Estudo de adesivos self-etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário
Full text
Estudo de ades ivos sel f-e tch e a sua capaci dad e
de adesão ao e smalte de ntário
Patrícia Micaela Tei xeira Pires
Porto – 2012
Disser tação de candi datura ao
grau de Douto r apres entado à
Faculdad e de Medicina Dentária d a
Universid ade do Porto
Orientad or: Prof. Doutor Paulo
Melo
Co -orientador : Prof. Dout ora
Sofia A rantes e Oli veira
A o s meus pais
A o s meus irm ãos
A o João
Con selho Científico da Faculdade de M edicina Dentária da
Univ ersidade do P orto
Professor Doutor A fonso Manuel Pinhão Ferreira (Prof. Catedrático)
Prof. Doutor Américo dos Santos A f onso (Prof. Associado c/ Agreg ação)
Professor Doutor Ant ónio Cabral Campos Felino (Prof. Catedrático)
Prof. Doutor César Fernando Coelho Leal Silva (Prof . Associado c/
Agregação)
Prof. Doutor Germano Neves Pinto Rocha (Pro f. Associado)
Prof. Doutora Irene Graça Azev edo Pina Vaz (Prof. Associado)
Prof. Doutora Inês Alex andra Co sta Morais Caldas (Prof. Aux iliar)
Professor Doutor Jo ão Carlos Antunes Sampaio Fernandes (Pro f.
Catedrático)
Prof. Doutor João Carl os Gonçalves Ferreira de Pinho (Prof. Associado
c/ Agregação)
Professor Doutor João Fernando Costa Carv alho (Prof. Catedrático)
Professor Doutor Jorg e Manuel Carvalho Dias Lopes (Prof. Catedrático)
Prof. Doutor José Antón io Macedo Carvalho Cap elas (Prof. Associado c/
Agregação)
Prof. Doutor José Carlos Reis Campos (Pro f. Auxiliar c/ Agregação)
Prof. Doutor José Mário Castro Rocha (Prof. Aux iliar)
Prof. Douto r Manuel José Fontes de C arvalho (Prof. Associado)
Prof. Doutora Maria Cristina Pinto Coe l ho Mend onça de Figueiredo
Pollmann (Prof. Associado)
Prof. Doutora Maria Helena Guimarães Figueiral da Silva (Prof.
Associada c/ Agregação)
Professora Dou tora M aria Helena Raposo Fernandes (Prof. Catedrático)
Prof. Doutora Maria Lurdes Fe rreira Lobo Per eira (Prof. Auxiliar)
Prof. Dou tor Mário Augusto Pires Vaz (Prof. Associado da FEUP -
personalidade convidada)
Professor Doutor Mário Jorge Rebolho Fernan des Silv a (Prof.
Catedrático)
Prof. Doutor Mári o Ramalho Vasconcelos (Pro f. Ass ociado c/
Agregação)
Professor Doutor Mi guel Fernando Silva Gon çalv e s Pinto ( Prof.
Catedrático)
Prof. Doutor P aulo Rui Galrão Ribeiro Melo (Prof. Associado c/
Agregação)
Prof. Doutor Ricardo Manuel Lobo Fari a Almeida (Prof. Associado c/
Agregação)
À D. Eugénia , f iel depositária de todo o material necessário pa ra a p arte
laboratorial desta dissertação, pela sua serenidade e simpatia.
À D. Delfina pela ajuda na pesquisa e orientação bibliográfica.
À Mariana p ela forma como o rientou a clínica durante as minhas
ausências, nomeadamente durante a parte da reda cção desta t ese.
Aos amigos, familiares e colegas, qu e não individualizo, ma s nunca
esquecerei, que me incentivaram e nunca me deixaram de apoiar.
À Jo ana Reis a p reciosa contribuição na elaboração de todo o layo ut
desta dissertação.
Aos m eus a vós, tios, primos e sogros pela compreensão e pelo exemp lo
de união e trabalho.
Ao João, pelo carinho e incentivo d emonstrado sempre e pela inúm era
paciência que tev e para comigo nos momentos mais d ifíceis, nunca me
deixando desmoralizar. A gradeço -lhe a inda pela sua constante disponibilidade
em ajudar e pelo amor e ca rinho com que me brinda todos os dias.
À minha mana a quem peço perdão pe las muita s horas que a d eix ei d e
apoiar e a quem espero poder compensar.
Ao meu irmão por ser o meu anjo da guarda, que sem n inguém dar p or
ele, está sempre lá.
Aos m eus pais, que são o meu porto de abrig o e a quem agradeço por
ser tu do o que sou. A eles , que me deram a vida e m e e nsinaram a viv ê- la co m
dignidade, não ba sta um ob rigado. A e les agradeço profundamente toda s as
oportunidades que me de ram, e p rometo fa zer tu do para a s co ntinuar a
merecer. Agradeço ainda a ajuda importantíssima e apoio durante este s três
anos de doutoramento e peço desculpa pelas muitas ausênci as…
Prefácio
As inovações tecnol ógicas e o aparecimento de n ovos produtos
trouxeram à Medicina Dentária novas fo rmas de actuação.
A te ndência para a realização de resta uraçõ es directas e os const antes
desafios para a ne cessidade de se criar u ma adesão f iável e durável aos
tecidos dentários t êm sido os factores impulsionadores para a p esquisa de
novos siste mas adesivos e cada vez m ais fáceis e rápidos de aplicar a nível
clínico. Estes, aliados a técnicas de prep aração dentária minimament e
invasivas tê m possibilitado u ma n ova forma de conserv ar a integridade da
estrutura dentária por mais tempo na cavidade oral.
O LASER e os adesivos self-etch são disso e xemplo.
O LASER tem sido u tilizado em inúmeras esp ecialidades m édicas.
Existe um a panóplia de e studos que investigaram a utilização desta terapia em
diferentes tipos de patologias. Na Medicina Dentária, o LASER pode ser
utilizado em diagnó stico de cáries, tratamentos preventivos, condicionamento
do esmalte, desco la gem d e braquetes e até alargamento dos canais
radiculares. O LA SER promove intervenções no s te cidos duros sem con tacto e
sem do r, o que to rna o LAS ER uma fe rram enta importante e uma mais -valia
para a Medicina Dentária moderna. No entanto a segurança e a ef icácia do
LASER não devem ser descuradas, devendo procurar -se um profundo
conhecimento técnico para uma correcta manipulação .
O LASER foi também propo sto por alguns autores como substituto eficaz
do ácido ortofosfórico no condicionamento do esmalte. Seg undo os e studos, o
LASER parece criar uma superfície rete ntiv a f avorável à adesão co m a criação
de fossas e fissuras por onde pod e penetrar facilmente a resina do sistema
adesivo, sem a necessidade de mais nenhum a preparação química.
Esta alteração da morfolog ia superficial do esmalte pode ser
particularmente benéfica quando se utilizam adesivos self-etch no esmalte. Isto
porqu e o “calcanhar de Aquiles” destes sistemas adesivos simplificados parece
residir na adesão ao esmalte, devido à sua menor capacidade acídica
intrínseca, já que estudos recentes d emonstram que o protocolo dos adesivos
self-etch é o mais seguro e eficaz n o c on dicionamento da dentina,
particularmente quando são sistemas adesiv os self-etch “intermédios”. Mas
quando pensamos na adesão ao e smalte d eterminadas questões se levantam,
tais como: a dúvida destes produtos po ssuí rem a eficácia de adesão tão boa
quanto os seus a ntecessores, a dúvida d as recom endações dos f abricantes
serem as mais efe ctiv a s no co ndicionamento ao esmalte e a d úvida d a
facilidade d o uso te r com o efeito co lateral adverso u ma menor qualidade e
durabilidade de tratamento.
Sendo estas dúvidas a lgo p erturbadoras, surgiu a n ecessidade de se
encontrarem respostas, o que motivou a execução deste estudo, p ois a rápida
e constante ino vaçã o deve estar semp re acompanhada de e studos cien tíficos
idóneos de forma a assegurar a segurança e eficácia destes n ovos produtos .
Não de ve ser esquecida que a adesão a o esmalte é sem dúvida a mais
import ante e dura doura forma de ades ão ao dent e…
“ Just when the cate rpillar thought the w orld was over ,
it became a butterf ly”
- provérbio
Patrícia Teixeira Pires i
A breviaturas
Er:YAG: Érbio: Ítrio-Alum ínio-Granada
W : W att (unidade de potência)
%: Percentagem
µm: Micrómetro
µs: Microsegundo
ADN: Àcido desoxirribonucleico
Bis-GMA: Bisfenol A glicidil metacrilato
Br: Bromo
C 14 : Carbono catorze
cc: Centímetro cúbico
Cl: Cloro
cm: Centímetro
CO 2 : D ióxido de carbono
EDTA: Ácido tetra-acético de etileno diamina
Er, Cr:YSGG: Érbio, Cromo:Ítrio -Escândio-Gálio-Granada
GDMA: Glicol dimetacrilato
H: Hidrogénio
H 2 O 2 : P eróxido de hidr ogénio
HEMA: 2-hidroxietil metacrilato
HIV: Vírus da imunodeficiência humana
Patrícia Teixeira Pires iii
Hz: Hertz
ISO/TS: In ternational Organization for Standardization/Technical
Specification
J: Joule (unidade de energia)
J/cm 2 : Joule/ centímetro quadrado
JAD: Junção amelo-dentiná ria
KDa: Qu ilodalt on
km: Quilómetros
MDPB: Metacriloiloxidodecilpiridínio
MEV: Microscópio Electrónico de Varrimento
Min: Minuto
mJ: Milijoule
mm: Milímetro
MO: Microscópio Óptico
MPa: Megapascal
mW: Mili W att
nm: Nanómetro
NO: Óxido de azoto
ºC: Graus Celsius
OH: Hidróxido
PEGDMA: Polietilenoglicol dimetacrilato
PENTA: Penta-acrilatomonofosfato
Patrícia Teixeira Pires v
pH: Potencial hidro geniónico
ppm: Partes por milhão
pps: Pulso por segundo
SBS: T este adesiv o de resistência ao cisalhamento ( shear bond
strenght )
seg: Segundo
SPSS: Statistic Package for Social Sciences
TEGDMA: Dimetacrilato de trietilenoglicol
TPH: Total Performance Hybri d
UDMA: Dimetacrilato de uretano
UV: Ultravioleta
YALO: Ítrio-Alumínio-Óxido
YLF: Ítrio- lantânio-fluoreto
YSGG: Ítrio-Escândio-Gálio-Granada
Λ: Lambda (letra gre ga referente ao comprimento de onda)
4-META: 4-nidro trimelitato metacriloloxietil
Patrícia Teixeira Pires vii
Glossário
Ablação – remoção de um volume de tecido por v aporização;
Absorção – assimilação de energia lum inosa p elo te cido, transformando -
a em calor;
Amplitude – altura máxima de uma onda energética;
Árgon – gás utilizado como me i o activo de um LASER. Emite luz azul /
verde com comprimentos de onda de 488nm e 515nm;
Braço articulado – sistema de aplicação de um LASER de CO 2 que
consiste em tubos metálicos ocos com junções que permitem que o
braço se m ova. Os espelhos estão co locados em cada j un ção p ara
reflectir o raio LASER;
Ca ute riz ação – provocar a hemostase de v asos sangrantes,
normalmente através do calor emitido pelo LASER;
Coagulação – destruição de um tecido por ac çã o do calor sem o
remover fisicamente;
Coerência – estabilidade dos padrões de onda;
Colimação – habilidade que a luz LASER tem em não se espalhar com o
aumento da distância (baixa div ergência);
Cromóforo – material op ticamente a ctivo (com cor) que actua como alvo
da luz LASER;
Dióxido de Carbon o – mo lécula utilizada co mo me i o a ctivo de um
LASER. Emite uma luz inf ra -vermelha com um comp rimento de onda d e
10600nm.
Energia – expressa em joules (w att/segundo);
Patrícia Teixeira Pires ix
Espectro e lectromagnético – conjunto d e f requências (comprimentos de
onda) que são consid erados luz. Vai desde as onda s de rádio e TV a té
aos raios gama e cósmicos;
Excitação – fo rnecimento de energia a um determinado material para
atingir o estado de inversão de população;
Fase – as o ndas estão em fase quando todos os altos e baixos
coincidem e e stão “preso s” uns com os outros. O resu ltado é uma onda
de amplitude aumentada (brilho);
Fibra óptica – sistema de fibras f lexív eis de quartzo ou vidro com
superfícies internas reflectoras que pa ssam a luz a tra vés de milhares de
reflexões;
Fotão – partícula básica da luz;
Gated pulse – emissão d escontínua da luz LASE R, tempo riz ando uma
emissão contínua, normalmente em fracções de seg undo;
Inversão de po pulação – esta do no qual uma s ubstância fo i excitada, o
que faz com que estejam m ais átomos ou m oléculas n um estado mais
elevado de excitação do que no estado ma is b aixo e resistente. É um
pré-requisito obrigatório para a acção do LASER;
LASER – Ampli ficação da Luz por Emissão Estimulada de Radiação ;
Meio activ o – material utilizado para emitir a luz LA SER;
Nd:YAG – ne odymium :yttrium aluminum . Cristal m ineral utilizado como
meio activo p ara produz ir u ma luz com com primento de o nda d e
1060nm;
Neodymium – material raro que é o meio activo no LASER Nd:YAG;
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
4 Patrícia Teixeira Pires
Figura 2 - Junção a m elo-dentinári a. Notar a ondula ç ão da mesm a. Image m de um cor te longitudin al
de micros copia óptica com amp liação de 50x cedida pelo dep artame nto de Anato mia Dentária da FMDUP.
A espessura do e sm alte, que é a distância compreendida entre a
superfície liv re e a JAD , não é co nstante, varia ndo entre as diferentes peças
dentárias e no próprio dente. Normalmente, a esp essura decresce do bo rdo
incisal até à região cervical. Apresen ta uma ma ior espessura n a face vestibular
do q ue na f ace lingual o u palatina ; e n a face distal e m detrimento da f ac e
mesial. A espessura mínima é na JAD. A e spessura m áxima é nas cú spides de
molares, pré-molares e can inos su periores (2 a 2,5mm), d evido aos grande s
impactos mastigatórios que estas zonas têm que suportar (Bask ar 1989 ; M.E.
Gómez de Ferraris 2002 ; Rudy C Melfy 2000).
Por causa do seu alto con teúdo min eral e matriz acelular mínima, a cor,
a dureza e as outras propried ades físicas do e smalte são s emelhante s às da
hidroxiapatite (Fejerskov 2005 ). A cor do e smalte d epende d as e struturas
subjacentes, principalmente da dentina.
Além da dureza , o esmalte apresenta outras propriedades físicas. Ele
te m mu ito pouca elasticidade, pois ap resenta escassa quantidade d e água e
substância orgânica na sua composição. Desta fo rma, é um tecido f rágil muito
sujeito a ma cro e microfracturas quando não se en contra apoiado sobre
dentina. O esmalte é translúcido, varian do entre o branco amarelado e o
branco acinzentado. Devido a ser m uito m ineralizado, o e smalte é muito
radiopaco e quanto mais m ineralizado for, mais tran sparente é (M.E. Gómez de
Ferraris 200 2). A p ermeabilidade é escassa (M.E. Gómez de Fer raris 2002). No
entanto, pode actuar como uma m embra na semi -permeável, pe rmitindo a
Legenda:
1. Dentina (túbulos dentinários)
2. Esmalte (estrias de Retzius)
3. Junção amelo- dentinária (JAD)
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário ”
Patrícia Teixeira Pires 5
difusão d e á gua e alguns iões . Vários estudos de monstraram e sta p ropriedade
recorrendo a ureia ma r cada com C 14 e corantes (Baskar 1 989). Quanto ma ior a
idade, menor a permeabilidade do esmalte .
O e smalte é um t ecido acel ular m ineraliz ado, no qual cristais
microscópicos de fosfato de cálcio compree ndem 99% do peso seco (fig. 3 e
4) . Estes cristais a ssemelham -se à h idrox iapatite mine ral, Ca 10 (PO 4 ) 6 (OH) 2 . O
cálcio, o f osfato e os aniões hidroxilo estã o organiz ados na e strutura do cristal.
As inclusões de carb onato, sódio, f lúor e o utros iões fa zem de le uma fo rma
impura de mineral.
Os cristais de apatite do esmalte são longos e finos, com cerca de 50 nm
de largura em co rte transversal e estã o densamente reunidos numa
organização repetitiva que forma os prismas de e smalte. O espaço entre os
cristais é ocupado por água (Fejerskov 2005 ; M.E. Gómez de Ferraris 2002 ).
O estudo microscópico d os prismas é difícil, p ois e xiste u ma
interferência óptica devido à estr utura cristalina do s m esmos e à di fe rente
orientação dos cristais dentro dos prismas. Ao microscópio óptico e
dependendo da incidência do s cortes, observam -se bandas de lgadas
irregulares e paralela s entre si n os cortes longitudinais e prismas que se
apresentam como secções irregulares hex agonais, o vóides em fo rma de
buraco de f echadura o u em e scama de p eix e, nos cortes transversais (M.E.
Gómez de Ferraris 2002 ). Ao m icroscópio electrónico de varrimento (MEV) é
possível distinguir duas regiões nos prisma s: a cabeça ou corpo e a cauda. A
cabeça tem cerca de 5 µm de largura e corresponde à porção m ais ampla,
encontrando-se li mitada po r superfícies côncavas. A cauda é mais estreita e
encontra-se por baix o da cabeça. Os prismas de esmalte estão em estrita
relação entre eles, f ormando um sistema d e engrenagem que con fe re maior
resistência ao e smalte. A cabe ça supo rta os choques ma stiga tórios e as
caudas distribuem e dissipam -nos (M.E. Gómez d e Ferraris 2002 ).
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
6 Patrícia Teixeira Pires
Figura 3 - I magem da sup erfície do esmalte vista ao MEV (a mpliação de 500 0x) .
Figura 4 - I magem da sup erfície do esmalte vista ao M EV (a m pliaçã o de 2000x ).
Os prismas apresentam uma segmentaç ão transversal de linhas mais
densas com um intervalo de 4 µm que corresponde m a períodos de d escanso
da amelogénese, a qual se realiza d e mane ir a rítmica (M.E. Gómez de Ferraris
2002). Estas estrias tran sversais tornam -se ma is visíveis à m icroscopia ó ptica
com um ataque ácido suave (Baskar 1989).
Na pe riferia dos prismas, rodeando a e strut ura e m forma d e chave d e
fechadura existe um material orgânico insolúvel que co rresponde à baí nh a d os
prismas.
O conjunto dos prismas d e esmalte forma o esm alte prismático, que é a
maior parte do esmalte. Uma parte localizada na periferia da cor oa (fossas e
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário ”
Patrícia Teixeira Pires 7
fissuras) e na região cervical (JAD) é o esmalte ap rismático, em que a
substância adamantina nã o con f igura prismas. O esmalte a prismático tem 30
µm de e spessura e e stá presente em todos os dentes d ecíduos e em 70% dos
dentes permanentes, correspondendo a uma ausência ou menor
desenvolvimento dos processos de Tomes (M.E. Gómez de Ferraris 2002).
Os p rismas d e esmalte são estruturas hexagonais alon gadas e
calcificadas como o material cimentante que os une, e constituídos por cristais
de hidroxiapatite. Norm almente p ossuem uma aparência clara e cristalina,
per mitindo a livre passagem da luz (Baskar 198 9). Quanto ma ior o grau de
mineralização do e smalte, maior é a sua natureza cristalina e, p ortan to, a sua
translucidez. Desta forma , a cor mais branc a dos dentes decíduos deve -se à
menor translucidez do esmalte. T odavia, os dentes permanentes, quando
recém-erupcionados, também exibem uma cor bran ca. Quanto m aior a
exposição na bo ca, maior a tran slucidez do esmalte devido à ma turação pós-
eruptiva, deixando, por tanto, aparecer mais a cor da d entina sub jacente (Arana
1999). A m aturação pós-eruptiva é a transformação que ocorre no e sm alte
após a saída d os dentes do inte rior dos tecidos para a cavidade o ral onde
contacta com a saliva, com a s bactérias e com os alimentos (Backer, 1966).
Esta maturação caracteriz a -se pela difusã o d e iões minerais e flúor para o
interior do esmalte (Fejerskov, Joseph sen an d Nyvad 1984 ).
O diâmetro dos prismas varia ente 4 -10 µm, aumentando gradualmente
ao ap roximar-se da superfície externa. O número de prismas dep ende do
tamanho da coroa, podendo va riar entre os 5 e os 12 milhões (Baskar 1989 ;
M.E. Gómez de Ferraris 2002).
Os prismas têm um trajecto complex o dentro do esmalte e a sua
orientação é diferente nos dentes decíduos e nos dentes definitiv os. Eles
partem des de a dentina de fo rma p erpendicular à su perfície d o den te. Na
região média orientam -se e m espiral, voltando de novo à p osição
pe rpendicular. Nas p orções mais l a terais da c oroa, os prisma s de e smalt e
seguem um percurso p erpend icular ao grand e eixo d o dente (Carneiro 2004) .
Os prismas convergem para o f undo dos sulcos e f ormam ângulos de
aproximadamente 60º com a superfície do esmalte. Nas cú spides, os p rismas
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
8 Patrícia Teixeira Pires
formam ângulos de aproximadamente 90º com a superfície extern a d o e smalte
e f ormam ângulos obtusos de 106º com a face o cl usal no terço gengival do
dente. Esta disposiçã o complexa d os prisma s é importante par a resistir de
forma eficaz às forças de mastigação (M.E. Gómez de Ferrari s 2002 ). Os
prismas localizados nas cúspide s são mais longos do que aqueles localiza d os
na região cervical da coroa (Baskar 1989).
Podem existir a lterações ou variações estruturais no esmalte a partir das
unidades estrut urais primárias. Estas fo rmam as unidades estrut urais
secundárias do esmalte e p odem ser d evidas a (1) um dife rente grau de
mineralização como as estrias de Ret z ius , as lamelas/f issuras do e smalte e os
penachos de L inderer , tuf os de e smalte ou tufos adama ntinos; e (2) po dem ser
devidas também à mudança da direcção dos prismas formando as bandas de
Hunter-Schreger e o esmalte nodoso; ou (3) à inte r-relação do esmalte com a
dentina subjacente ou com o m eio ambiente fo rmando a junç ão amelo-
dentinária, o s fusos adamantinos e as periquimá ceas (fig. 5 e 6 ) (M.E. Gómez
de Ferraris 2002 ).
Figura 5 - Corte longitudinal da su perfície de um molar inferior, vis to ao M O com uma ampliação de 2, 5x . No
esmalte, as bandas e scuras e c laras de Hunter-Schreg er estende m -se de sde a junção a mel o-dentinári a (JAD) até à
su per fície do es malte quase perpen dicularmente à JAD. As estrias d e Retz ius começam na JAD e e stendem-se para
fora e o clusalmente até a t ingire m a superfí cie do e smalte.
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário ”
Patrícia Teixeira Pires 9
Figura 6 - Ob servação da s mesm as caracterí sticas que na Fig. 5, à lup a.
As estrias de Ret z ius são bandas com int erv alos de 20 a 80 µm que
marcam a sucessiv a ap osição de tecido durante a fo rmação da coroa . Estas
linhas relacionam-se com períodos de re pouso na m ineraliz ação, refectind o,
por isso, zonas m en os m ineraliz adas. U ma estria mais saliente é a que
coincide com o nascimento, se ndo denominada linha neonatal (M.E. Gómez de
Ferraris 2002).
As lamelas ou f issuras d o e smalte são e struturas de lgadas, e m folha,
que se estendem desde a superfície até à JAD. Por vezes po dem cruzar este
limite e penetrar na dentina (Baskar 1989 ). As fissuras do esm alte são
constituídas por tecido p ouco ou nada mineralizado e podem ser div ididas em
dois grandes grupos: as f issuras primárias prod uzidas no dente em erupção e
as f issuras se cundárias que se devem essencialmente a traum as. A fissura é
ocupada por matéria orgânica provenient e da saliva. Frequentemente a s
lamelas ou f issuras do e smalte encontram -se bifurcadas, aparecendo nos
cortes com o aspecto de rachadelas ou gretas. Para se saber se se trata de
uma lamela ou de u m artefacto da técnica, reali za -se u ma suav e
descalcificação; se p ersistir substância orgânica é uma lamela ou f issura do
esmalte. Foi sugerido po r Brabant e Klees (Klees and Brabant 1959 ) que as
lamelas do esmalte p odem ser regiões mais fracas do de nte, formando uma via
de entrada para bactérias que iniciam a cá rie. Tamb ém podem ser loca is de
predisposição à cárie uma vez que possuem m uit o mate rial orgânico (Baskar
1989). Os penachos de Linderer ou tufos d e esmalte são estruturas m ui to
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
10 Patrícia Teixeira Pires
semelhantes a estas f issuras (fig. 7 ) (M.E. Gó mez d e Ferraris 2 002 ). E stas
duas estruturas podem ser compa radas a falhas geológicas (Cate 1998).
Figura 7 - Tu fos de es malte em de nte preparad o por desgas te que se origina m na JAD e alcan ç am u m terço
ou metade da espessura do esmal te (image m MO co m ampliação de 5x ). Imagem cedida pelo de parta mento de
Anatomia De ntária da FMDUP.
As bandas d e Hunter-Schreger são umas bandas claras e escu ras de
largura variável e limites imprecisos que se en contram na parte mais interna do
esmalte. Sugere -se q u e es tas banda s tenham origem no plan o d e cort e dos
prismas representando apenas um fenómeno óptico (Cate 1998), no entanto, a
sua origem ainda não está totalmente e xplicada (M.E. Gó mez de Ferraris
2002). O e smalte nodoso (fig. 8 ) é um a z ona especial do esmalte prismático,
onde os prismas formam uma complexa inter-relação.
Os f usos adamantinos são formações tubulares com fundo c ego qu e
alojam no se u interior os p rolongamentos d os odon toblastos. Esta p enetração
dos p rolongamentos no epitélio interno do órgão d e esmalte ocorre an tes da
mineralização do esmalte (Baskar 1989 ; Rudy C Melf y 2 000). As
periquimáceas ou linhas de imbricação de Pickerill são sulcos ondulados,
transversais a o longo eixo da coroa, pouco p rofun do s, existentes na superfície
do esmalte que n ão são mais que estrias de Ret z ius obse rvadas na superfície
do esmalte (Baskar 1989 ; M.E . Gómez de Ferraris 2002 ). São contínuas em
torno da coroa, usualmente paralelas entre si e à jun ção do cemento com o
esmalte. Nesta região encontram -se ce rca de 30 periquimáceas po r m ilímetro e
a sua concentração diminui gradual mente para 10 por milím etro na zona incisal
ou oclusal (Baskar 1989).
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário ”
Patrícia Teixeira Pires 11
Figura 8 - I magem de micro s copia ópti ca da den tina (1) e e smalte (4 ) com u m a ampliação de 10 x, ond e é
possível visual izar o esmalte nodo so (2) for mado pelo entrecru za mento dos prismas e os fuso s de esma lt e (3) que se
originam na JAD.
A com posição química do esmalte assemelha -se a outros tecidos
mineralizados como o osso, a d entina e o cem ento ( tabela 1). O esmalte é
constituído po r cerca de 95-97 % de matriz inorgânica (Cate 1998), po r uma
percentagem muito baix a de matriz orgânica e por água que ro deia o cristal
constituindo uma capa de h idrataç ão. E xistem, no entanto, algumas
características que f azem do esmalte um tecido ún ico (M.E. Gómez d e Ferraris
20 02 ).
Tabela 1- Co m posição do es m alte (adaptado de Busato, 2005) .
Composição
% Em peso
% Em volu me
Inorgânica
97
88
Orgânica
1
2
Água
2
10
Na matriz orgânica o com ponente orgânico mais importante é de
natureza proteica e constitu i um mu ltiagrega do polipeptídico que ainda nã o foi
totalmente ca racteriz ado dev ido à d ificuldade de separ ar a parte orgânica do
esmalte e da dentina (M.E. Gómez d e Ferraris 2002). Na co mposição da sua
matriz orgânica não participa o colagénio (C arneiro 2004 ). Vários a utores, po r
diferentes técnicas de fraccionamento p ostularam a e xis tência d e distintas
proteínas com p eso molecular e p ropriedades distinta s: as amelogeninas são
uma dessas proteínas. Estas sã o m oléculas hidrofóbicas, fosforiladas e
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
12 Patrícia Teixeira Pires
glicosiladas d e 25 kDa, ricas em p rolina, glutâm ico, histidina e leucina. São as
mais abundantes encontrando-se entre os cristais e diminuindo de nú mero co m
a maturação do esmalte (M.E. Gómez de Ferraris 2002 ).
As ena melina s são moléculas hidrofílicas, glicosil adas de 70 kDa, ricas
em serina, ácido aspártico e glicina. Localiz am -se na pe ri fe ria dos cristais e
juntamente c om a s ame logeninas parecem regular a fo rmação dos cristais
através da ligação d o cálcio e ou tros componentes da hidroxiapatite (Rudy C
Melfy 2000).
As amelob lastinas ou amelinas situam -se na parte mais superficial do
esmalte e na periferia dos cristais.
A tufte lina de 50 a 70 kDa, localiza-se na zona da junç ão am elo-
dentinária no início da formação do esmalte.
Além destas p roteínas específicas do esmalte exis tem proteínas séricas,
enzimas e pequenas percentagens de condroitin a 4 -sulfato, condroitina 6 -
sulfato e lípidos.
A matriz ino rgânica do esmalte, como já foi referido, é, na sua maioria,
constituída p or sa is minerais de fosfato e ca rbonato com uma estrutur a
apatítica igual à d o osso, d entina e cemento. Estes sa is depositam -se na matriz
do esmalte e cristalizam rap idamente f ormando cristais d e hidroxiapatite.
Existem também oligoelementos como o potássio, o m agnésio, o ferro, o flúo r,
o man ganésio, o cobr e, entre outros, na matriz inorgânica (Cate 1998). Estes
cristais são susceptíveis à a cção dos á cidos, constitu indo e sta característica, o
substrato químico que dá o rigem à cá rie d entária e que permite utilizar um
sistema adesivo no esmalte dentário. Quando há aporte de flúor, e stes iões
substituem os grupos hidroxilo d os cristais d e apatit e e convertem-no em
fluorapatite, o que to rna o esm alte m enos solúvel a ácido s, e por co nseguinte,
mais resistente à cárie dentária (M.E. Gómez de Ferraris 2002 ).
Os cristais de hidrox iapatite que o co nstituem estão densamente
compactados e são mai ores do que os e xistentes no utros tecidos du ros. Estes
atingem uma lon gitude que varia en tre os 100 e os 1000 nm, uma largura entre
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário ”
Patrícia Teixeira Pires 13
30 -70 nm e uma altura de 1 0 -40 nm. Morfologicamente, os cristais sã o
hexágonos alongados quand o se seccionam perpendicularme nte a o seu eixo
longitudinal. W arshans ky af irmou que os hexágonos não são todos iguais e que
na realidade apresentam a forma de um paralelepípedo com extremos
rombóides (M.E. Gómez de Ferraris 2002).
Independentemente da f orma, e les são constituído s por célul as (não
biológicas) que são a unidade básica de associação iónica dos sais minerais no
cristal. Estas células assemelham -se a um hexágono, cujos vértices tê m iões
cálcio e no centro se localiza um ião OH - . Os iões fosfat o estão entr e os iõe s de
cálcio (M.E. Gómez de Ferraris 2002 ).
Na p arte mais extern a o e smalte está em relaç ão directa com o m eio
oral. Quan do acaba de erupcionar ele encontra -se coberto por uma película
primária, també m denominada cutícula de esmalte ou membrana de Nasmyth ,
que é o último produto do s ameloblastos, mas que desapa rece quando o dente
atinge a oclusão pelo acto mastigatório ou pe la escovagem. Depois disto, o
esmalte fica reco bert o pe la película secundária de origem s alivar isenta de
bactérias, também denominada p elícula adquirida, sob re a qual se vai f ormar a
placa dentária através da coloniz ação bacteriana (M.E. G ómez de Ferrari s
2002).
A nív el cervical a espessura do esmalte é muito reduzida e relaciona -se
com o ce mento. Esta relação pode assumir dif er entes f ormas, denominados
casos de Cho quet : o cemento recobre o esmalte (é o caso mais comum - 60%);
o esmalte re cobre o cemento (é o menos f requente e inexplicável do po nto de
vista emb riológico); o esmalte e o cemento co ntactam sem deixar a d entina
descoberta (30%) e existem ca sos em que o cemento e o esma lte não
contactam (5 a 10%) (M.E. Góme z de Ferr aris 2002 ).
O esmalte é o ú nico tecido mineralizado completamente a celular, isto é,
o único que não mantém relaçã o com as células que o formaram (Arana 1999).
A actividade biológica fundamental do esm alte é o suporte das forças
mastigatórias, que podem atingir os 1 50 kg a o nív el do 1º molar. Devido ao seu
grande conteúdo mineral, o esmalte e stá muito sujeito à desm ineralização
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
20 Patrícia Teixeira Pires
quais e stão e nvolv ida s as su perfícies d entárias, os materiais ade sivos e o
material restaurador:
◘ Efeito geométrico – refere-se às irregularidades su perficiais que
podem ter dua s superfícies em contacto. Q uando um adesivo líquido penetra
nestas superfícies e endurece entre elas prov ocará um trav ame nto.
◘ Efeito reológico – ocorre quando sobre uma super fície endurece um
material restaurador e este sofre alterações por contracção ou expansão,
aderindo-se fisicamente à superfície.
Sabe -s e que a adesão ao esmalte ocorre m aioritariam ente p or
retenção micromecânica (Cate 1 998). No entanto, alguns autores referem que
existe um a int eracção química ca paz de a umentar a retençã o ao e smalte ,
através d a interacção de a lguns mon ómeros f uncionais com o substrato
dentário. P ensa-se que esta interacção poderá aumen tar a d uração da adesão
(Yoshida e t al. 2004 ). De acordo com este mecanismo, a dissolução d o cálcio e
do s fo sfatos do esmalte resulta m na form ação de sais entre o s monómeros
acídicos utilizados para a de smineraliz ação e os m inerais solúveis do esm alt e
(Kahveci and Belli 2011 ) . A interacção química p ode resultar em lig ações mais
resistentes à hidrólise, permitindo que as margens da restauração fiquem
seladas eficazmente durante mais tempo (De Munck et al. 2005).
O princípio fundamental da a desão ao s ubstrato dentário é a troca da
resina pelo m aterial inorg âni co do dente (Va n Meerbeek 2003). Este processo
envolve duas f ases. Uma c onsiste na remoção do f osfato d e c álcio a través da
qual microporosidades f icam expostas no esmalte e a ou tra, denominada
hibridização, en volv e a infiltração e a consequente polimerização in situ da
resina nas micropo rosidades. Isto resulta num bloqueio micromecânico (Manuja
and Nagpal 20 12). E nquanto este parece se r um pré -requisito para atingir boas
forças de adesão em situa ções clínicas, o po tencial ben efício da s inte racções
químicas tem ganho atenção (Van Meerbeek 2003 ). O termo h ibridização foi
inicialmente u tilizado por Nakabayashi et a l em 1982 e significa a form ação de
uma camada híbrida formada pelo imbricam ento dos monómeros na estrutura
dentária desmineralizada (De Mun ck et al. 20 05).
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário ”
Patrícia Teixeira Pires 21
Existem di fe rentes factores que interferem na adesão (tabela 2): os
factores dependentes das super fícies e os factores q ue estão dependentes do
adesivo (Busato 2005 ; Moura et al. 2006)
Tabela 2 - Fac tores que interfere m na ade são.
Factores dependen tes das
superfícies
Factores dependen tes do adesiv o
Super f í cies limpas e sec as
Tensão super ficial
Energia de supe rf í cie
Capacida de de molhabili dade
Recepção às uniõe s químicas
Estabili dade dimension al
Super f í cies lisas e ru gosas
Resistênci a mecânica
Capacida de de desmine raliz ação
Capacida de coesiv a do adesiv o
M étodo de aplicação
As superf ícies a a derir de vem estar limpas e secas o que é fácil de fa zer
no esmalte mas ma is dif ícil n a dentina, dada a presença constante d e líquido
que e xsuda dos túbulos dentinários. Quanto mais alta fo r a ene rgia de
superfície, maior será a p otencialidade de atrair e de s e r pen etrada pelos
materiais adesivos.
Na cavidade oral, as lesões de esmalte e stão e xpostas a vários
contaminantes que tendem a diminuir a en ergia de sup erfície do esmalte.
Assim a molhabilidade d a superfície e a con sequente penetração d as resinas
podem f icar comprometidas . T orna -se assim importante descontaminar a
superfície do esmalte para que a penetração d a resina seja m ais rá pida e
eficaz. Como veremos o o zono e o LASER são instrumentos a que o clínico
pode recorrer pa ra a descontaminação do esmalte. Não ob stante, o uso de
monómeros hidro f íli cos e a utiliz a ção de solventes p ode m elhorar a
molhabilidade do esmalte (Paris et al. 2007).
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
22 Patrícia Teixeira Pires
A rece pção à s uniões químicas faz-se, no esmalte , atrav és d os radicais
de hidroxiapatite , com o iremos ver, na teoria da “ a desão- descalcificação”.
Quanto ao e stado da su perfície, p ara a adesão f ísica é f undamental que
a superfície seja irregular para que ocorra uma retenção do adesivo ao
polimerizar-se. Por outro lado, para a adesão quími ca é preferív el u ma
superfície lisa onde o adesivo possa escoar com relativa facilidade.
