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Relatórios de Estágio realizado na Farmácia Pimentel e no Hospital de Braga

Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva

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Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva II Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas Relatório de Estágio Profissionalizante Fevereiro de 2015 a Maio de 2015 Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva Orientador: Drª Isabel Maria Leite Rebelo Machado __________________________________________ Tutor FFUP: Prof. Doutora Beatriz Quinaz __________________________________ Setembro de 2015 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva III “Sentir prazer no que faz torna o trabalho perfeito” Aristósteles Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva IV Declaração de Integridade Eu, Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva, abaixo assinado, nº 200908080, aluna do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, declaro ter atuado com absoluta integridade na elaboração deste documento. Nesse sentido, confirmo que NÃO incorri em plágio (ato pelo qual um indivíduo, mesmo por omissão, assume a autoria de um determinado trabalho intelectual ou partes dele). Mais declaro que todas as frases que retirei de trabalhos anteriores pertencentes a outros autores foram referenciadas ou redigidas com novas palavras, tendo neste caso colocado a citação da fonte bibliográfica. Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, ____ de __________ de _____ Assinatura: ______________________________________ Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva V Agradecimentos Estagiar na Farmácia Pimentel representou muito para mim, é uma farmácia que já esteve ligada à minha família, desta forma, fazia todo o sentido para mim que o meu primeiro contato com a vida profissional fosse lá. O meu estágio foi uma experiência gratificante e cativante para a minha aprendizagem e crescimento, tanto a nível profissional como pessoal. Assim, quero expressar os meus mais sinceros agradecimentos: Em primeiro lugar, aos meus pais e ao meu irmão por estarem sempre comigo, por todo o carinho, todo o amor, pela educação, pela força e pelo apoio incondicional. Só com vocês consegui chegar até aqui! Aos meus amigos, pela presença constante ao longo destes anos, pela entreajuda, pelo companheirismo. Sem eles não tinha sido tão bom! À Drª Isabel, proprietária e diretora-técnica da Farmácia Pimentel, quero agradecer pela oportunidade que me deu, por me ter recebido e integrado na sua equipa de trabalho, por todos os conhecimentos transmitidos, pela confiança e pelo carinho demonstrados. Ao Drº Octávio, meu “mentor”, por tudo o que ensinou, pela confiança que depositou em mim, pela paciência, companheirismo e amizade que demonstrou. Aos restantes colaboradores, à Drª Elisabete, ao Drº Pedro, à Técnica Filipa, à Técnica Telma, à Técnica Diana, à Técnica Bárbara, ao Técnico Tiago, ao Técnico Jorge, ao Sr. Valdemar, ao Márcio e à Rita, pela forma como me receberam e por me integrarem de forma plena na equipa de trabalho, por tudo o que transmitiram, por toda a ajuda, disponibilidade e amizade que sempre demonstraram. Aos restantes profissionais de saúde da Farmácia Pimentel e à Dª Maria do Carmo, pela simpatia com que me receberam. Foi um privilégio aprender com profissionais que me ensinaram o que é ser Farmacêutica! Muito obrigada por me terem feito sentir em casa, por tudo o que me transmitiram e pela boa disposição que esteve sempre presente. Agradeço ainda à Comissão de Estágios da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, em especial à Prof. Doutora Beatriz Quinaz, por me terem proporcionado a oportunidade de realizar este estágio e por todo o apoio e orientação durante este período. Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva VI Índice Declaração de Integridade ............................................................................................... IV Agradecimentos ................................................................................................................ V Índice ............................................................................................................................... VI Índice de anexos ............................................................................................................... X Lista de abreviaturas....................................................................................................... XII Introdução ......................................................................................................................... 1 PARTE I: Atividades desenvolvidas no estágio ................................................................. 2 1. A Farmácia Pimentel ..................................................................................................... 2 1.1. Localização geográfica e inserção sociocultural ..................................................... 2 1.1.1 Perfil dos utentes .............................................................................................. 2 1.2. Horário de funcionamento ...................................................................................... 2 1.3. Recursos humanos ................................................................................................ 3 1.4. Infraestruturas ........................................................................................................ 3 1.4.1. Espaço exterior ................................................................................................ 3 1.4.2. Espaço interior ................................................................................................. 4 1.5. Sistema Informático ................................................................................................ 6 1.6. Fontes de informação e Documentação científica .................................................. 6 2. Classificação dos produtos existentes na farmácia ....................................................... 7 2.1. Medicamentos Sujeitos a Receita Médica .............................................................. 7 2.2. Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica ....................................................... 8 2.2.1. MNSRM de dispensa exclusiva em farmácia ................................................... 8 2.3. Medicamentos manipulados ................................................................................... 8 2.3.1. Matérias-primas e equipamento ....................................................................... 9 2.3.2. Manipulação propriamente dita ........................................................................ 9 2.3.3. Cálculo do preço de venda ao público ............................................................. 9 2.4. Medicamentos homeopáticos ................................................................................. 9 2.5. Produtos para alimentação especial e suplementos alimentares ...........................10 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva VII 2.6. Produtos fitoterapêuticos .......................................................................................10 2.7. Produtos cosméticos e dermofarmacêuticos .........................................................11 2.8. Produtos e medicamentos de uso veterinário ........................................................11 2.9. Produtos de puericultura .......................................................................................12 2.10. Dispositivos médicos ...........................................................................................12 3. Dispensa de medicamentos .........................................................................................13 3.1. Dispensa de medicamentos sujeitos a receita médica ...........................................13 3.1.1. Validação da prescrição médica, avaliação farmacêutica e prestação de informação ao utente ................................................................................................14 3.1.2. Medicamentos genéricos e sistema de preços de referência ..........................15 3.1.3. Regimes de comparticipação de medicamentos .............................................15 3.1.4. Medicamentos psicotrópicos e estupefacientes ..............................................16 3.1.5. Programa Nacional de Prevenção e Controlo da Diabetes .............................16 3.2. Dispensa de medicamentos não sujeitos a receita médica ....................................17 3.2.1. Indicação farmacêutica ...................................................................................17 3.2.2. Automedicação ...............................................................................................17 4. Prestação de cuidados de saúde .................................................................................18 4.1. Determinação do peso, da altura e do índice de massa corporal ..........................18 4.2. Determinação da pressão arterial ..........................................................................18 4.3. Determinação do colesterol total, HDL, LDL e triglicerídeos ..................................18 4.4. Determinação da glicemia .....................................................................................19 4.5. Teste de gravidez ..................................................................................................19 4.6. Teste de Combur ...................................................................................................19 4.7. Administração de injetáveis e de vacinas não incluídas no PNV ...........................20 4.8. VALORMED ..........................................................................................................20 5. Gestão da farmácia ......................................................................................................20 5.1. Gestão de stocks ...................................................................................................20 5.2. Gestão de encomendas ........................................................................................21 5.2.1. Elaboração de encomendas............................................................................21 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva VIII 5.2.2. Fornecedores ..................................................................................................21 5.2.3. Receção de encomendas e armazenamento ..................................................21 5.2.4. Devoluções e reclamações .............................................................................22 5.3. Prazos de validade ................................................................................................23 5.4. Receituário ............................................................................................................23 5.4.1. Conferência e processamento do receituário ..................................................23 5.4.2. Entrega de receituário .....................................................................................24 5.4.3. Devolução do receituário ................................................................................24 6. Marketing e Promoção da Farmácia ............................................................................24 7. Formação complementar .............................................................................................25 8. Cronograma das atividades desenvolvidas no estágio .................................................25 PARTE II: Temas desenvolvidos no estágio ....................................................................26 1. Enquadramento ...........................................................................................................26 2. Higiene oral..................................................................................................................27 2.1. Cuidados básicos de higiene .................................................................................27 2.1.1. Como lavar os dentes .....................................................................................28 2.1.2. Como usar o fio dentário .................................................................................28 2.1.3. Como usar elixir ..............................................................................................29 2.2. Primeiros dentes ...................................................................................................29 2.3. Dentes de leite ......................................................................................................29 2.4. Uso de próteses ....................................................................................................30 2.5. Aparelhos ortodônticos ..........................................................................................30 2.6. Doenças da cavidade oral .....................................................................................30 2.6.1. Cáries .............................................................................................................31 2.6.2. Gengivites .......................................................................................................32 3. Rastreio Cardiovascular ...............................................................................................32 3.1. Doenças Cardiovasculares ....................................................................................33 3.1.1. Dados estatísticos ...........................................................................................33 3.2. Fatores de risco .....................................................................................................33 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva IX 3.2.1. Tabagismo ......................................................................................................34 3.2.2. Sedentarismo ..................................................................................................34 3.2.3. Obesidade ......................................................................................................34 3.2.4. Maus hábitos alimentares ...............................................................................34 3.2.5. Stress .............................................................................................................36 3.2.6. Hipertensão arterial .........................................................................................36 3.2.7. Hipercolesterolémia ........................................................................................36 3.2.8. Diabetes Mellitus .............................................................................................37 3.3. Formas de prevenção ............................................................................................37 4. Palestra: Doenças Sexualmente Transmissíveis .........................................................37 5. Workshop: Grávidas e Recém-mamãs .........................................................................38 6. Doação de Sangue ......................................................................................................38 7. Medicamentos e Cuidados Veterinários .......................................................................39 7.1. Crianças e animais de companhia: laços fortes .....................................................39 7.2. Animais jovens: os primeiros cuidados ..................................................................40 7.3. Mais anos com saúde ............................................................................................40 7.4. Saúde da cabeça à cauda .....................................................................................40 7.5. Animais sem parasitas: Amigos saudáveis ............................................................41 7.6. Medicamentos, como administrar? ........................................................................41 7.7. Bem alimentados + Saúde ....................................................................................41 7.8. Higiene é saúde ....................................................................................................42 8. Organizador de Medicação ..........................................................................................42 Considerações Finais ......................................................................................................43 Referências .....................................................................................................................44 Anexos ............................................................................................................................49 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 4 Para além destes elementos existe ainda um postigo de atendimento para as noites de serviço permanente e, de forma visível no exterior da farmácia, a informação relativa à Direção Técnica, ao horário de funcionamento e às farmácias de serviço. [6] 1.4.2. Espaço interior Cumprindo o estabelecido no DL nº 307/2007, de 31 de agosto e segundo as Boas Práticas Farmacêuticas, as instalações da FP garantem aos seus utentes e ao pessoal que da equipa faz parte, as condições de acessibilidade, comodidade e privacidade. A farmácia possui também um circuito de videovigilância, extintores de incêndio, ar condicionado e uma correta iluminação de toda a área. No que diz respeito aos medicamentos estes são armazenados em condições de segurança, cumprindo os requisitos de temperatura (<25ºC) e de humidade (<60%), que são regularmente registados e controlados. [4, 6] (Anexo IV) O interior da farmácia pode ser dividido nas seguintes áreas:  Zona de atendimento ao público – dispõe de seis postos de atendimento equipados com computador, leitor ótico de código de barras, leitor de cartão de cidadão, impressora e terminal multibanco. Numa área reservada atrás de cinco dos balcões existe uma caixa de pagamento automática que é comum a estes balcões, sendo que apenas o balcão seis, por ser numa zona mais afastada, possui caixa registadora. Atrás dos postos de atendimento, encontram-se dispostos os MNSRM de elevada rotação, organizados de forma atrativa de acordo com a sua utilização e sazonalidade. Na farmácia existe também uma máquina de medição da pressão arterial e pulsações, assim como uma balança eletrónica que faz a relação do índice de massa corporal. Nesta zona, onde os utentes podem circular livremente, existem também expositores e lineares de diferentes marcas de produtos de puericultura, cuidados da grávida e da recémmamã, dermocosmética, higiene oral, dietética, primeiros socorros e medicamentos de uso veterinário de venda livre, entre outros. (Anexo V)  Zona de atendimento personalizado – esta zona é composta por três gabinetes. O primeiro é utilizado para determinação dos parâmetros bioquímicos (determinação da glicemia, do colesterol total, do HDL e do LDL, dos triglicerídeos, do teste de Combur, da fibrilação auricular), para a realização de testes de gravidez, cuidado de feridas, furação de orelhas, consultas de enfermagem e administração de injetáveis ou vacinas. (Anexo VI) Há outro gabinete que está preparado para tratamentos de Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 5 dermocosmética e de podologia. (Anexo VII) Por fim, o terceiro gabinete é dedicado ao bebé onde se pode determinar o seu peso e onde as mamãs podem amamentar ou cuidar do seu bebé; também aqui se realizam as consultas de nutrição, de psicologia e de optometria. (Anexo VIII)  Zona de processamento de encomendas – local onde se faz a receção e verificação das encomendas estando equipada com um computador, um leitor ótico de código de barras, uma máquina de etiquetas para marcação manual de preços, um telefone para contacto externo e uma impressora. Aqui, também podemos encontrar todos os arquivos de encomendas e faturas da farmácia. Nesta zona também estão armazenados em prateleiras e gavetas os excedentes tanto de Medicamentos Sujeitos a Receita Médica (MSRM) como de MNSRM e de dispositivos médicos. Neste mesmo local também estão armazenados os MNSRM de menor rotação. Contígua a esta zona, existe uma divisão onde são armazenados os produtos que estão em quarentena. (Anexo IX)  Área de stock ativo – situa-se numa área contígua à do atendimento, minimizando o tempo de espera dos utentes. Nesta zona existem dois armários, em paredes opostas, constituídos por gavetas devidamente identificadas e organizadas por forma farmacêutica (FF) e depois por ordem alfabética da substância ativa (SA) no caso dos genéricos e por ordem alfabética da Denominação Comum Internacional no caso dos medicamentos de marca registada. As gavetas estão divididas em FF orais sólidas (cápsulas e comprimidos), FF injetáveis, FF de uso rectal (supositórios, enemas), FF de uso vaginal, FF de uso externo (Sprays e Pós), FF de uso oftalmológico, Ampolas bebíveis, Granulados/Pós para dissolução, Xaropes/Soluções/Suspensões orais e Gotas de uso auricular, oral e nasal. Os medicamentos Psicotrópicos e Estupefacientes estão armazenados num local próprio e isolado da farmácia. Nesta zona existe ainda um frigorífico onde estão os produtos sujeitos a refrigeração. (Anexo X)  Armazém – neste local encontram-se os produtos excedentes dos lineares que estão na farmácia. Esta zona dispõe ainda de um computador onde se faz a conferência das receitas. (Anexo XI) Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 6  Laboratório – É neste espaço que são preparados todos os medicamentos manipulados. Assim sendo, e de acordo com a Deliberação nº 1500/2004, de 7 de dezembro, esta zona reúne as condições necessárias de iluminação, higiene e segurança bem como os requisitos mínimos de equipamento, garantindo a conservação das matérias-primas e a integridade do trabalho farmacêutico. Aqui também se encontra toda a documentação para a preparação de manipulados, como fichas de preparação, boletins de análise, folhas de cálculo de preço, legislação e fontes bibliográficas como o Formulário Galénico Português. (Anexo XII) [7] A FP possui ainda o gabinete da Diretora Técnica, uma copa e instalações sanitárias. 1.5. Sistema Informático O sistema informático (SI) constitui uma ferramenta essencial que permite uma maior eficiência e qualidade no trabalho realizado uma vez que minimiza os erros de origem humana, diminui o tempo dispensado em determinadas tarefas e permite um acompanhamento do utente habitual. Esta ferramenta facilita diversas operações entre as quais se salienta a gestão e receção de encomendas e consequente gestão de stocks, o processamento das vendas, onde está inerente o acesso à ficha do produto e a consulta dos grupos homogéneos, o que leva a um controlo da entrada e saída de medicamentos; a faturação e emissão de lotes de receitas também são possíveis, bem como a gestão da farmácia propriamente dita. Na FP este SI é o Sifarma 2000® da Global Intelligent Technologies e cada funcionário possui o seu código de acesso pessoal de forma a ser mais fácil rastrear as ações realizadas no sistema. 1.6. Fontes de informação e Documentação científica Segundo o artigo 12º do código deontológico da Ordem dos Farmacêuticos, “o farmacêutico deve manter atualizadas as suas capacidades técnicas e científicas para melhorar e aperfeiçoar constantemente a sua actividade, por forma que possa desempenhar conscientemente as suas obrigações profissionais perante a sociedade.”. [8] Na FP, para esclarecer possíveis dúvidas pontuais tanto nossas como do utente, podemos recorrer a diversas fontes de informação como o INFARMED, o Centro de Documentação e Informação sobre Medicamentos da Associação Nacional de Farmácias Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 7 e o Centro de Informação do Medicamento da Ordem dos Farmacêuticos. Internacionalmente, a informação necessária pode ser encontrada em sites como European Medicines Agency, Food & Drug Administracion e Center for Disease Control and Prevention. Para além destas ferramentas, a FP dispõe de, entre outra documentação científica, a que é obrigatória por lei, como é o caso do Prontuário Terapêutico e da Farmacopeia Portuguesa. 2. Classificação dos produtos existentes na farmácia Sendo a dispensa de medicamentos a principal atividade da farmácia comunitária, podemos classificar estes produtos, quanto à dispensa ao público, em MSRM e em MNSRM. [9] Contudo, nos dias que correm, não são só medicamentos que são dispensados ao balcão das farmácias de oficina. Desta forma, na FP, existe uma grande variedade de produtos de saúde como produtos cosméticos e dermofarmacêuticos, produtos homeopáticos, suplementos nutricionais, produtos e medicamentos de uso veterinário e dispositivos médicos. 2.1. Medicamentos Sujeitos a Receita Médica São classificados como MSRM todos aqueles que possam constituir, direta ou indiretamente, um risco para a saúde do doente, quando administrados sem vigilância médica, mesmo que utilizados para o fim a que se destinam. [10] Dentro destes medicamentos podemos distinguir: [10-12]  Medicamentos de receita médica renovável: São 3 vias da receita com validade de 6 meses, para que possam ser adquiridos, mais do que uma vez, sem nova receita.  Medicamentos de receita médica especial: Contêm, pelo menos, uma substância classificada como estupefaciente ou psicotrópico, nos termos do DL n.º 15/93, de 22 de janeiro. Estes podem ainda dar origem a riscos de abuso medicamentoso, criar toxicodependência ou ser utilizados para fins ilegais.  Medicamentos de receita médica restrita: De uso hospitalar restrito exclusivo, tanto para patologias cujo diagnóstico seja apenas efetuado em meio hospitalar ou em estabelecimentos diferenciados, como medicamentos que se destinam a tratamentos em regime ambulatório. Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 8 2.2. Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica Qualquer medicamento que não preencha nenhuma das condições dos MSRM pode ser classificado como MNSRM, desde que tenha alguma indicação terapêutica que conste na lista de situações passiveis de automedicação. Estes medicamentos também podem ser chamados de medicamentos de venda livre por serem comercializados tanto em farmácias como em locais de venda devidamente autorizados para o efeito. [10, 12] 2.2.1. MNSRM de dispensa exclusiva em farmácia Atendendo ao perfil de segurança ou às indicações terapêuticas, há medicamentos que no momento da dispensa exigem a intervenção de um Farmacêutico, sendo por isso de dispensa exclusiva em farmácias. A deliberação nº 25/CD/2015, que veio atualizar a deliberação 24/CD/2014, determina os MNSRM de dispensa exclusiva em farmácias. [12-14] 2.3. Medicamentos manipulados Um medicamento manipulado pode ser definido como qualquer fórmula magistral ou preparado oficinal elaborado e dispensado sob a responsabilidade de um Farmacêutico. [15] Associado à evolução da Indústria Farmacêutica está um decréscimo da necessidade de produção de manipulados, daí, atualmente, serem cada vez menos requisitados; continuando, no entanto, a ser necessários em caso de personalização de tratamento. Desde que não exista no mercado uma especialidade farmacêutica com igual SA na FF pretendida ou caso exista necessidade de adaptações de dosagens ou ainda se houver uma lacuna terapêutica a nível dos medicamentos preparados industrialmente, estes medicamentos podem ser comparticipados pelo Sistema Nacional de Saúde (SNS). Os medicamentos listados no Anexo do Despacho nº 18694/2010, de 18 de novembro, são comparticipados em 30% do respetivo Preço de Venda ao Público (PVP). [16] Durante o meu estágio na FP, tive a oportunidade de preparar a solução de álcool a 60% saturado com ácido bórico, que é bastante usada em casos de infeções do ouvido, e ainda a pomada de vaselina salicilada a 10%, que é usada em casos de escabiose. As fichas de preparação, o cálculo do preço e as fotografias do manipulado final encontramse em anexo. (Anexos XIII e XIV) Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 9 2.3.1. Matérias-primas e equipamento A FP possui as instalações adequadas, o equipamento mínimo obrigatório estabelecido por lei e as matérias-primas necessárias para a preparação de medicamentos manipulados. Assim, no laboratório da farmácia efetuam-se todas as operações que dizem respeito à manipulação sendo elas a preparação, o acondicionamento, a rotulagem e o controlo de qualidade do produto final. [6, 7, 15, 17] No que diz respeito às matérias-primas e ao material de embalagem utilizados, estes devem estar inscritos na Farmacopeia Portuguesa ou em Farmacopeias de outros Estado-Membros da União Europeia. [6, 7, 15, 17] Quando uma matéria-prima é recebida na farmácia, antes de ser rececionada, o boletim de análise que a acompanha é conferido. Posteriormente, esse documento é arquivado numa capa para que seja possível um controlo da utilização das matérias-primas e assim se consiga prever a quantidade que ainda se encontra na embalagem. 2.3.2. Manipulação propriamente dita Antes de se proceder à preparação do medicamento, deve existir uma prescrição médica onde conste a fórmula pretendida com a indicação “manipulado” ou “faça segundo a arte”. Para que seja possível a sua elaboração, tem que existir a permissão por lei de utilização das matérias-primas e confirmar se as mesmas constam da farmacopeia oficial e se a formulação se encontra no Formulário Galénico Português, ou outro reconhecido por lei. [6] Depois de feito o medicamento manipulado, preenche-se a ficha de preparação, que é, posteriormente, armazenada na farmácia. De seguida elabora-se o rótulo, calculase o PVP e o produto está pronto para ser entregue ao utente. 2.3.3. Cálculo do preço de venda ao público Segundo o estabelecido na Portaria nº 769/2004, de 1 de julho, o PVP é calculado tendo como base o custo das matérias-primas, do material de embalagem e o valor dos honorários. A tabela 3 que se encontra em anexo esquematiza como é feito o cálculo deste preço. (Anexo XV) [18] 2.4. Medicamentos homeopáticos A Homeopatia é considerada um ramo da terapêutica médica que tem como princípios a similitude, a globalidade e a infinitesimalidade, e os seus medicamentos geralmente são considerados MNSRM. Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 10 Um medicamento homeopático é “obtido a partir de substâncias denominadas stocks ou matérias-primas homeopáticas, de acordo com um processo de fabrico descrito na farmacopeia europeia, ou na sua falta, em farmacopeia utilizada de modo oficial num Estado membro”. [9] Na FP existe uma disponibilidade considerável deste tipo de produtos pois é algo bem aceite pelos utentes, uma vez que demonstra eficácia, o que faz com que fiquem fidelizados e procurem aquele “atendimento personalizado”. 2.5. Produtos para alimentação especial e suplementos alimentares Os produtos para alimentação especial, pela composição ou pelos processos de fabrico que possuem, distinguem-se claramente dos alimentos de consumo corrente. [19] Desta forma, conseguem corresponder às necessidades nutricionais especiais das pessoas cujo processo de assimilação ou cujo metabolismo se encontrem perturbados ou ainda daquelas que se encontram em condições fisiológicas especiais e que podem retirar benefícios de uma ingestão controlada de determinados nutrientes nos alimentos. [19] A autoridade competente que regula os suplementos alimentares é o Gabinete de Planeamento de Políticas do Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território. Estes suplementos são “géneros alimentícios que se destinam a complementar e/ou suplementar o regime alimentar normal e que constituem fontes concentradas de determinadas substâncias nutrientes (…)”. [19, 20] O papel do Farmacêutico é essencial no que se refere ao aconselhamento destes produtos e à promoção do seu uso devido, adequando assim, o suplemento alimentar dispensado ao seu público-alvo. Na FP os suplementos alimentares mais procurados são os que se destinam à melhoria do desempenho físico e intelectual e os de emagrecimento. 2.6. Produtos fitoterapêuticos Os produtos fitoterapêuticos, também chamados “medicamentos à base de plantas”, e as suas condições de fabrico e de distribuição, são regulados pelo DL nº 176/2006, de 30 de agosto. [10] Estes produtos correspondem a “qualquer medicamento que tenha exclusivamente como SA uma ou mais substâncias derivadas de plantas, uma ou mais preparações à base de plantas ou uma ou mais substâncias derivadas de plantas em associação com uma ou mais preparações à base de plantas.” [10] Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 11 A procura de produtos fitoterapêuticos tem vindo a aumentar, mas a ideia errada de que os produtos naturais não possuem efeitos adversos e contraindicações ainda persiste na generalidade do público. Desta forma, cabe ao Farmacêutico alertar o utente e analisar cada caso de forma cuidada para avaliar se de fato o produto é ou não adequado. Durante o meu estágio na FP apercebi-me que o público em geral procura produtos deste tipo para as mais variadas situações, como para emagrecimento, transtornos digestivos ou ainda transtornos psíquicos. 