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Relatório de Estágio Profissional - "Educação Física e a Promoção para a Saúde"

Sandra Sofia Pinto Barbosa

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ESTÁGIO PROFISSIONAL, EDUCAÇÃO FÍSICA E A PROMOÇÃO PARA A SAÚDE Sandra Sofia Pinto Barbosa Orientador: Dr. Tiago Sousa Porto, Junho de 2014 Relatório de Estágio Profissional apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, com vista à obtenção do 2.º Ciclo de Estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário de acordo com o Artigo 20º do Decreto-Lei nº74/2006, de 24 de março e com o Artigo 16º do Decreto-Lei nº43/2007, de 22 de fevereiro. II Ficha de catalogação Barbosa, S. (2014). Estágio Profissional, Educação Física e a Promoção para a Saúde. Relatório de Estágio profissional. Porto: S. Barbosa. Relatório de estágio profissionalizante para a obtenção do grau de Mestre em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade de Desporto. PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO FÍSICA, APTIDÃO FÍSICA, ESTÁGIO PROFISSIONAL, FITNESSGRAM, SAÚDE. III Dedicatória Em especial aos meus pais que foram permanentemente o alicerce da minha vida, pelo exemplo de vida, o amor e carinho que me deram, e também pelo esforço que fizeram para me formar uma pessoa melhor. Continuo afirmando que todas as minhas realizações são e serão dedicadas a vocês, pai e mãe. Também às minhas irmãs e queridos sobrinhos. É com o maior prazer que vos dedico todo este trabalho! IV V Agradecimentos No momento de agradecer, a todos aqueles que tornaram este trabalho uma realidade, tomo consciência, mais uma vez, de que sem amizade, a interajuda e a cooperação, poucos projetos, na nossa vida podem ser levados a bom termo. Muitos foram os que, de uma forma, ou de outra, foram cúmplices deste desafio e partilharam comigo as alegrias e as angústias que dele decorreram. Não podendo mencionar o nome de todos quero, no entanto, agradecer a cada um, em particular, a força, a coragem e o carinho e, muito especialmente, o facto de sempre me fazerem acreditar que, apesar das dificuldades, eu conseguiria ancorar o meu barco num porto seguro. Sinceramente, muito obrigada e um grande bem-haja a cada um. Há no entanto algumas pessoas a quem não posso deixar de dedicar algumas palavras de profunda gratidão sem as quais, não seria possível a realização desta “caminhada”. Em primeiro lugar à minha família, pelo amor e pela compreensão que tiveram e a ajuda que me disponibilizaram. Em especial, ao meu querido pai que passou por um grave problema de saúde… Pai, sem a tua recuperação e o teu apoio não teria conseguido finalizar esta etapa de formação da minha vida! Foste e és um Homem Forte! Aos meus alunos, sem os quais este trabalho não teria grande significado, pelos bons momentos que passámos, que me possibilitaram evoluir, contribuindo para a minha formação profissional. Sem estes jamais teria conseguido percorrer meu caminho académico e profissional. Aos meus colegas de estágio, obrigada pelos ensinamentos que me transmitiram e a amizade que construímos. Apesar de momentos difíceis que foram surgindo, com maior ou menor dificuldade, tudo foi feito para que este processo vital na nossa formação fosse na realidade isso mesmo. À diretora de turma, ao professor cooperante e ao fantástico grupo de professores desta escola, por me ter recebido com o maior carinho, pelos esclarecimentos e ajuda nas diferentes tarefas realizadas. Ao professor orientador pela sua cooperação prestada na orientação deste trabalho. A todos (as) os (as) professores (as), que eu tive na minha formação e, que sem eles não teria chegado a lugar algum. A DEUS a quem devo tudo o que sou, tudo o que tenho e pela força que me atribuiu em certos momentos da minha vida (especialmente durante este estágio) … … Muito Agradecida, de todo o coração! “Sem vocês eu não teria conseguido” VI VII “Tenho tanto sentimento Que é frequente persuadir-me De que sou sentimental Mas reconheço, ao medir-me Que tudo isso é pensamento, Que não senti afinal! Temos, todos que vivemos, Uma vida que é vivida E outra vida que é pensada, E a única vida que temos É essa que é dividida Entre a verdadeira e a amada. Qual porém é verdadeira E qual errada, ninguém Nos saberá explicar; E vivemos de maneira Que a vida que a gente tem É a que tem que pensar”. Fernando Pessoa 1 1 In «Cancioneiro». Consult. 08 nov 2013, disponível em: http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt/index.php?id=2242 Fernando António Nogueira Pessoa (1888 -1935), mais conhecido como Fernando Pessoa, foi um poeta, filósofo e escritor português. VIII IX Índice Índice de Gráficos XI Índice de Quadros XIII Índice de Tabelas XV Índice de Fotos XVII Resumo XIX Abstract XXI Siglas utilizadas XXIII 1. INTRODUÇÃO 1 2. DIMENSÃO PESSOAL 5 2.1 Reflexão autobiográfica 7 2.2 Experiência pessoal enquanto professora 9 2.3 Expetativas em relação ao estágio 11 3. ENQUADRAMENTO DA PRÁTICA PROFISSIONAL 17 3.1 Contexto legal 19 3.2 Contexto institucional 21 3.3 Contexto funcional 23 4. REALIZAÇÃO DA PRÁTICA PROFISSIONAL 31 4.1 Área I: Organização do Ensino e da Aprendizagem 33 4.1.1 Conceção 34 4.1.2 Planeamento 35 4.1.3 Realização 40 4.1.4 Avaliação 52 4.2 Área II e III: Participação e Relação com a comunidade 56 4.3 Área IV: Desenvolvimento Profissional 62 4.3.1 Ser Professor 64 4.3.2 O que é ser professor hoje? 65 4.3.3 O que é ser professor no futuro? 70 4.4.4 Professor reflexivo 72 4.4.5 Educação Física: Saúde, Educação e Valor 74 4.4.6 O valor da Educação Física na escola 77 4.4 Estudo Caso 80 4.4.1 Tema 80 XVI XVII Índice de Fotos Anexos - Ilustrativo Foto 1: Treino Funcional 1 / Exercício 1 XXXIV Foto 2: Treino Funcional 1 / Exercício 2 XXXIV Foto 3: Treino Funcional 1 / Elaboração Triângulo XXXIV Foto 4: Treino Funcional 1 / Exercício 3 XXXIV Foto 5: Treino Funcional 1 / Elaboração Quadrado XXXIV Foto 6: Treino Funcional 1 / Exercício 4 XXXIV Foto 7: Treino Funcional 1 / Exercício 5 XXXIV Foto 8: Treino Funcional 1 / Exercício 6 XXXIV Foto 9: Treino Funcional 2 / Exercício 1 XXXIV Foto 10: Treino Funcional 2 / Exercício 2 / 4 / 6 XXXIV Foto 11: Treino Funcional 2 / Exercício 3 XXXIV Foto 12: Treino Funcional 2 / Exercício 5 XXXIV XVIII XIX Resumo O Estágio Profissional (EP) está inserido no 2.º Ciclo de estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos ensinos Básico e Secundário da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. Este estágio foi realizado na Escola EB 2/3 Júlio Dinis onde tive a prestar funções de docente e contou com a colaboração de um professor orientador de faculdade e um professor cooperante. O presente relatório de estágio encontra-se estruturado em sete capítulos: (1) introdução, (2) dimensão pessoal, (3) enquadramento da prática, (4) realização da prática profissional, (5) conclusão e perspetivas para o futuro, (6) referências bibliográficas, (7) referências legislativas e (8) anexos. Durante a realização do estágio foi conduzido um estudo caso que pretendeu realçar a importância que o exercício físico desempenha no combate à obesidade. A resolução do problema passará pela alteração de um estilo de vida sedentário e a adoção de um estilo de vida mais ativo. Para além da família, a escola é a instituição que poderá desempenhar um papel no combate a esta epidemia, através da promoção e do incentivo de estilos de vida mais saudáveis, nomeadamente através da prática de exercício físico. O estudo realizado visou implementação de programa de intervenção na escola com o objetivo de reduzir os fatores de risco de obesidade e para isso foram diferentes as abordagens diversificadas utilizadas. Todas elas tiveram como objetivo promover estilos de vida mais saudáveis e prevenir o excesso de peso na escola e a obesidade na escola focalizando a atenção nas áreas relacionadas com uma dieta saudável e no aumento do exercício físico. O trabalho dá-nos a conhecer um pouco sobre a obesidade infantil, como determinar o excesso de peso e o combate ao sedentarismo através de uma prática de exercício físico regular. Caracteriza o aluno em estudo e, por último, refere todas as estratégias específicas da Educação Física. Nomeadamente ao estágio profissional serão aqui relatadas todas as tarefas que foram realizadas. PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO FÍSICA, APTIDÃO FÍSICA, ESTÁGIO PROFISSIONAL, FITNESSGRAM, SAÚDE. XX XXI Abstract The Practicum Training is inserted in the 2nd cycle of studies leading to Master's degree in Teaching Physical Education in Primary and Secondary teaching at the Faculty of Sport, University of Porto. This was carried out at Escola EB 2/3 Júlio Dinis where I had to provide duties as a teacher with the collaboration of the positioned lecturer and the cooperating teacher. The report presents the stage when divided into seven chapters: (1) introduction, (2) personal dimension, (3) the practice environment, (4) achievement of professional practice, (5) conclusion and perspectives for the future (6 and 7) references and (8) attachments. During the practicum a study of action inquiry which sought to highlight the importance that physical exercise plays in fighting obesity. Solving the problem will change by sedentary lifestyles and the adoption of more active lifestyles. Apart from family, school is the institution that could play a role in fighting the epidemic by promoting and encouraging healthier lifestyles, including physical exercise. The study aimed to implement an intervention program in school with the goal of reducing the risk factors of obesity and different approaches that were used varied. All of them were aimed at promoting healthier lifestyles and prevent overweight and obesity in school by focusing attention on areas related to a healthy diet and increased physical exercise. The work gives us know how about childhood obesity, how to determine the excess weight and the combat the sedentary lifestyle through regular physical activity. It features student in the study and, finally, refers to all the specific strategies of Physical Education. Namely the Practicum Training will be reported here all the tasks that were performed. KEYWORDS: PHYSICAL EDUCATION, PHYSICAL FITNESS, PRACTICUM TRAINING, FITNESSGRAM, HEALTH. XXII XXIII Siglas utilizadas AEC – Atividades de Enriquecimento Curricular AF – Atividade Física AFD – Atividade Física Desportiva EB – Ensino Básico EE – Encarregado de Educação EF – Educação Física EP – Estágio Profissional FADEUP – Faculdade de Desporto da Universidade do Porto FPP – Federação Portuguesa de Patinagem IMC – Índice de Massa Corporal MEC – Modelo de Estrutura de Conhecimentos NEE – Necessidades Educativas Especiais OMS – Organização Mundial da Saúde PAA – Plano Anual de Atividades PALOP – Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa PES – Prática de Ensino Supervisionada PEI – Projeto Educativo Individual RE – Relatório de Estágio UP – Universidade do Porto XXIV “O caminho faz-se caminhado”. Fernando Pessoa 1. INTRODUÇÃO 8 profissional mas o ensino, para mim, tem mais valor pois encontro-me a lecionar há cinco anos as Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC) pela Câmara de Gaia. Decidi apostar em mestrado mas durante o ano de estágio foi impossível conciliar com as AEC. Ora, o mestrado teve prioridade e resolvi abdicar das atividades escolares durante o ano de estágio profissional. Encontrei-me, durante esse momento, a lecionar apenas em ginásios. Por vezes, temos de fazer opções nas nossas vidas e dar prioridade ao que é mais importante. Quando queremos fazer tudo ao mesmo tempo acabamos por não fazer nada de proveitoso, nem num lado nem no outro. Neste momento estou novamente a prestar serviço público pela Câmara Municipal de Gaia. Pertenci também à Federação Portuguesa de Patinagem (FPP), enquanto árbitra de Hóquei Patins mas as deslocações e a falta de pagamentos não me permitiram continuar. Este desempenho tornou-me uma pessoa capaz, dotada de conhecimentos técnicos, com especialização nesta área que passa por um treino especial de forma a ter condições técnicas e conhecimentos suficientes para poder decidir divergências com segurança e proferir sentença. Penso que a função de professora acaba por ser essa e fundamentalmente contribuir para o desenvolvimento do ser como um todo. Para finalizar devo revelar que tenho concorrido todos os anos a nível nacional, como professora, mas esta instabilidade que o país se encontra fez-me concorrer, este ano, a nível internacional e por isso resolvi enviar a minha candidatura para os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). De momento encontro-me a aguardar por uma entrevista e pretendo avançar assim que terminar o mestrado, se houver uma vaga. Considero que em todo o mundo, a educação tem como função a criação de laços sociais que tenham a sua origem em referências comuns. Os meios utilizados abrangem as culturas e circunstâncias mais diversas, em todos os casos, a educação tem como objetivo essencial o desenvolvimento do ser humano na sua dimensão social. Como tenho um gosto imenso por viajar e conhecer culturas diferentes, ao mesmo tempo contactar com crianças que valorizem a nossa função enquanto profissionais, não quero dizer que os nossos alunos não o valorizem mas são culturas bem diferentes e sei que as crianças mais necessitadas dão outro valor e, deste modo, pretendo contribuir para o seu crescimento proporcionando-lhes felicidade, hábitos de vida saudáveis e algum carinho. 9 Neste ponto de vista os professores têm um dever crucial a desempenhar na composição dos jovens não só para que estes encarem o seu futuro com confiança, mas para que o construam com determinação e responsabilidade. Educar é sempre uma tarefa muito complicada pois trata-se de uma jornada cujas fases moldam à própria personalidade. A educação torna-se assim um meio para alcançar uma realização pessoal da própria sociedade. Ora a personalidade de um indivíduo acaba por ser o resultado simultâneo da sua maturação mas também dos valores que lhe foram incutidos durante o seu desenvolvimento com o mundo que o rodeia. Todos sabemos que estes valores passam pelas relações com os seus pais mas também pelos professores a maior parte das vezes (que por vezes até acabam por ter essa mesma função, de própios pais). 2.2 Experiência pessoal enquanto professora Relativamente à minha experiência profissional garanto que gostei imenso de lecionar outro ciclo, particularmente ao 3.º ciclo do ensino básico durante este estágio profissional, mas gostaria deixar aqui mencionado, não todos, apenas dois casos que, em parte, me sensibilizaram muito nas escolas. A opção pela docência foi a escolha do meu coração. Hoje, durante o meu trabalho, confirmo que não sinto o passar das horas porque o contacto com as crianças é para mim a profissão ideal porque elas são os seres mais verdadeiros deste mundo. Quero, acima de tudo, proporcionar-lhes bons momentos no seu percurso escolar e pretendo dar-lhes o meu melhor exemplo, enquanto professora de EF e como pessoa. Atualmente o meu conceito de identidade afigura-se ao meu conceito de profissão. Quero concordar com Nóvoa (2000, p.17) quando destaca “é impossível separar o eu profissional do eu pessoal”. Começo por dizer que ao longo dos primeiros anos da minha carreira no contacto direto com determinadas escolas, nomeadamente 1.º e 2.º ciclo, posso afirmar que de facto hoje assiste-se a situações muito delicadas. Repare-se que logo numa das primeiras aulas de apresentação ao referir o material necessário para a aula de EF uma aluna aguardou pelo momento final da aula e referiu que não podia comparecer nas próximas aulas porque não tinha sapatilhas. Ao saber da situação, pela qual a menina estava a passar, 10 falei-lhe que se ela aparecesse na aula seguinte oferecia-lhe o calçado apropriado para que pudesse acompanhar os colegas de turma e realizar todas as aulas até ao final do ano letivo. De coração, o sorriso daquela criança foi uma sensação fantástica! De acordo com Aires (2011, p.83) quando refere que “a função de ensinar deve estar nas mãos dos melhores desde a primeira hora, só o conseguimos se eles forem devidamente atraídos e captados pela profissão”. Não deixando de referir que esta profissão tem vantagens e também obstáculos mas “a capacidade de deixar uma marca nas vidas de outras pessoas com um impacto e uma influência positiva no seu desenvolvimento é algo que não acontece com todos os profissionais e que devemos valorizar e não esquecer, mesmo nos momentos mais difíceis (…) podemos não conseguir que todos sejam excelentes alunos, mas o nosso objetivo para todos por igual é que, pelo menos, sejam pessoas boas na sociedade em que vivem e proporcionar-lhes os recursos sócio-emocionais que os ajudem a conduzir as suas vidas de forma saudável e civilizada. A nossa melhor recompensa é o sorriso e o carinho dos alunos” (Molina, 2013, p.23). Relativamente ao outro caso, era uma aluna portadora de Necessidades Educativas Especiais (NEE), não posso deixar de referir que a escola deve ser nomeadamente inclusiva. Um acontecimento que decorreu ao longo do ano letivo 2008/09 e que me emocionou bastante, uma menina de 6 anos que sofria de Distrofia Muscular Congénita. A aluna da turma C, do 1.º ano, da Escola EB1 do Freixieiro, ao nível das funções relacionadas com a força muscular apresentava uma hipotonia, com o tónus muscular muito abaixo do normal, o que lhe afetava todos os movimentos do corpo relacionados com os músculos, articulações e funções do movimento. Esta aluna esteve sempre mais protegida e o seu desenvolvimento socio-afetivo foi notável ao longo do ano letivo. A docente que prestava apoio educativo, disponibilizou toda a informação, nomeadamente o PEI (Projeto Educativo Individual), para que o ensino regular decorresse dentro da normalidade. Em colaboração com a mesma, promovemos todas as condições adequadas à gestão do seu processo ensino-aprendizagem. Não irei esquecer a cara daquela criança quando apitava para iniciar/terminar as nossas aulas. O apito foi a única forma de incluir a aluna nas aulas práticas e a partilha durante todo o ano digo-vos foi muito gratificante para a minha vida. Digo isto porque a esperança média de vida desta criança era muito curta, no 11 entanto ela cruzou-se na minha vida… o que para mim foi muito especial! Ora a função dos professores, hoje em dia, alcança um caráter de altíssimo valor de referência porque contactam com uma vasta gama de problemas, situações e pessoas. No que se refere às NEE e conforme salienta, Nunes (1992, p.43) o professor “deveria apresentar-se como o elemento (…) capaz de uma prática normal (que rejeita o artificialismo da homogeneidade), por si mesma contagiadora e animadora de toda a escola para os caminhos de uma pedagogia de sucesso que a desencadeia em cada um sentimentos de respeito pelo esforço próprio e fortalece a iniciativa e a auto-estima”. Fiz questão de escrever estes casos verídicos porque uma das funções do professor é compreender a forma de linguagem dos alunos, tendo em vista a classe social de cada um e ter visibilidade nos seus conteúdos, respeitando as suas diferenças. Quero, por fim, apresentar uma frase lindíssima de Santos (1997, p.18) quando menciona “ eu professor me penso porque amo a mudança e quero ir com esse mundo que não para diante da teimosia dos colecionadores de antiguidades. E não quero ir de mãos vazias para junto de quem precisa e espera de mim (…).” 2.3 Expetativas em relação ao Estágio Profissional (EP) A realização deste estágio foi sem dúvida alguma, por mim encarada, como um momento em que pude aplicar os conhecimentos adquiridos ao longo de quatro anos de licenciatura (Curso de Professores de Ensino Básico – Variante de Educação Física) e também de um primeiro ano de mestrado (2.º Ciclo em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário). Durante a minha licenciatura tive estágio ao longo de três anos. Desde que terminei o curso tenho estado a lecionar, há cinco anos, as Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC) pela Câmara Municipal de Gaia, mas ambiciono mais e por isso decidi apostar em mestrado com o objetivo de aumentar a minha média final de curso. O facto de a minha licenciatura se destinar ao ensino da Educação Física (EF) referente ao 2.