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Relatório de Estágio Profissional - "O CONTRIBUTO DO ESTÁGIO PROFISSIONAL PARA A CRIAÇÃO DE UM PROJETO DESPORTIVO NA ESCOLA

Nuno Alexandre Geada Abreu

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O CONTRIBUTO DO ESTÁGIO PROFISSIONAL PARA A CRIAÇÃO DE UM PROJETO DESPORTIVO NA ESCOLA Relatório de Estágio Profissional Orientadora: Professora Doutora Paula Queirós Nuno Alexandre Geada Abreu Porto, junho de 2014 Relatório de Estágio Profissional apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto com vista à obtenção do 2º ciclo de Estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário (Decreto-lei nº 74/2006 de 24 de março e o Decreto-lei nº 43/2007 de 22 de fevereiro). II Ficha de catalogação Abreu, N. A. G. (2014). O contributo do Estágio Profissional para a criação de um Projeto Desportivo na Escola. Porto: N. Abreu. Relatório de Estágio Profissional para a obtenção do grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensino Básico e Secundário, apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. PALAVRAS-CHAVE: ESTÁGIO PROFISSIONAL, CONTRIBUTO, PROFESSOR, EDUCAÇÃO FÍSICA, REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES III AGRADECIMENTOS No fim de mais uma etapa concluída não posso deixar de expressar os meus sinceros agradecimentos a quem nunca me deixou e, mais importante que isso, a quem sempre acreditou que eu era capaz. Aos meus pais que sempre me proporcionaram todas as condições para que este momento fosse alcançado. À minha irmã pelo apoio e carinho demonstrado em todos os momentos fundamentais da minha vida. Aos dois pilares fundamentais da minha família, Avó Ana e Avô Geada, que tudo fizeram para que nunca me faltasse nada. À Andreia Fernandes e Ana Paiva pela amizade prestada, durante este ano letivo, nesta fantástica ilha dos Açores. À Escola Secundária da Ribeira Grande por me ter acolhido nesta longa jornada. Ao Professor Cooperante por todos os ensinamentos, experiência de vida e apoio que me transmitiu. À minha turma, do 11º D, por todos os momentos e aprendizagens que me facultaram durante esta caminhada inesquecível. À Professora Doutora Paula Queirós por toda a disponibilidade, ajuda e profissionalismo com que me presenteou ao longo deste ano. V ÍNDICE GERAL AGRADECIMENTOS ................................................................................................... III ÍNDICE DE GRÁFICOS E QUADROS ........................................................................ VII ÍNDICE DE ANEXOS ................................................................................................... IX RESUMO ..................................................................................................................... XI ABSTRACT ............................................................................................................... XIII LISTA DE ABREVIATURAS ...................................................................................... XV I. INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 3 II. ENQUADRAMENTO PESSOAL ............................................................................... 7 1. EU E O MEU PERCURSO ................................................................................. 9 III. ENQUADRAMENTO DA PRATICA PROFISSIONAL ............................................ 15 1. O ENQUADRAMENTO DO ESTÁGIO PROFISSIONAL .................................. 17 2. A ESCOLA COMO INSTITUIÇÃO .................................................................... 18 3. ENQUADRAMENTO FUNCIONAL .................................................................. 21 3.1. A ESCOLA QUE ME ACOLHEU ................................................................... 21 3.2. O DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO FÍSICA E DESPORTO ..................... 23 3.3. A MINHA PRIMEIRA TURMA ....................................................................... 24 3.4. O NÚCLEO DE ESTÁGIO E A ATUAÇÃO DO PROFESSOR COOPERANTE ............................................................................................................................ 26 4. ENQUADRAMENTO CONCETUAL ................................................................. 27 4.1. O QUE É SER PROFESSOR? ..................................................................... 27 4.2. O PROFESSOR ESTAGIÁRIO NUNO ABREU ............................................ 31 4.3. A IMPORTÂNCIA DA REFLEXÃO E O PROFESSOR REFLEXIVO ............. 32 4.4. A RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO ............................................................. 35 IV. REALIZAÇÃO DA PRÁTICA PROFISSIONAL ...................................................... 39 1.1. CONCEÇÃO ................................................................................................. 41 1.2. PLANEAMENTO ........................................................................................... 43 1.2.1. PLANEAMENTO ANUAL ........................................................................... 45 1.2.2. UNIDADE DIDÁTICA ................................................................................. 46 1.2.3. PLANO DE AULA ...................................................................................... 49 1.3. REALIZAÇÃO ............................................................................................... 50 1.3.1. O QUE OS PROGRAMAS DIZEM VERSUS AQUILO QUE ENCONTRAMOS NA REALIDADE… .................................................................. 51 1.3.2. QUE CONTEÚDOS A ABORDAR?............................................................ 53 1.3.3. GESTÃO DO TEMPO DE AULA ................................................................ 54 1.3.4. O ENSINO DO FUTEBOL COMO UMA MAIS-VALIA ................................ 56 VI 1.4. AVALIAÇÃO ................................................................................................. 57 V. PARTICIPAÇÃO NA ESCOLA E RELAÇÃO COM A COMUNIDADE ..................... 61 1. VOLTA AO ANO EUROPEU DOS CIDADÃOS ................................................ 64 2. “SER DIFERENTE EM IGUALDADE” .............................................................. 64 3. MEGA PEQUENO-ALMOÇO ........................................................................... 65 4. PRIMEIROS-SOCORROS ............................................................................... 66 5.“VI TORNEIO CONVÍVIO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA” ............................ 66 6. TORNEIO “SCHOOL VOLEI” ........................................................................... 67 7. SEMANA DA EDUCAÇÃO FÍSICA .................................................................. 68 8. VISITA DE ESTUDO AO CAMPO DE GOLFE DA BATALHA .......................... 69 9. “IV TORNEIO DE BEISEBOL” ......................................................................... 69 10. DIREÇÃO DE TURMA ................................................................................... 70 11. ESTUDO: “A IMPORTÂNCIA DA ATIVIDADE DESPORTIVA ESCOLAR”. .... 72 RESUMO ............................................................................................................. 72 11.1. INTRODUÇÃO ............................................................................................ 73 11.2. ENQUADRAMENTO TEÓRICO .................................................................. 75 11.2.1. A ESCOLA DE HOJE E OS NOVOS DESAFIOS ..................................... 75 11.2.2. A ESCOLA E O DESPORTO ................................................................... 77 11.3. METODOLOGIA ......................................................................................... 82 11.4. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS ..................................................... 83 11.5. CONCLUSÃO ............................................................................................. 87 BIBLIOGRAFIA .................................................................................................... 89 VI. DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL ................................................................ 91 VII. CONCLUSÕES E PERSPETIVAS PARA O FUTURO.......................................... 97 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................... 101 ANEXOS .................................................................................................................. XVII VII ÍNDICE DE GRÁFICOS E QUADROS Gráfico 1 - Número de participantes no estudo, por sexo. ......................................... 86 Gráfico 2 - Valores das idades dos alunos que participaram no estudo. .................... 86 Gráfico 3 - Participação dos alunos nas Atividades Desportivas Escolares. .............. 87 Gráfico 4 – Ciclo de ensino em que participaram nas Atividades Desportivas Escolares .................................................................................................................... 87 Gráfico 5- A importância das Atividades Desportivas Escolares ................................ 88 Gráfico 6 - O horário preferido pelos alunos. ............................................................. 89 Quadro 1 – Apresentação das tarefas realizadas na área 3 do Estágio Profissional. . 96 IX ÍNDICE DE ANEXOS ANEXO I – Planificador Anual .................................................................................. XIX ANEXO II – Unidade Didática .................................................................................... XX ANEXO III – Plano de aula ....................................................................................... XXI ANEXO IV – Questionário aplicado no estudo ..................................................... XXIIIIII Capítulo I INTRODUÇÃO “Que Deus nos dê SERENIDADE para aceitar as coisas que não podemos mudar, CORAGEM para mudar aquilo de que somos capazes e SABEDORIA para ver a diferença”. LIVRO DA SABEDORIA, in Antigo Testamento. 2 3 1. INTRODUÇÃO O presente documento surge no âmbito do Estágio Profissional, inserido no plano de estudos do 2º ano de Mestrado em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, da Faculdade de Desporto, da Universidade do Porto (FADEUP). O ano que acaba de findar traduz-se no culminar de mais uma etapa da minha vida, repleta de experiências e aprendizagens, dificuldades, desafios, alegrias, tristezas, mas, acima de tudo, de realização pessoal. O estágio decorreu na Escola Secundária da Ribeira Grande, na Ilha de São Miguel, Açores. Este teve o auxílio de duas pessoas que contribuíram significativamente para a minha evolução, sendo elas o professor cooperante que apoiou, cooperou, contribuiu e controlou toda a atividade desenvolvida na escola, e a professora orientadora que acompanhou todo o processo a partir da Faculdade. Durante todo o ano letivo lecionei uma turma, do 11º ano, do Curso de Línguas e Humanidades. As aulas lecionadas à turma, as experiências que vivi e convivi com os alunos, os conhecimentos e as aprendizagens realizadas revelaram-se fundamentais para todo o meu processo de formação. Foi necessário aprender a lidar com novas pessoas, todas elas com personalidades diferentes, o que se constituiu num grande desafio. A constante tomada de decisões, as dificuldades encontradas, as estratégias utilizadas só foram possíveis com a lecionação das aulas a esta turma. De acordo com Matos (2013a), o relatório de estágio é um documento que explicita o caminho percorrido durante a realização da prática de ensino supervisionada conforme à construção de uma atitude adequada à profissão de professor, assumindo-se como um documento pessoal onde são relatadas todas as vivências, de forma livre e reflexiva, que decorreram no estágio. Neste sentido, o relatório estruturar-se-á da seguinte forma: Neste primeiro capítulo, Introdução, descrevi inicialmente, algumas características do estágio profissional, bem como, a estruturação do documento. No segundo capítulo, dedicado ao Enquadramento Pessoal, será feita uma descrição sobre mim, no qual descrevo o meu percurso de vida, salientando as minhas experiências académicas e desportivas e onde apresento as 4 expetativas que eu tive em relação ao estágio profissional, através de um forma simples e direta. Relativamente ao terceiro capítulo, Enquadramento da Prática Profissional, este divide-se em duas partes fundamentais, no enquadramento funcional, onde é descrito e analisado todo o contexto em que foi desenvolvido o estágio profissional, desde a escola que me recebeu, o Departamento de Educação Física e Desporto, a turma, o núcleo de estágio e o professor cooperante; e no enquadramento concetual, onde são abordados temas como “O que é Ser Professor”, “O Professor Estagiário Nuno Abreu”, “A Importância da Reflexão e o Professor Reflexivo” e a “Relação Professor-Aluno”. O quarto capítulo diz respeito à Realização da Prática Profissional. Neste capítulo será apresentada toda a minha participação, envolvimento e intervenção na escola enquanto professor. Os temas tratados dizem respeito à conceção, planeamento, realização e avaliação. É, sobretudo, neste capítulo que realizarse-á uma reflexão sobre todo o trabalho desenvolvido, as dificuldades sentidas e as estratégias de superação implementadas. No quinto capítulo, Participação na Escola e Relação com a Comunidade, são apresentadas as atividades em que participei e tive oportunidade de desenvolver ao longo de todo o ano letivo. Neste capítulo é ainda apresentado o estudo relativo ao tema: “A Importância da Atividade Desportiva Escolar com o objetivo de Complemento Curricular”, cujo objetivo passou por fazer um levantamento das necessidades dos alunos relativas às Atividades Desportivas Escolares para depois contribuir com linhas orientadoras para a criação de um projeto desportivo na escola. Relativamente ao sexto capítulo, Desenvolvimento Profissional, é onde aparecem descritas as atividades e projetos realizados no âmbito da faculdade em consonância com o Estágio Profissional. No sétimo capítulo, apresento as Conclusões e Perspetivas para o Futuro, realizando um balanço acerca de toda a atividade desenvolvida durante o ano do estágio profissional e de que forma essa atividade contribuiu para a minha evolução como professor e como pessoa. No que concerne às Perspetivas para o Futuro apresento as minhas ideias acerca da forma como eu projeto a minha vida “daqui em diante”. 