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Relatório Final de Estágio Profissional

Pedro Manuel Mesquita de Figueiredo Moutinho

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Desporto Escolar na Escola Secundária Abel Salazar Relatório de Estágio Profissional Relatório de Estágio apresentado com vista à obtenção do 2º ciclo de Estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário (Decreto-lei nº 74/2006 de 24 de março e o Decreto-lei nº 43/2007 de fevereiro). Orientadora: Professora Doutora Luísa Estriga Pedro Manuel Mesquita de Figueiredo Moutinho Porto, 28 de setembro 2012 Ficha de Catalogação Moutinho, P. (2012). Relatório de Estágio Profissionalizante. Porto: P. Moutinho. Relatório de Estágio Profissionalizante para obtenção do grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. PALAVRAS-CHAVE: ESTÁGIO PROFISSIONAL; EDUCAÇÃO FÍSICA; PROFESSOR; REFLEXÃO; DESPORTO ESCOLAR. III Dedicatórias À minha Família Aos meus Pais Aos meus Irmãos À minha Filha À minha Namorada V Agradecimentos Á minha Professora Orientadora, Doutora Luísa Estriga, pela grande ajuda na escolha do tema para o estudo deste Relatório de Estágio Profissional, assim como pelo apoio e auxílio na preparação e construção do mesmo. À minha Professora Cooperante, Manuela Reina, por ter estado sempre presente, exigindo o melhor de mim e ensinando-me a ser um melhor professor de Educação Física, através das várias reflexões feitas em conjunto. A todos os meus familiares, principalmente aos meus pais, por todo o apoio que me deram ao longo destes 25 anos, e por permitirem que realizasse a minha formação, ajudando em tudo o que lhes era possível. À minha filha, principalmente pelo tempo que não pude estar com ela, tanto nas brincadeiras como na sua educação para me poder formar. À minha namorada, Solange, por todo o apoio incondicional que me deu e pela compreensão que teve para comigo, tanto nos bons como nos maus momentos da vida académica, assim como pelo tempo que também não lhe pude dedicar. Ao meu Núcleo de Estágio, Joana e Nuno, que estiveram sempre presentes, ajudando-me quando necessário e apoiando-me nos momentos menos bons. A todos os colegas de curso, e aos amigos de faculdade, que nestes 6 anos me tiveram que “aguentar”. À Escola Secundária Abel Salazar, aos professores e funcionários que sempre me estenderam a mão. Aos meus alunos da turma 11ºE, que foram os primeiros alunos que tive em contexto de escola e como tal nunca os esquecerei. À Tuna Musicatta Contractile, agradeço os muitos valores que lá aprendi e que me serviram para o Estágio e que me servirão para toda a vida. Pelos grandes amigos e momentos que lá passei, os melhores na minha vida académica, que para sempre recordarei. “Uma vez Tuno…Tuno para sempre!”. VI Aos meus amigos, que nem sempre podem estar presentes, mas que nunca estão ausentes. A todos eles, o meu muito obrigado. VII Índice Geral Índice de Quadros ....................................................................................................... IX Índice de Figuras ......................................................................................................... XI Índice de Anexos ....................................................................................................... XIII Resumo ..................................................................................................................... XV Abstract ................................................................................................................... XVII Abreviaturas ............................................................................................................. XIX 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................... 1 2. ENQUADRAMENTO AUTOBIOGRÁFICO ......................................................... 7 2.1. O Meu Percurso .......................................................................................... 9 2.2. Das Expetativas à Realidade .................................................................... 11 3. ENQUADRAMENTO DA PRÁTICA PROFISSIONAL ....................................... 15 3.1. Estágio Profissional ................................................................................... 17 3.2. Enquadramento Legal ............................................................................... 17 3.3. Enquadramento Institucional ..................................................................... 20 3.4. Enquadramento Concetual ........................................................................ 20 3.5. Enquadramento Funcional ........................................................................ 22 3.6. O Professor e a Escola Atual .................................................................... 23 3.6.1. O Professor ........................................................................................... 23 3.6.2. A Escola Atual ....................................................................................... 27 4. REALIZAÇÃO DA PRÁTICA PROFISSIONAL ................................................. 31 4.1. Área 1 – Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem ................ 33 VIII 4.1.1. Conceção .............................................................................................. 33 4.1.2. Planeamento ......................................................................................... 35 4.1.3. Realização ............................................................................................. 40 4.1.4. Avaliação ............................................................................................... 53 4.2. Área 2 e 3 – Participação na Escola e Relação com a Comunidade ......... 56 4.2.1. Direção de Turma .................................................................................. 57 4.2.2. Atividades Escolares ............................................................................. 59 4.2.3. Corta-Mato e o IV Meeting de Atletismo ................................................ 60 4.2.4. Visita de Estudo e Torneios Concelhios ................................................. 61 4.2.5. Investigação-Ação: O Desporto Escolar na ESAS ................................. 64 4.2.5.1. Introdução .......................................................................................... 64 4.2.5.2. Objetivos ............................................................................................ 67 4.2.5.3. Metodologia ....................................................................................... 67 4.2.5.4. Resultados ......................................................................................... 69 4.2.5.5. Discussão .......................................................................................... 80 4.2.5.6. Conclusões ........................................................................................ 86 4.2.5.7. Sugestões para futuros estudos ......................................................... 87 4.3. Área 4 – Desenvolvimento Profissional ..................................................... 88 5. Conclusão e Perspetivas para o Futuro............................................................ 91 6. Referências Bibliográficas ................................................................................ 97 7. Síntese Final .................................................................................................. 103 8. Anexos ................................................................................................................ i IX Índice de Quadros Quadro 1: Distribuição dos alunos pelos anos e turmas. ............................................ 67 Quadro 2: Número de turmas e de alunos por ano de escolaridade. .......................... 68 Quadro 3: Distribuição do número dos alunos por idades. .......................................... 69 Quadro 4: Distribuição dos alunos pelas razões que os levaram a escolher as modalidades que praticam atualmente. ...................................................................... 74 Quadro 5: Distribuição dos alunos que nunca praticaram nenhum tipo de desporto, pelas razões que os levaram a ter essa opção. .......................................................... 74 Quadro 6: Razões que levaram à escolha da modalidade atualmente praticada no Desporto Escolar. ....................................................................................................... 76 Quadro 7: Níveis de Satisfação relativamente aos vários parâmetros do Desporto Escolar........................................................................................................................ 78 Quadro 8: Distribuições dos alunos pelas razões que os levaram a nunca ter praticado Desporto Escolar ou por já terem praticado, mas não praticarem atualmente............. 78 Quadro 9: Número de alunos por sugestão de melhorias do Desporto Escolar na Escola Secundária Abel Salazar. ................................................................................ 80 XVII Abstract This document was prepared under the Professional Stage Course, 2nd Year of 2nd Cycle of Teaching in Physical Education in Primary and Secondary Education, School of Sport, University of Porto. The objective of this work is to reflect on knowledge and skills that I acquired in the long process of stage for confrontation with the real context of teaching physical education in the Abel Salazar High School in the class of 11 º E. That report are also detailed topics directly related to teaching, and significant experiences, both in the field of personal training or as physical education in particular. This report is organized into four chapters: the first relates to the - Autobiographical Framework - in which I approach My Way up to the present and think about my expectations for the Professional Practice - Expectations to reality. In chapter two - A Framework for Professional Practice - make some considerations about the Professional Stage, reaching the point of view of their framework, whether legal, institutional, and even conceptual and even functional, ending with a reflection On the Current Teacher and School. The third chapter is subject to Realization of Professional Practice, in which I discuss the four performance areas of physical education teacher, referring to all the difficulties, anxieties, problems and obstacles that I encountered this year. Even at this point, I present the results of the action research study that I do in the school where stage, subordinated to the theme "Sports School in the Secondary School Abel Salazar." In the fourth and final chapter - Conclusion and Perspectives for the Future - presenting the main conclusions of Professional Stage putting into perspective the possibilities and future challenges of the profession I chose and for which I prepared. KEYWORDS: PROFESSIONAL STAGE; PHYSICAL EDUCATION; TEACHER; REFLECTION; SCHOOL SPORTS. XIX Abreviaturas AD – Avaliação Diagnóstico AF – Avaliação Formativa AS - Avaliação Sumativa DE – Desporto Escolar DT – Direção de Turma EF - Educação Física EP – Estágio Pedagógico ESAS – Escola Secundária Abel Salazar FADEUP – Faculdade de Desporto da Universidade do Porto MEC – Modelo de Estrutura de Conhecimento NE – Núcleo de Estágio PES – Prática de Ensino Supervisionada PC – Professora Cooperante PO – Professora Orientadora REP – Relatório de Estágio Profissionalizante 1. INTRODUÇÃO Introdução 3 Só muito recentemente as massas se aperceberam da enorme importância da educação, tanto a nível pessoal como social e político.” Mialaret & Fabra, 1979, p. 35 A problemática não é nova, como ilustra a epígrafe acima transcrita, mas parece ter sido relegada para segundo plano, em face da atual crise financeira e do evidente desinvestimento na educação, aos mais variados níveis de ensino. O Estágio Profissional (EP) é uma das fases mais importantes, se não mesmo a mais importante, na formação inicial de um docente, pois é quando um professor começa a adquirir a sua identidade profissional. É neste momento que adquire uma imagem de docência, com determinados valores e princípios, que vão ser fundamentais na formação e a educação das crianças e jovens. Para se ser professor é necessário adquirir um conjunto lato de conhecimentos e competências essenciais para a docência. Segundo Cunha (2007), a formação inicial insere-se numa dinâmica formativa e de fortes conteúdos, conjeturando uma dependência a níveis administrativos e tutelares. Mas, e como refere Costa (1996), a aprendizagem da docência não começa com o início do curso de professor, nem termina com o seu diploma, mas é algo que se vai (re)construindo durante toda a sua carreira. Logo, mesmo depois de um professor obter o seu mestrado, precisa de procurar uma formação contínua, cavando assim em busca de novos conhecimentos e melhorando as suas competências. Por outro lado, a formação de professores de diferentes áreas, como Matemática, História ou Português, por exemplo, não pode, nem deve ser igual. O mesmo acontece para a Educação Física (EF). Cunha (2007) afirma que os professores de EF devem ter uma formação contínua, numa perspetiva construtivista e holística, e que devem, enquanto professores, participar, tendo um papel fulcral na conceção, nas necessidades/expetativas, nos problemas e na própria avaliação. O mesmo autor refere ainda que é preciso ter em conta as necessidades dos professores que estão a ser formados, pois a essas carências nem sempre é dada a devida importância, principalmente quando Introdução 4 relacionadas com a prática profissional e a resolução de problemas que aparecem no dia-a-dia. A realização do EP implica que a cada estagiário seja atribuída uma escola e consequentemente integre um Núcleo de Estágio (NE). Por norma, cada núcleo é composto por três ou quatro estagiários, uma Professora Cooperante (PC) da escola e uma Professora Orientadora (PO) da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP). Matos (2011) refere que a orientação da Prática de Ensino Supervisionada (PES) é efetuada pela PO e pela PC. A PC tem como principais funções acompanhar e orientar o estagiário no dia-a-dia, estando presente em todas as aulas e em todas as tarefas ao