Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos
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NORMALIZAÇÃO BIM Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos JOÃO PEDRO COSTA OLIVEIRA Dissertação submetida para satisfação parcial dos requisitos do grau de MESTRE EM ENGENHARIA CIVIL — ESPECIALIZAÇÃO EM CONSTRUÇÕES CIVIS Orientador: Professor Doutor João Pedro da Silva Poças Martins Coorientador: Engenheiro António Machado Ruivo Sanguêdo Meireles JUNHO DE 2016
MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL 2015/2016 DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL Tel. +351-22-508 1901 Fax +351-22-508 1446 [email protected] Editado por FACULDADE DE ENGENHARIA DA UNIVERSIDADE DO PORTO Rua Dr. Roberto Frias 4200-465 PORTO Portugal Tel. +351-22-508 1400 Fax +351-22-508 1440 [email protected] http://www.fe.up.pt Reproduções parciais deste documento serão autorizadas na condição que seja mencionado o Autor e feita referência a Mestrado Integrado em Engenharia Civil - 2015/2016 - Departamento de Engenharia Civil, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto, Portugal, 2016. As opiniões e informações incluídas neste documento representam unicamente o ponto de vista do respetivo Autor, não podendo o Editor aceitar qualquer responsabilidade legal ou outra em relação a erros ou omissões que possam existir. Este documento foi produzido a partir de versão eletrónica fornecida pelo respetivo Autor.
Aos meus Pais, Make everything as simple as possible, but not any simpler. - Albert Einstein -
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos i AGRADECIMENTOS À Comissão Técnica 197, na pessoa do seu presidente o Professor Doutor António Aguiar Costa, pela possibilidade de desenvolver esta dissertação enquadrada no âmbito das suas competências e oferecer o meu contributo para a normalização do BIM em Portugal. Ao Professor Doutor João Pedro Poças Martins, no papel de orientador, pelo apoio e acompanhamento, constantes desde o primeiro momento. Os seus conselhos, críticas e transmissão de conhecimento revelaram-se fundamentais ao desenvolvimento desta dissertação. Ao Engenheiro António Ruivo Meireles, meu coorientador e coordenador da Subcomissão 4 para os Objetos BIM e Modelação, pela oportunidade e disponibilidade ao longo do progresso deste trabalho. A toda a equipa da ndBIM – Virtual Building pela hospitalidade e cooperação. Ao João Rodrigues, Bruno Carneiro e Leonardo Pereira, pela amizade e companheirismo demonstrado ao longo do percurso de cinco anos que agora termina. Aos amigos de longa data José Fernandes, Paulo Oliveira, Joana Magalhães e Maria Barroso pela amizade, apoio e confiança demonstrados. À minha namorada e amiga Carla pelo carinho, força e convicção nas minhas competências, além da paciência ao longo dos últimos meses. Ao meu irmão, Diogo, e aos meus padrinhos, pelo estímulo e confiança nas minhas capacidades. Aos meus pais pelo exemplo e forma de estar essenciais à minha formação pessoal, bem como pela oportunidade de prosseguir a minha formação profissional, alcançando o grau de Mestre. João Pedro Oliveira
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Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos iii RESUMO Apesar da relevância apresentada, um pouco por todo o mundo, nas economias dos diferentes países, a Indústria da Construção é frequentemente classificada como ineficiente. Nesse sentido, a metodologia BIM como tecnologia de informação e comunicação, permitindo a completa compatibilização e interoperabilidade, é apontada por muitos como solução para os aumentos de competitividade e sustentabilidade exigidos ao setor. Fruto deste reconhecimento, a implementação de tecnologias BIM vive um momento de elevado fulgor, conduzindo à criação de diversas iniciativas com vista à uniformização dos modelos; estas iniciativas vêm sendo impulsionadas quer por entidades governamentais quer privadas. A presente dissertação enquadra-se numa dessas iniciativas, inserindo-se nos trabalhos da Subcomissão 4 da Comissão Técnica 197; e tem por objetivo primordial a criação de uma ferramenta que permita aos diversos intervenientes no setor AEC especificarem as suas pretensões e necessidades aquando da utilização de um modelo BIM. Na base deste trabalho está a convicção de que uma ferramenta deste tipo deve ter por orientação os documentos internacionais existentes, ainda que materializando uma abordagem distinta; que fomente a adoção de hábitos de modelação por objetivos, evitando a aplicação de esforço e tempo de modelação discrepantes dos exigidos para um modelo com determinadas metas de aplicação. Com efeito, ao longo do presente texto estudam-se as características necessárias à produção de um elemento deste tipo; apresentando um programa de interface simples e utilização fácil, que resulta de uma série de algoritmos que em conjunto permitem ao usuário descrever de forma rápida e direta as suas pretensões e obter um documento estruturado que transmita a qualquer interveniente no processo o nível de desenvolvimento exigido aos vários componentes do modelo. Considera-se ainda que o sucesso de uma ferramenta deste tipo é mensurável segundo dois aspetos principais: a solidez da base científica que o suporta e a adequabilidade perante a técnica e prática correntes. Assim sendo, opta-se pela produção do produto final recorrendo ao desenvolvimento colaborativo público, socorrendo-se de profissionais do setor. Esta opção permitirá refletir sobre a dinâmica de difusão mais adequada ao desenvolvimento de iniciativas de normalização BIM. Do trabalho desenvolvido durante a elaboração desta dissertação surgiu um software que corporiza a Versão 1.0 da Matriz de Definição BIM PT. Este programa materializa a aplicação dos princípios propostos aos elementos relativos a Fundações e Estruturas de Edifícios. PALAVRAS-CHAVE: BIM, Interoperabilidade, Normalização, LOD, Modelação por Objetivos.
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Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos v ABSTRACT In spite of the high relevance to the country’s economies all over the world, the Construction Industry is often classified as inefficient. Indeed, the BIM methodology, as a powerful communication and information technology tool, allowing full compatibility and interoperability, is indicated by many construction agents as the solution to increase the setor competitiveness and sustainability. As the result of this recognition, BIM technologies implementation is experiencing a period of great attention which leads to the appearance of several international initiatives for the standardization of models; these initiatives are being promoted either by governmental or private entities. This Master’s Thesis is part of one of these initiatives, inserted within the work plan of Subcommittee 4 of the Technical Committee 197; and it has as main purpose the creation of a tool that allows the different AEC Industry players to specify their claims and needs when using a BIM Model. This work is based on the belief that a tool like this must be guided by the existing international standards, although materializing a different approach; promoting the adoption of objective-oriented modelling customs, avoiding the application of modelling time and effort higher than those required for a model with specific use goals. Indeed, throughout this text are studied the characteristics needed to produce an item like this, presenting a simple interface and easy to use program, resulting from a series of algorithms which together allow the user to describe their needs in a quick and direct way and get a structured document to transmit, to any player in the process, the level of development required to the several components of the model. It is also considered that the success of such a tool is measured to two main aspects: the strength of the scientific base that supports such tool it and the suitability towards the current techniques and practices. Therefore, it was decided that the creation of the final product would be an open collaborative development with the industry professionals. This option allows to study about diffusion dynamics more suitable to the development of BIM standardization initiatives. As result of this Master’s Thesis has been created the version 1.0 of Matriz de Definição BIM PT, a software application that applies the principles discussed throughout the study to the Building Foundation and Structural elements. KEYWORDS: BIM, Interoperability, Standardization, LOD, Modelling.
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Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos xiii SÍMBOLOS, ACRÓNIMOS E ABREVIATURAS 2D - Duas Dimensões 3D - Três Dimensões AEC - Arquitetura, Engenharia e Construção AIA - American Institute of Architects BEP - BIM Execution Plan BIM - Building Information Modelling CAD - Computer Aid Design CEN - European Committee for Standardization COBie - Construction Operations Building information Exchange CPIC - Construction Project Information Committee CT - Comissão Técnica IAI - International Alliance for Interoperability IFC - Industry Foundation Classes LOD - Level of Development MEP - Mechanical, Electrical and Plumbing MVD - Model View Definition NBS - National Building Specification PAS - Publicly Available Specifications PIB - Produto Interno Bruto ProNIC - Protocolo para a Normalização da Informação Técnica na Construção RIBA - Royal Institute of British Architects SC - Subcomissão TC - Technical Commission Uniclass - Unified Classification for the Construction Industry
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Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 1 1 Introdução 1.1. CONTEXTUALIZAÇÃO A Indústria da Construção é, um pouco por todo o Mundo, uma das principais indústrias dos diversos países, apresentando significativa relevância na economia dos mesmos (Stasiak-Betlejewska e Potkány, 2015). No entanto, é uma indústria considerada ineficiente, culminando com frequência na repetição de tarefas bem como no aumento dos custos ou prolongamento dos prazos de conclusão dos projetos, tornando-a pouco competitiva e sustentável (TC442, 2015). Deste modo, a introdução das ferramentas BIM é apontada como solução para o aumento de eficiência na gestão da informação ao longo das fases de projeto, construção e operação dos edifícios (TC442, 2015) e como tal, a sua implementação tem vindo a atravessar uma fase fulgurante ao longo dos últimos anos (Smith, P., 2014). Com o intuito de potenciar a competitividade e melhorar a sustentabilidade do setor, o BIM como Tecnologia de Informação e Comunicação apresenta-se como elemento chave para a sua concretização (TC442, 2015). A utilização do BIM como ferramenta comunicativa, compatível e interoperável requer completa coordenação, conseguida através da normalização e sincronização de métodos operativos (TC442, 2015). A exemplo de outras entidades internacionais e com o objetivo de produzir um conjunto estruturado de normalizações, especificações e relatórios que definam metodologias de descrição, partilha, monitorização e gravação de dados, bem como tornar-se a base de toda a normalização BIM europeia, o European Committee for Standardization criou a Comissão Técnica 442, inteiramente dedicada ao Building Information Modelling (TC442, 2015). Com a finalidade de desenvolver a normalização no âmbito dos sistemas de classificação, modelação da informação e processos ao longo do ciclo de vida dos empreendimentos de construção, ao mesmo tempo que acompanha os desenvolvimentos da CEN/TC 442, o Instituto Português da Qualidade criou, em Março de 2015, a Comissão Técnica 197 cuja coordenação se encontra a cargo do Organismo de Normalização Setorial do Instituto Superior Técnico (Costa, A.A., 2015, IPQ, 2015). A organização desta CT assenta na criação de quatro subcomissões, divididas por: Maturidade e Plano de ação; Trocas e Requisitos de informação; Metodologias BIM; Objetos BIM e Modelação; (Costa e Santos, 2015). 1.2. MOTIVAÇÃO O enquadramento efetuado anteriormente permite perceber a forma veemente como tem ocorrido o desenvolvimento das ferramentas BIM, consequência disso é o cada vez maior número de intervenientes na indústria da construção que se depara com a necessidade de interagir com esta metodologia. Este
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 2 aumento de interesse, apoiado por um conjunto de iniciativas governamentais, leva ao encontro de agentes cujos conhecimentos da tecnologia são necessariamente diferentes. A motivação inerente à elaboração desta dissertação prende-se com a garantia de interoperabilidade entre os diferentes utilizadores, mas centra-se particularmente na interoperabilidade entre pessoas com conhecimentos distintos e com diferentes posicionamentos perante o BIM. Os processos associados à construção de uma obra envolvem diferentes fases e agentes e, consequentemente, a introdução de uma nova metodologia não deve obrigar ao igual domínio por parte de todos eles; por exemplo um promotor a quem é exigida a utilização do BIM não necessita perceber os mecanismos que envolvem a sua aplicação prática, mas, por oposição, necessita expressar perante os seus contratados as suas pretensões para o modelo. Em síntese, este trabalho pretende estudar a interoperabilidade de forma a munir os intervenientes de ferramentas que permitam o completo entendimento sobre as características dos modelos, sem que para isso necessitem dispor de completo domínio das tecnologias envolvidas. 1.3. ÂMBITO E OBJETIVOS O desenvolvimento da presente dissertação enquadra-se na Subcomissão 4 para os Objetos BIM e Modelação da CT 197, cujas metas traçadas passam pela implementação de um sistema de classificação de informação para o BIM, redefinição das regras de medição existentes e pelo desenvolvimento de uma matriz de modelação por objetivos. Com efeito, os objetivos que se pretendem atingir através da elaboração da presente dissertação coincidem, em parte, com os da própria subcomissão. Assim, ambiciona-se no contexto deste trabalho: Desenvolver um documento, organizado de acordo com a estrutura de um sistema de classificação internacional. Na seleção desse sistema será tida em conta a maturidade e estabilidade comprovadas, de forma a trabalhar sobre uma base que não preveja demasiadas alterações, bem como atribuída importância à adequação deste à atual realidade portuguesa; Definir, para cada serviço, o nível de detalhe de cada objeto e as propriedades possíveis de calcular ou extrair; Validar a matriz segundo os standards de interoperabilidade internacionais, nomeadamente os ficheiros IFC extraídos de softwares comerciais, de forma a garantir que os resultados são utilizáveis por qualquer profissional independentemente do software utilizado; Relacionar cada um dos níveis de desenvolvimento com a utilização última do modelo, contribuindo para uma modelação racional e por objetivos. Por fim, elevando a análise a um nível macro, o presente trabalho permitirá ainda tecer considerações sobre o melhor processo de implementação de iniciativas de normalização BIM, nomeadamente ao nível da metodologia de difusão escolhida. 1.4. METODOLOGIA O desenvolvimento do tema apresentado será materializado através de uma revisão bibliográfica sobre os sistemas de classificação internacionais existentes, as normalizações sobre os objetos BIM e características da sua modelação, não esquecendo os formatos que a garantem a interoperabilidade dos modelos. Esta pesquisa permitirá perceber os caminhos até agora seguidos por outras entidades, procurando potenciar as suas vantagens e contornar eventuais lacunas.
