Decisões de Investimento: Análise Financeira de Projetos (4ª edição, revista e corrigida)
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Sílabo Sílabo Gestão Gestão Edições Sílabo 4ª Edição Revista e corrigida 85 Decisões de Investimento Decisões de Investimento Análise Financeira de Projetos MARIA ISABEL R. T. SOARES é Professora Catedrática da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP). em Economia pela Universidade Louis Pasteur, de Strasbourg, tem um Post-Doc. no VPI – Virginia Polytechnic Institute and State University. Tem participado em diversos cursos de mestrado, doutoramento e pós-graduação em universidades nacionais e estrangeiras. Tem cerca de 80 títulos publicados em revistas científicas nacionais e internacionais e é autora ou coautora de diversos livros editados internacionalmente. Desenvolve, desde 1989, intensa atividade de consultoria. JOSÉ ANTÓNIO CARDOSO MOREIRA é Professor Auxiliar da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, doutorado em Contabilidade e Finanças pela Universidade de Lancaster, no Reino Unido. A sua experiência profissional é vasta, incluindo a de analista de investimentos numa instituição bancária, analista financeiro e consultor. Atualmente a sua atividade centra-se no ensino, com preponderância ao nível da formação pós-graduada. É autor de trabalhos na área da Análise Financeira. JOAQUIM CARLOS DA COSTA PINHO é Professor Associado com Agregação do Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial da Universidade de Aveiro. Doutorado em Economia Aplicada pela Universidade de Santiago de Compostela, tem participado em diversos cursos de mestrado e pós-graduação na área das Finanças, bem como, exercido atividade de consultoria ao longo dos últimos anos. JOÃO ARMANDO COUTO é licenciado em Economia e pós-graduado em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto, onde leciona desde 1977. Como docente, tem colaborado com diversos estabelecimentos de ensino superior em cursos da área financeira, bem como em ações de formação promovidos por associações empresariais, com especial destaque no setor bancário. Foi colaborador do IAPMEI (Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e ao Investimento) em análise de projetos de investimento. Na década de 80 exerceu o cargo de diretor financeiro num grupo industrial, desenvolvendo atividades de consultor financeiro desde a década de 90. É e foi membro de órgãos sociais de diversas empresas. Docteur d'Etat Gerir empresas é gerir projetos. O valor de uma empresa é o valor do conjunto de projetos que compõem a sua carteira de negócios, ou mais precisamente, o valor atual dos fluxos de capital esperados no futuro. Maximizar o valor atual destes fluxos é pois o objetivo central da Gestão Financeira e do qual decorrem todos os outros. Deste modo, as técnicas e os conceitos utilizados para a tomada de decisões de investimento revelam-se de extrema importância. Desde as suas interligações com a estratégia empresarial até ao controlo pós-projeto apresenta uma visão integrada da análise de investimentos; o essencial da teoria e das técnicas de avaliação estão aqui expostos, bem como as referências que permitirão ao leitor que assim o deseje outros aprofundamentos e desenvolvimentos. Para facilitar a aquisição/consolidação/operacionalização dos conhecimentos transmitidos, a exposição teórica é permanentemente acompanhada com exemplos de aplicação e na última parte são apresentados dois casos de estudo resolvidos e comentados. Escrita numa linguagem acessível, esta obra dirige-se a todos aqueles que procuram : desde o empreendedor/investidor, ao quadro empresarial, ao analista de investimentos, ao consultor, até ao estudante e docente de Finanças. Decisões de Investimento – Análise Financeira de Projetos , aprender a fazer Decisões de Investimento Análise Financeira de Projetos Isabel Soares José Moreira Carlos Pinho João Couto ISBN 978-972-618-806-3 7897269 188063
