scieee AI-readable full text Open interactive document viewer

(Re)vivendo memórias através da educação: passos para a construção de um serviço educativo num equipamento cultural

Joana Isabel Fernandes Trancoso

Full text

Universidade do Porto Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação Joana Isabel Fernandes Trancoso (Re)Vivendo Memórias através da Educação: Passos para a construção de um serviço educativo num equipamento cultural Relatório apresentado na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, para obtenção do grau de Mestre em Ciências da Educação, realizada sob orientação da Professora Doutora Sofia Marques da Silva. 2013 Resumo A presente dissertação resulta do trabalho desenvolvido no âmbito do Mestrado em Ciências da Educação, na sua via profissionalizante, mais concretamente no estágio curricular realizado na Fundação da Juventude, no seu equipamento cultural, o Palácio das Artes – Fábrica de Talentos. Este percurso educativo, que parte de um interesse pessoal em trabalhar e conhecer as dinâmicas em espaços de educação não formal ocupados e vivenciados por jovens, desenvolve-se em torno da oportunidade de dinamizar este equipamento cultural em pleno centro histórico da Cidade do Porto. O Palácio das Artes, que tem como principal objetivo impulsionar, expor, e incentivar o trabalho de jovens criadores, assim como a sua inserção no mercado de trabalho, situa-se no largo de S. Domingos e transporta consigo um passado histórico rico e diverso, sendo alvo de algumas remodelações ao longo do tempo. Ao longo deste processo o espaço preservou vários elementos deste passado que se constituem como um importante elo de ligação com a comunidade e que assumiram um papel preponderante nesta experiência profissionalizante. O trabalho enquanto estagiária foi sendo realizado em torno da idealização, desenvolvimento de um Serviço Educativo neste local. Assim, foram concretizadas várias ações que pretenderam aproximar o público jovem do trabalho do Palácio e da Fundação da Juventude, tendo como um ponto central o seu património e herança cultural. Entre algumas das atividades destacam-se o plano de workshops envolvendo diferentes temáticas; dinamização de visitas de vários públicos ao espaço e o desenvolvimento de uma vertente específica do projeto do Serviço Educativo, os circuitos de visitas e memórias. Este caminho aqui relatado e analisado potenciou, para além da problematização entre temáticas como a Juventude, Património, Cultura e Arte, um conjunto de reflexões acerca da construção da própria profissionalidade em Ciências da Educação e das competências que estes contextos integrados em zonas históricas potenciam. Résumé Les résultats de ce travail de thèse au sein de la maîtrise en éducation dans sa voie professionnelle, en particulier dans curriculaire qui s'est tenue à la Fondation de la Jeunesse dans ses installations culturelles, le Palais des Arts - Talent usine. Ce parcours éducatif, qui part d'un intérêt personnel dans le travail et connaître la dynamique dans les espaces d'éducation non-formelle occupés par les jeunes et expérimentés, se développe autour de la possibilité de conduire cet établissement culturel dans le centre historique de Porto. Le Palais des Arts, qui a pour principal objectif de promouvoir, exposer et encourager le travail des jeunes artistes, ainsi que leur intégration dans le marché du travail, est situé sur la place de S. Domingos et entraîne avec lui un passé historique riche et diversifié, été la cible de quelques rénovations au fil du temps. Tout au long de ce processus, l'espace préservé de nombreux éléments de ce passé qui constituent un lien important avec la communauté et qui ont joué un rôle prépondérant dans cette expérience professionnelle. Travailler en tant que stagiaire se tenait autour de l'idéalisation d'un service éducatif de développement à cet endroit. Ainsi, nous avons mis en place plusieurs actions destinées à entraîner le jeune public de l'œuvre et le Palais de la Fondation Jeunesse, et en tant que point central de son patrimoine et le patrimoine culturel. Parmi quelques-unes des activités que nous mettons en évidence le plan qui offre des ateliers sur différents thèmes; promotion de visites à divers espaces publics et le développement d'un aspect spécifique du projet du Service de l'éducation, des visites circuits et de souvenirs. De cette façon, ici potentialisée signalé et analysé en plus de questions posées par des questions telles que la jeunesse, du Patrimoine, de la Culture et des Arts, un ensemble de réflexions sur la construction de leur propre professionnalisme dans l'éducation et les compétences intégrées dans ces contextes potentialisent les quartiers historiques. Abstract The results of this dissertation relates to vocational training process within the Masters in Education, took place at the Youth Foundation, specifically or better in the Palace of Arts - Talent Factory. This educational pathway parts of a personal interest in working and understanding the dynamics in non-formal education spaces experienced by young people, led to the opportunity work within this cultural facility located the historic center of Porto. The Palace of Arts, that has as main objective to promote, expose and encourage the work of young designers as well as their integration into the labor market, is located in the S. Domingos and carries out a very rich historical past. This place has involved in been in some building renovations over time. However, many elements where preserved being this past as an important link with the community. The work as an intership student was developed on the idealization and development of an Educational Department Structure. Therefore, we implemented several actions intended to atract different audiences as young people the Palace of Youth Foundation, having as central point the cultural heritage. Among some of the activities we highlight several workshops organised under different themes, as well as visits to the diferente spaces of Palace of Arts. Finally, the design of a structure of circuits of visits and memories was a major part of this professional experience. The experience here reported and analyzed potentiated beyond the problematization of Youth, Heritage, Culture and Arts questions, a set of reflections on the construction of professional competences’ in Education of Sciences. Agradecimentos Neste momento preponderante do meu percurso de formação considero ser o momento focal para agradecer a todos/as aqueles/as que estiveram comigo neste longo e rico percurso. É fundamental agradecer desde já à Fundação da Juventude que acolheu o meu trabalho e me possibilitou experienciar na prática uma série de vivências essenciais para a minha profissionalidade. Dirijo-me claro a toda a equipa de trabalho da Fundação, em específico à sua presidente, que abriu as portas da instituição para o desenvolvimento do meu estágio profissional. Claro que não poderia deixar de dirigir uma palavra em especial à equipa do Palácio das Artes – Fábrica de Talentos, nomeadamente à minha supervisora local a Gestora de Projetos do Palácio das Artes – Fábrica de Talentos, e à programadora das Feiras Francas, que me receberam de uma forma bastante acolhedora, tentando dar resposta e potenciando o desenvolvimento das minhas competências enquanto profissional das Ciências da Educação. Uma palavra em especial à minha colega de estágio pela partilha e troca de experiências. Também à minha família e todos/as os/as amigos/as que me auxiliaram, me deram confiança e motivação para desenvolver o meu trabalho merecem um lugar de destaque neste momento. Por fim, e claro não menos importante, o meu maior agradecimento a todo o apoio prestado, tanto a nível educativo como pessoal, à minha orientadora de estágio a Professora Doutora Sofia Marques da Silva que me transmitiu toda a força, segurança e firmeza necessárias na realização destes seis meses de trabalho de estágio e que permitiu a elaboração do presente relatório. Abreviaturas PAFT: Palácio das Artes – Fábrica de Talentos 7 Índice Introdução……………………………………………………………………………………11 Parte I. Análise e caracterização do contexto de intervenção…………………………….15 Capítulo I: a Fundação da Juventude……………………………………………………...16 1.1. O equipamento cultural – PAFT…………………………………………………...18 1.2.O espaço do Largo de S. Domingos: o que se avista………...……………………..22 Parte II. Enquadramento teórico-conceptual: a caminho de uma problemática de intervenção……………………………..……………………………………………...24 Capítulo I: as juventudes e as suas vivências de transição..................................................25 1.1.O desenvolvimento de um foco de problema……………….……………………...25 Capitulo II: vivenciando as juventudes.................................................................................27 2.1. O olhar perante as juventudes……...………………………………………………27 2.1.1. Antes de ser jovem………….……………………………………………….27 2.1.2. Ser jovem: diversidades e culturas……..…………………………………...32 2.1.3. A intimidade na heterogeneidade das juventudes: passado e presente……...36 Capitulo III: transformar um espaço de memória num lugar educativo……...………...38 3.1. Dimensão educativa de um serviço….…………………………………………….38 3.2. A criatividade na origem de um serviço…………………………………………...40 Capitulo IV: revivendo memórias para pensar o futuro…………………………….…....41 4.1. Tradição e Cultura: pertinências sociais……..…………………………………….43 4.2. Cultura Material: pertinências educativas………………….………………………44 4.3. Património e Identidade: construção de visões do mundo…………………………45 8 Parte III. Opções metodológicas de intervenção……………………………………….….49 Capítulo I: desfolhando o contexto da ação numa intervenção – orientações epistemológicas........................................................................................................................50 Capítulo II: conhecer a instituição para pensar o projeto…...……………………….......54 Parte IV. Um percurso educativo e profissionalizante: etapas que constroem a linha condutora de um estágio…………………………………………………………………….65 Capitulo I: construindo o caminho de um serviço educativo…………………………......66 1.1. Relembrando a ação de diagnóstico – conhecer para potenciar…...………………….70 1.2. Sessões dinâmicas de formação: A Arte, História e Juventude……………………....73 1.2.1. Representando uma viagem ao passado……………….………………………...78 1.2.2. O olhar dos/as jovens perante o património da cidade…………………………..80 1.2.3. Aproximando a juventude ao PAFT……….……...….………………………….83 1.2.3.1. Empregabilidade e Técnicas de Procura de Emprego…………………….83 1.2.3.2. Oficina de Escultura: Reciclarte & Style……...…………..………………85 1.2.3.3. Gestão da Carreira Criativa…….…………………………………………87 1.2.3.4. Comande o seu Cérebro….………………………………………………..89 1.2.3.5. Gestão de Conflitos em Contexto Escolar………………………………...91 1.3. Voltando o PAFT para a comunidade….……………………………...……………...93 1.3.1. Projeto circuito de visitas e memórias………….………………………………..93 1.3.2. Dar a conhecer o Palácio das Artes: acompanhar diversos públicos…………….97 1.4. Ações de integração na dinâmica institucional: outras atividades desenvolvidas no Palácio das Artes………………………..…………………………………………………99 Capítulo II: analisando a ação – etapas da construção de um serviço educativo……...101 2.1. O património como potenciador educativo………………………………………….102 2.2. Articulando as juventudes, a arte e a educação não formal………………………….103 9 2.3. O processo de mediação intrínseco ao Serviço Educativo…………………………..105 2.4. Integrando a equipa do PAFT……………………………………………………….108 2.5. Serviço educativo dinamizador do Palácio das Artes – Fábrica de Talentos………..109 Parte V. Refletindo sobre a avaliação e monotorização da intervenção…….……….....111 Parte VI. Considerações finais: refletindo sobre a ação e as suas contribuições para a profissionalidade em Ciências da Educação……………………………………………...117 Referências bibliográficas…………………………………………………………………122 Apêndices………...…………………………………………………………………………132 16 Capítulo I: a Fundação da Juventude O presente relatório procura dar conta de uma experiência profissionalizante que tinha como finalidade global contribuir para equacionar e desenvolver a construção de um serviço educativo numa organização que desenvolve o seu trabalho, entre outras, em torno das questões da juventude. Este processo viria a desenvolver-se no interface entre a Fundação da Juventude e um dos seus mais inovadores equipamentos o Palácio das Artes – Fábrica de Talentos. É em torno da descrição, caracterização e análise destes contextos que se interligam que se desenvolverá esta parte do texto Iniciando uma apresentação da instituição, a Fundação foi criada em 1989 com a parceria de 21 instituições de carácter público e privado, chegando a ser declarada em 1990 como instituição de utilidade pública sem fins lucrativos. Entre as diferentes entidades parceiras posso destacar: Águas do Douro e Paiva; Associação de Jovens Agricultores de Portugal; Associação Nacional e Jovens Empresários; Fundação Minerva; EDP – Energias de Portugal, S.A.; Câmara Municipal de Gondomar, Maia, Matosinhos, Porto, Vila Nova de Gaia, Tavira, Santa Maria da Feira e Funchal; entre outras entidades fundadoras da instituição2. A sede da Fundação da Juventude, a nível nacional, encontra-se na cidade do Porto, contudo possui Delegações nas Regiões de Lisboa, Vale do Tejo e no Algarve. Em termos físicos, a Fundação possui uma série de espaços que podem ser requisitados para a exposição de trabalhos, ou para realização de seminários, workshops ou tertúlias. Deste modo, a instituição, por um lado cumpre o seu objetivo geral através deste “abrir portas” e, por outro lado dá a conhecer o seu trabalho a outras entidades. A instituição possui, no 1º piso, um auditório com 127 lugares devidamente equipado com material audiovisual. Para além disto, é possível encontrar uma galeria para exposições no piso térreo e algumas salas para realização de workshops ou oficinas, bem como os vários gabinetes de trabalho da equipa administrativa. O passado como reconhecimento do presente Desde o ano da sua emergência, a Fundação da Juventude na cidade invicta, encontra-se estabelecida no edifício Casa da Companhia. Esta que «(…) é um vasto prédio composto por um piso térreo e um andar nobre, com entrada principal na Rua das 2 Fundação da Juventude, online em http://www.fjuventude.pt/fundacao-da-juventude-83-orgaos-sociais; 17 Flores e com um pequeno alpendre de linhas simples que dá acesso a um pátio de pavimento lajeado»3 e que herda a sua denominação da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro que ocupava o espaço em 1761. De forma a preservar o local, onde se instala a fundação (Casa da Companhia) e a própria noção de centro histórico, a instituição conjuga os seus objetivos com a promoção do vinho do Porto enfatizando a integração dos/as jovens no mundo laboral e o consumo de bebidas alcoólicas moderado. No número 69 da antiga rua Nova de Santa Catarina das Flores encontramos a Fundação da Juventude. Esta rua da cidade do Porto que se reflete como relevante pois, e tendo como referência o projeto “Porto Vivo, SRU,” mais especificamente com o seu guia Eixo Mouzinho/Flores4, desde 1921 que se afirmou como um ponto de ligação entre o Largo de S. Domingos e o Mosteiro de Avé - Maria. Para além disto, e posteriormente a retratar a primeira rua calcetada da cidade portuense, era uma referência para a circulação mercantil. Em consequência destes factos e dada a sua localização, a hoje reconhecida Rua das Flores transformou-se rapidamente num ponto atrativo para as classes nobres da sociedade. Como prova disto mesmo, e segundo a fonte anteriormente mencionada, podemos encontrar ainda hoje edifícios, como por exemplo a Casa dos Maias, a Casa dos Cunha Pimentel, a Casa dos Sousa e Silva, entre outros, que foram outrora ocupados e vivenciados por famílias nobres. No local caraterizado, que evidencia riqueza histórica, surge na cidade do Porto «(…) a primeira Fundação privada de âmbito nacional com a missão exclusiva de promover a integração dos jovens na vida activa e profissional» 5. Tendo como principais áreas de interesse e atuação, a Fundação foca-se essencialmente no campo social e de formação cívica, assim como a cultura e a criatividade compõem dimensões centrais da acção da instituição. A dimensão histórica não poderia deixar de fazer parte da análise global da instituição, uma vez que estas memórias culturais poderão consistir num elo de ligação entre a comunidade e a missão central da Fundação da Juventude. 3 Fundação da Juventude, online em [http://www.fjuventude.pt/fundacao-da-juventude-11-casa-da- companhia] 4 Projeto da Porto Vivo, SRU que edita o guia Eixo Mouzinho/Flores que retrata a relevância da regeneração de uma importante zona da Cidade do Porto, ou seja a relevância da reabilitação de espaços públicos. 5 Revista da Fundação da Juventude (s/d) Fábrica de Talentos nº 0; 18 A missão e objetivos da Fundação Focando a missão central da instituição, de teor educativo não formal que se encontra mencionada nos seus estatutos, esta prende-se com a intenção de «realizar ou apoiar iniciativas destinadas a promover a integração dos jovens na vida adulta e activa ou com carácter social ou cultural a eles expressamente dirigidas (…)»6. Para concretizar a missão da instituição, esta propõe-se criar condições de modo a facilitar a inserção dos/as jovens no mercado de trabalho; fomentar uma consciencialização empreendedora bem como incentivar e valorizar o gosto pelas áreas da ciência e tecnologia; promover ações que potenciam a sensibilização dos/as jovens para as questões da cidadania e participação ativa tendo em vista a prevenção da marginalização e exclusão social; despertar no público juvenil a preocupação para as questões relacionadas com a preservação do património e da herança cultural; proporcionar redes de intercâmbio através de parcerias nacionais e internacionais, possibilitando a troca de experiências e conhecimento. A Fundação promove ainda um leque de eventos que permitem dar resposta aos objetivos a que se propõem, dando a conhecer a sua dinâmica interna e forma de atuação. São assim desenvolvidas atividades que incentivam os/as jovens cientistas, criadores/as e investigadores/as, assim como programas de apoio à criação de empresas dirigidas por jovens e projetos de apoio social e de voluntariado. Propicia a formação técnica e profissional através do seu Sistema de Aprendizagem que potencia a realização de cursos técnicos a jovens, com idades inferiores a 26 anos, e conferem certificação ao nível escolar e profissional. Importa ressaltar o desenvolvimento de oficinas e workshops, bem como a realização de publicações e guias informativos que se encontram à disposição de todos/as. Entre outras ações, é merecedor de destaque a possibilidade dos/as jovens acederem a bolsas de estudo e estágios profissionais que a instituição promove e/ou facilita através do apoio técnico e financeiro. 1.1. O equipamento cultural: Palácio das Artes – Fábrica de Talentos De forma a dinamizar o centro histórico da cidade do Porto, transformando-o num foco de atração, a Fundação da Juventude adquire em 2001 um novo equipamento: o Palácio das Artes – Fábrica de Talentos. Este edifício que se apresenta como «um dos 6 Fundação da Juventude, online http://www.fjuventude.pt/fichuprelanex/fx2692.pdf 19 edifícios mais marcantes e pleno de história da cidade [que foi] (…) objecto de recuperação. Desde 2001, propriedade da Fundação da Juventude, o chamado Edifício Douro, no Largo de S. Domingos, [alberga] (…) um espaço destinado ao apoio a jovens artistas e outras valências (…)» (Silva, 2009: n.p.). O PAFT constitui-se como um projeto que visa a criação de um centro de desenvolvimento cultural, social e económico na baixa portuense. Tem como principal objetivo apoiar a inserção dos/as jovens criadores/as na vida ativa, fornecendo ferramentas de auxílio à formação, produção, e divulgação dos seus projetos artísticos e culturais. Convém salientar que foi este equipamento cultural que acolheu a minha estadia na instituição e para o qual se dirigiu o meu trabalho enquanto estagiária. As memórias que atravessam o presente… Percecionando este espaço cultural, e tendo em vista o desenvolvimento de um serviço educativo que impulsiona uma aproximação do público jovem ao PAFT através da dimensão do património, é pertinente obter uma visão do seu passado para constituir a sua atualidade. A mais recente infraestrutura da Fundação da Juventude, caracterizada pela sua dimensão histórica e cultural, situa-se na antiga Praça ou Terreiro de Santa Catarina, hoje reconhecido como largo de S. Domingos. A fachada do Palácio das Artes, ou também designado Edifício Douro, surge como a única parte física, se assim se pode dizer, que resta do antigo Convento de São Domingos, que deu nome ao largo onde se situa. Este último, que havia sido mandado construir em 1239, sendo apenas finalizado em 1245 por D. Sancho II protetor e também fundador da chamada ordem de S. Domingos. Este convento fica marcado ao longo de muitos séculos pelas reuniões entre «(…) os vereadores, juízes e outras entidades para tratarem de assuntos que diriam respeito ao burgo» (Silva, 2007: 1). Para além das referidas reuniões, o espaço do convento de S. Domingos era caracterizado por ser uma zona de grande comercialização e movimentação da cidade Portuense, «servia também para mercadores, nacionais e estrangeiros, nomeadamente venezianos, florentinos e napolitanos exporem por ali, diante dos olhos ávidos do povo e da burguesia endinheirada (…)» (idem: 1). Como prova disto mesmo, em 1451 inicia-se nos claustros do Convento as famosas Feiras Francas pela mão de D. Afonso V, sendo realizadas no primeiro dia de cada mês durante sensivelmente 111 anos (idem). Não só 20 o comércio caracterizava este espaço mas também o ensino, pois foi neste local onde pela primeira vez existiu ensino universitário no Porto, através dos cursos de teologia. O espaço conventual foi contudo alvo de quatro diferentes incêndios sendo o último registado em 1832 deixando o edifício num estado de degradação. Todavia, já em 1825 o edifício parcialmente remodelado havia sido ocupado pelas instalações do Banco de Portugal, na altura designado por Banco de Lisboa, que procurou manter intacta a fachada do edifício e adapta-lo às necessidades de um Banco, «os Administradores da Caixa Filial do Banco de Lisboa, nesta Cidade do Porto, fazem saber ao Público, que a dita