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Técnicas de diagnóstico utilizadas em engenharia civil

Domingos Miguel Fernandes Ferreira de Abreu

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TÉCNICAS DE DIAGNÓSTICO UTILIZADAS EM ENGENHARIA CIVIL DOMINGOS MIGUEL FERNANDES FERREIRA DE ABREU Dissertação submetida para satisfação parcial dos requisitos do grau de MESTRE EM ENGENHARIA CIVIL - ESPECIALIZAÇÃO EM CONSTRUÇÕES Orientador: Professor Vasco Peixoto de Freitas JUNHO DE 2013 MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL 2012/2013 DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL Tel. +351-22-508 1901 Fax +351-22-508 1446  [email protected] Editado por FACULDADE DE ENGENHARIA DA UNIVERSIDADE DO PORTO Rua Dr. Roberto Frias 4200-465 PORTO Portugal Tel. +351-22-508 1400 Fax +351-22-508 1440  [email protected]  http://www.fe.up.pt Reproduções parciais deste documento serão autorizadas na condição que seja mencionado o Autor e feita referência a Mestrado Integrado em Engenharia Civil - 2012/2013 - Departamento de Engenharia Civil, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto, Portugal, 2013. As opiniões e informações incluídas neste documento representam unicamente o ponto de vista do respetivo Autor, não podendo o Editor aceitar qualquer responsabilidade legal ou outra em relação a erros ou omissões que possam existir. Este documento foi produzido a partir de versão eletrónica fornecida pelo respetivo Autor. Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil À minha Família Uma pessoa inteligente resolve um problema, um sábio previne-o. Albert Einstein Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil i AGRADECIMENTOS Ao meu orientador, Professor Vasco Peixoto de Freitas, pela disponibilidade, orientação, esclarecimento de dúvidas e ajuda prestados. Aos meus amigos pelo apoio e companheirismo ao longo do meu percurso, tanto nos momentos de trabalho como nos momentos de descontração. A toda a minha família, pelo apoio e incentivo para trabalhar para atingir os meus objetivos, e de certa forma me mostrar que realmente vale a pena lutar pelo que gostamos, aproveitando os bons momentos sem deixar escapar oportunidades que possam surgir. À Mariana, por estar sempre presente e disponível para dar a sua opinião, sugestões e pela paciência ao longo não só deste trabalho, mas também de todo curso. À minha irmã Bruna, pela companhia e colaboração nos momentos de descontração. Por último, aos meus Pais, pelo apoio, compreensão e companhia ao longo da minha vida e, principalmente por fazerem de mim o que sou hoje e sempre me ensinarem a trabalhar e lutar para atingir os meus objetivos. Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil ii Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil iii RESUMO A atual crise económica em Portugal afetou de forma significativa o setor da construção, que de certa forma impulsionou o crescimento da reabilitação de edifícios. O poder de compra da maioria da população é baixo, insuficiente para procura de novas habitações, mas continua a existir procura por qualidade de vida. Para dar resposta a esta procura, começam a emergir no mercado as empresas de reabilitação. A avaliação do edifício é a primeira etapa de intervenção, deve ser realizada de forma a atender o estado de conservação em que se encontra, a sua importância arquitetónica e a relevância das patologias apresentadas, para que seja realizado um correto planeamento da reabilitação. Na abordagem aos edifícios para reabilitar, os profissionais da área de Engenharia Civil devem possuir conhecimento das técnicas experimentais de diagnóstico existentes e, dessa forma, realizar uma inspeção dos edifícios mais objetiva para deteção e monitorização das anomalias, avaliando os seus efeitos para o futuro das construções. Esta dissertação tem por objetivo contribuir para a divulgação de algumas dessas técnicas experimentais de diagnóstico, possíveis de aplicar no edifício a reabilitar. Dessa forma, foi feita uma análise de várias técnicas de diagnóstico no campo da inspeção e da monitorização. Este contributo materializa-se sob a forma de um Catálogo de Fichas de Diagnóstico em Engenharia Civil, que permite um consulta rápida e expedita acerca de cada técnica de diagnóstico. Exemplificando-se ainda a sua aplicação, na inspeção e avaliação de um caso de estudo, o conjunto de edifícios que constituem o Bairro de Lordelo. PALAVRAS-CHAVE: Reabilitação, Inspeção, Patologias, Edifícios, Catálogo de Fichas de Diagnóstico. Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil iv Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil v ABSTRACT The current economic crisis in Portugal significantly affected the construction sector, which somehow drove the growth of building rehabilitation. Purchasing power of the majority of population is low and insufficient to search for new housing, but there is still demand for quality of life. To meet this demand, rehabilitation companies are emerging to the market. The evaluation of the building is the first step for intervention and should be carried in an organized manner, from the point of view of state of conservation, its importance and relevance to architectural character and pathologies presented, to carry out a correct planning for rehabilitation. In the approach to rehabilitate the buildings, the Civil Engineering professionals must possess knowledge of the experimental techniques existing for diagnostic, and in this way to perform an inspection of buildings with more objective detection and monitoring of anomalies, evaluating its effects for the future of buildings. This thesis has the objective contribute to the dissemination of some of these experimental techniques of diagnosis, possible to apply in rehabilitating the building. Therefore, an analysis performed for various diagnostic techniques for inspection and monitoring. This contribution materialized in the Catalog of Diagnostic Sheets for Civil Engineering, which allows a quick and expeditious consultation about each diagnostic technique. As an example of its application was the inspection and evaluation of a case study, a set of buildings that that constitute the Bairro de Lordelo. KEYWORDS: Rehabilitation, Inspection, Pathologies, Buildings, Diagnosis Sheets Catalog. Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil xii ÍNDICE FIGURAS Figura 1 – Ensaio com o dilatómetro [6]. .................................................................................................................. 7 Figura 2 – Método de arrancamento de hélice em parede de alvenaria [10]. .......................................................... 9 Figura 3 – Caroteadora e exemplo de extração de carote [11] [12]. ...................................................................... 10 Figura 4 – Exemplo de carote extraída [13]. .......................................................................................................... 10 Figura 5 – Avaliação da integridade de estacas por método sónico [14]. .............................................................. 11 Figura 6 – Ensaio de tomografia sónica em alvenaria [15]..................................................................................... 11 Figura 7 – Exemplo de equipamento para monitorização de vibrações em estruturas [18]. .................................. 12 Figura 8 – Micro sismógrafo [19]. ........................................................................................................................... 13 Figura 9 – Radar para prospeção geofísica [28]. ................................................................................................... 15 Figura 10 – Exemplo de output obtido com georadar (sem processamento) [28]. ................................................. 16 Figura 11 – Exemplos de equipamento para deteção de armaduras e avaliação do diâmetro e recobrimento destas [32] [33]. ...................................................................................................................................................... 18 Figura 12 – Exemplo de ficha (frente e verso). ...................................................................................................... 25 Figura 13 - Protimeter MMS2 [41]. ......................................................................................................................... 31 Figura 14 – Esquema representativo entre a temperatura e humidade relativa interior [40]. ................................. 34 Figura 15 – Planta do Bairro de Lordelo [45].......................................................................................................... 92 Figura 16 – Cobertura em chapas de fibrocimento e pormenor de chaminé [45]. .................................................. 93 Figura 17 – Caleiras de drenagem das águas pluviais da cobertura [45]............................................................... 93 Figura 18 – Saída tubagem de ventilação primária dos esgotos [45]. .................................................................... 93 Figura 19 – Queda de parte do pano exterior da fachada evidenciando a composição da parede [45]. ................ 94 Figura 20 – Pormenor da placa de fibrocimento na fachada [45]. .......................................................................... 95 Figura 21 – Solução original dos vãos envidraçados [45]. ..................................................................................... 95 Figura 22 – Solução original para o vão envidraçado da casa de banho [45]. ....................................................... 96 Figura 23 – Solução original do corpo em balanço das lavandarias [45]. .............................................................. 96 Figura 24 – Exemplos de alterações ao corpo em balanço inicialmente destinado à lavandaria [45]. ................... 96 Figura 25 – Caixa de escadas de um dos edifícios [45]. ........................................................................................ 97 Figura 26 – Pormenores da ventilação individual nos pisos parcialmente elevados [45]. ...................................... 98 Figura 27 – Alteração para dispositivos de extração de ar mecânicos nas cozinhas [45]. ..................................... 98 Figura 28 – Cobertura dos edifícios [45]. ............................................................................................................. 100 Figura 29 – Interior da caixa de estore [45]. ......................................................................................................... 101 Figura 30 – Revestimento em pastilha cerâmica [45]. ......................................................................................... 101 Figura 31 – Caixa de escadas em betão à vista [45]. .......................................................................................... 102 Figura 32 – Delaminação do betão na fachada de um dos edifícios [45]. ............................................................ 103 Figura 33 – Zona com eflorescências na superfície de betão [45]. ...................................................................... 104 Figura 34 – Possível ponto de fuga de ar na caixilharia [45]. ............................................................................... 105 Figura 35 – Zona da parede exterior com tubo de ventilação/drenagem da caixa de ar [45]. .............................. 106 Figura 36 - Protimeter MMS2 [41]. ............................................................................ Erro! Marcador não definido. Figura 37 – Painéis compósitos com isolamento no interior, para substituição das placas de fibrocimento [45]. 108 Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil xiii Figura 38 – Placas de fibrocimento junto dos vãos envidraçados [45]. ............................................................... 108 Figura 39 – Possível solução para a moldura interior dos vãos envidraçados (protótipo de ensaio) [45]. ........... 109 Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil xiv ÍNDICE DE TABELAS Tabela 1 – Aplicação para as técnicas de diagnóstico ........................................................................................... 20 Tabela 2 – Alguns valores adotados pela norma EN ISO 7730:1993 [42]. ............................................................ 33 Tabela 3 – Índice do Catálogo de Fichas de Diagnóstico ...................................................................................... 36 Tabela 4 – Resumo das fichas de diagnóstico utilizadas no Bairro de Lordelo. ..................................................... 99 Tabela 5 – Tabela de Ligação de Elementos Construtivos e Técnicas de Diagnóstico ....................................... 