nível escolar em que o estagiário participe, entre outras. A PO, de entre as muitas funções, assume um papel de orientação, principalmente ao nível do Relatório de Estágio Profissional (REP) e tem a tarefa de supervisionar o desenvolvimento do estágio, nas mais variadas vertentes, mas com maior ênfase na observação das tarefas inerentes à lecionação. O principal objetivo do EP é a habilitação do ponto de vista prático e também formal do estagiário para o exercício das funções de docente em geral e de EF em particular. Este processo pretende-se que ocorra de forma integrada, progressiva e devidamente orientada. Naturalmente que se atribui ao estagiário um papel central, porquanto a sua capacidade de aprendizagem, reflexão, empenho e motivações têm um papel determinante na aquisição de conhecimento e desenvolvimento de competências. Habitualmente, os estudantes têm grandes expetativas em relação ao EP e, como é óbvio, eu não sou diferente. Sempre tive esperança de que tudo corresse bem, e que fosse capaz de atingir os meus objetivos bem como os objetivos essenciais inerentes aos Estágios Profissionais. Aprendi muito ao longo do ano, como era a minha expetativa. Aprendi com os meus alunos no que diz respeito ao lidar com eles e principalmente comigo mesmo, ao tentar (re)inventar soluções para me “desembaraçar” das situações e obstáculos mais difíceis que iam surgindo, sempre através de prática reflexiva. Nas relações interpessoais, com a minha PC e com a minha PO, descobri e adquiri conhecimentos consistentes ao nível de estratégias e metodologias de ensino. Introdução 5 A finalidade deste trabalho é resumir e transmitir, da melhor forma possível, todo este ano, enquanto etapa da minha vida em que tive experiências bastante positivas, tanto para a minha futura vida profissional como para a minha formação pessoal. Não será tarefa fácil, mas espero que seja recompensador (re)visitar todo o processo pelo qual caminhei, refletindo sobre todos os obstáculos com que me fui deparando e como os ultrapassei, ou deveria ter ultrapassado, em circunstâncias muito particulares. Num processo centrado essencialmente no aluno, adquiri competências que, seguramente, redesenharão o meu futuro nesta profissão tão exigente, mas, ao mesmo tempo, tão envolvente. Enquadramento Autobiográfico 12 Todavia, penso que a condição de aluno, durante a minha vida, vai ser um papel que nunca irei abandonar e não penso em cessar a minha formação com o estágio. Apesar de não ter uma completa autonomia profissional no papel de professor estagiário, foi neste contexto que comecei a construir a minha identidade profissional e a estar aberto à inovação, pois só assim acredito conseguir ser um docente competente. Assim, iniciei o meu processo de estágio com imensas expetativas. Entendia que era a oportunidade para pôr em prática tudo o que até então tinha adquirido e, ao mesmo tempo, (re)construir mais e novo conhecimento e desenvolver competências de ensino. O voltar à escola foi bom e ao mesmo tempo dissemelhante, isto é, foi o momento de recordar tudo o que lá passei como aluno e agora regressar noutra condição, no papel de professor. Foi o voltar a um mundo novo, pois muita coisa mudou, desde a sua organização à sua gestão, e só agora, como professor, é que tenho essa perceção. Penso que essa perceção é fruto da minha própria mudança, principalmente ao nível da maneira de ver as coisas. Vi a escola com outros olhos, com muito mais conhecimento sobre a mesma e, por isso mesmo, com outra opinião. Assim, tinha várias questões que me iam surgindo nas semanas que precediam o dia de apresentação na escola, tais como: Quem será a minha Orientadora? Quem será a minha Professora Cooperante e como será? Qual vai ser a minha turma? De que ano? Será que prefiro turmas mais novas ou mais velhas? Que matérias vou lecionar? Será que estou preparado para ser professor? Será que me vou conseguir relacionar bem com os meus alunos? Será que irei conseguir aplicar todos os meus conhecimentos e ser competente? Quais irão ser as minhas maiores dificuldades? Será que as vou conseguir ultrapassar sozinho? Será que vou conseguir realizar todas as tarefas?... Todas as expetativas e perguntas sem resposta acima apresentadas, penso que foram desde logo esclarecidas. Fiquei numa das minhas primeiras escolhas, ao nível das escolas. A PC da Escola Secundária Abel Salazar (ESAS), é uma pessoa com largos anos de experiência, tanto como Professora Enquadramento Autobiográfico 13 de EF como PC. Logo, só poderia ser positivo para mim, tal como para o meu NE. A turma que me foi atribuída foi o 11º E. Depois de a ir conhecendo, percebi que era uma turma calma, embora desinteressada pela atividade física. Quanto à pergunta de estar preparado ou não, penso que, no princípio, o contacto com a escola e com todo o trabalho que se avizinhava foi difícil, porque foram muitas tarefas ao mesmo tempo. No entanto, com o passar das semanas, consegui entrar no ritmo diário do estágio, e deixou de ser tão complicado. Sempre que alguma dificuldade surgiu, como organizar o Meeting de Atletismo, creio que com alguma preparação e boa vontade consegui ultrapassar a situação. Gostava que este ano não fosse apenas mais um, mas o primeiro de muitos. Espero, sobretudo, que os alunos tenham gostado e que, acima de tudo, tenham aprendido tudo aquilo que lhes tentei transmitir durante o ano letivo. Penso que ao longo do tempo consegui ser eficaz e passar a mensagem aos alunos de um modo muito positivo. Relativamente às matérias que lecionei este ano, foi na Dança que senti mais dificuldade, uma vez que considero que é um dos maiores défices na minha formação, pois apenas tive duas aulas práticas de Dança na minha formação académica. Para combater esta situação, nesta UD tive a colaboração do meu NE. Outro desafio foi a aplicação do MED na UD de Basquetebol, pois durante a minha formação sempre que o apliquei foi em grupo, nunca como professor único. Isto é, numa turma de mestrado existiam vários grupos de 6 elementos, e todos juntos organizávamos o MED para uma turma numa escola. Depois os grupos iam lecionando cada um na sua vez. Quanto à participação na vida escolar, penso que me integrei bem, uma vez que todos os docentes e não docentes que conheci foram muito prestáveis. Sempre que necessitei de alguma coisa, todos os colegas ajudaram, tendo-me relacionado com facilidade com todos eles. Participei, também, no Desporto Escolar (DE) de Ténis e, como estou ligado ao Andebol, fiquei responsável, juntamente com a Estagiária Joana Monteiro, pela seleção de Andebol Feminino nos Torneios Concelhios. Como NE, além de organizar o Meeting de Enquadramento Autobiográfico 14 Atletismo, também participei no Torneio Concelhio com os alunos selecionados para as modalidades de Atletismo. Participei ainda na organização de uma visita de estudo à Marina do Freixo e ao Clube de Remo do Gramido. O objetivo era mostrar aos alunos as instalações de um clube de remo de alto rendimento, enquadrado no contexto do Rio Douro, mostrando-lhes a zona e, ao mesmo tempo, realizar uma caminhada ao ar livre, como forma de praticar atividade física. 3. ENQUADRAMENTO DA PRÁTICA PROFISSIONAL Enquadramento da Prática Profissional 17 3.1. Estágio Profissional Na minha opinião, o EP é o pôr em prática de toda a experiência que fui adquirindo enquanto treinador de andebol e de todos os anos anteriores de formação teórica e teórico-prática que adquiri na faculdade. Isto é, “ (…) o saber profissional tem de ser construído – e refiro-me à formação – assente no princípio da teorização, prévia e posterior, tutorizada e discutida, da ação profissional docente, sua e observada noutros” (Roldão, 2007, p. 101). Essa atividade profissional inicial deve ser avaliada através de um orientador, tal como afirma Campos (1995), que a responsabilização da docência com supervisão acontece na prática pedagógica e normalmente realiza-se após a formação nas outras componentes. O EP assume-se assim decisivo e determinante na formação inicial de um professor. Bento et al. (1999) refere que as constantes reformas na formação de docentes, dos currículos para a formação dos mesmos, as exigências legais de adesão à profissão e para a investigação em ensino revelam conflitos ao nível da conceção na preparação dos professores. Estas mudanças ao nível das conceções na formação de docentes são prejudiciais à educação e, como tal, deveriam ser uniformizadas para evitar esses conflitos. O EP contempla ainda vários enquadramentos, como o legal, o institucional, o conceptual e o funcional, que serão alvo de uma análise mais aprofundada nos capítulos subsequentes. 3.2. Enquadramento Legal A análise ao contexto legal do EP remete-nos para as Normas Orientadoras do EP, do Ciclo de Estudos conducente ao Grau de Mestre em Ensino de EF, nos Ensinos Básicos e Secundários da FADEUP, e para o Documento da Avaliação da Prática Supervisionada. Enquadramento da Prática Profissional 18 No documento Normas Orientadoras, o EP “ (…) entende-se como um projeto de formação do estudante com a integração do conhecimento proposicional e prático necessário ao professor, numa interpretação atual da relação teórica prática e contextualizando o conhecimento no espaço escolar. O projeto de formação tem como objetivo a formação do professor profissional, promotor de um ensino de qualidade. Um professor reflexivo que analisa, reflete e sabe justificar o que faz em consonância com os critérios de profissionalismo docente e o conjunto das funções docentes entre as quais sobressaem funções letivas, de organização e gestão, investigativas e de cooperação” (Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, 2010/2011a, p. 3). Relativamente ao Artigo 1º - Natureza, do Regulamento de Unidade Curricular Estágio Profissional do Ciclo de Estudos conducente ao Grau de Mestre em Ensino de EF nos Ensinos Básicos e Secundário da FADEUP, “ a Iniciação à Prática Profissional do Ciclo de Estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino de EF da FADEU integra o EP – Prática de Ensino Supervisionada (PES) e o correspondente REP rege-se pelas normas de instituição universitária e pela legislação específica acerca da Habilitação Profissional para a Docência. A estrutura e funcionamento do EP considera os princípios decorrentes das orientações legais nomeadamente as constantes do Decreto-lei nº 74/2006 de 24 de março e o Decreto-lei nº 43/2007 de 22 de fevereiro e tem em conta o Regulamento Geral dos segundos ciclos da UP, o Regulamento do Curso de Mestrado em Ensino de EF. O EP é uma unidade curricular do segundo ciclo de estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino de EF da FADEUP e decorre no terceiro e quarto semestres do ciclo de estudos” (Faculdade de Desporto da Universidade do Porto 2010/2011b, p. 2). O Artigo 2º - Objetivos, do mesmo documento refere que, “o EP visa a integração no exercício da vida profissional de forma progressiva e orientada, através da prática de ensino supervisionada em contexto real, desenvolvendo as competências profissionais que promovam nos futuros docentes um desempenho crítico e reflexivo, capaz de responder aos desafios e exigências da profissão. Estas competências profissionais, associadas a um ensino da EF Enquadramento da Prática Profissional 19 e Desporto de qualidade, reportam-se ao Perfil Geral de Desempenho do Educador e do Professor (Decreto-lei nº 240/2001 de 17 de agosto) e organizam-se nas seguintes áreas de desempenho: I. Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem; II. Participação na Escola; III. Relação com a Comunidade; IV. Desenvolvimento Profissional.” (Faculdade de Desporto da Universidade do Porto 2010/2011b, p. 2) O Artigo 10º - Avaliação, do documento anterior abriga “a avaliação do EP, de acordo com os seus objetivos, privilegiará as competências pedagógicas, didáticas e científicas, associadas a um desempenho profissional critico e reflexivo, apoiado numa ética profissional em que se destaca a disponibilidade para o trabalho em equipa, a sentido de responsabilidade, a assiduidade, a pontualidade, a apresentação e conduta pessoal adequadas na Escola. A avaliação do EP privilegia a função formativa e decorre em dois momentos: o primeiro, designado como avaliação intermédia, decorre no final do primeiro semestre, e o segundo, designado como avaliação sumativa final, que se realiza depois de concluídas as atividades de estágio coincidindo com o final do 3º período escolar. A avaliação intermédia tem um papel formativo importante e serão obrigatoriamente sinalizados e sujeitos a avaliação cruzada todos os estagiários que, de acordo com os níveis do Perfil Global do Estagiário, se situem no escalão Excelente e Insuficiente. A classificação do EP é a expressão da avaliação realizada pelos professores orientadores do núcleo de estágio, orientador da FADEUP e PC, sob proposta do orientador da FADEUP e ouvido o Coordenador do Departamento Curricular da Escola onde decorre o EP. Após a ratificação pela regente do EP, as classificações dos estagiários serão finais e definitivas, podendo ser publicadas em pauta por si assinada. Não será aprovado o estagiário cuja avaliação for insuficiente em qualquer um dos critérios ou áreas de desempenho. Todas as faltas ocorridas nas atividades de estágio planeadas devem ser obrigatoriamente justificadas, por escrito, com comprovativo do impedimento, e entregues à regente do EP Enquadramento da Prática Profissional 20 através do PO da FADEUP. O não cumprimento desta exigência constituirá forte motivo para a reprovação do EP. O estagiário que por força do referido no texto acima, não reúna condições para ser aprovado terá a sua colocação na escola suspensa” (Faculdade de Desporto da Universidade do Porto 2010/2011b, p. 7). 3.3. Enquadramento Institucional O EP é uma unidade curricular do segundo ciclo de estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino de EF da FADEUP e decorre no terceiro e quarto semestres do ciclo de estudos, o que corresponde a um ano letivo, visto que se inicia no dia 1 de setembro e acaba no fim do 3º Período da escola. As principais tarefas do EP são o PES e o REP. O primeiro tem como responsável, pela sua orientação, um docente da FADEUP, nomeadamente o Orientador de Estágio, e de um PC da escola, escolhido pela comissão científica. A coordenação do REP é levada a cabo, principalmente, pela PO da FADEUP. 