A Adoção do E-Commerce e a Velocidade de Internacionalização das Empresas
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A Adoção do E-Commerce e a Velocidade de Internacionalização das Empresas Ana Rita Martins Azevedo [email protected] Dissertação de Mestrado em Economia e Administração de Empresas Orientadores: Prof. Doutora Maria do Rosário Mota de Oliveira Alves Moreira Prof. Doutor Paulo Sérgio Amaral de Sousa Setembro, 2015
ii Nota Biográfica Ana Rita Martins Azevedo nasceu a 26 de Agosto de 1992, em Vila Nova de Famalicão. Iniciou os seus estudos no ano letivo 2010/2011, na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, tendo concluído a licenciatura em Gestão pela Universidade de Coimbra em 2013. Em 2014 completou o ano escolar conducente à obtenção do grau de Mestre em Economia e Administração de Empresas previsto para o ano de 2015 na Faculdade de Economia da Universidade do Porto. Optou por ingressar neste projeto dada a multiplicidade do curso o que lhe permitiu obter uma aprendizagem do fenómeno de internacionalização das empresas. Permitiu-lhe também complementar a formação base em Gestão tornando-a assim melhor capacitada para enfrentar as diversidades do mercado de trabalho.
iii Agradecimentos Com a conclusão deste estudo cabe-me agradecer de forma especial a todos os que me acompanharam durante o processo do mesmo. Em especial: À minha orientadora, Professora Doutora Maria do Rosário Moreira, agradeço a motivação, o estímulo, a partilha de conhecimentos e contribuições para o trabalho. Acima de tudo, agradeço a disponibilidade que sempre demonstrou ao longo deste período. Ao Professor Doutor Paulo Sérgio Amaral de Sousa pela colaboração no tratamento de todas as questões estatísticas. Aos meus pais e irmão pela dedicação e apoio incondicional. Ao Pedro Guedes pelo carinho, apoio e confiança. Finalmente a todas as empresas que colaboraram e possibilitaram a conclusão deste estudo.
iv Resumo No atual contexto internacional, onde as empresas portuguesas se inserem cada vez mais, surge a necessidade de encontrar uma estratégia de diferenciação mais lucrativa. É neste âmbito que o comércio eletrónico (e-commerce) começou a aumentar a sua relevância no mercado. Este trabalho de investigação tem como objetivo primordial perceber se o e-commerce poderá fomentar a aceleração da internacionalização das empresas portuguesas. Pretendemos, pois, avaliar e identificar os fatores influenciadores de uma rápida internacionalização das empresas portuguesas, via adoção do e-commerce. O número de empresas de e-commerce tem crescido a um ritmo muito rápido, consequência do desenvolvimento exponencial das tecnologias e dos suportes de comunicação. Importa, por isso, perceber quais os fatores que impulsionam a velocidade de entrada em novos mercados internacionais e, dentro destes, analisar quais os que têm mais impacto na performance das empresas de e-commerce. O estudo dos fatores influenciadores da velocidade de internacionalização das empresas que adotam o e-commerce, permite aos gestores destas empresas conhecer quais os aspetos (internos ou externos à empresa) para os quais devem direcionar os seus investimentos e esforços. Em termos académicos, este trabalho constitui um contributo por não existir, pelo nosso melhor conhecimento, nenhum estudo efetuado às empresas e-commerce portuguesas que analisem a temática da velocidade de internacionalização. Relativamente aos fatores que influenciam a velocidade de internacionalização das empresas de e-commerce, os resultados empíricos mostram que as empresas mais recentes são as que se internacionalizam mais rapidamente. Por outro lado, a existência de networks também permite uma entrada mais rápida no mercado externo. Todos os outros fatores que poderiam determinar a velocidade (capacidade e investimento em Marketing e em I&D, experiência internacional dos gestores, entre outras) não têm uma correlação estatisticamente significativa. Palavras-Chave: E-Commerce, velocidade da internacionalização, performance
v Abstract In the current international context, where Portuguese companies live in more than ever, it becomes an imperative to find and create a lucrative differentiation strategy. It’s in this line that the e-commerce has begun to gain relevance in the market. The main goal of this research is to understand if e-commerce could boost the internationalization strategy of Portuguese companies. We aim to identify and evaluate the factors that generate a fast internationalization of the Portuguese enterprises through ecommerce. The number of companies based on e-commerce rose very quickly due to the exponential growth of technology and communication media. So it becomes relevant to understand the factors that promote the expansion to international markets, and which one of those factors has more impact in e-commerce companies and their performance. The study of the factors that influence the internationalization speed of companies that adopt e-commerce allows managers to recognize the elements (both internal and external to the enterprise) in which they should emphasise their efforts and investments. In academic terms this research work creates a contribution due to the inexistence, under our best knowledge, of any other study on the Portuguese e-commerce companies that analyses the topic of internationalization speed. With regard to the factors influencing the speed of internationalization of e-commerce companies, the empirical results show that the most recent are the companies that internationalize faster. On the other hand, the existence of networks also allows a quicker entry into external market. All other factors that could determine the speed (capacity and investment in marketing and R&D, international experience of managers, among others) do not have a statistically significant correlation with the internationalization speed. Key words: E-commerce, internationalization speed, performance
vi Índice de Conteúdos Nota Biográfica ................................................................................................................... ii Agradecimentos .................................................................................................................. iii Resumo ............................................................................................................................... iv Abstract ............................................................................................................................... v Índice de Conteúdos ........................................................................................................... vi Índice de Tabelas .............................................................................................................. viii Índice de Figuras ................................................................................................................ ix Abreviaturas ........................................................................................................................ x 1. Introdução ................................................................................................................... 1 2. Revisão da Literatura .................................................................................................. 3 2.1. Definição de E-commerce .................................................................................. 3 2.2. Tipos de E-commerce ......................................................................................... 5 2.3. Modelos de Adoção de E-commerce .................................................................. 6 2.4. Teorias de Internacionalização e de E-commerce ............................................. 8 2.5. Proxies da Velocidade da Internacionalização ............................................... 12 2.6. Determinantes da Velocidade da Internacionalização .................................... 14 2.7. Formulação das Hipóteses de Investigação .................................................... 18 2.8. Especificações do modelo ‘teórico’ ................................................................. 22 3. Aspetos Metodológicos ............................................................................................. 24 3.1. Síntese das metodologias utilizadas em estudos semelhantes ............................... 24 3.2. Procedimentos seguidos na elaboração do questionário, relação entre as hipóteses de investigação e descrição da população ................................................... 25
vii 4. Resultados empíricos ................................................................................................ 29 4.1. Análise descritiva ............................................................................................. 29 4.2. Análise exploratória dos dados ........................................................................ 33 4.3. Análise ao modelo ‘teórico’ e às hipóteses de investigação ............................ 41 5. Conclusão .................................................................................................................. 45 6. Referências ................................................................................................................ 47 7. Anexos ....................................................................................................................... 55 I. Questionário ..................................................................................................... 55 II. Outputs do SPSS: Testes às diferenças de médias .......................................... 57 III. Output do SPSS: Matriz de correlação de Spearman ...................................... 65
viii Índice de Tabelas Tabela 1 – Tipos de E-commerce ........................................................................................ 5 Tabela 2 – Teorias de adoção de tecnologia ....................................................................... 7 Tabela 3 – Síntese das teorias relacionadas com a Internacionalização e o EC.................. 8 Tabela 4 – Síntese dos estudos realizados no âmbito da Velocidade da Internacionalização: Proxies. .............................................................................................................................. 13 Tabela 5 – Síntese dos estudos realizados no âmbito da Velocidade da Internacionalização: Dimensão Interna (Características da Empresa). .............................................................. 15 Tabela 6 - Síntese dos estudos realizados no âmbito da Velocidade da Internacionalização: Dimensão Interna (Características do Gestor). ................................................................. 16 Tabela 7 - Síntese dos estudos realizados no âmbito da Velocidade da Internacionalização: Dimensão Externa ............................................................................................................. 17 Tabela 8 – Hipóteses de Investigação ............................................................................... 21 Tabela 9 – Determinantes do modelo ‘teórico’ ................................................................. 23 Tabela 10 – Síntese de metodologia .................................................................................. 25 Tabela 11 – Informações a recolher para a análise descritiva e modelo e relação com as hipóteses ............................................................................................................................ 28 Tabela 12 - Análise descritiva dos dados: estruturais ....................................................... 34 Tabela 13 - Análise descritiva dos dados: internacionalização ......................................... 36 Tabela 14 – Teste de Mann-Whitney às diferenças de médias: dados estruturais ............ 38 Tabela 15 – Teste de Mann-Whitney às diferenças de médias: internacionalização ........ 40 Tabela 16 - Relações esperadas entre as variáveis ............................................................ 41
ix Tabela 17 – Coeficientes de Correlação de Spearman ...................................................... 43 Índice de Figuras Figura 1 - Tipos de Atividade ........................................................................................... 30 Figura 2 - Número de empresas por década ...................................................................... 31 Figura 3 – Período de exportação das empresas ............................................................... 32 Figura 4 - País/região para onde a empresa iniciou a sua exportação ............................... 32 Figura 5 - Número de contactos internacionais que os colaboradores das empresas possuíam ............................................................................................................................ 33
5 2.2. Tipos de E-commerce Existem diferentes tipos de EC assim como diferentes maneiras de caracterizá-lo. Vários autores distinguem os diferentes tipos de EC através da natureza das relações do mercado (e.g., Ding, 2014, Laudon et al., 2013 Ho et al., 2007). Caracterizamos os diferentes tipos de EC através da abordagem seguida por Laudon et al. (p. 59, 2013), sintetizados na Tabela 1. Tabela 1 – Tipos de E-commerce Termo Designação B2B Business-to-Business B2C Business-to-Consumer C2C Consumer-to-Consumer SEC Social E-Commerce M-commerce Mobile E-Commerce LEC Local E-Commerce Segundo Napier et al. (2006), o B2B ocorre quando existe uma venda de produtos e/ou serviços entre empresas. Este tipo de EC visa, essencialmente, reduzir os custos de transação tanto para vendedores como para compradores (Ding, 2014). Para existir B2C, as empresas terão de vender os seus produtos ou serviços diretamente aos consumidores (Napier et al., 2006). A Internet assume, assim, apenas um papel de mediador nas transações de B2C. Em contrapartida, o consumidor partilha informação e realiza transações (Ho et al., 2007). Por outro lado, o C2C faculta uma forma dos consumidores venderem produtos e/ou serviços uns aos outros, com a ajuda de uma plataforma de mercado online (eBay, por exemplo) (Laudon et al., 2013). De forma muito sucinta, referimo-nos a C2C quando observamos vendas online de consumidores para outros consumidores (Laudon et al. 2013).
