A Sinótica nas Vagas de Frio e a Oscilação do Atlântico Norte no Noroeste da Península Ibérica
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FA C U L DA D E DE LET RA S U N I V E RS I D A D E D O PO RT O Gabriel André Araújo de Castro Ferreira 2º Ciclo de Estudos em Geografia Riscos, Cidades e Ordenamento do Território A Sinótica das Vagas de Frio e a Oscilação do Atlântico Norte no Noroeste da Península Ibérica 2013 Orientador: Professora Doutora Ana Monteiro Classificação: Ciclo de estudos: Dissertação/relatório/Projeto/IPP: Versão definitiva
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A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 FACULDADE DE LETRAS DA UNIVERSIDADE DO PORTO A Sinótica das Vagas de Frio e a Oscilação do Atlântico Norte no Noroeste da Península Ibérica Gabriel André Araújo de Castro Ferreira Dissertação submetida para a satisfação dos requisitos do grau de mestre em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território Dissertação realizada sob a supervisão da Professora Doutora Ana Monteiro do Departamento de Geografia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Porto Novembro de 2013
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A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 Ao meu filho Gonçalo.
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A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 I Resumo Este trabalho de investigação constitui uma tentativa de aproximação à compreensão da situação sinótica motivadora de vagas e outros eventos extremos de frio no Noroeste da Península Ibérica. Por outro lado, quisemos também perceber a influência da Oscilação do Atlântico Norte (OAN) no comportamento das temperaturas neste espaço geográfico e a sua influência nestes paroxismos climáticos. Definimos, então, os critérios para encontrarmos as vagas e outros eventos extremos de frio utilizando o critério da Organização Meteorológica Mundial (OMM) e o Índice Australiano para identificarmos, respetivamente, uma vaga de frio e um evento extremo de frio. Esclarecemos também como período de estudo, os trinta anos que medeiam entre 1978 e 2007. A classificação sinótica utilizada foi uma adaptação da concebida pela professora Catarina Ramos (RAMOS, 1986). Concluímos que em altitude se destaca uma situação sinótica como a mais evidente na motivação de frio intenso na Galiza e no Porto, a Vertente Este de Vale (VED). Já à superfície é o Anticiclone Atlântico Misto com Apófise Polar (Ap) aquele que parece melhor conduzir o ar muito frio até à latitude e longitude do noroeste ibérico. Não se estabeleceu um nexo causal direto entre a OAN e as vagas e eventos extremos de frio, mas relacionou-se esta teleconexão com o comportamento da temperatura no espaço ibérico, ajudados pela literatura publicada (TRIGO et al, 2002). Por último, mas não menos importante, pretendemos ter dado um contributo para antecipar situações de frio intenso e portanto prevenir os riscos para a saúde pública e para o bem-estar humano. Palavras-chave: Sinótica, vagas de frio, eventos de frio, Oscilação do Atlântico Norte, Noroeste da Península Ibérica, riscos climáticos, saúde pública.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 II Abstract This research attempts to further understand the underlying synoptic of extreme cold waves and events in the Northwest of the Iberian Peninsula. Additionally, we also aim to investigate the influence of the North Atlantic Oscillation (NAO) in both the temperature behaviour and the climate paroxysms of this geographical space. The definition of cold waves and extreme cold events used are based on the World Meteorological Organization (WMO) and the Australian Index criteria, respectively. The study time period encompasses the thirty years between 1978 and 2007. The synoptic classification used was developed and adapted by Prof. Catarina Ramos (RAMOS, 1986). We conclude that, at altitude, the synoptic situation that greatly contributes to the intense cold in Galicia and Porto is that of the East valley slope (VED). At the surface, the Mixed Atlantic Anticyclone with polar Apophysis (Ap) seems to better direct the cold air towards the Iberian Peninsula’s Northwest. We did not find a direct causal relationship between the NAO and the cold waves and events; however this teleconnection was related with the temperature behaviour in the Iberian area, based on previous published literature (TRIGO et al, 2002). We hope that this research has contributed to the prevention of extreme cold conditions that constitute a risk to public health and human well-being. Keywords: synoptic, cold waves, cold events, North Atlantic Oscillation, Iberian Peninsula Northwest, risks, public health.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 III Agradecimentos Muito se agradece à Professora Doutora Ana Monteiro, orientadora atenta desta dissertação. Agradeço o seu acolhimento e incentivo à ideia percussora deste trabalho, à sua orientação e reforço positivo, a todos os dados que me facilitou, ajudas insubstituíveis na prossecução do projeto que aqui se desenvolve. Agradeço muito, também, à minha mãe pelo apoio e incentivo dados e ao meu irmão e à Carla pela ajuda e encorajamento. O meu agradecimento é extensível à Rosa Faria que me cedeu amavelmente muito do suporte sinótico utilizado neste trabalho, à Vânia Carvalho pelo envio da base de dados do Projeto Ondas, à Maria Moreira pela conversa que muito me animou e pela cedência da sua dissertação e ao Luís Fonseca pela solicitude na construção dos mapas do Norte de Portugal e da Galiza. Agradeço aos meus amigos que sempre me incentivaram a prosseguir este projeto. O meu obrigado ao Luís Moreira pela sua preocupação e grande estímulo. Ao meu filho agradeço-lhe somente por existir, o que é o maior dos incentivos a tudo na minha vida, mas também pela, mesmo que inconsciente, compreensão por algum tempo que lhe roubei. Obrigado a todos.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 X Índice de tabelas Tabela 1 - Estação meteorológica de Ourense, Espanha. Temperaturas mínimas em janeiro entre 1978 e 2007……………………………………………………………………………………………………………….… 44 Tabela 2 - Estação meteorológica do Porto, Portugal. Temperaturas mínimas em Dezembro entre 1978 e 2007…………………………………………………………………………………………………………………. 46 Tabela 3 - Síntese das vagas e eventos de frio entre 1978 e 2007 para as estações meteorológicas da Corunha, Santiago de Compostela, Ourense, Vigo e Porto……………………. 50 Tabela 4 - Classificações sinóticas de altitude das vagas e eventos de frio…………………………… 55 Tabela 5 - Classificações sinóticas de superfície das vagas e eventos de frio……………………….. 56 Tabela 6 – Nexos entre a circulação de altitude (500 hpa) e a circulação de superfície………… 83 Tabela 7 - Número de vagas e eventos de frio por estação meteorológica………………………….. 84 Tabela 8 - Percentagem de dias em que as temperaturas mínimas foram pelo menos 5ºC inferiores aos valores mínimos normais (1981-2010), entre 1980 e 2010 para algumas estações portuguesas (BOTELHO et al, 2012)……………………………………………………………………………………… 86 Tabela 9 - Síntese das vagas e eventos de frio entre 1978 e 2007 para as estações meteorológicas da Corunha, Santiago de Compostela, Ourense, Vigo e Porto e totais de vagas e eventos de frio para cada um das estações………………………………………………………………………….. 88
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 XI Índice de gráficos Gráfico 1 - Número de situações sinóticas de altitude por cada classificação…………………….. 57 Gráfico 2 - Número de situações sinóticas de superfície por cada classificação…………………. 58
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 XII “- Parece-te que a neve vai durar muito tempo? – Indagou Jordan vindo sentar- -se ao lado de Pablo. – Parece-te que vai nevar o verão inteiro, meu velho Pablo? - O verão todo, não, mas hoje e amanhã vai. - Porquê? - Porque há duas qualidades de neve – explicou Pablo pesada e judiciosamente. – Uma vem dos Pirenéus e traz um frio enorme. Mas já não é tempo dessas nevadas. - Ótimo. Já é alguma coisa. - E a outra, esta de hoje, vem do Cantábrico. Vem do mar. Com o vento nesta direção a neve vai ser muita e tempestuosa. - Onde aprendeste tanta coisa, velho? – perguntou Robert Jordan. - (…) Eu fui carreteiro durante muitos anos – contou Pablo. – Atravessei estas montanhas com pesadas carretas antes de terem aparecido os camiões de hoje. Foi nesse tráfico que aprendi a conhecer o tempo.” “Por quem os sinos dobram”, Ernest Hemingway
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 1 Capítulo 1 1. Introdução “Aqui, no noroeste peninsular, mesmo no estio, a madrugada tem aquela cor de orvalho e tudo parece tingido pela frescura… Estavam assim as coisas pousadas nas bancas agrícolas, o pão pendurado nas portas, as caras que nos dizem “Buenos”. Estava assim a luz que já iluminava o topo dos pináculos da Catedral de Santiago.” In Notas do Caminho de Santiago Foi desta forma que vi o Noroeste Peninsular numa manhã fresca de Verão. Estivesse eu sentado num varandim de Vigo a olhar as Cíes 1 e descreveria a frescura da bruma que flutua baixinho na ria e parece fazer pairar as ilhas. Se estivesse numa praia de Riazor 2 , a brisa lembrar-me-ia o frescor destas terras batidas pelo Atlântico. Em Ourense seriam o Minho e o Sil, naquele canhão magnífico, a salpicar-me de fresquidão. E que dizer daquela língua de nevoeiro que entra Douro adentro e faz de cada ponte um fantasma pintado de orvalho? São assim estas terras de bruma. Temperadas pelo desmedido Atlântico, vão abraçando os nossos dias dando a impressão de frescura eterna… Em momentos de distração invernal, são as montanhas que se agigantam ao oceano e parece delas escorrer o frio intenso que nos surpreende. Sim, também há frio intenso nesta geografia, e é dele que vamos falar. Os paroxismos climáticos entendidos como vagas de frio, não são muito frequentes neste espaço geográfico, mas não são nada que as gentes não esperem acontecer 1 Ilhas Cíes – As ilhas Cíes formam um arquipélago à entrada da Ria de Vigo, na Galiza, Espanha. 2 Riazor – Área geográfica que faz parte da cidade da Corunha, na Galiza, Espanha.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 2 durante alguns dias e noites de Inverno. Podem, seguramente, acontecer noutras estações do ano, mas é nesta estação que são mais impactantes nas vidas humanas da Galiza e Norte de Portugal. O leitor já terá percebido que é este Noroeste da Península Ibérica que acolherá o projeto de investigação que agora se inicia, e digo-lhe também que é o período mais frio do ano, de Novembro a Março, aquele sobre o qual se debruçará. A tentativa é a de perceber, em primeiro lugar, quais os caprichos da sinótica que motivam uma vaga de frio, ou um evento de frio extremo, tendo para isso que chegar à compreensão dos critérios que definem estes episódios e, em segundo lugar, se uma teleconexão de larga escala como a Oscilação do Atlântico Norte (OAN) 3 , consegue assumir uma relação evidente com estas obstinações do tempo. Percorreremos os meandros da ciência publicada para discernir como poderemos encontrar, no período mais recente para o qual dispomos de um leque maior de dados, 1978 a 2007, estas culminâncias de frio. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) 4 , estabeleceu um critério aceite universalmente para a definição de uma vaga de frio 5 . Não poderemos, portanto, negligencia-lo e, assim, constituirá este o nosso primeiro critério. Quereremos apoiar a nossa investigação, também, numa outra norma que perceba os eventos extremos de frio de durações mais curtas, mas 3 A Oscilação do Atlântico Norte (OAN) é um índice que traduz as diferenças barométricas verificadas entre, por um lado, um centro localizado na Gronelândia e outro de sinal oposto localizado algures em latitudes do centro do Atlântico norte, entre as latitudes 35ºN e 40ºN. O centro depressionário islandês e o anticiclone dos Açores são muito usados para a definição do índice da OAN. 4 A Organização Meteorológica Mundial (OMM) é a agência da Organização das Nações Unidas (ONU) especializada e com autoridade no comportamento e estado da atmosfera terrestre e nas suas interações com os oceanos, no clima que produz e na resultante distribuição dos recursos de água. 5 A Vaga de frio segundo a OMM corresponde a uma sequência contínua, não inferior a seis dias, nos quais a temperatura mínima assume valores pelo menos cinco graus celsius inferiores à normal climatológica para o período de referência.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 3 igualmente marcantes nas vidas humanas. O Índice Australiano 6 parece afeiçoar-se bem a este propósito ajudando às nossas intensões. Muita literatura já se tem debruçado sobre estas temáticas. As ondas de calor têm merecido a maior atenção pela biogeografia e pela climatologia. No entanto, ao frio têm-se vindo a dedicar menos palavras nos compêndios do saber! Também foi este um motivo que nos levou ao trabalho que aqui nos traz. Para além da distinção destes períodos de frio, os próximos capítulos enveredarão pelo entendimento das condições sinóticas condutoras de ar frio polar e subpolar. Assim, para cada vaga ou evento de frio, proceder-se-á à classificação das circulações de altitude (500 hpa) e superfície simultâneas destes dias excecionais. Os grandes padrões de circulação atmosférica, apesar de constituírem a macro escala que compreende o conjunto de causas e consequências com reflexo e reflexivas das coisas do clima, manifestam-se no dealbar e no culminar de eventos de escala regional ou mesmo local. É perante esta evidência que procuraremos investigar se a principal teleconexão do Atlântico Norte pode ser relacionada com estes episódios de pequena escala espacial e temporal que são as vagas e eventos de frio. In motu próprio é como pretendemos redigir esta tentativa de conhecermos melhor as vagas de frio que modificam o modus vivendi dos galegos e portugueses do norte. Num tempo em que a expressão “Aquecimento Global” ecoa estridentemente a cada incidente meteorológico, parece paradoxal falarmos, sobretudo nas nossas latitudes, de frio intenso, mas, mimetizando o que a tradição diz sobre Galileu-Galilei “E pur se muove” atrevemo-nos a dizer de forma parecida: - E no entanto, o frio intenso faz-se sentir! 6 O Índice Australiano identifica eventos extremos de frio sempre que se verificam, pelo menos, 4 noites com uma temperatura mínima inferior ao percentil 10 do nosso período de referência.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 4 Gostaria de esclarecer o leitor que este será um trabalho de Geografia integrado no Mestrado de Riscos Cidades e Ordenamento do Território e, como tal, preocupar-se-á com a forma como estes fenómenos de frio extremo se fazem sentir neste espaço geográfico e as razões que lhes subjazem. O espaço geográfico e a forma como as atividades humanas acolhem e se adaptam a estes momentos são as preocupações dos geógrafos que aqui trabalham. A Geofísica e outras áreas do saber teriam, por certo, abordagens igualmente válidas, mas diferentes. Nas próximas páginas seguiremos o princípio de aproveitar todos os conhecimentos dos investigadores que se interessaram por este tema e tentaremos estar à altura de produzir os nossos.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 5 Capítulo 2 2. Caraterização e enquadramento conceptual 2.1. Breve caraterização climática do Noroeste Ibérico O Noroeste de Portugal e a Galiza têm, segundo a classificação de Köppen-Geiger 7 um clima do tipo Csb (temperado com um verão seco e temperado). Este subtipo climático abrange a maior parte do noroeste da Península, assim como quase todo o litoral oeste de Portugal Continental e numerosas áreas montanhosas do interior da Península. Fig.1 Classificação climática de Köppen-Geiger na Península Ibérica e Ilhas Baleares (Atlas Climático Ibérico. Temperatura do ar e precipitação (1971-2000). (AEMET e IPMA, 2011). 7 A classificação de Köppen – Geiger baseia-se na temperatura média do ar, nos totais anuais de precipitação e na distribuição destes dois elementos ao longo do ano.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 6 O regime termopluviométrico das estações consideradas neste trabalho, com a exceção de Santiago de Compostela, são exemplos do que acabamos de afirmar (Fig. 2). TA – Média da temperatura máxima; TI – Média da temperatura mínima; TMA – Temperatura máxima absoluta; TMI – Temperatura mínima absoluta. Fig.2 Gráficos termopluviométrico das estações meteorológicas da Corunha, Ourense, Vigo e Porto (Atlas Climático Ibérico. Temperatura do ar e precipitação (1971-2000). (AEMET e IPMA, 2011). A área em estudo localiza-se, sensivelmente, entre os 410 e os 430 de latitude norte, sofrendo a influência dos anticiclones subtropicais durante todo o ano, das depressões que se formam na Península Ibérica e no norte de África durante o verão e dos sistemas transientes (depressões frontais e superfícies frontais) durante o inverno e com menor frequência nos períodos de transição. Adaptado de (PRIOR, 2006).
