Força da preensão da mão como método de rastreio de desnutrição em crianças e adolescentes internadas.
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Mestrado em Nutrição Clínica 2011/2013 Força da preensão da mão como método de rastreio de desnutrição em crianças e adolescentes internadas. Catarina Correia dos Santos Pereira da Silva
Força da preensão da mão como método de rastreio de desnutrição em crianças e adolescentes internadas Hand grip strength as undernutrition screening method in hospitalized children and adolescents Dissertação de Candidatura ao Grau de Mestre apresentada à Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto. Orientadora: Professora Doutora Diana Maria Veloso e Silva Co-orientador: Professora Doutora Teresa Freitas do Amaral Porto 2013
AGRADECIMENTOS À Professora Doutora Diana e Silva por todo o apoio na orientação da tese e pela transmissão de conhecimentos científicos. Foi um privilégio ter sido, mais uma vez, sua orientanda. Um sentido agradecimento à Professora Doutora Teresa Freitas do Amaral pelo tempo que generosamente me dedicou e pelas sábias indicações que me foi dando ao longo deste período.
ÍNDICE DE CONTEÚDOS Resumo……………………………………………………………………………………………….……………………….………….iii Abstract........................................................................................................................................iv Lista de abreviaturas……………………………………………………………………….…………………….……….………..v Lista de figuras……………………………………………………………………………….……………………….….…...………vi Introdução……………………………………………………………………………………….….………………….……………….1 Objetivos……………………………………………………………………………………………….……….………………….…….7 Participantes e Métodos………………………………………………………………….….…………………………………...8 Resultados…………………………………………………………………………………….………………….……………………12 Discussão……………………………………………………………………………………………………..………………….…...19 Conclusões…………………………………………………………………………………………………………………….………23 Referências Bibliográficas…………………………………………………………………………………………….………..24 ANEXOS…………………………………………………………………………………………………………………………….……28 Anexo 1: Protocolo……………………………………………………………………………………………………………………………29 Anexo 2: Informação ao paciente.........................................................................................................30 Anexo 3: Declaração de Helsínquia…………………………………………………………………………………………………..31
RESUMO Quando a desnutrição em idade pediátrica não é diagnosticada precocemente, pode resultar na deterioração da saúde, promovendo deste modo a necessidade da utilização de métodos de avaliação nutricional. A força da preensão da mão (FPM) é a ferramenta principal para avaliar a capacidade funcional, como componente da avaliação física do estado nutricional em adultos. Em crianças internadas, não foi ainda estudada a relação da FPM com o estado nutricional, pelo que a avaliação desta associação se reveste da maior importância. O presente estudo teve como objetivos estudar a relação entre a FPM e a desnutrição e a associação da FPM com o tempo de internamento hospitalar em crianças com seis e mais anos de idade. Foram medidos os valores de força da preensão da mão, através do dinamómetro Jamar®, numa amostra de conveniência de 89 crianças com idades compreendidas entre os 6 e os 18 anos, internadas no Serviço de Pediatria do Hospital S.João. Observou-se que o Z-score de IMC está associado à FPM. (β = 0,648; p=0,022), ou seja valores baixos de força de preensão da mão associaram-se a estados de desnutrição. A FPM está fortemente associada com a idade (ρ = 0,744), peso (ρ = 0,698) e altura (ρ = 0,751). Verificou-se também que há perda da FPM durante o tempo de internamento e que esta perda é superior nas crianças desnutridas em relação às obesas. Pode-se concluir que em crianças com idade igual ou superior a seis anos de idade existe uma diminuição da FPM nas que se encontram desnutridas no momento da admissão hospitalar, bem como uma diminuição da FPM durante o tempo de internamento hospitalar. Palavras-chave: força da preensão da mão, crianças, desnutrição e tempo de internamento. iii