6 O Social e-commerce representa as variadas formas de redes sociais hoje em dia existentes (Laudon et al., 2013). Poderá ser também relacionado como Facebook EC, contudo, atualmente tornou-se um fenómeno amplamente mais extenso. O crescimento do Social ecommerce deve-se a um número variado de fatores - o aumento da popularidade de seguidores ativos, as notificações (partilhando aprovações/desaprovações de produtos, serviços via Facebook, Twitter,...), as ferramentas comerciais e a pesquisa social (recomendações online de amigos) – e acabou por se tornar um fenómeno complexo e disseminado em todo o mundo (Laudon et al., 2013). Outra das formas de EC é o M-commerce que se refere apenas ao uso de dispositivos móveis capazes de realizar transações online. Uma vez conectados, os consumidores mobile, poderão realizar transações - negociação de ações, comparar preços entre lojas, banking, reservas de viagens, entre outros (Laudon et al., 2013). O último tipo de EC refere-se ao Local E-commerce, um tipo de EC focado em dirigir o consumidor numa determinada envolvente com base, apenas, na sua localização geográfica. Um excelente exemplo deste tipo de EC são os comerciantes locais que usam uma variedade de técnicas de marketing online para atrair consumidores para as suas lojas (Laudon et al., 2013). 2.3. Modelos de Adoção de E-commerce Nos dias de hoje, a Tecnologia da Informação (TI) é universalmente considerada como uma ferramenta fulcral no reforço da competitividade da economia de um país (Oliveira et al., 2011). O EC surge através da evolução das TIC (Ding, 2014). O surgimento do EC, por sua vez, facilitou e melhorou os processos de negócios nas empresas. Não obstante, a emergência da Internet nos negócios tem transformado radicalmente a economia global e social ao longo da última década (Ho et al., 2007). Por forma a garantir uma melhor perceção acerca dos determinantes que impulsionaram a adoção das TI, iremos descrever os modelos teóricos que os sustentam. A Tabela 2 apresenta algumas das teorias principais até hoje desenvolvidas.
7 Tabela 2 – Teorias de adoção de tecnologia De acordo com Straub (2009), a teoria de Davis (1989) – a TAM – e a sua teoria sucessora, a UTAUT, são dois modelos utilizados frequentemente em estudos específicos relativos à adoção de tecnologias em organizações formais. Todavia, a teoria que melhor fundamenta a adoção do EC é a TOE. Esta teoria identifica três aspetos influenciadores de processos adotados e implementados no contexto empresarial por tecnologias de inovação – contexto tecnológico, organizacional e ambiental (Oliveira et al., 2011). Grandón et al. (2011) considera a TPB como sendo uma mera extensão da TRA. Atesta ainda, que ambas as teorias admitem a hipótese de que a intenção de um indivíduo para executar um determinado comportamento é um determinante desse mesmo comportamento. Por seu turno, a IDT pode fornecer um importante ponto de partida para procurar fatores que afetem a adoção de tecnologias EC. Vários estudos de TI enfatizavam dois aspetos do contexto das empresas que influenciam a adoção de TI – o contexto tecnológico e o contexto organizacional (Bao et al., 2010). Por outro lado, Oliveira et al. (2011) descreve a teoria IDT através de características individuais, drivers responsáveis por inovações organizacionais e características internas e externas do seio organizacional. Assim sendo, pode-se constatar que esta teoria se enquadra com o contexto tecnológico e organizacional caracterizado pela teoria TOE. No entanto, esta ainda incluiu um novo e importante componente – o contexto ambiental. Teorias de Adoção de Tecnologia Autor TRA – Theory of Reasoned Action Fishbein et al. (1975) SCT – Social Cognitive Theory Bandura (1986) TAM – Technology Acceptance Model Davis (1989) TOE – Technology, Organization, Environment framework Tornatzky et al. (1990) TPB – Theory of Planned Behavior Ajzen (1991) IDT – Innovation Diffusion Theory Rogers (1995) UTAUT – Unified Theory of Acceptance and Use of Technology Venkatesh et al. (2003)
8 2.4. Teorias de Internacionalização e de E-commerce A prática do EC tem-se expandido e criado novas oportunidades de exportação por forma a impulsionar atuais processos de negócios e influenciar o desenvolvimento de estratégias competitivas de performance exportadora (Karavdic et al., 2005). Tabela 3 – Síntese das teorias relacionadas com a Internacionalização e o EC Teorias Autores Internacionalização Uppsala e Inovação Johanson e Wiedersheim-Paul (1975); Johanson e Vahlne (1977) OI, RBV e TCT Coase (1937); Karavdic (2006); Andersen (2005); Paradigma eclético Carneiro et al. (2008) Born-globals Knight (2010); Rialp et al. (2005); Moen et al. (2002); McDougall e Oviatt (1994); Knight (1997); Redes Johanson e Mattsson (1988) Karavdic (2006) desenvolveu um estudo onde incorpora a performance exportadora com a adoção do EC. O autor enfatiza quadro grandes teorias que surgem deste relacionamento: a Teoria da Internacionalização (TdI), a Teoria da Organização Industrial (OI), a Resource Based View (RBV) e a Teoria dos Custos de Transação (TCT). As teorias da internacionalização pretendem enfatizar o comportamento racional, a lógica de custos de transação e o raciocínio do ciclo de vida do produto, concordando mutuamente que a internacionalização é um processo de aprendizagem gradual em que a relação, sequência e direção da expansão internacional são funcionais com a experiência, capacidade e evolução organizacional (Luo et al., 2005). Não obstante, as teorias de internacionalização pretendem explicar o porquê das escolhas das empresas para operarem para além do mercado doméstico e as estratégias e estruturas que advêm disso (Jaw, 2006). De acordo com Andersen (1993) e Karavdic (2006), existem duas formas de descrever os processos de internacionalização das empresas. Uma foi desenvolvida por Johanson e
9 Vahlne (1977) e por Johanson e Wiedersheim-Paul (1975) – o Uppsala Model (UM); a outra perspetiva foca-se numa aprendizagem contínua baseada em decisões de inovação - é a teoria comportamental da empresa – o Innovation Model (IM) de Cavusgil (1980). O UM (Johanson e Vahlne, 1977) foca-se no desenvolvimento individual da empresa e, particularmente, na integração, aquisição gradual, uso do conhecimento científico sobre mercados e operações externas e no sucessivo aumento do compromisso para com o mercado externo. Segundo Karavdic (2006), o IM sugere que a internacionalização resulta de consecutivas inovações de gestão que acontecem dentro da empresa. Todavia, a internacionalização também pode ser encarada como um processo gradual e progressivo de etapas incrementais relativas a longos períodos de tempo. De acordo com o estudo elaborado por Johanson e Vahlne (1977, 2009), a internacionalização é realizada de forma sequencial, através do know-how adquirido nos mercados externos aquando da concretização dos processos. As etapas iniciam-se pela exportação via agentes; posteriormente, criam-se subsidiárias; para, numa fase mais avançada, iniciarem a produção no novo mercado. Contudo, o maior obstáculo à internacionalização e, também, uma lacuna do UM é a falta de conhecimento sobre os mercados externos (Forsgren et al., 2007). Uma vez que o conhecimento se adquire muito mais rapidamente e que o risco do investimento é minimizado podemos, assim, questionar a viabilidade do UM através da adoção do EC. Visto que, através do EC, a empresa exportadora, torna-se capaz de atingir muito mais rapidamente uma integração nos mercados mais forte (Karavdic, 2006). Vários estudiosos têm investigado acerca da influência que as atividades de EC potencialmente detêm sobre as estratégias e relações exportadoras das empresas. Em concordância com estes estudos encontra-se a teoria de OI, RBV e TCT (Karavdic et al., 2005). A teoria de OI sugere a existência de determinantes externos de EC relacionados com o desenvolvimento das estratégias de internacionalização (Karavdic et al., 2005). A premissa associada a esta teoria é a de que o mercado externo estabelece determinadas pressões às
