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BuildOne - Aplicação de gestão de energia compatível com a norma ISO 50001

Miguel Ferreira Lopes

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BUILDONE – APLICAÇÃO DE GESTÃO DE ENERGIA COMPATÍVEL COM A NORMA ISO 50001 MIGUEL FERREIRA LOPES DISSERTAÇÃO DE MESTRADO APRESENTADA À FACULDADE DE ENGENHARIA DA UNIVERSIDADE DO PORTO EM ENGENHARIA ELETROTÉCNICA E DE COMPUTADORES M 2014 Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto BuildONE - Aplicação de Gestão de Energia Compatível com a Norma ISO 50001 Miguel Ferreira Lopes VERSÃO FINAL Dissertação realizada no âmbito do Mestrado Integrado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores Major Orientador: Prof. Dr. José António Rodrigues Pereira de Faria Coorientador: Eng. Hélder Filipe Lourenço Marques Julho 2014 ii © Miguel Ferreira Lopes, 2014 PORTO CCUD FACUtDADE DE ENGENHARIA 1 I_ r .UNWERSIDADE DO PORTO A Dissertação intituLada “BuiLdONE - ApLicação de Gestão de Energia compatíveL com a Norma ISO 50001” foi aprovada em provas reaLizadas em 17-07-2014 o Júri Presidente Profess r Doutor Ántónio Pedro Rodrigues Aguiar Professor Associado do Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto -an~aca (~Qtxrr6~cN~uQÀ~~> Professora Doutora Teresa Alexandra Ferreira Mourão Pinto Nogueira Professor Adjunto., do Departamento de Engenharia Eletrotécnica da Instituto Superior de Engenharia do Porto ~ PrMfessor Doui~Jã~Ántónio Rodrigues Pereira de Faria Pr~fessor Auxiliar do Departamento de Engenharia de Gestão Industrial da Faculdade de Engenharia da universidade do Porto O autor declara que a presente dissertação (ou relatório de projeto) é da sua exclusiva autoria e foi escrita sem qualquer apoio externo não explicitamente autorizado. Os resultados, ideias, parágrafos, ou outros extratos tomados de ou inspirados em trabalhos de outros autores, e demais referências bibliográficas usadas, são corretamente citados. ~ £Ak 4 Autor - Miguel Ferreira Lopes FacuLdade de Engenharia da universidade do Porto iii Resumo A redução de consumos energéticos, o aumento da performance energética e a redução de custos é preocupação de todas as organizações a nível mundial. O tema tem recebido crescente atenção devido ao elevado custo da energia, à escassez de recursos, e à tentativa de diminuir a pegada ecológica provocada pelas atividades industriais desenvolvidas. A racionalização e o controlo do consumo de energia torna-se portanto uma permanente preocupação para os gestores das empresas que pretendem reduzir o custo das atividades e aumentar a sua rentabilidade. Surge assim, a necessidade de aplicações de gestão de energia que permitam controlar e apoiar a tomada de decisões no âmbito da eficiência energética. Foi deste contexto que surgiu a motivação para este projeto. Os seus objetivos consistiram na identificação, análise, especificação e desenvolvimento de melhorias na aplicação de gestão de energia da plataforma BuildONE. Em particular procurou-se introduzir melhorias de acordo com os requisitos expressos pela norma de gestão de energia ISO 50001 e desta forma facilitar a certificação das organizações na mesma. No presente documento são apresentadas as diversas fases do projeto. Inicialmente foi efetuada uma análise da norma ISO 50001 e seus requisitos. Posteriormente, foram analisadas as soluções disponíveis no mercado de maior destaque de forma a compreender se estas satisfazem esses requisitos e a que ferramentas recorrem. Concluída esta análise, ficou claro que grande parte das aplicações não satisfazem todos os requisitos impostos pela norma focando-se mais na análise e tratamento de dados, deixando de parte os requisitos ligados à comunicação e colaboração de todo os membros da equipa. Com base nesta ideia foi desenvolvida uma análise dos SGE, dividindo-os em três gerações distintas. O foco principal foi a terceira geração, voltada para o trabalho em cooperação, partilha de dados, comunicação de resultados e controlo de ações. Com base na caracterização detalhada dos conceitos, processos e ferramentas dos SGE de terceira geração é apresentada uma sugestão dos módulos e requisitos funcionais a integrar a plataforma BuildONE. Este projeto foca-se no esboço e implementação da funcionalidade de tratamento de não conformidades, por espelhar os conceitos da terceira geração de sistemas de gestão de energia. As linguagens de desenvolvimento foram o .NET C# e recorrendo às Microsoft Visual Studio 2012 e Microsoft SQL Server 2012. Com base no trabalho desenvolvido neste projeto, é possível às organizações, acedendo a uma única plataforma, identificarem e controlarem as atividades de correção das ineficiências no consumo energético. iv v Abstract The reduction of energy consumption, increase energy performance and cost reduction is the concern of all organizations worldwide. The topic has received increasing attention due to the high cost of energy, the scarcity of resources, and attempt to reduce the carbon footprint caused by the developed industrial activities. The rationalization and control of energy consumption thus becomes an ongoing concern for managers of companies that claim to reduce the cost of the activities and increase their profitability. Thus arises the need for energy management applications which control and support decision-making in the field of energy efficiency. It was in this context that emerged motivation for this project. Their goals consisted in the identification, analysis, specification and development of improvements in the implementation of energy management BuildONE platform. In particular we sought improvements in accordance with the requirements expressed by management standard ISO 50001 energy and thus facilitate the accreditation of organizations in the same. In this paper we present the various phases of the project. Was initially performed an analysis of the ISO 50001 standard and its requirements. Subsequently, we analyzed the available solutions in the most prominent market in order to understand whether they satisfy these requirements and the tools that turn. Completed this analysis, it became clear that most applications do not meet all the requirements of the standard focusing on analysis and processing of data, leaving part of the requirements related to communication and collaboration of all team members. Based on this idea we developed an analysis of EnMS, dividing them into three distinct generations. The main focus was the third generation, focused on work in cooperation, data sharing, reporting and control actions. Based on detailed characterization of the concepts, processes and tools of the third generation EnMS a hint of modules and functional requirements to integrate BuildONE platform is presented. This project focuses on the design and implementation of functionality treatment noncompliance, to mirror the concepts of third generation energy management systems. Development languages were. NET and C # using the Microsoft Visual Studio 2012 and Microsoft SQL Server 2012. Based on the work done in this project, organizations can, by going to a single platform, identify and monitor the activities of correcting inefficiencies in energy consumption. xii 2.5.2 - Análise de Aplicações ................................................................ 28 2.5.2.1 - Requisitos Funcionais ......................................................... 28 2.5.2.2 - EnergyCap ...................................................................... 30 2.5.2.3 - Panoptix......................................................................... 30 2.5.2.4 - Hara .............................................................................. 31 2.5.2.5 - First Fuel ........................................................................ 31 2.5.2.6 - PoweLogic ION ................................................................. 32 2.5.2.7 - BData ............................................................................ 32 2.5.2.8 - CA Technologies ............................................................... 33 2.6 - Funcionalidades vs. Aplicações de Gestão de Energia ................................. 34 2.7 - Norma ISO 50001 vs. Aplicações de Gestão de Energia ................................ 36 ................................................................................... 39 Análise de Sistemas de Gestão Energia ............................................................. 39 3.1 - Sistemas de Gestão de Energia ............................................................. 39 3.2 - Sistemas de Gestão de Energia de Terceira Geração .................................. 40 3.2.1 - Metodologia dos Sistema de Gestão de Energia Terceira Geração ........... 41 3.2.2 - Processo de Gestão de Energia de Terceira Geração ........................... 42 3.4 - Requisitos da norma ISO 50001 vs. Gerações dos Sistemas de Gestão de Energia 43 3.4 - Ferramentas Informáticas para Sistemas de Gestão de Energia de Terceira Geração ................................................................................................... 45 ................................................................................... 47 Análise do BuildONE .................................................................................... 47 4.1 - Análise dos Módulos .......................................................................... 47 4.2 - Especificação dos Requisitos Funcionais .................................................. 50 4.3 - Casos de Uso ................................................................................... 52 4.3.1 - Diagramas de casos de uso .......................................................... 53 4.4 - Tratamento de Não Conformidades ....................................................... 54 4.4.1 - Casos de Uso de Tratamento de Não Conformidades ........................... 55 4.4.2 - Interfaces de Tratamento de Não Conformidades .............................. 58 ................................................................................... 63 Desenvolvimento do Sistema ......................................................................... 63 5.1 - Ferramentas de Desenvolvimento ......................................................... 63 5.1.1 - Hyper-V ................................................................................. 63 5.1.2 - Sistema Operativo .................................................................... 64 5.1.3 - Tecnologias de Desenvolvimento ................................................... 64 5.2 - Linguagens de Programação ................................................................ 66 5.2.1 - ASP.NET ................................................................................. 66 5.2.2 - Microsoft SharePoint ................................................................. 67 5.2.3 - SQL ...................................................................................... 67 5.2.4 - C# ........................................................................................ 