5 Finalizando com as referências bibliográficas e os anexos indispensáveis à realização do relatório. Capítulo II ENQUADRAMENTO PESSOAL “No fim das contas, estamos todos em busca de um mesmo objetivo: ser feliz e saber quem nós, realmente, somos. E eu quero ser feliz. Acima de qualquer coisa, quero ser feliz”. Gabriel Carvalho (s.d.) 9 1. EU E O MEU PERCURSO Desde cedo que o gosto pela atividade física e desportiva me despertou grande interesse e isso foi aumentando nas brincadeiras de rua, nos jogos com os amigos, enfim, num inúmero conjunto de atividades que fui desenvolvendo, como criança. Falando por experiência própria, não gosto nada de me qualificar ou quantificar, fazendo parte ou não das minhas caraterísticas pessoais, sempre fui um rapaz modesto que prefere ouvir a opinião dos outros do que fazer juízos próprios. A minha passagem pelo 1º Ciclo do Ensino Básico não teve presente qualquer tipo de prática de atividade física orientada, mas ainda assim, o gosto pelo desporto se manteve. No 2º Ciclo do Ensino Básico, com a presença da disciplina de Educação Física, no currículo escolar, a minha vontade de praticar desporto e conhecer novas modalidades foi aumentando gradualmente. Foi nestes dois anos que despontou o grande desejo para a minha vida profissional futura, que passava por ser professor de Educação Física. Um dos fatores que, em grande parte, contribuiu para ir atrás deste sonho foi uma professora que tive, na disciplina de Educação Física, no 5º e 6º anos de escolaridade. Esta era uma amante da prática desportiva e isso era transmitido durante a realização das suas aulas. A professora sempre foi bastante exigente, contudo, sendo esta uma das caraterísticas que alguns dos alunos não apreciam muito, conseguia cativar os mesmos e obter o máximo de rendimento nos exercícios propostos. Ao longo dos anos, com a prática de várias modalidades nas aulas e com a ajuda dos respetivos professores, a vontade em seguir a área da Educação Física foi aumentando. Outro fator bastante relevante para a minha decisão foi o desejo de transmitir os conhecimentos a crianças e jovens. Este grupo etário sempre me despertou um grande interesse e apreço. Nunca tive dúvidas da área profissional que queria seguir, e com a entrada na Faculdade de Desporto, da Universidade do Porto, por certo, uma das mais conceituadas a nível europeu, a minha vida tomou um rumo completamente diferente e com uma alegria enorme que me fez chegar ao patamar onde estou hoje. 17 1. O ENQUADRAMENTO DO ESTÁGIO PROFISSIONAL O Estágio Profissional entende-se como um projeto de formação do estudante com a integração do conhecimento proposicional e prático necessário ao professor, numa interpretação atual da relação teoria prática e contextualizando o conhecimento no espaço escolar. O projeto de formação tem como objetivo a formação do professor profissional, promotor de um ensino de qualidade. Um professor reflexivo que analisa, reflete e sabe justificar o que faz em consonância com os critérios do profissionalismo docente e o conjunto das funções docentes entre as quais sobressaem funções letivas, de organização e gestão, investigativas e de cooperação. O Estágio Profissional é uma unidade curricular integrada no segundo ano do segundo ciclo conducente ao grau de mestre em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, a sua estrutura e o seu funcionamento resulta dos princípios oriundos das orientações legais do Decreto-lei nº74/2006, de 24 de Março e o Decreto-Lei nº 43/2007, de 22 de Fevereiro, e têm em conta o Regulamento Geral dos segundos Ciclos da Universidade do Porto, o Regulamento geral dos segundos ciclos da Faculdade de Desporto, da Universidade do Porto e o Regulamento do Curso de Mestrado em Ensino de Educação Física. Neste sentido, o estágio decorre numa escola cooperante da Faculdade de Desporto, Universidade do Porto (FADEUP), e funciona com a supervisão de dois professores responsáveis. Um é denominado como professor cooperante e é ele (a) que acompanha todo o nosso processo, realizado, no dia-a-dia, no desenvolvimento do contexto de estágio. O outro professor (a) pertence à faculdade e estabelece o elo de ligação entre o estudante estagiário e a escola que nos acolhe. O Estágio Profissional tem como objetivo promover a integração na vida profissional de forma continuada e orientada, através da prática de ensino supervisionada em contexto real. No início do ano de estágio/letivo é atribuída uma turma, pelo professor cooperante, ao professor estagiário e este vai ser o responsável por todo o processo de ensino-aprendizagem da sua turma. O desenvolvimento de todo o trabalho desenvolvido pelo professor estagiário é baseado nas áreas de desempenho que a seguir se descrevem: 18 1. Organização e Gestão do Ensino e Aprendizagem; 2. Participação na Escola e Relação com a Comunidade; 3. Desenvolvimento Profissional. A área 1 diz respeito às tarefas que estão inerentes ao processo de ensino, sendo elas a conceção, o planeamento, a realização e avaliação do ensino. O principal objetivo desta área passa por construir uma estratégia de intervenção, orientada por objetivos pedagógicos, que respeite o conhecimento válido no ensino da Educação Física (EF) e conduza com eficácia pedagógica o processo de educação e formação do aluno na aula de EF. A área 2 engloba todas as atividades não letivas realizadas pelo estudante estagiário, tendo em vista a sua integração na comunidade escolar. O objetivo é contribuir para a promoção do sucesso educativo, no reforço do papel de professor de Educação Física na escola e na comunidade local. A área 3 abrange atividades e vivências na construção da competência profissional, numa perspetiva do seu desenvolvimento ao longo da vida profissional. O objetivo desta área passa por perceber a necessidade do desenvolvimento profissional partindo da reflexão acerca das condições e do exercício da atividade, da experiência, da investigação e de outros recursos de desenvolvimento profissional. 2. A ESCOLA COMO INSTITUIÇÃO Desde sempre que a educação existe. Educar consistia em viver a vida do dia-a-dia da comunidade. Segundo Coimbra (1989) aprendia-se fazendo, o que tornava inseparáveis o saber, a vida e o trabalho. Foi a partir da idade média que, na Europa, a educação se tornou produto da escola e foi um conjunto de pessoas, sobretudo religiosos que se especializaram na transmissão do saber. Nesta época, apesar do ensino ser reservado às classes de elite, não havia distinção entre crianças e adultos. A escola como instituição surge a partir do século XVII e está internamente ligada ao capitalismo, pois, a partir da Revolução Industrial houve a necessidade de haver um maior número de pessoas que soubessem ler, escrever e contar. 19 Todavia, a burguesia percebeu que era preciso “socializar” e “educar” as pessoas e, como tal, a escola surgiu com funções de incutir os valores, os hábitos e as normas das classes a que os cidadãos pertenciam. Nesta época, as escolas educavam em função da economia e da política e não tinham em conta os alunos, ou seja, não se preocupavam em formar pessoas autónomas. O papel da escola foi-se modificando ao longo dos anos, o que permitiu um acompanhamento dos avanços e necessidades da sociedade, mudanças essas que foram significativas para a população, principalmente, no que diz respeito ao acesso da mesma ao ensino público. A escola tem como principal missão formar cidadãos críticos, reflexivos, autónomos, isto é, pessoas conscientes dos seus direitos e deveres, capazes de compreender a realidade em que vivem. De acordo com Durkheim (2001), a escola deveria preparar os jovens, por meio dos preceitos básicos, para a convivência na sociedade. Contudo, qual a função básica da escola? Esta deve garantir a aprendizagem de conhecimentos, habilidades e valores necessários à socialização do indivíduo para que este saiba como integrar-se e atuar na sociedade em que vive. Estas aprendizagens devem constituir-se em instrumentos para que o aluno compreenda melhor a realidade em que está inserido. Torna-se fulcral que a escola propicie o domínio dos conteúdos culturais básicos, da leitura e da escrita, das ciências, das artes. A escola assume, assim, o compromisso social de ir além da simples transmissão do conhecimento sistematizado, preocupando-se em dotar o aluno da capacidade de buscar informações, segundo as exigências, do seu campo profissional ou de acordo com as necessidades de desenvolvimento individual e social, emergindo como uma instituição fundamental para a constituição do indivíduo e para ele próprio, da mesma forma que contribui para a evolução da sociedade e da própria humanidade. A escola precisa preparar os alunos para uma aprendizagem permanente, que não se baseie na simples transmissão de conhecimentos, mas que promova a continuidade mesmo após o término da vida escolar dos alunos. No entanto, a mesma não está ao serviço de um projeto de ocupação, de guarda ou de entretenimento das crianças. Está ao serviço de um projeto de aprendizagem. Mas isso não quer dizer que alunos diferentes não possam chegar, a ritmos diferentes, à mesma meta. 20 Embora seja possível a observação de alguma melhoria nos últimos anos, torna-se fulcral contextualizar a formação contínua nos projetos educativos de cada escola, promovendo, como por exemplo, o sentido de escola/comunidade, com o fim de criar estabelecimentos de ensino que saibam e queiram resolver os problemas e os desafios a que se propuseram. Para Cardoso (2003), a escola, além de um local de trabalho, é um local de formação, de inovação, de cooperação e de metas comuns. Assim, torna-se necessário que os professores na sala de aula se preocupem em desenvolver determinadas habilidades intelectuais para que o aluno possa ser capaz de criar uma aprendizagem autónoma. Os professores devem ser capazes de criar situações nos alunos que promovam a reflexão, análise, a crítica, a criação de relações sociais. Para isto acontecer, é preciso que os docentes adotem metodologias participativas, desafiadoras, problematizando os conteúdos e estimulando o aluno a desenvolver o seu pensamento. O conhecimento oferecido pela escola deve ser o da realidade, para que o aluno se saiba situar no mundo real. Hoje em dia a escola dá especial atenção às diferenças entre os alunos, promovendo desta forma a transmissão de normas e valores aos seus educandos. É função social da escola propiciar a formação destes valores. Contudo, os valores não podem ser ensinados, ou seja, devem ser estimulados e vivenciados. É preciso que a escola e o próprio professor funcionem como transmissores de valores e ideais. Segundo Pimenta e Lima (2004), o professor é um profissional que ajuda o desenvolvimento pessoal e intersubjetivo do aluno, sendo um facilitador do seu acesso ao conhecimento. Da existência de bons professores e do seu prestígio, depende, e muito, o futuro das nossas escolas, quando todos sabemos que não há nada, nas palavras de Nóvoa (2006), que substitua um bom docente. Saliente-se para que ninguém duvide: o que decide o futuro de muitas crianças e jovens não são as Leis, nem os programas, são, sim, os bons professores. Não temos dúvidas em afirmar que o reforço do seu prestígio é determinante para qualquer programa de melhoria da escola. 21 3. ENQUADRAMENTO FUNCIONAL 3.1. A ESCOLA QUE ME ACOLHEU A Escola Secundária da Ribeira Grande (ESRG) está localizada na freguesia da Matriz do concelho da Ribeira Grande. É um concelho com 179,5km2, e que possui cerca de 30mil habitantes, distribuídos por 14 freguesias. Do ponto de vista económico, o concelho é um dos mais importantes do arquipélago. Nele desenvolvem-se atividades agrícolas e industriais. Há ainda empresas ligadas à construção civil. Quanto ao setor turístico, este concelho apresenta um lugar de destaque na economia do mesmo, mas pode vir a ter algum desenvolvimento devido à existência de locais privilegiados para a prática turística. Esta escola, apesar de estar localizada numa cidade, apresenta caraterísticas predominantemente rurais. Estas caraterísticas traduzem-se em vivências socioeconómicas e culturais orientadas por baixos padrões, onde há uma limitação das aspirações por parte dos alunos ao nível escolar, resultando inúmeras vezes em insucesso e abandono escolar. Todas estas caraterísticas fazem com que esta escola esteja a tomar o caminho menos desejado. Cada vez mais existem turmas do currículo não regular e isso é visível na mentalidade, nos comportamentos e atitudes evidenciados pelos alunos. O facto de grande parte dos alunos serem oriundos de famílias com baixos níveis escolares e socioeconómicos resulta numa diminuída importância que é dada pelos encarregados de educação aos seus filhos. Com esta passagem, pela ESRG, apesar de ter vivenciado e ter conhecimento de situações menos positivas no seio de alguns agregados familiares, usufruí de todas as condições necessárias para a realização de um bom ano de estágio. Sem dúvida que esta vivência me serviu como ponto de partida para uma vida repleta de desafios, onde pude evoluir, tanto como pessoa como na função de professor. A ESRG possui no topo da sua estrutura orgânica os órgãos de gestão e administração da escola, constituídos; pela Assembleia de Escola (órgão de participação e representação da comunidade educativa), o Conselho Executivo, Conselho Pedagógico e Conselho Administrativo. Com o objetivo de levar o 22 percurso dos alunos ao sucesso escolar, interagem em parceria com o conselho pedagógico e conselho executivo, as seguintes estruturas:  Departamentos curriculares, compostos pelos coordenadores de departamentos e professores das disciplinas;  Coordenação de diretores de turma, constituído pelo coordenador dos diretores de turma do ensino básico, conselho de turma do ensino básico, coordenador dos diretores de turma do ensino secundário, conselho de diretores de turma do ensino secundário, coordenador dos diretores de turma dos cursos profissionais, conselho dos diretores de turma dos cursos profissionais; coordenador dos diretores de turma do programa oportunidade, conselho dos diretores de turma do programa oportunidade;  Conselhos de turma onde estão presentes o diretor de turma, os professores da turma, o delegado de turma e o representante dos pais e encarregados de educação;  Nos serviços especializados de apoio educativo estão o serviço de psicologia e orientação, o núcleo de educação especial e a equipa multidisciplinar de apoio socioeducativo. Na escola estão ainda presentes outras estruturas que têm como objetivo responder às exigências pedagógicas e de funcionamento, sendo elas: o encaminhamento disciplinar, as escolas