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Progresso no Arquivo de Projeto Acesso pelo BIM
Esta dissertação está escrita segundo o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990.
Ficha técnica: Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto em Arquitetura Orientando: Sérgio Rafael de Sousa Vieira Orientador: Professor Doutor Carlos Nuno Lacerda Lopes Coorientador: Professor Doutor Gonçalo Miguel Furtado Cardoso Lopes Porto | 2016
Com agradecimentos… À Faculdade de Arquitetura da U. P. pela oportunidade, nas pessoas do presidente da mesa e arguente. Ao orientador Prof. Dr. Nuno Lacerda pela disponibilidade na orientação e diálogo. Ao coorientador Prof. Dr. Gonçalo Furtado pela disponibilidade e diálogo. Às empresas de software que disponibilizam acesso a versões educacionais dos seus produtos. Ao avô, avó, irmã e sobrinha. À D. Brígida, Prof. Dr. Elena, Aurora e Glória pelos anos de hospitalidade. Às Saras, Indira, Rafael e Rúben por estes dois anos. Ao Pedro, Nelson, João, Ivo, Martinho, Tiago, Nuno, João, entre outros, por mais anos. A estes e mais, entre professores, colegas, família e amigos. Eles sabem que os guardo todos os dias.
Dedica-la aos meus PAIS não me é suficiente. Todavia sei que lhes pode ser tudo.
Índice I. Índice de Figuras ii II. Índice de Tabelas vii III. Abstract viii IV. Resumo ix Primeiro Capítulo 1 introdução 0. Motivação 3 1. Princípio sistémico 5 1.1. Tema e enquadramento 5 1.2. Problemática 7 1.3. Caso de estudo 9 2. Área técnica 11 2.1. Metodologia 11 2.2. Contribuições 13 2.3. Explicação do título 15 3. Organização 17 3.1. Estrutura do corpo de texto 17 3.2. Método de representação no corpo de texto 19 3.3. Definição de acrónimos, estrangeirismos e símbolos 19 Segundo Capítulo 25 Progresso do Acervo de Projeto 0. Sumário 27 1. Evolução analógica: 31 1.1. Do arquivo informal da pré-história ao surgir de instituições 31 1.2. Da cultura clássica ao final da idade média 37 1.3. Da cultura moderna e contemporânea 41 2. Cultura digital: 47 2.1. Décadas de 40 e 50 – do ‘acesso’ ao desenho assistido 47 2.2. Décadas de 60 e 70 – do CAD à modelação tridimensional 51 2.3. Décadas de 80 e 90 – da parametrização à difusão generalizada 55 3. Novas intenções: 63 3.1. Para o projeto de Arquitetura 63 3.2. Ferramentas de projeto 69 3.3. Uma ideia para a indústria: BIM 73 Terceiro Capítulo 79 intenção PArA Acervo de Projeto 0. Sumário 81 1. BIM, uma metodologia 83 0 Progresso no Arquivo de Projeto
Dissertação de Mestrado i 1.1. Conceito 83 1.2. Implementação – o caso de Inglaterra 89 1.3. Interoperabilidade – trabalho para projeto 93 2. BEM, uma entidade 101 2.1. Conceito 101 2.2. Implementação – nível de desenvolvimento 107 2.3. Interoperabilidade – práticas de modelação 109 3. DIM, um espólio 115 3.1. Conceito 115 3.2. Implementação – o caso de Inglaterra 121 3.3. Interoperabilidade – plataformas web 125 Quarto Capítulo 129 um Arquivo Bim PArA ArquiteturA 0. Sumário 131 1. Um sinal: o Projeto do ‘Pavilhão de Portugal’ 135 1.1. Da produção ao processo criativo 135 1.2. Plano de abordagem 139 1.3. Uma metodologia para modelação em BIM 145 2. Composição e integração de BIM no Arquivo 151 2.1. O modelo integrado 151 2.2. Categoria ‘C‘ 155 2.3. Categoria ‘P‘ 161 3. Arquivo para BIM a partir do caso 167 3.1. Para o projeto 167 3.2. Organização do arquivo nos sistemas de informação 173 3.3. Gestão por uma instituição 177 Quinto Capítulo 183 considerAções FinAis Referências 193 1. Usadas 195 1.1. Bibliografia e Webgrafia 195 1.2. Figuras 205 1.3. Tabelas 211 2. Complementares 213 2.1. Bibliografia e Webgrafia 213 Anexos 217
ii Progresso no Arquivo de Projeto I. Índice de Figuras Segundo Capítulo 25 Progresso do Acervo de Projeto Fig. 1 | Mapa de Beldolina. 30 Fig. 2 | Modelo de Krannon. 30 Fig. 3 | Papiro com representação do alçado lateral de um Tabernáculo. 32 Fig. 4 | Mapa de Nippur. 32 Fig. 5 | Placa de Barro com desenho de projeto da cultura da Mesopotâmia. 34 Fig. 6 | ‘Modelo’ de Arkhanes. 34 Fig. 7 | Naiskos de Skillonte de Elite. 36 Fig. 8 | Templo de Niha – Modelo. 36 Fig. 9 | Templo de Niha – Interior do edifíicio. 36 Fig. 10 | Plano de Saint-Gall. 38 Fig. 11 | Villard de Hounecourt – Álbum de apontamentos. 38 Fig. 12 | Desenhos de Hounecourt – Álbum de apontamentos. 40 Fig. 13 | Giovanni di Agostino – Desenho do alçado da casa Sansedoni. 40 Fig. 14 | Desenho atribuido a Leonardo da Vinci. 42 Fig. 15 | Desenho atribuido a Palladio. 42 Fig. 16 | Igreja de Santa Maria das Flores – Modelo do lanternim. 42 Fig. 17 | Igreja de Santa Maria das Flores – Modelo da cúpula. 42 Fig. 18 | Desenhos de Letarouilly, Capitólio, Roma – Vista 1: Perspetiva; Vista 2: Planta. 42 Fig. 19 | Foto de uma maquete interpretativa realizada por Graefe e os seus alunos. 44 Fig. 20 | O ENIAC. 46 Fig. 21 | O EDVAC. 48 Fig. 22 | Tipologia de utilização da linguagem de programação em objetos baseados e objetos orientados segundo Booch. 50 Fig. 23 | Ivan Sutherland e o Sketchpad. 52 Fig. 24 | Sketchpad – Caneta e ecrã. 52 Fig. 25 | Iannis Xenakis e UPIC nos finais da década de 70. 52 Fig. 26 | Representação de CADAM. 54 Fig. 27 | Representação esquemática do sistema NIAM. 54 Fig. 28 | Representação do software CATIA em 1981. 56 Fig. 29 | Representação do software CATIA em 1988. 58 Fig. 30 | Representação do software SOLIDWORKS. 60 Fig. 31 | Difusão da infraestrutura. 62 Fig. 32 | Visão da evolução dos diferentes modelos de projeto. 64 Fig. 33 | Esquema de fuxo de informação de softwares usado para a cobertura de madeira do Centro Pompidou-Metz por Shigeru Ban e Jean de Gastines, segundo Marble. 66 Fig. 34 | Vista de um modelo desenvolvido no ano letivo 2013/14 – Projeto IV. 68 Fig. 35 | Vista de um modelo desenvolvido no ano letivo 2013/14 – Projeto IV. 70 Fig. 36 | Vista de um modelo desenvolvido no ano letivo 2013/14 – Projeto IV. 72 Fig. 37 | Vista de um modelo desenvolvido no ano letivo 2013/14 – Projeto IV. 74
Dissertação de Mestrado iii Fig. 38 | Vista de um modelo desenvolvido no ano letivo 2014/15 – Projeto V. 76 Terceiro Capítulo 79 intenção PArA Acervo de Projeto Fig. 1 | Representação de possibilidade de ciclo de vida de um edifício a partir de BIM. 82 Fig. 2 | Representação das várias fases de um modelo de projeto para um edifício em BIM. 84 Fig. 3 | Representação axonométrica de um modelo a partir dos seus planos de projeto. 86 Fig. 4 | Diagrama de responsabilidades e cargos em BIM, sengundo Kensek. 88 Fig. 5 | Níveis de maturidade do uso de BIM. 90 Fig. 6 | Folha de capa do Guia Cobie. 90 Fig. 7 | O processo COBie. 92 Fig. 8 | Novas dinâmicas para o projeto da construção. 94 Fig. 9 | Diagrama de responsabilidades do cargo do gestor do modelo dentro da equipa de projeto, segundo Kensek. 96 Fig. 10 | Esquema de interoperabilidade segundo Smith e Tardif. 98 Fig. 11 | Analogia com um puzzle de peças que se distinguem pela cor, apesar de terem elementos de encaxe. 100 Fig. 12 | Elemento de fachada na sua relação com o meio de transporte e projeto. 102 Fig. 13 | Esquema representativo de apresentação dos vários níveis de desenvolvimento. 104 Fig. 14 | Níveis de representação – pormenor construtivo. 110 Fig. 15 | Imagem de capa de “NBS BIM Object Standard”. 112 Fig. 16 | Analogia com o conjunto de peças de lego. 114 Fig. 17 | Processo AEC BIM Protocol – progresso. 116 Fig. 18 | Representação esquemática do funcionamento da cloud ao serviço de BIM. 118 Fig. 19 | Níveis de representação – Modelo integrado. 120 Fig. 20 | Processo AEC (UK) BIM Protocol – esquema. 122 Fig. 21 | Níveis de representação – Objeto BIM. 122 Fig. 22 | Organização dos dados de projeto. 124 Fig. 23 | Web Page: Arcat Library. 126 Fig. 24 | Web Page: BIMcomponents Library. 126 Fig. 25 | Web Page: bimobject Library. 126 Fig. 26 | Web Page: Familit Revit Family Library. 126 Fig. 27 | Web Page: Biblioteca Hilti. 126 Fig. 28 | Web Page: Biblioteca RevitCity. 126 Fig. 29 | Web Page: NBS National BIM Library. 126 Fig. 30 | Web Page: SmartBIM Library. 126 Quarto Capítulo 129 um Arquivo Bim PArA ArquiteturA Fig. 1 | Maquete em madeira do caso de estudo. 132 Fig. 2 | Foto de um contraforte da parte exterior da praça cerimonial. 134 Fig. 3 | Foto de um contraforte da parte interior da praça cerimonial. 134 Fig. 4 | Foto do alçado norte do edifício. 134 Fig. 5 | Piso –1. 136 Fig. 6 | Piso 0. 136
x Progresso no Arquivo de Projeto
““ Primeiro Capítulo introdução O objeto perfeito será um espelho sem moldura nem lapidado – o fragmento de um espelho – poisado no chão ou encostado a um muro. Nele um míope observa formas, sombras em movimento, reflexos de reflexos. Assim se alimenta o desenho.
2 Título SIZA, Álvaro, Movéis e objetos (Porto: Figueirinha, 2003) ↩
Sérgio Rafael de Sousa Vieira 3 0. Motivação É certo que os Arquitetos querem transmitir uma ideia e também é certo que existem muitas maneiras de a comunicar. Estes, ao longo dos séculos sempre se serviram da tecnologia, fosse de que tipo fosse, para conseguir potenciar uma ideia e transmiti-la de uma determinada forma. A mudança dos tempos aperfeiçoa métodos existentes mesmo que a sua evolução por vezes pareça tão natural que não nos apercebamos que respostas dadas evoluíram com a complexidade de projetos que pediam outro tipo de respostas. É importante seguir as correntes que nos são contemporâneas com um sentido de prestar um serviço que se enquadra junto da oferta que nos é possibilitada, numa perspetiva de inovação, mas sem que para isso se perca a tradição que deve ser preservada e mencionada. Durante o curso de Arquitetura, aprendi que é possível responder projetando, através do desenho, a uma questão colocada relacionada com o projeto. Como mestrando em Arquitetura com o objetivo de exercer ao longo da minha vida profissional, encaro qualquer ferramenta como um contributo a ter em conta para o desempenho da profissão.
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Dissertação de Mestrado 5 1. Princípio sistémico 1 | Certamente que se fizeram muitos projetos de Arquitetura sem ser necessário recorrer a um arquivo como referência de projeto. Por outro lado, a quantidade de processos que vêm possibilitando a realização de trabalhos trouxe consigo, também, uma complexa situação de reflexão sobre o projeto, pela multiplicidade de leituras que são possíveis deter pelos diferentes profissionais intervenientes como da Arquitetura, Engenharia, Fabricante, Construtor, entre outros. 1.1. Tema e enquadramento O arquivamento de espólio de projeto de Arquitetura é um tema que levanta muitas divergências por não haver uma cultura enraizada. O que se verifica, são iniciativas de responsáveis por museus ou escolas de Arquitetura que se disponibilizam a receber os trabalhos desenvolvidos por Arquitetos. É um tema controverso, pois, por um lado, não há uma cultura nem de preservação nem de fomento para que se preservem documentos impressos ou digitais desenvolvidos por Arquitetos, e, por outro, são estes documentos e a sua publicação que possibilitam que o trabalho dos seus autores seja divulgado e apresentado de uma forma mais próxima da relação entre projeto, cliente e autor. O que há são iniciativas de posse e guarda de documentos para consulta, sem refletir na forma ou conteúdo, com riscos de perda ou dano. Recentemente temos assistido à discussão da distribuição do espólio de projeto da obra do Arquiteto Português Álvaro Siza, com a manifesta vontade de instituições estrangeiras receberem-no, e muitos argumentos posteriores na sua preservação em instituições nacionais, mas principalmente neste território.2 | Alinhado com isto, este constrangimento também se associa a outros Arquitetos que passaram e podem passar pela mesma situação. Na Arquitetura não há uma cultura de tratamento de espólio por Arquitetos adequada, nem uma noção exata do que estamos a falar quando falamos de Arquivo de Projeto de Arquitetura. Então, o que é? Antes demais, associadas ao tema detetam-se duas funcionalidades que lhes estão inerentes – a função técnica que corresponde ao seu uso predominantemente de auxílio e estudo à construção da Arquitetura; e a função expositiva que acabam por desempenhar os mais cuidados na sua composição e no material usado –. Neste sentido, vê-se o Arquivo como a memória das respostas dadas às questões da Arquitetura levantadas pelo projeto. 1 | Dentro da ciência conhecido como um conjunto de elementos que, relacionados entre si e trabalhando sobre dados, energia e matéria, desencadeiam uma ação que fornece informações. (conhecimento geral) 2 | REDAÇÃO, «Espólio de Siza Vieira pode sair de Portugal», TVI24, 16 de julho de 2014 <http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/ iol-push/espolio-de-siza-vieira-pode-sair-de-portugal> [acedido a 28 de abril de 2016]; ANDRADE , Sérgio C., «Siza dividido entre Portugal e o Canadá», PÚBLICO, 17 de julho de 2014 <https://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/mais-siza-1663334> [acedido a 28 de abril de 2016]; REDAÇÃO, «Espólio de Siza Vieira em risco de ir para o Canadá», Visão, 17 de julho de 2014 <http://visao. sapo.pt/actualidade/portugal/espolio-de-siza-vieira-em-risco-de-ir-para-o-canada=f789712> [acedido a 28 de abril de 2016]; Idem, «Secretário de Estado diz que obra de Siza Vieira é “um tesouro vivo”», Jornal de Notícias, 19 de julho de 2014 <http://www.jn.pt/ cultura/interior/secretario-de-estado-diz-que-obra-de-siza-vieira-e-um-tesouro-vivo-4036683.html> [acedido a 28 de abril de 2016]; Idem, «Espólio de Siza Vieira poderá sair de Portugal», Jornal Digital, 22 de julho de 2014 <http://jornaldigital.com/noticias.php?- noticia=42694> [acedido 28 de abril de 2016]; Idem, «Siza Vieira doa acervo a Serralves, Gulbenkian e Centro Canadiano de Arquitectura», Jornal Digital, 25 de julho de 2014 <http://jornaldigital.pt/noticias.php?noticia=42763> [acedido a 28 de abril de 2016].
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Dissertação de Mestrado 7 1.2. Problemática A utilização de um método para uma solução Arquitetónica pressupõe uma estratégia de intervenção sendo necessário um conhecimento prévio de bases que sustentem a execução de soluções. Compreendendo esta situação, é, também, possível, imaginar a necessidade de adaptação de conhecimentos em função do trabalho a executar. Perceber em que situações se implementa ou que estratégia se adota, são questões posteriores ao conceito, mas prévias à execução do projeto. Para isto importa estudar métodos de processo existentes, com o intuito de conhece-los e desenvolver a capacidade de perspetivar a escolha da metodologia certa para cada circunstância. Entendendo a necessidade de esclarecer os métodos de construção aplicados à prática da Arquitetura pretende-se, com este trabalho, fazer um percurso de investigação da evolução dos métodos processuais da prática da construção ao longo dos tempos, com o intuito de perceber a maneira como é feita esta evolução, e quais as mais-valias que trazem para o projeto. A vontade de querer perceber o que é BIM com o intuito de uma rápida implementação nos seus escritórios, para deixar transparecer atualização aos seus clientes, com o intuído de acompanhar a evolução dos tempos, muitas vezes sem perceber em que medida faz falta à execução dos seus trabalhos, deixa transparecer uma ideia sobre esta metodologia como uma necessidade dos tempos, suportada pelos avanços tecnológicos progressivos cada vez mais aperfeiçoados e adaptados às necessidades de cada individuo, sem perceber em que medida, a escolha desta metodologia, é uma necessidade para os seus projetos. Sendo esta uma metodologia com provas dadas na aplicação em projeto e em obra proporcionando mais-valias de entendimento do projeto, que de outra maneira seriam mais difíceis de conseguir, é necessário perceber de que maneira os objetos de referência serão capazes de dar resposta, em tempo útil de projeto e o mais fácil e economicamente possível, a muitas questões de seleção de elementos de composição do projeto (sejam arquitetónicos, estruturais ou outros), mas sempre com a finalidade de serem implementados em obra. A possibilidade que cada software de modelação, com a capacidade de produzir elementos em BIM, dá aos seus utilizadores a possibilidade de criarem os seus próprios elementos de projeto e, ainda, a existência de bibliotecas oficiais e não oficiais de cada software house, pode levar a que sejam implementados em projeto elementos não correspondentes aos pedidos, ora pelos clientes, ora pelos responsáveis do projeto, e que por consequência podem levar a desentendimentos em obra por se tratarem de erros de projeto. A criação de vários objetos compostos com as devidas informações associadas a cada modelo pode trazer, ainda, para a fase de projeto, vários tipos de análise que de outra maneira seriam feitas mais tarde ou apenas em obra, pelo que se vê a diferenciação de elementos com características diferentes como uma mais-valia para a execução de projeto e, ainda, ganhos na execução de obra. O âmbito deste trabalho envolve, assim, objetos de representatividade e finalidade arquitetónica para a integração com o modelo integrado, representativo do edifício em estudo. Perceber o que existirá, existe e o que existiu é a valorização da riqueza da diversidade projetual que se pretende estudar neste trabalho.