67 5.2.5 - JavaScript .............................................................................. 67 5.2.6 - HTML + CSS ............................................................................. 68 5.2.7 - Telerik .................................................................................. 68 5.2.7.1 - RadGrid ......................................................................... 68 5.2.7.2 - RadChart ........................................................................ 69 5.3 - Base de dados ................................................................................. 69 5.3.1 - Modelo base de dados ................................................................ 70 5.3.2 - Stored Procedures .................................................................... 72 5.4 - Arquitetura da Aplicação .................................................................... 72 5.5 - Desenvolvimento de Interfaces ............................................................ 73 5.5.1 - Grid Não Conformidades ............................................................. 73 5.5.2 - Registo de Não Conformidade ...................................................... 74 5.5.3 - Análise .................................................................................. 76 5.5.4 - Robustez do Sistema.................................................................. 76 xiii ................................................................................... 79 Conclusões e Desenvolvimentos Futuros ............................................................ 79 6.1 - Conclusão ...................................................................................... 79 6.2 - Desenvolvimentos Futuros ................................................................... 80 Anexos ....................................................................................... 81 Anexo A – Casos de Uso ................................................................................ 81 Anexo B – Certificação ................................................................................. 84 Referências ................................................................................. 85 xiv xv Lista de figuras Figura 1.1 – Vantagens de um sistema de gestão de energia .......................................... 2 Figura 1.2 - Esquema de Gestão Técnica de Edifícios ................................................... 3 Figura 1.3 - Value Proposition Canvas do projeto ........................................................ 5 Figura 1.4 - Proposta de valor (segmento do produto) .................................................. 6 Figura 1.5 - Proposta de valor (segmento do cliente) ................................................... 7 Figura 1.6 - Fases constituintes do projeto ............................................................... 8 Figura 1.7 - Resultados produzidos em cada fase do projeto ........................................ 10 Figura 2.1 – Modelo de gestão de energia – Ciclo PDCA [1] ........................................... 12 Figura 2.2 - Etapas do ciclo PDCA ......................................................................... 13 Figura 2.3 - Esquema de Processo de planeamento energético [1] ................................. 14 Figura 2.4 - Arquitetura geral de aplicação de business intelligence .............................. 21 Figura 2.5 - OLAP Cube ..................................................................................... 21 Figura 2.6 - Gartner Magic Quadrant for Business Intelligence 2013 ............................... 22 Figura 2.7 - Dashboard da plataforma Pentaho ........................................................ 23 Figura 2.8 - Esquema da aplicação IBM Cognos ......................................................... 24 Figura 2.9 - Dashboard da plataforma SAS em versão mobile ....................................... 25 Figura 2.10 - Arquitetura geral de uma aplicação de gestão de energia [27] ..................... 27 Figura 2.11 - Esquema de distribuição de informação numa aplicação de gestão de energia [22] ...................................................................................................... 27 Figura 2.12 - Principais motivos apresentados para adquirir aplicações de gestão de energia [26] ...................................................................................................... 28 Figura 2.13 - Requisitos funcionais das aplicações de gestão de energia [26] .................... 29 xvi Figura 2.14 - Green Quadrant® Energy Management Software [26] ................................ 29 Figura 2.15 – Interface da plataforma Panoptix ........................................................ 30 Figura 2.16 - Dashboard da plataforma Hara ........................................................... 31 Figura 2.17 - Dashboard da plataforma PowerLogic ION ............................................. 32 Figura 2.18 - Interfaces da plataforma BData .......................................................... 33 Figura 2.19 - Interface da ferramenta ecoGovernance ............................................... 34 Figura 2.20 - Classificação das Aplicações comerciais relativamente a funcionalidades [26] . 35 Figura 2.21 - Classificação das Aplicações comerciais relativamente a funcionalidades [26] . 36 Figura 3.1 – Ações a desenvolver num SGE de Terceira geração .................................... 41 Figura 3.2 - Metodologia dos sistemas de gestão de energia de terceira geração ............... 41 Figura 3.3 - Mapa de processo de gestão de energia de terceira geração ......................... 42 Figura 3.4 - Mapa de processos suporte do mapa de processos de gestão de energia de terceira geração ....................................................................................... 42 Figura 3.5 - Requisitos da norma ISO 50001 vs. Processos de gestão de energia de terceira geração ................................................................................................. 43 Figura 4.1 - Módulos de sistema de gestão de energia da plataforma BuildONE ................. 48 Figura 4.2 - Módulos de sistema de gestão de energia da plataforma ............................. 49 Figura 4.3 - Módulos de sistema de gestão de energia da plataforma ............................. 50 Figura 4.4 - Diagrama de pacotes da aplicação de gestão de energia BuildONE ................. 53 Figura 4.5 - Casos de uso de gestão de eficiência energética ....................................... 54 Figura 4.6 - Mapa de processos da funcionalidade tratamento de não conformidades ......... 54 Figura 4.7 - Casos de uso de gestão de eficiência energética ....................................... 55 Figura 4.8 - Descrição de caso de uso detalhado para “Registar não conformidade” ........... 56 Figura 4.9 - Descrição de caso de uso detalhado para “Analisar não conformidade” ........... 56 Figura 4.10 - Descrição de caso de uso detalhado para “Tratamento de não conformidade” . 57 Figura 4.11 - Descrição de caso de uso detalhado para “Relatar Resultados” .................... 57 Figura 4.12 - Árvore de casos de uso de tratamento de não conformidades ...................... 58 Figura 4.13 - Interface de grelha de “Não Conformidades” .......................................... 58 Figura 4.14 - Interface de grelha de “Registo de Não Conformidade” ............................. 59 Figura 4.15 - Interface de “Análise de Não Conformidade” .......................................... 60 Figura 4.16 - Interface de grelha de “Ações de Não Conformidade” ............................... 60 xvii Figura 4.17 – Interface “Visualizar Ação” ............................................................... 61 Figura 4.18 - Interface de “Relatório” de não conformidade ........................................ 61 Figura 5.1 - Plataforma Hyper-V .......................................................................... 64 Figura 5.2 - Exemplo de Stored Procedure .............................................................. 65 Figura 5.3 - Exemplo de interface Data Designer ...................................................... 66 Figura 5.4 - Exemplo de gráfico RadChart [34] ......................................................... 69 Figura 5.5 - Exemplo de gráfico RadChart [34] ......................................................... 69 Figura 5.6 - Modelo relacional de base de dados da funcionalidade não conformidade ........ 70 Figura 5.7 - Modelo base de dados de não conformidade representada no Visual Studio ...... 71 Figura 5.8 - Modelo de 3-Tier Architecture ............................................................. 72 Figura 5.9 – Interface “Grid Não Conformidades” ..................................................... 74 Figura 5.10 – Interface “Registar Não Conformidade” ................................................ 75 Figura 5.11 – Interface “Histórico de Alarmes” ........................................................ 75 Figura 5.12 – Interface “Análise” ......................................................................... 76 Figura 5.13 – Verificação de Robustez ................................................................... 77 Figura A.1 – Caso de uso “Pedir Ajuda” .................................................................. 81 Figura A.2 – Caso de uso “Submeter Ideia” ............................................................. 82 Figura A.3 – Caso de uso “Enviar Newsletter” .......................................................... 82 Figura A.4 – Caso de uso ”Gerir Agendas” ............................................................... 83 Figura A.5 – Caso de uso “Gestão de Faturas” .......................................................... 83 Figura B.1 – Certificação na perspetiva de dados e colaboração .................................... 84 xviii xix Lista de tabelas Tabela 1 Grupo de Requisitos da norma ISO 50001 .................................................... 15 Tabela 2 Requisitos vs. Funcionalidades ................................................................. 15 Tabela 3 Requisitos vs. Ferramentas ..................................................................... 17 Tabela 4 Requisitos vs. Gerações dos sistemas de gestão de energia .............................. 44 Tabela 5 Ferramentas Informáticas para Melhoria de Eficiência Energética ...................... 45 Tabela 6 Requisitos funcionais ............................................................................ 