Sombreamento parcial do copado da vinha na Sub-Região do Douro Superior
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Sombreamento Parcial do Copado da Vinha na Sub-Região do Douro Superior José Miguel Teles Mestrado Engenharia Agronómica Departamento de Geociências, Ambiente e Ordenamento do Território Orientador Jorge Bernardo Lacerda de Queiroz, Professor Doutor, F.C.U.P. Coorientador Manuel João Teles de Oliveira, Professor Doutor, U.T.A.D. Porto 2012
Todas as correções determinadas pelo júri, e só essas, foram efetuadas. O Presidente do Júri, Porto, ______/______/_________
iii Agradecimentos O presente trabalho apenas foi possível graças ao envolvimento e apoio de várias pessoas e instituições, aos quais o autor apresenta um sincero agradecimento: Ao Professor Doutor Jorge Queiroz pela orientação, disponibilidade e apoio nas várias vertentes do trabalho. Ao Professor Doutor Teles de Oliveira, por todo o apoio prestado ao longo de todo o trabalho, pelas revisões e sugestões efetuadas. Um agradecimento especial ao Eng.º Pedro Barbosa da Quinta do Vale Meão, por todo o apoio técnico, incentivo e amizade. À Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), pelas condições e meios disponibilizados para a realização do presente trabalho. À empresa Francisco Olazabal e Filhos, pela disponibilização do campo experimental e por todo o apoio logístico e simpatia durante todo o período de realização de registos de campo. Aos amigos e em especial ao David Matos e Octávio Félix pela amizade e apoio no terreno. Aos meus pais pelo apoio e carinho durante todos estes anos. Às minhas irmãs pela força e incentivo. À Marisa, pela compreensão, apoio e incentivo ao longo de todo este percurso. A todos o meu muito obrigado.
iv Resumo O ciclo vegetativo ativo das videiras na sub-região do Douro Superior da Região Demarcada do Douro realiza-se durante um período de elevadas temperaturas médias do ar, radiação solar intensa e baixa precipitação, o que origina elevados níveis de stresses na videira. Assim, é comum a dessecação de grande número bagos com perdas de rendimento e desenvolvimento de caraterísticas indesejáveis nos mostos. Neste trabalho avaliou-se o efeito de seis modalidades de sombreamento em 2012, sendo duas delas com a rede encostada ao copado (SFM1 – sombreamento da floração à maturação; SPM1 – sombreamento do pintor à maturação) e quatro com a rede afastada 15 cm do copado (SFM2 – sombreamento da floração à maturação; SPM2 – sombreamento do pintor à maturação; SFM3r – sombreamento da floração à maturação e rega da floração ao pintor e SPM3r – sombreamento do pintor à maturação e rega da floração ao pintor) a que acresce uma testemunha regada e outra não regada. Em 2010 e 2011 avaliaram-se duas modalidades de sombreamento (SFM1 – sombreamento da floração à maturação e SPM1 – sombreamento do pintor à maturação) e respetiva testemunha. O sombreamento consistiu numa dupla faixa de rede branca que sombreava o terço inferior do copado. Em 2012 determinou-se a área média das folhas, a temperatura das folhas e cachos, a produção e as caraterísticas dos mostos. Em 2010 e 2011 mediu-se a área foliar total por videira, a temperatura e humidade relativa do ar dentro do copado, a temperatura dos cachos juntos ao ráquis e a redução da radiação total e da PAR dentro do copado. O sombreamento resultou em alterações significativas na morfologia da videira, na produção e nas caraterísticas dos mostos. O sombreamento refletiu-se numa menor área foliar à maturação, num ligeiro aumento da temperatura dentro do copado, no menor número de cachos com mais de 30% de bagos desidratados e na qualidade dos mostos, onde estes apresentaram, de forma geral, maiores valores de álcool provável e de acidez total e menores valores de ácido málico e, ainda, uma diminuição das antocianas totais, o que pode representar uma redução na qualidade dos mostos. Por outro lado, verificaram-se diferenças significativas nas videiras sujeitas à rega, onde as temperaturas das folhas e dos cachos foram mais baixas e a percentagem de bagos desidratados mais elevada em 2012, o que reduziu a produção. De salientar que as modalidades regadas obtiveram altos teores de álcool provável, no entanto, apresentaram valores elevados de ácido málico, resultando em mostos mais deficitários quando comparados com os mostos não sujeitos à rega. Palavras–chave: Região Demarcada do Douro, Touriga Nacional, Sombreamento, Qualidade dos Mostos, Produção.
v Abstract Growth and development of the grapevines in the sub-region of Douro Superior in the Demarcated Region of Douro occur under high air temperatures, intense solar radiation and low precipitation that result in intense water stress. The occurrence of berry desiccation, lost yields and poor must characteristics are common. It was evaluated the effect of six different forms of canopy shading in 2012 where two of them the net was pressed against the canopy (SFM1 – shading from flowering to maturation; SPM1 – shading from veraison to maturation) and four others where the net was 15 cm from the canopy (SFM2 – shading from flowering to maturation; SPM2 – shading from veraison to maturation; SFM3r – shading from flowering to maturation and irrigation from flowering to veraison and SPM3r – shading from flowering to maturation and irrigation from flowering to veraison) plus two blank treatments, one rain fed the other irrigated. In 2010 and 2011 there were two shading treatments (SFM1 – shading from flowering to maturation and SPM1 – shading from veraison to maturation) plus one blank treatment. Shading was carried out with a double layer of white net that casted a shadow over the lower third of the canopy. In 2012 it was measured the average area of individual leaves, the temperature of leaves and clusters, the production components and the characteristics of the musts. In 2010 and 2011 it was measured the total leaf area per plant, the temperature and the relative humidity inside the canopy, the temperature close to the rachis, and the reduction of the total radiation and the PAR caused by foliage plus net. Shading resulted in significant changes of plant morphology, of the yield and of the must characteristics. Shading resulted in smaller leaf area at maturation, a small increase of the temperature inside the canopy, a decrease in the number of clusters with desiccated berries and lower quality of the must with higher values of probable alcohol, higher titrable acidity, lower content of malic acid and a reduction of total anthocyanin. There were significant changes in irrigated vines where the temperatures of leaves and clusters dropped and the percentage of desiccated berries increased that resulted in a lower production in 2012. It must be noted that irrigation caused an increase in probable alcohol, higher content of malic acid, resulting in poorer musts when compared with musts from rain fed vines. Keywords: Demarcated Region of Douro, Touriga Nacional, shading, must quality, production.
vi Índice Agradecimentos ............................................................................................................iii Resumo ....................................................................................................................... iv Abstract ........................................................................................................................ v Índice de Figuras ........................................................................................................ viii Lista de Abreviaturas ................................................................................................... xi 1. Introdução Geral .................................................................................................... 1 2. Estado Atual dos Conhecimentos .......................................................................... 4 2.1. Introdução....................................................................................................... 4 2.2. Caraterização edáfo-climática Região Demarcada do Douro .......................... 4 2.2.1. Clima ....................................................................................................... 5 2.2.2. Solo ......................................................................................................... 6 2.3. Défice hídrico .................................................................................................. 7 2.4. Radiação solar ................................................................................................ 9 2.4.1. Temperatura do ar ................................................................................. 11 2.4.2. Metabolismos secundários e sombreamento ......................................... 11 3. Materiais e métodos ............................................................................................ 14 3.1. Materiais ....................................................................................................... 14 3.1.1. Campo experimental .............................................................................. 14 3.1.2. Solo ....................................................................................................... 15 3.1.3. Clima ..................................................................................................... 15 3.1.4. Material vegetal ..................................................................................... 17 3.1.5. Delineamento experimental ................................................................... 17 3.2. Observações microclimáticas, morfológicas e fisiológicas ............................ 18 3.2.1. Componentes da produção .................................................................... 20 3.2.1.1. Evolução da maturação ...................................................................... 20 3.3. Análise estatística ......................................................................................... 21 4. Resultados 2010 .................................................................................................. 22 4.1. Microclima do copado ................................................................................... 22 4.2. Área foliar total.............................................................................................. 22 4.3. Componentes da produção ........................................................................... 23 4.4. Análise físico-químicas ................................................................................. 24 5. Resultados 2011 .................................................................................................. 26 5.1. Registos ambientais ..................................................................................... 26
vii 5.2. Microclima do copado ................................................................................... 26 5.3. Área foliar ..................................................................................................... 27 5.4. Resistência estomática ................................................................................. 27 5.5. Componentes da produção ........................................................................... 27 5.6. Análises físico-químicas ............................................................................... 29 5.7. Expressão vegetativa e vigor ........................................................................ 30 6. Resultados 2012 .................................................................................................. 31 6.1. Registos climáticos ....................................................................................... 31 6.2. Fenologia ...................................................................................................... 32 6.3. Abrolhamento e Fertilidade ........................................................................... 32 6.4. Estrutura do coberto vegetal ......................................................................... 33 6.4.1. Área média das folhas ........................................................................... 33 6.4.2. Dimensão do coberto vegetal ................................................................ 34 6.4.3. Número de camadas de folhas .............................................................. 35 6.5. Determinações fisiológicas ........................................................................... 36 6.5.1. Potencial Hídrico foliar ........................................................................... 36 6.5.2. Condutância estomática ........................................................................ 37 6.5.3. Temperatura das folhas e bagos ........................................................... 38 6.6. Componentes da Produção .......................................................................... 40 6.6.1. Evolução da maturação ......................................................................... 42 6.6.2. Análise química do mosto ...................................................................... 43 7. Discussão ............................................................................................................ 46 7.1. Estrutura do coberto vegetal ......................................................................... 46 7.2. Determinações fisiológicas ........................................................................... 47 7.3. Microclima do copado ................................................................................... 47 7.4. Componentes de produção ........................................................................... 48 8. Conclusão............................................................................................................ 50 9. Bibliografia ........................................................................................................... 52 Anexos........................................................................................................................ 59