digitais, autoavaliação da Escola, secretariado de exames, comissão de coordenação da avaliação do desempenho docente e equipa de promoção de saúde em meio escolar. A população estudantil é proveniente de todo o concelho, pois esta é a única escola secundária. No ano letivo de 2013/2014 o número de alunos matriculados nos diferentes níveis de ensino foram 1246, distribuídos por 62 turmas. No que diz respeito às instalações, pode-se dizer que esta escola oferece umas infraestruturas fantásticas que têm tudo para proporcionar um percurso académico de qualidade. Quanto às instalações desportivas a escola funciona em articulação com o Complexo Desportivo da Ribeira Grande. A escola possui um pavilhão onde se podem praticar vários tipos de modalidades como é o caso do futsal, voleibol, basquetebol, badminton e andebol, enquanto o Complexo Desportivo é detentor de um pavilhão com as 23 medidas regulamentares para provas oficiais; anexos a este pavilhão encontramse: uma sala de judo e uma sala de ginástica que possui aparelhos como trave olímpica, paralelas, colchões de queda, plinto, trampolins (trampolim reuther, mini trampolim e trampolim sueco) e colchões de ginástica; paralelos a estas instalações estão um campo sintético de futebol de 11, onde podem ser praticadas as modalidades não só de futebol, mas também de rugby e basebol; uma pista de atletismo de 200m com duas caixas de areia onde se pode executar salto em comprimento e uma vasta zona de lançamentos onde se pode, caso os professores desejem, realizar qualquer tipo de lançamento, seja ele do peso, do martelo ou do dardo; por último existem ainda dois campos sintéticos onde se pode realizar futsal e andebol. Estas são instalações, todas elas, com grande nível de qualidade e que proporcionam, da melhor forma, uma melhor rentabilização do processo ensinoaprendizagem. Só com todo este número de instalações, e devido a um sistema de rotação bem elaborado e organizado, é possível ter tantos professores a lecionar aulas de Educação Física ao mesmo tempo. O que, por vezes, acontece é que chegam a estar oito professores a lecionar nos mesmos segmentos. A existência de um roulement de instalações bem-estruturado e elaborado pelo Departamento de Educação Física e Desporto, e também o bom senso verificado por grande parte dos docentes do Departamento contribuem, de forma positiva, para o aproveitamento de todas as instalações que a escola tem ao seu dispor, proporcionando, desta forma, uma maior rentabilização do processo ensino-aprendizagem. É certo que estas são condições que muito poucas instituições de ensino possuem, e que isso acaba por condicionar a lecionação das aulas de Educação Física. Por vezes, estas são caraterísticas que acabam por resultar num fraco processo de transmissão de conteúdos. Contudo, a situação que me foi proporcionada, ao longo deste ano de estágio, a nível de instalações escolares contribuiu, em grande parte, para um caminho repleto de boas aprendizagens e grandes desafios. 3.2. O DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO FÍSICA E DESPORTO 24 Relativamente ao Departamento de Educação Física, posso dizer que fui bem recebido e incluído no seio do mesmo. Como é normal, alguns professores reagem melhor que outros ao facto de haver estagiários no grupo de docentes da disciplina, no entanto todos me colocaram sempre à vontade para propor atividades e para questionar o que quer que fosse. Uma das coisas que senti, pela positiva, foi a boa aceitação por parte dos restantes docentes do departamento que possibilitaram, sem criarem qualquer tipo de resistência e constrangimento, que os estagiários assistissem e participassem em todas as reuniões do departamento. O mesmo se fez sentir na comunidade escolar. A grande maioria dos docentes e auxiliares de ação educativa mostraram-se, desde cedo, recetivos para ajudar, dando o apoio necessário para a concretização do meu estágio. As conversas de corredor ou até de intervalo que surgiam entre mim e a restante comunidade escolar fizeram, na grande maioria dos momentos, com que eu me sentisse já parte integrante da grande esfera docente. Estas foram situações que me permitiram refletir e analisar a razão de ter seguido esta área (docência/ensino) e que me fazem, a cada dia que passa, perceber um pouco mais do mundo escolar. 3.3. A MINHA PRIMEIRA TURMA Antes do ano letivo se iniciar foi-me atribuída, pelo professor cooperante, uma turma de 11º ano, que estava integrada no curso de Línguas e Humanidades. Esta era uma turma constituída por 21 alunos, sendo que 5 eram do sexo masculino e 16 do sexo feminino. A idade dos alunos presentes nesta turma variava entre os 15 e os 19 anos. Esta variação de idades era uma situação que me deixava algo preocupado, mas que se revelava um dado já habitual nas diversas turmas desta escola. No que diz respeito à atuação da turma nas aulas, tal como grande parte dos meus colegas estagiários, o meu desejo era encontrar alunos interessados em adquirir novos conhecimentos e motivados para a prática desportiva, e que tivessem comportamentos adequados ao contexto em que estavam inseridos. É 25 certo que não há professores nem alunos perfeitos, mas cabe, neste caso, ao professor adaptar-se às caraterísticas de cada aluno e moldá-las para que possa tirar o melhor aproveitamento de cada um deles. Algum receio que estava presente em mim, no início do ano letivo, passava por tentar saber de que forma os alunos iriam olhar e comportar-se perante um professor estagiário. Tudo não passou de uma apreensão inicial, e isso foi-se verificando ao longo das aulas. A turma era bastante calma, aderia com entusiasmo às atividades propostas e até achavam alguma piada ao facto de terem um professor quase da idade deles a lecionar as aulas. Relativamente à prestação motora dos alunos, é de salientar que esta era uma turma que apresentava algumas dificuldades na grande maioria das modalidades desportivas. Apesar das dificuldades, que foram sendo verificadas desde a primeira aula, a turma mostrou-se sempre predisposta nos exercícios propostos e com vontade de superar as suas adversidades. À medida que o tempo foi passando fui-me apercebendo que não podia esperar muito da turma, isto é, os exercícios que foram propostos e delineados não podiam ir além do nível introdutório e elementar, variando de modalidade para modalidade. Os alunos, de uma forma geral, apresentavam grandes lacunas em determinados exercícios base de certas modalidades. Este foi um dos pontoschave que fez com que todo o planeamento fosse pensado ao pormenor aquando da realização das unidades didáticas. Outro aspeto que contribuiu de forma determinante, aquando da elaboração do planeamento foi a cultura da turma. No início do ano letivo foi feita uma caraterização da comunidade educativa. Um dos aspetos que, desde cedo, me chamou a atenção foi a importância e motivação com que os alunos desta escola/meio se apresentam nas aulas, nomeadamente na disciplina de Educação Física. Contudo, depois de perceber o nível de algumas das capacidades motoras, no início do ano, nos alunos da minha turma fui-me apercebendo que, apesar das dificuldades que estes manifestavam na prática desportiva, a vontade, a ânsia de aprender e o querer fazer melhor estavam sempre presentes. Fazendo uma comparação entre o nível de aproveitamento dos rapazes e das raparigas, posso dizer que o sexo feminino, de uma forma geral, apresentava melhores níveis de habilidades motoras do que o sexo masculino. 32 apesar de ser um professor estagiário, parte integrante e um membro ativo da grande comunidade escolar. Uma das situações que recordo deve-se ao facto de entrar na sala de professores e ser sempre recebido com agrado e respeitado por todos os docentes e auxiliares da escola. Todos os elementos que referi atrás tinham conhecimento de que eu estava a realizar o meu estágio profissional e sempre se mostraram disponíveis para ajudar naquilo que fosse preciso para que o meu estágio e a minha passagem pela ESRG fosse o mais positiva possível. Outros momentos dizem respeito ao facto dos auxiliares de ação educativa me tratarem por “senhor professor” ou “professor Nuno” sempre que me dirigia a eles para tratar de algum assunto, e os professores da escola me tratarem por “colega”. Estas são palavras simples mas que fazem muita diferença no interior de quem as recebe e, principalmente, para um professor estagiário, que inicia o seu percurso na carreira docente. Uma das situações mais marcantes, para mim, enquanto professor foi a presença nas reuniões de Conselho de Turma e de Departamento. Como é sabido estes são momentos restritos, e nestas ocasiões senti que fazia realmente parte do grupo de professores da escola. Todas estas situações deram-me um prazer especial e uma alegria enorme por estar a enveredar no caminho de professor. 4.3. A IMPORTÂNCIA DA REFLEXÃO E O PROFESSOR REFLEXIVO Como afirma Moretto (2007), o professor deve proceder à reflexão para planear o seu ensino. Pois, só a partir do ato reflexivo sobre a prática continuada é que o seu trabalho evolui. Quando reflete sobre o ensino o professor procura identificar o que, de bom e mau, aconteceu na sua atuação para determinar estratégias que possam dar resposta às lacunas identificadas. À medida que um profissional vai evoluindo na sua capacidade de refletir, melhora também a construção do seu planeamento. 33 Fazendo uma ligação para aquilo que sucedeu durante este ano posso dizer que no início as reflexões que elaborava eram muito descritivas no sentido de dar importância como os exercícios/tarefas se desenrolavam, no entanto, não era a melhor forma de refletir porque não me ajudava a perceber o que tinha errado, o que tinha melhorado e o que tinham contribuído para a melhoria da turma em determinadas matérias. O tempo foi passando e com ele fui tendo a consciência que deveria procurar soluções para que a lecionação de cada aula contribuísse para o desenvolvimento das minhas competências profissionais. A reflexão assumiu um elemento preponderante na realização deste estágio profissional porque quando surgia um erro na minha atuação era “obrigado” a parar, pensar e descobrir uma solução de forma enfrentar a situação menos boa que tinha acontecido. Quando enfrentava uma dificuldade era um sinal para repensar as estratégias e modos de atuação que tinha delineado com o objetivo de me reajustar às situações da prática. Quando me deparava com uma situação bem conseguida e de sucesso era sinal que o planeamento e as estratégias pensadas e executadas foram as indicadas para aquele momento de atuação, contudo foi importante fazer o registo refletido dessas situações, visto que há sempre possibilidade de fazer melhor. A reflexão e o ato de refletir destacaram-se como ferramentas cruciais para o desenvolvimento do meu processo de formação porque foi através dela que evoluí como professor encontrando soluções para os meus erros, e perceber de que forma poderia melhorar a minha forma de atuar. O estágio supervisionado remete para o desenvolvimento do professor reflexivo, no professor estagiário, para que este tenha consciência das facilidades e dificuldades que vai encontrando ao longo do seu caminho. Com isto, o professor deve procurar soluções para continuar a resolver os problemas com que se vai deparando. Segundo Schõn (1992) podemos ainda refletir sobre a “reflexão na ação” porque é desta forma que o profissional progride no seu desenvolvimento e constrói a sua forma pessoal de conhecimento. Ainda na linha de pensamento deste autor existem três tipos de reflexão: a “reflexão na ação”, que ocorre durante a prática; a “reflexão sobre a ação”, que acontece depois da prática; e a reflexão sobre a “reflexão na ação”, que consiste em olhar retrospetivamente 34 para a ação e refletir sobre o que o profissional observou, que significado atribui e o sentido que pode atribuir ao que aconteceu. É através da reflexão que o profissional cresce e aprende a estar preparado para enfrentar novos desafios. Neste modelo prático reflexivo, a teoria e a prática encontram-se interligadas. É através da reflexão sobre a prática que (re) construímos novos saberes e atenuamos a distância entre a teoria e a prática (Silva, 2009). Ao longo das suas atuações o professor tem que elaborar os seus próprios juízos sobre o que deve ou não fazer. São eles (professores) os responsáveis por tomar decisões tendo em conta os seus conhecimentos. Segundo Rodrigues (2001, p. 9) “a reflexão não é um processo natural e requer muito tempo”. Seguindo esta afirmação, a reflexão para ser desenvolvida tem de ser estimulada e trabalhada de forma autónoma e consciente, ressalvando uma capacidade mais questionadora. A reflexão surge, desta forma, da curiosidade sobre a prática docente, procurando razões, explicações e soluções para a ação que aconteceu. Este pensamento é corroborado por Silva (2009), que acredita que é através da reflexão que o professor encontra soluções que o tornem capaz de dar resposta às diferentes situações que vai enfrentando. Batista (2008) reforça que é importante que os processos de formação inicial trabalhem a reflexão como forma de dar resposta às ações que os docentes vão realizando. Desta forma, a formação inicial deve dotar os estagiários de comportamentos intencionais que conduzem a uma prática reflexiva. O estagiário deve adotar uma atitude de questionamento, procurar soluções e estratégias no exercício da sua atividade promovendo a reflexão na ação, a reflexão sobre a ação e a reflexão sobre a reflexão na ação (Schõn,1983 e 1991). No processo de desenvolvimento da capacidade de refletir do estagiário é o professor cooperante quem assume um papel determinante no acompanhamento, supervisão e orientação do estágio, visto que é ele o elemento que interage de forma sistemática no dia-a-dia na escola (Silva, 2009). 