ABSTRACT When malnutrition in paediatric age is not diagnosed at an early stage may result in health deterioration thus promoting the need to use nutritional assessment methods. Hand Grip Strength (HGS) is the principal tool to evaluate the functional ability as a component of the physical assessment of adults’ nutritional state. The link between HGS and the nutritional state, in children who were admitted, still remains unclear. For this reason it has become of vital importance to unravel the mentioned link. The present study aims to understand the relationship between HGS and malnutrition and also between HGS and hospital admission duration in children over 6 years of age. In order to tackle this question the values of Hand Grip Strength were measured by using a dynamometer Jamar® in a convenient sample of 89 children aging between 6-18 years of age admitted to the Paediatric Service of Hospital de São João, Porto. An association between HGS and the Z-score of the Body Mass Index (BMI) [ẞ= 0,648; p=0,022] was observed. The conclusion drawn was that low values of HGS were related with malnutrion states. The loss of HGS during admission was also observed and that this loss is higher in children diagnosed with malnutrition when comparing to obese ones. With this study it was possible to further conclude that in children over 6 years there is a reduction in HGS in individuals with malnutrition at the moment of admission in the hospital as well as a reduction in HGS over hospital admission time. Keywords: Hand Grip Strength, children, malnutrition and admission time. iv
LISTA DE ABREVIATURAS ASHT – Associação Americana de Terapeutas da Mão ASPEN – American Society for Clinical and Enteral Nutrition CM – Comprimento da mão dp – Desvio padrão ESPEN - European Society for Clinical Nutrition and Metabolism FPM - Força da Preensão da Mão Kgf – Quilograma Força LM – Largura da mão N – Newton n – Número de indivíduos OMS – Organização Mundial de Saúde P – Nível de significância r – Correlação de Pearson SPSS – Statistical Package for Social Sciences v
LISTA DE FIGURAS E TABELAS Figura 1: Posição padronizada pela Associação Americana de Terapeutas da Mão em crianças para a quantificação da força da preensão da mão. Figura 2: Motivos de internamento no Serviço de Pediatria. (n=89) Figura 3: Frequência semanal de actividade física das crianças internadas no Serviço de Pediatria. (n=89) Figura 4: Gráfico de dispersão dos valores da força da preensão da mão no momento de admissão hospitalar de cada faixa etária, para o sexo feminino e masculino. Tabela 1: Correspondência entre Z-scores e classificação do estado nutricional, segundo a OMS. Tabela 2: Características dos participantes em relação à idade, peso, altura, FPM, CM, LM, tempo de internamento, classes de patologia e classes de atividade física. (n=89) Tabela 3: Estudo de comparação dos diferentes grupos etários em relação à FPM no momento de admissão hospitalar e diferentes parâmetros (sexo, Zscore de IMC, tempo de internamento, grau de patologia e atividade física). (n=89) Tabela 4: Estudo de correlações entre a FPM no momento de admissão hospitalar (Kgf) com diferentes parâmetros (idade, peso, altura, Z-score de IMC, CM, LM, Grau de patologia e atividade física). (n=89) Tabela 5: Estudo de associação entre: idade, sexo, atividade física e grau de patologia, e a força da preensão da mão (modelo de regressão linear). (n=89) Tabela 6: Percentagem de perda de força de preensão da mão em relação à idade, género, classes de IMC, atividade física e grau de patologia. (n=89) vi
