Análise de rácios financeiros e a sua influência na concessão de descontos aos lojistas. Projecto de estágio desenvolvido na Sonae Sierra.
Full text
Universidade do Porto Faculdade de Economia do Porto Análise de rácios financeiros e a sua influência na concessão de descontos aos lojistas. Projecto de estágio desenvolvido na Sonae Sierra Inês Maria de Azevedo Leal 110411063 Projecto de Estágio Mestrado em Economia Orientador FEP: Professor Doutor João Francisco Ribeiro Orientadores Sonae Sierra: Doutora Emília Gomes e Doutor Rafael Pellote 2012/2013
Mestrado em Economia Faculdade de Economia do Porto 2 O sucesso não dispensa um pouco de sorte; mas a realizaçã plena começa com sonhos para lá de qualquer horizonte, requer empenho, um bom coraçao, uma alma limpa e uma mente criativa e apaixonada.. E, indispensavelmente, ter ao lado as pessoas certas quando todos os sonhos se tornam realidade.. A minha amiga, Ana Duarte
Mestrado em Economia Faculdade de Economia do Porto 3 Agradecimentos A realização deste relatório de estágio marca o término de uma importante etapa da minha vida. Estimaria agradecer a todos aqueles que contribuíram de forma decisiva para a sua concretização. Ao Coordenador do Mestrado em Economia, Professor Doutor João Loureiro, obrigada pela oportunidade e privilégio que tive em frequentar este Mestrado nesta Mui Nobre Academia, que contribuiu para o enriquecimento da minha formação académica. Ao meu orientador, Professor Doutor João Alves Ribeiro pela forma como orientou o meu trabalho. Obrigada pelas suas indicações, recomendações e afabilidade com que sempre me recebeu. Ao Grupo Sonae Sierra, sem eles este projecto não seria possível. À Dr.ª Emília Gomes, Dr.ª Cristina Teixeira e Dr.º Rafael Pellote, o meu especial agradecimento. À Ana Duarte, agradeço do fundo do meu coração todo o carinho, afeição e incrível amizade que tem para comigo. Obrigada! À Rita, obrigada por estes três anos fantásticos. Contigo, esta caminhada tornou-se mais fácil. É sem dúvida o realizar de um sonho conjunto! Ao meu Miguelito, obrigada pelas tardes de estudo, pela preocupação e miminhos constantes! À minha querida irmã por estar sempre a torcer por mim. Obrigada por todos os nossos momentos, pela nossa cumplicidade, por aprender e crescer contigo! És sem dúvida, um orgulho e um exemplo para mim.Obrigada. À minha Madrinha e ao Padrinho Adoptivo, pela forma como me incutiram a alegria de viver, por todas as mensagens de incentivo e confiança nos meus sonhos.
Mestrado em Economia Faculdade de Economia do Porto 4 Ao João, por todo o apoio, dedicação e encorajamento que sempre me transmitiu. Obrigada pela tua ternura e por seres tão importante para mim. Aos Meus Pais, um imenso obrigada por acreditarem sempre em mim, nos meus sonhos e por todos os ensinamentos de vida. Espero que esta etapa, que agora concluo, vos possa, de alguma forma, retribuir e compensar todo o carinho e dedicação que, constantemente, me mimoseiam. A vocês, dedico este trabalho.
Mestrado em Economia Faculdade de Economia do Porto 5 Resumo O presente documento foi elaborado no âmbito do Projecto de Estágio realizado na Sonae Sierra, subordinado ao tema “Análise de rácios financeiros e a sua influência na concessão de descontos aos lojistas”, com vista à conclusão do Mestrado em Economia na Faculdade de Economia do Porto. A Sonae Sierra é uma empresa de retalho internacional, gestora e proprietária de vários centros comerciais, e tem-se apercebido, cada vez mais, de problemas económico-financeiros dos seus lojistas, levando a que estes pretendam frequentemente uma redução do valor pago pela ocupação do espaço, no centro comercial em questão. Para esta tomada de decisão, de atribuição ou não do desconto pedido, foi elaborada uma plataforma onde estão disponíveis vários indicadores económico-financeiros que permitam comparar as várias performances dos lojistas, por sector. O output final, foi desenvolvido tendo por base os balanços e demonstrações de resultados. Espera-se assim, criar um mecanismo complementar, que facilite de forma eficiente e objectiva, a consulta de vários elementos financeiros, a nível empresarial e sectorial, que permita ser uma mais-valia para a tomada de decisões concernentes à atribuição do desconto de utilização do espaço. Palavras – chave: Indicadores económico - financeiros, Lojistas, Taxa de esforço, Nível GLA
Mestrado em Economia Faculdade de Economia do Porto 6 Abstract The present document was developed within the scope of an Internship Project in Sonae Sierra, subordinated to the subject “Financial Ratio Analisys and its influence on the concession of discount to shopkeepers”, which aims to allow for the conclusion of the Master Degree in Economics by Faculty of Economics, University of Porto. Sonae Sierra is an international retail company, manager and owner of several malls, and it has increasingly detected economical-financial problems of its shopkeepers. This leads to requests for the reduction of the amount paid to rent the space in the mall in question. In order to make this decision, of giving or not the discount requested, platform was developed. This platform includes available many economic-financial indicators that allow for the comparison of different shopkeepers’ performances, by sector. The final output was developed based on the balance sheets and results obtained. It is expected to create a complementary mecanism that facilitates efficiently and objectivity the consult of several financial elements, in a empresariel and sectoral way that allows to be an advantage to decision making concerning to the discount attribution of the space. Keywords: Economic – financial indicators, Shopkeepers, Effort rate, GLA level
