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Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil.

Pedro Manuel Lourenço Martins

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AVALIAÇÃO DA PRODUTIVIDADE NA CONSTRUÇÃO NO BRASIL O Modelo de Estratificação PEDRO MANUEL LOURENÇO MARTINS Dissertação submetida para satisfação parcial dos requisitos do grau de MESTRE EM ENGENHARIA CIVIL — ESPECIALIZAÇÃO EM CONSTRUÇÕES CIVIS Professor Doutor José Manuel Amorim Faria Professor Doutor Luís Otávio Cocito de Araújo JUNHO DE 2013 MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL 2012/2013 DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL Tel. +351-22-508 1901 Fax +351-22-508 1446 ! [email protected] Editado por FACULDADE DE ENGENHARIA DA UNIVERSIDADE DO PORTO Rua Dr. Roberto Frias 4200-465 PORTO Portugal Tel. +351-22-508 1400 Fax +351-22-508 1440 ! [email protected].pt  http://www.fe.up.pt Reproduções parciais deste documento serão autorizadas na condição que seja mencionado o Autor e feita referência a Mestrado Integrado em Engenharia Civil - 2012/2013 - Departamento de Engenharia Civil, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto, Portugal, 2013. As opiniões e informações incluídas neste documento representam unicamente o ponto de vista do respetivo Autor, não podendo o Editor aceitar qualquer responsabilidade legal ou outra em relação a erros ou omissões que possam existir. Este documento foi produzido a partir de versão eletrónica fornecida pelo respetivo Autor. Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil A meus Pais Nothing will work unless you do. Maya Angelou Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil i AGRADECIMENTOS Com a conclusão deste trabalho gostaria de expressar a minha gratidão a algumas das pessoas que contribuíram para a sua construção das mais variadas maneiras. Ao meu orientador, Professor José Manuel Amorim Faria, fica aqui o meu agradecimento por todo o conhecimento transmitido, por toda a orientação prestada e por toda a paciência e motivação demonstrada na recta final da conclusão deste trabalho. Ao meu co-orientador, Professor Luís Otávio Araújo, por toda a hospitalidade, simpatia e preocupação demonstrados, por todos os conhecimentos e oportunidades concedidas e por toda a contribuição crucial para o bom desenvolvimento técnico da presente dissertação. A um grupo de amigos muito especial, sem o qual todo o meu percurso académico tinha sido bastante mais difícil, por todo o apoio, motivação, amizade e companheirismo demonstrados, nomeadamente: André Farinha, Afonso Pires, Diogo Rebelo, Francisco Moura, Gonçalo Gil, João Alves, Jorge Dias, Luís Oliveira, Mafalda Cardoso e Nuno Santoalha. Ao grupo de amigos que me acompanhou na minha estadia no Brasil durante a execução deste trabalho por toda a amizade, consciencialização e motivação, designadamente: Ana Gagean, Diogo Hipólito, Francisco Vasconcelos, Nuno Vieira e Sara Matos Azevedo. Ao meu núcleo forte por me acompanhar incondicionalmente todos estes anos e por me transmitirem os melhores valores para a minha formação como pessoa, especialmente: André Gil, André Santos, Gonçalo Gil, Marcelo Duarte, Nuno Sá e Tiago Borda. Ao Engenheiro Fernando Gusmão por toda a orientação e apoio profissional. À minha madrinha Rosário Monteiro pelo constante incentivo e carinho. Aos meus irmãos por me guiarem e por darem um contributo tão forte para a minha formação profissional e pessoal. Finalmente gostaria de agradecer aos meus pais por representarem tudo aquilo que ambiciono ser e alcançar um dia e por serem a perfeita definição de figura paternal. Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil ii Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil iii RESUMO Com a crescente necessidade de desenvolver uma mentalidade mais competitiva dentro das empresas, devido à recessão que se faz sentir, torna-se muito importante reduzir a quantidade de desperdícios e maximizar todos os componentes produtivos que estejam envolvidos no processo laboral. É cada vez mais essencial evitar os desperdícios, sejam eles quais forem, e para isso é necessário adotar uma postura minuciosa e bem atenta a todos os fatores de desperdício. Este pormenor faz-se sentir na indústria em geral, mas com maior destaque para a indústria da construção que atualmente sofre uma altura de sufoco e na qual é bastante difícil controlar os pequenos pormenores que levam à diminuição da produtividade do processo construtivo entre outras deficiências a corrigir. Surge então a motivação deste trabalho no sentido de desenvolver um tema que tenha uma aplicação benéfica na indústria da construção civil, mesmo quando esta atravessa uma fase mais complicada. Outra das razões que levaram ao desenvolvimento do presente tema abordado foi o facto de o tema ter uma amplitude considerável de opções a explorar, oferecendo assim alguma liberdade ao autor. Em primeiro lugar é dada uma explicação sobre os contornos mais relevantes sobre a produtividade na construção civil, nomeadamente a sua definição genérica, os fatores que a podem influenciar e os intervenientes do processo construtivo que podem influenciar essa variação. São ainda abordados dois grupos de modelos de medição da produtividade da mão de obra. Como o desenvolvimento deste trabalho foi realizado no Brasil, é feita uma pequena descrição do mercado de construção brasileiro referindo as suas áreas de atuação e as dificuldades vigentes na mesma. É descrito de forma sintética uma das publicações mais usadas no Brasil para a execução de orçamentos e são abordados alguns métodos de controlo de produtividade. Visto que o modelo de estratificação, modelo no qual é baseado o presente estudo, assume algumas premissas do modelo dos fatores, é elaborada uma descrição mais pormenorizada do mesmo para que se entenda o seu funcionamento. Após esta referência é então apresentado o principal foco deste trabalho, o modelo de estratificação da produtividade. O modelo de estratificação, criado no Brasil por dois professores universitários cariocas, é melhor explicado e ilustrado com recurso a um caso prático de aplicação, criado especificamente para esse efeito. PALAVRAS-CHAVE: Produtividade, fatores, mão de obra, modelo dos fatores, modelo de estratificação. Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil iv Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil v ABSTRACT With the growing need to develop a more competitive mindset within the company workers due to the recession that is affecting Europe, reducing the amount of waste and maximizing all production components that are involved in the labour processes becomes very important. It is increasingly essential to avoid waste, and it is necessary to adopt a thorough and controlling posture. This kind of ideology is growing in the industries in general, with special emphasis in the construction industry, which is currently suffering a harsh suffocation. This type of industry has its problems worsened by the huge amount of variables associated to its construction process that decrease productivity. The theme from the present dissertation arises from the need to develop a subject that has a positive application on the construction industry, even when it crosses a complicated phase. Other reason that led to the development of this work was the huge range of options it has to explore, offering the author some freedom. First there is an explanation of the most relevant contours on productivity in construction, including its generic definition, the factors that can influence it and the stakeholders in the construction process that may influence this variation. There are also discussed two groups of labour productivity measurement models. As this work has its major development carried out in Brazil, there is a small description of the Brazilian construction market, referring its areas and the difficulties existing in it. Reference is made to one of the most popular publications used in Brazil for the execution of budgets and there are still presented some productivity control methods. Since the stratification model, model in which this study is based, assumes some of the premises of the famous factor model, this one is mentioned with more detail in order to understand its operation methods. After this reference is then presented the main focus of this work, the stratification model of productivity. KEYWORDS: Productivity, factors, labor, factor model, stratification model. Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil xii Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil xiii SÍMBOLOS, ACRÓNIMOS E ABREVIATURAS RUP – Razão unitária de produção Hh – Homem x hora PIB - Produto Interno Bruto Fig. - Figura Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil xiv Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil xv Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 1 1 INTRODUÇÃO 1.1. ÂMBITO E JUSTIFICAÇÃO DO TRABALHO Uma das mais fulcrais indústrias no desenvolvimento da civilização, foi a indústria da construção, permitindo o desenvolvimento de novas vias, obras de arte, edificações e estruturas com as mais variadas finalidades e o planeamento de cidades. Deste modo foi possível conseguir a comunicação e troca de recursos entre diferentes civilizações, a instalação da própria civilização em habitações que garantiam condições mínimas de vida, a instalação de identidades públicas que providenciaram regras e implementaram costumes na sociedade e a criação de locais onde se processava o comércio. A quantidade imensa de variáveis do processo construtivo (mão de obra, recursos, local de implantação, condições de estaleiro, entre outros), associada a uma crise económica bastante intensa que se verifica atualmente, levou muitos dos envolventes deste negócio a alguma insegurança em relação ao futuro. A sua preocupação passa única e exclusivamente por conseguir desenvolver uma construção com os materiais mais indicados para obter a maior margem de lucro e ao mesmo tempo conseguir cumprir o prazo estipulado, sem haver preocupação com os aspetos que realmente marcam a diferença e acrescentam valor às construções. Assim, o Dono de Obra é, atualmente, um “cobrador de prazos”, tendo como principal preocupação a recolha dos lucros e o aproveitamento de oportunidades de investimento, enquanto que o empreiteiro se preocupa em conseguir executar a obra sem atrasos e com os preços que lhe garantam a maior margem de lucro associada. Toda a atual situação fez com que a produtividade da construção civil fosse um pouco esquecida e, consequentemente, pouco trabalhada. Nos dias que correm a falta de produtividade verificada em estaleiro é resolvida com um simples aumento dos recursos (materiais, mão de obra, equipamentos) sem serem verificadas as condições que verdadeiramente provocaram a sua diminuição. Nesse contexto, este trabalho pretende salientar a importância da produtividade na construção, tentando ao mesmo tempo desenvolver um método que seja passível de ser aplicado às empresas de engenharia de construção, com o objetivo de contornar a atual situação de desconfiança em relação ao futuro pela positiva, ou seja desenvolvendo ferramentas que permitam garantir maiores retornos para os mesmos meios aplicados. 1.2. OBJETIVO O objetivo principal passa por apresentar um método eficiente de avaliação de produtividade na construção civil, passível de ser aplicado num número muito vasto de empresas, através da análise das alternativas mais comuns de avaliação de produtividade. Tendo sido este trabalho desenvolvido no Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 2 Brasil, o tema segue os procedimentos correntemente adotados neste país bem como a sua aplicação a um caso concreto, embora não tenha sido possível que o mesmo tivesse contornos mais aplicados, o que não veio a ser possível por dificuldades de acesso a uma obra concreta. Assim, apresenta-se neste trabalho o “Modelo de Estratificação” desenvolvido no Rio de Janeiro pelos Professores Luís Otávio Araújo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Professor Moacyr Carvalho da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). O autor da dissertação, para efeitos da produção do documento, estagiou na UFRJ, junto do Professor Luís Otávio Araújo tendo sido nesse contexto que tomou conhecimento do referido método que se descreve e explica na dissertação. O objetivo da dissertação pode ser assim sinteticamente definido como a apresentação do modelo referido e a sua aplicação a um caso concreto (embora estilizado), bem como proceder à sua contextualização na área cientifica respetiva, através da descrição de vários modelos disponíveis para avaliar a produtividade na construção civil. A dissertação visou também apresentar uma definição bem clara do termo produtividade na construção, do que este assunto representa na construção atualmente, apresentando os indicadores que mais influência têm neste campo e retratando um pouco da realidade vivida na construção civil em Portugal e no Brasil, de modo a melhor definir a área geográfica onde o trabalho mais facilmente poderá ser aplicado (Portugal e Brasil). 1.3. ESTRUTURA DO TRABALHO Este projeto está estruturado em seis diferentes capítulos, nos quais se tentam cumprir os objetivos propostos acima. Deste modo, no primeiro capítulo é feita uma pequena introdução sobre a importância da construção civil na evolução da sociedade, fazendo uma pequena descrição da evolução das mentalidades das entidades mais relevantes envolvidas no processo construtivo. Neste mesmo capítulo é ainda explicada a mais valia deste trabalho, juntamente com a apresentação dos seus objetivos e estrutura. No segundo capítulo, é feita uma abordagem aos métodos mais importantes de avaliação da produtividade assim como os fatores que têm maior influência neste tema. No capítulo 3 concretiza-se melhor o assunto para a realidade brasileira. No terceiro capítulo, é apresentado um dos métodos que foi usado como base do trabalho observado no Brasil, o modelo dos fatores. No quarto capítulo, é explicado pormenorizadamente o método que é aplicado atualmente numa das maiores empresas petrolíferas Brasileiras. São apresentados os fatores que mais influencia têm em todo o processo de avaliação, assim como o processo e a sua explicação detalhada. No quinto capítulo é feito uma aplicação prática do método apresentado anteriormente. No sexto capítulo são apresentadas as principais conclusões e desenvolvimentos futuros decorrentes do trabalho desenvolvido. 