10 quais as empresas deverão saber ripostar. O valor económico do EC é confirmado quando se instituem plataformas tecnológicas e protocolos de troca de informação e produtos (Karavdic, 2006). De forma diversa, a teoria RBV apoia a abordagem de integração do EC nos recursos internos das organizações que, por sua vez, influenciam as capacidades exportadoras de uma empresa (Clemons et al., 1993). Capacidades específicas especialmente relevantes para a utilização do EC são os ativos de EC de uma empresa – transferências online de produtos e experiência de EC da empresa em exportações. Através do uso destas capacidades, a utilização do EC poderá realizar-se através da integração dos ativos internos – infraestruturas de EC e recursos humanos – e das competências internacionais da empresa (Karavdic et al., 2005). Segue-se o modelo desenvolvido por Coase (1937), TCT. Este defende que uma empresa tenderá a expandir-se até que o custo para a empresa, na transação adicional dentro da empresa, se tornar igual ao custo de realizar a mesma operação por meio de uma troca no mercado aberto. A TCT identifica a eficiência das transações como a maior fonte de criação de valor e como aumento da eficiência na redução de custos (Williamson, 1975). Por conseguinte, o EC poderá ser assinalado como um estimulador de redução de custos de transação. Esta teoria é relevante para uma vasta gama de fenómenos relacionados como EC: exportadores mais capazes e velozes na adaptação às condições dos mercados internacionais e uma procura eficiente para comerciais parceiros/clientes (ex ante costs), e suporte aos canais de distribuição e criação de um ambiente interno que reduz os custos de transação (ex post costs) (Karavdic et al., 2005). Estes custos representam irregularidades no mercado, que não existiriam em transações dentro das organizações, e que devem ser minimizadas. O EC atua, assim, na redução destas naturezas de custos, que se traduzem nas áreas de marketing, administração e logística (Andersen, 2005). A integração do EC nas operações de exportação, segundo Karavdic (2006), conduz a que as empresas beneficiem de uma descida das despesas de mercado, de uma melhoria de controlo sobre a distribuição do produto, de um apertado controlo na qualidade, uma
11 revisão acelerada das políticas de produção e distribuição, margens de lucro adicionais e/ou preços mais acessíveis. Por forma a sintetizar a Teoria da Internacionalização e dos Custos de Transação surge, de acordo com Andersen (1993), o paradigma eclético. O pai desta teoria – Dunning (1988, 1995, 2000) – procurou explicar o processo de internacionalização com base no investimento estrangeiro. Defendendo que um investimento de sucesso deve respeitar três condições – paradigma OLI – Ownership, Location e Internalization. Segundo Dunning (2000), Ownership representa vantagens específicas da empresa face à concorrência (p.ex. controlo de ativos estratégicos como tecnologia, marca própria, capacidades de gestão); Location apresenta as vantagens de localização que respeitam aos benefícios decorrentes da exploração da superioridade da empresa no estrangeiro (p.ex. os custos de fatores no país, estabilidade do país); e, por último, temos, vantagens de internalização (Internalization) que representam vantagens de integrar as transações no interior da empresa, através de quatro critérios de decisão: risco, controlo, retorno e recursos. A teoria eclética enumera variadas razões para que as empresas iniciem as suas operações no estrangeiro – busca de eficiência, busca de ativos estratégicos, procura de mercado e busca de capacidades fora do país de origem da empresa-mãe (Carneiro et al., 2008). Estas razões determinam para onde as empresas poderão internacionalizar-se pois o novo local deverá oferecer vantagens alusivas à riqueza de recursos naturais e/ou humanos, tais como, qualidade e custos baixos, forte know-how tecnológico, boas infraestruturas, estabilidade política e económica, dimensão do mercado, regime cambial estável e política económica sólida (Carneiro et al., 2008). Nos dias de hoje deparamo-nos com uma realidade bastante distinta do passado, desde muito cedo que as empresas decidem embarcar numa expansão internacional, devido à visão global que já nasce com a organização. Assim sendo, podemos afirmar que, nem todas as organizações seguem de forma sequencial os estádios evolutivos e, as bornglobals, estão no epicentro da contradição dessa teoria (Moen e Servais, 2002; Knight, 2010). McDougall e Olivatt (1994) conceberam um novo conceito, de forma a caraterizar esta tipologia de empresas - International New Venture (INV) -, apresentando como principiais
12 fatores para o surgimento deste novo grupo de empresas: a globalização de mercados, a redução de custos de transação, a crescente facilidade no acesso ao financiamento e a crescente mobilidade dos recursos humanos. Por outro lado, temos a perspetiva de redes. Aludindo ao desenvolvimento do mercado externo, não depende exclusivamente da conjugação das vantagens competitivas da empresa. Desta forma, Johanson e Mattsson (1992) afirmam que o sucesso da internacionalização depende das redes e das alianças estratégicas desenvolvidas. Em suma, a teoria de redes envolvem redes externas e internas à empresa. Mais especificamente, as redes externas são fruto do relacionamento da empresa com os parceiros de negócio tais como, empresas de marketing, instituições de investigação, fornecedores, etc. (Andersson et al., 2002). Nos dias de hoje, a rede internáutica é uma fonte de recursos e oportunidades extremamente atroz, podendo, desta forma, funcionar como uma imponente ferramenta no vasto processo de internacionalização de empresas. Por conseguinte, o domínio e o conhecimento da rede deverá ser uma aposta para as empresas (Balbinot et al., 2008). 2.5. Proxies da Velocidade da Internacionalização A velocidade da internacionalização é uma questão importante para ambas as decisões estratégias, de entrada e/ou expansão para mercados internacionais bem como, para a pesquisa de negócios. Assim sendo, a velocidade é a chave para as estratégias internacionais das empresas e deverá equilibrar as oportunidades e pesquisas internacionais das empresas multinacionais (Chetty et al., 2014). Vários foram os estudos que se debruçaram sobre a investigação da velocidade da internacionalização. Na Tabela 4 sintetizamos as proxies relativas aos estudos da velocidade da internacionalização.
13 Tabela 4 – Síntese dos estudos realizados no âmbito da Velocidade da Internacionalização: Proxies. De todas as proxies existentes, apenas três foram apresentadas por mais do que um autor, sendo elas, o ano da primeira exportação da empresa, a diferença entre o ano de fundação e o ano da primeira exportação da empresa e a precocidade da internacionalização. Proxy Autores Tipo de Variável Ano da primeira exportação da empresa Khavul et al. (2010); Weerawardena et al. (2007). Independente Dependente 𝐴𝑛𝑜 𝑑𝑒 𝑓𝑢𝑛𝑑𝑎çã𝑜 𝑑𝑎 𝑒𝑚𝑝𝑟𝑒𝑠𝑎 − 𝐴𝑛𝑜 𝑑𝑎 𝑝𝑟𝑖𝑚𝑒𝑖𝑟𝑎 𝑒𝑥𝑝𝑜𝑟𝑡𝑎çã𝑜 𝑑𝑎 𝑒𝑚𝑝𝑟𝑒𝑠𝑎 Teixeira et al. (2014); Ramos et al. (2011); Musteen et al. (2010); Kiss et al. (2008); Acedo et al. (2007); Zucchella et al. (2007); Pla-Barber et al. (2006); Luo et al. (2005). Dependente Precocidade da Internacionalização Teixeira et al. (2014); Zucchella et al. (2007). Dependente Medido através do número de dias entre a operação e a operação imediatamente anterior da empresa. Casillas et al. (2013) Dependente Variação específica específica unidade de tempo Casillas e Acedo (2013) Dependente e Independente Número médio da fabricação externa das subsidiárias Número de anos desde a primeira expansão externa da empresa Chang et al. (2011) Independente Ano de fundação da empresa Ramos et al. (2011) Dependente Período da Internacionalização quando foi registada para capturar a relação inversa entre a velocidade e a idade. Khavul et al. (2010) Independente Medido através: 1) Tempo desde descoberta a oportunidade até à primeira entrada no mercado; 2) Quão rápida foi a entrada nos mercados externos e quão rápida é a distância psicológica com a entrada no mercado; Quão rápido se assume os compromissos. Oviatt et al. (2005) Independente
14 Contudo, apenas as proxies “diferença entre o ano de fundação da empresa e o ano da primeira exportação da empresa” e “precocidade da internacionalização” obtiveram um consenso mais expressivo entre os autores, relativamente, à escolha do tipo de variável em análise. 2.6. Determinantes da Velocidade da Internacionalização De acordo com Zhou et al. (2014), a velocidade da internacionalização resulta do espírito e capacidade empreendedora do gestor e, também, da precocidade da internacionalização. Assim sendo, a velocidade da internacionalização, segundo Chetty et al. (2014), tornou-se numa questão importante para os gestores que decidem expandir os seus negócios para mercados internacionais. Os autores esclarecem que a velocidade é um fator chave para as estratégias de internacionalização das empresas, em consequência de equilibrar os recursos das empresas. Tendo como principal objetivo, possíveis oportunidades de negócio internacionais. Na Tabela 5 e Tabela 6 agrupamos os determinantes comuns dos diversos estudos, através de uma dimensão interna que, por sua vez subdividimos em duas categorias, características da empresa e características do gestor, respetivamente. Por outro lado, na Tabela 7 segmentamos os estudos realizados no âmbito da velocidade da internacionalização através de uma dimensão externa. Desta forma, pudemos observar que, apenas um estudo não conseguiu obter nenhuma correspondência nos determinantes (Kiss et al., 2008). Os restantes estudos obtiveram todos, pelo menos uma correspondência (Teixeira et al., 2014; Casillas et al., 2013; Casillas e Acedo, 2013; Chang et al., 2011; Ramos et al., 2011; Khavul et al., 2010; Musteen et al., 2010; Acedo et al., 2007; Weerawarden et al., 2007; Zucchella et al., 2007; Pla-Barber et al., 2006; Luo et al., 2005; Oviatt et al., 2005).
