destes materiais. A diminuição do consumo de papel é definitivamente uma boa forma de diminuir o impacto do uso deste material. Para esta diminuição é necessário a utilização dos dois versos das folhas e evitar ao máximo o desperdício do mesmo. Utilizar papel reciclado vai diminuir o abate de novas árvores para a produção de papel, o que fará diminuir a pegada ecológica. Optar pela compra de mobílias em fornecedores certificados, pois isto garante o adequado tratamento das florestas. f) Água Uma grande parte do planeta é composta por água o que torna este bem uma peça essencial à existência de vida. No entanto, esta água tem vindo a ser deteriorada ao longo dos anos causando grandes impactos nos ecossistemas e na própria atividade humana. Desta forma, a economização de água representa uma obrigação para as décadas que se seguem. Para isso é necessario: Uma economização do consumo de água nas atividades e equipamentos inerentes à atividade da FEP. Divulgar a importância da economização da água. Formular um conjunto de ações que podem ser feitas diariamente nas instalações da FEP no sentido da poupança de água. g) Uso do solo O uso do solo é outra fonte de impacto no ambiente. Ao longo dos anos as instalações da FEP têm vindo a aumentar (Edifício da Pós Graduações) devido ao constante aumento de alunos a estudar neste local. Assim sendo, existem formas de compensar este impacto: O aumento de espaços verdes no recinto da FEP seria uma forma de colmatar o espaço construído ocupado pelas suas instalações
60 O investimento em projetos verdes e de sensibilização da comunidade escolar é outra forma de alterar o atual padrão de vivência h) Resíduos A produção de resíduos é inerente à atividade humana, daí ser difícil eliminar este parâmetro na sua totalidade. Assim sendo, resta apenas tomar as opções que mais levam em conta a preservação do ambiente. É necessária: Sensibilização para a diminuição da quantidade de embalagens utilizadas. Promoção da reutilização de materiais. Opção por materiais com certificado verde. Aplicação da regra dos 3R‟s (Reduzir, Reutilizar, Reciclar) exigindo a sua aplicação em toda a cadeia de produção dos produtos consumidos. Utilização e separação de materiais, o que conduzirá a uma maior taxa de reciclagem destes e consequente diminuição do desperdício.
61 7-Considerações finais A pegada ecológica representa atualmente, um instrumento largamente utilizado por vários investigadores a fim de quantificar o impacto causado pelas atividades quotidianas. Este instrumento nasce da necessidade de cruzar duas áreas (ambiente e economia) que estão constantemente em interface. No decorrer desta investigação foram mencionados diversos fatores relacionados com este indicador de sustentabilidade tais como a biocapacidade, a capacidade de suporte entre outros de extrema importância para este cálculo, sendo inclusivamente apontadas algumas das suas lacunas já identificadas, como por exemplo, a complexidade dos cálculos presentes na folha de cálculo MC3. Esta identificação serve principalmente para a melhoria contínua deste instrumento, garantindo o seu uso no futuro por mais investigadores que possam divulgar a relevância destes estudos para a sustentabilidade. Diretamente relacionado com a pegada ecológica está o método utilizado para o seu cálculo, o MC3. Este método foi desenvolvido no início do século XXI, mais propriamente na análise da pegada ecológica da Autoridade Portuária de Gijón (Domenech, 2004), tendo sido aperfeiçoado desde então. Atualmente esta metodologia foi já utilizada em várias organizações, o que leva a crer que o estado do ambiente bem como o impacto causado pelas atividades diárias estão a ter cada vez mais importância na tomada de decisões por parte das organizações. Durante esta investigação descreve-se a mecânica desta metodologia, tendo sido posteriormente aplicado pelo autor desta investigação a uma organização em particular, a Faculdade de Economia da Universidade do Porto. Inicialmente foi realizada uma recolha de informação disponibilizada pela administração da FEP, a fim de obter os dados necessários para o cálculo da pegada ecológica. Realizado o estudo, chegou-se à conclusão que a pegada ecológica da FEP é de 2160,8 que significa que a FEP necessita de 2160,8 ha de terreno produtivo para colmatar o consumo de recursos, o que representa um valor relativamente baixo comparativamente com outros estudos realizados anteriormente em outros países como por exemplo na Universidade de Redlands (Venetoulis, 2001) e também em empresas a operar em Portugal tais como a STEF (Soares, 2013) e EFACEC (Branco, 2012). Este resultado espelha o empenho que tem existido no que diz respeito à proteção do ambiente bem como à emissão de uma menor quantidade de resíduos que prejudicam o bem-estar dos indivíduos. No caso específico da FEP, o investimento em tecnologias de eficiência energética, poupança de energia e de diminuição de perdas são alguns exemplos que espelham o esforço desta instituiçao em alterar o atual padrão da utilização dos recursos.
