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A xerostomia em portadores de prótese removível

Ana Isabel Teixeira Barbosa

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“A xerostomia em portadores de prótese removível” Monografia de Revisão Bibliográfica apresentada na Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto para obtenção do grau de Mestre em Medicina Dentária Ana Isabel Teixeira Barbosa, Candidata ao grau de Mestre em Medicina Dentária pela Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto, [email protected] Orientadora: Patrícia Alexandra Barroso da Fonseca, Doutorada em Medicina Dentária pela FMDUP Coorientadora: Maria Helena Guimarães Figueiral da Silva, Professor Catedrático da FMDUP Porto, Maio de 2015 Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto Rua Dr. Manuel Pereira da Silva, 4200-393 Porto, Portugal II Agradecimentos Gostaria de agradecer à Doutora Patrícia Fonseca, que para mim será sempre professora, pela pronta disponibilidade para me orientar e pelo auxílio em todas as etapas deste projeto. À Professora Doutora Maria Helena Figueiral que, apesar da carga horária e de trabalho que possui, sempre me ajudou quando necessário. Um agradecimento especial aos farmacêuticos das farmácias Hospital São João, Marques, Vitália, Lemos, Padrão da Légua, Holon Amial, Via Amial, Marques Mendonça e Santa Luzia pela prontidão com que me ajudaram sem nenhuma obrigação de o fazer. À minha família que, sem ela, não teria chegado aqui. Ao Pedro, pela amizade, apoio e ajuda incondicionais. Aos meus amigos, sempre presentes e dispostos a ajudar ao longo de mais uma etapa. Um agradecimento especial à Catarina Bonito Vitor pela verdadeira amizade, pela sede de conhecimento contagiante e por toda a ajuda ao longo não só deste projeto mas de todo o curso. III “All our dreams can come true if we have the courage to pursue them.” Walt Disney IV Índice Resumo ..................................................................................................................... 5 Abstract ..................................................................................................................... 7 Introdução ................................................................................................................. 9 Material e Métodos ................................................................................................. 11 Desenvolvimento .................................................................................................... 12 Xerostomia ............................................................................................................ 12 Etiologia ................................................................................................................ 12 Diagnóstico ........................................................................................................... 15 A xerostomia e o uso de próteses removíveis ....................................................... 16 Tratamento ............................................................................................................ 19 Medidas gerais e de suporte .............................................................................. 19 Tratamento com substitutos salivares ................................................................ 21 Tratamento com Estimulantes salivares ............................................................ 27 Tratamento da xerostomia em portadores de prótese ....................................... 28 Conclusão ............................................................................................................... 30 Referências Bibliográficas..................................................................................... 