Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940 - 1970)
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FCUP 1 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Maria Teresa Pinto de Mesquita Cabral de Moncada Bettencourt da Camara Tese de Doutoramento apresentada à Faculdade de Ciências da Universidade do Porto Arquitetura Paisagista e Ecologia Urbana 2015 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Maria Teresa Pinto de Mesquita Cabral de Moncada Bettencourt da Camara PhD FCUP 2015 3.º CICLO D D
Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Maria Teresa Pinto de Mesquita Cabral de Moncada Bettencourt da Camara Arquitetura Paisagista e Ecologia Urbana Departamento de Geociências, Ambiente e Ordenamento do Território 2015 Orientador Teresa Dulce Portela Marques, Professora Auxiliar, FCUP
FCUP4 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Agradecimentos Esta dissertação é o reflexo de um longo período de investigação e reflexão. O processo desenvolvido contou com a colaboração de várias pessoas a quem gostaria de agradecer o seu contributo, sem o qual esta dissertação não teria sido levada a cabo. Assim, quero agradecer a todas as pessoas que tornaram possível a realização deste caminho. Agradeço muito particularmente às professoras minhas orientadoras desta dissertação, a Professora Doutora Teresa Andresen e a Professora Doutora Teresa Marques, pela partilha incansável do seu saber e experiência e pela crítica sempre oportuna e atenta dos seus conteúdos e sua exigência. Só a dedicação incondicional, empenho e tempo empregues na condução desta dissertação em simultâneo com o entusiasmo e incentivo, a tornaram possível. Muito reconhecidamente, agradeço a um grupo de homens, protagonistas desta dissertação que, em meados do séc XX desbravaram em Portugal novos caminhos em prole dos jardins e da construção da paisagem. São eles os arquitetos paisagistas: Francisco Caldeira Cabral, Manuel Azevedo Coutinho, Gonçalo Ribeiro Telles, Edgar Sampaio Fontes, António Viana Barreto, António Roquete Campêlo e Manuel Sousa da Câmara. Agradeço também aos seus familiares, Srª D.ª Maria José Sampaio Fontes e arquiteto paisagista Francisco Salvação Barreto, pelas longas conversas e pelo material inédito que me confiaram com vista à sua incorporação nesta dissertação. Agradeço também às pessoas que integraram o programa Link. Ao corpo docente, nos professores que o dirigiram: Cristina Castel-Branco, Helena Maria Freitas, Carl Steinitz e Teresa Andresen, mas também a todos os restantes professores que o integraram. A sua crítica, foi fundamental, não só no decorrer desta dissertação como na procura do seu caminho. Nesta fase inicial foi também especialmente importante o contributo dos meus colegas que, com a sua crítica, ânimo, solidariedade e alegria, levaram ao despoletar deste desafio. Também a todos eles um muito reconhecido agradecimento. Agradeço também às instituições que contribuíram de algum modo no decorrer desta dissertação, para a sua realização. Gostaria de referir de um modo especial a minha entidade empregadora, o IHRU, que durante dois anos me proporcionou o estatuto de
FCUP 5 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) equiparação a bolseira, determinante no início desta tese e neste âmbito não só ao seu Presidente de então D. António Mendes Baptista mas também ao Dr. João Vieira. Os funcionários dos arquivos municipais foram também incansáveis na sua contribuição para esta dissertação, com destaque para a sua diretora, Drª Inês Viegas. Agradeçolhe todas as facilidades concedidas, mas também à Drª. Estela Casanovas do Arquivo Fotográfico, à Drª Ana Teresa Brito do Arquivo no Bairro da Liberdade e ao Drº Vasco Brito. Gostaria também de agradecer à Fundação Calouste Gulbenkian todas as facilidades proporcionadas, especialmente à Drª Paula Gordo, à Drª Ana Barata e à Drª Mafalda Aguiar. O seu apoio revelou-se fundamental na execução desta dissertação Devo também uma palavra de agradecimento ao Instituto Geográfico do Exército, na facilidade da consulta, seleção e aquisição de fotografias aéreas, tão presentes e importantes nesta tese. Ao Tiago Costa um grande muito obrigada pelo seu entusiamo e dedicação empregues na montagem gráfica desta dissertação. Um agradecimento reconhecido aos meus queridos amigos: a Cláudia Morgado, a Rita Vale, o Luís Marques, a Teresa Fernandes e a Helena Rodrigues, que tanto meu auxiliaram e incentivaram sempre e incondicionalmente. Agradeço à minha querida amiga Teresa, pois sem o seu apoio constante e calorosas palavras de ânimo esta dissertação não tinha sido possível e ao Luís pedindo desculpa pelas ausências causadas. A ambos um muito reconhecido muito obrigada. Devo toda a gratidão à minha Mãe e irmãos, especialmente o Francisco, que tanto se dedicou na sua ajuda a esta dissertação, e ao meu cunhado Vasco, pelo incentivo e auxílio no seu desfecho. Ao Rodrigo e aos nossos filhos, o Martim, a Margarida, a Francisca e a Luisinha um enorme muito obrigado e uma palavra de desculpa por todo o tempo que lhe roubei na elaboração desta dissertação. Agradeço por fim a meu Pai, meu exemplo maior de trabalho e honestidade, com um afinado sentido de humor sempre presente, a quem dedico esta tese.
FCUP6 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Abstract Keywords The input of Landscape Architecture in the public space of Lisbon (1940-1970) The purpose of this dissertation was to study the extent and relevance of the work of landscape architects in the public space in Lisbon in the time period indicated above. After Francisco Caldeira Cabral founded Landscape Architecture education in Portugal, there was a first generation of landscape architects prepared to pursue a new career. They went to work in public institutions and a few have been involved in the design of public space. They were Manuel Azevedo Coutinho, Gonçalo Ribeiro Telles, Edgar Sampaio Fontes, Manuel Sousa da Câmara and Álvaro Dentinho, in the service of the Câmara Municipal de Lisboa and António Viana Barreto of the General Direction of Urbanization Services. After conducting a thorough and systematic study on archives and compilation of projects executed by them, the data base was organized into three typologies (“Parks and gardens”, “Streets” and “Boroughs”). In the face of a universe so vast we selected case studies that typified the three typologies that were thus developed supported by written documents and drawn plans Other documents were analysed found in their personal archives which proved to be of extreme importance. We refer to reports on study trips abroad, carried out with the aim of participating in congresses of the International Federation of Landscape Architects. These reports are profusely illustrated with photographs and commented, establishing sometimes comparisons with parallel situations in Portugal, were another source of information about the training of these professionals. It is considered that we have been able to prove the high technical and artistic competence of these landscape architects and their impact in the city of Lisbon. Pioneers, devoted and courageous workers, they developed an intense design activity, implementation of parks and gardens and maintenance of green spaces. Together with Caldeira Cabral, they are responsible for the foundation of a new disciplinary area and a new profession integrated with others. Landscape Architecture, public green space, Lisbon, projects, parks, gardens, streets, burroughs.
FCUP 7 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Resumo Palavras-chave Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Esta dissertação pretendeu estudar a extensão e a relevância da obra dos arquitetos paisagistas no espaço público de Lisboa no período acima referido. Após Francisco Caldeira Cabral ter fundado em Portugal o ensino da Arquitetura Paisagista, surgiu uma primeira geração de arquitetos paisagistas preparados para exercer uma nova profissão. Ocupando cargos em instituições públicas apenas alguns intervieram no projeto do espaço público. Foram eles Manuel Azevedo Coutinho, Gonçalo Ribeiro Telles, Edgar Sampaio Fontes, Manuel Sousa da Câmara e Álvaro Dentinho, ao serviço da Câmara Municipal de Lisboa e António Viana Barreto da Direção-Geral dos Serviços de Urbanização. Após a realização de um estudo exaustivo e sistemático em arquivos e a compilação dos projetos por eles executados, organizou-se a informação por três tipologias (“Parques e jardins”, “Arruamentos”e “Bairros”). Face a um universo tão vasto de informação escolhemos em cada uma das tipologias alguns estudos de casos que foram desenvolvidos suportados pelas peças desenhadas e pelas peças escritas identificadas. Estudaram-se outros documentos presentes nos seus espólios pessoais que se revelaram de extrema importância. Referimo-nos aos relatórios das suas viagens de estudo ao estrangeiro, realizadas com o intuito final de participar nos congressos da Federação Internacional dos Arquitetos Paisagistas. Estes relatórios profusamente ilustrados com fotografias e comentados, estabelecendo por vezes comparações com situações paralelas em Portugal, constituíram uma outra fonte de informação acerca da formação destes profissionais. Pensa-se ter-se conseguido comprovar a elevada capacidade técnica e artística destes arquitetos paisagistas e o seu impacto na cidade de Lisboa. Pioneiros, trabalhadores e corajosos desenvolveram uma atividade intensa projetual, de execução de obra e de manutenção de espaços verdes. Conjuntamente com Caldeira Cabral são responsáveis pela fundação de uma nova área disciplinar e uma nova profissão que se entrosou com outras profissões. Arquitetura Paisagista, espaço verde público, Lisboa, projetos, parques, jardins, arruamentos, bairros.
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FCUP 9 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Índice Página Lista de Figuras 13 Lista de Quadros 37 Lista de Abreviaturas 39 1. Introdução 43 1.1 Objetivos e temática 43 1.2 A metodologia e a base de dados 46 1.3 A estrutura da dissertação 48 2 As personagens, o tempo e o lugar 53 2.1 O fundador da Arquitetura Paisagista em Portugal e os seus discípulos 54 2.1.1 Francisco Caldeira Cabral 54 2.1.1.1 A formação académica 54 2.1.1.2 O ensino da Arquitectura Paisagista 58 2.1.1.3 A atividade profissional 61 2.1.2 Os discípulos 67 2.1.3 Conclusão 78 2.2 As viagens ao estrangeiro dos arquitetos paisagistas portugueses nas décadas de 1950 e 1960 79 2.2.1 O relatório de viagem de Azevedo Coutinho a Estocolmo em 1952 85 2.2.2 O relatório de viagem de Viana Barreto a França, Itália e Suíça. 1956 90 2.2.3 O relatório de viagem de Ilídio de Araújo à Alemanha e Holanda. 1960 94 2.2.4 Conclusão 96 2.3 O espaço público de Lisboa 97
FCUP16 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte, Coleção “Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian”. Fig. 2.3.10 - Encosta do Restelo. II Fase de Urbanização. Projeto de Ordenamento Paisagístico, 1º Fase. Plano de plantação. Ribeiro Telles, março de 1956. Incluído no Plano de Urbanização da Encosta do Restelo. Arquivo Municipal de Lisboa. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte, Coleção “Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian”. Fig. 2.3.11.a - Valorização panorâmica. Divisão por setores do sistema de cortinas de defesa contra ventos. Plano de plantação. Álvaro Dentinho, 1957. Arquivo Municipal de Lisboa - Arco do Cego. Fig. 2.3.11.b - Valorização panorâmica. Composição florística das cortinas de defesa contra ventos “ab” e “cd”. Álvaro Dentinho, 1957. Arquivo Municipal de Lisboa - Arco do Cego. Fig. 2.3.11.c - Valorização panorâmica. Composição florística das cortinas de defesa contra ventos “cd” e “ef”. Álvaro Dentinho, 1957. Arquivo Municipal de Lisboa - Arco do Cego. Fig. 2.3.11.d - Valorização panorâmica. Composição florística das cortinas de defesa contra ventos “ef” e “gh”. Álvaro Dentinho, 1957. Arquivo Municipal de Lisboa - Arco do Cego. Fig. 2.3.11.e - Valorização panorâmica. Composição florística das cortinas de defesa contra ventos “gh” e pormenor. Álvaro Dentinho, 1957. Arquivo Municipal de Lisboa - Arco do Cego. Fig. 2.3.12 - Urbanização do Vale Escuro. Zonamento. Bartolomeu Costa Cabral, França Ribeiro, Caldeira Cabral e Ribeiro Telles, 1957. In ANDRESEN, Teresa - Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian: Francisco Caldeira Cabral e a primeira geração e arquitetos paisagistas. 2003. Fig. 2.3.13.a - Plano de urbanização de Chelas. Zona J. Análise física. Declive das encostas, década de 60. In CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA. Revista GTH vol. 3, nº 19 (1970). Fig. 2.3.13.b - Plano de urbanização de Chelas. Zona J. Análise física. Geologia do local, década de 60. In CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA. Revista GTH vol. 3, nº 19 (1970). Fig. 2.3.13.c - Plano de urbanização de Chelas. Zona J. Análise paisagista. Ocupação cultural, década de 60. In CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA. Revista GTH vol. 3, nº 19 (1970). Fig. 2.3.13.d - Plano de urbanização de Chelas. Zona J. Condicionamentos urbanos. Altitudes com vista ao planeamento do abastecimento de água. GTH, década de 60. In CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA. Revista GTH vol. 3, nº 19 (1970). Fig. 2.3.14 - Bairro das Minhocas no Rego, 1938. Arquivo Municipal de Lisboa – Arquivo Fotográfico, Coleção Eduardo Portugal, PT/AMLSB/EDP/001514. Fig. 2.3.15 - Bairro das Minhocas, junto ao apeadeiro do Rego, 1939. Arquivo Municipal de Lisboa – Arquivo Fotográfico, Coleção Eduardo Portugal, PT/AMLSB/POR/058756. Fig. 2.3.16 - Plano geral do projeto do Bairro da Encarnação, s.d. In MONTEZ, Paulino – Lisboa. Extensão Nordeste da Cidade. Plano do Bairro da Encarnação, 1958. Fig. 2.3.17 - Traçado da rede de circulação do Bairro da Encarnação, 1958. In MONTEZ,
FCUP 17 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Paulino. Lisboa. Extensão Nordeste da Cidade. Plano do Bairro da Encarnação. 1958. Fig. 2.3.18 - Aspeto do Plano Geral de Urbanização de Lisboa – Encosta da Ajuda. Faria da Costa, 1938-1940. Estúdio Mário Novais. Fundação Calouste Gulbenkian. Biblioteca de Arte. Fig. 2.3.19 - Aspeto do Plano de Urbanização da Encosta da Ajuda. Faria da Costa,1938-1940. Estúdio Mário Novais. Fundação Calouste Gulbenkian. Biblioteca de Arte. Fig. 2.3.20 - Fotografia aérea do Bairro de Alvalade Célula 1, 1950. Arquivo Municipal de Lisboa - Fotográfico, Autor desconhecido, AF\img43\A21486.jpg. Fig. 2.3.21 - Plano de Urbanização da zona sul da Avenida Alferes Malheiro, anterior a 1945. Arquivo Municipal de Lisboa - Fotográfico, Coleção Fernando Martinez Pozal, AF\ img14\A6512.jpg. Fig. 2.3.22 - Bairro de Alvalade. Célula 1. Logradouros ocupados por hortas, 2014. Fotografia Rita Vale. Arquivo pessoal Rita Vale. Fig. 2.3.23 - Bairro de Alvalade. Célula 1. Compartimentação do logradouro e ocupação por hortas, 2014. Fotografia Teresa Bettencourt da Camara. Arquivo pessoal Teresa Bettencourt da Camara. Fig. 2.3.24 - Rede de caminhos principais em Olivais Norte,1958. Instituto Geográfico do Exército. Fig. 2.3.25 - Olivais Norte. Ajardinados a Sul da Rua General Silva Freire. Pormenores. Sousa da Câmara, 1967. Arquivo Municipal de Lisboa. PT-AMLSB-CMLSB-UROBOM-19-73-06 - Folha 1. Fig. 2.3.26 - Olivais Sul. Célula B. Z. Centro. Escolas Primárias. Plano de plantação. Arbustos e árvores. Sousa da Câmara, 1969. Arquivo Municipal de Lisboa. PT-AMLSBCMLSB-UROB-OM-19-74-10 - Folha 1. Fig. 2.3.27 - Olivais Sul, 1968. Instituto Geográfico do Exército. 3 O contributo dos arquitetos paisagistas: “Parques e Jardins” Fig. 3.1 - Distribuição da tipologia “Parques e Jardins” na cidade de Lisboa. Teresa Bettencourt da Camara, 2014. Arquivo pessoal Teresa Bettencourt da Camara. Fig. 3.2 - Jardim da Praça de Londres. Plano geral, Azevedo Coutinho, 1950. Arquivo Municipal de LisboaArco do Cego. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção “Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian”. Fig. 3.3 - Projeto do jardim da Igreja S. João de Deus. Plano Geral. Ribeiro Telles, 1953. Arquivo Municipal de Lisboa. PT-AMLSB-CMLSB-UROB-OM-19-68-01 - Folha 1 Fig. 3.4 - Projeto dos Espaços Verdes Públicos do Bairro de Santa Cruz (Benfica). Plano geral. Ribeiro Telles, 1958. Arquivo Municipal de Lisboa. PT-AMLSB-CMLSB-UROBOM-19-23-04 - Folha 1.
FCUP18 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Fig. 3.5 - Ajardinamento do Terreno situado entre a Calçada das Necessidades, Av. Infante Santo e Travessa do Possolo. Plano Geral. Sousa da Câmara, 1962. Arquivo Municipal de Lisboa. PT-AMLSB-CMLSB-UROB-OM-19-60-04 - Folha 1. Fig. 3.6 - Estufa Fria. Ante-projeto de Remodelação (Zona Nascente). Azevedo Coutinho, 1954. Arquivo Municipal de Lisboa. PT-AMLSB-CMLSB-UROB-OM-19-37-05 - Folha 1. Fig. 3.7 - Estufa Fria. Ante-projeto de Remodelação (Zona Nascente). Edgar Fontes, 1954.. Arquivo Municipal de Lisboa. PT-AMLSB-CMLSB-UROB-OM-19-37-04 - Folha 1. Fig. 3.8 - Estufa Fria. Ante-projeto de Remodelação (Zona Nascente). Ribeiro Telles. 1954. Arquivo Municipal de Lisboa. PT-AMLSB-CMLSB-UROB-OM-19-37-03 - Folha 1. 3.1 A Mata de Alvalade Fig. 3.1.1 - Arborização do triângulo compreendido entre o Bairro de Alvalade, a Avenida do Brasil e a Avenida do Aeroporto. Plano geral. Ribeiro Telles, 1951. Arquivo Municipal de Lisboa. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção “Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian”. Fig. 3.1.2 - Arborização do triângulo compreendido entre o Bairro de Alvalade, a Avenida do Brasil e a Avenida do Aeroporto. Centro desportivo. Localização dos campos de futebol e patinagem. Ribeiro Telles, 1951. Arquivo Municipal de Lisboa. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção “Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian”. Fig. 3.1.3 - Arborização do triângulo compreendido entre o Bairro de Alvalade, a Avenida do Brasil e a Avenida do Aeroporto. Centro desportivo. Localização dos campos de tennis , bask-ball e voley-ball, e recinto destinado a piscina. Plano de plantação. Ribeiro Telles, 1951. Arquivo Municipal de Lisboa. PT-AMLSB-CMLSB-UROB-OM-19-66-03 - Folha 1. Fig. 3.1.4 - Projeto de arborização do triângulo compreendido entre o Bairro de Alvalade, a Avenida do Brasil e a Avenida do Aeroporto. Praceta da Av. de acesso ao centro desportivo. Plano de conjunto. Ribeiro Telles, 1951. Arquivo Municipal de Lisboa. PTAMLSB-CMLSB-UROB-OM-19-66-04 - Folha 1. Fig. 3.1.5 - Arborização do triângulo compreendido entre o Bairro de Alvalade, a Avenida do Brasil e a Avenida do Aeroporto. Praceta da Av. de Acesso ao centro desportivo. Perspetiva de conjunto. Ribeiro Telles, 1951. Arquivo Municipal de Lisboa. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção “Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian”. Fig. 3.1.6 - Projeto da mata de Alvalade. Regularização do terreno. Perfis. Ribeiro Telles, 1955. Arquivo Municipal de Lisboa – Arco do Cego. Arquivo Municipal de LisboaArco do Cego. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção “Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian”. Fig. 3.1.7 - A futura Mata de Alvalade em fase inicial de instalação. Fotografia aérea, 1958. Instituto Geográfico do Exército. Fig. 3.1.8 - Mata de Alvalade. Plano parcial de plantação. Sousa da Câmara, 1965. Arquivo
FCUP 19 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Municipal de Lisboa – Arco do Cego. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção “Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian”. Fig. 3.1.9 - Sugestão para o arranjo paisagístico do Areeiro do Narigão. Sousa da Câmara, 1966. Arquivo Municipal de Lisboa – Arco do Cego. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção “Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian”. Fig. 3.1.10 - A Mata de Alvalade, com o Areeiro do Narigão a Sul envolto por barracas. Fotografia aérea, 1968. 1968. Instituto Geográfico do Exército. 3.2 O Jardim da Torre de Belém Fig. 3.2.1 - Vista aérea da Fábrica de Gás de Belém, 1938. Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico, Coleção Kurt Pinto. PT/AMLSB/KPI/000238. Fig. 3.2.2 - Perspetiva da Torre de Belém a partir do Rio Tejo, 1927. Fotografia Estúdio Mário Novais. Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte – “Coleção Mário Novais”. Fig. 3.2.3 - Demolição da Fábrica de Gaz, 1950. s.a. Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico. PT/AMLSB/PEL/005/S00216. Fig. 3.2.4 - Demolição da Fábrica de Gaz, 1950. s.a. Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico. PT/AMLSB/PEL/005/S00220. Fig. 3.2.5 - Demolição da Fábrica de Gaz, 1950. s.a. Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico. PT/AMLSB/PEL/005/S00222. Fig. 3.2.6 - Terreno após a demolição da Fábrica de Gaz, 1950. Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico. Coleção Eduardo Portugal. PT/AMLSB/EDP/001004. Fig. 3.2.7 - Divisão das zonas ocupadas por cada uma três instituições que tutelavam a área envolvente da Torre de Belém, s.d. sa. IHRU/SIPA. Arquivo pessoal de Viana Barreto. Fig. 3.2.8 - Gravura representando a Torre de Belém e a entrada na barra, s.d. Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico. Coleção José Artur Leitão Bárcia. PT/AMLSB/BAR/000831 Fig. 3.2.9 - Perspetiva da Torre de Belém a partir do areal envolvente, s.d. Fotografia Estúdio Mário Novais. Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte – “Coleção Mário Novais”. Fig. 3.2.10 - Estudo de ligação das zonas de enquadramento da Torre de Belém e da Capela do Restelo. Viana Barreto, s.d. IHRU/SIPA. Arquivo pessoal de Viana Barreto. Fig. 3.2.11 - Aspeto da envolvente da torre onde se pode ver o muro que ocultava parte da sua fachada, s.d. sa. IHRU/SIPA. Fig. 3.2.12 - Preparação do terreno após a conclusão da construção dos arruamentos. À direita, elemento arbóreo mantido, s.d. Fotografia Viana Barreto. Arquivo pessoal de Viana Barreto. Fig. 3.2.13 - Zona situada entre o caminho mais periférico e o limite da área ajardinada que viria a ser ocupada por parte da cintura arbórea envolvente das clareiras, s.d. Fotografia Viana Barreto. Arquivo pessoal de Viana Barreto. Fig. 3.2.14 - Zona de clareira observada a partir do arruamento que constituía o antigo acesso à Torre, s.d. Fotografia Viana Barreto. Arquivo pessoal de Viana Barreto.
FCUP20 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Fig. 3.2.15 - Novo arruamento poente de acesso à torre, s.d. Fotografia Viana Barreto. Arquivo pessoal de Viana Barreto. Fig. 3.2.16 - A clareira e a orla em fase de instalação, s.d. Fotografia Viana Barreto. Arquivo pessoal de Viana Barreto. Fig. 3.2.17 - Vista da Torre a partir da cintura arbórea envolvente, recentemente plantada, s.d. Fotografia Viana Barreto. Arquivo pessoal de Viana Barreto. Fig. 3.2.18 - Eixo visual a partir da estrada limítrofe a norte do jardim, s.d. Fotografia Viana Barreto. Arquivo pessoal de Viana Barreto. Fig. 3.2.19 - Torre de Belém. Plano de plantação de herbáceas, s.d. Arquivo Municipal de Lisboa – Arco do Cego. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção “Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian”. Fig. 3.2.20 - Maqueta da Torre de Belém presente na exposição itinerante da IFLA inaugurada em 1957. Fotografia António Campelo. Arquivo do Instituto Superior de Agronomia. Fig. 3.2.21 - Tradução para a língua inglesa do estudo “Contribuição para o estudo do enquadramento da Torre de Belém”. Viana Barreto, 1957. Arquivo pessoal de Viana Barreto. Fig. 3.2.22 - A Torre de Belém encontra-se no presente, inteiramente rodeada por água. s.d, s.a, IHRU/SIPA. Fig. 3.2.23 - Vista do enquadramento da Torre de Belém, a partir da torre, 2009. Fotografia Teresa Bettencourt da Camara. IHRU/SIPA. Fig. 3.2.24 - Projeto para o espaço envolvente da Torre de Belém. Cottinelli Telmo, 1943. Ministério da Obras Publicas Transportes e Comunicações In MARTINS, João Paulo – Cottinelli Telmo /1897-1948. 3.3 O Jardim da Capela de São Jerónimo Fig. 3.3.1 - Capela de São Jerónimo. Planta da Zona de Proteção. s.a, s.d. IHRU/SIPA. Fig. 3.3.2 - Encosta do Restelo. II Fase de Urbanização. Projeto de Ordenamento Paisagístico (1ª fase). Plano de Plantação da Zona da Capela de São Jerónimo. Ribeiro Telles, 1956. Arquivo Municipal de Lisboa. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção “Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian”. Fig. 3.3.3 - Encosta do Restelo. II Fase de Urbanização. Projeto de Ordenamento Paisagístico (1ª fase). Zona da Capela de São Jerónimo. Estudo definitivo. Plano geral. Ribeiro Telles, 1959. Arquivo Municipal de Lisboa – Arco do Cego. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção “Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian”. Fig. 3.3.4 - Encosta do Restelo. II Fase de Urbanização. Projeto de Ordenamento Paisagístico (1ª fase). Zona da Capela de São Jerónimo. Estudo definitivo. Corte A-B. Ribeiro Telles, 1959. Arquivo Municipal de Lisboa – Arco do Cego. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção “Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian”.
FCUP 21 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Fig. 3.3.5 - Encosta do Restelo. II Fase de Urbanização. Projeto de Ordenamento Paisagístico (1ª fase). Plano de Plantação da Zona da Capela de São Jerónimo. Estudo definitivo. Plano de plantação, Socalcos rochosos. Ribeiro Telles, 1959. Arquivo Municipal de Lisboa – Arco do Cego. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção “Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian”. Fig. 3.3.6 - Encosta do Restelo. II Fase de Urbanização. Projeto de Ordenamento Paisagístico (1ª fase). Zona da Capela de São Jerónimo. Estudo definitivo. Entrada da Mata. Ribeiro Telles, 1959. Arquivo Municipal de Lisboa – Arco do Cego. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção “Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian”. Fig. 3.3.7 - Eixos visuais projetados a partir da Capela de S. Jerónimo. s.a, s.d. IHRU/ SIPA. Arquivo pessoal de Gonçalo Ribeiro Telles. 3.4 A Avenida da Liberdade Fig. 3.4.1 - Remodelação da Avenida da Liberdade, Lisboa: projeto de arborização e ajardinamento. Perfis transversais. Ribeiro Teles, 1955. Arquivo Municipal de Lisboa. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção “Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian”. Fig. 3.4.2 - Remodelação da Avenida da Liberdade, Lisboa. Projeto de arborização e ajardinamento. Plano Geral. Ribeiro Telles, 1955. Arquivo Municipal de Lisboa. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção “Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian”. Fig. 3.4.3 - Remodelação da Avenida da Liberdade. Troço Rotunda – Alexandre Herculano. Perfil por AB. Ribeiro Telles, 1956. Arquivo Municipal de Lisboa. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção “Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian”. Fig. 3.4.4 - Remodelação da Avenida da Liberdade. Projeto de arborização e ajardinamento. Plano de plantação, Rua Alexandre Herculano e Rotunda, 1a Fase. Ribeiro Telles, 1955. Arquivo Municipal de Lisboa. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção “Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian”. Fig. 3.4.5 - Remodelação da Avenida da Liberdade. Projeto de arborização e ajardinamento. Praça Marquês de Pombal. Ribeiro Telles, 1955. Arquivo Municipal de Lisboa. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção “Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian”. Fig. 3.4.6 - Remodelação da Avenida da Liberdade, Lisboa: projeto de arborização e ajardinamento. Perspetiva parcial Ribeiro Telles, 1955. Arquivo Municipal de Lisboa. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção “Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian”.
FCUP22 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Fig. 3.4.7a - Estudo comparativo da Avenida da Liberdade. Solução Ressano Garcia. Teresa Bettencourt da Camara, 2014. Fig. 3.4.7b - Avenida da Liberdade. Solução Ribeiro Telles, Caldeira Cabral. Teresa Bettencourt da Camara, 2014. Fig. 3.4.8 - Comparação entre dois perfis transversais tipo da Avenida de duas diferentes propostas, o projeto de Ressano Garcia (1884) e o projeto de Caldeira Cabral e Ribeiro Telles (1956). Francisco Cabral de Moncada, 2014. Arquivo pessoal Teresa Bettencourt da Camara. Fig. 3.4.9 - Ribeiro Telles na Avenida da Liberdade nos finais da década de 50. Arquivo do Instituto Superior de Agronomia. Fig. 3.4.10 - Caldeira Cabral na Avenida da Liberdade nos finais da década de 50. Arquivo do Instituto Superior de Agronomia. Fig. 3.4.11 - As faixas centrais apresentavam sobretudo árvores de copa mais estreita possibilitando uma perspetiva mais alargada. sd, s.a. Arquivo do Instituto Superior de Agronomia. Fig. 3.4.12 - Cortina de arbustos em separando o passeio central de rua lateral da Avenida, s.d. Arquivo do Instituto Superior de Agronomia. Fig. 3.4.13 - Mixed-border numa placa exterior da Avenida, s.d. Arquivo do Instituto Superior de Agronomia. Fig. 3.4.14 - Bancos de jardim integrados na placa ajardinada exterior, s.d. Arquivo do Instituto Superior de Agronomia. Fig. 3.4.15 - Passagem entre o passeio central e as ruas laterais, s.d. Arquivo do Instituto Superior de Agronomia. Fig. 3.4.16 - Troncos limpos das árvores situadas junto à, ou na faixa ajardinada central. São também visíveis as árvores remanescentes do projeto de Ressano Garcia, s.d. Arquivo do Instituto Superior de Agronomia. Fig. 3.4.17 - Topo de uma placa, s.d. Arquivo do Instituto Superior de Agronomia. Fig. 3.4.18 - Os muretes de sustentação de terra como estruturas da composição assumindo a função de bancos, s.d. Arquivo do Instituto Superior de Agronomia. Fig. 3.4.19 – Definição de planos horizontais e enquadramento de elemento escultórico. s.d. Arquivo do Instituto Superior de Agronomia. Fig. 3.4.20 - Coexistência dos dois projetos de jardins da Avenida. Do lado nascente o projeto de Ressano Garcia, a poente o projeto de Ribeiro Telles e Caldeira Cabral, s.d. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte – Coleção “Mário Novais”. Fig. 3.4.21 - Fotografia aérea da Avenida da Liberdade, 1938-1948.Instituto Geográfico do Exército Fig. 3.4.22 - Fotografia aérea da Avenida da Liberdade, 1958. É visível a concretização
FCUP 23 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) do projeto de Ribeiro Telles e Caldeira Cabral no lado poente da Avenida e, do lado nascente, apenas entre a Rotunda do Marquês e a Avenida Alexandre Herculano. Instituto Geográfico do Exército. 3.5 O Parque do Vale do Silêncio Fig. 3.5.1 - Olivais Sul. Parque Poente. Estudo de arranjo. Planta de localização. s.a, 1966. Arquivo Municipal de Lisboa. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção “Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian”. Fig. 3.5.2 - GTH. Plano dos Olivais Sul. José Rafael Botelho e Carlos Duarte, 1972. In Tostões, Ana - Lisboa. Arquitetura e Urbanismo: Do Passeio Público ao Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian. Fig. 3.5.3 - Olivais Sul. Parque Poente. Estudo de arranjo. Terraplanagens, localização de perfis. s.a, 1966. Arquivo Municipal de Lisboa. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção “Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian”. Fig. 3.5.4 - Célula C. Zona do Parque, levantamento. s.a, 1967. Arquivo Municipal de Lisboa. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção “Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian”. Fig. 3.5.5 - Célula C. Zona do Parque. Plano de zonamento da plantação. s.a, 1967. Arquivo Municipal de Lisboa. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção “Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian”. Fig. 3.5.6 - Célula C. Zona do Parque. Plano de plantação. Sousa da Câmara, 1968. Arquivo Municipal de Lisboa. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção “Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian”. Fig. 3.5.7 - Fotografia aérea do Parque do Vale do Silêncio, 1968. Instituto Geográfico do Exército. Fig. 3.5.8a - O Parque do Vale do Silêncio, 2014. Fig. 3.5.8b - O Parque do Vale do Silêncio, 2014. Fig. 3.5.8c - O Parque do Vale do Silêncio, 2014. Fig. 3.5.8d - O Parque do Vale do Silêncio, 2014. 3.6 O Jardim da Fundação Calouse Gulbenkian Fig. 3.6.1 - Foto aérea do Parque de Santa Gertrudes, s.d. Arquivo da Fundação Calouste Gulbenkian. Fig. 3.6.2 - Maqueta do concurso para as “Instalações da Sede e Museu da Fundação Calouste Gulbenkian”. Equipa A, s.d. Arquivo da Fundação Calouste Gulbenkian. Fig. 3.6.3 - Maqueta do concurso para as “Instalações da Sede e Museu da Fundação Calouste Gulbenkian”. Equipa B, s.d. Arquivo da Fundação Calouste Gulbenkian. Fig. 3.6.4 - Maqueta do concurso para as “Instalações da Sede e Museu da Fundação Calouste Gulbenkian”. Equipa C, s.d. Arquivo da Fundação Calouste Gulbenkian. Fig. 3.6.5 - Planta do zonamento do anteprojeto do jardim da Fundação Calouste
FCUP24 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Gulbenkian, 1961. Arquivo da Fundação Calouste Gulbenkian. Fig. 3.6.6 - Plano Geral do Projeto de Revisão do jardim da Fundação Calouste Gulbenkian, s.d. [1966]. IHRU/SIPA. Arquivo pessoal de Gonçalo Ribeiro Telles. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção “Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian”. Fig. 3.6.7 - Parque Calouste Gulbenkian. Plano Geral. Projeto de Revisão do jardim da Fundação Calouste Gulbenkian, s.d. IHRU/SIPA. Arquivo pessoal de Gonçalo Ribeiro Telles. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção “Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian”. Fig. 3.6.8 - Contracapa do anteprojeto do jardim da Fundação Calouste Gulbenkian, 2004. Fotografia Teresa Bettencourt da Camara. Arquivo pessoal Teresa Bettencourt da Camara. Fig. 3.6.9 - Rótulo do Plano de Conjunto da “Urbanização e arranjo do Parque”. Fundação Calouste Gulbenkian, 2004. Fotografia Teresa Bettencourt da Camara. Arquivo pessoal Teresa Bettencourt da Camara. 4 O contributo dos arquitetos paisagistas: “Arruamentos” Fig. 4.1 - Distribuição da tipologia “Arruamentos” na cidade de Lisboa. Teresa Bettencourt da Camara, 2014. Arquivo pessoal Teresa Bettencourt da Camara. Fig. 4.2 - Avenida da Igreja. Troço Largo Frei Heitor Pinto – Praça de Alvalade, 1958. Arquivo Municipal de Lisboa - Fotográfico, Coleção Salvador de Almeida Fernandes, PT/ AMLSB/SAL/I00046. Fig. 4.3 - Avenida da Igreja. Praça de Alvalade, 1960. Arquivo Municipal de Lisboa - Fotográfico, Coleção Augusto de Jesus Fernandes, PT/AMLSB/AJF/S01355. Fig. 4.4 - Avenida da Igreja. Troço Praça de Alvalade – Jardim do Campo Grande, década de 50. Arquivo Municipal de Lisboa - Fotográfico, Coleção Salvador de Almeida Fernandes, PT/AMLSB/SAL/I00131. Fig. 4.5 - Projeto de alteração do plano de plantação da Avenida Guerra Junqueiro. Azevedo Coutinho, 1950. Arquivo Municipal de Lisboa. Ref PT-AMLSB-CMLSB-UROBOM-19-52-01 - Folha 1. Fig. 4.6 - Faixa ajardinada da Avenida Guerra Junqueiro, 1960. Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico, Coleção Arnaldo Madureira, PT/AMLSB/ARM/I00537. Fig. 4.7 - Projeto de Arborização da Avenida do Rio de Janeiro. Plano Geral. Ribeiro Telles, 1951. Arquivo Municipal de Lisboa. PT-AMLSB-CMLSB-UROB-OM-19-24-01 - Folha 1. Fig. 4.8 - Projeto de ajardinamento da Av. Columbano Bordalo Pinheiro. Ribeiro Telles, 1953. Arquivo Municipal de Lisboa. PT-AMLSB-CMLSB-UROB-OM-19-51-01 - Folha 1 Fig. 4.9 - Projeto dos espaços verdes da Av. Columbano Bordalo Pinheiro. Planta
FCUP 25 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Geral. Ribeiro Telles, s.d. Arquivo Municipal de Lisboa. PT-AMLSB-CMLSB-UROBOM-19-51-02 - Folha 1. Fig. 4.10 - Projeto de ajardinamento da 2ª Circular (Troço entre a rotunda do aeroporto e a Av. Infante D. Henrique). Plano Geral. Ribeiro Telles, 1953. Arquivo Municipal de Lisboa. PT-AMLSB-CMLSB-UROB-OM-19-77-01 - Folha 1. Fig. 4.11 - Projeto de Remodelação da Praça da Rotunda do Aeroporto. Planta. Ribeiro Telles, 1953. Arquivo Municipal de Lisboa – Bairro da Liberdade. PT-AMLSB-CMLSBUROB-OM-19-01-01 - Folha 1. Fig. 4.12 - Projeto de Remodelação da Praça da Rotunda do Aeroporto. Perfil. Ribeiro Telles, 1953. Arquivo Municipal de Lisboa. PT-AMLSB-CMLSB-UROB-OM-19-01-02 - Folha 1. Fig. 4.13 - Projeto de Remodelação da Praça da Rotunda do Aeroporto. 2ª Fase. Planta. Ribeiro Telles, 1956. Arquivo Municipal de Lisboa. PT-AMLSB-CMLSB-UROBOM-19-01-03 - Folha 1. Fig. 4.14 - Avenida Fontes Pereira de Melo. Projeto de Arborização. 1ª Fase. Ribeiro Telles, 1953. Arquivo Municipal de Lisboa. PT-AMLSB-CMLSB-UROB-OM-19-17-01 - Folha 1. Fig. 4.15 - Ajardinamento da Praça de Sete Rios. Plano geral. Sousa da Câmara, 1963. Arquivo Municipal de Lisboa – PT-AMLSB-CMLSB-UROB-OM-19-16-01 - Folha 1 Fig. 4.16 - Ajardinamento da Praça de Sete Rios. Cortes. Sousa da Câmara, 1963. Arquivo Municipal de Lisboa. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção ‘Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian. Fig. 4.17 - Sugestão para o arranjo dos passeios da Av. Gago Coutinho (entre a Praça do Areeiro e a Av. Estados Unidos da América). Sousa da Câmara, 1964. Arquivo Municipal de Lisboa. PT-AMLSB-CMLSB-UROB-OM-19-47-01 - Folha 1. 4.1 A Avenida da Igreja Fig. 4.1.1 - Projeto de Arborização da Avenida da Igreja. Plano Geral. Azevedo Coutinho, 1950. Arquivo Municipal de Lisboa. PT-AMLSB-CMLSB-UROB-OM-19-30-01 - Folha 1, Fig. 4.1.2 - Projeto de Arborização da Avenida da Igreja. Perfis tipo. Azevedo Coutinho, 1950. Arquivo Municipal de Lisboa. PT-AMLSB-CMLSB-UROB-OM-19-30-03 - Folha 1. Fig. 4.1.3 - Avenida da Igreja, entre a Avenida de Roma e o Largo Frei Heitor Pinto, 1959. Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico, Coleção António Passaporte. PT/AMLSB/ PAS/001820. Fig. 4.1.4 - Avenida da Igreja, entre a Avenida de Roma e o Campo Grande, década de 50. Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico, Coleção Claudino Madeira. PT/AMLSB/ MAD/000080. Fig. 4.1.5 - Projeto de Arborização da Avenida da Igreja. Pormenor do plano de plantação de arbustos e plantas herbáceas vivazes. Azevedo Coutinho, 1950. Arquivo Municipal de Lisboa. PT-AMLSB-CMLSB-UROB-OM-19-30-02 - Folha 1.
