Lesões cervicais não cariosas: Estudo da etiologia e soluções estéticas
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FACULDADE DE MEDICINA DENTÁRIA DA UNIVERSIDADE DO PORTO Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas Tese de Mestrado Artigo de investigação Unidade Curricular de MonografiadeInvestigação/RelatóriodeAtividade Clínica Marta Filipa Pinto de Castro Sousa Aluna do 5ºano do Mestrado Integrado em Medicina Dentária Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto [email protected] Orientador: Prof. Doutor João Ricardo Cardoso Ferreira Assistente Convidado da Unidade Curricular de Dentisteria Operatória IV e Unidade Clínica de Medicina Dentária Conservadora do Mestrado Integrado em Medicina Dentária Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 2 | P á g i n a Agradecimentos Aos meus pais que permitiram que o sonho se tornasse realidade. À minha irmã Joana, por todo o companheirismo, disponibilidade e por tantas vezes aguentar o meu desespero académico. À minha prima Mariana, que sempre foi um exemplo a seguir e motivo de orgulho para mim. Ao meu binómio e melhor amigo Kiko, obrigada por todo o companheirismo, cumplicidade e paciência. Foste tu quem mais construiu sorrisos na minha vida. Sem ti nada disto seria possível. À minha binómia Sílvia, por todas a gargalhadas e tantas histórias de cumplicidade que jamais serão esquecidas. Aos meus amigos Neko, Marisa, Renato, Joana, Cátia, Luciana e José Maia por todo o carinho e amizade. Foram eles que completaram o que faltava aos meus dias. Ao meu orientador, Professor João Ferreira, que se mostrou incansável na epopeia que foi a elaboração desta tese de mestrado, sem a sua ajuda nada disto seria possível. Não poderia ter escolhido melhor orientador.
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 3 | P á g i n a Índice Resumo .............................................................................................................. 8 Introdução: ...................................................................................................... 8 Objetivos: ........................................................................................................ 8 Materiais e Métodos: ....................................................................................... 8 Resultados: ..................................................................................................... 9 Conclusão: ...................................................................................................... 9 Abstract ............................................................................................................ 10 Introduction: .................................................................................................. 10 Objective ....................................................................................................... 10 Methodology.................................................................................................. 10 Results: ......................................................................................................... 10 Conclusion: ................................................................................................... 11 Palavras-chave: ................................................................................................ 12 Key-words: ....................................................................................................... 12 Introdução ........................................................................................................ 14 Objetivos ....................................................................................................... 16 Hipóteses ...................................................................................................... 16 Materiais e Métodos: ........................................................................................ 18 Pesquisa Bibliográfica ................................................................................... 18 Amostra ......................................................................................................... 18 População-alvo .......................................................................................... 18 Ética ........................................................................................................... 18 Recolha de Dados ......................................................................................... 19 Tratamento Estatístico dos Dados ................................................................ 19 Caso Clínico .................................................................................................. 19 Resultados: ...................................................................................................... 26 Distribuição da Amostra consoante o Sexo e Descrição da Idade ................ 26 Relação entre Dureza da Escova e Lesões Cervicais Não Cariosas ............ 27 Relação entre Técnica de Escovagem e Lesões Cervicais Não Cariosas .... 29 Relação entre Pressão utilizada na Escovagem e Lesões Cervicais Não Cariosas ........................................................................................................ 31 Relação entre Ingestão de Frutas Ácidas e Lesões Cervicais Não Cariosas 33
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 4 | P á g i n a Relação entre Refluxo Gástrico e Lesões Cervicais Não Cariosas............... 35 Relação entre Bruxismo Noturno e Lesões Cervicais Não Cariosas ............ 36 Relação entre Bruxismo Diurno e Lesões Cervicais Não Cariosas............... 38 Relação entre Sexo e Lesões Cervicais Não Cariosas ................................. 40 Discussão ......................................................................................................... 42 Abrasão ......................................................................................................... 42 Erosão ........................................................................................................... 44 Abfração ........................................................................................................ 45 Diagnóstico diferencial das LCNC ................................................................. 46 Opções de tratamento ................................................................................... 48 Tratamento das lesões de abrasão ............................................................... 49 Tratamento das lesões de erosão ............................................................. 49 Tratamento das lesões de abfração........................................................... 50 Discussão do Caso Clínico efetuado ............................................................ 52 Conclusões ....................................................................................................... 54 Referências Bibliográficas: ............................................................................... 56 Anexos: ............................................................................................................ 59 Anexo I - Aceitação da ética.......................................................................... 59 Anexo II – Explicação do estudo ................................................................... 60 Anexo III – Consentimento informado ........................................................... 62 Anexo IV – Exemplar do inquérito ................................................................. 63 Anexo V – Restantes análises estatísticas ................................................... 67 Anexo VI – Declaração de autoria................................................................. 78 Anexo VII – Parecer do orientador ................................................................ 79
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 5 | P á g i n a ÍNDICE DE TABELAS TABELA I DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA CONSOANTE A IDADE ............................................................ 26 TABELA II TESTE DO QUI-QUADRADO PARA DUREZA DA ESCOVA ..................................................... 27 TABELA III - TABULAÇÃO CRUZADA ENTRE A VARIÁVEL DUREZA DA ESCOVA DE DENTES E LCNC ........ 28 TABELA IV -TESTE DO QUI-QUADRADO PARA A VARIÁVEL TÉCNICA DE ESCOVAGEM ........................... 29 TABELA V - TABULAÇÃO CRUZADA ENTRE A VARIÁVEL TÉCNICA DE ESCOVAGEM E LCNC .................. 30 TABELA VI - TESTE DO QUI-QUADRADO PARA A VARIÁVEL PRESSÃO USADA NA ESCOVAGEM .............. 31 TABELA VII - TABULAÇÃO CRUZADA ENTRE A VARIÁVEL PRESSÃO USADA NA ESCOVAGEM E LCNC ..... 32 TABELA VIII - TESTE DO QUI-QUADRADO PARA A VARIÁVEL INGESTÃO DE FRUTAS ÁCIDAS ................. 33 TABELA IX - TABULAÇÃO CRUZADA ENTRE A VARIÁVEL INGESTÃO DE FRUTAS ÁCIDAS E LCNC ........... 34 TABELA X TESTE DO QUI-QUADRADO PARA A VARIÁVEL REFLUXO GÁSTRICO .................................... 35 TABELA XI - TESTE DO QUI-QUADRADO PARA A VARIÁVEL BRUXISMO NOTURNO ................................ 36 TABELA XII - TABULAÇÃO CRUZADA ENTRE A VARIÁVEL BRUXISMO NOTURNO E LCNC ...................... 37 TABELA XIII - TESTE DO QUI-QUADRADO PARA A VARIÁVEL BRUXISMO DIURNO ................................. 38 TABELA XIV - TABULAÇÃO CRUZADA ENTRE A VARIÁVEL BRUXISMO DIURNO E LCNC ........................ 39 TABELA XV - TESTE DO QUI-QUADRADO PARA A VARIÁVEL SEXO .................................................... 40 TABELA XVI QUESTÕES COLOCADAS AO PACIENTE COM LCNC NA RECOLHA DA HISTÓRIA CLÍNICA (34) 46 TABELA XVII RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E LOCAIS AFETADOS PELAS LCNC(22) ........... 47
