scieee AI-readable full text Open interactive document viewer

Burnout em bombeiros portugueses

N. Vara,Cristina Queirós,S. Dias

Full text

BIENVENIDA ORGANIZACIÓN COMITÉS ABSTRACTS PATROCINADORES Abstracs T ó p i c o : P s i c o l o g í a d e l a s a l u d T i p o d e p r e s e n t a c i ó n : C o m u n i c a c i ó n O r a l Burnout em bombeiros portugueses Leite Queirós, Cristina Maria.1 Vara, Natalia. Dias, Sofia. 1 Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação - Universidade do Porto 1) Introdução: A actividade profissional do bombeiro implica actuar em cenários de catástrofes, destruição, acontecimentos traumáticos e sofrimento. Tal como noutras profissões, a actividade profissional do bombeiro pode ser fonte de stress (Oliveira & Guerra, 2004), provocando exaustão física e psicológica por ter de lidar com pessoas (Maslach & Leiter, 1997; Pines & Aronson, 1989). O bombeiro tem de lidar, diariamente, com a pressão temporal, a sobrecarga de responsabilidades e de horas de trabalho, os recursos limitados e as exigências físicas e emocionais dos utentes. O burnout está associado às exigências do trabalho e à falta de recursos no trabalho (Schaufeli & Bakker, 2004), desenvolvendo-se segundo um processo contínuo de desajustamento entre as estratégias usadas para lidar com o stress e as exigências do trabalho (Cherniss, 1980). Pode-se então supor que a vulnerabilidade psíquica dos bombeiros é semelhante à de outros profissionais da área da saúde, onde os estudos são numerosos, ao contrário dos bombeiros cujos estudos ainda são escassos. Sendo o burnout principalmente predito pelas exigências do trabalho e conduzindo à deterioração da saúde física e psíquica, pode reflectir-se na desumanização e deterioração na qualidade dos serviços prestados. Pretendemos conhecer o burnout nos bombeiros e verificar se existem diferenças em função de variáveis sócio-demográficas como idade, estado civil, zona do país onde actuam, número de horas semanais de trabalho, etc. 2) Método: Foi construído um questionário de auto-preenchimento constituído por dois grupos de questões. No primeiro grupo foi efectuada a caracterização sócio-demográfica e profissional da amostra. O segundo grupo avaliou o Burnout através do Maslach Burnout Inventory (Maslach & Jackson, 1997), versão portuguesa traduzida por Mendes (2005). Os dados foram recolhidos junto de 90 bombeiros do sexo masculino que trabalham na área da emergência pré-hospitalar nas zonas norte, centro e sul de Portugal (30 inquiridos por zona) 3) Resultados: Os resultados obtidos indicam valores baixos de exaustão emocional, valores reduzidos de despersonalização e valores elevados de realização pessoal. No que se refere às variáveis sócio-demográficas, verifica-se que: os bombeiros solteiros apresentam maior nível de despersonalização; não foram encontradas diferenças significativas nas dimensões do burnout em função da idade; os bombeiros de tipo voluntário assalariado apresentam maiores níveis de exaustão emocional (por oposição aos bombeiros sapadores, bombeiros municipais e bombeiros voluntários); o número médio de horas semanais correlaciona-se positivamente com a exaustão e a despersonalização; foram encontradas diferenças nas dimensões do burnout em função da zona do país onde os bombeiros actuam (norte com maior despersonalização, centro com maior exaustão emocional e sul com maior realização pessoal). 4) Conclusões: Os bombeiros, tal como outros profissionais de saúde, são vulneráveis ao burnout, atendendo ao facto de diariamente enfrentarem situações emocionalmente intensas e à necessidade de decidir sob pressão, com urgência e em condições de risco ou de limitação de recursos. Consideramos importante dar atenção aos efeitos múltiplos e cumulativos de diversos factores nas condições de trabalho destes profissionais, tentando prevenir o sofrimento psicológico e promover a saúde e bem-estar dos bombeiros que trabalham na emergência pré-hospitalar. 1 de 1 Página Burnout em bombeiros portugueses e 24 - 07 - 2011 file:///E:/fiap/1621.html