FCUP32 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Fig. 5.2.37 - Avenida dos Estados Unidos da América. Ajardinado entre os lotes. Sousa da Câmara, 1962. Arquivo Municipal de Lisboa. PT-AMLSB-CMLSB-UROB-OM-19-55-04 - Folha 1 Fig. 5.2.38 - Logradouros da Avenida do Brasil. Sousa da Câmara, s.d. Arquivo Municipal de Lisboa – Arco do Cego. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção ‘Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian. Fig. 5.2.39 - Ante-projecto do ajardinamento dos logradouros da Av. do Brasil. Cortes Sousa da Câmara, 1963. Arquivo Municipal de Lisboa. PT-AMLSB-CMLSB-UROBOM-19-11-01 - Folha 1 5.3 A Encosta do Restelo Fig. 5.3.1 - Encosta do Restelo. Avenida Torre de Belém e Praça de Dio a nascente, 1947. Instituto Geográfico do Exército. Fig. 5.3.2 - Jardim da Praça de Dio, 1966. Arquivo Municipal de Lisboa, Coleção Armando Serôdio, PT/AMLSB/FDM/000958. Fig. 5.3.3 - Jardim da Praça de Dio, 2013. Fotografia Teresa Bettencourt da Camara. Arquivo pessoal de Teresa Bettencourt da Camara. Fig. 5.3.4 - Projeto de construção do jardim da Praça de Goa. Plano de plantação (árvores). Ribeiro Telles,1951. Arquivo Municipal de Lisboa. PT-AMLSB-CMLSB-UROBOM-19-56-01 - Folha 1. Fig. 5.3.5 - Projeto de construção do jardim da Praça de Goa. Plano de plantação (arbustos). Ribeiro Telles, 1951. Arquivo Municipal de Lisboa. PT-AMLSB-CMLSB-UROBOM-19-56-02 - Folha 1. Fig. 5.3.6 - Projeto de construção do jardim da Praça de Goa. Plano de plantação. Pormenores. Ribeiro Telles, 1951. Arquivo Municipal de Lisboa. PT-AMLSB-CMLSBUROB-OM-19-56-03 - Folha 1. Fig. 5.3.7 - Jardim da Praça de Goa, 1959. Arquivo Municipal de Lisboa, Coleção Armando Serôdio, PT/AMLSB/SER/I00267. Fig. 5.3.8 - Jardim da Praça de Goa, 1966. Arquivo Municipal de Lisboa, Coleção Armando Serôdio, PT/AMLSB/FDM/000952. Fig. 5.3.9 - Jardim da Praça de Goa, 2013. Fotografia Teresa Bettencourt da Camara. Arquivo pessoal de Teresa Bettencourt da Camara. Fig. 5.3.10 - Jardim da Praça de Goa, 2013 Fotografia Teresa Bettencourt da Camara. Arquivo pessoal de Teresa Bettencourt da Camara. Fig. 5.3.11 - Projeto de construção do jardim da Praça de Damão. Plano geral. Ribeiro Telles, 1951. Arquivo Municipal de Lisboa. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção ‘Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian. Fig. 5.3.12 - Projeto de construção do jardim da Praça de Damão. Perfis. Ribeiro Telles, 1951. Arquivo Municipal de Lisboa. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção ‘Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian.
FCUP 33 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Fig. 5.3.13 - Projeto de construção do jardim da Praça de Damão. Plano de plantação das árvores. Ribeiro Telles, 1951. Arquivo Municipal de Lisboa. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção ‘Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian. Fig. 5.3.14 - Projeto de construção do jardim da Praça de Damão. Arbustos e herbáceas anuais. Ribeiro Telles, 1951. Arquivo Municipal de Lisboa. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção ‘Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian. Fig. 5.3.15 - Jardim da Praça de Damão, 1966. Arquivo Municipal de Lisboa, Coleção Armando Serôdio, PT/AMLSB/FDM/000951. Fig. 5.3.16 - Jardim da Praça de Damão, 1966. Arquivo Municipal de Lisboa, Coleção Garcia Nunes, PT/AMLSB/NUN/S00959. Fig. 5.3.17 - Jardim da Praça de Damão, 2013. Fotografia Teresa Bettencourt da Camara. Arquivo pessoal de Teresa Bettencourt da Camara. Fig. 5.3.18 - Jardim da Praça de Damão, 2013. Fotografia Teresa Bettencourt da Camara. Arquivo pessoal de Teresa Bettencourt da Camara. Fig. 5.3.19 - Praça de Malaca. Plano geral. Ribeiro Telles, 1959. Arquivo Municipal de Lisboa. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção ‘Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian. Fig. 5.3.20 - Jardim da Praça de Damão, 2013. Fotografia Teresa Bettencourt da Camara. Arquivo pessoal de Teresa Bettencourt da Camara. Fig. 5.3.21 - Encosta do Restelo. II Fase de Urbanização. Projeto de Ordenamento Paisagístico, 1º Fase. Plano de plantação. Maciços perenifólios. Ribeiro Telles, 1956. Arquivo Municipal de Lisboa. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção ‘Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian. Fig. 5.3.22 - Encosta do Restelo. II Fase de Urbanização. Projeto de Ordenamento Paisagístico, 1º Fase. Plano de plantação. Maciços caducifólios. Ribeiro Telles, 1956. Arquivo Municipal de Lisboa. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção ‘Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian. Fig. 5.3.23 - Projeto dos ajardinados da zona comercial do Restelo. Ajardinados Norte. Ribeiro Telles, 1959. Arquivo Municipal de Lisboa. PT-AMLSB-CMLSB-UROBOM-19-29-01 - Folha 1 Fig. 5.3.24 - Projeto dos ajardinados da zona comercial do Restelo. Ajardinados Sul. Ribeiro Telles, 1959. Arquivo Municipal de Lisboa. PT-AMLSB-CMLSB-UROBOM-19-29-02 - Folha 1. Fig. 5.3.25 - Ajardinamento dos espaços entre os Blocos nº 854-859 a norte da Rua Bartolomeu Dias. Cortes. Sousa da Câmara, 1963. Arquivo Municipal de Lisboa. PTAMLSB-CMLSB-UROB-OM-19-09-02 - Folha 1. Fig. 5.3.26 - Ajardinamento dos espaços entre os Blocos nº 854-859 a norte da Rua
FCUP34 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Bartolomeu Dias. Plano de plantação. Sousa da Câmara, 1963. Arquivo Municipal de Lisboa. PT-AMLSB-CMLSB-UROB-OM-19-09-01 - Folha 1. Fig. 5.3.27 - Ajardinados junto à Rua D. Lourenço de Almeida. Pormenores. Sousa da Câmara, s.d. Arquivo Municipal de Lisboa. PT-AMLSB-CMLSB-UROB-OM-19-49 - Folha 1. Fig. 5.3.28 - Estudo de revisão da zona limitada pelas ruas Gonçalves Zarco, Tristão Vaz, Mem Rodrigues e Avenida da Ilha da Madeira. Anteprojeto das zonas verdes. Edgar Fontes, 1967. Arquivo Municipal de Lisboa - Arco do cego. 5.4 O Bairro dos Olivais Fig. 5.4.1 - Olivais Sul. Plano geral. s.a, s.d. Arquivo Municipal de Lisboa. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção ‘Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian. Fig. 5.4.2 - Espaços verdes entre os blocos 62 e 63, 1963. Arquivo Municipal de Lisboa. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção ‘Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian. Fig. 5.4.3 - Olivais Norte. Jardim entre os blocos, 2014. 2013. Fotografia Teresa Bettencourt da Camara. Arquivo pessoal de Teresa Bettencourt da Camara. Fig. 5.4.4 - Olivais Norte. Lotes 88 a 104. Álvaro Dentinho, s.d. Arquivo Municipal de Lisboa. PT-AMLSB-CMLSB-UROB-OM-19-73-02 - Folha 1 Fig. 5.4.5 - Olivais Norte. Jardim entre os blocos, 2014. Fotografia Teresa Bettencourt da Camara. Arquivo pessoal de Teresa Bettencourt da Camara. Fig. 5.4.6 - Pormenor do desenho 13365, 1964. Arquivo Municipal de Lisboa. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção ‘Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian. Fig. 5.4.7 - Pormenor do desenho 13390, 1964. Arquivo Municipal de Lisboa. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção ‘Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian. Fig. 5.4.8 - Praça junto à Rua General Silva Freire. Tanque, 2014. Fotografia Teresa Bettencourt da Camara. Arquivo pessoal de Teresa Bettencourt da Camara. Fig. 5.4.9 - Praça junto à Rua General Silva Freire. Pormenor do pavimento, 2014. Fotografia Teresa Bettencourt da Camara. Arquivo pessoal de Teresa Bettencourt da Camara. Fig. 5.4.10 - Olivais Sul. Pavimentos, 2014. Fotografia Teresa Bettencourt da Camara. Arquivo pessoal de Teresa Bettencourt da Camara. Fotografia Teresa Bettencourt da Camara. Arquivo pessoal de Teresa Bettencourt da Camara. Fig. 5.4.11 - Olivais Norte. Pormenor “O”. Rede de rega. Sousa da Câmara, s.d. Arquivo Municipal de Lisboa. PT-AMLSB-CMLSB-UROB-OM-19-73-04 - Folha 1. Fig. 5.4.12 - Olivais Norte. Aspeto do Pormenor “O”, 2014. Fotografia Teresa Bettencourt da Camara. Arquivo pessoal de Teresa Bettencourt da Camara. Fig. 5.4.13 - Grupo escolar dos Olivais. Ajardinamento. Plano de plantação de árvores.
FCUP 35 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Sampaio Fontes, 1963. Arquivo Municipal de Lisboa. PT-AMLSB-CMLSB-UROBOM-19-72-01 - Folha 1 Fig. 5.4.14 - Olivais Norte. Aspeto da envolvente Sul da escola, 2014. Fotografia Teresa Bettencourt da Camara. Arquivo pessoal de Teresa Bettencourt da Camara. Fig. 5.4.15 - Olivais Norte. Aspeto da envolvente poente da escola, 2014. Fotografia Teresa Bettencourt da Camara. Arquivo pessoal de Teresa Bettencourt da Camara. Fig. 5.4.16 - Piscina dos Olivais. Enquadramento. Edgar Fontes, 1966. Arquivo Municipal de Lisboa. PT-AMLSB-CMLSB-UROB-OM-19-62-01 - Folha 1 Fig. 5.4.17 - Olivais Sul. Projeto em fase de obra do parque desportivo no extremo Sul do bairro, 1968. Instituto Geográfico do Exército. Fig. 5.4.18 - Perfis dos caminhos. Implantação. Pormenores do auditório. 4, s.d. Arquivo Municipal de Lisboa. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção ‘Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian. Fig. 5.4.19 - Perfil geral do terreno na zona dos campos de jogos e teatro. 62, s.d. Arquivo Municipal de Lisboa. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção ‘Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian. Fig. 5.4.20 - Pormenores. 60, 1965. Arquivo Municipal de Lisboa. Reprodução da Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca de Arte - Coleção ‘Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian. Fig. 5.4.21 - Olivais Sul. Célula D. Z. Mar. Sul. Projeto de ajardinamento do pormenor E. Plano de plantação. Sousa da Câmara, s.d. Arquivo Municipal de Lisboa. Ref PT-AMLSBCMLSB-UROB-OM-19-74-11 - Folha 1 Fig. 5.4.22 - Olivais Sul. Célula D. Z. Mar. Sul. Projeto de ajardinamento do pormenor F. Plano de plantação. Sousa da Câmara, s.d. Arquivo Municipal de Lisboa. PT-AMLSBCMLSB-UROB-OM-19-74-07 - Folha 1. Fig. 5.4.23 - Olivais Sul. Célula C. Z. Centro. Praça D. Pormenor A. Plano de plantação. Sousa da Câmara, 1966. Arquivo Municipal de Lisboa. PT-AMLSB-CMLSB-UROBOM-19-74-01 - Folha 1.
FCUP36 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970)
FCUP 37 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Lista de Quadros Quadro. 2.1 - Lista dos arquitetos paisagistas com o Curso Livre de Arquitetura Paisagista concluído até ao final da década de 60. Fonte: Livro de Termos de Classificação de Relatórios Finais. Livro nº 2. Lisboa. Instituto Superior de Agronomia. Quadro 2.2 – Caraterização dos relatórios de viagem.
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FCUP 39 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Lista de Abreviaturas Arquivos pessoais GRT – Arquivo de Gonçalo Ribeiro Telles. HAVB – Arquivo dos herdeiros de António Viana Barreto HESFArquivo dos herdeiros de Edgar Sampaio Fontes HMSC - Arquivo dos herdeiros de Manuel Sousa da Câmara RV – Arquivo de Rita Vale TBC – Arquivo de Teresa Bettencourt da Camara Instituições AISA - Arquivo do Instituto Superior de Agronomia AML - Arquivo Municipal de Lisboa. AML AF - Arquivo Municipal de Lisboa. Arquivo Fotográfico ANTT - Arquivo Nacional Torre do Tombo BN - Biblioteca Nacional CEAP - Centro de Estudos de Arquitetura Paisagista CML - Câmara Municipal de Lisboa DGEMN - Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais DGSU - Direção-Geral dos Serviços de Urbanização DSTE - Direcção dos Serviços Técnicos Especiais DSUO - Direção de Serviços de Urbanização e Obras ESBAL - Escola Superior de Belas Artes de Lisboa FCG - Fundação Calouste Gulbenkian FCG BA - Fundação Calouste Gulbenkian. Biblioteca de Arte GEO - Gabinete de Estudos Olisiponenses GEU - Gabinete de Estudos de Urbanização IGeoE - Instituto Geográfico do exército ISA - Instituto Superior de Agronomia MOP - Ministério da Obras Públicas RAJ - Repartição de Arborização e Jardinagem da Câmara Municipal de Lisboa SIPA - Sistema de Informação para o Património Arquitetónico. UICN - União Internacional da Conservação da Natureza
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41 1 Introdução
FCUP48 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) A presente dissertação está organizada em seis capítulos. Após a presente introdução, o capítulo 2 intitulado “As personagens, o tempo e o lugar” apresenta quatro subcapítulos: O fundador da Arquitetura Paisagista em Portugal e seus discípulos; As viagens ao estrangeiro dos arquitetos paisagistas portugueses nas décadas de 1950 e 1960 e por fim; O espaço público de Lisboa. Este último subcapítulo - O espaço público de Lisboa - desenvolve os itens. A expansão e o planeamento de Lisboa e a restruturação institucional; Os espaços verdes no planeamento urbano; As politicas de habitação e o seu impacto na rede de parques e jardins. Tem por objetivo contextualizar o desempenho profissional dos arquitetos paisagistas e a evolução urbanística da cidade de Lisboa. Trata-se efetivamente de um período muito intenso ainda muito marcado pelo impulso de Duarte Pacheco, caraterizado por todo um conjunto de nova legislação – inspirada pelas novas tendências de uma Europa pós-guerra, pela Carta de Atenas e pelos congressos estrangeiros e nacionais dos arquitetos - e por uma intensa atividade expropriativa de terrenos na Lisboa, “capital do Império.” A narrativa sobre as viagens ao estrangeiro dos arquitetos paisagistas permite, por sua vez, compreender e conhecer as tendências internacionais. Os capítulos 3, 4 e 5 tratam respetivamente as três tipologias – “Parques e jardins”, “Arruamentos” e “Bairros” através de uma seleção de casos de estudo sobre os quais é feita uma análise e uma apreciação crítica. Estes casos de estudo, já referidos, são considerados como os mais representativos da obra dos arquitetos paisagistas no espaço público de Lisboa, apresentam uma sequência cronológica dentro de cada tipologia. O capítulo 3 trata do contributo dos arquitetos paisagistas nos parques e jardins apresenta seis casos de estudo que são: Mata de Alvalade, o Jardim da Torre de Belém, o Jardim da Capela de São Jerónimo, A Avenida da Liberdade, o Parque do Vale do Silêncio e o Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian. O capítulo 4 incide sobre o contributo dos arquitetos paisagistas nos arruamentos apresenta cinco casos de estudo que são: A Avenida da Igreja, a Avenida D. Rodrigo da Cunha, a Avenida dos Estados Unidos da América, a Avenida Infante Santo e a Avenida Calouste Gulbenkian. No capítulo 5 são tratados os “Bairros”, sendo identificados: o Bairro da Encarnação, o Bairro de Alvalade, a Encosta do Restelo e os Olivais. 1.3 A estrutura da dissertação
FCUP 49 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) No capítulo 6 são apresentadas as conclusões desta dissertação. No final dos seis capítulos constituintes da dissertação é apresentada uma compilação dos referidos anexos onde se encontram elencados os projetos dos arquitetos paisagistas com obra incluída no espaço verde público da Cidade de Lisboa realizada entre as décadas de 1940 e de 1970, acerca dos quais foi encontrado material relevante para a sua obra nesta cidade.
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51 2 As personagens, o tempo e o lugar
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FCUP 53 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) 2 As personagens, o tempo e o lugar Este capítulo refere os arquitetos paisagistas que intervieram na cidade de Lisboa no período em estudo sendo que a década de 1940 é dominada pela figura de Caldeira Cabral, criador do Curso Livre de Arquitetura Paisagista no ISA, em Lisboa, frequentado por aqueles que virão a ser os introdutores de uma área disciplinar nova no planeamento e no desenho do espaço público. Para além de apresentar uma nota biográfica dos arquitetos paisagistas interventores no desenho e planeamento da cidade nas décadas de 50 e 60, dando destaque ao percurso do fundador, enfatiza uma faceta que se considera determinante para o desempenho que vieram a ter: os relatórios de viagem. Estes estão redigidos de forma cuidada e fotograficamente bem documentada e são reveladores das preocupações sobre a paisagem urbana assim como do conhecimento do estado da arte habilitando estes arquitetos paisagistas a um desempenho ao encontro das melhores práticas da modernidade internacional. Por outro lado, neste capítulo exploram-se as circunstâncias do lugar – a cidade de Lisboa nas décadas de 1940 a 1970 – no que diz respeito ao espaço verde público, ao planeamento urbano e à habitação.
FCUP54 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) 2.1.1 Francisco Caldeira Cabral 2.1.1.1 A formação académica Francisco Caldeira Cabral 4 nasceu a 26 de Outubro de 1908, em Lisboa. Seus pais, Dr. António Caldeira Cabral, médico-cirurgião e sua mãe, D. Alice Monteiro Caldeira Cabral, proporcionaram-lhe uma infância rica do ponto de vista cultural, escutando e aprendendo música desde cedo e tendo frequentado o Colégio da Companhia de Jesus em La Guardia, na Galiza (Fig. 2.1.1).5 Foi um professor jesuíta belga-suíço, famoso botânico de seu nome Louisier, que despertou nele o interesse e o gosto pelas plantas.6 Terminando em agosto de 1925 o curso dos liceus, partiu em outubro desse mesmo ano para a Alemanha onde se matriculou no curso de eletrotecnia na “Technische Hochschule Berlim-Charlottenburgo” que frequentou durante 5 anos, após os quais teve de regressar a Portugal por razões de saúde. Chegado a Portugal, matriculou-se no ISA no curso de Engenheiro Agrónomo o qual viria a concluir em 1936. Em março de 1935, estando então no 4º ano, Caldeira Cabral 4 A biografia de Caldeira Cabral foi publicada pela primeira vez por Teresa Andresen integrada num projeto editorial do Landscape Design Trust (UK) em 2001. Nessa série foram igualmente publicadas as monografias dos arquitetos paisagistas Geoffrey Jellicoe (1998), Sylvia Crowe (1999), Peter Shepheard (2004). Mais tarde, o catálogo da Exposição da Fundação Gulbenkian também coordenado por Teresa Andresen e intitulado “Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian” (2003) contem informação relevante para o conhecimento da vida de Caldeira Cabral. Na Universidade de Évora, em 1998, foi apresentado um Trabalho de fim de curso de Arquitetura Paisagista intitulado Francisco Caldeira Cabral - 1º Arquiteto Paisagista Português da autoria de Gabriela Maria dos Santos Brás Lopes. Na Universidade do Porto, em 2014, foi apresentada uma Dissertação de Mestrado intitulada “O legado escrito de Francisco Caldeira Cabral. Construção de pensamento teórico em arquitetura paisagista” da autoria de Mariana Abranches Pinto. Manuela Raposo Magalhães produziu em 2009 um DVD contendo uma entrevista a Francisco Caldeira Cabral, divulgado pela Associação Portuguesa dos Arquitetos Paisagistas. Em 2009, a Associação Portuguesa dos Arquitetos Paisagistas publicou a obra “Francisco Caldeira Cabral. Memórias do mestre no centenário do seu nascimento”, coordenada por João Reis Gomes. Por ocasião do centenário do nascimento também a Comissão Municipal de Toponímia da Câmara Municipal de Lisboa, na sequência da decisão da atribuição do nome de Caldeira Cabral a um jardim da cidade, publicou uma brochura intitulada “Prof. Francisco Caldeira Cabral. 19081922.” 5 ANDRESEN, Teresa - Francisco Caldeira Cabral. 6 MAGALHÃES, Manuela Raposo - Transcrição de entrevista a Francisco Caldeira Cabral. Conforme se acabou de referir, o percurso biográfico de Caldeira Cabral enquanto fundador da Arquitetura Paisagista merece destaque. Entendeu-se referir três facetas distintas: a formação académica e a escolha pela Arquitetura Paisagista, o ensino da Arquitetura Paisagista e a atividade profissional. 2.1 O fundador da Arquitetura Paisagista em Portugal e os seus discípulos
FCUP 55 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) recebeu um convite da CML na pessoa do Vereador Luís Pastor de Macedo (1901-1971), para ir ocupar o lugar de chefe da Repartição dos Jardins e Cemitérios. Decorria então a reorganização interna dos serviços municipais. 7 8 Embora Caldeira Cabral não tivesse chegado a ingressar na CML, este convite despertou-lhe o interesse em ir estudar arquitetura paisagista para a Alemanha. Com uma boa relação com André Navarro (1904-1989), seu professor da disciplina de Arboricultura, Horticultura e Jardinagem, na sua ausência ficou incumbido, em Julho de 1935, da direção do Jardim Botânico da Ajuda, experiência que lhe valeu a realização o seu relatório de tirocínio.9 Este jardim teve um papel de destaque, quer na sua formação como, mais tarde, no ensino da arquitetura paisagista. Mário de Azevedo Gomes (1885-1965), professor de Caldeira Cabral na disciplina de Silvicultura, emitiu em Junho de 1936 um documento onde justifica detalhadamente o papel do arquiteto paisagista nas zonas urbanas e a necessidade de instruir nessa matéria, diplomados de agronomia ou silvicultura confirmando por último que o plano de estudos apresentado por este aluno, referente ao curso de arquitetura paisagista de Berlim, satisfazia os requisitos da especialização complementar referida.10 O Instituto para a Alta Cultura concedeu uma bolsa a Caldeira Cabral e ele partiu para Berlim, aos 27 anos, acompanhado de sua mulher, aí permanecendo até ao início da Segunda Guerra Mundial (Fig. 2.1.2).11 Em Berlim, Caldeira Cabral, já com sólidos conhecimentos na área da engenharia agronómica, e conhecendo bem esta cidade, 7 ANDRESEN, Teresa - Francisco Caldeira Cabral. 8 SANTOS, Aurora - A Câmara Municipal de Lisboa na transição da República para o Estado Novo. 9 ANDRESEN, Teresa - Três Décadas de Arquitetura Paisagista em Portugal: 1940-1970. 10 Ibidem. 11 Ibidem. Fig. 2.1.1 - Francisco Caldeira Cabral, s.d. Fig. 2.1.2 - Francisco Caldeira Cabral e sua mulher Alfreda Ferreira da Fonseca (1909-2001)
FCUP56 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) estava especialmente apto para o desafio que o aguardava enquanto aluno do “Institut für Gartengestaltung.”12 O ensino da arquitetura paisagista tinha sido iniciado em 1929, em Berlim, por Erwin Barth (1880-1933), nomeado nesta data professor da primeira disciplina de arquitetura paisagista, embora anteriormente desse já aulas de projeto de jardins a alunos de arquitetura.13 Após a sua morte foi Heinrich Wiepking-Jürgensmann (1891-1973) quem lhe sucedeu, mantendo-se o responsável pelo ensino da arquitetura paisagista em Berlim até 1945, vindo a ser não só o grande mestre de Caldeira Cabral, como também amigo, a quem este visitou mais tarde na Alemanha e por quem foi visitado em Lisboa, mantendo o contacto até 1973, data da sua morte.14 Wiepking lecionou até 1957, ano em que se reformou, numa escola por si fundada, a Escola Superior de Cultura e Jardinagem Paisagista de Hannover.15 Durante a sua vida profissional, desenvolveu atividades como a de projetista, colaborando com vários arquitetos, entre os quais Werner March (1894-1976), autor do projeto do Estádio Olímpico de Berlim, onde decorreram os Jogos Olímpicos em 1936 e em que ele foi o autor dos arranjos exteriores da aldeia olímpica; com Alwin Seifert (1890-1972), Wiepking foi responsável pela abordagem da paisagem global pelos arquitetos paisagistas.16 Wiepking marcou de forma definitiva o desempenho da profissão por Caldeira Cabral e, consequentemente pelos seus discípulos, em Portugal.17 Está-se consciente deste ser um período de forte conotação ideológica com o nazismo então claramente emergente na Alemanha da década de 30. Teresa Andresen já referiu, logo em 2001 na monografia sobre Caldeira Cabral, esta questão. Quer Wiepking quer Seifert foram homens do regime assim como aqueles envolvidos na obra do Estádio de Berlim e que apoiaram Caldeira Cabral na obra do Estádio Nacional. Entende-se deixar apenas esta nota sobre esta matéria que careceria de uma investigação exaustiva mas que fica além do contexto desta dissertação. O facto de Caldeira Cabral usufruir de uma bolsa de estudo obrigava-o à redação e envio de relatórios semestrais que auxiliam na compreensão das atividades desenvolvidas durante este período, tal como a correspondência trocada com os seus professores em Portugal.18 Um exemplo desta correspondência é uma carta dirigida a André Navarro, na primavera do seu primeiro ano letivo em que ele esclarece sobre o ensino da Arquitetura Paisagista em Berlim: “A primeira coisa a estudar é a paisagem debaixo de todos os seus aspetos. Estudam-se os seus elementos característicos: elementos botânicos - flora espontânea 12 Idem, p. 26. 13 ANDRESEN, Teresa - Francisco Caldeira Cabral. 14 ANDRESEN, Teresa - Três Décadas de Arquitetura Paisagista em Portugal: 1940-1970. 15 Ibidem. 16 Ibidem. 17 Ibidem. 18 ANDRESEN, Teresa - Francisco Caldeira Cabral.
FCUP 57 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) e cultivada – elementos agronómicos e silvícolas, elementos arquitectónicos – formas de construção rural e urbana, etc (…), elementos etnográficos e históricos, procurando a sua razão de ser e a sua função, não só estética como prática – desse estudo tiram-se conclusões para a resolução de problemas como os da habitação nos centros urbanos e suburbanos, estabelecimento de colónias de povoamento agrícola em regiões de fraca população – como é por exemplo para a Alemanha a Prússia Oriental – procurando que apesar de todas as inovações e modernizações a introduzir se mantenha a continuidade histórica e lógica entre a obra de hoje e a que nos legou o património nacional (…) foca-se por exemplo a importância das matas em regiões de cultura cerealífera, cuja destruição foi aconselhada ao começar-se a cultura mecânica e que hoje se verifica terem um papel de alta importância na defesa contra os ventos, fixação do solo, etc. Depois destes problemas de carácter eminentemente nacional, vêm as questões de parques e jardins, públicos e particulares, campos de desporto, etc. Como se vê o programa é vasto. Para o realizar começa-se por adquirir o conhecimento prático dos problemas de jardinagem, horticultura, arboricultura e viveiros (…). A par desse ensino começa agora propriamente a aprendizagem artística. Desenho, Aguarela, Perspectiva, Projectos de Jardins e Parques, urbanização com projectos de aglomerados populacionais, etc., História de Arte da Jardinagem e da Arquitectura. Além das aulas teóricas ou das práticas, estas últimas mais importantes, fazem-se excursões, ou na cidade ou fora estando mesmo projectada uma a Itália. E aqui está uma ideia do que é o curso.”19 A forma como foram administradas todas estas matérias inovadoras viria mais tarde a influenciar, de forma decisiva, a delineação do curso em Portugal, assim como o modo como eram realizadas as aulas práticas, os passeios ao exterior frequentemente realizados com os alunos, quer a Sintra ao fim-de-semana quer ao estrangeiro. Conforme Teresa Andresen refere, esta correspondência era muitas vezes complementada com o envio de sementes e informações relativas a novas práticas e novos conceitos, bibliografia, etc. e relatava novas temáticas então abordadas como a conservação da natureza ou o tratamento de árvores em espaço urbano.20 No verão de 1939 rebentou a Segunda Grande Guerra, sendo a bolsa do Instituto para a Alta Cultura suspensa a partir do mês de outubro e, em finais de 1939, Caldeira Cabral regressou a Lisboa com o projeto final de curso por concluir.21 Este só veio a ser concluído em 1940 e o reconhecimento obtido no ano seguinte.22 19 Carta de Caldeira Cabral para André Navarro, s.d. (1937?) cit. por ANDRESEN, Teresa - Três Décadas de Arquitetura Paisagista em Portugal: 1940-1970, p. 30. 20 ANDRESEN, Teresa - Francisco Caldeira Cabral e ANDRESEN, Teresa - Três Décadas de Arquitetura Paisagista em Portugal: 1940-1970. 21 ANDRESEN, Teresa - Francisco Caldeira Cabral. 22 ANDRESEN, Teresa - Francisco Caldeira Cabral e ANDRESEN, Teresa - Três Décadas de Arquitetura Paisagista em Portugal: 1940-1970.
FCUP64 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Não é claro o que se passou depois mas o facto é que Caldeira Cabral e Konrad Wiesner acabaram por ser afastados do projeto tendo este passado a ter como coordenador o arquiteto Miguel Jacobetty Rosa (1901-1970) que foi já o autor da tribuna de honra construída sobre o estádio. Teresa Andresen sintetizou o significado da obra de Caldeira Cabral no Jamor da seguinte forma: “Em traços muito gerais, podemos apontar como grandes gestos na paisagem do Jamor de Caldeira Cabral e Konrad Wiesner os seguintes: fazer do Jamor um verdadeiro parque urbano, libertar o vale, assegurar a possibilidade da futura extensão das infraestruturas desportivas, encontrar sabiamente o lugar certo do edifício centralizador – o estádio de atletismo – e uma lição mestra de diálogo com a paisagem. (…) Aqui se iniciou a prática da Arquitetura Paisagista em Portugal. Embora o trabalho de Caldeira Cabral e de Konrad Wiesner não tenha sido levado até ao fim, a sua marca naquilo que é hoje o vale do Jamor é incontornável.” 45 É, sem dúvida, uma marca no vale do Jamor mas considera-se que é uma marca além do seu sítio pois pode ser entendida como uma lição de Arquitetura Paisagista onde se sintetizam e materializam os princípios da profissão. Após a participação no projeto do estádio, Caldeira Cabral projetou intensamente durante as décadas de 1940 e 1950, e parte da de 1960, já que, a partir de meados desta década, o seu envolvimento na IFLA e no Conselho Nacional de Educação era já tão intenso que o ritmo da atividade projetual abrandou. Nesta sua atividade, trabalhou isolado até à data da licenciatura dos primeiros arquitetos paisagistas portugueses, isto é, inícios da década de 1950. A partir de então começou-se a verificar-se a cooperação com os seus discípulos, através do Centro de Estudos, tendo sido, no entanto, lamentavelmente disperso, o arquivo respeitante aos trabalhos desenvolvidos neste âmbito. Entre os seus projetos mais emblemáticos deste período indicam-se os seguintes: Parque de São Francisco e Praça do Município no Funchal (1941), Quinta da Agrela, em Santo Tirso (1941-1952), Auditório na Tapada da Ajuda, Lisboa (1943), o Plano de Ordenamento da Herdade da Motrena, em Setúbal.(1946-1960), Herdade Cayola Basto, em Reguengos de Monsaraz (1950-59), Parque das Termas, nas Caldas da Rainha (1951-1954), Jardim Constantino Palha, em Vila Franca de Xira (1954), jardins do Hotel Palace do Estoril, com Edgar Fontes (1955), Avenida da Liberdade, em Lisboa, com Ribeiro Telles (1956-1960) e muitos jardins e quintas de recreio particulares. 46 Depois da aposentação, Caldeira Cabral reiniciou um novo período de trabalho com os seus discípulos Albano Castelo Branco e Joaquim Elias Gonçalves e sobretudo com João Caldeira Cabral, seu filho, engenheiro agrónomo, num atelier por eles fundado, localizado na Avenida da Liberdade, em Lisboa. 45 ANDRESEN, Teresa - O Estádio Nacional - a sua génese e a sua construção. In AA VV O Estádio Nacional, p. 24. 46 ANDRESEN, Teresa - Francisco Caldeira Cabral e APAP - Francisco Caldeira Cabral.
FCUP 65 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Fig. 2.1.6 - Folheto informativo do 12º Congresso organizado pela International Federation of Landscape Architects, que ocorreu na Fundação Calouste Gulbenkian, 1970. Fig. 2.1.5 - Um estádio aberto sobre a paisagem do Vale do Jamor. Perspetiva a partir da tribuna de honra do Estádio de Atletismo, 1961.
FCUP66 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Em 1951 Caldeira Cabral foi convidado pela IFLA para representar Portugal, como membro individual da federação, atividade que o levaria a viajar e internacionalizar a Arquitetura Paisagista realizada em Portugal.47 Em 1956, o Centro de Estudos participou na “Exposição Internacional de Arquitetura Paisagista” em Zurique enviando vários trabalhos dos jovens arquitetos paisagistas portugueses. Esta exposição viria a Portugal no ano seguinte, com a colaboração do Secretariado Nacional de Informação, do Ministério da Obras Públicas e da CML.48 Em 1957 o Grande Conselho da IFLA admitiu, por aclamação, o Centro de Estudos de Arquitetura Paisagista como representante dos arquitetos paisagistas portugueses, passando assim Portugal a ter dois votos no Conselho. Em 1958, Caldeira Cabral foi eleito Vice-Presidente da Federação e, quatro anos mais tarde, eleito por unanimidade Presidente da mesma sendo, no Congresso Internacional realizado em Tóquio em 1964, reconduzido na presidência por mais dois anos. Em 1970, Lisboa recebeu o 12º Congresso da IFLA, nas instalações da Fundação Calouste Gulbenkian (Fig. 2.1.6). A organização foi efetuada pelo secretariado da IFLA, sediada em Lisboa desde 1965, em colaboração com o Centro de Estudos de Arquitetura Paisagista (CEAP), local onde este secretariado estava instalado.49 A organização contava com uma comissão central, constituída por Francisco Caldeira Cabral, Edgar Sampaio Fontes e António Viana Barreto e José Marques Moreira. Realizou-se, também, uma exposição comissariada por Gonçalo Ribeiro Telles e José Manuel Vasconcelos. Acompanhavam o congresso várias visitas de estudo. Além de três visitas a diferentes zonas de Lisboa, visitaram-se as Serras da Arrábida e Sintra, o Estoril, partindo-se também para uma visita de quatro dias na Ilha da Madeira. A organização destas visitas teve como responsáveis Dinis Raposo, Ilídio de Araújo, Manuel Cerveira e João Reis Gomes. Leonel Fadigas foi o responsável pela imprensa. Entre os oradores estiveram presentes personalidades como o Presidente da Comissão Internacional dos Parques Nacionais da União Internacional da Conservação da Natureza (UICN), J. P. Harroy e o diretor geral da mesma, Gerardo Budowski (1925-2014). 50 Garrett Eckbo (1910-2000), professor da Universidade de Berkeley, na Califórnia, apresentou, conjuntamente com Caldeira Cabral, uma comunicação sobre o tema “A síntese do Arquiteto Paisagista.” 51 47 Documento redigido por Caldeira Cabral sobre o CLAP, 24 de Novembro de 1959. Cit. por ANDRESEN, Teresa - Francisco Caldeira Cabral, p. 108. 48 Memorial do Centro de Estudos de Arquitetura Paisagista, 1968. 49 ANDRESEN, Teresa - Três Décadas de Arquitetura Paisagista em Portugal: 1940-1970, e AGNASTOUPOULOS, George, DORN, Hans, DOWNING, Michael e RODEL, Heiner - IFLA. Past, Present, Future. IFLA. 50 ANDRESEN, Teresa - Três Décadas de Arquitetura Paisagista em Portugal: 1940-1970. 51 IFLA: 12º Congresso de Arquitetura Paisagista. Lisboa.