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 7 2.2. O enquadramento conceptual da sinótica nas vagas de frio Perante a recente vaga de frio de janeiro – fevereiro de 2012 que afetou todo o continente europeu, levando a extensos e significativos prejuízos pessoais e materiais, soaram os alarmes junto da comunidade científica para explicar este paroxismo climático, que pareceu surpreender uma sociedade mais habituada a ouvir falar em aquecimento global. (MARINICA et al, 2012) debruçaram-se sobre esta vaga de frio em particular e procuraram algumas explicações. Verificaram estes autores que a sinótica que se instala nestes episódios é geradora de intensas advecções de ar frio que promovem o aparecimento e a manutenção destas condições extremas e muito impactantes na vida humana. Aquilataram, então, que nada menos do que seis depressões mediterrânicas em interação com a circulação anticiclónica que se estendia por todo o continente europeu, constituíram as condições sinóticas subjacentes ao frio intenso que então se viveu. Parece existir uma relação causal entre a atividade solar e a sinótica, influenciando a primeira a circulação global da atmosfera (A análise sinótica evidencia uma relação causal entre o tipo de atividade solar e os padrões de circulação atmosféricos durante certos períodos temporais) (MARINICA et al, 2012). Uma longa situação de bloqueio na circulação geral da atmosfera parece ser a causa desta vaga de frio. Esta atividade solar reflete-se na Oscilação do Atlântico Norte (OAN), à qual nos debruçaremos num momento posterior, e que influencia diretamente a direção assumida pelos Jet Stream que afetam as condições do estado de tempo. Ao nível do solo as condições sinóticas compreendiam uma extensa área anticiclónica que se estendia desde os Açores (1025 hpa), sobre a Península Ibérica, França, Europa Central, Escandinávia até à grande planície europeia a leste (1045 hpa). A depressão
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 14 algumas destas teleconexões, particularmente aquelas sobre o pacífico norte, são motivadas por mudanças nas temperaturas das camadas superficiais dos oceanos tropicais e pela convexão associada aos ciclos de El Niño Southern Oscilation (ENSO) 9 (BARNSTON et al, 1987; BARNSTON et al, 1991) e à Madden Julian Oscilation (MJO 10 ). As teleconexões refletem mudanças de larga escala nos comportamentos atmosféricos e nos padrões do Jet Stream, influenciando, assim, a temperatura, a precipitação e os percursos das perturbações atmosféricas. São então as “culpadas”, as responsáveis, pelo somatório de estados de tempo menos normal que ocorre, simultaneamente, em espaços geográficos alargados. Como exemplo do que acima foi dito, podemos trazer aqui a seguinte observação: - O Inverno de 1995/96 foi muito frio com a ocorrência de queda de neve sobre uma boa parte do leste da América do Norte, enquanto a Europa e nela a Escandinávia, acompanhavam este tempo frio, a Europa do sul e o norte de África experimentavam uma sucessão de perturbações atmosféricas que se traduziram em muita pluviosidade e condições meteorológicas a que vulgarmente chamamos mau tempo. Tudo isto foi, pelo menos em parte, relacionado com a mesma teleconexão – uma forte fase negativa da Oscilação do Atlântico Norte (OAN). Dez teleconexões podem ser identificadas no Hemisfério Norte extratropical e todas foram já descritas, previamente, na literatura climática e meteorológica (BARNSTON et al, 1987). 9 ENSO é uma anomalia no sistema oceano-atmosfera do Pacífico tropical que assume um grande número de consequências no estado de tempo e no clima mundial. 10 MJO é uma flutuação sazonal que ocorre nos trópicos. A MJO é maioritariamente responsável pela variabilidade meteorológica nestas regiões e resulta na variação de muitos e importantes parâmetros atmosféricos e oceânicos, incluindo a velocidade do vento à superfície e em altitude, a nebulosidade, a precipitação, a temperatura da superfície oceânica e a evaporação superficial.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 15 Um padrão de teleconexão mais proeminente no Atlântico Norte e, dada a natureza deste trabalho aqui destacada, é a Oscilação do Atlântico Norte / North Atlantic Oscilation (OAN/NAO). Este índice traduz as diferenças barométricas verificadas entre, por um lado, um centro localizado na Gronelândia e outro de sinal oposto localizado algures em latitudes do centro do Atlântico norte, entre as latitudes 350N e 400N. O centro depressionário islandês e o Anticiclone dos Açores são muito usados para a definição do índice da OAN. Fig.6 Média da pressão atmosférica ao nível médio das águas do mar no inverno, mostrando o centro depressionário islandês e o centro de alta pressão dos Açores, dois dos “centros de ação” na circulação atmosférica do Atlântico norte. A posição do centro depressionário islandês pode variar para sudoeste, a leste do estreito do Labrador, ou para nordeste até aos mares da Noruega ou de Barents. (BARLOW, 1997). A sua fase positiva reflete uma pressão atmosférica abaixo do normal (forte depressão barométrica) a latitudes elevadas do Atlântico Norte e, pelo contrário, valores barométricos elevados (forte Anticiclone) no Atlântico central, no leste dos EUA e na Europa ocidental.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 16 Um índice negativo, ou seja, uma fase negativa, traduz-se, assim, em áreas depressionárias fracas a latitudes muito setentrionais e áreas anticiclónicas, também elas fracas, nas latitudes médias do Atlântico Norte, na costa leste dos EUA e na Europa ocidental. Quando numa fase positiva, os centros de baixa e alta pressão tendem a deslocar-se para norte e para leste, enquanto, numa fase negativa, os mesmos polos barométricos deslocam-se preferencialmente para sul e para oeste. (ANGELL et al 1974; GLOWIENKA-HENSA, 1985; citados por BARLOW, 1997). As duas fases apresentam uma relação evidente com mudanças detetadas no Jet Stream do Atlântico Norte e com o caminho seguido pelas áreas de tempo meteorológico perturbado, tendo em consideração as modulações de larga-escala que traçam os padrões zonais ou meridionais de transporte de calor e humidade (HURELL, 1995), resultando, assim, em mudanças detetáveis de temperatura e precipitação que, muitas vezes, se estendem deste o leste do continente norte-americano até à Europa ocidental e central (WALKER et al, 1932; VAN LOON et al, 1978; ROGERS et al, 1979; citados por HURELL, 1995). Desta forma, fases positivas significativas da OAN estão normalmente associadas a temperaturas acima do normal na costa leste dos EUA e no norte da Europa e com tempo mais frio do que o normal na Gronelândia e, muitas vezes, no sul europeu e médio oriente. Estas fases estão também associadas a precipitação elevada no norte da Europa, incluindo a Escandinávia, no Inverno e com precipitação abaixo do normal no sul e centro europeus. Perante uma fase marcadamente negativa da OAN é de esperar o inverso.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 17 Durante períodos particularmente extensos marcados por uma das fases da OAN, é comum observarem-se anomalias na temperatura e na pressão atmosférica bem para além do Atlântico, estendendo-se até à Rússia central e o norte siberiano. A Oscilação do Atlântico Norte apresenta uma considerável variabilidade interestacional e interanual e são comuns períodos mais ou menos prolongados (vários meses) de fases positivas ou negativas. Durante o inverno, a OAN também exibe uma variabilidade entre décadas significativa (HURELL, 1995; CHELLIAH et al, 2006). 11 A OAN é então uma das grandes fontes da variabilidade interanual na circulação atmosférica do Hemisfério Norte. Há uma associação entre esta oscilação e o fluxo de oeste que atravessa o Atlântico entre a América do Norte e a Europa. O Índice da OAN invernal representado na figura seguinte é indicador da sua variabilidade desde 1864. Fig.7 Índice OAN no Inverno (Dez-Mar) baseado na diferença na pressão atmosférica normalizada ao nível do mar entre Lisboa e Stykkisholmur na Islândia, entre 1864 e 1994. Estão representadas no gráfico as diferenças na pressão ao nível do mar entre anos com um índice OAN > 1.0 e anos com um índice OAN < - 1.0 (Anos de OAN positiva menos anos de OAN negativa) desde 1899 (HURELL, 1995). 11 Retirado, traduzido e adaptado de NOAA-National Oceanographic and Athmosferic Administration: http://www.cpc.ncep.noaa.gov/data/teledoc/nao.shtml
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 18 As mudanças na circulação atmosférica associadas às mudanças da OAN são determinadas pela diferença na pressão barométrica, ao nível do mar, entre invernos com um índice maior do que 1 e aqueles invernos com um índice inferior a -1. Diferenças de mais de 15 hpa ocorrem no Atlântico Norte, com pressões acima do normal para sul dos 550N de latitude e uma ampla região de pressão anormalmente baixa sobre o Ártico. O fluxo de oeste no Atlântico Norte é 8 m/s mais forte durante uma fase positiva da OAN do que durante uma fase negativa da mesma, no inverno. Com a OAN numa fase negativa, verifica-se um fluxo de sul “anormal” sobre o leste dos EUA e um fluxo de norte, também ele “anómalo”, sobre a parte ocidental da Gronelândia, o Ártico canadiano e o Mediterrâneo. Saliente-se que para além da variabilidade interanual, muitos períodos houve nos quais se verificou uma circulação irregular e persistente durante muitos invernos. Na área da depressão islandesa, a barometria registou valores abaixo do normal durante os invernos que mediaram entre a mudança para o século XX e o ano de 1930, enquanto as altas pressões atmosféricas foram mais elevadas do que a norma em latitudes mais baixas. Consequentemente, o fluxo de oeste assumiu uma força muito significativa, aumentando a influência moderadora do oceano, o que contribuiu para temperaturas invernais acima do normal no continente europeu. Por seu turno, desde 1940 e até o início dos anos 70, quando a OAN exibiu a sua fase negativa, as temperaturas durante o inverno na Europa foram, durante a maior parte do tempo, abaixo do normal. (HURELL, 1995) Uma mudança súbita nos índices relativos à OAN ocorreu, então, desde os anos 80 até à última década do século XX. Têm-se registado fases da OAN positivas com valores sem precedentes no índice desta oscilação. (HURELL, 1995)
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 19 Variações nestas grandes ondas atmosféricas planetárias, em simultâneo com outros fatores, produzem algumas coerências espaciais de larga escala nas anomalias verificadas nas variáveis locais em escalas temporais interanuais ou maiores. Estes padrões podem ser observados nas temperaturas de superfície e da superfície oceânica, denotando-se, assim, as anomalias para o período 1981 – 1993 (HURELL 1995). Fig.8 Temperatura média à superfície entre 1981 – 1995 e anomalias relativamente à normal de 1951 – 1980. As regiões com dados insuficientes aparecem a cinzento (HURELL, 1995).
