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Sociodrama e e-learning em busca da diminuição do auto-estigma em doentes psicóticos

S. Sousa,M. Fontoura,A. J. Marques,Cristina Queirós

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X Congresso Português de Psicodrama X Congresso Português de Psicodrama 22 22- -24 de Outubro de 2010 24 de Outubro de 2010 1 Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Instituto Politécnico do Porto (ESTSP) 2 Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP) 3 Laboratório de Reabilitação Psicossocial da FPCEUP/ESTSP (LABRP) 4 Serviço de Psiquiatria do Hospital de S. João, E.P.E. (SPHSJ) 5 Grupo de Investigação em Reabilitação Psiquiátrica do Serviço de Psiquiatria do Hospital de S. João, E.P.E. (SPHSJ) - Abreu, P. (1992). O modelo do Psicodrama Moreniano. Edições Psiquiatria Clínica. Coimbra. - Corrigan, P., Markowitz, F., Watson, A., Rowan, D. & Kubiak, M.(2003). An attribution model of public discrimination towards people with mental illness. Journal of Health and Social Behaviour, 44, 162– 179. - Corrigan, P. & Kleinlein, P. (2005). The impact of mental illness stigma. In P. Corrigan (Ed.), On the Stigma of Mental Ilness. Practical Strategies for Research and Social Change (pp. 11-44). Washington, DC: American Psychological Association. - Marra, M.M. (2004). O agente social que transforma -O Sociodrama na organização de grupos. Editora Ágora. São Paulo, Brasil - Rummel-Kluge, C., Pitschel-Walz, G., Bäuml, J. & Kissling, W. (2006). Psychoeducation in Schizophrenia—Results of a Survey of All Psychiatric Institutions in Germany, Austria, and Switzerland. Schizophrenia Bulletin, 32 (4), 765-775 Referências Bibliogr Referências Bibliográ áficas ficas Sociodrama e e-learning na diminuição do auto-estigma em doentes psicóticos Sara de Sousa1,2,3,4,5, Mariana Fontoura4, António Marques1,2,5 & Cristina Queirós2,3,5 Email: [email protected] Email: [email protected] Introdu Introduç ção ão A aprendizagem com base na acção vivida no Sociodrama é marcada pela relação dos elementos do grupo, tendo como contexto a formação da competência humana, cuja ideia central é a formação de sujeitos capazes de história própria, individual e colectiva (Marra, 2004). Para Moreno a doença mental é algo que restringe a espontaneidade, que contém a pessoa doente e lhe impede a energia espontânea (Abreu, 1992). O auto-estigma conceptualizado sobretudo a partir de um conjunto de crenças negativas da pessoa diagnosticada com doença mental acerca de si própria, organizadas em torno de representações de incompetência, fragilidade (estereótipo), sentimentos de baixa auto-estima e de auto-eficácia (preconceito), impõe frequentemente graves barreiras ao processo de recuperação e consequentemente à espontaneidade, ao funcionamento e efectiva inserção social destas pessoas (Corrigan et al, 2003). No âmbito de um Projecto de Doutoramento em Psicologia na FPCEUP sobre estes temas, surge o Curso de Educação e Formação para a Vida Activa, assente numa metodologia de b-learning (sessões interactivas online realizadas à distância e sessões formativas presenciais com recurso ao Sociodrama). Este poster propõem-se apresentar um resumo dos resultados preliminares da abordagem sociodramática utilizada. O curso decorreu na Unidade de Psiquiatria Comunitária e Hospitais de Dia do Serviço de Psiquiatria do Hospital de S. João, E.P.E., de Abril a Julho de 2010, dirigida a 20 participantes com o diagnóstico de Esquizofrenia, permitindo ao longo de 4 meses potenciar o desenvolvimento de competências de adaptabilidade e gestão eficiente da doença, de forma a diminuir o auto-estigma e a promover o potencial de recuperação e consequentemente facilitar a melhoria do funcionamento, participação social e qualidade de vida dos formandos. Compreendeu 15 sessões interactivas online cujo acesso ocorre em diferentes locais, em função das motivações e disponibilidades dos formandos (5 dos participantes realizam as sessões em casa, 1 no fórum sócio-ocupacional e os restantes 14 nos computadores disponíveis no Serviço de Psiquiatria) e 16 sessões formativas presenciais com recurso ao Sociodrama. Os participantes foram divididos em dois grupos que decorreram semanalmente no Serviço de Psiquiatria do HSJ, EPE, devidamente articuladas com os temas das sessões interactivas realizadas online no sentido de sedimentar a aprendizagem e permitir a troca de experiências e o treino de papéis comuns. A equipa terapêutica é constituída pela Directora de Sociodrama (Terapeuta Ocupacional) e por uma Ego-auxiliar (Psicóloga Clínica). Curso de Educa Curso de Educaç ção e Forma ão e Formaç ção para a Vida Activa ão para a Vida Activa Diagnóstico: Esquizofrenia ( 95%) e Perturbação Esquizoafectiva (5%) Sexo: 90% masculino, 10% feminino. Idade: varia entre 20 e 51 anos, Média = 36,5 (D.P.