3.4. Enquadramento Concetual Esta instituição (FADEUP) adota uma orientação concetual prática. Esta reflexão sobre as ações realizadas, durante e após uma situação escolar, serve para tirar um significado da mesma, analisando-a durante ou depois de a fazer. Enquanto professor, tomámos uma dada decisão, e depois refletimos sobre ela. Segundo Jacinto (2003), a conceção prática baseia-se na perceção da realidade, uma realidade múltipla, subjetiva e que não é cientificamente Enquadramento da Prática Profissional 21 observável. Analisámos, assim, as nossas ações tendo em conta o que correu bem, o que correu mal, o porquê de ter ocorrido dessa maneira, estratégias para melhorar a ação desenvolvida e novos métodos para combater o insucesso. Com efeito, o processo por si só favorece a (re) construção de conhecimentos. Nóvoa (s.d.) propõe um conjunto de princípios que devem nortear a formação de um professor de EF, a saber: 1º Princípio: a formação deve ter uma grande componente prática, valorizando a aprendizagem dos estagiários, sempre em contexto escolar. Assim como acontece no 2º semestre do 1º ano de mestrado. Existe uma grande carga horária de didáticas, direcionadas para a aprendizagem dos alunos na escola. 2º Princípio: a formação deve passar para o “interior” da profissão de professor, adquirindo uma cultura profissional. Tal como acontece no EP, onde o estagiário tem uma turma atribuída, numa escola, adquirindo uma cultura profissional, influenciada pelo conjunto de professores que o rodeia. 3º Princípio: focalizar as dimensões pessoais da profissão docente, adquirindo experiências ao nível da relação e comunicação com os seus pares. Durante o EP, o estagiário enquanto professor é “obrigado” a comunicar de igual para com os outros docentes, tendo que familiarizar-se com os mesmos, contribuindo assim para a aquisição de novos saberes. 4º Princípio: a importância do trabalho de equipa e o exercício coletivo da profissão, reforçando os projetos educativos de escola. Aqui, o estagiário além do NE ao qual pertence, está inserido num grupo de EF da escola, tendo que trabalhar em equipa em particular, no que diz respeito ao Projeto Educativo da Escola em que está inserido. 5º Princípio: existir uma responsabilidade social, favorecendo a comunicação pública e participar ativamente na escola. Uma das áreas de desempenho no EP é a participação na escola, onde se exige responsabilidade pessoal em todas as atividades. Enquadramento da Prática Profissional 28 Citando Nóvoa (1995), as instituições escolares têm de adquirir uma maior mobilidade e flexibilidade, que vá de encontro às complexas burocracias das administrações. É portanto necessário tornar a escola mais eficaz, algo que, na minha opinião, não se consegue com a reforma atual. É imprescindível dotar as escolas de uma maior autonomia. Como refere Barroso (1997), o processar do aumento da liberdade nas escolas desenvolve-se num contexto mais alargado de normas políticas educativas, no sentido de resolver a crise do sistema de ensino. Cada escola toma decisões fulcrais nas dimensões educativas, curriculares e pedagógicas, como afirma Nóvoa (1992). Assim, o mesmo autor (op. cit.) certifica que a autonomia é fulcral para a existência de uma identidade escolar, diferenciando e especificando cada uma delas, através da criação de projetos próprios. Estes tais projetos e programas próprios que cada organização escolar pode criar, têm em vista os seus educandos e os processos de aprendizagem que os professores tentam impor nos mesmos. Segundo Mialaret & Fabra (1979), a educação tende a ser autoeducação, diminuindo a função do professor e, em certa medida, ajudando nos processos de ensinoaprendizagem e, desse ponto de vista, seguir projetos flexíveis, que vão de encontro às necessidades dos alunos, cativando a criatividade e a cooperação dentro de uma sociedade. Patrício (1993, p. 78) refere que “a Escola deve ser integradora sob três pontos de vista: funcional, sistémico e processo aprendizagem.” Ao nível funcional, Patrício (1993) refere que as grandes funções da escola são: a função pessoal, a função social, a função cívica, a função profissional, a função cultural e a função de suplência de família. Para o ponto de visto sistémico, o autor afirma (op. cit.) que este advém da comunidade educativa no seu todo e a sua unidade, e que existem quatro grandes processos integradores: o da organização e funcionamento institucionais do aparelho educativo, o da organização e funcionamento da instituição escolar, o da articulação da escola com a comunidade e o da articulação da escola com a família. Para o último - processo aprendizagem - o mesmo autor defende que este se concentra na consciência do aluno e se articula e coopera com a consciência do professor. Enquadramento da Prática Profissional 29 Tudo isto se relaciona com o papel a autonomia das escolas, na medida em que todos estes pontos de vista referidos em cima podem ser diferentes entre instituições e, como tal, assinalar a diferença entre a eficácia das mesmas, no papel que todas deviam ter. Todavia, a escola tem inúmeras responsabilidades, uma vez que até na própria liberdade de aprendizagem tem um papel proveitoso e primário na formação de um cidadão (Wall, 1983). Assim, a escola incute mudanças nos educandos, influenciadas pelos vários atores da comunidade, que escapam aos olhos dos pais. “Na adolescência, a influência dos pais, embora não diminua de importância, modifica-se, e a escola, em muitos aspetos, torna-se o verdadeiro fulcro do processo educativo, constituindo o único processo interpretativo de entre muitos educadores «paralelos» e exteriores” (Wall, 1983, p. 111). Naturalmente que a escola não deve fechar os alunos ao exterior. Os alunos devem ver o exterior através da escola, isto é, deve existir uma transversalidade entre ambas. Para isso, é preciso que os educandos saiam da sala de aula e interajam com o resto da escola ou da comunidade educativa. Marques (1983) menciona que a sala de aula não pode ficar-se apenas pelo espaço fechado dentro de quatro paredes, separado das outras divisões das escolas. Deve antes ser uma divisória interligada com o resto da comunidade educativa. 4. REALIZAÇÃO DA PRÁTICA PROFISSIONAL Realização da Prática Profissional 33 4.1. Área 1 – Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem A conceção, o planeamento, a realização e a avaliação do ensino são abrangidas pela Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem, a Área 1 do EP. Segundo Matos (2011, p. 3), esta área tem como objetivo “ (…) construir uma estratégia de intervenção, orientada por objetivos pedagógicos, que respeite o conhecimento válido no ensino da EF e conduza com eficácia pedagógica o processo de educação e formação do aluno na aula de EF.” 4.1.1. Conceção “Projetar a atividade de ensino no quadro de uma conceção pedagógica referenciada às condições gerais e locais da educação, às condições imediatas da relação educativa, à especificidade da EF no currículo do aluno e às caraterísticas dos alunos (…). ” Matos (2011, p. 3) Um dos momentos de maior ansiedade no princípio do EP foi conhecer a turma/ano que me ia ser atribuída pela PC da ESAS. Com base nessa informação, tive que analisar os Programas de EF, rever as suas finalidades, objetivos e conteúdos. Subsequentemente, procedemos à realização de uma reunião entre os elementos do NE e um outro colega que igualmente lecionava a disciplina de EF às restantes turmas do 11º ano. Nesta reunião, uniformizámos as matérias de ensino e processos de avaliação. Como auxílio a este enquadramento, utilizei, para além do Programa Nacional de EF, o Regulamento Interno da Escola e o Projeto Educativo de Escola para me ajudarem no processo de ensino-aprendizagem. Realização da Prática Profissional 34 De seguida, o novo desafio foi o conhecer a turma e os seus alunos. A tarefa não foi fácil, porque as fichas biográficas distribuídas no início das aulas, não chegam, de todo, para tal. Consegui ter uma ideia geral de cada aluno, particularmente, do seu percurso escolar, o estatuo socioeconómico, algumas rotinas diárias e algumas preferências ao nível desportivo e a prática de determinados hobbies nos tempos livres. Considero também importante conhecer o contexto familiar de cada aluno, pois, muitas vezes, ao analisarmos esse ponto conseguimos entender o porquê de certas atitudes que cada um deles possa tomar. No entanto, é necessário passar várias horas com alguém para o começar a conhecer minimamente bem. Algo que ajudou este processo, foi a reunião de Concelho de Turma antes das aulas começarem. A diretora de turma (DT) forneceu informações importantes sobre cada aluno, tendo em conta o conhecimento adquirido nos últimos anos com a mesma turma. A professora referiu que a mesma tinha alunos que já se conheciam há muito tempo e que, portanto, eram um grupo muito unido. Apesar de ser uma turma bem comportada na generalidade, e de ter alguns alunos muito bons e dedicados, também tinha alguns alunos com problemas de assiduidade. Para além disto, era uma turma muito heterogénea ao nível das idades. Uma das primeiras dificuldades que senti no regresso ao contexto escolar, mas agora na qualidade de professor estagiário, foi ter a perceção de como a escola tinha mudado. Desde as mudanças ao nível organizativo, às modificações ao nível do relacionamento com os alunos por parte dos professores, até à própria gestão do ensino-aprendizagem. Algo que contribuiu para uma boa identificação dos alunos foi a chamada realizada no início de cada aula. Desta maneira, consegui ir relacionando as caras com os nomes, como demonstro na seguinte reflexão do Diário de Bordo: “A aula iniciou-se conforme previsto, com a chamada dos alunos. De forma a conhecê-los mais rapidamente, penso que irei continuar a fazer desta maneira, e só mais tarde optarei por marcar as presenças e as faltas enquanto os alunos estiverem a exercitar, poupando tempo de aula.” (Reflexão da 2ª Aula – 20/09/2011) Realização da Prática Profissional 35 4.1.2. Planeamento Segundo Matos (2011, p. 4) deve-se “planificar o ensino nos três níveis, anual, unidade temática e aula, tendo em conta: a. Objetivos (adequados às necessidades e diversidade dos alunos e contexto do processo de ensino/aprendizagem); b. Recursos; c. Conteúdos de ensino, tarefas e estratégias adequadas ao processo ensino-aprendizagem; d. Prever formas de avaliar o processo de ensino/aprendizagem – momentos e formas; e. Contemplar decisões de ajustamento.” Em relação ao Planeamento, penso que este foi um dos meus maiores desafios, durante o estágio. Começando pelo Planeamento Anual, senti, desde logo, algumas dificuldades, porque entendia que eram poucas aulas para dar tantas matérias, em particular se abordadas com alguma profundidade. Para além disso, era preciso ter em conta muitos parâmetros, como o roulement dos espaços, as prioridades que existiam em cada um desses espaços, o material existente, as matérias de ensino obrigatórias e as alternativas, a época do ano devido ao tempo, etc. Apesar de tudo isto, consegui realizar o documento específico para a minha turma, com a ajuda da PC. Este foi bastante importante para a planificação do restante ano letivo. Como é impossível aumentar o número de aulas ou mesmo o tempo das mesmas, a única solução foi aproveitar ao máximo cada sessão de trabalho e dar mais importância às matérias obrigatórias. A elaboração dos Modelos de Estrutura do Conhecimento (MEC’s) foram tarefas árduas, principalmente a realização do MEC geral. Isto porque se trata de uma tarefa com pouco espaço de inovação de ano para ano, nomeadamente em alguns dos seus módulos. Contudo, esta atividade levoume a compreender e atuar bem melhor em certas temáticas e em determinadas situações, como na avaliação da turma, nos processos de ensino- Realização da Prática Profissional 36 aprendizagem, na relação com a comunidade, perceber o contexto escolar, através da caraterização da localidade escolar, assim como na atuação nas próprias aulas. Os MEC’s específicos, das várias modalidades, foram elaborados sempre antes de começar a lecionar uma dada matéria, mas apenas foram finalizados sempre no fim de cada UD. Isto porque era necessário colocar os resultados das avaliações sumativas no mesmo. Estes MEC’s foram uma grande ajuda, principalmente ao nível do planeamento das aulas, porque desta forma foi possível ter uma ideia mais clara dos conteúdos e da sua distribuição pelas sessões disponíveis. Relativamente às UD, estas foram efetuadas após as aulas de Avaliação Diagnóstica (AD) de cada modalidade, ou então antes da primeira aula, no caso das modalidades em que não existiu AD (como a Dança, o Judo e o Lançamento do Peso). No caso do Judo e do Lançamento do Peso, não se realizou AD, porque os alunos nunca tinham tido estas modalidades e, no caso da Dança, por serem poucas aulas. Neste ponto, penso que as unidades em que tive mais dificuldades em lecionar foram a de Dança, devido ao meu fraco conhecimento da matéria, e a do Atletismo. No caso do Atletismo, porque tive poucas aulas para muitos conteúdos, situação que se agravou com a impossibilidade de dar aulas no espaço exterior por razões climáticas. Quando tal acontecia, tinha que recorrer ao espaço interior e adaptar a aula às circunstâncias, ou até mesmo modificar o conteúdo ou o tema da sessão. No que diz respeito aos Planos de Aula, creio que os fui melhorando com o tempo. Tive algumas dificuldades em passar dos planos de aula muito descritivos para planos com a informação mais sistematizada e objetiva. Como demonstra a reflexão do Diário de Bordo: “ (…) Em relação ao plano de aula, este deveria ser mais esquemático e ter menos texto (…) “ (Reflexão da 4ª aula – 27/09/2011) De fato, com o passar do tempo, fui percebendo a utilidade de estruturar bem os planos de aula, na medida em que se constituem num guia que deve Realização da Prática Profissional 37 ser de fácil consulta e entendimento. Naturalmente que o plano deve conter toda a informação necessária para qualquer outro colega consiga entender o que é