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Dissertação de Mestrado 9 1.3. Caso de estudo O caso de estudo desta dissertação assenta sobre o espólio usado pelo Arquiteto como referência para o projeto de Arquitetura e como ele se pode adaptar à necessidade da tecnologia digital. A integração das tecnologias digitais no processo de projeto ainda é relativamente recente, o que faz com que, o Arquivo de Projeto do Arquiteto, ainda não tenha uma visibilidade que o aproxime da necessidade das tecnologias usadas a partir daí. BIM, para este caso de estudo, surge neste âmbito como uma novidade ainda pouco explorada. Este, apresenta-se como uma referência de trabalho que se vem afirmando no decorrer dos anos, carpo do valor que lhe está associado, e previsivelmente esperado pelos múltiplos estudos que se realizam. A fim de desenvolver um trabalho teórico e prático de investigação, selecionou-se um trabalho iniciado durante o curso de Mestrado Integrado em Arquitetura, na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, por se tratar de um caso de proximidade com o assunto a que nos propomos discutir. Esta seleção teve como critérios para o estudo, uma obra construída pelo interesse da manutenção de elementos construídos na perspetiva de preservação da sua imagem, dos materiais e da forma como constituintes de identidade de si e do edifício a que pertencem. O trabalho escolhido foi iniciado na disciplina de Projeto BIM durante o ano letivo 2013/2014 cujo tema apresentado, na altura, pelo Professor Doutor Arquiteto Carlos Nuno Lacerda Lopes, como hipótese de trabalho, foi a seleção de uma obra do Arquiteto Álvaro Siza da qual a escolha recaiu sobre a obra O Pavilhão de Portugal, no Parque Expo’ 98. Muitas podiam ser as possibilidades de estudo das questões que levantamos aqui, todavia, numa perspetiva de otimização de tempo para o desenvolvimento de novos trabalhos e de recursos da investigação achou-se que a escolha deste caso seria uma opção válida.
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Dissertação de Mestrado 17 3. Organização Esta dissertação está organizada com uma área pré-introdução, onde estão inseridas as indicações externas e de apresentação da organização do trabalho. Segue-se o corpo de texto dividido em cinco capítulos. Para finalizar as referências utilizadas e os anexos. No corpo de texto, do primeiro ao quinto capítulos, a apresentação dos dados de informação desenvolvidos está organizada com texto na face da frente da cada folha, sendo que as imagens associadas à leitura estão colocadas no verso da folha imediatamente anterior, para colocar as duas formas de comunicar a mesma informação utilizadas lado a lado. Das indicações antes do primeiro capítulo e das referências e anexos, a apresentação da informação, ora desenvolvida, ora recolhida, está organizada com texto informativo a iniciar-se na face da frente da folha, diferindo dos anteriores, pelo que o texto, nestes casos, continua na face do verso de cada folha. 3.1. Estrutura do corpo de texto O discurso deste trabalho segue uma orientação para o tema numa perspetiva que tem muito de fora, mas virado para dentro através do cruzamento de informações que procura descortinar o percurso da prática que se desenvolveu no enquadramento do tempo, e que possibilita um conhecimento teórico a partir dela. O corpo de texto está dividido em cinco capítulos, em que os três primeiros têm, na sua constituição, investigação teórica a partir de bibliografia consultada, enquanto que, o penúltimo tem uma investigação teórico-prática, e, por último, considerações a reter. No primeiro capítulo – Introdução – inicia-se uma abordagem aos motivos que têm movido e continuarão a mover o autor dentro desta área de investigação. A fundamentação da investigação é feita como se de um princípio sistémico se tratasse, onde se introduzem o tema e enquadramento, problemática e caso de estudo. Segue-se o contexto formal da área técnica onde se apresenta a metodologia, contribuições e explicação do título. Por fim, o contexto funcional da organização onde se analisa a estrutura do corpo de texto (presente), método para citações e referências e definição de acrónimos, estrangeirismos e símbolos. No segundo capítulo – Progresso do Acervo de Projeto – iniciam-se dois subcapítulos de enquadramento histórico, respetivamente associados à divisão do analógico e do digital, seguindo-se a apresentação de intenções que têm sido indiciadas e finalizando com uma proposta de enquadramento mais abrangente que pode contribuir para o seu enriquecimento. No terceiro capítulo – Intenção para Acervo de Projeto – apresenta-se o objeto de estudo – BIM – em continuidade com os assuntos abordados anteriormente, começando-se por uma explicação do que se fala quando se fala sobre o assunto, na perspetiva de uma intenção da área da indústria da construção, seguindose uma análise às partes relacionadas com a Arquitetura com dois pontos que o relacionam com o Arquivo de Projeto como são os elementos e a sua organização, ou seja, de BEM, e para finalizar, de DIM. No quarto capítulo – Um arquivo BIM para Arquitetura – é analisado um caso de estudo – Pavilhão de Portugal ‘98, Álvaro Siza – partindo do projeto construído desenvolvem-se novos elementos, diferentes dos anteriores, mas atualizados de acordo com novas dinâmicas para processos mais desenvolvidos, onde são testados os conhecimentos analisados nos dois capítulos anteriores. No quinto capítulo – Considerações finais –, em jeito de conclusão, são apresentadas as considera-
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Dissertação de Mestrado 19 ções levantadas após o desenvolvimento do estudo. 3.2. Método de representação no corpo de texto Citações Aqui as referências que organizam a composição do corpo de texto apresentam-se entre aspas com indicação para consulta da referência em nota de rodapé na mesma página. – Citações diretas em destaque no texto; – Citações diretas em continuidade com o texto; – Citações indiretas em continuidade com o texto. Esta indicação pode apresentar duas situações: 1ª – colocada à direita do ponto final significa que está associado à frase entre pontos; 2ª – colocada à direita do ponto final do parágrafo, sem indicação de referências anteriores, significa que a referência está associada a todo o parágrafo; 3ª – colocada à direita de uma palavra ou frase dentro de aspas significa que está associada a uma destas possibilidades dentro do parágrafo. Referências A referenciação às citações na nota de rodapé segue a norma Modern Humanities Research Association 3rd edition (note with bibliography), presente no software Mendeley Desktop, construída segundo o tipo de consulta: artigo, conferência, livro, jornal, reportagem, revista, tese ou página web. Cada referenciação bibliográfica aparece completa na bibliografia e na primeira vez que é referida em nota de rodapé. Nas seguintes notas de rodapé resume-se ao sobrenome do autor, título e ao número de página da citação. Contagens Da contagem de páginas, as que se encontram em numeração romana iniciam-se na primeira página do Índice associando-se o número 0. As que se encontram em numeração árabe iniciam-se na página que dá nome ao primeiro capítulo até à última página dos anexos e inicia-se pela página 1. Seja a numeração de figuras, tabelas ou notas de rodapé, a contagem em numeração árabe reinicia-se em cada capítulo, de forma a reforçar a divisão. 3.3. Definição de acrónimos, estrangeirismos e símbolos ↩ – página anterior ↪ – à direita ↫ – a trás ↬ – à frente ⇲ – ângulo inferior direito ⇱ – ângulo superior esquerdo 2D – Bidimensional/duas dimensões
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Dissertação de Mestrado 21 3D – Tridimensional/três dimensões 4D – Quarta dimensão 5D – Quinta dimensão 6D – Sexta dimensão AEC – Arquitetura, Engenharias e Construção AIA – American Institute of Architects AIM – Asset Information Model Apud – Citado em Arq. – Arquiteto AR – Realidade Aumentada BIM – Building Information Modelling/Model BINAC – Binary Automatic Computer BEM – Building Element Models BCF – BIM Collaboration Format BSI – British Standards Instituion CAAD – Computer Architecture Aided Design CAD – Computer Aided Design CADAM – Computer-Augmented Design and Manufacturing CAM – Computer-Aided Manufacturing cf. – Conferir CF – Corta-fogo CIS/2 – Commonwealth of Independent States CSI – Channel State Information COBie – Construction Operations Building Information Exchange COBIM – Common BIM Requirements DIM – Database Information Model DOI – Digital Object Identifier Ed. – Edição EDVAC – Electronic Discrete Variable Automatic Computer ENIAC – Electronic Numerical Integrator and Computer et al. – e outros Ex. – Exemplo FAUP – Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto Fig. – Figura FM – Facility Management IBM – International Business Machines Ibidem – autor anterior, mesma obra Idem – autor anterior, outra obra IFC – Industry Foundation Classes layer – camada loc. cit. – mesma página citada LOD – Level of Development n-D – New Dimension NBS – National Blood Service NURBS – Non-Uniform Rational B-Splines
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Dissertação de Mestrado 23 op. cit. – autor citado, mesma obra passim. – em várias passagens p. – Página pp. – Páginas PhD – Doctor of Philosophy PIM – Project Information Model PC – Para-chamas QR – Quick Response RUCAPS – Really Universal Computer Aided Production System s. a. – Sem indicação autor s. e. – Sem indicação editor s. l. – Sem indicação local s. p. – Sem indicação publicação s. u. – Sem indicação universidade s. t. – sem tradução/citação a partir do original t. a. – tradução pelo autor da dissertação trad. – tradução UK – United Kingdom UNIVAC – Universal Automatic Computer VR – Realidade virtual xml. – eXtensible Markup Language
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“ Segundo Capítulo Progresso do Acervo de Projeto Tratemos dos móveis Devem ser sólidos, bem construídos, devem valer o lugar que ocupam. Este conceito é importante: valer o lugar que ocupam. […] Delfim Sardo, 1995
32 Progresso no Arquivo de Projeto Papiro de Ghorab. Egipto, XVIIª dinastia. ↪ Atual Iraque, ca. 1500 a. C., tábua de argila (235x175mm). ↪ Papiro com representação do alçado lateral de um Tabernáculo. Mapa de Nippur. Fig. 3 Fig. 4
Dissertação de Mestrado 33 momento da passagem da representação de objetos para a representação das ideias. O mesmo se pode verificar em relação ao início da construção de modelos ou maquetes arquitetónicas, que Rozestraten coloca a partir da constituição da Arquitetura como um “fenómeno cultural permanente e durável”.8 | Não unicamente associado ao projeto e apresentando indiciadores de que o homem recolector desenhava antes de construir, reconhece-se atividade por altura das culturas pré-históricas nas superfícies de cavernas, protegidas das intempéries, a partir do desbaste ou da pintura.9 | O mesmo desbaste verifica-se no exterior em superfícies rochosas, sem descartar a possibilidade de terem existido pinturas apagadas.10 | É disso exemplo, em Valcamonica, o chamado Mapa de Bedolina [Fig. 1] que apresenta registos pré-históri- cos, onde podem ser interpretadas formas com limites, unidas entre si por linhas. Do desenho é associada uma definição equivalente à do pré-registo. Este, era executado de maneira rudimentar, fazendo apontamentos com os próprios dedos ou com recurso a utensílios improvisados onde eram usadas substâncias extraídas da natureza, em “tons de ocre, castanho, vermelho e preto”, ou feito como baixo-relevo.11 | Dos ‘modelos’ são conhecidos exemplos aos quais se associam formas arquitetónicas. Segundo Rozestraten por altura da Idade do Bronze, no período protopalaciano, inicia-se a produção de ‘Modelos Egeanos’ [Fig. 2] dentro da civilização minoica encerrando-se no séc. IX a. C. A construção destes parece ter como última função o culto religioso dos mortos, desconhecendo-se uma hipotética função construtiva, por exemplo.12 | Das culturas pré-clássicas, segundo Ana L. Rodrigues, sabe-se que no Egito os arquivos de documentação de desenhos, processos de construção, e outras informações eram da responsabilidade do Arquitetochefe intitulado “Mestre das coisas sagradas”.13 | Do objeto de registo, nas civilizações desta altura, verifica-se o uso do papiro que é tido como presente desde o séc. IV [Fig. 3]. Na Mesopotâmia, segundo Gelder, também eram usadas placas retangulares de argila [Fig. 4] e madeira.14 | Do Egito, segundo Ana L. Rodrigues, Heisel alude que neste período também se usavam placas de barro arcádias de onde são conhecidos esquiços.15 | Ana L. Rodrigues acrescenta que nas paredes eram feitas alegorias de representações de figuras.16 | A partir de um estado semi-sólido destes materiais, é possível verificar que possibilitavam ao autor corrigir, desfazendo o trabalho inicial, as vezes que entendesse. Do desenho, segundo Rozestraten, existem referências de plantas e alçados desde o 3º milénio, sendo conhecidos detalhes “gravados diretamente nas paredes em escala 1:1 registados em Didyma e Priene, por exemplo”.17 | Da Mesopotâmia, segundo Ana L. Rodrigues, Heisel informa que os desenhos desta altura 8 | ROZESTRATEN, «2. Miniaturas», Maxwell (s. l.: RUC, s. d.), p. 29. 9 | ROBBINS, Edward, Why Architects Draw, 1a ed. (Cambridge: The MIT Press, 1997), p. 7. 10 | BARBIERI DURÃO, Adja B. A., «Lembremos das velhas obras lexicográficas para redimensionar o papel da lexicografia e dos novos dicionários», Cadernos de Tradução, 1 (2011), p. 13. 11 | Ibidem, loc. cit. 12 | ROZESTRATEN, Artur S., «Aspectos da História das Maquetes e Modelos Tridimensionais de Arquitetura em Creta e na Grécia Antiga», Arquitextos, 2011. 13 | RODRIGUES, Ana L., O Desenho: Ordem do Pensamento Arquitectónico, 1a ed. (Lisboa: Editorial Estampa, Lda., 2000), pp. 128-29. 14 | GELDER, John, Building Project Documentation in Ancient Mesopotamia, Forum (s. l.), p. 1. 15 | HEISEL, Joachim P., Antike Bauzeichnungen, Wissenscha (Darmstadt: s. e., 1993). Apud: Ana L. RODRIGUES, op. cit., p. 128. 16 | RODRIGUES, Ana L., op. cit., pp. 30-31. 17 | ROZESTRATEN, «Aspectos da História das Maquetes e Modelos Tridimensionais de Arquitetura em Creta e na Grécia Antiga».
34 Progresso no Arquivo de Projeto Placa de Barro com desenho de projeto da cultura da Mesopotâmia. ‘Modelo’ de Arkhanes. Fig. 5 Fig. 6 Mesopotâmia, cf. 2450 a. C. ↪ Datado entre 1 700-1 630 a. C. Dimensões: Altura de cada piso: 15 e 18 cm; largura: 31 cm; profundidade: 28 cm. O telhado não é original. Vista 1 ↪ Vista 2 e 3 ↪
Dissertação de Mestrado 35 apresentam técnica de notação rigorosa e representam casas de habitação e templos sagrados onde descrevem as funções de divisão, a forma e medidas.18 | Gelder acrescenta que, embora não atribuia a projeto, são conhecidos desenhos de plantas gerais, de elevação e de piso, bem como indicação de quantidades, ‘contratos’, textos de orientação de construção, entre mais indicações, referindo, ainda, na construção a utilização de tijolos de barro, ou a construção de colunas ou portas em madeira (do Líbano), bem como a referência à marcação do ângulo reto associado à corda de doze nós que começava a ser um meio de orientação para a construção por esta altura.19 | [Fig. 5] No Egipto, segundo Ana L. Rodrigues, os documentos faziam referência (como em épocas anteriores) não só a desenhos como, também, a processos de construção entre outras informações.20 | Segundo Côrte-Real, por esta altura, os conhecimentos eram mantidos em segredo por entrarem dentro do ato sagrado e os desenhos eram rigorosos revelando harmonias e modularidade sendo “religiosamente guardados” 21 | e acrescenta que alguns destes foram executados antes da construção do edifício.22 | Kostof referencia, segundo Côrte-Real, uma ‘syngraphai’ onde está descrito pormenorizadamente de um edifício.23 | Dos modelos na Mesopotâmia que são conhecidos, segundo Gelder, não parecem ter sido utilizados para a construção de edifícios.24 | Do antigo Egipto, segundo Fauerbach, Ferretti e Teodoro, sendo possível verificar grande atividade a partir de 1 000 a. C., alguns modelos de desempenho arquitetónico eram construídos em pedra calcária a exemplificar pormenores como colunas, capitéis, entre outros; e verifica-se a possibilidade dos modelos terem relação com desenhos de detalhes por estarem à mesma escala.25 | Em Creta, segundo Rozestraten, nas escavações do Arkhanes foi encontrado um modelo em terracota com restos de policromia, de planta retangular com características que o relaciona com Arquitetura praticada [Fig. 6]: “Assimetria. Arranjos pouco rigorosos sem eixos de simetria rígidos; Composição ortogonal com alternância entre formas quadradas e formas retangulares adjacentes; […] Aglomeração centrífuga, agrupamento de novos aposentos em torno de um núcleo central;” 26 |. Segundo Rozestraten o modelo apresenta “articulação das partes e, também, da abertura dos vãos, portas, janelas e elementos vazados; As características construtivas do modelo ‘desmontável’ […]; A representação em escala reduzida de elementos ornamentais (cornos consagrados), colunas e aberturas, assim como a representação artística de técnicas construtivas (alvenaria de amarração) da prática arquitetónica que lhe era contemporânea;”.27 | 1.2. Da cultura clássica ao final da idade média Dentro da cultura clássica, a importância de guardar as informações sente-se na história associada a Dédalo 28 | que esteve preso na ilha de Creta para não partilhar os seus conhecimentos com outros povos. 18 | HEISEL, Antike Bauzeichnungen. Apud: Ana L. RODRIGUES, op. cit., pp. 128-29. 19 | GELDER, op. cit., pp. 1-3. 20 | RODRIGUES, Ana L., op. cit., p. 128. 21 | CôRTE-REAL, op. cit., p. 78. 22 | CôRTE-REAL, op. cit., p. 79. 23 | KOSTOF, Spiro, El Arquitecto: Historia de Una Profesión (Madrid: Cátedra, 1984). Apud: CôRTE-REAL, op. cit., p. 80. 24 | GELDER, op. cit., p. 2. 25 | FAUERBACH, Ulrike, Emanuela FERRETTI e Francesco TEODORO, «La Maquette un Outil au Service du Projet Architectural Colloque International», em Cité. De L’architecture & du Patrimoine (Paris: s. e., 2011), p. 11, t. a. 26 | ROZESTRATEN, Artur S., «Learning with Arkhanes’ model», Acta Scientiarum. Education, 32 (2010), pp. 265-66, t. a.; ROZESTRATEN, «Aspectos da História das Maquetes e Modelos Tridimensionais de Arquitetura em Creta e na Grécia Antiga». 27 | ROZESTRATEN, «Aspectos da História das Maquetes e Modelos Tridimensionais de Arquitetura em Creta e na Grécia Antiga». 28 | Lembrado como o primeiro Arquiteto desta altura.
