Relatório de Estágio Profissional - Um Passado Sempre Presente
Full text
2º Ciclo em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário Nathaly da Silva Rocha RELATÓRIO DE ESTÁGIO PROFISSIONAL UM PASSADO SEMPRE PRESENTE Relatório de Estágio Profissional apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto com vista à obtenção do 2º Ciclo conducente ao grau de Mestre em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário (Decreto- Lei nº74/2006, de 24 de Março e Decreto-Lei nº43/2007, de 22 de Fevereiro) Professora Orientadora: Profª Doutora Paula Silva Porto, Julho de 2013
Ficha de Catalogação Rocha, N. S. (2013). Um passado sempre presente. Porto: N. Rocha. Relatório de estágio profissionalizante para a obtenção do grau de Mestre em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. PALAVRAS-CHAVE: ESTÁGIO PROFISSIONAL, PROFESSOR, REFLEXÃO, INDISCIPLINA.
Dedicatória À minha querida mãe II
AGRADECIMENTOS Um caminho nunca se faz sozinho, precisamos sempre de alguém para nos dar apoio e nos ajudar a decidir quais são os melhores trilhos a seguir. Assim sendo, não posso deixar de agradecer às pessoas que nunca me abandonaram nesta longa caminhada. À professora orientadora Paula Silva, pelo seu apoio e conhecimentos que me transmitiu ao longo do ano letivo. Ao meu professor cooperante, José Carlos Carvalho, por todo o seu apoio e conhecimentos prestados. À Faculdade de Desporto da Universidade do Porto e à Escola Secundária de Ermesinde pelo acolhimento. À minha mãe, que sempre acreditou em mim, sem ela não teria chegado até aqui. Ao meu namorado, pelo seu apoio incondicional e por me fazer acreditar sempre. À minha família pelo companheirismo. E, não podia deixar de congratular os intervenientes imprescindíveis neste meu ano de Estágio, os meus alunos… …Do 9ºF por me terem feito crescer e fazer valer tudo a pena! “ Pelo sonho é que vamos, Comovidos e mudos, Chegamos? Não chegamos? Haja ou não haja frutos. Pelo sonho é que vamos, Basta a fé no que temos.” (Sebastião da Gama). III
ABREVIATURAS EP- Estágio Profissional RE- Relatório de Estagio ADML- Associação Desportiva Manuel Laranjeira EF- Educação Física NE- Núcleo de Estágio PFI- Projeto de Formação Individual MEC- Modelo de Estrutura de Conhecimento UT- Unidade Temática AD- Avaliação Diagnóstica AF- Avaliação Formativa AS- Avaliação Sumativa ESE- Escola Secundária de Ermesinde PA- Planeamento Anual IV
ÍNDICE V
RESUMO A elaboração do presente documento surge no âmbito da Unidade Curricular do EP inserida no plano de estudos da FADEUP, relativo ao Mestrado em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário. A sua realização visa documentar as actividades desenvolvidas ao longo do Estágio, que decorreu na Escola Secundária de Ermesinde, através de uma análise crítica e reflexiva de todo o processo. O EP da Escola Secundária de Ermesinde foi constituído por dois NE compostos por quatro elementos cada, dois rapazes e duas raparigas. Tendo feito parte do Núcleo II sob orientação do PC José Carlos Carvalho, professor da escola e da PO Paula Silva, professora da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. O presente RE apresenta uma estrutura que se centra essencialmente em seis capítulos. O primeiro capítulo diz respeito à “Introdução”. O segundo capítulo é referente à “Dimensão Pessoal”, fazendo referência a uma reflexão autobiográfica onde relato a minha história desportiva e o meu percurso académico, bem como as expetativas e impato com o contexto de estágio, isto é, as expetativas iniciais e a realidade encontrada. Relativamente ao terceiro capítulo “Enquadramento da Prática Profissional” serão referenciados o meu entendimento acerca do EP bem como a sua caracterização, a nível institucional e da turma F do 9ºano de escolaridade, a turma que lecionei. O quarto capítulo “Realização da Prática Profissional ” será o ponto central da minha prática pedagógica. Aqui, serão abordadas questões que me foram surgindo durante o EP relativas à gestão e controlo da turma: 2º momento de observação; à influência da reflexão na atuação do professor; à relação entre professor e aluno: “Como comunicar com os meus alunos?” e ao director de turma que considero ser muito mais que um docente. Neste capítulo serão também referenciadas as participações nas atividades extra curriculares. No quinto capítulo “Conclusão”, é destacada a importância que esta experiência teve na minha vida bem como perspetivas para o meu futuro. Por fim, no sexto capítulo “Estudo” diz respeito ao trabalho de investigação-ação intitulado de: “A indisciplina nas aulas de Educação Física: um estudo em alunos do 9º ano de escolaridade”. PALAVRAS-CHAVE: ESTÁGIO PROFISSIONAL, PROFESSOR, REFLEXÃO, INDISCIPLINA. XIII
ABSTRACT The preparation of this document is under the Professional Teacher Training, included in the curriculum of the FADEUP for the Master of Teaching Physical Education in Basic and Secundary Education. Bringing it aims to document the activities undertaken during the Stage, which took place at the Escola Secundária de Ermesinde, through critical analysis and reflective of the entire process. The EP of the Escola Secundária de Ermesinde consisted in two NE composed with four elements each, two boys and two girls. I was part of the NE II under the direction of PC José Carlos Carvalho and PO Paula Silva, teacher of the Faculty of Sports of the University of Porto. This placement Report presents a framework that focuses primarily on six chapters. The first chapter concerns the “Introduction”. The second chapter is related to the “Dimensão Pessoal”, referencing an autobiographical reflection where sports reporting my story and my academic as well as the expectations and impact with the context of the stage, in other words, the initial expectations and reality found. Regarding the third chapter “Enquadramento da Prática Professional” will be referred to my understanding of the EP as well as their characterization at the institutional level and the class F of the 9th grade, the classe I taught. The fourth chapter “Realização da Prática Professional” will be the central point of my teaching practice. Here , I will address issues that arose during the EP relating to the management and control of the class: 2nd moment of observation; the influence of reflection on the teacher’s performance; the relationship between the teacher and student: “How to communicate with my students?” and the class teacher that I consider much more than a teacher. In this chapter I will also talk about my presences in the extra curricular activities. In the fifth chapter “Conclusão” is given the importance that this experience has ad on my life as well as my perspectives that I have for my future. Finally, in the sixth chapter “Estudo”, refers to the action-research work entitled: “A indisciplina nas aulas de Educação Física: um estudo em alunos do 9º ano de escolaridade”. KEYWORDS: PROFESSIONAL TEACHING TRAINING; TEACHER; REFLEXION; INDISCIPLINE. XV
1- INTRODUÇÃO
O Estágio Profissional (EP) representa o culminar de todo o processo de formação na área pedagógica. Ao longo destes quatro anos da minha vida académica, fui adquirindo conhecimentos teóricos, que só assumiram a sua verdadeira importância quando foram aplicados na lecionação das aulas na escola, ou seja, quando estes conhecimentos teóricos foram passados para a prática. Como futura professora de Educação Física, o EP possibilita-me uma oportunidade para perceber as diferenças que separam a teoria da prática, bem como a possibilidade de aprender a lidar e enfrentar, sem problemas, as situações técnicopedagógicas do ensino e de aprendizagem. Considero este ano um ano único, um processo de evolução que marca a passagem de estudante para professora de forma progressiva. O fato de eu ser treinadora há vários anos fez com que facilmente me adaptasse a esta nova experiência, mostrando algum à vontade com a tomada de decisões. Neste RE, tentarei resumir todas as etapas que completam o enorme puzzle deste ano de estágio. Assim sendo, a elaboração deste relatório visa documentar as atividades desenvolvidas ao longo do EP, através de uma análise crítica e reflexiva de todo o processo. Na perspetiva de Albuquerque et al. (2005), a habilidade reflexiva, a competência de ensino e a integração social são atributos que definem um profissional reflexivo, que arroga teorias sobre os currículos, sobre o ensino, sobre os alunos, sobre as comunidades escolar e envolvente, sobre os aspetos socioprofissionais, sobre as relações humanas e institucionais. Relativamente à organização do RE, este será composto por quatro capítulos: “Dimensão Pessoal”, “Enquadramento da Prática Profissional”, “Realização da Prática Profissional” e “Conclusão e Perspetivas para o Futuro”. Terá também um capítulo onde será referenciado o Estudo realizado durante o estágio, intitulado “A indisciplina nas aulas de Educação Físicaperceção do aluno”. No capítulo 3- será descrito todo o meu processo enquanto professora, segundo quatro áreas: Área 1 – “Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem”, as Áreas 2 e 3 – “Participação na Escola e Relações com a Comunidade” e a Área 4 – “Desenvolvimento Profissional”. Segue-se uma parte onde faço uma reflexão sobre o ano de estágio e, por último, será feita uma breve conclusão de todo o meu percurso, bem como as minhas perspetivas em relação ao meu futuro. 19
Nestes cinco anos de licenciatura e mestrado estive inserida numa cultura de exigências proporcionando-me experiências gratificantes não só para mim como pessoa como para a minha formação académica. Passei por momentos desafiantes e de grandes ensinamentos que me proporcionaram aprendizagens que nunca vou esquecer. Este ano de estágio, coloquei em prática tudo o que aprendi e, sem dúvida, que o meu passado é fundamental para que o meu presente seja como é. É um passado que estará sempre presente na medida em que todos os momentos passados, as conquistas feitas e os sorrisos partilhados estarão sempre vivos no meu pensamento. Por outro lado, tudo o que realizei ao longo deste ano, certamente será o que irei realizar num futuro próximo como professora. 20
2- DIMENSÃO PESSOAL