Mestrado em Economia Faculdade de Economia do Porto 7 Índice 1. Apresentação do Projecto .......................................................................................................... 10 1.1 Introdução ................................................................................................................... 10 1.2 Contexto do Projecto de Dissertação........................................................................... 11 1.2.1 Apresentação da Entidade de Acolhimento do Estágio ............................................... 11 1.2.2 Objetivos do Projecto ............................................................................................................. 13 1.3 Estrutura da Dissertação .......................................................................................... 13 2. Revisão de Literatura ................................................................................................................. 14 2.1 Introdução ......................................................................................................................... 14 2.2 Taxa de Esforço ................................................................................................................. 14 2.3 Lojas Âncoras .................................................................................................................... 15 2.3.1. Lojas Âncora: Definição Sonae Sierra ..................................................................................... 16 2.4 Rácios ................................................................................................................................ 16 2.4.1. Perspectivas de Análise, Riscos das Empresas e as suas Medidas .................................. 17 2.4.2. Vantagens e Desvantagens dos Rácios Financeiros ............................................................. 18 Rácios de Rendibilidade ........................................................................................................................... 21 Rendibilidade Financeira ....................................................................................................... 22 Rendibilidade Económica ..................................................................................................... 22 Rendibilidade Operacional das Vendas ............................................................................ 23 Rácios de estrutura de capital e de cobertura .......................................................................... 23 Autonomia Financeira ............................................................................................................ 23 Solvabilidade ............................................................................................................................. 24 Cobertura do Investimento e de Encargos Financeiros................................................ 24 Rácios de Alavancagem Financeira ........................................................................................ 25 Endividamento .......................................................................................................................... 25 Estrutura de Endividamento ................................................................................................. 26 Período de Recuperação da Dívida .................................................................................... 26 Rácios de Liquidez ou de Situação Financeira ........................................................................ 26 Liquidez Geral .......................................................................................................................... 27 Liquidez Reduzida ................................................................................................................... 27 Liquidez Imediata .................................................................................................................... 27 Rácios de Actividade ............................................................................................................... 28 Rotação de Existências........................................................................................................... 28
Mestrado em Economia Faculdade de Economia do Porto 8 Rotação do Activo ................................................................................................................... 29 Prazo Médio de Recebimentos (dias) ................................................................................ 29 Prazo Médio de Pagamentos (dias) .................................................................................... 29 2.5 Factores determinantes na comparação de lojas ................................................................ 31 3. Descrição do projeto ................................................................................................................... 34 3.1 Introdução ......................................................................................................................... 34 3.2 Metodologia ...................................................................................................................... 34 3.3 Output Final ...................................................................................................................... 38 4. Conclusões ..................................................................................................................................... 41 4.1 Limitações e Next – steps ............................................................................................ 41 5. Bibliografia .................................................................................................................................... 43
