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As Relações Económicas Luso-Chinesas.

Carlos David Gaspar Loureiro

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As Relações Económicas Luso-Chinesas Carlos David Gaspar Loureiro [email protected] Relatório de Estágio Mestrado em Economia e Gestão Internacional Orientado por: Prof. Doutora Ana Paula Africano Setembro de 2015 ii Agradecimentos Sem pretender, com esta introdução, tecer quaisquer considerandos relativos ao conteúdo deste relatório, e muito menos realçar quaisquer aspetos em especial, é meu desejo, todavia, servir-me dela para expressar de forma viva e sentida, o meu reconhecimento a todos quantos, nesta “caminhada” de continuidade, me favoreceram com o seu saber e competência, proporcionando-me uma constante formação e atualização, sem as quais, pode afirmar-se, não há competência que resista à rotina nem conhecimentos que não envelheçam. À minha orientadora, Prof. Doutora Ana Paula Africano, muito agradeço, para além dos ensinamentos enriquecedores, o apoio dispensado ao longo deste ano. Ao Dr. Sérgio Martins Alves, Secretário-Geral da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa, por me ter proporcionado o estágio curricular na CCILC e pelo apoio dispensado, as palavras amigas de incentivo, a camaradagem no relacionamento do dia a dia. Aos Professores do Mestrado em Economia e Gestão Internacional da Faculdade de Economia do Porto, pelo saber e experiência partilhados. Aos meus colegas de curso e de Estágio Curricular pelo companheirismo e pelos bons momentos. iii Resumo Nas últimas três décadas, com as reformas iniciadas por Deng Xiaoping, a China transformou o seu sistema económico, de uma economia de planificação central, fechada ao comércio internacional, para uma economia de mercado. A China é o primeiro exportador e o segundo importador a nível mundial, sendo a segunda maior economia do mundo sendo as empresas chinesas das maiores a nível mundial com enorme capacidade financeira. A China está agora a mudar o modelo económico, que assentava no investimento e nas exportações, para um que assenta no consumo interno. O aumento esperado da classe média chinesa, nos próximos anos, irá fazer deste país um mercado ainda mais apetecível também para as empresas portuguesas. Assim, a partir da revisão da literatura e da exposição dos princípios institucionais que regem as relações económicas entre a UE e a China por um lado e Portugal e a China por outro, fizeram com que o objetivo deste estudo fosse o de tentar perceber e aferir a perceção que as empresas portuguesas exportadoras para a China têm sobre o acesso, apoios e presença neste mercado. Com base num inquérito enviado a 160 empresas portuguesas exportadoras para a China, foram obtidas 31 respostas. Os resultados são um contributo para as empresas que se pretendam internacionalizar para a China. As empresas já têm alguns anos de experiência no mercado chinês e antes de entrarem neste mercado já exportavam para outros países. Por falta de informação a China não tem sido a primeira opção para o início de internacionalização, razão pela qual a informação é fundamental para o sucesso. Palavras-chave: Portugal, China, União Europeia, IDE, Comércio Internacional, Exportações. iv Abstract Over the past three decades, with the reforms initiated by Deng Xiaoping, China has transformed its economic system from a centrally planned economy closed to international trade to a market economy. China is the leading exporter and the second biggest importer in the world, being the second largest economy in the world and Chinese companies the largest in the world with huge financial capacity. China is now changing the economic model, which was based on investment and exports to one that relies on domestic consumption. The expected rise of the Chinese middle class, in the coming years will make this country an even more attractive market also for Portuguese companies. Thus, from the literature review and the exposure of institutional principles governing economic relations between the EU and China on the one hand and Portugal and China on the other, they made the aim of this study to try to understand and assess the perception that exporting Portuguese companies to China have on access, support and presence in this market. Based on a survey sent to 160 exporting Portuguese companies to China, 31 responses were obtained. The results are a contribution to companies that wish to internationalize to China. The companies already have some years of experience in the Chinese market and before entering this market, they already exported to other countries. For lack of information, China has not been the first choice for the start of internationalization, which is why the information is critical to success. Keywords: Portugal, China, European Union, FDI, International Trade, Exports v Lista de abreviaturas AICEP - Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal ASEAN - Association of Southeast Asian Nations CAE – Classificação de Atividades Económicas CCILC – Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa HK – Hong Kong IDE – Investimento Direto Estrangeiro I&D – Investigação e Desenvolvimento JV – Joint Venture OMC – Organização Mundial do Comércio RAEM - Região Administrativa Especial de Macau UE – União Europeia WFOE - Wholly Foreign-Owned Enterprise ZCL – Zona de Comércio Livre vi Índice Agradecimentos ……………………………………………………………………………………………………………. ii Resumo ………………………………………………………………………………………………………………………… iii Abstract…………………………………………………………………………………………………………………………. iv Lista de abreviaturas………………………………………………………………………………………………………. v 1. Introdução ............................................................................................................................ 1 2. O Crescimento Económico da China .................................................................................... 7 2.1 Evolução Histórica ................................................................................................. 7 2.1.1 A Nova Rota da Seda............................................................................ 14 3. O Conceito de Parceria Estratégica .................................................................................... 17 4. As Relações Bilaterais UE-China ......................................................................................... 20 4.1 A Parceria Estratégica .......................................................................................... 20 4.1.1.Pilar I – Diálogo Político ....................................................................... 20 4.1.2.Pilar II – Diálogo Económico e Sectorial .............................................. 22 4.1.3.Pilar III – Diálogo Intercultural ............................................................. 22 4.2 Comércio e Investimento China vs EU ................................................................. 24 4.3 A China e a Economia Europeia ........................................................................... 29 4.4 Desafios Futuros .................................................................................................. 30 5. Relações Bilaterais Portugal – China .................................................................................. 32 5.1 Investimento da China em Portugal .................................................................... 39 5.2 Macau .................................................................................................................. 41 5.2.1 O Fórum Macau ................................................................................... 44 5.3 Acordo de Cooperação Económica ...................................................................... 50 5.4 Parceria Estratégica Global entre Portugal e a China .......................................... 51 5.5 Informações práticas sobre o acesso ao mercado chinês ................................... 51 6. A Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa .............................................................. 54 vii 7. Fatores Críticos no Acesso ao Mercado da China – Perceção dos Exportadores de Portugal ............................................................................................................................. 57 7.1 Caracterização da amostra .................................................................................. 59 7.2 Perceção das Forças e Fraquezas da Empresa .................................................... 62 7.3 Mercado Chinês – Preparação, Acesso e Presença ............................................. 63 8. Conclusão ........................................................................................................................... 70 Referências ............................................................................................................................. 71 Anexos .................................................................................................................................... 78 Anexo 1 ...................................................................................................................... 78 Anexo 2 ...................................................................................................................... 83 Anexo 3 ...................................................................................................................... 85 Anexo 4 ...................................................................................................................... 87 Anexo 5 ...................................................................................................................... 88 1 1– Introdução O presente trabalho insere-se no âmbito do Mestrado em Economia e Gestão Internacional, para o qual realizei um Estágio Curricular na Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa, de Janeiro a Julho de 2015, uma instituição com prestígio, que tem vindo, desde a data da sua criação (1978), a promover as relações entre Portugal e a China. O crescimento económico que a China experienciou nos últimos 30 anos tem sido descrito como uma história de sucesso. Nestas últimas três décadas, com as reformas iniciadas por Deng Xiaoping (“Política de Reforma e Porta Aberta”), a China transformou o seu sistema económico, de uma economia de planificação central, fechada ao comércio internacional, para uma economia de mercado (KPMG, 2015). A partir deste momento, privilegiou-se a abertura da economia chinesa ao exterior através da liberalização do acesso de empresas estrangeiras ao mercado nacional por forma a modernizar-se o aparelho produtivo. Com esta nova política, liberalizou-se o investimento direto estrangeiro, foram permitidas formas alternativas de propriedade (Samuelson e Nordhaus, 2005), regulamentou-se a associação entre empresas chinesas e empresas estrangeiras (joint ventures) e criaram-se Zonas Económicas Especiais (na zona litoral oriental) (Ferrari, 2008). As regiões com maior crescimento têm sido as zonas costeiras. De facto, esta área “tem-se integrado cada vez mais com outros países e tem atraído um investimento estrangeiro considerável” (Samuelson e Nordhaus, 2005). Outro tipo de medidas que têm vindo a ser tomadas dizem respeito à permissão de “empresas coletivas, privadas e estrangeiras, livres do planeamento, ou controlo central, funcionarem paralelamente a empresas estatais (Samuelson e Nordhaus, 2005). Estas novas formas de propriedade estavam, no final dos anos 90, a produzir mais de metade do PIB da China (Samuelson e Nordhaus, 2005). A China, passou de uma economia da dimensão do Sudão, nos anos 50, para a segunda maior economia atualmente (Rugman e Collinson, 2012). A China tem hoje um papel fundamental no panorama económico e financeiro mundial, por três importantes razões: o seu crescimento é um dos principais motores da economia 8 também a um boom da construção e à privatização de algumas empresas. Ao longo da última década, a economia chinesa tornou-se mais madura (hoje em dia produz semicondutores e aplicações de internet e telemóvel (Deloitte, 2014). A taxa anual média de crescimento do PIB nos anos 1979-2001 foi de 9,6% (Leonard et al., 2013) e o PIB per capita passou de 1039 para 3759 dólares (Maddison, 2013). Nesta fase a China criou Zonas Económicas Especiais, permitiu a atração de Investimento Direto Estrangeiro (IDE) e tornou-se a fábrica do mundo. A partir de 2002, começou a fase da prosperidade moderada. A China entrou na OMC, as empresas chinesas são das maiores a nível mundial 7 (Tabela 1) e possuem uma enorme capacidade financeira. Têm vindo a adquirir participações em algumas das maiores empresas ocidentais por forma a obterem conhecimentos para se tornarem ainda mais competitivas internacionalmente. Tabela 1: Fortune Global 500, 2015 Lugar País Nº de empresas 1º EUA 128 2º China 98 3º Japão 54 4º França 31 5º Reino Unido 29 6º Alemanha 28 7º Coreia do Sul 17 8º Holanda 13 9º Suíça 12 10º Canadá 11 Fonte: Fortune Global 500 7 Na lista de 2015 da Fortune Global 500, a China era 2ª no ranking com 98 empresa. Em 1º lugar encontram-se os EUA com 128 empresas (Fortune, 2015). 