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 6 | P á g i n a Índice de Figuras FIG. 1 - VISTA FRONTAL ............................................................................................................. 20 FIG. 2 - VISTA LATERAL DIREITA .................................................................................................. 20 FIG. 3 - VISTA LATERAL ESQUERDA .............................................................................................. 20 FIG. 4 - DETALHE DA INSERÇÃO DO FIO DE RETRAÇÃO ................................................................... 22 FIG. 5 - CONDICIONAMENTO ÁCIDO .............................................................................................. 22 FIG. 6 - ESCOLHA DA COR .......................................................................................................... 23 FIG. 7 - RESTAURAÇÃO PELA TÉCNICA INCREMENTAL .................................................................... 23 FIG. 8 - AJUSTES OCLUSAIS ........................................................................................................ 24 FIG. 9 - ASPETO FINAL ............................................................................................................... 24 FIG. 10 DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA CONSOANTE O SEXO .............................................................. 26 FIG. 11 - DISTRIBUIÇÃO DA VARIÁVEL DUREZA DA ESCOVA NOS DOIS GRUPOS ................................. 27 FIG. 12 - DISTRIBUIÇÃO DA VARIÁVEL TÉCNICA DE ESCOVAGEM PELOS DOIS GRUPOS ........................ 29 FIG. 13 -DISTRIBUIÇÃO DA VARIÁVEL PRESSÃO USADA NA ESCOVAGEM NOS DOIS GRUPOS ................ 31 FIG. 14 - DISTRIBUIÇÃO DA VARIÁVEL INGESTÃO DE FRUTAS ÁCIDAS PELOS DOIS GRUPOS ................. 33 FIG. 15 - DISTRIBUIÇÃO DA VARIÁVEL BRUXISMO NOTURNO PELOS DOIS GRUPOS .............................. 36 FIG. 16 - DISTRIBUIÇÃO DA VARIÁVEL BRUXISMO DIURNO NOS DOIS GRUPOS .................................... 38 FIG. 17 - DISTRIBUIÇÃO DA VARIÁVEL SEXO PELOS DOIS GRUPO ..................................................... 40
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 7 | P á g i n a Resumo/Abstract
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 8 | P á g i n a Resumo Introdução: As lesões cervicais não cariosas são cada vez mais frequentes na sociedade moderna, sendo que se caracterizam pela perda de estrutura dentária na junção cimento-esmalte e não estão relacionadas com cáries dentárias. Os investigadores acreditam que existem vários fatores envolvidos, contudo a verdadeira dinâmica da origem deste tipo de lesões ainda não está bem esclarecida. Objetivos: Com este estudo pretende-se averiguar quais os fatores etiológicos mais frequentes nos pacientes com presença de lesões cervicais não cariosas de forma a direcionar a intervenção clínica à origem do problema e assim melhorar o prognóstico da lesão e a durabilidade do tratamento aplicado (restauração). Materiais e Métodos: Para a investigação presente neste trabalho foi realizado um inquérito onde foram entrevistados pacientes na clínica da FMDUP com e sem lesões LCNC previamente diagnosticadas. Para melhor compreender quais os fatores adjacentes à multifatoriedade deste tipo de lesão, foram apresentados 160 inquéritos com questões relacionadas com a etiologia descrita em literatura a duas populações alvo: pacientes com lesão e pacientes sem lesão. Foi efetuado o tratamento estatístico dos dados através do software IBM Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) Statistics versão 22.0 na FMDUP. Como método de análise foi utilizado o teste do Qui-quadrado em função de sete testes aplicados com a correção de bonferroni (p< 0.05) e os resultados foram comparados com os descritos na literatura científica atual. Foi ainda realizado um caso clínico ilustrativo de uma situação de LCNC e suas opções terapêuticas.
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 9 | P á g i n a Resultados: Após análise estatística dos dados obtidos, foram encontradas relações estatisticamente significativas entre as variáveis e a presença de lesões cervicais não cariosas, sendo que a força da relação entre elas é reduzida, remetendo para uma etiologia multifatorial. Conclusão: Demonstra-se então a importância da recolha de uma história clínica detalhada para tentar compreender qual a origem da lesões e assim ter uma postura preventiva perante o paciente. A restauração da lesão deve ser feita quando existe sintomatologia associada ou implicações estéticas. Os materiais de eleição incluem: cimentos de ionómero de vidro, ionómero de vidro modificado por resinas, compómeros e resinas compostas nanohíbridas/microhíbridas e fluídas.
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 16 | P á g i n a compostas nanohíbridas/microhíbridas e fluídas (estas apresentam baixo módulo de elasticidade). Não se verifica unanimidade na escolha do melhor material(12). Qualquer tratamento a longo prazo para as LCNC vai fracassar caso os fatores predisponentes não estejam controlados(11, 13). Objetivos O objetivo desta monografia de investigação é identificar e descrever as várias Lesões Cervicais Não Cariosas (LCNC), sua etiologia bem como propor soluções terapêuticas que visem a recuperação dos dentes afetados e todo o equilíbrio do aparelho estomatognático. Hipóteses Não existe relação entre o sexo, idade e o aparecimento de LCNC Não existe relação entre os fatores etiológicos (Dureza da Escova, Técnica de Escovagem, Pressão utilizada na Escovagem, Ingestão de frutas ácidas, Bruxismo Diurno e Noturno) e LCNC. Não existem diferenças nos tratamentos a aplicar quer se tratem de Lesões de Abrasão, Erosão ou Abfração.
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 17 | P á g i n a Materiais e Métodos
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 18 | P á g i n a Materiais e Métodos: Pesquisa Bibliográfica A pesquisa bibliográfica que serviu para contextualizar o presente trabalho de investigação foi feita através da biblioteca online da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto (FMDUP), utilizando os motores de busca: PubMed e Elsevier. A pesquisa foi limitada aos artigos em língua Inglesa e Portuguesa. Foi ainda feita uma pesquisa manual de artigos impressos em revistas e livros da especialidade na biblioteca da FMDUP. Amostra População-alvo A população-alvo deste estudo transversal foi constituída por pacientes da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto. A amostra foi constituída por 160 indivíduos. Na seleção da amostra foi considerado fator de exclusão idade inferior a 40 anos. Ética O estudo foi aprovado pela Comissão de Ética da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto (FMDUP) - Anexo I. Esta investigação não tem quaisquer fins financeiros ou económicos, sendo apenas de cariz académico. O objetivo do estudo foi explicado aos participantes, quer por escrito (Anexo II), quer verbalmente tendo os mesmos assinado um modelo de consentimento informado (Anexo III) caso aceitassem participar no mesmo. Outro aspeto importante, é que qualquer participante teria a possibilidade de desistir do estudo a qualquer momento. Durante a sua realização, foram consideradas todas as regras éticas descritas na legislação em vigor, nomeadamente quanto à confidencialidade e anonimato do indivíduo e no tratamento e armazenamento dos dados.
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 19 | P á g i n a Recolha de Dados Para a investigação presente neste trabalho foi realizado um inquérito onde foram entrevistados pacientes na clínica da FMDUP com e sem lesões LCNC previamente diagnosticadas. Para melhor compreender quais os fatores adjacentes à multifatoriedade deste tipo de lesão, foram apresentados inquéritos com questões relacionadas com a etiologia descrita em literatura a duas populações alvo: pacientes com lesão e pacientes sem lesão. Atendendo que existe uma interação entre LCNC, na apresentação dos inquéritos não foi descriminada qual a lesão associada. Para exemplificar a abordagem clínica a este tipo de lesão e a restauração estética em pacientes com LCNC segundo o que é recomendado em literatura. Apesar de ser um tipo de lesão cada vez mais frequente, a etiologia das LCNC é ainda incerta. Supondo uma etiologia multifatorial e a interação entre os vários tipos de lesão, pretende-se analisar de forma sistematizada e independente as LCNC com base na literatura científica atual. Tratamento Estatístico dos Dados Foi efetuado o tratamento estatístico dos dados através do software IBM Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) Statistics versão 22.0 na FMDUP. Como método de análise foi utilizado o teste do Qui-quadrado em função de sete testes aplicados com a correção de bonferroni (p< 0.05) e os resultados foram comparados com os descritos na literatura científica atual. Caso Clínico De forma a ilustrar uma das soluções terapêuticas utilizadas no tratamento de LCNC, segue-se a apresentação de um caso clínico efetuado pela autora num paciente com LCNC, durante uma consulta na Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto.
