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Relatório Final de Estágio Profissional

Paulo Tiago Silva Monteiro

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II RELATÓRIO DE ESTÁGIO PROFISSIONAL Relatório de estágio profissional apresentado, com vista à obtenção do curso de 2º ciclo em ensino da Educação Física no ensino básico e secundário da FADEUP, ao abrigo do Decreto-lei nº 74/2006 de 24 de março e o Decretolei nº 43/2007 de 22 de fevereiro Orientadora: Professora Doutora Paula Queirós Paulo Tiago da Silva Monteiro Porto, Setembro de 2011 III Monteiro, P. T. (2011). Relatório Final de Estágio Profissional. Porto: Relatório de Estágio Profissional para a obtenção do grau de Mestre em ensino de Educação Física no ensino Básico e Secundário apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. PALAVRAS-CHAVE: ALUNOS COM NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS, EDUCAÇÃO FÍSICA, ESTÁGIO PROFISSIONAL, INDISCIPLINA, REFLEXÃO. IV AGRADECIMENTOS Este relatório representa uma exposição escrita em que se descrevem todos os factos da vida de um estagiário de Educação Física numa escola do Ensino Básico. É, por conseguinte, o término de um objetivo académico e o início de uma vida profissional. Assim, este trabalho foi realizado com a ajuda de algumas pessoas às quais presto aqui o meu tributo. Á Professora Doutora Paula Queirós, minha orientadora, pela forma sempre disponível como me orientou. Ao Professor Cooperante Rui Pacheco pela orientação, durante este ano letivo, pelos seus sábios conselhos e orientação na escola. Aos colegas de estágio Ricardo Araújo e Ricardo Pinto. Aos “meus” alunos, pelas experiências vividas que sem eles este relatório não existia. A todos os meus professores que, transmitiram um conjunto de princípios, crenças e conhecimentos, normas e comportamentos. Aos meus pais por me terem apoiado em mais um projeto académico. Ao meu irmão Gustavo pelo seu incentivo e pelo seu acreditar de que eu seria capaz. À Fernanda pelo seu incentivo permanente e à sua crítica na construção do relatório final. Ao amigo José Manuel, pela sua disponibilidade e altruísmo sempre presente. Pelos seus ensinamentos no passado e no presente sendo para mim uma referência na arte da dança. À Alexandra, namorada, amiga e conselheira. Por ser a pessoa que neste momento mais apoio me prestou. Pela sua crítica e sobretudo pelo seu acreditar de que eu seria capaz de terminar este projeto. Sem a sua ajuda era manifestamente impossível. V ÍNDICE GERAL Pág. AGRADECIMENTOS IV ÍNDICE GERAL V RESUMO VIII ABSTRACT XII ABREVIATURAS X INTRODUÇÃO 1 1.1. Caracterização Geral do Estágio Profissional 3 1.2. Finalidade e Processo de Realização do Estágio Profissional e do Relatório de Estágio 5 2. ENQUADRAMENTO BIOGRÁFICO 7 2.1. Reflexão Autobiográfica – Identificação e Percurso 8 2.2 Expectativas Pessoais em Relação ao Estágio Profissional e Objetivos 11 3. ENQUADRAMENTO DA PRÁTICA PROFISSIONAL 14 3.1. Contextualização do Estágio Profissional 15 3.1.1. A Escola e o Meio Envolvente 15 3.1.2. A Turma e a sua Caracterização 19 3.2. Análise ao Programa de Educação Física 23 3.2.1. Objetivos da Disciplina de Educação Física 23 VI 3.2.2. O Currículo 25 3.3. A Formação do “Ser Professor” 27 3.3.1. Ser Professor 32 3.3.2. A Responsabilidade do Professor 36 3.3.3. O Papel da Reflexão 39 3.3.4. Portefólio como Instrumento de Planeamento 41 4. Realização da Prática Profissional 43 4.1. Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem 44 4.1.1. Conceção 45 4.1.2. Planeamento 45 4.1.3. Realização 50 4.1.4. Avaliação 54 4.2. Outras Dificuldades Sentidas Durante o Estágio Profissional 56 4.2.1. Relações com os Alunos 56 4.2.2. Relação Professor Aluno e Aluno Professor 58 4.2.3. Aplicação do Modelo de Educação Desportiva 65 4.3. Educação Física, Atitudes e Valores 69 4.3.1. A Indisciplina na aula de Educação Física 69 4.3.2. Prevenção e Controlo Disciplinar 71 4.3.3. A Dança como Mediação de Valores 72 4.3.4. O Parkour 74 VII 4.4. A Inclusão dos Alunos Portadores de Necessidade Educativas Especiais 75 4.4.1. Alunos com Necessidades Educativas Especiais 75 4.4.2. Área da Educação Especial 78 4.4.3. Inclusão na Aula de Alunos com Necessidades Educativas Especiais 79 4.5 Escola e a Comunidade 82 4.5.1 . Corta-Mato, Mega-Sprint e o Inter-Turmas 82 4.5.2 . Jogo entre Alunos e Professores 85 4.5.3 . Reuniões de Departamento e de Agrupamento 85 4.5.4. Relação com a Comunidade e Encarregados de Educação 86 5. Conclusão 88 6. Bibliografia 91 VIII RESUMO Este documento reflete todas as experiências vividas enquanto professor estagiário, na escola E.B 2/3 de Leça do Balio, com a turma 7º A. São aqui evidenciadas as funções desempenhadas, dificuldades sentidas e as conquistas atingidas durante o ano. No decorrer do ano letivo deparámo-nos com vida. Vida da escola, dos alunos, da sociedade. Vida essa com a qual o professor tem de se identificar, moldar e gerir para conseguir cumprir os objetivos a que se propôs. A aprendizagem contínua e mutua entre professores e alunos e professores e colegas é um fator preponderante e principal para o sucesso do ano escolar. Preparar as aulas com detalhe e minuciosidade, adequando-as à turma e ao aluno individual, permite um melhor acompanhamento e desenvolvimento da sua personalidade enquanto aluno, pessoa e profissional futuro. Ao longo deste ano, foram sentidas diversas dificuldades devido aos alunos intervenientes no estágio (a situação familiar, cultural, social, económica influenciam determinantemente a forma como os alunos se relacionam com o meio escolar – colegas, professores, escola), que se revelaram graves para o ensino e para um correto aprender de parte a parte. Estas dificuldades repercutiram-se na maneira da transmissão dos conhecimentos, por parte do professor, apesar de ter sido uma experiência enriquecedora. As principais motivações do estágio, como professor, são a certeza de que o perfil e imagem do professor vão fazer diferença na vida de, pelo menos, alguns dos alunos. A certeza de que há reconhecimento do esforço do professor. E é com este sentimento que todo o professor continua todos os dias a formar, educar e a aprender. PALAVRAS-CHAVE: ALUNOS COM NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS, EDUCAÇÃO FÍSICA, ESTÁGIO PROFISSIONAL, INDISCIPLINA, REFLEXÃO. IX X ABSTRACT This document reflects all experiences as a student teacher, in school E.B 2/3 of Leça Balio with the 7th A class. Here are highlighted the tasks, difficulties and achievements accomplished during the year During the school year we faced life. Life of the school, students, society. This life with which the teacher has to identify, shape and manage to successfully fulfill the objetives it set itself. Continuous learning and mutual, between teachers and students and teachers and peers is a key fator for success and principal of the school year. Prepare lessons with detail and thoroughness adapting to the class and individual student, allows for better monitoring and development of his personality as a student, person and professional future. Throughout this year, several difficulties were experienced due to the students involved on stage (the family situation, cultural, social, economic influence how students relate to the school - classmates, teachers, school), which revealed serious for a correct teaching and learning, on both sides. These difficulties are echoed in the way the teacher transmits its knowledge, despite having been an enriching experience. The main motivations of the stage, as a teacher, are sure that the profile and image of the teacher will make a difference in the lives of, at least, some of the students. The certainty that there is recognition of the efforts of the teacher. It is with this feeling that every teacher continues every day to train, educate, learn. KEYWORDS: STUDENTS WITH SPECIAL NEEDS, PHYSICAL EDUCATION, PROFESSIONAL TRAINING, INDISCIPLINE, REFLEXION. 5 1.2. Finalidade e Processo de realização do Estágio Profissional e do Relatório de Estágio O Estágio Profissional realizado na escola E.B 2/3 de Leça do Balio, inserido no 2º Ciclo do Ensino Superior, do 2º ano do Mestrado em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, enquadra-se de acordo com as determinadas exigências legais e institucionais. Assim, de acordo com o regulamento do E.P, este contempla quatro áreas de desempenho: 1- Organização e Gestão do E-A: engloba a conceção, o planeamento, a realização e avaliação do ensino. 2- Participação na escola: engloba todas as atividades não letivas realizadas pelo estudante estagiário. Tendo em vista a sua integração na comunidade escolar 3- Relações com a comunidade: engloba atividades que contribuam para um conhecimento do meio regional e local, tendo em vista um melhor conhecimento das condições locais na relação educativa e a exploração da ligação escola-meio 4- Desenvolvimento Profissional: engloba atividades e vivências importantes na construção da competência profissional, numa perspetiva do seu desenvolvimento ao longo da vida profissional, promovendo o sentido de pertença e identidade profissionais, a colaboração e a abertura à inovação. De acordo com estes items, o estudante estagiário tem de interiorizar todos os passos, desde o início ao final do E.P, incutindo-os na sua forma de ser e lecionar, de forma a que a sua comunidade estudantil e ele próprio consigam todos os objetivos propostos no ano letivo. Desde o planeamento à organização e escolha da metodologia, o estudante estagiário estará acompanhado pelo professor cooperante e pelo orientador de estágio que o irá guiar e corrigir, em todo o seu percurso. 6 Esta é a finalidade última do E.P, a preparação e integração do estudante estagiário em grupos heterogéneos, de forma a cumprir todos os objetivos propostos, formando e ensinando indivíduos capazes. O E.P foi realizado na Escola E.B. 2/3 de Leça do Balio, enquadrado numa turma de 7º ano. Assim, o R.E tem por base todo o ano letivo, incluindo todas as atividades e objetivos propostos do plano curricular e todas as outras atividades não letivas incorporadas no universo escolar. Tal como afirma Matos (2010, p.15-22), “O desenvolvimento da capacidade de ação, da capacidade de comunicação e da emancipação do futuro professor necessitam de formação teórica e prática durante o processo de formação inicial e contínua, através dos meios de ensino e das diferentes experiências formativas. A organização da formação ainda na fase da formação inicial implica que esta inclua experiências de formação que decorrem nas condições do exercício profissional ou seja, na Escola.” O R.E pretende mostrar todos os aspetos positivos e negativos; sucessos e insucessos, perante a turma, o enquadramento na escola, a adoção do plano curricular e a implementação do mesmo; objetivos com o E.P, problemas e frustrações eventuais, atividades realizadas, conhecimentos obtidos e incorporados na forma de lecionar; e todo o caminho percorrido pelo estudante estagiário durante o ano letivo. Compreende-se, assim, a importância do relatório e das reflexões daí derivadas no processo de crescimento enquanto professor estagiário. Na verdade a construção do relatório é também a reflexão das reflexões considerando todo o processo de E-A, do crescimento enquanto professor e será mais um instrumento de uma autoavaliação crítica. O relatório tem por isso um cunho individual cumprindo os objetivos propostos e definidos previamente. 