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Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental

Cláudia Santos Ferreira

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Aquamuseu do Rio Minho: Aquamuseu do Rio Minho: Aquamuseu do Rio Minho: Aquamuseu do Rio Minho: Monitoriza MonitorizaMonitoriza Monitorização de o de o de o de Sistemas Biol Sistemas BiolSistemas Biol Sistemas Biol ó gicos e gicos e gicos e gicos e Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental MSc FCUP 2013 2.º CICLO Sistemas Biol Sistemas BiolSistemas Biol Sistemas Biol ó gicos e gicos e gicos e gicos e A AA Ações de Educa es de Educaes de Educa es de Educação o o o Ambiental Ambiental Ambiental Ambiental Cláudia Santos Ferreira Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Ciências da Universidade do Porto em Recursos Biológicos Aquáticos. 2013 Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental Cl Cl Cl Cláudia Santos Ferreira udia Santos Ferreira udia Santos Ferreira udia Santos Ferreira Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental Ambiental Cláudia Santos Ferreira Mestrado Recursos Biológicos Aquá ticos Departamento de Biologia 2013 Orientador Doutor Carlos Antunes , Diretor do Aquamuseu do Rio Minho e Membro efetivo do CIIMAR Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos de Educação ticos Doutor Carlos Antunes , Diretor do Aquamuseu do Rio Minho e Membro Todas as correções determinadas pelo júri, e só essas, foram efetuadas. O Presidente do Júri, Porto, ______/______/_________ FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental i Agradecimentos Gostaria de agradecer, em primeiro lugar, ao Doutor Carlos Antunes e ao Presidente da Câmara de Vila Nova de Cerveira, Eng.º José Manuel Vaz Carpinteira, pela oportunidade de estagiar nas instalações do Aquamuseu do Rio Minho. Ao Doutor Carlos Antunes agradeço ainda a disponibilidade para orientar o meu estágio e todo o apoio prestado ao longo destes meses de trabalho. Queria também agradecer a todos aqueles que contribuíram para a realização do estágio e para a elaboração deste relatório. Ao Dr. Patricio Bouça pela disponibilidade, confiança e compreensão demonstrados no acompanhamento do meu estágio, assim como pelas fotografias gentilmente cedidas para o enriquecimento deste relatório. Aos Mestres Catarina Braga e Mário Jorge Araújo por toda a ajuda prestada ao longo destes meses e por me incluírem nos seus projetos de investigação, permitindo-me a aquisição de novos conhecimentos. À equipa de colaboradores do Aquamuseu do Rio Minho pela forma carinhosa como me integraram no funcionamento da instituição e pelo cuidado que demonstraram no acompanhamento do meu trabalho. Ao Mestre Diogo Novais e ao Flamiano Martins, voluntários da instituição, pela cooperação na realização de atividades pedagógicas. Aos biológos Andreia Machado, Daniela Mendes, Rita Fonseca, Nádia Eusébio e Samuel Correia agradeço a preocupação, a disponibilidade e as palavras de incentivo apresentados ao longo destes meses de trabalho. Por último, agradeço à minha família pela possibilidade de completar o mestrado e pela compreensão e apoio demonstrados ao longo deste período de formação académica. FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental iii Resumo Desde os primórdios da sua evolução, o Homem reconheceu as potencialidades dos recursos fornecidos pelos ecossistemas presentes em meio aquático. Evidências arqueológicas indiciam que já na Idade da Pedra produtos do mar, como peixe e moluscos, eram utilizados como componente regular da dieta humana. Ao longo dos anos as formas de exploração destes recursos foram-se aprimorando, levando ao aparecimento da aquacultura. Embora não seja conhecida a origem exata da aquacultura, aceita-se que a sua prática é ancestral, sendo que a previsão mais antiga da sua origem aponta para a data de 3500 a.C. na China. O interesse nas espécies aquáticas com intuitos ornamentais é mais recente, verificando-se o aparecimento do conceito de aquário apenas no século XVIII. O primeiro Aquário público foi inaugurado em 1826 em Londres, com o intuito de aproximar a vida nos oceanos das populações. Os Aquários públicos mostraram-se muito populares na época, o que se manteve até aos dias de hoje, razão pela qual, ao longo dos anos, o número destas instituições multiplicou. Desde o século XVIII, vários avanços tecnológicos foram atingidos, permitindo a evolução das instalações dos Aquários públicos. Do mesmo modo, também o conhecimento crescente sobre as espécies e as condições ideais à sua qualidade de vida em cativeiro impulsionou a exposição de mais espécies e reduziu a mortalidade. Atualmente, os Aquário públicos, reconhecendo a problemática da perda de biodiversidade e a sua responsabilidade enquanto componente pública, assumiram como sua missão principal a sensibilização para a conservação ambiental. O Aquamuseu do Rio Minho, localizado em Vila Nova de Cerveira, corresponde a uma instituição criada com o intuito de promover o património natural e cultural associado à bacia hidrográfica do rio Minho. No seu interior encontra-se o Aquário do Rio, um aquário público, onde se pretende sensibilizar os visitantes para a necessidade de conservar a biodiversidade existente na região. Entre as várias ações desenvolvidas pela instituição encontram-se atividades de educação ambiental que, tal como a contínua monitorização dos sistemas biológicos apresentados, requerem o empenho de profissionais com conhecimentos multidisciplinares, nomeadamente na área da aquariofilia, biologia das espécies e ecologia, entre outras. Palavras-chave: Aquários Públicos, Aquamuseu do Rio Minho, Educação Ambiental, Sistemas biológicos. FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental xi Fig. 89- Mapa de distribuíção de Chelon labrosus. .......................................................... 78 Fig. 90- Distribuíção de Chelon labrosus na bacia hidrográfica do rio Minho ................ 79 Fig. 91- Exemplar de Solea solea ..................................................................................... 79 Fig. 92- Mapa de distribuíção de Solea solea. .................................................................. 80 Fig. 93- Exemplar de Platichthys flesus ........................................................................... 80 Fig. 94- Mapa de distribuíção de Platichthys flesus ......................................................... 81 Fig. 95- Distribuíção de Platichthys flesus na bacia hidrográfica do rio Minho .............. 82 Fig. 96- Exemplar de Atheryna boyeri .............................................................................. 82 Fig. 97- Mapa de distribuíção de Atheryna boyeri ........................................................... 83 Fig. 98- Distribuíção de Atheryna boyeri da bacia hidrográfica do rio Minho ................. 83 Fig. 99- Exemplar de Dicentrarchus labrax ..................................................................... 83 Fig. 100- Mapa de distribuíção de Dicentrarchus labrax. ................................................ 84 Fig. 101- Exemplar adulto de Diplodus sargus. ............................................................... 85 Fig. 102- Mapa de distribuíção de Diplodus sargus ......................................................... 85 Fig. 103- Exemplar adulta de Lutra lutra. ........................................................................ 86 Fig. 104- Mapa de distribuíção de Lutra lutra .................................................................. 86 Fig. 105- Exposição temática bimestral. ........................................................................... 89 Fig. 106- Aquário 1: Trutas sapeiras (Salmo trutta fario) e trutas arco-íris (Oncorhynchus mykiss). .............................................................................................................................. 90 Fig. 107- Aquário 3: Salmões (Salmo salar) e trutas mariscas (Salmo trutta trutta). ...... 92 Fig. 108- Aquário 4: Pimpão (Carassius auratus). ............................................................ 94 Fig. 109- Aquário 5: Carpa comum ( Cyprinus carpio). .................................................. 95 Fig. 110- Aquário 7: Taínhas (Mugil cephalus) e Negrões (Chelon labrosus). ............... 96 Fig. 111- Aquário 9: Sargos (Diplodus sargus) e Robalos (Dicentrarchus labrax). ........ 98 Fig. 112- Casal de lontras europeias exposto.. .................................................................. 98 Fig. 113- Nassa para enguias. ........................................................................................... 99 Fig. 114- Exposição de Fisgas. ....................................................................................... 100 Fig. 115- Viveiro de madeira para lampreias. ................................................................. 101 Fig. 116- Representação de Pesqueira com botirão e cabaceira. .................................... 101 Fig. 117- Miniatura da rede Tela. ................................................................................... 102 Fig. 118- Maquete representativa da utilização da rede Algerife. .................................. 102 Fig. 119- Terrário exposto na entrada do Aquamuseu do Rio Minho ............................ 103 Fig. 120- Aquaterrário exposto no Aquário do Rio. ....................................................... 104 Fig. 121- Exemplos das placas contendo diferentes animais fornecidas na atividade. ... 108 Fig. 122- Grupo a realizar a atividade nas margens do ribeiro de S. Gonçalo ............... 108 Fig. 123- Lupa binocular e caixas de Petri contendo macroinvertebrados. .................... 109 Fig. 124- Truta arco-íris preparada para identificação de órgãos internos. .................... 110 Fig. 125- Maquete utilizada para demonstrar o ciclo da água. ....................................... 111 Fig. 126- Etapas da elaboração do fóssil ........................................................................ 112 Fig. 127- Participantes a realizar o protocolo de determinação de parâmetros fisicoquimicos. ......................................................................................................................... 113 Fig. 128- Trabalho realizado pelas crianças que participaram na actividade de Natal do Aquamuseu do Rio Minho. ............................................................................................. 115 Fig. 129- Trabalhos elaborados pelas crianças.. ............................................................. 117 Fig. 130- Espanta-pássaros. ............................................................................................ 118 FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental xii Fig. 131- Nassa utilizada para a captura de enguias e material utilizado no laboratório para recolha de dados biométricos. ................................................................................. 119 Fig. 132- Mapa do Museu da Pescas .............................................................................. 129 Fig. 133- Peça decorativa do aquário A7. ....................................................................... 131 Fig. 134- Peça decorativa do aquário A7. ....................................................................... 131 Fig. 135- Peça decorativa do aquário A6. ....................................................................... 131 Fig. 136- Peça decorativa do aquário A6 ....................................................................... 131 Fig. 137- Estruturas base de duas peças decorativas do aquário A6 colocadas na sua posição final. ................................................................................................................... 132 Fig. 138- Aspeto final das peças decorativas do aquário A6 apresentadas na figura anterior. ........................................................................................................................... 132 Fig. 139- Aquário A6 após restauro da decoração. ......................................................... 132 Fig. 140- Aquário A7 após restauro da decoração. ......................................................... 132 Fig. 141- Esquema do procedimento .............................................................................. 134 Fig. 142- Esquema do procedimento .............................................................................. 135 Índice de Tabelas Tabela 1- Características dos Aquários em exposição permanente no Aquário do Rio. .. 14 Tabela 2- Adaptações ao sistema principal de recirculação de água doce........................ 17 Tabela 3- Alimentação fornecida no Aquário do Rio e Área de quarentena .................... 30 Tabela 4- Atividades pedagógicas proporcionadas pelo Aquamuseu do Rio Minho. .... 107 Tabela 5- Equipamento presente no sistema de recirculação de água doce e salgada do Aquário do Rio ................................................................................................................ 130 Tabela 6- Características morfológicas e distribuição das espécies apresentadas na exposição “Anfíbios”. ..................................................................................................... 136 FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 1 1. Introdução O reconhecimento das potencialidades do meio marinho pelo Homem data dos primórdios da sua evolução. Evidências em gravuras nas paredes de cavernas habitadas por homens na Idade da Pedra, assim como esqueletos e conchas de moluscos encontrados em descobertas arqueológicas, indicam que o Homem Neandertal consumia produtos com origem aquática na sua dieta alimentar (Nash, 2011). Os vestígios descobertos indicam mesmo que a inclusão de peixes e moluscos era regular na sua dieta, o que deveria decorrer da maior facilidade de captura quando em comparação com mamíferos e aves. Na Europa, verificou-se que o consumo de salmão, atum, enguia e robalo, tal como de espécies de água doce como a truta e a carpa, era popular entre os humanos paleolíticos (Nash, 2011). Os vestígios do consumo de produtos aquáticos continuaram a observar-se ao longo do registo histórico, aparecendo, por exemplo, sob as ruínas da ocupação grega e romana e sob mosteiros e igrejas fundados na Idade Média. Estes dados indicam uma grande afinidade do Homem por produtos alimentares de origem aquática, que se estende até à atualidade. Foi este mesmo interesse, enquanto opção alimentar, que motivou o desenvolvimento de novas técnicas de captura, ao longo do tempo, e originou a aquacultura, uma prática com atual dispersão mundial e grande interesse económico. O termo «aquacultura» foi definido de várias maneiras ao longo do tempo, referindo-se, de forma geral, ao processo de cultura de organismos aquáticos. Segundo a FAO (Food and Agriculture Organization) o conceito de aquacultura define “a cultura de organismos aquáticos, incluindo peixe, moluscos, crustáceos e plantas aquáticas. Cultura implica alguma forma de intervenção no processo de cultura, tal como: manipulação regular dos stocks, alimentação, proteção contra predadores. Cultura implica ainda posse, individual ou corporativa, dos stocks cultivados” (FAO, 1997). A origem das práticas de aquacultura não é conhecida ao certo, considerando-se como um cenário mais provável a sua evolução em várias áreas do mundo em diferentes alturas (Parker, 2012). Na China, a aquacultura poderá ter começado por volta do ano 3500 a.C., com a cultura de carpa comum, uma espécie robusta e de fácil manutenção em tanques de água doce. Esta espécie apresentava grande importância na vida da antiga China e a sua cultura desenvolveu-se rapidamente (Parker, 2012). O imperador Wen Fang, fundador da dinastia Chou, ficou conhecido pelo apelido de “primeiro aquacultor”, sendo reconhecido que durante o período em que o seu antecessor o manteve confinado a um estado da FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 2 Província de Hunan (1135-1122 a.C.) este construiu tanques e manteve registos do crescimento e comportamento dos peixes (Landau, 1992). Em 475 a.C., Fan-Li escreveu o mais antigo documento sobre aquacultura, o Tratado de reprodução de carpas (Yang Yu Ching) no qual descreveu as práticas da cultura de carpa (Parker, 2012). A partir desta região ocorreu a expansão da aquacultura para vários outros locais, acompanhando a emigração dos habitantes. Aceita-se que foi esta a causa da dispersão da aquacultura para a Coreia, há cerca de 1700 anos atrás, e desta posteriormente para o Japão (Landau, 1992). No antigo Egito, apesar de não existirem registos da existência de aquacultura, é possível inferir que a sua prática apresenta uma longa história, já que numa tumba do faraó Aktihetep se encontra um baixo-relevo que ilustra homens recolhendo tilápias de um tanque por volta do ano de 2500 a.C. (Landau,1992). Na Europa, esta prática parece ser um pouco mais recente, verificando-se um indício do seu aparecimento através de um registo de Pliny the Elder, que indicava que a cultura de peixe marinho e de água doce já era praticada em Roma no século primeiro antes de Cristo (Parker, 2012).Também referências do filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.) sobre a cultura de carpa sugerem a existência, na época, de interesse na Europa por esta cultura (Landau, 1992). Por volta do ano 500 a.C., dados indicam a possível existência de um maravilhoso tanque de peixe, ligado a rios e riachos, numa colónia da antiga Grécia na Sicília (Brunner, 2005). Séculos mais tarde, durante o Império Romano, era reconhecido que quase todas as vilas costeiras possuíam tanques de água salgada (Brunner, 2005). Na Europa central, a história da aquacultura inicia-se entre o fim do século XI e início do século XII. No século XIV, o monge Dom Pinchon distinguia-se como a primeira pessoa a fertilizar artificialmente ovos de truta, ou no mínimo a conseguir uma incubação em cativeiro com sucesso (Parker, 2012). Este processo representava um grande passo na evolução das técnicas da aquacultura, uma vez que abria caminho à produção de larvas e juvenis nas instalações das aquaculturas. No século XV, a cultura de carpa foi pela primeira vez introduzida na Inglaterra (Landau,1992) e, em 1600, John Taverner de Inglaterra apresentou o primeiro artigo sobre a gestão de carpa, sargo e perca em tanques (“Certaine Experiments Concerning Fish and Fruite”). Desde este século, a aquacultura continuou a dispersar-se geograficamente e vários estudos foram publicados, contribuindo para a evolução das suas técnicas. Em 1853, M. FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 3 Miline Edwards e M. Coste, com base no conteúdo das observações de truta de Joseph Remy e Antoine Gehin, abriram a primeira hatchery em Huningue. Esta viria a abastecer ovos de truta a quase toda a Europa central e a sua existência seria a razão de a França ser considerada o berço da aquacultura moderna (Parker, 2012). Embora a exploração alimentar das espécies aquáticas ocorra há milhares de anos, através da pesca e da aquacultura, o interesse em manter e produzir espécies em cativeiro com um objetivo ornamental é mais recente. Antes deste interesse, já eram reconhecidas tentativas de observar peixes em contentores fechados com água, vários séculos antes do nascimento de Cristo, por pessoas de Lykia, uma região situada na Turquia. Estas tocavam flauta para atrair o Peixe Sagrado, mantido em cativeiro, para a superfície, com o intuito de lhe perguntar sobre o futuro (Brunner, 2005). Apesar destes registos históricos e de algumas das técnicas necessárias ao processo serem semelhantes às utilizadas em aquacultura a aquariofilia teve um desenvolvimento bastante tardio. O conceito de aquário nasceu apenas no século XVIII, resultando do desejo de descobrir e explorar os mistérios do oceano (Brunner, 2005). Até esta data, apesar de os oceanos corresponderem a uma área de cerca 361 milhões de quilómetros, cobrindo aproximadamente 71% da superfície da Terra (Tait and Dipper, 1998), pouco conhecimento sobre eles existia. Durante séculos, os oceanos foram considerados um lugar de receio, morte e caos, sendo mesmo indicados como um amaldiçoado mundo negro com terríveis monstros (Brunner, 2005). Ao longo do tempo, estes medos foram-se esbatendo e, por volta de 1830, biólogos começavam a dirigir-se mais frequentemente ao mar para recolher e estudar a vida marinha. Por esta altura, registou-se um aumento da popularidade dos oceanos, impulsionada pela maior facilidade no acesso a informação científica e pela modificação da perceção do público (Brunner, 2005). Em 1826 era inaugurado o primeiro Aquário público no Fish House, no Zoo de Londres (Cato and Brown, 2003) e, em 1860, Gustav Jäger construía um Aquário público de água salgada em Viena, promovendo a aproximação das populações das formas de vida presentes nos oceanos. Nesta altura, a imagem pública do reino animal era quase unicamente formada por animais terrestres, sendo que os aquários trouxeram o oceano para terra, confrontando as pessoas com um estranho novo mundo cheio de criaturas fantásticas e belas (Brunner, 2005). Em Portugal, a 20 de maio de 1898, era inaugurado o Aquário Vasco da Gama, projetado como uma construção comemorativa do 4º Centenário da partida de Vasco da Gama para FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 4 a viagem de descoberta do Caminho Marítimo para a Índia (Aquário Vasco da Gama, 2012). E assim, Portugal juntava-se à lista dos países com os primeiros aquários da Europa. Para além do aquário, nestas instalações era ainda possível observar a exposição de material zoológico pertencente ao rei D. Carlos, recolhido entre 1896 e 1897. Em 1927 disponibilizava-se à população portuguesa um novo Aquário público, na cidade do Porto, localizado na Estação de Zoologia Marítima “Dr. Augusto Nobre” (Teles, 2012). Este compreendia 36 aquários de exposição com animais de água doce, salobra e salgada e terrários com anfíbios. A exposição manteve-se aberta ao público até ao ano de 1965, altura em que os estragos causados pelo avanço do mar originaram o encerramento do edifício (Teles, 2012). Desde o século XVIII, o número de Aquários públicos cresceu drasticamente, principalmente durante os últimos 20 anos, e o seu design modificou-se, beneficiando das técnicas de aquacultura e dos avanços tecnológicos, por exemplo, em sistemas de filtração e vidros de acrílico para visualização, que aumentaram a capacidade dos aquários e as espécies que aí podem ser mantidas (Cato and Brown, 2003). Do mesmo modo, o gradual aumento do conhecimento sobre as espécies, e as condições ideais à sua qualidade de vida em cativeiro, impulsionou a exposição de um maior número de espécies e permitiu a redução da sua mortalidade. Este mesmo conhecimento promoveu a aposta numa monitorização adequada das condições ambientais dos aquários e dos sistemas de circulação de água utilizados, reconhecendo a importância dos parâmetros físicos e químicos da água para a manutenção de espécies em cativeiro. Atualmente os Zoos e Aquários públicos tentam reproduzir ao máximo as condições do ambiente natural dos animais em cativeiro, privilegiando as suas necessidades comportamentais e fisiológicas e não apenas os aspetos estéticos das instalações (Hutchins and Smith, 2003; WAZA, 2005). A importância dos esforços aplicados no enriquecimento ambiental é agora compreendida (Coe, 2006), pretendendo-se que o animal expresse o seu comportamento “normal”, indicativo do seu bem-estar, e não os comportamentos esteriotipados observados no passado. Entre as apostas de enriquecimento ambiental encontra-se a disponibilização de brinquedos e dietas complexas que representam desafios cognitivos para os animais e os estimulam a interagir socialmente. Estes esforços baseiam-se no resultado de estudos comportamentais, tal como o estudo realizado por Ross (2002) em lontras de um zoo em Chicago que demonstrava que o simples fornecimento de uma dieta complexa diminuía os comportamentos esteriótipados e agressivos verificados nestes animais. FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 5 A popularidade dos Aquários públicos manteve-se alta, permitindo que, em conjunto com os Zoos, estes registem atualmente 600 milhões de visitantes anuais, o que representa 10% da população mundial (Cato and Brown, 2003). Para além dos Aquários públicos, também a manutenção de aquários por indivíduos particulares ganhou popularidade, sendo, presentemente, a aquariofilia reconhecia como um hobby comum. Estima-se que 1,5 a 2 milhões de pessoas no mundo possuem aquários marinhos, contendo a maioria peixes tropicais (Cato and Brown, 2003). Com a maior consciencialização sobre a perda de biodiversidade e qual o papel das pressões antrópicas nesse processo, os Aquários públicos e Zoos assumiram uma nova missão enquanto agentes promotores da conservação da vida selvagem, servindo-se, assim, da sua popularidade para educar os visitantes, as comunidades locais, e outros grupos-alvo (Cato and Brown, 2003). Embora estes começassem a perceber o seu potencial enquanto forças conservacionistas no início do século XX, apenas em 1960 esta missão se tornou a componente principal do seu trabalho (WAZA, 2005). Com este intuito, estas instituições apostaram no desenvolvimento de exposições interativas, passeios interpretativos e programas educacionais que aproximam a vida selvagem do público, levando muitos dos visitantes a reconsiderar o seu papel nos problemas ambientais e a se incluir como parte da solução (Falk et al., 2007). Aceitando este novo propósito, em 1993, a Associação Mundial de Zoos e Aquários (WAZA) elaborava o primeiro documento que definia uma estratégia de conservação, com duração de dez anos, com o intuito de uniformizar e regular o trabalho das instituições envolvidas. Os avanços científicos permitiam perceber que o sucesso das ações de conservação dependia da cooperação a escala global, encontrando-se os Zoos e Aquários públicos bem posicionadas para a promover, já que possuiam uma coleção de animais de todo o mundo e apresentavam uma rede de trabalho