A energia de superfície liv re do e smalte aumenta com a diminuição d a
rugosidade superficial para alguns ad esivos e m antem -se igual para outros,
indicando que a energia de superfície é diferente entre o s sistema s adesivos
utilizados. Esta energia de superfície é importante pois , com vimos, interfere n a
capacidade de retenção dos adesiv os (T sujimoto et al. 2010).
Quanto aos factores de pendentes do adesivo, quan to menor for a tensão
superficial, menor o ângulo de contacto e maior a possibilidade d o a desivo
molhar a su per fície e co m isto aumentar a superfície de cont acto, o qu e
favorece un iões f ísicas e qu ímicas. Qua nto m enor a viscosidade do ad esivo,
melhor será o contacto favorecendo com isto a união química e f ísica. A
estabilidade dimensional é sempre dese jável. A resistência nece ssá ria é aquela
que po ssa se r capa z de supor tar a s fo rças de oclusão e mastigação. É ainda
de referir que os a desiv os devem apresentar biocompatibilidade tanto para o
dente como para os tecidos orais.
b) Novas ten dências em Med icina Dentária: adesivo s self-etch
A evolução d os materiais restauradores te m o corrido no sentido de se
potenciar a s cap acidades adesivas dos mesmos, tanto no e smalte como na
dentina, bem como facilitar o procedimento clínico .
Os adesivos de ntários po dem ser classificados pelo modo como
interagem com a sm ear laye r e pelo número de passos clínicos necessários
para a sua aplicação (Cav alheiro 2004 ).
A técnica do condicionamento total, total-etch ou etch-and-rinse que
remove a smear layer é o método mais a ceite na adesão a o esmalte (Moura et
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário ”
Patrícia Teixeira Pires 23
al. 2006). Actu almente a maioria do s adesivos utilizados é deste tipo e o s seus
resultados são homogéneos, p revisív eis e conse quentement e bem aceites
pelos profissionais (Baratieri 2001 ; Turkun 2005).
Este tipo de adesiv os remove co mpletamente a smear layer . É utilizado
um co ndicionamento ácido prévio que dissolv e os cr istais de hidroxiapatite
promovendo uma retenção micromecânica e de seg uida é aplicad o o adesivo.
Este é compo sto pel o primer e pela resina ( o adesivo pr opriamente dito )
(Baratieri 200 1 ; Tu rkun 2005 ). O primer e a resina podem estar juntos no
mesmo frasco reduzindo o protoco lo convencional de 3 pass os para 2 passos.
Actualmente, o condicionamento á cido p rov o ca uma desmineraliz a ção
da h idrox iapatite. Depois é aplicado um primer com determinados so lventes
hidrofílicos, como o 2-hidroxietil meta crilato ( HEMA), dissolvidos em so lvente s
orgânicos, como a a cetona, o etanol e/ou a á gua. O HEMA é responsável po r
melhorar a molhabilidade e promover a re-expansão d e rede d e colagénio
preparando o colagénio para a inf iltração subsequente da resina , isto na
dentina (Cardoso et al. 2011). Ultimamente tem -se notado um esforço para
diminuir a quantidade de monóme ros fo rtemente hidrofílicos como o HEMA e
substitui-los por UDMA o u TEGDMA.
A ca pacidade retentiva dos materiais a desivos ao esmalte através desta
técnica f iável usada há quase cinquenta anos continua efectiva. Este tipo de
adesivos segundo um e studo d e De Munck et al continua a ser o “ go ld
standard” dos adesiv os e m term os de du rabilidade. Os adesivos d e
condicionamento to tal parecem continuar a ser a escolha a certada n o esmalte,
pois são os que melhor respondem aos testes de fadiga (Erickson, De Gee and
Feilzer 20 05). Os valores de adesão no esmalte são substancialment e
superiores quando se reco rre à técnica do condicionamento total quer e m
esmalte tratado quer no esmalte intacto (Perdigao et al. 2005b).
No entanto , numa tentativa de sim plificar a adesão ao esmalte e à
dentina surgir am o s sistemas ade sivos autocondicionantes, self-etch, etch-and-
dry ou no - rinse .
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
24 Patrícia Teixeira Pires
Os a desiv os self-etch podem ser classificados em adesivos de 2 -passos
ou d e 1-passo ( fig. 1 1), de pendendo s e o self-etching primer está ou nã o
separado da resina adesiva ou combi nado n uma só so lução quando aplicad o
na superfície dentária. No primeiro grupo aplica -se primeiro o primer acídic o
( self-etching primer ) e só depois a resina a desiva. Os ad esivos de 1 -passo
podem ser de u m componente, on de o condicionamento ácido, o primer e o
adesivo estã o numa só solução (Cavalheiro 2004 ) ou dois componentes, ca so
existam dois f rascos se parados que ne cessitam ser misturados a ntes da
aplicação. Teoricamente, os self-etch de dois comp onentes permitem mais
tempo de armazenamento, po rque o s ingredientes activos estão separados
(como os monómeros funcionais da água, prevenindo a hidról ise dos mesmos),
no entant o, apresent am a d esvantagem de terem q ue ser a deq uadamente
misturados antes da aplicação . Os adesivos de 1 -f rasco, um componente são
os verdadeiros “ all- in - one ” porque combinam num só f rasco o condicionamento
ácido, o primer e a resina ade siva, n ão nece ssitando de ser misturad os
(Cardoso et al. 2011 ; Van Landuyt et al. 2009).
Figura 11 - Cla ssificação dos adesiv os self-etch de acordo com Van Meerbe ek (Adaptado de Cardoso et al).
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário ”
Patrícia Teixeira Pires 25
Avanços na tecnologia dos adesivos permitiram que se evoluísse para
os a desivos self-etc h , diminuindo o tempo de consulta, facilitando o
procedimento e evitan do efeitos secundários deco rr entes do con dicionamento
ácido. Os adesivos self -etch f oram desenvolvidos ba seados em substâ ncias
que não são lavadas e são capazes de actuar simultaneamente como
condicionadores de esmalte e de dentina e como p rim ers , evitando assim a
possibilidade da formação de uma camada desmineralizada e não preenchida
por ade sivo, pois a desm i neralização da dentina e a sua infiltração ocorre
simultaneamente (Ba ratieri 2 001 ; Di Hipolito et al. 2005 ; Ernest, Holzmeier and
W illershaus en 20 04 ; Nakornchai et al. 2005 ). Com o aumento da profundidad e
os monómeros acídicos são gradualm ente tamponados p elo conteúdo mineral
do substrato, perdendo a capacidade d e continuar a condicionar a d en tina e o
esmalte (Van Meerbeek et al. 2011 ). Deste pon to d e vista, os sistemas self-
etch , quer os de dois f rascos, quer os de um só f rasco, são p r odutos mais
seguros e mais vantajosos para o profissional , u ma vez que a
desmineralização é auto -limitada (Ernest, Holz m eier and W illershausen 2004 ).
Estes adesivos d issolvem a smear layer que, por sua vez, é inc o rporada
no processo de adesão, crian do uma f ina e completa camada híbrida
totalmente impregnada por resina e ev itam quaisquer riscos no con trole do
tempo de cond iciona mento ác ido, lavagem e seca gem das fibrilas de colagén io
(Ernest, Holzmeier and W illershausen 2004 ).
Na dentina, as camadas híbridas formadas pe los adesivos self-etch de
1-passo parecer em poder ser classificadas segundo 3 tipos d e
desmineralização: (1) total desmineralização com f ormação de uma camada
híbrida espessa, (2) desm ineraliz ação par cial com exposição d e fibrilas d e
colagénio e (3) desmineraliz ação parcial com a forma ção de u ma camada
híbrida fina se m exposição de f ibrilas de colagénio. Estes três tipos d e
camadas híbridas foram criad os co m ades ivos fo rtes , moderados e suaves,
respectivamente (Van Landuyt et al. 2009) . Esta troca d e biomaterial por
estrutura dentá ria depende, assim, do tipo de adesivo utilizado. Os adesivos
etch-and-rinse têm uma intensidade de troca que supera a dos adesivos self-
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
26 Patrícia Teixeira Pires
etch (Van Mee rbeek 2003 ). No esmalte, as camadas híbridas são sempre mais
finas do que na dentina, independentement e do adesivo utilizado.
O grande ob jectiv o dos diferentes tipos de adesivos self-etch
introduzidos no m erca do como alte rnativ a a os adesivos que usam a técnica do
condicionamento total é , além d a simplificação do processo de adesão, a
eliminação de todas as fonte s de erro p ossív eis (Ernest, Holz meier and
W illershaus en 2004). A eliminação do condicionamento e lavagem
separadamente fez com que a sensibilidade d a técnica dim inua (Moura et al.
2006), uma vez que o men or número de etapas n um proced iment o clínico não
só economiz a tempo como també m diminui a possibilidade de erro (Kiremitci,
Yalcin an d Gokalp 2004 ; T urkun 2005). Aliás, desde a sua i ntroduç ão no
mercado, o s adesivos self-etch têm crescido e ganho u ma posição d e respeito
no mercado d os adesiv os, especialmente pelos médicos -dentistas que
apreciam a simplificação d a técn ica, dado que estes são “ u ser-friendly ”, i sto é,
requerem m enos tempo e menor número de passos na ap licação (Van
Meerbeek et al. 2011). No entanto, os adesivos self-etch ultrapa ssam esta
vantagem: eles são menos susceptív e is às condições de humidade do
substrato compara tivamente com os adesivos etch-and-rinse , uma ve z que não
existe a n ecessidade d e serem aplicados em meio húmido e pare cem diminuir
a sensibilidade pós-operató ria uma vez que os m onómeros do p rimer deste tipo
de adesivos conseguem d ifundir-se através d a smear laye r até à dentina
subjacente, tão profundamente quanto a de smineralização (Moura e t al. 20 06).
Outra e xplicação para esta diminuição ou me smo ausência de sensibilidade
prende-se com o f acto do s m onómeros a cídicos destes materiais serem menos
agressiv os que o á cido f osfórico, a penas existindo uma interacção superficial
com a dentina, aumentando o n úmero de túb ulos de ntinários que f icam
obstruídos co m smear laye r (Van Meerbeek e t a l. 2011 ). No entanto, e com o
aumento do núme ro destes adesivos no me r cado , a sua f iabilidade n a adesão ,
nomeadamente na adesão ao esmalte começou a se r questionad a (Moura e t
al. 2006).
A acção destes novos materiais nos tecid os dentários ainda não é
totalmente conhecida e tem sido amplamente e studada e analisada sobre
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário ”
Patrícia Teixeira Pires 27
diversos asp ectos com o intuito d e sere m correctamente u tiliz ad os pelos
profissionais, para que estes possam tirar o melhor partido d as suas
propriedades (Cal-Neto, Miranda and Dias 2 004 ).
A quan tidade de constituintes aplicados na superfície do d ente difere
consideravelmente entre os a desiv os self-etch de 1-passo e 2 -passos. Os
ad esivos d e 2 -passos consistem n uma solução p ura de um primer que conté m
apenas monómeros funcionais dissolvidos num solvente orgânico e água. E de
um bonding sem solvente com monómeros cross-linking hidrofóbicos que
promovem a fo rmação de uma camada adesiva espessa e estável. Esta
camada pode actuar como uma almofada entre os tecidos dentários e os
materiais restauradores, amortecendo os choques. P or outro lado, os adesivos
de 1 -passo têm uma mistu ra co mplexa de agente s h idrofóbicos e hidrof ílicos
numa só solução (Ibra him, Elkassas and Yousry 2 010 ).
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
28 Patrícia Teixeira Pires
c) Adesão ao esmalte
I. S i s t e m a s a d e s i v o s
Sistemas Etch-and-rinse
Estes sistemas envolvem pelo m enos du as eta pas e , na sua f orm a ma is
antiga, três etapa s em que sucessiv amente se coloca o condicionador ou
ácido, o primer o u agente promotor da adesão e a resina adesiva. A versão de
dois passos combina o segundo e o terceiro passo (Van Meerbeek 2 003 ).
Nestes sistemas é semp r e ut iliz ado o condicionamento com ácido
fosfórico (Van Meerbeek e t al. 2010) numa concentração de 32 a 38 % q ue
proporciona um a superfície de e smalte mais rete ntiva e mais a dequada para a
adesão, sendo a c oncentração de 37% a m ais utiliz ad a ( Busato 2005) . O
condicionamento ác ido do esmalte a ltera a sua superfície, torn ando -a mais
receptiva à adesão por uma resina. Existe uma dissolução dos cristais de
hidroxiapatite a través de um a gente de condicionamento ácido com ácido
fosfórico e onde são fo rmada s m icroporosidades no esmalte condicionado
permitindo uma resistente e duradoura a desão (Lopes et al. 2002 ). Arana
refere que o con dicionamento ácido provoca no esm alte apenas um desgaste
superficial, em que se f ormam sa liências e reentrâncias cria ndo, desta forma,
regiões de microretenção cuja caracterí stica de pende da o rientação dos
prismas (Arana 1999).
O passo seguinte en volve a colocação d e um prim er /resina adesiva
seguindo uma aplicação de dois passos ou a colocação separada do primer e
da resina ade siva, seguindo a aplicação d e três passos (Van Meerbeek et al.
2010), de seguida ocorr e a po limerização d a resina que f oi ab sorvida por
capilaridade nas fissuras criadas pelo c ondicio namento ácido executado ,
envolvendo individualme nte os cristais d e h idrox iapatite expostos , formando os
tags ou prolon gamentos de resina. A ssim sendo, o ad esivo dentário vai
penetrar nas irregularidades f ormadas pela dissolu ção selectiva dos cristais de
hidroxiapatite e ao ser polimerizado v ai ocupar o e spaço na periferia dos
prismas, f ormando macrotags (Busato 2005 ). A inf iltração e a polimerização
dos adesiv os no int erior d essas irregularid ades são respon sáve is pela alta
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário ”
Patrícia Teixeira Pires 29
retentividade das restaurações de resina composta ao esmalte (V an Mee rbeek
2003). Na realidade, dois tipos de união de ta gs de resina são fo rmados: os
macro-tags que rode iam os prismas de esmalte e os m icro-tags que resultam
da infiltração d a resina nas f issuras criadas no cerne dos prismas de esmalte
condicionados. Estes parecem se r os que mais contribuem pa ra a retenção no
esmalte (Van Meerbeek 2003 ).
Quanto ao tem po de aplicação, 15 s egundos parece ser o ideal para o
condicionamento, uma vez que este tempo p romove uma rugosidade
superficial semelhante à conseguida com tempos superior es (Busato 2 005). O
esmalte a prismático rep resenta um inconveniente do ponto de vista clínico
quando se utiliza um condicionamento ácido, pois não se obtê m
microretenções (não existem p rismas) e por isso ou se aumenta o tempo de
condicionamento ácido ou se elimina o es malte periférico (M.E. Gómez de
Ferraris 200 2). Um tempo de condicionamento ácido ao esmalte não preparado
de 20-30 segundos numa concentração de 30 - 40% é referido em a lguns
estudos (Uno and Finger 1995 ).
Resumindo, a técnica que utiliza o sistem a e tch-and-rinse baseia-se na
remoção da p laca e outros detritos ( debris ) juntamente com uma f ina camada
de esmalte, aumenta ndo a porosidade da superfície exposta através da
dissolução se lectiva de a lguns cristais, que p roporcionam uma melhor adesão
para o s materiais adesivos restaurad ores (Cate 1998). As resi nas adesivas
penetram nas m icroporosidades criad as nos prismas de esmalte onde podem
envolver os cristais de apatite tornando -os ácido -resistentes. O esmalte
condicionad o imp regnado pela resina cria, d esta forma, uma nova estrutura
que nã o é resina, nem e smalte, mas uma hibridiz ação dos dois mate riais. E sta
foi a prime ira camada híbrida verdadeira, emb ora o termo ainda n ão tiv esse
sido introduzido e o primeiro exemplo de engenharia tecidual dentária in situ
(Pashley et al. 2011 ).
A adesão a o e smalte apenas requer a u tilização do á cido fosfórico
seguido da aplicação d a resina f luí da, isto é, sem a ne cessidade da utilização
do primer . Mas este não interfere negativamente n a adesão e é muito
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
36 Patrícia Teixeira Pires
A última geração de a desivos de 1 -passo consiste em intrincad as e
complexas misturas de a gentes hidrof íli cos e hidrofóbicos. Esta difícil mistura
pode comprometer o desempenho clínico deste s materiais. Uma red ução das
forças de resistência ade siva (Van Landuyt et al. 2009 ) , uma diminuição da
adesão a longo-prazo e um aumento da nano -infiltração (Suppa et al. 2 005)
têm sido atribuído s a estes adesiv os simplificados.
Alguns autores adv ertiram que os v erdade iros adesivos all- in - one , i.e.,
de 1-passo, de um componente são m uito hidrofílicos, provocando efeitos
adversos na adesão. No entanto , isto n ão pode se r gene raliz ado para todos os
adesivos deste tipo.
Uma das maiores desvantagens dos adesi vos d e 1 -passo p rende-se ,
assim, com a sua e xcessiv a hidrof i cidade, caracte rística que se deve à grande
quantidade d e polímeros hidrofílicos presentes, que tornam o adesiv o mais
propenso a atrair água do substrato húmido. Devido a esta afinidad e pela água
estes adesivos têm sido definido s como m embranas semi-permeáveis pois
mesmo a pós a polimerização eles parecem p ermitir a passagem de água
através da camada adesiva o que f az dim inuir as f orças de resistência a desiv a
e contribuir para a hidr ólise dos polímeros de resina e consequente degradação
da união dente/resina ao longo d o tempo (Cardoso et al. 20 11; Kahveci and
Belli 2011).
Além disso, a desivos de 1 -passo ricos em HEMA mostraram um
aumento ainda maior da absorção de água da dentina (Van Landuyt et al.
2007) . Por ou tro lado, é o bservado ta mbém uma separaçã o de fases no s
ad esivos sem HEMA ou onde este m onómero e stá em fraca percentagem (Van
Landuyt e t al. 2005a). Os adesivos sem HEMA necessitam de u ma m aior
concentração de monómeros acídicos (Kah ve ci and Belli 2011 ) .
O HEMA é um m onómero de metacrilato solúve l em água que mantém
os monómeros na mesm a solução e previne a separação de fa ses e q ue
quando incorporado em altas concentrações permite a miscibilidade d os
componentes hidro fóbicos com os componentes hidrofílicos, ma s , pode
também, quando em e lev a da quantid ade, provocar reacções alérgicas
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário ”
Patrícia Teixeira Pires 37
provocadas pelo m onómero não curado devidamente ou aumentar a a bsorção
de á gua, p rejudicando as p ropriedades mecânicas e a inte r face adesiva, co mo
foi referido (Cardoso et al. 2011 ; Kahveci and Belli 2011).
Os adesivos self-etch méd ios sem HEMA f oram a tentativa de criar um
adesivo men os hidrofí lico, mas , como foi referido , tornam o adesivo mais
propenso à ocorrência da separação da á gua dos outros ingredientes do
adesivo assim que o solvente começa a evaporar (denominada separação de
fases) . As bolhas d e água form adas assim que o solvente começa a evaporar,
deixando os com ponentes hidrofóbicos de estar em so lução , são as m ais
difíceis de evaporar . Uma forma de contorna r esta separação de fases e evitar
que gotículas f iquem presas no ades ivo polimerizado é com a aplica çã o de um
jacto de a r intenso a ntes da p olimerização. Est e pa sso vai promover a rem oção
da água da interface, perm itindo uma m elhorar p olimerização. No f undo, a
água é separada dos componentes hidro fóbicos do ad esivo. Esta técnica
aparentemente simples em su perfícies p lanas p ode a presentar limitações em
zonas cuja conf iguraç ão da cavidade seja mais complexa (Van Meerbee k et al.
2011) .
Um estudo clínico referido por Cardoso et al (Cardoso et al. 2011) em
classes V co mparou ad esivos self-etch com e sem HEMA e obteve bons
resultados nos 2 grupos até 2 anos.
Outro problema deste tipo d e a desiv os simplif icados p rende -se com o
facto de d evido aos componentes estarem todos juntos num só f rasco poder
haver uma diminuição do tempo de armazenamento destes materiais. Para
contornar este problema os fa bricantes começaram a usar monómeros de
acrilamida mais resistentes em meio aquoso (Ni shiyama et al. 2004 ).
Clinicamente, estes adesiv os de 1- pa sso, um componente ( all- in - one )
parecem ter um desempenho inferior na obtenção de uma boa a desão ao
esmalte (Busato 2005) o que, aliás, comprova os resultado s dos estudos
laboratoriais. No entanto, pode -se af irmar que estes ad esivos têm um melhor
desempenho que os seus antecessores.
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
38 Patrícia Teixeira Pires
Um estudo d e Di Hipolito (Di Hipolito et al. 2005 ) mostra que os adesiv os
self-etch all- in - one mais agressivos (com pH menor) nã o mostraram diferen ças
na infiltração d a resi na no es malte qua ndo comparados co m a técnica d o
condicionamento total. Outro e studo semelhante, mas que a valiou as f orças de
adesão, mostrou que existiam dife renças nas ligações esmalte/resina entre o s
adesivos self-etch e etch- and -rinse , e que estas fo rças eram maiores co m o s
adesivos self-etch (Hashimoto et al. 2003 ; Kiremitci, Yalcin and Gokalp 2004 ).
Em contraste com os a desivos m ulti-pa ssos estes ade siv os apresentam
espaços vazios quan do analisados ao MEV . Estes espaços po de m dev er -se à
(1) sep aração de fases ou (2) a fenómenos de osmose. Espaços vazios na
camada adesiva podem levar à degradação e actuar como zonas de fra ctura. O
tamanho destes espaços vazios depend e da form ulação do adesivo de 1 -passo
utilizado. Num estudo de Landuyt, as gotículas do G -Bo nd deve ra m-se à
separação de f ases, po rque oco rre ra m tanto e m esmalte como em dentina e
estavam localizadas em toda a c amada adesiv a. Por ou tro lado, as gotículas no
Clearfil S3 Bo nd, Absolute e Xeno II I eram mais pe quenas e situadas no topo
da cama da adesiva, logo p rovav elmente devidas a osmo se. A lgu ns a desivos
como o Hy brid Bond e o iBond apresentaram tanto separação de f ases como
gotículas induzidas por osmose. Neste e studo, estas gotículas formadas por
separação de fase eram mais f requent es nos ade sivos all- in - one de um
componente do que nos de dois componentes. Esta separação de fa ses não
está dependente do tipo de sol vente, m as na m iscibilidade destes ingredientes
no adesiv o. No que respeita à osmose o HEMA tem um papel fundamental.
Devido ao seu baixo p eso molecular e à su a capacidade hidrof ílica, o HEMA
não p olimeriz ado na camada inibida pelo oxig énio aumenta a p ress ão
osmótica, resultando em mais a tracção de água, potenciando a fo rmação de
gotículas po r osm ose. O HEMA a umenta ainda a permeabilidade da cam ada
adesiva por tornar os polímeros mais pe r meáveis e mais su sceptíveis à inibição
pelo oxig énio. Os self-etch de 1-passo, um componente sem HEMA parecem
ser mais su sceptív e is a separação de fa ses, enquanto a desivos ric os em
HEMA têm uma maior propensão à osmose (Van Landu yt et al. 2009 ). Desta
forma , o HEMA prev in e a separação de fases , mas esta separação de f ases
pode ser benéf ica na rem oção de á gua dos ad esivos self-etch pelo jacto de ar,
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário ”
Patrícia Teixeira Pires 39
enquanto as moléculas de água d e um self-etch com HEMA permanece m
ligadas p or ligações de hidrogénio ao s monómeros do HEMA. Um a boa
remoção d a águ a melhora a p olimeriz açã o do a desivo, o qu e p ode levar à
redução d a pe r meabilidade da ca mada adesiva (T ay and Pashley 2 003 ; Van
Landuyt et a l. 2009). Quanto ma is espess a é a camada adesiva, menor a
permeabilidade à á g ua por p ressão osmótica. T ambém a se paração dos
componentes hidrofóbicos dos adesivos de dois componente s p arecem reduzir
a permeabilidade d a camada a desiva, por que polimeriz arem melhor (Van
Landuyt et al. 2009 ).
Tay (Ta y et al. 2 004a) iden tificou “ wat er trees ” nas interfaces entre o
adesivo e o esmalte. A f ormação de bolha s po r o smose no esmalte,
denominadas water trees pode dever-se à baixa permeab ilidade à água pel o
esmalte. Isto cria um gradiente osmótico entre o esmalte aderido e o ambiente
externo, provocando absorção de água para a interface.
Ultramorfolo gicamente, alguns adesivos de 1 -passo de um componente
apresentam uma zona m ais clara n o topo da camada adesiva. Pensa -se que
esta representa ou uma área com um a composição diferente ou u ma á rea com
um menor grau de po limeriz a ção, devido a inibição p elo oxigénio que pode ter
implicações no desempenho lab oratorial e clínico deste s materiais (Van
Landuyt et al. 2009 ).
No que d iz respeito à facilidade de uso, está -se em crer que este tipo de
adesivos não induz poupanças no tempo de aplicação. A lguns adesiv os de 2 -
passos f oram mais rapidamente aplicados. No enta nto podem indu zir ma is
erros no protocolo, o que não quer dizer q ue os adesivos de 1 -passo sejam
imunes à sensibilidade da técnica, pois é preci so te r cu idado na aplicação pa r a
prevenir, por exemplo, a ocorrência de gotículas induzidas por o smose e
separação de fases (Van Landuyt et al. 2009).
A n ív el de resulta dos de infiltração e microtensão no esmalte, Abo (Abo,
Uno and Sano 2004 ) ob teve me lhores result ados para o Clear f il SE Bond ( um
adesivo d e 2 -passos ) do que pa ra o AD B ond, que é um adesivo all- in - one sem
HEMA. Respe ctiv amente, eles têm um p H de 2 e 2.1. A mbos os a desiv os
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
40 Patrícia Teixeira Pires
conseguiram remover a smear layer, mas prismas d e esmalte ma is definidos
foram observados n o Clearfil SE Bond. Estes resultad os p od em ser e xplicados
pela f raca ligação form ada p elos grupos carboxílicos em co mparação com os
grupos de ésteres fosfóricos (Ab o, Uno and Sano 2004 ).
Com o intuito de se ultrapassar os prob lemas de tem pos de
armazenamento a sso ciados a os adesivos de 1 -passo, surgiram os a desivos
ultra-suaves muito pou co acídicos e que ap enas interagem muito
superficialmente com o dente. Cli nicamente, as restaurações unidas com este
tipo de adesivos sofrem geralmente uma maior micro infiltraçã o marginal.
Pensa -s e que esta fraca adesão po de ser , em parte, de vida ao tipo de smea r
layer produzida durante o preparo cavitário (Mine e t al. 2010).
Embora os adesivos co m pH menor que 1 tenham um comportamento
aceitável no esmalte, os adesivos médios (pH> 2 ) tê m um comportamento
insatisfatório. Pesquisas clínicas mostraram claramen te defeitos m arginais no
esmalte condicionado com estes adesiv os.
No entanto, parece que alguns adesivos m édios po dem interagir
quimicamente com a hidroxiapatite favorecendo as forças de adesão ao
esmalte, mas e ste contributo ainda nã o foi explicado até que p onto é
importante para a real força adesiva (Van Meerbee k e t al. 2003 ) e isto p ode
parecer estranho , mas estudos recentes mostram que o 10 -MDP fo rma u ma
nano-camada mais intensa na dentina do que no e smalte, m esmo sendo o
esmalte a te r uma m aior quantidade de hidroxiapatite. Assim, um a v e z que esta
nano-camada é pouco espessa no esmalte, adicionar canforoquinona ao prim er
do self-etch parece não se r necessário, ao contrário da de n tina, cuja troca
iónica proporcionada por estes adesivos parece se r vantajosa.
A conf oroquinona é um fo toiniciador que só f unciona como tal quan do
está no se u estad o triplo de e xcitação. Sã o o s fotões (en ergia) que ajudam a
manter o fotoiniciador num trip lo e stado de excitação , levando à co nversão d e
um monómero num polímero. Uma densidade energética alta, produzida por
tempos de exposição longos, ajuda m a manter a canforoquinona n um estado
triplo de excitação, levando a um aumento da forma ção de radicais livres pela
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário ”
Patrícia Teixeira Pires 41
reacção com uma amina (co-iniciador). Além disso, com o au me nto da
conversão de m onómeros em po límeros, uma rede de polímeros mais f ortes é
provavelmente f ormada, o que pode explicar o aumento das f orças de
resistência adesiva. É importante men cionar q ue o grau de polimerização não é
proporcional à quantidade de luz re cebida por e stes materiais, aliás, a maioria
da reacção de polimeriz a ção ocorre nos primeiros 10 segundos (Ferreira et al.
2011).
No esma lte, os ad esiv os etch - and -rinse permanecem, de f acto, a
primeira esco lha, uma vez que garante m a melhor adesão ao esmalte e
simultaneamente sela m e logo protegem a vulnerável adesão à dentina contr a
a degrada ção (Rotta et al. 2 007), mas embora seja considerado o ex -li bris da
adesão ao esmalte, o ácido f osfórico usado n a técnica etch- and -rinse
apresenta diversas de svantagens , além de poder n ão ser só o grau de
condicionamento do esm alte, mas também a actividade química e as
propriedades mecânicas dos a desiv os a d esempenhar em papéis importantes
na determinação das fo rças de ligação dos sistem as a desiv os às e struturas
duras dentárias (T sujimoto et al. 2010).
III. F a t o r e s c o n d i c i o n a n t e s d a a d e s ã o
1. Contaminação da superfície
Na tentativa de descontaminar a super fície aderida diferentes fabricantes
procura ra m in troduzir nas formulações dos adesivos agentes antiba cterianos.
A utilização d e mon ómeros an tibacterianos com eçou a ser desenvolv ida
nos anos 90, com o objectivo de eliminar problemas associados a bactérias
residuais após a restauração e como forma de prevenir cáries secundárias
(Bortolotto et al. 2007).
Várias sub stâncias têm sido usadas como adjuvantes antibacterianos
como o cetilperid ínio, o triclosan, o glutera ldeído, a clorohexidina ou o MDPB
(metacriloiloxidodecilpiridí nio ).
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
42 Patrícia Teixeira Pires
O cetilperidínio é u ma amón ia quaternári a com propriedades anti-
sépticas e antibacterianas. Está carregado positi vamente ligando-se às
bactérias e provocando a destruição da membrana celular.
O triclosan é amplamente utilizado como desinfectante em colutórios ou
pastas dentífricas. Este é eficaz contra bactérias Gram+ , Gram- e fungos.
O gluteraldeído está presen te em a lgumas com posições de adesiv o s .
Este es tabiliz a a red e de colagénio apó s a de smineralização dentinária, alé m
de ser um potente desinfectante, bem como um a gente dessensibilizante
(Ergucu, Hiller and Schmalz 2005 ) .
A clorohexidina tem um e spectro a ntimicr obiano amplo. Estando
carregada positivamente, liga -se à s bactérias rompendo as p aredes e
destruindo-as. A cloro hexidina inibe as enzimas essenciais para a acumulação
de bactérias sobre a superfície dos dentes.
O MDPB é sintetizado a partir de uma amónia quaternária e tem um
grupo metacriloilo que co -polimeriza com outros monómeros; desta forma este
monómero catiónico fica preso na matriz polimérica, produzindo um efeito
antibacteriano por contacto. O grupo piridínio do MDPB está carregado
positivamente. As estruturas celulares das bacté rias têm geralmente cargas
negativas atraind o os m onómeros do MDPB, levando à perda do equilí brio
eléctrico e à destruição da membrana celular.
A desinfecção das estruturas dentária s tem uma im portância maior
quando utilizamos a desiv os que não são l a vados, isto é, que incorporam as
bactérias residuais e a sm ear layer produzida. Os adesivos self-etch com
propriedades antibacterianas parecem reduz ir o ap arecimento de cáries
secundárias por eliminação das bactérias residuais (Feuerstein et al. 2007 ). Um
estudo que avaliou estes a gentes concluiu que a inco rporação d o MDPB f oi o
método mais eficaz na actividade antibacteriana antes e após a polimerização.
Quando utiliz ou o Clear fil Protect Bond ( prim er ), que inclu i e ste m onómero
verificou também os m esmos resultados (Imazato et al. 2 006 ; I zutani et al.
2010). Outro estudo (Imazato et al. 1997 ) chegou às mesmas conclusões e
ainda demonstrou que este mo nómero não interferia na adesão, tal como no
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário ”
Patrícia Teixeira Pires 43
estudo de Bortolotto et al (Bortolo tto et a l. 20 07 ). In vivo , o MDPB também
mostrou ser eficaz na inibição do crescimento microbiano nas lesões de cáries
activas (Yoshikawa et al. 200 7 ) . In vitro , a p rogressão de cá ries radicula res
também é inibida com este monómero através d a inibição da actividade
bacteriana e, po r outro lado , pelo selamento eficaz da dentina desmineralizada
(Kuramoto e t al. 2 005) . A parentemente, o MDPB inibe a actividade do lactat o
de de-hidrogenase que em elevadas concentrações é leta l para o biofilme e em
baixas concentrações inibe a actividade metabólica enzimática (Iz utani et a l.
2011).
O MDPB está de scri to como sendo mais h idrofóbico que o HEMA.
Assim, adesivos co m MDPB na sua composição vêm a sua hidrofobicidade
aumentada. Em termos d e adaptação ma rginal, isto pode resultar n uma m aior
estabilidade da interface adesiva. Assim sendo , estes adesiv os devem
conseguir secar mais o esmalte o q ue p arece resultar numa adesão mais
estável a esta estrutura (Bortolotto et al. 2007).
Mas o mais importante parece ser ter a certeza d a remoção das
bactérias residuais, ainda mais com o adv ento das técnicas de rest auração
minimamente invasivas. Não podemos o lvidar que a cárie é uma doença
infecto-contagiosa e que a irradicação bacter iana é o princípio fundamental.
Num estudo rec ente o LASER conseguiu limpar tod a a super fície da
cavidade o mesmo não acontecendo quando se usou uma escov a apó s o
preparo cavitári o. A nív el da microin f iltração não ex istiram di ferenças, mas
todos os debris foram removidos ef icazmente pelo L ASER, o mesmo não
acontecendo com a escova. A u tilização do ácido f osfórico após ambos os
procedimentos anulou todos os e fe itos anteri ores (Hossa in et al. 2011).
A depo sição de biofilme sobre os co mpósitos e cimento s de ionómero de
vidro ca usam deterioração d a superfície, facilitando a depo siç ão de mais
biofilme. Os resultados in vivo são me nos pronunciados, provavelmente devido
ao e levado volume de sa liv a presente na cavidade oral (Busscher et a l. 2010 ) .
No entanto, a formação de biofilme em que os organismos coloniz adores
causam deterioração da superfície, man ifestada por rugosidade e diminu içã o
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
44 Patrícia Teixeira Pires
da dureza dos materiais p ode levar à fo rmação de cáries à volta ou por baixo
das restaurações. Com o se sabe, o grau de conversão das resinas nunca é
completo e aprox imadamente 5 a 1 0% dos monó meros não polimeriz ados
podem ser extraídos em água. A libertação de monómeros residuais dos
compósitos pa rece fa cilitar o crescimento in vitro de biofilmes. Foi sugerido que
especialmente o etilenoglicol dimetacrilato e o triet ilenogicol dim etacrilato
podem favorecer o crescim ento b a cte riano de organismos co mo o
Estreptococos mutans e o Lactobacilos (Hanse l et al. 1998 ). A libertação
destes m onómeros f ica d iminuída quando se aumenta o tem po de
polimerização (Brambilla et al. 2009 ).
O tempo de polimerização desempenha, assim, u m pape l importante na
conversão de monómeros em polímeros.
A contaminação saliv a r ta mbém influenc ia a adesão através da
diminuição d a resistência adesiva, estando indicada a utilização do dique de
borracha antes de se iniciar o preparo c av itário. A saliv a contém enzimas
hidrolíticas capazes de int eragir co m o dente alterando a sua estrutura externa
e comprometendo as forças de resistência a desiva. Estudos confirmam que
restaurações contaminadas com saliva vêm reduz idas as suas fo rças de
adesão quando se usam adesivos self-etch . No enta nto, o re-condicionamento
permite atingir valores de adesão iniciais. Parece que os a desivos se lf-etch de
2-passos, dependendo do sistema utilizado, são menos inf lue nciados pela
contaminação sa liv ar (Abo ushelib 2011 ). Uma explicação poderá de ver-se ao
facto de e stes adesivos removerem parcialmente ou modificarem a smear
layer .
Um estudo avaliou a microinfiltração de adesiv o s e tch-and-rinse e self-
etch em classes V contaminadas com saliva e não obteve diferenças entre os
grupos tratados, tanto q uando a contaminação ocorria an te s ou depois d a
fotopolimerização. E ste assu nto é important e uma vez que n em sempre é f ácil
isolarmos o dente pr eparado quando a cavidade e stá muito p róxima da gengiva
(Yazici et al. 2007b ).