viii Índice de Figuras Fig. 1 – Região Demarcada do Douro (IVDP, 2010). .................................................... 5 Fig. 2 – Vista geral da vinha do ensaio. ...................................................................... 14 Fig. 3 – Fotografia aérea ............................................................................................. 15 Fig. 4 – Ombrotérmico de Gaussen, 2011 e 2012. ...................................................... 16 Fig. 5 – Média mensal da radiação solar e velocidade do vento 2010, 2011 e 2012. .. 17 Fig. 6 – Rede de sombreamento. ................................................................................ 18 Fig. 7 – Área foliar total à vindima, 2010. .................................................................... 22 Fig. 8 – Produção por planta, 2010 ............................................................................. 23 Fig. 9 – Peso e volume dos bagos, 2010. ................................................................... 23 Fig. 10 – Acidez total e álcool provável, 2010. ............................................................ 24 Fig. 11 – Antocianas totais, 2010. ............................................................................... 24 Fig. 12 – Ácido málico, 2010. ...................................................................................... 25 Fig. 13 – Registos mensais médios da precipitação, evapotranspiração e temperatura. Estação meteorológica Quinta Vale Meão 2011. ................................................. 26 Fig. 14 – Área foliar total, 2011 ................................................................................... 27 Fig. 15 – Resistência estomática, 2011....................................................................... 27 Fig. 16 – Produção por planta, 2011. .......................................................................... 28 Fig. 17 – Número de cachos com mais de 30% de bagos dissecados, 2011. ............. 28 Fig. 18 – Peso do bago e volume, 2011 ...................................................................... 28 Fig. 19 – Acidez total e álcool provável, 2011. ............................................................ 29 Fig. 20 – Antocianas totais, 2011 ................................................................................ 29 Fig. 21 – Percentagem média da extratibilidade das antocianas, 2011. ...................... 30 Fig. 22 – Médias mensais das temperaturas e precipitação. Série 1931-1960 Pocinho; Estação meteorologia da Quinta Vale Meão. ....................................................... 31 Fig. 23 – Evolução da área média das folhas total, 2012. ........................................... 34 Fig. 24 – Evolução diária do potencial hídrico foliar ao pré-pintor, 2012. ..................... 36 Fig. 25 – Potencial hídrico foliar ao meio dia solar, 2012 ............................................ 37 Fig. 26 – Condutância estomática e potencial hídrico foliar ao meio dia solar, 2012.. . 37 Fig. 27 – Temperaturas médias das folhas ao meio dia solar, 2012. ........................... 38 Fig. 28 – Temperaturas médias dos cachos ao meio dia solar, 2012. ......................... 38 Fig. 29 – Evolução da temperatura média das folhas e dos cachos no estado póspintor, 2012. ......................................................................................................... 39 Fig. 30 – Balanço térmico entre a temperatura média do ar e a temperatura média das folhas, 2012. ........................................................................................................ 39
ix Fig. 31 – Evolução da produção média nos últimos 10 anos ....................................... 40 Fig. 32 – Número médio de cachos por videira à vindima, 2012. ................................ 40 Fig. 33 – Produção média por videira, 2012. ............................................................... 41 Fig. 34 – Percentagem média de passas por videira à vindima, 2012. ........................ 41 Fig. 35 – Evolução do peso do bago entre o início da maturação e a vindima, 2012 .. 42 Fig. 36 – Evolução do volume dos bagos entre o início da maturação e a vindima, 2012. ................................................................................................................... 43 Fig. 37 – Evolução do teor de álcool provável entre o início da maturação e a vindima, 2012 .................................................................................................................... 43 Fig. 38 – Evolução do pH entre o início da maturação e a vindima, 2012 ................... 44 Fig. 39 – Totais de antocianas, 2012. ......................................................................... 44 Fig. 40 – Concentração de ácido tartárico, 2012. ........................................................ 45 Fig. 41 – Concentração de ácido málico, 2012. .......................................................... 45
FCUP 5 Estado Atual dos Conhecimentos Fig. 1 – Região Demarcada do Douro (IVDP,2010). As variações climáticas de entre as diferentes sub-regiões da RDD são, em grande parte, devidas ao progressivo afastamento do Oceano Atlântico e às barreiras naturais das serras do Marão e de Montemuro que limitam os ventos húmidos oceânicos, à medida que nos deslocamos para montante do rio Douro, ou seja em direção ao Douro Superior (IVDP, 2010). A importante contribuição das características climáticas na produção de vinho é notória quando abordamos o Método de Pontuação para a produção de Vinho do Porto, (Moreira da Fonseca, 1949). Este método contempla parâmetros climáticos com um peso de 63% da pontuação máxima da parcela (ADVID, 2007). 2.2.1. Clima O clima da RDD tem caraterísticas mediterrânicas com influências continentais, à medida que se avança para montante do rio Douro. O clima é moderadamente frio e húmido no Inverno e muito quente e seco no Verão (Moutinho-Pereira, 2000). No entanto, dentro da mesma região o clima é variável, distinguindo-se três situações, com fatores distintos de altitude, exposição e declive, que originam potenciais distintos para a produção de vinho e também contribuindo para distintos terroir. O terroir de determinada região é característica da interação de parâmetros do solo, da cultivar e do clima, sendo o efeito do clima o de maior influência como elemento diferenciador da produção, seguidos do solo e cultivar (van Leeuwen et al., 2004). Fatores ambientais como a topografia, agro-pedologia e clima são reconhecidos por influenciar a videira e a qualidade do vinho. Os locais adequados à vitivinicultura permitem a completa maturação das uvas da respetiva casta de videira e o mesoclima
FCUP 6 Estado Atual dos Conhecimentos favorável, e ao equilíbrio entre o vigor da planta e a disponibilidade de nutrientes e água (Koundouras et al., 2006). A interação do clima com a videira determina as variações do seu estado hídrico. Fatores como a temperatura, radiação e humidade, segundo Smart (1974) não se resumem só ao seu impacto no processo evaporativo, mas têm uma profunda influência na fisiologia e produção da videira. A precipitação é o factor climático com maior interferência no desenvolvimento da videira. A sua distribuição e variabilidade durante o ano tem uma signicativa influência no rendimento da vinha e no seu estado fitossanitário. Particularmente notória na viticultura Duriense porque todo o ciclo hidrológico foi alterado pelas diferentes ações antropogénias (Ramos, 2006). Muitos autores abordam o efeito do défice hídrico na acumulação de vários metabolitos na videira onde são responsáveis pela cor, aroma e sabor do vinho. Assim, o potencial enológico está relacionado com imposições de intensidade do défice hídrico resultante do tipo de solo e do clima (Koundouras et al., 2006). A temperatura do ar é um meteoro que tem influência nas perdas de água por transpiração, e por esse processo regula as necessidades hídricas da videira. Quanto maior a temperatura do ar, maiores serão as perdas de água das plantas por transpiração. Um outro factor que afecta a transpiração da planta é a radiação solar utilizada na fotossíntese (Krauter, 2001a). A quantidade de energia associada à radiação solar, quando elevada e prolongada, acompanhada por períodos de défice hídrico podem provocar a inativação do processo de fotossíntese, através da inibição do PSII (Osório, 1994 cf. Moutinho-Pereira, 2000). Nas condições climáticas da RDD, mais especificamente no Douro Superior, em particular no Verão, a videira é sujeita frequentemente a condições extremas de baixa disponibilidade de água no solo, radição solar intensa, temperaturas elevadas e déficie de pressão de vapor de água atmosférico, que causam efeitos debilitantes no comportamento fisiológico da videira, interferindo na longevidade, produtividade e composição dos frutos (Moutinho-Pereira, 2000). 2.2.2. Solo A aptidão de determinada região para a viticultura depende das suas características mesoclimáticas mas também das suas características edáficas, definido pelo pedoclima. Este pode comprometer o desenvolvimento do sistema radicular, o qual
FCUP 7 Estado Atual dos Conhecimentos será refletido na expressão vegetativa e no vigor e, assim, influenciando o microclima e, consequentemente, no comportamento fisiológico da videira (Magalhães, 2008). A geomorfologia da região tem sido muito afetada pela atividade humana que criou uma paisagem peculiar resultante sobretudo da plantação de vinhas em terraços (Real et al., 1978). O vale do Douro é composto de xistos argilosos do pre-cambrico com diversos níveis de alterações metamórficas e alguns afloramentos graníticos. Os solos são em geral esqueléticos, ácidos e de baixa fertilidade (Castro, 1967). Muitos dos solos são Antrosolo eutrico de mistura (Coba, 1987) onde a grande quantidade de materiais grosseiros dá-lhes a caracteristica de extremamente pedregoso e cascalhento (Miller e Guthrie, 1984). A pedrogosidade altera o microclima da vinha por aumento da temperatura superficial do solo, da reflexão da luz e do calor, que afectam a maturação das uvas (Magalhães, 2008). O tipo de solo determina a disponibilidade potencial de água e o clima determina se a reposição de água no solo atinge esse potencial. Os solos originais da RDD são muito delgados e, logo, com baixa capacidade de armazenamento de água. Contudo, a sua alteração antropogénica aumenta a profundidade e pulverização por surriba, aumentando significativamente o volume de solo para armazenar água e para ser explorado pelas raízes. As condições edáficas criadas permitem às plantas resistirem à secura (Magalhães, 2008; Sousa, 2010). 2.3. Défice hídrico O crescimento e desenvolvimento da videira é muito sensível à disponibilidade de água e a sua diminuição origina restrições no crescimento vegetativo, influenciando diretamente o tamanho dos bagos, a acumulação dos açúcares e dos compostos fenólicos, logo a qualidade dos vinhos (Tarara e Lee, 2011). A falta de água ocorre quando a quantidade de água disponível é menor do que o potencial de água que a videira pode utilizar (CSIRO, 2009). Contudo, o excesso ou défice podem causar efeitos na qualidade e quantidade do vinho produzido. É fundamental alcançar um equilíbrio entre a água necessária e o desenvolvimento do copado pretendido (Sousa et al., 2006). A água é o fator limitante mais importante do crescimento das plantas nas regiões mediterrânicas, onde é comum o cultivo da vinha. Apesar das adaptações a estas condições climáticas mediterrânicas, a combinação de deficiência hídrica no solo com constrangimentos do ambiente, como alta radiação e temperaturas elevadas, causam uma progressiva redução da fotossíntese, do crescimento da planta e do rendimento da cultura (Bertamini et al., 2007). A redução
FCUP 8 Estado Atual dos Conhecimentos da taxa de fotossíntese induzida pelo stresse hídrico é normalmente associada ao encerramento dos estomas que é a primeira resposta da planta ao défice de água no solo e, assim, diminui a fotossíntese e a condutância estomática (Bertamini et al., 2007). O encerramento dos estomas limita a difusão do CO2 do meio externo para o mesófilo da folha, originando uma redução da pressão parcial de CO2 no interior da folha. Assim, uma das primeiras consequências desta redução de pressão é o aumento da atividade oxigenase da enzima ribulose-bifosfato-carboxilase-oxigenase (rubisco) e, assim, o estímulo à fotorrespiração (Albuquerque e Carbonneau, 1999). O declínio observado na absorção de CO2 na folha em resultado do défice hídrico é seguido pela alteração da partição dos fotoassimilados ao nível da planta toda e corresponde, em termos gerais, a um aumento da taxa de novos lançamentos na raiz e do declínio no crescimento dos pampanos (Pinheiro e Chaves, 2011). Por outro lado, a abundante disponibilidade de água induz a estímulos de crescimento vegetativo que leva a copados densos e frutos pouco expostos com maior tendência para problemas fitossanitários. O crescimento de netas é particularmente promovido, que competem por fotoassimilados com bago e um maior sombreamento do interior do copado, que atrasa a maturação (Pedeira dos Santos et al., 2007). A melhor qualidade dos vinhos é conseguida nas videiras em stresse hídrico moderado, principalmente nos estados fenológicos que precedem o pintor (Oliveira et al., 2011). As estratégias de combate ao défice hídrico são ferramentas relativamente recentes na gestão do crescimento das videiras, melhorando a qualidade do fruto e o uso eficiente da água enquanto mantêm os rendimentos. Uma das estratégias é a regulação da falta de água no sentido de controlar o crescimento vegetativo e melhorar a qualidade dos frutos, removendo ou reduzindo a rega em períodos específicos durante o ciclo vegetativo da videira. A gestão da rega permite uma boa atividade fisiológica da planta e, ao mesmo tempo, reduzir o crescimento excessivo de lançamentos. O copado fica aberto e melhor exposto, melhorando a qualidade dos bagos nomeadamente a concentração total de compostos fenólicos (Pedeira dos Santos et al., 2007). A disponibilidade de água afeta a concentração de açúcar no bago numa relação complexa. Grande disponibilidade de água implica uma alta concentração de açúcares em consequência da sua alta atividade fotossintética, mas baixa a sua concentração por diluição à medida que o bago aumenta de volume (Santesteban e Royo, 2006). O efeito da rega tem resultados diferentes consoante o estado fenológico da videira (Sousa et al., 2007). Controlar o conteúdo de água no solo da vinha através da rega é bastante eficiente no aumento do rendimento mas falha na indução suficiente da concentração de ácidos