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 3 Seguidamente, com conhecimento aprofundado sobre a documentação existente, resultante das diversas iniciativas relacionadas com o tema em análise, as suas características, pontos fortes e fragilidades, proceder-se-á à definição da estrutura que servirá de base ao desenvolvimento do produto final deste trabalho. Uma vez estabelecidos os moldes da estrutura, esta será apresentada aos voluntários que se disponibilizem a colaborar na composição da matriz de definição dos vários níveis de desenvolvimento, e iniciar-se-á o processo de elaboração da mesma. De referir que este processo consistirá numa produção por capítulos que, uma vez concluídos, serão apresentados aos profissionais envolvidos a fim de obter pareceres que permitam o seu melhoramento. 1.5. ORGANIZAÇÃO Introduzido o tema, explanados os seus objetivos e narrada a metodologia adotada na sua execução, procede-se agora à consequente apresentação da estrutura escolhida para o desenvolvimento da presente dissertação de forma a orientar o leitor na sua análise e interpretação. Assim, o capítulo 2 consiste no levantamento do Estado-da-Arte, o qual se principia pelo esclarecimento de alguns aspetos relacionados com o BIM que se consideram essenciais à compreensão deste trabalho; seguindo-se uma reflexão sobre a importância deste tipo de metodologia no atual panorama da indústria da construção, tecendo considerações relacionadas com o aumento do interesse na sua implementação e com o reconhecimento estratégico por parte setor. Posteriormente refere-se o tema da interoperabilidade, fundamento estruturante do progresso do trabalho, precedendo ao assunto da normalização no qual, após uma reflexão sobre o seu papel, se abordam os temas relativos a planos de execução BIM, normalização sobre objetos, sistemas de classificação de informação e por fim, o formato IFC. Este capítulo inclui ainda uma análise aos diferentes metodologias de implementação de iniciativas BIM. Por sua vez, o capítulo 3 apresenta-se chave no contexto desta dissertação na medida em que descreve a Matriz de Definição BIM PT, produto final e objetivo primordial de todo o estudo desenvolvido. Deste modo, o capítulo inicia com um comentário à normalização existente, descrita em sede de Estado-daArte, a fim de resumir os principais benefícios e limitações da sua utilização, perceções essenciais à produção de uma nova proposta de abordagem ao tema. Prossegue-se com a apresentação da estrutura que fundamenta o desenvolvimento de toda a especificação, além da explanação dos diversos componentes que dela fazem parte. O capítulo encerra com uma descrição técnica sobre o funcionamento da ferramenta abordando os meios tecnológicos utilizados na sua produção. Findada a explanação da Matriz de Definição BIM PT através da estrutura, características e funcionamento, o capítulo 4 descreve o desenvolvimento colaborativo através do qual se procedeu à recolha da informação presente na ferramenta. Deste modo, o capítulo inicia-se pela consideração da importância da colaboração no contexto do presente trabalho, passando pelo processo de constituição do grupo de trabalho, culminando no planeamento do mesmo. De seguida detalham-se as diversas fases do processo e conclui-se com um comentário aos resultados do estudo, nomeadamente no que se relaciona com a metodologia de implementação escolhida. Por fim, terminada a apresentação do trabalho desenvolvido e da base científica que o sustenta, seguese a conclusão, na qual se tecem considerações sobre os resultados obtidos, relacionando-os com os objetivos inicialmente propostos e refletindo sobre oportunidades de desenvolvimento futuro.
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Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 5 2 Estado-da-Arte 2.1. BIM A metodologia BIM é cada vez mais uma realidade presente no quotidiano dos intervenientes na indústria da construção, resultando no forte aumento da sua utilização (McGraw Hill C., 2014); com efeito, o nível de maturidade desta metodologia será comprovado no decorrer do presente capítulo. Surgindo do acrónimo da expressão Building Information Modelling, BIM é “a representação digital das características físicas e funcionais de uma instalação. Como tal, atua como um recurso de partilha de informação para obter informações sobre uma obra, formando uma base fiável de auxílio à tomada de decisão durante o seu ciclo de vida, desde o início em diante.” (NIBS, 2007). Apesar de maioritariamente utilizada como Building Information Modelling, o termo BIM pode também significar Building Information Model. No caso em que a letra “M” é o acrónimo de “Model”, a sigla refere-se ao modelo ou, por outras palavras, à “representação digital da instalação”; por outro lado, quando representa “Modelling” alude à “ação de criar um modelo eletrónico de uma obra, com propósitos de visualização, análises para fins de engenharia, análises de conflito, verificação de critérios de código, engenharia de custos, pré-fabricação, orçamentação, entre muitos outros.” (NIBS, 2007). Aquando do seu surgimento, a sigla BIM era frequentemente empregue como referência a um tipo de software, à qual eram associadas novas ferramentas de desenho. Atualmente, atingiu-se consenso numa definição mais ampla do conceito do BIM ultrapassando o software que o suporta, assumindo-se então como uma nova metodologia de abordagem à construção (Yalcinkaya e Singh, 2015). Criada com o intuito de facilitar a integração, interoperabilidade e colaboração na indústria da construção, vincando uma nova geração nas tecnologias da informação e uma nova abordagem às ferramentas CAD, através da possibilidade de armazenamento, processamento, partilha, análise e troca de informações relativas a um determinado edifício, passíveis de utilização ao longo do ciclo de vida da obra (Lee, G. [et al.], 2006). Apesar de frequentemente associado à adição de uma nova dimensão das ferramentas CAD 2D tradicionais, o conceito BIM vai muito além desta descrição, que apenas traduz as ferramentas CAD 3D, que remontam aos primórdios da computação gráfica. A utilização das ferramentas BIM garante um sem número de possibilidades oferecidas pela integração de processos automatizados inerente aos modelos BIM (Monteiro e Martins, 2011).
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 6 2.2. IMPORTÂNCIA DAS FERRAMENTAS BIM 2.2.1. AUMENTO DO INTERESSE As ferramentas BIM encerram um potencial e um leque de funcionalidades de tal ordem vasto que são muitas as vozes que, numa época em que se discute a urgência de modernização no setor da construção, admitem que qualquer alteração na abordagem à gestão de informação deverá considerá-las nos novos processos (Martins, J.P., 2009). Este aspeto fez como que o BIM se tenha assumido como palavra-chave no setor da Arquitetura, Engenharia e Construção (Yalcinkaya e Singh, 2015), traduzindo-se no aumento de utilização e consequente credibilização em todo o globo, assumindo-se como elemento estruturante na dinamização do setor: “A mudança está a alastrar-se pelo Globo. As equipas de projeto estão a beneficiar das comunicações mais rápidas, dos computadores mais pequenos, móveis e potentes, ferramentas de modelação digital robustas e transformações em direção a processos integrados, todos eles gerando resultados positivos, eficiência e benefícios inimagináveis há alguns anos atrás.” (McGraw Hill C., 2014). Aliás, a hipótese anterior assenta, não só no registo do aumento no número de projetos produzidos com recurso a este tipo de ferramentas, como também na crescente evolução no grau de implementação do BIM nas empresas (McGraw Hill C., 2014). Um estudo recente da autoria de Yalcinkaya e Singh (Yalcinkaya e Singh, 2015) contabiliza o aumento significativo do número de publicações sobre este tema em revistas e conferências constantes nas principais bases de dados académicas, ao longo da última década, retratado na Figura 1. Figura 1 - Evolução do número de publicações relacionadas com o BIM entre 2004 e 2014 [Adaptado de (Yalcinkaya e Singh, 2015)] A análise da figura anterior permite constatar que o número de publicações relacionadas com o BIM tem vindo aproximadamente a duplicar em cada triénio sucessivo, desde 2004. Outros estudos semelhantes, como o realizado por Smith (Smith, P., 2014), haviam avançado a conjetura enunciada referindo que “a implementação do BIM tem vindo a atravessar um momento impetuoso ao longo dos últimos anos”. 14 52 115 344 43 78 160 170 57 130 275 514 2004-2005 2006-2008 2009-2011 2012-2014 Número de publicações Revistas Conferências Total
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 7 2.2.2. RECONHECIMENTO ESTRATÉGICO 2.2.2.1. Relevância política do setor AEC O setor da Arquitetura, Engenharia e Construção apresenta, um pouco por todo o mundo, elevada importância na economia; importância dada pela relevância socioeconómica, através da criação de habitação, infraestruturas e emprego, mas também pelo seu carácter abrangente, recorrendo a bens e serviços de outras indústrias relacionadas. De referir que o peso do setor na economia tende a diminuir com o aumento do grau de desenvolvimento do país. (Stasiak-Betlejewska e Potkány, 2015). No continente europeu, o setor representava em 2012 aproximadamente 10% do PIB, sendo responsável por cerca de 20 milhões de postos de trabalho do conjunto dos países da União Europeia (EC, 2012). Os responsáveis políticos da União reconhecem a importância da modernização do setor para o seu crescimento e aumento de sustentabilidade, reconhecendo-o como um dos seis mercados com maior potencial de inovação e desenvolvimento (EC, 2012). 2.2.2.2. Medidas governamentais de fomento à utilização das BIM O reconhecimento do BIM como ferramenta-chave para a concretização desse desenvolvimento encontra-se patente na Diretiva Europeia relativa à Adjudicação de Contratos públicos na qual se refere que “os Estados-Membros podem exigir a utilização de instrumentos eletrónicos específicos, tais como instrumentos de modelização eletrónica de dados de construção ou similares.” (PE, 2014). A diretiva referida contribuiu para o estabelecimento de medidas de fomento à utilização das tecnologias BIM em diversos países europeus, onde a aplicação destas em projetos financiados com recursos públicos se apresenta obrigatória, são casos de Reino Unido, Holanda, Dinamarca, Finlândia e Noruega (PADSUN, 2015). No entanto, não só nações europeias têm avançado com medidas governamentais cujo objetivo é o estímulo à utilização do BIM; exemplo disso são os casos de Estados Unidos da América, Singapura, China, Hong Kong ou Austrália (Smith, P., 2014). Estas medidas assumiram-se fulcrais no desenvolvimento do BIM, como referido no relatório da McGraw Hill (McGraw Hill C., 2014), onde se regista uma forte aceleração do uso do BIM, associada ao maior número de proprietários não só públicos como privados que pretendem institucionalizar os benefícios desta metodologia, entre os quais a redução dos prazos, a maior exatidão na entrega de projetos e a maior fiabilidade ao nível de qualidade e preço. Acrescentando que “A regulamentação do BIM nos Estados Unidos, Reino Unido e outras entidades governamentais, demonstra o quão esclarecidamente os proprietários podem especificar metas e impulsionar a adoção das tecnologias BIM, por parte das empresas de projeto e construção, de forma a atingirem e até excederem essas metas, ao mesmo tempo que transformam o BIM num mais amplo ecossistema de projeto”. Apesar de terem em comum o reconhecimento da importância do BIM para a modernização e aumento de competitividade do setor estratégico da construção, e o incentivo ao interesse na sua utilização, a forma como estes estímulos são materializados é distinta de caso para caso. Começando pelos Estados Unidos da América, por vezes apontado como principal impulsionador no desenvolvimento e implementação do BIM na indústria da construção (Wong, A. [et al.], 2009), a intervenção iniciou-se através da inclusão do BIM nos projetos da Administração Geral dos Serviços, organismo que tutela todos os edifícios federais americanos, da criação de um programa nacional de 3D-4D-BIM e de um programa nacional assente na utilização do BIM e internacionalmente reconhecido, o National BIM Standard (Mc Graw Hill C., 2014).