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É expressamente proibido reproduzir, no todo ou em parte, sob qualquer forma ou meio, NOMEADAMENTE FOTOCÓPIA, esta obra. As transgressões serão passíveis das penalizações previstas na legislação em vigor. Visite a Sílabo na rede www.silabo.pt Editor: Manuel Robalo FICHA TÉCNICA: Título: Decisões de Investimento – Análise Financeira de Projetos Autores: Isabel Soares, José Moreira, Carlos Pinho, João Couto © Edições Sílabo, Lda. Capa: Pedro Mota 1ª Edição – Lisboa, fevereiro de 2007. 4ª Edição – Lisboa, setembro de 2015. Impressão e acabamentos: Cafilesa – Soluções Gráficas, Lda. Depósito Legal: 395230/15 ISBN: 978-972-618-806-3 EDIÇÕES SÍLABO, LDA. R. Cidade de Manchester, 2 1170-100 Lisboa Telfs.: 218130345 Fax: 218166719 e-mail: [email protected] www.silabo.pt
Índice Introdução 15 PARTE I Metodologias de Avaliação de Investimentos Capítulo 1 – Conceitos fundamentais 1. Noção de investimento real 22 1.1. Investimento real versus investimento financeiro 23 1.2. Uma definição de investimento real 23 2. A análise de investimentos reais 24 2.1. Uma abordagem lata 24 2.2. Análise numa ótica financeira 26 3. Custo de oportunidade do capital 28 3.1. Valor do dinheiro no tempo 28 3.2. Valor atual de uma unidade monetária 29
4. Incerteza inerente aos fluxos financeiros futuros 30 4.1. Incerteza e risco 30 4.2. Relação risco-retorno 31 5. Fluxos financeiros e a lógica da abordagem incremental 33 5.1. Uso de fluxos financeiros 33 5.2. Lógica incremental 34 6. Valor atualizado líquido (VAL) 35 7. Caso de estudo «VF» 38 Capítulo 2 – Investimento e estratégia empresarial 1. Considerações preliminares 42 2. Processo estratégico 44 2.1. Precisão da noção de processo estratégico 45 2.2. Análise estratégica 48 2.3. Objetivos (estratégicos) da empresa 61 2.4. Solução estratégica 63 2.5. Implementação da solução estratégica. Classificação dos (des)investimentos 65 2.6. Controlo dos desvios 71 3. Da análise estratégica à análise de investimentos 72 4. Caso «VF» 73 Capítulo 3 – Capital investido 1. Noção de capital investido 78 2. Capital físico (ativo fixo) 80 2.1. Componentes 80 2.2. Lógica incremental e cômputo do capital investido 81 2.3. Os «gastos afundados» e o cômputo do capital investido 83 2.4. Algumas considerações adicionais sobre o cômputo do capital investido 84 3. Necessidades de fundo de maneio 86 3.1. Cálculo das necessidades de fundo de maneio 86 3.2. As necessidades de fundo de maneio como investimento 88 3.3. Componentes das necessidades de fundo de maneio 88
4. Capital (valor) residual 89 4.1. Uma definição 89 4.2. Impacto da fiscalidade no valor residual 90 5. Mapas de realização 96 5.1. Mapa de realização física 97 5.2. Mapa de realização financeira (ou orçamento financeiro) 97 6. Duração do investimento 99 7. Importância da análise estratégica 100 8. Caso «VF» 101 Capítulo 4 – Fluxos financeiros do investimento 1. Análise estratégica e nível de atividade 108 2. Demonstrações financeiras previsionais 111 3. Condicionantes gerais dos fluxos financeiros 113 3.1. Ótica de rentabilidade total 113 3.2. Depreciações, provisões e imparidades 114 3.3. Fiscalidade associada aos fluxos financeiros 114 4. Cash-flow de exploração 115 4.1. Fundamentos do cash-flow de exploração 115 5. Outros fluxos financeiros 120 5.1. Fluxo de tesouraria 121 5.2. Free cash-flow 121 5.3. Cash-flow global do accionista 124 6. Caso «VF» 125 7. Anexo – notas sobre contabilidade orçamental 133 Capítulo 5 – Financiamento do investimento 1. Decisões de investimento e decisões de financiamento 143 1.1. Capitais próprios e capitais alheios 144 1.2. Fontes de financiamento externo 145 1.3. Fontes de financiamento interno 147 1.4. Instrumentos híbridos de financiamento 148
16 decisões de investimento o valor presente dos cash-flows esperados, descontados para o presente a uma taxa que reflete simultaneamente o risco inerente ao investimento que é a empresa e a estrutura de capitais usada no seu financiamento. Neste contexto, não será de estranhar que os modelos que apoiam a tomada das decisões anteriormente referidas se caraterizem por recorrer a quatro ferramentas principais: ⎯ O valor atual. É inerente à definição de valor da empresa acabada de propor. ⎯ A análise das demonstrações financeiras. A informação financeira usada nas decisões provém essencialmente dos mapas financeiros da empresa. ⎯ A relação risco-retorno. A ideia central é que um investidor ou empresa deve ter um retorno do investimento tanto