21 pode tornar-se bastante útil para as ECCs uma vez que é capaz de medir o tamanho do mercado da Internet. Maior internetabilidade proporciona às ECCs um mercado superior ou uma nova e extensa rede de consumidores, possibilitando desta forma, um aumento do fluxo de renda ou diminuição dos custos unitários como resultado de economias de escala. Assim sendo, a velocidade de entrada no mercado estrangeiro depende, de um mercado internetabilidade (Luo et al., 2005). Desta forma, pretendemos testar se: H7 – A internetabilidade do país externo (a percentagem da população em cada país que usa a Internet) contribui positivamente para a velocidade de internacionalização das ECCs. Tabela 8 – Hipóteses de Investigação Dimensão Interna Autor(es) H1 – A idade da empresa das ECCs contribui positivamente para a velocidade da internacionalização. Teixeira et al. (2014); Casillas et al. (2013); Casillas e Acedo (2013); Chang et al. (2011). H2 – A capacidade de marketing das ECCs está positivamente relacionada com a velocidade de internacionalização. Chang et al. (2011); Weerawarden et al. (2007); Pla-Barber et al. (2006); Luo et al. (2005). H3 – A capacidade de inovação das ECCs está positivamente relacionada com a velocidade de internacionalização. Teixeira et al. (2014); Chang et al. (2011); Ramos et al. (2011); Khavul et al. (2010); Pla-Barber et al. (2006); Luo et al. (2005). H4 – A experiência internacional dos gestores das ECCs, está positivamente relacionada com a velocidade de internacionalização. Teixeira et al. (2014); Casillas et al. (2013); Casillas e Acedo (2013); Musteen et al. (2010); Zucchella et al. (2007); Luo et al. (2005). H5 – O network das ECCs contribui positivamente para a velocidade de internacionalização. Casillas e Acedo (2013); Musteen et al. (2010); Weerawarden et al. (2007); Zucchella et al. (2007); Pla-Barber et al. (2006); Oviatt et al. (2005). Dimensão Externa H6 – Os suportes tecnológicos do país estrangeiro são positivamente relacionados com a velocidade de internacionalização das ECCs. Teixeira et al. (2014); Ramos et al. (2011); Khavul et al. (2010); Musteen et al. (2010); Luo et al. (2005).
22 H7 – A internetabilidade do país externo (a percentagem da população em cada país que usa a internet) contribui positivamente para a velocidade de internacionalização das ECCs. Luo et al. (2005) 2.8. Especificações do modelo ‘teórico’ Nesta secção iremos apresentar e especificar o modelo ‘teórico’ proposto a partir da revisão da literatura. Para tal, teremos em consideração fatores de natureza interna – ao nível da organização – e externa – ao nível do país de estabelecimento. O modelo é composto por duas variáveis dependentes. A primeira é a velocidade de internacionalização e irá ser medida pela diferença entre o ano de fundação da empresa e o ano da primeira exportação (Teixeira et al., 2014; Ramos et al., 2011; Musteen et al., 2010; Kiss et al., 2008; Acedo et al., 2007; Zucchella et al., 2007; Pla-Barber et al., 2006; Luo et al., 2005). A segunda proxy é a precocidade da internacionalização (Teixeira et al., 2014; Zucchella et al., 2007), que consiste em identificar as empresas que iniciaram o seu processo de exportação nos três primeiros anos de atividade. Esta proxy é utilizada por forma a controlar a possibilidade de micro organizações que foram criadas com a finalidade de uma exportação de produtos em escala reduzida e com um volume de negócios bastante baixo. Com base na análise aos determinantes (Tabela 5,6 e 7), elucidados na literatura (Teixeira et al., 2014; Casillas et al., 2013; Casillas e Acedo, 2013; Chang et al., 2011; Ramos et al., 2011; Khavul et al., 2010; Musteen et al., 2010; Kiss et al., 2008; Acedo et al., 2007; Weerawardena et al., 2007; Zucchella et al., 2007; Pla-Barber et al., 2006; Oviatt et al., 2005; Luo et al., 2005), para definir a velocidade de internacionalização, definimos o seguinte modelo ‘teórico’: 𝑉𝑒𝐼𝑛𝑡 = 𝑓 ( 𝐸𝑥𝑝𝐼𝑛,𝐶𝑎𝑝𝐼𝑛𝑜,𝐶𝑎𝑝𝑀𝐾𝑇, 𝐷𝑖𝑚𝐸, 𝑌𝑒,𝑁𝑇,𝐼𝑛𝑡𝐴𝑏, 𝐷𝑖𝑠𝑡𝐶𝑢𝑙𝑡, 𝑆_𝑇𝑒𝑐) 𝑃𝑟𝑒𝑐𝑜𝐼𝑁𝑇 = 𝑓 ( 𝐸𝑥𝑝𝐼𝑛,𝐶𝑎𝑝𝐼𝑛𝑜,𝐶𝑎𝑝𝑀𝐾𝑇, 𝐷𝑖𝑚𝐸, 𝑌𝑒,𝑁𝑇,𝐼𝑛𝑡𝐴𝑏, 𝐷𝑖𝑠𝑡𝐶𝑢𝑙𝑡,𝑆_𝑇𝑒𝑐) Na Tabela 9 esquematizamos os determinantes considerados no modelo ‘teórico’.
23 Por fim, é importante salientar que foram adicionadas ao modelo duas variáveis de controlo, a dimensão da empresa (DimE) e a distância cultural (Dist_Cult). Relativamente à primeira variável, esta foi medida através do volume de negócios da empresa e não pelo número de trabalhadores, como é usualmente realizado (e.g. Chang et al., 2011). Todavia, a segunda variável de controlo, será medida através do índice de Hofstede (Casillas et al., 2013), baseado em cinco dimensões: distância de poder; aversão à incerteza, individualismo versus coletivismo, masculinidade versus feminilidade e orientação de curto prazo versus longo prazo. Tabela 9 – Determinantes do modelo ‘teórico’ Sigla Variável Medição da Variável Dimensão Sinal Esperado VeInt Velocidade da Internacionalização 𝐴𝑛𝑜 𝑑𝑒 𝑓𝑢𝑛𝑑𝑎çã𝑜 𝑑𝑎 𝑒𝑚𝑝𝑟𝑒𝑠𝑎 − 𝐴𝑛𝑜 𝑑𝑎𝑝𝑟𝑖𝑚𝑒𝑖𝑟𝑎𝑒𝑥𝑝𝑜𝑟𝑡𝑎çã𝑜𝑑𝑎𝑒𝑚𝑝𝑟𝑒𝑠𝑎 Interna PrecoINT Precocidade da Internacionalização Empresas que começaram a exportar até aos 3 anos de atividade Interna Exp_In Experiência Internacional 𝑒𝑥𝑒𝑐𝑢𝑡𝑖𝑣𝑜𝑠𝑐𝑜𝑚𝑒𝑥𝑝𝑒𝑟𝑖ê𝑛𝑐𝑖𝑎𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑛𝑎𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑙𝑝𝑜𝑠𝑡𝑒𝑟𝑖𝑜𝑟 𝑛ú𝑚𝑒𝑟𝑜𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙𝑑𝑒𝑒𝑥𝑒𝑐𝑢𝑡𝑖𝑣𝑜𝑠 Interna + Cap_Ino Capacidade de Inovação 𝐺𝑎𝑠𝑡𝑜𝑠 𝑒𝑚 𝐼&𝐷 𝑉𝑜𝑙𝑢𝑚𝑒 𝑑𝑒 𝑁𝑒𝑔ó𝑐𝑖𝑜𝑠 Interna +/– Cap_MKT Capacidade de Marketing 𝐺𝑎𝑠𝑡𝑜𝑠 𝑒𝑚 𝑀𝑎𝑟𝑘𝑒𝑡𝑖𝑛𝑔 𝑉𝑜𝑙𝑢𝑚𝑒 𝑑𝑒 𝑁𝑒𝑔ó𝑐𝑖𝑜𝑠 Interna + DimE Dimensão da empresa Volume de Negócios da empresa Interna + Ye Idade da empresa Ano de Fundação da empresa Interna – NT Network Número total de contatos internacionais pessoais e profissionais dos executivos (escala de Likert) Interna + Int_Ab Internetabilidade Número de habitantes com acesso à internet em cada 1000 habitantes – Internet World Stats Externa + Dist_Cult Distância Cultural Índice de Hofstede Externa + S_Tec Suporte Tecnológico Número de computadores por cada 1000 habitantes - TekCarta Externa +/–
24 3. Aspetos Metodológicos O presente estudo pretende identificar ao fatores influenciadores de uma aceleração da internacionalização das ECCs portuguesas. Neste contexto, analisou-se um vasto aglomerado de empresas de diferentes sectores de atividade, englobando apenas entidades que já utilizam esta tecnologia – e-commerce. Neste capítulo iremos particularizar a metodologia seguida na obtenção da resposta à nossa questão de investigação. Assim sendo, na Secção 3.1. é especificada sucintamente, as metodologias utilizadas em estudos semelhantes. Por outro lado, na Secção 3.2., detalhamos todos os procedimentos seguidos na elaboração do questionário, na relação entre as hipóteses de investigação e o questionário e na descrição da população. 3.1. Síntese das metodologias utilizadas em estudos semelhantes Com base na revisão de literatura efetuada, numa primeira instância, decidimos basear-nos no estudo de Luo et al. (2005) que examina a velocidade de internacionalização das empresas que utilizam o e-commerce no mercado americano. Contudo, por forma a colmatar incongruências temporais no estudo de Luo et al. (2005), decidimos complementar o seu estudo através de um reformo metodológico (Teixeira et al., 2014; Casillas et al., 2013; Casillas e Acedo, 2013; Chang et al. (2011); Ramos et al., 2011; Khavul et al., 2010; Musteen et al., 2010; Kiss et al., 2008; Acedo et al., 2007; Weerawardena et al., 2007; Zucchella et al., 2007; Pla-Barber et al., 2006; Oviatt et al., 2005). Relativamente à questão de investigação, os autores, apoiados em distintas teorias de adoção da internacionalização, têm contemplado múltiplos determinantes (Tabela 5,6,7). Tendo em conta as metodologias empregues nos diversos estudos bibliográficos, poucos são os que apresentam uma índole totalmente teórica (Casillas e Acedo, 2013; Kiss et al., 2008; Weerawardena et al., 2007; Oviatt et al., 2005). Dos estudos selecionados (Tabela 10), a população da amostra varia consideravelmente entre si. Não obstante, todos os autores optaram por metodologias quantitativas.