Caixa se acha estabelecida na Casa que forma o frontispício do Convento de S. Domingos»7. Devido ao estado de degradação do edifício em 1865 fora vendido a particulares, onde mais tarde em 1934 a Companhia de Seguros Douro ocupa o local introduzindo novos elementos «(…) decorativos interiores, como azulejos, isolamento do telhado e o embutimento dos cofres e armários, contribuindo no entanto para a manutenção deste edifício de importância histórica para a cidade» (idem: 4). Em 2001, como já foi referido, surge pelas mãos da Fundação da Juventude o Palácio das Artes alojado no Edifício Douro no largo de S. Domingos numa zona histórica do Porto classificada de Património urbanístico da humanidade pela UNESCO, de forma a enfatizar a dinamização do centro histórico. Isto porque, «a autenticidade e a força da imagem do Porto são consequências da protecção que o Centro Histórico tem tido por parte do Município e do investimento que este tem feito para reabilitar os edifícios degradados, o meio urbano e as actividades que trazem bem-estar e qualidade de vida à população em geral»8 O Palácio das Artes – Fábrica de Talentos encontra-se remodelado, posteriormente a algumas obras de restauro onde se tentou manter alguns espaços preservados. Assim, no seu interior podemos encontrar uma grande escadaria seguida do encontro com um piso nobre que contem 7 diferentes salas multidisciplinares, utilizadas para exposições, tertúlias, workshops, ações de formação, reuniões empresariais, exibições de moda, concertos. No piso inferior a este salão nobre situamse os gabinetes da administração assim como, as instalações de uma empresa de design jovem, a Menina Design. Já nos pisos superiores é possível verificar a existência do que se denominam de residências artísticas que acolhem jovens criadores/as, de forma 7 Revista Interna do Banco de Portugal, 1986: 754; 8 Porto Vivo, SRU, 2010: 46 21 gratuita, apoiando a criação, produção e distribuição dos seus projetos de índole artístico. O edifício encontra-se equipado com departamentos distintos e relativamente inovadores, embora seja de relevar a notória preocupação relacionada com o perpetuar das memórias do edifício. Assim, no seu interior vários elementos como os cofres outrora do banco de Portugal assim como a fachada mantêm-se ainda intactos. Mais ainda, atualmente a realização das Feiras Francas possibilita a dinamização do largo, que já constituiu uma das zonas comerciais mais movimentadas da cidade, trazendo para o presente as vivências de outras épocas históricas. Ou seja, retratando um evento que no passado refletia grande agitação no espaço, pretende-se o reviver de uma forma criativa e inovadora o presente da atividade comercial. «Para além deste espaço, os cofres que ainda hoje marcam presença, uma vez que o edifício Douro outrora foi Banco de Portugal, se encontram no local, conferindo um carácter curioso ao mesmo» (Nota de terreno, 29 de Março de 2012)9 As Feiras Francas, que recuperam uma tradição de 111 anos, e contrariamente ao que acontecia até ao final do ano passado, são realizadas no primeiro Sábado de cada mês. Estas têm como objetivo central promover, expondo de forma gratuita, o trabalho de jovens criadores de forma a potenciar a comercialização e inserção no mercado de trabalho deste público. Pretendem ainda dinamizar o centro histórico da cidade juntamente com a comunidade local, com o turismo, impulsionando uma ligação entre o património, a tradição, a economia, a cultura e as artes. Desta forma, promovem uma aproximação e divulgação do trabalho de jovens criadores/as para todo o tipo de público, partilhando projetos de índole artístico com vários tipos de público, nomeadamente os/as vários/as turistas que percorrem o interior do PAFT. O evento de carater mensal é sempre realizado em torno de uma temática, sendo os projetos artísticos escolhidos em consonância com esta. Para além de se enfatizar obras artísticas nas áreas de Artesanato Urbano; Eco Design; Mobiliário; Acessórios de Moda; Cake Design e Produtos Gourmet, são apresentadas performances de jovens em áreas como a dança, o teatro e música. 9 Apêndice XX – Exemplar de nota de terreno 22 «Este público que procurou visitar a Feira na sua maioria abrangia todas as faixas etárias, sendo os/as jovens caracterizados/as por um estilo extravagante de se vestir, que podemos associar por assim dizer ao mundo característico das Artes. Também a sua maioria levava consigo lembranças da Feira, sinal que existia um grande poder económico entre os visitantes, e onde a presença dos turistas se fez sentir» (Nota de terreno, 27 de Outubro de 2012) Nos dias de realização de Feiras Francas era notória maior agitação da população junto ao largo de S. Domingos, o que contrastava com a tranquilidade e pacatez característica do ambiente e contexto em questão. 1.2. O espaço do largo de S. Domingos: o que se avista Visto que o espaço do largo de S. Domingos nos transporta para a dimensão histórica e para o reviver da cidade, faz todo o sentido fazer uma breve abordagem à caracterização do mesmo. Olhando para o seu passado, nomeadamente para a época da vivência do convento de S. Domingos, este local remete para uma forte movimentação comercial, sendo o espaço ocupado por uma série de diferentes mercadores oriundos de diferentes partes do mundo. Atualmente o espaço exterior do PAFT é marcado pela presença de vários estabelecimentos comerciais dedicados ao artesanato e ao público turístico, assim como preenchido por vários/as jovens que passam pelo local e que aparentam, através do seu vestuário, serem portadores/as de uma grande irreverência e criatividade. Não só estes espaços marcam a envolvência externa do Palácio mas também a presença da Escola Superior Artística do Porto (ESAP), que tem a sua sede em pleno largo de S. Domingos e que produz influência na criação de espaços artísticos na zona. Esta última, que traz consigo uma movimentação extra ao local de jovens criadores/as que se interessam pelo trabalho desenvolvido pela Fábrica de Talentos. Um pouco diferente desta dinâmica destes/as jovens, a presença de um espaço educativo muito perto das instalações do Palácio não permite ainda a aproximação deste público jovem, com áreas de interesse mais distintas, ao PAFT. 23 «foi o momento de olhar o edifício na sua parte exterior, onde se visualiza alguns estabelecimentos que se encontram à exploração do local (…) um restaurante, uma loja muito relacionada com materiais artesanais, e até uma casa de apostas da Santa Casa da Misericórdia, (…) com o passar do tempo, foram aparecendo mais jovens, estes que possuíam na sua maioria um estilo de vestuário muito semelhante, na sua exuberância e singularidade» (Nota de terreno, 29 de Março de 2012) A partir deste largo são visíveis os contrastes no seio do grupo social das juventudes. Assim torna-se claro que existem várias formas de se viver a juventude resultantes de uma troca de interações entre o individuo e a sociedade e vice-versa. Nesta perspetiva, o indivíduo influencia e é influenciado, simultaneamente, pelo mundo social, exteriorizando o seu ser individual e conjugando as suas características pessoais e interiorizando valores e normas vigente nesta mesma sociedade (Berger, 1985). O PAFT encontra-se também rodeado de uma série de outros espaços atrativos, como bares, o Palácio da Bolsa, o bairro típico da Ribeira, Casa do Infante ou a igreja de S. Francisco, que se revelam como meios de atração de diferentes públicos. 24 Parte II Enquadramento teórico conceptual: o caminho de uma problemática de intervenção 25 Capitulo I: as juventudes e as suas vivências de transição 1.1.O desenvolvimento de um foco de problema Sendo a minha formação inicial focada nas Ciências da Educação onde o campo educacional foi o foco primordial, faria todo o sentido expandir a problemática dos serviços educativos até ao meu projeto de estágio, contudo «(…) o campo disciplinar das ciências da educação não [é] definido por um “território” de factos sociais, mas sim pelo modo de articular como “olha” e se posiciona face a esse território» (Canário, 2003: 13). Este caminho, em torno da construção de um serviço educativo, foi partilhado com uma colega de estágio, onde cada uma de nós se focou numa das duas grandes valências que irão constituir o mesmo, sendo uma delas resultante das problemáticas atuais da Juventude e uma outra dirigida para a história e transmissão de um Património Cultural de forma educativa. No meu caso em concreto a segunda vertente deste serviço é aquela ao qual me dediquei e onde o olhar teórico se irá posicionar. Com toda esta bagagem de olhar o educativo, e os contextos onde esta dimensão se encontra presente, a minha articulação com a Fundação da Juventude torna-se pertinente pois esta instituição de utilidade pública surge com a missão de «(…) realizar ou apoiar iniciativas destinadas a promover a integração dos jovens na vida ativa e profissional(…)»10. Facto importante de destacar, relativamente aos objetivos da Fundação, prende-se com a realidade coincidente com as temáticas que se encontram a ser abordadas ao nível dos programas para a juventude na Europa como é visível através do Programa Juventude em Acção (2007-2013)11 a ser desenvolvido tendo como dimensões centrais a questão do desemprego e, nomeadamente, as dimensões da criatividade, do espírito de iniciativa dos/as jovens. De encontro às questões da criatividade e iniciativa dos/as jovens surge um equipamento da Fundação da Juventude, onde ocorreu em termos de ideologia e espaço 10 Fundação da Juventude, online em [http://www.fjuventude.pt/fundacao-da-juventude-9-missao-e- objectivos]; 11 O Programa Juventude em Acção encontra-se a ser desenvolvido pela União Europeia de forma a envolver o público jovem no sentido de «(…) estimular o sentido activo de cidadania europeia, a solidariedade e tolerância entre os jovens europeus e o seu envolvimento na construção do futuro da União Europeia» promovendo «(…) a mobilidade dentro e fora das fronteiras europeias, a educação não formal, o diálogo intercultural e encoraja a inclusão de todos os jovens, independentemente da sua origem educacional, social ou cultural» (Juventude, online). 32 para dar conta da totalidade das pessoas que ainda não perfizeram a idade convencional de 18 anos» (idem: 22). 2.1.2. Ser jovem: diversidades e culturas Tendo como base mais uma vez um autor marcante e um auxiliador da construção de um olhar sobre a juventude, Machado Pais refere que «histórica e socialmente, a juventude tem sido encarada como uma fase de vida marcada por uma certa instabilidade associada a determinados «problemas sociais» (Pais, 1990:141), contudo esta visão de unidade geracional não se coaduna com a minha visão perante este grupo diversificado. Isto é, contrariando uma visão geracional da juventude, esta deve ser olhada como um grupo heterogéneo, e tendo em conta a corrente classista de Pais «(…) as culturas juvenis são sempre culturas de classe, isto é, são sempre entendidas como produto de relações antagónicas de classe» (Pais, 1990: 158). Assim, atribui à juventude uma conotação de diversidade refletida pelas diferentes características existentes entre os/as jovens, esta é, portanto, uma corrente que considera a juventude um grupo ativo e heterogéneo, onde se verifica uma reprodução de classes sociais, e onde se enfatiza diferentes culturas. Um outro conjunto de teorias que importa destacar diz respeito às teorias subculturais interacionistas, onde a sociedade se reflete através de um conjunto complexo de subculturas. Estas últimas, que se encontram essencialmente interligadas com o mundo urbano, contribuindo para a construção identitária. Todavia, estas teorias subculturais não conseguem por sua vez dar explicação ao desvio e à própria etiquetagem dos indivíduos enquanto transgressores. As teorias da prática social encoram a cultura não apenas como uma reprodução das classes sociais mas também como uma forma de produção cultural onde a noção de resistência se apresenta como central. Neste sentido, não poderia deixar de convocar Paul Willis (1991) e o seu estudo desenvolvido com um conjunto de rapazes da classe operária (lads) que desenvolvem uma cultura anti-escolar como forma de resistência perante a classe dominante no contexto educativo. Assim, segundo Willis «a cultura não é estática, ou composta de um conjunto de categorias invariantes que possam ser deduzidas ao mesmo nível em qualquer tipo de sociedade» (Willis, 1991: 211). Contudo, a dimensão da classe social não constitui apenas a única marca de 33 diferenciação entre jovens, sendo esquecidas as questões de género, étnicas, enfatizando as classes trabalhadoras tornando-as ainda mais visíveis. No sentido de perspetivar a experiência das mulheres, nomeadamente no mundo juvenil, que se encontram mais invisíveis, desdobrando os conceitos de feminilidade e masculinidade, as teorias culturais feministas surgem criticando a realidade de uma posição periférica feminina nos estudos subculturais. Destacando o estudo de Angela McRobbie, e o seu conceito de cultura de quarto, percepciona-se que as raparigas são ativas mas apenas convivem com mais constrangimentos em torno da vida doméstica. Embora a presença feminina seja destacada, através desta visão, uma outra perspetiva é omitida, estou-me a referir às experiências das mulheres negras que voltam a ser esquecidas, tal como nos estudos subculturais. Não só as jovens negras são esquecidas nestes estudos, mas também as raparigas em geral, assim como a cultura juvenil gay, ou até mesmo os/as jovens portadores/as de deficiência. Tendo em consideração a outra vertente do serviço educativo que pretende abordar a problemática em torno deste grande grupo da Juventude, torna-se essencial abordar a questão dos processos de transição, uma vez que esta dimensão do serviço representa um recurso para a consolidação da minha vertente. Pois, «os processos de transição juvenis para o mundo adulto, não [abandonaram] por completo os estatutos de passagem mais tradicionais, sofreram novas actualizações na medida em que «o terreno em que as transições têm lugar é de natureza cada vez mais labiríntica»» (Pais, 2006, cit in Silva, 2008). A transição não linear que verificamos hoje encontra-se muito associada ao que Beck (2000) intitula por «sociedade de risco». Esta remete-nos para uma fase da sociedade na era moderna onde os riscos de ordem social, política, económica e individual não são alvo de análise pelas diferentes instituições responsáveis pela proteção e monitorização da sociedade (Beck, 2000). Deste modo, os/as jovens confrontam-se com uma sociedade que já não lhes oferece uma base sólida de segurança, mas sim uma imprevisibilidade e capacidade de lidar com o acaso, com a incerteza perante o futuro. Isto porque, «(…) a sociedade de risco, para além dos «riscos globalizados» que afectam todos os indivíduos e todas as sociedades, torna os indivíduos vulneráveis a uma forma de exclusão social que tem como veículo a invasão dos «eus» por relações sociais globalizadas e baseadas na distribuição diferenciada do poder» (Magalhães e Stoer, 2005: 64). Esta vulnerabilidade reflete-se numa trajetória para a vida adulta, já não caracterizada pela normalidade, mas sim por trajetórias 34 atípicas que integram uma maior responsabilidade individual. «Se na modernidade, marcada pela linearidade, as regras são seguidas, na pós-modernidade, marcada pela não-linearidade, está-se perante uma organização da acção que se baseia no «rulefinding» (Lash, 2003 cit in Silva, 2008). Ou seja, «hoje, essa trajectória biográfica, capaz de garantir um percurso previsível para o ingresso na vida adulta, constitui não mais a regra, mas a exceção» (Leccardi, 2005:48). Percecionado o meu ponto de vista e a minha experiência enquanto jovem, considero que a ideia de uma transição para o mundo adulto, a ideologia de um momento que faz o corte com uma fase de vida, se encontra cada vez mais dissipada. Isto porque, e olhando para a realidade de hoje, onde os/as jovens se encontram cada vez mais dependentes dos seus pais, devido à escassez de atividade profissional, ou por outro lado, pela escolaridade cada vez mais prolongada e necessária, somos confrontados/as com um processo de transição adiado. Pois, se regredirmos um pouco no tempo, encontraríamos momentos de marca, que significavam o corte com a realidade jovem, o casamento, a entrada no mercado de trabalho, a saída da casa dos progenitores são alguns exemplos disso mesmo. Os acontecimentos retratados já não se tornam tao significativos, ou melhor, na sua maioria encontram-se em decadência ou cada vez mais longínquos no tempo. Por este facto, olho a minha transição para o mundo da adultez como cada vez mais distante, como um futuro adiado, devido às condições económicas e sociais em que nos encontramos enquanto sociedade. Todavia, também me questiono se este processo se irá concretizar mas de várias e distintas formas, algures distantes dos acontecimentos reais, concretos já mencionados. De facto, «imbrincado nas dinâmicas da modernidade, o processo de globalização tem também induzido profundas transformações sociais, através da intensificação das relações entre as populações dos diferentes locais do mundo» (Guerreiro e Abrantes, 2007: 17). Tendo em conta Giddens, existe uma influência entre o global e local, existindo uma forma de compressão dos espaços aproximando assim os locais. Logo, confrontamo-nos com a necessidade de pensar as juventudes tendo em conta escalas globais, uma vez que os/as jovens movem-se «(…) hoje num quadro global, a verdade é que os modelos culturais e as dinâmicas do mercado de trabalho continuam a demonstrar acentuadas variações consoante o país e o local» (Banks e outros, 1992 cit in Guerreiro e Abrantes, 2007). 35 O processo de globalização, para além de todas as transformações que provocou nos processos de transição dos jovens para o mundo da adultez, produziu algumas agitações no mercado de trabalho tendo consequências nas transições juvenis. A juventude, este conceito, tem surgido muito associado às questões de crise. De acordo com Sérgio Grácio, esta crise juvenil surge relacionada com três tipos de fatores, «(…) em primeiro lugar uma série de consequências da escolarização, em seguida do desemprego juvenil e, por fim, de certas mudanças plausivelmente ocorridas nos modos de socialização familiar» (Grácio, 1992: 42). Deste modo, «os jovens de hoje confrontam-se com o desafio de se adaptarem a circunstâncias de vida mutáveis – o que pressupõe uma capacidade de ajuste, um domínio da arte da pirueta, um saber caçar oportunidades, uma mão cheia de perícias para ultrapassar a contradição entre a calculabilidade e a qualidade do fortuito» 14. Em consenso com as trajetórias não lineares vividas hoje pelos/as jovens, a inserção no mundo do trabalho já não se constitui de uma forma permanente nem resultante de uma boa qualificação dos indivíduos, o que podemos verificar é a realidade da precariedade que cada vez mais afeta o campo juvenil. A juventude enfrenta este problema, pois «(…) falar de inserção profissional dos jovens é falar de um problema social novo; é falar de integração profissional, social, cívica e simbólica; é, por último, falar de inclusão» (Alves, 2008: 89). O problema social da inserção laboral no campo juvenil traz consigo uma modificação nas estruturas familiares, uma vez que os/as jovens ficam dependentes economicamente de seus pais até mais tarde, devido a esta dificuldade acrescida de encontrar o seu lugar no mundo profissional, bem como na futura mas demorada constituição do próprio ceio familiar. «(…) Os jovens adquirem um novo estatuto, a “semi-dependência”, em que dependem economicamente dos pais (…)» (Furlong e Cartmel, 1997; Nilsen e outras, 2002 cit in Guerreiro e Abrantes, 2007). Surgem hoje em dia, apesar dos vários pontos menos positivos das perspetivas em relação às culturas juvenis, diversas abordagens com as quais o meu pensamento vai de encontro, e onde se pretende analisar as novas formações de culturas juvenis que tentam não se centrar nos desvios, e que têm em atenção dimensões como o género, etnia, a própria geografia. Desta forma, a noção aqui defendida não reduz este conceito a um simples grupo denominado juventude, mas sim a grupos diversos, com 14 Pais, Machado (2011) disponível online em: http://p3.publico.pt/actualidade/sociedade/763/arte-da- pirueta 36 características próprias e onde a melhor denominação se centra no plural do conceito – Juventudes. Esta última ideia que me permite ter em consideração, nas várias atividades que auxiliaram a idealização do serviço educativo, de que os/as jovens não partilham entre si os mesmos interesses, os mesmos gostos, objetivos, e que portanto as dinâmicas deverão ser caracterizadas pela diversidade alargando o seu campo de atuação. 