Mestrado em Economia Faculdade de Economia do Porto 9 Índice de Figuras Figura 1: Estrutura Sonae Portugal …………………..………………………………………..12 Figura 2: Rácios Calculados …………………………………………………………………...21 Índice de Fórmulas Fórmula 1: Taxa de esforço ………………………………..………………………………….15 Fórmula 2: Rendibilidade Financeira ……………………………..…………………………...22 Fórmula 3: Rendibilidade Económica……………………………………………………..…..22 Fórmula 4: Rendibilidade Operacional das Vendas (%)…………………………….………....23 Fórmula 5: Autonomia Financeira …………………………………………………………….23 Fórmula 6: Solvabilidade …………………………………………………………………….. 24 Fórmula 7: Cobertura do Investimento ……………………………..………………………... 24 Fórmula 8: Encargos Financeiro .....………………………………………………………….. 25 Fórmula 9: Endividamento …………….…………………………………………………….. 25 Fórmula 10: Estrutura do Endividamento ……………………………..…………………….. 26 Fórmula 11: Período de Recuperação da Dívida ……...……………………..……………. . 26 Fórmula 12: Liquidez Geral ...……………………………..…………………………………. 27 Fórmula 13: Liquidez Reduzida …………………………………………………………….....27 Fórmula 14: Liquidez Imediata ……………………………..…………………………………28 Fórmula 15: Rotação de Existências …….………………………………………………….…28 Fórmula 16: Rotação do Activo ……………………………………………………………….29 Fórmula 17: Prazo Médio de Recebimentos …………………………………………………..29 Fórmula 18: Prazo Médio de Pagamentos ……………………………………………….……30 Índice de Tabelas Tabela 1: Tabela inicial do output final ……………………………..…………………………38 Tabela 2: Segunda tabela do output final ……………………………..…………..…………...39 Tabela 3: “Store Rating” …………………………..……………………………………..….…39 Tabela 4: Tabela final do output final ……..…………………………………………...…….…40
Mestrado em Economia Faculdade de Economia do Porto 16 2.3.1. Lojas Âncora: Definição Sonae Sierra Para a Sonae Sierra, uma loja âncora e de acordo com os princípios supramencionados, é uma unidade integrada num centro comercial que tem a capacidade de aumentar significativamente o número de consumidores ao centro. É composto por todos ou a maioria das seguintes características: Grande, geralmente acima dos 600m2 GLA; Múltipla, cadeia nacional ou internacional (no mínimo 3 lojas); Marca forte, com alta consciência e níveis de resposta positiva; Aumenta significativamente o tráfego no centro comercial; Vasta capacidade de atracção; Têm níveis de rendas mais baixos; Encargos comuns mais baixos que a média do centro; Volume de negócios acima de outras lojas; Custo em relação às vendas, abaixo de todas as lojas Menor renda variável percentual negociada; 2.4 Rácios No caso em estudo, antes de ser concedido ou não o desconto pretendido, importa avaliar os resultados financeiros e económicos durante um determinado período de tempo do lojista. Os rácios financeiros são projectados para ajudar a avaliar uma demonstração financeira. (Brigham e Houston, 2003). A análise dos rácios financeiros tem sido utilizada para fins preditivos, como a previsão do fracasso, ou não, das empresas, como avaliação do crédito e como avaliação do risco (Ponikvar et al, 2009). Este tipo de análise permite uma avaliação das rubricas do balanço em conjunto com outro tipo de informação financeira, com o intuito de determinar várias relações pertinentes de várias áreas da empresa (Jagels e Coltman, 2004).
Mestrado em Economia Faculdade de Economia do Porto 17 A tendência de um rácio e a sua variabilidade são considerações importantes a ter em conta (Gibson, 2000). Para um rácio fazer sentido deve ser comparável a um padrão ou a uma relação estabelecida entre rácios (Jagels e Coltman, 2004). 2.4.1. Perspectivas de Análise, Riscos das Empresas e as suas Medidas Os gestores financeiros necessitam de instrumentos para tomarem decisões racionais e um desses instrumentos passa pela análise financeira. Ao efectuá-la, o objectivo da empresa não é somente o de controlo interno mas também o de melhor compreender o que os fornecedores de capital desejam. A análise financeira pode ser vista de acordo com diferentes perspectivas: económica e financeira, unidimensional e multidimensional, e estática e dinâmica. A análise é económica se tem por objectivo analisar a capacidade da empresa em gerar resultados e remunerar os capitais dos investidores. Por outro lado, é financeira se incide na análise da capacidade que a empresa tem em honrar os seus compromissos, no curto, médio e longo prazos. A análise financeira permite-nos estudar se a liquidez e a estrutura financeira da empresa são adequados para efectuar os pagamentos atempadamente no curto prazo (matérias-primas, salários), como no médio e longoprazo (empréstimos bancários, empréstimos obrigacionistas). Assim, a análise económica está directamente relacionada com a rentabilidade, a análise financeira alista a sobrevivência da empresa ao longo do tempo. A análise denomina-se unidimensional se utiliza vários rácios sem os correlacionar estatisticamente, enquanto que na óptica multidimensional são utilizados vários indicadores multicolineares. Através da análise unidimensional, os analistas e tomadores de decisão sabem que, por exemplo, o rácio de liquidez geral está correlacionado com a liquidez reduzida, e eventualmente com a imediata. Ou ainda, que o rácio de rentabilidade está correlacionado com o rácio de rentabilidade dos activos; ou que o tempo médio de recebimentos está correlacionado com o tempo médio de duração de existências, e dos pagamentos. A entrave é o facto de não ser identificável o grau de correlação existente. Ainda é possível classificar a análise como sendo estática, relacionado stocks, e por outro lado dinâmica incidindo sobre os fluxos, “cash-flows” obtidos pela empresa.