1.4. BASES BIBLIOGRÁFICAS Este trabalho teve como base a experiência de largos anos de trabalho dos Professores Luís Otávio Araújo na área relativa à produtividade na construção e do Professor José Manuel Amorim Faria na Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 3 área da construção. Ambos deram um grande contributo para a realização e estruturação da presente tese de mestrado. Além deste apoio, foram ainda consultados diversos sites da internet, assim como algumas referências bibliográficas referentes a este tema em específico com o apoio dos dois orientadores. Finalmente, e com a ajuda do Professor Luís Otávio, foi possível ter acesso a alguns relatórios técnicos relativos a estudos de produtividade com que o Professor tem trabalhado nos últimos anos. Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 4 Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 5 2 AVALIAÇÃO DA PRODUTIVIDADE NA CONSTRUÇÃO CIVIL 2.1. INTRODUÇÃO Desde a criação das linhas de produção por Henry Ford no século XX, que o termo produção e produtividade vêm aliados um ao outro, tomando grande importância em qualquer indústria. No entanto, estas duas designações não significam a mesma coisa. Na maior parte dos casos, um aumento de produção resulta num aumento de trabalhadores ou de outros componentes produtivos, o que nem sempre se reflete num aumento de produtividade. Nas linhas de produção os processos e as tarefas de todos os trabalhadores são repetitivos e o processo passa, na maior parte dos casos, por uma entrada de matéria prima, que é submetida a um processo de produção e acaba com um produto final. Quanto mais optimizado for o processo produtivo, melhor é o produto final usando o menor número de recursos possíveis. Porém, nem sempre é fácil conseguir atingir uma gestão perfeita dos recursos para obter o melhor nível de produtividade possível. Em casos como a construção civil, onde a quantidade de incógnitas, recursos, ferramentas, trabalhadores e condições de estaleiro é imensa, isso torna-se bastante desafiante, sendo necessária uma avaliação da produtividade mais cuidada. Para que fiquem bem esclarecidos os termos relativos ao tema deste trabalho, e como foi referido anteriormente, no presente capítulo é feita uma abordagem ao tema Produtividade, explicando mais detalhadamente o seu significado geral e na construção, os fatores que a influenciam, os métodos existentes para a sua avaliação e as diferenças existentes na avaliação deste tema no Brasil e na Europa. 2.2. PRODUTIVIDADE O termo produtividade tem alguma polémica associada pelas diferentes interpretações que alguns autores lhe atribuem. Alguns assumem que quanto maior a quantidade de trabalho, maior será a produtividade, enquanto outros assumem que apenas a melhoria das condições laborais melhora a produtividade. Ambas as vertentes têm a sua razão de ser, no entanto, segundo Araújo[1], o termo produtividade é referente à eficácia com que se transformam as entradas de um processo produtivo em saídas, como se mostra na Figura 2.1. Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 6 Fig. 2.1. – Relação entre entradas e saídas num processo produtivo [2] A vantagem desta definição é a possibilidade de tornar qualquer atividade industrial numa atividade passível de melhorar em termos de produtividade. Desliga-se assim o termo de produtividade das linhas de produção e dá-se uma aplicação bastante mais abrangente das suas potencialidades. 2.2.1. FATORES QUE INFLUENCIAM A PRODUTIVIDADE De uma maneira bem geral, e sem ligar o termo em estudo a uma atividade em especial, conclui-se facilmente que a produtividade é influenciada por muitos fatores externos. Estes podem estar relacionados com a qualidade e conforto do local de trabalho, com a qualidade e quantidade de ferramentas de trabalho, com a motivação e quantidade de trabalhadores, com as condições climatéricas e com a dificuldade associada ao processo produtivo, entre outros. Deste modo, o processo produtivo é passível de ser estudado para que haja uma melhoria conjunta destes fatores que se traduza num aperfeiçoamento global do processo produtivo. No entanto esse aperfeiçoamento, nem sempre é fácil de conseguir devido, na maior parte dos casos, aos custos associados. No caso específico da construção, os fatores que têm mais importância na variação da produtividade são: - Capacidade e Treino da mão de obra - A formação oferecida aos operários de uma obra assume grande importância quando se fala de produtividade. É importante que estes dominem bem os procedimentos de trabalho no sentido de executar as tarefas com maior rapidez, sem desperdiçar matéria prima e garantindo a boa execução do seu trabalho. Além do domínio da componente prática, é da maior importância a consciencialização dos operários para as regras vigentes no interior do estaleiro tanto ao nível da segurança como ao nível da sua conduta. Nos dias que correm as preocupações de segurança são cada vez maiores, pois estas conduzem a um conjunto de gastos e atrasos na obra. Deste modo, a formação de cada equipa de trabalho é, nos dias de hoje, uma grande aposta para a boa evolução do processo construtivo, melhorando significativamente a sua produtividade. - Metodologia de Trabalho usada – A boa definição da metodologia de trabalho usada para diferentes aspectos numa obra é um processo complicado de conseguir. Na construção civil, existem sempre variadas soluções para fazer uma só tarefa e, se por um lado, isso abre as portas à imaginação, por outro lado torna complicado assumir o melhor procedimento construtivo. Isto acontece porque existem situações em que se torna bastante complicado distinguir qual das hipóteses construtivas é a que tira maior rendimento do trabalhador e da matéria prima e nesses casos a tomada de opção é mais complicada. No entanto, uma definição de um esquema de trabalho bastante segura e bem explícita é um ótimo ponto de partida para a rápida e saudável evolução dos trabalhos. - Disposição do Estaleiro – A disposição do estaleiro de uma obra reflete muito a filosofia de trabalho que se pratica na mesma. Num local onde a movimentação de viaturas pesadas é constante e onde a montagem de elementos estruturais é executada, a boa organização é palavra de ordem. A sua boa projeção, promove maior rapidez de deslocação de materiais e mão de obra, melhores condições de Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 13 atrasos dos trabalhadores num processo de montagem duma indústria com máquinas de pavimento rolante para associação de peças, para uma equipe de trabalho de um processo construtivo e uma curva teórica. Fig. 2.3. – Relação entre eficiência e interrupção [5] Na Figura 2.3. é visível que a eficiência do processo construtivo é muito irregular, revelando alguma dificuldade na relação dos dados recolhidos com a eficiência, enquanto que no processo industrial é bastante mais fácil a sua definição. • Activity Model – Assenta nos mesmos pressupostos do work sampling permitindo estratificar o tempo de trabalho, sendo criticado por não considerar as saídas do processo produtivo, o que na realidade não garante uma verdadeira medição de produtividade. A recolha dos dados passa apenas pela análise detalhada do tempo gasto pelos trabalhadores e, embora possa ser um bom objeto de estudo do empenho dos trabalhadores, não concede nada mais do que uma mudança na sua eficiência de trabalho caso as falhas sejam devidamente mitigadas. A apresentação dos resultados pode ser apresentada nas mais variadas formas gráficas, sendo a da Figura 2.4. a mais comum. Neste modelo, é assumido que a redução nos atrasos gera automaticamente um aumento do trabalho direto, revelando assim um aspecto positivo para todo o processo produtivo. No entanto, no estudo em questão é apresentado um gráfico que relaciona estas duas grandezas, mostrando que não há relação linear entre as mesmas. Este gráfico, apresentado na Figura 2.5., é baseado na análise de 159 estudos de 30 plataformas de energia nuclear. Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 14 Fig. 2.4. – Representação gráfica do Activity Model [5] Fig 2.5. – Relação entre as categorias Trabalho Direto e Tempo de Espera [5] • Task Model – Este modelo é uma extensão dos dois apresentados anteriormente e assenta sobre três grupos de atividades: 1. Básicas ou necessárias; 2. Adicionais mas necessárias; 3. Desnecessárias; A divisão das categorias foi detalhada por investigadores da Universidade de Loughborough incluindo não só as categorias que fossem relacionadas com o trabalho, tal como se mostra de seguida: Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 15 o Basic element time – Tempo mínimo requisitado para executar as tarefas essenciais da operação em questão; o Work rate – A rapidez com a qual o trabalhador está a executar a tarefa; o Basic excess time – Trabalho adicional que tenha que ser realizado devido ao facto de não ter sido respeitado um procedimento de trabalho predefinido; o Basic ancillary time – Período de tempo que esteja associado a uma tarefa, mas que não possa ser considerado produtivo; o Internal dellay – Período de tempo dispendido à espera de um membro da equipa de trabalho ou de um equipamento. Normalmente esta categoria vem associada à natureza da tarefa em execução. o External delay – Atrasos que não são possíveis de controlar, muitas vezes relacionados com a meteorologia. o Relaxation – Espera sem razão aparente. o Extra breaks – Pausas não autorizadas, atrasos e saídas do local de trabalho antes do fim do horário laboral. o Official breaks – Pausas autorizadas. Apesar de este modelo ser uma conjugação dos outros dois, não deixa de ser apenas uma medição dos tempos de entrada, o que não garante uma adequada medição da produtividade. Outra razão apontada para o pouco sucesso destes métodos é o facto de não serem viáveis monetariamente. Isto é, dispende-se muito tempo e dinheiro na recolha de dados relativos a vários projetos, para conseguir um ligeiro aumento na eficiência dos trabalhadores, não estando esta sempre garantida. É possível concluir que os modelos apresentados anteriormente apresentam sempre uma falta de relação com as saídas do processo produtivo, o que resulta numa deficiente medição da produtividade, já que a definição adotada para este trabalho é representada pela relação matemática entre homens hora e a quantidade de serviço realizado. Isto deve-se ao facto de todos eles terem sido desenvolvidos com vista à aplicação numa indústria de produção em série. O trabalho mencionado anteriormente, Modeling Construction Labour Productivity[5], veio juntamente com um trabalho desenvolvido mais tarde denominado Labour Productivity and Work Sampling: the bottom line[6] justificar precisamente o problema desses métodos quando se trata de medir produtividade. No presente artigo, segundo Randolph Thomas et. al [6], o facto da categoria Trabalho Direto do método de work sampling ser passível de ser usado na medição da produtividade, assenta sobre três pressupostos: 1. Redução de tempo passado na categoria Tempo de Espera, resulta em mais tempo passado na categoria Trabalho Direto; 2. Se mais tempo for passado em atividades de Trabalho Direto, a produtividade aumentará; 3. Se os dois primeiros pressupostos forem verdadeiros, resulta que reduzindo o tempo da categoria Tempo de Espera a produtividade aumentará. Para testar a veracidade destas afirmações e consequentemente validar a possibilidade de medir a produtividade recorrendo ao work sampling, foram usadas ferramentas estatísticas tais como um modelo estatístico de regressão linear onde se analisou o valor do coeficiente de determinação, o desvio padrão das amostras assim como o valor médio. No artigo referido anteriormente, são analisados estudos de vários autores que tentam comprovar a possibilidade de obter uma medição fiável da produtividade recorrendo ao método de work sampling. Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 16 Sendo assim, o autor analisou esses estudos, usando dados de alguns deles para prever a relação das variáveis. O resultado final está representado no quadro da Figura 2.6. Fig. 2.6. – Quadro de resultados [6] Para a verificação da primeira relação, Trabalho Direto vs. Tempo de Espera foram analisados três casos distintos. Para o primeiro, um estudo que assentou sobre uma base de dados de 30 projetos, obteve-se um coeficiente de determinação (r2) de apenas 0,11 o que revela uma relação muito fraca entre as duas categorias. É possível analisar melhor esta relação com recurso ao gráfico da Figura 2.7., onde é demonstrada a nuvem de pontos gerada com recurso aos dados recolhidos. Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 17 Fig. 2.7. – Relação entre Trabalho Direto e Tempo de Espera, 30-project data base [6] O segundo caso recorreu a 39 estudos de work sampling de 12 plataformas de energia nuclear e 29 estudos de 7 plataformas de energia fóssil apresentando um resultado mais elevado com um coeficiente de determinação de 0,48. No entanto, chegou-se a um valor do erro padrão quase tão elevado quanto o desvio padrão, o que significa que apesar de existir alguma relação entre as duas variáveis, o tempo de espera proporciona apenas uma pequena previsão da sua influência no trabalho direto. Para este estudo é possível observar a relação graficamente com recurso à Figura 2.8. apresentada em seguida. Fig. 2.8. – Relação entre Trabalho Direto e Tempo de Espera, Liou data base [6] Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 18 Em último lugar é apresentado um estudo dos autores Handa e Abdala[6] datado de 1989, que apresentou um valor de coeficiente de determinação muito alto, expressando assim uma boa relação entre as duas categorias. No entanto, segundo o autor, este valor tão elevado deve-se ao facto da percentagem de trabalho direto inserida no estudo em questão ser excessivamente elevada, fazendo com que as percentagens das outras categorias sejam consideravelmente menores, tendo pouca influência em todo o cálculo estatístico. Para a verificação do segundo pressuposto foram apresentados cinco estudos, o que oferece uma conclusão mais fiável. Apenas quatro destes estudos foram incluídos na tabela de resultados devido ao facto do autor não concordar com o método de condução de um deles. O Primeiro, desenvolvido pelo autor, analisava uma equipa de 30 canalizadores que instalavam válvulas num edifício da Grand Gulf Nuclear Power Plant, definindo para este estudo duas vertentes da categoria Trabalho Direto e comparando-as com um fator de performance que resulta da razão entre as horas de trabalho recebidas e as horas efetivamente trabalhadas. A primeira era a vertente mais comum, usada em todos os trabalhos analisados neste artigo, enquanto que a segunda foi estritamente definida para o caso em estudo. A Figura 2.9. demonstra as diferenças verificadas entre as duas vertentes quando comparadas com o fator de performance. Fig. 2.9. – Fator de performance em função da definição de Trabalho Direto [6] Este gráfico demonstra que a definição específica usada pelo autor tem uma maior influência no fator de performance, do que a usada nos restantes estudos, o que levou o autor a tirar grande parte das conclusões pela mesma. Os resultados obtidos para ambas as equações demonstraram uma relação muito pobre com um desvio padrão um bocado elevado, o que prova que o Trabalho Direto funciona como uma variável independente neste estudo. O segundo estudo, conduzido por Handa e Abdalla[6]em 1989, baseava-se em 8 semanas de analise de uma equipa de conceção. A equação usada nesta análise era composta por dois termos, sendo o primeiro a percentagem de Trabalho Direto e o segundo a combinação das percentagens das categorias Pessoais, Breaks (Pausas) e Late Starts and Early Quits, categoria que representa as entradas tardias e saídas antecipadas do local de trabalho. Foi assim aplicada a distribuição estatística t-student, obtendo Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 19 um valor de t= -0,06, o que demonstrava que a categoria Trabalho Direto tinha uma contribuição mínima para a equação. Usando os dados deste estudo, o autor aplicou uma regressão linear, na qual os resultados obtidos demonstraram que não existia relação entre as duas variáveis. Em terceiro lugar, é apresentado o estudo realizado por Logher e Collins[6]em 1978 que assentava sobre cinco projetos envolvendo a colocação de ladrilhos de pavimentação. Foram aplicados dois modelos de regressão linear, usando a taxa unitária com variável dependente e trabalho produtivo e o total dos trabalhos relacionados como variáveis independentes. Os resultados apresentados na tabela da Figura 2.6., mostram que o tempo produtivo não está relacionado com a produtividade, seguindo desta forma os resultados dos estudos anteriores. Em último lugar foi apresentado um estudo desenvolvido pelo autor baseado em 3 projetos, que, segundo o mesmo foi o mais conclusivo de todos os outros por ter os fatores de performance como estatísticas mensais em vez de cumulativas e pelo facto das percentagens de Trabalho Direto e dos fatores de performance cobrirem as mesmas equipas de trabalho durante o mesmo tempo de estudo. O resultado foi mais uma vez concordante com os anteriores, permitindo concluir que a categoria Trabalho Direto determinada por work sampling é uma variável e não está de todo relacionada com a produtividade. A falta de relação entre as duas variáveis é representada na Figura 2.10. em baixo. Fig. 2.10. – Relação entre fatores de performance e Trabalho Direto [6] No que toca ao terceiro e último pressuposto a verificar, são apresentados apenas dois estudos efetuados pelos autores Handa e Abdalla[6]em 1989 e por Rogge e Tucker[6]em 1982. No primeiro estudo, os autores reportaram a taxa unitária (horas trabalhadas/ m2) de uma equipa de concepção e combinaram as percentagens de tempo de espera com o tempo ocioso inexplicado, obtendo um valor do coeficiente de determinação e do erro padrão de 0,09 e 0,67 respectivamente. Isto Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 20 demonstra claramente a fraca relação entre as duas variáveis em estudo, contribuindo desta forma para a negação do terceiro pressuposto. No segundo estudo, foram comparados os tempos de atraso fornecidos por pesquisas de donos de obras com os tempos de espera de um estudo de work sampling. Foram também apresentados dados relativos a fatores de performance referentes ao mesmo período de tempo. O autor, resolveu relacionar os dados provenientes deste estudo, com os fatores de performance de carpinteiros, eletricistas, ferreiros e canalizadores, conseguindo um resultado final de um modelo de regressão linear com os valores de 0,41 para o coeficiente de determinação e 0,17 para o erro padrão. Usando ainda um modelo similar com a introdução dos dados dos autores Logcher and Collins[6]de 1978, foram obtidos os valores de 0,50 para o coeficiente de determinação e 0,012 para o erro padrão. Os autores referidos em último lugar referiram ainda que o tempo dispendido em pausas e atividades não relacionadas com a tarefa em desenvolvimento apresentavam uma relação mínima com a produtividade. A Figura 2.11. demonstra a variação da produtividade baseada no tempo gasto a trabalhar em função do tempo em espera. Após a análise de todos estes estudos relatados no artigo referido anteriormente é perceptível que a veracidade dos pressupostos foi posta em causa por uma ferramenta matemática com grande credibilidade, a estatística. Isto vem provar que a medição da produtividade com recurso ao método de work sampling, não é uma boa alternativa quando se procuram resultados que apresentem alguma veracidade. No entanto, existem ainda alguns autores que defendem este tipo de trabalho, denominando-o de Activity Analysis, como se pode comprovar com uma leitura do artigo Activity Analysis for Direct-Work Rate Improvement in Construction[7]. Este método é composto por cinco passos sequenciais apresentados na Figura 2.12. Fig. 2.11. – Produtividade em função do Tempo de Epera, Logher data base [6] Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 21 Fig. 2.12. – Representação do método Activity Analysis [7] A sequência deste processo e a sua respectiva explicação é a seguinte: 1. Plan Study (Planear o estudo) – Definição dos detalhes dos estudos, tais como objetivo, tamanho da amostra, população, treino dos observantes, definição de rotas e tempos e definição das categorias de cada atividade; 2. Sample (Amostra)– Execução do estudo por observação dos trabalhadores a uma distância que seja suficiente para observar, mas que não cause desconforto aos trabalhadores; 3. Analyze (Analisar)– Esta é a fase mais decisiva do trabalho, pois a análise dos dados e a sua transformação em gráficos requer especial atenção para que a situação seja retratada corretamente; 4. Plan Improvements (Planear as melhoras)– O planeamento das melhorias passa por criar uma lista de causas prováveis, analisar as alternativas e criar um plano de melhoria e implementação; 5. Implement Improvements (Implementar as melhoras)– Na implantação das melhorias a sequência de ações é a seguinte: a. Obter um compromisso por parte de toda a comunidade integrante da gestão; b. Estudar cada ação do plano de melhorias; c. Definir um horário e prazo para cada elemento; d. Investigar os custos de aplicação; e. Considerar problemas com os recursos humanos; f. Atualizar os documentos relacionados com a realização dos trabalhos. Este processo apresenta os rendimentos de todas as atividades analisadas e a sua distribuição ao longo de um dia de trabalho. Estes rendimentos são analisados cuidadosamente com o objetivo de encontrar causas que inibem a eficiência máxima dos trabalhadores. No entanto, todo este processo é muito semelhante ao método de work sampling com a única diferença de ser aplicada uma mitigação dos aspetos que não estão a ser maximizados no final de cada análise. No entanto, este método não tem em conta as saídas do processo produtivo, o que leva à análise incompleta da definição de produtividade adotada para o presente trabalho. É claro que a sua aplicação leva a algumas melhorias nas indústrias em geral, mas como foi comprovado pelos artigos apresentados anteriormente, o mesmo não é uma ferramenta de qualidade para a correta avaliação da produtividade do processo construtivo, Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 22 possivelmente devido ao facto do seu desenvolvimento ter sido feito com o objetivo de analisar a indústria de produção em série. 2.3.3. MODELOS DE ENTRADA E SAÍDA Nesta fase do trabalho são analisados os modelos que analisam as entradas e as saídas dum processo produtivo, na avaliação da produtividade. Este método permite portanto uma avaliação mais "fiável" devido ao rigor do seu processo de estudo. Para este tipo de modelo são expostos dois exemplos, um dos quais é analisado com mais pormenor no quarto capítulo. Com o objetivo de superar todas as dificuldades associadas à medição e quantificação da produtividade na construção civil, Thomas e Yakoumis [8], desenvolveram em 1987 o modelo dos fatores. A grande complexidade das tarefas exigidas na construção aliadas à influência positiva ou negativa que as mesmas sofrem pela variação de um número vasto de fatores ( Ex: condições climatéricas, material disponível para execução do serviço, boas condições de trabalho, etc.), possibilitam a representação de um gráfico de produtividade bastante irregular. No entanto, esta irregularidade torna difícil a interpretação gráfica da produtividade do serviço em questão e, por isso, surgiu a necessidade de retirar todos esses fatores que provocam grandes alterações no desenvolver dos trabalhos, para conseguir obter uma curva de referência para determinado serviço. Um exemplo dessa curva é apresentado na Figura 2.13. Com o auxílio desta curva de referência, tornou-se possível conhecer o desempenho básico de um determinado serviço, o que possibilita numa construção requerer mais rendimento dos trabalhadores de uma forma justa. Fig. 2.13. – Representação da curva de referencia e curva real [1] Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 29 da produtividade, na escolha de tecnologias e de forma de gestão e na política de remuneração de operários e de subcontratados. O funcionamento deste conceito passa por apresentar um valor mínimo, médio e máximo tanto para o consumo de materiais como para o consumo da mão de obra, possibilitando desta forma diferentes formas de consumo dos recursos consoante a obra em questão. A definição destes valores foi feita com longos anos de observações de diferentes obras provenientes de trabalhos de pesquisa coordenados por professores do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, permitindo desta forma obter coeficientes de consumo baseados em situações reais. Sendo assim, o valor mediano representa as situações mais frequentemente verificadas em obras, o valor mínimo representa a melhor situação possível e o valor máximo representa a pior situação verificada. No que toca à mão de obra, é necessário ter em conta a equipa considerada. O ideal é considerar aquilo que é chamado de equipa global. Esta é composta pelos ajudantes diretos, aqueles que auxiliam os oficiais movimentando os materiais para bem perto deste e executando tarefas auxiliares, os ajudantes de apoio, que se situam mais afastados dos oficiais assumindo a responsabilidade pelo suprimento das matérias requisitadas na frente de trabalho e os oficiais. Quanto aos materiais, deve ser considerada a soma de uma quantidade teoricamente necessária com uma outra quantidade designada como perda. Aqui são considerados os fatores de conteúdo e contexto para uma optimização da escolha dos coeficientes. É então possível definir o consumo de matérias primas em três diferentes categorias assim como a produtividade da mão de obra, dependendo da realidade verificada no estaleiro. Esta funcionalidade é apresentada sob a forma de equalizador de som, estando organizados os principais fatores e condições de execução que têm influência direta na produtividade e no consumo, tal como é apresentado nas Figuras 3.6. e 3.7. A simplicidade de visualização permite de facto um ajuste muito mais intuitivo dos consumos de materiais e mão de obra. Por fim, foram descartados nesta edição do TCPO itens que eram considerados obsoletos e foram acrescentadas novas tabelas referentes a seguros de equipamentos e licenciamentos. É de facto notável a grande evolução e contribuição deste elemento para a construção civil numa tarefa que obriga a um grande rigor de trabalho para que haja pouca oscilação de preços. Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 30 Fig. 3.6. – Disposição apresentada na ferramenta de trabalho TCPO Modelatto para o consumo de mão de obra [13] Fig. 3.7. – Disposição apresentada na ferramenta de trabalho TCPO Modelatto para consumo de materiais [13] Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 31 3.4. MÉTODOS DE CONTROLO DE PRODUTIVIDADE NO BRASIL A produtividade na construção apresenta bastantes obstáculos quando se trata de atingir a sua perfeição. Esta é influenciada pela baixa qualificação técnica dos operários, elevado custo das matérias primas, dificuldade de comunicação e cooperação, inexistência de normalização de processos construtivos, dificuldades de controlo da correta execução de tarefas, entre outros. Para que estas problemáticas possam ser mitigadas ou contornadas é crucial que haja uma forte gestão integrada do processo construtivo. Esta gestão é composta pelos aspetos internos, aspetos relacionados com as tarefas e processos existentes em projetos, assim como pelos aspetos externos que exigem uma coordenação entre os fornecedores, clientes e demais intervenientes por parte da empresa. O controlo da produtividade pode ser feito recorrendo ao método direto ou ao método indireto. Ambos são abordados no presente subcapítulo para um melhor entendimento deste vasto conceito que é a produtividade. 