51 xx xxi Abreviaturas e Símbolos Lista de abreviaturas (ordenadas por ordem alfabética) SGE Sistema de Gestão de Energia CEO Chief Executice Officer OLAP Online Analytical Processing FEUP Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto CFO Chief Financial Officer MIEEC Mestrado Integrado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores PDCA Plan-Do-Check-Act EnMS Energy Management System UML Unified Modeling Language UPTEC Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto ISO International Organization for Standardization BI Business Intelligence SQL Structured Query Language LINQ Language Integrated Query HTML HyperText Markup Language CSS Cascading Style Sheets PC Personal Computer KPI Key Performance Indicator ETL Extract, Transform, Load 6 Introdução 6 Figura 1.4 - Proposta de valor (segmento do produto) Metodologia 7 7 Figura 1.5 - Proposta de valor (segmento do cliente) 1.3 - Metodologia O desenvolvimento de uma aplicação de gestão de energia deve estar associado a uma metodologia bem definida de forma a minimizar o impacto de imprevistos neste. A metodologia a utilizar é baseada no processo de engenharia de sistemas. Esta metodologia tem como principal objetivo transformar as necessidades e requisitos num produto. O final de cada fase desenvolvida neste projeto produz um resultado que serve de entrada para a fase seguinte. 8 Introdução 8 Figura 1.6 - Fases constituintes do projeto Para iniciar o estudo e posterior desenvolvimento de um sistema de informação de gestão de energia é necessário compreender o problema inicial, e quais os objetivos a atingir. É importante analisar as aplicações já existentes numa fase do estudo de estado da arte e inferir quais os principais requisitos que o sistema deve cumprir. De seguida são analisados os requisitos e identificadas as melhorias a implementar no desenvolvimento de uma nova aplicação. Numa fase intermédia do projeto, procede-se à etapa de conceção e desenvolvimento sistema de informação em que se define os casos de uso das interfaces do sistema e o estudo da linguagem escolhida para o desenvolvimento por forma a facilitar a implementação das interfaces. Na fase final do projeto é necessário realizar testes e avaliações do trabalho desenvolvido. Esta fase é fulcral para compreender se os requisitos definidos são cumpridos e se o sistema soluciona o problema descrito. 1.4 - Estrutura do Documento A descrição da estrutura de um documento é fundamental para facilitar ao leitor a orientação no documento e uma leitura mais eficiente. Com este intuito é descrita a estrutura do presente documento. O documento encontra-se dividido em seis capítulos. O capítulo inicial correspondente à introdução pretende apresentar o enquadramento do tema de dissertação e a sua motivação, quais os objetivos a atingir e a metodologia utilizada no seu desenvolvimento. O segundo capítulo denominado “Estado de Arte” apresenta uma análise da norma de gestão de energia ISO 50001 a identificação dos requisitos a satisfazer e uma visão inicial das funcionalidades e ferramentas a desenvolver para os satisfazer. Inclui ainda uma análise das aplicações de gestão de energia e ferramentas de business intelligence com maior destaque no mercado. São também analisadas as funcionalidades e ferramentas mais procuradas pelos clientes. O terceiro capítulo “Análise de sistemas de gestão de energia” apresenta o desenvolvimento uma análise do sistema de gestão de energia e quais as principais ferramentas a utilizar para satisfazer os requisitos impostos por uma aplicação de gestão de energia. Problema Inicial Estudo do Estado da Arte Análise dos Requisitos Identificar Melhorias a Implementar Casos de Uso e Interfaces Estudo de Linguagem Implementação Teste Estrutura do Documento 9 9 O quarto capítulo, denominado “Análise do BuildONE”, aborda os requisitos a cumprir pela aplicação de gestão de energia BuildONE e efetua uma análise dos módulos da aplicação de gestão de energia a implementar. Aborda também os casos de uso e interfaces de uma das funcionalidades a implementar na aplicação de gestão de energia e as principais ferramentas de desenvolvimento a serem utilizadas. O quinto capítulo intitulado “Ferramentas de desenvolvimento”, apresenta as principais tecnologias, ferramentas e linguagens de desenvolvimento. Aborda também a base de dados de uma funcionalidade. O sexto capítulo intitulado “Conclusões e Desenvolvimentos futuros” apresenta as principais conclusões e também os desenvolvimentos futuros no âmbito das aplicações de gestão de energia. Com o intuito de apoiar o leitor na compreensão dos principais resultados produzidos em cada uma das fases do projeto foi elaborado um esquema representado na figura 1.7. 10 Introdução 10 Figura 1.7 - Resultados produzidos em cada fase do projeto Introdução •Enquadramento e Motivação •Objetivos Estado de Arte •Análise do Ciclo PDCA da Norma •Requisitos da norma da perspetiva das funcionalidades suporte de SGE •Ferramentas que podem satisfazer requisitos •Conceitos Business Intelligence •Análise cobertura de aplicações comerciais (BI + SGE) Análise de SGE •Descrição de SGE •Caraterização SGE terceira geração •Processo de gestão de energia terceira geração •Comparação da norma ISO 50001 com as diferentes gerações de SGE •Ferramentas Informáticas para a melhoria de eficiencia energética Análise BuildONE •Descrição de cada um dos modulos de SGE de terceira geração •Especificação dos requisitos funcionais •Casos de uso do módulos a desenvolver •Especificação de Tratamento de Não Conformidades •Especificação de interfaces e casos de uso de funcionalidade de não conformidade Ferramentas de Desenvolvime nto •Base de dados •Linguagens de programação e tecnologias utilizadas Conclusões e Desenvolvime ntos Futuros •Conclusões deste projeto •Trabalhos a desenvolver no futuro Estado da Arte O objetivo deste projeto prende-se com a conceção e desenvolvimento de melhorias no módulo de gestão de energia da plataforma BuildONE considerando os requisitos da norma ISO 50001. Neste capítulo é apresentada uma análise da norma ISO 50001 [1] de forma a compreender os principais requisitos a satisfazer, bem como uma breve descrição de possíveis ferramentas e funcionalidades a incluir numa aplicação de gestão de energia. Após esta análise é desenvolvida uma análise de cobertura das principais aplicações comerciais no âmbito do business intelligence (aplicações focadas no tratamento de dados), e das aplicações de gestão de energia. A análise de aplicações de gestão de energia é apresentada com o propósito de compreender se todos os requisitos impostos pela norma são cumpridos pelas aplicações de gestão de energia disponíveis atualmente no mercado, de que forma o são, quais as principais funcionalidades que apresentam como é possível melhorar o módulo de gestão de energia da plataforma BuildONE. A análise de aplicações de business intelligence prende-se com a importância de compreender as ferramentas apresentadas por estas na análise e tratamento de dados para permitir formular, posteriormente, melhorias no sistema BuildONE no âmbito da análise de dados, uma forte componente das aplicações de gestão de energia. 2.1 - Norma ISO 50001 A norma ISO 500001 é analisada com o intuito de compreender quais os principais objetivos de um sistema de gestão de energia, e de forma a retirar alguns conceitos importantes que possam ajudar a identificar possíveis melhorias no módulo de gestão de energia da aplicação BuildONE. Esta norma procura standard izar um processo que permita uma melhoria no consumo e eficiência energética, uma redução na emissão de gases que provocam o efeito estufa e no custo da energia através da sensibilização, esforço e dedicação de toda a empresa a longo prazo. Os principais objetivos da norma ISO 50001 [1] são:  Desenvolver um plano de consumo de energia mais eficiente;  Estabelecer objetivos e alvos temporais para alcançar esse objetivo; 12 Estado da Arte 12  Recorrer a dados para compreender como melhorar o consumo energético  Medir os resultados;  Avaliar os resultados das ações;  Procurar uma melhoria continua no processo É portanto fundamental analisar o ciclo PDCA imposto pela norma de forma a compreender qual o processo de planeamento energético a implementar. 2.1.1 - Ciclo PDCA Em busca da melhoria contínua do processo, e para alcançar os principais objetivos da norma foi desenvolvido um procedimento baseado numa ciclo PDCA (Plan-Do-Check-Act) que permite uma melhoria contínua, enquanto introduz o planeamento de energia no quotidiano da empresa. Este modelo é aplicável a diferentes empresas com performances energéticas distintas e pode ser integrado com outros sistemas de gestão e pressupõe atividades de documentação, monitorização, e reporting. Figura 2.1 – Modelo de gestão de energia – Ciclo PDCA [1] A figura 2.1 exemplifica o ciclo PDCA aplicado a gestão de energia e identificam-se 4 fases distintas: Plan – Definir uma baseline energética para posterior comparação com o consumo energético real, cálculo da energia poupada, do sucesso do processo. Definir objetivos a cumprir, especificar indicadores de performance energética (KPIs), planear ações necessárias para atingir os objetivos e definir a política de energia a seguir; Do – Fase de realização das ações planeadas Norma ISO 50001 13 13 Check – Monitorizar e medir a eficiência das operações através de auditorias internas regulares e documentadas, avaliação de não conformidades permitindo assim eliminar as suas causas; Act – Agir para melhorar continuamente a performance energética. A documentação e o seu controlo é uma parte fundamental na implementação da norma ISO 50001, por ação deve ser elaborado um documento que explicite o seu objetivo, os targets e os respetivos resultados de forma a controlar o desenvolvimento do processo e implementar ações de melhoria contínua no mesmo. Para tal, é necessário que o acesso aos documentos seja disponibilizado aos principais intervenientes no plano de eficiência energética, para divulgar os resultados das ações tomadas e a consciencializar toda a empresa dos passos necessários para atingir objetivo traçado. [1] De forma a relacionar as fases do ciclo PDCA com as etapas acima descritas é apresentado o esquema da figura 2.2. Figura 2.2 - Etapas do ciclo PDCA Conforme esquematizado é possível visualizar as diferentes fases do ciclo para cada uma das etapas descritas na norma. Verifica-se que o envolvimento de todos é fundamental na implementação da norma ISO 50001 e portanto num sistema de gestão de energia. A existência de uma plataforma capaz de quebrar barreiras na organização da empresa, oferecendo a possibilidade de estabelecer facilmente comunicação entre os envolvidos é fundamental para incentivar e incluir todos no objetivo de melhoria da eficiência energética. •Monitoring measurement and analysis •Non Conformities correction, corrective and preventive action •Internal audit of EnMS •Management Review •Implementation and Operation •Energy policy, Energy planning Plan Do CheckAct 14 Estado da Arte 14 Na figura 2.3 é possível observar a relação entre as diferentes etapas gerais de planeamento energético que a norma deve suportar, e que deve ser apoiado pela aplicação de gestão de energia: Figura 2.3 - Esquema de Processo de planeamento energético [1] O esquema representado foca-se na performance energética de uma organização bem como nas principais ferramentas necessárias para a melhorar continuamente. É portanto fulcral identificar o consumo energético até à data (passado e presente) e as principais variáveis que afetam esse consumo. Após essa primeira etapa é possível avançar para a análise do consumo energético e identificar quais as principais áreas que efetuam esse consumo e quais as principais oportunidades existentes para reduzir e tornar esse consumo mais eficiente. Terminado esse processo devem existir como resultados do processo:  Energy Baseline;  Objetivos;  Alvos a atingir;  Planear ações para atingir os objetivos;  Indicadores de performance energética. A análise deste diagrama permite identificar assim qual a metodologia a seguir no planeamento de ações energéticas, pelo que se torna relevante na busca de melhorias a implementar na aplicação de gestão de energia da plataforma BuildONE [1]. Requisitos da Norma vs. Funcionalidades 15 15 2.2 - Requisitos da Norma vs. Funcionalidades Para compreender melhor a forma como os requisitos da norma podem ser satisfeitos com as funcionalidades da aplicação de energia é apresentado neste subcapítulo uma análise da relação entre os grupos de requisitos da norma ISO 50001 [1] e as funcionalidades gerais que uma aplicação de gestão de energia deve conter. É ainda apresentada uma relação entre os requisitos específicos de maior destaque da norma e as ferramentas que a aplicação deverá conter para satisfazer esses requisitos. 