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Sobrecarga psicológica e percepção de stress em cuidadores informais

Cristina Queirós,V. Silva,A. Marques

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Cristina Queirós1,2, Vanessa Silva2& António Marques1 A prestação informal de cuidados é considerada uma actividade desgastante, com repercussões a nível físico, psicológico e social para o cuidador, resultado da pluralidade de tarefas que este tem que desempenhar e das mudanças que este papel representa na sua vida. Ser cuidador informal implica um elevado gasto de tempo e energia, um conflito com o desempenho de outros papéis familiares e sociais, uma sobrecarga psicológica grande que frequentemente provoca exaustão, depressão e stress crónico (Andrade, 2008; Borg & Hallberg, 2006; Laitinen, 1993; Paúl, 1997). Contudo, cada cuidador perspectiva de modo diferente o stress e avalia os acontecimentos através de uma grelha de leitura própria, podendo as situações não se revelarem igualmente ameaçadoras e stressantes para todos os cuidadores. Pretendeu-se conhecer a sobrecarga psicológica (burden) e a percepção de stress em cuidadores informais, tentando verificar a relação entre ambas e se variam em função de características do cuidador e do doente. - Andrade, A.M (2008). Caracterización psicosocial de cuidadores informales de adultos mayores con demencia. Revista Cubana de Salud Pública, 34 (3), 1-12. - Borg, C. & Hallberg, I. (2006). Life satisfaction among informal caregivers in comparison with non-caregivers. Scandinavian Journal of Caring Sciences, 20, 427-438. - Laitinen, P. (1993). Participation of caregivers in elderly patient hospital care: informal caregiver approach. Journal of Advanced Nursing, 18, 1480-1487. - Mota Cardoso, R., Araújo, A., Ramos, R.C., Gonçalves, G. & Ramos, M. (2002). O stress nos professores portugueses: estudo IPSSO 2000. Porto: Porto Editora. - Paúl, M.C. (1997). Lá para o fim da vida. Idosos, família e o meio ambiente. Coimbra: Almedina. - Scazufca, M. (2002). Brazilian version of the burden interview scale for the assessment of burden of care in carers of people with mental illnesses. Revista Brasileira de Psiquiatria, 24 (1), 12-17. Participantes: 76 cuidadores informais de doentes internados ou em ambulatório recente em hospitais do distrito do Porto (57% dos doentes com AVC, 43% com lesão medular ou traumatismo crânio-encefálico, com internamento em média há 6 meses, média idade do doente 51.2); 31 (41%) do sexo masculino e 45 (59%) do sexo feminino; média idade = 46.6; estado civil: 47 (62%) casados ou em união de facto, 18 (24%) solteiros e 11 (15%) divorciados ou viúvos; habilitações literárias: 21 (28%) com ensino básico, 27 (36%) com 9º ano, 15 (20%) com 12º ano e 13 (16%) com bacharelato ou licenciatura; relação de parentesco com o doente: 19 (25%) filhos do doente, 10 (13%) pais do doente, 40 (53%) cônjuge, 7 (9%) irmão ou primo. Instrumentos: Caracterização sócio-demográfica; Escala de Avaliação do Burden (de Zarit & Zarit, 1987) na versão portuguesa de Scazufca (2002) com α=0.79; Escala de Percepção de Stress (de Cohen et al., 1983) na versão portuguesa de Mota Cardoso et al. (2002) com α=0.85. Procedimento: Questionário de auto-preenchimento, anónimo e confidencial após autorização dos hospitais, recolhido em 2009 junto dos cuidadores aquando da vinda ao hospital. Análise dos dados: Comparação de médias através do Teste t de Student ou OneWay Anova, e análise de correlações através do R de Pearson, utilizando o SPSS 15. M Mé étodo todo Tabela 1. Comparação das médias de percepção de stress e de burden (sobrecarga psicológica) Resultados Resultados 1Laboratório de Reabilitação Psicossocial (F.P.C.E. - U.P. / E.S.T.S.P. -I.P.P.), Portugal 2 Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, Portugal cqu[email protected]t [email protected] [email protected] Objectivos Objectivos Sobrecarga psicológica e percepção de stress em cuidadores informais A doença do familiar teve como principal impacto nos inquiridos: ficar de baixa ou desempregado (cerca de 10% cada), depressão, sentir muita responsabilidade e executar tarefas de cuidar (cerca de 15% cada) e visitas diárias ao doente para cuidar (28%). Valores baixos de percepção de stress e valors moderados de burden (Tabela 1), correlação positiva significativa entre percepção de stress e burden (Tabela 2). www.labrp.com Sexo: sexo feminino sente-se mais envergonhado com o comportamento do doente (p=0.003), sente que as coisas não estão a correr bem (p=0.041) e pensa mais no que tem para fazer (p=0.050). Estado civil: casados sentem mais que o doente depende de si (p=0.021), que não têm dinheiro para cuidar do doente (p=0.018) e que não conseguem controlar o tempo (p=0.036), enquanto os divorciados/viúvos gostariam que outra pessoa cuidasse do doente (p=0.000). Parentesco: pais sentem que não têm dinheiro para cuidar do doente (p=0.022) e sentem-se irritados com frequência (p=0.002), enquanto os filhos gostariam que outra pessoa cuidasse do doente (p=0.000). Tabela 2. Correlação entre percepção de stress, burden, idades e tempo de internamento Detalhes da análise comparativa: • A amostra caracteriza-se por baixa percepção de stress e moderado burden, existindo contudo factores facilitadores de sobrecarga e de stress, relacionados com motivos económicos e com o grau de parentesco entre cuidador e doente. Apesar das diferenças serem pouco significativas, há tendência para o stress afectar mais o sexo feminino, os casados e os cônjuges do doente, enquanto a sobrecarga psicológica (burden) afecta mais o sexo feminino, os divorciados ou viúvos e os filhos dos doentes. • Necessidade de fazer estudos que aprofundem mais a relação do stress e do burden com o tempo de internamento, a diferença entre internamento e ambulatório, o tipo de doença do alvo dos cuidados e o impacto das tarefas de cuidar na vida do cuidador informal. • Necessidade de reflectir sobre a influência da qualidade de vida e bem estar psicológico do cuidador informal na prestação de cuidados. Conclusões Conclusões Bibliografia Bibliografia 8 8º ºCongresso Nacional de Psicologia da Sa Congresso Nacional de Psicologia da Saú úde I.S.P.A. Lisboa 11 de I.S.P.A. Lisboa 11 - -13 Fevereiro 2010 13 Fevereiro 2010