7 2. Enquadramento Biográfico 8 2. ENQUADRAMENTO BIOGRÁFICO 2.1 Reflexão Autobiográfica – Identificação e Percurso “O Poeta beija tudo, graças a Deus… E aprende com as coisas a sua lição de sinceridade… E diz assim: É preciso saber olhar… E pode ser, em qualquer ideia, ingênuo como as crianças, entusiasta como os adolescentes e profundo com os homens feitos… (…) e acha tudo importante… E pega no braço dos homens que estavam tristes e vai passear com eles para o jardim… E reparou que os homens estavam tristes… E escreveu uns versos que começam desta maneira: “O segredo é amar…” (em “Diário de Sebastião da Gama”, Obras de Sebastião da Gama, 2004, p. 9 e 10). Todo o percurso aqui descrito, desde o Futebol de rua ao E.P é um percurso de dedicação e empenho à minha pessoa e às pessoas a quem quero bem. Desde muito cedo dediquei os meus tempos livres à prática de desporto, nomeadamente o futebol e a ginástica, a minha grande paixão. Na escola, na rua, com os amigos e familiares. No colégio da Senhora Hora acabei mesmo por participar num torneio de futebol organizado pelo Futebol Clube do Porto, onde fui considerado um dos melhores jogadores do torneio. Pratiquei Futebol Federado em Pedras Rubras, durante 4 anos (2 anos nos juvenis e 2 anos nos juniores). Após o secundário, e tendo sempre em vista a ligação ao desporto enveredei pelo curso de Gestão do Desporto, no Instituto Superior da Maia, durante 4 anos, licenciando-me em 2003. Este grande e primeiro passo deram-me a possibilidade de trabalhar com várias associações e federações ligadas ao desporto, nomeadamente: - Federação Portuguesa de Canoagem, Associação de Canoagem do Porto, na organização das provas de Canoagem (contacto entre os clubes e 9 atletas, conhecimento das várias provas disponíveis) e na arbitragem das respetivas provas. - Associação de Ténis do Porto na realização de um estágio de meio ano, incorporado no âmbito escolar, para a candidatura a um programa de financiamento para jovens no início da aprendizagem da modalidade (PAFID). Assim sendo, foram estas experiências que me introduziram num novo mundo até aqui desconhecido, onde aprendi a trabalhar, onde conheci novas pessoas e onde principalmente fui errando e aprendendo com os erros, crescendo. Galvão (2000) refere, que a construção de conhecimentos decorre “... a partir das descobertas pessoais de natureza humana e social (emotivas, afetivas, intelectuais) ... assim como de natureza técnica (saber-fazer com os objetivos e procedimentos sociais) ou de natureza relacional (estilos de vida e de convivência)”. Participei num estágio financiado diretamente ligado ao desporto, mais concretamente ao fitness, tendo sido o meu primeiro contacto com esta nova realidade. Tendo-me enquadrado e identificado perfeitamente com esta modalidade, acabei por frequentar vários workshops e convenções de fitness, tornando-me professor em vários ginásios, fazendo carreira profissional e amando a profissão à qual dedico o meu tempo e respeito. Tendo um contacto direto com alunos adultos e tendo como referência ótimos professores de E.F, surgiu a aspiração à tentativa de me tornar também um professor de E.F, modelo para outros adultos ou crianças e adolescentes. Assim, inscrevi-me novamente na faculdade, no curso Ciências do Desporto, licenciando-me em 2009. Na formação académica percebemos a necessidade de adquirir conhecimentos e conceções anteriormente assimiladas enquanto praticante. Daí a afirmação que para se ser professor tem de se ser aluno. E enquanto aluno obtêm-se crenças e convicções que mais tarde vão ter influência no percurso para professor. 10 Matos (1993) refere, e reconhece que a premissa de base subjacente às investigações inovadoras, é de que estas convicções (beliefs) influenciam a forma como o professor organiza o ensino, portanto, um melhor conhecimento desta permitirá uma mais adequada preparação da formação de professores. Com uma formação especializada/académica vamos adquirindo conhecimentos e é necessário saber diferenciar o que é crença e o que é conhecimento. Como se verifica no trabalho realizado por Fernandes (citado por Sanmamed, 2003), as crenças desenvolvidas nos anos iniciais, constituem-se num primeiro nível de aprendizagem e conhecimento, e, embora habitualmente ignoradas, têm um papel determinante na configuração das representações do professor acerca do ensino e da profissão. Assim e entendendo que não bastava a licenciatura, enveredei também para a parte do mestrado, pelo novo Processo de Bolonha, no 2º Ciclo em Ensino de E.F nos Ensinos Básico e Secundário, para o qual preparo este R.E. O desejo de ser um futuro professor de E.F, há muito que existia mas era um sonho que precisava de ser concretizado na altura certa com o amadurecimento correto, daí sentir que só nesta fase da minha vida tenha sentido esse impulso. Espero e desejo alimentar e fomentar nos alunos a necessidade e o gosto pela disciplina como a grande maioria dos meus professores o fez, com a paixão que caracteriza as pessoas que gostam do que realmente fazem, apanágio de uma grande parte dos professores de E.F que conheço. O meu objetivo passa por alimentar os alunos com o prazer que oferece a prática de atividade física e em particular a E.F. Ambiciono que as influências positivas que alguns dos professores me transmitiram, me levem a fazer um papel igual e tão bom quanto eles fizeram por mim. 11 2.2 Expectativas Pessoais em Relação ao Estágio Profissional e Objetivos Este E.P, enquadrado no 2º ano de mestrado em Ensino de E.F nos Ensinos Básico e Secundário, representa, para mim, não o final de uma etapa, mas o início de um percurso complexo e longo. Cheio de novas descobertas, enquadrado em ambientes estudantis que acabam por se tornar familiares. Apesar de estar já numa área de ensino, mas num ambiente bem mais informal, onde não há avaliações, e as lições não têm sumários, apesar de pretenderem ser também de uma aprendizagem contínua, pretendo que este Estágio ensine, eduque e consciencialize, para todas as dificuldades no comando de uma turma com adolescentes das mais várias idades, feitios e personalidades. De acordo com o regulamento, o E.P, “visa a integração profissional de forma progressiva e orientada, através da prática de ensino supervisionada, em contexto real, desenvolvendo as competências profissionais que promovam nos futuros docentes um desempenho crítico e reflexivo, capaz de responder aos desafios e exigências da profissão” (artº 2 Regulamento de Estágio). Depois de uma leitura atenta às normas e regulamento do E.P, deparome com uma aprendizagem que tem de ser diária e constante e enquadrada e adaptada ao meio escolar. Dependendo da turma atribuída, temos de adaptar os nossos conhecimentos prévios à realidade confrontada. Alunos diferentes, com necessidades distintas, onde tem de haver um respeito mútuo e onde o professor tem de passar a mensagem do plano curricular e os alunos têm de identificá-lo como fazendo parte integrante da sua própria aprendizagem.  A Organização e Gestão da aprendizagem, onde planeamos, planificamos e concebemos os métodos de ensino e da avaliação do mesmo, de acordo com os alunos da turma (o seu enquadramento na escola e no seio familiar); 12  a elaboração e intervenção em novos programas educativos, de forma a promover o sucesso escolar e a disciplina de E.F, levando o estudante estagiário a participar ativamente na escola;  a criação de sinergias entre a escola e a comunidade, concebendo iniciativas para a participação ativa dos encarregados de educação;  a capacidade de inovação e criação e novas reflexões relativamente à disciplina e ao desenvolvimento da profissão, partilhando todo o tipo de informações com colegas e a própria escola. São todos os objetivos do E.P que se pretendem atingir, no final do período letivo. Apesar de serem estes os objetivos propostos e que devem ser incutidos no espírito do estagiário há que ter perfeita noção que esta aprendizagem é realizada todos os dias, todos os anos e sempre que nos deparamos com realidades escolares diferentes (alunos, colegas, escolas, localidades, normas, regulamentos, planos curriculares). É importante absorver toda a informação possível durante este ano letivo. A consciência de poder ser um professor modelo, capaz de mudar mentalidades, trazer novidades e criatividade aos alunos, novas informações e ajudar colegas, e ser um elemento distinto no meio escolar, tem como base e objetivo primordial este ano curricular de estágio orientado por um também professor modelo. Foi meu objetivo para este ano letivo, realizar um trabalho com elevada qualidade, influenciando os alunos positivamente, mostrando-lhes vários caminhos que poderiam percorrer dentro do mesmo universo que é o desporto. Assim, inovar, quebrar tradições e fugir a aulas “standards”, era a minha estratégia para uma valorização da disciplina, sem que com isto decline as responsabilidades inerentes ao cargo. Foi-me pedido compromisso com a instituição e assim prometi vestir a camisola trabalhando arduamente, tornando-me mais um elemento fornecedor de meios na construção do saber e do conhecimento. O papel passava por o 13 de um guia, orientador, mediador, elucidador e aconselhador de crianças e jovens em fase de crescimento e desenvolvimento. O vestir da camisola passou claramente por dar mais à escola do que aquilo que ela realmente pediu, senti que era a minha dívida para com a sociedade e um ato de altruísmo da minha parte. De facto talvez a experiência de vida que a escola me ofereceu seja mais cara do que aquilo que eu realmente fiz pela escola, afinal de contas para se obter o diploma eu teria sempre que passar por esta fase. 14 3. ENQUADRAMENTO DA PRÁTICA PROFISSIONAL 21 Efetivamente, o meio social em que se insere esta escola é pobre e carente, os alunos descendem de uma classe operária da indústria e de trabalhadores com escassa qualificação, talvez daí revelarem carências ao nivel cultural e social. Revelam-se com problemas sociais graves, em alguns dos elementos desta turma, desde pais falecidos (acontece com três dos alunos), separados, desempregados. Os problemas pessoais, para além de afetarem diretamente a personalidade do aluno, interferem diretamente na forma como o aluno encara as aulas e a aprendizagem. Problemas de álcool, obesidade mórbida, ausência de um dos pais, ou violência doméstica são alguns dos problemas existentes no seio desta comunidade. Na verdade o papel dos pais tem um papel preponderante na educação dos alunos e na forma como estes encaram a vida, os desafios, as obrigações e os deveres. É necessário que “[prestem] apoio aos filhos e ajudá-los a desenvolver elevadas expectativas positivas partilhadas e a paixão pela aprendizagem” (Trindade, R., & Cosme, A, 2010). Certamente existirá uma relação direta e proporcional, à qual, a ausência de um ambiente sadio origina falta de motivação e de condições para que os alunos possam atingir os objetivos que talvez nunca tiveram a oportunidade de sonhar. De facto são alunos com expectativas muito baixas e com ambições humildes, onde nem sempre o seu maior desejo é acabar a escola e entrar no mercado de trabalho. Em virtude dos problemas vividos por estas crianças/jovens, estes alunos inicialmente encaravam a aula de E.F como recreio. Tornou-se mais que evidente, que um dos primordiais objetivos seria levar a mensagem de que a aula servia essencialmente para os formar enquanto jovens e futuros homens e mulheres da nossa sociedade. A capacidade de participar em atividades corporais adotando atitudes de respeito mútuo, dignidade e solidariedade seria uma meta a atingir. 22 De acordo com Coll et al. (2000) há uma reivindicação frequente de que na escola sejam ensinados e aprendidos outros conhecimentos considerados tão ou mais importantes do que factos e conceitos como, por exemplo, certas estratégias ou habilidades para resolver problemas, selecionar a informação pertinente numa determinada situação ou utilizar os conhecimentos disponíveis para enfrentar situações novas ou inesperadas, ou ainda, saber trabalhar em equipa, mostrar-se solidário com os colegas, respeitar e valorizar o trabalho dos outros ou não descriminar as pessoas por motivos de género, idade ou outro tipo de características individuais. A conclusão da caracterização da turma, feita no início do ano letivo, referia ainda, após a análise e estudo dos dados recolhidos, que é uma turma que se revela homogénea, tendo sido ela já proveniente desta escola desde o ano anterior e com os mesmos elementos. Maioria dos nossos alunos provinha de famílias, que não se podem dizer carenciadas ou de baixo poder económico, mas talvez, um pouco abaixo da chamada classe média portuguesa. Provinham de uma agregado familiar com pouca escolaridade, com pais inseridos num grupo profissional de baixa valorização e especialização. Alguns dos alunos sofriam inclusivamente de doenças complicadas, cujos professores não dominavam na sua profissão, mas tentavam alcançar o aluno, de forma a completar a sua formação e chegar às necessidades destes alunos, suprimindo-as. Tinhamos alunos que nunca praticaram desporto, para além daquele praticado na escola, mas também temos aqueles que praticavam desporto fora da escola, fazendo com que as aulas de E.F tivessem algum dinamismo. Conheciam algumas regras e disciplina do próprio desporto, revelando-se uma mais valia, para as aulas e para o professor. Conhecendo o aluno individualmente, o professor consegue dirigir o conteúdo da disciplina para a turma, mas também para cada aluno, que tenha necessidades diferentes e distintas dos restantes alunos da turma. 23 3.2. Análise ao Programa de Educação Física De forma a sequenciar todo o processo de ensino aprendizagem, decorrente do estágio profissional, será importante realizar uma análise ao programa de E.F do ensino básico. Por conseguinte, antes da sua realização será importante perceber qual o papel da E.F no sistema educativo e perceber também os objetivos da disciplina. 3.2.1. Objetivos da Disciplina de Educação Física A par das restantes disciplinas existentes na escola, a E.F, na escola, é um espaço de aprendizagem e portanto de ensino. Os objetivos mais tradicionais são o ensino do jogo, da ginástica, dos desportos coletivos, etc, etc. “A disciplina na escola é entendida como uma área que trata da cultura corporal e que tem como meta introduzir e integrar o aluno nessa esfera, para propiciar a formação de um cidadão autónomo. Neste contexto o aluno estará sendo capacitado para usufruir de jogos, desporto, danças, lutas, ginásticas e de todo o tipo de atividade para o seu desenvolvimento em busca de bem-estar e crescimento saudável.” (Betti. 