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário ”
Patrícia Teixeira Pires 45
As cáries secundárias sã o a segunda causa mais f requente de
substituição de restaurações. E stas p odem ser devidas à contracção de
polimerização que p roduz um gap entre o material e a estrutura dentária, por
onde os microorganismos podem penetrar (microinfiltraç ão) o u e ntão de ver-se
à presença de b actérias na smear layer após o preparo ca vitário . Um estudo
que avaliou a capaci d ade de inibição das b actérias Estreptococos mutans ,
Lactobacilos salivarius e o Actinomyces o dontolíticos verificou que o AdheSE
( self-etch de 2-pa ssos) apena s possuía efei to inibitório para o Estreptococos
mutans que é essencial na iniciação do processo carioso pela habilidad e de
colonizar supe rfícies, sintetizar polissacaríde os insolúveis e f ormar ácido lá ctico
que de smineraliz a o dente. E ste efeito pode estar relacionado com o ba ixo pH.
O Lactobacilos salivarius possu i elevada tolerância ao ácido. O adesiv o E xciTE
quando u sado sem o co ndicionamento á cido não produziu qualquer efe ito
inibitório no crescimento b acteriano (Hamouda, Al-Khodary and El Shami
2010), no entanto, este resu ltado pode ser compensado pe lo efeito
antibacteriano do ácido que é aplicado na cav idade antes do E xciTE. Estudo s
prévios demon straram que o á cido ortof osfór ico a 35% tem um amplo espectro
antibacteriano (Settembrini et al. 1997 ).
2. Influência do pH do prim e r
Na globalidade, os p rimeiros estudos rea li zados mo straram uma eficácia
muito meno r de adesão ao esmalte d os adesivos self-etch relat ivamente a os
adesivos etch- and -rinse (Goracci et al. 2004). No entanto, a adesão depende
de diferentes variáv eis n omeadamente do tipo de adesiv o utiliz ado e do seu
pH.
Os ad esivos self-etch são formados por m onómeros acídicos que
contêm mono o u di -ésteres como grupos funcionais. Assim, pelo men os um ou
dois átomos de hidrogénio do ácido fo sfórico são substitu ídos pelo gru po
metacrilato. A p otencial de d issociação do di-éste r do ácido fo sfóri co é menor
que a do ácido fosfórico e logo o ácido é mai s fraco (de Alexandre et al. 2008).
Quanto ao p H, os ad esiv os self-etch podem se r classificados com ba se
na acide z do p rimer (Busato 2005 ; T urkun 2005 ). Esta classificação foi
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
52 Patrícia Teixeira Pires
Parece assim evidente que a ba ixa cap acidade a desiv a de alguns adesivos
self-etch médios ao e smalte pode ser atribuída, em parte, à ba ixa reactividade
química ( n anolayering ) com a hidroxiapatite po r parte desses a desiv os
(Yoshihara et al. 2011).
Alguns est udos referem que o Prompt-L-Pop (adesivo fo rte, com pH 1. 1 )
resulta be m no esmalte (Atash and V an den Abb eele 2005) , mas que as f orças
de adesão à dentina são muit o baixas (Rosa a nd Perdigao 200 0), enquanto um
adesivo m édio atinge fo rças de adesão elevadas em e smalte (Perdigao, Lopes
et al. 1997) e em dentina (Schneider, Baumann et al. 2000; Tanumiharja,
Burrow et al. 200 0) . Num estudo recent e, o me lhor adesivo e m e smalte foi o
intermédio AdheSE com p H 1.5-1.7 (Lopes, Marson et al. 2004). , seguido do
forte Ad per Prompt -L-Pop e só depo is do médio Frog (Ib rahim, Elkassas a nd
Yousry 2010 ). Estes resultados supor ta m o fa cto d a actuaçã o dos adesivos ser
dependente da sua constituição . A agressividade do pH parece assim não
justificar sem pre a eficácia adesiva, pois as características ind ividuais
relacionadas com o adesivo como a viscosidade, a tensão superficial, a
interacção química dos monómeros, o conteúdo d e á gua e as fo rças coesivas
desempenham também um importante papel na eficácia da adesão (Ibrahim,
Elkassas and Yousry 2010 ). Os f abricantes defendem que o u so do monómero
acrilato do á cido fosfórico presente no AdheSE em vez do monómero éster do
ácido fosfórico f az com que este adesivo seja m ais estável à hidrólise. Est a
vantagem precisa, no entanto, de ser suste ntada p or pesq uisa clínica
(Perdigao, Gomes et al. 2006).
Foi a inda lan çado recentemente o a desiv o Clearf il S 3 Bond, com
pH≈ 2.7, sendo considerado um adesivo ultra -sua ve. Tal como o Clearf il SE, o
Clearfil S3 B ond contém o monómero 10-MDP. Este adesivo fo rma uma
camada híbrida na de ntina tão f in a que foi denominada zona de nano -
interdifusão.
O valor d e pKa , ou seja, a con stante de dissocia ção ácida, de um ácido
é geralmente o p arâmetro mais u tiliz ado para d emonstrar a m aneira como as
moléculas interagem co m os tecidos m ine ralizados. No entanto, i sso não
explica o mecanismo através do qual ce rtas m oléculas aderem à e strutura
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário ”
Patrícia Teixeira Pires 53
dentária quim icament e e outras nã o, ma s a penas a capacidade de
descalcificação do ad esivo (Fu et al. 20 05 ). Por exemplo, 1M de ácido oxálico
com p H de 0,6 (pK 1 =1.27) é mais acídico que 10% d e ácido maleico com p H de
0,9 (pK 1 =1.94). No e ntanto, o ácido oxálico reage quimicamente com a
hidroxiapatite, provocando uma troca iónica e uma descalci ficação limitada,
enquanto o ácido ma leico a d escalci fica, libertando cálcio e f osfato do dente,
expondo o colagénio. Po r outras palavras, não é necessariamente verdade que
quanto menor o p H, mais soluçã o irá desmineralizar o esma lte e a d entina (Van
Meerbeek et al. 2011 ).
i. Uso prévio de condicionamento á cido no esm alte an tes da
aplicação de um adesivo self-etch
Como a adesão a o esmalte é baseada primariamente na retenção
micromecânica duma resina de baixa viscosida de nas m icroporosidades, a
extensão e a profundidade de desmineralização d evem logicamente inf luenciar
o desempenho na adesão dos sistemas ades ivos (Manu ja and Nagpal 2012 ).
Apesar d os adesivos self-etch p arecerem ser p romissores na busca de
uma adesão simples e segura à dentina, n o esmalte essa premissa po de se r
mais d ifícil de atingir. Especialmente quando usamos adesivos mé dios, p ois
estes parecem não condicionar eficazmente o esmalte.
Os ade sivos fo rtes já têm essa capacidade e estu dos demonstram a su a
eficácia na adesão ao esmalte (Breschi et al. 2003 ). No entanto, apesar de
atractivos na sua utiliz a ção pa ra a adesão ao es malte, os a desiv os self-etch
fortes p arecem se r prejudiciais para a s obrevida das restaurações a resin a
composta. De facto, estudos recen tes indicam que o u so d estes deve ser
evitado (Van Meerbeek et al. 2011 ).
A te ndência actual é a a proximação para uma solução mais promis sora
recorrendo à adesão com adesivos self-etch méd ios, com um condicionamento
prévio d o esmalte. De fa cto , numa tentativa de compensar a pouca ca pacidad e
desmineralizante dos self-etch , é vulgar na prática clínica ef ectuar -se um
condicionamento á cido select ivo ao esm alte co m ácido fosfórico de 30 -40%
(Van Meerbeek et al. 2005 ). Van Meerbeek et al realiz aram um estudo com um
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
54 Patrícia Teixeira Pires
adesivo self-etch méd io de 2 -passos (Clearf il SE) e consta taram a existência
de mais defeitos m arg inais no esmalte quando os espécimes não tinham
sofrido um condicionamento ácido prévio (Van M eerbeek et al. 2005 ). Van
Landuyt corrobora esta conclusão quand o num tra balho rea liz ado em 2006
ve rificou que o co ndicionamento ácido prévio aum entou a efectiv idade da
adesão dos sistemas self-etch (Owens and Johnson 2007 ; Van Landuyt et al.
2006). No e ntanto, são vários os estudos in vivo que mostram que o
condicionamento á cido prévio no e smalte não parece ser crít ico para a eficácia
clínica dos adesivos self-etch (Kubo et a l. 2006 ; Pe rdigao et al. 2005a ;
Peumans et al. 2005b ) .
Apesar destes resultados a conselharem a realização de um
condicionamento ácido prévio, sempre que se aplique o á cido no es malte , a
dentina nunca deve ser contaminada , pois esta contaminação parece diminuir a
resistência adesiv a (Va n L anduyt et al. 2005b ) bem como aume nt ar a
espessura da smear layer (Sun dfeld et al. 20 05 ).
A baixa ef icácia dos adesivos self-etch m édios parece , num estudo de
2010 (Mine et al. 2010) estar atribuída à f raca capacidade destes ade sivos
condicionarem o esm alte e f ormarem uma bo a interlig ação mecânica, e, por
outo lado, pela baixa actividade química de alguns mo nómeros, com o o 10 -
MDP para a h idrox iapatite do esmalte . Estes resultados justi f icam de certa
forma a utiliz ação de um c ondicionamento ácido selectiv o das ma rgens do
esmalte. Este procedim ento, no fundo, transforma um adesivo self-etch de 2 -
passos num adesivo de 3-pa ssos, ou um de 1 -passo num de 2 - passos.
No entanto, a u tiliz ação do ácido anula as supostas vantagens de
poupança de tempo do uso dos adesivos self-etch ; ma s esta afirmação pode
não ser d e valoriz ar, p ois o impo rtante é a eficácia dos a desiv o s e da adesão,
e, a este propósit o, a adesão a o esmalte é i ndiscutivelmente mais importante
que a a desão à dentina. Sendo assim, não se pode sacrificar a adesão ao
esmalte na busca de uma solução r á pida, sim ples e e ficaz a um substrato
complexo com o a dent ina, e desprezar a a desão ao esmalte, pois este é a
barreira de terminante para a longevidade e durabilidade das restaurações
(Ibrahim, Elkassas and Yousry 201 0 ). O ácido interage com a interface do
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário ”
Patrícia Teixeira Pires 55
esmalte em pro fundidade permitindo que esta seja mais r esis tente à
propagação de fissuras e m icroinfiltrações (Erickson, Ba rkmeier and Kimmes
2009) .
O condicionamento ácido do esmalte permite , assim, a utilização d e um
adesivo self-etch médio na dentina, o que a parentemente pa rece ser a solução
mais durável na adesão à dentina (Van Meerbeek et al. 2011 ). Este protocolo já
foi aplicado clinicamente com bastante su cesso (P eumans et a l. 2 010 ). Um
estudo rea liz ado em 201 1 o bteve resultados similares quando avaliou a
microinfiltração no esmal te (Nagpal et al. 2 011) , tendo veri ficad o que o
condicionamento ácido prévio do esmalte antes da co locação do self-etch
originava u ma menor microinfiltração. Resu ltados se melhante s f oram obtidos
por Roota e Soares (Rotta et al. 2007 ; Soares et al. 2 007). Erickson também
chegou a estas conclusões dizendo que os valores de resistência a desiva ao
esmalte dos adesivos self-etch chegam a ser iguais aos d os adesivos etch -and-
rinse , quando o esmalte é p reviamente c ondicionado com 15 segundos de
ácido f osfórico, o que pode a umentar a ef icácia de stes adesivos clinicamente
(Erickson, Barkmeier and Kimmes 2009 ). Esta técnica levou à observ ação de
menores defeitos m arg inais em estudos clí n icos (Peum ans et al. 2 007 ) e
laboratoriais. T estes de microinfiltração e ncontram menores f endas n o s
espécimes onde f oi rea lizado o condicionamento prévio com ácido antes da
aplicação do adesivo self-etch (Frankenberger et al. 2008).
De f acto, nos últimos ano s este protocolo tem sido cada vez ma is
utilizado para co mpensar a me nor f orça de resistência adesiv a a o esmalte,
relativamente à resist ência adesiva obtida co m a desivos etch-and-rinse e ao
facto de resultados de te stes de fadiga mostrarem mais defeitos m arginais
quando se usam adesivos self-etch . E studos clínicos e laborato riais corr oboram
ainda a maior incidência de defeitos n as restaurações realizadas com este tipo
de adesivos simplificados (Erickson, Barkmeier and Kimmes 20 09 ) .
Um e studo de Benetti (Ben etti e t al. 2011) corroborado este a no por
Lima e colaboradores (Lima et a l. 2012 ) contribuiu também para rea firma r que
a utilização d e um condicion amento ácido an tes da aplicação de um adesivo
self-etch aumenta a s fo rças de resistência adesiva no ângulo cavo supe rficial
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
56 Patrícia Teixeira Pires
do es malte, promovendo um padrão d e desmineralização mais favorável à
adesão a este substrato o que contraria alguns e studos mais a ntigos (Kubo et
al. 2006 ; Perdigao et al. 2005a ; Pe umans et al. 2005b ) que demonstraram que
o uso do ácido não melhorava a ade são de adesivos simpli ficados ao esmalte.
Resultados d e observações ao M EV dão evidência cientí fica que as
menores fo rças de adesão destes a desiv os podem ser de vidas a diferenças de
condicionamento, po is quando se us a o ácido fosf órico os pad rões obtidos,
semelhantes aos d os adesivos etch -and-rinse , promovem f orças de resistên cia
adesiva similares entre este s, sugerindo que a morfologia mais definida
conseguida pelo condi cionamento pode ser responsável po r maiores f orças de
resistência adesiva. Estudo s mostram, ainda, que o aumento do tempo de
aplicação d os a desiv os self-etch não parece influenciar a resistência a desiva
(Erickson, Barkmeier and Kimmes 200 9 ).
Os pa drões de esmalte bem def inidos , embora não pareçam ser pré-
requisitos para m aiores forças de adesão, parecem estar directamente
associados a maiores níveis de estabilidade e m aiores taxas de rete nção in
vivo . Neste aspecto, a tén ue pe netração do adesivo self-etch mé dio no esmalte
pode não ser capaz de aguentar os stresses cíclicos tão bem como os ou tros
adesivos self-etch mais fortes ou etch-and-rinse que penetram m ais em
profundidade ( Tay et al. 2004b ).
Alguns estudos refe rem, assim, que a a desão ao esmalte deve ser
efectuada com adesivos etch -and-rinse porque a retenção micromecânica
atingida parece ser suficiente para a obtenção de adesões boas e duráveis. Se
a ad esão é f eita a o esmalte e à dentina, deve ser f eito um condicionament o
prévio select ivo com ácido fosfórico no esmalte seguido da aplicação de u m
self-etch no esmalte e na dentina (Cardoso et a l. 2011 ; Ibrahim, Elkassas and
Yousry 201 0 ; Soares et al. 2007).
No e ntanto, tam bém existem algumas desvantagens n a utilização prévia
do ácido fosfórico no e smalte , nomeadamente a remoção de uma camada de
esmalte s adio, a variabilidade q ue o corre na profu ndidade de
desmineralização, a possibilidade de contaminação da superfície condicionada
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário ”
Patrícia Teixeira Pires 57
com água ou com óleo, a danificação do padrão de condiciona mento por uma
excessiv a f ricção, a lav agem e/ou a seca gem inadequada. Estes são fa ctores
que p odem contribuir adversame nte p ara a adesão e que de certa f orma
anulam algumas das vantagens do u so de a des ivos self-etch (G oswami a nd
Singh 2011).
O u so de EDTA também tem sido proposto como a lternativ a a o
condicionamento prévio do dente com ácido fo sfórico . O E DTA faz a quelação
dos iõe s cálcio da superfície do e smalte, aumentando, assim, a á rea disponív el
para a adesão . Quando usado antes dos adesivos self-etch parece não
influenciar ou apenas a umentar ligeiramente a s f orças de resistência ade siva,
tanto em esmalt e como em d entina (Adebayo, Burrow and T yas 2007 ; Ibrahim,
Elkassas and Yousry 2010 ; Soares et al. 2007).
A aplicação p révia d o ácido po liacrílico pa rece também ser uma
alternativa para o aumento da adesão ao esma lte com adesivos self-etch . O
ácido poliacrí lico, utilizado em cimentos de ionómero de vidro , reage como
condicionador de uma fo rma semelhante à que o corre com estes cimentos; i.e. ,
os grupos carboxílicos do ácido poliacrí lico dissociam-se libertand o iões
hidrogénio que reagem com os iões de cálcio formando ligações iónicas ,
enquanto f azem a lixiviação do cálcio e dos iões fo sfato. Parece a ssim, que as
moléculas poliacrílicas formam ligações com os monómeros do adesivo na
polimerização, resultando numa ade são química (Adebayo, Burrow an d Tyas
2007).
O jat eamento com óxido de alumínio , proposto por alguns au tores como
condicionador, dim inui as forças de adesão tanto em esmalte como em dentina,
estando desaconselhado o seu uso clínico p ara este fim (Soares et al. 2007).
3. Composição dos adesivos self -etch: primers, resinas e solventes
3.1 Primers
A partir da d écada de 90, os inv estigado res concentraram -se no
desenvolvimento de mo nómeros ácido s co mo p rim ers para diminuir o tempo
clínico de aplicação do sistema adesivo, pois assim não se ria necessário
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
58 Patrícia Teixeira Pires
aplicar o á cido fo sfórico, lavar e sec ar (Busato 20 05). Uma das vantagens
clínicas do s a desivos a utocondicionantes ou self-etch que po ssuem estes
monómeros acídicos é q ue eles são menos sensíveis à técnica e são de
aplicação m ais f ácil que os etch-and-rinse (Feigal an d Qu elhas 2003 ; Perdigao
et al. 2005a ; Peutzfeldt and Nielsen 2 004 ). Nest es a desivos a hibridização da
dentina é obtida apenas p elo uso de um primer que dissolv e a sm ea r layer ,
desmineraliza a dentina intertubular e expõe os tú bulos dentin ários onde
penetra. A inf iltração do adesivo n a área condicionada f orma a camada híbrida
na dentina intertubular e os tags nos túbulos dentinários (Busato 2005).
O efeito dos adesivos self-etch é atribuído aos monómeros em que estão
incorporados um ou mais grupos acídicos f osfato ou ca rboxíli cos. Depe ndendo
do pH e do monómero funcional, el es podem p roporcionar diferentes tipos de
padrões de condicionamento (Soares et al. 2 007 ).
O d esempenho actual do s adesivos se lf-etch varia m uito, pois depende
não só da classe a que perten ce, mas certamente também da sua com posição,
em especial do monómero funcion al pr esente na formulação do adesivo (Van
Meerbeek et al. 2011 ).
O HEMA é um monómero hidrof ílico amplamente utiliz ado no s p rim ers
dos adesivos den tário s. Com o vimos anteriormente , o HEMA garante uma boa
molhabilidade, penetração e difusão uma vez que tem um peso molecular baix o
(130). Além disso, ele p arece promover uma i nteracção química com o
colagénio (Cardoso et a l. 2011). O grupo h idrox ílico do HEMA associa -se ao
colagénio exposto devido à sua natureza polar e hidrofílica. Por outro lado, o
grupo homopolar metacrilato da molécula de HEMA tem uma grande afinidade
por m onómeros hidrofóbicos, torna ndo o HEMA do tado de u ma ca pacidad e
ambifílica, excelente na ligação da den tina hidrof ílica po r um lado e na li gação
com a resina hidrofóbica por outro lado.
O HEMA quando adicionado aos sistem as adesivos como co-sol vente
está presente em quantidades que variam entre os 35 e o s 55% (Pashley e t al.
1998) ajudando na mistura dos componentes hidrofílicos e hidrofóbicos.
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário ”
Patrícia Teixeira Pires 59
Os principais inconvenientes do HEMA prendem -se com o f acto de n ão
serem polímeros cross-linked , isto é, ao contrári o do s m onómeros dimetacrilato
que possuem dois grupos polimerizáv eis, o HEMA só te m um, deixando este
monómero mais propenso à h idrólise e à captação de água; o facto de poder
causar reacções alérgicas do tipo IV pela sua incomp leta polimeriz ação e à
formação de gotículas de água por pressão osm ótica. Já existem primers sem
HEMA e outros que utilizam o PEG 400 UDMA, po r e xemplo, como alternativa.
Estudos recentes referem -no como promissor na substituição do HEMA (Zanchi
et al. 2011).
Interacção química
Nos ade sivos self-etch a interacção química é conseguida através de
monómeros funcionais esp ecíficos, como o 1 0 -MDP, 4 -MET e f enil-P. Estes
monómeros possuem grupos fosfato e carbox ílicos que formam uma ligação
iónica co m o cá lcio da hi droxiapatite (Y oshida et al. 2004 ). Est as li gações
ió nicas precisam de ser estáveis num a mbiente aquoso. O 10 -MDP, 4-MET e
fenil-P estã o ordenados por estabilidade. O 10 -MDP é o m ais efectivo a ligar-se
quimicamente e t ambém o m ais estável num a mbiente a quoso. A tax a de
dissolução dos sais de cálcio f ormado s por estes três monómeros é
inversamente proporci onal ao se u potencial d e ligação química. Assim, o fenil -
P primordialmente desmineraliza, enquanto o 10 -MDP liga-se primordialmente
à hidroxiapatite (Van Meerbeek et al. 2011 ).
O co nceito AD explica-nos muito bem q ue o tip o de adesão está
dependente da capacidade do monómero acídico (1) descalcificar
intensamente o e smalte e a dentina, provocando a exposição do colagénio, ou
se p elo contrário, (2) a desca lci ficação é limitad a haven do ade são do
monómero à hidroxiapatite provocando uma interacção química/iónica.
Um estudo mostrou que o 10 -MDP era o monómero com melhor
desempenho na ad esão, devido à sua p ronta ligação à h idrox iapatite. A
hidroxiapatite e o s seus cristais expostos na su perfície do esmalte parecem ser
importantes para a existência de uma interacção quí mica (nos ca sos d os self-
etch médios e ionómeros de vidro). O desafio é f azer com que est a interacção
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
60 Patrícia Teixeira Pires
dos monóme ros funcionais seja estável e que os carboxil atos de cálcio e
fosfatos de cálcio resultantes destas interacções permanecem estáveis num
ambiente hidrofílico a lon go prazo. Desta f orma, o desenv olvimento de
monómeros com boas interacções químicas com a hidroxiapatite pode
melhor ar o desempenho destes adesiv os no esma lte (Van Meerbeek 2003).
Os monómeros fu ncionais dos adesivos self-etch ligam-se numa
primeira f ase ao cálcio da hidroxiapatite mas rapidamente se libertam. Os iões
de fosfato carregados negativamente remov em os iões de cá lcio carregados
positivamente da superfície do dente, até um certo limite, dependendo do
tempo de aplicação.
A descoberta que o desempen ho dos adesi vos self-etch d epende d os
monómeros f uncionais prese ntes n o adesi vo, e m especial da s ua estrutura
molecular e afinidade para a h idrox iapatite fo i conf irmada por o utro estudo em
que o uso de três monómeros experimentais foi comparado com o monómero
10 -MDP. Verificou -se que a força d e resistência adesiva estava inversamente
relacionada com a taxa de dissolução do sal de cálcio formado pelo respectivo
monómero (Van Landuyt et al. 2008 ).
3.2 Resinas
As resinas ma is utilizadas sã o o Bis-GMA, o PENTA, o TEGDM A, o
UDMA, o 4-MET A, o GDMA e o HEM A. Destas, o B is-GMA é o ma is
frequentemente utilizado na composição das resinas dos adesivos.
O Bis-GMA é um é ster aromático de um d imetacril ato, sintetizado a partir
de uma resina epóx ica (etilenoglicol de b isfenol A) e de metilmet acrilato, com
peso molecular de 512 (que é superior ao do UDMA, TEGDMA e HEMA).
O UDMA tem um pe so molecu lar de 417, sendo mais f lexí vel que o Bis-
GMA e dois grupo s de metacrilato p olimeriz áveis, f uncionando como um cross-
linker . Esta f lexibilidade pode traduzir-se n uma maior penetração do s ade sivos
que contenham este monómero na sua composição (Ritter, Swift and Yamauchi
2001).
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário ”
Patrícia Teixeira Pires 61
3. 3 Solv entes
Os principais so lventes utilizados são a a ce tona, a á gua e/ou o eta nol,
que envolv em os monómeros resinosos hidrofílicos. A incorporação destes
solventes v oláteis ajuda na evaporação d a água presente na dentina,
facilitando a penetração d os mon ómeros nas m icroporosidades. A volatilização
é maior na a cetona (pressão de vap or de 184 mmHg, a 20ºC), seguida do
etanol (pressão de vapor de 43,9 mm Hg, a 20ºC), seguida da água (pressã o de
vapor de 17,5 mm Hg, a 20ºC), o que p ode explicar a maior quantidade de água
retida nos adesivos com base de etanol.
A presença dos solventes pare ce levar a uma maior força ade siv a A
água p resente nos adesiv os self-etch a juda aind a na obte nção de um bo m
condicionamento, dev ido à ion ização (Jacobsen and S oderholm 1998 ). Todos
os solventes d evem ser rem ovidos ante s da polimerização, po is interferem
negativamente na me sma.
As resinas adesivas p ossuem ainda inic iadores de polimerização e
estabilizadores.
Os iniciadores de polimeriz ação usados nos adesivos self-etch parecem
ser afectados negativamente pelos mo nómeros acídicos incorporados. Um
ajuste destes c omponentes e uma aplicação correcta podem aumentar as
forças de adesão (Sa lz, Zim mermann and Salzer 2005 ).
O grau de polimeriz ação de uma resina é de terminado pe lo grau de
conversão. O grau de conversão do s adesivos etch -and-rinse e self-etch está
dependente da composição do adesivo utilizado. A quantidade de prim er
adicionado a o adesivo pode afectar o grau d e conversão, por inibição da
polimerização. Valores el evados de microinfiltração e b aixas fo rças de adesão
foram relacionados com p olimeriz ações incompletas. Um estudo recente
(Hamouda, Al-Khodary and El Sh ami 2010 ) verificou qu e o A dheSE ( self-etch
de 2-passos) tinha o m elhor grau de conversão, m as as diferença s pa ra com o
ExciTE ( etch -and-rinse ) n ão foram e statisticamente significativas. O AdheSE é
pouco h idrofílico e como é aplicado e m dois passos pode f acilitar a remoção do
excesso de so lv ente d o primer . O ExciTE tem como solvente o etanol que é
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
68 Patrícia Teixeira Pires
esmalte está muito dependente da rece ptiv ida de da superfície, i.e., do tipo de
preparação da mesma.
Um e studo que usou adesivos se lf -etch com pH’s m édios em dentes
com smear layers espessas verificou que agitando o adesiv o durante o tem po
da sua aplicação, a sm ear laye r era dispersa ou d issolvida e eram formadas
camadas híbridas mais espessas com exposição de f ibrilas de colag énio na
dentina intacta (Chan et al. 2003).
Outros estudos (Ke nshima et al. 2005 ; Reis et al. 2005 ) mostraram q ue a
espessura da sm e ar layer não tinha ef eito n a resistência adesiva, mas que
smear layers espessas af ectavam o gap marginal. Ibarra (Ibarra e t a l. 2002)
relatou que o tipo de tratamento d e superfíci e e o tip o de ade sivo nã o
influenciou a m icrote nsão dos self-etching primers a o esma lte b ovino. No
entanto, o entrelaçamento entre a resina e os cristais de esmalte parece ser um
factor decisivo na adesão esmalte -resina com adesivos se lf-etch , apesar do
pa drão menos acentuado provocado por este tipo de adesivos no esmalte ,
quando visualizados ao MEV (Hannig et al. 2002).
Pesquisas mais rece ntes p rocuraram saber a té que ponto a adesão ao
esmalte com adesivos se lf-etch méd ios poderá ser influen ciada pe las
diferentes smear laye rs produ zidas pe las brocas ao preparar a sup erfície
dentária, pois n a realidade é surpreendente a falta de estudos no que a est e
assunto diz respeito.
Um e studo de 2010 (Mine e t a l. 2010) comparou a interacção de um
adesivo self-etch médio com três d iferentes tipos d e preparação: e smalte
íntegro, lixa de grão 600 e broca adiamantada de grão m édio (100µm ). Para o
esmalte não preparado, a camada aprism ática do esmalte funcionou como uma
barreira, o que im pediu a infiltraçã o do adesivo , mesm o não existind o smear
layer , uma vez que o esmalte não fo i cortado . Com a lix a de grão 600 esta
camada f oi removida pe rmitindo que a pene tração do adesivo fosse mais
profunda e uniforme, crian do um f ir me b loqueio micromecân ico com a
formação de uma f ina rede reticular de resina. O preparo com b roca resulto u
numa superfície muito mais rugosa com fen das por onde a resina pô de
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário ”
Patrícia Teixeira Pires 69
facilmente infiltrar. Nos e spécimes preparados com lix a a infiltração da resi na
foi profunda, variando de 500 nm a 1,5 µm , dependendo da região. Na
preparação co m brocas a resina penetrou também até uma profundidade de
500 nm, no entanto, ao contrário da preparação com lixa, a im pregnação da
resina não fo i uni fo rm e ocorrendo predominantemente e ntre a s f issuras e os
espaços. O condicionamento com ácido fosfórico antes d o u so da lixa ou das
brocas não revelou diferenças ult a estruturais , anu lando o s seus po tenciais
efeitos.
Nakabayashi, citado por It ou (Itou et al. 2003 ), afirmou que a ade são da
estrutura d entária à r e sina é produzida pela cria ção de uma camada híbrida
(figuras 18 a 20 ). A s figuras 18 e 19 m ostram a camada híbrida produzida na
dentina por um ad esivo etch- and -rinse e self -etch , respectivamente. A f igura 20
mostra a camada híbrida no esmalte produzida por um adesiv o self-etch .
Figura 18 - Ca m ada híbrida (CH), tags (T) e m icrotags (MT) formados pelo adesivo (CA) de condiciona m ento
total XP Bon d em dentina [cedida por J. Cardo so Ferreira].
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
70 Patrícia Teixeira Pires
Figura 19 - Ca mada híbr ida (CH) e tags (nos túbulos dent inários) (T) formados pelo ade sivo self-etch (Clea rfil
SE Bond- Kur aray) (MEV – 6600x ) [cedida por Sofia Oliveira].
Para criar uma camada híbrida ideal, as superfícies dev em ser tratadas
com á ci dos e xóg enos ou com monómeros a cí dicos que f acilitem a infiltração do
adesivo. Actualmente sã o u sados sistem as a desivos diferentes e to dos eles
produzem cama das híbridas. Em m uitos estudos recorre -se à m icroscopia
electrónica para caracterizar a aparência e a espessura desta camada.
Num estudo em d entina que comparou a desiv os etch- and -rinse e self-
etch , a camada mais f ina foi produzida pelo adesivo self-etch (Itou e t al. 2003).
No e ntanto e apesar da m enor espessura apresentada p elo adesivo self-
etch , e sta parece ser suficien te dado o grande imbricam ento en tre o ade siv o e
as f ibras de colagéni o (Baratieri 2001 ; Hashimoto et al. 2 003). A camada
híbrida produzida pe lo adesivo self-etch aprese ntou-se granular, com uma
transição su ave e contínua, o que p arece e videnciar que a camada híbrida
produzida p or este ad esivo f oi bem infiltrada pela resina. A aparência granular
pode dever-se ao colapso da camada híbrida por secagem da superfície do
dente, e vaporando a água e o solvente que envolvia a s f ibrilas de colagénio
(Itou et a l. 2003). Quando o solvente é a água, o s dentes devem ser secos com
ar para e vitar poços de água, mas não dem asiado para não criarem d issecação
e consequente colapso da camada híbrida .
T
CH
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário ”
Patrícia Teixeira Pires 71
Figura 20 - Camada híbr ida ( CH ) form ada no esmalte í ntegro pelo adesivo Clear fil SE Bond com a espessura
de apena s 0,3µm. S- e spaços vaz ios , A- adesivo por preen cher U- e smalte não ader ido (Tay , Pashley et al. 2004).
A camada híbrida em dentes com cárie é mais espessa mas mais
porosa que a fo rmada em dentina sã (Tay et al. 2005 ; Yoshiyama et a l. 2002 ).
Num estudo em animais de mo nstrou-se que a porosi dade da camada híbrida
parece aumentar com o tempo (Koshiro et al. 2004).
De qualquer fo rma, os a desivos self-etch m édios parecem formar uma
camada híbrida mais fina do que os ade sivos self-etch fortes (Turkun 2005).
As camadas híbridas produzidas no e smalte ap ris mático pe lo a desiv o
self-etch Clearfil S E Bond são extremamente f inas e constituídas por cristais de
hidroxiapatite e possíveis prod utos da reacção d o fosfato de cálcio a morfo (Tay
et al. 2 004b). Adesivos mais agressivos produziram camadas híbridas mais
espessas.
Com o uso do ácido f osfórico a camada híbrida fo rmada apresenta além
de zonas inter -cristalinas d e penetração de m onómeros, zonas intra -cristalinas
de infiltração. Este modo de penetração da resina deve -se à criação de defeitos
nas z onas centrais dos cristais de apatite d urante o condiciona mento ácido
(Tay et al. 2004b).
A red e de resina inter -cristais visualizada ao TEM f oi denominada zona
de interdifusão ou ca mada híbrida do es malte (Pashley and Tay 2001 ). A
composição d esta rede inte r-cristais é muito mais v ariável do que a camada
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
72 Patrícia Teixeira Pires
híbrida na dentina. E m algumas zonas a resina mal imp regna a sup erfície,
enquanto n outras se esten de até 1.5µm de profu nd idade (Mine e t al. 2010 ). A
desmineralização inter e int ra cristais é m ais difícil de observar no esmalte do
que em dentina, mesmo com alta resolução (Mine et al. 2010).
Um estudo de Cal -Neto de microscopia elect rónica concluiu que o
sistema adesiv o self-etch apresentou uma menor penetração (forma ção de
tags ) relativamente ao sistem a adesivo etch - and - rinse (Cal-Neto, Miranda and
Dias 2 004). Num outro e studo, Sato provou que esta penetração dos adesivos
self-etch não é homogénea (Sato and Miyazaki 2 005 ) e que se formam
irregularidades na zona coronal da camada híbrida que podem se r
responsáveis por u ma p erda de ligação em situações clínicas (Milia and S antini
2003). No en tanto, outros estudos mostram que a penetração dos adesivos nos
túbulos e canalículos dentinários, me smo pro fundamente, não é tão importante
como a camada h íb rida, nem na retenção, nem no se lame nto marginal
(Baratieri 2001).
O esm alte desmineraliz ado p arece permitir uma penetração do s
monómeros m ais profundamente o que também explica as geralmente maiores
forças de adesão encontradas neste tipo de e smalte (W iegand et al. 2011) .
O maior desaf io do s ade sivos se lf-etch é a dissolução d a smear layer
sem desmineraliz ar a estrutura dentinária subjacente muito pro fundamente ,
para preservar a hidroxiapatite d a inter fa ce. Isto protege o colagénio e promove
a d isponibilidade de cálcio necessária a ligação química dos monóm eros (Van
Meerbeek et al. 2011 ).
2. Alterações fisiológicas do esmalte
O e smalte, a cama da mais exte rna do dente, é um revestimento natural
optimizado que confere form a, resistência à f ractura e resistência a o desgaste
durante a função ao longo da vida. Ao contrário do osso, os dentes não se
reparam. Os dentes ex perienciam uma variedade de situa ções que os expõem
a carga: com o o contacto com objectos e /o u den tes opostos e conta ctos
normais que resultam em desgaste f isiológico . As f orças mastigatórias vari am
de 28 a 12 00 Newtons em áreas de contacto reduzidas a poucos milímetros
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário ”
Patrícia Teixeira Pires 73
quadrados, se ndo magnífica a f orma como o e smalte pode suste r e sobreviver
a tantos stresses (He and Sw ain 2009 ).
Tendo isto em consideração e s eguindo u ma fo rma mais conservadora
de p reparação ca vitária, a rem oção do te cido cariado é cingido à parte m ais
exterior e desnaturada d a dentina, preservando a zona mais interna da dentina
que se su põe apenas desm ineraliz ada e não infectada e que possui um
potencial de remineraliz ação.
A d istinção clínica entre a dentina afectada e a dentina infectada nã o é
linear e dependendo do operador e da técnica usada na remoção da cárie,
tecido ca riado pode permanecer na cav idade , tornando-se necessária a adesã o
também a este substrato. Em geral, a presença de dentina cariada resu lta em
camadas híbridas mais esp essas com m enores forças de resistência adesiva
(Cardoso et al. 2011).
Como alternativ a ao u so de brocas de d iamante e tungsténio outras
técnicas p ara a r emoção de cárie e p reparação cavitária têm sido
desenvolvidas. Estas têm em comum o facto de pro moverem a obtenção de
cavidades mais conservadoras. S ão elas a preparação com LASER, a abrasão
por u ltra-sons e a abrasão por ar (as duas ú ltim as pe rmanecem em d iscussão
quanto à sua e ficácia ); o uso de escavadores mecânico -químicos também é um
método interessante na remoção da cárie e com o instrumentos rotatórios f oram
introduzidas brocas poliméricas para remover selectivamente a de ntina cariada
(Cardoso et al. 2011).
A e strutura morfológica da superfície do esmalte periférico é aprismática,
hipermineralizada e rica em m aterial inorgânic o , completamente diferen te do
esmalte da zona m édia. O esmalte sub -sup erf icial é mais fa cilmente a derido
que o esmalte superficial. Os padrões de desm ineraliz ação dos prim e rs do s
self-etch são mais suaves no e smalte íntegro e a prepa ração do esmalte
parece aumentar as forças de adesão (Kahveci and Belli 2011 ) .