31 Anexos 5 Resumo Introdução: A xerostomia é um sintoma caraterizado pela sensação de boca seca referido por muitos pacientes, tanto portadores como não portadores de prótese removível. Os portadores de prótese removível, em particular, sentem a sua qualidade de vida diminuída quando se deparam com este problema. Objetivos: Este trabalho tem como principal objetivo reunir a informação científica relevante relativa à xerostomia nos pacientes portadores de prótese removível. Abordam-se os métodos e meios de diagnóstico desta patologia, assim como um conjunto de tratamentos disponíveis e possíveis de aplicar em Portugal de forma a se conseguir melhorar a qualidade de vida destes pacientes. Material e Métodos: A execução deste trabalho baseou-se numa pesquisa bibliográfica, e no estudo do mercado farmacêutico nacional quanto aos produtos comercializados/indicados para o tratamento da xerostomia. A pesquisa bibliográfica realizou-se na plataforma online EBSCOhost e no Repositório da UP e restringiu-se a artigos em “Full text”, datados nos últimos 10 anos. As palavras-chave usadas foram “xerostomia”, “prótese removível”, “hiposalivação”, “substitutos salivares”, “tratamento” e “saliva”. A consulta do mercado farmacêutico passou por um trabalho de campo nas principais farmácias da cidade do Porto e consulta de dados do Infarmed e de prontuários das diversas marcas de produtos médico-dentários disponíveis em Portugal. Desenvolvimento: Os métodos de diagnóstico eficazes e direcionados e os tratamentos disponíveis em Portugal foram reunidos e apresentados para que os médicos dentistas possam daqui para a frente responder ainda com mais sucesso e 6 rapidez às necessidades destes pacientes que, tendem a ser cada vez em maior número. Conclusões: Com o aumento da esperança média de vida os cuidados de saúde oral aos idosos tenderão a ser cada vez mais numerosos e exigentes, nomeadamente em relação à reabilitação protética e à xerostomia. Espera-se com este trabalho facilitar as opções dos médicos dentistas para que possam aplicar métodos de diagnóstico de xerostomia adequados e eficazes e ainda escolher o tratamento mais indicado da variedade vigente em Portugal. Palavras-chave: “xerostomia”, “prótese removível”, “hiposalivação”, “substitutos salivares”, “tratamento”, “saliva” 7 Abstract Introduction: Xerostomia, a symptom characterized by dry mouth, is a common complaint, both by carriers and non-carriers of removable prosthesis. These patients have a lower quality of life when they face this problem, particularly those with removable prosthesis. Objectives: This study aims gather relevant scientific information on xerostomia in patients with removable prosthesis. We specifically addressed the methods and means of diagnosis of this pathology, as well as exposed the treatment options that are available in Portugal, and that potentially improve the quality of life of these patients. Material and Methods: Our study was based on a literature review, and on a research of the national pharmaceutical market for products indicated for the treatment of xerostomia. A literature search was performed on the online platform EBSCOhost and on the repository of the University of Porto and was restricted to articles available in “full text”, published in the last 10 years. The keywords used were “dry mouth”, “removable prosthesis”, “"hyposalivation", "salivary substitutes", "treatment" and "saliva". The consultation of the pharmaceutical market consisted on a field work through the major pharmacies in the city of Porto and the Infarmed data query and records of the various brands of medical and dental products available in Portugal. Development: The effective and targeted diagnostic methods and treatments available in Portugal were pooled and presented so dentists may even more successfully respond to the needs of those patients, whose number is increasing. Conclusions: With increasing life expectancy, the oral health care needs of the elderly tends to be increasing and to be more demanding, particularly with regard to 8 prosthetic rehabilitation and xerostomia. We hope that this study is a useful tool, so that dentists can be informed about the latest and most adequate methods for diagnosing xerostomia and about the most appropriate treatment available in Portugal. Keywords: “xerostomia”, “removable denture”, “hyposalivation”, “saliva substitutes”, “treatment”, “saliva” 9 Introdução A saliva é fundamental na manutenção da saúde oral e consequentemente da saúde sistémica. Protege a cavidade oral e todo o organismo contendo péptidos antimicrobianos e proteínas para o epitélio.