Relatório de Estágio Profissional - "O Último Capítulo"
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O Último Capítulo Relatório de Estágio Profissional Relatório de Estágio Profissional apresentado com vista à obtenção do 2º Ciclo de Estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário ao abrigo do Decreto-lei nº 74/2006 de 24 de Março e do Decreto-lei nº 43/2007 de 22 de Fevereiro. Orientador: Professor Doutor José Virgílio Silva Rui Cerqueira Pinto Basto Porto, Setembro de 2013
Ficha de Catalogação Basto, R. (2013). Relatório de Estágio Profissional. Porto: R. Basto. Relatório de Estágio Profissional para a obtenção do Grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensino Básico e Secundário, apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto Palavras-Chave: Estágio Profissional, Educação Física; Glaucoma
III AGRADECIMENTOS Ao meu orientador, Professor Professor Doutor José Virgílio Silva, pela disponibilidade, esforço e acompanhamento ao longo do Estágio Profissional. Ao Professor Cooperante, José Andrade, pela confiança, partilha e me ter feito crescer enquanto jovem professor. À turma do 11º ano, por ter sido a primeira, por me ter criado desafios e obstáculos que tive de superar para ser cada vez melhor profissional. À Marta, por toda a paciência, apoio e insistência. Por me ajudar a crescer, a aprender e a viver. Obrigado mais uma vez pela tua confiança, amizade, carinho e amor. Sem ti tudo era mais complicado. Aos meus pais e irmão pelo simples facto de existirem e de acreditarem em mim. Por saberem que sempre lutei pelos meus sonhos e sempre me apoiaram em tal. Simplesmente por me amarem. Um agradecimento especial ao Paulo, Kikas, Romão, Caçador e Castro por serem pessoas muito importantes para mim. A todos os AC´s que me acompanharam nesta caminhada e que me ajudaram e apoiaram incondicionalmente em todos os momentos do meu percurso académico. A todos os meus amigos que surgiram nesta passagem pela Faculdade de Desporto. Aos meus amigos de infância. A todo o núcleo de Amarante que estão sempre no meu coração e na minha vida. Obrigado.
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V ÍNDICE GERAL AGRADECIMENTOS ......................................................................................................... III ÍNDICE DE FIGURAS ......................................................................................................... IX ÍNDICE DE QUADROS ...................................................................................................... XI ÍNDICE DE ANEXOS ........................................................................................................ XIII RESUMO ......................................................................................................................... XV ABSTRACT ..................................................................................................................... XVII ABREVIATURAS ............................................................................................................. XIX 1. INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 21 2. DIMENSÃO PESSOAL ............................................................................................... 27 2.1.Identificação e percurso pessoal .............................................................................. 29 2.2.Expectativas em relação ao estágio profissional ...................................................... 32 2.3.Importância do estágio na formação pessoal e profissional .................................... 35 3. ENQUADRAMENTO DA PRÁTICA PROFISSIONAL .................................................... 39 3.1.Contexto legal e institucional ................................................................................... 43 3.2. Contexto funcional .................................................................................................. 44 3.2.1.Caracterizaçao da Escola Secundária de Valongo – A “minha escola” .............. 44 3.2.2.Caracterização da turma - conhecer a minha turma ......................................... 49 3.2.3.O núcleo de estágio – 3 em 1 ............................................................................ 51 3.2.4.O grupo de Educação Física ............................................................................... 53 4. REALIZAÇÃO DA PRÁTICA PROFISSIONAL ............................................................... 55 4.1.Àrea 1 – Organização e Gestão do Ensino e Aprendizagem .................................... 57 4.1.1.O impacto da escola no estagiário – necessidade da concessão ...................... 58 4.1.2.Planeamento ...................................................................................................... 60 4.1.2.1.Planeamento Anual ..................................................................................... 63 4.1.2.2.Unidade Didática ......................................................................................... 66 4.1.2.3.Plano de Aula .............................................................................................. 68 4.1.3.Realização .......................................................................................................... 70 4.1.3.1.O inicio… ...................................................................................................... 72