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 20 Como já se disse, este modo de circulação afeta de forma determinante as trajetórias das principais perturbações sinóticas que atravessam o oceano Atlântico (SERREZE et al., 1997, citado por TRIGO et al., 2002) e condicionam os campos de temperatura e de precipitação sobre a Europa (TRIGO et al., 2002). Fig.9 Esquema representativo da circulação atmosférica típica e estados de tempo associados à fase positiva da OAN (Universidade de Exeter).
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 21 Fig.10 Esquema representativo da circulação atmosférica típica e estados de tempo associados à fase negativa da OAN (Universidade de Exeter). 12 A literatura é por isso pródiga na procura da compreensão da sinótica, das teleconexões, destacando-se entre estas a OAN, e das vagas de frio. No entanto, metodologicamente há diferenças grandes nos trabalhos consultados e âmbitos geográficos muito distintos daquele em que procurávamos trabalhar. Não nos traz aqui a discussão metodológica nos estudos do tempo e do clima, outros autores já se debruçaram de forma útil sobre este debate (CUNHA et al, 1992). Preocupa-nos antes perceber qual é o desenho sinótico que motiva episódios de frio extremo no noroeste peninsular, ou seja, na Galiza e no noroeste de Portugal Continental, precisamente a parcela de terra emersa na qual desenvolvemos isto a que chamamos vida. 12 http://www1.secam.ex.ac.uk/cat/NAO
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 22 Definido o âmbito geográfico, procuramos avidamente a definição de vaga ou evento de frio no período para o qual reuníamos mais dados, entre 1978 e 2007. Percorremos vários índices possíveis acabando por optar por dois, como se explicará detalhadamente no capítulo seguinte, que seriam a âncora das nossas vagas e eventos de frio extremo. Procuramos a classificação sinótica com a qual nos sentíamos mais confortáveis, por já ter sido por nós utilizada em trabalhos anteriores, aquela que a professora Catarina Ramos utilizou no seu trabalho “Tipos de Anticiclones e Ritmo Climático de Portugal” (RAMOS, 1986). Por último, tentamos perceber como os humores da OAN influenciam estes episódios de frio. Embora o todo não seja igual à soma das partes, é na soma destas partes que procuramos alguma originalidade no nosso projeto de investigação.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 23 Capítulo 3 3. Estudo de caso | Projeto de Investigação e Metodologia Moveu-nos uma curiosidade atrevida sobre qual a sinótica que estaria subjacente às vagas e episódios de frio que se fazem sentir com alguma recorrência no noroeste da Península Ibérica e qual a sua relação com a Oscilação do Atlântico Norte (OAN). Desenhou-se, desta forma, o nosso problema impelindo-nos na procura de soluções para o mesmo. 3.1. Período de estudo e âmbito geográfico Havia, então, que definir o período de estudo que melhor respondesse ao nosso trabalho. Verificamos que, no sentido de utilizarmos o último período de trinta anos que definiu uma normal climatológica, deveríamos enveredar por aquele que compreende o tempo decorrido entre um de janeiro de 1978 e trinta e um de dezembro de 2007. Cabia-nos também a definição do espaço geográfico a estudar. Ora este é um conceito caro aos geógrafos, O ESPAÇO. Ao leitor gostaria de explicar que o noroeste da Península Ibérica é, digamos, o espaço geográfico no qual vivemos, entendendo-se por viver o somatório de experiências sensoriais que nesta área vão marcando a maioria dos nossos dias. As interações com esta região e os seus habitantes levaram, assim, à escolha, talvez pouco surpreendente, deste espaço com muitas afinidades, mas que a história e a geopolítica quiseram separar em Galiza e norte de Portugal.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 30 Tabela 2. Estação meteorológica do Porto, Portugal. Temperaturas mínimas em dezembro entre 1978 e 2007. Porto Fonte: aemet.es Temperaturas mínimas diárias Dezembro Dias com T≤ P10 Dias 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 Ano 1978 7,5 10,4 11,6 6,9 6,7 10,9 13,1 13,4 14,8 15,2 11,2 13,7 10,9 9,7 8,0 6,7 3,3 1,0 0,2 0,8 0,2 0,5 9,9 12,0 8,2 7,7 10,1 11,6 11,9 12,5 11,6 1979 7,3 7,0 6,2 5,5 5,8 5,5 8,3 10,3 8,3 10,0 9,9 9,8 9,7 3,8 8,4 6,7 7,1 7,1 2,1 1,0 0,8 0,0 7,1 9,1 4,9 3,8 4,0 3,9 3,0 8,5 12,1 1980 -0,6 1,3 1,2 0,6 -0,5 -0,7 4,6 4,5 2,8 2,0 5,9 5,0 5,9 5,4 4,4 0,4 4,4 10,5 10,0 12,0 7,2 4,5 3,1 4,2 3,0 1,8 1,1 0,8 -0,3 1,3 0,0 1981 5,1 4,8 7,9 4,2 1,8 3,4 5,3 9,3 12,1 13,9 14,5 14,7 15,3 9,3 9,4 11,1 7,5 3,8 2,2 8,8 10,0 11,6 9,9 7,0 4,9 6,2 6,8 8,2 8,0 8,2 7,2 1982 1,4 4,9 3,4 6,9 9,2 11,5 11,6 10,8 13,4 11,3 10,0 10,3 7,8 6,7 7,1 10,6 7,8 5,2 5,5 6,9 4,1 1,2 2,0 5,0 5,1 3,6 5,1 3,8 3,6 1,6 1,6 1983 10,4 7,4 6,6 3,9 2,4 1,8 1,5 2,0 6,0 4,7 1,3 3,2 1,0 8,0 7,2 5,2 5,2 10,6 8,6 10,1 8,4 12,9 11,2 12,0 9,6 7,7 10,1 7,5 6,4 4,4 4,2 1984 5,9 6,7 9,8 8,1 10,9 10,1 10,0 10,5 10,0 9,2 10,1 10,2 6,0 5,2 7,8 10,3 10,0 4,8 2,0 3,0 9,5 6,6 5,7 6,1 1,2 4,7 4,6 8,4 8,4 7,5 5,0 1985 16,0 19,8 17,3 11,7 8,2 7,4 9,7 3,5 2,0 7,1 6,6 4,4 2,4 3,8 4,0 3,4 2,8 2,7 5,1 3,3 7,0 6,4 5,9 13,8 9,5 8,6 9,4 4,2 1,8 1,0 2,0 1986 7,5 7,0 7,7 7,0 5,2 10,0 9,0 6,0 4,3 3,0 6,9 8,5 8,9 7,8 10,8 5,6 4,1 3,2 8,0 7,7 11,2 4,2 -0,5 -1,0 0,8 2,1 6,1 3,4 3,7 4,5 9,0 1987 7,2 6,6 9,4 8,6 8,4 8,3 8,3 9,0 8,2 10,6 9,1 8,2 10,9 11,0 14,8 16,0 14,2 13,0 11,4 10,0 8,0 6,5 7,0 7,3 11,3 9,5 7,3 6,1 6,1 4,6 7,7 1988 9,4 8,6 9,5 10,8 11,1 6,1 2,4 7,5 7,8 6,2 5,0 5,9 8,8 3,9 2,8 0,2 6,3 6,9 2,6 1,0 5,0 6,3 4,8 5,1 6,7 8,2 6,2 5,0 3,9 4,1 3,6 1989 9,0 8,8 10,2 10,3 11,6 12,5 13,7 10,8 13,5 10,7 8,9 14,0 11,4 15,7 16,2 11,5 13,1 11,6 8,8 14,7 11,3 9,1 9,0 11,0 10,5 7,1 4,4 8,4 10,4 7,4 8,3 1990 8,1 9,0 8,0 10,4 11,4 6,7 6,6 4,5 3,7 6,9 6,9 3,5 2,1 4,5 5,5 3,4 3,1 4,9 4,5 4,3 1,1 -1,2 0,4 6,0 7,0 10,1 11,6 11,4 12,7 12,2 5,4 1991 8,6 6,2 8,2 7,3 11,0 13,0 10,2 10,3 9,3 9,5 10,8 8,5 6,0 7,8 8,6 7,0 7,3 7,0 8,3 4,5 2,0 2,6 2,8 3,2 6,2 4,0 1,7 3,0 2,8 2,4 1,5 1992 9,6 12,8 13,0 12,2 10,7 12,4 9,7 4,8 3,5 8,9 5,4 7,5 7,0 5,5 5,8 3,8 2,5 12,0 11,0 9,6 10,8 10,6 9,0 6,5 7,0 6,5 7,0 6,4 4,7 3,6 3,0 1993 10,4 7,6 6,0 6,0 7,6 6,1 3,7 9,1 10,0 11,2 11,2 6,2 4,8 3,5 2,0 9,4 8,4 10,8 12,4 13,0 7,1 0,9 4,8 7,2 9,8 11,2 8,1 8,0 12,3 12,8 10,3 1994 9,2 10,2 9,2 14,4 12,5 10,4 7,9 7,8 14,4 13,1 10,4 9,5 8,2 6,8 9,8 7,2 8,0 8,2 5,4 5,0 6,4 7,9 5,0 1,4 0,5 0,4 3,1 9,0 13,8 14,0 9,7 1995 7,3 9,2 9,0 6,8 7,1 7,0 5,7 3,8 5,8 6,2 11,4 10,7 9,2 5,0 1,7 1,6 8,4 8,2 13,2 12,8 14,5 13,0 10,6 15,4 14,1 9,8 9,5 11,6 10,9 10,9 9,7 1996 7,0 6,0 6,8 5,2 4,7 7,2 3,7 2,8 2,4 4,7 11,2 12,0 12,0 8,0 6,8 8,4 13,2 10,3 9,0 9,9 9,8 8,7 9,9 9,6 5,5 3,4 7,4 4,8 5,2 4,2 4,2 1997 9,0 13,0 11,7 7,2 3,2 3,2 5,2 9,8 8,3 13,4 14,9 8,0 5,8 5,0 6,4 5,2 6,9 8,6 9,8 7,2 10,4 10,1 7,6 12,2 12,5 7,8 6,8 8,5 10,2 5,8 7,0 1998 2,4 2,0 2,3 0,4 0,1 0,8 0,9 1,3 8,9 12,7 14,9 10,5 8,0 9,0 7,0 6,0 4,8 4,2 5,5 5,3 2,2 2,5 2,2 0,6 2,0 2,5 3,0 4,9 4,8 5,3 4,1 1999 -0,2 8,4 8,0 9,1 6,8 8,1 6,0 9,7 6,3 1,0 3,8 1,5 4,8 3,0 4,4 6,4 2,1 1,4 9,8 9,1 7,8 6,2 4,2 4,4 4,5 6,4 6,2 6,0 6,2 6,6 9,2 2000 10,1 8,9 8,6 14,5 12,3 12,0 11,4 9,5 8,8 12,2 12,2 9,4 10,6 8,7 6,0 6,7 8,8 12,7 11,9 6,2 7,8 8,9 7,8 8,9 9,1 10,1 7,2 6,2 9,8 8,7 9,1 2001 10,3 7,7 3,7 4,7 3,5 5,4 5,5 3,8 5,9 6,3 7,6 5,9 4,3 6,2 4,4 4,4 4,8 5,1 2,0 1,0 4,0 2,4 5,0 4,2 -0,7 0,3 2,3 0,8 0,5 6,0 10,8 2002 11,7 8,6 9,6 10,3 6,8 2,4 2,8 3,2 6,8 9,2 6,5 6,4 6,4 9,2 7,2 7,4 14,6 15,8 11,9 11,7 11,0 10,0 10,1 10,8 14,0 12,9 11,2 8,0 7,8 11,3 7,8 2003 4,8 2,3 6,3 5,4 6,0 7,7 9,5 10,3 7,1 3,8 6,2 7,0 7,5 6,8 7,7 5,5 7,5 10,8 10,0 7,8 6,4 5,1 5,7 6,0 5,5 4,7 10,6 5,0 3,4 12,2 10,4 2004 8,9 7,6 4,8 2,7 7,3 5,5 3,2 1,4 2,5 2,9 5,8 6,8 9,2 7,3 5,1 4,6 4,9 11,2 11,1 7,2 3,8 1,5 2,6 4,2 5,8 4,5 2,2 3,7 6,2 4,0 6,2 2005 6,8 10,4 8,4 11,1 6,3 4,4 4,0 5,4 5,6 8,9 3,9 2,8 3,2 3,8 5,3 3,4 1,4 4,2 5,4 5,4 4,7 4,1 3,2 4,7 8,6 9,0 10,8 6,8 6,4 12,6 10,9 2006 10,3 8,3 12,0 14,0 8,8 8,0 11,7 7,5 6,1 2,1 2,8 7,2 7,3 3,8 3,4 3,2 3,4 5,9 3,0 1,0 0,5 2,5 1,2 1,7 2,0 2,8 3,5 6,8 6,8 13,6 14,5 2007 7,5 6,2 9,6 8,2 8,0 8,2 8,8 8,3 10,7 4,6 2,8 3,8 2,6 1,8 0,6 0,5 1,4 1,1 9,2 11,3 10,1 5,2 6,2 4,9 5,6 3,8 3,0 3,0 4,0 5,0 3,8 Normal 1978-2007 7,6 7,9 8,2 7,8 7,2 7,2 7,1 7,0 7,6 8,1 8,3 7,8 7,3 6,5 6,6 6,1 6,6 7,4 7,3 7,1 6,8 5,7 5,8 6,8 6,5 6,0 6,3 6,2 6,5 7,2 7,0 Normal 7,0 Percentil 10 2,3 4,6 3,7 3,8 2,3 2,3 2,8 2,7 2,8 2,8 3,7 3,5 2,6 3,8 2,7 1,5 2,5 2,6 2,1 1,0 1,1 0,9 1,9 1,7 1,2 2,1 2,3 3,0 2,7 2,3 2,0
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 31 c) Prioridade de critérios Cabe agora acrescentar que os dois critérios, OMM e Índice Australiano, se sobrepõem frequentemente, como, aliás, seria de esperar. Estabeleceu-se aqui uma regra de prioridade. O critério OMM é prioritário e, por isso, sempre que em simultâneo encontramos os dois critérios sobrepostos, o episódio de frio aparece assinalado como vaga de frio segundo o critério da Organização Meteorológica Mundial. Na análise sinótica, basta que numa das estações analisadas o critério OMM seja identificado para que o episódio esteja nas análises às vagas de frio OMM. Para os hiatos temporais em que só foram identificados eventos de frio segundo o Índice Australiano, a análise sinótica só foi realizada se esta identificação aconteceu, no mínimo, em três das estações meteorológicas sobre as quais nos debruçamos. O passo seguinte foi o da construção de uma tabela síntese de todas as vagas e eventos de frio encontradas(os) e, a partir desta, proceder à análise sinótica deste períodos.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 32 Tabela 3. Síntese das vagas e eventos de frio entre 1978 e 2007 para as estações meteorológicas da Corunha, Santiago de Compostela, Ourense, Vigo e Porto. VAGAS E EVENTOS DE FRIO NA GALIZA E NO PORTO ENTRE 1978 E 2007 Corunha Santiago Ourense Vigo Porto Corunha Santiago Ourense Vigo Porto Corunha Santiago Ourense Vigo Porto Corunha Santiago Ourense Vigo Porto Jan Jan Jan Jan Fev Fev Fev Fev Mar Mar Mar Mar Nov Nov Nov Nov Dez Dez Dez Dez Jan Jan Jan Jan Fev Fev Fev Fev Mar Mar Mar Mar Nov Nov Nov Nov Dez Dez Dez Dez Jan Jan Jan Jan Fev Fev Fev Fev Mar Mar Mar Mar Nov Nov Nov Nov Dez Dez Dez Dez Jan Jan Jan Jan Fev Fev Fev Fev Mar Mar Mar Mar Nov Nov Nov Nov Dez Dez Dez Dez Jan Jan Jan Jan Fev Fev Fev Fev Mar Mar Mar Mar Nov Nov Nov Nov Dez Dez Dez signif Dez Jan Jan Jan Jan Fev signif signif signif Fev Fev Fev Mar Mar Mar Mar Nov Nov Nov Nov Dez Dez Dez Dez Jan Jan signif. Jan Fev Fev dias dif. Fev Mar Mar Mar Vaga de frio (OMM) Nov Nov Nov Episódio de frio segundo o Índice Australiano. Dez Dez Dez signif. Significativa. Jan signif signif Jan Jan dias dif. Nesta estação não ocorreu em simultâneo com as outras. Fev Fev Fev Mar Mar Mar Nov Nov Nov Dez Dez Dez 2001 2000 2002 2003 2004 2005 2006 2007 1994 1995 1996 1997 1998 1999 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1978 1979 1980 1981 1982 1993