9 Como podermos também ver na tabela 2, a China passou de 10 para 98 empresas na lista Fortune Global 500 em apenas 15 anos: Tabela 2: Evolução do nº de empresas chinesas na Fortune Global 500 Ano Nº de empresas % do total da FG500 2000 10 0,02% 2013 89 17,8% 2014 95 19% 2015 98 19,6% Fonte: Fortune Global 500 Entre 2000 e 2013, a China foi responsável por 23% do crescimento mundial (os EUA foram responsáveis por 12%) sendo o maior parceiro comercial de mais de 140 países (Angang, 2015). A China está agora a mudar o modelo que assentava no investimento e nas exportações para um que assenta no consumo interno 8 . O Presidente Xi Jinping apelidou esta nova fase de crescimento de “Novo Normal”, em que o país irá diversificar a sua economia, enveredar por um nível mais sustentável de crescimento e distribuir os benefícios de forma mais equitativa 9 . Estima-se que a classe média continue a aumentar atingindo as 472 milhões de pessoas em 2020 com se pode ver na figura 3: 8 Em 2013, as exportações representaram 25,5% do PIB, enquanto o consumo interno representou 36,2% (UNCTAD, 2015). 9 O 12º Plano Quinquenal (2011-2015), tinha já como pressuposto esta nova fase: criação de 45 milhões de postos de trabalho em áreas urbanas (foram criados 50 milhões); expansão do setor dos serviços de 43% do PIB em 2010 para 48% em 2014; inovação científica e aumento do I&D de 1,75% do PIB em 2010 para 2,2% em 2015; expansão do Estado Social; maior preocupação ambiental (Angang, 2015). O estado chinês está também a promover o investimento privado em empresas estatais, sem no entanto abdicar do controlo. 10 Figura 3: Classe media chinesa em 2020 Fonte: The Economist Ou seja, em apenas 10 anos, a classe média chinesa passará de 47 milhões para 472 milhões. Isto representa um enorme mercado de consumidores e turistas (que poderão equilibrar a balança comercial com UE) aos quais as empresas portuguesas terão de estar muito atentas. O consumo privado urbano 10 passará de 3,2 triliões de dólares em 2010 para 5,6 triliões em 2020 (The Economist, 2015). Em 2022, estima-se que a classe média alta representará 54% das famílias urbanas e 56% do consumo privado urbano 11 (McKinsey & Company, 2013) (Figura 4). 10 As cidades na China são agrupados em quatro níveis de acordo com o seu desenvolvimento económico e importância política. Com base no PIB de 2010: nível 1 – mais de 932 biliões de renmimbi; nível 2 – 120 biliões a 932 biliões; nível 3 – 22 biliões a 120 biliões; nível 4 – menos de 22 biliões (McKinsey & Company, 2013). 11 Estima-se que em 2022 mais de 75% dos consumidores urbanos terão rendimentos entre os 9000 e 34000 dólares (McKinsey & Company, 2013). 11 Figura 4: Consumo privado urbano em 2022 Fonte: McKinsey & Company A China rural também poderá ser um mercado bastante atrativo uma vez que a China está a ligar as zonas rurais menos desenvolvidas ao resto do país (BCG, 2010). Como podemos ver na figura 5, há zonas no interior que podem ser vistas como alternativas à costa este. Cidades como Chongqing e Chengdu podem ser vistas como sendo atrativas apesar de as cidades mais ricas continuarem a ser as da costa este. Cidades em franco crescimento (como Suqian e Xuzhou) a uma distância razoável da costa, são hipóteses que as empresas devem ter em consideração, apesar de as grandes cidades como Pequim ou Shenzhen também poderem oferecer nichos de mercado 12 (The Economist, 2015). 12 Outra questão a ter em consideração em cidades que têm uma população superior a países como Portugal ou Holanda é que mesmo dentro das cidades os grupos de consumidores são altamente segmentados. Assim, as empresas terão que fazer uma segmentação de mercado por zona comercial e até por rua (The Economist, 2015). 12 Figura 5: PIB Per Capita por Província Fonte: The Economist O aumento do consumo interno e da classe média estão a transformar a economia chinesa. Para fazer face a este fenómeno, o investimento no estrangeiro em indústrias de consumo irá aumentar (agroalimentar, produtos de alta tecnologia, energia, infraestruturas, transportes). As empresas chinesas estão a investir no estrangeiro (Figura 6) não só para aceder a novos mercados e recursos mas também para fazer face ao aumento da procura interna por novos bens e serviços 13 (EY, 2015). Ao reduzir a dependência das exportações e aumentar o consumo interno, a China irá abrir ainda mais as suas fronteiras, baixar tarifas, reforçar a internacionalização das suas empresas, criar novas zonas de livre comércio 14 e aumentar o comércio de serviços (Angang, 2015). A China terá também de tomar medidas em relação à corrupção e propriedade intelectual, dois temas que continuam a preocupar os investidores 13 Hoje em dia fala-se em “Made for China” e não em “Made in China”. 14 A 12/12/2014 o Conselho de Estado decidiu criar três novos Free Trade Parks. Tianjin (hub financeiro); Guangdong (aprofundar laços com Macau e HK); Fujian (estreitar laços com Taiwan) (CBBC, 2015). 13 estrangeiros 15 . Num futuro próximo será importante que as empresas portuguesas estejam presentes na China, por forma a poderem abastecer este enorme mercado. Figura 6: Aumento do IDE Fonte: The Economist Além disso, para atrair mais IDE, a China terá que fazer algumas reformas. Alguns exemplos são a liberalização das contas de capital, que implica a facilitação dos fluxos de capital, e a criação de uma “lista negativa”, que é um documento único que indica os setores da economia que estão vedados ao investimento estrangeiro, significando que os que não constarem na lista serão permitidos (Angang, 2015). Uma consequência que a China poderá vir a enfrentar é a armadilha do rendimento médio (aumentar salários para aumento do consumo interno e ao mesmo tempo manter competitividade externa). Nas primeiras fases de desenvolvimento, as nações emergentes reduzem as diferenças de rendimento em relação às nações ricas com relativa facilidade, adotando ou copiando a tecnologia e as ferramentas de gestão das 15 O governo já anunciou medidas para resolver estes dois assuntos, não só para a atração de IDE mas também para promover a inovação e o empreendedorismo. 14 nações desenvolvidas. No entanto, para ultrapassar esta situação, as nações emergentes têm que começar a inventar e a inovar por si mesmas (Sharma, 2013). Assim, para continuar a crescer, a China tem vindo a encorajar as suas empresas a investir fortemente no estrangeiro, para se tornarem globais e para ligar cada vez mais a economia mundial à economia chinesa. Consequentemente, a “Silk Road Economic Belt”, a “21st Century Maritime Silk Road” e o novo Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas revelam-se de extrema importância para o futuro da China. 2.1.1. A Nova Rota da Seda A 28 de Março de 2014, a China’s National Development and Reform Commission em conjunto com os Ministérios dos Negócios Estrangeiros e do Comércio, anunciaram uma série de medidas de política com vista à criação da Nova Rota da Seda 16 (Figura 7). O conceito de Silk Road Economic Belt, foi anunciado pela primeira vez pelo Presidente Xi Jinping, em Setembro de 2013, no Cazaquistão, num discurso realizado na Universidade Nazarbayev. Neste discurso, Xi sugeriu que a China e os países da Ásia Central deveriam cooperar de maneira a que pudesse ser criado um Cinturão Económico da Rota da Seda. Poucos meses mais tarde, em Outubro do mesmo ano, num discurso no Parlamento da Indonésia, o Presidente Xi Jinping anunciou a intenção de criar uma Rota Marítima da Seda (China State Council, 2015). Este ambicioso programa, a que alguns já chamam de Plano Marshall chinês, fará da China a principal potência económica e diplomática da integração Euroasiática (Stokes, 2015). 16 Inclui o Silk Road Economic Belt e a 21st-Century Maritime Silk Road; a política One belt, One Road. 15 Figura 7: A Nova Rota da Seda Fonte: The Wall Street Journal, disponível em http://www.wsj.com/articles/chinas-new-trade-routescenter-it-on-geopolitical-map-1415559290 Este grandioso projeto implica uma maior coordenação diplomática, criação de instalações comerciais padronizadas e interligadas, zonas de livre comércio e outras políticas de facilitação do comércio, maior integração financeira, a promoção do renminbi como moeda de transações comerciais, além de programas de intercâmbio no domínio da educação e cultura entre os vários países da Ásia, Europa, Médio Oriente e África de forma a promover o desenvolvimento sustentável (NDRC, 2015). “The Belt and Road Initiative aims to promote the connectivity of Asian, European and African continents and their adjacent seas, establish and strengthen partnerships among the countries along the Belt and Road, set up all-dimensional, multi-tiered and composite connectivity networks, and realize diversified, independent, balanced and sustainable development in these countries. The connectivity projects of the Initiative will help align and coordinate the development strategies of the countries along the Belt and Road, tap market potential in this region, promote investment and consumption, create demands and job opportunities, enhance people-to-people and cultural exchanges, and mutual learning among the peoples of the relevant countries, and enable them to understand, trust and respect each other and live in harmony, peace and prosperity” (NDRC, 2015). 