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 14 Quadro 1 - Definição dos Níveis de Desenvolvimento [Dados retirados de (AIA, 2013b)] Nível Definição LOD100 O Elemento pode estar representado graficamente no Modelo através de um símbolo ou outra representação genérica, mas não satisfaz os requisitos que o tornam num LOD200. A informação relacionada com o Elemento (Custo por m2, Quantificação de HVAC, etc.) podem ser obtidas através de outros Elementos do Modelo. LOD200 O Elemento é representado graficamente no Modelo como um sistema, objeto ou assemblagem genérico com quantidades, dimensão, forma, localização e orientação aproximadas. Informação não-gráfica também poderá estar associada ao Elemento modelado. LOD300 O Elemento é representado graficamente no Modelo como um sistema, objeto ou assemblagem específico em termos de quantidade, dimensão, forma, localização e orientação. Informação não-gráfica também poderá estar associada ao Elemento modelado. LOD400 O Elemento é representado graficamente no Modelo como um sistema, objeto ou assemblagem específico em termos de quantidade, dimensão, forma, localização, e orientação com informação sobre pormenorização, fabricação, assemblagem e instalação. Informação não-gráfica também poderá estar associada ao Elemento modelado. LOD500 O Elemento modelado é uma representação verificada no terreno em termos de dimensão, forma, localização, quantidade e orientação. Informação não-gráfica também poderá estar associada ao Elemento modelado. 2.4.3.2. BIMForum - LOD Specification 2015 Produzido pelo BIMForum, grupo de debate norte-americano cuja missão passa por facilitar e acelerar a implementação do BIM na indústria AEC (BIMForum, 2016), o Level of Development Specification é um documento que permite aos intervenientes do setor AEC especificar e articular com elevado grau de clareza, o conteúdo e a fiabilidade pretendidos para um determinado modelo, explicitando a aplicabilidade e as limitações do mesmo (BIMForum, 2015a). Esta normativa surge como uma interpretação detalhada da estrutura LOD, organizada segundo o sistema Uniformat, definindo e ilustrando as características que a modelação dos diversos elementos dos diversos sistemas construtivos presentes no modelo devem assumir nos diferentes níveis de desenvolvimento; sempre centrada no auxílio à compreensão do modelo e na uniformização do seu uso (BIMForum, 2015a). Do ponto de vista editorial, a LOD Specification encontra-se atualmente na sua terceira edição, correspondente à versão de 2015 que sucede às publicações de 2014 e 2013 (BIMForum, 2015b). A forma como este documento foi publicado incluiu o lançamento de uma primeira versão em formato de rascunho para revisão e comentário público, de forma a corrigir lacunas e enriquecer o documento que
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 15 posteriormente foi lançado na sua versão final. Desta forma, o documento final datado de 30 de Outubro de 2015 inclui os contributos das revisões efetuadas à sua versão de rascunho de 30 de Abril de 2015 (Renehan, B., 2015). Na génese dos objetivos deste documento está a premissa fundamental do uso do BIM como ferramenta comunicacional. Com a produção desta publicação o BIMForum pretende fornecer aos intervenientes do projeto uma ferramenta que permita: descrever com transparência o que deve ser incluído no documento; transmitir o nível de desenvolvimento pretendido em cada etapa do processo; aos intervenientes a jusante perceberem a fiabilidade da informação recebida dos intervenientes a montante; e ser referenciada como padrão em contratos e planos de execução BIM. Com efeito, o BIMForum (BIMForum, 2015a) apresenta uma proposta de mudança de paradigma entre o “Desde que alguma informação no modelo desperte desconfiança, não é possível confiar em nenhuma” para “Apenas é possível confiar na informação que é definida como confiável”. Segundo a metodologia adotada pelo BIMForum, os LODs não são definidos tendo em conta a fase do projeto, em vez disso opta-se por definir cada resultado ou entrega do projeto. Esta opção deve-se à atual inexistência de um padrão detalhado sobre as fases de conceção, bem como pelo facto dos diferentes componentes dos edifícios partirem do conceito até à definição precisa em ritmos distintos. Constata-se portanto que não existe um “modelo LOD ###”, existe sim um modelo composto por elementos que apresentam diferentes LODs (BIMForum, 2015a). Apesar de idêntica à proposta pelo AIA (AIA, 2013b), a definição dos LODs pelo BIMForum (BIMForum, 2015a) apresenta duas alterações: a inclusão de um nível intermédio, o LOD350, em resposta à necessidade de um nível cujo detalhe seja superior ao LOD300 de modo a tornar possível a sua utilização na coordenação detalhada entre disciplinas de projeto distintas, mas não suficientemente elevado a ponto de atingir o LOD400; por outro lado, exclui o LOD500 por considerar se encontrar diretamente relacionado com a verificação após construção. Quadro 2 - Definição de LOD350 [Dados retirados de (BIMForum, 2015a)] LOD Definição LOD350 O Elemento é representado graficamente no Modelo como um sistema, objeto ou assemblagem específico em termos de quantidade, dimensão, forma, localização, orientação e encontro com os outros sistemas do edifício. Informação não-gráfica também poderá estar associada ao Elemento modelado. Em termos organizacionais, o documento divide-se em duas partes, sendo a Parte A referente à geometria dos elementos materializando o Nível de Detalhe enquanto a Parte B se centra na informação associada, definindo o Nível de Informação. Na parte A, encontra-se uma tabela na qual, para cada LOD, é listado um conjunto de referências sobre o nível de detalhe do respetivo elemento, bem como ilustrado o aspeto que o mesmo deverá apresentar. A Figura 5 exemplifica uma linha da matriz LOD da Parte A.
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 16 Figura 5 - Pavimento Estrutural assente em Treliças de Madeira, LOD350 [Retirado de (BIMForum, 2015b)] Por sua vez, na parte B encontram-se um grupo de tabelas, incluindo: a Tabela de Elementos do Modelo, na qual se encontram listados os sistemas e elementos presentes, e indicadas as tabelas cujo preenchimento se demonstra relevante para os mesmos, apresentando-se como componente estruturante do documento; além desta, incluem-se 31 tabelas de atributos, ao longo das quais se apresenta a informação que deverá ser preenchida para cada elemento e em cada LOD, contendo ainda informações relativas ao tipo de informação e respetivas unidades. Na Figura 6 apresentam-se excertos da Tabela de Elementos do Modelo e de uma das Tabelas de Atributos, no caso referindo-se a HVAC. Figura 6 - Tabela de Elementos e Tabela de Atributos HVAC [Retirado de (BIMForum, 2015a)] 2.4.3.3. NATSPEC – BIM Object/Element Matrix Fundada em 1975, a NATSPEC é uma organização sem fins lucrativos Australiana dinamizada por um conjunto de associações profissionais associada às indústrias de projeto, construção e imobiliário bem como grupos governamentais, cujo objetivo passa por potenciar a qualidade e produtividade do setor
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 17 AEC através da gestão de informação (NATSPEC, 2016). Com origem na crença que a informação digital, incluindo o Building Information Modelling, irão introduzir na indústria novos e melhorados métodos de projeto, surgiu a NATSPEC BIM, uma divisão responsável pela Normalização das Práticas para a Troca de Informação Digital dos Edifícios (NATSPEC, 2013a, NATSPEC, 2011b). Na procura de materializar aumentos de eficiência e qualidade, a NATSPEC criou uma série de documentos a que chamou National BIM Guide, e que utilizados em conjunto e de forma coordenada definem a forma como o BIM deve ser implementado num projeto (NATSPEC, 2013b). Entre outros documentos, o National BIM Guide inclui uma Matriz de Elementos BIM (BIM Object/Element Matrix) que, fruto da permanente aposta no suporte de sistemas globais por parte da NATSPEC (NATSPEC, 2013b), assume relevância no contexto do presente trabalho. A Matriz de elementos BIM consiste, à semelhança da Parte B do LOD Specification, num conjunto de tabelas com intuito de serem usadas na identificação e sequenciamento da informação BIM ao longo do ciclo de vida da obra (NATSPEC, 2011a). Do ponto de vista dos sistemas de classificação, as diversas tabelas encontram-se ordenadas segundo o Uniformat, por oposição à listagem de informação que se encontra referenciada segundo o Omniclass. Seguindo a lógica proposta pelo AIA (AIA, 2013b), são mantidos os mesmos 5 LODs originalmente expostos; a matriz inclui uma primeira aba na qual se definem os vários LODs, as informações genéricas correspondentes, bem como um código de cores no qual se agrupam as informações segundo os objetivos do projeto nos quais são necessárias e se referenciam as correspondentes tabelas do Omniclass e Uniformat. As restantes abas, apresentam os requisitos relativos a cada elemento ou sistema construtivo, sendo que cada uma inclui: uma imagem ilustrativa do elemento em causa; a informação necessária em cada um dos LODs, agrupada segundo o código de cores definido inicialmente; além de uma referência sobre a relação das informações com a variável IFC correspondente. A Figura 7 apresenta, a título de exemplo, um excerto da aba relativa ao elemento “Paredes Exteriores”. Figura 7 - Excerto da Aba relativa a Paredes Exteriores [Retirado de (NATSPEC, 2011a)]
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 18 2.4.3.4. NBS BIM Object Standard O National Building Specification é a fonte confiável de normalização, informação do produto, BIM e soluções práticas de gestão para o setor AEC no Reino Unido, sendo o seu sistema de normalização reconhecido como padrão no país (NBS, 2014). Ao longo dos últimos 40 anos o NBS tem apresentado um forte compromisso em oferecer aos profissionais da indústria da construção distintas e inovadoras especificações e soluções de informação (NBS, 2016a). A instituição, liderada pela RIBA Enterprises, aponta a falta de normalização transversal a toda a indústria relativa a objetos BIM como uma barreira ao sucesso da implementação BIM. Do mesmo modo, reconhece a importância do acesso livre, por parte dos intervenientes do setor AEC, a objetos BIM com a garantia que estes apresentam, juntamente com a geometria apropriada, corretos níveis de informação, organizados de forma consistente através de uma estrutura de fácil compreensão (NBS, 2014). Em sequência, consideram que a utilização da sua nova norma se tornará uma ferramenta chave para as empresas britânicas na procura de elevar o BIM a um nível superior, através da definição da constituição de um objeto BIM de elevada qualidade e proporcionando consistência no conteúdo e estrutura dos mesmos. O governo britânico tem desenvolvido esforços com vista à aceleração da implementação do BIM, através da sua Estratégia para a Construção descrita no documento estratégico “Construction 2025” (HM Government, 2013), incluindo a exigência de que a partir de 2016 todos os projetos públicos serão produzidos utilizando ferramentas colaborativas BIM. Desde a publicação deste documento incluem-se nas medidas implementadas procedimentos como: a criação de normalização para a gestão da informação dos projetos de construção, materializada pela publicação da PAS 1192-2; a disponibilização de ferramentas digitais para o planeamento dos trabalhos, permitida pelo RIBA Plan of Work 2013; ou a escolha do COBie (Construction Operations Building information exchange) como formato para a troca de informação, sendo que esta opção se deveu a duas razões imbuídas de pragmatismo, os baixos custos de implementação e a elevada compatibilidade com diretivas internacionais como são exemplo as ISO (NBS, 2014). Uma vez dado o início à implementação da estratégia produzida, aumenta o número de produtos gerados com auxílio de ferramentas BIM criando condições para uma revolução na forma como os utilizadores encaram a informação contido nos mesmos. Contudo, a normalização da informação assume relevância na estratégia britânica para a construção e para que esta revolução ocorra é necessário que os objetos contidos nesses produtos sejam normalizados, de forma a que possam ser eficientemente usados, facilmente comparados e acima de tudo interoperáveis (NBS, 2014). Em resposta à necessidade de uma base sólida comum que defina as características dos objetos tornando possível a integração da informação e o seu uso efetivo, o NBS criou a NBS BIM Object Standard, que apresenta como sendo uma “norma que define a informação, geometria, comportamento e apresentação dos objetos BIM para permitir consistência, eficiência e interoperabilidade em toda a Indústria da Construção” (NBS, 2014). Por oposição às normas do BIMForum (BIMForum, 2015a) e do NATSPEC (NATSPEC, 2011a), o NBS não enveredou pelo sistema de níveis de desenvolvimento do AIA, criando a sua própria estrutura através de Níveis de Definição (Level of Definitions). Apesar de pertencerem a estruturas distintas, os Níveis de Definição seguem uma lógica em tudo semelhante aos Níveis de Desenvolvimento, dividindose igualmente em Níveis de Detalhe e Níveis de Informação (Kell e Mordue2015); no entanto, ao contrário do sistema do AIA, em que a definição do LOD traduz os respetivos níveis de detalhe e informação, no caso do NBS não existe esta correlação, sendo os níveis prescritos de forma independente. Isto é, se na estrutura LOD do AIA, definindo um LOD### para um determinado
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 19 elemento este terá igualmente níveis de detalhe e informação de ###, no caso da estrutura do NBS isso não acontece, tornando possível que o nível de detalhe de um determinado elemento seja diferente do seu nível de informação. Quadro 3 - Definição dos Níveis de Informação [Dados retirados de (NBS, 2016b)] Nível Objetivo 2 Fornecer uma descrição genérica do resultado. 3 Fornecer a informação relevante para o cumprimento específico do resultado. Informação para a realização da entrega também pode ser fornecida em conjunto com a descrição. 4 Fornecer informação relevante para os produtos prévios específicos do resultado, permitindo a seleção adequada de produtos pelos fabricantes. Informação envolvendo o cumprimento e execução da entrega e os seus produtos prévios também podem ser fornecidos. 5 Fornecer informação relevante para os produtos prévios específicos do resultado, permitindo a aquisição. Informação envolvendo o cumprimento e execução da entrega e os seus produtos prévios também podem ser fornecidos. 6 Fornecer a informação específica para o resultado instalado que é requerida para a operação e manutenção. Informação envolvendo a manutenção detalhada também pode ser fornecida nos manuais PDF associados.