62 A nível nacional, o investimento em energias limpas como as energias renováveis são também um exemplo da mudança de atitude por parte dos governantes face ao problema de poluição vivido atualmente. Este estudo foi realizado tendo em conta os valores de 2013, o que, sendo um período relativamente curto, pode contribuir para que o resultado venha associado a alguma incerteza no que respeita à efetiva pegada ecológica da FEP quando perspetivada no longo prazo. De forma a colmatar esta incerteza, seria adequada uma investigação futura centrada na estimação da pegada ecológica, mas considerando um período de análise mais longo. No entanto, várias são as oportunidades de melhoria da performance ambiental da FEP. No decorrer da investigação foram enumeradas algumas dessas oportunidades, tais como a utilização de equipamentos de eficiência energética, maior racionalidade na utilização de alguns recursos, nomeadamente água e materiais, reutilização de materiais entre outros. A investigação que se concretizou neste domínio contribui assim para se esclarecer não só o impacto ambiental de uma organização de ensino, mas também para servir de exemplo para outras congéneres, sensibilizando-as para um comportamento ambiental mais sustentável, o que no longo prazo se traduzirá num menor impacto negativo no ambiente e consequente melhoria da qualidade de vida e da saúde da população. Tendo em conta que as questões ambientais adquirem cada vez mais peso nas tomadas de decisão por parte das organizações, a realização de estimativas da pegada ecológica torna-se essencial, na medida em que contribui para tornar claro o impacto das organizações no ambiente, permitindo que estas tenham informação a partir da qual tomem decisões consitentes com o objetivo global que será o melhoramento do atual estado de conservação da biosfera.
63 Bibliografia Amaral, R. (2010), Analise da aplicabilidade da pegada ecológica em contextos universitários – Estudo de caso no Campus São Carlos da Universidade de São Paulo Andrade, B. (2006), Turismo e sustentabilidade no município de Florianópolis: uma aplicação do método da pegada ecológica, Universidade Federal de Santa Catarina, Curso de Pós-graduação em Administração Arrow, K., Costanza, B., Dasgupta, R., Folke, P., Holling, C., Jansson, C., Levin, B., Maler, S., Perrings, K. & Pimentel, C. (1995), D. Economic growth, carrying capacity, and the environment. Ecological Economics, v.15 p. 91-95 Branco, C., (2012), A Pegada Ecológica das Organizações - Uma aplicação do método MC3 ao estudo de caso Efacec, Tese de Mestrado em Economia e Gestão do Ambiente. Faculdade de Economia do Porto, Universidade do Porto Carballo, A. & García-Negro, M., (2010), El método compuesto de las cuentas contables (MC3): una herramienta para la responsabilidad social corporativa, XII Reunion de Economia Mundial, "Caminos para superar la crisis global", Santiago de Compostela, 26-28 May 2010 Carballo, A. & García-Negro, M., (2008), “Hacia el desarrollo sostenible de organizaciones y empresas: la huella ecológica corporativa y su aplicacion a un