2.1.3. A intimidade na heterogeneidade das juventudes: passado e presente A ideia de uma heterogeneidade presente nas transições dos/as jovens para a vida adulta, ou até mesmo nas várias formas de vivenciar este tempo de vida podemos encontrar estes diferentes caminhos dentro do próprio ceio do desenvolvimento da intimidade. Visto a intimidade representar uma dimensão histórica influente nos processos de transição juvenis e relevante para a representação do serviço educativo no PAFT, é importante neste momento fazer uma referência a estas vivências de foro intimo. Neste sentido, o recente desenvolvimento do planeamento familiar contribuiu em grande medida para o controlo dos nascimentos no seio familiar. Esta conceção de sexualidade descentrada da necessidade de reprodução assume-se como uma “sexualidade plástica”, sendo marcada por uma fácil transição entre relações sem compromisso. «Pela primeira vez, para uma massiva população feminina, a sexualidade podia estar separada do ciclo crónico de gravidez e parto» (Giddens, 1996: 19). Esta ideia associada à difusão dos ideais do amor romântico revolucionou as práticas e dinâmicas familiares. Contudo, importa ressaltar o facto de hoje em dia esta conceção se encontrar num processo de fragmentação sob a pressão da emancipação e da autonomia sexual feminina. O espaço da casa privatizou-se demarcando-se do contexto de trabalho, tornando-se num «(…) lugar no qual os indivíduos podiam esperar apoio moral, por oposição ao carácter instrumental do meio profissional» (idem). Perante a separação entre a casa e o local de trabalho, o poder patriarcal exercido nas relações familiares entrou em declínio na fase final do século XIX. Nesta linha de pensamento, a ênfase crescente na importância do envolvimento emocional entre pais e filhos atenuou o uso desse poder. Dito isto, «o controlo das mulheres sobre a educação dos filhos foi crescendo à medida que as famílias se tornaram mais pequenas e as crianças começaram a ser consideradas vulneráveis e necessitadas de educação emocional (…)» (idem: 29). Este facto contribuiu para uma mudança interna nas 37 relações familiares, pois verificou-se um maior controlo da figura feminina pelos seus filhos, encontrando-se a afeição materna acima da autoridade paterna. De acordo com o autor, na Europa pré-moderna, a maioria dos casamentos eram estabelecidos com base na negociação tendo em conta fatores económicos, e não como pressuposto a atração sexual mútua. Devido a estas transformações que a sociedade foi vivenciando ao longo do tempo, os casamentos na atualidade já são realizados com base num conjunto de sentimentos, entre os quais a própria atração sexual, sendo que os casamentos combinados caíram em desuso. Desta forma, foram-se também abrindo caminhos para que, nos tempos de hoje, já sejam permitidas as uniões legais entre indivíduos do mesmo sexo. Verificam-se hoje em dia alterações ao nível do parentesco resultantes do surgimento de instituições modernas que levaram a família para um “cenário de isolamento”. «As relações de parentesco eram geralmente consideradas uma base de confiança garantida; actualmente, a confiança tem de ser negociada e discutida e o compromisso é tanto um problema quanto nas relações sexuais» (idem: 68). Com todos estes fenómenos de mudança, as famílias recompostas surgem em resposta à rutura das relações de uma família nuclear através do divórcio. Este que é inegavelmente uma crise pessoal, que envolve dor e perda. No entanto, muitas pessoas tomam atitudes para ultrapassar positivamente esses obstáculos (Elliott, 2009). Este aspeto é uma das características mais preponderantes da relação pura, porque se porventura ambos os parceiros estiverem descontentes com a sua relação, isto é quando a intimidade já não se encontra em desenvolvimento, esta pode ser terminada. No período histórico correspondente à Segunda Guerra Mundial, ambos os sexos valorizavam o facto de uma rapariga preservar a sua virgindade até ao fenómeno do casamento. «(…) A reputação sexual das raparigas residia na sua habilidade para resistir ou conter avanços sexuais, a dos rapazes dependia das conquistas que conseguiam consumar» (Giddens, 1996: 7). Atualmente, com a modernização, apesar de esta ideia ainda permanecer muito enraizada nas culturas ocidentais, segundo o autor apontado, a forma de encarar a sexualidade mudou radicalmente. Posto isto, «a maior parte dos indivíduos, mulheres e homens, chegam actualmente ao casamento trazendo consigo um fundo substancial de experiência e de conhecimento sexual» (idem: 8). A partir dos diferentes processos de viver a intimidade, mais uma vez é refletida a ideia da heterogeneidade que marca o “ser Jovem”, pois «há pois que tentar, desde 38 logo, caracterizar sociologicamente a diversidade juvenil [para tal], recorre-se à noção das inserções objetivas diferenciadas que sujeitam os jovens a diferentes processos de socialização» (Nunes, 1998:1). Capitulo III: transformar um espaço de memória num lugar educativo 3.1. Dimensão educativa de um serviço Perante este sentido abrangente de juventudes, parece-me neste momento conveniente centralizar a minha reflexão na problemática dos serviços educativos. Desta feita, «o aparecimento acelerado de serviços educativos por todo o país é um facto que não pode ser ignorado»15, o crescente desenvolvimento destes serviços iniciaram um movimento de mediação entre o público a as instituições de carácter cultural, com o objetivo de criar uma maior dinâmica nestes espaços, aumentando as visitas a estes locais e fomentando novas aprendizagens. Embora nos encontremos num momento de crise económica e social no nosso País, «(…) o exercício de adaptação a que ela nos obriga é de alguma forma uma oportunidade de reflexão, sempre útil e mesmo indispensável» (Vasconcelos, 2011: 7). Por este facto, apesar das condições adversas que nos rodeiam, os serviços educativos permanecem como relevantes no cerne de uma instituição que se caracteriza com uma missão educativa, pois é «consensual o entendimento dos mesmos como territórios de participação, que visam uma mediação significativa entre a colecção/exposição e os seus visitantes, promovendo momentos de encontro, reflexão e construção de conhecimentos, considerando as múltiplas formas de aprender, de ver e de sentir» (Barriga, 2011: 2). Por todas as características inerentes aos serviços educativos estes «(…) têm vindo a ocupar, desde meados do século XX, um papel fundamental nas instituições culturais, mais especificamente nas de carácter museológico»16. De facto, a preocupação com a construção deste tipo de serviços remete-nos para os anos 60, mas só na década de 80 este tipo de estruturas começam a ter visibilidade em instituições como museus, «(…) contudo, mais de uma forma esporádica e espetacular do que como uma política integradora do museu com a comunidade» (Felgueiras, 2000: 71). Precisamente nos 15 Comunicação- Rede Nacional de Serviços Educativos 16 Jornal do Museu dos Transportes e Comunicações, 2003: 4 39 anos 80 os serviços educativos, mais especificamente os dos museus do Estado assistem à, legitimação, «(…) da sua categoria criada por despacho de Decreto-Lei nº 45/80, que menciona: “Cria-se nos quadros dos museus do estado a carreira de monitor do serviço educativo, atribuições: o monitor colabora na acção cultural do museu, exercendo junto do público, funções de educação, animação e informação”» (Moura, 2011: 6). A questão do educativo, da acção educativa, transparece como permanente e relevante para se pensar as dinâmicas destes serviços. Ou seja, para a criação de um serviço onde se pretende transmitir uma série de conhecimentos, que seja dinamizador de uma série de atividades marcadas pela dimensão educativa, não poderia deixar de aprofundar um pouco mais este campo. No seguimento da última ideia, «a apropriação pelo sujeito do sentido educativo de uma acção pode ser realizado de diferentes formas, o que torna ainda mais difícil afirmar, observar e definir uma acção como educativa» (Almeida, 2003: 102). Isto é, construir um serviço que se destina a dinamizar ações educativas que permitam uma transmissão da mensagem identificativa de uma instituição, neste caso em concreto da exaltação de uma noção de jovens empreendedores onde seja possível estabelecer uma ponte entre estes e o mercado de trabalho, valorizando a criatividade e o mundo artístico, deve ser pensado segundo algumas orientações que possibilitem uma absorção de aprendizagens por parte de todo o tipo de público, neste caso em concreto predominantemente jovem. Tendo em conta especialmente o público juvenil, que mais povoa a instituição em causa, de acordo com o Livro Branco da Juventude, as aprendizagens e a «(…) a educação deverá ser plural e oferecer um amplo leque de métodos e modos de aquisição das competências e instrumentos necessários à formação (…)» (2001 : 34). Ou seja, no âmbito de um serviço educativo a educação não deverá ser, no meu ponto de vista, um reflexo de uma educação escolar, uma vez que também «é nos seus quotidianos que os/as jovens procuram formas originais de fazer o seu lugar no mundo, ou melhor, de não perder o seu contacto com o mundo e com os/as outros/as» (Silva, 2008:20). A educação de carácter mais formal não se revela como a melhor opção para pensar a problemática do educativo neste tipo de serviço. Uma vez que uma educação deveras formal poderá opor-se «(…) a uma educação que promova formas múltiplas de expressão cultural e o desenvolvimento interior de cada um, as suas faculdades e potencialidades, que torna cada um diferente, único» (Almeida, 2003: 21). Logo, em contextos educativos não-formais «(…) são as experiências pessoais e sociais, bem 40 como as vivências significativas e mobilizadoras que justificam a sua existência e importância no âmbito das sociedades contemporâneas» (Trindade e Cosme, 2008: 23). As ações educacionais que caracterizam os serviços educativos envolvem de uma certa forma uma dimensão onde se encontra patente «(…) a vontade de transmitir e a de construir conhecimento, de nos tornarmos membros de um grupo e de nos autonomizarmos como sujeitos, sendo nesta dupla relação de semelhante e de diferente que nos tornamos portadores, reprodutores e produtores de cultura» (Almeida, 2003: 21). Os serviços educativos procuram aproximar-se «(…) progressivamente das indústrias culturais, oferecendo experiências atrativas a um visitante que procura cada vez mais o prazer através do consumo de imagens, ideias e experiências» (Peralta, 2008: 373). 3.2. A criatividade na origem de um serviço A criatividade e inovação na criação das atividades envolventes neste serviço poderá ser focal para o sucesso do mesmo, pois «embora a educação haja negligenciado a criatividade no passado, seria insensatez descambar para o extremo oposto e exaltá-la em detrimento da disciplina mental e do domínio do assunto que deve ser estudado» (Kneller, 1978: 105). Mas o que se entende por ser criativo? O que é a criatividade? Segundo o autor anteriormente mencionado, toda a conceção de criatividade deve incluir a dimensão da novidade, ou seja o ato de criar provem da descoberta e expressão de determinada ideia. Para além disto, a criatividade associa-se muitas vezes a uma forma de solucionar problemas. Isto porque, «alguns psicólogos sustentam que a criatividade é apenas um tipo especial de solução de problema, marcado por traços como novidade, persistência e extrema dificuldade em formular o problema» (idem: 23). Tendo ainda como referência Kneller, existem uma série de condições que devemos ter em conta no ato criativo. Assim, uma delas remonta para a recetividade, uma vez que as ideias criativas não podem ser forçadas e não poderão surgir se não existir recetividade por parte do sujeito. Uma segunda condição essencial foca-se na questão da imersão no sentido em que o sujeito «(…) nutre de ideias a imaginação; robustece a mão do criador, oferecendo-lhe uma gama de abordagens em relação ao problema (…)» (idem: 74). Outras características como a dedicação à criação a 41 imaginação na produção de ideias, assim como a interrogação no momento criativo surgem como fundamentais. A concretização de erros ao longo do momento criativo potencia também o caminho a encontrar para a solução e criação. Posteriormente à passagem por todas estas condições inerentes ao ato de criar a própria obra ganha vida e «(…) transmite suas próprias necessidades ao criador» (idem: 77). Capitulo IV: revivendo memórias para pensar o futuro Tomando em consideração esta perspetiva a noção de cultura surge como pontochave no âmbito do campo de um serviço educativo. Desta forma, é importante debruçar-me sobre o que é a cultura? De onde surge este conceito? A origem desta noção encontra-se associada às sociedades rurais, mais especificamente a acção do cultivo dos campos, sendo mais tardiamente, por volta do século XVII, ligado ao cultivo do espírito. «Ou seja, refere-se sobretudo a formas de pensamento, ao mundo das ideias, ao imaterial expresso em formas e criações muito específicas e de grande beleza e perfeição» (Felgueiras, 2010: 18). Assim sendo, «o termo de Kultur, no sentido figurado, surge na língua alemã no século XVIII e parece ser a transposição exacta do termo francês» (Cuche, 1999: 31). Contudo, este termo vai evoluindo de uma forma muito rápida chegando ao que Cuche (1999) intitula de culture, mesmo estando em causa e mais em voga o conceito de civilisation. A noção de cultura «(…) na pena dos investigadores franceses permanecia de um modo geral, ligado, à sua acepção tradicional no campo intelectual da nação: referiase apenas ao domínio do espírito e era entendido num sentido elitista restrito e num sentido individualista (…)» (Cuche, 1999: 47). Todavia, «entra em concorrência com outro conceito, do século XVIII, o de civilização» (Felgueiras, 2010: 18), este último que permitia às sociedades se diferenciarem entre si, entre os vários grupos diversificados que as compõem. Não só o conceito de cultura se generaliza e alarga no seu sentido mais amplo como a própria noção de civilização começa a englobar «(…) grandes conjuntos culturais de geografia variável, diversos mas exibindo alguns traços culturais comuns» (Felgueiras, 2010: 19). Importa aqui destacar que Émile Durkheim, por raras vezes utilizava o termo cultura nas suas obras, sendo este traduzido para civilisation. Contudo, esta questão não revela na sua origem um desinteresse pelas questões culturais, muito pelo contrário, para este autor «(…) os fenómenos sociais têm 48 que los museos y las ciências de la cultura se conviertan en cómplices de una desconsiderada y bien programada liquidación de la cultura mundial» (Osten, 2008: 54). As dimensões que tenho vindo a abordar, como a cultura, o património e as memórias educativas e culturais, na minha opinião trazem consigo para debate o campo da identidade. Pois, o património possui uma relação estreita entre o Homem e o meio em seu redor e neste ponto de vista «o testemunho da cultura e das identidades de cada momento, um elo de continuidade entre as gerações/comunidades que ao longo dos tempos ocupam um território e também o elo de continuidade na relação entre uma comunidade e as outras vizinhas, amigas, ou adversas (…)» (Sousa, 2009: 99). Dito isto, a identidade de um património aproxima-nos da identidade individual pós-moderna de que nos fala Stuart Hall (2006), no sentido em que este não possui uma identidade única e fixa, querendo isto dizer que esta é «(…) formada e transformada continuamente em relação às formas pelas quais somos representados ou interpelados nos sistemas culturais (…)» (Hall, 2006: 13). Ainda mais, poderá afirmar-se que um centro histórico se relaciona fortemente com a identidade nacional, «(…) tanto com referência de uma comunidade de cidadãos de um mesmo espaço urbano, assim como de “imagem resumida da cidade para o visitante”».19 O campo de um conjunto de memórias culturais, que se pretendem educativas e tendo em mente que «se deberia formar una consciência cultural, una memoria cultural para combatir de raíz el robô de antigüedades, la degradación de la cultura a mera mercancía» (Osten, M. 2008: 54), não poderão estar dissociadas dos desenvolvimentos artísticos que «(…) não [pré-anunciam] um corte radical com o passado, de cujo conhecimento necessita-mos para suscitar e motivar o aparecimento do futuro» (Sardinha, 2006: 21). Pois, «(…) o passado está sempre em nós enquanto memória do futuro» (Sardinha, 2006: 21), ou seja, arte e todos estes movimentos reprodutivos de cultura não poderão deixar de estar associados aos acontecimentos passados para de certa forma pensar as dinâmicas artistas do futuro. 19 SRU, Porto Vivo, 210: 74 49 Parte III Opções metodológicas de intervenção 50 Capítulo I: desfolhando o contexto da ação numa intervenção – orientações epistemológicas Neste lugar serão dados a conhecer os diferentes passos metodológicos que constituem uma intervenção passando pela conceção de um projeto, filosofia de intervenção a ele inerente e passos metodológicos de intervenção pelos quais se optou. Ou seja, neste capítulo será o momento para refletir e tomar opções e posições em relação à forma de produção de conhecimento científico, assim como discutir o conceito de ciência, tendo por base vários autores relevantes neste campo. Pois, esta reflexão em torno dos paradigmas científicos revela-se preponderante no sentido de como influenciam o olhar sobre os contextos e fenómenos sociais com os quais me deparei. Para além desta dimensão teoricamente discutida, será alvo de análise os métodos e técnicas utilizadas na elaboração e construção deste projeto de carácter interventivo, uma vez que o «(…) método é etimologicamente, o caminho que nos leva a um certo ponto, e a passar para além dele e, portanto, a ultrapassar uma dificuldade» (Boavida e Amaro, 2006: 39). A ação que caracterizou o período de estágio dirigiu-se por uma metodologia de intervenção pautada pela comunicação, compreensão e capacidade de escuta para com os/as participantes envolvidos/as na intervenção. Uma vez que «(…) a intervenção em situações reais e a construção de mudança através de novas práticas assumidas por todos os “actores da cena educativa” [implica] a criação de uma dinâmica relacional que [facilite] a mudança de atitudes (…)» ( Benavente; Costa e Machado, 1990 : 3). Deste modo, iria ser possível ir «de encontro a uma leitura e interpretação da realidade sócioeducativa, numa perspetiva multidimensional, mobilizando o espírito científico, crítico e reflexivo» (Pinto, 2008: 45). Neste sentido, adotou-se no que toca ao pensamento e ideologia da intervenção uma postura de intervir com os/as jovens e não para os/as jovens. Este facto remete para a filosofia do “amigo crítico”, isto é auxiliar os jovens a pensar sobre as situações e a tomar as suas próprias decisões (Leite, 2002). Assim, intervir num determinado contexto implica um conhecimento, uma investigação acerca do mesmo, onde as visões acerca da produção de conhecimento, dos paradigmas científicos moldam a minha perceção do contexto de intervenção e dos seus fenómenos envolventes. Tendo em consideração que, segundo Kuhn (1997), a ciência evolui através de ruturas, ruturas com o paradigma vigente, importa primeiramente perceber o que é então 51 um paradigma? Segundo o autor mencionado «um paradigma é aquilo que os membros de uma comunidade partilham e, inversamente, uma comunidade científica consiste em homens que partilham um paradigma» (Kuhn, 1997: 219). Esta visão partilhada do mundo vai-se alterando através do que se pode designar de circularidade do paradigma. Ou seja, a ciência normal que fundamenta as práticas de um conjunto de cientistas no seio de uma comunidade, poderá sofrer ao longo do tempo de algumas contradições internas que torna o paradigma “legítimo” alvo de um estado de crise possibilitando uma mudança da visão do mundo e da realidade constituindo um pré-paradigma num período marcado por «(…) debates frequentes e profundos a respeito de métodos, problemas e padrões de solução legítimos (…)» (idem). Desta forma, constitui-se no seio da comunidade cientifica um distinto e novo paradigma, uma nova forma de olhar a realidade. Percecionando a noção de paradigma e a sua evolução surge como central para a produção de um projeto de intervenção, neste caso em concreto, a distinção entre dois paradigmas. Assim, a Ciência Moderna surge em consequência de uma rutura com os dados sensoriais e com o mito e a religião, que deixam de conseguir dar resposta aos fenómenos. Esta assenta essencialmente no método experimental, que consiste na observação dos factos, levantamento de um problema seguindo-se da formulação de hipóteses, após esta elaboração o investigador passa para a experimentação e por último, irá validar ou não as hipóteses anteriormente elaboradas. Logo, «(…) o conhecimento cientifico avança pela observação descomprometida e livre, sistemática e tanto quanto possível rigorosa dos fenómenos naturais» (Boaventura, 1987: 13), sendo caracterizado pelos métodos quantitativos. O paradigma dominante baseia-se então num conjunto de leis abstratas que resultam da generalização de observações empíricas exprimindo a regularidade de fenómenos, existindo uma relação de causa e efeito. Esta ideia de objetividade resulta de um «(…) conhecimento causal que aspira à formulação de leis, à luz de regularidades observadas, com vista a prever o comportamento futuro dos fenómenos» (idem: 16). Por outro lado, o paradigma emergente com o qual o ponto enquadrador desta experiência se coaduna, e com o qual pretendo adequar os meus métodos e técnicas, surge como «(…) o paradigma de um conhecimento prudente para uma vida decente» (idem: 37). Esta, e segundo Boaventura de Sousa Santos tem subjacente um novo paradigma social, informa um novo senso - comum, traz uma nova conceção da natureza e procura a aproximação das ciências sociais e naturais. Contudo, «um discurso 52 sobre a educação não deve ser um discurso de opinião; ele não é científico se não controla seus conceitos e não se apoia em dados» (Charlot, 2006:10). Este paradigma baseia-se numa análise qualitativa da realidade, defendendo a não neutralidade do investigador na sua investigação. No âmbito de um eixo compreensivo, esta Ciência Pós-moderna procura o significado dos fenómenos, coloca todos os atos na dimensão subjetiva e opõe-se claramente à explicação linear objetivista e universalista. Tendo em mente estas duas distintas formas de fazer ciência, irei de seguida convocar alguns autores centrais trazendo para debate as suas ideologias quanto à produção de conhecimento no campo científico. Primeiramente, e tomando a título exemplificativo a ciência social como paradigma de ciência clássica, ou seja, dominante, é fundamental trazer para reflexão Émile Durkheim. Este último que na sua obra “As Regras do Método Sociológico” «(…) demonstra que os factos sociais são susceptíveis de ser objectivamente estudados de igual modo que os factos naturais (…)» (Boavista e Amaro, 2006: 80). Isto é, segundo Durkheim (2001) os factos sociais são algo exterior ao sujeito, podendo estes ser estudados na base da objetividade e independência, são assim comparados a coisas que podem ser observáveis. Esta primeira regra do método sociológico segundo o autor leva-nos a considerar um facto social como «(…) toda a maneira de agir, fixada ou não, susceptível de exercer uma coerção exterior sobre o indivíduo (…) » (Durkheim, 2001: 39). De uma ideologia distinta Bourdieu (2004) considera os factos sociais como sendo potenciadores de uma construção social por todos os agentes sociais criando deste modo diferentes realidades (Bourdieu, 2004). Desta forma, para o autor os cientistas encontram-se em redor de um campo de forças que regula as suas ações e que produz a objetividade. Bourdieu apresenta ao longo da sua obra três fases distintas nas quais irei focar essencialmente a sua segunda fase caracterizada por uma epistemologia da escuta, na qual o livro “A Miséria do Mundo” se enquadra. Destaco esta escuta permanente, pois ao longo do meu projeto de intervenção tomei, sempre que me foi possível, em consideração as opiniões e interesses de todos os intervenientes na construção e elaboração do serviço educativo no Palácio das Artes. Na “Miséria do Mundo”, Bourdieu (2001) procurou escutar, através de uma nova forma de realizar entrevistas, depoimentos das condições de vida de homens e mulheres. Esta nova forma de protagonizar uma entrevista rompe com o ideal dominante de fazer ciência, e tem em conta que «(…) quando se inicia uma relação de entrevista é em 53 primeiro lugar tentar conhecer os efeitos que se podem produzir (…)» (Bourdieu, 2001 : 695). Ou seja, numa relação entre entrevistador e entrevistado é importante ter em mente que esta relação pode muitas vezes ser caracterizada por uma forma de violência, a violência simbólica de que nos fala o presente autor, «(…) esforçamo-nos para fazer tudo para dominar os efeitos (…) mais precisamente, para reduzir no máximo a violência simbólica que se pode exercer através dele» (idem). Outros autores que trazem consigo uma nova ideologia sobre a ciência, e que não poderia deixar de me debruçar sobre as suas obras, são Foucault com as suas fases arqueológicas e genealógicas, e Sandra Harding com o ponto de vista feminino perante o conhecimento científico. Assim sendo, Foucault (1975), nomeadamente na sua obra “Vigiar e Punir”, que aborda dimensões tão vastas como a tortura, a punição, a disciplina e a prisão, remetendo-nos para uma passagem de uma fase arqueológica para a genealógica. A primeira que se foca na escavação intelectual de formações discursivas, comparando as mesmas em vários períodos rompendo de certo modo com a perspetiva histórica implícita, contudo o período genealógico transporta-nos para a recusa de uma história uniforme e progressiva onde o poder exerce a sua influência na constituição da verdade. Trazendo uma nova visão e pontos de vista para a produção de ciência, Sandra Harding (1991), traz a ideia de que partindo do olhar das mulheres será possível produzir uma ciência mais justa, mais atenta à diversidade e a diferentes olhares. Para a autora, as ciências sociais são caracterizadas por uma objetividade forte, conceito com o qual pretendo conjugar a minha intervenção, isto porque nos leva a assumir que quando produzimos uma investigação ou intervenção, estou a ser influenciada por uma política, um contexto. Este facto que nos leva à Stand Point Theory, que pressupõe exatamente que a produção de conhecimento é influenciada pelo contexto ou grupo em que estamos inseridos. Não esquecendo todas estas obras e autores de referência no pensamento científico, pretendo retomar a ideia de comunicação não violenta de Bourdieu (2001). Isto porque, no projeto de intervenção, como em qualquer outro do mesmo género torna-se essencial proceder a uma fase de investigação, de interação com o contexto, possibilitando um diagnóstico das necessidades do mesmo, através de interações verbais e não-verbais de uma forma informal, não constrangedora e “violenta”, tal como nos fala Bourdieu. 