Mestrado em Economia Faculdade de Economia do Porto 18 2.4.2. Vantagens e Desvantagens dos Rácios Financeiros Segundo Neves (1996), os rácios são uma ferramenta útil, utilizados com bastante frequência na análise financeira e económica. Contudo, é igualmente necessário ter sobriedade, para que não surjam distorções nos resultados. Neves (1996), aponta ainda vantagens e desvantagens dos mesmos, que passarei a enumerar. Principais Vantagens: A Elaboração do diagnóstico financeiro de uma empresa baseia-se no triângulo de liquidez, estrutura financeira e rentabilidade de que tem subjacente os rácios; Possibilita a utilização de informação de forma sintética e objectiva; Indica de uma forma clara a rendibilidade, solvabilidade, liquidez e equilíbrio financeiro; É possível obter conclusões baseadas em dados quantitativos; Permite efectuar comparações da mesma empresa durante um certo período de tempo, ou entre diferentes empresas num mesmo espaço de tempo. Principais Limitações: Os rácios reflectirão possíveis erros das demonstrações financeiras; Complexidade em definir os limites do indicador, tornando a análise mais subjectiva; Caso duas empresas do mesmo sector, adoptem práticas contabilísticas diferentes, os rácios poderão ser desfeados; Os rácios são calculados tendo por base dados passados, devido à complexidade de obter cash-flows futuros. Uma empresa tem vantagens em dispor de fundo de maneio adequado, uma vez que lhe permitirá honrar os compromissos no vencimento, escolher os melhores e mais adequados momentos para efectuar as suas transacções, tomar medidas de
Mestrado em Economia Faculdade de Economia do Porto 19 modernização e de inovação que lhes permitam obter vantagens competitivas, e ainda, se for o caso, conceder créditos aos seus clientes, de forma a forçar as suas vendas. Assim, surgem duas questões bastante pertinentes relacionadas com o facto de a empresa sobreviver ou não, com fundo de maneio negativo ou insuficiente. Importa então aos tomadores de decisão, perceber a viabilidade da situação. Numa primeira análise, é necessário ter em mente as condições da empresa, o seu ciclo de exploração, os prazos de pagamentos, a duração das existências e os tempos médios de recebimentos. Por outro lado, é importante analisar se se está perante uma situação conjuntural ou estrutural, para que a empresa possa sobreviver com fundo de maneio insuficiente. Se o fundo de maneio é insuficiente por motivos conjunturais, a empresa pode tomar algumas decisões como: redução do tempo médio de recebimentos, aumento do tempo médio de pagamentos, redução do montante de existências, reforçar a equipa de vendas, contracção de novas dividas para substituição de antigas. Obviamente, que a tomada destas medidas no seio empresarial, não é de todo uma tarefa simples. Por exemplo, se a empresa optar por aumentar o tempo médio de pagamentos, podem-lhes ser aumentado o nível de preços dos inputs, o que não é viável. Outro exemplo, relativamente à diminuição do tempo médio de recebimentos, se por um lado, permite resolver problemas financeiros no curto-prazo, por outro pode fazer com que a empresa perca quota de mercado. Se o fundo de maneio é insuficiente por questões estruturais, as decisões a tomar são diferentes e passam por, entre outras, diminuir o montante de investimentos, transformar dívidas de curto prazo, em médio e longo prazos, caso as dificuldade da empresa sejam a nível financeiro de curto prazo. Outra decisão poderá passar pela redução ou anulação da distribuição dos resultados, sob a forma de dividendos. Assim sendo, como referido anteriormente, importa analisar um conjunto de rácios, que nos permitam analisar a capacidade da empresa em honrar os seus compromissos no curto-prazo, quer no longo-prazo. Os aspectos da liquidez, rentabilidade e estrutura financeira permitem construir o triângulo do diagnóstico económico das empresas.