FCUP 9 Estado Atual dos Conhecimentos orgânicos no mosto. O total de ácidos solúveis e a concentração de glucose e frutose decrescem à medida que a taxa de rega aumenta principalmente se a rega for aplicada após o pintor. Esta estratégia pode ser aceite como um compromisso entre rendimentos, concentração de açúcar, ácidos e a conservação da água, quando a rega é utilizada antes do pintor, a uma taxa moderada de 50% da evapotranspiração desde floração ao pintor (Oliveira e Sousa, 2009). 2.4. Radiação solar A Vitis vinífera L. é cultivada em muitas áreas com distintas condições climáticas onde estas são também caracterizadas pelas diferenças de radiação disponível, devido às variações de latitude e altitude (Cartechin e Palliotti, 1995). A máxima expressão produtiva da videira está diretamente relacionada com a energia radiante, pois o CO2 captado diariamente é uma função da quantidade de radiação fotossinteticamente ativa (PAR) incidente na vinha, sendo a eficiência do PAR e a área foliar, os principais fatores que afetam o rendimento e as características dos frutos. A escolha do sistema de condução, densidade da plantação, a carga e a poda podem exercer um grande contributo em manter um mínimo de intensidade de luz para a maior parte da área foliar durante o ciclo vegetativo da videira (Cartechin e Pallioti., 1995). A resposta da fotossíntese à luz nas videiras na ausência de fatores limitantes, sejam bióticos ou abióticos, têm uma curva caraterística com duas fases distintas. Na primeira fase, existe uma crescente proporção entre a densidade de fluxo fotónico fotossinteticamente ativo (PPFD) e a fotossíntese, ou seja, toda a energia fotónica absorvida é convertida em energia química e usada na fixação de CO2. Na segunda fase, as folhas respondem com decréscimos da fotossíntese aos aumentos da PPFD, o que significa que a energia fotónica absorvida não é totalmente usada nas reações primárias da fotossíntese. O valor máximo da atividade fotossintética da Vitis vinífera situa-se entre os PAR de 550 a 1500 mol.m-2.s-1, no entanto, estes valores variam conforme a casta e as condições ambientais. Para além dos valores da PAR apresentados, é atingido o chamado ponto de saturação luminosa e a atividade fotossintética deixa de ter capacidade para usar toda a energia fotónica absorvida pelos pigmentos clorofilinos (Moutinho-Pereira, 2000). O excesso de radiação pode causar danos na planta. O termo fotoinibição ou regulação negativa (down-regulation) da fotossíntese refere-se à inibição induzida pela luz nos centros de reação do processo da fotossíntese que resulta numa excessiva absorção de energia fotónica, excedendo a capacidade da folha em utilizá-la na cadeia
FCUP 10 Estado Atual dos Conhecimentos de transporte de eletrões, dando origem a danos graves nos complexos da PSII (degradação da proteína D1 nos centros de reação por uma protéase) ou, por outro lado, este processo de fotoinibição resulta numa estratégia da planta para equilibrar a energia que chega à PSII e a energia que efetivamente é utilizada no processo de fotossíntese e, desta forma, ajuda a minimizar a ocorrência de maiores estragos. No entanto, a fotoinibição, de uma forma ou de outra, acaba por deprimir a fotossíntese através da redução da razão Fv/Fm e do rendimento quântico da fotossíntese (mole de CO2 fixado ou mole de O2 libertado por mole de fotão absorvido) (Bertamini et al., 2005; Moutinho-Pereira, 2000). O fenómeno inibitório da fotossintese, devido à excessiva energia fotónica incidente pode-se manifestar de forma reversível ou irreversível. No caso reversível do processo de fotoinibição, a recuperação da atividade máxima da fotossíntese pode demorar alguns dias, o espaço de tempo necessário para a reparação dos polipéptidios da proteína D1 que foram danificados. Por outro lado, na regulação negativa, o restabelecimento pode demorar cerca de alguns minutos ou horas (Moutinho-Pereira, 2000). As plantas utilizam estratégias morfológicas, bioquímicas e fisiológicas para minimizar os efeitos dos excessos de radiação através da espessura da folha (mais espessas quando em crescimento à exposição solar), redução da área foliar, aumento do número de pêlos, deposição de uma camada cerosa na superfície das folhas e maior acumulação de pigmentos na folha (Pollastrini et al., 2010). A radiação solar intercetada é a maior componente do balanço energético que influencia importantes processos como a fotossíntese e a transpiração. A radiação intercetada depende de vários fatores como as dimensões e estrutura do copado, a dimensão de superfície foliar, as caracteristicas das folhas, a orientação das plantas, o ângulo de incidência solar e as propriedades da radiação que alcançam as folhas (Oyarzun et al., 2007). A radiação solar é essencial para o amadurecimento das uvas na medida em que conduz à fotossíntese e à acumulação de açúcares, influenciando os metabolismos secundários, como também influencia a temperatura dos bagos. Os efeitos da luz na composição dos frutos está relacionada com a temperatura nos bagos originada pelo aumento da exposição solar mas a elevada temperatura nos bagos pode inibir o desenvolvimento dos mesmos (Chorti et al., 2010).
FCUP 11 Estado Atual dos Conhecimentos 2.4.1. Temperatura do ar A temperatura desde a diferenciação floral do ano precedente até à maturação do ano seguinte é fator determinante nos vários processos bióticos da videira. Contudo, a principal influência da temperatura é na produção de fotoassimilados e na qualidade e duração da área foliar fotossinteticamente ativa (Moutinho-Pereira, 2000). As taxas de metabolismo da videira, incluindo os bagos, são altamente dependentes da temperatura. A temperatura dos bagos e cachos é determinada durante o dia, pela quantidade de intensidade da radiação solar que lhes chega. Algum calor pode ser ganho ou dissipado por convecção à medida que o ar quente ou frio passa por entre os bagos. Quanto mais intensa for a radiação solar e quanto menor for o movimento de ar pelo copado e através dos frutos, mais alta será a temperatura média dos bagos. Os bagos sombreados pelas folhas raramente excedem a temperatura do ar (Tarara e Lee, 2011). A Vitis vinífera L. tem capacidade de fotossintetizar num intervalo ótimo de temperaturas relativamente amplo, entre 20º e 35ºC, no entanto, este intervalo tem pequenas variações dependendo da casta, das condições ambientais de crescimento e do período do ciclo vegetativo. Neste referido intervalo, quando o seu limite superior é ultrapassado até ao limite de tolerância de calor, os processos de produção de fotoassimilados ou a sua translocação diminuem, de modo reversível até uma taxa mínima. As temperaturas acima do limite de tolerância, entre 40º a 45ºC, poderão ocorrer danos irreversíveis que afetam a operacionalidade dos fotossistemas das membranas tilacóidais e, eventualmente levam à morte da folha (Moutinho-Pereira, 2000). Os bagos sujeitos a baixas temperaturas têm o processo de acumulação de açúcares mais lento, o seu amadurecimento é mais lento, os ácidos são metabolizados lentamente a uma taxa mais baixa, e a sua concentração à colheita aumenta. Os bagos sujeitos a altas temperaturas podem chegar ao seu limite bioquímico e, assim, limitarem os seus metabolismos (Bergqvist at al., 2001). Desta forma e se, o processo for de forma irreversível, ocorre o efeito chamado segundo Tarara e Lee (2011) “The vine Shuts Down”. 2.4.2. Metabolismos secundários e sombreamento Os compostos fenólicos encontrados nos bagos representam um variado grupo de metabolitos secundários que estão ligados a várias funções das plantas (Tarara et al., 2008). Estes compostos podem ser divididos em duas famílias: os flavonóides e os
FCUP 12 Estado Atual dos Conhecimentos não flavonóides. A família dos não flavonóides incluem os ácidos fenólicos e os estilbenos (exemplo: resveratrol) e a família dos flavonóides incluem os flavonóis que contribuem para atrair polinizadores e dispersar as sementes, que promovem a proteção aos raios UV e promovem a resistência a patógenos e herbívoros, as antocianas que contribuem para a cor das películas e as proantocianidinas (taninos condensados) que protegem o vinho da oxidação, contribuem para a estabilização da cor e aumentam a complexidade no vinho (Tarara et al., 2008; Tarara e Lee, 2011; Cortell e Kennedy, 2006). Os compostos fenólicos representam menos de 1% na constituição do vinho, mas são muito importantes porque contribuem para a cor, sabor, adstringência e benefícios para a saúde humana (Tarara et al., 2008). As uvas são frutos climatéricos que têm duas fases de crescimentos separados por uma fase lag. Desta forma, os flavonóis e as proantocianidinas são biossintetizados durante a fase I de crescimento do bago, enquanto as antocianas são biossintetizadas durante o amadurecimento do fruto (fase II). A acumulação destes compostos pode responder a fatores externos como os raios UV, às condições hídricas, à temperatura, aos níveis nutricionais, tipo de casta, interações com agentes patogénicos e práticas culturais utilizadas (Cortell e Kennedy, 2006; Downy et al., 2006). A exposição dos bagos à radiação solar, sobretudo radiação UV, promove a síntese de flavonóides, mas a sua acumulação é, aparentemente insensível à temperatura (Tarara e Lee, 2011). Os taninos condensados presentes em quantidade variável nas películas dos bagos são influenciados de forma significativa pela exposição solar e pela quantidade de água disponível (Cortell e Kennedy, 2006). A concentração de antocianas nos bagos é afetada negativamente pelas baixas temperaturas e pela redução da radiação incidente ao contrário do que acontece com os bagos expostos a maior intensidade de radiação (Tarara e Lee, 2011). Contudo, as temperaturas excessivamente altas inibem a acumulação de antocianas (Yamane et al., 2006; Bergqvist at al., 2001). O ambiente dos cachos influencia a composição dos bagos. Bagos sombreados, naturalmente ou artificialmente, têm menor quantidade de compostos glicosados do que bagos expostos à luz. Assim, o microclima do bago parece ser muito importante. As práticas culturais que promovem a penetração dos raios solares para os cachos fazem aumentar o potencial aromático nos bagos (Bureau et al., 2000). As relações entre a exposição à luz solar e a temperatura nos cachos de uva são importantes para a composição e metabolismos dos bagos. Diferenças de temperatura entre o ambiente e os frutos expostos aumentam à medida que a radiação solar aumenta e o vento diminuiu. Assim, a radiação solar e a velocidade do vento são os
FCUP 13 Estado Atual dos Conhecimentos dois fatores mais importantes que determinam a temperatura do fruto (Spayd et al., 2002). O microclima da canópia depende do número e da distribuição espacial das folhas. O sombreamento provoca efeitos negativos na produção e na qualidade dos vinhos, na medida em que origina a diminuição na concentração de açucares, na cor e no ácido tartárico bem como, um aumento na concentração de potássio (K), de pH e de ácido málico (Archer e Strauss, 1989). O sombreamento da vinha modifica as características da radiação solar incidente e, consequentemente, cria mudanças no microclima (PAR, temperatura do ar, humidade e velocidade do vento) ao nível dos cachos. A mudança do microclima da vinha tem efeito direto no estado da água na planta, na troca gasosa e na resposta da cultura à água no solo, que tem um grande impacto no rendimento e qualidade da uva (Rana et al., 2004). A utilização de sombreamento na vinha apresenta uma substancial alteração da temperatura e humidade na canópia, onde o potencial aumento da humidade, devido à redução da velocidade do vento em consequência da resistência aerodinâmica, baixa o défice de pressão de vapor, resultando num decréscimo da transpiração e fotossíntese, e por consequência, redução no crescimento, redução na acumulação de flavonóides e aumento dos riscos de doenças criptogâmicas (Downy et al., 2006). No caso da temperatura, esta sofre decréscimos em consequência da alteração da incidência de radiação (Rana et al., 2004) e com influência nos metabolismos secundários. O elevado grau de cachos expostos nos climas quentes pode comprometer a produção de antocianas nos bagos. Nestas condições, enquanto alguma exposição pode ser apropriada, as altas temperaturas dos bagos, resultado da completa exposição dos bagos, são fator inibitório para o metabolismo das antocianas (Haselgrove et al., 2000). Assim, esta técnica de sombreamento afeta o microclima da vinha e, este facto, devese a dois importantes fatores de consequência agronómica. O primeiro fator é que as culturas não sombreadas amadurecem mais cedo e, assim, a sua colheita é mais cedo. A segunda é a modificação do programa de rega quando utilizada nas vinhas sombreadas, pois a evapotranspiração das vinhas sombreadas é mais gradual do que vinhas não sombreadas (Rana et al., 2004).