1991; Freire, Scaglia, 2003). Por sua vez Sobral (1980, p. 47) refere que “uma das aproximações ao problema dos objetivos em E.F, é feita a partir da natureza específica das áreas em que se pretende intervir. Assim, podemos considerar objetivos de natureza higiénica e terapêutica, justificados à luz da biologia; objetivos de natureza intelectual, relacionados com o empenhamento das funções mentais na atividade física; objetivos de natureza motora, tende o domínio da ação; objetivos de natureza lúdica e desportiva, decorrentes do instinto lúdico e da expressão social das práticas desportivas; objetivos de natureza social respeitantes à integração do indivíduo em tarefas de grupo particularmente as de índole sócio-recreacional; objetivos de natureza estética, associados à 24 gestualidade expressiva; objetivos de natureza aplicada, como os que se referem à preparação especial do trabalhador e do militar.” A E.F possui como expectativa de objetivo escolar o de criar uma reflexão crítica sobre a cultura corporal mas por sua vez desenvolve uma reflexão pedagógica sobre os valores como a solidariedade, cooperação e expressão de movimentos. Nas escolas, realiza-se uma E.F escolar como uma área que trata o corpo com a finalidade de formar um cidadão que vai produzila perante a sociedade. Para Bento (1987, p. 97), a “E.F na escola deduz-se, como tarefa essencial, que ela deve exercer uma influência pedagógica simultânea tanto sobre o desenvolvimento biológico do organismo em crescimento como sobre o processo social de evolução da personalidade. Desenvolvimento sistemático da capacidade de rendimento corporal, em cada fase da ontogénese do indivíduo – eis o objetivo central da educação física.” O mesmo autor mas bem mais recente (2003, p. 74) refere que a “E.F tem como principal objetivo a formação básica-corporal e desportiva dos alunos. E, para que tal seja possível, é fundamental que haja um processo de educação e aprendizagem motora e desportiva onde a responsabilidade do mesmo recai no professor que o conduz e dirige, o que remete para a importância do planeamento da disciplina.” Na verdade, a disciplina de E.F é uma disciplina com uma certa particularidade, isto porque abrange uma série de “áreas”. O modelo de Vickers, aprendido nas aulas de Didática Geral do Desporto no 1º ano do Ciclo de Mestrado, divide a disciplina em 4 categorias transdisciplinares: psicossocial – desenvolvimento das emoções, do temperamento e das habilidades sociais - , habilidades motoras– destreza corporal na realização da atividade física -, condição física – aptidão física, por parte do aluno, para a realização da prática desportiva - e cultura desportiva – todo o conhecimento que o aluno adquire para a realização das atividades, de acordo com as regras e normas. Revela-se uma fantástica forma de planear e construir um processo de educação ajustado às necessidades de cada um dos alunos. A E.F não se resume a colocar os alunos em atividades, 25 desenvolvendo exclusivamente as suas habilidades motoras. Antes porém, permite também uma formação nas áreas sociais e intelectuais, sendo que a atividade física é apenas um meio para se atingir um determinado fim. Os objetivos da E.F podem também dividir-se em três grandes domínios, que se conjugam, em prol do desenvolvimento integral do aluno: psicomotor (que englobam as categorias de Vickers de habilidades motoras e condição física), sócio-afetivo (o equivalente, naquele modelo, à categoria psicossocial) e cognitivo (o equivalente à cultura desportiva). Na aplicação destes conceitos à sala de aula, todos eles se interligam. Pretende-se que o aluno adquira todos os conhecimentos transmitidos pelo professor e os saiba aplicar durante as atividades realizadas (domínio cognitivo ou cultura desportiva); pretende-se que o aluno interaja com os seus colegas, de forma saudável, com o temperamento adequado ao ambiente escolar (domínio sócio-afetivo ou psicossocial); e pretende-se que o aluno responda fisicamente com uma destreza natural devido à sua condição física inerente (domínio psicomotor ou habilidades físicas e condição física). Durante o decorrer do ano letivo, estes domínios foram explorados e adequados para a introdução das matérias no recinto da sala de aula. No seu computo geral, todos estes domínios, quer sejam pelos 3 ou 4 atrás descritos, foram aplicados da teoria na prática. Os alunos, mesmo que inconscientemente, foram aprendendo a lidar com o próximo e a relacionar-se, a aprender as técnicas, melhorando a sua forma física para conseguir, no final, o objetivo de realização da atividade pretendida. 3.2.2. O Currículo Começo este capítulo com uma questão. Que currículo devemos ter na disciplina de E.F, para que possamos ter um cidadão crítico e atuante numa realidade em constante mutação? Segundo Zabala (2002), é necessário uma política decidida de materiais curriculares que assegure a sua qualidade, que os conceba, como um meio 26 entre outros, e que deposite nos professores a responsabilidade por seu uso criativo”. Penso que o currículo deveria ser organizado com o intuito de alcançar objetivos gerais atribuídos à E.F como componente curricular, de forma coletiva, democrática e multicultural, não se focando apenas nos desportos mais conhecidos (futebol, basquetebol, voleibol, andebol) A premissa dos professores passará por conhecer o conteúdo que se ensina, conhecer os alunos e os processos de ensino aprendizagem. Motivar, envolver os alunos, estimulá-los, inspirá-los e ainda, fundamentalmente, comunicar-lhes a paixão pela aprendizagem de novos jogos e modalidades. Conforme Silva (2005, p. 50) refere, o “currículo é a maneira pela qual as instituições escolares transmitem a cultura de uma sociedade. No currículo entrecruzam-se práticas de significação, de identidade social e de poder. Nele travam-se lutas decisivas por hegemonia, por definição e pelo domínio do processo de significação.” A formação de um currículo adequado determina um avanço teórico e metodológico da área da E.F. Para Soares (1992), o currículo significa, caminhada, percurso. Por esta semelhança, currículo escolar representaria a caminhada do homem em busca do conhecimento, que é selecionada na escola. A função social do currículo é ordenar a reflexão pedagógica do aluno de forma a pensar a realidade social, desenvolvendo determinada lógica. Vivemos numa era, em que o que é hoje uma verdade insofismável amanhã já não o é e, por conseguinte, e mediante esta importante variável, vivemos num mundo plano onde a mudança curricular deve atender às necessidades de uma sociedade cada vez mais contemporânea. A escola comporta características da realidade social, da comunidade envolvente. Como tal não pode ficar indiferente ao meio e como resultado deve considerar a sua atuação. Todo o percurso que a escola percorre reflete-se diretamente na sociedade e na vida dos alunos e no desenvolvimento da sua identidade. A 27 ligação direta entre a escola e todos os intervenientes no seio escolar permitem gravar as atuações no plano curricular da escola ao longo dos anos. De acordo com as influências educativas e com os objetivos que se pretendem cumprir, a escola acaba por ter a flexibilidade de organizar o seu plano, linhas orientadoras e currículo, de modo a que os professores o tornem uma realidade de sucesso. De qualquer das formas qualquer sistema global de educação deve reservar para a educação física e o desporto o lugar e a importância necessários ao estabelecimento do equilíbrio e reforço das relações entre as atividades físicas e os outros elementos de educação. O mais importante a concluir será mesmo a importância de se ter bem claro os contéudos que vão ser lecionados, no sentido de a disciplina não passar a ser uma repetição da prática sem qualquer significado para o aluno. Assim, os currículos devem possuir conceitos e conceções das diferentes teorias de ensino (nas aulas de Didática Geral aprende-se o conceito de Transdisciplinaridade da disciplina que recorre a outras ciências na construção da sua). Pretende-se também que não seja um documento que só serve para atendera normas institucionais. 3.3. A Formação do “Ser Professor” Todos os professores são iguais, no entanto, aquilo que fazem e como fazem na sala de aula é, sem margem para dúvidas, a principal característica que os diferencia e que determina a aprendizagem dos seus alunos. O professor é, sem dúvida, uma influência determinante dos progressos escolares dos alunos. No entanto, esses progressos não derivam de um conjunto de “receitas prontas a cozinhar”, para serem implementadas nas aulas como que formatadas previamente, pois devem ter-se em conta imprevistos, com que o professor se vai confrontar. Aliás, a formação para ser professor é a aquisição de saberes fundamentais, capacidades práticas, atitudes e formas de comportamento que 28 nos fornece a base ao exercício da docência (a formação é contínua ao longo de todos os anos letivos). Para Damião (1997, p. 33), “dada a complexidade e a imprevisibilidade do ensino, a formação inicial por mais adequada e complexa que seja, nunca conferiria ao futuro professor todas as competências necessárias ao desenvolvimento da docência”. O aspirante a professor não deverá pensar que a formação iniciada seja fechada e acabada. Deve perceber que é um estado inicial de conhecimentos que se vão adquirindo, contendo instrumentos que promovem uma maior eficiência ao desempenho do professor. Está provado que a influência do professor é superior a fatores como o ambiente familiar do aluno, a sua origem étnica e nível socioeconómico, a sua motivação e potencial intelectual. Este último aspeto é revelado num estudo desenvolvido por Taylor, (2010) que investigou o efeito da qualidade do professor em gémeos verdadeiros (monozigóticos), os quais possuem o mesmo potencial intelectual. Os resultados mostraram diferenças significativas no rendimento escolar, o que levou os investigadores a concluírem que a qualidade dos docentes revelou-se essencial nas diferenças reconhecidas. Acreditam que os resultados mostram que os bons professores fazem uma grande diferença na aprendizagem dos alunos. A formação do professor de E.F, é um processo que dura uma vida, envolve influências de diferentes experiências vividas em diferentes contextos, (experiências anteriores de E.F, e nos desportos enquanto praticante). Assim, olhar para a formação inicial como momento único de socialização é certamente um erro. Devemos olhar como um aspeto central entre as várias experiências, valores e crenças que se encontram nas organizações escolares. Apesar de haver ainda outros fatores a considerar, como as estruturas da escola e as condições de trabalho do professor e alunos, estas são, comparativamente, de pequena influência e têm principalmente efeitos indiretos ou probabilísticos na aprendizagem. Os efeitos dessas estruturas refletem-se nas turmas constituídas, tendo por base as capacidades dos alunos, turmas 29 com resultados superiores e o tamanho da turma. Os recursos financeiros, têm também uma influência indireta no E-A dos alunos. O sucesso da aprendizagem é tanto maior quanto maior a abertura à informação por parte dos alunos. Uma turma reduzida, tem tendência a menores distrações, e por conseguinte apreender melhor a informação fornecida pelo professor. Não se quer com isto dizer que o professor altere a sua maneira de lecionar, para conseguir os objetivos propostas, mas antes referir que as condições da turma influenciam a qualidade da passagem da informação. Ponderar acerca dos critérios de sucesso é uma questão de fundamental importância. Desta forma, tornaram-se essenciais todas as reflexões escritas efetuadas após cada aula. Permitiu questionar sobre algumas crenças e conceções sobre o processo de ensino-aprendizagem. Na verdade, a essência do bom ensino exige que as expectativas em relação ao estágio e às conceções fossem refletidas e analisadas com o professor cooperante. Dessa análise conclui-se, que tudo o que foi realizado não foi suficiente para cumprir os objetivos propostos para os alunos. Como refere Pimenta (2002, p.29) “é nesse confronto e num processo coletivo de trocas de experiências e práticas que os professores vão constituindo seus saberes como praticum, ou seja, aquele que constantemente reflete na e sobre a prática.” As melhorias importantes no rendimento de cada aluno podem acontecer, se assumirmos uma atitude de questionamento e reflexão, esmiuçadas nas reuniões semanais que existiam na escola. Efetivamente, as reuniões semanais com o professor cooperante e os colegas estagiários, permitiram