54 Capítulo II: conhecer a instituição para pensar o projeto Conhecer as potencialidades e dinâmicas da instituição, exigiu uma série de procedimentos que se organizaram de forma a ter acesso a um conjunto de informações que possibilitassem conhecer a instituição, seus serviços e dinâmicas. Para iniciar o contacto com o Palácio das Artes, contexto da intervenção, tornouse pertinente optar pela realização de um conjunto de métodos qualitativos e quantitativos, pois esta opção de uma conciliação entre os dois permite com que estes se complementem e correspondam de uma forma mais explícita a todas as questões e necessidades sentidas num processo de intervenção. Tendo em consideração que este tem como principal objetivo conceber um serviço educativo no PAFT, tentando dinamizar eventos que permitam conhecer de uma forma dinâmica a história do local aproximando os/as jovens do espaço através das questões culturais, potenciando assim a mediação entre o serviço educativo e outras entidades, foram escolhidas uma série de técnicas de recolha de informações que mais se adequassem a dar resposta a estes objetivos. A linha de intervenção seguiu uma perspetiva ecológica de intervenção, ou seja, um processo que «(…) potencia o desenho de intervenções que perspectivam a mudança na interacção entre as pessoas e os seus contextos de vida como essencial para a promoção do desenvolvimento» (Menezes, 2010: 33), foi essencial proceder a um conhecimento interno da instituição das dinâmicas e da comunidade externa ao PAFT. Nesta perspetiva, Urie Brofenbrenner (1979,1986) contribuiu de forma decisiva com a identificação de cinco ecossistemas do desenvolvimento humano «(…) sublinhando as influências destes diferentes contextos de vida, alguns dos quais não envolvem mesmo a participação directa das pessoas, e das interrelações» (Brofenbrenner, 1979, 1986 cit in Menezes, 2010). Observação Participante Uma das técnicas de carácter qualitativo que se revelou pertinente foi a observação participante, nomeadamente aquando da primeira visita ao PAFT juntamente com um dos profissionais da Fundação da Juventude, sendo registadas notas de terreno. Isto porque, e contrariando um pouco a ideia de Durkheim, «o papel das ciências sociais e, em particular, o das Ciências da Educação [é], em última análise, o 55 trabalhar o saber de que as pessoas são portadoras, e não o de produzir saberes sobre as pessoas coisificadas que elas não seriam capazes de saber...» (Berger,2009: 178). A postura do método etnográfico, esta que se afirma como «(…) um método que assume a cumplicidade de um olhar que procura compreender o referente de outros, e neste exercício não se pretende nem colonizar aqueles últimos, nem perder de vista os nossos próprios referentes» (Silva, 2008:88), tornou-se a mais pertinente pois possibilitou ter uma perceção do espaço, das suas dinâmicas, assim como iniciar uma relação mais próxima e comunicativa com os intervenientes do contexto. Pois, a observação participante se «realiza a partir de um corpo que se movimenta e não apenas de um olho que vê» (idem: 99). Para conhecer o espaço interno do Palácio, foi adotada a realização de observação participante, visto que esta pretende estudar «(…) os modos de vida, de dentro e pormenorizadamente, esforçando-se por perturbá-los o menos possível» (Quivy e Campenhoudt 1998: 197). Assim de uma forma ativa e não intrusiva, foi alvo de exploração o trabalho desenvolvido no interior do PAFT sendo observados os gabinetes das residências artísticas, e todas as salas do piso nobre. Para além disto, era percetível uma movimentação no local pois encontrava-se em preparação mais uma edição das Feiras Francas. Estas que constituem um dos eventos mais marcantes do local, possibilitando a exposição de trabalhos de jovens criadores/as. Não possuindo ainda uma perceção muito clara da história que preside no PAFT, o espaço despertou a atenção para alguns pormenores do edifício que nos remetem para um conjunto de memórias culturais. «(…) os cofres que ainda hoje marcam presença, uma vez que o edifício Douro outrora foi Banco de Portugal, se encontram no local, conferindo um carácter curioso ao mesmo» (Nota de Terreno, 29 de Março de 2012) Proporcionou-se também o contato com alguns/as artistas residentes, assim como com um outro elemento responsável pela organização interna do Palácio das Artes. Percorrendo as várias salas que compõem o edifício era clara a perceção que este não se caracterizava por uma luminosidade e cor que remete-se para a movimentação, para o dinamismo do mesmo, ficando assim com a ideia de que este necessitaria de alguns elementos mais chamativos. 56 «Contudo, e embora algumas salas estivessem a ser preparadas para a próxima Feira Franca, que se realiza no último Sábado de cada mês, o edifício em si pareceu-me muito pouco dinâmico, ou seja com muito pouca luz, cor, movimento» (Nota de Terreno, 29 de Março de 2012) Não só estes momentos iniciais foram alvo de observação do tipo participante, mas sim ao longo de todo o processo e trabalho de estágio foram realizadas reflexões, apontamentos através do processo de escrita das notas de terreno, onde já fui destacando algumas passagens das mesmas. Estes registos, que constituem o material empírico resultante destes momentos de observação, foram preponderantes, uma vez que «constituem um pequeno arquivo que pode dar conta da evolução do terreno, das perdas de “ingenuidade” e das opções que vão sendo tomadas» (Silva, 2008: 134). Neste sentido, através da escrita fui observando a minha relação com o terreno de intervenção, com as suas dinâmicas internas, a par da monotorização da minha ação. Ou seja, estas contribuíram também como técnica de recolha de dados avaliativos acerca da intervenção, refletindo as dificuldades e as mudanças que foram necessárias e sentidas ao longo do percurso. «Todavia, e após esta manhã de trabalho apercebi-me da grande dificuldade de garantir presenças num evento, que ainda por cima é de carácter gratuito, mas a sua divulgação é um processo demorado e complexo» (Nota de Terreno, 19 de Outubro de 2012) Análise Documental Tendo em consideração que o grande objetivo se centra em atrair jovens ao PAFT, através do serviço educativo partindo da riqueza histórica do espaço, tornou-se central tentar conhecer um pouco mais o local numa perspetiva temporal. Surgindo nas primeiras visitas ao local de intervenção a temática do património, e juntamente com o gestor de projetos do contexto na altura, foi possível conhecer melhor o espaço interior bem como as suas finalidades, tomando como elemento central a análise documental. Esta realizada a partir de um dossier com várias informações a nível histórico relevantes para a construção do serviço educativo. Esta técnica de recolha de dados revelou-se essencial pois, «(…) as bibliotecas, os arquivos e os bancos 57 de dados, sob todas as suas formas, são ricos em dados que apenas esperam pela atenção dos investigadores» (Quivy e Campenhoudt 1998: 201). Esta análise permitiu conhecer as várias transformações a que o edifício foi alvo, assim como da movimentação do largo e da cidade do Porto desde meados do século XIII. Este método foi fundamental no trabalho a desenvolver, de forma a tomar contacto com documentos e informações históricas, que relevam a pertinência do edifício para o Património da cidade, acerca do espaço que engloba o que hoje se torna a Fábrica de Talentos. Observação Direta Numa fase inicial, para além da observação no espaço interior e da análise documental, seria importante observar o espaço exterior, através da técnica de observação direta em redor do Palácio das Artes-Fábrica de Talentos. Pois, surgiu a necessidade de tentar perceber qual o público que mais preenche aquele local, quais as suas dinâmicas, como se poderia caracterizar este espaço de forma a pensar um serviço educativo que cativa-se e se enquadra-se na rotina daquela praça. De uma forma externa, foi o centro da observação tudo que se passava em torno do largo de S. Domingos, onde foram realizados alguns registos fotográficos (Apêndice I). Em consequência deste olhar informado foi percetível que se constituía como um espaço ocupado maioritariamente por turistas, onde as lojas comerciais focam exatamente o seu trabalho de marketing. Contudo, e embora em menor número era possível visualizar alguns jovens que se centravam em redor da Escola Superior Artística do Porto (ESAP) que fica exatamente no largo. Através da observação direta foi possível estar atenta «(…) ao aparecimento ou à transformação dos comportamentos, aos efeitos que eles produzem e aos contextos em que são observados (…)» (Quivy e Campenhoudt, 1998: 196). Realização de Questionários De forma a conseguir ir de encontro com as expectativas dos sujeitos de intervenção, foi importante num momento de interação inicial realizar também uma série de inquéritos por questionários (Apêndice II), uma vez que estes possibilitam uma abordagem mais rápida e precisa, não tendendo a importunar os indivíduos questionados. Os questionários tinham como objetivo perceber qual a importância do 64 Assim, tornou-se percetível que estes giram em torno de várias temáticas artísticas como a fotografia, o teatro, dança, pintura, design, arquitetura, cinema, entre muitos outros. Para além deste facto, estas temáticas vão sendo abordadas sistematicamente ao longo dos anos, pois são constantemente alvo de novos workshops. Percebemos que estes últimos destinados a crianças como a “Dança Criativa”, se apresentam como mais interativos e dinâmicos, em horário laboral em dias úteis. Contudo, para jovens e adultos estes remetem para uma base mais teórica, ainda que não seja muito explícito nos cartazes e informações apresentadas no site. Para além disto, estes workshops realizam-se normalmente ao fim de semana em horário pós-laboral. Através do levantamento de dados, tornou-se pertinente tomar conhecimento de que os grupos são sempre relativamente pequenos (cerca de 10 pessoas), e que contam com a presença de um/uma ou mais formadores/as, sempre muito vinculados à área em que se prende o workshop. Sistematizando, foi possível adquirir informação de como desenvolver um workshop, de qual a informação necessária para a idealização e conceção deste, quais as áreas chave a serem envolvidas e alguns possíveis contatos de formadores/as a estabelecer ligação. Nesta terceira parte do relatório dei conta de todas as opções epistemológicas e de intervenção, assim como os processos e técnicas utilizadas numa fase de diagnóstico inicial, de forma a conhecer o contexto, os seus atores e intervenientes, assim como as dinâmicas institucionais. Desta forma, foi-se explorando o contexto de acordo com uma visão de intervenção compartilhada, de forma a percecionar as necessidades do espaço, planeando a intervenção de dentro. 65 Parte IV Um percurso educativo/profissionalizante: etapas que constroem a linha condutora de um estágio 66 Capitulo I: construindo o caminho de um serviço educativo Em primeiro lugar, para dar início ao momento de descrição e análise do estágio profissionalizante, considero relevante realizar um pequeno momento de perceção de toda a ação que construiu este percurso. Após toda a análise e reflexão em torno dos processos metodológicos, adequados à intervenção em causa, este momento irá remeter para a descrição de todas as ações desenvolvidas no âmbito deste estágio no Palácio das Artes – Fábrica de Talentos. O percurso de estágio teve inicio ainda no ano 2012, com um conjunto de observações e aplicação de questionários, ainda no decorrer da idealização de um projeto de intervenção na instituição Fundação da Juventude, mais especificamente no Palácio das Artes – Fábrica de Talentos. Assim, a intervenção na instituição decorreu desde Outubro de 2012 até ao final do mês de Abril do presente ano, sendo uma permanência total de 6 meses. Na sequência deste período, o momento de entrada na instituição revelou-se um tempo recheado de expetativas e receios, bem como um tempo para conhecer mais aprofundadamente o espaço onde me encontrava a trabalhar. Desta forma, foi fundamental analisar um conjunto de dados documentais e de questionários que haviam sido realizados à comunidade local; aos/às funcionários/as da Fundação da Juventude e por fim aos/às docentes do Sistema de Aprendizagem da Fundação. No contato inicial, assim como ao longo de todo o estágio, as atividades de carácter administrativo demonstraram ser preponderantes no conhecimento das dinâmicas, das pessoas, e do teor prático da instituição. O serviço educativo para o qual contribuí na sua idealização, iniciou o pensamento, o desenvolvimento e a divulgação de vários workshops e sessões (in) formativas. Estas últimas que se encontravam envolvidas em áreas tão vastas como o teatro, artes plásticas, fotografia, empregabilidade, mediação de conflitos em contexto escolar, entre outras. Os momentos formativos, todo o trabalho que envolveu a sua pertinência, contribuíram de certa forma para a divulgação da instituição junto do público, nomeadamente o público juvenil, bem como para uma exteriorização da história, das memórias culturais intrínsecas ao Palácio das Artes – Fábrica de Talentos. Na sequência de revirar o PAFT para o exterior, que se centra na base do serviço educativo que idealizava, foi várias vezes apresentado e reformulado o projeto inicial para este serviço de um conjunto de visitas guiadas, que foram pensadas de forma a dar 67 a conhecer este espaço e as suas vivências. Não só o projeto base se enquadra nesta ideia, mas também o facto de realizar visitas guiadas com escolas, e transmitir a mensagem histórica e atual do PAFT a novos estagiários/as contribuíram para este reflexo do Palácio. Revivendo este processo de uma forma muito sintética irei de seguida dar conhecimento de todos estes passos de uma forma mais pormenorizada, dando a conhecer um conjunto de outras atividades em que estive envolvida e que ajudaram a preencher a minha formação neste local. Contudo, e de forma a se tornar mais percetível todo o trabalho desenvolvido, bem como a sua pertinência apresento a ação esquematizada no seguinte quadro: 68 Construindo o Caminho de um Serviço Educativo Concetualização de um Serviço Educativo Ações realizadas Atividades Objetivos Competências Adquiridas Ações de Diagnóstico “Conhecer para potenciar” Observação participante - Perceção do espaço, das suas dinâmicas, - Iniciar uma relação mais próxima e comunicativa com os intervenientes do contexto - Aprofundamento na utilização de métodos e técnicas de intervenção; - Comunicação, capacidade de escuta, compreensão; - Desenvolvimento de técnicas de pesquisa de informação Observação direta - Perceber as dinâmicas do espaço exterior, a sua movimentação, o tipo de público que mais frequenta o local Análise documental - Obter conhecimento das memórias culturais do edifício; - Tomar contacto com documentos e informações históricas, que relevam a pertinência do edifício para o Património da cidade Questionários (Comunidade Envolvente; Funcionários/as da Fundação da Juventude; Docentes do Sistema de Aprendizagem da Fundação) Questionários a participantes de uma edição das Feiras Francas - Perceber qual a importância do edifício, da história e da construção de um serviço educativo para a comunidade em redor, para a Fundação da Juventude, docentes do sistema de Aprendizagem, e participantes de edição de uma Feira Franca Levantamento de Atividades - Perceber quais as atividades desenvolvidas, quais as suas características, as áreas em que se desenvolvem, com que frequência Sessões dinâmicas de Formação: A Arte, História e Juventude “Partindo do Património para uma aproximação da Juventude ao PAFT” Workshop de Teatro: “Viagem ao Passado!” (idealização, desenvolvimento, estabelecimento de contatos; divulgação) - Procurar uma ligação entre as questões culturais e do património com o trabalho presente do PAFT; - Motivar o público jovem a contatar com o equipamento cultural - Comunicação, formação, idealização, desenvolvimento e divulgação de workshops, realização de eventos, mediação Workshop de Fotografia: “Safari Fotográfico na Cidade do Porto” (idealização, desenvolvimento, estabelecimento de contatos; divulgação) Workshop: “Empregabilidade e Técnicas de Procura de Emprego” (desenvolvimento, divulgação, estabelecimento de contatos) - Atrair jovens ao espaço focando outras áreas de possível interesse por este público (transições e empregabilidade dos/as jovens; arte; ciência; mediação de conflitos em contexto escolar) - Comunicação, formação, idealização, desenvolvimento, divulgação e realização de eventos, mediação 69 Sessões dinâmicas de Formação: A Arte, História e Juventude “Partindo do Património para uma aproximação da Juventude ao PAFT” Oficina de Escultura: Reciclarte & Style (desenvolvimento, divulgação, estabelecimento de contatos) - Atrair jovens ao espaço focando outras áreas de possível interesse por este público (transições e empregabilidade dos/as jovens; arte; ciência; mediação de conflitos em contexto escolar) - Comunicação, formação, idealização, desenvolvimento, divulgação e realização de eventos, mediação entre instituições e entre a instituição e público-alvo Workshop: “Gestão da Carreira Criativa” (desenvolvimento, divulgação, estabelecimento de contatos) Workshop: “Comande o seu Cérebro” (desenvolvimento, divulgação, estabelecimento de contatos) Conferência: “Gestão de Conflitos em Contexto Escolar” (idealização, desenvolvimento, realização) Voltando o PAFT para a comunidade Circuito de Visitas e Memórias (idealização, desenvolvimento, construção de proposta) - Construir uma estrutura de mediação entre o público, a comunidade, os/as jovens ao PAFT e às questões da, herança cultural e património - Mediação, estabelecimento de parcerias, comunicação, formação, aquisição de conhecimentos históricos Dar a conhecer o Palácio das Artes: Acompanhar diversos públicos Ações de Conceção Proposta para Concurso “Culture Programme – Cooperation measurs” - Promover os centros históricos e a sua valorização, assim como o diálogo intercultural - Conceção de planos de atividades de carácter educativo e cultural, - comunicação, idealização Ações de Integração na dinâmica institucional Observação, divulgação do Seminário “Ser Empreeendedor(a)” - Contribuir para a minha integração no contexto bem como para a construção do meu papel enquanto profissional - Obter uma ideia geral do público e entidades que contatam com a instituição e o seu equipamento cultural. - Comunicação, interação, formação, divulgação e organização de eventos Divulgação da “Oficina dos Pequenotes” Atividades Administrativas (trabalho de receção em exposições; receção e realização de telefonemas em nome da instituição; construção de base de contatos; auxilio na arrumação do espaço para vários eventos) Ações realizadas Atividades Objetivos Competências Adquiridas Ilustração 1 - Planificação da Intervenção 70 1.1. Relembrando a ação de diagnóstico – conhecer para potenciar Como é percetível através do quadro, que explicita a planificação de toda a ação de intervenção, iniciei o meu contato com a instituição através de ações de diagnóstico. Pois, toda e qualquer intervenção num contexto necessita perceber quais as necessidades, quais os constrangimentos e potencialidades subjacentes ao espaço. Nesta perspetiva, e tal como fui dando conhecimento