25 Tabela 10 – Síntese de metodologia 3.2. Procedimentos seguidos na elaboração do questionário, relação entre as hipóteses de investigação e descrição da população Por forma a determinar quais os fatores que poderão fomentar a internacionalização mais veloz das ECCs, o método preferencial de recolha de dados é o Inquérito por Questionário. Atendendo às metodologias aplicadas em estudos similares (Tabela 10), esta escolha propõe-se a contribuir para um maior poder de generalização de possíveis conclusões possibilitando desta forma, um maior volume de informação para os gestores das empresas portuguesas. Pais Recolha dos dados Setor Industrial Amostra Taxa de resposta Informador Método de Análise Autor Espanha Base de Dados Multisectorial 889 --- --- Quantitativa Casillas et al. (2013) Manufatureira 945 --- --- Ramos et al. (2011) Questionário Multisectorial 216 --- CEO Acedo et al. (2007) 271 25% CEO Pla-Barber et al. (2006) Itália SMEs 144 24% --- Zucchella et al. (2007) Portugal USOs 111 37,3% Teixeira et al. (2014) China, India, Africa do Sul INV 76 39,6% Gestores Khavul et al. (2010) Republica Checa Manufatureira 155 --- CEO Musteen et al. (2010) EUA Base de Dados ECC americanas --- --- --- Luo et al. (2005) Coreia Manufatureira e FDI --- --- --- Chang et al. (2011)
26 A estruturação do questionário foi realizada após a finalização da revisão da literatura e tendo em consideração o teste piloto realizado no dia 1 de Julho de 2015. Dada a relevância do Inquérito, o teste piloto foi alvo de análise por docentes da Faculdade de Economia da Universidade do Porto com experiência na área e por uma empresa. As questões levantadas estão correlacionadas com os determinantes alistados à aceleração da internacionalização das ECCs (Tabela 9). Assim sendo, e uma vez que o inquérito visa responder à questão de investigação, podemos afirmar que este contempla um universo de 9 questões. O inquérito está estruturado em três vertentes. Numa primeira parte, encontram-se as questões relacionadas com a informação geral da empresa; a segunda parte contempla gastos institucionais; a terceira e última rubrica diz respeito às exportações da entidade (Anexo I). A recolha dos dados (Tabela 11), para além do Inquérito, foi efetuada através da base de dados estatística SABI (Sistema de Análise de Balanços Ibéricos) por forma a recolher informações de natureza contabilística e outro tipo de informações gerais das empresas, possibilitando ainda, a seleção dos códigos de atividade económica das empresas de diferentes setores de atividade. A unidade de análise da investigação recaiu sobre as empresas portuguesas cujas atividades comerciais sejam efetuadas exclusivamente via internet e que, em algum momento do seu processo evolutivo, se tenham internacionalizado. Por forma a conceber a nossa amostra, a pesquisa da população-alvo baseou-se na base de dados da Associação de Comércio Eletrónico e Publicidade Interativa em Portugal (ACEPI), que é uma associação independente e sem fins lucrativos, composta por pessoas individuais e coletivas e que vis o estudo e implementação em Portugal dos diversos tipos de negócio eletrónico. Desta base de dados obtivemos um universo de 251 empresas. Por forma a ir ao encontro do nosso objetivo de estudo, a filtração da amostra foi realizada de acordo com os seguintes critérios: empresas situadas nem território português e website devidamente preparado para a compra online. Assim sendo, após a seleção das empresas, obtivemos uma população total de 95 entidades.
27 Com o objetivo de alcançar uma taxa de resposta elevada foi inicialmente determinado contactar as empresas telefonicamente com o propósito de apresentar às empresas o nosso estudo e para adquirirmos o nome/contacto do responsável mais adequado para responder ao questionário. Consequentemente, foi-nos possível obter o nome e o endereço eletrónico do gestor para o posterior envio do questionário em formato eletrónico com carta de apresentação explicando, mais uma vez, as motivações e objetivos do estudo em causa. Os contactos telefónicos foram realizados a 27 de Maio de 2015. O envio dos questionários realizou-se a 5 de Julho de 2015 e no decurso temporal foram efetuadas insistências telefónicas, reenvio de e-mails e envio de mensagens privadas junto das páginas de Facebook das entidades. Consequentemente, a partir de Setembro foram realizadas chamadas telefónicas diárias, enviamos novamente mensagens via Facebook, por forma a apelar à colaboração no nosso estudo. Na Secção 2.7. foram formuladas 7 hipóteses de investigação, divididas em duas dimensões. Consequentemente, as questões do questionário pretendem abordar a dimensão interna e externa das empresas. Como tal, o questionário foi dividido em três vertentes - informação geral, gastos e exportações de cada entidade. Relativamente à primeira rubrica do questionário (informação geral), incluímos questões que incidem sobre o nome da empresa (#1), o setor de atividade no qual a empresa opera (#2), número total de executivos (#3.1), quantos desses executivos já realizaram uma experiência internacional (#3.2). Na segunda vertente do inquérito, as perguntas estão direcionadas com o valor total dos gastos institucionais efetuados nas rúbricas de I&D (#4) e Marketing (#5). O terceiro e último grupo, está relacionado com o momento em que a entidade iniciou a sua exportação (#6), o país para onde a entidade iniciou a sua exportação (#7), se iniciou a exportação nos primeiros três anos de atividade empresarial (#8) e o número de contactos internacionais dos respetivos executivos (#9). A Tabela 11 contempla questões do questionário relativas a cada hipótese de investigação. Para além disso fornece a fonte de obtenção dos dados (pergunta correspondente no questionário e a base de dados consultada).