mundial (WAZA, 2005). A estratégia mundial de conservação acordada delineava três grandes iniciativas em que os Zoos e Aquários podiam contribuir efetivamente, correspondendo elas ao suporte ativo da conservação de populações de espécies em perigo de extinção no meio natural; à disponibilização de apoio e instalações às equipas de investigação científica na área da conservação e à promoção da preocupação pública e política pela necessidade de conservar o ambiente e apostar na exploração sustentável dos recursos naturais (WCZS, 1993). Vários estudos foram desenvolvidos, ao longo dos anos, para perceber qual o real impacto desta aposta na consciencialização dos visitantes de Zoos e Aquários públicos FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 6 para a conservação, verificando-se um resultado bastante satisfatório apesar das várias condicionantes que afetam o processo (Ogden and Heimlich, 2009; Swanagan, 2000) . As motivações que atraem as pessoas a visitar os Aquários públicos são várias, podendo estas relacionar-se com o interesse científico ou, simplesmente, com o prazer de apreciar a beleza das espécies e habitats expostos. Reconhece-se que esta mesma motivação, assim como o conhecimento prévio sobre a biologia das espécies e a sua conservação, vão ter influência sobre a forma como os visitantes vão beneficiar da visita e sobre o comportamento que poderão adotar face a ações de conservação no futuro (Falk et al., 2007). Um estudo realizado por Falk e Adelman (2003), em visitantes do Aquário Nacional de Baltimore, demonstrou que a visita às suas instalações resultava num aumento de interesse em indivíduos com baixo ou moderado conhecimento na área pela conservação. Este dado correspondia a uma indicação positiva para os Aquários públicos, já que a maioria das instituições aposta na educação de indivíduos de baixo conhecimento e interesse pela conservação, como as crianças em idade escolar. Em 2007, foi publicado um outro estudo que apresentava dados recolhidos, durante a época com maior número de visitas registadas, em dois Aquários públicos e dois Zoos que validavam o impacto positivo destas instituições na mudança de atitudes face à conservação (Falk et al., 2007). Este estudo realizado por Falk et al. (2007) indicava que os visitantes acreditavam que os Zoos e Aquários públicos estavam principalmente direcionados para ações relacionadas com o cuidado com os animais e a educação e desempenhavam um importante papel na conservação das espécies. Esta pesquisa, desenvolvida durante três anos, reconfirmava, ainda, a influência das motivações individuais na forma como os visitantes conduziam e experienciavam a visita; sendo que, no entanto, os dados permitiam concluir que a maioria destes, no final da visita, pensava de forma diferente sobre o seu papel nos problemas ambientais e tinha reforçado os seus valores e atitudes em relação à conservação (Falk et al., 2007). Um outro dado que apoiava o impacto positivo da sensibilização realizada era o facto de, um ano após a visita ao jardim zoológico ou Aquário público, praticamente todos os participantes do estudo ainda se recordarem de uma série de detalhes sobre a experiência (Falk et al., 2007). Assim, os resultados destes estudos incentivavam o papel destas instituições, enquanto agente promotor da conservação ambiental, e possibilitavam a otimização dos seus métodos. Atualmente, vários Zoos e Aquários públicos encontram-se associados a programas de conservação, aceitando a responsabilidade de encorajar a utilização sustentável das espécies e a conservação dos habitats (Cato and Brown, 2003). FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 7 Em Portugal, seguiu-se a tendência mundial de crescimento e desenvolvimento de Aquários públicos, assumindo também estes como objetivo principal a sensibilização para a conservação ambiental. Atualmente, o Oceanário de Lisboa e o Sea Life no Porto correspondem aos Aquários públicos de maior dimensão no país, apresentando grande popularidade, assim como o Aquário Vasco da Gama que é o mais antigo do país. No entanto, existem ainda várias outras instituições que desempenham uma vertente de Aquário público paralelamente a outras funções, como é o caso do Fluviário de Mora, a Estação Litoral da Aguda e o Aquamuseu do Rio Minho. A manutenção de um Aquário público requer o trabalho de profissionais que possuam conhecimentos multidisciplinares que se incluem, entre outras, na área da aquacultura, aquariofilia e biologia das espécies. A estes (aquaristas) atribui-se a responsabilidade de monitorizar as condições ambientais do meio e garantir a qualidade de vida dos organismos em cativeiro. De modo a que os Aquários atinjam os novos e diversos objetivos que o seu atual papel abrange, os seus profissionais devem compreender a importância da ação da instituição e encontrar-se aptos e motivados a empregar ideias inovadoras que apoiem o trabalho de conservação (Hutchins and Smith, 2003). 1.1. Aquamuseu do Rio Minho O Aquamuseu do Rio Minho é uma instituição localizada na zona do Castelinho, em Vila Nova de Cerveira, pertencente ao distrito de Viana do Castelo. Abriu ao público em 13 de julho de 2005, tendo a sua origem resultado de um projeto apresentado à Câmara Municipal, cujo objetivo se prende com a promoção do património natural e cultural associado à bacia hidrográfica do rio Minho (Aquamuseu do Rio Minho, 2008). Como tal, as atividades desenvolvidas nas suas instalações focam-se em três áreas principais, sendo elas a divulgação do património local, tanto natural como cultural, o desenvolvimento de ações didáticas e a investigação científica. O edifício do Aquamuseu, apresentado na fig. 1, foi projetado pela arquiteta Graça Reis, do Gabinete de Apoio Técnico do Vale do Minho, possuindo uma área de 1100 m 2 , que se distribui por uma zona pública e por uma zona técnica (Antunes, 2001). A zona pública é constituída por três componentes, sendo elas a receção e loja do rio, o museu e a biblioteca. Nas instalações do museu encontra-se em exposição permanente o Aquário do Rio e o Museu das Pescas, que incide sobre a história da pesca artesanal da região (anexo A), podendo também apresentar exposições temáticas temporárias (Aquamuseu do Rio Minho, 2008). FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 8 Fig. 1- Edifico do Aquamuseu do Rio Minho O Aquário do Rio pretende proporcionar aos visitantes a possibilidade de conhecer os principais biótopos presentes ao longo do percurso do rio Minho (Antunes, 2001). Diferentes espécies são aí mantidas em cativeiro, sendo a manutenção das suas condições de sobrevivência e bem-estar da responsabilidade da equipa técnica do Aquamuseu do Rio Minho. Este é ainda complementado por um lontrário onde habitam um casal de lontras-europeias (Lutra lutra). Esta última área pretende alertar para a necessidade de preservar este mamífero semiaquático presente na bacia hidrográfica do rio Minho, cuja sobrevivência se encontra muito afetada pela perda de habitat, poluição e introdução de um mamífero exótico (visão-americano). A zona técnica comporta uma área de quarentena, o laboratório seco e o laboratório húmido, assim como a sala de alimentação, a oficina e a área reservada à manutenção da qualidade da água dos aquários do Aquário do Rio. Esta zona encontra-se vedada aos visitantes do museu, sendo o local onde decorrem maioritariamente as atividades pedagógicas e de investigação. A vertente didática promovida pelo Aquamuseu do Rio Minho disponibiliza várias atividades temáticas que sensibilizam para a conservação ambiental, apresentando como método educativo preferencial a atividade experimental. A investigação científica, que decorre nestas instalações, tem o intuito de promover o conhecimento sobre os ecossistemas do rio Minho, sendo desenvolvida em resultado da colaboração com instituições nacionais, como o CIIMAR, o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, a Escola Superior Gallaecia, a Universidade do Minho e internacionais, como as Universidades de Santiago e Vigo. 1.2. Objetivos O estágio curricular, para obtenção de grau de Mestre, realizado no Aquamuseu do Rio Minho, teve como principal objetivo a aquisição de várias competências relacionadas com a área de aquacultura e aquariofilia. Entre estas constava a aptidão à monitorização da qualidade da água dos aquários, o controlo sanitário dos animais e a aquisição de FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 15 elementos decorativos referidos, regularmente, a equipa técnica necessita proceder a operações de restauro da decoração, tema que será abordado no capítulo 3.4. Uma vez que os aquários não têm acesso a iluminação natural, necessária ao bem-estar da fauna e flora expostas, estes possuem um sistema de iluminação artificial que origina um ciclo circadiano. Este constitui-se por holofotes posicionados sobre os tanques com lâmpadas do tipo HQI-TS (lâmpadas de vapor metálico de alta pressão), com uma potência de 250-400W. 2.2. Sistema de Circulação de Água nos Aquários de Exposição O funcionamento do Aquário do Rio requer um acesso permanente a grandes quantidades de água, de modo a satisfazer os requisitos necessários à sobrevivência das espécies em cativeiro. Esta necessidade foi considerada na infraestrutura do Aquamuseu do Rio Minho que consequentemente inclui um complexo sistema de circulação de água. A circulação de água no Aquário do Rio tem por base um sistema fechado, ou seja, um sistema em que apenas uma pequena quantidade da água que circula nos aquários, ou mesmo nenhuma, é substituída (Stickney, 2005). A adoção deste sistema permite que a instituição tenha um menor consumo de água e usufrua das vantagens de possuir um total controlo sobre as condições mantidas nos tanques (Landau, 1992). A recirculação da água leva, no entanto, a que a sua qualidade, um parâmetro importante não apenas para a sobrevivência como para a sanidade dos peixes, se vá degradando. Este facto torna indispensável o recurso à realização de um tratamento extensivo da água circulante no sistema, de modo a garantir em permanência as boas condições da mesma. Embora o sistema de recirculação de água reduza a possibilidade de entrada de parasitas e bactérias no meio, este apresenta insuficiências no caso de contaminação, uma vez que as suas condições facilitam a dispersão (Landau, 1992). No Aquário do Rio habitam espécies de água doce e de água salgada, o que originou a necessidade de criar dois circuitos de recirculação de água independentes, com diferentes adaptações técnicas, que encaminham o fluxo de água aos aquários correspondentes. O sistema de recirculação de água, em ambos os circuitos, possui duas fases de tratamento, sendo uma realizada na zona técnica e outra efetuada na cave do edifico. Na cave localizam-se ainda os tanques de reserva de água doce e salgada, assim como o destinado à produção de água salgada, que abastecem o Aquário do Rio. Nas fases de tratamento incluem-se filtrações mecânicas, químicas e biológicas, assim FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 16 como procedimentos de desinfeção e refrigeração da água circulante, que decorrem em equipamentos específicos. De seguida serão apresentados os sistemas de circulação de água presentes no Aquário do Rio, disponibilizando-se no anexo B informações relativas às características mecânicas dos equipamentos indicados. De modo a permitir a recirculação da água, os tanques encontram-se equipados com várias saídas de esgoto camufladas na decoração. Estas localizam-se superiormente, possuindo, no entanto, um acesso à água que circula na base dos mesmos. A adoção de saídas de esgoto superiores apresenta a vantagem de limitar continuamente o nível de água presente em cada aquário e salvaguardar a manutenção de água nos mesmos em caso de acidente (ex: fuga no circuito de tratamento). Anteriormente às saídas de esgoto dos tanques encontra-se uma rede removível, com uma malha de 500µ, que possibilita a filtração mecânica da água que será sujeita a tratamento. Para além do acesso ao circuito de tratamento, as saídas de esgoto apresentam uma ligação ao esgoto do edifício, permitindo renovações de água nos tanques. Na superfície dos tanques localiza-se, também, a tubagem de entrada da água oriunda do tratamento na cave e da proveniente do tanque de reserva. A água que segue para tratamento nos equipamentos presentes na cave, tanto no circuito de água doce como no de água salgada, provém da recolha efetuada nas saídas de esgoto dos tanques. O tratamento que decorre na zona técnica atua, pelo contrário, sobre água recolhida no fundo dos tanques, recorrendo-se ao acesso disponibilizado pelas saídas de esgoto superiores para a sua absorção. Todos os circuitos de água referidos são regulados através de válvulas manuais manuseadas pela equipa técnica segundo as necessidades de manutenção dos aquários. No sistema de recirculação de água doce, cada aquário foi equipado com o seu próprio Fig. 6- Esquema do sistema de recirculação de água doce. (A) Zona técnica de apoio ao Aquário do Rio. (B) Cave do edifício. FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 17 circuito e equipamentos, tal como se representa na fig. 6. Esta adaptação permite que cada aquário esteja isolado permanentemente, o que, por exemplo, facilita a contenção de um agente infecioso que contamine um dos tanques. No tratamento que decorre na cave, verifica-se que água é primeiramente acumulada num pequeno reservatório plástico com uma rede superior que realiza uma segunda filtragem mecânica (fig. 7). Este procedimento tem como objetivo diminuir o desgaste do equipamento que o procede (Landau, 1992), já que reduz a quantidade de resíduos sólidos em suspensão e permite normalizar a pressão a que a água é bombeada. A temperatura programada nos refrigeradores foi regulada singularmente para cada aquário, tendo em consideração os requisitos ambientais das espécies expostas. Estes mesmos dados levaram a que se dispensasse a utilização de refrigerador nos aquários A3 e A4, onde as espécies demonstram grande tolerância à variação de temperatura. Embora o circuito esquematizado na fig. 6 esteja disponível em todos os aquários de exposição, o seu funcionamento foi adaptado pela equipa técnica segundo as necessidades reais de cada tanque. Deste modo, por exemplo, em aquários com maior volume de água existem equipamentos em duplicado. Na tabela 2 indica-se a temperatura ideal para cada aquário e as adaptações que estes possuem em relação ao sistema principal de recirculação apresentado. Tabela 2- Adaptações ao sistema principal de recirculação de água doce. Aquário Temperatura Adaptações ao sistema principal A0 18º C Sem adaptações. A1 17º C Ausência de sistema de filtros de areia. A2 14ºC Refrigerador, esterilizador UV e filtro rápido instalados em duplicado. A3 Variável Ausência de refrigerador e sistema de filtros de areia. A4 Variável Ausência refrigerador e sistema de filtros de areia. Filtro rápido instalado em duplicado. Tubo de absorção de água do filtro rápido fixado dentro do tanque, com ventosas, numa parede lateral não visível para o público. A5 17º C Ausência de sistema de filtros de areia. No sistema de recirculação da água salgada os aquários não se encontram isolados, Fig. 7- Circuito de tratamento de água doce na cave. Sistema constituído por um reservatório de água (a), uma eletrobomba vertical (b) e 2 filtros de areia (c). a c b FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 18 ocorrendo um tratamento conjunto da água proveniente de todos os aquários. Este circuito também não possui um tanque de reserva de água, verificando-se a circulação contínua de toda a água do tanque de armazenamento. Na fig. 8 disponibiliza-se um esquema representativo do sistema de recirculação de água salgada, observando-se que o tratamento realizado é mais intensivo do que o efetuado no circuito de água doce. Este procedimento deve-se ao facto de a água salgada circulante ser substituída com muito menor frequência que a água doce, acumulando, em consequência, mais substâncias prejudiciais que necessitam de ser removidas da água. Neste circuito a refrigeração é realizada por um sistema principal constituído por três equipamentos programados para a temperatura de 17ºC e por outros dois refrigeradores adicionais com a mesma programação posicionados nos aquários A6 e A8. No aquário A6, onde existe uma grande densidade populacional, o sistema de recirculação foi complementado com mais etapas de tratamento. Assim este possui um segundo filtro rápido e uma eletrobomba que conduz a água através de um refrigerador e de um escumador adicional, de pequena dimensão, que a reintroduz no tanque. Associado a este escumador, através do sistema de fornecimento de ar, encontra-se um ozonizador que promove uma desinfeção suplementar . A oxigenação da água doce e salgada é realizada em contínuo nos aquários, sendo sustentada por uma bomba de ar comprimido. As saídas de ar comprimido encontram-se localizadas 30cm acima dos aquários, com exceção do aquário A8, cujas saídas se encontram a 90cm do chão. As pedras difusoras conduzem o ar através de pequenos Fig. 8- Esquema do sistema de recirculação de água salgada. (A) Zona técnica de apoio ao Aquário do Rio. (B) Cave do edifício. FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 19 furos libertando bolhas de ar. Estas últimas disponibilizam na sua superfície uma grande área de contacto que proporciona a difusão do oxigénio na água (Landau, 1992). 2.2.1. Sistema de Abastecimento de Água Tal como foi referido anteriormente, a água utilizada nos sistemas de circulação qu e abastecem o Aquário do Rio é armazenada na cave do edifício do Aquamuseu do Rio Minho. Para este efeito esta possui três tanques de betão, forrados a fibra de vidro, possuindo paredes com cerca de 50cm de espessura e 2,5m de altura. Embora os tanques se encontrem construídos em contínuo, compartilhando assim a largura, a sua área varia segundo a função desempenhada. Como tal o tanque de armazenamento de água doce apresenta uma dimensão de 4x1,5m, seguindose a este um tanque destinado à preparação de água salgada com 1,3x1,5m de lado. O tanque de reserva de água salgada apresenta uma dimensão de 3,5x1,5m. A ação de uma eletrobomba vertical, controlada manualmente pela equipa técnica, permite a transfega do tanque de preparação de água salgada para o tanque de reserva da mesma. A água armazenada é aerificada, em contínuo, através de tubos PVC perfurados, posicionados no fundo dos tanques, expelindo ar comprimido. Embora as instalações estejam equipadas para que se produza água salgada a partir de fórmulas comerciais, este procedimento é realizado apenas em caso de emergência. Os custos de produção levaram a que a equipa técnica optasse pelo armazenamento de água salgada recolhida diretamente do meio natural. Assim sendo, periodicamente, a equipa técnica desloca-se a uma praia e, com recurso a bombas (fig. 9), recolhe água salgada, que transporta em reservatórios de 1000 litros para o tanque de armazenamento. A água doce armazenada, por outro lado, é abastecida pelo circuito de água canalizada, realizando-se um período de envelhecimento antes da utilização da mesma. Este desfasamento pretende criar tempo para que ocorra a libertação do cloro, um químico prejudicial aos animais, presente na água destinada a consumo humano (Bailey and Sandford, 2009). De modo a permanentemente possuir água doce armazenada utilizável, o tanque é regularmente recarregado. Fig. 9- Bomba utilizada para recolher água salgada. FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 20 2.2.2. Sistemas de Filtração A filtração define o processo pelo qual se removem partículas e materiais dissolvidos da água, incluindo nutrientes indesejados e organismos vivos (Landau, 1992). Estes processos podem incluir a remoção física dos materiais (filtros mecânicos, gravitacionais e químicos) ou a sua conversão em solutos menos perigosos (filtros biológicos). De seguida especificam-se os equipamentos filtradores que se incluem nos sistemas de recirculação do Aquário do Rio. Filtro de Areia Nos filtros de areia (fig. 10) efetua-se uma filtração mecânica da água com recurso a várias barreiras físicas. Este equipamento é constituído por um contentor preenchido com camadas de areia, gravilha ou outros materiais não consolidados, pelo qual a água se movimenta de forma unidirecional (Timmons and Ebeling, 2010). Ao atravessar os níveis do filtro, devido à ação do bombeamento ou à força da gravidade, a água deixa retidas as partículas em suspensão cujo tamanho é demasiado grande para conseguir atravessar o nível (Landau, 1992). Do mesmo modo, podem ficar retidas partículas devido a processos de floculação ou verificar-se a adsorção de partículas por forças físicas ou químicas que as atraem para o filtro. Periodicamente o filtro de areia necessita de ser limpo, já que as partículas retidas colmatam as suas camadas, impedindo que a filtração se realize (Stickney, 2005). A limpeza do filtro é realizada através de backwashing, que define o processo pelo qual se reverte e aumenta o fluxo de água, permitindo o arrastamento das partículas para o exterior do contentor (Landau, 1992). Nos sistemas de recirculação do Aquário do Rio, os filtros de areia são utilizados em duplicado e instalados em série. O seu funcionamento é supervisionado diariamente, através da monitorização da pressão indicada nas válvulas adjacentes à entrada e saída de água do filtro. No caso de se verificar um aumento desta pressão efetua-se a limpeza Fig. 10- Filtro de areia e sistema de circulação associado. FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 21 do filtro, se tal não ocorrer o procedimento realiza-se mensalmente. Para que a recirculação de água nos aquários não seja perturbada aquando a realização de ações de limpeza nos filtros de areia, cada um destes possui um circuito alternativo que o ultrapassa, encaminhando a água ao equipamento seguinte no sistema, tal como se apresenta na figura 11. Os filtros encontram-se também providos de uma entrada de água da reserva e uma saída de esgoto. Cada filtro é limpo individualmente e de forma desfasada do seu par, que continua a executar a função durante este período. Para proceder à limpeza do equipamento, sequencialmente, ativa-se o circuito alternativo e a saída de esgoto; fecha-se o circuito principal e abre-se a entrada de água da reserva. No filtro programa-se a opção “limpeza”, monitorizando-se a tonalidade da água no aparelho através de um copo transparente presente no mesmo. Assim que se deixe de observar resíduos na água altera-se a programação do filtro para “enxaguar” e, por fim, “filtrar”. A última etapa do procedimento corresponde ao fecho da saída de esgoto e entrada de água; abertura do circuito principal e desativação do circuito alternativo. Tanque de sedimentação e decantador O tanque de sedimentação e o decantador (fig. 12) constituem-se filtros gravitacionais, ou seja filtros que separam as partículas da água com recurso à maior densidade das mesmas (Timmons and Ebeling, 2010). O decantador assemelha-se a uma pirâmide invertida com uma entrada de água superior e uma saída de esgoto na sua base, Fig. 11- Esquema representativo do circuito de tratamento com filtros de areia nos aquários de água doce do Aquário do Rio. FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 22 Fig. 12 - Decantador e tanque de sedimentação. bloqueada por uma válvula manual. Na sua superfície encontra-se uma estrutura móvel em rede que providencia uma filtragem mecânica adicional. As partículas mais densas vão se acumular junto à base do decantador, sendo a água superficial encaminhada para o tanque de sedimentação que o procede. O tanque de sedimentação corresponde a um reservatório retangular com baixa profundidade, que gradualmente vai diminuindo em direção à tubagem de saída da água. Neste equipamento procede-se à sedimentação simples dos solutos presentes na água, ou seja, realiza-se uma desaceleração da água de modo a que o material suspenso assente na base do tanque (Landau, 1992). Com o objetivo de obter a maior eficiência dos equipamentos o caudal na entrada de água do decantador é mínimo, o que conduz a uma baixa velocidade da água circulante. Os resíduos depositados sobre a rede superior do decantador são limpos mensalmente, enquanto os acumulados por sedimentação se removem apenas quando ocupam um grande volume. Para este último procedimento, momentaneamente, desativa-se a entrada de água para tratamento, arrasta-se o material depositado no tanque para o decantador e abre-se a sua saída de esgoto. Logo que toda a água contendo os resíduos seja escoada, fecha-se novamente a válvula de saída do esgoto e reativa-se o circuito. Filtro Biológico Os filtros biológicos (fig. 13) atuam sobre os nutrientes dissolvidos na água, convertendo, por exemplo, formas nocivas tais como a amónia (NH 3 ), em formas menos perigosas como os nitratos (Landau, 1992). O seu funcionamento baseia-se na canalização da água através de contentores contendo biofiltros. Estes são substratos, que podem assumir diferentes formas de grande superfície, onde se encontram colónias de bactérias aeróbicas, cuja função é converter a amónia (NH 3 ) em formas menos tóxicas, como nitratos (NO 3- ), através de um processo que se divide em duas fases (Stickney, 2005). Na primeira, bactérias nitrificantes, do género Nitrosomonas, convertem a amónia em nitrito (NO 2- ), que é menos tóxico, mas ainda prejudicial para os organismos (Parker, 2012). Na segunda fase, bactérias do género Nitrobacter convertem o nitrito em nitrato: NH 3 ↔ NO 2 ; FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 23 Fig. 13 - Filtro Biológico. NO 2- ↔ NO 3- (Stickney, 2005). A eficiência do tratamento biológico vai depender da presença destas bactérias, assim como das condições de temperatura, luz e concentração de amónia que afetam a taxa metabólica das mesmas (Landau, 1992). A desnitrificação da água potencia a sua oxigenação, uma vez que a presença das bactérias no tanque exige a contínua oxigenação deste último (Bailey and Sandford, 2009). Nos filtros rápidos (fig. 14) efetua-se paralelamente uma filtração biológica e mecânica (Bailey and Sandford, 2009). Neste sentido, a água que a eletrobomba do filtro recolhe no aquário é primeiramente encaminhada através de uma fibra espessa, que retém o material em suspensão, sendo de seguida conduzida a um conjunto de biofiltros. A limpeza destes dois tipos de filtros é apenas realizada quando estritamente necessário, de modo a não eliminar as bactérias nitrificantes. A diminuição do fluxo de água na saída do filtro ou o aumento do valor de amónia na água são indicadores de que se deve proceder à limpeza do equipamento (Bailey and Sandford, 2009). Escumador O escumador (fig. 15) é um filtro químico que realiza a remoção de proteínas e outros solutos finos presentes na água com recurso à floculação (Parker, 2012). O seu funcionamento baseia-se na condução da água a tratar através de um contentor contendo um difusor de ar na sua base a bombear em contínuo (Landau, 1992). As bolhas de ar libertadas vão subir na coluna de água concentrando na sua superfície os solutos hidrofóbicos nela contidos (Timmons and Ebeling, 2010). Em consequência, no topo do escumador vai acumular-se uma espuma com grande concentração de solutos que deverá ser removida (Bailey and Sandford, 2009). A água posicionada inferiormente ao nível da espuma, já livre de solutos, é reconduzida ao circuito para ser reutilizada. Mesmo que não se forme espuma, a água na superfície do escumador irá apresentar maior Fig. 14- Filtro Rápido. FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 24 Fig. 15- Escumador localizado na cave do edifício. densidade de solutos, devendo proceder-se à sua remoção (Landau, 1992). A eficiência do escumador relaciona-se com as características químicas da água, como o pH, temperatura, e salinidade, e as características dos solutos como a sua solubilidade, concentração e interações (Parker, 2012). A sua eficiência é maior quando este é colocado em sistemas de água salgada, já que esta possui uma tensão superficial maior que a água doce, o que beneficia o processo (Timmons and Ebeling, 2010). Também o design do escumador, principalmente a forma e profundidade, afetam o seu desempenho (Landau, 1992). No Aquário do Rio este equipamento encontra-se presente apenas no circuito de água salgada, sendo o seu funcionamento supervisionado diariamente. Sempre que necessário limpa-se o contentor superior dos escumadores, onde se acumula a espuma produzida. 