16 Para a China, este projeto é muito relevante na medida em que irá permitir escoar o excesso de capacidade industrial, acelerar o crescimento das regiões menos desenvolvidas do oeste e sul além de lhe poder assegurar segurança no domínio energético, uma vez que a procura por recursos energéticos continua a aumentar (Stokes, 2015). Para o financiamento destes projetos foram criados os seguintes mecanismos 17 : - o Asian Infrastructure Investment Bank 18 , recentemente criado, irá contribuir com 50 biliões de dólares; - o Fundo da Nova Rota da Seda e o Banco de Desenvolvimento dos BRIC terão 40 biliões de dólares. Esta iniciativa, irá cobrir uma área correspondente a 55% do PIB mundial, 70% da população mundial e 75% das reservas de energia conhecidas (Godement et al., 2015). As estimativas apontam para que o comércio entre os mais de 65 países envolvidos nestas iniciativas chegue aos 2,5 triliões de dólares na próxima década (Stokes, 2015). Assim, é expectável que a China continue a investir nos países que integram este projeto (muitos dos quais com quem estabeleceu Parcerias Estratégicas), em energia (incluindo em energias renováveis), matérias-primas e em infraestruturas aprofundando cada vez mais a integração euroasiática e exporte tecnologia para os países em desenvolvimento na Ásia (Deutsche Bank, 2014; Goldman Sachs, 2015; Economist Corporate Network, 2015). As empresas portuguesas podem tirar proveito deste facto para aumentarem as suas exportações. 17 Além de outras iniciativas bilaterais e multilaterais que podem ascender aos 300 biliões de dólares (Godement et al., 2015). 18 Prevê-se que haja a necessidade de investimento na ordem dos 8 biliões de dólares na região da Ásia Pacífico. A China terá 30,34% do capital e 26,06% dos votos. Portugal é membro fundador. 17 3.-O Conceito de Parceria Estratégica Atualmente, muitos países têm vindo a estabelecer um número cada vez maior de relações especiais com outros países. Estas relações privilegiadas têm vindo a ser institucionalizadas através de “Parcerias Estratégicas”, que podem ser celebradas não só entre países como também entre países e Organizações Internacionais. A título de exemplo, a UE tem 10 Parcerias Estratégicas, a Índia tem mais de 20 e a China mais de 50 (Zhongping e Jing, 2014). Até 2015, a China já estabeleceu 51 Parcerias Estratégicas (48 países e 3 Organizações Internacionais) (Anexo 1). De acordo com Zhongping e Jing (2014), esta proliferação de Parcerias Estratégicas é reflexo do crescente poderio (económico, militar, político, entre outros) e da “adesão” à globalização por parte da China. O conceito de parceria tem as suas raízes na diplomacia chinesa no pós Guerra Fria, tendo a primeira Parceria Estratégica surgido em 1993, ano em que a China estabeleceu uma Parceria Estratégica com o Brasil. Wen Jiabao, antigo Primeiro-Ministro chinês, definiu uma parceria ideal nos seguintes termos, a propósito da sua visita à Europa, a 6 de Maio de 2004, no âmbito das relações com a UE (Mission of the People's Republic of China to the European Union, 2015): “By ‘comprehensive’, it means that the cooperation should be all-dimensional, wide-ranging and multilayered. It covers economic, scientific, technological, political and cultural fields, contains both bilateral and multilateral levels, and is conducted by both governments and non-governmental groups. By ‘strategic’, it means that the cooperation should be long-term and stable, bearing on the larger picture of China-EU relations. It transcends the differences in ideology and social system and is not subjected to the impacts of individual events that occur from time to time. By ‘partnership’, it means that the cooperation should be equal-footed, mutually beneficial and win-win. The two sides should base themselves on mutual respect and mutual trust, endeavour to expand converging interests and seek common ground on the major issues while shelving differences on the minor ones” (China Mission, 2014). No entanto, como refere Hao (2008), as Parcerias Estratégicas não têm todas o mesmo alcance e a mesma importância. Este autor faz uma divisão a quatro níveis, do menos importante para o mais importante. Em último lugar estão as “relações amigáveis de cooperação” inicialmente usadas para normalizar as relações com os países imediatamente a seguir ao fim da Guerra Fria. O nível seguinte é a "amizade e cooperação", no qual a localização geográfica tem grande importância. Estas relações 24 4.2 Comércio e Investimento China vs UE As relações económicas são, de acordo com vários autores (Chengyuan, 2003; Pereira, 2006; Men, 2008; Holslag, 2011; Ewert, 2013; Lambert, 2013; Noguera, 2013; Xin 2013), não só o elemento mais importante, mas aquele que motivou e tem vindo a ser determinante nas relações bilaterais UE-China. Podemos comprovar esta ideia com alguns indicadores. Atualmente, o comércio entre a China e a UE representa cerca de 1 bilião de euros por dia. Na figura 8, podemos constatar que as importações aumentaram de cerca de 150 biliões de euros em 2005, para um valor de cerca de 300 biliões de euros, em 2014, o valor mais alto do período 2005-2014. Por outro lado, as exportações, embora menores quando comparadas com as importações, tiveram uma evolução notável no período em causa. Partindo de um valor de 50 biliões de euros em 2005, esse valor era o triplo em 2014 ou seja, um pouco acima dos 150 biliões de euros. Figura 8: Comércio de bens China-UE Fonte: DG Trade 25 Por outro lado, a balança de serviços é mais favorável à EU (Tabela 3). Em 2013 havia um saldo positivo de 8,1 biliões de euros favoráveis à UE. Tabela 3: Comércio de serviços UE-China (em biliões de euros) Fonte: DG Trade De acordo com a Agenda de Cooperação Estratégica UE-China 2020, iniciaram-se estudos para avaliar a viabilidade de um acordo de comércio livre que permita um valor total de um trilião de dólares através do comércio entre ambas as partes a alcançar até ao ano de 2020 (Xin, 2013). Até ao final de 2012, o IDE da China na UE criou cerca de 2000 empresas que empregavam 42000 trabalhadores locais. As empresas chinesas na UE, passaram de 4525 em 2010 para 7148 em 2012, enquanto os postos de trabalho para trabalhadores locais passou de 27381 em 2010 para 123780 em 2012 (Gang, 2014). A China e a União Europeia representam entre si a maior fonte de importações (Ewert, 2013). Em termos de investimento, de acordo com dados de 2011 da Delegação da UE na China, o IDE da China na UE foi de 7,7 biliões de euros, enquanto o total de IDE da UE na China foi de 15,5 biliões de euros. Em 2013, os stocks de IDE da UE na China eram de 127,7 biliões de euros, enquanto os da China na UE eram de 25,5 biliões de euros (DG Trade, 2015). De facto, comparando o desenvolvimento do investimento com o comércio podemos constatar que aquele é menos expressivo. No entanto, devido à crise que a UE tem vindo a sofrer essa situação tem vindo a alterar-se. Não obstante, o investimento da UE na China continua a ser maior que o investimento da China na UE. Relativamente à crise que a Europa atravessa, o governo chinês, ao oferecer a sua ajuda à Europa, espera Ano Importações UE Exportações UE Saldo 2011 18,2 25,6 7,4 2012 20 25,1 5,1 2013 20,9 29 8,1 26 que não só as relações UE-China mas também a relação com os estados membros per si saiam reforçadas (Zhimin, 2012). Após a entrada da China na OMC, a política chinesa procurou fomentar a criação de campeões nacionais de maneira a poderem competir internacionalmente 19 (Brown, 2012). Desta maneira as empresas chinesas adquirem e investem em empresas estrangeiras por forma a adquirir marcas, tecnologia e know-how. Outro dos motivos do investimento chinês na UE é o de adquirir ativos europeus de maneira a ajudar as exportações chinesas (Clegg e Voss, 2011). O caso da compra do porto do Pireu, na Grécia, por 3,4 biliões de euros, por parte da China Ocean Shipping Group (COSCO) é bem ilustrativo desta estratégia (Brown, 2012). Após a compra do porto, a COSCO deu treino aos trabalhadores do porto, aumentando a produtividade (passando movimentar 22 contentores por hora ao invés dos anteriores 6, superando a média europeia) (Gang, 2014). A China, já não é um país que apenas produz bens baratos. A próxima fase de expansão da China visa mercados desenvolvidos 20 , como é o caso da UE, que são importantes para a China uma vez que lhe possibilitará ascender na cadeia de valor. Assim, a China irá investir em alta tecnologia, tecnologia verde e adquirir marcas conhecidas, obtendo conhecimento empresarial, cadeias de distribuição, capital humano, experiência, tecnologia e reputação 21 tornando-se ainda mais competitiva. Efetivamente, a crise financeira que atingiu a Europa criou oportunidades para as empresas chinesas investirem diretamente na UE, adquirindo empresas europeias (Leonard et al., 2013). Na próxima década, estima-se que o IDE chinês se cifre nos 1,25 triliões de dólares 19 Ver a lista da Fortune Global 500 no capítulo anterior. 20 Em 2014, nove das dez maiores F&A por parte de empresas chinesas foram feitas em economias desenvolvidas. Em 2010, somente quatro tiveram lugar em países desenvolvidos. 21 Muitas empresas chinesas ainda são relativamente desconhecidas internacionalmente. Assim, ao investirem em empresas ocidentais, as empresas chinesas adquirem conhecimento e redes de contacto no Mercado local reduzindo o risco operacional de entrar em novos mercados. Além disso ao trabalhar com equipas de gestão experientes locais, as empresas chinesas têm uma melhor adaptação ao ambiente e cultura de negócios locais, construindo uma imagem positiva e apelativa nos mercados internacionais. Por outro lado, as empresas ocidentais estão recetivas ao capital chinês, ganhando acesso ao enorme mercado que a China representa e melhorando as vantagens competitivas trazidas pelo parceiro chinês. 27 (KPMG, 2015) com a maior parte a ser direcionada para os EUA e UE 22 . O IDE chinês está a entrar numa nova fase em que há um maior enfoque na “qualidade e eficiência” ao invés de “quantidade e velocidade”. Desta forma, é expectável que as empresas chinesas irão investir em sectores de maior valor acrescentado como o agroalimentar, alta tecnologia e imobiliário (KPMG, 2015). No imobiliário, o investimento chinês, em 2014, foi de aproximadamente 17 biliões de dólares, ou seja, um aumento de 46% em relação ao ano anterior (em 2014 o investimento chinês no imobiliário comercial foi superior no estrangeiro se comparado com o investimento interno). O mercado imobiliário na China encontra-se em queda, como consequência direta de novos regulamentos impostos que têm como objetivo incentivar o investimento no estrangeiro (apesar de ter havido um aumento no investimento na Austrália, a Europa continua a ser o destino preferencial). Os investidores chineses estão em processo de internacionalização e diversificação dos seus portfólios (estima-se que em 2015, o investimento no sector imobiliário possa chegar aos 20 biliões de dólares). Mostram preferência por ativos comerciais, espaços para escritórios, espaços comerciais, além de terrenos e edifícios residenciais. A tendência para o investimento no imobiliário irá continuar; as companhias de seguro terão um papel importante no continuar desta tendência. No Reino Unido, a Wanda anunciou um investimento de 700 milhões de libras para a construção de um hotel de luxo de 5 estrelas, em Londres. Em Espanha, a Wanda comprou ao Banco Santander o Edifício España, em Madrid. O Shanghai Greenland investiu em Espanha, no Meliá, e no Reino Unido (984 milhões de dólares pelo edifício e terreno da mais antiga cervejaria do Reino Unido, a Ram Brewery; e 600 milhões de libras por um terreno na Canary Wharf, com estes investimentos, a Shanghai Greenland irá construir edifícios residenciais e comerciais. 22 A recuperação económica destas duas zonas irá proporcionar maiores retornos de investimento continuando a ser boas oportunidades de investimento para empresas chinesas. 