3.4.1. CONTROLO DIRETO DE PRODUTIVIDADE No controlo direto da produtividade é adoptada uma atitude mais presente e atenta sobre o processo avaliado. Este controlo assenta sobre três principais funções extremamente amplas, nomeadamente o projeto, o planeamento e o controlo. Em primeiro lugar surge o projeto como um elemento mais abrangente que os outros dois mencionados. Este tem a obrigatoriedade de conseguir satisfazer as necessidades do usuário assentando em três grandes premissas que correspondem ao âmbito, ao prazo e ao orçamento. O âmbito refere-se ao trabalho a ser executado tendo sempre em conta a quantidade e qualidade do mesmo. Já o prazo refere-se ao período que deve ser respeitado para a conclusão dos trabalhos. Este só é plenamente respeitado quando é definida uma sequência e encadeamento lógico das atividades. Por fim, o orçamento diz respeito aos custos que podem ser medidos tendo em conta o consumo da mão de obra. O projeto consiste especificamente em estimar os processos necessários à construção rentável do produto final e avaliar as operações da organização responsável. As medidas de projeção aplicam-se ao controlo da qualidade, redução dos atrasos, controlo de custos (horas de mão de obra e maquinaria utilizada) e controlo de processos. Seguidamente surge o planeamento que consiste em encadear minuciosamente as atividades a serem executadas. Este pode ser analisado em duas vertentes, sendo elas o planeamento do projeto e o planeamento da produção. As maiores dificuldades verificadas na execução do primeiro termo são entender a natureza do trabalho e definir as prioridades. A definição do objetivo envolve assumir o controlo da direção e natureza do projeto. Monitorizar o processo, com vista a atingir objetivos seguindo parâmetros pré-definidos, e completar o projeto dentro do prazo define grande parte do objetivo. O grande objetivo está relacionado com a definição de prazos, orçamentação e crescimento, melhorando a produtividade. O planeamento da produção estabelece os métodos que irão ser usados, a mão de obra destacada para as tarefas, o movimento do material e da mão de obra e o processo de encaixe de todas as peças constituintes do projeto. Este envolve ainda a disposição do estaleiro, organização das instalações e preparação do armazenamento e áreas de pré-fabricação. Inclui também estabelecer padrões de trânsito para veículos e materiais desde o seu local de armazenamento, passando pelos locais de pré-fabricação e acabando na sua instalação. Por último surge o controlo que só tem o seu sucesso garantido com a adoção de uma atitude persistente. O seu objetivo passa por monitorizar todos os recursos, tarefas e processos existentes no Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 32 estaleiro de obra. Desde a mão de obra, passando pelos materiais, equipamentos, prazos e custos, a fase de controlo tem a sua maior dificuldade patenteada na grande quantidade de variáveis associadas ao processo construtivo. O controlo é, na maior parte dos casos, feito nas questões relacionadas com os custos, os prazos e a qualidade com vista a garantir um produto final satisfatório para o cliente. Sendo assim o controlo direto da produtividade passa pela clara definição do produto a ser construído, racionalizando um planeamento equilibrado e controlando todo o processo até à sua conclusão. Este começa na raiz do elemento a construir e acaba aquando da sua conclusão. Ao nível da mão de obra, o controlo direto da produtividade associa-se à implementação de procedimentos específicos de controlo onde o “controlador” e o “controlado” têm plena consciência de que ambos estão a realizar essa tarefa. O controlo direto da produtividade é hoje relativamente pouco usado por implicar ações muito “intrusivas” ao nível da observação dos oficiais em ação. Implica metodologias mais “autoritárias” de gestão dos operários e uma formação algo imposta e forçada que se demonstram ser relativamente pouco eficientes. Atualmente, precisa-se melhorar a produtividade através da orçamentação e ergonomia do trabalho, de substituição do trabalho manual pelas máquinas, pela introdução de ferramentas procurando interagir com aqueles que “fazem” de uma forma natural e interativa. Essa estratégia determina que, em geral, o controlo da produtividade da mão de obra se realize de forma indireta. 3.4.2. CONTROLO INDIRETO DE PRODUTIVIDADE O controlo indireto da produtividade assume, tal como o seu nome indica, uma filosofia mais ausente do processo construtivo. As suas medidas aplicam-se com vista a fornecer uma consciencialização, feedback de performance e motivação aos donos de obra. Um exemplo deste tipo de controlo é o modelo dos fatores, metodologia que é explicada no capítulo seguinte. Neste tipo de controlo o processo passa por analisar cuidadosamente o processo construtivo tendo em conta os fatores que tem grande influência na variação da sua produtividade, podendo no final apresentar medidas para a mitigação dos aspetos negativos que foram observados. A sua grande dificuldade reside na identificação clara daquilo que não corre da melhor forma no canteiro de obra. Como é normal, a grande quantidade de variáveis que compõe o processo construtivo abre um leque de opções muito vasto de pormenores que podem piorar o bom decorrer do processo construtivo. O seu maior obstáculo é conseguir encontrar uma metodologia de controlo que consiga identificar num curto período de tempo aquilo que tem que ser melhorado. Normalmente este aspecto é bastante difícil de conseguir, pois este tipo de controlo precisa de acompanhar o processo e refletir mais pormenorizadamente os aspetos que têm maior influência na variação da produtividade, demorando algum tempo até chegar a uma conclusão. Os métodos e exemplos genericamente apresentados no capítulo anterior, o modelo dos fatores apresentado no capítulo 4 e o modelo específico apresentado e aplicado nesta dissertação, respetivamente no capítulo 5 e 6, representam metodologias de controlo indireto de produtividade da mão de obra. Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 33 3.4.3. CONTROLO DE PRODUTIVIDADE NO BRASIL No Brasil, duma forma simplista e para obras pequenas e médias, na Direção de obra em geral trabalham as seguintes entidades: gestor do contrato equivalente ao diretor de obra), gestor da produção (sensivelmente equivalente a um adjunto de diretor de obra), mestre de obra (equivalente ao encarregado geral) e encarregados (equivalentes aos encarregados de frente). O controlo de produtividade, tarefa que exige uma monitorização atenta de todo o processo construtivo, é executado pelo gestor de produção que reporta toda a informação colhida ao seu superior, o gestor do contrato. Faz parte das obrigações do gestor de produção alcançar os objetivos das atividades de produção em termos de prazos, custos e qualidade, certificando-se que o projeto é concluído com todas as especificações inicialmente definidas. É fundamental que haja uma exaustiva interpretação e revisão dos projetos para que sejam bem conhecidas as intenções dos projetistas, evitando que, quando o projeto for avançando, se acumulem erros ou defeitos construtivos. Desta forma, o projeto fica concluído com o cumprimento dos objetivos previstos, desde que os trabalhos tenham a qualidade pretendida pelo cliente. O gerente da produção e o responsável pela área de planeamento tem objetivos de controlar a produção dos trabalhadores respeitando o cronograma e concentrando a sua atenção nos desvios que possam ocorrer. Conseguir a maximização da gestão da mão de obra, dos equipamentos e dos materiais e ferramentas é um dos pré-requisitos fundamentais para atingir o sucesso num cargo deste género. No que toca à gestão dos recursos produtivos, o “gerente de produção” deve cuidar minuciosamente da gestão da inspeção dos materiais na chegada à obra, da gestão de tempo de compras, da redução dos desperdícios, da análise da quantidade de matérias primas necessárias, da redução dos tempos de espera e do rendimento da mão de obra. É ainda muito importante ter total controlo sobre as despesas associadas ao processo produtivo, devendo procurar-se sempre identificar as oportunidades que permitam o controlo e redução das despesas. No que diz respeito a uma análise mais técnica, o gestor de produção deve ter em atenção o aperfeiçoamento dos processos e a definição de planos e diretrizes. Para que o gestor de produção consiga efetuar a sua tarefa com maior eficácia, este conta com as informações colhidas junto do mestre de obras e dos encarregados. No entanto, é muito importante que haja uma boa relação entre estes dois intervenientes para que a troca de informação seja clara e fácil. As informações são, na maior parte dos casos, transmitidas pelos técnicos das diferentes especialidades aos mestres de obras e aos encarregados permitindo que os operários entendam perfeitamente aquilo que lhes compete fazer e evitando que estes cometam erros que resultam em despesas desnecessárias e não cumprimento dos prazos. O controlo da produtividade nas obras no Brasil constitui assim uma das tarefas fundamentais do “gerente de produção”. Esta função tem no Brasil um tratamento mais cuidado que em Portugal já que a subcontratação de mão-de-obra ocorre em menor escala e o país tem em geral como referência as boas práticas seguidas nos Estados Unidos da América onde esta questão assume maior relevância. Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 34 Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 35 4 Modelo dos Fatores 4.1. DESCRIÇÃO DO MODELO Aplicado à indústria da construção em 1987 por Thomas e Yiakoumis[8], o modelo dos fatores veio revolucionar a avaliação da produtividade na construção. A sua aplicação permite uma análise mais vasta e detalhada de todas as possíveis variáveis passiveis de afetar o processo construtivo, considerando-as em três níveis distintos. A sua aplicação é mais procurada nos dias de hoje pelas seguintes razões: • Custo: O facto da sua aplicação ser simples faz com que o seu custo de implementação seja mais baixo, o que o torna bastante atrativo para as indústrias; • Simplicidade: Como foi mencionado, este método apresenta um processo de coleta de dados bastante acessível, tornando-o mais fácil de usar dado que não implica ações de formação intensiva e dispendiosa de operários; • Rapidez: O processo de coleta dos dados é considerado rápido, permitindo tomar medidas corretivas durante as atividades de construção; • Comparativo: A base de dados que é possível construir com a utilização do modelo dos fatores, permite uma comparação dos rendimentos apresentados em diferentes obras e tarefas, mostrando de uma maneira mais clara o aumento ou diminuição da produtividade; • Precisão: Todo o processo de recolha de dados e de processamento e análise dos mesmos oferece ao utilizador uma observação bem real do que se está a passar. O modelo dos fatores diferencia-se dos restantes modelos de medição de produtividade, por estar direcionado para a produtividade ao nível da equipa de trabalhadores, tendo em conta o efeito da curva de aprendizagem e incluindo ainda vários fatores que podem afetar a produtividade. Desta forma, a simples apropriação de índices de produtividade é menos valorizada sendo o seu objetivo mais concentrado no verdadeiro entendimento dos mesmos. Só assim é possível conseguir obter uma visão mais real, através da aplicação de metodologias de medição de produtividade. Para que este entendimento seja possível, um dos principais objetos de estudo são os fatores que estão envolvidos na variação da produtividade. Segundo Thomas e Yiakoumis[8], a teoria na qual assenta o modelo em questão, assume que o trabalho de uma equipa pode ser afetado por vários fatores de forma aleatória ou sistemática. Assim, a consideração de todos estes fatores gera uma curva de produtividade, cuja interpretação é complicada devido à sua irregularidade. No entanto, quando são retirados a essa curva os fatores que tiveram influência no trabalho, é possível obter uma curva que revela a produtividade referência, possível de obter em condições ótimas de trabalho. Desta forma a análise da influência dos vários fatores na tarefa Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 36 em questão é passível de ser avaliada, permitindo investigar melhor um processo mitigador da mesma. Na Figura 4.1. é apresentada uma imagem representativa do modelo dos fatores, na qual são apresentadas as seguintes curvas: • Curva real: Representa uma medição hipotética efetuada em campo; • Curvas A, B, C, D: Representam curvas de produtividade obtidas através da subtração de vários fatores introduzidos por condições distintas das condições de referência; • Curva de referencia: Representa a produtividade do serviço sem a influência dos fatores. (Produtividade optimizada) Fig. 4.1. – Representação gráfica do Modelo dos Fatores [1] É importante ter em conta que a imagem apresentada na Figura 4.1 representa uma situação na qual os fatores que afetam o trabalho são considerados negativos, colocando a curva de referência mais abaixo da curva real. Quando os fatores são propícios à boa realização da tarefa, a curva de referência pode estar situada acima da curva real. Um dos aspetos no qual o modelo dos fatores se baseia, são as linhas de aprendizagem. Para uma melhor compreensão deste conceito, surge aqui uma breve apresentação das mesmas com algum contexto histórico e descrição. Inicialmente usadas pela indústria de produção de aeronaves em 1936, as linhas de aprendizagem foram aplicadas à construção civil com pouca reflexão acerca dos fatores que tinham influência na aprendizagem dos operários. Um estudo desenvolvido pelo Professor Randolph Thomas, apresentado no artigo Construction Learning Curves [14] dita que para que haja aprendizagem na construção civil têm que ser respeitados três pressupostos: 1. Tem que haver complexidade suficiente nas operações realizadas para que haja algum conteúdo passível de ser absorvido; Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 37 2. Deve haver repetição de processos semelhantes; 3. Deve ser criado um ambiente de trabalho estável por parte das entidades responsáveis. Ainda no