2.2.3. Sistemas de Desinfeção Os equipamentos de desinfeção destinam-se à eliminação da maioria dos seres microscópicos e pequenos organismos que podem estar na água, com o objetivo de prevenir o aparecimento de doenças e a competição por alimento (Landau, 1992). Nos circuitos do Aquário do Rio aplicam-se dois equipamentos de desinfeção: o ozonizador e a radiação ultravioleta. Ozonizador As potencialidades do ozono, uma forma alotrópica de oxigénio (O 3 ), enquanto agente oxidante têm sido exploradas na aquacultura na obtenção de melhores condições de qualidade de água e controlo de patogénicos (Stickney, 2000). Na sua aplicação como viricida e bactericida revela-se bastante eficiente (Timmons and Ebeling, 2010). A utilização do ozono, contudo, requer precauções já que se trata de uma substância extremamente tóxica (Stickney, 2005) e corrosiva, podendo reagir com plásticos (Landau, 1992), componentes comuns nas estruturas dos sistemas de circulação. Outro cuidado resulta do ozono ser um gás instável, que, com o aumento da temperatura, FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 31 mistura das matérias-primas finamente moídas. Após comprimida a pasta é seca e posteriormente fragmentada segundo a espécie a que se destina (Stickey, 2005). As pellets são extrudidas, sendo produzidas a partir da compactação de uma pasta, gerada das matérias-primas moídas, com recurso a altos valores de pressão e temperatura (Parker, 212). Este procedimento origina pellets redondas ou cilíndricas com cerca de 3- 5mm de diâmetro e 1cm de comprimento (Stickey, 2005). As pellets depois de um período de secagem adquirem flutuabilidade, devido ao efeito criado pelo vapor de água aprisionado no alimento durante a sua produção (Parker, 2012). O Tubifex corresponde a um preparado seco de pequenos vermes vermelhos que habitam na lama (Bailey and Sandford, 2009). Os alimentos secos são armazenados numa sala própria, bem ventilada e com baixa humidade. Estes cuidados, tal como a manutenção da temperatura da sala, visam prevenir a detioração da ração, por exemplo, através da oxidação dos seus lípidos (Stickey, 2000). Embora a alimentação dos animais seja uma tarefa diária obrigatória, existem alturas em que deve ser cessada, como ocorre quando se verifica um aumento excessivo da temperatura da água, uma diminuição do oxigénio dissolvido ou uma perda da qualidade da água. Os peixes não devem ainda ser alimentados durante períodos de stress ou tratamento de patologias e 24-48 horas antes de serem transportados ou manejados (Timmons and Ebeling, 2010). 3.2. Intervenções Realizadas nos Sistemas de Recirculação de Água. Os sistemas de recirculação possuem vários elementos que se danificam, com o passar do tempo, o que origina uma perda de eficiência na execução das suas funções. Este facto obriga a que a equipa técnica verifique continuamente o funcionamento dos circuitos, intervindo rapidamente no caso de se detetar uma anomalia. Uma das operações mais comuns refere-se à reparação de fugas de água localizadas nos encaixes das válvulas dos circuitos. Este problema ocorre em consequência da degradação dos vedantes que selam a união entre o tubo, de entrada e saída de água, e a válvula. A reparação deste elemento requer o fecho do sistema de recirculação no local da fuga, a remoção da válvula e a substituição do vedante. Por exemplo, na resolução de uma fuga numa válvula localizada no circuito dos filtros de areia do aquário A2 a intervenção inicia-se pelo fecho da válvula que bloqueia o esgoto do aquário. De seguida, desliga-se a eletrobomba vertical e bloqueia-se a saída de água do FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 32 reservatório, fechando ainda as válvulas posteriores à fuga para que se impeça o retrocesso da água contida no circuito. O próximo passo corresponde à remoção da válvula e substituição dos seus vedantes. Por fim, reposiciona-se a válvula e reativa-se o circuito, tendo o cuidado de ligar a eletrobomba vertical apenas quando se recuperar o fluxo de água. Deve-se ainda ter em atenção o correto posicionamento da válvula, já que a seta indicativa, nela presente, deve concordar com a orientação do fluxo que a atravessa. Outra das intervenções realizadas corresponde à limpeza da eletrobombas verticais, já que a acumulação de resíduos nos seus componentes é causa de perda de eficiência no bombeamento e menor tempo de vida do aparelho. Nesta intervenção o equipamento é temporariamente desligado e a circulação de água bloqueada localmente. A eletrobomba (fig. 19) é desmantelada e todos os seus componentes limpos isoladamente, podendo ainda proceder-se à substituição dos seus vedantes se estes se apresentarem desgastados. Após a intervenção em qualquer tipo de equipamento, deve realizar-se uma maior vigilância ao seu funcionamento, de modo a verificar-se se o problema foi totalmente resolvido e se não restaram fugas de água ou outras anomalias. Ao longo do estágio curricular apoiou-se a realização de intervenções como as descritas anteriormente, tendo-se ainda prestado apoio no restauro de uma fuga de um dos tanques dos aquários de exposição. Nesta última intervenção, foi necessário remover a água do interior do tanque até a um nível inferior ao encaixe do vidro, local onde ocorria a fuga. Esta zona foi seca, limpa e, por fim, selada com recurso a silicone próprio para aplicação em aquários. Após um período de 24H, destinado à secagem do silicone, o nível normal de água no aquário foi reposto. 3.3. Receção de Novas Espécies A manutenção de animais selvagens em cativeiro apresenta várias dificuldades e restrições, que podem originar a perda do bem-estar animal e, em última instância, morte dos exemplares. O reconhecimento destas restrições, tal como o facto da longevidade e ciclo de vida dos animais ser limitada, leva a que o Aquário do Rio necessite frequentemente de receber novos exemplares. Estes podem ser provenientes de capturas Fig. 19- Eletrobomba vertical . FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 33 ao longo do rio, com redes, rapetas ou nassas, ou adquiridos em aquaculturas, sendo, em qualquer das hipóteses, transportados em caixas próprias, com receção de ar contínua proveniente de uma pedra difusora ligada a uma garrafa de oxigénio ou a uma bomba de oxigénio portátil. Independentemente, da sua origem, a introdução de novos peixes é sempre um procedimento agressivo para os indivíduos, requerendo vários cuidados. De modo a diminuir as condições de stress impostas aos peixes deve considerar-se um período de quarentena. Neste equaliza-se a temperatura do meio à que irão encontrar nos aquários de exposição e avalia-se a sanidade dos animais, evitando assim a introdução de doenças (Bailey and Sandford, 2009). A adaptação à temperatura deve ser gradual, já que o choque térmico é uma das causas de morte de novos exemplares. Durante o estágio curricular realizaram-se duas grandes operações de substituição de exemplares, sendo uma correspondente ao aquário A0 e outra ao aquário A6. Nas duas situações, a decisão teve origem em preocupações relacionadas com a dimensão excessiva dos peixes, que causava a sobrelotação do espaço e a deterioração das condições de cativeiro. Os novos exemplares foram adquiridos em aquaculturas, apresentando, assim, a vantagem de estarem habituados a uma dieta semelhante à realizada no Aquário do Rio, o que facilita a sua adaptação às novas condições. No aquário A0 procedeu-se à substituição das trutas arco-íris expostas, enquanto no aquário A8 se substituíram os robalos e adicionaram novos sargos. As intervenções foram executadas na ausência de visitantes e após um curto período de espera, destinado à recuperação do stress do transporte e aclimatação às novas condições de cativeiro. Os peixes expostos foram removidos com rapetas, diminuindo-se o nível de água dos tanques, de modo a facilitar o processo. Nos dias seguintes à intervenção o aquário ficou sob maior vigilância, com o objetivo de monitorizar a adaptação dos novos peixes, verificando-se, por exemplo, se estes se alimentavam, atacavam entre si, ou se observava restos mortais. Todos os peixes removidos dos aquários foram sacrificados e, após uma avaliação da sua sanidade, armazenados para posterior utilização na alimentação das lontras. 3.4. Restauro da Decoração do Aquário A8 Uma grande percentagem dos elementos decorativos que compõem o biótopo representado no aquário A8 corresponde a seres vivos que habitam na zona intertidal de praias rochosas. Estes elementos necessitam de ser substituídos com regularidade, já FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 34 que apresentam uma grande taxa de mortalidade. Esta mortalidade deve-se tanto a dificuldades de adaptação às condições de cativeiro como ao facto de se constituírem alimento para os peixes que habitam o aquário. De modo a possuir elementos para repor a decoração perdida, a equipa técnica do Aquamuseu do Rio Minho realiza recolhas na praia de Moledo, durante o período de maré baixa. Entre as espécies procuradas destacam-se as anémonas, estrelas-do-mar, ouriçosdo-mar e alface-do-mar. Também mexilhão é recolhido, preferindo-se exemplares unidos em comunidades, já que apresentam para maior probabilidade de fixação sobre as rochas do aquário. Os organismos são recolhidos manualmente com a ajuda de uma espátula e o seu transporte é realizado a seco. Aquando a sua chegada ao edifício, este material é colocado imediatamente no aquário (fig. 20), utilizando-se uma rapeta para conduzir os elementos decorativos aos locais pretendidos. Nos dias que se seguem o aquário fica sob especial vigilância de modo a avaliar a viabilidade dos exemplares introduzidos, procedendo-se à remoção dos organismos que não sobreviveram ao procedimento. 3.5. Restauro dos Elementos Decorativos do Aquário A6 e A7 Tal como referido anteriormente, as paredes dos aquários de exposição encontram-se recobertas com estruturas decorativas, construídas a partir de uma mistura de cimento e areia, na proporção de 1:3. O contínuo contacto com a água, assim como o comportamento dos peixes, que procuram criar locais de refúgio, leva a que estas estruturas se vão deteriorando, sendo assim necessário proceder ao restauro da decoração do aquário. Ao longo do estágio curricular apoiaram-se as operações de restauro da decoração dos aquários A6 e A7. Após deliberações acerca da longevidade das antigas estruturas decorativas, optou-se pela substituição do seu material base por fibra de vidro recoberta a resina e areia. Para além da resistência, este material possuía a vantagem de originar estruturas leves, possibilitando assim a construção peças decorativas móveis. Esta alteração permitiu que o restauro decorresse sem que os aquários fossem fechados ao público. Fig. 20- Aquário 8 após operação de restauro de decoração. FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 35 A primeira etapa das operações correspondeu à construção das estruturas base das novas peças decorativas dos aquários. Estas foram construídas com recurso a tubo elétrico VD 16 moldado, de modo a recriar os efeitos das margens do rio pretendidos. As uniões de tubo foram fixas com recurso a abraçadeiras de fivela (4,8x200mm) reforçadas com cola termofusivel. Por fim, as estruturas foram recobertas com uma rede de fibra de vidro, de modo a delinear-se as formas criadas em cada peça. A altura e comprimento das estruturas foram definidas tendo em consideração as medidas gerais dos tanques e a disposição programada para as peças. A posição das saídas de esgoto, foi outro parâmetro considerado, já que não se pretendia bloquear acidentalmente o acesso da água superficial às mesmas. No total, construíram-se quatro peças decorativas sequenciais para o aquário A6 e duas peças independentes para os extremos do aquário A7 (anexo C). A fibra de vidro e a resina foram adicionadas às estruturas, na forma de uma película uniforme, numa empresa especializada neste tipo de revestimentos. Após a receção das peças finais, por aconselhamento dos técnicos da empresa contratada, aguardou-se um período mínimo de quinze dias para a secagem do revestimento aplicado. A substituição da decoração dos aquários realizou-se na ausência de visitantes. No procedimento, os peixes, foram transferidos temporariamente para caixas transportadoras e tanques de quarentena com oxigenação continua. A água dos tanques foi totalmente removida e o sistema de recirculação de água bloqueado. Já com os tanques vazios (fig. 21), destruiu-se e removeu-se a antiga decoração, tendo o cuidado de cobrir o substrato dos mesmos com um plástico, com o objetivo de o proteger de contaminações. Após se recolherem todos os lixos, introduziram-se e acomodaram-se as novas peças decorativas nos tanques segundo a disposição para a qual foram construídas. De seguida circulou-se água doce no interior dos tanques, com o intuito de lavar partículas contaminantes depositadas, esvaziando-se novamente o tanque após a sua lavagem. Fig. 21- Restauro da decoração do aquário A6. (a) Tanque após remoção de elementos deteriorados. (b) Tanque com as novas peças decorativas colocadas na sua posição final. a b FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 36 Por fim, adicionou-se água salgada aos aquários e reativou-se o seu sistema de recirculação, introduzindo-se novamente os peixes aquando a estabilização das condições da água no interior do mesmo (ex: temperatura e turbidez). 4. Qualidade da Água A sobrevivência de um peixe depende da concordância do seu metabolismo com os aspetos do seu meio ambiente (Bailey and Sandford, 2009). No meio natural os peixes possuem a liberdade de se movimentarem sempre que as condições ambientais se tornam adversas (Roberts, 2001). Em cativeiro, os peixes perdem esta alternativa, atribuindo-se ao aquarista a responsabilidade de fornecer um ambiente adequado à espécie. Assim, principalmente em sistemas de recirculação de água, torna-se necessário realizar uma monitorização da qualidade da água (Landau, 1992). A qualidade da água é definida por vários parâmetros, tanto químicos como físicos dos quais se podem destacar o pH, a alcalinidade, a salinidade, a dureza, a temperatura, o oxigénio dissolvido e os nutrientes (ex: azoto, fósforo). Estes parâmetros são considerados críticos, devendo ser supervisionados, uma vez que afetam a sanidade e produtividade dos sistemas biológicos (Landau, 1992). Reconhece-se que as espécies apresentam diferentes tolerâncias a distúrbios na qualidade da água, principalmente nos valores correspondentes a temperatura e salinidade (Pillay, 2004). Aceita-se ainda que estas se conseguem adaptar a mudanças graduais do seu meio ambiente, desde que se permita que o organismo se ajuste (Bailey and Sandford, 2009). Assim torna-se indispensável à manutenção do bem-estar animal o conhecimento dos requisitos ambientais de cada espécie. A manutenção da qualidade da água mostra-se um processo contínuo, no qual se tenta garantir a ausência de químicos perigosos nos aquários. Neste sentido evita-se a introdução de contaminantes, por exemplo, garantindo apenas a utilização de materiais não tóxicos na decoração dos aquários, e procede-se ao tratamento dos resíduos originados pelo metabolismo dos peixes (Bailey and Sandford, 2009). Atualmente existem uma série de instrumentos e testes colorimétricos que permitem facilmente monitorizar a qualidade de água nos sistemas biológicos e várias substâncias que permitem ajustar as propriedades químicas da água. A amónia (NH 3 ) é um dos produtos do metabolismo dos organismos aquáticos, sendo excretada em resultado do catabolismo de proteínas (Stickney, 2005). Esta pode ainda FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 37 resultar da decomposição de matéria orgânica. Este composto é tóxico e consegue atravessar a barreira epitelial dos animais, acumulando-se no seu interior. A toxidade da amónia reduz-se aquando a sua oxidação em nitrito e mais drasticamente em nitrato (Landau, 1992). Este processo corresponde ao ciclo do azoto e ocorre naturalmente no meio ambiente e nos aquários. Nestes últimos a elevada densidade populacional leva a que o ciclo natural do azoto se torne insuficiente para garantir a qualidade da água, sendo necessário recorrer aos filtros rápidos e biológicos (Stickney, 2005). Em consequência acumulam-se nitritos e nitratos no meio que, como apresentam menor toxidade, são menos preocupantes. No entanto é aconselhável limitar a sua concentração na água, já que o contato contínuo com elevadas concentrações destes produtos pode reduzir a longevidade dos animais e reduzir a resistência a doenças (Bailey and Sandford, 2009). Reconhece-se que o nitrito pode oxidar hemoglobinas no peixe, originando metahemaglobinas que possuem menor capacidade de transporte de oxigénio (Landau, 1992). É ainda frequente que a exposição a níveis altos de nitratos resulte na morte de peixes não acostumados a esses níveis (Bailey and Sandford, 2009). Deve proceder-se a uma monitorização dos valores de nitritos e nitratos, com recurso, nomeadamente, a testes colorimétricos. Do mesmo modo, a concentração de amónia pode ser medida através de colorimetria ou sondas de amónia (Stickney, 2005). O procedimento mais eficiente na redução da concentração de nitratos baseia-se na renovação da água do aquário, correspondendo 20% do volume a um valor indicativo satisfatório (Bailey and Sandford, 2009). Os valores de fósforo presentes no meio resultam da atividade de bactérias e fungos (Landau, 1992). Apesar de não se constituir uma ameaça direta aos peixes, este pode originar blooms de algas que degradam a qualidade da água, devendo assim também ser monitorizada a sua presença nos aquários (Parker, 2012). A tolerância dos peixes à acidez da água é limitada, sendo assim importante controlar o pH da água. A maioria dos peixes habita em águas com pH entre 5,5 e 9,0, verificando-se a ocorrência de efeitos drásticos aquando pequenas variações destes valores (Bailey and Sandford, 2009). Outro problema resulta do pH influenciar a quantidade de amónia presente na água, uma vez que as condições alcalinas favorecem a formação de amónia tóxica (NH 4+ ) a partir de amoníaco (NH 3 ) presente no meio (Landau, 1992). Águas ácidas podem ser neutralizadas através da adição de carbonato de cálcio, calcito e CaCO 3 (Landau, 1992) ou através da inclusão de conchas calcárias e corais no meio (Bailey and FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 38 Sandford, 2009). O efeito inverso é conseguido pela adição de sulfato de amónia ao meio (Landau, 1992). Também a dureza da água, ou seja a quantidade de minerais dissolvidos na água, deve ser verificada. A variação dos seus valores deve-se à libertação de minerais por parte de estruturas decorativas, como rochas, e a excreções dos animais aquáticos (Bailey and Sandford, 2009). O cálcio é um dos elementos responsáveis pela dureza da água, sendo a sua presença de grande importância para os peixes e bivalves que o absorvem (Landau, 1992). Os organismos aquáticos são poiquilotérmicos, possuindo assim uma taxa metabólica controlada pela temperatura (Stickney, 2005). Esta é ainda utilizada por muitas espécies como estimulo para a adoção de mudanças fisiológicas e comportamentais, como por exemplo para a reprodução (Parker, 2012). Cada espécie apresenta assim uma temperatura ótima para qual a maioria das enzimas são eficientes, originando uma maior canalização da energia para crescimento muscular (Landau, 1992). Para além deste facto a temperatura influencia a solubilidade do oxigénio na água, diminuindo a percentagem deste gás com o seu aumento (Parker, 2012). Em consequência destas particularidades, aumentos bruscos de temperatura resultam frequentemente na morte dos exemplares, o que justifica a necessidade de monitorizar a temperatura no meio (Landau, 1992). A salinidade é a medida que quantifica a concentração de iões dissolvidos na água, correspondendo o cloreto de sódio (NaCl) ao principal composto iónico presente em água salgada (Parker, 2012). Em águas oceânicas a salinidade corresponde a 35‰, enquanto em águas costeiras varia entre 28-33‰ (Landau, 1992). Em sistemas biológicos os valores de salinidade podem variar, principalmente devido ao efeito da evaporação da água. No caso de se necessitar de ajustar a salinidade do meio, esta pode ser diminuída adicionando água doce ou aumentada incluindo sais marinhos ou água hipersalina (Landau, 1992). A existência de sólidos em suspensão na água é um outro fator físico que influencia a qualidade da água, já que diminuiu a penetração de luz na água e pode interferir na absorção de oxigénio nas brânquias (Landau, 1992). De modo a reduzir a turbidez da água os sistemas de produção possuem filtros que retêm as partículas em suspensão. FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 39 4.1. Qualidade da água nos aquários Tal como referido anteriormente, a monitorização da qualidade de água em cada aquário é realizada em contínuo. Semanalmente a equipa técnica com recurso a uma sonda (EC 300 YSI) procede à leitura dos valores de temperatura e salinidade (fig. 22). Mensalmente realiza a determinação dos valores de nitritos, fosfatos e a amónia com recurso a um teste de colorimetria efetuado por um fotómetro (fotómetro multiparâmetros de bancada HANNA Instruments; série C99 & 200). Paralelamente, com recurso a diferentes sondas (Dissolved Oxygen Meter HI9147 HANNA; pH 100 YSI; 650 MDS YSI), realiza-se a leitura dos valores de oxigénio dissolvido, pH e potencial redox presentes em cada aquário de exposição. De acordo com os valores obtidos para cada aquário podem se realizar diferentes procedimentos. No caso de se verificar um aumento no valor de amónia ou nitritos, efetua-se uma renovação de água e a limpeza dos filtros rápidos. Se se tratar de um grande aumento do valor base de amónia, considera-se a hipótese deste se dever à decomposição de matéria orgânica, podendo assim existir um animal morto no aquário. Nesta situação, analisa-se toda a sua área e procede-se à sinfonação do fundo do tanque para remoção de dejetos e depósitos orgânicos. Se se verificar uma diminuição do oxigénio dissolvido supervisiona-se o funcionamento das saídas de ar comprimido, podendo incluir-se no sistema pedras difusoras adicionais. Também uma verificação do equipamento é realizada sempre que a temperatura aumenta em aquários em que se encontram refrigeradores. A salinidade nos aquários de água salgada deve rondar os 32-33‰, como tal, sempre que ocorra um aumento deste valor, derivado da atividade dos peixes ou da evaporação da água, adiciona-se água doce ao tanque de armazenamento. Se ocorrer um aumento do potencial redox destes aquários, acompanhado por uma tonalidade amarelada da água, inspeciona-se o funcionamento do ozonizador. Fig. 22- Sonda para a determinação dos valores de salinidade e temperatura. FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 40 Fig. 23 - Recinto do Lontrário 5. Estrutura e Funcionamento do Lontrário O lontrário (fig. 23) localiza-se no exterior das instalações do Aquário do Rio, constituindose uma zona com acesso restrito. O seu perímetro encontra-se envolto por uma vedação em rede reforçada com placas de acrílico, com exceção da zona correspondente ao corredor do lontrário que possui apenas uma parede de placas de acrílico transparente. O recinto apresenta apenas um sistema de entrada constituído por uma porta dupla. A sua área conjuga um pequeno lago de forma irregular com zonas de refúgio, procurando reproduzir satisfatoriamente as características do habitat natural típico da espécie. O terreno do lontrário, com 350m 2 (Antunes, 2001), enquadra espaços livres com sol e zonas com vegetação abundante que proporciona sombra aos animais. Nestes espaços integram-se duas casas para as lontras (fig. 24), construídas de modo a se integrarem na paisagem recriada. Entre as espécies que compõem a vegetação presente no lontrário encontra-se o carvalho, o amieiro, as canas da índia, o bambu e o loureiro. Várias plantas de menor porte habitam o lontrário, sendo estas frequentemente cortadas, tanto pelas lontras, para a acomodação da toca, como por membros da equipa técnica, para que não se constituam obstáculos à observação dos visitantes. O lago foi construído artificialmente com recurso a uma piscina com 150m 2 , de área, e profundidade máxima de 0,7m. Na zona mais larga da piscina localiza-se uma pequena ilha com 3m de diâmetro, na qual se encontra uma plantação de bambu. Ao contrário do que ocorre no Aquário do Rio, o lontrário funciona com base num sistema aberto de circulação de água, sendo esta diretamente bombeada do rio Minho. A entrada de água do recinto localiza-se na extremidade superior do lago, onde este possui menor profundidade. O fluxo de água é encaminhado através de uma zona com baixa profundidade, substrato Fig. 24- Abrigo artificial para as lontras. FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 47 se o tratamento dos exemplares, garantindo apenas a manutenção de uma boa qualidade da água, de modo a facilitar a cicatrização natural que pode demorar alguns dias (Bailey and Sandford, 2009). 