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 20 | P á g i n a Caso clínico Identificação: F.D.M.P. Idade: 69 Motivo para a consulta: Hipersensibilidade dentária e questões estéticas História médica: Paciente portador de pacemaker, hipertenso e hipocoagulado Medicação: Sintrom 4mg e Lisinopril História dentária: História de extrações, tratamentos protéticos e restaurações Fatores predisponentes: Paciente informa que escova os dentes com muita força e com uma escova dura. Como método de escovagem utiliza o horizontal. Indica ser utilizador de piscinas. Outros dados: Refere que as restaurações fracassam frequentemente e que recorre diversas vezes ao dentista para restaurar os dentes. Refere hipersensibilidade dentinária. Fig. 1 - Vista frontal Fig. 2 - Vista lateral direita Fig. 3 - Vista lateral esquerda
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 21 | P á g i n a Análise intra-oral: Observam-se diversas LCNC ainda não restauradas nos dentes 1.4, 3.3, 3.4, 3.5, 4.5 e 4.2. Diversas restaurações de classe V nos dentes 1.5, 1.4, 1.3, 1.2, 1.1, 2.1, 2.2, 2.3, 3.2, 4.3 e 4.5. Existência de várias zonas de recessão gengival. Mordida cruzada anterior e zona edêntula correspondente ao 4.1 e 4.2 que está reabilitada com uma prótese parcial removível acrílica que se encontra devidamente ajustada. Escolha do dente: A pedido do paciente e devido a implicações estéticas iniciou-se a restauração do dente 4.2. História clínica do dente envolvido: Dente vital. História de restaurações prévias que fracassaram. Protocolo clínico: 1º Anestesia infiltrativa periapical com mepivacaína. 2º Preparação do dente com broca laminada montada em contra-ângulo (Fig. 4) 3º Isolamento relativo com rolos de algodão por vestibular do dente e aspirador (os rolos de algodão foram trocados sempre que necessário)(13) 4º Colocação de fio de retração no dente com o auxílio de uma espátula de Heidemann (13) 5 º Condicionamento do dente com ácido ortofosfórico (13) a 37 % da DentaFlux ® - 30 segundos no esmalte e 15 na dentina (fig. 5) 6º Lavou-se o dente com jacto de água durante 10 segundos e secou-se com um leve jacto de ar e com bolinhas de algodão. 7º Colocou-se o adesivo(13) Etch-and-Rinse XP-Bond™ da Dentsply™ - no preparo cavitário com o auxílio de um microbrush. Secou-se o adesivo com um leve jacto de ar para promover a evaporação do solvente e fotopolimerizou-se durante 20 segundos. Este passo foi novamente repetido para uma segunda camada de adesivo. 8º Escolha da cor segundo a escala de cores fornecida pelo fabricante (Fig. 6)
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 22 | P á g i n a 9º Iniciou-se a restauração segundo a técnica incremental (13) (camadas de 2 a 3 mm) com o compósito da Micerium®. Entre camadas fotopolimerizou-se 30 segundos, sendo que na última camada se fotopolimerizou durante 60 segundos. (Fig. 7) 10º Análise do padrão oclusal com recurso a papel de articular. (Fig. 8 e 9) 11º Foram feitos ajustes oclusais com broca “em chama de vela” montada em turbina de forma a prevenir cargas excessivas que possam perpetuar a ação da abrasão (14-17) e foi feito o polimento com taças de borracha montadas em contra-ângulo. Fig. 4 - Detalhe da inserção do fio de retração Fig. 5 - Condicionamento ácido
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 23 | P á g i n a Fig. 6 - Escolha da cor Fig. 7 - Restauração pela técnica incremental
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 24 | P á g i n a Fig. 8 - Ajustes oclusais Fig. 9 - Aspeto final
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 25 | P á g i n a Resultados
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 32 | P á g i n a Lesão cervical não cariosa * Pressão usada na escovagem Tabulação cruzada Pressão usada na escovagem Total Pouca pressão Alguma pressão Pressão moderada Pressão intensa Lesão cervical não cariosa Sem lesão Contagem 0 28 47 6 81 % em Lesão cervical não cariosa 0,0% 34,6% 58,0% 7,4% 100,0% % em Pressão usada na escovagem 0,0% 80,0% 51,6% 18,2% 50,6% Resíduos ajustados -1,0 3,9 ,3 -4,2 Com lesão Contagem 1 7 44 27 79 % em Lesão cervical não cariosa 1,3% 8,9% 55,7% 34,2% 100,0% % em Pressão usada na escovagem 100,0% 20,0% 48,4% 81,8% 49,4% Resíduos ajustados 1,0 -3,9 -,3 4,2 Total Contagem 1 35 91 33 160 % em Lesão cervical não cariosa 0,6% 21,9% 56,9% 20,6% 100,0% % em Pressão usada na escovagem 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% Tabela VII - Tabulação cruzada entre a variável pressão usada na escovagem e LCNC Com esta análise verifica-se que apenas 7.4% dos pacientes sem lesão admite usar uma pressão intensa ao escovar os dentes, enquanto que nos pacientes com LCNC temos 34.2% que diz usar pressão intensa durante a escovagem. Constatamos ainda que no total dos dois grupos, mais de metade dos pacientes (56.9%) indica fazer pressão moderada durante a escovagem. Verifica-se a existência de uma relação direta entre pacientes que não têm LCNC e o uso de pouca pressão durante a escovagem e ainda a relação entre o uso de força excessiva na escovagem e a presença de LCNC. A força destas relações é muito reduzida (Lambda 0.14).