36 Progresso no Arquivo de Projeto Templo de Niha – Interior do edifíicio. Naiskos de Skillonte de Elite. Templo de Niha – Modelo. Fig. 9 Fig. 7 Fig. 8 Foto: Bertramz, Creative Commons. ↪ Datada do séc. II d. C., tem cerca de 61 x 64 cm de base, e 22,5 cm de altura. Museu de Beirute, Líbano. Foto Bertramz, Creative Commons. ↪ Período Arcaico, séc VI a.C. ↪
Dissertação de Mestrado 37 Em relação ao objeto de registo, segundo Ana L. Rodrigues, é associado aos dois povos o uso de pequenas tábuas cobertas com cera, sobre as quais se escrevia com um estilete sendo mais raro o uso do papel transparente.29 | Outro mais raro na representação era o mármore, que poderá ter estado associada ao desempenho ornamental. Da prática do desenho, nesta altura verifica-se, tanto o esquiço, como o rigor. Na Grécia o desenho de projeto pode estar associado à planificação no local ficando o registo referente às obras associado à construção e a textos descritivos, pelo que não se conhecem registos a escalas menores mesmo que tenham existido.30 | Na representação do desenho de projeto as opiniões dividem-se, pois, segundo Côrte-Real, Kostof refere que “os dois meios essenciais de comunicação à obra dos Arquitetos gregos eram as ‘anagraphesis’ e as ‘syngraphai’ ” 31 | e, segundo Rozestraten, eram a “hypographé e anagraphé” 32 |. De Roma, para além do referido Vitrúvio, um caso conhecido de representação é a intitulada Forma, Urbis Romae, que representa a forma dos terrenos ocupados por edifícios, onde podem ser observadas, segundo Cabezas, indicações de pormenor associadas a paredes, bem como anotações e medidas.33 | Em relação ao modelo, segundo Côrte-Real, um termo popular era ‘paradeigma’ 34 | que pode significar, tanto modelo, como protótipo, e Rozestraten refere-se a ‘parádeigmata’ que define como “modelos tridimensionais à escala real ou 1:1 – feitos em gesso, madeira, cerâmica, e pedra – compostos por séries de peças padronizadas, por exemplo, tríglifos, cornijas e capitéis” 35 |. Na Grécia, segundo Rozestraten, o ‘naískoi’ 36 | [Fig. 7] difundiu-se entre os séc. X e VII a. C. e segundo Côrte-Real na decoração usavam-se modelos em cera ou madeira.37 | Do período do Império Romano, segundo Rozestraten, existiam “templetes, miniaturas de templos com formas características da arquitetura helenística e […] detalhes ornamentais” e, também, alguns modelos de torres.38 | O autor tendo presente a maquete de Niha [Fig. 8 e Fig. 9] cita indiretamente Will para referir que “a maquete é oca, a parte de trás do modelo é aberta e o espaço sob a escadaria é vazio […] representa apenas uma parte do templo” 39 | e, noutro artigo, recorrendo a esta descoberta e ao tratado de Vitrúvio, defende que se usava a “modelagem tridimensional entre os arquitetos romanos” 40 |. 29 | RODRIGUES, Ana L., op. cit., p. 30. 30 | Ibidem, pp. 122-29. 31 | KOSTOF, El Arquitecto: Historia de Una Profesión. Apud: Ibidem, p. 78. 32 | ROZESTRATEN, «Aspectos da História das Maquetes e Modelos Tridimensionais de Arquitetura em Creta e na Grécia Antiga». – O autor define-os como “termos interpretados respetivamente como croquis e desenho de contorno, perfil ou gabarito”. 33 | CABEZAS, op. cit., p. 119. 34 | COOPER, Tracy E., «I Modani», em Rinascimento da Brunelleschi a Michelangelo, La Rappresentezione dell’Architettura (Milão: Bompiani, 1994); Ruiz de la ROSA, José Antonio. Traza y Simetria de lá Arquitectura, en lá Antiguidad y Medievo (Sevilla: Servicio de Publicaciones de la Universidad de Sevilla, 1987), p. 120. Apud: CôRTE-REAL, op. cit., p. 78. 35 | ROZESTRATEN, «Aspectos da História das Maquetes e Modelos Tridimensionais de Arquitetura em Creta e na Grécia Antiga» 36 | ROZESTRATEN, Artur S., «Aspectos da História das Maquetes e Modelos Tridimensionais de Arquitetura no Mundo Romano», Arquitextos, 2011 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/12.139/4155> [acedido a 13 de novembro de 2015]. – Naískoi – modelos pequenos em terracota com origens no Médio Oriente. 37 | CôRTE-REAL, op. cit., pp. 79-80, t. a. 38 | ROZESTRATEN, «Aspectos da História das Maquetes e Modelos Tridimensionais de Arquitetura no Mundo Romano». 39 | WILL, Ernst, «La maquette de l’adyton du temple A de Niha (Beqa)», em Le dessin d’architecture dans les sociétés antiques. Anais do colóquio de Strasbourg, 26-28 de janeiro de 1984 (Strasbourg: Université des Sciences Humaines de Strasbourg, Centre de Recherche sur le Proche-Orient et la Grèce antique, 1985), pp. 277-81. Apud: ROZESTRATEN, «Aspectos da História das Maquetes e Modelos Tridimensionais de Arquitetura no Mundo Romano». 40 | ROZESTRATEN, Artur S., «Comentários sobre a representação da Arquitetura em imagens e objetos, o costume da oferenda arquitetónica e a iconografia do portador do modelo», em III Encontro de história da arte – ifch / unicamp 2007 (São Paulo: IFCH / UNICAMP, 2007), p. 572.
38 Progresso no Arquivo de Projeto Plano de Saint-Gall. Villard de Hounecourt – Álbum de apontamentos. Fig. 10 Fig. 11 Datado entre 820 e 825. 112x72 cm. ↪ Datado de cf.1235. Paris, Biblioteca Nacional de França. ↪
Dissertação de Mestrado 39 Na Alta Idade Média, do desenho, a propósito do plano de Saint-Gall [Fig. 10], Recht 41 | refere que os projetos resumem-se a esquemas e Cabezas 42 | acrescenta que este está desenhado a tinta vermelha, sobre pergaminho, com textos a tinta preta. Nesta representação de uma abadia beneditina, tida como ideal da época carolíngia, verifica-se, ainda, imprecisão esquemática, legendas, descrições ou notas e hesitação entre a linha simples ou dupla na definição da forma do espaço da basílica. Dos ‘modelos’, embora não sejam conhecidos, recorrendo a alegorias ou escrituras, é possível verificar indícios disso, nalguns casos associadas ao seu Arquiteto. Desta altura, segundo Cabezas, Kostof refere um texto datado do séc. IX onde há a referência a um caso de um ‘modelo’ em cera, associado à construção ou reconstrução da Abadia de St. Germain d’Auxerre, chamado “concepti operis exemplar”.43 | Por altura da baixa Idade Média, do objeto de registo, o pergaminho 44 | é o suporte mais fluente, estando presente, sensivelmente, até ao séc. XIV d. C., numa altura em que é introduzido o papel na Europa pelos Árabes (pensa-se) apesar de serem conhecidas notícias das suas origens remontarem à altura do início da contagem dos séculos. Bechmann, segundo Rahim e Rodrigues, 45 | refere o uso da madeira associada a desenhos finais, e, ainda, também, o uso do caderno individual de apontamentos sendo conhecido o exemplo do álbum de Villard de Hounercourt que, à semelhança dos de hoje, segundo Rahim e Rodrigues, foi usado em viagem, tratado como um “bloco de anotações gráficas em sequência e com interrupções temporais” [Fig. 11 e Fig. 12].46 | Do desenho dos mestres (segundo Rahim e Rodrigues conhecidos como ‘magister latomus’) 47 |, Rahim e Rodrigues destacam o mesmo álbum referindo que contém desenhos de obra em viajem, que expressam a sua formação eclesiástica voltada para a geometria euclidiana e que apresentam um predomínio da linha de contorno, sobre a mancha, de traço ‘rápido’ ou ‘demorado’, a sépia sobreposta à grafite, com estudos de levantamento gerais e de pormenor em plantas, alçados e perspetivas – 48 |. Do desenho de Sansedoni 49 | [Fig. 13], por um lado, Toker pensa representar uma ideia ou base de projeto, mas, por outro, Rodrigues pensa poder ter sido usado como contrato de obra pela presença de cotagens, anotações e alterações acauteladas entre o proprietário e o Arquiteto.50 | O desenho apresenta alguma falta de precisão nas geometrias, como os alinhamentos dos arcos ou a falta da inclinação da rua, que, aqui, aparece ortogonal ao edifício. Dos ‘modelos’ Vasari em “Vidas” faz prova da sua existência descrevendo, segundo Cabezas, alguns exemplos de ‘modelos’ como os de madeira da catedral de Santa Maria das Flores de Arnolfo di Lapo 41 | RECHT, op. cit., p. 10. 42 | CABEZAS, op. cit., p. 43. 43 | KOSTOF, El Arquitecto: Historia de Una Profesión, p. 78. Apud: Ibidem, p. 216. 44 | RODRIGUES, Ana L., op. cit., p. 29. – A autora faz referência a uma citação – Walter KOSCHATZKY, Die Kunst der Zeichnung, Salzburg, 1997, p. 154. – associada a Hsü-Shen onde explica o processo de fabricação do papel. 45 | BECHMANN, Roland, «Los dibujos técnicos del Cuaderno de Villard de Honnecourt», em Villard de Honnecourt Cuaderno Siglo XIII, Yago Barja (Madrid, 2001), p. 53. Apud: RAHIM, Yussuf e Ana L. RODRIGUES, «O Álbum de Desenhos de Villard de Honnecourt: uma articulação entre o Desenho de Observação e o Desenho Arquitectónico», 2015, p. 7. 46 | BUCHER, François, «A Rediscovered Tracing by Villard de Honnecourt», The Art Bulletin, 59 (1977), pp. 315-19. Apud: Ibidem, p. 5. – Língua mãe (região de Champagne e Picardia). 47 | Ibidem, p. 12, t. a. – Mestre de obra. 48 | RAHIM e RODRIGUES, op. cit., pp. 5-13. 49 | TOKER, Franklin, «Gothic Architecture Building by Remote Control: An Illustrated Contract of 1340», The Art Bulletin, 67.1 (1985), pp. 67-95. – Descoberto por Toker, é um desenho do alçado da casa Sansedoni de Giovanni di Agostino, datado de 1340, em Siena. 50 | RODRIGUES, Ana L., op. cit., pp. 134-35.
40 Progresso no Arquivo de Projeto Desenhos de Hounecourt – Álbum de apontamentos. Giovanni di Agostino – Desenho do alçado da casa Sansedoni. Fig. 12 Fig. 13 Vista 1: “Modelos de estruturas de madeira para igreja e lanterna monástica”. ↪ Vusta 2: “Alçado interior das capelas absidais da catedral de Reims”. ↪ Descoberto por Toker, 1340, Siena, Monte dei Paschi, 58 x 122 cm. ↪
Dissertação de Mestrado 41 (1230-1300), o do Campanário de Giotto (1276-1337), entre outros, como Andrea Pizano (1250-1328).51 | Segundo Mouton foram usados modelos de pilares para a construção da Abadia de Saint-Denis.52 | Por outro lado, nalguns casos, havendo referência a miniaturas de edifício, não é possível descodificar se se tratavam de maquetes de edifícios. Um desses casos é a imagem do túmulo associado a Hughes de Libergier na catedral de Reims, onde este, segundo Cabezas, trabalhou como Arquiteto 53 |, e é possível verificar elementos de ofícios como régua, esquadro, compasso e a imagem em miniatura da catedral. 1.3. Da cultura moderna e contemporânea Na cultura moderna, do objeto de registo, sabe-se que o uso do caderno pelo Arquiteto difunde-se e passa a ser usado como se fosse um ‘caderno de viagem’ como hoje o conhecemos. Segundo Pelayo, no séc. XVI começa a intensificar-se o uso dos cadernos para esboços.54 | Do desenho, segundo Cabezas, por esta altura, foram tratadas as questões técnicas para comunicar a ideia.55 | Nestes, aparecem referências a elementos estruturais, novos símbolos – ex.: a escala – 56 |, perspetiva geométrica, plantas desenhadas em perspetiva 57 |, entre outros. Da aprendizagem, Vasari, segundo Pelayo, refere que era feita pela “imitazione”.58 | Desta altura há muitos desenhos que podem ser destacados preferindo-se destacar alguns autores, como faz Rodrigues mencionando Brunelleschi que pensa que desenhar é pouco para comunicar a ideia, ou Bramante que usa constantemente a perspetiva, ou Miguel Ângelo que expõe no papel a sua experiência construtiva, ou, ainda, Leonardo da Vinci que desenha investigação científica [Fig. 14].59 | Por altura dos séculos XVI/XVII destaca-se Palladio que usava no desenho conhecimentos adquiridos em estaleiro como construtor [Fig. 15]. Do modelo, segundo Cabezas, é possível verificar o valor atribuído nas palavras de Alberti, quando reconhece a sua capacidade como instrumento para “dialogar e convencer” sobre uma obra com o seu promotor.60 | É possível verificar que são conhecidos vários tipos de modelos construídos com diferentes correspondências dependendo do grau de dificuldade das construções destacando-se o caso da cúpula da Igreja de Santa Maria das Flores [Fig. 16 e Fig. 17] do qual Teodoro destaca o “perfil geométrico do corte da cúpula e as relações entre os ângulos e a parte central da parte superior da estrutura” 61 | e acrescenta que noutra ocasião que foram feitos outros modelos em pedra e madeira.62 | Do séc. XVI, segundo Cabe- 51 | BALDRICH, José, «Traza y modelo en el Renacimiento» (Universidad de Sevilla, 1998). Apud: CABEZAS, op. cit., p. 216. 52 | MOUTON, Benjamin, «The account of models in the practice of heritage conservation», em Modelle und Architektur (Paris, França: Technische Universität München, 2009), p. 59. 53 | CABEZAS, op. cit., p. 216. 54 | PELAYO, op. cit., p. 16. – A arte está mais divulgada e os tratados ganham importância dado o seu valor didático, enunciando princípios e regras, depois da integração das descobertas científicas na arte como a geometria euclidiana, os cânones de proporções, a perspetiva ou a anatomia. 55 | CABEZAS, op. cit., p. 120. – Para isso muito contribuiu De Architecture, de Vitrúvio, descoberto em cf. 1415 e republicado em 1485. 56 | Também pode ser denominada por ‘petipé’ – derivação da expressão francesa “au petit pied”. 57 | CABEZAS, op. cit., pp. 120-33. 58 | VASARI, Giorgio, Le vite dei puù eccellenti pittori, scultori e architetti, 1568. Apud: PELAYO, op. cit., pp. 16-9. 59 | RODRIGUES, Ana L., op. cit., pp. 140-41. 60 | ALBERTI, Leon, Los diez libros de Architectura de Léon Baptista Alberto, ed. Alonso Gómez, trad. Francisco Lozano (Madrid: s. e., 1582), p. 34. Apud: CABEZAS, op. cit., p. 237. 61 | FAUERBACH, FERRETTI e TEODORO, op. cit., p. 12. 62 | TEODORO, Francesco, «Models of the cupola and lantern of Santa Maria del Fiore in published and unpublished documents»,
48 Progresso no Arquivo de Projeto O EDVAC.Fig. 21
Dissertação de Mestrado 49 de Boole que, em 1949, influenciaram, entre outros, o desenvolvimento do falhado BINAC que viria a ser substituído, em 1952, pelo EDVAC [Fig. 21].83 | Abbott informa que antes da década de 50 foram inventados subprogramas de simplificação de ‘processos ocultos’ de trabalho passando a ser vistos como uma forma de economia de trabalho que, na década de 60 seriam vistos como “pontos intermédios importantes entre o problema e o computador”.84 | No início da década de 50 surgem os primeiros ecrãs e as primeiras impressoras, e em 1951 é construído o UNIVAC [Fig. 21] acompanhado da impressora UNIPRINTER.85 | Daqui em diante, tanto o ecrã, como a impressora, farão parte da composição do computador. Com esta possibilidade de ver o que se desenvolve inicia-se o desenvolvimento de linguagens de software orientadas para a programação de modelo em ambiente digital que, segundo Booch, evolui entre 1954-58 assente no cálculo matemático – FORTRAN I, ALGOL 58, Flowmatic e IPL V –.86 | Durante a década de 50, segundo Souza e Coelho, os softwares que viriam a ser identificados como CAD proporcionavam troca de desenhos por via eletrónica, gestão de desenhos, precisão das dimensões, e, ainda, “maior rapidez na recuperação, modificação ou atualização de desenhos”.87 | Tal como quando os Arquitetos perceberam que o desenho e a maquete eram instrumentos fortes na comunicação e começaram a apurar as técnicas e maneiras de forma a transmitirem as suas obras, também no início do digital isso se repetiu. A orientação para processos de representação em duas e três dimensões é facilmente compreensível dado que este método é sobejamente conhecido. O surgir do CAD como instrumento para o projeto parece colocar-se na posição de possibilitar um conjunto de valências que o desenho à mão não garante sendo uma alternativa ao método tradicional funcionando como um ‘estirador digital’. Neste é mais fácil a correção dos dados, otimização de recursos e, ainda, possibilita fazer análise de desenho e introduzir texto. O método de trabalho no digital varia dentro de cada software havendo indicações universais originárias do processo analógico. Cada software, havendo referências originárias do processo analógico, desenvolve a partir da introdução dos dados com a escolha de um ponto inicial de confluência dos eixos ‘x, y, z’, com coordenadas de posição e escolha de uma direção para uma orientação, distância ou ritmo. Assim, gera-se uma grelha, independentemente da forma, de linhas ou pontos que orienta o desenho. O conteúdo pertence apenas ao digital e é a precisão em que se trabalha, com a possibilidade de reconhecer e captar os pontos de referência, que importam para o rigor do desenho. Depois a possibilidade de se poder apagar, corrigir ou copiar para alterar o desenho. Dentro das ferramentas CAD podem ser feitos desenhos, muitas vezes entendidos como figuras ou blocos que, devido à sua função de representação de elementos, podem ser usado em projeto e, até, transitar entre projetos. 83 | Ibidem, pp. 1-2. 84 | ABBOTT, Russel J., «Knowledge Abstraction», Communications of the ACM, 30 (1987), p. 664. Apud: BOOCH, Grady, et al., Object-Oriented Analysis and Design with Applications, 3.a ed. (Massachusetts: Pearson Education, Inc., 2007), p. 33, t. a. 85 | SOUZA, A História dos Computadores, pp. 1-2. 86 | BOOCH et al., op. cit., p. 30, t. a. 87 | SOUZA, Adriano F. de, e Reginaldo T. COELHO, «Tecnologia CAD/CAM – Definições e estado da arte visando auxiliar sua implantação em um ambiente fabril», em XXIII Encontro Nac. de Eng. de Produção, ed. ABEPRO (Ouro Preto, Brasil: EESC-USP, 2003), p. 1.