productor de mejillon en Galicia (España)”, Grupo de Investigación de Economía Pesquera y Recursos Naturales, Revista Luna Azul, Nº 27, Julho-Dezembro 2008 Carballo, A., Garcia-Negro, M., Domenech, Sebastian, C., Rodrigez, G. & Arenales, M. (2008), “ La Huella Ecologica Corporativa: Concepto y Aplicacion a dos Empresas Pesqueras de Galicia”, Revista Galega de Economia, Vol. 17, Nº2 Costa, A. (2008), “Desenvolvimento de uma metodologia expedita de cálculo da pegada ecológica de uma cidade – O caso de Lisboa”, Tese de Mestrado de Engenharia do Ambiente, Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa Daly, H. (2007), Ecological economics and sustainable development: Selected essays of Herman Daly, Edward Elgar Publishing DEFRA (2005), Sustainable consumption and production - development of an evidence base: study of ecological footprinting. Risk et al Policy Analysts Limited. London, Norfolk Doménech, J., 2004. La huella ecológica empresarial: el caso del puerto de Gijón. Working paper apresentado no VIIth Nacional conference of environment, 22-26 November, Madrid, Spain
70 3.- MATERIAIS (não orgánicos) Intens. energ. 3.1. Fluxo de materiais (bens) sem IVA [GJ/t] . Matérias-primas (minerais agregados em geral) [€] 0,0 0,0 0,74 0,00 0,0737 0,0 0,0 . Cimento [€] 0,0 0,0 5,39 0,00 0,0737 0,0 0,0 . Tijolos, cerâmica e refratários [€] 0,0 0,0 2,92 0,00 0,0737 0,0 0,0 . Derivados de vidro [€] 0,0 0,0 21,00 0,00 0,0737 0,0 0,0 . Material e porcelana sanitária [€] 0,0 0,0 50,00 0,00 0,0737 0,0 0,0 . Artigos de plástico [€] 0,0 0,0 80,00 0,00 0,0737 0,0 0,0 . Material Têxteis sintéticas produto semi-acabado [€] 0,0 0,0 100,00 0,00 0,0737 0,0 0,0 .Vestuario E têxtil sintético feito [€] 0,0 0,0 107,80 0,00 0,0737 0,0 0,0 . Combustíveis minerais, óleos, betume, etc [€] 0,0 0,0 0,00 0,00 0,0 0,0 . Produtos químicos, higiene e limpeza; tintas vegetais, etc [€] 0,0 0,0 42,50 0,00 0,0737 0,0 0,0 . Perfumaria, cera, betume, tintas e vernizes sintéticos sintéticos [€] 0,0 0,0 100,00 0,00 0,0737 0,0 0,0 . Fertilizantes [€] 0,0 0,0 20,98 0,00 0,0737 0,0 0,0 . Produtos farmaceúticos [€] 0,0 0,0 200,00 0,00 0,0737 0,0 0,0 . Produtos ferro ou aço [€] 0,0 0,0 25,00 0,00 0,0737 0,0 0,0 . Produtos cobre ou níquel [€] 0,0 0,0 60,00 0,00 0,0737 0,0 0,0 . Produtos básicos de aluminio e derivados [€] 0,0 0,0 205,00 0,00 0,0737 0,0 0,0 .Artigos de ferro, aço e outros metais comuns (não de alumínio), utensílios e ferramentas [€] 0,0 0,0 60,00 0,00 0,0737 0,0 0,0 . Móveis e carros de ferro ou aço e outros materiais sintéticos [€] 0,0 0,0 100,00 0,00 0,0737 0,0 0,0 . Diversos fabricantes mat. escritório [€] 0,0 0,0 75,00 0,00 0,0737 0,0 0,0 . Máquinas industriais e equipamentos de grande porte (e partes) [€] 6.000,0 1,1 100,00 108,45 0,0737 8,0 8,0 . Aparelhos elétricos comuns, iluminação, aparelhos [€] 7.000,0 1,3 100,00 129,41 0,0737 9,5 9,5 . Os veículos de transporte (terrestre, marítimo e aéreo), terra e estruturas flutuantes tratores carros (e peças) [€] 0,0 0,0 100,00 0,00 0,0737 0,0 0,0 . Aparelhos de precisão móveis elétricos, computadores, calculadoras, etc [€] 55.900,0 18,7 257,14 4.816,29 0,0737 355,0 355,0 Subtotal 3.1 68.900,0 21,1 5.054,15 372,49 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 372,5 0,0
