scieee AI-readable full text Open interactive document viewer

A Eficácia do Sistema de Incentivos do QREN para a Internacionalização de PME's

Pedro Miguel dos Santos Rei Lima

Full text

A Eficácia do Sistema de Incentivos do QREN para a Internacionalização de PME’s por Pedro Miguel Santos Rei Lima Relatório de Dissertação de Economia e Gestão da Inovação Orientado por: Prof. Mário Rui Silva Setembro de 2014 II Biografia Pedro Miguel dos Santos Rei Lima nasceu a 16 de Fevereiro de 1991 e é natural da Póvoa de Varzim, residindo em Vila do Conde. É licenciado em Economia, pela Faculdade de Economia do Porto, em 2012. Posteriormente integrou o Mestrado de Economia e Gestão da Inovação, na mesma instituição de ensino. Iniciou a sua carreira profissional em 2009, como comercial na empresa familiar Carlos Azevedo Lima, Lda., tendo em 2012 exercido funções similares na organização Amnistia Internacional Portugal, tendo participado adicionalmente em várias atividades ligadas ao voluntariado. Atualmente, encontra-se na empresa PWC, na área da consultoria de inovação. Paralelamente ao seu currículo profissional, foi praticante das modalidades de andebol e de futebol durante vários anos. III Agradecimentos A execução e conclusão deste trabalho apenas foi possível com o apoio e colaboração de algumas pessoas a quem gostaria de agradecer: Ao meu orientador, Professor Mário Rui Silva, pelo aconselhamento, pela coordenação, pelas ideias que me forneceu, pelas correções que efetuou e pela confiança que depositou em mim ao longo de todo o processo. Aos meus pais, porque foram e são acima de todas as restantes pessoas, os meus maiores professores durante a vida e pelo apoio e amor que sempre me deram, nunca desistindo de mim em nenhuma circunstância, devendo-lhes tudo o que sou e serei, com juros. À minha irmã, que sempre me manifestou todo o seu apoio, ajudando-me sempre que precisei e por todas as conversas de incentivo que me deu nos últimos meses. Aos meus amigos, por todas as conversas de incentivo, por todas as perguntas constantes que irritam, mas que me fizeram trabalhar mais, por todo o apoio, que está sempre lá. À Rita, minha companheira, minha maior amiga, o meu braço direito, que me apoiou em todos os momentos, que esteve sempre lá e cá para mim, que me ajudou sempre que precisei, que me endireitou quando foi necessário, que me incentivou a continuar e a não desistir, que me fez sorrir quando mais precisei e que me fez e faz, em todos os momentos da minha vida, querer ser melhor. A todos os que perderam parte do seu tempo a responderem ao inquérito que enviei e que é parte fundamental do meu estudo. Por último, a todos aqueles, alguns repetidos, que não acreditaram que iria conseguir acabar e entregar esta dissertação, pois foi um grande incentivo-extra para mim. IV Resumo A internacionalização tem sido alvo de debate aceso ao longo dos últimos anos existindo várias teorias que se centram na sua importância cada vez maior para as PME. Um dos pontos principais deste estudo é associar esta importância cada vez maior aos apoios estatais, nomeadamente através da análise dos incentivos comunitários à internacionalização das empresas. Para isso é preciso conhecer melhor a estrutura do sistema de incentivos nacional, sabendo quais os incentivos corretos, procedendo posteriormente a uma análise estatística de dados obtidos através de um inquérito às empresas abrangidas pelo mesmo. Abstract For some decades, internationalization has become one of the most important research areas inside the economic and business theory. In the last years, however, internationalization has not only been studied in a macroeconomic vision, and a new approach started to be evaluated with SME’s internationalization. For that reason and the convergence issue inside the European Union, it’s important to acknowledge the growing importance of SME’s internationalization and support by the public entities. So, my study is focused on the public support of SME, more specifically through the SI Qualificação PME, inside the Portuguese Incentives System to the enterprises. V Índice 1. Introdução................................................................................................................................ 6 2. A internacionalização das PME's e o papel das políticas públicas ..................................... 7 2.1. Em que consiste a internacionalização ............................................................................... 7 2.2 A importância da internacionalização para as empresas .............................................. 7 2.3. A pertinência da intervenção pública ............................................................................. 9 3. Os apoios à internacionalização no Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) ..................................................................................................................................................... 11 3.1. QREN – Caracterização ................................................................................................ 11 3.2. O SI Qualificação PME ................................................................................................. 17 3.3. A execução do QREN ..................................................................................................... 18 4. Avaliação da eficácia do SI QPME: Questões e Metodologia ........................................... 21 4.1. Objetivos da Investigação .............................................................................................. 21 4.2. Enquadramento Metodológico ...................................................................................... 21 4.2.1. Descrição do Processo e Metodologia .................................................................... 21 4.2.2 – Adversidades no Apuramento de Resultados ..................................................... 27 4.2.3 – Caracterização da Amostra .................................................................................. 28 5. Avaliação da eficácia do SI Qualificação PME: Resultados obtidos ................................ 30 5.1. O objetivo de Internacionalização ................................................................................ 30 5.2. Análise da Atividade exportadora dos inquiridos ....................................................... 31 5.2.1. Dados Gerais ............................................................................................................ 31 5.2.2. Dados relativos ao setor de atividade .................................................................... 32 5.2.3. Dados relativos à intensidade exportadora ........................................................... 