FCUP 14 Materiais e Métodos 3. Materiais e métodos 3.1. Materiais 3.1.1. Campo experimental O ensaio foi realizado durante o ciclo vegetativo da videira nos anos de 2010 a 2012 na Quinta do Vale Meão (41º 08' Norte, 7º 08' Oeste) que se localiza no concelho de Vila Nova de Foz Côa, distrito da Guarda na sub-região do Douro Superior da Região Demarcada do Douro. Fig. 2 – Vista geral da vinha do ensaio em momento fenológico – Cachos separados (JMT, 2012). A variedade de Vitis Vinífera L. em estudo é a Touriga Nacional (TN) enxertada em porta-enxerto 110R. Esta vinha foi plantada em 1982 com material de seleção massal de TN, com um compasso de 2,2 metros na entrelinha por 1,0 metros na linha, o que representa uma densidade de 4545 plantas por hectare. As linhas estão dispostas segundo a orientação Este – Oeste numa encosta com um declive entre 0 e 8% (Figura 2). O modo de condução da vinha é em monoplano vertical ascendente e podadas em cordão Guyot Duplo com uma carga à poda de cerca de 10 olhos por cepa. Quando a sebe está desenvolvida, é mantida a 1,60 metros de altura e 0,6 a 0,8 metros de largura, sendo utilizados dois arames pareados para orientar a vegetação e realizadas despontas para controlar a altura e largura das sebes. A vinha conta também com um sistema de rega, onde cada bardo possui uma linha de rega
FCUP 21 Materiais e Métodos total por planta. Dos cachos colhidos retiraram-se três amostras de 200 bagos para análise do mosto, do peso e do volume médios dos bagos. No mosto foram analisados os teores em ácido tartárico, ácido málico, as antocianas e extratibilidade das antocianas (OIV, 2005). 3.3. Análise estatística Os dados foram trabalhados estatisticamente, recorrendo ao programa estatístico SPSS (IBM SPSS Statistic 20 for Windows), através de uma análise de variância das médias (ANOVA) em relação aos três níveis de tratamento em estudo, sombreamento junto ao copado, sombreamento a 15 cm do copado e sombreamento a 15 cm do copado com rega. A disposição experimental foi feita num desenho completamente aleatório com um número de repetições distintas de acordo com cada variável e conforme indicado acima. A análise fatorial considerou os tratamentos como fator principal e a separação de médias, feita pelo método de Tukey com nível de significância α=0,05.
FCUP 22 Resultados 2010 4. Resultados 2010 1 4.1. Microclima do copado A temperatura do ar, a humidade relativa e a radiação solar foram significativamente influenciados pela presença da rede. Quadro 1 – Registo de médias das temperaturas do ar, humidade relativa, radiação solar e PAR 2010. Parâmetros registados Atmosfera Não sombreada Sombreada Temperatura média do ar (°C) 26,60 27,47 27,53 Humidade relativa média (%) 41,30 37,84 36,75 Temperatura média junto ao ráquis (°C) - 26,95 27,27 Radiação solar média (Kw.m-2) 0,72 0,044 0,022 PAR média (mmol.m-2.s-1) 1,30 0,094 0,015 Os valores do quadro 1 mostram que a temperatura dentro do copado foi cerca de 3% mais elevada que a temperatura acima do copado. Dentro dos copados sombreados (SFM1 e SPM1) houve uma temperatura superior em cerca de 3,5% do que no copado não sombreado (T). As temperaturas mais elevadas reduziram a humidade relativa, como se verifica na modalidade sombreada (Quadro 1). A redução da radiação total e da PAR são consequência esperada da rede. 4.2. Área foliar total Na figura 7, verificam-se diferenças significativas na área foliar total à vindima entre as modalidades sombreadas e não sombreadas. Fig. 7 – Área foliar total à vindima. T – Testemunha; SFM1 – Sombreamento parcial da floração à maturação; SPM1 – Sombreamento parcial do pintor à maturação. Média de 10 medições por tratamento. Casta Touriga Nacional, Quinta do Vale Meão. 2010. Acima de cada coluna a mesma letra significa diferença não significativa (Tukey HSD0,05). 1 As tabelas de significância dos resultados, analisados estatisticamente, de 2010 encontram-se no Anexo X. a b b 0 10000 20000 30000 40000 50000 T SFM1 SPM1 Área Foliar (cm2)
FCUP 23 Resultados 2010 Constata-se uma redução de área foliar nos copados sombreados, onde se observavam muitas folhas secas. No entanto, não se verificavam diferenças visuais nas partes superiores não ensombradas dos copados de todas as modalidades. 4.3. Componentes da produção O número de cachos entre tratamentos, em média de 24 a 26 (Anexo X, Quadro 1), não apresentou diferenças significativas, mas a produção total foi significativamente mais baixa para o tratamento T em relação aos outros (SFM1 e SPM1) (Figura 9). Fig. 8 – Produção por planta. T – Testemunha; SFM1 – Sombreamento parcial da floração à maturação; SPM1 – Sombreamento parcial do pintor à maturação. Média de 10 medições por modalidade. Casta Touriga Nacional, Quinta do Vale Meão. 2010. Acima de cada coluna a mesma letra significa diferença não significativa (Tukey HSD0,05). As videiras sem sombreamento (T) tinham em média 9,3 cachos com pelo menos 30% de bagos desidratados, valor que era significativamente superior ao das videiras com sombreamento (SFM1 e SPM1) que tinham 4 e 4,7 cachos com bagos desidratados, respetivamente. O peso e volume dos bagos da testemunha são significativamente mais baixos do que os das videiras com sombreamento entre as quais não houve diferenças significativas. Fig. 9 – Peso e volume dos bagos. T – Testemunha; SFM1 – Sombreamento parcial da floração à maturação; SPM1 – Sombreamento parcial do pintor à maturação. Média de 3 medições por modalidade. Casta Touriga Nacional, Quinta do Vale Meão. 2010. Acima de cada coluna a mesma letra significa diferença não significativa (Tukey HSD0,05). b a a 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 T SFM1 SPM1 Produção por planta (g) b a a b a a 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1,0 1,1 1,2 T SFM1 SPM1 Peso bago (g) e Volume (ml) Peso Bago Volume Bago
FCUP 24 Resultados 2010 4.4. Análise físico-químicas Na figura 10 estão representados os valores do álcool provável e da acidez total à maturação comercial, verificando-se que a acidez total teve menores valores no tratamento T e maiores no SPM1, no entanto, não existiram diferenças entre tratamentos T e SFM1 e entre SFM1 e SPM1. O álcool provável teve o seu valor mais baixo na modalidade T mas não significativamente diferente de SFM1. O valor mais elevado registou-se em SPM1 mas sem diferenças significativas de SFM1. Fig. 10 – Acidez total (g.L-1 equivalente em ácido tartárico) e álcool provável. T – Testemunha; SFM1 – Sombreamento parcial da floração à maturação; SPM1 – Sombreamento parcial do pintor à maturação. Média de 3 medições por modalidade. Casta Touriga Nacional, Quinta do Vale Meão. 2010. Acima de cada coluna a mesma letra significa diferença não significativa (Tukey HSD0,05). A produção de antocianas foi significativamente maior em T do que nos outros tratamentos entre os quais não se registaram diferenças significativas (Figura 11). Fig. 11 – Antocianas totais (mg.L-1). T – Testemunha; SFM1 – Sombreamento parcial da floração à maturação; SPM1 – Sombreamento parcial do pintor à maturação. Média de 3 medições por modalidade. Casta Touriga Nacional, Quinta do Vale Meão. 2010. Acima de cada coluna a mesma letra significa diferença não significativa (Tukey HSD0,05). A concentração de ácido málico (Figura 12) no mosto proveniente da modalidade T foi significativamente superior à dos outros tratamentos (SFM1 e SPM1), que não diferem entre si. bc ab a ab a bc 0,0 5,0 10,0 15,0 T SFM1 SPM1 Acidez total (g.L-1) e Álcool provável (%) Álcool provável Ácidez total a b b 500,0 550,0 600,0 650,0 700,0 750,0 800,0 850,0 T SFM1 SPM1 Antocianas totais (mg.L-1)
FCUP 25 Resultados 2010 Fig. 12 – Ácido málico (g.L-1). T – Testemunha; SFM1 – Sombreamento parcial da floração à maturação; SPM1 – Sombreamento parcial do pintor à maturação. Média de 3 medições por modalidade. Casta Touriga Nacional, Quinta do Vale Meão. 2010. Acima de cada coluna a mesma letra significa diferença não significativa (Tukey HSD0,05). a b b 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 T SFM1 SPM1 Acido málico (g.L-1)
FCUP 26 Resultados 2011 5. Resultados 2011 2 5.1. Registos ambientais Fig. 13 – Registos mensais médios da precipitação (P), evapotranspiração (ET0) e temperatura. Estação meteorológica Quinta Vale Meão 2011. Verifica-se na figura 13 que, o mês de Julho registou as maiores temperaturas médias do ar e a menor precipitação. A radiação média solar foi de 0,354 Kw.m-2, uma das mais elevadas, sendo a média anual de 0,199 Kw.m-2, o que corresponde ao maior valor de evapotranspiração potencial. 5.2. Microclima do copado A influência da rede no microclima do copado neste ano foi semelhante ao verificado no ano anterior como se pode ver no Quadro 2. Quadro 2 – Registo de médias das temperaturas, radiação solar. Parâmetros registados Atmosfera Não sombreada Sombreada Temperatura média do ar (°C) 23,9 - - Temperatura média das folhas no topo do copado (°C) - 30,50 30,60 Temperatura média das folhas no terço inferior do copado (°C) - 28,00 26,80 Temperatura média junto ao ráquis (°C) - 29,10 28,20 Radiação solar média (Kw.m-2) 0,35 - - Na análise do quadro 2 verifica-se que todos os tratamentos tiveram temperaturas superiores à atmosfera, e que os tratamentos sem rede apresentam temperaturas das folhas e junto ao ráquis superiores aos tratamentos com rede. 2 As tabelas de significância dos resultados, analisados estatisticamente, de 2011 encontram-se no Anexo XI. 0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 0,0 50,0 100,0 150,0 200,0 Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set T (°C) ET0 e P (mm) Precipitação Evapotranspiração potencial Temperatura
