Estudo Ergonómico de um Posto de Trabalho em Contexto Real: A produção nas tintas CIN
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Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto Rua Dr. Roberto Frias, s/n 4200-465 Porto PORTUGAL VoIP/SIP: [email protected] ISN: 3599*654 Telefone: +351 22 508 14 00 Fax: +351 22 508 14 40 URL: http://www.fe.up.pt Correio Electrónico: f[email protected] MESTRADO EM ENGENHARIA DE SEGURANÇA E HIGIENE OCUPACIONAIS Dissertação apresentada para obtenção do grau de Mestre Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto ESTUDO ERGONÓMICO DE UM POSTO DE TRABALHO EM CONTEXTO REAL: A PRODUÇÃO NAS TINTAS CIN Joana Paula Bandeira Messias Monteiro Orientador/Faculdade: Professor Doutor Mário Augusto Pires Vaz/FEUP Coorientador/Faculdade: Mestre Maria Eugénia Ribeiro de Castro Pinho /FEUP Coorientador/Empresa: Engenheiro José Carlos Albuquerque Calvão /CIN Arguente/Faculdade: Professor Doutor Pedro Miguel Ferreira Martins Arezes /U.Minho Presidente/Faculdade: Professor Doutor João Manuel Abreu dos Santos Baptista/ FEUP ____________________ 2013
Estudo Ergonómico de um Posto de Trabalho em Contexto Real: A Produção nas Tintas CIN i AGRADECIMENTOS Agradeço reconhecidamente o apoio prestado por todos aqueles que contribuiram para a realização deste trabalho, muito especialmente: Ao Professor Mário Vaz por ter acreditado desde o início neste projeto, pelo incentivo constante e pelas palavras de encorajamento. À Professora Eugénia, que foi incansável em todo o processo, desde a planificação do projeto até à sua execução e correção. Nunca esquecerei o tempo que dedicou a este trabalho, as suas preciosas orientações e acima de tudo a sua amizade. Ao Engº Calvão (meu co-orientador e Diretor de Qualidade, Ambiente, Higiene e Segurança nas Tintas CIN), pela sua disponibilidade e pela maneira pronta e aberta como me recebeu e acompanhou todo este trabalho, disponibilizando todos os meios necessários à sua execução. Agradeço também todas as discussões e a partilha de conhecimentos que me proporcionou, bem como a confiança que depositou neste trabalho. À Engª Ana Mendonça, pelo seu tempo, esforço, dedicação e amizade. Ao Engº João Machado (meu Diretor de I&D nas Tintas CIN) por todo o apoio precioso que me foi prestando ao longo deste Mestrado. Ao Engº Pedro Cruz pela sua disponibilidade e pela movimentação de recursos que possibilitaram a realização da parte experimental. À Soraia Varela pelo apoio prestado na determinação dos tempos de ocupação. Aos Senhores Daniel Lopes, Sérgio Botelho, Hugo Lopes e Marco Silva pela maneira pronta como me receberam na produção e por todos os ensinamentos relativamente ao processo de enchimento. À Engª Jacqueline Castelo Branco pela sua paciência, diligência e amizade. Ao Professor João Baptista pelo seu incentivo constante. A toda a minha família, muito especialmente aos meus pais, sogros, avó, irmãs e cunhados por estarem sempre presentes e por terem compreendido as minhas ausências, incentivando-me a cada segundo. Ao meu marido, o João, por todo o incentivo, todo o apoio, toda a compreensão nas ausências e nos momentos em que não estive tão disponível. Muito Obrigada pelo carinho e pela força nos momentos em que desanimei. Foste sempre o meu ‘Porto Seguro’, estiveste sempre com um sorriso nos lábios e com as palavras certas no momento certo. És presença e apoio fundamental em todas as etapas da minha vida e sem ti este Mestrado não teria sido possível! Bem Hajam!
Estudo Ergonómico de um Posto de Trabalho em Contexto Real: A Produção nas Tintas CIN iii RESUMO As Lesões Musculo-Esqueléticas Relacionadas com o Trabalho (LMERTs) são comuns em muitos países, apresentando custos substanciais quer a nível financeiro, quer sobre a qualidade de vida. Embora não exclusivamente causadas pela atividade profissional, elas constituem uma parte importante das doenças profissionais registadas. A movimentação manual de cargas é uma das principais causas de LMERT e, não obstante a automatização dos processos industriais, continua a ser frequentemente utilizada para a realização de diversas tarefas. Esta dissertação tem, por esse motivo, como foco principal a análise ergonómica de uma linha de enchimento semiautomática numa indústria de tintas e vernizes. Pretende-se, deste modo, identificar as situações que possam potenciar o desenvolvimento de LMERT´s e, por essa via, contribuir para a redução do risco. Para a avaliação do posto de trabalho foram aplicados primeiramente o método EEPP TM (que estima as taxas de consumo metabólico associadas a tarefas de movimentação de cargas) e a Equação de Elevação NIOSH revista (que determina o Peso Limite Recomendado e o Índice de Elevação). Ambas as metodologias permitiram identificar a subtarefa que mais exigia dos trabalhadores, o que levou a uma nova análise dessa subtarefa através das metodologias REBA (que constitui uma ferramenta de análise postural) e QEC (que é uma ferramenta de avaliação da exposição a riscos de LMERTs que tem em consideração a avaliação do trabalhador). A aplicação do REBA e do QEC corroborou a análise primária feita pelo EEPP TM e pela Equação de Elevação NIOSH revista. Não obstante as diferenças entre os métodos, todos eles apontam para o risco de desenvolvimento de LMERTs na tarefa analisada. Como resultado este trabalho permitiu propôr diferentes medidas preventivas e/ou corretivas com vista a minimizar o esforço requerido na prestação da atividade profissional e consequentemente reduzir o risco a que os trabalhadores estão expostos, minimizando a incidência de LMERTs. Palavras-chave: Lesões Musculo-esqueléticas relacionadas com o trabalho (LMERTs), EEPP TM (Energy Expenditure Prediction Program), NIOSH, REBA (Rapid Entire Body Assessment), QEC (Quick Exposure Check), Movimentação Manual de Carga.
Estudo Ergonómico de um Posto de Trabalho em Contexto Real: A Produção nas Tintas CIN v ABSTRACT Work-related musculoskeletal disorders (WRMSDs) are common in many countries showing substantial costs either financially or on the quality of life. Although not exclusively caused by professional activities, they are an important part of the recorded occupational diseases. Manual handling of loads is a major cause of WRMSDs and, despite the automation of industrial processes, is still often used to perform various tasks. This dissertation is, therefore, mainly focused on the ergonomic analysis of a filling line in a semiautomatic paint and varnish industry. It is intended, therefore, to identify situations that can trigger the development of WRMSDs, and thereby, contribute to risk reduction. For the ergonomic assessment of the job task, at first, both EEPP TM (which estimates the metabolic rates associated with manual handling tasks) and NIOSH Lifting Equation (which determines the Recommended Weight Limit Index and the Lifting Index) were used. Both methodologies have allowed the identification of the most demanding subtask, which led to a new analysis of this subtask through REBA (which is a tool used for posture analysis) and QEC (a tool used in the assessment of the exposure to WRMSDs, which takes into account the worker´s evaluation). The application of REBA and QEC confirmed the primary results got through the application of both EEPP TM and NIOSH Lifting Equation. Despite the differences among methods, all of them seem to point out to the association between the performance of the analysed task and the risk of developing WRMSD's. Owing to the conclusions made through this work an intervention was proposed to minimize the effort required in the performance of workers´ professional activity and consequently to reduce the risk to which workers are exposed, therefore minimizing the incidence of WRMSDs. Keywords: Work-Related Musculoskeletal Disorders (WRMSD), EEPP TM (Energy Expenditure Prediction Program), NIOSH, REBA (Rapid Entire Body Assessment), QEC (Quick Exposure Check), Manual Material Handling.
Estudo Ergonómico de um Posto de Trabalho em Contexto Real: A Produção nas Tintas CIN vii ÍNDICE 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 1 1.1 Incidência e Custos Associados às LMERTs ................................................ 3 1.2 A importância da movimentação manual de cargas no desenvolvimento de LMERTs .................................................................................................................... 3 2 ESTADO DA ARTE / REVISÃO DE LITERATURA ........................................ 5 2.1 Referenciais Tecnológicos e de Contexto ...................................................... 6 2.1.1 A Empresa .............................................................................................. 6 2.1.2 Posto de Trabalho a Avaliar ................................................................... 6 2.2 Enquadramento Legal e Normativo ............................................................... 6 2.2.1 Legislação ............................................................................................... 8 2.2.2 Normas ................................................................................................... 9 2.3 Conhecimento Científico ............................................................................... 9 2.3.1 Ergonomia .............................................................................................. 9 2.3.2 As Lesões Musculo-Esqueléticas Relacionadas com o Trabalho – LMERTs 12 2.3.3 Caraterização e Classificação das LMERTs ........................................ 13 2.3.4 Regiões Anatómicas afetadas ............................................................... 13 2.3.5 Sintomas das LMERTs ......................................................................... 15 2.3.6 Fatores de Risco de LMERTs .............................................................. 16 2.3.7 Como combater as LMERTs ................................................................ 19 2.3.8 Movimentação Manual de Cargas ........................................................ 20 2.3.9 LMERTs – Metodologias de Avaliação do Risco ................................ 21 3 OBJETIVOS, MATERIAIS E MÉTODOS ........................................................ 35 3.1 Objetivos da Dissertação ............................................................................. 35 3.2 Metodologia Global de Abordagem ............................................................ 35 3.3 Materiais e Métodos .................................................................................... 36 3.3.1 Sujeitos e Materiais .............................................................................. 36 3.3.2 Métodos ................................................................................................ 37 4 RESULTADOS ................................................................................................... 39 4.1 Caraterização dos sujeitos e da tarefa analisada .......................................... 39 4.2 Metabolismo Energético obtido com o EEPP TM ......................................... 42 4.3 Análise do risco de desenvolvimento de LMERT’s através da Equação de Elevação NIOSH revista ......................................................................................... 42 4.4 Análise do Risco associado à postura pelo método REBA ......................... 44
Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais xiv QAHS – Qualidade, Ambiente, Higiene e Segurança. QEC – Quick Exposure Check. REBA – Rapid Entire Body Assessment. RSI – Repetitive Strain Injuries. RULA – Rapid Upper Limb Assessment. RWL – Recommended Weight Limit. TMS – Troubles Musculoskelettiques. UE – União Europeia. WRMSD – Work Related Musculoskeletal Disorders.
Estudo Ergonómico de um Posto de Trabalho em Contexto Real: A Produção nas Tintas CIN xv LISTA DE SÍMBOLOS A – Assimetria do movimento de elevação em relação ao plano sagital. CC – Constante de Carga. D - Distância Vertical percorrida entre o início e o fim da elevação. F - Frequência média das elevações (elevações/min). H - Distância Horizontal entre as mãos e a vertical passando pelos tornozelos no início da elevação. L p - Profundidade do Objeto. LW – Load Weight, vulgo, peso dos objectos manipulados. P o - Tipo de Pega para a preensão dos objetos a elevar. T - Duração do período de trabalho com tarefas de elevação. V - Altura a que é iniciada a elevação.