36 Referências ................................................................................................................................. 46 VI 1. Introdução O presente estudo foca-se essencialmente na eficácia do sistema de incentivos nacional, como propulsor da internacionalização das pequenas e médias empresas (PME’s) portuguesas. É, portanto, essencial conhecer a estrutura das políticas de incentivos de Portugal e perceber o seu grau de relevância nas atividades comerciais das PME’s. Convém compreender igualmente a importância da internacionalização nas PME’s e os estudos que têm vindo a ser feitos neste âmbito, tendo surgido estudos de várias áreas, sendo uma delas a dos apoios públicos à internacionalização de PMEs. Os apoios públicos ocupam assim parte da dinâmica empresarial das PME nacionais nos dias de hoje, sendo necessário compreender esse impacto, no que diz respeito a questões de eficácia. Para tal. realizou-se um inquérito a várias empresas de modo a abordar a questão da eficácia dos incentivos públicos à internacionalização. O seguinte trabalho está elaborado do seguinte modo: O capítulo 2 discute a temática geral da internacionalização, lembrando várias das teorias existentes e amudança de paradigmas ao longo do tempo, terminando por analisar a pertinência da intervenção pública na internacionalização das PME. O capítulo 3 apresenta a estruturação do Quadro de Apoio existente em Portugal, sendo importante conhecer a sua estrutura e como é executado. Seguidamente vai ser apresentada, no capítulo 4, a metodologia do estudo efetuado, bem como questões adicionais pertinentes, finalizando no capítulo 5,a avaliação propriamente dita do SI Qualificação PME, que é o instrumento de apoio com maior incisão na internacionalização das empresas nacionais. VII 2. A internacionalização das PME's e o papel das políticas públicas 2.1. Em que consiste a internacionalização A internacionalização sempre foi um fenómeno largamente estudado dentro da ciências sócio-económicas, desde a teoria económica clássica até às novas áreas da gestão, tais como a teoria da organização, marketing, gestão estratégica e gestão internacional, existindo conceitos diferentes, dependentemente da área de estudo em que se inserem. No século XVIII, Adam Smith (1776) foi o primeiro a mostrar interesse por esta temática, numa ótica de comércio internacional, focando-se exclusivamente no contexto de internacionalização por parte das nações e nas vantagens que estas obteriam com a troca de bens a nível internacional com outras nações. Seguiram-se mais algumas teorias clássicas, das quais se destaca a teoria das vantagens comparativas de Ricardo (1817), que deu continuidade ao trabalho de Smith, realçando a vantagem de exportar/importar por parte dos países, atendendo à especialização relativa de certos setores de atividade. Já no século XX, apareceram novas teorias, como a teoria das imperfeições de mercado, de Hymer e Kindleberg, que defende pela primeira vez a importância das indústria, ao invés da importância das nações para o investimento no estrangeiro e consequente internacionalização. Muitas mais teorias foram sendo introduzidas no contexto económico, das mais variadas escolas, sendo no entanto necessário conhecer melhor as teorias mais associadas à internacionalização das PME 2.2 A importância da internacionalização para as empresas Em meados do século passado, começou-se a analisar mais profundamente as razões da internacionalização de um ponto de vista de gestão ao invés de um ponto de vista macroeconómico. Algumas teorias consideram a importância das próprias indústrias e dos seus gestores para a necessidade de internacionalização, apontando VIII como principais vantagens a diferenciação dos concorrentes através do recurso a novas tecnologias, a uma nova abordagem na capacidade de gestão e a criação de economias de escala. As matérias de estudo ligadas às PME’s têm sido alvo de um número significativo de debates e estudos ao longo das últimas décadas, primeiramente numa ótica das grandes empresas multinacionais, surgindo posteriormente, na década de 90, uma análise mais focada nas PME’s, quer no seu processo (Wolff, 2000), quer nos efeitos produzidos (Coviello, 1999), embora no início fossem vistas como réplicas pequenas das grandes empresas (Julien, 1997) e só no final do século é que foram estudadas como organismos completamente distintos e independentes dos outros, mas de grande importância de estudo, pelas suas práticas estratégicas, pelas suas teorias ligadas ao empreendedorismo e pelas suas características dinâmicas intemporais (Torrés, 1999). Quanto à sua internacionalização, a maioria dos trabalhos envolvendo PME’s nasceram também por volta do final da década de 90, como seria expectável, tendo sido agrupadas as diferentes empresas quanto à sua internacionalização, havendo distinção entre empresas locais e globais, fundamentalmente, podendo existir outras categorias entre estas. Com a entrada no novo milénio e uma preocupação cada vez mais evidente sobre a globalização e o comércio internacional, formaram-se várias teorias sobre os processos estratégicos que levavam as PME’s a internacionalizarem-se, sendo a maioria dos debates relacionados com uma vertente de gestão e não tanto de economia, como os trabalhos de Etrilland (2004), Gankema (2000) ou Pope (2002). Quanto a pesquisas mais concretas relacionadas com a economia da inovação e da internacionalização de PME’s no contexto europeu, os estudos mais importantes têm sido elaborados pela própria Comissão Europeia e por organizações ou agências a trabalhar para a UE. De acordo com os dados da OCDE (2007), as PME’s constituem uma fonte essencial do crescimento da economia europeia, quer nos países mais desenvolvidos, quer nos países mais atrasados em termos económicos e de inovação, representando IX cerca de 95% da população de todas as empresas existentes, o que é extremamente relevante para apurar o seu peso na economia, criando aproximadamente 65% dos empregos dentro da União Europeia. Um dos estudos mais importantes e mais conclusivos existentes até ao momento é o relatório final da Comissão Europeia sobre a internacionalização das PME’s europeias em 2010. Neste relatório são apresentadas algumas conclusões em várias vertentes ligadas à internacionalização de PME’s e é evidenciada a sua importância para a economia europeia, uma vez que existe uma relação direta entre a internacionalização, o crescimento económico e os empregos criados, o que traduz a relevância desta matéria para a Comissão Europeia. 