aquando da última parte da componente metodológica, procedi a um conjunto de técnicas e atividades, que contribuíram para o conhecimento da instituição das suas dinâmicas, dos seus profissionais e de algumas das suas idealizações quanto à presença de um serviço educativo no PAFT. Iniciei a minha fase diagnóstica a partir da observação participante no interior do Palácio das Artes, onde conheci mais aprofundadamente o seu trabalho, os profissionais que constituem a rede interna do mesmo, bem como algumas das suas atividades. Ou seja, tentando «(…) superar uma relação de distanciamento e de exterioridade entre o observador e o objeto observado (…)» (Araújo, 2012:95). Contudo, observar atentamente o espaço no seu interior não chegaria para intervir no contexto, uma vez que pretendia aproximar a comunidade, nomeadamente a jovem do Palácio. Assim, optando pela observação direta de forma a não importunar as dinâmicas do largo de S. Domingos, e para que estas surgissem de forma espontânea, desenvolvi mais uma vez a capacidade de escuta. Esta observação torna-se pertinente uma vez que «a rua não surge apenas como uma “via dentro de uma povoação” mas como um «espaço aberto, um espaço de vida e de interações, polifuncional e de utilização múltipla e diferenciada» (Fonseca, 2001: 86). Percorrendo esta fase de conhecimento da instituição, e tendo já presente a noção da composição cultural inerente ao PAFT, foi necessário proceder a uma análise de vários documentos de índole histórico presente nas instalações do edifício. Desta forma, foi possível chegar a uma noção mais clara do património que o Palácio contem em si, o que considerei pertinente como ponto-chave de aproximação dos/as jovens às questões culturais e ao próprio Palácio das Artes. Um outro momento de levantamento de necessidades prendeu-se com a aplicação de questionários, acerca da pertinência da componente histórica do edifício, ao seu conhecimento, assim como à própria pertinência da construção de um serviço de carácter educativo. Estes questionários dirigidos a vários elementos da comunidade 71 envolvente, aos/às docentes do Sistema de Aprendizagem da Fundação assim como aos/às funcionários/as da Fundação. Após a análise já referida, entre vários aspetos, tornou-se claro que existe um desconhecimento desta componente cultural do edifício por parte de todos/as inquiridos/as. Assim destaco a clara importância de transmitir esta história como forma de aproximação ao trabalho do PAFT, pelo qual existe um desconhecimento generalizado da comunidade do largo envolvente. Surge também nas respostas analisadas uma manifestação de pertinência em relação à construção de um serviço educativo, que envolvesse visitas guiadas ao edifício como forma de reconhecimento do seu valor histórico. Uma outra atividade que se aproxima das mesmas ideias, contudo surgindo de uma fase diagnóstica não inicial, centra-se na aplicação de mais um pequeno questionário, aos/às participantes de mais uma edição de uma Feira Franca, especificamente da 31ª. Este evento que provem já de uma tradição, contudo marcado pela inovação e criatividade de hoje. A análise dos questionários veio comprovar o desconhecimento do conjunto de memórias culturais que o PAFT potencia. Nesta edição de mais uma Feira, que nos remonta para o século XIII, foi possível conversar um pouco com os/as participantes do evento percebendo qual a faixa etária predominante, a situação profissional, a origem do projeto, assim como o conhecimento das Feiras e da própria história do edifício. Fazendo uma breve apresentação da análise dos mesmos foi possível verificar alguns dados pertinentes. Ou seja, relativamente à amostra esta era constituída pelos/as participantes da 31ª feira Franca, que eram 32. No que se refere à dimensão do sexo, podemos perceber que existia uma grande predominância do sexo feminino (4 em 32 são do sexo masculino) e em relação às idades, verificou-se que estas variavam entre os 21 e os 63 anos de idade, sendo que a maioria se encontra na faixa etária dos 25 – 35, portanto jovens adultos/as, indo de encontro ao objetivo das feiras, que é divulgar o trabalho de jovens criadores/as. Em relação à situação profissional, podemos observar que existia uma grande taxa de desemprego entre os/as participantes (cerca de 10 em 30). Também verificamos a existência de uma realidade em que as pessoas que se encontram a trabalhar têm projetos que “fogem” um pouco à sua área de emprego. Outra situação presente era a de estudantes e profissionais da arte de design que vêm nestas feiras a oportunidade de divulgar os seus trabalhos na sua área. 72 As dimensões que para mim se apresentam como mais significativas são o conhecimento pelas Feiras Francas, bem como o conhecimento ou não da história do Palácio das Artes. Posto isto, 24 dos/as participantes já tinham conhecimento das Feiras Francas, no entanto, a tomada de conhecimento oscila entre a situação de já ter sido participante, visitante, ou ter conhecido através de amigos/as e da internet. Verificou-se através dos dados recolhidos que existia um número muito significativo de pessoas que não conheciam a história que o edifício viveu. As 8 pessoas que não responderam negativamente, também afirmaram ter apenas uma ideia vaga da mesma. Pelo facto de nos terem solicitado para contar a história, percebe-se que existia uma necessidade de dar a conhecer a mesma à população. No seguimento desta situação, a pertinência reforça-se pelo facto de existir um desconhecimento acerca da origem deste evento. «(…) este desconhecimento de um passado, e de uma série de memórias, se apresenta como pertinente para o serviço educativo do Palácio tratar esta questão correspondendo à curiosidade de uma série de pessoas que se querem identificar cada vez mais, com um edifício imponente em pleno centro histórico da sua cidade» (Nota de Terreno, 17 de Dezembro de 2012) Por fim, surgiu como essencial proceder a uma pesquisa, neste caso online no site da Fundação da Juventude, acerca das atividades que haviam sido desenvolvidas, de quais as suas características. Neste ponto, o que ressaltava era o conjunto de vários workshops em diferentes áreas culturais. Aproveitando esta informação, deu para conhecer melhor a planificação de uma atividade deste género, de quais as áreas mais envolvidas, bem como de contatos focais de alguns profissionais. Este conjunto de atividades diagnósticas permitiu desenvolver algumas competências relevantes para a minha formação enquanto profissional. O desenvolvimento da capacidade de comunicação, da capacidade de escuta e compreensão perante o outro foram algumas delas. Também o aprofundamento no que toca ao desenvolvimento de técnicas de recolha de dados, assim como a observação atenta me permitiram conhecer melhor o contexto de forma a idealizar e construir a intervenção de acordo com as necessidades do contexto. 73 1.2. Sessões dinâmicas de formação: A Arte, História e Juventude Na conceção do ponto dois irei focar-me na idealização, conceção, divulgação e concretização de um conjunto de sessões a que denomino, de acordo com as suas características, de sessões dinâmicas de formação. No cerne destas sessões predomina uma visão de formação para e com os/as jovens, construindo momentos educativos de reflexão num contexto de educação não formal. Neste sentido, pretendia-se seguir a linha de uma educação permanente, ou seja, «(…) que aparece como um princípio reorganizador de todo o processo educativo, segundo orientações que permitiriam superar a dominância quase exclusiva de concepções práticas escolarizadas» (Canário, 1999: 88). Neste sentido, os momentos educativos não terminam no espaço escolar, mas proporcionam-se em inúmeros locais de carácter não formal, e que permitem uma livre aprendizagem tomando o sujeito como o centro da formação. Especificando as linhas condutoras deste segundo ponto, da quarta parte, do relatório, parece-me pertinente explicar que a ideologia destes momentos de carácter formativo surgiu numa fase inicial do meu percurso na instituição. Assim, foi sugerido no âmbito do trabalho do serviço educativo, pensar e construir um documento que descreve-se algumas sessões, ou workshops, nas mais diversas áreas. «(…) e apenas nesta manha de uma forma um pouco improvisada, mas pensada, realizamos um plano possível de áreas para workshops, e para além do que nos foi pedido tentamos definir um objetivo para cada workshop, assim como os seus destinatários» (Nota de Terreno, 08 de Outubro de 2012) Não esquecendo o propósito, de partir da história do PAFT, tentou-se idealizar um conjunto de atividades que poderiam possuir como elemento potenciador e atrativo para os/as jovens esta componente cultural. Pois, atividades centradas na questão cultural revelam-se centrais na formação de jovens. Ou seja, a pertinência da arte na formação de públicos como crianças, jovens e adultos «(…) está ligada à “função indispensável que a arte ocupa na vida das pessoas e na sociedade desde os primórdios da civilização, o que a torna um dos fatores essenciais de humanização”» (Ferraz & Fusari, 1993 cit in Tibola, 2001). Todavia, contribuí para o desenvolvimento de 80 a competência de divulgação de eventos, por vários contatos, permitiram obter um conhecimento mais vasto tanto em relação à temática em foco, assim como a novas entidades promotoras de eventos culturais e juvenis. Tomou lugar, num momento posterior, o envio da informação de divulgação para todos os contatos da mailing list do PAFT, para a formadora, assim como foi solicitada a colocação de informação no site da Fundação da Juventude e também no Facebook do Palácio ao departamento de comunicação e imagem. Como consequência deste trabalho demoroso de divulgação foi recebido o convite da estação de televisão Porto Canal, para estar presente no programa Porto Alive. Este último, que promove e divulga eventos em todo o tipo de áreas na cidade do Porto. Como não existia a possibilidade de a equipa do serviço educativo estar presente (eu e a colega de estágio), foi a gestora do Palácio que marcou presença. Assim, foi possível ver, digamos, reconhecido o trabalho desenvolvido a um nível superior, pois o meio televisivo possibilita chegar a um público mais alargado e diversificado. Embora tenhamos recebido um total de seis inscrições para a atividade, esta teve de ser cancelada pois não foi atingido o número mínimo de inscrições que seria de 10 participantes. Embora esta ideia tenha sido aceite com grande entusiasmo, nomeadamente com a intenção de um espetáculo final no dia dos Centros Históricos, não se reuniram infelizmente todas as condições necessárias para a sua concretização. 1.2.2. O olhar dos/as jovens perante o Património da Cidade Pretendendo visualizar e chegar até à perceção dos/as jovens perante o Património presente no centro histórico da cidade do Porto, surgia um outro evento que girava em torno da área da fotografia. Destaca-se assim mais um momento onde se parte da história como elemento chave para a conquista de público jovem para a Fundação e para o seu equipamento cultural. Ou seja, este workshop tinha como principal objetivo transmitir aos/às participantes o conhecimento necessário para a boa captação de imagens fotográficas e o bom uso das câmaras fotográficas e dispositivos móveis, bem como aprofundar conhecimentos na área da fotografia digital ao longo de um percurso fotográfico pela zona histórica da cidade do Porto. Assim esta visualização e captação de imagens da cidade do Porto no presente potenciavam a reflexão a nível do património. Neste sentido, e através da captação de imagens do espaço envolvente, seria 81 possível descortinar um passado cultural inerente ao centro histórico e ao próprio edifício Douro. Uma vez que, «o espaço comunica; mostra, a quem sabe ler, o emprego que o ser humano faz dele mesmo» (Frago e Escolano, 1998: 64). Sendo transmitida a intenção para avançar com esta ideia por parte da direção, tivemos conhecimento de que já havia estabelecido contato laboral com a instituição uma formadora na área. Esta última que já tinha demonstrado a sua intencionalidade na concretização de uma atividade do género. Assim sendo, desenvolvendo as competências de comunicação e mediação entre o PAFT e possíveis formadores/as, para ser possível avançar com esta nova proposta, foi contatada a formadora em questão. No momento foi explicitado qual o objetivo do workshop, qual o público-alvo, pretendendo saber a sua opinião. Posto isto, obtivemos resposta, um pouco tardia por parte desta, demonstrando o seu interesse pela proposta indicando que seria necessário algumas horas para estabelecer a iniciação à fotografia, a própria concretização do safari pela cidade e outro tempo dedicado à seleção e projeção das fotografias dos/as participantes. Esta última, que depois de pensada e refletida, tendo em conta as dificuldades a nível monetário que a própria instituição e população atravessam, pensou-se que uma projeção das fotografias no PAFT poderia ser uma opção sensata. Após alguma ponderação e conversa entre a nossa supervisora e a direção da Fundação, obtivemos sinal verde para avançar. Posteriormente, foi estabelecido novo contato ficando acordadas as condições necessárias propondo o público-alvo de jovens a partir de 15 anos, e também a obrigatoriedade de material como computador com programa de edição de imagem e claro máquina fotográfica digital. Estando já com pouco tempo para a divulgação da atividade o pedido da construção do cartaz ao departamento de comunicação foi ainda feito com a intenção do evento ter início no mês de Março. Contudo, não foi muito fácil obter por parte deste departamento o cartaz divulgativo pelo que existiu a necessidade de o adiar. Uma vez realizadas todas as alterações necessárias e recebido o cartaz para o workshop, procedemos também à elaboração da ficha de inscrição para o mesmo (Apêndice IV), onde se poderia escolher entre duas opções de horários. Construídas todas as componentes de carácter divulgativo foi o momento de iniciar a divulgação por todos os contatos da base da mailing list da instituição, bem como nas redes sociais. Nestas, foi necessário mais uma vez proceder ao pedido ao 82 departamento de comunicação e marketing para colocação de informação no site, e colocado pela equipa do serviço educativo no Facebook. Após um período considerável para um processo divulgativo, e tendo em mãos apenas três pessoas que haviam demonstrado interesse, chegamos de novo a um impasse. Isto porque, e estando próximo o dia do início do workshop, houve mais uma vez necessidade de anular a atividade, pois não tínhamos chegado a um número mínimo de 10 participantes, condição essencial para a concretização. Deste modo, e embora a ideia mais uma vez tivesse preenchido as intenções da instituição e da própria formadora, na realidade tornou-se necessário informar a profissional da área de fotografia em relação a este impasse. Surge assim a ideia de abandonar esta temática e o plano do workshop sendo pensado que seria melhor avançar com esta atividade um pouco mais tarde. Refletiu-se que talvez a época das férias de Verão fosse a mais indicada, uma vez que a maioria dos/as jovens se encontra de férias, ou até mesmo tentar uma ponte de partilha e ligação entre escolas e turistas que preenchem muito o centro histórico da cidade do Porto. Convém salientar que estas duas atividades, até agora alvo de descrição mais pormenorizado, possuíam um ponto de partida comum. Ou seja, como foi percetível partiu-se das memórias culturais do PAFT para a criação de atividades marcadas pela inovação e criatividade, não esquecendo que o espaço enfatiza a dimensão artística. Neste sentido, e tendo em conta que as atividades contribuíram para a idealização de um serviço educativo, as mesmas aliavam deste modo a componente cultural com a dimensão formativa/educativa. Este facto revela-se preponderante pois, «(…) o trabalho dos serviços educativos deve reger-se por uma estratégia clara, que conjugue preocupações culturais e educativas (…)» (Araújo, 2012: 45). Aliando estas dimensões e preocupações os eventos propostos possibilitaram, tal como já fui dando conhecimento, o desenvolvimento de várias competências a nível profissional. Competências centradas na obtenção de conhecimentos a nível histórico, conhecimentos acerca da planificação de atividades como workshops, aprendizagem e aperfeiçoamento da capacidade de pesquisa e da componente de mediação. De facto a mediação, através da comunicação foi essencial para a concretização das atividades mencionadas, permitindo a partilha e criação de pontes entre a instituição e os/as formadoras em questão. 83 1.2.3. Aproximando a juventude ao PAFT Neste momento irei referir-me à descrição de um conjunto de outras sessões de caráter dinâmico e formativo que tiveram como objetivo central a aproximação do público juvenil ao trabalho e missão do PAFT e da Fundação. Assim, e tendo enfatizado as duas sessões mais focadas nas questões culturais e da valorização do Património, apresentarei de seguida algumas atividades desenvolvidas nos mesmos parâmetros de ação contudo girando em torno de temáticas como: a empregabilidade; a arte; a ciência; a mediação. 1.2.3.1. Empregabilidade e Técnicas de Procura de Emprego Na época inicial de estágio no Palácio das Artes, foi recebida uma proposta de análise de um conjunto de atividades que haviam sido entregues na instituição. Esta baseava-se num projeto de formação da empresa Energia Fundamental, que pretende contribuir para a formação e aperfeiçoamento de competências pessoais e profissionais dos indivíduos. Para tal, procedem à concretização de um conjunto de workshops de duração e custo reduzidos orientados por profissionais especializados. Neste sentido, este projeto encontra-se dividido em diferentes áreas, onde seria necessário debruçar acerca das mesmas e escolher a que fosse mais indicada, que correspondesse melhor aos objetivos do PAFT. As áreas eram as seguintes: pais que sabem mais; profissionais que sabem mais - saúde; profissionais que sabem mais - educação; profissionais que sabem mais - respostas sociais; condutores que sabem mais; alunos que sabem mais; avós que sabem mais. Assim sendo, e em conjunto com a parceira de trabalho de estágio, a opção mais adequada seria centrar a ação na área dos alunos que sabem mais, uma vez que era pretendido incidir em atividades que envolvessem os/as jovens. Estando presente a ideia de que seria nesta área que iriamos explorar esta proposta, passamos para a análise de todos os workshops que tínhamos à disposição. De todas as temáticas que poderiam ser abordadas consideramos que seria interessante ou desenvolver a questão da gestão do tempo, envolvendo assim a temática das memórias, da história, ou por outro lado a via das técnicas de procura de emprego um tema 84 bastante pertinente e atual. Assim, foram apresentadas as escolhas e após serem refletidas e analisadas, decidimos avançar com o tema da empregabilidade. A temática da empregabilidade, nos dias de hoje, aliada às juventudes não poderia ser mais atual e relevante de abordar. Pois, a questão da inserção profissional apresenta-se como «(…) um dos principais problemas com que se debate a juventude contemporânea, se não mesmo o principal (…)» (Alves, 2008: 75). Vivemos tempos de uma forte crise económica que engloba os/as jovens num universo onde a transição para a vida adulta se arrasta no tempo aliada à problemática da inserção no mercado de trabalho. Assim, «(…) muitos jovens estão fartos de o ser, encurralados nas ditas transições»20. Tentando intervir nesta problemática, consideramos que a instituição poderia desenvolver uma atividade que permitisse, por um lado aproximar a juventude ao contexto e por outro focar a questão da empregabilidade de forma a auxiliar o público-jovem na sua entrada no mundo profissional. Desenvolvendo uma mediação entre a instituição e uma outra entidade, entrei em contato, com a profissional responsável pelo projeto e pelos workshops, demonstrando o interesse em desenvolver esta atividade, questionando a disponibilidade do departamento. Estabelecendo este primeiro contacto, chegamos a uma resposta bastante recetiva pelo que avançamos com a atividade. Assim sendo, foram solicitadas à profissional responsável, informações acerca do evento, bem como uma nota biográfica da formadora para proceder à construção do cartaz de divulgação. Integrada nas dinâmicas institucionais, foi fundamental realizar contatos com a Fundação para confirmar a reserva de uma sala na mesma para o desenvolvimento do workshop, visto que as instalações do PAFT se encontravam ocupadas com uma exposição. O momento que advém deste contato é pautado pela receção de todas as informações necessárias era o momento de proceder ao pedido, à responsável pelo departamento de comunicação, da construção do cartaz divulgativo. Neste poderíamos encontram os objetivos da atividade que se prendiam com a promoção da reflexão e do debate sobre a empregabilidade entre os jovens tentando dar a conhecer técnicas de procura de emprego eficazes e atuais, bem como desenvolver competências pessoais necessárias à procura de emprego. Para além dos objetivos era percetível a data e local da realização do evento, bem como o custo e o número limite de participantes. 20 Teixeira Lopes , João (2011) disponível online em: http://p3.publico.pt/actualidade/sociedade/1856/geracao-bloqueada 85 Existiu normalmente, como é percetível, alguma dificuldade em obter os cartazes, pois o departamento encontrava-se com muito trabalho em mãos sendo complexo corresponder a todos os pedidos rapidamente. Todavia, assim que recebido foi de imediato enviado juntamente com a ficha de inscrição (Apêndice V) para todos os contatos da base de dados patentes, e os que resultaram da pesquisa pela equipa do serviço educativo. Foi divulgado também no site da instituição, bem como para a própria formadora e redes socias. Infelizmente não foi possível com esta divulgação inscrições suficientes para realizar o workshop. Deste modo, e com o consenso de todas as partes envolvidas adiamos o mesmo e informamos todos/as os/as responsáveis envolvidos/as, iniciando-se uma nova divulgação e pesquisa de contatos. Apesar de todo o novo esforço em torno desta atividade com uma temática tão forte atualmente, onde vivemos índices de desemprego juvenil bastante elevados, apenas conseguimos reunir um total de cinco inscrições. Não obtendo assim o número mínimo houve necessidade de desmarcar tudo com os/as participantes inscritos/as explicando a situação à profissional da empresa Energia Fundamental. A situação de não conseguir alcançar o número mínimo de inscrições poderá dever-se ao custo por participante aliado à atividade. Ou seja, tal como foca a pertinência da temática os/as jovens neste momento não se encontram, na sua maioria, numa situação económica fácil, o que poderá influenciar o sucedido. Contudo, e estando de acordo com a instituição esta atividade formativa seria um auxílio para as juventudes em relação à questão da empregabilidade. Uma vez que esta geração encontra-se bloqueada (Lopes, 2011), tendo apenas «(…) duas opções: ou resigna-se ou indigna-se. Mas indignandose é obrigada a reinventar-se»21. Deste modo, ficou em aberto uma outra possibilidade para mais tarde iniciar uma nova tentativa de realização deste evento. 