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 20 Quadro 4 - Definição dos Níveis de Detalhe [Dados retirados de (NBS, 2016b)] Nível Objetivo Requisitos 2 Fornecer indicação visual de propostas em fase de Conceção, identificando requisitos fundamentais como acessos, zonas de manutenção, etc. Representação gráfica do elemento, dimensionalmente imprecisa. 3 Fornecer a representação visual de propostas, confirmando brevemente a completa coordenação espacial em fase de Desenho Técnico, suportando a completa coordenação espacial. Informação visual que permita o desenvolvimento de princípios de projeto para um nível de detalhe superior. Elevada coordenação entre todas as profissões. Desenvolvimento visual mostrando coordenação para a dimensão geral e as relações primárias entre os diferentes elementos de construção. 4 Fornecer a representação visual de propostas em fase de Desenho Técnico, suportando a completa coordenação espacial. Informação visual que permita fixar princípios de projeto suportando a contratação. Elevada coordenação entre todas as especialidades. Representações visuais mostrando coordenação geral para a dimensão e relações entre os diferentes elementos de construção. Representação gráfica do sistema, dimensionalmente precisa, indicando as características primárias de rendimento. A informação gráfica representada pode alterar conforme a informação visual vai sendo produzida. Detalhes representativos ou de instalação produzidos separadamente ligados diretamente ao elemento modelado e construções adjacentes. 5 Ser atualizado durante o processo de construção para refletir o projeto final e constituir referência futura, surgindo acoplado aos manuais O&M. Informação visual que garanta total informação e suporte a construção / montagem. Elevada coordenação entre todas as especialidades. Representações visuais mostrando a coordenação final para a dimensão e relações entre os diferentes elementos de construção. Representação gráfica do sistema, dimensionalmente precisa, indicando as características primárias de rendimento e informação suficiente para sustentar a instalação. Detalhes representativos ou de instalação produzidos separadamente ligados diretamente ao elemento modelado e construções adjacentes.
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 21 Numa análise mais aprofundada, a NBS BIM Object Standard, é um documento escrito que define de maneira genérica e para qualquer objeto, os requisitos que devem ser tidos em consideração aquando da modelação ao nível da Informação, Geometria, Função e Meta-Informação (NBS, 2014). Porém, a informação relativa a cada elemento específico encontra-se disponibilizada numa outra ferramenta, igualmente da autoria do NBS, o NBS BIM Toolkit (NBS, 2016b), uma plataforma online na qual, recorrendo ao sistema de classificação do Uniclass, se definem para cada elemento os requisitos associados aos diversos níveis, quer de detalhe quer de informação. 2.4.4. SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO Um sistema de classificação de informação consiste numa estrutura de organização padronizada da qual advém benefícios como a facilidade na procura de informação, a simplicidade na compreensão e aplicação, o volume ilimitado de informação contido, além da referenciação e manutenção da informação (Chapman, I., 2013). A quantidade de informação gerada ao longo do ciclo de vida dos objetos de construção é vasta e, devido ao número de utilizadores envolvidos na sua criação, critérios como a organização, classificação, acessibilidade, melhoramento e partilha assumem particular importância. A adoção de ferramentas BIM vem acrescentar relevância à necessidade de existência de informação estruturada e devidamente classificada (Chapman, I., 2013). 2.4.4.1. ISO 12006-2 A International Organization for Standardization (ISO) como entidade independente, da qual fazem parte um conjunto de instituições responsáveis pela elaboração de normalização pertencentes a 162 estados, tem por método de trabalho a partilha de conhecimentos entre os diversos membros com vista ao desenvolvimento voluntário de bases consensuais de reconhecida relevância internacional que suportam a inovação (ISO, 2016). A estrutura da ISO desenvolve-se através das suas Comissões Técnicas e subsequentes Subcomissões, estando a ISO 12006 sob alçada da Subcomissão 13 para a Organização da Informação relacionada com Trabalhos de Construção incluída na ISO/TC 59 responsável pela Regulação dos Trabalhos de Construção e Engenharia Civil (ISO, 2015). Com origem no Relatório Técnico 14177 para a Classificação de Informação na Indústria da Construção de Julho de 1994 (Secretariat, O., 2006) e posteriormente definida como padrão em 2001, a norma ISO 12006 foi produzida numa época em que eram escassas as iniciativas no âmbito da normalização de sistemas de classificação para a construção (ISO, 2015). Por contraponto, ao longo dos últimos 15 anos foram várias as ações levadas a cabo neste campo (Gelder, J.E., 2015), pelo que a atual versão da ISO 12006-2, de Maio de 2015, beneficiou da experiência de implementação de diversos sistemas de classificação desenvolvidos por vários países com base na sua edição de 2001, bem como da inclusão de contributos de forma a acompanhar a evolução das tecnologias de informação e da contratação na construção (ISO, 2015). Entre os propósitos da atual edição da norma 12006 denota-se um claro enfoque no BIM, através da disponibilização de ferramentas para a consistente e completa classificação dos objetos de construção, ao longo do próprio projeto e entre diferentes projetos, com objetivo de uniformizar e facilitar a troca de informações de todos os tipos e ao longo de todas as fases do ciclo de vida da obra, inerentes à utilização desta metodologia (ISO, 2015).
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 22 Particularmente, a ISO 12006-2 define uma estrutura para os sistemas de classificação do setor da construção e identifica um conjunto de recomendações, nas quais se incluem tabelas e seus títulos com elevada abrangência sobre as variadas classes dos objetos de construção, agrupadas sobre determinados prismas de análise, por exemplo, forma ou função (ISO, 2015). No Quadro 5 encontram-se listadas os títulos das tabelas recomendadas pela ISO 12006-2:2015. Quadro 5 - Tabelas propostas pela ISO 12006-2:2015 [Retirado de (ISO, 2015)] # Título Organização A.1 Geral A.2 Informação da Construção Conteúdo A.3 Produtos de Construção Função, Forma, Material ou combinação A.4 Agentes de Construção Especialidade, Função ou combinação A.5 Auxiliares de Construção Função, Forma, Material ou combinação A.6 Gestão Atividade A.7 Processos Construtivos Atividade de construção, Fase no ciclo de vida da obra ou combinação A.8 Complexos Construtivos Forma, Função, Atividade do utilizador ou combinação A.9 Entidades Construtivas Forma, Função, Atividade do utilizador ou combinação A.10 Espaços Construídos Forma, Função, Atividade do utilizador ou combinação A.11 Elementos Construtivos Função, Forma, Posição ou combinação A.12 Resultados de Trabalho Atividade de trabalho e Recursos usados A.13 Propriedades Construtivas Tipo de propriedade De referir que a norma em causa não tem por finalidade fornecer um completo e operacional sistema de classificação, funcionando apenas como base a partir da qual as organizações desenvolvem os seus sistemas de classificação, podendo estabelecer o grau de detalhe adequado às exigências locais além da adaptação aos costumes do país; sendo certo que a partida de uma base comum facilita a congruência entre eles (ISO, 2015). 2.4.4.2. OMNICLASS Conhecido de forma generalizada por OmniClass ou OCCS, o OmniClass Construction Classification System é um sistema de classificação para a Indústria da Construção, passível de utilização em diversas finalidades, fornecendo uma estrutura de classificação para bases de dados eletrónicas (Secretariat, O., 2006). Com efeito, o OmniClass surgiu com a pretensão de estabelecer-se como base padronizada para a classificação de informação, criada e utilizada por toda a indústria AEC norte americana, atravessando
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 23 todo o ciclo de vida de um empreendimento e utilizada para a organização, ordenação, recuperação de informação e derivação entre aplicações (Secretariat, O., 2006). Deste modo, o OmniClass segue a estrutura definida na ISO 12006-2, materializando um sistema desenvolvido com base nos princípios definidos em 2000 no encontro inaugural do seu Comité de Desenvolvimento e publicado, na sua primeira versão, em 2006; importa referir que a sua atualização é garantida pelo processo de desenvolvimento contínuo que apresenta. Dos princípios estabelecidos salientam-se o caráter aberto e abrangente para o setor AEC, a participação da indústria no desenvolvimento e atualização do documento, o foco na terminologia e prática corrente norte americana além da compatibilidade com os respetivos sistemas-padrão de classificação internacionais (Secretariat, O., 2006). Contando com a incorporação de outros sistemas de referência, como o MasterFormat e o UniFormat, o OmniClass consiste na conjugação de 15 tabelas (ver Quadro 6), em que cada uma representa uma faceta diferente da informação na construção; note-se que cada tabela pode ser utilizada de forma independente para classificar um tipo específico de informação, podendo igualmente ser empregue pela combinação de componentes das diferentes tabelas de forma a classificar assuntos de maior complexidade (Secretariat, O., 2006). Quadro 6 - Tabelas integrantes do Omniclass [Retirado de (Secretariat, O.D.C., 2016)] # Conteúdo Data Tabela 11 Entidades Construtivas (por Função) 2013/02/26 Tabela 12 Entidades Construtivas (por Forma) 2012/10/30 Tabela 13 Espaços (por Função) 2012/05/16 Tabela 14 Espaços (por Forma) 2006/03/28 Tabela 21 Elementos (incluindo Elementos Desenhados) 2012/05/16 Tabela 22 Resultados de Trabalho 2013/08/25 Tabela 23 Produtos 2012/05/16 Tabela 31 Fases 2012/10/30 Tabela 32 Serviços 2012/05/16 Tabela 33 Especialidades 2012/10/30 Tabela 34 Funções Organizacionais 2012/10/30 Tabela 35 Ferramentas 2006/03/28 Tabela 36 Informação 2012/05/16 Tabela 41 Materiais 2012/10/30 Tabela 49 Propriedades 2012/10/30
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 30 No capítulo da nomenclatura, as entidades incluídas nas estruturas de dados seguem a convenção estabelecida pela buildingSMART (buildingSMART, 2015): Os nomes dos artigos de dados relativos a tipos, entidades, regras e funções iniciam-se pelo prefixo “ifc” e continuam com o termo inglês correspondente, escritos segundo a convenção CamelCase; Os nomes dos atributos incluídos nas entidades seguem igualmente a convenção CamelCase, mas sem qualquer prefixo; As definições de conjuntos de propriedades que surgem como parte do IFC4, iniciam-se com o prefixo “Pset_” e continuam com o termo inglês correspondente, escritos segundo a convenção CamelCase; As definições de conjuntos de quantidades que surgem como parte do IFC4, iniciam-se com o prefixo “Qto_” e continuam com o termo inglês correspondente, escritos segundo em convenção CamelCase; 2.4.5.3. Model View Definition Um Model View Definition, consiste num subconjunto da estrutura IFC necessário à concretização de um ou mais requisitos de partilha da indústria AEC (buildingSMART, 2016f). Por outras palavras, um MVD é estabelecido para suportar um ou mais fluxos de trabalho reconhecidos pela indústria da construção e gestão de edifícios, fluxos esses identificando os requisitos de partilha de dados associados. (buildingSMART, 2015). Também referido como IFC View Definition, um MVD atua como ferramenta legal na definição de um subconjunto da estrutura IFC fornecendo orientação e acordos na implementação dos seus conceitos, representando desta forma a especificação dos requisitos do software na implementação da ligação com o IFC com vista à satisfação dos requisitos de partilha (Graphisoft, 2016). O Addendum 1 do IFC4, define uma estrutura de dados, em linguagem EXPRESS e alternativamente em XML e dados referenciados, representados como definições de propriedade e quantidade XML. Como tal, para garantir um correto subconjunto da estrutura de dados é necessária a aplicação de um software adequado, esse subconjunto consiste no MVD oficial cuja publicação é da responsabilidade da buildingSMART International relativa à norma dos requisitos de partilha (buildingSMART, 2015). Deste modo paralelamente ao desenvolvimento da versão 4 do IFC, a buildingSMART disponibiliza atualmente dois modelos oficiais de MVD, o IFC4 Reference View e o IFC4 Design Transfer View (buildingSMART, 2016e). O primeiro caso identifica todos os fluxos de trabalho relacionados em modelos de referência onde a partilha de informação é maioritariamente unidirecional; neste caso as modificações dos dados BIM requeridas, são garantidas por uma solicitação ao autor original e as alterações não efetuadas nos modelos IFC importados são devolvidas à fonte original. Nesta definição incluem-se, entre outros, fluxos como Coordenação de Planeamento, Deteção de incompatibilidades, Extração de quantidades, Sequenciamento e Apresentação visual (buildingSMART, 2016c). Por sua vez, o segundo caso aponta todos os fluxos de trabalho associados a modelos incluídos no desenvolvimento de fluxos subsequentes, permitindo alterações ao seu conteúdo, suportando a edição de elementos interligados, como inserir, eliminar, mover e modificar elementos e espaços físicos do edifício. Fluxos de trabalho como Coordenação de planeamento e execução, Referenciação integrada, Entrega dos modelos completos de especialidade, Suporte aprimorado do IFC4 Design Transfer View, entre outros, incluem-se nesta definição (buildingSMART, 2016b).
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 31 2.5. METODOLOGIAS DE IMPLEMENTAÇÃO Ao longo dos últimos anos, vários autores vêm estudando as diferentes formas de implementação do BIM em diversas escalas (Bilal, S., 2010) no entanto, estas raramente transcendem o nível das iniciativas nacionais, nomeadamente ao nível de mercados multinacionais ou globais (Kassem, M. [et al.], 2013). O estudo de Succar e Kassem (Succar e Kassem, 2015) reuniu as principais conclusões dos relatórios da indústria e estudos académicos existentes, com base nas quais definem uma estrutura conceptual englobando os principais modelos de adoção da metodologia BIM. Deste modo, a adoção do BIM pode ser analisada segundo cinco principais prismas (ver Figura 10): Áreas de Difusão, Componentes de Maturidade, Dinâmicas de Difusão, Ações Políticas e Responsabilidades de Difusão (Succar e Kassem, 2015). Figura 10 - Modelos de Adoção da Metodologia BIM [Adapatado de (Succar e Kassem, 2015)] No contexto do presente trabalho, interessa sobretudo conhecer as dinâmicas de difusão possíveis, a fim de perceber qual a que se apresenta mais favorável ao desenvolvimento de iniciativas BIM, particularmente no que concerne ao seu início; esta análise vai de encontro à teoria de Geroski (Geroski, P.A., 2000) na qual se depreende que o principal problema não se prende com a compreensão dos processos de difusão, mas sim com a forma como são despoletados. Assim, debater-se-á sobre o Modelo C de Succar e Kassem relativo às dinâmicas de difusão, representado na Figura 11. Numa análise macro, existem três tipos de dinâmicas de difusão: Top-Down, na qual uma instituição governamental ou reguladora exerce o papel de dinamizador; Middle-Out, onde a dinamização é efetuada por grandes organizações ou associações industriais; ou Bottom-Up estando a dinamização a cargo de pequenas organizações (Succar e Kassem, 2015). Dentro dos três tipos referidos, as dinâmicas de difusão podem ainda ser divididas de acordo com o tipo de abordagem: horizontal, se têm por alvo organizações semelhantes; verticais, se pretendem alcançar organizações de nível distinto na cadeia de processos. Ao longo da presente dissertação foram já citados diversos casos de iniciativas de foro governamental que materializam abordagens do tipo Top-Down, como são exemplo as políticas de fomento à utilização do BIM aplicadas no Reino Unido ou Singapura. Foram igualmente descritas iniciativas Bottom-Up ou Middle-Out como os casos da LOD Specification do BIMForum USA e do National BIM Guide do NATSPEC.