investir algum tempo no debate de políticas de ensino onde se encontram as respostas ao “o que é que está a funcionar melhor”, “porque é que está a funcionar melhor”, “quem trabalha”, “o que melhorar”, pois estes debates permitiram levar alguma tolerância aos erros e de abertura a novas experiências. Pérez Gómes (2001, p.192), refere “uma das chaves fundamentais no desenvolvimento profissional do docente será a formação, a utilização e a 30 reconstrução permanente do seu pensamento prático reflexivo, como garantia de atuação relativamente autónoma e adequada às exigências de cada situação pedagógica” Algo que foi fundamental na integração na escola, foi sentir que era um elemento que podia trazer e fazer coisas novas, sentia segurança e proteção fundamentais na minha inclusão na escola e aí o papel do Professor Cooperante Rui Pacheco ser determinante e oportuno. De facto, as experiências vividas ao longo destes anos, foi valorizada e aproveitada pela escola. O exemplo da Dança na escola e as atividades de Parkour, são pequenos exemplos, mas que certamente foram marcantes, não para muitos dos alunos, mas pelo menos para alguns deles. Voltando às reuniões, estas permitiam questionar a eficiência das opções pedagógicas, e a necessidade de resolver os problemas com que frequentemente nos deparávamos no quotidiano, recorrendo muitas vezes às experiências dos colegas e inovações pedagógicas (caso do modelo de educação desportiva). Assim, e à medida que nos integrávamos na escola e percebíamos a sua mecânica, a postura perante a prática foi de maior clareza ao abordar todos os conteúdos. O grupo de estagiários liderado pelo Professor Cooperante Rui Pacheco teve, nas reuniões semanais, um espaço de socialização de experiências vividas por cada um, uma reflexão a partir de diversos argumentos escolares. Tendo sempre como temática central a prática pedagógica em E. F, escolar, os problemas, as possibilidades e realizações do quotidiano das escolas. Como sustenta Day (2003, p. 62), “muitos professores ainda trabalham isoladamente, separados dos seus colegas, durante grande parte do tempo. As oportunidades para a melhoria das práticas, através da observação e da crítica, continuam limitadas e, apesar dos esforços de muitos diretores de escola para promover culturas colegiais, estas situam-se quase sempre a nível da planificação ou servem para falar sobre o ensino e não para examinar as próprias práticas.” 37 pessoal e social dos alunos, não fazendo por eles o que só a eles compete fazer, mas não os deixando entregues a si próprios sem rumo e sem apoio. O papel assumido, impunha-se como alguém que estimula, negoceia e cria as condições para que os alunos adquiram autonomia intelectual e sócio-moral (condição aprendida nas aulas de Didática Geral no tema da ecologia da aula) Pretendia-se que estes alunos fossem capazes de utilizar os instrumentos, e as informações das aulas de forma a construir uma sociedade democrática e eticamente responsável. Alguns parágrafos atrás foi referido que na formação do professor, este aprende a “dar a aula”. De facto, ele prepara-se apenas para ensinar e obter um resultado que lhe satisfaça, mas na realidade o aluno nem sempre aprende o conteúdo. Segundo Weiss (2008), o “fracasso escolar é causado por uma conjugação de fatores interligados que impedem o bom desempenho do aluno na sala de aula, inclusive a atuação inadequada do educador.” É da responsabilidade do professor analisar as próprias ações no direcionamento do processo E-A. O professor necessita de estar constantemente atento e preparado para enfrentar os problemas que surgem no imediato e ter respostas para tudo em todos os assuntos. De facto o professor, nos dias de hoje, necessita de estar munido de informação suficiente para responder de forma rápida e eficaz a todas as questões e problemas que se lhe deparam. Tem de ser capaz de compreender o aluno e estar a tento a todos os detalhes e informações implícitas em comportamentos menos adequados, de forma a salvaguardar a segurança de todos os intervenientes nas atividades escolares. O professor necessita de estar bem preparado, visto os alunos também estarem cada vez mais exigentes, devendo inovar-se na prática, levando-os a mudar a sua proposta, onde o essencial não é apenas aprender, decorar, correr, lançar, chutar, defender ou marcar. Para tanto, os alunos devem sentirse estimulados, motivados e mobilizados a participar. Um professor, para além de todo o processo de E-A, deve também preocupar-se com os valores éticos e morais. Aliás os valores morais devem 38 estar presentes em todos os momentos dentro e fora da escola construídos nas interações estabelecidas no pavilhão. O professor não deve ter em consideração apenas a vida moral individual, mas também deve estar empenhado e comprometido com a harmonização da convivência coletiva. Mais uma vez, a reflexão da função enquanto professor, é fundamental pois ela transcende o seu próprio trabalho. Não sendo um episódio deste ano letivo, merece da minha parte ser aqui referenciado, pois aconteceu comigo e jamais o irei esquecer. É um episódio acontecido na escola E.B 2/3 de Paranhos na altura do estágio do 1º Ano do Mestrado na disciplina de Dança. Após ter lecionado 3 aulas de dança a alunos do 6º ano de escolaridade, a última aula foi uma aula especial em que preparei minuciosamente cada momento, desde o que iria dizer, como dizia, que passos iria transmitir. No final da aula reuni os alunos e fez-se uma despedida, agradecendo aos alunos a sua boa disposição e disponibilidade para aprender. Quando estava a cumprimentar e a despedir-me de alguns desses alunos ouve um aluno (rapaz) que puxou-me a camisola e perguntou-me “tu não vens dar aulas para a escola no próximo ano?” ao que eu respondi que não, e ele retorquiu, “Porquê”, ao que eu lhe tentei explicar que dificilmente teria essa sorte. A resposta do aluno à minha justificação perdura em mim e em vários momentos da minha vida vou lembrando, pois nunca irei esquecer o que o aluno disse de seguida. O aluno muito consciente da minha justificação mas pouco satisfeito com a mesma, disse-me com um à vontade próprio de uma criança “as tuas aulas de E.F foram as melhores aulas que eu já tive”. Naquele momento não sabia muito bem o que sentir ou dizer, apenas agradeci o elogio e disse-lhe que se ele gostou de dançar que continuasse e que não desistisse. De facto estas aulas lecionadas na escola de Paranhos correram muito bem e todos os alunos se empenharam ao máximo. Penso que o relativo sucesso deveu-se a terem aulas com outros professores e com uma U.T que fugia ao comum dos desportos individuais. 39 O professor, muito mais do que ensinar, deve fazer parte do desenvolvimento dos seus alunos e deve também assumir esta responsabilidade como um ato de coragem. Porque encarar cerca de 30 alunos, todos eles diferentes e com interesses distintos, alguns com mau humor e ainda outros com sede de aprender coisas novas, e de realmente tratar de descobrir na sua formação um futuro, melhor não é simples. A responsabilidade do professor passa por mostrar que os alunos podem ser muito melhores do que imaginam e que possuem potencial a descobrir. Não sendo uma tarefa fácil é extremamente gratificante quando recebemos feedbacks iguais ao recebido. O professor deve ajudar os alunos na interiorização dos comportamentos apropriados e no desenvolvimento da autonomia por parte dos alunos. Deve também adotar um plano de gestão a longo prazo que procure desenvolver as capacidades reflexivas dos alunos, como é o caso dos portfólios. A reflexão, independentemente das aulas correrem bem ou não, deve fazer parte da responsabilidade do professor pois esta prática fornece oportunidades para voltar atrás e rever acontecimentos e práticas. O sucesso enquanto educador passa por uma isenta e profunda reflexão de práticas e acontecimentos. 3.3.3. O Papel da Reflexão O ato de refletir implica um crescimento pessoal único onde cada um pode fazer um raciocínio, interrogando-se sobre as suas práticas diárias. A prática da reflexão concede a faculdade, aos professores, de facultar a ocasião para o seu crescimento e desenvolvimento enquanto profissional e até mesmo na sua vida pessoal. Pode afirmar-se então, que qualquer pensamento sobre a prática é reflexivo. Segundo Jonh Dewey (1987, p. 40) “nós refletimos sobre um conjunto de coisas, no sentido em que pensamos sobre elas, mas o pensamento analítico 40 só tem lugar quando há um problema real a resolver. Ou seja, a capacidade para refletir emerge quando há o reconhecimento de um problema de um dilema e a aceitação da incerteza. O pensamento crítico ou reflexivo tem subjacente uma avaliação contínua de crenças, de princípios e de hipóteses face a um conjunto de dados e de possíveis interpretações desses mesmos dados”. Donald Schôn (1992), foi também um dos autores com maior peso no conhecimento e divulgação do conceito de reflexão, onde propôs o conceito de reflexão-na-ação, definindo-o como o processo mediante o qual os professores, aprendem, a partir de uma análise e interpretação da sua própria atividade. Este autor destaca-se por referir uma característica fulcral no ensino. É uma profissão em que leva necessariamente à formação de um conhecimento específico e ligado à ação, que apenas pode ser obtido transversalmente com a prática, pois deriva de um conhecimento tácito, pessoal e não sistemático. Esta “nova” ferramenta da profissão do educador oferece maior relevo ao estudo do pensamento prático dos professores como variável que influencia e determina a prática do ensino. “Possuir ausência de preconceitos, de parcialidade e de qualquer hábito que limite a mente e a impeça de considerar novos problemas assumindo novas ideias, integrando o objetivo ativo de escutar mais do que um lado, de colher os factos independentemente da sua fonte, de prestar atenção sem melindres a todas as alternativas, de reconhecer o erro mesmo relativamente áquilo em que mais acreditamos” (Dewey, 1989, p.43). Este princípio pretende, de facto escutar e respeitar várias respostas para uma mesma questão, a refletir sobre a forma de melhorar o que já existe. Conclui-se portanto que a reflexão aparece de modo como se compartilha os problemas da prática profissional, à capacidade da pessoa admitir um estado de dúvida estando aberto a novas hipóteses. Pretende-se assim descobrir novos rumos, alicerçando e materializando-se soluções viáveis a novos e constantes problemas. 41 3.3.4. Portefólio como Instrumento de Planeamento O portefólio é um instrumento que foi construído de uma forma planeada e organizada, a partir de todos os trabalhos que fossem feitos e produzidos pelo professor a pensar nos alunos. O portefólio foi construído todas as semanas, no sentido de dar vida a um determinado período de tempo, permitindo expor um conjunto de experiências significativas. Este instrumento de trabalho, foi visto como um instrumento de reflexão pessoal da turma e do seu percurso formativo, não esquecendo que também passava por ser um meio de reflexão e de heteroavaliação. Assim, o portefólio é uma lista de trabalho, com um conjunto de experiências dentro da escola, onde pretende ser reflexivo, apelando à lógica formativa e compreensiva, dando sentido a um ano letivo. Este instrumento de trabalho passava por ter um momento de reflexão sobre as experiências de ensino-aprendizagem realizadas, saber identificar que experiências mereciam ser relatadas e como as selecionar. Desde a avaliação dos alunos à monitorização individual do dia a dia das aulas, tudo foi minuciosamente pensado e construído. Este instrumento permitiu tomar consciência das ações realizadas, dos procedimentos adotados, e dos resultados obtidos. Como nos revela Idália Sá-Chaves (2005), cinsidera, que o portefólio permite contribuir para se afirmar, no âmbito dos projetos de formação um processo de diálogo sustentado, capaz de respeitar, em primeiro lugar, a pessoalidade do sujeito em formação, em segundo lugar, a tomada de consciência do processo vivido e dos resultados do mesmo que é, em si uma componente decisiva de um tal processo, e, em terceiro lugar, a solidariedade dos outros que permite que essa pessoalidade e essa tomada de consciência se afirmem, pelo apoio que estes propiciam e pelo grau de interlocução de que são portadores. O portefólio, deve ser visto como um meio de aprendizagem reflexivo, capaz de arquivar dados cronologicamente atuais, podendo, mais tarde servir como um meio de ajuda. Perceber qual foi o trabalho realizado com aquela 42 turma, e compreender a tarefa do professor e a dos seus alunos, na avaliação, na relação ao que foi feito e como foi feito, e até ao que não foi feito e se calhar era oportuno fazer. Em conclusão, este instrumento não é construído de uma forma arbitrária, na medida em que é balizado pelas finalidades que o determinam, pelos objetivos e conteúdo de uma disciplina, como o processo de negociação que envolve estudantes e o docente. Os portefólios, reúnem todos os trabalhos do professor permitindo demonstrar, acompanhar e exibir o seu próprio caminho, as reflexões, são o processo de examinação das situações, das experiências, do processo de ensino, ou de sentimentos pessoais. 