7. As principais espécies em exposição O conhecimento da biologia das espécies é um componente indispensável na manutenção das mesmas em condições de cativeiro. A compreensão de quais os requisitos de habitat e alimentação para cada exemplar, assim como o reconhecimento das particularidades do seu ciclo de vida, permitem o aperfeiçoamento do trabalho dos técnicos, resultando numa redução da mortalidade dos animais. Neste capítulo fornecem-se fichas identificativas das principais espécies presentes nas instalações do Aquário do Rio e Lontrário, segundo a ordem que ocupam na exposição. 7.1. Aspetos da Biologia da Truta Comum Ordem: Salmoniformes Família: Salmonidae Espécie: Salmo trutta morpho fario Linnaeus, 1758 Nome comum: Truta castanha, Truta comum, Truta fário, Truta sapeira, Truta de rio Fisiologia: Apresenta uma grande variedade morfológica, com uma coloração que inclui tons esverdeados, amarelados e acastanhados (Weber et al., 2007). O seu corpo tem fisionomia fusiforme, sendo que a linha lateral possui menos de 130 escamas (Antunes and Rodrigues, 2004). As mandibulas possuem dentes fortes e os olhos são grandes (Geraldes, 1999). Na zona lateral e na barbatana dorsal observam-se pontos de pigmentação que não ultrapassam para a barbatana caudal (Weber et al., 2007). Na extremidade da barbatana adiposa encontra-se uma mancha laranja (Geraldes, 1999). A barbatana dorsal possui 3 a 4 raios duros e 8-11 raios moles. Na barbatana anal contabilizam-se 10 a 14 raios, dos quais 3 a 4 são duros, e na barbatana caudal encontram-se 18 a 20 raios moles (Antunes and Rodrigues, 2004). Em rios pequenos os indivíduos atingem um comprimento máximo de 15-20cm, enquanto em rios maiores atingem os 50cm (Muus and Dahlstrom, 1999). Fig. 29-Exemplar de Salmo trutta morpho fario. FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 48 Habitat e Biologia: A truta de rio é espécie autóctone da Europa (fig. 30), cuja distribuição inclui toda a bacia hidrográfica do rio Minho (fig. 31), habitando principalmente os afluentes (Antunes, 2012). Ocupam troços superiores de rios com águas correntes frias e oxigenadas (Geraldes, 1999), mas podem ser capturadas ao longo de todo o percurso do rio, desde que a qualidade da água se mantenha. Corresponde a uma subespécie de água doce sedentária, excluindo, assim, a fase de smolt do seu desenvolvimento juvenil e progredindo diretamente para a cor de maturação (Muus and Dahlstrom, 1999). No seu ciclo de vida define-se como uma espécie potamódroma, sendo este comportamento prejudicado pela construção de barragens que bloqueiam o seu trajeto (Antunes and Rodrigues, 2004). Em rios pequenos os indivíduos atingem a maturação aos 2-3 anos de idade, contudo em rios maiores este processo é mais tardio, ocorrendo aos 4-5 anos de idade (Muus and Dahlstrom, 1999). A época reprodutiva da truta de rio decorre entre janeiro e fevereiro (Antunes, 2012), quando os reprodutores iniciam migrações para zonas a montante dos rios, onde as águas são pouco profundas, límpidas, oxigenadas e o leito é rochoso (Geraldes, 1999). Na desova as fêmeas libertam entre 100 e 300 ovos (Muus and Dahlstrom, 1999), que depositam em ninhos por elas escavados (Geraldes, 1999). Na sua dieta incluem-se crustáceos, insetos, larvas de insetos e gastrópodes (Antunes, 2012). A truta de rio possui um comportamento demersal e uma durabilidade que pode atingir os 5 anos de idade (Antunes and Rodrigues, 2004). Este peixe é sensível à perda da qualidade da água e à alteração das características físicas do habitat, principalmente na vegetação ripícola (Antunes and Rodrigues, 2004), considerando-se, contudo, que a sua população não está ameaçada (Instituto da Conservação da Natureza, 2006). A truta de rio tem importância comercial, encontrando-se atualmente a sua pesca limitada a um tamanho mínimo de captura de 19cm (Edital Nº 37/2012). Fig. 31- Distribuíção de Salmo trutta morpho fario na bacia hidrográfica do rio Minho (Antunes, 2012). Fig. 30- Mapa de distribuíção de Salmo trutta morpho fario (Terofal and Militz, 1991). FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 49 7.2. Aspetos da Biologia da Truta Arco-íris Ordem: Salmoniformes Família: Salmonidae Espécie: Oncorhynchus mykiss (Walbaum,1792) Nome comum: Truta arco-íris Fisiologia: Com corpo fusiforme de tons esverdeados, os adultos apresentam numerosos pontos negros na cabeça, corpo e barbatanas e uma banda de tonalidade rosa ao longo da linha lateral (Weber et al., 2007). Esta banda de coloração rosa vai se desenvolvendo ao longo do crescimento podendo não ser identificável em algumas fases juvenis (Schultz’s, 2003). A presença de pontos negros na barbatana caudal é considerada uma característica identificativa da espécie (Antunes and Rodrigues, 2004). Em juvenis com mais de 15cm de comprimento conseguem-se distinguir entre 11 a 13 marcas escuras laterais (Muus and Dahlstrom, 1999). A linha lateral é constituída por 120 a 150 escamas (Antunes and Rodrigues, 2004). A barbatana dorsal possui 10 a 12 raios, enquanto a barbatana anal se limita a 10 raios ou menos. Na barbatana caudal observam-se 19 raios (FAO, 2013a). Os indivíduos desta espécie podem atingir um comprimento máximo de 80cm (Muus and Dahlstrom, 1999). Habitat e Biologia: A truta arco-íris é uma espécie nativa da América do Norte, com distribuição natural desde o Alasca até ao México (FAO, 2013a). Interesses comerciais levaram, no entanto, a que esta fosse introduzida em todos os continentes com exceção da Antártida (fig. 33). Em 1880 ocorreu a sua introdução na europa (Muus and Dahlstrom, 1999), onde atualmente é produzida em aquacultura em grande densidade. Na bacia hidrográfica do rio Minho a presença de populações de truta arco-íris relaciona-se com a existência de uma truticultura em Paredes de Coura (Antunes, 2012). Regista-se a existência da espécie no rio Coura e na sub-bacia do rio Sil na Galiza (fig. 34), sendo a sua captura apreciada por pescadores desportivos (Antunes and Rodrigues, 2004). Tratase de um peixe anádromo, bem adaptado às condições ambientais presentes no rio Minho, e cujas características do ciclo de vida potenciam um comportamento competidor Fig. 32- Exemplar de Oncorhynchus mykiss (Antunes., 2012). Fig. 33- Mapa de distribuíção de Oncorhynchus mykiss ( ): espécie nativa; ( ): espécie exótica. (DAFF, 2013) FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 50 com salmonídeos nativos (Antunes and Rodrigues, 2004). A truta arco-íris apresenta, por exemplo, uma maior tolerância a altas temperaturas e a menor qualidade de água que a truta comum (Salmo trutta fario), uma espécie nativa do rio Minho (Muus and Dahlstrom, 1999). O seu habitat localiza-se em meios lênticos (Geraldes, 1999). A sua alimentação é carnívora, incluindo crustáceos, insetos, larvas de insetos e anelídeos (Antunes, 2012). A época reprodutiva deste peixe decorre entre novembro e abril, verificando-se a ocorrência de várias posturas (Muus and Dahlstrom, 1999). Cada fêmea produz cerca de 2000 ovos por quilograma de peso, que apresentam um diâmetro de 3-7mm (FAO, 2013a). A longevidade dos seus indivíduos encontra-se nos 11 anos de idade (Antunes and Rodrigues, 2004) e a maturidade sexual é atingida entre os 3 e 4 anos de idade dependendo da velocidade de crescimento do exemplar (FAO, 2013a). 7.3. Aspetos da Biologia da Boga Ordem: Cypriniformes Família: Cyprinidae Espécie: Pseudochondrostoma duriense Coelho 1985 Nome comum: Boga Fisiologia: Este peixe possui um corpo alargado e pouco comprimido, com uma boca característica localizada numa posição inferior e transversal (Antunes and Rodrigues, 2004). Possui 5 a 6 dentes faríngeos dispostos em fila única e o lábio inferior revestido por um estojo córneo desenvolvido (Almaça, 1996). Não se observam barbilhos e a coloração assume tons acastanhados no dorso e claros no ventre (Antunes and Rodrigues, 2004). Pode apresentar numerosos pontos negros no dorso (Kottelat and Freyhof, 2007). A barbatana dorsal é constituída por 11 raios e a barbatana anal por 12 raios (Antunes and Rodrigues, 2004). A linha lateral é completa e possui um número de escamas que varia entre 61 e 78 (Almaça, 1996). O comprimento máximo dos indivíduos pode atingir os 40cm (Kottelat and Freyhof, 2007). Fig. 34- Distribuíção de Oncorhynchus mykiss na bacia hidrográfica do rio Minho (Antunes, 2012). Fig. 35- Exemplar de Pseudochondrostoma duriense (Antunes, 2012). FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 51 Habitat e Biologia: A boga é uma espécie bentopelágica, endémica da Península Ibérica (fig. 36), que pode ser observada desde o rio Minho até ao rio Sado (Weber et al., 2007). A sua distribuição pela bacia hidrográfica do rio Minho é dispersa (fig. 37), situando-se nas zonas mais altas do curso principal e afluentes (Antunes, 2012). Muitas vezes, esta encontra-se associada a populações de trutas sapeiras (Antunes and Rodrigues, 2004). A sua dieta inclui algas, diatomáceas e invertebrados depositados sobre o leito, podendo desenvolver um comportamento gregário principalmente no período anterior à reprodução (Kottelat and Freyhof, 2007). A postura ocorre entre a primavera e o verão, evoluindo os ovos (1mm) depositados sobre o leito (Antunes and Rodrigues, 2004). Sem importância comercial, esta espécie, resistente à perda da qualidade de água por contaminação orgânica, é ameaçada pela introdução de espécies exóticas (Antunes and Rodrigues, 2004). Atualmente, dadas as pressões a que as suas populações estão sujeitas é considerada uma espécie vulnerável na Europa (Freyhof and Brooks, 2011). 7.4. Aspetos da Biologia do Escalo Ordem: Cypriniformes Família: Cyprinidae Espécie: Squalius carolitertii Doadrio,1988 Nome comum: Escalo-do-norte, Escalo Fisiologia: Caracteriza-se por um corpo fusiforme, com boca estreita e rostro arredondado (Kottelat and Freyhof, 2007). A sua coloração é acastanhada no dorso e mais clara lateralmente, podendo as barbatanas pélvicas e anal apresentar uma tonalidade avermelhada (Antunes and Rodrigues, 2004). As escamas possuem uma mancha negra na sua origem (Weber et al., 2007) e a linha lateral, que não se encontra muito demarcada, é constituída por 44-46 escamas (Kottelat and Freyhof, 2007). A Fig. 38- Exemplar de Squalius carolitertii. (Antunes., 2012). Fig. 36- Mapa de distribuíção de Pseudochondrostoma duriense (Kottelat and Freyhof, 2007). Fig. 37- Distribuíção de Pseudochondrostoma duriense na bacia hidrográfica do rio Minho (Antunes, 2012). FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 52 Fig. 39- Distribuíção de Squalius carolitertii na bacia hidrográfica do rio Minho (Antunes, 2012). barbatana dorsal é levemente convexa, sendo constituída por 3 raios duros e 7 a 9 raios moles (Antunes and Rodrigues, 2004). A barbatana anal é composta por raios ramificados, dos quais 3 são duros e 6 a 9 são moles (Antunes and Rodrigues, 2004). Os indivíduos atingem um comprimento total que pode ultrapassar os 21cm (Kottelat and Freyhof, 2007). Habitat e Biologia: Trata-se de uma espécie de água doce endémica da Península Ibérica (fig. 39), cuja distribuição inclui a bacia hidrográfica do rio Minho (fig. 40) e se estende até ao rio Mondego (Weber et al., 2007). O seu habitat localiza-se preferencialmente em rios de montanha e de planície (Geraldes, 1999). O escalo apresenta um comportamento bentopelágico e uma dieta carnívora que se baseia em insetos, crustáceos, alevins e moluscos (Weber et al., 2007). Durante a sua fase juvenil, no entanto, a sua dieta é omnívora (Antunes, 2012). A maturação sexual ocorre quando os indivíduos completam os 3-4 anos de vida, ocorrendo a época reprodutiva entre abril e junho (Kottelat and Freyhof, 2007). Os ovos são aderentes e a sua postura ocorre em águas lentas, entre pedras e vegetação. A população deste peixe é sensível à destruição de habitat, à poluição e presença de espécies exóticas, não sendo contudo considerada ameaçada (Antunes and Rodrigues, 2004). Embora não possua importância comercial em algumas zonas a sua captura é apreciada por pescadores desportivos, podendo também ser realizada para consumo (Antunes, 2012). O tamanho mínimo de captura encontra-se nos 10cm (Edital Nº 37/2012). 7.5. Aspetos da Biologia do Góbio Ordem: Cypriniformes Família: Cyprinidae Espécie: Gobio lozanoi n. sp. Nome comum: Góbio Fig. 40 - Mapa de distribuíção de Squalius carolitertii (Kottelat and Freyhof, 2007). Fig. 41- Exemplar de Gobio Lozanoi. (Antunes., 2012). FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 53 Fig. 43- Mapa de distribuíção de Gobio lozanoi (Kottelat and Freyhof, 2007). Fisiologia: O corpo apresenta uma fisiologia alongada e moderadamente comprimida, observando-se uma linha lateral marcada, com 6-12 manchas negras, constituída por 36 a 39 escamas (Kottelat and Freyhof, 2007). A sua coloração acima da linha lateral possui tons cinzentos ou castanhos, enquanto, abaixo desta assume uma tonalidade castanha clara. Abaixo do olho encontra-se uma mancha escura característica (Doadrio and Madeira, 2004). Na parte posterior da boca ventral localizam-se 2 pequenos barbilhos (Antunes, 2012). A barbatana ventral é inserida posteriormente à origem da barbatana dorsal, sendo que todas as barbatanas apresentam pontos escuros (Doadrio and Madeira, 2004). A barbatana dorsal apresenta 7 raios, dos quais 2 a 3 são espinhosos, e a barbatana anal apresenta 2 a 3 raios espinhosos e 6 raios moles (Doadrio and Madeira, 2004). O comprimento total dos indivíduos pode ultrapassar os 12cm (Kottelat and Freyhof, 2007). Habitat e Biologia: O góbio corresponde a um peixe bentopelágico que habita rios e lagos (Muus and Dahlstrom, 1999). Trata-se de uma espécie exótica, cujo género foi detectado pela primeira vez na Península Ibérica (fig. 42) no séc. XIX, mais precisamente no troço terminal do rio Douro (Almaça, 1996). Embora durante vários anos se considerasse que os exemplares encontrados correspondiam à espécie Gobio gobio, recentes estudos genéticos provaram tratar-se da espécie Gobio lozanoi n. sp. (Doadrio and Madeira, 2004). Esta espécie é nativa da zona dos Pirenéus, encontrando-se presente nas bacias do Ebro e Bidasoa (Kottelat and Freyhof, 2007). Na bacia do rio Minho (fig. 43), onde foi detetada na década 90, a sua distribuição atinge a sub-bacia do rio Sil e o troço internacional (Antunes, 2012). Habita em águas correntes com fundos constituídos por gravilha ou areia (Doadrio and Madeira, 2004), alimentando-se de larvas de insetos, moluscos e crustáceos (Antunes, 2012). O góbio tem uma longevidade curta, atingindo a maturação sexual apenas um ano após o seu nascimento (Doadrio and Madeira, 2004). A época reprodutiva é mais longa que a da espécie Gobio góbio (Doadrio and Madeira, 2004,) que decorre entre maio e junho. Embora não possua importância comercial, este peixe é utilizado como isco vivo na pesca Fig. 42- Distribuíção de Gobio lozanoi na bacia hidrográfica do rio Minho (Antunes, 2012). FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 54 desportiva, podendo ser esta uma das causas da sua introdução no meio natural (Antunes, 2012). 7.6. Aspetos da Biologia do Salmão Ordem: Salmoniformes Família: Salmonidae Espécie: Salmo salar Linnaeus,1758 Nome comum: Salmão Fisiologia: O salmão apresenta uma grande variabilidade morfológica relacionada com as fases do seu ciclo de vida. O corpo é fusiforme, com um pedúnculo caudal estreito e ausência de escamas na cabeça (Almaça, 1996). A parte posterior da mandibula encontra-se ao nível da periferia do olho e manchas escuras podem ocorrer no opérculo (Antunes and Rodrigues, 2004). A linha lateral possui 120 a 130 escamas (Almaça, 1996). A barbatana dorsal é constituída por 10 a 12 raios ramificados, enquanto a barbatana anal tem entre 10 a 15 raios e a barbatana caudal possui 19 raios (Antunes and Rodrigues, 2004). Os adultos da espécie exibem no dorso uma coloração azul escura e negra, nos flancos tons prateados brilhantes, com marcas escuras em formas de “X” e ”Y” superiormente à linha lateral, e na cabeça e ventre uma tonalidade esbranquiçada (Schultz’s, 2003). Na barbatana caudal não existem melanóforos e na barbatana adiposa não se observa um bordo escuro (Antunes and Rodrigues, 2004). Na época reprodutiva o aparecimento de dimorfismo sexual altera a morfologia característica dos salmões adultos. Enquanto as fêmeas mantêm o seu aspeto prateado, os machos adquirem pontos de coloração alaranjada e encurvam as maxilas em forma de gancho (Antunes, 2012). Na fase juvenil a espécie caracteriza-se pela presença de 10 a 12 manchas azulacinzentadas com um ponto vermelho entre cada uma (Antunes and Rodrigues, 2004). Os salmões podem atingir um comprimento total de 150cm, contudo as fêmeas raramente atingem mais de 120cm (Muus and Dahlstrom, 1999). Habitat e Biologia: O salmão é uma espécie autóctone com comportamento anádromo (Schultz’s, 2003). A sua distribuição (fig. 45) inclui o norte do oceano Atlântico, o Canal da Mancha, o Mar do Norte e Báltico (Campbell and Nicholls, 1994). Os reprodutores, vindos do mar, começam a entrar nos rios onde nasceram em janeiro (Weber et al., 2007) migrando em direção à sua nascente. Nesta altura os salmões estão em boas condições Fig. 44-Exemplar juvenil de Salmo salar. FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 55 físicas e com grandes reservas de gordura, encontrando-se assim preparados para não se alimentarem até ocorrer a desova e para nadarem vigorosamente contra as correntes (Muus and Dahlstrom, 1999). A época reprodutiva decorre entre junho e novembro, em locais bem oxigenados (Antunes and Rodrigues, 2004), com corrente moderada e fundo de gravilha (Muus and Dahlstrom, 1999). Os ovos são depositados em águas com profundidade que varia entre 0,5 e 3m (Weber et al., 2007), no interior de um ninho que a fêmea escava no leito com vigorosos movimentos da cauda. O ninho pode possuir 10-30cm de profundidade e até 3m de comprimento (Muus and Dahlstrom, 1999). Os reprodutores produzem entre 500 e 2000 óvulos por Kg de peso (Antunes and Rodrigues, 2004), originando ovos com 5 a 7mm de diâmetro. Após a reprodução alguns salmões morrem, enquanto outros regressam ao mar, onde encontram alimento abundante que lhes permite uma rápida recuperação (Muus and Dahlstrom, 1999). Nos sobreviventes a morfologia de reprodução regride, voltando a manifestar-se cerca de 1 a 2 anos mais tarde quando voltam a estar aptos a desovar (Muus and Dahlstrom, 1999). Os ovos eclodem entre abril e maio, após um período de incubação de 70 a 200 dias, dependo da temperatura. Com cerca de 1 ano de idade, os alevins assumem a coloração juvenil e deslocam-se para águas mais ricas em alimento (Almaça 1996). A dieta dos salmões inclui insetos, crustáceos e peixes (Antunes e Rodrigues, 2004). Os jovens salmões (fase parr) permanecem no rio durante 1 a 5 anos (Weber et al., 2007), período em que atingem os 10-19cm de comprimento, completam a coloração prateada e iniciam a migração para o oceano (Muus and Dahlstrom, 1999). Esta migração ocorre na primavera e é estimulada pelo aumento da temperatura. No mar o crescimento dos salmões (fase smolt) é rápido (Schultz’s, 2003), e cerca de 1 a 4 anos após a sua chegada encontram-se preparados para se reproduzirem (Muus and Dahlstrom, 1999). Esta espécie, com grande importância comercial, tem uma longevidade que pode estender-se até aos 13 anos de idade (Antunes and Rodrigues, 2004). A sua população é ameaçada pela perda da qualidade da água, pela construção de barragens nos rios, que se constituem barreiras à sua migração, e pela poluição (Schultz’s, 2003; Antunes and Rodrigues, 2004). No rio Minho (fig. 46), a Fig. 46- Distribuíção de Salmo salar na bacia hidrográfica do rio Minho (Antunes, 2012). Fig. 45- Mapa de distribuíção de Salmo salar (Muus and Dahlstrom, 1999). FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 56 sua viagem em direção à nascente termina junto à barragem da Frieira, podendo entrar em afluentes como os rios Tea e Mouro (Antunes, 2012). Atualmente a situação da espécie encontra-se classificada como “Critica” (Instituto da Conservação da Natureza, 2006) e a sua pesca limitada a um tamanho mínimo de 55cm (Edital Nº37/2012). 7.7. Aspetos da Biologia da Truta Marisca Ordem: Salmoniformes Família: Salmonidae Espécie: Salmo trutta morpho trutta Linnaeus,1758 Nome comum: Truta Marisca Fisiologia: Este salmonídeo possui um corpo fusiforme com pedúnculo caudal arredondado característico (Rochard and Elie, 1994). A barbatana adiposa apresenta uma margem alaranjada. A barbatana dorsal é constituída por 8-10 raios e a barbatana anal por 12-18 raios. Na barbatana caudal observam-se 18 a 19 raios (Antunes and Rodrigues, 2004). A coloração dos indivíduos assume tons cinzento-azulados com numerosos pontos negros (Rochard and Elie, 1994) e é afetada pela salinidade da água. Após estes passarem algum tempo em água doce esta escurece dificultando a sua identificação (Antunes and Rodrigues, 2004). Trutas juvenis caracterizam-se pela presença de 9 a 10 manchas azul-acinzentadas com um ponto vermelho entre cada uma. A linha lateral contempla menos de 130 escamas (Antunes and Rodrigues, 2004). Os indivíduos podem atingir um comprimento máximo de 14cm (Muus and Dahlstrӧm, 1967). Habitat e Biologia: A truta marisca é uma espécie autóctone, com uma população que no rio Minho (fig. 49) parece manter alguma estabilidade (Antunes and Rodrigues, 2004). A sua distribuição (fig. 48) abarca o norte do oceano Atlântico, o Canal da Mancha e o Mar do Norte e Báltico (Campbell and Nicholls, 1994). Este peixe possui um comportamento anádromo, iniciando a subida dos rios entre setembro e fevereiro (Antunes and Rodrigues, 2004). A orientação da migração é feita com recurso à memória olfativa (Weber et al., 2007). Durante a migração ocorre o desenvolvimento da morfologia característica da época reprodutiva, com os machos a Fig. 47 -Exemplar de Salmo trutta morpho trut ta (Antunes, 2012). Fig. 48- Mapa de ditribuíção de Salmo trutta morpho trutta (Muus and Dahlstrom, 1999). FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 63 et al., 2007). A população deste peixe, que, por exemplo, se constitui alimento da enguia, é sensível à destruição do habitat e à introdução de espécies exóticas, contudo mostra-se resistente à diminuição da qualidade da água (Antunes and Rodrigues, 2004). Atualmente considera-se que a espécie se encontra em perigo de extinção (Instituto da Conservação da Natureza, 2006). 7.11. Aspetos da Biologia do Pimpão Ordem: Cypriniformes Família: Cyprinidae Espécie: Carassius auratus (Linnaeus, 1758) Nome comum: Pimpão Fisiologia: O corpo do pimpão é curto e aplanado lateralmente, exibindo uma boca, sem barbilhos, em posição apical (Antunes and Rodrigues, 2004). Na cabeça não se localizam escamas (Antunes and Rodrigues, 2004) e o peritoneu apresenta uma coloração negra (Kottelat and Freyhof, 2007). A barbatana dorsal é constituída por 17-24 raios, dos quais 3 a 4 são duros, e a barbatana anal possui 10-14 raios, sendo destes 2 a 3 duros (Antunes and Rodrigues, 2004). Na barbatana caudal observam-se entre 17 a 19 raios (Antunes and Rodrigues, 2004). Na linha lateral registam-se entre 27 a 31 escamas e o primeiro arco branquial possui entre 35 a 48 branquioespinhas (Muus and Dahlstrom, 1999). O pimpão exibe um comprimento máximo de 45cm (Muus and Dahlstrom, 1999). A coloração da espécie é variável, ostentando tons castanhos, no caso de se tratar de indivíduos selvagens (Antunes, 2012). Em indivíduos provenientes de cativeiro a cor pode variar entre o branco, o laranja e o dourado, entre outras (Antunes, 2012). Habitat e Biologia: Este peixe é originário da China, sendo a sua distribuição originária difícil de definir devido à sua introdução em vários países (Muus and Dahlstrom, 1999). Estima-se que a espécie foi domesticada na China há mais de 1000 anos atrás (Kottelat and Freyhof, 2007). A importação do pimpão para Portugal ocorreu provavelmente em 1611 (Muus and Dahlstrom, 1999), pensando-se que este terá sido o seu ponto de expansão para vários países da Europa, durante o século XVIII (Almaça, 1996). Trata-se de um peixe demersal e potamódromo (Antunes and Rodrigues, 2004) que habita tanques e canais com bastante vegetação (Kottelat and Freyhof, 2007). A sua distribuição em Portugal (fig. 60) atinge todos os rios (Almaça, 1996), podendo também ser observada em Fig. 59- Exemplar de Carassius auratus (Antunes, 2012). FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 64 Fig. 60- Distribuíção do Carassius auratus na bacia hidrográfica do rio Minho (Antunes, 2012). vários lagos naturais e artificiais. A reprodução decorre entre maio e junho, em locais com vasta vegetação subaquática onde colocam os ovos adesivos (Weber et al., 2007). As fêmeas desovam entre 160 000 a 380 000 ovos (Muus and Dahlstrom, 1999) em várias posturas de cerca de 4000 ovos que irão eclodir passados 8 dias dependendo da temperatura (Landau, 1992). A maturação ocorre aos 3-4 anos de idade, quando medem cerca de 15-20cm (Muus and Dahlstrom, 1999), e a sua permanência em águas frias é um fator importante para o desenvolvimento das gónadas (Antunes and Rodrigues, 2004). O pimpão pode cruzar-se com exemplares de carpa originando uma forma intermédia, a carpa kollar, que exibe apenas um par de barbilhos (Weber et al., 2007). Este hibrido, cujos machos são estéreis, ocorre, em Portugal, nos rios onde vivem populações selvagens de carpa e pimpão (Almaça, 1996). O pimpão é omnívoro, alimentando-se de plantas, invertebrados bentónicos e detritos (Kottelat and Freyhof, 2007), podendo viver mais de 20 anos em cativeiro. A espécie possui um baixo valor comercial, sendo principalmente utilizada em aquariofilia e ornamentação de lagos (Antunes and Rodrigues, 2004). A sua captura encontra-se interdita no rio Minho (Edital Nº37/2012). 