pretendido, as situações de aprendizagem a desenvolver e qual o foco da instrução (incluindo os feedbacks). Em termos gerais, a tipologia de Plano de Aula que adotei pretendia dar resposta às orientações e preocupações da PC. Este foi um exercício importante, porque me obrigou a refletir e sistematizar os comportamentos (incluindo as suas componentes críticas) que, de facto, eram centrais em determinada aula/situação de aprendizagem. Assim, acabei sempre por seguir e refletir acerca das sugestões e correções da PC. A calendarização dos objetivos da Cultura Desportiva e dos Conceitos Psicossociais foi desafiante e até complicada, no começo. Com a ajuda da Planificação Anual do 11º ano e com o auxílio da PC, tornou-se mais fácil, pois com toda a sua experiência foi possível entender melhor como dividi-los e como lecionar numa aula. Relativamente aos Conceitos Psicossociais, no planeamento anual do 11º ano, estes já se encontravam previamente distribuídos por cada período. Em relação à Cultura Desportiva, em quase todas as sessões que tinha com a turma, lançava um desafio para a aula seguinte. Isto ajudou imenso a estruturar a matéria de Cultura Desportiva, a dividir por aulas, para que no fim da UD todos os assuntos importantes tivessem sido abordados. A seguinte reflexão ilustra uma das situações: “A sessão iniciou-se com a apresentação da História e curiosidades do Judo, pelo aluno José Silva. Considero importante a turma ter uma ideia geral da história da modalidade para conseguir contextualizá-la durante as sessões. Estes conteúdos fazem parte da cultura desportiva que um aluno de EF deve adquirir.” (Situação nº 48 do Diário de Bordo – 13/04/2012) No entanto, esta estratégia de, no início de cada aula, um ou dois alunos apresentarem o resultado do desafio que havia sido lançado na aula anterior não correu sempre bem, tendo tido, sobretudo no princípio, algumas Realização da Prática Profissional 44 “ Relativamente a esta sessão, penso que a planeei com muitos conteúdos, e só na prática é que me apercebi disso, isto é, tentei lecionar demasiadas coisas e isso teve consequências na aula. Teve efeitos nas transições, pois aumentou o número das mesmas de uns exercícios para os outros e no tempo de gestão da aula, já que não consegui realizar a avaliação diagnóstica a todos os alunos. Creio que daqui para a frente tentarei optar por outra estratégia, planeando aulas com menos conteúdos, dando mais atenção aos que escolher.” (Situação nº 21 do Diário de Bordo – 31/01/2012) “Consegui organizar bem e cumprir o tempo dos exercícios, ao contrário da aula anterior (…) “ (Situação nº 25 do Diário de Bordo – 03/02/2012) Acredito, contudo, que tive em atenção este aspeto no planeamento das aulas e que consegui ter sempre bastante tempo potencial de aprendizagem nas sessões. Esta questão foi muitas vezes sublinhada pelos meus colegas estagiários, quando realizam as suas observações. Sobre a gestão do espaço, algumas vezes podia ter organizado melhor os alunos e o material, mas penso que melhorei ao longo das sessões, principalmente com a ajuda da professora cooperante e com a observação de algumas das aulas dos meus colegas. A seguir, mostro uma reflexão do Diário de Bordo sobre o tema: “ (…) Na próxima aula, vou ter que racionar melhor o espaço e gerir melhor o tatami (tapetes de ginástica), pois são poucos e os alunos são muitos. Nesta aula não tive essa dificuldade, porque três alunos não praticaram e outras duas faltaram. (…) “ (Situação nº 47 do Diário de Bordo – 10/04/2012) Em relação ao material, e como é de conhecimento generalizado, muitas vezes as escolas carecem de algum material específico. No meu caso, apenas precisei de arranjar engenhos de lançamento do peso. De qualquer forma, tal como aprendi na minha formação, quando não existem, constroem-se materiais Realização da Prática Profissional 45 didáticos. E como diz Marques (1983), é preciso inventar recursos, quando existe carência dos mesmos. Contudo, optei por pedir emprestados alguns engenhos realizados por mim e pelos meus colegas no ano anterior e que hoje fazem parte do material da Faculdade. Algo que melhorei imenso nesta turma do 11º E, na minha opinião, foi ao nível das transições e do ritmo de aula. Creio que eles vinham de anos anteriores com pouco ritmo, fazendo tudo devagar e sem pressas. Estavam habituados a aulas com pouco empenho motor. Esse foi outros dos grandes desafios com que me tive que me deparar, mas penso que tive êxito, tanto pelos feedbacks que me iam dando, como pelas próprias aulas, tal como demonstro nas reflexões seguintes: “ (…) A densidade motora e o ritmo de aula é algo que tem que continuar a aumentar e como tal tenho que continuar a combater esse “relaxamento” aparente dos alunos durante a aula, contudo é algo que também tem vindo a melhorar bastante.” (Situação nº 1 do Diário de Bordo – 03/01/2012) “A densidade da aula foi boa. Para tal contribuiu a ausência de alguns alunos, dando aos outros maior tempo potencial de aprendizagem. O ritmo da aula, está melhor em relação às anteriores e penso que a transmissão da informação foi mais clara e menos repetitiva.” (Situação nº 31 do Diário de Bordo – 14/01/2012) Quanto à minha postura durante as aulas, tentei sempre ao máximo manter a distância professor-aluno, isto é, não dar grandes oportunidades aos alunos de “abusarem” durante a aula com os colegas ou mesmo comigo, mas ao mesmo tempo manter-me interessado pelas suas questões e dúvidas, mostrando alguma afetividade. Penso que é essencial que o aluno sinta que o seu professor se preocupa com os seus problemas e que não o vê como apenas mais um. Considero que esta distinção foi uma das minhas maiores lutas. Realização da Prática Profissional 46 Em relação à colocação da voz, penso que fui melhorando ao longo das aulas, não tendo no presente nenhum problema neste capítulo, tanto na minha opinião, como na opinião da professora cooperante e dos meus dois colegas estagiários. As reflexões que a seguir transcrevo revelam, em certa medida, a evolução verificada na colocação de voz, dificuldade detetada desde o início do estágio: “Tenho conseguido colocar a voz quando necessário e a demonstrar de maneira clara de modo a que todos compreendam a instrução. (…) “ (Reflexão da 18ª Aula – 18/11/2011) “De forma geral, a aula correu bem, continuo a melhorar nas questões da demonstração e da colocação de voz, mas tenho que insistir mais no que diz respeito ao ritmo da aula.” (Reflexão da 19ª Aula – 22/11/2011) Algo que aperfeiçoei foi também, sem dúvida, a minha instrução. Na minha opinião, passou a ser muito mais clara e percetível. Citando Rosado & Mesquita (2009), a transmissão de informação é uma das capacidades fulcrais que um professor deve ter, principalmente para a boa aprendizagem dos alunos. “ (…) Penso que instrui e expus bem os conteúdos, de uma forma clara e percetível para a turma. O plano de aula teve de ser alterado um pouco devido a ter faltado muita gente. Acredito que a minha intervenção ao nível do jogo tem ajudado bastante os alunos no entendimento do mesmo.” (Situação nº 32 do Diário de Bordo – 17/01/2012) “ (…) Tenho conseguido preparar-me bem para as aulas, a descrever de forma clara e transmitir os conteúdos aos alunos de maneira correta e percetível, para estes poderem também eles evoluir.” (Situação nº 32 do Diário de Bordo – 17/01/2012) Realização da Prática Profissional 47 No início tive algumas dificuldades, pois falava muito depressa e até repetia muitas vezes a palavra “Ok” no final de cada instrução, o que afetava a minha dicção. Isto foi algo detetado pela PC, e que eu fui tentando melhorar com a sua colaboração. Desta forma, passei a explicar melhor o que pretendia, demorando menos tempo para que os alunos percebessem. Na opinião da minha PC, consegui por isso ultrapassar esse meu problema inicial. De seguida mostro as reflexões sobre esta temática: “ Relativamente à minha atuação, penso que foi positiva, mas senti algumas dificuldades em coordenar algumas das instruções que precisei de dar aos alunos, com a função de fotógrafo, uma vez que hoje não havia ninguém para desempenhar esse papel. Na próxima aula, tentarei arranjar uma estratégia que passe por não exercer bem um dos meus papéis mais fulcrais, a instrução, devido a outra função do MED, como a de repórter.” (Situação nº 35 do Diário de Bordo – 02/03/2012) Quanto aos feedbacks e correções, penso que sempre fui muito interventivo e nunca tive grandes contrariedades. É algo que trago da minha formação específica ligada ao treino. Tentei sempre que possível estar atento e observar os erros dos alunos, dando-lhes oportunidade de fazer mal, para depois lhes dar o feedback na altura mais adequada, para novamente lhe dar novamente espaço para a exercitação, e nova correção caso fosse necessário. Rosado e Mesquita (2009) afirmam que depois de um aluno/atleta executar um exercício, deve ser dada uma ou mais informações relacionadas com a forma como este a realizou, para que o seu rendimento seja melhorado. Este processo pedagógico denomina-se feedback. A seguir apresento algumas reflexões do Diário de Bordo: “No fim, realizei alguns exercícios de alongamentos com os alunos, mas podia e deveria ter sido mais exigente e interventivo, algo a melhorar na próxima sessão.” (Reflexão da 23ª Aula – 06/12/2012) Realização da Prática Profissional 48 Até vir para o estágio, creio que me socorria pouco da demonstração, mesmo ao nível do treino, sendo esse um dos meus obstáculos. Durante as reflexões que realizei com a PC, ela chamou-me sempre à atenção para esse ponto, sugerindo que devia demonstrar mais vezes, pois isso levaria os alunos a perceberem mais rapidamente o que é pedido e, desta forma, fazerem o exercício corretamente. A qualidade de um exercício é garantida com a utilização da demonstração, de forma a definir as regras de segurança e de variantes na realização da atividade, como refere Rosado & Mesquita (2009). Algo que me acontecia muito no início era instruir à turma um exercício e, passados uns minutos, ter que parar tudo, para voltar a explicar e só depois demonstrar, caso fosse necessário. Aprendi que se demonstrar nas primeiras vezes que realizar um novo exercício, os alunos vão entendê-lo mais rapidamente e assim, por consequência, vou despender menos tempo a instruir e a explicar, dando mais tempo para a exercitação. Agora, mostro algumas reflexões do Diário de Bordo, em que refiro algumas dessas situações: “No exercício do passe e corta, deveria ter organizado melhor os alunos para exemplificar, algo a melhorar na próxima aula. Primeiro, organizando os alunos para observarem em condições a minha demonstração. Outra coisa a melhorar será a minha dinâmica pessoal, chamando rapidamente a turma com o apito, organizá-los e instruir e caso necessário demonstrar.” (Situação nº 26 do Diário de Bordo – 07/01/2012) A tomada de decisão está presente em todas as aulas. É muito importante um professor possuir esta capacidade bem afinada. Acredito que nem sempre tomei as melhores decisões durante as aulas. Não obstante, é expectável que, com o acumular de experiência, aumentem também o número de decisões adequadas, e as boas decisões prevaleçam relativamente às más. As seguintes reflexões ilustram algumas dessas decisões e dificuldades: “Observei que existiam muitas dificuldades na tarefa e, como tal, não introduzi as transições. Assim sendo, terei que alterar a UD. Vou ter que dar mais aulas Realização da Prática Profissional 49 de pré-época do que estaria programado, para conseguir introduzir todos os conteúdos de forma correta.” (Situação nº 26 do Diário de Bordo – 07/01/2012) “ (…) Optei por introduzir na mesma o conteúdo planeado, sabendo de antemão que na próxima sessão terei que falar novamente dele, por ter faltado tanta gente. Ainda assim, acredito que fiz bem porque desta maneira o Bloqueio Direto fica lecionado, até porque adiar não é solução. (…) ” (Situação nº 31 do Diário de Bordo – 14/01/2012) “ (…) Optei por outro tipo de estratégias, como jogos reduzidos e jogos lúdicos, e menos situações analíticas. Percebi que claramente existiram ganhos para os alunos com essas mudanças, logo os novos métodos adotados foram mais positivos para a turma.” (Situação nº 40 do Diário de Bordo – 09/03/2012) “ (…) Acredito que optei bem por começar com jogos de oposição, pois é algo que os alunos gostam bastante e que, acima de tudo, faz com que estes comecem a ter um contacto físico maior, uma vez que é uma caraterística do Judo. (…) “ (Situação nº 47 do Diário de Bordo – 10/04/2012) “ (…) Optei nesta aula por, na primeira parte da mesma, rever os conteúdos dados na sessão anterior, para depois passar para a introdução de novas técnicas. Penso que esta estratégia foi bem conseguida e teve resultados visíveis, pois grande parte dos alunos tem conseguido exercitar com bons níveis algumas das técnicas e movimentos já ensinados. (…) “ (Situação nº 48 do Diário de Bordo – 13/04/2012) Outra coisa importantíssima num professor é a capacidade deste conseguir motivar os seus alunos para as aulas. Isto requer algum trabalho e Realização da Prática Profissional 50 força de vontade por parte do mesmo. Assim sendo, quando tive o primeiro contacto com a minha turma, percebi desde logo que eram alunos pouco motivados para a prática desportiva, demonstravam até um certo desleixo. Assim, conquistar os alunos para as aulas foi um grande desafio, ao mesmo tempo que tencionava desenvolver hábitos de prática desportiva/exercício físico regular. Para resolver o problema da motivação, por exemplo na Dança, foi necessário integrá-los em algumas situações, onde os alunos mais “envergonhados” se afastavam, sendo, por isso, imprescindível considerar esta integração no planeamento das sessões. Estes afastavam-se e não possuíam motivação, pois nunca tinham tido esta modalidade na escola, em anos anteriores, condicionando, assim, a sua prestação nas aulas. Citando Bento (1994), a integração tem que estar presente no planeamento, nos objetivos, nos conteúdos ou organizações metodológicas, quer seja nas aulas de EF, quer seja em diferentes atividades desportivas das crianças e jovens. Assim, acredito que saí vitorioso desta “batalha”, uma vez que, comparando a motivação e o