maior quanto maior o risco financeiro que estiver subjacente a esses retornos. ⎯ A valorização das opções. Na Gestão Financeira o valor das opções é importante. Por exemplo, no âmbito da tomada de decisões de investimento, as opções inerentes à implementação dos projetos (adiar, abandonar, expandir,...) podem ser determinantes para o desfecho quanto à implementação ou não dos mesmos. Este é o enquadramento teórico em que se insere a presente obra. Ao longo dos onze capítulos que a compõem discute – exemplificando o respetivo uso – ferramentas e abordagens que estão subjacentes à análise económico-financeira de investimentos. Centra-se, pois, nas decisões de investimento, tendo, no entanto, sempre presente o facto de que não há investimento sem financiamento e que este é função das decisões tomadas sobre política de dividendos. Esta perspetiva reflete o modo abrangente como se tende e se deve pensar a Análise de Investimentos Reais na atualidade. Para os leitores menos familiarizados ou que dão os primeiros passos no estudo da temática abordada, o CAPÍTULO 1 apresenta e esclarece questões como, por exemplo, «Investimentos? Mas que tipo de investimentos?». Explica- -se que os «investimentos reais», também chamados «investimentos industriais», são o foco desta obra e são apresentadas as ferramentas imprescindíveis a uma adequada abordagem da Análise de Projetos de Investimento. No CAPÍTULO 2 discute-se a classificação dos investimentos com base num enquadramento assente na análise estratégica. No CAPÍTULO 3 dissecam-se os aspetos relacionados com a definição do capital investido, a respetiva realização física e financeira e a duração do investimento. O CAPÍTULO 4 discute a natureza e a forma de cálculo dos fluxos financeiros a usar na análise, assim como a sua relação com os fluxos contabilísticos e efeitos derivados da fiscalidade. O
introdução 17 CAPÍTULO 5 aborda a problemática da taxa de atualização dos fluxos, suas componentes principais, formas práticas de as obter e relação com o financiamento do investimento. No CAPÍTULO 6 discutem-se os principais modelos (critérios) de decisão, e são analisadas as suas vantagens e inconvenientes. O CAPÍTULO 7 trata aspetos relacionados com a incerteza associada aos fluxos financeiros, nomeadamente modos de incorporação do risco na análise e formas de o medir. Estes sete capítulos constituem a PARTE I da obra. O seu objetivo é propor e discutir os elementos básicos da análise de investimentos reais, seguindo-se de perto, aprofundando, as componentes que compõem o modelo de decisão do «valor atualizado líquido» (VAL). Finda esta fase, o leitor deverá estar em condições de preparar um projeto de investimento e analisar a respetiva viabilidade económico-financeira. A PARTE II discute temas complementares da Análise de Projetos de Investimento, abordando assuntos considerados de maior complexidade e aprofundando aspetos mais específicos dessa análise. O CAPÍTULO 8 discute as decisões de desinvestimento, observando-as como o inverso das decisões de investimento. São objeto de destaque os aspetos relativos ao impacto da fiscalidade e ao valor recuperável do desinvestimento. O CAPÍTULO 9 incide sobre as decisões de investimento em contexto de projetos mutuamente exclusivos e em situações de racionamento de capital. O CAPÍTULO 10 debruça-se sobre o impacto da inflação na análise, respetiva neutralidade e efeitos sobre as taxas de atualização. Por fim, e terminando esta parte, no CAPÍTULO 11 propõe-se uma abordagem da Análise de Projetos de Investimento assente nas opções reais, discutindo casos em que é adequada a sua aplicação e os parâmetros subjacentes a tal avaliação. Na última parte (PARTE III) são apresentados dois casos de estudo resolvidos e comentados. Destinam-se a ilustrar a aplicação concreta das matérias expostas ao longo do livro. Refira-se, para terminar esta breve introdução, que a preocupação/objetivo de conjugar permanentemente a teoria com a prática de modo a facilitar a aquisição/consolidação/operacionalização dos conhecimentos transmitidos reflete-se ao longo de todo o texto com a apresentação de exemplos de aplicação. Na primeira parte, transversal a todos os capítulos, é apresentado o caso «VF».