Mestrado em Economia Faculdade de Economia do Porto 20
Mestrado em Economia Faculdade de Economia do Porto 21 Rácios Rendibilidade Rendibilidade Financeira Rendabilidade Económica Rendenbilidade Operacional e Vendas Estrutura de Capital Autonomia Financeira Solvabilidade Cobertura Investimento e Encargos Financeiros Alavancagem Financeira Endividamento Estrutura de Endividamento Período de Recuperação de Dívida Liquidez Liquidez Geral Liquidez Reduzida Liquidez Imediata Actividade Rotação de Existências Rotação de Activo Prazo médio recebimentos Prazo médio pagamentos Rácios Rácios de Rendibilidade Os rácios de rendibilidade representam os fundos gerados pela empresa após pagamento dos factores produtivos e liquidação dos impostos. Determinam a eficiência na utilização dos recursos da empresa. Os rácios rendibilidade têm por objectivo, analisar a eficiência dos recursos da empresa e a sua capacidade em gerar excedente económico. Os rácios de rendibilidade são frequentemente utilizados para medir a eficácia da administração em alcançar lucro (Jagels e Coltman, 2004) Os rácios de rendibilidade mostram os efeitos combinados da liquidez, da gestão de activos e da dívida sobre os resultados operacionais (Brigham e Houston, 2003). É Figura 2: Rácios Calculados Fonte: Elaborado pela própria
Mestrado em Economia Faculdade de Economia do Porto 22 assim possível, calcular três tipos de rendibilidade, financeira (capitais próprios) e económica (activo) e rendibilidade operacional das vendas. Rendibilidade Financeira Designado igualmente como ROE (Return On Equity), este indicador permite medir a rendibilidade dos capitais investidos. Através do seu resultado, além de ser possível comparar taxas de rendibilidade do mercado de capitais com a rendibilidade do capital próprio, tendo em consideração o custo do financiamento, é ainda viável analisar a capacidade de autofinanciamento da entidade em questão. Nabais e Nabais (2004) referem que este indicador é usualmente analisados por investidores e bancos que reconhecerão a maior atractividade da empresa quanto maior for o valor deste rácio. Fórmula 2: Rendibilidade Financeira Rendibilidade Económica Denominado igualmente por taxa de retorno dos capitais investidos na empresa, este indicador indica-nos a rentabilidade do negócio, isto é, a capacidade de a entidade gerar lucro. Permitindo, desta forma, avaliar o desempenho dos capitais totais investidos na empresa independentemente da sua origem. O valor deste rácio poderá ser útil na definição da estrutura de capitais ou do endividamento da empresa. Fórmula 3: Rendibilidade Económica
Mestrado em Economia Faculdade de Economia do Porto 23 Rendibilidade Operacional das Vendas Segundo Jagels e Coltman (2004), este é o rácio tem como finalidade, analisar a relação entre o resultado operacional e as vendas, medindo a eficácia global da gestão em gerar vendas e controlar as despesas. Fórmula 4: Rendibilidade Operacional das Vendas (%) Rácios de estrutura de capital e de cobertura Este indicador permite-nos avaliar os meios de financiamento da empresa. Possibilita ainda, avaliar se a empresa terá capacidade de cumprir as suas obrigações. Incorporam este rácio, os indicadores autonomia financeira, solvabilidade, e Cobertura do Investimento e de Encargos Financeiros. Autonomia Financeira Como o próprio nome nos indica, este indicador permite avaliar a capacidade da entidade financiar os activos através dos seus capitais próprios, sem necessidade de recorrer a financiamentos externos. O seu resultado varia entre 0 e 1 e deverá ser analisado conjuntamente com o rácio de endividamento. Um valor baixo indica uma grande dependência da sociedade em relação aos credores, o que além dos riscos inerentes, é desvantajosa na negociação de novos financiamentos. Fórmula 5: Autonomia Financeira
Mestrado em Economia Faculdade de Economia do Porto 24 Solvabilidade O indicador de solvabilidade permite avaliar a capacidade da empresa face aos seus compromissos assumidos a médio e longo prazo. Expressa a posição de independência da empresa face aos credores. Fórmula 6: Solvabilidade O indicador com valor 1 representa que o capital próprio da empresa é idêntico ao valor do seu passivo, pelo que dispõe de capitais suficientes para cobrir todos os créditos obtidos. Caso contrário, um valor inferior a 0,5, aponta uma grande dependência da empresa para com os seus credores, risco e fragilidade económicofinanceira. Cobertura do Investimento e de Encargos Financeiros A cobertura de investimento determina se a entidade está a financiar os seus investimentos recorrendo a capitais permanentes. Por norma, de modo a cumprir a regra do equilíbrio financeiro mínimo, este indicador deverá apresentar um valor superior a 1, contudo será necessário avaliar as características específicas da actividade da empresa. Fórmula 7: Cobertura do Invesimento
Mestrado em Economia Faculdade de Economia do Porto 25 A cobertura de encargos financeiros permite medir o grau com que a actividade de exploração consegue cobrir os encargos financeiros da empresa. Fórmula 8: Encargos Financeiros Rácios de Alavancagem Financeira Os rácios de alavancagem financeira são deveras utilizados para a análise de crédito, identificando, por isso, as dividas que a empresa contraiu e as implicações que as mesmas têm na exploração da actividade. Sintetizando, mede o risco que se corre ao conceder crédito adicional (Neves, 2006). Se a empresa ganhar mais nos investimentos financiados por empréstimos do que paga em juros, o retorno para o capital da empresa é denominado de “alavancagem” (Brigham e Houston, 2003). Endividamento Este rácio mede o peso dos capitais alheios, aos quais a empresa recorre, face ao total do seu Capital, possibilitando avaliar o grau de dependência e o risco associado. Fórmula 9: Envididamento O valor deste indicador pode variar, caso seja nulo, significa que a empresa não tem qualquer obrigação com terceiros; sendo 1, simboliza que são inexistentes os capitais próprios. Saliento, que quanto menor o seu valor, menor o risco e maiores serão as garantias oferecidas. Num caso extremo, se o indicador apresentar um valor superior a 1, denota-se que a empresa se encontra em falência técnica.