2.7. Produtos cosméticos e dermofarmacêuticos Nos termos do DL nº 189/2008, de 24 de setembro, os produtos cosméticos são definidos como “qualquer substância ou preparação destinada a ser posta em contacto com as diversas partes superficiais do corpo humano, designadamente epiderme, sistemas piloso e capilar, unhas, lábios e órgãos genitais externos, ou com os dentes e as mucosas bucais, com a finalidade de, exclusiva ou principalmente, os limpar, perfumar, modificar o seu aspeto, proteger, manter em bom estado ou de corrigir os odores corporais”. [21] O fabrico, controlo, segurança e cumprimento da legislação dos produtos cosméticos é da inteira responsabilidade do fabricante, importador ou responsável pela introdução dos produtos no mercado. [22] A procura autónoma nesta área é cada vez maior daí, ser dever do Farmacêutico, manter-se atualizado sobre os diferentes produtos e as suas especificidades, de forma a dar o aconselhamento mais indicado ao utente. Para ir ao encontro desta necessidade do profissional de saúde, as marcas ou os laboratórios destes produtos organizam, com uma certa regularidade, ações de formação, nas quais apresentam a sua linha de produtos e fazem uma revisão de noções fundamentais. Na FP, os utentes procuravam maioritariamente produtos relacionados com os cuidados de hidratação e limpeza da pele, cuidados para a pele acneica, para a pele madura e ainda protetores solares. 2.8. Produtos e medicamentos de uso veterinário De acordo com a legislação, um medicamento de uso veterinário é “toda a substância, ou associação de substâncias, apresentada como possuindo propriedades curativas ou preventivas de doenças em animais ou dos seus sintomas, ou que possa ser utilizada ou administrada no animal com vista a estabelecer um diagnóstico médico- Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 12 veterinário ou, exercendo uma ação farmacológica, imunológica ou metabólica, a restaurar, corrigir ou modificar funções fisiológicas”. [23, 24] Na FP, os medicamentos de uso veterinário são bastante requisitados, sendo de salientar os antiparasitários externos e internos e os anticoncecionais para cães e gatos. Nesse sentido, foi introduzida a nova marca ParaVet ® e todos os profissionais de saúde da farmácia tiveram a devida formação. 2.9. Produtos de puericultura De acordo com o estabelecido pelo DL nº 10/2007, de 18 de janeiro, um artigo de puericultura é “qualquer produto destinado a facilitar o sono, o relaxamento, a higiene, a alimentação e a sucção das crianças”. [25] Na FP existe uma grande procura deste tipo de produtos, especialmente de suplementos alimentares, de fraldas, de tetinas, de biberões, de produtos de higiene corporal e de chupetas. 2.10. Dispositivos médicos Os dispositivos médicos, segundo o DL nº 145/2009, de 17 de junho, são definidos como “qualquer instrumento, aparelho, equipamento, software, material ou artigo utilizado isoladamente ou em combinação (…), cujo principal efeito pretendido no corpo humano não seja alcançado por meios farmacológicos, imunológicos ou metabólicos”. [26] Os dispositivos médicos podem ser classificados em várias classes de acordo com o seu risco; assim sendo temos dispositivos médicos de classe I (baixo risco), classe IIa (médio risco), classe IIb (médio risco) e classe III (alto risco). É importante referir também que os seus principais fins são os de diagnóstico, prevenção, controlo, tratamento ou atenuação de uma doença. [26] Na FP há vários dispositivos médicos que são bastante procurados entre os quais se pode destacar ligaduras, material ortopédico (incluindo as meias de descanso e de compressão), seringas com agulha, preservativos, testes de gravidez, material de penso, termómetros, medidores de tensão, artigos para grávidas e produtos de higiene oral. No que diz respeito às meias de descanso e de compressão, é necessário tirar as medidas ao utente para lhe poder dispensar o artigo mais adequado. Na farmácia tive a oportunidade de ver como era feito este procedimento. A FP possui ainda um serviço de furação de orelhas. Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 13 3. Dispensa de medicamentos A dispensa de medicamentos é, na atualidade, a principal atividade da farmácia comunitária e, não correspondendo a um simples ato de venda, é necessário um correto aconselhamento tanto a nível farmacológico como não farmacológico, de forma a prestar o melhor atendimento ao utente. 3.1. Dispensa de medicamentos sujeitos a receita médica Para que os MSRM sejam dispensados na farmácia é necessário uma prescrição médica que tem que estar de acordo com o estabelecido pelo Despacho n.º 15700/2012, de 30 de novembro. [27, 28] Atualmente coexistem os dois tipos de receitas: as receitas eletrónicas e as receitas em papel, na qual o médico prescritor tem que assinalar a exceção legal que o obrigou a utilizar este tipo de receitas e que têm uma validade de trinta dias a partir da data de prescrição. [28] As receitas em papel vão existir até se desmaterializar este processo, uma vez que as receitas eletrónicas têm a enorme vantagem de aumentar a segurança e agilizar os processos de prescrição e dispensa. As receitas eletrónicas podem ser renováveis ou não renováveis, sendo que neste último caso têm uma validade de trinta dias a partir da data de prescrição. Já as renováveis têm validade de seis meses e podem ter até três vias, devendo a indicação da via correspondente estar impressa. É importante salientar que apenas podem ser prescritos neste modelo de receita, os medicamentos que se destinem a tratamentos de longa duração (medicamentos que constam da tabela 2 da Portaria n.º 1471/2004, de 21 de dezembro, atualmente na Deliberação n.º 173/CD/2011, de 27 de outubro) e os produtos destinados ao autocontrolo da diabetes mellitus. [28 - 30] Após a dispensa do medicamento, no verso da receita é impresso o documento de faturação, onde consta toda a informação da venda. Existe ainda uma declaração que o utente deve assinar onde refere que recebeu os medicamentos e as informações necessárias e, se aplicável, que exerceu o direito de opção. Na altura da comparticipação, no caso de haver complementaridade de subsistemas, deve-se tirar uma cópia da receita e faturar através do organismo que reagrupa as duas entidades, sendo pedido pelo SI duas receitas para impressão do documento de faturação (uma para cada sistema de comparticipação). No final, devemos conferir no documento de faturação se está tudo correto, carimbar, datar e assinar. Face a alguma irregularidade (impressão errada da receita ou Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 20 O teste baseia-se na utilização de tiras que são mergulhadas numa amostra de urina do utente. A avaliação dos resultados é simples sendo a leitura feita usando a escala de cor fornecida comparando-a com as zonas reativas do teste. [42] 4.7. Administração de injetáveis e de vacinas não incluídas no PNV De acordo com o disposto na Portaria n.º 1429/2007, de 2 de novembro, a farmácia pode incluir, no conjunto dos seus serviços, a administração de injetáveis e de vacinas não incluídas no Plano Nacional de Vacinação. [41] A FP, por reunir as instalações necessárias e por possuir na sua equipa profissionais habilitados para este efeito, oferece aos seus utentes este serviço. Durante o meu estágio, também eu, tive a oportunidade de administrar diversos injetáveis. 4.8. VALORMED A VALORMED é a sociedade responsável pela recolha e gestão tanto dos resíduos de medicamentos fora de uso e cujo prazo de validade já foi ultrapassado como de embalagens de medicamentos vazias. [43] Os contentores VALORMED depois de entregues por armazenistas na farmácia, vão sendo preenchidos e quando estiverem completos são selados, pesados e é efetuado o seu registo pelo colaborador responsável. Posteriormente, são levados novamente pelos armazenistas para serem incinerados ou para irem para a reciclagem. (Anexo XVIII) Por tornar seguro o processo de recolha e tratamento destes resíduos, é dever do Farmacêutico difundir esta mensagem pela população em geral e incentivar os utentes a deixar na farmácia as embalagens vazias e os medicamentos fora de uso. [43] 5. Gestão da farmácia 5.1. Gestão de stocks O stock de cada produto corresponde à quantidade existente na farmácia e que, por conseguinte, está disponível para venda. É importante que seja garantida a correta gestão dos stocks tanto dos medicamentos como de outros produtos de saúde. Esta atividade permite que seja alcançada a satisfação não só das necessidades dos utentes como também permite evitar ruturas ou a acumulação desnecessária de produtos, logo evita desperdícios de capital investido e de produtos que acabam por perder a validade. [6] Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 21 O SI permite estabelecer os níveis máximos e mínimos de stock, e quando é atingido o limite mínimo este sistema integra esse produto automaticamente na encomenda, que é posteriormente validado pelo operador. É ainda possível emitir um documento detalhado de todos os movimentos de entrada e saída de um produto, o que permite rastrear a origem de erros de stock. 5.2. Gestão de encomendas 5.2.1. Elaboração de encomendas Na FP, as encomendas são feitas de acordo com as necessidades tanto do utente como da própria farmácia. Assim sendo, há várias formas de proceder a uma encomenda:  Encomendas diárias: os produtos que são vendidos até à hora do operador validar a encomenda, são integrados automaticamente pelo SI;  Encomendas diretas ao laboratório: estas, por habitualmente incluírem grandes quantidades de produtos, são feitas diretamente aos laboratórios, através dos delegados, o que geralmente traz vantagens económicas;  Encomendas manuais: quando, por inexistência do produto ou insuficiência do stock, não se consegue satisfazer uma necessidade específica do utente, podem ser feitas encomendas diretamente aos fornecedores tanto via telefónica como através dos gadgets disponíveis no computador. 5.2.2. Fornecedores Para a escolha do fornecedor, a farmácia deve ter em conta: a sua localização, as condições comerciais, a qualidade e frequência do transporte, as condições de pagamento e o processamento das devoluções. A FP utiliza preferencialmente o Botelho & Rodrigues, LDA; ocasionalmente, e caso existam produtos esgotados, solicita algumas encomendas de volume menor à Alliance Healthcare, Cooprofar ou OCP Portugal, para que não exista rutura de stocks. 5.2.3. Receção de encomendas e armazenamento Quando é rececionada uma encomenda na FP, o primeiro passo deste processo é a comparação do número de volumes entregues com os que estão descritos na guia; é ainda importante verificar se a encomenda vem acompanhada da respetiva fatura. Neste documento consta a identificação do fornecedor e da farmácia, o número da fatura, a data, o código e designação do produto, a quantidade pedida e a efetivamente enviada, o Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 22 imposto de valor acrescentado de cada produto, o preço de venda faturado, o PVP, eventuais descontos ou bonificações, o custo total líquido e bruto. O SI facilita imenso o processo de receção de encomendas, uma vez que basta selecionar o número da encomenda a rececionar e indicar tanto o número da fatura como o valor total faturado. Posteriormente, introduzem-se os produtos ou através do leitor ótico ou por introdução do Código Nacional de Produto. Quando se está a dar entrada dos produtos, é necessário ter em atenção o estado de conservação dos produtos, a quantidade recebida, o prazo de validade e o preço impresso na cartonagem. Segundo o disposto na Lei n.º 25/2011, de 16 de junho, a indicação na rotulagem do PVP dos medicamentos é obrigatória. [44] Quando os produtos não apresentam preço impresso na cartonagem, o SI calcula o preço tendo em conta as margens da FP e o imposto de valor acrescentado, sendo posteriormente necessário colar a etiqueta na embalagem. No final da receção, a fatura é assinada e arquivada em local próprio. É importante realçar que se o produto for novo na farmácia, é necessário criar a ficha do produto, introduzindo o PVP e tanto o stock mínimo como o máximo. No caso dos Medicamentos Estupefacientes e Psicotrópicos, apesar de serem rececionados de igual forma, vem anexada à fatura uma Requisição de Estupefacientes e Psicotrópicos que é obrigatoriamente arquivada. No que diz respeito ao armazenamento de produtos, este é feito respeitando o princípio First Expired First Out, garantindo que os produtos com prazo de validade mais curto são dispensados ao utente em primeiro lugar. Os medicamentos são armazenados nas respetivas gavetas e organizados por FF e depois por ordem alfabética da SA no caso dos genéricos e por ordem alfabética da Denominação Comum Internacional no caso dos medicamentos de marca registada. É importante realçar que os produtos sujeitos a refrigeração são armazenados no frigorífico, no exato momento da sua receção. Quanto ao armazenamento de Medicamentos Estupefacientes e Psicotrópicos, este é feito no seu local próprio na farmácia, para garantir a sua segurança. Por sua vez, os produtos expostos na zona de atendimento da farmácia, são dispostos nos respetivos lineares da marca da forma mais apelativa. O armazenamento de produtos foi a minha primeira tarefa durante o estágio na FP. Esta atividade permitiu que me familiarizasse com os produtos disponíveis na farmácia, com a sua organização, arrumação e finalidade. 5.2.4. Devoluções e reclamações Os produtos podem ser devolvidos: porque foram pedidos por engano, porque não foram encomendados, porque as embalagens estão danificadas, porque têm o prazo de validade a terminar, entre outros. Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 23 Em qualquer um destes casos, é emitida pelo SI uma nota de devolução que é enviada ao fornecedor. De seguida, o fornecedor em questão pode enviar um produto em substituição do devolvido ou pode ser emitida uma nota de crédito. O fornecedor pode também não aceitar a devolução e enviar o produto novamente para a farmácia, sendo necessária efetuar a quebra do produto no SI. Nos casos em que há produtos faturados e que não foram enviados na encomenda, é feita uma reclamação ao fornecedor. 5.3. Prazos de validade O controlo do prazo de validade de cada produto é de extrema importância no quotidiano de uma farmácia, uma vez que garante a qualidade do produto dispensado ao utente e evita a perda de capital por desperdício de produtos com prazo de validade expirado. Este controlo é feito regularmente e os produtos que são recolhidos são devolvidos aos respetivos fornecedores; aqueles cujo prazo de validade já se encontra ultrapassado ou quando se sabe que a devolução não vai ser aceite, são colocados para quebras. 5.4. Receituário O elevado número de receitas existente todos os meses na FP requer uma conferência minuciosa de todas elas. No final deste processo, todas as receitas são separadas por organismos de comparticipação e ordenadas pelo seu número correspondente. Posteriormente, são organizadas em lotes de 30 receitas, sendo que cada um tem o seu verbete correspondente. Excecionalmente, o último lote do mês, poderá ter um número inferior de receitas. (Anexo XIX) Posteriormente, para que a farmácia receba o valor correspondente à comparticipação dos medicamentos, é necessário que, mensalmente, as receitas sejam enviadas para a entidade responsável. 5.4.1. Conferência e processamento do receituário Na FP, a conferência do receituário vai ocorrendo ao longo do mês e, sempre que possível, é feita pouco tempo depois da dispensa, o que permite que eventuais erros sejam rapidamente detetados, tornando mais fácil a sua resolução. Com a introdução das receitas eletrónicas, é menos provável que estes eventuais erros aconteçam. A conferência do receituário propriamente dita consiste na verificação dos parâmetros legais anteriormente referidos; e, após verificada a conformidade de todas as receitas, é impresso o verbete de identificação do lote que é carimbado e anexado ao lote Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 24 respetivo. No último dia do mês, é efetuado o fecho dos lotes, iniciando uma nova série que irá corresponder ao mês seguinte. 