PARTE I METODOLOGIAS DE AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS
Capítulo 1 – Conceitos fundamentais Objetivo do capítulo Discutir conceitos e ferramentas fundamentais para a análise de projetos de investimento No final, o(a) leitor(a) deverá ser capaz de • Distinguir entre investimentos reais e investimentos financeiros • Definir o conceito de Valor Atualizado Líquido • Estabelecer a relação entre risco e retorno • Discutir a Lógica Incremental Neste capítulo começa-se por discutir a natureza dos Investimentos tratados ao longo da obra. Prevenindo a eventualidade de haver leitores(as) menos familiarizados(as) com, ou até um pouco esquecidos de, alguns conceitos centrais da Teoria Económica e da Teoria Financeira – como são os casos do conceito de «custo de oportunidade do capital», a relação «risco-retorno» e o «valor atualizado» –, reserva-se um espaço para introduzir e ou relembrar essas matérias, que são basilares para a análise de projetos de investimento.
22 decisões de investimento Apresenta-se e discute-se, já quase na parte final do capítulo, a «lógica da abordagem incremental», outra trave mestra da análise. Na sua atroz simplicidade, é esta lógica – assente na diferença entre a situação futura da empresa com projeto e sem projeto – que torna possível a análise de projetos de investimento em empresas que tenham outros investimentos em curso. Ou seja, que permite separar na atividade da empresa as componentes de custo e de rentabilidade que serão de afetar ao investimento em análise. Mesmo no final do capítulo, apresenta-se o caso de estudo «VF» que, transversalmente, vai acompanhar o(a) leitor(a) em boa parte do seu percurso pelo livro. Em suma, este primeiro capítulo tem como objetivo essencial introduzir conceitos e ferramentas básicas da análise, dando ao(à) leitor(a) a base de conhecimentos mínima necessária que lhe permita manter o contacto com as matérias que em cada um dos capítulos seguintes irão ser discutidas. § 1. Noção de investimento real A palavra «investimento» é presença frequente na informação que nos chega em cada dia. Ora é porque o Governo está a conduzir uma política agressiva de atração de investimento estrangeiro, visando a implantação de novas empresas em território nacional. Ora é porque as empresas já instaladas, no intuito de crescerem ou, pelo menos, de se protegerem da concorrência, decidem levar a cabo investimentos em novos equipamentos e/ou unidades produtivas. Ora é porque são propostas a todos e a cada um formas de aplicação de poupanças, através do «investimento» em ativos financeiros que oferecem a expectativa, por vezes a certeza, de uma dada remuneração. Este livro trata do primeiro tipo de investimento, aquele que é levado a cabo pelas empresas com o intuito de criar condições para a produção de bens ou a prestação de serviços. É designado por «investimento real, industrial ou económico». De forma simplificada será referido doravante como «investimento real» ou, simplesmente, como «investimento». Os «investimentos financeiros», que têm associada uma vertente meramente financeira de aplicação de poupança com o intuito de obter um rendimento, não serão objeto de tratamento. Ao(à) leitor(a) interessado(a) em documentar-se sobre este tipo de «investimentos» sugere-se o contacto com a vasta bibliografia que a área das Finanças propõe sobre o tema. No entanto, alerta-se para o facto