INTRODUÇÃO A avaliação do estado nutricional é um dos melhores indicadores de saúde quer a nível individual, quer a nível populacional e principalmente a nível infantil, uma vez que o crescimento e o desenvolvimento das crianças estão em grande parte condicionados pela alimentação e nutrição.1,2 Este grupo etário é muito sensível a alterações perante situações de infecções ou de privação nutricional.3 O período da infância é caracterizado por uma rápida velocidade de crescimento que, futuramente, com retorno na fase pós-pubertária sofre uma desaceleração. Para que o crescimento não seja afectado é fundamental que o estado nutricional da criança não esteja comprometido, o que implica a sua caracterização e monitorização. 4,5 A avaliação do estado nutricional incide na recolha de dados relacionados com a história socioeconómica e cultural, hábitos alimentares, de elementos obtidos pela avaliação antropométrica e da composição corporal, complementarmente com a análise de alguns parâmetros laboratoriais e a observação de sinais clínicos.6 A avaliação antropométrica tem como objectivo quantificar as dimensões físicas e corporais nas diferentes fases do crescimento e engloba a medição de parâmetros, que analisados permitem monitorizar o crescimento e diagnosticar situações de malnutrição.7,8 Os parâmetros antropométricos de maior importância em idade pediátrica, nomeadamente em crianças com idade superior aos 6 anos de idade são o peso, a estatura, o perímetro branquial e as pregas cutâneas tricipital e subescapular.2 Para uma interpretação correta dos resultados obtidos através desta avaliação antropométrica é necessário comparar os mesmos com valores de referência internacionalmente recomendados, actualmente as “Curvas da Organização Mundial de Saúde”.9 As recomendações da European Society for Clinical Nutrition and Metabolism (ESPEN) e da American Society of Parenteral and Enteral Nutrition (ASPEN) para os doentes em idade pediátrica são de que não se efetue o rastreio nutricional mas sim a avaliação nutricional por rotina, com base na monitorização antropométrica do peso e da altura. Contudo, estes 1
PARTICIPANTES E MÉTODOS Realizou-se um estudo transversal e longitudinal no Hospital Pediátrico Integrado/Centro Hospitalar São João entre 13 de Dezembro de 2012 a 25 de Fevereiro de 2013. Obteve-se uma amostra de conveniência composta por 89 crianças. Procedeuse à recolha de dados através de aplicação de um protocolo. (anexo 1) Foram apenas avaliadas crianças com idade igual ou superior a 6 anos, foram fatores de exclusão a dor/deficiência nos membros superiores, a incapacidade de execução de medições de força muscular e a presença de doenças neuromusculares. Este trabalho foi submetido à Comissão de Ética para a Saúde do Centro Hospitalar de S.João, EPE e ao conselho de administração do Centro Hospitalar de S.João, EPE . PROCEDIMENTO Foi solicitado aos pais e às crianças envolvidas no estudo para participarem no trabalho. Depois de o estudo ser explicado (anexo 2) devidamente e de serem ouvidas todas as dúvidas e garantida a confidencialidade dos dados, foi pedido aos responsáveis de educação para assinarem o consentimento informado e pedida a autorização verbal às crianças. 56 (anexo 3) Relativamente à criança, recolheram-se os seguintes dados: O sexo, a idade em anos e meses, a data de admissão, a data de alta, o motivo de internamento, o grau de patologia, a frequência de atividade física e por último foi realizada a avaliação antropométrica. O motivo de internamento foi agrupado pelas seguintes patologias: cardíaco, cirúrgico, gastrointestinal, hematológico, infeccioso, nefrológico, neurológico, oncológico e outras. Segundo a Academia de Pediatria e Associação Dietética Americana, o grau de patologia foi classificado em três graus segundo a sua gravidade: grau 1 – 8