3.1- Entendimento do Estágio Profissional Após quatro anos de muito trabalho, obstáculos e algumas dificuldades, inerentes a todo e qualquer processo de formação, encontro-me na componente mais poderosa e importante dos programas de formação de professores que é o EP. Assim sendo, o estágio assume-se como o ano mais importante da minha formação académica, sendo um dos maiores desafios a que me propus até hoje. O ano em que, finalmente, poderei pôr em prática todos os ensinamentos adquiridos até então, tendo assim uma ligação muito forte com os restantes anos de estudo. Tal como refere Alarcão (1997, p.9), “a prática pedagógica não deve ser independente do resto do curso. Antes pelo contrário, deve ser nele integrado como o momento, por excelência, da integração de saberes e a ponte entre dois mundos que, no seu conjunto e nas suas inter-relações, constituem o seu enquadramento formativo institucional: o mundo da escola e o mundo da instituição da formação inicial. É muito mau para o desenvolvimento pessoal e profissional do professor quando estes dois mundos se desconhecem ou contradizem. Por isso é fundamental a organização da prática pedagógica segundo um princípio de relação interinstitucional.” Zeichner (1993) centra a formação do professor para a escola atual num modelo de raiz construtivista de onde emerge o papel do professor reflexivo. Este modelo centra-se numa conceção do professor como um profissional capaz de refletir e questionar toda a sua prática, tendo com objetivo a sua renovação constante, ajustando as suas estratégias de ensino às caraterísticas dos alunos. Posto isto, durante o meu EP terei como principal objetivo questionar tudo o que faça. É adotando uma ótica construtivista e uma prática reflexiva, que terei experiências concretas e diretas pelo meu envolvimento ativo, potenciando assim aprendizagens efetivas e duradoiras. Relativamente à disciplina de Educação Física, o meu objetivo será não poupar esforços para a concretização do principal objetivo da atividade profissional de qualquer docente- a aprendizagem. Assim sendo, pretendo promover oportunidades para a formação integral dos meus alunos e aproveitar todos os momentos deste ano letivo para aprender novos ensinamentos, que contribuirão para a minha evolução profissional. 29
3.2- Caraterização do contexto de estágio 3.2.1- Contexto Institucional Foram dias de bastante angústia, receios, incertezas, suposições durante a espera da colocação nas escolas para o tão esperado ano do EP. Foi uma mistura de sentimentos a que vivi. A Escola Secundária de Ermesinde fica situada na Rua D. António Ferreira Gomes da freguesia de Ermesinde, teve a sua origem na Escola Técnica de Ermesinde que abriu no ano letivo de 1969/1970 com o Curso Geral de Comércio, diurno e nocturno, e o Curso de Formação Feminina. A sua primeira sede foi um “Barracão” situado na zona da Formiga. As condições precárias deste velho edifício, conjugadas, entre outras, com os maus acessos e o aumento da população escolar, deram origem ao movimento que lutou pela construção da atual escola que foi inaugurada em 1989. Este ano passou a funcionar como Agrupamento de Escolas de Ermesinde funcionando em regime diurno e noturno. Acolhe alunos da freguesia sede, de outras freguesias do Concelho de Valongo, nomeadamente de Alfena, e ainda dos Concelhos da Maia, Santo Tirso, Gondomar e, em menor número, de Penafiel e Paredes. É de salientar a dinâmica e a diversidade de atividades físicas que o Departamento de Educação Física desenvolve, promovendo uma interação sistemática entre a escola, a educação física e os alunos, durante todo o ano. Um dos aspetos queno início do ano letivo considerei fundamental foi o NE e a troca de experiências que este me poderia promover, assim como a troca de opiniões, juntamente com o Professor José Carlos que seria, para mim, fonte de aprendizagem, de crescimento, e de reflexão, contribuindo de forma decisiva e clara para a minha evolução em termos profissionais. Sem dúvida, que teve um papel formador e mediador, desempenhando uma função fundamental neste processo, sendo não um modelo a imitar, mas sim alguém capaz de tornar as dificuldades da prática num mecanismo formativo. A nossa OE, a Professora Paula Sila, que prontamente sempre me orientou e aconselhou, teve também, um papel fundamental nesta última etapa do meu processo de formação. 30
Masculino ; 13 Feminino ; 14 3.2.1.1- Caraterização da Turma É importante ter um conhecimento geral acerca da turma, visto o ensino é dirigido para eles. A turma foi questionada sobre alguns dos seus antecedentes escolares até ao momento, assim como as suas preferências de disciplinas. Foram contemplados aspetos como a disciplina que mais gostam e que menos gostam, o grau de parentesco dos encarregados de educação. Foi igualmente perguntado se os alunos já frequentavam esta escola. Gráfico 1: Composição da turma por sexo. Posto isto, a turma F do 9º ano de escolaridade inicialmente foi composta por vinte e nove alunos e no 2º período com a transferência de dois alunos ficou reduzida a 27 alunos (14 raparigas e 13 rapazes). Idades dos alunos Gráfico 2: Idade dos alunos. 31 37% 44% 19% 13 14 15
Relativamente às idades dos alunos, a turma apresenta uma média de idades de M= 13,5, sendo que dez alunos têm dez anos de idade, doze alunos catorze anos e cinco alunos têm quinze anos de idade. Grau de Parentesco dos Encarregados de Educação Gráfico 3: Grau de Parentesco do Encarregado de Educação No que diz respeito, ao grau de parentesco dos Encarregados de Educação, podemos concluir através do gráfico que a maioria das mães são encarregadas de educação dos seus filhos, com 55%. De seguida, onze pais assumem o cargo de encarregado de educação dos seus filhos. E, por fim, uma irmã e uma madrinha assumem esse cargo. Disciplina favorita dos alunos Gráfico 4- Disciplina favorita dos alunos. 32 38% 55% 4% 3% Pai Mãe Irmã Madrinha 2% 30% 9% 14% 12% 9% 12% 5% 5% 2% Inglês Ed. Física Francês Inglês Ciências Fis. Química Ed. Visual Matemática Geografia História
16% 8% 11% 14% 7% 7% 16% 10% 5% 1% 4% 1% Futebol Andebol Ginástica Badminton Atletismo Natação Voleibol Orientação Patinagem Dança Basquetebol Karaté Nas preferências dos alunos em relação á disciplina favorita, destaca-se a disciplina de Educação física (30%). De seguida, seis alunos consideram a disciplina de Inglês com a sua preferida. Seguindo-se Ciências Naturais e Educação Visual onde cinco alunos (12%) consideram essas disciplinas como suas preferidas. A disciplina de Físico-Química e Francês é considerada como preferida por quatro alunos (9%). Fazem também parte das disciplinas favoritas dos alunos no entanto em grande minoria. Disciplina que os alunos menos gostam Gráfico 5- Disciplina que os alunos menos gostam. Na escola e no que toca às disciplinas que menos gostam, verifica-se que a maior parte da turma não gosta de Matemática (35%), nem gosta de História (26%). Modalidades preferidas Gráfico 6- Modalidades preferidas. 33 3% 6% 35% 26% 12% 6% 6% 3% 3% Ciências Naturais Educação Visual Matemática História Física-Química Inglês Geografia Português Ed. Física
Na disciplina de Educação Física, em relação às modalidades preferidas, em destaque estão o Futebol e o Voleibol com 16% da turma a gostar destas duas modalidades. De seguida, treze alunos escolheram o Badminton como modalidade preferida (14%). A Ginástica e a Orientação situam-se no terceiro patamar das modalidades preferidas. Modalidades que os alunos sentem mais dificuldades Gráfico 7- Modalidades que sentem mais dificuldades/modalidades que menos gostam. Na disciplina de Educação Física, no que diz respeito às modalidades que sentem mais dificuldades, a Ginástica é a que lidera com sete alunos. De seguida, está o Futebol com cinco alunos a incluir a modalidade na mais difícil. Depois segue o Atletismo com 2% da turma. Por fim, está o Andebol, o Badminton e o Basquetebol, a Dança e o Voleibol. Os alunos Patrícia Ramalho, Francisco, Gonçalo Rodrigues, Inês Rocha, Joana Rocha não sentem dificuldades em nenhuma modalidade. 34 10% 7% 2% 7% 2% 7% 8% 18% 10% 8% 13% 3% 5% Basquetebol Ginástica Dança Futebol Atletismo Badminton Andebol Ginástica Atletismo Basquetebol Futebol Voleibol Dança
Conclusão Em suma, da presente caraterização da turma F do 9º ano foi possível reunir um conjunto de informações que, certamente, se revelaram fundamentais ao longo do ano letivo, para melhor perceber e conhecer os meus alunos e os seus comportamentos, as suas motivações e interesses, bem como os seus receios, preocupações e motivação para as aulas de Educação Física. As conclusões foram tiradas anteriormente em cada seção da ficha individual do aluno. Recorri muitas vezes a estas fichas quando estava em dúvida na numeração das aulas a colocar nas UT’s das modalidades, e optei, algumas vezes, por dar mais aulas às modalidades preferidas dos alunos. Este procedimento só foi possível quando articulado com a disponibilidade de espaços, visto que teria de ter sempre em consideração o Roulement. Sendo assim, o que importa salientar é que este documento é de extrema importância, pois possibilitou-me organizar melhor as minhas aulas e ponderar bem as minhas atitudes e metodologias, em função das caraterísticas dos meus alunos, em consonância com as avaliações diagnósticas realizadas a cada modalidade. 35
4- REALIZAÇÃO DA PRÁTICA PROFISSIONAL
Em jeito de conclusão, nas UT’s os conteúdos propostos para a abordagem da modalidade revelaram-se acessíveis para os alunos, no entanto e devido à escassez do tempo, tive de reajustar algumas aulas e, por consequência, alguns conteúdos que tiveram de ser abordados em menor número de aulas. E este foi mesmo um problema encontrado: poucas aulas para abordar tantas modalidades ao mesmo tempo e tendo ainda um fator do tempo contra mim que me condicionou bastantes aulas no exterior de Futebol. Visto que a questão dos espaços não pode ser alterado, pois cada campo tanto exterior como no Pavilhão Desportivo está sempre ocupado, o que poderia ser alterado era o Conteúdo Programático. Na minha opinião, seria diminuir na quantidade para melhorar na qualidade, isto é, lecionar menos modalidades para assim, existir mais produtividade. Dou o exemplo na modalidade de Futebol onde apenas leccionei sete aulas, sendo que uma foi AD e outra AS e duas de 45 minutos. Não houve praticamente evolução nos meus alunos, principalmente nas raparigas, que precisavam de mais tempo para se adaptarem a alguns gestos táticos. A próxima fase centrou-se na realização do plano de aula. Para Olímpio Bento (1998), o plano de aula é a ponte que liga o pensamento e a acção do professor. O plano de aula deve: potenciar bastante tempo de empenhamento motor, estimular os alunos para uma atitude de cooperação, fomentar um clima positivo e comtemplar os objetivos essenciais. Inicialmente, senti muitas dificuldades em elaborar um plano de aulas, as ideias eram tantas mas tão desorganizadas que não conseguia transpor para o papel o desejado, como por exemplo, qual a terminologia correta e os critérios de êxito. Mas, com o avançar das aulas e com as correcções que eram feitas pelo PC e pela PO aquando a sua visita, esses problemas iniciais foram desaparecendo, conseguindo tornar o plano de aula progressivamente mais simples, objetivo e de fácil leitura. Sempre tive muito cuidado na realização dos planos de aula, tentando sempre elaborá-los com calma e com tempo e tendo em conta a UT da modalidade em questão, pois são um ponto essencial no processo de ensino e aprendizagem pela sua função de ligação entre a teoria e a prática. Tal Para concluir, durante todo o meu planeamento, ou seja, na elaboração do PA, UT e planos de aula sempre tive em consideração o que me foi transmitido no ano passado nas Didáticas Específicas em consonância com as correções do PC. 44