º ciclo, fez-me sentir um pouco limitada e por isso decidi apostar no mestrado de ensino ao 3.º ciclo e secundário, ficando assim com a possibilidade de candidatura a mais do que um grupo de recrutamento – 110, 260 e 620. O professor em qualquer ciclo do 12 ensino básico necessita de estar em atualização constantemente. Tornar-se um expert na área que se escolhe é um dos melhores sentimentos de realização pessoal que se pode alcançar. Quero desenvolver e aplicar o conhecimento adquirido de forma a alcançar a especialização na determinada área. Em muitas profissões ter um mestrado é um requisito essencial para conseguir entrar no meio. Muitas vezes para conseguir compreender a estrutura de algumas profissões é necessário ter uma cultura significativa e a universidade é um dos sítios mais eficazes para ir buscar esse conhecimento. Vivemos num mundo complexo e em contínua mudança penso que a universidade é um dos melhores lugares para receber preparação para estas constantes mudanças. Durante 5 anos de faculdade muito foi dito, avaliado, criticado, muitos conhecimentos foram adquiridos, conhecimentos que transportei comigo para o estágio com a esperança de aliar a teoria à prática de forma a proporcionar aos jovens um aproveitamento a esta disciplina que não deixa de ser fundamental para o amadurecimento social, físico e psicológico de cada indivíduo. Penso efetivamente que este estágio me proporcionou boas situações de aprendizagem, através da vivência prática que implica o ser professora in loco, isto é, no contacto direto com os alunos de um novo ciclo (neste caso ao 3.º Ciclo). O fazer algo de positivo é, para mim, um dos princípios fundamentais e penso que a minha função essencial como professora será ajudar o aluno a crescer e a desenvolver-se. Na subida da montanha da minha vida, procuro cumprir o melhor que posso e sei. Tenho realizado muitos percursos sozinha, no entanto, os momentos mais altos da minha realização humana têm sido com a participação de outros. Não tenho qualquer dúvida que a realização deste estágio foi mais um desafio que tive de ultrapassar com a ajuda de algumas ferramentas: trabalho, empenhamento e motivação. Acredito que este estágio e todas as pessoas que a ele estiveram ligadas desenvolveram em mim capacidades essenciais que me tornaram na melhor professora possível. Considero muito importante a visão da escola como um todo, e o desenvolvimento de um relacionamento com o meio e uma participação ativa na solução dos problemas escolares. Não quero apenas que a nova escola faça parte de mim, quero também fazer parte da escola e do seu projeto. Tudo a que me propus realizar inicialmente acabei por concretizar, desde a conceção do ensino até às atividades desenvolvidas. É 13 fundamentalmente aprender a ter nova visão real, para que em conjugação com os conhecimentos científicos e pedagógicos adquiridos na faculdade possa vir a ser uma profissional cada dia mais competente. Para tal, contei com a ajuda de todos os que lhe deram nome, desde os encarregados de educação, pais, funcionários, colegas a órgãos de gestão, para assim através de uma relação transdisciplinar entre eles e então poder chegar à razão pela qual todos trabalhamos na escola – os seus alunos. Construir um bom relacionamento de trabalho com a turma, tendo sempre presente que cada aluno é um ser individual, incutindo-lhes motivação e promovendo uma variedade de intervenções, estimulando a criatividade individual e alimentando cada uma das suas potencialidades, foi um dos meus objetivos. Para além disso, pretendi recorrer da educação para construir relações de cooperação e de comunicação, tendo em vista o seu desenvolvimento enquanto seres humanos, enquanto pessoas integradas numa sociedade, com os seus valores, princípios e normas. Eles foram durante o ano de estágio o meu maior e melhor ponto de referência, foi através deles que eu me pude avaliar, pois eles foram, em parte, o produto do meu trabalho e o espelho da minha competência. Em relação ao professor cooperante pude contar com a sua presença como experiente, ajudando-me a construir como profissional na área da docência. O professor procurou manter-se atualizado nas diversas tarefas que o estágio implica. Através da sua orientação pude aprender, a partir das suas críticas e posições, a desempenhar cada vez melhor o meu papel no complexo processo de ensino-aprendizagem, que indubitavelmente me ajudou a resolver as minhas interrogações, levantando dúvidas quando sentiu a minha insegurança e indeterminação sobre algo, para que assim a minha aprendizagem pudesse ser refletida e analisada. Pude ainda contar com o seu apoio neste aspeto. Tivemos momentos de reflexão cuidada, acerca não só das aulas mas também do ensino em geral, para desta forma se alargarem horizontes e melhorar alguns aspetos da minha atividade. Quanto ao professor orientador de estágio foi o meu “conselheiro”. Ensinou-me com os seus conhecimentos e experiência a conseguir adquirir mais competência na minha formação as quais serão muito importantes para o meu desempenho no futuro como professora. Estive recetiva a críticas de forma construtiva e no sentido de enriquecimento pessoal. Relativamente à turma pela qual fiquei responsável encontrei, no geral, alunos 14 sem hábitos desportivos regulares, que não se interessam nem conhecem grande parte do sistema desportivo e que não entendem a vantagem da prática sistemática de atividade física. Contudo, tive duas exceções a esta situação, principalmente aqueles que já praticaram desporto extracurricular. Procurei sempre ajudá-los e compreender os seus problemas e dificuldades, bem como transmitir e ensinar os conhecimentos desta disciplina de forma criativa, para que assim o processo de ensino e aprendizagem não se tornasse fastidioso mas antes interessante e desejável. Procurei salvaguardar o respeito mútuo, ponto essencial para uma boa relação professora/aluno, bem como transmitirlhes um conjunto de normas de conduta comportamental e valores para que possam crescer não só física e psicologicamente mas também socioafetivamente. Planifiquei exercícios criativos, motivantes e de maior qualidade, pois penso que, efetivamente, são as aulas o momento fundamental e crucial da aprendizagem. Aulas bem preparadas e bem ministradas são fatores desencadeadores de um maior empenho, interesse e, consequentemente, maior aprendizagem nos alunos. Considero que apesar de toda a planificação, por vezes o imprevisto também acontece o que condiciona toda a aula! Quanto ao grupo de estágio, senti grande empatia desde o primeiro dia em que nos reunimos e contribui para uma relação positiva. Colaborei para um empenho forte e equitativo por parte de todos, tentando sempre obter bons resultados nos trabalhos desenvolvidos. Relativamente ao grupo de Educação Física, pude contar com os seus conhecimentos adquiridos enquanto professores, para me ajudar na resolução de eventuais problemas. Estabeleci um bom relacionamento, aprendi e recebi críticas construtivas sobre o meu trabalho, pois estas são fundamentais para o meu processo de crescimento profissional. Em suma, posso dizer que foi com grande otimismo que encarei o ano letivo. Com mais ou menos dificuldades que me apresentaram pelo caminho procurei, juntamente com o cooperante e os colegas, ultrapassá-los sempre com espírito forte e motivado de modo a que essas contrariedades e a sua relação pudessem contribuir para melhorar a minha prestação como professora. No que respeita às minhas potencialidades, referindo as que considero mais relevantes, senti que podia colaborar de uma forma ativa na escola e prestar alguns contributos adquiridos através da minha prática profissional. O facto de já ter experiência letiva, de ser trabalhadora na área de desporto, 15 também a minha experiência e toda a minha vida profissional, tudo isto foi importante e, em certa medida ter aproveitado para transpor para este novo estágio profissional. Deste modo, proporcionei aulas de grupo para os professores interessados desta escola, realizei juntamente com o grupo de estágio caminhadas mensais para toda a comunidade educativa (encarregados de educação, alunos, auxiliares de educação, professores e amigos) e por último, realizei treinos personalizados com alguns dos alunos da minha turma e estive envolvida em todas as ações que surgiram ao longo deste ano letivo. Pretendi ainda, formar um grupo de Dança com todos os alunos da escola, caso fosse possível, o que acabou por não se realizar. Durante os intervalos, um grupo de alunos realizava coreografias no recinto interior o que acabou por “despertar” a minha atenção mas senti dificuldade em arranjar tempos extracurriculares para trabalhar com estes alunos. Por todo o trabalho que executei e por todas as situações que consegui ultrapassar, que foram muito importantes, aprendi que o nosso dever como professor não é o de apenas lecionar mas também tentar evoluir para cada vez mais e ao mesmo tempo tentar errar menos. Neste estágio evoluí não só nas capacidades de lecionar mas também como pessoa em termos de relações, pois ao longo deste tempo vivenciei novos acontecimentos que não estava à espera. Senti que a minha participação da escola se evidenciou, através de várias atividades (desde caminhadas, eventos desportivos, aulas de grupo e até alguns jantares organizados) também o convívio proporcionado desde a socialização, ao compromisso de certos encarregados de educação, assim como todos os eventos organizados pelo grupo de educação física. Por tudo isto este estágio foi muito importante para mim e mais relevante foi o facto de não ter faltado uma única vez, apesar de dias menos bons na minha vida. Penso que todo este esforço pessoal revela a minha dedicação e paixão durante este tempo de aprendizagem. Numa reflexão geral e na minha humilde opinião, reuni todos os esforços para que os objetivos fossem conseguidos, como qualquer professor/a faz no seu quotidiano. 16 17 3. ENQUADRAMENTO DA PRÁTICA PROFISSIONAL Cada profissão, assim como cada flor, tem o seu próprio significado… Girassol - dignidade, glória e paixão! 24 personalizados para o estudo caso realizou-se 1h/2h para a aulas práticas de Step, Aerodance e Ginástica Localizada para as docentes desta escola. Em conformidade com esse número de aulas dedicava ainda 2 dias da semana para o trabalho de escolha opcional, no meu caso o Fitnessgram. Este estudo incidiu na turma pela qual fiquei responsável a exercer as funções ligadas à docência pedagógica. Revelou uma atenção responsável perante a importante necessidade de generalizar bem cedo nos alunos a avaliação da aptidão física e das suas rotinas diárias de atividade física com base em critérios relacionados com vários marcadores de saúde. No âmbito da promoção da saúde, a Educação Física é umas das áreas consideradas como prioritária por parte das escolas. Esta prioridade tem razões bem fundamentadas. Em crianças e adolescentes de ambos os sexos existe uma relação gradual entre a aptidão cardiorrespiratória, o perímetro da cintura, a soma das pregas adiposas e a pressão arterial sistólica, da mesma forma que entre o exercício físico e indicadores de obesidade. Não há dúvidas que vale a pena criarem-se todas as condições para o aumento da aptidão cardiorrespiratória, do exercício físico, da flexibilidade, da força e da resistência. Promovem efeitos diretos na saúde, mas ainda de forma de se observar uma associação positiva entre o exercício físico, a participação desportiva e o rendimento escolar dos estudantes. Por todas estas razões, o sistema educativo não pode hesitar nesta responsabilidade de combater com eficiência a tendente sedentarização dos alunos durante o percurso escolar. Para a realização deste estudo foi necessário aplicar a Bateria de Testes Fitnessgram ao longo dos três períodos letivos de modo a registar a evolução dos alunos, teve assim 3 momentos de avaliação. Em cada momento houve uma divisão de 2 categorias: uma coletiva (comparação de resultados entre alunos da turma) e outra individual (registo individual do aluno - resultados introduzidos no computador com relatório estatístico para determinar a percentagem de alunos que atingiu a Zona Saudável de Aptidão Física - ZSAF). O trabalho foi constituído por 3 partes que estão subdivididas em diversos capítulos. A primeira parte apresenta-nos os testes de Aptidão Física e suas componentes: aptidão aeróbia, a composição corporal e a aptidão muscular (força muscular, resistência e flexibilidade); a segunda parte apresenta-nos a interpretação dos resultados ao longo dos 3 momentos de avaliação (1.º, 2.º e 3.º Períodos) e a última parte foi uma proposta de 25 exercícios de Fitness para trabalhar com alunos de modo a desenvolver as suas capacidades nas aulas de Educação Física. Como se sabe a universidade tem uma função crucial na preparação dos jovens para a sua carreira profissional, tal como refere Bento (2008, p. 57) “a universidade tem como distintivo basilar a investigação e como função primeira a preparação científica, espiritual e cultural dos seus estudantes”; mas de acordo com um outro autor é importante investir mais na prática, como refere Franco (1999, p. 15) “a formação de professores (…) pouco mais é do que um paliativo institucional (…) para além da competência científica é, realmente fundamental: o ato de ensinar (Pedagogia!)”. Entenda-se que a função teórica da escola é a transmissão de conhecimentos mas na prática uma pura fonte de informação de personalidades, ou seja o que nos une são realmente as pessoas. Neste sentido tornou-se necessário conhecer os alunos e caracterizar a turma pela qual fiquei responsável. Foi este o objetivo de conhecer as suas características, necessidades, interesses, as condições que eles dispõem no seu dia-a-dia e na sua atividade curricular. É uma turma do 9.º ano de escolaridade, inserida desta forma no último ano do 3.º ciclo do Ensino Básico, constituída por 20 alunos, com idades compreendidas entre os 13 e os 15 anos, sendo 12 do sexo feminino (60%) e 8 do sexo masculino (40%). Em relação às idades, denotou-se que a turma era heterogénea. A média das idades é 13,9 tendo a maioria dos alunos catorze anos de idade. Deste modo, tivemos dez alunos com 14 anos (50%), seis alunos com 13 anos (30%) e apenas quatro com 15 anos (20%). Todos os alunos da turma residiram no concelho de Vila Nova de Gaia (100%). Quanto à sua nacionalidade também eram todos portugueses. No que diz respeito ao agregado familiar da turma em observação, a maioria (55%) possuía 2 elementos, grande parte dos alunos vivia com os seus pais, seguindo-se depois 7 (35%) com 3 elementos. Os encarregados de educação dos alunos eram constituídos ou pela mãe ou pelo pai. A grande maioria dos alunos tinha como encarregado de educação a mãe com os expressivos 70%. Metade dos alunos da turma vivia com os pais (50%), os restantes não responderam, outros viviam com os pais e irmãos (30%). Nomeadamente às habilitações escolares das mães, a maioria das mães (50%) apresentava como habilitações literárias o 2.º e 3.º ciclo de escolaridade. Apenas uma possuía o 1.º ciclo e outra o Secundário. Comparativamente à 26 escolaridade dos pais, verificava-se que a maioria da turma (45%) possuía também o 2.º ciclo de escolaridade, seguindo-se três dos pais apenas com o 1.º ciclo. Estes níveis de escolaridade podem, por vezes, influenciar a educação dos alunos e a sua prestação a nível escolar. Relativamente às percentagens dos alunos que gostavam de frequentar a escola, apenas um dos alunos não gostava de frequentar a escola (5%). Também a maior parte dos alunos desta turma não tinha reprovado o que é satisfatório (80%). De entre as disciplinas referidas pelos alunos como preferidas destacavam-se na sua maioria a de Educação Física (25%) e a de Inglês (25%), seguindo-se a disciplina de Francês. (20%). Quanto às disciplinas menos favoritas ou aquelas em que os alunos sentiam mais dificuldades, era a disciplina de História (25%) e logo de seguida a de Matemática (20%). Em relação à saúde destes alunos, a maioria dos alunos (60%) referia não ter qualquer problema de saúde. Porém existia na turma uma aluna com doença crónica e outros dois com problemas asmáticos. Neste sentido tivemos um pouco mais de atenção com estes alunos porque podem ser condicionados na sua prestação pelo fator em causa. Tendo em conta que uma alimentação equilibrada é essencial para promover a energia necessária para o bom funcionamento do organismo, é fundamental para os alunos façam várias refeições e acima de tudo que estas sejam de qualidade. O número ideal de refeições diárias realizadas por estes alunos foi de cinco, sendo três como principais (manhã, meio-dia e jantar) e duas intermédias (a meio da manhã e a meio da tarde). Como é possível verificar a maioria dos alunos (40%) fazia as 5 refeições diárias, havia um aluno que era exceção, uma vez que afirmou fazer apenas três refeições diárias. De referir ainda que a maioria (55%) dos alunos dormia aproximadamente 8 horas por noite, o que é bastante positivo. Apenas um dos alunos referia dormir 6 horas, o que poderá condicionar a sua prestação escolar impedindo-o de alcançar melhores resultados nas disciplinas. Como seria de esperar e perante algumas das características dos alunos desta turma nenhum fumava e apenas 3 alunos ingeriam esporadicamente bebidas alcoólicas. Em relação à higiene, um dos aspetos a ter em conta nas aulas práticas, a maioria dos/as alunos/as afirmava que tomava duche após as aulas de EF (90%) mas na prática nem sempre correspondeu à realidade. No dia-a-dia os/as estudantes após a aula de EF, muitos deles não tomam duche. Muitas das vezes porque se sentem 27 envergonhados ou então muitas respostas são: “Não transpirei muito na aula”, “Não é preciso”, “Depois da aula vou para casa”, “Não gosto de tomar banho na escola”, entre outras. Uma das funções do/a professor/a é estar atento/a e incutir desde logo esse hábito de higiene, obrigando os/as alunos/as a tomar um duche, pelo menos, nas aulas de 90 minutos. É sempre possível controlar isso pedindo a um rapaz para apontar quem não toma duche e a mesma coisa para as raparigas. Nomeadamente à ocupação dos seus tempos livres, preferencialmente, jogavam computador (24%), ouviam música e permaneciam horas na Internet (19%). Apenas um aluno (5%) referiu a prática desportiva como seu passatempo. Muitos dos alunos apesar de não praticarem desporto nos seus tempos livres gostavam da disciplina (90%). Entre as modalidades dadas como preferidas, sendo a maioria dos alunos raparigas, tivemos a Dança (24%) como favorita seguindo-se algumas modalidades como Badminton e Natação (19%). Verificou-se também grande variedade nas preferências dos alunos. Ainda em relação a esta turma, encontrei alunos sem hábitos desportivos regulares, que não se interessam nem conhecem grande parte do sistema desportivo e que não entendem a vantagem da prática sistemática de exercício físico. Claramente existem estratégias para gerir uma turma diferenciada que segundo Piaget (cit. por Tomlinson, 2008, p.69) ”apesar de a gestão de uma turma diferenciada nem sempre ser fácil, os avanços nessa direção tendem a tornar a escola adequada (…) por outro lado, também a tornam o ensino mais gratificante e motivador”. Desta forma, procurei sempre ajudá-los e compreendê-los nos seus problemas e dificuldades, bem como transmitir-lhes e ensinar-lhes os conhecimentos desta disciplina de forma criativa, para que assim o processo de ensino e aprendizagem não se tornasse fastidioso mas antes interessante e desejável. Procurei salvaguardar o respeito mútuo, ponto essencial para uma boa relação professora/alunos, bem como transmitir-lhes um conjunto de normas de conduta comportamental e virtudes para que possam crescer não só fisicamente como psicologicamente mas também de modo socio-afetivo. A pensar neste propósito existem, igualmente, estratégias para se desenvolverem estas relações e criarem laços dentro e fora do contexto funcional. Este era um dos objetivos da reunião do núcleo de estágio quando se reuniam semanalmente com o professor cooperante. A reunião tinha lugar na escola de estágio, todas as 4.