factor de stress leve; grau 2 – factor de stress moderado e grau 3factor de stress grave. 57 Em relação à frequência de atividade física esta foi agrupada em quatro classes numeradas de 1 a 4. A 1ª corresponde a crianças que praticam >5 dias/semana, a 2ª corresponde a 4 a 5 vezes/ semana, a 3ª corresponde a 2 a 3 vezes/ semana e por ultimo a 4ª representa <2 vezes por/semana. A avaliação antropométrica consistiu na avaliação do peso (Kg, arredondado a uma casa decimal), a estatura (m, arredondado a duas casas decimais), largura da mão (mm, arredondado a uma casa decimal), comprimento da mão (mm, arredondado a uma casa decimal) e força da preensão da mão (Kgf) com menor divisão de escala dois Kgf. As crianças foram pesadas descalças apenas com uma roupa leve em que foi descontado 0,5Kg, numa balança SECA e a estatura foi medida com um estadiómetro marca SECA na posição erecta e segundo o plano de Frankfurt. A largura e o comprimento da mão foram medidos por um paquímetro. Estas medições foram feitas durante a tarde. Em relação à FPM a posição utilizada foi o indivíduo posicionado sentado com o ombro abduzido, cotovelo flectido a 90° antebraço e punho em posição neutra. A medição foi realizada com a mão dominante e consistiu na realização das três medições com um intervalo de um minuto entre cada repetição no momento de admissão e de alta do doente, encorajando sempre a exercer a maior força possível, a medição de maior valor é assumida como resultado. O dinamómetro Jamar ® tem uma pega ajustável para espaçamento 1; 1,5; 2: 2,5 e 3 polegadas, ou seja 1ª,2ª,3ª,4ª e 5ª posição, sendo que 1ª polegada corresponde à 1ª posição e assim respectivamente. Esta pega foi ajustada ao tamanho da mão da criança. A caracterização do estado nutricional das crianças foi classificado utilizando os pontos de corte dos valores de Z-scores de IMC, estes valores significam o 9
número de desvio-padrão (dp) que o dado obtido está afastado da mediana de referência, recomendado pela OMS. Este sistema também é o mais apropriado para descrever a malnutrição em estudos populacionais. O calculo de Z-scores dos resultados, foi obtido através do programa Anthro (versão 3.1, Abril 2012), que se baseia nas curvas de crescimento de referencia da OMS. Tabela 1: Correspondência entre Z-scores e classificação do estado nutricional, segundo a OMS. 58 Z-scores Classificação OMS ≤ -3 Desnutrição grave ]-3; -2] Desnutrição moderada ]-2;-1] Desnutrição ligeira ]-1;1[ Normoponderal [1;2[ Sobrepeso ≥2 Obesidade A variável tempo de internamento foi dicotomizada em internamento curto (2 a 6 dias) e em longo (6 a 52 dias), tendo como porte de corte a mediana da amostra total que foi de 6 dias. Foi ainda calculada a variável % de perda FPM = (diferença da FPM/ Força inicial)*100. ANÁLISE ESTATÍSTICA Para a análise descritiva das variáveis cardinais foram utilizadas médias, desvios padrão, mínimos e máximos ou medianas e distâncias interquartil. Foi avaliada a normalidade dos parâmetros antropométricos através da prova Kolmogorov-Smirnov. Quando as distribuições não eram normais e/ou as variâncias não eram homogéneas, utilizaram-se provas não paramétricas. 10