2.3. A pertinência da intervenção pública Com o crescimento do debate da internacionalização das PME’s no contexto da UE, começou a ser fundamental perceber qual o papel desempenhado pelos Estados e pelas autoridades competentes. Mas, no caso de Portugal, não existem muitos estudos sobre a internacionalização das PME’s através de fundos comunitários, o que torna este estudo pioneiro neste aspeto, sendo porém necessário compreender o que tem sido feito quanto ao sistema de incentivos no geral. Devido à importância já discutida anteriormente, torna-se fulcral analisar e compreender o papel dos incentivos públicos para o comércio internacional destas empresas. Uma vez que a internacionalização leva a um maior crescimento económico e a maioria das PME’s tem dificuldade em entrar em novos mercados, é necessário que sejam os países a assegurar ou a incentivar este movimento comercial. Segundo a Comissão Europeia (2010), os apoios públicos às empresas podem ter um papel importante na promoção e crescimento da presença internacional das empresas, estimando-se que 11% das PME’s não se internacionalizariam se não tivessem tido apoio financeiro do Estado e 55% mencionam pelo menos uma das seguintes quatro opções: 1) Não se internacionalizariam sem o apoio; 2) XVI Este programa tem como meta principal proporcionar as melhores condições possíveis para o financiamento das empresas, seja na sua fase inicial ou no seguimento de um novo projeto de uma empresa já existente, sempre com vista a potenciar projetos inovadores [5]. O instrumento de apoio de acções coletivas não envolve um apoio direto por parte dos representantes do POFC, funcionando como um orgão de coordenação entre diferentes empresas públicas e/ou privadas e organizações sem fins lucrativos, com vista a obtenção de externalidades positivas, tendo o mesmo cariz de um bem público [6]. É um instrumento muito importante, pois possibilita a abertura das empresas a outras entidades, sempre com o objetivo comum de criar algo novo, com base nos diferentes conhecimentos de empresas de setores de atividade distintos e também na ligação entre o conhecimento teórico, normalmente existente nas Universidades e o conhecimento prático das empresas, aproximando duas realidades separadas que deviam ter mais proximidade. O outro instrumento com carácter maioritariamente público é o Sistema de Apoios à Modernização Admnistrativa (SAMA), que apesar de destinado às entidades públicas, tem como objetivo principal facilitar e optimizar alguns dos serviços públicos ao dispor dos cidadãos [7]. Este instrumento tem uma componente tecnológica muito relevante, principalmente no que concerne inovações-serviço, de plataformas ao serviço dos cidadãos. Em suma, no QREN e mais especificamente, no POFC, existe uma panóplia de objetivos comuns e de instrumentos que, embora sejam todos diferentes, acabam por se cruzar nos seus objetivos em certos pontos, alterando apenas o modo de os alcançar. Convém salientar que cada instrumento tem a sua mecânica própria, que não foi extensivamente analisada anteriormente, havendo sempre uma regulamentação específica para cada um. Para o objetivo de internacionalização das PMEs, aquele que tem um papel mais intensivo é o SI Qualificação PME, como foi atrás referido, podendo no entanto existir outros instrumentos que geraram o mesmo efeito em algumas empresas. XVII 3.2. O SI Qualificação PME O SI Qualificação PME é um dos três instrumentos do Sistema de Incentivos ao Investimento das Empresas, que por sua vez é um dos componentes essenciais do Programa Operacional para Factores de Competitividade, inserido no QREN, como podemos observar na Figura 1. Nos termos do artigo 3º da Portaria nº 1463/2007 de 15 de Novembro (Diário da República, 2007), o SI Qualificação PME tem como objetivo a promoção da competitividade das empresas, através de uma presença nos mercados globais mais forte e produtiva. Figura 1 – Enquadramento do SI Qualificação PME Os beneficiários deste instrumento são as empresas, algumas entidades públicas e entidades do Sistema Científico e Tecnológico (SCT), no caso dos projetos conjuntos [8], uma das quatro modalidades de projeto que o instrumento abrange, como se XVIII apresenta de seguida, sendo o incentivo atribuído apenas a um projeto das próprias entidades e não à empresa na sua generalidade. Assim, os projetos que concorrem a este instrumento podem assumir quatro modalidades distintas (Diário da República, 2007): A primeira é apenas para projetos individuais, que como o nome indica, são projetos apresentados individualmente pelas empresas, não existindo qualquer tipo de colaboração com outras entidades; A segunda aborda os projetos conjuntos, que exige uma espécie de sub-contratação por parte de uma entidade pública, considerada a titular do projeto, a outras empresas ou entidades, com vista a realização de uma ação de intervenção a um conjunto de PME, potenciando normalmente sub-setores de atividade; A terceira modalidade concerne os projetos de cooperação, que são projetos liderados por uma PME, individualmente ou em consórcio, mas que resulte numa cooperação inter-empresarial, com um mínimo de 3 empresas (IAPMEI, [9]). Por último, a modalidade correspondente ao Vale Inovação ou Projeto simplificado de inovação, que envolve somente a aquisição de serviços de consultoria e de apoio à inovação a entidades do SCT por parte das PME. Apesar das diferentes modalidades, a regulamentação da aprovação dos projetos e consequente atribuição dos fundos solicitados é idêntica independentemente do projeto, sendo apenas elegíveis os projetos que apresentem as condições dispostas no artigo 11º da Portaria nº 1463/2007 de 15 de Novembro (Diário da República, 2007). Como já foi mencionado anteriormente, este instrumento é fundamental para o objetivo de convergência das regiões nacionais, nomeadamente no que diz respeito à maior competitividade das empresas portuguesas no mercado global, não sendo fácil porém identificar se foi ou não eficaz durante o seu período de execução, sendo assim importante conhecer os processos de avaliação já existentes, que nos dão a conhecer parte da realidade desta mesma eficácia. 