7.12. Aspetos da Biologia da Tenca Ordem: Cypriniformes Família: Cyprinidae Espécie: Tinca tinca (Linnaeus, 1758) Nome comum: Tenca Fisiologia: A tenca caracteriza-se por possuir um corpo comprimido lateralmente com escamas pequenas e pedúnculo caudal curto (Antunes and Rodrigues, 2004). A pele é grossa e escorregadia (Weber et al., 2007). A cabeça apresenta uma forma triangular com a boca terminal (Antunes and Rodrigues, 2004), ladeada por um pequeno barbilho (Weber et al., 2007). A linha lateral exibe entre 95 a 120 escamas pequenas (Muus and Dahlstrom, 1999). Os olhos são pequenos e as barbatanas arredondadas (Antunes and Rodrigues, 2004). A barbatana dorsal possui 12 a 13 raios, dos quais 4 são duros e 8 a 9 moles (Antunes and Rodrigues, 2004). Na barbatana anal observam-se 9 a 12 raios, sendo 3 a 4 duros e 6 a 8 moles (Antunes and Rodrigues, 2004). A sua coloração varia Fig. 61- Exemplar de Tinca tinca (Antunes, 2012). FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 65 entre o verde-escuro e o castanho-escuro (Muus and Dahlstrom, 1999). Os machos, com cerca de 2 anos de idade, podem ser diferenciados das fêmeas com recurso ao segundo raio das barbatanas pélvicas, cuja morfologia é mais espessa (Muus and Dahlstrom, 1999). O comprimento comum pode atingir os 60cm (Kottelat and Freyhof, 2007). Habitat e Biologia: A distribuição natural da tenca é paleártica (fig. 62) (Almaça, 1996), resultando a sua atual presença na Península Ibérica (fig. 63) de uma introdução realizada no século XVII (Weber et al., 2007). Dados históricos da sua presença em granjas agrícolas de monges permitem considerar a hipótese deste ciprinídeo ter sido importado como um peixe aclimatado para o consumo em dias de abstinência (Almaça, 1996). No baixo Minho a espécie foi introduzida na década dos anos 90 (Weber et al., 2007). Este peixe é demersal, habitando águas calmas, preferencialmente com sedimentos finos no leito (Antunes and Rodrigues, 2004). A sua dieta é omnívora, baseando-se em algas, larvas de insetos e invertebrados, como mosquitos e caracóis (Muus and Dahlstrom, 1999). O seu comportamento é potamódromo (Weber et al., 2007) e a época reprodutiva decorre entre junho e julho, em locais com densa vegetação, onde as larvas aderem durante alguns dias (Antunes and Rodrigues, 2004). Uma fêmea com 500g pode libertar entre 300 000 e 900 000 ovos, com cerca de 0,8-1mm de diâmetro, em desovas separadas por 2 semanas de intervalo (Muus and Dahlstrom, 1999). As fêmeas podem realizar até um total de 9 desovas por ano se o tempo quente se prolongar (Kottelat and Freyhof, 2007). Os ovos eclodem ao final de 3 a 6 dias, dependendo da temperatura, e os alevins começam a alimentar-se 10 dias após o nascimento de animais planctónicos e invertebrados (Muus and Dahlstrom, 1999). A maturação dos juvenis ocorre quando estes atingem cerca de 25cm de comprimento (Weber et al., 2007). A longevidade da tenca prolonga-se aos 50 anos de vida (Kottelat and Freyhof, 2007). Este ciprinídeo, que pode hibernar no inverno, sobrevive em baixas concentrações de oxigénio dissolvido e durante longos períodos fora de água (Weber et al., 2007). Fig. 62- Distribuíção de Tinca tinca na bacia hidrográfica do rio Minho (Antunes, 2012). Fig. 63- Mapa de distribuíção de Tinca tinca (Kottelat and Freyhof, 2007). FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 66 7.13. Aspetos da Biologia do Lagostim Vermelho Ordem: Decápode Família: Cambaridae Espécie: Procambarus clarkii (Girard, 1852) Nome comum: Lagostim vermelho da Louisiana, Lagostim vermelho americano, Lagostim vermelho Fisiologia: O corpo do lagostim vermelho encontra-se dividido em cefalotórax e abdómen, possuindo um exosqueleto quitinoso impregnado com carbonato de cálcio e cromatóforos. No cefalotórax apresenta dois olhos pedunculados com capacidade de se movimentar e recolher independentemente em todas as direções (Bruxelas, 1986). O rostro, que pode apresentar espinhos e tubérculos marginais, não possui uma carena mediana (Horton and Hobbs, 1972). O primeiro par de patas torácicas, denominadas quelíceras, é maior do que as restantes e termina numa pinça (Brusca and Brusca, 2003). Nas pinças contabilizam-se entre 6 a 7 dentes (Ramos and Pereira, 1981) e verifica-se a existência de grandes granulações que podem formar espinhos (Füreder and Machinho, 2002). Nos machos os dois primeiros pares de pleópodes encontram-se modificados para a reprodução, desenvolvendo uma cor esbranquiçada e morfologia estiliforme (Bruxelas, 1986). Enquanto nos machos os poros genitais se localizam na base do último par de pereiópodes, nas fêmeas a abertura dos ovidutos é na base do terceiro par de pereiópodes (Hernández et al., 2008). Quanto à coloração os juvenis apresentam uma tonalidade castanha esverdeada enquanto os adultos exibem vermelho escuro na face ventral e vermelho vivo na face ventral (Ramos and Pereira, 1981). No entanto, estas cores podem ser influenciadas pela alimentação, pelo habitat e pelo ciclo de vida. Habitat e Biologia: O lagostim vermelho é uma espécie nativa do centro sul dos Estados Unidos da América e nordeste do México (Hobbs III et al., 1989), cuja distribuição se estende do sul de Illinois até à Louisiana. Interesses comerciais motivaram a sua introdução em vários países, levando a que atualmente esta se encontre estabelecida em habitats naturais por todos os continentes à exceção da Austrália e Antártida. A entrada do lagostim vermelho na Europa terá ocorrido através da Espanha que, em 1974, o importou com propósitos para aquacultura. Neste país espalhou-se rapidamente e acredita-se que, através de afluentes, se terá introduzido em Portugal (Marques et al., 1992). A presença de P. clarkii em território português foi assinalada pela primeira vez em Fig. 64- Exemplar de Procambarus clarkii. FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 67 1979, no Rio Caia, bacia hidrográfica do Guadiana (Ramos and Pereira, 1981). A sua grande adaptabilidade permitiu uma rápida invasão de outras áreas, sendo que, em 1986, já existiam populações bem desenvolvidas em arrozais de Elvas e a sua distribuição estendia-se pelo Sul de Portugal (Bruxelas, 1986). Em 1993 foram observados pela primeira vez nos Açores, na Lagoa do Peixe, na ilha de São Miguel (Correia and Costa, 1994). Atualmente este crustáceo é considerado uma espécie invasora (Decreto-Lei nº 546/99), encontrando-se disseminado por todo o território português. O lagostim vermelho possui um habitat preferencial em meios temporariamente lênticos, sendo que, também se pode desenvolver em meios lóticos (Churcholl, 2011). Nos arrozais este origina graves estragos nos sistemas de drenagem e vários prejuízos derivados da atividade escavadora que o caracteriza (Correia and Ferreira, 1995). O ciclo de vida do P. clarkii é influenciado pelas condições climáticas, temperatura e ciclo hidrológico do seu habitat que determinam o número de gerações por ano, o crescimento e a densidade populacional (Ilhéu and Bernardo, 1995). Fêmeas com mais de 50mm de carapaça, após um período de maturação dos ovos de cerca de três meses, podem originar mais de 600 juvenis viáveis (Hobbs III et al., 1989). Em Portugal, tal como no Louisiana, a reprodução inicia-se em junho e termina em outubro, ocorrendo neste período uma maior atividade escavadora por parte das fêmeas (Correia and Ferreira, 1995). Os lagostins vermelhos alimentam-se essencialmente de vegetação e detritos, porém esta pode ser diversificada dependendo do tipo de alimento disponível (Ilhéu and Bernardo, 1993). Enquanto omnívoro alimentase de macroinvertebrados aquáticos, ovos de anfíbios, larvas e girinos (Correia, 2002; Alcorlo et al., 2004; Correia et al., 2005). No entanto, durante a fase juvenil, com grandes necessidades energéticas para crescimento, é mais acentuada a preferência por alimentação carnívora (Correia, 2002). 7.14. Aspetos da Biologia da Carpa Ordem: Cypriniformes Família: Cyprinidae Espécie: Cyprinus carpio Linnaeus, 1758 Nome comum: Carpa Fisiologia: A carpa apresenta uma morfologia variável na forma, cor e desenvolvimento das barbatanas (Antunes and Rodrigues, 2004). A boca é terminal (Weber et al., 2007) e o lábio superior possui dois pares de barbilhos, uns longos e outros curtos (Muus and Fig. 65- Exemplar de Cyprinus carpio (Antunes, 2012). FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 68 Dahlstrom, 1999). A barbatana dorsal é constituída por 20 a 27 raios, dos quais 3 a 4 são duros e 17 a 23 moles (Antunes and Rodrigues, 2004). Na barbatana anal registam-se 2 a 3 raios duros e 5 a 6 raios moles e na barbatana caudal contam-se 3 raios duros e 17-19 moles. Na linha lateral observam-se 33 a 40 escamas (Muus and Dahlstrom, 1999). Este peixe pode atingir um comprimento superior a 1,10m ( Kottelat and Freyhof, 2007). O seu dorso pode assumir uma tonalidade castanho-esverdeado com reflexos amarelados (Weber et al., 2007). Enquanto as carpas comuns encontram-se cobertas por escamas pequenas e uniformes, as carpas espelho exibem escamas espelhadas de diferentes tamanhos (Muus and Dahlstrom, 1999). Habitat e Biologia: Esta espécie, de origem asiática (fig. 66), apresenta uma distribuição natural que se estende desde a Manchúria aos rios do Mar Negro (Muus and Dahlstrom, 1999). Trata-se de uma das primeiras espécies a ser produzida em aquacultura, encontrando-se registos históricos deste facto desde 3500 a.C. (Parker, 2012). Entre os séculos VII e XIII, esta terá sido introduzida na Itália pelos romanos, reconhecendo-se que anos mais tarde, na idade média, a sua cultura já era comum nos mosteiros da Europa central (Almaça, 1996). Nos séculos XVI-XVII ocorreu a importação da carpa, como peixe ornamental, para Espanha, onde esta terá povoado os rios, formando populações selvagens e dispersando-se para Portugal (Almaça, 1996). No Baixo Minho (fig. 67) a carpa foi introduzida na década dos anos 90 (Antunes, 2012). Este peixe habita preferencialmente águas calmas, de rios ou lagos, com fundo lamacento e vegetação densa (Muus and Dahlstrom, 1999). Corresponde a uma espécie que suporta baixos valores de oxigénio dissolvido, contaminação orgânica e temperaturas elevadas do meio (Weber et al., 2007). A sua dieta é omnívora, incluindo macroinvertebrados, moluscos e plantas aquáticas existentes no sedimento (Antunes, 2012). A época de reprodução ocorre na primavera e verão, quando a temperatura ultrapassa os 18ºC (Antunes and Rodrigues, 2004). Nesta época os reprodutores procuram zonas pouco profundas com vegetação subaquática (Geraldes, 1999), onde depositam os ovos aderentes. Os ovos Fig. 66- Mapa de distribuíção de Cyprinus carpio (Kottelat and Freyhof, 2007). Fig. 67- Distribuíção de Cyprinus carpio na bacia hidrográfica do rio Minho (Antunes, 2012). FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 69 libertados, que podem corresponder a 1/3 do peso da fêmea, possuem cerca de 1mm de diâmetro (Muus and Dahlstrom, 1999). Ao final de 2 a 3 dias, dependendo da temperatura, eclodem larvas com 10mm de comprimento que ainda permanecem junto ao fundo durante 2 a 3 dias (Muus and Dahlstrom, 1999). A alimentação das larvas inicia-se por pequenos organismos zooplanctónicos, tal como rotíferos (Kottelat and Freyhof, 2007). O crescimento é dependente do alimento disponível, registando-se a maturidade sexual entre os 3-4 anos de idade (Geraldes, 1999). A carpa pode viver até aos 50 anos de idade, e normalmente desova todos os anos ( Kottelat and Freyhof, 2007). Embora esta seja consumida em vários países e regiões de Portugal, no rio Minho a espécie não é apreciada pelos consumidores, não apresentando assim valor comercial (Antunes and Rodrigues, 2004). Atualmente, no rio Minho, a sua pesca encontra-se interdita pela norma que proíbe a captura de espécies exóticas (Edital Nº 37/2012). 7.15. Aspetos da Biologia do Barbo Ordem: Cypriniformes Família: Cyprinidae Espécie: Luciobarbus bocagei Steindachner, 1864 Nome comum: Barbo Fisiologia: O barbo possui um corpo fusiforme, com uma cabeça curta de perfil convexo e boca localizada em posição ínfera (Antunes and Rodrigues, 2004). Sobre a boca localizam-se 2 pares de barbilhos de tamanho médio e na linha lateral contabilizam-se entre 45 a 52 escamas (Almaça, 1996). A barbatana dorsal possui 3 a 4 raios duros e 7 a 9 moles, enquanto a barbatana anal apresenta 3 a 5 raios duros e 4 a 6 moles (Antunes e Rodrigues, 2004). O comprimento total comum para a espécie é de 50cm (Geraldes, 1999). A coloração do barbo é variável, podendo na zona dorsal apresentar tons esverdeados e na zona ventral amarelados (Antunes and Rodrigues, 2004). Indivíduos juvenis podem apresentar manchas escuras no dorso (Geraldes, 1999). Habitat e Biologia: Trata-se de um peixe bentopelágico endémico da Península Ibérica (fig. 69), cuja distribuição no rio Minho (fig. 70) aparenta limitar-se a uma zona compreendida entre Monção e Melgaço (Antunes, 2012). Contudo, considera-se que se trata de uma espécie frequente no norte e centro de Portugal (Almaça, 1996). O seu habitat preferencial localiza-se nas zonas médias e baixas dos rios com correntes lentas Fig. 68- Exemplar de Luciobarbus bocagei (Antunes, 2012). FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 70 Fig. 69- Mapa de distribuíção de Luciobarbus bocagei (Kottelat and Freyhof, 2007). (Kottelat and Freyhof, 2007). O barbo é um peixe omnívoro, ingerindo detritos, algas, plantas subaquáticas, moluscos, crustáceos e larvas de invertebrados que recolhe do leito dos cursos de água (Geraldes, 1999). A postura ocorre no verão sobre fundos pedregosos, com leve corrente e baixa profundidade (Antunes, 2012). Os ovos apresentam um diâmetro de cerca de 2mm (Almaça, 1996). As fêmeas crescem mais rapidamente que os machos, no entanto, estes atingem a maturidade sexual aos 2 anos de idade, enquanto as fêmeas apenas a desenvolvem aos 6 anos de idade (Almaça, 1996). A longevidade do barbo corresponde a 8 anos, no caso dos machos, e a 11 anos nas fêmeas (Geraldes, 1999). A espécie não possui importância comercial e não se encontra ameaçada (Antunes and Rodrigues, 2004). O seu tamanho mínimo de captura encontra-se nos 20cm (Edital Nº 37/2012). 7.16. Aspetos da Biologia do Achigã Ordem: Perciformes Família: Centrarchidae Espécie: Micropterus salmoides (Lacepède, 1802) Nome comum: Achigã Fisiologia: O achigã caracteriza-se por apresentar um corpo fusiforme achatado lateralmente com uma linha lateral constituída por 63 a 69 escamas (Antunes and Rodrigues, 2004). A cabeça deste peixe corresponde a cerca de ¼ do seu comprimento total (Weber et al., 2007), sendo que o maxilar se estende para além do olho (Antunes and Rodrigues, 2004). A barbatana dorsal divide-se em 2 partes, exibindo a anterior menor altura (Weber et al., 2007) e raios espinhosos (Geraldes, 1999). No total a barbatana dorsal é constituída por 10 raios duros e 11 a 14 moles (Antunes and Rodrigues, 2004). A barbatana anal possui 3 raios duros e 10 a 12 moles e a barbatana caudal tem um total de 17 raios (Antunes and Rodrigues, 2004). A linha lateral apresenta uma série de manchas escuras (Geraldes, 1999). A coloração no dorso é esverdeada, os Fig. 71- Exemplar de Micropterus salmoides (Antunes, 2012). Fig. 70- Distribuíção de Luciobarbus bocagei na bacia hidrográfica do rio Minho (Antunes, 2012). FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 71 lados apresentam-se prateados com manchas escuras e o ventre é branco (Weber et al., 2007). O comprimento máximo para a espécie encontra-se nos 50cm (Geraldes, 1999). Habitat e Biologia: Nativo da América do Norte (fig. 72), o achigã, foi importado para a Europa no fim do século XIX, registando-se a sua introdução em Portugal nos anos 50 (Weber et al., 2007). Em Espanha, a sua introdução ocorreu em 1955 (Almaça, 1996). Mais especificamente, na bacia hidrográfica do rio Minho (fig. 73) esta espécie exótica foi introduzida nos meados do século XX (Antunes, 2012). O achigã corresponde a uma espécie sedentária, procurando águas lentas ou paradas com vegetação abundante (Weber et al., 2007). Trata-se de um peixe que tolera grande variação de temperatura, suportando até 30ºC (Weber et al., 2007). O seu comportamento é bentopelágico (Antunes and Rodrigues, 2004) e a sua dieta alimentar inclui peixes, crustáceos, plâncton, larvas de insetos e invertebrados (Geraldes, 1999). A sua voracidade de predador, que origina mesmo canibalismo, causa impacto negativo nos ecossistemas em que se introduz (Antunes, 2012). A postura do achigã decorre entre março e julho (Antunes and Rodrigues, 2004), verificando-se a construção de ninhos e a vigilância de ovos e juvenis por parte dos machos (Geraldes, 1999). Os juvenis inicialmente alimentam-se de invertebrados, evoluindo gradualmente para a dieta característica dos adultos (Kottelat and Freyhof, 2007). A longevidade reconhecida à espécie encontra-se nos 16 anos e o desenvolvimento da maturação sexual dos seus indivíduos ocorre aos 1-4 anos de idade (Kottelat and Freyhof, 2007). O achigã possui baixa importância comercial, sendo apreciada a sua captura por pescadores desportivos (Antunes and Rodrigues, 2004). Tal como ocorre com a carpa, também o achigã é abrangido pela norma que proíbe a pesca de espécies exóticas no rio Minho (Edital Nº37/2012). Fig. 73- Distribuíção de Micropterus salmoides na bacia hidrográfica do rio Minho (Antunes, 2 012). Fig. 72- Mapa de distribuíção de Micropterus salmoides (Florida Museum of natural history, 2013). FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 72 Fig. 75- Distribuíção de Cobitis paludica na bacia hidrográfica do rio Minho (Antunes, 2012). 7.17. Aspetos da Biologia do Verdemã do Norte Ordem: Cypriniformes Família: Cyprinidae Espécie: Cobitis paludica Bacescu, 1962 Nome comum: Verdemã, Verdemã do Norte Fisiologia: O corpo do verdemã é longo, exibindo nos flancos linhas longitudinais de manchas escuras, com maior dimensão na parte inferior que na superior (Weber et al., 2007). O seu comprimento atinge os 12cm, as escamas são pequenas e debaixo do olho encontra-se uma espinha bífida (Antunes and Rodrigues, 2004). No maxilar possui três pares de barbilhos (Weber et al., 2007). Na barbatana dorsal contabilizam-se entre 10 a 12 raios, enquanto a barbatana anal se constitui apenas por 7 a 9 raios (Antunes and Rodrigues, 2004). A barbatana caudal possui 14 raios (Kottelat and Freyhof, 2007). A sua coloração é esverdeada, possuindo uma tonalidade mais clara no ventre. Habitat e Biologia: Esta espécie, endémica da Península Ibérica (fig. 75), era desconhecida na zona do rio Minho até à década de 90, data em que foi detetada no rio Tea e Ilhas Grandes (Antunes and Rodrigues, 2004). Atualmente o verdemã do norte pode ser observado em toda a área do Baixo Minho (fig. 76), já que, a sua distribuição se expandiu com as cheias de 2000/01 (Antunes, 2012). O habitat deste peixe localiza-se em zonas médias e altas de rios e ribeiros com águas límpidas e leitos de areia ou cascalho (Weber et al., 2007). A dieta do verdemã baseia-se em pequenos organismos que consome através da ingestão de areia, que posteriormente elimina pela área branquial (Antunes, 2012). As fêmeas da espécie podem completar 5 anos de vida enquanto os machos se limitam aos 4 anos de idade (Kottelat and Freyhof, 2007). Trata-se de uma espécie ovípara que, entre maio e julho, deposita na vegetação ovos adesivos com 1,7mm de diâmetro (Kottelat and Freyhof, 2007). A maturidade sexual desenvolve-se quando os juvenis completam um ano. Ainda que esta espécie seja resistente a Fig. 74- Exemplar de Cobitis paludica (Anutnes, 2012) Fig. 76- Mapa de distribuíção de Cobitis palu dica (Kottelat and Freyhof, 2007). FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 79 and Nicholls, 1994). Com comportamento demersal, o negrão alimenta-se principalmente de invertebrados, algas e detritos (Antunes and Rodrigues, 2004). A sua presença em água doce ocorre principalmente no verão com objetivos alimentares, assumindo um comportamento gregário (Antunes, 2012). A sua dieta inclui zooplâncton, algas epipelágicas, copépodes, nematodes e pequenos invertebrados como gastrópodes (Bath et al., 2003). Os machos da espécie atingem a maturidade sexual com 2 anos de idade enquanto as fêmeas apenas a desenvolvem com 3 anos de idade (Kottelat and Freyhof, 2007). A reprodução ocorre no mar, durante o inverno, sendo os ovos e as larvas pelágicas (Antunes, 2012). As fêmeas com cerca de 1 Kg de peso podem originar mais de 700000 ovos com cerca de 1,3mm diâmetro (Bath et al., 2003). Os juvenis com cerca de 20mm habitam lagoas costeiras e estuários, migrando para o mar aquando a chegada do verão (Kottelat and Freyhof, 2007). O negrão pode viver até aos 25 anos de idade (Antunes and Rodrigues, 2004), não se considerando a espécie ameaçada (Freyhof and Brooks, 2011). 7.23. Aspetos da Biologia do Linguado Ordem: Pleuronectiformes Família: Soleidae Espécie: Solea solea (Linnaeus, 1758) Nome comum: Linguado, Linguado-legitimo Fisiologia: O corpo é alongado e achatado, encontrando-se o lado direito do corpo voltado para cima (Campbell and Nicholls, 1994). As barbatanas dorsais e anais, que se iniciam anteriormente à posição dos olhos, atingem a localização da barbatana caudal (Antunes and Rodrigues, 2004). A cabeça é arredondada e a boca não se localiza na extremidade da parte anterior do corpo (Campbell and Nicholls, 1994). A barbatana dorsal possui 72 a 95 raios enquanto na barbatana anal se compreendem entre 53 a 80 raios (FAO, 2013c). As barbatanas peitorais, localizadas em cada lado do corpo, constituem-se por 7 a 10 raios (FAO, 2013c). O pedúnculo caudal é distinto e na linha lateral contabilizam-se um total de 116-163 escamas tubulares (Campbell and Nicholls, 1994). O comprimento total pode atingir os 70cm (Antunes and Rodrigues, 2004). A coloração do Fig. 91 - Exemplar de Solea solea (FAO, 2013 c ). Fig. 90 - Distribuíção de Chelon labrosus na bacia hidrográfica do rio Minho (Antunes, 2012). FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 80 lado direito do corpo é acastanha com tons castanho-avermelhados e pontos negros difusos, enquanto o lado esquerdo é esbranquiçado (FAO, 2013c). Habitat e Biologia: Trata-se de uma espécie demersal com distribuição no oceano Atlântico, Mar Mediterrâneo, Canal da Mancha, Mar do Norte e Báltico oeste (fig. 92) (Campbell and Nicholls, 1994). O seu habitat localiza-se em substrato lodoso e arenoso, estendendo-se até aos 300m de profundidade (FAO, 2013c). No estuário do rio Minho entram larvas e juvenis de linguado, principalmente, entre março e setembro, sendo rara a observação de adultos (Antunes and Rodrigues, 2004). Com um comportamento solitário, este peixe alimenta-se de poliquetas, vermes, pequenos bivalves, peixes e crustáceos (FAO, 2013c). A época de reprodução ocorre entre abril e julho nas populações do Mar do Norte, entre março e abril no oceano Atlântico e em fevereiro nas populações que habitam o Mediterrâneo (Dahlstrom and Muus, 1981). As fêmeas libertam entre 100000-150 00 ovos com 1,3-1,5mm de diâmetro que eclodem em 10 dias, quando presentes em águas com uma temperatura de 9-10ºC (Dahlstrom and Muus, 1981). As larvas, originalmente com um comprimento de 3-6mm, são pelágicas, evoluindo gradualmente como o seu crescimento para um comportamento bentónico. A maturação sexual dos linguados ocorre entre o 3º e o 5º ano de vida, com cerca de 25-30cm de comprimento (Dahlstrom and Muus, 1981). Trata-se de uma espécie com alto valor económico (Antunes and Rodrigues, 2004) cuja longevidade se encontra nos 4-8 anos de vida (Dahlstrom and Muus, 1981). O seu tamanho mínimo de captura corresponde a 24cm (Edital Nº37/2012). 