Para a comparação das médias e das medianas foram utilizadas os testes tStudent e Mann-Whitney. Para avaliar o grau de associação entre duas variáveis foi usado o coeficiente de correlação de Pearson (R). A regressão linear foi utilizada para estudar a associação entre diversas variáveis e a FPM. Procedeu-se à construção do modelo multivariado, em que se colocaram as variáveis associadas com a FPM e retiraram-se aquelas que não tinham significado estatístico, exeto o grau de gravidade da patologia, que mudava em mais de 5% as estimativas do modelo. Considerou-se significativos os resultados para p <0,05. Para tratamento dos dados foi usado o software estatístico SPSS (Statistical Package for Social Sciences) versão 20.0, para Windows. 11
RESULTADOS 1. Caracterização da amostra A amostra é constituída por 89 crianças, das quais 55,6% (n=49) são do sexo masculino e 44,9% (n=40) são do sexo feminino. Foi agrupada em dois grupos etários, o dos [6,14[ anos que representa 51,7% (n= 46) e o dos ]14,18] anos que representa 48,3% (n=43). Segundo a classificação da Academia Americana de Pediatria e Associação Dietética Americana, o grau de patologia mais frequente nas crianças avaliadas, foi o grau 2 - factor se stress moderado (38,2%), seguido do grau 3 – factor de stress grave (33,7%) e grau 1 – factor de stress leve (28,1%). Os motivos mais frequentes de hospitalização no Serviço de Pediatria durante o decurso do estudo foram: oncológico (18%), cirúrgico (15,7%) e ortopédico (14,6%) (Figura 2). Figura 2: Motivos de internamento no Serviço de Pediatria. (n=89) Relativamente à actividade física verificou-se que 31,5% da amostra pratica actividade física 4 a 3 vezes por semana e que 30,3% das crianças pratica actividade física menos que 2 vezes por semana (Figura 3). 6,7% 15,7% 6,7% 7,9% 4,5% 5,6% 4,5% 5,6% 18,0% 14,6% 10,1% 0% 5% 10% 15% 20% Cardíaco Cirúrgico Endócrino Gastro-intestinal Hematológico Infeccioso Nefrológico Neurológico Oncológico Ortopédico Respiratório Motivo de Internamento 12
Figura 3: Frequência semanal de actividade física das crianças internadas no Serviço de Pediatria. (n=89) A Tabela 2 apresenta as características dos participantes de acordo com o grupo etário e o género. Note-se que os indivíduos do sexo masculino apresentam valores mais elevados da FPM no momento de admissão hospitalar do que os indivíduos do sexo feminino para todos os grupos etários. É também visível que o grupo etário dos [6; 14[ apresenta valores mais baixos de FPM do que o grupo dos ]14; 18] . Tabela 2: Características dos participantes em relação à idade, peso, altura, FPM, CM, LM, tempo de internamento, classes de patologia e classes de atividade física. (n=89) 10,1% 31,5% 28,1% 30,3% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% >5 vezes/semana 4 a 5 vezes/semana 2 a 3 vezes/semana <2 vezes/semana Frequência de actividade física Sexo Feminino Sexo Masculino Total (n=89) Grupo I [6; 14[ (n= 20) Grupo II ]14; 18] (n= 20) Grupo I [6; 14[ (n=26) Grupo II ]14; 18] (n=23) Idade 9,6 (2,4) [6,1;13,5] 16,2 (0,7) [15,0; 17,2] 10,3 (2,6) [6,0; 13,7] 16,1 (1,4) [14,0; 18,0] 12,9 (3,6) [6,0; 18,0] Peso (Kg) 31,2 (13,5) [12,6; 65,2] 61,3 (15,7) [40,6; 100,2] 35,4 (15,5) [15,2; 73,0] 65,2 (16,6) [40,0; 93,2] 47,9 (21,4) [12,6;100,2] Altura (m) 1,34 (0,1) [1,05; 1,55] 1,63 (0,7) [1,50; 1,73] 1,43 (0,2) [1,00; 1,66] 1,66 (0,9) [1,50; 1,82] 1,52 (0,2) [1,00; 1,82] Força Preensão Mão* (Kgf) 6,9 (5,4) [0; 16] 18,5 (5,1) [8; 28] 12,2 (7,7) [0; 28] 23,6 (9,4) [10; 44] 15,4 (9,4) [0; 44] Comprimento da Mão (mm) 110,8 (42,3) [126,2;160,2] 166,2 (6,7) [137,2; 166,2] 131,9 (40,4) [128,9; 166,6] 160,8 (5,9) [149,9;168,7] 140,6 (35,7) [46,2;168,7] Largura da Mão (mm) 46,2 (14,2) [24,4; 73,6] 66,6 (8,6) [40,0; 79,5] 55,7 (14,7) [25,3; 75,7] 69,7 (10,1) [45,4; 84,3] 59,7 (15,2) [24,4; 84,3] 13