No início do ano, a experiência era apenas de treino e, por isso, senti bastantes dificuldades na elaboração destes documentos, na medida em que no treino não necessito de uma elaboração tão aprofundada dos exercícios que vou dar às minhas atletas, a maior parte são da minha experiência. No entanto, com o passar do tempo e com a ajuda do professor José Carlos e da professora Paula Silva fui ficando mais à vontade nesta área, percebendo a importância que estes documentos têm na formação dos alunos. “Uma melhor qualidade de ensino pressupõe um nível mais elevado do seu planeamento e preparação.” (Bento, 2006, p.16). 4.1.3- Realização “Grandes realizações são possíveis quando se dá importância aos pequenos começos.” Lao-Tsé A etapa da realização é uma transposição da teoria para a prática e, por vezes, não é simples essa passagem pois o que foi planeado anteriormente pode ter de ser alterado. O professor deve ser capaz de antecipar situações de ajustamento e ter a capacidade de improvisar. Inicialmente, eu tinha bastante receio e dificuldade em me adaptar a situações de ajustamento e a situações de indisciplina, ficava muito nervosa e isso refletia-se na prática. No entanto, fui evoluindo ao longo do ano durante a minha prática e isso deveu-se ao fato de eu querer saber sempre onde errei para poder aprender com os erros. A reflexão assídua sempre depois das aulas também me ajudou a progredir e as opiniões dos restantes colegas de estágio e do professor cooperante ajudaram-me a perceber certas situações que na aula não é possível eu detetar. Para Bento, “A reflexão posterior sobre a aula constitui a base para um reajustamento na planificação das próximas aulas…” (pág. 188). Inicialmente, como não conseguia controlar a turma, as seguintes passagens das minhas reflexões retratam a minha evolução ao longo do ano letivo relativamente ao controlo da turma: “Sinto ainda que me falta um pouco de confiança ao lidar com os alunos, porque sei que esta turma é uma turma perturbadora e hoje senti que fujo um pouco dos alunos que não querem saber disto.” (Reflexão da aula nº6). 45
“Penso que já consigo adaptar-me às condições do espaço de aula, ou seja, consigo desligar-me um pouco do plano de aula e ajustar a minha aula à realidade. Isso verificou-se hoje, pois consegui, sem dificuldade alterar tudo o que estava previsto.” (Reflexão da aula nº 55). Tive de criar estratégias para criar um bom ambiente de trabalho na aula, como por exemplo, o trabalho por estações, que foi realizado não só na modalidade de Ginástica como também na modalidade de Atletismo delegando um aluno como responsável por cada estação (capitão/ã), permitindo assim uma colocação que me permitia ter uma visão global da turma e, na altura de emitir algum feedback, não fosse necessário parar o resto da turma, evitando assim a perda de tempo e criação de momentos onde os alunos pudessem originar situações desconfortáveis para a aula. A emissão de feedbacks positivos para os alunos fez com que eles se sentissem mais motivados para as atividades da aula e isto passou também por ser uma estratégia para colmatar o desinteresse e o mau comportamento. Tal como refere Amado (2005), a dimensão afectiva, apesar de compreender uma vasta e complexa área de comportamento humano, está fortemente associada à capacidade de conseguir fazer com que os alunos participem nas atividades, onde o incentivo, o elogio, o clima da aula, assumem-se como comportamentos cruciais para o sucesso da relação pedagógica professora-aluno. Outra estratégia que utilizei para os alunos dispensados foi a realização de fichas formativas para os manter dentro de uma tarefa e a atribuição de funções de arrumar o material utilizado na aula assim como de auxiliar os colegas durante a aula, por exemplo, no Salto em Altura, quando um aluno saltava, tinham a função de juntar os colchões para o próximo salto. Com estas estratégias implementadas nas aulas que foram do domínio da gestão e da instruçãoconfirmando a perspectiva ecológica nos sistemas implicados numa aula de EF: gestão, clima, instrução e disciplina, consegui controlar a turma e os alunos mantiveram-se muito mais tempo em empenhamento motor, as transições eram muito mais curtas e também ajudou a manter os alunos sempre em atividade. Consegui assim combater algumas situações de indisciplina, através das estratégias utilizadas nas minhas aulas, o que fez com que a minha atuação também fosse melhorando aos poucos, não só através das estratégias utilizadas mas também através das opiniões do professor José Carlos. 46
A minha instrução, a postura também elas sofreram alterações positivas pois tendo a turma sob controlo consegui explicar aos alunos com maior facilidade o que pretendia. Tentei sempre ser o mais sucinta possível para manter os alunos atentos e concentrados, recorri muitas vezes também à demonstração, porque mais que palavras, as ações costumam ficar mais tempo na memória. Siedentop (1991) também refere que a instrução deve ser breve focada sobre aspetos essenciais, adotando o professor formas de comunicação que garantam a manutenção da atenção e a compreensão da matéria transmitida. O que eu aprendi na pouca experiência que obtive durantes estes 10 meses foi que apesar de existirem várias técnicas para dissipar problemas de indisciplina e controlo da turma, penso que o mais importante é transmitir a informação de forma simples e sucinta para uma melhor compreensão dos alunos, e tentando sempre utilizar palavras-chave, de maneira a evitar explicações extensas e mal entendidos acerca da informação dada e evitar também tempos longos de instrução. E esta opinião também é partilhada por Bento quando afirma que “Se pretendemos ensinar com eficácia, se queremos formar nos alunos conhecimentos e capacidades sólidas, (…) então temos que definir o essencial do ensino e concentrar nisso a nossa atividade e a dos alunos!” Um exemplo da utilização de palavras-chave nas minhas aulas foi na abordagem do Lançamento do Peso, onde procurei uma solução os alunos perceberem que não podiam agarrar totalmente o peso. Assim sendo, em todas as aulas dizia-lhes: “Mão limpa, dedos sujos!”, ajudando os alunos a executarem o movimento com correção. 4.1.4- Avaliação “Professores do meu coração, usem a avaliação como forma de avaliar! Não como uma forma de, apenas, dar nota. A avaliação é o meio que vocês, como educadores, têm de saber se o que estão ensinando está sendo assimilado pelo aluno; e não uma forma de mostrar superioridade e exigir seres perfeitos.” Andreza Filizzola (n.d.) Figura 1- Planificação, realização, análise e avaliação do ensino. 47
A avaliação é uma das tarefas fundamentais na atividade do professor, é um sistema bastante complexo que requer uma certa experiência e é considerada por muitos professores uma das tarefas mais difíceis de desempenhar. Ter de atribuir uma nota a cada aluno não é fácil e é por esta razão, que a avaliação deve ser um processo demorado e bem pensado para que não haja situações de injustiças. É através da avaliação que é possível recolher toda a informação relativa ao comportamento dos alunos e organizar o processo de ensino e de aprendizagem de forma coerente e tendo em conta os objetivos traçados inicialmente. Para realizar este processo, realizei uma avaliação composta por três momentos distintos: a AD, a AF e a AS. Na AD que foi realizada na primeira aula de cada UT, verifiquei se os alunos tinham os pré requisitos necessários para esse novo ciclo de formação. Foi sem dúvida, uma avaliação fundamental para a fase das decisões do planeamento, que me possibilitou uma estruturação adequada dos conteúdos evidenciados como sendo aqueles que devem ser desenvolvidos nas aulas tendo em conta as características e especificidades encontradas na turma. No início do ano, o meu PC deu-me a liberdade de escolher entre avaliar diagnosticamente os alunos no início de cada UT ou avaliar todas as modalidades previstas no PA logo no início do ano. Optei pelo segundo método de forma a adequar as UT o mais cedo possível às características dos alunos, assim como possibilitar, através de uma estruturação cuidada, o transfer de habilidade motoras e cognitivas em modalidades que podem ocorrer no mesmo espaço temporal. Todo o processo se baseou na AD realizada, que prognosticou os conteúdos em função dos alunos e, então, a AF partilhou da mesma filosofia, ou seja, adequar os conteúdos propostos de acordo com as respostas evidenciadas pelos alunos relativamente às aprendizagens realizadas. Esta avaliação foi feita informalmente ao longo de cada UT através da observação e reflexão que fui fazendo ao longo da mesma. Acabou por ser um ponto central de todo o processo pois deu para balizar o grau atingido pelos alunos, revelando se existiu ou não dificuldades, ajudando a perceber se os alunos corresponderam de forma mais positiva ou menos positiva aos exercícios. 48
Chegando ao fim da UT realizou-se a AS que teve como finalidade avaliar, quer a evolução dos alunos após todo o processo de ensino e aprendizagem, quer o próprio processo em si. Esta avaliação tornou-se menos preponderante, porque todo o processo de ensino centrado na avaliação formativa eram os pilares basilares pelos quais suportava todo o meu juízo avaliativo acerca de cada aluno. Esta aula foi parecida com as restantes aulas e teve em conta aquilo que foi desenvolvido durante as mesmas, ou seja, através de formas jogadas, apenas com a diferença de esta ter um carácter avaliativo. No fundo, a AS teve como objetivo um momento de verificação e certeza de alguns aspetos que tinha observado durante as aulas. Para mim, este foi o momento mais complicado de todo este processo, não é fácil atribuir uma classificação do desempenho dos alunos. Em contrapartida, foi bem mais simples avaliar os alunos no “Saber”, através do teste escrito, pois este é um instrumento que me deu um valor exato acerca dos conhecimentos dos alunos nas modalidades abordadas. Como jeito de conclusão deste capítulo da Área 1- Organização e Gestão do Ensino e Aprendizagem, apresento de seguida outras dificuldades que foram surgindo nesta área (Figura 2). Figura 2- Outras dificuldades deparadas no desenvolvimento da Área 1: Organização e Gestão do Ensino e Aprendizagem. 49 Conceção Planeamento Realização Avaliação - Adaptação do Programa da escola com o roulement da mesma. - Pesquisa e elaboração de exercícios adequados aos vários níveis de desempenho. - Observação dos colegas estagiários; - Avaliação dos colegas de estágio.