ªfeiras e servia também 28 para a definição de atividades desenvolvidas pelo grupo durante o ano letivo. No final de cada reunião era elaborada uma ata de caráter obrigatório com o intuito de registar todas as tarefas a desempenhar. Para o planeamento de uma atividade deve ficar claro o seu procedimento e os detalhes sobre a oportunidade oferecida, de modo que a organização contribua para o crescimento dos participantes. Relembro, ainda, que se realizavam igualmente reuniões do grupo não com tanta frequência mas as necessárias para que tudo funcionasse na melhor maneira possível. Também as reuniões de subdepartamento de Educação Física (EF) eram igualmente importantes no sentido de compreender todas as ideias envolvidas por detrás de todas as organizações e atividades realizadas. A transparência na realização de atividades garantiu uma imagem positiva de organização. Foram alguns os eventos em que pudemos participar e de certo modo contribuir para a sua realização, nomeadamente o Dia do Corta Mato Escolar, o Dia do Atletismo e o Dia da Primavera. Vejamos então esses exemplos e as suas reflexões. Reflexão | Corta Mato Escolar (1.º Período - 07 de dezembro de 2011) “Referindo-me à participação na globalidade, a mesma foi muito positiva (…)Todos os professores de EF estiveram envolvidos no cumprimento das suas tarefas previamente definidas, isto é, logo nas primeiras horas do dia os professores estiveram na montagem de todo o material, seguindo-se depois a distribuição dos mesmos pelas zonas específicas (…) O evento mobilizou toda a comunidade escolar, uma atividade que congregou muitos dos objetivos pilares deste Agrupamento, entre outros, salienta-se a presença dos encarregados de educação na escola, a motivação para a prática regular de atividade física, a promoção de hábitos de vida saudáveis, a criação de laços de companheirismo e de amizade e o estreitar de relações com a comunidade”. Reflexão | Dia do Atletismo (2.º Período – 15 de fevereiro de 2012) “A atividade decorreu da parte da tarde e foi organizada pelo subdepartamento de Educação Física e contou também com a colaboração do Núcleo de Estágio de Educação Física da FADEUP.(…) Em suma, foi uma boa experiência porque constatei de que forma se organiza um evento deste tipo. Para isso, a colaboração e empenhamento em prol de algo que acreditamos só é possível com pessoas desta qualidade”. Reflexão | Dia da primavera (3.º Período – 19 de maio de 2012) “Esta atividade desenvolvida foi acontecimento marcante para toda a comunidade escolar mas também nas nossas vidas enquanto estagiários, assumindo uma referência para toda a escola e que estas dignifiquem não só o núcleo de estágio, mas também e de uma forma geral todos os profissionais de Educação Física (…) No que diz respeito à organização e alcance dos objetivos, é com satisfação que verificamos o sucesso de trabalho do núcleo de estágio. Não posso deixar de referir que esta atividade foi, de facto, muito importante para a minha formação, já que nos forneceu conhecimentos precisos para outras similares, a organizar no futuro”. 29 Através da leitura destas reflexões pessoais, facilmente podemos compreender que o trabalho docente não consiste apenas em cumprir ou executar, mas é também a atividade de pessoas que não podem trabalhar sem dar um sentido ao que fazem, porque é uma imprescindível interação com outras pessoas: os dirigentes da escola, os alunos, os colegas, os pais, entre outros membros pertencentes à comunidade educativa. Por todas estas relações e ações humanas, é tão importante orientar não só no sentido de Saber-Fazer mas também orientar no sentido de Saber-Ser. Nesse verdadeiro sentido, Freire citado por Antunes (2001, p.156) considera que “o processo de educação-aprendizagem é um processo contínuo e permanente uma vez que, quer o homem, quer o mundo, enquanto realidades inacabadas, se interrelacionam e se transformam mutuamente e constantemente”. O mesmo autor considera “o mundo um participante ativo da atividade cognitiva, uma espécie de organismo vivo que interage com os indivíduos (…) Assim, a tarefa principal é dar aos seres humanos possibilidades de refletir e atuar sobre as situações em que se encontram de modo a poderem reescrever a realidade que foi descrita para eles por outros. Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, na ação-reflexão”. Foi precisamente em torno desta palavra ação-reflexão que desenvolvemos toda a prática profissional, tal como podemos constatar no próximo capítulo onde referimos todas as experiências, atuações e meditações. 30 31 “Educar é semear com sabedoria e colher com paciência”. Augusto Cury “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”. Paulo Freire “Não tente se tornar um homem de sucesso, mas sim um homem de valor”. Albert Einstein “A sabedoria é filha da experiência”. Leonardo da Vinci 4. REALIZAÇÃO DA PRÁTICA PROFISSIONAL 32 33 4. Realização da Prática Profissional “A formação visa a preparação de professores que desejem e sejam capazes de refletir nas origens, propósitos e consequências das suas ações”, Zeichner e Liston (cit. Graça, 1999, p.174). Referente à prática profissional este capítulo é o ponto onde irei referir as minhas ações, as minhas reflexões e minhas experiências, acima de tudo onde farei um balanço do resultado de um ano letivo de estágio profissional, comparando os objetivos iniciais a que me propus com o trajeto realizado e os resultados encontrados nas quatro áreas de desempenho previstas no regulamento do estágio profissional. Assim como já foi referido no capítulo anterior, a área I reúne a conceção, o planeamento, a realização e a avaliação do ensino; a área II engloba todas as atividades não letivas realizadas pelo estudante estagiário, tendo em vista a sua integração na comunidade escolar; a área III envolve atividades que contribuam para um conhecimento do meio regional tendo em vista um melhor conhecimento das condições locais, da relação educativa e da exploração da ligação entre a escola e o meio e, por último, a área IV engloba atividades e vivências importantes na construção da competência profissional, numa perspetiva do seu desenvolvimento ao longo da vida profissional, promovendo o sentido de pertença e identidade profissionais, a colaboração e a abertura à inovação. Será por esta ordem que irei comentar e refletir sobre o meu trajeto dentro das áreas acima descritas, acompanhada pelos respetivos agentes de estágio: professor orientador, cooperante e pelos colegas de estágio. Em cada uma das áreas irei refletir e propor soluções para problemas com os quais me fui deparando, assumindo as responsabilidades de contribuição com a comunidade educativa e com o meu desenvolvimento profissional. 4.1 Área I - Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem Em concordância com o documento orientador do estágio pedagógico, que foi entregue a cada estagiário, passo a refletir sobre a área de desempenho que engloba a conceção, o planeamento, a realização e a avaliação do ensino. 40 os conceitos que estas palavras englobam. Depois de concluir é necessário fazer o transfer para a prática e como tal passar para a realização. 4.1.3 Realização “O professor tem participação determinante na planificação do processo de educação; assegura a passagem do nível de planificação para o nível de preparação, assim como retroação das reflexões e análises do ensino; atua decisivamente no sentido da realização do programa” (Bento, 1987, p. 25). O objetivo foi conduzir com eficácia a realização de toda a atividade educativa tendo em conta as diferentes dimensões da intervenção pedagógica, incluindo a própria aula e atuando de acordo com todas as tarefas didáticas. Começando particularmente por referir a elaboração e atualização constante de dois portfólios que foram das tarefas mais significativas que realizei nesta área. Quanto à conceção do portfólio gostaria deixar referidas algumas particularidades de dois autores. Em concordância com Alarcão e Tavares (2010, p. 105) “estes documentos constituem formas de demonstrar a evidência e possibilitar, pela demonstração de competência, a certificação da mesma. A originalidade que os autores colocam neste processo faz dos portfólios peças únicas, singulares, peculiares. É o artista a revelar-se no que é e no que tem sido, permitindo adivinhar o que poderá vir a ser. Este instrumento pressupõe uma abordagem de formação em que o professor é o principal ator que vai agindo sobre a sua própria transformação e vai deixando os traços na memória escrita, narrada, comentada, documentada”. Ou seja para além de ser uma “ferramenta” distinta de quem o elabora, dá-nos a demonstrar o conhecimento do individuo e o seu talento. Um deles era de caráter obrigatório e foi elaborado/organizado como um guia para apresentar ao professor orientador os trabalhos mais importantes que pude oferecer durante o ano letivo 2011/12, assim como outras informações detalhadas realizadas durante as aulas práticas. O outro foi primordial no sentido de enriquecer o conhecimento e aumentar o interesse dos alunos, pelos quais fiquei responsável, sobre alguns temas relacionados com Saúde, Desporto e Alimentação. Também foi objetivo apresentar aos visitantes os trabalhos mais importantes que os mesmos aventuraram oferecer durante esse ano letivo. 41 Neste último foram referenciadas algumas notícias principais que despertaram (ou deveriam despertar) o interesse dos alunos pela disciplina e pelas áreas acima referenciadas. No que diz respeito ao tópico de Educação Física aí constaram todos os resumos das modalidades lecionadas durante os três períodos letivos, bem como objetivos e correções de testes. O tópico do portfólio consignado Fitnessgram foi, porventura, um dos mais importantes porque apresentou o programa de treino individual de todos os alunos. Esse programa de individual “Fica em Forma” foi um programa de 2 semanas (férias) desenvolvido para ajudar o aluno a preparar-se para os testes de aptidão física elaborados em todos os períodos letivos. O objetivo a atingir era apenas 30 minutos diários de exercício físico de intensidade moderada, distribuídos prioritariamente por todos os dias da semana! Esses 30 minutos puderam, além do mais, repartir-se ao longo do dia, em períodos de atividade física nunca inferiores a 10 minutos! O aquecimento e o alongamento foram iguais para todos mas cada um teve um programa de treino individual mediante as suas capacidades que necessitavam de melhorar. Ainda no que diz respeito ao Fitnessgram, o qual despertou logo o meu interesse quando nos foi proposto a elaboração de um tema, como uma forma de adquirir competências necessárias ao exercício profissional, tive sempre em conta uma reflexão de Houot (1993, p.13) “tudo o que diz respeito às crianças, à educação e à pedagogia nos interessa”. Ora este programa de educação trata-se de uma avaliação da capacidade física relacionada com a saúde de crianças e adolescentes com idades compreendidas entre os 6 e os 18 anos. Enfatiza a participação numa grande variedade de atividades para manter ou desenvolver um nível saudável de aptidão física. O exercício físico para ser incluído no estilo de vida, deve ser divertido e agradável, contribuir para uma melhor saúde, bom funcionamento do organismo e bem-estar ao longo da vida. Consequentemente, os programas escolares devem promover a longo prazo a prática de exercício físico apropriado, em lugar de se centrarem na avaliação e desempenho da aptidão física de crianças e adolescentes. A aptidão física associada à saúde envolve diversas componentes: aptidão, composição corporal e aptidão muscular (força muscular, resistência e flexibilidade). É importante que todas as crianças e adolescentes tenham níveis mínimos e adequados de exercício físico e capacidade física. Por exemplo, 42 numa sociedade livre, os alunos escolhem qual a atividade em que se envolvem. É lógico que assim seja e pretende-se que o Fitnessgram ajude todas as crianças e adolescentes a alcançar um nível de aptidão física associado a um crescimento e desenvolvimento saudável. Concordantemente com Nahas e Barros (cit. por Bento, 2004, p. 113), “embora a maior parte dos problemas de saúde que podem ser ligados ao estilo de vida (via comportamentos de risco) não se manifeste antes da meia-idade, a recomendação dos especialistas é de que os programas de prevenção, incluindo a promoção de estilos de vida mais ativos, devam ser iniciados já na infância ou na adolescência”. Ora no âmbito da promoção da saúde, a Educação Física é uma das áreas consideradas como prioritária por parte das escolas. Esta prioridade tem razões bem fundamentadas. Ou seja, nas escolas assiste-se, cada vez mais, a uma grande semelhança entre o aumento do perímetro da cintura e o aumento das pregas adiposas com a diminuição da aptidão cardiorrespiratória, da mesma forma que entre a AF e indicadores de obesidade. Não há dúvidas que vale a pena criarem-se todas as condições para o aumento do exercício físico, da aptidão cardiorrespiratória, da flexibilidade e da força. Promover efeitos diretos na saúde cardiovascular, mas ainda de forma de se observar uma associação positiva entre a atividade física (AF), a participação desportiva e o rendimento escolar dos estudantes. Por todas estas razões, o sistema educativo não pode hesitar nesta responsabilidade de combater com eficiência a tendente sedentarização dos alunos durante o percurso escolar. Foi a pensar em todas estas razões que foi necessário aplicar a Bateria de Testes Fitnessgram ao longo dos três períodos letivos de modo a registar a evolução dos alunos, teve assim 3 momentos de avaliação. Em cada momento verifica-se uma divisão de 2 categorias: uma coletiva e outra individual. O trabalho está constituído por 3 partes que estão subdivididas em diversos capítulos. A primeira parte apresenta-nos os testes de Aptidão Física e suas componentes: aptidão aeróbia, a composição corporal e a aptidão muscular (força muscular, resistência e flexibilidade); a segunda parte apresenta-nos a interpretação dos resultados ao longo dos três momentos de avaliação e a última parte é uma proposta de exercícios de Fitness para trabalhar com alunos de modo a desenvolver as suas capacidades e a promover o exercício físico. Como parte de uma avaliação cuidada e 43 regular, calcula-se o peso e a altura medidas, de acordo com o protocolo habitual descrito por Lohman (1988). Para determinar o IMC ideal dos sujeitos em estudo optou-se pelas tabelas adaptadas do Natinal Centre for Health and Statistic (NCHS), utilizadas em Portugal desde 1981. A opção por estas tabelas é que referem valores específicos para cada percentil conforme a Idade e o IMC do aluno. Estas tabelas foram adaptadas através do CDC (Center for Disease and Control and Prevention), que em 2000 apresentou uma versão revista das curvas de crescimento, introduzindo a possibilidade de utilização do Índice de Massa Corporal (IMC) para a idade, que até então estava em falta. A partir desta informação foi possível calcular o Índice de Massa Corporal (IMC) da criança utilizando a fórmula bem conhecida: IMC = Peso (kg) / Altura2 (m2) que determina o seu desenvolvimento, de acordo com as curvas de crescimento (percentis). Estes indicadores mostram se a criança tem demasiado peso para a idade, sexo e estatura. De acordo com as recomendações (as que se encontram no boletim de saúde), quando uma criança apresenta um percentil abaixo do 5 significa que está abaixo do seu peso, o peso normal situa-se entre o 5 e 75, um percentil entre 85 e 95 significa que tem risco de sobrepeso. Se o percentil for superior a 95, significa obesidade. Os valores do crescimento das crianças e dos jovens são um indicador excelente de aspetos dirigidos ao seu desenvolvimento saudável e harmonioso. Daqui que não seja de estranhar que programas de saúde, de todo o mundo, sejam apresentados nas escolas e salientem a enorme importância da supervisão do processo de crescimento (não somente da altura, mas também do peso e, por extensão, dos diferentes compartimentos do corpo, especialmente a massa gorda). Digamos que, cada vez mais, vivemos sobre o símbolo de sedentarismo e do aumento de sobrepeso e obesidade à escala mundial. O crescimento do corpo é um processo altamente complexo e somente através da interação com a prática desportiva pode alcançar resultados. De acordo com esta ideia e conforme salienta Corbin e Nahas (cit. por Bento, 2004, p. 122) supõe-se, geralmente, que “a prática desportiva por si só produzirá os benefícios educacionais esperados da Educação Física: desenvolvimento de habilidades motoras, aptidão física, desenvolvimento sócio pessoal e um estilo de vida ativo que promova a saúde, agora e no futuro. O problema com esta abordagem é que, 44 em muitos casos, o desporto passa a ser considerado como um fim em si próprio, resultando no desinteresse ou mesmo exclusão de um grande número de alunos menos aptos, pouco habilidosos ou menos dotados geneticamente – exatamente aqueles que mais poderiam se beneficiar de atividades físicas regulares”. Prontamente a EF escolar vem contribuir nesse precioso aspeto e de acordo com Corbin, Lindsay e Welk (cit. por Bento, 2004, p. 123) ela é “responsável por uma variedade de objetivos, mas dispõe de condições estruturais e tempo muito abaixo do ideal para atingi-los. Portanto, é preciso estabelecer prioridades para cada faixa etária ou série, de acordo com as características e necessidades de cada grupo. Sem diminuir a relevância dos demais objetivos, os currículos devem enfatizar os objetivos centrais da Educação Física: o desenvolvimento de habilidade motoras e a promoção de atividades físicas relacionadas à saúde”. Evidentemente que a escola é um local de excelência para promover (e alcançar) estes objetivos mas os alunos precisam também ser fisicamente ativos fora dela. Referenciando agora especificamente o guia de toda a realização – o Plano de Aula – que é o que está aberto a alterações sempre que o justifique. Foi realizada uma estrutura básica de planeamento, com uma fase inicial que admira a ativação geral dos alunos com o objetivo de ativar e predispor o organismo para a fase seguinte; uma parte fundamental, fase que procurei desenvolver exercícios adequados ao nível dos alunos; por último, uma fase final que englobou vários momentos de trabalho de condição física específica e também momentos de reflexão constantes e diálogo com os alunos. Tive sempre em apreciação aspetos que considero fundamentais quer no planeamento das várias modalidades lecionadas (Andebol, Atletismo, Ginástica de Solo e Acrobática, Basquetebol e Voleibol) quer durante toda a prática. Um deles foi a utilização da terminologia específica e adequada às diferentes situações de aprendizagem. Outro dos aspetos baseais foi desenvolver a noção de competência no aluno, especialmente nas aulas de Ginástica. Recordo que nesta turma foi necessário trabalhar para a autonomia, cooperação, responsabilidade, pontualidade e empenhamento. Vejamos alguns exemplos das situações referidas após as aulas práticas dessa modalidade em que os objetivos primordiais foram sobretudo o 45 fortalecimento da responsabilidade, autonomia e pontualidade rigorosa do/a próprio/a aluno/a. Ginástica | Reflexão pessoal da aula n.º 38 “A aula não se iniciou na hora prevista, registaram-se imensas faltas de atraso, a maior parte dos alunos ainda continua a chegar 5 minutos atrasados. (…) Será um dos meus objetivos, nos próximos meses, desenvolver a pontualidade mas também a autonomia destes alunos nas aulas de Ginástica, assim como aperfeiçoar os seus níveis técnicos”. Ginástica | Reflexão pessoal da aula n.º 45-46 “A turma tem vindo a mostrar uma evolução no comportamento, atitude e no cumprimento das orientações dadas pela professora. Penso que para além da exercitação e aperfeiçoamento dos vários elementos gímnicos o meu objetivo para estas aulas era desenvolver a autonomia e a responsabilidade destes alunos para estas aulas onde o caráter individual é mais marcado. Na primeira aula de ginástica, os alunos demonstraram falta de empenho na realização das tarefas e empenhamento é um motivo muito forte para estas aulas”. Também a promoção das aprendizagens significativas foi um aspeto a ter em conta nestas aulas e para isso tive de recorrer a mecanismos de diferenciação pedagógica adequados à diversidade dos alunos. Por exemplo, de referir o caso da Ginástica de Solo em que 2 alunos que se recusaram em realizar o rolamento à frente simplesmente porque nunca o realizaram, para isso foi imprescindível envolver os alunos de forma ativa no processo de aprendizagem e na gestão do currículo. Vejamos uma das realidades que ainda se vive hoje nas escolas: os alunos chegam em pleno 9.