FCUP 67 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) 2.1.2 Os discípulos Caldeira Cabral através do Curso Livre de Arquitetura Paisagista foi formando os seus discípulos. Considera-se ser um número reduzido mas, no entanto, teve certamente uma grande preocupação com a sua colocação profissional conforme se constata lendo os seus relatórios. 52 A revista AGROS da Associação de Estudantes do ISA dedicou o número de Março-Abril de 1957 à Arquitetura Paisagista. Contém vários artigos, abrindo com um de Caldeira Cabral intitulado “A Missão do Arquitecto Paisagista” e que transcreve uma conferência realizada no ISA no ano anterior. Aqui diz: “ (…) A minha primeira preocupação no regresso [de Berlim] foi ensinar a outros o que tinha aprendido e ao mesmo tempo exercer aqui a profissão para poder aprofundar os meus conhecimentos e sobre tudo saber aplica-los ao caso português. (…) Graças a Deus passados 16 anos – voltei em fins de 1939 – já não estou só. Dez colegas exercem a profissão e trabalham no Continente e também no Ultramar. Todos estão ocupados par além das suas forças e todos têm conseguido, depois de vencidas as resistências iniciais motivadas quase sempre pela novidade das soluções, encontrar o melhor apoio e a melhor colaboração de todos os outros com que tem de trabalhar. (…) Além do ensino estamos hoje a trabalhar no Ministério das Obras Públicas na Direcção Geral de Urbanização. No Ministério da Economia na Direcção Geral dos Serviços Agrícolas e na Junta de Colonização Interna. No Ministério do Interior, na Câmara Municipal de Lisboa, quer na Repartição de Jardinagem e Arborização quer no Gabinete de Estudos de Urbanização. No Ministério do Ultramar na Província de Moçambique, no Grémio dos Produtores de Milho da Beira. Acresce a esta atividade toda a de profissão liberal no projeto e estudo de parques e jardins particulares e públicos, trabalhos de construção rural e, propriamente na paisagem, em explorações agrícolas e florestais.” 53 Ilídio de Araújo deixou o seguinte testemunho: “Surgiram, contudo no início da década de 1950, nas pessoas do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa e do Director Geral dos Serviços de Urbanização (do Ministério das Obras Públicas), duas exceções que permitiram a germinação das primeiras ‘sementes’ produzidas por Caldeira Cabral no magro viveiro da tapada da Ajuda. Mais tarde, em 1957, a exibição (em Lisboa e depois no Porto) da Exposição Internacional de Projetos de Arquitectura Paisagista promovida pela IFLA constituiu, para um restrito sector da população do País, uma primeira revelação do papel que estava a ser atribuído aos Arquitetos Paisagistas nos países em que o ensino 52 ANDRESEN, Teresa - Três décadas de Arquitetura Paisagista em Portugal: 1940-1970. 53 CABRAL, Francisco Caldeira - A Missão do Arquitecto-Paisagista. AGROS, p. 66.
FCUP68 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) superior da Arquitectura Paisagista já estava implantado e onde esses profissionais já estavam a ser responsabilizados em projectos de grande impacto económico e ambiental. Mas, fora do viveiro da tapada da Ajuda, em Portugal a paisagem continuava a ser algo que apenas despertava a atenção de alguns aluados pintores e fotógrafos.”54 O Presidente da CML era o oficial Álvaro Salvação Barreto que presidiu à Câmara entre 1944 e 1959, pai de Viana Barreto, e o Diretor Geral era o engenheiro Manuel Sá e Melo. Entre os discípulos arquitetos paisagistas de Caldeira Cabral são considerados instrumentais no exercício da profissão a favor da cidade de Lisboa: Azevedo Coutinho, Ribeiro Telles, Edgar Fontes, Sousa da Câmara, Álvaro Dentinho e Marques Moreira, todos integrados nos quadros da CML, e ainda Viana Barreto. O Quadro 2.1 elenca os arquitetos paisagistas que concluíram o Curso Livre de Arquitetura Paisagista até aos finais da década de 60, assim como indica o seu ingresso na CML e na docência no ISA. Quando, em 1949, Azevedo Coutinho colaborou com a CML através da Direção dos Serviços Técnicos Especiais (DSTE), o projeto dos jardins municipais estaria entregue ao arquiteto Luís Mateus Júnior (1913-1994) que tinha ingressado na Direção de Serviços de Urbanização e Obras (DSUO) da CML em 1944 e colaborado com o arquiteto Francisco Keil do Amaral (1910-1975) que, entretanto, deixou a CML em 1947. 55 56 Na CML, depois de Azevedo Coutinho, seguiu-se a colaboração de Ribeiro Telles, em 1950, e Edgar Fontes em 1953. Esta equipa manteve-se inalterada até finais da década de 1950, com a entrada de Sousa Câmara, em 1957, e de Álvaro Dentinho, em 1959. Ribeiro Telles deixou a CML em 1960. Mais tarde, após finais da década de 1960 juntaram-se outros colegas como Marques Moreira e Fernando Pessoa. Os jovens arquitetos paisagistas começaram por integrar a DSTE mas, a partir de 1954, Azevedo Coutinho e Ribeiro Telles passaram a colaborar no Gabinete de Estudos de Urbanização (GEU), com a equipa coordenada por Guimarães Lobato e, concretamente, na elaboração do “Plano de Urbanização da Encosta do Restelo, II Parte.” Este é um facto de relevo pois até aí tinham exercido atividade prioritariamente no âmbito das plantações - sobretudo praças, largos e arruamentos - apesar de o primeiro projeto de Azevedo Coutinho ter uma instrução completa sendo composto de diversas peças desenhadas e, portanto, não restrito às plantações. Referimo-nos ao “Projecto para uma Piscina no Campo Grande” que acabou por não ser executado (Fig. 2.1.7). Os arquitetos paisagistas começaram, então a colaborar no planeamento, nomeadamente nos planos de urbanização dos novos bairros e, mais tarde, também na revisão do Plano de De Gröer, conduzida por Guimarães Lobato. Por sua vez, houve nova revisão em 1959 em 54 ARAUJO, Ilídio - Ao Professor Francisco Caldeira Cabral, p 17-23. 55 CINEMATECA PORTUGUESA – MUSEU DO CINEMA – Legado do Arquitecto Mateus Junior. 56 ANDRESEN, Teresa - Três décadas de Arquitetura Paisagista em Portugal: 1940-1970.
FCUP 69 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Nome Ano de conclusão do Curso Livre de Arquitetura Paisagista Cota e ano de tese de Arq. Pais. no ISA Título de tese Nº do ISA aluno/ docente Docência no ISA Ano de entrada na CML Manuel Sobral de Campos de Albuquerque de Azevedo Coutinho (1921-1992) 1948 RB-1096 “ O Jardim Botânico da Ajuda. História da sua evolução. Estado presente do jardim. Projeto de remodelação.” 1471/287 1950 -1953 1950* Gonçalo Pereira Ribeiro Telles (n.1922) 1950 RB-1213 “Um caso concreto de Ordenamento Paisagístico. Estudo de três herdades no concelho de Coruche.” 1421/327 1957 - 1963 1988 a 1993 1950* Edgar Sampaio Ferreira Fontes (1922-2000 ) 1951 RB-1264 “A vinha na paisagem do Minho.” 1523/408 1954 - 1988 1953 António Luís Facco Viana Barreto (1921-2012) 1952 RB-1297 “O Parque de Monsanto e a Cidade de Lisboa.” 1510/564 1985-1987 Fernando Torres Carneiro Vaz Pinto (1921-2001) 1952 RB-1300 “Aspetos do assalariado da indústria no meio rural – Ante projeto de um bairro operário numa empresa fabril do Concelho de Vila Nova de Famalicão.” 1415/303 1953 a 1957 António José Seabra Roquete de Mello Campêlo (1924-2010) 1952 RB-1331 “A compartimentação na defesa dos ventos. Estudo de uma região localizada nos concelhos de Oeiras, Cascais e Sintra – Anteprojeto.” 1905/---- -------- Ilídio Alves de Araújo (1925-2015) 1953 RB-1378 “Ordenamento Paisagístico do lugar de Pedroso (precedido de um estudo sobre a região serrana da Lameira) .” 1963/ ---- --------- Alberto de Caires VilaNova (1927-2002) 1954 RB-1467 “A mata na paisagem – O problema do Eucalyptus globulus, Labill” 2117/---- ---------- José Lobo de Vasconcellos Cabral Parreira (1923) 1957 RB-1604 “Estudo Climático e Ecológico da Herdade de Morgavel. Macroclima e Microclima” 1821 Manuel Pereira da Nóbrega de Sousa da Câmara (1929-1992) 1957 RB-1629 “A Tapada Real de Vila Viçosa – Anteprojeto do seu ordenamento paisagístico.” 2231/494 1976-1988 1957 Quadro. 2.1 - Lista dos arquitetos paisagistas com o Curso Livre de Arquitetura Paisagista concluído até ao final da década de 60. Fonte: Livro de Termos de Classificação de Relatórios Finais. Livro nº 2. Lisboa. Instituto Superior de Agronomia
FCUP70 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Manuel Ferreira da Costa Cerveira (1928-1998) 1958 RB-1689 “Projeto de um jardim e parques particulares.” 2317/---- ----------- Albano da Cunha Leão Frazão Castelo Branco (1927-?) 1958 RB-2153 “A Quinta da Caldeirinha. Anteprojeto de ordenamento paisagístico.” 2076/562 1978 a 1988 Álvaro Ponce Dentinho (1924-2014) 1959 RB-1740 “Modulação na composição das estradas” 1628/285 1964 - 1967 1959 Luís Filipe Castro dos Santos (1936..-?) 1962 RB-1839 “Integração Paisagística em Estradas. Aplicação a um caso concreto num troço da E.N. nº 4 (Vimieiro-Estremoz) Km 130, 875139, 080. 2697 ----------- José da Câmara Marques Moreira (n. 1934) 1964 RB-1905 “Ordenamento Paisagístico do Centro de Estudos da Chianga.” 2697 2638/570 1969-1988 Artur Diniz Raposo (1921-1999) 1965 RB-1939 “Valorização da Estrada e da Paisagem.” 3057 ------------ Francisco Augusto de Freitas Lopes de Melo (1923...) 1967 RB-1980 “Determinação da Zona de Influência de Évora.” 2151 ------------ Fernando José dos Santos Pessoa (n.1937) 1968 RB-2021 “A Madeira – Um Parque Natural, bases para o seu estabelecimento.” 2786 ------------- * Admitido ao serviço em 1 de junho de 1950 como Eng.º agrónomo em regime de tarefa, funções que desempenhou até 31 de dezembro deste ano. A 2 de janeiro de 1951, contratado como Eng.º agrónomo eventual. A 31 de dezembro de 1952 foi contratado além do quadro como Eng.º agrónomo (Processos pessoais. AML AC). Fig. 2.1.7 - Projeto do Parque Anexo à Piscina Municipal do Campo Grande. Plano geral. Azevedo Coutinho, 1949.
FCUP 71 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Fig. 2.1.8 - Almoço de celebração do 60º aniversário dos viveiros Jardim-Primavera. Da direita para a esquerda: Álvaro Ponce Dentinho, António Viana Barreto, não identificado, Gonçalo Ribeiro Telles, Manuel Azevedo Coutinho e Edgar Sampaio Fontes, 1965. Fig. 2.1.9 - Da direita para a esquerda: António Viana Barreto, Francisco Caldeira Cabral, Julius Gy Fabos (Professor da Universidade de Massachusetts, EUA), Carlos Baeta Neves (professor e na época o coordenador da Licenciatura de Arquitetura no ISA), Manuel Sousa da Câmara, Gonçalo Ribeiro Telles, Joaquim Elias Gonçalves e Ilídio Alves de Araújo, 1984.
FCUP72 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) que Ribeiro Telles, Caldeira Cabral e Álvaro Dentinho desenvolveram a proposta de estrutura verde de Lisboa e, em 1964, por António Campêlo que trabalhava na Junta de Colonização Interna e vogal do “Plano Director da Região de Lisboa” (1964) com um contributo importante e inovador à escala supramunicipal. 57 Na CML, na área do projeto, para além dos jardins, parques, praças, largos e arruamentos surgiram outros desafios complexos como os acessos da nova ponte sobre o Tejo liderado por Sousa da Câmara no respeitante à modelação e revestimento de taludes. A conservação dos espaços verdes passou também a ser outra área de atuação importante nomeadamente para Azevedo Coutinho ao nível dos viveiros e para Edgar Fontes e Sousa da Câmara no respeitante à rega automática e à mecanização e racionalização das operações de manutenção dos espaços verdes da cidade. Fora da CML, é importante para esta dissertação destacar o trabalho de António Campêlo já referido e de Viana Barreto pelas suas intervenções de caráter pontual mas impactantes. Viana Barreto ingressou nos quadros da Direção-Geral de Serviços de Urbanização (DGSU) em 1953. O seu primeiro trabalho deve ter sido precisamente a envolvente da Torre de Belém que será detalhado mais à frente. Os trabalhos relacionados com a Torre de Belém não são - crê-se - o seu único trabalho para a cidade no entanto, considera-se que foi uma intervenção de importância significativa. Também Ilídio de Araújo ingressou na DGSU em 1957 e mais tarde Manuel Cerveira. Ilídio de Araújo colaborou em alguns trabalhos para a cidade antes da sua transferência para o Porto, nomeadamente na Comissão Administrativa dos Novos Edifícios da Universidade de Lisboa, juntamente com Viana Barreto e Álvaro Dentinho e Manuel Cerveira fez toda a sua vida profissional radicado em Coimbra trabalhando prioritariamente as paisagens do centro de Portugal. De seguida apresenta-se uma breve biografia de cada um dos arquitetos paisagistas: Azevedo Coutinho, Ribeiro Telles, Edgar Fontes, Viana Barreto, António Campêlo, Sousa da Câmara e Álvaro Dentinho (Figs. 2.1.8 e 2.1.9). 58 Azevedo Coutinho nasceu em 29 de abril de 1921 em Portalegre. Formou-se em Engenharia Agronómica e concluiu o Curso Livre em 13 de dezembro de 1948 com a tese intitulada “O Jardim Botânico da Ajuda. História da sua evolução. Estado presente do jardim. Projeto de remodelação”. Lecionou no ISA entre 25 de fevereiro de 1950 e 57 Ibidem. 58 As biografias que se apresentam foram feitas com base em curricula cedidos ou pelos próprios ou por seus familiares assim como estão suportadas pelo catálogo da exposição Do Estádio Nacional ao Jardim da Gulbenkian (2003). A biografia de Ribeiro Telles resulta também da consulta das publicações: CARAPINHA, Aurora; TEIXEIRA, José – A Utopia e os pés na terra: Gonçalo Ribeiro Telles. Évora: Instituto Português de Museus, 2003 e PESSOA, Fernando - Gonçalo Ribeiro Telles. A fotobiografia. 1ª edição. Lisboa: Argumentum Edições, 2011. Sobre Viana Barreto, no Instituto Superior de Agronomia, em 2011 foi apresentada uma dissertação de mestrado intitulada Contributo para a História da Arquitetura Paisagista em Portugal. Arquiteto Paisagista António Facco Vianna Barreto da autoria de Francisco Maria Marques de Aguiar Salvação Barreto.
FCUP 73 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) 14 de abril de 1953. Azevedo Coutinho iniciou a sua colaboração na CML em 1949 com o projeto “Parque Anexo à Piscina Municipal”, antes ainda de pertencer aos quadros desta instituição, conforme já referido. 59 Desempenhando funções na 3ª Repartição de Arborização e Jardinagem da DSTE que chefiou entre 1970 e 1972. Realizou os seguintes projetos: em 1950, Jardim junto ao centro escolar da célula nº 1 em Alvalade, Jardim junto ao centro escolar da Célula nº 2 em Alvalade, Arborização do centro escolar da Célula nº 3 em Alvalade, Placa lateral ao Norte do Campo Grande, Avenida Guerra Junqueiro, Avenida da Igreja, Praça Pasteur; em 1951, Jardim do Largo Frei Heitor Pinto, Jardim da Praça de Londres, Jardim da Célula nº 2 em Alvalade, Arborização da Avenida João XXI e placas centrais da Avenida do Aeroporto; em 1952 realizou algumas intervenções no Jardim da Estrela, com vista à celebração do seu centenário, em 1953 realizou o Jardim Gomes de Amorim e em 1954 projetou o Jardim do Campo Grande. 60 De 1954 em diante, Azevedo Coutinho deixou de projetar para se dedicar à remodelação dos vários viveiros municipais tendo trabalhado na CML até finais da década de 80. Ribeiro Telles nasceu a 25 de maio de 1922 em Lisboa. Formou-se em Engenharia Agronómica e concluiu o Curso Livre em 4 de julho de 1950 com a tese intitulada “Um caso concreto de Ordenamento Paisagístico. Estudo de três herdades no concelho de Coruche”. Foi nomeado professor assistente no ISA a 9 de novembro de 1957, atividade que manteve até abril de 1963. Na Universidade de Évora fundou, em 1976, a Licenciatura em Arquitetura Paisagista. Em 1992 foi jubilado na nessa mesma universidade e em 1994 foi agraciado por aquela instituição com o título de Doutor Honoris Causa. Iniciou a sua carreira na CML em 1950 projetando jardins e arruamentos sobretudo para os novos bairros de Lisboa: Encarnação, Alvalade e Encosta do Restelo. Desenvolveu funções até 1960 realizando mais de 60 projetos para o espaço público desta cidade e projetando espaços tão diversos como jardins, praças, arruamentos, escolas e cemitérios. Planeou ainda como técnico nesta instituição as “Estruturas Verdes” da Lapa (1958), de Alfama e Castelo (1959) e do Plano Diretor de Lisboa (1959). Como funcionário do estado, exerceu ainda atividades no Fundo de Fomento da Habitação, entre 1971 e 1974, onde dirigiu o setor de Planeamento Biofísico e Espaços Verdes. Como profissional liberal, a sua carreira obteve um forte incremento após a sua saída da CML, realizando cerca de três centenas e meia de projetos, em áreas como: jardins de uso privado; parques de uso público como o Parque da Moita (1971) e o Parque do Vale das Abadias na Figueira da Foz (1971); jardins de instituições como o do Museu de Marinha (1961), o da Fundação Calouste Gulbenkian 61 (em coautoria com Viana Barreto) (1959 - finais da década 59 ANDRESEN, Teresa - Três Décadas de Arquitetura Paisagista em Portugal: 1940-1970. 60 Ibidem. 61 Prémio Valmor em 1975.
FCUP80 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Autor Título IFLA* Acompanhantes Ano Azevedo Coutinho Relatório sobre a participação do Engº Agrónomo (Com o curso de Arqt. Paisagista) Manuel Sobral de Campos de Albuquerque de Azevedo Coutinho no IFLA Kongress 1952 3º Congresso Estocolmo “An idea and its realisation”. Caldeira Cabral Edgar Fontes Fernando V. Pinto 1952 Viana Barreto Relatório da visita de estudo a França Itália e Suíça. Paisagem urbana 5º Congresso Zurique “Landscape in contemporary life”. Reunião do Grand Council .Colónia Caldeira Cabral Ribeiro Telles 1956 Viana Barreto Relatório da visita de estudo a França Itália e Suíça. Paisagem rural 5º Congresso Zurique “Landscape in contemporary life”. Reunião do Grand Council .Colónia Caldeira Cabral Ribeiro Telles 1956 Ilídio de Araújo Problemas da paisagem urbana ** (Relatório da Visita de Estudo que à Alemanha e Holanda efectuou o Eng Agrº e Arq Paisagista da DGSU – Ilídio Alves de Araújo) 7º Congresso Amsterdam “Space for Living”. Caldeira Cabral Viana Barreto 1961 * ANAGNOSTOPOULOS, G., DORN, H., DOWNING, M. e RODEL, H. - IFLA. Past, present and future. ** Publicado em 1961 pelo Centro de Estudos de Urbanismo. DGSU. MOP Quadro 2.2 – Caraterização dos relatórios de viagem Paisagista em Setembro de 1950. Deste evento apenas se obteve um excerto da relação dos congressistas, onde por Portugal vamos encontrar os nomes de Azevedo Coutinho, pela CML, de Caldeira Cabral, pelo ISA e de Ribeiro Telles. 65 É preciso sublinhar que estes relatórios, tão profusamente ilustrados por fotografias, mostram um modo de vida da Europa do pós-guerra. As fotografias não o mostram mas certamente que os sinais da guerra em todas estas cidades eram bem visíveis. O Quadro 2.2 carateriza os relatórios conhecidos, elaborados pelos discípulos de Caldeira Cabral, e que são analisados nesta dissertação (Figs. 2.2.4 a 2.2.7). Acredita-se que este contacto próximo com o que se realizava então no estrangeiro terá contribuído como formação adicional da maior importância para o desempenho dos arquitetos paisagistas como projetistas do espaço público em Lisboa e para a compreensão de como o seu trabalho ia ao encontro das tendências contemporâneas relativamente ao espaço público urbano. Considera-se que a intensidade e a qualidade do trabalho dos arquitetos paisagistas discípulos de Caldeira Cabral é excecional e determinante para a imagem moderna dos parques e jardins de Lisboa. Caldeira Cabral e outros estavam cientes que o que se praticava nos anos 30 estava fora de tempo e não era expressivo nem qualificado assim como reclamaram a necessidade de abordar o espaço verde público não apenas numa escala local mas sim supramunicipal. Sob o 65 RELACION DE LOS SENORES CONGRESSISTAS. Madrid: 1950.
FCUP 81 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Fig. 2.2.4 - Capa do relatório da viagem de Azevedo Coutinho a Estocolmo a fim de participar no 3º congresso na IFLA, 1952. Fig. 2.2.6 - Capa do relatório da visita de Viana Barreto a França, Itália e Suíça, relativo à observação da paisagem rural, aquando da sua participação no 5º congresso na IFLA em Zurique, realizado em 1956, s.d. Fig. 2.2.5 - Capa do relatório da visita de Viana Barreto a França, Itália e Suíça, relativo à observação da paisagem urbana, aquando da sua participação no 5º congresso na IFLA em Zurique, realizado em 1956, s.d. Fig. 2.2.7 - Monografia que integra o relatório da visita realizada por Ilídio de Araújo à Alemanha e Holanda, onde se deslocou a fim de participar no 7º Congresso da IFLA, em Amesterdão, 1960. Publicado pela DGSU, 1961.
FCUP82 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) impulso primeiro de Duarte Pacheco e depois do Presidente da CML Álvaro Salvação Barreto, em Lisboa assistiu-se a uma profunda renovação da imagem da cidade em que os espaços verdes tiveram uma importância maior. Caldeira Cabral, homem conhecedor de muitas línguas incluindo latim, para além de pessoa culta foi muito viajado. Para isso contribuiu em muito o seu envolvimento com a IFLA, em particular quando assumiu a Presidência nos anos sessenta. Caldeira Cabral viajava com os alunos, nomeadamente em Portugal sendo que também foram em viagens a Angola e Moçambique. Teresa Andresen na monografia publicada pelo Landscape Design Trust dedicou em 2001 um capítulo às viagens de Caldeira Cabral. Na abertura do capítulo “Cabral abroad” retrata a dimensão das viagens na vida de Caldeira Cabral da seguinte forma: “Travelling was a fundamental aspect of Cabral’s life. In the reports he wrote for the institutions that funded his travels, he frequently uses the word ‘study’. Through travel he continued his studies, updated his work and kept alive an entire network of contacts on behalf of landscape architecture. He travelled constantly during the 1950s, 60s and 70s. The International Federation of Landscape Architects (IFLA) took up a great deal of his time and brought him international recognition. Universities providing landscape architecture courses invited him to lecture. Conference followed conference. His students in Portugal often felt his absence, and long trips abroad with their professor became the best way to have him all to themselves.” 66 (Figs.2.2.8 e 2.2.9) Na opinião dos vários arquitetos paisagistas portugueses que se deslocavam aos congressos da IFLA, o conhecimento de colegas estrangeiros e a troca de ideias que daí advinham eram uma importante componente destas deslocações. Senão vejamos os seus testemunhos. Azevedo Coutinho (1952) afirmou: “É o que se pode aperceber da citação dos trabalhos presentes ao Congresso, da exibição de filmes e projetos e ainda do convívio durante alguns dias com os arquitetos paisagistas dos diversos países e, se por um lado há divergências flagrantes no critério que preside às diversas realizações é forçoso esclarecer que há, por outro lado, uma unidade vincada nos princípios e finalidades da profissão.”67 Já Viana Barreto (1956) referiu no seu relatório: “A nossa presença no congresso permitiu-nos ainda o contacto com colegas suíços, italianos, franceses, alemães e belgas os quais nos proporcionaram algumas visitas de enorme interesse, aquelas especialmente em Zurique e as restantes nos seus países.” 68 Ilídio de Araújo (1961) afirmou por seu lado: “Terminado o Congresso, que, além do mais, teve o mérito de permitir e favorecer o estabelecimento de relações pessoais com colegas dos vários países (…) ”.69 66 ANDRESEN, Teresa - Francisco Caldeira Cabral, p. 115 67 COUTINHO, Manuel Azevedo - Relatório sobre a participação do Engº no IFLA Kongress, p. 5. 68 BARRETO, António. Vianna - Relatório da Visita de Estudo efectuada a Franca, Itália e Suiça - Paisagem rural. 69 ARAÚJO, Ilídio. - Problemas da Paisagem Urbana, p. 12.
FCUP 83 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Fig. 2.2.8 - Francisco Caldeira Cabral discursando, no 5º Congresso da IFLA, em Zurique, 1956. Fig. 2.2.9 - 5º Congresso da IFLA, em Zurique. Na assistência, António Viana Barreto e Gonçalo Ribeiro Telles na segunda fila, à esquerda. Geoffrey Jellicoe e Sylvia Crowe à sua frente, 1956.
FCUP84 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Estes relatórios constituem preciosos auxiliares na procura do entendimento do que seria o intercâmbio de conhecimento entre os vários países membros da IFLA, os assuntos preferencialmente abordados nos congressos, sendo que cada um deles continha um tema de base e visitas de estudo. Normalmente na parte da manhã os congressistas assistiam a comunicações acompanhadas de visitas sobre esses mesmos temas da parte da tarde. Realizava-se, então, na parte final do congresso, uma viagem de estudo de 3-4 dias pelo país anfitrião.
FCUP 85 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Foi na cidade de Estocolmo que a Suécia recebeu o III Congresso da IFLA. Este acontecimento ocorreu entre os dias 10 e 14 de Julho de 1952, sucedidos por uma viagem de 15 a 19 do mesmo mês, ao longo do país. A parte do congresso ocorrida em Estocolmo teve como ordem dos trabalhos a apresentação de comunicações durante o período da manhã, seguidas à tarde por visitas realizadas de acordo com os temas referidos na manhã desse mesmo dia. Na viagem através da Suécia foram visitados centros urbanos, monumentos e indústrias; parques urbanos; bairros residenciais modernos; áreas industriais; cemitérios; jardins de hospitais e de escolas; jardins particulares; etc. Azevedo Coutinho sobre a motivação de participar neste congresso escreveu: “Um dos principais assuntos que nos levou a manifestar à Presidência a vantagem na assistência do III Congresso Internacional da Federação dos Arquitetos Paisagistas, foi a necessidade de analisar alguns problemas de ordem administrativa ligados ao estabelecimento de logradouros e zonas verdes, na moderna urbanização.” 70 O relatório é acompanhado por sete anexos que vão desde o programa passando pela lista de congressistas, um folheto dos caminhos-de-ferro, uma revista e mapas vários. Envolve não só o congresso propriamente dito como a viagem de ida e volta a Portugal, o que nos leva a crer que este trajeto terá sido percorrido por estrada com várias paragens ao longo do percurso, tendo sido recolhidas, nessas ocasiões, várias imagens incluídas neste documento. Este relatório, cuja capa exibe um curioso desenho do autor, é constituído por trinta e duas páginas, dividido em várias partes. Azevedo Coutinho agradece ao Presidente da CML, Álvaro Salvação Barreto, a possibilidade da execução da viagem e a importância dada à profissão, com as seguintes palavras: “Aproveitamos o ensejo para agradecer a Sua Excelência o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, não só todas as facilidades que nos proporcionou com o fim de permitir a nossa deslocação a Estocolmo, mas principalmente o apoio que sempre tem dado às iniciativas que têm por base problemas de Arquitetura Paisagista. É justamente este ultimo ponto o que nos tem sido mais grato registar e nos tem animado a continuar trabalhando e a vencer resistências que sempre se encontram quando aparece uma nova profissão e quando os problemas a estudar são complexos e exigem uma colaboração intensa com outros sectores profissionais.” 71 Tece várias comparações entre o que lhe foi dado assistir durante esta viagem e como são resolvidas, situações semelhantes, na cidade de Lisboa. 70 Idem, p. 12. 71 Ibidem, p. 2. 2.2.1 O relatório de viagem de Azevedo Coutinho a Estocolmo em 1952
FCUP86 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Foi possível colher ensinamentos sobre assuntos muito diversificados como a rega por aspersão, os parques infantis e recreios, o aproveitamento máximo da árvore nas urbanizações, a abolição do ‘logradouro comum’, a transplantação de árvores, os cemitérios, o enquadramento de centros industriais. Azevedo Coutinho relata o que viu e ouviu durante os trabalhos do congresso e vai fazendo uma análise comparativa concluindo sobre a divergência entre a Suécia e Portugal face a vários conceitos e atitudes. As fotografias estão numeradas e agrupadas por temáticas: parques infantis, proteção dos cantos dos relvados, urbanizações de Estocolmo, Cemitérios, enquadramento de edifícios públicos e Alamedas e jardins do Luxemburgo. Deste relatório, extraem-se, sobretudo, os comentários relativos aos ‘bairros’ que Azevedo Coutinho refere como ‘urbanizações’ e ao sistema de parques de Estocolmo que pode ser considerado o primeiro sistema moderno de parques, inspirado nos princípios do arquiteto paisagista Frederick Law Olmsted (1822-1905) que, em 1857, iniciou o projeto do Central Park de Nova York e nas décadas finais do século XIX projetou o sistema de parques da cidade de Boston conhecido como “Emerald Necklace”. Para contextualizar a importância que se dá aos conteúdos destes relatórios, citamos o arquiteto paisagista sueco Thorbjorn Andersson (2002): “All this despite the fact that for the first time a person had been appointed Director of Parks in Stockholm who knew almost nothing about making gardens. The man was Holger Blom (1906-1996), who served in office for over three decades, from 1938 to 1971. He was trained as an urban planner and had practiced with Lars Israel Wahlman in Stockholm, with Kruger & Toll in Amsterdam and with Le Corbusier in Paris. Blom’s contribution was twofold. The first was his park program; he displayed a strong strategic mind devoted to questions of park policy. The second was his success in realizing a system in which parks penetrated almost all areas of the inner city.” 72 Holger Blom é um dos membros fundadores da IFLA participantes na reunião no Jesus College em Cambridge 73 e foi amigo de Caldeira Cabral. Naturalmente foi dos organizadores do Congresso de Estocolmo sendo da sua autoria a brochura que se reproduz (Figs. 2.2.10 a Fig. 2.2.13). Entre outros profissionais, com Holger Blom trabalhou o arquiteto Erik Glemme (1905–1959), autor de vários parques e o arquiteto paisagista Sven Hermelin (1900-1984). Azevedo Coutinho deixa-nos alguns relatos do que foram as visitas aos parques de Estocolmo: “ (…) No mesmo dia, pelas 18:30 h foram efetuadas visitas aos parques e jardins públicos de Estocolmo e Sundyberg sendo do máximo interesse a visita ao Vasa Park. Para nós foi da máxima importância esta visita pela oportunidade de contactar com 72 ANDERSSON, Thorbjorn - To erase the garden: modernity in the Sweden garden and landscape, p. 22. 73 ANAGNOSTOPOULOS, G., DORN, H., DOWNING, M. e RODEL, H. - IFLA. Past, present and future.
FCUP 87 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Fig. 2.2.10 - Capa do artigo de Holger Blom de 1952 - ‘Parks’ - sobre o sistema de parques de Estocolmo, anexado ao relatório de viagem de Azevedo Coutinho (1952). Fig. 2.2.12 - Primeira página do artigo. Fig. 2.2.11 - Ilustração do referido texto representando, a negro, o sistema de parques de Estocolmo. Fig. 2.2.13 - Última página do artigo exibindo o plano e fotografias de um pequeno espaço dentro do Vasaparken.
FCUP88 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) os arquitetos paisagistas da municipalidade de Estocolmo. Ainda foram visitados alguns parques privativos de diversas fábricas, parques esses com características especiais para satisfazer a um aspeto funcional dominante em tais logradouros. Terminaram-se os trabalhos do dia com a visita ao Hospital Karolinska, cujos parques e jardins são uma das melhores realizações dos arquitetos paisagistas suecos. Adiante apresentam-se algumas fotografias.” 74 (Figs. 2.2.14 e 2.2.15). E refere ainda outros locais visitados: “(…) Após o almoço, organizaram-se excursões para visitas aos bairros habitacionais ao Sul de Estocolmo, de características modernas e aos jardins de Stigberget e Glasbruksklippan e ao parque de festa de Ralambshov. (…) No domingo, dia 13, último dia dos trabalhos do Congresso, organizou-se uma excursão que visitou, entre outros, os seguintes locais: Cemitério principal, Bairros excêntricos Regiões industriais.” 75 Azevedo Coutinho deixa-nos a sua ideia geral sobre o projeto de parques urbanos e a inserção das zonas residenciais na passagem: “ Duma maneira geral, excetuando os casos típicos e clássicos do jardim formal, hoje em dia abertos ao público mas anteriormente funcionando como jardins particulares – casos semelhantes aos nossos jardins clássicos de Queluz, da Ajuda e outros – os jardins que servem o grande público enquadramse perfeitamente na paisagem porque dela são como que um prolongamento natural, num tipo de urbanização em que se mantém a diretriz dominante do aproveitamento máximo da árvore, do relvado e de todos os elementos que constituem a paisagem. A implantação dos bairros mais populosos e mais excêntricos molda-se às condições locais e tudo se constrói perfeitamente enquadrado na paisagem. Não existe a preocupação dominante da linha reta no traçado das linhas primárias de trânsito e ruas de serventia para os prédios. Não existe ainda, por outro lado, o gravíssimo problema dos grandes movimentos de terras para a construção.” 76 Sobre a nova conceção dos logradouros, apresenta a sua admiração pelo modelo preconizado: “Ainda, como pormenor da máxima importância, verificámos não existirem tipos de urbanização com zonas verdes do tipo do nosso ‘logradouro comum’, encravados na construção, como pátios interiores. Aboliu-se assim a zona de inconvenientes dos espaços fechados que, embora comuns a particulares, resultam em uma soma de encargos de difícil resolução. (...) “De tudo o que vimos e conseguimos saber, apurámos que o logradouro comum e a zona verde são um encargo da habitação. À entidade que constrói a habitação, cabe o encargo de uma parte do logradouro ou zona verde. O Município nada despende e apenas lhe compete determinar as normas em que deve ser executado tal logradouro ou tal zona 74 COUTINHO, Manuel Azevedo - Relatório sobre a participação do Engº Agrónomo (Com o curso de ARQ. Paisagista) Manuel Sobral de Campos de Albuquerque de Azevedo Coutinho no IFLA Kongress, p. 7. 75 Idem, p. 10. 76 Idem, p. 3-4.
FCUP 89 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Fig. 2.2.14 - Jardins do Hospital Karolinska, em Estocolmo, 1952 Fig. 2.2.15 - Parque comum da zona residencial de Estocolmo, 1952 verde.” 77 E considera tratar-se de uma possibilidade a estudar para aplicação na cidade de Lisboa: “Concordamos que o estabelecimento de processos administrativos como o que se apresenta não se pode fazer sem um aturado estudo. Todavia, julgamos que ele é necessário para as soluções a dar a alguns casos que já se fazem sentir no nosso Município e de que o Bairro de Alvalade é um caso típico.” 78 E, mais à frente, volta a valorizar a forma como as novas urbanizações são integradas na paisagem e a ela se moldam e a moderna noção de logradouro a elas associado: “Na urbanização e Estocolmo no que se refere á zona periférica da cidade, a construção amolda-se á paisagem e os problemas tem aspetos de nítida Arquitetura Paisagista. Não existem logradouros interiores nem se alterou a topografia do terreno.” 79 (…) “Urbanização de Estocolmo - (…) Os prédios de rendimentos dispostos em avenidas densamente enquadradas por vegetação, amoldaram-se às condições naturais do terreno. Desaparece o jardim público e apenas ficam zonas verdes na periferia, do tipo do futuro parque entre as Avenidas do Brasil e do Aeroporto, como grande logradouro comum.” 80 77 Idem, p. 3-4. 78 Idem, p. 13. 79 Ibidem, p. 19. 80 Ibidem, p. 21.
