Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva
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Carlos Manuel Fernandes Gonçalves 2º Ciclo de Estudos em Sistemas de Informação Geográfica e Ordenamento do Território Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 2014 Orientador: Professor Doutor Carlos Valdir de Meneses Bateira Classificação: Ciclo de estudos: Dissertação: Versão definitiva
Agradecimentos I Agradecimentos A dissertação de mestrado que se apresenta reflete a minha entrega, o meu empenho e aprendizagem juntamente com a colaboração de diversas pessoas e entidades, que ao longo deste percurso, contribuíram para a evolução deste projeto de investigação e para o enriquecimento da minha experiência pessoal e académica. A realização desta dissertação marca uma importante etapa da minha vida. Gostaria de agradecer e reconhecer publicamente a todos os que de forma direta ou indireta contribuíram e cooperaram de forma determinante para a sua concretização e definiram os meus interesses de investigação. Desta forma o trabalho apresentado obteve diversos contributos de instituições e de pessoas que foram decisivos para a conclusão da investigação e que importa referir e agradecer. Ao professor doutor Carlos Valdir de Meneses Bateira, o meu orientador, por todo o apoio e disponibilidade demonstrados ao longo da dissertação, pelo seu interesse na cartografia de suscetibilidade e da dinâmica de vertentes, por sugestões de leitura de artigos e documentos sobre o tema. A sua dedicação e entrega, a capacidade de transmissão de conhecimento, de orientação e de estruturação de objetivos e por toda a ajuda no tratamento estatístico desta dissertação. Ao apoio na realização do inventário de desabamentos, na recolha e organização das ocorrências na base de dados, no meu acompanhamento no trabalho de campo, mas também o seu sentido crítico de análise dos resultados foram decisivas para a realização deste trabalho, que veio a revelar‐se fundamental numa parte significativa desta dissertação. À autarquia de Castelo de Paiva, um agradecimento pela cedência de informação geográfica, da altimetria, planimetria e ortofotomapas do concelho, que serviu de suporte à investigação. Sem esta informação não seria possível realizar a base de dados e a cartografia da suscetibilidade à rotura de desabamentos no concelho. Às equipas da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, pelo apoio e disponibilidade, em particular ao professor António Gomes e também pelos incentivos à participação em congressos, colóquios e simpósios sobre o tema e pelo meu acompanhamento no trabalho de campo. A todos os meus amigos, em particular ao Rui Manuel Martins Gomes por toda a partilha de informação, num espírito de entreajuda e partilha.
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva II Resumo No presente trabalho foi desenvolvida uma investigação relacionada com a instabilidade de vertentes. Este projeto de investigação tem como objetivo principal o desenvolvimento e a aplicação de um conjunto de metodologias que possibilitem investigar o conhecimento acerca da instabilidade de vertentes. O concelho de Castelo de Paiva com 115,04 km2, foi definida como área de estudo por apresentar, condições muito favoráveis em termos de propensão natural para a ocorrência de queda de blocos. A avaliação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos baseou-se no inventário de fontes de desabamentos que foram georreferenciados num SIG, na identificação e ponderação da cartografia dos fatores de predisposição mais importantes da escala de análise adotada, na metodologia de zonamento da suscetibilidade, nas informações disponíveis e com base na unidade cartográfica de representação de pixéis de 5m. Na área de estudo aplicou-se uma análise estatística bivariada, com base no método do Valor Informativo. Os resultados do zonamento da suscetibilidade a queda de blocos rochosos foram validados com base numa partição aleatória das fontes de desabamentos, no cálculo das taxas de sucesso e na taxa de predição dos modelos. Foi realizada uma análise sensitiva, tendo em consideração, o peso de cada variável independente que possui na avaliação da suscetibilidade. Como principais resultados na avaliação da suscetibilidade, apontam-se a inventariação de 166 abruptos rochosos que poderão originar queda de blocos, muito favorecidos com declives muito acentuados e uma litologia com um predomínio de quartzitos e granitos. Na aplicação do método do valor informativo foram construídos 6 modelos de suscetibilidade à ocorrência de desabamentos e obtiveram-se resultados bastante satisfatórios na validação de cada modelo, através das taxas de sucesso e predição. Com este estudo, foi possível o desenvolvimento de novas competências ligadas à avaliação da suscetibilidade e ao conhecimento da área de estudo. Palavras-chave: Castelo de Paiva; Inventário; Desabamentos; Modelação; Suscetibilidade.
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva III Abstract On the following report was developed an investigation related to the hillsides instability. This investigation project has as the main objective the development and the application of a set of methodologies that allow investigating the knowledge about the hillsides instability. The 115, 04 km2 Castelo de Paiva’s municipality was defined has a study area because it presents very favorable conditions in terms of a natural propensity to the occurrence of rock fall. The evaluation of susceptibility to occur landslides was based on a landslides sources inventory that had been geo referenced on a Geographical Information System, on the identification and ponderation of the cartography of the most important predisposition factors of the adopted analysis scale, on the susceptibility zoning methodology, on the available information and based on the representation cartographical unit of 5m pixels. On the studied area was applied a bi varied statistical analysis, based on the Informative Value method. The susceptibility of rocky blocks lands sliding zoning results were validated by a random partition of landslides sources, by the success rates calculus, models prediction rates. It was performed a sensitive analysis, considering each independent variable weight on the susceptibility evaluation. As the main results of the susceptibility evaluation were the inventorying of 166 rocky steeps that may origin block’s landslides, very favored with very steep slopes and a lithology formed mostly by quartz and granite. When applying the informative value method were built six models for susceptibility to landslides occurrences and were obtained very satisfying results on the validation of each model, through success and prediction rates. With this study, it was possible to develop new aptitudes linked to susceptibility evaluation and the area of study knowledge. Keywords: Castelo de Paiva; Inventory; fall; Modelling; Susceptibility.
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva IV Acrónimos e abreviaturas AAC Área Abaixo da Curva COS Carta de Ocupação do Solo CURV Curvatura CXG Complexo xisto grauváquico D Declive (em graus) DGT Direção Geral do Território EXP Exposições (em graus) G1 Grupo 1 G2 Grupo 2 GTF Grupo total de fontes IGP Instituto Geográfico Português SIG Sistemas de Informação Geográfica MDT Modelos Digitais de Terreno REN Reserva Ecológica Nacional SCDB Sulco Carbonífero Dúrico-Beirão TIN Triangular Irregular Network UL Unidade Litológica UOS Unidades de ocupação do solo VI Valor Informativo WP/WLI Working Party on the World Landslide Inventory
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva V Índice Agradecimentos ............................................................................................................... I Resumo........................................................................................................................... II Abstract ........................................................................................................................ III Acrónimos e abreviaturas ............................................................................................ IV Índice de Figuras ......................................................................................................... VII Índice de Tabelas .......................................................................................................... IX Índice de Gráficos........................................................................................................... X Capitulo 1 - Introdução .................................................................................................. 1 1.1 - Enquadramento ao tema ......................................................................................... 1 1.2 - Objetivos ............................................................................................................... 2 1.3 - Estrutura da dissertação ......................................................................................... 2 1.4 - Metodologia geral seguida na Investigação ............................................................ 4 1.5 - Justificação da escolha da área de estudo ............................................................... 6 1.6 - Enquadramento físico do concelho de Castelo de Paiva ......................................... 7 1.6.1 - Enquadramento geográfico ................................................................................ 7 1.6.2 - Caraterização geológica e estruturas tectónicas ................................................. 8 1.6.3 - Caraterização geomorfológica .......................................................................... 13 Capitulo 2 - Movimentos de vertente ............................................................................ 17 2.1 - Tipologia de movimentos de vertente ................................................................... 18 Capitulo 3-Metodologias ............................................................................................... 23 3.1 - Métodos de avaliação da suscetibilidade a movimentos de vertente ...................... 23 3.2 - Elaboração da Base de dados geográficos ............................................................. 30 3.3 - Elaboração do inventário de desabamentos ........................................................... 31 3.4 - Bases cartográficas e processamento das variáveis utilizadas na modelação .......... 40 3.4.1 - Variável dependente ......................................................................................... 43 3.4.2 - Variáveis independentes ................................................................................... 44 Capitulo 4 - Avaliação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva............................................................................................................. 52 4.1 - Fatores de predisposição ....................................................................................... 53 4.2 - Modelação da suscetibilidade a desabamentos ...................................................... 56 4.3 - Validação da suscetibilidade a desabamentos ........................................................ 60 4.4 - Cartografia de suscetibilidade à ocorrência de desabamentos ................................ 69
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva VI 4.5 - Análise sensitiva dos fatores de pré-disposição da suscetibilidade ........................ 80 4.6 - Discussão dos resultados ...................................................................................... 87 Capitulo 5 - Conclusões ................................................................................................. 89 Referências bibliográficas ............................................................................................. 92
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva VII Índice de Figuras Figura 1 - Esquema metodológico aplicado ao desenvolvimento da investigação ......................... 5 Figura 2 - Enquadramento geográfico de Castelo de Paiva ............................................................ 8 Figura 3 - Esboço litológico da região de Castelo de Paiva - Castro Daire (Rebelo, 1984).5. Depósitos de cobertura (Plio-Quaternário), 4. Rochas metassedimentares (Paleozóico médiosuperior); 3. Quartzito Armoricano; 2. Rochas metassedimentares (Proterozóico superior e/ou Câmbrico); 1. Granitóides (variscos); FFalha; C - Vale de fratura; a – Sede de Concelho, b – Outras povoações, cMarcos geodésicos) ...................................................................................... 9 Figura 4 - Geologia do concelho, adaptado e revisto de (Medeiros et al, 1964) ........................... 10 Figura 5 - Altimetria do concelho de Castelo de Paiva ................................................................. 13 Figura 6 - Unidade geomorfológicas principais em Castelo de Paiva .......................................... 14 Figura 7 - Abruptos rochosos. A) Alto de S. Adrião (647m). B) Alto de S. Domingos (423m). C) Alto de Pedorido (250m). D) Alto de S. Gens (329m). ................................................................ 15 Figura 8 - Esquema do Desabamento adaptado de Cruden e Varnes (1996) ................................ 18 Figura 9 - Modo de deslocação de materiais rochosos em função do declive da vertente abaixo das áreas de rutura (adaptado de Ritchie, 1963 in Dorren, 2003); ...................................................... 19 Figura 10 - Desabamento com aprisionamento de blocos pela vegetação na base do afloramento quartzítico. (A) Alto de S. Domingos. (B) Alto de Pedorido. ....................................................... 20 Figura 11 - Balançamento de Cruden e Varnes (1996) adaptado por Highland e Bobrowsky (2008) ....................................................................................................................................................... 20 Figura 12 - (A) Deslizamento simples. (B) múltiplo. (C) sucessivo. (adaptado de Hutchinson, 1988) (D) Deslizamento rotacional de Cruden e Varnes (1996) ................................................... 21 Figura 13 - Deslizamento translacional de Cruden e Varnes (1996) ............................................ 21 Figura 14 - Esquema da expansão lateral de Cruden e Varnes (1996) ......................................... 22 Figura 15 - Esquema de fluxo ou escoada de Cruden e Varnes (1996) ........................................ 22 Figura 16 - Esquema metodológico na elaboração da base de dados geográfica ......................... 31 Figura 17 - Ficha de inventário utilizada em trabalho de campo .................................................. 33 Figura 18 - Extrato da Base de Dados de fontes de desabamentos da área de estudo .................. 34 Figura 19 - Procedimentos na fotointerpretação das fontes de desabamentos .............................. 35 Figura 20 - Delimitações efetuadas. A) e C) Abrupto rochoso vetorizado por fotointerpretação, B) e D) Abruptos rochosos no Alto de S. Domingos. ........................................................................ 37 Figura 21 - Trabalho de campo.A) Alto de S. Domingos. B) Elevações em Pedorido. C e D) Alto de S. Gens ...................................................................................................................................... 38
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 3 No capítulo 1, faz-se o enquadramento do tema, apresenta-se o objetivo geral e específicos pretendidos e a estrutura de elaboração deste trabalho. Neste capítulo apresenta-se ainda o enquadramento físico da área de estudo, onde são especificados o enquadramento geográfico do concelho e dando relevância à geologia, litologia e ao enquadramento geomorfológico. No Capítulo 2, movimentos da vertente, é efetuado o estudo relacionado com a instabilidade das vertentes, nas diversas publicações que foram consultadas para a elaboração do presente trabalho. Pesquisa e síntese sequencial do estado da arte, importante estudo para a compreensão da dinâmica atual das vertentes, onde são especificados os critérios de classificação e de caracterização morfológica dos movimentos de vertente. No capítulo 3 apresentam-se as metodologias na construção do inventário de fontes de desabamentos, abordando os métodos de aquisição, armazenamento da informação geográfica e processamento de dados. Neste capítulo analisam-se as vantagens e limitações das diferentes metodologias de avaliação da suscetibilidade, abordando questões das técnicas e ferramentas essenciais para aplicação na modelação de desabamentos. São abordados os procedimentos de pré-processamento da variável dependente e das variáveis independentes utilizadas na modelação, são definidas todas as bases cartográficas utilizadas na inventariação das fontes de desabamentos e a caraterização e identificação dos fatores de predisposição, onde é definido a unidade de terreno ou unidades matriciais, e estabelecer critérios de preparação nas classificações e reclassificações de todas as variáveis que levaram à integração num projeto em sistemas de informação geográfica (SIG). No capítulo 4, avaliação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva, apresentam-se as metodologias utilizadas no zonamento da suscetibilidade na área em estudo, cartografia dos factores condicionantes da instabilidade de vertentes e metodologias de modelação espacial da suscetibilidade. São definidos os processos metodológicos na produção de cartografia de suscetibilidade à ocorrência de desabamentos e a adoção do método de análise estatística bivariada - VI para o zonamento da suscetibilidade. Nesta fase são analisados e demonstrados em tabelas todos os fatores de predisposição com relevância na avaliação e são demonstrados os scores das variáveis utilizadas na construção do modelo de suscetibilidade pelo método do VI. A validação dos resultados foi realizada com recurso a uma partição aleatória das fontes de desabamentos e cálculo das respetivas curvas de sucesso e de predição.
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 4 No final da avaliação os melhores modelos foram classificados, que consistiu na divisão em classes em função da rotura de declives existentes na curva de taxa de sucesso para o Grupo Total de Fontes (GTF) e da taxa de predição para o Grupo 1 (G1) e Grupo 2 (G2). Foi realizada uma análise sensitiva aos fatores condicionantes da instabilidade. Nesta análise considerou-se de modo individual cada uma das variáveis utilizadas na modelação que vão justificar quais as que terão maior importância na explicação da localização dos desabamentos. Para cada classe de cada fator de pré-disposição foi calculado o Valor Informativo e seguidamente da representação cartográfica da suscetibilidade dos modelos produzidos. Nas conclusões deste trabalho, capítulo 5, são efetuadas as considerações gerais dos resultados alcançados que definiram o objetivo geral e específicos propostos nesta investigação, e indicadas perspetivas de desenvolvimento futuro. 1.4 - Metodologia geral seguida na Investigação Na execução desta dissertação aplicaram-se metodologias e técnicas, sintetizadas em 3 fases: 1º. Na primeira fase houve uma pesquisa e leitura bibliográfica sobre o tema, e seguidamente a aquisição de informação geográfica referente à área de estudo, o concelho de Castelo de Paiva; 2º. Na segunda fase realizou-se o planeamento, organização e armazenamento da informação geográficos numa base de dados geográfica produzida num SIG no qual processou-se os dados da variável dependente (inventários de fontes de desabamentos) e das variáveis independentes (fatores de predisposição) para utilizar na modelação da suscetibilidade; 3º. Na terceira fase procedeu-se à modelação dos dados, com a aplicação do método estatísticos bivariado, o valor informativo, com unidades de terreno matriciais (pixel de 5 metros). A figura 1 sintetiza o fluxo de trabalho de preparação das diferentes fases na elaboração desta dissertação.