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 33 3.3. Análise sinótica – tipos de classificação Os períodos/dias correspondentes a vagas de frio segundo o critério da OMM e os eventos de frio identificados pelo Índice Australiano foram, assim, objeto de uma análise das suas caraterísticas sinóticas. Para este efeito, utilizamos as cartas sinóticas da Wetterzentrale com uma reanálise do National Centres for Environmental Prediction 15 (NCEP). Estas cartas incluem em simultâneo a situação de altitude (500 hpa) e de superfície às 00h TU. Fig.14 Carta sinótica de altitude 500 hPa e superfície para o dia 01 de dezembro de 1980. 15 Os National Centres for Environmental Prediction (NCEP) disponibilizam informação sobre o estado de tempo nacional (EUA) e global, sobre a água, o clima e informação sobre a meteorologia para as missões espaciais. http://www.ncep.noaa.gov/mission/
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 34 Assim, organizaram-se as análises sinóticas da seguinte forma: 1 – Vagas de frio segundo o critério da OMM que ocorram em qualquer das estações meteorológicas analisadas neste trabalho, mesmo que ocorram apenas numa das estações; 2 – Eventos de frio segundo o critério do Índice Australiano, desde que ocorram em, pelo menos, três estações meteorológicas.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 35 A professora Catarina Ramos, no seu trabalho de 1986, “Tipos de Anticiclones e Ritmo Climático de Portugal” (RAMOS, 1986), construiu uma classificação sinótica já por nós utilizada em trabalhos anteriores, bem como por outros autores (BOTELHO et al, 2012) e, por isso mesmo, já experimentada e consolidada, o que motivou a nossa escolha. Fig. 15 Classificação em altitude das situações sinóticas que influenciam o clima ibérico (RAMOS. 1986).
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 36 Fig. 16 Classificação à superfície das situações sinóticas que influenciam o clima ibérico (RAMOS. 1986). Fig. 17 Quadrantes considerados para a localização dos centros depressionários e gotas de ar frio (Ramos, 1986).
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 37 Esta classificação, no trabalho original, debruçou-se sobre a sinótica subjacente às diferentes situações de tempo meteorológico com influência no clima de Portugal. O trabalho a que nos propomos assume uma natureza diferente. Neste, está em causa, apenas, a sinótica implicada nas vagas e eventos de frio verificadas(os) no noroeste do espaço ibérico. Já se terá reparado que as cartas sinóticas da Wetterzentrale não têm a frontogénese evidenciada. Ora, assim sendo, é difícil a identificação das perturbações assinaladas na classificação original. É por esta razão principal, mas também porque o cerne do trabalho que aqui se redige é perceber como o ar frio é conduzido até ao espaço geográfico da Galiza e norte de Portugal que, no projeto de investigação que desenvolvemos, não consideramos as ditas perturbações de circulação depressionária à superfície. A classificação sinótica depressionária à superfície resumiu-se à identificação dos diferentes centros depressionários que, em dado momento, afetavam o noroeste peninsular. Temos a consciência que a frontogénese poderia constituir-se de alguma utilidade, nomeadamente na clarificação dos momentos pós-frente fria, com a descarga de ar frio que normalmente aparece nesta situação e que explica a frequente brusca descida das temperaturas. Por outro lado, sabemos também que estas perturbações têm uma relação muito próxima com a ocorrência de precipitação, que, associada ao ar frio, normalmente motiva uma mais ou menos significativa queda de neve, sobretudo a cotas médias e altas, o que impacta também a população. De qualquer forma, a não inclusão das perturbações depressionárias de superfície não obsta ao despiste das vagas e eventos de frio, uma vez que a leitura dos dados de temperatura é um processo objetivo não dependente de conhecermos a frontogénese.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 38 3.4. Classificação sinótica É possível no separador Anexos verificar toda a classificação sinótica aturadamente elaborada para este projeto de investigação. Entre Vagas de frio segundo o critério OMM (79) e Eventos de frio de acordo com o Índice Australiano (63), foram classificados 142 dias de frio extremo entre 1978 e 2007. 3.4.1. Classificações sinóticas de altitude e superfície – Quadros e gráficos síntese Depois do desenho sinótico ter sido objeto de classificação, esta foi sintetizada em duas tabelas distintas, reportando-se uma à circulação de altitude e outra à circulação de superfície.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 39 Tabela 4. Classificações sinóticas de altitude das vagas e eventos de frio. QUADRO SÍNTESE DAS VAGAS E EVENTOS DE FRIO E DAS RESPETIVAS CLASSIFICAÇÕES SINÓTICAS Situação sinótica ZZd Zv Zs AP D VED VWD V VEV VWV Ad Aom Ac Gd Gom Gome Gomw Gc DE Bj C P Evento de frio extremo Estação Meteo dez-78 S, V, P 1 1 1 2 mar-80 C, S, O, V 32 nov-80 C, S, O 31 dez-80 P1 2 3 Dez-80 / Jan-81 P2 7 fev-83 C, S, O, V, P 1 2 8 mar-84 C, S, O,V, P3 3 jan-85 C, S, O, V, P 1 6 3 nov-85 C, S, O, V 6 fev-87 C, S, O, V, P 3 2 jan-92 O 2 1 1 1 1 jan-92 C, S,O, V, P 2 8 jan-97 C, S, V 42 dez-98 P 1 2 2 2 1 jan-00 O 5 2 dez-01 C, S, O, V 1 8 1 Fev-05 / Mar-05 C, O, V, P 5 2 3 mar-05 C, O, V 2 3 Jan-06 / Fev-06 C, S, O, V, P 1 1 2 1 dez-07 C, S, O, V, P 2 3 1 2 Somatório 0 0 0 0 0 16 45 222 012 2 3 0 18 116 0 5 0 0 0 0 XVaga de frio OMM C S O V P XEvento de frio - Índice Australiano Corunha Santiago Ourense Vigo Porto Circulação Altitude Zonal Correntes Ondulatórias Bloqueio Meridiana
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 46 09 de janeiro Altitude (500hpa): VWV – Vertente Oeste de Vale. Superfície: Ao – Anticiclone Atlântico Misto que se prolonga pela Europa Ocidental. 10 de janeiro Altitude (500hpa): V–Vale planetário ou Talvegue. Superfície: At – Anticiclone Atlântico Misto que se liga ao Anticiclone Térmico Europeu. 11 de janeiro Altitude (500hpa): VED – Vertente Este de Dorsal. Superfície: Ao – Anticiclone Atlântico Misto que se prolonga pela Europa Ocidental. 12 de janeiro Altitude (500hpa): V – Vale planetário ou Talvegue. Superfície: Ao – Anticiclone Atlântico Misto que se prolonga pela Europa Ocidental.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 47 13 de janeiro Altitude (500hpa): VWV – Vertente Oeste de Vale. Superfície: At – Anticiclone Atlântico Misto ligado ao Anticiclone Térmico Europeu. 14 de janeiro Altitude (500hpa): V – Vale Planetário ou Talvegue. Superfície: At – Anticiclone Atlântico Misto que se liga ao Anticiclone Térmico Europeu. 15 de janeiro Altitude (500hpa): VWV – Vertente Oeste de Vale. Superfície: At – Anticiclone Atlântico Misto que se liga ao Anticiclone Térmico Europeu. As situações de VED parecem motivar à superfície o desenho sinótico dos anticiclones atlântico misto com apófise polar (Ap) e atlântico misto ligado ao anticiclone térmico europeu (At) (ver vaga de frio OMM de janeiro de 1992 ou evento de frio segundo o Índice Australiano de novembro de 1985). A forte corrente de leste nordeste que é
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 48 produzida transporta ar continental frio, acabando por motivar o aparecimento de vagas e eventos de frio no espaço geográfico da Galiza e norte de Portugal. 20 de janeiro de 1992 Altitude (500hpa): VED – Vertente Este de Dorsal. Superfície: Ap – Anticiclone Atlântico Misto com Apófise Polar. 30 de dezembro de 1980 Altitude (500hpa): VED – Vertente Este de Dorsal. Superfície: At – Anticiclone Atlântico Misto ligado ao Anticiclone Térmico Europeu. Os vales planetários (V) são também muito comuns (22 ocorrências), ocupando a segunda posição como situação mais frequente neste estudo. Quando o noroeste peninsular está sob um vale planetário, a instalação à superfície de centros depressionários (CD) (ver evento de frio segundo o Índice Australiano de fevereiro / março de 2005) parece ocorrer com maior frequência, sobretudo nos quadrantes III e IV. Esta situação sinótica, ao promover a condução de ar oriundo de norte, nordeste ou leste, acaba por promover a chegada de ar frio à Península Ibérica. Os vales planetários (V) também se associam frequentemente, à superfície, ao anticiclone
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 49 atlântico misto com apófise polar (Ap), promovendo, de novo, a condução de ar muito frio até à área geográfica sobre a qual nos debruçamos. 28 de fevereiro de 2005 Altitude (500hpa): V – Vale planetário. Superfície: CD – Centro depressionário IV. O noroeste peninsular aparece algumas vezes no eixo ou próximo do eixo de dorsais planetárias (D) (16 ocorrências). Estas situações associam-se a uma sinótica de superfície em que a circulação é já condutora de ar frio, nomeadamente pela forte compatibilidade que parecem ter com o anticiclone atlântico misto com apófise polar (Ap) (ver vaga de frio OMM de janeiro de 2000 ou evento de frio segundo o Índice Australiano de Março de 2005) ou ainda com o anticiclone atlântico misto que se prolonga pela Europa ocidental (Ao) (ver vagas de frio OMM de janeiro de 1992 ou dezembro de 1998). 18 de janeiro de 2000 Altitude (500hpa): D – Dorsal planetária. Superfície: Ap – Anticiclone Atlântico Misto com apófise polar.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 50 18 de janeiro de 1992 Altitude (500hpa): D – Dorsal Planetária. Superfície: Ao – Anticiclone Atlântico Misto que prolonga pela Europa Ocidental. A vertente oeste de vale (VWV) assinala também a sua presença (12 ocorrências). Esta é uma situação que é muitas vezes intervalada com a mais comum VED. Em muitas ocorrências o noroeste da Península Ibérica encontra-se na fronteira entre a VED e a VWV, pelo que as situações se vão sucedendo, embora, como já se viu, com uma preponderância avassaladora das situações de VED. O tipo de circulação que as VWV providenciam é, por isso, semelhante ao já referido para as VED. Não queria aqui negligenciar as duas ocorrências de vertente oeste de dorsal (VWD). São situações menos definidas do ponto de vista sinótico. Na vaga de frio OMM de janeiro de 1992, não é clara do ponto de vista sinótico a razão subjacente a uma vaga de frio OMM em Ourense. No entanto, as observações objetivas da temperatura mínima assinalam claramente este episódio de frio extremo. Por outro lado, nas outras estações monitorizadas, as temperaturas também estavam baixas. Estas situações pontuais vêm lembrar-nos das dificuldades inerentes à classificação sinótica que apesar de todo o esforço e rigor que possamos dedicar ao nosso trabalho, não deixam de nos mostrar que a classificação sinótica não é uma ciência exata, a exemplo, aliás, do que acontece com a ciência climática. De qualquer forma, estamos aqui a falar de duas ocorrências em cento e quarenta e duas. Não querendo avançar aleatoriamente uma explicação, gostava de referir que a vaga de frio só é detetada em Ourense, a estação mais afastada do oceano, o que pode estar relacionado com a inércia térmica