O esmalte aprismátic o a o redo r das fissuras d os molares exibe uma
orientação unidireccional e está densa mente arranjado . O condi cionamento
ácido desta estrutura resulta numa dissolução relativamente uniforme com a
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
74 Patrícia Teixeira Pires
criação de uma porosidade e penetração da resina limitada, manifestada com a
formação de prolongamentos curtos. No enta nto, parece ser m ais importante o
nú mero de prolongamentos c onseguidos , do que a profundidade a que
penetram, na obtenção de boas forças de a desão ao esmalte (Celiberti and
Lussi 2005).
3. Alterações n a m icrodureza do esmalt e
A microdureza é uma prop riedade física d o esmalte e da dentina
relacionada com o conteúdo mineral da estrutura.
A microdureza d o esmalte d iminui com a distância da superfície, i.e., em
direcção à junção amelo -dentinária, esta ndo relacionada com a lteraçõ e s
químicas do esmalte. A quantidade de cálcio e fo sfatos diminui em direcção à
dentina. Desta fo rma, a m icrodureza do e smalte pode ser um indicador
indirecto do conteúdo de cálcio e fos fato do esma lte (Adebay o et a l. 2010).
Embora pa reça não existir uma relação directa e ntre microdureza e as
forças de resist ência adesiva , existem alguns estudos que mostram uma co -
relação entre as forças de resistência ad esiv a e a microdureza do esmalte
(Adebayo et a l. 2010 ). Com ade sivos self-etch , a p erda de conteúdo mineral é
menor d o que com o ácido f osfórico d o s sistemas etch-and-rinse e os mine rais
removidos são reincor porados na adesã o durante a fotopo limerização. Dest a
forma o s self-etch ing primers interagem d irectamente com a superfície do
esmalte ligando -se ao cálcio da hidroxiapatite , po dendo levar ao aum ento das
forças adesivas (Adebayo et al. 2010).
A aplicaçã o d e flúo r ou de f osfato de cálcio amorfo podem resu ltar n uma
superfície de es malte m ais mineraliz ada e por isso mais difícil d e condicionar
pelos primers do self-etch , cuja acidez da resina é ma is f raca q ue o ácido
fosfórico, o que pode comprometer a infiltração da resina e subsequent e
ades ão (Moule et al. 2007 ). No entanto, outro au tor nã o e ncontrou diferenças
na adesão a o esmalte quando este tratamento fo i aplicado antes da utilização
de adesivos self-etch e etch-and-rinse (Adebayo, Burrow and Tyas 200 7 ).
Os branqueamentos também alteram a super f ície do esmalte.
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário ”
Patrícia Teixeira Pires 75
Os radicais liv res libertados pelos produtos de branqueamento , como o
peróxido de h idrog énio , são potentes oxidantes. O peróx ido de h idrogénio
actua pela quebra da cadeia polipeptídica e pela destruiçã o d e aminoácidos
que fazem parte do co mponente o rgânico, tornando os radicais h idroxilo os
responsáveis pelo branqueamento dentário (Martinez-Insua et al. 2000).
Alguns autores sugerem que os branqueamentos d anificam a estrutura
do dente e d esminera lizam o esma lte tal como uma lesão de cárie inicial. A
microdureza do esmalte também parece ficar diminu ída após os tratamentos de
branqueamento em consultório ou ambulatório. O ma terial orgânico à volta dos
prismas de esmalt e parece ser m obiliz ado pelos radicais livres de oxigéni o
danificando o esmalte e aumentando a rugosidade (Martinez-Insua et al. 2000).
O branqueamento dentário pode provocar, além da perda mineral, a
redução da s forças de adesão dos m ateriais restauradores ao esmalte, que
pode persistir de 1 dia a 3 semanas após o bran queamento (Adebay o , Burrow
and Tyas 2007 ).
Foi estudada a influência da utilização de adesiv o s self-etch e etch- and -
rinse no e smalte o nde foi realizado um branqueamento com peróxido de
carbamida. O br anqueamento fe z dim inuir as forças de resistência adesiva,
mas esta d iferença só f oi estatisticamente signif icativa p ara o ade siv o self-etch
(Adebayo, Burrow and Tyas 2007 ).
Quando a adesão imediata ao esmalte branqueado é ne cessária alguns
estudos mostram bons resultados quando se proce de à aplicação de ascorbato
de sódio, que é um antioxidant e ou ao uso de catálases, enzima s que lim pam
os radicais de oxig énio (Lai et al. 2002).
O condicionamento ácido do esmalte branqueado resulta na perda da
forma p rismática, dando à su perfície uma aparência de so bre condicionamento
(Martinez-Insua et al. 20 00). Mas, d e f acto, o condicionamento ácido com ácido
fosfórico a 37% tem um pH d e 1 e provoca alterações m orfológicas severas e m
comparação com os agentes bran queadores que apenas induzem alte r açõ es
ligeiras. Em termos d e acide z 30% de peroxido de hidrogénio tem u m pH de 2
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
76 Patrícia Teixeira Pires
e quando a ele é associado perborato de sódio o pH é elevado para 8 (Ernst,
Marroquin and W ill ershausen -Zonnchen 1996).
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário ”
Patrícia Teixeira Pires 77
3. N ov ã s T e cn o l o g i ã s
e m M e d i c in ã D e n t ã r iã
C o n s e r v ã d o r ã
a) L A SER
L ight A mplification by S tim ulated E mission of R ad iation , isto é,
amplificação de luz por emissão estimulada d e radiação, mais conhecido
pelo seu acrónimo LASER, consiste num dispositivo emissor de radiação
contido num complexo óp tico constituído por pequena s lentes, onde e xiste
uma fonte d e energia externa utilizada para promover um a em issão
estimulada d e um comprimento de onda especí fico, capaz de produ zir u m
feixe de radiação monocromática, visível ou não, com feixes lum inosos
coerentes, de raio muito pequeno e por isso altamente d ireccionais,
permitindo obter a lta s densidade s de potência (Coluzzi 2004 b ; Keller 1997 )
(fig. 21).
O LASER , cu jo percursor f oi o “ visible m aser ”, f oi apresentado pela
primeira vez em 1960 po r Maiman depois dos trabalhos pioneiros d e Basov,
Prokhorov e Townes (Be er F. 2006 ). O maser produ zia radiação estimulada
na região de m icroondas e utilizav a m oléculas de amón ia como meio activo,
em vez dos átomos excitados u tiliz ados na tecnologia L ASER. Tow nes e o
seu colega Schawlow m ostraram teoricamente que era possível utilizar
átomos para gerar um Mase r óptico, que f oi denominado LASER, i.e.,
simplesmente um maser que produz isse radiaçã o n a região visível do
espectro electromagnético (luz). Com este trabalho T ownes ganhou o p rémio
Nobel da Física em 1964.
A Lu z ( Light ) é uma forma de energia electromagnética que se
comporta em simultâneo como uma partícula e como uma onda, sendo o
fotão a unidade bá sica de medida. Num átomo, os electrões o cupam nív eis
ou órbita s de energia discretos. Quando o nível e nergético de um á tomo é
alterado, os elect rões movem-se para ci ma ou baixo para o nível o rbital
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
84 Patrícia Teixeira Pires
4- LASER s de Di odo
Os LASERs de d iodo s ão LASERs se mi-condutores. Existem muitas
versões de ste LASER, como os soft- LA SERs que fazem a bioestimulação
tecidual (remoção da dor, aumento da velocidade de cicat riz ação, acupunctu ra
pelo LASER), esteriliz a ção e gengivectomia; ou outras v ersões que
representam uma fonte eficaz de energia óptica pa ra bombearem o utros
LASERs.
P od em ser utilizados na f orma de contacto (corte rápido, vaporização e
redução bacteria na dos tecidos e nvolv entes à estrutura d entária) ou de não -
contacto (coagulação pro fu nda).
5- LASER s de Rubi e ale xandrite
A nível e nergético o LASER d e rubi tem uma emissão e xí gua, enquanto
a alexandrite tem uma ampla sintoniz ação.
Os LASERs de rub i rep resentam um sistema de excitação de 3 n íveis,
precisando de uma excitação do n ív el zero de m ais de 50% de iões LASER .
Um inconveniente destes três n ív eis é o f acto de quando co mparado com um
de 4 níveis, necessitar de uma intensidade inicial muito grande porque uma
grande quantidade de ene rgia é necessária a penas para obter a transparência
do material. A pesar desta desvantagem, estes LASERs tê m comprimentos de
onda ideais e são usados em dentisteria devido à sua co r vermelha. O L ASER
de alexandrite tem a v antagem de ser um LASER de 3 e 4 níveis
simultaneamente (Beer F. 20 06).
6- LASER s de hólmio e hólmio-túlio
O hólmio ( Ho 3+ ) é também um ião raro da terra que pode ser
implementado em h osped eiros como o Nd 3+ se guindo as mesmas
considerações. A mesma ideia será mantida para o Er 3+ . A radiação e mitida é
segura para os olhos (2.1µm) e p ode ser absorvida p elos tecidos duros
dentários, sem interferência d a á gua, aspecto considerado importante na
utilização no esmalte d entário, naturalmente m enos aquoso que a dentina. N o
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário ”
Patrícia Teixeira Pires 85
entanto, clinicamente este LASER apresentou p roblemas relacionado s com o
aumento da temperatura, deixando de ser comercializ ado (Beer F. 2006).
7- LASER s de Nd :YAG
O LASER de neo dímio ba seado no ião raro de Nd 3+ é o L ASER sólido
mais importante. Este ião po de ser incorporad o em dife rentes mate riai s
hospedeiros, sendo o YAG um dos mais importantes. O YAG oferece
propriedades mecânicas e termo-óp ticas fa voráv eis (f ig. 22).
O L ASER de Nd: YAG é um cristal só lido que é estimulado para emitir
num comprimento d e o nda de 1064 nm e que espalha a sua luz por uma á rea
extensa de tecido prov ocando u ma coagulação a uma profundidade de 2 a 6
mm se desejado. O LASER de Eb:YAG emite num compri mento de onda
semelhante (1030 nm).
Figura 22 - Esque m a do LASER Nd:YAG: ba seado no siste ma de 4 ní veis. N -densidade popula cional, E-
energ ia, Pp – bombea mento óptic o, NR-transiçõe s não radioa ctivas.
Em Me dicina este LASER já é usado com sucesso há muito tempo,
tirando partido da sua alta p enetração te cidual e d ispersão. Qu ando utilizado
em densidades energéticas mais e levadas este LASER irá provocar
vaporiz ação, mas deixará te cido coagulado na base da crate ra. Ele é utilizado
na forma de não -contacto ou quando utiliz ados com p ontas de conta ct o
fabricadas de safira, diamante ou quartzo, permitem um corte, vap orização ou
coagulação do tecido com precisão, evitando danos tecidulares excessiv os.
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
86 Patrícia Teixeira Pires
A luz é tran smitida atr avés de líquido s claros, o que p ermite o seu uso
nos olhos ou em outras cavidades preenchidas por água como a bexig a ou o
útero. A sua absorção pelos tecidos não é e specífica d a cor como nos LASER s
de Árgon, mas quanto mais escuro o tecido maior a absorção.
Este LASER é muito menos absorvido pelos tecidos duros e por isso tem
uma elevada penetração. Desta fo rma, o calor p ode ser transportado em
profundidade, não o fazendo indicado para remoção de cáries pe lo perigo para
a polpa (Beer F. 2006).
O L ASER Nd: YAG induz a lterações na morfologia do esma lte ,
alterações essas que são dife rentes e que variam com as diferentes energias
utilizadas. Um estudo recent e (Be dini et a l. 2010 ) te stou essa influência e
verificou que quando eram usa das ene rgias muito e levadas (maiores de 1. 2 W )
eram p roduzidas crateras no esmalte, o que segundo os autores p oderá ser
benéfico para a rete n ção de selantes ou compósitos. Quando se usavam
energias ba ixas (0,6 W ) aumentava-se a protecção contra as cá ries por
diminuição da d esmineraliz ação . O mesmo e studo mostrou que as d iferentes
irradiações usadas não provocavam alterações n a microdureza do esmalte.
A solub ilidade ácida é m aior para a apatite carbo natada e m enor para a
hidroxiapatite ou ainda menor para a fluorapatite. Durante a irradiação a fa se
mineral do esmalte altera -se pelo aquecimen to levando à pe rda de ca rbonatos.
A remoção completa do conteúdo de carbonatos depende da profundidade de
absorção e da intensidade do pulso (Bedini et al. 2010 ).
8- LASER s da fam íli a Érbio
Foram desenvolvidos dois tipos de LASER da família é rbio, com
diferentes compriment os de onda: o E r:YAG com comprimento de onda de 2,94
μm e o Er,Cr:YSGG com com primento de o nda de 2 ,78 μ m, que embora
apresentem esta diferença têm efeitos muito semelhantes (Coluzzi 2004 a ;
Convissar 200 4a) (f ig. 23). Ambos têm uma alta ab sorção pe la á gua e um a a lt a
afinidade para a hidroxiapa tite. Uma vez que a água está p resente em todos os
tecidos biológicos, uma in teracção eficiente e a deposição de uma energia
óptica densa está garantida. A energia emitida pelo LASER liga-se ao grupo
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário ”
Patrícia Teixeira Pires 87
hidroxil dos cristais d e hidroxiapatite e à s molécu las de água à sua v olta
(Featherstone, 2001). Os LASE Rs da família érbio são a bsorv idos pelo
colagénio, pela hidroxiapatite e pela água, o que permite que cortem te cido s
moles, estrut ura d entária e osso. Podem ser utilizados n o m odo de conta cto ou
de não-contacto (Ab st en and Joffe 1989 ; Adam s and Pang 2004 ) .
Figura 23 - Porção do espectro el ectromagnét ico mostrando o s comprimen tos de onda u t ilizados pelos
diferentes LASERs, inclusiva m ent e os LASERs de Érbio (Er :YAG e Er,Cr:YSG G) , na pre paração dent ária (adaptado de
Coluzz i 2004).
No ca so de LASERs de Érbio ( Er ) cristalinos, os cristais hospedeiros são
o YAG, YALO, YSGG ou YLF. Norm almente cerca de 50 % dos iões Y, do YAG
são substituídos po r iões Er. O pulso energético varia de 10 a 100 mJ. Quando
são necessárias energias maiores usam -se ampli ficadores.
Graças à elevada velocidade de ablação, ao sp ray de á gua e à curta
duração do pulso, a quantidade de calor tran smitido para os tecidos
circundantes é m íni ma (Freiberg and Cozean 2002 ). Outra conside ração
importante é qu e quando a energia aumenta, a pressão e a v elocidade do
material e jectado a umenta, o que resu lta num im pacto ainda maior no sítio alvo
(van As 20 04 ). Uma caract erística de todos os L ASERs de érbio é o so m “ pop ”
quando o LASER e stá a interagir com os t ecidos de ntários. Este som resulta de
uma onda de choque rápida que é criada q uando uma energia LASER se
dissipa de fo rma explosiva (f ig. 24 ). Este som “ pop ” é designado por efeito
fotoacústico. O pico e a ressonância variam c onsoante haja ou não cárie
presente (Clark et al. 2001 ; W a lsh 2003 ) . Este efeito fotoacústico é
característico de uma duração de pu lso curta (100 -250 microssegundos) e de
uma alta densidade energética (Clark et a l. 2001 ; Gimbe l 2000 ; W alsh 2003) .
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
88 Patrícia Teixeira Pires
Figura 24 - Indu ção da ablação pela água. O LASER e m contac to com a e s trutura dent ária leva à formação
de u ma onda de c hoque rá pida, pr ovocada pela di minuição da en ergia de u ma forma exp losiva.
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário ”
Patrícia Teixeira Pires 89
Todos o s LASERs de érbio têm a capacidade de permitir ajustar a
intensidade de e nergia, adequando -a às necessidade s d o tratamento. As
energias m ais elevadas são necessárias para provocar ab lação no esmalte,
enquanto as ma is baix as pa ra ablação n a dentina, te cido cariado e te cidos
moles. Quanto ma is alta a percentagem de água no tecido alvo, menor é a
energia necessária para provocar a ablação do mesmo.
A ab lação térmica é definida como a energia emitida po r um L ASER que
é a plicada num te cido/ mate rial a través de um p rocesso de absorção que leva
a um au mento da te mpe r atura. Qu ando se a tinge uma det erminada
temperatura pode o co rrer uma su blimação, vaporização ou fu são d o material
irradiado permitindo a su a remoçã o. Dep endendo do material, ou ante s, dos
seus constituintes biológicos, diferentes comprimentos de trabalho e diferentes
tipos de LASER estão mais indicados (Bee r F. 2006).
O processo de abl ação pulsada causado pelo LASER de Er:YAG e
Er,Cr:YSGG na ordem dos 3 µm tem a água como principal m eio de a bsorção.
Quando o LASER irradia o esmalte e a dentina, a á gua presente nestes tecidos
é a quecida rapidamente a té ao ponto de e bulição, então a água é vapori zada
quase instantaneamente, p roporcionan do um aumento do volume. Quando
esta expansão v olumétrica ultra passa o limite de resistência dos cristais de
hidroxiapatite que constituem o te cido dentário, o corre uma micro -ex plosão que
leva à decomposição mecânic a do tecido e à difu são das pe quen as partículas
geradas (fragmentação). Este processo inicia-se logo que o LASER incide
sobre a estrutura dentária e dura até que os nív e is e nergéticos ba ixem. A
velocidade de ablação é de tal fo rma rápida que pouca en ergia té rmica é
transferida aos tecidos adjacente s (Coluzz i 2 00 4b ; Rechmann 2004 ; Seth 2004 ;
van As 2004).
Vários facto res físicos (tab ela 5 ) afectam a ef iciência e a qualidade de
ablação e podem dividir -se em: (1) Factores dep endentes do material e (2)
Propriedades d a luz LASER . Apenas podemos influenciar os últimos, uma vez
que as propriedades do material estão depen dentes da natureza.
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
90 Patrícia Teixeira Pires
Tabela 5 - Factore s físicos que influenciam a ablação pela radiação laser .
Propriedades biológica s
Pr opriedades da luz LASE R
- Coeficiente de absorçã o
- Comprimen to de onda
- Reflectiv idade do tecido
- Energia do pulso
- Capacidade de
aquecimento
- Duração do pulso
- Capacidade de absorç ão do
calor
- Forma do pul so
- Distribui ção da água dentro
do tecido
- Desenho espacial do fe ixe
O coeficiente de absorção de screve a quantidade de radiação que é
absorvida; a reflectividade o quanto é que a intensi dade é re flectida; a
capacidade de aquecimento a quantidade de en e rgia necessária para aquecer;
a difusão termal a capacidade do m aterial para a condução té rmica. A
distribuição da á gua é im portantíssima para a eficiência da ab laç ão uma vez
que este é o constituinte primordial de absorção.
Idealmente o tecido dev e ser rapidamen te aquecido e isso requer um
pu lso de energia grande. No entanto, e ste está dependente do tamanho e da
capacidade de aquecimento d o tecido que vai se r irradiado . A duração d o pulso
também é importante pois influencia a capa cidade de distribuição de calor no
dente, o c alor tende a f luir para os tecidos adjace ntes ma is f rios. Esta
distribuição deve ser a menor possí vel pa ra proteger a polpa e os tecidos
adjacentes. Para uma maior eficiência do p ulso de energia, a área atingida
deve se r m uito pequena para provocar a m áxima expansão da água dos
tecidos. A ab l ação ideal requer uma energia mínima e p ulsos muito curtos. Esta
área atingida de pende do comprimento de absorção do tecido den tário. O
esmalte saudável tem 12% de volume de água e a dentina 4 4%. No tecido
cariado aumenta o volume de água . O esmalte necessita de um pulso de
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário ”
Patrícia Teixeira Pires 91
energia supe rior. A água deve sempre ser usada pois permite que não exista
aquecimento, o que por um lado p rotege os tecido s e p or outro aumenta , como
vimos, a cap acidade de ab lação da estrutura irradiad a e rep õe a abso rção para
os valores iniciais. Para uma rápida vaporização da água e ba ixa penetraçã o
em prof undidade do calor, devem ser usada s extremidades íngremes. Quanto
mais íngreme, m ais acentuado é o aumento da te mperatura e mais e ficiente é
a ablação (Beer F. 20 06) (fig. 25 ) .
(a)
(b)
Figura 25 - For ma do pulso do LASER de (a) Er:YAG e (b) Er, Cr:Y SGG. A i magem inferior re presenta a
melhor solu ção. O LASER de Er:Y AG apresen ta um fra co pico inic ial, se m nenhuma ab lação ex em plar a ser a tingida ,
ao contrário do LASER de Er, Cr: YSGG que apresen ta uma ex t remidade íngreme (Beer F. 20 06).
Existem aind a mais dois m ecanismos de ablação: através do L ASER de
excí mero e através da aplicação de pulsos de LAS ER ultra-peq uenos. Os
primeiros não se usam, porque t êm f raca capacidade de ab lação e ba ixa ta x a
de repetição de pulsos. A ablação com p ulsos na ordem dos picosegundos ou
fem-segundos está em desenvolv im ento e parece ser promissora (Beer F.
2006).
II. I n t e r e s s e e u t i l i z a ç ã o n a r e m o ç ã o d e t e c i d o s d u r o s
Stern e Sognnaes ex perimen taram o L ASER de rub i em 1964 n a
ablação do s tecidos dentários du ros, no entanto, sem sucesso, devido ao
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
92 Patrícia Teixeira Pires
sobre-aquecimento dos tecido s (Gordon 1967 ). Resultados semelhante s f oram
observados em 1965 com os LASERs de CO 2 e Nd:YAG. O LASER de hólmio
também m ostrou efeitos similares. Em todos e stes sistemas, f oram o bserv ados
massivos efeitos se cundários tais como da nos pulpares, fissuras e
carbonização das e struturas. Desta forma, estes LA SERs f oram aba ndonados
para este efeito. Uma das explicações para es tes resultados negativos prend e -
se com os comprimentos de onda utilizados. O LASER d e rubi e Nd:YAG têm
uma penetração profunda lev ando o aquecimento até à polpa.
Tornara-se, a ssi m, o brig atório o dese nvolv imento de L ASERs com uma
radiação de baix a p enetração, como o s LASERs da f amília Érbio . Os L ASER s
da família érbio têm a capacidade de p r eparar o esmalte , a dentina, remover
cáries, cimento e osso, pa r a além de poderem cortar tecidos moles. Nos
últimos anos novas técnicas de ablaçã o têm surg ido, nomeadame nte com o
uso de parâmetros de irradiação mais ba ix o s e p ulsos de baix a d uração,
diminuindo os efeitos mecânicos e térmicos (Kohns, Zhou and Stormann 1997 ).
O comprimento de onda d o LASER de Er:YAG apresenta uma tax a de
absorção na hidroxiapatite cerca de 20 % superior ao LASER de Er:Cr:YSGG, a
absorção n a á gua deste último é também inferi or na ordem dos 5 0%. Também
foi co nstatado que a remoção de dentina pelo LASE R de Er:YAG é m uito mais
rápida, acarretando simulta neamente um menor aumento da temperatura da
polpa. A necessidade de aneste sia du rante os p rocedimento s operatórios
utilizando o L ASER de Er:YAG é de 2% a 10% dos procedimentos, o m esmo já
não é v erdade para os casos em que se utiliza o LASER d e Er:Cr:YSGG em
que esta percentagem aumenta (Coluzz i 2 000 ; Convissar 2004b).
A ca pacidade de absorção da água previne o aquecimento du rante a
ablação: uma vez que a á gua a bsorv e melhor a radiação que o tecido duro
den tário, a e lev a ção da tem peratura no tecid o é insignif icante. A água atinge a
sua temperatu ra d e e bulição e p rovoca microexplosões no d ente . Uma vez que
a explosão ocorre na água, chama -se a este método ablação induzida pela
água. Como existe sempr e alguma condução térmica, torna -se necessário
utilizar um sp ray de á gua para arrefecer o den te evitando , desta forma, a
agressão pulpar.
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário ”
Patrícia Teixeira Pires 93
Estudos mostram que é possível elimina r o passo d e condicionamento
com ácido f osfórico se se utilizar o LASER de Er:YAG com uma duração de
pulso ideal. É sabido que quanto m enor a duração do pulso mais ef ectiv a se rá
a a blação e menos dano térmico se rá induzido. Um estudo de mo nstrou ainda
que maiores durações de p ulso causaram m enores forças de resistência
adesiva para todo s os es pécime s irradiadas com LASER. Pulsos p equenos
geram a energia mais rapidamente e, con sequentemente, menos energia é
transformada em calo r o q ue resulta numa melhor ablação e me nor dano
térmico é induzido ao tecido dentário (Krmek et al. 2010) . Resulta dos de
estudos diferentes mostram que o su ces so do tratamento es tá também
dependente do o perador e do mod o como se u tiliz a o L ASER (Firat, Gu rgan
and Gutknecht 2012 ) .
LASER vs Preparação mecânica
Black postulou a nece ssidade d a extensã o preventiva nos prepa ros
cavitários, no entanto , e ste conceito já foi abandonado e hoje e m dia procura -
se f azer um a dentisteria m inimamente invasiv a com cavidades cuja extensão
se limite ao tecido cariado , p revenindo a remo ção de tecido sã o. Est e
pressuposto apenas pode ser plen amente conse guido com o recurso a
materiais adesiv os eficaz e s e a técnicas que permitam o bter uma preparação
conservadora com a remoção selectiva do tecido afectado.
Apesar d a utiliz ação de tu rbinas d e alta rotaç ã o que permitem a ablação
da e strutura d entária de uma forma rápida e indolor há mais de 30 ano s, surgiu
um método mais preciso e minimamente invasiv o para a preparação cavitári a.
As turbinas embora tenham menos vibração e uma saída de água
eficiente p rovocam inc ómodo p ois a pressão, a temperatura e a vibração nunca
conseguem ser to talmente evitadas e muitas vezes é n ecessário proce der -se a
uma té cnica anestésica a ntes da preparação cavitária. Um a vanta gem do uso
de instrumentos de corte rota tivos é o facto de se conseguir, graças a uma
grande oferta comercial de tipos diferentes de b rocas, preparar cavidades com
uma forma e geometria m uito específicas, além de pe rmitir ao médico-de ntista
ter uma percepção táctil durante o p reparo. Apesar destas vantagens, os
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
100 Patrícia Teixeira Pires
Um outro estudo v e rif icou ta mbém que a ca pacidade de a blação , a
obtenção de um padrão de d esmineralização semelhante à do ácid o fosfórico e
a obtenção de valores de resistência semelhantes e ntre o LASER e o
condicionamento ácido e stá dependente da potência utilizada. Verific ou -se,
assim, que com uma potência ideal o cond icionamento com LASE R é
sobreponível ao condicionamento com ácido fosfórico (Basaran et al. 2011) (f ig.
28 ), tendo outros estudos chegado aos mesmos resultados (Basaran et al.
2007).
(A)
(B)
Fig ura 28 - Imagens da superfície do esmalte ob tidas com á cido fo sfórico durante 15 s egundo s (A) e com u m
condiciona mento co m LASER de Er,Cr :YSGG co m 1,5 W (B). U m padr ão de des m ineraliz ação t ipo I po de ser
observa do nas dua s imagens, co m uma superfí cie irregu lar (Basar an et al. 2011).
A ade são aos tecidos du ros preparados com LASER com ad esivos se lf-
etch é conseguida através dos monómeros acídicos de me tacrilato. Estes
monómeros contêm um ou mais grupos funcionais e têm relat ivamente ba ixos
pKa (constantes de dissociação ácidas). A água é necessária pa ra dissociar
estes ácidos f racos em f ormas ionizadas para permeabilização da smear layer
e das estrut uras intactas subjacentes. O HEMA é usualm ente incorporado
como solvente de transição, uma vez que a m aioria dos m onómeros acídicos
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário ”
Patrícia Teixeira Pires 101
são só me diamente solúv eis em água. Apesar do grau de a gres sividade do s
adesivos self-etch estar relacionada com o seu pKa, as diferenças na
quantidade de água no adesiv o ou substr ato podem influenciar a dissociação
do ácido, criando uma variação na quantidade dos monómeros ion izados
(Souza-Zaroni e t a l. 2008 ). Este f acto possibilita uma explicação para a s b aixas
forças de resistência adesiva , com este s adesiv os, por vezes encon tradas no
esmalte, tecido pouco rico em água.
Numerosos estudo s investigaram as forças ade sivas e a inf iltração
marginal de cavidades p reparadas com LASER nos últimos anos, c om
diferentes resultados. As inconsistências no s resu ltados podem s er devidas a
diferentes pa râmetros u tiliz ados no L ASER ou a di ferentes sistemas adesivos
testados. Para o nosso benefício , alguns métod os mais a vanç ados e stão a ser
desenvolvidos, como o “ square p ulse technology ” que permite o controlo
electrónico da d uração e amplitude do pulso utilizado. No q ue diz resp eito à
med ição da microinfiltração, o ideal seria poder extrair a restauraçã o para
estudar a infiltração na sua forma física plena (Krme k et al. 2010) .
III. R e s i s t ê n c i a a d e s i v a n a s c a v i d a d e s p r e p a r a d a s c o m L A S E R
O padrão retentivo do LASER leva a pensar n uma possív e l optimizaçã o
das fo rças de resistência a desiva, no entanto, existe ainda muita controvérsia
acerca deste tópico (Karaarslan et al. 2012 ). Uma razão poderá ser a falta de
padronização destes e studos ou então o tipo de compósito utili zado ou a
técnica de restau r ação realizada. A potência do LASER pode também originar
diferentes resultados (Obeidi et al. 2005).
A escolha dos p arâmetros do LA SER a usar depende do fabricante. A
frequência pode variar entre 2 e 20Hz e os pulsos de energia de 50 a 1000mJ.
Em geral pode apenas dizer-se que o esmalte irá necessitar de maior energia
para a ablação de tecido. Se a superfície só p recisa de ser limpa ou tornada
áspera a potência pode se r reduzida para metade ou um terço (Beer F. 2006 ).
Um e studo que uso u o L ASER de Er,Cr:YSGG verificou que quando se
utilizava o L ASER com uma potências de 1W , se obtinha u ma superfície pouco
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
102 Patrícia Teixeira Pires
regular e com m enores fo rças de resistência ad esiva a o esmalte relat ivamente
à utilização d o ácido fosfórico. Mas, quando a potência era de 2 W os
resultados d as forças de resistê ncia adesiva eram semelhante s ao uso de
ácido fo sfórico (p <0.05), emb ora o desvio padrão fosse muito elevado no
grupo do LASER (Usumez, Orha n a nd Usumez 20 02 ). Da mesma fo rma K won
et al e ncontraram diferenças estatisticamente significativas en tre o uso do
LASER com potência s de 3,5 W e 2,5 W , tendo a potênci a superior originado
padrões de d esmineraliz ação m ais a prox imados daqueles obtidos pelo
condicionamento com ácido fosfórico (Kwon et al. 2003).
Um e studo recente procurou avaliar a influência da distância de
irradiação nas f orças adesivas, concluindo que as forças adesivas eram
ma iores com o aumento da distân cia ao tecido alv o u ma vez que também
aumentava a densidade energética (Chimello-Sousa et al. 2006 ). Na rea lidade ,
as forças de resistência adesiva obtidas pelo L ASER de Er:YAG com uma
distância de irradiaçã o de 1 ou 2 m m foram semelhantes às ob tidas pelo
condicionamento ácido. O me smo se passou p ara irradia ções com a distância
de 1mm com o LASER de Cr:YSGG (Ba saran, Hamamci and Akkurt 2011).
Outra característica que pode influenciar o desempenho tem a ver com o
diâmetro d a ponta activa do LASER, o que de fa cto mostra que a comparação
dos diferentes estudos nem sempre é linear.
Nas cavidades preparadas com LASER para além da poupança de
tempo ser evidente, verificou -se também que estas p roduziam fo rças de
resistência adesiva su periores ao condicionamento ácido isolado ou e m
combinação com o LASER antes o u após a irradiação, considerando o LASER
uma a lternativ a eficaz ao ácido f osfórico. Ao MEV visualizaram -se p adrões tipo
III no esmalte preparado com ácido se guido ou não da aplicação do LA SER .
Nas micrografias do esmalte condicionad o com LASER é possív e l visualizar-se
microfissuras e um padrão de ablação mais irregular do que o obtido com o
condicionamento ácido (Lan 2003).
Num estudo d e Moritz (Moritz et a l. 19 96), foram comparados três tipos
de LASER diferentes com o condicionamento á cido. Verificou-se que o LA SER
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário ”
Patrícia Teixeira Pires 103
de Er-YAG ob tev e resultados iguais ou m elhores d o qu e a técn ica do
condicionamento ácido. Por outro lado, num outro estudo que utilizou o LASER
de Er,Cr:YSGG os resultados obtidos com o condicionamento ácido foram
melhores relativamente aos o btidos com este LASER em termos de resistência
adesiva (Usumez, Orhan and Usumez 2002 ). Resultados sim il ares f oram
obtidos por De Munck et al. (De Munck et al. 2002).
Em relação à d esmineralização, vários e studos exibem padrões de
desmineralização semelhantes entre o LASER e o ácido fosfórico . No entanto,
outros e studos mostram que quando se utiliza o á cido fosfórico é criado um
padrão de favo d e m el e forças de resistência adesivas superiores
relativamente ao condicionamento com o LASER , que se apresenta co m
padrões em forma de bolhas de sabã o (Gosw a mi and S ingh 2011).
Alguns e studos de r esistência adesiv a verificaram que a resistência
adesiva era superior quand o nã o se associava a o L ASER mais nenhum
condicionamento. Dundar (Dundar and Guzel 2 011 ) verificou que as forças de
resistência adesiva eram men ores quando o ácido era u tilizado após a
irradiação LASER. Quando este era utilizado ante s da irradiação as forças
eram melhores e comparáveis com o u so do L ASER sem mais nenhum
condicionamento, no entanto, esta s diferenças não f oram estatisticamente
significativas.
Outros e studos compararam as forças de resistência adesiva d e
restaurações a compósito n o esmalte e na den tina cujas cav idades ou f oram
preparadas com o LASER ou com o m étodo tra dicional (brocas) e
condicionamento ácido e verificaram que o tempo d e condicionamento parece
afectar as f orças de resistên cia adesiva a o esma lte p repara do com L ASER.
Quando se compara os resultados do condicionamento do esmalte com ácido
fosfórico a 37% durante 20, 40 ou 60 se gund os, o tempo ideal parece m ser os
40 segundos (Obeidi e t al. 2010).
Verificou-se , assim, que em alguns estudos, o L ASER produz fo rças de
resistência adesiva ao esmalte superiores ao condicion amento com ácido
indicando-o como ef icaz como co ndicionador (Dunda r and Guzel 2011 ; Lee et
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
104 Patrícia Teixeira Pires
al. 2003a) . No e ntanto, outros autores n ão o recomenda m como alt ernativa
viável ao condicionamento ácido (Ariyaratnam e t al. 1997 ) . E outros encontram
resultados semelhantes entre o condicionamento com L ASER de Er:YAG (a 1
ou 2 W durante 15 segundos) e o condicionamento com ácido fo sfórico
(Basaran et a l. 2007), mostrando que a utilização do LASER como
condicionador no e sm alte pa rece obter fo rç as de resistência adesiva sim ilares
às obtidas com o ácido fosfórico (Absten and Joffe 1989) .
Um outro estudo (Staninec e t al. 2003 ) partiu do p rossuposto que a
formação do f osfato de cá lcio dificulta a ade são e que a água sobre a
superfície do dente pode ria prevenir a formação de stes f osfato s. Os autores
concluíram que quando a superfície está molh ad a com água, o
condicionamento ácido não é ne cessário p ara atingir melho res forças de
resistência adesiva n o esmalte preparado com LASER.
Em relação às po ssív eis m udanças na comp osição dos tecidos d uros
dentários irradiados com LA SER e a lterações na m icro-durez a a inda existem
poucos e studos. Hossain et al. (Hossain et al. 20 03a) realizaram um estudo em
dentina preparada com LASER em co mparação com a prepa raçã o da cavidade
com o u so de brocas e veri ficara m que não existiram a lteraçõ es na proporção
Ca/P e no valor de Knoop. Um estudo posterior mostrou, no e ntant o, existirem
alterações de crist alinidade, solubilidade e permeabilidade do esmalte que
podem levar ao ef eito preventivo na cárie dentária, através da dim inuição de
carbonatos e alteração da matéria orgânica (De Moor and De lme 2 010 ).
Num estudo de Cardoso (Cardoso e t al. 2008) ond e fo ram comparadas
forças de resistência ade siva entre o e smalte p reparado com broca s e co m
LASER, obtiveram -se resultados m elhores para o esmalte preparado com
brocas, e xcepto pa ra u m adesivo self -etch que teve valores i guais nos do is
tipos de superfície. Isto perm ite-no s concluir que a ef icácia das f orças de
resistência adesiva dep ende das alterações provocada s p elo LASER, ma s
também das características próprias e espec íficas do adesiv o utilizado .
Na realidad e, parece ser im portante respeitar os p rotocolos de cada
adesivo, independentemente do uso do condicionamento com L AS ER. Embora
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário ”
Patrícia Teixeira Pires 105
alguns estudos refiram que as f orças de resistência adesiva e a microinf iltração
são negativamente influenciadas pelo p ré-condicionamento com L ASER, a
discussão c aminha no se ntido de s e procurar a fo rma de atingir melho res
resultados de adesão quando se usa o LASER de Er:YAG (De Moor and De lm e
2010).