35 4.4. A RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO Nas aulas de Educação Física a figura do professor torna-se mais importante do que o que acontece nas outras disciplinas. E porquê? É na nossa disciplina que se estabelece um elo de ligação mais próximo e mais afetivo entre o professor-aluno, onde inclui os relacionamentos interpessoais e o convívio em harmonia nas diversas atividades propostas, quer sejam corporais ou culturais. Como refere Zuanon (2006), quando estamos na sala de aulas as relações interpessoais ficam mais restringidas, ou seja, acabam por funcionar de uma maneira mais formal. O professor e os alunos desenvolvem um modo de se relacionar, estabelecendo ordem nas suas relações. Antes do ano letivo se iniciar já me questionava sobre como iria ser a minha turma, a que ano pertenceria, se teria alunos com atitudes e comportamentos não apropriados ao contexto escolar, e se eu, enquanto professor estagiário, iria conseguir controlar todas essas situações que pudessem vir a acontecer. No primeiro dia de aulas foi feita uma breve apresentação do professor cooperante à turma acerca da minha pessoa, isto é, “quem eu era e o que estava ali a fazer”. De seguida o professor passou-me a palavra e foi aí que iniciei o primeiro diálogo com a turma, onde me apresentei referindo o meu nome, de onde vinha, a faculdade que estava a representar e quais as minhas expetativas para o ano que se estava a iniciar. De acordo com Gadotti (cit. por Silva, 2005), “o educador para pôr em prática o diálogo, não deve colocar-se na posição de detentor do saber, deve antes, colocar-se na posição de quem não sabe tudo, reconhecendo que mesmo um analfabeto é portador do conhecimento mais importante: o da vida.” Naquele momento o meu pensamento recaía sobre a minha posição enquanto professor estagiário, isto é, eu estava ali com o objetivo de transmitir os meus conhecimentos aos alunos, para que estes pudessem disfrutar de novas aprendizagens e refletirem sobre as suas ações e práticas. Ao mesmo tempo pretendia aprender e evoluir com a minha nova turma, tanto a nível pessoal como profissional, para que este processo de estágio se tornasse enriquecedor para o meu futuro. Para isto acontecer tornou-se necessário um diálogo constante ao longo do ano que me permitiu conhecer uma realidade, de certa forma, distinta daquela que eu vinha habituado. Na linha de pensamento de Freire (1996, p.21) 36 o “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção.” Após esta pequena apresentação foi notória em algumas expressões dos alunos que este não ia ser um ano fácil. Alguns alunos, nomeadamente aqueles que não gostavam tanto da disciplina de EF, manifestavam a sua opinião referindo que iriam ter exercícios mais complexos, que o professor não iria ser tão tolerante. Estas opiniões surgiram devido à situação de terem um professor estagiário a lecionar-lhes aulas. Da minha parte e ouvindo estas primeiras impressões, logo no primeiro dia, fiquei entusiasmado para começar as aulas “a sério” e mudar a opinião que lhes invadia os pensamentos, pois tinha a certeza que novas ideias e formas de estar diferentes, como as que eu iria transmitir, podiam ajudá-los a crescer como alunos e como pessoas. De acordo com Abreu & Masetto (1990, p.115), “é o modo de agir do professor na sala de aula, mais do que as suas caraterísticas de personalidade, que colabora para uma adequada aprendizagem dos alunos; fundamenta-se numa determinada conceção do papel do professor que, por sua vez, reflete valores e padrões da sociedade”. No tocante ao primeiro contacto que tive com a turma posso dizer que foi bastante positivo, na medida em que a apresentação correu bem, pois os alunos prestaram atenção a todas as informações que lhes fui transmitindo. A impressão com que eu fiquei da turma também foi bastante boa, pois aquilo que tinham demonstrado era serem alunos calmos e bem comportados, o que refletia um bom princípio. Ao longo do primeiro período consegui estabelecer uma relação afável e respeitadora com os alunos, o que permitiu o cumprimento dos planos de aula elaborados previamente, adotando estratégias de atuação específicas, de acordo com as atitudes e comportamentos evidenciados pelos alunos. Estas estratégias passaram pela explicação, mais do que uma vez, do mesmo exercício e exemplificando as vezes que fossem necessárias para que os alunos entendessem o objetivo dos exercícios. Algumas vezes senti dificuldade em mostrar aos alunos que, embora não gostassem de determinada modalidade ou exercício, era importante que se esforçassem e aplicassem na execução do mesmo para serem cada vez melhores enquanto alunos e pessoas, e não só para terem boa nota. Contudo, 37 eu tinha a perfeita noção de que essa responsabilidade também passava por mim para que os alunos se motivassem e passassem a gostar das aulas realizadas. Seguindo o pensamento de Freire (1996, p.96), “o bom professor é o que consegue, enquanto fala, trazer o aluno até à intimidade do movimento do seu pensamento. Sua aula é assim: um desafio e não uma cantiga de dormir.” Concordando com esta afirmação acrescento que o professor deve ser capaz de motivar os alunos, de os “trazer para cima” num dia menos bom e fazer com que as capacidades de cada um sejam valorizadas. À medida que as aulas foram decorrendo, e segundo as informações que eu ia obtendo acerca das prestações e motivações dos alunos, tornou-se mais fácil ir ao encontro das necessidades da turma e perceber quais as estratégias que deveriam ser utilizadas para retirar o melhor aproveitamento de cada aluno. Segundo Morales (2001, p.49), “a relação professor-aluno é complexa e abarca vários aspetos; não se traduzindo numa fria relação didática nem numa relação humana calorosa.” A minha opinião corrobora inteiramente a afirmação do autor e onde descrevo a seguinte passagem: uma situação que acabou por confundir alguns pensamentos em certos alunos da turma foi a diferença de idades que havia entre o professor estagiário e os alunos. Nunca houve situações negativas nem comportamentos que colocassem em causa o meu desempenho enquanto professor desta turma, contudo era visível que dois ou três alunos com quem eu me relacionava melhor fora das aulas e até mesmo fora da escola, por vezes proferiam certos comentários e tomavam até atitudes que não eram tão bem compreendidos pela restante turma. Após verificar esta situação, na última aula do primeiro período, senti necessidade de chamar a atenção à turma em geral e vincar a minha posição enquanto professor. Tendo em conta as minhas caraterísticas pessoais, a forma como penso e como me relaciono com quem me rodeia, esta não foi uma situação fácil de gerir, no entanto tive consciência de que seria necessário intervir no sentido de continuar a ser mantido o respeito entre as duas partes. Posto isto, esta foi uma situação que aconteceu isoladamente e não teve repercussões em atividades futuras. Outro momento que se verificou já nas últimas aulas do ano letivo foi um episódio, por parte de um aluno de quem eu jamais esperaria essa atitude. Na aula de avaliação sumativa de andebol este aluno colocou em causa a minha prestação enquanto professor referindo mesmo: “o professor não sabe controlar 38 a turma”; “isto não são exercícios que se façam numa avaliação”; “o professor não presta a devida atenção aos exercícios”. Depois de ter proferido estes comentários eu, enquanto professor, não tive outra solução se não pedir ao aluno que saísse, marcando-lhe falta. Esta atitude causou alguma perturbação até ao final da aula, contudo tentei abstrair-me do episódio sucedido e continuar a aula mantendo os restantes alunos empenhados na realização dos exercícios. Após o término da aula fui procurar o aluno e tentar perceber qual a razão que o tinha levado a manifestar aquele comportamento e atitude. Depois de ter conversado com o aluno em questão e de ele me ter explicado alguns acontecimentos, menos positivos, que estavam a acontecer na sua vida este pediu-me desculpas pelo sucedido e assumiu o erro que tinha cometido perante toda a turma. Mesmo com este episódio menos positivo a turma manteve uma atitude correta, o que me permitiu continuar a lecionar as aulas e desenvolver as relações interpessoais de forma tranquila. Nas últimas semanas havia-me questionado sobre aquilo que os meus alunos poderiam pensar sobre as aulas de Educação Física que tinham tido neste ano, a prestação do professor estagiário, a minha relação com a turma e todas as atividades de que disfrutámos neste longo percurso. Para saber a opinião de todos eles criei uma folha onde cada aluno pôde escrever, à sua vontade e de forma anónima, o que pensava sobre a forma como tinham decorrido as aulas da nossa disciplina e, em especial, da minha realização do Estágio Profissional. “Depois de ter lido, após a aula, todos os comentários que os alunos escreveram posso dizer que foi um ano bastante positivo e que me deu um grande gozo e apreço especial por ter vivido o meu ano de estágio com esta turma. Pelos comentários que li, alguns fizeram referências à complexidade dos exercícios realizados, à diversidade dos mesmos, a gestão e organização da aula e à relação professor-aluno. De referir, que também verifiquei, que alguns alunos fizeram críticas construtivas para o meu futuro enquanto professor de Educação Física e um ou outro aluno (a) que não gostou tanto de certas atitudes que eu demonstrei”. (Reflexão do dia 30 de maio) Capítulo IV REALIZAÇÃO DA PRÁTICA PROFISSIONAL “Como professor não me é possível ajudar o educando a superar sua ignorância se não supero permanentemente a minha”. Paulo Freire (s.d.) 41 1. ORGANIZAÇÃO E GESTÃO DO ENSINO E APRENDIZAGEM 1.1. CONCEÇÃO De acordo com Matos (2013b, p.3) a conceção consiste em “projetar a atividade de ensino no quadro de uma conceção pedagógica referenciada às condições gerais e locais da educação, às condições imediatas da relação educativa, à especificidade da EF no currículo do aluno e às caraterísticas dos alunos”. A conceção projeta-se na análise dos planos curriculares, mais particularmente as competências gerais e transversais; a análise dos programas de EF articulando as diferentes componentes: finalidades, objetivos, conteúdos e indicações metodológicas; utilizar os saberes próprios da disciplina e os saberes transversais em Educação, necessários aos vários níveis de planeamento; por último deve-se ter em conta os dados da investigação em educação e ensino e o contexto cultural e social da escola e dos alunos, de forma a construir decisões que promovam o desenvolvimento e aprendizagem exigidos (Matos, 2013b). Antes do ano letivo se iniciar desfrutei de algumas atividades que contribuíram para aumentar os meus conhecimentos ao nível do Ser Professor. No primeiro dia que me desloquei à escola foi-me apresentado o Professor Cooperante (PC), pessoa esta que viria a ser o orientador de toda a atividade desenvolvida por mim, na escola, ao longo do ano letivo. Depois disto conheci aqueles que viriam a ser os meus colegas estagiários, provenientes de um núcleo da Universidade Lusófona de Lisboa e que iriam ser orientados por outra professora do Departamento de Educação Física e Desporto (DEFD). Ainda neste dia foi-nos feita, pelo PC, uma visita guiada a todas as instalações escolares. Daqui pude observar que esta era uma escola, com boas condições físicas e materiais, condições estas que eram propícias a um aumento do empenho e desenvolvimento por parte dos alunos para obterem o maior sucesso escolar. Ainda no decorrer desta semana tive o primeiro contacto com a comunidade educativa, nomeadamente os docentes, na primeira reunião geral 48 desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem são os módulos 3,4 e 7. Digo isto porque é necessário, antes de se programar o que se vai ensinar, conhecer a turma a quem vai ser dirigido o processo de ensino e saber em que níveis se encontra a mesma. A partir daqui pode-se realizar uma sequência lógica dos conteúdos a serem abordados para que os alunos aprendam e evoluam ao longo das aulas. As unidades didática presentes em cada módulo 4 tornam-se essenciais para a elaboração do programa de uma disciplina na qual são apresentadas etapas claras e distintas do ensino e aprendizagem (Bento, 2003). Este documento (anexo II) é imprescindível para um professor de EF, pois é com ele que se pode planear e estruturar tudo o que vai ser abordado ao longo das aulas de cada modalidade. O MEC é construído com base no tempo disponível para cada modalidade, no roulement de instalações, nos recursos materiais, nas avaliações iniciais e do planeamento anual. Em algumas modalidades, devido ao número de tempos letivos disponíveis para a lecionação de determinada modalidade, não foi possível realizar as devidas avaliações diagnósticas. Nestes casos recorri às informações que detinha de anos anteriores sobre a turma para elaborar a análise e extensão dos conteúdos. Um destes exemplos foi o atletismo, mais particularmente o lançamento do peso e o salto em comprimento. Aqui, e após conversa com o professor cooperante, achei por bem lecionar estas duas matérias ao mesmo tempo nas aulas, dividindo a turma em dois grupos de ensino. Este foi um dos casos em que tive a possibilidade de lecionar apenas três aulas de noventa minutos, e para que os alunos disfrutassem de uma maior variedade de situações de aprendizagem abordei as duas modalidades em conjunto. Nesta situação procurei fazer uma abordagem geral da matéria em questão. Contudo, no final destas três aulas tive a necessidade de realizar uma avaliação sumativa, em que a distância do salto e do lançamento não foram os aspetos essenciais na avaliação. Procurei, essencialmente, avaliar a evolução dos alunos nas diferentes fases da técnica, quer do salto em comprimento bem como do lançamento do peso. Inicialmente senti algumas dificuldades na construção das unidades didáticas porque queria introduzir muitos conteúdos na mesma aula. Depois, à 49 medida que o tempo foi passando e das informações que eu fui recolhendo acerca da prestação motora da turma fui-me apercebendo da dificuldade que os alunos apresentavam em algumas modalidades e conteúdos das mesmas. Houve certas modalidades, como foi o caso do basquetebol e do futebol, em que a turma apresentou um melhor rendimento e fez com que fosse possível criar unidades didáticas mais exigentes e que possibilitassem uma maior aprendizagem por parte dos alunos. No entanto, no caso do voleibol, em que até existiam seis alunos com um nível bastante elevado de aprendizagem, um dos exemplos é que não foi possível abordar sistemas defensivos devido às dificuldades que os restantes alunos evidenciavam. Estas dificuldades diziam respeito a conteúdos de base como são o caso do serviço por cima, da receção ao serviço, do passe e da manchete. Procurei transmitir todos os conteúdos abordados, nas diferentes modalidades, de forma eficaz, pois, acredito, que só desta forma é que os alunos poderão obter ganhos significativos ao nível da aprendizagem. 