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 32 Figura 11 - Dinâmicas de Difusão BIM [Retirado de (Succar e Kassem, 2015)] Apesar da existência de variados exemplos de sucesso recorrendo a qualquer uma das abordagens listadas, a abordagem Top-Down por parte de instituições governamentais é aquela que se traduz numa maior agilização do processo de desenvolvimento e implementação do BIM, como constatado no relatório da McGraw Hill sobre o valor do BIM nos principais mercados globais (McGraw Hill C., 2014). No entanto, independentemente da abordagem escolhida, Smith (Smith, P., 2014) aponta a coordenação nacional como o fator crítico ao sucesso das iniciativas BIM, conduzindo à canalização de esforços e evitando as adversidades resultantes das descoordenadas iniciativas individuais.
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 33 2.6. SÍNTESE O presente capítulo materializa a base de todo o trabalho desenvolvido. Consequentemente, o leitor deve reter primeiramente os conceitos fundamentais relacionados com o BIM, entre os quais: BIM representa uma metodologia e não apenas um tipo de software; e, BIM não se refere simplesmente ao CAD 3D, englobando um conjunto elevado de finalidades. Além dos conceitos relativos à metodologia, elucidase o contexto atual da metodologia, com aumentos de utilização e reconhecimento estratégico por parte de entidades privadas e governamentais. Em seguida, realça-se o papel de vulto da interoperabilidade na plena utilização da metodologia, nomeadamente na sua índole comunicativa e colaborativa; deste aspeto salienta-se a importância da criação de mecanismos que garantam a possibilidade de utilização do BIM por parte de intervenientes cujo conhecimento da área é marcadamente distinto. Na procura da concretização da interoperabilidade do BIM, a normalização assume-se como meio essencial, estabelecendo regras comuns e conferindo uniformidade. Com efeito, não é possível aflorar este tema sem entender o conceito de BIM Execution Plan como principal ferramenta de definição de exigências e responsabilidades no âmbito de projetos BIM. No entanto a materialização destes planos no que concerne à modelação de objetos requer a utilização de outras valências, nomeadamente de standards produzidos para o efeito e organizados segundo sistemas de classificação transversais a todo o setor, dotando-os de transparência, coerência e aplicabilidade. Por fim, abordam-se as diferentes metodologias de abordagem à implementação do BIM. Em suma, a leitura do capítulo que agora se encerra fornece ao leitor os conhecimentos necessários à compreensão dos desenvolvimentos apresentados nas páginas seguintes, enquadrando os temas abordados no contexto da atual realidade, tanto nacional como internacional.
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 34
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 35 3 Matriz de Definição BIM PT Concluído o levantamento do estado-da-arte, são conhecidas todas as informações necessárias à apresentação e compreensão da proposta de normalização de objetos BIM que corporiza o produto final da presente dissertação. Assim, o capítulo corrente inicia-se com um comentário à normalização existente, a fim de reconhecer as suas vantagens e desvantagens, de forma a potenciar as primeiras e contornar as derradeiras. Seguidamente, procede-se à exposição da intitulada Matriz de Definição BIM PT: descrevendo a sua estrutura e funcionamento genéricos, e apresentando o modo como se utilizam os contributos resultantes da análise efetuada aos métodos alternativos. Além do já referido, incluem-se neste capítulo justificações sobre as opções tomadas, nomeadamente na proposta do sistema de classificação a utilizar. Por fim, procede-se à descrição detalhada do funcionamento e definição da ferramenta proposta. 3.1. COMENTÁRIO À NORMALIZAÇÃO EXISTENTE Em capítulo devido (ver 2.4.3.) foram apresentados e escrutinados três exemplos de documentos e/ou ferramentas cuja finalidade passa por garantir a correta modelação dos objetos BIM, seja ela ao nível geométrico ou de informação. As normas supracitadas, originárias de três países distintos e com diferentes costumes, apresentam igualmente diferentes abordagens à normalização de objetos BIM: desde logo a LOD Specification 2015 do BIMForum USA patenteia uma maior primazia para com a representação geométrica relativamente à meta informação; por oposição, a BIM Object/Element Matrix do NATSPEC apresenta maior desenvolvimento na informação associada em detrimento das características geométricas do elemento; finalmente, o NBS BIM Toolkit prima pela uniformidade, apresentando idênticos níveis de desenvolvimento entre os dois capítulos de análise, sendo que nunca atinge o aprimoramento da melhor componente dos anteriores. No entanto, independentemente das diferentes posturas adotadas, as três ferramentas comungam dos principais benefícios e limitações advindos de uma iniciativa deste género. No capítulo dos benefícios, qualquer destas normas: possibilita a descrição transparente dos conteúdos a incluir no modelo e a definição dos níveis de desenvolvimento dos elementos em cada etapa do processo; garante, a jusante, a fiabilidade da informação produzida a montante; e materializa uma base sólida, passível de referência como padrão em contratos ou BEPs. Estes benefícios contribuem para aumentos de eficiência e qualidade no setor AEC, permitindo a elevação do BIM a um nível superior.
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 36 Do ponto de vista das limitações, estas são igualmente transversais aos três documentos referidos e sintetizam-se nas três que se apresentam: processo extensivo e moroso, exigência de conhecimentos aprofundados por parte dos utilizadores e, por fim, modelação excessiva. Por modelação excessiva entenda-se a dedicação de esforço e tempo na modelação dos elementos, dotando-os de níveis de desenvolvimento, geométrico e de informação, superiores aos necessários ao completo cumprimento dos objetivos delineados para o modelo. Assim, a definição das características pretendidas para o modelo, por parte do utilizador das normas referidas, apresenta-se um processo extensivo e traduz-se em dispêndios de tempo elevados fruto do alto número de elementos a analisar e interpretar em função do seu papel na obra em causa; por exemplo, a BIMForum LOD Specification 2015 define uma listagem total de 145 elementos ou objetos BIM que, aquando do estabelecimento de exigências de modelação exigem análise individual de forma a estabelecer o LOD pretendido em cada caso, apresentando-se uma tarefa exaustiva. Por outro lado, o carácter extensivo da metodologia adotada pelas referidas normas traduz-se na exigência de conhecimentos aprofundados por parte do utilizador, quer ao nível técnico quer ao nível da tecnologia BIM. Este aspeto revela-se através da diversidade de áreas de especialidade presentes (por exemplo: Estruturas, Arquitetura, MEP, etc.), bem como pelos diferentes níveis de análise, onde um mesmo elemento pode necessitar de subdivisões (novo nível de análise) em função das exigências de modelação, geométricas ou de informação, associadas. Finalmente, a índole cumulativa das estruturas associadas aos documentos estudados, traduz-se frequentemente em modelação excessiva e consequentemente em modelos pesados, exigindo melhores características de hardware e dificultando a sua utilização. A limitação referida é facilmente entendível através da análise da Figura 12 onde, colocando-se no papel de utilizador e recorrendo à BIM Object/Element Matrix do NATSPEC, se pretendem definir as exigências associadas ao elemento “Janela” para um modelo que será utilizado em análise acústica, do qual se pretendem conhecer os parâmetros “Acoustic Impedance” e “Sound Transmission”. Pesquisando na tabela “B2020 Window”, relativa ao elemento em causa, denota-se que os parâmetros pretendidos se encontram ao nível do LOD300; assim, o utilizador deverá exigir que a janela referida seja modelada com um LOD300. No entanto, uma vez exigida a modelação segundo o LOD300 o executante terá de cumprir não só as exigências desse nível como de todos os níveis que o precedem, Objetivo: Análise Acústica Elemento: Janela Parâmetros: Acoustic Impedance Sound Transmission LOD300 LOD100 LOD200 LOD300 Parâmetros: [Schedule] Overall Duration Time Sequence [Energy Analysis] R-Value U-Value [Occupant Safety] Fire Resistance Occupancy/Capacity Figura 12 - Exemplo de modelação excessiva devida ao carácter cumulativo das definições.
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 37 conduzindo à modelação excessiva do elemento, nomeadamente no capítulo da informação associada e referente a objetivos não pretendidos para o modelo, como são casos o planeamento e a análise energética. 3.2. ESTRUTURA Na procura da definição dos princípios estruturantes da Matriz de Definição BIM PT pretende-se responder aos objetivos propostos, utilizando simultaneamente os conhecimentos apreendidos na análise da normalização existente, potenciando as suas vantagens e contrariando as suas limitações. Deste modo, pretende-se que o sistema aqui proposto defina, para cada etapa, o nível de desenvolvimento de cada objeto, além de relacionar esses níveis com a utilização última prevista para o modelo. Assim, e tendo em consideração que o presente trabalho se insere numa perspetiva de simplificar a utilização do BIM por todos os intervenientes do setor AEC, deseja-se criar um mecanismo de simples aplicação por parte de qualquer destas entidades, sem que para tal seja indispensável um aprofundado conhecimento sobre a metodologia BIM. Com efeito, a estrutura que servirá de base ao desenvolvimento da Matriz de Definição BIM PT, e que se encontra apresentada na Figura 13, consiste num processo dividido em três etapas: inicialmente a caracterização do modelo por parte do utilizador, indicando a fase do ciclo de vida da obra e os objetivos em que o mesmo será utilizado; desencadeando posteriormente, em ambiente de BackOffice, um conjunto de procedimentos que definirão, em função dos requisitos estabelecidos, as exigências inerentes à produção de um modelo nessas condições; originando, por fim, um documento estruturado, segundo um sistema de classificação internacional, preparado para impressão, contendo as características geométricas adequadas à fase do ciclo de vida do projeto e a informação inerente aos objetivos em que o modelo será utilizado. A estrutura proposta contorna as limitações das normas internacionais estudadas, e descritas em 3.1., na medida em que afastam do utilizador as complexidades inerentes ao processo de seleção de elementos, definição de níveis de desenvolvimento, e conhecimento da metodologia. Este afastamento é conseguido, reduzindo o papel do requerente ao nível estritamente necessário, através da transposição dessa complexidade para as funções do desenvolvedor. A transposição descrita permite igualmente reduzir o tempo despendido pelo requerente na produção do documento. Figura 13 - Esquema da Estrutura da Matriz de Definição BIM PT. Caracterização do Modelo Fase do Ciclo de Vida Objetivos do Modelo Documento Estruturado e pronto para impressão; Modelação adequada à fase do projeto; Informação necessária aos objetivos definidos. Sistema de Classificação
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 38 Por sua vez, a adoção de um sistema de classificação internacional ao longo de todo o processo permite trabalhar sobre uma base sólida, de maturidade e estabilidade comprovadas, além de conferir, num contexto de cooperação global empresarial, abertura, validade e possibilidade de utilização internacional. Salienta-se ainda que a opção por um determinado sistema de classificação não invalida a utilização da metodologia proposta à luz de outros sistemas, uma vez que este opera apenas como estruturador da informação recolhida, pelo que a alteração para diferentes sistemas de classificação exigirá apenas o estabelecimento de correspondências entre os mesmos. Importa referir que o desenvolvimento do sistema que gera a especificação será efetuado com o contributo de projetistas de diversas áreas cujas indicações serão utilizadas na produção de tabelas com função de base de dados, que englobarão as características geométricas e de informação relativas a um elevado número de elementos, agrupadas com base nos objetivos do modelo; além de permitirem o estabelecimento de relações entre os níveis de desenvolvimento dos elementos e as diferentes fases do ciclo de vida e objetivos do modelo de forma a garantir uma adequada ligação entre os diferentes inputs e outputs, garantindo a completa congruência com as práticas correntes do setor. 3.3. SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO Após análise e descrição dos principais sistemas utilizados pelo setor AEC bem como da normalização associada efetuada em 2.4.4., é necessário proceder à sua comparação com intuito de selecionar aquele que melhor se adequa ao contexto do presente trabalho. Nos objetivos propostos para o produto final desta dissertação (ver 1.3.), tecem-se referências sobre o sistema de classificação a adotar, nomeadamente que deverá ser um sistema de classificação internacional com maturidade e estabilidade comprovadas além de se apresentar compatível com a realidade portuguesa. Quadro 8 - Vantagens e Desvantagens do OmniClass Vantagens Desvantagens Definido segundo ISO 12006-2. Passível de utilização ao longo de todo o ciclo de vida da obra. Abertura e Abrangência. Atualização permanente, garantida pelo processo de desenvolvimento contínuo. Desenvolvido em colaboração com a Indústria AEC. Sistema de numeração lógico; flexível para permitir acréscimos. Apresentação de diferentes prismas de classificação de conteúdo. Compatibilidade com sistemas-padrão de classificação internacionais. Incorporação do MasterFormat e UniFormat. Foco na terminologia e prática corrente americana. Número de níveis de análise variáveis. Sistema de numeração inconsistente ao longo das diferentes tabelas Falta de correspondência direta com as tabelas propostas na ISO 12006-2.