FCUP96 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) 2.2.4 Conclusão A documentação sobre as viagens dos arquitetos paisagistas é expressiva e possui conteúdos e documentação fotográfica relevantes para a compreensão do seu pensamento. A documentação, conforme referido, não se restringe aos três relatórios que se apresentaram com maior detalhe pois no âmbito desta dissertação juntou-se um conjunto de documentação relativa quer aos locais visitados - desdobráveis - quer fotografias ou correspondência. As viagens estão associadas aos congressos bianuais da IFLA e isso torna-os também muito informativos sobre a teia de relações internacionais que os arquitetos paisagistas iam construindo e sobre as conferências a que assistiam. Muitos dos conferencistas foram grandes referências mundiais do século XX não só da arquitetura paisagista mas também da conservação da natureza ou da história e da sociologia. Já as viagens de Caldeira Cabral revelavam a preocupação de registar o que se ia vendo e o desenvolvimento de um olhar e um discurso crítico sobre a paisagem que é referida de forma multiescalar. As viagens levaram-nos ao encontro do que de mais moderno se fez na Europa de então – desde o impactante sistema de parques de Estocolmo às novas áreas residenciais ou às áreas industriais. Tanto procuravam as paisagens do passado – as visitas incluíram lugares de referência no âmbito dos parques e jardins históricos – como as mais contemporâneas. Os relatórios também revelam uma compreensão clara e rigorosa dos problemas da cidade de Lisboa. É possível ir estabelecendo relações entre os conteúdos destes relatórios e os projetos de que os discípulos de Caldeira Cabral foram autores – quer ao nível das peças desenhadas e das fotografias da época dos lugares depois de construídos quer ao nível das memórias descritivas e justificativas que acompanham alguns dos projetos que foram objeto de investigação nesta dissertação.
FCUP 97 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) 2.3 O espaço público de Lisboa 2.3.1 A expansão e o planeamento da cidade de Lisboa e a restruturação institucional Para a contextualização e interpretação do desempenho dos arquitetos paisagistas nas décadas de 1950 e 1960 em Lisboa, é importante referir alguns aspetos determinantes sobre as dinâmicas em curso na cidade e que antecederam e acompanharam o seu desempenho profissional. Destacam-se, sobretudo, os aspetos relacionados com o planeamento urbano, os espaços verdes públicos e a habitação em Lisboa. O presente subcapítulo está assim organizado em três temáticas: o planeamento da cidade, os espaços verdes – os existentes e a sua planificação – e a habitação, focalizando a temática dos novos bairros de Lisboa e a respetiva evolução das tipologias de espaços verdes. Para a compreensão da Lisboa moderna, entende-se começar por referir a figura de Frederico Ressano Garcia (1847-1911), o engenheiro que chefiou a Repartição Técnica da Câmara Municipal de Lisboa a partir de 1874. Formado pela “École Imperiale des Ponts et Chaussées” em 1869, a ele se deve o primeiro plano de expansão de Lisboa tendo a sua liderança técnica ficado associada, entre outras marcas, à Avenida da Liberdade, aos bairros de Campo de Ourique e da Estefânia assim como às chamadas “Avenidas Novas”. O Município de Lisboa decidiu elaborar um plano de melhoramentos e, em 1903, Ressano Garcia apresentou então o “Plano Geral de Melhoramentos da Cidade de Lisboa” onde, entre outros aspetos relevantes para a presente dissertação, se destaca a já referida expansão da cidade (Figs. 2.3.1. a 2.3.3.). 93 Lisboa só foi objeto de um novo exercício de planeamento urbanístico em 1938 quando era Presidente da CML Duarte Pacheco (1900-1943). Foi um dos homens mais marcantes da política portuguesa e com expressivo impacto na cidade de Lisboa. Aos 27 anos de idade tinha sido Diretor do Instituto Superior Técnico e aos 29 anos iniciou a sua carreira política. Entre 1932 e 1936 exerceu o cargo de Ministro das Obras Públicas. Em 1 de Janeiro de 1938 foi nomeado presidente da CML e, meses depois, tomou posse em 93 SILVA, Raquel Henriques da - Lisboa de Frederico Ressano Garcia, 1847-1909, p. 17-36.
FCUP98 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) acumulação como Ministro das Obras Públicas e Comunicações.94 Eduardo Rodrigues Carvalho exerceu então como Presidente-substituto da CML. Até à morte de Duarte Pacheco em 1943, fruto da sua circunstância de governar e da sua capacidade de liderança, a CML sofreu uma profunda remodelação. Logo em 1938, os serviços foram restruturados sendo criada a Direção de Serviços de Urbanização e Obras com a missão principal de elaborar o “Plano de Urbanização e Expansão da Cidade”. Este foi coordenado pelo arquiteto-urbanista Étienne de Gröer (n. 1882) professor do “Institut d’Urbanisme de l’Université de Paris”, a convite de Duarte Pacheco. A DSUO foi organizada em seis repartições: 1ª Urbanização e Expropriações; 2ª Arquitetura; 3ª Arruamentos; 4ª Edificações Urbanas, 5ª Obras Municipais e 6ª Arborização e Jardinagem. 95 A par da restruturação dos serviços, há também a referir a política de expropriações em Lisboa e a mobilização por Duarte Pacheco de um corpo técnico novo para a CML em que destacamos a entrada, entre outros, dos arquitetos João Guilherme Faria da Costa (1906-1971) e Keil do Amaral. Faria da Costa, vencedor do concurso lançado por Duarte Pacheco, em 1933, para a obtenção de uma bolsa de estudo no “Institut d’Urbanisme de l’Université de Paris”, formou-se, em 1937, em Urbanismo neste instituto, apresentando como trabalho final o “Plano de Arranjo, Embelezamento e Extensão da Cidade da Figueira da Foz e sua Região”, orientado por George Florentin Sébille. 96 Entre 1934 e 1938 trabalhou em Paris ao lado de urbanistas como Alfred Agache (1875-1959) e Étienne de Gröer. Em 1938, apresentou a Duarte Pacheco o nome de Étienne de Groër que, em nome da CML, convidou o mesmo a realizar o Plano Geral de Urbanização e Expansão de Lisboa (1938-1948). 97 Neste mesmo ano, Faria da Costa foi integrado nos quadros da CML, na DSUO. 98 Faria da Costa e Keil do Amaral foram dois arquitetos determinantes na evolução da paisagem urbana de Lisboa. J. Antunes da Silva procurou sintetizar a forma diferenciada do impacto respetivo da seguinte forma: “Podemos pôr a hipótese de que o futuro ministro das Obras Públicas, pesando as diferentes índoles e formações culturais, orientasse para Faria da Costa os trabalhos de carácter mais ‘formal’, mais ligados às massas de construção (…) e para Keil do Amaral as de carácter menos ‘formal’ e mais ligados à paisagem e aos espaços livres. O certo é que, no quadro de intervenções definido por Duarte Pacheco, coube a Keil do Amaral a conceção do Parque de Monsanto – o grande pulmão da capital, com os seus miradouros, de larga vistas sobe a cidade e o Tejo, 94 Gabinete de Estudos Olissiponenses. Evocar Duarte Pacheco no cinquentenário da sua morte. 95 SALGADO, Manuel (coord) – Atlas Urbanístico de Lisboa. 96 D’ALMEIDA, Patrícia Bento - Bairro(s) do Restelo. 97 TERENO, Paula – João Guilherme Faria da Costa. 98 D’ALMEIDA, Patrícia Bento - Bairro(s) do Restelo.
FCUP 99 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Fig. 2.3.1 - “Planta geral da cidade com todos os estudos que dizem respeito a este anteprojeto”. Planta constante do ‘Plano Geral de Melhoramentos da Cidade de Lisboa’ de Ressano Garcia, 1903. Fig. 2.3.2 - “Planta Parcial da Cidade entre a Praça do Comércio e o Campo Grande com todos os melhoramentos aprovados e em vias de execução a norte do Parque Eduardo VII para justificação dos estudos que se lhe seguem”. Planta integrante do Plano Geral de Melhoramentos da Cidade de Lisboa de Ressano Garcia, assinada por este e datada de Dezembro de 1903. Fig. 2.3.3 - Planta da cidade de Lisboa de 1871, tendo sobrepostas a tinta encarnada as alterações feitas até 1911, s.d.
FCUP100 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) restaurantes, parques de merendas, equipamentos desportivos e para a infância (…) ”. 99 O Plano de De Gröer, iniciado em 1938, foi elaborado com os serviços técnicos municipais e aprovado em 1948. Este plano propôs um zonamento para a cidade, e deixou também marcas determinantes na cidade como a definição de grandes eixos viários, a construção de uma zona industrial no lado oriental de Lisboa ou a criação do Parque de Monsanto. Neste plano, De Gröer preconizou uma cintura verde para contenção da expansão urbana e segundo Brito e Camarinhas 100, pela primeira vez, no planeamento de Lisboa surgiu a preocupação da escala regional/supramunicipal (Fig. 2.3.4). Os espaços verdes públicos foram classificados em 4 categorias: parques (áreas com mais de 10ha), jardins (mais de 1ha), “squares” (menos de 1ha) e terrenos de desporto. O Parque de Monsanto aparece ligado ao Parque Periférico que, juntamente com o aeroporto e o Parque Oriental, constituem um “greenbelt”. 101 Este plano foi revisto onze anos mais tarde na sequência da criação, em 1954, do Gabinete de Estudos de Urbanização (GEU). O GEU sob a coordenação do engenheiro Luís Guimarães Lobato (f. 2009) elaborou o “Plano Diretor da Urbanização de Lisboa” (PDUL) aprovado em 1959. Guimarães Lobato manteve-se à frente do GEU entre janeiro de 1954 e abril de 1958 tendo reunido diversas especialidades. Os arquitetos paisagistas envolvidos no plano foram Caldeira Cabral (entre 1956 e1959) e Álvaro Dentinho (entre 1957 e 1959). Edgar Fontes e Ribeiro Telles também colaboraram enquanto técnicos da DSTE (Fig. 2.3.5). Na Introdução Geral do PDUL pode-se ler: “Manteve-se a continuidade da orientação geral definida para a estruturação urbanística da cidade que está a ser processada desde 1938 (…). Foram (…) elaborados diversos planos parcelares e arranjos locais, bem como vários estudos-base de urbanização, suficientemente desenvolvidos para orientarem as urbanizações locais, em aplicação imediata ou no seu desenvolvimento em planos definitivos de urbanização, tudo num total de cerca de 200 trabalhos.” 102 A travessia sobre o Tejo, o aumento do tráfego automóvel na cidade, a expansão urbana e suburbana de Lisboa rapidamente tornaram este plano desatualizado e foi então que a CML presidida por António Vitorino da França Borges desde 1959 convidou o arquitetourbanista francês Georges Meyer-Heine (1905-1984) para coordenar a revisão do PDUL que decorreu entre 1963 e 1967, embora só fosse aprovado em 1977 (Portaria nº 274/77 de 19 de maio) (Fig. 2.3.6). 103 99 SILVA, J. Antunes da - Keil do Amaral. O Urbanista, p.72. 100 BRITO, Vasco e CAMARINHAS, Catarina Teles Ferreira - Elementos para o Estudo do Plano de Urbanização da Cidade. 101 Ibidem. 102 CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA. Gabinete de Estudos de Urbanização - Plano Director da Urbanização de Lisboa. 103 LÔBO, Margarida – Planos de Urbanização.
FCUP 101 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Fig. 2.3.4Plano Diretor de Urbanização e Expansão de Lisboa, Plano de Gröer, 1948. Fig. 2.3.5 - Plano Diretor de Urbanização de Lisboa, 1959. Plano de Estrutura Verde para a cidade que se presume que faça parte dos trabalhos de Ribeiro Telles com Caldeira Cabral, Álvaro Dentinho e Edgar Fontes no âmbito do plano.
FCUP102 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Fig. 2.3.6Plano Geral de Urbanização de Lisboa, Meyer-Heine, 1967.
FCUP 103 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Assumindo Caldeira Cabral como o inspirador dos arquitetos paisagistas, neste capítulo valorizamos o seu pensamento sobre esta matéria, tendo Lisboa como “paisagem de fundo” e a rede de parque e jardins existentes à altura como ponto de partida. Já se referiu o seu trabalho como coautor do projeto do Estádio Nacional, obra a que esteve ligado entre 1936 e 1940, período que coincidiu com a preparação das comemorações dos Centenários em 1940 - da Independência Nacional e da Restauração - que em Lisboa se concentrou em Belém onde decorreu a Exposição do Mundo Português. As comemorações na capital levaram a uma grande intervenção no espaço público. No então chamado Terreiro de Belém, instalaram-se vários pavilhões expositivos e foi construída a Praça do Império tendo o Mosteiro dos Jerónimos como cenário de fundo. O projeto foi coordenado pelo arquiteto Cottinelli Telmo (1897-1948). Este contou com a colaboração de Joaquim Rodrigo (1912-1997) no projeto do jardim da Praça do Império. 104 Até esta data, a rede de jardins públicos assentava sobretudo na Avenida da Liberdade, no Jardim da Estrela e no Campo Grande para além de outros equipamentos sem dependência camarária, como o Jardim Botânico da Escola Politécnica, a Tapada e Jardim Botânico da Ajuda e o Jardim Zoológico de Lisboa. A Avenida da Liberdade teve a sua origem no Passeio Público mandado construir pelo Marquês de Pombal (1699-1782). Executado em 1764, segundo projeto do arquiteto Reinaldo Manuel dos Santos (1731-1791), tinha início na atual Praça dos Restauradores ocupou uma área com trezentos metros de comprimento e oitenta de largura, tendo sido plantadas mil e cem árvores (Fig. 2.3.7). 105 Constituído por vários alinhamentos de árvores, maioritariamente freixos mas também outras árvores de grande porte, constituindo ruas sombrias apresentava também banquetas de buxo dispostas de modo simétrico, que enquadravam uma alameda central.106 Ao contrário do que o Marquês de Pombal ambicionou, este Passeio, até ao séc. XIX, foi frequentado apenas pela burguesia, já que a nobreza se restringiu aos jardins dos seus palácios. 107 108 Este Passeio foi alterado quando em 1834, por decisão da primeira vereação liberal de Lisboa, o arquiteto Malaquias Ferreira Leal (1787-1859), ao serviço do Senado da Câmara, 104 CANDEIAS, Ana Filipa – Joaquim Rodrigo. 105 FRANÇA, José-Augusto - De Pombal ao Fontismo. 106 SEQUEIRA - Gustavo Matos. Lisboa.1947. Oito séculos de história. 107 SILVA, Raquel - O Passeio Público e a Avenida da Liberdade. 108 ARAÚJO, Norberto - 1993. Peregrinações em Lisboa. 2.3.2 Os espaços verdes no planeamento urbano 2.3.2.1 A rede de parques e jardins nas décadas de 1930 e 1940
FCUP104 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) projetou a sua remodelação (Fig. 2.3.8). 109 Nesta renovação, o Passeio aumentou a sua área em mais de vinte metros na largura e em trinta metros no comprimento. Os altos muros deram lugar a um gradeamento e as entradas a grandes portões ornamentados. 110 O Passeio Público, a partir desta remodelação, iniciou um novo ciclo no qual se aproximou dos parâmetros do jardim público. A influência francófona neoclássica, herdada do império napoleónico, da implantação na paisagem de grandes eixos, fez-se sentir, não só em Paris com a criação dos Campos Elísios, como no resto da Europa. Paris constituía assim o exemplo mais marcante de neoclassicismo em todo o mundo e a sua Escola de Belas Artes o maior polo do seu ensino. Ressano Garcia durante a sua formatura em Paris viveu a renovação urbanística desta cidade, levada a cabo por Haussmann (1809 -1891). Com o decreto de 31 de dezembro de 1864, iniciou-se a revolução urbanística de Lisboa tendo-se dado início ao Plano Geral de Melhoramentos da Capital, por ele conduzido, conforme já referido. O Passeio Público deu assim lugar, à Avenida da Liberdade que assumiu a tipologia de “boulevard”, expandindo-se até à atual Praça do Marquês de Pombal, com uma expressão semelhante à que hoje apresenta. O Passeio da Estrela, situado em terrenos da antiga cerca do Convento Beneditino da Estrela, foi construído por volta de 1850 sob a orientação do engenheiro Pedro José Pezerat 111 (1801-1872), Repartição Técnica da CML (1852-1872) - antecessor de Ressano Garcia - e com a colaboração dos jardineiros Jean Bonard e João Francisco. 112 O Passeio da Estrela foi aberto ao público em 1852 ocupando cerca de 5ha fazendo dele o segundo maior jardim de Lisboa depois do Passeio Público. Ao longo dos anos, o Jardim da Estrela foi recebendo diferentes equipamentos tendo sofrido uma remodelação por altura do seu centenário. O Jardim do Campo Grande, mais fora de portas, tinha sido inicialmente uma alameda e um campo de feira. O Passeio Público no Campo Grande, cercado por um gradeamento, foi construído também em meados do século XIX.113 Entre os pequenos espaços verdes pode-se dar como exemplo o Miradouro de São Pedro de Alcântara, o Largo da Luz, o Jardim do Príncipe Real, o Jardim Constantino ou o Jardim de Campo de Ourique. O convite não aceite por Caldeira Cabral para ingressar na CML referido em 2.1 embora possa ser considerado um detalhe da sua vida não deixa de assumir relevância quer para compreender o que depois foi o seu percurso profissional e o impacto que 109 VIEGAS, Inês (coord) - Do Passeio à Avenida. Os originais do Arquivo Municipal de Lisboa. 110 Ibidem. 111 PAIXÃO, Rui Gamboa - Vida e obra do engenheiro Pedro José Pezerat e sua actividade na liderança da Repartição Técnica da Câmara Municipal de Lisboa (1852-1872). 112 CALÇADA, Marta; JACOME, Mafalda - O Jardim da Estrela. 113 LIMA, Pereira – Jardim do Campo Grande.
FCUP 105 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Fig. 2.3.7 - Planta topográfica de Lisboa onde se pode observar o Passeio Público pombalino e a Praça de Alegria de Baixo, 1780. Fig. 2.3.8 - Planta topográfica de Lisboa. Levantamento Filipe Folque, Cartas 27, 35 e 36, encontrando-se representado entre outros jardins, o Passeio Público romântico, 1859. teve na cidade de Lisboa quer pela informação que sustenta este acontecimento que nomeadamente permite conhecer o pensamento de Caldeira Cabral sobre o estado dos jardins da capital. Primeiro refere-se a circunstância do convite que recebeu e depois citam-se alguns excertos da sua autoria que traduzem a sua perspetiva sobre os jardins e o estado da arte do projeto de jardins em Portugal à época. 114 Era Chefe da Repartição de Jardins e Cemitérios o engenheiro Vieira da Silva que, tendo atingido o limite de idade em Janeiro de 1935, tinha deixado o lugar vago.115 Em Março desse ano, estava Caldeira Cabral no 4º ano do seu curso de Engenharia Agronómica quando foi convidado, na pessoa do vereador Pastor de Macedo por recomendação do arquiteto Raul Lino (1879-1974), para ir ocupar este lugar vago, resolução esta aprovada por unanimidade em secção particular da Comissão Administrativa da CML que considerava não existir nesta instituição, ninguém especializado nesta matéria. 116 A CML pretendia que Caldeira Cabral iniciasse a atividade desde logo, visto já ter frequentado no ISA as disciplinas que a isso o habilitavam. Este propunha-se realizar, logo após a conclusão da licenciatura, um estágio no estrangeiro pago pela CML mas verificouse que esta, segundo os seus estatutos, não podia conceder estágios no estrangeiro. 117 Caldeira Cabral num documento que preparou em 1935 com a sua proposta de trabalho à CML deixa-nos o seu sentido sobre o que se passava e a sua ideia da necessidade de 114 ANDRESEN, Teresa - Francisco Caldeira Cabral e ANDRESEN, Teresa - Três Décadas de Arquitetura Paisagista em Portugal: 1940-1970. 115 Ibidem. 116 ANDRESEN, Teresa - Três Décadas de Arquitetura Paisagista em Portugal: 1940-1970. 117 Ibidem.
FCUP112 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) motivação muito clara em torno de um novo conceito para o logradouro e a necessidade dos arquitetos paisagistas: “Como vimos, pretende-se no presente plano abolir a tradição do logradouro privado, murado, em geral insalubre e sempre inútil como espaço livre utilizável para recreio e amenidade da população. Também se tentou em Alvalade a solução do logradouro comum pertencente a vários proprietários, sem qualquer resultado satisfatório, prevalecendo em maior escala os inconvenientes dos logradouros privativos dos lotes. Tenta-se agora introduzir o conceito de espaço livre comum, de propriedade municipal e utilizável por toda a população em condições salutares para a sua vida diária. No estudo apresentado mais adiante, verifica-se a viabilidade financeira da solução, de vantagens tão óbvias e resultantes de uma experiência já largamente adquirida em Lisboa nos últimos anos. Todavia, por ainda se poderem levantar obstáculos inamovíveis à sua realização, todo o estudo do plano foi conduzido no sentido de, em caso extremo, poder-se regressar à concepção totalmente desaconselhável do logradouro privativo. Os espaços livres, assim conseguidos, carecem de arranjo vegetal adequado. Neste caso ainda com maior desenvolvimento por se tratar da zona privilegiada da cidade e imediatamente confinante com o Parque Florestal de Monsanto de que poderá a vir a constituir um prolongamento urbano. Solicitou-se por isso, estreita colaboração dos arquitectos paisagistas.” 140 Perante uma nova filosofia sobre os espaços verdes, o GEU entendeu chamar os jovens arquitetos paisagistas. Em 1956. Ribeiro Telles apresentou o “Projecto de Ordenamento Paisagístico (1ª fase) da Encosta do Restelo (II Fase)” (Fig. 2.3.9.) e na Nota Justificativa explica os objetivos de faseamento do ordenamento: “ Pretende-se na 1ª fase de plantações agora prevista, em boas condições de desenvolvimento, os maciços fundamentais que mais tarde e após construção dos edifícios servirão de base para a elaboração em pormenor do projecto de ordenamento paisagístico definitivo, incluindo então ajardinados, estadias, recreios, parques infantis, enriquecimento com espécies vegetais menos rústicas, a implantação de ‘mixed borders’ de herbáceas vivazes, etc … Os maciços previstos neste projecto distribuem-se de forma a constituir panorâmicas de interesse paisagístico, enquadramento de blocos e outros edifícios e cortinas de proteção contra o vento. A sua distribuição faz-se de harmonia com a estruturação ecológica da formação clímace.” 141 (Fig. 2.3.10) Quando Álvaro Dentinho ingressou na CML em 1957, um dos seus primeiros trabalhos terá sido precisamente na 2ª fase da “Urbanização da Encosta do Restelo” no projeto duma variante para a Célula B. Logo no início da Memória Descritiva do projeto fica-se a saber a razão de ser de uma solução ‘variante’: “ (…) em seguimento da recomendação 140 Idem, p 26. 141 TELLES, Gonçalo Ribeiro - Projecto de Ordenamento Paisagístico (1ª fase) da Encosta do Restelo (II Fase), p.1.
FCUP 113 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) feita no parecer do Ministério das Obras Públicas e da determinação superior para o efeito, procedeu-se ao estudo da variante da célula B para substituição na sua área sul de um grupo de blocos habitacionais por um grupo de moradias unifamiliares, anulando-se assim os possíveis inconvenientes de ordem panorâmica então apontados e oferecendo-se uma oportunidade imediata para a resolução de problemas inerentes às representações diplomáticas.” 142 (Figs. 2.3.11a a 2.3.11e) Subjacente à variante está um problema de qualidade da paisagem urbana em resultado da construção de edificações em altura e o impacto visual daí resultante. A proposta de Álvaro Dentinho tem com o objetivo a valorização panorâmica, conforme as suas palavras, o que implicava estudar de novo a compartimentação verde. É precisamente disso que o trabalho trata e Álvaro Dentinho concebe um sistema de cortinas de vento com o objetivo de “assegurar a desejável unidade em relação ao terreno”. Podendo parecer menor, há que contextualizar a situação e valorizar a autonomia e o respeito ganhos pelos jovens arquitetos paisagistas. Na pesquisa realizada no Arquivo Municipal do Arco do Cego encontrou-se documentação vária sobre outros trabalhos desta natureza realizados com a colaboração dos arquitetos paisagistas. O ano de 1957 parece ter concentrado esforços em estudos paisagísticos quer no GEU quer também na DSTE. Destacamos o “Enquadramento paisagístico do Bairro do Grilo” da autoria de Edgar Fontes no âmbito da DSTE sendo seu chefe o engenheiro silvicultor José Pulido Garcia e com um detalhado programa de 142 CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA. Gabinete de Estudos de Urbanização - Urbanização da Encosta do Restelo – II fase. Variante da Célula B, p. 1. Fig. 2.3.9 - Plano Encosta do Restelo. II Fase de Urbanização. Projeto de Ordenamento Paisagístico, 1º Fase. Plano Geral. Ribeiro Telles, 1956. Incluído no Plano de Urbanização da Encosta do Restelo. Fig. 2.3.10 - Encosta do Restelo. II Fase de Urbanização. Projeto de Ordenamento Paisagístico, 1º Fase. Plano de plantação. Ribeiro Telles, 1956. Incluído no Plano de Urbanização da Encosta do Restelo.
FCUP114 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) hortas para os moradores.143 Evidenciamos, também, o “Estudo-Base da Urbanização do Vale Escuro” desenvolvido no GEU em 1957 sob coordenação de Guimarães Lobato e da autoria dos arquitetos Bartolomeu Costa Cabral, França Ribeiro e do arquiteto paisagista Caldeira Cabral com a colaboração de Ribeiro Telles.144 A utilização do Vale Escuro foi encarada como “espaço livre arborizado, logradouro local de recreio e desporto. Previu-se a criação de aprazíveis passeios de peões devidamente isolados do tráfego, instalações desportivas, etc. As novas zonas habitacionais serão tratadas como um todo, no seu aspecto paisagístico, embora cada qual pertença à sua unidade urbana.” 145 “(…)A paisagem humanizada que vamos criar deverá tirar o maior partido das condições naturais – relevo, solo, clima - e assentar em sólida base fitossociológica, garantia de bom desenvolvimento nas melhores condições económicas de realização e conservação.” 146 (Fig. 2.3.12) Por último, podemos ainda referir o “Estudo Base da Urbanização das Laranjeiras” (1957), elaborado no GEU sob a coordenação de Guimarães Lobato e da autoria dos arquitetos José Vitorino da Costa Bastos e Graco Wandschneider e do engenheiro civil José Miguel Pinto de Faria com a colaboração de Caldeira Cabral e Ribeiro Telles. Embora apenas se tenha acedido à memória descritiva e justificativa, ela permite-nos perceber a abrangência da abordagem dos espaços verdes: “No estudo-base da urbanização das Laranjeiras previu-se além da conservação e portanto valorização dos espaços verdes existentes (Jardim Zoológico e campo desportivo do Sport Lisboa e Benfica) a criação de zonas verdes envolvendo a igreja e miradouro do Alto dos Moinhos previstos, enquadrando as grandes vias de trânsito e pretendendo dar unidade e integrando todo o conjunto.“ 147 Mais tarde, houve um intenso envolvimento dos arquitetos paisagistas nos Bairros dos Olivais (Norte e Sul) e Chelas já no âmbito do Gabinete Técnico de Habitação (GTH) criado na sequência da publicação do DL nº 42454, de 18 de agosto de 1959 e que marcou uma nova etapa – sucedendo ao GEU - não só na continuação da expansão da cidade e do espaço habitacional como na estrutura de gestão municipal. Não houve possibilidade de se fazer um levantamento exaustivo deste imenso arquivo do GTH e assim apenas foi possível recolher alguns elementos e de forma um pouco aleatória. O Boletim do GTH (V3 Nº 19, 1970) publicou o plano de urbanização de Chelas (Zona J) em que colaborou Álvaro Dentinho. Assume-se que o seu contributo se concentrou no que neste artigo respeita à análise física e análise paisagística e ao regulamento das normas a que devem obedecer os projetos de arranjo dos espaços livres. Transcreve-se o ponto 1.3 do normativo apenas para traduzir a nova orientação geral da abordagem dos espaços verdes – do estudo de base para o projeto de execução: “1.3 Os espaços 143 FONTES, Edgar Sampaio - Enquadramento Paisagístico do Bairro do Grilo. 144 CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA. Gabinete de Estudos de Urbanização - Urbanização do Vale Escuro. O Estudo Base. 145 Idem, p. 1-2. 146 Idem, p. 19. 147 CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA. Gabinete de Estudos de Urbanização - Urbanização das Laranjeiras, p. 17.
FCUP 115 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Fig. 2.3.11a - Valorização panorâmica. Divisão por setores do sistema de cortinas de defesa contra ventos. Plano de plantação. Álvaro Dentinho, 1957. Fig. 2.3.11c - Valorização panorâmica. Composição florística das cortinas de defesa contra ventos cd e ef. Álvaro Dentinho, 1957. Fig. 2.3.11b - Valorização panorâmica. Composição florística das cortinas de defesa contra ventos ab e cd. Álvaro Dentinho, 1957. Fig. 2.3.11d - Valorização panorâmica. Composição florística das cortinas de defesa contra ventos ef e gh. Álvaro Dentinho, 1957.
FCUP116 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) livres inter-edificios estão sujeitos a um plano geral de ocupação a elaborar segundo directrizes do GTH que inclui o estudo de arborização e ajardinamentos, modelação do solo, sistema viários de peões e equipamento recreativo de ar livre ligado à habitação. “ 148 Reproduzem-se alguns dos diagramas que por si falam para ilustrar quão longe estava o restrito contributo dos arquitetos paisagistas remetido nos inícios da década de 50 basicamente para as arborizações (Figs. 2.3.13a a 2.3.13d). Mas retome-se a escala do plano diretor da cidade e os finais da década de 1950. Conforme já referido, o GEU tinha sido criado com o objetivo maior de rever o Plano de De Gröer. A revisão – o PDUL - ficou pronta em 1959. O volume 4.4 do PDUL é dedicado ao “Zonamento Verde da Cidade” e é acompanhado de uma “Planta de síntese dos espaços verdes de Lisboa” e o volume 4.5 ao “Equipamento de espaços verdes especiais.” O Zonamento Verde da Cidade consta de três partes: 1) Distribuição geral dos espaços verdes; 2) Caracterização dos espaços verdes; e 3) Zonamento Verde. A distribuição geral dos espaços verdes trata das três grandes penetrações radiais que asseguram a comunicação da zona verde envolvente a norte e a poente com o estuário do Tejo. Penetrações, manchas verdes, reconhecimento de valores paisagísticos são instrumentos fundamentais da estratégia global para a cidade. Os textos refletem claramente os ensinamentos e comentários registados nos relatórios de viagem: “Mas hoje, como sucede em toda a Europa, já não é somente o espaço verde mais ou menos longínquo, tipo Parque de Monsanto, que interessa ao habitante da Cidade é também aquele junto à sua habitação para onde a mãe pode mandar os filhos ou frequentar sem qualquer necessidade de grandes percursos. É aquele que se espera ver ao abrir da janela de casa.” 149 A caracterização do espaço verde identifica três tipos tendo em vista o modelo de gestão a implementar: Verde sem habitação (69,1%); verde com habitação (31,2%) e zona ruralizada (8,4%), chegando à conclusão de um valor médio de 27,8 m2/hab. O volume 4.5 sobre “Equipamento de espaços verdes especiais” é, efetivamente, um estado da arte do pensamento de finais de 50 sobre o brincar em espaço verde: “(…) segundo a diferenciação em idades e raios de ação podemos considerar quatro grupos: 1º grupo – idade pré-escolar – dos 3 aos 7; 2º grupo – idade escolar – dos 7 aos 12-14; 3º grupo – idade adolescente -12-14 aos 18 e 4º grupo – idade adulta. (...) O raio de ação de cada grupo de idades depende na vida moderna, dos meios de transporte mas a sua utilização varia com o período de recreio que se considera. Podemos então distinguir os períodos de recreio diário, semanal e anual (…)” 150. Em 1959, o Presidente da CML, Álvaro Salvação Barreto demitiu-se juntamente com os vice-presidentes – Guimarães Lobato e Pastor de Macedo. A mudança naturalmente 148 CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA GTH. Divisão de Planeamento - Plano de Arborização de Chelas, Zona J, p. 65-84. 149 CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA. Gabinete de Estudos de Urbanização - Plano Director de Urbanização de Lisboa. V4.4, p. 16. 150 CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA. Gabinete de Estudos de Urbanização - Plano Director de Urbanização de Lisboa, p. 1-3.
FCUP 117 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Fig. 2.3.11e - Valorização panorâmica. Composição florística das cortinas de defesa contra ventos gh e pormenor. Álvaro Dentinho, 1957. Fig. 2.3.12 - Urbanização do Vale Escuro. Zonamento. Bartolomeu Costa Cabral, França Ribeiro, Caldeira Cabral e Ribeiro Telles, 1957
FCUP118 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) trouxe transformações de prioridades e de motivações. Seguramente os arquitetos paisagistas perderam um apoio ao nível do lugar de decisão chave para a sua atividade. A nova revisão do Plano Diretor de Lisboa foi enquadrada pelo “Plano Regional de Lisboa” (1964). Neste plano, o arquiteto paisagista “de serviço” foi António Campêlo na qualidade de Vogal da 5ª Secção da Comissão do Plano Diretor Regional de Lisboa, como representante da Junta de Colonização Interna, da Secretaria de Estado da Agricultura. Preparou um estudo intitulado “A Paisagem da Região de Lisboa como Infraestrutura do seu Desenvolvimento Regional” em que recorreu, de forma pioneira, ao método de sobreposição de cartas tendo como objetivo a elaboração de uma “Carta de Grandes Zonas de Condicionamento Urbanístico (esc 1/50 000) ”. O trabalho elaborado teve por fim: “ (…) definir, em escala de anteplano, a estrutura paisagística da zona considerada e – sugerindo a forma como se deve operar na sua melhor protecção e valorização – estabelecer as zonas de condicionamento urbanístico, com a finalidade de contribuir para um desenvolvimento regional equilibrado. (...) A aceitação do princípio e da necessidade de se respeitarem as características intrínsecas de uma paisagem, em todo o planeamento e valorização regional, determinou que se elaborasse um trabalho que constituísse elemento de reconhecimento a considerar nas bases de planeamento do Plano Director de Lisboa.” 151 A seleção dos fatores para a elaboração da carta teve a preocupação de que fossem susceptíveis de se traduzirem em base cartográfica na escala em estudo. Foram eles: as características topográficas e hidrológicas; a utilização agrícola e florestal atual; as reservas florestais e de fauna, sujeitas ou não a regime legal de proteção; e as características agrológicas e potencialidades produtivas. 152 Da sobreposição das Cartas Agrológicas (4 classes/grupos) e das Cartas de Utilização Atual do Solo resultou a “Carta de Apuramento do Grau de Potencialidade Produtiva dos Solos.” Numa fase seguinte, outros elementos foram tomados em consideração “condições fisiográficas e outros mais ligados ao conceito de paisagem - às leis próprias da paisagem (…)” 153 a saber: redes hidrológicas, proteção cultural (de zonas intensivamente exploradas e de alta potencialidade agrícola), proteção da costa marítima, proteção paisagística (áreas necessitadas de regime especial de proteção tendo em conta a correção climática), e enquadramento paisagístico (alargamento das zonas de mata e de compartimentação) levando à delimitação de: áreas de elevada potencialidade agrícola; áreas de potencialidade agrícola e florestal a preservar, áreas de cultura arvense e pastagem natural, zonas de proteção de infraestruturas paisagísticas, áreas de sujeição a regime especial tendo em vista a correção climática. Por fim a “Carta de Grandes Zonas de Condicionamento 151 CAMPELLO, António Roquete – A Paisagem da Região de Lisboa como infra-estrutura do seu desenvolvimento regional, p. 5. 152 Ibidem, p. 6. 153 Ibidem, p. 13
FCUP 119 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Fig. 2.3.13a - Plano de urbanização de Chelas. Zona J. Análise física. Declive das encostas, década de 60. Fig. 2.3.13c - Plano de urbanização de Chelas. Zona J. Análise paisagista. Ocupação cultural, década de 60. Fig. 2.3.13b - Plano de urbanização de Chelas. Zona J. Análise física. Geologia do local, década de 60. Fig. 2.3.13d - Plano de urbanização de Chelas. Zona J. Condicionamentos urbanos. Altitudes com vista ao planeamento do abastecimento de água, década de 60.
FCUP120 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Urbanístico” resultava em três grandes zonas de condicionamento urbanístico: zonas em que serão de considerar limitações urbanísticas totais ou altamente condicionadas, zonas em que serão de admitir limitações urbanísticas condicionadas; zonas que não justificam quaisquer limitações urbanísticas. Conforme referido em 2.3.1, a travessia sobre o Tejo, o aumento do tráfego na cidade, a expansão urbana e suburbana de Lisboa estiveram por trás da necessidade de rever o PDUL e o novo presidente da CML, França Borges logo em 1959 convidou Meyer-Heine para coordenar a sua revisão do PDUL que foi elaborado entre 1963 e 1967 embora só fosse aprovado em 1977. Na equipa técnica do plano, não consta o nome de qualquer arquiteto paisagista embora se leia que colaboraram nele os diversos Serviços Municipais. Feita uma apreciação geral e sucinta dir-se-ia que há um retrocesso relativamente aos dois planos anteriores no que diz respeito à infraestrutura verde urbana. A Carta de Espaços Verdes apresenta três categorias: verde público, verde privado de domínio público e verde do domínio particular sendo a sua distribuição fragmentada assim como na componente regulamentar as disposições são pouco precisas. Não houve oportunidade de aprofundar a participação dos arquitetos paisagistas, ficando desde já a indicação para uma futura investigação nomeadamente os reflexos do “Plano Regional de Lisboa”.
FCUP 121 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) 2.3.3 As políticas de habitação e o seu impacto na rede de parques e jardins 2.3.3.1 Os novos bairros habitacionais A colaboração dos arquitetos paisagistas nos planos de urbanização dos bairros já foi descrita e avaliada em 2.3.2. No capítulo cinco trataremos em maior detalhe o papel dos arquitetos paisagistas nos bairros, sobretudo nos bairros da Encarnação, Restelo, Alvalade, Olivais, focalizando o projeto de espaço verde. Por isso passa-se a apresentar um breve enquadramento destes planos determinantes da expansão de Lisboa para, posteriormente, se destacarem as linhas mestras da intervenção, sobretudo nos espaços verdes públicos. Nos anos de 1930, Lisboa apresentava uma grave crise habitacional, fruto não só do aumento demográfico como também da degradação do parque habitacional de então. 154 Verificava-se um notório “desequilíbrio económico (…) entre a capacidade familiar de arrendamento da habitação e a rentabilidade procurada pelos capitais investidos nas habitações urbanas.” 155 A CML e o Governo uniram esforços para ultrapassar esta situação utilizando instrumentos legais na sequência da revisão da Constituição em 1933. Entre os vários diplomas enquadradores dos instrumentos de intervenção, destaca-se o DL nº 23052, de 23 de setembro de 1933, que criou o regime das “Casas Económicas”, habitação para os mais desfavorecidos, marcando e intervenção direta do Estado na construção destas casas.156 Este decreto levou o governo, as câmaras e as instituições corporativas a construir bairros económicos em regime de rendas solúveis, pagas ao longo de 25 anos, ao fim dos quais o inquilino se convertia em proprietário da casa. Ao abrigo deste DL, em Lisboa, foram construídos os bairros do Alto da Ajuda, do Alto da Serafina, da Calçada dos Mestres, de Caselas, do Alvito 157 e da Encarnação. 158 O facto de Duarte Pacheco em 1938 ter acumulado os cargos de Ministro da Obras Públicas e de Presidente da CML veio facilitar a concretização da intenção de fazer face 154 CAMPOS, Nuno - Mercado de Alvalade Norte. 155 LOBATO, Luís Guimarães - Urbanismo da capital, p 11. 156 LOBATO, Luís Guimarães - O Problema da habitação em Lisboa. 157 TORRES, Helena, PORTAS, Catarina, e FREIRE, Adriana - Olivais. 158 RODRIGUES, Fernando - Habitação Social.