conceitos fundamentais 23 de que a fronteira entre investimento real e investimento financeiro nem sempre é muito clara, sendo necessário ter presente a essência da intenção que lhe está subjacente. 1.1. INVESTIMENTO REAL VERSUS INVESTIMENTO FINANCEIRO Considere-se, por exemplo, a aquisição por uma empresa de um escritório destinado a arrendamento. Tendo inerente um bem tangível – o imóvel em si – a tentação é para o classificar, de imediato, como investimento real. Porém, tal pode não ser o caso. Tratando-se de uma empresa imobiliária, cujo objeto social é o arrendamento de espaços, o escritório será um ativo que a empresa utilizará para produzir os serviços (de arrendamento) que vende. Trata-se, pois, de um investimento real. No entanto, tratando-se de uma outra qualquer empresa, que utilize a aquisição como meio de rentabilização de excedentes financeiros, o investimento é financeiro. Portanto, a distinção dos investimentos a este nível não depende exclusivamente do ativo adquirido mas sobretudo da motivação que está subjacente a tal aquisição. O contrário também pode acontecer e a aquisição de um ativo financeiro – ações – pode até ser classificado como investimento real. Considere-se o caso de uma empresa que decide adquirir parte do capital de outra como forma de ter acesso a canais de distribuição detidos pela adquirida. O objetivo é a obtenção de sinergias com o seu atual negócio, esperando um crescimento da atividade e um aumento do número de clientes. Trata-se de um investimento real, de natureza idêntica ao que a empresa adquirente podia fazer se instalasse os seus próprios canais de distribuição. Este caso distingue-se, pois, da situação em que uma empresa compra essa mesma parte de capital com o objetivo de rentabilizar meios financeiros disponíveis, por via do dividendo pago pela adquirida e de uma potencial mais-valia obtida numa futura alienação das ações. Também nesta situação, o conhecimento da motivação da empresa que faz o investimento é imprescindível para se poder classificá-lo quanto à respetiva natureza. 1.2. UMA DEFINIÇÃO DE INVESTIMENTO REAL Nem todos os investimentos não financeiros são, necessariamente, investimentos reais, no sentido que a esta expressão é atribuído no presente livro. Para o serem há que verificar se estão preenchidas algumas condições consideradas basilares para a respetiva caraterização. Considere-se, por exemplo, o caso do proprietário de uma pequena livraria que decide alterar o conceito tradicional inerente à mesma, adotando o de livra-
24 decisões de investimento ria-espaço-de-leitura, onde os seus clientes terão oportunidade de se sentar e consultar as obras disponíveis para venda enquanto tomam uma bebida. Para o efeito, necessita de adquirir algum mobiliário, reordenar o espaço físico e criar as condições para a instalação de um pequeno bar que será explorado por uma empresa do ramo. A motivação inerente à decisão é a de fixar os clientes, evitando a respetiva migração para outros espaços concorrentes. Trata-se de um investimento, na medida em que se está em presença de um «sacrifício» desse proprietário, isto é, está subjacente a troca de satisfação atual por satisfação futura. Veja-se que existe um custo (gasto), associado ao montante que será necessário despender para comprar os equipamentos e colocar o espaço pronto-a-usar; há um benefício (rendimento) esperado, a obter no futuro, que se traduzirá no montante adicional de negócio que se irá efetuar relativamente à situação em que não existisse o investimento; o custo e o benefício estão separados no tempo, ocorrendo o primeiro no presente e o segundo parcelarmente ao longo de períodos futuros. Por outro lado, a motivação é claramente a de procurar prestar um serviço que se refletirá no volume de negócios, caraterística essencial, como foi referido acima, para se estar em presença de um investimento real. Por último, existe uma margem de incerteza quanto ao efetivo retorno do investimento, que se traduz na impossibilidade de definir à partida o montante exato dos benefícios que irão ser gerados. Investimento real é, pois, todo o «sacrifício», consubstanciado numa troca de satisfação atual (associada ao custo) por satisfação futura (associada a benefícios esperados incertos), tendo como objetivo a produção (venda) de bens ou a prestação de serviços. Este livro trata, como foi referido, deste tipo de investimentos. E fá-lo no âmbito da denominada «análise de investimentos reais». A secção seguinte discute o entendimento que se atribui a esta expressão. § 2. A análise de investimentos reais 2.1. UMA ABORDAGEM LATA O conceito de racionalidade económica é central na Teoria Económica. Quando aplicado à poupança e investimento tem subjacente que qualquer agente económico só trocará recursos atuais por recursos futuros se esperar que o valor (atual) destes será superior àqueles. Por isso, pode dizer-se que só fará sentido