empenho demonstrados pelos alunos no princípio das aulas com o fim das mesmas, tudo se revelou completamente diferente, para melhor, logicamente. Esta constatação, além de evidenciada por mim, foi referida pela PC na última aula dada aos alunos e pelos próprios alunos, quando afirmaram que os tinha conseguido motivar para a EF. Consegui trazer os alunos para as aulas, integrá-los e, muitas vezes, deixá-los a pensar nas mesmas fora do pavilhão. A motivação foi fulcral para o processo de ensino-aprendizagem durante as minhas aulas. Creio que consegui motivá-los, não só por trazer mais um estilo de docência, mas também por ser exigente, por “perder tempo” a explicar-lhes coisas novas, nomeadamente com a aplicação do MED (que muito contribuiu para tal) e lecionação de novas modalidades como o Judo. Em baixo, apresento algumas reflexões que justificam as minhas opiniões: “A turma encontra-se cada vez mais motivada para as aulas de EF, o que me deixa feliz, pois era algo que não acontecia no início do ano. A atitude deles tem sido diferente, assim como a maneira como eles encaram as várias Realização da Prática Profissional 51 modalidades que temos vindo a lecionar, o que é muito positivo a meu ver. (…)“ (Situação nº 1 do Diário de Bordo – 03/01/2012) “Relativamente à motivação, neste momento os alunos estão motivados, mas tenho dúvidas se continuarão assim depois de acabar o MED, que muito tem contribuído para tal facto, Como tal, cabe a mim tentar que isso não aconteça.” (Situação nº 30 do Diário de Bordo – 10/02/2012) “ (…) Todos os alunos continuam motivados com esta nova experiência. A parte negativa é ter tão poucas aulas disponíveis para o Judo.” (Situação nº 48 do Diário de Bordo – 13/04/2012) Uma outra estratégia relaciona-se com a abordagem aos encarregados de educação, a fim de saber o que se passa com um aluno desmotivado e tentar que este consiga, ou motivá-lo ou juntar esforços com o docente, tendo em comum o mesmo objetivo. Nóvoa (1992) refere que, num caso individual, recorrer aos encarregados de educação pode auxiliar um professor, no sentido de ambos associarem forças, tentando descobrir possíveis problemas do aluno, para depois o motivar. No caso da minha turma, uma das alunas praticamente não realizou nenhuma aula ao longo do ano e, como tal, foi necessário pedir à DT que falasse com o Encarregado de Educação. Tudo isto foi em vão, porque o mesmo protegeu a sua educanda, em vez de ajudar os professores a motivar a aluna. O MED era um dos meus maiores receios, principalmente porque nunca o tinha realizado sozinho. Contudo, as dificuldades que pensei que iria ter foram dissipadas logo de início, pois o modelo teve um grande sucesso na turma. Este modelo, como já disse em cima, deu uma grande dose de motivação à turma. Tudo o que ele traz para a sala de aula ajuda neste sentido. Desde a competição, à filiação por equipas, à conquista de prémios e vitórias em equipa, etc. Penso que educar através deste modelo desportivo se torna uma tarefa mais simples em comparação com o tradicional, o que realmente Realização da Prática Profissional 52 veio a acontecer durante a aplicação do MED. A sua realização trouxe algo de novo para todos, desde os alunos até a mim próprio. Torna mais fácil a gestão da aula, a organização da mesma, e inclusive a instrução e correção, visto que se está concentrado apenas numa tarefa específica. Tal acontece porque os alunos têm tarefas diferentes, auxiliando o professor, dando-lhe espaço para poder realmente ensinar, sem estar preocupado com outras questões. De seguida mostro algumas reflexões sobre as situações que abordei: “ (…) Algo que entusiasmou a turma foi a informação sobre o MED. Penso que é algo que vai melhorar bastante as sessões de trabalho.” (Situação nº 16 do Diário de Bordo – 22/01/2012) “ A aula foi muito positiva, os alunos estão a aderir muito bem ao MED, empenhando-se nas tarefas e trazendo muita festividade para as sessões. A competição também foi boa, visto que as equipas disputaram muito intensivamente os jogos.” (Situação nº 33 do Diário de Bordo – 28/02/2012) “ Relativamente ao MED, penso que a minha turma ganhou muito com a sua utilização, uma vez que existiu um acréscimo de motivação, o que ajudou no lecionar desta matéria. (…) “ (Situação nº 40 do Diário de Bordo – 09/03/2012) “ Em suma, a aplicação do MED foi bastante positiva. Os alunos estiveram motivados durante todas as aulas. O tempo da UD não foi suficiente para os alunos evoluírem mais, e o evento culminante foi prejudicado, pois aconteceu num momento de testes para a turma.” (Situação nº 40 do Diário de Bordo – 09/03/2012) Realização da Prática Profissional 53 4.1.4. Avaliação Matos (2011, p. 4) refere que se devem “utilizar as diferentes modalidades de avaliação como elemento regulador e promotor da qualidade do ensino e da aprendizagem e da avaliação do aluno: a. Realizar as diferentes modalidades de avaliação; b. Definir objetivos e formas de avaliação; c. Selecionar ou construir instrumentos de avaliação; d. Especificar estratégias adequadas aos objetivos e tarefas a avaliar; e. Tratar os dados com eficácia pedagógica; f. Refletir sobre os resultados, visando uma intervenção referenciada ao sucesso.” Tal como esperava, o processo de avaliação é uma das tarefas mais difíceis que um professor pode ter, pois numa turma com mais de 20 alunos, provenientes de meios sociais completamente diferentes, o docente tem que avaliar cada individualidade. (Marques, 1983). A dificuldade não é recente, como demonstra a citação acima referida, contudo, continua a ser uma das mais inquietantes, pois é a partir dela que recolhemos os dados necessários sobre as capacidades, competências e conhecimentos de cada aluno, para depois planear e estruturar todo o processo de ensino-aprendizagem e, no fim, os objetivos serem atingidos (como por exemplo na AD), ou então para classificar um aluno (como por exemplo na Avaliação Sumativa). Assim sendo, é necessário que exista uma avaliação contínua ao longo desta longa caminhada. Esta avaliação contínua divide-se em AD, Avaliação Formativa (AF) e a Avaliação Sumativa (AS). A AD tem como objetivo determinar em que nível um aluno está, tendo em conta o ano em questão, isto é, saber se os alunos nos anos anteriores adquiriram todo o conhecimento necessário para poderem aprender conteúdos mais avançados, numa dada modalidade. Por exemplo, no Voleibol, se um aluno não realiza o passe de frente, não pode passar para o 2º nível. Durante este ano, para todas as AD’s que realizei, de forma a conseguir observar toda a Realização da Prática Profissional 60 vários temas com professores de outras disciplinas e conhecer outros contextos e outras pessoas. 4.2.3. Corta-Mato e o IV Meeting de Atletismo No 2º Período, organizou-se o Corta-Mato escolar, no âmbito das atividades do DE. A organização deste evento foi da responsabilidade do Coordenador do DE, tendo o NE colaborado na sua preparação e no dia da atividade. No dia do evento, colaborei no aquecimento dos participantes, o que incluiu a dinamização de uma coreografia de Dança preparada pelo NE. Durante as provas, controlei certos pontos do percurso, para evitar que os alunos cortassem caminho durante a prova. “Todavia, nestes dias, a participação é que é importante, tal como o divertimento e a prática desportiva. Foi uma experiência positiva, pois em todos os Corta-Matos em que tinha participado foi sempre como atleta, e nunca do outro lado.” (Reflexão do Corta-Mato – 25/01/2012) No final do período, o NE organizou o IV Meeting de Atletismo da ESAS. Este evento exigiu muito empenho e trabalho da nossa parte, pois havia muitos documentos para serem elaborados. Para além disso, aconteceu na última semana de aulas, coincidindo também com a organização da visita de estudo da minha turma e com as avaliações sumativas. Contudo, penso que a atividade correu muito bem e contou com a presença de mais de 100 participantes (só não foram mais, porque nesse dia havia três visitas de estudo de várias turma da escola). O NE contou com a ajuda do grupo de EF ,no dia do Meeting, pois, sozinhos, tornava-se complicado estarmos em todas as provas. Uma organização deste tipo necessita sempre de muitos recursos Realização da Prática Profissional 61 humanos. Na minha opinião, foi uma experiência muito enriquecedora ao nível da gestão e organização de eventos. Estes dias servem ainda para conhecer melhor a comunidade educativa e pessoas que no dia-a-dia não temos oportunidade de falar. Além do objetivo de participar em atividades na escola, este evento servia como apuramento para a Seleção de Atletismo. Esta seleção competiu nos Torneios Concelhios de Matosinhos. “ (…) houve muita competitividade em quase todas as provas. Acredito que foi positivo, facilitando a escolha dos selecionados para os Torneios Concelhios. (…) “ (Reflexão do Meeting de Atletismo – 21/03/2012) “O meu papel neste Meeting, além de organizá-lo, no dia, a minha tarefa desenvolveu-se durante as provas foi de cronometragem e de registo dos tempos, desde as provas de Velocidade, até as Estafetas.” (Reflexão do Meeting de Atletismo – 21/03/2012) 4.2.4. Visita de Estudo e Torneios Concelhios No último dia do 2º Período, organizei, juntamente com o NE, uma visita para as três turmas dos professores estagiários. Tal como referi em cima, esta semana envolveu imensas atividades, elaboradas pelas mesmas pessoas, o que dificultou as tarefas. Contudo, tentámos fazer o melhor possível, dentro do tempo que tínhamos disponível. Creio que a Visita de Estudo atingiu os objetivos aos quais tinha delineado (Ver Desdobrável da Visita de Estudo em Anexo 2). Os objetivos eram, além de dar a conhecer aos alunos, um centro de alto rendimento de remo, o Clube Náutico do Gramido, realizar uma caminhada pelo trilho do Palácio do Freixo. Conseguimos dar a conhecer aos alunos uma zona da cidade do Porto e de Gondomar, que poucos conheciam. E, além Realização da Prática Profissional 62 disso, são zonas bonitas, próprias para realizar exercício físico. Quanto ao Clube Náutico do Gramido, ofereceu aos alunos uma visita guiada às suas instalações. Deu assim a conhecer uma modalidade com alguma tradição em Portugal. O mais importante foi o sucesso que a visita teve junto dos alunos e a motivação que lhes proporcionou. “Penso que correu tudo muito bem, tirando a hora e meia de atraso. Os alunos gostaram e pareceram entusiasmados com todas as atividades do dia. Creio que foi um dia muito positivo para todos, e onde todos aprendemos algo de novo, cumprindo-se assim um dos objetivos. Outro deles era incentivar os alunos para um estilo de vida saudável. Desta forma, com cerca de 10 km percorridos, estes perceberam que com uma caminhada com alguma intensidade é uma boa forma de se fazer exercício, e que dá para conciliar com muitas outras atividades. Em suma, foi um grande dia, um dia diferente, com muito convívio e diversão. Tenho pena que só tenha ido praticamente metade da minha turma, pois perderam uma boa experiência.” (Reflexão da Visita de Estudo – 23/03/2012) No fim do 2º Período e no início do 3º Período, eu e todo o grupo de EF andámos a tratar da participação da ESAS nos Torneios Concelhios de Matosinhos. Esta atividade já tem tradição nesta região, oferecendo sempre muita competitividade, festividade e, acima de tudo, convívio. Convívio não só entre alunos e professores, mas com outras escolas. Eu estive encarregado da seleção de andebol feminina, devido à minha formação específica em Andebol. Como pertencente ao NE, também fui responsável pela seleção de Atletismo Masculina. A Seleção de Atletismo foi selecionada no Meeting da mesma modalidade organizada no 2º Período. A seleção de andebol feminina, uma equipa com pouca tradição na ESAS, foi selecionada por mim. Apareceram 13 alunas, quando eu apenas tinha que escolher 12. As opções não eram muitas, assim como a qualidade. Contudo, o objetivo não era ganhar, mas principalmente participar. Durante a semana em que ocorreram as provas, Realização da Prática Profissional 63 segunda do 3º Período, as modalidades foram distribuídas pelos vários dias. Segunda e terça, a ESAS organizou o Andebol. O grupo de EF ficou responsável pela sua preparação. Infelizmente, não pude estar presente na segunda-feira, pois tive uma formação na faculdade. Ao faltar a este dia, foi-me impossível orientar a seleção feminina pela qual estava responsável. Terçafeira, correu tudo muito bem. A ESAS ficou mais uma vez de parabéns pela boa organização do evento. Neste dia, apenas estive a ajudar nas funções de oficial de mesa. Quinta-feira, deu-se o dia do Atletismo, no Pavilhão da Bataria, em Leça. Este ficou marcado pela má gestão da Escola Secundária da Boa Nova. Felizmente, os nossos alunos estiveram muito bem, tendo ganho algumas medalhas individuais. Aqui, o meu papel foi, principalmente, o de acompanhar a seleção masculina, orientando-os durante as provas. Sextafeira, no mesmo local, aconteceram as finais dos desportos coletivos, onde a ESAS esteve bem representada, tanto pela Seleção Masculina de Andebol, como pela Seleção Masculina de Voleibol. Em ambos os casos, saímos com a Taça de Vencedores. Neste dia, além de espectador, ajudei como oficial de mesa nas finais de andebol. Mais uma vez, esta semana foi muito positiva, porque pude não só participar em atividades ligadas à escola, como também, relacionar-me com a comunidade educativa de várias zonas de Matosinhos. “Na minha opinião estes Torneios são muito positivos para toda a comunidade estudantil do Concelho de Matosinhos, ajudando a promover o desporto. (…) Estas iniciativas abrem ainda espaço ao convívio entre professores e alunos de várias escolas, que participam para colorir, principalmente, o Desporto Escolar.” (Reflexão dos Torneios Concelhios – Semana 16 a 20/04/2012) Investigação-Ação: O Desporto Escolar na ESAS 64 4.2.5. Investigação-Ação: O Desporto Escolar na ESAS 4.2.5.1. Introdução “A escola é, de facto, um contributo inestimável e indispensável à elevação da condição física da juventude e esta, um suporte essencial à evolução do valor desportivo de um país.” Constantino (2006, p.19) O Desporto é um ato sociológico. Como afirma Constantino (2006), o desporto é resultado da sociedade que o