Dados apresentados como média, (desvio padrão) [mínimo, máximo]. n - numero de indivíduos *no momento de admissão hospitalar Na Figura 4 é possível observar a dispersão dos resultados da força muscular da mão obtidos. Na generalidade, verificou-se que os rapazes exercem mais força em todas as faixas etárias e que a FPM aumenta com a idade. Figura 4: Gráfico de dispersão dos valores da força da preensão da mão no momento de admissão hospitalar de cada faixa etária, para o sexo feminino e masculino. (n=89) Com base no Z-score de IMC, a percentagem de crianças no grupo etário [6;14[ com algum grau de desnutrição foi de 31,3 % e destas, 7,4% apresentavam desnutrição grave 4,4% desnutrição moderada e 19,6% desnutrição leve. Das crianças avaliadas, 45% eram eutróficas e 21,7% tinham sobrepeso/obesidade. Também de acordo com Z-score de IMC e agora relativamente ao grupo etário ]14;18], a percentagem de crianças com algum grau de desnutrição foi de 18,6% e destas 4,7% apresentavam desnutrição grave, 2,3% desnutrição Tempo de Internamento (dias) 11,40 (11,9) [2; 52] 8,1 (7,72) [2; 35] 7,38 (8,79) [2; 44] 7,17 (3,97) [2; 13] 8,4 (8,5) [2; 52] Classes de Grau de Patologia 2,35 (0,75) [1; 3] 1,85 (0,93) [1; 3] 1,73 (0,67) [1; 3] 2,35 (1,1) [1; 4] 1,94 (0,79) [1; 3] Classes de Atividade Física 3,10 (0,91) [2; 4] 3,20 (0,83) [1; 4] 2,62 (0,89) [1; 4] 1,91 (0,73) [1; 3] 2,79 (0,9) [1; 4] 14
moderada e 11,6% desnutrição leve. Das crianças avaliadas, 37,2% eram eutróficas e 44,2% tinham sobrepeso/obesidade. Quanto à desnutrição por grau de patologia, verificou-se que no grupo etário [6;14[ a maioria das crianças desnutridas se encontrava no grau de patologia grave (29,6% segundo o Z-score de IMC). No grupo etário ]14;18] a maioria das crianças desnutridas se encontrava no grau de patologia leve (14,8% segundo o Z-score de IMC). 2. Associação entre a força da preensão da mão e a desnutrição Na Tabela 3 encontram-se os valores de FPM por sexo, Z-score de IMC, actividade física, tempo de internamento e grau de patologia por grupos etários [6;14[ e ]14; 18]. Para estas variáveis encontraram-se diferenças com significado estatístico no grupo [6;14[ para o sexo, a atividade física, Z-score de IMC e grau de patologia. Relativamente ao grupo etário dos ]14; 18] encontraram-se diferenças com significado estatístico para o sexo e actividade física. Tabela 3: Estudo de comparação dos diferentes grupos etários em relação à FPM no momento de admissão hospitalar e diferentes parâmetros (sexo, Z-score de IMC, tempo de internamento, grau de patologia e atividade física). (n=89) FPM no momento de admissão hospitalar (Kgf) Grupo I [6; 14[ P Grupo II ]14; 18] P Sexo Feminino Masculino 0,011 0,032 6,90 (1,2) 18,50(1,1) 12,15 (1,5) 23,7 (1,9) Z-score de IMC Desnutrição Normoponderal Obesidade 0,045 0,886 7,2 (5,9) 20,5 (6,7) 10,6 (7,7) 20,8 (8,0) 13,8 (6,5) 21,9 (8,9) Tempo de internamento Curto Longo 0,065 0,679 11,5 (6,3) 20,8(9,2) 7,6 (7,7) 21,8 (6,4) Grau de patologia Leve Moderado Grave 0,039 0,066 11,69 (1,5) 21,18 (2,1) 11,40 (1,9) 22,57 (2,5) 5,69 (1,4) 19,67 (1,9) 15