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 5 Figura 1 - Esquema metodológico aplicado ao desenvolvimento da investigação O desenvolvimento da investigação ao tema, implicou uma leitura e recolha de bibliografia adequada e disponível, conhecimentos do métodos de classificação e inventariação de movimentos de vertente, modelos a utilizar para a predição das áreas suscetíveis à ocorrência de desabamentos, aplicação de procedimentos de validação fundamentados no cruzamento do inventário com a suscetibilidade e ferramentas informáticas utilizadas na modelação de desabamentos. 3ª FASE Avaliação da suscetibilidade a desabamentos Método estatistico bivariada Análise sensitiva Validação Valor Informativo Curvas de sucesso e predição Classificação dos modelos Modelo de suscetibilidade à ocorrência de desabamentos Modelação
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 6 A pesquisa da informação geográfica foi adquirida no município de Castelo de Paiva, na direção geral do território e no instituto geográfico do exército. Na cartografia digital, foi recolhida à escala 1:10 000, a altimetria, planimetria, ortofotomapas com resolução de 0,25m de 2008, à escala 1:25 000 a carta de ocupação do solo de 2007 (COS2007) e cartas militares, (nº 134, nº 135, nº 144 e nº 145) e a Carta administrativa oficial de Portugal (CAOP) de 2014. Em suporte analógico a carta geológica (13-B) do concelho à escala 1:50 000 que posteriormente foi vetorizada. Esta fase foi concluída com a pesquisa e recolha de informações sobre trabalhos ou relatórios com informações de movimentos de vertente da área de estudo. Na 2ª fase foi efectuada a organização da informação geográfica e a elaboração de uma base de dados espacial em sistemas de informação geográfica (SIG). Na base de dados espacial foi inserido o inventário de fontes de desabamentos georreferenciados e elaborado com recurso à interpretação de ortofotomapas e levantamento de campo. No processamento das variáveis recorreu-se á informação altimétrica (curvas de nível com equidistância de 10 metros e pontos cotados) para produzir o Modelo Digital de Terreno (MDT) e extrair informação derivada: declives, exposições das vertentes e curvatura das vertentes. A informação derivada do MDT, o uso do solo e a litologia foi convertido em raster com um pixel de 5 metros, bem como o inventário de fontes de desabamentos. Na 3ª fase, a avaliação da suscetibilidade foram realizados os procedimentos metodológicos sistematizados, para dar resposta aos objetivos pretendidos nesta dissertação. Foi realizado a modelação da suscetibilidade, através do método do valor informativo (VI), os modelos foram validados com a técnica das curvas de sucesso e de predição e área abaixo da curva. As metodologias e procedimentos referidos, serão descritas de forma mais pormenorizada no capítulo 3 e 4 deste trabalho. 1.5 - Justificação da escolha da área de estudo A área de estudo corresponde ao concelho de Castelo de Paiva e integra‐se entre as regiões da Beira e do Douro litoral, que apresenta, no contexto português, uma das posições mais favoráveis de predisposição natural para a instabilidade de vertentes. Foi definido como área de estudo por apresentar, condições muito favoráveis em termos de propensão natural para a ocorrência de queda de blocos.
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 7 A este nível pode-se mencionar um relatório desenvolvido e elaborado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) por solicitação da Câmara municipal de Castelo de Paiva em 2006, sobre a estabilidade dos blocos rochosos no Monte de São Domingos. O trabalho previamente desenvolvido no concelho “Cartografia geológica e geomorfológica para a caraterização de riscos naturais à escala do Planeamento regional: aplicação ao concelho de Castelo de Paiva (NW de Portugal) ” (Gomes & Chaminé, 2005). O trabalho menciona a existência de cornijas quartzíticas compostas por um maciço rochoso compartimentado por grandes blocos fraturados com vertentes com declives muito elevados, favoráveis à rotura das superfícies, que poderão originar queda de blocos. Indicam como traço principal geomorfológico a constituição de uma série de elevações quartzíticas - xistentas, alinhados com a direção NW-SE e afloramentos graníticos, onde podemos encontrar nos altos de São Domingos, São Gens, São Paul, elevações de Pedorido e Alto de Santo Adrião e no lugar de Bairros, (Gomes & Chaminé, 2005). 1.6 - Enquadramento físico do concelho de Castelo de Paiva 1.6.1 - Enquadramento geográfico Na elaboração deste trabalho foi escolhida como área de estudo, o concelho de Castelo de Paiva, em toda a sua extensão territorial. O concelho de Castelo de Paiva, localiza-se no norte de Portugal continental, no distrito de Aveiro (Figura 2). Confina a norte com os concelhos do Marco de Canaveses e Penafiel, a sul e a sudeste o concelho de Arouca, a este o concelho de Cinfães e a oeste a noroeste está circunscrito pelo concelho de Gondomar. Integrado na região Norte, está inserido na Nut III – Sub-região do Tâmega, apresenta uma área de 115, 04 km2 e é constituído por 6 freguesias, Fornos, União de freguesias de Sobrado-bairros, Real, São Martinho, Santa Maria de Sardoura e União de freguesias de Paraíso, Pedorido e Raiva. Toda a superfície do concelho pertence á parte terminal da bacia hidrográfica do rio Douro, individualizando-se na sua área territorial as sub-bacias do rio Paiva, rio Sardoura e do rio Arda. O concelho apenas abrange a margem esquerda do rio Douro e rio Paiva.
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 8 Figura 2 - Enquadramento geográfico de Castelo de Paiva 1.6.2 - Caraterização geológica e estruturas tectónicas O concelho de Castelo de Paiva localiza-se na bacia hidrográfica do rio Douro, entre um conjunto de relevos montanhosos a Este, nas quais se destaca a serra granítica de Montemuro (1383m), e as áreas mais aplanadas da plataforma litoral a Ocidente (Rebelo 1975, 1984). A marginar, a Sul, desenvolve-se a área deprimida de Arouca e atravessa o concelho um conjunto de elevações constituídas essencialmente por rochas quartzíticas pertencente à megaestrutura designada por Anticlinal de Castelo de Paiva (Chaminé & Gomes, 2005) Castelo de Paiva insere-se no ponto de vista geotectónico, na zonação definida para o Maciço Ibérico, na Zona Centro-Ibérica (ZCI) do terreno autóctone ibérico (Ribeiro et al. 1990). A região de Castelo de Paiva é constituída essencialmente pelas seguintes unidades geológicas (Figura 3): 1Uma extensa mancha de rochas metassedimentares, incluindo parte do importante megadobramento, de orientação NW-SE, o Anticlinal de Castelo de Paiva; 2Granitoides, com megacisalhamentos dúcteis relacionados com a orogenia varisca (Ferreira et al. 1987). O Anticlinal de Castelo de Paiva está limitado a oeste pelo megacisalhamento esquerdo, ativo desde as fases precoces da orogenia varisca, denominado por Sulco Carbonífero DúricoBeirão (Lemos de Sousa, 1978; Pinto de Jesus, 2001).
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 9 O concelho marca presença de escassos afloramentos de depósitos de cobertura (aluviões e terraços) de idade quaternária recente (Medeiros et al., 1964). Assim, ao longo do rio Douro e seus afluentes, assinalam-se extensas acumulações de areias e/ou cascalheiras aluviais e no fundo dos vales fluviais acumulam-se, abundantemente, depósitos finos e argilosos. Figura 3 - Esboço litológico da região de Castelo de Paiva - Castro Daire (Rebelo, 1984).5. Depósitos de cobertura (Plio-Quaternário), 4. Rochas metassedimentares (Paleozóico médio-superior); 3. Quartzito Armoricano; 2. Rochas metassedimentares (Proterozóico superior e/ou Câmbrico); 1. Granitóides (variscos); FFalha; C - Vale de fratura; a – Sede de Concelho, b – Outras povoações, cMarcos geodésicos) As caraterísticas essenciais de cada unidade geológica, relativo às rochas metassedimentares, presentes no sector em questão são, sinteticamente, as seguintes, do topo para a base (Figura 4): 1 - O Carbonífero (Estefaniano C inferior) Na geologia regional considera-se que a Bacia Carbonífera do Douro, constitui o mais extenso afloramento de Carbonífero continental existente em Portugal, estendendo-se desde São Pedro Fins (Este do Porto) até Janarde (Este de Arouca), ao longo de uma estreita faixa, de orientação geral NW-SE, com cerca de 50 km de comprimento e raramente ultrapassando os 500 m de largura (Lemos de Sousa, 1978; Pinto de Jesus, 2001). Na Bacia Carbonífera do Douro, a sequência tectonosedimentar constam genericamente de conglomerados, arenitos,
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 10 xistos cinzentos amarelados a negros onde se assinalam a presença de fósseis e níveis de carvão. O Sulco Carbonífero Dúrico-Beirão (SCDB) preserva o carbonífero superior (Estefaniano C inferior) continental (Wagner & Sousa, 1983), depositado em bacias límnicas de características intramontanhosas. Aflora localmente numa faixa descontínua, de possança métrica e extensão quilométrica, desde as localidades de Pedorido até Pejão. A Bacia Carbonífera do Douro encontra-se limitada, a nordeste, pelas unidades do paleozóico inferior inseridas no flanco inverso do Anticlinal de Castelo de Paiva, e a sudoeste, pelo Câmbrico e/ou Precâmbrico superior do “Complexo Xisto-Grauváquico” (CXG). O contacto geológico entre o Carbonífero superior e o CXG corresponde aparentemente a uma discordância estratigráfica, enquanto o limite geológico entre o Carbonífero superior e o Ordovícico faz-se por falha inversa que provocou o cavalgamento da Bacia Carbonífera pelos terrenos mais antigos do paleozoico inferior (Pinto de Jesus, 2001). Figura 4 - Geologia do concelho, adaptado e revisto de (Medeiros et al, 1964) 2 - Ordovícico médio-inferior Da importante megaestrutura geológica denominada por Anticlinal de Castelo de Paiva, onde foram reconhecidas, para além do CXG, uma sucessão de unidades estratigráficas de idade Ordovícica (Medeiros et al., 1964). Estas unidades escalonam-se na seguinte sequência típica, da base para o topo: Formação do Quartzito ‘Armoricano’ (quartzitos maciços, dispostos
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 11 em níveis alternantes com quartzitos xistóides e conglomeráticos; estes afloramentos constituem importantes relevos de resistência na região; cf. Rebelo 1975); Formação de Castelo de Paiva (xistos ardosíferos e xistos argilosos finos); Formação de Sobrido (quartzitos, metarenitos e grauvaques, com intercalações de materiais orgânicos). 3 - Câmbrico inferior - Precâmbrico superior O Sulco Carbonífero Dúrico-Beirão constitui um importante limite geológico que esteve na base da divisão do denominado Super-grupo Dúrico Beirão do “Complexo XistoGrauváquico”. O CXG em Castelo de Paiva é composto por uma sequência ‘flyschóide’ com alternâncias de xistos argilosos e de metagrauvaques e com intercalações de conglomerados e de quartzitos. Os xistos e os metagrauvaques, de grão fino a médio, têm matriz quartzo-micácea abundante com clastos quartzo feldspáticos e raros elementos líticos (Medeiros et al., 1964; Teixeira, 1981; Aguado & Martínez – Catalán, 1994), assinala-se que as intercalações conglomeráticas e/ou quartzíticas são particularmente possantes na parte ocidental do SCDB (Chaminé & Gomes, 2005). 4 - Rochas Graníticas As rochas graníticas afloram fundamentalmente na região de Castelo de Paiva - Tarouquela e enquadram-se na faixa de granitóides variscos, de orientação geral NW-SE, do Alto Minho - Beiras. A distribuição espacial destes granitóides está relacionada, em regra, com megacisalhamentos dúcteis (Ferreira et al., 1987). Os maciços em questão podem ser diferenciados nas seguintes fácies: i) granito monzonítico, porfiróide, de grão grosseiro e predominantemente biotítico [tardi a pós-fase D3 varisca] - granitóide Tarouquela; e ii) granito porfiróide, de grão grosseiro a médio [sin-fase D3 varisca] que localmente forma uma extensa faixa de orientação NW-SE, com corneanas metapelíticas e xistos mosqueados a ocorrerem, nas bordaduras destes granitóides, por metamorfismo de contacto no limite com o CXG - granitóide de Castelo de Paiva. Os granitóides da série intermédia (sin a tardi-fase D3) distribuem-se em largas faixas, lateralmente aos megacisalhamentos do SCDB, e estão controlados tectonicamente por sistemas de fracturas frágeis conjugadas, de orientações regionais médias, NW-SE e NE-SW. Relativo a tectónica regional, a observação estereoscópica da fotografia aérea e a análise morfoestrutural dos mapas topográficos militares (IGeoE), escala 1/25000, da LombaGondomar (folha 134), de Sobrado do Paiva (folha 135), e de Nespereira-Cinfães (folha 145), revelou a presença de uma fracturação regional secundária associada a falhas de expressão
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 12 regional. A compilação, a análise, a interpretação e a síntese da informação geológico estrutural possibilitou a elaboração de um esboço geológico síntese da região de Castelo de Paiva, presente na figura 4 (Chaminé & Gomes, 2005). A rede de fracturação e lineamentos tectónicos fotointerpretados constituem fundamentalmente os sistemas subparalelos aos acidentes tectónicos maiores, ou seja, às estruturas tectónicas de orientação N-S a NNE-SSW (falhas do Porto e do Gerês) (Cabral & Ribeiro, 1988), e ao megacisalhamento do SCDB de orientação NW-SE. Destacam-se dois sistemas de fracturação regionais: a) sistemas NNE-SSW a N-S e conjugados, menos frequentes, NNE-SSE a W-E; b) sistema NW-SE e conjugado NE-SW (Chaminé & Gomes, 2005). Relativo à fracturação local, além do acidente tectónico principal e associados do SCDB de direção NW-SE, os lineamentos estruturais (subparalelos à falha do Gerês e/ou ao megacisalhamento regional Verín - Peso da Régua, i.e., NNE-SSW) da região de Lomba - S. Miguel do Mato e do v.g. Castro Daire (a SE de Tarouquela) e do v.g. do Cerro do Cão (NNE de Arouca). A fracturação com direção média E-W, apesar de discreta encontra-se presente na região (Chaminé & Gomes, 2005). Os relevos dominantes na região estudada relacionam-se com a ocorrência de bancadas quartzíticas subverticalizadas que, por erosão diferencial, deram origem a cristas com orientação geral NW-SE. A fracturação regional com orientação média NE-SW intersecta as referidas cristas, formando-se alguns cabeços subarredondados, como o de Pedrogo (Oliveira do Arda), no entanto, a orientação média das cristas seja de direção NW-SE. A maior parte da rede hidrográfica principal e secundária adapta-se à resistência das rochas quartzíticas, não as atravessando e seguindo traçados mais ou menos rectilíneos, paralelos ao alinhamento das cristas, ajudando, assim, à definição das mesmas (Rebelo 1975, 1984). Porém, alguns cursos de água conseguem franquear os quartzitos, aproveitando, eventualmente, fraturas transversais à orientação média das cristas. Os mais importantes acidentes tectónicos de direção NW-SE acompanham a Bacia Carbonífera do Douro em toda a sua extensão, coincidindo, em parte, com a superfície principal do Anticlinal de Castelo de Paiva. Outro importante sistema, de orientação NE-SW, com desligamentos esquerdos, é praticamente perpendicular ao anterior. A origem destes acidentes está relacionada com as fases compressivas (D1, D3) da orogenia varisca nas quais o campo de tensões vigente apresenta a compressão principal máxima com orientação aproximada NESW. Posteriormente, nos tempos tardi-variscos (pós-fase D3) conducentes a fracturação frágil,
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 19 Como principais fatores desencadeantes dos desabamentos encontram-se os fatores naturais, a precipitação, o aumento das pressões da água no seguimento de infiltrações, a erosão do material vizinho nos pontos de apoio, decorrentes de chuva intensa, os sismos, a criosclastia, a termoclastia, da degradação química e alteração da rocha e como fatores biológicos o crescimento de raízes podem abrir mais fraturas no bloco rochoso (Flageollet & Weber, 1996). Como causas antrópicas são, a abertura de taludes para construção de estradas ou edifícios e escavações e construção de aterros que poderão ser impulsionadas pela força da gravidade exercida com peso da massa substancial do bloco rochoso, do solo ou dos detritos. Neste processo de desencadeamento origina uma queda brusca, ou seja muito rápida, potencialmente muito destrutiva (Varnes, 1978; Highland & Bobrowsky, 2008) O declive da vertente tem uma relação direta com o movimento, é importante para a continuidade do movimento. Fatores como a geometria do talude, nomeadamente a inclinação, forma do bloco e a cobertura do talude condicionam a sua queda. Os movimentos tendem a ser muito rápidos (Figura 9) deste a rotura inicial até à imobilização da massa deslocada, em queda livre se o declive for superior a 70º, em saltação com declives entre 45º e 70º, e com declives inferiores a 45º os blocos desabados ou partículas de solo passam a ter trajetórias de movimentação denominados por rolamento (Cruden e Varnes, 1996). Figura 9 - Modo de deslocação de materiais rochosos em função do declive da vertente abaixo das áreas de rutura (adaptado de Ritchie, 1963 in Dorren, 2003); As formas de rotura poderão ser planares, em cunha, em escadaria ou verticais (Flageollet & Weber, 1996). Na literatura cientifica alguns autores fazem distinção entre queda de blocos isolados ou em grupo e queda de blocos de grandes dimensões. A deslocação dos blocos pela vertente é controlada pela forma e dimensão do bloco, pelo ângulo das facetas de terreno onde ocorre o impacto e pela orientação, pela deformação e estado da rocha ou solo e pela absorção do impacto pelo coberto vegetal (Flageollet e Weber, 1996), visível na figura 10.