FCUP128 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) documento orientador o “Plano de Urbanização da Zona a Sul da Avenida Alferes Malheiro” tendo como limite norte a Avenida Alferes Malheiro, hoje Avenida Brasil. Foi dimensionado para uma população de 45 000 habitantes, com uma densidade média de 200 habitantes/hectare, 194 ocupando uma área de cerca de 230 hectares, 195 dos quais 33 foram destinados a espaços livres públicos. 196 O bairro é limitado a Norte pela Avenida Brasil, a nascente pela Avenida Almirante Gago Coutinho, a Sul pela linha de caminho-de-ferro e a poente pela Avenida da República e pelo Jardim do Campo Grande. Os 45 000 habitantes previstos no Bairro de Alvalade eram distribuídos da seguinte forma: 31 000 em habitações coletivas de renda económica, 9 500 em habitações de renda não limitada, 2 000 em moradias unifamiliares de renda económica e 2 500 em moradias unifamiliares de renda não limitada, pretendendo-se a coexistência de habitações das diversas categorias sociais. 197 Numa primeira fase e ao abrigo de um novo “Regime de Casas de Renda Económica”, os edifícios passaram a contemplar um máximo de quatro pisos, limite de edificações plurifamiliares para cujo acesso se prescindia de elevador. 198 Esta cércia constituía uma situação inédita, no âmbito dos bairros de habitação económica. O primeiro conjunto de edifícios multifamiliares de renda económica (Fig. 2.3.20) foi inaugurado oficialmente em Agosto de 1948, com a designação de sítio de Alvalade, deliberada pelo Presidente da CML, Álvaro Salvação Barreto. 199 Na construção do bairro, parcialmente assegurada pelo Estado, mesmo nas áreas reservadas à construção privada, o controle municipal realizou-se pela encomenda dos projetos de arquitetura a profissionais altamente qualificados. 200 A obra contou com o arquiteto Jacobetty Rosa como arquiteto chefe e com a orientação e supervisão técnica de Guimarães Lobato. 201 Os arquitetos Nuno Teotónio Pereira e Manuel Costa Martins (1922-1996) juntaram-se à equipa, um ano após o arranque da obra. 202 203 Este foi o primeiro bairro de habitação coletiva de média altura, na qual se utilizaram, pela primeira vez, elementos construtivos normalizados, tendo-se dado um grande salto qualitativo relativamente aos bairros de casas unifamiliares realizados até aí, como o Bairro da Encarnação. 194 COSTA, João Pedro - Bairro de Alvalade. Um Paradigma no Urbanismo Português. 195 Ibidem. 196 LOBATO, Luís Guimarães - A Experiência de Alvalade. 197 TOSTÕES, Ana - O Bairro de Alvalade no quadro do desenvolvimento urbano de Lisboa. 198 LOBATO, Luís Guimarães - A Experiência de Alvalade. 199 CAMPOS, Nuno - Mercado de Alvalade Norte. 200 TOSTÕES, Ana - O Bairro de Alvalade no quadro do desenvolvimento urbano de Lisboa. 201 PORTAS, Nuno - A pesquisa no habitat. 202 TAVARES, Maria. PORTAS, Nuno. FERNANDES, Manuel José - Nuno Teotónio Pereira. Arquitetura e Contexto: uma experiência. 203 TAVARES, Maria - Leituras de um percurso na habitação em Portugal.
FCUP 129 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Segundo a descrição do próprio Guimarães Lobato: “Para efeitos de urbanização, a zona de Alvalade foi considerada dividida, em oito células, por arruamentos principais, que dão a cada célula a independência de uma unidade de urbanização devidamente resguardada. Cada uma destas unidades, tem, por fulcro do seu arranjo, a existência, num ponto central, de uma escola primária de modo que a distância máxima, desta às habitações, não exceda 500 ml. (…) Previram-se, também as construções indispensáveis de interesse geral, situadas num centro cívico, além da localização adequada de mercados, escolas secundárias, campos de jogos, etc…” 204 Sobre a primeira fase de construção, disse Guimarães Lobato: “No que se referia a habitações de renda económica o plano estabelecido incluía a execução imediata de 302 prédios, ocupando as duas células - 1 e 2 – confinantes com o Campo Grande, a Avenida do Brasil e a Avenida de Roma. Estudaram-se 3 séries de casas de características diferentes e, por sua vez, dentro de cada uma das séries, estabeleceramse 3 tipos de casas, diferenciados somente no número de quartos de cama, para assim se atenderem, em pé de igualdade, às necessidades das grandes e das pequenas famílias.” (Fig. 2.3.21). 205 A construção destas duas primeiras células, constituídas exclusivamente por casas de renda económica, foi financiada apenas com fundos da 204 LOBATO, Luís Guimarães - A Experiência de Alvalade, p. 3. 205 Idem, p. 5. Fig. 2.3.20 - Fotografia aérea do Bairro de Alvalade Célula 1, 1950.
FCUP130 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Federação das Caixas de Previdência (1947-1972) tendo-se iniciado a sua construção em 1946 e terminado em 1950, passando posteriormente a realizar-se a construção de casas de renda limitada. 206 207 208 A construção destas células e das restantes do bairro, dirigida por Guimarães Lobato, constituiu um campo de ensaio para a utilização de novos materiais e, sobretudo, de novas técnicas de construção com as quais ele tinha tido contacto nas viagens realizadas a Inglaterra, assistindo à reconstrução deste país, no período pós-guerra. Guimarães Lobato trouxe para Alvalade não só a utilização de um novo tipo de blocos em betão de fabrico em série, como e sobretudo, o uso de módulos normalizados pré-fabricados de elementos, como vãos de janelas e portas e lanços de escadas que tornavam o processo de construção mais célere e económico, passando-se do ‘projeto tipo’ para os ‘elementos funcionais tipo’, suscetíveis de serem usados em diversas situações, em combinações de acordo com necessidades específicas. 209 A grande inovação do plano de Faria da Costa esteve no facto de os logradouros no interior dos quarteirões deixarem de ser propriedade privada, assumindo-se como espaços abertos destinados ao uso público com locais de recreio, equipamentos coletivos e espaços verdes. 210 Todos os projetos de especialidade de infraestruturas urbanas e de desenho do espaço público, incluindo portanto os relativos aos espaços verdes, estavam incluídos nos chamados “Estudos de Pormenor”. Foram desenvolvidos pelas respetivas divisões de serviços da CML, em paralelo com o técnico da unidade morfológica onde se incluía. Estes técnicos pertenciam à CML ou eram contratados ao exterior, sendo todo o projeto coordenado pelo autor do plano de urbanização, Guimarães Lobato, ou técnicos camarários delegados por este. Os “Estudos de Pormenor” relativos aos espaços verdes, designados como estudos de especialidade no desenho urbano, tais como as peças desenhadas que constam num projeto de arquitetura paisagista, eram elaborados na DSTE. As plantas referentes à distribuição dos lotes, à localização dos tipos de prédios, à adaptação de perfis transversais tipo ou longitudinais dos arruamentos e aos pavimentos eram da responsabilidade da DSUO. 211 No “Plano de Urbanização da Zona a Sul da Avenida Alferes Malheiro”, Faria da Costa propôs que todos espaços de logradouro fossem totalmente divididos em parcelas correspondentes a cada prédio. Quando, em 1947, as “Casas de renda económica” foram 206 TAVARES, Maria. PORTAS, Nuno. FERNANDES, Manuel José - Nuno Teotónio Pereira. Arquitetura e Contexto: uma experiência. 207 LOBATO, Luís Guimarães - A Experiência de Alvalade. 208 Ibidem. 209 TAVARES, Maria. PORTAS, Nuno. FERNANDES, Manuel José - Nuno Teotónio Pereira. Arquitetura e Contexto: uma experiência. 210 DUARTE, Carlos Santos - Entre arquitetos e urbanistas, de Alvalade a Chelas, construir (Habitação) com a arte do povo. 211 COSTA, João Pedro - Bairro de Alvalade. Um Paradigma no Urbanismo Português.
FCUP 131 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) construídas, esse critério foi modificado por se entender que seria vantajoso que o seu uso fosse comum aos vários moradores dos prédios delimitantes desses logradouros. Este critério foi adotado, apenas nas duas primeiras células construídas - as Células 1 e 2. Tomada esta opção “(…) a zona central dos espaços de logradouro começou por pertencer ao domínio público municipal, sendo reservada apenas uma faixa com a largura de cinco metros adjacente às fachadas posteriores para uso dos prédios. Esta faixa era ainda subdividida em pequeníssimas parcelas, as quais eram afetas ao uso de cada inclino. Neste contexto foram realizados nos serviços municipais os diversos estudos de ocupação dos logradouros do Bairro de Alvalade, prevendo a construção de recintos de recreio infantil, campos de jogos, mobiliário urbano diverso, etc (…) enquadrados por arranjos paisagísticos e arborização.” 212 Assim, neste Plano, foi prevista a desprivatização dos logradouros, sendo o fator mais inovador deste Plano, o tipo de tratamento destes espaços. 213 Foi planeado que “ (...) as edificações, de cada célula fossem dotadas de amplos logradouros, servindo para fins recreativos e circulação interior, evitando arruamentos de maior trânsito.” 214 Estes caminhos pedonais, atravessando os logradouros, encurtavam o caminho entre 212 Idem, p. 171. 213 DUARTE, Carlos Santos - Entre arquitetos e urbanistas, de Alvalade a Chelas, construir (Habitação) com a arte do povo. 214 LOBATO, Luís Guimarães - A Experiência de Alvalade. Fig. 2.3.21 - Plano de Urbanização da zona sul da Avenida Alferes Malheiro, anterior a 1945.
FCUP132 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) a casa e a escola, possibilitando que este percurso fosse inferior a 500 m, objetivo primordial do plano, como já foi referido. Estes logradouros compreendiam uma parte privativa pertencente a cada inquilino, todos eles alinhados em faixas de cinco metros de largura adjacente às fachadas dos prédios e uma outra central, pertencente ao domínio público municipal, beneficiando os habitantes de cada quarteirão. 215 Segundo o previsto, seriam “(…) arborizados formando recintos de recreio, sem preocupação de regularidade de relevo ou formalismo de arranjo, com o que, além do mais, se assegurou uma economia da futura conservação na realidade indispensável aos objetivos do plano.” 216 Na realidade o que veio a suceder nos logradouros comuns das duas primeiras células é que os edifícios foram sendo ocupados sem que se efetuassem os projetos destes logradouros (Fig. 2.3.22). A população muito rapidamente se apropriou indevidamente destes espaços, supostamente comuns, e, num ápice, tornaram-se um mosaico de hortas, muitas vezes sem sequer prever caminhos de acesso a todas elas nem de ligação aos caminhos pedonais de atravessamento destes logradouros (Fig. 2.3.23). “A certa altura, vários moradores começaram timidamente a cultivar pequenas parcelas desses terrenos comuns, na área contígua aos respetivos logradouros privativos. O seu exemplo foi imediatamente seguido por toda a população do bairro, por forma que, num espaço de poucos dias, os terrenos foram totalmente ocupados e divididos, numa operação verdadeiramente fulminante.” 217 Os logradouros tornaram-se, assim, num problema a resolver. Em 1951, Guimarães Lobato afirmava: “O ensaio de logradouros comuns, para recreio dos moradores das habitações económicas, trouxe à luz das realidades o que já havia sido previsto. É indispensável que exista uma entidade que se ocupe, por incumbência de todos, do arranjo, conservação e manutenção dos referidos logradouros. Sem isso, a sua utilização torna-se precária e, até, contrária aos objetivos visados. E, então, em lugar de uma solução inteiramente satisfatória, aparecem os quintais traseiros murados, desprovidos de uso e, quase sempre, de aspeto e sanidade indesejáveis.” 218 Por fim aponta como uma das deficiências de pormenor em Alvalade “(…) a inconveniência de logradouros individualizados e murados, pouco aproveitando, principalmente, as populações infantil e adolescente de recintos apropriados para o seu recreio.” 219 Recorde-se agora o relatório de viagem de Azevedo Coutinho á Suécia e os seus comentários sobre as possíveis soluções para ultrapassar os problemas dos logradouros de Alvalade (ver 2.2.1 ). 215 COSTA, João Pedro - Bairro de Alvalade. Um Paradigma no Urbanismo Português. 216 LOBATO, Luís Guimarães - A Experiência de Alvalade, p 11. 217 PEREIRA, Nuno Teotónio - Estudo de Algumas transformações no Bairro de Alvalade, p. 171. 218 LOBATO, Luís Guimarães - A Experiência de Alvalade, p 10. 219 Idem, p 12.
FCUP 133 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Fig. 2.3.22 - Bairro de Alvalade. Célula 1. Logradouros ocupados por hortas, 2014. Fig. 2.3.23 - Bairro de Alvalade. Célula 1. Compartimentação do logradouro e ocupação por hortas, 2014. A publicação do DL nº 42454, de 18 agosto de 1959, que criou o GTH, acelerou a necessidade da concretização destas operações urbanísticas de grande escala por parte da CML. 220 Referimo-nos às operações urbanísticas de grande escala de Olivais Norte, Olivais Sul e Chelas que foram desencadeadas nos finais da década de 1950 e, tal como os bairros anteriormente referidos, por iniciativa pública. Cobrem uma área total de 737 ha (Olivais Norte – 40ha; Olivais Sul – 187 ha e Chelas – 510 ha). A freguesia dos Olivais, criada em 1397, era constituída por uma série de quintas outrora pertencentes ao clero ou à nobreza. No final do século XIX, o industrial Francisco Alves Gouveia adquiriu muitos destes terrenos que, nas décadas 30 e 40 do século XX, foram expropriados pela CML com vista à sua urbanização para a expansão da cidade. 221 No Plano de De Gröer, a zona dos Olivais já tinha sido vocacionada para habitação. 222 Em 1955, estando já iniciada a revisão do Plano de De Gröer, o GEU levou a cabo a realização de um “Estudo–Base da Urbanização dos Olivais”, coordenado por Guimarães Lobato que contou com a colaboração, entre outros, dos arquitetos Pedro Falcão e Cunha e José França Ribeiro e do arquiteto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles.223 Logo no início deste estudo, Guimarães Lobato constatou, tal como o previsto no plano da cidade, a existência de uma zona industrial, que levava à alteração do cariz rural do lugar. Reconheceu então a necessidade de criar uma zona urbanizada de caráter residencial de forma a: “Garantir a vida perto do local de trabalho, à população que na Zona Industrial exerce a sua atividade.” 224 Propôs a criação de 6 células (A a F) a urbanizar sendo que no Plano de De Gröer estava prevista para esta área o alojamento de 28 000 220 BAPTISTA, Luís - A cidade e a habitação social. 221 INÁCIO, Alberto e BARREIROS Fernando - O Bairro da Encarnação e as Antigas Quintas dos Olivais. 222 TOUSSAINT, Michel - Olivais. 223 CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA. Gabinete de Estudos de Urbanização) - Urbanização dos Olivais. Estudo-base. 224 Idem, p. 2.
FCUP134 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) habitantes, número que Guimarães Lobato, após os resultados dum inquérito a nível local da sua responsabilidade, constatou ser insuficiente, elevando este para 40 000. Como condicionantes do local são indicados além dos arruamentos e de outros elementos construídos já existentes, a topografia do terreno – duas vertentes bastante declivosas unidas por um vale sobre o qual estava já delineada a “Avenida entre Aeroportos”, hoje Avenida de Berlim. Este último condicionante foi num entanto ultrapassado: “As condições orográficas do terreno influenciaram, como é evidente, o traçado dos arruamentos e a sua relação com o esquema mais favorável da rede de esgotos. Apesar da irregularidade do acidentado conseguiu-se obter uma satisfatória adaptação ao terreno, sem prejuízo dos bons princípios do traçado de arruamentos.” 225 No “Estudo–Base da Urbanização dos Olivais”, optou-se por habitação mista numa percentagem de 14% de moradias unifamiliares e os restantes 86% em habitação coletiva. Quanto às instalações de interesse coletivo, estas foram situadas em função da facilidade de acesso a qualquer ponto das células a que se destinavam: “Os centros comerciais e os grupos escolares foram localizados de modo a nunca se situarem a distâncias superiores a 250 metros das habitações e a não ser necessário, para os segundos, o atravessamento de qualquer arruamento de maior circulação.” 226 Relativamente ao princípio adotado para as habitações coletivas, registou o seguinte: “De acordo com a experiência adquirida e tendo presente os ensinamentos da técnica de urbanização actual, adoptou-se francamente o princípio da independência dos blocos, com todas as vantagens conhecidas de possibilidade de orientação, isolamento das habitações, etc. Por esta razão o espaço livre envolvente dos blocos constituirá um logradouro coletivo convenientemente arborizado.” 227 A Célula A do “Estudo de Urbanização dos Olivais” tinha sido alvo de estudos preparatórios no âmbito do “Plano de Pormenor” realizado pelo GEU entre 1955 e 1958, e os terrenos por ela abrangidos tinham sido na sua totalidade já adquiridos pela Câmara nas expropriações da década de 1940. Além disto, os arruamentos principais e os projetos das habitações estavam já concluídos (Fig.2.3.24). 228 Perante a urgência de mostrar resultados, esta área, a que se veio a chamar Olivais Norte, era aquela cujo estudo estava mais avançado, logo a que embora adaptando os projetos das habitações às tipologias estipuladas no referido DL, marcou o início do processo de ordenamento da imensa zona oriental de Lisboa.229 Após uma sequência 225 Idem, p. 5. 226 Idem, p 10. 227 Idem, p. 9. 228 HEITOR, Teresa Valsassina - A expansão da cidade para o Oriente. 229 BAPTISTA, Luís - A cidade e a habitação social.
FCUP 135 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Fig. 2.3.25 - Olivais Norte. Ajardinados a Sul da Rua General Silva Freire. Pormenores. Sousa da Câmara, 1967. Fig. 2.3.24 - Rede de caminhos principais em Olivais Norte, 1958.
FCUP136 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) de três planos (1955, 1957 e 1958), 230 o Plano de Olivais Norte foi apresentado em Novembro de 1959. 231 Embora a construção dos arruamentos datasse de 1957, a construção dos fogos iniciou-se em 1960. 232 Em lugar da rua tradicional foi estabelecida uma rede de circulação, sendo claramente separados os caminhos pedonais dos caminhos automóveis. 233 As habitações foram agrupadas em blocos isolados e implantados em função do maior aproveitamento da luz solar. A superfície livre do solo, representando 62,30% dos referidos 40 ha, ou seja um total de 24,920 ha, foi projetado ser ocupada por jardins, equipamentos de ar livre, percursos de peões, áreas de jogos e recreios (Fig. 2.3.25). 234 Como principais limitações a apontar ao “Plano de Olivais Norte” o arquiteto Leopoldo de Almeida afirmou: ”Os princípios urbanísticos aplicados são claramente derivados da Carta de Atenas e constituem indiscutivelmente o ponto de partida de qualquer realização urbanística contemporânea. Poder-se-ia apontar ainda aos Olivais-Norte um excesso de fidelidade a princípios esquemáticos, excesso que, por ter conduzido a uma neutralidade dos espaços urbanos, a um esquema circulatório demasiado desvinculado dos edifícios (…) poderá talvez não ajudar à constituição duma vida comunitária intensa.” 235 No início dos anos 1960, foi elaborado o “Plano de Olivais Sul” que destinava aos Olivais Sul uma área de 186 ha, uma operação na sua grande maioria financiada pela Federação das Caixas de Previdência. 236 Tal como tinha sucedido em Olivais Norte, destinava-se à habitação social, constituindo esta a sua especial vocação estando previsto albergar 40 000 habitantes. 237 Este plano da autoria dos arquitetos José Rafael Botelho e Carlos Duarte contou ainda com os arquitetos Mário Bruxelas, Celestino de Castro e António Pinto Freitas. 238 Foram também envolvidos arquitetos e artistas externos à CML, como Abel Manta, Nuno Teotónio Pereira, Braula Reis, João Vasconcelos Esteves, Pires Martins, Palma e Melo, Victor Palla, o que terá levantado várias críticas relativas ao ecletismo da arquitetura e à inexistência de unidade formal do conjunto do bairro. 239 240 241 230 Olivais Norte. Extratos da memória descritiva. 231 NOGUEIRA, Maria da Graça - Santa Maria dos Olivais. Ensaios de Modernismo em Portugal. 232 Olivais Norte. Extratos da memória descritiva. 233 TOSTÕES, Ana - Lisboa, Arquitetura e Urbanismo. 234 Extratos da memória descritiva”, Arquitetura, março de 1964, no 81, p. 8. 235 ALMEIDA, Leopoldo - Olivais –Norte - nota crítica, p 13. 236 TAVARES, Maria. PORTAS, Nuno. FERNANDES, Manuel José - Nuno Teotónio Pereira. Arquitetura e Contexto: uma experiência. 237 CUNHA, Ana -Os planos de Urbanização dos Bairros da Encarnação e dos Olivais. 238 SECO, Rui - Conceitos e experimentação de desenho urbano em Portugal. 239 Ibidem. 240 TORRES, Helena. PORTAS, Catarina, FREIRE, Adriana - Olivais retrato de um bairro. 241 SECO, Rui - Conceitos e experimentação de desenho urbano em Portugal.
FCUP 137 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Conceptualmente, este plano partia ainda dos princípios da Carta de Atenas no que respeita à relação entre a área construída e o espaço livre, assumindo princípios de zonamento funcional relativo aos vários setores de organização, separando vias de circulação devidamente hierarquizadas dos edifícios. 242 Em entrevista sobre a elaboração do Plano, o arquiteto José Rafael Botelho relatou: “Quando peguei no projeto de Olivais Sul (…) tinha vindo de Inglaterra e interessava-me muito o que lá se estava a fazer depois da guerra (…) as suas leis sobre expropriações e o desenvolvimento das cidades satélite eram muito interessantes. E tinha andado na Holanda (...). Trazia nos olhos esses modelos que tinha observado quando cheguei aos Olivais. Pesava mais a experiência do que a Carta de Atenas, entrosada no meu saber mas do qual não era a base.” 243 A aplicação do DL nº 42454, de 18 de agosto de 1959, em Olivais Sul tornou ultrapassado o “Estudo-Base”. No entanto, este estudo já tinha sido concretizado numa parte dos arruamentos, condicionando deste modo a elaboração do “Plano de Olivais Sul”, levando a que, por razões económicas, se tenha optado por somente retificar as penetrações na malha e os respetivos nós. 244 Este plano contou com condicionantes como: a orografia do terreno, a ocupação anterior do terreno por quintas, procurando-se manter alguns do elementos arquitetónicos mais significativos, a vegetação pré-existente e as condicionantes gerais de urbanização. 245 Num esforço de adaptação a novas utilizações, remodelou-se uma parte do sistema viário e aglutinou-se o zonamento anterior da malha introduzindo-se áreas centrais experimentando-se uma agregação do edificado, assumindo este formas inovadoras. 246 A estrutura da malha nos Olivais Sul baseou-se na criação de seis células, quatro delas destinadas à habitação (células B, C, D e E), uma destinada ao realojamento e, na sua maior parte, ao cemitério (Célula F) e uma última, situada no centro deste conjunto, destinada ao centro cívico-comercial principal (Célula G). 247 No interior das células, a estrutura viária automóvel foi hierarquizada segundo a função desempenhada em: vias principais, vias secundárias e impasses. Foi também implementada uma rede pedonal, que ligava os principais centros da malha. 248 As células principais (B, C, D e E) são autónomas relativamente ao comércio, sendo na Célula G, com uma área de 5.6 ha, que estão concentrados os serviços de interesse coletivo. Estas células principais contêm escolas infantis e primárias e zonas de recreio ao ar livre tanto para adultos como 242 SECO, Rui - Conceitos e experimentação de desenho urbano em Portugal. 243 TORRES, Helena, PORTAS, Catarina e FREIRE, Adriana - Olivais retrato de um bairro, p. 69. 244 FEREIRA, Maria João - Evolução das zonas verdes do bairro de Olivais sul. 245 Gabinete Técnico da Habitação - Olivais Sul. 246 HEITOR, Teresa Valsassina - A expansão da cidade para o Oriente. 247 Ibidem. 248 Bairros construídos ao abrigo do Decreto-lei 42 454 no período de 1961 a 1969.
FCUP144 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) 2.4 Conclusão Intitulado ‘As personagens, o tempo e o lugar’, este capítulo começou por dar nota dos tempos fundadores da Arquitetura Paisagista moderna em Portugal pela mão de Caldeira Cabral nos finais da década de 1930 e na década de 1940. Trata-se de uma matéria que tem vindo a ser estudada nos últimos quinze anos mas que foi considerada incontornável para a contextualização do âmago desta dissertação que diz respeito ao espaço público de Lisboa com destaque para as décadas de 1950 e 1960. Por sua vez, fez-se uma caraterização dos discípulos de Caldeira Cabral, criador da escola fundadora da Arquitetura Paisagista em Portugal. E, fundamentalmente, focalizamo-nos na atividade de Azevedo Coutinho, Ribeiro Telles, Edgar Fontes, Sousa da Câmara, Álvaro Dentinho, vinculados à CML, e ainda António Campêlo e Viana Barreto. Procuramos perceber os seus conhecimentos e o seu entendimento sobre a cidade moderna tendo, para isso, sido evidenciados três relatórios de viagens na Europa. Assumindo as décadas de 1950 e 1960 como criadoras de uma nova imagem da cidade - maior, mais povoada, mais infraestruturada – procurou-se apurar o estado da arte antes do início da atividade dos jovens profissionais e o enquadramento institucional, social e político em que se movimentavam na capital. Naturalmente que a investigação foi orientada para a compreensão da evolução dos espaços verdes públicos da cidade e, por isso, a necessidade de se tratar o planeamento urbano em curso focalizando as respostas encontradas para o problema premente da habitação. Podemos concluir que os arquitetos paisagistas estavam bem preparados e foram reveladores de elevada competência técnica para aproveitarem um momento particularmente favorável à mobilização dos seus conhecimentos e capacidades. Considera-se que, num período de tempo relativamente curto, desenvolveram trabalho intenso quer ao nível do projeto do espaço verde público quer do ordenamento paisagístico quer, ainda, da conservação dos espaços verdes. A sua produtividade está, na medida do possível, sistematizada nos anexos desta dissertação, longe de ser um levantamento exaustivo. Nos próximos capítulos, passa-se a aprofundar os traços da sua atividade selecionando-se para o efeito um conjunto de estudos de caso.
FCUP 145 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970)
146
147 3 O contributo dos arquitetos paisagistas: “Parques e Jardins”
FCUP148 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970)
FCUP 149 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Este capítulo trata da tipologia de espaço público intitulada “Parques e Jardins” estando suportado pelo levantamento realizado nos arquivos (Anexo 2). Identificaram-se seis espaços – casos de estudo - que pela sua importância na cidade, pela função, qualidade concetual, estado de conservação e dimensão foram considerados mais representativos da obra dos arquitetos paisagistas. Naturalmente que nesta seleção também pesou a qualidade e quantidade de material em arquivo possível de identificar no âmbito do trabalho de pesquisa desta dissertação. São eles: a Mata de Alvalade, o Jardim da Torre de Belém, o Jardim da Capela de São Jerónimo, a Avenida da Liberdade, o Parque do Vale do Silêncio e o Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian. Correspondem a momentos diferentes, os projetos foram elaborados nas décadas de 50 e 60 e na maior parte das vezes também construídos, são representativos do trabalho dos arquitetos paisagistas sendo alguns deles realizados em coautoria. O caso mais emblemático é a remodelação da Avenida da Liberdade de Ribeiro Telles e Caldeira Cabral 252, projeto que em ambos deixou mágoa acentuada sendo que estando já o troço poente da avenida executado de acordo com o projeto, perante a contestação gerada foi mandado desfazer e repor e esteve na base da saída de Ribeiro Telles da CML que acaba por coincidir mais ou menos com a demissão de Salvação Barreto. O Jardim da Fundação Gulbenkian – anteprojeto da autoria de Viana Barreto e Ribeiro Telles (1961) e projeto de execução da autoria de Ribeiro Telles e Viana Barreto - trata-se de um obra de um jardim privado mas de acesso público e que foi um marco da modernidade da arquitetura paisagista portuguesa - e sem dúvida uma obra que pode ser vista como um coroar de maturidade de uma profissão. 253 O Parque do Vale do Silêncio e a Mata de Alvalade correspondem a intervenções em bairros mas que se entendeu tratar neste capítulo e revelam o trabalho de Ribeiro Telles e Sousa da Câmara. O mesmo se pode dizer de dois outros espaços da década de 1950 – projetados e executados – em plena encosta da Ajuda/Restelo e Belém. Referimo-nos ao Jardim da Torre de Belém e ao Jardim da Capela de São Jerónimo, respetivamente da autoria de Viana Barreto a partir da DGSU e de Ribeiro Telles na CML. O Anexo 2 revela-nos um conjunto de 154 lugares – tipologia “Parques e Jardins” - da cidade de Lisboa sendo cada lugar acompanhado da listagem do conjunto de projetos relativos a 252 Ribeiro Telles trabalhava então na RAJ e colaborava no GEU sob orientação de Guimarães Lobato e Caldeira Cabral tinha sido convidado como consultor para colaborar no GEU. As peças desenhadas identificadas nesta pesquisa estão assinadas por Ribeiro Telles, sendo que se localizaram peças escritas da autoria de Ribeiro Telles e Caldeira Cabral. Assim, assumimos, para efeitos desta dissertação, a primazia da autoria do projeto da Avenida da Liberdade a Ribeiro Telles e Caldeira Cabral. 253 ANDRESEN, Teresa - Três Décadas de Arquitetura Paisagista em Portugal: 1940-1970. 3 O contributo dos arquitetos paisagistas: “Parques e Jardins”
FCUP150 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) esse mesmo lugar estando devidamente referenciados os projetistas e os arquivos onde se encontram peças escritas e peças desenhadas a eles pertencentes. O levantamento revelou uma intervenção muito expressiva em toda a cidade (Fig. 3.1). Já tivemos oportunidade de referir como as três tipologias não são propriamente estanques e assim no capítulo cinco, aquando se trata dos espaços verdes públicos nos bairros, vamos naturalmente encontrar diversos jardins. Entendemos assim dever ressalvar aqui nesta introdução alguns outros exemplos. De Azevedo Coutinho, o arquiteto paisagista pioneiro na CML e que executou os primeiros projetos de jardins, referimos o Jardim da Praça de Londres (Fig. 3.2) projetado em 1951 em cuja memória descritiva refere que inclui um plano de arruamentos, plano de rega, plano de plantação, bancos, lancis e iluminação.254 De Ribeiro Telles, seleccionamos o jardim da Igreja S. João de Deus e um jardim no Bairro de Santa Cruz e de Sousa da Câmara um jardim junto à Avenida Infante Santo, num talude (Figs. 3.3 a 3.5). Na pesquisa desenvolvida, deparamo-nos com um conjunto de três peças desenhadas (escala 1/100) para a remodelação da Estufa Fria no Parque Eduardo VII e datadas de 1954. Curiosamente as três peças são da autoria de Azevedo Coutinho, Ribeiro Telles e Edgar Fontes, os três arquitetos paisagistas que trabalhavam então na CML. Não se tendo localizado peças escritas que esclareçam a circunstância destas peças desenhadas, entende-se apresentá-las pois uma observação atenta clarifica as diferentes abordagens (Figs. 3.6 a 3.8). 254 COUTINHO, Azevedo - Memória descritiva e justificativa do projecto para a Praça de Londres, 1950. Fig. 3.1 - Distribuição da tipologia “Parques e Jardins” na cidade de Lisboa. Teresa Bettencourt da Camara, 2014.
FCUP 151 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Fig. 3.2 - Jardim da Praça de Londres. Plano geral. Azevedo Coutinho, 1950. Fig. 3.3 - Projeto do jardim da Igreja S. João de Deus. Plano Geral. Ribeiro Telles, 1953. Fig. 3.5 - Ajardinamento do Terreno situado entre a Calçada das Necessidades, Av. Infante Santo e Travessa do Possolo. Plano Geral. Sousa da Câmara, 1962. Fig. 3.4 - Projeto dos Espaços Verdes Públicos do Bairro de Santa Cruz (Benfica). Plano geral. Ribeiro Telles, 1958.
FCUP152 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Fig. 3.6 - Estufa Fria. Ante-projeto de Remodelação (Zona Nascente). Azevedo Coutinho, 1954. Fig. 3.7 - Estufa Fria. Ante-projeto de Remodelação (Zona Nascente). Edgar Fontes, 1954. Fig. 3.8 - Estufa Fria. Ante-projeto de Remodelação (Zona Nascente). Ribeiro Telles, 1954.
FCUP 153 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) A Mata de Alvalade, situada nas antigas quintas da Charca e do Narigão,255 hoje denominada de Parque José Gomes Ferreira, constitui parte integrante da Célula 6 do Bairro de Alvalade, no âmbito do Plano de Urbanização da Zona a Sul da Av. Alferes Malheiro da autoria Faria da Costa.256 Coube a Ribeiro Telles a tarefa de projetar este espaço verde, o qual inicialmente era designado apenas pela situação geográfica que ocupava na cidade como: “Triângulo compreendido entre o Bairro de Alvalade, a Avenida do Brasil e a Avenida do Aeroporto.” O primeiro anteprojeto data de 1950, estando assim Ribeiro Telles recém-chegado à RAJ. O projeto foi finalizado em março de 1951 e autorizada a realização da sua primeira fase pelo Presidente da CML, Salvação Barreto, a 13 de agosto desse mesmo ano. 257 Ribeiro Telles desenvolveu um plano de plantação para a Mata e para o enquadramento do centro desportivo (Fig. 3.1.1). 258 Na memória descritiva, Ribeiro Telles assinala pormenorizadamente cada uma das opções projetuais. Em primeiro lugar começa por esclarecer que o projeto tem por base o plano de Faria da Costa, no qual está previsto um centro desportivo composto por campos de futebol, basquetebol, voleibol, ténis, um recinto de patinagem e uma piscina. Na memória descritiva descreve o tipo de vegetação aplicado e o porquê da sua localização: vegetação clímace no geral, à exceção do enquadramento dos diferentes recintos desportivos: “Pretendeu-se com a distribuição geral da vegetação projetada dar à área em estudo um ambiente natural e simples que se enriqueça com perspetivas próprias.” 259 As vistas do lugar merecem prioridade nas opções projetuais e são desde logo identificados três pontos de vista: um miradouro, a parte sul do recinto reservado à piscina e o extremo nascente da praceta de acesso, locais que trabalhou com especial detalhe: “ (…) terão razão de ser não só nos horizontes relativamente vastos que daí se desfrutam mas também e principalmente, nas perspetivas que oferecerá o próprio arranjo paisagístico desta zona verde.” 260 A vegetação foi organizada em quatro grupos principais: A - Pinhal manso, B - Dominância de folhosas perenifólias, C - Dominância de folhosas caducifólias e D - Dominância de folhosas perenifólias de porte sub-arbóreo, 255 AAVV - Guia dos Parques, Jardins e Geomonumentos de Lisboa. 256 COSTA, João Pedro - Bairro de Alvalade. 257 LISBOA. Câmara Municipal. Direção dos Serviços Técnicos Especiais. Informação do Chefe de Repartição, 195108-06. 258 TELLES, Ribeiro - Memória descritiva. Arborização do triângulo compreendido entre o Bairro de Alvalade, a Avenida do Brasil e a Avenida do Aeroporto. 259 Ibidem. 260 Ibidem. 3.1 A Mata de Alvalade
FCUP256 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) A Avenida Calouste Gulbenkian prolongando-se pela Avenida de Ceuta, liga a Praça de Espanha à Auto-estrada A5 e à Ponte 25 de Abril. Contornando uma encosta, constitui um importante eixo viário de acesso a Lisboa (Fig. 4.5.1 e 4.5.2). O ajardinamento desta avenida foi projetada por Sousa da Câmara, em 1967, sendo as peças desenhadas encontradas nesta pesquisa relativas ao troço Praça de Espanha - Rua de Campolide. No plano geral deste troço, foram delimitadas três zonas: a cumeada revestida por mata, a encosta por orla arbustiva, herbáceas vivazes e relvado e finalmente, separada por passeio, uma faixa marginal ajardinada. Do lado oposto da avenida, foram projetadas duas faixas marginais que enquadravam um caminho pedonal intermédio, paralelo á avenida (Fig. 4.5.3 e 4.5.4). Nesta mesma peça desenhada encontramos também um “perfil tipo”, no qual Sousa da Câmara pormenorizou a localização destas zonas, bem como o estrato e tipo de vegetação a utilizar. Este desenho representa um talude de escavação a nascente da avenida, bem como a própria avenida. No topo do talude foi colocada a mata, com predominância de pinheiro manso (Pinus pinea) e carvalho cerquinho (Quercus faginea), a que se seguiu no talude uma zona de orla arbustiva adjacente prolongada por outra zona com herbáceas vivazes. O talude é rematado por uma faixa de relvado paralela ao passeio pedonal que a separa de uma faixa marginal ajardinada, com árvores como a olaia (Cercis siliquastrum), a ameixeira-de-flor (Prunus cerasifera), o freixo (Fraxinus angustifolia) o ulmeiro (Ulmus glabra) e árvores do género Aesculus sp.. Como arbustos isolados selecionou espécies rústicas, algumas até espontâneas, bem adaptadas ao clima de Lisboa e pouco exigentes em rega e amanhos do solo, tais como as alfazemas (Lavandula spp.), o alecrim (Rosmarinus officinalis), a piracanta (Pyracanta angustifolia), o mato-branco (Teucrium fruticans) entre outros, mas também algumas plantas ornamentais como o hibiscos (Hibiscus rosa sinensis), a deutzia (Deutzia gracilis) e a veigela (Weigelia floribunda). Relativamente às plantas de revestimento, incluindo arbustos e herbáceas, existe uma grande maioria de plantas adaptadas às condições climáticas de Lisboa (Fig. 4.5.5). Quanto às espécies herbáceas verificouse um favorecimento das perenes em relação às anuais. As plantas, encontram-se dispostas no talude e faixas marginais de uma forma informal. Para a manutenção deste elenco florístico, onde predominavam não só plantas de elevada rusticidade como também algumas plantas exóticas, mais exigentes em recursos hídricos, faz parte deste plano geral a indicação de uma rede de rega. Verificamos neste projeto uma escolha criteriosa na vegetação sendo valorizadas a rusticidade das plantas e o seu valor ornamental. São projetados grandes maciços compactos de vegetação, sendo privilegiado o conforto do peão, num percurso longo e confortável (Figs. 4.4.6 e 4.5.7). Há a salientar a inovação para a época, que o sistema de rega representou. 4.5 A Avenida Calouste Gulbenkian
FCUP 257 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Fig. 4.5.2 - Avenida Calouste Gulbenkian. 2013.Fig. 4.5.1 - Terraplanagens para a construção da Avenida Calouste Gulbenkian,1967. Fig. 4.5.3 -. Projeto de ajardinamento da Avenida Gulbenkian. Plano Geral. Sousa da Câmara, 1967. Fig. 4.5.4 -.Ampliação de pormenor do Projeto de ajardinamento da Avenida Gulbenkian. Plano Geral, Sousa da Câmara, 1967.