ºano de escolaridade sem nunca executar as habilidades gímnicas, como é isto possível?! Em parte inculpo os docentes que lecionaram em anos anteriores e que não se preocuparam com esta modalidade, Ginástica! Uma das minhas disciplinas preferidas em que podemos desenvolver variadas capacidades e de uma forma bem agradável haja unicamente criatividade e disponibilidade aos docentes! Tal como se pode verificar é uma coisa que tem vindo a faltar nas 46 escolas, no que se refere a esta modalidade. Lembro-me que durante a minha formação quando eram professores de EF (homens) nunca abordavam Ginástica dando preferência a outras modalidades coletivas. Uma das frases que ainda recordo era que “a Ginástica é uma modalidade muito parada”. O que me preocupa, neste momento, é colmatar esta realidade enquanto professora de EF! Penso que estive a essa altura e até gostaria de trabalhar um pouco mais com estes alunos. Contudo reflito que o contacto com esta realidade “despertou” um “gosto” dos alunos pela Ginástica. Repare-se na próxima reflexão. Ginástica | Reflexão pessoal da aula n.º 38 “Os alunos não possuem vivências desta modalidade, a turma de um modo geral restringiu as minhas expetativas estando a um nível muito inferior (…) Estamos a falar de uma turma no 9.ano que não tem qualquer vivência desportiva, uma realidade nos dias de hoje, mas que me estabelece objetivos”. Examinemos também as próximas reflexões, uma com n.º aula 39-40 e uma outra com o n.º aula 48-49 e apenas tiremos uma conclusão, em tão pouco tempo de aulas os resultados obtidos foram notórios. Ginástica | Reflexão pessoal da aula n.º 39-40 “Pude observar que alguns dos alunos ainda se recusam a fazer o rolamento à frente e à retaguarda, saltando de estação”. Ginástica | Reflexão pessoal da aula n.º 48-49 “Os resultados obtidos foram muito positivos para uns alunos. Alguns alunos que no início da unidade didática demonstraram muita dificuldade na realização dos elementos acrobáticos, durante a avaliação realizaram-nos surpreendendo-se a si próprios. Posso dizer que mesmo com poucas aulas, foi uma unidade muito produtiva, pois além de evoluírem ao nível gímnico, desenvolveram a autonomia, a ajuda e a cooperação entre os diferentes elementos da turma”. 47 Repare-se, por exemplo, na próxima reflexão alusiva ao Atletismo em que tive de arranjar material didático para as aulas do Triplo Salto e devo referir que as sessões de materiais autoconstruídos realizadas na faculdade permitiram cativar a minha atenção nesse sentido. A ideia foi então comprar feltro em tecido mais volumoso e recortar 3 formas diferentes de 3 cores distintas para que desta forma a turma pudesse realizar uma sequência simples ou seja partindo do mais acessível para posteriormente realizar a mais complexa após a corrida. No final destas aulas ofereci, com todo o prazer, este material à escola ficando o professor cooperante grato pela criatividade. Atletismo | Triplo Salto | Reflexão pessoal da aula n.º 14-15 “Os professores devem planear os conteúdos e os exercícios consoante o espaço e o material que têm disponível e, sobretudo, em função das necessidades e dificuldades dos alunos. É, de facto, essencial que o professor tente estabelecer uma relação entre os conteúdos a serem trabalhados e a realidade dos seus alunos. Pensei em selecionar exercícios que pudessem, de certo modo, clarificar de forma eficaz o meu conhecimento acerca da temática do Triplo Salto. Tive o cuidado de selecionar os exercícios de modo a proporcionar e respeitar uma progressão pedagógica e abordar todos os aspetos críticos. (…) O Triplo Salto deve ser ensinado na escola, através de sequências de saltos bem coordenados e controlados. Por ser um salto muito rico em termos motores, as situações de aprendizagem exigem uma elevada coordenação”. Uma das minhas dificuldades sentidas foi mesmo no Atletismo mais especificamente no Lançamento de Peso e Salto em Altura, não só por não estar completamente à vontade mas também porque é uma modalidade de demasiada complexidade em termos técnicos. Contudo senti a necessidade de pesquisa para que este conteúdo pudesse ser lecionado com alguma transparência. Atletismo | Lançamento Peso | Reflexão pessoal da aula n.º 27 “(…) a aula correu conforme o planeado, mantendo ao longo da aula um clima agradável e claramente favorável para a aprendizagem dos conteúdos. 48 As equipas mostraram-se empenhadas e motivadas, procurando adquirir os gestos corretos para a realização de cada técnica. Considero, que foi mais uma importante experiência de aprendizagem para todos, principalmente porque lecionei uma modalidade bastante exigente, que por sua vez, exigiu de mim bastante empenho e dedicação para o estudo e preparação do ensino da mesma”. No que diz respeito à otimização do tempo potencial de aprendizagem nos vários domínios que foi uma das minhas preocupações, também a qualidade da instrução, o “feedback” pedagógico, o clima da própria aula, a gestão e sua disciplina. Contemplemos algumas reflexões das aulas práticas. Ginástica | Reflexão pessoal da aula n.º 44 “Para esta aula planeei uma forma diferente de organização, desta vez em circuito rotacional e, na minha perspetiva, correu bem. Os alunos permaneceram 20 minutos em constante atividade, a ideia foi exercitar e aperfeiçoar os diferentes tipos de saltos (engrupado, extensão, extensão com meia pirueta, carpa), sendo o salto de carpa que estes apresentam mais dificuldade e por esse motivo insisti um pouco mais nesse salto (…) Como estas aulas são relativamente pequenas (30 minutos de tempo útil) todo o material tem de ser montado antes da aula, ao mesmo tempo torna-se fundamental um tempo de empenhamento motor bastante elevado, que foi exatamente o que aconteceu juntamente com o fornecimento de bastantes feedbacks”. Ginástica | Reflexão pessoal da aula n.º 41 “(…) todo o material para a aula foi colocado antes da chegada dos alunos o que proporcionou todo o cumprimento do plano de aula. Os quatro alunos dispensados foram distribuídos pelas quatro estações e estiveram a auxiliar os seus colegas apesar de tal não se verificar constantemente. Em relação ao tempo destinado à aula de Ginástica de um modo geral a turma por sua vez esteve participativa”. 49 Também a orientação ativa dos alunos foi um dos aspetos a ter em conta pois em maior parte das aulas tive sempre alunos com falta de material. Atletismo | Salto Altura | Reflexão pessoal da aula n.º 24 “Ao longo da aula, também tive a preocupação de atribuir variadas tarefas aos alunos que não fizeram aula, tais como: recolha e nova colocação do material para a aula; acertar os colchões após os saltos; alunas a segurar os postes.(…) Apesar de ser uma aula de 45 minutos, esta aula revelou-se bastante produtiva quer para os alunos que realizaram o salto como para os alunos que realizaram trabalho de força abdominal (com bola) mostrando sempre empenhamento motor”. Quando mencionamos a questão do planeamento organizamos ações. Essa é uma definição simples mas que mostra uma dimensão da importância do ato de planear, uma vez que o planeamento deve existir para facilitar o trabalho tanto do/a professor/a como do/a aluno/a. O planeamento deve ser uma organização das ideias e informações mas um dos aspetos que devemos considerar mais importante é a improvisação de ocorrências. Por exemplo, apresento o caso do Atletismo que é uma modalidade lecionada, em quase todas as escolas, no exterior e que depende muito das condições atmosféricas por isso devemos ter sempre um outro plano para certos casos inesperados. Atletismo | Estafetas | Triplo Salto | Reflexão pessoal da aula n.º 17-18 “A aula foi realizada ao exterior e no final da sequência 4, do quarto exercício da parte fundamental começou a chover e foi necessário deslocarmonos para debaixo do coberto. Durante este momento de chuva, comecei uma explicação teórica, apelando periodicamente à participação dos alunos, não apenas com o intuito de tirar dúvidas, como também de lhes colocar questões acerca das diferentes fases do triplo salto. Seguidamente a turma realizou uma ficha de avaliação por grupos (os mesmos grupos formados durante a aula). Esta tarefa tinha sido planeada juntamente com o plano de aula para o caso de alterar as condições meteorológicas, visto que a aula estava planeada para o exterior. Esse tempo rondou à volta de 15minutos e finalizando a ficha de avaliação, parou de chover, ainda voltamos para o campo e realizamos o último 56 4.2 Área II e III - Participação na Escola e Relações com a Comunidade Esta área visa fundamentalmente estabelecer elos de ligação entre o/a Professor/a, a Escola e a Comunidade, o seu meio envolvente com o intuito de realizar atividades com relevância educativa. Todavia, importa referir que todas as ações que envolvem a comunidade têm como objetivo, alertar a mesma para os problemas existentes mas também para as potencialidades da escola. A disciplina de EF como promotora de atividades ligadas a um estilo de vida saudável e ao desenvolvimento de atitudes e valores fundamentais a uma cidadania responsável apresenta-se como uma área de intervenção privilegiada na revalorização sócio-cultural do meio. Um bom trabalho realizado pelo núcleo de estágio contribui para a dinamização da comunidade escolar. Desde logo nos apercebemos da importância desta área de desempenho no reforço da disciplina de EF e também como forma de integração do professor estagiário na escola. Os professores deixam marcas na sua turma, os estagiários deixam marcas na sua escola! Hoje vemos a escola como um local onde se trocam experiências, onde todos os que aí participam vivem um pouco ou grande parte da sua vida. Por isso, é imprescindível que cada um se sinta parte integrante dela. Portanto, a escola é vista como um espaço de interação, porque compreender a ação dos que fazem a escola leva-nos a conhecer o contributo de cada um para a realização das atividades. É na união destes fatores que se definem as formas de cada um estar na escola. É exatamente neste contexto que cada um permite um certo grau de autonomia para que possa delinear estratégias de atuação em função dos objetivos organizacionais e de acordo com os projetos pessoais. Teixeira (1995, p.162) refere que "uma organização é um conjunto de indivíduos que interagem. O que fizerem com as suas relações definirá o que é a organização". Ou seja, cada um define as suas formas de participar nas atividades escolares mas quando se pensa numa organização exige forçosamente que se pense nas pessoas que a constituem, que trabalham e cooperam na consecução de objetivos comuns e nas relações que estabelecem entre si. Foram várias as propostas lançadas para a organização de várias atividades durante este estágio: desde a promoção de aulas de 57 ginástica de grupo, passando pela concretização de caminhadas com o intuito de promover estilos de vida saudáveis, à realização de dois estudos, um incidiu sobre a Bateria de Testes de Fitnessgram denominado Estudo da Aptidão Física” o outro, um estudo caso denominado “Saúde, Desporto e boa Alimentação!” O Papel da Atividade Física no Combate da Obesidade - Intervenção pedagógica, prescrição de exercício e alimentação. Este estudo pretendeu realçar a importância que o exercício físico desempenha no combate à obesidade nomeadamente em contexto escolar. Em relação à natureza dos estudos realizados e começando pelo estudo caso, este foi escolhido em função de um problema das sociedades contemporâneas (obesidade) e das consequências que esta pode ter. Para combater este problema o exercício físico foi a resolução do problema apropriado. Sabe-se que a obesidade é a acumulação excessiva de gordura no corpo, podendo a obesidade acarretar maiores riscos para a nossa saúde. No que se refere ao estudo aprofundado sobre o Fitnessgram, uma proposta lançada pelo professor cooperante e que desde logo despertou o nosso interesse. Consideramos que veio aperfeiçoar ainda mais a nossa função enquanto professora estagiária porque passa-se a estar muito mais informada acerca da aplicação e comparação de resultados para um estudo desta natureza. Para a realização deste estudo foi necessário aplicar a Bateria de Testes Fitnessgram ao longo dos 3 períodos letivos de modo a registar a evolução dos alunos, teve assim 3 momentos de avaliação e 4 aplicações (sendo que no 2º período aplicamos 2 aplicações, uma no início e outra no fim do período letivo). Em cada momento houve uma divisão de duas categorias: uma coletiva (comparação de todos os resultados entre alunos da turma) e outra individual (registo individual dos alunos, resultados que foram introduzidos no programa Excel que apresenta relatório estatístico para determinar a sua evolução/regressão ao longo dos 3 períodos letivos e a percentagem de alunos que atingiu a Zona Saudável de Aptidão Física - ZSAF). O trabalho apresenta-se assim constituído por 3 partes que estão subdivididas em diversos capítulos. A primeira parte apresenta-nos todos os testes de aptidão física e suas componentes: aptidão aeróbia, a composição corporal e a aptidão muscular (força muscular, resistência e flexibilidade); a segunda parte apresenta-nos a interpretação dos resultados ao longo dos 3 58 momentos de avaliação (1º, 2º e 3º períodos) quer individual, quer a nível coletivo e a última parte será uma proposta de exercícios de Fitness para trabalhar com alunos de modo a desenvolver as suas capacidades e a promover a AF que ficará na escola de estágio e que servirá como consulta para outros professores de EF aplicar nas suas aulas. Portanto ambos os estudos divulgam uma atenção responsável perante a importante necessidade de generalizar bem cedo nos alunos a avaliação da aptidão física e das suas rotinas diárias de exercício físico com base em critérios relacionados com vários marcadores de saúde. No âmbito da promoção da saúde, a Atividade Física Desportiva é umas das áreas consideradas como prioritária por parte das escolas. Juntamente com o grupo de estágio desenvolveu-se ainda uma Palestra Sobre Alimentação Saudável e Atividade Física e uma Ação de Formação sobre a temática Ginástica Acrobática, por fim participamos em conjunto com o grupo de EF na organização e elaboração do Corta-Mato, assim como no Dia do Atletismo e no Dia da Primavera. Em relação às aulas de grupo, decorreram no pavilhão gimnodesportivo da escola (ao final do dia) duas vezes por semana. A Ginástica Localizada é uma atividade de grupo na qual, ao ritmo da música, são efetuados exercícios destinados ao aumento do tónus, resistência e flexibilidade musculares, melhoria da coordenação neuro-muscular, descontracção e equilíbrio, bem como da postura, da autonomia e bem-estar. O principal objetivo, destas aulas, consiste no treino da força, de resistência, fortalecimento e tonificação muscular, combater a flacidez, alongar as estruturas músculo-tendinosas e melhorar a postura. Desse trabalho resultam como principais benefícios para a saúde a melhoria do funcionamento do sistema cardiovascular, a alteração salutar da composição corporal e a prevenção das alterações metabólicas que acompanham o processo de envelhecimento. Ao nível psíquico, contribui positivamente para o equilíbrio psíquico e social dos praticantes, ao melhorar a sua auto-imagem e auto-estima! Para além das aulas de Ginástica Localizada, realizamos igualmente aulas de Step, Aerodance (fora da componente letiva) e devemos dizer que as docentes estiveram ao mais alto nível em todas as aulas desempenhadas pelas mesmas. Uma outra iniciativa foram as Caminhadas que tiveram como 59 objetivo a sensibilização da população educativa e a adoção de hábitos de vida saudável. Inicialmente, o ponto de encontro teve lugar na Alameda do Sr. da Pedra e contemplou uma caminhada por mês, que decorreu sempre no primeiro Domingo. A caminhada junto à orla marítima de Gaia teve um percurso total de 5 quilómetros. Já as últimas caminhadas tiveram o seu ponto de encontro na escola de estágio e efetuaram-se pelos Caminhos de Santiago, em Grijó. Ainda relativamente a esta área, o núcleo de estágio esteve envolvido no Corta-Mato que decorreu no 1º período (dia 07 de dezembro de 2011) pela manhã na Escola EB 2/3 Júlio Dinis, que integrou os escalões de infantis, iniciados, juvenis e juniores. Referindo-me à participação na globalidade, a mesma foi muito positiva. O ponto de encontro teve início às 8h30 na escola. O evento correu muito bem, no que diz respeito ao fundamental. Todos os professores de Educação Física estiveram envolvidos no cumprimento das suas tarefas previamente definidas, isto é, logo nas primeiras horas do dia os professores estiveram na montagem de todo o material, seguindo-se depois a distribuição dos mesmos pelas zonas específicas assim como a distribuição dos alunos, a partida, a chegada e a entrega do lanche. Com um percurso na área envolvente à escola e passagem pelo interior do edifício, os alunos do 5º ao 9º ano de escolaridade, desta escola, correram em escalões diferentes nas categorias feminina e masculina. Todos foram elementos indispensáveis à realização do mesmo. A todos os participantes foi entregue um pequeno lanche. O Corta-Mato mobilizou toda a comunidade escolar, uma atividade que congregou muitos dos objetivos pilares deste Agrupamento, entre outros, salienta-se a presença dos encarregados de educação na escola, a motivação para a prática regular de exercício físico, a promoção de hábitos de vida saudáveis, a criação de laços de companheirismo e de amizade e o estreitar de relações com a comunidade. O núcleo participou também no Dia do Atletismo, que decorreu no 2º período (15 de fevereiro de 2012), especialmente da parte da tarde. Neste dia incluiu os escalões de infantis, iniciados e juvenis. As inscrições ficaram sob a responsabilidade de cada professor, todas as turmas puderam participar e verificou-se muita adesão. Numa reunião do subdepartamento de EF foram distribuídas as tarefas pelos professores. Todos os alunos da escola que participaram foram selecionados com apuramento estipulado pelo regulamento, dependendo do melhor resultado obtido. Alunos 60 foram divididos segundo os seguintes fatores, escalão/sexo, ano de nascimento. A nossa função foi verificar e registar os valores do salto em comprimento de todos os alunos que efetuaram esta prova. Esta atividade decorreu conforme o previsto e todos se mostraram entusiasmados com o facto de serem apurados os melhores resultados, por isso penso que todos deram o seu melhor. Em suma, foi uma boa experiência porque constamos de que forma se organiza um evento deste tipo. Para isso, a colaboração e empenhamento em prol de algo que acreditamos só é possível com pessoas desta qualidade. A participação dos professores na vida escolar deve ser entendida como algo mais do que um simples local de ensinamentos, do que a simples transmissão de conteúdos e cumprimentos de programas. É preciso dar vida à escola! Esta só “sorrirá” se os elementos que a constituem tiverem uma participação ativa. Também no 3.