5.4.2. Entrega de receituário Na FP, o receituário referente ao SNS é enviado para a Administração Regional de Saúde do Norte, mais especificamente para o Centro de Conferência de Faturas, até ao dia 5 do mês seguinte. [45] O restante receituário, referente a outras entidades, é enviado para a Associação Nacional das Farmácias. Nesta situação, esta entidade serve de intermediário, enviando o receituário para o respetivo organismo e efetuando o pagamento da comparticipação à farmácia. 5.4.3. Devolução do receituário Sempre que a entidade responsável deteta um erro em alguma receita, esta é devolvida à farmácia, não sendo reembolsada a comparticipação. Quando as receitas podem ser corrigidas ou justificadas ainda é possível enviá-las ao Centro de Conferência de Faturas, junto com a faturação do mês seguinte. Caso isso não aconteça, a farmácia assume o prejuízo. 6. Marketing e Promoção da Farmácia A atual crise no setor exige inovação para ultrapassar algumas adversidades que surgem no decorrer da gestão de uma farmácia. No entanto, esta gestão não pode passar só pela otimização de vendas, é necessária a otimização da relação com os utentes. Desta forma, é preciso avaliar qual o impacto que o tipo de marketing praticado vai ter no público-alvo, uma vez que vai afetar uma grande parte do volume de vendas e da margem de lucro da farmácia. Pelo que foi exposto, é imperativo criar estratégias apelativas e originais para cativar a atenção do público, desenvolver campanhas promocionais e ter em especial atenção a disposição dos produtos na farmácia. Assim, os produtos que queremos promover devem estar em locais de destaque e devemos tornar a sua apresentação mais atraente. É importante não esquecer que o aconselhamento prestado pelos profissionais de saúde pode fazer a diferença e conduzir de fato a um aumento da procura e consequente aumento do volume de vendas. Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 25 Durante o meu estágio na FP tive várias oportunidades de por em prática algumas estratégias de marketing. Durante esse período pude também dar a conhecer o cartão da FP, no qual os utentes aderentes podem acumular dinheiro, que pode ser trocado por produtos. 7. Formação complementar De forma a desempenhar conscientemente as suas obrigações profissionais perante a sociedade, é dever do Farmacêutico a constante atualização técnica e científica, daí ser imperativo a busca constante pelo aperfeiçoamento e pela melhoria da sua atividade, conseguindo, desta forma corresponder à evolução das ciências farmacêuticas e médicas e às alterações legislativas e circulares do INFARMED. Assim, na FP tive a oportunidade de frequentar diversas formações; algumas delas estão enumeradas na tabela 4 que se encontra em anexo. (Anexo XX) 8. Cronograma das atividades desenvolvidas no estágio Na tabela 5, que se encontra em anexo, estão enumeradas as atividades mais relevantes que executei, bem como a data em que as realizei pela primeira vez. (Anexo XXI) Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 26 PARTE II: Temas desenvolvidos no estágio 1. Enquadramento Na minha opinião, a farmácia é o local onde a população pode e deve ser sensibilizada para a existência de determinados fatores de risco, determinados sinais de algumas doenças graves ou mesmo fatais, ou até apelar à existência de soluções, farmacológicas ou não, para o que os utentes pensavam que não tinha alternativa. Assim sendo, e tendo em conta as várias áreas onde o Farmacêutico, como profissional de saúde, pode atuar, durante o meu estágio na FP, pensei e tive a oportunidade de realizar diversos projetos que em detalhe serão referidos. Quero salientar, que para alguns dos temas, procurei escolher pessoas diferenciadas e experientes, locais-alvo, o que implicou a necessidade de contatos e agendamentos de acordo com as disponibilidades. O meu critério de seleção dos temas a abordar e a forma de os transmitir prendeu-se com o objetivo de educar, reforçar conhecimentos e estreitar a relação com a comunidade. O Farmacêutico tem o dever de disciplinar a população no que diz respeito aos cuidados de higiene a adotar; para ir ao encontro do que foi referido, elaborei um panfleto que tem como tema “Higiene Oral”. (Anexo XXII) Realizei um rastreio cardiovascular uma vez que a FP tem uma população-alvo bastante heterogénea, logo, sendo esta uma doença cada vez mais prevalente, fazia todo o sentido alertar a população para esta realidade. De forma a estar mais próxima da população, organizei uma palestra sobre doenças sexualmente transmissíveis num colégio da zona de influência da FP. Este tema foi abordado junto dos alunos do ensino secundário por considerar que, sendo um tema tão preocupante, se mantém atual e é imperativo alertar os jovens para os seus perigos (a necessidade de prevenção e os riscos de transmissão). Já no interior da farmácia, organizei um workshop que tinha como alvo grávidas e recém-mamãs; este tema foi escolhido porque os produtos de puericultura representam um grande volume de vendas na FP. Tendo plena consciência do nosso papel enquanto profissionais de saúde e por conseguinte da responsabilidade que nos é acrescida em zelar pela saúde da população, sem nunca esquecer que esta deve ser um direito de todos, organizei, na FP, uma campanha de doação de sangue. Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 27 Durante o meu estágio, também agrupei informação que julguei pertinente sobre “Medicamentos e cuidados veterinários”. Achei este tema de grande interesse uma vez que há um elevado número de clientes que vão à FP para pedir aconselhamento para os seus animais de estimação e para lhes comprar medicação. Por fim, criei um cartaz para promover o serviço de separação da medicação. Considero esta atividade de extrema importância pois assim foi possível alertar a população, principalmente a mais idosa, para os perigos de errar as tomas da medicação. Esta atividade permitiu também ajudar a população-alvo neste processo que muitas vezes representa uma enorme dificuldade. Nos pontos que se seguem são descritos, pormenorizadamente, cada um dos projetos que criei. 2. Higiene oral É imperativo termos determinados cuidados, bastante específicos, no que diz respeito à nossa higiene oral, uma vez que só assim é possível manter uma correta saúde oral, o que contribui de forma direta para um bem-estar e uma qualidade de vida que se vão refletir na saúde geral de cada um. [46] As doenças da cavidade oral são vistas, nos dias que correm, como uma “epidemia silenciosa”, uma vez que o impacto que têm no dia-a-dia das pessoas vai fazendo com que alterem, mesmo que de forma subtil, os papéis que exercem na sociedade. [46] Como profissionais de saúde, é nossa obrigação alertar a população para os perigos do não cumprimento de uma correta higiene, neste caso particular, da higiene oral. Desta forma, cabe-nos alertar a população que a prática correta das normas que serão apresentadas ajuda a travar a progressão de muitas das doenças da cavidade oral. [47] 2.1. Cuidados básicos de higiene Zelar pelo cuidado da cavidade oral está intimamente ligado à manutenção de uma higiene oral correta e diária, o que se vai refletir na saúde dos dentes e das gengivas. Desta forma, são necessários certos cuidados diários que vão contribuir para a preservação da saúde oral: a escovagem, o correto uso do fio dentário e do elixir. [47] Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 28 2.1.1. Como lavar os dentes Antes de qualquer outra informação, é importante transmitir a ideia de que a escova de dentes é um objeto pessoal e, como tal, deve ser intransmissível. Posto isto, é também importante reter que a escova deve ser substituída quando os pelos se começam a deformar, o que normalmente acontece a cada três meses. [48] No que diz respeito à escolha da escova de dentes, esta deve ter um tamanho adequado, com uma cabeça pequena e ser macia, assim evita lesões sobre os dentes e sobre as gengivas. [47] A higiene oral é vista como a medida mais eficaz para prevenir as doenças orais, daí ser tido como ideal escovar os dentes, de forma correta e durante 2 a 3 minutos, duas vezes por dia, sendo obrigatório que uma seja antes de dormir e usando um dentífrico com flúor. Só uma correta escovagem é eficaz na remoção da placa bacteriana, o que vai prevenir o aparecimento das cáries dentárias e das doenças das gengivas. Assim, o uso de um dentífrico com flúor remove a placa bacteriana e promove a remineralização dos dentes, o que ajuda a torná-los mais resistentes. A quantidade de flúor no dentífrico deverá ser entre 1.000 a 1.500 ppm. [47, 48] No final da higiene oral não deve passar a boca por água, para permitir que a ação dos compostos fluoretados ou antimicrobianos seja mais prolongada. [47] A tabela 6, que se encontra em anexo, representa de forma sucinta como lavar os dentes, a partir do aparecimento do primeiro dente. [49] (Anexo XXIII) 2.1.2. Como usar o fio dentário O fio dentário é usado para remover a placa bacteriana que se acumula nos espaços entre os dentes e por conseguinte prevenir o aparecimento da cárie dentária e das doenças das gengivas, ajudando a completar a higiene oral por atuar onde a escova não chega. Neste ponto é importante realçar que o uso do fio dentário deve ser antes da escovagem dos dentes, para que a ação protetora do dentífrico seja mais prolongada. [47, 50] A técnica correta para o uso do fio dentário cumpre os seguintes passos: usar cerca de 45 cm deste fio, enrolar grande parte do fio no dedo médio de uma mão e uma pequena porção no dedo médio da outra mão e à medida que se vai utilizando, desenrola-se o fio de um dedo e enrola-se no outro. É importante usar sempre fio limpo em cada espaço interdentário. Ao introduzir o fio entre dois dentes deve-se curvá-lo à volta de cada um deles, fazer pequenos movimentos horizontais até chegar ao sulco gengival, tendo sempre o cuidado de não magoar as gengivas. [47, 50] Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 29 2.1.3. Como usar elixir Os bochechos fluoretados permitem tornar os dentes mais resistentes e prevenir o aparecimento e o desenvolvimento das cáries dentárias. Desta forma, crianças e jovens a partir dos 6 anos de idade que frequentam o 1º Ciclo devem, de 15 em 15 dias, usar um elixir deste género. [51] É importante referir que qualquer outro elixir é usado da mesma forma. Foi dado destaque a este porque fez parte de um Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral. Assim sendo, para um correto uso do elixir oral deve-se agitar a solução antes de a utilizar e de seguida colocar 10 ml desta solução num copo; posteriormente deve-se introduzir a solução na boca sem a engolir e bochechar vigorosamente durante 1 minuto. Por fim deve ter-se em atenção não comer, não beber, nem bochechar com água, pelo menos, durante os 30 minutos seguintes a esta etapa da higiene oral. [51] 2.2. Primeiros dentes Os primeiros dentes começam a aparecer por volta dos 6 meses e esta etapa da vida dos bebés faz com que fiquem com as gengivas muito sensíveis, tornando-os irritáveis e agitados, o que se vai traduzir em alterações nas suas atividades diárias. Para aliviar o desconforto que sentem, existem umas dedeiras ou uns anéis de borracha que se podem esfregar nas gengivas. Na farmácia há também géis e outros produtos farmacêuticos que têm como função aliviar o desconforto provocado pela erupção dos dentes do bebé. [52] 2.3. Dentes de leite Para iniciar o desenvolvimento deste ponto, é de extrema importância transmitir a ideia de que os dentes temporários, habitualmente chamados de dentes de leite, têm uma importância equiparada a qualquer outro órgão ou sistema, no que diz respeito ao correto desenvolvimento do bebé. Apesar de serem um estímulo para o correto crescimento da face, a sua principal função será permitir à criança a correta mastigação dos alimentos. [52] Como é sabido, as crianças têm o hábito de imitar os exemplos que lhes são demonstrados, desta forma, neste período de progressiva autonomia, devem ser incutidos os cuidados de higiene adequados. [46] Durante o aparecimento dos dentes de leite também devem ser contrariadas certas tendências adotadas pelos mais pequenos. Assim sendo, não deve ser permitido usar prolongadamente o biberão nem adormecer com ele na boca, evitando desta forma as cáries de biberão, que surgem devido ao contato prolongado com soluções que Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 36 3.2.5. Stress A sensação de descontrolo é sempre prejudicial e pode ser um sinal para abrandar o ritmo de vida. [62] O exercício físico contribui para a diminuição da ansiedade, uma vez que ajuda a libertar endorfinas cerebrais, que são substâncias químicas que dão a sensação de bemestar e de relaxe. [71] 3.2.6. Hipertensão arterial A hipertensão arterial é uma doença silenciosa. A única maneira de saber os seus valores é através da sua medição. [70] Para a determinação desta situação consideram-se valores de pressão arterial sistólica superiores ou iguais a 140 mm Hg e/ou valores de pressão arterial diastólica superiores ou iguais a 90 mm Hg. No caso particular dos doentes diabéticos, uma vez que a aterosclerose progride mais rapidamente, os valores limite de pressão arterial sistólica são superiores ou iguais a 130 mm Hg e/ou os valores de pressão arterial diastólica são superiores ou iguais a 80 mm Hg. [62] A hipertensão arterial é a principal causa de acidente vascular cerebral e esta, por sua vez, é a primeira causa de morte em Portugal. Esta alteração nos valores de pressão contribui também para os enfartes do miocárdio, insuficiência cardíaca e renal. [70] Em Portugal a hipertensão arterial atinge 42,2% dos indivíduos adultos, sendo um pouco mais frequente nos homens que nas mulheres. [70] 3.2.7. Hipercolesterolémia O colesterol, por ser um tipo de gordura que constitui as membranas celulares e por ser essencial à produção de hormonas, é um elemento indispensável ao nosso organismo. [72, 73] É considerada hipercolesterolemia quando os valores de colesterol total no sangue são superiores a 190 mg/dl. [72, 73] O colesterol é transportado no sangue, sobretudo, por dois tipos de lipoproteínas: as LDL e as HDL. As LDL (lipoproteínas de baixa densidade) transportam o colesterol do fígado para as diferentes células do organismo. Quando em excesso, as LDL acumulamse nas paredes das artérias, iniciando o processo de aterosclerose, sendo por isso considerado o “mau colesterol”. As HDL (lipoproteínas de alta densidade) transportam o colesterol para o fígado, onde é metabolizado e eliminado na bílis, sendo assim considerado “bom colesterol”. [72, 73] Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 37 Este fator de risco pode ser modificado com alterações do estilo de vida, nomeadamente a redução do peso corporal e o exercício físico regular, e através da terapêutica farmacológica. [72, 73] 3.2.8. Diabetes Mellitus No ano 2013 existiam, em todo o mundo, cerca de 382 milhões de pessoas com diabetes. Na população portuguesa tinha uma representação de 12,9% o que corresponde a mais de 1 milhão de pessoas com diabetes. Neste ponto, é importante referir que o doente diabético, em 75% a 85% dos casos, morre por doença cardiovascular. [70] Segundo o relatório de saúde da OCDE de 2014, Portugal é o país da Europa com mais alta taxa de prevalência da diabetes. [74] Os diabéticos têm um risco de ter um evento cardiovascular, que pode ser um enfarte agudo do miocárdio, um acidente vascular cerebral ou uma doença arterial periférica, entre 2 a 3 vezes maior, quando em comparação com os não diabéticos. [70] 3.3. Formas de prevenção O estilo de vida adotado tem uma enorme influência no risco das doenças cardiovasculares, daí, para que este possa ser diminuído, é indicado deixar de fumar, controlar regularmente a pressão arterial, a glicémia, o colesterol e os triglicerídeos, ter uma alimentação saudável e praticar exercício físico de forma regular. [62] Em suma, podemos resumir o que foi referido através da regra 0-5-30: 0 cigarros por dia, 5 doses diárias de hortaliças, legumes ou frutas e 30 minutos diários de atividade física. [70] 4. Palestra: Doenças Sexualmente Transmissíveis A palestra cujo tema era “Doenças sexualmente transmissíveis” foi realizada num colégio da área de influência da FP, Colégio D. Diogo de Sousa, e contou com a participação de 93 alunos do ensino secundário, tendo tido a duração de cerca de 2h, durante o período da manhã. (Anexo XXVII) Para a realização desta iniciativa, pude contar com a colaboração inigualável do palestrante, o Drº Alexandre Carvalho, Médico Internista, Doutorado em infeção VIHSIDA. Achei extremamente pertinente