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 20 Figura 10 - Desabamento com aprisionamento de blocos pela vegetação na base do afloramento quartzítico. (A) Alto de S. Domingos. (B) Alto de Pedorido. O balançamento ou tombamentos (topple), caraterizam-se pela rotação de uma massa de solo ou rocha, a partir de um ponto ou eixo situado abaixo do centro de gravidade da massa afetada” (WP/WLI, 1993) (Figura 11). Este movimento de vertente ocorre pela acão gravítica que as massas de solo ou rocha exercem na vertente localizado a montante da massa deslocada, pelas forças laterais exercidas pelos materiais e fluidos que preenchem nas fraturas e diaclasses e pelo efeito que a água e o gelo podem exercer nas fraturas que existem na vertente (Cruden e Varnes, 1996). Figura 11 - Balançamento de Cruden e Varnes (1996) adaptado por Highland e Bobrowsky (2008) O deslizamento (slide) carateriza-se de acordo com (WP/WLI (1993b: 6-2), como um “movimento de solo ou rocha que ocorre dominantemente ao longo de planos de rotura ou de zonas relativamente estreitas, alvo de intensa deformação tangencial”. Os deslizamentos dividem-se em rotacionais e translacionais de acordo com o tipo de rutura tangencial e das características do material afetado, a massa deslocada durante o movimento permanece em contacto com o material subjacente não afetado, apresentando graus de deformação bastante variáveis, consoante o tipo de deslizamento” (Zêzere, 2000). Os deslizamentos rotacionais acontecem ao longo de superfícies de roturas curvas e côncavas e principalmente em materiais homogéneos (Cruden e Varnes, 1996) em forma de parabólica (Figura 12). A superficie de rutura e do cisalhamento é circular, em forma oval, com pouca deformação interna da massa deslocada (Buma & Van Ash, 1996a; Cruden e Varnes, B A
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 21 1996). Os deslizamentos podem ser simples, múltiplos e sucessivos e a sua identificação no campo é facilitada por elementos morfológicos característicos deste movimento. Figura 12 - (A) Deslizamento simples. (B) múltiplo. (C) sucessivo. (adaptado de Hutchinson, 1988) (D) Deslizamento rotacional de Cruden e Varnes (1996) Os deslizamentos translacionais com rutura planar associam-se e verificam-se ao longo de uma superfície de rutura planar ou pouco ondulada, sendo que a massa deslocada projetase para mais longe da superfície do deslizamento. Este movimento resultam ao longo de superfícies fragilizadas com a existência de descontinuidades (falhas, fraturas), contatos litológicos, diáclases e planos de estratificação (Cruden & Varnes, 1996) Os deslizamentos não rotacionais com superfície de rutura compósita (Figura 13), encontram‐se na transição entre os deslizamentos rotacionais e os translacionais de rutura planar (Zêzere, 1997). A superfície de rutura apresenta uma cicatriz principal abrupta, aplanada em profundidade e na sua frente verifica‐se inclinações em direção da cabeceira (Cruden & Varnes, 1996). Figura 13 - Deslizamento translacional de Cruden e Varnes (1996) A expansão lateral (lateral spreading) é explicada como uma “extensão de um solo coesivo ou massa rochosa combinada com uma subsidência geral da massa coesiva fraturada do material subjacente mais brando (Figura 14). Na superfície de rutura não se confirma um cisalhamento intenso, pode resultar da liquefação ou extrusão e escoada do material brando subjacente” (WP/WLI, 1993b:6-2). A expansão lateral em rocha é um processo com uma movimentação muito lenta, enquanto na expansão lateral em solos é um mecanismo extremamente rápido. D
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 22 Figura 14 - Esquema da expansão lateral de Cruden e Varnes (1996) O fluxo ou a escoada (flow) associa-se a um “movimento com superfícies de tensão tangencial são efémeras e frequentemente não preservadas (Figura 15). A distribuição das velocidades na massa deslocada assemelha‐se à de um fluido viscoso” (WP/WLI, 1993b: 6‐2) Apresenta grande número de tensões em toda a massa afetada, levando a uma grande deformação interna dos materiais e a diferentes velocidades na sua maioria superiores junto à superfície (Carson & Kirkby, 1975). Envolvem diferentes tipos de materiais e tem origem em bloco muitos fraturados. Os fluxos podem ser de 3 tipos, de rocha, de lama e de detritos. Os fluxos em rochas são deformações gravíticas, que afetam blocos rochosos estratificados nas vertentes montanhosas (Zêzere, 1997). As escodas de detritos apresentam uma mistura de materiais heterogéneos finos, como argila e areias, e grosseiros, como calhaus e blocos desagregados, acompanhados de água, formando uma massa em direção á base da vertente, por ação da força da gravidade (Corominas et al., 1996). Geralmente são movimentosmuitos rápidos e destrutivos (Gomes, 2006), desencadeados por precipitação intensa e controlado pela topografia da vertente. Figura 15 - Esquema de fluxo ou escoada de Cruden e Varnes (1996) Os movimentos complexos associam a combinação de dois ou mais tipos de movimentos (Varnes, 1978). Este tipo de movimentos acontece naturalmente pois existem fatores e mecanismos a intervirem no decorrer do movimento e os materiais alteram-se. O movimento pode começar com queda de blocos, que em virtude da queda podem fragmentar-se e logo de seguida pode transformar-se num fluxo de detritos e são transportados ao longo de uma vertente.
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 23 Capitulo 3-Metodologias 3.1 - Métodos de avaliação da suscetibilidade a movimentos de vertente O modelo conceptual de avaliação da suscetibilidade implica a determinação espacial da probabilidade de ocorrência de movimentos de vertente, essencial para a predição do “Onde?”, previsão da ocorrência de novas áreas instáveis (Guzzetti et al., 1999). Neste estudo a suscetibilidade corresponde à incidência espacial do perigo, que representa a propensão de uma área para ser afetada por um determinado perigo (desabamento), em tempo indeterminado, avaliada com recurso a fatores de predisposição para a ocorrência dos processos, não contemplando o seu período de retorno ou a probabilidade de ocorrência (Zêzere, 2010). Para efetuar uma avaliação da suscetibilidade a movimentos de vertente aplica-se um conjunto de métodos e técnicas, que destinam-se a prever o evolução da instabilidade, alguns destes métodos tem aplicação local, com dados detalhados, outros destinam-se a grandes áreas, com escala pequena com base em modelos de análise, (i.e, regional e municipal). Atualmente o modelo concetual de avaliação encontra-se estabilizado sendo adotado pela comunidade científica um conjunto de etapas uniformemente aceites, que foram melhoradas ao longo das últimas décadas. As fases observam a realização do inventário de movimentos de vertente, a definição da modelação da suscetibilidade e a validação. No entanto ainda existem algumas incertezas quais os melhores modelos preditivos (Van Den Eeckaut et al., 2010) Os movimentos de vertentes deixam uma marca morfológica que possibilita o seu reconhecimento, classificação e daí obter cartografia. As condições que originam os movimentos de vertente através dos fatores de instabilidade, de forma direta ou indireta, são identificáveis, podendo ser registados e utilizados para construir modelos preditivos. A conceção de um modelo de suscetibilidade é o objetivo principal de uma avaliação da suscetibilidade à ocorrência de um movimento de vertente. O modelo alcançado é o resultado de procedimentos com aplicação de uma metodologia, que daí é necessário um conjunto de métodos de avaliação. Neste sentido a avaliação à suscetibilidade origina a conceção de mapas de zonamento, onde a área de estudo é classificada com diferentes hierarquias de suscetibilidade, com relações estatísticas entre o inventário de fontes de movimentos de vertente e os fatores de predisposição. “Os métodos para hierarquizar os fatores de instabilidade de vertentes e atribuir os diferentes níveis de suscetibilidade podem ser qualitativos ou quantitativos e diretos ou indiretos” (Guzzetti et al., 1999).
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 24 Nos movimentos de vertente, os métodos de avaliação da suscetibilidade poderão ter uma abordagem direta, sendo esta subjetiva e dependem da forma de quem avalia a suscetibilidade sendo realizada de forma descritiva (qualitativa). Pela abordagem indireta que é essencialmente quantitativa, desenvolvem-se em diferentes etapas, geram estimativas numéricas ou probabilidade de suscetibilidade de ocorrência de movimentos numa área de estudo e apoiamse nas leis da física e em relações estatísticas, para gerar cartografia com rigor. Os métodos avaliação da suscetibilidade podem ser divididos em diferentes categorias (Guzzetti et al., 1999), em cartografia direta, através do método geomorfológico e métodos heurísticos ou baseados em indexação, em cartografia indireta, através de análise de inventários de movimentos de vertentes, modelos matemáticos de base físicos ou geotécnicos e modelos estatísticos, nestes modelos encontra-se o método do valor informativo utilizado nesta investigação. O gráfico 1 apresenta um esquema simplificado das principais tipologias de métodos de avaliação da suscetibilidade geomorfológica. Gráfico 1 - Classificação das metodologias de avaliação da suscetibilidade (adaptado de Guzzeti et al 2009) Este conjunto de metodologias de avaliação da suscetibilidade apoiam-se no pressuposto que os futuros movimentos de vertente têm uma maior probabilidade de ocorrer em condições Modelos de avaliação da suscetibilidade Cartografia Direta Métodos Qualitativos Cartografia Indireta Método Geomorfológico Método Heurístico Análise de inventários Modelos matemáticos de base física Modelos estatísticos Métodos Quantitativos Modelos estocásticos Modelos determinísticos Métodos bivariados Modelos Multivariados Valor Informativo
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 25 muito semelhantes que determinaram a instabilidade passada (Zêzere et al., 2004), através da aplicação princípio do uniformitarismo. A utilização do Principio do Uniformitarismo, indica que “o passado é a chave para o futuro”, neste sentido as relações entre a instabilidade passada e o conjunto de fatores de predisposição poderão ser usados para prever os futuros movimentos de vertente. Neste seguimento, descrevem-se as caraterísticas individualizando cada método, definindo as potencialidades e limitações. Na avaliação por abordagem qualitativa e direta, também conhecida por método de cartografia direta (experience driven method), os métodos baseiam-se na cartografia geomorfológica de pormenor e dependem do conhecimento e capacidade de quem avalia, baseado na sua experiencia e avaliação pessoal (Carrara, 1984) de reconhecimento do terreno atual e conseguir avaliar evoluções e consequências futuras de acordo com fatores de predisposição identificados. Neste sentido, neste método, poderão ser analisadas as condições únicas que causam instabilidade numa dada região, uma vez que é avaliado localmente. No entanto neste método poderá haver desvantagens, a abordagem é subjetiva e é complementada em todas as fases de uma investigação e deste modo para mesmo local poderão existir mapas de zonamento diferentes, o que causa incerteza na avaliação da suscetibilidade de diferentes investigações. Deste fato prende-se da não uniformização neste método das regras que avaliam a suscetibilidade e zonamento de uma área de estudo. A validação dos mapas de suscetibilidade por este método não pode ser efetuada de imediato, só poderão ser validados posteriormente quando ocorrerem novos movimentos de vertente na área em estudo (Piedade, 2009). No entanto, a avaliação efetuada pela abordagem direta, por geomorfólogos com grande capacidade e experientes poderá resultar em mapas fiáveis, credíveis e robustos com grande aplicabilidade no território (Van Westen et al., 2000). Na avaliação por métodos indiretos na determinação da suscetibilidade, baseiam-se nos fatores de predisposição ou fatores condicionantes envolvendo um conjunto de processos associados por fases distintas (Guzzetti, 2005). O zonamento é definido pela investigação das causas da instabilidade e é determinado uma avaliação quantitativa da suscetibilidade (Zêzere, 2010). Neste método tem que haver uma definição prévia da unidade de representação cartográfica ou unidades de terreno. Esta abordagem inicia-se com a realização do inventário da distribuição espacial dos movimentos de vertente de uma área de estudo, que será a variável dependente, seguidamente a identificação dos fatores de predisposição que estão diretamente e indiretamente correlacionados com a instabilidade da vertente, que serão as variáveis independentes. Cada fator de predisposição terá um peso ou uma contribuição na avaliação na
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 26 instabilidade das vertentes e classifica-se a área em diferentes graus de suscetibilidade (Guzzetti et al., 1999). Os métodos heurísticos são sustentados pelo conhecimento assumido por parte dos investigadores das causas e fatores potenciadores da instabilidade da vertente e o seu controlo que exercem nos movimentos de vertente numa área de estudo (Zêzere, 2010). Destaca-se que a aplicação do método heurístico faz-se por abordagem indireta, mas com uma avaliação qualitativa, estes dependem do nível de conhecimento, compreensão e análise do investigador sobre os processos da instabilidade geomorfológica ativa no terreno da área em estudo. Deste modo aos fatores de instabilidade (mapas temáticos) são atribuídas ponderações e são hierarquizados, tendo como suporte no peso que é atribuído por quem avalia (investigador), com base na importância de possibilidade de causar instabilidade da vertente (Soeters & Van Westen, 1996). Este método apresenta como principais limitações, a validação só é possível quando ocorrerem novos movimentos de vertente, requer um conhecimento dos fatores de instabilidade e a subjetividade relativo à atribuição de ponderações dos investigadores aos fatores de instabilidade. Como vantagens, neste método as operações de modelação poderão ser realizadas na sua totalidade num SIG, podendo estandardizar e administrar as informações, desde o início da aquisição dos dados até à fase final da análise. No método com base na análise dos inventários de movimentos de vertente tenta prever os padrões futuros de instabilidade de vertentes com base na distribuição dos movimentos de vertente presente e passados. É possível realizar mapas por cada tipo de movimentos de vertente, comparar a sua distribuição espacial com diferentes mapas de factores de condicionante, calcular a presença ou ausência de um determinado tipo de movimento de vertente e estimar a área total afectada (Pereira, 2009). Este método é indirecto e quantitativo e, a partir dele, podem realizar-se mapas de densidade de movimentos de vertente. Os mapas de densidade demonstram a percentagem de área instabilizada ou o número de ocorrências numa área de estudo (Guzzetti, 2005). Estes requerem a utilização de cartografia administrativa, (concelho, freguesias) e poderão ser uma base de trabalho para a utilização com outros métodos de zonamento da suscetibilidade a movimentos de vertente. Como limitações, a densidade de movimentos assumem-se contínua no espaço e não fornece uma estimativa dos movimentos de vertentes futuros. .