28 No setor da energia, a China é um dos maiores importadores mundiais de petróleo 23 . A dependência de petróleo importado e os graves problemas de poluição que afectam as cidades chinesas, estão a motivar a China a reduzir a sua dependência de combustíveis fósseis. Existe, portanto, interesse em energias renováveis (nomeadamente eólica e solar). Na Europa, a China National Petroleum Corporation investiu no Reino Unido (INEOS Britain) e França (INEOS France). No setor agroalimentar, a China investiu no estrangeiro, desde 2005, um total de 32 biliões de dólares. O aumento da classe média chinesa fez com que a procura por produtos estrangeiros como o café aumentasse. O investimento na indústria do vinho também deve ser tido em conta visto que o vinho representa um símbolo de estatuto. A Brightfood, por exemplo, adquiriu 60% da britânica Weetabix. A Synutra investiu na empresa francesa Sodiaal (produtos lácteos), assinando uma parceria comercial. Esta parceria fez da Sodiaal um importante fornecedor da Synutra. Uma nova fábrica de processamento de leite encontra-se em produção no norte de França (data de conclusão: final de 2015). Para ter esta fábrica, a Synutra irá pagar cerca de 135 milhões de euros. Esta fábrica irá produzir aproximadamente 300000 toneladas/ano de leite em pó exclusivamente para o mercado chinês. A COFCO que é a maior empresa chinesa do sector agro-alimentar adquiriu, em 2014, 51% da Nidera (empresa holandesa que produz e comercializa produtos agroalimentares e bioenergéticos). Este investimento proporcionará à COFCO (e à China) um maior controlo dos preços do mercado dos cereais e maior facilidade no acesso a regiões produtoras de cereais, tais como a América Latina e a Rússia. A China é um importante importador de soja (importa por exemplo da Argentina e do Brasil), e tem vindo a investir no agro-alimentar na Europa de Leste. O aumento da riqueza na China tem tido como consequência um grande aumento da procura de alimentos. A China tornou-se, em 2011, um importador líquido de arroz (KPMG, 2015). Assim, estima-se que a China invista cerca de 250 biliões de dólares na próxima década na Europa (Leonard et al., 2013). 23 Em 2013, o aumento do consumo de petróleo da China representou um terço do aumento do consumo de petróleo a nível mundial 29 4.3 A China e a Economia Europeia A entrada da China no comércio internacional, especialmente após 2001, data da adesão da China à OMC, veio claramente alterar as dinâmicas da economia europeia e internacional, alterando qualitativamente o contexto institucional da presença da China no mercado Mundial. Um estudo (Fu et al., 2012) analisou o impacto da China nos preços de exportação de países de baixo e médio rendimento. Concluiu que as importações provenientes de países de médio rendimento competem em termos de preço com as da China e que tem havido competição pelo preço entre a China e países de alto rendimento em produtos de baixa tecnologia. Também se concluiu que o impacto das exportações da China nos países de baixo rendimento não é através da competição pelo preço mas através da expansão de mercados. Outro estudo (Mion e Zhu, 2013) observou que a competição das importações da China reduz o crescimento do emprego mas aumenta os skills dos trabalhadores em indústrias manufatureiras de baixa tecnologia. Facto incontornável é o grau de interdependência que tem vindo a aumentar entre a China e UE. De tal forma é importante esta relação, que pode ser descrita como “too big to fail”. Efetivamente, a economia chinesa teria enormes dificuldades se a UE lhe fechasse o seu mercado, ao passo que a UE teria igual destino se o comércio com a China fosse interrompido (Men, 2008), razão pela qual ambas as partes apoiam o desempenho económico uma da outra (Nawrot, 2013). Outro estudo (Dong e Whalley, 2012) tenta prever o que aconteceria nos fluxos comerciais mundiais se houvesse uma retaliação comercial entre a China e os Estados Unidos. Sendo duas regiões com um grau de interdependência semelhante ao que China e UE têm, pode estabelecer-se um paralelismo. Assim, o estudo usou dois diferentes modelos. Um modelo sugere que a retaliação entre os dois países (EUA-China) beneficiaria o bem-estar dos EUA, que substituiria as despesas com as importações oriundas da China por produção interna, melhorando os termos de troca com regiões que não retaliem; por seu turno, a China e outras regiões que não retaliem seriam negativamente afetadas. Num outro modelo, conclui-se que os EUA e a UE, sofreriam perdas no bem estar, enquanto que a China e o resto do mundo experienciariam ganhos 30 de bem estar. Em ambos os modelos, quando as tarifas bilaterais são muito altas, tanto a China como os EUA sofrem perdas nas exportações, beneficiando o Japão e a UE. A própria estrutura sectorial da economia chinesa está a mudar, apesar de se especializar em bens de trabalho intensivo. Já há sinais de alterações de um upgrade tecnológico em determinados sectores, nomeadamente o sector de produtos eletrónicos, equipamentos de computador e telecomunicações (Li et al., 2012). 4.4 Desafios futuros Os desafios que ameaçam as relações UE-China são fundamentalmente políticos. Relativamente aos desafios políticos, estes são, de acordo com alguns autores (Ewert, 2013; Men, 2008; Men, 2012; Lambert, 2013; Noguera, 2013) fatores que poderão influenciar negativamente as questões de economia. Da parte europeia, as preocupações estão relacionadas com o acesso ao mercado, a concorrência leal, tão necessária ao eficaz uso de capital e ao IDE e o défice comercial. A Câmara de Comércio da UE na China tem vindo a enfatizar a importância da concorrência e a solicitar à China a redução da influência estatal. As reformas no sector privado e o tratamento igual das empresas estrangeiras são outras preocupações da UE (Nawrot, 2013). Da parte da China, as preocupações estão relacionadas com o protecionismo, o estatuto de economia de mercado, o embargo de armas (Nawrot, 2013). Podemos ver na figura 9 um sumário das barreiras ao comércio e investimento: 31 Figura 9: Barreiras ao Comércio e Investimento Fonte: Lu et al., 2014 Efetivamente, a UE e a China são o maior parceiro comercial um do outro, estando as relações económicas cada vez mais fortes. Se estas preocupações, que são vistas como barreiras a uma maior integração das economias fossem eliminadas, as relações económicas seriam ainda maiores. Aliás, são estas barreiras o principal causador do défice comercial da UE (Lu et al., 2014). Diferentes ideias, expectativas e visões estratégicas poderão, e deverão, ser harmonizadas através do diálogo intercultural. É, portanto, fundamental que haja uma complementaridade entre as relações económicas e políticas para haver um maior desenvolvimento da parceria (Ewert, 2013), sendo necessário a confiança mútua, interações frequentes e cooperação (Lu et al., 2014), enfatizando os pontos comuns e atenuando os divergentes (Székely-Doby, 2011). 32 5 – Relações Bilaterais Portugal - China Relativamente a Portugal, de acordo com o Embaixador Huang Songfu em declarações prestadas no International Club of Portugal, em 1979 o volume total do comércio bilateral entre Portugal e a China era apenas de 200 mil dólares, enquanto em 2014, este valor situava-se nos 3,2 biliões de dólares (UN Comtrade, 2015), uma trajectória impressionante se olharmos para os números. As empresas portuguesas têm várias opções estratégicas em relação ao mercado chinês, nomeadamente: “deslocalizar parte da sua cadeia de valor para a China, exportar para o mercado chinês, utilizar a China como uma plataforma exportadora (tirando partido de acordos multilaterais como o ASEAN Free Trade Area e do Mainland and Macau Closer Economic Partnership Arrangement, entre outros, como se pode ver no Anexo 2) e transferência de tecnologia através de IDE” (Ilhéu, 2006). Além disso, a China “oferece mão-de-obra abundante a baixos custos e produtividade crescente, custos de instalação baixas, incentivos governamentais e um enorme mercado potencial” (Ilhéu, 2009). Contudo, “a contínua deslocalização da actividade fabril de empresas estrangeiras para a China, criou desemprego nesses países” podendo os lucros não ser incorporados nos países de origem por serem facturados em offshores ou em Hong Kong (Ilhéu, 2009). De acordo com Ilhéu (2008), as empresas portuguesas com maior sucesso na China, foram as que usaram networks e estabeleceram relações com parceiros chineses duma maneira formal ou informal. Desta forma, estas empresas puderam conhecer melhor o mercado e a sua cultura. Igualmente importante foi o relacionamento com os chineses ultramarinos para um melhor aproveitamento de oportunidades (Ilhéu, 2008). A vasta comunidade chinesa no mundo tem vindo a ganhar preponderância. É responsável por 3% da população e 70% da economia das Filipinas, 4% da população e 70% da economia da Indonésia, 10% da população e 90% da economia da Tailândia, 37% da população e 60% da economia da Malásia e 80% da população e 100% da economia de Singapura. Na América do Norte, a população de origem chinesa é de cerca de 6 milhões, na Europa 2 milhões, na Oceânia 1 milhão e em África 0,2 milhões. Esta comunidade possui um valor estimado em ativos de cerca de 1,6 triliões de euros tendo sido responsável por cerca de 80% do IDE até ao final da década de 90 (Ilhéu, 2006). Se 33 adicionarmos os cerca de 50 milhões de cidadãos chineses que vivem no estrangeiro aos 80 milhões com ascendência chinesa, temos uma população de 130 milhões (Leonard et al., 2013). Em 2013, a comunidade chinesa residente em Portugal passou a ser a sexta mais relevante (18.637), com um crescimento de 6,8%, suplantando a Guiné-Bissau (17.846) que cresceu 0,5%. Das nacionalidades mais representativas, a chinesa e a guineense (Bissau) foram as únicas que registaram um aumento do número de residentes (SEF, 2013). De facto, o capitalismo chinês tem sido descrito com um “network capitalism”, caracterizado por relações hierárquicas familiares e um sistema de relações recíprocas conhecido como guanxi (bons relacionamentos) (Dahles, 2007). A comunidade chinesa no exterior 24 , e especialmente as suas comunidades empresariais, têm desempenhado um importante papel na integração da China na economia global e sido uma dimensão fundamental do soft power da China. Estas comunidades têm importantes funções: são catalisadores de fluxos económicos e pontos de entrada para as exportações chinesas, são produtores e fornecedores de business intelligence e são “embaixadores” informais de províncias chinesas (Bongartd e Neves, 2014). No entanto, não se deve ter uma perspectiva de querer homogeneizar os chineses ultramarinos porque apesar de tudo estas comunidades têm diferentes experiências económicas e políticas. Dahles (2007), dá o exemplo dos cidadãos de Singapura de etnia chinesa que tiveram experiências negativas por pensarem que partilhavam a mesma etnia, pois são percecionados como estrangeiros. Macau poderia desempenhar um papel importante como porta de entrada para as empresas portuguesas no mercado chinês (Ilhéu, 2006), no âmbito do Mainland and Macau Closer Economic Partnership Arrangement. Efectivamente, os empresários de Macau (e os de Hong Kong) têm uma vantagem competitiva, visto serem considerados tong bao, ou seja, não são vistos como estrangeiros (Dahles, 2007). 24 Na inauguração da 3ª Sessão da 12ª Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, o presidente desta entidade, Yu Zhengsheng, pediu para reforçar a união de compatriotas de Hong Kong, Macau, Taiwan e ultramarinos (CRI, 2015). 