FCUP258 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Fig. 4.5.5 -.Projeto de ajardinamento da Avenida Gulbenkian. Plano de plantação, Sousa da Câmara, 1967. Fig. 4.5.7 – Caminho pedonal, separado do trânsito automóvel por sebe, 2013. Fig. 4.5.6 - Perfil da encosta, 2013.
FCUP 259 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Os novos tempos, nos anos 50, trouxeram à cidade de Lisboa um aumento significativo de população o que implicou uma expansão da cidade para zonas novas e, consequentemente, o traçado de uma nova rede viária que tinha de responder ao crescente incremento do trânsito automóvel. O perfil transversal das artérias principais necessitou de ser revisto, para satisfazer as crescentes necessidades de acesso, circulação e estacionamento. Esta transformação da cidade foi suportada pelo “Plano de Obras e Melhoramentos”, então em curso. 487 Muitas vezes este processo foi dificultado por falta de espaço, já que era necessário satisfazer necessidades tão díspares como o serviço local, a circulação dos peões, a circulação automóvel, os estacionamentos e as paragens dos transportes públicos. Caldeira Cabral, a respeito da Avenida da Liberdade introduziu a questão da função purificadora do ar, desempenhada pela vegetação, e salientou a importância ecológica para a cidade da arborização dos arruamentos, muito para além da componente meramente estética. Segundo inovadoras práticas de urbanismo, cada arruamento devia conciliar todas estas funções, mas mantendo se possível uma independência entre as mesmas. Neste âmbito, Guimarães Lobato afirmou: “ (…) Os peões deverão circular desembaraçados do trânsito, resguardados da circulação dos automóveis e isolados, quanto possível, do restante bulício das ruas. Aspetos importantes a considerar, quanto maior o volume do respetivo tráfego.” 488 Os arquitetos paisagistas na CML vieram dar forma a estas orientações de forma não só qualificada como inovadora, apresentando soluções diversificadas e ajustadas às características de cada arruamento ao encontro dos princípios do urbanismo de então. Constou-se a partir de documentos fotográficos, que a grande maioria dos arruamentos e placas de circulação de trânsito existentes anteriormente a 1949, data da entrada de Azevedo Coutinho para a DSTE-RAJ, possuíam essencialmente alinhamentos de árvores plantadas em caldeiras, salvo raras exceções como as Avenidas 24 de Julho e da Liberdade onde estas coexistiam a par com placas ajardinadas. Nas memórias descritivas dos projetos de arborização dos arruamentos verificámos sempre um grande empenho em que as árvores fossem plantadas em faixas ajardinadas, em detrimento do tradicional sistema das caldeiras, permanecendo estas apenas quando não existia espaço para a constituição das referidas faixas, como sucedeu na Avenida João XXI. 487 LISBOA. Câmara Municipal. Gabinete de Estudos de Urbanização – Informação do Diretor, 1955-03-10. 488 Ibidem. 4.6 Conclusão
FCUP260 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Assim, estes projetos apresentavam uma nova abordagem tendo dado especial atenção ao uso de tecnologias, modernas na época como a rega por aspersão, que com economia de recursos hídricos, possibilitou o uso de espécies exóticas.
FCUP 261 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970)
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263 5 O contributo dos arquitetos paisagistas: “Bairros”
FCUP264 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970)
FCUP 265 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) 5 O contributo dos arquitetos paisagistas: “Bairros” A tipologia designada por “Bairros” é porventura a mais complexa. Refere-se concretamente ao espaço verde público nos bairros e inclui desde espaços de enquadramento, jardins e grupos escolares. No Anexo 4 encontramos listados trinta e quatro lugares sendo que a cada lugar estão associados vários projetos de Arquitetura Paisagista. A Figura 5.1 apresenta a respetiva distribuição dos lugares na malha urbana. A pesquisa de peças de projeto está longe de estar concluída pois que, nomeadamente, implica um trabalho nos arquivos do ex-GTH o que só muito sumariamente se concretizou, conforme inicialmente referido. As peças desenhadas, de um modo geral, podem ser identificadas como elementos de trabalho e não propriamente projetos acabados enquanto as peças escritas são praticamente inexistentes. No entanto, os elementos que se puderam recolher são prova mais do que suficiente da intensidade do trabalho realizado e são também reveladores da evolução das condicionantes e da necessária inovação ao nível concetual que começa a manifestar uma atenta preocupação à manutenção de espaços verdes ‘generosos’ em área implicando a necessidade de mecanização de Fig. 5.1 - Distribuição da tipologia “Bairros” na cidade de Lisboa. Teresa Bettencourt da Camara, 2014.
FCUP272 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) o freixo (Fraxinus angustifolia), a grevílea (Grevillea robusta) e a casuarina (Casuarina equisetifolia), arbustos como o viburno (Viburnum tinus), o pitósporo (Pittosporum tobira), o cotoneaster (Cotoneaster pannosus) e o ligustro (Ligustrum japonicum), e uma mistura de plantas herbáceas vivazes (Fig. 5.1.3). 499 Preocupando-se com o aspeto funcional do lugar, propõe um caminho que, atravessando o caminho na diagonal, promove a ligação entre os caminhos com maior utilização por parte dos peões (Fig. 5.1.4). 500 No ano seguinte, Ribeiro Telles projetou três pequenos jardins num dos acessos principais ao interior do Bairro o jardim das escadas de acesso, as placas centrais da Rua da Quinta da Fonte e o jardim da Praça das Casas Novas. Na nota justificativa deste projeto, Ribeiro Telles refere a intenção de “ (…) obter um arranjo muito rústico, de conservação fácil e económica e de harmonia com o ambiente do local.” 501 Sobre a Praça das Casas Novas em concreto, Ribeiro Telles acrescenta: “ (…) preveem-se dois amplos terreiros centrais com cotas diferentes que se amoldam o mais possível à atual topografia do local. Esses dois terreiros comunicam entre si por uma ampla escadaria com três lances de degraus. Toda a periferia dos terreiros é ocupada por uma cintura de vegetação com maior ou menor largura onde se situam vários bancos. Caminhos de acesso aos dois terreiros com os necessários degraus, permitem o atravessamento da praça pelos peões sem provocarem grandes rodeios.” 502 Reforça ainda a opção pela vegetação clímace, sendo a cor conferida pelo uso de grupos de arbustos de flor e de herbáceas vivazes. Esta praça desapareceu mais tarde dando lugar ao mercado municipal Sul. 499 Ibidem. 500 Ibidem. 501 TELLES, Ribeiro - Nota justificativa. Projeto de ajardinamento da Praça das Casas Novas e da Rua da Quinta da Fonte no Bairro da Encarnação. 502 Ibidem. Fig. 5.1.4 - Jardim da Rua 27, no Bairro da Encarnação, 2014. Fig. 5.1.3 - Projeto de construção de um ajardinado para o Bairro da Encarnação, junto à rua nº 27. Ribeiro Telles, 1952.
FCUP 273 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Fig. 5.1.5 - Projeto de construção dos ajardinados da Alameda do Bairro da Encarnação. Ribeiro Telles, 1953. Fig. 5.1.6 - Alameda da Encarnação e Igreja de Santo Eugénio, 1951. Fig. 5.1.7 - Trecho terminal NE. da Alameda da Encarnação. Ao fundo a fachada principal da Igreja da Encarnação, 2004. Fig. 5.1.8 - Alameda da Encarnação, 1964.
FCUP274 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Em 1955, projetou os jardins de uma grande alameda de posição central, ao longo do eixo de simetria do bairro, que culmina na fachada principal da Igreja de Santo Eugénio (Figs. 5.1.5 a 5.1.7). Esta avenida apresenta sensivelmente a meio do seu comprimento uma área plana de cota superior correspondente ao seu trecho central, a partir deste, desce quer para Sudoeste quer para noroeste, em direção à fachada principal da Igreja de Santo Eugénio. O jardim ocupa toda uma placa central cujo comprimento é interrompido por quatro ruas transversais a esta placa, subdividindo-a em cinco segmentos. Embora de início o espaço de jardim desta alameda fosse separada da rede viária envolvente por uma sebe aparada (Fig. 5.1.8), hoje ela já não existe. Do projeto original foi mantido um caminho pedonal longitudinal, de cada lado da alameda. Estes caminhos encontram-se separados das ruas envolventes por um canteiro arborizado e do interior da alameda por algumas árvores plantadas ao longo dos seus alinhamentos, sendo estas árvores, na sua maioria plátanos, que já atingiram um porte elevado. O topo SO da alameda é marcado por uma zona pavimentada, onde se encontra um elemento escultórico de grandes dimensões. Ribeiro Telles realizou ainda, em 1956, o “Projeto de arborização da Quinta de Santa Maria”, com o objetivo de criar uma zona de logradouro para os moradores das imediações. Para o topo desta avenida, na Praça Norte, projetou um logradouro de grandes dimensões, protegido do vento norte por vegetação (Fig. 5.1.9). 503 Edgar Fontes iniciou entretanto a sua colaboração no Bairro da Encarnação. Em 1955, projetou os jardins do Grupo Escolar do Bairro da Encarnação, hoje Escola Básica Paulino Montez, onde, tal como Ribeiro Telles, optou pela plantação de vegetação clímace, bem adaptada às condições locais e por consequência de fácil manutenção, implicando assim uma redução nos custos da mesma. Seguiu este mesmo princípio em todos os projetos que realizou neste bairro. Como tal utilizou arbustos como o folhado (Viburnum tinus), a lantana (Lantana camara), o loureiro (Laurus nobilis), o medronheiro (Arbutus unedo), o incenso (Pittosporum undulatum) a piracanta (Pyracantha angustifolia e Pyracantha coccinea) e a verónica (Veronica spp), entre outras. Este bairro é envolvido por duas cinturas, uma situada a Sul e outra a Poente, funcionando com espaços tampão entre o bairro e rede viária, de trânsito intenso que o delimita. Os projetos destas duas cinturas diferem formal e funcionalmente. A Cintura Sul foi projetada em 1955, também por Edgar Fontes. O seu projeto foi autorizado pela presidência da CML, e a sua construção por administração direta autorizada a 23 de maio de 1955. 504 Numa atitude de valorização das pré-existências construídas no local, este arquiteto solicitava a 2 de junho desse mesmo ano, o restauro 503 TELLES, Ribeiro - Nota justificativa. Arborização da Rua da Quinta de Santa Maria - Encarnação. 504 FONTES, Edgar - Enquadramento Paisagístico da Cintura Exterior do Bairro da Encarnação (1ª fase)-Zona Sul.
FCUP 275 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Fig. 5.1.9 - Projeto de Arborização da Rua da Quinta de Santa Maria. Encarnação. Ribeiro Telles, 1956. dos muros de suporte e da nora aí existentes. Na memória descritiva deste projeto justifica: “Com o presente projeto procura-se conservar dentro da área urbana, um espaço verde com caraterísticas hortícolas valorizando (sic) paisagisticamente pela plantação dos taludes que o circundam enquadrando-o convenientemente. Dentro deste critério, toda a área central não sofrerá modificações a não ser aquelas que a estética aconselha. Assim, propõe-se o restauro dos tradicionais muros que ladeiam o regato, bem como as reparações necessárias na nora existente para que ela possa desempenhar cabalmente o seu fim. Isto quanto à área maior. As outras, mais pequenas, seriam totalmente ocupadas pela plantação.” 505 Termina esta memória descritiva recomendando mais uma vez o uso de espécies pertencentes à flora clímace (Fig. 5.1.10). A Cintura Poente foi projetada em 1958. Edgar Fontes na memória descritiva enuncia como intenções, não só o enquadramento do bairro e o isolamento do trânsito exterior ao mesmo, como a criação de logradouros comuns destinados aos moradores: “Uma rede de caminhos permitirão percorrer a mata, sendo criados de quando em quando locais e estadia (...) Uma enorme clareira dará origem a criação de um local infantil onde deverão ser colocados elementos de recreio tipo fixo e de reduzida conservação.” 506 (Fig. 5.1.11). Esta atitude ao nível do planeamento e do projeto manifesta a aplicação da noção da necessidade de contacto com o ar livre e a natureza por parte da população, particularmente pelas crianças. Esta clareira veio mais tarde, em 1962, a ser alvo de um projeto por parte de Edgar Fontes e Sousa da Câmara, onde estas noções são aplicadas muito concretamente. O projeto prevê uma separação do espaço e uma ocupação diferencial em função da idade, numa sucessão de pequenos locais de estadia para os mais velhos e uma grande clareira 505 FONTES, Edgar - Nota justificativa. Projeto de Enquadramento Paisagístico da Cintura Exterior do Bairro da Encarnação. 506 Ibidem.
FCUP276 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) para o recreio infantil. Nesta clareira efetuou-se um zonamento para crianças consoante o seu desenvolvimento: idade pré-escolar até aos 7 anos, e idade escolar, com jogos de proeza entre os 7 e os 10 anos, e jogos organizados, entre os 7 e os 15 anos de idade. Uma vez definidas estas zonas, deu-se prioridade à seleção da vegetação a plantar utilizando como base fitossociológica a composição dos povoamentos de folha perene o “Quercetum fagetae”, e nos povoamentos de folha caduca o “Populatie alba” (Fig. 5.1.12). Relativamente ao recreio infantil, a memória descritiva deixa-nos compreender a sua perspetiva: “Os terreiros de jogos destinados às crianças devem ser soalheiros, mas devem também proporcionar manchas de sombra onde as crianças e as pessoas que as acompanham se possam abrigar se o desejarem. Estas zonas de sombra foram utilizadas como elementos de separação entre os vários espaços de recreio. Esta solução permite a existência de uma zona tratada com certo cuidado – um relvado – destinada aos mais pequenos, onde nos dias quentes de verão, estes poderão brincar e chapinhar na área abrangida pelos aspersores aí instalados. Esta solução tem duas vantagens: proporcionar às crianças a oportunidade de beneficiar do prazer do banho, sem os inconvenientes que Fig. 5.1.10 - Enquadramento paisagístico da cintura exterior do bairro da encarnação. (1ª fase). Edgar Fontes, 1955. Fig. 5.1.11 - Enquadramento Paisagístico da Cintura Exterior do Bairro da Encarnação. 2ª fase. Arranjo da Mata Poente. Edgar Fontes, 1958.
FCUP 277 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Fig. 5.1.12 - Parque de recreio para crianças na mata poente do Bairro da Encarnação. S.a, s.d. Fig. 5.1.13 - Parque de recreio para crianças na mata poente do Bairro da Encarnação. Plano Geral. s.a, 1962. Fig. 5.1.14 - Recinto de recreio infantil. Bairro da Encarnação. (Clube atlético e recreativo da Encarnação). Plano geral. Sousa da Câmara, 1963.
FCUP278 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) uma piscina possui quanto à vigilância e ao equipamento indispensável de desinfeção e tratamento da água, e em segundo lugar, esta zona funciona como uma nascente do regato que existia anteriormente e que os trabalhos de aterro fizeram desaparecer.” 507 Finalmente sugere a construção de uma esplanada dominando o espaço de recreio, sanitários, um pequeno vestiário com dois chuveiros (para as crianças mais velhas) e uma dependência para o pessoal encarregado da vigilância (Fig. 5.1.13). 508 No ano seguinte, Sousa da Câmara projetou outro espaço para o recreio infantil, desta vez junto ao Clube Atlético e Recreativo da Encarnação (Fig. 5.1.14). 507 S. a. - Memória descritiva. 508 S. a. - Memória descritiva.
FCUP 279 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Conforme já foi referido no capítulo 2, o primeiro conjunto de edifícios multifamiliares de renda económica foi inaugurado em Agosto de 1948. Cerca de dois anos após esta inauguração, os arquitetos paisagistas recém-chegados à CML, Azevedo Coutinho e Ribeiro Telles, eram chamados a colaborar nos projetos de jardins e arborização das ruas do Bairro de Alvalade. Todos os projetos de especialidade de infraestruturas urbanas e de desenho do espaço público, conforme também já referido, incluindo os relativos aos espaços verdes, estavam incluídos nos chamados “Estudos de Pormenor”, desenvolvidos pelas respetivas divisões de serviços da CML. Os “Estudos de Pormenor” relativos aos espaços verdes, designados como estudos de especialidade no desenho urbano, eram elaborados na DSTE. Azevedo Coutinho foi chamado a intervir no Bairro de Alvalade em 1950. Realizou o enquadramento paisagístico da Avenida da Igreja. Selecionou as espécies arbóreas tendo em conta o diâmetro de copa e de acordo com a função a desempenhar, sendo de folha caduca, com vista à obtenção de sombra no verão e sol no inverno. No troço compreendido entre a Igreja de São João de Brito e a Avenida de Roma, zona de caráter marcadamente comercial, as árvores foram plantadas em caldeira com vista à libertação do espaço para a circulação dos transeuntes, ficando estas distanciadas 6,5 metros das fachadas dos edifícios. Para o efeito foram escolhidos plátanos (Platanus orientalis). No troço a poente da Avenida de Roma, a Avenida da Igreja atravessa uma zona quase exclusivamente residencial. Aqui as árvores foram plantadas ao longo faixas ajardinadas sendo estas distanciadas 2 metros das fachadas com a função não só ensombrar as casas durante os meses mais quentes, como de conferir alguma privacidade aos andares térreos das mesmas (Fig. 5.2.1). A árvore escolhida foi choupo branco (Populus alba), pois a sua copa possui um diâmetro inferior à do plátano. Os remates destes eixos estruturantes, bem como os cruzamentos entre si, foram alvo de um tratamento paisagístico especial, refira-se o jardim do Largo Frei Heitor Pinto, no topo nascente da Avenida da Igreja, projetado por Azevedo Coutinho em 1951 (Fig. 5.2.2), a remodelação da placa da Rotunda do Aeroporto em 1953 onde Ribeiro Telles procurou “ (…) valorizar com as massas arbóreas as perspectivas finais das avenidas e estradas que desembocam na Rotunda” 509 e os pequenos jardins também por ele projetados, um em 1953 no cruzamento da Avenida do Brasil com a Avenida de Roma (Fig. 5.2.3) e outro, em 1956, no cruzamento das Avenidas Rio de Janeiro e Avenida do Brasil. 509 TELLES, Ribeiro - Projeto de Remodelação da Placa da Rotunda do Aeroporto. 5.2 Os espaços verdes do Bairro de Alvalade
FCUP280 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Como já foi referido, a escola primária constituiu o ponto fulcral em torno do qual se desenvolveu o desenho de cada célula do plano de urbanização do Bairro de Alvalade, sendo este facto comum a cada uma das 8 células constituintes do mesmo. 510 Para cada equipamento escolar convergem uma série de caminhos pedonais que, atravessando logradouros tornavam mais curtos os percursos de acesso às mesmas. Uma área muito significativa de cada recinto escolar é ocupada por jardim, e neste âmbito, os arquitetos paisagistas foram chamados a projetar estes espaços. Azevedo Coutinho realizou os projetos dos jardins dos Centros Escolares das Células 1 e 2, em 1950 (Figs. 5.2.4 e 5.2.5). Em 1954, Edgar Fontes realizou o projeto dos jardins 510 LOBATO, Luís Guimarães - A Experiência de Alvalade. Técnica [separata]. Fig. 5.2.2 - Largo Frei Heitor Pinto e Avenida da Igreja, 1974. Fig. 5.2.1 - Avenida da Igreja, entre a Avenida de Roma e o Campo Grande, década de 50. Fig. 5.2.3 - Projeto do ajardinado do cruzamento da Av. do Brasil com a Av de Roma. Ribeiro Telles, 1954.
FCUP 281 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Fig. 5.2.5 - Jardim envolvente da Escola Básica Fernando Pessoa, 2014. Fig. 5.2.4 - Jardins da Escola Básica de Santo António, 2014. Fig. 5.2.6 - Projeto do Ajardinamento do Centro Escolar da célula 7. Plano geral. Edgar Fontes, 1954. Fig. 5.2.8 - Escola primária nº 24, Bairro de São Miguel, 1961. Fig. 5.2.7 - Escola primária nº 24, Bairro de São Miguel. Visita do Prefeito da Baía, 1957.
FCUP288 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) dominantes da formação clímace de Lisboa ou afins, destacando apenas alguns elementos de espécies exóticas, atendendo sempre à rusticidade das diferentes espécies. Prevendo uma obtenção de diferentes aspetos consoante as estações do ano, e com o objetivo de dar cor ao jardim escolheu grupos de arbustos e vivazes plantadas em “mixed-borders” (Figs. 5.2.23 e 5.2.24). Os jardins públicos, de caráter vivencial, ligados às atividades de lazer, em Alvalade muitas vezes associados aos Centros Escolares e às respetivas Células ou na sua proximidade e por vezes a parques infantis, funcionavam como importante ponto de reunião e de lazer da comunidade local. Para Ribeiro Telles esses jardins revelavam-se no entanto insuficientes, afirmando: “A zona da Cidade já edificada não possui espaços verdes de dimensões suficientes para a sua população. As pequenas pracetas e recantos ajardinados, se bem que úteis, não resolvem os problemas de ordem recreativa e social que competem ao jardim urbano. Para um pouco mais de intimidade e vida ao ar livre a população de Alvalade e do Areeiro tem que se deslocar ou para o Campo Grande ou para a Mata de Alvalade.” E, lança o repto: “Torna-se portanto necessário que os poucos espaços livres, com certas dimensões, e ainda existentes, sejam sempre que possível destinados a jardins e que estes, no seu traçado, e conceção não se divorciem das necessidades da vida atual.” 519 A agitada vida moderna trazia consigo um acréscimo de uma necessidade frequente de contacto com a natureza, em jardins de fácil acesso, como elemento retemperante essencial para uma vida saudável. Os grandes jardins, nomeadamente a Mata de Alvalade no extremo nascente (ver Cap. 3.1), e fora do plano mas adjacente ao mesmo, o Campo Grande, no extremo oposto, funcionavam como áreas destinadas à prática do desporto ou outro tipo de recreio ativo, ou ainda também qualquer outra atividade de ar livre exigente em espaço. Recorde -se que no “Plano de Urbanização da Zona a Sul da Avenida Alferes Malheiro”, Faria da Costa propôs que todos espaços de logradouro fossem totalmente divididos em parcelas correspondentes a cada prédio. Quando em 1947 as casas de renda económica foram construídas esse critério foi modificado por se entender que seria vantajoso o seu uso poder ser comum aos vários moradores dos prédios delimitantes desses logradouros, proporcionando as infraestruturas necessárias para o efeito. Um novo critério dos edifícios dispostos perpendicularmente ao eixo da via foi seguido no conjunto habitacional junto à Avenida do Aeroporto, na Célula 8, delimitando três logradouros de uso público (Largos Cristóvão Aires, Fernandes Costa e Rodrigues Cordeiro). Desta vez o projeto de arquitetura paisagista foi iniciado em 1952. Acerca deste projeto Ribeiro Telles afirma: “ (…) Atendeu-se, na elaboração deste projeto, às três condições: 1ª Ao caráter quase semi-privado das ruas, fechadas num dos 519 Ibidem.
FCUP 289 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Fig. 5.2.22 - Projeto de Enquadramento da Igreja de São João de Brito. Plano geral. Ribeiro Telles, 1958. Fig. 5.2.24 - Jardim junto à igreja de São João de Brito, 1960. Fig. 5.2.23Jardim junto à Igreja de São João de Brito, 1959. topos e sem trânsito de veículos; 2ª À orientação sensivelmente nascente-poente das mesmas ruas; 3ª À proximidade entre ajardinados e habitações. Pretende-se portanto que estes ajardinados sirvam como pequenos logradouros dos habitantes da rua, não ensombrando demasiadamente os prédios e enriquecendo o aspeto das mesmas, Em cada uma das placas prevê-se sensivelmente a meio um pequeno arruamento de passagem com um recanto para dois bancos. As espécies arbóreas de maior porte são na sua quase totalidade de folhagem caduca não ensombrando assim os prédios durante os meses de inverno. Árvores de mais pequeno porte enquadram e ocultam o topo fechado das ruas. A nota de cor é dada por arbustos de flor e folhagem e o enquadramento dos bancos realiza-se com uma sebe livre de ligustrum. Os bancos de cada ajardinado são perpendiculares ao eixo deste, desfrutando duma pequena perspetiva de arbustos e árvores.” 520 (Fig. 5.2.25). Através da leitura deste documento 520 TELLES, Ribeiro - Projeto de ajardinados para as ruas nºs 56, 57 e 58 do Bairro de Alvalade.
FCUP290 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) podemos constatar o pormenor com que o projeto foi desenvolvido dando especial importância ao conforto dos utentes, pretendendo-se que o prolongamento da casa fosse uma sala de estar ao ar livre. Em 1948, Faria da Costa voltou a inovar na urbanização da Avenida D. Rodrigo da Cunha, não só colocando os edifícios projetados pelo arquiteto Joaquim Ferreira (1911-1966), perpendicularmente ao eixo desta Avenida como unindo os espaços de logradouro num único espaço de uso público. Foi criada como que uma sequência de jardins projetados em 1953 por Ribeiro Telles, frente a frente, em cada um dos lados desta via, interrompidos entre si pelos edifícios e pela avenida em si, num sábio aproveitamento do declive do terreno (Figs. 5.2.26). Projetado entre 1949 e 1953, iniciou-se a construção de um conjunto habitacional vulgarmente designado como” Bairro das Estacas”, que se arrastaria até 1955, 521 da autoria dos arquitetos Sebastião Formozinho Sanchez (1922-2004) e Ruy Jervis d’Authouguia (1917-2006), realizado por iniciativa da CML. Este projeto, em alternativa aos quarteirões previstos, consistiu na implantação de quatro blocos perpendiculares aos principais eixos viários, assentes sobre modernos pilotis (Fig. 5.2.27). Um bloco recuado e separado por rua, dispõe-se perpendicularmente aos outros, com comércio no piso térreo. Construído segundo os princípios da Carta de Atenas, foi o primeiro a desenvolver assumidamente os princípios da cidade moderna, em Lisboa, revelando também a influência da arquitetura brasileira da época expressa nas grilhagens das fachadas, 522 tendo sido premiado em 1953 com uma Menção Honrosa na II Bienal de S. Paulo e Prémio Municipal de Arquitetura em 1954. Segundo o próprio Formozinho Sanchez, a sua ideia era “fazer um jardim e colocar os prédios em cima do jardim”. 523 O projeto dos logradouros deste conjunto habitacional foi realizado por Ribeiro Telles (Fig. 5.2.28). Na memória descritiva do projeto, identifica como objetivos a atingir: “1º. Proteção eficaz dos ventos; 2º. Enquadramento vegetal de harmonia com o tipo e exposição dos blocos habitacionais; 3º. Criação de pequenos recintos para recreio das crianças e descanso dos habitantes dos blocos; 4º. Traçado dos ajardinamentos e distribuição das espécies de forma a obter aspetos que ajudam à indispensável ligação dos habitantes da cidade com a natureza” e em seguida esclarece cada um destes pontos: Como se pode observar o projeto foi desenhado em função do lugar, considerando antes de outros fatores, a orientação solar e a topografia do mesmo, tendo sido as árvores cuja função é a proteção dos ventos dominantes escolhidas em função do seu tipo de folhagem, devendo ser caducifólias, colocadas em sítios estratégicos para não privarem 521 MOURA, Eduardo Souto - Bairro da Estacas, Ruy d’Athouguia e Sebastião Formozinho Sanchez. 522 DUARTE, Carlos Santos - Entre arquitetos e urbanistas, de Alvalade a Chelas, construir (Habitação) com a arte do povo.” 523 ALMEIDA, Patrícia Bento - Bairro das Estacas, p. 262.
FCUP 291 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Fig. 5.2.26 - Logradouros da Avenida Dom Rodrigo da Cunha, 2014. Fig. 5.2.28 - Projeto de ajardinamento da zona comercial da célula 8 (Alvalade). Plano Geral. Localização dos bancos de modelo 17C. Ribeiro Telles, 1953. Fig. 5.2.25 - Bairro de Alvalade. Célula 8, 2014. Fig. 5.2.27 - Bairro de São João de Deus, também conhecido por “Bairro das Estacas”. Prémio Municipal de Arquitetura de 1954, 1958. do sol os blocos habitacionais. Nesse mesmo sentido foram selecionadas espécies cuja copa permite a passagem da luz, não estando os elementos arbóreos agrupados. Ribeiro Telles pretendeu simultaneamente compensar a horizontalidade dos blocos com elementos verticais, utilizando por exemplo os ciprestes, tendo sido estes elementos valorizados pelas suas qualidades individuais, quer enquanto entidades botânicas quer esculturais. Isolados das vias de trânsito principais, previram-se zonas de estadia e caminhos longos e confortáveis acompanhados de bancos, num desenho informal (Fig. 5.2.29). Foram criados locais exclusivamente destinados ao recreio das crianças (Fig. 5.2.30) e locais para o descanso dos demais residentes no bairro, tendo-se verificado uma separação dos usos consoante a classe etária. Por fim foi valorizado o contacto dos moradores com a natureza, escolhendo espécies vegetais que pela sua sazonalidade dada quer pela floração quer pela queda das folhas, refletissem elas próprias a sucessão das estações do ano. Manifestou ainda uma preocupação de índole ecológica ao escolher espécies tradicionais da região de Lisboa acompanhadas por outras das respetiva associação. O facto dos edifícios deste
FCUP292 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) serem elevados possibilitou a criação propositada de uma extensa zona aparentemente contínua de jardins (Fig. 5.2.31). 524 Ainda em meados dos anos 50, a CML encomendou a alguns ateliers, projetos habitacionais, para Alvalade também estes implantados perpendicularmente às vias principais e assentes sobre pilotis, cujo aumento das volumetrias gerou logradouros públicos mais vastos. Um destes casos são os edifícios da Avenida dos Estados Unidos da América. 525 Ribeiro Telles, em 1957, procedeu à realização do ante-projecto dos logradouros destes edifícios (Fig. 5.2.32). Na memória descritiva apresenta como finalidade “(…) marcar uma conceção e de certo modo, também prever a orientação a seguir nos movimentos de terra necessários.” 526 Este documento é de extrema importância já que estabelece as premissas seguidas no projeto desta longa sequência de logradouros, que Ribeiro Telles idealizou “ (…) com características diferentes, quer no seu aspeto que na sua função. Refere a especial atenção dada à necessidade de jardins “Robinson” e infantis, e também de zonas de estadia e esplanadas “com motivos de interesse próprios”. A distribuição das árvores teve em conta a proteção dos ventos dominantes do quadrante Norte e o enquadramento quer dos edifícios quer ainda dos ambientes, criando variedade. Acrescenta ainda: “Cada logradouro deverá surgir perfeitamente diferenciado dos restantes sem contudo deixar de estar integrado no conjunto. Procurou-se que os diferentes arranjos se moldassem o mais possível à topografia do terreno e julga dever-se tirar o maior partido desta. Os maciços vegetais arbustivos e de herbáceas vivazes deverão limitar as clareiras relvadas de jogos ou enquadrar as estadias e esplanadas. As árvores em pequenos grupos procurarão, dando escala a todo o arranjo, criar diferentes ambientes de sombra e luz. A nota de cor será principalmente dada pelos “mixed-borders”arbustivos e vivazes. Alguns tanques deverão ser motivo de interesse, bem como repuxos surgindo do próprio pavimento ligeiramente côncavo nesse local. Por vezes a vegetação criará, áreas mais luxuriantes que terão como único motivo a contemplação das plantas.” 527 Além de escolher principalmente espécies da vegetação clímace da região de Lisboa, Ribeiro Telles acrescentou, no campo da ecologia, um incentivo ao contacto com a natureza em meio urbano pois, principalmente para as crianças e os idosos, estes logradouros deverão poder funcionar como o prolongamento das suas próprias casas, quase como salas de estar ao ar livre. 524 TOSTÕES, Ana - O Bairro de Alvalade no quadro do desenvolvimento urbano de Lisboa. 525 DUARTE, Carlos Santos - Entre arquitetos e urbanistas, de Alvalade a Chelas, construir (Habitação) com a arte do povo. 526 TELLES, Ribeiro - Ajardinados da Av. dos Estados Unidos da América. 527 Ibidem.
FCUP 293 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Fig. 5.2.30 - Logradouro no Bairro de São João de Deus. Parque Infantil, 2014. Fig. 5.2.29 - Logradouro no Bairro de São João de Deus, também conhecido por “Bairro das Estacas”. Prémio Municipal de Arquitetura de 1954, 1958. Fig. 5.2.31 - Continuidade visual entre os jardins dos logradouros vizinhos, 2014. Fig. 5.2.32 - Ajardinados da Avenida dos Estados Unidos da América. Troço Avenida Rio de Janeiro Avenida de Roma. Anteprojeto (sem efeito). Ribeiro Telles, 1957. Embora não saibamos a razão, o ante-projeto de Ribeiro Telles referente aos logradouros situados no troço compreendido entre a Avenida de Roma e a Avenida Primeiro de Janeiro ficou sem efeito tendo sido estes os únicos, dos lados Norte e Sul, a não ser contemplados no seu projeto. A memória descritiva do projeto, datada de 1958, é um pouco mais detalhada que a do ante-projeto. Começando por afirmar que pretendia sobretudo que estes logradouros constituíssem “locais vividos pelos habitantes dos blocos”, salienta que a especialidade
FCUP294 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) de algumas zonas não prejudica a unidade do conjunto “ (…) mantida e até valorizada pela constituição e distribuição dos diferentes volumes arbóreos dos ajardinados e das faixas verdes da Avenida.” Demonstra também, tal como já tinha acontecido no Bairro da Estacas, o cuidado de manter uma mancha de jardins homogénea interrompida apenas pelos pilotis de entradas dos edifícios (Fig. 5.2.33), acrescentando: “ (…) a modelação do terreno e o ritmo dos grupos de arbustos e herbáceas vivazes, garantem uma continuidade de ambiente que comporta uma certa diversidade de tratamento para os diferentes recintos infantis, estadias e esplanadas.” Destaca no entanto uma esplanada em especial: “Prevê-se uma pequena esplanada com um certo interesse pelo ambiente que a rodeia, um recinto infantil com brinquedos apropriados para crianças até 8 anos, um jardim juvenil para crianças entre os 8 e os 11 anos e várias estadias para descanso e repouso dos adultos.” 528 Este parque para crianças mais velhas, referido como “Jardim Robinson”, encontrou-se presente em numerosos jardins deste arquiteto paisagista. Também nestes jardins constituintes desta sequência de logradouros, todos os pormenores foram estudados ao seu mais ínfimo detalhe (Fig. 5.2.34). A 20 de fevereiro de 1960, o Engenheiro Chefe da RAJ, José Pulido Garcia, enviou ao Engenheiro Diretor dos Serviços Técnicos Especiais um ofício acompanhado do projeto dos jardins dos logradouros da Avenida dos Estados Unidos da América, efetuado por Ribeiro Telles. 529 Neste projeto faltou apenas o troço Avenida de Roma-Avenida Rio de Janeiro (no lado norte), que já na fase de ante-projeto, como se referiu havia ficado sem efeito. Neste ofício informa ainda que este troço se encontrava então a ser projetado por Sousa da Câmara. Nove dias depois, este projeto foi aprovado pelo VicePresidente da CML. 530 O projeto do troço Avenida de Roma-Avenida Rio de Janeiro (no lado norte), elaborado por Sousa da Câmara (Figs. 5.2.35 e 5.2.36) ainda em 1959, foi enviado à presidência três meses mais tarde. Na memória descritiva deste projeto, Sousa da Câmara após indicar os limites dos logradouros, lamenta que, como os edifícios possuíam o espaço entre pilotis fechado por paredes, não foi possível estabelecer uma continuidade entre os jardins dos logradouros. 531 Começou por definir como objetivo prioritário servir os habitantes dos edifícios anexos, especialmente as crianças e os idosos e em segundo lugar enquadrar os edifícios em si. Após uma análise dos condicionantes do local e do programa, além de justificar a escolha e disposição das plantas em relação às funções a desempenhar no projeto, bem como outros aspetos como o traçado dos caminhos e os materiais escolhidos para o seu revestimento, dá uma importância reforçada às crianças, dedicando-lhes uma 528 TELLES, Ribeiro - Avenida do Estados Unidos da América. Projeto dos Ajardinados (Troço Avenida do AeroportoAvenida do Rio de Janeiro. 529 LISBOA. Câmara Municipal - 3ª Repartição - Arborização e Jardinagem. Ofício do Engenheiro-Chefe, 1960-02-20. 530 Ibidem. 531 CÂMARA, Sousa - Memória descritiva. Avenida Estados Unidos da América.
FCUP 295 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Fig. 5.2.33 - Avenida dos Estados Unidos da América: Troço entre a Av. do Aeroporto a Av. Rio de Janeiro. Ribeiro Telles, 1958. Fig. 5.2.34 - Avenida dos Estados Unidos da América. Projeto dos ajardinados. Pormenores. Ribeiro Telles, 1958. Fig. 5.2.35 - Avenida dos Estados Unidos da América. Plano geral. Sousa da Câmara, 1959. Fig. 5.2.36 - Avenida dos Estados Unidos da América.. Ajardinados no troço entre a Av. de Roma e a Av. Rio de Janeiro. Perfis. Sousa da Câmara. AML AH. Esc. 1/200, 1959.