50 Progresso no Arquivo de Projeto Tipologia de utilização da linguagem de programação em objetos baseados e objetos orientados segundo Booch. Fig. 22
Dissertação de Mestrado 51 2.2. Décadas de 60 e 70 – do CAD à modelação tridimensional A origem do termo ‘Computer Aided Design’ parece não ser consensual entre autores. Dietrich refere que é associada a creditação do termo a Douglas T. Ross e para Lisboa é inventado por Steve Coons em 1963.88 | Por sua vez, segundo Lisboa, este seria subdividido noutros como “Computer Aided Draftijg, Computer Aided Manufacturing, Computer Aided Engineering e Computer Aided Architectural Design”.89 | Sendo que até aqui eram explorados em exclusivo sistemas de software de associatividade unidirecional – significa que uma alteração ou correção num local do projeto só se reflete no mesmo da alteração, mesmo que essa alteração signifique que seja necessário proceder à alteração do que está realizado noutras pertencentes ao projeto –, desta vez, foi possível explorar os sistemas de associatividade bidirecional – significa que uma alteração ou correção num local do projeto corrige, por mobilidade, noutros locais do projeto, por haver correspondências entre eles – o que foi uma alteração significativa aos modos de trabalho, pela redução de possibilidade de erros. Por volta da década de 60, segundo Monedero, foram desenvolvidos “os primeiros métodos e técnicas […] que incluíam desenho 2D e, ainda, novas entidades como ‘splines’ ” 90 |, e, ainda, para a modelação de sólidos, surgiu a linguagem “CGD […] nos laboratórios MAGI nos EUA”.91 | Por esta altura, o desenvolvimento de linguagens de software orientadas para a programação de modelo em ambiente digital, segundo Booch et al., evolui a partir da relação entre dados e processamento – FORTRAN II, ALGOL 60, COBOL e Lisp entre 1959-61; Pl/1, ALGOL 68, Pascal e Simula entre 1962-70 e, por fim, a geração Gap entre 1970- 1980 –.92 | Nestas décadas o hardware era pensado à medida do desenvolvimento do trabalho moldado, à medida do software e pensado para o seu desempenho. Em 1962 Engelbart sugere um tipo de processo de projeto a partir de “um modelo de manipulação paramétrica e um banco de dados relacional”.93 | Em 1963 Ivan Sutherland para o seu doutoramento (PhD) no MIT Lincoln Laboratory estuda gráficos em Wireframe que, baseando-se em coordenadas de pontos e linhas, possibilitam a criação de modelos tridimensionais, através do ecrã de um computador onde se podem ver as várias vistas do modelo. O autor descreve este sistema como contendo “programas de entrada, saída e computação que lhe permitem interpretar as informações obtidas diretamente no ecrã do computador”.94 | Em 1967 surgem os primeiros estudos de modelação de superfícies baseados na representação formal, o que correspondia apenas à superfície das formas, pelas limitações de representação. Destas destacam-se as formas, correspondentes a curvas na realidade, que começaram por ser tratadas com triangulações. Em 1968, segundo Booch et al., Dijkstra foi “a primeira pessoa a identificar formalmente a importância dos sistemas compostos por camadas de abstração” 95 | e “Parnas 96 | mais tarde introduzia a ideia de 88 | DIETRICH, Gustavo L. V., «A História do CAD», Render Blog, 2014 <http://blog.render.com.br/cad/a-historia-do-cad/> [acedido a 13 de janeiro de 2016]; LISBOA, op. cit., p. 20. 89 | LISBOA, op. cit., loc. cit. 90 | MONEDERO, Javier, «Parametric design: a review and some experiences», Automation in Construction, 2000, p. 369, t. a. 91 | MONEDERO, op. cit., p. 370, t. a. 92 | BOOCH et al., op. cit., pp. 30-31, t. a. 93 | ENGELBART, Doug, Augmenting Human Intellect: A conceptual Framework, 1962. 94 | SUTHERLAND, Ivan E., Sketchpad: a Man-Machine Graphical Communication System, Simulation (Cambridge: University of Cambridge, 2003), dlxxiv, t. a. 95 | DIJKSTRA, E. May, The Structure of the «THE» Multiprogramming System. Communications of the ACM (s. l.: s. e., 1968), xi. 96 | PARNAS, David L., «On the Criteria to Be Used in Decomposing Systems into Modules», em Classics in Software Engineering
52 Progresso no Arquivo de Projeto Iannis Xenakis e UPIC nos finais da década de 70. Ivan Sutherland e o Sketchpad. Sketchpad – Caneta e ecrã. Fig. 25 Fig. 24 Fig. 23
Dissertação de Mestrado 53 ocultação de informações”.97 | No início da década de 70, no seguimento do trabalho de direção para a orientação de objetos desenvolvida por Kay’s na sua tese de doutoramento em 1969 98 |, a IBM padroniza a linguagem gráfica e técnica de computadores para 3D.99 | Isto viria a ser muito útil no desenvolvimento de softwares orientados para a construção por servirem para ajudar a estudar a obra. Pela década, segundo Monedero, foram desenvolvidos estudos de formas livres ou esculpidas, que levariam ao desenvolvimento do método NURBS.100 | Segundo Booch et al. vários autores desenvolveram mecanismos de tipos de dados abstratos, sendo que “Hoare contribuiu para estes desenvolvimentos com a sua proposta de uma teoria de tipos e subclasses”.101 | E, segundo Souza e Coelho, surge uma geração de sistemas CAD onde era possível desenvolver modelação tridimensional.102 | Em 1970, segundo Booch et al., foram desenvolvidas linguagens de apoio a ‘dados ocultos’ como “Alphard, CLU, Euclides, Gypsy, Mesa e Modula” 103 | e começou a ser usado nas ciências informáticas o termo ‘objeto’.104 | Em 1973, segundo Eastman et al., havia dois caminhos de modelação de sólidos que competiam entre si. A conhecida modelação Constructive Solid Geometry (CSG) onde o modelo é resultado de uma hierarquia e conjunto de cálculos de operações. E a modelação Boundary Representation (B-Rep) onde o modelo é um conjunto fechado e orientado de superfícies segundo regras como conectividade, orientação e continuidade por conjugação de operações boleanas – união, intersecção ou subtração – e de ajuste – chanfros, cortes ou buracos.105 | Os autores acrescentam, ainda, que mais tarde as duas operações fundir-se-iam “permitindo a edição dentro da árvore CSG […] e também a modificação da forma pelo uso de B-rep de uso geral”.106 | Quando comparados, pode-se verificar que, o primeiro guarda uma definição algébrica da forma, é mais usado para tarefas de edição e é mais lento que o segundo, e, o segundo armazena os resultados do sólido e mais usado para tarefas de renderização. Em 1974 Eastman desenvolve estudos de avalização para o sistema de tipo BDS, com um projeto simples de uma casa de verão realizada por estudantes, que viria a ser completado com a parceria de outros arquitetos selecionados.107 | No ano seguinte o mesmo autor reflete a importância de pensar o processo de projeto dentro das tecnologias digitais tendo em vista outro tipo de informação que não só a geométrica.108 | Neste ano Bjil e Shawcross propõem “o conceito de modelação computacional para edifícios […] quando os primeiros softwares comerciais para projeto de edifícios estavam sendo desenvolvidos”.109 | Não tardaria muito a que (New York: NY: Yourdon Press, 1979). 97 | BOOCH et al., op. cit., p. 40, t. a. 98 | Ibidem, p. 558, t.a. 99 | DIETRICH, op. cit. 100 | MONEDERO, op. cit., p. 369. 101 | BOOCH et al., op. cit., p. 40, t. a. 102 | SOUZA e COELHO, op. cit., p. 2. 103 | BOOCH et al., op. cit., p. 32, t. a. 104 | YONEZAWA, Akinori, e Mario TOKORO, Object-Oriented Concurrent Programming: An Introduction. In Object-Oriented Concurrent Program-ming (Cambridge: The MIT Press, 1987), p. 2. Apud: Ibidem, p. 39, t. a. 105 | Neste os dados podem ser editados e regenerados. Dado que a informação está num formato compacto, são várias as formas de combinação de primitivas para sólidos e as informações obtêm-se por cálculos. 106 | EASTMAN et al., op. cit., pp. 26-27, t. a. 107 | EASTMAN, Charles M., «Building Description System», Journal of the American Institute of Architects, 1975, p. 50. 108 | EASTMAN et al., op. cit., p. v, t. a. 109 | BJIL, Aart, e Graham SHAWCROSS, «Housing site layout system», Computer-Aided Design, 7 (1975), pp. 2-10. Apud: Ibidem,
54 Progresso no Arquivo de Projeto Representação de CADAM.Fig. 26 Representação esquemática do sistema NIAM.Fig. 27
Dissertação de Mestrado 55 conceitos como ‘Plotar, Mirror, CAD, Array, TRIM, Fillet, Layout, Offset’, que nomealizam a maior parte das funcionalidades dos softwares de mercado, entrassem no vocabolário usado pelos Arquitetos. Em 1977, segundo Beira e Menezes, a IBM comercializa o CADAM.110 | No mesmo ano, segundo Eastman, “Dr. Nijssen desenvolveu o NIAM como uma metodologia de projeto de bancos de dados, que apoia a troca de informações entre computadores, usando frases simples” [Fig. 27].111 | Em 1978, segundo Monedero, Hyllard propõe “um sistema que permita a especificação de restrições geométricas de peças entre as coordenadas, de tal modo que as variações possíveis ainda estariam restritas a uma gama determinada por algumas tolerâncias particulares”.112 | Neste mesmo ano, segundo Beira e Menezes, “a Computer Vision introduz os primeiros terminais gráficos ‘raster’ ”.113 | Em 1979, segundo Beira e Menezes, “a Boeing desenvolve o IGES, uma primeira plataforma de comunicação de dados entre diferentes sistemas de CAD, algo indispensável para viabilizar a portabilidade de modelos CAD (dados) entre empresas ou sistemas diferentes”.114 | Neste mesmo ano, segundo Booch et al., Jones introduz pela primeira vez o conceito de “modelo de objeto” 115 |.116 | 2.3. Décadas de 80 e 90 – da parametrização à difusão generalizada A parametrização surge dentro da área do digital pela sua capacidade de intuir com mais facilidade na inclusão de novos dados para dentro das variantes dinâmicas de elementos programáveis. Esta, beneficia da capacidade das tecnologias da informação, e é a oportunidade de aperfeiçoar dinâmicas e processos de projeto seguindo regras estabelecidas à priori, que podem enquadrar a capacidade de ação do utilizador, e significar, simbolicamente dentro do campo da representação, os usos do objeto real de que se pretende serem os representantes. A importância da parametrização dos objetos vê-se pela evolução da interação no ambiente de projeto com a quantidade de informação com que se tem de lidar, caminhando para uma organização por entidades, para que seja cada vez mais fácil o domínio sobre a informação do projeto. Para Eastman et al., esta “representa objetos por parâmetros e regras que determinam a geometria, assim como algumas propriedades e características não geométricas. Os parâmetros e as regras permitem que os objetos se atualizem automaticamente de acordo com o controle do utilizador ou mudança de contexto”.117 | A modelação paramétrica pode ter vários níveis. Aqui, são enunciados três níveis de correspondência: p. 283, t. a. 110 | BEIRA, Eduardo J. C., e Joaquim M. MENEZES, «Inovação e industria de moldes em Portugal: a introdução do CAD/CAM/ CAE nos anos 80», s. p., 3 (2003), p. 10. 111 | EASTMAN, Charles M., Building Product Models (Atlanta GA: CRC Press, 1999), p. 136, t. a. – NIAM – Método de Análise de Informações Nijssen. 112 | HILLYARD, R. C., e I. C. BRAID, «Analysis of dimensions and tolerances in computer-aided mechanical design», Computer-Aided Design, 10.3 (1978), pp. 161-66. Apud: MONEDERO, op. cit., p. 372, t. a. 113 | BEIRA e MENEZES, op. cit., p. 10. 114 | Ibidem, loc. cit. 115 | BOOCH et al., op. cit., p. 597, t. a. – Os autores referem-se a modelo de objeto como “conjunto de princípios que formam a base do design orientado a objeto; um paradigma de engenharia de software enfatiza os princípios da abstração, encapsulamento, modularidade, a hierarquia, a digitação, concorrência e persistência”. 116 | JONES, Anita K., «The Object Model: A Conceptual Tool for Structuring Software», em Operating Systems (New York: Springer-Verlag, 1979), p. 8. Apud: Ibidem, p. 558, t. a. 117 | EASTMAN et al., op. cit., p. 25.
56 Progresso no Arquivo de Projeto Representação do software CATIA em 1981. Fig. 28
Dissertação de Mestrado 57 1. modelação de ‘formas complexas’ com recurso a ferramentas paramétricas onde não há informação de relação entre objetos o que faz com que seja o utilizador a colocar as alterações; 2. relações paramétricas entre objetos o que permite atualizações locais automáticas de objetos segundo uma sequência estabelecia dentro da montagem; 3. normalmente designado por full parametric modelling onde a modelação é totalmente paramétrica e as regras e relações são determinadas pelo sistema; A utilização destes objetos prende-se na compreensão de vários parâmetros que lhe são associados. Estes útlimos, apresentam-se como sendo elementos reguladores da utilização de objetos, possibilitando um número de alternativas que podem ser controladas e preparadas, caso isso se pretenda, para limitar a sua utilização por parte do utilizador, seguindo as possibilidades do objeto real a representar. A modelação do objeto deve prever, numa situação inicial, a utilização que se pretende que tenha. As vantagens da utilização do conceito de ‘objeto’ na programação, onde são estudados o estado – cor, material, modelo, velocidade selecionada, etc. – e o comportamento – movimentos das ações que realiza depois de construído –, aparentam estar na modularidade, na delimitação da informação e na reutilização, introdução, remoção e no teste. A partir da modularidade, é possível partir de um código fonte pertencente a um objeto que é diferente de outros e reproduzir várias vezes o mesmo objeto. A partir da delimitação da informação permite que esta seja apenas implementada em meio digital, com as possibilidades de ser facilmente comunicável e reproduzível, e poder passar para o exterior por intermédio deste. O código pode ser reutilizado noutros softwares de modelação e usado para criar vários correspondentes a este, desde que devidamente verificada a sua validade. Booch et al. referem-se a objeto como tendo “estado, comportamento e identidade; a estrutura e o comportamento de objetos semelhantes são definidos na sua classe comum. As instâncias de termos e objeto são mudáveis”.118 | Um objeto para o projeto pode ser: • Uma peça única sem variações na forma – sem parâmetros – com informação permanente. • Uma peça com variações ou composta por elementos ou partes – com parâmetros – com informação variável, e pode mudar em função do projeto. A possibilidade de parametrização de objetos permite, assim, criações enquadradas pelos parâmetros que lhe são atribuídos. Segundo Eastman et al. do CAD 2D entre as décadas de 70 e 80 o sistema mais usado era o ‘Intergraf’.119 | Na década de 80, segundo Beira e Menezes, os sistemas CAD entram em ‘workstations’ de ‘computadores pessoais’.120 | A partir daqui com o surgir de empresas de desenvolvimento de hardware, desenvolvido numa formulação universal de entendimento do seu funcionamento, inicia-se o desenvolvimento de diferentes softwares. Por esta altura, surge o software mais popular pelos nossos dias – Autocad – da empresa Autodesk, que viria a incluir ‘blocks’. Inicia-se, ainda, o desenho de ‘sólidos’ ou ‘massas’ em CAD. Em 1980 foram desenvolvidos alguns temas anteriores em simultâneo. Segundo Monedero foram comercializados “os primeiros pacotes comerciais importantes, como Romulus, […] por Evans e Sutherlan- 118 | BOOCH et al., op. cit., p. 597. 119 | EASTMAN et al., op. cit., p. 66. 120 | RIPPINER, Howard, «Workstations – present and future trends», CAD International Directory, 1986, p. 17. Apud: BEIRA e MENEZES, op. cit., p. 16.
64 Progresso no Arquivo de Projeto Visão da evolução dos diferentes modelos de projeto.Fig. 32
Dissertação de Mestrado 65 fissional. No relacionamento que se estabelece com as tecnologias o assunto remete diretamente para a problemática do ‘Interface’ e do seu desenvolvimento. O Arquiteto deve fazer um caminho que aprimore o desempenho das técnicas, otimizando recursos e favorecendo competências relativas às áreas que cada um desempenha, fornecendo várias possibilidades de otimização. Com o surgir de valências que podem mudar a toda a hora, a sua mudança deixa de depender de ferramentas imutáveis para passar a ser de ferramentas dinâmicas que trabalham dentro de zonas que tentam simular a realidade. O uso do computador é cada vez mais regular nos trabalhos direcionados para a Arquitetura. O seu uso tem tendência para parecer uma questão cultural. Este, é usado como utensílio do desenho ou de representação. A noção de desenho dentro do computador é diferente da noção de desenho em papel, pelo que o nosso olho ainda se está a habituar a ver o desenho dentro dele. Em 2008 Sousa refere que é necessário “uma maior maturidade e reflexão disciplinar sobre a especificidade e formas de assimilação da tecnologia digital, que orientam um desvio da atenção sobre tarefas mecânicas de apresentação, simulação e descrição em direção à pesquisa e busca de técnicas avançadas que permitam assistir de uma forma mais eficaz a conceção arquitetónica”.146 | Em 2009 Siza Vieira refere que o uso do computador “é muito bom, se isso permitir tempo para estudar o projeto”.147 | Na continuidade dos desafios que têm surgido para a construção, estes influenciam o projeto de Arquitetura ao nível da informação que deve incorporar. Aparentemente, esta construção confronta-se com uma situação de que os projetos devem incluir cada vez mais informação, para que seja compreensível por várias disciplinas responsáveis pela construção do edifício. Para que seja possível a utilização de informação repetida em vários projetos, a sua organização deve ser pensada na perspetiva de utilização de vários utilizadores, de maneira a que seja possível a produção de novos conhecimentos. Deve ser desenvolvida uma estratégia de execução tendo em conta os objetivos e características do projeto, e as capacidades dos elementos do grupo. A relação entre Arquiteto e outros profissionais caminha no sentido de ficar mais próxima, apoiada pela ideia de qualidade associada ao serviço o que desperta para a sensação de conexão. Dentro deste tema, de maneira a aprofundar esta análise, foi possível fazer o levantamento de algumas perspetivas de Arquitetos sobre desafios para o projeto alinhados com a indústria da construção que se verificam nos últimos anos. Em 2007 Crespo e Ruschel destacam a “colaboração, interoperabilidade e reutilização da informação”.148 | Holzer escreve que “a hegemonia da comunicação de projeto baseado em 2D está gradualmente a ser desafiado pelas possibilidades oferecidas por ambientes de projeto 3D integrados e interfaces digitais”.149 | Em 2008 Treldal refere a “integração de dados e […] processos” como uma oportunidade para o projeto.150 | Para Eastman et al. estamos perante um momento do trabalho posterior aos “primeiros conceitos de 146 | SOUSA, José P., «Modelagem Paramétrica: Transparência e inteligência na Integração de Informação no Projeto», em 1a Sessão: As tecnologias da Informação no Projecto (Porto: s. e., 2008), p. 25. 147 | BEADOUIN, Laurent, e Dominique MACHABERT, «Quais são as condições, ou a condição, para uma boa arquitetura?», em Álvaro Siza: Uma questão de medida (Porto: Caleidoscópio, 2009), p. 62. 148 | CRESPO, Claudia C., e Regina C. RUSCHEL, «Ferramentas BIM: um desafio para a melhoria no ciclo de vida do projeto», em III Encontro de Tecnologia de Informação e Comunicação na Construção Civil (Porto Alegre, 2007), passim. 149 | HOLZER, Dominik, «Are you talking to me? Why BIM alone is not the answer», BIM-legal, 2007, pp. 108-14, t. a. 150 | TRELDAL, Niels, «Integrated Data and Process Control During BIM Design», Energy, 2008, t. a.
66 Progresso no Arquivo de Projeto Esquema de fuxo de informação de softwares usado para a cobertura de madeira do Centro Pompidou-Metz por Shigeru Ban e Jean de Gastines, segundo Marble. Fig. 33
Dissertação de Mestrado 67 modelação de produtos, análise e simulação integradas”.151 | Em 2013 Charalambous et al. destacam a “natureza distribuída e temporária das equipas de projeto”, dizendo que no momento prévio à construção as “equipas específicas das disciplinas encontram-se num processo colaborativo com os requisitos ainda não totalmente padronizado para partilha de informações que muitas vezes resulta em padrões de comunicação caóticos”.152 | Com o nível de informação exigida para cada projeto, é cada vez mais reconhecida a necessidade de usar formas que agilizem os processos de repetição, ambicionando concentra-los num só passo que possibilite obter os resultados pretendidos para comunicação. Esta ambição torna-se realidade em processos integrados de desenhos, tabelas e texto em ambiente de trabalho digital, de ligações e conceções, onde uma correção num local criado para cumprir ou integrar determinada função altera as informações noutros locais por correspondência direta com um caráter interligado. Assim, é compreensível que o processo criativo dedicado ao estudo da ideia realizado a partir do desenho ou da modelação ganhe mais tempo dedicado. Em 1997 Lisboa defende que “a decomposição ou pulverização de processos […] permite reduzir o número de potenciais soluções a avaliar simultaneamente [...] a análise de um determinado processo e a sua decomposição permite a formalização desse processo”.153 | Em 2006 Lee, Sacks e Eastman escrevem que “a modelação paramétrica tem sido proposta como um meio eficaz para incorporar experiência de domínio em modelos de edifícios”. Os autores colocam a entrada nos processos de trabalho na força que as tecnologias de informação adquiriram em capacidade para desenvolver modelos paramétricos com cada vez mais informação, que por sua vez, leva a que se construam softwares “cada vez mais sofisticados para a conceção, modelação e fabricação de edifícios”.154 | Em 2011 Rezgui destaca os dados nas cadeias de adição e ciclos de vida referindo que incorporam “várias formas de sensibilidade com potencial comercial, contratual, direitos de propriedade intelectual e implicações de confidencialidade”.155 | Em 2012 Willems e Böhms defendem que o projeto “deve incorporar uma descrição formal de todos os requisitos necessários de alteração”.156 | Em 2013 Chang e Shih referem três pontos benéficos para a partilha de informação: “1 – informação completa, sem omissões, e inclusão de todas as informações necessárias para as operações; 2 – nenhuma informação redundante; 3 – não há contradições mútuas mais funções de busca e análise eficazes;”.157 | Quanto maior for o conhecimento da proposta do Arquiteto pelas outras disciplinas, melhor para o Arquitetura. 151 | EASTMAN et al., op. cit., p. 27. 152 | HARALAMBOUS, George, et al., «Collaborative BIM in the Cloud and the Communication tools to support it», em Proceedings of the 30th CIB W78 International Conference (Beijing: s. e., 2013), pp. 58-67, t. a. 153 | LISBOA, op. cit., p. 13. 154 | LEE, Ghang, Rafael SACKS e Charles M. EASTMAN, «Specifying parametric building object behavior (BOB) for a building information modelling system», Automation in Construction, 15.6 (2006), pp. 758-76, t. a. 155 | REZGUI, Yacine, «CloudBIM: Management of BIM Data in a Cloud Computing Environment», em Proceedings of the 28th International Conference of CIB W78 (s. l.: s. e., 2011), t. a. 156 | WILLEMS, Peter, e Michel BÖHMS, «Embedding BIM into interaction frameworks and object libraries», em eWork and eBusiness in Architecture, Engineering and Construction – Proceedings of the European Conference on Product and Process Modelling (s. l.: s. e., 2012), pp. 431-38, t. a. 157 | CHANG, Yi-Feng, e Shen G. SHIH, «BIM-based computer-aided architectural design», Computer-Aided Design and Applications, 10.1 (2013), pp. 97-109, t. a.