(1) É composta por proteínas (mucinas, enzimas e imunoglobulinas), por iões (tais como magnésio, bicarbonato, zinco, fosfato, cálcio) e por água. Todos ajudam na lubrificação, na mastigação, no início da digestão, na neutralização de ácidos do metabolismo bacteriano do biofilme, na proteção contra hipersensibilidade, na barreira imunológica, na remineraliação dos dentes e na estimulação iónica do paladar.(2) A regulação da secreção salivar é controlada reflexamente pelas divisões simpático e parassimpático do sistema nervoso autónomo.(1) A parte fluida (incluindo iões) é produzida por estimulação nervosa parassimpática e o componente proteico é libertado em resposta à estimulação nervosa simpática.(2) A saliva contém dois tipos de secreção de proteínas: a secreção serosa contendo amílase e a secreção mucosa contendo mucina. A amílase participa no início da digestão e, a mucina contribui para a lubrificação e protege as superfícies orais.(1) Por dia, um indivíduo normal produz no mínimo 500 ml de saliva. Este valor varia com a condição psicológica do mesmo. Em repouso e durante o dia o fluxo salivar normal é de 0.3-0.4ml/min, a dormir é de 0.1ml/min e, um fluxo salivar normal estimulado, aumenta para 1.5-2 ml/min.(2, 3) A glândula parótida contribui em 65% (0.26 ml/min) para o fluxo salivar, a submandibular em 20–30% (0.08 ml/min, a sublingual em 6% (0.03 ml/min) e as glândulas salivares minor em 5% (0.03 ml/min).(4) Na presença de sensação de boca seca, isto é, xerostomia, pode haver ou não efetivamente diminuição do fluxo salivar – hipossalivação.(2, 5) 16 A xerostomia e o uso de próteses removíveis A saliva tem um papel crucial para os portadores de prótese removível no conforto e na retenção da prótese.(5) Entre a prótese removível e a mucosa oral de suporte existe uma fina camada de saliva que lubrifica e hidrata a mucosa, protegendo-a das forças agressivas transmitidas pela prótese.(23) A boca seca causa, consequentemente, pouca tolerância aos portadores de prótese removível, tanto de prótese parcial como de prótese total.(13) Estes pacientes experienciam extremo desconforto no uso da prótese, por lesões na mucosa e perda de retenção (causando grande embaraço socialmente) e estão também mais susceptíveis a infeções fúngicas orais.(4, 11) A retenção de uma prótese consiste na resistência da mesma às forças de deslocamento verticais e é influenciada pela coesão, adesão, tensão superficial, selamento periférico e viscosidade da saliva.(5, 11, 23) A coesão é responsável pela ligação entre os diferentes componentes salivares, influenciando a retenção da prótese removível.(5) A adesão é conseguida através das forças iónicas entre o epitélio e a resina acrílica e a carga das glicoproteínas presentes na saliva. Quando há falta de saliva, a adesão ocorre diretamente entre o epitélio e a resina acrílica, o que origina, a longo prazo, lesões na mucosa.(23) A viscosidade da saliva provém dos proteoglicanos e glicoproteínas presentes e influencia a tensão superficial que, por sua vez, é a resistência à separação entre o tecido mucoso e a base da prótese.(5, 23) Se a causa da xerostomia não for possível de determinar pode ser necessário diminuir os períodos de uso da prótese e mudar a alimentação para uma dieta mais líquida e mole.(23) 17 A diminuição de fluxo salivar, com consequente falta de lubrificação entre a mucosa e a base da prótese, diminuição da retenção da prótese e dos fatores imunológicos presentes na saliva, diminui a qualidade de uso de prótese removível e pode levar a lesões na mucosa de suporte.(5) Assim, a diminuição da produção salivar ou a perceção/sensação de boca seca diminui significativamente a qualidade de vida dos pacientes.