A par das dificuldades que senti ao nível da elaboração dos documentos referidos anteriormente, senti ainda outras dificuldades no que diz respeito à conceção, planeamento, realização e avaliação. Relativamente à conceção, tive muita dificuldade na elaboração do PA, ou seja, de articular o roulement da escola com as modalidades que teria de lecionar durante o ano letivo. Foi uma tarefa que me ocupou muito tempo, pois tive de ter em conta o número de aulas no Pavilhão Desportivo e no Exterior, bem como o número de aulas a lecionar para cada modalidade, tendo em conta estes dois espaços, visto que há modalidades cujas aulas não podem decorrer fora do Pavilhão. No que diz respeito ao planeamento, aquando da realização dos planos de aula, senti imensas dificuldades em escolher os melhores exercícios para trabalhar um certo conteúdo técnico. Inicialmente, tentei procurar livros e documentação onde conseguisse retirar ideias para realizar exercícios e, os livros disponibilizados para os professores ajudaram-me bastante neste campo. Com o tempo, fui aprendendo a modificar os exercícios que tinha e a observação das aulas dos meus colegas e do meu PC também me ajudou a tirar ideias para posteriormente criar exercícios para as minhas aulas. Quanto à realização, para além das dificuldades sentidas ao nível das questões de ajustamento, do controlo da turma e da emissão dos feedbacks assertivos, tive também mais um obstáculo para ultrapassar: a observação dos meus colegas estagiários. Relativamente à observação, e principalmente na primeira que tinha como objetivo principal ganhar a confiança e estabelecer o controlo da turma, eu tive muita dificuldade em detetar erros nas atuações dos meus colegas. Lembro-me que na primeira observação realizada achei que o estudante-estagiário fez tudo corretamente, e só depois na reunião, é que percebi que realmente havia muitos aspetos que poderiam ter sido melhorados e até mesmo evitados. Por último, no que diz respeito à avaliação, tal como afirma Eddie (2004), toda a ação humana que não sofre avaliação não tem sentido de existir. E realmente neste ano em todos os meus momentos de professora esteve presente o ato de avaliar. 50
Fui avaliada e avaliei, não é uma tarefa fácil, no entanto, é uma tarefa impossível de omitir, na medida em que contribui para a minha evolução. Como por exemplo, através da avaliação intermédia realizada pelo meu PC, tentei melhorar os aspetos que me estavam a impedir de progredir na prática e, sem esta avaliação, eu não me teria apercebido que certos aspetos me estavam a prejudicar. Na reta final, foi complicado atribuir uma nota aos meus colegas de estágio e, sinceramente, não concordei com o regime adotado para a avaliação final. A meu ver, não é justo avaliar uma pessoa onde não tive conhecimento do seu trabalho, tive apenas a oportunidade de observar 9 aulas de 95 ao longo do ano letivo. Foi uma tarefa desnecessária e um pouco cruel que nos foi submetida, que acabou por ser injusta, pois tive de responder a parâmetros relativamente ao trabalho dos meus colegas dos quais eu não sabia, como por exemplo saber se realizava toda a documentação pedida na etapa do planeamento. Tinha uma noção do trabalho feito por eles por causa das observações que o Professor José Carlos fazia nas reuniões, mas não era o necessário para os avaliar quantitativamente de 0 a 20. 4.1.5- O problema da indisciplina “A indisciplina é a principal fonte de preocupação, a principal causa de stress dos professores em início de carreira, e uma das maiores causas de abandono prematura da profissão.” (Amândio dos Santos Graça, 2002, p.15). As aulas de Educação Física têm características diferentes das restantes aulas, pela razão óbvia dos espaços que faz com que o envolvimento seja menos estruturado e mais aberto. Apesar de o meu PC me ter acautelado sobre o comportamento global da turma, no primeiro dia de aulas o impacto foi enorme porque realmente estava perante um problema a resolver: a indisciplina. “A preocupação prioritária da maioria dos professores sem experiência centrase nos problemas disciplinares.” (Oliveira, 2004. p.61). No início e devido também à minha personalidade, tentava resolver esse problema através de castigo mas sem efeito, pois os alunos ficavam ainda mais irritados. Tentei adotar assim, uma atitude mais preventiva do que remediativa para não ter situações de mau comportamento, criando estratégias para manter os alunos em tarefa ou atividade que produzissem um alto nível de sucesso. 51
Comecei a perceber que as aulas corriam melhor quando os exercícios e até mesmo a modalidade eram do agrado deles, pois os alunos ouviam com atenção e demonstravam vontade de participar o quanto antes. Good & Brophy (1994) defendem que “os problemas de disciplina são minimizados quando os alunos estão regularmente envolvidos em atividades ligadas aos seus interesses e aptidões.” (Oliveira, 2004, p.82). Por outro lado, quando eu explicava atividades muito analíticas, pouco competitivas ou arriscadas para os alunos, estes apresentavam comportamentos de desinteresse, de luta com os colegas, morosidade, originando comportamentos negativos na aula. Para além de tentar criar tarefas motivadoras e competitivas para os alunos, tive também de criar rotinas organizativas no início de cada UD e reajustar a minha atitude em relação aos alunos. Aliás, penso que se talvez tivesse começado o ano mais rígida que não teria os problemas que tive. Modifiquei e progredi bastante na minha maneira de atuar ao longo das minhas aulas, principalmente quando não os conseguia controlar, em vez de gritar, passei a calar-me e eles percebiam que tinham de se acalmar. Notei uma evolução muito grande nas aulas de Ginástica pois separei os alunos que juntos perturbavam o bom ambiente da aula. A par disto, fiz equipas para serem distribuídas pelas respetivas estações e estes alunos foram todos separados e coloquei como capitão de cada equipa os alunos mais empenhados e com um grande à vontade na Ginástica. Esta estratégia de prevenção resultou bastante bem porque os capitães não permitiam que os alunos mal comportados perturbassem o bom ambiente da equipa, pois sabiam que no final da aula a melhor equipa receberia o bónus da “Equipa mais Empenhada” (incluído na Avaliação Final de Ginástica). Além disto, pelo fato de as aulas estarem organizadas por estações e supervisionados fez com que os alunos se mantivessem a maior parte do tempo em empenhamento e sem oportunidade de se dispersarem do espaço da aula, contribuindo para diminuir comportamentos disruptivos. Por último, outra estratégia utilizada foi a de chamar o aluno mal comportado, tentar explicar qual a regra que foi quebrada e questionar-lhe o porquê da sua má atuação, deixando o resto da turma em actividade. Graham (1992, p. 69) defende também que “no momento em que o mau comportamento surge, deve-se ser discreto, chamar o aluno e ter uma breve explicação relativamente àquilo que o aluno deve fazer.” 52
Senti que fui controlando a turma e ganhando a confiança deles depois de ter posto em prática todas estas estratégias. Nos alunos que optei por conversar com eles em privado, surtiu evoluções nos seus comportamentos e passaram a fazer parte dos alunos que voluntariamente se disponibilizavam para arrumar o material da aula. Tal como refere Veiga (1999), é importante que os professores levem os seus alunos a responder pelos seus atos, pois é desta forma que eles poderão aprender a tornar-se pessoas responsáveis. Os alunos passaram a respeitar-me mais e a perceber qual o momento para brincar e para trabalhar e as aulas, progressivamente, foram correndo melhor. 4.1.5.1- A observação: um ato indispensável para a minha evolução “As grandes ideias surgem da observação dos pequenos detalhes.” Augusto Cury (n.d.) A minha prática pedagógica foi marcada por três momentos de observação distintos. Inicialmente, achava que não tinha interesse nenhum observar as aulas dos meus colegas e, tinha muita dificuldade em analisar os seus comportamentos. No entanto, a observação foi uma ferramenta essencial para um melhor entendimento da minha prática e a dos meus colegas, que me ajudou a melhorar os meus métodos de trabalho. De acordo com Alarcão (1996), a observação das aulas é o ponto de partida para o bom desenvolvimento do professor, para que através da compreensão das actuações de outros professores, consiga melhorar o seu processo de ensino e aprendizagem. A uma certa altura, comecei a encarar esta tarefa obrigatória com gosto e tentei assistir ao maior número de aulas possível dos meus colegas, mais do que me foram pedidas, com vista a melhorar o meu modo de agir com os meus alunos. Ao mesmo tempo que foram feitas as observações, foram feitas reuniões semanais com o objetivo de debater o que foi observado por cada um, acabando por ser um momento de enriquecimento pois através do diálogo realizado entre o núcleo tínhamos a perceção de quem nos observou, que muitas vezes, era diferente da minha. 53