Mestrado em Economia Faculdade de Economia do Porto 32 podem influenciar de forma directa ou indirecta, a compreensão da situação financeira, da posição da empresa no mercado, a sua filosofia de gestão, o seu histórico, a situação micro e macroeconómica, bem como a capacidade dos seus gestores em garantirem a sustentabilidade e crescimento da empresa. Bastardo e Gomes, 1996, defendem a pertinência na recolha máxima de informação sobre aspectos que tenham influenciado no passado, e que possam vir a afectar o desempenho da entidade empresarial. Segundo Cohen (1996), a fim de caracterizar a situação actual da empresa e identificar situações que possam influenciar o seu futuro desempenho, pode ter-se em consideração duas escolas de análise preliminar: a escola francesa e a americana. A primeira, baseia-se fundamentalmente na análise da empresa face ao mercado e aos recursos de que dispõe para desenvolver a sua actividade. No âmbito da escola americana, a Teoria dos 5 M’s: Men, Money, Merchandise, Materials e Market, considera que para avaliar o desempenho de uma empresa é necessário efectuar uma análise ao conjunto de factores humanos, financeiros, materiais e de mercado que fornecem à empresa vantagens competitivas face aos seus concorrentes e logo, valor acrescentado, nomeadamente: Men (potencial humano, qualidade das relações, da organização e da gestão); Money (diagnóstico financeiro); Merchandise (qualidade e valorimetria dos Inventários); Materials (nível tecnológico, desempenho, fiabilidade dos Activos Fixos Tangíveis); Market (posição no mercado, imagem, rede de distribuição). Isto é, torna-se necessário proceder a uma avaliação de carácter global, na qual podemos identificar outros principais elementos do diagnóstico, como o diagnóstico de orientações estratégicas relacionadas com sistema de planificação e gestão previsional, carteira de encomendas, relações com o meio envolvente; ou diagnóstico de estruturas, análise do organograma formal ou do sistema de informação, e ainda diagnóstico das grandes funções, como marketing, recursos humanos e relações dentro da empresa, produção e gestão técnica.(Cohen, 1996) Este tipo de análise permite identificar as vantagens competitivas de que a empresa é detentora e as suas limitações, ou seja, identificar os seus pontos fortes e fracos, não
Mestrado em Economia Faculdade de Economia do Porto 33 apenas em termos financeiros, mas também em termos comerciais, estratégicos, tecnológicos, etc.
Mestrado em Economia Faculdade de Economia do Porto 34 3. Descrição do projeto 3.1 Introdução Este capítulo tem por objectivo, explicar o trabalho desenvolvido ao longo do estágio na empresa de acolhimento. Inicialmente explicaremos a metodologia e a importância das variáveis utilizadas. Apresentaremos igualmente duas análises de caso, bem como o output final do projecto. 3.2 Metodologia Para que seja exequível a concessão ou não do desconto pretendido, os tomadores de decisão têm de ter conhecimento dos custos e proveitos dos lojistas, de forma a tomarem a melhor decisão para ambos. Torna-se então pertinente analisar as suas performances, no sentido de ceder ou não a redução do custo de utilização do espaço, com o objectivo último de ajudar e impulsionar o crescimento e expansão económica do lojista em questão. Primeiramente e de acordo com os valores extraídos das demonstrações de resultados dos lojistas, foi construída uma base de dados. Uma vez que foram diversas as formas como nos foram entregues a informação, foi relevante distinguir a informação por tipo de documento, sendo tipo 1: documento IES, tipo 2: documento obtido pelo seu Técnico Oficial de Contas, tipo 3: outro tipo de documento aceite pela empresa, tipo 4: informação comprada pela Sierra. De seguida, estruturamos a informação de acordo com o país, denominação comercial da loja, grupo e subgrupo de actividade, o centro comercial onde o mesmo está inserido e o ano a que se referem os dados. Saliento, que os grupos de actividade foram seccionados por: Vestuário e calçado, Restauração, Saúde, Serviços e Cultura e entretenimento. Consecutivamente, foram extraídos os montantes das vendas, os diversos custos com pessoal, utilização de espaço, amortizações, taxas, e outros custos. Seguindo-se os resultados operacionais, margem bruta, custos e proveitos financeiros, bem como os resultados brutos e líquidos.