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 27 Os modelos matemáticos de base física sustentam‐se em leis físicas e mecânicas que controlam a instabilidade das vertentes, compreendem a conservação da massa e de energia ou o equilíbrio das forças e força cinética (Pereira, 2009; Montgomery & Dietrich, 1994., in Aleotti & Chowdhury, 1999). Nos modelos matemáticos de base física, existem os determinísticos e estocásticos. Os modelos deterministas fundamentam-se na caracterização física do fenómeno, enquanto os modelos estocásticos apoiam-se em estatísticas evidenciadas pelo fenómeno. Os métodos geotécnicos são aplicados à análise da estabilidade de vertentes em pequenas áreas ou vertentes específicas, a uma grande escala. As propriedades físicas são quantificadas e aplicadas a modelos matemáticos específicos, permitindo calcular o Factor de Segurança. Normalmente, estes modelos são aplicados na engenharia de solos para estudos de estabilidade em vertentes específicas, para um determinado tipo de movimentos de vertente e em áreas homogéneas. Por isso, são bastante utilizados por engenheiros civis e engenheiros geólogos para a avaliação e cartografia da perigosidade a movimentos de vertente (Pereira, 2009). O índice de estabilidade ou Factor de Segurança baseia-se num modelo geotécnico que requer informação detalhada sobre a geometria da vertente, sobre os parâmetros de resistência ao cisalhamento (coesão e ângulo de atrito interno) e sobre a pressão de água nos poros (Aleotti & Chowdhury, 1999). É ainda necessária informação sobre a espessura do solo e sobre a profundidade e geometria do plano de ruptura potencial (Soeters & Van Westen, 1996). Os modelos estatísticos são métodos de avaliação de suscetibilidade indiretos e quantitativos, podendo ser bivariados e multivariados. Possibilitam avaliar quantitativa e objetivamente a suscetibilidade, permitindo validar o modelo preditivo e avaliar a importância de cada fator de predisposição com as áreas instabilizadas (Guzzetti, 2005). Entre os fatores de predisposição são determinadas combinações com relações estatísticas que originaram as ocorrências no passado. Deste modo, como o passado é chave do futuro, os fatores serão os mesmos que irão prever a instabilidade no futuro. Na análise estatística multivariada, subsiste uma ponderação dos fatores casuais que controlam a ocorrência da instabilidade, indicando a contribuição relativa de cada um destes fatores para o grau de suscetibilidade em cada unidade de terreno. Deste modo a análise fundamenta-se na presença ou ausência de condições ou processos de instabilidade em cada unidade de terreno (Süzen & Doyuran, 2004). Neste método as análises estatísticas mais usadas são a regressão múltipla (Wieczorek et al., 1996) e a análise discriminante (Carrara et al., 1991).
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 28 Nos modelos de estatística bivariada cada fator é confrontado com a instabilidade, os valores de ponderação de cada classe de cada fator é definido com base na densidade de movimentos presente em cada classe (Aleotti & Chowdhury, 1999). Neste modelo implica o cumprimento de etapas bem definidas, tais como: 1. Seleção e divisão em classes da cartografia (i.e., litologia, declives) 2. Realização do inventário de movimentos de vertente, 3. Identificação e caraterização dos fatores de predisposição que estão relacionados com a instabilidade das vertentes, 4. Sobreposição e avaliação das relações estatísticas entre os fatores de predisposição e o inventário; 5. Determinação da densidade dos movimentos de vertente por classe de cada um dos fatores de predisposição e cálculo das pontuações; 6. Atribuição aos mapas as pontuações com a distribuição espacial dos fatores; 7. Realização do cálculo final do valor de suscetibilidade para cada unidade de terreno identificado. A grande vantagem deste modelo, o investigador que realiza a análise permite decidir quais os melhores fatores ou combinações de fatores e a importância de cada um, para uma boa avaliação da suscetibilidade (Van Westen et al., 2003). Como desvantagens, destaca-se que aplicação deste método está limitada quando o inventário está incompleto e á qualidade da cartografia, que de certa forma influenciam a robustez do modelo e a tendência de utilizar os mesmos fatores de predisposição ou utilizar aqueles que são facilmente disponíveis para a área em estudo. Segundo Alleotti e Chowdhury (1999) e Süzen e Doyuran (2004), podem ser utilizados diversos métodos estatísticos para calcular os valores ponderados, como por exemplo o método do valor informativo, método do Weighs of Evidence, regras da combinação Bayesiana, factores de certeza, método de Dempster-Shafer e a lógica difusa. Todos estes métodos podem ser aplicados em software SIG com pacotes de análise estatística. Seguidamente apresenta-se o método estatístico bivariado aplicado neste trabalho, na modelação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos em Castelo de Paiva. O mesmo foi aplicado nos trabalhos de (Zézere, 1997) na avaliação da suscetibilidade à ocorrência de movimentos de vertente na região de Lisboa, (Pereira, 2009) na perigosidade a movimentos de vertente na região norte de Portugal e na modelação da suscetibilidade à rotura e propagação de desabamentos na Arrábida (Presas, 2012)
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 35 3. Crescimento diferenciado da vegetação nas vertentes; 4. Interrupção da vegetação nas áreas de vegetação densa. Durante a fase inicial dos registos de ocorrências no inventário, foram interpretados e delimitadas localizações de abruptos rochosos. Em certos casos as evidências são claras e com a presença de declives muito elevados, as mudanças e ausência da vegetação devido aos incêndios que alteraram de forma significativa a evolução das condições de equilíbrio dos blocos rochosos facilitaram a tarefa. Realça-se que os incêndios levaram a que os afloramentos rochosos ficassem mais expostos, potenciando a ação dos fatores, em especial a erosão superficial, o que conduziu à queda de blocos ao longo das vertentes. Porém não foi possível preencher a totalidade dos campos existentes nos formulários, porque algumas evidências de fontes e de depósitos não eram visíveis ou foram parcial ou totalmente apagadas por ação antrópica. A interpretação da paisagem, através da correlação entre a realidade de campo e a fotografia aérea permite uma delimitação prévia das unidades de limites de desabamentos, que permite um melhor preparação do trabalho de campo. As técnicas ou métodos de fotointerpretação utilizados para levantamento dos limites de desabamentos foram os seguintes: 1 - Análise de padrões Os elementos padrões são indicativos de condições superficiais e subsuperficiais. (forma da fonte de desabamento, forma do terreno, aspetos erosivos, vegetação, tonalidade fotográfica). Segundo Goosen (1968), as características da superfície da terra, estão diretamente relacionadas com o solo. A análise dos elementos ou parâmetros fotográficos, numa imagem, é feita separadamente em diversos elementos como por exemplo: a dimensão, a forma, a sombra, os tons ou cores, a textura, o padrão e a localização. Na figura 19 estão presentes os procedimentosutilizados na fotointerpretação: Figura 19 - Procedimentos na fotointerpretação das fontes de desabamentos
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 36 O Reconhecimento e Identificação surgem nas assimilações das observações dispersas que realizamos numa apreciação global da paisagem. A análise abrange ao estudo do conjunto, do global, para dele desagregar os elementos constituintes e estabelecer as relações com o todo. A Dedução, integra os objetos não diretamente percetíveis. A dedução submete a um raciocínio. Esta fase foi a mais demorada, pois requeria conhecimentos da área para realizar correlações com os ortofotomapa. Posteriormente foi efetuado a interpretação diretamente no ortofotomapa e após a individualização da observação, foi realizado a delimitação. Na parte final do procedimento da interpretação foi realizado a classificação e idealização, no entanto, ainda dependente pelo trabalho de campo, esta etapa pode ser considerada como a finalização do trabalho de gabinete. Os abruptos rochosos que foram inventariados na primeira fase de reconhecimento com o auxílio dos ortofotomapas foram pré-validados com o orientador da investigação. Esta tarefa é muito importante, o que pode significar uma diminuição da duração no trabalho de campo. Os resultados desta fase, foi esclarecido que alguns abruptos que foram delimitados tinham que ser ajustados ou retirados. Os resultados alcançados nestas duas primeiras fases da conceção dos registos no inventário de fontes de desabamentos, houve diferenças entre a primeira identificação na interpretação do ortofotomapa e a pré-validação. Inicialmente foram identificados 164 áreas de rotura interpretada através dos ortofotomapas, no entanto na pré-validação houve uma redução de 2 fontes de desabamentos. Nesta fase o inventário das fontes de desabamentos é demonstrado numa tabela onde estão presentes todos os limites inventariados que foram interpretados por fotointerpretação, pré-validados. Na análise à tabela 3 verifica-se pouca diferença entre os limites de desabamentos que no método indireto, sobre os ortofotomapas foram identificados, com prévalidação (164 polígonos, no total). Tabela 3 - Inventário de desabamentos sobre ortofotomapa e pré-validado Limites de desabamentos Interpretados pelo critério de fotointerpretação do ortofotomapa Pré-Validação Diferença Nº % Fontes de rotura Total 164 162 2 1,02 Na figura 20 estão representadas exemplos de delimitações vetorizadas no decurso do preenchimento da base de dados geográfica no ArcCatalog na 1ª fase da inventariação com
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 37 recurso à fotointerpretação. Foram localizadas e delimitadas áreas de rotura, na base de dados geográfica foi atribuído o nome de fontes de desabamentos. Figura 20 - Delimitações efetuadas. A) e C) Abrupto rochoso vetorizado por fotointerpretação, B) e D) Abruptos rochosos no Alto de S. Domingos. O procedimento para a validação do inventário de fontes de desabamentos (metodologia direta) é de extrema importância para a análise da suscetibilidade. É de grande relevância no sentido para verificar se os abruptos rochosos ou áreas de rotura que foram bem identificados e se têm os seus limites bem assinalados e vetorizados para posteriormente estarem em conformidade para iniciar o processo de modelação como variável dependente e deste modo avançar para processamento das variáveis independentes para integração na modelação. O trabalho de campo é imprescindível na validação do inventário, desta forma o reconhecimento de indícios de áreas instabilizadas identificadas de forma indireta têm de ser validados no local. A validação de campo, decorreu durante nos meses de Dezembro de 2013 e Janeiro de 2014, onde foram percorridas e observadas todas as áreas identificadas que foram vetorizadas na fase de interpretação e de pré-validação (Figura 21).
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 38 Figura 21 - Trabalho de campo.A) Alto de S. Domingos. B) Elevações em Pedorido. C e D) Alto de S. Gens A interpretação de fontes de rotura com recurso aos ortofotomapas somente identifica abruptos rochosos de grandes dimensões, pelo que abruptos de pequenas dimensões têm que ser reconhecidos presencialmente, para não conferir erro ao inventário, seguidamente foi realizado o trabalho de campo. O inventário é parte fundamental na modelação e validação da cartografia de suscetibilidade à ocorrência de desabamentos, é imprescindível que se faça a validação. A identificação de fontes de desabamentos presencialmente na área de estudo é de grande relevância e valia. No trabalho de campo confirmaram-se as situações que reconheci por fotointerpretação, contudo foram detetadas e apuradas novas áreas de rotura de difícil identificação que por reconhecimento através dos ortofotomapas com o auxílio da altimetria não foram possíveis constatar. Foram vários os aspetos que dificultaram o reconhecimento através da fotointerpretação, tais como, vários abruptos rochosos dissimulados sob a vegetação, abruptos rochosos encontrados em áreas com intervenção antrópica, nomeadamente com o rebentamento de taludes para a abertura de caminhos e estradas e nas práticas de reflorestação em data posterior aos do ortofotomapas. A B C D
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 39 A localização destas novas áreas de rotura encontradas no trabalho de campo registaramse com recurso à ficha de inventário de desabamentos, posteriormente foram introduzidas novas informações na base de dados que corresponde à variável dependente (Inventário de desabamentos), como também foram vetorizados os novos limites no projeto SIG. Além da deteção de novas fontes de desabamentos, observei que alguns limites vetorizados tinham que ser ajustados, ou seja, por reconhecimento com recurso ao ortofotomapa a área do abrupto era de menor dimensão, que na presença no local foi possível verificar que detinha maior dimensão. Neste sentido houve fatores como a vegetação que interferiu no meu reconhecimento. Na figura 22 apresentam-se os exemplos A e B, de afloramentos de quartzitos de idade do ordovicico origina um declive local próximo de 30°, onde é possível identificar abruptos rochosos. Figura 22 - Afloramentos rochosos de quartzitos. A) Alto de Pedorido. B) Alto de S. Domingos O inventário final das fontes de desabamentos é demonstrado e explicado na tabela 4, onde estão presentes todos os limites inventariados que foram interpretados por fotointerpretação, pré-validados e validados em trabalho de campo. Tabela 4 - Inventário final das fontes de desabamentos sobre o ortofotomapa, pré-validado e validado e trabalho de campo Limites de desabamentos Interpretados pelo critério de fotointerpretação do ortofotomapa Pré-Validação Validação em trabalho de campo Fontes de rotura Total 164 162 166 A figura 23 apresenta o mapa de inventário de ocorrências de fontes de desabamentos que foram validadas em trabalho de campo. Na distribuição espacial das fontes de desabamentos, são visíveis a sua concentração a longo de dois alinhamentos fundamentais, que correspondem, de Noroeste para sudeste com litologia de quartzitos. As cristas quartzíticas com abrupto rochoso encontram-se ao longo A B
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 40 destes alinhamentos, a primeira faixa a Norte, localizam-se nos altos de S. Paul (359m) e S. Gens (328m), na faixa Sul, no alto de Pedorido (247m), Alto de S. Domingos (421m), Paraduça (489m), Lobão (512m) e Alto S. Adrião (640m). Encontra-se algumas evidências de desabamentos nos granitos, a nordeste no alto de Bairros (250m) mas tem menos indícios de instabilidade. Figura 23 - Inventário com a totalidade das 166 fontes de desabamentos identificados a partir da interpretação de ortofotomapas e trabalho de campo. 3.4 - Bases cartográficas e processamento das variáveis utilizadas na modelação A cartografia de base utilizada nesta investigação e no processamento das variáveis foi obtida em diversas fontes (Tabela 5). A base cartográfica, ortofomapas digitais de 2008, à escala 1/10 000, com uma resolução espacial de 0,25m foram cedidas pela Câmara Municipal de Castelo de Paiva, georreferenciadas pelo Instituto Geográfico Português (IGP). Desta base cartográfica foi criado o tema do Inventário de fontes de desabamentos. A CAOP - Carta Administrativa oficial de Portugal de 2014 foi obtida recorrendo à Direção Geral do Território (DGT) preservando os metadados originais. O objetivo desta base cartográfica é a utilização dos limites administrativos da área de estudo.