43 4. REALIZAÇÃO DA PRÁTICA PROFISSIONAL 44 4. Realização da Prática Profissional 4.1 Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem A organização e gestão do ensino e da aprendizagem reúne a conceção, o planeamento, a realização e a avaliação. São estratégias reunidas no sentido de maximizar o processo ensino-aprendizagem. Aprendi nas aulas de Didática Geral do Desporto que o ensino era criado duas vezes, primeiro na conceção e depois na realidade. Na verdade, o professor entra no pavilhão e já fez um trabalho preparatório que ocorreu no momento da planificação. É fundamental planear o ensino, pois só assim se pode antecipar e controlar o mesmo. A formação do primeiro ano do ciclo de Mestrado em Ensino da E.F e Desporto nos Ensinos Básicos e Secundários e também da Licenciatura em Ciências do Desporto em muito contribuíram para perceber os moldes em que o ensino se construía e de que forma esses mesmos conhecimentos adquiridos contribuiram para as planificações realizadas e para o ensino da prática pedagógica das unidades temáticas. Uma melhor qualidade de ensino pressupõe um nível mais elevado de planeamento e preparação. Este é importante para a apropriação sólida da matéria, para a sua aplicação e exercitação, para a atividade empenhada de todos os alunos e para um ensino eficaz. Naturalmente o ensino real terá mais e maiores facetas do que aquelas que podem ser contempladas no planeamento. Nas etapas iniciais como a idealização do processo de ensino, onde é pensado e refletido, a avalição tem de ser mais um fator a ter em conta, já que o seu objetivo irá constar dos objetivos planeados. Para isso existe uma perspetiva pessoal baseada na ligação entre os conhecimentos pedagógicos e as experiências adquiridas desde a conceção ao planemaneto e a avaliação. Pressupõe-se então uma relação bidireccionada entre planeamento e avaliação. 45 4.1.1. Conceção A conceção é a faculdade de conceber, de compreender, de imaginar todo o papel desempenhado pelo professor na escola. Na verdade é a primeira etapa que o professor tem para ultrapassar um extenso caminho. Pretende-se desenhar toda a sua atuação, com base na análise dos planos curriculares e do conhecimento do contexto cultural e social da escola onde se realiza o estágio profissional. Desta forma o seu papel em muito contribui para que os alunos cresçam e se desenvolvam. Se esse crescimento for pautado pela reflexão de conhecimentos, de métodos, de objetivos, de reflexões orientadas por um professor cooperante e um professor orientador de estágio tanto melhor, como comprovam os estudos que solidificam esta tese. “na U.T de atletismo procurei elaborar uma aula que fosse ao encontro das motivações dos alunos do 7ºA, necessitando para isso de explicar aos alunos quais os objettivos definidos para aquela aula em particular” (Reflexão nº 23 e 24) 4.1.2. Planeamento Após saber o ano que iria lecionar, comecei por ler e analisar o programa nacional de E.F na vertente do 2º ciclo mais expecificamente do 7º ano de escolaridade. Apresentei as dúvidas mais emergentes ao professor Cooperante por forma a ultrapassar algumas barreiras iniciais do desconhecido. Este documento permitiu ajustar o planeamento às condições oferecidas pela escola, pois as condições externas influenciam a forma de ensinar e a quem ensinar. Este documento foi de fundamental importância visto ser um documento a ser consultado com bastante regularidade. De facto este guião, também permitiu prevenir sobre eventuais matérias que não estivesse à vontade como foi o caso da patinagem e do andebol, por 46 forma a que o seu planeamento fosse pensado mais antecipadamente e de uma forma mais meticulosa. Assim sendo, a primeira análise feita, foi considerar que não só o programa era desatualizado das necessidades dos alunos como era um programa demasiado extenso abrangendo um leque de modalidades que vigora desde o meu tempo de estudante do ensino básico (passados mais de 20 anos). A minha fundamentação baseia-se no facto de lidar com crianças num meio mais informal de ensino como são os casos dos ginásios e o ensino da dança. Baseiam-se também pela experiência vivida no passado ano nas escolas Pero Vaz de Caminha e na Escola de E.B 2/3 de Paranhos onde senti dificuldades no ensino das modalidades mais tradicionais pois havia uma maior resistência contracenando com uma maior recetividade por parte dos alunos pelas modalidades como a dança ou algo que envolvesse um desafio maior. Não pretendo com isto dizer que as modalidades apresentadas no currículo, não sejam importantes e oportunas o seu conhecimento, no entanto considero que não houve uma evolução do ensino do desporto desde o meu tempo na escola Aurélia de Sousa. As modalidades tradicionais continuam a reinar no currículo do ensino da E.F, estando de fora modalidades que as crianças e os jovens sentem falta e tendo uma clara atração e desejo de experimentar. Nos dias de hoje constata-se uma muito boa polivalência e versatilidade nos professores de E.F, à qual, eu considero que as suas capacidades estão subaproveitadas. Penso mesmo que os professores até agradeceriam um pouco de ousadia na construção dos currículos no sentido de crescerem como profissionais por lecionarem algo diferente e desafiante. O ensino agradecia, os professores sentiam-se mais motivados e os alunos mais empenhados. De facto com a quantidade de informação disponibilizada e dos meios existentes para a sua difusão as crianças e jovens ficam sedentos de novas experiências em novas modalidades, que não existem na escola, como por 53 No que se refere à modalidade de Andebol, penso ter corrido melhor do que aquilo que foi planeado, pois sentia que também não era a modalidade que os alunos gostavam ou tinham aptidão. Revelou-se uma agradável surpresa visto os alunos empenharem-se para ultrapassar as suas dificuldades. De facto considero que por ser uma das modalidades que não domino totalmente, empenhei-me mais do que as outras que domino e talvez por isso tenha sido uma unidade que foi fácil de lecionar. Já no que se refere ao Basquetebol não correu assim tão bem, isto porque a aplicação do MED em crianças imaturas com falta de responsabilidade talvez não seja o melhor método. Na verdade foi claramente a unidade mais difícil de lecionar dada a pouca disponibilidade motora e cognitiva dos alunos alienada à falta de vontade dos alunos em colaborar. Desde a criação do nome da equipa, ao seu logótipo, ao seu grito de “guerra”, à construção da página no fecebook foi preciso muito paciência e persistência para que os alunos levassem a época desportiva um pouco mais a sério. Efetivamente os alunos desempenharam muito poucas atividades que engrandecessem o processo de E-A. A sua falta de vontade era notória, com a agravante de nunca terem aceite as equipas que o professor fez. Dentro da turma existiu sempre uma certa rivalidade entre alunos e como consequência muito pouca união e camaradagem entre eles. Apesar desta dificuldade tentei sempre ter um bom relacionamento com os alunos apesar de em várias ocasiões necessitar de uma intervenção mais vigorosa e ríspida para com alguns alunos e para algumas faltas de respeito para com o professor e para com o aluno com NEEs. Apercebendo-me de algumas dificuldades inciais recorri aos ensinamentos da Didática Geral do Desporto e encontrei uma forma de prevenção de alguns comportamentos incorretos. Assim elaborei no início do 2º periódo uma tabela em que previligiava os alunos com melhor comportamento, assiduidade e conhecimentos técnicos e táticos das modalidades aprendidas. Cada aluno ficava de fazer a sua autoavaliação no final de cada aula numa 54 tabela idealizada pelo professor. No final o professor refletia acerca da autoavaliação dos alunos. Ficou acordado que o melhor aluno (do sexo masculino e do sexo feminino), teria como prémio a presença numa convenção e exibição de danças urbanas constituídas por estudantes com as suas idades. De facto inicialmente todos os alunos se sentiam motivados a cumprir as regras pois havia o estímulo de um prémio no final do periódo. Ainda como consequência dessas estratégias, propus algumas estratégias preventivas como por exemplo o controlo das atividades inciais (por forma a começar a aula sempre de uma forma motivante e estimulante), a pontualidade, o método de registo das presenças, ao sinal do professor os alunos reuniam ou dispersavam, ouve ensino por incentivos, comunicar sempre altas mas realistas expetativas, tentei usar feedbacks específicos e haver jogos de competição. 4.1.4. Avaliação A avaliação em E.F é um meio para perceber se o ensino é eficaz. Neste sentido, a avaliação permitiu fornecer informação aos alunos acerca dos seus progressos e informa o docente do estado atual do aluno, permite avaliar o currículo e informa o professor para este poder dar notas. Efetivamente é a última etapa que consiste conjugar todo o processo, por forma a oferecer uma melhor qualidade de ensino. Esta prática permitiu tirar ilações sobre a mesma, para que pudesse orientar e ajustar quando fosse necessário. Ouve sempre uma avaliação incial dos alunos às U.T. Os resultados dessas avaliações iniciais nunca foram transmitidas aos alunos, penso que foi um erro visto considerar agora que os alunos devem saber quais os aspetos a melhor e quais aqueles em que dominavam. Foi objetivo da avaliação fazer uma avaliação do comportamento do aluno tendo como base a comparação entre os alunos da turma e não um 55 critério ou nivel estabelecido pelo docente. Pretendia-se uma avaliação eclêtica ou seja respeitar os três domínios da aprendizagem. Assim, as avaliações realizadas no início de cada unidade estabeleceram-se como fundamentais para o planemaneto dos conteúdos a abordar em cada modalidade. Na avaliação sumativa ai já se pretendia uma avaliação em relação ao critério que avaliava o alunos através do cumprimento dos critérios definidos pelos professor. “De seguida realizou-se a avaliação da condição física segundo os testes de flexibilidade do tronco e de força dos abdominais. Os alunos foram divididos em grupos de 3 e assim cada grupo elegia quem fazia primeiro o exercício e os colegas foram quem fizeram as avalições quantitativas das flexões e das medidas de flexibilidade. Esta parte da aula correu também muito bem porque penso ter feito bem em dar a liberdade de serem os alunos a fazerem as medidas sempre supervisionadas pela minha pessoa. Numa outra parte da aula foram entregues aos alunos os testes de avaliação corrigidos e discutidas as soluções de cada uma das perguntas eleboradas no teste. Assim gerou-se um debate entre os alunos, ao qual limiteime a gerir o tempo e o acompanhamento das questões. Mais uma vez esta parte da aula correu muito bem.” (Reflexão nº 74 e75) As notas no final de cada período servem para pais e alunos perceberem como se encontram, e para o professor perceber o sucesso dos alunos. Pretendeu-se classificar os alunos através do seu desempenho (nível do aluno), o progresso (evolução do aluno ao longo do período de aprendizagem), o empenho (aplicação em todas as tarefas) e o comportamento/participação (vestuário adequado, chegar a horas, respeito para com todos, entre outros). A cada início de atividade tinha o cuidado de estabelecer expetativas e comunicá-las aos alunos. Reconheço que essas expetativas eram uma vezes 56 fáceis para uns alunos mas difíceis para outros, pois a turma em questão era demasiado heterogénea nos seus conhecimentos, mesmo dentro do género. A avaliação foi considerada fundamental no processo E-A, isto porque permitiu verificar a evolução do aluno ao longo do tempo. Permitiu ainda, constatar as principais dificuldades e ofereceu-me a possibilidade de perceber o que havia de modificar na ação pedagógica, para que esta decorresse no sentido de uma maior eficácia e eficiência no ensino. 4.2. Outras Dificuldades Sentidas Durante o Estágio Profissional A partir daqui o relatório entra numa fase de maior reflexão e introspeção, onde as reais dificuldades foram sentidas e ultrapassadas com maior ou menor esforço. De salientar, que o núcleo de estágio e as suas reuniões, foram importantes para atingir um grau de reflexão sobre os problemas vividos pessoalmente e pelos problemas vividos pelos colegas. A discussão sadia foi um meio para atingir um grau maior de eficácia no desempenho da docência. 