organizar esta palestra dada a atualidade e a preocupação do tema, sendo nosso dever, enquanto profissionais de saúde, alertar para Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 38 os perigos das doenças sexualmente transmissíveis e, acima de tudo, informar quais as formas de prevenir a sua transmissão. Desta forma, a palestra abordou o tema VIH-SIDA, desde o seu aparecimento até aos dias que correm, bem como outras doenças que se transmitem sexualmente, entre as quais posso destacar a sífilis e a gonorreia. No final da palestra foi distribuído um inquérito, que pela análise das respostas obtidas, ambos em anexo, me permitiu constatar que foi uma iniciativa com interesse, que reforçou conceitos e julgo que consciencializou os participantes do dever e da necessidade de cumprimento rigoroso dos alertas que foram transmitidos. (Anexo XXVIII e XXIX) 5. Workshop: Grávidas e Recém-mamãs Durante o meu estágio, principalmente a partir do momento em que comecei a fazer atendimento ao balcão, pude observar que grande parte do público-alvo da FP são grávidas e recém-mamãs. Assim, e de forma a conseguir ir ao encontro das necessidades destas utentes, achei interessante organizar um workshop, realizado num final de tarde e com a duração de cerca de 3h, onde pudemos contar com a presença de 14 pessoas, entre elas grávidas, recém-mamãs e acompanhantes. (Anexo XXX) Para a realização desta atividade, contei com a colaboração da Drª Catarina Pardal, Médica Obstetra, da Enfermeira Susana Isabel Pinheiro e de uma delegada da Uriage®, a Drª Paula. Com estas três indispensáveis contribuições, foi possível realizar uma atividade bastante dinâmica, onde se pôde aprender sobre o parto em si, esclarecer as principais dúvidas e desmistificar certas ideias; aprender a fazer a “massagem relaxante ao bebé” e ainda conhecer os produtos de bebé da gama Uriage®. No final da atividade foi sorteada uma mala com produtos de bebé da marca já referida e ainda um curso da “massagem relaxante ao bebé”. Posso afirmar que esta iniciativa teve uma boa taxa de adesão, o que é corroborado pelas respostas que foram dadas no inquérito entregue no final do workshop. O referido inquérito de satisfação encontra-se em anexo, bem como a análise dos respetivos resultados. (Anexo XXXI e XXXII) 6. Doação de Sangue Enquanto cidadã e futura profissional de saúde, senti que poderia ajudar a contribuir para uma das grandes preocupações hospitalares/ Instituto Português do Sangue: o reforço do stock do banco de sangue nacional. Desta forma, organizei uma Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 39 campanha de dádiva de sangue que teve lugar no parque de estacionamento anexo às instalações da FP, no dia 16 de junho. Esta campanha teve uma enorme taxa de adesão o que me deixou bastante realizada. Pudemos contar com a colaboração de 32 dadores, entre eles estavam alguns que o fizeram pela primeira vez. Houve ainda 19 pessoas a quem foi recusada esta ação por motivos vários, onde se pode destacar: realização de endoscopia/ colonoscopia, realização de acupunctura, presença de síndrome gripal, peso inferior a 50 kg, inexistência do período mínimo de tempo entre doações (4 meses no caso das mulheres e 3 meses no caso dos homens). Em anexo, está uma fotografia da carrinha do Instituto Português de Sangue onde foi realizada a campanha. (Anexo XXXIII) 7. Medicamentos e Cuidados Veterinários Por haver um elevado número de clientes que vão à FP para pedir aconselhamento para os seus animais de estimação, para lhes comprar medicação, mas acima de tudo, por achar que faz parte das nossas competências enquanto futura Farmacêutica, achei de extremo interesse compilar informação sobre “Medicamentos e cuidados veterinários”. 7.1. Crianças e animais de companhia: laços fortes É desejo de grande parte das crianças terem um animal de estimação, mas antes dos pais tomarem a decisão, há certos aspetos a ter em atenção: a idade da criança; a existência de possíveis alergias, uma vez que, normalmente, as crianças são muito sensíveis; as caraterísticas do animal, sendo de evitar aqueles que são tendencialmente mais agressivos; por fim, mas não menos importantes, as necessidades do animal têm que ser tidas em conta. [75] Visto que há doenças próprias dos animais que passam para as pessoas, é aconselhável manter uma relação saudável, desta forma, o animal deve ir regularmente ao veterinário e cumprir os tratamentos propostos, deve ter acesso a uma alimentação adequada e a água, a higiene deve ser minuciosamente cuidada e o espaço ocupado pelo animal deve ser limpo de forma regular. [75] Posto isto, é necessário reforçar a noção que o convívio entre as crianças e os animais permite a criação de laços que levam ao desenvolvimento emocional e social, ajudam a criança a aumentar a afetividade, a autonomia e a responsabilização. [75] Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 40 7.2. Animais jovens: os primeiros cuidados Durante o primeiro ano de vida de um animal de estimação, é essencial ter certos cuidados para que o seu crescimento seja saudável. Assim, devem ser cumpridos os esquemas de alimentação, desparasitação e vacinação que existem e que estão relacionados com a raça e com a idade do animal. [76] Quando se trata de um recém-nascido há aspetos que não podem ser descurados. São eles: o desmame, que deve ser gradual e estar completado aos quatro meses; a alimentação, que se deve basear em rações próprias e na disponibilidade total de água; o espaço do animal, que deve estar perfeitamente dividido em zona para dormir, comer e fazer as necessidades fisiológicas; o banho deve cumprir a frequência específica para cada raça, a água deve ser morna e o pêlo deve ser bem seco no final; a higiene oral deve ser realizada com escova e pasta apropriadas; as unhas devem ser cortadas apenas nas pontas; os olhos e os ouvidos devem ser limpos com regularidade; a desparasitação e a vacinação devem ser realizadas seguindo o que estabelecido no tratamento. [76] 7.3. Mais anos com saúde Com o passar dos anos, vão-se tornando cada vez mais vulneráveis, razão pela qual se notam diversas alterações nos animais. É possível destacar: o pêlo quebradiço, os dentes mais fracos, as perdas de músculo, ocorrência de perturbações na digestão e de inflamação nas articulações e ocorrência de alterações comportamentais. [77] Posto isto, e visto que há doenças que se tornam mais comuns, as idas ao veterinário devem ser mais frequentes de forma a diagnosticar e a tratar, o mais cedo possível, eventuais doenças. [77] Quanto à higiene, o banho deve passar a ser mensal ao contrário dos cuidados dos olhos e dos ouvidos que deve ser mais regular. [77] Também no que diz respeito à alimentação é necessário adotar certos cuidados, uma vez que uma alimentação correta atrasa e previne alguns problemas de saúde associados ao envelhecimento. [77] 7.4. Saúde da cabeça à cauda É importante ter um olhar atento sobre o animal uma vez que as doenças que os afetam se refletem na sua maneira de estar, nos hábitos alimentares e na disposição. Paralelamente ao que foi referido, é importante ir vigiando os parâmetros fisiológicos. [78 – 80] Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 41 Desta forma, é importante estar alerta a certos sinais de doença: perda de peso acompanhada de febre, apatia, vómitos, diarreia, coxear, alteração de apetite e dos hábitos de bebida, ou aumento de peso associado a apatia, aumento de sede, apetite reduzido, pêlo baço, perda de pêlo, arrepios ou tremuras e vómitos. [78 - 80] Há ainda outros sinais aos quais se deve prestar a máxima atenção: alteração nos comportamentos do animal; variações de peso e frequência cardíaca respiratória; alteração dos hábitos alimentares e de higiene, na cor das gengivas; alterações na pele, pêlo, olhos, orelhas, nariz, boca, órgãos genitais, tecido mamário, patas e unhas. [78 - 80] 7.5. Animais sem parasitas: Amigos saudáveis Os animais podem ser uma fonte de doenças uma vez que, por exemplo, os parasitas que os têm como hospedeiros, constituem uma ameaça para a saúde do animal e, nalguns casos, dos seres humanos, pois, alguns destes parasitas são transmissores de doenças que podem afetar o Homem – zoonoses. [81] Assim, é imperativo desparasitar o animal e toda a família, cumprindo os esquemas previstos. No que diz respeito à desparasitação interna, deve ser iniciada a partir das seis semanas de vida e repetir-se de quinze em quinze dias até aos três meses; quanto à desparasitação externa, deve ter início entre as seis e as oito semanas de vida e realizar-se ao longo do ano, usando sempre os produtos adequados. [81 - 84] Também o espaço frequentado pelo animal deve ser limpo com frequência. [81 - 84] 7.6. Medicamentos, como administrar? Administrar medicamentos a cães e gatos nem sempre é uma tarefa fácil, mas não é algo impossível, uma vez que há procedimentos a seguir e que devem ser cumpridos mantendo sempre uma postura suave e ao mesmo tempo firme. [85] Estes procedimentos que são aqui falados, estão esquematizados na página 102 que faz parte do Anexo XXXIV. Paralelamente é preciso ter noção que um animal doente, para além de cuidados de saúde, precisa de conforto e carinho. [85] 7.7. Bem alimentados + Saúde Para que um animal seja saudável, é importante que tenha uma alimentação correta, desta forma, é imperativo que seja adequada à raça, à idade e às condições físicas e fisiológicas. Se estes parâmetros forem tidos em consideração, o animal vê as suas necessidades energéticas satisfeitas, tem um crescimento adequado, uma correta prevenção das doenças e apresenta sinais de bem-estar. [86, 87] Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 42 É possível apresentar alguns alimentos que são perigosos tanto para os cães como para os gatos: chocolate, café, uva, ovos, alimentos gordos, leite e derivados. [88] 7.8. Higiene é saúde Os cuidados de higiene são de extrema importância para a manutenção da saúde do animal. Desta forma, há aspetos importantes a ter em conta aquando deste momento diário: o banho não deve ser dado com muita frequência para não enfraquecer o pelo do animal, devendo ainda ser utilizado um champô com as caraterísticas apropriadas de pH; a higiene oral deve ser diária, usando pasta e escova apropriadas, de forma a prevenir as doenças estomatológicas; tanto os cães como os gatos devem ser escovados o que permite manter o pêlo limpo, detetar presença de lesões e favorecer a renovação capilar; no caso particular dos gatos, por serem o órgão sensorial, os bigodes devem ser limpos no final das refeições. [89 – 91] 8. Organizador de Medicação Outro dos projetos que realizei durante o período em que estive na FP, foi a elaboração de um cartaz onde está descrito um serviço existente na farmácia: Organizador de Medicação. (Anexo XXXV) Com o intuito de ajudar as pessoas com necessidade na organização de medicamentos, tomas diárias e horários das mesmas, a FP havia implementado o serviço que consiste na distribuição da medicação por dias da semana e por tomas diárias. Isto permite que não haja esquecimento de nenhum medicamento, permite ter a certeza que a toma anterior foi realizada, permite saber quais os medicamentos a tomar a cada altura do dia e impede que haja erros tanto na dose como no medicamento tomado. De salientar que este procedimento reúne todos os critérios que são exigidos para a manipulação e conservação dos medicamentos. Em anexo junto a sequência de realização deste procedimento e da apresentação final. (Anexo XXXVI) Desta forma, foi meu objetivo promover este serviço, o que permite que, ao estar mais divulgado, seja mais requisitado e por conseguinte se consiga combater os erros existentes nas tomas da medicação. Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 43 Considerações Finais Foi através do estágio em farmácia comunitária que consegui ter uma noção real da importância do Farmacêutico na comunidade em que está inserido, uma vez que, por ter uma posição muito próxima dos utentes, é depositado nele um enorme grau de confiança. Durante os quatro meses que estive a estagiar na Farmácia Pimentel cresci imenso tanto a nível profissional como pessoal, desenvolvi novas competências técnicas e deontológicas, o que espero que permita tornar-me uma profissional de excelência. Tive a oportunidade de me integrar numa equipa de profissionais competente e dinâmica, com um enorme espírito de companheirismo e entre ajuda, e que me recebeu com o maior carinho; tudo isto contribuiu para que o meu período de estágio fosse uma experiência bastante enriquecedora, onde tive a oportunidade de realizar diversas atividades de forma autónoma e superar, a cada dia, uma nova dificuldade. Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 44 Referências 1. Ministério da Saúde: Portaria nº 277/2012, de 12 de Setembro. Diário da República, 1ª série, nº 177. 2. Ministério da Saúde: Portaria nº 14/2013, de 11 de janeiro. Diário da República, 1ª série, nº 8. 3. Ministério da Saúde: Decreto-Lei nº 171/2012, de 1 de agosto. Diário da República, 1ª série, nº 148. 4. Ministério da Saúde: Decreto-Lei nº 307/2007, de 31 de agosto. Diário da República, 1ª série, nº 168. 5. Equipa. Acessível em: http://www.farmaciapimentel.com. [acedido em: 19 de agosto de 2015]. 6. Ordem dos Farmacêuticos. Boas Práticas Farmacêuticas para Farmácia Comunitária. 2009. 3ª Edição. 7. Ministério da Saúde: Deliberação nº 1500/2004, de 7 de dezembro. Diário da República, 2ª série, nº 303. 8. Código deontológico da Ordem dos Farmacêuticos. Acessível em: http://www.ceic.pt/. [acedido em: 20 de agosto de 2015]. 9. Ministério da Saúde: Decreto-Lei nº 20/2013, de 14 de fevereiro. Diário da República, 1ª série, nº 32. 10. Ministério da Saúde: Decreto-Lei nº 176/2006, de 30 de agosto. Diário da República, 1ª série, nº 167. 11. Ministério da Justiça: Decreto-Lei nº 15/93, de 22 de janeiro. Diário da República, 1ª série, nº 18. 12. Ministério da Saúde: Decreto-Lei nº 128/2013, de 5 de setembro. Diário da República, 1ª série, nº 171. 13. INFARMED, I.P.: Deliberação nº 24/CD/2014, de 26 de fevereiro. 14. INFARMED, I.P.: Deliberação nº 25/CD/2015, de 18 de fevereiro. 15. Ministério da Saúde: Portaria nº 594/2004, de 2 de junho. Diário da República, 1ª série, nº 129. 16. Ministério da Saúde: Despacho nº 18694/2010, de 18 de novembro. Diário da República, 2ª série, nº 242. 17. Ministério da Saúde: Decreto-Lei nº 95/2004, de 22 de abril. Diário da República, 1ª série, nº 95. 18. Ministério da Saúde: Portaria nº 769/2004, de 1 de julho. Diário da República, 1ª série, nº 153. Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 45 19. Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas: Decreto-Lei nº 74/2010, de 21 de junho. Diário da República, 1ª série, nº 118. 20. Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas: Decreto-Lei nº 136/2003, de 28 de junho. Diário da República, 1ª série, nº 147. 21. Ministério da Saúde: Decreto-Lei nº 189/2008, de 24 de setembro. Diário da República, 1ª série, nº 185. 22. INFARMED, I.P.: Deliberação 15/CD/2013, de 13 de fevereiro. 23. Ministério da Agricultura, do desenvolvimento rural e das pescas: Decreto-Lei nº 148/2008, de 29 de julho. Diário da República, 1ª série, nº 145. 24. Ministério da Agricultura, do desenvolvimento rural e das pescas: Decreto-Lei nº 314/2009, de 28 de outubro. Diário da República, 1ª série, nº 209. 25. Ministério da Economia e Inovação: Decreto-Lei nº 10/2007, de 18 de janeiro. Diário da República, 1ª série, nº 13. 26. Ministério da Saúde: Decreto-Lei nº 145/2009, de 17 de junho. Diário da República, 1ª série, nº 115. 27. Ministério da Saúde: Despacho nº 15700/2012, de 30 de novembro. Diário da República, 2ª série, nº 238. 28. INFARMED. Normas relativas à dispensa de medicamentos e produtos de saúde. 2014 29. INFARMED, I.P.: Portaria nº 1471/2004, de 21 de dezembro. 30. INFARMED, I.P.: Deliberação nº 173/CD/2011, de 27 de outubro. 31. Ministério da Saúde: Portaria nº 137-A/2012, de 11 de maio. Diário da República, 1ª série, nº 92. 32. Ministério da Saúde: Portaria nº 224-A/2013, de 9 de julho. Diário da República, 1ª série, nº 130. 33. Ministério da Saúde: Decreto-Lei nº 242/2000, de 26 de setembro. Diário da República, 1ª série, nº 223. 34. Ministério da Saúde: Decreto-Lei nº 270/2002, de 2 de dezembro. Diário da República, 1ª série, nº 278. 35. INFARMED, I.P.: Comparticipação de Medicamentos. Acessível em: http://www.infarmed.pt. [acedido em: 29 de agosto de 2015]. 36. Ministério da Saúde: Portaria nº 1319/2010, de 28 de dezembro. Diário da República, 1ª série, nº 250. 