40 mesmo que seja de décimas terá um grande impacto no crescimento e desenvolvimento económico de Portugal. Portugal e China, que assinaram um acordo de parceria estratégica global em 2005, irão, de acordo com Xi Jinping, continuar a “manter contactos de alto nível, aprofundar a confiança mútua e intensificar a comunicação sobre importantes temas regionais e internacionais, fundando uma base política cada vez mais sólida para o relacionamento bilateral” (Sol, 2014). Dois importantes factores podem explicar este aumento do investimento chinês em Portugal, a crise na zona euro e em Portugal (com as oportunidades de investimento que resultaram do programa de privatizações) e a aceleração do processo “Go Global” 31 da China iniciado no início da década de 2000. Acresce a intenção da China em se envolver em zonas de interesse português, nomeadamente o espaço lusófono e a aquisição de activos que permitam às suas empresas uma consolidação da sua posição na economia global (Público, 2014). Desde 2011, quando a China Three Gorges ganhou o concurso para a privatização da quota de 21,35% que o Estado português detinha na EDP, o capital chinês já chegou a diversos sectores da economia, nomeadamente da banca, saúde, seguros, água e imobiliário. São vários os investimentos chineses em Portugal (Rodrigues e Santos, 2015). Na tecnologia, a Huawei investiu cerca de 10 milhões de euros num centro tecnológico em 2012. Nos seguros, a Fosun adquiriu a Fidelidade, a Multicare e a Cares sendo atualmente a maior seguradora em Portugal. No seguimento do investimento na Fidelidade, a Fosun comprou a ES Saúde, operando vários hospitais por todo o país. No setor da energia, a China State Grid adquiriu uma participação de 25% na REN, da qual a Fosun também detém 5%; a China Three Gorges é o maior acionista da EDP (com 21,35%) e da EDP Renováveis (49%). Em 2013, a Beijing Enterprises adquiriu a Veolia (empresa que fornece o abastecimento de água concelhos como Valongo, Mafra e Paredes). No imobiliário, os chineses representam cerca de 80% dos vistos gold, com 31 O Governo juntamente com o China Council for the Promotion of International Trade, elaboraram uma série de medidas que visam a expansão global das empresas chinesas: aumentar o IDE chinês; diversificação de produtos; expandir canais financeiros no que diz respeito ao mercado nacional; promover o brand awareness das empresas chinesas nos mercados europeu e norte-americano. 41 investimentos a rondar um bilião de euros. A Estoril Sol, de Stanley Ho, é a principal empresa de exploração de jogo em Portugal, tendo participações em diversos empreendimentos turísticos além de ser um promotor imobiliário para chineses que querem comprar habitações. Na banca, o Bank of China (2013) e o Industrial and Commercial Bank of China (2012) abriram escritórios em Lisboa por forma a potenciar e auxiliar futuros investimentos chineses em Portugal. Os investimentos chineses em Portugal deverão intensificar-se no futuro, pois como afirma Pedro Ortigão Correia “existe “uma onda de otimismo em relação à economia portuguesa, o que é um activo muito bom em relação a todos os processos de privatização” (Jornal i, 2014). De seguida, iremos demonstrar como as relações bilaterais entre Portugal e a China estão institucionalizadas por vários acordos. 5.2 Macau Macau, fundado no séc. XVI, foi durante mais de 440 anos povoado e governado por portugueses. Foi neste importante entreposto comercial situado no Mar do Sul da China, que os navegadores e comerciantes portugueses se estabeleceram no ano de 1557, criando aí o que começou por ser uma feitoria comercial (Coelho, 2000). Séculos passaram até que em 1987, Portugal e China assinaram uma Declaração Conjunta sobre a Questão de Macau. Aqui, ficou acordado que a China voltaria a exercer soberania sobre Macau, tendo essa transferência sido consumada no dia 20 de Dezembro de 1999, data em que foi criada a Região Administrativa Especial de Macau (RAEM). Apesar da transferência de soberania, Macau conservou o seu sistema jurídico e identidade política de acordo com o princípio Um País, Dois Sistemas. De acordo com a Declaração Conjunta e a Lei Básica de Macau (o equivalente a uma Constituição), ficou especificado que durante 50 anos, Macau terá autonomia, exceto em assuntos de relações externas e de defesa. Este pequeníssimo enclave no sul da China conserva algumas especificidades lusófonas: o português é uma das línguas oficiais, o sistema jurídico é de matriz portuguesa, grande parte dos meios de comunicação social funciona em português e há uma grande variedade de oferta cultural lusófona (Mendes, 2013). Efetivamente, a China apoia a 42 divulgação da língua portuguesa e a realização de eventos da lusofonia. O aumento da procura de cursos de língua portuguesa faz de Macau um lugar privilegiado para o treino linguístico e cultural para diplomatas, interpretes e homens de negócio chineses (Mendes, 2013). Aliás, Macau é hoje considerado uma ponte entre Oriente e Ocidente, servindo de plataforma de ligação da China ao mundo lusófono. De facto, este pequeno território oferece aos empresários lusófonos, nomeadamente aos portugueses, um ambiente familiar em território chinês, a possibilidade de criar guanxi (Mendes, 2013). Macau adota a política de porto franco e um sistema tributário simples e de imposto reduzido, sendo dotado de várias vantagens para investimentos e negócios. Além disso, tem participado ativamente na cooperação regional e diligenciado na construção da sua plataforma de serviços comerciais, reforçando contactos empresariais com o Interior da China e o estrangeiro (IPIM, 2015). No Índice de Liberdade Económica de 2015, Macau ficou no 34º lugar a nível mundial e em 9º na região Ásia-Pacífico (Heritage, 2015). “Macau está empenhado em desenvolver uma plataforma regional de serviços comerciais, eficiente e de alta qualidade, visando apoiar as empresas locais e do exterior a alargarem a rede de mercados através das suas ligações económicas com o Interior da China, os Países de Língua Portuguesa, a União Europeia e os empresários chineses de todo o mundo” (IPIM, 2015). Macau é hoje o líder mundial de receitas do jogo. No entanto o governo central da RP China tem vindo a incentivar a diversificação da economia macaense. Sectores como o vestuário, produtos de luxo, retalho, sector logístico, agroalimentar e alta tecnologia (Leitão, 2014) poderão ser sectores que as empresas portuguesas podem ter em consideração, beneficiando do acordo CEPA 32 (“Acordo de Estreitamento das Relações Económicas e Comerciais entre o Interior da China e Macau”). 32 Todas as mercadorias com origem em Macau e, às quais tenham sido acordados os relativos critérios de origem, podem ser exportadas para o Interior da China com isenção de direitos aduaneiros, excetuando as de importação expressamente proibida ou regulamentada pelo Interior da China, bem como outras mercadorias específicas (Rosário, 2014). 43 Macau está localizado numa zona privilegiada, no Delta do Rio das Pérolas 33 , zona esta que tem vindo a experienciar um processo de integração regional desde 1978. Para facilitar a integração regional, os principais projetos rodoviários e ferroviários incluem (AICEP, 2015b): - A circular rápida do delta; - A ponte sobre o delta entre Zhongshan e Shenzhen, que será uma das maiores do mundo com cerca de 50 km 34 ; - A ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau (em construção) 35 ; - A ligação oriental terrestre entre Shenzhen e Hong Kong; - A ligação ferroviária rápida entre Cantão e Hong Kong, via Shenzhen; - A linha de caminho-de-ferro entre Cantão e Guizhou; - A linha de caminho-de-ferro entre Cantão e Nanning. Apesar de Hong Kong ser um local mais atrativo para as empresas 36 portuguesas (é uma das mais importantes praças financeiras, local onde se realizam importantes feiras internacionais, nomeadamente joalharia, têxteis, mobiliário entre outras e uma importante porta de entrada na China), num futuro muito próximo o importante será estar no Delta do Rio das Pérolas (Lemos, 2014). No entanto, é preciso realçar que Macau tem também as suas vantagens, como a língua e o sistema jurídico que é muito semelhante ao português. No entanto, talvez o pensamento mais correto seja o de “não 33 Sistema de rios no Sul da China constituído por uma rede de nove cidades da província de Guangdong e por Hong Kong e Macau. Tem aproximadamente 105 milhões de habitantes e um PIB de 998 biliões de dólares, em 2013. Em 2004, foi assinado o Acordo de Cooperação Regional Pan Pearl River Delta, que visa acelerar a cooperação regional dos seus membros (Rosário, 2014). 34 Custará 33,4 biliões de yuan e estará pronta em 2020. Viajar de Shenzhen a Zhongshan demorará apenas 30 minutos. 35 Esta estrutura de 42 km será a maior ponte no mundo construída sobre a água. Custará 70 biliões de yuans e estará pronta em 2016. A viagem de Hong Kong a Zhuai durará apenas 30 minutos. A ponte fará aumentar a cooperação entre HK, Macau e a região de Guangdong nos sectores da logística, serviços, alta tecnologia e finanças. O comércio, o investimento e o turismo também terão um grande impulso devido à facilidade de deslocação e da redução de custos. 36 As portuguesas Sogrape, Symington Family e Ramirez têm escritórios em Hong Kong. 44 ver uma região melhor que a outra, até porque as duas cidades trabalham em conjunto porque os territórios são próximos e se pode aproveitar o melhor dos dois” (Lemos, 2014). Até porque quanto melhor um território estiver o outro também beneficia. 5.2.1 O Fórum Macau Em 2003, o Fórum de Cooperação Económica e Comercial entre a China e os países de língua portuguesa foi criado no Ministério do Comércio da China em Pequim por iniciativa da China. São países membros deste Fórum a China, Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, Moçambique, Guiné-Bissau e Timor. São Tomé e Príncipe tem estatuto de observador em virtude de possuir relações diplomáticas com Taiwan. Para a sua criação, muito contribuíram as boas relações entre Portugal e a China por um lado, e entre Portugal e as suas ex-colónias por outro (Mendes, 2014). O Fórum, conhecido por Fórum Macau devido ao estabelecimento do Secretariado Permanente na RAEM, foi criado com o intuito de se constituir como “um mecanismo da cooperação de iniciativa oficial sem carácter político, que tem como tema chave a cooperação e o desenvolvimento económico e tem por objetivo reforçar a cooperação e o intercâmbio económico entre a República Popular da China e os Países de Língua Portuguesa, dinamizar o papel de Macau como plataforma de ligação a esses países e promover o desenvolvimento dos laços entre a República Popular da China, Macau e os Países de Língua Portuguesa.” (Fórum Macau, 2014). O Secretariado Permanente promove o contacto diário entre o Ministério do Comércio da China e os delegados dos países de língua portuguesa aí representados (Mendes, 2013). O Fórum é também um importante “espaço para figuras proeminentes do sector de negócios, líderes de câmaras de comércio destes países e delegados de algumas organizações internacionais trocarem opiniões sobre o reforço da cooperação nas áreas do comércio e do investimento” (Fórum Macau, 2014), sendo um espaço privilegiado para a criação de parcerias. Outras entidades institucionais locais relevantes atuam em coordenação com o Fórum Macau, nomeadamente o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau e o China Council for the Promotion of International Trade. Em 2010, na 3.