Como aspetos positivos, é de realçar o número elevado de participantes no torneio e o entusiasmo com que participaram no mesmo. Falo dos alunos que jogaram, e também dos alunos que se dispuseram para fazer de Mesa, de árbitro, pois nunca em nenhum jogo faltavam pessoas para esses cargos. Também os prémios tiveram um aspeto postivo. Eu sinceramente, pensava que os alunos com o Diploma o iam deitar ao lixo mal saíssem do pavilhão. Mas não. Houve alunos que por falha nossa, esquecemo-nos de entregar o Diploma de 2º lugar e 3º lugar e eles vieram à minha beira, perguntar se também tinha direito a um diploma. Mostrou que afinal é mais que um papel! Em contrapartida, no final restaram bastantes diplomas e prémios de 1º lugar, o que mostra que nem todos os prémios foram entregues às respetivas equipas. Neste aspeto houve falta de organização pois, na minha opinião, os alunos deveriam ter esperado até ao fim do torneio e aí recebiam todos os prémios ao mesmo tempo. Relativamente, à minha prestação, procurei desempenhar da forma mais responsável e eficientemente o meu papel para que tudo corresse da melhor maneira. Fui procurando cumprir todas as funções que a mim foram incumbidas, perguntando ao Nuno Costa e Rui Borges (que ficaram encarregues do Quadro de Jogos) as equipas que iam jogar e em que campo, e de seguida, ia chamar as equipas e conduzia-as aos respetivos campos. Ajudei também nos alunos que tinham a função de àrbitro, pois estava a observar bastantes erros na arbitragem. Tentava explicar as regras, quando era falta, etc. senti-me constantemente questionada se tudo estava a correr bem e sem problemas de organização e de gestão. Na minha opinião, o Torneio Street Basket correu bem e alcançou todas as nossas expectativas, óbvio com bastantes imprevistos mas com a ajuda do restantes professores de Educação Física, conseguimos dar a volta e fazer com que o Torneio tivesse sido um sucesso. 60
4.2.2.2- Corta Mato Escolar O corta mato escolar é uma atividade habitual na escola que conta com a presença não só do Grupo de Educação Física, como funcionários, patrocinadores e alunos para que esta atividade corra bem. Mas aqui, a presença dos dois Núcleos de Estágio era obrigatória e de carácter avaliativo, esta foi a segunda atividade extra curricular onde participei. Esta atividade começou a ser preparada nos inícios de Novembro com a ajuda do professor Serafim Gadelho que nos disponibilizou alguns contatos de possíveis patrocinadores. Na época pré corta mato, cada estudante estagiário ficou com uma tarefa e a minha foi a procura de patrocínios e fornecedores para o nosso evento. E esta foi a nossa maior preocupação, tínhamos em mãos uma grande responsabilidade, pois sem eles não poderíamos garantir o sucesso desta atividade. Foi uma tarefa bem concedida, os telefonemas feitos, os email’s e cartas enviadas valeram a pena pois nada faltou neste dia do atletismo. Durante o Corta Mato fiquei responsável por fornecer aos alunos os respetivos dorsais e, posteriormente, afixar os resultados da prova. Claro que no dia, não se faz só a tarefa a que nos é proposta. Acabamos sempre por ajudar e contribuir em alguma tarefa que esteja mais atrasada ou com menos gente. Dei também uma mãozinha nos lanches dos miúdos, ajudando a colocar os chapéus nos sacos e a encher sumo para os copos. Chegando ao início da prova, tive de me dirigir ao meu local previamente definido e dar aos alunos os seus dorsais. Não tenho nenhuma falha a apontar, estavam todos os alunos nos papéis fornecidos pelo professor Serafim. Um aspeto que a meu ver, se deve evitar em provas futuras é que, os professores devem evitar “obrigar” os seus alunos a participarem e a inscrevê-los sem o seu consentimento. Tive imensos alunos a dizerem que o colega “x” não apareceu porque o professor inscreveu a turma toda sem eles quererem. Acho que isto não está correto porque depois isso não irá ajudar na estatística e fazer com que os alunos que se inscreveram sejam mais que aqueles que participaram, mesmo por essa razão. 61
Fora isso, não tenho mais nada a pontar de negativo, foi uma atividade onde todos nos relacionamos de uma forma marcante com os restantes colegas, pois foi necessário nos unir para distribuir tarefas, reunir para debater opiniões. O estreitamento de relações com a comunidade é um aspeto essencial na nossa formação como futuros professores de Educação Física, que se comprometem com o desenvolvimento de ações onde o enriquecimento dos alunos é visto como aspeto primordial. Para a realização da atividade contamos com a colaboração de vários docentes como já disse anteriormente e funcionários, que foram responsabilizados pelo desenvolvimento de uma tarefa. Tivemos o cuidado de informar, atempadamente, todos os responsáveis pelas funções a desempenhar, facultando-lhes parte do material a utilizar, o que fez com que no dia todos ou quase todos soubessem o que fazer. No entanto, com o decorrer da atividade, esta situação inverteu-se um bocado pois algumas pessoas não sabiam o que fazer, mas, esta situação foi facilmente ultrapassada. De uma forma geral, considero que a atividade cumpriu os propósitos estabelecidos, sendo notória a satisfação com que todos se envolveram e participaram nas diferentes tarefas, fato comprovado pelas avaliações que os diferentes intervenientes na atividade fizeram da mesma, principalmente o professor Serafim que na reunião que fizemos logo a seguir ao Corta-Mato se mostrou satisfeito com o nosso desempenho. Assim, vejo todo o meu esforço e labor recompensado e é com imenso agrado que constato que apesar de um pouco trabalhosa, esta foi uma atividade onde realmente se conseguiu que os alunos interagissem, havendo a tão ambicionada articulação entre alunos de diferentes escolas do Agrupamento de Escolas de Ermesinde, pois pudemos contar com a presença dos alunos da Escola António Ferreira Gomes. 62
4.2.2.3- Mega Sprint Este evento e a sua respetiva organização não fez parte das atividades que me foram incumbidas enquanto estudante-estagiária, no entanto, estive presente neste dia bem cedo para ajudar no que fosse preciso. Tal como as atividades realizadas anteriormente, como o Corta Mato, o Street Basket, torneios de futebol, o Mega Sprint também teve como objetivo principal promover o interesse e gosto pela atividade física. A par disto, esta atividade também promoveu o espirito de sacrifício, o convívio entre todos os membros da comunidade escolar e a seleção de alunos para representar a Escola Secundária de Ermesinde. Relativamente à organização do evento, tal como referi, o grupo de estagiários não ficou encarregue desta tarefa. Nós apenas estivemos presentes no dia para ajudar a organizar o espaço e ficar responsável por um posto. Eu fiquei encarregue de entregar os dorsais aos alunos participantes, bem como a afixação dos resultados. Enquanto entregava os dorsais, no final das provas, observei que muitos alunos não foram levantar o dorsal porque não apareceram ao evento. A participação de alguns escalões revelou-se abaixo do previsto. As principais justificações de alguns alunos para essas ausências foram os testes. Penso também que nestes escalões muitos alunos faltaram devido à falta de motivação. A conclusão que retiro é que não basta os alunos terem tempos para irem ao Mega Sprint, é necessário também que queiram participar de livre e espontânea vontade e não porque o seu professor o inscreveu. Penso que desta forma, as faltas seriam colmatadas e assim apenas os alunos que se mostrassem interessados em competir no Mega Sprint devem constar das listas. A participação nestas atividades da escola, faz com que eu aprenda a lidar com certos imprevistos, que vá adquirindo uma certa experiência em como funciona este tipo de organizações e acima de tudo, ajuda a melhorar a minha integração na escola. 63
4.2.3- O Diretor de Turma: muito mais que um docente A par da tarefa de ser professora, tive também como tarefa obrigatória do EP a de estar ligada ou ao Desporto Escolar ou à Direção de Turma. Eu gostaria de ter optado pela primeira opção visto que tenho a experiência do treino, no entanto tal não me foi possível por causa dos horários, eram sempre ao final do dia altura do dia em que eu dava treino no meu clube. Então, sem oportunidade de escolha, segui o trabalho do Diretor de Turma, tentando perceber qual a sua função e papel na escola, através do acompanhamento das reuniões de direção da turma onde dei aulas e de uma pesquisa aprofundada acerca desta temática. O vocábulo diretor (do latim ‛directore‘) é “aquele que dirige”, que guia, indivíduo que organiza uma tarefa ou orienta um conjunto de pessoas que trabalham juntas (Dicionário de Língua Portuguesa, 2004, p. 551). Parece que tal definição nos transporta para uma realidade empresarial e burocrática. A analogia agora estabelecida remete, realmente, para uma ideia de Escola como sendo um grande corpus, cuja funcionalidade só poderá ser assegurada através de uma gestão efetiva. Em termos gerais, podemos dizer que, sendo o professor o gestor do currículo, o Diretor de Turma é o responsável pela gestão da coordenação curricular, cabendo ao aluno o papel de regulador deste processo. Salienta-se a importância do aluno enquanto destinatário e agente principal deste processo. Contudo, parece certo que o Diretor de Turma não assume o papel ”daquele que dirige” mas o de um orientador, ou guia da turma. São os diretores de turma que orientam as atividades de apoio aos alunos e coordenam as atividades dos professores da turma, bem como estabelecem a ligação Escola – Família. Este amplo leque de atribuições dos diretores de turma, presente nos normativos regulamentares do funcionamento dos Conselhos Pedagógicos e seus órgãos e estruturas de apoio, fazem da turma uma “unidade nuclear do processo de ensino, estrutura elementar de onde tudo deve partir e para onde tudo deve irradiar” (Lima, 1986). 64