2.2.1 - Grupo de Requisitos da norma ISO 50001 Tabela 1 Grupo de Requisitos da norma ISO 50001 NUMERAÇÃO NOME 4.4.3 Energy review 4.4.4 Energy baseline 4.4.5 Energy performance indicators 4.4.6 Energy objectives, energy targets and energy management action plans 4.5.3 Communication 4.5.4 Documentation 4.5.5 Operational control 4.5.6 Design 4.5.7 Procurement of energy services, products, equipment and energy 4.6.1 Monitoring, measurement and analysis 4.6.4 Nonconformities, correction, corrective action and preventive action 4.6.3 Internal audit of the EnMS 4.6.2 Evaluation of compliance with legal requirements and other requirements 2.2.2 - Grupos de requisitos vs. Funcionalidades Tabela 2 Requisitos vs. Funcionalidades REQUISITOS NORMA 50001 FUNCIONALIDADES DE SISTEMA GESTÃO DE ENERGIA ENERGY REVIEW Identificar perfis de consumo graficamente, efetuar comparação entre perfis históricos e atuais. Identificar variáveis que condicionam esse consumo através de análise gráfica. Estimar consumo futuro com base nos perfis históricos e variáveis condicionantes ENERGY BASELINE Com base nos perfis de consumo desenvolver um perfil de objetivo a atingir, implementar medições de índices de performance energética, guardar informação da evolução energética, atualizar o baseline energético de acordo com novos dados 22 Estado da Arte 22 2.4.2 - Análise de aplicações Business Intelligence Para melhor compreender as vantagens das ferramentas business intelligence, e o impacto que podem ter no desenvolvimento da aplicação de gestão de energia, serão analisadas algumas das soluções mais interessantes do mercado atual. Como critério de escolha, foi consultado o Gartner Magic Quadrant for Business Intelligence 2013, que divide em quatro quadrantes as principais soluções, tal como é possível ver na figura 2.6, e foi dado destaque a algumas ferramentas que se inserem no quadrante Leader, por serem mais abrangentes, e que permitem conhecer as funcionalidades de um modo geral, não descurando algumas ferramentas emergentes no mercado que tentam ganhar alguma quota através de funcionalidades inovadoras. Figura 2.6 - Gartner Magic Quadrant for Business Intelligence 2013 As ferramentas de maior destaque foram:  Microsoft Powerview  SAS  Pentaho  IBM Cognos  Bi4all 2.4.2.1 - Pentaho A plataforma Pentaho oferece todas as funcionalidades básicas de uma ferramenta de business intelligence, destaca-se por oferecer uma edição open source, Community Edition e outra edição: a Enterprise Edition baseada num modelo de subscrição. Esta aplicação permite trabalhar em paralelo com outras desenvolvidas em Java garantindo uma maior customização, de acordo com as necessidades do utilizador. Apresenta funcionalidades complementares que permitem agendar e customizar relatórios, personalizar dashboards recorrendo a ferramentas gráficas, sem a necessidade de conhecimentos de programação, ferramenta de drag-and-drop para uma maior simplicidade na interação com o utilizador, pesquisa ad-hoc, e uma enorme Business Intelligence 23 23 compatibilidade com dispositivos moveis (Tablets). Permite projetar um OLAP Cube graficamente, pode estar conectado a uma cloud aumentando significativamente a eficiência na análise de dados bem como a rapidez na distribuição para os utilizadores necessários. Exporta relatórios em vários formatos, entre os quais PDF, Excel e CSV para posterior tratamento. [6], [7] Figura 2.7 - Dashboard da plataforma Pentaho Em conclusão esta solução apresenta uma componente muito forte de customização, e permite-o de uma forma user-friendly, sem que exista a necessidade de que o utilizador necessite de grandes conhecimentos de programação para tirar o máximo proveito desta, tem ainda uma boa compatibilidade com dispositivos moveis. 2.4.2.2 - IBM Cognos A solução IBM Cognos apresenta uma abordagem às funcionalidades Business Intelligence mais simplificada, permitindo executar as funções de reporting, query e análise de dados numa só interface, chamada Business Insight Advanced (figura 2.8). 24 Estado da Arte 24 Figura 2.8 - Esquema da aplicação IBM Cognos É possível importar dados de outros ficheiros e adiciona-los aos já existentes na ferramenta on-the-fly de forma a efetuar um tratamento de dados completo. Com a possibilidade de criar e implementar fórmulas de cálculo desenvolvidas pelo utilizador permite uma maior liberdade na exploração dos dados. Á semelhança da solução Pentaho permitem armazenar os dados numa cloud, garantindo assim uma maior rapidez no processo, bem como uma maior facilidade de acesso aos utilizadores e o trabalho em equipa. Permite visualizar dados do histórico e dados atuais no mesmo gráfico de forma a facilitar a função de benchmarking. Uma funcionalidade desta solução, Cognos Dynamic Query Analyzer permite demonstrar como foi criada a query em causa, e quais os dados que se encontram relacionados, de forma a facilitar a compreensão e o trabalho em equipa. A necessidade de recorrer a gráficos complexos para representar relações entre dados dificulta a compreensão destes. Para simplificar a este processo esta plataforma oferece a possibilidade de converter com apenas um clique os gráficos em tabelas explicitando assim a relação entre dados de uma forma mais óbvia. A possibilidade de comentar gráficos nesta solução permite que seja desenvolvido um trabalho cooperativo, ideal em ambiente de equipa. Em última análise destaca-se a possibilidade de criar eventos visíveis para todos os utilizadores (ou apenas para alguns) e a facilidade de navegar por gráficos e tabelas, através de um sistema de setas. Este sistema apresenta portanto funcionalidades ideias para desenvolver trabalho em equipa, e aplica-se portanto á finalidade desta dissertação. [8], [9], [10] 2.4.2.3 - Microsoft PowerView Outra solução analisada foi o Microsoft PowerView. Esta plataforma tem a grande vantagem de estar diretamente relacionada com o Microsoft Office. Uma funcionalidade interessante: o Power Pivot, que para alem das funcionalidades core de uma ferramenta de business intelligence permite facilmente partilhar relatórios e realizar trabalho colaborativo com recurso a ferramentas como o Microsoft Excel ou o Sharepoint, facilitando assim a gestão de conteúdos e documentos em ambiente Web, criando uma rede interna na empresa. Permite assim fazer chegar a informação a todos os utilizadores, com um sistema de privilégios. Mas a grande vantagem reside mesmo na enorme compatibilidade que estabelece com ferramentas Office, como o Excel ou o PowerPoint, e permite ainda uma ligação Business Intelligence 25 25 direta com as principais redes sociais, possibilitando a publicação no Twitter ou o Facebook. [11], [12] 2.4.2.4 - bi4all A solução bi4all baseia-se na tecnologia IBM Cognos, acima referida, e permite assim realizar análises de dados top-bottom e bottom-top, rolling forecast: uma funcionalidade que possibilita a simulação de cenários para apoio a decisões. Uma mais-valia desta solução é integrar informação financeira no processo de decisão, bem como ferramentas que permitam manipular dados e simular assim quais as alterações financeiras que se verificam. Apresenta todas as funcionalidades acima referidas, tais como a criação de eventos, funcionalidades de monitorização e análise, sistema de alertas e notificações. [13] 2.4.2.5 - SAS A solução SAS diferencia-se pela variedade e qualidade de ferramentas gráficas que apresenta tais como heat maps que permitem compreender as causas de um problema de forma rápida e eficiente, a possibilidade de relacionar geograficamente variáveis de acordo com o país, região ou cidade através de choropleth maps, tree maps e variadas análises estatísticas, permitindo ao utilizador escolher os seus variados templates, ou personalizar ao seu gosto os gráficos que deseja apresentar, para tal tem uma boa ferramenta de renderização em 3-D, ideal para gráficos em perspetiva. Possui também um poderoso sistema de análise de dados que permite estabelecer automaticamente relações entre dados, e explorar assim de uma maneira fácil e rápida as causas necessárias para decisões de gestão. O sistema de alertas permite enviar notificações diretamente para um contacto caso seja ativada essa opção. [14] Figura 2.9 - Dashboard da plataforma SAS em versão mobile É importante afirmar que todas as soluções analisadas apostam numa tecnologia in-memory database, uma forma de armazenar os dados que permite uma análise mais rápida e eficiente, pois não trabalha com discos rígidos, mas sim acedendo à memória RAM, funcionando com 26 Estado da Arte 26 algoritmos mais simples que permitem uma execução mais rápida do CPU, e portanto uma pesquisa de dados mais eficiente. [15] Todas as soluções suportam também o funcionamento em cloud ideal para uma maior acessibilidade e uma mais fácil pesquisa e análise de dados. As funcionalidades de previsão e simulação garantem uma maior qualidade a um sistema de gestão de energia permitindo atuar sobre os problemas antes destes acontecerem e conferindo assim uma melhoria continua no processo de gestão de energia. É fundamental ainda a possibilidade de exportar dados para outras ferramentas bem como a importar para incluir nos já existentes, garantindo uma maior eficiência no tratamento destes. A aplicação deve ser compatível com dispositivos moveis como os tablets e suportar um sistema de alertas bem como dashboards apelativos, customizados e interativos que demonstrem de forma eficaz os indicadores de performance energética. O método de criar eventos em ferramentas de business intelligence, bem como a função de comentários acessíveis a todos os utilizadores representa um ponto de interesse na implementação da norma ISO 50001 por parte do sistema de gestão de energia, que necessita que todos os utilizadores se encontrem sensibilizados para os objetivos a cumprir. Devido ao grande volume de dados que é necessário analisar em ferramentas de gestão de energia a metodologia de OLAP, acima referida, constitui um acréscimo interessante a uma aplicação desta natureza. O mesmo é valido para os conceitos de data mining e metadata já referidos. 