VI 4.1.3.2.Ganhar a confiança e estabelecer o controlo da turma ............................. 73 4.1.3.3.Gestão do tempo de aula ............................................................................ 76 4.1.3.4.Capacidade de instrução ............................................................................. 77 4.1.3.5.O Infoponto e a plataforma Moodle ........................................................... 81 4.1.3.6. 3º Período – o alcançar de metas .............................................................. 83 4.1.4.A importância da reflexão para a realização ..................................................... 86 4.1.5.Avaliação ............................................................................................................ 88 4.1.5.1.Avaliação Diagnóstica ................................................................................. 90 4.1.5.2.Avaliação Formativa .................................................................................... 91 4.1.5.3.Avaliação Sumativa ..................................................................................... 92 4.2.Àrea 2 e 3 – Participação na Escola e relações com a Comunidade ........................ 93 4.2.1.Reuniões na Escola ............................................................................................ 94 4.2.2.O papel do diretor de turma .............................................................................. 97 4.2.3.Corta-Mato Escolar ............................................................................................ 98 4.2.4.Semana Aberta ................................................................................................ 100 4.2.5.Sábados Fantásticos ......................................................................................... 102 4.2.6. Ação de Formação – “Construção de Materiais para a prática de atividade física na escola” ......................................................................................................... 103 4.3. Área 4 – Desenvolvimento Profissional ................................................................. 104 4.3.1.Projeto de Formação Individual....................................................................... 105 4.3.2.ESTUDO INVESTIGAÇÃO – AÇÃO: Glaucoma: Atividade Física como contributo para o Desenvolvimento Global. .............................................................................. 106 4.3.2.1.Resumo ......................................................................................................... 106 4.3.2.2.Introdução .................................................................................................... 107 4.3.2.3.Revisão Bibliográfica ..................................................................................... 108 4.3.2.3.1.Glaucoma ............................................................................................... 108 4.3.2.3.2.Tratamento de glaucoma ....................................................................... 109 4.3.2.3.3.Atividade Física ...................................................................................... 110 4.3.2.4.Objetivos e Hipóteses ................................................................................... 112 4.3.2.5.Material e Métodos ...................................................................................... 113 4.3.2.5.1.Caracterização da aluna ......................................................................... 113
VII 4.3.2.5.2.Procedimentos Metodológicos .............................................................. 114 4.3.2.6.Apresentação dos resultados ....................................................................... 115 4.3.2.6.1.Observação Inicial .................................................................................. 116 4.3.2.6.2.Observação Final .................................................................................... 118 4.3.2.7.Discussão dos resultados .............................................................................. 122 4.3.2.8.Conclusão ...................................................................................................... 125 5. CONCLUSÕES E PERPSPETIVAS PARA O FUTURO .................................................. 127 ...................................................................................................................................... 128 6. BIBLIOGRAFIA ........................................................................................................ 133 7. ANEXOS ................................................................................................................. CXLI
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IX ÍNDICE DE FIGURAS Figura 1: Organização do Sistema Educativo português (Ministério da Educação – GEPE, 2013). 42 Figura 2: Esquema da Escola Secundária de Valongo. 47 Figura 3: Excerto do Infoponto: Horário do Professor Cooperante. 82 Figura 4: Excerto do Infoponto: Sumário do 11ºCT1. 82 Figura 5: Excerto do Moodle: Página do 11ºCT1. 83