28 Tabela 11 – Informações a recolher para a análise descritiva e modelo e relação com as hipóteses Fonte de Informação Objetivo Variável Hipótese Nome da entidade Inquérito (#1) Análise descritiva ------ --- Localização da Empresa SABI Análise descritiva ------ ---- Tipo de setor de atividade na qual a empresa opera Inquérito (#2) Análise descritiva ----- --- Ano em que a Empresa iniciou a sua atividade SABI Cálculo da variável dependente (ano em que realizou a primeira exportação - ano da criação da empresa) Velocidade de Internacionalização (VeInt) --- Ano em que realizou a primeira exportação (inicio da atividade em contexto internacional) Inquérito (#6) Iniciou a exportação até aos três primeiros anos de iniciação da atividade da empresa Inquérito (#8) Variável dependente Precocidade de Internacionalização (PrecoINT) --- Ano em que a Empresa iniciou a sua atividade SABI Variável explicativa Idade da empresa (Ye) H1 Número de executivos que já trabalharam no exterior Inquérito (#3.2) Cálculo da variável explicativa (rácio entre o número de executivos que já trabalharam no exterior e o número total de executivos) Experiência Internacional (Exp_In) H4 Número total de executivos no final de 2014 Inquérito (#3.1) Volume de Negócios (Vendas totais referentes a 2014 em euros) SABI Variável explicativa Dimensão da empresa (DimE) --- Valor gasto (em euros) com atividades e projetos de Investigação e Desenvolvimento em 2014 Inquérito (#4) Informação relativa à variável explicativa (rácio entre gastos em I&D e total de Vendas) Capacidade de Inovação (Cap_Ino) H3 Volume de Negócios (Vendas totais referentes a 2014 em €) SABI Valor em euros gasto na divulgação da marca, publicidade e propaganda (marketing) em 2014 Inquérito (#5) Informação relativa à variável explicativa (rácio entre gastos em Marketing e total de Vendas) Capacidade de Marketing (Cap_MKT) H2 Volume de Negócios (Vendas totais referentes a 2014 em €) SABI Primeiro país/região para onde exportou Inquérito (#7) Informação relativa à variável explicativa Suporte Tecnológico (S_Tec) H6 Internetabilidade (Int_Ab) H7 Distância cultural (Dist_Cult) --- Número de contactos internacionais (pessoais e profissionais) dos executivos da empresa Inquérito (#9) Informação relativa à variável explicativa Networking (NT) H5
29 4. Resultados empíricos Neste capítulo descrevem-se e avaliam-se os resultados obtidos através dos inquéritos realizados às empresas dos diversos setores de atividade. Iniciaremos por um análise descritiva das respostas ao questionário na Secção 4.1.. Na Secção 4.2. procedemos à análise exploratória dos dados. Segue-se a Secção 4.3. a análise às hipóteses de investigação e o modelo teórico. 4.1. Análise descritiva O inquérito por questionário foi enviado a um leque de 95 empresas. Todavia, obtivemos apenas 19 respostas válidas, existindo ainda a necessidade de retirar duas empresas deste conjunto de respostas devido à insuficiência dos seus dados. Consequentemente, a taxa de respostas recebidas situou-se nos 20%, sendo a, taxa de respostas válidas de 18%. Analisando a geografia da nossa amostra, podemos concluir que a maioria das empresas (65%) encontra-se sediada na grande área metropolitana de Lisboa, por oposição 24% das empresas que responderam ao inquérito encontram-se na zona norte de Portugal continental. Todavia, a minoria das empresas (6%) encontram-se difundidas no Algarve e centro interior. Por forma, a garantir a viabilidade no nosso estudo, alguns dados fornecidos pelas empresas através do inquérito – atividade principal da empresa e número de funcionários - foram confirmados pelo SABI. Analisando os tipos de atividade (Figura 1), podemos concluir que quase 60% das empresas inquiridas pertencem ao setor retalhista. Porém, as restantes empresas operam no ramo de serviços informáticos (29%), indústria alimentar (6%) e outros serviços (6%). De acordo com Zhou et al. (2014), o sector de atividade não tem qualquer influência significativa sobre a precocidade da internacionalização das empresas. Embora o seu estudo se tivesse focado em empresas localizadas na China. Por outro lado, Madsen (2013) encontrou evidências de que o sector tem preponderância para o desenvolvimento internacional rápido e precoce das empresas.
30 Figura 1 - Tipos de Atividade Relativamente ao volume de negócios das empresas inquiridas, em termos médios e aproximados, em 2014, estas apresentaram vendas de 6 milhões de euros. Mais detalhadamente, a maioria das empresas (53%) apresentam vendas totais abaixo de 1 milhão de euros. Comparativamente ao número de trabalhadores, a sua média situa-se nos 39 funcionários. Segundo a recomendação da Comissão Europeia 96/280/CE, de 3 de Abril de 1996, a definição de PME abrange empresas com menos de 250 trabalhadores e, ainda, dentro destas, as microempresas são classificadas por um número de trabalhadores menor ou igual a 10. Assim sendo, podemos concluir que em termos médios, tendo em conta a nossa amostra, as empresas têm uma estrutura pequena e média. Consequentemente, em média, apenas 3 dos 39 trabalhadores possuem cargos de direção nas empresas inquiridas e apenas 1 desses diretores já trabalhou no estrangeiro. Em 2014, o valor médio gasto pelas empresas em I&D é de cerca de 38 mil euros e, para o mesmo período, também gastaram cerca de 18 mil euros em divulgação da maca, publicidade e propaganda (marketing).
37 (mas também um rendimento esperado mais elevado), é apontado como uma das desvantagens da internacionalização. Por conseguinte, com a utilização do EC, surge a necessidade de investir significativamente em softwares, hardwares, criação de bases de dados, plataformas de apoio ao cliente, entre outros ativos fundamentais à sustentabilidade do negócio (Carrera, 2012). Os dados indicam, ainda, que estas empresas apresentam, em média, uma distância cultural mais baixa e uma rede de contatos mais elevada, tal como sucedia anteriormente. De acordo com Amal et al., (2003), o EC conseguirá reduzir a distância psicológica e ampliará o alcance geográfico. Tendo em consideração o primeiro país para onde as empresas iniciaram o seu processo de exportação, podemos concluir que aquelas que se aventuram para fora da Europa, investem mais em I&D e em marketing e demoraram menos tempo a internacionalizar-se. Internacionalizar comporta custos e fazê-lo para mais distante do país de origem, ainda mais. Luo et al., (2005), comprovou que a experiência internacional dos administradores das ECCs e um bom investimento em I&D e marketing estão positivamente e significativamente associados com a velocidade da internacionalização das empresas. Analisando o número de contactos que as empresas possuem segundo uma escala de Likert, observamos que, quanto maior for o networking, menos tempo as empresas demoram a internacionalizar-se e investem bastante mais em I&D e marketing. De acordo com Zucchella et al. (2007), o networking poderá influenciar de forma mais significativa uma internacionalização mais rápida do que a precocidade (iniciar o processo de internacionalização nos primeiros 3 anos de atividade da organização). Tendo feito uma análise global às médias das variáveis relevantes para este estudo, quando categorizadas por diferentes perspetivas (estrutural e relativas à internacionalização), analisamos agora aquelas relações cujas diferenças nas médias são significativas. Para concretizar esta análise foi utilizado o teste não paramétrico de Mann-Whitney 5 , que permite aferir se existe evidência de diferenças estatisticamente significativas entre as médias das empresas de cada um dos grupos, nas diferentes dimensões das variáveis em análise, sendo este o teste adequado, de acordo com Maroco (2010). Para tal recorremos 5 O teste de Mann-Whitney testa a hipótese nula de que as médias associadas da população são as mesmas para os dois grupos.
38 ao software IBM SPSS Statistics (versão 22.0). Os outputs do SPSS referentes a cada teste efetuado encontram-se no Anexo II. A Tabela 14 sintetiza a informação relativa ao teste de Mann-Whitney às diferenças de médias quando agrupamos as empresas por variáveis estruturais (volume de negócios, número de trabalhadores e tipo de atividade da empresa). Tabela 14 – Teste de Mann-Whitney às diferenças de médias: dados estruturais Estatísticas de teste (U de M-W) e significância (quando p-value ≤ =5%) Variáveis Empresas agrupadas por: Volume de Negócios Número de trabalhadores Tipo de atividade <1 versus ≥1 Milhão euros < 50 versus ≥ 50 Comércio a Retalho versus Outros Volume de Negócios (milhares de euros) --- 2,0 (0,003) 35,0 Número de empregados 9,5 (0,008) --- 34,0 Nº empregados com cargos de direção 11,5 (0,015) 3,0 (0,006) 29,0 Nº diretores com experiência internacional 34,00 25,5 28,0 Valor, em euros, gasto em I&D 27,0 2,5 (0,014) 26,0 Valor, em euros, gasto em Marketing 27,5 0,0 (0,004) 27,5 Velocidade de Internacionalização 12,0 4,0 20,0 Distância Cultural 20,0 3,5 21,0 Networking 35,0 20,0 30,5 A cinzento e negrito encontram-se assinaladas as células em que as diferenças de médias são significativas a 5% (valores exatos do p-value incluídos entre parêntesis) Com base no teste de Mann-Whitney para as diferenças de médias entre as empresas de ecommerce da nossa amostra, quando estas são categorizadas pelo seu volume de vendas total (menos de 1 milhão de euros versus 1 milhão de euros ou mais), encontramos diferenças significativas em duas variáveis: o número de trabalhadores e no número de diretores da empresa, para um nível de significância de 5%. Naturalmente que nestes dois fatores, as empresas de cada grupo possuem médias estatisticamente diferentes pois elas foram classificadas, precisamente, por uma proxy da dimensão (Vendas), e as variáveis
39 (com significância a 5%) que as distinguem são o número de trabalhadores e o número de diretores que são, muito frequentemente, mais elevados nas empresas. Quanto às restantes variáveis, não podemos afirmar que as empresas pertencentes a cada grupo têm médias diferentes estatisticamente significativas. Portanto, não se verificam diferenças estatisticamente significativas na experiência dos seus gestores, nos níveis de investimento em marketing e publicidade, nos gastos em I&D, no número de anos que demoram a efetuar a primeira exportação, no nível de contactos que possuem nem na distância cultural. Quando as empresas são divididas pelo número de trabalhadores, as empresas, nas duas primeiras variáveis têm médias diferentes e estatisticamente significativas. A explicação para o sucedido é semelhante ao que acabamos de expor. No entanto, há mais duas variáveis que distinguem as empresas: os gastos em I&D e em publicidade/marketing, sendo que o sentido das médias é contrário ao que seria de esperar: empresas mais pequenas, com menos trabalhadores investem mais. Todas as outras variáveis não são estatisticamente diferentes nos dois grupos de empresas. Quanto à atividade da empresa, nada podemos concluir pois em nenhuma das variáveis as médias dos seus valores são estatisticamente diferentes entre os dois grupos (para um nível de significância de 5%). Terminamos esta análise exploratória com o teste às médias quando as empresas são agrupadas por critérios relacionados com a internacionalização. A Tabela 15 sintetiza esta informação utilizando o teste de Mann-Whitney às diferenças de médias. Analisando os resultados contantes da Tabela 15, podemos verificar que, apesar de haver diferenças das médias das variáveis entre os dois grupos de empresas, quando classificadas por critérios relacionados com a internacionalização, só num dos critérios é que essas diferenças são estatisticamente significativas (para um nível de significância de 5%). Isto acontece quando as empresas são divididas pelo ano de fundação. Em todos os outros critérios, apesar de as médias serem diferentes (e isso foi constatado e analisado no início desta secção), elas não são estatisticamente significativas (para um p-value ≤ =5%).