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 33 | P á g i n a Relação entre Ingestão de Frutas Ácidas e Lesões Cervicais Não Cariosas Numa análise à relação existente entre ingestão de frutas ácidas e presença de LCNC vemos que existe uma relação estatisticamente significativa (p <0.01) entre estas duas variáveis. Tabela VIII - Teste do Qui-quadrado para a variável ingestão de frutas ácidas Fig. 14 - Distribuição da variável ingestão de frutas ácidas pelos dois grupos Testes qui-quadrado Valor df Significância Sig. (2 lados) Sig exata (2 lados) Sig exata (1 lado) Qui-quadrado de Pearson 10,104a 1 ,001 Correção de continuidadeb 9,122 1 ,003 Razão de verossimilhança 10,218 1 ,001 Teste Exato de Fisher ,002 ,001 Associação Linear por Linear 10,040 1 ,002 N de Casos Válidos 160 a. 0 células (,0%) esperavam uma contagem menor que 5. A contagem mínima esperada é 37,03. b. Computado apenas para uma tabela 2x2
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 34 | P á g i n a Tabela IX - Tabulação cruzada entre a variável ingestão de frutas ácidas e LCNC Através desta análise verificamos que 59.3% dos pacientes que ingerem frutas ácidas não tem LCNC, enquanto que 65.8% dos pacientes que consome frutas ácidas tem LCNC presente. Verifica-se a existência de uma relação direta entre o não consumo de frutas ácidas e a ausência de LCNC e uma relação direta entre o consumo de frutas ácidas e a presença de LCNC. Estas relações têm uma força muito reduzida (Lambda 0.22). Lesão cervical não cariosa * Ingestão de frutas ácidas Tabulação cruzada Ingestão de frutas ácidas Total Não Sim Lesão cervical não cariosa Sem lesão Contagem 48 33 81 % em Lesão cervical não cariosa 59,3% 40,7% 100,0% % em Ingestão de frutas ácidas 64,0% 38,8% 50,6% Resíduos ajustados 3,2 -3,2 Com lesão Contagem 27 52 79 % em Lesão cervical não cariosa 34,2% 65,8% 100,0% % em Ingestão de frutas ácidas 36,0% 61,2% 49,4% Resíduos ajustados -3,2 3,2 Total Contagem 75 85 160 % em Lesão cervical não cariosa 46,9% 53,1% 100,0% % em Ingestão de frutas ácidas 100,0% 100,0% 100,0%
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 35 | P á g i n a Relação entre Refluxo Gástrico e Lesões Cervicais Não Cariosas Numa análise à relação existente entre refluxo gástrico e presença de LCNC vemos que não existe uma relação estatisticamente significativa (p <0.05) entre estas duas variáveis. Tabela X Teste do Qui-quadrado para a variável refluxo gástrico Testes qui-quadrado Valor df Significância Sig. (2 lados) Sig exata (2 lados) Sig exata (1 lado) Qui-quadrado de Pearson ,086a 1 ,769 Correção de continuidadeb ,011 1 ,917 Razão de verossimilhança ,086 1 ,769 Teste Exato de Fisher ,851 ,459 Associação Linear por Linear ,086 1 ,770 N de Casos Válidos 160 a. 0 células (,0%) esperavam uma contagem menor que 5. A contagem mínima esperada é 17,78. b. Computado apenas para uma tabela 2x2
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 36 | P á g i n a Relação entre Bruxismo Noturno e Lesões Cervicais Não Cariosas Analisando a relação entre bruxismo noturno e a presença de LCNC vemos que existe uma relação estatisticamente significativa (p <0.001) entre elas. Testes qui-quadrado Valor df Significância Sig. (2 lados) Sig exata (2 lados) Sig exata (1 lado) Qui-quadrado de Pearson 11,834a 1 ,001 Correção de continuidadeb 10,655 1 ,001 Razão de verossimilhança 12,111 1 ,001 Teste Exato de Fisher ,001 ,000 Associação Linear por Linear 11,760 1 ,001 N de Casos Válidos 160 a. 0 células (,0%) esperavam uma contagem menor que 5. A contagem mínima esperada é 22,22. b. Computado apenas para uma tabela 2x2 Tabela XI - Teste do Qui-quadrado para a variável bruxismo noturno Fig. 15 - Distribuição da variável bruxismo noturno pelos dois grupos
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 37 | P á g i n a Tabela XII - Tabulação cruzada entre a variável bruxismo noturno e LCNC Através desta análise verificamos que 84% dos pacientes onde não foram encontradas LCNC referem não ter bruxismo noturno, nos pacientes onde estão presentes LCNC verificamos que 40.5% refere ter esta parafunção. Foi encontrada uma relação direta entre a ausência de LCNC e pacientes que não fazem bruxismo noturno e ainda uma relação entre presença de LCNC e a prática de bruxismo noturno, sendo que a força entre estas duas variáveis é muito reduzida. Lesão cervical não cariosa * Bruxismo noturno Tabulação cruzada Bruxismo noturno Total Não Sim Lesão cervical não cariosa Sem lesão Contagem 68 13 81 % em Lesão cervical não cariosa 84,0% 16,0% 100,0% % em Bruxismo noturno 59,1% 28,9% 50,6% Resíduos ajustados 3,4 -3,4 Com lesão Contagem 47 32 79 % em Lesão cervical não cariosa 59,5% 40,5% 100,0% % em Bruxismo noturno 40,9% 71,1% 49,4% Resíduos ajustados -3,4 3,4 Total Contagem 115 45 160 % em Lesão cervical não cariosa 71,9% 28,1% 100,0% % em Bruxismo noturno 100,0% 100,0% 100,0%
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 38 | P á g i n a Relação entre Bruxismo Diurno e Lesões Cervicais Não Cariosas No que diz respeito ao bruxismo diurno, foi encontrada uma relação estatisticamente significativa (p <0.002) entre esta parafunção e LCNC. Testes qui-quadrado Valor df Significância Sig. (2 lados) Sig exata (2 lados) Sig exata (1 lado) Qui-quadrado de Pearson 10,077a 1 ,002 Correção de continuidadeb 8,888 1 ,003 Razão de verossimilhança 10,391 1 ,001 Teste Exato de Fisher ,002 ,001 Associação Linear por Linear 10,014 1 ,002 N de Casos Válidos 160 a. 0 células (,0%) esperavam uma contagem menor que 5. A contagem mínima esperada é 16,79. b. Computado apenas para uma tabela 2x2 Tabela XIII - Teste do Qui-quadrado para a variável bruxismo diurno Fig. 16 - Distribuição da variável bruxismo diurno nos dois grupos
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 39 | P á g i n a Tabela XIV - Tabulação cruzada entre a variável bruxismo diurno e LCNC Com esta análise verificamos que no grupo de pacientes que não apresenta lesão 88.9% não tem bruxismo diurno e no grupo de paciente que apresentam LCNC 31.6% assume ter parafunção durante o dia. Foi encontrada uma relação direta entre a ausência de LCNC e a ausência de bruxismo diurno e uma relação entre a prática de bruxismo diurno e a presença de lesão, no entanto esta relação tem um valor muito reduzido (Lambda 0.14) Lesão cervical não cariosa * Bruxismo diurno Tabulação cruzada Bruxismo diurno Total Não Sim Lesão cervical não cariosa Sem lesão Contagem 72 9 81 % em Lesão cervical não cariosa 88,9% 11,1% 100,0% % em Bruxismo diurno 57,1% 26,5% 50,6% Resíduos ajustados 3,2 -3,2 Com lesão Contagem 54 25 79 % em Lesão cervical não cariosa 68,4% 31,6% 100,0% % em Bruxismo diurno 42,9% 73,5% 49,4% Resíduos ajustados -3,2 3,2 Total Contagem 126 34 160 % em Lesão cervical não cariosa 78,8% 21,3% 100,0% % em Bruxismo diurno 100,0% 100,0% 100,0%
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 40 | P á g i n a Relação entre Sexo e Lesões Cervicais Não Cariosas Ao analisarmos a relação entre sexo e LCNC, não foi encontrada nenhuma relação estatisticamente significativa (p<0.05) entre estas duas variáveis. Tabela XV - Teste do Qui-quadrado para a variável sexo Fig. 17 - Distribuição da variável sexo pelos dois grupo Testes qui-quadrado Valor df Significância Sig. (2 lados) Sig exata (2 lados) Sig exata (1 lado) Qui-quadrado de Pearson 2,241a 1 ,134 Correção de continuidadeb 1,782 1 ,182 Razão de verossimilhança 2,249 1 ,134 Teste Exato de Fisher ,147 ,091 Associação Linear por Linear 2,227 1 ,136 N de Casos Válidos 160 a. 0 células (,0%) esperavam uma contagem menor que 5. A contagem mínima esperada é 30,61. b. Computado apenas para uma tabela 2x2
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 41 | P á g i n a Discussão
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 48 | P á g i n a Opções de tratamento Uma das consequências da etiologia desconhecida das LCNC e dos casos mal diagnosticados é uma abordagem clínica confusa. Atualmente consideram-se três abordagens para este tipo de lesões: não efetuar qualquer tratamento (controlar fatores etiológicos), restaurar e restaurar fazendo alívios oclusais(7, 13). O tratamento das LCNC pode estar confinado a uma abordagem paliativa se os fatores causais tiverem sido eliminados e se o médico dentista conseguir monitorizar a evolução da lesão regularmente. Contudo, alguns autores sugerem que o tratamento é necessário para impedir a progressão da lesão(8). Owem e Gallien propõem que o tratamento ativo é necessário para prevenir que futuras concentrações de stress possam levar à fratura ou exposição pulpar. Grippo era um defensor da ideia de que as LCNC devem ser restauradas, tendo enumerado uma lista com algumas das vantagens associadas ao tratamento: diminuição da concentração de stress, diminuição da flexão, diminuição da progressão da abfração, fortalecimento do dente, prevenção do envolvimento pulpar, eliminação da dissolução ácida, prevenção de fraturas dentárias, prevenção da abrasão pela escovagem, eliminação da hipersensibilidade cervical, fornecimento de conforto para os tecidos moles adjacentes, melhoria da estética e da higiene, prevenção da impactação alimentar e transmissão de uma sensação de bem-estar ao paciente(7). Apesar de muitas vezes ser necessário e vantajoso restaurar LCNC, pode haver alguns inconvenientes nisso, nomeadamente o fato de algumas lesões sem sintomatologia poderem apresentar sensibilidade pós-operatória persistente após a restauração. As lesões sem cárie ao serem restauradas poderão também, a longo prazo, apresentar cárie secundária na margem cervical sem esmalte da restauração, o que poderá modificar o perfil anatómico do dente e esta alteração poderá dificultar o controlo do biofilme bacteriano. Outro inconveniente é o fato de a restauração poder resultar na presença de excessos de material restaurador na área crítica do sulco gengival (13).