conceitos fundamentais 25 efetuar um investimento quando os benefícios esperados forem superiores ao respetivo custo. A «análise de investimentos reais», que por facilidade de exposição se designará doravante apenas como «análise de investimentos», é habitualmente referida como a técnica que apoia a tomada de decisões quanto à implementação de um investimento, a partir da determinação da relação de grandeza entre os respetivos custo e benefícios esperados. Isto é, a técnica que permite aferir da viabilidade económico-financeira daquele. Por exemplo, para o caso da livraria, possibilita decidir se é ou não viável a concretização dessa ideia de investimento. A análise tem subjacente, por parte do analista, o domínio de um conjunto alargado de conhecimentos. Daí que, em termos científicos, a Análise de Investimentos seja considerada uma área de síntese. A Figura 1.1 ilustra essa realidade. Figura 1.1. A Análise de Investimento como área de síntese Engenharia Economia Finanças Contabilidade Marketing Estratégia empresarial Outras Análise de investimentos Outras Disciplinas como a Contabilidade, as Finanças, o Marketing, a Estratégia Empresarial, a Economia, a Engenharia, entre outras, são domínios em que o analista-preparador de projetos de investimento tem de se sentir à vontade ou, então, tem de contar com o apoio de especialistas. Isso tornar-se-á visível à medida que se for avançando na explanação dos assuntos que compõem este livro. O duplo sentido das relações apresentadas na figura simbolizam o facto da análise de um investimento ser, também, um processo interativo. O «projeto de investimento» – por vezes usado na linguagem coloquial com sentido idêntico ao de «investimento» –, é o instrumento que contém a definição
32 decisões de investimento A incorporação da relação risco – retorno na análise de investimentos permitirá ultrapassar a debilidade estrutural que esta tem pelo facto de existir incerteza quanto aos fluxos futuros. Sem prejuízo de numa fase mais avançada do livro se virem a discutir outras formas de repercutir o risco na análise, para já refere-se a taxa de atualização como o veículo usado para tal. Mencionou-se na secção anterior que tal taxa, dita de rentabilidade exigida, reflete o custo de oportunidade do agente. Quanto maior for o risco associado aos fluxos do investimento maior será esse custo e, por isso, dentro da racionalidade que se reconhece ao agente, maior será a compensação que vai exigir. Uma maior taxa de atualização significa, como se viu acima, um menor valor atual de uma unidade monetária a receber no futuro. Pode, por isso, decompor-se a taxa de rentabilidade exigida pelo agente (k) em duas componentes principais. A primeira ( f R ), reflete a remuneração de uma aplicação sem risco – uma remuneração certa –, por exemplo em Certificados de Aforro. A segunda, que designaremos como «prémio de risco», será a compensação exigida pelo investidor para o remunerar pelo risco incorrido. Tem-se, então =+ f k R prémio de risco (1) Recupere-se o exemplo anterior relativo às aplicações em Certificados de Aforro (CA) e em ações (A), sintetizando na tabela 1.1 as componentes da taxa de atualização e as consequências sobre o coeficiente de atualização (α) de uma unidade monetária recebida no final do período 1. Tabela 1.1. O valor do dinheiro no tempo Aplicação CA A Rf 2,5% 2,5% Prémio de risco 0,0% 9,5% k 2,5% 12,0% Coeficiente de atualização 0,975 0,893 É de imediata constatação que se ambas as aplicações proporcionassem no final desse período um fluxo de uma unidade monetária, o valor atual (ou atualizado) gerado pelos CA seria superior ao das A, já que o risco associado é menor no primeiro caso.