º período, estivemos envolvidos no Dia da Primavera que decorreu no dia 19 de maio de 2012. Na generalidade, esta atividade desenvolvida teve como objetivos principais a consolidação de relações entre professores e alunos e destes entre si, a sensibilização para a prática desportiva, bem como a divulgação das modalidades que estão em forte expansão nesta escola (Ginástica Acrobática, Esgrima, Judo). O ponto de encontro decorreu às 10h00 na escola para a montagem de todo o material verificando-se a distribuição dos mesmos pelas zonas específicas e teve início às 13h30. Todos foram elementos indispensáveis à realização do mesmo. Este dia mobilizou toda a comunidade escolar, uma atividade que congregou muitos dos objetivos pilares deste Agrupamento, entre outros, salienta-se a presença de muitos dos encarregados de educação na escola, a motivação para a prática regular de exercício físico, a promoção de hábitos de vida saudáveis, a criação de laços de companheirismo e de amizade e o estreitar de relações com a comunidade. Esta atividade desenvolvida foi acontecimento marcante para toda a comunidade escolar mas também nas nossas vidas enquanto estagiários, assumindo uma referência para toda a escola e que estas dignifiquem não só o núcleo de estágio, mas também e de uma forma geral todos os profissionais de EF. No que diz respeito à organização e alcance dos objetivos, é com satisfação que verificamos o sucesso de trabalho do núcleo de estágio. Não podemos deixar de referir que esta atividade foi, de facto, muito 61 importante para a nossa formação, já que nos forneceu conhecimentos precisos para outras similares, a organizar no futuro. A partir de uma proposta sugerida por um dos estagiários, em reunião de estágio na escola EB 2/3 Júlio Dinis, o núcleo entrou em contato com o Doutor Pedro Graça e também com o Doutor José Carlos Ribeiro para que ambos pudessem participar num evento palestrando sobre Alimentação e Atividade Física. A indicação destes preletores para proferir esta palestra foi por nós recebida com muita satisfação. No nosso entender, a indicação representou o reconhecimento de um trabalho que tínhamos vindo a realizar. O evento promovido envolveu o final de uma tarde com início às 17h30, que contavam fundamentalmente com dois temas e debates subsequentes. O primeiro palestrante Doutor Pedro Graça, nutricionista, que trabalha na Faculdade de Nutrição do Porto, cuja palestra versou sobre o tema da “Alimentação”, sua posição mostrou-se bastante liberal, apontando inclusive casos onde o termo de “Política Alimentar Escolar” é abundante. O segundo palestrante tratou-se do Doutor José Carlos Ribeiro, docente na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, cuja palestra teve como tema a “Atividade Física”. Ele encaminhou a sua palestra para uma visão mais crítica sobre a obesidade, demonstrando um conjunto de estudos e doenças associadas, utilizando grande parte do seu tempo de palestra para a questão da importância da AF. A palestra realizada por nós pareceu ter conseguido uma aceitabilidade grande. Assim, as questões levantadas pela Alimentação Escolar quanto aos princípios éticos tiveram uma repercussão positiva. Por outro lado, percebemos que a “autoridade” conferida a este palestrante trouxe um reforço e até uma certa legitimidade para esta área. Ambas as palestras foram, nesse sentido, muito enriquecedoras, onde percebemos imensa identificação do público com as questões levantadas. Consideramos assim que as palestras proferidas foram mais uma forma de sistematização de problemáticas vivenciadas por instituições escolares. Em resumo, observou-se que professores de EF juntamente com os restantes professores podem ser os responsáveis para pressionar mudanças na regulamentação referente a projetos de movimento envolvendo seres humanos de formas diversas. 62 4.3 Área IV - Desenvolvimento Profissional Por último, a área IV engloba toda a preocupação da busca pela melhoria das qualidades e competências pessoais. Não só tudo o que contribuiu neste estágio profissional para que isso acontecesse mas consideramos que este desenvolvimento ainda não terminou completamente, porque a carreira de um/a professor/a está em constante atualização. Para isso é necessário tomar consciência de alguns conceitos mas também das formações constante que ainda estão por vir no aprofundamento de conhecimentos em Atividade Física Desportiva (AFD) e/ou outras áreas de metodologias de ensino proporcionadas por autarquias ou mesmo por outras entidades devidamente certificadas. Considera-se que quanto mais conhecimento específico adquirimos ao longo da nossa profissão mais preparados nos sentimos para enfrentar os obstáculos do mercado profissional. Esta seleção ocorre anualmente nos concursos das Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC) e, como tal é um requisito proposto pelas autarquias, especialmente pela Câmara Municipal de Vila Nova Gaia, na qual me encontro a lecionar há alguns anos e, que de alguma forma contribuiu para que enfrentasse este estágio de uma forma bem diferente em relação ao que vivenciei na minha licenciatura, pois nesse tempo também estive a lecionar AFD embora ao 1º Ciclo e ao 2º Ciclo do Ensino Básico. Reconheço, desta forma, que este estágio foi um complemento de todas as experiências que absorvi em anos anteriores, não só a nível teórico mas também a nível prático. Com este fim passei a ter uma visão de mais conhecimentos e novas experiências. Todas as oportunidades e vivências mereceram especiais reflexões. Considero que o ato de reflexão é o principal motor de um desenvolvimento profissional e, por isso, considero-o como uma “ferramenta” muito importante ao longo da minha vida. Mas não só da prática refletiva vive a formação e, neste sentido, considero que realizei vários trabalhos os quais me proporcionaram uma maior pesquisa, tempo e bastante trabalho: a elaboração de dois portfólios digitais; a apresentação de várias propostas nomeadamente ações de formações (Kin-Ball e Speedminton, as quais não foram aceites); também a iniciativa e promoção de caminhadas e a realização de dois estudos de grande importância para a minha formação e, 63 por fim, consegui estar envolvida em todas as ações do núcleo e do grupo de EF sempre que era solicitada. É com enorme satisfação toda esta minha dedicação. Orgulho-me bastante de nunca ter faltado a este estágio pedagógico que para mim foi de todo o maior desafio, pois tive de enfrentar um momento menos bom de saúde no que diz respeito à minha vida familiar, mas considero que todo esse esforço foi o meu maior desenvolvimento, enquanto ser humano e enquanto profissional. Devo ainda salientar que todo este processo de desenvolvimento profissional não seria possível sem a monitorização da prática pedagógica que considero um papel de extrema responsabilidade que estes professores acarretam, por isso ainda neste contexto gostaria de focar algumas perspetivas de determinados autores sobre esta questão. Tal como referem Alarcão e Tavares (2010, p. 61), “efetivamente, para que o processo da supervisão de desenrole nas melhores condições é necessário criar um clima favorável, uma atmosfera afetivo-relacional e cultural positiva, de entreajuda, recíproca, aberta, espontânea, autêntica, cordial, empática, colaborativa e solidária entre o supervisor e o professor”. Concordantemente com estes autores acima referidos (2010, p. 62), “é desejável e necessário desfazer, quanto antes, toda uma série de preconceitos e até alguns mitos que se foram criando e alimentando, ao longo do tempo, em torno do estatuto e do relacionamento entre o supervisor e o professor em formação, tais como: superior-inferior, independente-subordinado, professoraluno, avaliador-avaliado, “fiscal-fiscalizado”, e pôr mais em relevo as características e os comportamentos e atitudes de entreajuda, de colaboração entre colegas num processo em que se procura atingir os mesmo objetivos, ainda que de pontos de vista e planos diferentes: o seu desenvolvimento humano e profissional como um fator importante de competência para poder intervir de um modo mais eficiente na educação dos alunos”. Ainda, para finalizar, e de acordo com os mesmos (2010, p. 63,64) “a interação psicossocial tem geralmente objetivos que não só determinam a sua própria direção, mas também lhe imprimem e desencadeiam toda a força motivadora e encorajante capaz de garantir a sua concretização; é constituída por uma série de “ações” em cadeia, de tipo verbal e não-verbal; o seu curso desenrola-se na direção iniciada ou é modificado com base no feedback obtido pelo comportamento verbal e não-verbal do outro. Na realidade, uma tal relação só é autêntica 64 quando permite a circulação espontânea e sem barreiras entre o mundo do supervisor e o mundo do professor. Isto pressupõe maturidade humana que se alicerça num bom conhecimento de si mesmo e dos seus interlocutores, dos outros, abertura de espírito, compreensão, sensibilidade que vêm à presença no contacto social e, sobretudo, num olhar positivo e acolhedor – uma das expressões mais fortes do humano – e em todos os outros domínios da comunicação verbal e não-verbal”. Ainda neste capítulo gostaria de refletir sobre algumas questões relacionadas com a nossa identificação profissional (de uma forma geral) e o valor da EF na escola (de uma forma mais específica): O que é ser realmente professor? Qual a missão de professor? O que é ser professor do futuro? Quais os obstáculos que o professor enfrenta e que irá enfrentar? E qual é a ideia do professor reflexivo? Ideia esta que muitos estagiários não refletem e talvez até muitos nem adquiram. Porque ser professor não é só uma questão de possuir um corpo de conhecimentos e capacidade de controlo da aula, mas mais do que isso! 4.3.1 O que é Ser Professor? Comecemos com o conceito de Cardoso (2013, p. 37) “ser professor é uma profissão única, insubstituível. É ela que torna as outras profissões possíveis. Assim, mais do que uma profissão, ser professor é uma carreira cheia de desafios, que se vão sucedendo, a cada dia, na medida em que a própria sociedade está em constante mutação”. Ainda de acordo com outro autor Connell (cit. por Peres, 1999, p.387) “ser professor é preciso ter capacidade de estabelecer relações humanas com as pessoas a quem se ensina. Aprender é um processo social humano e árduo; o mesmo se pode dizer de ensinar. Ensinar implica, simultaneamente, emoções e razão pura”. Ou seja para além de ser a única profissão que forma todas as outras profissões, a empatia e as relações humanas que se estabelecem são de demasiada importância. Comentamos isto, porque trabalhamos com seres humanos e contribuímos para o seu desenvolvimento não só a nível pessoal mas também a nível social. Por isso penso que ser professor é dar um contributo para esta sociedade! 65 4.3.2 O que é ser professor atualmente? Qual a missão de professor? Expomos isto porque ser professor não é só uma questão de possuir um corpo de conhecimentos e capacidade de controlo da aula, mas mais do que isso! O que é ser realmente professor? Ideia esta que muitos estagiários não refletem e talvez até muitos nem adquiram. Tendo por base o texto 5 de Savater (1997) “Carta à Professora” facultado pela professora da unidade curricular, facilmente percebemos que a missão de professor é um grande desafio, uma grande responsabilidade porque trabalhamos com seres humanos que dependem muito de nós, pois somos exemplos a serem seguidos. De acordo com esta ideia o Grilo (cit. por Cardoso, 2013, p.77), considera que “os professores não podem esquecer que são referências para os seus alunos a vários níveis: cultural, moral e profissional. Há muitos que marcam os alunos, embora estes só se apercebam disso muito mais tarde. Um bom professor deve ser também um orientador do aluno para os desafios da vida. Deve-lhe dar as melhores conselhos e alertas sobre aquilo que o espera”. Ou seja ser professor hoje é uma atividade que exige uma preparação rigorosa, porque só sendo conhecedores de todos os aspetos é que podemos contribuir para o desenvolvimento harmonioso dos alunos e isso é um processo que se vai construindo ao longo dos anos com a experiência não só pessoal mas também profissional. Daí que no exercício das nossas funções, estamos unicamente ao serviço do interesse público, por isso devemos respeitar os valores fundamentais e princípios desta atividade designadamente os da legalidade, justiça e imparcialidade, competência, responsabilidade, proporcionalidade, transparência e boa-fé. Conforme à Lei, é impossível não referir alguns aspetos relacionados com a ética e que englobam a educação hoje. Ora vejamos seguidamente a reflexão de um antigo professor que há uns anos atrás lutava pelos direitos dos seus colegas e hoje, ministro da educação, cria o próprio desconforto entre os profissionais de educação através das suas decisões políticas. “Não é possível perceber o que se passa na Educação em Portugal sem conhecer um debate 5 Artigo facultado na aula teórica a 30-09-2010 da unidade curricular Profissionalidade Pedagógica. 72 profundas entre as diferentes regiões do mundo e que em distintas regiões os problemas sociais, económicos e políticos são muito diferentes, também é preciso notar que no meio de tanta heterogeneidade existem algumas tendências comuns e universais que nos afetam a todos, embora com impacto diferente nas múltiplas populações do planeta”, (Stavenhagen,1997, p. 69). É necessário perguntar se conseguirá o regime educativo encarar este dilema? De acordo com Serrano (2002, p.9) “o programa da UNESCO Aprender Para o Século XXI, coordenado por Jacques Delors, destaca 4 pilares da educação: Aprender a Conhecer, Aprender a Atuar, Aprender a Viver Juntos e Aprender a Ser”. Neste sentido, é necessário considerar que esta profissão pode melhorar a situação do país e do mundo “se, na verdade, considerarmos o professor como elemento-chave no processo de mudança, deveríamos dar maior atenção a ele, pois a reforma, a inovação e a mudança não são obtidas através de decretos, mas sim através da formação e educação contínua de todas as pessoas empenhadas em levá-la adiante”, Serrano (2002, p. 81). Muito de forma resumida, resta ao professor, ACREDITAR que a profissão tem futuro! 4.4.4 Professor reflexivo Entenda-se que o modo como os professores são formados e preparados para o seu trabalho constitui um indicador crítico do tipo de qualidade e importância educativa que se procura. Em concordância com Canário (cit. por Trindade e Cosme, 2010, p. 191) “a Escola deixou de ser entendida como um espaço onde todas as promessas pareciam ser possíveis para começar a ser percecionada como um espaço de incertezas”. Daí a necessidade e a exigência de formar futuros professores em que objetivo é entender o “porquê” da nossa ação e “qual a melhor forma de atuar”. Referentemente à formação reflexiva, de acordo com esta conceção, Marques (2003, p.105) indica que “está por definição centrada na prática profissional e é realizada com o recurso à aprendizagem cooperativa e ao trabalho com pares”. De acordo com este autor, um dos autores que marcou esta viragem foi Donald Schön 7 , como veremos mais à frente. Cada vez mais esta ideia de professor reflexivo está a aumentar por todo o lado. De acordo com esta ideia Zeichner (cit. por Alarcão, 7 Donald Schön (1930 -1997) foi um pedagogo que estudou sobre a reflexão na educação. 73 1996, p.177) refere que este conceito “se tornou um slogan internacional associado às reformas educativas que, por todo o Mundo, estão a acontecer”. Ou seja, hoje em dia a prática reflexiva é tão importante porque surge como um modo possível dos professores reverem acontecimentos, interrogarem as suas práticas e fornecer oportunidades. Segundo Oliveira e Serrazina (2002, p.04) referem que “a ideia de reflexão surge associada ao modo como se lida com problemas da prática profissional, à possibilidade da pessoa aceitar um estado de incerteza e estar aberta a novas hipóteses dando, assim, forma a esses problemas, descobrindo novos caminhos, construindo e concretizando soluções”. Deste modo facilmente se percebe que uma prática reflexiva confirma poder aos professores e proporciona oportunidades para o seu desenvolvimento. Por vezes a insatisfação sentida, após uma aula, por muitos professores (até com experiência profissional), leva a uma nova reflexão e novo desenvolvimento do seu pensamento para as suas futuras práticas. Daí que se diga, que esta profissão leva os problemas para casa. Dewey (cit. por Oliveira e Serrazina, 2002, p.03) refere que “o professor se deve envolver na reflexão sobre a sua prática (…) ele próprio defendeu a importância do pensamento reflexivo”. Reconhecia que nós refletimos sobre um conjunto de coisas, no sentido em que pensamos sobre elas, mas o pensamento só tem lugar quando há um problema real a resolver. Ou seja, a capacidade para refletir aparece quando há o reconhecimento de um problema, de um dilema e a aceitação da incerteza. Ainda nesse artigo um outro autor Schön (cit. por Oliveira e Serrazina, 2002, p.03) costuma ser evocado com frequência e até marcou a forma como hoje se entende a reflexão, vejamos que “as suas ideias têm tido muita influência no campo educacional, designadamente nas pessoas interessadas na formação de professores (…) As ideias deste autor sobre o desenvolvimento do conhecimento profissional baseiam-se em noções de experimentação na prática”. De acordo com este autor pode distinguir-se 3 tipos de reflexão: a reflexão na ação, a reflexão sobre a ação e a reflexão sobre a reflexão na ação. Ora vejamos as diferenças, os 2 primeiros tipos são essencialmente reativos, separando-os apenas o momento em que têm lugar, o primeiro ocorrendo durante a prática e o segundo depois do acontecimento, quando este é revisto fora do seu cenário. É ao refletir sobre a ação que se 74 consciencializa o conhecimento tácito, se procuram crenças erradas e se reformula o pensamento. A reflexão sobre a reflexão na ação é aquela que ajuda o profissional a progredir no seu desenvolvimento e a construir a sua forma pessoal de conhecer. Conforme Schön cit. por Oliveira e Serrazina (2002,p.04) “trata-se de olhar retrospetivamente para a ação e refletir sobre o momento da reflexão na ação, isto é, sobre o que aconteceu, o que o profissional observou, que significado atribui e que outros significados podem atribuir ao que aconteceu”. Ou seja, no fundo é uma reflexão orientada para a ação futura, é uma reflexão proativa, ajudando a compreender novos problemas, a descobrir soluções e a orientar ações futuras. 