40 Tabela 155 – Teste de Mann-Whitney às diferenças de médias: internacionalização Estatísticas de teste (U de M-W) e significância (quando p-value ≤ =5%) Variáveis Empresas agrupadas por: Ano de fundação Velocidade de Internacionalização Proximidade Nº contactos que as empresas possuem <2000 versus ≥2000 imediata versus ≥ não Europa versus Fora Poucos versus Muitos Volume de Negócios (milhares de euros) 10,0 (0,02) 21,0 14,0 22,0 Número de empregados 6,5 (0,005) 18,5 17,5 25,5 Nº empregados com cargos de direção 14,5 23,5 12,5 21,5 Nº diretores com experiência internacional 31,5 16,5 18,5 22,5 Valor, em euros, gasto em I&D 18,5 20,0 18,5 25,5 Valor, em euros, gasto em Marketing 20,0 17,0 19,5 23,0 Velocidade de Internacionalização 0,0 (0,05) --- 14,0 10,0 Distância Cultural 7,5 11,5 16,0 12,5 Networking 24,0 10,0 19,0 --- A cinzento e negrito encontram-se assinaladas as células em que as diferenças de médias são significativas a 5% (valores exatos do p-value incluídos entre parêntesis) A análise das variáveis quando as empresas são agrupadas em função do ano de fundação (menos recente versus mais recente ou, como procedemos na classificação dos dados, constituídas antes do ano de 2000 versus ano 2000 ou após) sugere que as empresas mais antigas são as maiores uma vez que a média do volume de negócios e do número de empregados é estatisticamente diferente para um nível de significância de 5%). Outro dos elementos que distingue, com significância estatística, os dois grupos, é a velocidade de internacionalização. No entanto, são as empresas mais recentes que se internacionalizam mais rapidamente. Tal resultado está em linha com o estudo de Zucchella et al., (2007) que, para SMEs Italianas concluí que a idade das empresas tem influência na
41 precocidade da internacionalização, ou seja, empresas mais recentes, têm uma internacionalização mais acelerada. 4.3. Análise ao modelo ‘teórico’ e às hipóteses de investigação O modelo ‘teórico’ procura explicar a velocidade de internacionalização das empresas de e-commerce. Utilizamos duas proxies para a variável dependente: a diferença entre o ano de fundação da empresa e o ano da primeira exportação (valor absoluto) e a precocidade da internacionalização: 𝑉𝑒𝐼𝑛𝑡 = 𝑓 ( 𝐸𝑥𝑝𝐼𝑛,𝐶𝑎𝑝𝐼𝑛𝑜,𝐶𝑎𝑝𝑀𝐾𝑇, 𝐷𝑖𝑚𝐸, 𝑌𝑒,𝑁𝑇,𝐼𝑛𝑡𝐴𝑏, 𝐷𝑖𝑠𝑡𝐶𝑢𝑙𝑡, 𝑆_𝑇𝑒𝑐) 𝑃𝑟𝑒𝑐𝑜𝐼𝑁𝑇 = 𝑓 ( 𝐸𝑥𝑝𝐼𝑛,𝐶𝑎𝑝𝐼𝑛𝑜,𝐶𝑎𝑝𝑀𝐾𝑇, 𝐷𝑖𝑚𝐸, 𝑌𝑒,𝑁𝑇,𝐼𝑛𝑡𝐴𝑏, 𝐷𝑖𝑠𝑡𝐶𝑢𝑙𝑡,𝑆_𝑇𝑒𝑐) Devido ao diminuto número de respostas ao questionário, não iremos estimar o valor dos coeficientes do modelo mas apenas fazer um estudo exploratório às correlações entre as variáveis e ao sinal esperado dos coeficientes. Apresentamos, na Tabela 16, as expectativas de relação entre as variáveis explicativas e a variável dependente. Tabela 16 - Relações esperadas entre as variáveis Variável Velocidade da Internacionalização Sinal Esperado Idade da empresa É expectável que a idade da empresa tenha um impacto negativo na velocidade de internacionalização, logo uma empresa com mais anos de atividade, demora mais tempo a iniciar o seu processo de expansão. - Capacidade de Marketing É expectável que o investimento em Marketing tenha um impacto positivo na velocidade de internacionalização. Assim sendo, a empresa demora menos anos a internacionaliza-se. + Capacidade de inovação É expectável que o investimento em I&D tenha uma influência positiva na velocidade de internacionalização. Assim, a empresa tenderá a demorar menos anos a internacionaliza-se. Todavia, é possível que o período de tempo despendido em I&D possa diferir os processos de venda da empresa. +/-
42 Experiência Internacional Será expectável que a experiência internacional dos gestores institucionais tenha um efeito positivo na velocidade da internacionalização. Logo, a empresa tenderá menos anos a internacionalizar-se. + Network Com uma rede de contactos forte e consistente por parte dos gestores das empresas, prevê-se que influêncie de forma positiva a internacionalização, logo a empresa tenderá a demorar um menor número de anos a internacionalizar-se. + Suporte tecnológico É expectável que o nível de suporte tecnológico do primeiro país de entrada tenha um efeito positivo na velocidade de penetração da empresa nesse país. Assim sendo, quanto menor for o valor no ranking, menor tempo levará a empresa a iniciar o seu processo de internacionalização. +/- Internetabilidade O acesso à internet do primeiro país de entrada prevê-se que influencie positivamente a velocidade de internacionalização da empresa nesse mercado. Esperamos desta forma que, um menor valor no ranking, estimule a empresa a internacionalizar-se em menos anos. + Dimensão da empresa Prevê-se que o volume de negócios da empresa esteja positivamente relacionado com a sua velocidade de internacionalização. Assim sendo, quanto menor for o valor desta variável, menor será o número de anos que a empresa demora a internacionalizarse + Distância Cultural É expectável que distância cultural entre o primeiro país de entrada e o país onde a empresa desenvolve a sua atividade, esteja positivamente relacionada com a sua velocidade de internacionalização. Assim, quanto menor for o valor desta variável, menor serão o número de anos que a entidade demora a iniciar o processo de internacionalização. + Para além desta abordagem exploratória ao sinal esperado, procedemos a uma análise da matriz de correlação entre as variáveis por forma a aferir sobre o possível grau de explicação das variáveis independentes sobre a velocidade de internacionalização. Através das estimativas do coeficiente de Spearman que, de acordo com Maroco (2010), é o teste de correlação (não paramétrico) a utilizar quando o número de observações recolhidas é pequeno, não se verifica nenhuma correlação significativa (a um nível de significância de 5%) da variável dependente (velocidade de internacionalização) com nenhuma das variáveis explicativas. Tal pode suceder por o número de observações ser baixo. Na realidade, tendo como variável dependente a velocidade de internacionalização e porque 3 empresas não forneceram o ano da primeira exportação, ficamos apenas com 14 observações.
43 A Tabela seguinte (Tabela 17) apresenta os coeficientes de correlação de Spearman (o rho de Spearman) e a correspondente significância (as células a sombreado e os símbolos ‘*’ e ‘**’ sinalizam que a correlação é significativa a um nível de significância de, respetivamente, 5% e 1%). Tabela 177 – Coeficientes de Correlação de Spearman No Anexo III encontra-se a matriz de correlações de todas as variáveis no formato de output do SPSS. Focando a nossa atenção na coluna da Velocidade de internacionalização, verificamos que não existe nenhuma célula a sombreado, mostrando que nenhum dos coeficientes de correlação desta variável com as outras é significativo. Analisando as variáveis independentes, verificou-se que existem diversos casos em que elas estão fortemente correlacionadas entre si. A variável Vendas totais está muito relacionada com a Capacidade de marketing e com a Capacidade de inovação (-0,679 e - 0,749). Assumindo a correlação um sinal negativo, significa que quanto maior o volume Vendas totais Experiência internaciona l Capacidade de marketing Capacidade de inovação Idade da empresa Velocidade de internacionalizaçã o Suporte tecnológico Internetabilidade do país externo Distânci a cultural Networks rho 1,000 -0,324 -0,679** -0,749** 0,439 0,326 0,365 0,324 -0,007 -0,019 Sig. 0,258 0,008 0,002 0,117 0,255 0,200 0,258 0,981 0,950 rho 1,000 0,442 0,366 -0,533*0,143 0,0773 0,122 0,258 -0,391 Sig. 0,114 0,198 0,050 0,627 0,793 0,678 0,373 0,167 rho 1,000 0,886** -0,183 -0,256 -0,248 -0,213 -0,021 0,105 Sig. 0,000 0,532 0,377 0,392 0,466 0,944 0,722 rho 1,000 -0,09 -0,303 -0,280 -0,248 -0,168 0,256 Sig. 0,750 0,293 0,333 0,392 0,566 0,377 rho 1,000 0,309 0,124 0,071 -0,115 0,178 Sig. 0,282 0,674 0,808 0,694 0,543 rho 1,000 0,100 0,057 0,437 -0,557* Sig. 0,733 0,846 0,118 0,039 rho 1,000 0,995** 0,574*-0,309 Sig. 0,000 0,032 0,282 rho 1,000 0,579*-0,309 Sig. 0,030 0,282 rho 1,000 -0,520 Sig. 0,056 rho 1,000 Sig. Vendas totais em Euros (2014) Experiência internacional Distância cultural Networks Capacidade de marketing Capacidade de inovação Idade da empresa Velocidade de internacionalização Suporte tecnológico Internetabilidade do país externo
44 de negócios, menor o investimento em marketing e inovação. Apesar de não esperado, está em linha com o que havíamos visto na análise exploratória inicial. Outra das correlações fortes que podemos observar é entre a experiência internacional e a idade da empresa (-0,533). Quanto mais recente é a empresa, mais experiência internacional têm os gestores. Este fundamento vai ao encontro com os estudos de Zucchella et al., (2007) e Knight et al., (2004). Finalmente, para terminar a análise dos dados, fazemos algumas considerações sobre as hipóteses de investigação. Na Secção 2.7., a partir da revisão da literatura, formulámos um conjunto de hipóteses de investigação relacionadas com a velocidade de internacionalização. No entanto, e apesar de todos os nossos esforços, o número de resposta foi demasiado baixo (14) para poder utilizar os testes necessários à validação das hipóteses.
