Editorial
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8 Editorial Marianne Lacomblez É com uma satisfação sempre renovada que apresentamos esta nova edição da revista e nos orgulhamos do número crescente de leitores que consultam Laboreal, dos dois lados do Atlântico. Esta edição reúne mais uma vez autores de vários horizontes. Uns encontraram-se no Simpósio internacional Human Factors in Organizational Design and Management (ODAM), realizado em Março de 2008 no Guarujá, Brasil, e decidiram publicar um conjunto de artigos acerca da temática da inovação, privilegiando abordagens atentas à dinâmica do encontro entre o trabalho dos projectistas e o trabalho dos operadores. Tratase de contribuições que deixarão, sem dúvida, marcas na reflexão desenvolvida nesta matéria. Mas, para não tornar este Editorial um “paratexto” da introdução geral que redigiram os coordenadores – Pascal Béguin e Francisco Duarte – remetemos o leitor para esse texto introdutório que irá situar e justificar a problemática privilegiada. Este dossier irá obviamente reforçar os laços já estabelecidos com a revista @ctivités, e o seu director de redacção, Pascal Béguin. Pelos caminhos de outras colaborações, chegou-nos do Brasil a reflexão desenvolvida por Graça Druck e Tânia Franco a propósito do que, nesse país, costuma ser designado de “terceirização”: o objecto de estudo é aqui a subcontratação, enquanto uma das principais políticas de gestão e organização do trabalho no quadro da reestruturação produtiva no Brasil; o que está realçado ultrapassa, contudo, as fronteiras da nação e mesmo do continente sul-americano. Foi precisamente o interesse desta análise das evoluções das formas assumidas pelo trabalho precário que nos conduziu a optar por uma publicação conjunta com a revista Pistes – estando a edição da versão em língua francesa do mesmo artigo prevista para o seu próximo número de 2009. A estreita colaboração que se tem vindo a estabelecer entre as duas revistas é ainda revelada num outro momento: os leitores de Laboreal terão, com efeito, acesso, no presente número, à versão em língua portuguesa de um artigo de Thomas Coutrot e Loup Wolff, publicado na última edição de Pistes. O debate suscitado é hoje, mais de que nunca, capital: para avaliar as relações entre as exposições a agentes nocivolume IV | nº2 | 2008 | pp. 8-9 Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação Universidade do Porto Rua Dr. Manuel Pereira da Silva 4200-392 Porto, Portugal [email protected]
9 vos no decurso do trabalho e a saúde dos assalariados, ganhamos sempre em ter conhecimento das especificidades de diferentes modelos estatísticos, cujas respectivas performances são aqui analisadas. Nas outras rubricas, já tradicionais na nossa revista, é de realçar a mais-valia do contributo da nova geração de investigadores. Desta vez, distingue-se a tese de doutoramento de Cathy Toupin: baseada num estudo com prestadoras de cuidados de saúde do turno nocturno fixo de dois serviços de pneumologia de centros hospitalares, a reflexão oferece um quadro que permite melhor balizar as intervenções ao nível da situação de trabalho e argumenta o necessário reconhecimento do papel das enfermeiras que desempenham a sua actividade neste tipo de horário. Quanto ao Dicionário, respeitando a disciplina imposta pela lógica do alfabeto, elegemos desta vez o “K” e o “L”. De uso quase inexistente nas línguas de Laboreal, o “K” inicia, apesar de tudo, o nome de um autor frequentemente referido em estudos publicados em espanhol e em português: Karasek, cujo contributo passa então a ser aqui analisado, também numa cooperação entre Laboreal e Pistes e, concretamente, com a colaboração de Nicole Vézina. No que diz respeito ao “L”, optou-se pela palavra “linguagem”; e não podíamos deixar de desafiar Josiane Boutet a enriquecer o acervo desta rubrica. Enfim, uma nota muito especial para a versão espanhola de Laboreal: na rubrica das recensões críticas, Jesús Villena apresenta a justificação da criação de uma nova casa editora — Modus Laborandi — cujo projecto é de, progressivamente, preencher um vazio nos referenciais dos estudos sobre o trabalho, respondendo também a uma necessidade social – a “deste grande laboratório do trabalho, em que se experimenta a sociedade”. Ainda a respeito da edição hispânica de Laboreal, chama-se a atenção dos leitores para o facto de ter sido inserida no número anterior (Vol. IV, nº 1) uma versão em língua espanhola do artigo de Alain Garrigou, Isabelle Baldi e Philippe Dubuc - “Aportaciones de la ergotoxicología en la evaluación de la eficacia real de los EPI que deben proteger del riesgo fitosanitario: del análisis de la contaminación al proceso colectivo de alerta” - cujos estudos passam assim a ser também difundidos nas duas línguas da revista. Uma boa leitura e os nossos votos de um ano de 2009 ainda melhor que os anteriores! Pelo Comité Executivo da Revista, Marianne Lacomblez Editorial | Marianne Lacomblez