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 49 | P á g i n a Após a decisão de restaurar uma LCNC, passa a ser necessário e fundamental definir o tipo de material restaurador a usar(8, 12, 13). Estas lesões podem ser adequadamente restauradas por meio de uma técnica adesiva e com os seguintes materiais: resinas compostas micro/nanoparticuladas ou híbridas, associação de uma resina flow e uma resina microparticulada, apenas uma resina flow, ionómero de vidro, associação de um ionómero de vidro com uma resina composta microparticulada ou uma porcelana/resina composta de uso indireto(8, 13, 14, 28, 31, 35, 36). Tratamento das lesões de abrasão Como medida preventiva ao aparecimento e progressão da lesão devemos dar algumas sugestões aos pacientes: ensinar boas técnicas de higiene oral, evitando a recessão gengival devido ao acúmulo de biofilme bacteriano, evitar o uso de grandes quantidades de dentífrico ou reaplicar mais dentífrico durante a escovagem, evitar escovas com cerdas duras, evitar uma escovagem com muita pressão ou demasiado demorada e evitar o uso inapropriado de palitos bem como trincar objetos como canetas, ganchos de cabelo, etc. Os piercings intra-orais também devem ser considerados e desaconselhados (14, 16, 24, 28, 36, 37). A presença de hipersensibilidade dentinária pode ser tratada com a aplicação de um dessensibilizante(14, 36). Em casos de hipersensibilidade ligeira a moderada podemos recomendar uma pasta dentífrica para dentes sensíveis (com nitrato de potássio ou estrôncio) e aplicações de flúor tópico em moldeiras no consultório (14). Em casos de hipersensibilidade dentinária prolongada ou severa podemos optar pela utilização de materiais restauradores tais como cimento de ionómero de vidro, amálgama de prata ou resina composta, desde que a quantidade de tecido abrasionado permita a inserção destes materiais, sem alterar o contorno do dente, recobrimentos de raiz ou tratamentos endodônticos(10, 13, 14, 36). Tratamento das lesões de erosão Quando se diagnostica uma erosão resultante de uma agressão exógena, devemos começar por identificar a sua causa para que possamos informar os pacientes de qual a origem da sua erosão e tentar modificar hábitos(38). Se as
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 50 | P á g i n a erosões forem pouco significativas, o melhor é não proceder a tratamentos restauradores ou aplicar fluoretos(13, 39). Perante áreas com grande destruição e/ou comprometimento estético devemos avançar para uma restauração com materiais adesivos, nomeadamente, cimentos de ionómero de vidro, resina composta ou mesmo a associação entre eles(13, 36, 39). Quando as perdas de substância têm origem endógena, o diagnóstico diferencial entre refluxo gastro-esofágico e bulimia pode ser difícil se o paciente não for colaborante (36, 39). Em qualquer um dos casos é importante prescrever bochechos com solutos fluoretados e desaconselhar vivamente a escovagem dentária após o vómito, pois a ação abrasiva da escova de dentes e do dentífrico vai atuar sobre um esmalte recém desmineralizado, agravando o quadro clínico(13, 39). Tratamento das lesões de abfração Quando estamos perante uma LCNC do tipo abfração menor que 1 mm de profundidade a monitorização da lesão em intervalos regulares é suficiente(15, 31, 40). A restauração de lesões de abfração facilita a manutenção da higiene oral pelo paciente, diminui a hipersensibilidade dentinária, melhora a estética e fortalece o dente. Em conjunto com a restauração foram propostas várias estratégias tais como, ajustes oclusais, eliminação de hábitos parafuncionais e alteração das técnicas de escovagem (15-17). Os materiais mais indicados atualmente são: cimentos de ionómero de vidro, cimentos de ionómero de vidro modificados por resinas, compómeros, resinas compostas e uma combinação entre elas (15, 31, 41-43). Segundo Tay (44) os cimentos de ionómero de vidro modificados por resinas devem ser a primeira linha de escolha. Uma base de ionómero de vidro mais uma resina composta devem ser usados sempre que há comprometimento estético(31, 44). O critério mais importante neste tipo de restaurações é a retenção. Estudos clínicos mostram que são as lesões de abfração as que têm uma maior percentagem de insucessos (31, 45). As restaurações tendem a cair do dente devido à constante deformação da estrutura dentária causada por hábitos parafuncionais. Heymann (46) constatou a associação entre oclusão, localização
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 51 | P á g i n a do dente e idade do paciente com a perda de retenção, enquanto outros autores atribuem o fracasso das restaurações às propriedades do adesivo ou à falta de adesivo(47-51). Os sistemas adesivos atuais interagem com o esmalte e com a dentina quer na técnica etch-and-rinse ou na self-etch. A principal razão para o fracasso da restauração é a dificuldade em conseguir arranjar e manter um bom selamento entre a restauração e a margem do dente(31, 52, 53). Nestes casos, para além da restauração dentária, o tratamento passa por avaliação e equilíbrio da oclusão bem como das desordens temporomandibulares através do uso de goteiras ou até mesmo efetuando ortodontia para correção da posição e dos eixos dentários. Se apenas for efetuada a restauração sem ter em conta as restantes vertentes terapêuticas, a mesma estará condenada ao insucesso.
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 52 | P á g i n a Discussão do Caso Clínico efetuado No paciente no qual foi efetuado o caso clínico presente na secção dos materiais e métodos (Figura 1 à Figura 9) assume-se como fator etiológico principal a escovagem com escova com cerdas duras, a força excessiva aplicada durante a escovagem bem como uma técnica incorreta de higienização. O fato do paciente referir que usa a técnica horizontal com uma escova dura, aumenta a probabilidade da ocorrência de uma lesão de abrasão (14, 21, 22). Tal como recomendado em bibliografia fez a restauração da lesão com uma técnica combinada de ionómero de vidro e resina composta uma vez que o paciente refere hipersensibilidade dentinária prolongada e motivações estéticas(13, 14, 36, 39, 54). Com este tipo de opção reabilitadora recuperou-se a estética do dente, bem como se deu solução para a hipersensibilidade dentinária. Para que a restauração não volte a fracassar, o paciente foi instruído a usar uma escova de cerdas macias e a moderar a intensidade da escovagem, tentando assim eliminar os fatores predisponentes(13, 14).