Ao Diretor de Turma compete favorecer a articulação entre os professores, alunos, pais e encarregados de educação, buscando promover o trabalho cooperativo, especificamente entre professores e alunos no sentido de adequar estratégias e métodos de trabalho, com caráter curricular e avaliativo, além de compreender as especificidades de cada aluno. Esta modalidade administrativa e pedagógica estabelece uma relação entre professor, turma, aluno, encarregado de educação e direção da escola. O Diretor de Turma tem, neste sentido, um papel de mediador entre a docência e a gestão, pois se, por um lado coordena um grupo de professores, por outro tem implicações diretas na gestão escolar, sobretudo a pedagógica. Este agente é capaz de mediar três situações importantes nas relações do âmbito escolar, tais como: docência e gestão; escola e família; professor e aluno. O Diretor de Turma é diretor dos alunos e não dos professores, serve como mediador adequado quando surgem conflitos e é o “pulso forte” para repor o equilíbrio perdido. No que concerne ao elo entre a escola e a família, como segundo segmento, o Diretor de Turma mostra-se também como mediador fundamental no sentido de orientar os pais no acompanhamento da vida escolar dos seus filhos e, envolvendo-os na realização de atividades educativas com os alunos e os professores da turma no âmbito escolar ou de outros contextos de aprendizagem. Deve também propor atividades e ações com os encarregados de educação com o intuito de manter uma relação entre a família e a escola. Isso possibilita encontrar estratégias específicas que aproximem e envolvam os pais, tornando-os elementos participativos, ativos e mais atentos ao meio escolar no sentido de encontrarem, juntos, soluções mais adequadas para os problemas que se apresentarem. No sentido de otimizar o diálogo com a família, o Diretor de Turma, no início e final de cada período letivo, procura fazer reuniões devidamente preparadas no sentido de manter os Encarregados de Educação sempre informados e atualizados, mantendo uma boa comunicação e uma boa relação privilegiando uma atitude positiva durante o ano letivo. No entanto, o Diretor de Turma no quadro do ensino das escolas portuguesas tem um papel muitas vezes ingrato pois existem dificuldades na comunicação, no relacionamento e sobretudo no desenvolvimento de estratégias de cooperação entre a escola e a família. 65
A relação entre pais e professores tem sido, diversas vezes, pautadas por conflitos de interesses, causando constrangimentos a nível relacional, o que prejudica a aprendizagem e desenvolvimento do aluno e deste modo, o diretor de turma incorpora um conjunto de vertentes fundamentais para atuação entre esses diversos interlocutores. A escola tem responsabilidades na aproximação e na abertura às famílias e essa aproximação poderá ser feita por um dos professores da turma que, para além de lecionar a sua área específica, terá também o cargo de Diretor de Turma promovendo um clima favorável à aprendizagem e um conhecimento aprofundado e sistematizado das famílias dos alunos. Nas Escolas Portuguesas a partir do 5º ano de escolaridade – 2º Ciclo, cada turma (com cerca de 20 a 30 alunos) tem um professor por disciplina e ainda o Diretor de Turma, que exerce simultaneamente esse cargo, com a disciplina da sua área específica. É também da sua responsabilidade uma área curricular não disciplinar para a qual tem semanalmente 45 minutos com a sua turma, inserida no horário do aluno e avaliada qualitativamente chamada Formação Cívica ou Educação para a Cidadania. Este é um espaço privilegiado para o desenvolvimento da educação para a cidadania, visando o desenvolvimento da consciência cívica dos alunos como elemento fundamental no processo de formação de cidadãos responsáveis, críticos, ativos e intervenientes, com recurso, nomeadamente, ao intercâmbio de experiências vividas pelos alunos e à sua participação, individual e coletiva, na vida da turma, da escola e da comunidade. Desta forma, trata-se de um espaço de diálogo e de reflexão sobre as experiências vividas pelos alunos, as suas preocupações quotidianas, bem como sobre temas e problemas resultantes da atualidade. Promover o autoconhecimento do aluno como individuo, estimular a participação do jovem na vida social, motivar o aluno para a tomada de consciência dos problemas que afetam a humanidade, são objetivos a desenvolver numa primeira fase, dada a alteração, cada vez mais evidente, nos valores dos modelos culturais e sociais. 66
A função de Diretor de Turma agrega um conjunto de vertentes de atuação correspondendo aos seus diversos interlocutores: alunos, professores, encarregados de educação e comunidade escolar. A atuação do Diretor de Turma junto aos alunos e pais tende, na prática mais comum, a prevalecer sobre a ação junto aos professores que é, contudo, uma dimensão determinante deste cargo, que não pode, aliás, ser dissociada das restantes. Ele tem uma particular relevância na mudança dos alunos do 1º ciclo para o 2º ciclo, em que os alunos passam de um único professor, para uma diversidade de disciplinas, professores e ambientes que lhe são peculiarmente estranhos. A integração destes alunos em um cenário diversificado daquele que estavam acostumados fica por conta da gestão e coordenação do Diretor de Turma, constituindo-se em uma atribuição de importância primordial. O Diretor de Turma desempenha, junto aos docentes da turma, uma função de coordenação – das atuações de cada um deles no âmbito da respetiva área de docência – e de articulação/mediação entre essa ação dos professores e os restantes atores envolvidos no processo educativo: os alunos e os encarregados de educação. Finalmente, é possível dizer que é, por um lado, um docente que coordena um grupo de docentes e é, simultaneamente, um elemento do sistema de gestão da escola a quem cabem responsabilidades de caráter global do conselho de turma a que preside. Por tudo isso, o Diretor de Turma é muito mais que um docente e deve ter um perfil adequado a esse cargo e vivê-lo com a intensidade e responsabilidade que lhe é inerente, pois ser professor, mais do que uma profissão, é, também, uma vocação e uma missão. 67
4.3. Área 4- Desenvolvimento Profissional Esta área representa a organização de todas as actividades realizadas para a construção da minha formação profissional. Logo após o início do ano letivo, tive reuniões de abertura ao Estágio Profissional e a primeira tarefa que foi proposta foi a realização do PFI. Este documento representou o esquema inicial do RE, sendo um documento único e pessoal onde esteve presente os meus conhecimentos, as minhas capacidades e dificuldades sentidas perante os desafios que me foram colocados no EP. A elaboração deste documento foi muito importante porque permitiu-me um enquadramento teórico-prático com os objetivos do EP, as metas a atingir e organizar melhor as ideias que, no início, estavam tão fora do lugar. 4.3.1- PFI A elaboração deste documento foi, sem dúvida, muito gratificante para a minha integração no EP. Admito que inicialmente, achei este documento pouco desnecessária, na medida em que tinha de passar para o papel assuntos dos quais ainda não tinha vivido e problemas que achava que eventualmente me poderiam surgir. Foi difícil para mim redigir o PFI, visto que nunca tinha passado pela experiência de ser professora. Mas, mais tarde e após o início do ano letivo, este documento que eu achava desnecessário, tornou-se como um mapa naquele local (escola) onde me sentia perdida. No PFI coloquei todos os conhecimentos, capacidades, dificuldades sentidas perante os desafios que me foram colocados no EP, tratando assim, de algo pessoal e único. Foi uma maneira de fazer uma introspeção e perceber quais os pontos em que necessitei de evoluir, tendo em consideração o meu percurso académico, social, cultural e, eventualmente, desportivo. Foi bastante enriquecedor, na medida em que me ajudou a colocar em ordem algumas ideias e me ajudou a definir alguns objetivos que tive de cumprir neste ano de EP. 68
5. CONCLUSÃO
O presente documento foi realizado no âmbito do Estágio Profissional (EP), inserido no plano de estudos no 2º ano do 2º ciclo em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. O projeto de estudo faz parte da documentação que me foi pedida e tem como objetivo recorrer à investigação como forma de entender e informar a prática que está a ser objeto de investigação. O tema que escolhi para o estudo está intitulado: “A indisciplina nas aulas de Educação Física, um estudo em alunos do 9º ano de escolaridade”. A minha escolha teve como principais fundamentos o fato de a minha turma ser caracterizada pelo mau comportamento e também pelo fato de a indisciplina ser um fator de bastante preocupação e a principal causa de stress para a grande maioria dos professores em início de carreira e, o mais preocupante ser uma das causas do abandono da profissão docente. Com este estudo pretendo perceber quais são as perceções que os alunos têm acerca dos seus comportamentos nas aulas de Educação Física, bem como perceber de que forma o professor lida com situações de alunos com comportamentos motores inapropriados e disruptivos. Pretendo também identificar os comportamentos inadequados dos alunos na aula; tentar entender quais são as causas para esse tipo de comportamentos através da análise dos dados das entrevistas; averiguar quais as consequências que esses comportamentos têm para os alunos bem comportados através da análise das respostas dessas alunas à entrevista; tentar perceber as reações do professor a esses comportamentos inapropriados pela observação das suas aulas e, se for necessário, questioná-lo acerca de como resolve uma situação de indisciplina. Assim, o presente estudo aspira melhorar os comportamentos dos alunos nas aulas de Educação Física. Esta melhoria é definida em termos relativos e tem um caráter normativo, pois pressupõe um “ideal” em comparação ao qual a situação real deveria ser transformada e supõe a diferença entre o que é e o que desejamos que seja. A pesquisa que realizei acerca deste tema, fez-me perceber que este é um bom tema para tratar neste que é o meu ano de estágio, visto que “A indisciplina é a principal fonte de preocupação, a principal causa de stress dos professores em início de carreira, e uma das causas maiores do abandono prematuro da profissão” (Amândio Graça, 2002, p.15). 77