(14) Pela influência na deglutição, no paladar e na fala, a xerostomia e a hipossalivação podem ter um efeito nefasto para o portador de prótese removível.(5) Para uma boa retenção da prótese removível, as propriedades de adesão, coesão e tensão superficial são necessárias e conseguidas através da capacidade de humedecimento salivar.(5) A função das glândulas salivares minor do palato possui um relação significativa com a retenção da prótese maxilar removível. A diminuição da sua função pode leva ao desconforto do paciente, irritação da mucosa, falta de retenção, disfagia, disgeusia e infeções fúngicas.(5) Na presença de hipossalivação, os pacientes ficam mais susceptíveis a candidíase, que pode apresentar-se com recobrimento pseudomembranoso, eritema dos tecidos subjacentes e a sensação de queimadura.(5) Aumenta ainda o risco de cáries e consequentemente da perda de dentes.(15) A falta de saliva pode facilitar o aparecimento de ulcerações traumáticas na mucosa, manifestando-se dolorosas e com bordo fibroso elevado.(5) Se o paciente for portador de prótese e as lesões traumáticas não forem tratadas pode desenvolver-se hiperplasia friccional reativa e transformar-se numa hiperplasia fibroepitelial (epulis fissuratum) que aparece como tecido excedentário de aspeto normal, frequentemente no fundo do vestíbulo, necessitando de remoção cirúrgica.(5) 18 Em pacientes com hipossalivação, o uso de adesivos na prótese parece ajudar na função e no conforto do paciente.(5) O paciente deve ser educado para o uso do adesivo diariamente e para visitas regulares ao Médico Dentista para vigiar a saúde da mucosa de suporte e controlo da prótese.(5) Contudo, segundos alguns autores, o uso dos adesivos não deve ser prolongado, pois alguns libertam formaldeído que é citotóxico e um potente alergénio. Para além disso, podem promover a proliferação de bactérias e fungos.(24) A Síndrome da boca ardente pode estar presente nos portadores de prótese removível que sofram de xerostomia. Nestes casos, a mucosa oral tem aparência clínica normal contudo, a sensação de ardência poderá surgir da fricção da prótese com a mucosa.(5) O uso de prótese removível em condições normais altera a microbiota normal da cavidade oral atuando como um reservatório de fungos, como a Candida albicans. Concomitantemente, a diminuição do fluxo salivar promove o aumento da colonização oral por Candida albicans. Desta forma, a mucosa oral está mais suscetível a infeção podendo dar origem a estomatite protética.(25)A higiene oral é crucial na manutenção da saúde oral. Contudo, na presença de xerostomia essa importância ocupa ainda um lugar de maior relevância. O estudo de Fonseca et al, permite afirmar que a maioria dos portadores de prótese removível dificilmente consegue manter uma higiene adequada das suas próteses. Adicionalmente, demonstrou que metade das próteses removíveis higienizadas, tanto com escova como com escova associada à imersão num produto químico, apresentam uma higienização deficitária.(26) Por sua vez, o estudo de Nikolopoulou et al, mostrou que a higiene oral dos pacientes com xerostomia e hipossalivação é deficitária, na maioria dos casos.(13) 19 Tratamento No tratamento da hipossalivação é necessário identificar a etiologia para melhor se direcionar o tratamento.(5, 17) Relativamente à xerostomia, embora possua um tratamento apenas paliativo e com o objetivo de evitar patologias secundárias na cavidade oral, há opções disponíveis.(27) O tratamento da xerostomia pode ser dividido em três categorias: 1. Medidas gerais e de suporte 2. Substitutos salivares 3. Estimulantes salivares Medidas gerais e de suporte O hábito de fumar, de ingestão de álcool ou de bochechos com colutórios com álcool, assim como beber café são causas de sensação de boca seca mas pode ser revertida com a eliminação do hábito.(14) O Médico Dentista deve aconselhar a cessação tabágica, diminuição do consumo de cafeína, e o aumento de ingestão de água para pelo menos 2 litros diários.