71 3.4. Materiais amortiz. ("matriz de obras") . Energia (petróleo) [€] 0,0 0,0 42,40 0,00 0,0737 0,0 0,0 " ciclo de vida 0,0 0,00 0,0142 0,0 0,0 . Cimento [€] 500,0 3,8 5,39 20,73 0,0737 1,5 1,5 . Produtos siderúrgicos [€] 0,0 0,0 25,00 0,00 0,0737 0,0 0,0 . Ligantes bituminosos [€] 0,0 0,0 2 0,00 0,0737 0,0 0,0 . Tijolos refratários [€] 1.000,0 2,8 2,92 8,07 0,0737 0,6 0,6 . Madeira [€] 3.000,0 9,1 5,00 45,28 0,0737 3,3 27,8 31,2 . Cobre [€] 0,0 0,0 60 0,00 0,0737 0,0 0,0 Subtotal 3.4 4.500,0 15,7 74,08 5,46 0,0 0,0 27,8 0,0 0,0 33,3 0,0 3.5. Uso infraestruturas públicas ("matriz de obras públicas") . Energia (petróleo) [€] 1.000,0 1,0 42,40 41,88 0,0737 3,1 3,1 " ciclo de vida 1.000,0 6,70 0,0142 0,1 0,1 . Cimento [€] 1.000,0 7,7 5,39 41,46 0,0737 3,1 3,1 . Produtos siderúrgicos [€] 1.000,0 1,3 25,00 33,24 0,0737 2,4 2,4 . Ligantes bituminosos [€] 1.000,0 2,1 2 4,30 0,0737 0,3 0,3 . Tijolos refratários [€] 1.000,0 2,8 2,92 8,07 0,0737 0,6 0,6 . Madeira [€] 1.000,0 3,0 5,00 15,09 0,0737 1,1 9,3 10,4 . Cobre [€] 1.000,0 0,3 60 16,22 0,0737 1,2 1,2 Subtotal 3.5 8.000,0 18,2 166,96 11,9 0,0 0,0 9,3 0,0 0,0 21,2 0,0 Total 3 81.400,0 141,3 12.029,2 886,2 0,0 0,0 37,1 0,0 0,0 923,3 0,0
72 4.- SERVIÇOS E CONTRATOS Poder calor. 4.1. Serviços com baixa mobilidade . Serviços externos, consultoria, etc [€] 1.940,0 18,6 42,40 790,53 0,0737 58,3 58,3 . Serviços de alto valor agregado [€] 1.940,0 0,0 42,40 1,62 0,0737 0,1 0,1 . Serviços de cuidados paliativos, hotéis [€] 1.940,0 0,3 42,40 11,49 0,0737 0,8 0,8 . Telefones (fixa e móvel totais) [€] 33.201,0 2,6 42,40 111,23 0,0737 8,2 8,2 . Serviços médicos [€] 1.940,0 4,7 42,40 200,04 0,0737 14,7 14,7 . Serviços culturais, sociais, de lazer, de cooperação, esportes [€] 1.940,0 16,6 42,40 701,97 0,0737 51,7 51,7 . Formação externa [€] 440,0 3,3 42,40 141,87 0,0737 10,5 10,5 . Limpeza interior, manutenção e semelhante [€] 80.990,0 0,8 42,40 33,92 0,0737 2,5 2,5 . Polígonos industr férias., De domínio público e similares [€] 1.940,0 0,0 42,40 1,62 0,0737 0,1 0,1 . Compras natalinas e "comunidade" [€] 1.940,0 0,0 42,40 0,81 0,0737 0,1 0,1 Subtotal 4.1 128.211,0 47,1 1.995,1 147,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 147,0 0,0 4.2. Serviços com alta mobilidade . Serviços de limpeza, manutenção e Exterior semelhante [€] 111.944,0 36,8 42,40 1.561,21 0,0737 115,1 115,1 . Correio, encomendas [€] 0,0 5,1 42,40 215,01 0,0737 15,8 15,8 Subtotal 4.2 111.944,0 41,9 1.776,2 130,9 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 130,9 0,0 4.5. Uso de infraestruturas públicas .IVA declarado [€] 1.462.806,5 .Imposto sociedades [€] 1.462.806,5 .Outros impostos o tributos [€] 1.462.806,5 .Multas e sanções [€] 0,0 Subtotal 4.5 4.388.419,5 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 Total 4 240.155,0 88,9 3.771,3 277,9 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 277,9 0,0