4.2.1. Relações com os Alunos Antes de mais, gostaria de referir a importância de no pavilhão, todas as experiências vivenciadas pelos alunos terem sido positivas, e facilitarem a aprendizagem, mesmo aquelas que não correram melhor. As principais tarefas passaram pela gestão e transmissão de conteúdos. A gestão passou pela administração do ambiente para que a aprendizagem fosse o mais funcional possível e o conteúdo fosse a matéria transmitida. A principal tarefa do aluno foi tão só o cumprimento dos objetivos por parte do professor. 57 Na relação com os alunos destaco a forma como os papéis estavam bem definidos e foram religiosamente cumpridos, exceção feita a alguns casos de maior rebeldia. “Havia demasiada algazarra na aula e as coisas não correram como eu tinha planeado. Havia alunas sentadas no chão e assim ficaram a aula toda, onde não consegui demove-las a participar na aula. Foi neste jogo que convidei dois alunos a sentarem-se no banco o resto da aula e assim ficaram até acabar. Estes dois alunos foram não só mal educados como inconvenientes para comigo e para com o bom desenrolar da aula, pelo que não os deixei participar mais na aula. Infelizmente, e por ter tomado a decisão de estes dois alunos não realizarem a aula não foi por isso que a aula tenha corrido melhor. Os alunos continuavam com “guerrinhas” entre eles ou porque tinha a bola batido na cara de um, porque não passavam a bola, ou porque não deixavam rematar” (Reflexão nº 7 e 8) A relação foi sempre de grande cumplicidade em que os alunos viam o professor como um mero transmissor de conhecimentos dentro da aula e que fora desta não deixava de ser professor embora pudesse ter um papel menos formal. Sublinho a excelente relação com o aluno com NEEs profundas, em que o aluno fazia um grande esforço para tentar copiar bons comportamentos e jogar com os seus colegas. Destaco também uma aluna que tinha saudades da mãe e que já não a via há mais de 4 anos e confidenciou-me que o pai não queria que ela estivesse com a mãe. Penso que estes são bons exemplos como o docente tentou integrar-se dos problemas vividos por esta população e de certa forma ser um elemento de ajuda transmitindo conhecimentos, valores, normas, regras e rotinas. 58 4.2.2. Relação Professor Aluno e Aluno Professor O processo ensino-aprendizagem é mediatizado pelas perceções e relações do professor/aluno, alunos/alunos e professor/aluno(s)/turma. O papel do docente foi diverso e variado, o professor na escola é sempre muito mais do que um professor, é um amigo, um pai, uma mãe, alguém a que o aluno sinta que possa ser um exemplo num futuro próximo. Foi minha intenção preocupar-me desde a primeira aula com a imagem que poderia transmitir aos alunos, assim sendo a indumentária, a barba feita, o cumprimento de horarios eram exemplos presentes logo na primeira aula. Sabia e estava consciente que as primeiras aulas teriam um grande impacto para o docente e para o aluno, e esperava que os alunos me “batizassem” com um nome qualquer, e de facto isso aconteceu. Como atrás disse preocupei-me sempre com o que vestia quando ia para a escola e o que calçava, pois sei que somos avaliados constantemente. No final do mês de setembro havia uma aluna que já me tinha batizado como o “professor PINTAS”, dizia ela que o seu professor de E.F tinha pinta ou seja tinha presença e fazia-se destacar dos demais professores de E.F incluindo o grupo de estagiários. A base de sustentação dela baseava-se na forma de estar vestir e ser. Percebi que facilmente caí nas boas graças desta aluna e de facto a relação com ela foi sempre ímpar, ao ponto de duas vezes durante o ano terme chateado com ela e esta nas duas vezes veio pedir-me desculpa reconhecendo o seu erro. Destaco que era uma aluna com profundos problemas sociais mas percebia facilmente a mensagem que eu lhe pretendia dar, fazendo o seu juízo considerando que não tinha sido correta. Na verdade os professores de E.F, representam a imagem do adulto que muitas crianças idealizam. Além do mais, o Professor, é o adulto mais presente na vida destes jovens, sem contar obviamente com a família. São diversos os casos em que os alunos pretendem ser um futuro professor de E.F, ou até por vezes ambicionam ser atletas de alta competição por influência e conhecimentos vividos com os professores da disciplina. 59 Pelo facto dos alunos saberem que eu sou um professor de danças urbanas nos ginásios, duas das alunas pediam constantemente para que passasse alguns passos de dança, havendo mesmo uma aluna que afirmava que queria ser professora de dança. O professor estabelece uma relação com o estudante diferente dos familiares, é mais distanciada e mais coletiva, exigindo ao estudante uma vivência interpessoal diferenciada, com um comprometimento muito vincado. O professor do século XXI, deve adaptar-se ao contexto que o rodeia, e de acordo com o mesmo deve alicerçar a sua conduta na escola, espaço onde se desenrolam todas e quaisquer vivências, na transformação da criança em adolescente e este em adulto. Só assim permitirá um estímulo de interesse ao aluno que o orienta para aprender. Todas as quartas feiras na escola havia um jogo de futebol entre professores e funcionários contra os alunos, este evento era um ponto alto na semana destes jovens pois sabiam que ali no terreno de jogo seriam todos iguais, que as regras eram iguais para os dois lados e que podiam facilmante ser melhores do que a equipa dos professores e funcionários. São exemplos como estes que a escola precisa, um câmbio de experiências desportivas onde as regras estavam bem definidas e onde os alunos e colaboradores da escola partilham vivências. O ser humano ao longo do seu processo de formação supervisionada encontra no professor o seu principal formador, apenas suplementada pelos pais. Assim será fundamental que os professores compreendam e entendam, que fazem parte integrante da formação destes jovens, futuros homens e mulheres da nossa sociedade. O tempo passa e os métodos alteram-se, a sociedade está em constante mudança para um futuro cada vez mais incerto, no entanto o professor de hoje deve estar munido de ferramentas para enfrentar as mais diversas situações. A mudança passa cada vez mais por levar para a escola exemplos de vida marcantes, episódios reais, e experiências próximas do mundo real, sendo o professor a pessoa indicada para essa mudança. 60 O professor de E.F dada as sua vivências e conhecimentos sendo cada vez mais versáteis devem ter um papel mais assumido na educação das crianças e jovens, oferecendo à comunidade escolar mais do que aquilo que se lhe pede. Coube a mim implementar um projeto de danças urbanas na escola para todos os alunos, tentei levar a minha experiência e os meus conhecimentos para a população e senti-me grato por poder oferecer algo mais do que aulas de E.F. As aulas de dança tiveram uma grande aceitação na escola e de certa forma o meu papel saiu reforçado dentro da turma que lecionava. Todos os alunos da escola sabiam quem eu era. Muitas vezes estava eu a entrar na escola e sentia olhares fixos para mim, quando não ouvia “olha vai ali o professor que sabe dançar”. As relações humanas são efetivamente complexas, no entanto na escola não podemos ignorar a importância de tal relacionamento entre professores e alunos. De facto, vários são os episódios em que o professor deve sentir a necessidade de estabelecer uma distância com os alunos. Fazer perceber aos alunos, que nas relações entre aluno–professor deve haver um respeito mútuo, sem trair a confiança criada existente entre ambos. Ocorreu algumas vezes e com diferentes alunos o não aceitarem as tarefas atribuídas pelo professor. Estes alunos em algumas ocasiões gostam de mostrar à turma o quanto são engraçados, mas mantive sempre a postura e a tranquilidade pois sabia que não podia dar parte fraca. Mais cedo ou mais tarde eu sabia e o aluno sabia que teria que fazer o que o professor mandava Assim, a relação professor-aluno não é uma relação unilateral, até porque é uma relação baseada no diálogo, havendo um processo de construção coletiva do conhecimento. De facto, começando a sentir que sou um professor apaixonado pela profissão e comprometido com a missão. Desenvolvi com os alunos um vínculo muito estreito de amizade e respeito pautado por regras impostas logo no início do ano letivo. 61 Assim, regras como: saber como tratar o professor, respeitar o professor, saber dirigir-se pedindo autorização, levantando a mão pedindo para falar, falar apenas quando for autorizado para tal, foram apenas algumas regras muito básicas que pretendi estabelecer desde o início do ano. Exigi sempre aos alunos, respeito com os colegas e com todos os professores com quem se relacionam, fazendo-os perceber que quando falam com um professor necessitam de ser corretos e educados, tendo sempre cuidado com o vocabulário utilizado, levando ao desenvolvimento de uma autodisciplina. “Dentro de cada jogo fui introduzindo regras e rotinas que penso estarem a ser bem aceites pelos alunos, na prática também constato que os alunos estão mais organizados, motivados e disciplinados. Adotei como princípio que sempre que se ouça algum aluno a dizer asneiras, a aula fica suspensa até o aluno realizar 10 flexões de braços ou 10 abdominais. Nas últimas aulas tenho sentido um maior controle sobre a turma, ainda não descobri o porquê, no entanto sinto que me tenho esforçado para a cada dia que passe dar sempre uma aula melhor do que a aquela que passou. A verdade é que os alunos se têm portado cada vez melhor.” (Reflexão nº 45 e 46) Na escola, não se pode pensar em homogeneidade da turma, cada aluno deve ser um caso especial e diferente. Daí que o professor deve realizar uma introspeção, refletindo e pensado, na melhor forma ou estratégia de E-A e no trato individual com cada aluno. Senti várias vezes a necessidade de perceber com quem falava sobretudo porque a turma era demasiado heterogênea. Cabe ao professor aplicar os seus conhecimentos, usar a sua sensibilidade, intuição, bom senso na orientação da aprendizagem e na direção dos alunos e da turma. Cada professor deve procurar o seu caminho na prática diária da sua sala de aula. 62 Optar sempre por uma postura transparente, será a postura correta do professor estagiário, pois os alunos percebem as nossas dificuldades e podem aproveitar-se delas em benefício próprio. Desta forma, foi de fundamental importância optar por uma disciplina educativa absolutamente compatível com a dignidade do aluno, não descurando os seus deveres e responsabilidades. Muitas das vezes os alunos colocaram-me à prova, tentando desviar a tarefa ou a atenção para algo exterior á aula. Assim, perceber qual a postura dos alunos e adotar uma personalidade mediante a especificidade de cada situação, fez-me certamente crescer enquanto professor e faz com que os alunos percebam o grau de envolvimento do professor com a turma e com ele em particular. O professor, não se deve colocar na posição de detentor da palavra e de todo o saber, uma postura de humildade sempre caiu bem. Assim a disciplina na aula foi algo que nunca prescindi, as regras e rotinas implementadas desde o início do ano assim funcionaram no interesse de todos e para todos. Aliás o “novo” professor deverá estar sempre atualizado com o que há de mais moderno, admitir não ter todas as respostas, ser parceiro do aluno e aprender com este e contínuar a manter a autoridade, sem ser autoritário. Ser curioso e despertar nos alunos esse mesmo sentimento, despertar a curiosidade dos alunos, acompanhando sempre as suas ações e comportamentos nas atividades criadas, é sem margem para dúvidas a melhor opção e postura dentro do pavilhão. Dada a realidade em que a escola está inserida, a realidade das turmas e da sua caracterização, o professor deve procurar muitas das vezes que durante a aula haja uma atitude de construção da cidadania. Preparar o aluno de uma forma mais humana, mas sobretudo preparando-o para uma integração plena na sociedade, como cidadão responsável e participante numa vida futura através das aulas de E.F Várias foram as vezes em que tentei colocar um aluno a trabalhar com o aluno com NEEs, de facto só me lembro de ter sucesso numa única vez, pois infelizmente este aluno não era bem aceite pela turma. 69 Outros dos fatores considerados fundamentais para que o modelo não corresse da forma como foi planeada foi que os alunos apresentam uma grande imaturidade para desempenhar papéis de algum relevo na aula. Juntando a isso, o facto da U.T a abordar ser conhecida dos alunos com a agravante de que os objetivos de ensino serem semelhantes aos dos anos anteriores, levando ao aborrecimento por parte de alguns alunos e consequente desmotivação. De forma a combater alguma desmotivação dos alunos foi tentado que o aluno vivenciasse uma experiência desportiva na sua plenitude em ambiente escolar. De facto para muitos dos alunos, a sua única experiência desportiva e competitiva poderá apenas surgir durante as aulas com a implementação deste modelo. 