110 Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil xv Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil xvi SÍMBOLOS, ACRÓNIMOS E ABREVIATURAS Acirculares – Área de pastilhas circulares no ensaio de arrancamento Aquadrada – Área de pastilhas quadradas no ensaio de arrancamento HR – Humidade Relativa M0 – Massa do provete seco Mi – Massa após imersão do provete em água Ti – Tempo de imersão do provete em água – Tempo ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas ANSI - American National Standards Institute ASHRAE - American Society of Heating, Refrigerating and Air Conditioning Engineers ASTM – American Society of Testing and Materials BSI – British Standards Institution DIN - Deutsches Institut für Normung (Instituto Alemão para Normatização) EN - European Standards EOTA – European Organisation for Technical Approvals ETAG – European Technical Approval Guideline ETICS – External Thermal Insulation Composite Systems FEUP – Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto ISEL – Instituto Superior de Engenharia de Lisboa ISO - International Organization for Standardization IST – Instituto Superior Técnico LFC - Laboratório de Física das Construções LNEC – Laboratório Nacional de Engenharia Civil NBR – Norma Brasileira NCCt – National Center for Competency Testing NP – Norma Portuguesa RILEM – Réunion Internationale des Laboratoires et Experts des Matériaux, systèmes de construction et ouvrages Ref.ª - Referência Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil xvii Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 1 1 INTRODUÇÃO 1. 1.1. ENQUADRAMENTO Atualmente vive-se uma das crises económicas mais graves de sempre em Portugal. O setor da construção, com um elevado peso na economia do país, foi afetado profundamente, as construções novas praticamente desapareceram, levando a uma aposta na reabilitação de edifícios existentes. A situação atual não permite à maior parte das famílias a compra de novas habitações, mas continua a existir procura por segurança e qualidade de vida e por isso a reabilitação de edifícios começa a ganhar cada vez mais importância para dar resposta a essa procura. Aos defeitos dos edifícios que influenciam o seu comportamento em serviço, dá-se o nome de patologias. O termo “patologias” e o seu estudo sempre estiveram associados à medicina. Não deixa, de certa forma, de haver alguma ligação de conceitos, porque o diagnóstico uma patologia num edifício tem um procedimento semelhante ao diagnóstico de uma patologia num paciente. Na medicina, o diagnóstico de um paciente é feito com recurso a vários exames clínicos e análises, com o objetivo de avaliar e acompanhar o estado de saúde ou doença. Por analogia, o diagnóstico aos edifícios em engenharia civil, recorre a exames in situ ou laboratoriais, de forma a estudar as causas e manifestações das patologias existentes ou previsíveis. Outra etapa do diagnóstico de uma patologia, que se assemelha ao diagnóstico clínico de um paciente, é a anamnese (etapa em que o médico questiona o paciente sobre os seus dados pessoais, historial clínico, doenças atuais, queixas principais, entre outros), semelhante à etapa inicial do diagnóstico de um edifício, onde se questionam os proprietários sobre anomalias, avarias e incidentes ao longo da história do mesmo, ou analisando registos de eventuais reparações efetuadas. Para uma correta avaliação das patologias na construção devem realizar-se ensaios de inspeção e monitorização. Os dados recolhidos em cada intervenção devem ser armazenados, para que se encontrem disponíveis em obras posteriores, com projetos do mesmo tipo. Se pensarmos, mais uma vez, na abordagem de um médico a um paciente, o Engenheiro civil, ao contrário do médico, tem de se dirigir ao edifício para realizar ensaios ou retirar as amostras necessárias para análise em laboratório e com os resultados projetar uma intervenção na correção do problema. À semelhança do médico, a intervenção escolhida pode não ser a mais correta, mas é necessário seguir o processo de diagnóstico. No entanto, o que ainda se verifica muitas vezes, é o facto de o técnico responsável pela reabilitação de determinado edifício se basear nas formas de atuar para patologias de obras anteriores. É necessário ter em conta que cada patologia ou edifício são únicos, o Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 2 processo de análise a seguir pode ser idêntico, mas os ensaios é que justificam as ações que se devem tomar para correção das anomalias. Existe uma grande diversidade de patologias que afetam os vários elementos que constituem a envolvente dos edifícios e com origem em diferentes fenómenos, para os quais a patologia da construção tem sido objeto de inúmeros estudos. A informação técnica disponível, no entanto, encontra-se dispersa, sendo a sua sistematização imprescindível, de modo a facilitar a análise de causas e a resolução dos problemas, bem como a sua prevenção [1]. 1.2. OBJETIVOS Os objetivos principais na realização deste trabalho são: estruturar, elaborar e aplicar fichas para diagnóstico de edifícios, que se concretizam na produção do Catálogo de Fichas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil. Pretende-se, com este catálogo, informar os técnicos na área da Engenharia Civil, sobre as técnicas de diagnóstico existentes para uma abordagem aos edifícios mais sustentada. Neste trabalho não se pretende desenvolver novas técnicas de diagnóstico, mas sim elaborar uma análise mais completa de algumas das técnicas existentes, para as quais, nomeadamente, se apresenta e descreve o seu funcionamento, os métodos a adotar na sua execução e algumas conclusões que se podem obter a partir destas. O catálogo reúne e analisa algumas das técnicas de diagnóstico de edifícios em Engenharia Civil disponíveis. Cada ficha do catálogo diz respeito a uma técnica de diagnóstico, abordando os tópicos:  Descrição;  Princípio de funcionamento;  Elementos construtivos em que pode ser utilizada;  Procedimento de ensaio;  Equipamento;  Potencialidades;  Limitações;  Custo;  Dificuldade;  Expressão dos resultados;  Interpretação dos resultados;  Entidades prestadoras;  Documentos normativos;  Valores de referência. A organização das fichas no catálogo, para que este seja de consulta rápida e simples, foi feita segundo a sua natureza ou princípio de funcionamento, dividindo-se em dez capítulos:  Técnicas de Perceção Sensorial  Técnicas de Ação Mecânica  Técnicas de Propagação de Ondas Elásticas  Técnicas de Deteção e Análise das Vibrações  Técnicas de Reações Químicas e Eletroquímicas  Técnicas de Propagação de Radiação Eletromagnética  Técnicas de Inspeção Hidrodinâmica nos Materiais e Estruturas  Técnicas de Efeitos Elétricos e Magnéticos Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 3  Técnicas de Monitorização  Técnicas de Inspeção Higrotérmica O preenchimento das fichas foi feito com recurso à pesquisa de textos normativos existentes, bem como documentos e estudos relativos a cada uma das técnicas analisadas. Como forma de exemplificar a aplicação de algumas das fichas de diagnóstico do catálogo, utilizou-se um edifício numa fase anterior à realização do projeto de reabilitação. 1.3. ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO Esta dissertação está organizada em seis capítulos, tendo em conta os objetivos referidos anteriormente, sendo que este é o primeiro e corresponde à introdução. O capítulo 2, Descrição de Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil, tem como objetivos apresentar, classificar e organizar um conjunto de técnicas de diagnóstico aplicáveis a edifícios, incluindo-se nestas as técnicas que integram o Catálogo de Fichas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil. O capítulo 3, Estruturação do Catálogo de Fichas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil, estrutura e explica a elaboração das fichas relativas a todas as técnicas de diagnóstico estudadas. O capítulo 4, Catálogo de Fichas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil, apresenta as fichas de diagnóstico que constam no catálogo, organizadas segundo o princípio de funcionamento ou natureza da técnica analisada. O capítulo 5, Aplicação das Fichas de Diagnóstico a Caso de Estudo, descreve a aplicação das técnicas de diagnóstico presentes nas fichas do catálogo a um caso real de estudo, o Bairro de Lordelo. No sexto e último capítulo são apresentadas as conclusões mais relevantes e sugestões de desenvolvimentos futuros para o tema da dissertação. Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 10 Figura 3 – Caroteadora e exemplo de extração de carote [11] [12]. Figura 4 – Exemplo de carote extraída [13]. 2.2.3. TÉCNICAS DE PROPAGAÇÃO DE ONDAS ELÁSTICAS Neste tipo de técnicas de diagnóstico, os ensaios baseiam-se na deteção, medição ou análise das vibrações provocadas nas construções ou elementos construtivos, avaliando a forma de propagação das ondas elásticas [2]. 2.2.3.1. Ensaio de Integridade de Estacas de Betão - Método Sónico O método sónico para avaliação da integridade de estacas de betão, baseia-se na análise das condições de propagação de ondas elásticas no seu fuste, visando a deteção de defeitos e descontinuidades que se traduzam significativos para a função que exercem [2]. O choque de um material sólido na cabeça de uma estaca produz uma onda sónica, que percorre todo o comprimento desta. Se a estaca não apresentar defeitos ou descontinuidades, a onda sónica é refletida apenas no seu pé. Mas no caso de existir alguma anomalia ao longo do seu fuste, surgirão outras ondas refletidas. A análise destas vibrações é feito, utilizando um software adequado, que permite, dentro de certos limites, caracterizar o tipo de defeito e a profundidade a que se encontra no fuste da estaca [2]. Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 11 Figura 5 – Avaliação da integridade de estacas por método sónico [14]. 2.2.3.2. Ensaio de Tomografia Sónica na Alvenaria Para Identificação de Heterogeneidades e Deficiências O princípio desta técnica refere-se à utilização da tomografia sónica, para a obtenção de mapa pormenorizado da distribuição da velocidade de propagação do som numa secção plana da estrutura em estudo [2]. O equipamento mede a velocidade de propagação de um impulso sónico ao longo de várias direções, cobrindo uniformemente a secção em estudo. O cálculo é feito usando o método de inversão, que, a partir do tempo de propagação do som, que permite identificar heterogeneidades e áreas de deficiente resistência [2]. Figura 6 – Ensaio de tomografia sónica em alvenaria [15]. 2.2.3.3. Ensaio de Ultrassons A técnica de diagnóstico por ultrassons é utilizada na caracterização de paredes, recorrendo a sons de baixa frequência, com maior energia e menor atenuação que os de alta frequência. A partir dos impulsos ultrassónicos é possível avaliar a uniformidade da alvenaria, delimitando in situ as zonas de qualidade inferior ou deterioradas e estimar as propriedades mecânicas da alvenaria [16]. Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 12 A informação recolhida através do método dos ultrassons pode ser utilizada para obter [2]:  Características mecânicas  Homogeneidade  Presença de fissuras e defeitos O ensaio consiste em determinar a velocidade de propagação dos impulsos ultrassónicos entre dois pontos. Com os valores obtidos nessa medição, é possível determinar valores aproximados para a densidade do material ou a existência de vazios, e ainda, as suas características elásticas, que dependem da qualidade e resistência do material constituinte da alvenaria em análise [17]. 2.2.4. TÉCNICAS DE DETEÇÃO E ANÁLISE DAS VIBRAÇÕES As técnicas aqui agrupadas baseiam-se na monitorização e análise das vibrações das estruturas, quando sujeitas a ações dinâmicas. Permitem obter informações importantes sobre as características, desempenho e presença de eventuais anomalias nas construções em análise [2]. O estudo pode ser feito, genericamente, de duas formas [2]:  Análise de dados da resposta dinâmica da construção a solicitações dinâmicas impostas pela envolvente, como a passagem de viaturas automóveis ou metropolitano, a operação de equipamentos mecânicos aplicados na estrutura (ar-condicionado, extratores de ar, etc.), realização de obras nas proximidades, entre outras.  Aplicação de solicitações dinâmicas à construção, produzindo níveis de vibração forçada sem afetar a sua integridade e, dessa forma analisar a resposta. 2.2.4.1. Análise e Monitorização de Vibrações em Estruturas Este método de ensaio, considerado não destrutivo, tem como principal objetivo, avaliar e/ou acompanhar in situ o comportamento dinâmico da construção, em particular, a sua capacidade de resistência à solicitação sísmica. Pode, também, ser útil na preparação de obras de reabilitação e consolidação, selecionando as medidas corretivas mais adequadas [2]. Este estudo, pode ser feito segundo duas variantes [2]:  Análise de dados na resposta dinâmica da construção às solicitações impostas pela envolvente.  Análise da resposta da construção à aplicação de vibrações forçadas nesta. Figura 7 – Exemplo de equipamento para monitorização de vibrações em estruturas [18]. Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 13 2.2.4.2. Monitorização de Vibrações por Meio de Micro Sismógrafo Esta técnica refere-se à monitorização de vibrações com origens variadas, como a atividade humana, o trânsito de veículos, a maquinaria em funcionamento, entre outros. Esta monitorização tem em vista prevenir os efeitos secundários associados a essas vibrações, assegurando o cumprimento da regulamentação aplicável [2]. Figura 8 – Micro sismógrafo [19]. 