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 39 Ao longo do capítulo respetivo, já foi referida a origem comum entre o OmniClass e o Uniclass como aplicação aos seus países das recomendações gerais descritas na ISO 12006-2, respetivamente, Estados Unidos da América e Reino Unido. No entanto, as semelhanças entre os dois sistemas ultrapassam a partilha da base que os define, ambos apresentam em comum o carácter transversal, permitindo a aplicação ao longo de todo o ciclo de vida dos empreendimentos; a abertura e abrangência a toda a envolvente aos procedimentos de construção; a aplicabilidade garantida pelo desenvolvimento colaborativo com os intervenientes na indústria AEC; e ainda a permanente atualização, conferida por processos de desenvolvimento contínuo. Quadro 9 - Vantagens e Desvantagens do Uniclass2015 Vantagens Desvantagens Definido segundo ISO 12006-2. Recomendado pela BS 1192. Passível de utilização ao longo de todo o ciclo de vida da obra. Abertura e Abrangência. Atualização permanente, garantida pelo NBS. Desenvolvido em colaboração com a Indústria AEC. Sistema de numeração lógico; flexível para permitir acréscimos; consistente ao longo das tabelas. Versão melhorada do sistema original para adaptação ao BIM. Tabelas hierarquicamente definidas; maturação progressiva da informação. Níveis de análise constantes. Base de dados de sinónimos, atribuindo coerência com a terminologia corrente. Correspondência direta com as tabelas propostas na ISO 12006-2. Não estabelece compatibilidades com outros sistemas de classificação. Menor número de tabelas; apenas um prisma de classificação de conteúdo. No que concerne às diferenças, estas iniciam-se na definição dos sistemas de numeração, que apesar de comungarem da lógica e flexibilidade que permite futuros acréscimos, diferem na consistência e transversalidade ao longo das diferentes tabelas, patente ao Uniclass, mas não considerada pelo Omniclass. Prosseguindo, enquanto que o sistema norte-americano relevou a compatibilidade para com outros sistemas de classificação internacionais, inclusive apreendendo contributos de MasterFormat e Uniformat, as mesmas preocupações não foram tidas em conta na elaboração do sistema britânico.
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 46 Planeamento de Segurança Utilização do Modelo no aumento de eficiência na reação a ameaças bem como na minimização dos riscos de segurança. Documentação Representação precisa das características físicas, da envolvente e do património de um edifício. Pré-fabricação Reunião da informação necessária para facilitar a execução de materiais ou elementos de construção. Extração de Quantidades Geração de quantidades precisas ao longo do ciclo de vida da obra. Orçamentação Produção de orçamentos ao longo do ciclo de vida da obra. Planeamento (4D) Utilização de Modelos BIM 4D no planeamento efetivo da obra. Projeto de Sistemas Construtivos e Simulação Projeto, análise, planeamento e simulação da construção de Sistemas Construtivos complexos. Gestão de Obras Representação gráfica de instalações presentes, com carácter permanente ou temporário, no estaleiro. Gestão Espacial e Rastreio Distribuição, gestão e localização de espaços apropriados e respetivos recursos de um edifício. Monitorização de Sistemas Construtivos Medição do desempenho do edifício comparativamente ao previsto no projeto. Gestão de Edifícios Manutenção, ao longo do ciclo de vida da obra, dos elementos constituintes do edifício. No entanto, a definição de objetivos não foi materializada por aplicação direta dos conceitos enumerados no referido documento, esta divergência deveu-se à análise crítica aprofundada sobre a coerência com a realidade e costumes do setor AEC em Portugal. Desta forma, os conceitos definidos pela Penn State University foram comparados à luz da legislação portuguesa, particularmente com as exigências legais expressas na Portaria nº 113/2015 (DR, 2015) no âmbito do Regulamento Geral das Edificações Urbanas, na qual se definem os elementos requeridos no licenciamento de novos projetos de edificação. Além da comparação com a legislação nacional, foram efetuadas alterações com vista à atribuição de maior conformidade para com as práticas correntes portuguesas. Com efeito, optou-se pela eliminação do Asset Management, conjugando-o com os conceitos de Building (Preventive) Maintenance Scheduling e Record Modelling, originando Gestão de Edifícios e Documentação, respetivamente. Por oposição, dividiu-se o capítulo Cost Estimation (Quantity Take-off) em dois capítulos distintos, Extração de Quantidades e Orçamentação. Por fim, procedeu-se à introdução de dois subcapítulos incluídos em Análise para fins de Engenharia, correspondentes a Análise Acústica e Instalações, em resposta aos projetos requeridos no licenciamento de projetos em Portugal.
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 47 3.5. MATRIZ DE NÍVEIS DE DESENVOLVIMENTO Concluída a definição das características associadas ao modelo, quer através da sua contextualização no ciclo de vida do empreendimento quer pela descrição dos objetivos pretendidos para o modelo, conhecem-se todos os parâmetros determinantes na caracterização geométrica e não geométrica dos elementos a modelar. Deste modo, é possível proceder à descrição da Matriz de Nível de Desenvolvimento que corporiza a especificação da Matriz de Definição BIM PT. O componente em estudo neste capítulo consiste, em termos genéricos, na compilação de todos os elementos a incluir no modelo BIM, apresentando simultaneamente a classificação segundo o Uniclass2015, as exigências de modelação geométrica inerentes e a informação associada. Assim, a listagem dos elementos a modelar é definida de acordo com os objetivos pretendidos para o modelo, e identificada recorrendo à classificação do Uniclass2015 através do código e nome respetivos; para cada um dos elementos selecionados procede-se à apresentação de dois capítulos, o nível de detalhe e o nível de informação. Figura 16 - Exemplo da Matriz de Níveis de Desenvolvimento da Matriz de Definição BIM PT. O nível de detalhe é definido com base na fase do ciclo de vida e nos objetivos pretendidos para o objeto de estudo, definida pelo requerente aquando da caracterização, e contém uma descrição genérica das características geométricas com que o elemento deve ser modelado, uma imagem exemplificativa do resultado pretendido, referências geométricas específicas do elemento, bem como eventuais notas relacionadas com a imagem cuja explanação se considere pertinente. Por sua vez, o conteúdo da secção relativa ao nível de informação é determinado maioritariamente pelos objetivos pretendidos para o modelo, ainda que sempre considerando a fase do ciclo de vida associada. Esta divisão é composta por uma tabela organizada em quatro colunas nas quais se definem: os artigos de informação requeridos para o elemento; as unidades em que o mesmo deve ser apresentado; a categoria de informação a que pertence, sendo que esta se encontra intimamente ligada aos objetivos selecionados; e, por fim, a indicação da propriedade na qual deverá ser alojada, sempre que possível
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 48 segundo o IFC. Este último aspeto assume particular relevância na medida em que permite a validação da Matriz segundo o principal standard de interoperabilidade internacional, garantindo a possibilidade de utilização da ferramenta por qualquer profissional independentemente do software adotado. 3.6. DESCRIÇÃO TÉCNICA Ao longo do presente capítulo vêm sendo descritos os diversos componentes da Matriz de Definição BIM PT, elucidando o leitor sobre as suas características, desígnios e aplicações. Com efeito, pretendese nesta fase descrever a forma como o funcionamento de toda a ferramenta se encontra suportado, garantindo a completa harmonia entre todos esses componentes. Assim, do ponto de vista da plataforma de desenvolvimento, a Matriz de Definição BIM PT consiste numa folha de cálculo automático sustentada pelo Microsoft Office Excel 2016, programada com recurso a Macros construídas em linguagem Visual Basic for Applications. Por sua vez, analisando a ótica do utilizador a ferramenta apresenta um painel de comandos, transversal a todas as abas, através do qual se pode aceder automaticamente às páginas anterior, seguinte e inicial, bem como proceder à impressão ou criação de um ficheiro em formato PDF, guardando a informação contida na página em questão. Figura 17 - Excerto da aba relativa à Caracterização do Modelo da Matriz de Definição BIM PT. No que concerne ao funcionamento, a ferramenta inicia-se na aba relativa à caracterização do modelo que se encontra dividida em duas secções distintas correspondentes, como referido em 3.4., às fases do ciclo de vida de empreendimentos e aos objetivos pretendidos para modelos BIM. Para tal, recorre-se a um conjunto de checkboxes através das quais o utilizador refere as suas pretensões para o modelo. Nesta página, com carácter inicial, e única em que é requerida a participação do usuário, o painel de controlo dispõe de um comando suplementar e que se apresenta chave ao exercício de toda a Matriz de Definição BIM PT denominado “Gerar Especificação”.
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 49 Uma vez premido, o referido botão marca o arranque de uma macro que reconhece os valores das checkboxes e os utiliza na formação, em linguagem binária, de códigos de identificação relativos aos diversos elementos da aba “Especificação”, nomeadamente a linhas e figuras, a fim de selecionar aqueles que correspondem aos requisitos definidos previamente pelo utilizador e ocultar os restantes. Concluída a seleção dos conteúdos a apresentar, executa-se a passagem à aba de “Especificação”, na qual se encontram os elementos filtrados, organizados e formatados para impressão. Nesta aba, o botão “Gerar Especificação” do painel de comandos surge substituído por um outro, denominado “Limpar Especificação” que permite a limpeza e reiniciação de todo processo, encaminhando o utilizador novamente para a aba de “Caracterização”. De referir que, ao contrário do que acontece nas restantes, os comandos “Impressão” e “Guardar” da aba “Especificação” não se referem somente à própria aba, mas sim ao documento final que materializa a versão final da Matriz de Definição BIM PT, o qual inclui capa, caracterização e especificação. Figura 18 - Processo de geração da Matriz de Definição BIM PT. Importa salientar que, mesmo iniciando-se na aba de caracterização, a ferramenta em estudo apresenta duas abas anteriores que funcionam como introdução à utilização do mecanismo. Estas abas consistem na “Introdução”, onde se procede à apresentação, contextualização e creditação do documento, e no “Suporte” onde se apresenta um conjunto de informações que auxiliam na compreensão da matriz, incluindo definições, explicações e apresentação de códigos de cores. 3.7. SÍNTESE No final deste capítulo importa reter os principais benefícios e limitações das normas alvo de análise no capítulo anterior, a fim de auxiliar a compreensão da proposta apresentada e das opções tomadas, na procura de absorver as vantagens dos exemplos existentes e mitigar as suas desvantagens. De seguida, perceber que a estrutura que serve de base a todo o desenvolvimento da Matriz de Definição BIM PT surge na sequência da preocupação de simplificação do papel do requerente, exigindo-lhe apenas a caracterização do modelo através da classificação da fase do ciclo de vida do empreendimento e dos objetivos últimos de utilização do modelo, informações através das quais se produz o documento estruturado que corporiza o resultado final desta ferramenta. Importa ainda reter, previamente às componentes que integram a caracterização do modelo, a pertinência da adoção de um sistema de classificação internacional com reconhecida maturidade e estabilidade, bem
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 50 como a justificação da proposta do Uniclass2015 no contexto do presente trabalho, enfatizada em muito pela similaridade à atual realidade portuguesa. Posteriormente salienta-se a definição do ciclo de vida dos empreendimentos no contexto da aplicação ao BIM, estabelecendo relação direta com a legislação portuguesa, e ainda os objetivos para modelos BIM em consonância com as propostas da Penn State University para a buildingSMART. Similarmente ressalta-se a descrição dos diversos componentes da Matriz de Níveis de Desenvolvimento que concretiza a especificação em causa, estabelecendo as características de modelação exigidas, a nível geométrico e de informação. Por último, o presente capítulo permitiu ao leitor tomar contacto com as características técnicas de funcionamento da ferramenta, além do confronto com as particularidades programáticas da mesma. No capítulo seguinte abordar-se-á o assunto da colaboração, refletindo sobre a sua importância e pertinência, assim como a forma como esta foi encarada no âmbito da corrente dissertação.