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 53 | P á g i n a Conclusões
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 54 | P á g i n a Conclusões Este estudo permite-nos concluir que a etiologia das LCNC é multifatorial uma vez que encontramos várias relações estatisticamente significativas (p <0.05) entre as diversas variáveis descritas em literatura e a presença de LCNC nos pacientes que foram incluídos neste estudo. Este facto leva a concluir que as hipóteses nulas levantadas foram rejeitadas. Contudo, apesar de terem sido encontradas relações diretas entre os diversos fatores analisados e a presença de LCNC, foi notório que apesar desta significância estatística, a força da relação entre variáveis e presença de lesão foi sempre reduzida, o que nos remete para uma interação entre os vários fatores etiológicos, ou seja, não podemos encarar apenas um fator como a única causa associada à presença de LCNC. Quando deparado com LCNC, o médico dentista deverá ter uma atitude preventiva e fazer uma história clínica o mais detalhada possível e sempre dirigida aos fatores que estão descritos como etiológicos para tentar descobrir quais os hábitos daquele paciente que poderão estar a causar o aparecimento de lesões. No que diz respeito ao tratamento, numa primeira fase e após perceber qual a etiologia associada, o médico dentista deverá recomendar o paciente a eliminar hábitos nocivos pois só assim uma intervenção cirúrgica poderá ter sucesso. Após eliminar os hábitos que poderão estar associados à presença de LCNC e numa segunda fase caso exista sintomatologia ou implicações estéticas, deve ser feita a restauração das lesões.
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 55 | P á g i n a Referências Bibliográficas
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 56 | P á g i n a Referências Bibliográficas: 1. Benazzi S, Nguyen HN, Schulz D, Grosse IR, Gruppioni G, Hublin JJ, et al. The evolutionary paradox of tooth wear: simply destruction or inevitable adaptation? PloS one. 2013;8(4):e62263. 2. Dzakovich JJ, Oslak RR. In vitro reproduction of noncarious cervical lesions. The Journal of prosthetic dentistry. 2008;100(1):1-10. 3. Antonelli JR, Hottel TL, Brandt R, Scarbecz M, Patel T. The role of occlusal loading in the pathogenesis of non-carious cervical lesions. American journal of dentistry. 2013;26(2):86-92. 4. Ahmed H, Durr ES, Rahman M. Factors associated with Non-Carious Cervical Lesions (NCCLs) in teeth. Journal of the College of Physicians and Surgeons--Pakistan : JCPSP. 2009;19(5):279-82. 5. Que K, Guo B, Jia Z, Chen Z, Yang J, Gao P. A cross-sectional study: non-carious cervical lesions, cervical dentine hypersensitivity and related risk factors. Journal of oral rehabilitation. 2013;40(1):24-32. 6. Bartlett DW, Shah P. A critical review of non-carious cervical (wear) lesions and the role of abfraction, erosion, and abrasion. Journal of dental research. 2006;85(4):306-12. 7. Wood I, Jawad Z, Paisley C, Brunton P. Non-carious cervical tooth surface loss: a literature review. Journal of dentistry. 2008;36(10):759-66. 8. Osborne-Smith KL, Burke FJ, Farlane TM, Wilson NH. Effect of restored and unrestored non-carious cervical lesions on the fracture resistance of previously restored maxillary premolar teeth. Journal of dentistry. 1998;26(5-6):427-33. 9. Antonelli JR, Hottel TL, Garcia-Godoy F. Abfraction lesions--where do they come from? A review of the literature. The Journal of the Tennessee Dental Association. 2013;93(1):14-9; quiz 20-1. 10. Bignozzi I, Littarru C, Crea A, Vittorini Orgeas G, Landi L. Surgical treatment options for grafting areas of gingival recession association with cervical lesions: a review. Journal of esthetic and restorative dentistry : official publication of the American Academy of Esthetic Dentistry [et al]. 2013;25(6):371-82. 11. Pereira AdFV. Uma revisão sobre lesões de abfração: conceitos atuais. RGO. 2008;56(3):321-6. 12. Ichim IP, Schmidlin PR, Li Q, Kieser JA, Swain MV. Restoration of non-carious cervical lesions Part II. Restorative material selection to minimise fracture. Dental materials : official publication of the Academy of Dental Materials. 2007;23(12):1562-9. 13. Baratieri LN, MONTEIRO S. Odontologia restauradora: fundamentos & técnicas: Santos; 2010. 14. Pires P. Lesões de Abrasão Dentária: Herança de uma Escovagem Traumática? Revista de Estomatologia, Medicina Dentária e Cirurgia Maxilofacial. 2008;49(1). 15. Shetty SM, Shetty RG, Mattigatti S, Managoli NA, Rairam SG, Patil AM. No carious cervical lesions: abfraction. Journal of international oral health : JIOH. 2013;5(5):143-6. 16. Lyttle HA, Sidhu N, Smyth B. A study of the classification and treatment of noncarious cervical lesions by general practitioners. The Journal of prosthetic dentistry. 1998;79(3):342-6. 17. Grippo JO. Noncarious cervical lesions: the decision to ignore or restore. Journal of esthetic dentistry. 1992;4 Suppl:55-64. 18. Amaral SdM. Lesões não cariosas: o desafio do diagnóstico multidisciplinar. Arq Int Otorrinolaringol. 2012;16(1):96-102. 19. Nguyen C, Ranjitkar S, Kaidonis JA, Townsend GC. A qualitative assessment of noncarious cervical lesions in extracted human teeth. Australian dental journal. 2008;53(1):46-51. 20. Litonjua LA, Andreana S, Bush PJ, Cohen RE. Tooth wear: attrition, erosion, and abrasion. Quintessence international. 2003;34(6):435-46.
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 57 | P á g i n a 21. Dyer. Studies in vitro of abrasion by diferent manual toothbrush heads and a standart toohpaste. Journal of clinical periodontology. 2000;27:99-103. 22. Gonçalves Pea. Lesões cervicais não cariosas na prática odontológica atual: diagnóstico e prevenção. Rev Ciênc Méd, Campinas. 2011;20:145-52. 23. Oginni AO, Olusile AO, Udoye CI. Non-carious cervical lesions in a Nigerian population: abrasion or abfraction? International dental journal. 2003;53(5):275-9. 24. Kielbassa AM, Gillmann L, Zantner C, Meyer-Lueckel H, Hellwig E, Schulte-Monting J. Profilometric and microradiographic studies on the effects of toothpaste and acidic gel abrasivity on sound and demineralized bovine dental enamel. Caries research. 2005;39(5):3806. 25. Akgul HM, Akgul N, Karaoglanoglu S, Ozdabak N. A survey of the correspondence between abrasions and tooth brushing habits in Erzurum, Turkey. International dental journal. 2003;53(6):491-5. 26. Li H, Zou Y, Ding G. Dietary factors associated with dental erosion: a meta-analysis. PloS one. 2012;7(8):e42626. 27. Senna P, Del Bel Cury A, Rosing C. Non-carious cervical lesions and occlusion: a systematic review of clinical studies. Journal of oral rehabilitation. 2012;39(6):450-62. 28. Lussi A, Jaeggi T, Zero D. The role of diet in the aetiology of dental erosion. Caries research. 2004;38 Suppl 1:34-44. 29. Holbrook WP, Furuholm J, Gudmundsson K, Theodors A, Meurman JH. Gastric reflux is a significant causative factor of tooth erosion. Journal of dental research. 2009;88(5):422-6. 30. Lussi A, Schlueter N, Rakhmatullina E, Ganss C. Dental erosion--an overview with emphasis on chemical and histopathological aspects. Caries research. 2011;45 Suppl 1:2-12. 31. Sarode GS, Sarode SC. Abfraction: A review. Journal of oral and maxillofacial pathology : JOMFP. 2013;17(2):222-7. 32. Mount GJ, Tyas JM, Duke ES, Hume WR, Lasfargues JJ, Kaleka R. A proposal for a new classification of lesions of exposed tooth surfaces. International dental journal. 2006;56(2):8291. 33. Perez CRea. Restoration of Noncarious Cervical Lesions:When,Why, and How. International Journal of Dentistry. 2011. 34. Davies SJ. Management of tooth surface loss. Brazilian Dental Journal. 2002;192:11-23. 35. Ichim I, Li Q, Loughran J, Swain MV, Kieser J. Restoration of non-carious cervical lesions Part I. Modelling of restorative fracture. Dental materials : official publication of the Academy of Dental Materials. 2007;23(12):1553-61. 36. Hoeppner MG. Clinical considerations about the non-carious cervical lesions. UEPG Biol Sci. 2007;13:81-6. 37. Attin T, Knofel S, Buchalla W, Tutuncu R. In situ evaluation of different remineralization periods to decrease brushing abrasion of demineralized enamel. Caries research. 2001;35(3):216-22. 38. Smith WA, Marchan S, Rafeek RN. The prevalence and severity of non-carious cervical lesions in a group of patients attending a university hospital in Trinidad. Journal of oral rehabilitation. 2008;35(2):128-34. 39. Ramos JC. Estética em Medicina Dentária. Estética em Medicina Dentária: ABBOTT Laboratórios; 2009. 40. Michael JA, Townsend GC, Greenwood LF, Kaidonis JA. Abfraction: separating fact from fiction. Australian dental journal. 2009;54(1):2-8. 41. Fruits TJ, VanBrunt CL, Khajotia SS, Duncanson MG, Jr. Effect of cyclical lateral forces on microleakage in cervical resin composite restorations. Quintessence international. 2002;33(3):205-12.