Mestrado em Economia Faculdade de Economia do Porto 35 Da informação recebida pelos lojistas, foi ainda possível obter informação relativamente ao número de funcionários, número de empresas no sector, a percentagem de compras e vendas ao mercado externo, e se o mesmo já teve algum tipo de incidente legal. Constam na base de dados e até ao momento da elaboração do relatório, trezentos e sete demonstrações de resultados de lojistas de centros comerciais em Portugal, e quatrocentos e trinta e oito para Espanha. Saliento, que das demonstrações analisadas, 45,28% e 45,43%, para Portugal e Espanha, respectivamente, referem-se à área de actividade de Vestuário e Calçado, uma vez que são o tipo de lojas mais incidente nos centros comerciais. Depois de toda a informação recolhida e devidamente triada, foi-nos possível calcular diversos indicadores, que serão úteis aos tomadores de decisão e que nos ajudarão a responder ao nosso problema inicial. Foram então calculados: Rácios de Estrutura/Endividamento o Autonomia Financeira (%) o Solvabilidade o Endividamento Rácios de Funcionamento o Rotação de Inventários o Prazo Médio de Recebimentos o Rotação do Activo (%) Rácios de Liquidez o Reduzida o Geral o Imediata o Fundo de Maneio Weight Over total costs (%) o Rents + Service Charges o Personnel Weight costs/Sales (%) o Buying/sales o Personnel/sales
Mestrado em Economia Faculdade de Economia do Porto 36 o (Rents + Service Charges)/sales o Other/sales o Depreciation/sales o Total costs/sales Net Result o Break-even sales o Security Margin o Break – even discount (€) and Break – even discount (%) As demonstrações de resultados têm constituído os elementos financeiros de base para a realização da análise financeira, que podem ter em consideração duas vertentes complementares. Numa primeira análise, os resultados, ou seja, a capacidade que a empresa tem em realizar benefícios sociais a partir das suas actividades desenvolvidas, que permitirá analisar a existência ou não de condições para assegurar o equilíbrio financeiro ou mesmo o crescimento sustentado e a independência financeira da mesma. Em segundo, permite-nos verificar o risco, isto é, a capacidade que a mesma tem em pagar as suas dívidas e os gastos financeiros associados. Por outro lado, a Sonae Sierra tem em sua posse as performances dos outros lojistas, que até ao momento não pediram desconto. O objectivo será comparar as diferentes estruturas de custos e proveitos, e perceber os diferentes pesos que cada rubrica dos custos tem sobre as receitas. Para a elaboração do output final, apresentado de seguida, a comparação é efectuada tendo por base os níveis de dimensão da loja (GLA). E porquê esta decisão? Porquê esta variável e não outra? Se o objectivo é comparar os custos de utilização do espaço, e o peso que este representa nos custos do lojista, esta comparação só fará sentido, se analisarmos lojas com a mesma ou idêntica dimensão. Fará sentido analisar uma loja âncora ainda que do mesmo sector, mas com uma dimensão bastante mais reduzida? É certo que não fará. Com esta comparação, pretende-se dar a conhecer ao lojista em dificuldades, outros negociantes que têm a mesma dimensão da sua loja e que lhes é possível suportar os custos de utilização de espaço. O que será diferente? O valor das vendas? Os custos com stocks? Os gastos com pessoal? De acordo com o output final elaborado, será permitido comparar e perceber, dentro do mesmo nível de dimensão de
Mestrado em Economia Faculdade de Economia do Porto 37 área, as diferenças entre as estruturas de custo. Saliento desde já, que a análise tem por base quatro níveis de GLA, sendo que o escalão um se refere a áreas até 199,99m2, o escalão dois a áreas entre os 200 m2 e os 599,99m2, o terceiro escalão alude a áreas iguais ou superiores a 600m2 e até 999,99m2 e finalmente, o quarto e último escalão a áreas superiores ou iguais a 1000m2.