3.3. A execução do QREN A avaliação do sistema de incentivos anteriormente analisada é fundamental para perceber a eficácia de todo o sistema, quer na sua aplicabilidade, quer nos seus resultados práticos. Para tal, é necessária uma avaliação (ou várias) específicas, não havendo nenhum estudo até ao momento que o conseguisse fazer na totalidade. Porém, XIX muito trabalho foi realizado em termos de avaliações genéricas do sistema de incentivos nacional, que é apropriado conhecer com maior profundidade. Como referido em 3.a., um dos princípios orientadores do Quadro foi a gestão e a monitorização estratégica, que teve por base uma avaliação estratégica, da responsabilidade do Observatorio do QREN (Diário da República, 2007), que se caracteriza por ser a estrutura de missão que assegura a correcto funcionamento da coordenação do QREN, podendo obter a colaboração de outros organismos institucionais, tais como o Instituto Financeiro para o Desenvolvimento Regional (IFDR), e o Instituto de Gestão do Fundo Social Europeu (IGFSE) e outras entidades de gestão, para tarefas específicas, como a criação do Plano Global de Avaliação (PGA), que constitui uma matriz fundamental para todas as avaliações dentro do sistema de incentivos nacional. Segundo as alíneas a e b, do ponto 4, do artº 14º do Decreto-Lei nº312/2007, de 17 de Setembro (Diário da República, 2007), existem dois domínios de avaliação principal dos programas operacionais e do QREN: A avaliação estratégica, que se focaliza na análise dos contributos das operações do sistema de incentivos para a prossecução dos objetivos delineados, apresentando um conjunto de recomendações para melhorar os desempenhos menos conseguidos; e a avaliação operacional, que analisa essencialmente o processo de implementação dos programas de incentivos, com o intuito, também aqui, de aperfeiçoar todo o sistema. No entanto, as autoridades competentes do QREN tentaram aumentar o detalhe destas avaliações mais genéricas, fazendo análises periódicas de vários temas mais específicos, como o impacto dos fundos comunitários nas políticas de qualificação dos recursos humanos, a temática da inclusão social, a implementação do princípio da Igualdade de Género, as intervenções em territórios de baixa densidade, a competitividade dos pólos de tecnologia e outros clusters, os investimentos em equipamentos de proximidade e o ambiente (Observatório do QREN, 2009). Dentro deste conjunto de avaliações mais específicas, as autoridades competentes ligadas ao QREN elaboraram ao longo do período de vigência do programa de fundos comunitários, duas avaliações anuais de grande importância: as avaliações ambientais estratégicas (AAE) e as avaliações globais de implementação do QREN, onde são XX revelados todos os dados quantitativos dos apoios financeiros dos anos transatos (Observatório do QREN, 2009). No entanto, nenhum dos relatórios de avaliações realizados aborda a questão da internacionalização, a questão da eficácia dos incentivos públicos, mais concretamente do SI Qualificação PME, para a internacionalização das PME nacionais, faltando obter resposta a várias questões como a pertinência do instrumento, a sua aplicabilidade e se atingiu os efeitos esperados, não só a curto, como a médio-prazo, sendo portanto fundamental realizar um estudo mais concreto desta temática. XXI 4. Avaliação da eficácia do SI QPME: Questões e Metodologia 4.1. Objetivos da Investigação Após a demonstração da pertinência da internacionalização para as PME, a enumeração das principais teorias de internacionalização e dos apoios estatais às empresas e da breve demonstração do funcionamento do último sistema de incentivos nacional, convém agora saber se o mesmo obteve a eficácia desejada ou por outro lado, apresenta erros de estruturação ou de aplicação dos próprios incentivos às empresas. Para tal, é necessário complementar os estudos já realizados, tendo sido efetuado um inquérito a algumas empresas que receberam apoios do SI Qualificação PME, de modo a obter resposta a um conjunto de questões, consideradas essenciais, para o apuramento da eficácia do próprio instrumento, entre elas:  A empresa concorre ao SI Qualificação PME apenas pela internacionalização?  Quais os setores de atividade que mais beneficiaram do incentivo?  O que esperavam alcançar com o incentivo?  Qual a importância do incentivo para as empresas? Estas e outras questões foram feitas com o objetivo primordial de conhecer a importância real do objetivo e a sua aplicabilidade, de modo a perceber melhor a sua influência e, por consequência a sua eficácia, no que diz respeito ao objetivo de melhorar a competitividade das empresas e de ter criado melhores condições para a internacionalização das PME nacionais. E, em caso de ineficácia do instrumento em questão, tentar perceber em que pontos poderia ter sido mais eficaz, podendo os resultados deste estudo serem a base para uma mudança, por mais sensível que possa ser, de atribuição de incentivos futuros. 4.2. Enquadramento Metodológico 4.2.1. Descrição do Processo e Metodologia Numa primeira fase, foram agrupados os dados disponíveis na plataforma online do COMPETE [9], referentes ao SI Qualificação PME, nomeadamente, os projetos aprovados de 2008 a 2011 de três tipologias de apoio dentro deste instrumento, Projetos Individuais e de Cooperação, que nos dados da plataforma aparecem agregados, Projetos Conjuntos e Vale Inovação, assim como os Sistemas de Apoio a Ações XXII Coletivas (SIAC), que apesar de enquadrado no instrumento próprio de ações coletivas, foi considerado relevante para este estudo, por ter uma componente ligada à internacionalização muito forte, sendo deste modo o único instrumento de análise fora do SI Qualificação PME. Convém referir que apenas se procedeu à identificação dos projetos aprovados entre 2008 e 2011, por serem os únicos onde já é possível obter informações sobre a eficácia do incentivo. Todos os projetos aprovados nos anos seguintes foram assim excluídos desta análise. O passo seguinte consistiu na construção de tabelas, com o resumo da informação obtida nos registos da plataforma do COMPETE, segmentando os vários instrumentos por setor de atividade e realçando a região Norte, que teria maior destaque na primeira fase de planeamento do trabalho. Com estas tabelas é possível obter uma visão mais simples e conclusiva dos diferentes incentivos atribuídos (Tabelas 2-5). Tabela 2 – Aprovação de Projetos Individuais e de Cooperação Através da análise da Tabela 2, observa-se que foram aprovados, no total dos quatro anos de análise do estudo, 493 projetos a nível nacional, sendo a grande maioria pertencente a empresas do setor industrial. Projetos Aprovados Total 2008 2009 2010 2011 Nacional Norte Total Norte Total Norte Total Norte Total Norte 493 294 95 60 115 67 169 99 114 68 Sector Comércio 39 19 8 3 14 8 10 5 7 3 Construção 24 13 0 0 15 10 7 2 2 1 Indústria 361 224 76 50 69 40 130 80 86 54 Outros Setores 1 1 0 0 0 0 1 1 0 0 Serviços 51 33 9 6 12 9 15 10 15 8 Transportes 6 2 1 1 2 0 3 1 0 0 Turismo 11 2 1 0 3 0 3 0 4 2 XXIII Observa-se também que 2010 foi o ano em que foram atribuídos incentivos a um maior número de empresas com projetos individuais, quase o dobro do que no seu ano de criação, apesar de ter havido um decréscimo entre 2010 e 2011. É necessário, no entanto, ressalvar que o número de projetos aprovados não está inteiramente relacionado com o valor do incentivo atribuído, ou seja, apesar de um aumento de projetos aprovados, tal não significa que o valor do incentivo do instrumento à totalidade das empresas tenha sido também ele superior. Destaque ainda para a região Norte