2.2.5. TÉCNICAS DE REAÇÕES QUÍMICAS E ELETROQUÍMICAS Neste grupo encontram-se dois tipos de técnicas de diagnóstico, numa destas observam-se os efeitos das reações químicas que ocorrem nos materiais em estudo, e na outra observam-se fenómenos de natureza eletroquímica que ocorre em elementos da construção, espontaneamente ou em resultado de perturbações introduzidas. No caso de reações químicas, com vista ao diagnóstico de anomalias, utilizam-se determinados indicadores ou reagentes por contacto com os materiais que constituem os elementos construtivos ou que neles estão depositados, como forma de identificar ou caracterizar esses materiais ou o seu estado de equilíbrio químico [2]. A corrosão dos metais, em geral, e a do aço utilizado nas armaduras de betão armado, em particular, são exemplos de fenómenos. A corrosão das armaduras é resultado de duas causas [2]:  A carbonatação, pelo CO2, fazendo baixar o pH do betão e, consequentemente, o seu efeito protetor.  A presença dos cloretos no betão que envolve as armaduras. Estas causas principais podem ainda ser agravadas pela presença de fissuras ou defeitos da compacidade do betão, permitindo a penetração de agentes agressivos, e ainda pelo recobrimento insuficiente das armaduras [2]. 2.2.5.1. Técnica da Resistência de Polarização (Taxa de Corrosão em Armaduras) A técnica da resistência de polarização é utilizada para quantificação da taxa de corrosão das armaduras em elementos de betão armado. Aplicando-se, principalmente, em estruturas de betão muito carbonatado ou com elevado teor de cloretos, permitindo acompanhar, por monitorização, a evolução do estado da estrutura e avaliar o seu desempenho no futuro [2]. Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 14 A avaliação da taxa de corrosão em armaduras é um elemento essencial para análise de estruturas de betão armado, que possa estar em processo corrosivo, avaliando o estado da armadura (passivação/despassivação) e a velocidade de corrosão [20]. 2.2.5.2. Técnica de Avaliação da Profundidade de Carbonatação – Indicador de Fenolftaleína A carbonatação do betão ocorre na reação do dióxido de carbono presente na atmosfera, com os componentes alcalinos da fase líquida do betão. Provocando assim a redução da alcalinidade, neutralizando todo o material e baixando o pH da pasta hidratada, desencadeando-se assim, a corrosão das armaduras nas estruturas de betão armado. Pois, as armaduras ficam mais suscetíveis quando atingem valores de pH inferiores a 10,5 e por essa razão, neste ensaio, utiliza-se uma solução de fenolftaleína, que em valores de pH acima de 8 adquire coloração típica [5]. A solução de fenolftaleína, quando aplicada sobre a superfície em análise, permite identificar a presença de CaCO3 (Carbonato de Cálcio). A mudança de cor da solução, de incolor para rosa, faz-se notar em pouco tempo, indicando a zona com total, pouca ou nenhuma carbonatação [21]. 2.2.5.3. Técnica de Medição dos Potenciais Elétricos (Deteção de Corrosão Ativa em Armaduras) O recurso a esta técnica de diagnóstico permite identificar as áreas onde a corrosão está presente ou prestes a verificar-se, antes mesmo que os seus efeitos se tornem visíveis. Permite localizar as áreas onde o betão armado necessita de alguma reparação ou, simplesmente, ser protegido. Com aplicação regular desta técnica numa estrutura, desde o início da sua construção, permite acompanhar o seu comportamento, minimizando assim os custos de manutenção, no que toca à zona das armaduras [22]. O princípio de funcionamento, desta técnica, baseia-se na aplicação de uma diferença de potencial entre um elétrodo de referência e um terminal ligado à armadura na zona de análise. Na medição do potencial existente no sistema obtêm-se valores que se incluem num de três intervalos de valores, e dessa forma, fazendo-se corresponder o intervalo a uma classificação de zona com corrosão, zona em início de corrosão ou zona sem corrosão [22]. 2.2.5.4. Técnica de Determinação do Teor de Sais – Kit de Campo e Fitas Colorimétricas Os compostos cristalinos que se formam à superfície ou nas camadas internas do revestimento, com o nome de eflorescências, surgem por ações físico-químicas derivadas à presença de água. Estes compostos podem, além de afetar a aparência da construção, originar degradação química e física dos materiais (cristalização dos sais). O conhecimento da natureza de cada composto, que constitui as eflorescências, pode ajudar a compreender os mecanismos de degradação [8]. Por exemplo, a determinação da concentração do ião de cloreto no betão é essencial para avaliar a necessidade de proceder à sua reparação, em estruturas existentes, bem como para verificar se os materiais escolhidos para aplicar em construções novas, possuem boas condições de durabilidade, ou se é necessário a alteração da solução inicialmente projetada [2]. Nesta técnica de diagnóstico, escolheram-se dois tipos de ensaios, o kit de campo e a as fitas colorimétricas, que analisam, praticamente, os mesmos sais, mas fornecendo os resultados de forma diferente. O kit de campo utiliza o espectrofotómetro, na determinação das concentrações por processo colorimétrico, os cloretos (2-100 mg/l) e os sulfatos (40-500 mg/l). Enquanto o outro ensaio permite a Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 15 análise da presença de cada ião, por comparação visual entre a cor obtida na banda de deteção e a escala de referência, presente na embalagem onde são fornecidas as bandas de deteção [8]. 2.2.6. TÉCNICAS DE PROPAGAÇÃO DE RADIAÇÃO ELETROMAGNÉTICA Algumas das técnicas de diagnóstico utilizam a radiação eletromagnética na inspeção de edifícios, que é caracterizada, basicamente, pela sua frequência, comprimento de onda ou energia transportada [2]. A radiação que incide num corpo sólido pode, em parte, atravessá-lo ou ser refletida. Num e noutro caso as características da radiação incidente alteram-se em função das propriedades físicas do material (densidade, porosidade, permeabilidade, condutividade, etc.). A energia transportada pela radiação incidente pode, também, acumular-se no material, sendo refletida sobre a forma de uma radiação com características diferentes [2]. As várias formas de como a radiação é aplicada e interage com os materiais em análise originam outras tantas variantes de recolha, não destrutiva, de informação sobre esses materiais [2]. 2.2.6.1. Prospeção Geofísica por Tecnologia de Radar Esta técnica de inspeção utiliza a tecnologia de radar na banda de frequências dos 100 MHz aos 2 GHz, trabalhando, basicamente na modalidade de reflexão, e ao diminuir a frequência de funcionamento faz com que seja maior a penetração nos elementos construtivos, mas diminui o nível de pormenorização [2]. O equipamento, normalmente utilizado, que recorre a esta tecnologia possui uma antena emissora que transmite, por impulsos eletromagnéticos sucessivos, um feixe de radiação divergente, que é refletido pelas diferentes interfaces com diferentes características, existentes no interior do elemento construtivo em estudo. Os impulsos refletidos são captados numa antena recetora, situada junto da emissora, sendo ambas ligadas a um registador gráfico, permitindo analisar a natureza e o estado dos elementos existentes por baixo da superfície visível. Permite ainda detetar tubagens, canalizações ou humidade existente no interior de paredes e, em elementos horizontais é possível fazer um levantamento de cavidades, construções antigas enterradas, estratigrafia dos pavimentos, etc. A interpretação das imagens registadas pode ser facilitada, pelo tratamento destas em computador e elaborando perfis tridimensionais dos locais analisados [2]. Figura 9 – Radar para prospeção geofísica [23]. Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 16 Figura 10 – Exemplo de output obtido com georadar (sem processamento) [23]. 2.2.7. TÉCNICAS DE INSPEÇÃO HIDRODINÂMICA NOS MATERIAIS E ESTRUTURAS As técnicas aqui agrupadas servem, sobretudo, para o estudo do modo como a água, em diferentes estados físicos, penetra e se movimenta no interior dos materiais de construção obedecendo a processos como de absorção, efeito de capilaridade e permeabilidade associada a diferenças de pressão [2]. A observação e medição dos efeitos associados a estes processos permitem recolher informações para materiais sólidos utilizados na construção (pedra, betão simples ou armado, entre outros), que se tornem relevantes para o estudo da sua durabilidade [2]. 2.2.7.1. Ensaio para Determinação da Absorção de Água por Capilaridade A realização do ensaio de absorção capilar está direcionada para avaliação da durabilidade de estruturas de betão armado, estudando os mecanismos de transporte de líquidos no interior do material, onde pode haver condução de substâncias prejudiciais, que podem levar à corrosão das armaduras. Estas substâncias, que podem ser cloretos e causar, ocasionalmente, a despassivação do aço penetrando no betão através da rede de poros, quando exposto a ambiente agressivos [8]. A absorção de água por capilaridade é definida como a entrada de água na rede porosa do betão por forças capilares, resultantes da diferença de pressão entre a superfície livre da água no exterior do betão e a sua superfície nos poros capilares, dependendo do diâmetro capilar. Pelo que, quanto menor for a absorção do material, mais protegida se encontra a estrutura [24]. 2.2.7.2. Ensaio de Absorção de Água Sob Baixa Pressão – Tubo de Karsten Este ensaio, que recorre ao tubo de Karsten, é utilizado para avaliação in situ ou em laboratório da resistência à água líquida da superfície dos elementos em análise, medindo a absorção de água a baixa pressão, deforma relativamente simples [8]. É frequentemente utilizada em revestimentos e paredes, com os seguintes objetivos [8]:  Determinar a permeabilidade à água líquida em edifícios com revestimentos de base em ligantes minerais ou mistos;  Avaliar a capacidade de impermeabilização dos revestimentos de paredes;  Estimar o grau de degradação de revestimento, prevendo a vulnerabilidade das alterações superficiais à ação da água; Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 17  Determinar o grau de proteção num tratamento hidrófugo aplicado nos materiais, avaliando o grau de eficácia num determinado período de tempo;  Comparar os resultados obtidos em diferentes tipos de revestimento e avaliar a influência do acabamento dado em cada um; O nível de permeabilidade, medido através deste método, pode ser utilizado na caracterização qualitativa do estado do revestimento, bem como estimar o seu grau de degradação, recorrendo a comparações com estudos anteriores e possibilita ainda, a análise das alterações verificadas pela absorção de água no revestimento [25]. 2.2.7.3. Ensaio de Permeabilidade ao Vapor de Água O ensaio laboratorial, utilizado para determinação da permeabilidade ao vapor de água de materiais e elementos de construção tem apoio na Lei de Fick. Este método de classificação, consiste em colocar o provete do material ou elemento que se pretende ensaiar, entre dois ambientes à mesma temperatura mas com pressões de vapor diferentes, devido às diferenças de humidade relativa estabelece-se um gradiente de pressões entre as duas faces, o que origina um fluxo de vapor de água através do provete. Conhecendo-se a diferença de pressões de vapor parciais entre as ambiências separadas pelo provete e as suas dimensões, pode calcular-se o fluxo de difusão em regime estacionário e dessa forma determinar as características de permeabilidade ao vapor de água do material ou elemento em estudo [26]. 2.2.8. TÉCNICAS DE EFEITOS ELÉTRICOS E MAGNÉTICOS A inspeção das construções recorre, em certas situações, a equipamentos que relacionam eletricidade com magnetismo. São principalmente dois os efeitos aproveitados para este fim, a relutância magnética e as correntes induzidas [2]. A relutância magnética trata-se da resistência ao fluxo magnético entre dois polos, que se estabelece quando uma corrente percorre uma bobina elétrica cria um campo magnético. A deteção de armaduras, baseada neste efeito, utiliza uma bobina de excitação, que ao ser percorrida por uma corrente alterna induz um fluxo magnético e, quando está presente um elemento ferromagnético a relutância magnética diminui, aumentando esse fluxo. Uma segunda bobina (bobina sensor) deteta esse acréscimo de fluxo[2]. O efeito de correntes induzidas é utilizado também para deteção de armaduras, pois em bobinas percorridas por corrente alterna que geram um campo magnético, na proximidade de uma barra condutora originam nesta um conjunto de correntes induzidas. Estas, por sua vez, originam um campo magnético secundário na bobina e, dessa forma, uma corrente secundária, por isso, a proximidade a uma barra condutora faz alterar a corrente que percorre a bobina, aumentando a impedância aparente desta, sendo detetado pelo equipamento [2]. 