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 51 (acumulação de muitos dias com temperaturas mínimas baixas) comum no mês de janeiro no interior ibérico. Repare-se agora que não aparece nenhuma situação de vertente este de vale (VEV). Esta colocaria a região em estudo sob a influência de circulações provenientes do quadrante sul, o que seria pouco consentâneo com a chegada de ar capaz de produzir uma vaga ou evento de frio. b. Circulação meridiana – situações de bloqueio As gotas de ar frio são as situações de bloqueio mais vezes identificadas neste trabalho. Cabe aqui desenvolver um pouco este conceito de gota de ar frio. Este tipo de circulação de altitude refere-se às colunas ciclónicas, normalmente em circulação de bloqueio, resultantes da advecção de ar frio polar ou ártico e que se marcam aos 500 hpa por uma ou mais isoípsas e isotérmicas concêntricas (VENTURA, 1987). Afirma ainda este autor que as gotas frias originam ciclones com estrutura térmica simétrica e geralmente com uma circulação mais acentuada em altitude, o que as distingue das depressões associadas à frente polar, que são mais marcadas à superfície e de estrutura térmica completamente assimétrica. As primeiras têm um núcleo frio rodeado de ar quente; as segundas desenvolvem-se numa atmosfera baroclínica (a densidade do ar depende da temperatura e da pressão) em que há um setor de ar quente rodeado de ar frio. As gotas frias refletem-se em vários aspetos do estado de tempo, como na nebulosidade e na precipitação, havendo muitos trabalhos que se debruçam sobre o papel das gotas frias na queda intensa de precipitação. (MEDINA, 1976) citado por (BARRERA, A. LLASAT, M.C. MARTIN, F. 2007) e por (VENTURA, 1987). De qualquer forma, estes aparelhos barométricos também apresentam uma influência grande na temperatura, sobretudo pela manutenção de valores baixos deste
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 52 elemento climático. A National Oceanic and Athmospheric Administration – NOAA, americana, nos seus relatórios síntese sobre as condições atmosféricas nos EUA, associa frequentemente episódios de cut-off-low à manutenção de temperaturas abaixo da média. 16 A classificação seguida por este trabalho, a da professora Catarina Ramos, (RAMOS, 1986), identifica os três tipos fundamentais de gotas de ar frio: bloqueio difluente, cutoff-low e ómega. Esta classificação é aliás partilhada também por José Ventura, (VENTURA, 1987). Gota de ar frio de bloqueio difluente O bloqueio difluente é observado quando temos uma divisão do jet em duas correntes distintas, uma para norte, com curvatura anticiclónica, e outra para sul, com curvatura ciclónica. Encontramos assim um eixo no qual, na sua parte setentrional, existe um núcleo de altas pressões constituído por ar quente, e meridionalmente um núcleo de baixas pressões constituído por ar frio. Fig.20 Gota de ar frio de bloqueio difluente identificada na vaga de frio OMM de janeiro de 1997. 16 http://www.erh.noaa.gov/btv/climo/MonthlySummary/June2009/
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 53 Gota de ar frio de bloqueio em cut-off-low Os bloqueios em cut-off-low são bastante frequentes no Atlântico oriental e resultam da progressão de ar frio para sul através de um vale, e o seu posterior isolamento na extremidade do talvegue, como consequência do restabelecimento do fluxo rápido a norte. Fica, assim, constituído um núcleo de ar frio animado de circulação ciclónica e envolvido por um ramo do fluxo. (VENTURA, 1987). Fig.21 Gota de ar frio de bloqueio em cut-off-low identificada na vaga de frio OMM de dezembro de 1998. Gota de ar frio de bloqueio em ómega Os bloqueios em ómega devem o seu nome ao desenho de um ómega que traçam sobre o Atlântico oriental. Este desenho resulta de uma dorsal atlântica rodeada por duas escoadas de ar frio de cada lado, ocidental e oriental. Estas invasões de ar frio geralmente resultam em gotas de ar frio.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 54 Fig.22 Gota oriental de bloqueio em ómega identificada na vaga de frio OMM de fevereiro de 1983. José Eduardo Ventura, (VENTURA, 1987), investigou o impacto das gotas frias na precipitação em Portugal. Uma das conclusões do seu trabalho aponta para a maior frequência da influência destas gotas no sudeste do país e da menor no noroeste. Saliento, porém, que no trabalho que aqui desenvolvemos, não é sobre a precipitação mas sobre a temperatura que nos debruçamos. A precipitação associada às gotas frias é, de um modo geral, muito localizada, ocorrendo na área geográfica iminentemente sob a alçada da gota de ar frio. Já a temperatura não apresenta uma ligação tão direta. A advecção mecanizada pela gota conduz o ar frio numa área geográfica bem mais abrangente, pelo que o seu impacto na temperatura é significativo num espaço geográfico maior do que aquele que é associado à precipitação. A proveniência destas gotas de ar frio é outro dos aspetos a considerar. De oeste para leste, as escoadas de ar frio nas quais as gotas se instalam são, de acordo com a sua proveniência, a canadiano-gronelandesa, a islandesa-ártica, a europeia e a escandinava. Esta proveniência pode ser observada no esquema seguinte, havendo, no entanto, que considerar que o trabalho que lhes dá origem não é simultâneo deste que aqui se redige. O esquema resulta da análise da proveniência do ar frio que originou gotas entre 1974-75 e 1979-80. (VENTURA, 1987).
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 55 Fig.23 Proveniência do ar frio que originou, de novembro a março, entre 1974-75 e 1979-80, dias com gotas de ar frio que influenciaram Portugal Continental. (VENTURA, 1987). No seio das situações de bloqueio são, então, as gotas de ar frio de bloqueio difluente (Gd) as mais representativas nas vagas e eventos de frio do noroeste peninsular, seguidas de perto pelas gotas orientais de bloqueio em ómega (Gome), com 18 e 16 ocorrências respetivamente. As vagas de frio OMM de janeiro de 1997 para as Gd, e de fevereiro de 83 para as Gome, são dois exemplos destas situações de bloqueio em altitude. Estas gotas de ar frio têm um desenvolvimento vertical na atmosfera significativo, associando-se a centros depressionários à superfície, sobretudo nos quadrantes III e IV, motivando uma circulação de ar frio oriunda de latitudes elevadas do Ártico ou do interior europeu que acaba por assinalar as vagas e eventos de frio identificadas neste trabalho.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 62 23 de janeiro Altitude (500hpa): VED – Vertente Este de Dorsal. Superfície: Ae- Anticiclone Europeu. Já o anticiclone misto, por si só, não é muito promotor de uma vaga ou evento de frio. O Aa tem a sua localização privilegiada a oeste ou noroeste da Península Ibérica (RAMOS, 1986), sobre o Atlântico, e não se prolongando nem em latitude para norte, nem em longitude para este, não está muito associado a episódios marcantes de frio no noroeste peninsular. Apareceu pontualmente entre outras situações sinóticas mais promotoras de frio nas vagas de frio OMM de dezembro de 1980 e dezembro de 1980 / janeiro de 1981. Por último, nas situações anticiclónicas ainda apareceu, também ocasionalmente, o Anticiclone Atlântico subtropical (ver vaga de frio OMM de dezembro de 1980 / janeiro de 1981). Tratou-se aqui do fim deste episódio de frio, tendo-se instalado este aparelho sinótico na sua posição habitual, próximo dos Açores. A condução de ar marítimo sobre a Península Ibérica, típica do As, veio culminar a vaga de frio pela moderação das temperaturas.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 63 b. Circulação depressionária Como já se referiu, a circulação depressionária tem uma presença menor do que a anticiclónica neste trabalho, aspeto aliás corroborado por outros autores (RAMOS, 1986). Os centros depressionários, comparativamente a outras situações, destacam-se como muito mais presentes nos episódios de frio extremo quando a circulação é depressionária (31 ocorrências). Quando se posicionam no quadrante III ou IV, estes ciclones produzem muitas vezes, à superfície, um fluxo semelhante ao que acontece com algumas situações anticiclónicas, sobretudo as Ao, At e Ae. No entanto, nestas situações depressionárias, são as suas margens norte e noroeste que conduzem ar frio proveniente de um continente europeu arrefecido no inverno ou de latitudes bem setentrionais (ver evento de frio segundo o Índice Australiano de fevereiro / março de 2005. 28 de fevereiro de 2005 Altitude (500hpa): V – Vale planetário. Superfície: CD – Centro depressionário IV. Estes centros depressionários são mais irrequietos no seu posicionamento geográfico e a circulação a eles associada pode também ser mais complexa. Por vezes, mesmo situando-se no quadrante II, conseguem em parceria com situações anticiclónicas no interior do continente europeu, promover um fluxo de leste ou nordeste e, assim, conduzir ar frio continental até ao noroeste peninsular. As depressões dinâmicas posicionadas sobre a Península Ibérica (DPI) foram observadas em 10 ocorrências em dias de frio extremo. Constituem assim a segunda situação sinótica mais observada neste trabalho quando a circulação é depressionária.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 64 Estas depressões observadas à superfície são também notadas em altitude. Estamos portanto perante as gotas de ar frio já referidas na circulação de altitude. Nestas situações a layer atmosférica na qual se observa uma circulação depressionária alcança uma grande espessura. 02 de janeiro Altitude (500hpa): Gome – Gota oriental de bloqueio em ómega. Superfície: DPI –Depressão sobre a Península Ibérica. Quando as DPI assumem o seu posicionamento sobre a Ibéria, a advecção do ar que as alimenta e às gotas de ar frio em altitude faz-se, no seu flanco norte, de leste e nordeste, quadrantes que no Inverno são sinónimos da chegada de ar frio até à península. Apesar da tentativa de evitar a classificação muito indefinida de pântano barométrico (P), subsistiram 3 situações em que esta não pôde ser evitada. Estes são desenhos sinóticos pouco esclarecidos, em que se vislumbra uma vasta área com pequenas diferenças barométricas mas cuja pressão atmosférica à superfície tende para valores relativamente baixos.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 65 15 de fevereiro de 1983 Altitude (500hpa): Gd – Gota de ar frio de bloqueio difluente. Superfície: P – Pântano barométrico. Na situação exposta conseguimos distinguir em altitude uma gota de ar frio de bloqueio difluente que, apesar da situação mal definida à superfície, motivaria um fluxo de componente leste ou nordeste no noroeste peninsular, tanto mais que o anticiclone de bloqueio difluente mais a norte ajudaria à mesma movimentação do ar, sabendo nós que em fevereiro estes quadrantes propiciam o aparecimento de vagas e eventos de frio. A sinótica sobre a Europa ocidental e central sublinha a entrada de ar de raiz siberiana na parte mais meridional e sudoeste deste espaço geográfico. Para todas as situações correspondentes a vagas de frio OMM, foi redigida uma descrição pormenorizada do comportamento e evolução sinótica que pode ser consultada nos anexos deste trabalho. 