1.2.3. PLANO DE AULA Depois da unidade didática surge a realização do plano de aula como o último nível do planeamento realizado. Como refere Bento (2003, p.63), “na preparação da aula tem lugar uma precisão dos seus objetivos (já estabelecidos no plano da unidade); é planificado o seu decurso metodológico e temporal”. O plano de aula assume-se como um guia indispensável para cada sessão lecionada que tem como objetivo organizar, de uma forma detalhada, todos os conteúdos e exercícios a serem abordados nas diferentes matérias de ensino. No início do ano letivo foi proposto, aos três estagiários de EF, pelos respetivos professores cooperantes, que, em conjunto, elaborassem um modelo de plano de aula (anexo III). Este foi estruturado da seguinte forma: parte da aula (inicial, fundamental, final), tempo de aula, conteúdos, objetivos específicos e estratégias. 50 De início senti algumas dificuldades na elaboração dos planos de aulas, nomeadamente na escolha dos exercícios, pois era difícil encontrar uma evolução coerente na realização dos mesmos e dividi-los pelas três partes da aula. Outra das dificuldades que senti, mas já na parte prática da aula, dizia respeito ao facto de gerir o tempo destinado a cada exercício, isto é, organizalos de acordo com o decorrer da aula e com a gestão da turma. Esta situação verificou-se mais no primeiro período e em alguns casos, também devido à evolução da aprendizagem dos alunos em cada exercício, não foi possível concretizar o plano de aula no seu todo. A escolha e seleção dos exercícios foi outro problema que tive de superar, isto aconteceu porque procurava criar exercícios motivadores, altamente dinâmicos, desafiantes mas que, ao mesmo tempo, promovessem a aprendizagem de diversos conteúdos à minha turma. Isto não correu da melhor forma com os meus alunos porque a informação que eles me iam passando, proveniente do desempenho e até mesmo do diálogo, é que alguns exercícios eram complicados e algo complexos, situação esta que eles não estavam habituados. Depois de um conhecimento mais aprofundado da turma, relacionado com motivações para a prática desportiva e com a prestação motora, apercebi-me que a grande maioria dos alunos preferia exercícios mais simples e que estivessem enquadrados com o nível em que os alunos se situavam. À medida que o tempo foi passando, e que o número de planos de aula realizados foi aumentando, as dificuldades foram sendo superadas e a prática evoluindo. Com os erros cometidos ganhei experiência e aprendi a desenvolver planos de aula que fossem adequados à realidade encontrada. 1.3. REALIZAÇÃO A realização carateriza-se por ser o ponto de convergência de todos os conceitos enunciados anteriormente, nomeadamente a conceção e o planeamento. Segundo as normas orientadoras do EP (Matos, 2013b, p. 4) o estudante estagiário deve ser capaz de “conduzir com eficácia a realização da aula, atuando de acordo com as tarefas didáticas e tendo em conta as diferentes dimensões da intervenção pedagógica”. 51 A parte da realização assume-se como a principal figura de todo o processo do Estágio Profissional, onde ocorreram as minhas principais dificuldades ao nível do ensino e as estratégias que foram utilizadas como forma de suprimir as mesmas. 1.3.1. O QUE OS PROGRAMAS DIZEM VERSUS AQUILO QUE ENCONTRAMOS NA REALIDADE… Na Educação, nomeadamente na EF, um dos grandes problemas que surge no decorrer do processo ensino-aprendizagem diz respeito aos conteúdos que os PNEF indicam como sendo alvo de aquisição e o nível das matérias abordadas pela turma. Como já foi referido anteriormente, nas primeiras aulas do ano letivo deparei-me com muitas limitações apresentadas pelos alunos na sequência das diferentes modalidades. O caso mais flagrante prendia-se com a modalidade do voleibol, onde havia uma discrepância enorme sobre aquilo que os alunos já deveriam apresentar como dados adquiridos e na realidade ainda detinham bastantes dificuldades. Dentro da própria turma havia dois níveis distintos na abordagem desta modalidade, sendo que 6 alunos apresentavam-se num nível já avançado, enquanto que os restantes não conseguiam passar do introdutório. Esta foi uma situação que me fez programar com muito cuidado a UD, pois não queria prejudicar a evolução dos alunos mais habilidosos, contudo tinha que promover a aquisição e aprendizagem de conteúdos de base, que ainda não estavam assimilados aos alunos com mais dificuldades. 52 Segundo o PNEF, referente ao ensino secundário, relativo à modalidade do voleibol para o 11º e 12º anos, este refere que os alunos devem ser capazes de servir por baixo ou por cima (tipo ténis) colocando a bola no meio-campo oposto em condições de difícil receção; adotar uma postura ativa para receber o serviço da equipa adversária, colocando a bola no jogador passador; o passador deve posicionar-se de forma correta para passar a bola a um companheiro à sua escolha de modo a facilitar-lhe a finalização; o aluno deve ser capaz de finalizar em remate, amorti ou passe colocado; em situação defensiva, o aluno avança no terreno assumindo uma atitude e posição apropriadas à proteção do ataque. Todas estas eram situações que deveriam ser proporcionadas para aprendizagem aos alunos da minha turma, contudo, devido ao nível de desempenho motor que, grande parte da turma, apresentou nas aulas iniciais não foi possível criar uma UD tão exigente. As dificuldades que os alunos mais apresentavam diziam respeito à receção ao serviço; na adoção de uma postura ativa em situação defensiva; na definição da posição recebedor-não recebedor; e na manutenção dos três toques por equipa. Estas situações acabavam por condicionar a fluidez no jogo, o que determinava, muitas vezes, que a bola caísse constantemente ao chão ou “andasse” de um meio-campo para o outro sem que as equipas conseguissem construir situações que permitissem a finalização. Durante a realização foi possível verificar que os alunos, na grande maioria, foram capazes de consolidar habilidades técnicas que já deveriam estar adquiridas em anos anteriores. É certo que esta situação não se verificou em todos os alunos da turma devido às capacidades que estão intrínsecas a cada um. Apesar de não ter sido possível cumprir os objetivos que estavam propostos no programa, penso que o mais importante foi proporcionar situações que permitissem aos alunos desenvolver as suas capacidades e a aquisição de habilidades motoras nas quais revelavam bastantes dificuldades. Após uma reflexão sobre toda a realização da UD posso dizer que o resultado foi positivo, pois, os alunos, apesar das limitações apresentadas, conseguiram atingir e cumprir os objetivos propostos e desenvolver novas situações de aprendizagem. 53 1.3.2. QUE CONTEÚDOS A ABORDAR? No início do ano letivo, aquando da realização do planeamento anual, decidi em conjunto com o professor cooperante que iria abordar um vasto leque de modalidades. Nesse momento pensei que seria benéfico para os alunos vivenciarem uma grande variedade de modalidades desportivas, ainda que, com unidades didáticas curtas. Depois de analisar o mapa de instalações e o mapa de rotação das instalações desportivas confirmei esta minha perspetiva, tendo em conta que a ESRG se articulava com o Complexo Desportivo da Ribeira Grande o que proporcionava um grande número e variável de instalações para lecionar as aulas. Esta foi uma opção que teve o meu incentivo e que tinha como objetivo motivar os alunos para diferentes matérias de ensino. O facto de ter lecionado várias modalidades distintas, cada uma delas com a cultura e caraterísticas que lhes são próprias, “fui obrigado” a investir no meu conhecimento. Como o meu “saber” não era o melhor em algumas delas tive necessidade de recorrer à literatura e a manuais específicos, com o objetivo de proporcionar exercícios motivadores e que se adequassem ao nível motor da turma. Esta situação afigurou-se como um verdadeiro desafio para mim e foi um fator que contribuiu para um aumento da minha cultura desportiva. Contudo, no meio desta nova experiência, senti que os alunos não aprenderam o suficiente sobre determinadas modalidades que se determinam como sendo fundamentais para este ciclo de ensino. Na minha opinião e pelo que pude constatar, no final de certas unidades didáticas, alguns alunos acabaram por não aprender aquilo que era desejado. Quando me refiro a alguns alunos falo especialmente naqueles que apresentavam, desde logo, algumas lacunas a nível motor e cognitivo. Com isto, o facto de querer “oferecer” um aumento de vivências desportivas traduziu-se, algumas vezes, em insucesso na aquisição e aprendizagem de diversos conteúdos. Segundo o pensamento de Jewett e Bain (1985), com este tipo de realização prática e com esta forma de pensar pode-se estar a favorecer os mais hábeis com prejuízos para os menos habilidosos. Na minha opinião, e na linha de pensamento do autor, deve-se privilegiar um ensino justo e igual para todos, adequando os conteúdos ao nível 54 dos diferentes alunos, sabendo desde logo que cada um tem a sua forma e velocidade de aprendizagem mas que o tempo destinado à aquisição dos conteúdos é o mais correto e propício para a mesma. Como já referido noutro segmento deste relatório cada turma dispunha de três semanas consecutivas (1 ou 2 tempos letivos por semana dependendo do ano de ensino e do dia da aula) na mesma instalação e o que acontecia é que, muitas das vezes, ao fim deste período de tempo os professores tinham que mudar a instalação desportiva o que se consumava numa nova modalidade para abordar. A ideia e o pensamento com que fico, no final deste ano letivo, é que se tivesse outro tipo de roulement, ou até mesmo se voltasse a viver esta situação com este tipo de rotações, provavelmente optaria por aprofundar determinadas modalidades, o que permitiria consolidar um maior número de habilidades motoras por modalidade. Em suma, concluo que a forma de planeamento que elaborei para as diversas modalidades, tendo em conta a turma a quem lecionava, poderia ter tido mais ganhos de aprendizagem se tivesse realizado um maior número de aulas em determinadas matérias. Desta forma era possível aumentar a unidade didática e o número de vezes com que os alunos exercitavam os vários conteúdos programáticos. 1.3.3. GESTÃO DO TEMPO DE AULA Com o objetivo de se retirar o maior aproveitamento das tarefas realizadas na aula tem de se ter em atenção o tempo dedicado a cada uma delas. Neste sentido, Rink (1993) refere que os professores eficazes criam um ambiente propício para a aprendizagem e que a compreensão desse ambiente exige a coordenação de três sistemas que operam na ecologia da aula: o sistema de instrução, o sistema de gestão e o sistema de socialização dos alunos. A mesma autora afirma que a gestão de aspetos organizacionais é fulcral na criação de ambientes positivos de aprendizagem, e envolve a gestão das regras, das 55 rotinas, das expetativas, das consequências, bem como a realização e avaliação. No início do ano letivo, como já foi referido anteriormente, colocava uma quantidade elevada de exercícios nas aulas o que implicava um maior tempo despendido na organização dos mesmos. Este número elevado implicava que tivesse que transmitir sempre novas informações, isto é, explicar o objetivo do exercício, o conteúdo do mesmo e a respetiva demonstração, e tudo isto contribuía para um aumento do tempo de gestão e organização da aula. Estes eram fatores que contribuíam para a redução de tarefas essenciais, como era o caso da transmissão de feedbacks nos diferentes exercícios, o que acabava por afetar a aprendizagem dos alunos. Cada vez que mudava de exercício tinha que delinear e “montar” o mesmo, reorganizar os alunos e explicar-lhes como é que o exercício deveria ser feito. Uma das dificuldades que, no início, senti mas que, ao longo do tempo fui conseguindo superar, prendeu-se com a transmissão de informação no início de cada exercício. Por vezes tentava ser rápido e o mais sucinto possível na explicação do exercício mas depois os alunos acabavam por não entender a exercitação dos mesmos e o que se pretendia com o exercício pedido. Ao tentar ser breve na explicação dos exercícios e pretender que os alunos tivessem o máximo de tempo possível na realização dos mesmos fazia com que as dúvidas surgissem e o tempo de prática diminuísse. De acordo com Siedentop e Tannehill (2000), algumas das tarefas que surgem para melhorar a gestão do tempo de aula dizem respeito ao: começar a aula no horário estabelecido; reduzir os tempos de transição; utilizar métodos para reunir os alunos e que permitiam rentabilizar o tempo; ser claro e conciso nas regras; e manter o controlo e disciplina na turma para aumentar o tempo de prática. Com o objetivo de superar estas dificuldades fui ao longo do tempo encontrando estratégias que me possibilitassem controlar da melhor forma a gestão e tempo da aula. Em todas as aulas tentava sempre montar antecipadamente os exercícios e manter a turma o mais organizada e concentrada possível nas tarefas para aumentar o tempo de empenhamento motor. 56 Em todas as aulas, procurei proporcionar, a todos os alunos, o máximo de oportunidades práticas de realização para que os ganhos de aprendizagem fossem maiores e significativos. Para além disto tentei criar rotinas simples de início e fim de aula e a instituição de regras básicas para que os alunos mantivessem a atenção devida, quer nos momentos de instrução quer na realização dos exercícios. 1.3.4. O ENSINO DO FUTEBOL COMO UMA MAIS-VALIA Este é um dos pontos de suma importância para ser incluído no presente relatório, pois, reflete a minha experiência, quer como praticante, quer como treinador, facilitando, desta forma, a lecionação da modalidade. Contudo, os conhecimentos que possuo estão diretamente ligados ao mundo do treino e, como tal, foi sentida uma ou outra dificuldade na implementação de alguns exercícios mais específicos. Assim, nas primeiras aulas foram elaborados exercícios de maior complexidade, com o objetivo de criar um conjunto de oportunidades aos alunos para desenvolverem capacidades e conhecimentos, num nível acima daqueles que estavam previstos. No entanto, à medida que as aulas foram decorrendo, as dificuldades dos alunos foram surgindo. Neste sentido, foi necessário alterar o planeamento e, em alguns casos, transformar a forma como os exercícios estavam, inicialmente, delineados. Neste contexto, da existência de bons professores, depende o futuro dos nossos alunos e das nossas escolas, pois, de acordo com Nóvoa (2005), não há nada que substitua um bom docente. O que decide o futuro de muitas crianças e jovens não são as Leis, nem os programas, são, sim, os bons professores. Segundo Shulman (1986), o conhecimento da matéria diz respeito à quantidade e organização do conhecimento que está presente na mente do professor, pois, nas situações narradas anteriormente tornaram-se importantes os conhecimentos adquiridos na formação de treinador desta modalidade, facilitando, desta forma, as alterações que foram realizadas no contexto específico da aula. 57 Por vezes foi necessário uma explicação ou mudança de posição para determinado aluno, e com os conhecimentos que tinha presente acabava por tornar o exercício mais dinâmico e de forma mais fluída. No que concerne à explicação e demonstração dos exercícios estes foram conceitos revelados com facilidade devido ao conhecimento adquirido na formação como praticante e treinador. Logo, com uma boa demonstração os alunos compreenderam mais facilmente aquilo que lhes era pedido. 