68 Progresso no Arquivo de Projeto Vista de um modelo desenvolvido no ano letivo 2013/14 – Projeto IV.Fig. 34
Dissertação de Mestrado 69 3.2. Ferramentas de projeto O projeto de Arquitetura precisa de exigência alusiva à sua representatividade. Em qualquer que seja o software que se trabalhe existem requisitos à partida exigidos que são a base do trabalho. Um software que não represente uma peça desenhada em 2D – como uma planta, um corte ou alçado entre outros –, mesmo que possibilite tirar outro tipo de informação, ou possa ser usado numa fase mais avançada do projeto, seria-o com reservas, pois a constante evolução do projeto, mesmo em fase de construção em obra, desatualizaria rapidamente os resultados obtidos. Desde há algum tempo, as ferramentas de projeto têm evoluído no sentido de incluírem mais possibilidades de serviços para os utilizadores, de maneira a obter um resultado mais completo. Dos tipos de softwares que podem ser encontrados, atualmente, como referem Souza e Coelho, há os que possibilitam modelação de sólidos que trabalham com operações boleanas entre geometrias 158 |, modelação de superfícies a partir de funções Spline, e híbridos que possibilitam os dois processos anteriores.159 | Foi possível verificar algumas perspetivas sobre características das ferramentas de projeto que podem servir de referência na sua utilização: Em 1997 Lisboa lembra que estes sistemas são apresentados como “utensilagem capaz de proporcionar, no âmbito da execução de projetos de Arquitetura, maior rapidez com menores custos”.160 | Em 2001, segundo Brevi, Gaiani refere que “com as ferramentas de prototipagem digital é possível testar e identificar constrangimentos durante o ciclo de processamento conceptual em vez da sua conclusão”.161 | Em 2007 Scheer et al. referem que estas devem possuir “a capacidade para armazenar informações necessárias ao longo do ciclo de vida do projeto, abrangendo aspetos de conceção, operação, manutenção e gerenciamento”.162 | Em 2008 Eastman et al. referem que estas devem colocar-se “na sofisticação dos seus objetos predefinidos; na facilidade com que utilizadores podem definir novas famílias de objetos; nos métodos para utilizar os objetos; na facilidade de uso; nos tipos de superfícies que podem ser utilizados; nas capacidades de gerar desenhos; na habilidade de manipular um grande número de objetos e nas suas interfaces com outros softwares”.163 | Não chega só tirar os desenhos automaticamente, mas exigisse que estejam bem-feitos de acordo com o olho do Arquiteto. Depois, o nível de informação ou detalhe de cada peça que não deve ser menor que o exigido. Até aqui, estamos no que Lisboa em 1997 chama de “grau zero” da representação – tudo aquilo que era feito antes e que tem que se continuar a fazer e se se perdesse, estaria incompleto.164 | 158 | BEDWORTH, David D., M. R. HENDERSON e Philip M. WOLPE, Computer – Integrated Design and Manufacturing (New York, 1991). Apud: SOUZA e COELHO, op. cit., p. 3. 159 | Ibidem, p. 4. 160 | LISBOA, op. cit., p. 39. 161 | GAIANI, Marco, «Il Disegno del “Disegno Industriale”», em DDD: Disegno e Design Digitale (Milano, 2001), i, p. 13. Apud: Fausto Brevi, «Tecniche di Rappresentazione per il Disegno Industriale: il tradizionale e il virtuale», Igarss, 2014, p. 2, t. a. 162 | SCHEER, Sérgio, et al., «Impactos do uso do sistema CAD geométrico e do uso do sistema CAD-BIM no Processo de Projeto em Escritórios de Arquitetura», em VII Workshop Brasileiro de Gestão do Processo de Projetos na Construção de Edifícios (Curitiba, Brasil: s. e., 2007). 163 | EASTMAN et al., op. cit., pp. 25-26. 164 | LISBOA, op. cit., p. 33.
70 Progresso no Arquivo de Projeto Vista de um modelo desenvolvido no ano letivo 2013/14 – Projeto IV.Fig. 35
Dissertação de Mestrado 71 A modelação tridimensional passa a ser vista como um processo que ajuda na compreensão do todo modelado pelos diferentes responsáveis dentro do projeto. Estando perante um modelo onde todas as peças desenhadas estão em constante atualização entre si, independentemente da vista, deixa de ser necessária a atualização de peças desenhadas autonomamente, como se verifica nalgumas ferramentas. Como estamos perante a modelação de um modelo tridimensional (e é nele em que se trabalha), as vistas 2D são representações programadas para mostrar o que corresponde à orientação e posição do plano de corte da vista que assinala o que se quer ver. Imaginando a representação 3D, a possibilidade de visualizar um corte em 2D, seja por zona, direção ou limite, garante um método de trabalho que se pretende que seja mais interligado que os demais existentes. Fomentados por comandos de desenho com funções claras como uniões, concordâncias, repetição e hierarquização de prioridades perspetivando-se como um auxiliar para manifestar uma ideia tida, a importância da modelação pode verificar-se nas palavras de Liu e Issa, em 2012, quando referem que “com o desenvolvimento da modelação de informações, a partilha de conhecimentos entre gestão de instalações e profissionais de projeto tornou-se possível”.165 | Aqui, acresce-se uma visão da modelação a partir da criação de um modelo, sendo a transição de um objeto virtual imaginado segundo a memória, constituído por ideias para um objeto digital e materializado dentro da memória de um processador. O modelo integrado foi pensado para refletir sobre os muitos acontecimentos que podem surgir durante a obra. Muitas das decisões que seriam tomadas sobre circunstâncias de construção e que não foram detetados ao longo da conceção do projeto, passaram a ser pensados na criação do modelo digital. Ou, como refere Lisboa em 1997 “modelos tridimensionais, cujo objetivo é o da representação global do edifício que se antecipa”.166 | Para o processo de construção, este deve partir de um modelo de projeto de Arquitetura, onde serão incluídas informações dedicadas aos restantes projetos, para que seja possível detetar conflitos e interferências relacionadas com cada fase de construção. Na construção, esta metodologia muda o paradigma que até aqui relacionava o saber disciplinar com uma aplicabilidade construtiva empírica, que possibilita que os primeiros não tivessem o controlo justo durante a construção, entregue aos segundos, coincidente com os processos de projeto. Em 2008 Eastman el al. apresentam uma lista de casos de algumas ferramentas de modelação que possibilitam uma metodologia de trabalho diferente da anterior que procura incorporar mais valências para o processo de desenvolvimento de projeto. Estas são o Autodesk Revit Architecture e Structure, Bentley Architecture, Graphisoft Archicad, Digital Project da Gehry Technology, Tekla Structures, SDS/2 e Structureworks.167 | Sendo esta lista baseada na oferta de mercado de há oito anos, no corrente ano podem ser acrescentados a esta lista softwares como o Solidworks, o Sketchup desde que foi adquirido pela Trimble, ou Rhinocerous com o plugin VisualArq, para citar os mais conhecidos, entre outros, que embora existam há mais tempo, o seu desenvolvimento assentou nos mesmos princípios que a dos anteriores, de forma a que possibilitem as mesmas oportunidades. Apesar das ferramentas de projeto apresentadas anteriormente possibilitarem que se desenvolvam projetos mais completos, isso por si, não é garantia de que estes sigam as novas metodologias de desenvolvimento de projeto interoperativo. 165 | LIU, Rui, e Raja R. A. ISSA, «Automatically Updating Maintenance Information from a BIM Database», Computing in Civil Engineering, 2012, pp. 373-80, t. a. 166 | LISBOA, op. cit., p. 53. 167 | EASTMAN et al., op. cit., p. 29.
72 Progresso no Arquivo de Projeto Vista de um modelo desenvolvido no ano letivo 2013/14 – Projeto IV.Fig. 36
Dissertação de Mestrado 73 3.3. Uma ideia para a indústria: BIM Há várias iniciativas que surgem com o intuito de tentar perceber o sentido para que leva a investigação na área da construção, levando a que vários autores se refiram à indústria da construção como ‘fragmentada’.168 | No trabalho dentro desta, que abrange várias equipas de diferentes disciplinas como a Arquitetura, Engenharias e a Construção, verifica-se a necessidade de haver mais aproximação disciplinar das pessoas envolvidas. Esta aproximação, apresenta-se como sugestão de um método no trabalho que tenha em perspetiva minimizar as oportunidades de erros em projeto durante a construção de um edifício. O processo de modernização das empresas pode ser uma realidade na crescente adoção de ferramentas de trabalho orientadas para uma modernização dos processos de projeto com valências diferentes das anteriores. Funcionando como uma extensão do que se conhece, assim, contribui na fase final do processo para uma realização enquadrada com as exigências do mercado de trabalho atual. No sentido de conhecer o ambiente prático foi possível fazer o levantamento de algumas perspetivas de Arquitetos sobre desafios e vontades que se têm verificado nos últimos anos para a indústria: Em 2008 Eastman et al. refere-se ao BIM como “um dos mais promissores desenvolvimentos na indústria relacionada à Arquitetura, Engenharia e Construção”.169 | Tanto em 2011 Arayici e Aouad, como em 2012 Arayici, Egbu e Coates, referem que é necessário melhorar: “produtividade, eficiência, valor de infraestrutura, qualidade e sustentabilidade”; e reduzir: “custos de ciclo de vida, os prazos de entrega e duplicações, através de colaboração e comunicação das partes interessadas em projetos de construção”.170 | Em 2013 Lindblad refere que “há uma necessidade de mudanças substanciais nos processos de trabalho, a fim de fazer melhorias para a produtividade”, e apresenta BIM como sendo o principal motor da mudança que está a acontecer dentro da indústria da construção.171 | Elmualim e Gilder destacam a “colaboração, bem como a inovação no processo de conceção, construção e toda a cadeia de abastecimento”.172 | BIM por intermédio de um software que se alinha com os princípios desta metodologia, possibilita relações de trabalho mais próximas e intuitivas. A sua qualidade mede-se pela rapidez e capacidade de resposta quando são necessárias. Este aparenta estar para o projeto como uma referência, fazendo com que os processos mais usados tenham outro tipo de dinâmica, encaminhando-os para uma resolução a partir da multidisciplinariedade com recurso a softwares, o que facilita a comunicação entre profissionais com diferentes responsabilidades no ciclo de vida de um edifício. Para tirar partido destas potencialidades, este pode ser aplicado cada vez mais cedo dentro do processo dedicado à construção do edifício. Ainda sem um tempo definido para a sua entrada dentro do processo 168 | MOTAMEDI, Ali, e Amin HAMMAD, «RFID-Assisted Lifecycle Management of Building Components Using BIM», International Symposium on Automation and Robotics in Construction ISARC, 2009, pp. 109-16; ELMUALIM, Abbas, e Jonathan GILDER, «BIM: innovation in design management, influence and challenges of implementation», Architectural Engineering and Design Management, 10.3-4 (2013), pp. 183-99; LINDBLAD, Hannes, «Study of the implementation process of BIM in construction projects: Analysis of the barriers limiting BIM adopotion in the AEC industry», Unpublished MSc Thesis (s. u., 2013); TRELDAL, op. cit., loc. cit.; EASTMAN et al., op. cit., p. 2. 169 | EASTMAN et al., op. cit., p. 1. 170 | ARAYICI, Yusuf, e Ghassan AOuAD, «Building information modelling (BIM) for construction lifecycle management», em Construction and Building: Design, Materials, and Techniques (s. l.: s. e., 2011), pp. 99-117; ARAYICI, Yusuf, Charles EGBU e S. Paul COATES, Building Information Modelling (BIM) implementation and remote construction projects: Issues, challenges, and critiques, Electronic Journal of Information Technology in Construction (s. l.: s. e., 2012), t. a. 171 | LINDBLAD, op. cit., loc. cit., t. a. 172 | ELMUALIM e GILDER, op. cit., loc. cit., t. a.
80 Título Nos sete anos desde que o termo Building Information Modelling ou BIM foi introduzido na indústria das AEC, ele cedo deixou de ser um chavão para os utilizadores para passar a ser a peça central de tecnologia, que passa englobar todos os aspetos do projeto, construção e operação de um edifício. A maioria dos líderes mundiais de arquitetura, engenharia, construção e firmas já transitaram do CAD para BIM em quase todos os seus projetos. EASTMAN, Charles M. et al. BIM Handbook: A Guide to Building Information Modelling for Owners, Managers, Designers, Engineers and Contractors, Building, (s. l.: s. e., 2011), t. a. “
Sérgio Rafael de Sousa Vieira 81 0. Sumário O progresso do acervo de Projeto, como se pôde verificar no estudo do capítulo anterior, está relacionado com as possibilidades das ferramentas que o seu tempo permitem. As tecnologias digitais entraram dentro deste, encontrando o seu espaço, junto dos processos que o Arquiteto dominava. Com o surgir de novas intenções, há a oportunidade de repensar o Arquivo na sua composição e organização. Os elementos a usar em BIM são a oportunidade de enriquecer o Arquivo de Projeto. “A possibilidade de libertar o utilizador de ‘tarefas consideradas enfadonhas e repetitivas’, em situações como ‘edição de desenhos, como a pesquisa sistemática de dados dispersos’ bem como ‘eliminação de redundâncias e inconsistências entre peças’ tem a possibilidade de poupanças de tempo do desenvolvimento da solução da representação final podendo libertar mais tempo para o desenvolvimento de projeto.” 1 | De maneira a enquadrar o assunto, este capítulo introduz o assunto de BIM, em continuidade com os assuntos abordados no capítulo anterior, organizando-se em três subcapítulos, começando por uma explicação do que se fala sobre BIM, seguindo-se uma análise às partes relacionadas com a Arquitetura como BEM e, para finalizar, a questão da organização em DIM. Nestes, intitulados ‘Bim, uma metodologia’, ‘Bem, uma entidade’ e ‘dim, um espólio’, é feita uma tentativa de apresentar o assunto, pelo que pode significar para o desenvolvimento do projeto, para a comunicação da informação, para o trabalho em equipa, entre outros fatores que o podem influenciar como um fator a ter em conta daqui em diante. Inicia-se a análise pelo conceito, seguindo-se um estudo de iniciativas e implementação e, ainda, ao assunto de interoperabilidade. O tempo da revisão é colocado depois do início do séc. XXI até à data da realização desta dissertação. Não sendo uma posição clara, o espaço é colocado no local de desenvolvimento de projeto de execução para construção das várias disciplinas da área profissional. O processo de análise dos documentos citados neste capítulo começou com a recolha dos mesmos através de uma pesquisa informática dada a sua disponibilidade para consulta via web. Seguiu-se a seleção da informação e a tradução dos mesmos para uma melhor compreensão da informação contida nos documentos. No processo de tradução foram usados conhecimentos adquiridos e métodos de consulta a ferramentas digitais e manuais. Estes documentos foram criados, muitas vezes, por iniciativas unilaterais de pessoas que estão envolvidas e se interessam por estes assuntos e que foram adotadas por muitas Software Houses, em muitos casos, como bases de orientação da programação dos seus produtos de índole BIM como será verificado mais à frente. Pensa-se, assim, ser possível, dar um enquadramento do assunto, de maneira a fazer uma apresentação mais completa. 1 | LISBOA, op. cit., p. 62.