ª Conferência Ministerial do Fórum de Macau, estabeleceu-se como meta a atingir para o volume das trocas comerciais entre a China e os países de língua 45 portuguesa o valor de 100 biliões de dólares a atingir em 2013. Em 2011, dois anos antes da data estabelecida, as trocas comerciais atingiram os 117 biliões de dólares (Revista Macau, 2013), sendo anunciado o objetivo de alcançar os 160 biliões em 2016 no Plano de Acão de 2014-2016 (Fórum Macau, 2014). Apesar das relações bilaterais entre os vários países serem anteriores à criação do Fórum, a criação deste veio ajudálas, complementando-as, visto que, como disse o embaixador de Portugal na China, “aí se poderem descobrir sinergias, oportunidades, que vão além do relacionamento bilateral” (CRI, 2014). Apesar da cooperação económica ter estado na génese da sua criação, os bons resultados fazem com que os países participantes queiram o alargamento do âmbito da cooperação (Revista Macau, 2013). Assim, o Plano de Acão para a Cooperação Económica e Comercial (2014-2016) inclui uma variedade de áreas: comércio; investimento e cooperação empresarial; agricultura; construção de infraestruturas; recursos naturais; educação e recursos humanos; turismo; transportes e comunicações; área financeira; desenvolvimento; cultura, rádio, televisão, cinema e desporto (Fórum Macau, 2014): - Cooperação Intergovernamental: -reconhecimento da necessidade de continuar a encorajar visitas recíprocas de alto nível como mecanismo de consulta e de promoção da cooperação; -reforçar os mecanismos já existentes de cooperação intergovernamental; - promover o estreitamento das relações económicas e comerciais entre si quer a nível bilateral assim como a nível multilateral, nos domínios do comércio, investimento, turismo, transportes, educação e formação de quadros; -promoção e facilitação do comércio com redução das barreiras comerciais, as medidas que destorcem o comércio e os entraves ao investimento recíproco. - Comércio: -reiterou-se a satisfação pelos esforços empreendidos pelos Países Participantes do Fórum Macau no quadro da implementação dos últimos três Planos de Ação e a 46 necessidade de promover o crescimento das trocas comerciais entre os Países Participantes do Fórum de Macau -acordou-se em adotar todas as medidas necessárias e propícias para o incremento do comércio entre a China e os Países da Língua Portuguesa, com vista a atingir, até 2016, a meta de 160 biliões de dólares nas trocas comerciais; -adoção de medidas que promovam o comércio entre os Países e melhorem os mecanismos de promoção do comércio e investimento e apoio às empresas no acesso ao crédito bancário; -promover e estabelecer mecanismos de consultas periódicas no quadro do “Protocolo de Cooperação entre Organismos de Promoção Comercial/ Câmaras de Comércio”, assinado em Outubro de 2003, bem como efetuar atempadamente a troca de informações relativas à atividade comercial; -fomentar o intercâmbio e a cooperação nas áreas da fiscalização e monitorização alfandegárias, do controlo sanitário e fitossanitário, da segurança alimentar e bens de consumo. - Investimento e Cooperação Empresarial: -incentivar o desenvolvimento rápido na área do investimento entre os Países Participantes -reforçar a divulgação da legislação e dos regulamentos relacionados com o investimento em vigor e incentivar as consultas e a materialização de acordos bilaterais -continuar a apoiar a organização, de forma rotativa, do Encontro de Empresários para a Cooperação Económica e Comercial entre os Países Participantes -incentivar o aproveitamento do papel do Fórum de Macau como plataforma de serviços comerciais entre os Governos e empresas dos Países Participante -aperfeiçoar a base de dados do Fórum de Macau sobre as oportunidades de investimento e de negócios nos Países Participantes 47 - Cooperação no Domínio da Agricultura, Pescas e Pecuária: - intercâmbio e formação de recursos humanos nas vertentes da agricultura e pescas; -incentivar as exportações de produtos agrícolas processados. - Cooperação no Domínio da Construção de Infra-estruturas: -cooperação entre empresas nas vertentes de planeamento, desenho, consultoria, fornecimento de equipamentos e materiais, tecnologia, construção de obras e gestão de projectos - Cooperação no Domínio dos Recursos Naturais e da Proteção Ambiental: -reforço da cooperação e investimento na área da exploração e utilização de forma diversificada e racional dos recursos naturais, com base nos princípios do benefício mútuo, complementaridade e desenvolvimento comum. - Cooperação na Área de Educação e Recursos Humanos: - consolidação da cooperação no domínio de recursos humanos - cooperação na área de educação e ensino, privilegiando a cooperação no domínio da formação profissional -ensino das línguas chinesa e portuguesa e do reforço da formação contínua dos quadros com vista ao estreitamento do desenvolvimento das relações económicas e comerciais -a cooperação no domínio dos transportes e comunicações, incentivando a realização de estudos de viabilidade sobre a criação de uma maior rede de ligações diretas para transporte marítimo e aéreo 48 - Cooperação na Área Financeira: -cooperação entre as instituições financeiras com o intuito de facilitar as trocas comerciais e investimentos recíprocos -criação do “Fundo da Cooperação para o Desenvolvimento entre a China e os Países de Língua Portuguesa”. Este fundo será de 1 bilião de dólares. As empresas lusófonas podem candidatar-se a projetos como sejam a construção de infraestruturas, transportes, telecomunicações, energia, agricultura e recursos naturais 37 (Jin, 2015). - Cooperação para o Desenvolvimento: -ações de cooperação com vista ao seu desenvolvimento económico e social dos Países Participantes. A China irá conceder empréstimos aos países participantes na Ásia e África (cerca de 293 milhões de dólares). - Papel de Macau como Plataforma: -reconhecimento da importância do papel de plataforma desempenhado de forma contínua por Macau no fomento da cooperação económica e comercial entre os Países Participantes do Fórum de Macau 38 ; -estudar o estabelecimento em Macau do Centro de Serviços Comerciais para as Pequenas e Médias Empresas dos Países Participantes 39 ; 37 O fundo tem como características: government support; market oriented; investment returns and social benefits.Deve servir para integrar os diferentes mercados e ajudar à internacionalização das economias. Não contempla investimentos imobiliários e projetos não permitidos pelos governos dos Estados Membros. 38 A sucursal do Banco da China na RAEM criou uma equipa para promover a cooperação económica e comercial entre a China e os países de língua portuguesa, fortalecendo a cooperação com os bancos dos países lusófonos (Jegundo, 2015). Além disso o Banco Nacional Ultramarino e o Banco da China, os dois bancos emissores em Macau, assinaram um protocolo de cooperação para fomentar negócios entre a China e os países de língua portuguesa (Macauhub, 2015). 39 A LusaPME, uma associação de PME sediada no Norte de Portugal e que promove o contacto das PME portuguesas com as congéneres portugueses espalhadas pelo mundo irá abrir uma delegação em Macau. 49 -estimular o estabelecimento em Macau do Centro de Convenções e Exposições para a Cooperação Económica e Comercial entre os Países Participantes do Fórum de Macau onde serão realizadas feiras temáticas orientadas para os mercados dos Países de Língua Portuguesa, contribuindo para a realização de conferências internacionais em Macau. Em Macau irão ainda funcionar três novos centros estratégicos para impulsionar as relações entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Lemos, 2013). Eles são: - um centro de convenções e exposições destinado a promover os mercados lusófonos; - um centro de distribuição de produtos alimentares, por forma a que as exportações das empresas lusófonas cheguem mais depressa à China; - um centro de arbitragem para resolver eventuais conflitos comerciais entre empresas. Foi também inaugurado, em Macau, um Portal Online (bilingue) para cooperação entre a China e países de língua portuguesa na área Económica, Comercial e de Recursos Humanos 40 . O Portal tem como objetivo principal a consulta e divulgação de informação. Disponibiliza uma base de dados sobre produtos alimentares, uma outra sobre profissionais bilingues de língua chinesa e portuguesa, serviços profissionais, informações atualizadas sobre convenções e exposições na China e nos países de língua portuguesa, dados económicos e comerciais assim como a legislação comercial dos países de língua portuguesa (Macauhub, 2015). É portanto, um importante elo de ligação entre a China e os países da lusofonia 41 . Neste aspeto, o Fórum é importante para as empresas criarem redes de contactos por forma a ultrapassar a liability of outsidership. As missões do Fórum acima descritas dão-lhe um papel de grande relevância para que as empresas criem os seus networks, já que ao formar novos relacionamentos quando se tenta entrar num novo mercado, as empresas vão ser expostas a novas oportunidades, obter conhecimento e aprender Para a LusaPME, Macau pode representar uma porta de entrada no grande continente chinês. A associação também pode ser útil aos pequenos e médios empresários de Macau que queiram entrar em Portugal (Ponto Final, 2015). 40 http://pt.platformchinaplp.mo/product.jhtml 41 Por esta razão, estão a ser criados cursos superiores de português e de relações económicas lusochinesas. 56 - 27 de Maio de 2015: “IV Edição do Dia da China”, realizado na Universidade de Coimbra - a 16 de Junho de 2015: “Seminário Económico Portugal – China: Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China – PLP e Ambiente de Investimento e Negócio na China”, realizado na AICEP, em Lisboa; - a 18 de Junho de 2015, “Apresentação do Livro: Cronologia da História de Macau”, na FNAC, em Coimbra No decurso do estágio na CCILC, verifiquei que as empresas não têm informação suficiente sobre o mercado chinês, pelo que decidi elaborar um inquérito que avaliasse a experiência das empresas neste mercado. Tornando também útil para aquelas empresas que se pretendam internacionalizar para a China. 