2.2.8.1. Ensaio Termográfico Esta técnica, com recurso a câmaras termográficas de infravermelhos, é bastante útil numa avaliação in situ da construção, possibilitando a deteção de diferentes tipos de patologias de forma mais ou menos rápida, para uma posterior análise mais cuidada. Os resultados obtidos não se tratam de valores absolutos, baseiam-se na comparação das temperaturas observadas numa superfície [27]. Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 18 A partir da observação dos termogramas é possível, por exemplo, detetar descontinuidades ocultas por alterações na construção [27], detetar a formação de uma colónia de insetos no interior de elementos construtivos [28], detetar erros de construção no que toca ao tratamento de pontes térmicas ou colocação do isolamento térmico [28], detetar infiltrações ou fugas de água [29], detetar fugas de calor [30] e ainda para avaliar o estado do restante revestimento nas paredes para o caso de ocorrer formação de bolhas de ar na pintura ou destacamento de alguns elementos cerâmicos [31]. Tem bastante interesse numa fase de pós-ocupação, para avaliação do desempenho em serviço, e ainda sob o ponto de vista da manutenção preventiva. 2.2.8.2. Técnica Para Deteção de Armaduras e Avaliação do Diâmetro e Recobrimento Os equipamentos, utilizados nesta técnica de inspeção servem para medir o recobrimento, detetar a posição, as dimensões e direção das armaduras, tanto em estruturas de betão armado como o préesforçado, de forma não destrutiva. No caso da sua utilização em betão pré-esforçado, a deteção de cabos de pré-esforço é possível, mas com maiores limitações, que se devem, por um lado, às características próprias destes elementos resistentes e, por outro, às capacidades do equipamento [2]. Figura 11 – Exemplos de equipamento para deteção de armaduras e avaliação do diâmetro e recobrimento destas [32] [33]. 2.2.9. TÉCNICAS DE MONITORIZAÇÃO A recolha de informação acerca da construção em geral ou de alguns elementos construtivos em particular, por períodos mais ou menos longos de tempo, quer seja de forma contínua ou pontualmente, é indispensável para o conhecimento e manutenção desta. Com os dados registados, é possível a escolha da melhor forma de abordagem a eventuais patologias detetadas. Por esta razão, as técnicas de monitorização devem ser aplicadas logo no primeiro contacto com a construção em análise, em paralelo com as “Técnicas de Perceção Sensorial”. Este tipo de técnicas de diagnóstico não é destrutivo, mas podem afetar o normal funcionamento de edifícios em utilização, uma vez que se tratam de avaliações que, por norma, têm duração mais longa que as restantes. Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 19 2.2.9.1. Técnicas de Monitorização de Fissuras e Fendas – Fissurómetro Esta técnica de diagnóstico recorre ao fissurómetro, que se trata de um pequeno instrumento simples utilizado para medir, de forma expedita e económica, os movimentos relativos que se verificam num ponto escolhido de forma estratégica numa fissura ou fenda existente numa parede, pavimento ou qualquer outro elemento estrutural da construção em estudo [2]. 2.2.10. TÉCNICAS DE INSPEÇÃO HIGROTÉRMICA Fazem parte deste grupo, as técnicas cujos princípios e/ou disciplinas não foi possível identificar com nenhum dos grupos atrás referidos. 2.2.10.1. Técnicas de Registo de Condições Higrotérmicas O conforto térmico não é linear, porque as mesmas pessoas podem sentir-se confortáveis em condições térmicas diferentes, dependendo também das características oferecidas pelo edifício. Este conforto depende do tipo de atividade que está a realizar, o vestuário que utiliza e o próprio metabolismo do utilizador [34]. A monitorização da temperatura e da humidade relativa é importante, pois são dois fatores que afetam o conforto e saúde dos seus ocupantes, a durabilidade do edifício em si e dos seus materiais e ainda o consumo de energia neste [35]. A humidade relativa representa a relação entre a quantidade de vapor presente num determinado volume de ar, e a quantidade máxima de vapor que esse mesmo volume pode conter para a mesma temperatura. Este fator depende, portanto, da quantidade de vapor de água contida no ar e também da temperatura deste. Isto porque, tendo uma quantidade constante de vapor de água no ar, a humidade relativa aumenta se a temperatura descer e diminui com a subida da temperatura [35]. 2.2.10.2. Ensaio de Condutibilidade Térmica Para a avaliação da condutibilidade térmica de um material, os métodos mais utilizados são o de Guarded-Hot-Plate e o de Choque Térmico [7]. A condutibilidade térmica (λ), pode ser expressa em W/(m.°C) ou W/(m.K), trata-se do fluxo de calor (em Watts) que atravessa, perpendicularmente, um elemento com 1 m2 de secção e 1 m de espessura, quando a diferença de temperatura entre as duas faces é de 1°C, sendo as faces planas e paralelas. É uma propriedade que caracteriza os materiais ou produtos termicamente homogéneos. Por exemplo, no caso de se envolver um objeto a uma dada temperatura com uma camada de um material, de modo a isolá-lo do ambiente exterior, a condutibilidade térmica do material isolante determina a rapidez com que o calor fluirá através dele [7]. 2.2.10.3. Ensaio de Pressurização - Blower Door Esta técnica de inspeção tem como objetivo, a caraterização da permeabilidade ao ar da envolvente de um edifício ou parte deste, permitindo obter diversas análises e diagnósticos relativos a infiltrações, como [36]:  Verificação da conformidade da permeabilidade ao ar com a regulamentação aplicável. Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 26 3.3.2. ELEMENTOS CONSTRUTIVOS EM QUE PODE SER UTILIZADA Este campo, inserido no cabeçalho da ficha, tem como objetivo mostrar de forma rápida os elementos construtivos aos quais se pode aplicar a técnica de diagnóstico em análise. Construiu-se um esquema simples, que apesar de se assemelhar a uma moradia de dois pisos, contemple praticamente todos os elementos construtivos que se podem encontrar tanto em construções unifamiliares como multifamiliares. Ou seja, tem esquematizado o piso térreo onde se encontra o pavimento em contacto direto com o solo, assim como as paredes exteriores. No piso superior, as paredes exteriores e interiores e o teto ou cobertura do edifício. A identificação do elemento construtivo em que pode ser aplicada a técnica da ficha em questão, foi efetuada através de símbolos. No caso da técnica se aplicar apenas pontualmente, como por exemplo o fissurómetro que se aplica na zona de fissuras, utilizou-se um circulo vermelho centrado no/s elemento/s. Quando aplicada a todo o elemento construtivo, como por exemplo no ensaio de arrancamento que a norma exige um mínimo de arrancamentos no mesmo elemento, optou-se por colocar o traço relativo a esse/s elemento/s construtivos com maior espessura e de cor vermelha. No caso de todo o esquema se encontrar a cor vermelha, significa que a técnica pode ser aplicada em qualquer elemento do edifício, ou simplesmente porque se aplica a um material, sem ser identificado o elemento no qual está ou vai ser aplicado. 3.3.3. DESCRIÇÃO É o campo que apresenta um resumo introdutório à técnica de diagnóstico em análise na ficha, onde se identifica a natureza do ensaio e se introduz o tipo de procedimento deste. Pode ainda estar aqui referido em que fase do edifício tem interesse aplicar este diagnóstico, isto quando se justifica pois existem técnicas que podem ser aplicadas em qualquer fase servindo mais para a avaliação do estado do material já aplicado ou para ser aplicado. 3.3.4. PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO Aqui, como o próprio título do campo indica, referem-se quais os princípios utilizados na avaliação/ verificação para o material ou elemento construtivo em questão, através da técnica aplicada. 3.3.5. PROCEDIMENTO DE ENSAIO Enumeram-se as diferentes etapas do ensaio, para que a pessoa interessada em requisitar este serviço a uma empresa ou instituição especializada fique previamente a conhecer as implicações da realização do diagnóstico pretendido. O procedimento aqui apresentado tem origem nas normas aplicáveis ao e na ausência destes, as informações foram retiradas de documentos como fichas de ensaios ou estudos anteriores acerca do ensaio. 3.3.6. EQUIPAMENTO Mostram-se algumas imagens e esquemas das máquinas e acessórios utilizados, bem como imagens durante a realização do ensaio, pois visualmente facilita na compreensão de alguns pormenores que possam estar textualmente mal explicados. O espaço ocupado por este tópico varia de ficha para ficha, Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 27 conforme a necessidade de aumentar as imagens para se manterem suficientemente percetíveis ao interessado. 3.3.7. CUSTO A ideia inicial consistia em colocar uma margem de valores necessários para a realização do diagnóstico apresentado na ficha, acabou por se transformar numa classificação qualitativa, pois em várias das técnicas de diagnóstico abordadas nesta dissertação existia uma dificuldade enorme em obter os preços praticados pelos diferentes laboratórios ou empresas. Depois, pela constante evolução dos preços, rapidamente o catálogo final ficaria desatualizado, optou-se por atribuir uma classificação subjetiva, baseada em alguns preços que se conseguiram obter e nas informações pesquisadas sobre o tempo, equipamentos e mão-de-obra necessários para cada técnica, em comparação com as restantes do catálogo. O custo aqui contabilizado tem origem no custo da realização do serviço, como número de operadores necessários e duração necessária, em média, para preparação e realização do serviço e obtenção de resultados, não sendo contabilizados o custo de compra e reparação dos equipamentos e custo dos transportes necessários. 3.3.8. TÉCNICA DESTRUTIVA / NÃO DESTRUTIVA Neste campo, a abordagem limitou-se a uma análise apenas sob dois níveis, destrutiva ou não, preenchendo-se ambos os níveis quando a classificação depende do tipo de execução da técnica. Após uma análise mais completa deste ponto, conclui-se que deveria ser colocada aqui uma classificação com mais níveis, à semelhança, por exemplo, da forma de classificação do custo e da dificuldade, ou seja, a atribuição de um entre cinco níveis de destrutividade da técnica a realizar, comparativamente com as restantes. 3.3.9. DIFICULDADE A classificação deste campo, à semelhança da classificação anterior, é qualitativa, servindo de orientação para o técnico ou cliente interessado em solicitar este serviço. A avaliação baseou-se na comparação de alguns fatores, entre as várias técnicas de diagnóstico, como duração do ensaio, níveis de conhecimento científico e técnico exigido ao/s operadores/s dos equipamentos, quantidade de ensaios necessários para retirar conclusões da técnica escolhida, limitações na colocação e utilização dos equipamentos face às condições do edifício, elemento construtivo ou material em análise. 3.3.10. ENTIDADES PRESTADORAS Neste ponto, apresentam-se algumas empresas e laboratórios que apresentam esta técnica de diagnóstico como fazendo parte da sua lista de serviços prestados. Foram colocados neste campo, apenas as entidades que apresentam na sua página de internet uma lista dos seus serviços e na qual está incluído o ensaio em questão. Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 28 3.3.11. EXPRESSÃO DOS RESULTADOS Neste tópico explica-se uma forma de abordagem aos dados ou valores fornecidos pelos equipamentos ou registados pelos técnicos em obra ao longo do ensaio e, quando necessário, apresentam-se equações nas quais é necessário substituir valores para se obter resultados comparáveis com estudos anteriores, ou até mesmo com outros ensaios realizados nos mesmos locais. 3.3.12. INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS Após a realização do ensaio e de todos os resultados necessários obtidos, este capítulo serve quase de conclusão para o utilizador compreender o objetivo dos valores que foram obtidos ao longo do ensaio e qual o resultado do diagnóstico que foi realizado. 3.3.13. DOCUMENTOS NORMATIVOS Neste campo apresenta-se um conjunto de documentos relativos à aplicação do ensaio de cada ficha, alguns destes serviram de base à realização da ficha. Encontram-se outros documentos para consulta do utilizador, caso sejam necessárias mais informações acerca da técnica, ou quando esta é realizada sob condições diferentes das apresentadas, pois dentro da mesma técnica de diagnóstico pode existir mais do que uma variante para obter resultados, muitas vezes pelo facto de variar o tipo de revestimento do elemento construtivo em análise, a sua orientação, posição ou função no edifício. Estão ainda referenciados documentos de outros países, dinamizando a utilização da técnica em trabalhos fora de Portugal ou mesmo da União Europeia. 3.3.14. VALORES DE REFERÊNCIA O utilizador pode neste tópico, quando aplicável à técnica, consultar valores retirados de estudos, trabalhos e relatórios de ensaios anteriores, servindo como forma de interpretação dos resultados no estudo de diagnóstico. Foram tidos em conta valores normalizados ou, na ausência destes, os valores resultantes de estudos anteriores. 