O conceito de indisciplina é suscetível de múltiplas interpretações. A investigação afirma que a indisciplina é um sintoma de crise na relação pedagógica, que é por essência uma relação complexa, dinâmica, feita de ordem e de contradição. “Quando o aluno é indisciplinado, o professor deverá analisar as causas determinantes da sua conduta, para que, ao estabelecer as sanções, se for caso disso, não agrave a disciplina existente.” Brophy (1983;1986) e Doyle (1986). Em contrapartida, é importante que o professor adote uma atitude mais preventiva que remediativa, para evitar que comportamentos indesejados ocorram na sua aula. Neste caso, o professor deve procurar conhecer melhor os seus alunos e as suas motivações, bem como ser eficaz na sua atuação para prevenir a ocorrência de situação de indisciplina. E aqui entra o conceito de disciplina que tal como a indisciplina, tem inúmeras definições. Alonso (1988), afirma que a disciplina é o conjunto de medidas que o professor utiliza para conseguir a conduta ordenada dos alunos no trabalho e atividades escolares e o ajudam a desenvolver a responsabilidade, o autodomínio e autocontrolo pessoal, assim como os hábitos de participação, cooperação, convivência e solidariedade. Os professores de Educação Física inexperientes têm muitas dificuldades em controlar a turma, dada a natureza desta disciplina. A EF apresenta características que são únicas das quais: o tipo de recurso físicos (pavilhões e espaços exteriores), o contato físico e a componente competitiva de algumas modalidades. Todas estas características faz com que os alunos se sintam estimulados a comportamentos inadequados ou disruptivos. Face a esta realidade, o professor deve pensar atempadamente na organização da sua aula, na redução dos tempos de espera e de transição, aumentando assim o tempo de empenhamento motor, que irá permitir o aumento das oportunidade de aprendizagem dos alunos. Segundo Brito (1986), uma importante estratégia como forma de prevenir o aparecimento de comportamentos inapropriados é tornas as sessões e tarefas propostas agradáveis, recorrendo à diversificação, ao movimento e ao prazer, por forma a tornar o jovem mais ativo, como que distraído de possíveis comportamentos indisciplinados. 78
A gestão da sala de aula é definida por Arends (1995), como “o modo pelo qual o professor organiza e estrutura a sua aula, com os propósitos de maximizar a cooperação e o envolvimento dos alunos e de diminuir o comportamento disruptivo”. Para que haja uma gestão eficaz é necessário que o professor defina um sistema de trabalho adequado ao contexto, comunicar aos seus alunos as regras de funcionamento de uma forma sucinta e que elas percebam, dar feedbcks assertivos, colocar-se no espaço de forma a puder controlar a turma na totalidade e garantir o envolvimento ativo dos alunos na tarefa. Relativamente às causas de indisciplina, a literatura aponta-nos para diferentes razões centradas: - Na sociedade (maus exemplos dos adultos e estímulos negativos); - Nas estruturas da escola (espaços pequenos e inadequados ao número de alunos); - No professor (repetição de exercícios, insegurança, má organização); - No aluno (idade, maturidade, falta de interesse pelas tarefas, estruturação da personalidade, necessidade de se libertarem de tensões, a auto-afirmação). Segundo Mendes (1995), a maioria dos comportamentos de indisciplina nas aulas de Educação Física são mais usuais nos meninos do que nas meninas. E a literatura vai mais além quando Tavares (2004) refere que os rapazes são mais indisciplinados em situações de jogo, e nos desportos individuais pelo fato de não demonstrarem tanto interesse por essas atividades. Por outro lado, as raparigas apresentam mais comportamentos de indisciplina nos desportos coletivos. Posto isto, a análise dos comportamentos dos alunos, é importante que seja feita em função do género como construção social. Na aula de Educação Física, tanto meninos como meninas já se encontram socializados nos seus papéis de género. Já foram submetidos aos mais variados constrangimentos, que fizeram com que tenham assumido normas inconscientes que os limitam. Mesmo que se tente promover oportunidades iguais, toda a estrutura, desde o currículo à natureza competitiva dos desportos, tudo está preparado para favorecer o lado masculino do ser humano (Griffin, 1989). 79
Tal acontece porque a nossa sociedade é andocêntrica, considera o ser humano do sexo masculino referência válida para ambos os sexos. A visão andocêntrica do mundo não é exclusiva dos homenstodos nós, mulheres e homens, a apreendemos da nossa cultura. 80
6.2. JUSTIFICAÇÃO DO ESTUDO FACE AO CONTEXTO DE ESTÁGIO
“A indisciplina é a principal fonte de preocupação, a principal causa de stress, o principal dissipador de energia para a generalidade dos professores em início de carreira, e uma das causas maiores de abandono prematuro da profissão.” (Oliveira, 2002). Este foi o maior dilema que eu tive no início do ano. Estava perante uma turma com uma característica que me assustava e que tinha de a superar: a indisciplina. Primeiramente, não estava ciente deste problema, mesmo apesar de ter sido alertada pelo meu PC, só mesmo quando comecei a dar as aulas é que me apercebi que realmente tinha de criar estratégias para combater o problema. Visto que uma das tarefas da Prática Pedagógica era a realização de um Projeto de Investigação-Ação acerca de uma temática vivenciada na prática, achei que seria um bom tema para estudar e aprofundar. Foi então que surgiu a ideia de fazer um estudo acerca da indisciplina nas aulas de Educação Física, pretendendo analisar as perceções dos alunos acerca dos seus comportamentos, tendo por objetivo perceber o que os alunos pensam acerca do seu comportamento nas aulas de Educação Física. 83
6.3. METODOLOGIA
Relativamente ao conceito de indisciplina, a maioria dos alunos soube explicar o significado da palavra, ainda que, muitos deles, recorrendo a exemplos de situações de mau comportamento. “ (…) (…) É quebrar um conjunto de regras que são impostas por alguém.” (AF19). “ Indisciplina é quando temos regras e não as respeitamos!” (AM3). “Não respeitar o que a professora diz, dizer asneiras e estragar o material.” (AF11). “ Indisciplina? É quebrar as regras, agredir os colegas e berrar nas aulas.” (AM16). No que diz respeito à perceção que os alunos têm acerca dos comportamentos inadequados para a aula de EF, a maioria deles destacou a utilização de vocabulário inapropriado para o contexto de aula, não obedecer às regras impostas pela professora, não arrumar o material utilizado na aula, falar alto e agredir os colegas, utilizar o telemóvel durante a aula e pontapear as bolas. “Agredir colegas, não trazer o material para a aula, utilizar o telemóvel e não fazer o pedido.” (AM2). “ Não obedecer à professora... (…) Pontapear as bolas de voleibol.” (AM7) “ Não fazer o que a professora diz…Não arrumar o material, pontapear as bolas… Não sei mais. “ (AF15). “Dizer palavrões.” (AF4). Quanto à terceira questão que dizia respeito aos comportamentos inadequados que os alunos observaram mais frequentemente nas aulas de EF, os alunos fizeram destaque à utilização de palavras inapropriadas para a aula, não obedecer às ordens da professora, estragar o material disponível para a aula, falar alto e agredir os colegas durante o jogo. “ (…) Na aula de EF? (…) Dizer asneiras, acho.” (AM2). “ De não obedecer ás ordens da professora (risos).” (AM3). “ O que mais vejo? Depende… (…) (…) Acho que é dizer asneiras e falar alto.” (AF14). “ Insultar os colegas, estragar o material…” (AM13). 93
Na resposta à quarta pergunta, em alguns alunos surgiu alguma dificuldade em admitir que realmente faziam parte dos comportamentos que mencionaram anteriormente e então, surgiram risos e muitas pausas, seguido de um breve momento de retrospecção. Sete alunos responderam que não tinham comportamentos disruptivos na aula de EF e treze alunos responderam que sim, sendo que, destes treze alunos, sete alunos admitiram que dizem asneiras e são dirigidas ao insucesso obtido através da atividade, salientando que ficam aborrecidos por não conseguirem realizar com sucesso a tarefa imposta pela professora. Quatro alunos, responderam que os palavrões eram dirigidos aos colegas durante o exercício e dois alunos disseram que eram dirigidos à professora quando esta lhes chama a atenção. “Às vezes sim. Digo asneiras. Ao ar é mais quando falho algum lance ou alguma tarefa que a professora diga e eu não a tenha feito como queria.” (AM2). “Sim. Aos meus colegas.” (AF4). “ Sim. Às minhas colegas por não fazerem nada de jeito.” (AF9). “Sim, à professora quando manda vir.” (AM20). Quando colocada a quinta e última questão que dizia respeito às causas para esses maus comportamentos, apenas obtive a resposta de treze alunos, porque os outros sete alunos na pergunta anterior responderam que não apresentavam comportamentos de indisciplina. Posto isto, dos treze alunos, uma aluna não soube explicar porque teve esses comportamentos; cinco responderam que a causa para terem esses comportamentos era o nervosismo; quatro responderam que a causa é a falha em si, de não terem conseguido realizar a actividade proposta com sucesso; uma aluna disse que a causa é a má educação; outra aluna refere que a causa é não suportar que as suas colegas não consigam fazer o que a professora pede e, por último, um aluno responde que a causa para esses comportamentos é que não gosta que o chateiem. “ (…) (…) Não sei porquê… “ (AF12). “Nervos. (…) acho que é isso.” (AM10). “A falha em si. De não fazer o que queria.” (AM2). “Má educação.” (AF5). 94
6.5. DISCUSSÃO