3.5. Nexos entre as circulações de altitude e de superfície Perante uma panóplia considerável de classificações sinóticas de altitude e de superfície, poderá perder-se alguma clarividência nas relações entre estes dois tipos de circulação. O quadro seguinte pretende ser uma ajuda para discernirmos os nexos entre os seis tipos sinóticos mais frequentes.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 66 Ficam assim evidenciadas as relações próximas entre as duas situações sinóticas mais identificadas neste trabalho. À situação de Vertente Este de Vale (VED), situação mais frequente em altitude, parecem relacionar-se à superfície as situações de Anticiclone Atlântico Misto com apófise polar (Ap) e Anticiclone Atlântico Misto ligado ao Anticiclone Térmico Europeu (At), respetivamente a primeira e a terceira situações mais frequentes. O Anticiclone Atlântico Misto que se prolonga pela Europa Ocidental (Ao) também é um desenho sinótico frequente à superfície quando em altitude estamos sob a influência da VED. Mais eclética parece ser a situação de altitude de Vale Planetário (V). Esta associa-se mais a Centros Depressionários (CD), não deixando, no entanto, de se ligar ao Ap e ao Ao. As Gotas de ar Frio de Bloqueio Difluente (Gd) e as Gotas Orientais de Bloqueio em Ómega (Gome), relacionam-se mais com os CD à superfície, como seria de esperar, pela inclusão que as gotas promovem de uma vasta camada atmosférica, como aliás já foi explicado anteriormente (vide capítulo 3.4.2.). Circulação de Superfície Ap CD At Ao DPI Am Circulação de altitude VED 15 013 600 V 5 6 2 4 1 1 Gd 0 6 2 0 3 0 Gome 1 12 2 0 2 0 D 5 0 1 3 0 2 VWV 5 3 4 1 0 0 Tabela 6. Nexos entre a circulação de altitude (500 hpa) e a circulação de superfície
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 67 Os anticiclones de superfície, nomeadamente os já identificados Ap e At, são igualmente muito frequentes em situações de Dorsal (D) em altitude, o que não parece surpreender. À vertente Oeste de Vale (VWV) associam-se situações não muito díspares daquelas da VED, pela transição que muitas vezes ocorre entre as duas, como já pôde também ser explicado antes (vide capítulo 3.4.2). Há no entanto que destacar a maior ligação aos CD o que, uma vez mais, não parece surpreender, já que é frequente neste tipo de circulação ondulatória a promoção de uma depressão à superfície. 3.6. Impacto das vagas e eventos de frio nas diferentes estações Vidal de La Blache disse um dia que a população não se espalhou no mundo como uma nódoa de azeite. Parafraseando o eminente geógrafo, aproveito a mesma imagem para afirmar que as massas de ar frio também não se espalham homogeneamente pelo espaço geográfico. O quadro seguinte apresenta o acolhimento dado por cada estação meteorológica às diferentes vagas e eventos de frio. Tabela 7. Número de vagas e eventos de frio por estação meteorológica. Da análise do quadro resulta a distinção de Vigo e Porto, como as estações meteorológicas estudadas neste projeto de investigação, mais suscetíveis à receção de vagas e eventos de frio. É curioso verificar que são duas estações do litoral que se Corunha Santiago Ourense Vigo Porto nº vagas de frio total 3 2 4 3 5 nº eventos de frio total 18 17 18 23 21 Total 21 19 22 26 26
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 68 destacam com o maior número de episódios de frio extremo. A sinótica e a condução das massas de ar frio ajudam a explicar este destaque das duas cidades da costa atlântica da Galiza e de Portugal. A sinótica domina sobre a geografia. Como já se viu, dos quadrantes preferenciais dos quais nos chega o ar frio, o nordeste e o leste são predominantes. Ora, num episódio de frio extremo, os fluxos são intensos, transportando até ao litoral um ar muito arrefecido de cariz continental. Este último é um habitué no interior da Península Ibérica, mas não tanto assim junto ao litoral, caraterizado pela maior influência de ar marítimo, mais ameno. Deste modo, aquando da ocorrência de uma vaga ou evento de frio, o desvio das temperaturas no litoral em relação à normal é mais notório e frequente do que no interior, promovendo, assim, algum destaque às estações do litoral na identificação de episódios de frio ditos “anormais”. No entanto, e porque a ciência progride não pelas certezas mas pelas dúvidas, outros autores chegaram a conclusões algo diferentes destas que atrás se expuseram. Comparando algumas estações meteorológicas portuguesas, Filipe Botelho e Nuno Ganho (BOTELHO et al, 2012) acabaram por distinguir uma maior frequência de dias com temperaturas mínimas, pelo menos, 5ºC abaixo da normal do seu período de estudo, em Bragança, no interior, do que no Porto, no litoral. Apesar do período de frequência e da metodologia terem sido diferentes do trabalho que aqui se redige, não deixam de ser conclusões dissemelhantes destas que agora se propõem. De qualquer forma, como aliás se pode verificar no quadro seguinte que Filipe Botelho e Nuno Ganho (BOTELHO et al, 2012) propuseram, no Porto a percentagem de dias em que as temperaturas mínimas foram pelo menos 5ºC inferiores aos valores mínimos normais (1981-2010), entre 1980 e 2010, é maior do que estações sensivelmente mais no interior como Coimbra, ou claramente mais afastadas do oceano como Penhas Douradas e Beja.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 69 Tabela 8. Percentagem de dias em que as temperaturas mínimas foram pelo menos 5ºC inferiores aos valores mínimos normais (1981-2010), entre 1980 e 2010 para algumas estações portuguesas (BOTELHO et al, 2012). Porém, teríamos aqui que abordar os efeitos da altitude e da latitude nesta análise o que extravasa o écran do projeto de investigação que estamos a desenvolver.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 70 VAGAS E EVENTOS DE FRIO NA GALIZA E NO PORTO ENTRE 1978 E 2007 Corunha Santiago Ourense Vigo Porto Corunha Santiago Ourense Vigo Porto Corunha Santiago Ourense Vigo Porto Corunha Santiago Ourense Vigo Porto Jan Jan Jan Jan Fev Fev Fev Fev Mar Mar Mar Mar Nov Nov Nov Nov Dez Dez Dez Dez Jan Jan Jan Jan Fev Fev Fev Fev Mar Mar Mar Mar Nov Nov Nov Nov Dez Dez Dez Dez Jan Jan Jan Jan Fev Fev Fev Fev Mar Mar Mar Mar Nov Nov Nov Nov Dez Dez Dez Dez Jan Jan Jan Jan Fev Fev Fev Fev Mar Mar Mar Mar Nov Nov Nov Nov Dez Dez Dez Dez Jan Jan Jan Jan Fev Fev Fev Fev Mar Mar Mar Mar Nov Nov Nov Nov Dez Dez Dez signif Dez Jan Jan Jan Jan Fev signif signif signif Fev Fev Fev Mar Mar Mar Mar Nov Nov Nov Nov Dez Dez Dez Dez Jan Jan signif. Jan nº vagas de frio 0 0 0 0 0 Fev Fev dias dif. Fev nº eventos de frio 4 3 5 6 5 Mar Mar Mar Vaga de frio (OMM) Nov Nov Nov Episódio de frio segundo o Índice Australiano. Dez Dez Dez signif. Significativa. Jan signif signif Jan Jan dias dif. Nesta estação não ocorreu em simultâneo com as outras. Fev Fev Fev Mar Mar Mar Corunha Santiago Ourense Vigo Porto Nov Nov Nov nº vagas de frio total 3 2 4 3 5 Dez Dez Dez nº eventos de frio total 18 17 18 23 21 nº vagas de frio 2 2 2 3 4 nº vagas de frio 0 0 1 0 0 nº vagas de frio 1 0 1 0 1 nº eventos de frio 7 6 7 6 6 nº eventos de frio 6 3 5 4 6 nº eventos de frio 1 5 1 7 4 2001 2000 2002 2003 2004 2005 2006 2007 1994 1995 1996 1997 1998 1999 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1978 1979 1980 1981 1982 1993 Tabela 9. Síntese das vagas e eventos de frio entre 1978 e 2007 para as estações meteorológicas da Corunha, Santiago de Compostela, Ourense, Vigo e Porto e totais de vagas e eventos de frio para cada um das estações.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 71 3.7. Situações sinóticas e vaga de frio mais marcante nos valores de temperatura atingidos O leitor poderá perguntar-se: - Então mas existiu alguma vaga de frio mais marcante pelos valores de temperatura atingidos, isto é, o desvio relativamente à normal foi maior em que vaga de frio? Há de facto uma vaga de frio que se destaca das demais. O episódio que se fez notar entre 6 e 15 de janeiro de 1985. Esta vaga de frio OMM, verificada em todas as estações meteorológicas analisadas neste estudo, apresenta os valores mais baixos de temperatura e uma duração considerável, cerca de dez dias. De todos os episódios de frio identificados entre 1978 e 2007, é nesta vaga de frio que podemos verificar os valores mais baixos de temperatura mínima do ar. O quadro seguinte apresenta os valores de temperatura em cada uma das estações durante este episódio de frio extremo. Há que salientar que em todas as estações aqui em consideração, esta foi a vaga de frio na qual se verificaram os valores menores de temperatura, exceto no Porto. Na cidade Invicta, também seria este o episódio com as temperaturas mais baixas, mas, no dia 13 de janeiro de 1985, a temperatura mínima ascendeu aos 0,70C, interrompendo assim a vaga de frio OMM que se verificou nas outras estações até ao Dias 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 Estações Média Tmín Corunha 2,2 -0,2 1,6 -0,2 2 2,8 0,4 0,8 3,6 1,6 1,5 Santiago C. -3,6 -3,8 -2,4 -4 -4,6 -3 -4,6 -3,6 -2 -4 -3,6 Ourense -0,4 -5 -5 -6 -7 -3,6 -3,8 -6,6 -3,6 -4,8 -4,6 Vigo 1,4 -2 -2,4 -2,8 -2,6 -0,6 -2 -2,8 -2 -3,6 -1,9 Porto 2,9 -0,1 0,0 -0,3 -0,4 -1,4 -1,2 0,7 -2,5 -3,3 -0,6 Tabela 10. Temperaturas mínimas (ºC) verificadas nas estações meteorológicas da Corunha, Santiago de Compostela, Ourense, Vigo e Porto durante o episódio de frio de 06 a 15 de janeiro de 1985
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 78 Capítulo 4 4.1. A Oscilação do Atlântico Norte e as temperaturas Como se pôde ler no capítulo 2 desta dissertação, a Oscilação do Atlântico Norte (OAN) representa o principal modo de variabilidade da circulação atmosférica no Hemisfério Norte. Esta oscilação está relacionada com uma alternância da intensidade dos centros de baixas e altas pressões que se localizam sobre a Islândia e os Açores, favorecendo a intensificação (abrandamento) dos ventos zonais de oeste na fase positiva (fase negativa). Este modo de circulação afeta de modo determinante as trajetórias das principais perturbações sinóticas que atravessam o Oceano Atlântico e condicionam os campos de temperatura e precipitação sobre a Europa (TRIGO et al, 2002). a. Fase positiva da OAN Relativamente à temperatura, a variável em análise neste trabalho, a OAN exerce uma influência significativa, já com uma vasta literatura a apontar no sentido do impacto desta teleconexão na definição de temperaturas extremas. Como já se disse, durante a fase positiva da OAN, o gradiente meridional da pressão atmosférica intensifica-se, contribuindo para a intensificação dos ventos de oeste, o que motiva um fortalecimento da advecção de ar quente e húmido sobre a Escandinávia e norte da Rússia. É de realçar que, no caso das temperaturas máximas, este aquecimento estende-se a grande parte da Europa Central, chegando mesmo à região da Península Ibérica. Na margem oeste do Atlântico Norte (Gronelândia) surge, quer para a temperatura máxima, quer para a temperatura mínima, uma vasta área com anomalias negativas como resultado da intensa advecção de ar muito frio proveniente das latitudes polares. (TRIGO et al, 2002).