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XVII ABSTRACT This report aims to describe the observations and arising practices during the Internship. So this story about the Supervised Teaching Practice documents and forms to pedagogical – didactic actions were been advocating throughout the school year 2012/2013. In this stage, I could act as a teacher and experience the daily school life. I learned that being a teacher is dealing with people, produce knowledge, teaching and learning. And the teacher must be critical and reflective, so we're always in self-training and power to transform the physical education classes more attractive, diversified and all students, in the context of differences, can participate. The Internship was in the Secondary School Valongo, with a core stage which consists of two elements and under the supervision of a Cooperating Teacher School and an Instructor Professor Faculty of Sport, University of Porto. The structure of this paper presents organized into five main chapters : the first corresponds to the " Introduction " , which realize a general characterization of my internship and the purpose of completing the report , in the second chapter " Personal Dimension " , develop bibliographic reflection , I list my expectations for professional stage and I refer to the importance that the organization has had on my personal and professional training , in the third chapter " a Framework for professional Practice " , presented the legal , institutional and functional internship , particularly on the school where was placed and the class I was assigned , the fourth chapter focuses on the " implementation of Professional Practice " describes the entire process of planning and implementation on the ground . This is a listed part of all the practical process and translates to a reflection of my experiences along the Internship. In addition to this chapter, a study Research - Action, on the theme " Glaucoma: Physical Activity as a contribution to the Global Development “. The fifth and last chapter corresponds to the “Conclusion and Perspectives for the Future.” Keywords: Professional Internship; Physical Education; Glaucoma
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XIX ABREVIATURAS DT – Diretor de Turma EF – Educação Física EFA – Educação e Formação de Adultos EP – Estágio profissional ESV – Escola Secundária de Valongo FADEUP – Faculdade de Desporto da Universidade do Porto ISMAI – Instituto Superior da Maia PAA – Plano Anual de Atividades PES – Prática de Ensino Supervisionada PFI – Projeto de Formação Individual UD – Unidade Didática UP – Universidade do Porto
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21 1. INTRODUÇÃO
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Introdução 23 O Estágio Profissional (EP) aparece como sendo o momento mais aguardado pelo estudante, é altura de mobilizar os conhecimentos adquiridos por mim ao longo dos vários anos de vida académica. Surge ainda, igualmente, neste momento como sendo um ato reflexivo de tudo aquilo que aprendi para construir a minha própria didática, de modo a tornar-me apto para a futura docência. Muitos têm sido os autores (e.g. Siendentop, 1991; Rodrigues 2009; Silva 2009) a enfatizar a Prática Pedagógica durante a formação inicial de professores como representando um momento fundamental do processo de aprender a ensinar. É um marco importante no início de uma nova fase do meu percurso profissional, reveste-se com vários desafios e dificuldades por ser, também, uma atuação mais próxima da realidade. O estágio profissional deve traduzir o “clímax” da formação e deve garantir o domínio das competências requeridas com a profissão docente (Proença, 2008). A experiência que o Estudante – Estagiário vive no espaço de aula e com os orientadores, na criação de condições para a realização de aprendizagens pode ser um forte impulsionador da aquisição de saberes profissionais. É importante que o professor seja um profissional reflexivo da sua prática de modo a questionar criticamente as finalidades e conteúdos do que está a ensinar, e a partir delas, produzir novos conhecimentos, contribuindo para a renovação do seu conhecimento pedagógico bem como do próprio ensino. A elaboração deste documento surge no âmbito do EP conducente ao grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básicos e Secundário, da Faculdade de Desporto da Universidade (FADEUP). O meu EP decorreu na Escola Secundária de Valongo, ao longo do ano letivo 2012/2013, estando integrado num grupo de estágio composto por três elementos da FADEUP. A supervisão de todo o meu trabalho durante o EP ficou a cargo do Professor Cooperante José Andrade e orientado pelo Professor José Virgílio. Este Núcleo de Estágio foi a minha grande fonte de troca de informações, com eles consegui obter mais qualidade no processo de Ensino – Aprendizagem. A troca de experiências, de conhecimentos e de opiniões foi um aspeto essencial,