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 41 A carta de ocupação dos solos de 2007 (COS2007) nível II foi cedida pela Câmara municipal de Castelo de Paiva produzida pelo IGP, à escala 1/25 000. A informação altimétrica vetorial foi fornecida pela Câmara Municipal de Castelo de Paiva à escala 1/10 000, possuindo as curvas de nível de equidistância de 10 metros. Recorrendo às curvas de nível e de pontos cotados à escala 1:10 000 foi produzido o tema Modelo Digital de Terreno (MDT), do qual foi extraída informação derivada nomeadamente as exposições das vertentes, declives e curvatura das vertentes. A seleção das variáveis independentes, estas utilizadas como fatores de predisposição são as que geram a instabilidade de vertentes e constitui uma tarefa essencial na avaliação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos. As variáveis selecionadas têm capacidade de indicar em que condições geraram a instabilidade no passado. O número de fatores predisposição utilizados é de acordo com a escala de trabalho, com metodologia de avaliação da suscetibilidade e disponibilidade e qualidade dos dados cartográficos. A escolha das variáveis a utilizar como fatores de pré-disposição na área de estudo, teve em consideração o guia metodológico para a produção de cartografia de risco e para a criação de Informação Geográfica de Base Municipal, proposta de Julião et al (2009), em que definem as variáveis independentes a utilizar, o declive, formações superficiais, as exposições das vertentes, a curvatura das vertentes, o uso do solo e a litologia. Nesta investigação e para esta área de estudo definiram-se como fatores de predisposição: a litologia, o uso do solo e 3 variáveis derivadas do MDT, o declive, exposições das vertentes e curvatura das vertentes. Estes fatores de predisposição inerentes ao terreno são frequentemente estáticos, condicionam o nível de instabilidade potencial das vertentes e determinam a variação espacial do grau de suscetibilidades do território à instabilidade (Zêzere, 2005). A avaliação da suscetibilidade realizada em SIG, facilita a combinação das variáveis independentes a utilizar como fatores de pré-disposição e as variáveis dependentes e reduz a duração de processamento. Para além da rapidez do processamento, a informação geográfica necessita de ter o mesmo sistema de referenciação, escala de trabalho, e deverá estar organizada numa base de dados geográfica com informação de cada variável utilizada na modelação. A avaliação da suscetibilidade, com base num conjunto de fatores de predisposição, requer que previamente seja definido o tipo de unidade de terreno (Terrain Mapping Unit) mais adequado (Guzzetti, 2005). A utilização de unidade de terreno de grande resolução, célula de 5 x 5 m, facilita a identificação de potenciais áreas instáveis com grande precisão espacial (Frattini et al. 2010). Nesse sentido para este trabalho optou‐se pela resolução recomendada em função da escala, células de 5 x 5 m, o que permite uma maior aproximação à resolução máxima do
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 42 terreno. A vantagem principal destas unidades cartográficas estarem com o mesmo valor de células entre as variáveis (dependente e independente) é a criação de uma matriz que simplifica e facilita o processamento dos dados num projeto SIG. O Sistema de coordenadas utilizadas em todo o processamento, construção da base de dados geográficas no Arcatalog e em todos os mapas foi o ETRS89 - Sistema de Referência Terrestre Europeu. Tabela 5 - Base cartográficas utilizadas no processamento das variáveis Base cartográfica Fonte Escala Temas criados Ortofotomapas digitais (2008) Câmara Municipal de Castelo de Paiva Instituto Geográfico Português 1/10 000 Resolução espacial – 0,25 Inventário de desabamentos Cartas militares Nº134,135,144,145 Igeoe – Instituto Geográfico do exército 1/25 000 Altimetria e Planimetria Câmara Municipal de Castelo de Paiva Instituto Geográfico Português 1/10 000 MDT Declives Exposições das vertentes Curvatura das vertentes Carta geológia de Portugal 13-B Câmara Municipal de Castelo de Paiva Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG) 1/50 000 Unidades litológicas Carta de ocupação do solo Cos 2007 Câmara Municipal de Castelo de Paiva Instituto Geográfico Português 1/25 000 Classes de ocupação dos solos CAOP - Carta administrativa de Portugal 2014 Direção geral do território (DGT) 1/25 000 Limites administrativos oficiais ao nível da freguesia, município e distrito Referenciação Geográfica Sistema de referência Elipsóide de referência Projeção cartográfica PT-TM06/ ETRS89 GRS80 (Geodetic Reference System 1980) Transversa de Mercator O pré-processamento das variáveis são processos de modificação da representação vetorial e matricial, no qual vai derivar uma nova informação, onde podemos classificar e reclassificar os dados. Esta fase prévia de pré-processamento tem a finalidade das variáveis dependentes e independentes estarem em conformidade entre si para poderem realizar análises, relações e cálculos estatísticos. Neste sentido o esquema metodológico da figura 24, evidencia este processo com o objetivo principal de integrar estas variáveis (dependente e independentes) num projeto SIG, com a utilização da unidade cartográfica de representação definida neste trabalho (células de 25m2) em todas as variáveis.
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 43 Figura 24 - Esquema metodológico praticado no pré-processamento das variáveis utilizadas na modelação e projeto SIG delimitadas à área de estudo 3.4.1 - Variável dependente A variável dependente é a variável que se pretende avaliar e depende das variáveis independentes. O procedimento iniciou-se com a elaboração de uma base de dados geográfica com o nome de “Inventário de fontes de desabamentos” armazenada com referências cartográfica e geométrica das fontes delimitadas. A estrutura do registo do inventário foi elaborada numa base de dados, com a incorporação das cartas militares, ortofotomapas e fotografia de cada limite de desabamento. No projeto SIG foram vetorizados os limites correspondentes às fontes de desabamento, às áreas de acumulação traduzidas em depósitos de blocos e/ou blocos isolados, através da interpretação dos ortofotomapas e devidamente validado em trabalho de campo. Neste seguimento foi transformado o inventário que estava em estrutura de dados vetorial em estrutura matricial (Figura 25) com a unidade cartográfica
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 44 de representação estipulada nesta investigação, célula de 5m, ou seja, foi transformado a variável dependente em matriz com o pixel de 5x5m (Tabela 6). Tabela 6 - Comparação da área instabilizada das fontes de desabamentos na conversão dos dados em formato vetorial para o matricial, em células de 5x5m (25m2) Estruturas Estrutura vetorial (m2) Estrutura matricial (m2) Diferença entre estrutura vetorial e matricial (m2) Diferença entre estrutura vetorial e matricial (%) Área instabilizada Grupo total de fontes 95784,83 95550, 22 234,83 0,245 Figura 25 - Conversão de fontes de desabamentos em talude de estrutura vetorial (poligonos a amarelo) para uma estrutura matricial (quadrados castanhos) 3.4.2 - Variáveis independentes No processo de avaliação da suscetibilidade uma das etapas mais importantes é reunir informação cartográfica para a escolha dos fatores pré-disposição a utilizar na modelação da suscetibilidade, que irão determinar a propensão para a ocorrência de uma queda de blocos numa determinada área. No decurso da modelação e validação à ocorrência de desabamentos sob a forma de quedas de blocos, foram selecionadas e processadas 5 variáveis independentes. Neste subtema, são apresentadas e caracterizadas as cinco variáveis que foram ponderadas como fatores de predisposição para a modelação da suscetibilidade a desabamentos reclassificadas em pixéis de 5x5m.
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 51 Tabela 9 - Variáveis e classes dos fatores de predisposição utilizadas na modelação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos Código Classes Número de Pixéis Área ocupada (Km2) Frequência Relativa % Fontes de Informação Declives D1 <15 1962604 49,07 42,6 Modelo Digital do Terreno (Pixel=5m) D2 ]15-20] 1015896 25,40 22,1 D3 ]20-25] 795346 19,88 17,3 D4 ]25-30] 469436 11,74 10,2 D5 ]30-35] 221111 5,53 4,8 D6 ]35-40] 90486 2,26 2,0 D7 ]40-45] 33836 0,85 0,7 D8 >45 13103 0,33 0,3 Exposições das vertentes EXP1 Plano 301817 75,45 6,6 Modelo Digital do Terreno (Pixel=5m) EXP2 Norte 636827 159,21 13,8 EXP3 Nordeste 619831 154,96 13,5 EXP4 Este 476499 119,12 10,4 EXP5 Sudeste 417465 104,37 9,1 EXP6 Sul 433708 108,43 9,4 EXP7 Sudoeste 583779 145,94 12,7 EXP8 Oeste 570831 142,71 12,4 EXP9 Noroeste 561061 140,27 12,2 Curvatura das vertentes Curv1 Côncava (< -0,15) 1732176 43,30 37,6 Modelo Digital do Terreno (Pixel=5m) Interpretação Curvas de nível 1:10 000 Curv2 Plano (-0,15 - 0,15) 747056 18,67 16,2 Curv3 Convexa (> 0,15) 2122496 53,06 46,1 Uso do Solo UOS1 Territórios artificializados 236245 5,91 5,1 COS`2007 Nível II UOS2 Áreas de extração de inertes 4785 0,12 0,1 UOS3 Áreas agrícolas e agroflorestais 799327 19,98 17,4 UOS4 Florestas 3094281 77,36 67,3 UOS5 Vegetação arbustiva e herbácea natural 359924 9,00 7,8 UOS6 Zonas descobertas e com pouca vegetação 10486 0,26 0,2 UOS7 Corpos de água 95173 2,38 2,1 Litologia UL1 Aluviões 35879 0,90 0,79 Cartageológia (1:50 000 13-B) Vetorização UL2 Xistos 3072493 76,81 67,41 UL3 Conglomerados 270383 6,76 5,93 UL4 Corneanas Peliticas 88335 2,21 1,94 UL5 Filões de quartzo 5779 0,14 0,13 UL6 Quartzitos 206210 5,16 4,52 UL7 Granito profiroide de grão grosseiro a médio 792473 19,81 17,39 UL8 Granito Profiroide de grão fino 27976 0,70 0,61 UL9 Arcoses, xistos carbonosos 58658 1,47 1,29
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 52 Capitulo 4 - Avaliação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva No capítulo da avaliação da suscetibilidade a desabamentos no concelho de Castelo de Paiva o principal objetivo é a avaliação da suscetibilidade com recurso à modelação e validação e produção cartografia em ambiente SIG. A metodologia de elaboração do inventário de desabamentos foi apresentada no capítulo anterior, neste capítulo foram seguidos procedimentos metodológicos (Figura 32), apresentado uma análise à cartografia dos factores de predisposição da instabilidade de vertente, metodologias de modelação espacial da suscetibilidade e uma análise aos fatores mais importantes na definição dos resultados finais. Neste contexto estabelecem‐se as técnicas envolvidas e procedimentos específicos que constituem os objetivos gerais para a avaliação e validação da suscetibilidade: a) Procedimentos e metodologias na aplicação de método de avaliação da suscetibilidade, o método quantitativo de análise estatístico, o VI; b) Avaliação das relações estatísticas entre a variável dependente, o inventário de fontes de fontes de desabamentos e um conjunto de fatores de predisposição; c) Avaliar a capacidade preditiva dos modelos de suscetibilidade com base em critérios de partição aleatória dos inventários de movimentos de vertente; d) Classificação da suscetibilidade com base nas curvas de sucesso e predição e obtenção de cartografia de suscetibilidade; e) Análise sensitiva aos fatores de predisposição no melhor modelo de suscetibilidade Figura 32 - Esquema metodológico de avaliação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos Distribuição espacial Base de dados cartográfica Modelação da suscetibilidade Metodo estatistico Inventário de desabamentos Validação da suscetibilidade Declives Exposições Curvatura das vertentes Litologia Uso do solo MDT Partição aleatória Taxa de sucesso Taxa de Predição Valor Informativo Modelo Valor Informativo Análise sensitiva dos fatores do modelo Vectorização Mapas analógicos Mapa em formato shapefile Interpretação de ortofotomapas Levantamento de campo
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 53 4.1 - Fatores de predisposição A análise dos fatores de predisposição foi realizada após reunir informação necessária para produzir cartografia, o MDT e informação derivada, uso do solo à escala 1:25 000 e litologia à escala 1:50 000. Na análise das relações entre os desabamentos e um conjunto de factores de predisposição, as classes de declives com maior percentagem de fontes de desabamentos são as correspondentes a declives superiores a 25 graus, que ocupam 17,99 % da área de estudo. As 5 classes superiores a 25 graus definidas neste estudo, abrangem 73,39 % do total de fontes de desabamentos, neste sentido na área de estudo os desabamento ocorrem especialmente nas classes com declives acima dos 25 º. A classe inferior a 15º, tem uma reduzida percentagem de desabamentos, com 7,01%. O maior número de desabamentos inventariados não coincide obrigatoriamente com as áreas de maiores declives (Gráfico 2), comprovando a interferência de outros factores na instabilidade de vertentes e a área territorial é desigual entre as várias classes de declive. Gráfico 2 - Percentagem de área ocupada pelas classes de declive e respetiva percentagem de área total com desabamentos As 9 classes ponderadas na exposição das vertentes, indicam que não apresentam grande variação em termos de representação espacial (Gráfico 3). As exposições das vertentes na área de estudo estão condicionadas pela disposição do relevo e pela tectónica. A classe com menor percentagem de área relativa corresponde à classe Exp1 (áreas planas) com 6,56 % da área total, enquanto as classes com mais representação espacial pertence às classes Exp2 (Norte) e Exp3 (Nordeste) com 13,84% e 13,47% respetivamente da área total. Na área de estudo os desabamentos predominam nas exposições a NW, W, e N, que representam, respetivamente, 23,05%, 21,90%, e 14,36% da área de estudo. A exposição da vertente NW é a que apresenta 42,65 22,08 17,28 10,20 4,80 1,97 0,74 0,28 7,01 4,81 14,78 27,26 21,51 14,78 6,62 3,22 0,00 5,00 10,00 15,00 20,00 25,00 30,00 35,00 40,00 45,00 < 15 15 - 20 20 - 25 25 - 30 30 - 35 35 - 40 40 - 45 > 45 Percentagem Classes de declives % da área por classe % da área com desabamentos
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 54 maior percentagem de desabamentos devido à disposição do relevo dominante que relacionamse elevações essencialmente compostas por quartzitos, alinhados segundo a direcção NW-SE. As vertentes expostas ao quadrante Oeste (W, NW e SW) abrangem 55,65% dos registos de fontes de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva. Gráfico 3 - Percentagem de área ocupada pelas classes de exposições de vertentes e respetiva percentagem de área com desabamentos Nas vertentes de curvatura convexa (curv3) encontra-se 63,74% da área com fontes de desabamentos (Gráfico 4). Nas áreas com vertentes planas ou retilínea ainda se encontra uma percentagem de área com fontes de desabamentos com 7,12%, correspondentes a áreas aplanadas nas altitudes mais acentuadas do concelho, possuindo 16,23% de área relativa no concelho. Gráfico 4 - Percentagem de área ocupada pelas classes de curvatura das vertentes e respetiva percentagem de área com desabamentos A informação sobre a ocupação do solo foi retirada Carta de Ocupação do Solo (COS 2007) do IGP, à escala 1/25 000 em estrutura de dados vetorial, mantendo-se atualizada para a área em estudo e foi utilizada diretamente com a informação de nível II, o que originou sete classes de uso do solo. 6,56 13,84 13,47 10,35 9,07 9,42 12,69 12,40 12,19 1,26 14,36 9,13 6,65 6,31 6,65 10,70 21,90 23,05 0,00 5,00 10,00 15,00 20,00 25,00 Plano Norte Nordeste Este Sudeste Sul Sudoeste Oeste Noroeste Percentagem Classes de exposições octantes % da área por classe % da área com desabamentos 37,64 16,23 46,12 29,15 7,12 63,74 0,00 10,00 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 70,00 Côncava Rectilínea/Plano Convexa Percentagem Classes de de curvatura % da área por classe % da área com desabamentos
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 55 Gráfico 5 - Percentagem de área ocupada pelas classes do uso do solo e respetiva percentagem de área total com desabamentos As classes de uso de solo com uma maior percentagem de fontes de desabamentos encontram-se nas florestas (Gráfico 5), ocupam 67,26% da área do concelho e são as que registam maior número de desabamentos (65,54% da área instabilizada), seguido pela vegetação arbustiva e herbácea natural com valores de 33,36%.de área instabilizada, ocupando 7,82% de área. Na unidade de análise UOS1, pertencente á classe territórios artificializados, possui uma percentagem de 0,81% de fontes de desabamentos, deveu-se à generalização da cartografia disponível do nível II da COS07 e os limites de fontes de desabamentos serem coincidentes (Figura 33), entre por exemplo, com a classe florestas e com a classe vegetação arbustiva e herbácea natural. Figura 33 - Sobreposição das fontes de desabamentos nas classes de territórios artificializados com as florestas representadas no nível II da cartografia COS07. 5,14 0,10 17,38 67,26 7,82 0,23 2,070,81 0,29 0,00 65,54 33,36 0,00 0,00 0,00 10,00 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 70,00 Territórios artificializados Áreas de extração de inertes Áreas agrícolas e agroflorestais Florestas Vegetação arbustiva e herbácea natural Zonas descobertas e com pouca vegetação Corpos de água Percentagem Classes de Uso do Solo % da área por classe % da área com desabamentos