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 79 Fig.24 Compósitos do campo de anomalias da temperatura máxima (ºC) para os meses de Inverno (D,J,F,M), relativos ao período 1958-1997. Índice OAN > 1.0. (TRIGO et al, 2002). No entanto, o mapa das temperaturas mínimas não apresenta esta extensão para sul. Fig.25 Compósitos do campo de anomalias da temperatura mínima (ºC) para os meses de Inverno (D,J,F,M), relativos ao período 1958-1997. Índice OAN > 1.0. (TRIGO et al, 2002). A diferente cobertura nebulosa típica das duas fases da OAN é a explicação apontada na literatura (TRIGO et al, 2002). Para meses com elevado índice da OAN, a Europa Central e a Península Ibérica ficam sob a influência da circulação anticiclónica, apresentando valores de nebulosidade e precipitação reduzidos e, deste modo, deixando a forte radiação solar de curto comprimento de onda, que se verifica durante o dia, atuar livremente, promovendo as anomalias positivas nas temperaturas
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 80 máximas. Por outro lado, durante as noites sem cobertura nebulosa, a irradiação terrestre escapa facilmente da baixa troposfera, promovendo um intenso arrefecimento, diminuindo assim estas anomalias térmicas positivas. b. Fase negativa da OAN Durante a fase negativa da OAN o gradiente meridional da pressão atmosférica fica enfraquecido, favorecendo a advecção do ar quente do Atlântico sobre a Terra Nova e a Gronelândia, sendo responsável pelas fortes anomalias positivas de temperatura máxima e temperatura mínima observadas sobre estas regiões. Por outro lado, no setor europeu, a existência de um forte fluxo de ar polar implica um importante transporte de massas de ar frio para o norte da Europa. No entanto o impacto deste ar frio continental sobre a Europa do Norte é mais sentido na temperatura mínima do que na máxima (TRIGO et al, 2002). Fig.26 Compósitos do campo de anomalias da temperatura máxima (ºC) para os meses de Inverno (D,J,F,M), relativos ao período 1958-1997. Índice OAN < 1.0. (TRIGO et al, 2002).
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 81 Fig.27 Compósitos do campo de anomalias da temperatura mínima (ºC) para os meses de Inverno (D,J,F,M), relativos ao período 1958-1997. Índice OAN < 1.0. (TRIGO et al, 2002). Esta assimetria na magnitude da resposta dos campos das temperaturas máxima e mínima sobre a Europa resulta igualmente da ausência de nuvens para as circulações sinóticas mais típicas que se encontram associadas à fase negativa da OAN na Europa Setentrional, nomeadamente anticiclones de bloqueio ou circulações de leste (TRIGO et al, 2002). Agora estará o leitor a interrogar-se, mas na Península Ibérica não é bem assim, pois não? Bom, de facto, a maior parte da literatura publicada quando se refere à Europa Ocidental não está, frequentemente, a considerar como parte inclusiva deste espaço geográfico a Península Ibérica. Senão vejamos: 1 – Na fase positiva da OAN, apesar da Europa Setentrional e Central apresentar fortes anomalias positivas nas temperaturas máximas que também se estendem até ao espaço ibérico, nas temperaturas mínimas isto já não acontece. É precisamente nestas
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 82 condições, fase positiva da OAN e durante a noite, que as anomalias negativas na temperatura se fazem sentir mais notoriamente na Península Ibérica. E, no entanto, na Europa Setentrional, as temperaturas apresentam anomalias positivas! 2 – Na fase negativa da OAN, a homogeneidade relativamente à temperatura máxima volta a verificar-se, desta feita, grande parte do espaço europeu e também a Península Ibérica, apresentam anomalias negativas na temperatura. Porém, no concernente à temperatura mínima, isto já não é verdade. Se a Europa do Norte e Central voltam a encerrar temperaturas inferiores à normal, o espaço ibérico apresenta anomalias positivas. Deste modo, se para a Europa Setentrional, Central e Ocidental as anomalias negativas da temperatura aparecem, sobretudo, em situações de fase negativa da OAN, sobretudo durante a madrugada (temperatura mínima), na Península Ibérica são as madrugadas (temperatura mínima) da fase positiva da OAN que evidenciam as maiores anomalias térmicas relativamente à normal. O que não se revela fácil é o estabelecimento de uma relação causal entre o comportamento da OAN e os episódios extremos de frio identificados neste trabalho. Esta teleconexão abrange um campo espacial e temporal maior do que aquele no qual se encerram as vagas e eventos de frio ocorridos no noroeste peninsular. É possível, como se pôde verificar nas páginas anteriores, observar a “broad picture”, mas não os pequenos hiatos temporais nos quais a temperatura desce significativamente.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 83 Capítulo 5 5.1. Considerações finais A curiosidade será sempre a razão inicial que motivou este nosso trabalho. Satisfazê-la foi ajudando a percorrer os conhecimentos de muitos autores até que pudéssemos acrescentar um pouco nosso à ciência já construída. Havia, então, a dúvida inicial: - Qual a sinótica que motiva episódios extremos de frio no noroeste peninsular? A esta acresceu outra: - A Oscilação do Atlântico Norte tem alguma relação com estes eventos de frio extremo? Foi, assim, na demanda destas respostas que percorremos o caminho que nos trouxe até este momento. Quais as considerações finais a que chegamos? Devo aqui salientar que num primeiro momento houve que estabelecer os considerandos de um episódio de frio extremo. Assim, utilizamos os critérios da Organização Meteorológica Mundial (OMM) para estabelecer uma vaga de frio e o Índice Australiano para se considerar um evento de frio. Relativamente à sinótica subjacente às vagas de frio, identificamos uma responsável principal em altitude, a Vertente Este de Dorsal (VED). Esta circulação meridiana de altitude é a responsável por 28,9% das ocorrências em situações de vagas ou eventos de frio. Ainda em altitude, as situações de vale planetário (V) e de Gota de ar frio de bloqueio difluente (Gd) aparecem, respetivamente, em 18,4% e 12,7% das ocorrências. São estas, então, as situações de altitude identificadas como mais caraterísticas nos episódios de frio extremo ocorridos na Galiza e no Porto entre 1978 e 2007. Já no respeitante ao desenho sinótico de superfície, emergem três situações com maior afinidade com o frio intenso no noroeste peninsular Ibérico. O Anticiclone Atlântico Misto com apófise polar (Ap), identificado em 29,5% das ocorrências, os
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 84 Centros Depressionários (CD), 21,8% das ocorrências e os Anticiclones Atlânticos Mistos ligados ao Anticiclone Térmico Europeu (At), em 18,3% das situações estudadas. A investigação desenvolvida trouxe-nos também o discernimento das relações de afinidade entre as circulações de altitude e de superfície. A forte ligação entre a VED e os anticiclones Ap e At foi evidenciada em várias situações de frio intenso. Já as situações de V assumem uma maior conexão aos CD, não deixando, no entanto, de acompanhar anticiclones como o Ap ou o Ao (Anticiclone Atlântico Misto que se prolonga pela Europa Ocidental). As gotas de ar frio, como a Gd, têm uma forte afinidade com os centros depressionários como seria de esperar. Estas circulações de altitude e superfície assumem uma preponderância significativa na condução de ar frio polar e subpolar até ao espaço geográfico do noroeste da Península Ibérica, o nosso espaço de vivência e acolhimento. Os nexos de causalidade entre a Oscilação do Atlântico Norte (OAN) e a emergência de desenhos sinóticos que propiciam vagas ou eventos de frio, já não se perceberam tão evidentes. As alterações neste índice barométrico aproximam-se de comportamentos tendenciais da temperatura, sobretudo da mínima, que motivam a perceção de que a fase positiva da OAN está mais próxima de temperaturas mínimas baixas na Península Ibérica. Porém, não se pôde concluir uma ligação evidente entre um determinado comportamento da OAN e um reflexo simultâneo numa vaga ou evento de frio em particular. Emergem daqui futuras hipóteses de trabalho. Este que aqui se finaliza pretendeu ser mais um percurso que o leitor terá feito no sentido de aquilatar as origens de um paroxismo climático.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 85 Já o dissemos antes, mas é bom lembrar neste epílogo que quem redige estas linhas é geógrafo, pelo que a sinótica associada às vagas de frio, as temperaturas (intensidade e duração) ou mesmo o caprichoso comportamento da Oscilação do Atlântico Norte, mobilizam a nossa curiosidade e são fenómenos que acontecem à superfície e na massa gasosa que envolve o nosso planeta. Também são assim fenómenos geográficos. Porém, gostaria que o leitor compreendesse que o Homem e a sua vivência neste espaço geográfico do Noroeste da Península Ibérica estiveram sempre presentes no centro desta investigação. Os impactos na saúde humana relacionados com paroxismos térmicos, profundamente estudados por autores como (KYSELY et al, 2012; MONTEIRO et al, 2012; MOREIRA, 2011; SILVA, 2012; WHO/WMO, 2012) e os riscos associados ao frio extremo, desenharam permanentemente o pano de fundo deste trabalho. Não pretendemos caminhar no sentido da vaidade excessiva se dissermos que perceber as origens das vagas e eventos de frio, bem como a sinótica que lhes subjaz, é também importante para a prevenção e diminuição dos impactos que estes fenómenos climáticos assumem na saúde humana, sobretudo nas populações mais débeis ou mais expostas a estas adversidades, fruto de fatores como a idade ou a condição socioeconómica em que se inserem. O Homem e o seu bem-estar e o espaço e os fenómenos que nele se desenvolvem formam assim uma espécie de coluna vertebral deste projeto de investigação. Quando o puzzle sinótico se encaminhar para os desenhos que neste trabalho foram identificados como os responsáveis pelo frio extremo neste noroeste da Ibéria, pode este estudo propiciar um contributo significativo para as autoridades sanitárias e da Proteção Civil anteciparem a prevenção necessária à mitigação dos riscos associados a esta impertinência do clima.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 86 Por último, quisemos, ainda, desassossegar espíritos curiosos retirando-os do seu espaço de conforto, motivando críticas percussoras de novos passos no caminho da satisfação de novas e velhas dúvidas.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 87
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 1 Anexos Classificação sinótica……………………………………………………………......................................................2 Vagas de frio (Critério OMM)…………….…………………………………………………………………………3 Eventos de frio (Critério Índice Australiano)………………………………………………………………..32 Descrição sinótica das vagas de frio…………………………………………………………………………………….…58 Tabelas (Dados climáticos da Galiza e Porto e identificação das vagas e eventos de frio)……69 Corunha……………………………………………………………………………………………………………………..70 Santiago de Compstela…….………………………………………………………………………………………..80 Ourense…………………………….……………………………………………………………………………………….90 Vigo………………………………………………………………………………………………………………………….100 Porto……………………………………….……………………………………………………………………………….110 Vagas e Eventos de Frio entre 1978 e 2007 nas estações meteorológicas da Galiza e no Porto…………………………………………………………………………………………………………………………………….120
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 2 Classificação sinótica As páginas seguintes apresentam as cartas sinóticas para os dias dos meses de novembro a março, entre 1978 e 2007, nos quais foram identificadas vagas de frio segundo o critério da OMM e os eventos de frio segundo o Índice Australiano, bem como a sua classificação sinótica. As classificações totalizam 142 situações diárias distintas, entre vagas de frio OMM (79) e eventos de frio (63).