7.24. Aspetos da Biologia da Solha Ordem: Pleuronectiformes Família: Pleuronectidae Espécie: Platichthys flesus (Linnaeus, 1758) Nome comum: Solha, Patruça, Solha-das-pedras Fisiologia: O corpo da solha tem uma fisionomia achatada e oval, com escamas pequenas, encontrando-se os olhos na mesma face (Antunes and Rodrigues, 2004). Fig. 92- Mapa de distribuíção de Solea solea (FAO, 2013c). Fig. 93-Exemplar de Platichthys flesus ( Antunes , 2012). FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 81 Embora os olhos se encontrem normalmente do lado direito do corpo a situação inversa é frequente (Saldanha, 1995). A boca é pequena e não se estende até ao olho (Antunes and Rodrigues, 2004). Na porção anterior da linha lateral e junto à base das barbatanas dorsal e anal encontram-se fiadas de tubérculos ósseos (Muus and Dahlstrom, 1999). A linha lateral, constituída por 80 escamas, sofre uma pequena arqueação na zona da barbatana peitoral (Antunes and Rodrigues, 2004). O comprimento total da solha normalmente não ultrapassa os 30cm, contudo pode atingir 50cm aos 15-20 anos de idade (Muus and Dahlstrom, 1999). Na barbatana dorsal contabilizam-se 49 a 71 raios e a barbatana anal é formada por 33 a 48 raios (Antunes and Rodrigues, 2004). Na face superior apresenta uma cor acastanhada, acinzentada ou olivácea, sendo por vezes manchada a vermelho, enquanto na face inferior é branca ou parcialmente pigmentada (Saldanha, 1995; Antunes and Rodrigues, 2004). Habitat e Biologia: A solha corresponde ao único peixe achado europeu que existe em águas doces (Muus and Dahlstrom, 1999). A sua distribuição (fig. 94/ fig. 95) inclui o oceano Atlântico, Mar Mediterrâneo, Canal da Mancha e Mar do Norte e Báltico (Campbell and Nicholls, 1994). Trata-se de uma espécie autóctone demersal que habita em águas costeiras, estuários e cursos de água doce, localizando-se sobre o sedimento (Antunes, 2012). Embora seja residente destes locais, desenvolve uma mobilidade sazonal com o mar (Antunes and Rodrigues, 2004). Pode habitar a zona tidal de águas interiores, em profundidades até 50m (Campbell and Nicholls, 1994). A sua alimentação varia com o meio que habita (Antunes, 2012). No mar alimenta-se de vermes, bivalves, anfípodes, crustáceos e pequenos peixes, enquanto nos rios pode consumir larvas de mosquitos, anfípodes e moluscos (Muus and Dahlstrom, 1999). A época reprodutiva ocorre em meio marinho entre março e junho (Weber et al., 2007). As fêmeas podem originar de 400 000 a 2000 000 ovos, com 1mm de diâmetro, que necessitam de altos valores de salinidade para flutuarem e se dispersarem (Muus and Dahlstrom, 1999). As larvas eclodem ao final de 5 a 7 dias (Weber et al., 2007), sendo transparentes, pelágicas e planctónicas (Muus and Dahlstrom, 1999). Estas começam a aparecer nos estuários no mês de fevereiro (Antunes, 2012). A metamorfose das larvas ocorre entre a primavera e o verão (Antunes and Rodrigues, 2004), verificando-se a Fig. 94- Mapa de distribuíção de Platichthys flesus (Kottelat and Freyhof, 2007). FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 82 deslocação do olho esquerdo através do topo da cabeça até os dois olhos ficarem do lado direito (Muus and Dahlstrom, 1999). Neste momento o juvenil começa a nadar com a face direita direcionada para cima (Weber et al., 2007). Quando completam os 10mm de comprimento os juvenis deixam de ser pelágicos e migram para águas costeiras (Kottelat and Freyhof, 2007). Os machos completam a maturidade aos 3 anos de idade e as fêmeas aos 4 anos, podendo a espécie viver até aos 20 anos de idade (Muus and Dahlstrom, 1999). A solha é muito apreciada no Baixo Minho, não satisfazendo a pesca profissional as necessidades dos consumidores (Antunes, 2012). O tamanho mínimo de captura para a espécie corresponde a 16cm, podendo esta ser capturada artesanalmente com a rede picadeira (Edital Nº37/2012). Atualmente o estado da espécie é considerado “Pouco Preocupante” (Freyhof and Brooks, 2011). 7.25. Aspetos da Biologia da Morca Ordem: Atheriniformes Família: Atherinidae Espécie: Atheryna boyeri Risso, 1810 Nome comum: Morca, Peixe rei Fisiologia: A morca possui uma boca oblíqua com olhos grandes (Weber et al., 2007). Parte do seu corpo é semitransparente, apresentando uma tonalidade semelhante à areia (Antunes, 2012). A barbatana caudal é nitidamente bifurcada e as fêmeas caracterizam-se por exibirem um comprimento superior ao dos machos, atingindo os 20cm (Antunes and Rodrigues, 2004). O comprimento total comum para a espécie é de 12-15 cm (Muus and Dahlstrom, 1999). A primeira barbatana dorsal localiza-se atrás do nível da barbatana peitoral e acima da base da barbatana pélvica (Muus and Dahlstrom, 1999). A barbatana dorsal apresenta 7-10 raios espinhosos e 8-16 raios moles, enquanto a barbatana anal possui 2 raios espinhosos e 10-18 raios moles (Muus and Nielsen, 1999). Habitat e Biologia: Corresponde a uma espécie pelágica, eurihalina, cuja distribuição se estende ao rio Minho (fig. 98) durante todo o ano (Antunes and Rodrigues, 2004). Subespécies deste peixe habitam o Mar Negro e Cáspio, lagos italianos e rios do Fig. 96- Exemplar de Atheryna boyeri (Antunes, 2012). Fig. 95- Distribuíção de Platichthys flesus na bacia hidrográfica do rio Minho (Antunes, 2012). FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 83 Mediterrâneo (fig. 97) (Muus and Dahlstrom, 1999). As morcas entram nos estuários durante o verão, formando cardumes, e podendo deslocarse para zonas superiores dos rios (Weber et al., 2007). A sua alimentação é composta por zooplâncton (Weber et al., 2007). Os juvenis desenvolvem a maturação sexual aquando os 1-2 anos de idade, podendo a sua longevidade prolongar-se até aos 4 anos (Kottelat and Freyhof, 2007). A época reprodutiva decorre entre abril a agosto, libertando-se 600 ovos, com 2mm de diâmetro, em diferentes posturas com vários dias de intervalo (Muus and Dahlstrom, 1999). Os ovos aderem a algas flutuantes (Weber et al., 2007). As larvas são pelágicas e normalmente formam cardumes perto da costa (Kottelat and Freyhof, 2007). No passado, na região do Minho, este peixe, devido à sua quantidade e comportamento gregário, foi utilizado na alimentação da população local (Antunes, 2012). 7.26. Aspetos da Biologia do Robalo Ordem: Perciformes Família: Moronidae Espécie: Dicentrarchus labrax (Linnaeus, 1758) Nome comum: Robalo Fisiologia: Corpo alongado, pouco comprimido, com barbatanas dorsais de igual tamanho e um pedúnculo caudal alto (Sobral and Gomes, 1997). A primeira barbatana dorsal tem 8 a 10 raios espinhosos, enquanto a segunda apresenta um raio espinhoso e 12-13 raios moles; o pedúnculo caudal tem 3 raios espinhosos e 10-12 raios moles (FAO, 2005). No opérculo apresenta espinhos lisos. As escamas são pequenas, ciclóides e formam uma linha lateral escura completa com 62 a 74 escamas, que não se estende sobre a barbatana caudal. A barbatana caudal é moderadamente bifurcada (FAO, 2005). A sua boca é grande, possuindo o maxilar inferior um pouco mais saliente que o superior e uma banda em forma de crescente de dentes voméricos (Sobral and Gomes, 1997). O dorso deste peixe tem um tom cinzento prateado a azulado, enquanto o ventre por vezes Fig. 97- Mapa de distribuíção de Atheryna boyeri (M uus and Dahlstrom, 1999). Fig. 98- Distribuíção de Atheryna boyeri da bacia hidrográfica do rio Minho (Antunes, 2012). Fig. 99 - Exemplar de Dicentrarchus labrax ( FAO, 2005). FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 84 pode ser amarelo. Os flancos são prateados sem manchas negras (Saldanha, 1995) e o ângulo superior do opérculo apresenta uma mancha escura (Campbell and Nicholls, 1994). Nos juvenis podem ocorrer alterações na coloração, registando-se pequenas manchas negras que desaparecem na idade adulta (FAO, 2005). O tamanho máximo que a espécie pode atingir é 1m (Saldanha, 1995); porém, o mais comum é ter entre 20 e 55cm de comprimento (Sobral and Gomes, 1997). Habitat e Biologia: O robalo é um teleósteo com distribuição na costa do Atlântico, no Mediterrâneo, Canal da Mancha, Mar do Norte e Báltico (fig. 100) (Campbell and Nicholls, 1994). É uma espécie pelágica, com habitat em águas costeiras até 100m de profundidade (Campbell and Nicholls, 1994), sendo mais comum em águas pouco profundas. Pode penetrar em estuários (Saldanha, 1995) e, por vezes, formar grupos compactos para a reprodução nos rios. Na fase juvenil podem ser encontrados em águas salobras mais protegidas, sendo comum a sua entrada no estuário do rio Minho e canais do sapal. No verão chegam por vezes a Vila Nova de Cerveira (Antunes and Rodrigues, 2004). A sua alimentação é carnívora, quer na fase juvenil quer na adulta, variando a sua composição segundo o tamanho, idade e distribuição local e sazonal das presas. Maioritariamente predam peixes e invertebrados (camarões, caranguejos, lulas) (Sobral and Gomes, 1997). A espécie apenas possui uma época reprodutiva por ano, que varia segundo a latitude, decorrendo nas populações do oceano Atlântico entre dezembro e junho (FAO, 2005). A maturação dos robalos desenvolve-se quando estes completam os 4 a 7 anos de vida, possuindo um comprimento de 35cm, no caso dos machos, ou 42cm, no caso das fêmeas (Kottelat and Freyhof, 2007). A desova ocorre em águas com salinidade menor que 35‰, perto de estuários, e os ovos pelágicos apresentam um tamanho compreendido entre 1,02 e 1,39mm (FAO, 2005). Estes originam larvas planctónicas que se desenvolvem em juvenis piscívoros que se afastam da costa à medida que crescem (Kottelat and Freyhof, 2007). A longevidade reconhecida à espécie encontra-se nos 30 anos de idade (Kottelat and Freyhof, 2007). É uma espécie procurada pelos pescadores desportivos, possuindo um alto valor comercial (Antunes and Rodrigues, 2004). O interesse comercial associado à espécie levou a que o robalo fosse a primeira espécie marinha não salmonídea a ser Fig. 100- Mapa de distribuíção de Dicentrarchus labrax (Kottelat and Freyhof, 2007). FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 85 produzida em aquacultura na Europa, correspondendo hoje a uma das mais importantes espécies produzidas na região do mediterrâneo (FAO, 2005). Atualmente há registo de produção de robalo em aquacultura em sistemas extensivos e semi-intensivos em lagoas de água salgada; no entanto, o pico de produção é proveniente de cultivo em jaulas marinhas (FAO, 2005). 7.27. Aspetos da Biologia do Sargo Ordem: Actinopterygii Família: Sparidae Espécie: Diplodus sargus (Linnaeus, 1758) Nome comum: Sargo, Sargo-legítimo Fisiologia: O sargo apresenta um corpo oval caracterizado pela presença de bandas verticais escuras que alternam com bandas claras nos flancos (Antunes and Rodrigues, 2004). Nos juvenis apenas se observam 5 bandas negras (FAO, 2013b). O dorso exibe reflexos prateados, o ventre é esbranquiçado e o pedúnculo caudal possui uma mancha negra (Saldanha, 1995). A barbatana dorsal possui 11-12 raios duros e 12-16 raios moles, enquanto a barbatana anal apenas possui 3 raios duros e 12-14 raios moles (FAO, 2013b). A linha lateral é constituída por 58-68 escamas e estende-se até à cauda bifurcada (FAO, 2013b). O comprimento total pode ultrapassar os 35cm (Saldanha, 1995). Habitat e Biologia: Com comportamento pelágico, o sargo possui uma distribuição (fig. 102) que se alarga ao oceano Atlântico, Mediterrâneo e Mar Negro (FAO, 2013b). O seu habitat localiza-se em ambientes infralitorais rochosos (Saldanha, 1995), podendo ainda ocorrer em volta de montes submarinos de baixa profundidade e sobre fundos de areia e de rocha, a cerca de 50m de profundidade (Gallagher et al., 2006). O sargo forma cardumes e possui uma dieta omnívora que inclui ervas marinhas e invertebrados bentónicos, como crustáceos e moluscos (FAO, 2013b). No rio Minho, no estuário, observa-se a entrada de juvenis da espécie em busca de alimento durante o verão (Antunes and Rodrigues, 2004). Os juvenis da espécie atingem a maturação sexual com cerca de 21cm, a que corresponde uma Fig. 101-Exemplar adulto de Diplodus sargus (FAO, 2013). Fig. 102- Mapa de distribuíção de Diplodus sargus (FAO, 2013b). FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 86 idade de 2-4 anos dependendo da localização (Mouine et al., 2007). Trata-se de uma espécie hermafrodita, cuja época reprodutiva se inicia em março, aquando o inicio do aquecimento das águas, e se prolonga até junho (Mouine et al., 2007). A idade máxima reconhecida para a espécie encontra-se nos 10 anos (Gallagher et al., 2006). O sargo apresenta valor comercial, correspondendo a um recurso pesqueiro bastante explorado (FAO, 2013b). A sua produção em aquacultura é recente, encontrando-se atualmente ainda em otimização. 7.28. Aspetos da Biologia da Lontra Ordem: Carnívora Família: Mustelidae Espécie: Lutra lutra (Linnaeus, 1758) Nome comum: Lontra, Lontra-europeia Fisiologia: O corpo da lontra apresenta uma forma alongada e hidrodinâmica (Caetano et al., 2008), terminando numa cauda grossa e pontiaguda (Weber et al., 2007). Pode atingir um comprimento total de 90cm, dos quais cerca de 40-50cm correspondem à cauda (Hofmann, 1997). A estes valores equivale um peso de 12 kg (Weber et al., 2007). Os membros são curtos e possuem membranas interdigitais natatórias (Caetano et al., 2008). Os olhos, nariz e orelhas situam-se no cimo da cabeça (Caetano et al., 2008) que possui um conjunto de vibrissas faciais extremamente sensíveis (Hofmann, 1997). A pele da lontra encontra-se impregnada de gordura e impermeabilizada por uma pelagem espessa (Weber et al., 2007). A sua coloração é castanho-brilhante (Hofmann, 1997). Habitat e Biologia: Trata-se de uma espécie endémica da Europa (fig. 104), excetuandose a Islândia e algumas ilhas do Mediterrâneo, cujo efetivo populacional foi seriamente reduzido em extensas áreas da Europa Central (Hofmann, 1997). Em Portugal a lontra pode ser observada na bacia de todos os rios (Caetano et al., 2008). O seu habitat localiza-se em águas continentais (rios, ribeiras, lagoas) pouco poluídas localizadas em zonas com bastante vegetação (Weber et al., 2007). Nestes locais constroem Fig. 104- Mapa de distribuíção de Lutra lutra (BBC Nature, 2013). Fig. 103-Exemplar adulta de Lutra lutra. FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 87 abrigos junto às margens com as entradas de acesso direcionadas para debaixo de água (Toman and Felix, 1993). Este mamífero terrestre semiaquático é um exímio nadador, encontrando-se bem adaptado, o que dificulta a sua observação no meio natural (Weber et al., 2007). A posição da boca, olhos e orelhas permitem que estas permaneçam fora de água durante a natação, adicionalmente estas conseguem encerrar os ouvidos e fossas nasais durante o mergulho (Hofmann, 1997). O ciclo cardíaco é ainda alterado durante o mergulho e a curvatura do cristalino ajustada, permitindo que esta tenha uma visão focada debaixo de água (Caetano et al., 2008). Pode permanecer submersa de 6 a 8 minutos (Toman and Felix, 1993). As lontras apresentam uma atividade preferencial noturna, podendo percorrer até 30Km por noite, em busca de alimento (Weber et al., 2007). A sua dieta alimentar inclui peixes, pequenos mamíferos, répteis, anfíbios, crustáceos e aves (Toman and Felix, 1993; Weber et al., 2007). A época de acasalamento ocorre na primavera, podendo, no entanto, em algumas zonas decorrer durante todo o ano (Weber et al., 2007). Os casais reprodutores apenas convivem durante a época do cio, verificando-se um cortejo nupcial acompanhado de guinchos agudos e corridas de perseguição na água (Hofmann, 1997). A gestação tem a duração de cerca de dois meses, originando-se ninhadas de 2-3 crias, em alguns casos 6, que nascem cegas (Hofmann, 1997). As crias abrem os olhos ao fim de 4 semanas (Toman and Felix, 1993) e abandonam o ninho com 10 semanas de idade (Hofmann, 1997). Com cerca de um ano de idade, as lontras juvenis, abandonam a progenitora e os seus irmãos (Hofmann, 1997), procurando um novo território. A longevidade dos indivíduos varia de 10 a 18 anos (Toman and Felix, 1993). Apesar do estado da população de lontras ser considerado “Pouco Preocupante” em Portugal (Instituto da Conservação da Natureza, 2006), esta é uma espécie protegida. No passado a espécie enfrentou a ameaça da caça legal motivada pelo valor da sua pele e pelos mitos que a indicavam como responsável pela redução de cardumes (Weber et al., 2007). Atualmente a sobrevivência das lontras é pressionada pela poluição, perda de habitat e introdução de espécies exóticas. FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 88 8. Atividades Desenvolvidas no Aquamuseu do Rio Minho Tal como referido anteriormente, o Aquamuseu do Rio Minho tem como principal objetivo divulgar o património natural e cultural da bacia hidrográfica do Rio Minho. Neste sentido, este desenvolve várias atividades que se podem englobar em três grandes áreas: divulgação do património local, educação ambiental e investigação científica. Dentro das atividades de divulgação do património local enquadram-se as visitas guiadas ao Museu das Pescas, Aquário do Rio e Lontrário. A visita inclui os três sectores, possui a duração de cerca de uma hora e é realizada por membros da equipa técnica do Aquamuseu. Os conteúdos expostos pelo guia são modelados em resposta às características e expetativas dos visitantes. De modo geral, no Aquário do Rio este explica a disposição e conceito dos aquários e identifica as espécies expostas, referindo algumas das suas particularidades. Seguidamente, no lontrário, o guia identifica as lontras e fala um pouco da sua biologia, indicando os principais fatores que prejudicam a espécie. No Museu das Pescas o guia expõe especificamente algumas peças, explorando através delas a pesca do meixão, da lampreia e da solha. No capítulo 8.1 fornece-se um modelo padrão de uma visita guiada. As exposições temáticas temporárias são outras das atividades desenvolvidas no âmbito da divulgação do património local. Estas podem ser da responsabilidade da equipa técnica ou de autores independentes, tal como ocorreu com a exposição “Borboletas de Portugal” pertencente ao Grupo Borboletas de Portugal (facebook). A equipa técnica responsabiliza-se pela produção de uma exposição temática trimestral, localizada no corredor do lontrário, e por uma exposição bimestral colocada no exterior das instalações. A exposição trimestral é composta por três placares acrílicos retangulares com 60x150cm de dimensão e um placar correspondente ao título. Durante o período de estágio os temas relacionaram-se com a biologia e pesca da solha, da lampreia, do sável e da enguia. A exposição bimestral é constituída por quatro placares de tamanho A3, nos quais se explora a disponibiliza a biologia das várias espécies presentes na bacia hidrográfica do rio Minho, tais como a lampreia (fig. 105), o pato-real, a garça-real e a salamandra-de-pintas-amarelas. Ainda enquadrado neste campo de trabalho, e equipa técnica, elabora um poster informativo trimestral relativo a um peixe. Este encontra-se exposto na receção das instalações e no Aquário do Rio. Paralelamente são afixados cartazes publicitários da instituição (590x840mm) indicando qual o peixe estudado nesse trimestre. FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 95 larvas de insetos no leito do rio. Embora não seja considerada uma espécie ameaçada também as suas populações são afetadas pela introdução de espécies exóticas como a carpa. A carpa (Cyprinus carpio), de origem asiática, corresponde a uma espécie introduzida no baixo Minho na década dos anos 90. Trata-se de um peixe omnívoro que atinge grandes dimensões, podendo competir com as espécies autóctones. É uma espécie consumida em muitos países porém não apreciada pelos pescadores do rio Minho. Exemplares de Achigã (Micropterus salmoides) encontram-se também expostos no aquário 5. Este peixe, oriundo da América, foi introduzido nos meados do século XX, como forma de contenção das populações piscícolas que habitavam as barragens. Com uma boca grande e maxilar que se estende para além do olho, este predador voraz consome peixes, rãs, tritões e outros organismos que consegue capturar, podendo mesmo alimentar-se de presas com tamanho equivalente ao seu e assumir comportamentos canibais. A sua dispersão teve origem nas descargas das barragens, sendo ainda favorecida pela ação dos pescadores desportivos que inicialmente mostraram grande interesse pela espécie. Atualmente reconhece-se que a introdução de várias das espécies exóticas presentes no rio foi motivada por interesses relacionados com a pesca lúdica e profissional. Neste sentido, na tentativa de reduzir o número de introduções, no rio Minho a pesca de espécies exóticas encontra-se interdita. No aquário 6 ilustra-se o estuário do rio Minho e afluentes, através de um biótopo característico da zona baixa do rio, com um leito arenoso e presença de raízes provenientes da vegetação marginal. A corrente é branda e a matéria orgânica abunda contribuindo para que esta área corresponda ao habitat de espécies filtradoras como os gastrópodes que proliferam neste aquário. Das espécies que aí habitam, encontram-se expostos exemplares de esgana-gata, peixe-mosquito e verdemã do norte. O verdemã do norte ( Cobitis paludica) é um peixe endémico da Península Ibérica, não sendo conhecida a sua presença no rio Minho até à década de 90, quando foi identificado no rio Tea e ilhas Grandes, em Valença. Este dispersou-se pelo baixo Minho após as cheias de 2000/01. O verdemã possui 3 pares de barbilhos curtos e manchas escuras longitudinais ao longo do corpo. Normalmente encontra-se junto do sedimento onde se Fig. 109- Aquário 5: Carpa comum ( Cyprinus carpio). FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 96 alimenta de pequenos organismos que captura através da ingestão da areia que posteriormente elimina pela área branquial. Com 3 espinhos isolados antes da barbatana dorsal, barbatanas ventrais reduzidas a espinhos e dorso esverdeado, identificam-se exemplares de esgana-gata (Gasterosteus aculeatus). Esta espécie autóctone de água doce pode tolerar água salobra e habita vários pontos do estuário, alimentando-se de larvas de inseto, crustáceos e vermes. Na primavera, durante a época reprodutiva, os machos desenvolvem dimorfismo sexual, apresentando o ventre vermelho e olhos de grandes dimensões azuis. Estes constroem um ninho no sedimento, utilizando detritos vegetais, e após a desova das fêmeas que cativam cuidam dos ovos, oxigenando-os com movimentos rápidos das barbatanas. Os machos são bastante territoriais e desempenham cuidados parentais com as larvas. Os peixes de menor dimensão expostos correspondem aos peixes-mosquito (Gambusia holbrooki). Os machos podem atingir um comprimento de 4cm e apresentam dimorfismo sexual, possuindo o raio da barbatana anal transformado em órgão copulador. Por outro lado, as fêmeas desta espécie podem atingir 7cm de comprimento e têm ventre saliente. Esta espécie nativa do Sul dos Estados Unidos e México foi introduzida na Europa, em 1921, com o intuito de diminuir a dispersão da Malária. Esta doença é causada por um parasita transmitido pela picada de um mosquito que se reproduz sobre as águas lentas dos rios. O peixe-mosquito possui uma boca orientada para a superfície da água que lhe permite alimentar-se das larvas de mosquito e assim diminuir a incidência da doença. De seguida apresentam-se os três últimos aquários ilustrando biótopos de água salgada, localizados no estuário do rio Minho, onde a mobilidade dos fundos arenosos e as correntes impedem a fixação de vegetação subaquática. Nos aquários 7 e 8 representa-se o sapal, localizado na zona de Caminha, correspondendo mais precisamente o primeiro a um banco de areia e o segundo aos canais do sapal. Nestes, movimentando-se na coluna de água, é possível observar exemplares de tainha, tainha de pinta-amarela e negrão (fig. 110). No aquário 8 irão observar-se exemplares juvenis das espécies referidas, uma vez que as condições de refúgio e disponibilidade de recursos alimentares características dos canais do sapal potenciam a seleção da zona como “maternidade” para os peixes. Fig. 110- Aquário 7: Taínhas (Mugil cephalus) e Negrões (Chelon labrosus). FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 97 A tainha (Mugil cephalus) apresenta uma cabeça achatada dorsalmente e uma pálpebra adiposa, enquanto a tainha de pinta-amarela (Liza aurata) possui uma mancha amarela sobre o opérculo. Estas espécies autóctones encontram-se no rio Minho todo o ano e alimentam-se de organismos bentónicos e detritos. Embora estes peixes possuam má fama, motivada pelo facto de puderem habitar junto a esgotos, quando capturados em zonas limpas do rio apresentam um sabor bastante agradável. No rio Minho podem ser pescados artesanalmente com recurso a redes de deriva como a rede mugeira. O negrão (Chelon labrosus), identificável através do seu lábio superior espesso, permanece junto ao leito onde se alimenta principalmente de invertebrados, algas e detritos. Apesar desta espécie se poder encontrar em todos os ambientes a sua presença em água doce ocorre principalmente no verão devido a necessidades alimentares. Na base do aquário 7, junto ao substrato arenoso é possível observar exemplares de linguado (Solea solea), um peixe plano marinho com alto interesse económico e produção em aquacultura em desenvolvimento. Larvas e juvenis de maiores dimensões de linguado podem entram no estuário do rio entre março e setembro em busca de alimento. Camuflados sobre as areias finas do aquário 8 é possível observar exemplares de solhas (Platichthys flesus), espécie cuja distribuição se estende principalmente até Valença, entrando nos afluentes. Apesar de ser habitante do estuário, este peixe apresenta mobilidade sazonal entre as águas continentais e o mar. As larvas transparentes começam a observar-se no rio mês de fevereiro, onde a alimentação da solha se baseia em anelídeos e crustáceos. Em meio marinho a sua alimentação inclui vermes, pequenos moluscos, crustáceos e pequenos peixes. Esta espécie tem importância comercial, sendo bastante apreciada no Baixo Minho. Na coluna de água do aquário 8 encontram-se ainda expostos exemplares de peixe-rei (Atheryna boyeri), também conhecido por morca. Este peixe caracteriza-se por ter uma parte do corpo semitransparente e barbatana caudal bifurcada. As fêmeas possuem maior comprimento que os machos, podendo atingir os 20cm. As morcas distribuem-se durante todo o ano no rio Minho e foram utilizadas na alimentação da população local no passado. Por último, o aquário 9 (fig. 111) ilustra uma poça de maré, representando a zona intertidal de uma praia rochosa. Este biótopo caracteriza-se por um substrato rochoso que permite a fixação de organismos como o mexilhão, ouriços-do-mar, estrelas-do-mar, anémonas e algas, como a alface-do-mar e algas castanhas. Das espécies de peixes que habitam esta zona podem se destacar os robalos e os sargos. Os robalos (Dicentrarchus labrax) apresentam um corpo alongado, pouco comprimido, com barbatanas dorsais de FCUP Aquamuseu do Rio Minho: Monitorização de Sistemas Biológicos e Ações de Educação Ambiental 98 igual tamanho e coloração predominante prateada. Os sargos (Diplodus sargus) têm um corpo oval com tonalidade cinzenta, apresentando bandas escuras características que alternam com