1.4. AVALIAÇÃO Segundo Carrasco (1989), a avaliação resulta de um juízo de valor obtido através de uma medição. Associado a este está uma comparação, ou seja, deve ser equiparado a uma média. De acordo com Mesquita (2012), o processo de avaliação diz respeito ao recolher de informação e proceder a um juízo de valor, que em muitos casos, tem o sentido de conduzir a uma tomada de decisão. Na realidade este é um conceito que envolve uma grande subjetividade e que tem por base critérios explícitos e implícitos. Este é um conceito que envolve mais que uma medição acabando por se atribuir um valor de acordo com critérios que envolvem problemas técnicos e éticos. Ao longo do ano de estágio a avaliação tomou sempre um lugar de destaque em todo o processo de ensino e foi alvo de uma constante reflexão. Sem dúvida que este é um conceito muito importante mas que envolve, também, muita responsabilidade e competência por parte do professor. Na realização do meu estágio senti essa dificuldade, com maior persistência, nas avaliações realizadas ao longo de todo o primeiro período. Durante o decorrer do ano letivo foram dois os grandes momentos utilizados para avaliar o processo de ensino-aprendizagem, designadamente a avaliação diagnóstica e avaliação sumativa. Não menos importante, mas com uma realização mais ocasional esteve a avaliação formativa. A avaliação diagnóstica foi realizada no início de cada unidade de ensino com o objetivo de perceber o nível de desempenho motor dos alunos em determinada modalidade. Só com a realização desta avaliação é que foi possível 64 conhecimento no que concerne aos eventos que constavam do Plano Anual de Atividades. De seguida passo a identificar todas as atividades em que estive presente e o contributo que as mesmas tiveram na minha formação enquanto futuro professor e ser humano. 1. VOLTA AO ANO EUROPEU DOS CIDADÃOS Esta foi a primeira atividade em que participei nesta nova aventura escolar e que contou com a presença da turma que eu acompanhei, para uma observação mais direta das aulas do professor cooperante, durante o primeiro período. Esta iniciativa contribuiu, visto ter sido dinamizada no início do ano letivo, para estar mais perto de todos os alunos desta turma e poder conhecêlos um pouco melhor. Na parte mais prática da atividade foi possível conhecer novos países que tinham sido, recentemente, aceites na grande família da União Europeia e relembrar factos históricos de alguns países que deram origem à criação deste grande organismo europeu. 2. “SER DIFERENTE EM IGUALDADE” Durante o primeiro período decorreram na nossa escola ações de sensibilização no âmbito do tema acima identificado. Os temas que foram tratados prendem-se com: a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres; orientação sexual e preconceito; a cultura do “perfeito” e deficiência; a idade é um obstáculo?; e a pobreza e a discriminação social. Com a minha turma tive possibilidade de assistir a duas ações de sensibilização acerca das temáticas “igualdade de oportunidades entre homens e mulheres e orientação sexual e preconceito”. Na minha opinião estes foram temas bastante interessantes e que cativaram tanto os alunos como os professores porque estando nós todos ligados à comunidade escolar torna-se fundamental abordar temas que foquem algumas das áreas que, ainda hoje, são vistas como “problemas” na nossa sociedade. 65 Com isto, é necessário fazer passar algumas noções de como ultrapassar estas dificuldades e é de salientar a importância que estas palestras têm para os mais jovens. Digo isto porque é nestas idades que muitos deles principiam novas formas de estar na sociedade e também começam a descobrir a sua identidade e a formar/moldar a sua personalidade. 3. MEGA PEQUENO-ALMOÇO Esta foi mais uma iniciativa organizada pela ESRG, mais concretamente pela equipa de promoção da saúde em meio escolar. Este foi um projeto realizado pelo segundo ano consecutivo e que conta com o apoio do Departamento de Educação Física e Desporto, tendo como principal objetivo proporcionar um momento de boa alimentação a todos os alunos da escola. Como é do conhecimento de todos, muitas famílias sofrem de carências a nível económico, que depois se repercutem nos bens alimentares, e quem acaba por sofrer mais com esta situação são as crianças e jovens, provenientes destes agregados familiares. Desta forma, tratou-se de uma manhã diferente marcada por uma ajuda que a escola, juntamente com outras instituições se disponibilizaram a dar aos alunos. Durante toda a manhã os professores puderam acompanhar os seus discentes nesta iniciativa para que estes pudessem usufruir de uma refeição completa onde estiveram presentes bens essenciais, tais como: leite, iogurte, cereais, bolachas e fruta. “Durante os anos em que eu frequentei, como estudante, escolas básicas e secundárias nunca assisti a eventos deste género e, como tal, esta foi uma situação que me deixou muito agradado e, de certa forma, comovido. Isto porque, como já foi referido, hoje em dia muitas famílias não têm possibilidade de dar as devidas refeições aos seus filhos”. (Reflexão do dia 22 de outubro) 66 4. PRIMEIROS-SOCORROS Outra das iniciativas promovidas pela ESRG foi a formação dada pelos Bombeiros Voluntários, às turmas do 11º e 12º anos, sobre Suporte Básico de Vida e Primeiros Socorros. Esta foi uma ação de importância extrema e que permitiu aos alunos adquirirem conhecimentos relativos à área da Saúde para que estes tenham algumas noções básicas e saber como intervir em situações a que todos nós podemos estar sujeitos. Para os professores, neste caso para mim, foi também importante porque, de alguma forma, ganhei novos conhecimentos numa área em que eu não estou muito à vontade mas que na profissão de professor de Educação Física se torna fulcral para alguma lesão ou problema que possa acontecer durante as aulas. Esta tornou-se numa ajuda fundamental e que foi possível, infelizmente, aplicar alguns dos conhecimentos adquiridos numa situação que ocorreu, duas semanas depois, com um aluno da minha turma quando este manifestou convulsões durante uma aula prática da minha disciplina. Estas ações de formação são, na minha opinião, muito importantes e que toda a gente deveria possuir alguns conhecimentos, no mínimo básicos, para saber intervir num primeiro momento. 5.“VI TORNEIO CONVÍVIO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA” Realizou-se nos dias 12 e 19 de outubro de 2013, o “VI Torneio Convívio da Administração Pública”, organizado pelo Serviço de Desporto de São Miguel/Direção Regional do Desporto. O torneio contou com a realização de duas atividades, sendo elas: futebol de 5, no Complexo Desportivo do Lajedo e voleibol, no Complexo Desportivo das Laranjeiras. Estiveram presentes cerca de 150 participantes, distribuídos por 14 equipas, em representação de 13 serviços. Pôde-se verificar que os funcionários da Administração Pública estavam em grande forma e a vertente competitiva não foi descurada, dando mais um sinal de grande vitalidade. A Escola Secundária da Ribeira Grande esteve presente com uma equipa constituída por vários docentes do Departamento de Educação Física e Desporto. 67 A pontuação final do torneio era resultante da soma das classificações obtidas nas duas modalidades. Assim, e face aos resultados alcançados a ESRG conquistou o 1º lugar no “VI Torneio Convívio da Administração Pública”. A minha participação neste torneio, visto ter sido realizado no início do ano letivo, permitiu-me uma aproximação maior, em termos pessoais e desportivos, aos restantes docentes da escola, o que contribuiu para um maior desenvolvimento ao longo do meu ano de estágio. 6. TORNEIO “SCHOOL VOLEI” Nos dias 16 e 17 de dezembro de 2013 foi realizado, pelo Departamento de Educação Física e Desporto, o torneio designado por “School Volei”. Este foi uma atividade dinamizada em grande parte das escolas da Ilha de São Miguel, em que, primeiramente, foi organizado a fase intra escolas passando depois as duas melhores equipas de cada sexo à fase regional. A dinamização e programação deste torneio foi da parte dos três estagiários do DEFD, contando com a ajuda, no seu desenvolvimento, de todos os docentes do nosso departamento. Esta atividade teve como principais objetivos: proporcionar oportunidades para que todas as crianças e jovens possam viver experiências agradáveis, aperfeiçoar habilidades, adquirir hábitos de autodisciplina, desenvolvendo em si conceitos como a cooperação e competição com lealdade; "Aprender a viver com os outros" fomentando as relações pessoais entre si e com as outras escolas; fomentar a prática desportiva organizada e orientada aos jovens, dentro do espaço escolar; observar e orientar os jovens praticantes, com maior interesse e apetência para a modalidade, a integrar o desporto federado; e aumentar o número de atletas federados na modalidade. O torneio dinamizado na escola contou com a presença de 9 equipas masculinas e 8 equipas do sexo feminino, agrupadas em três grupos de 3 equipas e dois grupos de 4 equipas, respetivamente. Esta foi mais uma experiência bastante positiva, porque contribuiu para o meu desenvolvimento enquanto professor, no que respeita à promoção e dinamização de eventos desportivos para a comunidade educativa, e promoveu um aumento de conhecimentos relativos à modalidade do voleibol. 68 7. SEMANA DA EDUCAÇÃO FÍSICA Na semana de 24 a 28 de Fevereiro de 2014 decorreu, na Escola Secundária da Ribeira Grande, a XV Semana da Educação Física. Esta é uma semana que já vem sendo realizada há quinze anos, como o próprio nome indica, e que conta com a realização de três tipos de atividades. A primeira e principal atividade desta semana prende-se com o Torneio Tribol. Este torneio consiste na prática de três modalidades diferentes, como é o caso do voleibol, basquetebol e futebol, em formas reduzidas (4x4, 3x3 e 5x5). O torneio é dividido da seguinte forma: 3º ciclo feminino; 3º ciclo masculino; secundário feminino e secundário masculino. Assim, as equipas que se inscreveram para o torneio tiveram que, obrigatoriamente, participar nas três modalidades e a pontuação final das equipas no torneio é feita de acordo com a classificação obtida em cada uma das modalidades. A segunda competição e atividade realizada nesta semana foi o torneio de badminton, que viu este ano realizar a sua oitava edição. Neste torneio os alunos também foram divididos consoante o seu sexo e o ciclo de ensino. Para finalizar esta semana já vem decorrendo há seis anos a maratona de dança. Nela os alunos que pretenderam participar tiveram de vir fantasiados ou pintados. Esta semana tem um sentido especial e a realização da mesma assenta em dois pilares fundamentais, sendo eles: a promoção e a consciencialização de que a atividade física é um fator necessário à melhoria da saúde; e a promoção, o convívio e a competição saudável entre os alunos da ESRG. A minha participação/acompanhamento ficou marcada em todas as atividades que decorreram ao longo da semana, tanto na gestão das atividades de cada modalidade, bem como na arbitragem dos jogos que aconteceram. A minha envolvência nesta semana estendeu-se ainda na participação no torneio de badminton, num grupo composto apenas por professores. Gostei imenso de ter participado neste torneio, porque através dele foi possível aumentar a relação com a comunidade escolar, no que diz respeito aos docentes que nele participaram e pude desenvolver a prática desportiva numa modalidade bastante acarinhada na Ilha de São Miguel. 69 8. VISITA DE ESTUDO AO CAMPO DE GOLFE DA BATALHA No dia 12 de março de 2014 tive a oportunidade de acompanhar a minha turma numa visita de estudo ao Campo de Golfe da Batalha, concelho de Ponta Delgada. Esta foi uma iniciativa que surgiu por parte da Azores Golf Islands e da Associação de Turismo dos Açores que teve como objetivo tornar o golfe numa modalidade acessível a todos os jovens como forma de promoção da mesma. A visita foi orientada pelo jogador profissional André Medeiros, e desta pude disfrutar do conhecimento de todas as instalações e infraestruturas que envolvem um campo de golfe, bem como de uma atividade prática no âmbito da modalidade. Durante a visita guiada foram apresentadas algumas e principais regras do golf. Tive ainda a oportunidade de usufruir da parte prática que constou da realização de alguns batimentos e um minitorneio. Nesta componente prática, o professor André Medeiros transmitiu e demonstrou a forma correta dos diversos batimentos onde pude aprender a colocar as mãos no taco, a colocação do tronco, a relação membros inferiores-membros superiores e todo o desenrolar do gesto técnico. Esta visita de estudo foi, na minha opinião, muito interessante porque me permitiu conhecer e disfrutar do mundo do golfe, e também descobrir um pouco da ilha de São Miguel. Com esta atividade foi notório o bom envolvimento que a escola tem com a comunidade escolar, o que permitiu uma maior aproximação entre os participantes e o Meio. 9. “IV TORNEIO DE BEISEBOL” O Departamento de Educação Física e Desporto realizou, no dia 04 de junho de 2014, o IV Torneio de Beisebol. Nesta atividade estiveram presentes 6 equipas do ensino secundário e 6 equipas do 3º ciclo, com cerca de 140 participantes, de ambos os sexos. Esta atividade contou, para o seu desenvolvimento, com a ajuda de todos os professores e estagiários do departamento. A minha participação neste torneio ficou marcada pela arbitragem de jogos no ensino básico e preenchimento das fichas de jogo do mesmo ciclo. Através do meu envolvimento nesta atividade pude aumentar os conhecimentos relativos 70 a uma modalidade que pouco conheço, desenvolver tarefas de organização de atividades desportivas e, mais uma vez, as relações interpessoais, tanto com alunos como com professores, ficaram bem vincadas. 