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 3 Galiza e Norte de Portugal |Vagas de frio entre 1978 e 2007 |Análise sinótica 01 a 06 de dezembro de 1980 | Identificada no Porto | Vaga de frio – Critério OMM 01 de dezembro Altitude (500hpa): Aom – Anticiclone de bloqueio em ómega. Superfície: Ap- Anticiclone Atlântico Misto com apófise polar. 02 de dezembro Altitude (500hpa): Aom – Anticiclone de bloqueio em ómega. Superfície: Ap- Anticiclone Atlântico Misto com apófise polar.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 4 03 de dezembro Altitude (500hpa): Aom – Anticiclone de bloqueio em ómega. Superfície: Ap- Anticiclone Atlântico Misto com apófise polar. 04 de dezembro Altitude (500hpa): Ad – Anticiclone de bloqueio difluente. Superfície: Ap- Anticiclone Atlântico Misto com apófise polar. 05 de dezembro Altitude (500hpa): Ad – Anticiclone de bloqueio difluente. Superfície: Ap- Anticiclone Atlântico Misto com apófise polar.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 5 06 de dezembro Altitude (500hpa): VED – Vertente Este de Dorsal . Superfície: Aa- Anticiclone Atlântico Misto. 27 de dezembro de 1980 a 04 de janeiro de 1981 | Identificada no Porto | Vaga de frio – Critério OMM 27 de dezembro Altitude (500hpa): VED – Vertente Este de Dorsal. Superfície: Aa – Anticiclone Atlântico Misto. 28 de dezembro Altitude (500hpa): VED – Vertente Este de Dorsal. Superfície: Ao – Anticiclone Atlântico Misto que se prolonga pela Europa Ocidental.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 6 29 de dezembro Altitude (500hpa): VED – Vertente Este de Dorsal. Superfície: At – Anticiclone Atlântico Misto ligado ao Anticiclone Térmico Europeu. 30 de dezembro Altitude (500hpa): VED – Vertente Este de Dorsal. Superfície: At – Anticiclone Atlântico Misto ligado ao Anticiclone Térmico Europeu. 31 de dezembro Altitude (500hpa): VED – Vertente Este de Dorsal. Superfície: At – Anticiclone Atlântico Misto ligado ao Anticiclone Térmico Europeu.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 7 01 de janeiro Altitude (500hpa): VED – Vertente Este de Dorsal. Superfície: At – Anticiclone Atlântico Misto que se prolonga pela Europa Ocidental. 02 de janeiro Altitude (500hpa): VED – Vertente Este de Dorsal. Superfície: At – Anticiclone Atlântico Misto que se prolonga pela Europa Ocidental. 03 de janeiro Altitude (500hpa): D – Dorsal planetária. Superfície: As – Anticiclone Atlântico subtropical.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 8 04 de janeiro Altitude (500hpa): D – Dorsal planetária. Superfície: As – Anticiclone Atlântico subtropical. 07 a 17 de fevereiro de 1983 | Identificada na Corunha, Santiago, Ourense, Vigo e Porto | Vaga de frio – Critério OMM 07 de fevereiro Altitude (500hpa): Gome – Gota oriental de bloqueio em ómega. Superfície: Ap – Anticiclone Atlântico Misto com apófise polar.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 9 08 de fevereiro Altitude (500hpa): Gome – Gota oriental de bloqueio em ómega. Superfície: CD – Centro depressionário III 09 de fevereiro Altitude (500hpa): Gome – Gota oriental de bloqueio em ómega. Superfície: CD – Centro depressionário IV 10 de fevereiro Altitude (500hpa): Gome – Gota oriental de bloqueio em ómega. Superfície: CD – Centro depressionário IV
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 10 11 de fevereiro Altitude (500hpa): Gome – Gota oriental de bloqueio em ómega. Superfície: CD - Centro depressionário IV. 12 de fevereiro Altitude (500hpa): Gome – Gota oriental de bloqueio em ómega. Superfície: CD – Centro depressionário IV 13 de fevereiro Altitude (500hpa): Gome – Gota oriental de bloqueio em ómega. Superfície: CD – Centro depressionário III
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 17 12 de janeiro Altitude (500hpa): V – Vale planetário ou Talvegue. Superfície: Ao – Anticiclone Atlântico Misto que se prolonga pela Europa Ocidental. 13 de janeiro Altitude (500hpa): VWV – Vertente Oeste de Vale. Superfície: At – Anticiclone Atlântico Misto ligado ao Anticiclone Térmico Europeu. 14 de janeiro Altitude (500hpa): V – Vale Planetário ou Talvegue. Superfície: At – Anticiclone Atlântico Misto que se liga ao Anticiclone Térmico Europeu. 15 de janeiro
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 18 Altitude (500hpa): VWV – Vertente Oeste de Vale. Superfície: At – Anticiclone Atlântico Misto que se liga ao Anticiclone Térmico Europeu. 01 a 05 de janeiro de 1992 | Identificada em Ourense | Vaga de frio – Critério OMM 01 de janeiro Altitude (500hpa): VED – Vertente Este de Dorsal. Superfície: Ao – Anticiclone Atlântico Misto que prolonga pela Europa Ocidental. 02 de janeiro Altitude (500hpa): D – Dorsal Planetária. Superfície: Am –Anticiclone Ibero-Mediterrâneo.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 19 03 de janeiro Altitude (500hpa): VWD – Vertente Oeste de Dorsal. Superfície: Am –Anticiclone Ibero-Mediterrâneo. 04 de janeiro Altitude (500hpa): VWV – Vertente Oeste de Vale. Superfície: Am –Anticiclone Ibero-Mediterrâneo. 05 de janeiro Altitude (500hpa): D – Dorsal Planetária. Superfície: Am –Anticiclone Ibero-Mediterrâneo.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 20 06 de janeiro Altitude (500hpa): V – Vale Planetário. Superfície: Am –Anticiclone Ibero-Mediterrâneo. 18 a 27 de janeiro de 1992 | Identificada em Ourense | Vaga de frio – Critério OMM Identificada na Corunha, Santiago, Vigo e Porto | Evento de frio – Índice Australiano T.mín ≤ P10 18 de janeiro Altitude (500hpa): D – Dorsal Planetária. Superfície: Ao – Anticiclone Atlântico Misto que prolonga pela Europa Ocidental.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 21 19 de janeiro Altitude (500hpa): D – Dorsal Planetária. Superfície: Ao – Anticiclone Atlântico Misto que prolonga pela Europa Ocidental. 20 de janeiro Altitude (500hpa): VED – Vertente Este de Dorsal. Superfície: Ap – Anticiclone Atlântico Misto com Apófise Polar. 21 de janeiro Altitude (500hpa): VED – Vertente Este de Dorsal. Superfície: Ap – Anticiclone Atlântico Misto com Apófise Polar.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 22 22 de janeiro Altitude (500hpa): VED – Vertente Este de Dorsal. Superfície: Ae- Anticiclone Europeu. 23 de janeiro Altitude (500hpa): VED – Vertente Este de Dorsal. Superfície: Ae- Anticiclone Europeu. 24 de janeiro Altitude (500hpa): VED – Vertente Este de Dorsal. Superfície: Ae- Anticiclone Europeu.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 23 25 de janeiro Altitude (500hpa): VED – Vertente Este de Dorsal. Superfície: Ae- Anticiclone Europeu. 26 de janeiro Altitude (500hpa): VED – Vertente Este de Dorsal. Superfície: Ao –Anticiclone Atlântico Misto que se prolonga pela Europa Ocidental. 27 de janeiro Altitude (500hpa): VED – Vertente Este de Dorsal. Superfície: Ao –Anticiclone Atlântico Misto que se prolonga pela Europa Ocidental.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 24 01 a 06 de janeiro de 1997 | Identificada na Corunha | Vaga de frio – Critério OMM Identificada em Santiago e Vigo | Evento de frio – Índice Australiano T.mín ≤ P10 01 de janeiro Altitude (500hpa): Gome – Gota oriental de bloqueio em ómega. Superfície: DPI –Depressão sobre a Península Ibérica. 02 de janeiro Altitude (500hpa): Gome – Gota oriental de bloqueio em ómega. Superfície: DPI –Depressão sobre a Península Ibérica.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 25 03 de janeiro Altitude (500hpa): Gd – Gota de ar frio de bloqueio difluente. Superfície: DPI –Depressão sobre a Península Ibérica. 04 de janeiro Altitude (500hpa): Gd – Gota de ar frio de bloqueio difluente. Superfície: DPI –Depressão sobre a Península Ibérica. 05 de janeiro Altitude (500hpa): Gd – Gota de ar frio de bloqueio difluente. Superfície: DPI –Depressão sobre a Península Ibérica.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 26 06 de janeiro Altitude (500hpa): Gd – Gota de ar frio de bloqueio difluente. Superfície: DPI –Depressão sobre a Península Ibérica. 01 a 08 de dezembro de 1998 | Identificada no Porto | Vaga de frio – Critério OMM Identificada em Santiago e Vigo | Evento de frio – Índice Australiano T.mín ≤ P10 01 de dezembro Altitude (500hpa): VWV – Vertente oeste de vale. Superfície: At – Anticiclone atlântico misto ligado ao anticiclone térmico europeu.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 33 12 de fevereiro Altitude (500hpa): V – Vale Planetário. Superfície: CD – Centro depressionário III. 13 de fevereiro Altitude (500hpa): VWV – Vertente Oeste de Vale. Superfície: CD – Centro depressionário III. 14 de fevereiro Altitude (500hpa): VWV – Vertente Oeste de Vale. Superfície: Ai – Anticiclone Ibero-Africano.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 34 18 a 22 de dezembro de 1978 | Identificada em Santiago, Vigo e Porto |Evento de frio – Índice Australiano T.mín ≤ P10 18 de dezembro Altitude (500hpa): V – Vale planetário. Superfície: Ao – Anticiclone atlântico misto que se prolonga pela Europa Ocidental. 19 de dezembro Altitude (500hpa): VWV – Vertente oeste de vale. Superfície: CD – Centro depressionário IV. 20 de dezembro Altitude (500hpa): Gc – Gota de ar frio de bloqueio em cut-off-low. Superfície: CD – Centro depressionário III.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 35 21 de dezembro Altitude (500hpa): Gc – Gota de ar frio de bloqueio em cut-off-low. Superfície: CD – Centro depressionário III. 22 de dezembro Altitude (500hpa): Gd – Gota de ar frio de bloqueio difluente. Superfície: CD – Centro depressionário IV.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 36 19 a 23 de março de 1980 | Identificada na Corunha, Santiago, Ourense e Vigo | Evento de frio – Índice Australiano T.mín ≤ P10 19 de março Altitude (500hpa): Gc – Gota de ar frio de bloqueio em cut-off-low. Superfície: CD – Centro depressionário III. 20 de março Altitude (500hpa): Gc – Gota de ar frio de bloqueio em cut-off-low. Superfície: CD – Centro depressionário III. 21 de março Altitude (500hpa): V – Vale planetário. Superfície: CD – Centro depressionário III.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 37 22 de março Altitude (500hpa): V – Vale planetário. Superfície: CD – Centro depressionário III. 23 de março Altitude (500hpa): V – Vale planetário. Superfície: CD – Centro depressionário III.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 38 05 a 08 de novembro de 1980 | Identificada na Corunha, Santiago, Ourense | Evento de frio – Índice Australiano T.mín ≤ P10 05 de novembro Altitude (500hpa): Gome – Gota de ar frio de bloqueio em ómega. Superfície: CD – Centro depressionário IV. 06 de novembro Altitude (500hpa): Gd – Gota de ar frio de bloqueio difluente. Superfície: CD – Centro depressionário III. 07 de novembro Altitude (500hpa): Gd – Gota de ar frio de bloqueio difluente. Superfície: CD – Centro depressionário III.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 39 08 de novembro Altitude (500hpa): Gd – Gota de ar frio de bloqueio difluente. Superfície: CD – Centro depressionário III. 19 e 24 de novembro de 1985 | Identificada na Corunha, Santiago, Ourense, e Vigo | Evento de frio – Índice Australiano T.mín ≤ P10 19 de novembro Altitude (500hpa): VED – Vertente este de dorsal. Superfície: At – Anticiclone atlântico misto ligado ao anticiclone térmico europeu.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 40 20 de novembro Altitude (500hpa): VED – Vertente este de dorsal. Superfície: At – Anticiclone atlântico misto ligado ao anticiclone térmico europeu. 21 de novembro Altitude (500hpa): VED – Vertente este de dorsal. Superfície: At – Anticiclone atlântico misto ligado ao anticiclone térmico europeu. 22 de novembro Altitude (500hpa): VED – Vertente este de dorsal. Superfície: At – Anticiclone atlântico misto ligado ao anticiclone térmico europeu.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 41 23 de novembro Altitude (500hpa): VED – Vertente este de dorsal. Superfície: At – Anticiclone atlântico misto ligado ao anticiclone térmico europeu. 24 de novembro Altitude (500hpa): VED – Vertente este de dorsal. Superfície: Ap – Anticiclone atlântico misto com apófise polar.
A OAN e a sinótica das vagas de frio| | Noroeste da Península Ibérica ____________________________________________________________ Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território | FLUP – 2013 42 18 e 22 de fevereiro de 1987 | Identificada na Corunha, Santiago, Ourense, Vigo e Porto | Evento de frio – Índice Australiano T.mín ≤ P10 18 de fevereiro Altitude (500hpa): V – Vale planetário. Superfície: Ap – Anticiclone atlântico misto com apófise polar. 19 de fevereiro Altitude (500hpa): VWV – Vertente oeste de vale. Superfície: Ap – Anticiclone atlântico misto com apófise polar. 20 de fevereiro Altitude (500hpa): VWV – Vertente oeste de vale. Superfície: Ap – Anticiclone atlântico misto com apófise polar.