4.4.5 Educação Física: Saúde, Educação e Valor Quando a questão é EF facilmente se percebe que saúde, educação e valor estão intimamente relacionados. A própria palavra Educação Física abrange logo Saúde e inclui a palavra Educação, ora Educação engloba Valor. Entenda-se que desde que a criança entra na escola, na interação com o desporto, a criança passa a desenvolver-se de forma ampla e a compreender os benefícios do exercício físico: jogar, correr, brincar. Nesse sentido, a escola, e no caso específico a EF, tem um papel fundamental no desenvolvimento do indivíduo. Logo o nosso papel deve ser o de um interveniente com intenção de despertar no aluno os seus conhecimentos e habilidades físicas, levando-o a procurar formas de vencer, mas respeitando sempre as relações interpessoais. Obviamente, que o professor deve levar em conta o nível de desenvolvimento da criança adequado a sua faixa etária, conhecimentos e habilidades que já possui. Só desta forma o professor EF poderá ser promotor de saúde. Mas, no nosso país, percebe-se que a obesidade está a aumentar nas escolas e é considerada a “Enfermidade do Século XXI”. De acordo com esta ideia, Marques (2008, p.45) publica que “em Portugal, as crianças, veem televisão, ocupam o tempo a jogar computador e a “surfar” na net. As crianças estão muitas vezes sozinhas em casa ou entregues a profissionais”. Ora, os próprios pais não têm tempo para educar a palavra saúde nos seus filhos. Vejamos a citação de Lourenço (1993, p.109) “a educação da criança depende, muitas vezes, de muitas pequenas coisas. Por isso, ela envolve tempo, atenção e 75 amor. É pena que o mundo moderno tenha cada vez menos vagar para dar às crianças tempo, atenção e amor”. Qual o contributo do professor de EF na saúde da criança? E qual a visão de alguns autores? Em concordância com Bento, Garcia e Graça (1999, p. 15) referindo que “o panorama das ditas doenças da civilização não param de crescer em gravidade e em custos económicos, sociais e humanos, não obstante o progresso de meios tecnológicos para as enfrentar (…) Está em jogo uma mudança na responsabilidade pela saúde: de esfera social passa a esfera individual”. Ou seja, é atribuído grande significado a uma Educação fomentada em torno da palavra Saúde. Ainda de acordo com os mesmos autores acima referidos “pede-se assim à escola que coopere na formação de uma consciência de moral social no tocante à noção de que a preocupação com a saúde e com estilo sensato de vida constitui uma obrigação de cada uma face aos dilemas éticos da existência”. A ideia que nós, professores de EF, profissionais e promotores de saúde, devemos incutir nas escolas é precisamente a palavra movimento associada a uma outra prazer, levar o aluno ou até mesmo a comunidade a participar em atividades que promovam o bemestar geral. Queremos que os alunos aprendam tudo o que esteja relacionado com desporto e que se tornem mais aptos às modalidades. Mas agora vejamos, se este professor não promover o gosto pelo exercício, o indivíduo dificilmente será uma pessoa ativa e só reconhecerá os benefícios do exercício mais tarde com aconselhamento médico ou algo mais grave. Secundando os autores anteriores (1999, p.144) “aquilo que sempre foi uma experiência corporal transforma-se agora numa experiência informática (…) Se o esforço atualmente ocupa um lugar relativamente modesto na nossa hierarquia axiológica a criança desde muito cedo é controlada com o não-esforço”. Facilmente se percebe que a questão aqui é grave! Tendo em conta que a Organização Mundial de Saúde considera a obesidade como a “epidemia do século XXI”. Torna-se fundamental combater os hábitos sedentários e difundir rotinas de vida saudáveis, isso é urgente e pode começar nas escolas onde os alunos passam grande tempo da sua adolescência. Com quem? Com o professor de EF! Sabe-se que as pessoas que praticam exercício regularmente acabam por adotar um estilo de vida saudável! E associado a este estilo de vida normalmente opta-se por uma alimentação mais saudável, logo mais 76 promoção de saúde para a sociedade! Não queria deixar de referir que para além da importância de cuidarmos do nosso corpo devemos cuidar igualmente da mente, ou seja a mente tem uma relação direta com o corpo. “Mens sana in corpore sano 8 que significa “Mente sã em corpo são”. Quem nunca ouviu falar desta expressão? Logo percebemos que existe um complemento fundamental entre físico e valor. Ora o conceito de valor é muito complexo. O que é propriamente o valor? Entenda-se, antes de mais, o conceito de valor. Segundo Barbosa (2007, p.71) “a palavra valor vem do latim valore que significa aquilo que vale ou o que tem merecimento. Valor é qualidade valiosa, que tem grande interesse. Tem valor evidente o que é considerado belo, digno e verdadeiro. A capacidade de criar valores e de valorar ações é uma das principais diferenças entre os seres humanos e os animais”. De acordo com Bento, Garcia e Graça (1999, p. 127) “o corpo é muito mais que uma simples máquina e diferente de todo unitário, é, quiçá, um dos vértices do triângulo da condição humana, sendo os outros a alma e o espírito”. Obviamente somos mais do que um corpo físico! Por exemplo, a própria educação deve centrar-se com base em valores, em algo que não se pode ver (tal como o espírito) mas que é valioso e portanto é também valioso o processo de formação e aperfeiçoamento do aluno. Quero dizer com isto que podemos transmitir aos alunos outros valores para além dos conteúdos. E que o ensino dos valores não se pode evitar! O professor deve possuir referências consistentes para guiar o aluno. Por exemplo, considerando agora as relações interpessoais, alunos menos aptos podem evoluir com os mais aptos. Sabe-se que o mais apto fisicamente será o “mais bem sucedido” em tudo na sua vida, logo não devemos esquecer e respeitar evidentemente as capacidades físicas individuais dos outros alunos. O relacionamento interpessoal nas aulas pode promover essas interações entre colegas e estar intimamente ligado à forma como cada um percebe ou sente o outro (empatia), devendo colocar-se sempre no lugar do colega. A aceitação de cada um começa com as boas relações e valores. A educação é uma responsabilidade muito grande porque orientamos alunos em determinada direção e para determinados valores. Deste modo e como menciona Marques (2003, p.77) “apresentam-se, de seguida, um 8 Autor da frase: Décimo Juvenal foi um poeta romano. 77 conjunto de virtudes que necessita de ser incorporado no programa educativo escolar (…) temperança, generosidade, obediência, gratidão, liberdade, verdade, afabilidade, liberalidade, equidade, coragem, paciência, perseverança e justiça”. Ou seja, é precisamente deste modo que a educação escolar permite aos jovens o acesso a conhecimentos, comportamentos, atitudes e valores. Igualmente como Barbosa (2007, p. 9) anuncia “não há educação sem educação em valores e para valores”, o mesmo autor (2007, cap.1) salienta ainda que “a educação para os valores é o processo de socialização”. Logo se entende que “é um processo de crescimento, tendo como objetivo a autorealização no campo pessoal, profissional e social, que se processa ao longo de toda a vida dos seres humanos” Antunes (2001, p.19). 4.4.6 O valor de Educação Física na escola Quando falamos em valor, impossível não mencionar o valor da Educação Física na escola. Terminado o seminário Desporto, Educação e Cultura, que decorreu a 24 de outubro de 2011, nas instalações da faculdade, foi-nos pedido um relatório crítico do qual teríamos partir do tema (Axiologia, Educação e Cultura) para chegar mais além. Tendo por base esse trabalho individual parto precisamente para uma reflexão crítica à volta de uma questão relevante. Sabemos que a escola tenta mudar a sociedade e a EF tenta a construção de uma nova educação através da palavra valor. Ou seja, é necessário transformar a educação em valores. Conforme refere Savater (2010, p.12) “falarei do valor de educar no duplo sentido da palavra «valor»: quero dizer com isto que a educação é valiosa”. Também o professor responsável por esse seminário referiu que “torna-se fundamental, e é cada vez mais necessário, reencantar a educação que está desencantada”. Segundo esta ótica, perguntase: Com quem? Com quê? Porquê? Resposta simples: através da Educação Física (EF). Disciplina, em maior parte, preferida pelos alunos e é através dela que conseguimos mudar muita coisa, tudo pode começar por aí. Segundo a ideia de Haigh (2010, p.90), a grande ideia começa por “valorizar os alunos e fazê-los sentirem-se valorizados”. Agora perguntemos qual a única atividade se desenvolve o corpo, para além da mente? A resposta também é simples: Educação Física! Vejamos a ideia de Lefère (1978, p.63) “o professor de EF 78 pode, trazer um contributo importante para o conhecimento da criança e mais particularmente no que respeita ao caráter. Entre as potencialidades como dominantes intelectuais, pode trazer precisões úteis relativamente à inteligência geral e à inteligência prática”. Nesta perspetiva e de acordo com o conceito de Marques (2008, p.45) “o indivíduo de bom caráter está mais bem preparado para fazer o bem”. No que se refere à EF, falar de desenvolvimento de caráter implica desenvolvimento da dimensão corporal. Ou seja somente esta disciplina contribui para o desenvolvimento integral do ser humano pois é um meio precioso para a manutenção da qualidade de vida, mas também muito importante para a aprendizagem de uma cultura desportiva, de tolerância e aceitação das diferenças e para o reforço da cidadania. Daí esta disciplina acompanhar os alunos desde o 1.º Ciclo até ao Secundário pois é o meio mais eficaz para preservar o bem-estar físico e psíquico do aluno. A prática do exercício físico semanalmente desenvolve o corpo, as capacidades cognitivas, melhora a relação com os outros, colabora para uma melhor sociedade e por isso contribui para a resolução de muitos problemas. Deste modo é importante “assegurar que nesta formação sejam equilibradamente inter-relacionados o saber e o saber-fazer, a teoria e a prática, a cultura escolar e a cultura do quotidiano” como afirma Valada (1993, p.11). Ou seja, no fundo o desporto pode ser encarado como uma cultura universal, um bem da humanidade, e basta encará-lo como algo a que todos têm direito e querem aceder. Claro que quando falamos em Desporto, falamos em EF porque ambos estão intimamente ligados, daí esta disciplina abordar várias modalidades na escola, mas há que ter em conta que o desporto que se pratica na escola não é igual ao desporto que se pratica num treino. Cada vez mais o termo “desporto” inclui todos os exercícios físicos, ou todos os jogos e formas de exercício orientadas pelo movimento e pela corporalidade, por isso “temos de transformar a atitude mental de «Não consigo» em «Consigo!» É um dos maiores desafios que um professor enfrenta e, geralmente, precisa de ter uma grande experiência para o vencer (…) fazemos com que os nossos alunos se sintam bem através dos nossos sorrisos e incentivos e, eles, por sua vez, fazer com que os professores se sintam bem ao gostarem de nós e nos valorizem. Acho que esta recompensa é a principal razão da dedicação dos professores. Existem poucos empregos em que o fator “Sabe Bem” esteja tão presente, apesar das 79 constantes mudanças e burocracia”, Haigh (2010, p.91). Note-se que a sociedade tende, cada vez mais, a desvalorizar os valores éticos. Qual o local ideal para incutir os valores? Na Escola! E é na escola que se educam as pessoas e a educação serve para formar cada pessoa. Cada vez mais somos confrontados com notícias nos telejornais arrepiantes, a crise da educação/sociedade é notória. Crise da sociedade ou crise do homem? Ou será antes crise de valores? Estas questões são alguns exemplos dos nossos dilemas. Secundando Estanqueiro (2012, p.99), “a crise de valores no mundo contemporâneo obriga a repensar algumas prioridades da educação nas escolas. Nesta sociedade de consumo individualista e competitiva, centrada na satisfação dos prazeres imediatos, é essencial que os jovens aprendam valores éticos, para orientar a sua vida na relação com os outros. A educação em valores é, em primeiro lugar, uma tarefa da família. É também uma tarefa da escola. Os valores fazem parte da alma da educação. Por isso bons professores (…) investem na formação integral da pessoa. (…) Se os educadores lançarem boas sementes, a sociedade colherá bons frutos”. 80 4.4 Estudo Caso “O que você ganha, ao atingir seu objetivo, não é tão importante quanto o que você se torna ao atingi-lo.” Zig Ziglar 9 4.4.1 Tema “Saúde, Desporto e boa Alimentação!” O Papel da Atividade Física no Combate da Obesidade Intervenção pedagógica, prescrição de exercício e alimentação 4.4.2 Introdução Este estudo dá-nos a conhecer um pouco sobre a obesidade infantil, como determinar o excesso de peso e o combate ao sedentarismo através de uma prática de exercício físico regular. Caracteriza o aluno em estudo e, por último, refere todas as estratégias específicas da Educação Física. Revela uma atenção responsável perante a importante necessidade de generalizar bem cedo nos alunos a avaliação da aptidão física e das suas rotinas diárias de Atividade Física (AF) com base em critérios relacionados com vários marcadores de saúde. No âmbito da promoção da saúde, a AF é umas das áreas consideradas como prioritária por parte das escolas. Esta prioridade tem razões bem fundamentadas. Em crianças e adolescentes de ambos os sexos existe uma relação gradual entre a aptidão cardiorrespiratória, o perímetro da cintura e a soma das pregas adiposas, da mesma forma que entre a AF e indicadores de obesidade. É fundamental criarem-se todas as condições para o aumento do exercício físico, da aptidão cardiorrespiratória, da flexibilidade e até da força. Pelo facto de promover efeitos diretos na saúde cardiovascular, mas ainda pela forma de se observar uma associação positiva entre a AF, a participação desportiva e o rendimento escolar dos estudantes. 9 Hilary Hinton "Zig" Ziglar (1926 - 2012) foi um autor americano e palestrante motivacional. 81 4.4.3 Obesidade, Alimentação Saudável e Atividade Física Antes de mais é necessário apresentar a noção de obesidade. O termo obesidade não é bem aceite por quem a sofre. Mencionando Peres (cit. por Silva, 2007, p. 37) “a pessoa ser gordo(a), não gosta que lhe chamem obeso(a). Com efeito, a linguagem comum reserva a palavra obesidade para designar apenas as grandes sobrecargas de gordura advindo, deste facto, a sua conotação negativa”. Conforme Gentil (2010, p 15), um indivíduo é considerado obeso “quando a quantidade de tecido adiposo aumenta numa proporção capaz de afetar a saúde física e psicológica, diminuindo a expectativa de vida”. São várias as definições que, ao longo dos últimos anos, retratam o conceito de obesidade, verificando alguns aspetos inerentes às definições apresentadas, podemos considerar que a ideia dominante quando se fala de obesidade é a acumulação de gordura para além da necessária ao equilíbrio funcional e morfológico do organismo saudável. Um outro autor Rodríguez (cit. por Silva, 2007, p. 37) define obesidade “como o excesso de gordura corporal, tanto nas crianças como nos adultos, resultando de um balanço positivo de energia, do consumo de uma dieta de valor calórico superior às necessidades do sujeito”. Relativamente à definição desta patologia, e de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS, 1997) 10 , “a obesidade é caracterizada pela acumulação excessiva de gordura corporal com potencial prejuízo à saúde, decorrente de vários fatores sejam esses genéticos ou ambientais, como padrões dietéticos e de AF ou ainda fatores individuais de suscetibilidade biológica, entre muitos outros, que interagem na etiologia da patologia”. Mais recentemente e adotando uma definição mais curta a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2002) define obesidade como “um excesso de gordura corporal acumulada no tecido adiposo, com implicações para a saúde”. Nota-se que são várias as definições de obesidade apresentadas por vários autores, segundo Hammer (cit. por Silva, 2007, p. 37) refere ainda que “a obesidade é o excesso de gordura corporal”. Já a National Heart, Lung and Blood Institute - NHLBI (cit. por Silva, 2007, p. 38) define obesidade “como uma 10 Organização Mundial de Saúde (OMS, 1997). Consulta a 04 mar de 2012, disponível em http://obesidade.info/obesidade.htm. 88 resultado satisfatório aconselha-se um planeamento no qual devem coincidir 3 ações indispensáveis:  Exercício Físico: Aumentar o gasto energético promovendo a manutenção ou aumento do exercício físico regular. Consultar a elaboração de Programas de Treino Funcional Semanal para além da componente letiva EF; Estabelecer um programa de tratamento e apoio que permita a reeducação do estilo de vida ativo. Neste caso específico começou-se com Programas de Treino Individual Diário (Anexo 4).  Perda de Peso: Adotar hábitos alimentares saudáveis através da redução da ingestão de alimentos ricos em gordura e hipercalóricos mediante dieta adequada. A intervenção consistia em conseguir, de forma gradual e progressiva, que as alterações aconselhadas ao aluno com obesidade fossem por ele adquiridas como algo a manter para toda a vida.  Antropometria: Analisar constantemente as medidas antropométricas do aluno obeso. Analisemos agora cada uma delas e vejamos o que se realizou. Exercício Físico (Periocidade / Duração / Intensidade) Para conseguir os melhores resultados, reuniu-se uma série de condições referentes a vários fatores: Periodicidade: necessária a prática de AF regular, se queremos que esta seja benéfica para a saúde e que sirva para controlar o peso. Recomenda-se que seja realizada, idealmente, 3 ou mais horas semanais; Duração: cada sessão teve a duração de 45 a 60 minutos. Nos treinos foram aplicados vários exercícios aeróbios (pequena duração e intensidade moderada) como pequenas corridas e saltos (Ilustrativo / Anexos 5); Intensidade: escolhida de acordo com as possibilidades e preferências do indivíduo, em função da intensidade da atividade e do gasto energético. Perda de Peso (Registo Alimentar + Plano Alimentar) O tratamento para perder peso iria passar pela realização de um Plano Alimentar adequado ao aluno, no entanto este não foi cumprido pelo mesmo. Reconheço que não é tarefa fácil! Inicialmente, uma das minhas preocupações foi a sensibilização dos próprios pais, que muitas das vezes são os 89 responsáveis de toda esta ocorrência. Para isso realizou-se uma reunião também a informar que o aluno iria necessitar de registar durante uma semana todos os alimentos ingeridos (Anexo 3). Desta forma seria possível calcular o número de calorias que o aluno ingeria, para posteriormente construir o Plano Alimentar que seria hipocalórico, ou seja iria fornecer menos calorias do que aquelas que o aluno ingeria para o dia-a-dia. Só assim, a energia armazenada na gordura corporal iria ser utilizada, e portanto podia emagrecer. O Plano Alimentar seguido durante o tempo necessário não deveria ser demasiado restrito, com o risco de se perder, para além da gordura, quantidades importantes de músculos. Um Plano Alimentar certo deve ser equilibrado do ponto de vista calórico. Por outro lado, as quantidades de gordura devem ser reduzidas. O Plano Alimentar deve ser suficiente noutros nutrientes nomeadamente, vitaminas, minerais, água, fibras. As refeições deveriam ser repartidas ao longo do dia e deveriam evitar-se dois extremos: por um lado, fazer apenas uma ou duas "super refeições", hipercalóricas, deixando o organismo horas sem alimento; por outro lado, passar o dia a "petiscar" pequenas quantidades de alimento, sem nunca chegar a fazer uma verdadeira refeição. O mais indicado seria fazer três refeições principais (pequeno-almoço, almoço e jantar) e mais duas ou três pequenas refeições. Se após o jantar o exercício for quase nulo (por exemplo, deitar-se ou ficar sentado no sofá) é desejável que a refeição seja um pouco menos abundante que o almoço. Devemos preferir quantidades favoráveis de legumes e hortaliças, bebidas sem calorias (água, chá, cevada), quantidades suficientes de alimentos ricos em hidratos de carbono (batata, arroz, massa, pão, grão, feijão, entre outros) e fruta, carnes e peixes e reduzida quantidade de alimentos ricos em gordura (óleos, manteiga e margarinas, bolos, bolachas, queijos, enchidos, patés, certos molhos, entre outros) e doces. É importante organizar o que se vai comer ao longo do dia com alguma antecedência e abastecer-se dos alimentos mais vantajosos, evitando assim ceder a tentações fáceis mas pouco recomendáveis. Uma boa forma de começar uma refeição é com vegetais, em salada ou na sopa. A culinária escolhida para preparar os alimentos deve ser saborosa e pouco gorda: devem ser privilegiados os estufados e guisados com menos gordura, ensopados, jardineiras, grelhados, cozidos, caldeiradas. A evitar: os fritos tradicionais, assados no forno com gordura e adicionados com 90 molhos gordos (por exemplo, maionese). É preciso ter em conta que devemos rejeitar os alimentos ricos em gordura e/ou calorias e escolher alternativas melhores, coisa que o aluno acabou por não fazer. Características Antropométricas (Pregas e Perímetros Corporais) O tratamento da obesidade passou por uma série de avaliações das medidas corporais. Estas medidas são importantes parâmetros de acompanhamento. Além disso são utilizadas para realizar uma comparação com valores estabelecidos dentro da normalidade, verificando se o aluno está dentro ou fora do padrão normal. 4.4.6 Caracterização do aluno Na tentativa de conhecer melhor o aluno em questão, decidiu-se antes de começar o trabalho efetuar uma breve apresentação e descrição do mesmo. O aluno pertence a uma turma do 9.º ano de escolaridade da Escola EB 2/3 Júlio Dinis (Grijó), turma com a qual fiquei a lecionar, enquanto estagiária, apresenta 14 anos de idade. Nomeadamente às suas características e medidas corporais o aluno tem um peso de 83 kg, uma altura de 1,63cm, uma percentagem de massa gorda de 30,3% e um IMC de 25,33 (P95), o que o classifica um adolescente obeso. O seu agregado familiar é constituído pelos pais e é filho único. O pai, de 52 anos, possui o 9.