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 56 A litologia do concelho de Castelo de Paiva foi retirada e vetorizada através da Carta geológia de Portugal, folha 13-B, à escala 1:50 000. No cruzamento das fontes de desabamentos com a litologia (Gráfico 6), verificou-se que 87,07% ocorrem em áreas ocupadas por quartzitos. Nas áreas dos granitos, 5,81% dos desabamentos ocorreram em afloramentos de granitos porfiroides de grão grosseiro a médio, nos xistos verifica-se que apresentam com 4,19% das fontes de desabamentos, seguidamente dos conglomerados com 2,49% e nos filões de quartzo com 0,44%. Gráfico 6 - Percentagem de área ocupada pelas classes de litologia e respetiva percentagem de área total com desabamentos Desta análise explica-se quais as variáveis físicas do território que revelaram um maior grau para explicar os desabamentos. No cruzamento do inventário com fatores de predisposição são condições preferenciais à ocorrência de desabamentos, na litologia a presença dos quartzitos (UL6) e a filões de quartzo (Ul5), nos declives as classes 25º-30 (D4), 30º-35º (D5), 35º-40º (D6), 40º-45 (D7) e > 45º (D8), nas exposições as vertentes expostas a noroeste (EXP9) e a oeste (EXP8), na curvatura da vertente convexa (CURV3), no solo classificado de Florestas (UOS4), vegetação arbustiva e herbácea natural (UOS5) e Áreas de Extração de inertes (UOS2). 4.2 - Modelação da suscetibilidade a desabamentos A modelação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos realizada no concelho de Castelo de Paiva, baseou-se em métodos indiretos de cartografia, designadamente na estatística bivariada, através do método do VI, que relaciona as fontes de desabamentos com cada fator de predisposição e avalia a importância relativa de cada classe na instabilidade da vertente. A modelação foi executada neste método devido á simplicidade do processamento das equações de cálculo e os resultados obtidos revelaram grande robustez. A unidade cartográfica 0,8 67,41 5,9 1,9 0,1 4,5 17,39 0,6 1,3 0,00 4,19 2,49 0,00 0,44 87,07 5,81 0,00 0,00 0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0 80,0 90,0 100,0 Aluviões Xistos Conglomerados Corneanas Peliticas Filões de quartzo Quartzitos Granito profiroide de grão grosseiro a médio Granito Profiroide de grão fino Arcoses, xistos carbonosos Percentagem Classes de litologia % da área % da área com desabamentos
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 57 matricial de representação utilizada foi com pixéis ou células de 5 metros bem como assegurouse a conformidade da cartografia usada com a resolução adequada e o mesmo datum. Os resultados dos valores de suscetibilidade para cada classe de cada fator de predisposição, obtidos pela aplicação dos métodos estatísticos do Valor Informativo, podem ser consultados na tabela 10. Tabela 10 - Scores das variáveis utilizadas na construção do modelo de suscetibilidade pelos métodos do Valor Informativo (VI), com o grupo total de fontes de desabamentos Mapa temático Unidades de análise Classes Valor Informativo GTF Declives D1 <15º -1,805 D2 15 - 20 -1,523 D3 20 - 25 -0,156 D4 25 - 30 0,983 D5 30 - 35 1,499 D6 35 - 40 2,017 D7 40 - 45 2,198 D8 > 45 2,425 Exposições das vertentes Exp1 Plano -1,653 Exp2 Norte 0,037 Exp3 Nordeste -0,389 Exp4 Este -0,443 Exp5 Sudeste -0,364 Exp6 Sul -0,349 Exp7 Sudoeste -0,170 Exp8 Oeste 0,568 Exp9 Noroeste 0,637 Curvatura das vertentes Curv1 Côncava < -0,15 -0,255 Curv2 Plano -0,15 - 0,15 -0,824 Curv3 Convexa > 0,15 0,323 Uso do solo UOS1 Territórios artificializados -1,866 UOS2 Áreas de Extração de inertes 0,997 UOS3 Áreas agrícolas e agro-florestais -1,900 UOS4 Florestas -0,047 UOS5 Vegetação arbustiva e herbácea natural 1,429 UOS6 Zonas descobertas e com pouca vegetação -1,900 UOS7 Corpos de água -1,900 Litologia UL1 Aluviões -2,800 UL2 Xistos -2,769 UL3 Conglomerados -0,860 UL4 Corneanas Peliticas -2,800 UL5 Filões de quartzo 1,265 UL6 Quartzitos 2,967 UL7 Granito profiroide de grão grosseiro a médio -1,087 UL8 Granito Profiroide de grão fino -2,800 UL9 Arcoses, xistos carbonosos -2,800
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 58 As unidades de terreno com VI negativo apontam e mantendo as situações atuais terão menor predisposição para serem afetadas no futuro pelo fenómeno. Neste sentido quanto mais baixo for o valor do VI mais reduzida é a possibilidade de haver suscetibilidade, por outro lado os valores do Valor Informativo positivos indicam para a presença da suscetibilidade ao fenómeno e cada vez maior quanto for o aumento do valor do score. O cálculo do VI foi efetuado para a totalidade das fontes de desabamentos. A análise foi realizada a cada uma das variáveis utilizadas na modelação de modo independente. Os scores do valor informativo que têm uma maior influência na distribuição das fontes de desabamentos foram assinalados a negrito. Nas variáveis uso do solo e litologia houve classes que não houve registo de fontes de desabamentos, o Valor informativo não foi determinado devido à normalização logarítmica (impossibilidade de obter o logaritmo natural do valor 0, consequente da divisão da probabilidade condicionada pela probabilidade a priori). Para estes casos, considerou-se como valor informativo o decimal mais baixo por comparação ao VI mínimo obtido na respetiva variável. Nestes casos, considerou-se como score de VI o decimal mais baixo por comparação ao score de VI mínimo alcançado nos cálculos da modelação da respetiva variável independente e estão assinalados a itálico. O valor informativo no grupo total de fontes apresentam resultados negativos nas classes D1 com declives inferiores a 15º, D2 com declives entre 15º-20º e D3 com declives entre 20º25º, isto demonstra que com declives abaixo dos 25º não são propícios ao aparecimento ou geração de desabamentos nesta área de estudo. Nas classes de declives D4 a D8 os valores do valor Informativo aumentam progressivamente. Neste sentido a classe D8, com declives superiores 45° apresenta os valores de VI mais elevado. Destes resultados é importante referir a expressão territorial desigual entre as várias classes de declive. Nas exposições a unidade de análise Exp1 corresponde à classe plano e ocupa 6,56% de área e com se esperava apresentam o VI negativo. Os valores de Valor Informativo positivos verificam-se nas vertentes orientadas a Noroeste (Exp9) e Oeste (Exp8). É de destacar que as vertentes viradas a Norte (Exp2) obtiveram um VI positivo, pelo contrário as vertentes viradas a Sul (Exp_6) ocorreu valor negativo. Na curvatura das vertentes os scores positivos de VI encontram-se nas vertentes convexas, ao contrário, os scores mais negativos ocupam as áreas retilíneas ou planas. Nas vertentes côncavas possuem scores menos negativos do que as vertentes planas. A unidade de análise curv1 corresponde á classe côncava (curv1), ocupa 37,64% da área total do concelho e possui um score negativo de VI, no entanto contém 29,15% de fontes de desabamentos.
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 59 Quanto à distribuição relativa na área de estudo, os valores percentuais são diferentes, sendo as vertentes convexas as que se encontram com mais representação espacial com 46.1% da área de estudo. No uso do solo os scores positivos de VI ocorrem em apenas duas unidades de análise, na classe UOS2 - Área de extração de inertes e na classe UOS5 - Vegetação arbustiva e herbácea natural. Nos resultados da tabela 10 existem de três classes sem fontes de desabamentos, áreas agrícolas e agroflorestais, zonas descobertas e com pouca vegetação e corpos de água, os valores de VI destas classes foram forçados porque Si=0. O gráfico 5 indica que as classes mais representativas de área relativa correspondem às classes das Florestas com 67,26 % e áreas agrícolas e agroflorestais com 17,38 % e a vegetação arbustiva e herbácea natural com 7,82%, no entanto a classe UOS5 - Vegetação arbustiva e herbácea natural, embora apresente uma área muito menor apresenta valores positivos de VI. É de destacar que apesar da classe das florestas possuírem uma percentagem de fontes de desabamentos elevada com 65,54%, obteve um score de VI negativo, devido á sua grande representação espacial que ocupa 67,26% de área total. Na litologia existem quatro classes sem fontes de desabamentos, os aluviões, as corneanas peliticas, o granito Profiroide de grão fino e as arcoses, xistos carbonosos, os valores de VI destas classes foram forçados ao decimal mais baixo por comparação ao score de VI mínimo desta variável porque Si=0, foi utilizado os dados a negrito para destacar a diferença com os outros registos. Nas classes litológicas mais representadas no concelho, a UL2 - xistos com 67,41% da área total e a UL7 - granitos porfiroide de grão grosseiro a médio com 17,39%, mas não são as que apresentam maior propensão para a ocorrência de queda de blocos. Nestas classes registaram-se scores de VI negativos em todos os grupos de fontes, enquanto os valores de VI mais elevados registaram-se nas UL6 - quartzitos, representando uma área espacial de 4,5% da área total e na classe UL5 - Filões de quartzo que representa 0,13% de área total. Após esta fase foi representado cartograficamente (Figura 34) os resultados do Valor informativo - suscetibilidade não classificada. No grupo total de fontes os scores do VI por pixel variam entre -8,981 e 7,712 e do cruzamento das 5 variáveis foram identificadas 3026 unidades de condições únicas (Tabela 11) Tabela 11 - Scores do VI do GTF e unidade de condições únicas Fontes de desabamentos Inventário Scores Unidades de condições únicas GTF -8,981 <> 7,712 3026
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 60 Figura 34 - Suscetibilidade não classificada a desabamentos, baseada no GTF, através do método do Valor Informativo Posteriormente à modelação da suscetibilidade é fundamental efetuar a validação dos resultados dos modelos para apurar o seu grau de ajustamento à realidade e classificar os mapas de suscetibilidade. 4.3 - Validação da suscetibilidade a desabamentos Os mapas de suscetibilidade devem ser validados para se avaliar a sua capacidade preditiva em relação a futuros movimentos de vertente (Zezere et al., 2004), sob pena de serem considerados inúteis e inconsistentes do ponto de vista científico. A cartografia de suscetibilidade indicam a propensão futura para uma determinada área se instabilizar. Por isso é fundamental analisar muito bem os resultados e serem revistos antes de serem apresentados aos decisores. É importante referir que a não validação dos mapas de suscetibilidade, não pode ser considerado parte anexa do ordenamento do território e também não pode integrar e auxiliar a gestão dos planos de emergência municipais e gestão de crises relacionados com a ocorrência de movimentos de vertentes (Van Den Eeckhaut et al., 2010).
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 67 Tabela 16 - Scores do VI das variáveis utilizadas na construção do modelo de suscetibilidade pelos métodos do Valor Informativo com as fontes de desabamentos do G2 Mapa temático Unidades de análise Classes Valor Informativo G1 Declives D1 <15º -1,286 D2 15 - 20 -1,452 D3 20 - 25 -0,019 D4 25 - 30 0,890 D5 30 - 35 1,466 D6 35 - 40 1,853 D7 40 - 45 2,034 D8 > 45 2,071 Exposições das vertentes Exp1 Plano -0,884 Exp2 Norte -0,362 Exp3 Nordeste -0,304 Exp4 Este -0,254 Exp5 Sudeste -0,135 Exp6 Sul 0,006 Exp7 Sudoeste -0,270 Exp8 Oeste 0,443 Exp9 Noroeste 0,647 Curvatura das vertentes Curv1 Côncava < -0,15 -0,139 Curv2 Plano -0,15 - 0,15 -0,951 Curv3 Convexa > 0,15 0,279 Uso do solo UOS1 Territórios artificializados -1,877 UOS2 Áreas de Extração de inertes 1,648 UOS3 Áreas agrícolas e agro-florestais -1,900 UOS4 Florestas -0,045 UOS5 Vegetação arbustiva e herbácea natural 1,417 UOS6 Zonas descobertas e com pouca vegetação -1,900 UOS7 Corpos de água -1,900 Litologia UL1 Aluviões -3,300 UL2 Xistos -3,223 UL3 Conglomerados -0,209 UL4 Corneanas Peliticas -3,300 UL5 Filões de quartzo -3,300 UL6 Quartzitos 2,979 UL7 Granito profiroide de grão grosseiro a médio -1,350 UL8 Granito Profiroide de grão fino -3,300 UL9 Arcoses, xistos carbonosos -3,300
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 68 A exemplo do teste anterior, observam-se poucas diferenças de valores entre as curvas de sucesso e predição, com traçados semelhantes, visíveis no gráfico 9. As curvas de sucesso apresentam um valor de AAC de 96,76% e a curva de predição tem um valor de AAC de 96,36%. O teste 2 é o que apresenta melhores resultados, apresenta valores bastante elevados, de acordo com a tabela 17 para 10% da área de estudo permite prever 90,56% de desabamentos e se aumentarmos a área de estudo para 30% é possível prever para 97,39% dos desabamentos. Este modelo consegue validar a totalidade das fontes de desabamentos em 88,90% da área de estudo (Tabela 17). A curva de predição obtida com as fontes de desabamentos do grupo 1, são consistentes, permitindo a contribuição para um reforço da solidez da suscetibilidade da área em estudo. O melhor modelo com melhor desempenho obtido correspondeu ao teste 2, modelação com o grupo 2 e validação com o grupo 1, modelo robusto com resultados bastante satisfatórios. Tabela 17 - Relação entre fontes de desabamentos identificadas (%) e área de estudo classificada como suscetível por ordem decrescente (%) para as taxas de sucesso e predição do modelo do G2 Modelo GRUPO 2 83 Fontes de desabamentos Área de estudo classificada como suscetível (%) (%) da área de estudo necessária para abranger 100% das fontes Área Abaixo da Curva (AAC) 1 5 10 20 30 40 50 Fontes de desabamentos corretamente identificadas (%) 51,22 89,36 94,73 96,83 98,04 98,49 98,64 86,79 96,76% Taxa sucesso 58,94 85,62 90,56 95,60 97,39 98,48 98,86 88,90 96,36% Taxa de Predição Gráfico 9 - Taxa de sucesso do G2 e taxa de predição do G1 do modelo de avaliação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos, através do método do Valor Informativo – Teste 2 0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1 0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1 Desabamentos preditos Área de estudo classificada por ordem decrescente de susceptibilidade Taxa de sucesso Valor informativo - Grupo 2 Taxa de Predição Valor Informativo - Grupo 1
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 69 No grupo 1 os scores do VI por pixel (Tabela 18) variam entre -10,969 e 7,890 e do cruzamento das 5 variáveis foram identificadas 2898 unidades de condições únicas. No grupo 2 os scores de VI por pixel variam entre -7,507 e 7,845 e do cruzamento das 5 variáveis foram identificadas 2863 unidades de condições únicas Tabela 18 - Scores do VI de G1 e G2 e unidade de condições únicas Fontes de desabamentos Inventário Scores Unidades de condições únicas Grupo 1 -10,969 <> 7,890 2898 Grupo 2 -7,507<> 7,845 2863 4.4 - Cartografia de suscetibilidade à ocorrência de desabamentos A classificação final dos modelos de suscetibilidade define a etapa final do procedimento da aplicação do método do VI, que corresponde à criação de cartografia com o zonamento da suscetibilidade para a área de estudo. As diferentes etapas da modelação e validação da suscetibilidade deram origem a 3 modelos representativos da incidência espacial do perigo de desabamento na área de estudo. Os modelos de suscetibilidade selecionados permitiram efetuar uma classificação que traduz com facilidade a interpretação do zonamento da suscetibilidade na área de estudo. No processo de divisão das classes, existe muita subjetividade, na qual poderá ter alguma influência na cartografia final. A aplicação de diferentes métodos, todos estatisticamente corretos para a divisão das classes poderá originar mapas muito diferentes (Garcia, 2002; Garcia et al, 2007). Os referidos autores mencionam que um bom mapa de suscetibilidade não é o que apresenta suscetibilidade mais elevada em mais área, mas sim o mapa que apresenta uma melhor relação entre a menor percentagem de área classificada como mais suscetível e o maior número de movimentos preditos, deste modo contribui para uma boa capacidade preditiva do modelo (Garcia et al., 2007). Um dos processos aplicados e mais adequados para classificar os mapas de suscetibilidade é partir das quebras ou ruturas naturais as curvas de sucesso e de predição (Garcia, 2002; Zêzere, 2010). A mais-valia da classificação através da curva de predição, permite uma interpretação preditiva, uma vez que esta validação decore com movimentos independentes (Zêzere, 2006).