=9,3 Habilitações: 10% até 4ª classe; 15% até6º ano; 45% até 9º ano; 30% 12º ano ou mais. Situação Profissional: 40% reformado; 35% desempregado; 10% estudante Estado civil: 80% solteiro; 15% divorciado; 5% união de facto Existência de filhos: 85% sem filhos. Anos de doença até 2010: varia entre 2 e 25 anos, Média = 13,15(D.P.= 7,9). Nº de Internamentos: 30% uma vez; 60% duas a cinco vezes; 10% seis ou mais vezes. •Factores protectores e de risco para a Saúde Mental •Doença Mental: Factos e Mitos •Prevenção de recaídas: aprender a pedir ajuda •Auto-estima e auto-confiança •Evitar o isolamento: aprender a lidar com a ansiedade social •Evitar o isolamento: importância do suporte social •Evitar o isolamento: estratégias para promover o suporte social •Evitar o isolamento: aprender a melhorar o relacionamento interpessoal •Estigma e auto-estigma •Como ficar activo na minha comunidade (sentimento de pertença) •Potencial de recuperação M1 M2 M3 M4 QQ Friedman P Mau funcionamento social 1,38 1,23 1,30 1,24 4,282 0,233 Mal estar subjectivo 1,55 1,30 1,23 1,20 9,313 0,025* Sintomas e Problemas 1,40 1,33 1,21 1,20 3,585 0,310 Risco Para si 0,36 0,52 0,16 0,18 8,222 0,042* Para outros 0,11 0,04 0,18 0,21 3,679 0,298 * P <0.050 Quadro 1: Comparação das médias das dimensões do CORE-OM nos 4 momentos Mudanças identificada Percentagem de quantos sujeitos identificaram a mudança Lidar melhor com a ansiedade social 41,2% Sentir menos Auto-Estigma 35,3% Ter mais conhecimentos sobre a doença mental 35,3% Ter mais facilidade em prevenir recaídas 29,4% Melhores Auto-Estima e Auto-Confiança 29,4% Ter mais facilidade no relacionamento interpessoal 29,4% Ficar mais activo 23,5% Sentir maior suporte social 5,9% Quadro 2: Mudanças identificadas e percentagem de escolha Acontecimentos importantes: “Subir ao palco” “O facto de ter sido escolhida várias vezes para fazer o papel de mãe” “Abraço de um colega que representou o meu pai” “Saber que o facto de estarmos em contacto com o mundo abre-nos muitas portas que podem ser úteis na vida” Acontecimentos negativos: “Quando dei as mãos a dois colegas senti que uma estava quente e outra estava extremamente fria, o que me impressionou.” “Quando percebi que o grupo estava com dificuldade em confiar.” Este Programa teve um impacto positivo em dimensões relacionadas com o Auto-Estigma e Potencial de Recuperação dos seus participantes. Através da análise dos resultados preliminares aqui apresentados sublinha-se o aumento do bem-estar subjectivo, a diminuição do risco para si e a valorização do Sociodrama enquanto intervenção mobilizadora de mudança e de acção. A construção da identidade destes grupos foi evoluindo ao mesmo tempo que os conteúdos de aprendizagem e de acção eram explorados, numa procura constante de papéis complementares saudáveis e funcionais dentro e fora do palco. Exemplos da interactividade proporcionada atrav Exemplos da interactividade proporcionada atravé és do s do e e- -learning learning Temas tratados nas aulas Temas tratados nas aulas CORE-OM Português © CORE System Trust (1995) Em processo de validação, por Célia Sales et al Aspectos Úteis da Terapia (HAT) Llewelyn, 1988 Robert Elliott © 1993 Adaptado por Célia Sales, Sónia Gonçalves, Eugénia Fernandes, Daniel Sousa, Isabel Silva, Jane Duarte & Robert Elliott (2007) Entrevista de Mudança do Cliente – Terapia Individual e Familiar Robert Elliott (1999) Adaptado por Célia Sales, Sónia Gonçalves, Eugénia Fernandes, Zita Sousa, Daniel Sousa, Isabel Silva, Jane Duarte & Robert Elliott (2007) Instrumentos espec Instrumentos especí íficos utilizados para ficos utilizados para avalia avaliaç ção da efic ão da eficá ácia do Sociodrama cia do Sociodrama Caracteriza Caracterizaç ção da amostra ão da amostra Algumas cita Algumas citaç ções recolhidas (HAT) ões recolhidas (HAT) Resultados CORE Resultados CORE- -OM OM Resultados Entrevista de Mudan Resultados Entrevista de Mudanç ça do Cliente a do Cliente Conclusão Conclusão