º ano e trabalha da Câmara Municipal. A mãe tem 46 anos de idade, a mesma habilitação e é doméstica. Aluno deslocase de carro para a escola e demora cerca de 15minutos, tem como disciplina preferida o inglês e a disciplina que menos gosta Matemática. Especificamente à disciplina de Educação Física refere que gosta da disciplina e até já praticou Badminton com regularidade mas, neste momento, não pratica qualquer modalidade senão esta disciplina. Em relação à ocupação dos tempos livres, tem mais de 5h livres diárias e passa a maior parte do tempo na internet, a ver televisão e a jogar computador. Nomeadamente aos problemas de saúde assinala problemas respiratórios (bronquite e asma) e já foi submetido a uma operação ao nariz, garganta e ouvidos mas não apresenta algum problema de saúde impeditivo da prática de Educação Física. Particularmente aos hábitos alimentares costuma tomar sempre o pequeno-almoço (leite, pão, cereais, 91 fiambre/queijo e manteiga) em casa e refere que realiza apenas 4 refeições por dia. Nunca fumou e nunca tomou bebidas alcoólicas. De referir ainda que este aluno despertou desde cedo a minha atenção pelo simples facto de ser bastante pontual, interessado e empenhado nas aulas de EF, o que já revela alguma motivação do aluno para obter uma melhor performance e bem-estar físico. Penso que o dever de um/a profissional e promotor/a de saúde, não pode basear-se somente em dar boas aulas, tem de ser mais do que isso, é necessário passar a informação e transmitir aos seus alunos que o aumento do exercício físico nos jovens é a melhor forma de promover a saúde do adulto! Essa educação deve começar nas escolas, local onde as crianças/jovens passam o seu maior tempo. É fundamental infundir a ideia que um jovem ativo tem maiores índices de ser um adulto ativo, resultado daí obtido: mais qualidade de vida, mais saúde, mais prazer, mais felicidade! A responsabilidade futura será uma questão própria. Acelerometria Para avaliar o estilo de vida deste aluno recorreu-se ao uso de um acelerómetro (Anexo 2) facultado pelo gabinete de Antropometria da FADEUP para se poder estimar com rigor, o seu padrão de AF diária ao longo de 8 dias consecutivos (de 11 a 18 de janeiro 2012), tal como se pode constatar no gráfico abaixo. É um acelerómetro uniaxial que mede a aceleração na direção vertical e através de um interface apropriado, as contagens do aparelho foram transferidas para um computador e tratadas de acordo com os resultados apresentados. Os dados são relativos à AF com os pontos de corte de Evenson (2008) 12 para as intensidades. O ficheiro dá-nos os minutos em diferentes intensidades de AF (sedentária, ligeira, moderada e vigorosa) em cada dia. Depois fazemos uma análise, através da média diária, cumprimento ou não das recomendações de AF. Note-se que os pontos de corte são até 100 Counts para atividade sedentária, de 101 a 2295 para AF ligeira, 2296 a 4011 para AF moderada e mais de 4012 é AF vigorosa. 12 Informação fornecida pelo gabinete de Antropometria da Faculdade de Deporto da Universidade do Porto: Evenson (2008) foi quem esclareceu os pontos de corte mas de referir Trost (2011) que analisou vários pontos de corte e concluiu que os do Evenson seriam os mais adequados em crianças e jovens. 92 Resultados do acelerómetro (antes do estudo) Gráfico 1 – Dispêndio energético Em relação à caracterização do aluno em estudo foi igualmente interessante apresentar o seguinte. No gráfico 1, temos os níveis de Atividade Física Total Diária expressa em Counts. A linha salienta a grande tendência dos valores. Neste rapaz obeso não parece haver qualquer alteração da sua AF. Estes valores são maioritariamente compostos por atividades físicas de nível ligeiro/baixo (que rondam os 1540 Counts), o que revela ser uma pessoa sedentária, ou seja divulga apenas as tarefas diárias. 4.4.7 Procedimentos de Recolha Para este estudo foram registados os seguintes processos: 1-Bioimpedância 2-Índice Massa Corporal (IMC) 3-Antropometria 1-Bioimpedância: A bioimpedância consiste numa avaliação de alta precisão e rapidez da composição corporal. Através de uma corrente elétrica impercetível, é possível avaliar a percentagem de Massa Gorda Corporal. Para registar essa percentagem de massa gorda utilizou-se uma balança de bioimpedância marca TANITA®. 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1600 1800 0 5 10 15 20 Counts Dias Janeiro 2012 Obesidade - Masculino 93 2-Índice de Massa Corporal: Para além do registo anterior foi necessário registar o IMC, medida para avaliar o peso de cada pessoa. Trata-se de um método simples e rápido que permite uma avaliação geral para definir se uma pessoa se encontra com peso normal ou em risco de obesidade. É uma media de referência internacional reconhecida pela OMS (Organização Mundial da Saúde). O Índice de Massa Corporal (IMC) também conhecido por Índice de Quételet foi estabelecido por Quételet (1969) 13 . A altura foi registada com um antropómetro suíço. Classificação de Estado Nutricional Infantil As tabelas adotadas contêm valores específicos para cada percentil conforme a idade e o IMC da Criança. Estas tabelas foram adaptadas através do CDC (Center for Disease and Control and Prevention), que em 2000 apresentou uma versão revista das curvas de crescimento, introduzindo a possibilidade de utilização do Índice de Massa Corporal (IMC) para a Idade da Criança, que até então estava em falta. De acordo com Tauber (2010, p.14) “em Portugal, a partir de 2005, incluiu-se no Boletim de Saúde Infantil e Juvenil a versão atualizada das curvas NCHS 14 , substituindo-se a utilização da relação peso/estatura pela do IMC/idade, de modo a se proceder a uma monitorização mais adequada do estado nutricional da criança”. Estas tabelas foram apresentadas pela Fundação Bissaya Barreto 15 (criada em Coimbra) e apresentam-se no Anexo 1. De acordo com as recomendações (as que se encontram no boletim de saúde), quando uma criança apresenta um percentil abaixo de 5, significa que está abaixo do peso normal. Peso normal situa-se entre 5 e 75. Um percentil entre 85 e 95, significa que tem risco de sobrepeso. Se o percentil for superior a 95, significa obesidade. Com o valor de IMC calculado, atendendo a estas idades. 13 Quételet (1969) consultado a 3 maio de 2012, disponível em: http://obesidade.info/metodosobesidade.htm#IMC. Lambert Adolphe Jacques Quételet (1796-1874) foi um matemático belga que desenvolveu o cálculo do I.M.C. 14 Curvas de crescimento do Natinal Centre for Health and Statistic, utilizadas em Portugal desde 1981. 15 Bissaya Barreto (1886/1974) médico, professor da Universidade de Coimbra e grande filantropo da primeira metade do século XX, precursor do serviço social no centro do país, tendo estendido a atividade às áreas da Formação, da Cultura, da Saúde e do Ensino, empregando atualmente cerca de quatrocentos investigadores, técnicos de saúde vários, entre outros. 94 MAGREZA: Uma criança que esteja abaixo do percentil 5. NORMAL: Uma criança que esteja entre o percentil 5 e 75. SOBREPESO: Uma criança que esteja entre o percentil 85 e 95. OBESIDADE: Uma criança que esteja acima do percentil 95. 3-Antropometria: A antropometria é uma técnica baseada na avaliação de medidas (Perímetros e Pregas Corporais) com o intuito de avaliar a composição corporal, ou seja, reservas de gordura. Perímetros Corporais 16 Os perímetros correspondem a medidas circulares tiradas no plano horizontal, perpendiculares ao eixo sagital do segmento que se quer medir. São medidas da totalidade do segmento, isto é, do osso, músculo e tecido adiposo. O perímetro foi medido com uma fita métrica. Aquando da medição de perímetros há que se observar algumas regras básicas:  A fita métrica deve ser inextensível (arredondar até aos mm);  Deve-se circundar com a fita o segmento que vai ser medido;  Registam-se 2 a 3 medições que arredondadas até ao milímetro;  O limite de tolerância é de 1 mm;  Detalhe importante será a perfeita orientação horizontal da fita métrica em relação ao solo, ou seja paralelamente a este. Perímetro da Cintura Medido na parte mais estreita do tronco (acima do umbigo e abaixo do apêndice xifoide), após uma expiração normal. Perímetro do Abdómen Medido ao nível do umbigo com a musculatura abdominal relaxada. Se os movimentos respiratórios interferirem com a medição podemos ter que pedir ao observado que suspenda a respiração momentaneamente. 16 Descrição de perímetros corporais retirada do Personal Trainer (PT) Guide. Holmes Place (2006, p.409 -412). 95 Perímetro da Anca Medido ao nível da maior circunferência da região da anca ou das nádegas, dependendo de qual dessas circunferências for a maior (acima da prega glútea). Perímetro Mesoesternal Medido ao nível do ponto mesoesternal. A medida é feita no fim de uma expiração normal. Perímetro Crural Medido ao nível da maior circunferência da coxa. O indivíduo deve estar com os membros inferiores ligeiramente afastados (cerca de 10 cm). Perímetro Geminal Medido na zona de maior volume geminal. O indivíduo deve estar de pé com um dos pés apoiados em cima de uma superfície alta. Perímetro do Braço sem Contração Medido a meia distância entre o ponto acromial e o olecrano. Desloca-se a fita métrica perpendicularmente ao eixo longitudinal do braço. Perímetro do Braço com Contração Medido no máximo volume bicipital no momento de uma contração isométrica. O braço e antebraço formam um ângulo de 90º. Pregas Corporais 17 A divisão da massa corporal em dois compartimentos (ou seja massa isenta de gordura e na massa gorda) será efetuado com base em pregas de adiposidade subcutânea. O excesso de massa gorda corporal pode ser facilmente avaliado pelo instrumento de grande precisão, denominado de adipómetro, sujeito a normas de construção universalmente estabelecidas. A pressão das pontas do adipómetro sobre a pele deve ser de 10 mg/cm2, o que é uma característica de precisão importante e deve permitir leituras até às décimas de milímetro e permite saber, de uma forma fácil e rápida, a composição corporal e a quantidade de gordura corporal presente. As pregas deverão ser medidas no lado direito corpo do indivíduo, para que exista padronização. Esta avaliação é muito útil porque nem sempre um peso 17 Descrição de pregas corporais retirada do Personal Trainer (PT) Guide, Holmes Place (2006, p.406-408). 96 excessivo para a altura corresponde a uma situação de gordura corporal excessiva. Com o indicador e o polegar, que distam respetivamente 4 cm, o avaliador pinça o corpo do avaliado, de forma a criar uma prega (destacando-a do tecido muscular) que tenha duas camadas de pele e duas camadas de gordura. O músculo nunca deve fazer parte desta prega. De seguida coloca-se o adipómetro 1 cm abaixo dos dedos do avaliador e a 1 cm de profundidade. Não se deve retirar a mão que segura a prega durante a medição. O adipómetro deve ser colocado com a face marcada virada para o avaliador para que este consiga fazer uma leitura do valor, que deve ser lido após 2 segundos. O intervalo de tempo entre as diferentes medições da mesma prega deve ser no mínimo de 15 segundos. Deve realizar-se 2 a 3 medições, sendo que a margem de erro máxima entre 2 medições consecutivas é de 1 mm. As pregas a medir variam consoante o sexo: Rapazes: peitoral, abdominal e crural. Raparigas: tricipital, suprailíaca e crural. Prega Peitoral - Prega oblíqua No rapaz – a meia distância entre o mamilo direito e a prega axilar anterior Na rapariga – um pouco mais acima, a dois terços daquela distância. Prega Abdominal - Prega vertical Deve ser retirada com a musculatura abdominal relaxada e a 2 cm à direita do umbigo (normalmente coincide com a zona de maior proeminência entre a linha de Spiegel e a linha média abdominal). Prega Suprailíaca - Prega oblíqua (de fora para dentro e de cima para baixo e paralelamente ao ângulo natural da crista ilíaca). Na linha midaxilar anterior imediatamente acima da crista ilíaca. Prega Tricipital - Prega vertical. Tirada a meia distância entre o ponto acromial e o olecrano. Prega Subescapular - Prega oblíqua (de dentro para fora e de cima para baixo). Tirada 1 a 2 cm abaixo do ângulo inferior da omoplata. Prega Bicipital - Prega vertical. Tirada a meia distância entre o ponto acromial e o olecrano, 1 cm acima do nível da prega tricipital. 97 Prega Crural - Prega vertical. Tirada a meia distância entre a pega inguinal e a patela. O indivíduo deve estar sentado a agarrar a prega, mais próximo possível do local onde vai ser colocado o adipómetro. Prega Geminal - Prega vertical. Tirada no máximo volume geminal na face interna da perna, com o pé sobre uma caixa de modo que a coxa e a perna do indivíduo façam um ângulo reto. 4.4.8 Apresentação das medidas corporais Os indicadores a avaliar incluem: a altura, o peso, os perímetros musculares e as pregas de adiposidade subcutânea. Estas medidas antropométricas permitem caracterizar, do ponto de vista corporal, os mais diversos aspetos externos do jovem. Passaremos agora à apresentação dos dados do aluno e descrição dos seus valores e grupos de medida que foram considerados no estudo. Comecemos pela apresentação da composição corporal do aluno ao longo dos meses de estudo. Composição corporal do aluno ANO 2011-12 MESES Posição anatómica - Fitnessgram Peso Altura IMC % Massa Gorda ALUNO 24Janeiro HORA: 13h30 -14h15 82,6 1,63 25,33 (P95) 30,3 % 13/15Março HORA: 13h30 -14h15 82,3 1,63 25,25 (P90) 27,9 % 24Maio HORA: 17h00 -18h00 82,1 1,64 25,03 (P90) 26,5 % Quadro 1 104 Física, e promotores/as de saúde, é promover essa diligência. Foi essa a intenção deste estudo através de um empenhamento que teve como objetivo um trabalho pela saúde positiva, que é o melhor seguro para uma vida com qualidade. Procurou-se entender sempre as diferenças entre os fatores da saúde que podem e os que não podem ser controlados. Acentuou-se o positivo, reduzindo ou eliminando o negativo mas com a intuição daquilo que não se pode mudar. Este equilíbrio entre tudo o que gostaria e o que deveria fazer na vida deste aluno pareceu-me ser o melhor caminho para uma vida com mais qualidade, agora e, principalmente, nos anos por vir. Mas isso agora fica na sua responsabilidade. Concluindo o/a professor/a assume uma importância enorme para as crianças e jovens, se conseguir ajudá-las/os a construir para si um mundo mais ativo, divertido e saudável. 4.4.11 Referências Bento, J. (2010). Conjuntura corporal, inatividade e obesidade: papel do desporto e da escola / Educação Física, Esporte e Educação. Bento, J., Garcia, R. e Graça, A. (1999). Contextos da Pedagogia do Desporto, Perspetivas e Problemáticas. Lisboa: Livros Horizonte. Carvalho, S., Pereira, B., (2008). Atividade Física, Saúde e Lazer: Modelos de Análise e Intervenção. In Carvalhal, M. I. M. O Papel da Atividade Física no Combate à Obesidade. Lidel: edições técnicas, lda. (p. 287-295) Farinatti, P. (1995). Criança e Atividade Física. Rio de Janeiro: Sprint. Gentil, P. (2010). Emagrecimento: Quebrando mitos e mudando paradigmas. Rio de Janeiro: Sprint. Nahas, M. (1999). Obesidade, Controle de Peso e Atividade Física. Londrina: Midiograf, Volume I. 105 Nahas, M. (2010). Atividade Física, Saúde e Qualidade de Vida: Conceitos e Sugestões para um estilo de vida ativo (5.ª Edição). Londrina: Midiograf, (p.101-118). PT, G. (2006). Holmes Place. Constituição, Porto. Silva, J. et al (2007). Obesidade Infantil. Montes Claros: Editora CGB Artes Gráficas, (p. 15-25-37 e 38). Tauber, M. (2005). Mon enfant est trop gros - Compreender a Obesidade Infantil. Porto Editora. Tauber, M. (2010). Compreender a Obesidade Infantil (I. Rebelo, trad.). Porto: Porto Editora (p.14). Fitnessgram (2002). Manual de Aplicação de Testes - The Cooper Institute for Aerobics Research. Human Kinetics, Champaign, IL. (2.ª Edição).Texas, Dallas. 106 4.5 Estudo Fitnessgram Evolução da condição física numa turma do ensino básico Sandra Barbosa Resumo: A monitorização do desempenho das capacidades físicas dos estudantes, na aula de Educação Física (EF), permite informar os professores sobre o estado de desenvolvimento das capacidades condicionais. Desta forma, são criadas novas possibilidades de reflexão e configuração de programas de exercitação. Este estudo teve como objetivo a monitorização da condição física (composição corporal, resistência, força e flexibilidade) de uma turma do ensino básico, na aula de Educação Física, como forma de compreender as principais necessidades de desenvolvimento. Os participantes desta investigação são 21 alunos com idades compreendidas entre os 13 e 15 anos. Para a realização deste estudo foi necessário aplicar a Bateria de Testes Fitnessgram® ao longo dos 3 períodos letivos de modo a registar a evolução de todos/as na turma durante quatro aplicações. Este programa avalia 3 componentes da aptidão física (composição corporal, a aptidão muscular e a aptidão aeróbia). Podemos concluir que os alunos melhoraram a sua aptidão física em alguns testes, nomeadamente vai-vém, abdominais e senta e alcança. Já no teste de extensões/flexões de braços, devido à sua exigência, os alunos não obtiveram melhores resultados no entanto verificou-se ainda uma melhoria do IMC e com isso uma melhor prestação dos alunos na aula de EF. 4.5.1 Introdução: Para a realização deste estudo foi necessário aplicar a Bateria de Testes Fitnessgram, a todos os alunos da turma B do 9.º ano de escolaridade, ao longo dos três períodos letivos de modo a registar a evolução de todos. Relativamente à turma, era constituída inicialmente por 20 alunos, sendo 12 do sexo feminino e 8 do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 13 e os 15 anos. Com a entrada de um novo aluno no dia 10 de Novembro de 2011, 107 passou a ter mais um aluno contendo desta forma 9 alunos do sexo masculino perfazendo um total de 21 anos. A avaliação teve 3 momentos de avaliação mas com 4 aplicações (sendo a 1.ª aplicação no 1.º período, a 2.ª e a 3.ª aplicações no 2.º período e a 4.ª no 3.º e último período). Em cada momento existiu uma divisão de duas categorias: uma coletiva (comparação de resultados entre alunos da turma) e outra individual (registo individual do aluno - resultados introduzidos no computador com relatório estatístico para determinar a percentagem de alunos que atingiu a Zona Saudável de Aptidão Física - ZSAF). O trabalho está constituído em 3 partes, subdivididas em diversos capítulos. A primeira parte apresenta-nos os testes de Aptidão Física e suas componentes: aptidão aeróbia, a composição corporal e a aptidão muscular (força muscular, resistência e flexibilidade); a segunda parte apresenta-nos a interpretação dos resultados ao longo dos 3 momentos de avaliação (1.º, 2.º e 3.º Períodos) e a última parte será uma proposta de exercícios de Fitness trabalhar com alunos nas aulas de Educação Física. 4.5.2 Objetivos: Este estudo teve como objetivo avaliar a performance de todos os alunos da turma do 9.º ano numa bateria de testes direcionada para a condição física, sendo desta forma possível estabelecer uma comparação acerca do seu desempenho ao longo das aulas de Educação Física, durante um ano letivo. O conhecimento da evolução nas diferentes dimensões físicas (composição corporal, força, resistência e flexibilidade) permitiu configurar um plano de exercitação direcionado para a melhoria das principais debilidades destes alunos. 4.5.3 Metodologia: 4.5.3.1 Participantes Os participantes desta investigação são 21 alunos (12 raparigas) de uma turma do 9.º ano de escolaridade da escola EB 2/3 Júlio Dinis. A idade dos participantes está situada entre os 13 e os 15 anos de idade, com um valor médio de 13,76±0,70 anos. Todos os alunos frequentavam a aula de Educação 108 Física com regularidade. Dos 21 participantes, apenas 1 aluno praticava desporto de forma regular, em clube local, fora do contexto escolar, enquadrado num nível de prática de recreação. 4.5.3.2 Instrumento A escolha do instrumento incidiu na Bateria de Testes Fitnessgram®. O programa Fitnessgram® avalia 3 componentes da aptidão física consideradas importantes pela sua estreita relação com a saúde em geral e com o bom funcionamento do organismo. As 3 componentes são: a composição corporal, a aptidão muscular e a aptidão aeróbia. A avaliação da composição corporal realizou-se através do cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC) que estabelece uma relação entre a estatura e o peso, relação essa que indica se o peso da pessoa está ou não adequado à estatura. Este índice é determinado através da seguinte fórmula: peso(kg)/altura2(m2). A aptidão muscular foi avaliada através de teste de força, resistência e flexibilidade. Assim, realizou-se o teste de abdominais. A força e resistência dos músculos abdominais são capacidades importantes para a promoção de uma postura correta e para um alinhamento eficaz para manter a zona lombar saudável. O objetivo do teste é completar o maior número possível de abdominais até ao máximo de 75 repetições, mantendo a cadência padronizada (disponibilizada em CD). Realizou-se o teste de extensões e flexões de membros superiores. A extensão/flexão dos membros superiores é o teste recomendado para a avaliação da força e resistência da região superior do corpo. É um teste que pode ser utilizado pelos alunos ao longo da sua vida, como exercício de aptidão física ou de autoavaliação. O objetivo deste teste é completar o maior número possível de extensões/flexões de braços, com a cadência predeterminada (disponibilizada em CD). Para a dimensão flexibilidade realizou-se o teste senta e alcança. Este teste é efetuado de um lado de cada vez (o aluno está sentado e estende a perna alternadamente). A medição é efetuada de um lado de cada vez, para que os alunos não realizem uma hiperextensão. Este teste avalia principalmente a 109 flexibilidade dos músculos posteriores da coxa. O objetivo do teste é alcançar a maior distância com os membros superiores, sob a parte horizontal de uma caixa, mantendo a posição de sentado e com um dos membros inferiores em extensão horizontal (em contacto com a caixa). A aptidão aeróbia relativa é considerada um dos melhores indicadores da capacidade cardiorrespiratória. Assim, o teste de “vai-vém” é um teste de patamares de esforço progressivo, determinado pelo estímulo sonoro, com intervalos decrescentes entre sons. Este teste representa uma alternativa válida ao habitual teste de corrida contínua aplicado para se avaliar a aptidão aeróbia. O objetivo deste teste é percorrer a distância de 40m, num percurso de ida e volta (20m para cada lado), conseguindo manter o ritmo definido uma velocidade crescente em períodos consecutivos de um minuto. 