1.2.3.2. Oficina de Escultura: Reciclarte & Style No decorrer da ação de intervenção e através de uma conversa com a gestora do Palácio das Artes, surge uma proposta interessante de uma oficina desenvolvida por um artista plástico. Esta tinha como objetivo central iniciar a arte da escultura em cartão tendo como base o princípio da reciclagem. 21 Teixeira Lopes , João (2011) disponível online em: http://p3.publico.pt/actualidade/sociedade/1856/geracao-bloqueada 86 A partir deste momento era necessário proceder à organização e planificação de uma reunião com o formador de forma a obter informações mais claras acerca do mesmo. Posto isto, procedeu-se, à realização da conversa com o artista plástico para o esclarecimento de algumas questões. No cerne destas encontrava-se o grande objetivo da atividade, o público a que se destinaria a mesma, assim como a questão dos honorários e limites de participantes. Ou seja, pretendia-se que a reunião com o formador clarifica-se os objetivos de modo a estarem enquadrados nos objetivos do Palácio das Artes. Pois, a contextualização do formador naquilo que são os objetivos é uma questão fundamental na realização de formações com sentido e enquadradas. No final da sessão ficou claro que a oficina de escultura denominada “Reciclarte & Style” iria iniciar a arte de escultura em cartão existindo uma estreita relação entre o conhecimento e a aprendizagem dos processos plásticos. Na ideia original do artista esta seria direcionada a todo o tipo de público de todas as faixas etárias, expandindo o leque de participantes que poderiam chegar ao espaço do PAFT. Posteriormente a alguns contatos entre nós, enquanto instituição, e o formador, a oficina ficou destinada a jovens dos 13 aos 20 anos, existindo a necessidade de os participantes trazerem consigo algumas caixas de cartão que já não utilizassem. Acordadas entre ambas as partes as condições necessárias à realização da oficina foi o momento do pedido da realização do cartaz ao departamento indicado a esta função. Contendo toda a informação necessária, ou seja cartaz e ficha de inscrição (Apêndice VI), iniciou-se o processo de divulgação entre os diferentes contatos da base do PAFT, também com a possibilidade de visualidade no jornal “As artes entre as letras” e na estação de televisão Porto Canal com a presença da minha colega do serviço educativo. Não sendo possível alcançar um número razoável e adequado para a realização da oficina esta teve também de ser adiada. Deste modo, e embora tendo sido realizada uma divulgação em todos os meios possíveis, não conseguimos mais uma vez alcançar o número mínimo de 10 participantes. Considerando esta situação a mesma foi explicada ao artista plástico entendendo que não seria possível avançar agradecendo todo o trabalho desenvolvido. Não querendo ser repetitiva, a questão económica poderá ter um peso razoável na participação ou não numa atividade artística deste género. Contudo, esta atividade que permitiu para além da obtenção de competências a nível comunicacional, técnico e organizacional de eventos, a aprendizagem de algumas questões aliadas às artes 87 plásticas. A par com a componente artística, se desenvolvia a concetualização do serviço educativo, uma vez não é possível conhecer um país sem conhecer a sua arte (Barbosa, (s/d)). Logo este serviço deverá articular a vertente artística e cultural com momentos educativos e formativos, que aproximam a população jovem do PAFT, tal como a oficina descrita. 1.2.3.3. Gestão da Carreira Criativa Focando na grande temática das artes, e estando a trabalhar num local que enfatiza e explora as potencialidades de jovens criadores/as, pareceu-me deveras apropriado tentar desenvolver uma atividade em torno desta dimensão. De facto, o que sucedeu foi uma proposta de uma profissional que tinha a intenção em desenvolver um workshop em torno do tema “Gestão da Carreira Criativa”. Assim e relacionando a juventude com a empregabilidade, no sentido em que aborda estas duas vertentes nomeadamente em contexto artístico, foi de imediato uma ideia a desenvolver. A formadora responsável após enviar para o Palácio todas as informações acerca deste evento, foi o momento de proceder á mediação através da comunicação entre a direção da Fundação e a própria formadora. Seguindo o mesmo modelo de ação que fui explicitando anteriormente, e posteriormente a alguns momentos de negociação e partilha, chegamos ao acordo de todas as condições para saltar para a concretização do workshop proposto. De forma a se tornar mais explicito este workshop tinha como principal objetivo aprender a gerir a carreira artística, ficando munido de ferramentas para conseguir desenvolver e concretizar as ideias de cada um. Seriam então abordadas e trabalhadas questões-chave desde planeamento, apresentação, marketing, auto-promoção, financiamento e aspetos legais. Esta atividade destinava-se a jovens estudantes na área das artes, criativos/as ativos/as que queriam promover e gerir a sua carreira e a artistas plásticos, designers, ilustradores/as, fotógrafos/as, freelancers, atores/atrizes, músicos, dançarinos/as, escritores/as, etc. Possuindo o cartaz e a respetiva ficha de inscrição (Apêndice VII) em mãos, passamos para o grande processo de divulgação do evento. Partindo pelas vias habituais, ou seja, pela base de contatos, pelas redes sociais e site da Fundação da Juventude. Mais tarde, considerou-se que seria interessante aproveitar para dar a 88 conhecer o evento aos elementos presentes nas residências artísticas, pois são na sua maioria jovens que trabalham em torno da produção das suas próprias criações. Chegamos a alcançar cerca de 12 inscrições, e tendo presente que iria ocorrer esta atividade, recebemos no PAFT todos os materiais que seriam necessários para os/as participantes e alguns pedidos por parte da formadora. Isto é, depois de ser questionada acerca de que materiais iria necessitar esta solicitou a presença de um computador e projetor, assim como a disposição em U relativamente à posição das mesas. Esta disposição, que de acordo com a minha formação em torno das questões educativas, me pareceu deveras relevante no sentido de todos/as os/as participantes poderem comunicar de forma visível e mais próxima, permitindo um outro nível de diálogo entre o grupo. Chegou um feedback positivo, no que toca à realização deste evento, sendo informada que marcaram presença 9 participantes que levaram consigo o certificado de presença, pois alguns desistiram. Possuindo todas as informações dos/as participantes, de imediato foi enviado um documento (Apêndice VIII) que nos remete para a avaliação desta sessão pedindo o seu preenchimento o mais breve possível. Após todos estes procedimentos chega o momento de refletir de que forma esta atividade contribuiu para o propósito da intervenção. De facto, esta tentativa de articular a veia artística com um momento formativo, que englobasse a problemática da inserção no mercado de trabalho, ou de uma gestão positiva de carreira não poderia ser mais apropriada. Um serviço de natureza educativa deve potenciar estes momentos de análise e reflexão, neste caso dirigidas ao público jovem, tendo em conta áreas de interesse para os mesmos. Esta ideia de gerir a sua própria carreira profissional remete-nos para a ideologia do empreendedorismo jovem, do qual tanto se fala neste tempo de crise. Neste sentido, existe uma necessidade de complementar a função das instituições de educação formal, com a formação ao nível das capacidades empreendedoras. Logo, o «(…) papel da educação não formal e voltada ao trabalho faz-se necessário [no] contexto de interesse da sociedade pelo empreendedorismo» ( Lima-Filho, Sproesse e Martins,2009: 251). Desta forma, através deste workshop o público jovem poderia desenvolver e adquirir novas competências nesta dimensão tão relevante e que muito depende das instituições de carácter educativo não formal. 89 1.2.3.4. Comande o seu Cérebro22 Incidindo numa outra área não tão relacionada com as questões da empregabilidade e carreira profissional, foram propostos no PAFT um ciclo de workshops acerca de desenvolvimento pessoal e profissional. Entre várias temáticas aquela que mais chamou a atenção da gestora do Palácio, e que consequentemente nos solicitou que desenvolvêssemos, foi o workshop “Comande o seu Cérebro”. Contatamos a formadora do mesmo, questionando a sua disponibilidade e interesse em desenvolver proximamente a atividade. De uma forma bastante breve foi recebida a sua resposta contemplando a sua inteira disponibilidade para a concretização do mesmo. Neste sentido, e contendo já em nossa posse alguma informação acerca da atividade e da biografia da formadora procedeu-se ao pedido habitual da construção do cartaz divulgativo. Este documento contemplava, a data, o local e custo da formação, assim como o objetivo do workshop. Este que proporcionava a oportunidade de ver como a programação neurolinguística (PNL) consegue modificar comportamentos de uma forma rápida e eficaz: perder um medo ou uma fobia, ter acesso a emoções positivas em qualquer momento (calma, confiança, etc.), desenvolver crenças potenciadoras, estimular a imaginação e criatividade e livrar-se de compulsões. Após iniciar a divulgação nos meios habituais já designados, obtivemos vários comentários à iniciativa assim como a proposta de uma sessão a um Sábado. Visto os vários pedidos que foram chegando ao PAFT, consideramos interessante possibilitar esta dupla opção de horário solicitando a opinião da formadora acerca desta questão. Assim obtínhamos a perceção que a atividade, os seus propósitos estavam a chegar ao público, especificamente aos/às jovens. Estando todas as condições acordadas procedeuse às alterações na ficha de inscrição e cartaz de divulgação (Apêndice IX), assim como a uma nova divulgação. Neste caminho divulgativo tive a oportunidade de participar no programa Porto Alive do Porto Canal, juntamente com a formadora explicitando melhor a atividade e convidando a todos/as os/as expectadores/as a participarem no workshop. Recebemos um total de 39 inscrições entre os dois dias disponíveis para o workshop, ocorrendo assim duas sessões do mesmo. Na sua primeira sessão tive a possibilidade de estar presente nas instalações da Fundação da Juventude, auxiliando a formadora em tudo o que necessitava e assistindo ao workshop fazendo assim uma 22 O título do workshop foi da responsabilidade da formadora do mesmo. 96 relacionadas com a temática a explorar. Neste sentido, as visitas temáticas dividiam-se em dois percursos um mais dedicado a crianças que se centraria na evolução do jogo e ocupação dos tempos livres ao longo do tempo e um outro para jovens, que trataria das questões da transição para a vida adulta, nomeadamente nas vertentes da intimidade e do emprego. Importa destacar que estes percursos dedicados a públicos específicos estariam sempre ligados com os momentos históricos que o Palácio viveu. Especificando o trajeto das visitas gerais estas partiriam da escadaria do edifício onde seria possível encontrar algumas perguntas-chave de forma a atrair visitantes, assim como cartazes alusivos ao circuito (Apêndice XIV) e às épocas históricas que marcam o local. Seria entregue também um quizz com questões acerca do circuito onde os/as visitantes iriam encontram as respostas ao longo da visita. Numa sala focada na época do convento de S. Domingos seriam expostas roupas da época, por exemplo, informações históricas e atuais ao longo de todos os outros espaços. Relativamente às visitas temáticas estas teriam folhetos divulgativos específicos (Apêndice XV) Para crianças, existiriam folhetos específicos para divulgação das visitas, consequentemente alguns jogos que retratam a evolução do jogo e lazer intercalados com as diferentes etapas do edifício. Importa salientar que seria também entregue um quizz com questões que iriam sendo preenchidas ao longo da visita e que se encontra em apêndice (XVI) para consulta, terminando com uma classificação e consequente premiação. Um pouco nos mesmos parâmetros destinava-se uma visita para o público-jovem que teria um folheto divulgativo específico, e que se baseava num conjunto atividades desenvolvidas ao longo da visita ao edifício, e que se centravam nas questões das transições juvenis e intimidade ao longo do tempo. Da mesma forma o quizz faria parte do trajeto (XVI), contudo apropriando as questões à faixa etária relativamente ao direcionado às crianças. Para se tornar a planificação e o entendimento da ação mais percetível foi construído um documento com todas as etapas descritas que poderá ser consultado em apêndice (XVII), onde são explicitadas as várias atividades presentes em cada sala do edifício Douro. De forma a tornar-se concretizável, seria central para o projeto pesquisar algumas empresas que pudessem disponibilizar meios ou materiais para as visitas, ou até mesmo apoio de foro financeiro. Posto isto, foram pesquisadas várias possíveis entidades parceiras como por exemplo: a Modatex; os Arquivos da RTP; o Instituto 97 Multimédia; a empresa lego; Cinemateca Portuguesa e a loja A Vida Portuguesa (Loja de Jogos Tradicionais). Assim efetuada a pesquisa foi necessário construir uma carta modelo a explicitar o objetivo e pedido da parceria que foi analisada pela direção da Fundação (Apêndice XVIII). Embora tenham sido realizadas todas as alterações convenientes e todos os processos necessários para concretizar estas atividades, as mesmas não vieram a ocorrer. Isto porque, uma atividade desta dimensão necessitaria de mais tempo de permanência na instituição para ser levada a cabo. Todavia, esta proposta fica na posse da Fundação da Juventude como uma possibilidade para o impulsionamento da ação do serviço educativo do PAFT. Pois, estas visitas guiadas possibilitariam o (re)viver o contexto através da articulação entre a história e as transições das juventudes, de forma a aproximar os/as jovens do trabalho desenvolvido pelo PAFT. A planificação destas visitas como foi descrito envolveu um trabalho de pesquisa e idealização, que deveria ser marcada pela criatividade e inovação. Desenvolvi ao longo da conceção desta ação competências aliadas à comunicação, formação, divulgação e mediação. Esta última, que permitiu uma aprendizagem ao nível da constituição de parcerias necessárias para a concretização da atividade. 1.3.2. Dar a conhecer o Palácio das Artes: acompanhar diversos públicos Através de uma proposta da direção da Fundação da Juventude, a equipa do serviço educativo foi sugerida a acompanhar um grupo de visitantes que pretendiam conhecer os monumentos dos centros históricos de várias cidades. Assim sendo, foi proposto realizar uma explicitação acerca da história do edifício e dando a conhecer a sua missão nos dias de hoje. «Assim que ouvi esta proposta fiquei logo muito interessada na mesma, uma vez que vai de encontro aos meus objetivos aqui no Palácio das Artes, que se centra principalmente em aproximar a população, mais concretamente os/as jovens, do mesmo dando a conhecer a sua história, de uma forma informal e educativa, que se envolve num Património nacional» (Nota de Terreno, 21 de Dezembro de 2012) 98 Constituindo um momento de formação, foi organizada a informação histórica de forma a dar a conhecer a mesma aos/às diferentes visitantes, contudo e devido às difíceis condições meteorológicas que se faziam sentir esta iniciativa teve de ser cancelada. «Seguidamente a esta pequena reunião deixamos que os/as jovens fossem visitar livremente a exposição atual do PAFT, “Filhos de um Deus menor”. Não menos importante acompanhamos os mesmos até uma das residências artísticas onde os/as alunos/as tiveram a oportunidade de falar com alguns artistas residentes (…)» (Nota de Terreno, 23 de Janeiro de 2012) Um outro momento que devo destacar, e que remete para a aproximação entre os/as jovens e o património cultural, deve-se ao acompanhamento da visita de estudo dos/as alunos/as da Escola de Espinho, mais concretamente do curso de animação sóciocultural. Nesta visita, foi possível estabelecer uma conversa informal com os/as jovens de forma a permitir a comunicação entre todos/as e onde foi distribuído pelos/as presentes um documento informativo relativamente à história do local (Apêndice XIX). Posto isto, reunidos numa das salas do piso nobre do PAFT existiu a oportunidade de passar a informação do património cultural que este local transparece. Claro que toda atualidade e atividades desenvolvidas pelo Palácio foram abordadas e dadas a conhecer, assim como a realização de uma visita guiada por todo o edifício. «Este momento foi relevante pois permitiu dar a conhecer a história a estas colegas de forma a que possam passar esta mensagem aos/às participantes do Dia Nacional dos Centros Históricos que por aqui passem» (Nota de Terreno, 20 de Março de 2013) A explicitação destes factos históricos foi também transmitida a duas novas estagiárias que chegam às instalações do PAFT e que teriam uma participação no dia dos Centros Históricos. Para além desta abordagem, foi disponibilizado às colegas o documento utilizado na visita de estudo referida para ser distribuído na comemoração dos Centros Históricos, bem como foi realizada uma visita guiada pelo edifício onde foi possível dar a conhecer alguns elementos históricos ainda preservados. 99 O acompanhamento informado, assim como todos os outros descritos neste ponto 3.2., constituíram momentos educativos pautados pela temporalidade cultural. Ou seja, remetendo-me para a noção de memórias coletivas (Felgueiras, 2005), foi objetivo primordial destas ações reviver a identidade do contexto aproximando o público do mesmo. Nesta perspetiva, partindo da componente histórica e cultural tentou-se transparecer a missão e os objetivos, do novo equipamento da Fundação da Juventude, que constituem a sua própria identidade. 1.4. Ações de Integração na dinâmica institucional: outras atividades desenvolvidas no Palácio das Artes Para além de todas as atividades que fui descrevendo até ao momento, o meu estágio foi também ocupado por uma série de outras ações e atividades que tiveram também um papel importante no desenvolvimento do serviço que se pretende educativo. Ações de divulgação e comunicação Uma de várias atividades desenvolvidas prendeu-se com a observação, divulgação e participação nas sessões do Seminário “Ser Empreendedor/a”, no auditório da Fundação da Juventude, proporcionado pela Rede Nacional de Responsabilidade Social das Organizações. Este evento, no qual exerci também funções de receção dos/as participantes, permitiu aprofundar os meus conhecimentos em torno da temática do empreendedorismo, assim como perceber qual o público que frequenta as atividades da Fundação. «De facto este Seminário foi muito interessante, estando nós a viver num tempo de grande crise económica, onde os/as jovens não preveem um futuro muito risonho em termos profissionais, esta questão de ser empreendedor pode ser uma solução a desenvolver» (Nota de Terreno, 23 de Outubro de 2012) 100 Surgiu ainda a oportunidade de realizar mais um processo de divulgação de um conjunto de atividades que compunha a Oficina dos Pequenotes, destinada à ocupação do tempo livre das crianças no período de férias de Natal. Foram desenvolvidas ao longo de todo o estágio atividades de caráter administrativo. Ou seja, por inúmeras vezes desenvolvi trabalho de receção, receção dos visitantes de exposições no PAFT, atendimento de telefonemas envio de alguns emails necessários. Ainda mais, auxiliei por inúmeras vezes na arrumação das instalações do Palácio para a preparação de eventos como as várias edições das Feiras Francas. Ainda neste evento contribuí para auxiliar os/as diferentes participantes da Feira, na recolha de material fotográfico, assim como no processo de contagem de visitantes. Todos estes trabalhos de carácter mais prático, embora possam parecer à primeira vista trabalhos menores não o são de todo. Isto porque, estes permitiram aprofundar os meus conhecimentos em relação à instituição, às suas dinâmicas, bem como do público central que visita a Fundação e o seu equipamento cultural. «este novo dia fica mais uma vez marcado por uma forte componente de comunicação aliada à mediação entre instituições, com o objetivo da realização de um evento formativo e educativo para todos/as» (Nota de Terreno, 3 de Dezembro de 2012) Ação de Conceção Uma outra atividade solicitada pela equipa do PAFT diz respeito à formulação de uma proposta para a realização em Portugal do concurso “Culture Programme – Cooperation measurs”, ou seja mais especificamente “Centros Históricos – património da humanidade – Espaços Interculturalismo. Este último, que tem como objetivo principal promover os centros históricos e a sua valorização, assim como o diálogo intercultural, através de estratégias locais de turismo cultural e da promoção da mobilidade de artistas através das artes visuais. Este concurso surge envolvendo-se no Ano Europeu do Património Cultural, das Artes Visuais e das Artes performativas, tendo início em Maio de 2013, e sendo mais conhecido pelo título – “CulTour”. Neste sentido, foram propostos alguns workshops na área de fotografia, cinema, arquitetura, os quais já fiz referência anteriormente. Para além disto, no nosso País esta iniciativa teria como objetivos gerais recolher documentos que remontassem à história de um 101 monumento numa cidade em cada país colaborador; trabalhar essa mesma história através de artes visuais e/ou performativas de forma a dá-la a conhecer à população no geral; permitir que cada país toma-se contacto com a história de outro, o que permitia uma troca de experiências e de conhecimento de outras culturas entre os países colaboradores; aplicação de questionários à comunidade envolvente sobre a importância da divulgação e preservação dos centros históricos que constituem o património de cada país colaborador e realização de workshops e atividades dinâmicas e interativas que permitam um pensar nestas questões de um modo diferente, cujos resultados podem ser aplicados ao próprio concurso. Torna-se neste momento conveniente realizar uma retrospetiva de todas estas últimas atividades no que toca aos seus contributos para a intervenção. Através de todas estas atividades fui desenvolvendo um conjunto de competências como a comunicação, a mediação entre diferentes instituições e públicos, a dimensão da formação, conceção e organização de eventos. Para além disto, o conjunto de atividades que descrevo permitiram conhecer melhor a Fundação da Juventude, o PAFT, o seu trabalho, a sua dinâmica organizacional e a sentir-me como membro da equipa. Capítulo II: analisando a ação – etapas da construção de um serviço educativo O capítulo a que agora se dá início será dedicado a uma análise teórica transversal das ações desenvolvidas no percurso profissionalizante que se deu a conhecer anteriormente. Após a descrição de todas as atividades, que contemplaram o trabalho desenvolvido, torna-se de extrema relevância compreender o modo como se articulam e integram no sentido da conceção e desenvolvimento do serviço educativo no equipamento cultural PAFT. Sendo o objetivo central desta intervenção, no contexto do Palácio das Artes, contribuir para a construção de um serviço educativo, importa referir que estas estruturas «(…) são uma peça fundamental nas instituições culturais, na medida em que são o órgão responsável por estabelecer a relação entre determinada instituição e o seu público, através da promoção de projetos e atividades de carácter lúdico e educativo (…)» (Araújo, 2012: 43). Esta relação entre o público e a instituição cultural, nomeadamente o público-alvo da mesma, os/as jovens, é marcada pela cultura, pela arte, pelo património. Pode considerar-se, deste modo, que «a cultura é uma fonte de 102 socialização, proporcionando a aproximação e o contacto entre as pessoas» (idem: 43). Um olhar global em torno do exercício profissionalizante mostra que foram desenvolvidas um conjunto de atividades marcadas pela dimensão educativa não formal, proporcionando e potenciando um conjunto de aprendizagens em diferentes áreas. Neste sentido, dá-se «(…) relevo aos contextos e processos de experiência social, nos quais se partilha o conhecimento e se (re)descobre e compreende criticamente a realidade (…)» (Palhares, 2009 :64). Nesta linha de ação sobressai o impacto das aprendizagens impulsionadas por momentos distanciados de um a realidade educativa formal, de uma “rigidez” inerente ao processo de escolarização. 