FCUP296 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) boa parte deste texto, o que torna de certa forma este documento indicativo de uma nova forma de encarar o valor desta fase da vida - a infância. Sai reforçada a importância da vivência de uma infância feliz na nova forma de vida dos tempos modernos. 532 Sousa da Câmara localizou o parque infantil no logradouro central por estar a igual distância das casas extremas, apontando-o como possivelmente o mais frequentado dos três e descreve-o: “Assim projetou-se uma plataforma espaçosa obtida com um pequeno movimento de terras. Arranjo que dá origem à construção de um pequeno muro de suporte, numa parte do perímetro da plataforma. Este muro serve ainda neste projeto outros objetivos: torna a zona vegetal menos vulnerável aos castigos que há sempre a esperar por parte das crianças; serve para exercícios de equilíbrio, que estes pequenos seres tanto apreciam; e ainda de banco para os que neste jardim pretendem proteger as crianças de que estão encarregadas.” 533 Para este espaço projetou entre outros equipamentos um escorrega colocado de forma a tirar o melhor partido do declive do terreno: “Nesta mesma parcela aproveitou-se o desnível existente, para a colocação de um escorregadouro, junto da escada que põe em comunicação a passagem sob o bloco habitacional com a parte útil do jardim infantil – a plataforma. Obtem-se desta forma não só uma maior segurança na utilização deste brinquedo, mas também a possibilidade de proporcionar às crianças o prazer de descer a escada por um “corrimão” inofensivo, sem as sujeitar aos perigos sempre presentes na execução desta habilidade, nas condições normais das escadas das nossas casas. E evidentemente elimina a grande altura de escada, geralmente necessária e este aparelho. Na arrumação dos baloiços e na posição em que se colocou a caixa de areia teve-se a ideia de criar zonas distintas dentro da plataforma, destinadas a servir crianças de idade ou de espírito diferente, dentro do grupo pré escolar a que este jardim se destina.” 534 Em 1962, Sousa da Câmara, propôs algumas pequenas alterações ao projeto de Ribeiro Telles, no primeiro logradouro do troço Av. Rio de Janeiro-Avenida do Aeroporto (Fig. 5.2.37). Em 1963, foi chamado a projetar uma série de sete logradouros definidos por uma série de oito edifícios instalados perpendicularmente à Avenida do Brasil, encomendados pelo Montepio Geral ao arquiteto Jorge Segurado. No ante-projeto destes logradouros Sousa da Câmara produziu um esboço esclarecedor da sua proposta para o funcionamento dos espaços e anotou as condicionantes do projeto que identificou como (Fig. 5.2.38): o vento, tendo em conta como consequência da orientação dos blocos, o “Efeito de Venturi”, o ensombramento provocado pelos mesmos sobre os logradouros (Fig. 5.2.39); 532 Ibidem. 533 S.a. - Memória descritiva, p. 3. 534 Ibidem.
FCUP 297 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Fig. 5.2.37 - . Avenida dos Estados Unidos da América. Ajardinado entre os lotes. Sousa da Câmara, 1962. Fig. 5.2.38 - Logradouros da Avenida do Brasil. Sousa da Câmara, s.d. Fig. 5.2.39 - Ante-projeto do ajardinamento dos logradouros da Av. do Brasil. Cortes Sousa da Câmara, 1963.
FCUP304 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) ecológica relacionando a vegetação da formação climace com as várias associações e estas entre si, consoante as características edafoclimáticas do local. Ressalvou porém os locais de maior destaque, quer por possuírem uma posição privilegiada quer por enquadrarem edifícios de uso público, juntos aos quais poderiam ser plantados pelo seu valor ornamental, elementos estranhos às referidas formações. “2º - O aproveitamento dos espaços livres como logradouros de recreio e descanso ameno da população local.” Previu a criação de diferentes aspetos e condições, através das principais manchas em que a vegetação se distribuiu, permitindo resolver de um modo “prático, simples e natural”, os problemas que logradouros pudessem trazer. “3º - Uma proteção eficaz dos ventos do quadrante Norte, determinantes paisagísticos da região de Lisboa.” Esta proteção foi efetuada através do uso da vegetação como sebes vivas, de implantação sempre que possível perpendicular à direção destes ventos estivais.“4º - A criação de um ambiente que concorra para a necessária compreensão do habitante da Cidade da natureza, de que o moderno condicionalismo cada vez mais o afasta.” Foi fomentado assim uma aproximação aos ciclos de vida da natureza, recorrendo à utilização de espécies de folha caduca e arbustos de flor e baga que conferem a um mesmo lugar aspetos diferentes consoante as sucessivas estações do ano. 538 Neste plano procedeu-se ainda à revisão da zona de proteção à Capela de São Jerónimo prevendo-se, de acordo com os arquitetos paisagistas, um plano de plantação adequado à valorização das perspetivas de rio, isolando-a da presença de quaisquer construções. 539 Nas proximidades e a uma certa distância ficaram localizadas moradias quadrifamiliares. 540 Ribeiro Telles, em 1956, elaborou o “Projeto de Enquadramento Paisagístico (1ª fase) da Encosta do Restelo (II Fase de Urbanização)” no qual assume ter tido em consideração os quatro requisitos já referidos, apresentados na “Memória descritiva e justificativa (5.1 e 5.2) do Estudo-base da Urbanização da Encosta do Restelo (II fase)”, relativos à distribuição da vegetação. Na memória descritiva do projeto começou por afirmar que este se referia a uma fase inicial a que, após a construção dos edifícios se seguiria um projeto definitivo: “Pretende-se na 1ª fase de plantações agora prevista estabelecer, em boas condições de desenvolvimento, os maciços fundamentais que mais tarde e após a construção dos edifícios servirão de base para a elaboração em pormenor do projeto de ordenamento paisagístico definitivo, incluindo então ajardinados, estadias, recreios, parques infantis, enriquecimento com espécies vegetais menos rústicas, a implantação de “mixed-borders” de herbáceas vivazes etc (...) ” 541 Afirmou que os maciços vegetais projetados se posicionavam de forma dar origem a panorâmicas de interesse paisagístico, 538 Ibidem. 539 Ibidem. 540 Ibidem. 541 Idem, p. 1.
FCUP 305 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) a enquadrarem edifícios e a constituírem sebes vivas contra o vento norte, encontrandose o elenco florístico de acordo com a “estruturação ecológica da formação climace.” 542 Neste projeto foram definidos quatro maciços diferentes de vegetação, dois de predominância perenifólia e os restantes de predominância caducifólia. Estes diferentes grupos foram distribuídos pelo território abrangido pela II Fase de Urbanização da Encosta do Restelo que assim foi dividido por zonas de quatro diferentes índoles. Os dois maciços de predominância perenifólia apresentavam como principal função a defesa contra o vento norte (Fig. 5.3.21). O primeiro maciço, referente à zona 1, distribuíase em áreas de cota elevada, e tinham como base da sua constituição um “quercetum” e grupos de Olea oleaster /Zambujeiro. O segundo, referente à zona 2 habitava as encostas de declive mais elevado, era constituído por carvalho-negral (Quercus pyrenaica) e vários grupos de ulmeiros (Ulmus procera), lodão-bastardo (Celtis australis) e alguns plátanos (Platanus orientalis). Nestes maciços ou nos espaços abertos delimitados por eles, foram previstos elementos isolados de pinheiros mansos (Pinus pinea), ciprestes (Cupressus sempervirens) e outros Cupressus sp. 543 Os dois restantes maciços, de predominância caducifólia, ocupavam zonas de baixa altitude (Fig. 5.3.22). O primeiro deles, referente à zona 3, ocupou a base das encostas, em grupos medianamente compactos, sendo constituído maioritariamente por ulmeiros e freixos. O segundo grupo de predominância caducifólia, relativo à zona 4, distribuiu-se em faixas estreitas, nos talvegues, ao longo das bordaduras que substituíram as antigas linhas de água, sendo constituída na sua maior parte por choupos. O andar arbóreo de cada 542 TELLES, Ribeiro - Projeto de Enquadramento Paisagístico (1ª fase) da Encosta do Restelo (II Fase de Urbanização), p. 1. 543 Ibidem. Fig. 5.3.22 - Encosta do Restelo. II Fase de Urbanização. Projeto de Ordenamento Paisagístico, 1º Fase. Plano de plantação. Maciços caducifólios. Ribeiro Telles, 1956. Fig. 5.3.21 - Encosta do Restelo. II Fase de Urbanização. Projeto de Ordenamento Paisagístico, 1º Fase. Plano de plantação. Maciços perenifólios. Ribeiro Telles, 1956.
FCUP306 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) tipo de maciços foi completado com maciços arbustivos da correspondente associação com vista à obtenção de “ (…) um conjunto estético e biologicamente equilibrado.” 544 Este projeto contemplou a zona envolvente da Capela de São Jerónimo, sendo aqui pormenorizada, uma vez que dadas as suas características, encontrava-se já afastada deste lugar a possibilidade da construção de edifícios em seu redor, o que possibilitou proporcionar-lhe um enquadramento adequado. O monumento em si e a topografia existente levaram ao estabelecimento de um espaço verde de enquadramento a partir de um terraço miradouro que funcionou simultaneamente de adro da capela, a partir do qual se desfruta de uma vista panorâmica que se estende até à barra do Rio Tejo. 545 Em 1957, foi realizado o “Projeto de Reavaliação da Zona de Proteção à Ermida de São Jerónimo” da autoria de Ribeiro Telles, 546 que contava já com uma mata anexa, a Sul, como zona integrante da zona de proteção. Recorde-se que Ribeiro Telles trabalhava na RAJ e colaborava também no GEU, requisitado por Guimarães Lobato. Esta situação permitiu-lhe acompanhar o que se passava em ambos os serviços. Segundo ele, a visão simultânea de ambas as realidades permitiu-lhe, sugerir a criação de uma zona especial de proteção em redor da Capela de São Jerónimo, na qual criou o referido logradouro com uma vista privilegiada . Por ter conseguido fundamentar e fazer vingar esta ideia, evitou o prolongamento de um grande eixo definido pelo prolongamento da Avenida da Torre de Belém, tal como este estava previsto nos planos de urbanização de Faria da Costa 547 conforme já referido no capítulo 2. Nesse mesmo ano, Ribeiro Telles projetou o jardim envolvente da Capela de Santo Cristo 548 e os espaços de enquadramento do Centro Comercial do Restelo, conjunto de quatro edifícios projetado pelo arquiteto Raul Chorão Ramalho e construído entre 1951 e 1956 (Figs. 5.3.23 e 5.3.24). 549 As árvores plantadas nestes espaços são típicas da região de Lisboa, tais como freixos (Fraxinus angustifolia), bétulas (Betula alba), ulmeiros (Ulmus procera), choupos (Populus sp.), pinheiro-das-canárias (Pinus canariensis) e magnólias (Magnolia grandiflora). Em 1963, Sousa da Câmara interveio na base da encosta, junto à Rua D. Lourenço de Almeida, projetando os jardins de três logradouros ampliando no ano seguinte a área de trabalho, acabando por projetar mais três em frente aos primeiros, obtendo-se um total de seis logradouros. Qualquer um destes logradouros constituiu uma zona de estadia, destinada ao lazer dos moradores destes prédios vizinhos e três destes também ao recreio 544 Idem, p. 2. 545 Ibidem. 546 SALEMA, Rosário - A ermida de São Jerónimo. Ver e ocultar. 547 Ibidem. 548 Já Mateus Junior tinha projetado a envolvente da Capela em 1957. Pensa-se que talvez também em 1959, o arquiteto paisagista Manuel Sousa da Câmara tenha projetado este espaço. 549 DINIS, Sofia; Figueiredo, Rute – Centro Comercial do Restelo.
FCUP 307 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Fig. 5.3.24 - Projeto dos ajardinados da zona comercial do Restelo. Ajardinados Sul. Ribeiro Telles, 1959. Fig. 5.3.23 - Projeto dos ajardinados da zona comercial do Restelo. Ajardinados Norte. Ribeiro Telles, 1959. Fig. 5.3.25 - Ajardinamento dos espaços entre os Blocos nº 854-859 a norte da Rua Bartolomeu Dias. Cortes. Sousa da Câmara, 1963. Fig. 5.3.26 - Ajardinamento dos espaços entre os Blocos nº 854-859 a norte da Rua Bartolomeu Dias. Plano de plantação. Sousa da Câmara, 1963.
FCUP308 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) das crianças, apetrechadas com equipamento para o efeito. Estas zonas, pavimentadas, com planta poligonal, apresentavam paralelamente aos seus limites, bancos de jardim ensombrados por árvores. Numa primeira abordagem, em 1963, como se pode ver nas Figuras 5.3.25 e 5.3.26, são especialmente focados os condicionamentos a nível de conceção do espaço sendo previsto, em dois dos logradouros possuidores de uma zona destinada às crianças, um caminho de acesso para carros de bombeiros e ambulâncias e um local de interface entre este caminho pavimentado e a zona de recreio, destinado a facilitar não só a alcance a esta área como a possibilitar as manobras destas viaturas. Nas zonas relvadas junto os prédios foram ainda traçados três caminhos pedonais paralelos aos mesmos, constituídos por uma sequência de lajes dispostas de forma irregular, que serviam também para proteger os relvados dos efeitos destrutivos das pingadeiras das varandas desses prédios. No elenco florístico foram previstas na sua maior parte árvores da região de Lisboa, tanto perenifólias, como o feixo (Fraxinus angustifolia) e a grevílea (Grevillea robusta), como caducifólias como os choupos (Populus sp.) e os plátanos (Platanus sp.), que evidenciam a sazonalidade a que a natureza está sujeita. Foram escolhidos também um exemplar de duas espécies exóticas: o tulipeiro (Liriodendron tulipifera) e a zelkova (Zelcova serrata), oriundas da América e do Japão respetivamente, com elevado valor ornamental. Relativamente aos arbustos estes eram na esmagadora maioria espécies autóctones e de floração escalonada no tempo o que possibilitou a obtenção de uma floração quase contínua aliadas a baixos custos de mão-de-obra. Estes arbustos encontravam-se colocados estrategicamente, formando maciços compactos, enquadrando caminhos e as zonas de estadia. Evoluindo para a fase de projeto, em 1964, o perfil do terreno foi levemente alterado (Fig. 5.3.27) estando previsto um murete de suporte em pedra num tom branco amarelado desenhando com rigor o tamanho de cada pedra e a sua disposição no muro. Pormenoriza igualmente os módulos em betão destinados à referida área de transição caminho automóvel - zona de recreio infantil, hexagonais, com uma zona circular livre ao centro destinada à plantação de herbáceas de revestimento, que davam assim uma continuidade visual relativamente ao relvado. Em 1967, Edgar Fontes foi chamado a colaborar no “Anteprojeto das zonas verdes” do “Estudo de Revisão da Zona Limitada pelas ruas Gonçalves Zarco, Tristão Vaz, Mem Rodrigues e Av. Ilha da Madeira”. No quarteirão delimitado por estas vias, a par com elevado número de blocos habitacionais isolados, foi prevista a plantação de áreas verdes ocupando os espaços entre os edifícios. Como se pode ver na Fig. 5.3.28, os espaços verdes foram classificados funcionalmente em: Zona infantil, Zona juvenil e finalmente, Estadia. Estes espaços, distribuídos pelo quarteirão, foram projetados de forma individual atendendo às funcionalidades das diversas áreas assinaladas, à sua
FCUP 309 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Fig. 5.3.27 - Ajardinados junto à Rua D. Lourenço de Almeida. Pormenores. Sousa da Câmara, s.d. Fig. 5.3.28 - Estudo de revisão da zona limitada pelas ruas Gonçalves Zarco, Tristão Vaz, Mem Rodrigues e Avenida da Ilha da Madeira. Anteprojeto das zonas verdes. Edgar Fontes, 1967.
FCUP310 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) plantação com árvores arbustos e instalação de relvados, bem como caminhos pedonais, ligando espaços contíguos. O espaço verde foi tratado como um contínuo natural no qual se inserem os edifícios e infraestruturas, quer desportivas quer recreativas, ou apenas contemplativas. Edgar Fontes partilhou a elaboração deste projeto entre 1970 e 1971, com o arquiteto paisagista Leonel Fadigas. A “2ª Fase do Estudo de Urbanização do Restelo e Caramão da Ajuda” não chegou no entanto a ser edificado com a entrada em funções de um novo Presidente da CML, o engenheiro Fernando Augusto Santos e Castro que mantendo a densidade populacional elevada como o previsto, pretendia baixar a cércea dos edifícios a construir, suspendendo assim o desenvolvimento dos trabalhos realizados pelo arquiteto Francisco Zinho Antunes e o engenheiro Eurico Ferreira Gonçalves. 550 A encosta do Restelo, orientada a sul e oferecendo vistas privilegiadas aos seus moradores, apresenta várias tipologias de ocupação do espaço edificado. Numa primeira fase, nos finais dos anos 40, Faria da Costa, nos seus planos de urbanização com uma baixa densidade populacional, primeiramente introduz moradias de casas de renda económica e concebe a encosta dividida por células. As habitações unifamiliares, estruturadas em redor de núcleos comerciais, são distribuídas em torno de eixos viários bem hierarquizados e adaptados à topografia do terreno, tentando distribuí-los sempre que possível acompanhando as curvas de nível da encosta. Numa segunda fase e tentando responder a uma necessidade premente de habitação, a CML, através do GEU assume a coordenação do processo. Substitui a habitação unifamiliar por habitação multifamiliar fazendo uso da experiência retirada de experiências municipais anteriores, como Alvalade, dando continuidade a uma atitude de aplicação de “princípios inovadores da administração municipal”, com vista à contribuição da resolução do problema de uma necessidade urgente de habitação, que então se fazia sentir na cidade de Lisboa. 551 Numa atitude de responsabilidade social, tomou como objetivo principal o bem-estar da população residente no seu todo, adotando “ (…) blocos de habitação coletiva, convenientemente distribuídos por categorias de rendas e obedecendo ao critério de se estabelecer, quanto possível, uma transição gradual, de uns tipos para os outros, assegurando o seu conveniente isolamento sem acusar a segregação determinada de qualquer das categorias previstas de habitações.” 552 Os blocos de habitação sendo independentes e implantados obliquamente em relação às vias de circulação. Esta opção permitia uma melhor insolação durante o inverno e amenizar as condições de habitabilidade no verão já que “(…) a insolação sucessiva das 550 D’ALMEIDA, Patrícia Bento - Bairro(s) do Restelo. Panorama Urbanístico e Arquitetónico. 551 Ibidem. 552 Idem, p. 20.
FCUP 311 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) fachadas assegura, em boas condições, a desejável ventilação transversal”. 553 Assim, ao melhor aproveitamento do sistema de vistas juntaram-se as condicionantes de ordem orográfica e de ordem climatológica da Encosta do Restelo que permitiam a ocupação do espaço sobrante deixado entre os edifícios por espaços verdes contínuos, ocupando até eventualmente também o espaço livre situado sob os edifícios. Ultrapassadas as experiências em Alvalade relativamente aos logradouros, primeiramente privados e murados e, mais tarde, junto à Avenida de Roma, comuns a vários proprietários, foi estabelecido no Restelo pela primeira vez o conceito de espaço verde comum, de fácil acesso a toda a população residente, pela sua proximidade. Os arquitetos paisagistas estabeleceram as bases metodológicas desta nova tipologia adotada, salientando além do enquadramento de estruturas construídas, numa valorização da fitossociologia, os vários outros fatores assumidos: recreativo, funcional na proteção dos ventos dominantes e o educativo, relativamente à sucessão de aspetos, verificada na alternância a que a vegetação está sujeita decorrente do seu ciclo biológico. Esta nova tipologia de espaço verde está de acordo com necessidades decorrentes da adoção de um novo estilo de vida e de um aumento acentuado na demografia. O desenho urbanístico desenvolve-se em função das características físicas do lugar. Verifica-se uma separação das zonas do trânsito, da habitação e do recreio, valorizando-se o peão para o qual se passam a desenhar percursos longos e confortáveis. A explosão demográfica referida refletiu-se num aumento da população jovem e consequentemente na criação à semelhança do que fazia no resto da Europa, de espaços infantis que apelavam à imaginação - os “Jardins Robinson”. Acerca deste facto, Ribeiro Telles afirma: “Não queríamos simples logradouros com parques infantis. Queríamos que estes logradouros fossem áreas de imaginação e liberdade. Tínhamos de criar locais para que as pessoas brincassem e estivessem à vontade, especialmente a miudagem! Hoje parece estranho porque a população envelheceu. Mas naquela época os conceitos de liberdade e juventude alteram o desenho dos espaços. Os jardins já não podem ter a mesma forma.” 554 O Plano do Restelo e a introdução do conceito inovador de espaço livre comum podem ser considerados uma evolução relativamente ao logradouro contido enquadrado por edifícios como aconteceu em Alvalade. Este novo modelo veio a ser mais tarde desenvolvido nos Olivais, numa progressiva integração da estrutura verde no espaço urbano. O contributo doa arquitetos paisagistas para esta evolução é inequívoco e determinante, bem ao encontro dos modelos que eles conheceram nas suas viagens pela Europa. 553 Idem, p 21. 554 SALEMA, Rosário - A ermida de São Jerónimo. Ver e ocultar, p. 186.
FCUP312 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Em 2.3.3, referimos que, em 1955, no GEU deu-se inicio à realização do “Estudo– Base da Urbanização dos Olivais”, coordenado por Guimarães Lobato que contou com a colaboração, entre outros, dos arquitetos Pedro Falcão e Cunha e José França Ribeiro e do arquiteto paisagista Ribeiro Telles. Álvaro Dentinho integrou a equipa do GEU, em 1957.555 No entanto, foi no âmbito do GTH que este projeto ganhou maior visibilidade. Embora se considere a intervenção dos arquitetos paisagistas neste Bairro intensa e eficaz, é necessário reconhecer a deficiência da base de dados. Em primeiro lugar as peças escritas que acompanham os projetos dos espaços verdes são de um modo geral omissas ou pelo menos no âmbito desta investigação não foi possível ter acesso. Por outro lado, as peças desenhadas localizadas não constituem processos completos nem próximo. Na planificação dos Olivais atribuiu-se aos espaços verdes “ (...) uma função múltipla de ordem panorâmica, salutar, recreativa e psicológica (…) Quase todo o espaço verde previsto comporta-se como logradouro coletivo da população, que desta forma sentirá dia a dia e com intimidade o pulsar da natureza e o equilíbrio da presença de uma paisagem ordenada e humanizada.” 556 Neste plano, para Ribeiro Telles o espaço verde tinha a função muito importante de “(...) reatar o convívio entre o homem atual da cidade e a natureza (...) ” 557 aplicando este conceito, em áreas destinadas à produção agrícola, por ele localizadas na periferia das células ou ao longo de arruamentos locais principais, apresentado “ (...) vantagens de ordem educativa, cultural e psicológica” 558 , além de se encontrarem junto de centros consumidores. Estas zonas produtivas tinham também a função de separar zonas urbanas de zonas fabris e juntamente com sebes, proteger dos ventos os prédios de habitação “ (...) ao mesmo tempo que estabelecem o contacto do habitante da cidade com a vida do campo” 559 , ideias que Ribeiro Telles defende veementemente até hoje. Propôs a criação de pequenos jardins, noutros locais, que se distinguiam por possibilitar vistas privilegiadas, constituírem zonas de encontro dos habitantes ou por se encontrarem junto a edifícios de interesse coletivo. Sugeriu também que para os logradouros privados se “ (...) estudassem alguns tipos de jardim em que predominasse 555 TELLES, Gonçalo - Alfama e castelo. Enquadramento verde. 556 Câmara Municipal de Lisboa. Gabinete de Estudos de Urbanização - Urbanização dos Olivais, p 26. 557 Ibidem. 558 Ibidem. 559 Ibidem. 5.4 O Bairro dos Olivais
FCUP 313 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) a cultura hortícola a fim de orientar num sentido útil aqueles logradouros.” 560 Propôs ainda, recorrendo à mata, a instalação de maciços arbóreos, formando galerias ou cortinas para separar as habitações das vias de circulação e de sebes de proteção implantadas perpendicularmente ao vento Norte, predominante na zona dos Olivais. Com a função de ocultar a zona industrial e o cemitério optou-se por maciços de árvores, constituídos maioritariamente por espécies de folha perene. Aborda o tratamento paisagístico do cemitério mas também e sobretudo dos grupos escolares salientando uma nova forma de estar zonas de estadia para aulas no exterior, para além de “recreios naturalizados e hortos escolares”, reforçando a importância dada às crianças e respetiva educação, como aposta numa preparação do futuro. Para os campos desportivos foi previsto um enquadramento que desse a sensação de clareiras na mata, tal como Ribeiro Telles tinha já projetado na Mata de Alvalade. Relativamente às espécies selecionadas, os referidos maciços vegetais eram da formação clímace, na qual grupos de árvores, arbustos e sub-arbustos pertenciam à associação respetiva, nas suas variadas aplicações. Como resultado obteve-se numa matriz onde “ (…) o enquadramento dos blocos habitacionais que surgem naturalmente como que brotando da própria paisagem.” 561 Excecionalmente, com vista a valorizar a paisagem junto aos pontos de destaque, especialmente nos jardins referidos, foram admitidos alguns exemplares pertencentes a espécies exóticas, sendo a cor conferida por arbustos ou herbáceas em flor. As herbáceas que revestiam as referidas clareiras deveriam pertencer ao pasto natural do local, sendo cercadas por arbustos de pequeno porte, possibilitando uma manutenção mais económica dos espaços verdes. As oliveiras centenárias preexistentes no local seriam para manter ou no caso de total impossibilidade, serem transplantadas para outro local. 562 Ideia fulcral, na criação desta paisagem é: “ (...) apresentar com o correr das estações, um aspeto dinâmico e sempre renovado, o que se consegue pela distribuição conscienciosa de maciços de diferentes caducifólias e de grupos de arbustos e de herbáceas de florações em épocas diferentes.” 563 A sazonalidade na paisagem, de extrema importância, é dada pela floração e queda das folhas, daí a predominância das espécies caducifólias no projeto estando sempre presente a noção de que todos os períodos do ano têm que ser importantes, e não apenas esta ou aquela estação. Cerca de um ano após a conclusão deste Estudo-base de 1955 em agosto, pelo menos uma parte deste plano, relativa aos Olivais Sul (Fig. 5.4.1) foi exibida na Suíça, em Zurique, na exposição internacional itinerante de projetos de arquitetura paisagista, 560 Idem, p. 27. 561 Idem, p. 28. 562 Ibidem. 563 Idem, p. 29.
FCUP320 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) que possibilite a realização de aulas de ar livre o ofereça recreios naturais às crianças. A conveniente mistura das espécies de formação climace do sítio com outras exóticas, ajudará a criar uma paisagem variada e rica, sempre renovada através da floração em épocas diferentes das diferentes espécies (…) ” 570 Foi neste espírito que Álvaro Dentinho projetou uma zona de estar, no extremo SO do bairro, de planta triangular em que um dos vértices fica adjacente à Rotunda do Relógio, junto ao Aeroporto de Lisboa (Fig. 5.4.17). Esta área, ocupando 12 ha, foi destinada a zona de recreio local e extra local. 571 Deste projeto, construído em toda a sua extensão, que obrigou a alguns movimentos de terra, fizeram parte: um campo de basquetebol, um campo de futebol, um grande auditório ao ar livre de planta oval riscado com bandas de lajedo regular e um miradouro como zona de estar “ (...) de inegável interesse panorâmico com um muro protetor de vento e com bancos dispostos à volta deste recinto que permitem desfrutar através das molduras de enquadramento a vasta panorâmica.” 572 As zonas de recreio eram separadas consoante a classe etária em zona para adolescentes (campo de basquetebol); zona para a idade pré-escolar (zona mais soalheira constituída por caixa de areia, área pavimentada com desenhos em mosaico e alguns bancos) e zona para idade escolar (composta por um aldeamento de índios, um campo de jogos e uma assembleia circular) (Figs. 5.4.18 a 5.4.20). 573 Nos Olivais Sul foi possível com alguns ajustes manter a modelação natural do terreno, graças a um isolamento dos edifícios, realizando-se apenas alguns socalcos, o que levou à criação de espaços mais intimistas, 574 como praças associadas às habitações envolventes, nas quais intervieram arquitetos paisagistas como Sousa da Câmara (Figs. 5.4.21 e 5.4.22) e Álvaro Dentinho. Este colaborou também com o pintor António Alfredo no projeto do 570 “Olivais Sul”. Gabinete Técnico da Habitação da Câmara Municipal de Lisboa. Lisboa: CML, sd, p 22 571 DENTINHO, Álvaro - Memória descritiva e justificativa do projeto de arranjo dos terrenos. 572 Ibidem. 573 Ibidem. 574 TOUSSAINT, Michel - Olivais Sul. Fig. 5.4.17 - Olivais Sul. Projeto em fase de obra do parque desportivo no extremo Sul do bairro, 1968.
FCUP 321 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Fig. 5.4.18 - Perfis dos caminhos. Implantação. Pormenores do auditório. 4, s.d. Fig. 5.4.19 - Perfil geral do terreno na zona dos campos de jogos e teatro. 62, s.d. Fig. 5.4.20 - Pormenores. 60, 1965.
FCUP322 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) centro de convívio, hoje designado como Praça de São Salvador (Fig. 5.4.23). Os trabalhos relativos aos espaços verdes dos Olivais iam estendendo-se no tempo. Em 1969, o Engenheiro Chefe de Serviço Joaquim Rodrigo escrevia uma informação interna da CML ao seu diretor pedindo um alargamento do prazo para a execução de espaços ajardinados nas células D e E de Olivais Sul queixando-se da extensão do programa a cumprir para um prazo demasiadamente curto ao qual acresciam dificuldades várias “ (…) dada a topografia e o mau dimensionamento dos espaços destinados ao ajardinamento (parcelamento excessivo, forma dos canteiros, modelação, etc (…).” 575 Ainda em abril de 1972, Edgar Fontes submeteu à apreciação superior o projeto por si executado, relativo à faixa ajardinada junto às Avenidas Marechal Gomes da Costa, Estrada de Sacavém e Avenida de Berlim. 576 De uma análise atenta e comparada dos “Relatórios de Atividade do Serviço de Arborização e Ajardinamento (Olivais Norte, Olivais Sul e Chelas) de 1967 e de 1969 podemos concluir: Como podemos avaliar em relação aos espaços verdes, este bairro constitui um exemplo privilegiado de estudo e experimentação de novos conhecimentos numa procura de uma nova abordagem através de um desenho e estética que integrasse materiais e tecnologias modernas e refletisse o estilo de vida moderno. A sua génese conceptual partiu de princípios que assentam na negação dos estilos históricos e rejeição da composição axial e simétrica. 575 LISBOA. Câmara Municipal. Informação do Engº Joaquim Rodrigo, 1969-03-26. 576 LISBOA. Câmara Municipal - Ofício de Edgar Sampaio Fontes, 1972-04-22.
FCUP 323 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Fig. 5.4.21 - Olivais Sul. Célula D. Z. Mar. Sul. Projeto de ajardinamento do pormenor E. Plano de plantação. Sousa da Câmara, s.d. Fig. 5.4.22Olivais Sul. Célula D. Z. Mar. Sul. Projeto de ajardinamento do pormenor F. Plano de plantação. Sousa da Câmara, s.d. Fig. 5.4.23 - Olivais Sul. Célula C. Z. Centro. Praça D. Pormenor A. Plano de plantação. Sousa da Câmara, 1966.
FCUP324 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Os novos bairro eram de início constituídos por agrupamentos de casas unifamiliares, com pequeno logradouro nas traseiras, alinhadas ao longo de ruas muitas vezes arborizadas. Normalmente existia um pequeno jardim público, ponto de convergência para convívio dos habitantes do bairro.Os arquitetos paisagistas deram o seu contributo ao projetar os espaços verdes de uso público desses bairros, incluindo os jardins dos grupos escolares. Excecionalmente, no “Bairro da Quinta do Jacinto”(1957) construído ao abrigo do programa das “Casas para famílias pobres”, Sampaio Fontes projetou os espaços verdes dos pequenos logradouros privados. Nalguns destes bairros, como é o caso do Bairro da Encarnação, que inclui além dos jardins uma mata, os espaços verdes têm uma presença bem mais significativa que noutros, como o referido “Bairro da Quinta do Jacinto”, onde por falta de espaço os logradouros comuns restringiam-se apenas aos espaços compreendidos entre os alçados principais dos prédios. Este praticamente só conta com a presença de árvores de arruamento. No Bairro de Alvalade a legislação permitiu a construção de casas de habitação em edifícios, no início da construção do bairro só com quatro pisos, com espaços verdes em logradouros, parte deles privados e outra parte de uso público, além de pequenos jardins. O uso indevido destes logradouros de uso público, por apropriação indevida por parte de alguns habitantes do bairro, nas células I e II, levou a que, na construção da Avenida Dom Rodrigo da Cunha, na célula IV, se tenha optado unicamente pela existência do espaço verde de uso público como um enorme logradouro comum, no interior do qual se implantaram os prédios, também só estes ainda com quatro andares mas desta vez, para permitir esta nova organização do espaço verde público, orientados perpendicularmente à referida avenida. Só o facto de os edifícios passarem a assentar sobre pilotis, mantendo uma posição perpendicular em relação às vias principais, como sucedeu no Bairro das Estacas em Alvalade, permitiu ter a noção de logradouro contínuo, sobre o qual os prédios davam intencionalmente a ideia de “flutuar”, sendo as suas entradas em vidro, para diminuir o seu impacto visual, reforçando assim esta ideia. Na conceção desta sequência de logradouros contíguos foi permitida uma separação dos caminhos pedonais, que os percorriam e se continuavam no logradouro vizinho, dos caminhos automóveis e a criação de zonas de estadia com mais recato, devido a uma maior disponibilidade de espaço, constituindo como salas de verdura, prolongamento das salas de estar das habitações deste edifícios. A legislação mudou no sentido de permitir um aumento do número de pisos dos edifícios, 5.5 Conclusão
FCUP 325 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) o que permitiu aumentar significativamente as áreas exteriores livres para logradouros, resultando numa ampliação da área das zonas de estadia. Esta maior disponibilidade de espaço permitiu uma orientação mais acentuada na vocação de utilização destes espaços, isto é, criação de espaços para as crianças, com parque infantil, de espaços desportivos para os jovens e de espaços mais sossegados para adultos, mantendo-se a valorização do peão e nesse sentido o seu isolamento relativamente aos caminhos automóveis. Nos Olivais, laboratório de novas experiências urbanísticas, e sobretudo nos Olivais Norte passou-se a uma aplicação mais fiel dos princípios da Carta de Atenas. As habitações foram inseridas em blocos de apartamentos cuja localização e orientação dependia sobretudo dum maior aproveitamento da luz solar, implantados num continuum verde, numa aproximação máxima dos habitantes do bairro com a natureza, representada pelas áreas ajardinadas, uma matriz que envolve dos edifícios e as vias de circulação. A rede de circulação é claramente hierarquizada. A rede viária constitui o elemento unificador dos vários elementos construídos, embora desvinculada dos mesmos. O espaço resultante peca por uma falta de referências facilmente identificáveis. Nos Olivais Sul a aplicação destes princípios foi mais moderada, cada célula possui um pequeno núcleo comercial em função do qual se organiza e as várias células organizamse entre si também em redor de uma célula em posição central que inclui o grande centro cívico-comercial do bairro, a célula G, onde se situam os edifícios mais elevados. Embora existam um grande número de espaços verdes aqui não constituem uma matriz que envolve os demais elementos, estando presentes especialmente no grande parque do bairro - o Parque do Vale do Silêncio - considerado, pela sua importância, conferida quer pela sua situação geográfica, quer pela sua área quer ainda pela sua tipologia, um caso de estudo desta tese.
326
327 6 Conclusão
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FCUP 329 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) 6 Conclusão Nesta dissertação pretendeu-se desenvolver a pesquisa do espaço público da cidade de Lisboa na vertente da Arquitetura Paisagista, entre as décadas de 1940 e 1970. Nesta ótica, foram objeto de estudo os projetos realizados pela primeira geração de arquitetos paisagistas portugueses, neste período. Esta investigação já tinha sido iniciada no âmbito do projeto coordenado por Teresa Andresen, levado a cabo pela Fundação Calouste Gulbenkian com o título “Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian. Francisco Caldeira Cabral e a primeira geração de arquitetos paisagistas (1940-1970)”, cujo âmbito geográfico se estendeu a Portugal Continental e Ilhas. Este intervalo de tempo situou-se entre o início do ensino da Arquitetura Paisagista em Portugal, ministrado por Caldeira Cabral e estendeu-se até ao início da atividade profissional de jovens arquitetos paisagistas que aprenderam já com a referida primeira geração e não unicamente com o fundador do curso. Nesta investigação, tentou-se através da consulta de um elevado número de projetos, tendo sido analisados mais de 1000 novas peças desenhadas, acrescentando informação ao conhecimento já adquirido no projeto referido. Confirmou-se o que já tinha sido concluído no projeto levado a cabo na Fundação Gulbenkian, os protagonistas desta dissertação são Azevedo Coutinho, Ribeiro Telles, Edgar Fontes, Sousa da Câmara, Álvaro Dentinho e Viana Barreto. O somatório desta conjugação de pesquisas foi sistematizado nos quadros que constam dos anexos desta dissertação e georreferenciado. A pesquisa nos arquivos da CML foi complementada através de fontes primárias identificadas em arquivos pessoais dos arquitetos paisagistas envolvidos e ainda no arquivo da Fundação Calouste Gulbenkian. No arquivo pessoal de Viana Barreto encontraram-se dois relatórios de viagem ao estrangeiro que se revelaram de extrema importância da realização desta dissertação. Estas viagens incluíam a participação num Congresso da IFLA, cujas atividades se encontram descritas nos referidos relatórios. O facto destes se encontrarem muito bem documentados fotograficamente possibilitou-nos aceder a imagens representativas do que foi observado pelos arquitetos paisagistas nestas viagens. Acompanhavam também estes relatórios folhetos informativos das atividades dos congressos e das pessoas neles inscritas quer como oradores quer como observadores. Ao longo desta dissertação tentaram encontrar-se respostas para questões formuladas tais como: Qual a extensão da obra destes arquitetos paisagistas, ao serviço da CML? Qual foi o significado destas mesmas obras em si e em que medida acrescentaram algo ao “estado da arte” em Portugal? E também por fim: Qual foi o seu contributo para a história da Arquitetura Paisagista em Portugal?