bandas claras nos flancos. Exibindo bandas escuras mais espessas nos flancos encontra-se exposto um exemplar de sargo veado. Estas espécies marinhas apresentam elevado valor comercial, sendo atualmente os robalos produzidos em aquacultura em larga escala. A cultura do sargo, pelo contrário, ainda se encontra em fase de estudo. O Aquário do Rio é complementado por um Lontrário, que possui um casal de lontras europeias (Lutra lutra) em exposição permanente, a Eureka e o Einstein (fig. 112). Este mamífero terrestre semiaquático habita em águas doces pouco poluídas localizadas em zonas arborizadas e tem distribuição pelo baixo Minho. Atinge um comprimento de 90cm, um peso de 12kg e pode atingir os 15 anos de vida. O seu pelo é espesso e impermeável e as tocas que constrói ao longo da margem têm a entrada submersa. As lontras são excelentes nadadoras e difíceis de observar no meio natural, sendo mais ativas durante o período noturno. A sua dieta alimentar inclui peixes, pequenos mamíferos, répteis, anfíbios, crustáceos e aves. Trata-se de uma espécie protegida que já foi caçada oficialmente devido ao valor da sua pele e ao mito que a indicava como responsável pela redução de cardumes. Atualmente a espécie enfrenta a ameaça da poluição, perda de habitat a introdução do Vison Americano (Mustela vison), uma espécie criada em cativeiro para a produção dos casacos de pele de vison e que se espalhou pelo Minho e seus afluentes, competindo diretamente pelos recursos alimentares e pelos espaços e áreas de nidificação. Fig. 111- Aquário 9: Sargos (Diplodus sargus) e Robalos (Dicentrarchus labrax). a b Fig. 112 - Casal de lontras europeias exposto. (a) : Eureka; (b): Einstein. Uma vez que a Eureka possui um tamanho inferior ao Einstein e um comportamento mais sociável que este último, os visitantes conseguem facilmente identificar os exemplares. O corredor do lontrário encaminha os visitantes para o Museu das Pescas, onde os visitantes podem conhecer as diferentes artes de pesca utilizadas no rio Minho ao longo dos tempos. O primeiro aspeto para que os visitantes são alertados refere-se à principal matéria-prima presente nas peças expostas: a madeira. No passado esta era muito utilizada, sendo aplicada tanto nos utensílios de construção como nas embarcações e artes de pesca. Atualmente esta matéria-prima foi substituída por plásticos e metais que se degradam mais lentamente. Do lado esquerdo da sala apresentam-se 4 expositores contendo exemplos de antigos utensílios de construção e conservação de embarcações e redes. Alguns destes utensílios ainda são utilizados pelos pescadores atuais, sendo o material que os constitui a sua única evolução, tal como acontece com as agulhas de fazer redes. Sobre estes expositores encontram-se fixados moldes de madeira utilizados para construir o carocho, um barco de madeira típico do rio Minho. O último expositor deste alinhamento fornece um exemplo de utilização de madeira fina e flexível na construção de armadilhas para peixe. Nos expositores centrais encontramse outras armadilhas para peixe construídas com recurso a madeira flexível, como o vime, tal como acontece com as nassas utilizadas no passado na pesca artesanal para capturar enguias. Nestas artes de pesca (fig. 113), os peixes entravam por uma estrutura em forma de funil, acendendo a uma área vedada onde ficavam retidos já que não conseguiam voltar a localizar a saída devido à sua estrutura e posição central. Presentemente a utilização de nassas no rio Minho encontra-se proibida. Outro material que foi substituído com a evolução dos utensílios foi a cortiça usada nas boias. Nos expositores centrais encontram-se vários tipos de boias antigamente utilizadas, como as boias de vidro colocadas em locais com águas calmas e substrato de areia devido à sua fragilidade. Atualmente as boias são feitas à base de plásticos resistentes e leves, que lhes garante grande flutuabilidade. Ao fundo da sala do museu encontra-se exposto o primeiro tipo de motor utilizado nas embarcações do rio Minho. Este era conhecido por “a lambreta” e o seu aparecimento foi um importante passo evolutivo para os pescadores, já que, facilitou as deslocações a Fig. 113 – Nassa para enguias. FCUP Monitorização de Sistemas Biológicos em Circuito Fechado no Aquamuseu do Rio Minho 100 grandes distancias e reduziu o tempo despendido. Anteriormente a deslocação das embarcações era realizada com recurso a um leme e uma vela ou com base na força dos tripulantes que manejavam remos. Também exemplares destas peças se encontram fixos nas paredes da sala de exposição. De seguida encontra-se um expositor de fisgas (fig. 114), uma arte de pesca ilegal utilizada para capturar várias espécies, como a solha e a lampreia. Esta arte é constituída por um “pente de dentes barbelados” colocado na extremidade de um cabo de madeira, sendo utilizada pelos pescadores, embarcados ou a pé, para capturar os peixes por ferimento. Este método de captura era muito agressivo, causando lesões que muitas vezes determinavam a morte dos animais que conseguiam fugir, tanto devido à sua gravidade como devido à vulnerabilidade a doenças originada. No expositor número 9 aborda-se a captura do meixão, uma prática antiga no rio Minho realizada à noite, entre os meses de novembro e fevereiro. Esta realiza-se com a maré a subir durante a fase de lua nova quando o meixão começa a subir o rio. O meixão corresponde a uma iguaria gastronómica, muito apreciada em Espanha, apresentando um grande valor monetário que pode mesmo variar junto do pescador entre os €400 a €600 por quilograma. Atualmente reconhecendo a debilidade das populações de enguia a pesca do meixão encontra-se proibida em todos os rios de Portugal com exceção do rio Minho, devido ao seu estatuto de rio internacional. No rio Minho a pesca de meixão é permitida durante um período de quatro luas novas, proibindo-se, no entanto, a pesca das enguias amarelas e prateadas como forma de proteção para a espécie. No expositor ilustra-se o vestuário e equipamento antigamente envergados por um pescador de meixões na margem do rio. De modo a se proteger do frio, o pescador envergava a Caroça, um casaco constituído por junco, podendo adicionalmente levar uma cabaça com uma bebida quente. Na mão levava a rapeta (peneirão) para capturar o meixão e que armazenava numa caixa conhecida por gamelo. Atualmente a captura de meixão é realizado com recurso a uma rede denominada Tela representada no expositor 23. Fig. 114- Exposição de Fisgas. FCUP Monitorização de Sistemas Biológicos em Circuito Fechado no Aquamuseu do Rio Minho 101 Segue-se a referência à pesca da lampreia, outra prática tradicional do rio Minho, que decorre entre janeiro e abril. Na pesca desta espécie utiliza-se uma rede lampreeira, como a exposta, constituída por três panos diferentes. Esta funciona como uma rede de tresmalho, em que os panos de fora possuem maior malha que o interior para que o peixe atravesse a primeira malha, mas não a segunda, ficando enredado no último pano. A captura das lampreias normalmente ocorre logo após a sua entrada no rio, quando estas possuem grandes reservas de gordura destinadas ao processo de migração e reprodução. Nestas condições o seu consumo não é agradável, levando a que os pescadores optem por armazená-las em viveiros submersos no rio até que adquiram a textura ideal para venda com maior valor comercial (fig. 115). Os viveiros eram originalmente de madeira, tal como o presente no expositor 14, no entanto estes possuíam a desvantagem de com o tempo apodrecerem, originando o perigo de se partirem aquando a sua emersão para remoção das lampreias. Atualmente os pescadores substituíram estas estruturas por reservatórios de plástico ou ferro. As lampreias também podem ser capturadas com recurso a pesqueiras tal como a exemplificada no expositor 11. As pesqueiras (fig. 116) são estruturas constituídas por paredes de pedra que encaminham o peixe, através de uma corrente mais rápida, para a zona onde se encontra a arte de pesca selecionada. No expositor 25 encontra-se um Botirão, uma arte de pesca, indicada para capturar salmão, sável e lampreia, utilizada nas pesqueiras entre Monção e Melgaço. Este é constituído por aros circulares de madeira que vão diminuindo até à extremidade do saco. A boca deste aparelho é constituída por um aro em forma de U invertido que é colocado de modo a capturar as espécies que sobem o rio. Recriações em miniatura de outras artes de pesca e de um ancoradouro observam-se nos expositores 22 e 23. Apresenta-se o espinhel, um aparelho de anzol, indicado para a pesca da enguia. De seguida, encontra-se a representação de pesca da solha com Fig. 115- Viveiro de madeira para lampreias. Fig. 116- Representação de Pesqueira com botirão e cabaceira. FCUP Monitorização de Sistemas Biológicos em Circuito Fechado no Aquamuseu do Rio Minho 102 uma rede de emalhar fundeada denominada picadeira ou solheira. Neste tipo de pesca a rede é colocada de modo a ficar com altura de um dos lados para que as solhas quando assustadas pelos pescadores embatam na rede e pousem sobre ela. Os pescadores utilizam varas, como a exibida sobre este expositor, para picar o fundo incitando a fuga das solhas. Também a disposição de uma rede de tresmalho se exemplifica nestes expositores, podendo esta arte de pesca ser utilizada para a pesca de lampreia, sável, savelha, salmão e peixe branco. Por fim, representa-se a pesca do meixão com a tela (fig. 117), uma rede com uma malha muito fina colocada contra o sentido da corrente. Devido ao tamanho da malha da tela todos os peixes ficam nela retidos, sendo necessário o pescador removê-los com recurso a uma rapeta e crivá-los para separar o meixão. Todos os outros peixes capturados são devolvidos ao rio, embora a maioria já esteja morto devido ao stress e à prensagem a que foram sujeitos. No expositor 1, uma maquete reproduz o Algerife (fig. 118), uma arte de pesca utilizada para capturar sável e salmão no rio Minho. Esta baseava-se numa rede de emalhar constituída por um pano que era largada do bordo da embarcação, sendo posteriormente puxada para terra pelos pescadores através de um cabo que aí tinha permanecido e por outro que voltava com a embarcação. Um exemplar desta arte de pesca encontra-se exposto na posição 28, verificando-se a adaptação de um cinto para uma maior facilidade da ação do pescador na recolha da rede para terra. A visita guiada ao museu termina com a observação de uma pia de pedra (salgadeira) e de um cântaro em barro utilizados para salgar o peixe que precisava ser conservado para posterior consumo. 8.2. Exposição “Anfíbios” Os anfíbios são vertebrados, de pele nua, que alternam, no seu ciclo de vida, fases aquáticas e terrestres. Esta particularidade condiciona-os a habitar zonas húmidas, tais Fig. 118 - Maquete representativa da utilização da rede Fig. 117- Miniatura da rede Tela. FCUP Monitorização de Sistemas Biológicos em Circuito Fechado no Aquamuseu do Rio Minho 103 como ribeiros, charcos, lagoas, canais e tanques, verificando-se contudo a sua presença em todos os biótopos (Almeida et al., 2001). Atualmente o grupo engloba três ordens: os ápodes (com ausência de patas e cauda), os urodelos (com corpo esguio e cauda no estado adulto) e os anuros (com corpo curto e sem cauda no estado adulto). O ciclo de vida dos anfíbios, geralmente, inicia-se por uma fase larvar aquática, evoluindo para um adulto terrestre após metamorfose. Este último retorna ao meio aquático para a reprodução, que, por norma, ocorre na primavera e outono (Almeida et al., 2001). Por esta altura evidencia-se o dimorfismo sexual entre os indivíduos. Caracteristicamente, os anfíbios, mostram-se ativos em dias húmidos ou chuvosos, com temperaturas amenas, e durante os períodos de crepúsculo e noite, com exceção da época reprodutiva (Almeida et al., 2001). Em Portugal a maioria das espécies realiza um período de estivação quando o tempo é seco e quente (julho e agosto), podendo também permanecer inativas em períodos muito frios do inverno (Almeida et al., 2001). Os anfíbios são carnívoros, desempenhado um comportamento oportunista. Consomem presas vivas ativas, tais como insetos, larvas, aracnídeos, anelídeos, moluscos e pequenos vertebrados (Almeida et al., 2001). Atualmente os anfíbios são o grupo com maior número de espécies ameaçadas, sendo gravemente afetado tanto pela perda de habitat como pela poluição. Embora os anfíbios tenham uma larga distribuição no nosso país, o público não apresenta familiaridade com as suas espécies e com as ameaças que enfrentam. A exposição “Anfíbios” constitui-se um complemento à coleção de espécies expostas no Aquário do Rio e pretende sensibilizar os visitantes para a debilidade deste grupo, realçando o seu papel enquanto bioindicador da qualidade da água. Nesta expõem-se espécies que habitam cursos de água na bacia do rio Minho, disponibilizando-se dados da sua morfologia e distribuição no anexo E. A exposição é composta por um terrário, localizado do lado esquerdo da entrada pública do edifico, e por um aquaterrário exposto no Aquário do Rio. Na preparação e manutenção destes ambientes artificiais foram considerados requisitos da biologia das espécies que afetam o seu bem-estar em cativeiro, tal como a sensibilidade ao calor. Fig. 119- Terrário exposto na entrada do Aquamuseu do Rio Minho FCUP Monitorização de Sistemas Biológicos em Circuito Fechado no Aquamuseu do Rio Minho 104 O terrário possui uma dimensão de 31x37x63cm, localizando-se a sua abertura lateralmente. Este encontra-se posicionado sobre um suporte de madeira, de modo a que os visitantes não tenham acesso à zona de abertura. O terrário (fig. 119) abriga um casal de sapos comuns (Bufo bufo), sendo a sua decoração concordante com o habitat preferencial da espécie. O fundo do terrário foi preenchido com terra, pedras e folhas húmidas em decomposição. Do lado direito criou-se uma elevação recoberta a relva e do lado oposto colocaram-se pequenos troncos formando um refúgio para os animais. O aquaterrário (fig. 120) tem uma proporção de 50x52x102cm, posicionando-se sobre um suporte metálico com 72cm de altura. Neste apresentam-se exemplares de tritão-de- ventre-laranja (Triturus boscai), tritão de patas-espalmadas (Triturus helveticus) e tritãomarmorado (Triturus marmoratus). Também aqui se encontram rãs-de-focinho- pontiagudo (Discoglossus galganoi) e rãs verdes (Rana perezi). A decoração do aquaterrário foi pensada de modo a garantir a existência de locais secos e submersos, com profundidade suficiente para os animais nadarem, de modo a garantir o conforto dos mesmos em cativeiro. A qualidade de observação para os visitantes foi também tomada em consideração neste processo, garantindo-se a existência de uma grande área visível para o público. Outro cuidado considerado na decoração relacionouse com o peso adicionado ao aquaterrário, já que, não se pretendia sobrecarregar a estrutura. Neste sentido na elaboração de zonas elevadas utilizaram-se estruturas de madeira e de plástico, posteriormente recobertas com sedimento, de modo a não serem percecionadas no ambiente recriado. Toda a base do aquaterrário foi forrada a areia e pequenas pedras e do lado direito desenvolveu-se uma zona alta coberta a relva. Uma vez que a iluminação natural é inacessível no Aquário do Rio, sobre o aquaterrário instalou-se uma florescente com um período de funcionamento controlado pela equipa técnica. A altura de água na base do aquaterrário foi limitada a cerca de 10cm, correspondente à altura ideal ao funcionamento de um filtro mecânico. Este filtro foi camuflado na parte posterior do aquaterrário, perto da abertura do mesmo, pretendendo-se garantir uma fácil extração para limpeza. A sua colocação teve como objetivo melhorar as condições de qualidade da água, filtrando-a mecanicamente e obrigando-a a recircular por toda a Fig. 120- Aquaterrário exposto no Aquário do Rio . FCUP Monitorização de Sistemas Biológicos em Circuito Fechado no Aquamuseu do Rio Minho 111 8.3.4. Alterações Climáticas e Ciclo da Água A atividade desenrola-se em torno do conceito de alterações climáticas e das suas consequências sobre a flora e fauna do planeta. Do mesmo modo explora o ciclo da água e reforça a necessidade de se poupar este recurso natural. Os participantes são, assim, introduzidos ao tema com uma exposição teórica, na qual se diferencia o conceito de clima e tempo e se explica o ciclo da água. Também a baixa disponibilidade de água doce, o conceito de efeito de estufa e a influência humana sobre este são referidos. A componente prática da atividade inicia-se pela recriação do ciclo da água com recurso à maquete presente na figura 125. Esta corresponde a uma caixa retangular que ilustra a descida de um rio de uma zona montanhosa recoberta com nuvens. As nuvens correspondem a uma segunda caixa. O processo de evaporação é exemplificado no interior da maquete através da colocação de água quente na base da montanha. Adicionando água gelada no interior das nuvens recria-se o processo de condensação que ocorre quando o vapor de água atinge uma zona mais fria. Enquanto esperam que a condensação ocorra na maquete, os participantes, divididos em grupos de trabalho, desenvolvem uma experiencia relacionada com as consequências do efeito de estufa sobre os peixes. A cada grupo é atribuído um aquário com um peixe, sendo indicada a temperatura da água do mesmo. De seguida instrui-se os grupos a contabilizarem e registarem o número de respirações realizadas pelos peixes. Então acrescenta-se água quente aos aquários, espera-se que estabilizem e determina-se novamente a temperatura. Pede-se aos participantes que repitam o procedimento anterior e comparase os valores obtidos nas duas situações. Por fim relaciona-se os resultados com o efeito da temperatura nos valores de oxigénio dissolvido presentes na água e com as suas consequências no comportamento dos peixes. A atividade apresenta baixa complexidade, mas o trabalho que se realiza mostra-se bastante eficaz na sensibilização dos participantes para o tema. Ao reproduzir os efeitos do aumento da temperatura da água, o trabalho permite que os participantes tenham uma melhor percepção das graves consequências que o fenómeno representa para os Fig. 125- Maquete utilizada para demonstrar o ciclo da água. FCUP Monitorização de Sistemas Biológicos em Circuito Fechado no Aquamuseu do Rio Minho 112 ecossistemas aquáticos. A partir desta exemplificação é ainda possível alertar os participantes para outras consequências das alterações climáticas, como o degelo dos pólos, a subida do nível do mar e a desertificação. Após esta atividade espera-se que os participantes possuam um maior estímulo para modificarem atitudes e optarem por um modo de vida sustentável. 8.3.5. Conhecer as Plantas Esta atividade tem como objetivo estimular o sentido de observação dos participantes para as particularidades da flora. Explora-se as subdivisões deste grupo de organismos e a sua morfologia característica. Referem-se ainda as principais funções de cada componente morfológico e a sua aplicação antropogénica. De seguida os participantes procedem à recolha de material vegetal para observação numa visita à zona envolvente das instalações. A atividade termina com a realização de fósseis de material vegetal (fig. 126). Neste sentido os participantes selecionam fragmentos de vegetação que dispõem sobre uma base de barro. Com recurso a um rolo de massa carimbam o relevo do material vegetal no barro e limitam a área do molde do fóssil com um aro de cartão. Por fim, removem o material vegetal, com a ajuda de uma pinça, e preenchem o molde com gesso. Assim que o gesso seque, retira-se o aro de cartão e a base de barro, resultando um registo fóssil que posteriormente pode ser colorido. A atividade adequa-se principalmente a crianças em idade pré-escolar e de 1º ciclo, cujo nível de concentração é muito baixo. Devido a esta mesma limitação a componente principal da atividade corresponde à construção do fóssil, sendo, contudo, necessário realizar um acompanhamento intensivo da evolução do trabalho das crianças para o sucesso do procedimento. Dadas as limitações cognitivas das crianças pertencentes a estas faixas etárias a exploração teórica do tema “plantas” necessita ser simplificada, Fig. 126 - Etapa s da elaboração do fóssil (cedido por : Aquamuseu do Rio Minho). FCUP Monitorização de Sistemas Biológicos em Circuito Fechado no Aquamuseu do Rio Minho 113 evitando-se termos técnicos e recorrendo-se a comparações com situações comuns do seu dia-a-dia. 8.3.6. Pedipaper O pedipaper corresponde a um questionário sobre aspetos da bacia hidrográfica do rio Minho, que pode ser respondido com recurso a placas informativas localizadas na zona envolvente das instalações. Os participantes são divididos em equipas e orientados a realizar uma pesquisa nas imediações do Aquamuseu para completarem o questionário. Com a constituição do pedipaper numa competição pretende-se incentivar o trabalho em grupo e o empenho das crianças na atividade. Logo que completem o questionário, os grupos são recebidos por um membro da equipa técnica do Aquamuseu que procede à posterior correção do mesmo e pontuação da prova. 8.3.7. Atividades Requisitadas por Escolas A atividade “Qualidade da água” destinou-se um grupo de alunos do 3º ciclo em complemento à atividade “Os animais que vivem no sedimento”. Esta pretendeu demonstrar como a monitorização de parâmetros químicos e físicos da água permitem avaliar a sua qualidade. Assim explicou-se aos alunos como estes parâmetros afetam os organismos aquáticos e como podem traduzir ações humanas. Referindo-se, por exemplo, que a escorrência de fertilizantes causa o aumento do valor de nitratos dissolvidos, enquanto a contaminação por detergentes se traduz em níveis altos de fosfatos. Expôs-se também a metodologia aplicada, indicando as suas vantagens e desvantagens. De seguida, os alunos tiveram a oportunidade de a testar (fig. 127), através da medição valor de pH, nitrato, amónia e fosfato em duas amostras. Utilizaram-se testes colorimétricos, o fotómetro e sondas, tendo sido fornecidos os protocolos laboratoriais adequados. Por fim, os resultados obtidos foram analisados, demonstrando como se diferencia a qualidade das amostras e infere o tipo de contaminante presente. Fig. 127- Participantes a realizar o protocolo de determinação de parâmetros fisico-quimicos ( cedido por Aquamuseu do Rio Minho). FCUP Monitorização de Sistemas Biológicos em Circuito Fechado no Aquamuseu do Rio Minho 114 A complementação da análise biológica com a análise química da água é bastante positiva para a aprendizagem que a atividade pretende incutir aos participantes. Não apenas porque corresponde a uma melhor aproximação ao trabalho científico realizado na averiguação da qualidade da água, mas porque permite que os participantes percepcionem a diferença entre os métodos e a importância da sua conjugação. Ao verificarem que os métodos químicos apenas permitem uma análise momentânea da água, comprova-se a necessidade de recorrer às análises biológicas. Do mesmo modo, a ausência de certas famílias de macroinvertebrados indica um problema na qualidade da água, cuja origem apenas se consegue determinar através da realização de análises químicas da água. Embora se reconheçam as mais-valias de realizar a atividade complementada, o tempo necessário ao seu correcto desenvolvimento (± 2H) leva a que esta apenas se realize por requisição dos professores. A atividade “Os Anfíbios” direcionou-se a um grupo de crianças em idade pré-escolar que pretendia recolher informações sobre a biologia destes animais, focando-se particularmente no sapo. As crianças foram introduzidas ao tema com uma pequena palestra que apresentou as três subdivisões do grupo anfíbios (Ápodes, Anuros e Urodelos) e as principais características do seu ciclo de vida e habitat. Incidiu-se particularmente nas diferenças entre rãs e sapos. Seguiu-se a observação de exemplares vivos de sapos, girinos, larvas de tritões e salamandras e diferentes espécies de tritões e rãs. Incitou-se a observação das diferentes morfologias das larvas e a existência de dimorfismo sexual nos tritões. A atividade terminou com o fornecimento de imagens para colorir representativas de ápodes, anuros e urodelos e do seu ciclo de vida. 8.3.8. Férias de Natal: Os 3 R´s e o Natal O Aquamuseu do Rio Minho preparou para os dias 18, 20, 21 de dezembro de 2012 um programa de férias de natal com o tema: Os 3 R´s e o Natal. Participaram nas atividades um total de 8 crianças. FCUP Monitorização de Sistemas Biológicos em Circuito Fechado no Aquamuseu do Rio Minho 115 No primeiro dia as crianças foram introduzidas ao tema com uma curta apresentação em que se explorou os conceitos de reduzir, reutilizar e reciclar. De seguida distribuíram-se pequenos cadernos, lápis e lápis de cor para que as crianças expressassem o que aprenderam. Instruiu-se as crianças a identificarem os cadernos e a desenharem a capa do mesmo. Diariamente estes foram distribuídos e as crianças convidadas a registarem o que fizeram ao longo da tarde, de modo a criarem um livro de registo do programa de férias de Natal. A última tarefa desse dia foi a elaboração de bolas de natal de cordão. As bolas de natal foram construídas com balões, com cerca de 6cm de diâmetro, recobertos com cordão embebido em cola branca. Após encherem o balão, as crianças dispuseram sobre ele o cordão em forma de cruz, passando-o duas vezes pelo mesmo trajeto. Este procedimento foi repetido duas vezes, em sentidos contrários, e todos os trajetos foram cobertos a cola branca. Por fim, armazenou-se os balões em tabuleiros para que a cola secasse. No dia seguinte, os balões foram rebentados e os excessos de cola removidos, colocando-se uma fita vermelha para posterior suspensão do enfeite. No segundo dia de atividades procedeu-se ao fabrico das árvores de natal a partir da reutilização de garrafas de refrigerantes. Para o tronco da árvore de natal reutilizaramse cabos de vassoura. As crianças foram, assim, instruídas a remover a base das garrafas (com cerca de 2cm de altura) e a cortar tiras longitudinais nas mesmas, até perto da abertura da garrafa, para fazer os ramos da árvore. Por questões de segurança, na base da garrafa, o primeiro corte era realizado pelos monitores da atividade. No cabo da vassoura encaixou-se primeiramente a base de uma garrafa, fixando-a na posição em que se pretendia que os ramos iniciassem. De seguida introduziram-se, em série, as garrafas cortadas, sendo colocadas com o gargalo voltado para baixo, até se atingir a altura desejada. A última peça foi colada para fixar a estrutura da árvore. Fora do horário da atividade, as árvores de natal foram movidas pelos monitores para um local apropriado para exposição. A cada uma adicionou-se Fig. 128- Trabalho realizado pelas crianças que participaram na activ idade de Natal do Aquamuseu do Rio Minho. FCUP Monitorização de Sistemas Biológicos em Circuito Fechado no Aquamuseu do Rio Minho 116 uma série de luzes e uma fita proveniente de tecido reutilizado, deixando-se a restante decoração ao encargo das crianças. No último dia de atividades realizaram-se enfeites de natal a partir de recortes de cartões brilhantes provenientes de embalagens. Para este efeito disponibilizaram-se vários cartões brilhantes, moldes de enfeites e rolos de lã. De seguida, as crianças foram incentivadas a decorar as árvores de natal com os enfeites que construíram. No final das atividades, inauguraram-se as árvores de natal (fig. 128) e entregaram-se aos participantes os enfeites e o livro de registo que elaboraram no programa de férias de natal. O tema definido para as férias de natal mostrou-se bastante apelativo para as crianças que participaram nas atividades, permitindo que estas se divertissem enquanto aprendiam a reutilizar os materiais que no dia-a-dia consideravam lixo. Os trabalhos realizados ao longo do programa apresentavam uma dificuldade média, enquadrandose nas limitações presentes no planeamento e desenvolvimento de atividades pedagógicas destinadas a períodos escolares de férias. A principal limitação destes programas resulta do facto das crianças não se encontrarem receptivas a longas apresentações teóricas e novas aprendizagens durante o seu período de férias. Assim é necessário encontrar formas de despertar o seu interesse pelo tema e empenho nos trabalhos realizados. Outra dificuldade deriva da durabilidade das atividades que implica que os monitores consigam articular períodos de trabalho e de lazer. Um bom planeamento das atividades torna-se assim essencial, uma vez que o monitor necessita possuir uma série de alternativas de trabalho relacionadas com o tema definido, salvaguardando, por exemplo, a hipótese de as crianças terminarem as suas tarefas antes do tempo previsto ou não as conseguirem realizar. 