FCUP 27 Resultados 2011 5.3. Área foliar A área foliar total à vindima apresentou um padrão semelhante à verificada no ano de 2010 (Figura 14). Fig. 14 – Área foliar total. T – Testemunha; SFM1 – Sombreamento parcial da floração à maturação; SPM1 – Sombreamento parcial do pintor à maturação. Média de 10 medições por modalidade. Casta Touriga Nacional, Quinta do Vale Meão. 2011. Acima de cada coluna a mesma letra significa diferença não significativa (Tukey HSD0,05). As perdas de área foliar foram significativas nos copados com sombreamento mas sem diferenças significativas entre elas. 5.4. Resistência estomática Na figura 15, a resistência estomática foi significativamente menor nos copados com sombreamento. Fig. 15 – Resistência estomática. T – Testemunha; SFM1 – Sombreamento parcial da floração à maturação. Média de 10 medições por modalidade. Casta Touriga Nacional, Quinta do Vale Meão. 2011. Acima de cada coluna a mesma letra significa diferença não significativa (Tukey HSD0,05). 5.5. Componentes da produção A produção média por planta também neste ano foi inferior na testemunha mas não significativamente diferente para o tratamento SPM1 (Figura 16). O número médio de a b b 0 10000 20000 30000 40000 50000 T SFM1 SPM1 Área foliar (cm2) b a 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 SFM1 T 20 de Junho Resistência estomática (cm-2.s-1)
FCUP 28 Resultados 2011 cachos por planta foi em média de 23 e 24 sem diferenças significativas entre tratamentos (Anexo XI, Quadro 1). Fig. 16 – Produção por planta. T – Testemunha; SFM1 – Sombreamento parcial da floração à maturação; SPM1 – Sombreamento parcial do pintor à maturação. Média de 10 medições por modalidade. Casta Touriga Nacional, Quinta do Vale Meão. 2011. Acima de cada coluna a mesma letra significa diferença não significativa (Tukey HSD0,05). À semelhança do que se verificou no ano anterior, as plantas sem sombreamento tinham um número de cachos com mais de 30% de bagos dissecados significativamente superior à das plantas com sombreamento (Figura 17). Fig. 17 – Número de cachos com mais de 30% de bagos dissecados. T – Testemunha; SFM1 – Sombreamento parcial da floração à maturação; SPM1 – Sombreamento parcial do pintor à maturação. Média de 10 medições por modalidade. Casta Touriga Nacional, Quinta do Vale Meão. 2011. Acima de cada coluna a mesma letra significa diferença não significativa (Tukey HSD0,05). Fig. 18 – Peso do bago e volume. T – Testemunha; SFM1 – Sombreamento parcial da floração à maturação; SPM1 – b a ab 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 T SFM1 SPM1 Produção por planta (g) a b b 0 1 2 3 4 5 6 7 8 T SFM1 SPM1 Número de bagos com >30% passa a a a a a a 0,30 0,50 0,70 0,90 1,10 1,30 T SFM1 SPM1 Peso bago (g) e Volume (ml) Peso Bago Volume Bago
FCUP 29 Resultados 2011 Sombreamento parcial do pintor à maturação. Média de 3 medições por modalidade. Casta Touriga Nacional, Quinta do Vale Meão. 2011. Acima de cada coluna a mesma letra significa diferença não significativa (Tukey HSD0,05). Os parâmetros peso e volume médios dos bagos não revelaram diferenças significativas entre tratamentos (Figura 18). 5.6. Análises físico-químicas De acordo com a figura 19, a acidez total e o álcool provável não se mostraram significativamente influenciados pelos tratamentos. O valor de álcool provável situouse em cerca de 14% e a acidez total atingiu pouco mais de 2 g.L-1 em equivalente de ácido tartárico. Fig. 19 – Acidez total (g.L-1 equivalente de ácido tartárico) e álcool provável. T – Testemunha; SFM1 – Sombreamento parcial da floração à maturação; SPM1 – Sombreamento parcial do pintor à maturação. Média de 3 medições por modalidade. Casta Touriga Nacional, Quinta do Vale Meão. 2011. Acima de cada coluna a mesma letra significa diferença não significativa (Tukey HSD0,05). A produção de antocianas (Figura 20) apresentou resultados significativamente diferentes, nomeadamente no tratamento T relativamente aos outros que não exibiram diferenças significativas entre si. Estes resultados são semelhantes aos de 2010 (Figura 11). Fig. 20 – Antocianas totais. T – Testemunha; SFM1 – Sombreamento parcial da floração à maturação; SPM1 – Sombreamento parcial do pintor à maturação. Média de 3 medições por modalidade. Casta Touriga Nacional, Quinta do Vale Meão. 2011. Acima de cada coluna a mesma letra significa diferença não significativa (Tukey HSD0,05). a a a a a a 0,00 5,00 10,00 15,00 T SFM1 SPM1 Ácidez total (g.L-1) e Álcool provável (%) Álcool provável Ácidez total a b b 500,0 600,0 700,0 800,0 900,0 1000,0 T SFM1 SPM1 Antocianas totais (mg.L-1)
FCUP 30 Resultados 2011 A percentagem média da extratibilidade de antocianas (%EA) decresce de T para SPM1 com um valor intermédio para SFM1 sem diferença significativa de T para SFM1 e deste para SPM1 (Figura 21). Fig. 21 – Percentagem média da extratibilidade das antocianas. T – Testemunha; SFM1 – Sombreamento parcial da floração à maturação; SPM1 – Sombreamento parcial do pintor à maturação. Média de 3 medições por modalidade. Casta Touriga Nacional, Quinta do Vale Meão. 2011. Acima de cada coluna a mesma letra significa diferença não significativa (Tukey HSD0,05). Outros parâmetros avaliados como o ácido málico, ácido tartárico, pH, índice de polifenois, antocianas extraíveis durante a vinificação e o índice de maturação fenólica das grainhas não apresentaram diferenças significativas entre tratamentos. 5.7. Expressão vegetativa e vigor No quadro 3 estão representados os parâmetros que caraterizam a expressão vegetativa e o vigor dos três tratamentos em estudo do ano 2011. As variáveis analisadas não apresentaram diferenças significativas em função dos tratamentos de sombreamento. Deve-se notar que o peso por vara, apresentou em todos os tratamentos valores superiores aos considerados como valores ideais (20 a 40g) por Smart e Robinson (1991), que configura uma situação de vigor excessivo, encontrando-se próximos dos valores considerados ideais para as condições do estudo (Queiroz, 2002). Quadro 3 – Média dos tratamentos nos valores de vigor e expressão vegetativa. T – Testemunha; SFM1 – Sombreamento parcial da floração à maturação; SPM1 – Sombreamento parcial do pintor à maturação. Média de 3 medições por modalidade. Casta Touriga Nacional, Quinta do Vale Meão. 2011. Modalidades N° varas/videira Lenha de poda (Kg) Peso/vara (g) SFM1 12,85 1,211 71,5 SPM1 13,08 1,354 91,4 T 13,73 1,270 75,1 Sig. n.s. n.s. n.s. a ab b 0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 35,0 40,0 T SFM1 SPM1 % EA
FCUP 37 Resultados 2012 Fig. 25 – Potencial hídrico foliar ao meio dia solar. T – Testemunha; T (15cm) – Testemunha com rede a 15 cm; SFM1 – Sombreamento parcial da floração à maturação; SPM1 – Sombreamento parcial do pintor à maturação; SFM2 – Sombreamento parcial (15cm) da floração à maturação; SPM2 – Sombreamento parcial (15 cm) do pintor à maturação; SFM3r – Sombreamento parcial (15cm) da floração à maturação com rega; SPM3r – Sombreamento parcial (15 cm) do pintor à maturação com rega; Tr – Testemunha com rega. Média de 3 medições por modalidade e por hora. Casta Touriga Nacional, Quinta do Vale Meão. 2012. Acima de cada coluna a mesma letra significa diferença não significativa (Tukey HSD0,05). 6.5.2. Condutância estomática Na figura 26 estão representados os valores da condutância estomática (gs) medidas ao meio dia solar em três datas do ciclo vegetativo (20 de Junho, 10 de Julho e 1 de Agosto) e os correspondentes valores de Ψf. Fig. 26 – Condutância estomática e potencial hídrico foliar ao meio dia solar. T – Testemunha; SFM2 – Sombreamento parcial (15cm) da floração à maturação; SFM3r – Sombreamento parcial (15cm) da floração à maturação com rega; Tr – Testemunha com rega. Casta Touriga Nacional, Quinta do Vale Meão. 2012. Acima de cada coluna a mesma letra significa diferença não significativa (Tukey HSD0,05). Os tratamentos regados (SFM3r e Tr) apresentam gs superior aos não regados sobretudo em períodos mais avançados do ciclo vegetativo. O sombreamento não teve efeito significativo em gs. As condutâncias mais elevadas correspondem, grosso modo, às plantas com valores Ψf menos negativos. ab a a a abc a ab a a a ab a a a ab a b b c a bc a ab b c a -2,0 -1,5 -1,0 -0,5 0,0 20-Jun 10-Jul 31-Jul 23-Ago Potencial Hídrico (-MPa) SFM1 SPM1 SFM2 SPM2 T SFM3r SPM3r Tr ab b b b b b ab a a a b a ab a a a a a b b b ab b b -2 -1 0 1 2 3 4 20-Jun 10-Jul 01-Ago Potencial Hídrico Foliar (-Mpa) e Condutância Estomatica (gs/100) (cm-2.s-1) Tr SFM2 T SFM3r