concebe. Ele faz parte da nossa cultura e acompanha o desenvolvimento do ser humano. O Desporto atual está assim relacionado com a nossa sociedade industrial. Nos dias de hoje, o Homem tem cada vez mais tempo livre e, desta forma, dedica-se mais ao culto do corpo. Tanto numa perspetiva estética, como por questões de saúde. Portanto, na minha opinião, torna-se fundamental dotar as crianças e jovens de hoje de conhecimentos, hábitos e de meios que favoreçam a prática desportiva, seja ela de caráter recreativo, competitivo ou ligado à saúde. Pois duas das problemáticas do séc. XXI são sem dúvida a obesidade e o sedentarismo, que estão intimamente relacionadas Como sublinha Santos (2011), a obesidade é o quinto fator de morte no Mundo (segundo a Organização Mundial de Saúde). A obesidade pode ser uma das consequências do sedentarismo. Como tal, torna-se vital combater o sedentarismo, nomeadamente através da atividade física. No entanto, e como refere Santos (2011), uma pessoa que realize atividade física diária de um hora e passe o resto do dia sentado a ver televisão e a jogar consola, não deixa de ser um indivíduo sedentário. Desta forma, penso que se pode dizer, que o ser-se sedentário por si só não conduz à obesidade, mas sim a inatividade física. Estes dois problemas podem em certa medida ser combatidos através do Desporto, tenha ele o caráter que tiver. Neste contexto, a escola pode desempenhar um papel formativo essencial, nomeadamente através da Educação Física e do Desporto Escolar, mas não só. A escola deve divulgar Investigação-Ação: O Desporto Escolar na ESAS 65 todo o tipo de informações, para que as crianças tenham menos comportamentos de risco. Segundo Constantino (1999), na escola, a prática desportiva desfruta de um quadro orgânico e institucional – o Desporto Escolar. Este é mais direcionado para uma vertente competitiva e de formação mais específica, diferenciando-se desta forma, do desporto na escola. Teixeira (2007) refere que o Projeto do Desporto Escolar, meio de desenvolvimento da atividade física na sociedade, deve relacionar-se com as bases do projeto educativo de cada escola. Desta maneira, o Desporto Escolar pode ser diferente de escola para escola. Contudo, a nível nacional, existem regras, as Leis de Base do Desporto Escolar, pelas quais as escolas têm de se guiar, tendo, todavia, uma reduzida autonomia. Cada escola pode formar o seu Clube de Desporto Escolar, visando as modalidades que bem entender. Citando Damásio (2005, p.2) “recorde-se que o fim último, da unidade de base do Desporto Escolar, o Clube de Desporto Escolar, é garantir a produção de desporto na escola, dirigido, portanto, a uma população muito particular.” O mesmo autor acrescenta ainda que cada instituição escolar é um contexto particular, que é determinado pelos professores, tendo em conta as organizações dos Clubes de Desporto Escolar. O Desporto Escolar, assunto que tem vindo a ser estudado nos dias de hoje, é alvo de inúmeras críticas da sociedade civil e desportiva. Segundo Pina (1997), o Desporto Escolar no nosso país é influenciado por “politiquices” e interesses obscuros, sendo utilizado com objetivos diferentes e desligados dos interesses da educação. É, portanto, necessário resolver de uma vez por todos os problemas que tem vindo a afetar o Desporto Escolar. Um dos problemas relacionados com o Desporto Escolar é a questão da participação de alunos federados nas suas modalidades, assunto que tem vindo a ser discutido por muitos professores. Isto, se por um lado aumenta o nível da competição, por outro retira a possibilidade de alunos que não têm qualidade suficiente para jogar em clubes da zona, e procuram assim uma alternativa no desporto escolar. Esta temática tem levantado muita discussão, sem existir uma aparente solução que reúna consenso. Outro problema, na minha perspetiva, é a demasiada “descontração” que existe no Desporto Investigação-Ação: O Desporto Escolar na ESAS 66 Escolar nos dias de hoje, isto é, a falta de seriedade a nível nacional, muito falada na atualidade. Existe uma ideia generalizada de que este é muitas vezes orientado por alguns professores sem vocação ou formação específica que aceitam essa tarefa como meio de completar horário. Têm sido este tipo de situações que legitimam o aumento das críticas e do desencanto de muito profissionais, que não raras vezes afirmam que “o Desporto Escolar serve apenas para entreter os alunos” e está longe das virtudes do treino e da competição. Constantino (2006) afirma mesmo que na escola o desporto vai contra o esforço e que está mais ligado ao lazer e à atividade física. A temática que escolhi, o Desporto Escolar na Escola Secundária Abel Salazar, relaciona-se com o facto de ter verificado uma fraca participação dos alunos do estabelecimento de ensino em questão no ano letivo em causa (12,8%, segundo os dados facultados pelo Coordenador do Desporto Escolar). Assim, objetivava aprofundar as razões pelas quais os alunos não aderem ao Desporto Escolar na Escola Secundária Abel Salazar. Pretendia, também, verificar até que ponto esta situação decorria de uma oferta desportiva desajustada dos interesses, motivações e necessidades dos alunos ou simplesmente porque os alunos desenvolviam de forma regular atividades desportivas ou outras, fora da escola que colidiam com a prática do desporto escolar. O estudo está organizado em sete capítulos:  Introdução;  Objetivos;  Metodologia;  Resultados;  Discussão;  Conclusões;  Sugestões para futuros estudos. Investigação-Ação: O Desporto Escolar na ESAS 67 4.2.5.2. Objetivos O presente estudo foca-se num problema que constatámos durante o meu Estágio Pedagógico na Escola Secundária Abel Salazar, que foi a reduzida participação dos alunos da escola (12,8%), nas atividades do Desporto Escolar. Como tal, os principais objetivos deste trabalho são:  Conhecer as motivações e o contexto de prática desportiva dos alunos do Desporto Escolar na ESAS;  Identificar os motivos pelos quais não aderem ao Desporto Escolar na ESAS. 4.2.5.3. Metodologia Pretendíamos inquirir toda a população escolar (ver quadro 1), contudo por razões de natureza temporal optámos por questionar, aleatoriamente, 13 turmas diferentes (duas de cada ano de ensino e três do 10º ano). No total foram questionados 250 alunos de um total de 774 (ou seja 32,3%). Quadro 1: Distribuição dos alunos pelos anos e turmas. Ensino Ano Turmas Número de Alunos Básico 7º 4 87 8º 5 107 9º 4 78 Secundário 10º 5 125 11º 6 126 12º 5 90 Profissional 10º/11º/12º 8 161 Total 774 Investigação-Ação: O Desporto Escolar na ESAS 68 Como se pode verificar pelo quadro 2, dos 250 alunos questionados, o ano mais representativo na amostra é o 10º, com três turmas (72 alunos). Em contraste, o ano menos representativo é o 12º, com duas turmas (29 alunos). Amostra Quadro 2: Número de turmas e de alunos por ano de escolaridade. Ano de Escolaridade Nº de Turmas Nº Alunos 7º 2 38 8º 2 35 9º 2 44 10º 3 72 11º 2 32 12º 2 29 Total 13 250 Instrumento Na ausência de qualquer instrumento validado e que servisse os propósitos desta investigação, foi necessário desenvolver um questionário para o efeito (Ver Questionário em Anexo 3). Este foi estruturado em cinco grandes capítulos. No capítulo um – Identificação – os inquiridos foram questionados acerca da sua idade, género, ano de escolaridade e área de residência. No capítulo dois, os alunos foram convidados a relatar todas as suas Atividades Semanais e o tempo despendido em cada uma delas. No terceiro capítulo, denominado Prática Desportiva, os alunos foram questionados acerca das suas modalidades favoritas, se já tinham praticado algum desporto ou não e quais os motivos. O quarto capítulo estava diretamente relacionado com o Desporto Escolar. Questionámos os alunos sobre a sua participação passada e atual no Investigação-Ação: O Desporto Escolar na ESAS 69 mesmo. Foram também realizadas várias questões acerca da conveniência dos horários de treino, competição entre outros aspetos. No último e quinto capítulo - Oferta Desportiva na Escola Abel Salazar – os alunos inquiridos foram convidados a dar a sua opinião acerca do interesse em se alargar o leque de oferta desportiva no desporto escolar. Foram ainda questionados sobre o conhecimento das opções e condições de prática na escola que frequentam. Devido à falta de tempo, o questionário apenas foi validado por recurso a peritos, nomeadamente por dois professores universitários da FADEUP. 4.2.5.4. Resultados No que diz respeito ao Capítulo I - Identificação: As idades variam entre os 12 anos e os 20 anos. A idade com mais expressão na amostra corresponde aos 16 anos (60 alunos) e a idade com menos expressão corresponde aos 20 anos (3 alunos), como se pode observar no quadro 3. Quadro 3: Distribuição do número dos alunos por idades. Idades 12 13 14 15 16 17 18 19 20 Total Nº Alunos 14 25 37 51 60 32 21 7 3 250 % 5,6 10 14,8 20,4 24 12,8 8,4 2,8 1,2 100 Dos 250 alunos 116 são do género Feminino (46,4%) e 134 são do género Masculino (53,6%). Na figura 1 pode-se verificar que cerca de 50% dos alunos vive em São Mamede Infesta, isto é, na zona da escola. A restante amostra habita em áreas residenciais relativamente perto da mesma. Investigação-Ação: O Desporto Escolar na ESAS 76 Figura 8: Número de praticantes das várias modalidades do Desporto Escolar, na atualidade. Em relação às razões que levam os alunos a escolher uma modalidade no DE, observámos que 16 deles escolheu a sua modalidade porque das opções que havia era a que mais gostava (mais os rapazes que as raparigas). Treze dos alunos (8 raparigas e 5 rapazes) afirmam ter escolhido a modalidade por ser a sua preferida. A influência dos Professores de EF parece só ter tido efeito em 12 dos participantes, o dobro das raparigas em relação ao sexo oposto. Dez deles referem que escolheram a modalidade por influência dos amigos e apenas 2 por influência dos pais. Isto demonstra que a maioria dos alunos escolhe a modalidade conforme o Desporto que mais gosta, conforme prova no quadro 6: Quadro 6: Razões que levaram à escolha da modalidade atualmente praticada no Desporto Escolar. Razões Raparigas Rapazes Total Por influência dos amigos 6 4 10 É a minha modalidade preferida 8 5 13 Por influência dos Professores de EF 4 8 12 Das opções era a que mais gostava 6 10 16 Por influência dos pais 1 1 2 Outros 1 1 2 Total 16 (57,1%) 12 (42,9%) 28 Investigação-Ação: O Desporto Escolar na ESAS 77 A figura 9 representa os meses de início dos treinos e das competições dos alunos questionados. Verifica-se que a maior parte dos alunos começou os treinos entre setembro e outubro, enquanto as competições principiaram entre outubro e novembro. Figura 9: Meses de início dos treinos e das competições no Desporto Escolar. No quadro 7, pode-se verificar o grau de satisfação dos alunos relativamente ao DE. Os níveis de satisfação são “satisfatórios” ou “muito satisfatórios” relativamente aos horários dos treinos, aos locais dos treinos, ao número de competições por sábado e por ano, relativamente à duração dos treinos, competições aos sábados de manhã e em relação aos transportes para as competições. Apenas estão “nem satisfeitos nem não satisfeitos” quanto aos números de treinos por semana. Investigação-Ação: O Desporto Escolar na ESAS 78 Quadro 7: Níveis de Satisfação relativamente aos vários parâmetros do Desporto Escolar. Muito Insatisfeito Insatisfeito Nem satisfeito nem Insatisfeito Satisfeito Muito Satisfeito Horários dos treinos 0 1 7 7 12 Local dos Treinos 1 0 3 9 14 Nº de Treinos por semana 2 7 9 4 5 Nº de Competições por Sábado 2 4 6 9 6 Nº de Competições por ano 2 4 6 10 5 Duração dos Treinos 1 3 7 8 8 Competições ao Sábado de Manhã 3 1 6 9 8 Horário dos Transportes para as competições 2 2 2 10 9 Tanto os alunos que nunca praticaram DE, como os que já praticaram, mas atualmente não praticam, afirmam que as razões para isso acontecer se devem ao facto de terem pouco tempo livre, e também porque não existem as modalidades que mais gostam. O não gostar de desporto, os problemas de saúde e a influência dos pais são razões que parecem ter pouco significado, como se pode verificar no quadro 8. Quadro 8: Distribuições dos alunos pelas razões que os levaram a nunca ter praticado Desporto Escolar ou por já terem praticado, mas não praticarem atualmente. Razões Nunca praticou DE Não pratica atualmente Raparigas Rapazes Total Raparigas Rapazes Total Não gosto de Desporto 8 7 15 2 0 2 Por falta de tempo livre 36 41 81 25 10 35 Porque não tem a modalidade que gostava 19 25 44 9 5 14 Problemas de saúde 2 3 5 2 1 3 Por influência dos pais 4 2 6 0 1 1 Outros 5 9 14 6 2 8 Investigação-Ação: O Desporto Escolar na ESAS 79 Relativamente ao capítulo V - Oferta Desportiva na ESAS: Cerca de 42% dos questionados refere que deveria haver maior oferta de modalidade no Desporto Escolar na ESAS, enquanto 30% refere que não é necessário existirem mais opções. Os restantes (28%) referem que talvez devesse haver uma maior oferta. Quanto aos que pensam que deveria existir uma maior oferta por parte da escola, a grande parte deles sugerem, principalmente, o Voleibol, o Futebol e o Andebol. O Hóquei, o Rugby, o Futsal e as Lutas, são modalidades que estes alunos também indicam muito. Outras modalidades com menos expressão são o Esgrima, o Ciclismo, a Patinagem, a Ginástica, o Futebol Americano, o Basquetebol Masculino, Atletismo, entre outras, como a figura 10 expressa: Figura 10: Outras opções de oferta para o Desporto Escolar, pelo número de alunos. Apenas 2% dos alunos inquiridos refere conhecer todas as opções de escolha oferecidas pela instituição em causa, relativamente ao Desporto Escolar, enquanto os restantes 98% não conhece. Verifica-se que apenas 4% dos alunos pensa que a escola não tem condições para a prática desportiva, logo 96% afirma que a escola tem as condições necessárias. Investigação-Ação: O Desporto Escolar na ESAS 80 Desses alunos que pensam que a escola não tem condições para a prática desportiva, apenas 56% refere que a razão é devido às más condições dos materiais. Os alunos sugerem ainda outras alterações para melhorar o DE na escola, tais como: melhorar os equipamentos (tendo sido referida por 25 alunos); haver mais horários e serem mais acessíveis (15 