73 5. RECURSOS AGRÍCOLAS E PESQUEIROS [GJ/t] 5.2. Os produtos agrícolas . Animais vivos [€] 3.842,0 2,96 41,71 123,36 0,0737 9,1 17,3 17,3 . Carnes (aves) [€] 3.842,0 2,31 33,04 76,26 0,0737 5,6 2,3 2,3 . Carnes (porco, pastos) [€] 3.842,0 2,31 33,04 76,26 0,0737 5,6 2,1 2,1 . Carnes (porco, cultivos) [€] 3.842,0 2,31 33,04 76,26 0,0737 5,6 5,5 5,5 . Carnes (bovino, pastos) [€] 3.842,0 2,31 33,04 76,26 0,0737 5,6 6,4 6,4 . Carnes (bovino, cultivos) [€] 3.842,0 2,31 33,04 76,26 0,0737 5,6 16,8 16,8 . Carnes (ovino-caprino, pastos) [€] 3.842,0 2,31 33,04 76,26 0,0737 5,6 3,2 3,2 . Pescados, crustaceos e moluscos (fresco o congelado) [€] 3.842,0 2,00 57,52 114,92 0,0737 8,5 12,8 . Leite, lácteos [€] 3.842,0 3,41 18,68 63,68 0,0737 4,7 0,3 0,3 . Ovos [€] 3.842,0 3,41 18,68 63,68 0,0737 4,7 2,9 2,9 . Resto de produtos de origen animal [€] 3.842,0 5,45 33,04 180,15 0,0737 13,3 39,6 39,6 . Plantas e flores vivas e cortadas, bulbos [€] 3.842,0 3,42 1,00 3,42 0,0737 0,3 7,7 7,7 . Produtos hortícolas, raízes e tubérculos (frescos) [€] 3.842,0 5,31 3,70 19,64 0,0737 1,4 0,6 0,6 . Idem (congelados, enlatados ...), tomate [€] 3.842,0 5,31 20,00 106,16 0,0737 7,8 0,9 0,9 . Frutas e frutos secos [€] 3.842,0 5,14 2,68 13,77 0,0737 1,0 1,2 1,2 . Café, chá, especias, cacao e derivados [€] 3.842,0 1,61 17,01 27,41 0,0737 2,0 1,0 1,0 . Cereais, farinhas, pao, massa, arroz [€] 3.842,0 10,58 6,86 72,59 0,0737 5,3 9,5 9,5 . Gomas, resinas e extratos vegetais [€] 3.842,0 0,51 5,00 2,54 0,0737 0,2 . Azeite vegetal [€] 3.842,0 2,39 15,00 35,81 0,0737 2,6 10,0 10,0 . Açúcares, mel e produtos de confeitaria [€] 3.842,0 2,64 14,62 38,59 0,0737 2,8 1,3 1,3 . Preparados de carne [€] 3.842,0 1,17 33,04 38,52 0,0737 2,8 8,5 8,5 . Preparados de pescado, mariscos, invertebrados [€] 3.842,0 1,17 57,52 67,06 0,0737 4,9 7,5 . Preparados de cereais [€] 3.842,0 2,41 6,86 16,55 0,0737 1,2 1,5 1,5 . Preparados de hortaliças o frutas [€] 3.842,0 4,38 20,00 87,50 0,0737 6,4 0,7 0,7 . Preparados alimenticios diversos [€] 3.842,0 1,93 30,00 58,04 0,0737 4,3 0,3 0,3 . Bebidas com e sem alcool [€] 3.842,0 4,73 14,00 66,16 0,0737 4,9 1,6 1,6 . Tabaco [€] 3.842,0 0,87 100,00 87,35 0,0737 6,4 0,9 0,9 . Alimentação humana e animal, palhas e forragens [€] 3.842,0 12,06 12,15 146,55 0,0737 10,8 1,1 1,1 Subtotal 5.2 107.575,4 96,7 1.891,0 139,4 113,9 29,3 0,0 0,0 20,3 302,8 143,2
74 5.3.Serviços de restaurante . Comidas de empresa [€] 107.575,4 .. Serviço de restaurante [€] 101.120,9 8,71 42,40 369,21 0,0737 27,2 27,2 .. Alimentos [€] 6.454,5 ... Carnes [€] 1.613,631 .... Galinha, aves domésticas [€] 403,408 0,24 33,04 8,01 0,0737 0,6 0,2 0,8 0,2 .... Salsichas de porco (pastagem) [€] 201,704 0,12 33,04 4,00 0,0737 0,3 0,1 0,4 0,1 .... Salsichas de porco (culturas) [€] 201,704 0,12 33,04 4,00 0,0737 0,3 0,3 0,3 .... Bovinos(pastagem) [€] 268,992 0,16 33,04 5,34 0,0737 0,4 0,4 0,8 0,4 .... Bovino (cultivos) [€] 268,992 0,16 33,04 5,34 0,0737 0,4 1,2 1,6 1,2 .... Ovino-caprino (pastos) [€] 268,992 0,16 33,04 5,34 0,0737 0,4 0,2 0,2 ... Pescados e mariscos [€] 1.613,631 0,84 57,52 48,27 0,0737 3,6 5,4 8,9 ... Cereais, farinhas, massas, arroz, pão [€] 774,543 2,13 6,86 14,63 0,0737 1,1 1,9 3,0 1,9 ... Bebidas [€] 645,452 0,79 14,00 11,12 0,0737 0,8 0,3 1,1 0,3 ... Legumes, raízes e tubérculos [€] 516,362 0,71 3,70 2,64 0,0737 0,2 0,1 0,3 0,1 ... Açúcares, doces [€] 387,271 0,27 14,62 3,89 0,0737 0,3 0,1 0,4 0,1 ...