3.4. ELABORAÇÃO DA FICHA DE DIAGNÓSTICO 19 – FICHA 10.1 A elaboração da ficha de diagnóstico pretende uma abordagem mais aprofundada sobre diversos aspetos de cada técnica, sobre as quais foi inicialmente efetuada uma pesquisa bibliográfica o mais completa possível, com vista a conhecer as várias abordagens aos equipamentos utilizados e as formas de interpretação dos resultados obtidos, que dependem também do tipo e localização de edifício, pois o objetivo será a elaboração de uma ficha para abranger o maior número de profissionais possível. Uma parte que se considera importante nesta análise, para se obter uma boa forma de avaliar e abordar cada técnica de diagnóstico, é o conhecimento prático na utilização dos equipamentos, pois só assim se consegue transmitir as verdadeiras potencialidades e limitações dos equipamentos utilizados e desta forma preparar os profissionais que consultem a ficha antes de iniciar o diagnóstico a um edifício. No entanto, a elaboração da maior parte das fichas que compõe o Catálogo de Fichas de Diagnóstico, baseou-se numa abordagem mais teórica, sob forma de pesquisa de obras e estudos anteriores, nos quais foram testadas e analisadas as técnicas de diagnóstico escolhidas para este trabalho. Esta limitação deveu-se não só pelo facto do período de tempo disponível para a conclusão do trabalho ser Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 29 bastante limitado, mas também pela exigência de formação para a utilização de alguns dos equipamentos abordados e ainda ao facto de alguns desses equipamentos não serem de fácil acesso ou disponibilidade. As fichas em que houve um maior contacto com a técnica de diagnóstico analisada, sob o ponto de vista prático, na realização de medições ou ensaios foram a “Ficha 2.1 – Ensaio de Arrancamento por Tração – Pull-Off” e a “Ficha 10.1 – Técnicas de Registo e Monitorização das Condições Higrotérmicas”. Apresenta-se de seguida o processo de elaboração da “Ficha 10.1 – Técnicas de Registo e Monitorização das Condições Higrotérmicas”, exemplo de um modelo de abordagem mais completo, que deveria ter sido seguido nas restantes técnicas de diagnóstico do catálogo. 3.4.1. PROCESSO DE ELABORAÇÃO No início, efetuou-se uma pesquisa bibliográfica acerca das abordagens para a avaliação das condições higrotérmicas ideais, de forma a obter-se conforto dentro dos edifícios, minimizando o seu consumo energético. Após a pesquisa, houve a oportunidade de experimentar um dos equipamentos utilizado na avaliação das condições higrotérmicas de um edifício para, dessa forma, ficar a conhecer as suas características na prática e assim validar o conteúdo da ficha. O equipamento em causa é o Protimeter MMS2, que foi cedido pelo Laboratório de Física das Construções da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (LFC - FEUP), trata-se de um equipamento semelhante a um termo-higrómetro, mas que possui mais funções que o habitual. Segundo as suas especificações técnicas, de entre outras funções, permite:  Medir temperatura de superfícies por infravermelhos;  Medir humidade relativa e temperatura ambiente, com resposta rápida;  Realizar múltiplos cálculos psicométricos;  Determinar o ponto de orvalho;  Armazenar valores obtidos nas medições. Depois da utilização do equipamento que permite a avaliação de forma pontual das condições higrotérmicas num edifício, procedeu-se à elaboração da ficha com maior conhecimento prático para a crítica desta técnica de diagnóstico. Algo que limita o equipamento, é o facto de permitir apenas recolha pontual de dados, não possibilitando a recolha de dados contínua ao longo de um período de tempo. No entanto, para a elaboração da ficha devem analisar-se ambas as abordagens, pois como foi referido, o objetivo da ficha é tentar tornar a análise à técnica de diagnóstico abrangente. 3.4.2. DESCRIÇÃO E PRINCÍPIO DA TÉCNICA DE DIAGNÓSTICO O conforto térmico não é linear, pois as mesmas pessoas podem sentir-se confortáveis em condições térmicas diferentes, dependendo também das características oferecidas pelo edifício. Este depende do tipo de atividade que está a realizar, o vestuário que utiliza e o próprio metabolismo da pessoa [34]. A monitorização da temperatura e da humidade relativa é importante, pois afetam o conforto e a saúde dos seus ocupantes, a qualidade do ar, a durabilidade do edifício em si e dos seus materiais e ainda o consumo de energia neste. Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 30 3.4.3. NORMAS APLICÁVEIS As normas encontradas na pesquisa efetuada, que se aplicam à medição das condições higrotérmicas num edifício, foram a ANSI/ASHRAE Standard 55:2010 [38], onde estão definidos intervalos de valores para as condições interiores e soluções de projeto para proporcionar não só o conforto da maioria dos ocupantes, mas também para respeitar regras de sustentabilidade do edifício; a EN ISO 7730:2005 [39], que foi desenvolvida em paralelo com a anterior, especifica métodos para medição e avaliação dos ambientes moderados e extremos aos quais o ser humano é exposto; a DIN 1946-2:1994 [40], norma alemã que regulamenta os requisitos técnicos de saúde quanto à ventilação e uso de equipamentos de ar condicionado dentro dos edifícios [34]. 3.4.4. REGISTO E MONITORIZAÇÃO DE CONDIÇÕES HIGROTÉRMICAS O registo de valores como os de humidade relativa e temperatura ambiente, podem ser utilizados tanto para diagnóstico como para monitorização de edifícios. Quando se pretende recolher dados de forma contínua utilizam-se dataloggers, no caso de medições pontuais existem os termo-higrómetros, como o referido Protimeter MMS2, para análise simultânea da temperatura e humidade relativa ambientes, ou de forma individual, os termómetros para medição da temperatura ambiente e de superfície e os higrómetros para medição da humidade relativa. 3.4.4.1. Dataloggers São equipamentos portáteis, de pequenas dimensões, com sensores eletrónicos concebidos para medição de temperatura e humidade relativa. É possível programar as horas para recolha de dados, que podem ser armazenados no equipamento por longos períodos, para depois serem transferidos para o computador e posteriormente serem tratados [35]. Os dados são registados de forma contínua, sem que necessite da presença humana durante o registo, possui ainda vantagens como o armazenamento durante logos períodos de tempo, longa duração de bateria e fácil utilização [35]. 3.4.4.2. Termo-higrómetro Para a análise deste tipo de equipamentos, utilizou-se como base o aparelho Protimeter MMS2 (Figura 13), que houve a oportunidade de utilizar. Este tipo de equipamentos permite uma recolha de dados pontual, ou seja, para caracterização de um local em várias alturas do dia, meses ou ano são necessárias várias medições, sempre com deslocação da pessoa responsável ao local em análise, de forma a possibilitar uma aproximação da oscilação de valores. Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 31 Figura 13 - Protimeter MMS2 [41]. Este equipamento é mais utilizado para caracterização momentânea no local onde se vão efetuar outras medições que não são possíveis com os dataloggers, como a temperatura de superfície sem contacto com esta por meio de tecnologia infravermelha, verificação do ponto de condensação em certos locais, verificação da existência de humidade nos materiais de revestimento ou por trás destes. Uma vantagem deste equipamento face aos dataloggers, é que permite verificar a alteração de valores em vários pontos para cada divisão do edifício em análise de forma rápida, enquanto nos outros equipamentos é necessário estudar a melhor localização do sensor, pois geralmente não se altera de local até ao final das medições. Centrando-se a análise no Protimeter MMS2, determinou-se o seguinte:  A fonte de energia utilizada é uma pilha de 9V recarregável, que em utilização, tem uma duração de cerca de 4 horas, bastante influenciada pela luminosidade escolhida para o ecrã, e claro pelo uso que se dá das suas funções, mas que se traduz suficiente para o diagnóstico de um edifício pequeno, se existir necessidade de mais autonomia basta para isso a troca de pilha;  A portabilidade do equipamento é elevada, pois tem um peso inferior a 300 gramas, com dimensões que permitem o seu transporte numa mala ou até no bolso do casaco;  É um equipamento intuitivo e de fácil utilização, embora não prescinda da consulta do manual para a sua utilização;  Permite avaliar vários tipos de superfícies e locais de difícil acesso, recorrendo aos acessórios que se podem ligar ao equipamento;  Durante um ou mais diagnósticos de edifícios, pode memorizar-se no equipamento cada valor medido, estes dados são memorizados contendo o dia e a hora em que foi efetuada a medição de cada valor;  O tratamento dos valores registados é efetuado no computador com software adequado, e a transferência dos dados armazenados no equipamento para este é através de um cabo USB;  O equipamento tem um custo entre os 1.100 e os 1.400 euros, consoante os acessórios escolhidos, um preço algo elevado mas que também não obriga a praticamente nenhum custo de utilização para a quantidade de funções que possui, ou seja, é praticamente só carregar e utilizar, com calibração aconselhada ao fim de cada ano de utilização;  Um problema verificado quando o transporte do equipamento é feito no bolso ou noutro local com temperatura e humidade superior, é que este necessita de um intervalo de Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 32 tempo para estabilização de valores elevado, cerca de 6 a 10 minutos, variando com as condições a que é submetido o equipamento;  A oscilação de valores ao movimentar-se por zonas com diferentes condições não é tão rápida como esperava, o que talvez se deve ao facto do tipo de sensor utilizado, mas não foi experimentado a troca para outro tipo de sensor como o que mostrava o catálogo do equipamento;  Este equipamento pode ser utilizado em vários tipos de materiais, não possuindo grandes limitações nesse aspeto;  Possui uma garantia de 2 anos em defeitos de fabrico e mecânicos, assim a maioria dos equipamentos eletrónicos existentes no mercado; 3.4.4.3. Expressão dos resultados Os resultados obtidos podem ser expressos sob a forma de gráficos, no caso de se possuir registos em diferentes alturas, ou quando os registos têm origem em medições contínuas de dataloggers, e assim permitir estudar qual a melhor abordagem para melhorar as condições de dado edifício. Após essas alterações, podem voltar-se a efetuar medições para comparar valores como forma de verificação. Nos resultados de medições pontuais, com recurso a esquemas dos locais analisados, podem localizarse quais as zonas mais suscetíveis a problemas de humidade, pontes térmicas sem tratamento, existência de descontinuidades no isolamento térmico, entre outros. 3.4.4.4. Dificuldade/custo da técnica de diagnóstico A atribuição da classificação de nível 2 num máximo de 5 níveis no custo desta técnica de diagnóstico não deixa de ser subjetivo. Neste caso, com as informações encontradas durante a pesquisa, tiveram mais peso aquelas relativas ao número de horas de trabalho, número de técnicos necessários e tipo de avaliação requerido, do que propriamente o custo inicial dos equipamentos necessários, uma vez que a ficha será para consulta principalmente por parte de profissionais da área, numa fase de avaliação ao edifício, onde poderão consultar quais os ensaios mais adequados às patologias encontradas e se consideram necessário contratar esses serviços às empresas especializadas. Deste ponto de vista, uma vez que o custo inicial do aparelho fica a cargo da empresa a contratar, faz todo o sentido para o tipo de ficha que se está a preencher a apresentação de uma classificação comparativa para o custo da contratação deste serviço, face às restantes técnicas de diagnóstico do catálogo. Para a atribuição de uma classificação para as dificuldades apresentadas na aplicação desta técnica de diagnóstico em particular, mais uma vez de carácter subjetivo, foram tidos em conta fatores como a necessidade de deslocações de um técnico para medições em diferentes alturas ao local em estudo no caso da recolha pontual de valores, necessidade de deslocação do técnico apenas para colocar e retirar os dataloggers no caso de recolha contínua de valores, a rapidez com que os dados recolhidos podem ser transferidos para o computadores e trabalhados e ainda a relativa dificuldade de interpretação desses dados para finalizar o diagnóstico e indicar a melhor forma de atuação para correção dos valores no edifício em estudo. Esta análise comparativa com as restantes técnicas teve em conta a forma de utilizar cada um dos vários equipamentos, a forma de se obter dados possíveis de se interpretar, tempo necessário para a realização dos ensaios, níveis de formação necessários por parte dos técnicos responsáveis, bem como as várias dificuldades referidas nos relatórios e estudos encontrados. Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 33 3.4.4.5. Exemplo de empresas que realizam avaliação das condições higroscópicas Por fim, efetuou-se ainda uma pesquisa de empresas que prestam serviços na área da construção, cuja atividade passe pelo diagnóstico de anomalias em edifícios e avaliação do seu desempenho, tanto para as construções recentes como para as mais antigas. No caso particular desta técnica de diagnóstico, encontraram-se as empresas Oz-Diagnóstico, Levantamento e Controlo de Qualidade em Estruturas e Fundações, Lda., a PDIG-Diagnóstico e Inspeção de Estruturas e Edifícios e ainda o LFC-FEUP - Laboratório de Física das Construções da Universidade do Porto. Esta pesquisa baseou-se principalmente na apresentação que as empresas mostravam nas suas páginas de internet, sem qualquer tipo de contacto direto com as mesmas, exceto no caso do LFC-FEUP, com o qual existia maior facilidade de confirmação das técnicas de diagnóstico que realizavam, uma vez que se trata do laboratório instalado na faculdade frequentada. 3.4.5. VALORES DE REFERÊNCIA Os intervalos de valores de humidade relativa e temperatura ambiente ditos ideais, para o interior de um edifício, podem não o ser no ponto de vista de comportamento de certos materiais, ou até mesmo pela sensação térmica dos seus ocupantes. No caso dos materiais, estes devem ser escolhidos depois de conhecer qual o uso do local onde vão ser aplicados, pois podem sofrer alteração de características, como o aumento ou diminuição de dimensões. No caso dos ocupantes torna-se ainda mais complicado a definição de valores ideais, pois depende de vários fatores, como por exemplo o nível de atividade física ou o próprio metabolismo da pessoa. De qualquer forma, a EN ISO 7730:1993 [42] (ultima versão, a EN ISO 7730:2005 [39]), aconselha alguns intervalos de valores para a temperatura do ar interior, humidade do ar interior, diferença de temperatura do ar na vertical entre 1,8 m e a 0,1 m acima do pavimento e para a temperatura do pavimento (Tabela 2). Também a DIN 1946:1994 [40] fornece um esquema, que mostra a zona de conforto na relação entre a humidade relativa no ambiente interior e a temperatura interior (Figura 14). Tabela 2 – Alguns valores adotados pela norma EN ISO 7730:1993 [42]. Parâmetros Valores recomendados Temperatura do ar interior Entre 20ºC e 24oC (Estação aquecimento) Entre 23ºC e 26oC (Estação arrefecimento) Humidade da atmosfera interior Entre 40% e 70% Diferença de temperatura do ar na vertical entre 1,8 m e a 0,1 m acima do pavimento Inferior a 3ºC Temperatura do pavimento Entre 19ºC e 26ºC Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 34 Figura 14 – Esquema representativo entre a temperatura e humidade relativa interior [40]. Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 35 4 CATÁLOGO DE FICHAS DE 4. DIAGNÓSTICO UTILIZADAS EM ENGENHARIA CIVIL 4.1. NOTA INTRODUTÓRIA Apresentam-se, neste capítulo, as Fichas de Diagnóstico que compõe o Catálogo de Fichas de Diagnóstico, cuja estrutura já foi explicada. Refere-se, uma vez mais, que o catálogo está subdividido em dez capítulos, que dizem respeito ao princípio de funcionamento ou natureza da técnica de diagnóstico analisada na referida ficha. Com vista à possível introdução das fichas no futuro, que possam vir a ser utilizadas de forma independente desta dissertação, onde se explicou o processo de elaboração de forma completa, organizaram-se as referências bibliográficas de cada ficha de diagnóstico num subcapítulo deste Capítulo 4, também de forma independente da restante bibliografia da dissertação, embora a sua referência também lá tenha sido feita. Para que não existam conflitos entre a numeração adotada na bibliografia geral e na bibliografia das fichas, introduziu-se o número de ordem das fichas. Por exemplo, a primeira referência bibliográfica da primeira ficha é “1.1”, para a segunda ficha é “2.1”, mantendo-se o mesmo procedimento para as restantes fichas. 4.2. FICHAS DE DIAGNÓSTICO Como forma de tornar a consulta das várias fichas mais fácil, apresenta-se na Tabela 3 o índice das fichas e respetivas referências bibliográficas do Catálogo de Fichas de Diagnóstico. Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 42 Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 43 Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 44 Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 45 Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 46 Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 47 Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 48 Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 49 Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 50 Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 51 Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 58 Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 59 Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 60 Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 61 Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 62 Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 63 Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 64 Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 65 Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 66 Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 67 Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 74 Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 75 Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 76 Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 77 Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 78 Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 79 Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 80 Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 81 Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 82 4.3. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS DO CATÁLOGO De seguida apresentam-se as referências bibliográficas do catálogo, organizadas segundo a ficha de diagnóstico a que dizem respeito: 1.Ficha 1.1 – Técnica de Deteção Acústica de Insetos Xilófagos [1.1] Fujii, Y. Using acoustic emission monitoring to detect termite activity in wood. Forest Products Journal, Vol. 40, Nº1, pg. 34-36. [1.2] Padrão, J. Técnicas de Inspecção e Diagnóstico em Estruturas. Dissertação de Mestrado em Estruturas de Engenharia Civil, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto, 2004. [1.3] Faria, J. Reabilitação de Estruturas de Madeira. Palestra nas 2as Jornadas de Engenharia Civil, Instituto Politécnico da Guarda, 2004. 2.Ficha 1.2 – Técnica de Inspeção Direta com Boroscópio [2.1] Padrão, J. Técnicas de Inspecção e Diagnóstico em Estruturas. Dissertação de Mestrado em Estruturas de Engenharia Civil, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto, 2004 [2.2] http://reabilitacaodeedificios.dashofer.pt/?s=modulos&v=capitulo&c=12048. Acesso em 09-05- 2013. [2.3] http://www.solostocks.pt. Acesso em 10-05-2013 3.Ficha 2.1 – Ensaio de Arrancamento por Tração – Pull-Off [3.1] Rodrigues, M. Caracterização de materiais e sistemas construtivos através de ensaios laboratoriais e “in situ”, Dissertação de Mestrado em Engenharia Civil, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto, 2010. [3.2] Flores‐Colen, I. Metodologia de avaliação do desempenho em serviço de fachadas rebocadas na óptica da manutenção predicativa. Dissertação de Doutoramento em Engenharia Civil, Instituto Superior Técnico, Lisboa, 2009. [3.3] RILEM MDT.D.3 – Determination “in situ” of the adhesive strength of rendering and plastering mortars to their substrate, 2004. [3.4] http://www.safeenvironments.com.au/adhesion-pull-off-testing. Acesso em 05-04-201. [3.5] CEN EN 1015-12 – Revestimentos de paredes – Ensaio de arrancamento por tracção, 2000. [3.6] LOPES, A. Avaliação da variabilidade da técnica de ensaio “pull-off” na medição da resistência de aderência à tracção em revestimentos de ladrilhos cerâmicos e argamassas. Dissertação de Mestrado em Engenharia Civil, Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa, Lisboa, 2012. [3.7] DTU 26.1, NF P15-201 – Enduits aux mortiers de ciments, de chaux et de mélange plâtre et chaux aérienne, 1990. [3.8] CEN NP EN 12004 – Colas para ladrilhos. Requisitos, avaliação da conformidade, classificação e designação, 2008. [3.9] EOTA, ETAG 004 – Guideline for European Technical Approval of External Thermal Insulation Composite Systems with Rendering, 2000. Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 83 4.Ficha 2.2 – Ensaio de Resistência ao Impacto e Atrito – Martinet Baronnie ou Choque De Esfera [4.1] Flores‐Colen, I. Metodologia de avaliação do desempenho em serviço de fachadas rebocadas na óptica da manutenção predicativa. Dissertação de Doutoramento em Engenharia Civil, Instituto Superior Técnico, Lisboa, 2008 [4.2] Veiga, M. et al. Conservação e Renovação de Revestimentos de Paredes de Edifícios Antigos. Laboratório Nacional de Engenharia Civil, Lisboa, 2004. [4.3] ETAG 004 – Guideline for European Technical Approval of External Thermal Insulation Composite Systems With Rendering, EOTA 2000 [4.4] ABNT NBR 15575-4 – Edificações habitacionais-Desempenho; Parte 4: Requisitos para os sistemas de vedações verticais internas e externas (SVVIE), 2013 [4.5] http://www.apfac.pt/eventos/seminario_fachadas_energeticamente_eficientes_2012/2%20Orado r%20Rosario%20Veiga.pdf. Acesso em 08-04-2013. [4.6] Rodrigues, M. Caracterização de materiais e sistemas construtivos através de ensaios laboratoriais e “in situ”. Dissertação de Mestrado em Engenharia Civil, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto, 2010 [4.7] Magalhães, A., Veiga, Mª, Costa, D. Caracterização do Estado de Conservação de Revestimentos de Paredes Antigas através de Ensaios "In Situ". Dois Casos de Estudo. http://www.icvbc.cnr.it/drilling/publications/DOC%204%20VI%20SBTA.pdf. Acesso em 08-04- 2013. 5.Ficha 2.3 – Ensaio Simples com Macaco Plano (Determinação do Estado de Tensão) [5.1] Cóias, V. Inspecções e Ensaios na Reabilitação de Edifícios. IST PRESS, Lisboa, 2006. [5.2] Rufo, R. Ensaios de caracterização mecânica das alvenarias de adobe: “Flat-jack testing”. Dissertação de Mestrado, Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro, 2010. [5.3] ASTM, C 1196-91 - In Situ Compressive Stress Within Solid Unit Mansory Estimated Using Flatjack Measurements, 1991. [5.4] Andrade, H. Caracterização de edifícios antigos. Edificios “Gaioleiros”. Dissertação de Mestrado, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, 2011. [5.5] Vicente, R., Silva, J. Caracterização mecânica de paredes de alvenaria em construções antigas - Ensaios com macacos planos. Revista Internacional Construlink, 05/2009, pág. 59. [5.6] http://www.ndtjames.com/v/vspfiles/templates/james10/images/wmchart1.jpg. Acesso em 24- 06-2013. [5.7] Miranda, L. Síntese dos Ensaios Não Destrutivos nos Edifícios da Rua de António Carneiro (Relatório de Doutoramento). 2009. http://afloret.files.wordpress.com/2009/04/ensaios_ndts-2.pdf. Acesso em 02-04-2013. 6.Ficha 2.4 – Ensaio Duplo com Macacos Planos (Determinação da Deformabilidade) [6.1] Cóias, V. Inspecções e Ensaios na Reabilitação de Edifícios. IST PRESS, Lisboa, 2006. [6.2] ASTM, C 1197-91 - In Situ Measurement of Mansory Deformability Properties Using the Flatjack Method, 1991. [6.3] Andrade, H. Caracterização de edifícios antigos. Edificios “Gaioleiros”. Dissertação de Mestrado, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, 2011. Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 90 22.Ficha 10.4 – Ensaio de Variação Dimensional com a Humidade Relativa [22.1] Machado, N. Variação dimensional da madeira devida ao seu comportamento higroscópico. Dissertação de Mestrado em Construção de Edifícios, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto, 2006. Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 91 5 APLICAÇÃO DAS FICHAS DE 5. DIAGNÓSTICO A CASO DE ESTUDO 5.1. NOTA INTRODUTÓRIA Neste capítulo, o objetivo foi exemplificar a aplicação do Catálogo de Fichas de Diagnóstico de Engenharia Civil a um caso de estudo, fazendo uso de praticamente todas as fichas de diagnóstico que constituem o catálogo. O caso de estudo escolhido para diagnóstico foi um conjunto de edifícios, integrados no projeto de reabilitação do Bairro de Lordelo com algumas adaptações ao projeto real, de forma a ser utilizado o maior número possível de fichas de diagnóstico e, tornar-se assim mais esclarecedor para o técnico que consultar este documento. A abordagem para o diagnóstico destes edifícios foi baseada nas técnicas presentes no catálogo apresentado nesta dissertação, o qual se aplica na avaliação dos elementos de betão à vista dos edifícios, na avaliação dos materiais aplicados na construção inicial e ainda na avaliação dos materiais a aplicar na reabilitação destes edifícios. Esta aplicação das fichas de diagnóstico pretende ainda, mostrar como pode ser feita a abordagem a um edifício, por parte de um profissional da área, utilizando o catálogo. 