presente artigo consta que em 1965 foi lançado um relatório pelas Nações Unidas com a intenção de demonstrar os efeitos positivos da repetição de tarefas no desempenho da mão de obra. Neste relatório são detectadas duas categorias de fatores que influenciam a melhoria de produtividade da mão de obra por repetição de tarefas. A primeira é relacionada com a continuidade operacional (work to be done), e a segunda é relacionada com a continuidade de operações executivas (work enviroment), duas categorias que são discutidas no capítulo 3.3. Evolução do Modelo. Estas duas categorias são concluídas com recurso a informações de projetos de organizações governamentais de pesquisa da Europa Ocidental que acabaram por comprovar que a repetição de tarefas leva efetivamente a uma aprendizagem por parte da mão de obra, tal como o escritor pretendia demonstrar. Assim, o aspecto clássico de uma curva de aprendizagem está representado na Figura 4.2. onde é possível verificar a presença da competência ou produtividade no eixo dos yy e a presença da prática ou dias de trabalho no eixo dos xx. Fig. 4.2. – Representação de uma curva de aprendizagem [14] 4.2. FUNCIONAMENTO 4.2.1. INDICADOR ADOTADO PARA A MEDIÇÃO DA PRODUTIVIDADE A medição da produtividade passa, na maioria dos casos, pelo cálculo da razão entre as entradas e as saídas do processo produtivo que se está a avaliar. No entanto, essa razão pode ser mais ou menos abrangente, dependendo da constituição das entradas e saídas consideradas. Frequentemente, quando se discute produtividade paira essa mesma dúvida sobre como foram calculados os indicadores e, por isso, é da maior importância a definição de um indicador que esteja claramente definido. No presente trabalho, e para a construção civil, o indicador adotado é denominado por razão unitária de produção (RUP), no qual a razão entre entradas e saídas resulta da quantidade de homens usados e respectivas horas de trabalho efetuadas por quantidade de serviço executado. Dependendo da quantidade de tempo abrangida pelo indicador adotado ou da tarefa em análise, surgem diferentes tipos de RUP. Assim temos as seguintes designações: • RUP diária: razão referente aos valores de homem hora e quantidade de serviço executado de um dia de trabalho; Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 38 • RUP cumulativa: razão aplicada quando a medição abrange um período de tempo mais amplo, somando os valores do indicador desde o dia em que se começou a medir a produtividade até ao dia em questão; • RUP cíclica: razão utilizada quando se pretende um período de tempo mais curto que os anteriores; Esta razão é aplicada nos casos em que se pretende analisar uma tarefa em específico, como por exemplo a realização de uma alvenaria. Esta diferenciação de medidores permite executar uma análise mais detalhada de um processo construtivo, na medida em que permite a realização de gráficos que traduzem a produtividade de uma tarefa de diferentes maneiras, permitindo assim diferentes análises. Assim a RUP cumulativa fornece a produtividade de uma tarefa específica, a RUP diária fornece a produtividade de um dia de trabalho e a RUP cumulativa fornece a produtividade de um período de tempo maior. Além dos tipos de RUP definidos anteriormente, existe ainda a RUP potencial. Esta é definida como um valor de RUP diária que tenha traduzido um bom desempenho e que seja possível de alcançar em função dos valores de RUP recolhidos. Mais pormenorizadamente, este indicador seria definido como o valor da mediana das RUP diárias que se situam abaixo da RUP cumulativa durante um determinado período de estudo. Desta forma, é possível afirmar que o afastamento percentual da RUP cumulativa à RUP potencial representa a perda de produtividade da mão de obra. É perceptível que, cada um dos tipos de RUP, tem a sua vantagem associada quando se trata de analisar os dados recolhidos e isso imprime no Modelo dos Fatores uma maior dinâmica. Assim, a RUP diária apesar de dar mais trabalho na recolha dos dados permite obter uma consciencialização dos operários, a RUP cumulativa apesar de atenuar os efeitos de boas e más prestações diárias permite a visualização da tendência da produtividade a longo prazo, a RUP periódica é interessante para a definição de metas a curto prazo e a RUP potencial pode servir para analisar as restantes RUP. Na Figura 4.3. são apresentadas as representações hipotéticas das RUP. Fig. 4.3. – Representação dos diferentes tipos de RUP [1] Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 45 Fig. 4.9. Representação da influência de alterações em trabalhos a mais e interrupções (adaptado de [16]) Em terceiro lugar é apresentado o artigo Scheduled Overtime and Labor Productivity [17], com o objetivo de testar os efeitos de horas extra na produtividade da mão de obra e relacionar as mesmas com as interrupções verificadas em obra. Este artigo vem de certa forma provar o contrassenso do facto de os trabalhadores fazerem horas extra não resultar diretamente num aspeto positivo para a obra. Isto porque, se o gestor de projeto aumentar o horário de trabalho de 40 horas semanais para 60 horas semanais, o aumento de carga horária é de 50%. No entanto para que o projeto avance esses 50%, é necessário que haja disponibilidade de materiais e de equipamentos em mais 50%, para que corra tudo da forma planeada. Caso estas condições não sejam garantidas, o resultado final vai ser um desperdício de mão de obra que resultou num custo acentuado. O procedimento de avaliação deste estudo passa pelos mesmos formulários apresentados no estudo anterior, sendo definidas três causas para o interrupção dos trabalhos que são recursos, trabalhos a mais e práticas de gestão. Os resultados fornecidos pelo presente estudo estão representados nas Figuras 4.10. e 4.11. Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 46 Fig. 4.10. – Representação da eficiência em função do número de dias trabalhados por semana (adaptado de [17]) Fig. 4.11. – Principais causas de interrupção dos trabalhos (adaptado de [17]) Como é perceptível no segundo gráfico apresentado na Figura 4.11., a questão associada à diminuição da produtividade devido ao alargamento do horário laboral dos trabalhadores é causada pela escassez de materiais para continuar os trabalhos. Este facto também é demonstrado no primeiro gráfico com a diminuição gradual da produtividade a partir do quarto dia de trabalho. Esta causa pode ser mitigada com algum planeamento, mas a sua dificuldade é elevada devido à precisão necessária na previsão dos recursos que irão ser necessários. Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 47 Em último lugar é apresentado o artigo Fundamental Principles Of Weather Mitigation [18]. Este trabalho, desenvolvido por Thomas et. Al., tem como objetivo demonstrar os princípios fundamentais da mitigação de condições atmosféricas adversas e apresentar a perda percentual de produtividade da mão de obra com recurso a um resumo de várias bibliografias existentes sobre o assunto. Como tal, e devido à grande extensão dos dados de projetos analisados para todos os artigos referentes a este tema, não é fornecida qualquer informação sobre as especificações dos projetos. Os artigos analisam a produtividade dos trabalhadores tendo em consideração as condições atmosféricas que em cada momento de análise fazem sentir. Um deles, é realizado numa câmara onde o ambiente é controlado, e são requisitados trabalhos de dois eletricistas com variações de humidade e temperatura. Este estudo permite uma análise confiável da influência que as condições ambientais têm no trabalho realizado. Outro dos artigos reporta que existem 5 situações típicas influenciadas pelas condições ambientais. São elas: 1. Quando a equipa de trabalho é forçada a abandonar os trabalhos devido a más condições atmosféricas; 2. Quando a equipa de trabalho continua a trabalhar porque as condições assim o permitem, embora com menos produtividade; 3. Quando existe necessidade de realizar trabalhos a mais devido à degradação dos trabalhos executados por chuva ou calor intenso; 4. Quando existe ausência ao trabalho por parte dos trabalhadores devido a más condições; 5. E quando ocorre perda de “momentum” por necessidade de interrupção dos trabalhos por um período de tempo indefinido. Os resultados são apresentados no gráfico da Figura 4.12., onde consta uma legenda com a designação de cada artigo e o seu resultado. Fig. 4.12. – Resultados verificados nos diferentes estudos analisados no artigo em questão (adaptado de [18]) Na equação abaixo é apresentada a conversão de graus Fahrenheit para graus Celsius. º!=º!×1,8+32 (4.3) Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 48 Através da visualização do gráfico conclui-se facilmente que a produtividade dos trabalhadores é afetada quando as temperaturas ficam fora do intervalo 20ºF>T>80ºF. A quantificação das perdas de produtividade é visível no gráfico apresentado na Figura 4.13. Fig. 4.13. – Quantificação da perda de produtividade devido às condições atmosféricas (adaptado de [18]) É então perceptível que existe uma maior perda de produtividade devido à chuva, neve e temperaturas mais baixas. Quando se verificam temperaturas mais altas a perda de produtividade ainda é significativa, embora seja mais baixa do que as restantes. Uma das conclusões apresentada por um dos estudos analisados dita que, em condições adversas de temperatura, as tarefas que requerem uma precisão mais elevada são mais afetadas do que as restantes. Apesar de este facto fazer todo o sentido, os estudos efetuados para a conclusão do mesmo não apresentam uma fonte confiável e por isso mesmo esta conclusão não pode ser creditada com a máxima confiança. Por fim, na Figura 4.14., é apresentada uma lista de ações que ajuda a contornar os problemas causados pelas condições atmosféricas adversas nas obras de construção civil. Esta tabela, apresentada no final do artigo em análise, indica algumas sugestões para adaptar o processo construtivo às condições climatéricas, minimizando custos, trabalho e preocupações. Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 49 Fig. 4.14. – Lista de ações para contornar alguns dos problemas causados pelo mau tempo [18] A compilação e análise dos artigos apresentados permite perceber a importância dos “fatores” na evolução da medição da produtividade da construção civil. A sua percepção e comprovação através de uma base de dados com uma composição considerável acrescenta confiança na aceitação destes fatores. No entanto há um problema associado a esta medição, na medida em que a mesma não permite detectar com precisão aquilo que provocou a variação da razão unitária de produção (RUP). Como exemplo, é apresentado na Figura 4.15. um gráfico com vários valores de RUP diária, para dez dias de obra (exemplo teórico). Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 50 Fig. 4.15. - Reprodução de um exemplo de gráfico com medição diária da RUP. Com base neste gráfico é possível verificar que os valores de RUP foram bastante irregulares ao longo do período analisado, apresentando um valor baixo no início, a meio e no final da análise, sendo que no tempo restante teve alguma variação. No entanto, qual é o cenário que estes pontos traduzem? Se o valor da RUP é traduzido pela fracção entre a mão de obra consumida (Homens×hora) e as saídas obtidas do processo construtivo, qual será a possível interpretação deste gráfico? É obvio que quanto menor for a quantidade de mão de obra utilizada e maior a quantidade de saídas produzidas num determinado período de tempo, mais baixo será o valor da RUP. Mas isso reflete uma melhor situação quando comparado com um ponto que apresente um valor de RUP mais elevado? Se tomarmos como exemplo duas equipas de trabalho constituídas pelo mesmo número de operários e destinadas a trabalhar durante o mesmo período de tempo, sendo que uma produz mais que a outra. Será justo afirmar que a primeira equipa teve um melhor desempenho? Será que as condições de execução do trabalho não devem ser cuidadosamente consideradas antes de fazer uma afirmação deste género? Este é um assunto que é discutido no próximo capítulo com maior rigor. Estas questões traduzem no fundo a dificuldade em retirar conclusões sobre a produtividade de forma indireta ou seja em termos médios e sem considerar a influência das características específicas de cada operário (das suas capacidades e virtudes) e dos momentos em que os trabalhos são realizados. 0" 10" 20" 30" 40" 50" 60" 70" 0" 2" 4" 6" 8" 10" 12" RUP$diária$ Dias$ Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 51 5 Modelo de Estratificação 5.1. INTRODUÇÃO Os atrasos na construção são, para além de um problema muito comum, a razão para o início de uma discórdia entre o dono de obra e o empreiteiro. Se por um lado o dono de obra vê num atraso uma demora na chegada dos seus rendimentos com consequentes perdas de oportunidade, o empreiteiro vê uma redução dos seu lucros que põem em causa a saúde financeira da sua empresa. As disputas são normalmente levadas a tribunal, demorando uma eternidade para serem resolvidas, envolvendo uma grande dor de cabeça para ambas as partes e uma perda de recursos monetários desnecessária. A grande dificuldade consiste em conseguir resolver esses problemas na sua raiz, a obra. Nos dias que correm e com alguma particularidade na construção civil, a gestão deste “processo” é feita com pouca percepção do que realmente se passa no próprio estaleiro. A grande dimensão das obras, contribui em grande parte para este feito, mas não isoladamente. O processo de subcontratação, muito usado há já alguns anos, contribui também na medida em que os supervisores da obra se tornam obcecados pelo cumprimento do prazo deixando de focar a sua atenção no cumprimento correto dos processos construtivos. Em último lugar, vem ainda a dificuldade de conseguir atribuir as culpas provenientes de um atraso de obra de forma justa e equitativa. Na maior parte dos casos é assumido pela generalidade dos construtores, embora de uma maneira pouco correta, que os atrasos são provocados ou por falta de qualidade e quantidade de recursos ou por mão de obra pouco qualificada. Se há muito tempo atrás, no Brasil, havia filas de trabalhadores à porta do estaleiro procurando trabalho no dia-a-dia, dos quais só os melhores eram selecionados para trabalhar, hoje em dia há escassez de mão de obra um pouco por todo o Brasil o que provoca uma baixa na produtividade das obras, associada à heterogeneidade da mão de obra disponível da qual parte dela é pouco qualificada e relativamente também pouco produtiva. Contudo, essa problemática é confrontada hoje em dia com uma especial ferramenta de trabalho. Desenvolvido no âmbito de um programa de gestão de produtividade de uma das maiores empresas petrolíferas brasileiras por uma parceria entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro e pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro, este modelo de gestão da produtividade teve o seu início registado no ano de 2007. No entanto, a sua denominação ainda não foi especificamente atribuída, pelo que, no presente trabalho este modelo vai ser referido como modelo de estratificação. O presente capítulo é destinado a falar da sua necessidade de desenvolvimento, das dificuldades inseridas nesse desenvolvimento, do seu funcionamento e das suas vantagens. No capítulo 6 apresenta-se um caso prático que serve de ilustração da metodologia desenvolvida nas duas referidas Escolas, e que é apresentado e discutido neste capítulo. Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 52 5.2. MOTIVAÇÃO E NECESSIDADE DE DESENVOLVIMENTO Com o constante crescimento da indústria da construção, tanto no desenvolvimento dos métodos de trabalho como no uso de novos materiais, surgiu a necessidade de evoluir também a capacidade produtiva. Com um mercado cada vez mais competitivo, as empresas lutam com tudo o que têm para se manterem bem classificadas, conseguindo dessa forma ganhar novos projetos. Esta competição desencadeou uma grande preocupação sobre o bom aproveitamento dos recursos em obra e as duas conclusões mais comuns para justificar uma baixa de produtividade são a falta de recursos, tanto em quantidade como em qualidade, ou a má formação da mão-de-obra, tal como foi descrito na introdução. As duas razões mais expressivas para o desenvolvimento de um modelo de gestão da produtividade são o facto de, com essa ferramenta, se poder controlar de forma mais adequada os custos e os prazos e assim conseguir definir de uma maneira mais assertiva o planeamento de uma obra, levando desta forma a um melhor desenvolvimento da mesma. No que toca à primeira razão, e através da definição do indicador de medição de produtividade usado no presente trabalho, RUP, conseguimos compreender matematicamente quais são as ações indicadas para reduzir o tempo de uma tarefa, que tem influência direta no prazo e custo da empreitada. !"# =!"#$%&'&!!"#$%&'("$ !"#$%$&'!!"!!"í!" (5.1.) então, !"# =!ã!!!"!!"#$×!"#$% !"#$%$&'!!"!!"í!" (5.2.) O tempo é então definido da seguinte maneira: !"#$% =!"#×!"#$%$&'!!"!!"í!" !ã!!!"!!"#$ (5.3) Ou seja, as duas únicas maneiras que permitem reduzir o tempo de execução de uma tarefa passam por aumentar o número de trabalhadores (mão de obra) ou melhorar a produtividade, reduzindo o valor da RUP. A primeira hipótese envolve grandes custos e não garante um avanço na obra, pois os trabalhadores podem não ser eficientes da mesma maneira ou o local de trabalho pode até ficar muito congestionado para trabalhar. Fica então a segunda hipótese, que aparenta ser a mais viável. No que toca à segunda razão, fica bem claro que o bom acompanhamento de uma obra garante uma boa consciencialização das medidas necessárias para o seu bom desenvolvimento, permitindo assim atingir um planeamento de sucesso para a mesma. Desta forma cresce a necessidade constante de desenvolver um método capaz de dar resposta a esta grande problemática que afeta sistematicamente as obras por todo o mundo. É cada vez mais requerida uma monitorização dos estaleiros, por muito que a sua grande dimensão e quantidade de variáveis o dificulte, pois uma empreitada lucrativa é na maior parte dos casos fruto de um bom nível de produtividade em obra. 5.3. DIFICULDADES DE DESENVOLVIMENTO Após a leitura referente à análise dos vários métodos que permitiam de formas diferentes efetuar uma medição de produtividade apresentada nos capítulos anteriores, é claramente perceptível a grande dificuldade que vem vinculada à criação de um método eficaz. Os métodos analisados anteriormente apresentavam de facto algumas premissas bem fundamentadas para o cumprimento do seu objetivo, no entanto acabavam sempre por não conseguir uma aceitação 100% segura, quando eram submetidos a provas práticas. Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 53 Para se conseguir o bom desenrolar de uma obra (entenda-se: bons resultados nos indicadores de produtividade) é necessário ter um conhecimento aprofundado da mesma, pois este vai gerar automaticamente uma consciencialização daquilo que corre menos bem dentro desta, permitindo desta forma a introdução de medidas corretivas. Segundo o artigo A New Model Of Productivity Management as an aid to Deadline Management [19], para obter a gestão eficaz do conhecimento de uma construção é necessário o seguinte conjunto de fatores: • Uma base de dados consistente; • Profissionais qualificados e com experiência para proceder à sua análise; • Disponibilidade temporal por parte dos supervisores e empreiteiros para proceder à recolha de dados; • Existência de formas de disseminação de boas práticas; • Períodos de tempo suficientemente grandes para conseguir assimilar as boas práticas. Para conseguir dar resposta a todas estas exigências são necessários, entre alguns aspectos que dizem respeito à divisão de recursos humanos da própria empresa, a consolidação de uma base de dados confiável, bastante abrangente e a divulgação rápida da informação contida nessa mesma base de dados. É precisamente aqui que os métodos estudados apresentam falhas, provando a grande dificuldade de criação de um modelo que dê resposta a todos estes requisitos simultaneamente. Além deste pormenor, é ainda necessário ter em conta o custo de implementação do método e os seus custos operacionais, na medida em que o objetivo passa também por desenvolver um modelo que seja viável financeiramente. As empresas que sejam consideradas como possíveis interessadas na aquisição deste modelo de gestão de produtividade, têm que ver logo à partida no mesmo a simplicidade dos processos de operacionalização/entendimento dos dados, bem como o seu custo atrativo de implementação e operacionalização. Só assim este modelo é apresentado de uma forma vantajosa. Deixando a parte operacional de lado e focando a atenção no resultado final, é possível identificar mais falhas provenientes dos métodos abordados anteriormente. O objetivo comum a todos eles passa por determinar um valor final de produtividade que seja representativo da situação real do estaleiro. No entanto, a real dificuldade não é conseguir apresentar o valor, mas sim conseguir explicá-lo, identificando claramente de onde são provenientes as perdas de produtividade e as razões que impulsionaram o seu acontecimento. Há também que conseguir destacar claramente o impacto de cada um dos fatores, pois estes variam constantemente. Esta tarefa requer uma recolha e processamento de dados muito minuciosos. Se o método for aplicado a uma indústria de produção em série, tudo se torna mais fácil. Aqui os trabalhadores estão devidamente treinados para executar a sua tarefa, não tendo necessidade de abandonar o seu local de trabalho. O local de trabalho foi pensado e desenhado para a correta execução das tarefas e todo o controlo dos trabalhadores é mais simplificado devido à arrumação mais ou menos fixa dos equipamentos e dos postos de trabalho neste tipo de indústrias. No que toca a uma obra, as coisas já são bem mais complicadas. Os trabalhadores são muitas das vezes pouco qualificados, pouco preparados para a tarefa que lhes foi designada e têm uma necessidade constante de abandonar o local de trabalho, tanto para obter materiais e ferramentas como para permitir a movimentação dos restantes elementos da obra. Nesse contexto, o estaleiro de obra, apesar de ser objeto de uma ação de concepção refletida, não é muitas vezes um local que prima pela organização e a adequada disponibilidade de materiais e equipamentos para realizar as tarefas correntes de obra não é muitas vezes uma constante. Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 54 Fica então bem clara a envergadura do projeto desenvolvido por esta parceria de duas universidades brasileiras e as dificuldades que tiveram que ser ultrapassadas para a validação bem sucedida do mesmo. 5.4. FUNCIONAMENTO DO MODELO Para uma melhor compreensão do modo de funcionamento do modelo, é apresentado no presente subcapítulo um descrição detalhada de todo o seu processo, apresentando alguma das premissas que o mesmo engloba, assim como o funcionamento do seu software. O modelo estudado no presente capítulo tem como objetivo garantir a análise detalhada da produtividade de uma obra, conseguindo identificar as atividades que prejudicam os valores dos indicadores de produtividade, propondo finalmente medidas mitigadores para as mesmas. Segundo o artigo A New Model of Productivity Management as an aid to Deadline Management [19], o modelo assume que: • A produtividade é influenciada por todos os interessados (pessoal, subcontratados) envolvidos e a sua melhoria requer ações coordenadas, envolvendo necessáriamente o dono de obra e o empreiteiro; • Os níveis de adesão e compromisso dos interessados são diretamente proporcionais ao sucesso da análise crítica das perdas de produtividade reveladas; • A redução da incerteza no que toca aos custos e prazos limite obriga a uma melhor gestão do conhecimento, aliada a uma gestão competente dos riscos de uma forma qualitativa e quantitativa; • A implantação da gestão de produtividade, fundada numa base de dados de medições de produtividade, constitui uma parte relevante deste processo. • A validação da informação que vai alimentar a base de dados tem que ser realizada por uma organização independente; • A qualidade da informação avaliada por parâmetros como consistência, veracidade e confiança é diretamente associada com a qualidade das medidas mitigadoras; • É essencial que a informação de produtividade seja disponibilizada a toda a hora, permitindo uma monitorização contínua de tudo o que acontece no estaleiro. O modelo de estratificação é composto por cinco fases distintas, tal como se encontra representado na Figura 5.1. Fig. 5.1. – Fases do modelo de estratificação 5.4.1. PLANEAMENTO DE AVALIAÇÃO A primeira fase diz respeito à escolha de todo o âmbito do trabalho analisado. Em primeiro lugar define-se o objeto físico que vai ser construído, seguindo depois para a definição da tarefa que garante parte da sua composição total e terminando na definição da medida adoptada para as unidades de saída (ou quantidade de serviço executada). Na tabela 5.1. são apresentados alguns exemplos de elementos Planeamento da avaliação Avaliação Processamento de dados Análise de resultados Comunicação de resultados e acções Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 61 Fig. 5.7. – Exemplo de representação gráfica de RUP cumulativa (adaptado de [21]) Por fim podem ainda ser introduzidas as réguas de produtividade no gráfico apresentado em cima, ficando o mesmo com a apresentação visual da Figura 5.8. Fig. 5.8. - Exemplo de representação gráfica da produtividade cumulativa com réguas referentes à primeira classe de atividades (adaptado de [21]) Por fim, é apresentada na Figura 5.9. a disposição gráfica usada no método de estratificação. Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 62 Fig. 5.9. – Disposição gráfica usada no modelo de estratificação (adaptado de [21]) Na Figura apresentada anteriormente é possível ver a segunda e terceira classe de atividades (ID2 e ID3) A segunda classe de atividades para este exemplo de tarefa analisada estratifica a atividade de paralisação (ID1) em: • Outros – Outras razões de situação improdutiva; • Ócio – Paralisação por falta de atividade; • Cargas – Paralisação por movimentação de cargas; • Autorizações – Paralisação por espera de autorização para execução de serviço; • Ferramentas – Paralisação por falta de ferramentas e equipamentos; • Soldador – Paralisação por espera de soldador; • Fiscal – Paralisação por espera do fiscal; • Falta instruções – Paralisação por espera de instruções; • Andaime – Paralisação por espera de andaimes. A segunda classe de atividades (ID2) é ainda estratificada na terceira classe de atividades (ID3) que é composta pelas seguintes atividades: • Aguardar outras instruções durante o dia – Paralisação aguardando outras instruções; • Aguardar a primeira instrução do dia – Paralisação aguardando a primeira instrução do dia. 5.4.4. ANÁLISE DE RESULTADOS Na quarta fase do processo, são analisados todos os resultados obtidos, tendo em consideração todas as informações de contexto e conteúdo reunidas pelo técnico, para posteriormente conseguir apresentar medidas mitigadoras que, quando aplicadas, consigam modificar os valores obtidos. Para o caso da montagem de uma tubagem os fatores de conteúdo tidos em conta são o diâmetro das tubagens a instalar, o material das mesmas e o seu comprimento. Estes fatores podem simplificar Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 63 bastante o trabalho dos operários fazendo com que os seus indicadores de produtividade melhorem. É de esperar que na instalação de uma tubagem, a tarefa fique mais simplificada se a peça for mais leve e consequentemente mais manuseável. Outro dos fatores que afetam a produtividade de uma maneira bastante representativa são os fatores de contexto. Neste método são tidos em conta vários fatores, nomeadamente a caracterização do solo do estaleiro, as condições em que se encontra o mesmo, a amplitude do local onde está a ser realizada a tarefa e os equipamentos disponíveis para trabalhar. São contabilizadas ainda a distância do local de trabalho ao refeitório, na medida em que a perda de tempo pode ser mais reduzida se esta distância for mais curta, assim