Óleos e gorduras [€] 322,726 0,20 15,00 3,01 0,0737 0,2 0,8 1,1 0,8 ... Lácteos (queijo, creme de leite, leite) [€] 322,726 0,29 18,68 5,35 0,0737 0,4 0,0 0,4 0,0 ... Café, cacau [€] 258,181 0,11 17,01 1,84 0,0737 0,1 0,1 0,2 0,1 Subtotal 5.3 107.575,4 15,0 492,0 36,3 5,0 0,8 0,0 0,0 5,4 47,5 5,9 Total 5 215.150,8 111,7 2.383,0 175,6 118,9 30,1 0,0 0,0 25,6 350,3 149,0 6. RECURSOS FLORESTAIS . Adereços, empilhamento, paletes, travessas, etc [€] 0,0 0,00 5,00 0,00 0,0737 0,0 0,0 0,0 0,0 . Madeira cortada, serrada, aplainada [€] 0,0 0,00 10,00 0,00 0,0737 0,0 0,0 0,0 0,0 . Placas de madeira [€] 0,0 0,00 15,00 0,00 0,0737 0,0 0,0 0,0 0,0 . Madeira contraplacada, painéis [€] 0,0 0,00 20,00 0,00 0,0737 0,0 0,0 0,0 0,0 . Artigos manufaturados de madeira (sem mobília) [€] 0,0 0,00 30,00 0,00 0,0737 0,0 0,0 0,0 0,0 . Móveis para casa com base de madeira [€] 6.600,0 2,57 100,00 257,47 0,0737 19,0 7,9 26,9 0,0 . Pastas de madeira ou outras fibras celulósicas [€] 0,0 0,00 31,14 0,00 0,0737 0,0 0,0 0,0 0,0 . Papel, cartão e suas obras [€] 2.229,9 2,93 35,00 102,68 0,0737 7,6 10,7 18,2 0,0 . Papel, papelão e reciclados artigos [€] 2.229,9 2,93 17,50 51,34 0,0737 3,8 10,7 14,4 0,0 . Livros, jornais e indústria gráfica [€] 0,0 1,82 35,00 63,72 0,0737 4,7 6,6 11,3 0,0 . Livros impressos em papel reciclado [€] 0,0 0,00 17,50 0,00 0,0737 0,0 0,0 0,0 0,0 . Fabrico de cortiça [€] 0,0 0,00 15,00 0,00 0,0737 0,0 0,0 . Artigos de borracha natural [€] 0,0 0,00 89,16 0,00 0,0737 0,0 0,0 0,0 0,0 Total 6 11.059,8 10,3 475,2 35,0 0,0 0,0 35,8 0,0 0,0 70,9 0,0
75 7. ÁGUA . Consumo de água potável .. Uso alimentar [m3] 1.651,2 3.814,3 1.651,2 4,0 4,0 ..Uso sanitários e de higiene [m3] 1.651,2 3.814,3 1.651,2 4,0 4,0 ..Proteção contra incêndios [m3] 1.651,2 3.814,3 1.651,2 4,0 4,0 .. Rega de jardins [m3] 1.651,2 3.814,3 1.651,2 4,0 4,0 .. Rega agrícolas [m3] 1.651,2 3.814,3 1.651,2 4,0 4,0 .. Rega de patios [m3] 1.651,2 3.814,3 1.651,2 4,0 4,0 .. Processos industriais [m3] 1.651,2 3.814,3 1.651,2 4,0 4,0 . Consumo de água não potável .. Uso alimentario [m3] 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 .. Proteçao contra incendios [m3] 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 .. Rega de jardins [m3] 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 .. Rega agrícolas [m3] 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 .. Rega de patios [m3] 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 .. Processos industriais [m3] 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 Total 7 11.558,5 26.700,0 11.558,5 0,0 0,0 0,0 28,3 0,0 0,0 28,3 0,0 8. USO DO SOLO 8.1. Sobre terra firme . Zonas de cultivos [ha] 0,0 0,0 0,0 0,0 . Zonas de pastos o jardins [ha] 3,2 0,0 0,0 2,7 . Zonas de arborizado [ha] 0,0 0,0 0,0 0,0 . Construido, asfaltado, erosionado, etc. [ha] 2,5 5,0 5,0 0,0 . Agricultura [ha] 0,0 0,0 0,0 0,0 Subtotal 8.1 5,7 0,0 0,0 0,0 0,0 5,0 0,0 5,0 2,7