37. Assembleia da República: Lei nº 6/2010, de 7 de maio. Diário da República, 1ª série, nº 89. Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 52 Anexo VII: Zona de atendimento personalizado Anexo VIII: Zona de atendimento personalizado Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 53 Anexo IX: Zona de processamento de encomendas Anexo X: Área de stock ativo Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 54 Anexo XI: Armazém Anexo XII: Laboratório Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 55 Anexo XIII: Solução de álcool a 60% saturado com ácido bórico Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 56 Anexo XIV: Pomada de vaselina salicilada a 10% Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 57 Anexo XV: Tabela 3 - Cálculo do PVP de medicamentos manipulados Anexo XVI: Teste de gravidez PVP = (valor das matérias-primas + valor do material de embalagem + valor dos honorários) x 1,3 Valor das matérias-primas: multiplicar o valor da sua aquisição por um fator que varia consoante a maior das unidades em que estas foram utilizadas/dispensadas Valor do material de embalagem: multiplicar o preço de aquisição por 1,2 Valor dos honorários: utiliza-se o Fator F, que se trata de um valor fixo que é atualizado anualmente e que é multiplicado por outro fator em função da FF e quantidade preparada Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 58 Anexo XVII: Teste de Combur Anexo XVIII: Contentor da VALORMED Anexo XIX: Receituário Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 59 Anexo XX: Tabela 4 - Formações frequentadas durante o estágio na Farmácia Pimentel Formação Data ANF Receita médica eletrónica no Sifarma Fevereiro Tilman Produtos do portefólio Português Fevereiro Gastroenterologia pediátrica Diarreia aguda associada aos antibióticos Fevereiro Sesderma Reti Age, Azelac RU, Repaskin, Acglicolic, C-Vit Março Urologia Incontinência Urinária Março TheraLab Aconselhamento farmacêutico no emagrecimento Março Uriage Curso Geral Março Avent Produtos disponíveis na farmácia Abril Innovation Tour Vichy, La Roche-Posay, Roger & Gallet, Skin Ceuticals Abril ellaOne Maio ParaVet Formação geral Maio Boiron Distúrbios de ansiedade Maio Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 60 Anexo XXI: Tabela 5 - Cronograma das atividades realizadas durante o estágio na Farmácia Pimentel Atividade Data Armazenamento de produtos Fevereiro 1ª semana Organização do receituário Fevereiro 1ª semana Medição da pressão arterial Fevereiro 2ª semana Conferência de receituário Fevereiro 2ª semana Atendimento Março 2ª semana Administração de injetável Março 2ª semana Envio e receção de encomendas Março 2ª semana Separação da medicação em unidose Março 2ª semana Conferência de stocks Março 4ª semana Controlo das condições de temperatura e humidade Abril 1ª semana Medição de colesterol total, triglicerídeos e glicemia Abril 1ª semana Realização de teste de gravidez Abril 1ª semana VALORMED Abril 1ª semana Elaboração de manipulado Abril 2ª semana Realização de teste de Combur Maio 2ª semana Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 61 Anexo XXII: Panfleto com o tema “Higiene Oral” Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 68 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 F > 45 F < 45 M > 40 M < 40 nº de utentes mg / dl HDL 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 < 100 > 100 nº de utentes mg / dl LDL 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 18,5 - 24,9 > 24,9 nº de utentes kg / m2 Índice de Massa Corporal Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 69 0 2 4 6 8 10 12 14 < 35% .35% > 35% nº de utentes Título do Eixo Massa Muscular 0 2 4 6 8 10 12 > VR VR < VR nº de utentes Massa Gorda 0 1 2 3 4 5 6 7 8 F < 80 F > 80 M < 89 M > 89 nº de utentes cm Perímetro Abdominal Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 70 0 1 2 3 4 5 6 7 [45-50[ [50-55[ [55-60[ [60-65[ [65-70[ [70-75[ [75-80[ [80-85[ [85-90[ [90-95[ nº de utentes kg Peso 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 < 1% [1 - 5[ % [5 - 10[ % > 10% nº de utentes Risco Cardiovascular Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 71 Anexo XXVI: Livro entregue no rastreio cardiovascular Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 72 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 73 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 74 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 75 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 76 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 77 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 84 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 85 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 86 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 87 Anexo XXVII: Palestra “Doenças sexualmente transmissíveis” Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 88 Anexo XXVIII: Inquérito distribuído na Palestra “Doenças sexualmente transmissíveis” Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 89 Anexo XXIX: Análise dos resultados obtidos no inquérito distribuído na Palestra “Doenças sexualmente transmissíveis” Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 90 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 91 Anexo XXX: Plateia do Workshop: Grávidas e Recém-mamãs Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 92 Anexo XXXI: Inquérito distribuído no Workshop “Grávidas e Recém-mamãs” Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 93 Anexo XXXII: Análise dos resultados obtidos no inquérito distribuído no Workshop “Grávidas e Recém-mamãs” Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 100 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 101 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 102 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 103 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 104 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 105 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 106 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 107 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 108 Anexo XXXV: Cartaz do serviço: Organizador de medicação Anexo XXXVI: Sequência da elaboração do “Organizador de Medicação” Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 109 Relatório de Estágio em Farmácia Hospitalar - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva VII ÍNDICE DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE ................................................................................ IV AGRADECIMENTOS ....................................................................................................... V ÍNDICE ........................................................................................................................... VII LISTA DE ANEXOS ........................................................................................................ IX LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS .......................................................................... XI LISTA DE FIGURAS ..................................................................................................... XIII LISTA DE TABELAS ..................................................................................................... XIII INTRODUÇÃO ................................................................................................................. 1 CAPÍTULO I. SERVIÇOS FARMACÊUTICOS DO HOSPITAL DE BRAGA .................... 2 1.1. O HOSPITAL DE BRAGA ................................................................................... 2 1.2. ORGANIZAÇÃO E GESTÃO DOS SERVIÇOS FARMACÊUTICOS .................... 2 1.2.1. SERVIÇOS FARMACÊUTICOS DO HOSPITAL DE BRAGA ...................... 2 1.2.2. HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO .............................................................. 2 1.2.3. LOCALIZAÇÃO E ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO FÍSICO .......................... 3 1.3. COMISSÕES TÉCNICAS ................................................................................... 3 1.3.1. COMISSÃO DE ÉTICA PARA A SAÚDE (CES) .......................................... 4 1.3.3. COMISSÃO DE GESTÃO DO RISCO (CGR) .............................................. 6 CAPÍTULO II. GESTÃO DE MEDICAMENTOS, PRODUTOS FARMACÊUTICOS E DISPOSITIVOS MÉDICOS ............................................................................................... 7 2.1. SISTEMA INFORMÁTICO .................................................................................. 7 2.3. CIRCUITO DO MEDICAMENTO NO HOSPITAL DE BRAGA .............................. 8 2.3.1. SELEÇÃO, AQUISIÇÃO E CONTROLO DE STOCKS ................................ 8 2.3.2. RECEÇÃO E CONFERÊNCIA ..................................................................... 9 2.3.4. SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO DE MEDICAMENTOS ..............................10 2.3.4.1. DISTRIBUIÇÃO CLÁSSICA .....................................................................10 ARMAZÉNS AVANÇADOS: ..............................................................................11 a) Pyxis medstation®: .................................................................................11 PEDIDOS URGENTES: .....................................................................................12 2.3.4.2. SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO INDIVIDUAL DIÁRIA EM DOSE UNITÁRIA .............................................................................................................12 Relatório de Estágio em Farmácia Hospitalar - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva VIII a) Kardex®: .................................................................................................13 b) Fast Dispensing System (FDS®, Baxter): ...............................................14 2.3.4.3. DISTRIBUIÇÃO EM REGIME DE AMBULATÓRIO ..................................14 2.3.4.4. CIRCUITOS ESPECIAIS DE DISTRIBUIÇÃO DE MEDICAMENTOS ......16 ESTUPEFACIENTES E PSICOTRÓPICOS .......................................................16 HEMODERIVADOS ...........................................................................................17 GASES MEDICINAIS ........................................................................................18 2.3.5. PRODUTOS EM QUARENTENA/ DESTRUIÇÃO DE MEDICAMENTOS ...20 2.3.6. AUTORIZAÇÃO DE UTILIZAÇÃO ESPECIAL ............................................20 2.3.7. PRODUÇÃO ...............................................................................................21 2.3.7.1. FORMAS FARMACÊUTICAS NÃO ESTÉREIS ........................................21 2.3.7.2. FORMAS FARMACÊUTICAS ESTÉREIS ................................................22 CITOTÓXICOS ..................................................................................................22 NUTRIÇÃO PARENTÉRICA ..............................................................................23 COLÍRIOS FORTIFICADOS ..............................................................................24 2.3.8. REEMBALAGEM DE MEDICAMENTOS ....................................................24 CAPÍTULO III. INVESTIGAÇÃO E DESENVOLVIMENTO ..............................................25 3.1. MEDICAMENTOS EM ENSAIO CLÍNICO ..........................................................25 CAPÍTULO IV. FARMÁCIA CLÍNICA E FARMACOVIGILÂNCIA ...................................26 CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................................................27 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................28 ANEXOS .........................................................................................................................30 PARTE 1 – INFORMAÇÃO COMPLEMENTAR ............................................................31 PARTE 2 – TRABALHOS DESENVOLVIDOS ..............................................................77 Relatório de Estágio em Farmácia Hospitalar - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva IX LISTA DE ANEXOS ANEXO I – Cronograma de Estágio ANEXO II – Descrição das Principais Tarefas Desempenhadas ao Longo do Estágio ANEXO III – Organograma dos Serviços Farmaceuticos do Hospital de Braga ANEXO IV – Esquema Organizacional dos Serviços Farmaceuticos do Hospital de Braga ANEXO V – Kanbans ANEXO VI – Circuito do Kanban ANEXO VII – Circuito Geral do Medicamento no Hospital de Braga ANEXO VIII – Exemplo de uma Prescrição Médica Informática ANEXO IX – Terminal Informatico do Pyxis Medstation® Existente nos Serviços Farmacêuticos do Hospital de Braga ANEXO X – Bancada de Apoio aos Pedidos Urgentes (A.) e Quadro Magnético onde se Assinalam os Pedidos Prontos a Entregar (B.) ANEXO XI – Circuito do Sistema de Distribuição Individual Diária em Dose Unitária ANEXO XII – Justificação de Receituário de Medicamentos Extra-Formulário ANEXO XIII – Equipamentos Semi-Automáticos Utilizados nos Serviços Farmacêuticos do Hospital de Braga: Kardex® (A.) e FDS® (B.) ANEXO XIV – Medicamentos Comparticipados para Dispensa em Regime de Ambulatório ANEXO XV – Formulário de Autorização de Dispensa de Medicamentos pelos Serviços Farmacêuticos Hospitalares em Regime de Ambulatório ANEXO XVI – Exemplo de Registo dos Consumos a um Doente em Regime de Ambulatório ANEXO XVII – Comprovativo da Dispensa ANEXO XVIII – Declaração de Responsabilidade ANEXO XIX – Formulário de Autorização de Prescrição da Talidomida ANEXO XX – Registo Mínimo do Despacho n.º 18419/2010 de 2 de Dezembro ANEXO XXI – Entrada (de Acesso Restrito) na Sala de Armazenamento dos Estupefacientes e Psicotrópicos ANEXO XXII – Anexo X Modelo n.º 1509 da INCM ANEXO XXIII – Anexo VII Modelo n.º 1506 da INCM ANEXO XXIV – Certificado de Autorização de Utiliação Lote de um Medicamento Hemoderivado ANEXO XXV – Boletim de Análises de um Medicamento Hemoderivado ANEXO XXVI – Modelo n.º 1804 da INCM Relatório de Estágio em Farmácia Hospitalar - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva X ANEXO XXVII – Recipientes Criogénicos de Armazenamento de Gases Medicinais ANEXO XXVIII – Pedido de Autorização de Utilização Especial ANEXO XXIX – Justificação Clínica para o Pedido de Autorização de Utilização Especial ANEXO XXX – Exemplo 1 de Ficha de Preparação de uma Solução Aquosa de Ácido Acético a 4% (A.) e do Aspeto Final da Formulação (B.) ANEXO XXXI – Exemplo 2 de Ficha de Preparação de Testes de Toxicodermia (A.) e do Aspeto Final das Preparações (B.) ANEXO XXXII – Laboratório de Preparação de Produtos não Estéreis ANEXO XXXIII – Câmara de Fluxo Laminar Vertical de Preparação dos Citotóxicos ANEXO XXXIV – Exemplo de Tabuleiro com o Material Necessário para Preparação de Citotóxicos (A.) e Ficha de Preenchimento e Placas de Petri Utilizadas para Fazer o Controlo de Esterilidade da CFLV (B.) ANEXO XXXV – Exemplo de Prescrição de uma Bolsa de Nutrição Parentérica ANEXO XXXVI – Circuito dos Medicamentos em Ensaio Clínico ANEXO XXXVII – Trabalho 1 Realizado por Joana Pimentel, com a Ajuda de Marina Moura ANEXO XXXVIII – Trabalho 2 Realizado por Marina Moura, com a Ajuda de Joana Pimentel Relatório de Estágio em Farmácia Hospitalar - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva XI LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS AA – Armazém Avançado AIM – Autorização de Introdução no Mercado AO – Assistente Operacional AT – Assistente Técnico AUE – Autorização de Utilização Especial BP – Boas Práticas CAUL – Certificado de Autorização de Utilização de Lote CE – Comissão Executiva CES – Comissão de Ética para a Saúde CFLV – Câmara de Fluxo Laminar Vertical CFT – Comissão de Farmácia e Terapêutica CGR – Comissão de Gestão do Risco CTX – Citotóxicos DC – Distribuição Clássica DCI – Denominação Comum Internacional DGS – Direção Geral de Saúde DIDDU – Distribuição Individual Diária em Dose Unitária EC – Ensaios Clínicos FA – Farmácia de Ambularório FC – Farmácia Clínica FDS – Fast Dispensing System FF – Forma Farmacêutica FFO – Forma Farmacêutica Oral FH – Farmacêutico Hospitalar FHNM – Formulário Hospitalar Nacional de Medicamentos HB – Hospital de Braga HCD – Hospital CUF Desbobertas HDO – Hospital de Dia Oncológico INCM – Imprensa Nacional Casa de Moeda INFARMED – Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos para a Saúde MP – Matérias Primas MS – Ministério da Saúde NP – Nutrição Parentérica PDA – Personal Digital Assistant Relatório de Estágio em Farmácia Hospitalar - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva XII PPCIRA – Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência a Antimicrobianos PV – Prazo de Validade RAM – Reação Adversa a Medicamentos RCM – Resumo das Características do Medicamento RN – Recém-Nascido SA – Substância Ativa SC – Serviço Clínico SDIDDU – Sistema de Distribuição Individual Diária em Dose Unitária SF – Serviços Farmacêuticos SNS – Sistema Nacional de Saúde TDT – Técnico de Diagnóstico e Terapêutica UCIP – Unidade de Cuidados Intensivos Polivalentes Relatório de Estágio em Farmácia Hospitalar - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva XIII LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Hospital de Braga LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Comissões Técnicas existentes no HB e enumeração das principais funções Tabela 2 - Utilização dos gases medicinais classificados como medicamentos Tabela 3 - Utilização dos gases medicinais classificados como dispositivos médicos Relatório de Estágio em Farmácia Hospitalar - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 1 INTRODUÇÃO O plano curricular do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto inclui um estágio curricular que proporciona aos estudantes um primeiro contacto com o mundo do trabalho, permitindo a consolidação do que foi aprendido ao longo do curso, estabelecendo desta forma, um vínculo entre o saber teórico e o saber construído com base na experiência do desempenho das funções, na prática do dia a dia profissional. Optamos por realizar o estágio curricular também em Farmácia Hospitalar por estarmos cientes da importância que o Farmacêutico Hospitalar assume na dispensa do medicamento e na promoção do seu uso racional, garantindo desta forma uma maior qualidade dos cuidados prestados ao doente, e contribuindo assim para a qualidade dos serviços de saúde em geral. Os Serviços Farmacêuticos constituem uma estrutura essencial dos cuidados de saúde prestados em meio hospitalar, uma vez que asseguram a terapêutica medicamentosa aos doentes, a qualidade, a eficácia e a segurança dos medicamentos, integrando equipas de cuidados de saúde e promovendo ações de investigação. Neste relatório, propomo-nos a descrever sucinta e objetivamente as várias componentes dos Serviços Farmacêuticos do Hospital de Braga, desde a gestão, atividade farmacêutica e respetivos enquadramentos legais. Relatório de Estágio em Farmácia Hospitalar - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 2 CAPÍTULO I. SERVIÇOS FARMACÊUTICOS DO HOSPITAL DE BRAGA 1.1. O HOSPITAL DE BRAGA O Hospital de Braga (HB) (FIGURA 1) abriu portas em maio de 2011, e veio substituir o antigo Hospital de São Marcos. É uma unidade hospitalar pública, integrada no Sistema Nacional de Saúde (SNS), no âmbito de uma parceria público privada celebrada através de um contrato de gestão assinado pela Administração Regional de Saúde Norte, em representação do Ministério da Saúde (MS).[1] O HB tem como área de influência os distritos de Braga e de Viana do Castelo. Carateriza-se por ser um hospital central e universitário, integrando o Centro Clínico Académico, que se trata de uma parceria, sem fins lucrativos, com a Universidade do Minho, através da Escola de Ciências da Saúde e do Instituto de Ciências da Vida e da Saúde.[1] 1.2. ORGANIZAÇÃO E GESTÃO DOS SERVIÇOS FARMACÊUTICOS 1.2.1. SERVIÇOS FARMACÊUTICOS DO HOSPITAL DE BRAGA Os Serviços Farmacêuticos (SF) integram o HB e são dotados de autonomia técnica e científica, promovendo uma assistência diferenciada de cuidados de saúde, com segurança, eficácia e qualidade. Os SF do HB detêm a certificação ISO 9001:2008, que traduz o investimento do HB numa metodologia de trabalho que promove uma melhoria contínua e que garante a segurança e qualidade dos cuidados prestados ao doente.[1] No que respeita aos recursos humanos, os SF são constituídos por uma equipa sob a direção técnica da Dra. Ana Plácido, formada por Farmacêuticos Hospitalares (FH), Técnicos de Diagnóstico e Terapêutica (TDT), Assistentes Técnicos (AT) e Assistentes Operacionais (AO) (ANEXO III). 1.2.2. HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO Os SF do HB apresentam, para além de um horário de funcionamento, um horário de atendimento (na Farmácia de Ambulatório - FA) e um horário de prevenção. Figura 1 - Hospital de Braga Relatório de Estágio em Farmácia Hospitalar - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 3 O funcionamento normal dos SF é de segunda a sexta-feira, das 8 às 20 horas, e o atendimento aos doentes em regime de ambulatório ocorre entre as 8 e as 17 horas. Os SF operam ainda em regime de prevenção, de segunda a sexta-feira das 20 até às 8 horas da manhã do dia seguinte, e ao fim de semana e feriados das 8 horas da manhã até às 8 horas do dia seguinte, sendo estes serviços assegurados por um FH designado para o efeito, em regime rotativo previamente definido. 1.2.3. LOCALIZAÇÃO E ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO FÍSICO Com exceção da FA situada no piso 0 do HB, os SF localizam-se no piso -1 (piso técnico), dispondo de um acesso direto ao exterior, por onde são feitas as cargas e descargas de material. Os SF encontram-se organizados em diferentes espaços físicos (ANEXO IV) de acordo com as atividades desenvolvidas, onde se destacam: Área de receção e conferência de encomendas; Áreas de armazenamento, subdivididas em vários armazéns específicos; Área de produção, que abrange o laboratório para preparação de formas farmacêuticas não estéreis, a câmara de fluxo laminar vertical (CFLV) para preparação de citotóxicos (CTX) e o laboratório de manipulação de produtos estéreis (embora ainda não se encontre em funcionamento); Áreas de apoio à preparação de medicamentos para distribuição em Sistema de Distribuição Individual Diária em Dose Unitária (SDIDDU) e para a Distribuição Clássica (DC) de medicamentos, assim como zona de balcões para colocar os pedidos urgentes prontos a entregar nos Serviços Clínicos (SC); Gabinete da Direção dos SF, gabinetes farmacêuticos e biblioteca ou sala de reuniões; A FA localiza-se numa zona de fácil acesso ao público. É composta por uma sala de espera e respetiva receção, uma sala de atendimento reservado, e uma sala de armazenamento própria onde se encontra a medicação. Este armazenamento está organizado por grupos terapêuticos, de modo a facilitar a dispensa, sendo que os respetivos medicamentos estão organizados alfabeticamente por Denominação Comum Internacional (DCI), pelas várias estantes e frigoríficos. 1.3. COMISSÕES TÉCNICAS As Comissões Técnicas são órgãos consultivos e multidisciplinares que têm como principal função implementar normas e procedimentos de utilização segura e eficaz de medicamentos e outros produtos farmacêuticos, promovendo o cumprimento das mesmas e salvaguardando a saúde pública. O seu papel em meio hospitalar é essencial, Relatório de Estágio em Farmácia Hospitalar - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 10 (luz, temperatura, humidade e segurança) requeridas para cada produto são respeitadas.[6] Para que haja uma adequada gestão dos stocks aplica-se o princípio do First Expired First Out e os produtos são arrumados por DCI por ordem alfabética, ficando os produtos com prazos de validade (PV) mais curtos à frente, de forma a que sejam utilizados primeiro. 2.3.4. SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO DE MEDICAMENTOS Um dos passos fundamentais do circuito do medicamento no hospital é a distribuição. Esta talvez seja a atividade dos SF com maior impacto e visibilidade, e onde há maior possibilidade de se estabelecer o contacto destes com os SC do hospital.[6] O seu principal objetivo é o de assegurar a terapêutica prescrita aos doentes, na quantidade, dose e forma farmacêutica correta, e nas melhores condições, onde e quando é necessária.[6,7] Com a evolução tecnológica surgiram sistemas automatizados de distribuição de medicamentos em FH, que podem ser encontrados quer nos SF (Kardex®, FDS® – Fast Dispensing System), quer nos SC (Pyxis®). A utilização destes sistemas contribui para o aumento da produtividade na distribuição dos medicamentos, possibilitando a diminuição da incidência de erros tanto na dispensa como, posteriormente, na administração, melhorando a segurança dos doentes bem como a gestão de stocks e, consequentemente, diminuindo os gastos associados a medicamentos no HB.[7] A dispensa de medicamentos só pode ser efetuada perante a apresentação da prescrição médica (ANEXO VIII), onde devem constar: identificação do doente e do médico prescritor, data da prescrição, designação do(s) medicamento(s) por DCI e indicação da dose, FF, posologia e via de administração. Deve ainda existir um registo de incidentes reportados em relação à medicação, nomeadamente de reações adversas, incompatibilidades, devoluções, etc. 2.3.4.1. DISTRIBUIÇÃO CLÁSSICA No geral, a DC carateriza-se pela dispensa de medicamentos por SC. Em cada SC existe uma farmácia satélite com um stock pré-definido de medicamentos, cuja composição (no que respeita aos medicamentos e produtos farmacêuticos que o constituem e as respetivas quantidades) e periodicidade de reposição é previamente acordada entre os FH e enfermeiros dos respetivos serviços, consoante as necessidades dos mesmos (com base no consumo médio do SC).[6,7] Para efetuar a administração da medicação, o enfermeiro recorre primeiramente às gavetas da dose unitária (DU). No caso de a medicação que pretendem ter sido Relatório de Estágio em Farmácia Hospitalar - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 11 prescrita após a hora de validação, ou quando há necessidade de administrar um SOS, é utilizado o stock da farmácia satélite para fazer a administração. Nos dias definidos para tal, o enfermeiro responsável faz o pedido de reposição do stock da farmácia satélite, para que as faltas possam ser repostas pela DC. A requisição é analisada e validada por um FH (que garante a conformidade do pedido, quer relativamente à sua constituição em medicamentos, quer em quantidades), que efetua os débitos de consumos ao respetivo SC (ao contrário do que acontece no SDIDDU, em que os débitos são feitos por doente). Posteriormente é feita a separação e preparação dos pedidos (sendo a preparação da medicação efetuada por um TDT, e os grandes volumes e produtos de frio por um AO) com auxílio do PDA, o que permite a redução dos erros associados aos processos manuais do picking. Nos SF do HB, a área onde a DC é preparada é contígua ao armazém geral, o que facilita a preparação dos pedidos, e tem um espaço que permite que os carrinhos de transporte circulem com facilidade. Existe ainda uma sala de apoio à DC, onde os pedidos já preparados ficam a aguardar, até que um AO faça a entrega no SC. ARMAZÉNS AVANÇADOS: Alguns SC dispõem de um Armazém Avançado (AA), criado com o intuito de melhorar a eficiência da dispensa e a gestão dos stocks dos SC onde se inserem. Estes AA apresentam uma existência informática do stock, pelo que os SF têm acesso direto ao mesmo. Ao contrário do que acontece na DC, nestes casos não há necessidade de contagem manual do stock, nem da elaboração de um pedido de reposição. Nos dias definidos para o efeito, o FH responsável verifica informaticamente o stock do AA, fazendo a reposição dos produtos em falta para os valores previamente acordados, através de uma transferência informática de stock, que é depois preparada e entregue no respetivo SC, por um AO. a) Pyxis medstation®: O Pyxis®, consiste num sistema semiautomatizado de armazenamento e dispensa de medicamentos. Este sistema é composto por um terminal informático (ANEXO IX), que existe nos SF, e por um equipamento automatizado de distribuição de medicamentos, que se encontra na UCIP (Unidade de Cuidados Intensivos Polivalentes), sendo que este é o único SC do HB com este sistema implementado. Aquando da utilização, o equipamento regista o utilizador, bem como todos os movimentos efetuados, e permite ainda um controlo do stock e dos prazos de validade, conseguindo-se, desta forma, uma maior rastreabilidade do medicamento.[7] Relatório de Estágio em Farmácia Hospitalar - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 12 Para os fármacos armazenados no Pyxis®, o processo de reposição de stock, é feito por níveis (máximos e mínimos), que são definidos pelo Diretor do SC e pelos SF, tendo em conta o histórico de consumos da UCIP.[7] No que diz respeito à reposição de medicamentos no Pyxis®, de segunda a quinta-feira é feita a reposição diária de todos aqueles que têm existência inferior ao stock mínimo estabelecido, enquanto que à sexta-feira e vésperas de feriado, é feita a reposição de todos os medicamentos até ao stock máximo. PEDIDOS URGENTES: Por vezes os SC têm a necessidade de fazer pedidos de medicação para além dos pedidos semanais, caso o stock disponível supere os gastos previstos do pedido semanal ou do stock máximo estabelecido na farmácia satélite. Nestas situações o enfermeiro responsável efetua uma requisição informática da medicação necessária aos SF, que, após validação, é enviada ao respetivo serviço por um AO. No caso de SC com AA, o(a) enfermeiro(a) responsável contacta os SF a informar da ocorrência da quebra do stock do AA, para que o FH possa resolver a ocorrência. Para satisfazer estes pedidos, os SF do HB dispõem de um corredor adaptado, equipado com uma bancada subdividida para os vários pisos (ANEXO X), e com um quadro magnético (ANEXO X) onde vão sendo assinalados os pedidos urgentes prontos a serem entregues pelos AO. 2.3.4.2. SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO INDIVIDUAL DIÁRIA EM DOSE UNITÁRIA Existem vários sistemas de distribuição de medicamentos nos hospitais, sendo que o SDIDDU é o que melhor contribui para a segurança do doente.[7] Segundo o MS, o SDIDDU surge como imperativo para aumentar a segurança no circuito do medicamento, conhecer melhor o perfil farmacoterapêutico dos doentes de forma a diminuir o risco de interações e racionalizar mais eficazmente a terapêutica (já que a medicação é distribuída por doente e na dose certa), reduzindo os desperdícios.[6,7] A aplicação deste sistema exige uma distribuição diária de medicamentos, em dose individual unitária, para um período de 24 horas (ou 72 horas, no caso das preparações feitas para o fim de semana), sendo que a medicação pode ser alterada várias vezes por dia pelo médico, conforme este achar necessário. No entanto, existem SC em que há uma necessidade constante de atualização da terapêutica e onde os doentes permanecem durante um curto período de tempo, pelo que não é viável a distribuição por SDIDDU (como acontece, por exemplo no caso de serviços como os Cuidados Intensivos e a Obstetrícia). Relatório de Estágio em Farmácia Hospitalar - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 13 O circuito de Distribuição Individual Diária em Dose Unitária (DIDDU) (ANEXO XI)[6,7] inicia-se com a prescrição médica feita informaticamente, que é validada pelo FH conforme o FHNM e as adendas da CFT. Durante a validação o FH deve ter o cuidado de avaliar a dose, FF, frequência e via de administração, possíveis interações e observações médicas que possam existir para cada doente.[7] Adicionalmente, todos os medicamentos com um padrão de administração diferente (por exemplo, tomas em dias alternados) deverão ser calendarizados pelo médico no sistema informático, e confirmados aquando da validação. No caso dos fármacos multidose, a sua distribuição deve ser feita de acordo com a posologia indicada ao doente, para que se evitem desperdícios ou acumulação de medicação no SC. Alguns produtos farmacêuticos como insulinas, medicamentos do domicílio, soros de grande volume, medicamentos sujeitos a circuitos de distribuição especial ou medicamentos que não pertençam ao FHNM e que ainda não disponham da Justificação de Receituário de Medicamentos Extra-Formulário autorizada (ANEXO XII), não são validados para que não sejam fornecidos através do SDIDDU. No final da validação individual dos doentes de cada SC é gerado o mapa terapêutico que, juntamente com o mapa de identificação das gavetas (cada uma identificada com o nome e o processo do doente, o nº da cama e o SC), é enviado para o sistema informático dos equipamentos que auxiliam este tipo de distribuição.[7] Como previamente referido, no HB o processo de distribuição é feito com apoio de equipamentos semi-automáticos, permitindo assim reduzir o tempo despendido em cada tarefa e os erros associados. a) Kardex®: O Kardex® (ANEXO XIII) é um equipamento semi-automático de armazenamento e dispensa, que apresenta um mecanismo de rotação vertical. É constituído por gavetas de diferentes dimensões, cada uma delas contendo um medicamento e/ou FF distinta.