4.3. EDUCAÇÃO FÍSICA, ATITUDES E VALORES 4.3.1 A Indisciplina na aula de Educação Física A confiança e os laços criados na relação professor aluno, que muitas vezes se espera que seja saudável, é muitas vezes corrompida pelos próprios alunos, na medida em que tentam captar a atenção para si mesmo e diminuir a intervenção do professor, dentro da sala de aula. Segundo Carita & Fernandes (1997) a “indisciplina na sala de aula estamos antes de mais a falar de alguma coisa de particularmente perturbador para a generalidade dos professores”, criando um “efeito devastador,… um efeito negativo no auto conceito e autoestima do professor”. Já para (Brito, 1986; Mendes, 1995 cit por Gomes, P. 2001, p 151 - 163 ) “os comportamentos de indisciplina estão quase sempre associados a problemas de gestão e controle da aula, nomeadamente durante os períodos de inatividade. Hoje e olhando para trás, os episódios mais marcantes de indisciplina foram durante períodos de gestão e de instrução.” 70 Normalmente são os alunos mais velhos que têm este papel preponderante, no desencaminhamento do curso normal da aula e da turma. No entanto, no caso concreto desta turma do 7º ano, verificou-se que os alunos mais velhos (4 alunos acima dos 13 anos) não são os que mais desestabilizam o ambiente da turma e do desenrolar das aulas. Percebi desde cedo, que o enquadramento familiar e social do aluno contribui em grande escala para o desempenho deste na escola, na sua turma, perante os seus colegas e principalmente perante o professor. As próprias motivações e aspirações para o seu futuro determinam a sua vontade de frequentar ou não a escola e todo o ambiente que isso representa. Segundo Mendes (1995) cit por Gomes, P (2001) p. 151 e 152, “os comportamentos inapropriados não decorrem de uma variável única mas de um determinado contexto. Na definição de um modelo global , as variáveis preditoras que concorrem para o aumento da frequência dos comportamentos inapropriados, são: o tempo de gestão e organização, o número de alunos do sexo masculino, o número de alunos repetentes e a idade do professor”. Um aluno que não esteja motivado, que não encontre respostas no seio escolar às suas expectativas, desenquadra-se e desinteressa-se facilmente em todo o processo e por tudo aquilo que lhe foi reservado durante o ano pelo professor. Ainda Mendes (1995) cit por Gomes, P (2001) p. 152, “os comportamentos inapropriados dos alunos na aula de E.F são dirigidos à atividade em si mesma, seguindo-se os comportamentos dirigidos aos colegas. Não é este o principal fator ou chave para a resposta à indisciplina na escola e no pavilhão, mas é um motivo forte, onde alguns dos alunos da turma se enquadram. Por vezes, os problemas de comportamento dos alunos levam a que seja necessária a presença dos pais na escola. Os pais devem estar a par do problema e das medidas que estão a ser tomadas para o superar. É importante que pais e escola atuem em conjunto de modo a eliminar os comportamentos inadequados. Contudo, se estes se mantiverem será necessário recorrer à punição, detenção ou suspensão dos alunos. 71 É necessário uma ecologia entre as famílias e escola onde ambos assumam as suas competências, obrigações e deveres na construção de uma sociedade justa e equilibrada. 4.3.2. Prevenção e Controlo Disciplinar Assim no que diz respeito aos problemas de indisciplina, a melhor forma de lidar com esta situação ainda é a prevenção, sendo importante para o professor ter a capacidade de dissuadir os problemas antes que estes cheguem a tornar-se, de facto, um problema. Sempre que tive um comportamento inapropriado a solução passou por tentar perceber os motivos pelos quais os alunos adotam esse tipo de comportamento e se estes são problemas apenas da nossa aula. Mas o que fui constatando foi que por norma o aluno adota na generalidade este tipo de comportamento como forma de se expor e mostrar-se (sobretudo os rapazes como atrás referi). Sempre que tinha problemas de indisciplina a atitude a tomar foi mesmo falar com a diretora de turma para que este pudesse chegar à fala com o encarregado de educação. Uma das formas de prevenção de comportamentos inapropriados passou pela elaboração de rotinas no pavilhão, rotinas de pré-aula, rotinas relacionadas com a aula, e rotinas pós aula. Assim algumas dessas rotinas passavam pela concentração da turma num determinado lugar dentro do pavilhão, a arrumação do material era feita por todos os alunos e estes só saíam do pavilhão quando o material estava devidamente arrumado, a chamada era feita logo no início da aula e na parte final da aula fazia-se sempre uma referência aos aspetos mais importantes decorridas durante a aula. Senti pois a necessidade de rotinas bem estruturadas, caracterizadas pelo uso de instrução passo a passo, de forma que quanto mais estruturada for a rotina mais curtos são os passos. 72 O objetivo foi que os alunos adquirissem a responsabilidade pelo seu próprio comportamento, libertando assim tempo na aula para focalizar a atenção noutros conteúdos. Segundo Botelho, P (2010), quando o professor está perante alunos disciplinados, é possível envolvê-los na tomada de decisão e no estabelecimento de regras e procedimentos a adotar e, dialogar com eles para resolver os conflitos existentes. Por outro lado, perante alunos que apresentam comportamentos inadequados deve adotar determinadas estratégias que auxiliem na diminuição desses comportamentos, tais como:  Estabelecer um sistema de gestão eficaz;  Ter uma atitude positiva com todos os alunos;  Envolver os alunos nas regras;  Apresentar um currículo desafiador;  Mostrar entusiasmo naquilo que se ensina;  Entre outros. Outra das funções de um professor eficaz é ser capaz de resolver pequenas situações antes que estas se tornem grandes problemas. Assim, algumas estratégias devem ser tidas em conta:  manter contacto visual;  controlar os alunos de perto;  elucidar para o comportamento correto. 4.3.3. A Dança como Mediação de Valores “Dance isn´t something that can be explained in words, it has to be danced, dance to express, not to impress” Eddie Uehara Referi atrás que hoje muitos dos professores de E.F são polivalentes e versáteis, visto estarem ligados ao ensino e muitos deles terem um hobbie que 73 normalmente está ligado ao desporto. No meu caso em particular estou ligado às danças urbanas e por conseguinte achei interessante levar esta experiência para a escola. A dança é uma atividade motora consciente que pretende proporcionar e melhorar o comportamento da criança/jovem, nos aspetos físicos, emocionais, sociais e intelectuais. Estes jovens são despertados para os valores culturais e artisticos, aprendendo a importância do cuidado com o corpo e com a saúde, além das contribuições da formação de um senso crítico e consciente. Pretendi com este meio desenvolver a expressão corporal e controle da aquisição da perceção tempo e espaço, juntando a alegria, importante veículo nas expressões de sentimentos. Recordo a melhor aula de dança que lecionei em que eu fazia de “palhaço” e pedia aos alunos que só imitassem o que eu fazia independentemente do que fizesse. As expressões variavam desde a alegria, a tristeza, a euforia, o festejar, o emocionar-se, no fundo eu só lhes pedia que falassem com o corpo tendo a boca fechada. Recordo o clima da aula como dos melhores entre os alunos, onde todos estavam concentrados a tentar imitar os gestos e as tolices que fazia. No que se refere aos aspetos físicos a dança permitiu trabalhar as capacidades como a coordenação motora, os aspetos posturais e a flexibilidade. No final de cada experiência de dança na aula e nas aulas que lecionei durante o ano letivo como forma de enriquecimento curricular, permitu que a dança oferecesse disciplina, criatividade, a melhora da autoestima. Constato com grande apreço o facto de quando havia dança os alunos iam com um sorriso na cara, independentemente da figura que faziam, contracenando com a prática de jogos desportivos que quando perdiam saiam da aula tristes, zangados e a discutir. Na verdade esta disciplina ou modo de praticar desporto tem uma beleza única onde aproxima as pessoas pois é relativamente fácil de se relacionar com os colegas. 74 Existem experiências que não esqueço tão cedo uma delas é certamente o sorriso das crianças/jovens que faziam a minha aula de dança na escola, são pois estes momentos que nos fazem acreditar que estamos no rumo certo. Segundo Crepet, P (2004, p. 53) “ o descontentamento nasce sobretudo da sensação de que a escola não está na globalidade adequada às exigências da sociedade civil: ainda nao se conseguiu fazer dela um lugar para os jovens, em que a gestão do tempo e dos conteúdos, objetivo de E-A seja mais flexível e rica.” A dança contribui para a aprendizagem, a reflexão e a formação do cidadão crítico assim como as restantes U.T contidas nos programas de E.F. 4.3.4. O Parkour Esta modalidade, a par da dança, foi das modalidades que mais fizeram sucesso. De facto quando fazia um aquecimento que envolvia movimentos e gestos “parkour” todos os alunos sem exceção gostavam. O desafio, o risco, o inesperado, a competição e as rivalidades estavam bem presentes e cada equipa ou aluno queria passar os obstáculos em primeiro lugar. Sempre que numa aula havia um exercício de parkour, no início da aula seguinte a primeira coisa que os alunos perguntavam é se iam fazer parkour. Esta modalidade é caracterizada por algum risco e competição onde os alunos se sentiam aliciados pela sua capacidade de improviso na ultrapassagem de etapas. Assim que me apercebi que esta modalidade era querida pelos alunos resolvi apostar mais vezes nela sobretudo na parte inicial da aula. De facto é que sempre que isso acontecia aconteciam duas coisas fabulosas uma é que o exercício corria sempre bem independentemente de quem ganhasse e em segundo é que o resto da aula corria ainda melhor. Daqui se percebe que os programas necessitam de uma revisão profunda nos seus conteúdos, não por aquilo que presenciei mas porque é 75 preciso inovar o ensino e acima de tudo o que se ensina deve estar atual com a sociedade e até com a moda. Segundo Crepet, P. (2004, pag 53), “muitas escolas não são ainda lugar de vivências, bem estar e interesses dos jovens, não constituem um espaço para expressão deles, para tecerem relações profundas e para com elas aprenderem, para comparar experiências e emoções como um laboratório estável, protegido e guiado pelo saber dos adultos a quem estão confiados.” É verdade que é uma moda, mas se resulta, se os resultados são mais do que bons porque é que os professores devem fechar os olhos, afinal de contas lá diz o ditado “o proibido é sempre o mais apetecido”. Até na planificação das aulas era relativamente fácil a escolha dos percursos e materiais a utilizar. Recorrendo a arcos, aos bancos suecos, bolas de qualquer desporto, cordas, escadas do pavilhão, pinos, sacos, etc. Na realidade haja imaginação e podia fazer todos os dias um jogo de parkour sempre diferente que sentia que os alunos o realizavam sem qualquer voz de descontentamento. Rapazes e raparigas competiam e sentiam que valia a pena correr, caso contrário não corriam, como em algumas das aulas de atletismo os alunos encontravam sempre uma desculpa para não correrem. 4.4. A Inclusão dos Alunos Portadores de Necessidade Educativas Especiais 4.4.1 Alunos com Necessidades Educativas Especiais O conceito de NEEs, aplica-se, segundo Correia (1993), a crianças e adolescentes com problemas sensoriais, físicos, intelectuais e emocionais e, também com dificuldades de aprendizagem derivadas de fatores orgânicos ou ambientais. Abrange crianças e adolescentes com aprendizagens atípicas, isto é, que não conseguem acompanhar o currículo normal, sendo necessário 76 processar a adaptações curriculares, mais ou menos generalizadas, de acordo com o quadro em que se insere a problemática da criança ou do adolescente. Isto significa que a criança e o adolescente com NEEs têm, como quaisquer outros alunos, direito a um programa de educação público, adequado e gratuito, num meio de aprendizagem, o mais apropriado possível, que responda às suas necessidades educativas e ao seu ritmo e estilos de aprendizagem. Assim, a escola deve estar preparada para dar uma resposta eficaz à problemática do aluno com NEEs, de acordo com as suas características. Segundo Marchasi e Marti, citados por Correia (1997), os alunos com NEEs são aqueles que apresentam uma problemática de aprendizagem, durante o seu percurso escolar, que exige uma atenção mais específica e uma gama de recursos educativos diferentes daqueles necessários para os seus companheiros da mesma idade. Efetivamente, havia na turma um aluno com NEEs profundas apresentando grandes dificuldades de aprendizagem específica destacando-se habilidades motoras finas, onde não possui controlo dos pequenos músculos para a execução das tarefas, pois envolvia coordenação entre olhos e mãos e possuía um elevado grau de precisão. Necessitei de algum tempo para perceber e estabelecer estratégias de desenvolvimento de ações efetivas para o aumento das suas habilidades motoras. Acontece que não percebia de que forma o aluno aprendia e se sentia motivado a executar determinada habilidade. Cada tarefa era um objetivo para a aula, pois cada habilidade não tinha um início e um fim definidos. Cedo percebi que as habilidades não podiam ser seguidas por uma ordem. Era mais fácil que as habilidades fossem contínuas e repetitivas e essas mesmas habilidades teriam que ser “grosseiras”, isto é, utiliza grandes grupos musculares na execução da tarefa. Assim o objetivo de cada tarefa ou habilidade era alcançar um objetivo definido, através da frequência de algo correto e não pelo acaso ou sorte. 