que, efetivamente, apresentou grande dinâmica por parte das suas empresas, representando cerca de 60% dos projetos aprovados a nível nacional. Tabela 3 – Aprovação de Projetos Conjuntos Projetos Aprovados Total 2008 2009 2010 2011 Nacional Norte Total Norte Total Norte Total Norte Total Norte 129 20 22 0 52 11 29 8 26 1 Sector Comércio 6 1 1 0 2 0 2 1 1 0 Construção 2 2 0 0 2 2 0 0 0 0 Indústria 109 13 21 0 43 8 23 5 22 0 Serviços 10 3 0 0 5 1 4 2 1 0 Turismo 2 1 0 0 0 0 0 0 2 1 Na tabela 3, observa-se os dados referente aos projetos conjuntos aprovados, de 2008 a 2011. Comparativamente aos projetos individuais, destaca-se um número bastante inferior de projetos conjuntos aprovados, que se justifica por existir um número de candidaturas bastante baixo a este tipo de projeto. Igualmente, constata-se a presença da indústria como setor predominante, o que neste caso é natural, não existindo mais de 10 projetos aprovados em cada um dos outros setores de atividade, durante todo o período analisado. XXIV Ao contário dos projetos individuais, verifica-se que não existem muitos projetos aprovados situados na região Norte, representando esta cerca de 15% do total de aprovações. Tabela 4 – Aprovação de Projetos Vale Inovação Projetos Aprovados Total 2008 2009 2010 2011 Nacional Norte Total Norte Total Norte Total Norte Total Norte 212 134 32 22 117 69 0 0 63 43 Sector Comércio 4 3 0 0 1 1 0 0 3 2 Construção 8 5 0 0 5 2 0 0 3 3 Indústria 186 119 28 20 105 63 0 0 53 36 Outros Setores 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Serviços 11 5 4 2 4 2 0 0 3 1 Transportes 1 0 0 0 1 0 0 0 0 0 Turismo 2 2 0 0 1 1 0 0 1 1 De 2008 a 2011, verificou-se um decréscimo sucessivo de projetos aprovados de Vale Inovação, com exceção do ano de 2010, que não aprovou nenhum projeto desta tipologia, pelo simples facto de não ter aberto nenhum concurso nesse mesmo período. O maior destaque nesta análise vai, uma vez mais, para o setor da indústria, que abrange aproximadamente 90% de todos os projetos aprovados, um número bastante elevado para uma modalidade de incentivos que está disponível para empresas de vários setores de atividade distintos. Nesta tipologia, a região Norte volta a representar a maioria dos projetos aprovados, com 6 em cada 10 projetos aprovados a pertencerem a esta região. Por último, vamos analisar os projetos aprovados do instrumento SIAC, cujo primeiro concurso só conheceu resultados em 2009, não existindo por isso projetos aprovados em 2008. No entanto, ao longo dos restantes 3 anos do estudo, foram aprovados mais de 200 projetos, sem nenhuma predominância no que concerne o setor de atividade e as XXV regiões principalmente, pois este tipo de projetos costuma abranger mais do que uma região no próprio projeto. Assim, a única conclusão que podemos tirar é a boa representação de projetos aprovados associados ao setor dos serviços, com mais de 20% de representatividade e admitir um decréscimo sucessivo de projetos aprovados, de 2009 a 2011. Tabela 5Projetos Aprovados SIAC Projetos Aprovados Total 2008 2009 2010 2011 Nacional Norte Total Norte Total Norte Total Norte Total Norte 222 36 0 0 95 16 69 14 58 6 Sector Comércio 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Construção 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Indústria 37 5 0 0 16 4 10 1 11 0 Outros Setores 133 20 0 0 55 8 41 7 37 5 Serviços 50 11 0 0 24 4 17 6 9 1 Transportes 2 0 0 0 0 0 1 0 1 0 Turismo 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Em suma, observamos que as quatro modalidades de projetos analisadas diferem muito, quer no número de projetos abrangidos, quer na sua distribuição a nível sectorial e regional. Para além desta evidência, cada modalidade tem a sua estrutura e objetivos específicos, sendo impossível efetuar as mesmas perguntas do inquérito a todos os responsáveis dos diferentes 1056 projetos. Assim sendo, o inquérito foi enviado apenas às empresas que encabeçaram projetos individuais ou de cooperação. Um dos motivos adicionais para esta decisão foi a perceção da dificuldade que seria encontrar o responsável de cada um dos outros projetos, pois muitos envolvem mais do que uma empresa e outras organizações. Outro XXXII Gráfico 3 – Exportações por mercado geográfico Analisando agora as exportações por mercado geográfico, não encontramos nenhuma nova evidência, traduzindo o caminho normal que as exportações portuguesas têm traçado no mercado global. Verifica-se que o mercado europeu é aquele para onde se exporta mais, sendo o destino de produtos de 26 das 29 empresas que responderam a esta questão, o que representa uma grande preferência por este mercado, por uma questão de facilidade de transação, de mobilidade e de proximidade. A seguir ao mercado europeu, aparece o mercado dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), que importa produtos de uma em cada quatro empresas do nosso estudo, o que também não representa uma novidade na tradição das exportações nacionais. O maior destaque vai para o mercado do Médio Oriente, que tem vindo a ganhar popularidade no seio das empresas portuguesas, principalmente nas empresas de vestuário e de serviços, mais concretamente, de construção. 5.2.2. Dados relativos ao setor de atividade Neste sub-capítulo a análise das respostas do inquérito será feita sempre com base na distribuição por setor de atividade, tentando perceber se existe alguma diferença importante consoante o setor em que o projeto aprovado se enquadra. Todas as questões do questionário abordadas neste sub-capítulo obtiveram 36 respostas, sendo essa a amostra aqui considerada. 26 8 6 5 4 422 UE PALOP Resto África América do Sul América do Norte Ásia Resto Europa Médio Oriente XXXIII A primeira análise tem a ver com a quantidade de investimento realizado na capacidade produtiva, paralelamente ao esforço da internacionalização, que é pertinente para compreender a consistência do setor de atividade em termos de investimento empresarial. Neste caso, observa-se que as empresas têm feito predominantemente um investimento relevante na capacidade produtiva, sendo o setor terciário aquele que tem feito um investimento maior na sua capacidade produtiva, o que se compreende dada a fragilidade estrutural do setor, que não pode simplesmente parar, sendo necessária uma renovação constante de tudo que o envolve. Paralelamente, as empresas inquiridas que pertencem ao setor industrial também têm na sua maioria feito um investimento considerável na sua estrutura produtiva, existindo um terço que não faz qualquer investimento ou um investimento pouco relevante. Este facto é proporcionalmente maior nas indústrias mais pesadas, pois o investimento tem de ser obrigatoriamente maior, o que obriga a que muitas empresas não o realizem. Gráfico 4 – Investimento na capacidade produtiva pela empresa inquirida Já no que concerne o setor dos têxteis, vestuário e calçados, o investimento tem sido proporcionalmente mais relevante do que nas restantes indústrias, o que pode induzir que se trata de um setor com uma componente de inovação mais ativa do que os restantes setores. 