Introdução 24 para o meu desenvolvimento enquanto Professor de Educação Física (EF), mas também uma evolução enquanto homem, enquanto ser humano. Para o alcançar destas metas contribuiu ter aprendido uma nova prática, a prática reflexiva. Esta capacidade reflexiva permitiu-me ultrapassar obstáculos que foram surgindo ao longo do meu percurso. Obrigou-me a pensar nas minhas atitudes antes de colocar os planos em prática, com base sempre numa reflexão sistemática, individual ou em grupo. Foi uma relação constante entre a teoria e a prática, ligada num processo de Investigação/Ação/Reflexão. Este documento intitula-se de “Relatório de Estágio Profissional” e retrata toda a atividade desenvolvida ao longo da Prática de Ensino Supervisionada (PES), tendo em conta o Projeto de Formação Individual (PFI) elaborado no início do ano de estágio. Fiquei responsável por lecionar uma turma do 11º ano de escolaridade, que havia sido atribuída ao Professor Cooperante. Esta turma já o ano anterior tinha sido lecionada por estagiários de Educação Física (EF) da FADEUP. A conceção deste documento apresenta-se organizado em cinco grandes capítulos, tendo em conta o Regulamento do Estágio Profissional da FADEUP. O primeiro capítulo corresponde à “Introdução”, onde realizo uma caracterização geral do meu estágio profissional e a finalidade da realização do relatório. O segundo capítulo corresponde à “Dimensão Pessoal”, onde desenvolvo uma reflexão bibliográfica, enumero as minhas expectativas para o estágio profissional, dando algum enfase às motivações que me levaram a optar pela docência e refletindo um pouco sobre todo o meu percurso até chegar à EF como área específica de especialização. Por fim, refiro a importância que o estágio teve na minha formação pessoal e profissional. No terceiro capítulo é realizado o “Enquadramento da Prática Profissional”, sendo apresentado neste ponto, o contexto legal, institucional e funcional do Estágio Profissional, assim como como apresentada a minha escola, a minha turma, o grupo de educação física, o núcleo de estágio, tentando deste modo explicar a importância que estes intervenientes tiveram durante este ano de estágio. O quarto capítulo incide na “Realização da Prática Profissional” relata todo processo de planeamento e concretização no terreno. Aqui é elencado todo o
Introdução 25 processo prático e traduz a uma reflexão das minhas experiências ao longo do EP. Este capítulo está subdividido em quatro grandes Áreas de Desempenho previstas no Regulamento do EP: Área 1 – “Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem”; Área 2 e 3 – “Participação na Escola e Relação com a Comunidade”; Área 4 – “Desenvolvimento Profissional”. Na área 1 irá ser feita uma análise da tarefa do docente, referindo a conceção, planeamento, realização e avaliação, como representando as várias ações de atuação durante todo o ano letivo. Na área 2 e 3 é necessário desenvolver uma reflexão sobre todas as minhas participações na escola com atividades letivas e não letivas, e todas as interações na Comunidade Educativa no âmbito do EP. Na área 4 será apresentado um estudo de Investigação – Ação, onde é retratado o problema visual de uma aluna de 12º ano da turma do meu colega de estágio João: “Glaucoma: Atividade Física como contributo para o Desenvolvimento Global”. O objetivo do estudo foi desenvolver um programa de Atividade Física orientado, em aulas regulares, visando reduzir as suas dificuldades e aumentar as capacidades organo-funcionais da aluna em questão. O quinto, e último capítulo da organização do meu Relatório de Estágio corresponde à “Conclusão e Perspetivas para o Futuro", onde desenvolvo uma reflexão crítica de todos os acontecimentos ao longo do ano e enumero as minhas expectativas para o futuro. Em suma, este documento pretende enumerar, descrever e refletir sobre toda a minha passagem pela Escola Secundária de Valongo como Professor Estagiário de Educação Física.
Dimensão Pessoal 32 secundário com média de 17 valores. Concorri com uma média final de 15.2, o que me abria boas espectativas de entrar na faculdade dos meus sonhos. Consegui então aos 20 anos de idade concretizar um sonho e entrar na faculdade, mas sem antes apanhar um susto, fui um dos famosos casos que em 2008 ficou inicialmente de fora porque na candidatura online houve um erro com a realização dos pré-requisitos. Situação resolvida, iniciada nova etapa na minha vida, mudei-me para a cidade do Porto e muitos e bons amigos conheci ao longo destes 5 anos. Conclui com sucesso os 3 anos da licenciatura, acabei com a sensação de que aproveitei e retirei todos os ensinamentos e vivências que a faculdade me ofereceu bem como a própria cidade do Porto. Contudo, apesar da situação muito difícil que vive o nosso país e da falta de oportunidades que existe para os professores de educação física obterem colocação decidi concorrer ao mestrado de ensino. A vontade de ensinar, trabalhar com crianças foi muito mais forte, o amor pela área física e desportiva também, embora tenha a plena consciência que neste futuro próximo vai ser muito difícil eu lecionar. Para terminar apenas queria deixar-vos um parágrafo, tanto falei no amor e paixão pelo desporto, vontade de ensinar, portanto nada melhor do que acabar assim: ”O Desporto é um espaço inigualável de formação humana, um domínio cultural, criado livre de finalidades de sobrevivência. Assume-se nele o esforço humano de procura e realização dos sentidos sob a forma de vivências motoras. Sim, o desporto pode e deve ser o antídoto da grande ilusão dos nossos dias, de que tudo se pode alcançar sem empenhamento, custo e mérito pessoal. E nisso reside a virtude e a valia.” Bento (2005). 2.2.Expectativas em relação ao estágio profissional A tarefa de refletir torna-se sempre complicada, principalmente quando se trata de refletir sobre nós ou algo relacionado com um determinado contexto onde estamos, vamos ou estivemos inseridos, neste caso particular trata-se de refletir sobre as expectativas que tinha em relação ao estágio profissional. Na fase inicial do percurso existia um confronto entre duas realidades, ao mesmo