5.2. O BAIRRO DE LORDELO O Bairro Operário de Lordelo do Ouro, como era inicialmente denominado, foi o segundo bairro a ser inaugurado na cidade do Porto, localizado na freguesia de Lordelo do Ouro. Por volta de 1903 ficou concluído o projeto de Manoel Fortunato de Oliveira Motta, que ocupava no total uma superfície de 2.880,86 m2, composto por 29 casas térreas (correspondentes a uma população de 152 habitantes), com uma área total de 23 m2 e dispostas em banda. Em 1932 a administração foi concedida à Câmara [43]. Em 1978, ficam concluídas as obras de construção de um novo projeto para o Bairro de Lordelo, que passa a ter 179 fogos distribuídos por quatro blocos, e onde passam a residir cerca de 450 pessoas, segundo informação da autarquia do Porto. Com o passar dos anos, o bairro foi-se degradando até que, em 2010 se inicia um projeto de requalificação dos edifícios constituintes do Bairro de Lordelo (Figura 15). Com esta requalificação, a autarquia pretendia revitalizar aquela zona e promover a qualidade de vida dos seus habitantes [44]. Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 92 Na primeira fase, o Estudo de Diagnóstico para o Projeto de Reabilitação do Bairro de Lordelo, teve como principais objetivos a análise das patologias que afetavam as fachadas, coberturas e zonas interiores comuns dos edifícios e a apresentação de uma metodologia para os trabalhos de reabilitação necessários nos edifícios constituintes do projeto. Figura 15 – Planta do Bairro de Lordelo [45]. 5.3. CARACTERIZAÇÃO CONSTRUTIVA DOS EDIFÍCIOS Na caracterização construtiva dos quatro edifícios, incluídos no Projeto de Reabilitação do Bairro de Lordelo, tomou-se como referência apenas um destes, aquele que servirá como modelo para o início as obras de reabilitação, e depois repetir o processo nos restantes três edifícios. Tentando desta forma, homogeneizar ao máximo todos os edifícios. 5.3.1. COBERTURAS A cobertura do edifício, inclinada e com revestimento de chapas onduladas de fibrocimento que estão fixadas com grampos metálicos à estrutura da cobertura constituída por vigas de madeira, apoiadas em fixadores metálicos ligados a muretes em alvenaria de tijolo vazado. No desvão ventilado, criado pela estrutura da cobertura, não existe isolamento térmico para laje de separação para o piso inferior. As chaminés do edifício são de alvenaria rebocada com uma placa de betão no topo (Figura 16). Cada uma destas chaminés destina-se a servir uma prumada de oito fogos. Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 93 Figura 16 – Cobertura em chapas de fibrocimento e pormenor de chaminé [45]. As águas pluviais que caem na cobertura são drenadas para caleiras que se encontram no limite inferior das vertentes e, estão fixadas à cornija de betão (Figura 17). Figura 17 – Caleiras de drenagem das águas pluviais da cobertura [45]. Algumas das tubagens provenientes dos vários pisos atravessam o revestimento da cobertura, entre as quais encontra-se a ventilação primária dos esgotos (Figura 18). Figura 18 – Saída tubagem de ventilação primária dos esgotos [45]. Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 94 Entre as descontinuidades existentes no revestimento de placas de fibrocimento, encontram-se ainda algumas aberturas de acesso à cobertura e as antenas de televisão [45]. 5.3.2. PAREDES Na zona corrente do edifício, a fachada é composta por pano exterior em alvenaria de tijolo de face à vista, caixa de ar, reboco de impermeabilização, pano interior em alvenaria de tijolo furado e revestimento interior. As paredes exteriores apresentam tubos de ventilação e drenagem na base da caixa-de-ar destas (Figura 19). Figura 19 – Queda de parte do pano exterior da fachada evidenciando a composição da parede [45]. Ainda na fachada, apresentam-se elementos em betão à vista, como o topo das lajes, embasamentos, guardas das caixas de escadas e os elementos laterais dos corpos em balanço onde se localizam as lavandarias. As paredes dos pisos inferiores apresentam revestimentos diferentes em cada habitação, sendo algumas revestidas com ladrilhos cerâmicos e outras rebocadas e pintadas com cores diferentes das habitações vizinhas. Os tubos de queda das águas pluviais encontram-se fixos à fachada por meio de elementos metálicos, tal como a tubagem de ventilação dos pisos, alguns estendais para secar roupa, antenas de televisão, cabos elétricos, equipamentos de climatização, números de identificação dos edifícios, entre outros. Nos paramentos de fachada existem ainda placas de fibrocimento fixadas mecanicamente, que se encontram sob e sobre os vãos envidraçados das habitações (Figura 20) [45]. Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 95 Figura 20 – Pormenor da placa de fibrocimento na fachada [45]. 5.3.3. VÃOS ENVIDRAÇADOS A solução concebida originalmente para os vãos envidraçados maiores, o material escolhido foi a madeira, utilizada tanto nas caixilharias duplas de guilhotina e vidro simples, como no peitoril com os orifícios de drenagem salientes. A proteção solar é efetuada pelo estore exterior de plástico branco (Figura 21). Mas foram várias as alterações efetuadas pelos habitantes dos edifícios, como a alteração para caixilharia metálica de correr com vidro simples e estore exterior em plástico de cor branca, ou ainda para caixilharia dupla de abrir em madeira com vidro simples, com estore exterior de cor branca e mantendo o peitoril de madeira com orifícios salientes. Figura 21 – Solução original dos vãos envidraçados [45]. Nos vãos envidraçados das casas de banho, a solução original também de madeira, trata-se de uma caixilharia basculante de vidro simples, sem qualquer proteção solar e um peitoril de madeira com orifícios de drenagem apoiados sobre a alvenaria (Figura 22). Nestas aberturas também foram várias as alterações, como por exemplo, a adaptação de caixilharia de abrir metálica com vidro simples, também sem proteção solar, ou ainda, mantendo a caixilharia, houve a adaptação estores exteriores de plástico de cor branca, com aplicação da caixa de estore pelo exterior da fachada [45]. Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 96 Figura 22 – Solução original para o vão envidraçado da casa de banho [45]. 5.3.4. LAVANDARIAS Na construção inicial destes edifícios, as zonas de lavandaria foram localizadas nos corpos em balanço de betão à vista com elementos de tijolo, localizados na fachada posterior dos edifícios (Figura 23). Nesta zona das habitações houve alterações profundas, que podiam até pôr em causa a segurança das mesmas por excesso de cargas. Figura 23 – Solução original do corpo em balanço das lavandarias [45]. Em certas frações, houve introdução de vãos envidraçados com várias configurações, noutras houve quem substituísse por uma parede de tijolo vazado ou tijolo de face à vista e, houve ainda quem colocasse uma forra pelo interior da grelha em tijolo (Figura 24). Figura 24 – Exemplos de alterações ao corpo em balanço inicialmente destinado à lavandaria [45]. Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 97 Algumas das aberturas entre os elementos laterais de betão dos corpos em balanço, foram preenchidas com alvenarias ou envidraçados. Verificou-se ainda, que nestes corpos em balanço existiam estendais fixados nos elementos cerâmicos [45]. 5.3.5. CAIXAS DE ESCADA As caixas de escada constituídas, praticamente na sua totalidade, por elementos em betão armado, as paredes, guardas e lanços de escadas. O revestimento dos pavimentos foi realizado em betonilha e, na guarda interior das escadas existe uma proteção metálica (Figura 25). No último piso da caixa de escadas, encontra-se o acesso ao desvão da cobertura. Figura 25 – Caixa de escadas de um dos edifícios [45]. As alterações por parte dos habitantes, nesta zona passaram por alteração do revestimento do pavimento, alteração das portas de acesso aos fogos, alteração das soleiras das portas e colocação de estendais no teto junto das aberturas exteriores [45]. 5.3.6. VENTILAÇÃO Nas habitações do Bairro de Lordelo, em pisos parcialmente enterrados, verificou-se que possuem ventilação individual com tubagens em fibrocimento (Figura 26). Na construção inicial, não foram colocados mecanismos de ventilação natural na sala e quartos. Verificou-se ainda que, as cozinhas tinham apenas extração natural de ar associada à captação de fumos e, que as chaminés, coletivas, reúnem condutas de extração provenientes de vários fogos. Na cobertura encontram-se ainda, as extremidades das tubagens relativas à ventilação primária dos esgotos. Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 98 Figura 26 – Pormenores da ventilação individual nos pisos parcialmente elevados [45]. Na parte da ventilação dos edifícios não se verificaram grandes alterações, tirando algumas habitações que introduziram dispositivos mecânicos de extração de ar nas cozinhas (Figura 27) [45]. Figura 27 – Alteração para dispositivos de extração de ar mecânicos nas cozinhas [45]. 5.4. APLICAÇÃO DAS FICHAS DE DIAGNÓSTICO Antes de qualquer intervenção, o especialista em Patologia e Reabilitação de edifícios deverá assegurar-se que possui a informação necessária e suficiente sobre cada anomalia, só assim poderá assegurar que a intervenção é a mais adequada à situação. Só com um diagnóstico exaustivo, é possível elaborar um projeto de reabilitação que proporciona da melhor forma o conforto dos habitantes, minimizando os custos de intervenção. Neste ponto, vão enumerar-se quais as fichas de diagnóstico aplicadas nestes edifícios (Tabela 5), para avaliar o estado de conservação dos vários elementos construtivos e da construção em geral, apresentando-se imagens de algumas patologias visíveis. Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 99 Não se pretende proceder à aplicação de cada técnica, mas sim propor, dentro das técnicas já apresentadas, aquelas que possibilitam a um profissional de Engenharia Civil realizar um bom diagnóstico. O procedimento, assim como os equipamentos, normas a seguir, análise de resultados para as várias técnicas de inspeção, e ainda, algumas empresas que disponibilizam a realização dos vários ensaios, foram já dados a conhecer no capítulo 4, na ficha relativa a cada técnica de diagnóstico. Tabela 5 – Resumo de fichas de diagnóstico utilizadas no Bairro de Lordelo. Ficha de Diagnóstico Utilizada Não Utilizada 1. F-1.1 - Técnica de Deteção Acústica de Insetos Xilófagos X 2. F-1.2 - Técnica de Inspeção Direta com Boroscópio X 3. F-2.1 - Ensaio de Arrancamento por Tração - Pull-Off X 4. F-2.2 - Ensaio de Resistência ao Impacto e Atrito - Martinet Baronnie ou Choque de Esfera X 5. F-2.3 - Ensaio Simples com Macaco Plano (Determinação do Estado de Tensão) X 6. F-2.4 - Ensaio Duplo com Macacos Planos (Determinação da Deformabilidade) X 7. F-2.5 - Ensaio Esclerométrico - Esclerómetros Schmidt e Pendular X 8. F-2.6 - Técnica de Avaliação da Integridade de Elementos de Madeira – Resistograph X 9. F-3.1 - Ensaio de Ultrassons X 10. F-5.1 - Técnica de Resistência de Polarização - Taxa de Corrosão em Armaduras X 11. F-5.2 - Técnica de Avaliação da Profundidade de Carbonatação - Indicador de Fenolftaleína X 12. F-5.3 - Técnica de Medição de Potenciais Elétricos - Deteção de Corrosão Ativa em Armaduras X 13. F-5.4 - Técnicas de Determinação do Teor de Sais - Kit de Campo e Fitas Colorimétricas X 14. F-6.1 - Ensaio Termográfico X 15. F-7.1 - Ensaio de Absorção de Água por Capilaridade X 16. F-7.2 - Ensaio de Absorção de Água Sob Baixa Pressão - Tubo de Karsten X 17. F-7.3 - Ensaio de Permeabilidade ao Vapor de Água X 18. F-9.1 - Técnicas de Monitorização e Fissuras e Fendas – Fissurómetro X 19. F-10.1 - Técnicas de Registo de Monitorização das Condições Higrotérmicas X 20. F-10.2 - Ensaio de Condutibilidade Térmica X 21. F-10.3 - Ensaio de Pressurização - Blower Door X 22. F-10.4 - Ensaio de Variação Dimensional com a Humidade Relativa X Refere-se que os esquemas presentes nesta tabela, foram elaborados com base em conhecimentos adquiridos acerca das técnicas de diagnóstico, pelo que devem ser validados por estudos específicos. Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 106 Figura 35 – Zona da parede exterior com tubo de ventilação/drenagem da caixa de ar [45]. Tendo em conta que parte dos elementos cerâmicos da fachada necessitam de ser substituídos, alguns porque apresentam fissuras e outros por apresentar elevado grau de degradação, e ainda para as zonas em que caíram alguns destes elementos, será necessário escolher um tipo de material para aplicar nestes locais, pois poderá já não existir no mercado o mesmo material. O material para substituição deve ser semelhante a nível visual, mas tem também de cumprir as várias exigências a que vai estar sujeito. Portanto, numa fase a seguir ao diagnóstico, na escolha de elementos cerâmicos para substituição, poderá voltar a recorrer-se a esta técnica, como forma de escolher o elemento que melhor cumpre a exigência de permeabilidade à água líquida, simulando a ação da chuva. 5.4.15. FICHA 7.3 – ENSAIO DE PERMEABILIDADE AO VAPOR DE ÁGUA O ensaio de permeabilidade ao vapor de água realiza-se em laboratório, principalmente no teste de diferentes materiais e soluções construtivas. Pelo que, na fase de diagnóstico dos edifícios em estudo não tem interesse. No entanto, como já referido em cima, os elementos cerâmicos de substituição, necessitam de avaliação, de forma a escolher aquele que melhor cumpre as exigências. Recorrendo a este ensaio, é possível comparar a permeabilidade ao vapor de água entre os vários tipos de elementos cerâmicos, dependendo do tipo de produto aplicado nestes. 