8.3.9. Férias da Páscoa A equipa técnica do Aquamuseu do Rio Minho elaborou um plano de atividades pedagógicas, com o tema a Agricultura Biológica, para o período de férias de páscoa. Estas decorreram entre os dias 25 e 28 de março de 2013 e contaram com a participação de 17 crianças. As atividades iniciaram-se com a introdução do tema, através de uma breve apresentação teórica na qual se explorou as características e vantagens deste método. De seguida, as crianças iniciaram a elaboração do livro de registo das atividades de FCUP Monitorização de Sistemas Biológicos em Circuito Fechado no Aquamuseu do Rio Minho 117 férias da páscoa. Estas registaram o que aprenderam sobre Agricultura Biológica e personalizaram a capa dos livros. O primeiro dia de atividades terminou com a construção de jardineiras, tal como a apresentada na fig. 129. Para esta tarefa, as crianças foram divididas em grupos de trabalho, sendo-lhes distribuídos garrafas de plástico e tesouras. Os grupos foram instruídos a cortar a parte superior das garrafas (cerca de 10cm de altura), tendo o cuidado de formar pares de peças semelhantes. As partes inferiores das garrafas, colocadas em posição horizontal, foram emparelhadas e encaixadas, de modo a se obter uma peça continua. De seguida, as crianças recortaram a abertura superior da jardineira e os monitores agrafaram a união das duas garrafas. Por fim, na base da jardineira, em posições afastadas e alinhadas, recortaram-se dois orifícios com a largura do gargalo das garrafas. Nestes entalou-se as peças superiores recortadas inicialmente, fixando-as através da colocação da tampa da garrafa no interior da jardineira. Fig. 129- Trabalhos elaborados pelas crianças. (a) Jardineira; (b) Vasos com couves; (c) Vaso para pendurar. No segundo dia de atividade, os grupos de trabalho mantiveram-se para a elaboração de vasos preparados para pendurar em paredes (fig. 129). Neste sentido os grupos foram instruídos a dobrar e a recortar embalagens de café, de modo a obterem dois recipientes retangulares. Para a elaboração da alça de suporte do vaso, as crianças procederam ao entrançamento de fitas de tecido colorido. As atividades terminaram com a atualização do livro de registos. Durante o terceiro dia de atividades as crianças concluíram a construção dos vasos. Seguidamente procederam à observação das diferenças de crescimento presentes em feijões semeados em terra com e sem adição de adubo e unicamente em água e algodão. Face aos resultados observados, realizou-se uma pequena discussão sobre as vantagens de utilizar adubo e de como o obter naturalmente a partir de compostagem. Por último, as crianças realizaram uma sementeira de feijão num dos vasos que a b c FCUP Monitorização de Sistemas Biológicos em Circuito Fechado no Aquamuseu do Rio Minho 118 construíram e procederam à transplantação de couves num estado inicial de desenvolvimento para pequenos vasos. O livro de registos foi atualizado. No último dia, as crianças trabalharam na construção de um espanta pássaros (fig. 130). Este constituía-se por uma garrafa de plástico com abas laterais, que lhe permitiam rodar em volta de um eixo central com a força do vento. Para a execução do trabalho as crianças recortaram uma garrafa de plástico, de modo a obterem três retângulos semelhantes para a abas do espanta pássaros. Estas formam fixadas com cola quente numa segunda garrafa de plástico que possuía um orifício na sua base, onde seria introduzido o eixo central. Devido aos perigos envolvidos com a utilização de cola quente, esta tarefa foi desempenhada por um monitor. Como eixo central utilizou-se uma pequena cana que foi decorada com fitas de tecido colorido pelas crianças. No final da tarefa, estas terminaram o livro de registos que, tal como todas as peças elaboradas nas atividades, puderam levar para casa. Embora o tema remetesse para trabalhos desenvolvidos ao ar livre, as condições climatéricas levaram a que fosse necessário realizar o programa alternativo de atividades. Esta limitação, no entanto, permitiu que paralelamente à aprendizagem das bases da agricultura biológica os participantes fossem incentivados a reutilizar resíduos domésticos. No final do programa de férias os participantes demonstravam possuir uma série de novos conhecimentos sobre o tema, cuja facilidade de execução lhes permitia uma reprodução em suas casas. 8.4. Apoio à Investigação Ao longo do período de estágio curricular possibilitou-se a colaboração em vários projetos desenvolvidos por investigadores do CIIMAR. Neste contexto realizaram-se triagens de amostras provenientes de arrastos e recolhas de dados biométricos e conteúdos estomacais de espécies capturadas. Efetuaram-se, também, fotografias de otólitos de enguias, para posterior medição com recurso a um programa computacional. A atividade desenvolvida com maior frequência enquadrou-se num projeto de marcação de enguias no rio Minho (fig. 131). Neste sentido, encontram-se colocadas em zonas específicas do rio cinco armadilhas para peixe, procedendo-se semanalmente à recolha Fig. 130- Espanta-pássaros. FCUP Monitorização de Sistemas Biológicos em Circuito Fechado no Aquamuseu do Rio Minho 119 dos animais capturados. Estas armadilhas correspondem a nassas utilizadas na pesca tradicional, sendo constituídas por 6 aros metálicos e uma malha de cerca de 30mm. Aquando da recolha, determina-se a temperatura, salinidade, percentagem de oxigénio dissolvido, potencial redox, transparência e profundidade das águas do rio. Em cada nassa identifica-se e contabiliza-se as espécies capturadas, realizando-se no laboratório a colheita do seu peso, comprimento total e sexo, no caso de se tratar de uma espécie com dimorfismo sexual. Após este procedimento, conforme as necessidades do Aquário do Rio e das equipas de investigação, os exemplares são mantidos em aquários de quarentena ou devolvidos ao seu meio natural. As enguias capturadas são processadas de diferente forma, sendo sempre libertadas após a marcação. No caso de se capturarem enguias não marcadas, estas são anestesiadas com o objetivo de se executar a sua marcação com um Tag e com um antibiótico que produz uma marca visível no otólito. Procede-se também à recolha dos seus valores de comprimento total, altura, comprimento das barbatanas dorsal, peitoral e anal e comprimento horizontal e vertical dos olhos, para posterior aplicação de indicies biológicos validados para a espécie. No caso de se tratar de uma recaptura com menos de um ano, voltam a verificar-se os valores de biometria e devolve-se o exemplar ao local de origem. Se a enguia possuir, pelo menos, um ano de marcação é sacrificada, apurando-se os seus dados biométricos e sexo. Os otólitos são removidos para determinar a idade do exemplar e confirmar a localização da banda correspondente ao antibiótico. Proporcionou-se ainda a hipótese de colaborar na catalogação em formato digital de dados com interesse histórico para o Aquamuseu do Rio Minho. Assim realizou-se a catalogação de dados de peso de meixão transacionado desde o ano de 1996 a 2008 e Fig. 131- Nassa utilizada para a captura de enguias e material utilizado no laboratório para recolha de dados biométricos . FCUP Monitorização de Sistemas Biológicos em Circuito Fechado no Aquamuseu do Rio Minho 120 de dados presentes nos livros de registo marítimo da marinha desde o ano 1920 a 1931. 9. Conclusão No final do período de estágio é possível concluir que os objetivos propostos foram atingidos. A manutenção dos sistemas biológicos presentes no Aquário do Rio, Lontrário e área de quarentena possibilitou um melhor entendimento do funcionamento dos seus circuitos e equipamentos e das suas limitações. Os cuidados com os aspetos sanitários dos animais, com a aclimatação de novos exemplares e as dificuldades experienciadas na manutenção de animais em cativeiro facultaram, por outro lado a aquisição de várias competências técnicas relacionadas com a área. A participação ativa nas diferentes atividades da instituição proporcionou a obtenção de experiência profissional no desenvolvimento de ações de educação ambiental. Estas tarefas evidenciaram as várias restrições a considerar aquando o planeamento e execução de atividades pedagógicas e as vantagens de possuir um programa elaborado com várias hipóteses alternativas. A idade e nível de concentração dos participantes provaram ser fatores cruciais no sucesso da sensibilização. A capacidade de cativar a audiência e rapidamente modelar a abordagem do tema às reações do público-alvo mostraram-se ferramentas de grande utilidade nas ações educação ambiental. Por fim, o apoio à investigação cientifica realizada nas instalações do Aquamuseu do Rio Minho permitiu uma maior aproximação às metodologias utilizadas no estudo de ictiofauna e uma maior compreensão sobre as temáticas abordadas. Em conclusão, o estágio curricular demonstrou que a manutenção de um Aquário público com atividades promotoras da conservação ambiental, é um trabalho complexo, requerendo empenho dos seus profissionais e conhecimentos multidisciplinares, nomeadamente nas áreas da aquacultura, biologia das espécies expostas, ecologia, física, química e pedagogia. FCUP Monitorização de Sistemas Biológicos em Circuito Fechado no Aquamuseu do Rio Minho 127 Oliveira, L. F. (1995). Educação Ambiental- Guia prático para professores, monitores e animadores culturais e de tempos livres. 4ª Edição. Texto Editora, LDA. Lisboa. Parker, R. (2012). Aquaculture Science. Third Edition. Delmar. Cengage Learning. USA. Pillay, T.V.R. (2004). Aquaculture and the Environment. Second Edition. Fishing News Books. Blackwell Publishing. Ramos, M.A. and Pereira, T.M.G. (1981). Um novo Astacidae para a fauna Portuguesa: Procambarus clarkii (Girard, 1852). Bol. Inst. Nac. Invest. Pescas. 6:37-47. Robert, R. J. (2001). Fish Patology. W. B. Saunders. New York. Rochard, E. and Elie, P. (1994). La macrofaune aquatique de l’estuaire de la Gironde. Contribution au livre blanc de l’Agence de l’Eau Adour Garonne.p. 1-56. In J.-L. Mauvais and J.-F. Guillaud (eds.) État dês connaissances sur l’estuaire de la Gironde. Agence de l’Eau Adour-Garone, Éditions Bergeret, Bordeaux, France. Ross, S.R. (2002). 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Acedido em 3 de Julho de 2013, em: http://www.jcu.edu.au/archive/actfr_old_Projects/Pestfish/PDFs/Gambusia.pdf Weber, M., Ferreira, A., Santos, A. (2007). Descobrir o Rio e as Albufeiras. Edições Afrontamento. FCUP Monitorização de Sistemas Biológicos em Circuito Fechado no Aquamuseu do Rio Minho 129 11. Anexos: A: Museu das Pescas No museu das pescas expõem-se várias peças demonstrativas das diferentes artes de pesca utilizadas no rio Minho ao longo dos tempos. Embora várias peças se localizem nas paredes da sala e em painéis rebatíveis, as principais encontram-se distribuídas por 30 expositores. Estes, de diferentes dimensões, constituem-se por uma caixa de vidro, com 5mm de espessura, colocada sobre uma base de madeira opaca. No seu interior pode se situar uma placa de acrílico com 8mm de espessura que, por exemplo, nos expositores 22 e 23 é utilizada para simular a superfície da água no rio. A iluminação da sala realiza-se através de lâmpadas halogénicas controladas a partir da receção. Para além das artes de pesca, expõem-se técnicas de pesca demonstradas através de maquetes em escala reduzida e de fotografias. Pode-se realçar a exposição da rede lampreeira (lampreia), do tresmalho (sável, salmão), da picadeira (solha), do algerife (sável), do botirão e das fisgas. De seguida fornece-se uma planificação da distribuição dos expositores no Museu das Pescas. Legenda: 1- Expositor: Algerife (maquete). 2- Expositor: Construção de barcos. 3- Expositor: Construção de barcos e redes. 4- Expositor: Fazer redes. 5- Expositor: Moldes e ferramentas para a construção de nassas. 6- Expositor: Armadilha para peixe. 7- Expositor: “a lambreta”. 8- Expositor: Pesca com fisgas. 9- Expositor: Pescador de meixões. 10- Expositor: Rede lampreeira na margem. 11- Expositor: Pesqueira com botirão e cabaceira. 12- Expositor: Componentes de embarcação. 13- Expositor: Viveiros para o peixe. 14- Expositor: Viveiro para lampreia. 15- Expositor: Rede para capturar a lampreia nos poços. 16- Expositor: Cumbeira. 17- Expositor: Ancinho de Vara. 18- Expositor: Nassas para a enguia. 19 -Expositor: Bóias. 20- Expositor: Rede cabaceira. 21- Expositor: Nassas para a enguia. 22- Expositor: Ancoradouro. 23- Expositor: Artes de Pesca. 24- Expositor: Embarcações do rio Minho. 25- Expositor: Botirão. 26- Expositor: Documentação de Pescadores. 27- Expositor: Rede de Algerife. 28- Expositor: Cântaro em barro. 29- Expositor: Pia em pedra. 30- Expositor: Pesca de meixão com tela (maquete). 31- Receção. 32- Elevador. 33- Sala interdita ao público. 34- Entrada Principal. 35- Entrada Aquário do Rio. 36- Entrada Lontrário. Fig. 132- Mapa do Museu da Pescas. Localização dos expositores não se encontra à escala. FCUP Monitorização de Sistemas Biológicos em Circuito Fechado no Aquamuseu do Rio Minho 130 B: Especificação do equipamento presente no sistema de recirculação de água Na seguinte tabela fornece-se as marcas e características dos equipamentos constituintes dos sistemas de recirculação de água do Aquário do Rio e da área de quarentena. Paralelamente indica-se a sua localização no edifício. Tabela 5- Equipamento presente no sistema de recirculação de água doce e salgada do Aquário do Rio Equipamento Localização: Características: Filtro Rápido EHEIM 2260 com bomba Zona técnica 230V, 50Hz, 65W Velocidade: 40 l/min Filtro Rápido EHEIM tipo 2213 Área de Quarentena 230V, 8W, 50Hz Velocidade: 440 l/h Esterilizador UV Pond Clear Model Zona técnica 220V, 50Hz, 30 W Esterilizador UV 7003-55P8 Class 1 IP64 Cave (Circuito de água salgada) 220-240V, 50Hz, 407-498W Esterilizador UV Vecron Ultraviolet Water Steriliser UVIS Class 1 Área de Quarentena 220-240V, 21-24W, 50Hz Refrigerador TECO R30 Zona técnica; Cave (Circuito de água salgada) 230V, 50Hz, 0,85KW Refrigerador AQUA MEDIO Titan 2000 Zona técnica 230V, 50Hz,1400W Refrigerador TECO RA 680 Zona técnica 230V, 50Hz, 0,5KW Refrigerador AQUA MEDIO Titan 500 Zona técnica Área de Quarentena 30V, 50 Hz, 395W Escumador Tipo Helgoland 500 SKP 44/8-AK Cave (Circuito de água salgada) 230V, 50Hz, 0,45KW Velocidade:6 m 3 /h Tempo de retenção: 6 min Escumador AQUA MEDIO OceanRunner OR3500 Zona técnica 230V, 50Hz, 65W Velocidade: 3,500l /h Altura máxima: 3,2 m Ozonizador V 2 O 3zone Gerador de Ozono Zona técnica 11W Produção máxima: 250 mg/h Temperatura ótima: 5º a 40ºC Fluxo de ar máximo: 10 l/min Electrobomba Vertical CRT 16 Grundfos Cave (Circuito de água doce e salgada) 2,2 KW, 4,75 Amp, 50Hz, 3x 400 V FCUP Monitorização de Sistemas Biológicos em Circuito Fechado no Aquamuseu do Rio Minho 131 C: Peças decorativas dos Aquários A7 e A6 Fig. 133- Peça decorativa do aquário A7. (a) Estrutura base. (b) Aspeto final. a b Fig. 135- Peça decorativa do aquário A6. (a) Estrutura base (cedido por Dr. Patrício Bouça). (b) Aspeto Final. Fig. 134- Peça decorativa do aquário A7. (a) Estrutura base. (b) Aspeto final. b a b a Fig. 136 - Peça decorativa do aquário A6. (a) Estrutura base. (b) Aspeto final. (cedido por Dr. Patrício Bouça) b a FCUP Monitorização de Sistemas Biológicos em Circuito Fechado no Aquamuseu do Rio Minho 132 Fig. 137- Estruturas base de duas peças decorativas do aquário A6 colocadas na sua posição final. Fig. 140- Aquário A7 após restauro da decoração. Fig. 138- Aspeto final das peças decorativas do aquário A6 apresentadas na figura anterior. Fig. 139- Aquário A6 após restauro da decoração. FCUP Monitorização de Sistemas Biológicos em Circuito Fechado no Aquamuseu do Rio Minho 133 D: Protocolos de determinação de Nitratos, Fosfatos e Amoníaco. Para a determinação dos valores de nitratos, fosfatos e amoníaco dissolvidos na água a equipa técnica do Aquamuseu do Rio Minho recorre às funcionalidades de um fotómetro multiparâmetros de bancada (HANNA Instruments Série C99 & 200). Este instrumento vem equipado com um manual de protocolos para a determinação de diferentes substâncias químicas e com os reagentes necessários a cada um destes. De seguida fornecem-se os procedimentos adotados pela equipa técnica na quantificação dos nitratos, fosfatos e amoníaco presentes na água O primeiro passo é comum a todos os protocolos e relaciona-se com a seleção da funcionalidade do fotómetro a utilizar. Esta traduz-se por um código exibido no segundo nível do ecrã do aparelho. Para selecionar o código pretendido pressiona-se as teclas “PROGRAM” e “▲”, remarcando a primeira depois feita a eleição. As contaminações associadas ao procedimento podem ser reduzidas se se garantir que as cuvetes estão bem limpas e foram enxaguadas várias vezes com a amostra antes de ser utilizadas. Protocolo de quantificação de Nitratos 3 1. Recolha a amostra e selecione no fotómetro o código do programa correspondente a Nitrato. Verta 6 mL da amostra na cuvete, tape-a e limpe o seu exterior. 2. Coloque a cuvete com a amostra no orifício de medição do fotómetro e assegure-se que esta se encontra bem posicionada. Pressione a tecla “ZERO”. No ecrã irá aparecer o símbolo “SIP” e de seguida o valor “0.0“, indicando que o aparelho está preparado para proceder à medição dos nitratos da amostra. 3. Retire a cuvete do fotómetro e adicione-lhe o conteúdo de uma saqueta do reagente HI 93728.Coloque a tampa e agite durante 10 segundos, deslocando a amostra para cima e para baixo. De seguida inverta a cuvete misturando-a durante 50 segundos. 3 Adaptado de: “Manual de Instruções Série C99 & 200. Fotómetros Multiparâmetros de bnacada. Hanna Instruments Inc. USA FCUP Monitorização de Sistemas Biológicos em Circuito Fechado no Aquamuseu do Rio Minho 134 4. Verifique que não se formaram bolhas de ar no interior da cuvete, limpe o seu exterior e insira-a novamente no fotómetro. Pressione a tecla “TIMER” e aguarde. O aparelho irá mostrar uma contagem decrescente de 4 minutos e 30 segundos até realizar a leitura. 5. Durante a leitura o fotómetro exibe o símbolo “SIP” apresentando de seguida a concentração de Azoto Nítrico em mg/L. Multiplique pelo factor 4,43 para converter a leitura em mg/L de Nitrato (NO 3- ). Protocolo de quantificação de Fosfatos 4 1. Selecione no fotómetro o código do programa correspondente a Fosfato em gama baixa e recolha a amostra. Encha a cuvete com a amostra sem reagente até à marca (10mL) e tape-a. 2. Limpe o exterior da cuvete e coloque-a no orifício de medição do fotómetro, tendo em atenção a posição de leitura. Pressione a tecla “ZERO” e aguarde até que, no ecrã, o símbolo “SIP” seja substituído pelo valor “0.0”. Este valor indica que o fotómetro está pronto a medir. 3. Retire a cuvete do fotómetro e adicione-lhe o conteúdo de uma embalagem do reagente HI93713. Coloque a tampa e agite cuidadosamente até que o reagente se dissolva. 4. Introduza novamente a cuvete no fotómetro e pressione a tecla “TIMER”. O ecrã indicará a contagem decrescente correspondente a 3 minutos. Durante a medição aparecerá o símbolo “SIP”. 5. O instrumento indica a concentração dos iões fosfato (PO 43- ) em mg/L, sendo necessário multiplicar a leitura pelo factor 1,495 para verificar a concentração de 4 Adaptado de: “Manual de Instruções Série C99 & 200. Fotómetros Multiparâmetros de bnacada. Hanna Instruments Inc. USA Fig. 141- Esquema do procedimento. Fonte: Manual do fotómetro. FCUP Monitorização de Sistemas Biológicos em Circuito Fechado no Aquamuseu do Rio Minho 135 P 2 O 5 . Para obter a concentração de Fosfato P, multiplique a leitura inicial pelo factor 0,326. Protocolo de quantificação de Amoníaco 5 1. No fotómetro escolha o programa correspondente a Amoníaco em gama média. Recolha a amostra e verta-a na cuvete, enchendo- a até à marca (10 mL). Coloque a tampa na cuvete e limpe os resíduos do seu exterior. 2. Insira a cuvete no orifício de medição do fotómetro segundo a posição correcta e pressione a tecla “Zero”. Aguarde alguns segundos até que o símbolo “SIP” no ecrã origine o valor “0.0“. Após este passo o aparelho encontra-se pronto a medir. 3. Remova a cuvete do fotómetro e adicione-lhe 4 gotas do primeiro reagente (6 gotas no caso de se tratar de uma amostra de água salgada). Volte a colocar a tampa e agite circularmente a solução. 4. Retire a tampa da cuvete e adicione 4 gotas do segundo reagente (10 gotas no caso de corresponder a uma amostra de água salgada). Recoloque a tampa e agite circularmente. 5. Introduza novamente a cuvete no fotómetro e pressione a tecla “TIMER”. No ecrã decorrerá uma contagem decrescente durante 3 minutos e 30 segundos. O símbolo “SIP” será exibido no ecrã aquando a medição. 6. O fotómetro determina diretamente a concentração de NH 4+ em mg/L. Para converter o resultado em mg/L de amoníaco (NH 3 ) é necessário multiplicar o valor obtido pelo factor 1,214. 5 Adaptado de: “Manual de Instruções Série C99 & 200. Fotómetros Multiparâmetros de bnacada. Hanna Instruments Inc. USA Fig. 142- Esquema do procedimento. Fonte: Manual do fotómetro. FCUP Monitorização de Sistemas Biológicos em Circuito Fechado no Aquamuseu do Rio Minho 136 E: Espécies Apresentadas na Exposição “Anfíbios” Tabela 6- Características morfológicas e distribuição das espécies apresentadas na exposição “Anfíbios” (Almeida et al., 2001). Tritãomarmorado, Tritão-verde (Triturus marmoratus) Tritão-de-patas- espalmadas, Tritão-palmado (Triturus helveticus) Tritão-de-ventre- laranja (Triturus boscai) Espécie Com uma dimensão até 160 mm, este tritão exibe a cabeça arredondada com olhos proeminentes laterais. A cauda, achatada lateralmente, possui um comprimento equivalente, ou um pouco superior, ao total do corpo. Pele granulosa e esverdeada ostentando manchas negras e pontos negros no dorso. No ventre a coloração modifica-se para tons brancos, creme ou cinza. No período reprodutivo os machos apresentam uma crista dorsal, com coloração escura e bandas verticais verdes e amarelas, que afunila na região da cloaca. As fêmeas exibem uma linha amarela ou alaranjada no meio do dorso que se estende da cabeça até à cauda. Comprimento total compreendido entre os 70 e 80 mm de comprimento. Cabeça arredondada com três sulcos longitudinais na sua parte posterior. Banda escura entre o orifício nasal e o olho. Cauda muito achada lateralmente com crista reduzida. A coloração dorsal é variável, exibindo tons castanhos e verdeoliváceos com manchas negras que podem formar um padrão. O ventre possui uma tonalidade amarela clara. Na cauda podem se observar duas linhas de manchas negras. Na época reprodutiva os machos desenvolvem um filamento preto na parte terminal da cauda, uma membrana interdigital escura nas patas posteriores e uma pequena crista caudal. Comprimento total compreendido entre os 65 a 90 mm. Cabeça arredondada com olhos proeminentes em posição lateral. Cauda achatada lateralmente com crista reduzida. Coloração dorsal variável, com tons castanhos, verde-oliváceos ou amarelos, com manchas negras. A zona ventral é de cor laranja com manchas escuras redondas. Durante a época reprodutiva o macho desenvolve uma banda branca longitudinal na cauda, assim como uma pequena crista caudal e um filamento terminal. Morfologia Habita na Península Ibérica e sul de França. Distribui-se desde a Península Ibérica até à Alemanha. Endémica da metade Oeste da Península Ibérica. Distribuição