Estudo Ergonómico de um Posto de Trabalho em Contexto Real: A produção nas Tintas CIN Monteiro, Joana Messias 1 1 INTRODUÇÃO O ser humano dedica grande parte da sua vida ao trabalho, considerando-o como uma das áreas da ocupação mais significativas, que condiciona e se relaciona com todas as outras ocupações (Freitas Fernandes, 2012). A relação entre a exposição de fatores de risco profissionais e o desenvolvimento de Lesões Musculo-Esqueléticas Relacionadas com o Trabalho (LMERTs) é conhecida hà séculos, apesar de só nas últimas quatro décadas se ter verificado um crescente interesse nesta área (Martins, 2008), nomeadamente nos aspetos relacionados com a sua prevenção (Serranheira, 2007). Foi no início do século XVIII que as lesões musculo-esqueléticas foram reconhecidas como tendo fatores etiológicos relacionados com o trabalho. Contudo, só no início da década de 70 do século passado se iniciou o estudo dessa relação através do recurso a métodos epidemiológicos, sendo que ainda hoje este é um tema de considerável debate (Putz-Anderson et al., 1997). As LMERTs são a principal causa de incapacidade na União Europeia (David et al., 2008), representando um terço, ou mais, de todas as doenças de trabalho registadas (Mirmohamadi et al., 2004), quer nos Estados Unidos, quer nos países nórdicos e no Japão (Punnett & Wegman, 2004). As LMERTs representam também um custo significativo nos sistemas de saúde e são a causa de significativas perdas de produtividade (Baldwin, 2004), pelo que são consideradas um problema crescente e significativo na União Europeia (Schneider et al., 2010). Verifica-se que todos os anos milhões de trabalhadores europeus que operam em todos os tipos de trabalhos e setores de emprego são afetados por doenças músculoesqueléticas relacionadas com o trabalho (Schneider et al., 2010). Existem fortes indícios de que nos estados membros da União Europeia as lesões musculo-esqueléticas são um problema significativo quer a nível de saúde quer a nível de encargos financeiros (Buckle et al., 1999), sendo que nos Estados Unidos, Canadá, Finlândia, Suécia e Inglaterra, este tipo de distúrbios foi a causa da maior taxa de absentismo ou invalidez comparativamente a qualquer outro grupo de doenças (Punnett & Wegman, 2004). No entanto, a comparação entre estados membros da União Europeia torna-se difícil devido à falta de critérios padronizados e, por outro lado, há pouca informação sobre a validade dos dados comunicados (Buckle et al., 1999) o que torna difícil avaliar a extensão dos danos para a saúde e os custos associados dentro do local de trabalho (Buckle et al., 1999). No entanto, apesar da dificuldade de comparação a nível internacional, os dados existentes apontam para um crescimento substancial destes problemas (European Agency for Safety and Health at Work, 2000) Apesar de não existirem dados concretos para a UE, no que respeita aos países nórdicos estes custos estão estimados entre 0,5% e 2% do PIB, acreditando-se que este valor possa aumentar com o tempo (Buckle et al., 1999; Schneider et al., 2010; Uva et al., 2008).
Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 2 Introdução As LMERTs podem gerar diferentes graus de incapacidade funcional, sendo consideradas um dos mais graves problemas no que respeita à saúde do trabalhador. Além dos gastos associados a ausências, indemnizações e tratamentos, um outro aspeto importante para os indivíduos acometidos por essas lesões é a reintegração no mundo do trabalho (Walsh et al., 2004). Existe, portanto, um crescente interesse em identificar as tarefas que provocam/potenciam o aparecimento das LMERTs visto que estas afetam uma larga percentagem de trabalhadores e os diversos custos que lhe estão associados são elevados (Waters et al., 1999). As LMERTs devem-se com frequência a traumatismos repetidos, resultantes de movimentos ou de posturas extremas (Uva et al., 2008). Muitas das LMERTs foram identificadas como estando associadas a atividades ocupacionais de elevação que sujeitam os trabalhadores a uma carga biomecânica e fisiológica excessiva (Waters et al., 1999) e têm vindo a aumentar com a globalização, com o uso de novas tecnologias (como os computadores) e com os novos processos laborais voltados para a produção em massa (Uva et al., 2008). Devem, portanto ser avaliados continuamente os possíveis agentes que contribuem para a ocorrência de sintomas, lesões, doenças e stress no trabalho. Dessa forma, é conseguido um panorama mais completo do impacto das lesões sobre esses indivíduos e a sua envolvente, permitindo a implementação de medidas que melhorem as condições de trabalho, harmonizando-as com a capacidade dos trabalhadores (Walsh et al., 2004). As LMERTs tornaram-se um dos maiores problemas da saúde no trabalho e um dos maiores focos de preocupação da ergonomia, o que impulsionou o aparecimento de diversos métodos de avaliação do risco (Santos, 2009). Foi reconhecida pela Direção de Qualidade, Ambiente, Higiene e Segurança da empresa onde este trabalho foi desenvolvido, uma necessidade de intervenção motivada pela identificação do aparecimento/desenvolvimento de LMERTs. Este trabalho pretende por isso avaliar os riscos de desenvolvimento de Lesões Musculo-Esqueléticas Relacionadas com o Trabalho (LMERTs) associado à movimentação manual de cargas de um dos postos de trabalho da empresa. Pretendeu-se por isso identificar as tarefas mais penalizadoras para os trabalhadores envolvidos, bem como propôr algumas soluções para a mitigação ou minimização do risco, tendo para isso sido utilizadas 4 metodologias diferentes. Esta dissertação está estruturada em 6 capítulos. No primeiro é feita uma introdução à temática em estudo e à empresa envolvida. O Estado da Arte e a Revisão de Literatura são tratados no Capítulo 2, onde são trabalhados diversos conceitos associados às LMERTs, nomeadamente legislação associada e metodologias de avaliação do risco. No Capítulo 3 tem lugar a definição dos objetivos, bem como a exposição dos materiais e métodos envolvidos no estudo, sendo que no Capítulo 4 se apresentam os resultados obtidos neste trabalho. A Discussão dos Resultados toma lugar no Capítulo 5 e no Capítulo 6 são explanadas as conclusões e as perspetivas futuras para o trabalho que motivou a presente dissertação.
Estudo Ergonómico de um Posto de Trabalho em Contexto Real: A produção nas Tintas CIN Monteiro, Joana Messias 3 1.1 Incidência e Custos Associados às LMERTs As LMERTs são o problema de saúde ocupacional mais comum na Europa, sendo que na UE-27 cerca de um quarto dos trabalhadores afirma sofrer de lombalgias e dores musculares (European Agency for Safety and Health at Work, 2007b). Estas lesões inspiram grande atenção visto que afetam quer a saúde dos trabalhadores a nível individual, como aumentam os custos empresariais e sociais, uma vez que prejudicam o trabalho, diminuem a produtividade e podem ser o motivo de absentismo, quer por doença, quer por incapacidade profissional crónica (European Agency for Safety and Health at Work, 2007b). Segundo Schneider et al. (2010), a quarta pesquisa europeia sobre as condições de trabalho mostrou que 35,4% dos inquiridos na UE-27 considera que o seu trabalho lhe afeta a saúde e relatou que os problemas de saúde mais prevalentes são a dor nas costas e as dores musculares, conforme descrito na Figura 1. Figura 1 – Percentagem de trabalhadores da UE-27 (2005) que relataram problemas de saúde (Adaptado de Schneider et al., 2010). 1.2 A importância da movimentação manual de cargas no desenvolvimento de LMERTs A movimentação manual de cargas é um fator de risco profissional relevante uma vez que, segundo Perista (2007), existe uma percentagem significativa de trabalhadores que continua a manipular manualmente cargas durante a sua jornada de trabalho. De acordo com este autor, os trabalhadores europeus continuam tão expostos a riscos como há 20 anos. Isto advém do facto de muitos empregos europeus continuarem a implicar esforço físico. Perista (2007) afirma ainda que 33% dos trabalhadores transportam cargas pesadas durante pelo menos um quarto do seu horário de trabalho e quase metade das pessoas 35,40% 24,70% 22,80% 0,00% 5,00% 10,00% 15,00% 20,00% 25,00% 30,00% 35,00% 40,00% O trabalho afeta a saúde Dor nas costas Dor muscular
Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 4 Introdução trabalha em posições que provocam cansaço ou dor pelo menos durante um quarto do tempo. Perista também considera que os homens e as mulheres estão expostos de forma diferente aos riscos físicos o que é reflexo do facto de homens e mulheres trabalharem, regra geral, em setores e ocupações diferentes. Como exemplo verifica-se que 42% dos homens transportam regularmente cargas pesadas, em contraste com 24% das mulheres. Por outro lado, 13% das mulheres levantam ou deslocam pessoas no âmbito do seu trabalho, valor este que decresce para 5% no caso dos homens. A fração atribuível de um fator de risco descreve a proporção da redução da ocorrência da doença, quando o fator de risco é removido sem que nenhum dos outros fatores de risco seja alterado (European Agency for Safety and Health at Work, 2008). A Tabela 1 apresenta as frações atribuíveis dos fatores de risco comuns para LMERTs, sendo que quanto maior for a fração atribuível, maior é o potencial para a prevenção. A existência de um intervalo de fração atribuível deve-se às diferenças entre as populações e a fatores de ordem individual. Como se pode verificar através de análise da Tabela 1, a Movimentação Manual de Cargas surge com considerável importância. Tabela 1 – Fatores de Risco Ocupacionais relacionados com o trabalho e as frações atribuíveis estimadas (Adaptado deEuropean Agency for Safety and Health at Work, 2008). Distúrbios Lombares Fator de risco ocupacional Nº de estudos Fração atribuível (em %) Movimentação Manual de Cargas 17 11 – 66 Frequente flexão ou torção do corpo 8 19 – 57 Carga física pesada 5 31 – 58 Postura de trabalho estática 3 14 – 32 Movimentos Repetitivos 1 41 Vibração (Corpo inteiro) 11 18 – 80 Exigências elevadas de trabalho 2 21 – 48 Monotonia da tarefa 1 23 Baixo Suporte Social 3 28 – 48 Baixa Satisfação 6 17 – 69 Stress Elevado 1 17 Distúrbios dos membros superiores Fator de risco ocupacional Nº de estudos Fração atribuível (em %) Movimentação Manual de Cargas 17 11 – 66 Repetição 3 53 – 71 Força 1 78 Repetição e Força 2 88 – 93 Repetição e Frio 1 89 Vibração 15 44 – 95
Estudo Ergonómico de um Posto de Trabalho em Contexto Real: A Produção nas Tintas CIN Monteiro, Joana Messias 5 2 ESTADO DA ARTE / REVISÃO DE LITERATURA As LMERTs são um tema atual de discussão no âmbito da Saúde Ocupacional devido ao aumento de casos que surgem e à importância que apresentam no contexto laboral (Pereira, 2011). De facto, os acidentes de trabalho e as doenças profissionais prejudicam a gestão organizacional, quer através da redução funcional, quer dos danos físicos, dos prejuízos financeiros, do absentismo, da dimuinuição da produtividade e consequentemente da redução dos lucros da organização (Nunes, 2006; Schonstein, 2006). Apesar de as LMERTs se encontrarem referidas na Lista de Doenças Profissionais - presente no DR nº 6/2001 de 5 de Maio (Ministério do Trabalho e da Solidariedade, 2001) e existir obrigatoriedade da sua notificação, são escassas as referências quantificadas de morbilidade e, consequentemente, não são conhecidos dados estatísticos que permitam conhecer com o mínimo rigor a importância relativa das LMERTs (Serranheira, 2004). As LMERTs são motivo de grande debate na literatura científica, visto que as caraterísticas físicas ergonómicas do trabalho frequentemente citadas como fatores de risco das lesões músculo-esqueléticas, incluem ritmos de trabalho rápido e movimentos repetitivos, esforços vigorosos, posturas não neutrais e vibração, negligenciando por vezes fatores de ordem não profissional (Punnett & Wegman, 2004). Nas últimas décadas, tanto a comunidade científica, como as agências nacionais e internacionais têm demonstrado um acentuado interesse na área das LMERTs, nomeadamente a Occupational Safety and Health Administration (OSHA), o National Institute for Occupational Safety and Health (NIOSH), a World Health Organization (WHO), a International Commission on Occupacional Health (ICOH), bem como a European Agency for Safety and Health at Work (EASHW) (Martins, 2008). A fim de controlar o aparecimento/desenvolvimento das LMERTs é importante compreender como estas se desenvolvem e manifestam na sociedade atual, uma vez que sem uma compreensão completa da sua origem apenas se interpretam os sintomas a elas associadas. No entanto, quando é conhecido o modo como as LMERTs são despoletadas e é entendido o modo como estas se desenvolvem, existe a oportunidade de controlar o problema na origem podendo-se, potencialmente, evitar um processo de reabilitação dispendioso (Marras, 2004). Um problema associado às causas das LMERTs é a incapacidade de uma adequada definição do seu conceito (Marras, 2004). De facto, as revisões sistemáticas da literatura podem ser problemáticas, uma vez que diferentes estudos podem estar a proceder à análise de diferentes aspetos de lesões músculo-esqueléticas, pelo que muitas das LMERTs são geralmente rotuladas como síndromes somáticas funcionais (Marras, 2004). Tradicionalmente, a causalidade das LMERTs tem sido estudada através de disciplinas tradicionais como a Biomecânica, a Psicologia, a Fisiologia, a Genética, bem como a
Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 6 Estado da Arte/ Revisão de Literatura Psicologia Organizacional e de Reabilitação. Cada uma dessas disciplinas tem estudado a causalidade das LMERTs isoladamente. No entanto, para que uma abordagem profunda possa existir, as LMERTs têm de ser estudadas como um sistema (Marras, 2004). 2.1 Referenciais Tecnológicos e de Contexto 2.1.1 A Empresa O Grupo CIN é um dos principais intervenientes no mercado das tintas e vernizes, liderando o mercado nacional desde 1992 e o mercado ibérico desde 1995 (CIN, 2012a). As empresas do grupo fornecem tintas e serviços a um largo e diversificado leque de clientes. O Grupo está presente em vários países e cada companhia está sustentada numa marca distinta, cada uma delas com valências diversas. São elas: Portugal – CIN, CIN Indústria, Sotinco, Sotinco Refinish e Nitin Espanha – Barnices Valentine, CIN Canárias e Proitesa França – Artilin e Celliose Angola – CIN Angola Moçambique – CIN Moçambique Em 2011 o volume de negócios do grupo cifrou-se em 219 Milhões de euros, refletindo um crescimento de 4,6% relativamente a 2010 (CIN, 2012b). Esta atividade encontra-se classificada no DL nº 381/2007 de 14 de Novembro (Presidência do Conselho de Ministros, 2007), Decreto-Lei este que aprova a Classificação Portuguesa das Atividades Económicas (Revisão 3) através da CAE – 20301 – “Fabricação de Tintas (exceto impressão), vernizes, mastiques e Produtos similares”. 2.1.2 Posto de Trabalho a Avaliar O posto de trabalho a avaliar foi definido pela Direção de Qualidade, Ambiente Higiene e Segurança das Tintas CIN. Trata-se de um posto de trabalho do setor da Produção, mais especificamente de uma linha de enchimento Na Figura 2 apresenta-se o posto de trabalho avaliado. 2.2 Enquadramento Legal e Normativo Dada a sua significância, as principais componentes das lesões musculo-esqueléticas são já reconhecidas nas diretivas europeias, na regulamentação dos Estados Membros da União Europeia e nos guias de boas práticas.