FCUP336 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970)
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FCUP 345 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) FONTES, Edgar - Nota justificativa. Projeto de Enquadramento Paisagístico da Cintura Exterior do Bairro da Encarnação – 2ª fase, Arranjo da mata poente. 1958. Acessível no Arquivo Municipal de Lisboa, Lisboa, Portugal. FONTES, Edgar – Enquadramento Paisagístico do Bairro do Grilo, 1957. Acessível no Arquivo Municipal de Lisboa. Arco do Cego, Lisboa, Portugal. FONTES, Edgar - Projeto de arborização e ajardinamento do Centro escolar da Célula 6, 1956. Acessível no Arquivo Municipal de Lisboa, Lisboa, Portugal. FONTES, Edgar - Enquadramento Paisagístico da Cintura Exterior do Bairro da Encarnação (1ª fase) - Zona Sul, 1955. Acessível no Arquivo Municipal de Lisboa, Lisboa, Portugal. FONTES, Edgar - Nota justificativa. Projeto de Enquadramento Paisagístico da Cintura Exterior do Bairro da Encarnação, 1955. Acessível no Arquivo Municipal de Lisboa, Lisboa, Portugal. FRANÇA, José-Augusto - Lisboa: Urbanismo e Arquitectura. 4.ª ed. Lisboa: Livros Horizonte, 2000. FRANÇA, José-Augusto – de Pombal ao Fontismo. O urbanismo e a sociedade. In AAVV – O livro de Lisboa. Coord. Erisalva Moita. Lisboa: Livros Horizonte, 1994, p. 363-388. GABINETE DE ESTUDOS OLISSIPONENSES - Evocar Duarte Pacheco no cinquentenário da sua morte. Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa, 1993. GARCIA, Ressano - Memória descritiva do projeto da Avenida da Liberdade, 188404-23. Acessível no Arquivo Municipal de Lisboa. Arco do Cego, Lisboa, Portugal. G. De A.M. – O Problema da Avenida. (24 Fevereiro de 1960) GUIA, Diogo; SILVA, Carlos Guardado (coord) - Jamor. O palco maior do desporto nacional. Lisboa: Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 2014. HEITOR, Teresa Valsassina - A expansão da cidade para o Oriente: Os planos de urbanização de Olivais e Chelas. In AAVV - Lisboa Conhecer Pensar Fazer Cidade. Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa, 2001, p. 72-85.
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FCUP 353 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) TELLES, Ribeiro - Alfama e Castelo. Enquadramento verde, 1959. Acessível no Arquivo Municipal de Lisboa, Lisboa, Portugal. TELLES, Ribeiro - Avenida do Estados Unidos da América. Projeto dos Ajardinados (Troço Avenida do AeroportoAvenida do Rio de Janeiro), 1958. Acessível no Arquivo Municipal de Lisboa, Lisboa, Portugal. TELLES, Ribeiro - Nota justificativa. A Avenida dos Estados Unidos da América. Arranjo Verde da Faixa Central e Cruzamentos, 1958. Acessível no Arquivo Municipal de Lisboa. Arco do Cego, Lisboa, Portugal. TELLES, Ribeiro - Ajardinados da Av. dos Estados Unidos da América, 1957. Acessível no Arquivo Municipal de Lisboa, Lisboa, Portugal. TELLES, Ribeiro; CABRAL, Caldeira - Memória descritiva. Remodelação da Avenida da Liberdade, 1956. Acessível no Arquivo Municipal de Lisboa. Arco do Cego, Lisboa, Portugal. TELLES, Ribeiro - Nota justificativa. Arborização da Rua da Quinta de Santa Maria - Encarnação, 1956. Acessível no Arquivo Municipal de Lisboa. Arco do Cego, Lisboa, Portugal. TELLES, Ribeiro - Nota justificativa. Projeto de Ordenamento Paisagístico (1ª fase) da encosta do Restelo (II fase de urbanização), 1956. Acessível no Arquivo Municipal de Lisboa. Arco do Cego, Lisboa, Portugal. TELLES, Ribeiro - Memória descritiva. Avenida da Liberdade. Projeto de remodelação de arborização e ajardinamento, 1955. Acessível no Arquivo Municipal de Lisboa. Arco do Cego, Lisboa, Portugal. TELLES, Ribeiro - Memória descritiva. Projeto de arborização da Avenida de Roma, 1955. Acessível no Arquivo Municipal de Lisboa. Arco do Cego, Lisboa, Portugal. TELLES, Ribeiro - Nota justificativa. Jardim miradouro da Rua Eduardo Noronha, 1955. Acessível no Arquivo Municipal de Lisboa, Lisboa, Portugal. TELLES, Ribeiro - Nota Justificativa. Projeto de remodelação da Placa da Rotunda do Aeroporto, 1953. Acessível no Arquivo Municipal de Lisboa. Arco do Cego, Lisboa, Portugal.
FCUP354 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) TELLES, Ribeiro - Projeto de Remodelação da Placa da Rotunda do Aeroporto, 1953. Acessível no Arquivo Municipal de Lisboa, Lisboa, Portugal. TELLES, Ribeiro - Memória descritiva. Projeto de arborização e ajardinamento da Praça de Santo Eugénio, 1952. Acessível no Arquivo Municipal de Lisboa, Lisboa, Portugal. TELLES, Ribeiro - Nota justificativa, Projeto de construção de um ajardinado para o Bairro da Encarnação, 1952. Acessível no Arquivo Municipal de Lisboa, Lisboa, Portugal. TELLES, Ribeiro - Projeto de ajardinados para as ruas nºs 56, 57 e 58 do Bairro de Alvalade, 1952. Acessível no Arquivo Municipal de Lisboa, Lisboa, Portugal. TELLES, Ribeiro - Memória descritiva. Arborização do triângulo compreendido entre o Bairro de Alvalade, a Avenida do Brasil e a Avenida do Aeroporto, 03-1951. Acessível no Arquivo Municipal de Lisboa. Arco do Cego, Lisboa, Portugal. TELLES, Ribeiro - Memória descritiva e justificativa do projeto de construção do jardim da Praça de Damão, 1951. Acessível no Arquivo Municipal de Lisboa, Lisboa, Portugal. TELLES, Ribeiro - Nota justificativa. Projeto de ajardinamento da Praça das Casas Novas e da Rua da Quinta da Fonte no Bairro da Encarnação, 1951. Acessível no Arquivo Municipal de Lisboa, Lisboa, Portugal. TELLES, Ribeiro - Memória descritiva. Enquadramento da Igreja de São João de Brito (projeto do jardim), s.d. Acessível no Arquivo Municipal de Lisboa, Lisboa, Portugal. TELLES, Ribeiro - Nota justificativa. Avenida Infante Santo – Projeto dos espaços verdes, [s.d]. Acessível no Arquivo Municipal de Lisboa. Arco do Cego, Lisboa, Portugal. TERCEIRO, Carla - De social a privilegiado: narrativas de bairros sociais de Lisboa [texto policopiado]: O Bairro da Encarnação e a sua vivência. Lisboa: [s.n.], 2013. Dissertação de mestrado. TIEZ, Jurgen - História da Arquitectura do século XX. Colónia: Druckhaus Locher GmbH, 2000.
FCUP 355 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) TORRES, Helena, PORTAS, Catarina, e FREIRE, Adriana - Olivais - Retrato de um bairro. Lisboa: Liscenter, 1995. TOSTÕES, Ana; GUERRA, Fernando - Arquitectura Portuguesa Contemporânea. Lisboa: Edição do Clube do Colecionador dos Correios, 2008. TOSTÕES, Ana - Lisboa, Arquitetura e Urbanismo: do Passeio Público ao Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian. In AAVV - Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian. Francisco Caldeira Cabral e a Primeira Geração de Arquitetos Paisagistas (19401970). Coord. Teresa Andresen. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2003, p. 98113. TOSTÕES, Ana - O Bairro de Alvalade no quadro do desenvolvimento urbano de Lisboa. In AAVV - Lisboa Conhecer Pensar Fazer Cidade. Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa, 2001, p. 64-71. TOSTÕES, Ana – Keil. Arquiteto dos Jardins e Parques de Lisboa. A História de um Trabalhador Humanista. In AAVV - Catálogo da Exposição Keil do Amaral. O Arquiteto e o Urbanista. Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa, 1999, p. 79-90. TOSTÕES, Ana - Os verdes Anos na Arquitectura Portuguesa dos anos 50. 2.ª ed. Lisboa: FAUP Publicações, 1997. TOSTÕES, Ana - Monsanto, Parque Eduardo VII, Campo Grande – Keil do Amaral, Arquiteto dos Espaços Verdes de Lisboa. Lisboa. Edições Salamandra, 1992. TOUSSAINT, Michel – Olivais. In TOUSSAINT, Michel; D’ALMEIDA, Patrícia Bento; ALCÂNTARA, Maria Daniela - Guia de Arquitetura de Lisboa 1948-2013: Do movimento moderno à atualidade. 1º edição. Lisboa: A+A Books, 2013, p. 308-311. TOUSSAINT, Michel - Olivais Norte. In TOUSSAINT, Michel; D’ALMEIDA, Patrícia Bento; ALCÂNTARA, Maria Daniela - Guia de Arquitetura de Lisboa 1948-2013: Do movimento moderno à atualidade. 1º edição. Lisboa: A+A Books, 2013, p. 312-313. TOUSSAINT, Michel - Olivais Sul. In TOUSSAINT, Michel; D’ALMEIDA, Patrícia Bento; ALCÂNTARA, Maria Daniela - Guia de Arquitetura de Lisboa 1948-2013: Do movimento moderno à atualidade. 1º edição. Lisboa: A+A Books, 2013.
FCUP356 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) TREIB. Marc - The Architecture of Landscape 1940-1960. Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 2002. TREIB. Marc - Axioms for a Modern Ladscape Architecture. In TREIB. Marc - Modern Landscape Architecture: A Critical Review. Cambridge, Mass: the MIT Press, 1993, p. 36-67. TREIB, Marc (ed.) - Modern Landscape Architecture: A Critical Review. Cambridge, Mass: the MIT Press, 1993. ULRICH, José - Apreciação do Parecer do estudo do “Arranjo da zona junto da Torre de Belém”. 1953-02-19. Acessível no Arquivo Nacional Torre do Tombo, Lisboa, Portugal. WESTON, Richard - A casa no Século Vinte. Editorial Blau, Lda, 2002. WREDE, Stuart; HOWARD, Adams - Denatured Visions. Landscape and Culture in the Twentieth Century. New York: The Museum of Modern Art, 1988. ZEVI, Bruno - História da Arquitectura Moderna. Lisboa: Editora Arcádia. Vol.I e II, 1970.
FCUP 357 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Vão ser urbanizados os terrenos que envolvem a Torre de Belém de forma a desafrontar o formoso monumento: A Torre de Belém reintegrada no quadro da paisagem ribeirinha. Diário de Lisboa. (13 Janeiro 1956) 1 e 3. [Em linha]. [consulta em 2013-03-05]. Disponível em: URL: http://www.fmsoares.pt/aeb_online/visualizador.php?nome_da_pasta=06526.0 64.14739&bd=IMPRENSA. Diário do Governo. Decreto de 23 de Junho de 1910. [Em linha]. [consulta em 2013-03-05]. Disponível em: URL: http://www.igespar.pt/media/uploads/decsmaria/ Decreto23_06_1910.pdf. Instituto de Tecnologia Nuclear - Biografia. José Frederico Casal-Ribeiro Ulrich (19051982). [Em linha]. [consulta em 2013-03-11]. Disponível em: URL: http://www.itn.pt/ memoria/bios/pt_bio_jfulrich.htm. Padrão dos descobrimentos [Em linha] [consulta em 2013-03-05]. Disponível em: URL: [http://www.torrebelem.pt/pt/index.php?s=white&pid=240]. Parlamento - Manuel Duarte Moreira de Sá e Melo. [Em linha]. [consulta em 2013-03-04]. Disponível em: URL: http://app.parlamento.pt/PublicacoesOnLine/ OsProcuradoresdaCamaraCorporativa/html/pdf/m/melo_manuel_duarte_moreira_de_ sa_e.pdf. Repositório - Inventário da Obra de Leopoldo de Almeida. Pero Escobar. [Em linha]. [consulta em 2013-03-05]. Disponível em: URL: http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/7456/253/ ulsd062806_td_inventario_239.pdf. UNESCO - Monastery of the Hieronymites and Tower of Belém in Lisbon. [Em linha]. [consulta em 2013-03-05]. Disponível em: URL: http://www.patrimoniocultural.pt/pt/ patrimonio/patrimonio-mundial/portugal/mosteiro-dos-jeronimos-e-torre-de-belem/. Voto de pesar por António Viana Barreto: Boletim Municipal. Lisboa: Câmara Municipal, 2012, nº 962, p. 90. [Em Linha]. [consulta em 2013-04-08]. Disponível em: URL: http:// bm-pesquisa.cm-lisboa.pt/apex/app_bm.download_my_file?p_file=1645. Documentos eletrónicos
FCUP358 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) http://biblarte.gulbenkian.pt/Biblarte/pt/Coleccoes/ColeccoesEspeciais/ColecoesFotograficas. http://www.cm-lisboa.pt/viver/urbanismo/planeamento-urbano/plano-diretor-municipal/ enquadramento-do-pdm. CALÇADA, Marta; JACOME, Mafalda - O Jardim da Estrela [Em linha]. [Consulta 4 outubro 2014]. Disponível em URL: http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/ SIPA.aspx?id=9888. CANDEIAS, Ana Filipa - Joaquim Rodrigo. Biografia. [Em linha]. [Consulta 12 Novembro 2014]. Disponível em URL: http://www.cam.gulbenkian.pt/index.php?article=70665&visu al=2&langId=1 CINEMATECA PORTUGUESA - MUSEU DO CIMEMA - Legado Arquiteto Mateus Júnior [Em linha] [consulta em 2014-04-26]. Disponível em: URL: http://www.cinemateca. pt/CinematecaSite/media/Documentos/Microsoft-Word---Legado-Arq-Mateus-Junior.pdf. DINIS, Sofia; FIGUEIREDO, Rute - Centro Comercial do Restelo. [Em linha]. [consulta em 2014-06-15]. Disponível em: URL: http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/ SIPA.aspx?id=16560 LIMA, Pereira - Jardim do Campo Grande [Em linha]. [Consulta 4 outubro 2014]. Disponível em URL: http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=23904. TERENO, Paula - João Guilherme Faria da Costa. [Em linha]. [Consulta 12 Novembro 2014]. Disponível em URL: http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/Entity. aspx?id=a34edeeb-1d22-4f8b-ae46-368811ee28df. Sites
FCUP 359 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) MAGALHÃES, Manuela Raposo - Entrevista a Francisco Caldeira Cabral [Registo vídeo]. Lisboa. 2009.In AAVV - Memórias do Mestre: no centenário do seu nascimento. Lisboa: Associação Portuguesa dos Arquitetos Paisagistas, 2009. [s.d.]. DVD’s
360
361 Inventário geral: Lugares e Projetos Anexo 1:
FCUP368 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) J127.1 Encosta do Restelo. II Fase de Urbanização.Projecto de Ordenamento Paisagístico (1ª fase). Plano de Plantação da Zona da Capela de S. Jerónimo. X1956 GRT AC e BL * J127.2 Capela de São Jerónimo. Estudo definitivo. X1959 GRT AC e BL * J127.3 Projecto de Ordenamento Paisagístico.Zona da Capela de S. Jerónimo – Estudo definitivo (alteração) X1961 GRT AC * Jardim no Fosso do Castelo de S. Jorge J113.1 Arranjo do fosso do Castelo de S. Jorge X1951 GRT AC Jardim da Central Pasteurizadora do Leite J114.1 Arborização e Ajardinamento da Central Pasteurizadora do Leite X1955 GRT AC A001.1 Arborização da Alameda da Cidade Universitária Xs.d. ESF AC A001.2 Cidade universitária. Alameda Central Xs.d. ESF AC e BL J013.4 C.A.N.E.U. (Comissão Administrativa dos Novos Edifícios Universitários): projecto de arborização da zona de enquadramento dos edifícios da Reitoria e das Faculdades de Letras e de Direito X1954 AVB IHRU J013.5 CANEU - Cidade Universitária de Lisboa - Enquadramento dos edifícios da Reitoria e Faculdades de Direito e de Letras X1955 AVB IHRU J014.1 Cidade Universitária de Lisboa - Zona desportiva, Ténis, Patinagem X1956 AVB e IAA IHRU J013.1 CANEU - Cidade Universitária de Lisboa - Faculdade de Letras (Pátio B) X1957 AVB e APD IHRU J013.2 CANEU - Cidade Universitária de Lisboa - Plano de arborização Xs.d. AVB IHRU Clube Internacional de Futebol J115.1 Arborização e Ajardinamento dos Campos de Jogos do Clube Internacional de Futebol X1955 GRT AC Jardim junto à Escola Marqueza de Alorna J015.1 Ajardinado junto a Escola Marqueza de Alorna Xs.d. GRT BL Jardim junto ao Instituto Navarro Paiva (Estrada de Benfica) J016.1 Ajardinamento da Estrada de Benfica, junto ao Instituto Navarro de Paiva X1963 MSC AC e BL Estrada de Benfica A032.1 Estrada de Benfica entre a Avenida Marechal Carmona e a rua A – quinta dos Leões X1970 MSC AC Estrada militar de acesso ao forte do Alto do Duque A033.1 Enquadramento da estrada militar de acesso ao forte do Alto do Duque X1954 ESF BL * XI Exposição de Floricultura O005.1 Exposição de Floricultura. Lago X1961 sa BL J110.2 Arborização e ajardinamento da Feira das Industrias Portuguesas X1955 GRT AC e BL J110.1 Ajardinado fronteiro à entrada da Feira das Industrias Portuguesas X1959 GRT BL Parque infantil da Pena J017.1 Parque Infantil da Freguesia da Pena X1955 ESF AC A034.1 Troço Rua Frei Tomé de Jesus – Rua Diogo Bernardes - Lado Sul X1959 GRT AC A034.2 Troço Rua Frei Tomé de Jesus – Rua Diogo Bernardes - Lado Sul-2º Fase X1959 MSC AC Areeiro B029.1 Arborização e ajardinamento do grupo escolar do Areeiro X1955 GRT AC e BL Igreja da Memória J116.1 Enquadramento da Igreja da Memória X1963 MSC AC e BL * Igreja da Memória J116.2 Enquadramento da Igreja da Memória Arranjo do Passeio Fronteiriço X1963 ESF AC Alameda da Cidade Universitária Jardim na Feira das Industrias Portuguesas Rua Frei Tomé de Jesus – Rua Diogo Bernardes Jardins na Cidade Universitária de Lisboa Jardim da Capela de São Jerónimo
FCUP 369 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) J018.1 Jardim junto à igreja de Nossa Senhora de Fátima X1960 GRT AC e BL J117.1 Ajardinamento do Adro da Igreja de N. Sª de Fátima Anteprojecto de remodelação X1955 ESF BL J117.2 Adro da Igreja de Nossa Srª de Fátima X1956 ESF AC e BL Jardim frente à Igreja de Santa Isabel J019.1 Ajardinado fronteiro à igreja de Santa Isabel X1954 ESF AC Jardim Igreja de São João de Brito J137.1 Jardim de enquadramento da Igreja de São João de Brito X1956 GRT AC * Jardim da Igreja S. João de Deus J020.1 Jardim da Igreja S. João de Deus. Lado N. e Lado S. X1953 GRT BL Jardim frente ao Instituto de Altos Estudos Militares J021.1 Ajardinamento do terreno fronteiro ao Instituto de Altos Estudos Militares X1964 MSC AC e BL Jardim 9 de Abril J022.1 Arranjo duma placa do Jardim 9 de Abril X1950 GRT AC Jardim Avelar Brotero J023.1 Remodelação do Jardim Avelar Brotero X1962 MSC AC Jardim Bulhão Pato J024.1 Remodelação do Jardim Bulhão Pato. (Alto do Pina) X1957 ESF BL Jardim Cesário Verde J025.1 Remodelação do jardim Cesário Verde X1955 GRT AC J026.2 Largo da Estrela (Ajardinamento dum recanto) X1957 ESF BL J026.1 Estudo para o projecto do Jardim 5 de Outubro X1959 MAC BL Jardim da Praça do Santo Condestável J027.1 Jardim da Praça do Santo Condestável X1951 GRT AC * Jardim da Rua da Imprensa J028.1 Alteração do plano do jardim da Rua da Imprensa X1950 GRT BL J029.1 Contribuição para o Estudo do enquadramento da Torre de Belém. X1953 AVB IHRU J029.2 Arranjo da zona de enquadramento da Torre de Belém X1955 AVB AC J029.3 Esquema de rega por aspersão para o enquadramento da Torre de Belém X1956 AVB AC J029.4 Torre de Belém X1957 AVB AC * Jardim de Santo António dos Capuchos J030.1 Remodelação do Jardim de Santo António dos Capuchos X1954 GRT AC Jardim de São Bento J118.1 Jardim de São Bento Xsd GRT AC J032.1 Remodelação do Jardim de São Pedro de Alcântara X1954 GRT AC J033.1 Aproveitamento dos Terrenos da Caixa Sindical dos Tipógrafos para alojamento do Jardim Infantil de São Pedro de Alcântara X1966 MSC AC Jardim do Alto do Pina J034.1 Remodelação do jardim do Alto do Pina X1956 ESF AC Jardim do Tribunal de Reclamações e Transgressões e da Repartição do Património J035.1 Remodelação do jardim do Tribunal de Reclamações e Transgressões e da Repartição do Património X1956 ESF AC e BL J036.1 Reconstrução de relvados na Praça das Flores X1951 MAC AC J036.2 Texto sobre brinquedos.Praça das Flores – Jardim Fialho de Almeida. Recinto de recreio para Crianças X1962 MSC AC Jardim Gomes de Amorim J037.1 Jardim Gomes de Amorim. Jardim do Bloco fronteiro à casa da Moeda X1953 MAC AC Jardim no Largo Frei Heitor Pinto J136.1 Jardim no Largo Frei Heitor Pinto X1951 MAC AC e BL * Jardim para a Parada dos Prazeres J038.1 Jardim para a Parada dos Prazeres X1954 ESF AC e BL * Jardins entre os Blocos nº 854-859 a norte da R. Bartolomeu Dias. J039.1 Ajardinamento dos espaços entre os Blocos nº 854-859 a norte da R. Bartolomeu Dias. X1963 MSC AC e BL * Laranjeiras B012.1 Urbanização das Laranjeiras X1957 FCC e GRT AC Largo Conde de Ottolini J040.1 Ajardinamento do Largo Conde de Ottolini X1955 ESF AC e BL Jardim Cinco de Outubro Jardim da Torre de Belém Jardim junto à igreja de Nossa Senhora de Fátima Jardim de São Pedro de Alcântara Jardim Fialho de Almeida
FCUP370 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Largo da Luz A035.1 Ajardinamento da placa do Largo da Luz, adjacente ao Seminário Franciscano X1953 GRT BL Jardim Teixeira Rebelo J041.1 Remodelação do jardim do Largo da Luz X1953 GRT AC e BL * Jardim do Largo da Rua de O Século J042.1 Largo da Rua de O Século X1950 MAC AC Jardim do Largo de S. Paulo J043.1 Arborização da Placa Central do Largo de S. Paulo X1959 GRT AC * Jardim do Largo do Calvário J046.1 Ajardinamento do Largo do Calvário X1961 ESF AC e BL Jardim do Largo do Calvário J046.2 Ajardinamento do Largo do Calvário X1955 ESF AC Jardim do Largo do Museu da Artilharia J119.1 Ajardinado do Largo do Museu da Artilharia X1955 GRT AC Jardim do Largo do Olival J047.1 Largo do Olival X1957 ESF AC Largo Dr. Bernardino António Gomes J048.1 Ajardinados do Largo Dr. Bernardino António Gomes X1958 ESF AC e BL Largos Cristóvão Aires, Fernandes Costa e Rodrigues Cordeiro J049.1 Ajardinado para os Largos Cristóvão Aires, Fernandes Costa e Rodrigues Cordeiro X1952 GRT AC e BL Liceu D. Filipa de Lencastre J120.1 Jardim Junto ao Liceu D. Filipa de Lencastre X1951 GRT AC Logradouro da Rua Eiffel J050.1 Logradouro da Rua Eiffel X1960 GRT AC e BL J121.1 Arborização e ajardinamento do Novo Matadouro Municipal X1952 GRT BL J121.2 Arborização e ajardinamento do Novo Matadouro Municipal X1954 GRT AC J121.3 Arborização e ajardinamento do Novo Matadouro Municipal X1960 GRT AC J121.4 Arborização e ajardinamento do Novo Matadouro Municipal X1963 MSC AC e BL Maternidade Alfredo da Costa J122.1 Ajardinado fronteiro à maternidade Dr. Alfredo da Costa (Cruzamento da Avenida 5 de Outubro com a R. latino Coelho X1959 GRT BL Miradouros de Santa Luzia, Portas do Sol J051.1 Arborização e ajardinamento dos miradouros de Santa Luzia, Portas do Sol e Zonas Adjacentes Xs.d. GRT AC Jardim do Museu da Marinha J123.1 Museu da Marinha - Jardim X1960 GRT IHRU Jardim do Museu Militar J124.1 Arranjo do pátio de artilharia do Museu Militar X1951 GRT AC Nó Avenida Manuel da Maia/ Avenida do México/ P. Londres /Avenida Guerra Junqueiro A036.1 Estudo do arranjo do nó Avenida Manuel da Maia/ Avenida do México/ P. Londres /Avenida Guerra Junqueiro X1961 ESF BL Nó de Alcântara A037.1 Remodelação do Nó de Alcântara X1971 MSC AC B014.1 Olivais Norte. Ajardinados junto das Casas Económicas X1959 ESF AC B014.4 Grupo escolar dos Olivais. Ajardinamento X1963 ESF BL B014.2 Olivais Norte. Espaços Verdes entre os blocos 62 e 63----- 13250 X1963 APD DPP e BL * O015.1 Olivais-Aptidão urbana X1963 APD DPP * B014.5 Olivais Norte X1964 APD DPP * B014.3 Piscina dos olivais. Enquadramento X1966 ESF AC e BL B014.6 Olivais Norte X1967 APD DPP * Matadouro Municipal Olivais Norte
FCUP 371 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) P007.6 Olivais sul. Parque poente. Estudo de arranjo X1966 sa DPP * P007.1 Olivais Sul - Parque do Vale do Silêncio. Célula C – Zona do Parque. X1968 MSC BL P007.5 Olivais SulCélula C – Zona do Parque X1968 MSC BL * P007.2 Arborização do Parque de Olivais Sul Xs.d. sa BL * P007.3 Olivais SulCélula C – Parque Xs.d. sa BL * P007.4 Olivais SulCélula C – Zona do Parque Xs.d. 1967 BL * B013.3 Espaços exteriores MOP - zona W e S X1965 APD DPP e BL * B013.2 Olivais Sul. Célula B. Z. Centro. Escolas Primárias X1969 MSC BL B013.6 Olivais Sul. Célula D. Zona Central e Zona Nascente X1969 MSC BL O014.1 Olivais Sul – Esboço das pastagens sobre as linhas de àguaPerfil Xs.d. ESF BL * O014.2 Olivais Sul - Para a exposição de AP - Suíça Xs.d. sa BL * Jardim da Praça de São Salvador J142.1 Olivais Sul. Célula C. Z. Centro. Praça D. Pormenor A. Plano de plantação (Praça de São Salvador) X1966 MSC BL Jardim do Largo Tenente João Rodrigues de Moura J144.1 Olivais Sul. Célula D. Z. Mar. Sul. Projecto de ajardinamento do pormenor F. Des 1 (Largo Tem. João Rodrigues de Moura) Xs.d. MSC BL Jardim da Praça de Dili J143.1 Olivais Sul. Célula D. Z. Mar. Sul. Projecto de ajardinamento do pormenor E. Plano de plantação. Des 1(Praça de Díli) Xs.d. MSC BL Parque de Campismo de Monsanto O006.1 Parque de Campismo de Monsanto X1963 ESF AC * P002.4 Remodelação da zona da Casa do Leão no Parque Eduardo VII X1954 ESF BL P002.1 Parque Infantil do Parque Eduardo VII X1955 ESF BL * P002.3 Recinto de recreio para crianças no Parque Eduardo VII X1964 MSC AC e BL P002.2 Alto do Parque Eduardo VII X1966 ESF BL * O007.1 Estufa Fria. Ante-projecto de Remodelação (Zona Nascente) X1954 GRT, ESF e MAC BL O007.2 Arranjo interior de pavilhão (Alto do parque Eduardo VII) X1966 ESF BL Parque Silva Porto J128.1 Colocação do Busto de Silva Porto no Parque Silva Porto X1952 GRT BL Jardim da Placa formada pela Cç de Arroios e Rua Alves Torgo J054.1 Ajardinado para a Placa formada pela Cç de Arroios e Rua Alves Torgo X1954 ESF AC A053.3 Arranjo Paisagístico dos acessos à Ponte sobre o Tejo – Zona Norte X1967 MSC AC A053.2 Acessos à Ponte sobre o Tejo Estabilização dos taludes Xs.d. MSC AC * A053.1 Arranjo Paisagístico dos Acessos á Ponte Salazar Xs.d. MSC AC J055.1 Jardim da Praça Jacinto Nunes X1953 GRT BL J055.2 Jardim da Praça Jacinto Nunes X1956 GRT AC J056.2 Jardim da Praça Afrânio Peixoto X1952 GRT AC * J056.1 Arborização da Praça Afranio Peixoto e 1ª fase da Avenida S. João de Deus X1953 GRT BL Jardim da Praça António Sardinha J058.1 Jardim da Praça António Sardinha à Penha de França X1951 GRT AC * Jardim da Praça de Damão J140.1 Construção do jardim da Praça de Damão X1951 GRT AC e BL * Jardim da Praça Afrânio Peixoto Estufa fria Parque Eduardo VII Olivais Sul Jardim da Praça Paiva Couceiro (antiga Jacinto Nunes) Acessos à Ponte sobre o Tejo Parque do Vale do Silêncio
FCUP372 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) A038.1 Urbanização da Praça de Espanha, da Artéria em Prolongamento da Avenida AAA, da Palhavã e de Sete-Rios - Estudo base X1957 GRT AC A038.2 Espaços verdes da Praça de Espanha X1959 GRT BL B018.1 Encosta do Restelo. II Fase de Urbanização.Projecto de Ordenamento Paisagístico (1ª fase) X1956 GRT AC e BL * B018.2 Arborização e ajardinamento do Grupo Escolar da encosta do Restelo - Praça de Goa X1958 ESF AC e BL B018.8 Capela de Santo Cristo Rua de Alcolena X1959 GRT AC B018.10 Estudo de revisão da zona limitada pelas ruas Gonçalves Zarco, Tristão Vaz, Mem Rodrigues e Av da Ilha da Madeira X1967 ESF AC * Jardim da Praça de Goa J139.1 Construção do Jardim da Praça de Goa X1951 GRT AC e BL * J059.3 Jardim da Praça de Londres X1950 MSC AC * J059.1 Arborização da Praça de Londres X1951 MAC AC e BL J059.2 Praça de Londres X1952 GRT AC e BL Jardim da Praça de Malaca J141.1 Projecto do Jardim da Praceta V da Rua D. Francisco de Almeida X1959 GRT AC e BL Jardim da Praça de Sete Rios J060.1 Ajardinamento da Praça de Sete Rios X1963 MSC BL * Parque de estacionamento da Praça do Império A039.1 Trabalhos complementares de ajardinamento na orla do parque de estacionamento de automóveis da zona nascente da Praça do Império X1960 ESF BL Jardim frente ao Mosteiro dos Jerónimos J125.1 -Sem legenda. Informação retirada da ficha em papel-Ângulo de abertura sobre os Jerónimos Xsd GRT e MAC BL J061.1 Ajardinamento a nascente e poente da Praça do Império X1960 ESF AC J061.2 Ensombramento de bancos na Praça do Império Xs.d. MAC e WO AC J062.1 Arborização e ajardinamento da encosta da Praça do Ultramar X1950 GRT BL J062.2 Jardim da placa central da Praça de Ultramar X1950 MAC BL Praça dos Estados Unidos da América J063.2 Praça dos EUA Arranjo de um recanto -sul X1962 ESF AC J064.2 Colocação de bancos (Tipo 6) na Praça Duque de Saldanha X1951 MAC BL J064.1 Arborização da Praça Duque de Saldanha X1968 ESF AC * Praça Marquês de Pombal A040.1 Praça Marquês de Pombal X1955 GRT BL * Jardim da Praça Pasteur J066.1 Jardim da Praça Pasteur X1952 MAC AC e BL Praça Pasteur J066.2 Praça Pasteur. Localização do monumento a Luisa Tódi X1953 GRT AC e BL Jardim da Praça Rainha Santa J067.1 Ajardinamento da Quinta das Mouras. Praça Rainha Santa X1968 JMM BL Jardim da Praça Silvestre Pinheiro Ferreira J068.1 Ajardinamento da praceta da Estrada de Benfica (junto ao Instituto Navarro de Paiva) X1963 MSC BL Jardim da Praceta Afonso Lopes Vieira J069.1 Ajardinado da Praceta Afonso Lopes Vieira X1962 ESF AC e BL Jardim da Praceta da Avenida Gomes Ferreira J070.1 Arborização e ajardinamento da Praceta da Avenida Gomes Ferreira X1957 ESF BL Jardim da Praceta da Calçada do Carrascal J071.1 Ajardinado para a Praceta da Calçada do Carrascal X1954 GRT AC e BL Jardim da Praceta da Estrada de Benfica, nº 447 J072.1 Ajardinamento da Praceta da Estrada de Benfica, nº 447 ( L. General Joaquim José Machado – a lápis) X1954 ESF BL Praça de Espanha Jardim da Praça de Londres Encosta do Restelo Praça do Império Praça do Ultramar Praça Duque de Saldanha
FCUP 373 Contributos da Arquitetura Paisagista para o espaço público de Lisboa (1940-1970) Jardim da Praceta da Rua 1 à estrada de Benfica J073.1 Ajardinamento da Praceta da Rua 1 à estrada de Benfica(Calhariz de Benfica– a lápis) X1967 MSC BL Jardim da Praceta da Rua Conde de Monsaraz J074.1 Ajardinamento da Praceta da Rua Conde de Monsaraz X1962 MSC BL Jardim da Praceta da Rua Dona Luísa de Gusmão J075.1 Ajardinamento da Quinta das Mouras. Praceta da Rua Dona Luísa de Gusmão X1968 JMM BL Jardim da Praceta da Rua Francisco Sanches J076.1 Ajardinamento da Praceta da Rua Francisco Sanches. X1956 ESF AC e BL Jardim da Praceta da Rua Virgínia Vitorino J077.1 Bairro das Mouras. Célula 4 de Telheiras. Praceta da Rua Virgínia Vitorino X1969 JMM BL Jardim da Praceta Dr. Teixeira de Aragão J078.1 Arborização e ajardinamento da Praceta Dr. Teixeira de Aragão X1957 ESF BL Jardim da Praceta II da Estrada de Benfica J079.1 Ajardinado da Praceta II da Estrada de Benfica (L. Conde de Bonfim – a lápis) X1955 ESF AC e BL Jardim da Quinta das Pedralvas J080.1 Quinta das Pedralvas. Ajardinamento dos espaços verdes X1962 MSC BL Jardim na Quinta do Brito J081.1 Praceta da Estrada do Poço do Chão (Quinta do Brito) X1963 MSC AC e BL B003.3 Quinta do Charquinho. Espaços verdes do novo bairro a construir X1962 MSC AC e BL J082.1 Quinta do Charquinho. Ajardinado junto à zona comercial X1964 MSC BL Quinta do Morgado O008.1 Quinta do Morgado. Ordenamento para instalação do viveiro X1967 MSC AC e BL Quinta do Vadre J148.1 Ajardinado da Quinta do Vadre à Estrada de Benfica X1955 ESF AC Quinta dos Travassos (Jardim da Praça General Vicente de Freitas) J083.1 Ajardinados da Quinta dos Travassos (à Estrada de Benfica) X1956 ESF BL Rotunda do Aeroporto A041.1 Remodelação da Placa da Rotunda do Aeroporto X1953 GRT AC e BL Jardim na Rua 75-78 da célula 4 de Benfica J084.1 Ajardinados junto à Rua 75-78 da célula 4 de Benfica X1964 MSC AC e BL Rua Actor Vale B030.1 Ajardinamento do grupo escolar da Rua Actor Vale X1963 MSC BL Jardim na Rua Agostinho Lourenço J085.1 Ajardinado da Rua Agostinho Lourenço (À Avenida do Aeroporto) X1959 GRT AC e BL Rua António Nobre A042.1 Arborização da Rua António Nobre X1958 ESF AC Jardim na Rua Coelho da Rocha J086.1 Ajardinado da Rua Coelho da Rocha X1956 ESF BL Rua Conde Ficalho A043.1 Arborização da Rua Conde Ficalho X1970 JMM AC Rua D. Francisco Manuel de Melo A044.1 Arborização da Rua D. Francisco Manuel de Melo (Remodelação) X1958 ESF BL Jardim na Rua D. João V J087.1 Projecto do ajardinado da Rua D. João V X1954 ESF AC Jardim junto à Rua D. Lourenço de Almeida J088.1 Ajardinados junto à rua D. Lourenço de Almeida X1964 MSC AC e BL * Jardim na Rua de S. Bento J090.1 Jardim da Rua de S. Bento X1956 GRT AC e BL Rua de São José B031.1 Ajardinamento da Escola Primária da Rua de São José X1954 GRT AC J091.1 Ajardinamento dos espaços livres entre a travessa do Giestal e a R. Diogo Cão X1968 JMM BL * J091.2 Traseiras dos prédios nº 6 a 20 X1970 JMM BL Jardim na Rua dos Jerónimos J092.1 Ajardinado a Sul da Rua dos Jerónimos X1954 ESF AC e BL Jardim na Rua Duarte Galvão J093 Ajardinados do arruamento Projectado á rua Duarte Galvão X1959 ESF AC Jardim na Rua Eduardo de Noronha J094 Jardim miradouro da Rua Eduardo de Noronha X1954 GRT AC e BL Quinta do Charquinho Jardim na Rua Diogo Cão
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