FCUP 38 Resultados 2012 6.5.3. Temperatura das folhas e bagos Na figura 27 encontram-se representadas as temperaturas das folhas ao meio dia solar entre tratamentos e respetivas datas de medição. Fig. 27 – Temperaturas médias das folhas ao meio dia solar. T – Testemunha; SFM2 – Sombreamento parcial (15cm) da floração à maturação; SPM2 – Sombreamento parcial (15 cm) do pintor à maturação; SFM3r – Sombreamento parcial (15cm) da floração à maturação com rega; SPM3r – Sombreamento parcial (15 cm) do pintor à maturação com rega; Tr – Testemunha com rega. Média de 20 medições por modalidade. Casta Touriga Nacional, Quinta do Vale Meão. 2012. Acima de cada coluna a mesma letra significa diferença não significativa (Tukey HSD0,05). A temperatura das folhas é significativamente mais baixa nas plantas regadas do que nas não regadas. Este padrão não se verifica claramente na medição de 1 Agosto. A temperatura das folhas das plantas sombreadas não apresenta diferença significativa em relação às não sombreadas. Na figura 28 encontram-se representados os valores registados das temperaturas dos bagos nos diferentes tratamentos. Fig. 28 – Temperaturas médias dos cachos ao meio dia solar. T – Testemunha; SFM2 – Sombreamento parcial (15cm) da floração à maturação; SPM2 – Sombreamento parcial (15 cm) do pintor à maturação; SFM3r – Sombreamento parcial (15cm) da floração à maturação com rega; SPM3r – Sombreamento parcial (15 cm) do pintor à maturação com rega; Tr – Testemunha com rega. Média de 20 medições por modalidade. Casta Touriga Nacional, Quinta do Vale Meão. 2012. Acima de cada coluna a mesma letra significa diferença não significativa (Tukey HSD0,05). Pela observação da figura supramencionada verifica-se que, no estado pré-pintor, há uma significativa baixa de temperatura do bago entre os tratamentos regados (SFM3r e Tr) e os não regados (SFM2 e T) em cerca de ±3,0°C. Tal como se verificou nas folhas, a temperatura do bago não apresentou diferença significativa entre plantas a a a ab a a a a a ab a b b b b a b b b 0 10 20 30 40 06-Jun 20-Jun 10-Jul 01-Ago 19-Set Temperaturas das folhas (°C) SFM2 SPM2 T SFM3r SPM3r Tr a a a a b a b a a a 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 35,0 Pré-Pintor Pós-Pintor Temperaturas dos cachos (°C) SFM2 T SFM3r Tr SPM2 SPM3r
FCUP 39 Resultados 2012 sombreadas e não sombreadas. No estado pós-pintor as temperaturas foram semelhantes em todos os tratamentos. Desta forma, ao observar a figura 29 com a evolução das temperaturas (folhas e cachos) após o pintor verifica-se que, nos tratamentos com rega a temperatura das folhas é sempre inferior às dos cachos (-1,2°C) o que acontece, de forma inversa, nos tratamentos sem rega. Fig. 29 – Evolução da temperatura média das folhas e dos cachos no estado pós-pintor (1 de Agosto). T – Testemunha; SFM2 – Sombreamento parcial (15cm) da floração à maturação; SPM2 – Sombreamento parcial (15 cm) do pintor à maturação; SFM3r – Sombreamento parcial (15cm) da floração à maturação com rega; SPM3r – Sombreamento parcial (15 cm) do pintor à maturação com rega; Tr – Testemunha com rega. Média de 20 medições por modalidade. Casta Touriga Nacional, Quinta do Vale Meão. 2012. A diferença da temperatura média do ar e a temperatura média das folhas (balanço térmico), apresentado na figura 30 mostra-nos que as modalidades com rega têm um balanço positivo e as modalidades sem rega têm um balanço negativo. Fig. 30 - Balanço térmico entre a temperatura média do ar e a temperatura média das folhas nas diferentes datas e tratamentos. T – Testemunha; SFM2 – Sombreamento parcial (15cm) da floração à maturação; SFM3r – Sombreamento parcial (15cm) da floração à maturação com rega; Tr – Testemunha com rega. Casta Touriga Nacional, Quinta do Vale Meão. 2012. As modalidades SFM3r e Tr têm temperaturas médias das folhas sempre abaixo da temperatura média do ar e as modalidades sem rega têm valores de temperatura das folhas acima das temperaturas do ar exceto em 6 Junho onde o balanço é positivo. 20,0 22,0 24,0 26,0 28,0 30,0 32,0 34,0 SFM2 T SFM3r Tr SPM2 SPM3r Temperaturas (°C) T. Cachos T. folhas -2,00 -1,00 0,00 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 06-Jun 20-Jun 10-Jul 01-Ago 19-Set Diferenças de Temperatura (°C) SFM2 T SFM3r Tr
FCUP 40 Resultados 2012 Desta forma os dados fazem sobressair a influência da rega nas temperaturas o que se traduz em diferenças significativas. 6.6. Componentes da Produção Na figura 31 estão representadas as produções por hectare dos últimos 10 anos da parcela onde se insere o presente ensaio na Quinta do Vale Meão e onde os tratamentos com rede de sombreamento correspondem aos anos 2010, 2011 e 2012. Ao longo destes 10 anos existiram variações na produção onde as maiores produções corresponderam a anos mais chuvosos como o de 2010 com cerca de 6 t.ha-1. As menores produções correspondem a anos menos chuvosos como o caso de 2006 com 2,70 t.ha-1 e 2012 com 3,30 t.ha-1. A média de produção dos últimos 10 anos foi de cerca 4,17 t.ha-1 (linha a tracejado na figura 31). Fig. 31 – Evolução da produção média nos últimos 10 anos da parcela onde se insere o ensaio, com 50% das linhas sombreadas a partir de 2010. A linha tracejada corresponde à média dos 10 anos. O número de cachos por videira, apresentado na figura 32, não apresentou diferença significativa entre tratamentos. Fig. 32 – Número médio de cachos por videira à vindima. T – Testemunha; SFM1 – Sombreamento parcial da floração à maturação; SPM1 – Sombreamento parcial do pintor à maturação; SFM2 – Sombreamento parcial (15cm) da floração à maturação; SPM2 – Sombreamento parcial (15 cm) do pintor à maturação; SFM3r – Sombreamento parcial (15cm) da floração à maturação com rega; SPM3r – Sombreamento parcial (15 cm) do pintor à maturação com rega; Tr – Testemunha com rega. Média de 8 videiras vindimadas por modalidade. Casta Touriga Nacional, Quinta do Vale Meão. 2012. Acima de cada coluna a mesma letra significa diferença não significativa (Tukey HSD0,05). 0,00 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00 7,00 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 Produção média (t.ha-1) a a a a a a a a 0 5 10 15 20 25 SFM1 SPM1 SFM2 SPM2 T SFM3r SPM3r Tr Número de Cachos/Videira
FCUP 41 Resultados 2012 A produção por videira foi significativamente diferente entre tratamentos tendo o maior valor sido atingido no tratamento SFM1 seguido do SPM1 com respetivamente 1,7 Kg e 1,1 Kg por videira (Figura 33). Os restantes tratamentos não apresentaram diferenças significativas Fig. 33 - Produção média por videira. T – Testemunha; SFM1 – Sombreamento parcial da floração à maturação; SPM1 – Sombreamento parcial do pintor à maturação; SFM2 – Sombreamento parcial (15cm) da floração à maturação; SPM2 – Sombreamento parcial (15 cm) do pintor à maturação; SFM3r – Sombreamento parcial (15cm) da floração à maturação com rega; SPM3r – Sombreamento parcial (15 cm) do pintor à maturação com rega; Tr – Testemunha com rega. Média de 8 videiras vindimadas por modalidade. Casta Touriga Nacional, Quinta do Vale Meão. 2012. Acima de cada coluna a mesma letra significa diferença não significativa (Tukey HSD0,05). Na figura 34 apresentam-se os registos da percentagem de passas por tratamento e verifica-se que, os tratamentos regados têm uma percentagem significativamente mais elevada de passas (entre 32 e 45%) em relação aos não regados (entre 9 e 19%), o que pode explicar a baixa produção das mesmas. Fig. 34 – Percentagem média de passas por videira à vindima. T – Testemunha; SFM1 – Sombreamento parcial da floração à maturação; SPM1 – Sombreamento parcial do pintor à maturação; SFM2 – Sombreamento parcial (15cm) da floração à maturação; SPM2 – Sombreamento parcial (15 cm) do pintor à maturação; SFM3r – Sombreamento parcial (15cm) da floração à maturação com rega; SPM3r – Sombreamento parcial (15 cm) do pintor à maturação com rega; Tr – Testemunha com rega. Média de 8 videiras vindimadas por modalidade. Casta Touriga Nacional, Quinta do Vale Meão. 2012. Acima de cada coluna a mesma letra significa diferença não significativa (Tukey HSD0,05). Desta forma os referidos parâmetros vão influenciar o rendimento da vinha onde se espera que a modalidade com maior produção e menor percentagem de passas tenha a ab b b b b b b 0 500 1000 1500 2000 SFM1 SPM1 SFM2 SPM2 T SFM3r SPM3r Tr Produção por planta (g) c c c bc bc ab a bc 0 10 20 30 40 50 SFM1 SPM1 SFM2 SPM2 T SFM3r SPM3r Tr % Bagos desidratados
FCUP 42 Resultados 2012 maior rendimento por hectare. No quadro 9 é apresentado o rendimento (t.ha-1) entre tratamentos. Quadro 9 – Rendimento médio. T – Testemunha; SFM1 – Sombreamento parcial da floração à maturação; SPM1 – Sombreamento parcial do pintor à maturação; SFM2 – Sombreamento parcial (15cm) da floração à maturação; SPM2 – Sombreamento parcial (15 cm) do pintor à maturação; SFM3r – Sombreamento parcial (15cm) da floração à maturação com rega; SPM3r – Sombreamento parcial (15 cm) do pintor à maturação com rega; Tr – Testemunha com rega. Média de 8 videiras vindimadas por modalidade. Casta Touriga Nacional, Quinta do Vale Meão. 2012. Acima de cada coluna a mesma letra significa diferença não significativa (Tukey HSD0,05). Tratamento Rendimento (t.ha-1) SFM1 7,9 a SPM1 5,1 ab SFM2 3,8 b SPM2 2,4 b T 4,9 b SFM3r 2,9 b SPM3r 2,5 b Tr 3,6 b Sig. * Contata-se que a modalidade SFM1 é a que tem um maior rendimento (t.ha-1), com diferenças significativas das restantes modalidades, exceto da SPM1. 6.6.1. Evolução da maturação O peso médio do bago (Figura 35) teve uma diferença significativa entre os tratamentos regados SFM3r, SPM3r, Tr e os tratamentos não regados SFM1, SPM1, SFM2, SPM2 e T. Estas últimas com um peso por bago sempre inferior, o que demonstra a influência da variável rega no peso por bago. Fig. 35 – Evolução do peso do bago entre o início da maturação (23 e 30 de Agosto) e a vindima (13 de Setembro). T – Testemunha; SFM1 – Sombreamento parcial da floração à maturação; SPM1 – Sombreamento parcial do pintor à maturação; SFM2 – Sombreamento parcial (15cm) da floração à maturação; SPM2 – Sombreamento parcial (15 cm) do pintor à maturação; SFM3r – Sombreamento parcial (15cm) da floração à maturação com rega; SPM3r – Sombreamento parcial (15 cm) do pintor à maturação com rega; Tr – Testemunha com rega. Casta Touriga Nacional, Quinta do Vale Meão. 2012. Barras indicam erro padrão. 0,80 1,00 1,20 1,40 1,60 1,80 23-Ago 30-Ago 06-Set 13-Set Peso/bagos (g) SFM1 SPM1 SFM2 SPM2 T SFM3r SPM3r Tr