2.5 - Aplicações de Gestão de Energia Neste capítulo serão abordadas as soluções mais relevantes que o mercado apresenta no âmbito de um sistema de gestão de energia. Tal como referido anteriormente as organizações têm vindo a procurar nos últimos anos diminuir o seu consumo de energia. As empresas de desenvolvimento de software de gestão, atentas a este facto, procuraram disponibilizar soluções que permitissem atingir esse objetivo fazendo com que as ofertas no mercado se multiplicassem e aumentando assim a competitividade. Tendo em conta a imensa oferta no mercado, apenas foram abordadas neste documento as aplicações que se diferenciaram, quer pela inclusão de ferramentas de business intelligence, quer pela vasta oferta de funcionalidades. Estas aplicações à semelhança das aplicações de business intelligence, referidas no capítulo 3 deste documento, apresentam funções de monitorização de dados, reporting, recorrem a dashboards para apresentarem a informação e gráficos explicativos dos dados. Procuram ainda realizar uma auditoria energética como forma a reduzir o consumo energético tornando-o mais eficiente. A análise das aplicações identificação das suas funcionalidades revela-se assim imperativo na escolha das funcionalidades a incluir no módulo de gestão de energia da plataforma BuildONE. 2.5.1 - Arquitetura Para melhor compreender melhor o funcionamento de uma aplicação de gestão de energia foi estudada a sua arquitetura. Aplicações de Gestão de Energia 27 27 Figura 2.10 - Arquitetura geral de uma aplicação de gestão de energia [27] A figura 2.10 estabelece uma relação entre as diversas camadas que compoem a arquitetura de uma aplicação de gestão de energia. O Dashboard existe como interface para o utilizador, existe uma ferramenta de tratamento e analise de dados entitulada “Analytics”. A recolha de dados é feita por equipamentos fisicos nos locais fisicos. É explicita tambem a relação entre a aplicação de gestão de energia e a gestão de tarefas. Figura 2.11 - Esquema de distribuição de informação numa aplicação de gestão de energia [22] A figura 2.11 demonstra a utilidade da aplicação de gestão de energia e a distribuição dos diferentes tipos de informação para diversas áreas da empresa. É ainda evidente a possibilidade de centralizar a informação apenas numa só plataforma, facilitando o controlo de vários 28 Estado da Arte 28 edifícios. A informação é assim distribuída de acordo com as necessidades de cada órgão da empresa evitando assim o excesso de informação. 2.5.2 - Análise de Aplicações Após a avaliação da arquitetura de uma aplicação de gestão de energia, é necessário analisar as soluções no mercado que mais se destacam. Inicialmente é apresentada uma breve referência às principais funcionalidades que as aplicações devem ter do ponto de vista das empresas que pretendem adquirir o produto. Posteriormente é desenvolvida uma análise de cobertura das aplicações comerciais de gestão de energia de maior relevância no mercado. 2.5.2.1 - Requisitos Funcionais Inicialmente é importante descrever os principais motivos que levam as empresas a adquirir sistemas de informação que apoiem na gestão de energia. Recorrendo a um estudo elaborado pela Verdantix, uma empresa especializada na análise de soluções de gestão de energia [26] conclui-se quais as funcionalidades de maior interesse para as empresas que adquirem ou pretendem adquirir aplicações de gestão de energia. É de destacar, tal como apresentado no gráfico da figura 2.12 que a maioria das empresas considera a possibilidade de identificar as possibilidades de redução de custo na despesa energética, a análise de dados e o aumento de eficiência dos equipamentos, como os principais motivos para adquirir uma aplicação de gestão de energia. Figura 2.12 - Principais motivos apresentados para adquirir aplicações de gestão de energia [26] De seguida são analisados as necessidades que as empresas procuram satisfazer na aquisição de uma aplicação de gestão de energia e respetivo grau de importância, destacando-se novamente a área financeira da gestão de energia, a análise de dados e monitorização de consumos, conforme é possível identificar no gráfico da figura 2.13. Aplicações de Gestão de Energia 29 29 Figura 2.13 - Requisitos funcionais das aplicações de gestão de energia [26] O estudo da Verdantix [26] elabora também o Green Quadrant, quadrante que relaciona as principais soluções no mercado de acordo com as suas funcionalidades, agrupando-as de acordo com os 4 fatores: challengers, leaders, enterpreneurs e specialists conforme a figura 2.13. Figura 2.14 - Green Quadrant® Energy Management Software [26] 30 Estado da Arte 30 Com base no estudo da Verdantix foram selecionadas as principais aplicações a analisar nos subcapítulos seguintes. 2.5.2.2 - EnergyCap A solução apresentada pela EnergyCAP disponibiliza funcionalidades muito semelhantes às abordadas pela ferramenta business intelligence, referidas no capítulo 3 deste documento, no entanto especializadas na área de gestão de energia. Diferencia-se das restantes pela possibilidade de exportar os dados de faturação energética num formato personalizado para posterior tratamento, permite agendar auditorias internas automaticamente, e criar relatórios automaticamente. Apresenta uma funcionalidade, utiliVisor, que fornece dados do consumo diretamente dos aparelhos de medição, e efetua a sua análise automaticamente, com intervalos de 5 minutos. Tem um sistema de logins que efetua gestão de permissões no uso da aplicação, bem como a personalização de interfaces de acordo com as necessidades da empresa. O benchmarking entre o baseline energético previsto e o real. A funcionalidade Cost Avoidance que aconselha quais as mudanças a implementar com base em dados de outras empresas com características semelhantes de forma a poupar no consumo energético. Apresenta ainda uma funcionalidade de cálculo da fatura energética, para posterior comparação com a fatura real e a possibilidade de calcular a emissão de gases que provocam efeito estufa. Por fim apresenta um módulo de forecast ideal para ações de planeamento. [16], [17] 2.5.2.3 - Panoptix Uma solução também analisada foi a Panoptix da Johnson Controls. Esta plataforma à semelhança das anteriores monitoriza os consumos de energia, a emissão de gases que provocam efeitos estufa, os custos energéticos e quanto se poupa com uma politica de gestão de energia. Tem a particularidade de poder ser facilmente integrado com outros módulos de gestão técnica de edifícios e permite desenvolver aplicações personalizadas pelo utilizador de forma a analisar os dados da melhor forma. Apresenta uma interface user-friendly com recurso a gráficos que permitem analisar o consumo energético de várias perspetivas e ainda um conjunto de ferramentas que possibilitam a análise dos dados as suas relações e quais os padrões existentes, apurando assim de uma forma mais exata quais as causas dos consumos de energia. [18] Figura 2.15 – Interface da plataforma Panoptix Aplicações de Gestão de Energia 31 31 2.5.2.4 - Hara A aplicação Hara permite aos utilizadores visualizar o consumo da energia global pormenorizado em: eletricidade, gás natural e combustíveis dos veículos. A análise do consumo energético é feita com recurso a ferramentas de benchmark, sendo possível destacar as anomalias encontradas (pinpoint) como forma de identificar o que deve ser corrigido para alcançar os objetivos de um consumo energético menor e numa maior eficiência. A plataforma permite que a informação seja partilhada em rede, pois encontra-se alojada em cloud, facilitando o trabalho cooperativo. É possível visualizar os retornos do investimento, ou seja o impacto das medidas energéticas tomadas. Com a funcionalidade utilitySync é adquirida toda a informação relativa a taxas energéticas cobradas e é feita uma conversão automática para custo energético de acordo com a informação do consumo energético. Esta funcionalidade é complementar com a de verificação da fatura energética da empresa. Apresenta ainda funcionalidades de previsão, modelação e orçamentação energética, de forma a poder calcular qual o pior e o melhor cenário de acordo com os perfis de consumo atuais. [19] Figura 2.16 - Dashboard da plataforma Hara 2.5.2.5 - First Fuel A aplicação First Fuel é uma aplicação inovadora que permite auditorias energéticas de edifícios comerciais através da internet. Através da morada da empresa, da fatura energética anual e de imagens acedidas via satélite da localização da empresa, determina a arquitetura do edifício através de um motor gráfico 3D e calcula a energia que é possível poupar. Combinando essa informação com dados como a temperatura e luminosidade específicos da localização, o software disponibiliza recomendações para poupança energética. Para esta finalidade, a aplicação cria um baseline energético específica do edifício que é monitorizado em tempo real de acordo com as variáveis da localização do edifício. [20] 38 Estado da Arte 38 Análise de Sistemas de Gestão Energia No presente capítulo é apresentada uma análise dos sistemas de gestão de energia no âmbito dos sistemas de informação. É pretendido com esta análise compreender quais as principais alterações de que um sistema de gestão de energia necessita cumprir todos os requisitos impostos pela norma ISO 50001. Esta análise é desenvolvida após um cuidado estudo das principais aplicações de gestão de energia do mercado e das suas ferramentas e funcionalidades. Inicialmente é apresentada uma descrição breve dos sistemas de gestão de energia. Após essa descrição é elaborada uma descrição detalhada do sistema de gestão de energia de terceira geração. 3.1 - Sistemas de Gestão de Energia Embora denominadas da mesma forma as aplicações de gestão de energia sofreram diversas alterações ao longo do tempo. A primeira geração de aplicações de gestão de energia eram mais focadas na medição de consumos, e portanto mais focadas nos Watts e na recolha de informação ao nível energético. Na segunda geração de aplicações o foco voltou-se para a redução de custos, e portanto para o controlo de gestão. Utilizando as funcionalidades das aplicações de primeira geração e a possibilidade de recolher informação foi possível analisar essa informação do ponto de vista financeiro, ou seja em euros e assim identificar potenciais melhorias. As aplicações de “segunda geração” são neste momento consideradas estado de arte, sendo estes os principais objetivos das aplicações existentes no mercado. Este capítulo procura definir uma terceira geração de aplicações, com uma visão inovadora e onde se procuram satisfazer os principais requisitos da Norma de gestão de energia ISO 50001 e as necessidades das organizações do ponto de vista do controlo do consumo energético. Esta terceira geração foca-se portanto mais na envolvência de toda a organização em torno do objetivo principal: um consumo mais eficiente de energia. 