0 2 4 6 8 10 12 Texteis, Vestuário e Calçado Prod.Metálicos, Maq. e Equipam, inc.materiais de transporte Outra indústria transformadora Setor Terciário Nenhum Pouco Relevante Relevante Muito Relevante XXXIV Assim, uma vez que se trata de situações muito distintas e, no entanto, todos os setores tiveram projetos aprovados, conclui-se que o investimento complementar na atividade produtiva da empresa não é por si só, razão para que um projeto seja aprovado em detrimento de outro, existindo projetos aprovados que não fizeram qualquer investimento nesta matéria. Gráfico 4 – Anos de existência da empresa inquirida É fundamental perceber se o instrumento de SI Qualificação PME faz alguma discriminação no que concerne a maturidade da empresa que concorre ao incentivo. Analisando o Gráfico 4, percebe-se que a grande maioria dos projetos aprovados, 95%, pertencem a empresas que já têm uma maturidade algo elevada, com mais de dez anos de existência. Mesmo considerando que as empresas só pensam em internacionalizarem-se após atingirem um certo grau de maturidade, também é factual que atualmente esse processo seja mais rápido do que era há umas décadas. Também se pode argumentar que existem outros instrumentos de apoio mais específicos para empresas jovens ou com um grau de maturidade reduzido, contudo não existe nenhuma contrapartida no regulamento do SI Qualificação PME (Diário da República, 2007) à idade das empresas ou ao seu grau de maturidade. 0246810 12 14 16 Texteis, Vestuário e Calçado Outra Indústria transformadora Produtos Metálicos, Máq e Equip, inc. mat. De transporte Setor Terciário Menos de 3 Entre 3 e 10 Mais de 10 XXXV Por estas razões e porque tenho algumas dúvidas que não existissem candidaturas de projetos de empresas mais jovens a este instrumento, considero que este seja o primeiro ponto de possível ineficácia do instrumento pois, a meu ver, no contexto global atual, uma empresa jovem tem tanta possibilidade de se afirmar no mercado global como uma empresa mais madura, nomeadamente no setor de serviços, sendo mais difícil de alcançar esse estatuto e essas competências se estiver envolvida em indústrias mais pesadas. Gráfico 5 – Número de trabalhadores das empresas inquiridas A última análise a ser feita, com a referência dos setores de atividade é relacionada com o número de trabalhadores das empresas inquiridas. Das 36 empresas da amostra, verificamos que 31 são médias empresas, de acordo com o Decreto-Lei n.º 372/2007, de 6 de Novembro (Diário da República, 2007*), ou seja empregam entre 50 a 250 trabalhadores, sendo que a amostra é ainda constituída por quatro empresas pequenas e por uma micro-empresa, associada ao setor terciário, que é aquele que consegue mais facilmente internacionalizar-se com poucos trabalhadores. Apesar de vivermos numa era robotizada, em que as máquinas fazem cada vez mais funções dentro do processo industrial (Edler e Ribakova, 1994), estes dados do gráfico 5 são compreensíveis, na medida em que é extremamente complicado que existam micro-empresas ou até mesmo pequenas empresas que consigam apostar na internacionalização com sucesso. 0 2 4 6 8 10 12 14 16 Texteis, Vestuário e Calçado Prod.Metálicos, Maq. e Equipam, inc.materiais de transporte Outra indústria transformadora Setor Terciário Menos de 10 10 a 50 50 a 250 Mais de 250 XXXVI Por este motivo, não é viável que se consiga avaliar a eficácia do instrumento com base nestes dados, mostrando apenas parte da realidade empresarial nacional. 5.2.3. Dados relativos à intensidade exportadora A partir deste ponto, vai ser feita uma análise às restantes questões do inquérito, ponderadas pela intensidade exportadora das diferentes empresas. Contrariamente à análise anterior, aqui vai ser considerada apenas uma amostra de 31 empresas, pelo simples facto de parte das empresas que responderam às questões iniciais, terem desistido de responder aquando a visualização das últimas questões, o que tentou ser evitado ao máximo, com a elaboração do inquérito mais simples e curto possível. No entanto, a taxa de sucesso do inquérito, ou seja, taxa dos inquiridos que completaram o questionário, depois de o abrirem, é elevada, pois dos 49 inquiridos iniciais, 38 finalizaram o processo, contabilizando os sete inquiridos que responderam “Não” na primeira questão, o que perfaz uma taxa de sucesso de 78%. No gráfico 6 estão representadas as diferentes 31 empresas, dezassete com uma forte intensidade exportadora, doze com uma intensidade exportadora moderada e duas empresas com uma intensidade exportadora baixa, relativamente ao seu volume de negócio. Gráfico 6 – Projetos de internacionalização aprovados durante o QREN 2008-2013 Esta questão pretende mostrar se as empresas apenas executaram uma fase de internacionalização com recurso ao financiamento público ou, por outro lado, se 0 5 10 15 20 Menos de 10% 10 a 50% Mais de 50% Nenhum 1 2 Mais de 2 XXXVII desenvolveram mais do que um projeto ou estratégia, com o aproveitamento do sistema de incentivos nacional. Em termos de dados absolutos, observa-se que cinco empresas desenvolveram mais do que dois projetos de internacionalização durante este período e mais doze desenvolveram dois projetos, o que equivale a que apenas 45% das empresas tenham desenvolvido apenas um projeto. Este dado realça o processo contínuo de aposta na internacionalização por parte das PME nacionais, sendo claro que quanto maior for a presença e a intensidade internacional da empresa, maior é esse processo, como se constata no gráfico. 