alunos); melhor publicidade (cerca de 5 alunos); maior motivação para com os alunos (4 alunos); existir mais competições (1 aluno); e maior formação dos professores (3 alunos). Quadro 9: Número de alunos por sugestão de melhorias do Desporto Escolar na Escola Secundária Abel Salazar. Sugestões Total Horários acessíveis para todos 15 Melhores equipamentos 25 Melhor publicidade 7 Maior motivação dos alunos 5 Mais competições 1 Maior formação dos Professores 3 4.2.5.5. Discussão A Escola Abel Salazar tem atualmente 763 alunos inscritos, menos 33 que no ano letivo de 2010/2011. Contudo, e com base em dados fornecidos pelo Coordenador do Desporto Escolar da instituição, a participação no Desporto Escolar aumentou 1% (de 11,8% para 12,8%), apesar da comunidade escolar ter diminuído. Contudo, num estudo realizado por Carrito (2004), a taxa de adesão ao DE era de aproximadamente 12%. Os valores são idênticos aos recolhidos neste estudo, não obstante terem sido recolhidos com 8 anos de diferença. Logo, penso que seria de esperar uma taxa superior de participação no Desporto Escolar, na Escola Secundária Abel Salazar. Isto parece significar Investigação-Ação: O Desporto Escolar na ESAS 81 que a escola estagnou, não evoluindo a sua prática desportiva com o passar do tempo. Todavia, com base nos dados recolhidos consegue-se perceber que possivelmente um dos motivos que leva a que os alunos não participem no Desporto Escolar está relacionado com o facto de a maioria deles já ter praticado, ou ainda praticar desporto fora da escola (46,4%). As modalidades preferidas dos alunos inquiridos são principalmente o Futebol, o Basquetebol, o Andebol e o Voleibol, o que facilmente se entende, dado que são as mais conhecidas e valorizadas socialmente. Outros desportos com alguma expressão de resposta foram identificados, nomeadamente o Badminton, o Ténis, a Dança e a Natação (todas modalidades existentes no Desporto Escolar na instituição), o que leva a crer que existe uma relação entre as modalidades favoritas dos alunos e as que existem como opção de oferta no Desporto Escolar, o que é positivo. Tendo em conta os resultados relativos à Área de Residência, penso que posso afirmar que esta não parece afetar a participação no desporto escolar, uma vez que a grande maioria vive perto da escola. Quase 150 habitam em São Mamede Infesta, onde se situa a escola. Os que habitam a maior distância (cerca de 40 alunos) são da Maia, Gondomar, Ermesinde, Ramalde, Valongo, Nogueira e Senhora da Hora. Cerca de 75% dos alunos inquiridos já praticou ou ainda pratica Desporto (principalmente Natação, Futebol, Andebol e Voleibol). A escolha da natação é em geral muito frequente por vários motivos, entre eles a importância de se aprender a nadar e também por ser uma modalidade do Desporto Escolar. No caso do Futebol, Andebol e Voleibol por serem três modalidades com muita oferta desportiva na zona envolvente da escola. Essa prática desportiva iniciou-se, na maior parte dos casos, aos 10 anos de idade. Porém, essa prática foi de apenas 1 ou 2 anos de duração na sua maioria. Isto significa que muitos alunos praticaram mais que uma modalidade e que, quando isso aconteceu, fizeram-no durante um curto espaço de tempo. Investigação-Ação: O Desporto Escolar na ESAS 82 Na maioria dos casos (64%), a iniciação desportiva ocorreu no contexto dos clubes desportivos. Apenas em 21% dos casos, a iniciação/prática desportiva ocorreu noutros locais, como ginásios, ar livre, etc. e em 15% dos casos na escola. Como tal, 43% de todos os inquiridos realiza uma prática desportiva federada. Assim sendo, torna-se complicado aderir ao Desporto Escolar, pois as competições da prática federada iriam entrar em conflito com as competições escolares, que acontecem durante os fins-de-semana. Atualmente, 70 alunos são ex. praticantes de desporto (28%). Isto é, no ano letivo anterior (2010/2011) praticavam desporto, e deixaram de o fazer. Penso que é preocupante, uma vez que se trata de uma grande percentagem de alunos a deixarem de realizar exercício físico. A modalidade mais praticada é o Andebol e o Futebol (ambas com bastante expressão na região). O Voleibol e a Natação também têm bastante representação. As principais razões que os alunos reportaram para escolherem estas modalidades foram a preferência pela modalidade, a proximidade do local de treino à sua residência e a influência dos amigos. Verifica-se, portanto, a importância de escolherem a sua modalidade favorita, seja por influência dos amigos ou por ser perto de casa. A influência dos pais e dos professores de Educação Física parece ter menos significado. Estes dados sugerem que os pais e dos professores de Educação Física têm pouca relevância na escolha das modalidades por parte dos inquiridos, sendo muito mais importante as suas preferências, o local e a opinião dos amigos. É de notar que em todas as opções de resposta, os rapazes estão acima das raparigas. Quanto aos inquiridos que nunca praticaram qualquer desporto (65%), a razão principal parece ser a falta de tempo livre, principalmente no sexo feminino. A carga horária na escola é grande, sendo depois necessário ter tempo para estudar e fazer os trabalhos de casa, e ainda tempo para alguma outra atividade extracurricular, como a música ou o teatro, por exemplo. O segundo motivo parece ser o simples facto de não gostarem de desporto, com mais significado nos rapazes. Os custos inerentes à prática desportiva, a falta de opções e de clubes perto de casa também parecem influenciar o facto de Investigação-Ação: O Desporto Escolar na ESAS 83 alguns dos questionados nunca terem realizado nenhuma atividade física. Já a influência dos pais e os problemas de saúde são razões com pouca representatividade, tal como acontece nos alunos que praticam desporto. Marreiros (2011) observou uma correlação significativa alta entre o desinteresse pelo esforço físico e a aversão desportiva/insatisfação, assim como pela estética/incompetências e pela falta de apoios/condições. Relativamente à estrutura do Desporto Escolar, não existiram alterações de um ano para o outro (de 2010/2011 para 2011/2012). Mantiveram-se as mesmas modalidades e os mesmos escalões. A elevada escolha pela modalidade da natação ao longo dos anos vai de encontro ao estudo realizado por Sousa (2004), em que a natação, juntamente com a dança, eram das modalidades com mais participantes. Apesar disso, no estudo realizado por mim, a Natação, foi ultrapassada pelo Badminton e pelo Ténis, o que também é corroborado com o estudo realizado por Rebelo (1999), em que o Badminton era uma das modalidades mais representativas nas várias escolas. O autor (op. cit.) refere ainda que a modalidade superou as expectativas e foi umas das mais procuradas. A Dança, terceira modalidade com mais participantes segundo os dados recolhidos, e a com mais adesão, segundo o coordenador do Desporto Escolar da instituição. A Dança é também citada por Rebelo (1999) como uma atividade com grande aceitação, no seu estudo. Segundo informações que recolhemos junto do mesmo coordenador, a modalidade com mais alunos inscritos são as Danças Sociais (20 participantes), seguidas do Badminton e da Natação (cada uma com 18 participantes). O tiro com arco e o basquetebol feminino são modalidades com pouca participação na ESAS, podendo, por isso, ser substituídas por outras duas que fossem de encontro ao gosto dos alunos. Em relação às razões que levam os alunos a escolher uma modalidade no Desporto Escolar, verifiquei que 16 deles, principalmente no sexo masculino, escolheram a modalidade porque das opções que havia era a que mais gostavam. Treze dos alunos afirmam ter escolhido a modalidade por ser a sua preferida, mais as raparigas que os rapazes. A influência dos Professores Investigação-Ação: O Desporto Escolar na ESAS 84 de Educação Física foi mencionada por 12 dos participantes. Dez deles referem que escolheram a modalidade por influência dos amigos e apenas 2 por influência dos pais. Isto sugere que se, por um lado, a preferência/afinidade por uma modalidade em particular tem um papel decisivo na adesão à prática de desporto escolar, não se pode contudo descurar a importância do Professor de Educação Física. Nas várias modalidades, os treinos começam logo no início do ano, entre setembro e outubro, sendo que as competições começam entre outubro e novembro. Em termos gerais, os alunos referem que estão satisfeitos ou muito satisfeitos com os horários dos treinos, locais dos treinos, número de competições (por sábado e por ano), duração dos treinos, horários das competições (sábado de manhã) e com os transportes para as competições. Apenas estão “nem satisfeitos nem não satisfeitos” quanto aos números de treinos por semana. Na minha opinião, e analisando o evidente bom grau de satisfação dos alunos que praticam Desporto Escolar, parece justo afirmar que o problema não está em manter os alunos no mesmo, mas sim, captá-los, podendo aumentar a carga semanal de treinos. Tanto os alunos que nunca praticaram Desporto Escolar, como os que já praticaram, mas que atualmente não praticam, afirmam que as razões para tal situação decorrem do facto de terem pouco tempo livre e também porque não existem as modalidades de que mais gostam. O não gostar de desporto, os problemas de saúde e a influência dos pais são razões que parecem ter pouco significado. Mais uma vez, parte destes resultados vão de encontro aos de Marreiros (2011), que verificou a existência de uma alta correlação entre a falta de tempo livre e a falta de apoio/condições para a prática desportiva. Contudo, estes resultados vão contra aquilo que Costa (2008) referiu no seu estudo, onde as principais razões de abandono do desporto escolar se deviam ou à mudança de escola ou de residência. Desta população inquirida, 42% dos alunos refere que devia haver uma maior oferta de Desporto Escolar na sua escola: 30% dos inquiridos refere que a oferta existente é adequada e 28% é da opinião que talvez devessem existir mais opções. Com efeito, os dados recolhidos sugerem que devia existir uma Investigação-Ação: O Desporto Escolar na ESAS 85 maior diversificação de oferta de modalidades no Desporto Escolar nesta escola. Quanto aos que pensam que deveria existir uma maior oferta por parte da escola, a maior parte sugere o Voleibol, o Futebol e o Andebol. O Hóquei, o Rugby, o Futsal e as Lutas são o grupo de modalidades que estes alunos também sugerem bastante, embora em menor percentagem que as descritas em cima. Outras modalidades com menos expressão são o Esgrima, o Ciclismo, a Patinagem, a Ginástica, o Futebol Americano, o Basquetebol Masculino, Atletismo, entre outras. A grande maioria dos alunos refere que (98%) não conhece todas as modalidades que pode praticar na escola, ao nível do Desporto Escolar, o que pode, na minha opinião, ter duas interpretações distintas: manifesto desinteresse dos alunos ou insuficiente informação por parte da escola. Ainda assim, 96% dos discentes é da opinião de que a instituição tem boas condições para a prática das modalidades praticadas. Contudo, dos 4% que referem que a escola não tem condições, apenas 5 reportam más condições dos materiais. Os alunos sugerem ainda outras alterações para melhorar o Desporto Escolar na escola: como melhorar os equipamentos (tendo sido referida por 25 alunos); existir mais horários e serem mais acessíveis (15 alunos); melhor publicidade (cerca de 5 alunos); maior motivação para os alunos (4 alunos); mais competições (1 aluno); e melhor formação dos professores (3 alunos). Apesar de a maior parte dos questionados ter afirmado que a escola tem condições para o Desporto Escolar, a sugestão que os alunos mais deram foi a de melhorar os equipamentos. Assim, embora a escola tenha os equipamentos, muitos deles já se encontram velhos e necessitam de ser renovados. A segunda sugestão com mais votos foi a questão dos horários não serem acessíveis para todos. Rebelo (1999), aponta no seu estudo que os horários dos alunos que participam ou querem participar no Desporto Escolar nem sempre são compatíveis com os horários dos treinos, condicionando a sua prática. O autor menciona que, muitas vezes, o horário escolhido para os treinos tem em conta a disponibilidade do professor responsável pelas equipas Conclusão e Perspetivas para o Futuro 93 Com este REP, concluo a última das tarefas do 2º ano do 2º Ciclo de Ensino em Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário na FADEUP, finalizando assim, a minha formação académica inicial. E digo isto, porque penso que qualquer profissional não deve cessar os seus estudos e o seu desenvolvimento quando termina o curso, mas deve continuar a sua educação durante toda a vida. Desta forma, creio que, como professor, o meu papel e “obrigação”, será o de procurar uma formação contínua, continuando melhorar a minha função de professor. Contudo, e como refere Bento (2008) que embora os professores não possam facultar ao futuro o pretendido, estes colaboram nessa expectativa e continuam a nutrir a ilusão. Isto porque são os docentes que têm na mão o futuro do país, mas ao mesmo tempo são estes que ultimamente têm sido alvo de uma desvalorização profissional, traduzida em piores condições de trabalho, reduções salariais e até ao desemprego. Os professores não servem apenas para ensinar os alunos, mas utilizam a pedagogia para transmitir-lhes educação. Este desenvolvimento e formação do aluno devem ser passados em contexto escolar, e nada melhor do que os docentes para desencadearem o processo. Afinal, educar é laborar para o futuro, e procurar descobrir é o que a pedagogia pretende. (Mialaret, 1973). O Ser Professor, tem muito que se lhe diga, mas o Ser um Bom Professor cada vez mais acredito que ainda tem mais. Ao longo deste ano, aprendi muito relativamente a esta temática, nomeadamente com a minha PC, que tem algo que eu como estagiário não tenho, nem vou ter tão cedo, que é muita experiência ao nível da escola. Tanto em relação ao Ser Professor dentro da sala de aula, como em todas as outras áreas do desempenho de um docente. Algo que gostei muito de ouvir por parte de alguns dos meus alunos na última aula foi “o Professor vai ser um grande Professor de EF”. Claro que esta é a perspetiva deles