40 Análise de Sistemas de Gestão de Energia 40 É possível definir três tipos de utilizadores para as diversas gerações, sendo que a primeira geração, mais focada na recolha de informação e numa visão mais voltada para consumos, é ideal para consultores de energia, e para a equipa de gestão de energia. As aplicações de segunda geração juntam também funcionalidades destinadas aos administradores das organizações, sendo que as aplicações de terceira geração procuram ter o seu principal foco nas pessoas, na eliminação de barreiras dentro das organizações e no envolvimento de todos. As aplicações de primeira e segunda geração podem assim agrupar-se a um nível mais técnico, de tratamento e análise de informação (dados). Tal como apresentado anteriormente as principais funcionalidades das aplicações de primeira e segunda geração prendem-se pelo seguinte conjunto:  Utility Bill Management;  Energy Procurement and risk management;  Energy Monitoring and Targeting;  Energy Asset Management;  Project and Portfolio Management;  Carbon Reporting and Analysis;  Energy Reporting and Analysis;  Market Data Capture. A terceira geração destaca-se pela inclusão de funcionalidades que permitam uma maior colaboração e comunicação entre a organização e seus membros. Os módulos necessários para o desenvolvimento de uma aplicação de gestão de energia de terceira geração serão especificados num futuro capítulo deste projeto. 3.2 - Sistemas de Gestão de Energia de Terceira Geração Os sistemas de gestão de energia de terceira geração, tem como prioridade disponibilizar ferramentas que permitam facilitar o contacto dentro das organizações simplificando a gestão de projetos e ações de melhoria no âmbito da energia, bem como sensibilizar, comunicar e permitir uma maior colaboração entre as pessoas, sempre com o objetivo de melhorar a eficiência energética. Com estes princípios delineados é então possível definir um objetivo principal que vai de encontro ao que as empresas procuram em aplicações de terceira geração: Mobilizar o esforço de todos, na organização, para a melhoria do desempenho energético. Após estabelecer um objetivo principal para esta geração de aplicações é necessário delinear os principais requisitos que devem ser cumpridos, ou seja as linhas de atuação:  Consciencializar: não só a equipa de energia e a administração, mas também todos os funcionários, nos objetivos delineados pela organização, informando dos resultados das ações de melhoria, e da necessidade de se realizarem ações de intervenção. É necessário portanto definir o que informar e como informar.  Mudança de atitudes e práticas quotidianas: para além de informar é necessário controlar e verificar qual o sucesso das alterações de comportamento, acompanhar Requisitos da Norma ISO 50001 vs. Gerações de Sistemas de Gestão de Energia 41 41 a mudança e incentivar as pessoas. Esta fase é portanto de monitorização das ações de melhoria e de avaliação do sucesso.  Gerir ações de melhoria e conhecimento: controlar as tarefas a desenvolver para alcançar os objetivos traçados. Documentar e partilhar documentação necessária para o desenvolvimento das tarefas na plataforma. Estas fases são muito semelhantes ao ciclo PDCA imposto pela norma ISO 50001 referido anteriormente neste documento que pretende em primeiro lugar identificar o que está errado, definir prioridades e metas no tratamento das não conformidades, gerir a execução das ações e por fim avaliar os resultados Nesta perspetiva é necessário ter em consideração quais os canais de comunicação a utilizar para permitir o acesso organizado á informação de forma rápida e prática, bem como, quais as principais ações que esta aplicação deve permitir que os técnicos e todos os envolvidos na organização desenvolvam de forma a quebrar as barreiras de comunicação. Figura 3.1 – Ações a desenvolver num SGE de Terceira geração 3.2.1 - Metodologia dos Sistema de Gestão de Energia Terceira Geração De forma a atingir os objetivos traçados, e possibilitar o contacto entre as pessoas na organização é necessário que seja definida uma metodologia para abordar o problema. Figura 3.2 - Metodologia dos sistemas de gestão de energia de terceira geração Técnico Informar Consciencializar Permitir participar Responsabilizar Informação •Que informação divulgar? Canais de distribuição •Quais os canais de distribuição a utilizar? Participação •Como envolver a organização na troca de ideias (submeter e criar novas ideias)? 42 Análise de Sistemas de Gestão de Energia 42 A figura 3.2 apresenta a metodologia necessária para conceptualizar uma aplicação de gestão de energia de terceira geração. É possível verificar o enfase dado à partilha de informação bem como à envolvência de todos os membros da organização no processo de gestão de energia. Com base nesta metodologia é possível pensar em instrumentos que satisfaçam o objetivo principal das aplicações de terceira geração de gestão de energia. 3.2.2 - Processo de Gestão de Energia de Terceira Geração Com o objetivo de compreender melhor o mapa de processos de um sistema de gestão de energia na figura 3.3 é apresentado um esquema que exemplifica quais as principais fases do processo de gestão de energia de acordo com uma aplicação de terceira geração. Figura 3.3 - Mapa de processo de gestão de energia de terceira geração Neste processo é evidente a existência de quatro fases core, que complementam a análise de sistema de gestão de energia anteriormente feita. Estas quatro fases são:  Definir Objetivos;  Medir Consumos;  Analisar Consumos;  Executar Ações. O processo principal é acompanhado de processos suporte que apoiam a realização das fases do processo principal. Estes processos de suporte estão apresentados na figura 3.4. Figura 3.4 - Mapa de processos suporte do mapa de processos de gestão de energia de terceira geração Definir Objetivos Medir Consumos Analisar Consumos Executar Ações Gestão de Documentos Gestão de Projetos Comunicação Controlo de Gestão Gestão de Conhecimento Gestão de Ações Requisitos da Norma ISO 50001 vs. Gerações de Sistemas de Gestão de Energia 43 43 Estes processos visam satisfazer os requisitos da norma ISO 50001 e as necessidades dos utilizadores das aplicações de gestão de energia. Cada processo do mapa de processos representado pretende satisfazer um conjunto de requisitos apresentados na norma ISO 50001 como especificado na figura 3.5: Figura 3.5 - Requisitos da norma ISO 50001 vs. Processos de gestão de energia de terceira geração Tal como é possível compreender pela análise da figura 3.5 muitos dos requisitos são satisfeitos em mais do que um processo do mapa de gestão de energia pelo que por vezes os requisitos são cumpridos não apenas num processo mas sim no final de cada ciclo. Requisitos de comunicação e gestão documental são satisfeitos pelos processos de suporte a este processo, que permitem fornecem as ferramentas necessárias para o desenvolvimento do processo core. O Mapa de processos de gestão de energia é baseado na melhoria continua, portanto habitualmente cada ciclo termina com uma avaliação interna obrigatória e nova definição de objetivos. 3.4 - Requisitos da norma ISO 50001 vs. Gerações dos Sistemas de Gestão de Energia Após uma breve introdução dos conceitos a desenvolver numa aplicação de gestão de energia de terceira geração é crucial estabelecer uma relação entre os requisitos da norma ISO 50001 e as gerações dos sistemas de gestão de energia identificadas anteriormente neste capítulo. Apesar de alguns requisitos poderem ser cumpridos por aplicações que não sejam desenvolvidas de acordo com os conceitos dos sistemas de gestão de energia de terceira geração, apenas com as ferramentas dos sistemas de gestão de terceira geração é possível cumprir os requisitos na totalidade. Como tal é apresentada a tabela Y que demonstra a relação entre os requisitos e as diferentes gerações do SGE: Definir Objetivos •Energy review •Energy baseline •Energy performance indicators •Procurement of energy services, products, equipment and energy •Energy objectives, energy targets and energy management action plans Medir Consumos •Monitoring, measurement and analysis Analisar Consumos •Nonconformities, correction, corrective action and preventive action •Monitoring, measurement and analysis •Procurement of energy services, products, equipment and energy Executar Ações •Internal audit of the EnMS •Nonconformities, correction, corrective action and preventive action •Operational control 44 Análise de Sistemas de Gestão de Energia 44 Tabela 4 Requisitos vs. Gerações dos sistemas de gestão de energia REQUISITOS GERAÇÃO 4.1 A Definir, estabelecer, implementar e rever política de energia 3 4.2.2 Formar equipa de gestão de energia 3 4.2.1 C) Gerir recursos humanos e financeiros 3 4.3 G) Comunicar política de energia 3 4.6.1 Verificar medição de resultados 2 4.6.3 Conduzir auditorias internas 3 4.2.2 Desenvolver relatórios de desempenho 2 Distribuir relatórios 2 4.2.2 H) Comunicar resultados 3 4.2.2 F) Definir responsabilidades 3 4.5.2 Sensibilizar todos os membros da organização 3 4.6.2 Implementar e consultar requisitos legais 3 4.4.3 A) Analisar consumo com base em medições 2 4.4.3 B) Avaliar e especificar o consumo da energia atual e do passado 2 4.4.3 B) Identificar variáveis que afetam consumo 2 4.4.3 B) Estimar uso de energia futuro 2 4.4.3 B) Identificar instalações e equipamentos que afetam consumo 2 4.4.3 C) Identificar e registar melhorias a implementar 3 4.4.5 Calcular e definir KPIs 2 4.4.4 Considerar desempenho energético a longo prazo 1 4.4.6 Metodologia de criar KPIs deve ser documentada 2 4.4.6 Definir e comunicar metas 3 4.4.6.1 Definir método pelo qual objetivo será verificado 3 4.6.4 B) Determinar causas de não conformidades 2 4.6.4 F) Avaliar ações de correção 3 4.6.4 E) Registos de ações corretivas 3 4.6.1 Eficácia de equipamentos de medição 1 4.5.7 Definir e documentar critérios de avaliação de tarifários 2 4.5.7 Comparar tarifários 2 4.5.5 B) Controlar projetos de melhoria 3 4.5.5 C) Comunicar responsabilidades 3 4.6.5 Controlo de Registos 2 4.5.4.2 Controlar versões de documentos 2 Requisitos da Norma ISO 50001 vs. Gerações de Sistemas de Gestão de Energia 45 45 4.5.4.1 B) Documentar Politica energética 1 4.5.4.1 C) Documentar ações de melhoria 3 4.5.2 Garantir formação técnica 3 4.5.3 Funcionários devem poder fazer comentários/sugestões 3 4.5.5 A) Identificar atividades de manutenção 3 4.5.5 B) Planear atividades de manutenção 3 4.5.5 C) Comunicar atividades 3 4.6.3 Planear auditorias periódicas 3 4.5.3 Comunicar externamente 3 4.5.4.2 A) Aprovar documentos antes de arquivar 3 4.6.1 E) Análise consumo real vs. Esperado 2 4.5.6 Estudar performance novos equipamentos 2 3.4 - Ferramentas Informáticas para Sistemas de Gestão de Energia de Terceira Geração No passo seguinte são sugeridas algumas das ferramentas que permitem