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 64 | P á g i n a Como classificava a pressão que faz ao escovar os dentes? Sendo que 0 corresponde a pouca pressão e 3 a muita pressão 0 1 2 3 Selecione um valor num intervalo de 0 até 3. Em média, quanto tempo dedica a escovar os dentes? 0 a 1 minuto 1 a 2 minutos + do que 3 minutos Tem por hábito usar o palito? Sim Não Raramente Costuma ter a boca seca? Sim Não Raramente É frequente a ingestão de frutas ácidas? Limão, laranja ou sob a forma de sumo de limão (limonada) ou sumo de laranja Sim Não Os refrigerantes fazem parte da sua dieta? Sim Não Raramente Costuma beber bebidas isotónicas/energéticas? Sim Não Raramente Consome álcool frequentemente? Sim Não
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 65 | P á g i n a Está grávida? Sim Não Homem No seu local de trabalho está exposto a ambientes ácidos? Sim Não Costuma frequentar piscinas? Sim Não É habitual ter vómitos ou refluxo gástrico? Sim Não Já fez ou está a fazer radioterapia? Sim Não Das seguintes imagens assinale com um circulo quais as que mais se assemelham à técnica que usa para escovar os dentes: Caso nenhuma se assemelhe, por favor faça uma breve descrição da sua técnica
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 66 | P á g i n a Já lhe disseram, ou já reparou, se range ou aperta os dentes durante o sono de noite? Sim Não Durante o dia, range ou aperta os dentes? Sim Não Obrigada pela sua colaboração. FIM Outra:
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 67 | P á g i n a Anexo V – Restantes análises estatísticas Relação entre uso de flúor e Lesões Cervicais Não Cariosas Testes qui-quadrado Valor df Significância Sig. (2 lados) Sig exata (2 lados) Sig exata (1 lado) Qui-quadrado de Pearson 2,075a 1 ,150 Correção de continuidadeb 1,467 1 ,226 Razão de verossimilhança 2,096 1 ,148 Teste Exato de Fisher ,173 ,113 Associação Linear por Linear 2,062 1 ,151 N de Casos Válidos 160 a. 0 células (,0%) esperavam uma contagem menor que 5. A contagem mínima esperada é 10,86. b. Computado apenas para uma tabela 2x2 Tabela anexa I - Teste do Qui-quadrado para a variável utilização de flúor Lesão cervical não cariosa * Utilização de flúor Tabulação cruzada Utilização de flúor Total 0 1 Lesão cervical não cariosa 0 Contagem 8 73 81 Contagem Esperada 11,1 69,9 81,0 % em Lesão cervical não cariosa 9,9% 90,1% 100,0% % em Utilização de flúor 36,4% 52,9% 50,6% Resíduos ajustados -1,4 1,4 1 Contagem 14 65 79 Contagem Esperada 10,9 68,1 79,0 % em Lesão cervical não cariosa 17,7% 82,3% 100,0% % em Utilização de flúor 63,6% 47,1% 49,4% Resíduos ajustados 1,4 -1,4 Total Contagem 22 138 160 Contagem Esperada 22,0 138,0 160,0 % em Lesão cervical não cariosa 13,8% 86,3% 100,0% % em Utilização de flúor 100,0% 100,0% 100,0% Tabela anexa II - Tabulação cruzada entre a variável utilização de flúor e LCNC
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 68 | P á g i n a Relação entre uso de pastas branqueadoras e Lesões Cervicais Não Cariosas Tabela anexa III - Teste do Qui-quadrado para a variável uso de pastas branqueadoras Tabela anexa IV - Tabulação cruzada entre a variável uso de pastas branqueadoras e LCNC Testes qui-quadrado Valor df Significância Sig. (2 lados) Sig exata (2 lados) Sig exata (1 lado) Qui-quadrado de Pearson ,137a 1 ,711 Correção de continuidadeb ,043 1 ,836 Razão de verossimilhança ,138 1 ,711 Teste Exato de Fisher ,745 ,418 Associação Linear por Linear ,137 1 ,712 N de Casos Válidos 160 a. 0 células (,0%) esperavam uma contagem menor que 5. A contagem mínima esperada é 29,13. b. Computado apenas para uma tabela 2x2 Lesão cervical não cariosa * Uso de pastas branqueadoras Tabulação cruzada Uso de pastas branqueadoras Total 0 1 Lesão cervical não cariosa 0 Contagem 50 31 81 Contagem Esperada 51,1 29,9 81,0 % em Lesão cervical não cariosa 61,7% 38,3% 100,0% % em Uso de pastas branqueadoras 49,5% 52,5% 50,6% Resíduos ajustados -,4 ,4 1 Contagem 51 28 79 Contagem Esperada 49,9 29,1 79,0 % em Lesão cervical não cariosa 64,6% 35,4% 100,0% % em Uso de pastas branqueadoras 50,5% 47,5% 49,4% Resíduos ajustados ,4 -,4 Total Contagem 101 59 160 Contagem Esperada 101,0 59,0 160,0 % em Lesão cervical não cariosa 63,1% 36,9% 100,0% % em Uso de pastas branqueadoras 100,0% 100,0% 100,0%
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 69 | P á g i n a Relação entre tempo de escovagem e Lesões Cervicais Não Cariosas Testes qui-quadrado Valor df Significância Sig. (2 lados) Qui-quadrado de Pearson 2,223a 2 ,329 Razão de verossimilhança 2,230 2 ,328 Associação Linear por Linear ,244 1 ,621 N de Casos Válidos 160 a. 0 células (,0%) esperavam uma contagem menor que 5. A contagem mínima esperada é 15,80. Tabela anexa V - Teste do Qui-quadrado para a variável tempo de escovagem Lesão cervical não cariosa * Tempo de escovagem Tabulação cruzada Tempo de escovagem Total 0 1 2 Lesão cervical não cariosa 0 Contagem 14 52 15 81 Contagem Esperada 17,2 47,6 16,2 81,0 % em Lesão cervical não cariosa 17,3% 64,2% 18,5% 100,0% % em Tempo de escovagem 41,2% 55,3% 46,9% 50,6% Resíduos ajustados -1,2 1,4 -,5 1 Contagem 20 42 17 79 Contagem Esperada 16,8 46,4 15,8 79,0 % em Lesão cervical não cariosa 25,3% 53,2% 21,5% 100,0% % em Tempo de escovagem 58,8% 44,7% 53,1% 49,4% Resíduos ajustados 1,2 -1,4 ,5 Total Contagem 34 94 32 160 Contagem Esperada 34,0 94,0 32,0 160,0 % em Lesão cervical não cariosa 21,3% 58,8% 20,0% 100,0% % em Tempo de escovagem 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% Tabela anexa VI - Tabulação cruzada entre a variável tempo de escovagem e LCNC