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 70 A curva de predição é uma da formas que poderá ser utilizada para interpretar o mapa de suscetibilidade. Nas curvas das taxas de predição pode-se definir as classes de suscetibilidade, sendo que os limites correspondem às ruturas de declives presentes na curva (Fabbri et al.,2004); (Chung & Fabbri, 2005). As curvas de predição são utilizadas para obtermos uma interpretação quantitativamente para classificar os mapas de suscetibilidade, devemos então considerar os melhores resultados preditivos para a interpretação. Neste sentido podemos estabelecer uma relação de comportamento no futuro do tipo de instabilidade investigada que será similar ao do grupo de validação (Zêzere, 2006). Como referido por Zêzere (2006), se classe de suscetibilidade mais elevada corresponder a 10 % do total da área de estudo e estiver relacionada a uma taxa de predição de 70 %, podemos concluir que, 70 % dos futuros movimentos ocorrerão na área classificada com a suscetibilidade mais elevada. No processo de classificação na definição do número de classes, deve ser reduzido e adequado à interpretação pelos pares, entre 3 a 5 classes (Sterlacchini et al., 2011). No entanto já foram referidas várias classificações, como é o caso da proposta de classificação de suscetibilidade a movimentos de vertente à escala municipal presente no Guia Metodológico que define quatro classes de suscetibilidade, instituídas numa escala qualitativa com referencia á realidade de todo o território nacional (Julião et al., 2009). No âmbito da Resolução do Conselho de Ministros nº 81/2012, foram aprovadas orientações estratégicas de âmbito nacional e regional para a delimitação da REN - Reserva Ecológica Nacional, a nível municipal. O regime da REN articula-se com o regime dos planos municipais de ordenamento do território (PMOT). No ponto 5 pestabelecem-se os procedimentos metodológicos para a delimitação das áreas de instabilidade de vertente. Devem integrar a REN as vertentes classificadas como mais suscetíveis pela aplicação do Método do Valor Informativo. A área a integrar na REN deve ser a suficiente para garantir a inclusão de uma fração nunca inferior a 70 % das áreas identificadas como instabilizadas no inventário.Assim, é expectável que cerca de 30 % dos movimentos de massa em vertentes não sejam englobados na REN pelo modelo preditivo baseado na aplicação do Valor Informativo. A superfície correspondente aos movimentos de massa em questão deve ser incluída diretamente na REN, acrescida de uma faixa de segurança de 10 m definida para o exterior dos limites de cada movimento.
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 71 Neste seguimento, Van Den Eeckhaut et al. (2009) indicam, como valores de referência para um modelo com graus de ajustamento muito elevado, taxa de sucesso ou de predição em que pelos 70% dos movimentos são validados em apenas 10% da área mais suscetível. Na primeira etapa para a obtenção da cartografia de suscetibilidade, são produzidos os 3 modelos não classificados obtidos através da modelação a partir da validação. Na segunda etapa foi efetuado a classificação através das ruturas ou quebras naturais das curvas de sucesso e de predição dos 3 modelos (Chung & Fabbri, 2005). Nesta etapa da modelação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos, ao nível da representação cartográfica, foram elaborados 3 mapas de suscetibilidade classificados representativos da incidência espacial do perigo de desabamento na área de estudo. Estes mapas classificados consistem numa divisão em classes dos resultados finais, representando as unidades cartográficas com intervalos de valores, com o objetivo de alcançar um padrão de predição que pode ser visualizado e interpretado (Chung & Fabbri, 2003). Deste modo, o mapa de suscetibilidade final deve derivar do modelo onde se obteve o valor de AAC mais elevado, garantindo logicamente um maior potencial preditivo (Blahut et al., 2010). Neste trabalho foi optado classificar os 3 modelos, o GTF, G1 e G2 (Tabela 19), foram classificados e delimitadas em 4 classes quantitativas de suscetibilidade. Tabela 19 - Modelos selecionados para a classificação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos Modelo Área abaixo da curva AAC Taxa de sucesso Taxa de Predição GTF 96,89% -------------- Grupo 1 96,98% 94,96% Grupo 2 96,76% 96,36% Foi realizado o procedimento de classificação conforme os scores do valor informativo, nomeadamente através da inclinação ou da rutura da linha da curva de predição do modelo do G1, G2 e da linha da curva da taxa de sucesso do GTF. Além da classificação calculou-se a percentagem de área de estudo e a percentagem de fontes de desabamentos previstos validados em cada classe. Deste modo por cada classe definida foi atribuída uma denominação qualitativa da suscetibilidade. Os critérios de classificação dos modelos produzidos foram representados num mapa e foi estabelecido para a escala qualitativa 4 classes (Tabela 20), classe I – suscetibilidade muito
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 72 elevada; classe II – suscetibilidade elevada; classe III – suscetibilidade moderada e classe IV – suscetibilidade nula ou reduzida. Tabela 20 - Classificação qualitativa da suscetibilidade adotada Classes de suscetibilidade Classificação Cor I Suscetibilidade muito elevada II Suscetibilidade elevada III Suscetibilidade moderada IV Suscetibilidade nula ou reduzida O principal objetivo do zonamento da suscetibilidade é compreender um maior número de movimentos de vertente na classe de suscetibilidade mais elevada, o modelo é sempre mais eficaz quanto menor for a área dessa classe (Fell et al., 2008). O primeiro modelo a ser classificado foi o GTF, através da ruturas ou quebras naturais da curva de sucesso (Gráfico 10), identificaram-se 4 classes de suscetibilidade, calculou-se a percentagem da área de estudo e a percentagens de desabamentos validados. Gráfico 10 - Curvas da taxa de sucesso da avaliação da suscetibilidade com o método do Valor Informativo, modelada com o GTF e respetiva divisão de classes de suscetibilidade. No modelo GTF, apenas foi possível determinar a taxa de sucesso, uma vez que não havia um grupo independente para efetuar a validação. A classe de suscetibilidade I - Muito elevada (Tabela 21) corresponde a 3,08% da área total, consegue validar 81.39% das fontes de desabamentos. A classe de suscetibilidade 2 - Elevada, corresponde a 3,60% da área total, conseguindo validar 9,92% dos desabamentos. As duas classes de suscetibilidade (I - Muito elevada e II - Elevada) ocupam apenas 6,68% da área de estudo, mas conseguem validar 0,813971743 0,912872841 0,939822083 0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1 0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1 Desabamentos preditos Área de estudo classificada por ordem decrescente de susceptibilidade Taxa de sucesso - Grupo Total de Fontes
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 73 91,31% do total de desabamentos, estabelecendo um bom resultado e reforçam a qualidade do modelo. Pelo contrário, a classe de suscetibilidade Reduzida ou nula está representada em 89.40% da área total e valida apenas 5.99% das fontes de desabamentos. As duas classes mais baixas de suscetibilidade (III – Moderada e IV – Nula ou reduzida), conseguem prever 8,69% de desabamentos, ocupando 93,32% de área total. Tabela 21 - Características das classes de suscetibilidade a desabamentos e percentagem de movimentos validados com base na curva de sucesso Classes de suscetibilidade Classificação % da área de estudo % Validados (Taxa de sucesso) I Muito elevada 3,08 81,39 II Elevada 3,60 9,92 III Moderada 3,92 2,70 IV Nula ou reduzida 89,40 5,99 A figura 36 representa o primeiro mapa de suscetibilidade com a classificação em 4 classes de suscetibilidade, definidas através das ruturas ou quebras naturais da curva de sucesso, apresentando as seguintes características: Classe I – representa as áreas com suscetibilidade muito elevada, que correspondem a 3,08% da área de estudo e inclui 81,39% da área afetada pelos desabamentos. Esta classe localiza-se nos alinhamentos orográficos com direção geral NW-SE, abrangendo as elevações do alto de São Domingos, elevações de Pedorido, Alto de S. Gens e Alto de S. Paul, onde se localizam afloramentos quartzíticos e as vertentes mais declivosas do concelho. Classe II - representa as áreas com suscetibilidade elevada, correspondendo a 3,60% da área do concelho, compreende uma validação de 9,92% de desabamentos. Esta classe localizase também nas vertentes mais declivosas na área de estudo, superiores a 30º nas áreas onde afloram os granitos e nas duas faixas de elevações essencialmente compostas por quartzitos, alinhados na direção NW-SE, com topos, aplanados, exíguos e alongados. Classe III – representa as áreas com suscetibilidade moderada, corresponde a 3,92% da área de estudo e inclui 2,70% da área com fontes de desabamentos. Esta classe observa-se nas vertentes pouco declivosas nas áreas com litologias graníticas. Classe IV – representa a classe de mais baixa de suscetibilidade contempla 89,40% da área de estudo e valida ainda 5,99% de fontes de desabamentos. Esta classe nula ou reduzida localiza-se em áreas aplanadas com declives muito fracos, litologias de xistos do CXG, que ocupam 67,41% da área do concelho, o que determina o seu baixo potencial de instabilidade.
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 74 Figura 36 - Classes de suscetibilidade a desabamentos com base na curva sucesso do modelo GTF A avaliação do desempenho do modelo G1 foi com recurso à percentagem de fontes de desabamento validadas com a taxa de sucesso e taxa de predição. O modelo foi produzido com o G1, foi validado com as fontes de desabamentos com o G2. No modelo G1, determinou-se a taxa de sucesso e taxa de predição uma vez que havia um grupo independente para efetuar a validação. Nas ruturas da curva de predição identificaram-se 4 classes de suscetibilidade, foi calculada a percentagem da área de estudo e as percentagens de desabamentos previstos (Gráfico 11) Gráfico 11 - Curvas da taxa de predição e de sucesso modelada com os desabamentos do G1 e validada com o G2 e respetiva divisão de classes de suscetibilidade 0,760662318 0,876567988 0,917210236 0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1 0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1 Desabamentos preditos Área de estudo classificada por ordem decrescente de suscetibilidade Taxa de sucesso Valor informativo - Grupo 1 Taxa de Predição Valor Informativo - Grupo 2
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 75 A classe de suscetibilidade I - Muito elevada, corresponde a 2,92% da área total, consegue validar 76,06% das fontes de desabamentos. A classe de suscetibilidade 2 - Elevada, corresponde a 2,58% da área total, conseguindo validar 11,60% dos desabamentos. As duas classes de suscetibilidade (I - Muito elevada e II - Elevada) ocupam apenas 5,50% da área de estudo, mas conseguem prever 87,66% do total de desabamentos (Tabela 22), estabelecendo um bom resultado preditivo e reforçam a qualidade do modelo. Pelo contrário, a classe de suscetibilidade reduzida ou nula está representada em 86.32% da área total e valida apenas 8,27% das fontes de desabamentos. As duas classes mais baixas de suscetibilidade (III – Moderada e IV – Nula ou reduzida), conseguem prever apenas 12,34% de desabamentos, ocupando 94,50% de área total. Tabela 22 - Características das classes de suscetibilidade a desabamentos e percentagem de movimentos validados com base na curva de sucesso e curva de predição Classes de suscetibilidade Classificação % da área de estudo % Validados (Taxa de sucesso) % Validados (Taxa de predição) I Muito elevada 2,92 81,61 76,06 II Elevada 2,58 7,33 11,60 III Moderada 8,18 6,73 4,07 IV Nula ou reduzida 86,32 4,33 8,27 Na elaboração de cartografia, elaborou-se o mapa de suscetibilidade a desabamentos não classificado com a modelação com o G1 e validado com o G2. A figura 37 representa o mapa de suscetibilidade a desabamentos não classificado, com do modelo G1, podendo observar-se a distribuição das fontes de desabamentos do G1 e do G2. Figura 37 - Suscetibilidade não classificada a desabamentos modelada com o G1
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 76 A suscetibilidade a desabamentos foi classificada em 4 classes de suscetibilidade, (Figura 38) definidas a partir da curva da taxa de predição do G2, apresentando as seguintes características: A classe I, corresponde a áreas com suscetibilidade mais elevada, os valores atingidos atestam o grau de ajuste do modelo, correspondem a 2,92 de área de estudo, apresenta uma taxa de sucesso de 81,61% e consegue validar através da taxa de predição 76,06% de fontes de desabamentos, ou seja, esta classe inclui 76,06 % de área de desabamentos não utilizados na modelação do G1. Esta classe localiza-se nos pontos mais altos do concelho, onde predomina os relevos com bancadas quartzíticas. A classe II, representa as áreas com suscetibilidade elevada, correspondendo a 2,58% da área de estudo e inclui 11,60% da área com fontes de desabamentos não utilizados na modelação. A classe III, corresponde a área com suscetibilidade moderada, abrange 8,18% da área de estudo e inclui 4,07% da área de desabamentos do grupo de validação. A classe IV, representa as áreas com suscetibilidade mais baixa, correspondendo a 86,32% da área de estudo e contém ainda 8,27% da área das fontes de desabamentos do grupo de validação. Figura 38 - Classes de suscetibilidade a desabamentos com base na curva de predição dos desabamentos do G2
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 83 desabamentos podem ser preditos sem ser necessário utilizar todos os fatores, sustentando sempre os resultados satisfatórios e a robustez do modelo. Gráfico 14 - Curvas de sucesso e predição dos modelos de avaliação da suscetibilidade a desabamentos obtidas com a combinação de 2 a 5 variáveis independentes. Com base na análise sensitiva, a melhor taxa de sucesso com uma AAC de 0,967 e uma taxa de predição com uma AAC de 0,963 é conseguida com a combinação de 5 variáveis (Litologia + Declives + Curvatura das vertentes + Exposições das vertentes + Uso do solo). Analisando os resultados pode-se concluir que a utilização das 4 combinações de variáveis a taxa de sucesso e predição são muito próximas às obtidas com totalidade das variáveis, que se demonstra nas reduzidas diferenças das percentagens de AAC entre os modelos. Na análise sensitiva os valores do VI por pixel, presentes na tabela 26, variam entre - 7,507 e 7,845 do cruzamento das 2 variáveis mais importantes e foram identificadas 40 unidades de condições únicas. Com o cruzamento das 3 variáveis mais importantes os scores variam entre -4,889 e 5,999 com 120 unidades de condições únicas. Na combinação das 4 variáveis mais importantes os scores variam de -5,608 e 6,645 e possui 924 unidades de condições únicas e por ultimo e já referenciados, a combinação com a totalidade das variáveis possuem 2863 unidades de condições únicas, com scores entre -7,507 e 7,845. 0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1 0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1 Desabamentos preditos Área de estudo classificada por ordem decrescente de susceptibilidade Taxa Sucesso (5 Variáveis) Taxa Predição (5 Variáveis) Taxa Sucesso (4 Variáveis) Taxa Predição (4 Variáveis) Taxa Sucesso (3 Variáveis) Taxa Predição (3 Variáveis) Taxa Sucesso (2 Variáveis) Taxa Predição (2 Variáveis)
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 84 Tabela 26 - Valores de VI por pixel das variáveis na análise sensitiva e unidade de condições únicas Fontes de desabamentos Inventário Valores VI por pixel Unidades de condições únicas Litologia + declives -7,507 < > 7,845 40 Litologia + declives+ Curvatura das vertentes -4,889 < > 5,999 120 Litologia + declives+ Curvatura das vertentes + Exposições -5,607 < > 6,645 924 Litologia + declives+ Curvatura das vertentes + Exposições + Uso do solo -7,507 < > 7,845 2863 A figura 41 representa 2 modelos de suscetibilidade a desabamentos, modelo G2_LDC obtido com 3 variáveis (litologia + declives + curvatura das vertentes) e o modelo G2_LDCE obtido com 4 variáveis (litologia + declives + curvatura das vertentes + exposições). O primeiro modelo é constituído por 120 unidades de condições únicas e tem uma AAC da taxa de sucesso de 0,963 e de taxa de predição de 0,960, enquanto o segundo modelo é constituído por 924 unidades de condições únicas e tem uma AAC de taxa de sucesso de 0,965 e de taxa de predição com 0,962. A classificação foi no mesmo critério, com a área classificada por ordem decrescente de suscetibilidade, presente em percentagem da superfície total da área de estudo. Entre os modelos existem poucas diferenças relacionadas com a uniformidade da suscetibilidade representadas no mapa. O mapa de suscetibilidade executado com os 4 variáveis apresenta uma maior variabilidade espacial que está relacionado ao número elevado de unidades de condições únicas, deste modo resulta uma maior dispersão na distribuição das classes de suscetibilidade. No mapa produzido com 3 variáveis apresenta uma maior uniformidade espacial, pelo número de unidades de condições únicas mais reduzido.