e do pouco que eles sabem e conhecem do que é necessário para Ser um grande professor, como eles referiram. Mas o simples facto de eles o dizerem teve em mim um enorme impacto e significado. Desde logo, tive a perceção de que gostaram das aulas que lecionei e ao mesmo Conclusão e Perspetivas para o Futuro 94 tempo aprenderam alguma coisa. Logo, para mim, atingi pelo menos um dos objetivos que tinha para este ano. Durante o EP uma das capacidades que desenvolvi de forma consciente foi, sem dúvida, a reflexão. Pois, se antes do estágio pouco refletia sobre as minhas ações, atualmente, creio que recorro a esta nova aptidão em praticamente tudo o que faço, desde a vida profissional à vida pessoal, porque penso que só desta forma posso evoluir. Com efeito, é fundamental buscar e adquirir continuamente mais conhecimentos e saberes. Esta constante renovação e aquisição de conhecimentos, habilita-nos para o desempenho das nossas funções em contextos distintos. Quanto ao estudo de investigação-ação, O Desporto Escolar na ESAS, confirmei que existe uma reduzida participação dos alunos nas atividades (12,8%). Verifiquei que 98% dos alunos inquiridos não conhecem a oferta existente na escola e a grande maior parte afirma que deviam existir mais modalidades. Por outro lado, os alunos questionados que praticam DE referem que estão muito satisfeitos com toda a sua organização. Assim sendo, com uma melhor divulgação e com uma maior oferta de modalidades, a taxa de participação poderá, eventualmente, aumentar. O EP foi uma dessas grandes experiências que tive na vida. Foi o começar de um longo caminho. E como em todas as viagens, existem curvas e contracurvas, obstáculos e retas que parecem nunca mais acabar. E este ano teve um pouco destas caraterísticas. Acredito que tudo o que realizei, tanto de bom como de menos bom, me vai ajudar no meu futuro, e que vai contribuir para ter sucesso, ou pelo menos assim o espero. Neste final de ano letivo, olho para todo o caminho que percorri, e sinto alguma nostalgia e saudade do primeiro dia em que entrei pelos portões da ESAS, pois senti que era naquela altura em que tudo ia ter início. Hoje penso que ultrapassei muitas das dificuldades que tinha, como a colocação de voz ou a minha dicção, melhorei algumas capacidades e competências, como a instrução da Dança. Ganhei novas dúvidas e incertezas, que aparecem agora que a vida académica está prestes a terminar, e que o mundo do trabalho laboral está a chegar. A questão que nos dias de hoje tanto se fala, o Conclusão e Perspetivas para o Futuro 95 desemprego em massa, cada vez se torna mais uma realidade para todos os que querem trabalhar, mas é algo que afeta particularmente a minha geração. Portanto, no meu futuro uma coisa é certa, como professor o mais provável é ir para o desemprego como muitos outros. Cabe-me agora lutar para mudar essa verdade. Não sei se passará por tirar outro curso, ou um doutoramento, ou por trabalhar noutra área, ligada ao desporto ou não. Emigrar é também uma forte possibilidade. Como certo, só tenho o trabalho que já usufruo atualmente, o de Treinador, mas em condições francamente precárias, não podendo contentar-me apenas com ele. Finalmente, neste REP pretendi revisitar a (re)construção da minha identidade profissional, enquanto formador de educação física e desporto, e o significado das experiências, conhecimentos e competências adquiridas ao longo do meu EP. Refleti também acerca das muitas incertezas e dúvidas de que algum dia poderia desempenhar a profissão que escolhi livremente. 6. Referências Bibliográficas Referências Bibliográficas 99 Alarcão, I. (1994). Formação Reflexiva de Professores - Estratégias de Supervisão. Porto Editora. Alarcão I. (Ed.). (1995). Supervisão de Professores e Inovação. Centro de Investigação, Difusão e Intervenção Educacional. Almeida, Alex (2012). A Escola perante o Sedentarismo e a Obesidade – Análise das políticas públicas escolares na Cidade do Rio de Janeiro. FADEUP. Barroso, J. (1997). Autonomia e Gestão das Escolas. Editorial do Ministério da Educação. Bento, J. O. (2008). Da Coragem ao Orgulho e da Paixão de Ser Professor: Autorretrato. Belo Horizonte. Casa da Educação Física. Bento, J., Garcia, R. & Graça, A. (1999). Contextos da Pedagogia do Desporto. Livros Horizonte. Campos, B. P. (1995). Formação de Professores em Portugal. Instituto de Inovação Educacional. Lisboa. Carrito, A. M. (2004). Motivação e Intenção de Abandono no Desporto Escolar: Um estudo com alunos do Ensino S/3 de Vila Nova de Gaia. Porto: A. M. Carrito. Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Ciências de Desporto e Educação Física da Universidade do Porto. Constantino, J. (1999). Desporto, Política e Autarquias. Livros Horizonte. Constantino, J. (2006). Desporto: Geometria de equívocos. Livros Horizonte. Costa, F., Carvalho, L., Onofre, M., Diniz, J. & Pestana, C. (1996). Formação de Professores em Educação Física: Conceção, Investigação, Prática. Edições FMH. Referências Bibliográficas 100 Costa, L. (2008). Motivação para a Participação e Abandono Desportivo de Jovens em Idade Escolar. FADEUP. Cunha, A. (2007). A Educação Física em Portugal: Os Desafios na Formação de Professores. Editora Estratégias Criativas. Damásio A. (1998). Desporto Escolar: O Desporto Escolar na Direção Regional de Educação de Lisboa CAE – Lezíria e Médio Tejo na Perspetiva dos Conselhos Diretivos. Universidade Técnica de Lisboa. FMH. Damásio, A. (2005). Capacidade de Produção das organizações desportivas: Determinação da capacidade efetiva de produção dos clubes de desporto escolar no CAE da Lezíria e Médio Tejo. Universidade Técnica de Lisboa. FMH. Documento de Avaliação Prática de Ensino Supervisionada (2011). FADEUP. Graça, A. e Mesquita, I. (s.d.). A investigação sobre os modelos de ensino dos jogos desportivos. Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. Portugal. Jacinto, M. (2003). Formação Inicial de Professores – Conceções e práticas de orientação. Ciências da Educação, 53. Marques R. (1983). Mudar a Escola: Novas práticas de ensino. Livros Horizonte. Marreiros, J. (2011). Aspetos Motivacionales Y Conceptuales Para La Práctica Deportiva Y Razones Para El Abondono En Una Institución De Enseñanza Superior En Portugal – Tesis Doctoral com la Mención de “Doctor Europeo”. Universidade de Extremadura, Faculdade de Ciencias Del Deporte. Matos, Z. (2011). Normas Orientadoras do Estágio Profissional do Ciclo de Estudo Conducente ao Grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básicos e Secundário da FADEUP. Referências Bibliográficas 101 Matos, Z. (2011). Regulamento da Unidade Curricular Estágio Profissional do Ciclo de Estudos Conducente ao Grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básicos e Secundário da FADEUP. Mialaret, G. (1973). Introdução à pedagogia. (Alcidema Franco Bueno Torres trad.). Editora Atlas S.A. Mialaret, G. & Fabra, M. L. (1979). A Nova Pedagogia (José Ribeiro e Daniel Aarão trad.). Salvat editora do Brasil, s.l. Nóvoa, A. (1992). As Organizações Escolares em análise. Dom Queixote. Lisboa. Nóvoa A. (Coord.). (1992). Os Professores e a sua Formação. Publicações Dom Queixote. Nóvoa, A. (s.d.). Para uma formação de professores construída dentro da profissão. Universidade de Lisboa. Lisboa. Portugal. Patrício, M. F. (1993). A Escola Cultural: Horizonte Decisivo da Reforma Educativa. Texto Editora. Patrício M. F. (Org.). (1994). Formar Professores para a escola cultural no horizonte dos anos 2000: Congresso da Associação da Educação Pluridimensional e da Escola Cultural. Porto Editora. Pereira, A. (2001). A Excelência Profissional em Educação Física e Desporto em Portugal. Perfil a partir de 7 Histórias de Vida. Dissertação de Doutoramento apresentada à Faculdade de Ciências de Desporto e Educação Física da Universidade do Porto. Perrenoud P., Thurler M. G., Macedo L., Machado N. J. & Allessandrini C. D. (2002). As Competências para ensinar no séc. XXI: A formação de professores e o desafio da Avaliação (Shilling C. & Murad F. trad.). Artmed Editora. Porto Alegre. Síntese Final 108 Referências Bibliográficas Correia, J. A. (1991). Inovação Pedagógica e Formação de Professores. Edições ASA. Cunha, A. C. (2008). Pós-Modernidade, Socialização e Profissão de Professores (de Educação Física): Para uma “nova” reconceptualização. Vislis Editores. Curado, A. P. (2000). Profissionalidade dos Docentes: Que Avaliar? Resultados de um estudo interativo de Delphi. Edições Instituto de Inovação Educacional. Glattorn, A., Cortesão, L. & Torres, M. A. (1981). Orientar…como? Problemas na Orientação Pedagógica. Edições Ministério da Educação e Ciência, Gabinete de Estudos e Planeamento. Ribeiro, A. C. (1989). Formar Professores: Elementos para uma teoria e prática da formação. Texto Editora, Lda. Lisboa. 8. Anexos Anexos iii Anexo 1 - Plano de Individual Exercícios Descrição Séries Repetições / Tempo Frente a uma parede, autopasse, apenas com um apoio (MI lesionado). 1 30 x 6s (6 a fazer, 6 a descansar) Equilibrar a um pé em cima de uma superfície instável, com o joelho a 30º. Variante: Com bola. 1 30 x 6s (6 a fazer, 6 a descansar) Elevar as pernas alternadamente, com uma bola presa entre os joelhos. 3 20 x Variante do anterior: Com bola, colocar a bola ora à esquerda, ora à direita, mantendo o equilíbrio. - Até entrar em fadiga / doer PNF O MI começa em repouso (como está o MI direito na imagem). Depois à medida que vai elevando, vai rodando para fora. 3 10 x Anexos iv Alongamentos Alongar o quadricípite, trazendo o calcanhar ao nadegueiro. 3 30s Alongamentos Cruzar o MI à frente do outro MI, com rotação exterior. 3 30s Alongamentos Cruzar o MI atrás do outro MI. 3 30s Anexos v Anexo 2 – Desdobrável Anexos vi Anexo 3 – Questionário Capítulo I – Identificação 1. Idade?__ Anos. 2. Género: Masculino Feminino 3. Ano de Escolaridade: 7º 8º 9º 10º 11º 12º 4. Área de Residência:___________________________________________________. Capítulo II – Atividades Semanais 5. Quanto tempo, em média, dedica às atividades por semana: Atividades 2ª a 6ª Feira (Tempo) Fim de semana (Tempo) Ouvir Música h min. h min. Ver Tv h min. h min. Internet h min. h min. Jogar Consola ou PC h min. h min. Ler h min. h min. Estudar h min. h min. Tarefas domésticas h min. h min. Conviver com amigos h min. h min. Desporto ao ar livre (skate, patins, etc.) h min. h min. Desporto Federado h min. h min. Desporto Escolar h min. h min. Outras. Qual?_____________________. h min. h min. Questionário Este questionário surge no âmbito de uma investigação-ação integrada no Estágio Profissional, do 2º Ano do 2º Ciclo do Ensino da Educação Física no Ensino Básico e Secundário, da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. O objetivo deste estudo é analisar a dimensão social e desportiva do Desporto Escolar na Escola Secundária Abel Salazar. Os dados coletados são anónimos e confidenciais. O questionário tem uma duração máxima de 10 a 15 minutos. Leia as questões com atenção e responda da forma mais sincera possível. Anexos vii Capítulo III – Prática Desportiva 6. Refira por ordem de preferência as suas modalidades favoritas (máximo de 6): 1ª 4ª 2ª 5ª 3ª 6ª 7. Época Desportiva: 7.1. Pratica ou praticou algum desporto? Sim ____ Não___ Nota: Se não, passe para a questão número 8. 7.1.1. Se sim, indique: Modalidades(s) Idade do início da prática Anos de prática (1) Local de prática (Assinale com um X) Federado (2) Escola Clube Outro S N (1) Se interrompeu deve contar o total de anos acumulado. (2) Atleta Federado é aquele que pertence à federação de uma modalidade que pratica. 7.2. Que modalidade pratica na atualidade?________________________________. 7.2.1. Assinale com um cruz (X), as razões que o levou a escolher essa modalidade: É perto de casa; É a minha modalidade preferida; Por influência dos amigos; Por influência dos pais; Por influência dos Professores de Educação Física; Outros. Quais?___________________. Anexos viii 8. Questão apenas para quem nunca praticou desporto. 8.1. Assinale com um cruz (X), as razões que o levaram a nunca ter praticado desporto: Não gosto de desporto; Porque é caro; Por falta de opções; Por influência dos pais; Por falta de tempo livre; Problemas de saúde; Não tenho nenhum clube perto de casa; Outros. Quais?___________________. Capítulo IV – Desporto Escolar 9. Já praticou algum Desporto Escolar em anos anteriores? Sim___ Não____ 9.1. Se sim, qual ou quais?_______________________________________________. Nota: Se não, passe para a questão número 12. 10. No presente, pratica algum Desporto Escolar? Sim____ Não_____ 10.1. Se sim, qual?______________________________________________________. Nota: Se não, passe para a questão número 13. 10.2. Assinale com uma cruz (X) a(s) razões que o(a) levaram a escolher essa modalidade: Por influência dos amigos; Das opções era a que mais gostava; É a minha modalidade preferida; Por influência dos pais; Por influência dos Professores de Educação Física; Outros. Quais?___________________. 10.3. Quantas horas de treino, por semana, realiza?____________________________. Anexos ix 10.4. Em que dias e em que horário realiza os treinos? Dias 2ª Feira 3ª Feira 4ª Feira 5ª Feira 6ª Feira Sábado Horários de treino Ex. das 10h às 10h30. 10.5. Em que mês começou os treinos do Desporto Escolar? (assinale com uma cruz (X) no quadrado correspondente) Setembro Janeiro Outubro Fevereiro Novembro Março Dezembro Abril 10.6. Em que mês começou a competir em encontro interescolar (No caso de ter duas modalidades, considere apenas aquela que começou mais cedo)? Setembro Janeiro Outubro Fevereiro Novembro Março Dezembro Abril 11. Indique o seu grau de satisfação relativamente à facilidade de participação no Desporto Escolar, colocando uma cruz nas opções mais adequadas, de acordo com a escala: 1. Muito Insatisfeito; 2. Insatisfeito; 3. Nem satisfeito Nem insatisfeito; 4. Satisfeito; 5. Muito Satisfeito; 1 2 3 4 5 1. Horário dos treinos. 2. Local dos treinos. 3. Número de treinos por semana. 4. Número de competições/concentrações por Sábado. 5. Número de competições/jogos por ano. 6. Duração dos treinos. 7. Competições aos Sábado de manhã. 8. Horário dos transportes para as competições. 9. Outra: _______________________________________________.