Dimensão Pessoal 33 tempo que nunca deixei de ser aluno e a nova função, “ser Professor” de Educação Física. Para organizar as ideias de uma forma coerente e explanar com objetividade as minhas expectativas iniciais, irei apresentá-las seguindo a lógica dos vários elementos que compuseram o estágio profissional, nomeadamente a escola, a turma, o núcleo de estágio e Eu. Em relação ao contexto escolar, considero que as condições encontradas na escola após a minha primeira visita, ou seja, o meu primeiro impacto foi extremamente positivo. A Escola Secundária de Valongo possui condições semelhantes às escolas que frequentei aquando dos meus tempos de Básico e Secundário. A Escola Secundária de Amarante possui umas instalações semelhantes a estas que encontrei, o Colégio de São Gonçalo encontra-se melhor equipado, possui piscinas o que permite lecionar a disciplina de natação e por exemplo polo aquático até ao 12º ano. Como é lógico as condições físicas da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto são as melhores que até hoje encontrei. Com tudo isto quero dizer que descobri vários cenários durante o meu período enquanto aluno dos ensinos básicos, secundário e superior, o que me permite ter alguma experiência para poder comparar com as condições da Escola Secundária de Valongo, podendo afirmar que tinha as condições suficientes para um bom ano letivo. Considerei sempre uma grande mais-valia o uso da plataforma moodle como grande meio de comunicação entre professores e alunos, na faculdade conheci este método e considero bastante positivo, bem como a possibilidade de ter usado o projetor nas aulas, são dois aspetos que me facilitaram o ensino. Em relação às expectativas que tinha em relação aos outros professores eram muito grandes, porque é estranho como muito rapidamente passamos a chamar de colega alguém que estamos habituados a chamar de professor, conheço histórias de colegas meus que foram muito bem recebidos nas escolas e outros não. A preconceção que tinha é que ia existir uma certa tendência para ser tratado como um aluno e não como um verdadeiro professor, este ponto de vista, estende-se à forma como vejo os professores, onde apenas parece que só os consigo encarar como “professores” e não
Dimensão Pessoal 34 como colegas de profissão. Contudo coloquei a mim mesmo um objetivo, conseguir enquadrar-me no papel de professor, de forma a obter uma boa integração no ambiente social da Escola. Quanto à turma que me poderia vir a calhar sendo 11º ou 12º, encarei a sua lecionação como um desafio deveras interessante porque existiu uma grande proximidade de idades entre mim e os alunos. Nunca tive problemas de autoridade tendo em conta também as minhas experiências anteriores, quando dei aulas nas didáticas e no secundário aquando do curso tecnológico. Foi importante numa fase inicial criar algum distanciamento com os alunos, procurando desde logo marcar uma posição de liderança na aula. Penso que os meus padrões se pautam por ser um professor exigente, visto que o caminho para o sucesso não parece ser o mais fácil. Tenho a plena consciência que este iria ser um ano bastante trabalhoso para mim, mas também para os alunos que estiveram sobre a minha responsabilidade, vinha com a intenção de retirar o máximo de rendimento das aulas, nunca exigindo aos alunos mais do que aquilo que exigiria de mim mesmo. O meu objetivo foi conseguir ensinar eficazmente os alunos, num ambiente de partilha de conhecimentos, onde o professor e os alunos possam evoluir juntos. Em relação ao professor cooperante e ao orientador de estágio, prefiro adotar uma imagem metafórica de mim próprio, ou seja, vi-me me num pequeno barquinho em mar alto, norteado por dois faróis luminosos e orientadores. Tudo o que esperei dos meus mentores de estágio, é que me ajudassem a crescer no meu processo de formação, permitindo-me errar e descobrir o caminho certo pelas minhas próprias mãos. Foi normal no início as críticas terem surgido, mas parti com a consciência que mais tarde os elogios acabariam por sobressair, e com certeza que aquele seria o caminho mais adequado para o meu percurso profissional. As expectativas relativas ao núcleo de estágio não estavam bem definidas por uma simples razão, o Carlos conhecia, mas nunca trabalhei com ele e o João desconhecia por completo, contudo, isso não foi impedimento e no que de mim dependeu este ano foi excelente em termos de ambiente no