57 7 - Fatores Críticos no Acesso ao Mercado da China – Perceção dos Exportadores de Portugal A partir da revisão da literatura e da exposição dos princípios institucionais que regem as relações económicas entre a UE e a China por um lado e Portugal e a China por outro, fizeram com que o objetivo deste estudo fosse o de tentar perceber e aferir a perceção que as empresas portuguesas exportadoras para a China têm sobre o acesso, apoios e presença neste mercado. Tem-se vindo a registar um aumento das trocas comerciais entre Portugal e China em anos recentes, como analisado anteriormente no capítulo 5. No entanto, Portugal ainda é um parceiro com pouca expressão nas trocas comerciais com a China, comparativamente a outros países. Na sequência dos investimentos de capitais Chineses em Portugal, torna-se necessário que as empresas e investidores Portugueses compreendam melhor as diversas oportunidades que a China apresenta, bem como as autoridades governamentais. Assim o estudo centra-se na implementação de um questionário junto das empresas portuguesas que exportam para a China com o objetivo de avaliar a sua perceção/avaliação acerca dos desafios que este mercado representa. Perante a inexistência de estudos recentes sobre este tema, a recolha de informação junto das empresas que já exportam para a China é crucial para o conhecimento da realidade dos negócios na China. Assim, foram inquiridas 160 empresas que exportam para a China e listadas na Base de Dados da AICEP e da CCILC. De forma a avaliar diretamente a perceção que as empresas portuguesas que exportam para a China têm acerca do acesso, apoios e presença neste mercado, foi decidido que o método preferencial de recolha de dados seria um Inquérito por Questionário. Foram enviados os questionários por mail, com uma carta de apresentação e uma carta de recomendação do Secretário-Geral da CCILC onde se descrevia o objetivo do estudo e se apelava à participação dos potenciais respondentes. Foram feitos contactos 58 telefónicos prévios onde foi solicitado o contacto de e-mail do responsável pelo mercado da China ou do departamento responsável. De um universo de 795 empresas, incluídas na base de dados da AICEP e da CCILC que tinham relações comerciais com a China foram inquiridas 181 tendo por base: confirmação da atualidade da lista das empresas exportadoras efetuada por contacto telefónico com a AICEP; presença das empresas em feiras na China; consulta dos sites das empresas aquando da elaboração das bases de dados no decurso do estágio; limitação de tempo para contacto telefónico com as empresas para obter o contacto do responsável da empresa pelo mercado chinês. Das 181 empresas, 1 encontrava-se em processo de insolvência; 4 só realizavam operações de importação; 3 realizavam exportações pontuais e portanto não poderiam ser objeto de estudo; 9 estavam em processo de internacionalização para a China não podendo também ser objeto de estudo e 4 não exportavam para aquele mercado. Foram obtidas 31 respostas válidas. O questionário foi baseado em estudos anteriores (Ilhéu, 2006; EUSME Centre, s.d.; AmCham, 2015) e teve como finalidade conhecer a perceção que as empresas exportadoras para a China têm sobre o acesso, apoios e presença neste mercado. A elaboração do questionário teve como referências teóricas a análise estratégica internacional de Peng (Peng et al. 2009) que inclui o modelo VRIO, o modelo de Porter e o impacto estratégico das instituições formais e informais, considerou ainda as Teorias de Uppsala, das Redes, além de conceitos de Marketing Internacional. A recolha dos dados foi feita através do Google Docs tendo sido recolhidos 31 inquéritos. O inquérito tem três secções. A primeira diz respeito à caracterização da empresa e pedia-se informações como o CAE, a dimensão da empresa, a % de capital estrangeiro no capital social da empresa, a percentagem de exportações no total das vendas anuais, há quantos anos a empresa iniciou a atividade exportadora, que tipo de operações internacionais realiza, há quantos anos a empresa iniciou exportações para o mercado chinês, antes de entrar no mercado chinês para quantos mercados exportava e qual a percentagem do mercado chinês nas exportações anuais. 59 A secção II está relacionada com a Perceção das Forças e Fraquezas da empresa. Por fim, na secção III, pretendia-se aferir a perceção que as empresas tinham sobre o mercado chinês, nomeadamente a preparação, acesso e presença. Foi pedido aos inquiridos que indicassem o grau de importância, numa escala de Likert de 5 valores 44 . O processo de recolha de dados teve lugar entre final de Julho e início de Setembro. Foram recebidas 31 respostas válidas apurando-se uma taxa de respostas global de 19,37%. 7.1 Caracterização da amostra Nesta secção apresentamos algumas estatísticas descritivas que permitem caracterizar as empresas representadas na amostra deste estudo. O Anexo 3 apresenta as empresas respondentes por sector de atividade e evidencia que existe uma participação bastante variada 45 . Quanto à dimensão das empresas, existe uma predominância de médias empresas como podemos ver na seguinte figura: A grande maioria das empresas declara que não existe capital estrangeiro no seu capital social (25=80,6%). As restantes empresas (6=19,4%), declaram os seguintes valores: 3%; 7%; 15%; 27,5%; 49%; 49,9%, respetivamente. 44 Dependendo da pergunta, a escala tem a seguinte correspondência: 1 - “nada importante”; 2 - “pouco importante”; 3 -“ importante”; 4 - “muito importante”; 5 - “extremamente importante”; ou 1 - “discordo totalmente”; 2 - “discordo”; 3 -“indiferente”; 4 - “concordo”; 5 - “concordo totalmente”; ou ainda 1 - “muito baixo”; 2 - “baixo”; 3 -“médio”; 4 - “alto”; e 5 - “muito alto”. 45 CAE Ver. 3. 60 Relativamente a atividades de Investigação e Desenvolvimento 12,9% não indicou qualquer investimento, 29% indicou valores entre 2 mil euros e 100 mil euros; enquanto que 51,5% indicaram investimentos superiores a 100 mil euros. Relativamente à atividade exportadora constata-se que 80,6% das respondentes indica que esta atividade corresponde a mais de 30% do total das vendas anuais, e a grande maioria (67,7%) indica ter iniciado a atividade exportadora há mais de 10 anos. De salientar que além da atividade exportadora, as empresas realizam outras operações internacionais: Tipo de operações internacionais que as empresas realizam: 61 Por outro lado, a importância do mercado chinês nas exportações anuais é relativamente baixa como podemos ver na seguinte figura: De salientar que as empresas já levam alguns anos de experiência no mercado chinês e que antes de entrarem neste mercado já exportavam para outros países. De facto, a China é geograficamente e culturalmente distante, não sendo a primeira opção de início de internacionalização, sendo necessária a aquisição de experiência e conhecimentos para optarem pelo mercado chinês de acordo com a Teoria de Uppsala. Sumariando as empresas respondentes apresentam as seguintes características: - são maioritariamente de média dimensão (35,5%) e pequena dimensão (25,8%); - são predominantemente empresas de capital 100% nacional (80,6%); 62 - mais de metade realizam investimentos em I&D superiores a 100 mil euros; - a grande maioria (80,6%) tem uma atividade exportadora importante – i.e. mais de 30% das vendas são exportações – e consolidada – i.e. fazem exportações há mais de 10 anos(70%) e há mais de 6 anos (90%); - o mercado da China é ainda pouco importante pois representa menos de 5% das respetivas exportações anuais em 75% dos casos. 7.2 Perceção das Forças e Fraquezas da Empresa De seguida, apresentamos o quadro com o valor médio das respostas (de 1 a 5 na escala de Likert) da secção II, que diz respeito à Perceção das Forças e Fraquezas da empresa: Imagem de alta qualidade 4,09 Custos baixos 2,70 Excelente relação qualidade/preço 4,16 Elevada tecnologia 3,54 Patentes 2,22 Elevada capacidade financeira 3,16 Conhecimentos de marketing internacional 3,12 Mão-de-obra altamente qualificada 3,25 Marca reconhecida 3,22 Controlo dos canais de distribuição 3,29 Serviço pós-venda 3,87 Capacidade de inovar 3,93 Capacidade de se diferenciar da concorrência 4,29 Capacidade satisfazer as necessidades específicas do cliente 4,41 Nota: 1 - “nada importante”; 2 - “pouco importante”; 3 -“ importante”; 4 - “muito importante”; e 5 - “extremamente importante”. Analisando os dados, podemos constatar que as empresas classificam como “Muito Importante” o facto de terem: primeiro capacidade de satisfazer as necessidades específicas do cliente, segundo capacidade de se diferenciar da concorrência; terceiro uma excelente relação qualidade/preço e quarto uma imagem de alta qualidade, e quinto capacidade de inovar são as características que as empresas consideram ser as suas vantagens competitivas mais importantes no mercado internacional. 63 A pergunta 12 tem como pressuposto teórico a análise VRIO 46 . Pediu-se às empresas que indicassem o seu grau de concordância com várias afirmações. Analisando os valores médios das respostas pode-se afirmar que as empresas respondentes consideram em média que: possuem recursos e competências valiosos, que têm sido fundamentais na competitividade internacional da empresa mas que os mesmos devem ser melhorados para aumentar a referida competitividade. Os nossos recursos e competências são valiosos 4,38 Os nossos recursos e competências estão acima da média do nosso setor em Portugal 4,06 Os nossos recursos e competências são raros 3,48 Os nossos recursos e competências são difíceis de imitar pela concorrência 3,25 A empresa está organizada de modo a tirar o máximo proveito dos seus recursos e competências 3,58 Os nossos recursos e competências têm sido fundamentais na competitividade internacional da Empresa 4,03 Os nossos recursos e competências têm de ser melhorados de modo a aumentar a competitividade internacional da empresa 4,12 Nota: 1 - “discordo totalmente”; 2 - “discordo”; 3 -“indiferente”; 4 - “concordo”; e 5 - “concordo totalmente”. 7.3 Mercado Chinês – Preparação, Acesso e Presença A secção III remete-nos para a perceção/avaliação que as empresas têm sobre a preparação, acesso e presença das mesmas no mercado chinês. A partir da pergunta 13, verifica-se que 35,5% das empresas necessitaram de menos de 1 ano de preparação; 38,7% necessitaram de 1 a 2 anos; 16,1% necessitaram de 3 a 4 anos e 9,7% necessitaram de mais de 5 anos. A pergunta 14 serviu para tentar perceber como é que as empresas adquiriram conhecimentos sobre o mercado chinês. Na tabela # temos informação sobre o modo e o 46 V (Valuable), R (Rarity), I (Imitability), O (Organization). 64 grau de importância que as empresas atribuíram à obtenção de conhecimentos previamente à respetiva entrada no mercado chinês: Feiras internacionais na China 2,96 Missões empresariais à China 2,38 Visitas oficiais do Governo português à China 1,96 Empresas portuguesas com negócios na China 2,54 Clientes com negócios na China 3,09 Fornecedores com negócios na China 2,51 Parceiros locais na China 3,80 Serviços e apoio da CCILC 2,32 Serviços e apoio da AICEP 2,22 Serviços e apoio de outras associações empresariais 2,19 Nota: 1 - “nada importante”; 2 - “pouco importante”; 3 -“ importante”; 4 - “muito importante”; e 5 - “extremamente importante”. A partir da análise da tabela, as fontes mais valorizadas foram possuir “Parceiros Locais na China”, e “Clientes com negócios na China”, enquanto a participação em “Feiras Internacionais na China” está no limiar de ser considerado importante. Foi também pedido às empresas que avaliassem a importância das seguintes afirmações no âmbito das motivações para a empresa entrar no mercado chinês: Pedidos recebidos da China 3,54 Mercado português saturado/estagnado 2,64 Maior rentabilidade esperada 3,03 Integrar cadeia de produção mundial 2,77 Superar a concorrência em Portugal 2,41 Explorar o potencial do produto/serviço 3,87 Aceder a um mercado de grande dimensão 4,48 Aceder a um mercado em crescimento 4,35 Criar plataforma exportadora para a Ásia 2,38 Diversificar mercados de exportação 3,93 Seguir parceiro de negócios 2,58 Estratégia global da empresa 3,96 Reduzir custos de produção 2,41 Nota: 1 - “nada importante”; 2 - “pouco importante”; 3 -“ importante”; 4 - “muito importante”; e 5 - “extremamente importante”. 