5.2.3.1. Eficácia quanto aos objetivos da empresa Apesar da evidência de aposta na internacionalização das PME, mais concretamente em projetos co-financiados pelos instrumentos públicos, é importante conhecer as motivações e os objetivos das empresas para tal facto. Existem vários motivos para que uma empresa concorra a este instrumento de apoio, sendo os principais:  A entrada ou reforço da posição internacional nos variados mercados existentes;  A obtenção de parcerias e diferentes sinergias  A promoção da empresa a nível externo; Para conhecer melhor quais os objetivos visados pelas diferentes empresas com os projetos que apresentaram e foram aprovados, vamos proceder à análise do gráfico 7. Sete em cada dez empresas aponta o reforço da posição internacional nos mercados europeus como um dos objetivos dos seus projetos de internacionalização, sendo o objetivo mais comum das empresas com grande ou moderada intensidade exportadora. XXXVIII Gráfico 7 – Objetivos das empresas com os projetos de internacionalização A exceção são as empresas com baixa ou nenhuma intensidade exportadora, que concorreram ao incentivo em questão precisamente para entrar nos mercados internacionais, seja nos mercados tradicionais da UE, nos novos mercados da união europeia, consitituídos maioritariamente pelos países do Leste europeu ou mesmo em mercados exteriores à UE, que foi inclusive o objetivo comum das duas empresas inquiridas que têm menor intensidade exportadora. Esta expansão da internacionalização para mercados fora do espaço comunitário é o segundo objetivo mais focado pelas empresas com maior intensidade exportadora e o quarto pelas empresas moderadamente exportadoras, sendo que estas dão preferência ao reforço das posições que já têm nos mercados externos. Outro dos objetivos focados é a promoção de uma marca ou da própria empresa no contexto gobal, representando um dos objetivos de mais de metade da totalidade das diferentes empresas. Destaque ainda para a fraca representatividade da promoção de um produto específico como objetivo para os projetos de internacionalização, nomeadamente dentro 0 2 4 6 8 10 12 14 Entrada nos mercados tradicionais da UE Reforço da posição internacional nos mercados… Entrada nos novos mercados da UE Reforço da posição internacional nos novos… Entrada nos novos mercados geográficos extra UE Reforço da posição internacional nos novos… Diversificação dos canais de distribuição e de… Promoção da Marca/Empresa Promoção de um Produto Específico Aumento da competitividade tecnológica Obtenção de sinergias em termos de estrutura de… Menos de 10% 10 a 50% Mais de 50% XXXIX do seio das empresas com alta intensidade exportadora, assim como a obtenção de sinergias em termos de estrutura de custos. Como conclusão, é fácil reconhecer que os objetivos das empresas com menos intensidade exportadora são mais modestos do que aqueles associados às empresas com maior tradição nos mercados internacionais, que procuram sempre reforçar a sua posição internacional ou entrar em novos mercados. Mas para o SI Qualificação PME e, mais concretamente, o instrumento associado aos projetos individuais, ser eficaz é necessário não atribuir o incentivo apenas, mas fazer com que estes objetivos internos das empresas sejam alcançados com sucesso. Para analisar esta situação foi pedida a cada empresa que após indicar os objetivos internos, que os classificassem consoante as suas expetativas. Nos gráficos 8, 9 e 10, podemos analisar o grau de cumprimento das expectativas que as empresas tinham quanto aos objetivos que pretendiam alcançar. Gráfico 8 – Cumprimento dos objetivos das empresas com baixa intensidade exportadora Começando pelas empresas com baixa intensidade exportadora, verifica-se no gráfico 8 que os objetivos foram cumpridos dentro do que tinham previsto, demonstrando que o incentivo foi eficaz dentro do que a empresa queria, apesar do número de empresas deste género ser muito reduzido, o que impossibilita a criação de uma opinião mais fundamentada. 0 0,5 1 1,5 2 2,5 Entrada nos mercados tradicionais da UE Reforço da posição internacional nos… Entrada nos novos mercados da UE Reforço da posição internacional nos novos… Entrada nos novos mercados geográficos… Reforço da posição internacional nos novos… Diversificação dos canais de distribuição e… Promoção da Marca/Empresa Promoção de um Produto Específico Aumento da competitividade tecnológica Obtenção de sinergias em termos de… Abaixo do previsto Como previsto Acima do previsto XL No gráfico 9, estão representadas as empresas com intensidade exportadora moderada, com um cenário ligeiramente diferente da situação anterior. Nesta situação, verificamos que já existem objetivos que não foram cumpridos de acordo com o expectável, existindo situações em que ficou aquém do esperado e outras em que surpreendeu pela positiva. Gráfico 9 – Cumprimento dos objetivos das empresas com moderada intensidade exportadora O caso mais preocupante está relacionado com o objetivo de obtenção de sinergias, em termos de estrutura de custos, pois das 3 empresas que indicaram esse objetivo como uma das prioridades a alcançar, duas delas afirmaram que este ficou abaixo do esperado, logo que não foi cumprido como desejado, o que representa uma situação de 66% de insucesso. Se enquadrararmos todos os objetivos de todas as empresas com esta base exportadora, verificamos seis situações deficitárias, ou seja, onde o objetivo indicado esteve abaixo do nível pretendido, o que equivale a 13, 6% dos casos totais, revelando uma situação algo ineficaz. Por outro lado, houve um conjunto de metas que tiveram resultados surpreendentemente positivos, mais concretamente dez casos especiais das diferentes empresas, representando 23% dos objetivos totais, com particular destaque para a 0 2 4 6 8 10 Entrada nos mercados tradicionais da UE Reforço da posição internacional nos… Entrada nos novos mercados da UE Reforço da posição internacional nos novos… Entrada nos novos mercados geográficos… Reforço da posição internacional nos novos… Diversificação dos canais de distribuição e… Promoção da Marca/Empresa Promoção de um Produto Específico Aumento da competitividade tecnológica Obtenção de sinergias em termos de… Abaixo do previsto Como previsto Acima do previsto XLI entrada nos mercados fora do espaço comunitário europeu, com 75% dos projetos que ambicionavam essa mesma entrada a obterem resultados acima do esperado. Em suma, a maioria dos objetivos foram cumpridos como o esperado ou mesmo acima do esperado, revelando no total uma eficácia de 86,4% face ao que era desejado. Gráfico 10 – Cumprimento dos objetivos das empresas com alta intensidade exportadora Por último, procedemos à análise da eficácia do cumprimento dos objetivos dos projetos de internacionalização das empresas com alta intensidade exportadora. Começando pelos pontos positivos, merece destaque a entrada das empresas nos mercados geográficos não europeus, com três empresas a cumprirem esse objetivo acima do esperado, contando no entanto com uma experiência negativa por parte de outra empresa. Também o objetivo do reforço da posição nos mercados europeus alcançou ótimos resultados, com uma eficácia de 100% que é ainda mais relevante por se tratar do objetivo que mais empresas escolheram como um dos seus pontos de referência. No lado inverso, apenas um objetivo não foi alcançado como o esperado em mais do que uma empresa, mais concretamente, duas empresas não conseguiram diversificar os seus canais de distribuição e de comercialização, representando 40% de insucesso no que à eficácia deste instrumento diz respeito. 