Uma vez que alguns estudos reportam menores fo rças de resistência
adesiva em cavidades prepa radas com LASER quando comparadas com
cavidades preparadas com brocas, m as em contra partida testemunham
superfícies com padrões si milares aos obtidos pe lo condicionamento com ácido
fosfórico, levantou -se a questão se a pós o uso do LASER se utilizasse um
escavador de dentin a ou um ataq ue ácido de 40 se gundos pa ra alterar a
composição química do esmalte irradiad o seria ou não uma m ais -valia, tendo -
se verificado que sim, embora o resultado fosse mais evidente em dentina
(Obeidi et al. 2 009). Dest a f orma, n a preparação d a superfície do dente com
LASER, pa r a se obterem resultados de f orça de resistência adesiva ao esmalte
semelhantes às que se obtém quando o esm alte é pre parado com brocas,
deve-se m odificar os sistemas ad esivos ou a su per fície ader ente antes da
aplicação do sistema adesivo (Eguro et al. 2001 ; Obeidi et al. 2009) .
Relativamente ao tipo de adesivo, os adesiv os self-etch parecem ter
piores resultados comparativamente com o s adesivos etch-and-rinse dev ido à
ausência de smear layer nas cavidade s p rep aradas com o LASER, que parece
ser necessário para a união quí mica do s ade sivos.
O esmalte s ubmetido a branqueamento e irradiado com LASER Er:YAG
parece não alterar as forças de m icrotracção quando comparado com o
esmalte não branqueado irradiado com LASER quando se utiliza u m ade sivo
etch-and-rinse (Leonetti Edos et al. 2011 ) .
Outro estudo refere que a restauração de dentes branqueado s com
LASER no im ediato ou após 15 dias é igual, independente da concentração d o
peróxido de carbamid a ser 16 ou 30%. Os resu ltados de SB S foram ma iores
nas restaurações realiz adas com um ade sivo etch-and-rinse (ExciTE) do que
um adesivo self -etch de 2 -passos (AdheSE ) (Gurgan et al. 2 009). A utilização
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
106 Patrícia Teixeira Pires
do LASER após 24h d o b ranqueamento parece a umentar a eficácia adesiva
dos materiais quand o associado à poste rior aplicação de ácido fosfórico a 35%
(Lago, de Freitas and Netto 2011).
I V . M i c r o i n f i l t r a ç ã o n a s c a v i d a d e s p r e p a r a d a s c o m L A S E R
Inúmeros autores têm-se preo cup ado em estu dar o se lamento d as
restaurações e têm sido e ncontrados di ferentes resultados.
Um e studo de m icroin filtração marginal an alisou cavidades realizadas
com LASER Er:YAG e cavidades prepa radas com turbina encontrando
resultados similares tanto em esmalte como e m dentina (Bertrand et a l. 2006 ;
Karaarslan et a l. 2012 ; Sh igetani et al. 20 02 ) . Quando se usa o M EV p ara
avaliar a microinfiltração nas su perfícies preparadas c om LA SE R , LASER +
ácido e méto dos convencionais, têm sido obtido s resultados semelhantes nos
dois grupos que utilizam o LASER , enquanto o s espécimes tratados pelo
método conv encional (preparação mecânica) a presentam maiores valores de
microinfiltração (Gon zalez Bahillo e t al. 2002 ; Matsumoto et al. 20 02).
No entanto, outros estudos mostram que o selamento marginal nã o é
eficaz quando se utiliza o LASER, chegando mesmo a reco mendar o
condicionamento ácido da s cavidades preparadas com LA SER (Arme ngol et al.
2002 ; Corona et al. 2003 ). Outros estudos mostraram também que a
microinfiltração de cla sses V na margem oclusal (em esmalte) é maior nas
cavidades preparadas co m LASER (Ozel et al. 2009 ; Ozer, Ba sar a n and Be rk
2008) .
Um ou tro estudo (Moldes et al. 2009 ) mo strou que não existiam
diferenças es tatisticamente signif icativas quando s e utilizava o LASER o u as
brocas para o preparo ca vitári o, indepe n dentemente do uso de a desiv os self-
etch ou etch- and -rinse no esmalte. Resultados semelhantes foram obtidos por
Setien para a microinfiltração (Setien et a l. 2001 ). Curi osamente, nos preparos
realizados com LASER, os adesivos self -etch o btiv eram menor microinfiltração
que o grupo que utilizou a técnica do condicionamento total n a dentina ,
enquanto no s preparos com as broca s os resu ltados foram seme lhantes pa ra
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário ”
Patrícia Teixeira Pires 107
todos os tipos de adesivos. Este estudo tam bém apresentou resulta dos
semelhantes e ntre o p reparo com L ASER de Er:YAG e o LASER de
Er,Cr:YSGG.
Num e studo de Youss ef, para a avaliação da microinfiltração, co ncluiu-
se que não existiam diferença s estatisticamente significativas entre o LASER e
as b rocas na preparação do esm alte, de sde que o condicionamento ácido com
ácido fo sfórico fosse realiz ado. O tratamento apenas com LASER revelou
ma ior microinfiltração e m e smalte (Yoshina ri et al. 2006 ). Quando se comparou
a u tiliz ação do LASER como condicionador em detrimento do condicionamento
com ácido fosfórico, verificou -se que o L ASER não prescindia d este passo
quando se avaliava a microinfiltração m arginal em diferentes estudos (Lupi-
Pegurier et al. 2007 ; Sha habi, Bagheri and Rama zani 2012 ; Yazici, Frentzen
and Dayangac 2001 ). Mas o momento d a aplicação do áci do f osfórico ante s ou
apó s a irradiação do esmalte pelo L AS ER também po de inf luenciar os
resultados.
A microinfiltração entre o adesivo e o e smalte potencia a penetração de
bactérias e consequente desmineralização do esmalte (Hamamci , A kkurt and
Basaran 2010 ). Hamamci com parou o tip o de preparação do e smalte tendo
utilizado o s L ASERs Er:Y AG e Er,Cr:YSGG que criaram padrões heterogéneos
e incertos quando comparados com o ácido ou com o se lf-etch ing primer. Não
existiram d iferenças significativas no s valor es de m icroinfiltração no esmalt e
preparado com os dois tip os de LASER e com o self-etch ing primer. A
microinfiltração foi m aior co m os L ASERs d o que com a broca , o que pode ter
sido devido a os ou tputs e à superfície he terogénea criada, produzindo zonas
de espessura de adesiv o dif erentes.
Alguns estudos demonstram que os valores de resistência adesiva estã o
dependentes das características ine rentes ao próprio ad esivo,
independentemente de serem do tipo etch- and -rinse o u self-etch (Cardoso et
al. 2008 ; De Moor and Delme 2010 ). O mesmo se verific a para os estudos de
microinfiltração em que dife rentes adesivos têm comportamento s dife rentes
quando o LASER é utiliz ad o (Oda , Zarate-Pereira and Matson 2001).
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
108 Patrícia Teixeira Pires
Num estudo recente a menor m icroinfiltração in vitro , foi a do grupo em
que as cavidades fo ram preparadas com LASER d e Er:YAG e condicionament o
ácido, se guida do grupo com as restaurações cujas cavidade s foram
preparadas com brocas e ap licação do ácido e p or f im o grupo e m que as
cavidades foram apenas irradiadas com LASER (Krmek et al. 2010 ) . Nas
cavidades preparadas co m LASER parece e xistir m aior microinfiltração nas
margens de dentina do que n as margens em esmalte , embora com o u so da
técnica do e tch- and -ri n se não tenham existido quais quer ca sos de infiltração
nos dois tipos de estrutura dentária (Palma Dibb et al. 2002).
Na ap licação de selant es de f issura não existiram d iferenç as nos valores
de microinfiltração entre o s dentes condicionados com LA SER de Er:Yag e a
utilização do condicionamento com ácido fo sfórico e a utilização de a desivos
self-etch (Cehreli, Gungor and Karabulut 2006 ; Moshonov et al. 200 5 ) . Este
facto pode ocorrer p elo fa cto da retenção de selantes ser m aioritariamente
mecânica, pois a interacção quím ica entre a resina e o esmalte condicionado é
pequena. Os selantes parecem também não necessitar de nenhu ma
preparação mecânica, se ja com LASER ou b rocas, antes da sua aplicaçã o
(Francescut and Lussi 2006).
No en tanto, um estudo mostrou que o uso de ste ti po de LASER não foi
capaz de eliminar a necessidade do uso de ácido fosfórico no esmalte para a
retenção de selantes. Ou se ja, o LASER po de ser eficazmente usa do p ara
condicionar o esmalte desde que associado a o cond icionamento com ácido
fosfórico (Lupi-Pegurier et al. 2007) .
Como foi p r eviamente visto, e stas diferenças na microinfiltração podem
ter o corrido devido ao m étodo de irradiação utilizado . No estudo de Moshonov,
por e xemplo foi u sado um LASER de Er:Yag com 800 mJ e 12 Hz. No e studo
de Lupi-Pegurier foi utiliz a do um LAS ER de Er:Y a g com 250 mJ e 4 Hz .
Um ou tro estudo interessante que avaliou três parâmetros diferentes
mostrou que morfolog icamente as cavidades preparadas c om LASER de
Er:YAG apresentavam uma superfície irregular com ausência de sm ear layer e
com prisma s de esmalte visíveis. A rugosidade de superfície era ma ior com o
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário ”
Patrícia Teixeira Pires 109
LASER e a microinf iltração foi semelhante entre o esmalte preparado com
brocas ou com LASER. Estes resultad os parecem demonstrar que as
cavidades preparadas com LASER podem facilitar a adaptação do compósito
devido ao aumento da rugosida de e do número de túbulos dentinários abe rtos
(Hossain et al. 2003b)
b) Ozono
O o zono (O 3 ) é um gás f ormado por três átomos de oxigénio com uma
estrutura cí clica, azul-escu ro, acre, venoso e com u m odor distinto. Ele existe
na composição do a r numa concentração de 0.01 -0.04 ppm (composição média
do ar seco de u m ambiente não pol uído) e apesar de es tar presente em
reduzida quantidade, os seus efeitos estão longe de ser negligenciáveis. Na
troposfera (estrato da a tmosfera, de sde a superfície até a os 1 0 Km de altitude),
o ozono e m elevadas co ncentrações pode exercer um efeito tóxico no s
animais, originando prob lemas respiratórios, irritação ocular e um ef eito
corrosivo em diversos materiais. Con tudo, este gás acumula -se,
principalmente, numa camada com cerca de 15 Km de espessura, na
estratosfera (estrato co mpreendido entre os 10 e os 5 0 Km de altitude),
desig nada “camada do ozono” (Fig. 29). É aqui que ele desempenha o papel
de um escudo p rotector, de f iltro a favor da vida, ao a bsorv er grande pa rte
(mais de 95%) das radiações ultravioleta (Tavares 2002 ).
Figura 29 - Atmos fera terres tre.
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
212 Patrícia Teixeira Pires
3. D e s m i n e rãl i z ã ç ã o
Foram avaliados 50 dentes (tabela 19) distribuídos em dois grupos de
preparação superficial e em 5 grupos de sistemas adesivos. Tendo -se obtido
uma distribuição igual em todos o s grupos e onde, somente, 10% d os dentes
analisados obtiveram o nív el mínimo de desmineralização.
Tabela 19 - Frequência e percentagem de casos válidos a valiados.
Frequency
Percent
Valid Percent
Cumulative
Percent
Valid
Sem definição dos prismas
5
10,0
10,0
10,0
Alguma definição
18
36,0
36,0
46,0
Boa definição
27
54,0
54,0
100,0
Total
50
100,0
100,0
A desmineralização fo i medid a em três pon tos distintos de cada
espécime, tendo -se obtido uma reprodutibilid ade (alfa – Cronbach) de 100%.
Pretendeu -se avaliar, também, a existência de relação entre o grau d e
desmineralização, medido em 3 níveis: 1. sem definição, 2. alguma definição e
3. boa definição e os tipos de p reparação sup erficial, o s tipos de a desiv o e
entre as diferentes combinações de preparação e adesiv os.
Assim, pode -se afirmar a existência de diferenças e statisticament e
significativas (Te ste U Mann - W hitney) entre os tipo s d e preparação ( p <0 ,05),
com as preparações a LASER a apresentar, em méd ia, m aiores nív eis de
desmineralização ( f ig. 97 ). Pelo contrário, o n ív el mais b aixo de
desmineralização teve lugar, ap enas, nos dent es preparados mecanicamente,
apesar de aproximadamente 40% dos de ntes desm ineraliz ados classif icados
com boa definição terem ocorrido com este tratamento.
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
Patrícia Teixeira Pires 213
Figura 97 - Distribu ição da De sm ine ralização com L ASER e mecâni co.
Da mesma forma, pode-se assegurar a ex istência de d iferen ças de
comportamento (Teste de K ruskal- W all is) p ara a m esma m edida
(desmineralização), entre os cinco tip os de ade sivos ( p <0 ,0 5). Com efeito, o
Xeno V provocou e m term os mé dios menor nível d e desminer alização, ao
contrário do ExciTE , que promoveu o maior, junto co m o AdheSE. De salientar
o fa cto da to talidade de dentes sem definição de prisma s te r ocorrido com o
ExciTE (sem c. ácido) (fig. 98).
M ecâni ca
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
214 Patrícia Teixeira Pires
Figura 98 - Distribui ç ão da Desmi neraliza ção por tipo de adesivo.
Quando se considera o efe ito co njunto d o tipo de preparação e do tipo
de adesivo, pode-se afirmar a existência de dife renças estatisticament e
significativas ( p <0 ,05), en tre os d ez grupos gerados (T este de Kruskal- W allis)
(fig.99) (tabela 20 ) .
Assim, na a mostra em causa, c o nstatou-se que a totalidade de den tes
sem definição de prismas ocorreu com ExciTE (sem c. ácido) com a
preparação d e superfície me cânica . ExciTE e AdheSE quando aplicados na
superfície pr eparada mecanicamente ou com L ASER promoveram
aproximadamente 80% do total de dentes com boa definição de prismas.
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
Patrícia Teixeira Pires 215
Figura 99 - Distribui ção do s níveis de de smineraliz ação por adesivo e tipo de pre paração.
Tabela 20 - Mean Rank dos adesivos/tipo de preparação.
A d esivo/ preparo
Mean Rank
ExciTE /Tratam ento mecânico
ExciTE/LA SER
AdheSE/ T ratam ento mec âni co
37
AdheSE/LAS ER
FuturaBond NR/LASER
ExciTE ( sem c. ácido)/ L ASER
32,5
FuturaBond NR/Tr atamento m ecânico
Xeno V/LAS ER
Xeno V/ T ratam ento m ecânico
14,5
ExciTE (s em c. áci do) / Tratam ento
m ecânico
3
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
216 Patrícia Teixeira Pires
A necessidade de comparações múltiplas e ntre os adesivos e entre as
classes com procedimentos conjun tos, no actual cená rio (10 classes, quando
se relacionam os 5 adesivos com o s 2 tipos de p reparação ), leva-nos à
necessidade de admitir novos tipos de análi se, de cariz exploratório - Análise
de correspondências, minimizando o erro tipo II.
Análise de correspon dências
Por intermédio da análise de correspondê ncias, pode-se afirmar que a
divisão d a desmineral ização e m três classes a presenta poder discriminante
(fig. 100-102), e que existem efeitos conjuntos (preparação e tipo de adesivo)
que tendem a relacionar -se com os três nív eis de desmineralização de forma
diferenciada ( p <0,05 ).
Com efeito, interpretam -se três grupos de comportamento.
O E xciTE (sem c. ácido / preparação mecânica) apresenta-se concordante
com a ine xistência de definição, em virtude da totalidade dos s eus dentes
terem manifestado – Sem definição de prismas.
O FuturaBond NR com preparação mecânica, o Xeno V com p reparaçã o
mecânica e com LASER te ndem a convergir pa ra uma m oderada definição dos
prismas.
Os restantes grupos agregam-se m elhor em torno de uma boa def inição
dos prismas.
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
Patrícia Teixeira Pires 217
Figura 100 – Aná lise de cor respon dências: Adesivo/ preparaç ão .
Figura 101 - Análise de corr espon dência: Des mineraliza ção .
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
218 Patrícia Teixeira Pires
Figura 102 - Análise de corr espond ências: sobr eposição do grau de des mineralização e das classe s
adesivo/ preparação .
As f iguras 1 03-112 il ustram alg umas das microfotografias o btidas ao
MEV.
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
Patrícia Teixeira Pires 219
Imagens de microscopia electrón i ca de varrimento de
desmineraliza ção co m LASER
Figura 103 – Microgr afia do e sm alte des mineralizado co m ácido fosfó rico e ExciTE. Esta image m m ostr a a
superfície do esmalte após irrad iação co m LASER Er: YAG e cond icion amento co m ácido fo sfórico. E sta
desmineraliza ção é do tipo I – desminer alização da par te central dos prismas. Esta morfolog ia é se melhan te a favos de
mel.
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
220 Patrícia Teixeira Pires
Figura 104 – De smineralização vista ao ME V após irrad iação co m LASER e ap licação do ade sivo E x ciTE
(sem c. á cido).
Figura 105 - Desminer alização vista ao ME V apó s irradiação co m LASER e aplica ção do ade sivo AdheSE.
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
Patrícia Teixeira Pires 221
Figu ra 106 - Desmineraliz ação vis ta ao MEV apó s irradiação com LASER e aplica ção do ade s ivo Fut uraBond
NR , onde se pod e visualiz ar uma de smineralização selectiv a da peri feria dos pris mas de e smalte. Algu ns pris mas
também fora m parcial mente desminer alizados na zo na central au m entand o a área de ade são.
Figura 107 - Desminer alização vista ao ME V apó s irradiação co m LASER e aplica ção do adesivo Xeno V
onde se vi sualiza m zona s rugosa s e irregular es com u m padrão de ablação do tipo II : a periferia do s pri smas foi mais
desmineraliza da que a zona cen tral. Uma des mineraliza ção muito mais superfi cial foi obser vada e m compara ção co m
as outras i magens irra diadas co m LASER.
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
228 Patrícia Teixeira Pires
Figura 117 - Infil tração até mais de metade da cavida de só na par ede geng ival.
Figura 118 - Infil tração até metade da cavidade só na par ede incisal.
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
Patrícia Teixeira Pires 229
4 . 1 P re p ã r ãç ã o d ã
s u p e r f í c i e ( L AS E R vs
M e c ã n i c ã )
Os valores enco ntrados de inf iltração foram seme l hantes ent re os dois
tipos de preparação (tab ela 22) e, simu ltaneamente, nenhum tipo de
preparação apresentou o nív el mais e levado (infiltração até à parede axial) .
Foi avaliada a inf iltração em 100 dentes (Teste U Man n- W hitney ), não se
tendo encontrado, para o nível desejad o, diferen ças estatis ticamente
significativas entre os preparos com LASER e com broca ( p <0,365) (fig. 119).
Tabela 22 – Mean Rank dos níveis de infiltração por tipo de p reparação.
Tipo de preparação
N
M ean Rank
Sum of Ranks
Níveis de infiltração
Br ocas
50
53,86
2693,00
LASER
50
47,14
2357,00
Total
100
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
230 Patrícia Teixeira Pires
Figura 119 – Nív eis de m icroinfi ltração marginal na s amostras prep arada s com LASER e mecanica mente .
Para nenhu m grupo se ve rificou a ex is tência de infil tração até à p arede ax ial.
Prepar ação mecânica
Foram a valiad os 50 dentes d istribuí dos equitativamente pelos cinco tipos
de adesivos (Teste de Kruskal - W allis). Nenhum dos adesiv os a presentou o
nív el mais severo d e infiltração e soment e o ExciTE sem c . ácido apresentou
infiltração em ma is de metade da cav idade. Nest as circunstâncias, no que
respeita à infiltração prod uzida, não se encontraram, p ara o nível desejado,
diferenças estatisticamente significativas entre o s diferentes tipos de ad esivos,
( p >0,05) (fig. 120).
Mecânica
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
Patrícia Teixeira Pires 231
Figura 120 - Níve is de microinfi ltração marginal nas a mostras pre paradas mecanica mente c om di ferent es
adesivos. Para nen hum gr upo se verificou a existência de infiltra ção até à parede axial.
Laser
Considerando a preparação com LA SER e, mantendo -se o
mesmo objectivo anteri or, o AdheSE e o FuturaBond NR apresentaram
infiltração em m ais de m etade da cavidade. Como os restantes níveis de
infiltração se distribu íram de form a semelhante entre os grupos, os 50
dentes distribuídos equitati vamente pe los cinco tipos de adesivos não
proporcionaram, também, para o n ível d esejado, diferenças
estatisticamente sig nificativas ( p >0,05) ( Teste U Mann- W hitney) (fig.
12 1).
Preparação mecânica
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
232 Patrícia Teixeira Pires
Figura 121 – Nív eis de m icroinfi ltração marginal na s amostras prep aradas com L ASER com os difere ntes
tipos de ades ivos utilizad os. Para n enhum gru po se ver ificou a ex istência de infil tração até à pared e ax ial.
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
Patrícia Teixeira Pires 233
Análise de correspon dências
Face à quantidade de grupos e m estudo, a possibilida de de gerar
múltiplas comparações o u avaliar int eracções, to rna necessária a a plicação de
métodos exploratórios com o objectivo de minimiz ar o erro tipo II.
Com o ob jectiv o de def inir a relevância dos diferentes tipos d e
tratamento utilizados nos 10 grupos em estudo , re alizou-se a a nálise de
correspondências (fig.122 -124 ). O modelo não foi estatisticamente significativo
( p >0,0 5), tal como se tinha e videnciado nos mé todos conf ir matórios aplicados
anteriormente.
Figura 122 - Análise de corr espondên cias: Nível de Infiltração.
Figura 123 - Análise de correspon dências: grupo de e s tudo.
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
234 Patrícia Teixeira Pires
Figura 124 - Análise de corr espond ências: sobr eposição da linha com a coluna (infil tração e gru po de
trabalho).
Legenda dos grupos:
Grupo
Tipo de
preparação
Sistema ade sivo
1
Mecânica
ExciTE
2
Mecânica
AdheSE
3
Mecânica
FuturaBond NR
4
Mecânica
ExciTE
(sem c . ácido)
5
Mecânica
Xeno V
12
LASER
ExciTE
13
LASER
FuturaBond NR
14
LASER
ExciTE
(sem c . ácido)
15
LASER
Xeno V
16
LASER
AdheSE
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
Patrícia Teixeira Pires 235
4 . 2 O z o n o
Verificou-se uma di ferença estatisticament e significativa na infiltração
marginal ( p <0 ,0045 correcção de B onferroni para 11 comparaçõe s) entre os
grupos de espécimes ade ridos com E xciTE e AdheSE e tratados com e se m
ozono, quando preparados m ecanicamente e com 500 ciclos de
termociclagem.
Neste c aso, p ode-se afirma r que a aplicaç ão de o zono apresenta, em
termos médios, ma ior n ív el de infiltração ( T este U -Mann- W hitney ). T al facto
resulta só dos dentes com tratame nto com ozono terem proporcionado a
existência dos dois maiores nív eis de inf iltração (fig. 125).
Figura 125 - Influênc ia do ozono na infiltra ção marginal.
Da an álise descritiva desta ca-se a possibilidade do ozono não ser o
único responsável pela grandeza da diferença (existem efeitos i n teractivos),
uma vez que a tota lidade dos dentes preparados com Ad heSE e ozono
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
236 Patrícia Teixeira Pires
apresentam, no m ínimo, infiltração em mais d e metade da cavidade, ao
contrário d os dentes tratados com ExciTE, que nã o apresentaram qualquer
dente preparado com igual nível de inf iltração (fig. 126 ).
Figura 126 - Influênc ia do ozono na microinfiltração m arginal po r ade sivo.
De fa cto, veri fica -se uma d iferença estatistic amente significativa entr e o
AdheSE com e sem ozono (p <0,0045), mas para o ExciTE a diferença entre a
utilização ou não do ozono não fo i prov ada e statisticamente (tabela 2 3 ).
Tabela 23 - Significâncias na comparação dos grupo s com e sem ozono
Sistema Adesivo
Com ozono vs Sem ozono
ExciTE
p = 0,17
A dhe SE
p = 0,000
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
Patrícia Teixeira Pires 237
4 . 3 T e r m o c i c lã g e m
Dos oitenta espécimes preparados mecanicamente e tratados com cicl os
de termociclagem diferentes (500 e 1500) , pode-se afirmar a existência de uma
diferença de microinfiltração ma rginal (T este U Mann-W hitney) ,
estatisticamente significativa ( p <0,0 045 com correcção de B onferr oni para 11
comparações). Assim, n esta circunstância pode -se comprovar, em termos
médios, a ex istência de ma ior infiltração marginal no s e spécimes sujeitos a
1500 ciclos (fig. 127).
Figura 127 - Distribui ção do s níveis de mi croinfiltração com 500 e 15 00 ciclos de termo ciclage m .
Quando se avalia a ex istência de diferenças entre a realização de 500
ou 1500 ciclos d e termociclagem individ ualmente para cada adesivo utilizado
no e studo, verifica-se que apenas o AdheSE apresenta diferenças
estatisticamente significativas entre os dois tipos de termociclage m (tabela 24).
“Estudo de adesivos self -etch e a sua capacidad e de adesão ao esmalte dentário”
244 Patrícia Teixeira Pires
Está descrito que a solubilidad e do esmalte b ovino é três vez es su perior
à d o esmalte humano podendo se r significativ amen te afectado por substâncias
ácidas (Brown et al. 2007) .
Estudos de composição química m ostraram relações Ca/P semelhante s,
entre os do is tipos de e smalte, que não o riginara m diferenças significativ as na
captação do flúor, nem no conteúdo d e carbonato. A matriz prote ica do esmalte
tem uma com posição de aminoácidos também similar. Estudos que avaliam as
propriedades físicas encontraram índices d e refracção também semelhantes ,
embora o pico de absorção a 270nm fosse superior no esmalte bovino
relativamente ao esmalte d entário humano cerca de trê s vez e s m ais. A
luminescência é igualmente semelhante (Yassen, Platt and Hara 2011 ) .
Estudos de resistência adesiva não enco ntrar am diferenças
estatisticamente significativ as entre os d ois tipos de esmalte (Nakamichi, Iwaku
and Fusayama 1 983), e mbora os valores m édios f ossem sempre ligeiramente
menores no esmalte bovino. No e ntanto, quando se comparam os dentes
bovinos entre si, verifica -se que o s dentes bo vinos dec íduos apresentam
menores f orças de resistência adesiva que os bovinos definitivos (Sfond rini et
al. 2011) .
A m icroinfiltração tamb ém parece ser seme lhante na m aioria dos
estudos, embora alguns auto res encontrem resultados d e inf iltração supe riores
nos dentes bovinos (Yassen , Platt and Hara 2011) , (Fowler et al. 1992 ).
Estas d iferenças deverão ser consideradas ao analisar resultados de
estudos in vitro em dentes bovinos.
No presente estudo foram usado s dentes bovinos definitivos devido ao
grande número de espécimes necessários e de forma a conto rnar variáveis
como a faixa etá ria, já que o esmalte se modif ica com a idade. A dicionalment e
foi possível, desta f orma, arm azenar todos os espécimes o mesmo per íodo de
tempo.
Assim e a pesar de poderem existir alguma s diferenças entre o e smalte
humano e o esm alte b ovino, uma vez que qualquer interf erência relacionada
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
Patrícia Teixeira Pires 245
com a especificidade dos d entes bovinos produz e feitos iguais em todos o s
grupos de estudo, aceit a-se a utilização do esmalte bo vino (Br au chli et al.
2010 ; Hamamci, Akkurt an d Basaran 2010 ), não só em várias publicações
como na norma ISO 11405/TS que indica que os incisivos bovinos podem ser
usados como substitutos de esmalte humano (ISO 2003).
De a cordo com esta norma (ISO 2003) e xistem ind ícios de que as
alterações q ue o corr em n o substrato dentário apó s a extracção podem
influenciar os resultados dos ensaios de resistência a desiv a, sendo que o ideal
seria realizar o s ensaios logo apó s a extracção dos m esmos. No entanto, é
aceite pela mesma norma (ISO 2003) que as a mostras possam se r testadas
até seis m eses após a extracção. Neste estudo, como vimos, os dentes
utilizados n os ensaios tinham sido extraídos há m enos de um m ês, o que está
de acordo com estas normas.
Após terminar a recolha, os dent es for am coloca dos em cloramina a
0,5% como solução desinfectante e todas as amostras f oram sujeita s ao
mesmo período de d es infecção para evita r que a solução desinfectante
pudesse provocar alguma alteração nos fragmentos dentários expostos durante
mais tempo ao desinfectante.
A cloramina a 0,5% fo i utilizada como solução desinfectante pois
funciona pela oxidação de macromolécu las não afectando o colagénio. A lém d o
mais, tem sido utilizada pelos diferentes estudo s no s últimos anos de forma
consensual (Mobarak et al. 2010 ).
b) Preparação da superfíc ie dos espéc i mes
Neste trabalho comparou -se a superfície do esmalte preparado
mecanicamente com a superfície d o esmalte prepa rado com LASER. O LASER
parece ser uma alternativa aos instrumentos rotatórios na p reparação dentária
(Lee et al. 2007 ) com a vantagem de não produzir smear layer , o que pod e ser
particularmente favorável quand o a adesão ao esmalte é re alizada co m
adesivos self-etch m enos acídicos, cujos primers podem ser neutraliz a dos por
smear layers espessas co mo as que são produ zidas pelas b rocas. Além d isso,
o LASER parece aumentar a rugosidade de superfície de tal forma que p ode
“Estudo de adesivos self -etch e a sua capacidad e de adesão ao esmalte dentário”
246 Patrícia Teixeira Pires
mesmo evitar a nece ssidade de um condicionamento á cido (Dun dar an d Guzel
2011). A ablação dentária é conseguid a por um p rocesso termomecânico, qu e
leva à vaporiz ação da á gua , que condu z a m icroex plosões p rovocadas p elo
aumento da pressão interna do tecido (Basaran, Hamamci and Akkurt 2011 ).
Idealmente nos estudo s lab oratoriais que mime tizam a preparação
mecânica seria preferível a utilização d e bro cas para a p r eparação m ecânica
do esmalte, uma vez que é o que o corre clinicamente. Na maior parte dos
testes e laborados in vitro torna -se difícil un iformizar a superfície de todos o s
espécimes com a utiliz ação de u ma broca, e essencialmente no ca so dos
testes de resistência a de siva a su perfície deve ser o m ais p lana possível de
forma a não serem introduzidas tensões fo ra da área de adesão. Desta fo rma ,
na maior parte dos estudos de resistê ncia adesiva in vitro utili zam-se lixas p ara
a preparação mecânica da superfície. No entant o, no estudo de m icroinfiltração
já se rea liz aram classes V com b rocas diamantadas de grão m édio para
preparar a cavidade e de tungsténio p ara o alisamento da mesma, uma vez
que ne ste caso não há necessidade da superf ície ser plana, ou de se manter
uma det erminada e spessura de esmalte intact o. Existem hoje em dia dados na
literatura que suportam a substituição da broca pela lix a no s ensa ios
laboratoriais. Dias e t al compararam a utilização de brocas de carburundo,
brocas adiamantadas e lixa de grão 600 na p repa ração da superfície do
esmalte e verificaram que para o s a desiv os e tch-and-rinse os métodos de
preparação da su per fície não af ectavam os valores de microtracção (Dias,
Pereira and Swift 2004 ). No e ntanto, para os adesivos self-etch a força de
adesão f oi m ais baixa qu a ndo o e smalte foi preparado c om as brocas em
detrimento da lixa. No estu do referido, a diferença nos valores de microtracção
entre as du as brocas utiliz adas não foi signif icativ a. No entanto, Oliveira e t al
(Oliveira 2004 ) demonstraram que a smear layer de esmalte criada por uma
lix a de grão 60 0 e ra sig nif icativament e mais f ina do que a obtida com a lixa de
grão 3 20, que era por su a v ez a que m imetiz a va em term os de rugosidade e
espessura a sm ear laye r criada por b rocas de tungsténio, o que p ode
esclarecer os resultados do estudo acima de scrito.
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
Patrícia Teixeira Pires 247
No seu estudo Mine et al, tam bém avaliaram a influência da p reparação
da super fície n a obtenção de smear layers e verificaram que os pr eparos com
papel d e lixa resu ltaram em superfícies planas e f inas d e fragmentos d e cristais
de hidroxiapatite. Em con trapartida, as p reparaçõe s com b roca resultaram num
aumento da rugosidade e numa camada m ais espessa de de bris depositada na
superfície do esmalte, juntam ente com partículas de esmalte soltas (Mine et al.
2010). Esse estudo utilizou lixas de grão 600 e m vez das lixas de grão 320 que
melhor simulam a sm ear layer produzida pela broca de tungsténio.
No nosso estudo utilizaram -se lixas d e grão 3 20 por te rem já p rov ado
simular o m ais aproximadamente possível a superfície criada pelas brocas de
tungsténio, que são as que h abitualmente são utilizadas n a clínica para
terminar de preparar uma cavidade com envolv imento do esmalte dentário.
I. P a r â m e t r o s d e u t i l i z a ç ã o d o L A S E R
Como referido anteriormente, o LASER, ao contrário da preparação
mecânica, não produz nenhum tipo de smear layer , o que pode ser favorável à
adesão, a lém de criar irregularidades e f issuras que podem fa vorec er a a desão
mecânica (Obeidi et al. 20 10). O estado da superfície depende , porém, do tipo
de LASER e dos parâmetros utiliz ados para a ablação da estrutura dentária.
No presente estudo u tilizou-se um LASER de Er:YAG segundo as
indicações do f abricante para a ablação do e smalte, uma vez que f oram
consideradas as mais efectivas e inócuas.
As indicaçõe s do fabricante pressupõem que o LAS ER dev a ser
acompanhado por u m f luxo contínuo de água. E studos histológicos m ostraram
não existir inf lamações pu lpar es ou queimaduras na preparação d os te cidos
com este s L ASERs desde que utilizados com irrigação (Basaran, Ayna et al .
2011). Esta premissa está salv aguardada pela utilização do spr a y de água
acoplado à peça de mão. A irradiação LASER no presente estudo foi
acompanhada, d esta f orma, por um spray de água contínuo. Este spray
arrefece a superfície do dente evitando da nos pulpares e danos no s te cidos
adjacentes por aumento da temperatura. A liado a es ta irrig ação o d ente f oi
“Estudo de adesivos self -etch e a sua capacidad e de adesão ao esmalte dentário”
248 Patrícia Teixeira Pires
utilizado esta ndo com a supe rfície do esmalte molhada para simu lar o m ais
próximo possível a situação clínica.
Mas a água desempenha um outro papel f undamental na ablação pe lo
LASER, além do arrefecimento, que nã o deve se r esqueci do. O efeito de corte
do LASER de Er:YAG depende da quantidade de água do tecido em causa. Em
teoria isto permite a preparação se lectiv a de dete r minado te cido, por exemplo,
torna-se possível co rtar a dentina ca riada e d eixar a dentina sã ou remover o
compósito sem danificar o den te (Dumore and Fried 2000). No nosso e studo
apenas se pretendia prep arar o esmalte, q u e sendo um tecido muito menos
aquoso que a dentina consegue se r cortado pelo LASER sem o risco d e a
danificar.
A po tência, a f requência do pu lso e a duração d e irradiação são
parâmetros importantes que m edeiam a aplicação do LASER. Dif erenças
nestes parâmetros alteram substancialmente o desempenho d o L ASER e
provocam diferentes resu ltados na ablação do esmalte. A distância de
irradiação, o m odo de em issão, o comp rimento de irradiação e a e nergia sã o
outros parâmetros que podem ser os responsáveis pela e xistência de
resultados tão díspares no de sempenho do LASER como condicionador
(Chimello-Sousa, de Souza et al. 2006).
Outra conside ração important e , embora não fosse ob jecto de estudo, é
que a utilização do L ASER prod uz, além da remoção selectiv a do e smalte, uma
menor vibração e barulho, fazendo do L ASER uma alternativa eficaz e sem
desconforto pa ra o p aciente comparativamente com os instrumentos rot a tório s
(Obeidi, Liu et al. 2010).
a) Aplicação do adesivo
No presente e studo os adesivos foram aplicados apenas uma vez , isto é,
procedeu-se à impreg nação do adesivo no esma lte com uma só a plicação. Os
efeitos da aplicação de uma ou duas camadas é con trover so e pouco se sabe
sobre as camadas necessárias a aplicar. O importante parece ser a capacidade
de tornar a superfície do dente brilhante. No entanto, Oztas (Oztas an d Olmez
2005) avaliou o selamento marginal de um adesivo self-etch ( Prom p t-L-Pop ® )
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
Patrícia Teixeira Pires 249
aplicado em uma ou d uas camadas e veri f icou que a aplicação de duas
camadas te ve um melho r selamento d o q ue a aplicação de uma camada
(p <0.05 ).
O temp o de ap licaçã o u tiliz ado fo i o recomend ado para cada sistema
adesivo. Alguns autores estudaram também a influência do tempo de
aplicação. Aplicações mais longas do adesiv o pode m compensar o ma ior pH
dos adesivos se lf-etch quando compa rados com os que utilizam o á cido
fosfórico (Perdigao e t a l. 2005b ). De fa cto, quando um p rim er de um self-etch é
aplicado durante 60 segun dos em vez dos 30 segundos recomendados, existe
um adequado selamento em classes V, tanto in vitro como in vivo , como
demonstraram Ferrari e col. (Ferrari et a l. 1997 ). Perdigão (Perdigao, Gomes
and L opes 2006 ) estudou a influência do temp o de condicionamento na adesã o
ao esmalte e obteve os mesmos resultados. Pa ra certos adesivos, a duplicação
do tempo de condicionamento ao esmalte resultou num aumento da resistência
adesiva. No caso específico do AdheSE pa ssou de 19,1±13.1MPa par a
25,6±12.3MPa.