45 5. Conclusão A internacionalização das empresas portuguesas via a adoção do e-commerce é um tema pouco explorado pela literatura. Pelo nosso melhor conhecimento, não existe nenhum estudo que interligue o fenómeno do EC com uma aceleração da internacionalização das empresas portuguesas. Desta forma, para além do nosso estudo acrescentar uma mais-valia para a literatura, poderá ajudar muitos gestores de empresas de e-commerce ou mesmo empresas que queiram entrar neste mercado. Através da identificação dos fatores influenciadores de uma rápida internacionalização das empresas portuguesas, via adoção do e-commerce, o objetivo do nosso estudo foi o de verificar se as empresas portuguesas conseguirão, ou não, alcançar essa internacionalização mais acelerada. Assim sendo, tivemos como ponto de partida uma breve explicação sobre o e-commerce, os seus vários modelos e analisamos o contributo das diversas teorias sobre a internacionalização e o e-commerce. Investigamos ainda, os fatores que estimulam um processo de internacionalização mais acelerado. Partindo desta compreensão procedemos à recolha dos dados considerados relevantes na elucidação da adoção de e-commerce como meio influenciador de uma internacionalização mais veloz. Por conseguinte, associamos um conjunto de variáveis internas e externas à organização que consideramos relevantes. Usando o questionário por inquérito, pudemos concluir que os resultados obtidos foram ao encontro da literatura usada para fundamentar este modelo (Teixeira et al., 2014; Casillas et al., 2013; Casillas e Acedo, 2013; Chang et al., 2011; Ramos et al., 2011; Khavul et al., 2010; Musteen et al., 2010; Kiss et al., 2008; Acedo et al., 2007; Weerawardena et al., 2007; Zucchella et al., 2007; Pla-Barber et al., 2006; Oviatt et al., 2005; Luo et al., 2005.). De acordo com os resultados obtidos, podemos concluir que não existe relação significativa entre a velocidade de internacionalização e as restantes variáveis. Contudo, conseguimos provar que quanto maior o volume de negócios, menor o investimento em marketing e inovação. Em consonância com estudos anteriores, verificamos que quanto mais recente é a empresa, mais experiência internacional têm os gestores.
46 As limitações do nosso estudo devem ser reconhecidas. Nomeadamente, a dificuldade de conseguir respostas ao nosso questionário, impossibilitando a estimação do valor doa coeficientes do modelo teórico. Este fator impossibilitou-nos de fazer uma validação empírica das hipóteses de investigação levantadas. Consideramos que a seleção das variáveis explicativas poderá ser uma limitação do estudo, embora tenhamos feito uma seleção das variáveis mais usadas pela diversa literatura existente, existirão ainda outras variáveis que condicionam a internacionalização das empresas, tais como, o conhecimento do mercado, a diversidade geográficas, entre outros (Tabela 7).
53 Oakey, R. (1993), “Predatory networking: the role of small firms in the development of the British biotechnology industry”, International Small Business Journal, Vol. 11 No.4, pp. 9-12. Oliveira, T. e Martins, M. F. (2011), “Literature review of information technology adoption models at firm level”, The Electronic Journal Information Systems Evaluation, Vol. 14, No. 1, pp. 110-121. Oviatt, B. M. e McDougall, P. P. (2005), “Defining international entrepreneurship and modeling the speed of internationalization”, Entrepreneurship Theory and Practice, Vol. 29, No. 5, pp. 537-554. Pla-Barber, J., e Escribá-Esteve, A. (2006),“Accelerated internationalisation: evidence from a late investor country”, International Marketing Review, Vol. 23, No. 3, pp. 255278. Poong, Y., Zaman, K. U. e Talha, M. (2006), “E-commerce today and tomorrow: a truly generalized and active framework for the definition of electronic commerce”, In Proceedings of the 8th international conference on Electronic commerce: The new ecommerce: innovations for conquering current barriers, obstacles and limitations to conducting successful business on the internet, ACM , pp. 553-557. Ramos, E., Acedo, F. J. e Gonzalez, M. R. (2011), “Internationalization speed and technological patterns: A panel data study on Spanish SMEs.Technovation”, Technovation, Vol. 31. No. 10, pp. 560-572. Reger, R.K. and Huff, A.S. (1993), “Strategic groups: a cognitive perspective”, Strategic Management Journal, Vol.14 No. 2, pp. 103-24. Rialp, A., Rialp, J. e Knight, G. A. (2005), “The phenomenon of early internationalizing firms: what do we know after a decade (1993–2003) of scientific inquiry?”, International Business Review, Vol. 14, No. 2, pp. 147-166. Rogers, E. M. (1995), Diffusion of Innovations, Third Edition ed., New York, Free Press. Straub, E. T. (2009), “Understanding technology adoption: Theory and future directions for informal learning”, Review of Educational Research, Vol. 79, No 2, pp. 625-649.
54 Teixeira, A. A., e Coimbra, C. (2014),“The determinants of the internationalization speed of Portuguese university spin-offs: An empirical investigation”, Journal of International Entrepreneurship, Vol. 12, No. 3, pp. 270-308. TekCata (2015), “Personal Computers per Household” Disponível: http://www.generatorresearch.com/tekcarta/databank/full/28/ (Acedido em 23 de Setembro de 2015). Tornatzky, L. G., Fleischer, M. (1990), The process of technology innovation, Lexington, MA, Lexington Books. Venkatesh, V., Morris, M. G., Davis, G. B. e Davis, F. D. (2003), “User acceptance of information technology: Toward a unified view”, MIS Quarterly, Vol. 27, No. 3, pp. 425478. Weerawardena, J., Mort, G. S., Liesch, P. W. e Knight, G. (2007), “Conceptualizing accelerated internationalization in the born global firm: A dynamic capabilities perspective”, Journal of World Business, Vol. 42, No. 3, pp. 294-306. Williamson, O. E. (1975). Markets and Hierarchies: Analysis and Anti-trust implications, New York: Free Press. Zahra, S.A., Ireland, R.D. e Hitt, M.A. (2000), “International expansion by new venture firms: international diversity, mode of market entry, technological learning, and performance”, Academy of Management Journal, Vol. 43 No. 5, pp. 925-51. Zhou, L. e Wu, A. (2014), “Earliness of internationalization and performance outcomes: Exploring the moderating effects of venture age and international commitment”, Journal of World Business, Vol. 49, No. 1, pp. 132-142. Zucchella, A., Palamara, G. e Denicolai, S. (2007), “The drivers of the early internationalization of the firm”, Journal of World Business, Vol. 42, No. 3, pp. 268-280. Zwass, V. (1996), “Electronic commerce: structures and issues”, International Journal of Electronic Commerce, Vol. 1, No. 1, pp. 3-23.
55 7. Anexos I. Questionário
56
57 II. Outputs do SPSS: Testes às diferenças de médias Diferenças de Médias (empresas categorizadas por Volume de Negócios) Diferenças de Médias (empresas categorizadas por Número de trabalhadores) Diferenças de Médias (empresas categorizadas por Tipo de atividade) Diferenças de Médias (empresas categorizadas por Ano de fundação) Diferenças de Médias (empresas categorizadas por Velocidade de Internacionalização) Diferenças de Médias (empresas categorizadas por Proximidade) Diferenças de Médias (empresas categorizadas por Número de contactos)
58 Diferenças de Médias (empresas categorizadas por Volume de Negócios)
59 Diferenças de Médias (empresas categorizadas por Número de trabalhadores)
60 Diferenças de Médias (empresas categorizadas por Tipo de atividade)
61 Diferenças de Médias (empresas categorizadas por Ano de fundação)
62 Diferenças de Médias (empresas categorizadas por Velocidade de Internacionalização)