(16) Para além disso, o Médico Dentista deve fazer um aconselhamento nutricional, incluindo a diminuição da ingestão de alimentos ácidos, picantes, citrinos, amido, e doces devido às baixas defesas a nível salivar.(16, 19) Para o alívio da dor o Médico Dentista deve prescrever medicação como benzocaína, tetracaína, anestésicos tópicos, colutórios antisséticos, e avaliar os défices vitamínicos tais como de ferro, ácido fólico e vitamina B12.(19) Deve ainda, mostrar a importância de consultas regulares para controlo de cárie e suplementação com flúor tanto em consultório através de vernizes, como em casa através das pastas dentífricas e colutórios fluoretados, e instruir os pacientes a 20 escovar os dentes no mínimo 2 vezes ao dia com uma pasta dentífrica fluoretada própria para a boca seca, como é o caso da pasta dentífrica Biotène™, ou alternando com outra pasta dentífrica apropriada à boca seca mas sem flúor, neste caso a Sunstar GUM® bioXtra® Boca Seca. Deve desaconselhar pastas dentífricas com lauril sulfato de sódio na sua composição, pois aumenta o risco de ulcerações da mucosa e de lesões cancerígenas.(16, 19) É também muito útil instruir os pacientes a fazer o auto exame da cavidade oral para deteção precoce de possíveis lesões tecidulares, pesquisando ulcerações, manchas vermelhas, brancas ou negras, reportando imediatamente ao Médico Dentista algum achado importante.(19) Na maioria dos casos são prescritos substitutos salivares e/ou estimulantes salivares como a pilocarpina ou a cevimelina. Contudo, primariamente aconselha-se o paciente a mascar ou consumir rebuçados sem açúcar de modo a estimular o fluxo salivar, benéfico para os tecidos orais moles e duros.(5, 17, 28) Os pacientes portadores de doenças sistémicas devem ser identificados e acompanhados de forma que, o profissional de saúde oral em interdisciplinariedade, possa ajudar no alívio dos sintomas da xerostomia.(16) Sempre que possível é aconselhado pedir alteração de medicação xerostomizante para uma não xerostomizante, e prescrever substitutos salivares em pastas dentífricas, colutórios ou geles, não acídicos em pacientes dentados.(16) Em pacientes portadores de Síndorme de Sjogren ou outra doença sistémica relacionada, ou irradiados da cabeça e pescoço, está indicado tratar com estimulantes salivares.(16) Citações para ajudar os pacientes no tratamento:(29) 1- “Beba água morna durante as refeições para ajudar a engolir.”; 21 2- “Use substitutos salivares em gel antes de tomar a medicação pois ajuda a engolir os comprimidos e use também à noite para ajudar a não tossir devido à secura da boca.”; 3- “Derreta pedaços de gelo na boca em alternativa a beber muita água.”; 4- “Coma doces sem açúcar.”; 5- “Use molhos na comida para a humedecer e assim ser mais fácil engolir.” Tratamento com substitutos salivares Tratamentos mais direcionados à base de estimulantes e substitutos salivares só devem ser implementados quando o diagnóstico é incerto e medidas gerais de suporte como beber muitos líquidos e reduzir ingestão de alimentos diuréticos como cafeína e álcool tiverem falhado.(16) Os substitutos salivares mimetizam as propriedades mais importantes da saliva como a viscosidade, molhabilidade, lubrificação e ação antimicrobiana aliviam a xerostomia em aproximadamente 40% dos pacientes, embora penas temporariamente.(11) A maioria dos substitutos salivares é composta por mucinas, carboximetilcelulose, hidroxietilcelulose e goma xantana.(11) A revisão deste tema pela Cochrane afirma não haver evidência suficiente de que substitutos salivares sejam melhor ou pior do que terapêutica placebo na xerostomia.(11) Segundo Han et al, nenhum dos agentes tópicos parece ser melhor que outro no alívio dos sintomas.(14) Contudo, o estudo de Shahdad et al comparou a eficácia de dois dos substitutos salivares, bioXtra® e Biotène™, sendo que o bioXtra® relevou-se mais eficaz no alívio da xerostomia pós radioterapia, na capacidade de discurso e mais 22 confortável de usar.