Quanto ao m odo de aplicação , quando se esf rega o adesivo em vez de
se simp lesmente colocar na super fície está a pr omover -se uma maior
interacção do adesivo co m a hidroxiapatite, com o se está também a f acilitar a
evaporação do solvente. A sm ear laye r tamb ém é de sta fo rma dissolvida mais
facilmente interferindo m enos na adesão, especialmente quando se utilizam
adesivos self-etch médios ou ultra-médios (Yoshihara et al. 2011) .
Neste estudo os adesivos f oram aplicados segundo as ind icações do
fabricante para o número de camadas a aplicar, tempo e m odo de aplicação,
que pa ra o s ad esivos self-etch de 1 -passo indicam claramente a ne cessida de
de “esfregar” de forma a normalizar a o máxim o a aplicação e também porque o
objectivo do trabalho não foi o de estudar estas v ariáveis.
Procurou-se tam bém realizar a aplicação d os sistema s a desiv os nu ma
atmosfera controlada com temperatura m édia de 23 ±2ºC e 50 ±5ºC de
humidade (ISO 2003 ).
“Estudo de adesivos self -etch e a sua capacidad e de adesão ao esmalte dentário”
250 Patrícia Teixeira Pires
b) Aplicação do com pósito
A aplicação do compósito S ynergy D6 (fig. 128) foi efectuada pela
técnica incremental com camadas de 2 mm de espessura de resina composta
polimerizadas en tre camadas, como tem sido recomendado em vários e studos
(Ramos 2004 ; St Georges et al. 2002 ).
O Synergy é um compósito nano -híbrido, moldável, rád io -opaco, de
elevada percentagem de carga.
É compos to por metacrilato bisfenol A d iglicidilo, m etacrilato bisfenol A,
dietóxido, dimetacrilato d e uretano (UGMA), vidro de bário silani zado e ácido
silício am orfo h idrofóbico. Tem carga p ré -polimerizada. O tamanho médio das
partículas de carga é 0.6 µm. A gam a de tamanho das partículas é 0.02 -2.5
µm. A percentagem de carga por volume é 65 % e a percentagem de carga por
peso é 80%.
Após a colocação do sistem a adesivo, as am ostras fo r am mantidas
durante 24 h oras numa estufa a 37º C com 100% de humidade. Isto par a
permitir a polimerização m áxima da resina co mposta, uma vez que 95 % da
polimerização é obtida no s primeiros 45 minutos a pós irradiação (Burrow et al.
1994).
Os com pósitos de diferentes m arcas podem conjugar -se p erfeitament e
com adesivos de m arcas dife rentes. A liás, um estudo recente obteve valores
mais elevados de adesão quando misturava di f erentes marcas de adesivos e
compósitos (Sab atini et al. 2012 ).
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
Patrícia Teixeira Pires 251
Figura 128 - Microgr afia (M EV, 200 0x) do co mpósito Syner gy D6.
Os resultados dos testes adesivos estã o dependentes de muitos factores
como o tipo de compósito (And rade et al. 2010) .
Apesar d os mel horamentos n as f ormulações do s compósitos, a
contracção de po li merização da ma triz de resina continua a ser problemática. A
elevada viscosidade e a colagem à espátula co m compósito s com mu ita carga
tornam a inse rção e a adaptação às paredes da cavidade muito dif ícil. O pré -
aquecimento d e resinas pode se r benéfico uma vez que este procedim ento não
parece alterar as proprieda des me cânicas e f acilita a colocação do compósito
na cavidad e bem como parece a umentar a conversão do monómero. No
entanto, a nível de infiltração m arginal o s resultados não são sen sív eis à
diferença de temperatura (Ka raarslan et al. 2 012 ) .
A d ureza do com pósito parece, também, influenciar o s te stes de adesão
e de microinfiltração (Tag ami e t al. 2010).
Um estudo qu e uso u diferentes resinas em diferentes te stes mecânicos
verificou que a resina microhíbrida deve se r p re f erida nos testes de
microtracção e microcisalhamento dev ido ao reduzido número de falhas
coesivas e valores elevados de adesão. Esta preferência não parece ser
importante n os testes de resistência adesiva ao cisalhamento (Andrade et a l.
2010). A elevada contracção de polimeriz ação dos co mpósitos com baixa
“Estudo de adesivos self -etch e a sua capacidad e de adesão ao esmalte dentário”
252 Patrícia Teixeira Pires
viscosidade pode criar mais tensões na inter face a desiva do que os compósitos
com elevada carga (Andrade, Moura et al. 2 010) .
As resinas com grandes quantidades de HEMA e TEGDMA mostraram
baixa viscosidade e e levado coef iciente de penetração. Pelo co ntrário, o
BisGMA e o UDMA a umentam a viscosidade e diminuem o coeficiente de
penetração. O UDMA actua como d iluente, diminu indo a viscosidade da resina
e aumentando o gra u de conversão do bis -GMA. (Lima e t al. 2011 ). A
incorporação de etanol dim inui a viscosidade, a tensão super ficial e os ângulos
de con tacto de todas as mistu ras a umentando o coef iciente de penetração para
todas as combinações d e monómeros. Assim , grandes quantidades de
TEGDMA e etanol nas resina s aumen tam a su a ca pacidade de penetração,
porque fazem diminuir a sua viscosidade e ângulo de contacto co m o esmalte,
enq uanto um grande conteúdo de bisGMA pode im pedir a eficaz penetração.
Por ou tro lado, grandes quantidades de TEGDMA e BisGMA/TEGDMA nos
compósitos mostraram a umentar a contrac ção de polimeriz a ção, o que pode
afectar ne gativamente as fo rças de resistência ad esiva (W iegand et al. 2011).
Os com pósitos com grandes quantidades de HEMA e etanol não sã o, no
entanto, f otopolimerizados eficaz men te, levando a materiais b or rachóides ou
líquidos (Paris et al. 2007).
c) Termociclagem
De forma a criar condiçõe s d e estud o mais exigentes, os dentes
restaurados foram sujeitos a termociclagem.
É esperado que os facto res d e envelhecimento di minuam a e ficácia
adesiva, pois estes são os e quiv alente s in vitro p ara os fenómenos in vivo . A
termociclagem representa, segundo a ISO (ISO 2003) uma técnica labo ratorial
que pretende simular o envelhecimento clínico das restaurações.
No entanto, a rea lidad e é que estand o a res tauração n a cavidade oral,
estes f actores actuam em sim ultâneo e consequentemente aceleram a
degradação dos materiais restauradores e a i nterface adesiva.
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
Patrícia Teixeira Pires 253
Os ciclos térmicos utiliz a dos na termociclagem pretendem si mular as
diferenças de temperatura a que as restaurações estão sujeitas na cavidade
oral e que promovem a criação de tensões no interior das restaurações de vido
aos diferentes coeficientes de expansão tér m ica d os respectivos materiais e
tecidos. D esta forma , as temperatu ras utili zadas nos ba nhos dev em se r as
mais a proximadas das existentes na cavidade oral. Existe uma div ersidade
muito grande de o piniões na literatura a cerca dos procedimentos ideais para a
termociclagem (Oliveira 20 04) que variam quanto às temperatura s utiliz adas,
número de ciclos e tempos de imersão.
Uma revisão bibliográfica (Gale and Darvell 1999 ) co ncluiu que 10 000
ciclos correspondem a proximadamente a um ano de f unção in vivo , o que
permite pensar que a s normas IS O para te stes de adesão são pouco precisas
na avaliação do comportamento da adesão a longo praz o.
A ISO T R 11450 (ISO 2 003) recomenda u m mínimo de 500 ciclos
térmicos para simular o envelhecimento em á gua com temperaturas de 5 e
55ºC. Assim, neste e studo, foram realiz ados 500 ciclos de termociclagem em
banhos d e 20 segundos c om temperatura s ex trema s de 5º e 55 º C, como
indicam estas normas. No e ntanto, com o intuito de se saber se e stes ciclos
são suficientes para induzir mudança s de comportamento re a lizaram-se para
um grupo seleccionado d e amostras 1500 ciclos de termociclagem pa ra serem
comparados com os 500 ciclos indicados pelas normas internacionais.
d) Ensaios de resistên cia adesiva ao cisalha mento
Os te stes de forças d e resistência adesiva são fr equentemente utilizados
nos estudos dos adesivos d entários. A força de resist ência adesiva é a força,
por unidade de área, q ue é n ecessária pa r a quebrar a zona de interface na
adesão ou muito próx im o dela (Atash and Van den Abbeele 2005 ). Id ealmente ,
os testes de resistência adesiva deveriam ser f áceis e ráp idos de executar, d e
forma a se p oder m inimiz ar o e rro. As vanta gens d os testes lab ora toriais sã o a
rapidez n a obtenção de dados relat ivos a um parâmetro/ propriedade, à
facilidade da metodo l ogia, à po ssibilidade/ n ecessidade de se e studar um
determinado parâ metro deixando todos as outras variáveis constan tes, à
“Estudo de adesivos self -etch e a sua capacidad e de adesão ao esmalte dentário”
260 Patrícia Teixeira Pires
materiais restauradores está d e tal forma melhorada que se torna necessário
rever estes protocolos.
Outra questão import ante são os procedi mentos de aca bamento e
polimento. Este s, se bem executados, parecem contribuir em g ran de e scal a
para a longevidade d as restauraçõ es dentárias. Um mau a cabamento deixa a
superfície rugosa o que facilita a acumulação de placa b acteriana podendo
originar inf lamação gengival, cáries recidivantes e desco loração das margens
da resta uração. Neste estudo todas a s amostras fo ram p olidas da m esma
forma, para padronizar o s resu ltados , com brocas e d iscos de polimento. Mas a
forma e tamanho da cavidade, os procedimentos adesivos, os procedimentos
restauradores e os ma teriais podem também influenciar a microinfiltração
(Tagami et al. 2010 ).
No presen te e studo, a microinfiltração foi avaliada com uma escala
numérica, o que apesar de ser clinicamente interessante não parece ser um
método suficientement e sensível, no entanto, uma vez que a grande maioria d a
literatura a valia a microinfiltração desta f orma, resolveu -se classificar o
resultado da microinf ilt ração em quat ro nív eis d e acordo com a pro fu ndidade:
sem inf iltração, in filtração a té metade da parede da cavidade, infiltração em
mais de metade da cav idade e infiltração até à parede axial.
f) Padrões d e Desmi neralização
Para a o btenção dos padrõe s de desmineraliz ação f oi necessário
dissolver totalm ente o esmalte em cada espécime, para isso, u tiliz ou -se o
EDTA a 1 M, com pH =5,5 durante 3 semanas deixando e xposta a réplica d o
adesivo.
Alguns estudos utilizam o EDTA a 1 0% tamponado c om f ormato de
sódio (HCOONa) a 25ºC, p odendo de sta f orma desce r o pH para 2 ,5 para que
a desmineralização seja mais rápida (72 horas) (Hashim oto et al. 2003) .
Esta última opção é válida p ois a tempe ratura não sobe pa ra valores
muito elevados, não colocando em risco a e strutura proteica. No entanto, o s
resultados de des mineralização são idênticos com o s dois métodos. Sem o
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
Patrícia Teixeira Pires 261
tamponamento, para se obter a desmineraliz a ção dos dentes humanos são
necessárias 4 semanas com a u tiliz ação do EDTA com uma c oncentração a
10% (Oshiro et al. 2001 ). Ácidos fortes como o ácido f órmico destroem a
actividade enzimática, da í a maioria dos protocolos optar pela utilização de
ácidos f racos como o EDTA para a desmineralização de espéc imes dentários
ou osso mesmo que isso leve a lon gos períodos de espe ra até à completa
desmineralização. Se se aumentar a temperatura até ao limite de 42ºC, parece
não existir comprometimento das b etas -galactosidades, diminuindo -se o tempo
necessário de desmineralização, o que é vantajoso (Cho et al. 201 0).
Para ace lerar esta desmineralização a parte pa latina dos dentes foi
removida previamente, um a v ez que esta não era a zona que p r etendíamos
estudar e mais rapidamente se poderia obse rvar o padrão pretendido.
Ao longo do s anos foi assumido como verdadeiro que u m padrão de
desmineralização be m definido no esmalte era q uase um pré -req uisito para
uma boa força de adesão, mas a evidência que sup orta esta a firmação é
escassa e infundada (Hobson and McCabe 20 02 ). De fa cto, este estudo de
Hobson mo strou que para e xistir um a bo a adesão não é necessário u m p adrã o
de desmineralização ideal.
Os p adrões de desmineralização também podem v ariar com a
quantidade de esmalt e aprismático ex istente e este é su perior nos dentes
posteriores em comparação com os ante rior es. Também existe mais esmalte
aprismático na f ace vestibular dos dentes. Torna -se assim imprudente usar
diferentes dentes nos estu dos in vitro . Por exemplo, os segundos pré -m olare s
superiores e inferiores têm f orças de resistência adesiva m uito difere n tes, ao
contrário dos primeiros m olares cujas f orças de resistê ncia ade siv a parecem
ser semelhante s, no entanto os padrões de desmineralização não obtiveram a
mesma co rrespondên cia, ind icando que um pa drão menos def inido pode não
ser condição para forças de adesão baixas (Hobson and McCabe 2002 ).
Nesta investigação utilizou-se a face vestibular de incisivos bov inos,
sendo a ssim d e e sperar encontrar -se a lguma quan tidade de esmalte
“Estudo de adesivos self -etch e a sua capacidad e de adesão ao esmalte dentário”
262 Patrícia Teixeira Pires
aprismático. Apesar dos dentes poderem variar entre si, as amostras foram
padronizadas, contornando esta variabilidade.
Na classificação dos padrões de desmineraliz a ção utilizamos uma
escala numérica e m q ue o z ero indica que n ão se v isua lizam prism as de
esmalte, um indica que e xistem alguns prismas visíveis e dois indica que os
prismas de esmalte aparecem com boa def inição. E stes três níveis conseguem
agrupar os diferentes graus de p enetração do adesivo. Em cad a espé cime
foram realizadas três m edições para validar o método.
Estas três medições obtiveram 100% de reprodutibilidade (teste alfa -
Cronbach), o que demonstra a clareza da escala ap licada, bem como a ef icácia
do adesivo em condicionar a superfície dentária de forma homogénea.
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
Patrícia Teixeira Pires 263
2. Co m p o r t ã m e n to do s
ã d e s i vos
a) Avaliação d os val ores de res istênci a adesiva
O mecanismo de condiciona mento do e smalte quer através de
processos químicos quer através de processos físicos nã o é simplesmente um
tratamento d a superfície, ma s uma remoção se lectiva de uma p arte do e smalte
que resulta numa superfície irregular por onde os sistemas adesivos devem ser
capazes de pe netrar a dquirindo um a retenção ao esmalte. Além disto, a
superfície criada de pende em grande parte da técnica u tiliz ad a para
condicionar a estrutura (Sasaki et al. 2008).
I. F o r ç a s d e r e s i s t ê n c i a a d e s i v a n o e s m a l t e p r e p a r a d o
m e c a n i c a m e n t e
Os resultad os do presente trabalho mostram forças d e resistência
adesiva ao esmalte preparado mecanicamente superiores quando se usam
sistemas etch-and-rinse . O sistema e tch- and -rinse utiliz ado neste estudo fo i o
condicionamento do esma lte com ácido fosfórico a 37% e o ExciTE. Este
adesivo obtev e v alores médios d e resis tência adesiva (2 6,12 MPa)
estatisticamente superi ores relat ivamente a to dos os adesivos self-etch
utilizados, com o mesmo tipo de preparação do esmalte.
Aliás, desde o e studo pioneiro de Kanemura et al, cita do por Bl unck et
al, que foi o primeiro a relata r a menor eficácia deste tip o de adesivos ao
esmalte, são n umerosos os estu dos que comprovam estes achados,
constatando que os adesivos etch-and-rinse são os melhores adesivos para
uso em esmalte (Blunc k and Zaslansky 2011 ).
O entrela çamento m icr ome cânico dos pequenos prolon gamentos de
resina na superfície do esmalte condicionado com á cido fosfórico p arece se r a
melhor fo rma de adesão ao esmalte. Ele não só sela a margem d as
restaurações como protege a vulnerável adesão à dentina contra a de gradaçã o
(Van Meerbeek et al. 2010 ).
“Estudo de adesivos self -etch e a sua capacidad e de adesão ao esmalte dentário”
264 Patrícia Teixeira Pires
Estudos mo stram que a aplicação de uma técnica de condicionamento
total no esmalte garante uma b oa e durável ad esão. Isto pode ser atribu ído a
(1) uma rápida dissolução d a smear layer e sua remoção com a lavagem e (2)
a uma an coragem estável e profunda dos tags de resin a nos numerosos poços
provocados pelo ácido entre os cristais de hidroxiapatite parcialmente
desmineralizados (Yoshihara et al. 2011).
Além diss o, uma v ez que o e smalte tem uma capacidade diminuída de
interagir quimicam ente, uma adesão a dequada p ode se r obtida com um grande
número d e sítios microretentivos como os p roduzidos pela técnica do
condicionamento ácido.
Testes de fadiga também obtiveram me lhores resultados para os
sistemas adesivos etch- and -rinse em detrimento dos sistemas adesivos self-
etch (Erickson, De Gee and Feilzer 2005) .
Uma outra ex plicação para este comportamento menos eficiente dos
adesivos self-etch pode dever-se à presença de água na composição dos
adesivos, po rque apesar da água ser u m componente presente em todos os
adesivos se lf-etch pois perm ite a ionização dos monómeros acídicos para que
estes tenham uma acção desmineralizante, os adesivos self-etch fortes t êm
ainda u ma maior quantidade de solvente para promover a completa ionizaçã o
dos monóme ros acídicos. O elevado conteúdo de água pode ser difícil de
remover com o sp ray de ar, o que pode levar à não p olimeriz ação eficaz e à
diminuição do grau de conversão por diluição dos mo nómeros, alterando as
propriedades mecânicas do adesivo (Ibrah im, Elkassas and Yousry 2010 ). Os
monómeros á cidos não polimerizados podem ainda co mprometer a
polimerização das resinas dos compósitos, d iminuindo as f orças a desivas
(Atash and Van den Abbeele 2005 ). Qu ando o adesivo não é bem
fotopolimerizado, o s cristais de esma lte estão menos protegidos e ma is
expostos à degradação por ácidos (Li et al. 2010).
Um estudo de Paradell a (Paradella and Fava 20 07 ) de 2007 obteve
valores na ordem dos 20 MPa de resistê ncia adesiv a p ara o esm alte
condicionado com ácido fosfórico, co m a t écnica do condiciona mento tota l.
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
Patrícia Teixeira Pires 265
Estes resultados são inferiores aos o btidos nesta dissertação, m as
semelhantes a os obtidos num e studo de Go rdon et al (Gordan, Bo yer and
Soderholm 1998 ) embora neste não se tenha simulado o envelhecimento
através da realização da termociclagem. Isto pod e levar -nos a outra questão
que parece indicar que os 500 ciclos de te rmociclagem, indicados p elas
normas ISO (ISO 2003) possam não ter sido suficientes p ara envelhecer as
amostras ao ponto de causar dife renças nos valores de resistência adesiva
nestes dois estudos mencionados.
No entanto, um estudo (Pilecki et al. 2005) realizado in vitro comparou
adesivos etch- and -rin se e self -etch n o es malte, tendo obtido resultados de
microtracção semelhantes entre os do is tipos de mate riais. Um o utro estudo de
resistência adesiva (S BS) obteve igualmente v alores semelhantes nas duas
classes de adesivos (Peu tzfeldt and Nielsen 2004 ) e um outro es tudo obtev e
resultados similares de valores de resistênci a adesiva entre adesivos etch-and-
rinse e alguns, n ão todos, siste mas self-etch (Ernest, Holzmeier and
W illershaus en 2004)
Num outro estudo recente, as forç a s de re sistência adesiva para dois
dos três a desivos self-etch utiliz ad os foram superiores re lativamente à
utilização de um sistema etch-and-rinse com con centrações de ácido fosfórico
inferior a 1,25%, o que indica que a adesão química p ode ser responsável p or
estes res ultados. Quando o ácido utiliz ado no sistema etch-and-rinse foi de
2,5%- 40% todos os adesivos se lf-etch obtiveram menores forças de
resistência adesiva ao esma lte. Conclui -se, assim, que a inte racção quí mica
em alguns adesiv os self-etch pode estar prese nte, mas não pa rece s er
suficiente para competir co m a ad esão criada com o s adesi vos etch- and -rinse
no esmalte (Erickson, Barkmeier and Latta 2009 ) .
Também foi demo nst rado que a s f orças de resistê ncia a desiva dos
adesivos self-etch n o esm alte variam d e acordo co m a composição química d o
sistema adesivo utilizado (Lopes et al. 2004).
No nosso t r abalho, dentro dos adesivos self-etch utiliz a dos o Fu turaBond
NR apresentou o valor superior de resistência adesiva (21,03 MPa), o AdheSE
“Estudo de adesivos self -etch e a sua capacidad e de adesão ao esmalte dentário”
266 Patrícia Teixeira Pires
e o Xeno V o btiveram valores sem elhantes entre si mas inferiores, 16,33 e
14,77 MPa resp ectivamente. Num estudo recente o Adh eSE obteve valores de
resistência adesiva ao esma lte de 16 MPa (Holz m eier et al. 2008 ), resu ltado
semelhante ao encontrado no nosso estudo.
No enta nto, um e studo d e Atash e co l. realiz ado in vitro (Ata sh an d Van
den Abbeele 2005 ) utilizou esm alte bovino decíduo e obteve valores de
resistência adesiva para o AdheSE de 10,2 ± 1, 5 MPa , pois como já f oi referido
os dentes decí duos apresentam, por norma, m enores f orças d e resistê ncia
adesiva. Outros estudos obtiveram ainda valores de 1 2,6 MPa nas f orças de
adesão ao esmalte com este adesiv o (Lopes et al. 2004).
Salz et al e ncontraram valores d e resistê ncia ade siv a entre os 16,6 e os
32 ,7 MPa no esmalte quando se utilizaram dife rentes ad esivos self-etch (Sa lz
and Bock 2010 ) Neste m esmo e studo o Xeno V obteve valores de 23+/ - 4 , 1
MPa, valor superior ao obtido no nosso estudo, mas semelhante aos
encontrados na dentin a para este m esmo adesivo. Apenas 3 dos 7 ad esivos
utilizados o btiveram valores de adesão s emelhantes en tre a dentina e o
esmalte. Para os res tantes a s fo rças no esm alte fo ram in feriores, o que
demonstra a dificuldade d e alguns destes adesivos p roduzirem boas forças de
resistência adesiva no esmalte.
A literatu ra atribui aos ad esivos self-etch men ores f orças de resistência
adesiva ao esmalte, presumivelmente devido ao padrão de condicionamento
menos pronunciado e portanto menor presumível rete nção m ecânica (Gregoire
and Ahmed 20 07). No entanto, o utros investigadores reportaram valores de
resistência adesiva para adesivos de 1 ou 2 -passos semelhantes entre a
dentina e o esmalte (Ishikawa et al. 2007) ou mesmo m aiores no esmalt e
(Yazici et al. 2007a ) .
Como e ra de e sperar a aplicação de u m adesiv o sem o cond icionamento
do esmalte com ácido prep arado mecanicamente obtev e o menor v alor de
resistência adesiva (3,24 MPa).
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
Patrícia Teixeira Pires 267
Um estudo de Perdigão et al (Perdigao et al. 2005b ) pa ra o esmalte
preparado meca nicamente obteve valores de adesão de 23 MPa para o
AdheSE e 36,6 MPa p ara o ExciTE . No esmalte intacto este s v alores
diminuíam c om signif icância apenas quando se utilizava o AdheSE . As
diferenças de valores de resistência ade si va eram estatisticamente
significativas quando se co mparavam os dois adesivos em estudo. Estes
resultados também estão de acordo com os encontrados no presente trabalho.
O AdheSE num estudo de 2003 (De Munck e t al. 2003 ) mostrou te r
menores valores de resistência adesiva relativament e aos adesivos que exigem
um condicionamento ácido prévio. Ad icionalmente, quando o AdheSE foi
aplicado e m classes V in vitro a adapta çã o marginal do esmalte foi também
considerada superior no sistema etch -and-rin se (Lopes et al. 2004 ).
No en tanto, mu itos f actores como o tipo e a concentração do ácido, o
tempo de a plicação, a fo rmulação dos géis e do s monómeros a cídico s e o
potencial de desmineraliz a ção da h idrox iapatite podem inf luenciar a
capacidade de de smi neralização dos condicionadores ácidos (Camps and
Pashley 2000 ; Pashley and Tay 2001 ; Perdigao, Gomes and Lopes 2006).
Os ad esivos self -etch têm monómeros que pe netram no esmalte
desmineralizado env olvendo os cristais de h idroxiapatite após a
fotopolimerização, protegendo de sta f orma este s cristais de um ata que ácido
bacteriano.
Os monómeros específicos da maioria dos sistemas adesivos self-etch
até d eterminado ponto reflectem a performance do adesivo. Os m onómeros
funcionais têm diferentes funções, eles podem actuar como co ndici onado res,
terem a função de interagir quimicam ente com o s ubstrato de ntário ou
facilitarem a penetração do monómero. Os monómeros mais utilizados nos
adesivos comerciais são o MDP e o fenil -P. O MDP foi reportado como
promissor n a adesã o química, estabelecendo ligações ión icas com a
hidroxiapatite, ao co ntrário do fenil -P que tem u ma capacidade lim itada (Li et a l.
2010).
“Estudo de adesivos self -etch e a sua capacidad e de adesão ao esmalte dentário”
268 Patrícia Teixeira Pires
No presente trabalho não f oi utilizado nen hum ad esivo co m MDP ou
fenil- P.
A deg radação dos monómeros d os adesivos self-etch pode ser evitada
usando monómeros sem a f racção éster, como por ex emp lo deri vados de
acrilamida. Estudos mostrar am que adesivos b aseados e m met acrilamidas têm
melhor desempenho e tempo d e vida útil co mparativamente com a desivos
baseados em meta cril ato. Apesar das forças de ade são se rem semelhantes e
não mo strarem relação com o tipo de monómeros, com o envelheciment o (4
semanas a 42ºC) foi provocada uma rápida d ecomposição hidrolítica d os
ésteres de metacrila to e apenas os monóm eros de meta crilamida tiveram
comportamentos semelhantes após 16 sema nas a 42ºC (Salz and Bock 2010 ).
O Xeno V tem monómeros baseados em metacrilamidas. Este adesivo
obteve valores baixos de resistên cia ad esiva a pós 2 4 h, no entanto, perante
estas ob serv a ções o seu comportamento pode ser e stáv el a o longo do tem po
relativamente a outros adesiv os de vido à sua capacidade química única.
O AdheSE tem acrilatos de ácido fo sfónico. Estes parecem melh orar a
estabilidade hidrolítica e reacção de polimeriz ação dos radicais livres. Além
disto tam bém contém bis -acrilamida q ue é um cross -linking hidroliticamente
estável (Moszner, Salz and Zimmermann 2005 ).
Os adesivos co m e tanol/água como solvente têm um ponto de ebuli ção
mais elevado e menor pressã o de va po r que os adesivos de acetona, sendo
mais difíceis de evaporar. Desta forma, m aior quantidade de solvente e á gua é
retida n os ad esivos à b ase de etano l quando comparados com mistu ras de
acetona, como é o caso do adesivo etch-and-rinse ExciTE utilizado no nosso
estudo. A polimerização adequada é então d e suma importância para o
aquecimento da superfície pa ra evaporar o eta nol e a á gua. Foi demonstrado
recentemente que a remoção de solv entes dos adesivos leva ao aumen to de
forças de tensão (Ferreira et al. 2011 ).
Outra questão é o pH do primer acídico. Os ade sivos de 1 -passo sã o
extremamente acídicos o que p ode afectar a polimerização e diminuir as
propriedades mecân icas (Hipolito e t al. 2011). Este fa cto pode justificar o pior
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
Patrícia Teixeira Pires 269
valor de resistência ad esiva o btido para o Xeno V . Contudo o FuturaBond NR
tem um pH semelhante e não obtev e o s mesmos resultados de resistê ncia
adesiva, o que sugere que o pH n ão é um factor de cisiv o p ara a resistê ncia
adesiva.
No entanto, num estudo de 2003, Breschi et al (Breschi et al. 2003)
verificaram que a penetração no es malte fo i ta nt o mais eficaz quanto menor o
pH do adesivo. Um outro e studo (Hash imoto et al. 2 003 ) verificou que d ois
adesivos self-etch utiliz ados não foram capazes d e produzir uma ligação
resina-esmalte semelhante à produzida pela técnica etch- and -ri nse ,
provavelmente dev ido ao f acto d os adesivos usado s terem um pH m édio. Um
estudo d e 2005 (Di Hipolito et al. 2005) co mparou o desempenho de trê s
adesivos self-etch n o esm alte: o Clea r fil SE Bon d, o Prompt L -Po p e o Adapter
Prompt. O Clearfil SE Bond obteve o s piores resultados p ois muito e smalte
permaneceu não condicionado. Os dois últimos são adesivos de 6ª geração de
1 só p asso e m ostraram pad rões de condicionamento do esmalte semelhantes
aos provocados pelo condicionamento com ácido f osfórico . Isto pode dever-se
ao facto da quantidade de e steres ácidos se r sup erior nos adesivos de 1 -pass o
(80%) do que no Clearfil SE Bond (25 a 30%).
No entanto, num outr o estudo, as fo rças de ade são de um self - etching
prim er ( Clearfil S E Bond ) com pH=2 no e smalte f oram curiosamente
semelhantes à s forças de resistência a desiv a obtidas pelo sistema adesiv o
etch-and-rinse ( Single Bo nd ). Estes resultado s também n ão se relacionam co m
a capacidade d e des mineralização dos m at eriais, podendo e star relacionados
com a s propriedades m ecânicas do adesivo e d a camada híbrida (Oliv eira
200 4). Segundo Pa shley e t al o utro f actor que po de desempenhar um p apel
importante na magnitude de resistência adesiva é a fo rça coesiv a d o adesiv o
(Pashley and T a y 2 001) que pode ser mesm o m ais importante do que o
potencial desmineralizante do mesmo.
Todos estes resultados laborato riais são passív eis de prever resulta dos
clínicos, especialment e se se utilizar a mostras envelhecidas nestes estudos
(Van Meerbeek et al. 2010 ) .
“Estudo de adesivos self -etch e a sua capacidad e de adesão ao esmalte dentário”
276 Patrícia Teixeira Pires
relacionados com alterações m orfológicas induzidas por este (De Munck e t al.
2002).
Se con siderarmos v erdadeira esta p remissa, concluímos no no sso
estudo que a utiliz açã o d o LASER de Er:YAG no esmalte como condicionador
não é tã o eficaz como o ácido f osfórico, u ma vez que os valores de resistência
adesiva foram estatisticamente d iferentes. Quando o esmalte fo i irradiado
apenas com LASER os valores m édios de resistên cia ad esiva fo ram de 3 2,56
MPa, mas quando se u tiliz ou o ácido fosfórico a 37% a pós o condicionamento
com LASER, os valores médios subiram para 47,16 MPa.
Um estudo de 2012 (Beer e t al. 2012 ) utiliz ou 3 grand es grupos de
trabalho: um com LA SER, um com ácido e um com LA SER+ácido e mais
importante que as d iferenças en tre os grupos, verificou -se que o resultado de
resistência adesiva era semp r e melhor quand o se utilizava um ade sivo se lf-
etch em detrimento de um adesivo etch-and-rinse n a dentina. Assim sendo, o
LASER cria uma superfície adequad a à adesão à dentina, não existindo a
necessidade do condicionamento com ácido f osfórico (Gale a nd Darvell 1999 ) .
Quando se usa o á ci do como condicionador as forças de resistência a desiv a
parecem ser m elhores do que quand o se utiliza o LASER de Er:YAG que p or
sua vez é me lhor d o que a não utilização de nenhum condicionador (Dunn,
Davis and Bush 2005 ).
Diferentes estudos chegam a conclusõ es d iferentes acerca d a ef icácia
adesiva com adesiv o s self -etch após a aplicação de substâncias
condicionadoras na superfície do esmalte. Mas o aumento das f orças adesivas
pode dever-se a um conjunto de vari áveis q ue ultrapassam a aplicação do
tratamento prévio da superfície dentária. Um dos factores que influenciam são
os monómeros que constituem o adesivo se lf-etch , que normalmente são
ésteres provenie ntes da reacção de um álcool b ivalente co m o á cido
metacrílico e derivados ácidos carboxílicos/fosfóricos . A interacção química
entre o adesivo e a e strutura d entária depende de cada adesivo em
conformidade com os seus constituintes (Soares et al. 2007) .
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
Patrícia Teixeira Pires 277
Torna-se a ssim difícil agrupar os resultados do nosso trabalho em
diferentes categorias, p orque d entro da categoria “ self -etch ” os adesivos
tiveram comportamentos diferentes, sen do que o L ASER melhora a
performance d e todos os adesivos d o estudo, mesmo dos adesivos etch -and-
rinse . Para todos os adesivos e sta diferen ça foi estatisticamente significat iva,
excepto para o self -etch FuturaBond NR, que embo ra tivesse o btido melhores
forças d e adesão no esmalte preparado com LASER, os resultados que obteve
foram estatisticamente semelhante s com os dois tipos de preparaç ão.
Um e studo de Lin (Lin et al. 1999a ) não encontrou diferenças
estatisticamente signi ficativas d e f orças de resistência ad esiva e nt re os grupos
preparados com LASER e condicionados c om ácido, dos grupo s preparados
mecanicamente e condicionados com ácido e entre o grupo preparado com
LASER e não condicionado com ácido.
b) Avaliação do tipo de falha
Na análise d o tipo de falha o btido após os testes de resistência adesiva
verificou-se a existência de uma rela ção preferencial e e statisticament e
significativa e ntre o tipo de preparação (LASER vs mecânica) e o tipo de falha
obtido. Isto parece indicar que o m odo d e preparação do esmalte pode f azer
com que os adesivos tenham alterações de comportamento com os dois tipos
de superfície obtidos com os diferentes méto dos de preparação do esmalte.
Independentemente do tipo de preparação do esmalte , o tipo de f alha
mais vezes obtido a pós os testes de resistência adesiva f oram do tipo adesivo
(adesivo/esmalte) seguido do coesivo (adesivo).
Phrukkanon e t al referiram que as fa lhas adesivas entre o dente e o
adesivo são mais fre quentes quando as forças de adesão são mais baixas
(Phrukkanon, Burrow and Tyas 1998 ) não se encontrando no entant o
explicações para esta associação.
Em relação à preparação mecânica veri fica -se que não existir am falhas
coesivas (no esmalte ou no compósito). Na preparação com LASER verifica -se
a existência d e todos os tipos de f alha p ossív eis, send o que o Xeno V fo i o
“Estudo de adesivos self -etch e a sua capacidad e de adesão ao esmalte dentário”
278 Patrícia Teixeira Pires
único com fa lhas coes ivas no esmalte. Não obstante e conside ran do que só o
LASER produziu este tipo de f alha, podemos concluir qu e este tipo de
preparação se pode associar à existência de fa lhas coesiv as, o que sugere que
a ruptura do esmalte possa se r o resulta do d as microexplosões que
enfraquecem o esmalte e dão origem a superfícies heterogéneas relativamente
às o btidas pelo p reparo mecânico (Martinez-Insua et al. 2000 ). Qu ando o
esmalte é irradiado pe lo LASER de Er:Yag são p roduzidas partículas
fragmentadas que p odem ser fo cos d e f ractura por se encontrarem sobre o
dente sem e stare m agarradas (Shahabi, Bagheri and Ramazani 2012 ). Uma
vez que só o Xeno V deu origem a esta s fract uras, p oderá pen sar -se que o
Xeno V não terá infiltrado correctamente a superfície inte ragindo com as
partículas de scritas, o que levou a f alhas coesivas no esmalte com valores d e
resistência adesiva inferiores a outros sistemas com falhas adesiva s.
Segundo Obeidi e t al as f alha s coesiv as podem também explicar -se por
fracas f orças de resistência coesiva em alguma s áreas da superfície que não a
área adesiv a. No seu estu do, observaram micro -fissuras por baixo da camada
híbrida indicando danos sub -superficiais cau sados pe lo L ASER. Isto justif ica as
falhas coesivas no grupo do LASER. (Obeidi et al. 2009).
Está descrito que elevadas forças de resistência adesiva produ ze m mais
falhas coesivas e menos f alhas adesivas (Kahveci a nd Belli 2011 ) no entanto,
neste estudo, verificaram -se resu ltados médios de resistência adesiva a o
esmalte preparado com LASER elevados e com falhas do tipo ade sivo.
Mais do que uma indicação de uma fo rça adesiva forte, as fa lhas
coesivas p odem também estar a ssociadas com a mecânica d o teste e com a
fragilidade do s ma teriais u tiliz ados ( W iegand et a l. 2011 ), como no caso de
áreas de adesão mu ito grandes poderem produzir um maior número d e fa lha s
coesivas.