Mestrado em Economia Faculdade de Economia do Porto 38 3.3 Output Final Finalmente, foi então elaborado um output final, que ao ser colocado numa plataforma interna e comum aos tomadores de decisões, lhes permitirá analisar de forma prática a situação do lojista e conceder ou não, o desconto pretendido. Com a tabela infra, o analista escolherá a loja que pretende analisar, e automaticamente terá informação relativa aos diferentes centros comerciais onde a mesma existe, aos custos associados à utilização do espaço e às suas vendas. Será importante evidenciar o nível de GLA, para que a posterior comparação com as demais lojas se torne mais coerente e menos díspar. Finalmente, no mesmo quadro, será possível ainda obter informação face à taxa de esforço antes e após desconto. Tabela 1: Tabela inicial do output final Depois de escolhida a loja, torna-se imperativo perceber a estrutura de custos da mesma. Antes de ser tomada qualquer decisão é importante compreender se o lojista já efectuou todos os esforços possíveis para reduzir os seus custos. Será o stock elevado? Será que há desperdícios? Será que já tentou reduzir os custos com o pessoal? Estas são exemplos de questões que surgem aquando da análise da respectiva estrutura de custos, e que são necessárias ter em foque. É ainda possível encontrar três indicadores de rentabilidade económico-financeira, que mecanicamente identificará o rating da empresa. Brand Name Shopping Custo de utilização do espaço GLA Vendas (%) Taxa de esforço antes do desconto Taxa de esforço após desconto Fonte EIS
Mestrado em Economia Faculdade de Economia do Porto 39 Tabela 2: Segunda tabela do output final 1 Os valores reais são bastante inferiores à taxa de esforço sustentável. Apresenta rentabilidade muito diferente do sector. Não será susceptível de sustentar o nível de renda a médio prazo. 2 Os valores reais são inferiores à taxa de esforço sustentável. Apresenta rentabilidade inferior face ao sector. 3 Taxa de esforço sustentável está em linha com os valores reais. A loja tem uma rentabilidade alinhada com a indústria, e com bom desempenho sustentará os custos relacionados com a utilização do espaço. 4 Os valores reais são superiores à taxa de esforço sustentável. A loja tem uma maior rentabilidade do que a indústria. 5 Os valores reais são bastante superiores à taxa de esforço sustentável. A loja tem uma excelente rentabilidade quando comparada com o sector. Com bom desempenho, poderá ter a capacidade de sustentar um aumento dos custos de utilização do espaço. Tabela 3: “Store Rating” Finalmente, será feita uma análise sectorial. Objectiva-se comparar o lojista em questão, com o restante sector por níveis de GLA. Como referido anteriormente, é pertinente compreender até que ponto o lojista já efectuou outros esforços para reduzir os seus custos. E com esta análise comparativa, tornar-se-á mais fácil identificar casos onde o lojista poderá ainda reunir outro tipo de esforços. Assim, este tipo de decomposição, poderá servir de alavancagem para a concessão ou não do desconto, elucidando os casos onde ainda há possibilidade de contornar a situação, via redução de outros custos. Achamos pertinente ilustrar nesta última tabela o indicador ROE, de forma entender a rendibilidade dos capitais investidos e a capacidade de autofinanciamento. Com o Brand Name Custos com Mercadorias Custos com Pessoal Amortizações Valor das Vendas Margem Bruta (%) ROS (Rentabilidade das Vendas) ROE (Rentabilidade Financeira) ROA (Rentabilidade Económica) 1 2 3 4 5 Store Rating
Mestrado em Economia Faculdade de Economia do Porto 40 indicador ROA é possível analisar a capacidade do lojista em gerar lucro, e finalmente e não menos importante a ROS com o objectivo de observar a eficácia global das vendas e o controlo das despesas. Análise Sectorial Nome do Grupo GLA Indicadores Escalão 1: 0 - 199,99 m2 Escalão 2: 200 - 599,99 m2 Escalão 3: 600 - 999,99 m2 Escalão 4: ≥ 1000 m2 Custos com Mercadorias Custos com Pessoal Valor das Vendas Margem Bruta (%) ROS (Rentabilidade das Vendas) ROE (Rentabilidade Financeira) ROA (Rentabilidade Económica) Tabela 4: Tabela final do output final
Mestrado em Economia Faculdade de Economia do Porto 41 4. Conclusões 4.1 Limitações e Next – steps Neste capítulo, serão reportadas as principais conclusões, limitações sentidas ao longo do desenvolvimento do projeto, e ainda perspectivas e sugestões para trabalhos futuros. Como referido ao longo do presente documento, este projeto teve como principal objetivo a criação de uma plataforma informativa, com dados económico-financeiros extraídos das demonstrações de resultados e balanços, dos lojistas. Com os respetivos dados, foi possível calcular-se indicadores, que permitam aos tomadores de decisões, ter informação sintetizada e eficiente para atribuir ou não, o desconto de aluguer do espaço que os lojistas tanto pretendem. Para se efetuar as comparações entre lojas do mesmo sector, teve-se como elemento essencial, a variável GLA. Contudo, existem diversos fatores que influenciam o incentivo aos centros comerciais, e automaticamente a performance dos distintos lojistas. Para a elaboração do output final, e para que a informação seja clara e de fácil acesso, foram criadas três tabelas com informações distintas e complementares. Inicialmente, serão observados dados associados à loja em questão, como o número de lojas existentes nos centros comerciais, custos associados à utilização do espaço, o montante das vendas e ainda informação sobre a taxa de esforço antes e após desconto. Numa segunda tabela, é analisada a estrutura de custos da loja, bem como a ilustração de indicadores previamente definidos, ROE, ROA e ROS, que mecanicamente identificará o rating da empresa. Na última tabela é feita uma análise sectorial. Objectiva-se comparar o lojista em questão, com o restante sector por níveis de GLA. Com esta análise comparativa, tornar-se-á mais fácil identificar casos onde o lojista poderá ainda reunir outro tipo de esforços, servindo de alavancagem para a concessão ou não do desconto, elucidando os casos onde ainda há possibilidade de contornar a situação, via redução de outros custos.