2.1. O Património como potenciador educativo Partindo da idealização de um conjunto de workshops dos quais se destaca o desenvolvido na área do teatro e da fotografia, onde através da história do edifício do PAFT, se tentava motivar o público juvenil a contatar com o equipamento cultural de forma educativa. Através de um momento dinâmico de formação, procurou estabelecerse uma ponte entre as memórias culturais e um presente marcado pela inovação e criatividade. Criatividade que poderá ter sido a resposta à necessidade de um problema (Kneller, 1978), que se centrava no distanciamento do público jovem ao PAFT, aliada ao processo de preservação e exteriorização das memórias culturais do contexto. De acordo com as características educativas, inerentes a estas atividades, torna-se pertinente perceber que a educação poderá ser «(…) o mais eficiente caminho para estimular a consciência cultural do indivíduo, começando pelo reconhecimento e apreciação da cultura local» (Barbosa, (s/d): 1). Estes dois workshops partiam assim da ideia de que o património «(…) não pode ser olhado apenas como uma reserva e, menos ainda, como uma recordação ou nostalgia do passado mas, antes, como algo que tem de fazer parte do nosso presente» (Almeida, 1993 :412). Assim, pretendeu-se trabalhar no sentido da reconfiguração da tradição onde o passado marca a ação da instituição no presente enfatizando a dimensão da inovação e criatividade. Alguns momentos registados dão conta das preocupações assinaladas: 103 «(…) seria uma ótima oportunidade para a dar a conhecer de forma educativa o Palácio das Artes, a história deste edifício, abrindo as suas portas à comunidade aproximando a mesma do património da cidade do Porto» (Nota de Terreno, 1 de Fevereiro de 2012) Não só estas duas atividades partiram desta dimensão histórica e cultural, assim como as visitas escolares, surgiam com esta base temática aliada também às juventudes. O desenho destas visitas integrava a estrutura de mediação entre o público, a comunidade, os/as jovens ao espaço interno do PAFT e, consequentemente, as questões da história, herança cultural e património. 2.2. Articulando as Juventudes, a Arte e a Educação não-formal Ao longo da sequência de ações foram surgindo a concretização de outros momentos (in)formativos. Tal como todas as atividades desenvolvidas no âmbito de um serviço educativo, procurou introduzir-se «(…) elementos [de] “novidade” e “descoberta”, proporcionando aos participantes oportunidade para explorar, assimilar e acomodar novas realidades, conhecimentos e experiências, relacionando-as com as suas motivações e interesses» (Araújo, 2012: 47). As atividades foram ainda marcadas pela sua dimensão educativa não formal, que carateriza o espaço e a missão do equipamento cultural. Neste sentido, procurou-se fazer com que todos os eventos fossem pautados por um ambiente informal, descontraído, possibilitando aos/às jovens aprendizagens não aprisionadas pelo alcance de objetivos tão evidenciados nos contextos educativos formais, no sentido de alcançar uma complementaridade às aprendizagens potenciadas pela escola enquanto espaço educativo. Pois, um espaço de educação não formal deverá ser encarado como um espaço marcado por relações e expressões interpessoais que se coadunam com os processos de mediação educativa, uma vez que visa estabelecer elos de ligação entre as carências dos sujeitos, no sentido em que são eles/as o foco da ação educativa (Saldanha, 2012). As sessões dinâmicas de formação concretizadas no PAFT proporcionaram momentos potenciadores de desenvolvimento. Nesta perspetiva, importa salientar que «(…) não é educação, por si só, e muito menos quando se reduz à dimensão escolar, que constituí um factor de desenvolvimento; a acção de desenvolvimento combinada com a 104 acção educativa é que provoca uma dinâmica de desenvolvimento» (Ferreira, 2005:421). Para além disto, e visto que estes momentos formativos se desenvolveram junto de um público jovem, as temáticas abordadas foram diversificadas de forma a olhar este grupo de acordo com as suas características. Uma vez que, «(…) esta forma de olhar a sociedade, através do quotidiano dos jovens, [é] uma condição necessária para uma correcta abordagem de alguns dos paradoxos da juventude (…)» (Pais, 1990: 164). Eventos como as sessões desenvolvidas no workshop de Gestão de Carreira Criativa, assim como a proposta da Oficina de Escultura, revelaram-se pertinentes na medida em que partindo da dimensão artística e educativa desenvolveram elos de ligação entre o público e a instituição. Assim, e estando a desenvolver o trabalho centrado na construção do serviço educativo, esta área artística não poderia ser melhor ponto de partida para potenciar momentos educativos de reflexão coletiva e individual. Deste modo, a arte no domínio educativo revela-se «(…) como expressão pessoal e como cultura [sendo] um importante instrumento para a identificação cultural e o desenvolvimento» (Barbosa, (s/d): 3). Contudo, em momentos condicionados pelas diretrizes da globalização e capitalismo, «a arte contemporânea instala-se, soberana e autoritária, na trajectória humana que conforta a abundância de poucos perante uma absoluta e larga maioria mutilada das suas potencialidades, por condenada ao trabalho e dependente do consumo» (Silva, 2009 : 39). O papel das artes enquanto instrumento educativo remete-nos até à sua relevância não apenas em contextos educativos não formais, como o PAFT e a Fundação da Juventude, mas também nos espaços educativos formais. Isto porque, «as artes são produções culturais que precisam ser conhecidas e compreendidas pelos alunos, já que é nas culturas que nos constituímos como sujeitos humanos» (Almeida cit in Braga e Matos, 2009). Na mesma linha de pensamento, a proposta realizada em torno da conceção de uma proposta para o projeto “CulTour”, permitiu através de um conjunto de atividades de âmbito cultural, olhar a arte como essencial para entender e conhecer a cultura de um País. Pois, «a arte, como uma linguagem presentacional dos sentidos, transmite significados que não podem ser transmitidos através de nenhum outro tipo de linguagem, tais como as linguagens discursivas e científica» (Barbosa, (s/d): 2). Foram alvo da intervenção desenvolvida outras sessões (in)formativas, que surgiram também com o foco de atrair jovens ao espaço, mas centrando outras áreas 105 temáticas de possível interesse por parte do público jovem. Assim, destacando o workshop em parceria com a empresa Energia Fundamental, que pretendia trabalhar as questões da empregabilidade, como a curiosidade aliada a uma possibilidade de “Comandar o Cérebro”. Esta última temática que transporta em si algumas questões, nomeadamente esta curiosidade, inerente à possibilidade de dominar os comportamentos individuais possuindo uma noção de controlo. Os temas mencionados surgiram com a pertinência de se apresentarem como possíveis dinâmicas de especial interesse para os/as jovens. A questão da empregabilidade surgia como um momento relevante no âmbito do serviço educativo pretendido. Para além da centralidade exercida pela componente histórica, esta última estaria lado a lado com a questão das transições, da empregabilidade juvenil na idealização deste serviço, através das visitas guiadas ao espaço do Palácio. De salientar, que esta temática foi mais desenvolvida pela outra colega envolvida na idealização do serviço educativo, ainda que em articulação, criando pertinências teóricas e de ação. Um serviço educativo que pretende aproximar os/as jovens do espaço de intervenção teria, neste contexto, de salientar as temáticas, e problemáticas que afetam e influenciam o público jovem. Tal como já foi mencionado anteriormente, as transições juvenis aliadas à problemática do desemprego jovem constitui um dos problemas mais marcantes na sociedade atual. Contudo, «(…) os jovens encontram-se diferentemente expostos ao desemprego e este, (…) tem para os jovens diferentes sentidos» (Pais, 1991: 968). A juventude surge assim associada a um conceito de crise, onde o desemprego juvenil se apresenta como um dos principais fatores que justificam este momento (Grácio, 1992). De forma a abordar estas questões, este workshop possibilitaria um auxílio ao público jovem transmitindo uma série de técnicas para o processo de procura de emprego. 2.3. O processo de Mediação intrínseco ao Serviço Educativo Se o modo de trabalho desenvolvido em geral assentou epistemologicamente e em termos de organização da ação em processos de Mediação Social e Educativa constituindo uma componente transversal de todo o estágio, é com o foco orientado pelo objetivo de se equacionar um possível serviço educativo que as questões da mediação 112 Considerando este projeto de carácter interventivo, não poderia deixar de mencionar a questão da avaliação e monitorização do mesmo. Importa referir, antes de mais, que o processo avaliativo «é o principal instrumento de apoio à replicação e reprodução alargada das boas práticas, porque permite compreender tanto os sucessos como os insucessos das acções desenvolvidas» (Capucha, 2008: 45). Fazendo uma retrospetiva da ação de estágio desenvolvida, posso destacar um dos primeiros momentos de dimensão avaliativa que diz respeito ao momento do diagnóstico. Tal como descrevi nas opções metodológicas, realizei uma série de questionários aos/às funcionários/as da Fundação da Juventude, à comunidade envolvente, bem como aos/às formadores/as do Sistema de Formação do contexto. Não só os questionários foram utilizados como método de recolha de dados, mas também as notas de terreno realizadas aquando da observação participante no contexto, e direta no seu espaço exterior contribuíram para um conhecimento inicial acerca da pertinência da criação de um serviço educativo e do valor cultural do edifício. Nesta primeira abordagem avaliativa torna-se evidente que me posicionei numa posição mista, ou seja, de acordo com as necessidades do contexto utilizei métodos quantitativos, mais objetivos, e qualitativos alvo de análise e reflexão. Assim de acordo com o processo avaliativo poderei afirmar que realizei uma avaliação interna, uma vez que «(…) é executada por pessoas que integram as organizações ou grupos avaliados e/ou estreitamente associadas à acção que é objeto do processo avaliativo» (Monteiro, 2000: 141). Olhando a distinção possível entre os diferentes momentos que podem ocorrer processos avaliativos, de acordo com Monteiro (2000) o diagnóstico, ou seja a avaliação num momento inicial da intervenção corresponde ao que se denomina por avaliação exsante, pois «(…) desenha o inventário das necessidades, dos beneficiários e dos recursos disponíveis » (idem: 142). De ressaltar que o processo de recolha de informações que é possibilitado pela observação participante, através da escrita das notas de terreno que foi transversal ao longo de todo o meu percurso no PAFT. Ou seja, avaliando o meu trajeto, os pontos positivos, negativos, as dificuldades e alterações surgiram muitas vezes desta reflexão com o terreno. Neste sentido, a avaliação formativa, ao longo de toda a intervenção marcou a minha presença no contexto, uma vez que «(…) ocorre durante o desenrolar do programa, interessando-se não só pela eficácia e eficiência do mesmo, mas igualmente pela metodologia desenvolvida» (idem: 142). 113 Em todos os workshops, tal como fui referindo, e sessões dinâmicas de formação que foram desenvolvidas, ou melhor, aquelas que de facto foram concretizadas (Comande o seu Cérebro; Gestão de Carreira Criativa e Mediação de Conflitos em Contexto Escolar), foi utilizado um documento que permitisse analisar cada sessão realizada. Assim, e com carácter avaliativo final de cada evento, ou seja um processo avaliativo do tipo ex-post, cheguei a uma série de resultados interessantes que irei analisar de seguida. Importa referir, que em alguns casos, estes questionários avaliativos foram enviados online contribuindo para a redução de custos em torno da impressão destes documentos, facilitando o contato com os/as participantes de uma forma mais comoda e acessível. Numa escala de 1 a 5 com grau de satisfação crescente, ou seja sendo o número 1 correspondente a muito insatisfeito/a e a escala máxima de 5 correspondente a muito satisfeito/a os/as formandos/as fizeram corresponder a sua opinião acerca de vários pontos relevantes. Nesta linha de pensamento e iniciando a análise da primeira sessão do workshop “Comande o seu Cérebro”, foi possível perceber que os/as inquiridos/as, revelaram uma grande satisfação quanto aos quatro primeiros pontos ou seja no que diz respeito ao rigor da formação, interesse da Formação para a vida quotidiana, interesse da formação para a vida profissional e na qualidade da dinamização organizada pela formadora. Quanto ao menor grau de satisfação este centrou-se na duração da formação. Ilustração 3: Gráfico de satisfação (Workshop "Comande o seu Cérebro") 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 Número de participantes Opinião dos/as Formandos/as 1 (Muito insatisfeito/a) 2 3 4 5 (muito satisfeito/a) N/R (Não respondeu) 114 Numa segunda questão tentou-se perceber como os/as participantes tomaram conhecimento da atividade. Assim, e na consequência da análise dos resultados, podemos perceber que o meio de divulgação que teve mais sucesso foi o email de divulgação do workshop seguido de outros meios que incluem rede de conhecimentos, site da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação e através da participação no Porto Canal. Foi possível também verificar que de um modo geral o workshop correspondeu às expectativas dos/as participantes. Relativamente à referência de pontos negativos e positivos do desenvolvimento da sessão, os primeiros mais apontados pelos/as participantes foram a duração reduzida do workshop e o espaço, nomeadamente a temperatura do mesmo. No que toca aos aspetos positivos os mais nomeados foram a demonstração prática dos conteúdos, as dinâmicas de interação e os conteúdos abordados. Através da última questão conseguimos perceber que existe uma grande diversidade de temas, que os/as inquiridos/as gostariam de ver abordados em futuros eventos, no entanto estes concentraram a sua preferência na continuação deste mesmo workshop. De ressaltar que através das notas de terreno, da observação realizada nesta sessão, foi possível perceber o grande interesse e motivação por parte de todos/as presentes, questionando diversas vezes a formadora potenciando uma dinâmica comunicativa. Infelizmente não tivemos acesso aos resultados da avaliação da segunda sessão deste mesmo workshop, isto porque e desta vez os documentos de análise avaliativa foram entregues via email, onde esperamos o seu preenchimento o mais breve possível. Deste modo, e apesar de toda a insistência com preenchimento do documento não foi possível receber um número de respostas suficientes para uma análise conveniente do evento. Tal como nesta última sessão a terceira edição do workshop “Comande o seu Cérebro”, foi avaliada nos mesmos parâmetros através da comunicação online. Mais uma vez, e embora tenhamos exercido alguma pressão no preenchimento do documento de avaliação, não conseguimos chegar a um número de respostas suficientes para uma análise da 3ª edição desta atividade. Numa outra atividade concretizada, o workshop “Gestão da Carreira Criativa”, avaliada através do envio da ficha de avaliação seguido do seu retorno por parte dos diferentes participantes, apenas foram recolhidos 3 documentos de resposta de um total 115 de 9 participantes inscritos/as. Devido ao facto anteriormente mencionado não foi considerado pela instituição e por nós enquanto serviço educativo, que as respostas constituíssem material empírico suficiente para avaliar as sessões que constituíram o workshop. Para obter uma perceção da avaliação que os/as estudantes do Sistema de Aprendizagem da Fundação realizaram acerca da conferência organizada por mim e pela minha parceira no serviço educativo, em torno da temática de mediação de conflitos aplicou-se um documento de carácter avaliativo. Através de um questionário que se iniciava, de acordo com as outras atividades avaliadas, com questões acerca do grau de satisfação dos mesmos com várias dimensões da ação, bem como os pontos positivos e negativos a apontar, surgiram novas questões essenciais. Ou seja, existiu a curiosidade e a pertinência em perceber qual a opinião dos/as participantes acerca da questão do conflito, do conhecimento em torno do processo de mediação dos contextos envolvidos. Realizando a análise dos dados recolhidos no decorrer da sessão, e embora tenhamos conseguido recolher o número total de documentos avaliativos preenchidos, não foi mais uma vez possível a realização da análise dos mesmos. Isto porque, e talvez devido às características complicadas que caracterizavam o grupo de participantes, estes não responderam de forma a que as suas opiniões pudessem ser alvo de reflexão. Pois, se por inúmeras vezes não responderam de todo, em outras situações as suas respostas não se encontram relacionadas com as questões colocadas. Para finalizar o trabalho desenvolvido no equipamento cultural do PAFT, existiu a necessidade de realizar uma conversa informal final com a supervisora local e com a minha colega de trabalho no serviço educativo. Ao longo desta conversa foi percetível que existiram alguns pontos positivos, e menos positivos a apontar ao caminho percorrido. Assim, em relação ao próprio serviço educativo, foi opinião da gestora do PAFT que não se concretizou o mesmo em termos concretos, ou seja com uma componente sólida na instituição. Contudo, e tomando a responsabilidade de alguma falta de atenção para com o nosso trabalho, foi assumida pela supervisora, pois constituiu uma equipa ainda muito recente no contexto. 116 «Todavia e apesar de todos os esforços de parte a parte devido à equipa presente no PAFT ser relativamente recente poderá também justificar a falta de apoio que tivemos em algumas iniciativas (…)» (Nota de Terreno, 22 de Abril de 2013) Como um dos pontos positivos foi enfatizada a preocupação na divulgação da cultura, e história do Palácio, uma vez que esta considera que o serviço tem de passar por esta componente. «(…) pontos positivos ao nosso projeto, o facto de tentarmos dar enfase à questão da história do edifício foi muito relevante, para esta o serviço tem de passar por esta dimensão» (Nota de Terreno, 24 de Abril de 2013) A concretização dos workshops e sessões (in)formativas foram muito relevantes para a divulgação do trabalho do contexto e aproximação dos/as jovens ao espaço. A atividade dos circuitos pensada e idealizada pelo serviço educativo ficará, e pedindo a nossa autorização, como proposta a desenvolver brevemente. Embora existindo algumas dificuldades em aproximar o público através das atividades, e alguns constrangimentos e dificuldades impostas pelo contexto, na generalidade a ação desenvolvida foi positiva com contributos simbólicos para o local. Este contato permitiu também a integração nas dinâmicas de uma possível entidade empregadora, o que contribui de forma decisiva para a minha formação. Referindo-me ao grande teor desta parte quinta parte do presente relatório, ou seja a monitorização e avaliação da intervenção, saliento a ideia de que o poder de avaliar é partilhado. Assim, a principal função do processo avaliativo é formativa, isto é, é pretendido melhorar, aprender, motivar. Assim, a «(…) justificação dos modelos e práticas de avaliação terá que operar-se sempre por referência à situação e contexto concreto (…) bem como aos valores que eles impõem, promovem e realizam» (Rodrigues, 1994: 104). Desta forma, tentei sempre adequar a o método de avaliação da ação de acordo com as características do meio e dos atores implicados. 