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 85 Figura 41 - Suscetibilidade a desabamentos, A) modelado o G2_LDC e validado com o G1_LDC; B) modelado com o G2_LDCE e validado com o G1_LDCE Na avaliação com sobreposição dos desabamentos usados nas modelações com os mapas de suscetibilidade, confirmou-se que o modelo realizado com 4 variáveis apresenta melhor capacidade preditiva de desabamentos na classe de suscetibilidade I, como se pode verificar na tabela 27. No entanto o mapa com 3 variáveis consegue prever 79,55% de desabamentos nas 2 classes mais elevadas. Tabela 27 - Características das classes de área decrescente de suscetibilidade a desabamentos dos modelos com 3 e 4 factores de predisposição definidas com base na curva de predição Classes de suscetibilidade Classificação % da área de estudo % de desabamentos preditos Mapa com 3 variáveis Mapa com 4 variáveis Mapa com 3 variáveis Mapa com 4 variáveis I Muito elevada 1,45 1,91 64,26 70,28 II Elevada 1,93 1,37 15,29 10,14 III Moderada 9,63 11,92 13,12 13,99 IV Nula ou reduzida 86,99 84,80 7,33 5,59 A figura 42 representa os 2 modelos de suscetibilidade a desabamentos, modelo G2_LD obtido com 2 variáveis, (litologia + declive,) e o modelo G2 obtido com a totalidade das variáveis (litologia + declives + curvatura das vertente + exposições + uso do solo).
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 86 O modelo G2_LD é constituído por 40 unidades de condições únicas e tem uma AAC da taxa de sucesso de 0,964 e uma AAC de taxa de predição de 0,961. Foi comparado com os resultados da modelação efetuada com o G2. A classificação foi no mesmo critério, com a área classificada por ordem decrescente de suscetibilidade, presente em percentagem da superfície total da área de estudo. Entre os modelos existem algumas diferenças relacionadas com a uniformidade da suscetibilidade representadas no mapa. O mapa de suscetibilidade executado com os 5 variáveis apresenta uma maior variabilidade espacial que está relacionado ao número elevado de unidades de condições únicas, deste modo resulta uma maior dispersão na distribuição das classes de suscetibilidade. No mapa produzido com 2 variáveis ostenta uma maior uniformidade espacial, pelo número de unidades de condições únicas muito mais reduzido. Figura 41 - Suscetibilidade a desabamentos, A) modelado o G2_LD e validado com o G1_LD; B) modelado com o G2 e validado com o G1 Na avaliação com sobreposição dos desabamentos usados nas modelações com os mapas de suscetibilidade, confirmou-se que o modelo realizado com 5 variáveis apresenta melhor capacidade preditiva de desabamentos na classe de suscetibilidade I, como se pode verificar na tabela 28.
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 87 Tabela 28 - Características das classes de área decrescente de suscetibilidade a desabamentos dos modelos com 2 e 5 factores de predisposição definidas com base na curva de predição Classes de suscetibilidade Classificação % da área de estudo % de desabamentos preditos Mapa com 2 variáveis Mapa com 5 variáveis Mapa com 2 variáveis Mapa com 5 variáveis I Muito elevada 1,86 1,88 68,32 73,10 II Elevada 3,07 1,36 17,42 8,67 III Moderada 11,76 8,64 8,24 10,91 IV Nula ou reduzida 83,31 88,12 6,02 7,32 4.6 - Discussão dos resultados No concelho de Castelo de Paiva foi realizada uma avaliação de suscetibilidade à escala 1: 00 000, em unidades matriciais de pixéis de 5m. O inventário é um dos grandes pontos positivos deste trabalho, com caraterísticas importantes das fontes de desabamentos que foram inseridas na bases de dados geográfica realizada num SIG. O método de estatística bivariada VI, utilizada para a modelação da suscetibilidade a desabamentos possibilitou realizar a validação estatística da modelação, condição essencial para a classificação dos modelos e obter cartografia de suscetibilidade. Na área de estudo os resultados apresentam uma enorme influência dos fatores de predisposição de ordem natural, a litologia e declives. A robustez e o desempenho dos modelos de suscetibilidade a desabamentos foram avaliados através da taxa de sucesso e taxas de predição. O melhor resultado de desempenho dos modelos foi obtido pelo modelo G2, modelado com base nas fontes de desabamento do G2 e validado com as fontes de desabamentos do G1, obteve uma AAC de 96,76% de taxa de sucesso e uma AAC de 96.36% de taxa de predição. Na avaliação da suscetibilidade aos desabamentos assume‐se que a distribuição espacial dos desabamentos futuros pode ser prevista através de relações estatísticas entre os desabamentos passados com factores de predisposição da instabilidade geomorfológica. Os resultados obtidos no modelo G2 permitem concluir que 81,77% dos futuros desabamentos no território de Castelo de Paiva deverão ocorrer na área classificada como a mais suscetível aos desabamentos e que corresponde a 3,24% da área total ou seja às classes I e II da suscetibilidade aos desabamentos.
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 88 A validação da cartografia de suscetibilidade foi essencial para avaliar a capacidade preditiva dos modelos em relação a futuros desabamentos. A robustez do modelo está dependente da informação de base e da dimensão da área de estudo. A análise sensitiva permitiu definir quais as variáveis mais importante na explicação da instabilidade, podendo elaborar modelos com boa capacidade preditiva com menos variáveis para a área de estudo com caraterísticas litológicas e geomorfológicas idênticas. Desta análise comprova a importância da litologia e dos declives para o zonamento da suscetibilidade a desabamentos. Individualmente a litologia apresenta uma taxa de sucesso de 0,951 e os declives de 0,781, o que comprova a forte relação destes dois fatores na explicação dos desabamentos e da localização dos abruptos rochosos nesta área de estudo O mapa de suscetibilidade realizado com todas as variáveis apresenta maior variabilidade espacial, muito pormenorizado no zonamento. No entanto, conclui-se desta análise que o aumento das variáveis não significa um aumento das taxas de sucesso, como foi o caso da modelação com 2 variáveis (Litologia + declives) que alcançaram melhor taxa de sucesso (AAC - 0,964) e taxa de predição (AAC - 0,961), enquanto modelação com 3 variáveis (Litologia + Declives + Curvatura das vertentes) obteve uma taxa de sucesso (AAC -0,963) e uma taxa de predição (AAC - 0,960).
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 89 Capitulo 5 - Conclusões Este trabalho procurou dar um contributo para um maior conhecimento da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos, suportado pelo SIG. O objetivo principal visa desenvolver metodologias para avaliação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva, aprofundando o conhecimento na sua incidência espacial da instabilidade de vertentes. A área de estudo, com 115,04 Km2, foi definida por apresentar condições favoráveis de predisposição natural de desabamentos, contexto litológico, estrutural e morfológico. Neste trabalho conseguiu-se avaliar a dimensão espacial da suscetibilidade e aplicar metodologias de trabalho estatísticas que ainda não tinham sido utilizadas nesta área de estudo. O modelo de avaliação da suscetibilidade da instabilidade de vertentes foi organizado em 5 objetivos específicos que se procurou explicar nos capítulos que compõem esta dissertação. Objetivo 1 - Elaboração do inventário das fontes de desabamentos com recurso a análise de ortofotomapas, validada com trabalho de campo. A aplicação das técnicas e diferentes métodos de inventariação de movimentos de vertente permitiu identificar, cartografar e classificar 166 fontes de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva. As fontes de desabamento apresentam uma área de 95550,22 m2, o equivalente a 0,08% da área de estudo. A nível metodológico, demonstrou-se a importância e especificidade da realização de uma base de dados para registar as ocorrências das fontes de desabamentos que correspondeu para o sucesso da avaliação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos. Considera‐se que as metodologias utilizadas possibilitaram obter um inventário total de fontes de desabamentos robusto. Este inventário foi incorporado numa base de dados espacial em SIG, integrando uma proposta de base de dados para manter e atualizar. A interpretação de abruptos rochosos através de ortofotomapas exige por vezes um bom conhecimento do terreno, o levantamento de campo foi a melhor forma de confirmar ou anular os registos de fontes de desabamentos obtidos de forma indireta. O trabalho de campo apresentou diversas vantagens, ficou comprovada a necessidade de trabalho sobre o terreno, o contacto direto com o objeto de estudo para aferir o trabalho de delimitação das fontes de desabamentos, a demarcação mais correta das fontes de desabamentos e o ajustamento dos critérios para a interpretação dos ortofotomapas. No entanto, o trabalho de campo representou um acréscimo de custos nas deslocações e em alguns casos de trabalho de campo não foi possível entrar em propriedades privadas ou áreas de difícil acesso.
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 90 Objetivo 2‐ Análise das relações da variável dependente, o inventário de fontes de desabamentos e um conjunto de fatores de predisposição Na avaliação da suscetibilidade com todos os factores de predisposição, verificou‐se que os desabamentos estão relacionados com vertentes muito declivosas, caraterizadas pela proximidade das cristas quartzíticas com abrupto rochoso (formação do quartzito armoricano) e localizam-se nas elevações mais altas do concelho, uma vez que tem a presença deste relevos de resistência. Objetivos 3 e 4 - Avaliação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos (modelação e validação). Na área de estudo aplicou-se uma análise estatística bivariada com base no método estatístico VI e validaram-se os resultados do zonamento da suscetibilidadede modo independente, com base numa partição aleatória das fontes de desabamentos. Na avaliação da suscetibilidade o melhor desempenho obtido correspondeu ao ajuste do modelo de suscetibilidade do G1 com uma taxa de sucesso com um valor de AAC de 96,98% utilizando 50% das fontes de desabamentos. Na avaliação da capacidade preditiva, com base numa partição aleatória, que incrementa qualidade nas predições, o melhor desempenho foi realizado com a modelação com as fontes de desabamento do G2 e validado com as fontes de desabamentos do G1. Este modelo apresenta uma taxa de sucesso de 96,76% e uma taxa de predição de 96,36%. O modelo G2 é possível prever 90,56% e 97,39% dos futuros de desabamentos, respetivamente, nos 10% e 30% da área de estudo classificados como mais suscetíveis. Em comparação com o G2, o modelo G1 apresenta poucas diferenças entre taxas de sucesso e de predição são pouco significativas, em termos das AAC. Os mapas de suscetibilidade dos 2 modelos relativo ao padrão da suscetibilidade tendem a ser muito semelhantes. A cartografia final e os resultados produzidos com este trabalho contribuem para a compreensão do concelho de Castelo de Paiva, proporcionando um instrumento de apoio aos agentes de proteção civil na identificação de áreas prioritárias de intervenção e sinalizar áreas passíveis de estudos de maior detalhe. Esta caraterização e avaliação metódica das suscetibilidade são passos fundamentais para desenvolver um instrumento de base no que respeita aos processos de planeamento de emergência e de ordenamento do território municipal. Futuramente seria importante no futuro aplicar um modelo matemático a uma pequena área amostra do concelho, com a utilização de outros fatores de predisposição com aplicação
Modelação e validação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos no concelho de Castelo de Paiva 91 de um modelo de propagação de trajetórias dos blocos desabados em área onde estão localizadas habitações e rede viária. Não esquecendo que a identificação das áreas mais suscetíveis não deve ser considerada suficiente, especialmente se nestas existirem elementos expostos. Objetivo 5 – Análise sensitiva da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos para determinar os fatores mais importantes à ocorrência de desabamentos, mediante ao peso diferenciado de cada variável independente, com recurso as taxas de sucesso. Os factores de predisposição mais importantes utilizados na modelação da suscetibilidade a desabamentos, foram avaliados através de uma análise sensitiva. Através do procedimento de hierarquização dos factores de predisposição para a avaliação sensitiva do ajuste dos modelos de suscetibilidade, confirmou-se com a utilização de todos dos factores de predisposição utilizados na modelação, traduz‐se progressivamente num melhor ajuste dos modelos preditivos. Hierarquicamente, a litologia com 95,1% de taxa de sucesso obtido isoladamente é o fator mais importante em todos os modelos. Os declives também têm uma relação fundamental com os desabamentos, que foi o segundo fator mais importante em todos os modelos. O uso do solo foi o fator de predisposição menos valorizado na modelação, prendese da classe das florestas ter uma forte expressão territorial e não ser relevante para a queda de blocos. Além das conclusões dos objetivos específicos, abrangente nos temas abordados, outros pontos são necessários retirar considerações finais. O tema escolhido, avaliação da suscetibilidade à ocorrência de desabamentos, ficou demonstrado a atualidade, a necessidade de aprofundar e aplicar metodologias universalmente aceites para efetivamente obter resultados bastante satisfatórios. Relativo à área de estudo, o concelho de Castelo de Paiva, é um território em que a suscetibilidade a desabamentos merece especial atenção, pelo número de abruptos rochosos que foram inventariados. As caraterísticas físicas da área de estudo, geomorfológicas e litológicas e após esta avaliação potenciam a ocorrência a desabamentos. No trabalho prático desenvolvido, realça-se a utilização dos SIG na preparação da informação geográfica para caraterizar a área de estudo e na modelação da suscetibilidade. A modelação sem a utilização de um SIG, as tarefas iriam ser mais morosas e alguns procedimentos não se poderiam executar. Na aplicação do método adotado, foi fundamental a utilização de um método estatístico que apresentou uma capacidade de quantificar o grau da suscetibilidade na área de estudo e avaliar o peso dos fatores de predisposição na construção do modelo. Os mapas de suscetibilidade produzidos por este método estatístico presumem-se válidos para o território, se as condições do terreno se mantiverem.
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