Em relação ao conceito de indisciplina, podemos constatar que existe uma conformidade nas respostas dadas pelos entrevistados. A maioria respondeu que a indisciplina é o não cumprimento das regras impostas pelo professor, ainda que, muitos deles precisassem dos exemplos para explicar o conceito. Tal como refere (Oliveira, 2002), a indisciplina surge como uma negação ou violação de qualquer regra, norma e princípios ou padrões sociais, relacionando-se com a atividade consciente do indivíduo. Relativamente aos comportamentos que os alunos consideram como inadequados para a aula de EF, destacaram a falta de respeito perante a professora visto que muitas das vezes, não faziam o pedido e dão também realce à danificação do material e à agressão feitas aos colegas que, muitas das vezes, admitem ser na brincadeira mas que acaba por prejudicar o bom funcionamento da aula. Oliveira cit. por Cloes et al., agruparam as características dos incidentes de disciplina em dimensões: dimensão relativa à atividade física: não trazer o material adequado, abandono da atividade, desrespeito pelo material, perturbação do ambiente: dimensão em relação ao professor: conflitos relacionais, recusa da autoridade e dimensão em relação aos colegas: desrespeito, agressões físicas e verbais. Para os entrevistados, os incidentes mais observados dizem respeito à dimensão em relação aos colegas e à dimensão em relação ao professor, na medida em que o que observam mais durante a aula são agressões verbais durante o momento de jogo, ou seja, nos desportos colectivos e a recusa da autoridade, não obedecer às ordens da professora tornando necessário a professora recorrer a outros métodos. No que diz respeito às causas que levam estes alunos a terem comportamentos disruptivos na aula de EF, a perceção que eles têm dos seus maus comportamentos é que estes são devidos ao nervosismo. Tal como refere Oliveira (2002), as causas centradas nos alunos têm em conta, não só a idade e a maturidade dos alunos, como também e diversidade de problemas comuns a todos alunos indisciplinados: a sua falta de interesse pelas matérias, a necessidade que eles sentem de se libertarem de tensões e energias, factores como a instabilidade de humor, a hiperemotividade, o desejo de independência, a auto-afirmação, a estruturação da personalidade. 97
6.6. CONCLUSÃO
As principais conclusões que podem ser retiradas deste estudo são: - Os alunos sabem definir o conceito de indisciplina; - Os comportamentos considerados como comportamentos inadequados para a aula foram: as situações de falta de respeito ao professor, agredir os colegas, utilizar o telemóvel durante a aula, utilização de linguagem imprópria e danificar o material disponível para a aula de EF. - Os comportamentos inapropriados considerados mais frequentes foram: a linguagem imprópria e as conversas paralelas, que apesar de por vezes, não serem comportamentos graves, perturbam o bom funcionamento e clima da aula. - Os alunos mal comportados têm consciência e admitiram que apresentam alguns desses comportamentos disruptivos nas aulas de EF. A maior parte deles são dirigidos ao insucesso da atividade. - As causas que originam esses comportamentos foram, o nervosismo, a insatisfação de ter falhado na realização de algum exercício e a má educação. Em suma, podemos concluir que os momentos de indisciplina nas aulas de EF podem ser minimizados. A atuação do professor é muito importante neste combate à indisciplina, na medida em que deve adotar uma atitude preventiva logo no primeiro dia de aulas e deve manter desde início uma relação assente numa marcada distinção de papéis, podendo existir na mesma, uma relação de proximidade desde que não interfira com a autoridade e o respeito do professor. 101
Fui eu com os meus próprios passos que fiz o meu próprio caminho. Houve momentos que corri demasiado depressa e perdi a alma no trajeto, outros que mudei de ideias e arrisquei vários atalhos e ainda outros momentos que tive dificuldade em escolher a melhor direção na chegada a uma encruzilhada. Houve alturas durante o meu EP que pensei seriamente em desistir, mas nunca me levei realmente a sério. É que teve sempre mais chão nos meus olhos do que cansaço nas minhas pernas e cabeça, mais esperança nos meus passos do que tristeza nos meus ombros, mais estrada no meu coração do que medo na minha cabeça. Sei perfeitamente que foram apenas momentos de desespero porque não tive apenas a vida profissional, tive também uma vida pessoal que me levou muitas vezes à exaustação. No entanto, sempre levei tudo com a maior dedicação possível sem deixar que nada interferisse no meu Estágio. Não sei que espécie de caminhante fui, nem sei para onde me leva o caminho que percorri. Mas também que importa? Fiz o que podia e tive o prazer de desempenhar a profissão com que eu sempre sonhei, sendo assim, um dos momentos mais importantes da minha vida. Sei que há uma força estranha que me faz acreditar sempre que este sonho não será em vão. Desejei tanto que esta viagem passasse devagar, tão devagar que desse para eu saborear cada conquista, cada sorriso e cada momento vividos. A verdade é que passou tudo tão depressa e estes 10 meses, para mim, equivaleram a dois meses. Os resultados poderiam ter sido melhores, mas não há lugar para ressentimentos, pois vivi tudo tão intensamente e entreguei-me de corpo e alma, dei o melhor de mim e fiz o melhor que podia, esforcei-me e, para mim, isso já é uma vitória. A realidade é um pouco cruel. Não sei se voltarei a ver aqueles alunos, e pior ainda não sei quando voltarei a passar por esta experiência. O meu coração está apertado e os meus olhos não suportam tanta água. É uma mistura de emoções, da qual não consigo explicar o que sinto neste momento. Foi sem dúvida, um ano inesquecível… O meu sonho é ser professora de Educação Física mas sei bem o cenário negro em volta da Educação. Estudei dezassete anos da minha vida, tive tantos professores, aprendi tanta coisa e sei que vou sentir saudades daquilo que me queixei nestes anos todos. Há muitas pessoas preocupadas com o meu futuro, inclusive eu que não sei se terei emprego tão cedo. De uma coisa eu tenho a certeza: não me arrependo da caminhada que fiz e sei que tudo valerá a pena, seja para o ano, seja para daqui a uns anos. Pode ser que um dia acorde com uma luz nova, com um novo futuro. Resta então afogar-me nos meus pensamentos, lembrando-me tudo o que passei durante estes 10 meses. Suspiro de satisfação e projeto uma nova rota, um novo caminho, pois sei que isto não é o fim, muito pelo contrário, é o começo de um novo caminho, onde terei de estar disposta a evoluir e a batalhar para um futuro promissor, que espero que não seja muito longínquo, pois o meu maior desejo é voltar a ser professora. 109
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
- Alarcão, I. (1996). Formação Reflexiva de Professores: Estratégias de Supervisão. Porto: Porto Editora; - Alarcão, I., Freitas, C. V., Ponte, J. P., Alarcão, J., & Tavares, M. J. F. (1997). A formação de professores no Portugal de hoje (Documento de um grupo de trabalho do CRUP). Disponível online: www.educ.fc.ul.pt/docentes/jponte/docs-pt/97-Alarcao- Ponte(CRUP).rtf. - Alarcão, I., Tavares, J., (2003). Supervisão da Prática Pedagógica. Uma perspectiva de desenvolvimento e aprendizagem. Coimbra: Livra Almedina. - Bento, J. (2003). Planeamento e Avaliação em Educação Física. Lisboa. Livros Horizonte; - Boavista, C. (2011). O diretor de turmaperfil e múltiplas valências em análise; - Bonboir, A. (1976). Como avaliar os alunos. Lisboa. Coleção Educação e Ensino. - Caldas, I. (2006). O Desporto na Escola. Recife: FASA; - Castro, E. (1995). O Diretor de Turma nas Escolas Portuguesas. Porto: Porto Editora; - Da coragem, do orgulho, da paixão de ser professor- Auto-Retrato (pag 42); - Dicionário de Língua Portuguesa (2004). Porto: Porto Editora; -Feliciano H. Veiga (1999). Indisciplina e Violência na Escola: Práticas Comunicacionais para Professores e Pais. Lisboa: Almedina; 113
- Matos, Z., (2013). Normas Orientadoras do estágio profissional do ciclo de estudos conducente ao grau de mestre em ensino da educação física nos ensinos básico e secundário da FADEUP. Porto: Faculdade de Desporto – Universidade do porto; - Matos, Z., (2013). Regulamento da Unidade Curricular do Estágio Profissional do ciclo de estudos conducente ao grau de mestre em ensino da educação física nos ensinos básico e secundário da FADEUP. Porto: Faculdade de Desporto – Universidade do porto; - Ministério da Educação (2007). Decreto-Lei nº43/2007 de 22 de Fevereiro. Diário da República, 1ª Série, nº38, pp. 1320-1328; - Oliveira, M. T. M. (2002). A indisciplina em aulas de Educação Física: Estudo das crenças e procedimentos dos professores relativamente aos comportamentos de indisciplina dos alunos nas aulas de Educação Física do 2º e 3ºciclos do Ensino Básico. Viseu: Instituto Superior Politécnico de Viseu; -Siedentop, D. (1991). Developing teaching skills in physical education. Mountain View: Mayfield; - Zeichner, M. (1993). A formação reflexiva de professores: Ideias e Práticas. Lisboa: EDUCA; - http://www.citador.pt/frases/citacoes/t/comunicacao; 114
ANEXOS
Anexo 1: Ficha de caracterização individual do aluno 1. IDENTIFICAÇÃO DO ALUNO Nome completo: ___________________________________________________________________ Data de nascimento: ____/____/_____ Nacionalidade: ____________________________________ Sexo: F M Telemóvel: ________________ e-mail: ______________________________ Qual a profissão que desejavas ter no futuro? Porquê? __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ 2. FILIAÇÃO Nome do Pai: _______________________________________________________________________ Idade: ______ Profissão: __________________________ Telemóvel: __________________________ Habilitações Literárias: 1ºCiclo 2ºCiclo 3ºCiclo Ensino Secundário Ensino Superior: Licenciatura Mestrado Doutoramento Nome da Mãe: ______________________________________________________________________ Idade: ______ Profissão: __________________________ Telemóvel: __________________________ Habilitações Literárias: 1ºCiclo 2ºCiclo 3ºCiclo Ensino Secundário Ensino Superior: Licenciatura Mestrado Doutoramento 3. ENCARREGADO DE EDUCAÇÃO Pai Mãe Outro: __________________________________ (Preenche os dados abaixo apenas se seleccionaste a resposta “Outro” na questão anterior) Nome: ________________________________________________________________