FCUP 43 Resultados 2012 Na figura 36, apresentam-se os resultados referentes ao volume dos bagos verificando-se que não houve diferenças estatisticamente significativas entre tratamentos, ainda que tendencialmente o volume seja superior nas modalidades regadas. Fig. 36 – Evolução do volume dos bagos entre o início da maturação (23 e 30 Agosto) e a vindima (13 de Setembro). T – Testemunha; SFM1 – Sombreamento parcial da floração à maturação; SPM1 – Sombreamento parcial do pintor à maturação; SFM2 – Sombreamento parcial (15cm) da floração à maturação; SPM2 – Sombreamento parcial (15 cm) do pintor à maturação; SFM3r – Sombreamento parcial (15cm) da floração à maturação com rega; SPM3r – Sombreamento parcial (15 cm) do pintor à maturação com rega; Tr – Testemunha com rega. Casta Touriga Nacional, Quinta do Vale Meão. 2012. Barras indicam erro padrão. 6.6.2. Análise química do mosto O teor de álcool provável (TAP) evoluiu com seria de esperado com um aumento gradual ao longo da maturação mas sem diferença significativa entre tratamentos (Figura 37) (Anexo XII, Quadro 8). Fig. 37 – Evolução do teor de álcool provável entre o início da maturação (23 e 30 Agosto) e a vindima (13 de Setembro). T – Testemunha; SFM1 – Sombreamento parcial da floração à maturação; SPM1 – Sombreamento parcial do pintor à maturação; SFM2 – Sombreamento parcial (15cm) da floração à maturação; SPM2 – Sombreamento parcial (15 cm) do pintor à maturação; SFM3r – Sombreamento parcial (15cm) da floração à maturação com rega; SPM3r – Sombreamento parcial (15 cm) do pintor à maturação com rega; Tr – Testemunha com rega. Casta Touriga Nacional, Quinta do Vale Meão. 2012. Barras indicam erro padrão. Relativamente ao pH, verificou-se um aumento progressivo ao longo da maturação sem diferenças significativas entre tratamentos, apresentando valores na ordem de 3,75 à vindima (Figura 38). 60,0 160,0 260,0 360,0 23-Ago 30-Ago 06-Set 13-Set Volume (ml) SFM1 SPM1 SFM2 SPM2 T SFM3r SPM3r Tr 10,0 13,0 16,0 19,0 23-Ago 30-Ago 06-Set 13-Set TAP (% v/v) SFM1 SPM1 SFM2 SPM2 T SFM3r SPM3r Tr
FCUP 44 Resultados 2012 Fig. 38 – Evolução do pH entre o início da maturação (23 e 30 Agosto) e a vindima (13 de Setembro). T – Testemunha; SFM1 – Sombreamento parcial da floração à maturação; SPM1 – Sombreamento parcial do pintor à maturação; SFM2 – Sombreamento parcial (15cm) da floração à maturação; SPM2 – Sombreamento parcial (15 cm) do pintor à maturação; SFM3r – Sombreamento parcial (15cm) da floração à maturação com rega; SPM3r – Sombreamento parcial (15 cm) do pintor à maturação com rega; Tr – Testemunha com rega. Casta Touriga Nacional, Quinta do Vale Meão. 2012. Barras indicam erro padrão. Na acumulação total de antocianas não se verificou nenhuma diferença significativa entre as diferentes modalidades de tratamento (Figura 39). Fig. 39 – Totais de antocianas. T – Testemunha; SFM1 – Sombreamento parcial da floração à maturação; SPM1 – Sombreamento parcial do pintor à maturação; SFM2 – Sombreamento parcial (15cm) da floração à maturação; SPM2 – Sombreamento parcial (15 cm) do pintor à maturação; SFM3r – Sombreamento parcial (15cm) da floração à maturação com rega; SPM3r – Sombreamento parcial (15 cm) do pintor à maturação com rega; Tr – Testemunha com rega. Média de 200 bagos por modalidade. Casta Touriga Nacional, Quinta do Vale Meão. 2012. Acima de cada coluna a mesma letra significa diferença não significativa (Tukey HSD0,05). O ácido tartárico (Figura 40) dos mostos não apresenta diferenças significativas entre tratamentos. O ácido málico (Figura 41) no mosto segue o mesmo padrão que o ácido tartárico sem diferenças significativas entre tratamentos. 3,30 3,50 3,70 3,90 4,10 23-Ago 30-Ago 06-Set 13-Set pH Mosto SFM1 SPM1 SFM2 SPM2 T SFM3r SPM3r Tr a a a a a a a a 0,0 500,0 1000,0 1500,0 2000,0 2500,0 3000,0 SFM1 SPM1 SFM2 SPM2 T SFM3r SPM3r Tr Total Antocianas (mg L-1)
FCUP 45 Resultados 2012 Fig. 40 – Concentração de ácido tartárico. T – Testemunha; SFM1 – Sombreamento parcial da floração à maturação; SPM1 – Sombreamento parcial do pintor à maturação; SFM2 – Sombreamento parcial (15cm) da floração à maturação; SPM2 – Sombreamento parcial (15 cm) do pintor à maturação; SFM3r – Sombreamento parcial (15cm) da floração à maturação com rega; SPM3r – Sombreamento parcial (15 cm) do pintor à maturação com rega; Tr – Testemunha com rega. Média de 200 bagos por modalidade. Casta Touriga Nacional, Quinta do Vale Meão. 2012. Acima de cada coluna a mesma letra significa diferença não significativa (Tukey HSD0,05). Fig. 41 – Concentração de ácido málico. T – Testemunha; SFM1 – Sombreamento parcial da floração à maturação; SPM1 – Sombreamento parcial do pintor à maturação; SFM2 – Sombreamento parcial (15cm) da floração à maturação; SPM2 – Sombreamento parcial (15 cm) do pintor à maturação; SFM3r – Sombreamento parcial (15cm) da floração à maturação com rega; SPM3r – Sombreamento parcial (15 cm) do pintor à maturação com rega; Tr – Testemunha com rega. Média de 200 bagos por modalidade. Casta Touriga Nacional, Quinta do Vale Meão. 2012. Acima de cada coluna a mesma letra significa diferença não significativa (Tukey HSD0,05). a a a a a a a a 0,00 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00 SFM1 SPM1 SFM2 SPM2 T SFM3r SPM3r Tr Ácido tartárico (g.L-1) a a a a a a a a 0,00 0,20 0,40 0,60 0,80 1,00 1,20 1,40 1,60 1,80 2,00 SFM1 SPM1 SFM2 SPM2 T SFM3r SPM3r Tr Ácido málico (g.L-1)
FCUP 46 Discussão 7. Discussão Nos três anos que durou o trabalho os tratamentos de sombreamento associados à rega resultaram em diferenças significativas na quantidade e qualidade das uvas. Os resultados foram também influenciados pelas diferenças climáticas sentidas em cada ano, sobretudo em 2012 em que houve uma grande redução da precipitação em relação à média anual. 7.1. Estrutura do coberto vegetal Nos tratamentos sem rega, as plantas apresentaram uma área foliar (AF) significativamente menor nos copados sombreados. A influência das temperaturas elevadas e menor radiação solar, protagonizado pelo sombreamento, resultou na sua redução. Esta redução constituiu uma estratégia da planta para reduzir as perdas de água (Gil e Pszczółkowski, 2007). No período pré-pintor, a área média das folhas (AMF) das plantas regadas foi significativamente superior às das não regadas e, no período pós-pintor, a AMF das plantas regadas foi significativamente inferior à das não regadas. Esta constatação foi observada visualmente na vinha, onde os tratamentos regados tinham mais folhagem seca no período pós-pintor do que os tratamentos sem rega. Nestas modalidades a disponibilidade de água no período pré-pintor favoreceu o crescimento vegetativo. Por sua vez, o corte da rega ao pintor originou a redução na AMF no período pós-pintor. A carência hídrica foi verificada com os potenciais hídricos das plantas regadas próximos das não regadas. Os tratamentos regados apresentaram uma AMF até pintor, superior aos dos tratamentos não regados. Este resultado favoreceu a dinâmica da expressão vegetativa pelo efeito da disponibilidade hídrica nas plantas. O cálculo da SFE revelou diferenças entre os tratamentos regados e os não regados, o que resultou num potencial fotossintético significativamente maior nos tratamentos regados. Globalmente, a percentagem de cachos interiores foi sempre superior à percentagem de cachos expostos.
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FCUP 59 Anexos Anexos
FCUP Anexos Anexo I – Operações culturais e tratamentos fitossanitários na parcela de ensaio no ciclo vegetativo 2012. Quinta do Vale Meão. Actividade Poda Embardamento Erguida Triturar vides Esladroar Escava Erguida vegetação Corte da erva Aplicação da Rede Desponta Rega Fertilizantes Fitofârmacos 1º Trat. Anti-oídio 2º Trat. Anti-oídio 3ª Trat. Antioídio e míldio Vindima Inicio Act. QCh A F P V Apenas matéria orgânica de 6 em 6 anos Apenas para controlo de míldio e oídio Ciclo Veg. Videira Atemp. Repouso Vegetativo Crescimento Vegetativo Atempamento Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago
FCUP Anexos Anexo II – Litologia da Região Demarcada do Douro Fonte: IVDP, 2012
FCUP Anexos Anexo III – Análise de solos parcela em estudo da Quinta do Vale Meão 2012