como o facto de a tarefa ter de ser realizada num piso mais elevado. Todos os componentes referidos anteriormente têm grande influência no desempenho da equipa de trabalho, podendo desta forma influenciar muito os valores dos indicadores de produtividade. É portanto da maior importância que os resultados gerados sejam cuidadosamente analisados para que as medidas mitigadoras sejam verdadeiramente eficientes. É obvio que alguns dos fatores que influenciam os trabalhos não podem ser diretamente melhorados como é o caso das más condições atmosféricas. No entanto, para este caso específico, é sempre possível sugerir uma melhor realização do planeamento, consultando os boletins meteorológicos e tentando escolher as tarefas que podem ser realizadas em condições mais adversas, planeando as mesmas para os dias em que as condições são menos favoráveis. A estratificação dos gráficos apresentada na fase anterior permite perceber onde residem os valores que realmente prejudicam a produtividade construtiva. Na Figura 5.10. é apresentado um exemplo de uma avaliação de produtividade estratificada para a qual são apresentadas possíveis algumas medidas mitigadoras. Fig. 5.10. – Exemplo de avaliação de produtividade com estratificação do primeiro nível de atividades (adaptado de [21]) Na imagem apresentada é estratificada a atividade de deslocamento (ID1) nas seguintes atividades de segunda classe: Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 64 • Outros – Deslocamentos por outras razões; • Equipamentos – Deslocamento de equipamentos; • Entradas – Entrada no estaleiro; • Saídas – Saída do estaleiro; • Estaleiro – Deslocamentos dentro do estaleiro; • Vestuário – Deslocamentos até aos vestuários; • Refeitório – Deslocamentos até ao refeitório. Perante as causas apontadas para o grande consumo de tempo em deslocamentos é possível apontar alguns exemplos de medidas mitigadoras que consigam aproveitar esse tempo, para melhorar a eficiência dos trabalhadores na construção. Esses exemplos são apresentados a seguir: • Melhoria das condições de acesso ao estaleiro; • Melhoria da eficiência do controlo feito na entrada e na saída do estaleiro aos trabalhadores; • Melhoria das condições de circulação dentro do estaleiro, estudando melhor a organização do mesmo; • Melhoria da disponibilidade dos equipamentos necessários para a execução das tarefas, aplicando aparelhos de rádio frequência para localização mais rápida dos mesmos; No final do desenvolvimento das medidas mitigadoras fica concluída a quarta fase do método de estratificação. 5.4.5. COMUNICAÇÃO DOS RESULTADOS E AÇÕES Na apresentação dos resultados e ações é muito importante ter uma base de dados recolhidos em obra. Isto permite uma leitura da evolução da produtividade, podendo assim provar a eficiência das medidas mitigadoras. Nesta fase do projeto é normalmente feita uma apresentação das maiores dificuldades enfrentadas no sentido de conseguir avaliar a produtividade ( por exemplo: restrição ao acesso de informação da empresa), os benefícios das medidas implementadas, os custos envolvidos na aplicação do programa e os próximos passos a dar, no sentido de melhorar a aplicação do modelo de estratificação. Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 65 6 Caso Prático 6.1. PRIMEIRA CLASSE DE ATIVIDADES Neste capítulo, é exposto, genericamente apresentado no capítulo 5 um caso prático que permite uma melhor percepção de todo o modelo de estratificação. É importante referir que o caso prático apresentado é apenas um exemplo de tratamento, apresentação e análise de dados, sendo que não se trata de uma obra real. A razão pela qual foi adotado este exemplo prático, foi motivada pela simplificação de todo o processo que permite uma compreensão mais rápida de todo o método. Isto é, quando a aplicação deste modelo é feita em obra, as observações registam todos os movimentos dos trabalhadores durante o dia de trabalho. Desta forma, são geradas inúmeras informações acerca da equipa de trabalho, que permitem executar uma avaliação de produtividade com muito maior rigor. No entanto, como o objetivo deste caso prático é o de ilustrar toda a simplicidade do processo, foi adotado um exemplo prático no qual as observações dos trabalhadores são feitas em períodos de meia hora, simplificando assim o tratamento dos dados e facilitando a compreensão dos leitores. Para garantir a compreensão das siglas usadas na tabela que reúne as informações recolhidas em obra, são primeiramente apresentadas as tabelas referentes ao níveis de atividades usados. A estratificação das atividades é feita em dois níveis, sendo que a avaliação da produtividade se concentra nas paragens registadas durante o trabalho. Esta avaliação tem como auxílio a atribuição das atividades que se encontram explicadas nas tabelas 6.1. e 6.2. Tabela 6.1. – Primeira classe de atividades ID1 C Canteiro (Estaleiro) D Deslocamento P Paralisação Dy Atraso M Mobilização S Serviço A primeira classe de atividades é composta por seis diferentes conceitos e tem em conta aspectos relacionados com: Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 66 • Canteiro (Estaleiro); • Deslocamentos realizados pelos trabalhadores dentro do mesmo; • Paralisações; • Atrasos; • Mobilizações de materiais e ferramentas; • Serviço executado pelos operários. (ver tabela 6.1.) o canteiro (estaleiro), os deslocamentos realizados pelos trabalhadores dentro do mesmo, as paralisações, os atrasos, as mobilizações de materiais e ferramentas e ainda o serviço que estes executam. 6.2. SEGUNDA CLASSE DE ATIVIDADES Quanto à segunda classe apresentada, composta por onze atividades, esta detalha de uma maneira mais precisa aquilo que efetivamente aconteceu durante a primeira classe de atividades. A estratificação mais extensa e mais problemática no que toca aos custos e atrasos de uma obra é a “paralisação”. Esta apresenta cinco razões para a mesma suceder, considerando as paralizações que ocorrem quando se tem que esperar pela finalização de uma tarefa precedente, quando se tem que esperar pela disponibilidade de materiais e equipamentos, quando a tarefa é interrompida pela chuva, quando a tarefa é interrompida sem razão aparente e quando a tarefa é atrasada pela necessidade de montagem de suporte, do tipo andaime ou similar. Tabela 6.2. – Segunda classe de atividades ID2 C.DDS Realização de diálogo de segurança D.DESL Deslocamentos variados dentro do canteiro M.MOBI Mobilização para início e fim de serviço DY.DELAY Atraso: colaborador aguardando momento para entrar em ação S.SERV Execução do serviço P.AGT Parado aguardando liberação da tarefa P.AGM Parado aguardando material P.OCIO Parado sem motivo aparente P.AGS Parado aguardando montador de suporte P.CHUVA Parado em decorrência de chuvas DI.T. Distribuição de tarefas Convém desde já salientar de novo que a estratificação de segundo nível deverá ser preparada em função de cada situação concreta de atividade. Neste caso, entende-se que apenas a atividade “paralisação” de primeiro nível merecia estratificação. Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 67 6.3. RECOLHA DE INFORMAÇÕES EM OBRA As informações acerca das atividades desenvolvidas pelos trabalhadores durante cinco dias de obra estão apresentadas nas tabelas 6.3. a 6.7. Tabela 6.3. – Dados recolhidos em obra no primeiro dia Tabela 6.4. – Dados recolhidos em obra no segundo dia Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 68 Tabela 6.5. – Dados recolhidos em obra no terceiro dia Tabela 6.6. – Dados recolhidos em obra no quarto dia Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 69 Tabela 6.7. – Dados recolhidos em obra no quinto dia Na análise do caso prático, são considerados alguns pressupostos mencionados anteriormente, como por exemplo o facto de ser apenas considerada a mão de obra direta na contabilização dos dados para posterior avaliação da produtividade. Como é possível verificar na tabela apresentada acima, a equipa é composta por 5 elementos, sendo que são contabilizados todos eles com a exceção do encarregado. São ainda apresentados na primeira linha da referida tabela as remunerações de cada um dos trabalhadores e a quantidade de serviço realizada em cada dia designada com a sigla QS. O processo de coleta dos dados passa pelo observador atribuir a cada um dos trabalhadores uma classe de atividades em períodos de observação de 30 minutos. 6.4. ESTUDO DOS DADOS Para dar início ao estudo dos dados apresentados nas tabelas 6.3. a 6.7. é necessário calcular algumas relações para conseguir obter a mão de obra e o tempo dispendido pela mesma em cada atividade. Como foi referido anteriormente, é apenas considerada a mão de obra direta, o que faz com que sejam apenas contabilizados os três oficiais e um ajudante. Desta forma, é necessário fazer uma relação entre os seus custos, tendo como referência o salário mais elevado. Esta consideração imprime nos cálculos a importância que cada funcionário tem na execução da tarefa avaliada. No início das tabelas é possível verificar que o Oficial 1 e 2 têm uma remuneração de 10 R$/hora, o Oficial 3 (designado como 1/2 Oficial na tabela) tem uma remuneração de 8R$/hora e o Ajudante tem uma remuneração de 6R$/hora. Sendo assim a relação fica estabelecida da seguinte maneira: 1!ℎ!"#$#%&!3=1×!!$ !"!$=0,8!ℎ!!"#$#%& (6.1.) 1!ℎ!"#$!%&' =1×!!$ !"!$=0,6!ℎ!!"#$%&'( (6.2.) Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 70 Visto que cada célula das tabelas 6.3. a 6.7. representa um período de 30 minutos, é considerado metade do valor de Hh para os oficiais e ajudantes contabilizados. Para proceder à contabilização do valor total de Hh (Homem hora) é necessário contar diariamente quantas vezes os funcionários executam as atividades previamente definidas. Essa contabilização está representada nas tabelas a seguir. É importante salientar que as atividades dos Oficiais 1 e 2 são contabilizadas como um todo, visto que a remuneração salarial é igual para ambos. A tabela 6.8. representa os dados para o primeiro dia de trabalho, no qual a quantidade de serviço foi de 1,5. Tabela 6.8. – Contabilização das atividades do primeiro dia Atividade Oficiais (2) ½ Oficial (1) Ajudante (1) Total Hh (atividade×FC) Rup(Hh/Qs) C.DDS 2 1 1 1,7 1,13 D.DESL 6 4 3 5,5 3,67 M.MOBI 0 4 4 2,8 1,87 DY.DELAY 0 2 0 0,8 0,53 S.SERV 17 5 3 11,4 7,60 P.AGT 5 2 2 3,9 2,60 P.AGM 2 0 0 1,0 0,67 P.OCIO 0 0 5 1,5 1,00 P.AGS 4 0 0 2,0 1,33 P.CHUVA 0 0 0 0,0 0,00 Total de ½ horas 36 18 18 Fator de conversão (FC) 0,5 0,4 0,3 Total 18 7,2 5,4 30,6 20,4 Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 77 analisados. Sendo assim, pegando na RUP potencial, na RUP diária e na RUP cumulativa é possível construir o gráfico da Figura 6.1. Fig. 6.1. – Evolução dos indicadores de produtividade O gráfico apresentado anteriormente oferece então três tipos de informação distinta através de três indicadores distintos. A RUP potencial, tal como foi atrás referido, reflete a melhor situação possível de atingir para a tarefa observada, ou seja a situação para a qual os fatores de conteúdo e contexto são favoráveis à boa execução da tarefa. A RUP diária oferece uma visão geral da oscilação dos indicadores de produtividade durante os dias observados. É então possível concluir que, durante os primeiros dois dias, este indicador de produtividade sofre um ligeiro aumento, aumentando consideravelmente no terceiro dia. No quarto dia o mesmo sofre uma queda significativa e no último dia volta a escalar para um valor consideravelmente mais alto. Por fim é possível analisar a evolução dos indicadores de produtividade durante o período de tempo observado, com recurso à RUP cumulativa. É possível verificar que os valores assumem uma variação constantemente crescente com maior acentuação no terceiro e quinto dias. Com recurso a este gráfico é possível retirar logo à partida algumas conclusões sobre a produtividade verificada em obra, embora esta informação não seja suficiente. A grande dificuldade da aplicação deste método reside na compreensão das razões que motivam as variações dos indicadores de produtividade verificadas. Para conseguir obter esta informação é necessário tratar mais detalhes relativos às condições de trabalho para conseguir entender perfeitamente aquilo que se passa no estaleiro. Desta forma são apresentados seguidamente alguns gráficos que ajudam a conseguir reproduzir a situação real em papel. Em seguida são apresentadas nas Figuras 6.2. e 6.3. as réguas de produtividade diária, relativas ao primeiro e segundo nível de atividades respetivamente. Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 78 Fig. 6.2. – Réguas de produtividade diárias referentes aos cinco dias observados A Figura 6.2. representa, para o primeiro nível de atividades, as réguas de produtividade verificadas, durante os cinco dias de obra em estudo. O gráfico oferece uma visão diária dos valores dos indicadores de produtividade, detalhando numericamente a distribuição da equipa de trabalho pelas diferentes atividades pré-definidas. Tal como evidenciado na Figura 6.1., é perceptível que, durante os dois primeiros dias, há um ligeiro crescimento dos valores de RUP, sendo que no terceiro dia reside o crescimento mais acentuado, passando depois por uma brusca diminuição no quarto dia e finalizando a avaliação com um novo aumento dos valores da RUP como resultado das circunstâncias negativas verificadas e das quais resulta o aumento de tempo improdutivo. No entanto, este gráfico já permite perceber a que se deveram todas essas variações, permitindo desta forma atuar com o intuito de melhorar os valores obtidos. Numa primeira fase, considerando apenas os três primeiros dias, é possível verificar que os valores das atividades de paralisação, serviço, mobilização e deslocamento sofreram as variações mais bruscas. No que toca à transição do terceiro para o quarto dia constata-se uma diminuição dos valores de todas as atividades, sendo que a menos acentuada é a atividade de serviço. Finalmente do quarto para o quinto dia verifica-se uma ligeira variação dos valores apresentados nas diferentes atividades, com exceção da paralisação que impulsiona o valor da RUP significativamente. Esta atividade foi a que sofreu maior aumento neste último dia. 1,1" 1,2" 3,4" 1,7" 6,8" 3,7" 3,9" 12,4" 5,9" 9,6" 1,9" 2,6" 6,6" 3,6" 4,8" 0,5" 0,6" 1,6" 0,8" 0,8" 7,6" 8,5" 15,8" 13,5" 6,6" 5,6" 5,1" 21,4" 5,5" 32,6" 0,0" 10,0" 20,0" 30,0" 40,0" 50,0" 60,0" 70,0" 1" 2" 3" 4" 5" H.h/Q.s$ Tempo(dias)$ ID1$ Paralisação" Serviço" Atrasos"(DY)" Mobilização" Deslocamento" Estaleiro" Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 79 Desta forma, vamos investigar o que levou a esta variação de valores recorrendo para isso à avaliação da Figura 6.3. Fig. 6.3. – Estratificação da atividade paralisação do primeiro nível de atividades Olhando primeiramente para o primeiro, segundo e quarto dias, que apresentaram valores semelhantes de RUP, é possível perceber que as várias atividades de segundo nível que compõem a atividade de primeiro nível “paralisação” apresentam valores muito semelhantes. O grande problema reside no terceiro e quinto dias, os quais provocam as oscilações mais significativas no gráfico. É possível constatar que, no terceiro dia, o grande valor apresentado pela atividade paralisação foi causado maioritariamente pelas paragens devido à falta de material disponível para construção (P.AGM) e devido à espera de conclusão de tarefas precedentes (P.AGT). A paragem sem razões aparentes (P. OCIO), tem também alguma expressão no aumento total do valor de RUP, embora seja muito pouco significativo quando comparado com as outras. No quinto dia a paragem devido às más condições atmosféricas (P.CHUVA) foi a maior culpada para o grande valor apresentado pela RUP diária, estando este valor também influenciado pela paragem devido à espera pela conclusão de uma tarefa antecedente (P.AGT). Existe ainda um aumento das paragens sem razão aparente e das paragens para aguardar a montagem de suporte para realização da tarefa. Com base nesta estratificação é então possível tentar aplicar medidas que reduzam os atrasos verificados nos dois dias, com exceção dos atrasos provocados pelas condições adversas que são sempre imprevisíveis e não aplicáveis. 2,6" 3,7" 7,8" 3,9" 9,8" 0,7" 0,0" 8,4" 0,0" 0,0" 1,0" 0,6" 1,2" 0,6" 2,2" 1,3" 0,7" 4,0" 1,0" 2,0" 0,0" 0,0" 0,0" 0,0" 19,4" 0,0" 5,0" 10,0" 15,0" 20,0" 25,0" 30,0" 35,0" 40,0" 1" 2" 3" 4" 5" H.h/Q.s$ Tempo(dias)$ ID2$ P.CHUVA" P.AGS" P.OCIO" P.AGM" P.AGT" Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 80 Passando agora para a análise das réguas de RUP cumulativa, é possível ter uma noção da evolução dos valores obtidos para o indicador de produtividade, ao longo do período observado. A representação deste indicador de produtividade é feita nas Figuras 6.4. e 6.5. Fig. 6.4. – Réguas de produtividade cumulativa Na Figura 6.4. fica bem visível a situação relatada na Figura 6.2. na medida em que é visível o crescimento acentuado no terceiro e quinto dias. Se forem analisados os dados apresentados na Figura 6.2. verifica-se que, durante o primeiro e segundo dias, os valores da RUP cumulativa apresentam um ligeiro crescimento proveniente da diferenças verificadas nas atividades “canteiro” (crescimento de 1,1 para 1,2), “deslocamento” (crescimento de 3,7 para 3,9), “mobilização” (crescimento de 1,9 para 2,6), “atraso” (crescimento de 0,5 para 0,6) e “serviço” (crescimento de 7,6 para 8,5). No terceiro dia verifica-se um crescimento bastante acentuado, provocado maioritariamente pelas grandes diferenças de valores verificadas nas atividades “deslocamento”, “mobilização”, “serviço” e “paralização”. Do terceiro para o quarto dia, o crescimento é pouco significativo, sendo que no quinto dia este volta a assumir um valor consideravelmente maior. Estas variações são todas representadas, embora com menor ênfase na Figura 6.4. pelo facto do mesmo tratar dos valores cumulativos, baseando-se nos valores diários. Esta análise permite conhecer o comportamento produtivo da obra, incentivando a procura pelos erros que levam ao aumento dos valores. Tal como na situação em que são avaliados os indicadores de produtividade diária, é também possível, neste caso, estratificar a atividade de paralisação, atividade que apresentou a variação mais significativa. 1,13" 1,17" 1,5" 1,55" 2,08" 3,67" 3,79" 5,06" 5,16" 5,61" 1,87" 2,21" 2,85" 3,02" 3,2" 0,53" 0,55" 0,71" 0,77" 0,73" 7,6" 8,03" 9,18" 10,16" 9,8" 5,6" 5,34" 7,71" 7,2" 9,8" 0" 5" 10" 15" 20" 25" 30" 35" 1" 2" 3" 4" 5" H.h/Q.serv$ Tempo(dias)$ ID1(2)$ Paralisação" Serviço" Atraso"(DY)" Mobilização" Deslocamentos" Estaleiro" Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 81 Fig. 6.5. – Régua de produtividade cumulativa para a segunda classe de atividades Tal como na Figura 6.4., a Figura 6.5. diz respeito aos valores cumulativos da atividade paralisação, mostrando com clareza a sua variação ao longo do período observado. Verifica-se portanto uma diminuição do primeiro para o segundo dia, provocado maioritariamente pelas atividades referentes à paralisação devido à necessidade de montagem de suporte, devido a paragens sem motivo aparente e devido à paralização por falta de material necessário para trabalhar. Como tinha sido referido anteriormente, no terceiro dia analisado, foi verificado um aumento da paralisação da equipa de trabalho devido à espera provocada pela escassez de material necessário para trabalhar e devido à espera do cumprimento de uma tarefa precedente. No quinto dia verifica-se o aumento dos valores da RUP devido à chuva e devido à espera pela conclusão de uma tarefa precedente. Esta estratificação explica mais detalhadamente as variações representadas no gráfico referente às réguas de produtividade baseadas na primeira classe de atividades, permitindo detectar a raiz dos problemas e mitigar os mesmos. Com recurso à RUP cumulativa é ainda possível apresentar uma representação mais geral de todo o período analisado. Na Figura 6.6. é apresentada a avaliação dos indicadores de produtividade semanais. Este tipo de informação é mais frequentemente utilizado, quando se pretende retratar um período mais longo de análise sem sobrecarregar o público alvo desta análise com muita informação. A representação apresentada na Figura 6.6. é a mais usual na construção de gráficos que permitem a explicação da situação verificada em estaleiro. Assim como o método em estudo, esta representação prima pela simplicidade para garantir melhores condições de entendimento das situações que necessitam de mitigação. A Figura apresenta um resumo do período de tempo analisado, composto pelas duas classes de atividades representadas em simultâneo, transmitindo a ideia do que não correu da melhor maneira. 2,6" 3,14" 3,82" 3,84" 4,37" 0,67" 0,34" 1,53" 1,18" 1,43" 1" 0,83" 0,88" 0,82" 0,96" 1,33" 1,03" 1,47" 1,36" 1,43" 0" 0" 0" 0" 1,98" 0" 2" 4" 6" 8" 10" 12" 1" 2" 3" 4" 5" H.h/Q.serv$ Tempo(dias)$ ID2(2)$ P.CHUVA" P.AGS" P.OCIO" P.AGM" P.AGT" Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 82 Fig. 6.6. – Estratificação semanal composta pelas duas classes de atividades No entanto esta informação não pode ser considerada isoladamente, tendo necessidade de se conhecer a RUP potencial para se conseguir indicar se o valor apresentado é positivo ou não. Visto que o valor deste indicador para o caso em estudo é de 21,86, podemos concluir que o valor semanal apresentado é ligeiramente elevado. Apesar das atividades que mais contribuem para esse valor serem “serviço” e “paralisação”, há ainda uma forte contribuição por parte da atividade “deslocamento”. É possível verificar, através da estratificação da atividade paralisação, que durante o período de tempo estudado o valor da paralisação foi maioritariamente causado por todas as atividades que compõem a estratificação apresentada, com exceção da paralisação sem razão aparente que apresentou o menor valor. Os valores apresentados demonstram que a atividade de segundo nível que teve mais influência foi a paralisação devido à espera de conclusão de tarefas precedentes, atividade que esteve presente com destaque nos dias de maiores variações dos indicadores de produtividade, o terceiro e quinto dias. Seguidamente vem a paralisação, devido às más condições atmosféricas, por ter tanta relevância nas paralisações verificadas no quinto dia. Em último lugar, para concluir toda a análise com o maior número de informações disponíveis para identificar os problemas verificados em obra, é ainda possível apresentar a percentagem de distribuição da mão de obra pelas diferentes atividades pré-definidas. Essa informação é apresentada na Figura 6.7. Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 83 Fig. 6.7. – Representação da distribuição da mão de obra pela primeira classe de atividades Em primeiro lugar, é apresentada a distribuição da mão de obra pela primeira classe de atividades. Esta informação é conseguida com recurso à soma dos valores de Homem hora (Hh) de cada atividade. Com a observação deste gráfico é possível perceber a distribuição da equipa de trabalho, podendo desta forma perceber-se quando há excesso ou falta de mão de obra em cada uma das atividades. Este tipo de informação é bastante benéfico para conseguir detectar problemas na gestão das equipas de trabalho em obra permitindo assim, com a mitigação destes problemas, a melhoria da produtividade. Através da observação do gráfico é possível perceber que, tal como na Figura 6.6., os valores apresentados para a atividade de serviço e paralisação são semelhantes. Este pormenor prova a interligação entre todos as figuras apresentadas anteriormente. Como é habitual, nesta avaliação também é possível estratificar a atividade paralisação para perceber melhor a distribuição da equipa de trabalho pelas diferentes atividades de segundo nível, estando esta estratificação apresentada na Figura 6.8. Essa estratificação revela uma situação semelhante à verificada na Figura 6.6., na medida em que a atividade que apresenta o maior valor é a paralisação devido à espera por conclusão de uma tarefa precedente. Era de esperar esta distribuição visto que a construção deste gráfico é feita com recurso a valores que compõem parcialmente a Figura 6.6., os Homem hora (Hh). Como é possível verificar na tabela 6.1., no quinto dia das oito até às onze horas da manhã, as condições climatéricas não permitiram a execução dos trabalhos e, como tal, o valor da distribuição da mão de obra representado na Figura 6.8. para a atividade que representa a paralisação devido a condições climatéricas adversas também assume uma fatia considerável no gráfico em questão. Seguidamente seguem-se em ordem decrescente de valores as paralisações por espera de montagem de suporte para execução da tarefa, as paralisações por falta de material e finalmente as paralisações sem razão aparente. Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 84 Fig. 6.8. – Representação da distribuição da mão de obra pela segunda classe de atividades 6.5. SÍNTESE – POTENCIALIDADES DO MODELO Como foi possível verificar com a apresentação e análise de todos os gráficos anteriormente apresentados, este método oferece um leque bem diverso de informações que permitem em conjunto propor medidas no sentido de melhorar a produtividade. A estratificação das atividades em vários níveis revela os pontos positivos e negativos dos processos de produção com respeito a eficiência/ ineficiência, permitindo desta forma detalhar o processo de forma a encontrar as causas responsáveis pela eficiência ou ineficiência. Deste modo o modelo de estratificação da produtividade prova ser relevante para a gestão da produtividade da mão de obra e para a gestão dos horários de trabalho porque: • Estratifica o indicador de produtividade em fracções quantificáveis, organizadas e estruturadas de acordo com o modelo hierárquico pré-concebido; • Aponta dois caminhos na melhoria da produtividade; Um deles é direcionado para a identificação dos fatores influentes na produtividade e o outro é direcionado para o tratamento dos fatores envolventes da produtividade; • Determina e quantifica o impacto da não produtividade da mão de obra; Os fatores envolventes (não produtivos) podem ser analisados em termos de frequência e relevância, favorecendo as ações mitigadoras. • Identifica e atribui responsabilidades pela não produtividade, favorecendo a identificação dos problemas que irão resultar em respostas mais rápidas e eficientes. A sua eficiência é também bastante elevada, na medida em que o tempo entre a recolha dos dados e a sua disponibilização para avaliação é de apenas alguns minutos graças ao software usado, o que torna o processo mais dinâmico, permitindo a mitigação imediata dos problemas. O facto do modelo respeitar as premissas do modelo dos fatores faz com que a interpretação das curvas de Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 85 produtividade seja bastante mais simplificada, na medida em que agrega automaticamente os fatores de conteúdo e de contexto ao indicador de produtividade, permitindo perceber as variações do mesmo. Um dos seus pontos fortes é o facto do modelo permitir a identificação sistemática e independente da influência dos principais interessados na produtividade. Isto é, promove a avaliação do impacto das ações dos empreiteiros de uma maneira quantitativa e qualitativa, contextualizando as impressões, percepções e sensos comuns, à luz dos dados recolhidos em obra. O estímulo oferecido no sentido de colecionar medidas de produtividade, nos diversos serviços construtivos, motiva o surgimento de ações para uma melhoria contínua dos principais envolvidos. Num aspecto mais global, os benefícios de implementação do método de estratificação de produtividade são os seguintes: • Apoio de processos de gestão de custos; • Apoio de processos de aceleração do cumprimento de prazos; • Apoio à gestão de risco do processo de término de prazos; • Incremento da fiabilidade geral do processo de planeamento; • Identificação precoce das perdas de produtividade; • Mitigação do impacto das perdas de produtividade; • Incremento da fiabilidade de orçamentos; • Mitigação dos impactos diretos e indiretos das perdas de produtividade, incluindo conflitos associados à gestão contratual; • Suporte de processos contínuos de melhoria. Avaliação da Produtividade na Construção no Brasil 86