Estudo Ergonómico de um Posto de Trabalho em Contexto Real: A Produção nas Tintas CIN Monteiro, Joana Messias 7 Figura 2 – Posto de Trabalho Avaliado – Linha de Enchimento Semi-Automática Os requisitos legais europeus relativos às perturbações musculo-esqueléticas incluem convenções e normas internacionais, bem como diretivas e normas europeias (European Agency for Safety and Health at Work, 2012). A nível internacional da OIT emanaram diversas convenções relacionadas com as LMEs, sendo que, para adquirirem caráter vinculativo tiveram de ser ratificadas por um determinado número de estados membros (European Agency for Safety and Health at Work, 2012), vinculado apenas os países que as tenham ratificado. Na Tabela 2 enumeram-se algumas das principais Convenções da OIT (COIT) consideradas relevantes no âmbito do presente estudo. Tabela 2 – Convenções da OIT relacionadas com as LMERTs COIT Descrição Referência C127 Convenção sobre o peso máximo de cargas a transportar por um só trabalhador. (Organização Internacional do Trabalho, 1967) C148 Proteção dos trabalhadores nos locais de trabalho (poluição do ar, ruído e vibrações). (Organização Internacional do Trabalho, 1977) C155 Convenção sobre a segurança, a saúde dos trabalhadores e o ambiente de trabalho. (Organização Internacional do Trabalho, 1981) C167 Convenção sobre segurança e saúde na construção civil. (Organização Internacional do Trabalho, 1988) C184 Convenção sobre segurança e saúde na agricultura. (Organização Internacional do Trabalho, 2001) A nível Europeu, para que possam surtir efeito, as diretivas devem ser previamente transpostas para a legislação nacional de cada estado membro. Isto acontece porque, apesar de fixarem objetivos a atingir, as diretivas europeias permitem a liberdade de escolha de meios para a sua efetivação. As diretivas são também completadas por uma série de normas europeias (as chamadas normas EN) que especificam os pormenores
Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 14 Estado da Arte/ Revisão de Literatura descrito na Figura 4). Esta abrangeria as tendinites, as tendinoses, as tenossinovites, a doença de Quervain e os quistos das baínhas dos tendões. Tabela 7 – Descrição das LMERTs em função da Estrutura Afetada LMERT Estrutura Afetada Descrição Tendinite Tendões e Baínhas Tendinosas Resulta da inflamação da zona de união entre o músculo e o tendão, ao nível da mão, punho, cotovelo ou ombro. Epicondilite Tendões do Cotovelo Surge na sequência de movimentos repetidos e com força excessiva de rotação do punho. Síndromes canaliculares Lesões ao nível do(s) Nervo(s) É o caso do Síndrome do Túnel Cárpico e do Síndrome do canal de Guyon. Raquialgia Coluna Vertebral Geralmente conhecida como ‘dor na coluna vertebral’ é um sintoma muito prevalente, sendo os segmentos cervical e lombar os mais frequentemente afetados, em virtude de serem os de maior mobilidade. Síndromes neurovasculares Sistema Nervoso e Vascular Há lesão nervosa e vascular em simultâneo. Lombalgia Coluna Vertebral É causada pela tensão muscular e de ligamentos, lesões discais por efeito de incorreta movimentação manual de cargas e de trabalhos com flexão e torção do tronco. Cervicalgia Coluna Vertebral Dor ou lesão no pescoço com aumento acentuado da sensibilidade, decorrente de posturas de trabalho penosas. Dorsalgia Coluna Vertebral Dores ou lesões na região dorsal originadas por posições de trabalho incómodas ou com exposição a vibrações. A segunda compreenderia as lesões dos nervos, que agrupariam todas as lesões caniculares, e a terceira comportaria as lesões neurovasculares cujas patologias tenham contactos entre os nervos e os vasos sanguíneos, assim como as síndromes de exposição a vibrações. A Tabela 8 estabelece a relação entre fatores de risco, doenças ou manifestações clínicas e respetivos exemplos estabelecidos no Decreto Regulamentar nº 76/2007, de 17 de Julho (Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, 2007b). Este altera o Decreto Regulamentar nº 6/2001, de 5 de Maio (Ministério do Trabalho e da Solidariedade, 2001), que aprova a lista de doenças profissionais, bem como o respetivo índice codificado, com vista à caraterização deste tipo de LMERTs como doenças profissionais. Figura 4 – Representação do Agrupamento das LMERTs (Retirado de Uva et al., 2008).
Estudo Ergonómico de um Posto de Trabalho em Contexto Real: A Produção nas Tintas CIN Monteiro, Joana Messias 15 Tabela 8 – Relação entre Fatores de Risco, Doenças ou Manifestações Clínicas e Respetivos Exemplos Fatores de Risco Ergonómico Doenças ou manifestações Clínicas Exemplos de trabalhos suscetíveis de causar a doença Pressão sobre as bolsas sinoviais, devido à posição ou atitude de trabalho. Bursite Trabalhos executados na posição ajoelhado e /ou de cócoras. Trabalhos de carga e descarga do ombro. Trabalhos que impliquem hiper-extensão e elevação mantidas do membro superior. Sobrecarga sobre baínhas tendinosas, tecidos peritendinosos, inserções tendinosas ou musculares, devida ao ritmo dos movimentos, à força aplicada e à posição ou atitude de trabalho. Tendinites Tenossinovites Trabalhos que exijam movimentos frequentes e rápidos dos membros. Mietenossinovites Trabalhos realizados em posições articulares extremas. Periartrite da escápulohumeral Condilite Trabalhos que exijam simultaneamente repetitividade e aplicação de força pelos membros superiores. Epicondilite Trabalhos em regime de cadência imposta. Epitrocleíte Estiloidite Pressão sobre nervos ou plexos nervosos devido à força aplicada, posição, ritmo, atitude de trabalho ou à utilização de utensílios ou ferramentas. Síndrome do túnel cárpico Trabalhos que exijam movimentos rápidos e frequentes. Trabalhos realizados em posições articulares extremas. Síndrome do Canal de Guyon Trabalhos que exijam simultaneamente repetitividade e aplicação de força pelos membros superiores. Síndrome da goteira epitrocleolecraneana Trabalhos em regime de cadência imposta. Síndrome do Canal Radial Trabalhos que impliquem hiper-extensão e elevação mantidas do membro superior. Segundo (Ferreira, 2011), as regiões anatómicas mais afetadas pelas LMERTs são a região cervical, os ombros, os membros superiores e a coluna vertebral (particularmente ao nível da região lombar). Por outro lado, Schneider et al. (2010), verificaram diferentes padrões de LMERTs entre géneros, tendo concluído que os indivíduos do sexo feminino são tendencialmente mais afetados por dores no pescoço, ombros, braços, mãos, pés e pernas, enquanto os indivíduos do sexo masculino tendem a sofrer de dores localizadas preferencialmente nos joelhos e zona lombar. 2.3.5 Sintomas das LMERTs Os sintomas que se verificam com maior frequência são a dor localizada, o desconforto, a fadiga localizada, a parestesia, a sensação de peso, a sensação ou perda objetiva de força muscular e o edema. Aparecem principalmente no fim da jornada de trabalho, ou nos picos de produção, sendo que é possível observar um certo alívio quer com o repouso, quer com os períodos de afastamento do local de trabalho, como por exemplo folgas, fins-de-semana ou férias (Schneider et al., 2010).
Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 16 Estado da Arte/ Revisão de Literatura Se a exposição aos fatores de risco se mantiver, os sintomas, que inicialmente são intermitentes, tornam-se gradualmente persistentes interferindo não só com a capacidade de trabalho, mas também com as atividades do dia-a-dia, podendo inclusivamente evoluir para doença crónica (Uva et al., 2008; Yeng et al., 2001). 2.3.6 Fatores de Risco de LMERTs São vários os fatores que contribuem para o aparecimento de LMERTs, fatores estes que podem exercer uma ação individual ou combinada. Estes fatores podem estar relacionados com 3 componentes, como sejam a atividade de trabalho, fatores de ordem individual ou fatores organizacionais e psicossociais (Serranheira, 2007; Uva et al., 2008). 2.3.6.1 Fatores de risco relacionados com a atividade de trabalho Os agentes que propiciam a situação consideram-se fatores de risco, desempenhando um papel fundamental na avaliação do risco e na sua consequente eliminação ou minimização. A identificação dos fatores de risco de desenvolvimento de LMERTs, bem como a compreensão da interação desses fatores não é simples. As LMERTs apresentam uma natureza multifatorial uma vez que existe a influência, quer das ações desenvolvidas face à tipologia de organização do trabalho, quer dos instrumentos ou da estrutura dos postos de trabalho (Pereira, 2011). De facto, o que se torna decisivo para o aparecimento da lesão é a existência de um desequilíbrio entre as solicitações da atividade profissional e a capacidade do indivíduo, bem como o (des)respeito ou não pelos intervalos de recuperação do corpo (Uva et al., 2008), conforme descrito na Figura 5. Figura 5 – Solicitações no local de trabalho e capacidades funcionais (Retirado de Uva et al., 2008).
Estudo Ergonómico de um Posto de Trabalho em Contexto Real: A Produção nas Tintas CIN Monteiro, Joana Messias 17 No que concerne aos fatores de risco associados ao desempenho da atividade profissional estes incluem a postura, a repetitividade, a força e a exposição a vibrações (Serranheira, 2007). Posturas ou posições corporais extremas A postura está dependente de aspetos vários, tais como o alinhamento biomecânico, a orientação espacial das várias zonas corporais, a posição relativa dos vários segmentos anatómicos e a atitude corporal assumida durante a atividade de trabalho (Serranheira, 2007; Skov et al., 1996; Uva et al., 2008) e é influenciada pela tarefa a realizar, pelo posto de trabalho em si e pelas capacidades e limitações de cada trabalhador, inclusivamente as antropométricas (Serranheira, 2007). Considera-se ‘Postura Extrema’ quando o trabalhador assume uma posição quase no limite das possibilidades articulares, sendo que neste caso o risco de desenvolvimento de LMERTs aumenta (Uva et al., 2008). Na Figura 6 encontra-se descrito um procedimento para minimizar o impacto da elevação em termos da região lombar. Aplicação de força A força, como fator de risco profissional de LMERTs, está relacionada com a sua aplicação na realização da atividade de trabalho, nomeadamente a sua intensidade, a duração, a distribuição (picos, médias, pausas, particularmente em ações de trabalho predominantemente estático) e o nível de repetitividade (Serranheira, 2007). Figura 6 – Exemplos de Posturas adotadas na Movimentação Manual de Carga. Considera-se força elevada para o membro superior a manipulação de cargas acima dos 4 Kg (Uva et al., 2008). No entanto, deve ter-se em conta a forma como a força é aplicada, sendo que a força estática (constante e/ou sem movimento) e a força dinâmica (alternada e/ou com movimento) não apresentam o mesmo risco. A força estática comporta um risco mais elevado de desenvolvimento de LMERTs para o trabalhador (Uva et al., 2008).
Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 18 Estado da Arte/ Revisão de Literatura Repetitividade Um trabalho é considerado como repetitivo sempre que é possível reconhecer a realização de movimentos idênticos, realizados mais de duas a quatro vezes por minuto, acima de 50% do tempo de ciclo de trabalho, em ciclos de duração inferior a trinta segundos ou realizados durante mais de quatro horas, no total de um dia de trabalho (Serranheira, 2007) ou da adoção de posturas ou aplicações de força envolvendo as mesmas regiões anatómicas (Uva et al., 2008). 2.3.6.2 Fatores de Risco Individuais A noção de que cada ser humano é único e irrepetível e que, portanto, apresenta caraterísticas únicas aos mais diversos níveis, leva a que seja possível relacionar o desenvolvimento de LMERTs com fatores de ordem individual, como sendo a idade, o género, as caraterísticas antropométricas, os hábitos/estilos de vida e a situação de saúde. (Serranheira, 2007). Idade A classificação da idade como fator de risco individual está relacionada com a verificação da diminuição da força máxima voluntária associada ao envelhecimento, bem como a alterações da mobilidade articular (Uva et al., 2008). O aumento da idade apresenta, indubitavelmente, os resultados cumulativos de uma exposição que pode resultar na diminuição da tolerância dos tecidos, da força, da mobilidade muscular e articular, estes verdadeiros fatores de risco de LMERTs (Serranheira, 2007). Género Apesar do género ser considerado como um fator de risco, não existem diferenças evidentes de risco entre géneros quando estes são sujeitos a idênticas exposições aos variados fatores de risco, ainda que, em média, as mulheres tenham menor força muscular (Uva et al., 2008). Caraterísticas antropométricas A (in)compatibilidade entre as caraterísticas das pessoas e as exigências do trabalho pode constituir um fator de risco (Uva et al., 2008). As distintas caraterísticas antropométricas dos trabalhadores, nomeadamente no que concerne à altura e ao peso, podem contribuir para a génese de lesões músculoesqueléticas, principalmente no caso de indivíduos com uma morfologia afastada dos “valores médios” da população (Serranheira, 2007).
Estudo Ergonómico de um Posto de Trabalho em Contexto Real: A Produção nas Tintas CIN Monteiro, Joana Messias 19 Situação de saúde A pré-existência de doenças como a diabetes, doenças do foro reumatológico, certas doenças renais ou antecedentes de traumatismo, podem constituir uma suscetibilidade acrescida (Uva et al., 2008). A gravidez também é um exemplo de uma situação que pode acarretar modificações a nível musculo-esquelético (Serranheira, 2007; Uva et al., 2008), as quais poderão ser potenciadoras de risco. 2.3.6.3 Fatores de risco organizacionais e psicossociais Os mecanismos biomecânicos são apenas um dos muitos fatores que contribuem para o desencadeamento e perpetuação do quadro clínico. Outras condições como as de natureza psicossocial exercem também um papel crucial na fisiopatologia destas afeções (Yeng et al., 2001). Segundo Serranheira (2007), a evidência científica de contributos com origem na organização do trabalho ou nas suas influências psicossociais para o desenvolvimento de LMERTs foi ao longo dos anos de difícil aceitação e teve um desenvolvimento lento. De entre os fatores de risco organizacionais são reconhecidos os ritmos de trabalho, a monotonia das tarefas e o insuficiente suporte social, bem como o modelo organizacional de produção. Uva et al. (2008) consideram que a perceção de ritmos intensos de trabalho e/ou de elevadas exigências de produtividade constitui fator de risco de desenvolvimento de LMERTs. Consideram também que a insuficiência ou ausência de estímulos pode originar stress que, por sua vez, pode estar na origem do desencadeamento de LMERTs. No que concerne às condições de vida, Uva et al. (2008) e Skov et al. (1996) consideram que o enquadramento e/ou envolvimento social e de trabalho podem ser fontes de motivação ou da sua ausência, o que é, com frequência, motivo para minimizar ou maximizar a sintomatologia associada com a atividade de trabalho. Fatores diversos tais como os horários de trabalho, os turnos, os ciclos de produção (principalmente as alturas de picos de trabalho), o trabalho em linha, bem como as pausas são, entre outros, elementos que podem aumentar a “carga de trabalho”, tendo como consequência situações de incompatibilidade com as capacidades do trabalhador (Uva et al., 2008). 2.3.7 Como combater as LMERTs Para enfrentar o problema que as LMERTs representam é necessário adotar uma abordagem de gestão integrada e pluridisciplinar, que não se centre apenas na prevenção do aparecimento de novas lesões, mas também na manutenção em atividade, na reabilitação e na reintegração dos trabalhadores aos quais já foram diagnosticadas LMERTs (European Agency for Safety and Health at Work, 2007a).
Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 20 Estado da Arte/ Revisão de Literatura Para combater as LMERTs é imperioso atuar ao nível do local de trabalho. Numa primeira fase, existem medidas preventivas que devem ser consideradas. No entanto, para os trabalhadores já afetados o primordial é preservar a sua empregabilidade. Isto pode compreender mantê-los em atividade ou, caso se verifique necessário, reintegrálos no local de trabalho (European Agency for Safety and Health at Work, 2007c). A prevenção de LMERTs pode compreender as seguintes etapas (European Agency for Safety and Health at Work, 2007a; União Europeia, 1989a): • Evitar os riscos de aparecimento/desenvolvimento de LMERTs; • Avaliar os riscos que não podem ser evitados; • Combater os riscos na origem; • Adaptar o trabalho ao homem; • Adaptar o posto de trabalho à evolução tecnológica; • Substituir o que é perigoso pelo que é seguro ou menos perigoso; • Conceber uma política de prevenção global e abrangente, que compreenda todas as cargas exercidas sobre o corpo; • Privilegiar as medidas de proteção coletiva em deterimento das medidas de proteção individual; • Dar formação adequada aos trabalhadores. No que concerne os trabalhadores já afetados pelas LMERTs devem ser tidos em consideração os seguintes aspetos (European Agency for Safety and Health at Work, 2007a): • Proporcionar possibilidades de reabilitação; • Reintegrar os trabalhadores afetados. Existe um crescente interesse quer da parte de ergonomistas, médicos de saúde ocupacional, empregadores, representantes dos trabalhadores, bem como das autoridades reguladoras no que respeita à medição da exposição aos fatores de risco, como base para a elaboração de programas de prevenção de riscos e sua consequente redução. É agora aceite que estes programas devem ser fundamentados nos princípios ergonómicos e devem incorporar uma visão abrangente de todos os elementos do sistema de trabalho de modo que soluções ótimas possam ser alcançadas (David, 2005). Verifica-se o aparecimento de LMERTs com taxas de incidências superiores em determinadas indústrias e profissões. Os setores identificados como sendo de risco elevado incluem profissões que envolvem a manipulação de cargas, como sejam a enfermagem (transporte e movimentação de doentes) e certas atividades industriais como a paletização e o embalamento. 2.3.8 Movimentação Manual de Cargas Segundo o DL 330/93 (Ministério do Emprego e da Segurança Social, 1993) entendese por movimentação manual de cargas “qualquer operação de transporte ou sustentação de uma carga, por um ou mais trabalhadores, que, devido às suas caraterísticas ou condições ergonómicas desfavoráveis, comporte riscos, nomeadamente na região dorso-lombar”.
Estudo Ergonómico de um Posto de Trabalho em Contexto Real: A Produção nas Tintas CIN Monteiro, Joana Messias 21 O absentismo causado por doenças e /ou acidentes associados a uma incorreta elevação e transporte manual de cargas demonstra a dimensão dos riscos para o aparelho locomotor humano, sendo que também a fadiga muscular e as afeções do sistema cardiorrespiratório são disso indício (Freitas, 2011). Para além das lesões associadas à incapacidade imediata (como sendo a rutura de ligamento ou a fissura de um osso), outras há que surgem apenas passado algum tempo, sob a forma de lesões cumulativas com consequências de difícil reversibilidade clínica (Freitas, 2011). Deve proceder-se à avaliação dos elementos de referência do risco associados à movimentação manual de cargas e das condições de saúde e segurança associadas a esta questão atendendo nomeadamente a (Freitas, 2011): • Caraterísticas da carga – peso, volume, forma, posição, etc; • Esforço físico exigido – movimentos de torção ou flexão do tronco, movimento brusco da carga, corpo em posição instável, etc; • Caraterísticas do local de trabalho – espaço livre, tipo de pavimento, condições de trabalho que condicionam a adoção de posturas incorretas, ambiente térmico, iluminação, etc; • Exigências da atividade – frequência e duração da tarefa, pausas, etc; • Fatores individuais de risco – aptidão física, EPI’s, formação e patologias a nível dorso-lombar. 2.3.9 LMERTs – Metodologias de Avaliação do Risco Inúmeros métodos têm sido desenvolvidos, quer com vista a avaliar o risco de desenvolvimento de LMERTs, quer para monitorizar os efeitos de mudanças ergonómicas operadas em determinado local de trabalho (Takala et al., 2009). Geralmente, as metodologias de análise do trabalho recorrem a processos que decompõem o trabalho em acontecimentos distintos e sucessivos no tempo, o que permite a observação dos detalhes (como, por exemplo, as aplicações de força, a frequência e a postura). A análise ergonómica do trabalho, pela sua metodologia específica, permite a compreensão dos diversos elementos referidos e pode contribuir para o desenvolvimento de planos e programas de prevenção destas doenças ou lesões (Uva et al., 2008). A maioria dos inúmeros métodos desenvolvidos para a avaliação das LMERTs centrase principalmente nas LMERTs relacionadas com o quadrante superior do corpo, nomeadamente as costas, pescoço, ombros, braços e pulsos (David, 2005). Segundo David (2005), os métodos disponíveis para a avaliação das LMERTs podem, sumariamente, classificar-se segundo três categorias. 1. Relatórios dos trabalhadores São utilizados para recolha de informação relativa a fatores físicos e psicossociais e podem assumir a forma de questionários, diários dos trabalhadores ou entrevistas. Apresentam a vantagem de serem de fácil utilização e aplicáveis a uma vasta gama de situações, apresentando um custo de utilização reduzido.
Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 22 Estado da Arte/ Revisão de Literatura 2. Métodos observacionais Consistem na observação sistemática da tarefa por um observador e no posterior preenchimento de uma folha de registo. Podem ser aplicados diretamente no local de trabalho ou posteriormente recorrendo ao registo de imagem em vídeo. São geralmente selecionados quando existe a necessidade de proceder à avaliação do risco em tarefas cuja repetitibilidade é elevada (Pereira, 2011) e têm sido amplamente utilizados para avaliar o risco ergonómico (Juul-Kristensen et al., 1997). Como exemplo podem apresentar-se as seguintes metodologias: • RULA Categoriza as posturas corporais e a força exercida, com diferentes níveis de ação no que respeita à avaliação do quadrante superior do corpo. • QEC Calcula o nível de exposição para diferentes regiões corporais através de uma combinação da observação do avaliador com as respostas dos trabalhadores. • REBA Categoriza as posturas corporais e a força exercida, com diferentes níveis de ação no que respeita à avaliação de todo o corpo. 3. Medições diretas utilizando instrumentos de monitorização São geralmente metodologias mais complexas, que podem exigir procedimentos analíticos, como a análise espectral das apreciações de movimentos articulares com apoio de electrogoniómetros e/ou acelerómetros (Pereira, 2011). A avaliação é feita por aquisição direta de determinadas variáveis, tais como a força, a aceleração, a torção, entre outras. São disso exemplo as seguintes metodologias: • Inclinometria Consiste na utilização de acelerómetros tri-axiais que gravam o movimento tendo como referência a linha da gravidade, isto é, a direção vertical. • Medição de Força São colocados sensores no sistema que medem a força aplicada. • Eletrogoniometria Recorre a goniómetros e a torsiómetros para gravar o movimento das articulações. A seleção do método a aplicar constitui, por si só, um desafio. A escolha da metodologia a adotar deve ter em conta a amostra, o local de trabalho e as variáveis a analisar (Pereira, 2011). Certos autores como Bernard (1997) consideram que os métodos observacionais e instrumentais exibem maior fiabilidade do que os questionários. Por sua vez, Spielholz et al. (2001) defendem que os questionários e as avaliações electrogoniométricas são instrumentos de recolha menos precisos do que a análise observacional com recurso a gravação de imagens em vídeo. Capodaglio et al. (2001), por sua vez, defendem que não existem métodos universais válidos e aceites para a descrição e avaliação do risco de desenvolvimento das LMERTs, sendo necessária a investigação no âmbito das metodologias. De ressalvar que os custos associados à aquisição de dados, ao treino necessário à sua correta aplicação e à análise de resultados varia consoante a metodologia. Geralmente
Estudo Ergonómico de um Posto de Trabalho em Contexto Real: A Produção nas Tintas CIN Monteiro, Joana Messias 23 os avaliadores possuem um tempo limitado para procederem à avaliação, pelo que o método deve ser direto e de fácil utilização (David, 2005). Na Tabela 9 referem-se algumas das metodologias disponíveis para a avaliação do risco ergonómico associado à movimentação manual de cargas. Em seguida é apresentada uma descrição mais detalhada dos métodos selecionados: Tabela 9 – Algumas das principais Metodologias de avaliação do risco ergonómico associado à manipulação de cargas. Método Descrição Sumária Referência RULA – Rapid Upper Limb Assessment Fornece uma pontuação global que tem em consideração a carga postural dando especial ênfase de análise ao pescoço, tronco, ombros, braços e pulsos. A pontuação global tem também em consideração o tempo durante o qual a postura é mantida, a força utilizada, bem como a repetitividade do movimento. (McAtamney & Nigel Corlett, 1993) REBA – Rapid Entire Body Assessment Fornece uma pontuação global que tem em consideração todas as partes do corpo (tronco, pernas, pescoço, ombros, braços e punhos). São tidos em conta todos os fatores considerados no RULA, bem como a qualidade do acoplamento da mão. (Hignett & McAtamney, 2000) Job Strain Index Quantifica a exposição a fatores de risco de LMERTs para as mãos e pulsos. Fornece um índice que tem em consideração o nível de perceção do esforço, a duração do esforço como percentagem do tempo de ciclo, número de esforços, a postura da mão e do punho, a velocidade de trabalho e o comprimento deslocado. (Moore & Garg, 1995) QEC Possibilita a avaliação das quatro principais áreas do corpo humano e o processo de avaliação envolve quer avaliadores quer os próprios trabalhadores, o que potencia a ergonomia participativa. (David et al., 2008) Equação de Elevação NIOSH Consiste fundamentalmente em duas equações. Na primeira é determinado o Peso Limite Recomendado (PLR) e na segunda o Índice de Elevação (LI), sendo que este último é um indicador extremamente útil na avaliação/determinação do risco de aparecimento de LMERTs. (Waters et al., 1999) EEPP TM É uma ferramenta que estima as taxas de consumo metabólico associadas a tarefas de movimentação de cargas. É baseado no pressuposto de que uma tarefa pode ser subdividida em tarefas elementares e que a taxa média de energia metabólica despendida pode ser estimada através da duração e do consumo metabólico associado às tarefas simples. (University of Michigan, 2010) 3D SSPP TM O Software estima os requisitos de força associados a tarefas como puxar, empurrar e elevar. Possibilita também uma simulação aproximada que inclui dados de postura e parâmetros antropométricos, fornecendo como resultado a percentagem de homens e mulheres que têm a força para realizar o trabalho descrito. (University of Michigan, 2012) Software EEPP TM O Software EEPP ™ (Energy Expenditure Prediction Program) é uma ferramenta criada pela Universidade de Michigan que estima as taxas de consumo metabólico
Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 30 Estado da Arte/ Revisão de Literatura QEC - Quick Exposure Check O Quick Exposure Check (QEC) é uma metodologia observacional desenvolvida pelo Robens Centre for Health Ergonomics (Li & Buckle, 1999) para a OSH (Occupational Safety and Health) para avaliar a exposição dos trabalhadores a situações passíveis de desencadear o aparecimento de LMERTs, providenciando a possibilidade de uma intervenção ergonómica primária (David et al., 2008). Figura 7 – Folha de Pontuação REBA (Retirado de Santos, 2009) Tabela 11 – Pontuação do Grupo A – Tronco, Pescoço e Pernas (Adaptado de Santos, 2009). Tronco Postura Pontuação Ajustes à Pontuação Erecta 1 + 1 se se verificar rotação ou flexão lateral Flexão 0º - 20º Extensão 0º - 20º 2 Flexão 20º - 60º Extensão > 20º 3 Flexão > 60º 4 Pescoço Postura Pontuação Ajustes à Pontuação Flexão 0º - 20º 1 + 1 se se verificar rotação ou flexão lateral Flexão ou Extensão > 20º 2
Estudo Ergonómico de um Posto de Trabalho em Contexto Real: A Produção nas Tintas CIN Monteiro, Joana Messias 31 Tabela 11 (continuação) – Pontuação do Grupo A – Tronco, Pescoço e Pernas (Adaptado de Santos, 2009). Pernas Postura Pontuação Ajustes à Pontuação Peso distribuído bilateralmente, a andar ou sentado 1 + 1 se se verificar flexão dos joelhos entre 30º e 60º + 2 se a flexão dos joelhos for > 60º (de pé) Peso distribuído unilateralmente, a andar ou sentado 2 Tabela 12 - Pontuação do Grupo B – Braço, Antebraço e Pulso (Adaptado de Santos, 2009) Braço Postura Pontuação Ajustes à Pontuação Extensão 20º a Flexão 20º 1 + 1 se se verificar adução ou rotação + 1 se se verificar elevação do ombro -1 se se verificar apoio com suporte do peso do braço Flexão 20º - 45º Extensão > 20º 2 Flexão 45º - 90º 3 Flexão > 90º 4 Antebraço Postura Pontuação Ajustes à Pontuação Flexão 60º - 100º 1 inexistentes Flexão < 60º Flexão > 100º 2 Pulso Postura Pontuação Ajustes à Pontuação Flexão ou Extensão entre 0º - 15º 1 + 1 se se verificar desvio ou rotação do pulso Flexão ou Extensão > 15º 2 Tabela 13 – Pontuação para o Grupo A (Adaptado de Hignett & McAtamney, 2000) Pescoço 1 2 3 Pernas 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 Tronco 1 1 2 3 4 1 2 3 4 3 3 5 6 2 2 3 4 5 3 4 5 6 4 5 6 7 3 2 4 5 6 4 5 6 7 5 6 7 8 4 3 5 6 7 5 6 7 8 6 7 8 9 5 4 6 7 8 6 7 8 9 7 8 9 9
Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 32 Estado da Arte/ Revisão de Literatura Tabela 14 – Pontuação para a Carga/Força (Adaptado de Hignett & McAtamney, 2000) Pontuação 0 1 2 +1 Carga/Força < 5 kg 5 a 10 kg >10 kg Choque ou rápido desencadeamento da força Tabela 15 – Pontuação para o Grupo B (Adaptado de Hignett & McAtamney, 2000) Antebraço 1 2 Pulso 1 2 3 1 2 3 Braço 1 1 2 2 1 2 3 2 1 2 3 2 3 4 3 3 4 5 4 5 5 4 4 5 5 5 6 7 5 6 7 8 7 8 8 6 7 8 8 8 9 9 Tabela 16 – Pontuação da Pega (Adaptado de Hignett & McAtamney, 2000) Tipo de Pega Boa - 0 Aceitável - 1 Má - 2 Inaceitável - 3 Descrição Pega bem ajustada e pega de potência Pega aceitável, mas não ideal ou Pega aceitável feita por outra parte do corpo Pega não aceitável apesar de possível Pega difícil e insegura, situação sem pega ou pega inaceitável utilizando outras partes do corpo Tabela 17 – Tabela de Pontuação C (Adaptado de Hignett & McAtamney, 2000). Pontuação B 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Pontuação A 1 1 1 1 2 3 3 4 5 6 7 7 7 2 1 2 2 3 4 4 5 6 6 7 7 8 3 2 3 3 3 4 5 6 7 7 8 8 8 4 3 4 4 4 5 6 7 8 8 9 9 9 5 4 4 4 5 6 7 8 8 9 9 9 9 6 6 6 6 7 8 8 9 9 10 10 10 10 7 7 7 7 8 9 9 9 10 10 11 11 11 8 8 8 8 9 10 10 10 10 10 11 11 11 9 9 9 9 10 10 10 11 11 11 12 12 12 10 10 10 10 11 11 11 11 12 12 12 12 12 11 11 11 11 11 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12
Estudo Ergonómico de um Posto de Trabalho em Contexto Real: A Produção nas Tintas CIN Monteiro, Joana Messias 33 Tabela 18 – Pontuação Relativa à Atividade (Adaptado de Hignett & McAtamney, 2000) Descrição da Atividade Pontuação Uma ou mais partes do corpo estão estáticas durante mais de um minuto +1 Verifica-se um pequeno número de ações que se repetem mais de 4 vezes por minuto (excluindo andar) +1 A tarefa provoca rápidas alterações à postura ou a base é instável +1 Tabela 19 – Níveis de Ação REBA (Adaptado de Hignett & McAtamney, 2000) Pontuação Nível de Risco Nível de Ação Ação 1 Insignificante 0 Nenhuma necessária 1-3 Baixo 1 Eventualmente Necessária 4-7 Moderado 2 Necessária 8-10 Elevado 3 Necessária em curto espaço de tempo 11-15 Muito Elevado 4 Imediata A metodologia foi desenvolvida tendo por base evidências epidemiológicas e foi testada, modificada e validada através da simulação de tarefas em ambiente real de trabalho. O QEC possibilita a avaliação das quatro principais áreas do corpo humano e o processo de avaliação envolve quer avaliadores quer os próprios trabalhadores, o que potencia a ergonomia participativa (David et al., 2008). Vários ensaios determinaram a sua aplicabilidade a uma vasta gama de atividades laborais. O QEC é de fácil e rápida utilização, o que o torna numa metodologia apelativa. O método centra-se principalmente nos fatores físicos no local de trabalho, incluindo também a avaliação de fatores do foro psicossocial (David et al., 2008). O QEC fornece um processo estruturado que ajudar a priorizar a possível necessidade de mudança no posto de trabalho. Pode formar uma base para a comunicação entre a gestão, produção e projetistas no que concerne à avaliação das intervenções e alocação de recursos que visam o financiamento de melhorias (David et al., 2008). Visa avaliar principalmente as vertentes seguintes (Mirmohamadi et al., 2004): • A possibilidade de desenvolvimento de LMERTs ao nível da zona lombar; • A incidência dos distúrbios osteomusculares ao nível do ombro/braço, pulso e pescoço; • Os fatores de risco relacionados com a atividade de trabalho; • A priorização da necessidade de intervenção. A metodologia consiste num questionário (consultar Anexo 4) partilhado entre o avaliador (observador) e o trabalhador que opera o posto de trabalho, segundo o qual são posteriormente atribuídas pontuações (consultar Anexo 5). Os parâmetros analisados na avaliação da exposição pelo Observador e pelo Trabalhador constam da Tabela 20. Seguidamente é feita Priorização da Necessidade de intervenção com recurso à Tabela 21.
Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 34 Estado da Arte/ Revisão de Literatura Tabela 20 – Parâmetros analisados na avaliação da exposição ao risco. Avaliação feita pelo Observador Avaliação feita pelo Trabalhador Postura e movimento lombar; Carga máxima manipulada; Postura e movimento dos membros superiores (ombros e braços); Duração da tarefa; Esforço manual exigido; Postura e movimento das mãos e pulsos Exigências visuais da tarefa; Postura do pescoço. Exposição a Vibrações; Dificuldade de Acompanhamento da tarefa Stress. Tabela 21 – Níveis de Prioridade propostos de acordo com a pontuação QEC (Retirado de David et al., 2008) Fator de exposição Nível de Exposição Baixo Moderado Elevado Muito Elevado Zona Lombar (estática) 8 - 14 16 – 22 24 – 28 30 – 40 Zona Lombar (movimento) 10 – 20 22 – 30 32 – 40 42 – 56 Ombros/Braços 10 – 20 22 – 30 32 – 40 42 – 56 Mãos/Pulsos 10 – 20 22 – 30 32 – 40 42 – 56 Pescoço 4 – 6 8 – 10 12 – 14 16 - 18 Condução 1 4 9 - Vibração 1 4 9 - Ritmo de Trabalho 1 4 9 - Stress 1 4 9 16
Estudo Ergonómico de um Posto de Trabalho em Contexto Real: A Produção nas Tintas CIN Monteiro, Joana Messias 35 3 OBJETIVOS, MATERIAIS E MÉTODOS 3.1 Objetivos da Dissertação O objetivo deste trabalho prende-se com a necessidade reconhecida pela Direção de Qualidade, Ambiente, Higiene e Segurança das Tintas CIN de explorar a temática da Ergonomia aplicada aos postos de Trabalho na Produção, nomeadamente numa linha de enchimento semiautomática. Globalmente este estudo visa: • Avaliar o risco de LMERTs associado à manipulação de cargas no posto de trabalho selecionado; • Efetuar uma análise comparativa e integrada dos resultados obtidos através da aplicação dos métodos selecionados que avaliam diferentes riscos; • Enumerar algumas das estratégias preventivas que possam ser adotadas para a mitigação do risco. 3.2 Metodologia Global de Abordagem O presente trabalho consiste num estudo de campo, realizado em contexto real, numa indústria de tintas e vernizes - as Tintas CIN - localizada na Maia, distrito do Porto, e pretende analisar e avaliar os riscos ergonómicos a que estão sujeitos os trabalhadores de uma linha de enchimento. Primeiramente foi definido com a Direção de QAHS qual o posto de trabalho a avaliar. Posteriormente foi feita a recolha de imagem da prestação de diferentes colaboradores no posto de trabalho em causa, bem como de outra informação necessária à aplicação dos métodos escolhidos, após a qual foram selecionados dois métodos para proceder à avaliação das tarefas desempenhadas (Equação de Elevação NIOSH e Software EEPP TM ). Seguidamente foram avaliados os resultados e feito o diagnóstico à prestação dos colaboradores no posto de trabalho em estudo, segundo a sequência de trabalhos descrita na Figura 8. Após a aplicação das metodologias EEPP TM e Equação de Elevação NIOSH revista, foi identificada a tarefa mais penalizadora para os trabalhadores e foi sobre esta que incidiu uma nova avaliação com a aplicação de outras duas metodologias: REBA e QEC. Pretendeu-se que a abordagem de avaliação fosse abrangente em termos de metodologias de modo a que o estudo tivesse em consideração diversas variáveis como por exemplo a postura adotada e o metabolismo energético, e a opinião dos trabalhadores. Com base nos resultados de avaliação foram propostas medidas preventivas e corretivas que poderão ser implementadas de modo a minimizar e/ou mitigar o risco.
Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 36 Objetivos, Materiais e Métodos 3.3 Materiais e Métodos 3.3.1 Sujeitos e Materiais No presente trabalho participaram dois trabalhadores do sexo masculino que ocupam o posto de trabalho analisado no turno da noite (que decorre das 17h00 - 2h00). Entre Figura 8 – Metodologia de Trabalhos
Estudo Ergonómico de um Posto de Trabalho em Contexto Real: A Produção nas Tintas CIN Monteiro, Joana Messias 37 outras tarefas, estes trabalhadores procedem ao abastecimento da linha de enchimento, constituída por uma Máquina de Enchimento DEVREE V304 EX FB 0880112 e por um transportador automático. Foi feita a avaliação in loco, bem como aquisição de imagem (registo fotográfico e vídeo), com a devida informação e autorização prévias de todos os envolvidos. Para efeito da recolha da informação necessária e o seu tratamento foram utilizados: • Uma Máquina Fotográfica Sony Ciber-Shot 12.1 Mega Pixels; • Uma Fita métrica; • Um Cronómetro; • O Software EEPP TM 2.0.6, do Center for Ergonomics da Faculdade de Engenharia da Universidade de Michigan; • O Software Microsoft Excel 2010; • Esquadro Geométrico. 3.3.2 Métodos As metodologias utilizadas teriam de ser aplicáveis sem constrangimentos à atividade de trabalho em estudo e de ter uma logística associada baixa (nomeadamente no que concerne aos encargos financeiros), razão pela qual foram seleccionadas as metodologias Software EEPP TM , Equação de Elevação NIOSH, QEC e REBA (já descritas no ponto 2.9.2 e referenciadas na Tabela 22) Tabela 22 – Metodologias aplicada e sua descrição sumária. Método Descrição EEPP TM Determinação do dispêndio Energético. Equação de Elevação NIOSH Avaliação do Risco associado à movimentação manual de cargas (zona lombar). REBA Avaliação do Risco de LMERTs. QEC Avaliação do Risco de LMERTs (corpo inteiro).
Estudo Ergonómico de um Posto de Trabalho em Contexto Real: A Produção nas Tintas CIN Monteiro, Joana Messias 39 4 RESULTADOS 4.1 Caraterização dos sujeitos e da tarefa analisada A tarefa estudada é desenvolvida por dois trabalhadores do sexo masculino, designados por trabalhador 1 e trabalhador 2, com 26 e 28 anos de idade, 91 kg e 84 kg de peso, e 1,81 e 1,60 metros de altura, respetivamente. O tempo efetivo que os colaboradores despendem na tarefa de enchimento representa cerca de 31% da duração total da jornada de trabalho (Figura 9). Esta tarefa é, assim, a segunda mais importante, logo depois da tarefa de limpeza, que representa 34% da ocupação dos trabalhadores. Figura 9 - Distribuição de tempos por tarefa no posto de enchimento em % da duração total Tendo em vista a utilização dos métodos escolhidos (cálculo do gasto energético através da utilização do Software EEPP TM para a estimação do risco de LMERT associado à execução da tarefa e cálculo do Índice de Elevação Composto através da utilização da Equação de Elevação NIOSH) foi efetuada a decomposição da tarefa de Enchimento nas respetivas subtarefas. Assim sendo, foram identificadas as seguintes subtarefas: • Carregar as latas vazias na mesa inicial (Figura 10); • Carregar as tampas no dispensador (Figura 11); • Colocar as latas cheias na caixa (Figura 12); • Colocar as caixas na palete (Figura 13). A distribuição de tempos relativamente a este posto de trabalho está representada no gráfico da Figura 14 e os dados relativos a cada tarefa estão condensados na Tabela 23. A Figura 14 mostra que mais de metade (65%) da duração do tempo de trabalho respeita ao embalamento (colocar as latas no interior da caixa), 21% do tempo de trabalho é ocupado na colocação das caixas nas paletes e os restantes 14% são igualmente distribuídos quer pelo abastecimento da mesa, quer pelo abastecimento do dispensador de tampas.
Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 46 Resultados Tabela 28 – Comparação dos resultada aplicação do método REBA para ambos os trabalhadores. Tarefa Trabalhador 1 (1,81m de altura) Trabalhador 2 (1,60m de altura) Pontuação REBA Nível de Risco Intervenção Pontuação REBA Nível de Risco Intervenção D 3 Elevado Necessária em curto espaço de tempo 4 Muito Elevado Imediata E 3 Elevado Necessária em curto espaço de tempo 4 Muito Elevado Imediata F 2 Moderado Necessária 3 Elevado Necessária em curto espaço de tempo G 2 Moderado Necessária 3 Elevado Necessária em curto espaço de tempo 4.5 Análise do risco de LMERT pelo método QEC A aplicação desta metodologia implica a avaliação por parte do trabalhador envolvido, pelo que se optou por considerar a tarefa de paletização como um todo, não a subdividindo nos diferentes níveis considerados nas outras metodologias. Através desta metodologia é possível fazer uma avaliação parcelar pelas diferentes zonas corporais. Os resultados relativos à Zona Lombar encontram-se compilados na Tabela 29. Dos parâmetros avaliados, os que globalmente surgem com a pontuação mais elevada são: Postura/Carga, Duração/Carga, e Frequência/Carga. Note-se que em todos eles está presente o fator ‘Carga’. A diferenciação entre os trabalhadores acontece nos binómios Postura/Duração e Duração/Carga, sendo que é o trabalhador 2 que apresenta os valores mais elevados. Tabela 29 – Resultados obtidos pelo método QEC relativos à zona Lombar Zona Lombar Trabalhador 1 Trabalhador 2 Postura/Carga 8 8 Postura/Duração 6 8 Duração/Carga 8 10 Frequência/Carga 8 8 Frequência/Duração 0 0 Total 30 34 Na Tabela 30 estão compilados os resultados relativos aos Ombros. Neste caso, verifica-se existir concordância entre as pontuações atribuídas aos 2 trabalhadores em estudo, sendo que a diferenciação apenas acontece no binómio Duração/Altura. Nesta avaliação os binómios que se apresentam como mais penalizadores são: Duração/Altura, Frequência/Altura e Frequência/Duração.
Estudo Ergonómico de um Posto de Trabalho em Contexto Real: A Produção nas Tintas CIN Monteiro, Joana Messias 47 Tabela 30 - Resultados obtidos pelo método QEC relativos aos Ombros. Ombros Trabalhador 1 Trabalhador 2 Altura/Carga 6 6 Altura/Duração 4 4 Duração/Altura 8 10 Frequência/Altura 8 8 Frequência/Duração 8 8 Total 34 36 Através da Tabela 31 podem observar-se os resultados relativos à Mão/Pulso. Nesta análise, os parâmetros que se distinguem como mais penalizadores são a Duração/Força, a Repetição/Força e a Postura Pulso/Força. Note-se que em todos eles está presente o fator ‘Força’ Neste análise verifica-se que a distinção entre os trabalhadores ocorre nos binómios Repetição/Duração, Duração/Força e Postura do Pulso/Duração. Tabela 31 - Resultados obtidos pelo método QEC relativos à Mão/Pulso. Mão/Pulso Trabalhador 1 Trabalhador 2 Repetição/Força 8 8 Repetição/Duração 6 8 Duração/Força 8 10 Postura Pulso/Força 8 8 Postura Pulso/Duração 6 8 Total 36 42 Na Tabela 32 estão reunidos os dados relativos ao Pescoço, podendo verificar-se que há distinção entre trabalhadores em todos os binómios avaliados. São eles a Postura do Pescoço/Duração e a Exigência Visual/Duração. Através da Tabela 33 podem observar-se os resultados obtidos relativamente aos parâmetros de Condução, Vibração, Ritmo e Stress. Neste caso a diferenciação acontece no caso dos parâmetros de Condução e de Stress, fatores estes que constituem um input percecionado pelo trabalhador. Analisando a Tabela 34, onde estão compilados os todos os resultados parcelares obtidos através desta metodologia, pode verificar-se que a nível individual o Trabalhador 1 apresenta Nível de Exposição Elevado para a zona dos Ombros, Mão/Pulso, e para o parâmetro Stress. Já o Trabalhador 2 apresenta Nível de Exposição Muito Elevado para a zona da Mão/Pulso e Elevado para a Zona Lombar, Ombros e Pescoço.
Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 48 Resultados Tabela 32 - Resultados obtidos pelo método QEC relativos ao Pescoço. Pescoço Trabalhador 1 Trabalhador 2 Postura Pescoço/Duração 6 8 Exigência Visual/Duração 4 6 Total 10 14 Tabela 33 - Resultados obtidos pelo método QEC relativos à Condução, Vibração, Ritmo e Stress Trabalhador 1 Trabalhador 2 Condução 1 4 Vibração 1 1 Ritmo 4 4 Stress 9 4 É possível verificar então que são a zona dos Ombros e da Mão/Pulso que apresentam um Risco Elevado e/ou Muito Elevado comum a ambos os trabalhadores. De notar que o fator ‘Duração’ aparece referenciado em muitos dos binómios que distinguem os trabalhadores. Tabela 34 – Comparação dos níveis de exposição ao risco de LMERT obtidos pelo método QEC para os trabalhadores 1 e 2. Trabalhador 1 (1,81m de altura) Trabalhador 2 (1,60m de altura) Pontuação QEC Nível de Exposição Pontuação QEC Nível de Exposição Zona Lombar 30 Moderado 34 Elevado Ombros 34 Elevado 36 Elevado Mão/Pulso 36 Elevado 42 Muito Elevado Pescoço 10 Moderado 14 Elevado Condução 1 Baixo 1 Baixo Vibração 1 Baixo 1 Baixo Ritmo 4 Moderado 4 Moderado Stress 9 Elevado 4 Moderado
Estudo Ergonómico de um Posto de Trabalho em Contexto Real: A Produção nas Tintas CIN Monteiro, Joana Messias 49 5 DISCUSSÃO O presente estudo tinha como objetivo analisar a exposição ao risco de LMERT, por parte dos trabalhadores de uma linha de enchimento automático. Foi efetuada uma primeira análise, com recurso a dois métodos: o EEPP TM e a Equação de Elevação NIOSH. Tomando como referência as guidelines NIOSH 1981 que estabelecem 3,5 kcal/min como o limite de ação para um dia médio de trabalho de 8 horas (o que significa que, para um gasto energético inferior ou igual a 3,5 kcal/min, 75% da população feminina e 99% da população masculina - ou 90% da população global - podem desenvolver a respetiva atividade sem que estejam sujeitos a risco acrescido de fadiga ou LME (University of Michigan, 2010)), verificamos que nenhum dos colaboradores apresenta taxa metabólica superior a este valor, não correndo por esse motivo o risco de desenvolvimento de LMERTs. No entanto, se a análise for feita à luz das guidelines NIOSH 1991 (University of Michigan, 2010), que considera como valor de referência 3,2 kcal/min, verifica-se que o trabalhador 1 excede esse valor, ou seja, está em sobreesforço, correndo o risco de desenvolver LMERTs. O que diferencia à partida os dois trabalhadores (no que a este método diz respeito) é o seu peso corporal. De facto, o trabalhador 1 apresenta um peso superior ao trabalhador 2, sendo que todas as outras variáveis intervenientes no cálculo do metabolismo apresentam igual valor para os dois trabalhadores. No seu estudo, Garg et al. (1978) referem que ligeiras alterações nos parâmetros físicos comummente usados para descrever a atividade podem resultar em mudanças significativas na taxa metabólica. Esta afirmação vai de encontro ao verificado neste estudo. De referir que em ambos os trabalhadores se verifica a existência de tarefas em que a sobrecarga metabólica é elevada (o gasto energético associado às tarefas D, E e F excede o limite de ação estabelecido pelas guidelines NIOSH 1981 e 1991). São disso exemplo as tarefas em que se combina uma manipulação de carga mais elevada, bem como uma maior distância vertical a percorrer na elevação/abaixamento, como sejam a paletização das caixas. Por análise da Tabela 35 podemos verificar que, em ambos os colaboradores, os maiores consumos metabólicos estão associados à tarefa de paletização, sendo que a sobrecarga energética é maior quando a distância vertical a percorrer com a carga aumenta. De facto, entre o nível 0 e o nível 3 (tarefa D e G, respetivamente) há uma redução de quase 50% do esforço energético, o que é um valor considerável e indica que quanto mais baixa for a altura final de elevação da carga em relação ao solo, maior é o gasto energético. No seu estudo, Garg et al. (1978), concluiu que a movimentação de uma carga de um nível próximo do solo pode ter o dobro da exigência metabólica do que mover a mesma carga, a uma mesma distância, mas partindo de um nível superior. Este fenómeno está também presente nos resultados do nosso estudo, uma vez que se verifica uma redução significativa do esforço metabólico à medida que a altura de descarga aumenta. No entanto é de considerar que a distância a percorrer com carga diminui à medida que nos afastamos do solo.
Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 50 Discussão Tabela 35 – Análise comparativa da prestação dos dois trabalhadores segundo o Software EEPP TM Energia Despendida (kcal) Taxa Metabólica (kcal/min) Tarefa Duração (min) Trabalhador 1 Trabalhador 2 Trabalhador 1 Trabalhador 2 Cód. Descrição A Abastecer mesa 10.20 29,60 27,50 2,90 2,70 B Abastecer tampas 10.20 34,09 31,58 3,34 3,10 C Colocar latas nas caixas 96.00 278,61 258,86 2,90 2,70 D Paletizar - nível 0 7.95 52,14 48,83 6,56 6,14 E Paletizar - nível 1 7.95 41,85 39,01 5,26 4,91 F Paletizar - nível 2 7.95 31,10 29,19 3,91 3,67 G Paletizar - nível 3 7.95 25,49 24,05 3,21 3,03 Snook (1971), citado por Garg et al. (1978), efetuou um estudo que, à semelhança do realizado neste trabalho, envolveu a manipulação de uma caixa. Neste estudo, Snook provou ser possível prever com rigor a taxa de consumo metabólico, o que (na impossibilidade de se fazer a verificação bioquímica do consumo metabólico) nos dá uma informação preciosa sobre a validade dos nossos resultados. No que concerne à avaliação através da Equação de Elevação NIOSH, postula-se que tarefas com IEC superior a 1 representam um risco acrescido no que respeita ao desenvolvimento de LMEs, sendo que o risco aumenta com o aumento deste valor. (Waters et al., 1994). A análise da Tabela 27 permite-nos concluir que o IEC para o desempenho da tarefa é superior a 1 e inferior a 3, o que significa que a exigência global da atividade pode exceder as capacidades dos trabalhadores e, por esse motivo, estes incorrem em risco acrescido de desenvolver LMERTs. No que concerne à análise dos valores dos PLRIFS (e já de acordo com o descrito no ponto 3.3.2), este parâmetro é um indicador da força e da exigência muscular associada à realização da subtarefa. De facto, é a subtarefa A que surge como sendo a mais exigente a nível muscular. No caso da análise feita à luz dos PLRTs (que refletem a exigência da subtarefa, assumindo que esta tenha sido a única a ser realizada), os valores mais elevados surgem associados às subtarefas A e B. De referir que ao assumirem que a subtarefa em análise tenha sido a única a ser realizada o PLRT não reflete o contributo das outras subtarefas. O IEIF permite identificar as subtarefas que possam apresentar problemas potenciais de força para elevações com frequência baixa, enquanto que o IETS é geralmente utilizado para identificar tarefas individuais com exigências físicas excessivas que resultariam em fadiga. Analisando os resultados obtidos para o cálculo dos IEIFs e IETSs (segundo o descrito na Tabela 27) pode notar-se que são as tarefas D, E, F e G que apresentam valores mais elevados, sendo que estes são mais penalizadores nas tarefas D e E. Mais uma vez, são as tarefas de paletização nos níveis inferiores que apresentam maior risco para os trabalhadores, visto que são estas que que apresentam valores de IETSs
Estudo Ergonómico de um Posto de Trabalho em Contexto Real: A Produção nas Tintas CIN Monteiro, Joana Messias 51 mais elevados. Este é um indicador de que poderá ser necessária uma intervenção ergonómica no sentido de reduzir as exigências das tarefas. Tal como foi anteriormente verificado através do cálculo do metabolismo energético com o Software EEPP TM , também com a aplicação da equação de elevação NIOSH revista se verifica que são as tarefas em se conjuga a manipulação de carga mais elevada com a maior distância vertical a percorrer com carga que são mais penalizadoras para o trabalhador. Dempsey (2002) considera que os resultados obtidos pelo cálculo dos multiplicadores podem ser utilizados para sugerir dados de projeto, tais como a altura ótima dos transportadores fixos, prateleiras, etc., bem como ser utilizados com propósitos associados à formação dos trabalhadores. O autor salienta, no entanto, que as limitações do método são substanciais se os resultados forem somente utilizados para estimar o risco associado a uma determinada tarefa (que é o que é feito neste estudo). Novamente se refere que, visto que a equação de elevação NIOSH revista não tem em consideração os dados biométricos do trabalhador, e uma vez que os ritmos de trabalho e as alturas de manipulação de cargas são as mesmas, não existe diferenciação entre os dois colaboradores. Através deste método também se verifica que a paletização no 3º nível implica um esforço menor comparativamente ao nível 0. De referir que, no cálculo dos multiplicadores, nas tarefas A, B, C, na impossibilidade de enquadrar a pega num dos cenários descritos no Anexo 2 (avaliação da pega) optouse por considerar o cenário mais crítico, ou seja, pega má. No que respeita às tarefas D, E, F e G, que envolvem o manuseamento de uma caixa de dimensões 37 x 21 x 20 cm a pega foi considerada boa. A análise subsequente da tarefa mais penalizadora com as metodologias REBA e QEC, à semelhança do que se verificou anteriormente nas metodologias EEPP TM e Equação de Elevação NIOSH revista, mostra que é nos níveis mais baixos, em que a distância vertical de elevação da carga é maior, que o risco é mais elevado. Fazendo uma avaliação primária dos resultados obtidos segundo a metodologia REBA (através da Tabela 28), verifica-se que, à semelhança do que se constatou anteriormente nas metodologias EEPP TM e Equação de Elevação NIOSH revista, é nos níveis mais baixos, em que a distância de manipulação da carga é maior, que o risco se intensifica. Esta situação verifica-se em ambos os trabalhadores, independentemente da altura que os distingue. Convém no entanto diferenciar os resultados obtidos para cada um dos trabalhadores. Contrariamente ao esperado, para a metodologia REBA pode constatar-se que, em cada uma das subtarefas é o trabalhador 2, cuja altura é menor, que está mais sujeito ao risco de desenvolvimento de LMERTs. Isto acontece porque este trabalhador adota sempre uma postura com uma maior flexão do tronco. No entanto, esta análise não pode fazer-se apenas à luz da diferença de alturas entre trabalhadores; o posicionamento das paletes para carga adotado por cada trabalhador parece desempenhar, também, um papel importante. O posicionamento da palete é uma escolha feita pelos trabalhadores no início da jornada de trabalho e verifica-se que o trabalhador 2 posiciona sempre a palete a uma maior distância do tapete rolante, o que o obrigará a curvar-se mais para posicionar as caixas.
Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 52 Discussão Por outro lado, os resultados obtidos pela metodologia QEC mostram que é, igualmente o trabalhador 2 que está mais exposto ao risco de desenvolvimento de LMERTs. De facto, em todos os parâmetros de avaliação, à exceção do Stress (conforme se pode verificar pela Tabela 34), este trabalhador surge com pontuações mais elevadas, indicando que o risco a que se encontra exposto é, de um modo geral, superior ao do trabalhador 1. Fazendo agora uma análise por segmentos, e avaliando a zona lombar (descrita na Tabela 29), verifica-se que o que diferencia os trabalhadores são os parâmetros Postura/Carga e Duração/Carga. De facto, se atentarmos à Figura 15, à Figura 16, à Figura 17 e à Figura 18, verificamos que é o trabalhador 2, apesar de ser o mais baixo, o que mais se curva para realizar a tarefa em qualquer um dos níveis (0, 1, 2 e 3) e que é este um dos fatores que penaliza a avaliação do risco para a zona lombar. Segundo Keyserling et al. (1988), a flexão do tronco está associada à fadiga muscular e às dores lombares. Paralelamente, este autor também considera que os movimentos de ‘curvar’ ou ‘torcer’ também contribuem e incrementam o risco de aparecimento de LMERTs, o que parece ser suportado pela presente avaliação. Outra situação que surge como diferenciadora é o resultado obtido para a avaliação da Duração/Carga. Uma vez que tanto a carga manipulada como o tempo despendido na realização da tarefa são os mesmos, esta diferenciação só pode ser explicada pela incorreta perceção que um dos trabalhadores tem do tempo associado à realização da tarefa, visto que este é um dos parâmetros por eles avaliados. Também na avaliação ao nível da zona dos ombros (através de consulta da Tabela 30) se verifica que existe diferenciação entre trabalhadores, no binómio Duração/Carga, que poderá eventualmente dever-se diferenças na perceção que os mesmos têm sobre a duração da tarefa. Por outro lado, no que concerne à avaliação da Mão/Pulso (ver Tabela 31), os fatores de diferenciação são os binómios Repetição/Duração, Duração/Força e Postura/Duração. Em todos eles está presente o fator ‘Duração’, que se verificou anteriormente poder ter sido mal percecionado por um dos trabalhadores, o que justificará a diferenciação nestes pontos. Procedendo agora à avaliação da zona do pescoço (através de consulta da Tabela 32), mais uma vez se verifica que a diferenciação acontece nos binómios onde a duração da tarefa está envolvida, o que sugere novamente uma perceção incorreta da duração da tarefa. Por último, e avaliando os resultados associados à Condução, Vibração, Ritmo e Stress (através de consulta da Tabela 33), verifica-se que a diferenciação acontece no parâmetro Stress. De facto, o trabalhador 1 sente uma exigência superior relativamente à tarefa que o trabalhador 2. Este facto pode estar relacionado com fatores de ordem organizacional e psicossocial (Serranheira, 2007; Yeng et al., 2001), difíceis de identificar neste trabalho e de relacionar com os parâmetros biométricos que distinguem os 2 trabalhadores (altura e peso). Segundo um estudo efetuado por Chiasson et al. (2012), onde foram comparados os resultados da aplicação de oito métodos distintos usados na avaliação do risco
Estudo Ergonómico de um Posto de Trabalho em Contexto Real: A Produção nas Tintas CIN Monteiro, Joana Messias 53 associado à movimentação manual de cargas e onde estavam incluídos o REBA e o QEC, verificou-se que o método QEC provou ser o menos rigoroso na avaliação do risco global. No entanto, num estudo efetuado por Motamedzade et al. (2011), estes mostraram existir uma forte correlação entre os dois métodos, quer na identificação de postos de trabalho de risco, quer na determinação do risco potencial para o aparecimento de LMERT. Mais ainda, Motamedzade et al. (2011) mostraram que, independentemente do tipo de tarefa, os resultados obtidos pelas metodologias QEC e REBA eram similares. De facto, e apesar de não poder ser feita uma comparação parcelar (visto que na metodologia QEC não houve subdivisão em subtarefas), ambos os métodos apontam para a existência de risco muito elevado, elevado e moderado em ambos os trabalhadores, sublinhando assim a necessidade de uma intervenção ergonómica. Esta concordância entre métodos parece suportar as conclusões obtidas por Motamedzade et al. (2011) e Chiasson et al. (2012). Em suma, todas as metodologias identificaram a tarefa de paletização (e as respetivas subtarefas) como situações de risco, apontando no sentido da necessidade de uma intervenção ergonómica que permita a mitigação do risco.
Estudo Ergonómico de um Posto de Trabalho em Contexto Real: A Produção nas Tintas CIN Monteiro, Joana Messias 55 6 CONCLUSÕES E PERSPETIVAS FUTURAS 6.1 Conclusões É geralmente reconhecido que a tomada de decisões no que respeita à adoção de medidas de prevenção e/ou correção não deve basear-se nas conclusões obtidas através da aplicação de um único método, razão pela qual foram selecionados quatro metodologias distintas nesta abordagem. Numa primeira fase e através da utilização do Software EEPP TM e da Equação de Elevação NIOSH revista foi possível avaliar a exigência física requerida aos trabalhadores na prestação de atividade. Apesar de os dois métodos não serem concordantes no que respeita à avaliação da prestação da tarefa (visto que através da Equação de Elevação NIOSH revista se conclui que o trabalhador está em sobreesforço, enquanto com o software EEPP TM isso só se verifica para o trabalhador 1 à luz das guidelines NIOSH 1991), ambas as metodologias foram concordantes no que respeita à identificação das tarefas que mais exigem do trabalhador. Este facto indicia, à partida e no global da tarefa, a necessidade de intervenção ergonómica. Posteriormente, ao segmentar-se o estudo para a tarefa de paletização através das metodologias REBA e QEC, também estas apontam no sentido da necessidade de uma intervenção ergonómica. Através das metodologias EEPP TM , Equação de Elevação NIOSH e REBA verificouse, que são as subtarefas que conjugam a maior carga manipulada com a maior distância vertical a percorrer que são as mais penalizadoras para os trabalhadores. No que respeita ao método EEPP TM é possível concluir que ligeiras alterações nos parâmetros físicos (como é o caso do peso dos trabalhadores) podem traduzir-se em alterações relevantes na taxa de consumo metabólico. Através da aplicação do REBA é possível concluir que a comparação entre trabalhadores não pode ser feita apenas à luz dos dados biométricos (como é o caso da altura dos trabalhadores), uma vez que se verificou que o posicionamento da palete de carga parece ter uma influência significativa sobre a postura que os trabalhadores adotam. A verificação desta situação deve ser utilizada para sensibilizar os trabalhadores no que respeita aos parâmetros que estes podem controlar e dos quais podem beneficiar, como é o caso do posicionamento das paletes. Em última instância pode mesmo controlar-se, através de marcadores no chão, o posicionamento das paletes de carga, de modo a ajudar os trabalhadores a adotar uma postura mais correta. O QEC, apesar de benéfico por envolver os trabalhadores, o que possibilita a implementação das medidas preventivas e corretivas de um modo mais ativo, apresenta constrangimentos na análise que estes possam fazer, como foi o caso da duração da jornada de trabalho, estando a análise sujeita à sua perceção, por vezes incorreta, dos acontecimentos. De todas as metodologias aplicadas a Equação de Elevação NIOSH revista é a única que não tem em consideração a distinção entre trabalhadores. Isto poderá ser encarado
Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 62 Bibliografia Putz-Anderson, V. (1988). Cumulative trauma disorders: A manual for musculoskeletal diseases of the upper limbs: Taylor & Francis London. Putz-Anderson, V., Bernard, B. P., Burt, S. E., Cole, L. L., Fairfield-Estill, C., Fine, L. J., . . . Hurrell Jr, J. J. (1997). Musculoskeletal disorders and workplace factors. A critical review of epidemiological evidence for work-related musculoskeletal disorders of the neck, upper extremity, and low back. Cincinnati: National Institute for Occupational Safety and Health. Santos, J. M. S. (2009). Desenvolvimento de um guião de selecção de métodos para análise do risco de lesões músculo-esqueléticas relacionadas com o trabalho (lmert). (Mestrado), Universidade do Minho. Schneider, E., Irastorza, X., Copsey, S., Verjans, M., Eeckelaert, L., & Broeck, V. (2010). Osh in figures: Work-related musculoskeletal disorders in the eu— facts and figures. Luxembourg: European Agency for Safety and Health at Work. Schonstein, E. (2006). Responders for treatment of work-related musculoskeletal disorders: Who are they and how do we find them? Serranheira, F. (2004). Lesões músculo-esqueléticas (lme) e trabalho: Uma associação muito frequente. Serranheira, F. M. S. (2007). Lesões músculo-esqueléticas ligadas ao trabalho: Que métodos de avaliação do risco? (Doutoramento), Universidade Nova de Lisboa. Skov, T., Borg, V., & Orhede, E. (1996). Psychosocial and physical risk factors for musculoskeletal disorders of the neck, shoulders, and lower back in salespeople. Occupational and Environmental Medicine, 53(5), 351-356. Snook, S. H. (1971). Criteria for manual materials handling. Paper presented at the 22nd Anual AIIE Conference, Boston (USA). Spielholz, P., Silverstein, B., Morgan, M., Checkoway, H., & Kaufman, J. (2001). Comparison of self-report, video observation and direct measurement methods for upper extremity musculoskeletal disorder physical risk factors. Ergonomics, 44(6), 588-613. Takala, E. P., Pehkonen, I., Forsman, M., Hansson, G. A., Mathiassen, S. E., Neumann, W. P., . . . Winkel, J. (2009, Aug 9-14). Systematic evaluation of observational methods assessing biomechanical exposures at work. Paper presented at the 17th World Congress on Ergonomics, IEA2009, China. União Europeia. (1989a). 89/391/cee - relativa às medidas destinadas a promover a melhoria da segurança e da saúde dos trabalhadores. União Europeia. (1989b). 89/654/cee - relativa às prescrições mínimas de segurança e de saúde nos locais de trabalho. União Europeia. (1989c). 89/655/cee - relativa à adequação dos equipamentos de trabalho. União Europeia. (1989d). 89/656/cee - relativa à adequação dos equipamentos de proteção individual. União Europeia. (1990). 90/269/cee - relativa à identificação e prevenção dos riscos da movimentação manual de cargas. União Europeia. (1993). 93/104/cee - relativa à organização do tempo de trabalho. University of Michigan. (2010, October 25, 2010). Eepp Retrieved April 4, 2012, from http://www.engin.umich.edu/dept/ioe/ENGEXP/
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Estudo Ergonómico de um Posto de Trabalho em Contexto Real: A Produção nas Tintas CIN Monteiro, Joana Messias 65 ANEXOS Anexo 1 – Multiplicadores de Frequência (Adaptado de Waters et al. (1994)) Frequência (nº de elevações por minuto) Duração do período com tarefas de elevação ≤ 1 h 1 – 2 h 2 – 8 h V < 75 V ≥ 75 V < 75 V ≥ 75 V < 75 V ≥ 75 0,2 1,00 1,00 0,95 0,95 0,85 0,85 0,5 0,97 0,97 0,92 0,92 0,81 0,81 1 0,94 0,94 0,88 0,88 0,75 0,75 2 0,91 0,91 0,84 0,84 0,65 0,65 3 0,88 0,88 0,79 0,79 0,55 0,55 4 0,84 0,84 0,72 0,72 0,45 0,45 5 0,80 0,80 0,60 0,60 0,35 0,35 6 0,75 0,75 0,50 0,50 0,27 0,27 7 0,70 0,70 0,42 0,42 0,22 0,22 8 0,60 0,60 0,35 0,35 0,18 0,18 9 0,52 0,52 0,30 0,30 0,00 0,15 10 0,45 0,45 0,26 0,26 0,00 0,13 11 0,41 0,41 0,00 0,23 0,00 0,00 12 0,37 0,37 0,00 0,21 0,00 0,00 13 0,00 0,34 0,00 0,00 0,00 0,00 14 0,00 0,31 0,00 0,00 0,00 0,00 15 0,00 0,28 0,00 0,00 0,00 0,00 > 15 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00
Estudo Ergonómico de um Posto de Trabalho em Contexto Real: A Produção nas Tintas CIN Monteiro, Joana Messias 67 Anexo 2 – Multiplicadores de Pega (Adaptado de Waters et al. (1994)) Multiplicador de Pega V < 75 cm V ≥ 75 cm Boa 1,00 1,00 Aceitável 0,95 1,00 Má 0,90 0,90 Pega Boa Considera-se que possuem “Pega Boa” objetos cujo formato apresenta um design ideal, como seja o de uma caixa, podendo apresentar alças. No caso de o objeto apresentar formato irregular, considera-se que a pega é boa se o trabalhador conseguir envolver a mão em torno do objeto manipulado. A superfície deve ser lisa e antiderrapante. Pega Aceitável No caso de recipientes de formato ideal (caixas), considera-se que a Pega é “Aceitável se as dimensões ou a alça estão abaixo das dimensões consideradas ideais. Pega má Considera-se que a Pega é “Má” quando se está em presença de objetos irregulares, volumosos, difíceis de manipular ou com arestas ou cujo centro de massa varia.
Estudo Ergonómico de um Posto de Trabalho em Contexto Real: A Produção nas Tintas CIN Monteiro, Joana Messias 69 Anexo 3 – Exemplificação da aplicação da metodologia REBA. Figura 19 – Exemplo de aplicação da metodologia REBA. Na Figura 19 está exemplificada a aplicação da metodologia REBA. Nesta pode verificar-se o preenchimento do quadro REBA através da análise da postura do trabalhador, de acordo com o descrito na Tabela 36. Tabela 36 – Pontuações atribuídas no decorrer da aplicação da metodologia REBA Situação Pontuação T – Flexão > 60º 4 P – 0º - Alinhado com o tronco 1 P – Peso distribuído bilateralmente; pernas ligeiramente fletidas 1 + 1 B – a 90º com o tronco 3 AB – Flexão entre 60º a 100º 1 P 2 + 1 Foi considerada pega aceitável.
Estudo Ergonómico de um Posto de Trabalho em Contexto Real: A Produção nas Tintas CIN Monteiro, Joana Messias 71 Anexo 4 – Questionário QEC (Retirado de David et al. (2008).