65 Com valores médios entre muito, e, extremamente importantes estão “Aceder a um mercado de grande dimensão”, e “Aceder a um mercado em crescimento”, e “Explorar o potencial do produto/serviço”, “Diversificar mercados de exportação” e “Estratégia global da empresa”. Relativamente à perceção de riscos que as empresas reportam em relação ao mercado chinês é de salientar que os indicadores médios oscilam entre o mínimo de 2,41 (risco baixo/médio) e o máximo de 3,74 (risco médio/alto). Risco cambial 2,41 Instabilidade económica, social e política 2,64 Violação da Propriedade Intelectual 3,64 Barreiras culturais 3,74 Cumprimento de Legislação local 3,54 Distância geográfica 3,74 Elevados custos/ tarifas aduaneiras 3,48 Barreiras técnicas/administrativas à entrada no mercado 3,64 Regras muito restritivas em relação ao Investimento Estrangeiro 2,58 Escassez de recursos humanos qualificados 2,87 Corrupção 2,48 Parcerias locais 3,22 Nota: 1 - “muito baixo”; 2 - “baixo”; 3 -“médio”; 4 - “alto”; e 5 - “muito alto” Estes últimos estão associados à distância geográfica, barreiras culturais, barreiras técnico/administrativas à entrada no mercado, violação da propriedade intelectual e cumprimento da legislação local, como se pode ver na seguinte tabela: 72 - CRI-China Radio International (2014), “Embaixador de Portugal na China elogia Macau como "ponto de encontro" entre os dois países”, disponível em http://portuguese.cri.cn/1721/2014/12/10/1s193090.htm, consultado a 12 de Dezembro de 2014. - CRI-China Radio International (2015), “CCPPCh pede para reforçar união de compatriotas de Hong Kong, Macau, Taiwan e ultramarinos”, disponível em http://portuguese.cri.cn/1721/2015/03/03/1s196692.htm, consultado a 6 de Março de 2015. - Dahles, Heidi (2007), “On (Mis-)Conceptions of Culture as a Vehicle of Business Sucsess: Singapore Chinese Investment Strategies after Failing in China”, East Asia, 24: 173-193. - Declaração conjunta dos governos da República Portuguesa e da República Popular da China sobre o reforço das relações bilaterais, disponível em http://www.gpp.pt/RI/InstrumentosBilaterais/Docs/China/DeclaracaoConjunta2005.pdf, consultado a 29 de Novembro de 2014. - Deloitte (2014), Competitiveness: Catching the next wave.. - Deutsche Bank (2014), China-EU relations: Gearing up for growth. - DG Trade (2013), EU-China 2020 Strategic Agenda for Cooperation. - Diário de Coimbra (2015), “Idealmed planeia construir 25 unidades de saúde na China”, 19 de Abril de 2015. - Dong, Lisheng (2014), “Chinese Perceptions of the European Union”, Journal of Contemporary China, 88(23): 756-779. - Dong, Yan e Whalley, John (2012), “Gains and losses from potential bilateral USChina trade retaliation”, Economic Modelling, 29: 2226-2236. - Ernst & Young (2015), “Riding the Silk Road: China seems outbound investment boom. 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2011 – Cooperative Partnership based on mutual respect and mutual benefit Venezuela 2001 2001 – Strategic Partnership for Common Development México 2003 1997 – Comprehensive Partnership ; 2003 – Strategic Partnership for Cooperation ; 2013 – Comprehensive Strategic Partnership Argentina 2004 2001 – Comprehensive Strategic Partnership ; 2004 – Startegic Partnership Canadá 2005 1997 – Comprehensive Partnership ; 2005 – Strategic Partnership Perú 2008 2004 – Comprehensive Partnership ; 2008 – Strategic Partnership ; 2013 – Comprehensive Strategic Partnership Chile 2012 2004 – Comprehensive Partnership ; 2012 – Strategic Partnership Costa Rica 2015 2015 – Strategic Partnership 79 Oceania Austrália 2013 2013 – Strategic Partnership of Mutual Trust and Mutual Benefit Nova Zelândia 2014 2003 – Comprehensive Cooperative Relationship ; 2014 – Comprehensive Strategic Partnership África África do Sul 2004 2004 – Strategic Partnership featuring Equality, Mutual Benefit and Common Development ; 2010 – Comprehensive Strategic Partnership Nigéria 2005 2005 – Strategic Partnership União Africana 2006 2006 – New Type of Strategic Partnership Angola 2010 2010 – Strategic Partnership Argélia 2014 2014 – Comprehensive Strategic Partnership Egipto 2014 2014 – Comprehensive Strategic Partnership Europa Rússia 1996 1994 – Constructive Partnership featuring Good Neighbourliness and Mutual Beneficial Cooperation ; 1996 – Partnership of Strategic Coordination based on Equality and Mutual Benefit and oriented toward the 21st Century ; 2011 – Comprehensive Strategic Partnership of Coordination ; 2014 – Strategic Partnership União Europeia 2003 1998 – Long term and Stable Constructive Partnership facing the 21st Century ; 2001 – Comprehensive Partnership ; 2003 – Comprehensive Strategic Partnership 80 França 2004 1997 – Comprehensive Partnership ; 2004 – Comprehensive Strategic Partnership ; 2010 – New, Marure and Stable Comprehensive Strategic Partnership based on Mutual Trust and Mutual Benefit and with a Global Perspective ; 2014 – Close and Lasting Comprehensive Strategic Partnership Alemanha 2004 2004 – Partnership of Global Responsability Within the Framework of Sino-European Comprehensive Strategic Partnership ; 2014 – All-dimensional Strategic Partnership Itália 2004 1998 – Comprehensive Partnership ; 2004 – Stable, Friendly, Long Term and Sustainable Strategic Partnership Reino Unido 2004 1998 – Comprehensive Partnership ; 2004 – Comprehensive Strategic Partnership Espanha 2005 2005 – Comprehensive Strategic Partnership Portugal 2005 2005 – Comprehensive Strategic Partnership Grécia 2006 2006 – Comprehensive Strategic Partnership Dinamarca 2008 2008 – Comprehensive Strategic Partnership Sérvia 2009 2009 – Comprehensive Strategic Partnership Ucrânia 2011 2011 – Strategic Partnership Polónia 2011 2004 – Friendly Cooperative Partnership ; 2011 – Strategic Partnership Irlanda 2012 2012 – Strategic Partnership of Mutual Benefit Bielorrússia 2013 2013 – Comprehensive Strategic Partnership 81 Ásia Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) 2003 1997 – Partnership Facing the 21st Century Based on Good Neighbourliness and Mutual Trust ; 2003 – Strategic Partnership for Peace and Prosperity Paquistão 2005 1999 – Partnership of Comprehensive Cooperation ; 2005 – All-weather Strategic Partnership Cazaquistão 2005 2005 – Strategic Partnership ; 2011 – Comprehensive Strategic Partnership Índia 2005 2003 – Constructive Partnership ; 2005 – Strategic and Cooperative Partnership for Peace and Security Indonésia 2005 2005 – Strategic Partnership ; 2013 – Comprehensive Strategic Partnership Coreia do Sul 2008 1998 – Collaborative Partnership for the 21st Century ; 2003 – Comprehensive Partnership ; 2008 – Strategic Partnership Vietname 2008 2008 – Comprehensive Strategic Cooperative Partnership Laos 2009 2009 – Comprehensive Strategic Partnership of Cooperation Cambodja 2010 2006 – Comprehensive Partnership ; 2010 – Strategic Partnership Turquia 2010 2002 – Partnership ; 2010 – Strategic Partnership Mongólia 2011 2003 – Good Neighbor Partnership of Mutual Trust ; 2011 – Strategic Partnership Myanmar 2011 2011 – Comprehensive Strategic Cooperative Strategy Tailândia 2012 2012 – Comprehensive Stategic Cooperative Strategy 88 Anexo 5 Inquérito I - Caracterização da Empresa – (p.f.indique os valores mais recentes disponíveis) 1. Atividade económica (CAE):* Obrigatória 5 dígitos 2. Qual é a dimensão da empresa?* Obrigatória Micro Pequena Média Grande 3. % de Capital Estrangeiro no capital social da empresa:* Obrigatória 4. Gastos em Investigação & Desenvolvimento (€):* Obrigatória 89 5. Qual é a percentagem de exportações no total das vendas anuais: * Obrigatória menos de 5% 5% a 10% 11% a 20% 21% a 30% mais de 30% 6. Há quantos anos a empresa iniciou a atividade exportadora: * Obrigatória Menos de 1 ano 1 a 5 anos 6 a 10 anos mais de 10 anos 7. Que tipo de operações internacionais realizam?* Obrigatória Importação Exportação Subcontratação Licenciamento, franchising Investimento no Estrangeiro Projetos chave na mão Outros: 8. Há quantos anos a empresa iniciou exportações para o mercado chinês: * Obrigatória menos de 1 ano 1 a 5 anos 5 a 10 anos mais de 10 anos 9. Antes de entrar no mercado chinês, para quantos mercados exportavam: * Obrigatória 1 2 a 5 6 a 10 11 a 15 mais de 15 90 10. Qual a % do mercado chinês nas exportações anuais* Obrigatória menos de 5% 5% a 10% 11% a 25% 26% a 50% mais de 50% II – Perceção das Forças e Fraquezas da empresa 11. Classifique as vantagens competitivas que a empresa apresenta no mercado Internacional:* Obrigatória nada importante pouco importante importante muito importante extremamente importante Imagem de alta qualidade Custos baixos Excelente relação qualidade/preço Elevada tecnologia Patentes Elevada capacidade financeira Conhecimentos de marketing internacional Mão de obra altamente qualificada Marca reconhecida Controlo dos canais de 91 nada importante pouco importante importante muito importante extremamente importante distribuição Serviço pósvenda Capacidade de inovar Capacidade de se diferenciar da concorrência Capacidade satisfazer as necessidades específicas do cliente 92 12. Classifique as seguintes afirmações:* Obrigatória discordo totalmente discordo indiferente concordo concordo totalmente Os nossos recursos e competências são valiosos Os nossos recursos e competências estão acima da média do nosso setor em Portugal Os nossos recursos e competências são raros Os nossos recursos e competências são difíceis de imitar pela concorrência A empresa está organizada de modo a tirar o máximo proveito dos seus recursos e competências Os nossos recursos e competências têm sido fundamentais na competitividade 93 discordo totalmente discordo indiferente concordo concordo totalmente internacional da empresa Os nossos recursos e competências têm de ser melhorados de modo a aumentar a competitividade internacional da empresa III - Mercado Chinês – Preparação, Acesso e Presença 13. Quanto tempo de preparação necessitou a empresa até entrar no mercado chinês? * Obrigatór ia menos de 1 ano 1 a 2 anos 3 a 4 anos 4 a 5 anos mais de 5 anos 94 14. Como é que a empresa adquiriu conhecimentos sobre o mercado chinês* Obrigatória nada importante pouco importante importante muito importante extremamente importante Feiras internacionais na China Missões empresariais à China Visitas oficiais do Governo português à China Empresas portuguesas com negócios na China Clientes com negócios na China Fornecedores com negócios na China Parceiros locais na China Serviços e apoio da CCILC Serviços e apoio da AICEP Serviços e apoio de outras associações empresariais 95 15. Avalie a importância das seguintes razões para a empresa entrar no mercado chinês* Obrigatória nada importante pouco importante importante muito importante extremamente importante Pedidos recebidos da China Mercado português saturado/estagnado Maior rentabilidade esperada Integrar cadeia de produção mundial Superar a concorrência em Portugal Explorar o potencial do produto/serviço Aceder a um mercado de grande dimensão Aceder a um mercado em crescimento Criar plataforma exportadora para a Ásia Diversificar mercados de exportação Seguir parceiro de negócios Estratégia global da empresa Reduzir custos de produção 96 16. Classifique os riscos que mais preocupam a empresa relativamente ao mercado chinês:* Obrigatória muito baixo baixo médio elevado muito elevado Risco cambial Instabilidade económica, social e política Violação da Propriedade Intelectual Barreiras culturais Cumprimento de Legislação local Distância geográfica Elevados custos/ tarifas aduaneiras Barreiras técnicas/administrativas à entrada no mercado Regras muito restritivas em relação ao Investimento Estrangeiro Escassez de recursos humanos qualificados Corrupção Parcerias locais 97 17. Avalie as condições que a empresa enfrenta no mercado chinês:* Obrigatória muito baixo baixo média elevado muito elevado Intensidade competitiva dos concorrentes Potencial entrada de novos concorrentes Poder negocial dos clientes Ameaça de surgimento de novos produtos/serviços Competitividade da empresa via diferenciação do produto/serviço Competitividade da empresa via baixo custo/preço Competitividade da empresa via especialização 104 Obrigado por responder ao questionário. Asseguramos que toda a informação prestada é anónima e será utilizada exclusivamente para efeitos deste estudo.