82 Progresso no Arquivo de Projeto Representação de possibilidade de ciclo de vida de um edifício a partir de BIM. Fig. 1
Dissertação de Mestrado 83 1. BIM, uma metodologia BIM pode integrar-se nos processos de trabalho como as anteriores, tirando partido das suas potencialidades e divulgação, de maneira a enriquecer o trabalho do Arquiteto, despertando para a necessidade de repensar os processos de projeto a partir dos recursos e refletindo sobre as várias possibilidades de que este dispõe, possibilitando-lhe apresentar-se como um criativo. “BIM envolve muito mais do que simplesmente um novo software. É uma maneira diferente de pensar. Isso requer um movimento longe do fluxo de trabalho tradicional, com todas as partes […] da partilha do trabalho realizado num reduto comum de informação” 2 | Este “reduto comum de informação” a que Pittard se refere, pode ser entendido como uma base de dados onde é armazenada informação relativa a projeto. É possível que o modelo digital funcione como esse reduto, estando para o Arquiteto como o seguro de que, pelo menos, todos os componentes visuais do seu trabalho são claros para todas as disciplinas. A implementação de novas oportunidades para a execução do trabalho vem sempre acompanhada de especialidade funcional que seja capaz de dar resposta às valências específicas de domínio e conhecimento que surgem por seu intermédio. 1.1. Conceito Na desconstrução da nomenclatura, esta tem duas interpretações publicadas – ‘Building Information Model’ 3 | e ‘Building Information Modelling’ 4 | – associadas ao mesmo objetivo, mas com tempos diferentes no projeto podendo colocar-se no processo e o resultado desse processo, respetivamente. ‘Building Information Model’, segundo Eastman et al., aparece na publicação ‘Automation in Construction’, de G. A. Van Nederveen e F. Tolman, em dezembro de 1992, evoluindo de ‘modelo da informação’, resultado da associação de ‘Building Product Model’ + ‘Product Information Model’.5 | Esta, refere-se à representação dentro das tecnologias digitais de um projeto como um objeto, com uma estratégia definida. ‘Building Information Modelling’ surge em cadeia da anterior. Segundo Eastman et al., esta “já havia sido criada há pelo menos dez anos e o seu conceito estabelecido à mais de quinze anos”.6 | Esta, associa-se à metodologia de trabalho aplicada ao ambiente de processo dedicado à discussão do projeto como uma atividade. A cada um dos conceitos associados à nomenclatura BIM, podem associar-se ideias diferentes. Em ambos os casos anteriormente apresentados, as palavras repetidas podem significar o mesmo: • informação – associa-se à dimensão das características geométricas e escritas do edifício. 2 | PITTARD, Steve, «What is BIM?», Causeway Technologies Limited, and Chairman of the RICS QS and Construction IT Working Group, 34 (2012), pp. 123-29, t. a. 3 | Modelo de Informação para a Construção. (Tradução mais unanime usada no meio) 4 | Modelação de Informação para a Construção. (Tradução mais unanime usada no meio) 5 | EASTMAN et al., op. cit., pp. v-vi, t. a. 6 | Ibidem, loc. cit. (a partir de 2008)
84 Progresso no Arquivo de Projeto Representação das várias fases de um modelo de projeto para um edifício em BIM. Fig. 2
Dissertação de Mestrado 85 • construção – associa-se às disciplinas envolvidas dentro da metodologia. A cerca dos conceitos que mudam – modelo ou modelação –, que normalmente se associam à geometria digital, podem ter significados vistos de outras perspetivas: • modelo – associa-se a um método, estratégia, forma ou ideia para o processo de desenvolvimento do projeto usado dentro da metodologia. • modelação – associa-se ao estudo da necessidade de se desenvolver um método, forma ou processo, por exemplo, para cada projeto sem destacar nenhum em particular. Por vezes, é possível verificar que o conceito BIM, não é adotado usando-se outras nomenclaturas em vez desta. Foi possível detetar alguns exemplos disso. Em 2008 Eastman et al. referem que pela década de 80 na Alemanha usa-se “BauInformatik”’ e na Holanda “Gebouwmodel”.7 | Em 2009 Conradie refere que pode ser encontrada “Building Product Model”.8 | Em 2012 Azhar, Malik Khalfan e Maqsood identificam duas: “n-D Modelling ou Virtual Prototyping Technology”.9 | O encanto desta metodologia aparenta estar na clareza da transmissão de informação entre disciplinas que, se for bem entendida por todas as áreas envolvidas no projeto, no fim a Arquitetura pode surgir com rigor mais próximo do pensamento pretendido inicialmente. Assim, começam-se a afirmar os processos de modelação como uma parte importante do trabalho, onde têm que ser tomados vários cuidados na colocação da informação. um dos potenciais que se aplica é o de facilitar a comunicação dentro da área da construção focando a questão das linguagens individuais de cada disciplina, para uma linguagem comum reconhecível por todos. Esta, mantém todos os processos existentes com o objetivo de ser um complemento, preenchendo um espaço que estava aberto, otimizando tempo de trabalho dedicado à construção. Tendo BIM este significado abrangente dentro da área, as vantagens da sua utilização colocam-se a vários níveis, podendo verificar-se várias perspetivas que podem servir de referência na sua utilização. Em 2008 Manning e Messner destacam que “facilita o desenvolvimento de informações e análise detalhada muito mais cedo no processo de construção”.10 | Em 2009 Arayici et al. destacam que pode “permitir uma discussão inteligente do projeto; fornecer uma produção de projeto mais rápida e barata; uma melhor coordenação de documentação; controle de mudanças mais eficazes; menos repetição de processos; uma melhor qualidade do produto construído; e melhor comunicação, tanto para a prática arquitetónica, como todo o ciclo de vida”.11 | Em 2011 Michael Smith refere que facilita o “processo de geração e gestão de dados sobre a construção, durante o seu ciclo de vida”.12 | Arayici et al. referem que pode “aumentar a produtividade, eficiência, 7 | Ibidem, loc. cit., t. a. 8 | CONRADIE, Dr. Dirk, «Building Information Modelling (BIM)», Green building handbook South Africa. (A guide to ecological design), Vol.1 (2009), pp. 225-31, t. a. 9 | AZHAR, Salman, Malik KHALFAN e Tayyab MAQSOOD, «Building information modelling (BIM): now and beyond», Australasian Journal of Construction Economics and Building, 12.4 (2012), pp. 15-28, t. a. 10 | MANNING, Russell, e John I. MESSNER, «Case studies in BIM implementation for programming of healthcare facilities», Electronic Journal of Information Technology in Construction, 13.August 2007 (2008), pp. 446-57, t. a. 11 | ARAYICI, Yusuf, et al., «BIM implementation for an architectural practice», em Managing IT in Construction / Managing Construction for Tomorrow (s. l.: s. e., 2009), pp. 689-96, t. a. 12 | SMITH, Michael, «BIM In Construction», National Building Specification, 2011, pp. 1-3, t. a.
86 Progresso no Arquivo de Projeto Representação axonométrica de um modelo a partir dos seus planos de projeto. Fig. 3
Dissertação de Mestrado 87 qualidade para atingir vantagens competitivas no mercado global e alcançar as metas de sustentabilidade ambiental”.13 | E Narowski, Stasierski e Wereszczyński referem que foi criado para “tomada de decisão no projeto, qualidade de produção de documentos de construção, planeamento de construção e previsões de desempenho”.14 | Em 2012 Azhar, Malik Khalfan e Maqsood referem-se a BIM como “tecnologia e um processo”.15 | Em 2013 Davies e Harty dizem que podem ser “desenvolvidos projetos para permitir que trabalhadores usem computadores pessoais ou tablet móveis em obra para aceder a informações de projeto e capturar dados de qualidade de trabalho e de progresso no local”.16 | Charalambous et al. vêm-no, tendo em vista a linguagem própria de cada disciplina, como uma “linguagem de construção”.17 | Kivits e Furneaux destacam “o aumento da utilidade e da velocidade, o reforço da deteção de falhas em todas as fases de construção, colaborações avançados e visualização de dados”.18 | Lindblad refere que “melhora os processos, a fim de atingir determinados objetivos”.19 | Bryde, Broquetas e Volm referem que “não só é útil para modelação geométrica do desempenho de um edifício como, também, pode auxiliar na gestão de projetos de construção”.20 | Panuwatwanich et al. escrevem que faz com que “a conceção, construção e processos de operação podem ser mais otimizados para melhorarem a eficiência do projeto”.21 | Por fim, Takim, Harris e Nawawi dizem que permite alcançar “maior eficiência com o intuito de melhorar a qualidade de vida das partes interessadas na construção”.22 | Em 2014 Miettinen e Paavola destacam que pode aumentar a “colaboração interorganizacional e disciplinar […] e melhorar a produtividade e qualidade do projeto, construção e manutenção de edifícios”.23 | Laing et al. acrescenta que este apresenta “valor na fase de projeto conceptual e durante a apreciação pormenorizada de disposição espacial e análise ambiental”.24 | E, ainda, a NBS vê-o como o “meio pelo qual todos podem entender um edifício através da utilização de um modelo digital.”.25 | 13 | ARAYICI, Yusuf, et al., «Technology adoption in the BIM implementation for lean architectural practice», Automation in Construction, 20.2 (2011), pp. 189-95, t. a. 14 | NAROWSKI, Piotr, Jacek STASIERSKI e Piotr WERESZCZYńSKI, «Modelling of conduction transfer functions for typical thermal bridges identified in BIM Data», em Conference of International Building Performance Simulation Association (s. l.: s. e., 2011), pp. 1320–27, t. a. 15 | AZHAR, KHALFAN e MAQSOOD, op. cit., loc. cit., t. a. 16 | DAVIES, Richard, e Chris HARTY, «Implementing “site BIM”: A case study of ICT innovation on a large hospital project», Automation in Construction, 30 (2013), pp. 15-24, t. a. 17 | CHARALAMBOUS et al., op. cit., loc. cit., t. a. 18 | KIVITS, Robbert A., e Craig W. FURNEAUX, «BIM: enabling sustainability and asset management through knowledge management», ScientificWorldJournal, 2013, t. a. 19 | LINDBLAD, op. cit., loc. cit., t. a. 20 | BRYDE, David, Martí BROQUETAS e Jürgen M. VOLM, «The project benefits of building information modelling (BIM)», International Journal of Project Management, 31.7 (2013), pp. 971-80, t. a. 21 | PANUWATWANICH, Kriengsak, et al., «Integrating Building Information Modelling (BIM) into Engineering education: an exploratory study of industry perceptions using social network data», Australasian Association for Engineering Education Conference (AAEE2013) (s. l.: s. e., 2013), pp. 1-9, t. a. 22 | TAKIM, Roshana, Mohd HARRIS e Abdul H. NAWAWI, «Building Information Modelling (BIM): A new paradigm for quality of life within Architectural, Engineering and Construction (AEC) industry», Procedia-Social and Behavioral Sciences, 101 (2013), pp. 23-32, t. a. 23 | MIETTINEN, Reijo, e Sami PAAVOLA, «Beyond the BIM utopia: Approaches to the development and implementation of Building Information Modelling», Automation in Construction, 43 (2014), pp. 84-91, t. a. 24 | LAING, Richard, et al., «Integrating Rapid 3D Data Collection Techniques to Support BIM Design Decision Making», Procedia Environmental Sciences, 22 (2014), pp. 120–30, t. a. 25 | NBS, NBS BIM Object Standard (Newcastle: RIBA Enterprises Limited, 2014), t. a.
88 Progresso no Arquivo de Projeto Diagrama de responsabilidades e cargos em BIM, sengundo Kensek.Fig. 4
Dissertação de Mestrado 89 Dentro da área da Arquitetura, apesar de haver estudos nesse sentido, ainda se discute a relação entre todo o processo de adoção com o retorno que pode trazer para o ambiente utilizado até aí. Em 2012 a COBIM apresenta cinco pontos onde se pode verificar vantagens específicas da sua utilização em ambiente de projeto. São eles: “o apoio ao investimento comparando a funcionalidade, objetivo e custos das soluções; A possibilidade de comparar objetos de energia, ambiente e de análise do ciclo de vida para a gestão de instalações; A visualização de projetos e análise da viabilidade da construção; A partilha de dados para tornar o processo de projeto mais eficaz e eficiente de maneira a garantir a qualidade da construção; A modelação de dados do projeto durante a construção e a gestão da construção;”.26 | A parte da informação é, desta forma, o motivo diferenciador desta metodologia, por ganhar uma nova dimensão ao alargar o seu campo de ação na oferta necessária ao Arquiteto. É a mais trabalhada segundo as necessidades de cada utilizador dependendo da fase do projeto em que este se encontre. Dentro deste assunto, pode-se verificar que a BIM está associado a um conjunto grande de espectativas do que se espera que venha a ser o futuro para a profissão. Em 2012 Nawari refere que “o sucesso final de BIM vai depender, em parte, da capacidade de capturar todos os dados relevantes no modelo integrado e da partilha de dados entre diferentes participantes do projeto com sucesso”.27 | Por tudo isto, é possível dizer que, apesar dos estudos teórico-práticos que se têm realizado, o ambiente teórico ainda é o que predomina, por esta altura. É possível, também, dizer que BIM não está a deixar ninguém indiferente e, neste sentido, está a despertar diferentes sensações no meio, pelo que se coloca o tempo como um fator essencial para a análise do caminho que será seguido nos próximos anos, de maneira a perceber como é que será o comportamento das pessoas e instituições envolvidas na área e, ainda, o envolvimento de outras de fora da área terão, e o comportamento que se verificará. 1.2. Implementação – o caso de Inglaterra Atualmente verifica-se que BIM tem entrado nos escritórios de Arquitetura de forma progressiva, despertando diferentes sensações desse processo. Para desenvolver esta análise, foi necessário fazer o levantamento de impressões de alguns Arquitetos sobre a sua implementação dentro da área. Em 2009 CICRG refere que “cada equipa deve projetar uma estratégia da medida de execução por entender as metas e características de projeto e as capacidades dos membros da equipa”.28 | Em 2011 Arayici et al. referem que deve incorporar “pessoas, processos e tecnologia de forma igual”.29 | Em 2012 Ahmad, Demian e Price referem que deve ser por planos de guias com base nas características das empresas.30 | Khosrowshahi e Arayici referem os padrões baseados na “cultura organizacional, educação e formação, e gestão da informação”.31 | Em 2013 para Porwal e Hewage, alinhados com os anteriores, os maiores desafios são a organização 26 | OY, Gravicon, e Tomi HENTTINEN, Architectural design, Cobim, 3 (s. l., 27 de março de 2012), 1.0, p. 4, t. a. 27 | NAWARI, Nawari O., «BIM Standard in Off-Site Construction», Journal of Architectural Engineering (2012), pp. 107-13, t. a. 28 | Computer Integrated Construction Research Group, «BIM Project Execution planning guide», The Pennsylvania State, 2009, t. a. 29 | ARAYICI, Yusuf, et al., «BIM adoption and implementation for architectural practices», Structural Survey, 29.1 (2011), pp. 7-25, t. a. – PME’s – Pequenas e Médias Empresas. 30 | AHMAD, M. Ahmad, Peter DEMIAN e Andrew D. F. PRICE, «BIM Implementation plans: A Comparitive Analysis», Smith, S.D (Ed) Procs 28th Annual ARCOM Conference, 2012, pp. 33-42, t. a. 31 | KHOSROWSHAHI, Farzad, e Yusuf ARAYICI, «Roadmap for implementation of BIM in the UK construction industry», Engineering, Construction and Architectural Management, 19.6 (2012), pp. 610–35, t. a.
96 Progresso no Arquivo de Projeto Diagrama de responsabilidades do cargo do gestor do modelo dentro da equipa de projeto, segundo Kensek. Fig. 9
Dissertação de Mestrado 97 Em 2008 Eastman et al. dizem que serve para “aumentar o valor do edifício […] reduzir a duração do cronograma […] obter estimativas de custo confiáveis e precisos […] garantir a conformidade do programa […] otimizar a gestão e a manutenção das instalações”. 53 | Em 2011 Narowski, Stasierski e Wereszczyński dizem que “carrega as suas geometrias, relações, propriedades e atributos”.54 | Em 2012 Isikdag refere que os modelos de BIM serão usados como recursos de dados para interoperabilidade para o ciclo de vida.55 | Azhar, Khalfan e Maqsood referem-se que serve “para identificar qualquer projeto potencial, constrangimentos operacionais ou de construção”.56 | Em 2013 Mill, Alt e Liias referem que este serve para “produzir informações precisas relacionadas com a construção, incluindo as suas características físicas e funcionais, geometria e relações espaciais internas”.57 | Daqui, verifca-se que ao trabalhar com BIM, o Arquiteto tem a oportunidade de acompanhar o processo de desenvolvimento do projeto como um todo, através de um modelo integrado, discutindo ideias chave e de pormenor pretendidas para o projeto. O que muda é o objeto da comunicação, passando-se a ter um modelo integrado capaz de albergar em si objetos com informações específicas, mas que são lidas ou entendidas de maneira diferente por cada um dos intervenientes. Esta situação, assemelha-se ao discurso direto entre várias pessoas em que cada uma comunica na linguagem que lhe foi ensinada sem, em nenhum momento, perderem a identidade individual. A partir do modelo criado, é possível desenvolver interoperabilidade dentro da equipa através da partilha de informação. Existem várias formas de partilha de informação, pelo que esta deve ser delineada pela equipa de trabalho. Em 2008 Eastman et al. referem que a partilha de dados pode ser por: “– ligações diretas e proprietárias entre ferramentas BIM específicas; – formatos de arquivos de partilha entre proprietários, principalmente ligando com geometrias; – formatos públicos de partilha de modelos de dados de produtos; – formatos de partilha baseados em xml.”.58 | Em 2014 Berlo e Krijnen definem a BCF como “um padrão aberto para se comunicar sobre as ‘questões’ de um modelo BIM durante o seu ciclo de projeto […] baseada na partilha de arquivos […] dentro de um arquivo ZIP (.bcfzip) e enviado aos parceiros do projeto”.59 | No caso de IFC e CIS/2, segundo Eastman et al., “representam geometria, relações, processos e materiais, desempenho, fabricação e outras propriedades necessárias para o projeto e a produção, usando a linguagem EXPRESS […] frequentemente estendidos, com base nas necessidades dos usuários”.60 | No caso do segundo, os mesmos autores referem que é usado “para engenharia e fabricação de aço estrutural”.61 | Destes, o mais utilizado é o Industry Foundation Classe. Conhecido como IFC, trata-se de uma pla- 53 | EASTMAN et al., op. cit., p. 93, t. a. 54 | NAROWSKI, STASIERSKI e WERESZCZYńSKI, op. cit., loc. cit., t. a. 55 | ISIKDAG, Umit, «Design patterns for BIM-based service-oriented architectures», Automation in Construction, 25 (2012), pp. 59-71, t. a. 56 | AZHAR, KHALFAN E MAQSOOD, op. cit., loc. cit., t. a. 57 | MILL, Tarvo, Aivars ALT e Roode LIIAS, «Combined 3D Building surveying techiques – Terristrial Laser Scanning and total station surveying for BIM Data management purposes», Journal of Civil Engineering and Management, 19 (2013), pp. 23-32, t. a. 58 | EASTMAN et al., op. cit., p. 66. 59 | BERLO, Léon Van, e Thomas KRIJNEN, «Using the BIM Collaboration Format in a Server Based Workflow», Procedia Environmental Sciences, 22 (2014), pp. 325-32, t. a. 60 | EASTMAN et al., op. cit., p. 65, t. a. 61 | Ibidem, loc. cit., t. a.
98 Progresso no Arquivo de Projeto Esquema de interoperabilidade segundo Smith e Tardif.Fig. 10
Dissertação de Mestrado 99 taforma aberta criada para possibilitar a partilha de dados digitais dentro da indústria da construção entre as diferentes linguagens de programação de plataformas. Em 2007 Howard e Bjork dizem que a IFC evoluiu de padrões publicados por “pesquisadores, desenvolvedores de software e grupos de padronização” nos últimos dez anos (a contar desse ano).62 | Em 2010 para Hubers as propriedades de objetos em desenho paramétrico de software em IFC “são definidos por variáveis Verschil entre BIM”.63 | Em 2014 Larsson refere que “IFC tem suporte muito limitado para objetos paramétricos”.64 | Dado que a IFC é aberta e que cada software house programa o seu software, podem-se verificar constrangimentos, como perda de informação no momento da conversão para o formato compatível com IFC, por exemplo, o que não beneficia a confiança de uso a partir desta plataforma. Ou seja, atualmente a partir da IFC, é possível verificarem-se deformações no modelo criado, que não se verificam no modelo original. Como resposta a esta situação, tem-se verificado que as plataformas de modelação preferem estabelecer exportações diretas entre si a partir de delineações próprias do que por intermédio da IFC. Para além da partilha de informação entre plataformas de modelação, é necessário ter em conta a construção e manutenção do processo chamados de FM, que envolvem BIM. Em 2007 Ballesty et al. referem que foi usado este sistema na Opera de Sydney o que “demonstrou benefícios significativos na digitalização de documentação e manuais operacionais e de manutenção”.65 | Em 2013 Liu e Issa referem as fases de gestão e manutenção de um edifício como sendo os momentos de atuação da FM.66 | Embora se registe este trabalho em 2D, este tira partido da representação tridimensional que, segundo Lin, Su e Chen, em 2014, BIM beneficia pela “geometria precisa e dados pertinentes que fundamentam as instalações”.67 | Desta forma, é possível verificar que BIM foi criado para as pessoas em que o pano de fundo é o edifício porque relaciona equipas compostas por pessoas de diferentes áreas cujo interesse comum é o edifício de trabalho. O seu processo permite democratizar a relação entre a Arquitetura e as outras disciplinas procurando a colaboração das partes para chegar a um todo que pode ser simples ou complexo, mas que em ambos há ganhos de tempo e trabalho. A possibilidade de verificar um edifício em BIM reduz as dúvidas que surgem nos seus mais diversos pormenores. Atravessa-se aqui, uma nova dimensão no estudo do projeto pelas demais pessoas interessadas, despertando a atenção para a capacidade e qualidade de resolução dos diferentes constrangimentos que surgem no desenvolvimento do projeto. 62 | HOWARD, Rob, e Bo-christer BJORK, «Building Information Models – Experts’ views on BIM/IFC developments», BIM, 2007, pp. 47-54, t. a. 63 | HUBERS, J. C., «IFC based BIM or parametric design?», Proc., Int. Conf. on Computing in Civil …, 2010, t. a. 64 | LARSSON, Stefan, «The digital object», AECMAGAZINE, março de 2014, p. 24, t. a. 65 | BALLESTY, Stephen, et al., Adopting BIM for facilities management: Solutions for managing the Sydney Opera House, CRC for construction Innovation participants, 2007, t. a. 66 | LIU, Rui, e Raja R. A. ISSA, «BIM for facility management: Design for maintainability with BIM tools», em ISARC 2013 – 30th International Symposium on Automation and Robotics in Construction and Mining, Held in Conjunction with the 23rd World Mining Congress (s. l.: s. e., 2013), pp. 572-80, t. a. 67 | LIN, Yu-Cheng, Yu-Chih SU e Yen-Pei CHEN, «Developing mobile BIM/2D barcode-based automated facility management system», ScientificWorldJournal, 2014.