10. DIREÇÃO DE TURMA Segundo as normas de funcionamento do Estágio Profissional (Matos, 2013b), o professor estagiário deve escolher uma entre duas funções, sendo elas: a direção de turma ou o desporto escolar. Consoante a escolha que o professor fizer, este deve realizar ações de acompanhamento e desenvolver tarefas no âmbito da sua função. No meu caso, e devido ao facto do Desporto Escolar, na Região Autónoma dos Açores, não possuir o mesmo quadro competitivo que existe no Continente, nem a Escola Secundária da Ribeira Grande participar, por decisão do Departamento de Educação Física e Desporto, nos Jogos Desportivos Escolares, do 3º ciclo, acompanhei, mais de perto, a parte da direção de turma. De acordo com o documento das normas orientadoras de estágio, o estudante estagiário deve “compreender o papel de diretor de turma na sua relação com os pares, sob o ponto de vista administrativo e de gestão de relações humanas”. Neste ponto, o mesmo documento refere que o estudante deve identificar, apreciar criticamente e intervir nas atividades inerentes à direção de turma e ao conselho de turma. Já no ano transato, aquando da realização de trabalhos sobre estes dois temas, sempre direcionei a minha atenção para a direção de turma. Isto porque sempre tive grande interesse e alguma curiosidade nos problemas que, dia após dia, vão surgindo com a vida académica e, por vezes pessoal dos discentes. Alguns desses problemas estão relacionados com o comportamento dos alunos(as), a assiduidade e algumas dificuldades que surgem, por vezes, na relação entre professores e alunos. Durante este ano letivo foi possível seguir todas as funções do diretor de turma, uma vez que o professor cooperante era o diretor de turma do 11º D, turma à qual lecionei as aulas da disciplina. Esta foi, sem dúvida, uma mais-valia, pois tive a possibilidade de acompanhar, mais de perto, todos os problemas que 71 surgiram com os meus alunos e consequentemente trocar ideias para a resolução dos mesmos. As tarefas que foram realizadas mais frequentemente ao longo de todas as semanas passaram pela verificação do mapa de assiduidade da turma e justificação das respetivas faltas. É de salientar o trabalho que o diretor de turma tem de realizar, pois, tem de estar sempre atento ao limite de faltas que alguns alunos atingem, para que estes não reprovem o ano. Outra tarefa que deve ser realizada pelo diretor de turma é a observação de comportamentos desviantes por parte dos seus discentes. Durante esta participação ao nível da direção de turma consegui acompanhar algumas situações menos positivas que aconteceram com alguns alunos da minha turma. Foi importante para a minha formação, enquanto professor e como pessoa, a vivência de perto destes acontecimentos, pois assim acompanhei todo o processo de evolução e resolução dos mesmos. Relativamente à minha participação nas reuniões de conselho de turma posso dizer que foram bastante proveitosas para mim quer a nível pessoal, quer a nível profissional. Estes assumiram-se como momentos fundamentais para novos ganhos de conhecimentos e experiência para mim, enquanto futuro professor. Desta forma lidei mais de perto com professores já com um elevado número de anos como docentes e que, através das conversas que iam surgindo nestas reuniões, pude refletir sobre novas formas de ensino bem como todo o processo que lhe está inerente. De salientar que a minha presença nestes conselhos de turma não foi sempre vista com bons olhos por parte de alguns professores. De início sentime um pouco constrangido com esta situação, no entanto eu tinha que pensar que estava ali com o intuito de realizar uma das tarefas do estágio e que tinha como principal objetivo presenciar novas experiências enquanto estudante estagiário. Para concluir, é de referir que ao longo do tempo me fui sentindo melhor nestas reuniões com os restantes docentes da turma, e que apesar de ser visto como um mero estagiário, por alguns deles, a minha presença nestes momentos tornou-se fundamental para ampliar os meus conhecimentos relativamente à realidade escolar. 72 11. ESTUDO: “A IMPORTÂNCIA DA ATIVIDADE DESPORTIVA ESCOLAR”. RESUMO O presente estudo foi realizado no âmbito do Estágio Profissional, para a obtenção do grau de mestre no 2º ciclo de Ensino nos Ensinos Básico e Secundário. Desde o início do ano letivo deparei-me com o facto da Escola Secundária da Ribeira Grande não desenvolver Atividades Desportivas Escolares. Ao longo do tempo fui percebendo que os alunos desta escola, nomeadamente aqueles que pertenciam ao 7º ano de escolaridade, sentiam necessidade de participar em tais atividades. Sendo estes alunos com um passado recente ligado à participação nas Atividades Desportivas Escolares o desenvolvimento desportivo de cada um deles na escola ficou cingido às aulas de Educação Física. Neste sentido, e após várias conversas com alguns destes alunos e com os professores do Departamento de Educação Física e Desporto, surgiu a ideia de realizar um levantamento de dados acerca da importância que estas atividades têm para os alunos, de forma a obter dados conclusivos para a apresentação de um projeto que permita implementar Atividades Desportivas Escolares na Escola Secundária da Ribeira Grande. Para a realização deste estudo foi elaborado um questionário, constituído maioritariamente por perguntas de resposta fechada, que posteriormente foi aplicado a todas as turmas do 7º ano. No que diz respeito aos resultados obtidos conclui-se que 59% dos inquiridos já participaram nas Atividades Desportivas Escolares. Relativamente a um dos principais objetivos do estudo verificámos que 84% dos alunos desejam participar em alguma Atividade Desportiva Escolar que a escola proporcione. Tendo em conta os resultados positivos que se verificaram foi possível avançar com uma proposta de implementação destas atividades. PALAVRAS-CHAVE: ATIVIDADES DESPORTIVAS ESCOLARES, ESCOLA, PROJETO, INQUÉRITO, EDUCAÇÃO FÍSICA 73 11.1. INTRODUÇÃO Uma das características mais marcantes da sociedade contemporânea é a mudança. Tais mudanças alteraram um conjunto de valores, de atitudes e de comportamentos, moldando-os a um contexto social completamente novo. Assim, o nosso quotidiano está fortemente marcado pela rápida evolução técnica, faltando, ainda, alguma discussão sobre os efeitos a médio e longo prazo, para assim podermos verificar quais as reais repercussões humanas resultantes dos avanços/recuos do conhecimento. Mudam-se os tempos, mudam-se os contextos e as situações, mudam-se as causas dos problemas e os dramas, todavia, estes surgem ciclicamente com gravidade renovada, pois, de acordo com Bento (1997), a luta pela vida não pode conhecer pausa nem descanso e que a mesma não se confina à velhice, sendo árdua e exigente na infância, na adolescência, na juventude e no período adulto. Atualmente, a escola tem-se deparado com problemas que até bem pouco tempo atrás não lhe eram colocados. A educação da criança e dos jovens que outrora estiveram a cargo de diversas entidades/instituições, como exemplo a família, a Igreja e da própria escola, nos últimos tempos, face às grandes evoluções ocorridas nas sociedades ocidentais, o papel da família e da Igreja tem diminuído de forma evidente, restando apenas a escola para levar a bom porto todo o processo educativo. Neste contexto, a criança é colocada durante longas horas do dia na escola que nem sempre consegue ter atividades atrativas, do tipo complemento curricular, entre outras. O desencanto, de toda a comunidade educativa, pode ocorrer. Exigem-se dos professores tarefas para as quais poderão não estar devidamente preparados. Estes, para além do decorrente da sua profissão, passam a ser responsáveis por outros domínios, nomeadamente, o afetivo e/ou de relacionamento, e de ordem moral que antes se diluíam por outros educadores. Hoje, à escola tudo é pedido e esta, com as diversas formas de organização, não é capaz de responder com eficácia a todas as exigências. A sua lógica interna continua bastante ligada à dimensão curricular do ensino - que responde a uma necessidade da vida, o emprego - não levando ainda em devida consideração a dimensão extracurricular e intercurricular, dimensões 80 que a criança poderá vir a adquirir, pois maioria das vezes, os interesses das crianças e dos jovens têm estado completamente à parte das opções que são tomadas. Segundo Reis (2008) não poderemos continuar a viver num deserto de ideias, onde nada está ligado a nada, num sistema em desintegração, sem pontos de referência, sem sistemas de apoio para uma juventude cada dia mais abandonada ao seu destino. Desta forma, trata-se de aproximar a escola da vida, de integrar mais uma na outra e de consumar o que se deseja, conforme postula Bento (1998), de desportivizar a escola e escolarizar o desporto. A escola carece de riso, de entusiasmo, de dinamismo, de alegria, precisa que se goste dela. Assim, o desporto é o meio primordial de renovação da educação e uma vertente para a festa e para o convívio, de modo a quebrar a rotina escolar com competições internas e externas. Estamos convencidos que não existem respostas perfeitas num mundo que se altera permanentemente. De qualquer modo, a escola, para Mota (1997, cit. por Reis 2008), constitui um ponto de convergência para a vida. Não devemos esquecer que a formação do homem é o seu objetivo e não o seu meio. Por seu turno, a escola aparece com um duplo contributo. A disciplina de Educação Física, lecionada do 1º ciclo ao secundário, realizada ao nível da turma e com objetivos de formação nos vários planos, promove as atividades corporais, lúdicas e desportivas e valoriza a necessidade da atividade física desportiva. Todavia, à escola, também, são tecidas críticas devido à pouca seriedade atribuída às atividades de complemento curricular e pela desvalorização das prestações desportivas. Bento (1995) afirma que o desporto constitui parte integrante da cultura corporal ou física e é o grande meio da EF da sociedade. O mesmo autor afirma que a disciplina de EF na transmissão de vivências de eficácia na aquisição de técnicas desportivas pode influenciar positivamente outros domínios escolares, contribuindo para a formação de expetativas otimistas de competência com relevância em termos sociais. No entanto, não constitui novidade para ninguém a necessidade de recriarmos e tornarmos mais atraentes as formas de educação. Urge aproximar a escola da vida e da cultura de crianças e jovens. 81 Concordamos com Bento (1998) ao afirmar que a escola não pode ser uma fonte de depressão. Muito pelo contrário, a escola deve ser um espaço para a qualificação do quotidiano. O mesmo autor vai mais longe e diz-nos que é inaceitável que a escola se afaste da realidade e faça de conta que não é nada com ela, como se fosse uma reserva idílica para contemplar, preservar e impor valores e orientações próprias de um tempo perdido no passado. Em suma, não basta criticar a sociedade de consumidores passivos em que vivemos, nem lamentar que as atividades de tempo livre das crianças e jovens se reduzam ao consumo de programas de televisão, em jogos de computadores, etc., pois, como refere Bento (1998, p.136) “é necessário intervir na realidade, semeá-la de metas, de sonhos e de sentido humano (…) substituir os apelos e lamentações por estratégias de ação e responsabilidade”. Neste sentido, o desporto e, em particular, a disciplina de EF devem ser vistos de uma forma direta e objetiva. Somos defensores e apologistas do pensamento de Garcia (1998, p.52), pois “cremos que o desporto e a sua vertente pedagógica, a EF, têm uma função a cumprir para além de funções ou valores extrínsecos, como por exemplo a saúde ou a estética; cremos na função educativa das práticas desportivas; cremos no valor social e cultural do desporto; cremos que o desporto proporciona experiências centradas no esforço com uma dimensão moral apreciável; cremos que o desporto, mais que uma técnica, tem um sentido que deverá ser recuperado. Finalmente, cremos que o desporto não tem que ser um instrumento da saúde ou da estética, mas sim, ser percebido no campo das realizações humanas de onde resultam benefícios pessoais aos mais variados níveis”. Temos consciência das enormes responsabilidades atribuídas, atualmente, à escola em virtude do quase esvaziamento de outras entidades educativas. Mas os tempos são o que são, não valendo a pena pensar no utópico e nada fazer com estas nossas crianças. A escola tem que estar atenta à realidade onde se insere, pelo que a ocupação dos tempos livres das crianças é uma tarefa que lhe é inerente. 82 11.3. METODOLOGIA 11.3.1. OBJETIVO Segundo Quivy e Campenhoudt (1998), a melhor forma de iniciar um trabalho de investigação é seguir um método de trabalho ou um conjunto de procedimentos de forma a progredir em direção a um objetivo. Neste contexto, o presente estudo pretende contribuir de forma direta com linhas orientadoras, facilitando, desta forma, a criação de um novo projeto de Atividade Desportiva Escolar, com objetivo de complemento curricular, na Escola Secundária da Ribeira Grande, escola que no ano letivo 2013/2014, realizei o Estágio Profissional. 11.3.2. AMOSTRA Após uma profunda análise do contexto da escola, a nossa amostra foi constituída por todas as turmas/alunos do 7º ano, ou seja, 8 turmas, num total de 170 alunos. Tal decisão recaiu no facto de tentarmos compreender os anseios dos novos alunos, recém-chegados a uma nova escola. Esta é uma amostra representativa da população escolar que nos proporcionam indicadores relativamente aos alunos que frequentam este ano de escolaridade, com idades compreendidas entre os 12 e os 16 anos. A escolha desta amostra prende-se também com o facto de serem alunos com um passado recente ligado às Atividades Desportivas Escolares. 11.3.3. INSTRUMENTO Para efetuarmos a recolha dos dados que necessitávamos para a consecução deste estudo, optámos por elaborar um inquérito, através de um questionário escrito, conforme mostra o anexo IV, composto, na sua maioria, com perguntas fechadas, de forma simples e direta, onde todos os participantes 83 responderiam de forma anónima, com o objetivo de aferir o interesse dos alunos relativo ao tema em questão. 11.4. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS Nos dias de hoje, o grande desafio para qualquer organização é ir de encontro ao interesse dos indivíduos. Encontrar as soluções deve ser o ponto primordial. Existem tarefas de resolução urgente e, para tal, terão de haver pessoas com competência para receberem e tratarem a informação. Estamos convencidos de que não existem respostas perfeitas num mundo que se altera permanentemente. Contudo, a possibilidade de contribuir para a criação de um projeto de atividade desportiva escolar de complemento curricular, justifica, por si só, o estudo. Pretendemos desta forma, contribuir para aspetos que, tradicionalmente, têm a tendência de cair no esquecimento. Temos a consciência que se trata de um tema difícil de trabalhar devido à grande precariedade de informação. No entanto, se, por um lado, a inexistência de estudos sobre o tema que pretendemos tratar nos dificultou a tarefa, por outro lado, nos motivou a investigação neste domínio. Gráfico 1 - Número de participantes no estudo, por sexo. 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% Masculino Feminino 38% 62% SEXO 84 Observando o Gráfico 1, podemos verificar que o número de participantes no estudo, por sexo, é de 106 raparigas e 64 rapazes, totalizando 170 alunos, o que corresponde a 89%, dos alunos matriculados no 7º ano, no ano letivo de 2013-2014. No gráfico 2 podemos observar os valores relativos às idades dos alunos que participaram no estudo. Assim, podemos verificar que as maiores percentagens de referências aparecem nas idades dos 12 e 13 anos, correspondendo a 74%. Estas são, de facto, as idades que em condições normais, os alunos, referentes ao 7º ano de escolaridade, encontram-se. Todavia, e cada vez mais, em estudos desta natureza será constante o aparecimento de alunos com idades entre os 14 e 16 anos. Gráfico 2 - Valores das idades dos alunos que participaram no estudo. 0% 10% 20% 30% 40% 50% 12 anos 13 anos 14 anos 15 anos 16 anos 33% 41% 17% 6% 3% IDADES 85 O gráfico anterior demonstra que 101 alunos já participaram em alguma Atividade Desportiva Escolar, correspondendo a 59% de participação. Ou seja, a grande maioria dos alunos revelaram, uma vez mais, caso a Escola Secundária da Ribeira Grande oferecesse tais atividades, a adesão seria bastante significativa. No gráfico 4 podemos constatar que 52 alunos, 31%, participaram nas Atividades Desportivas Escolares no 1º ciclo. Relativamente ao segundo ciclo, 62 alunos, ou seja, 36%, afirmam ter participado nestas atividades. No 3º ciclo Gráfico 3 - Participação dos alunos nas Atividades Desportivas Escolares. Gráfico 4 – Ciclo de ensino em que participaram nas Atividades Desportivas Escolares 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% 1ºciclo 2ºciclo 3ºciclo 31% 36% 10% Em que ciclo de ensino? 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% Sim Não 59% 41% Já participaste nas Atividades Desportivas Extracurriculares? 86 apenas 17 alunos, correspondendo a 10%, participaram em tais atividades. Finalizando, 39 alunos responderam que nunca participaram em qualquer atividade da escola. Neste sentido é notório que é no 1º e 2º ciclos que se registam os maiores valores relativos à participação, isto é, 114 alunos, com 67%. Contudo, é no 3º ciclo que verificamos um decréscimo acentuado na participação dos alunos, somando ao facto de 39 alunos não participarem em qualquer atividade desportiva que a escola realize. No que diz respeito ao Gráfico 5, podemos verificar que um valor significativamente elevado de alunos, 142, o que corresponde a 84%, desejam participar em alguma Atividade Desportiva Escolar, caso a Escola Secundária da Ribeira Grande proporcione a realização das mesmas. Gráfico 5- A importância das Atividades Desportivas Escolares 0% 20% 40% 60% 80% 100% Sim Não 84% 16% Se a Escola Secundária da Ribeira Grande tivesse ADE´s participarias? 87 No tocante ao Gráfico 6, o primeiro horário que os alunos consideram ser o mais indicado e preferido para a realização das Atividades Desportivas Escolares é entre as 15h30 – 17h00, com cerca de 43% de preferência. Relativamente ao segundo horário que os alunos mais desejam é o das 08h45 – 10h15, com 32%. Por último, o horário que menos despertou interesse aos alunos foi o das 12h05 – 13h30, correspondendo a 9%. 11.5. CONCLUSÃO Atualmente, o desporto é um produto da sociedade que o concebe, sendo esta uma verdade que não necessita de grande argumentação nem fundamentação sociológica. No entanto, o paradigma civilizacional mudou: passou de um modelo alicerçado sobre o livro, a escrita, para um outro baseado sobre a imagem, a sensação, o imediato, a oralidade. Desta forma, o desporto não ficou imune a esta mudança, que nos obriga a sermos capazes de formular as perguntas necessárias e a incentivar todos quantos organizam, preparam, dirigem ou praticam a atividade desportiva, a procurar as respostas que os tempos de mudança intensa e de incertezas impõem. O presente estudo pretendeu contribuir para a criação de um projeto de Atividade Desportiva Escolar, na Escola Secundária da Ribeira Grande. Se, por Gráfico 6 - O horário preferido pelos alunos. 0% 10% 20% 30% 40% 50% 8h45-10h15 12h05-13h30 15h30-17h00 32% 9% 43% Horário preferido pelos alunos 88 um lado, a inexistência de estudos sobre o tema nos dificultou a tarefa, por outro lado, nos incentivou e nos motivou o investigar neste domínio. Tratou-se de um tema difícil de trabalhar devido à precariedade de informação localmente existente. Todavia, a possibilidade de contribuir para a criação de um novo projeto, justificaram, por si só, a investigação neste domínio. A elaboração deste trabalho, dada a forma como foi realizado, proporcionou-nos um conjunto de informações, desde o conhecimento científico a diversas áreas no mundo do desporto, tornando-se, assim, num importante contributo para a compreensão do desporto na escola. Neste sentido, e de forma a cumprir os objetivos delineados anteriormente, os resultados foram apresentados a toda a Comunidade Escolar (Conselho Executivo, Departamento de Educação Física e Desporto, turmas da escola, docentes de outras disciplinas, bem como a Associação de Pais) com o intuito de mostrar a importância das Atividades Desportivas Escolares para a população envolvida no estudo. Toda esta informação servirá como base orientadora para a criação de um projeto educativo que envolve a atividade desportiva, com o objetivo de complemento curricular, nesta escola. Perante este cenário, entendemos tecer algumas considerações finais. De todo este trabalho resultaram algumas ideias centrais de contributo para a criação de um projeto de Atividade Desportiva Escolar, sendo elas:  Relativo à participação, 170 alunos matriculados no 7º ano, no ano letivo de 2013-2014, responderam ao questionário, o que corresponde a 89% de participação;  No tocante às idades dos alunos que participaram no estudo, verificamos que 74% dos participantes encontram-se entre os 12 e 13 anos;  No que diz respeito à participação em alguma Atividade Desportiva Escolar, 101 alunos, ou seja, 59% de participação já o realizaram;  Relativamente ao ano de escolaridade em que já participaram de alguma Atividade Desportiva Escolar, 52 alunos, 31%, participaram no 1º Ciclo; 62 89 alunos, ou seja, 37%, participaram no 2º Ciclo. Contudo, no 3º ciclo apenas 17 alunos, cerca de 10%, participaram em tais atividades;  Foi possível aferir que 142 alunos, o que corresponde a 84%, desejam participar em alguma Atividade Desportiva Escolar, caso a Escola Secundária da Ribeira Grande proporcione a realização das mesmas;  Finalizando, o horário que os alunos consideram ser o mais indicado para a realização das Atividades Desportivas Escolares é das 15h30 às 17h00, com cerca de 43% de preferência. O segundo horário mais desejado é o seguimento das 08h45 às 10h15, com 32%;  A Escola Secundária da Ribeira Grande possui um conjunto de Instalações Desportivas ímpares, proporcionando a implementação de um vasto leque de projetos desportivos, nas diversas vertentes. BIBLIOGRAFIA BENTO, J. (1997). Um Olhar do Norte. Porto: Campo das Letras. BENTO, J. (1995). O Outro Lado do Desporto. Porto: Campo das Letras. BENTO, J. (1998). Desporto e Humanismo – O Campo do Possível. Rio de Janeiro: Editora UERJ. FÉLIX, J. (2002). Contributo para uma renovação da Escola. A importância das actividades físicas e outras práticas de lazer associadas à Cultura Popular para a construção de uma Escola de Cultura. Dissertação de Doutoramento. Porto: FCDEF/UP. GARCIA, R. (s/d). Desporto: Uma Perspectiva Cultural. Porto: FCDEF/UP (Documento de circulação interna). GARCIA, R. (1998). Da Desportivização à Somatização da Sociedade. Lição de Síntese apresentada a Provas de Agregação. Porto: FCDEF/UP. GARCIA, R. (1999). Da Desportivização à Somatização da Sociedade In Jorge Bento, Rui Garcia e Amândio Graça Contextos da Pedagogia do Desporto Capítulo VII CONCLUSÕES E PERSPETIVAS PARA O FUTURO “A vida só pode ser compreendida, olhando-se para trás; mas só pode ser vivida, olhando-se para a frente”. Soren Kierkergaard (s.d.) 99 Estes últimos cinco anos, onde constam a Licenciatura e o Mestrado, foram anos de trabalho, dedicação, alegrias, tristezas, transcendência, mas acima de tudo muito prazer. Estes anos ficaram marcados por um misto de sentimentos positivos mas também negativos. Estes sentimentos positivos refletem o término de mais uma etapa crucial da minha vida académica, sendo que esta diz respeito a toda a minha passagem pelo Ensino Superior. Por outro lado, todos estes anos de formação inicial foram carregados de muitas experiências fabulosas que marcaram o meu ser, tanto no campo pessoal como profissional e que me deixam com um sentimento de orgulho muito grande. Agora que chego ao fim de mais uma longa etapa da minha vida, o Estágio Profissional, posso dizer que muitos foram os momentos que vão ficar para sempre guardados na minha memória. Alguns destes momentos dizem respeito ao primeiro dia que cheguei à minha nova escola, o primeiro contacto com a turma, a primeira aula propriamente dita e o último dia de aulas que se revelou num misto de sensações. A experiência que ressalta depois de um ano tão longo como este antevia um percurso repleto de muito trabalho, de dificuldades, sacrifícios, novas estratégias, de evolução mas, em grande parte, de muita superação. Todos estes conceitos estiveram presentes ao longo desta etapa e foi com as dificuldades que eu ia encontrando, no caminho percorrido, que surgia sempre a necessidade de parar, pensar e encontrar uma nova maneira para ultrapassar os desafios que iam surgindo. O sentimento que fica no final deste ano é que tudo passou muito rápido, porque parece que ainda foi ontem que estava a falar com os meus pais para saber se havia possibilidade de realizar o Estágio na ilha de São Miguel, e hoje estou perante o dia em que estou quase a abandonar a ilha. Todo o processo de Estágio permitiu-me sentir e disfrutar da sensação que é Ser Professor, conhecer de perto a realidade de uma escola secundária nos Açores, perceber quais as competências e exigências que um professor tem que desempenhar na sua função para que no final de tudo os ganhos de aprendizagem dos alunos fossem o mais importante. A partir desta etapa consegui, também, perspetivar a importância da ligação e relação entre professores e alunos para que se consiga cativar a turma, 100 conseguindo um respeito mútuo, fazendo com que o clima das aulas seja o mais propício às aprendizagens dos mais novos. Outro dos aspetos que me permitiu evoluir no campo profissional foram todos os momentos de reflexão que eram necessários após as aulas e cada atividade realizada, que me possibilitaram refletir sobre o porquê de ter agido de certa forma e não de outra, e perceber de que maneira é que isso influenciou a minha prestação enquanto professor. Esta foi uma tarefa que se afirmou bastante difícil de realizar para mim, enquanto professor estagiário, mas que se revelou fundamental para toda a minha evolução ao longo deste processo. Consegui adquirir competências nas diversas áreas do conhecimento, formação profissional e planeamento que contribuíram para o desenvolvimento de todas as minhas funções enquanto professor. Um dos meus grandes objetivos sempre passou por fazer com quem os alunos adquirissem conhecimentos teóricos, desenvolvessem e evoluíssem a nível das suas capacidades motoras sem nunca esquecer a parte Humana que vai ser sempre necessária nas vidas deles. A nível pessoal sinto que “dei tudo” para que a excelência fosse sempre atingida, para que as dificuldades fossem superadas e os objetivos cumpridos. Da experiência vivida durante este ano ganho, sem dúvida, momentos marcantes que se prendem com as constantes superações que me permitiram evoluir ao nível do meu conhecimento e da minha competência profissional e pessoal. Chegando ao fim de mais uma etapa, está prestes a iniciar-se outra na minha vida. Esta, espero eu, repleta de trabalho onde novas experiências vão surgir acompanhadas, decerto, com muitos conhecimentos. É sabido que a lecionação nas escolas não está fácil, mas acredito que os tempos são de mudança e novas aventuras vão aparecer. O meu grande sonho sempre passou por ser professor de Educação Física e irei lutar e “esperar” para que tal prática aconteça. Os momentos que vêm aí não vão ser, de todo, os mais fáceis, no entanto, não se pode “cruzar os braços” e ficar à espera que as oportunidades surjam. Para se vingar não basta apenas existir, é preciso acreditar, lutar e persistir, e é com esse pensamento que vou enfrentar o futuro, convicto de que posso e vou atingir os meus objetivos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 102 103 ABREU, M. & MASETTO, M. (1990). O professor universitário em aula. São Paulo: MG Editores Associados, p.115. ABREU, N. (2013). PFI – Projeto de Formação Individual. Porto. Documento não publicado. BATISTA, P. (2008). Discursos sobre a competência: contributo para (re)construção de um conceito de competência aplicável ao profissional do desporto. Dissertação de Doutoramento apresentada à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. BENTO, J. (1991). Desporto, Saúde e Vida – Em defesa do desporto. Lisboa: Livros Horizonte. BENTO, J. (2003). Planeamento e avaliação em educação física: Cultura Física - (3ª ed.). Lisboa: Livros Horizonte. CARDOSO, A. (2003). A receptividade à mudança e à inovação pedagógica. Porto: Edições Asa. CARRASCO, J. (1989). 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The reflective practioner: How Professional think in action. Avebury: Aldershot Hanks. XX ANEXO II – Unidade Didática ANO LETIVO 2013-2014 PLANIFICAÇÃO - UNIDADE DIDÁTICA Unidade Didática: Ano: 11º Total de Aulas: Turma: D N.º Aula Data Objetivo Geral Conteúdos Função Didática XXI Anexo III – Plano de aula XXII XXIII Anexo IV – Questionário aplicado no estudo