A relação dos diferentes tipos de f alha com os a desiv os em estudo
continua a ser estatisticamente significativ a, no no sso estudo, quando
avaliamos, separadamente, a influência da prep aração com LASER ou d a
preparação mecânica (p <0,0 5). Tais resultados sugerem que o tipo de adesivo
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
Patrícia Teixeira Pires 279
é, efectivamente, u m facto r que s e relaciona com o tipo de f alha e que existe
uma interacção entre os dois factores (adesivo e tipo de preparação) na
relação com a tipologia de falhas.
Um estudo recente mostrou que para cada tipo de adesivo parece existir
um tipo de falha predominante e um valor es pecífico de resistência adesiva
devido à forma d e int eracção com o e smalte (Hipolito e t al. 2011 ) .
Relativamente ainda a esse estudo, a m aioria das f alhas do s adesivos self-etch
foram coesiv as no adesivo. Nos a desivos e tch- and -ri nse a maior percentage m
de f alhas f oi coesiv a (coesiva no adesivo, esmalte e compó sito). Num estudo
de Goracci (Goracci, B ertelli and Ferrari 2004 ) para os adesivos etch -and-rinse
as falhas fo ram, no entanto, d o tipo coesivo n o co mpósito , na sua maioria. Este
tipo de falha s ocorreu em associação com o s valores d e resistência ade siva
mais elevados. Em contrapartida, o grupo do adesivo self-etch obteve os
valores de resistência ade siva ma is ba ixos do estu do e a falha mais f requente
foi do tipo adesivo, na sua maioria entre o adesiv o e o e smalte
Uma ex plicação pode dev er -se ao facto dos adesiv o s etch-and-rinse
desmineralizarem m uito em profundidade cri ando uma d iscrepânci a entre esta
profundidade de d esmineralização e a p rofundidade da penetração da resina.
Este vazio pode indu zir falha s pois é considerada u ma zona menos resistente a
esforços m ecânicos. Esta zona pode ter sido o início d a f ract ura que se
propagou para o sistema adesivo e o compósito, p rovocando falhas coesivas
numa ou em todas estas zonas. No nosso e studo, o adesivo etch- and -rins e
obteve a maioria das falha s do tipo coe siv o n o a desivo, mas a penas na
preparação com LAS ER, o que poderá relaciona r-se com o tipo d e super fície
obtido ou co m o facto deste tipo de preparação ter obtido valores de resistên cia
adesiva m ais elevados. A capacidade dos adesivos d e condicion amento total
estabelecerem u ma boa retenção micromecânica com o esmalte pode explicar
a elevada percentagem de f alhas coesivas ( no substrato ou no compósito)
presentes em muitos estudos (Be loica et al. 2010).
Não existe na literatura um consenso acerca do tipo de falha obtida a pós
testes de cisalhamento (Hara et al. 1999 ), m as alguns estudos ( Paradella and
Fava 2007) demonstr am valores de resistência adesiv a ao esmalte com os
“Estudo de adesivos self -etch e a sua capacidad e de adesão ao esmalte dentário”
280 Patrícia Teixeira Pires
adesivos se lf-etch e etch-and-rinse seme lhantes, mas com diferente tipo de
falhas, podendo este facto ter implicações clínicas.
Alguns au tores consideram que a predominância de fa lhas coesivas no
adesivo p arece ser o idea l, po is em caso de falha o e smalte é preserv ado e
protegido pel a ca mada híbrida e sistema adesivo (Hipolito e t al. 2011 ). No
entanto, a natureza frágil do esmalte pode levar à redução dos valores de
adesão (Hashimoto et al. 2003 ) .
Sendo o esmalte a estrutura ma is f raca é d e esperar que a mai oria das
falhas oco rra neste substrato, em a mostras com elevadas fo rças de adesão
(Hashimoto et al. 2 003). Num estudo d e Hashimoto (Hash imoto et al. 2003 ) em
esmalte, o tipo de falhas mais comuns quando se utiliz a vam adesivos e tch- and -
rinse eram deste tipo, isto é, coesivas no esmalte. Para os adesivos self-etch a
maioria da s falhas foi do tipo adesivo. As fa lhas ad esivas entre o esmalte e o
adesivo ocorriam quando as f orças de a desão e ram baixas. No nosso e studo a
maioria das falhas foram deste tipo, independentemente do s valores m édios de
resistência adesiva.
De f acto, o ExciTE sem c. á cido está a ssociado directame nte à presen ça
de fa lhas adesivas (adesiv o/esm alte) quer no tratamento com LASER, quer no
tratamento mecânico, send o que o comp ortamento foi muito diferente em
termos de resistência adesiva. O ExciTE se m c. ácido teve valores m édios de
3,25 MPa para o esma lte preparado m ecanicamente e 2 6,12 MPa para o
esmalte preparado co m LASER e o tipo de falha predominante foi igual:
adesivo (adesivo/ esmalte).
As f alhas coesivas no compósito só se verificaram n a preparação da
superfície do esmalte com LASER. A maioria d esta s fa lhas ocorreu para o
adesivo ExciTE que fo i o adesivo com ma ior fo rça de resistência adesiva do
estudo, comprov ando a relação já d emonstrada noutros estudos entre valores
elevados de resistência adesiva e f alhas coesiv as. O Ad heSE com tratamento
mecânico apresenta -se mais susceptív e l a p rovocar falhas mistas.
O tipo de f alha mais f requente pa ra o Xeno V e p ara o ExciTE no grupo
preparado com LASER foi do tipo coesivo (adesivo), indicando que existe
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
Patrícia Teixeira Pires 281
integridade da inte r fa ce adesiva (Shahabi, Bagheri and Ramazani 20 12 ). P elo
contrário, o s grupos que produziram falhas ade sivas ou mistas indicam que a
interface adesiva foi o local de stres s , o que resultou num pa drão irregular.
c) Avaliação d os pa drões de desm ineral ização
A microscopia electrónica d e varrimento de alta resolução possibilita um
estudo ultramorfológico do esmalte , permitindo avaliar o grau de penetração
dos adesivos nesta est rutura.
No nosso e studo existiu uma diferença estatisticame nte significativa
(p<0,05) entre a preparação do esmalte com L ASER e a preparação mecânica
do esmalte, a nível de desmineraliz ação.
As prepa rações com LASE R obtiveram em mé dia maiores n ív eis de
desmineralização relativ ame nte à s preparações mecânicas do esmalte
Também quando avaliamos o efeito conjun to do tipo de p reparação e do tipo
de adesivos, podemos a firmar a existência de diferen ças estatisticam ente
significativas (p<0,05) entre os dez g rupo s gerado s.
I. D e s m i n e r a l i z a ç ã o n a p r e p a r a ç ã o m e c â n i c a d o e s m a l t e
Relativamente aos espécimes preparados meca nicamente veri fica -se
que os adesivos ExciTE e A dheSE obtiv eram padrõ es semelhantes entre si e
melhores que os re stantes. Este resultado contraria algu ns estudos que
indicam que os padrões de desmineraliz ação obtidos d iferem caso se use o
ácido fosfórico a 37% ou um monómero acídico (Hashimoto, Ohno et al. 2003).
O que a literatura indica é que, por norma , os adesivos self-etch não
conseguem condicion ar o esmalte tão bem quan to os adesivos e tch- and -ri nse
e que quanto mais f orte , ist o é quanto me nor for o pH do monómero acídico,
maior a semelhança do padrão de desmineralização visualizado ao MEV com o
produzido pelo ácido fosfórico (Di Hipolito, de Goes e t al. 2005).
Os bons resultados adesivos atribu ídos ao ácido fosfórico devem -se à
morfologia d a inter fa ce que é obtida quando o esmalte é preparado com ácido
fosfórico em concentrações que variam entre 34 -37% com uma estrutura
“Estudo de adesivos self -etch e a sua capacidad e de adesão ao esmalte dentário”
282 Patrícia Teixeira Pires
tridimensional festonada em oposição à i nterface plana provocada pelos
sistemas self-etch . Este conce ito é suportado pelos estudos que mo str am
quedas de valores de resistên cia adesiva qua ndo as concentrações de ácido
fosfórico de scem para valores de concentração de 2 a 5% (Erickson, Barkmeier
and Kimmes 2009 ; Erickson, Barkmeier and Latta 2009 ).
Mas o AdheSE obteve no nosso estudo pa drões de desmineralização
semelhantes aos obtidos pela técnica do con dicionamento total.
Os adesivos de 2 -passos contêm a resin a hidrofóbica sem solvente no
segundo f rasco. As melhores propriedades do s ad esivos com esta f ormulação
podem se r responsá veis p elos m elhores resultados ob tidos no pa drão de
desmineralização (Lim a et al. 2012).
Quando se utilizou o Ex ciTE foi possív el obse rv a r-se
macroscopicamente, após o condicionamento com á cido fosfórico um a specto
de giz esbranquiçado após a secage m com a seringa de ar. Só este siste ma
apresentou este aspecto, bem como um padrão típico de desminerali zação (em
favo de mel).
O ExciTE s e m condicionamento ácido foi o pior do e nsaio, obtendo
todas a s a mostras sem definição de prismas de esmalte. Este r e sultado er a
espectável uma vez que a p reparaç ão m ecânica nã o confere n enhum tipo de
condicionamento ao esmalte e já Bu onocore e m 1955 mo strou a necessidade
de condicionar o esmalte por fo rma a se obterem fo rças de retenção aceitáveis
e capazes de reterem as restaurações in vivo .
O FuturaBond NR e o Xeno V tiveram um resultado intermédio de
desmineralização que foi semelhante entre eles. Num estudo de 2008, os
adesivos se lf-etch mostraram uma d esmine ralização supe rficial e se melhante
entre eles (Holz meier et al. 2008 ), o que não foi verdade para o n oss o estudo
no que ao adesivo de 2 -passos AdheSE diz respeito , cu jo padrão de
desmineralização f oi mais definido do que o obtido com o FuturaBond NR e o
Xeno V. Estes adesivos têm pHs semelhantes o que pode ter tido in fluência no
grau de desmineraliz ação, mas o FuturaBond NR teve um melhor
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
Patrícia Teixeira Pires 283
comportamento nos te stes de resistência adesiva quand o o esmalte f oi
preparado mecanicamente: 21,03 MPa vs 14,77 MPa obtido pelo Xeno V.
No entanto, a obtenç ão de um padrão específico de desminerali zação
parece não s er um factor crítico nas forças de adesão (Lopes, Baratieri et al.
2002).
Num estudo de 2003 (Breschi et al. 2 003) verificou -se que a penetração
no esmalte f o i tanto ma is ef icaz quanto meno r o pH do adesivo, po dendo -se
até obter um padrão em tudo semelhante ao deixado pe lo ácido fosfórico a
35%. Um outro estudo (Hashimoto et al. 2003) verificou que dois adesivos self-
etch utilizados não foram capazes de produzir uma ligação resina -esmalte
semelhante à produzida pela técnica etch- and -ri nse , isto pode dever -se ao
facto d os adesivos usados terem um p H médio. Um estudo d e 2005 (Di Hipolito
et a l. 20 05) com parou o desempenho de três ade sivos self-etch no esmalte: o
Clearfil SE Bond, o Prompt L -Pop e o Adapter Prompt. O Clearfil SE Bo nd
obteve os piores resultados pois muito esmalte permaneceu acondicionado. Os
dois último s são adesivos d e 1 -passo co m dois comp onentes ta l como o
FuturaBond NR e mo straram padrões de condiciona mento do esmalte
semelhantes aos p rovocados pelo condicionamento com ácido f osfórico. Isto
pode dever-se ao f acto da quantidade de este res ácidos ser supe rior nos
adesivos de 1 -passo com um componente (80%) do que no Clearfil SE Bond
(25 a 30%) de 1 -passo com dois componente s.
II. D e s m i n e r a l i z a ç ã o n a p r e p a r a ç ã o d o e s m a l t e c o m L A S E R
No nosso estudo as amo stras tratadas com LASER o btivera m , em
média, p adrões de desm ineraliz ação mais profundos do que as amostras
tratadas mecanicamente.
Estudos mostram que a superfície irradiada com LASER tem um aspecto
muito característico c om a formação de bolhas e microporos que pa r ecem
resultar da ablaçã o e da desgaseificação da água que é vaporiz ada o que
parece beneficiar a interface para a penetração e ret enção micromecânica da
resina (Kwon et al. 2003) .
“Estudo de adesivos self -etch e a sua capacidad e de adesão ao esmalte dentário”
284 Patrícia Teixeira Pires
Mas e ste resultado pode estar a ser inflacionado pelo f acto do E xciTE
sem condicionamento ácido ter dado origem à a usência de definição de
prismas em todos os espécimes preparados mecanicamente.
O á cido fosfórico produz u m pad rão retentivo e remove a sm e ar layer .
Da mesma forma, as sup erfícies tratadas com LASER poderão e star
receptivas, até um determinado ponto, p ara a infiltração de monómeros, de vido
à ausência da smear layer e ao padrão microrete ntivo. Ao co ntrário do
tratamento com ácido fo sfórico que produ z supe r fícies repetitivas, o LA SER
produz super fícies heterogénea s com f issura s extensas na superfície d o dente
(Martinez-Insua et al. 2000 ). A associação e ntre estes dois f actores pode
explicar o p adrão bem definido visualiza do ao MEV n as amo stras
condicionadas com LASER e tratadas c om o ácido f osfórico do sistema etch -
and -rinse utiliz ado.
No e ntanto, a super fície do esmalte obtida n um estudo recente após
condicionamento com LA SER mostra um padrão de desmineralização dife rente
consoante as diferentes distâncias d e irradiaçã o, podendo a tingir p adrões de
desmineralização tipo III semelhantes à s obtidas com o condicionamento ácido
(Basaran, Hamamci and Akkurt 2011 ). Num estudo de Ozer et al, o t ratamento
com ácido fo sfórico p rovocou um p adrão tip o III, com superfícies rugosas
regulares. A d issolução da hidroxiapatite com o ácido f osfórico produziu ta gs e
superfícies rugosas que permitiram a adesão mecânica da resina (Ozer,
Basaran and Berk 2008).
Estudos mostram que e ste LASER é tão ef icaz em condicionar o
esmalte como o ácido f osfórico (Basaran, Hamamci and Akku rt 2011 ), o que
pode estar relacionado com alterações na microm orfologia do e smalte
preparado com L ASER. A superfície produzida é ta mbém resistente ao ácido
devido à m udança d o ratio cálcio/fós fo ro prov ocado pela irradiação, que reduz
o ratio carbon ato/fosfato, levando à f ormação de compo nentes mais e stáveis e
menos solúveis, d iminuindo assim a susceptibilidade à cárie (Basaran et a l.
2011).
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
Patrícia Teixeira Pires 2 85
No entanto, estes resultados p arecem estar m uito dependentes d os
parâmetros u sados no estudo (So uza-Gabriel et al. 2008), como a d istância de
irradiação ou a potência do LASER.
No nosso estudo o ExciTE sem c. á cido obteve p adrões de
desmineralização com alguma ou boa definição d e p rismas, de qualquer f orma
inferior à que se v erif icou co m o condicionamento ácido quer na superfície
tratada com LASER quer na superfície tratada mecanicamente.
O aumento da área de superfície pelo condicionamento ácido pa rece ser
o f actor mais importante na adesão ao esmalte. A superfície tratada com
LASER parece ter microespaços limitados para a penetração dos monómeros o
que p arece resultar numa f raca impreg nação. O condicioname nto ácido
aumenta a energia l ivre d o esmalte p ara que os monómeros da resina
penetrem no esmalte selando -o. O LASER, pelo contrário, diminui a energia de
superfície livre d evido ao processo de transição de f ases acompanhado de
perda de água, fusão e solidificação (Kwon et a l. 200 3 ). Apó s o LASE R são
formadas fases não-apatitas deficientes em água. Esta c amada pode e star
ligada vagamente à camada ina lterada do substrato lev ando a uma f raca
ade são ao s materiais resta uradores (Eguro et a l. 2 001 ; Obeidi et al. 2009 ) .
Todas esta s considerações são válidas e explicam o resu ltad o de alguns
investigadores, m as na nossa investig ação o LASER provou se r eficaz tanto na
obtenção de b ons padrões de desmineralização, como n a obtenção de boa s (e
melhores que as amostras preparadas mecanicamente) forças de resistência
adesiva.
Estas diferen ças podem o correr devido à micromorfologia das
superfícies irradiad as com L ASER exibirem padrões m enos regulares e me nos
homogéneos com f issuras que resu lta m do calor gerado durante a irradiação, o
que pode ser ad verso p ara a adesão (Chimell o-Sousa e t al. 2006 ) e que pod e
estar relacionado com a distância de irradiação.
No nosso estudo , foi utilizado u m modo de não contacto, como
recomendado por al guns investigadores refe ridos por Basaran (Ba saran,
Hamamci and A kkurt 2011 ) a 1 mm de distância. E sta distância p arece ser a
“Estudo de adesivos self -etch e a sua capacidad e de adesão ao esmalte dentário”
292 Patrícia Teixeira Pires
tratada co m LASER. Po r outro lado, Corona (Corona et al. 2001) m ostrou que
os espécimes condicionados apenas com o LASER de Er:YAG (sem
condicionamento ácido) foram os piores do estudo. Um outro estudo (Delme,
Deman and De Moor 2005 ) ch egou à conclusão que a utilização do ácido era
importante nas classes V tratadas com LASER de Er:YAG.
Estas diferenças podem relac ionar-se com o tipo de LASER u tiliz ad o.
Alguns estudos u tilizam o L ASER de Er,Cr:YSGG e, outros, o L ASER de
Er:Yag.
Outros e studos que também u tilizaram um LASER Er:YAG (Ka raa rslan
et al. 20 12) mostraram que a mi croinfiltração f oi semelhante, isto é, não
existiram diferenças estatisticamente signi ficativas entre o s grupos irradiados
com LASER ou pre parados com brocas. Es te resultado vai d e e ncontro aos
nossos resultados.
Quanto à po tência, um estudo m ostrou que o LASER de Er,Cr:YSGG a
2 W com 20Hz ou 4 0 Hz e ra eficaz n o condicionamento do e smalte, sendo uma
alternativa eficaz ao condicionamento ácido (Bay gin et al. 2012 ) .
Roebuck et al e Krmek et a l (Krmek et al. 2010 ; Roebuck, Saunders a nd
W hitt ers 2000) utiliz aram en ergias semelhantes e ambos obtiveram
microinfiltrações m ínimas em ca vidades classes V em esmalte preparado co m
LASER com e sem ácido f osfórico, ta l como nós no presente estudo, embora
os espécimes preparados com LASER e ácido tenham obt ido em percentagem,
maior n úmero de esp écimes sem infiltração, valores semelhantes aos o btidos
com o adesivo self-etch Xeno V. Este ade sivo foi o adesivo self-etch com
menor taxa de in filtração m arginal n as cavidades p reparadas com LASER ,
embora todos os e spécimes tenham tido inf iltrações marginais se melhantes
(p>0,05).
III. C o m p a r a ç ã o d a m i c r o i n f i l t r a ç ã o n o e s m a l t e p r e p a r a d o
m e c a n i c a m e n t e e c o m L A S E R
Na p resente d issertação o s resu ltados de m icroinfiltração entre a
preparação me cânica e a preparação com LASER n ão foram e stat isticamente
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
Patrícia Teixeira Pires 293
significativos. Dentro dos a desiv os utili zados para cada tipo de preparação
também não existiram diferenças estatisticamente significativas.
Um estudo d e 2008 (Sha habi, Ebrahimpour and W alsh 2008 ) obte ve
menor m icroinfiltração n o grupo preparado com LASER, mas quand o ao
LASER se associou o ácido fosfórico o u se procedeu à utiliz ação de brocas
antes da aplicação do L ASER os valores de m icroinfiltração subiram, ta l como
num estudo de Ergucu (Ergucu, Celik and T urkun 2007 ). Resultados opostos
foram e ncontrados por Borsatto (Borsatto e t al. 2 001) e Gutknecht (Gutkn echt
et al. 2001 ). No nosso estu do a asso ciação do ácido ao cond icion amento com
LASER não aumentou a microinfiltração.
Entre os a desivos em estudo, independentemente do ti po de
preparação, também não existiram diferenças estatisticamente sig nificat ivas,
mas os comportamentos dos adesivos v ariam em função de muitos outros
parâmetros (ex. com posição do adesivo, ef iciência da evapora ção do solvente,
quantidade de á gua presente no substrato, en tre outros), f icando dif ícil a valiar
se a p ermeabilidade da inte rface está mais relacionada com as características
do adesivo ou com a técnica de ades ão (Mal acarne -Zanon et al. 20 10) .
Na aná lise de co rrespondências efectuada com o objectivo de de finir a
relevância do s diferentes ti pos d e tratamentos utilizados nos 10 grupos (dois
tipos de preparação com cinco adesivos em cada), o modelo não f oi
estatisticamente significativo, não nos permitindo tirar quaisquer ilações ace rc a
de tendências de comportamento.
Os adesivos simp li ficados ac tuais evoluíram no sentido do m enor
número de pa ssos clínicos o que levou à elab oração de adesivos com um
maior número de m onómeros h idrofílicos, como o HEMA, o MDP, o BP DM ou o
MAC 1 0. Quanto mais h idrofílicos, m ais ácido s e com mais so lvente os
adesivos, maior a permeabilidade em soluç ão aquosa (Malaca rne- Zanon e t a l.
2010). Os adesivos m ulti-passos têm uma f ase separada constituída pela
resina hidrofóbica, sem solvente o q ue os torna menos permeáv eis à á gua.
Estudos clínicos a lon go p razo, refe ridos por Malacarne -Zanon
(Malacarne-Zanon e t al. 2 010) mostraram q ue o s adesivos simp lificados
“Estudo de adesivos self -etch e a sua capacidad e de adesão ao esmalte dentário”
294 Patrícia Teixeira Pires
mostravam deterioração marginal com descoloração e p erda de retenção,
provavelmente por que estes adesivos p arecem actuar como membranas semi -
permeáveis após a po limerização, permitindo que a água se difunda na
camada de adesivo. De facto , a ssim que o s componentes dos adesivos que
ficam por rea gir são libertados devido à difusão d e água atrav és d as cadeias
poliméricas, espaços vaz ios f icam preenchidos por á gua d entro da m atriz
polimerizada, tornando a interface adesiv a permeável.
Clinicamente, os melhores resultados parecem ser obtidos pe los
adesivos de ionómero d e vidro (estudo s realiz ados em classes V). Os adesivos
self-etch de 2 -passos intermédios comportam-se igualmente bem (Peumans et
al. 2012). Os adesivos fortes de 1 -passo têm um pior de sempe nho in vivo e in
vitro , m as estudos mais rece ntes m ostram sistem as melhorados evoluindo
favoravelmente em direcção a melho res forças de adesão (Van Meerbeek et al.
2010).
Ambas as margens de esmalte tratadas c om um adesivo self-etch e
etch-and-rinse tiv eram u m desempenho clínico seme lhante de 6 meses a 2
anos em vários e studos (Perdigao, Geraldeli and Hodges 2003 ; Turkun 2005 ;
Turkun 2003 ) .
Estudos in vivo com a duração d e 18 meses mostraram que os do is
sistemas adesivos etch - and -rinse e self-etch m ostraram taxas clínicas de
retenção aceitáveis de acordo com os critéri os da ADA para a adesão ao
esmalte (Dalton Bittencourt et al. 2005 ; Osori o et al. 2003 ; Perdig ao et al.
2005a). No entanto, os adesivos self-etch mostraram uma degradação marginal
mais acelerada (Dalton B ittencourt et al. 2005).
Desta fo rma, mais e studos clínicos são desejáv eis para que dife r ença s
na microinfiltração sejam mais evidentes.
I V . U t i l i z a ç ã o d e O z o n o
O poder oxidante d o ozono provou ser ef icaz na eliminação de bactérias
e a sua capacidade de quebrar os p rodutos ácido s produzidos p elas bactérias
cariogénicas fo i testemunhado em vários estud os (Lynch 2004 ; Nagayoshi et
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
Patrícia Teixeira Pires 295
al. 2004 ) sendo uma opção terapêutica p ara a desinfecção da s cavidades a pós
a remoção convencional do tecido cariado (Schmidlin, Zimmermann and Bind l
2005) .
Nas lesõe s de cárie p ro fundas onde se opta p or deixar a última camada
de denti na desmine rali zada, p ois este tecido ma ntém a integridade das f ibrilas
de colag énio que permitem a remineraliz ação, o ozono po derá ser
particularmente útil. É sabido que mesmo após a remoção d o tecido cariado,
algumas bactérias podem permanecer na prepa ração. E stas bactérias
residuais podem provocar cá ries secundári a s e infla mação pulpar (Alani and
Toh 19 97 ; Schmidlin, Zimmermann and Bindl 2005 ) .
No esmalte a aplicação de ozono p oderá ser impo rtante na de sin fecção
da superfície antes da co locação dos selantes ou do s braquetes ortodônticos.
Por poss uir uma a ctiv ida de ba ctericida elev ada (Nagayoshi e t al. 2004 ) a
aplicação do o zono pode prevenir a de smineraliz a ção do esmalte por b actérias
cariogénicas.
Neste estudo, o ozono f oi ap licado n o esmalte durante 20 se gundos. O
ozono elimina 9 9,9% da s bactérias presentes após este tempo de aplicação
(Baysan and Lynch 2005 ; Bocci 2006 ; Chahverdiani and Thadj-Bakhche 1976 ) .
O tratamento com ozono parece ser benéfico pa ra inactiv ar m icroorganismos
que provocam cáries e permitir uma re -mineralização das estruturas dentárias,
podendo ser uma alternativa às b rocas. Segundo os fabri cantes uma cavidade
tratada com ozono pode ser r estaurada, se n ecessário (Onisor, Bouillaguet and
Krejci 2007) .
Os adesivos a ctuais possuem componentes a ntibacterianos, m as não é
clara a duração do seu efeito nem a certeza que os c omponentes
antibacterianos libertado s sejam suficientes p ara inibir clinic am ente as
bactérias (Atac, C ehreli and Sener 2001 ).
No entanto, não só a elim inação do tecido cariado permite o re -
estabelecimento da saúde oral. Uma correcta in terface entre o dente e a
restauração dim inui substancialmente a m icroinfiltração e a passagem de
nutrientes da cavidade oral para as b actérias rem anescentes existentes po r
“Estudo de adesivos self -etch e a sua capacidad e de adesão ao esmalte dentário”
296 Patrícia Teixeira Pires
baixo da resta uração (Schm idlin, Zimmermann and B indl 2005 ). Em 1966,
Mayers af irmava que as margens das restaurações possuíam m icr oespaços
dinâmicos com um tráfic o acelerado de mo léculas e iões (Alani and T oh 1997 ;
Fortin et al. 1994) .
Um est udo de O nisor (Onisor, Bouillaguet and K rejci 2007 ) com um
adesivo self-etch mostrou n ão haver inf luência do ozono na integridade
marginal de restaurações no esmalte, o mesm o não se verificando para a
dentina, cuja aplicação parece influenciar negativamente a inte gridade
marginal.
No presente estudo a aplicação do oz ono te ve inf luência na
microinfiltração marg inal . De f acto, quando o ozono foi aplicad o a
microinfiltração a umentou . E ste aumento f oi m ais e vidente para o adesivo self-
etch do que para o adesivo etch-and-rinse util izado (p<0,05). Só o adesivo se lf-
etch apresentou infiltração em mais de metad e da ca vidade e até à parede
axial.
Um e studo d e 2 007 concluiu que , em esmalte, a utilização de o zon o não
fazia dim inuir a infiltração marginal quando a restau ração era realizada com um
adesivo self-etch com con dicionamento ácido prévio d o esmalte (Onisor,
Bouillaguet and Krejci 20 07). Isto pode ser atribuído ao efeito de lim peza do
ácido fosfó rico, q ue poderá ter removido a contaminação da superfície do
esmalte com ozono e/ou ao fa cto destes procedimentos n ão interferirem com
as p ropriedades do esmalte como mostrou Celiberti et al (Celib erti, Pazera and
Lussi 2006).
Estes res ultados não parecem estar rel a cionados c o m alte raçõ es d a
superfície p orque Celiberti (Celiberti, Pazera and Lussi 2006 ) estudou o
impacto d o ozono nas propriedades f ísicas do esmalte e não encontrou
diferenças estatisticamente significativas entre as amostras de co ntrolo e as
amostras tratadas com ozono. O o zono con seguiu a penas desidratar o esmalte
e consequentemente aumentar a sua microdurez a, que foi reversível.
Estes resultados també m não pa recem relacionar -se com f orças de
resistência adesiva pois no nosso estudo de 2008, apresentado a esta
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
Patrícia Teixeira Pires 297
faculdade como dissertação para p rovas de me strado, o ozono não mostrou ter
qualquer influê ncia nos valores de resistência adesiva. A s difere nças não foram
estatisticamente significativas n o que diz r espeito às forças de resistência
adesiva com e sem ozono tanto para o ExciTE co mo para o AdheSE.
Alguns estudos mostram que a utiliz ação de oxig énio e age ntes
oxidantes podem com prometer uma adequ ada adesão (Garcia-Godoy 1993) .
Exemplos disso são as restaurações realizadas após tratamentos d e
branqueamento dentár io (Moule et al. 2007 ; Rueggeberg and Margeso n 1990 ) ,
mas os nossos resultados m ostram que o o zono pode ser usa do de f orm a
segura ime diatament e a ntes da ap licação de um sistema a desiv o. Estes
resultados e stão de acordo com um estudo realizado por Schm i dlin et al onde
não foram encontradas diferen ças estatisticamente significativ as entre
amostras tratadas com e sem ozono nos valores de resistência adesiva de um
sistema etch- and -rinse . Num estudo de 2008 sobre adesão dos braquetes
ortodônticos também não foram encontradas d iferenças estatisticamente
significativas nas f orças d e adesão entre os grupos tratados com e sem ozono
(Al Shamsi et al. 2008).
A ma ior influência do ozono no s valores de microinfiltração n os adesivos
self-etch p ode dever-s e ao f acto do ácido dos adesivos e tch- and -rinse remover
a camada ma is superficial d o esmalte e a aplicação do ozono como é curta ser
pouco importante para inf luenciar a microinfiltração. Pelo contrário, os adesivos
self- et ch não são lavados e o ozono é incorporado na ade são podendo explicar
esta influência que se repercutiu no s resu ltados: as amostras tratadas co m
ozono apresentaram em média maiores nív e is de microin f iltração.
No entanto, o ozono não parece ter sido o único responsável p elo
aumento da microinfiltração, uma vez que as amostras tratadas com o AdheSE,
o adesivo self-etch escolhido como representante do grupo , obtiveram no
mínimo infiltração em mais de metade da cavidade o que não o correu para a s
amostras tratadas com ExciTE mesmo com oz ono.
Concluímos então que o ozono aumenta os níveis de microinfiltração,
mas que e ste aumento é mais relevante para o adesivo self-etch Ad heSE pois
“Estudo de adesivos self -etch e a sua capacidad e de adesão ao esmalte dentário”
298 Patrícia Teixeira Pires
só este apresentou diferenças estatisticamente signi ficativas na utilização e n a
não utilização do ozono antes do procedi mento adesivo.
Verificamos ainda n a dissertação apresentada em 2008, que dentro d e
cada grupo de tratamento, 33,3% das falha s no grupo do ExciTE com o ozono
foram do tipo coesivo no ad esivo, en quant o nos outros três g rupos o tipo de
falha predominante foi do tipo adesiv o entre o esmalte e o adesivo.
Pela análise dos resultados, embo ra as d iferenças não sejam
estatisticamente significativ as, a utilização do AdheSE fa z com que a maior
parte das falhas seja ade siva entre o e smalte e o adesivo o que pode estar
relacionado com os baixos valores de resistência adesiva presente neste grupo
e elevados nív eis de microinf iltração.
V. Desi nfecção da cavidade: c omparação entre o ozono e o
LASER
Pela a nálise dos resultados verifica -se que em termos de ad esão é mais
vantajosa a utilização do LASER do que a utiliz ação do o zono, muito embora,
ambos sejam comprovados agentes desinfectantes. No entanto, o LA SER alia
a esta capacidade, a vantagem de favorecer as f orças de resistência a desiva,
como vimos.
Quando se compa ra a microinfiltração nas cavidades preparadas com
broca e ozono com a s cav idade s prepa radas com LASER, verifica -se uma
tendência para a existência de mais infiltraçã o no primeiro grupo.
Além disso, a u tiliz ação do LASER, de ac ordo com os nossos
resultados, não altera os n ív eis de microinfiltração independentemente do tipo
de adesivo escolhido p elo médico -dentista para realizar a restau ração. O
ozono, pe l o contrário, parece prejud icar a integridade marginal, já que mostra
valores de infiltração superiores quando o adesiv o self-etch é utilizado.
V I . A v a l i a ç ã o d a t e r m o c i c l a g e m : c o m p a r a ç ã o e n t r e a r e a l i z a ç ã o
d e 5 0 0 c i c l o s vs 1 5 0 0 c i c l o s
Um regime de 500 ciclos de te r mociclagem é preconizado pela ISO TR
11450. N o entanto, a informação d ad a por este reduzido número de ciclos
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
Patrícia Teixeira Pires 299
parece ser pouco importante, pois por v e zes chegam a ser necessários 100
000 ciclos para se induz irem d iferenças n os valores d e a desão (Van Meerbeek
et al. 2010).
Uma meta análise d e 200 1 refere que a termociclagem não afecta a s
forças de resistência adesiva, pelo m enos quando são usados os 5 00 ciclos
recomendados pelas normas ISO (De Munck et al. 2005).
Mandras et al verificaram que as dife renças n a microinfiltração de
resinas compostas t ermocicladas com 250 e 1000 ciclos não eram
significativas (Alani and Toh 1997 ). Huang não o btev e dife renças
estatisticamente significativ as nas f orças de adesão quando utilizava 0, 500,
1000, 2000 e 3000 ciclos de ter mociclagem (Huan g et al. 2004).
O protocolo da ISO de 500 ciclos pa rece, desta forma, ser muito baixo
para se obter um factor de envelhecimento.
Um estudo realizado na Gré cia efectuou 5 000 ciclos de termociclagem e
obteve v alores de ad esão estatisticamente dife rentes entre os grupos que
foram sujeitos e os que não foram sujeito s a este p rocedimento. Esta diferença
aconteceu para os ad esivos e tch-and-rinse e para os a desi vos self-etch
utilizados no estudo (Helvatjoglu-Antoniades, Ko liniotou-Kubia and
Dionyssopoulos 2004).
A diminu ição da efectividade adesiva apó s o envelhecimento dos
espécimes neste tipo de estudos, pod e dever -se à degradação dos
componentes da interface por hidrólise da resina e/ou colagénio.
A água quente ace lera a h idrólise dos componentes da interface,
fazendo o consequente aporte de água e a eliminação dos produ tos da
reacção, po r outro lado, devido a f enómenos de expansão/contracção os
stresses gerados s ão tran smitidos à interface dente/biomaterial causando
fendas que pe r mitem a troca de f luídos, num f enómeno d enominado
“percolação” (De M unck et al. 2005 ) .
A longevidade das restaurações encontra -se de certa f orma relacionada
com a capacidade de se manter íntegra a interface entre a resina e o dente , o
“Estudo de adesivos self -etch e a sua capacidad e de adesão ao esmalte dentário”
300 Patrícia Teixeira Pires
que, por sua vez, e stá d ependente do adesiv o u tilizado, da m anipulação do
mesmo e da sua composição (Van Meerbeek et al. 2010).
As ligações entre a r e sina e o esmalte pa recem ser m ais estáv eis no
tempo quando produzidas por adesivos etc h- and -rinse . Aparentemente e les
selam o caminho da difusão da á gua para z onas vulneráveis da interface,
retardando a degradação adesiva (De Mun ck et al. 2005).
Quando se u tiliz a um a desivo etch -and-rinse o s resultados são me lhore s
comparativamente com o s adesivos se lf-etch tanto quando se realiz a m 10 000
como 20 000 ciclos de termo ciclage m (Turk et al. 2010) .
No esmalte existe muito pouca informa ção disponív el acerca da
durabilidade dos adesivos self-etch . Num estudo d e Miyazaki et al (Miya zaki,
Sato and Onose 2000) a f orça de a desão diminu ía após a te rmoci clagem. No
entanto, esta diminuição parece ter p ouca influência n a a d esão in vivo ao
esmalte (De Munck et al. 2005 ). Gale reportou incompatibilidades entre os
diferentes e studos d e termociclagem e af irmou que o número de ciclos in vivo
permanece indeterminado, requerendo mais estudos nesta área de pesquisa.
Eles propuseram que o s ciclos in vivo possam ocorrer en tre 20 a 50 vezes por
dia e que, sendo assim, 10 000 ciclos parecem representar um ano de função
in vivo (Gale and Darvell 1999).
O presente e studo utiliz ou um grupo com 500 e um grupo sujeito a 1 500
ciclos de termociclagem. A te rmociclagem v eio dar mais validade aos
resultados uma vez que criou condiçõe s mais exigentes de envelhecimento
descritas pelas normas inte rnacionais (ISO 20 03). A s diferenças obtidas f oram
estatisticamente significativas (p<0,05).
Apenas os grupos sujeitos a 1500 ciclos de t ermociclagem apresentaram
valores de infiltração em mais de m etade d a ca vidade ou mesmo infiltração até
à parede axial.
A diminuição de f orças de a desão p ode ser a tribuída ao aumento da
absorção de água ou à solub ilidade d o compósito ou aos dois após a exe cu ção
da termociclagem (Daub et al. 2006).