FCUP Anexos Anexo IX – Estados fenológicos da vinha em estudo na Quinta do Vale Meão. Touriga Nacional ciclo vegetativo 2012. Datas Estado fenológico - Baggiolini 20 Janeiro A 10 Abril D 26 Abril F/G 16 Maio H/I 20 Maio I 29 Maio J 31 Maio Bago de Chumbo 10 Junho K 20 Junho Fecho dos cachos (inicio) 10 Julho L 25 Julho Pintor (M) 23 Agosto Maturação 18 Setembro N (colheita)
FCUP Anexos Anexo X – Tabelas de significância dos resultados de 2010. Tratamentos: T – Testemunha; SFM1 – Sombreamento parcial da floração à maturação; SPM1 – Sombreamento parcial do pintor à maturação. Acima de cada coluna a mesma letra significa diferença não significativa (Tukey HSD0,05). Quadro 1 – Área foliar total à vindima entre tratamentos. Modalidades Número de Cachos Número de cachos com > 30% de passas Área foliar total (cm2) SFM1 25 4,7 b 31 081,98 b SPM1 24 4,0 b 25 134,34 b T 26 9,3 a 43 783,32 a Sig. * * Quadro 2 – Peso e volume dos bagos, produção por planta entre tratamentos. Modalidades Peso do bago (g) Volume (ml) Produção por planta (g) SFM1 1,08 a 0,55 a 2700 a SPM1 1,08 a 0,58 a 2900 a T 1,05 b 0,52 b 1400 b Sig. * * * Quadro 3 – Acidez total, álcool provável, antocianas totais e ácido málico entre tratamentos. Modalidades Acidez total (g.L-1) Álcool provável (%) Antocianas totais (mg.L-1) Ácido málico (g.L-1) SFM1 3,19 a 13,06 ab 707,82 b 1,7 b SPM1 3,05 bc 13,13 a 647,21 b 1,6 b T 3,15 ab 12,63 bc 776,18 a 2,0 a Sig. * * * *
FCUP Anexos Anexo XI – Tabelas de significância dos resultados de 2011. Tratamentos: T – Testemunha; SFM1 – Sombreamento parcial da floração à maturação; SPM1 – Sombreamento parcial do pintor à maturação. Acima de cada coluna a mesma letra significa diferença não significativa (Tukey HSD0,05). Quadro 1 – Área foliar total entre tratamentos. Modalidades Número de Cachos Área foliar total (cm2) SFM1 23,7 31 024,92 a SPM1 23,2 32 402,44 a T 24,0 41 442,40 b Sig. - * Quadro 2 – Resistência estomática entre tratamentos. Modalidades Resistência estomática (cm-2.s-1) SFM1 1,22 b T 3,03 a Sig. * Quadro 3 – Produção por planta, número de cachos dissecados, peso e volume entre tratamentos. Modalidades Produção por planta (g) Número de cachos com > 30% de passas Peso do bago (g) Volume (ml) SFM1 2519,1 a 4,3 a 0,99 a 0,47 a SPM1 2269,0 ab 4,5 a 1,03 a 0,49 a T 2027,5 b 6,9 b 1,06 a 0,53 a Sig. * * n.s. n.s. Quadro 4 – Acidez total, álcool provável, antocianas totais e extratibilidade de antocianas entre tratamentos. Modalidades Acidez total (g.L-1) Álcool provável (%) Antocianas totais (mg.L-1) Extratibilidade das antocianas (%) SFM1 2,53 a 14,22 a 759,27 b 25,97 ab SPM1 2,36 a 14,28 a 745,50 b 18,33 b T 2,36 a 13,97 a 942,90 a 33,37 a Sig. n.s. n.s. * *
FCUP Anexos Anexo XII – Tabelas de significância dos resultados de 2012. Tratamentos: T – Testemunha; T (15cm) – Testemunha com rede a 15 cm; SFM1 – Sombreamento parcial da floração à maturação; SPM1 – Sombreamento parcial do pintor à maturação; SFM2 – Sombreamento parcial (15cm) da floração à maturação; SPM2 – Sombreamento parcial (15 cm) do pintor à maturação; SFM3r – Sombreamento parcial (15cm) da floração à maturação com rega; SPM3r – Sombreamento parcial (15 cm) do pintor à maturação com rega; Tr – Testemunha com rega. Acima de cada coluna a mesma letra significa diferença não significativa (Tukey HSD0,05). Quadro 1 – Área média das folhas total entre tratamentos. Datas Modalidades Área média foliar (mm2) Sig. 6 Junho S/rede S/rega 19 689,38 a * C/rede S/rega 15 634,44 b C/rede C/rega - S/rede C/rega - 20 Junho S/rede S/rega 14 575,91 b * C/rede S/rega 13 830,24 b C/rede C/rega 19 071,70 a S/rede C/rega 15 172,05 ab 11 Julho S/rede S/rega 21 277,89 a * C/rede S/rega 21 303,59 a C/rede C/rega 14 964,43 b S/rede C/rega 14 723,48 b 31 Julho S/rede S/rega 18 884,21 a * C/rede S/rega 15 141,28 ab C/rede C/rega 13 727,98 b S/rede C/rega 14 991,34 b 23 Agosto S/rede S/rega 15 126,65 ab * C/rede S/rega 15 979,58 a C/rede C/rega 14 568,46 b S/rede C/rega 15 097,57 ab
FCUP Anexos Quadro 2 – Potencial hídrico foliar e condutância estomática ao meio dia solar entre tratamentos. Data Hora Modalidades Potencial Hídrico (-Mpa) Sig. Condutância estomática (gs/100) (cm-2.s-1) Sig. 20 Junho 6 SFM1 -0,31 b * - - SPM1 - SFM2 -0,22 ab SPM2 - T -0,33 b SFM3r -0,12 a SPM3r - Tr -0,10 a 10 SFM1 -0,91 ab * - - SPM1 - SFM2 -0,95 b SPM2 - T -0,94 ab SFM3r -0,82 ab SPM3r - Tr -0,68 a 14 SFM1 -1,15 ab * - * SPM1 - - SFM2 -1,09 ab 2,166 ab SPM2 - - T -1,20 a 1,857 b SFM3r -1,06 b 2,456 ab SPM3r - - Tr -1,18 ab 2,552 a 18 SFM1 -0,78 b * - - SPM1 - SFM2 -0,83 b SPM2 - T -0,86 b SFM3r -0,43 a SPM3r - Tr -0,68 a 10 Julho 6 SFM1 -0,39 b * - - SPM1 - SFM2 -0,43 b SPM2 - T -0,55 b SFM3r -0,12 a SPM3r - Tr -,033 a 10 SFM1 -1,12 b * - - SPM1 - SFM2 -1,22 b SPM2 - T -1,23 b SFM3r -0,70 a SPM3r - Tr -0,99 a 14 SFM1 -1,29 a * - *
FCUP Anexos SPM1 - - SFM2 -1,27 a 2,145 b SPM2 - - T -1,29 a 1,801 b SFM3r -0,87 b 3,017 a SPM3r - - Tr -1,06 b 2,359 b 18 SFM1 -1,22 b * - - SPM1 - SFM2 -1,18 b SPM2 - T -1,19 b SFM3r -0,85 a SPM3r - Tr -0,75 a 31 Julho 6 SFM1 - * - - SPM1 - SFM2 -0,97 b SPM2 - T -0,71 ab SFM3r -0,41 a SPM3r - Tr - 10 SFM1 - * - - SPM1 - SFM2 -1,31 b SPM2 - T -0,96 a SFM3r -0,88 a SPM3r - Tr - 14 SFM1 -1,56 a * - * SPM1 -1,35 abc - SFM2 -1,47 a 2,053 b SPM2 -1,43 ab - T -1,42 ab 2,097 b SFM3r -1,08 c 3,338 a SPM3r -1,16 bc - Tr -1,08 c 3,173 a 18 SFM1 - * - SPM1 - SFM2 -1,63 b SPM2 - - T -1,57 b SFM3r -1,22 a SPM3r - Tr - 23 Agosto 14 SFM1 -1,69 n.s. - - SPM1 -1,75 - SFM2 -1,64 - SPM2 -1,65 - T -1,72 - SFM3r -1,58 - SPM3r -1,49 - Tr -1,48 -
FCUP Anexos Quadro 3 – Temperaturas médias das folhas ao meio dia solar entre tratamentos. Datas Modalidades Temperatura das folhas (°C) Sig. 6 Junho SFM2 24,03 a n.s. SPM2 - T 23,47 a SFM3r - SPM3r - Tr - 20 Junho SFM2 27,99 a * SPM2 - T 28,35 a SFM3r 24,55 b SPM3r - Tr 24,79 b 10 Julho SFM2 29,93 a * SPM2 - T 29,65 a SFM3r 25,24 b SPM3r - Tr 25,77 b 1 Agosto SFM2 30,32 ab * SPM2 31,44 a T 30,55 ab SFM3r 29,15 b SPM3r 30,99 a Tr 29,95 b 19 Setembro SFM2 26,22 a * SPM2 - T 26,32 a SFM3r 24,28 b SPM3r - Tr - Quadro 4 – Temperaturas médias dos cachos ao meio dia solar entre tratamentos. Época Modalidades Temperatura dos cachos (°C) Sig. Pré-pintor SFM2 30,5 a * T 30,2 a SFM3r 27,6 b Tr 27,2 b Pós-pintor SFM2 30,0 n.s. SPM2 30,5 T 30,0 SFM3r 30,2 SPM3r 31,2 Tr 31,2
FCUP Anexos Quadro 5 – Balanço térmico entre a temperatura média do ar e a temperatura média das folhas nas diferentes datas e tratamentos. Balanço térmico entre a temperatura média do ar e a temperatura média das folhas 06-Jun 20-Jun 10-Jul 01-Ago 19-Set Temp. Dif. Temp. Dif. Temp. Dif. Temp. Dif. Temp. Dif. Folhas Temp. Folhas Temp. Folhas Temp. Folhas Temp. Folhas Temp. SFM2 24,03 1,77 P 27,99 -1,09 N 29,93 -0,33 N 30,32 -0,42 N 26,22 -0,72 N SPM2 - - - - - - 31,44 -1,54 N - - T 23,47 2,33 P 28,35 -1,45 N 29,65 -0,05 N 30,56 -0,66 N 26,32 -0,82 N SFM3r - - 24,55 2,35 P 25,24 4,36 P 29,15 0,75 P 24,28 1,23 P SPM3r - - - - - - 31,00 -1,10 N - - Tr - 24,79 2,11 P 25,77 3,83 P 29,95 -0,05 N - - Temp. ar 25,8 - 26,9 - 29,6 29,9 - 25,5 - Quadro 6 – Evolução da produção média nos últimos 10 anos da parcela. Anos Produção média (t.ha-1) 2003 4,77 2004 4,78 2005 3,84 2006 2,69 2007 4,30 2008 3,64 2009 3,53 2010 6,21 2011 4,58 2012 3,31
FCUP Anexos Quadro 7 – Evolução do peso, do volume, do álcool provável e do pH do bago entre o início da maturação e a vindima. Data Modalidades Peso por bago (g) Volume por 200 bagos (ml) Álcool provável (%) pH mosto 23 Agosto SFM1 1,09 a 192,2 12,5 3,50 SPM1 1,04 a 179,8 12,8 3,48 SFM2 1,13 a 194,1 12,9 3,50 SPM2 1,09 a 201,5 13,1 3,51 T 0,95 a 142,6 12,6 3,54 SFM3r 1,46 b 282,1 13,1 3,48 SPM3r 1,42 b 291,4 13,7 3,53 Tr 1,33 b 229,4 13,2 3,54 30 Agosto SFM1 1,31 a 136,0 12,5 3,47 SPM1 1,20 a 126,0 13,2 3,60 SFM2 1,19 a 134,0 13,1 3,58 SPM2 1,30 a 142,0 13,2 3,51 T 1,23 a 143,0 13,1 3,67 SFM3r 1,57 b 190,0 13,1 3,54 SPM3r 1,53 b 183,0 14,0 3,62 Tr 1,58 b 180,0 13,3 3,60 6 Setembro SFM1 1,15 a 130,0 13,4 3,61 SPM1 1,09 a 116,0 13,9 3,64 SFM2 1,17 a 116,0 13,8 3,58 SPM2 1,13 a 124,0 14,1 3,68 T 1,13 a 122,0 13,4 3,62 SFM3r 1,47 b 171,0 14,1 3,70 SPM3r 1,43 b 165,0 14,5 3,67 Tr 1,46 b 164,0 14,4 3,71 13 Setembro SFM1 1,28 a 131,0 14,2 3,71 SPM1 1,13 a 120,0 14,8 3,78 SFM2 1,13 a 114,0 14,6 3,72 SPM2 1,16 a 120,0 14,9 3,73 T 1,07 a 113,0 14,5 3,82 SFM3r 1,46 b 152,0 14,8 3,71 SPM3r 1,32 b 146,0 15,4 3,79 Tr 1,40 b 158,0 14,8 3,81 Sig. * n.s. n.s. n.s.
FCUP Anexos Quadro 8 – Número médio de cachos, produção, bagos dessecados por videira à vindima entre tratamentos. Modalidades Número de cachos por videira Produção por videira (Kg) Bagos dessecados (%) Rendimento (t.ha-1) SFM1 20,63 1,746 a 9,38 c 7,938 a SPM1 16,13 1,124 ab 11,25 c 5,113 ab SFM2 13,00 0,841 b 9,38 c 3,813 b SPM2 11,00 0,538 b 23,13 bc 2,425 b T 20,97 1,074 b 19,53 bc 4,894 b SFM3r 11,38 0,633 b 35,63 ab 2,875 b SPM3r 10,88 0,553 b 45,00 a 2,500 b Tr 12,38 0,783 b 32,81 ab 3,569 b Sig. n.s. * * * Quadro 9 – Totais de antocianas e concentração de ácido tartárico e málico entre tratamentos. Modalidades Total antocianas (g.L-1) Ácido málico (g.L-1) Ácido tartárico (g.L-1) SFM1 1,59 1,47 5,05 SPM1 2,49 1,30 4,45 SFM2 2,23 1,47 4,45 SPM2 2,12 1,36 5,10 T 2,07 1,55 4,76 SFM3r 2,21 1,72 4,50 SPM3r 2,17 1,52 4,75 Tr 2,21 1,47 4,15 Sig. n.s. n.s. n.s.