0246810 12 14 Entrada nos mercados tradicionais da UE Reforço da posição internacional nos… Entrada nos novos mercados da UE Reforço da posição internacional nos novos… Entrada nos novos mercados geográficos… Reforço da posição internacional nos novos… Diversificação dos canais de distribuição e… Promoção da Marca/Empresa Promoção de um Produto Específico Aumento da competitividade tecnológica Obtenção de sinergias em termos de… Abaixo do previsto Como previsto Acima do previsto XLVIII [5] Informação retirada da plataforma do COMPETE: http://www.pofc.qren.pt/areasdo-compete/financiamento-e-partilha-de-risco, acedido em 7 de Abril de 2014. [6] Informaçaõ disponível em: http://www.pofc.qren.pt/areas-do-compete/accoescolectivas, acedido em 7 de Abril de 2014. [7] Informação retirada de: http://www.pofc.qren.pt/areas-do-compete/modernizacaoadministrativa, acedido em 7 de Abril de 2014. [8] Informação disponível na plataforma do IAPMEI: http://www.iapmei.pt/iapmei-art03.php?id=2414, acedido em 20 de Outubro de 2013. [9] Informação obtida a partir do cruzamento de dados em: http://www.pofc.qren.pt/projectos/projectos-aprovados-compete, acedido em 7 de Janeiro de 2014. XLIX Anexo 1 – Empresas com mais do que um projeto aprovado Empresa 2008 2009 2010 2011 Empresa 1 1 1 Empresa 2 1 1 Empresa 3 1 1 Empresa 4 1 1 Empresa 5 1 1 Empresa 6 1 1 Empresa 7 1 1 Empresa 8 1 1 Empresa 9 1 1 Empresa 10 1 1 Empresa 11 1 1 1 Empresa 12 1 2 Empresa 13 1 1 Empresa 14 1 1 Empresa 15 1 1 Empresa 16 1 1 Empresa 17 1 1 Empresa 18 1 1 Empresa 19 1 1 Empresa 20 1 1 Empresa 21 1 1 1 Empresa 22 1 1 Empresa 23 1 1 Empresa 24 1 1 Empresa 25 1 1 Empresa 26 1 1 1 1 Empresa 27 1 1 Empresa 28 1 1 Empresa 29 1 1 Empresa 30 1 1 Empresa 31 1 1 Empresa 32 1 1 Empresa 33 1 1 Empresa 34 1 1 Empresa 35 1 1 L Empresa 36 2 2 1 Empresa 37 1 1 Empresa 38 1 1 Empresa 39 2 Empresa 40 1 1 Empresa 41 1 1 Empresa 42 1 1 Empresa 43 1 1 1 Empresa 44 1 1 Empresa 45 2 Empresa 46 1 1 Empresa 47 1 1 Empresa 48 2 1 Empresa 49 1 1 Empresa 50 1 1 Empresa 51 2 Empresa 52 2 Empresa 53 1 1 Empresa 54 1 2 Empresa 55 1 1 Empresa 56 1 1 Empresa 57 1 1 Empresa 58 1 1 LI Anexo 2 – Inquérito 1) A empresa quando concorreu ao SI Qualificação PME do QREN, fê-lo com o objetivo de internacionalização? Sim Não [Se a resposta dos inquiridos for Não, o inquérito termina aqui] 2) Associado ao esforço para internacionalização, qual o investimento feito relativo à capacidade produtiva? Nenhum Pouco Relevante Relevante Muito Relevante 3) Há quantos anos a empresa exerce a sua atividade? Menos de 3 Entre 3 e 10 Mais de 10 4) Qual o número de trabalhadores da empresa? Menos de 10 10 a 50 50 a 250 Mais de 250 5) Qual o setor de atividade da empresa? Indústria: Alimentação e Bebidas Têxteis, Vestuário e Calçado Produtos Mecânicos, incluindo Máquinas e Equipamentos Cortiça e Madeira LII Mobiliário Produtos Minerais não Metálicos (Ex. Vidro) Artigos de Borracha e Materiais Plásticos Produtos Químicos e Fibras Sintéticas ou Artificiais Outros Comércio Serviços Construção Transportes Turismo 6) Qual o peso das exportações nas vendas da empresa? <10% 10 a 25% 25 a 50% 50 a 75% 75 a 90% Mais de 90% 7) Quais as principais categorias de produtos exportados? 1__________ 2__________ 3__________ 8) Quais os principais mercados? 1__________ 2__________ 3__________ LIII 9) Quantos projetos foram aprovados durante o programa do QREN 20082013 com vista à internacionalização? 0 1 2 Mais de 2 10) Quais os objetivos visados com esses projetos? Entrada nos mercados tradicionais da UE Reforço da posição internacional nos mercados tradicionais da UE Entrada nos novos mercados da UE Reforço da posição internacional nos novos mercados da UE Entrada nos novos mercados geográficos extra UE Reforço da posição internacional nos novos mercados geográficos extra UE Diversificação dos canais de distribuição e de comercialização Promoção da Marca/Empresa Promoção de um Produto Específico Aumento da competitividade tecnológica Obtenção de sinergias em termos de estrutura de custos 11) Qual o grau de cumprimento dos mesmos? [Consoante as respostas assinaladas em cima, vão aparecendo os itens na tabela] Objetivo/Classificação Abaixo do previsto Tal como previsto Acima do previsto Ainda sem resultados Objetivo nº 1 Objetivo nº 2 … Objetivo nº n 12) Que tipo de meios/acções foram realizados para alcançar os objetivos atrás definidos? LIV Registo de Marca Estabelecimento de Novas Parcerias Prospeção de Mercados Externos Presença em Feiras Internacionais Alargamento da Rede de Clientes Elaboração de Campanhas de Marketing Internacional Alargamento da Rede de Comissionistas Observação de Tecnologias de Outros Mercados 13) Qualifique as seguintes afirmações de 1(Discordo completamente) a 5 (Concordo completamente) em relação ao incentivo recebido através do SI Qualificação PME, com vista à internacionalização: 1 2 3 4 5 O incentivo foi ineficiente para os objetivos da empresa A empresa atingiria os mesmos objetivos sem o incentivo, na altura em questão A empresa atingiria os mesmos objetivos sem o incentivo, mas num período posterior O incentivo trouxe grandes vantagens para a posição internacional da empresa O incentivo atribuído seria mais eficaz se tivesse tido outra aplicação Apesar do incentivo, a empresa não conseguiu ter resultados muito positivos no mercado externo Se tivesse possibilidade, a empresa reformulava o projeto de candidatura ao sistema de incentivos do QREN Apesar do incentivo, a empresa teve dificuldades devido à conjuntura LV económica No total, o incentivo foi determinante para a posição internacional da empresa Anexo 3 – Esquematização das respostas sobre a eficácia do incentivo Avaliação Média Avaliação Média Avaliação Média 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 O incentivo foi ineficiente para os objetivos da empresa 2 0 0 0 0 1 5 5 0 2 0 1,9 2 7 7 1 0 2,4 A empresa atingiria os mesmos objetivos sem o incentivo, na altura em questão 1 1 0 0 0 1,5 2 4 4 1 1 2,6 5 7 2 2 1 2,2 A empresa atingiria os mesmos objetivos sem o incentivo, mas num período posterior 1 1 0 0 0 1,5 2 3 4 2 1 2,75 2 7 6 2 0 2,5 O incentivo trouxe grandes vantagens para a posição internacional da empresa 0 1 1 0 0 2,5 0 1 3 8 0 3,6 0 0 9 6 2 3,6 O incentivo atribuído seria mais eficaz se tivesse tido outra aplicação 2 0 0 0 0 1 4 6 1 1 0 1,9 8 4 5 0 0 1,8 Apesar do incentivo, a empresa não conseguiu ter resultados muito positivos no mercado externo 0 0 2 0 0 3 4 5 2 0 1 2,1 10 3 2 2 0 1,8 Se tivesse possibilidade, a empresa reformulava o projeto de candidatura ao sistema de incentivos do QREN 0 1 1 0 0 2,5 1 4 1 4 2 3,2 8 2 7 0 0 1,9 Apesar do incentivo, a empresa teve dificuldades devido à conjuntura económica 0 0 0 1 1 4,5 0 3 4 3 2 3,3 1 4 4 8 0 3,1 No total, o incentivo foi determinante para a posição internacional da empresa 0 0 1 1 0 3,5 0 2 4 6 0 3,3 0 4 7 5 1 3,2 Menos de 10% 10 a 50% Mais de 50%