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 51 4 Desenvolvimento Colaborativo No capítulo anterior apresentou-se a Matriz de Definição BIM PT, como proposta de standard para especificação das exigências (geométricas e de informação) associadas aos modelos BIM. No entanto, o sucesso da realização de um trabalho deste tipo necessita, não apenas da construção de uma base científica sólida, como também de aceitação por parte da comunidade técnica afeta ao setor AEC. Assim sendo, ao longo do capítulo corrente descrever-se-á a forma como se encarou o desenvolvimento da Matriz de Definição BIM PT da perspetiva da colaboração com profissionais das diversas vertentes envolvidas no ciclo de vida de edifícios, a fim de garantir coerência e aplicabilidade perante a atual realidade da indústria da construção. De referir que todo o processo a seguir descrito foi efetuado em estreita colaboração com a Subcomissão 4 da Comissão Técnica 197. 4.1. IMPORTÂNCIA, CONSTITUIÇÃO E PLANEAMENTO A Matriz de Definição BIM PT, descrita no capítulo 3, surge como instrumento para a descrição transparente de conteúdos BIM, através da definição dos níveis de desenvolvimento dos elementos ao longo das diversas fases do ciclo de vida do empreendimento, procurando materializar uma base sólida passível de utilização por toda a indústria AEC e referida em planos de execução BIM. Com efeito, o seu desenvolvimento deve necessariamente assentar numa base científica sólida que garanta a coerência e fiabilidade necessárias à sua utilização, mas, complementarmente, é necessário garantir harmonia com a componente técnica e prática, bem como a completa correspondência com os costumes e necessidades correntes da indústria nacional. Assim sendo, com intuito de munir o presente trabalho de completa aplicabilidade e adequabilidade às especificidades do setor no panorama nacional, optou-se pelo desenvolvimento da ferramenta em colaboração com profissionais do setor. Propondo, assim, que a produção da Matriz de Definição BIM PT seja efetuada de forma faseada, isto é, após conclusão de cada etapa, o documento será divulgado em versão provisória para comentário e discussão pública de forma a que a sua publicação definitiva absorva sugestões dos vários intervenientes no processo; num procedimento semelhante ao que se verifica com a LOD Specification do BIMForum (BIMForum, 2015a). Para tal, a CT197 reuniu uma lista extensiva de pessoas e entidades das mais diversas áreas abrangidas pela construção e operação de edifícios no panorama nacional, às quais remeteu o desafio de contribuírem para o esforço nacional de criação de normalização com vista à educação do setor, potenciando uma abordagem racional e economicamente eficiente perante o BIM de forma a maximizar o retorno do investimento efetuado na sua implementação.
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 52 Esta iniciativa, dinamizada pela SC4, teve por objetivo a constituição de um grupo consultivo vasto, alcançando a representatividade das várias especialidades envolvidas no processo de desenvolvimento de empreendimentos, até aí inexistente nos membros de plenário da CT197. As áreas de atuação eleitas incluíram: Arquitetura, Engenharia, Gestão de edifícios, Empresas de construção civil, Fabricantes e Fornecedores de materiais, Promoção imobiliária, Fornecedores de software, Entidades licenciadoras, Universidades, Institutos, e ainda Estudantes e Investigadores. Assim, a produção do presente trabalhou beneficiou do esforço realizado pela CT197 na reunião de um conjunto suficientemente alargado de voluntários, que se disponibilizaram a oferecer o seu contributo e transmitir os seus conhecimentos, corporizando representatividade e conferindo validade estatística ao trabalho desenvolvido. Note-se que, ao longo de todo processo, existiu preocupação permanente por parte da CT197 em garantir completa abertura à participação pública. Numa primeira fase procedeu-se à convocatória, via correio eletrónico, para uma sessão de esclarecimento presencial, do tipo Focus Group; na qual a apresentação do projeto descrita em 4.2. e o inquérito a projetistas alvo de análise no subcapítulo 4.3., foram parte integrante da ordem de trabalhos. De referir que, fruto das manifestações de interesse numericamente idênticas entre as regiões Norte e Sul do país, se enveredou pela realização de duas sessões nas cidades de Lisboa e Porto, respetivamente. 4.2. APRESENTAÇÃO DO PROJETO Tal como previamente referido, um dos principais pontos da ordem de trabalhos da sessão de esclarecimento passava pela apresentação da estrutura da Matriz de Definição BIM PT aos profissionais do setor, com intuito de perceber o grau de aceitação por parte dos mesmos e conhecer as suas opiniões sobre possíveis alterações que considerassem necessárias. Com efeito, a exposição da Matriz de Definição BIM PT, teve por base um documento ilustrativo (ver Anexos), disponibilizado previamente, aquando da convocatória. Assim, a apresentação iniciou-se por uma contextualização do trabalho na atual conjetura da metodologia BIM e na sua relevância no âmbito da interoperabilidade, além do seu enquadramento nos objetivos e ordem de trabalhos definidos pela subcomissão. De seguida considerou-se pertinente apresentar aos envolvidos as principais iniciativas internacionais de cariz semelhante a fim de revelar a sua estruturação, além dos benefícios e limitações da sua utilização, como suporte à tomada de decisão relativamente à matriz proposta. Para tal foram abordados os exemplos de: Estrutura LOD do AIA (AIA, 2013b), LOD Specification do BIMForum USA (BIMForum, 2015a), BIM Object Element/Matrix do NATSPEC (NATSPEC, 2011a) e BIM Object Standard do NBS (NBS, 2014). Uma vez efetuadas a contextualização e a análise das principais iniciativas semelhantes, procedeu-se à apresentação e explicação da proposta de especificação, materializada pela Matriz de Definição BIM PT. Esta exposição baseou-se numa lógica semelhante à utilizada no capítulo 3, referindo-se à estrutura que rege a matriz, à definição de fases e objetivos e ao benefício de utilização de um sistema de classificação internacional. Finalmente, procedeu-se ao esclarecimento do desenvolvimento colaborativo, estabelecendo os procedimentos a realizar e as informações pretendidas, alvo de estudo em 4.3.; terminando com a apresentação das tarefas de preparação a efetuar.
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 53 4.3. INQUÉRITO A PROFISSIONAIS 4.3.1. CARACTERIZAÇÃO Com intuito de perceber a estrutura mais eficaz para o desenvolvimento de um inquérito a profissionais da indústria, recorreu-se ao trabalho de Neuman sobre métodos de pesquisa social (Neuman, L.W., 2014). Com auxílio do documento referido, o inquérito pretendido pode classificar-se como: “Aplicado” do tipo “Pesquisa participativa”, segundo o uso e destinatários, na medida em que este é direcionado aos utilizadores diretos na procura de solucionar um problema concreto, tendo por preocupação o completo envolvimento dos inquiridos ao longo de todo o processo; “Descritivo”, do ponto de vista do propósito de análise, uma vez que se pretende obter uma descrição exaustiva e de elevado detalhe das características necessárias à completa descrição dos objetos BIM; “Across-Cases”, na medida em que serão contabilizadas e analisadas todas as respostas obtidas sem que seja efetuada qualquer pré-seleção; “Transversal”, devido à análise dos diferentes casos ao longo de uma única ocorrência; “Qualitativa” no que concerne à recolha de dados, considerando que se pretende obter um conjunto vasto de informações e opiniões distintas. Uma vez terminada a caracterização da estrutura pretendida, Neuman sugere a seleção da estratégia mais favorável ao desenvolvimento do processo de recolha de informações pretendido. Neste sentido, selecionou-se a “triangulação” considerando-se que a análise de algo segundo diferentes prismas correspondentes aos diferentes intervenientes se traduz em acréscimos de rigor; em simultâneo considera-se uma pesquisa do tipo “não-linear” em virtude do foco nos conhecimentos implícitos sobre preocupações práticas e experiências específicas (Neuman, L.W., 2014). Por fim, surge a necessidade de selecionar o tipo de metodologia de inquérito a empregar, neste caso, optou-se pela utilização de uma metodologia enquadrada no tipo “Focus Group”, na qual se reúnem os diferentes inquiridos como o objetivo de criar discussões entre os mesmos sobre os tópicos propostos. Dadas as especificidades de um estudo deste tipo, desde logo a complexidade das informações pretendidas e a distribuição geográfica dos inquiridos, optou-se pela realização do inquérito através da plataforma colaborativa Google Drive. A utilização desta plataforma materializa um processo que além de aberto, permite o rastreamento de alterações efetuadas além da produção de comentários e tópicos de discussão pública entre todos os intervenientes. Com efeito, foram disponibilizadas um conjunto de tabelas de dupla entrada, relativas às diversas componentes do inquérito, que servem de base ao desenvolvimento da discussão pública, sobre as quais os inquiridos debatem a melhor forma de transmitir as necessidades da indústria. De salientar que, à semelhança do que ocorre nos inquéritos do tipo “Focus Group” tradicionais, isto é, realizados presencialmente, a discussão teve moderação de forma a conduzir os tópicos de discussão, sempre com a preocupação de tornar o processo não-direcional, facilitando a discussão livre e aberta a todos os membros do grupo.
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 54 4.3.2. ORGANIZAÇÃO Com intuito de facilitar o preenchimento dos documentos se optou pela divisão dos inquiridos segundo áreas de especialidade. Para tal, solicitou-se aos participantes a listagem das especialidades, envolvidas no ciclo de vida de produtos de construção, nas quais consideram ter conhecimento suficiente para proceder à sua correta caracterização. Esta definição teve por base uma lista inicial baseada nos projetos de especialidade propostos pela Portaria nº 115/2015 de 22 de Abril (DR, 2015), a qual foi alargada de forma a abranger todas as especialidades dos profissionais presentes. O Quadro 12 apresenta a lista de especialidades definida e segundo a qual foi organizado o processo de discussão pública da Matriz de Definição BIM PT. Quadro 12 - Lista de Especialidades envolvidas no Ciclo de Vida de Produtos de Construção. Especialidades Arquitetura Instalações Eletromecânicas Estruturas e Fundações Desenfumagem e Climatização Contenção Periférica Espaços Exteriores Térmica Gestão de Obra Acústica e Vibrações Gestão e Manutenção de Edifícios e Infraestruturas Abastecimento e Tratamento de Águas Design de Interiores Drenagem e Tratamento de Águas Residuais Domésticas Avaliação de Sustentabilidade Drenagem de Águas Residuais Pluviais Sistemas de Informação Geográfica Segurança Contra Incêndio Cadastro Predial Geométrico Urbano Instalação de Gás Cartografia Topográfica de Base Segurança e Saúde Sistemas Ferroviários Instalações Telefónicas e Telecomunicações Obras de Arte Instalação e Distribuição e Energia Elétrica Obras Hidráulicas HVAC Em termos de organização, a informação pretendida pode classificar-se em dois grandes grupos, segundo os quais foi dividido o processo de inquérito: numa primeira fase abordam-se as fases, objetivos e elementos/sistemas, posteriormente tratam-se as características geométricas e as exigências de Informação. As duas fases referidas encontram descritas individualmente nos trechos que se seguem.
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 55 4.3.3. FASES, OBJETIVOS E ELEMENTOS/SISTEMAS A primeira fase de discussão pública encontra-se diretamente relacionada com a caracterização do modelo efetuada na etapa inicial da Matriz de Definição BIM PT. Para tal, considera-se pertinente a concretização de duas componentes: em primeiro lugar a validação e posteriormente a associação e adição. Em primeiro lugar, procurou-se validar das fases do ciclo de vida propostas em 3.4.1., baseadas na estrutura de ciclo de vida de Eastman (Eastman, C.M., 1999), ainda que adaptadas com vista ao alcance de harmonização perante a definição efetuada na legislação nacional através Portaria 701-H (DR, 2008). De modo análogo procedeu-se à aprovação dos objetivos eleitos pela buildingSMART através da Penn State University (CIC, 2011), descritos em 3.4.2., sugerindo aos participantes a proposta de novos objetivos cuja inclusão considerem pertinente na tentativa de suprir, na totalidade, as necessidades inerentes à utilização de modelos BIM no processo de desenvolvimento de produtos de construção. Posteriormente, seguiu-se a componente de associação e adição, na qual se propôs aos inquiridos a associação entre os objetivos possíveis de utilização para o modelo no âmbito das suas especialidades. A Figura 19 apresenta um excerto da tabela proposta aos inquiridos para associação entre os objetivos para utilização dos modelos BIM e as respetivas especialidades, cuja versão integral se apresenta em Anexo; no caso, a tabela é relativa à especialidade Gestão de Obra. Figura 19 - Excerto do documento relativo à definição de objetivos por especialidade (Gestão de Obra). Nesta figura encontra-se visível a organização proposta, na qual para cada especialidade se disponibilizou uma aba na qual os diferentes intervenientes listaram os objetivos que consideram pertinentes. De referir que, fruto das características da plataforma utilizada, a listagem final comunga dos consensos atingidos através dos comentários e discussões geradas pelos vários profissionais de cada área de especialidade. Por sua vez, a última parte desta fase consiste na listagem de elementos ou sistemas construtivos, agrupados por especialidade, a incluir nos modelos utilizados. Esta listagem foi conseguida solicitando aos participantes que, no âmbito das suas especialidades, catalogassem os elementos cuja inclusão no modelo consideram relevante. Na Figura 20 ilustra-se um exemplo da tabela proposta para a listagem dos elementos/sistemas a modelar; o exemplo apresentado refere-se à especialidade de Estruturas.