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
Patrícia Teixeira Pires 301
Quanto aos 4 tipos de ad esivos utilizados n o n osso estudo não existiram
diferenças e statisticamente significativas para cad a tip o de adesiv o quando se
faziam 5 00 ou 1500 ciclos de termociclagem excepto para o AdheSE. Só este
adesivo self-etch d e 2-passos mostrou um pior de sempenho que foi
estatisticamente significativo quando se utilizavam 1500 ciclos em comparação
com os 500 ciclos de termociclage m.
Este ad esivo também apresentou um resultado diferente n a aplicação do
ozono ao contrário do ade sivo etch - and -rinse , que mo strou um comportamento
idêntico com e sem a aplicação do ozono e com 500 e 1500 ciclos de
termociclagem. Isto lev a-no s a concluir que o comportamento do Ad heSE está
muito dependente da técnica o u das condições de envelhecimento, que podem
levar à sua rápida deterioração provavelmente por h idrólise dos seus
constituintes. Os fa bricantes d efendem q ue o uso d o monómero acrilato do
ácido fos f órico p resente no AdheSE e m ve z d o monómero éster do ácido
fosfórico f az com que e ste adesiv o seja mais estável à h idrólise (Pe rdigao,
Gomes et al. 2006 ) o que não pa rece ser v erdade pelos resultados dest e
estudo. A n ív el de resistência adesiva a preparação do esmalte com LASER e
com b rocas, também induziu d iferenças no comporta mento deste adesivo cujos
valores d e resistência adesiva foram mu ito díspare s. A d esmineraliz ação
também foi diferente nos dois tipos d e preparação. T udo isto nos leva a crer
que este adesivo está muito dependente da té cnica e da s condiçõe s de
utilização, no entanto, m ais estudos são aconselháv eis para e studar até que
ponto o comportamento deste adesivo p ode ser expectável. As características
individuais relacionadas com o adesiv o como a v iscosidade, a tensão
superficial, a interacção química dos monómeros, o co nteúdo de água e as
forças coesivas desempenham um importante papel na ef icácia da ade sã o
(Ibrahim, Elkassas and Yousry 2010 ).
“Estudo de adesivos self -etch e a sua capacidad e de adesão ao esmalte dentário”
308 Patrícia Teixeira Pires
Enquanto o ácido fosfórico remove a sm ear layer criand o um padrão de
favo de mel (Breschi, Gobbi et al. 2 003), os ade sivos self-etch criam um padrão
ir regular, não-ho mogéneo. No entanto, no nosso estudo o AdheSE quando foi
aplicado no esmalte preparado m ecanicamente obte ve também este padrão
característico dos adesiv o s e tch- and -rinse .
Apesar deste padrão estar associado a m elhores fo rças d e resistência
adesiva os resultad os de ste trabalho mostraram que os valores de resistê ncia
adesiva mais elevados ocorreram pa ra o adesivo etch -and-rinse, ExciTE, par a
os dois tipos de preparação, indep endentemente d os padrões de
desmineralização serem semelhantes a alguns a desivos self-etch .
Os espé cimes condicionados com ExciTE obtiveram os padrões de
desmineralização mais bem definidos e também as m aiores f orças de
resistência adesiva, seguidos dos adesivos self -etch .
O padrão de d esmineralização associa - se , de uma fo rma geral , aos
valores d e resistência a desiva, com excepção d o A dheSE, do FuturaBond NR
e do Xeno V. O Ad heSE preparado mecanicamente obteve uma bo a
desmineralização superficial, mas forças de resistê ncia adesiva relativamente
baixas (14,77 MPa). O Fut uraBond NR apesar d e te r valores de resistên cia
adesiva semelhantes nos do is tipos d e preparação (23 , 3 e 21,03 MPa, para a
preparação com LASER e m ecânica, respectivamen te) obteve um padrão de
desmineralização com me lhor definição de prismas no esmalte preparad o com
LASER. O Xeno V f oi o ad esivo verdadeiram ente simplificado usado nest e
estudo uma vez que é on e bottle . O Xeno V preparado com L ASER foi o quint o
adesivo com me lhor com portamento a nív el de resistência a desiva e o o itav o
(em dez) quando o esmalte fo i p reparado mecanicamente, ind ependentemente
dos padrões de desmineralização terem sido semelhantes.
Num e studo de Andrade et a l (Andrade et al. 20 10 ) as forças a desiv as
do FuturaBond NR f oram tão e levadas quanto as obtidas pelo sistema etch-
and -rinse de 2-pa sso s e embora este resultado não seja consensual na
literatura, isto significa que quand o o esmalte está p reparado , alguns ade sivos
self-etch fortes e intermédios p odem obter valores d e resistência a desiva tã o
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
Patrícia Teixeira Pires 309
elevados quanto o s obtidos pelos adesivos que usam o ácido fosfó rico. A pesar
do padrão de condicionamento não ter sido tão evidente com este ad esivo nem
tão profundo co mo o o btido pelo ácido f osfórico, pô de -se observar um
condicionamento selectiv o d o esmalte o que pode ter sido importante no
desempenho deste adesivo.
No n osso estudo apesar do esmalte não estar condicionado da mesma
forma com este adesiv o , o padrão de desmineralização pareceu ser suficiente
para produzir valores de resistência adesiv a elevados, mas inferiores aos
obtidos pela técnica de con dicionamento t otal. Este facto pode explicar -se
pelas diferen ças intra -substrato apresentadas no esmalte, como a presen ça ou
ausência de esmalte a prismático ou a ori entação d os p rismas. O e smalte
prismático e os prismas orientados lon gitudinalmente f avorecem a ade são po is
esta superfície é mais facilmente condicionada (Lima et al. 2012).
Num estudo rece nte (Holzmeier et al. 200 8 ) o Clearf il S Bo nd, o Clearfil
SE Bond, o Clearfil Prote ct Bond, o A dheSE e o Xeno I II mostraram pad rões
distintos de desm iner alização, m as curiosamente os valores de ade são não
foram signi ficat ivamen te dife rentes do adesivo T ransBond p lus SE primer, cujo
padrão de d esmineraliz ação foi o mais e xuberante d e todos o s self-etching
prim ers . Parece, assim, não parece existir uma causa -efeito d irecta e ntre os
valores de resistência adesiva e os padrões de desmineralização.
Perdigão et al e Shimada et a l já ha viam chegado a estas conclusões
num estudo de 2002 onde verificaram que os pa drões de c o ndicionamento
obtidos pelos adesivos self-etch não f oram tã o definidos como os ad esivos
etch-and-rinse no e smalte ma s resultaram em forças de resistência ad esiva
semelhantes (Perdigao 2002 ; S himada et al. 2002).
No no sso estudo , independentemente do tipo de preparação , todos os
adesivos self-etch obtiveram valores inferiores d e resistência a desiva
relativamente às té cnicas que u tilizam o ácido f osfórico no esmalte, mas os
padrões d e desmineralização f oram cu riosamente quase to dos bem definidos,
com excepção do F uturaBond NR p reparado mecanicamente e do Xeno V,
independentemente do tipo de preparação.
“Estudo de adesivos self -etch e a sua capacidad e de adesão ao esmalte dentário”
310 Patrícia Teixeira Pires
Gregoir e (Gregoire and Ahmed 2007 ) af irmou que os padrões de
desmineralização d ependem do pH, sendo que quanto menor o pH maior a
capacidade de des mineralização. No entanto, um estudo de Holzmeier
(Holzmeier et al. 2008 ) refuta esta af irmação para o AdheSE, embora todos os
outros adesivos tenham respeitado esta premissa. Desta forma o padrão de
desmineralização acentuado do esmalte não é u m p ré -requisito para uma boa
adesão (Hannig et al. 2002 ). O n osso estudo m ostra que adesivos com p Hs
semelhantes tiveram padrões de desmineraliz ação d ife rentes, o que contraria
estes resultados. M ais uma vez se mostra que a capacidade de
desmineralização não se resume apenas ao pH, m as provav elmente ao s outros
constituintes inerentes ao adesivo, como por e xemplo, a presença de
monómeros que podem aument ar ou diminuir a capacidade de penetração no
esmalte, tais como o HEMA. Aliás, emb ora todo s o s adesivos self-etch tenham
valores de p H semelhantes, entre 1,3 e 1,5, o Xeno V f oi o que obteve pa drões
de desmineralização menos pronunciados e é de todos o que tem pH inferior.
No nosso estudo, f icou provocado que é necessário existir algum tip o de
condicionamento e qu e sem este n ão ocorr em forças de resistência a desiv a
aceitáveis ao esmalte. Isto p or que o ExciTE sem c. ácido quando usado em
esmalte preparado me canicamente obte ve o grau ma is baixo de
desmineralização ( mean rank de 3), isto é, não se visualizaram o s prisma s de
esmalte. Para este adesivo existiu u ma co -relação com as f orças de resistência
adesiva, em que os valores nã o foram aceitáveis (3,24 MPa). Este a desiv o
também apresentou falhas adesivas entre o ad esivo e o esmalte, mostrando
que o elo mais fraco ocorreu nesta união, muito provav elmente devido ao não
condicionamento do esmalte. Uma vez que o tratamento químico do esmalte
com soluções acídicas não ocorreu, não e xistiu uma modificação da superfície,
não ocorrendo a inf iltr ação da resina en tre os cristais de esm alte, e logo, não
havendo formação de ta gs nanométricos de resina que criam uma retenção
micromecânica entre o esmalte e o adesiv o, co ntri buindo para f orças de
adesão e levadas (Buonocore, Matsui and Gwinnett 1968 ; M iyazaki, Iwasaki
and Onose 2002 ) .
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
Patrícia Teixeira Pires 311
Pelo contrário, o ExciTE qu ando aplicado no esmalte condicionado com
LASER obteve b oa definição dos prism as de e smalte na ma iori a das a mostras
(mean rank de 32,5), m ostrando que o L ASER f oi capaz de sub stituir o
condicionamento ácido, como condic ionador de esmalte.
I V . R e l a ç ã o e n t r e R e s i s t ê n c i a a d e s i v a e M i c r o i n f i l t r a ç ã o
No nosso estudo não se co nseguiram tirar ilações acerca do
relacionamento destas duas prop riedades: resistência ade siva e
microinfiltração, ap enas se provou que elas não têm resultad o s que se p ossam
ligar d irectamente, isto porque o resultado dos testes de resistência ad esiva
foram d iferentes tanto no tipo de preparo como para o tipo de adesiv o u tilizado
e nos testes de m icroinfiltração todas a s técnicas de preparação do esmalte
bem como o s adesivos se comportaram d e fo rma idêntica, tendo sido ef icaz es
no selamento marginal das restaurações c lasse V. Estes resultados podem
dever-se ao facto d os 500 ciclos de ter mociclagem não s erem capazes de
induzir dif erenças no co mportamento do s ade sivos. Estu dos com ma is ciclos
de termociclagem são desejáveis para se av aliar esta a ssociação.
Um estudo de 20 10 encontrou uma co -relação negativa entre as forças
de resistência adesiva e a microinfiltração (Abdelnaby and Al - W akeel 2010 ) o
que e stá em de sacordo com um estudo de Jam es et al e Ateyah e t al onde não
foram detectadas relações entre estes do is teste s (Atey ah and E lhejazi 200 4 ;
James et al. 2003).
Num estudo de Borg es (Borges, Matos and Dias 2007 ), os resultados
nos testes de m icroinfil tração e resistência adesiva verificaram a não existência
de diferenç as estatisti camente signif icativ as en tre o grupo co nt role que usou a
técnica d e condicionamento total com ácido fosfórico a 37 % e os outros dois
grupos de adesiv os self-etch para ambos os estudo s. Apenas e xistir am
diferenças entre os 2 tipos de adesivos self-etch utilizados nos testes de
resistência adesiva. O adesivo que co ntinha 10 -MDP o bteve me lhor
desempenho. Este monómero p arece ser mais eficaz na obten ção de forças de
resistência adesiva maiores. Algumas explicações p oderão relacionar -se com o
sub-comportamento dos prim ers auto condicionantes: 1) a combina ção de
monómeros hidrof ílicos e hidrofób icos num só passo pode compromet er a
“Estudo de adesivos self -etch e a sua capacidad e de adesão ao esmalte dentário”
312 Patrícia Teixeira Pires
polimerização do adesiv o, 2) um a ineren te falta de resistência adesiva do
polímero e 3) um baixo grau de polimeriz ação do monómero de resina po r uma
grande inibição do solvente/o xig énio durante a po li merização.
Um estudo de B ertrand (Be rtrand et al. 2006) avaliou a relação entre as
forças d e resistência adesiva e a m icroinfiltração em cavidades preparadas
com L ASER de Er:YAG com um a desivo mono -componente em dentina. Foram
analisados três grupos: broca+ácido; L ASER; LASER+ácido, não tendo sido
encontradas diferenças esta tisticamente significativas nas f orças de resistê ncia
adesiva entre os três grupo s. Melhor a daptação marginal foi obtida quando se
prepararam as cavidades com LASER+ácido.
Um estudo de revisão avaliou a relação entre os t estes de resistência
adesiva e outros fe nómenos in vitro (Tagami et a l. 2010 ) em relação à
microinfiltração e verificou que nã o existi am dados que as relac ionassem entre
si.
Um estudo recente mostrou que a incorporação de carga ( nanoclay
fillers ) no s a desivos m elhora as prop riedades mecânicas (Mousa vinasab, Atai
and Alavi 2011). Este mesmo e studo mostrou maiores n ív e is de microinfiltração
nos adesivos com maior quantid ade de HEMA em classes V. A prese nça de
grupos hidroxilo na estrutura química do adesiv o p ode também levar a um
aumento d a absorção d e água, levando à h idrólise da camada adesiva,
diminuindo as forças de a desão. As propriedades mecânicas d o adesivo,
normalmente f icam melhoradas com a incorporação d e carga, pois o choque é
mais f acilmente absorvido, com pensando a co ntracção d e polimerização d as
resinas. A s propriedades dos adesivos são afe ctadas po r mu itos factores como
a fo rma destas partículas e o tamanho , bem como das propriedades da
superfície de stas pa rtículas de carga , a ssim como dos solventes dos adesivos
(Mousavinasab, Atai and Alavi 20 11 ). Devido à combinação de tantos fa ctores
é di fícil p erceber se a incorporação destas partículas de carga melhoram ou
não a adesão. A montmorillonite (MMT) é um destes nanoclays.
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
Patrícia Teixeira Pires 313
f) Cons iderações fin ais
A tecnologia a desiva melhorou extensivamente , influenciada por
modernos c onceitos na de ntisteria restauradora. À luz d a dentisteria
minimamente invasiva, e sta nova abordag em promove u m desenho da
cavidade ma is conserv a dora, que basicamente depende d a ef icácia dos
actuais adesivos dentári os.
Os adesivos actua is t êm du as abordagens possív eis: o u são do tipo
etch-and-rinse ou se lf-etch .
Os adesivos self-etch ou etch-and-dry , como já f oi visto, nã o necessitam
de um condicionamento prévio , uma vez que utilizam monómeros acídicos que
simultaneamente condicionam e infiltram o substrato de ntá rio até à mesma
profundidade. Desta fo rma, apr esentam-se co mo um produto com uma
simplificação d a té cnica, com menor tempo de aplicação e menor número de
passos o que, aparentemente , leva a menos erros no protocolo e logo
benefícios clínicos, nom eadamente a nível da se nsibilidade pós-operatória,
aliás, como já foi demonstrado. Ou tra vantag em deste tip o de adesiv o s pode rá
ser a sua fiabilidade clínica, uma vez qu e a técnica e stá menos d ependente do
operador. Desta forma , se a performance deste tipo de adesivos for
laboratorialmente sati sfatória, os resu ltados podem ser sobreponív eis ao
comportamento clínico destes materiais (Sch neider et al. 2009 ) .
Numa tentativa para simplificar a técnica de ade são, os fabricantes têm
diminuído o n úmero de passos necessários para a realização do processo de
ligação. Como consequênci a, os etch -and-rinse de 2 -passos e o s se lf-etch de
1-passo foram introduzidos e ganha ram rapidamente popularidade no
mercado de vido à sua alegada f acilidade de utilização e menor sensibilidade
da técnica.
No intuito de se obter todo s os componentes do ade sivo numa ún ica
solução, adesivos de 1 -passo fo ram elaborado s mais acídicos e hidrofílicos.
Infelizmente, e stas propriedades podem induzir um a grande variedade de
problemas que p odem comprometer a eficácia e estabilidade da adesão ao
substrato d entário. Sendo m ais susceptíveis à abso rção de água e, a ssim, à
“Estudo de adesivos self -etch e a sua capacidad e de adesão ao esmalte dentário”
314 Patrícia Teixeira Pires
infiltração, estes adesiv o s são mais propensos à degradação da li gação e
tendem a f alhar p rematuramente em comp aração com os se us homólogos
multi-passo. Adicionalmente, outro factor que pode interferir c om a eficácia de
ligação de adesivos é a téc nica utilizada para a remoção da cárie e o modo de
preparação da cavidade.
Concluiu-se que os diferentes adesivos self-etch não são todos iguais e
que o comportamento está inerente ao p róprio adesivo, isto é, ex istem
adesivos self-etch que o btêm forças de resistência ade siva semelhantes às
obtidas com ácido fo sfórico e o utros que ne cessitam de ser reformulados para
que as forças de resistência adesiva ao esmalte possam ser melhoradas.
Várias ferramentas e stão ho j e no m ercado pa ra remover efe ctiva mente
apenas o tecido cariado respeitando , a ssim, a tendência actual da int ervenção
minimamente invasiv a. Apesar do se u desempenho promissor, tais té cnicas
podem mod ificar o substrato do de nte em diferente s asp ectos, poden do afectar
a eficácia da adesão.
Podemos concluir q ue nã o é apenas a f ormulação de adesivo, mas
também a natureza do substr ato que deve ser tida em consideração para
alcançar uma inter fa ce de ligação estável, tornando o tratamento resta urador
mais previsív el em termos de desempenho clí nico (Cardo so et al. 2011 ) .
Além destas vantagens, alguns estudos referem que o tratamento com
LASER demonst ra efeitos na superfície do tecido que favorecem a adesão,
criando f issuras que podem estar relacionad as com a orientação d os prismas
de e smalte, uma vez que o esmalte é anisotrópico. O esmalte irradiad o com
LASER provoca altera ções f ísico -quí micas que se espera que a longo prazo
que d iminuam a susceptibilidade à cárie. Esta diminuição relaciona -se com o
ratio Ca:P , dim inuição d os carbonatos e formação de pirofosfatos, juntamente
com a d iminuição da água e do conteúdo orgânico. T ambém foi sugerido que o
LASER pode criar micro espaços de rem ineraliz ação que encapsula o s iões
livres (Martinez-Insua et al. 2000 ).
Concluiu-se que o LASER é uma alternativa viável à prep aração
mecânica tradicional.
V. Conclusões
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
Patrícia Teixeira Pires 317
Em consonância com os objectivos a que nos propusemos dar resposta,
concluímos que:
1. Os valores de resistência adesiva dos adesivos sim plificados
(self-etch) são ace itáv eis, no entanto, são inferiores aos
obtidos pelos a desivo s do condicionamento to tal, quer quando
o e smalte é preparado com LASER, quer quando o e smalte é
preparado me canica mente.
2. Os valores d e resistência adesiva ao esmalte preparado
mecanicamente são inferiores a os valo res de r esistência
adesiva ao esmalte preparado c om LASER.
3. Quando o esmalte é preparado com LASER, o ExciTE (sem c.
ácido) e o AdheSE têm valores d e r esistência adesiva
semelhantes e superiores aos adesivos FuturaBond NR e
Xeno V q ue têm fo rças de resistência adesiva sem elhantes
entre si.
4. Quando o esm alte é preparado com L ASER o
condicionamento ácid o pode ser prescindív el, embora as
forças de resistência adesiva se jam menores relativamente à
junção destes dois tratamentos.
5. Quando o e smalte é preparado com L ASER o adesivo self-etch
de 2 -passos tem melhor performance que os self-etch de 1-
passo, mas quando o esmalte é preparado m ecanicamente as
diferenças entre estes sistemas não são estatisticamente
significativas.
6. Quando o esmalte é preparado mecanicamente o adesivo self-
etch de 2 -passos tem forças de resistência adesiva
estatisticamente semelhantes ao adesiv o se lf-etch de 1-pass o
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
324 Patrícia Teixeira Pires
adesivos f oram aplicados d e a cordo com as instruções do fabricante (ExciTE;
ExciTE (sem c. ácido); AdheSE; FuturaBond NR; Xeno V). Cilindros d e resina
composta foram adicionados às superfícies de teste após cada sistema adesivo
ter sido aplicado de acordo com as instruções do fabricante.
Os Grupo s G1 -G5 fo ram preparados com um a lixa de grão 320 para
simular a smear layer obtida pelas brocas, o s grupos G6-G10 foram
preparados com um si stema de LASER Er-YAG (Opu sDent ™, L umenis,
Londres, Reino Unido, modelo S A5601000, número de série 005 -13201), co m
uma potência de 500mJ e uma f requência de 12 Hz com uma distâ ncia de
trabalho de 1 mm num m odo desfocado.
Após esta preparaçã o, o s espé cimes f oram mantidos em água destilada
durante 24 horas a 3 7ºC, com 100% de hum idade, a f im d e se obter a
polimerização máxima da resina composta , antes de serem te r mociclados 50 0
ciclos a 5 º e 55 º C dura nte 20 segundos em cada banho e submetidos a
testes de cisalhamento a uma velocidade d e 5 mm/m in. O tip o de fa lha foi
analisado ao MEV.
Para e studar os padrões de desmineralização foram utilizados cinquenta
(5 0) incisivos bo vinos (n=5) que foram preparados da f orma acima me ncionad a
para o s ensaios de cisalhamento. Depois de esta r em água destilada durante
24 horas a 37º C com 100% de humidade ( Hemmet, Schwabach, A lemanha),
as amostras f oram imersas em E DTA 1 M, pH = 5,5 (Farmácia Queija Ferreira,
Porto, Portugal) du rante 3 semanas num agitador com o intuito de se
desmineralizar o esmalte expondo totalmente o adesivo, para se obter uma
réplica d o p adrão de desmineralização. Os esp écimes fo ram então prep arados
e examinados ao MEV com uma ampliação de 2000x. A superfície do esmalte
foi classificada por um investigador experiente, e m termos de def inição de
prismas visív eis. P ara a microinfiltração f oram utilizados cen to e sessenta (160)
incisivos bovinos d ivididos em 16 grupos (n = 10). O número de g rupos neste
teste especifico foi maior um a vez que se p retendeu também avaliar , in vitro , a
influência do gás d e oz ono em dois siste mas adesivos: um etch- and -rinse
(ExciTE) e um self-etch (AdheSE) e tam bém as diferenças encontradas e ntre a
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
Patrícia Teixeira Pires 325
realização de 500 e 1500 ciclo s de te rmociclagem na m icroinfiltração de quatro
sistemas adesivos.
A m icroinfiltração f oi avaliada utiliz ando a penetração d e um co rante.
Cada dente foi isolado com duas camad as de verniz a toda a volta da
restauração excepto a 1 mm d esta. Os dentes fo ra m imersos numa solução
aquosa de azul- de -metileno a 2%, durante 24 horas. De seguida, a s amostras
foram lavadas abundantemente com á gua e seccionadas através do p onto
médio das restaurações com um disco d e diamante, sendo depo is observadas
à lupa.
Os dados foram submetidos a o tratamento estatístico com testes de
análise de variância, Kolmo gorov-Smirnov, Levene, Bonferroni e Qui -quadrado,
pa ra um nív e l de significância de 5%.
Os grupos que u tilizaram o LASER para preparar o esmalte obtiv eram
valores de SBS superiores para todos os a desivos em comparação com o s
grupos que utiliz aram a s brocas, excepto para o FuturaBond NR que obteve
valores idênticos em ambos os grupos.
O ExciTE ap resentou m aiores valores de SBS em ambos os grupos,
mas apresentou melhor de sem penho quan do o LASER foi utilizado para
preparar o esmalte em detrimento das brocas (47,17 MPa vs 26,12 M Pa).
Para todos os sistemas self-etch preparados com LASER, o sistema de
2-passos AdheSE obtev e o m elhor desempenho (29 ,10 MPa), b em como
ExciTE sem c. ácido (32,56 MPa). O adesivo de 1 -passo, com dois
componentes FuturaBond NR obteve valores semelhantes de SBS (23,32 MPa)
relativamente ao adesiv o de 1 -passo, de um componente, o Xeno V (24, 43
MPa).
Para os grupos preparados mecanicamente com sistemas se lf-et ch , o
FuturaBond NR (1-passo, dois componentes) o bteve o melhor desempenho
(21, 03 MPa), seguido pelo Xeno V (1 -passo, um componente) ( 16, 33 MPa) e
pelo AdheSE (2 -passos) (14 , 77 MPa), que tiveram valores seme lhantes d e
SBS entre eles. O ExciTE sem c. ácido obtev e o pior resultado de SBS (3, 25
MPa).
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
326 Patrícia Teixeira Pires
O tip o mais prevalente de f alh a foi d o tipo ad esivo (adesivo/ esmalte)
para todos o s grupos, p orém, o tipo de f alha ap resentou dife renças
estatisticamente significativ as entre o s grupos. Para o sistema et ch- and -rinse o
tipo mais frequente de f al ha foi do tipo adesivo (ad esivo/ esmalte) e coesiva
(adesivo) para a p r eparação me cânica e LASER, respectivamente. O tipo de
falha mais frequente p ara o adesivo d e condicionamento total ExciTE, sem a
prévia utilização do á cido fosfórico foi a adesiva (adesivo/esmalte) para a
preparação me cânica e com LASER. O tipo de falha mais f requente para o
adesivo se lf-etch d e 2-passos AdheSE foi a adesiva (ad esivo/ esmalte) para a
preparação mecânica. O tipo de falha ma is freque n te para o adesiv o self-etch
de 1-passo, 2 componentes FuturaBond NR foi a adesiva (adesivo/esmalte)
para ambos os tipos de preparação. O tipo de falha m ais f requente para o
adesivo de 1 -passo, um c omponente X eno V foi a c oesiva (adesivo) pa ra
ambos os tipos de preparação.
No estudo dos p adrões de de smineralização, a utilização do LASER de
Er: YAG pa ra a preparação do esmalte resultou numa superfície com um a
morfologia significativamente diferente da obtida pela pr eparação mecânica.
O e smalte irradiado com LASER m ostrou uma su per fície muito irregular,
livre de de tritos e smear laye r . Quando o LASER foi usado p ara preparar o
esmalte em detrimento da preparaçã o m ecânica, obteve -se um padrão mais
evidente de de smineraliz a ção. Pa ra os adesivos etch - and -rins e o tipo de
preparação da superfície n ão influenciou os padrões de desmineralização.
Cerca de 8 0% das amostras que tinham os prismas b em definidos foram
condicionadas com o ExciTE e AdheSE, independentemente de serem
preparados mecanicamente ou com LASER.
Não se encontraram diferenças e statisticam ente signif ica tivas nos níveis
de infiltração quando se avaliaram o s diferentes tipos d e preparação: brocas ou
LASER, nem dentro de cada um destes grup os com os diferentes adesivos.
Quando se a valiou a influência do gá s de ozono e da termociclagem nos
valores de microinfiltração no esmalte para a lguns ad esivos as diferenças já
foram estatisticamente significativas.
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
Patrícia Teixeira Pires 327
O ozono com a sua acçã o a ntibacteriana é um im portante agente
desinfectante do substrato d entário. Concl u iu -se que o ozono au menta os
valores de microinfiltração, especialmente q uando se usa o adesivo a self-etch .
A termociclagem é tamb ém muito importante n o estudo da adesão pois
mimetiza as co ndições orais in vivo . O nosso estudo mostrou que a
microinfiltração aumenta quando se utilizam 1500 ciclos de termociclagem
comparativamente com a realização dos 500 ciclos preconiz ados pela ISO.
Concluímos que o s adesiv o s e tch- and -rinse têm um melhor desempenho
no esmalte do que os adesivos self-etch , mas que este s ta mbém são eficazes.
A utiliz ação do LASER p ara preparar cav idades pode induzir diferen tes
comportamentos no s adesivos elevando os valores de resistê ncia ade siva. O
mesmo não se v erificou nos testes de microinfiltração c ujas di ferenças não
foram estatisticamente significativas. Os pad rões d e desm ineraliz ação não têm
uma relaç ão estritamente line ar com os valores de SBS ou m icroinfiltração,
porque demonstraram ser inerente s ao própri o ad esivo. O ozono e o núme ro
de ciclos d e termociclagem t ambém podem provocar diferentes resultados ,
aumentando a microinfil tração.
Palavras-chave: esmalte ; adesivos dentários; LASER; resistência
adesiva; tipo de falha; microinfiltração; desmineraliz ação; termo ciclag em; o zono
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
328 Patrícia Teixeira Pires
Abstract
Dental a dhesive systems use d f or b onding dental resins to ena mel a nd
dentin have e volv e d through several ‘‘generation s’’ with ch anges in chem istries,
mechanism, numb er of bottles, application technique and clinical effectiveness.
To e nsure the reproducibility a nd the reliability of the performanc e s in bond ing
the trend in the latest generation of dental bonding system s is to reduce th e
number of components and clinical placement steps.
Therefore, self-etching systems were d eveloped to simpli fy and eliminate
clinical ste ps. How ever, it is importan t that t hese simpli ficat ions do not affect
enamel adhesion.
Effective a blation of denta l hard tissues b y E r:YAG LASER has been
reported. The 2.94 mm wavelength of the Er:YAG LAS ER falls in an a rea of the
spectrum where both enamel and dentin have absorptio n pe aks (high
absorbability in w ater an d hydroxy apatite).
W hen cavities are prepared u sing an Er:YAG LAS ER, the u se of different
sort of ad hesiv e syste ms must be studied in te rms of adhesion, type of f ailure,
demineralization patterns and microlea kage valu es. The literature contains
conflicting data about th ese tests and therefore a bout LASER efficiency as an
alternative method for enamel preparation.
Preparations with Er: YAG LASER, f ollowed by adhe s ive resin composite
restoration were tested and compared to mechanical preparation cavities in
terms of shear bond strength (SBS).
Hundred -and-fifty (150) sound incisors were bisected in orde r to part the
crown from the roo t, polished with a 240 -grit sandpaper to create a f lat surfa ce .
Polyester f ilm (My lar, DuP on t Corp., DE, USA), with a 3mm d iameter hole was
used to restrict the adhesion area to a 3mm diameter. Th e specimens were
randomly assigned to ten experimental groups (G1 -G10) (n = 15) Group A –
ExciTE; Group B – ExciTE (no a cid); Group C – A dheSE; Grou p D –
FuturaBond NR; Group E – Xeno V and composite resin cylinders were add ed
to the tested surfaces, after the ap plication of the adhe sive according to the
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
Patrícia Teixeira Pires 329
manufacturer’s inst ructions. Group G1 -G5 were prep ared with 320 diamond grit
sandpaper to simulate burs smear layer , G6-G10 were prepared w ith a n E r-
YAG L ASER system (OpusDent™, Lumenis company , London, United
Kingdom, m odel SA5601000, se ries number 005 -13201), with a pow er of
500mJ and a 1 2 Hz frequen cy. A working dista nce of 1 mm was used in a
defocused mode.
After th is preparation, th e specimens were kept in distilled water for 24
hours at 37º C with 100% humidity in order to obtain the max imum resin
polymerization, before being thermocycled fo r 500 cycles at 5º a nd 55º C d uring
20 seconds in each bat h and submitted to shear testing at a crosshead sp eed
of 0.5 mm/min. The type of failure was analy zed under SEM.
For studying dem ineraliz ation patt erns were used thirty (30) bovine
incisors (n=5) that w ere prepared has mentioned above fo r shea r bond test s
and after being in d istilled water f or 24 hours at 37º C with 1 00% humidity
(Hemmet, S chwabach, Ge rmany), were im mersed in ED TA (Queija Ferreira
pharmaceutics, Porto, Portugal) 1 M, pH = 5.5 for 3 weeks in a stirrer to
demineralize enamel an d fully expose the ad hesiv e, to obtain a replica of the
pattern of demineralization. Samples were the n prepared and examined on
SEM as de scribed above at 2 000x magnification. Th e enamel surface was
classified by an experienced investigator.
For microleakage were u sed h u ndred-and-sixty (160 ) to oth divided in 1 6
groups (n=10). Microleakage was a ssessed using a dye penetration method.
Each tooth was covered with two coats of a nail varnish to within 1 mm of the
restoration. The crowns were immersed in a 2% aqueous solution of meth ylene
blue f or 24 hours. They were the n rinsed thoroughly in ta p water, and sectioned
through the m id-point of th e restorations with a slowly rotating diam ond blade
under running water before being observed.
Data were subm itted to ANOVA, Kolmogorov -Smirnov, Levene,
Bonferroni and Chi -squared statistical analy s es.
The lased group had the highest SBS values f or a ll adhesives except f or
FuturaBond NR that performed equal in both groups.
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
330 Patrícia Teixeira Pires
ExciTE with phosphoric acid had the highest values in both groups, b ut
performed better w hen LA SER was u sed to prepare enamel (47,17 MPa vs.
26,12 MPa).
For all the self -etchi ng systems p repared with LAS ER, the 2 -step
AdheSE had th e best performance (29 , 10 MPa), as well as ExciTE without the
phosphoric acid (32, 56 MPa ). The 1-ste p, tw o components Futu raB ond NR had
similar SBS values (23,32MPa) than the 1 -step, o ne comp onent adhesive Xeno
V (24, 43 MPa) and low er than AdheSE.
For groups with mechanical preparation an d self-etching systems, the 1 -
step, two components Fut uraBond NR had the best p erformance (21, 03 MPa),
followed by Xeno V (16, 3 3 MPa ) and the 2 -steps AdheSE (14, 77 MPa), that
had similar SB S valu es between the m. ExciTE without conditioning had the
lowest SBS result (3, 25 MPa).
The m ost prevalent type of f ailure was adhesive (adh esive/ enamel) fo r
all th e groups, ho wev er, the fa ilure pattern ha d significant diffe rences a mong
the groups. For the e tch- and -rinse system th e most frequent type of failure was
adhesive (adhesive/enamel) and cohesive (adhesive) for mechanical
preparation an d LASER, respectively. For the e tch - and -rinse system without the
etch, the mo st f requent type of failure was adhesiv e (adhesive/enamel) fo r both
mechanical preparatio n and LASER preparation. For the two -step self-etch
AdheSE the most frequent type of f ailure was adh esive (adhesive/enamel) and
cohesive (adhesive) fo r mechanical preparation an d LASER p reparation. For
the 1-step, two com ponent FuturaBond NR was ad hesiv e (adhesive/enamel) f or
both mechanical preparation and LASER prepa ration. Th e most freq uent type of
failure fo r the one -step, one bottle Xeno V, was co hesive (adhesive) for both
mechanical preparation and LASER preparat ion.
W e also observed at SEM the demine ralization p atterns produced by the
tested adhesives. The use of the Er: YAG LASER fo r cavity prepa ration resu lts
in a su rface with a significantly diffe rent morphology to tha t achieved by
mechanical preparation.
“Estudo de adesivos self -e tch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
Patrícia Teixeira Pires 331
The irradiated enamel shows a very irregular surface . In addition, the
enamel surface is f ree of debris and smear laye r . Our results show a deepe r
demineralization pattern when LASER was used to prepare ename l instead of
mechanical preparation. For etch -and-rinse adhesives th e d ifferent enamel
preparation d id n ot influenced etching patterns. Almost 80% of the s am ples that
had w ell defined prisms were samples e tched with ExciTE and AdheSE,
regardless of being prepared mechanically or by LASE R.
W e also evaluated m icroleakage. Concer ning co mparisons be tween
mechanical p reparatio n and Er: YAG LASE R prepared cavitie s th ere were not
statistical differences. Com parisons between diffe rent enamel treatments with
different adhesives were, as well, not statistic al different.
For select ed adhesives we also aim ed to test th e inf luence of o zone and
the influence of thermocy cl in g in microleakage.
Ozone with its antibacterial action is an important disinfecting agent in
dental substratum. W e evaluated in vitr o th e influence of o zone gas in tw o
adhesive systems: an etch -and-rinse (ExciTE) and a self -etching ad hesive
(AdheSE), thr ough microleakage in bovine enamel a nd f ound th at Ozone
increases microleakage values, especially w h en using the sel f -etch adhesive.
Thermocycling is a lso im portant in study ing adhesive p erformances as
they mimic oral conditions in vivo. W e fou nd that 1500 cycles increase s
microleakage, when compared to the ISO sta ndards of 500 cycles.
W e concluded that the etch - and -rinse adhesives perform better in
enamel than self -etch adhe sives, however they are also effective. T he u se of
LASER to prepare cavities may i nduce different behaviors as in creasing th e
adhesive bond strength values. The same was not true fo r microleakage tests
as the differences w ere n ot statistically significant. The demineralization
patterns do not have a linear co -relation with the values of SBS and
microleakage but are inh erent to the adhesiv e. T he ozone and the number of
cycles o f th ermocycli ng, can also cause different results, increasing
microleakage.
“Estudo de adesivos self - etch e a sua capacidade de adesão ao esmalte dentário”
332 Patrícia Teixeira Pires
Key-words: en amel; d ental a dhesives; LASE R; b ond stren gth; failure
mode; microleakage; dem ineraliz ation; thermocycling; ozone
VII.Bibliografia
“Estudo de adesivos self -etch e a sua capacidade de adesã o ao esmalte dentário”
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