Dimensão Pessoal 35 núcleo. Quis partilhar com os meus colegas um excelente ano de trabalho, na tentativa de juntos cortarmos a meta em primeiro lugar. Por fim, no que se refere às minhas expectativas relativamente ao meu desempenho, penso que tudo aquilo que eu colhi foi fruto do que eu plantei, ou seja, o meu trabalho foi o espelho das minhas potencialidades. Tal como um músculo apresenta um valor de défice entre a força produzida e a força potencial, não pude permitir que o meu trabalho ficasse aquém das minhas expectativas iniciais. Ao longo deste ano não trabalhei, o que me fez estar completamente concentrado e focado no meu ano de estágio e espero ter conseguido obter os melhores resultados possíveis e ter retirado deste ano ensinamentos para o futuro quer na vida profissional como também na vida social. 2.3.Importância do estágio na formação pessoal e profissional O Estágio Profissional é a última etapa de formação académica do aluno e a primeira grande etapa de formação profissional do professor, ou seja, até então a teoria encarregou-se de nutrir o aluno com todos os ingredientes necessários para aplicação na receita fundamental, o estágio e consequentemente no futuro profissional do jovem professor. Deste modo explico o facto de esta representar a fase inicial da verdadeira função do ser professor. Para muitos de nós, ou mesmo a grande maioria, esta é a primeira experiência enquanto docentes e sem dúvida alguma que também representa uma das fases mais marcantes da nossa vida enquanto seres humanos e jovens professores. É quando chegamos ao estágio que começamos a ter noção a importância da componente teórica, das horas despendidas ao longo do curso assimilar os conhecimentos, conceitos, propósitos das disciplinas teóricas. Por vezes ao longo do curso questionamo-nos do porquê de existirem algumas unidades curriculares, pensamos não fazer falta, mas a verdade é que quando as situações reais da prática na mais pequeníssima questão podem solicitar
Dimensão Pessoal 36 um ou vários ensinamentos aprendidos nessas unidades consideradas a priori “menos” importantes. Apercebi-me também ao longo deste estágio que nesta profissão não existem fórmulas mágicas ou infalíveis, que possuir conhecimentos não basta pra resolver todos os problemas. Ajuda como é lógico, mas há algo que não vem nos livros e é essencial, a Experiência. Passar por diversas situações, encontrar soluções, os anos de prática são aspetos determinantes para adquirirmos o traquejo necessário para lidar melhor com as diversas situações. Além disto cada professor é um professor, cada aluno é um aluno e cada escola é uma escola, ou seja, estes fatores são importantes também, um professor numa escola pode ter uma atitude e noutra escola outra atitude totalmente diferente, bem como em função dos alunos. Na mesma escola o professor pode ter atitudes e modos de atuar diferentes consoante os alunos e as turmas. O bom professor deve saber aproveitar as suas características e adaptar às características do meio envolvente. O Estágio Profissional é o primeiro momento de crescimento do professor e torna-se insubstituível porque podemos experimentar várias estratégias e modos diferentes de ensinar de acordo com os alunos que dispomos e tentarmos perceber qual a que resulta melhor. A definição do estágio como uma experiência de formação estruturada e como um marco fundamental na formação e preparação dos alunos para a entrada no mundo profissional, tem sido uma noção largamente difundida entre académicos, entidades empregadoras e os próprios estagiários (Alarcão, 1996; Caires, 1997; Pires, 1998; Price, 1987; Ryan et al., 1996, Veale, 1989). Deste modo, a formação do estágio deriva essencialmente da relação entre a teoria e a prática e da forma como o estudante estagiário as relaciona. Logo, o estudante estagiário é o construtor do seu próprio conhecimento, desenvolvendo as habilidades necessárias à tomada de decisão nas diferentes questões que surgem no quotidiano. Esta mudança de perceção, através da problematização de uma determinada realidade, e do choque dos seus paradoxos, implica um novo confronto do homem com a realidade. Implica admirá-la na sua totalidade: vê-la de “dentro” e, desse “interior”, separá-la nas
Dimensão Pessoal 37 suas partes e voltar admirá-la, ganhando assim, uma visão mais crítica e profunda da sua situação na realidade que não condiciona (Freire, 1996). Posto isto, chegámos a um ponto fundamental durante todo o ano de estágio, a crítica e a reflexão. Ao longo deste ano o estagiário deve assumir uma postura critica e reflexiva sobre as suas intervenções na escola, porque só deste modo vai conseguir perceber aquilo que realizou, se foi bem ou mal e as possíveis soluções para corrigir esse erros e melhorar também os aspetos positivos. Para percebermos melhor a importância desta posição, Rosado e Mesquita (2009) consideram que, a reflexão sobre a prática não se deve cingir, exclusivamente, aos conteúdos de natureza técnica mas também, e não menos importante, ao desenvolvimento pessoal e social dos formandos concretizando na capacidade de aprender a partilhar ideias, de aceitar as diferenças, de desenvolver valores morais, de valorizar a boa prática desportiva, etc.. A construção de um estilo pessoal é um dos requisitos para se ser expert, potenciado pela prática reflexiva (Rosado e Mesquita, 2009). Em suma, não podemos ficar apenas na parte do “ouvir”, “saber como se faz”, “saber quando aplicar”, é necessário ir para o terreno e vivenciar a experiência fantástica que é trabalhar com crianças, sobretudo, Ensinar. Sem nunca esquecer, obviamente, relacionar a teoria com a prática.