76 9. RESIDUOS E EMISSÕES 9.1. Residuos não perigosos . Resíduos urbanos e similares (aterro) [t] 3,0 0,016 0,000 0,000 0,000 0,001 0,000 0,0 . Resíduos urbanos e similares (incinerados.) [t] 3,0 . Orgánicos (alimentos) [t] 36,5 0,324 0,000 0,000 0,033 0,023 0,000 0,4 . Papel e cartão [t] 17,7 0,280 0,000 0,000 0,009 0,004 0,000 0,3 . Embalagens leves (de plástico, latas, papelão) [t] 0,1 0,007 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,0 . Vidrio [t] 3,0 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,0 . Construção e demolição [t] 2,0 0,005 0,000 0,000 0,000 0,001 0,000 0,0 9.2. Residuos perigosos 0,0 . Óleos usados [t] 10,0 1,655 0,000 0,000 0,007 0,001 0,000 1,7 . Emulsões água / óleo [t] 2,0 0,771 0,000 0,000 0,000 0,001 0,000 0,8 . Ácidos alcalinos ou salinos [t] 0,0 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,0 . Sanitarios e MER [t] 6,0 15,920 0,000 0,000 0,175 0,004 0,000 16,1 . Filtros de oleo [t] 0,0 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,0 . Absorventes usados [t] 0,0 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,0 . Tintas, vernizes, alcatrão, substâncias químicas [t] 0,0 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,0 . Pilhas [t] 0,0 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,0 . Disolventes [t] 0,0 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,0 . Refrigerantes [t] 0,0 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,0 . Baterías [t] 0,0 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,0 . REEE (resíduos de equipamentos eléctricos e aparelhos electrónicos) [t] 0,0 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,0 . Embalagens contaminadas (incluindo metais) [t] 0,0 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,0
77 9.5. Emissões Pot. calent. 9.5.1. Gases GEI Protocolo Kioto . CH4 (metano) [t] 0,30000 21 6,30 6,3 . N2O (óxido nitroso) [t] 0,00000 310 0,00 0,0 . HFCs (hidrofluorocarbonos) [t] 0,00000 11.700 0,00 0,0 . PFCs (perfluorocarbonos) [t] 0,00000 6.500 0,00 0,0 . SF6 (hexafluoruro de enxofre) [t] 0,00000 23.900 0,00 0,0 9.5.2. Outros GEI o precursores . CFC 11 (clorofluorocarbonos 11) [t] 0,00000 0,0 0,0 . NOx (óxidos de nitrógeno) [t] 0,00000 0,0 0,0 . CO (monóxido de carbono) [t] 0,01000 3,00 0,0 0,0 . O3 (ozono) [t] 0,00000 0,0 0,0 . HCs (Hidrocarburos totais sem metano) [t] 0,00000 12,00 0,0 0,0 9.5.3. Outras emissões atmosféricas . SO2 (dióxido de enxofre) [t] 0,00000 0,0 0,0 . COV (compostos orgánicos voláteis) [t] 0,00000 0,0 0,0 . COP (compostos orgánicos persistentes) [t] 0,00000 0,0 0,0 . Metais pesados [t] 0,00000 0,0 0,0 . PM-CE (material particulado-hollín) [t] 0,00 680,00 0,0 0,0 Subtotal 9.5 0,3 6,3 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 6,3 0,0 Total 9 83,5 25,3 0,0 0,0 0,2 0,0 0,0 25,6 0,0 Outros totais 655.426,1 219.069,1 33.220,6 TOTAL tCO2 (HC bruta) [tCO2] 2.065,5 118,9 30,2 107,5 5,0 25,6 2.352,8 192,1 HC neta 2.160,7
78 3-Mix energético português Fonte: EDP