77 Destaco o episódio em que o aluno tinha como objetivo saltar à corda, sendo ele mesmo a dar à corda. Inicialmente, parecia um objetivo demasiado ambicioso, isto porque o aluno não conseguia saltar mais do que 1 ou 2 vezes seguidas sem pisar a corda. No entanto com alguma insistência e persistência, explicando ao aluno a necessidade de apenas dar um salto sempre que a corda passe por baixo de si, este conseguiu dar 11 saltos seguidos sendo o seu máximo. O aluno em questão apresenta uma grande dificuldade de aprendizagem específica, isto porque e como já referi atrás este aluno apenas consegue realizar habilidades motoras “grosseiras” e mesmo assim algumas destas habilidades ou não as consegue realizar ou recusa-se mesmo a realizá-las. Não sendo um aluno muito assíduo, depressa percebi que as suas motivações concentram-se em algo que tenha a ver com lutas e bolas. Fui percebendo também, que é um aluno atento a promenores e lembra-se do que se fez na aula anterior. É um aluno inteligente com grande capacidade de memória mas com um défice mental em raciocinar, planear, resolver problemas, abstrair problemas, compreender ideias, não distinguindo o certo do errado e é persistente em atitudes malvadas para quem o rodeia. É um aluno com uma grave dificuldade em fazer amigos e de se adaptar ao ambiente escolar, não consegue aprender com a experiência e não supera obstáculos mediante o pensamento. É um aluno que não se veste sozinho nem sabe cuidar sozinho da sua higiene pessoal. No entanto, os seus impulsos hormonais revelam-se inapropriados para com as suas colegas, não percebendo que o seu comportamento é inadequado. Este aluno apresenta dificuldade na expressão oral mas não na auditiva, no que se refere à expressão escrita é um aluno que não consegue juntar as letras e como tal também não escreve nem sabe ler. É um aluno com 16 anos no 7º ano de escolaridade, um aluno que apresenta dificuldades diversas desde, a linguagem, problemas percetivos, défices metacognitivos, problemas socioemocionais, psicomotores e de hiperatividade. 78 Já o outro aluno com NEEs, é um aluno que não requer qualquer tipo de precaução visto ser um aluno com comportamentos normais apresentando apenas dificuldades na fala. 4.4.2. Área da educação Especial Segundo Sobral. F (1980, p. 44), a “educação especial é aquela que se ocupa dos indivíduos atingidos por alguma forma de debilidade: sensorial, motora, caracterial ou mental. Ainda segundo o autor a E.F tem a cumprir as finalidades gerais da educação especial que são designadamente: a) Desenvolver as potencialidades físicas e inteletuais das crianças deficientes; b) Desenvolver as faculdades de comunicação e facilitar a integração da criança deficiente no meio familiar, escolar e social; c) Promover a autonomia do indivíduo dentro das limitações impostas pela deficiência; d) Facilitar a aquisição da estabilidade emocional; e) Preparar a criança deficiente para uma formação profissional adequada às suas capacidades. Ainda segundo o autor, uma diferença essencial entre reabilitação e educação especial está, como decorre dos próprios termos, em que na reabilitação, a inferioridade é admitida como temporária e recuperável, pelo menos parcialmente, ao passo que na educação especial a debilidade é entendida como um quadro persistente, dentro do qual é preciso atuar a fim de minorar os seus efeitos. Existe uma necessidade da turma perceber, que os alunos com NEEs, precisam de alguém que os entenda e entenda a sua diferença aceitando-os, fazendo aceitar a sua diferença perante si e os outros, dando-lhes oportunidades de integração nos grupos. 85 4.5.2 Jogo entre Alunos e Professores A realização deste jogo de futebol acontecia todas as quartas-feiras pela hora do almoço, permitindo uma interação entre professores e alunos. Permitia a realização de um jogo ao qual os alunos sentiam que podiam, a maioria das vezes, ganhar aos professores. No entanto o principal objetivo deste evento era mesmo a promoção de um ambiente positivo favorecendo sempre o E-A e a transmissão de valores, inerentes à prática desportiva. Como o futebol é uma modalidade de grande atração pelos jovens, o principal objetivo foi facilmente atingido proporcionando um ambiente desportivo saudável onde os alunos sairam quase sempre vitoriosos no resultado no comportamento e nas aprendizagens. 4.5.3 Reuniões de Departamento e de Agrupamento As reuniões pretendiam estabelecer objetivos, de forma a que os professores de E.F falassem a uma só voz, no sentido de que todos os alunos aprendessem mediante objetivos definidos equitativamente e independentemente de quem seja seu professor de E.F. Estas reuniões permitiram também interagir e conhecer melhor os restantes professores da disciplina permitindo conhecer as atividades pensadas para cada período letivo. As U.T eram aqui pensadas e elaboradas no sentido de as programar segundo as realidades físicas e humanas existentes nas escola. Os professores estagiários ajudavam-se no sentido da melhoria e troca de experiências. Na altura destas reuniões lembro-me de sentir que finalmente pertencia a um grupo de pessoas às quais há muito sonhava. Senti que aquele grupo de pessoas falava a mesma língua que eu e pensava da mesma forma que eu pensava. 86 Foram, sem margem para dúvidas, as reuniões em que mais gostei de participar, primeiro pela objetividade das reuniões, segundo pelos assuntos abordados, e também pelo tempo que demoravam. Tratavam-se de reuniões bastante sintéticas onde se falava de tudo, definindo papéis futuros e projetos a curto e médio prazo. 4.6 Relação com a Comunidade e Encarregados de Educação Esta área foca a relação do professor estagiário com a comunidade escolar (a turma e respetivos encarregados de educação). Esta variável revela-se importante visto ser fundamental que o professor esteja consciencializado do meio ambiente onde o aluno se insere. No que se refere à turma, essa conclusão foi retirada do inquérito realizado logo na primeira aula com os alunos, procedendo assim à sua caracterização, como ja foi referido. Quanto ao meio externo à turma fui observando e constatando que a realidade do meio externo não é muito diferente da realidade da turma. Nesta área, as dificuldades residiram no contacto e resistência dos encarregados de educação para participarem em qualquer um dos eventos escolares e a falta de interesse, vontade e disponibilidade dos mesmos, face ao processo de E-A dos seus educandos. Para Crepet, P. (2004, p 53) “é necessário renegociar um pacto entre família e escola onde ambos assumam novas competências e obrigações - operou-se na nossa sociedade uma profunda tranformação que mexeu com todos os aspetos da nossa vida: é urgente que a família e a escola se ajustem às repercussões que estas transformações comportam”... “ É verdade que a escola se transforma frequentemente numa espécie de cómodo bóde expiatório para os males da nossa sociedade, a ponto de se chegar ao extremo de atribuir aos professores toda a responsabilidade naquilo que se refere à vida dos jovens: basta analisar as variáveis de uma situação complexa, colocando a 87 escola como uma instituição estrategicamente primária e indispensável para reformar a sociedade.” Na verdade a escola precisa que toda a sociedade fale a mesma língua, de forma a estabelecer sólidos laços na construção de homens e mulheres de amanhã. Pretende-se com isto que haja uma ligação direta entre os interesses da escola e os interesses dos encarregados de educação. A educação dos alunos começa no seio da família e complementa-se na escola, com os vizinhos, no comércio, nos transportes… O não controlo, por parte dos pais, da e na disciplina dos filhos é um problema corrente atual. Tem-se muito o sentimento (ou os pais transmitem esse sentimento aos professores) que a escola e os professores são os educandos dos alunos, muito provavelmente devido ao tempo que estes passam na escola. Daí a necessidade daquela ligação de interesses mútuos. 88 5. Conclusão 89 Conclusão Este relatório, inserido no âmbito da realização do E.P, resultou de um ano intenso, cheio de emoções e várias vidas: a vida dos alunos, a vida dos meus colegas de estágio, a vida da escola, englobando os restantes professores e funcionários, e a vida da comunidade e sociedade onde estes alunos e escola estão inseridos. Percebe-se que há a necessidade de conhecer todos os intervenientes existentes na educação, quer estejam em casa, dentro ou fora da escola. É através deste conhecimento prévio que, face às dificuldades encontradas nos alunos e na forma como estes se relacionam, o professor consegue, encontrar os melhores métodos de ensino, para uma aprendizagem contínua. O conhecimento teórico transformado em momentos práticos revelou-se de extrema importância, em termos futuros. O trabalho prático permitiu desenvolver áreas, criar destreza de pensamento e agilidade, na gestão de conflitos, muitas vezes existentes. Revelou-se um trabalho árduo, mas que se tornou muito gratificante, apesar das diversas adversidades. O trabalho realizado com os diferentes alunos, incluindo alunos com NEEs, evidenciou todas as dificuldades existentes na integração das diferenças dos alunos. Aqui, evidencia-se todo o esforço aplicado, todo o conhecimento fornecido e adquirido, ao longo do ano letivo. São vistos e revistos os vários métodos existentes e consequentemente aplicados na aprendizagem das atividades na sala de aula. São espelhadas as frustrações e alegrias do desenvolvimento e crescimento do conhecimento dos nossos alunos estudantes. São descritas histórias de vida marcantes, que influenciam a forma como o professor se relaciona com os seus alunos e a forma como este se vê e é visto pelos alunos. Ensinar o respeito mútuo, a camaradagem, a partilha e a ajuda estiveram nas bases do ensino desta disciplina. 90 Apesar de considerar positiva a participação no E.P, esta experiência foi marcante em inúmeros episódios mostrando-se demasiadamente evidente a frustração de ter uma turma complicada – alunos do 7º ano com idades compreendidas entre os 12 e os 16 anos, com interesses muito distintos inseridos numa comunidade debilitada e carenciada. Para um professor estagiário, ver a fraca evolução dos alunos, devido, grandemente, à falta de interesse na aprendizagem e à variadíssima existência de distrações, por motivo nenhum aparente, apesar de saber existir evolução, e todo o trabalho acrescido sem prévia preparação, tornou-se desgastante e de certa forma revoltante. A forma como os professores se dedicam à profissão e todo o interesse revelado na prática da disciplina são muitas vezes postos em causa devido às características da própria turma, escola e comunidade. Serviu este estágio, para mostrar e revelar a capacidade de lecionar e a capacidade de controlar e cativar os alunos, aplicando todos os métodos aprendidos, sob a orientação e coordenação de professores experientes. Serviu também para explorar a minha própria personalidade e para me auto descobrir. Descobrir que consigo relacionar-me com os alunos e de certa forma marcar as suas vidas com os meus ensinamentos. “O que era bom era dar sempre aulas como a de hoje! Vir da aula tão feliz que tivesse precisão de gritar ao primeiro desconhecido: - Sabe? Dei hoje a melhor aula, a aula mais linda da minha vida” 91 6. BIBLIOGRAFIA 92 BIBLIOGRAFIA Agrupamento de escolas de Leça do Balio. Disponível em http://agruplecabalio.ath.cx/site/index2.htm Bento, J (2003). Planeamento e Avaliação em Educação Física (3ª Ed.) Lisboa: Livros Horizonte Bento, J. (1987). Desporto Matéria de Ensino. Ed Caminho Bento, J. (1989). Para uma Formação Desportiva - Corporal na Escola. Ed Livros Horizonte, Lisboa Carita, A.; Fernandes, G. (1997). Indisciplina na sala de aula- Como prevenir? Como remediar? Lisboa: Editorial Presença. Coll, C. (1996). O construtivismo na sala de aula. São Paula: Àtica Correia, A., (1998). Para uma Teoria Crítica em Educação. Porto: Porto Editora Dance to Inspire, Inspire to Dance. Disponível em http://www.youtube.com/watch?v=9ALtIwy77RU&feature=related Damião, M.H.(1997). De aluno a professor. Coimbra: Livraria Minerva Editora Day, C. (2003). 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