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Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 63 5 Conclusão 5.1. RESULTADOS DO TRABALHO O desenvolvimento do presente trabalho permitiu constatar a frequente caracterização, por diversos autores, do setor AEC como sendo ineficiente no que se relaciona com a gestão da informação, ineficiência esta que provoca frequentemente a repetição de tarefas, prolongamentos de prazos e acima de tudo prejuízos económicos. Em consequência, foi notório o reconhecimento crescente, pelos responsáveis da Indústria da Construção, do papel preponderante que o BIM, fruto das suas características, pode desempenhar na modernização do setor; este aspeto comprova-se pelo empenho na criação de iniciativas de fomento à sua implementação e utilização. No entanto, em virtude dos incrementos de utilização, a necessidade de garantia da completa interoperabilidade nos processos de modelação e gestão da informação assume cada vez maior preponderância no sucesso dos mesmos. Com efeito, a elevação do BIM a um nível superior passa impreterivelmente pela criação de padrões que garantam a completa congruência e uniformização dos diferentes componentes do modelo. Em sequência, o estudo efetuado ao longo do desenvolvimento desta dissertação procurou materializar um contributo sólido no estabelecimento de princípios padrão de regulação da metodologia BIM, com vista a facilitar a interoperabilidade; tendo por principal foco dotar os agentes do setor AEC de mecanismos que permitam a inequívoca descrição das suas pretensões no que a respeita à utilização de modelos BIM. O produto final deste trabalho, a Matriz de Definição BIM PT, foi criado com recurso ao desenvolvimento colaborativo através de discussão pública na procura de assegurar coerência com os interesses da indústria nacional; com base na premissa de que a implementação do BIM conduzirá a aumentos de produtividade e sustentabilidade do setor. Para alocar a informação recolhida foi desenvolvida, de raiz, uma interface que alberga um conjunto de rotinas que, através dos requisitos estabelecidos pelo utilizador, coleciona as especificidades exigidas ao modelo BIM. Constatou-se que a mesma promove as vantagens e colmata as desvantagens identificadas em documentos internacionais de cariz semelhante.
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 64 Assim, a Matriz de Definição BIM PT estabelece um instrumento que permite: Descrição transparente dos conteúdos a incluir no modelo, associada à definição dos seus níveis de desenvolvimento; Garantia de fiabilidade a jusante, perante a informação produzida a montante; Utilização simples e célere, sem que seja fundamental a compreensão aprofundada, por parte do utilizador, dos conhecimentos técnicos afetos a todas as áreas envolvidas nos processos de construção e operação; Racionalização dos processos de modelação, através da especificação de necessidades em função dos objetivos definidos para o modelo. Todo o processo desenvolvido com vista à produção do presente trabalho, foi efetuado tendo na sua génese bases que permitem a sua continuação, com a vista à maturação do mesmo, particularmente através da realização de novas iterações no processo de discussão pública junto dos profissionais do setor. Em síntese, o trabalho que agora se apresenta permitiu retirar as seguintes conclusões: O Building Information Modelling, fruto das suas potencialidades como ferramenta comunicativa e interoperável, afigura-se como principal meio para a modernização do setor com vista a aumentos de produtividade e sustentabilidade do mesmo. As medidas de fomento à utilização de tecnologias BIM, designadamente a nível governamental (iniciativas Top-Down), assumem-se cruciais na agilização da evolução da sua implementação e consequente desenvolvimento. A normalização, através da uniformização de processos, assume protagonismo na elevação do nível de maturidade da tecnologia BIM. A criação de instrumentos padronizados que permitam a caracterização das exigências pretendidas para o modelo, possibilita não só a clarificação das necessidades do requerente como igualmente o seu emprego na referenciação e proteção legal. Estes documentos apresentam-se essenciais à garantia da completa integração de todos os agentes envolvidos em processos de construção e operação de empreendimentos, de modo a que a introdução de uma nova tecnologia não culmine na marginalização dos mesmos, tal como enunciado na diretiva 2014/24/EU relativa aos Contratos Públicos (PE, 2014). O sucesso de iniciativas no âmbito da normalização encontra-se subordinado ao nível de aceitação por parte da comunidade técnica envolvida, consequência da congruência com os costumes correntes e estratégias definidas para o setor. Com efeito, a adoção de processos de desenvolvimento que englobam contributos dos diversos agentes de construção, apresenta-se favorável a este tipo de iniciativas. Os agentes do setor AEC nacional apresentam abertura perante a ideia de que o BIM dispõe das características necessárias para o aumento de eficiência do setor. Como tal, manifestam vontade de participação na produção de documentos que regulamentem a sua utilização. Por oposição aos dois pontos anteriores, o principal entrave ao desenvolvimento de iniciativas de carácter colaborativo, do tipo Bottom-Up ou Middle-Out prende-se com os problemas de cooperação inerentes ao setor AEC que se traduzem em taxas de participação efetiva reduzidas. Contudo, o número de participantes ativos no desenvolvimento de processos colaborativos tende a aumentar proporcionalmente ao nível de compreensão dos objetivos pretendidos. Como tal, espera-se que a adesão dos agentes envolvidos sofrerá um previsível aumento aquando da publicação da primeira versão da Matriz de Definição BIM PT.
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos 65 Apesar da ambição, por parte da buildingSMART, em tornar o IFC um formato completo e abrangente de todo o ciclo de vida dos empreendimentos, as variáveis definidas são até ao momento insuficientes para o alojamento de todas as propriedades necessárias aos elementos construtivos. 5.2. DESENVOLVIMENTOS FUTUROS Em primeiro lugar, importa encarar o produto final da presente dissertação como uma primeira versão de uma ferramenta com elevado potencial de desenvolvimento que lhe permitirá elevar o seu nível de maturidade. Como tal, é possível vislumbrar uma série de campos de investigação com possibilidade de desenvolvimento futuro, desde logo: Assegurar a dinamização de novas iterações da discussão pública incluída no processo de desenvolvimento colaborativo. A continuidade deste processo permitirá beneficiar da crítica efetuada aos documentos resultantes da fase precedente, bem como o contributo de outras áreas de especialidade com vista à completa cobertura de todos os processos de construção e operação de empreendimentos. Procurar introduzir, logo que possível, a definição da evolução das exigências segundo as fases de ciclo de vida de empreendimentos proposta neste trabalho (ver 4.3.5.), quer ao nível de geometria quer ao nível de informação. Este aspeto apresentar-se à fundamental na crescente maturação da informação ao longo do ciclo de vida do empreendimento. Acompanhar os trabalhos da Subcomissão 2 para as Trocas e Requisitos de Informação da CT 197, nomeadamente no que concerne à análise de sistemas de classificação a fim de perceber a viabilidade da adoção do Pronic como sistema de classificação estruturador em futuras edições. Seguir a evolução de standards internacionais em torno da normalização de objetos com vista ao estabelecimento de analogias, contribuindo para a internacionalização desta ferramenta. Com efeito, considera-se essencial o acompanhamento dos trabalhos efetuados no seio da CEN/TC 442, a fim de garantir a coerência com iniciativas europeias semelhantes e a contribuição para criação de um possível standard europeu. Conceber uma proposta estruturada, a enviar à buildingSMART, contendo as propriedades propostas no âmbito do desenvolvimento colaborativo desta ferramenta cuja correspondência perante as variáveis IFC existentes não é garantida. Analisar a possibilidade de desenvolvimento de extensões para os softwares de modelação que permitam ao utilizador o acesso em tempo real, às exigências especificadas através da Matriz de Definição BIM PT, para o elemento que se encontra a modelar.
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Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos A1.6
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos A1.7
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos A1.8
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos A1.9
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos A1.10
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos A2.1 A Anexos A2. DISCUSSÃO PÚBLICA - FASE 01 | RESULTADOS LISTA DE ESPECIALIDADES LISTA DE OBJETIVOS POR ESPECIALIDADE LISTA DE ELEMENTOS/SISTEMAS CONSTRUTIVOS POR ESPECIALIDADE LISTA DE OBJETIVOS (AGRUPADOS)
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos A2.2
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos A2.3 Matriz de Definição BIM PT – v1.0 1ª Fase de Discussão Pública – Draft 01 (10/05/2016 – 29/05/2016) Lista de Especialidades (Proposta inicial baseada na Portaria n.º 113/2015 de 22 de Abril) Comtempladas: Arquitetura Estruturas e Fundações Contenção periférica Térmica Acústica e Vibrações Abastecimento e Tratamento de Águas (Secção IX Portaria 701H/2008) Drenagem e Tratamento de Águas Residuais Domésticas (Secção X Portaria 701H/2008) Águas Residuais Pluviais Segurança Contra Incêndio em Edifícios Instalação de Gás Segurança e Saúde Instalações Telefónicas e Telecomunicações Alimentação e Distribuição de Energia Elétrica HVAC Instalações Eletromecânicas Desenfumagem e Climatização Espaços Exteriores (Secção XIII Portaria 701H/2008) Gestão de Obra Gestão e Manutenção de Edifícios/Infraestruturas Sistemas de Informação Geográfica (inclui informação geográfica no formato CAD) Cadastro Predial Geométrico (Urbano) (SINERGIC) Cartografia Topográfica de Base (DL193/95 e DL141/2014) Sistemas Ferroviários (Secção V Portaria 701H/2008) Obras de Arte (Inclui Pontes, Viadutos, Passadiços, Túneis) Obras hidráulicas (Secção VII Portaria 701H/2008) Propostas (Não comtempladas 1 ): Projeto luminotécnico Estradas (Secção IV Portaria 701H/2008) Aeródromos (Secção VI Portaria 701H/2008) Resíduos Urbanos e Industriais (Secção XI Portaria 701H/2008) Obras portuárias e de Engenharia costeira (Secção XII Portaria 701H/2008) Produção, transformação, transporte e distribuição de energia elétrica (Secção XIV Portaria 113/2015) Redes de Comunicações (Secção XV Portaria 701H/2008) 1 A não inclusão destas especialidades na primeira fase de desenvolvimento do projeto deveu-se à falta de preenchimento, por parte dos envolvidos, das informações relativas às mesmas nos documentos “Objetivos por Especialidade” e “Elementos/Sistemas Construtivos por Especialidade”.
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos A2.4
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos A2.5 Matriz de Definição BIM PT – v1.0 1ª Fase de Discussão Pública – Draft 01 (10/05/2016 – 29/05/2016) Lista de Objetivos por Especialidade
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos A2.12
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos A2.13
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos A2.14
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos A2.15 Matriz de Definição BIM PT – v1.0 1ª Fase de Discussão Pública – Draft 01 (10/05/2016 – 29/05/2016) Lista de Objetivos Transversais Desenhos Gerais (Escalas 1:200 e 1:100) Desenhos de Pormenor (Escalas 1:50, 1:25 e 1:20) Coordenação Espacial (Clash) Gestão da Informação Monitorização Análise / Cálculo / Dimensionamento Estruturas e Fundações Contenção Periférica Condicionamento Acústico Abastecimento de Águas Drenagem de Águas Residuais Domésticas Drenagem de Águas Residuais Pluviais Instalação de Gás Alimentação e Distribuição de Energia Elétrica Instalações Telefónicas e Telecomunicações HVAC Desenfumagem e Climatização Instalações Eletromecânicas Sistemas Ferroviários Obras de Arte Obras Hidráulicas Arquitetura Representação Geral (Escalas 1:200 e 1:100) Representação de Zona (Escalas 1:50, 1:25 e 1:20) Representação de Pormenor (Escalas 1:5, 1:2 e TN) Programação Espacial Estudos de Luminosidade Design de Interiores Análise de Acessos e Fluxos de Circulação Estudo Luminotécnico Estudo Acústico Planogramas de Distribuição Planogramas de Implantação Análise de Sinalética/Comunicação Análise de Tarefas/Características de Utilização Análise de Conforto/Ergonomia Análise de Volumetria Térmica Análise de Eficiência Energética Análise Higrotérmica
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos A2.16 Avaliação de Sustentabilidade Indicadores de Avaliação de Sustentabilidade Determinação da Energia Incorporada Registo de Declarações Ambientais de Produto Registo de percentagem de Reciclados/Reutilizados Capacidade de Reciclagem no fim de Vida Útil Segurança Contra Incêndio Simulação de Condições de Evacuação Dimensionamento de Instrumentos de Proteção Classificação de Comportamento ao Fogo Segurança e Saúde Plano de Segurança e Saúde Compilação Técnica da Obra Integração de Sistemas de Segurança Informação Geográfica Controlo Prévio (Pré-licenciamento Urbanístico Municipal) Licenciamento Urbanístico Municipal Registo Predial Fiscalização Ordenamento/Planeamento do Território Municipal Imposto Municipal sobre Imóveis Obras Públicas Políticas Ambientais e Económicas Gestão de Obra Extração de Quantidades Orçamentação Planeamento e Controle Físico Planeamento e Controle Económico Planeamento e Controle de Qualidade Simulação Pré-fabricação Caderno de Encargos Plano de Prevenção e Gestão de Resíduos Gestão de Edifícios / Infraestruturas Gestão de Ativos Manutenção Preventiva Manutenção Reativa Monitorização de Sistemas Construtivos Ficha Técnica de Habitação Avaliação de Desempenho Energético
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos A3.1 A Anexos A3. DISCUSSÃO PÚBLICA - FASE 02 | RESULTADOS CARACTERIZAÇÃO GEOMÉTRICA POR OBJETIVO CARACTERIZAÇÃO DE INFORMAÇÃO POR OBJETIVO
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos A3.2
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos A3.3 Matriz de Definição BIM PT – v1.0 2ª Fase de Discussão Pública – Draft 01 (03/06/2016 – 20/06/2016) Caracterização Geométrica dos Elementos/Sistemas Construtivos
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos A3.4
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos A3.5
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos A3.12
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos A3.13
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos A3.14
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos A3.15
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos A3.16
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos A3.17 Matriz de Definição BIM PT – v1.0 2ª Fase de Discussão Pública – Draft 01 (03/06/2016 – 20/06/2016) Caracterização de Informação dos Elementos/Sistemas Construtivos
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos A3.18
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos A3.19
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos A3.20
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos A3.21
Normalização BIM: Especificação do Nível de Desenvolvimento e Modelação por Objetivos A3.28