satisfazer os requisitos e cumprir os objetivos das aplicações de terceira geração de sistemas de gestão de energia. De forma a explicitar melhor a utilidade de cada uma das ferramentas informáticas é elaborada a tabela 5, que permite estabelecer uma relação entre as linhas de atuação e estas. Tabela 5 Ferramentas Informáticas para Melhoria de Eficiência Energética FERRAMENTAS INFORMÁTICAS PARA MELHORIA DE EFICIÊNCIA ENERGÉTICA Consciencializar Mudar de Atitude Gerir ações e conhecimento Newsletter X Gestão de Auditorias X Gestão de Projetos X Feed de Noticias X Fóruns X X Gestão de Ideias X Base de Conhecimento X Definir objetivos X X Avaliar KPI's X X 46 Análise de Sistemas de Gestão de Energia 46 Reporting (Calcular KPIs) X X Campanhas/Desafios X X Com base na concetualização desenvolvida neste capítulo dos sistemas de energia é possível especificar os módulos constituintes do módulo de gestão de energia da plataforma BuildONE. Esta especificação terá como principal objetivo propor as melhorias a implementar na plataforma BuildONE tendo como base os conceitos apresentados na caracterização de um sistema de gestão de energia de terceira geração. Análise do BuildONE Neste capítulo serão abordadas os principais módulos a desenvolver no BuildONE de forma a satisfazer todos os requisitos impostos pela norma ISO 50001 e por um sistema de gestão de energia de terceira geração. É apresentada uma análise de requisitos do sistema, e uma descrição de cada um dos módulos da aplicação. De seguida serão especificados os casos de uso de uma funcionalidade e respetivas interfaces. Serão também abordados as tecnologias, ferramentas e linguagens de desenvolvimento da funcionalidade da aplicação de gestão de energia da plataforma BuildONE. Por fim será analisada a base de dados para a funcionalidade a desenvolver e os resultados finais do desenvolvimento da funcionalidade. 4.1 - Análise dos Módulos Após uma análise dos sistemas de gestão de energia, previamente efetuada no capítulo três, é possível elaborar um mapa com os principais módulos constituintes da plataforma BuildONE no âmbito da gestão de energia, que englobe as funcionalidades necessárias para uma aplicação de primeira e segunda geração, bem como as funcionalidades de uma aplicação de terceira geração de gestão de energia. Em primeiro lugar são analisados os módulos de primeira e segunda geração, destinados a medição de consumos e análise de dados relativos a esse consumo. 54 Análise do BuildONE 54 Figura 4.5 - Casos de uso de gestão de eficiência energética Destaca-se a funcionalidade de gestão de ideias que poderá mais tarde ser associada a uma aplicação de gestão de energia. Esta apresenta uma complementaridade com a funcionalidade de tratamento de não conformidades revelando especial interesse na recolha e tratamento de sugestões para descobrir a causa de uma não conformidade. 4.4 - Tratamento de Não Conformidades Antes de especificar as interfaces da funcionalidade a especificar é importante introduzir os principais conceitos do tratamento de não conformidades no âmbito da gestão de energia. O processo de tratamento de não conformidades relacionado com o consumo de energia e respetivos equipamentos desempenha um papel importante nas aplicações de gestão de energia de terceira geração. Permite englobar as principais funcionalidades através do desenvolvimento de cada uma das fases do seu processo, representado na figura 4.6. Figura 4.6 - Mapa de processos da funcionalidade tratamento de não conformidades Registar não conformidades Analisar Causas Controlar Ações de Intervenção Reportar Resultados Tratamento de Não Conformidades 55 55 O processo de tratamento de não conformidades pode ser iniciado pela ativação de alarmes referentes a consumos, ou auditorias internas que dão o início ao seu tratamento. É depois necessário reconhecer a não conformidade por parte dos responsáveis da organização. Posteriormente pode ser necessário desenvolver ações de intervenção que permitam corrigir o problema que originou a não conformidade. Figura 4.7 - Casos de uso de gestão de eficiência energética O processo de tratamento de não conformidades envolve ferramentas dos módulos: de análise e simulação de dados, gestão de ações, reporting, comunicação e colaboração, gestão de ideias, consulta da base de conhecimento com o intuito de estudar qual a melhor forma para o tratamento de não conformidades. A fase de “Registar Não Conformidade” deve permitir introduzir no sistema os principais campos que caracterizam a não conformidade. A fase de “Analisar Causas” deve permitir a troca de ideias entre os membros da organização. A fase de “Controlar Ações de Intervenção” deve permitir aos responsáveis acompanhar o estado das ações a realizar no sentido de corrigir o que originou a não conformidade. Por fim, a fase de “Reportar Resultados” deve permitir tirar conclusões de qual a origem da não conformidade, registar qual o procedimento adotado para a correção do problema e partilhar com toda a organização os resultados finais. 4.4.1 - Casos de Uso de Tratamento de Não Conformidades De forma a compreender melhor cada uma das atividades da funcionalidade de tratamento de casos de uso a implementar, foi descrito um caso de uso. Cada caso de uso contém:  Nome: Nome que identifica a atividade;  Pré-Condições: Atividades prévias a realizar;  Cenário Principal: Detalhes da atividade a realizar;  Atores: Utilizador que realiza a atividade. O primeiro caso de uso é o Registo de Não Conformidade apresentado na figura 4.8. 56 Análise do BuildONE 56 Figura 4.8 - Descrição de caso de uso detalhado para “Registar não conformidade” É apresentado o caso de uso para a Análise de Não Conformidade: Figura 4.9 - Descrição de caso de uso detalhado para “Analisar não conformidade” Na figura 4.10 é apresentado o caso de uso para a atividade de tratamento de não conformidades: Tratamento de Não Conformidades 57 57 Figura 4.10 - Descrição de caso de uso detalhado para “Tratamento de não conformidade” Por fim é apresentada na figura 4.11 a descrição de caso de uso para a atividade de “Relatar Resultados” da não conformidade: Figura 4.11 - Descrição de caso de uso detalhado para “Relatar Resultados” Após uma descrição dos casos de uso da funcionalidade de tratamento de não conformidades é necessário elaborar uma árvore de casos de uso, de forma a apresentar para cada um dos casos de uso os respetivos campos a preencher pelo utilizador. Este esquema permite refletir quais os campos necessários em cada uma das interfaces e representa um passo intermédio no desenvolvimento entre os casos de uso e as interfaces. A árvore de casos de uso encontra-se representada na figura 4.12. 58 Análise do BuildONE 58 Figura 4.12 - Árvore de casos de uso de tratamento de não conformidades 4.4.2 - Interfaces de Tratamento de Não Conformidades De forma a esquematizar a funcionalidade a implementar é necessário elaborar interfaces que permitem estabelecer um conceito a seguir na fase de implementação. A primeira interface da funcionalidade de tratamento de não conformidades consiste numa grelha onde são listadas todas as não conformidades do sistema de gestão de energia, podendo ser ordenadas pelos campos: Nome, Tipo, Data Limite e Prioridade. Esta particularidade permite facilitar a navegação na grelha. O ícone “+” permite adicionar novas não conformidades ao sistema e o ícone “search” (lupa) abre uma janela pop-up com informação detalhada de cada não conformidade registada. Figura 4.13 - Interface de grelha de “Não Conformidades” Tratamento de Não Conformidades 59 59 Após o clique no botão “+” é aberto um pop-up apresentado na figura 4.13, que contém quatro tabs com as principais atividades a realizar na funcionalidade de tratamento não conformidades. A primeira tab permite aceder ao registo com os campos necessários. Apresenta uma grelha com o registo de alarmes e de eventos permitindo selecionar alarmes ou eventos que possam estar associados à ocorrência da não conformidade e associa-los ao registo. É possível adicionar gráficos selecionando as variáveis e o intervalo de tempo. Figura 4.14 - Interface de grelha de “Registo de Não Conformidade” Clicando na tab de “Análise” é apresentada uma interface que permite efetuar a troca de sugestões por parte da equipa associada à resolução da não conformidade existindo a possibilidade de associar gráficos, ou anexar ficheiros ao processo de introdução da sugestão de forma a ajudar na discussão da não conformidade. É permitido em cada sugestão adicionar uma “conclusão da ideia” que facilita assim resumir as sugestões e ajudar na pesquisa de sugestões. 60 Análise do BuildONE 60 Figura 4.15 - Interface de “Análise de Não Conformidade” A interface seguinte apresenta as ações associadas à não conformidade apresentando os campos: Nome, Responsável e Estado. É ainda possível ver uma breve descrição da ação a desenvolver. Figura 4.16 - Interface de grelha de “Ações de Não Conformidade” É possível adicionar uma nova ação clicando no botão “+”. O ícone “search” permite consultar os detalhes de cada ação numa janela em pop-up como apresentado na figura 4.17. Tratamento de Não Conformidades 61 61 Figura 4.17 – Interface “Visualizar Ação” A interface de Relatório permite criar um relatório de resultados. Esta interface possibilita a adição de gráficos selecionando a variável e o intervalo de tempo. Existe a possibilidade de comparar dois gráficos antes e depois da resolução da conformidade com o objetivo de compreender qual o impacto das ações realizadas e anexar ficheiros e acrescentar observações e descrição. Figura 4.18 - Interface de “Relatório” de não conformidade 62 Análise do BuildONE 62 Terminada a descrição das interfaces e das suas principais funcionalidades é importante definir quais as principais ferramentas a utilizar na sua implementação. Estas ferramentas devem ser selecionadas tendo em conta o tipo de interface a desenvolver, a aplicação em causa e a sua eficiência na fase de implementação. Desenvolvimento do Sistema No presente capítulo são abordadas as principais ferramentas utilizadas no desenvolvimento do módulo de gestão de energia da plataforma BuildONE, nomeadamente as tecnologias e as ferramentas de programação utilizadas. Pretende-se ainda elaborar uma apresentação da base de dados utilizada pelo sistema. É ainda apresentada uma breve explicação da arquitetura da aplicação a desenvolver. 5.1 - Ferramentas de Desenvolvimento O sistema operativo e as ferramentas a utilizar são fulcrais no desenvolvimento de um sistema de informação. Dada esta importância são de seguida abordadas as ferramentas utilizadas. 5.1.1 - Hyper-V O Hyper-V [30] no Windows 2008 Server R2 permite criar um ambiente de servidor virtual aumentando assim a eficiência dos recursos. Esta plataforma é fundamental para a instalação de uma máquina virtual, que poderá operar com o sistema operativo Windows Server 2008. Permite assim que seja executada uma máquina virtual com o Windows Server, enquanto outro Windows está a ser executado. Tudo isto no mesmo computador físico. A ferramenta de gestão Hyper-V permite:  Reduzir os custos de operação e manutenção de servidores físicos aumentando a utilização do hardware;  Aumentar a eficiência do desenvolvimento e de testes, reduzindo o tempo necessário para configurar hardware e software e reproduzir ambientes de teste. 