100 Progresso no Arquivo de Projeto Analogia com um puzzle de peças que se distinguem pela cor, apesar de terem elementos de encaxe. Fig. 11
Dissertação de Mestrado 101 2. BEM, uma entidade Kennedy define entidade como “um elemento gráfico discreto e definível” e descreve-a como podendo tratar-se de um grafismo primário – ponto, linha, polígono, etc. – e uma forma do computador recordar informação – origem, centro, nível, etc. –. Segundo o autor o potencial de uso de uma entidade está na sua identificabilidade perante outras, sendo possível substituir uma por outra com poucos recursos e ganhos de tempo.68 | Aqui, acresce o potencial de extração de dados que estas possam incorporar. “A modelação digital encerra e, sobretudo depende de num conjunto de decisões iniciais acerca do que poderá ser pertinente para a observação e estudo do modelo a construir – objetivos e fronteira do modelo, estratégias e parâmetros para a modelação.” 69 | A ideia da importância dos objetos é de que estes fazem parte da Arquitetura e valem pela relação da função que cumprem entre si. Assim, como no exemplo da diversidade que pode existir dentro de um puzzle composto por peças, o resultado da harmonia entre as partes é, também, o que se verifica como uma oportunidade na modelação para a edificação, ou melhor, para a construção de edifícios. 2.1. Conceito A nomenclatura BEM que significa ‘Building Elements Models’ e é usada por Eastman et al. para se referirem a formas digitas em contexto de BIM.70 | Estas formas digitais são dinâmicas a partir de parâmetros que podem alterar instantaneamente a sua forma, tamanho, entre outras propriedades, e representam a composição de um produto, com correspondentes possíveis de associar a um projeto. Nestas, deve constar informação sobre o fabricante, faseamento de fabrico, custo, características técnicas, número de série ou identificador, informação para cotagem de desenho automática, ter classes associadas e possibilitar alinhamentos e ajustes com elementos de referência. Quanto mais propriedades associadas lhe são atribuídas mais definido se torna. Em 2008 os mesmos autores que a publicam definem-na como “representações geométricas 2D e 3D de produtos físicos como portas, janelas, equipamentos, móveis, elementos fixos, e montagens de alto nível de paredes, telhados, lajes e pisos nos vários níveis necessários de detalhe, incluindo produtos específicos”.71 | Em 2014 a NBS diz que um BEM resulta da junção da informação, das características físicas, dados comportamentais e os dados de visualização que definem o produto.72 | Acresce, ainda, que pode ser genérico ou associado a um objeto singular, deve ser de componente ou de layer, pode fazer parte de um conjunto 68 | KENNEDY, E. Lee, CAD: Dibujo-Deseño-Gestion de Datos (Barcelona: Editorial Gilli, S. A., 1998), pp. 70-72, t. a. 69 | LISBOA, op. cit., p. 45. 70 | EASTMAN et al., op. cit., p. 189. Trad. mais referenciada: Modelos de Elementos da Construção. 71 | Ibidem, loc. cit., t. a. 72 | NBS, op. cit., p. 7.
102 Progresso no Arquivo de Projeto Elemento de fachada na sua relação com o meio de transporte e projeto.Fig. 12
Dissertação de Mestrado 103 de objetos e deve haver a possibilidade de ser usado à parte do ambiente em que é utilizado.73 | Larsson esclarece que são “blocos de construção de um edifício” seguindo-se uma tentativa de definição composta por um conjunto de indicações: “informação de texturas e acabamentos; descrições dos materiais e componentes do sistema; incluir 3D e 2D; dados são os atributos do objeto que varia de uma classificação simples através de parâmetros complexos que mudam dinamicamente a geometria do objeto; visualização determina a forma como o objeto é para ser exibido […] podem ser estáticos, onde não há nenhuma variação do um tamanho, uma cor, etc., ou paramétricos em que estes podem conduzir a geometria, e visualização de dados do objeto;”.74 | Quando se fala em objetos que não têm características para serem BEM, estes são denominados de ‘objetos genéricos’ podendo ser adaptados com correspondência a BIM. Estes, devem cumprir uma função provisória capaz de elucidar sobre algumas orientações na análise e desenvolvimento de conhecimento do projeto. Segundo Eastman et al., estes são atualmente vistos como elementos simbólicos com informações geométricas dos elementos que pretendem representar.75 | Tal como no conceito de BIM, por vezes é possível verificar que são usadas outras nomenclaturas em vez do conceito BEM. Alguns autores fazem referência a outro tipo de nomenclaturas. Em 2007 Booch et al. referem-se a componente como “um conjunto lógico de classes que colaboram para fornecer serviços oferecidos através de interfaces fornecidas”.76 | Em 2012 o AEC (UK) BIM Protocol apresenta dois conceitos:77 | • componente – “elemento individual que pode ser reutilizado noutras situações. Nos exemplos incluem portas, núcleos de escadas, móveis, painéis de fachada, colunas, paredes, etc.”. • conjunto – “conjunto de componentes e / ou elementos modelados dispostos para definir a totalidade ou parte de um modelo de construção, tais como grupos ou submodelos”. Em 2014 Larsson fala do conceito de “objeto BIM”. Numa derivação o mesmo autor fala de subcomponente referindo que “normalmente não são modelados, mas podem ser calculados com base na fixação ou padrões de colocação por área. Exemplos típicos de subcomponentes são fixadores, adesivos e vedantes”.78 | A estrutura de organização em que estes objetos se inserem é muito maior que a sua própria forma. Estes, partindo da função e do processo de construção, organizam-se por estratégia numa estrutura hierárquica elaborada com base numa ordem de desenvolvimento dos modelos integrados de projeto. Esta estrutura inicia-se com a escolha da ‘Classe/categoria de família’ que corresponde às distinções sobre a utilização de objetos para cada disciplina, quer pela tipologia, quer pelas capacidades inerentes na função, mas, por outro lado, também partilham características e funções. Tomando por referência uma porta qualquer, a ‘classe’ da porta é diferente da ‘classe’ da mesa, porque distinguem-se na fundação inicial do objetivo, independentemente da disciplina. Em contexto BIM, pode-se verificar dois tipos de classe de objetos: os objetos sujeitos a regras de comportamento autónomo e de interação com outros por hospedeiro 79 |; e os objetos que têm regras de comportamento autónomo independentes de outros elementos. Em 2007 Booch et al. referem-se a classe como “um conjunto de objetos que compartilham uma 73 | Ibidem, p. 14. 74 | LARSSON, op. cit., p. 24, t. a. 75 | EASTMAN et al., op. cit., p. 189, t. a. 76 | BOOCH et al., op. cit., p. 593. 77 | DAVIES et al., 2.0, op. cit., p. 7, t. a. 78 | LARSSON, op. cit., loc. cit., t. a. 79 | BOOCH et al., op. cit., p. 593, t. a. – Os autores referem-se a objeto hospedeiro como “um objeto que utiliza os serviços de um outro objeto, seja por unidade operacional ou fazendo referência a seu estado”.
104 Progresso no Arquivo de Projeto Esquema representativo de apresentação dos vários níveis de desenvolvimento. Fig. 13
Dissertação de Mestrado 105 estrutura e um comportamento comum”.80 | Relacionado com as classes ainda se pode encontrar subclasse que os mesmos autores referem como “uma classe que cresce a partir de uma ou mais classes”, superclasse que referem como “a classe de outra classe herdeira” e, por fim, a classe parametrizada que referem como “uma classe que serve como um modelo para outras classes, em que o modelo pode ser parametrizado por outras classes, objetos, e / ou operações […] tipicamente usadas como classes contentor”.81 | A partir das ‘Classe de família/categoria de família’ são criadas ‘família de objetos’ que correspondem ao conjunto com a mesma ideia de fundação. Tomando por exemplo famílias de portas A e a B podem distinguir-se, não só pela dimensão, como por elementos que a compõem. Em 2000 Monedero define família como “um conjunto de elementos que só diferem na dimensão das suas partes. Para descrever uma família […] precisamos de duas coisas: uma descrição topológica especifica das partes que o constituem e as relações que mantêm entre si; e um esquema dimensional especificando as prioridades e as restrições das dimensões”.82 | Em 2008 Eastman et al. refere ‘família de objetos’ para dizer que “permite a criação de qualquer número de instâncias de objetos, com formas que são dependentes de parâmetros e relacionamentos com outros objetos”.83 | Depois de criadas as ‘famílias de objetos’, os chamados ‘tipos de objeto’ correspondem a variantes que podem ocorrer dentro dessa família, desde a medida das partes, ou da alternância entre elementos de composição, etc. Tomando por referência uma porta, dentro da família correspondente, é possível alterar as dimensões da folha, do aro, trocar o puxador, etc., o que leva a que seja criado um tipo para cada possibilidade de alteração. A parametrização apresenta-se como uma possibilidade de criar vários tipos dentro da mesma família. Em 2007 Booch et al. referem que “os tipos são geralmente vistos como estáticos, enquanto que objetos normalmente têm uma natureza muito mais dinâmica, um pouco limitado pela existência de ligação estática e monomorfismos”.84 | Dentro de cada ‘tipo de objeto’ é possível, ainda, fazer alterações pontuais em cada um a partir de ‘instância de tipo’ que correspondem a um elemento de composição, mas não da forma ou organização dos primeiros. Em 2007 Booch et al. referem que “são organizados como coleções cooperativas de objetos, cada um dos quais representa uma instância de algum tipo”. Outra nomenclatura possível identificada pelos mesmos autores é membro de objeto dizendo que “constitui a estrutura do objeto […], variável na instância e substituíveis internamente”.85 | 80 | Ibidem, p. 592-93, t. a. 81 | Ibidem, p. 598-601, t. a. 82 | MONEDERO, op. cit., p. 3, t. a. 83 | EASTMAN et al., op. cit., p. 25, t. a. 84 | BOOCH et al., op. cit., p. 598, t. a. 85 | Ibidem, loc. cit, t. a.
112 Progresso no Arquivo de Projeto Imagem de capa de “NBS BIM Object Standard”.Fig. 15
Dissertação de Mestrado 113 objetos seguindo diretrizes: alinhada com a COBie-UK-2012; 97 | classifica cada objeto; facilita a integração com a Create NBS; aplica uma nomenclatura convencional para facilitar o uso; e padroniza abordagens para o nível de detalhe e objeto de apresentação.98 | Segundo a NBS BIM, verifica-se a necessidade de que devem existir propriedades – sejam elas de tipo, de componente ou de indicação geral – associadas ao objeto que o descrevam nas suas principais linhas de suporte preenchidas, respetivamente, com as informações necessárias (se disponíveis), com valores alfanuméricos ou numéricos (dependendo do caso), ou caso contrário, se não for possível ou não estiver disponível, com ‘n/a’ para não haverem campos em branco. Esta, apresenta indicações de campos que devem existir e como devem ser preenchidos sobre as ‘propriedades de tipo de objeto’, sobre as ‘propriedades de componentes’, sobre ‘grupos de propriedades e usos’, sobre o ‘autor’ e, para finalizar, ‘propriedades adicionais’ que possam ser incluídas no objeto. Os Arquitetos aqui estudam o espaço, o desenho refletido na organização e imagem de um espaço. A partir da construção dos objetos pertencentes ao edifício para a Arquitetura e para o estudo das situações propostas, é possível desenvolver um processo de ponderação das várias possibilidades, de maneira a tomar um conjunto de decisões a levar a cabo nas alturas necessárias. 97 | EAST, ASCE e CARRASQUILLO-MANGUAL, op. cit. 98 | NBS, op. cit., p. 7, t. a.
114 Progresso no Arquivo de Projeto Analogia com o conjunto de peças de lego.Fig. 16
Dissertação de Mestrado 115 3. DIM, um espólio A ideia do espólio associado ao trabalho do Arquiteto ultrapassa o enquadramento do trabalho desenvolvido, tanto em meio isolado, como coletivo. Este, tem ganho novas fronteiras e conhecido novos intervenientes com contributos que, mesmo sendo de fora da área, podem ser utilizados de forma legítima para benefício dos trabalhos. “Iniciativas de bibliotecas de produtos são conduzidas por organismos nacionais, fabricantes e empresas privadas que veem o seu potencial”.99 | Estas “bibliotecas de produtos” que Duddy refere, funcionam como mostra de elementos dos/aos Arquitetos. Estes podem ganhar, assim, uma nova dimensão na análise, seleção e escolha de elementos que mais se adequam às necessidades do projeto, a partir de transformações, como acontece, analogamente falando, com legos, sendo que no limite pode ser feita uma reinterpretação preferencial para o projeto. 3.1. Conceito A nomenclatura DIM que significa ‘Database Information Model’ é aqui apresentada com esta denominação em continuidade com o tipo de definição generalizada dos dois conceitos anteriores. Pelo contexto abrangente onde se insere, apesar da objetividade muito concreta das palavras e do sentido para que estas orientam, opta-se por esta definição que encerra em si uma abrangência que parece adequada para o caso. Esta, é colocada no processo de trabalho como a referência de funcionamento da informação dentro dos sistemas, compondo-se por entidades que armazenam, integram e gerenciam as informações de projeto.100 | Apesar de não ter sido identificada nenhuma definição concreta associada ao caso, é possível verificar diferentes perspetivas de Arquitetos para esse efeito. Em 2010 Hjelseth refere-se a este assunto como um “recipiente para partilha de informações”.101 | Em 2013 a PAS 1192-2 aborda-o como “constituinte do ambiente comum de dados”.102 | De um modo geral, o aqui chamado de DIM pode ser visto como um repositório de entidades suscetíveis de serem usadas em projeto, com restrições que podem envolver o tipo de oferta que se pretende proporcionar, independentemente da sua localização ou disponibilidade, desde que composto por elementos de projeto associados à metodologia BIM. Para que este funcione, é necessário que os processos de modelação tenham em conta as dinâmicas que os diferentes objetos de projeto possibilitam, sem prejuízo das suas características para o produto, e o acesso pelos utilizadores e para o público. Dentro deste assunto a investigação alargada a várias dimensões desenvolve-se, no momento atual, num campo predominantemente teórico, onde se enumeram vantagens ou apontam intenções, resultando 99 | DUDDY, Keith, et al., «A platform-independent product library for BIM», em 30th CIB W78 International Conference (s. l.: s. e., 2013), t. a. 100 | Modelo de informação para base de dado, t. a. 101 | HJELSETH, op. cit., loc. cit., t. a. 102 | BSI, op. cit., loc. cit.
116 Progresso no Arquivo de Projeto Processo AEC BIM Protocol – progresso.Fig. 17
Dissertação de Mestrado 117 em experiências pontuais que se vão realizando neste âmbito. É sabido que este se desenvolve a partir de BIM e é na função deste que a sua evolução tem ganho mais forma. Em 2008 Eastman et al. lembra que “em arquitetura, as empresas de software BIM predefiniram um conjunto base de famílias de objetos de construção para os utilizadores, que podem ser entendidas, modificadas ou acrescentadas”.103 | Em 2012 Willems e Böhms defendem que a “verdadeira interoperabilidade só pode ser estabelecida com um BIM que mantém fortes ligações com uma ou mais bibliotecas de objetos”.104 | Em 2013 Bergin refere-se a “modelo de projeto arquitetónico com um banco de dados relacional” como uma mais-valia para desenvolver projeto.105 | Em 2014 Bridge e Carnemolla referem que “qualquer um dos blocos individuais pode ser replicado ou armazenado na biblioteca de blocos para reutilização posterior”.106 | Tal como nos conceitos anteriormente abordados, neste caso, também é possível encontrar outros conceitos que, de uma forma ou outra, se podem relacionar com DIM como arquivo BEM, biblioteca BEM, repositório BEM, arquivo BIM, biblioteca BIM ou repositório BIM. Em 1994 Bernstein e Dayal referem que “um repositório é um banco de dados compartilhado de informações sobre artefactos projetados”.107 | Em 2007 Booch et al. referem-se a subsistema como “uma coleção de componentes, alguns dos quais são visíveis para outros subsistemas e noutros não”.108 | Em 2008 Eastman et al. referem três tipos de armazenamento de BEMs – Bibliotecas de objetos, Portais e Bibliotecas no computador/rede –. De bibliotecas de objetos, os autores associam às pastas disponibilizadas com as ferramentas de modelação que incorporam “um conjunto heterogéneo de tipos de objetos, usando famílias de objetos únicos”. De portais, os autores associam a sítios na web onde são fornecidos ou partilhados conteúdos de empresas ou de representação genérica, construídos por diversas entidades envolvidas direta ou indiretamente com as ferramentas e fomentada a discussão sobre o tema criando uma rede na qual qualquer pessoa pode fazer parte. De bibliotecas no computador/rede, os autores associam a softwares de gestão e armazenamento de conteúdos particulares criados ou descarregados pelos utilizadores, que automatiza “o carregamento de BEMs numa biblioteca independente a partir de uma ferramenta BIM […] ou o próprio sistema de arquivos do utilizador ou ainda uma rede corporativa”.109 | Em 2012 o AEC BIM Protocol refere-se a Biblioteca de modelos definindo-a como “repositório opcional que pode ser usado para compilar conjuntos e componentes para fins específicos, incluindo exportação e publicação”.110 | Em 2015 Kim et al. apresentam uma biblioteca Modelica de BIM destinada incluir elementos que facilitem a troca de dados para simulação energética de um edifício.111 | 103 | EASTMAN et al., op. cit., p. 25, t. a. 104 | WILLEMS e BÖHMS, op. cit., t. a. 105 | BERGIN, Michael S., «History of BIM», Architecture Research Lab, 2013 <http://www.architectureresearchlab.com/ arl/2011/08/21/bim-history/> [acedido a 5 de dezembro de 2015], t. a. 106 | BRIDGE, Catherine, e Phillippa K. CARNEMOLLA, «An enabling BIM block library: an online repository to facilitate social inclusion in Australia», Construction Innovation, 14.4 (2014), pp. 447-92, t. a. 107 | BERNSTEIN, Philip A., e Umeshwar DAYAL, «An Overview of Repository Technology», em Proceedings of the 20th International Conference on Very Large Data Bases (s. l.: s. e., 1994), pp. 705-13, t. a. 108 | BOOCH et al., op. cit., p. 601, t. a. 109 | EASTMAN et al., op. cit., p. 190-94, t. a. 110 | DAVIES et al., 2.0, op. cit., p. 7, t. a. 111 | KIM, Jong B., et al., «Developing a physical BIM library for building thermal energy simulation», Automation in Construction, 50 (2015), pp. 16-28, t. a. – modelica – linguagem de modelação. Não confundir com linguagem de programação.