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 70 | P á g i n a Relação entre a utilização do palito e Lesões Cervicais Não Cariosas Testes qui-quadrado Valor df Significância Sig. (2 lados) Qui-quadrado de Pearson 8,039a 2 ,018 Razão de verossimilhança 8,127 2 ,017 Associação Linear por Linear 4,056 1 ,044 N de Casos Válidos 160 a. 0 células (,0%) esperavam uma contagem menor que 5. A contagem mínima esperada é 17,28. Tabela anexa VII - Teste do Qui-quadrado para a variável utilização do palito Lesão cervical não cariosa * Utilização do palito Tabulação cruzada Utilização do palito Total 0 1 2 Lesão cervical não cariosa 0 Contagem 49 16 16 81 Contagem Esperada 40,5 22,8 17,7 81,0 % em Lesão cervical não cariosa 60,5% 19,8% 19,8% 100,0% % em Utilização do palito 61,3% 35,6% 45,7% 50,6% Resíduos ajustados 2,7 -2,4 -,7 1 Contagem 31 29 19 79 Contagem Esperada 39,5 22,2 17,3 79,0 % em Lesão cervical não cariosa 39,2% 36,7% 24,1% 100,0% % em Utilização do palito 38,8% 64,4% 54,3% 49,4% Resíduos ajustados -2,7 2,4 ,7 Total Contagem 80 45 35 160 Contagem Esperada 80,0 45,0 35,0 160,0 % em Lesão cervical não cariosa 50,0% 28,1% 21,9% 100,0% % em Utilização do palito 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% Tabela anexa VIII - Tabulação cruzada para a variável utilização do palito e LCNC
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 71 | P á g i n a Relação entre a sensação de boca seca e Lesões Cervicais Não Cariosas Testes qui-quadrado Valor df Significância Sig. (2 lados) Qui-quadrado de Pearson 16,645a 2 ,000 Razão de verossimilhança 17,271 2 ,000 Associação Linear por Linear 16,464 1 ,000 N de Casos Válidos 160 a. 0 células (,0%) esperavam uma contagem menor que 5. A contagem mínima esperada é 9,88. Tabela anexa IX - Teste do Qui-quadrado para a variável sensação de boca seca Lesão cervical não cariosa * Sensação de boca seca Tabulação cruzada Sensação de boca seca Total 0 1 2 Lesão cervical não cariosa 0 Contagem 56 21 4 81 Contagem Esperada 44,0 26,8 10,1 81,0 % em Lesão cervical não cariosa 69,1% 25,9% 4,9% 100,0% % em Sensação de boca seca 64,4% 39,6% 20,0% 50,6% Resíduos ajustados 3,8 -2,0 -2,9 1 Contagem 31 32 16 79 Contagem Esperada 43,0 26,2 9,9 79,0 % em Lesão cervical não cariosa 39,2% 40,5% 20,3% 100,0% % em Sensação de boca seca 35,6% 60,4% 80,0% 49,4% Resíduos ajustados -3,8 2,0 2,9 Total Contagem 87 53 20 160 Contagem Esperada 87,0 53,0 20,0 160,0 % em Lesão cervical não cariosa 54,4% 33,1% 12,5% 100,0% % em Sensação de boca seca 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% Tabela anexa X - Tabulação cruzada entre a variável sensação de boca seca e LCNC
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 72 | P á g i n a Relação entre a ingestão de refrigerantes e Lesões Cervicais Não Cariosas Testes qui-quadrado Valor df Significância Sig. (2 lados) Qui-quadrado de Pearson 1,055a 2 ,590 Razão de verossimilhança 1,057 2 ,590 Associação Linear por Linear ,712 1 ,399 N de Casos Válidos 160 a. 0 células (,0%) esperavam uma contagem menor que 5. A contagem mínima esperada é 8,89. Tabela anexa XI - Teste do Qui-quadrado para a variável ingestão de refrigerantes Lesão cervical não cariosa * Ingestão de refrigerantes Tabulação cruzada Ingestão de refrigerantes Total 0 1 2 Lesão cervical não cariosa 0 Contagem 53 10 18 81 Contagem Esperada 51,1 9,1 20,8 81,0 % em Lesão cervical não cariosa 65,4% 12,3% 22,2% 100,0% % em Ingestão de refrigerantes 52,5% 55,6% 43,9% 50,6% Resíduos ajustados ,6 ,4 -1,0 1 Contagem 48 8 23 79 Contagem Esperada 49,9 8,9 20,2 79,0 % em Lesão cervical não cariosa 60,8% 10,1% 29,1% 100,0% % em Ingestão de refrigerantes 47,5% 44,4% 56,1% 49,4% Resíduos ajustados -,6 -,4 1,0 Total Contagem 101 18 41 160 Contagem Esperada 101,0 18,0 41,0 160,0 % em Lesão cervical não cariosa 63,1% 11,3% 25,6% 100,0% % em Ingestão de refrigerantes 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% Tabela anexa XII - Tabulação cruzada para a variável ingestão de refrigerantes e LCNC
Lesões cervicais não cariosas: estudo da etiologia e soluções estéticas 73 | P á g i n a Relação entre a ingestão de bebidas isotónicas/energéticas e Lesões Cervicais Não Cariosas Testes qui-quadrado Valor df Significância Sig. (2 lados) Qui-quadrado de Pearson 2,502a 2 ,286 Razão de verossimilhança 3,280 2 ,194 Associação Linear por Linear ,098 1 ,754 N de Casos Válidos 160 a. 4 células (66,7%) esperavam uma contagem menor que 5. A contagem mínima esperada é ,99. Tabela anexa XIII - Teste do Qui-quadrado para a variável ingestão de bebidas isotónicas/energéticas Lesão cervical não cariosa * Ingestão de bebidas isotónicas/energéticas Tabulação cruzada Ingestão de bebidas isotónicas/energéticas Total 0 1 2 Lesão cervical não cariosa 0 Contagem 76 0 5 81 Contagem Esperada 75,9 1,0 4,1 81,0 % em Lesão cervical não cariosa 93,8% 0,0% 6,2% 100,0% % em Ingestão de bebidas isotónicas/energéticas 50,7% 0,0% 62,5% 50,6% Resíduos ajustados ,0 -1,4 ,7 1 Contagem 74 2 3 79 Contagem Esperada 74,1 1,0 4,0 79,0 % em Lesão cervical não cariosa 93,7% 2,5% 3,8% 100,0% % em Ingestão de bebidas isotónicas/energéticas 49,3% 100,0% 37,5% 49,4% Resíduos ajustados ,0 1,4 -,7 Total Contagem 150 2 8 160 Contagem Esperada 150,0 2,0 8,0 160,0 % em Lesão cervical não cariosa 93,8% 1,3% 5,0% 100,0% % em Ingestão de bebidas isotónicas/energéticas 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% Tabela anexa XIV - Tabulação cruzada para a variável ingestão de bebidas isotónicas/energéticas e LCNC