4.5.3.3 Procedimentos de recolha A recolha foi realizada nos meses de setembro, janeiro, março e maio, momentos coincidentes com o início do ano letivo e o final de cada um dos 3 períodos de aulas. A 1.ª aplicação de avaliação realizou-se no 1.º período, dia 22 de setembro de 2011, primeiro dia de aulas, pelas 10h e 45 minutos. O segundo momento de avaliação da aptidão física realizou-se na primeira semana de aulas práticas referente ao 2.º período, no dia 03 de Janeiro de 2012, pelas 12h e 45 minutos. Ainda neste período registou-se a 3.ª aplicação que se realizou em março de 2012, na última semana de aulas práticas. A 4.ª aplicação e última realizou-se na última semana de maio de 2014, fim de aulas práticas e do 3.º período. Os testes foram aplicados em aulas de Educação Física de 90 minutos de duração, no pequeno pavilhão da escola EB 2,3 de Grijó, equipado com sistema de som. Para o teste de flexibilidade foi utilizada uma caixa em madeira, construída com o formato padronizado (Fitnessgram, 2002). 110 4.5.3.4 Procedimentos de análise Os dados recolhidos foram tratados estatisticamente através do programa Microsoft Excel® recorrendo à estatística descrita (frequências, médias e desvio-padrão) e como forma de apresentação gráfico dos dados. 4.5.4 Apresentação de Resultados Todos estes gráficos revelam comparações entre médias de medidas repetidas, mas através do programa Microsoft Excel® foi possível uma apresentação de gráficos mais específicos. Para uma melhor compreensão passaremos a relatar acerca das percentagens dos alunos de ambos os sexos, de uma forma geral relativamente ao 1.º gráfico e de uma forma mais pormenorizada no 2.º gráfico para cada teste. Índice de Massa Corporal - geral Gráfico 1 Quadro 1 – Apresentação do IMC ao longo das 4 aplicações Particularmente aos indicadores de crescimento morfológico a avaliar incluíram a altura e o peso. Estes valores permitiram caracterizar o aspeto do crescimento dos jovens, a vantagem destes valores foi a associação estreita à idade e ao género dos sujeitos em estudo. O gráfico 1 apresenta um aumento significativo de resultados mas que se mantêm dentro dos valores médios. Como parte de uma avaliação cuidada e regular, calculou-se o IMC do aluno e determinou-se o seu desenvolvimento, de acordo com as curvas de crescimento (percentis). Estes indicadores mostraram se o aluno tem 18,40 18,60 18,80 19,00 19,20 1 2 3 4 IMC Aplicação 1 Aplicação 2 Aplicação 3 Aplicação 4 IMC 17,77±5,14 18,98±3,21 18,96±3,07 18,97±3,19 n=20 n=21 n=21 n=21 111 demasiado peso para a idade, sexo e estatura. Para determinar o IMC ideal dos sujeitos em estudo optou-se pelas tabelas adaptadas do NCHS.CDC growthchartsn (2000) 18 para o feminino e para o masculino dos 2 aos 20 anos. A opção por estas tabelas é que referem valores específicos para cada percentil conforme a Idade e o IMC do aluno. Estas tabelas foram adaptadas através do CDC (Center for Disease and Control and Prevention), que em 2000 apresentou uma versão revista das curvas de crescimento, introduzindo a possibilidade de utilização do Índice de Massa Corporal (IMC) para a idade, que até então estava em falta. De acordo com Tauber (2010, p.14) “em Portugal, a partir de 2005, incluiu-se no Boletim de Saúde Infantil e Juvenil a versão atualizada das curvas de crescimento do Natinal Centre for Health and Statistic (NCHS), utilizadas em Portugal desde 1981, substituindo-se a utilização da relação peso/estatura pela do IMC/idade, de modo a se proceder a uma monitorização mais adequada do estado nutricional da criança”. Estas tabelas foram apresentadas pela Fundação Bissaya Barreto 19 (criada em Coimbra). De acordo com as recomendações (as que se encontram no boletim de saúde), quando um jovem apresenta um percentil abaixo de 5, significa que está abaixo do peso normal. Peso normal situa-se entre 5 e 75. Um percentil entre 85 e 95, significa que tem risco de sobrepeso. Se o percentil for superior a 95, significa obesidade. Com o valor de IMC calculado, atendendo a estas idades. De acordo com as apresentações um aluno apresenta peso normal quando apresenta um percentil entre 5 e 75 (valores do gráfico que se situam entre os 18,80 e os 19). No que diz respeito ao IMC, de uma forma geral, existiu um maior número de raparigas dentro da ZSAF. A amostra revelou um caso de obesidade, do qual resultou um programa individual de exercitação e um estudo caso. Em relação aos restantes, penso que o peso interferiu de alguma forma na prática desportiva. Na última avaliação, concluiu-se que a maior parte dos alunos encontraram-se dentro da ZSAF e apenas 4 alunos precisavam de melhorar. 18 Obesidade. Consultado a 12 de setembro de 2012, disponível em: http://www.cdc.gov/growthcharts/ 19 Bissaya Barreto (1886/1974) médico, professor da Universidade de Coimbra e grande filantropo da primeira metade do século XX, precursor do serviço social no Centro do país, tendo estendido a atividade às áreas da Formação, da Cultura, da Saúde e do Ensino, empregando atualmente cerca de quatrocentos investigadores, técnicos de saúde vários, entre outros. 112 Índice de Massa Corporal - específico Gráfico 2 Na 1.ª Aplicação de Testes da Bateria de Fitnessgram, existia um maior número de raparigas com o IMC dentro da Zona Saudável de Aptidão Física (ZSAF). No que diz respeito ao excesso de peso verificava-se que existia igual número quer de raparigas quer de rapazes. E, por último, a amostra revelava um caso de obesidade, do qual consistiu um estudo caso. Após análise dos dados concluiu-se que relativamente ao IMC existiam 4 alunos com excesso de peso (2 raparigas e 2 rapazes). Ambos os rapazes encontravam-se mesmo no limite do percentil normal. Na 2ª Aplicação de Testes da Bateria de Fitnessgram, os gráficos, representaram que a maioria de percentagem de alunos com o IMC está dentro da ZSAF. A maioria era feminino com uma percentagem de 83% e o masculino de 78%. As restantes percentagens revelaram 3 casos de excesso de peso e um único caso de obesidade. Na 3.ª após a análise dos dados, concluiu-se que, relativamente ao IMC existiram 4 alunos com excesso de peso, aqueles que requisitaram maiores preocupações da minha parte, isto porque alguns deles foram submetidos a treinos funcionais fora da componente letiva. Diga-se que apenas um, foi aluno de estudo caso e os restantes estiveram a treinar por vontade própria, o que me agradou de imensa forma. Por fim, na 4.ª e última aplicação relativamente ao IMC, 17 dos alunos encontraram-se dentro da ZSAF e 4 alunos precisavam de melhorar pois ainda apresentavam excesso de peso. 0 5 10 15 20 Mom 1 Mom 2 Mom 3 Mom 4 IMC ZSAF IMC Sobrepeso IMC Obesidade 113 Vai-vém - geral Gráfico 3 Quadro 2 – Apresentação do teste de Resistência Ao nível de resistência, inicialmente o teste de vai-vém apresentou resultados muito fracos, esta turma não apresentava qualquer hábito desportivo com exceção de um aluno, daí este resultado geral. No entanto verificou-se um aumento de melhores resultados ao longo dos diferentes momentos de avaliação. A vantagem desta capacidade condicional é que apresenta logo bons resultados a curto prazo, por exemplo a corrida é um exercício com grande adesão na aula de Educação Física é também praticada em todas as modalidades individuais e/ou coletivas. Podemos concluir que estes alunos melhoraram a sua aptidão física nesta categoria. De referir ainda que os valores médios foram adotados do manual de Fitnessgram (2002) e diferem no que diz respeito ao sexo e à idade. Para rapazes com 13 anos de idade o número de percursos situa-se entre 41 e 72, para 14 anos entre 41 e 83, e com 15 anos de 51 a 94 percursos. Já para as raparigas o número de percursos mantém-se para estas idades, entre 23 e 51 percursos. O próximo gráfico 4 apresenta-nos valores mais específico no teste de resistência. 25,00 30,00 35,00 40,00 1 2 3 4 VAI-VÉM Aplicação 1 Aplicação 2 Aplicação 3 Aplicação 4 Vai-vém 26,57±11,60 34,29±12,67 34,62±13,96 35,95±12,94 n=20 n=21 n=21 n=21 120 Senta e Alcança - específico Gráfico 10 Relativamente aos resultados do teste de flexibilidade, na 1.ª aplicação a turma apresentou 15 alunos dentro do limite da ZSAF; 5 alunos abaixo do limite da ZSAF. Inicialmente constatou-se pela percentagem que a maior parte dos rapazes (63%) e das raparigas (83%) encontrava-se dentro do limite da ZSAF. Logo na 2.ª aplicação como se pode presenciar no teste de flexibilidade, a turma apresentou 8 alunas dentro do limite da ZSAF; 4 alunas abaixo do limite da ZSAF, casos das seguintes alunas. A percentagem de rapazes foi praticamente a mesma. Já na 3.ª aplicação do teste de flexibilidade, a turma apresentou 9 alunas (75%) dentro do limite da ZSAF; 3 alunas (25%) abaixo do limite da ZSAF. Uma aluna apresentou melhorias no teste de flexibilidade, talvez derivado aos treinos realizados (fora da componente letiva). Em relação aos rapazes, a turma revelou 4 alunos (44%) dentro do limite da ZSAF; 5 alunos (56%) abaixo do limite da ZSAF (2 deles apresentaram valores normais em aplicações anteriores mas desta vez não se evidenciaram), um outro aluno obeso este sempre apresentou falta de flexibilidade derivado ao seu excesso de peso, 2 alunos apresentaram falta de flexibilidade do membro inferior esquerdo e em todas as suas aplicações. Na última aplicação verificou-se que as alunas apresentaram uma maior flexibilidade no senta e alcança do que os alunos. 0 2 4 6 8 10 12 14 16 Mom 1 Mom 2 Mom 3 Mom 4 Senta e Alcança inferior Senta e Alcança ZSAF 121 4.5.5 Conclusão: Conclui-se que os alunos obtiveram uma melhoria significa na composição corporal e na resistência (IMC, vai-vém e abdominal). Melhoria que acabou por coincidir com o objetivo deste estudo. No teste abdominal os alunos relevaram melhores resultados na 2.ª aplicação com um pequeno decréscimo nas seguintes mas resultados ainda melhores do que na 1.ª aplicação. De referir que a 2.ª aplicação foi a avaliação que os alunos demonstraram melhores valores quase em todos os testes. Menos bons resultados emergiram os testes de força (extensões e flexões de braços) e de flexibilidade (senta e alcança). Talvez por serem as capacidades mais complexas de executar mas também aquelas que só obtêm resultados a longo prazo. 4.5.6 Bibliografia: Fitnessgram (2002). Manual de Aplicação de Testes (2.ª Edição). Ministério da Educação. The Cooper Institute for Aerobics Research. Human Kinetics, Champaign, IL. Texas: Dallas. Tauber, M. (2010). Compreender a Obesidade Infantil (I. Rebelo, trad.). Porto: Porto Editora (p.14). 122 123 A corrida é longa e, no final, tem que contar só com você! 5. CONCLUSÃO E PERSPETIVAS PARA O FUTURO 124 125 “A opção pela docência ou o dilema: fico ou vou-me embora?” Damião (1997, p. 22). Em conclusão deste trabalho que realizei sobre o meu estágio, tenho algumas ideias que gostaria de expor. No que diz respeito ao futuro penso que este tipo de atividade é de uma influência bastante positiva para uma inserção no ensino, visto que é através da prática e do contacto com os alunos que se obtém uma visão real sobre aquilo que será o nosso futuro profissional. É de minha opinião que o período de estágio deveria ser mais longo pois só assim poderíamos ter uma relação mais próxima e compreender melhor as necessidades de cada aluno. A minha opinião acerca deste estágio foi marcante, uma vez que fui útil para estes alunos, especialmente ao aluno de estudo caso, ensinei-lhe algo que foi novidade para ele, mas também aprendi bastante com o contacto que tive com este adolescente. Uma vez mais, esta experiência permitiu-me aumentar os meus conhecimentos acerca da arte de lecionar e também aumentar o meu gosto por esta atividade, que tem o poder de nos transmitir vários tipos de sensações e sentimentos. Ao longo deste tempo de estágio pude verificar que a planificação, estabelece a relação entre a teoria e a prática, entre o pensamento e a ação, procura melhorar o ensino e a aprendizagem mas por vezes não funciona na totalidade aquando de alguns imprevistos. Por esta razão penso que a planificação não se deverá resumir à formulação de objetivos, à enumeração e ordenação de determinados conteúdos, à calendarização, aos processos a utilizar. Planificar é pôr em ação uma realidade concreta, o pensamento científico e pedagógico. À medida que o tempo foi passando comecei a perceber que a oportunidade que me foi dada por via deste estágio não a poderia sequer desvalorizar, apesar de alguns obstáculos que tive de enfrentar, porque é demasiado enriquecedor trabalhar com os alunos, assim como toda a comunidade escolar que me acolheu desde o primeiro dia que me apresentei. Compreendi que muito teria de fazer para conseguir eliminar uma crescente frustração e ascender a um patamar mais estável onde me fosse proporcionado a estabilidade e o equilíbrio necessário para comandar as minhas atitudes como futura docente de Educação Física A 126 minha “ferramenta” de trabalho fulcral passou a ser, até então desvalorizado, o relatório de estágio “ainda não tinha sequer compreendido a preciosa ajuda que este me iria dar”, no fundo ele é a minha sombra pois está inscrito o lado organizado, planeado e criativo de uma futura profissional. Tal como a construção do relatório de estágio foi feito de uma forma progressiva, a minha postura e os resultados foram conduzidos igualmente de forma gradual. Confesso que numa ou outra situação tenham ocorrido picos positivos e picos negativos, mas tal como um atleta de alto rendimento encontra momentos de maior ou menor fadiga, eu também fui muitas vezes vítima de sobrecarga de trabalhos e claro está não pude estar ao mais alto nível em todas as frentes em que estaria envolvida. Foram muitos os momentos que marcaram este meu estágio na Escola Básica Júlio Dinis, talvez haja dois momentos que deva realçar porque senti o gozo e o prazer transmitidos. Primeiro, foram as caminhadas organizadas que conseguiram reunir todos os interessados pertencentes à comunidade escolar e incutir a palavra ordem “Saúde”, ou seja “Caminhar para o Bem-Estar”. Segundo, foram as aulas de grupos que se destinavam às professoras da escola uma espécie de amigas que se uniram em torno de uma palavra que adoro “Desporto”. A amizade e a empatia construída, desde o início, foram a base de todo o sucesso, na certeza que perdurará por muito tempo! Sem dúvida alguma que até então faltará algo capaz de seduzir os mais distantes de uma realidade que os adultos produzem em tudo aquilo que eles produzem o “Movimento”. A vida quotidiana é feita de contínuo movimento, as atividades e tarefas diárias fazem-nos deslocar o corpo constantemente, utilizar movimentos suaves e amplos, sem ter essa noção a maioria das vezes. Empregamos também o movimento de ocupar o tempo livre, seja jogando, dançando ou fazendo desporto, em movimentos estruturais e/ou organizados. E é nas escolas que nós, enquanto profissionais de saúde podemos dar os verdadeiros exemplos! Surgiram assim dias que me fizeram atingir um objetivo, proporcionar dias diferentes e transmitir a verdadeira mensagem de Educação Física. Se até então existiam dúvidas da função de uma professora de Educação Física elas ficam dissipadas com todo este trabalho, pois todas trabalharam, todas questionaram, todas ficaram 127 impressionadas com a entrega, com a luta, com a aplicação, com o valor que cada uma viveu em dias diferentes segundo quanto apreciei que adoraram! A evolução durante este estágio fez-se a todos os níveis pois quer alunos, quer professoras envolvidas passaram a compreender como é possível por via do desporto aprender a corrigir determinados comportamentos até então vistos como impossíveis de solucionar. Julgo que consegui aproveitar ao máximo aquilo que estaria previsto por mim em termos de objetivos comportamentais, já que verifiquei progressos significativos ao nível dos desportos coletivos. Ainda que a noção de regra não esteja sempre presente tenho consciência de que grande parte da turma apreciou o facto de ter interiorizado regras básicas de modalidades coletivas, tentando eliminar a aglomeração, o que nestas idades já não é compreensível mas é uma realidade. Penso que os alunos interiorizaram regras de chamada, estimularam e velocidade de reação e a resistência aeróbia e conseguiram na globalidade tirar proveito da densidade motora que realizaram. Por tudo isto importa sentir orgulho e gozo ao construir o documento que suporta todo este trabalho, o Relatório de Estágio. É para mim o álbum de recordações que mais trabalho me deu até hoje, porque foi o último, para já, realizado e fico sempre com a sensação de que lhe falta algo mais. Muito embora o nosso discurso nestas circunstâncias deva ser sempre positivista admito perfeitamente todas as críticas construtivas que me devam ser dirigidas, porque é por via destas que conseguirei ser uma ótima profissional na área desportiva da educação. Como se sabe em todo o mundo, entre as pessoas, a educação sob as suas diversas formas tem por missão criar vínculos sociais que tenham a sua origem em referências comuns. Os meios utilizados abrangem as culturas e circunstâncias mais diversas, em todos os casos, a educação tem como objetivo essencial o desenvolvimento do ser humano na sua dimensão social. Cabe à educação fornecer às crianças e aos adultos as bases culturais que lhes permitam decifrar, na medida do possível, as mudanças em curso. O que supõe a capacidade de trabalhar uma seleção de informações, a fim de melhor as interpretar, e de reconstituir os acontecimentos inseridos numa história de conjunto. Foi a pensar nesta base que planeei uma grande tarefa para o futuro e que gostaria de concretizar, 128 lecionar Educação Física em Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). Neste momento encontro-me a aguardar pela resposta face à candidatura por mim apresentada. Perante a situação que estamos a atravessar, somos deparados com uma grande crise profissional, crise de valores que conduz para o insucesso escolar e o facto de as escolas não cumprirem as exigências da comunidade. Os professores têm um plano a seguir mas não sabem como o fazer nem qual a sua finalidade. Os sistemas educativos deveriam dar resposta aos múltiplos desafios das sociedades da informação, na perspetiva dum enriquecimento contínuo dos saberes e do exercício duma cidadania adaptada às exigências do nosso tempo. O tempo e a área da educação devem ser repensados, completar-se e interpenetrar-se de maneira a que cada pessoa, ao longo de toda a sua vida possa tirar o melhor partido dum ambiente educativo em constante alargamento. Torna-se assim, urgente, o meio de chegar a um equilíbrio mais perfeito entre trabalho e aprendizagem e ao exercício duma cidadania ativa! Muito mais haveria para dizer, já que me restam motivos para abrir a alma e o coração. Mas não vou abusar da vossa bondade e paciência. Apenas posso concluir que um trabalho nunca está terminado, está em permanente transformação, em permanente ebulição... 129 Gostaria de findar com uma frase que serve como máxima deste trabalho: “Mestre não é aquele que aprendeu a ensinar Mas aquele que ensina a aprender”. Marcelo Soriano