Atividade física >5 vezes/semana 4 a 5vezes/semana 2 a 3 vezes/semana <2 vezes/semana 0,092 0,019 14,0 (6,0) 28,86 (4,1) 10,0 (1,6) 22,40 (2,7) 13,0 (2,1) 19,54 (1,5) 4,64 (1,6) 17,85 (1,6) Dados apresentados como média, (desvio padrão) Verificou-se que no grupo etário [6;14[ existem correlações significativas para todos os parâmetros analisados exceto para a atividade física. Relativamente ao grupo etário ]14;18] existem correlações significativas para os seguintes parâmetros: idade, altura, largura da mão e atividade física. Tabela 4: Estudo de correlações entre a FPM no momento de admissão hospitalar (Kgf) com diferentes parâmetros (idade, peso, altura, Z-score de IMC, CM, LM, Grau de patologia e atividade física). (n=89) FPM no momento de admissão hospitalar (Kgf) Total (n=89) Grupo I [6; 14[ (n= 46) Grupo II ]14; 18] (n= 43) Idade 0,334* (0,029) 0,703** (<0,001) 0,738** (<0,001) Peso (Kg) 0,679** (<0,001) 0,231 (0,137) 0,672** (<0,001) Altura (m) 0,612** (<0,001) 0,478** (0,001) 0,729** (<0,001) Z-score de IMC 0,352* (0,016) 0,038 (0,809) 0,410** (<0,001) Comprimento Mão (mm) 0,596** (<0,001) 0,298 (0,052) 0,654 (<0,001) Largura Mão (mm) 0,285** (0,005) 0,621** (<0,001) 0,586** (<0,001) Grau de patologia -0,322* (0,029) -0,065 (0,689) -0,191 (0,72) Atividade Física -0,220 (0,143) -0,450** (0,002) -0,303* (0,004) 16
Na Tabela 5 verifica-se que o Z-score de IMC está associado com a FPM ou seja quanto mais elevado o Z-score de IMC maior é a FPM (β= 0,172 ; p=0,022). Também é possível observar que a idade, o sexo, a atividade física e o grau de patologia estão associados com a força da preensão da mão. Tabela 5: Estudo de associação entre: idade, sexo, atividade física e grau de patologia, e a força da preensão da mão (modelo de regressão linear). (n=89) Constantes Beta Intervalo de Confiança a 95 % Significância P Limite inferior Limite superior 0,000 Idade 0,644 1,302 2,061 Sexo 0,200 1,163 6,326 0,005 Z-score de IMC 0,172 0,110 1,359 0,022 Grau de patologia 0,350 -1,285 2,121 0,627 Atividade Física -0,192 -3,234 -0,419 0,012 aVariável dependente - FPM no momento de admissão hospitalar R 2= 0,648. 3. Força da preensão da mão e tempo de internamento hospitalar. Cinquenta e sete crianças perderam força durante o internamento, oito ganharam e vinte e quatro mantiveram a mesma FPM. A Tabela 6 mostra uma perda da força da preensão da mão durante o tempo de internamento em ambos os grupos de idade. As raparigas perdem mais FPM dos que comparativamente com os rapazes. Note-se que os indivíduos desnutridos perderam mais força muscular do que os indivíduos obesos bem como os indivíduos com grau de patologia grave em relação ao grau de patologia leve. Tabela 6: % Perda de força de preensão da mão em relação à idade, género, classes de IMC, grau de patologia e atividade física. (n=89) % Perda de FPM P Grupo I [6; 14[ Grupo II ]14; 18] - 9,55 (27) - 9,55 (27) 0,504 - 13,33 (20) Sexo Feminino - 13,39 (33) 17
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ANEXOS 28
Força da preensão da mão como método de rastreio de desnutrição em crianças e adolescentes internadas. - Sexo: □ Feminino □ Masculino - Idade: ____ anos e meses_______ - Motivo de internamento:________________________ -Grau de gravidade de patologia : grau 1: □ grau 2: □ grau 3: □ - Peso:______ kg - Estatura:____ m2 ou Altura do Joelho:____ cm - IMC:______ Kg/m2 (OMS) - Actividade física: >5vezes/semana □; <5 a 4 vezes/ semana □; <5 a 4 vezes/ semana □; <2 vezes por/semana □. - Largura da mão: ________ mm - Comprimento da mão: ______ mm - Força da preensão da mão no momento de admissão: 1ª____ Kgf , 2ª_____ kgf , 3ª_____ kgf - Força da preensão da mão no momento de alta: 1ª____ kgf , 2ª_____ kgf, 3ª_____ kgf Assinatura da nutricionista: _____________________ Data:___________ Informação ao Participante Nº de registo: _______ Data de internamento:__/___/ _____ Data de alta: __/___/_____ Tempo de internamento:_____ dias 29