(30)Segundo Vissink et al, grandes quantidades de substitutos salivares têm de ser aplicados por dia. Os substitutos salivares à base de mucina necessitam de uma aplicação de 40 ml/dia, os que são maioritariamente à base de carboximetilcelulose carecem de uma aplicação de 150ml/dia.(11) Em Portugal existem substitutos salivares na forma de colutórios, sprays, geles e pastas dentífricas. Têm como principal função revestir e consequentemente proteger a mucosa oral.(14) Os substitutos salivares em forma de gel são os mais indicados para uso noturno pela sensação de conforto mais prolongada.(11) Contudo, mesmo sob este tratamento paliativo, os pacientes necessitam na mesma de acordar a meia da noite para recolocar o substituto salivar na cavida oral e beber muita água, resultando em poliúria.(11) Pastas dentífricas próprias para alívio da xerostomia também ajudam os pacientes a sentir-se melhor.(14) Hoje em dia, a maioria dos substitutos salivares contêm carboximetilcelulose, mucinas na forma de hidroxietilcelulose, poliglicerilmetacrilato, hidroxiprofimetilcelulose, glicerol, azeite, óleo de canola e extrato de linhaça.(14) O xilitol e o sorbitol, embora estimulantes salivares, encontram-se na composição de praticamente todos os substitutos salivares comercializados a nível nacional. Os substitutos à base de mucinas têm uma ação maior e são melhor tolerados. Possuem um pH neutro e eletrólitos que mimetizam uma saliva natural.(10) Substitutos salivares com azeite, betaína e xilitol são considerados seguros, sem efeitos adversos observados, para usar em adultos polimedicados que sofram de xerostomia.(8) O azeite possui propriedades antimicrobianas, de lubrificação, antinflamatórias e anticariogénicas.(8, 27) A betaína promove a capacidade de 23 osmoproteção das mucosas evitando a sua irritação química e mecânica.(8) O xilitol, por sua vez, além de ser um açúcar não cariogénico, é usado na estimulação da secreção salivar.(8) A carboximetilcelulose tem a propriedade de mimetizar a viscosidade da saliva natural, aliviando assim a sensação de boca seca.(27) O estudo de Temmel et al afirma que os substitutos salivares com carboximetilcelulose possuem muito pouco ou nenhum efeito na melhoria da função gustativa.(31) A lactoferrina, a lisozima e a lactoperoxidase são três enzimas com ação antimicrobiana.(27) Não devem ser receitados produtos com um pH baixo a pacientes dentados (ex: Biotène Oralbalance gel).(16) Alguns autores consideram o Biotène contra-indicado em pacientes dentados devido ao baixo pH que possuem. Contudo, este substituto salivar tem demonstrado eficácia no alívio da xerostomia.(27) Se o substituto salivar a prescrever tiver um pH baixo o ideal, para evitar desmineralização exagerada do esmalte, é prescrever concomitantemente suplementos de flúor como gel ou colutório ou ainda pasta dentífrica com elevada concentração de flúor.(32) Finalmente, os substitutos salivares que têm agentes de origem animal, como Biotene™ Oralbalance® gel e o bioXtra® gel, só devem ser prescritos tendo em consideração o contexto cultural do paciente.(16) Os colutórios, sprays e geles precisam de ser aplicados pelo menos 3-4 vezes ao dia.(14) 24 Tabela I - Substitutos salivares comercializados a nível nacional Substitutos salivares comercializados em Portugal Nome comercial/Laboratório Forma de apresentação/Composição SUNSTAR GUM® Boca Seca, Sunstar Suisse SA bioXtra® Pasta dentífrica: xilitol, sorbitol, hidroxietilcelulose, lactoferrina, lactoperoxidase, lisozima, água, extrato de colostro, dextrose, glucose oxidase, benzoato de sódio, sacarina de sódio, monofluorofosfato de sódio, tiocianato de potássio, D-Limoneno, goma de celulose, dióxido de titânio, glicerina, sílica, aroma e linalol bioXtra® Gel: xilitol, maltitol, sorbitol, lactoperoxidase, lactoferrina, lisozima, dextrose, poliglicerilmetacrilato, hidroxietilcelulose, tiocianato de potássio, glucose oxidase, aloe vera, extrato de colostro e água bioXtra® Colutório: xilitol, hidroxietilcelulose, lactoferrina, lisozima, lactoperoxidase, aloe vera, extrato de colostro, água, propileno de