118 Progresso no Arquivo de Projeto Representação esquemática do funcionamento da cloud ao serviço de BIM.Fig. 18
Dissertação de Mestrado 119 Desta forma, é possível verificar a crescente importância que o assunto da gestão e armazenamento de dados gradualmente vai ganhando, à medida que este tipo de metodologia vai encontrando o seu espaço no exercício da profissão. Atualmente, uma das vantagens apontadas a BIM, dentro das questões do armazenamento, prende-se pela possibilidade de armazenar bases de dados em cloud. Este é um novo estado dentro do digital. Aqui habitualmente conhecido como ficheiros deixam de ter uma imagem física e transportável para passar a ser um ‘link’ passível de ser aberto num dispositivo equipado e preparado para isso a qualquer momento.112 | Em 2002 a Autodesk, numa altura em que existiam muitas expectativas de como evoluiria a propagação e difusão da informação, refere “a colaboração, gerir a mudança em todas as bases de dados […] e capturar e preservar a informação para reutilização”.113 | Em 2010 Hora diz que atualmente a internet é o “principal elemento difusor da informação”.114 | Em 2011 Lalanne e Lai, num ambiente prático para a experiência de colaborar fora do ambiente tradicional de escritório, apresenta a “eficiência da colaboração de longa distância entre os membros da equipa de projeto usando BIM na nuvem e […] a eficiência de um computador virtualizado em relação ao Ambiente de Trabalho local tradicional”.115 | Em 2014 Goulding, Rahimian e Wang referem-se à cloud “como uma forma inovadora de reforçar ainda mais o projeto, processo de gestão e entrega, uma mudança de paradigma para Entrega do Projeto Integrado”.116 | Em 2014 Ding e Xu apresentam “um sistema de armazenamento de BIM em nuvem […] para resolver o problema de processamento em massa de dados, segurança da informação, e os problemas de custo na aplicação existente de BIM para a gestão integral do ciclo de vida”.117 | Num âmbito operativo e formativo, este também é visto como tendo a capacidade de desempenho de funções pedagógicas no meio da educação das pessoas que fazem e, mais tarde, farão parte da indústria. Em 2011 Jeon e Eom sugerem para a Coreia o “primeiro sistema privado de u-educação BIM com Biblioteca BIM aberta”.118 | Em 2014 Meadati et al., aproposito da integração de ferramentas de BIM e Quick Response, discutem que “um repositório de conhecimento interativo adequado ao utilizador que fornece um ambiente de aprendizagem propício é necessário para melhorar as capacidades de aprendizagem dos alunos”.119 | 112 | FURTADO, Interferências: conformação, implementação e futuro da cultura digital, p. 23. 113 | AUTODESK Inc., «Building Information Modelling», Autodesk Building Industry Solutions (São Rafael, EUA, 2002), p. 1, t. a. 114 | HORA, Sergio R. A., Luyz P. T. SATURNINO e Eliete C. SANTOS, «A evolução do Arquivo e da Arquivistica na perspetiva da História», webartigos, 2010 <http://www.webartigos.com/artigos/a-evolucao-do-arquivo-e-da-arquivologia-na-perspectiva-da-histo- ria/33326/> [acedido a 14 de agosto de 2015]. 115 | LALANNE, Elodie J. B., e Tzu C. LAI, BIM in the cloud, Obstetrics and gynecology (s. l., 2011), cxviii, t. a. 116 | GOULDING, Jack St., Farzad P. RAHIMIAN e Xiangyu WANG, «Virtual Reality-Based Cloud Bim Platform for Integrated AEC Projects», It Con, 19 (2014), 308-25, t. a. 117 | DING e XU, op. cit., loc. cit., t. a. 118 | JEON, Jin W., e Shin J. EOM, «Case Study: Development of Bim U-Education System With Open Bim Library», em Proceedings of the 28th ISARC (Seul, Coreia: s. e., 2011), pp. 570–71, t. a. 119 | MEADATI, Pavan, et al., «Learning environment using BIM and smart phone», em 8th International Multi-Conference on Society, Cybernetics and Informatics, Proceedings (s. l.: s. e., 2014), pp. 5-9, t. a.
120 Progresso no Arquivo de Projeto Níveis de representação – Modelo integrado.Fig. 19
Dissertação de Mestrado 121 A gestão de arquivos envolve planos próprios para que seja operativa. Esta questão, desperta para a necessidade de fiscalização de arquivos numa direção de prática, mas, sobretudo, de pedagogia no tratamento da organização. Em 2008 Amor e Dimyadi enumeram sete pontos a ter em conta para testar a viabilidade de uso de arquivos de dados: saber o número das entidades; fornecer estatísticas de resumos; fornecer métricas para informações; determinar a correção sintática; determinar as redundâncias; confirmar aspetos; forma de pesquisa.120 | 3.2. Implementação – o caso de Inglaterra A ideia de DIM ainda está muito no início e dependente dos resultados inequívocos de desenvolvimentos da implementação de BIM às mais variadas dimensões, seja em escritório de Arquitetura ou numa empresa de produtos de construção, sem esquecer, ainda, os desenvolvimentos das plataformas de modelação, ou a concordância das linguagens de modelação utilizadas num sentido de objetivação das funções e das suas práticas que ainda tardam. Sendo uma empresa diretamente relacionada com práticas de desenvolvimento que se enquadram no assunto, em 2002 a Autodesk faz uma descrição possível do que pode ser o processo de trabalho a partir de bases de dados digitais de informação. Para esta empresa, BIM “apreende informações de construção no momento em que é gerada, e armazenanda, num banco de dados, a informações de construção, e torna disponível para uso e reutilização em qualquer lugar do projeto”, e acrescenta que “o modelador de informações de construção, de seguida, apresenta as informações do banco de dados para a edição e revisão de formatos de apresentação”.121 | Em 2008 Eastman et al. defendem que “representarão ‘melhores práticas’ à medida que as empresas melhorem progressivamente através das informações baseadas no uso do empreendimento e nas experiências”. 122 | Numa análise generalizada dos desafios para desenvolver arquivos digitais, pode-se verificar sentidos divergentes entre Arquitetos. Em 2007 Doctor apresentou um estudo sobre a necessidade de um repositório digital agrupando informações relativas a projeto, onde refere que esses “precisam ser agrupados e mantidos num repositório digital para habilitar o compartilhamento de conhecimento e aprendizagem”.123 | Em 2009 Sulankivi, Mäkelä e Kiviniemi desenvolvem “um projeto-piloto de planeamento de site baseado no decorrer de BIM” com base no tema da segurança durante a construção.124 | Em 2012 Armbruster e Romary identificam três desafios de desenvolvimento para os arquivos digitais: “a) identificação e depósito de conteúdo; b) acesso e utilização dos serviços; e c) a preservação de conteúdos e a sustentabilidade do serviço”.125 | 120 | AMOR, Robert, e Johannes DIMYARDI, «An Open Repository of IFC Data Models and Analyses to Support Interoperability Deployment», CIB W78: 27th International Conference on Construction IT, 2010, pp. 16-18, t. a. 121 | AUTODESK Inc., op. cit., p. 3, t. a. 122 | EASTMAN et al., op. cit., p. 190, t. a. 123 | DOCTOR, Gayatri, «Knowledge sharing: Developing the digital repository of SIPS», Vine, 37.1 (2007), pp. 64-73, t. a. 124 | SULANKIVI, Kristiina, Tarja MÄKELÄ e Markku KIVINIEMI, «BIM-based site layout and safety planning», em VTT Symposium (Valtion Teknillinen Tutkimuskeskus) (s. l.: s. e., 2009), pp. 125-40, t. a. 125 | ARMBRUSTER, Chris, e Laurent ROMARY, «Comparing Repository Types», International Journal of Digital Library Systems,
128 Progresso no Arquivo de Projeto
““ Quarto Capítulo um Arquivo Bim PArA ArquiteturA Em tempo de interdisciplinaridade compete-lhe (ao Arquiteto) sobretudo, promover e coordenar a convergência das muitas competências que a construção e a realidade envolvem. O objetivo não atingível de espontânea adição de saberes, simultaneamente autónomos e ajustáveis. É dessa forma que o Arquiteto é o autor. O responsável por uma Arquitetura assumida como serviço social e valor cultural, não apenas como valor mercantil. Uma Arquitetura desenvolvida em equipa, que persegue a beleza, não como um tique elitista, mas como um garante da eficácia absoluta, liberta do temporário e do específico. A eficácia é que interessa.
130 Título SPAutores 1925 «Álvaro Siza Vieira | Prémio Vida e Obra de Autor Nacional» (Portugal: RTP, 2015). ↩
Sérgio Rafael de Sousa Vieira 131 0. Sumário Nos capítulos anteriores, verifica-se que o Arquivo de Projeto para o Arquiteto nunca esteve estanque, transformando-se e adaptando-se, mudando a sua forma e, mesmo atualmente, continua a formar-se. Indelevelmente, este faz parte da apresentação do Arquiteto como ‘um criador’ e deve continuar a existir acrescentando novas valências à sua composição, como sempre fez. Por isto, propõe-se um dim para Projetos de Arquitetura. “Intellectual Property is the oil of the 21st century” 1 | “The new artistic paradigm is distribution” 2 | Como se pôde verificar ao longo da dissertação, o Arquivo de Projeto pode organizar-se pelo tempo prévio, o que faz com que sirva para ‘usar em’ e o tempo posto-mo para ‘usado em’. No desenvolvimento deste capítulo, para as fases envolvidas na criação do espólio digital, é usada a estratégia – “projeto/metodologia/abordagem” – segundo vários autores 3 |. Nesse sentido, para realizar o estudo propõe-se que se inicie por um caso de estudo que pode servir de modelo de replicação desta intenção para outros projetos, seguindo-se uma tomada de conhecimento sobre a organização do arquivo nos sistemas de informação e, por fim, uma exposição, para esse espólio, de um caso de possível gestão por uma instituição. Em um sinal: o Projeto do Pavilhão de Portugal analisa-se um caso de estudo. Aqui, é feita a sua apresentação focando os constituintes que, neste caso, fazem parte da composição do projeto e passam para a análise do plano de abordagem e apresentação de uma metodologia para modelação em BIM. O tempo desta investigação inicia-se por altura da nomeação da exposição internacional da Expo para o ano de 1998 à cidade de Lisboa e termina por altura próxima à dos dias de hoje. O espaço é o destinado ao espólio de elementos de construção e de arquivo de Arquitetura. Em composição e integração de Bim no Arquivo, partindo do caso de estudo na procura de complementar a componente teórica descrita, pretende-se que este funcione como um estudo prático de construção de um Arquivo com uma biblioteca de BEM, que possam ser usados na prática do projeto. Aqui, pretende-se que seja retratada uma experiência prática com o objetivo de complementar a investigação teórica, como, também, de servir de base de sustentação para o desenvolvimento da prática profissional dentro da área da Arquitetura no futuro com o estudo do modelo integrado e dos caixilhos de vãos exteriores e interiores. Tanto o tempo como o espaço focados, enquadram-se na área da tecnologia digital, explorando a conversão de dados e incrementação de informação, aproveitando as suas valências quando aplicados ao projeto. 1 | GETTY, Mark, Chairman of Getty Images, 2000. Apud: VOYCE, Stephen, «Toward an Open Source Poetics: Appropriation, Collaboration, and the Commons», Criticism, 53.3 (2011), pp. 407-38. 2 | GOLDSMITH, Kenneth, Word Processor, 2002. Apud: VOYCE, op. cit. 3 | ARANDA-MENA, Guillermo, et al., «Building information modelling demystified: does it make business sense to adopt BIM?», International Journal of Managing Projects in Business, 2.3 (2009), pp. 419-34; DOCTOR, op. cit., t. a.
132 Progresso no Arquivo de Projeto Maquete em madeira do caso de estudo.Fig. 1
Dissertação de Mestrado 133 Em Arquivo para Bim a partir do caso, de maneira a esclarecer a finalidade do estudo destes BEMs, é perspetivada uma possibilidade da sua organização. Para isso, são tiradas algumas ideias que ficam da elaboração dos BEMs realizados na sua relação para o projeto, seguindo-se a organização do arquivo nos sistemas de informação e finalizando com uma proposta de gestão por uma instituição da base de dados que pode ser desenvolvida. Como o anterior, tanto o tempo, como o espaço, centram-se no que pode ser a composição, daqui em diante, da organização e gestão da informação e a forma como o Arquiteto se coloca na atualidade. Desta forma, pensa-se ser possível estudar este tipo de recursos como uma mais-valia para a valorização do trabalho do Arquiteto como um autor.
134 Progresso no Arquivo de Projeto Foto de um contraforte da parte interior da praça cerimonial. Foto de um contraforte da parte exterior da praça cerimonial. Foto do alçado norte do edifício. Fig. 3 Fig. 2 Fig. 4
Dissertação de Mestrado 135 1. Um sinal: o Projeto do ‘Pavilhão de Portugal’ Qualquer projeto construído, em si, é um arquivo de informação a vários níveis, seja numa lógica de evolução de projeto, seja de processo de construção, entre outros. No caso de estudo, é evidente a marca deixada pelo Arq.º Álvaro Siza no edifício a partir dos elementos de composição, sejam eles fixos ou móveis, que transitam entre projetos e contribuem para uma marca de identidade própria implementada ao longo da sua vida profissional. A iniciativa do Arquiteto de projetar todos os elementos completa-o e se fosse de outra maneira o projeto seria completamente diferente. “Já é difícil desenhar uma cadeira. Mas que diabo! Ao menos são formas geométricas, que a máquina executa, se a soubermos programar. Álvaro Siza, maio de 1995” 1 | Do ‘Pavilhão de Portugal’ entende-se, de maneira direta, o edifício e a praça cerimonial que fazem parte do plano do Arq.º Álvaro Siza. A este, acrescenta-se a envolvente próxima, tida como parte importante da relação do edifício com a cidade. Atualmente, o edifício passa por um processo de identificação da função programática que pode desempenhar, dentro de todas as suas partes de exposição, restauração e administração. Nos últimos anos, a propósito do abandono, tem sido notícia em vários media o aparente estado de decomposição que o edifício demonstra.2 | Sobre a incerteza que gira à volta do edifício, o Arq.º Álvaro Siza diz que “a solução mais lógica seria demolir”.3 | Esta enunciação do autor, deixa antever a possibilidade de um valor patrimonial para a Arquitetura Portuguesa do séc. XX desaparecer, tratando-se de uma perda irreparável para a longa tradição construtiva e arquitetónica do país. 1.1. Da produção ao processo criativo Quase diariamente surgem novos produtos a serem usados em construção que nos podem surpreender pela ideia ou singularidade. O surgir de novas marcas com novos produtos faz com que as empresas queiram ser cada vez mais competitivas com fatores que as distingam e aproximem do cliente. Tanto no continente Europeu, como noutras partes do planeta, começam a ser dirigidas indicações para que empresas comecem a adotar medidas de certificação relativamente aos seus produtos. As novas tecnologias facilitam essa tarefa, estruturando um conjunto de informações, relativas a cada elemento, e criando entidades que serão usadas como instrumento do que estiver associado ao produto que representa. No paradigma associado, transitasse da sensação de ‘produto de marca com garantia’ para ‘produto 1 | SIZA, Álvaro, Móveis e objetos (Porto: Figuerinha, 2003). 2 | DUARTE, Ricardo O., Siza Vieira lamenta abandono do Pavilhão de Portugal (Lisboa, 22 de maio de 2013) <http://www.tsf.pt/ vida/interior/siza-vieira-lamenta-abandono-do-pavilhao-de-portugal-3232729.html> [acedido a 30 de março de 2016]; s. a., Siza Vieira: «A solução mais lógica seria demolir» o Pavilhão de Portugal, Jornal de Negócios (Lisboa, 31 de maio de 2013) <http:// www.jornaldenegocios.pt/weekend/detalhe/siza_vieira_a_solucao_mais_logica_seria_demolir_o_pavilhao_de_portugal.html> [acedido a 4 de novembro de 2015]. 3 | s. a., Siza Vieira: «A solução mais lógica seria demolir» o Pavilhão de Portugal.
136 Progresso no Arquivo de Projeto Piso –1. Piso 0. Fig. 5 Fig. 6 Desenhos analisados a partir do caderno referido com as peças desenhadas do projeto. ↪
Dissertação de Mestrado 137 com garantia da marca’ pois, o uso em projeto dum produto é o incutir do nome da empresa com a responsabilidade do que lhe é associada. Estas evoluções não são desconhecidas em Portugal. Em plena década de 80, empresas com ligação ao ramo dos materiais de série, nomeadamente mobiliário, exploram uma área de negócio no âmbito da construção ligada ao acabamento de pisos e tetos com sistemas de montagem assentes numa lógica modular repetitiva de fabricação. Caso do projeto de estudo O edifício Pavilhão de Portugal surge dentro da ideia da Exposição Internacional, realizada em 1998 em Lisboa, intitulada Expo’ 98 com o tema “Os oceanos, um património para o futuro”. Esta ideia, segundo Ferreira, surgiu da comemoração da viagem de Vasco da Gama à Índia organizada pela Comissão Nacional para a Comemoração dos Descobrimentos Portugueses em 1989.4 | No ano seguinte inicia-se, e é aceite, a candidatura de Portugal para a realização desse evento. Para a sua realização foi desenvolvido um plano de regeneração urbana destinada a receber o evento localizado na zona oriental da cidade, junto da marginal, desenvolvido para ter reproduções à escala da cidade, da área metropolitana e do país. Desse plano, resulta uma intervenção arquitetónica a dois níveis: o primeiro, nas palavras de Ferreira, corresponde à “reconversão num espaço urbano multifuncional, marcado por uma vocação essencialmente cultural e lúdica, assente no papel estruturante atribuído aos equipamentos que ali permanecerão após a exposição”; 5 | e a segunda na construção de cada edifício por si. A construção do edifico inicia-se em 1995 e finaliza em 1998. A sua finalidade enquadra-se dentro do conceito do parque de exposições, destinando um pavilhão a cada país representado, que, neste caso, seria o país organizador. Este, é composto pelo edifício com zonas fechadas e uma praça coberta por uma pala enquadrada por dois pórticos que a sustentam no ar permeável, tanto nos lados abertos, como nos dos pórticos, onde podem ocorrer eventos inseridos em programas ou de reunião espontânea, e dois pátios – um fechado pelo edifício e outro aberto num dos seus quatro lados –. O interior do edifício foi concebido para cumprir três funções distintas que podem funcionar autonomamente: conta com uma parte do edifício composta por salas para receber várias exposições no decorrer do evento; uma zona de administração com vários gabinetes e salas de reunião; e uma zona de restauração com perto de 100 lugares; A zona de exposição organiza-se num percurso, constituído por diferentes salas de diferentes larguras e alturas que possibilitam vários tipos de exposição, a iniciar-se pela zona de entrada colocada no piso térreo da zona mais à esquerda da fachada interna virada para o edifício da praça coberta, e a terminar num pátio aberto à envolvente. O Arq.º Souto Moura colaborou com o Arq.º Álvaro Siza no desenho das salas de exposição do edifício. A zona de administração organiza-se em dois pisos. A entrada é pelo piso térreo ao centro da fachada interna da praça coberta, onde é possível aceder ao pátio interno do edifício, e onde se desenvolvem várias salas de gabinetes e uma grande sala com um programa polivalente. No piso superior, esta zona é composta por mais salas de gabinetes, com uma zona de acesso à varanda do pátio interno e outra para o restaurante. 4 | FERREIRA, António M., «Como se fez a exposição», em Comissariado da Exposição Mundial de Lisboa de 1998, ed. Guia Oficial da Expo’98 (Lisboa: Parque das Nações, 1998), pp. 23-25. Apud: FERREIRA, Claudino, «A Exposição Mundial de Lisboa de 1998: contexto de produção de um mega-evento cultural», Revista Crítica de Ciências Sociais, 51 (1998), p. 51. 5 | FERREIRA, Claudino, op. cit., p. 53.