117 Parte VI Considerações finais: Refletindo sobre a ação e as suas contribuições para a profissionalidade em Ciências da Educação 118 Chegando a este momento da reflexão do percurso de estágio parece-me essencial proceder a um conjunto de considerações que foram impulsionadas pelo trabalho desenvolvido. Estando envolvida na idealização e construção de um serviço de carácter educativo, numa instituição de educação não formal, a pertinência do envolvimento de um/a profissional em Ciências da Educação revelou-se deveras pertinente. Ao iniciar este caminho no Palácio das Artes – Fábrica de Talentos, e embora existissem alguns sentimentos de receio em relação ao meu desempenho neste espaço, tinha como intenção primordial contribuir com as minhas competências em termos profissionais. Neste sentido, e aproveitando ao máximo esta experiência com uma possível entidade empregadora, com as suas dinâmicas, fui-me envolvendo na missão do PAFT. A idealização deste serviço educativo não constituiu um processo linear, mas complexo, sendo este caminho alvo de alguns constrangimentos e dificuldades. Contudo, contribuí no desenvolvimento de um conjunto de atividades dinâmicas e formativas de forma a aproximar o público jovem do espaço. O trabalho desenvolvido no âmbito da construção, divulgação e realização das atividades permitiu adquirir várias competências que apenas esta componente prática potenciada pela via de estágio possibilita. Não posso deixar de mencionar, podemos dizer, a novidade em torno da questão da cultura e património como elementos chave na divulgação de uma instituição potenciando momentos educativos. Tomando esta linha orientadora revela-se focal olhar a educação numa dimensão multidisciplinar, não estando encerrada num espaço formal como o contexto escolar. Assim, surgem outros espaços, momentos que de uma forma diligente possibilitam aprendizagens, como é exemplo a Fundação da Juventude e o seu equipamento cultural. Estando o local da intervenção centrado nas questões juvenis artísticas, este revelou-se um espaço inovador na envolvência profissional das Ciências da Educação facto este que me proporcionou uma série de outros conhecimentos. Para além disto, e visto que «a identidade das Ciências da Educação constrói-se, assim, por transbordo e transgressão das disciplinas de origem, repensadas conceptualmente com base na investigação de novas temáticas e objetos de estudo » (Nóvoa, 1991: 31), esta experiência possibilitou a inclusão, o encontro do lugar de um profissional nesta área. 119 Tendo em consideração que me encontrava num local onde o público jovem constitui o recetor primordial de toda a ação, e que este mestrado se desenrola no domínio das Juventudes, Educação e cidadania, tornou-se essencial tomar especial atenção com este conceito plural. Ou seja, procurei sempre que possível escutar as opiniões destes no cerne da comunidade, assim como na presença nas várias atividades desenvolvidas. Assim, a minha posição quanto à intervenção e ao seu carácter educativo é pautada por uma perspetiva de trabalhar com os intervenientes, em educação, e não nos intervenientes, sobre a educação. Esta ideia foca o olhar de Canário (2003) quando este afirma que «(…) o campo disciplinar das ciências da educação não [é] definido por um “território” de factos sociais, mas sim pelo modo de articular como “olha” e se posiciona face a esse “território”» (Canário, 2003: 13). Posto isto, e focando a dimensão de investigar “em educação”, esta reflete um grau de proximidade com os sujeitos da intervenção partindo «(…) não de um saber constituído do exterior, mas a partir do interior, porque os investigadores “pertencem a este universo que é simultaneamente o seu objeto, o seu sistema de pertença, ao mesmo tempo que se constitui como o sistema de finalidades a que se ligam”» (Berger, 1992 cit in Canário 2003). Através de uma primeira fase de diagnóstico de necessidades do contexto da intervenção consegui perceber, exercendo esta fase de escuta qual poderia ser o caminho para a constituição do serviço educativo, tentando posicionar-me num eixo compreensivo perante a ação. Pois, um profissional em Ciências da Educação deve em primeiro lugar «(…) compreender e ajudar a acção pedagógica qualquer que seja o nível em que se situa» (Boavida e Amado, 2006: 327). Ao longo do meu percurso e a par com o desenvolvimento das várias atividades de carácter formativo, tive a oportunidade de desenvolver várias competências necessárias e uteis para estabelecer o meu lugar enquanto profissional. Assim, estabelecendo vários contatos com diferentes entidades, com o público em geral, permitiu desenvolver a componente de comunicação e mediação. Esta última que foi desenvolvida entre instituições, assim como entre a instituição e a comunidade, exercendo uma postura de escuta. Neste sentido, e sendo este processo uma rampa de lançamento para o meu trabalho na instituição, pude perceber a pertinência e relevância que um profissional na área das Ciências da Educação pode exercer num serviço educativo. Embora, estes serviços sejam marcados por uma forte componente educativa, através da minha experiência no PAFT entendi que a presença de profissionais na área 120 educativa neste contexto era escassa. Nesta linha de pensamento, penso que o trabalho desenvolvido em parceria por duas profissionais na área das Ciências da Educação, pode demonstrar que existe uma necessidade de possuir no interior do contexto profissionais com as competências demonstradas. Para além disto, e centrando-me na forte dimensão cultural que marca o PAFT, considero que poderá ter sido fundamental ter enfatizado esta questão nas atividades, constituindo este facto como ponto-chave de aproximação. Após um momento de análise e pesquisa de várias informações em torno da história que envolve o PAFT, houve a oportunidade de observar que esta dimensão seria uma das grandes potencialidades a desenvolver. Aquando da idealização e desenvolvimento dos eventos, adquiri vários conhecimentos ao nível do Património. A referência, à exploração e perceção da potencialidade do contexto de intervenção, foca uma outra competência de um/a profissional na minha área de intervenção. Isto porque, faz parte da ação de um/a mediador/a sócio-educativo/a e da formação compreender quais as potencialidades do espaço. Nesta questão considero importante ressaltar o facto de o local, que é caraterizado pela sua forte marca cultural, ser repleto por um grande potencial de ação. Contudo, e através da minha presença no PAFT, o que pude observar foi o grande vazio que muitas vezes encontrava no interior do grande edifício. Esta questão poderá ser explicada pela forte crise económica que estas estruturas atravessam a par com o resto do País, tal como foi demonstrado pela gestora do local aquando da conversa avaliativa informal final. Este último com ótimas infraestruturas, recheado de elementos com memórias, que poderiam ser aproveitadas através de uma iniciativa como os circuitos de visitas propostos na intervenção. Através da pertinente intervenção em parceria, tive também a oportunidade de contatar com outros profissionais de várias áreas. Este facto permitiu perceber, ainda mais na prática, que intervir em conjunto produz consequências positivas para o espaço alvo da ação dos profissionais. Este trabalho em rede poderá enquadrar-se como mais uma valência inerente a um profissional das Ciências da Educação. O caminho de estágio foi também alvo de vários momentos avaliativos, alguns destes que não correram como gostaria enquanto elemento da equipa do serviço educativo. Isto porque, seria essencial chegar à opinião de todos/as os/as participantes acerca dos vários eventos que ocorreram. Contudo e embora tenham sido estabelecidas as condições necessárias para chegar a esta perceção, em algumas atividades não foi possível chegar a resultados plausíveis de serem analisados. Todavia, esta questão 121 avaliativa marcou toda a minha ação, terminando com uma conversa informal com a supervisora local, de forma a chegar à visão que a gestora do PAFT, obteve da intervenção realizada. O tempo de formação em contexto profissional fica pautado por um caminho de aprendizagens, pelo desenvolvimento e adquirição de várias competências, tanto a nível pessoal quanto profissional. Permitiu-me perceber como adequar as nossas ideologias e componentes teóricas a uma realidade concreta, com as suas limitações e constrangimentos. Existiram algumas dificuldades inerentes a este processo, nomeadamente em termos práticos que poderão ter resultado em demorosos processos de conceção e divulgação de atividades. Para além disto, e devido a este estágio estar compreendido numa duração de apenas seis meses, não permitiu a concretização do grande projeto dos circuitos de visitas, que necessitariam de um período mais prolongado para ser aprofundado e realizado. Este contato com um contexto de intervenção foi uma experiência positiva, no sentido de compreender e integrar diferentes dinâmicas, de desenvolver a capacidade de trabalhar em equipa, refletindo sobre outras opiniões e decisões que provinham de diferentes profissionais, baseados em diversas áreas de atuação. De ressaltar ainda, que a possibilidade de contatar com o público jovem mais de perto permitiu explorar a visão enquanto profissional perante este público diverso. 128 Pais, José Machado (2011). A Arte da pirueta. Jornal P3. Retirado em Janeiro, 4, 2013de [http://p3.publico.pt/actualidade/sociedade/763/arte-da-pirueta]. Pais, José Machado (2005). Jovens e cidadania. Sociologia, Problemas e Práticas, (49), 53-70. Palhares, José Augusto (2009). Reflexões sobre o não-escolar na escola e para além dela. In Revista Portuguesa de Educação, 22(2),53-84. Peralta, Elsa (2008). A memória do mar. Património, tradição e (re)imaginação identitária na contemporaneidade. Lisboa: Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Pinto, Manuel (1997). A infância como construção social. In Pinto & Sarmento, Manuel (coord.), As crianças, contextos e identidades. Braga: Centro de Estudos da Criança, Universidade do Minho. Pinto, Joana (2008). As Ciências da Educação num contexto desportivo – Intervenção com jovens jogadores dos escalões de competição do futebol de formação. Tese de Mestrado em Ciências da Educação. Porto: Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto. Pires, Sandra Torrado (2010). A implementação de um dispositivo de mediação escolarestudo de caso. Tese de Mestrado em Ciências da Educação, área de especialização em teoria e desenvolvimento curricular. Universidade de lisboa: Instituto de educação. Ponte, Cristina (2005). Crianças em notícia, a construção da infância pelo discurso jornalístico. Lisboa: ICS. Raimond, Quivy e Campenhoudt, LucVan (1998). Manual de investigação em Ciências Sociais. Lisboa: Gradiva – Publicações, L.da. Rodrigues, Pedro (1994). As três lógicas da avaliação de dispositivos educativos. In na Fundamentação da avaliação em Educação. Lisboa: Colibri. 129 Santos, Boaventura de Sousa (1987). Um Discurso sobre as Ciências. Porto: Edições Afrontamento. Sardinha, Idalina (2006). Arte e pedagogia. No contemporâneo e actual. Oeiras: Celta Editora. Silva, Ana Maria; Caetano, Ana Paula et al (2010) Novos actores no trabalho em educação: os mediadores socioeducativos. Revista Portuguesa de Educação, 23(2), 119- 151. Silva, Artur Santos (2011). Dossier Entrevista- Gestão de Museus no século XXI. In Revista da Fundação da Juventude Fábrica de Talentos, (7), 11-15. Silva, Gabriel (2009). Convento de S. Domingos: O restauro da memória. Retirado em Maio 7, 2013 de [http://estudosop2.wordpress.com/2009/01/05/convento-de-s- domingos-o-restauro-da-memoria/]. Silva, Germano (2007). Palácio das Artes – Fábrica de Talentos. Revista Fábrica de Talentos, (0), 18-21. Silva, José Carlos de Paiva (2009). Arte/desEnvolvimento. Tese de Doutoramento em Pintura. Porto: FBAUP. Silva, Sofia (2008). Exuberâncias e (trans)figurações de si numa casa da juventude: Etnografia de fragilidades e de estratégias juvenis para o reconhecimento e para a dignidade. Tese de Doutoramento em Ciências da Educação. Porto: FPCEUP. Silva, Sofia (2008) Estratégias Juvenis para «fintar» Fragilidades- A construção da pertença a uma casa da juventude no Norte de Portugal. Jovens, Percursos e transições em instituições e comunidades educativas. Educação, Sociedade & Culturas, (27), 27- 49. Sousa, Acácio de (2009). Património, Identidade e os Registos escritos. In Vieira, Ricardo e Magalhães, Fernando (orgs.), Património e Identidade. Porto: profedições. 130 Stoer, Stephen R. e Magalhães, António M. (2005). A Diferença Somos Nós – A gestão da mudança social e as políticas educativas e sociais. Porto: Afrontamento. Telmo, Isabel Cottinelli (1989). O Património e a Escola: do passado ao futuro. Lisboa: Texto Editora. Teixeira Lopes, João (2011). Geração Bloqueada. Jornal P3. Retirada em Maio 19, 2013 de [http://p3.publico.pt/actualidade/sociedade/1856/geracao-bloqueada]. Tibola, Ivanilde Maria (2001). Arte, Cultura, educação e trabalho. Brasília: Federação Nacional das APAES. Willis, Paul (1991). Aprendendo a ser Trabalhador. Porto Alegre: Artes Médicas. Outras fontes: Comunicação: A Construção de Rede Nacional de Serviços Educativos (s/d), Educação Artística: Redes e Parcerias. Estatutos da Fundação, Fundação da Juventude. Retirado em Maio 19, 2013 de [http://www.fjuventude.pt/fichuprelanex/fx2692.pdf]. Fundação da Juventude. Retirado em Maio 19, 2013 de [http://www.fjuventude.pt/fundacao-da-juventude-11-casa-da-companhia]. Missão e objetivos. Fundação da Juventude. Retirado em Maio 19, 2013 de [ http://www.fjuventude.pt/fundacao-da-juventude-9-missao-e-objectivos]. Programa Juventude em Acção. Juventude. Retirado em Dezembro 10, 2012 de [http://www.juventude.pt/index.php?cat=8]. Revista da Fundação da Juventude (2007). Fábrica de Talentos (0). 131 Revista Interna do Banco de Portugal (1986). Anúncio, com licença da Comissão de Censura. Serviço Educativo (2003). Um contributo fundamental. Jornal do Museu dos Transportes e Comunicações, (3). SRU, Porto Vivo (2010). Plano de Gestão. Centro Histórico do Porto Património Mundial. Porto: Câmara Municipal do Porto e SRU (Sociedade de Reabilitação Urbana da Baixa Portuense, S. A.). Vasconcelos, Maria João (2011). Encontro Nacional Serviços Educativos em Portugal: Ponto da Situação. ICOM, Série II, (12). Apêndices Apêndice I (Registos Fotográficos) Apêndice II (Questionários – Comunidade; Fundação da Juventude e Sistema de Aprendizagem) Inquérito por Questionário (Comunidade Envolvente) 1- Sexo: Feminino Masculino 2- Idade: _____ 3- Tem conhecimento do trabalho desenvolvido pela instituição da Fundação da Juventude? Sim Não 4- Tem conhecimento do Edifício que fica no largo de S. Domingos que se intitula hoje de Palácio das Artes – Fábrica de Talentos? Sim Não 5- Se sim, conhece alguma atividade dinamizada pelo mesmo? Sim Quais?_______________________________________________________ Não 6- O que seria interessante dinamizar no Palácio das Artes? O que poderia cativar a atenção no sentido de atrair mais visitantes? _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ 7- Na sua opinião, quais as áreas que gostaria de ver exploradas pelo Palácio das Artes e que vão de encontro aos interesses do público jovem? Desporto Música Pintura História Literatura Novas Tecnologias Jogos interativos Outras Quais?____________________________________________________ 8- Tem conhecimento da história do Edifício onde hoje se encontra instalado o Palácio das Artes? Sim Não 9- Como considera importante dar a conhecer aos visitantes essa mesma história, uma vez que este está classificado como Património Urbanístico da Humanidade pela Unesco?  Divulgação na Internet  Divulgação nas escolas  Visitas ao edifício  Atividades no edifício  Outros Quais?________________________________________________ 10- Como é que a comunidade pode ter um papel ativo na dinamização de atividades no edifício? ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ 11- De que forma o edifício Palácio das Artes poderia atrair a atenção e interesse dos turistas em plena zona histórica do Porto? Visitas guiadas pelo edifício Folhetos Informativos Atividades que envolvam a comunidade Exposições Internet Outros? Quais? ______________________________________________________ 144 Viagem ao Passado !!!!!! Se tens mais de 16 anos vem Participar na recriação da história do Palácio das Artes – Fábrica de Talentos, descobrindo o Largo de S. Domingos no Século XIII! Workshop de Teatro e Criação de um pequeno Espetáculo - São 18 sessões a iniciar a partir de dia 01 de Fevereiro nas Instalações da Fundação da Juventude, até dia 23 de Março, dia em que será apresentado o espetáculo (dia das comemorações dos centros históricos). - Possibilidade de escolha entre dois horários: 3ª feira e 6ª feira das 18h30 às 20h30 ou das 21h00 às 23h00. - Faz já a tua inscrição preenchendo e enviando a ficha respetiva. - Preço: 72€ por pessoa (18 sessões) - Formadora Eva Fernandes: Garante já a tua vaga!! Contatos para inscrições e/ou informações adicionais: [email protected] ou [email protected] Telefone: 22 202 23 80 Telemóvel: 961 797 295 Licenciada em comunicação Social, é atriz profissional desde 1994. Trabalhou nas companhias Teatro das Beiras, Cendrev, Teatro do Noroeste, Cultural Kids, Pé de Vento, Panmixia, TEP e Art'Imagem. Com os seguintes encenadores: José Carretas, Gil Salgueiro Nave; Castro Guedes; Mário Barradas, José Leitão, Pedro Wilson, João Luís, Isabel Bilou, Rui Sena. Trabalhou autores como Gil Vicente, Carlo Goldoni, José Sanchis Sinisterra, Lope de Rueda, Marivaux, Sean O'Casey, Gregory Motton, Manuel Martinez Mediero, Tennessee Williams, Álvaro Magalhães, José Carretas, Christine Blondel, Moliére, Berthold Brecht, Camilo Castelo Branco, Henrik Ibsen. Participou como atriz numa série na T.V Galega ("Fios"); em várias curtas metragens; como figurante em filme de Margarida Gil. Fez formações com Junior Sampaio, Alexander Kelly, Jorge Alonso, Guilhermo Heras, Iwan Brioc. Fez assistência de encenação; tradução de pequenos textos; já realizou vários trabalhos no Museu Municipal de Esposende, para a Comunidade de Inserção Social de Esposende, com grupos de mulheres com problemas de alcoolismo (coordenação de Oficina de Teatro; coordenação de Oficina de Escrita; criação de Espetáculo); Também neste museu realizou oficinas de Expressão Dramática com grupos de crianças e jovens. Trabalhou com grupos de Teatro Amador do Concelho de Stª Maria da feira: oficina e criação de espetáculo (e criação de textos) Faz parte do Programa de Itinerâncias da Direcção Geral do Livro, desde 2001. Faz trabalho de animação no Museu do Carro Elétrico. FICHA DE INSCRIÇÃO 1. Identificação: 1.1 Nome: ___________________________________________________________________ 1.2 Data de Nascimento:_______________ Idade:______ Nacionalidade:_______________ 1.3 B.I.Nº: _______________ Data:_______ Arquivo:_________ Contribuinte: __________ 1.4 Morada:__________________________________________________________________ Localidade:____________________________ Código Postal:_______________________ Telefone:______________ Telemóvel: _______________ E-Mail: ___________________ 2. Workshop a frequentar: __________________________________________________ 3. Horário pretendido: Terças feiras e sextas feiras das 18h30 às 20h30 Terças feiras e sextas feiras das 21h00 às 23h00 4. Forma de Pagamento: O pagamento deverá ser efectuado até 48h antes do início da formação, através de: o Cheque em nome de FUNDAÇÃO DA JUVENTUDE o Transferência bancária Banco BES - NIB: 0007.0000.01964500261.23 o Numerário, na FUNDAÇÃO DA JUVENTUDE, Rua das Flores, 69, Porto. Declaro sob compromisso de honra que todas as declarações feitas correspondem à verdade. Data: ___/___/____ (Assinatura) Apêndice IV (Workshop “Safari Fotográfico pela Cidade do Porto” Cartaz e Ficha de Inscrição) FICHA DE INSCRIÇÃO 1. Identificação: 1.1 Nome: ___________________________________________________________________ 1.2 Data de Nascimento:_______________ Idade:______ Nacionalidade:_______________ 1.3 B.I.Nº: _______________ Data:_______ Arquivo:_________ Contribuinte: __________ 1.4 Morada:__________________________________________________________________ Localidade:____________________________ Código Postal:_______________________ Telefone:______________ Telemóvel: _______________ E-Mail: ___________________ 2. Workshop a frequentar: __________________________________________________ 3. Opção de Horário: 10h às 14h 14h às 18h 4. Forma de Pagamento: O pagamento deverá ser efetuado até 48h antes do início da formação, através de: o Cheque em nome de FUNDAÇÃO DA JUVENTUDE o Transferência bancária Banco BES - NIB: 0007.0000.01964500261.23 o Numerário, na FUNDAÇÃO DA JUVENTUDE, Rua das Flores, 69, Porto. Declaro sob compromisso de honra que todas as declarações feitas correspondem à verdade. Data: ___/___/____ (Assinatura) Apêndice V (Workshop “Empregabilidade: Técnicas de Procura de Emprego” Cartaz e Ficha de Inscrição) FICHA DE INSCRIÇÃO 1. Identificação: 1.1 Nome: ___________________________________________________________________ 1.2 Data de Nascimento:_______________ Idade:______ Nacionalidade:_______________ 1.3 B.I.Nº: _______________ Data:_______ Arquivo:_________ Contribuinte: __________ 1.4 Morada:__________________________________________________________________ Localidade:____________________________ Código Postal:_______________________ Telefone:______________ Telemóvel: _______________ E-Mail: ___________________ 2. Workshop a frequentar: __________________________________________________ 3. Forma de Pagamento: O pagamento deverá ser efetuado até 48h antes do início da formação, através de: o Cheque em nome de FUNDAÇÃO DA JUVENTUDE o Transferência bancária Banco BES - NIB: 0007.0000.01964500261.23 o Numerário, na FUNDAÇÃO DA JUVENTUDE, Rua das Flores, 69, Porto. Declaro sob compromisso de honra que todas as declarações feitas correspondem à verdade. Data: ___/___/____ (Assinatura) Apêndice VI (Oficina de Escultura: “Reciclarte &Style” Cartaz e Ficha de Inscrição) 153