[7] Diariamente é criada e impressa uma listagem de reposição de stocks, mediante os valores mínimos e máximos previamente estabelecidos. Posteriormente prepara-se a medicação em falta e efetua-se a reposição dos produtos nas gavetas do Kardex®. Aquando da validação pelo FH, e após a emissão do mapa terapêutico, este é enviado diretamente para o Kardex® para que possam ser preparadas as gavetas dos carros com as prescrições para 24h. Antes da dispensa para a DIDDU de um SC, é gerado um documento onde constam os produtos externos (produtos que, pelo seu tamanho ou características, não pertencem ao stock do Kardex®) para serem preparados por um AO, e devidamente identificados com o doente a que se destinam. Após a dispensa dos produtos de um SC, o Kardex® gera automaticamente um documento com Relatório de Estágio em Farmácia Hospitalar - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 14 as chamadas “incidências” (produtos que, apesar de existirem no stock do Kardex®, não foram dispensados na totalidade por não existirem em quantidade suficiente na respetiva gaveta).[7] Nestes casos é necessário fazer a dispensa manual dos medicamentos em questão, devidamente identificados com o nome do doente ao qual foram prescritos. Fora dos períodos de dispensa para DIDDU é também possível a saída pontual de produtos do Kardex® para fornecimento aos SC e/ou apoio à DC. b) Fast Dispensing System (FDS®, Baxter): O FDS® (ANEXO XIII) é um equipamento de reembalagem de formas farmacêuticas orais (FFO) sólidas, composto por várias cassetes calibradas individualmente, cada uma contendo um determinado medicamento, distribuídas por um sistema rotativo.[7] Diariamente o FDS® é limpo e é impressa uma listagem de toda a medicação que consta no stock do aparelho, de forma a fazer-se o enchimento, consoante uma previsão do consumo diário de cada medicamento. Posteriormente, um AO efetua a desblisteragem das quantidades necessárias de cada medicamento, para que possam depois ser colocadas nas cassetes, para reembalagem. Sempre que se colocam medicamentos no equipamento, é necessário introduzir o nome por DCI, dose, lote e validade dos mesmos, sendo que, quando reembalados, para além destes dados é ainda impresso um lote interno do medicamento e a nova validade calculada. A validação da prescrição é feita informaticamente, emitindo diretamente as ordens de reembalagem para o FDS.[7] As embalagens saem do equipamento agrupadas por SC e por doente (sai uma primeira embalagem vazia, com a identificação do doente e da cama, seguindo-se as seguintes com a medicação respetiva). As embalagens são de fácil abertura para remoção do medicamento pelos enfermeiros, e apresentam um lado opaco (no qual são impressas as informações) e um lado transparente. Quando os carros com as gavetas individualizadas ficam prontos, a distribuição aos SC é feita por um AO, nos horários previamente acordados. Após a entrega, o AO restitui aos SF as gavetas do dia anterior, e faz a devolução da medicação que não tenha sido administrada e cujas condições se mantêm adequadas para utilização. A devolução é feita informaticamente, sendo posteriormente arrumada no armazém, de forma a poder ser reutilizada na preparação da DIDDU. 2.3.4.3. DISTRIBUIÇÃO EM REGIME DE AMBULATÓRIO No âmbito do acesso à prestação de cuidados de saúde é atualmente possível que vários doentes iniciem ou continuem o seu plano terapêutico fora do ambiente Relatório de Estágio em Farmácia Hospitalar - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 15 hospitalar.[6,8] Assim, em situações especiais abrangidas pela legislação (ANEXO XIV), o SNS assegura a dispensa de medicamentos gratuitamente (comparticipação de 100%) em regime de ambulatório, nas farmácias hospitalares.[8-10] Isto trouxe inúmeros benefícios a nível da melhoria da gestão dos recursos, diminuindo os gastos inerentes ao internamento, permitindo assim um maior conforto para o doente, que pode obter o tratamento no seio do seu ambiente familiar. A dispensa de medicamentos a doentes em regime de ambulatório, por parte dos SF hospitalares, surge da necessidade de vigilância e controlo de determinadas patologias crónicas, já que muitos destes medicamentos apresentam janelas terapêuticas estreitas, em consequência de efeitos secundários graves.[6,7,11] Como tal, a complexidade destes casos exige normas de dispensa que têm de cumprir requisitos específicos e restritos, sendo efetuados por FH especializados, e impondo um envolvimento responsabilizado do doente.[10] O início (ou alteração) de qualquer medicação deve ser acompanhado pelo Formulário de Autorização de Dispensa de Medicamentos pelos Serviços Farmacêuticos Hospitalares em Regime de Ambulatório (ANEXO XV) devidamente aprovado pela CE e pela Direção Clínica. Se o medicamento prescrito tiver uma indicação off-label, o pedido de autorização deve adicionalmente ser aprovado pela CES. Durante a dispensa, o FH deve ter em atenção a data da prescrição médica (as receitas têm uma validade de 4 meses após a sua prescrição, salvo no caso da talidomida, que são apenas 3), a identificação do doente, a relação com o subsistema de saúde (sendo que a prescrição de receitas por médicos de consultas especializadas é possível, desde que devidamente autorizados pela Direção Geral da Saúde - DGS), a identificação do médico prescritor, a confirmação das exigências legais, e a identificação do medicamento (nome/DCI, forma farmacêutica, dose, posologia e quantidade a fornecer).[10] O sistema informático possibilita a informação atualizada sobre os doentes, o registo dos consumos (ANEXO XVI), entre outras funcionalidades úteis, como a avaliação da adesão à terapêutica por parte do doente, permitindo assim a otimização do ato farmacêutico e a sua intervenção na promoção da adesão à terapêutica. Após a análise da informação é fornecida a medicação para um mês de tratamento (salvo raras exceções, para as quais deve constar autorização dos órgãos de Administração e Gestão do HB, ao fim do qual deve ser efetuado um novo levantamento. Durante o atendimento, o FH deve fornecer toda a informação essencial ao doente sobre o modo de administração, conservação, efeitos adversos e interações farmacológicas, entre outras que considere importantes.[11] Por fim, e após todos os esclarecimentos, o doente (ou cuidador responsável, devidamente identificado) assina o comprovativo da dispensa (ANEXO XVII), onde consta a informação do doente e da Relatório de Estágio em Farmácia Hospitalar - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 16 medicação dispensada, e a declaração de responsabilidade (ANEXO XVIII), onde se compromete pela integridade e correta conservação da medicação.[11] Existem alguns casos de dispensa de medicamentos na FA que exigem um controlo mais rigoroso, como é o caso da Talidomida e a Hormona de Crescimento. No caso da hormona de crescimento, existe um arquivo para cada doente ao qual tenha sido autorizado o tratamento, onde consta o nome e fotocópia do bilhete de identidade (BI) ou cartão de cidadão (CC) do(s) responsável(eis) pelo levantamento da medicação, bem como a folha de registo de dispensa da hormona de crescimento onde se menciona a data da dispensa e respetiva quantidade fornecida, devidamente rubricada pelo responsável pelo levantamento e pelo FH. Para além do descrito no RCM, a Talidomida é de utilização off-label em algumas outras patologias. Nestes casos, para além da avaliação pela CES, da justificação clínica e do consentimento informado, exige-se ainda bibliografia de suporte à decisão médica. Para a realização da dispensa são ainda necessários o Formulário de Autorização de Prescrição (ANEXO XIX) e o Livro do Doente, com o calendário de tratamento corretamente preenchido, contendo a confirmação de como o doente recebeu aconselhamento relativamente à utilização segura da Talidomida e, para as mulheres com potencial para engravidar, a data e o resultado do teste de gravidez. Por fim, merecem destaque também os medicamentos biológicos, para os quais a legislação exige o preenchimento do Registo Mínimo do Despacho n.º 18419/2010, de 2 de dezembro (ANEXO XX), que é mensalmente enviado ao INFARMED.[9,12] 2.3.4.4. CIRCUITOS ESPECIAIS DE DISTRIBUIÇÃO DE MEDICAMENTOS Existem alguns medicamentos, como é o caso dos psicotrópicos e estupefacientes, hemoderivados, gases medicinais, CTX e medicamentos em EC, que, pelas suas caraterísticas e imperativos legais, estão sujeitos a um controlo especial. Desta forma, para a sua distribuição existe um circuito próprio e de rigoroso controlo por parte dos SF.[6,7] ESTUPEFACIENTES E PSICOTRÓPICOS Os medicamentos estupefacientes e psicotrópicos, apresentam uma estreita janela terapêutica, a sua utilização pode causar tolerância e dependência e podem ainda ser usados para fins ilícitos.[7] Deste modo, são medicamentos sujeitos a um rigoroso controlo e a legislação própria. Esta afirmação é corroborada pelo estabelecido no Decreto-Lei nº15/93 de 22 de janeiro, no Decreto nº 61/94 de 12 de outubro, na Lei nº45/96 de 3 de setembro e na Portaria nº981/98 de 8 de junho. Neste sentido, estes medicamentos têm um circuito especial para a sua distribuição.[13-16] Relatório de Estágio em Farmácia Hospitalar - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 17 Nos SF do HB, estes medicamentos são da exclusiva responsabilidade do FH e encontram-se armazenadas numa sala fechada, com acesso exclusivo através da leitura ótica do cartão de identificação dos FH (ANEXO XXI), e estão armazenados dentro de cofres. Diariamente, antes da movimentação de qualquer medicamento, é realizada a contagem de stock. Nos SC do HB, de acordo com as suas especificidades, existe um stock destes medicamentos, previamente definido entre o FH e o Enfermeiro-Chefe do serviço. Em cada SC este stock está também armazenado num cofre de acesso restrito. Sempre que é administrado um medicamento estupefaciente ou psicotrópico, é obrigatório fazer o respetivo registo no Anexo X, modelo n.º 1509 da INCM (ANEXO XXII).[7] Neste documento estão presentes a identificação do medicamento, quantidade administrada, identificação dos doentes, data e assinatura do enfermeiro que administrou o referido medicamento e a assinatura do diretor de serviço/legal substituto, que valida todas as administrações. Posteriormente estes registos são enviados para os SF, e após validação e preenchimento pelo FH responsável, são repostos nos SC. Este documento é constituído por original e duplicado, o original fica arquivado nos SF e o duplicado no SC respetivo. A gestão de stocks é efetuada com recurso ao método de kanbans. Assim, quando se atinge o ponto de encomenda de um medicamento, é despoletada a sua encomenda ao laboratório fornecedor. Aquando da realização da encomenda, é preenchido, e enviado pelo correio para o respetivo laboratório, o Anexo VII, modelo n.º 1506 da INCM (ANEXO XXIII).[7] Este documento é constituído por original e duplicado e, posteriormente a ser assinado pelo Diretor Técnico do laboratório fornecedor, o original é enviado juntamente com a nota de encomenda e arquivado nos SF em pasta própria. O registo de entradas e saídas de medicamentos psicotrópicos e estupefacientes é efetuado num livro destinado para o efeito, designado por ‘’Livro de Registo de Medicamentos Psicotrópicos e Estupefacientes’’, cujas fotocópias são regularmente enviadas para o INFARMED.[7] HEMODERIVADOS Os hemoderivados são medicamentos derivados do sangue ou plasma humano, compostos por proteínas plasmáticas com interesse terapêutico (sendo as principais a albumina, imunoglobulinas e fatores de coagulação), que não podem ser sintetizados por métodos convencionais, pelo que são obtidos do plasma de dadores sãos, através de um processo tecnológico adequado de fracionamento e purificação.[17] Uma vez que se trata de um grupo particular e diferenciado no âmbito das especialidades farmacêuticas, a distribuição destes medicamentos está sujeita a um Relatório de Estágio em Farmácia Hospitalar - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 18 circuito de especial, que cumpre os requisitos estabelecidos na legislação, Despacho Conjunto 1051/2000 de 14 de setembro.[18] Tendo em conta a natureza destes medicamentos, mesmo após os vários tratamentos e despiste de infeções, acarretam algum risco biológico. Por esta razão, são sempre acompanhados pelos CAUL emitidos pelo INFARMED (ANEXO XXIV) e pelos respetivos boletins analíticos que asseguram a sua segurança (ANEXO XXV).[6] Pela mesma razão, todas as atividades relativas à sua requisição, distribuição e administração têm obrigatoriamente de ser registadas num modelo oficial, Modelo n.º 1804, exclusivo da INCM (ANEXO XXVI), facilitando a rastreabilidade da medicação dispensada e permitindo um maior controlo da mesma.[7] A dispensa de hemoderivados é da exclusiva responsabilidade do FH e é efetuada mediante prescrição médica através do Modelo n.º 1804 da INCM. Este documento é constituído por original e duplicado, e possui 4 quadros de preenchimento obrigatório. O preenchimento dos quadros A e B é da responsabilidade do médico, e nos quais devem constar todos os dados de identificação do médico e do doente, o nome do medicamento, dosagem, duração do tratamento e justificação clínica para a sua utilização. O quadro C é preenchido pelo FH, após validação da prescrição, com o lote, laboratório, quantidade dispensada e n.º do CAUL. No quadro D são efetuados os registos de administração do medicamento em questão pelos enfermeiros responsáveis. Posteriormente, o original deste documento fica arquivado nos SF e o duplicado é armazenado no processo clínico do doente.[7] Cada medicamento hemoderivado é entregue no SC com a respetiva identificação do doente, quantidade fornecida e condições de conservação. GASES MEDICINAIS Os gases medicinais, tanto na forma pura como em mistura, podem ser classificados em medicamentos ou dispositivos médicos, tendo presente, em todo o seu circuito, um farmacêutico responsável. Segundo o Decreto-Lei n.º 128/2013, de 5 de setembro, os gases medicinais, quando classificados como medicamentos, são definidos como “os gases ou a mistura de gases, liquefeitos ou não, destinados a entrar em contacto direto com o organismo humano e que desenvolvam uma atividade apropriada a um medicamento, designadamente pela sua utilização em terapias de inalação, anestesia, diagnóstico in vivo ou para conservar ou transportar órgãos, tecidos ou células destinados a transplantes, sempre que estejam em contacto com estes”.[19] Relatório de Estágio em Farmácia Hospitalar - FFUP Joana Maria da Rocha Pimentel Pinto da Silva 19 Tabela 2 - Utilização dos gases medicinais classificados como medicamentos MEDICAMENTOS GÁS MEDICINAL USO Oxigénio Oxigenoterapia Ar Medicinal Ventilação Protóxido de Azoto Anestesia Óxido Nítrico Vasodilatação Por outro lado, também são utilizados outros gases que não se enquadram na definição anteriormente exposta, sendo classificados como dispositivos médicos para fins de diagnóstico, prevenção, monitorização, tratamento ou atenuação de uma doença ou ainda de investigação, substituição ou modificação da anatomia ou de um processo fisiológico.[19] Tabela 3 - Utilização dos gases medicinais classificados como dispositivos médicos DISPOSITIVOS MÉDICOS GÁS MEDICINAL USO Árgon Endoscopias (Gastroenterologia) Hélio Procedimentos cirúrgicos em hemodinâmica (balão intraaórtico, crioablação) Azoto Líquido Produção de ar medicinal, criocirurgia (destruição seletiva dos tecidos em dermatologia) Dióxido de Carbono Laparoscopias, Oftalmologia, Criogenia C3F8 Cirurgia ocular C2F6 Cirurgia ocular SF6 Cirurgia ocular Mistura de gases (Hélio, Oxigénio, Monóxido de Carbono) No aparelho de difusão pulmonar (Pneumologia) Nos SF do HB, o setor dos gases medicinais compreende dois armazéns distintos: um armazém exterior e um armazém interior. O armazém exterior é composto por três recipientes criogénicos (um de azoto e dois de oxigénio) (ANEXO XXVII) e os misturadores, que permitem a produção de ar medicinal. Por sua vez, o interior é composto por dois armazéns: um que contém as rampas de N2O e CO2 e outro que contém as rampas de O2, e as respetivas garrafas de transporte, bem como as garrafas de árgon, hélio, azoto líquido, CO2 e N2O. Por fim o C3F8, o C3F6 e o SF6, por estarem em doses individuais, existem num armazém no interior da farmácia.