5.4.16. FICHA 9.1 – TÉCNICAS DE MONITORIZAÇÃO DE FISSURAS E FENDAS – FISSURÓMETRO Na monitorização de fissuras e fendas, a ficha em questão analisa mais em pormenor o fissurómetro, um equipamento de fácil utilização, mas refere ainda outros como o comparador de fissuras e fendas e o medidor ótico. O fissurómetro aplica-se mais em casos, onde o objetivo passa por monitorizar a evolução das fissuras, pelo que necessita de um período de diagnóstico ou avaliação mais longo, torna-se adequado o seu uso nas habitações em que se verifiquem fissuras de maiores dimensões, onde estas, caso ainda apresentem deslocamento, possam apresentar algum risco estrutural. Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 107 As outras duas técnicas de medição de fissuras e/ou fendas, são de aplicação imediata, servindo para medir a largura destas, pelo que não necessitam de período de monitorização. Quando na inspeção, não se possuem fissurómetros, apenas este tipo de equipamento, é possível recorrer a testemunhos de gesso, como forma de verificar se a fissura ainda apresenta ou não deslocamento. No caso destas fissuras ou fendas apresentarem largura suficiente, é possível realizar inspeção visual do interior destas, recorrendo ao boroscópio, analisado na “Ficha 1.2“. 5.4.17. FICHA 10.1 – TÉCNICAS DE REGISTO E MONITORIZAÇÃO DAS CONDIÇÕES HIGROTÉRMICAS A avaliação do desempenho higrotérmico dos edifícios do Bairro de Lordelo é essencial, para conhecimento dos principais problemas do local, e dessa forma se propor alterações e diretrizes de projeto para melhorar o desempenho higrotérmico destas habitações, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida da população que aqui reside. Esta avaliação deve realizar-se, numa primeira abordagem, pela inspeção da pessoa responsável a diferentes habitações, utilizando um termo-higómetro, como por exemplo o Protimeter MMS2 (Figura 13), já referido no Capítulo 3, que permite armazenar várias medições da temperatura de superfícies, de humidade relativa e temperatura ambiente e de níveis de humidade existente em diferentes materiais de revestimento interior, e permitindo ainda determinar o ponto de condensação do local em causa. A recolha destes dados deve ser feita com, pelo menos, três medições diárias, uma pelas oito horas da manhã, quando a humidade é mais elevada, outra às duas da tarde, quando a humidade relativa é mais baixa e uma terceira medição deverá ser feita no final do dia. Só desta forma, é possível caracterizar o desempenho higrotérmico de um local, ao longo do dia, com o equipamento em causa [48]. Em alternativa existem os dataloggers, com registo contínuo de dados e não obrigando a várias deslocações do técnico ao local, embora não sejam capazes de recolher todos os dados possíveis de registar com um termo-higrómetro, permitem registar, ao mesmo tempo, a temperatura e humidade relativa para várias habitações ou locais, durante um período de tempo. Estes registos permitem, posteriormente, comparar o desempenho das várias habitações e escolher a melhor forma de atuação para os edifícios em estudo, promovendo a qualidade de vida dos seus habitantes. 5.4.18. FICHA 10.2 – ENSAIO DE CONDUTIBILIDADE TÉRMICA O ensaio de condutibilidade térmica, embora exista um método possível de realizar in situ, é um ensaio que se realiza, normalmente, em laboratório independentemente do método utilizado. Este ensaio, assim como o ensaio de permeabilidade ao vapor de água, analisado na “Ficha 7.03”, não se trata de uma técnica de diagnóstico de um material, elemento construtivo ou solução construtiva em serviço, é necessária a elaboração de um modelo ou utilizar parte retirada da construção para realizar a análise. No caso dos edifícios em estudo, mais uma vez, esta técnica não tem interesse na fase de diagnóstico, mas verifica-se útil na fase de escolha de materiais, servindo para comparar os resultados das várias soluções em termos de condutibilidade térmica, como por exemplo na escolha do melhor material de isolamento para colocar no interior dos painéis compósitos (Figura 36), que irão substituir as placas de fibrocimento (Figura 37), solução inicialmente aplicada subjacente aos vãos envidraçados. Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 108 Figura 36 – Painéis compósitos com isolamento no interior, para substituição das placas de fibrocimento [45]. Figura 37 – Placas de fibrocimento junto dos vãos envidraçados [45]. 5.4.19. FICHA 10.3 – ENSAIO DE PRESSURIZAÇÃO – BLOWER DOOR Ao utilizar este ensaio, no diagnóstico dos edifícios em estudo, pretende-se, sem qualquer destruição de elementos construtivos, avaliar a permeabilidade ao ar da envolvente das habitações, identificando possíveis fugas de ar, e dessa forma minimizando gastos energéticos de aquecimento/arrefecimento. Para que se possam tirar conclusões, a nível geral nos edifícios, devem realizar-se ensaios em várias habitações escolhidas estrategicamente, para que se identifiquem eventuais fugas que se repetem nas várias habitações. Como por exemplo, no caso de se verificarem algumas falhas na ligação entre as molduras das portas e janelas e os elementos estruturais de suporte de uma habitação, isto poderão traduzir-se, possivelmente, em pontos de fuga de ar, e deve por isso estudar-se a sua influência e afetação nas restantes habitações. Outro dado que se pode retirar deste ensaio, embora não seja de medição direta, é a taxa de renovação de ar, que pode ser estimada analiticamente. Este ensaio tem todo o interesse de voltar a realizar-se após as obras de reabilitação e implementação de medidas de melhoria, para que se estabeleçam coeficientes característicos de melhoria do edifício na permeabilidade ao ar da envolvente. Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 109 5.4.20. FICHA 10.4 – ENSAIO DE VARIAÇÃO DIMENSIONAL COM A HUMIDADE RELATIVA Este ensaio laboratorial permite estudar como podem variar as dimensões de um material, como por exemplo, para um elemento de madeira, que pode sofrer variações dimensionais mais ou menos significativas quando sujeito a diferentes condições higrotérmicas, permite avaliar qual poderá ser essa variação quando sujeito às condições da construção em que vai ser aplicado, e dessa forma adotar as folgas necessárias para evitar anomalias de funcionamento. Nos edifícios do Bairro de Lordelo, torna-se um ensaio útil para caracterizar os elementos de madeira, que poderão ser aplicados na moldura interior dos vãos envidraçados (Figura 38) e elementos da estrutura de suporte à cobertura que onde sejam detetadas anomalias. Os resultados destes ensaios permitirão, em projeto de execução e fabrico dos elementos, adotar as folgas necessárias para variação dimensional do material ao longo do ano. Figura 38 – Possível solução para a moldura interior dos vãos envidraçados (protótipo de ensaio) [45]. Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 110 5.5. TABELA DE RELAÇÃO ENTRE ELEMENTOS CONSTRUTIVOS E TÉCNICAS DE DIAGNÓSTICO Apresenta-se na Tabela 6 um resumo das aplicações de cada ficha de diagnóstico em cada elemento construtivo estudado neste caso de estudo. Tabela 6 – Tabela de Ligação de Elementos Construtivos e Técnicas de Diagnóstico F-1.1 F-1.2 F-2.1 F-2.2 F-2.3 F-2.4 F-2.5 F-2.6 F-3.1 F-5.1 F-5.2 F-5.3 F-5.4 F-6.1 F-7.1 F-7.2 F-7.3 F-9.1 F-10.1 F-10.2 F-10.3 F-10.4 ELEMENTOS INTERIORES Revestimento interior de paredes X X Revestimento cerâmico X X Caixilharias + Infiltrações X X Caixas de estore X X Revestimento de teto X X Revestimento de pavimento X X Elementos da caixa de escadas em betão à vista X X Revestimento de pavimento da caixa de escadas X X ELEMENTOS EXTERIORES Revestimento exterior à base de ligantes hidráulicos X X Revestimento cerâmico X X Estrutura em madeira de suporte da cobertura X X Pano exterior da parede de fachada em tijolo perfurado X X Paramentos exteriores em betão à vista X X OUTROS Isolamento térmico X X Aplica-se. Não se aplica. Aplica-se condicionadamente. X Técnica de Diagnóstico não utilizada no caso de estudo. Refere-se que esta matriz foi elaborada com base em conhecimentos adquiridos acerca da aplicabilidade das várias técnicas de diagnóstico, pelo que deve ser validada por estudos específicos. Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 111 6 CONCLUSÃO 6. 6.1. CONCLUSÕES Neste capítulo pretende-se resumir as principais conclusões deste trabalho, mais concretamente do estudo de algumas das técnicas de diagnóstico de edifícios utilizadas em Engenharia Civil, para a compilação de um catálogo com fichas de diagnóstico com vista a servir o técnico na abordagem a um edifício para reabilitação. No que se refere ao objetivo de informar os técnicos de reabilitação de edifícios e restantes intervenientes no processo, concluiu-se que o modelo adotado engloba os principais tópicos de cada técnica de diagnóstico de forma completa e expedita. Ainda em relação ao estudo destas técnicas, foi possível aprofundar os conhecimentos anteriormente adquiridos e conhecer outras técnicas que ao longo do curso não tinham sido abordadas. A preparação do catálogo iniciou-se com a elaboração de um modelo de ficha de consulta rápida, que evoluiu ao longo da abordagem das diferentes técnicas de diagnóstico para dar resposta a diversas particularidades, culminando na compilação de 22 fichas de diagnóstico, cujo formato de apresentação se verificou de fácil adaptação a cada técnica abordada. Acerca da aplicação das fichas na análise do conjunto de edifícios referido no capítulo 5, começou por se selecionar quais as técnicas que teriam aplicabilidade no seu diagnóstico. Desta forma, exemplificou-se a utilização do catálogo num caso concreto. No caso descrito, foram aplicadas 20 das 22 fichas de diagnóstico experimenta do catálogo, que se revelaram úteis na avaliação das seguintes características: estado de materiais de revestimento, elementos de betão à vista, estrutura de madeira da cobertura e ainda condições higrotérmicas no interior das habitações. As restantes fichas não tiveram aplicabilidade na inspeção exemplificada, pois não se adequavam às patologias verificadas nos edifícios. Ainda na aplicação ao caso concreto, verificou-se que algumas das técnicas selecionadas se focalizam numa avaliação mais a nível estrutural do edifício, afastando-se um pouco da área de especialização de construções, em que se insere esta dissertação e na qual existe maior nível de conhecimento. Os objetivos iniciais, de forma generalizada, foram cumpridos, embora inicialmente estivesse planeada a realização de um catálogo que abordasse cada uma das técnicas apresentadas no capítulo 2, mas que não foi possível devido, principalmente, ao período de tempo que se verificou curto à medida que se foi concluindo cada ficha, mas também pela dificuldade que existe na pesquisa de informações acerca dos ensaios realizados e resultados obtidos. Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 112 A realização deste trabalho foi gratificante e contribuiu para o aprofundamento dos conhecimentos próprios numa área de interesse para o futuro como é a reabilitação de edifícios. No decorrer do período de elaboração da tese, que se verificou curto, foi possível contactar e interagir com profissionais da área e assistir à realização de ensaios, nomeadamente ensaios de arrancamento, o que ajuda na compreensão da realidade de execução do ensaio, bem como a importância e a mais-valia da troca de experiências na realização do mesmo, para se tornar mais simples o preenchimento das fichas, pois é o conhecimento de situações pontuais que preparam o profissional para o ensaio que vai realizar. 6.2. DESENVOLVIMENTOS FUTUROS Numa altura em que a reabilitação de edifícios parece ser uma aposta viável, é essencial facultar aos profissionais de Engenharia Civil as diretrizes necessárias para a realização de um diagnóstico completo e devidamente sustentado. Para que se torne possível, pretende-se com esta dissertação dar início à preparação de vários recursos de formação aos profissionais da área, sendo necessária a colaboração entre as universidades e laboratórios com estudos e trabalhos acerca deste tema. Seria de todo o interesse, a preparação de recursos, como:  A elaboração e divulgação de um livro com as fichas de diagnóstico com explicação das várias técnicas utilizadas em Engenharia Civil para diagnóstico de edifícios;  A elaboração e divulgação de uma página de internet, com uma síntese dessas mesmas fichas de diagnóstico utilizadas no diagnóstico de edifícios;  E ainda, a preparação e realização de ações de formação para profissionais com interesse de trabalhar em obras de reabilitação. Técnicas de Diagnóstico Utilizadas em Engenharia Civil 113 BIBLIOGRAFIA [1] Sousa, M. Patologia da Construção – Elaboração de um Catálogo. 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