Sílabo Sílabo Gestão Gestão Edições Sílabo 4ª Edição Revista e corrigida 85 Decisões de Investimento Decisões de Investimento Análise Financeira de Projetos MARIA ISABEL R. T. SOARES é Professora Catedrática da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP). em Economia pela Universidade Louis Pasteur, de Strasbourg, tem um Post-Doc. no VPI – Virginia Polytechnic Institute and State University. Tem participado em diversos cursos de mestrado, doutoramento e pós-graduação em universidades nacionais e estrangeiras. Tem cerca de 80 títulos publicados em revistas científicas nacionais e internacionais e é autora ou coautora de diversos livros editados internacionalmente. Desenvolve, desde 1989, intensa atividade de consultoria. JOSÉ ANTÓNIO CARDOSO MOREIRA é Professor Auxiliar da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, doutorado em Contabilidade e Finanças pela Universidade de Lancaster, no Reino Unido. A sua experiência profissional é vasta, incluindo a de analista de investimentos numa instituição bancária, analista financeiro e consultor. Atualmente a sua atividade centra-se no ensino, com preponderância ao nível da formação pós-graduada. É autor de trabalhos na área da Análise Financeira. JOAQUIM CARLOS DA COSTA PINHO é Professor Associado com Agregação do Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial da Universidade de Aveiro. Doutorado em Economia Aplicada pela Universidade de Santiago de Compostela, tem participado em diversos cursos de mestrado e pós-graduação na área das Finanças, bem como, exercido atividade de consultoria ao longo dos últimos anos. JOÃO ARMANDO COUTO é licenciado em Economia e pós-graduado em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto, onde leciona desde 1977. Como docente, tem colaborado com diversos estabelecimentos de ensino superior em cursos da área financeira, bem como em ações de formação promovidos por associações empresariais, com especial destaque no setor bancário. Foi colaborador do IAPMEI (Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e ao Investimento) em análise de projetos de investimento. Na década de 80 exerceu o cargo de diretor financeiro num grupo industrial, desenvolvendo atividades de consultor financeiro desde a década de 90. É e foi membro de órgãos sociais de diversas empresas. Docteur d'Etat Gerir empresas é gerir projetos. O valor de uma empresa é o valor do conjunto de projetos que compõem a sua carteira de negócios, ou mais precisamente, o valor atual dos fluxos de capital esperados no futuro. Maximizar o valor atual destes fluxos é pois o objetivo central da Gestão Financeira e do qual decorrem todos os outros. Deste modo, as técnicas e os conceitos utilizados para a tomada de decisões de investimento revelam-se de extrema importância. Desde as suas interligações com a estratégia empresarial até ao controlo pós-projeto apresenta uma visão integrada da análise de investimentos; o essencial da teoria e das técnicas de avaliação estão aqui expostos, bem como as referências que permitirão ao leitor que assim o deseje outros aprofundamentos e desenvolvimentos. Para facilitar a aquisição/consolidação/operacionalização dos conhecimentos transmitidos, a exposição teórica é permanentemente acompanhada com exemplos de aplicação e na última parte são apresentados dois casos de estudo resolvidos e comentados. Escrita numa linguagem acessível, esta obra dirige-se a todos aqueles que procuram : desde o empreendedor/investidor, ao quadro empresarial, ao analista de investimentos, ao consultor, até ao estudante e docente de Finanças. Decisões de Investimento – Análise Financeira de Projetos , aprender a fazer Decisões de Investimento Análise Financeira de Projetos Isabel Soares José Moreira Carlos Pinho João Couto ISBN 978-972-618-806-3 7897269 188063