70 Para tal é necessário abordar:  O modelo de base de dados para tratamento de não conformidades  Os Stored Procedure para pesquisa de elementos na base de dados. O modelo apresentado na figura 5.6 representa os principais dados para o desenvolvimento da base de dados para o tratamento de uma não conformidade. Sendo que a cada não conformidade está associada uma ou mais ações, uma análise, um tipo, um registo, uma localização, um estado. Cada ação desenvolvida tem um responsável e um nível de prioridade de tratamento. Figura 5.6 - Modelo relacional de base de dados da funcionalidade não conformidade 5.3.1 - Modelo base de dados De seguida é apresentado o modelo relacional desenvolvido para o tratamento de não conformidades. Este modelo é baseado em dois conceitos: entidade e relação. Uma entidade é considerado o elemento designado por tabela. Na figura 5.7 encontra-se representada a base de dados para a funcionalidade de tratamento de não conformidades. Base de Dados 71 71 Figura 5.7 - Modelo base de dados de não conformidade representada no Visual Studio Após a apresentação do modelo de base de dados são explicadas as principais entidades que o compõem:  NaoConformidade: entidade que contém os campos essenciais para o registo de uma não conformidade no sistema. Encontra-se relacionada com a tabela Ação, Relatório e Análise.  Analise: é a entidade associada á entidade NaoConformidade que contem os dados da funcionalidade de análise.  Relatorio: entidade que contém os campos necessários para a funcionalidade de Resultados.  Acao: encontra-se associada à entidade NaoConformidade e contem os campos necessários para registo de uma ação. Cada ação tem uma NaoConformidade associada. A cada ação estão associadas as entidades Estado e Equipa. 72 Desenvolvimento do Sistema 72 5.3.2 - Stored Procedures Os Stored Procedures [35] são um conjunto de comandos que possibilita o armazenamento de querys (perguntas à base de dados) várias vezes. O procedimento é em tudo semelhante a uma função, depois de desenvolvido o stored procedure é apenas necessário “chamá-lo” quando necessário. Os stored procedures, tal como as funções recebem parâmetros de entrada e retornam saídas (os resultados das querys). A linguagem utilizada no desenvolvimento de um stored procedure é o SQL. Uma das grandes vantagens dos Stored Procedures é a possibilidade de ser utilizado independentemente da linguagem de programação, sendo portanto bastante flexível e aumentando a eficiência quando é necessário manipular dados na base de dados. As vantagens são acrescidas em aplicações de gestão de energia em que a manipulação de dados é uma forte componente. 5.4 - Arquitetura da Aplicação De forma a cumprir os principais requisitos definidos anteriormente neste documento é necessário definir qual a arquitetura da aplicação. A arquitetura que mais se adequa ao objetivo é a cliente-servidor por permitir que a apresentação de dados (interfaces) o processamento e a logica se encontrem separados da gestão de base de dados. É ainda mais fácil a manutenção do sistema e controlar de uma forma mais eficaz o acesso aos dados, tendo em conta que eles apenas se encontram armazenados nos servidores. Estes fatores representam uma vantagem nas aplicações web como o caso da plataforma de gestão BuildONE. O modelo cliente-servidor é habitualmente composto por três camadas (3-Tier) [36]:  Camada de apresentação;  Camada de lógica;  Camada responsável pela apresentação de dados ao utilizador. O modelo de três camadas é o mais adequado para a aplicação a desenvolver por esta ser em ambiente web. O modelo permite que a aplicação ao ser controlada pelo servidor possa ser acedida pelo utilizador sem este necessitar de a instalar no local que pretende aceder, mantendo a informação toda do lado do servidor. De forma a explicar a relação entre as três camadas acima referidas é apresentada a figura 5.8. Figura 5.8 - Modelo de 3-Tier Architecture Desenvolvimento de Interfaces 73 73 A camada de apresentação (Cliente Tier) consiste na interface apresentada ao utilizador que lhe permite realizar uma ação e é apresentada num browser. A camada logica (Business Logic Tier) correspondente ao ASP.NET recebe e interpreta a ordem enviada pelo utilizador e dá uma respostas acedendo para isso ao servidor enviando uma ordem de execução de ação. Esta ação será executada na base de dados (Database Tier). Após este procedimento é efetuado o procedimento no sentido inverso com o propósito de apresentar o resultado do pedido efetuado ao utilizador. 5.5 - Desenvolvimento de Interfaces Neste subcapítulo é apresentado o desenvolvimento das interfaces definidas previamente neste documento. Este desenvolvimento tem em conta os casos de uso anteriormente apresentados e as interfaces esboçadas. As interfaces desenvolvidas tem como premissa a simplicidade e a facilidade de utilização por parte do utilizador. As interfaces recorrem às ferramentas e linguagens de programação já abordadas neste documento. Existem, alterações entre o esboço das interfaces previamente apresentado e o resultado final da sua implementação. Estas alterações são fruto de uma necessária adaptação ao software BuildONE já desenvolvido. A aplicação é desenvolvida em ambiente web, pelo que pode ser acedida desde que o utilizador tenha acesso à internet. Nem todas as interfaces implementadas são apresentadas, por apresentarem uma grande semelhança com o esboço apresentado anteriormente e não existir nada a acrescentar quanto ao seu funcionamento. 5.5.1 - Grid Não Conformidades A interface “Grid de Não Conformidades” apresenta uma grelha em que é possível ao utilizador executar ações de consulta de todas as não conformidades registadas na base de dados, eliminar, visualizar mais detalhes de uma não conformidade e ordenar as não conformidades pelos campos que compõem a grelha. 74 Desenvolvimento do Sistema 74 Figura 5.9 – Interface “Grid Não Conformidades” Na figura 5.9 apenas são representadas duas não conformidades, facto que se justifica por esta funcionalidade se encontrar ainda numa fase de teste. A interface apresenta um botão “Inserir” que permite adicionar mais entradas ao sistema. O botão inserir abre uma janela popup que permite especificar informação detalhada da não conformidade a adicionar. 5.5.2 - Registo de Não Conformidade A interface de registo de não conformidade permite introduzir dados referentes a uma nova não conformidade a ser adicionada ao sistema. Tal como demonstrado na figura 5.10 é possível consultar o histórico de alarmes, através do clique no botão consultar e inserir gráficos indicando a data, os pontos de consumo, variável principal, variável exterior e a duração pretendida. É possível saber o valor exato de cada ponto do gráfico passando o cursor por cima do ponto desejado. Desenvolvimento de Interfaces 75 75 Figura 5.10 – Interface “Registar Não Conformidade” A consulta de alarmes é efetuada recorrendo a uma interface de consulta de alarmes representada na figura 5.11. Para a consulta do histórico de alarmes é necessário indicar o tipo de energia, qual o ponto de consumo, o período temporal adequado, o tipo de alarme e o estado do alarme. O estado do alarme pode ser “reconhecido”, “por reconhecer” ou “todos”. Na figura 5.11 é possível visualizar umas setas no sentido ascendente ou descendente que indicam se o alarme surgiu por ultrapassar o limite definido da variável em valor superior ou inferior, respetivamente. A cor verde ou vermelha varia conforme a percentagem de desvio entre o intervalo de valores aceitáveis da variável e o desvio que fez disparar o alarme. Figura 5.11 – Interface “Histórico de Alarmes” 76 Desenvolvimento do Sistema 76 5.5.3 - Análise A interface de “Análise” permite a troca de ideias entre membros da equipa de gestão de energia. Cada não conformidade é analisada separadamente das restantes. Existe uma instância de análise para cada não conformidade. Figura 5.12 – Interface “Análise” A interface apresentada na figura 5.12 é composta por uma grelha de sugestões, que toda a equipa associada ao tratamento da não conformidade tem acesso. Sendo um protótipo, necessita de melhorias gráficas consideráveis. Cada membro pode acrescentar o seu contributo com o objetivo de encontrar uma solução para a não conformidade. 5.5.4 - Robustez do Sistema Com o objetivo de tornar a aplicação capaz de responder a erros que possam ser introduzidos pelos utilizadores é elaborado um sistema que detete erros desse tipo. Na figura 5.12 é apresentado um exemplo desse sistema, que ao detetar a falta de preenchimento de um campo, numa ordem enviada ao servidor pelo utilizador informa o utilizador desse mesmo erro. Desenvolvimento de Interfaces 77 77 Figura 5.13 – Verificação de Robustez 78 Desenvolvimento do Sistema 78 Conclusões e Desenvolvimentos Futuros No presente capítulo são apresentadas as conclusões relativas ao trabalho desenvolvido neste projeto. É também desenvolvida uma análise do cumprimento dos objetivos definidos inicialmente. Neste capítulo são expostos futuros projetos que poderão ser desenvolvidos com base neste. 6.1 - Conclusão Concluído o projeto apresentado nesta dissertação é possível afirmar que os objetivos iniciais foram cumpridos com sucesso. O principal objetivo da dissertação consiste na concetualização e desenvolvimento de melhorias a implementar no módulo de gestão de energia da plataforma BuildONE de forma a satisfazer os principais requisitos da norma ISO 50001. Neste projeto foram definidos novos conceitos do sistema de gestão de energia que se focam na partilha de dados, troca de ideias e visam o envolvimento de todos os membros das organizações na identificação e correção de ineficiências no consumo energético. A funcionalidade desenvolvida de tratamento de não conformidades, pertencente ao módulo de gestão de eficiência, permite implementar conceitos de análise de dados, no registo de não conformidades e de partilha de ideias e envolvimento da organização na fase de análise cooperativa, controlo de ações e geração de relatórios para depois poderem ser enviados para os utilizadores da aplicação. Com o módulo de gestão de energia da plataforma BuildONE é possível que toda a informação relevante no âmbito da energia se encontre presente num só local, sendo apenas necessária a ligação à internet para aceder à aplicação. O BuildONE com o seu módulo de gestão de energia apresenta assim uma mais-valia para as organizações que pretendem reduzir o consumo energético, tornando-o mais eficiente, e facilita a certificação na norma ISO 50001 [1]. 86 [14] “Features,” SAS, [Online]. Available: http://www.sas.com/en_us/software/business-intelligence/visualanalytics.html#m=features. 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