A avaliação nutricional em crianças internadas tem tido uma atenção crescente, mas ainda carece de um grande desenvolvimento e generalização por parte das entidades de saúde. Vários estudos realizados em alguns países desenvolvidos mostram que crianças hospitalizadas apresentam algum grau de desnutrição, associado a uma maior incidência da morbilidade e da mortalidade. A avaliação do estado nutricional é uma etapa fundamental para monitorizar o crescimento/desenvolvimento da criança e verificar se este está de acordo com o padrão. Esta avaliação engloba um conjunto de factores. Estes são: avaliação antropométrica, comorbilidades, história alimentar e hábitos alimentares. Desenvolvendo o conceito de avaliação antropométrica, esta caracteriza-se por ser um método de investigação, baseado na medição das variações físicas e na composição corporal global. É aplicável em todas as fases do ciclo de vida e permite a classificação dos indivíduos e dos grupos, segundo o seu estado nutricional. Em virtude do exposto, justifica-se a importância de estudar a evolução da desnutrição hospitalar. Uma vez que não existe um padrão ideal para identificar a desnutrição, o desempenho dos sistemas de avaliação e identificação de doentes desnutridos tem sido comparado com ferramentas de avaliação nutricional mais detalhadas, nomeadamente a força da preensão da mão. A força de preensão palmar tem sido usada em crianças como rotina de avaliação da função da mão e incluída em muitas séries de testes que avaliam o sistema motor em crianças.. A força da preensão da mão e medida através de um dinamómetro sendo um método seguro, rápido, prático, barato e não invasivo de avaliação de força isométrica dos membros superiores. Este trabalho tem como objectivos específicos estudar a associação entre a força da preensão da mão com a desnutrição e estudar a relação entre a força da preensão da mão e o tempo de internamento hospitalar. DECLARAÇÃO DE CONSENTIMENTO 30
Considerando a “Declaração de Helsínquia” da Associação Médica Mundial (Helsínquia 1964; Tóquio 1975; Veneza 1983; Hong Kong 1989; Somerset West 1996 e Edimburgo 2000) Designação do Estudo (em português): Força da Preensão da Mão como método de rastreio de desnutrição em crianças e adolescentes internadas. Eu, abaixo-assinado, (nome completo) ------------------------------------------------------------------------------------ -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Responsável pelo doente (nome completo) ------------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------- , declaro que o mesmo não participa em nenhum outro projecto de investigação durante este internamento, tendo compreendido a explicação que me foi fornecida acerca da sua situação clínica e da investigação que se tenciona realizar. Foi-me ainda dada oportunidade de fazer as perguntas que julguei necessárias, e de todas obtive resposta satisfatória. Tomei conhecimento de que, de acordo com as recomendações da Declaração de Helsínquia, a informação ou explicação que me foi prestada versou os objectivos, os métodos, os benefícios previstos, os riscos potenciais e o eventual desconforto. Além disso, foi-me afirmado que tenho o direito de recusar a todo o tempo a sua participação no estudo, sem que isso possa ter como efeito qualquer prejuízo na assistência que lhe é prestada. Por isso, consinto que lhe seja aplicado o método, o tratamento ou o inquérito proposto pelo investigador. Data: ____ / __________________ / 201___ Assinatura do Responsável pelo doente:______________________________________________ O Investigador responsável: Nome: Assinatura: 31