glicol, monofluorofosfato de sódio, benzoato de sódio, EDTA, D-Limoneno, CI 42090, poloxamer 407 e aroma Hydral™ Pasta dentífrica: xilitol, citrato de sódio, betaína, taurina, ácido hialurónico, água, goma xantana, ácido cítrico, gluconato de cálcio, cloreto de sódio, polividona, benzoato de sódio, hidrolisato de amido hidrogenado, sílica hidratada, propanediol, glicosideo lauril, polisorbato 20, betaína de cocamidopropil, aroma, gluconolactona, CI 77891, extrato de stevia, sucralose, monofluorofosfato de sódio (1450 ppm de F-) Hydral™ Gel: xilitol, citrato de sódio, betaína, taurina, ácido hialurónico, água, hidrolisato de amido hidrogenado, propanediol, polividona, gluconolactona, goma xantan, pó de carragenina, PEG-40, benzoato de sódio, ácido 25 cítrico, hidróxido de sódio, sucralose, extrato de Stevia, gluconato de cálcio, aroma, CI 19140, CI 42090 Hydral™ Colutório: xilitol, citrato de sódio, betaína, taurina, ácido hialurónico, água, hidrolisato de amido hidrogenado, propanediol, polividona, gluconolactona, goma xantana, pó de carragenina, PEG-40, benzoato de sódio, ácido cítrico, hidróxido de sódio, sucralose, extrato de Stevia, gluconato de cálcio, aroma, monofluorofosfato de sódio (250 ppm de F-) Hydral™ Spray: xilitol, citrato de sódio, betaína, taurina, ácido hialurónico, água, hidrolisato de amido hidrogenado, propanediol, polividona, gluconolactona, goma xantana, pó de carragenina, PEG-40, benzoato de sódio, ácido cítrico, hidróxido de sódio, sucralose, extrato de Stevia, gluconato de cálcio, aroma Biotène™, Glaxosmithkline Pasta dentífrica com flúor: sorbitol, água, sílica hidratada, aroma, dióxido de titânio, hidróxido de sódio, limoneno, goma xantana, sacarina sódica, glicerina, PEG-6, cocamidopropil betaína e fluoreto de sódio (1450 ppm de fluoreto) Oralbalance® Gel: xilitol, sorbitol, água, glicerina, hidróxido de sódio, propilparabeno, hidroxietilcelulose, carbomero. Colutório: sistema enzomático triplo, 0% de álcool KIN® Hidrat, Laboratórios KIN SA Pasta dentífrica: xilitol, pantenol, vitamina E, não contém lauril sulfato de sódio, fluoreto de sódio Gel: xilitol e 0% de álcool Spray: xilitol e sais minerais 32 9. Hahnel S, Schwarz S, Zeman F, Schäfer L, Behr M. Prevalence of xerostomia and hyposalivation and their association with quality of life in elderly patients in dependence on dental status and prosthetic rehabilitation: A pilot study. Journal of Dentistry. 2014;42(6):664-70. doi: 10.1016/j.jdent.2014.03.003. PubMed PMID: 96138416. 10. Visvanathan V, Nix P. Managing the patient presenting with xerostomia: a review. International Journal Of Clinical Practice. 2010;64(3):404-7. doi: 10.1111/j.1742-1241.2009.02132.x. PubMed PMID: 19817913. 11. Sasportas LS, Hosford AT, Sodini MA, Waters DJ, Zambricki EA, Barral JK, et al. 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Anexos Inventário de Xerostomia O inventário de xerostomia (XI) consiste nos seguintes 11 itens: 1. “Ingiro líquidos para ajudar a engolir” 2. “Sinto a boca seca quando como” 3. “Levanto-me durante a noite para beber água” 4. “ Sinto a boca seca” 5. “ Tenho dificuldade em comer alimentos secos” 6. “Como doces para aliviar a sensação de boca seca” 7. “Tenho dificuldade em engolir certos alimentos” 8. “ Sinto a pele da cara seca” 9. “Sinto os olhos secos” 10. “ Sinto os lábios secos” 11. “Sinto o interior do nariz seco” Opções de resposta: “Nunca” (pontuação 1), “Raramente” (pontuação 2), “Ocasionalmente” (pontuação 3), “Muitas vezes” (pontuação 4), “Muito frequentemente” (pontuação 5) O total calculado entre 11 e 55 vai representar a severidade da xerostomia, sendo 11 uma xerostomia amena e 55 uma xerostomia severa. Declaração de Autoria DECLARAÇÃO Monografia de Revisão Bibliográfica Declaro que o presente trabalho, no âmbito da Monografia de Investigação/Relatório de Atividade Clínica, integrado no MIMD, da FMDUP, é da minha autoria e todas as fontes foram devidamente referenciadas. ____/____/____ ________________________________________ O / A investigador (a) Parecer do Orientador