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39 3. ENQUADRAMENTO DA PRÁTICA PROFISSIONAL
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Enquadramento da Prática Profissional 41 De forma a entendermos e enquadrarmos a nossa prática profissional é importante deslocarmo-nos até à raiz da sua conceção para que nos seja possível compreendê-la e delimitá-la. Um dos departamentos do Governo de Portugal é o Ministério da Educação e Ciência, dirigido atualmente pelo Ministro Nuno Crato, que tomou posse a 21 de Junho de 2011. Este Ministério tem como funções a definição, a coordenação, a execução e a avaliação das políticas de educação, do ensino básico ao ensino superior, e da ciência. É ainda responsável pela qualificação e formação profissional (Governo de Portugal, 2013). A Educação determina o futuro do país e deve gerar igualdade de oportunidades para as gerações do nosso futuro. Os bons resultados surgem com determinação e rigor, sendo fundamental a cooperação entre os pais, professores e alunos que culmine num ambiente de trabalho favorável que tenho como objetivo a exigência. O Governo assume a educação como um serviço público universal e defende os princípios do esforço, disciplina e autonomia. Ou seja, tem como grande finalidade instruir e formar os indivíduos para que sejam capazes de ganhar a sua própria vida (Governo de Portugal, 2013). A concretização do direito à educação é conseguida por um conjunto de meios que fazem parte do sistema educativo português. Este por si próprio procura responder às necessidades que resultam da realidade social, contribuindo para o desenvolvimento pleno e harmonioso da personalidade dos indivíduos, incentivando a formação de cidadãos livres, responsáveis, autónomos e solidários, valorizando a dimensão humana no trabalho (Assembleia da República, 2005). O sistema educativo português engloba a educação pré-escolar, a educação escolar (ensinos básico, secundário e superior) e a educação extraescolar. Toda esta organização pode ser melhor entendida pela figura 1 (Ministério da Educação – Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação [GEPE], 2013).
Enquadramento da Prática Profissional 48 O segundo espaço é no exterior (F), possui 4 tabelas de basquetebol, balizas de andebol e tem as dimensões de um campo de futebol de sete. Tem como grande aspeto negativo o facto de o solo ser em cimento e em caso de queda os alunos correm mais perigos de se lesionarem. O terceiro espaço (H) é ao lado do Polidesportivo, possui duas balizas de andebol, duas tabelas de basquetebol e tem as dimensões de 15x30/40 metros. Possui também o solo em cimento. Por fim, temos a sala de expressões dramáticas situada no pavilhão E, estando equipada com sistema de áudio e vídeo, possuindo desta forma excelentes condições para a prática de dança. A grande crítica que faço à escola é o facto de quando nos deslocamos dos pavilhões das salas de aula para o Pavilhão Polidesportivo não temos nenhum abrigo coberto, ou seja, em dias de chuva por vezes era complicado para os alunos e mesmo para os docentes atravessar aquele espaço a céu aberto de cerca de 300 metros. É sem dúvida alguma uma lacuna que a escola deveria solucionar. No que respeita ao plano anual de atividades (PAA) o grupo de EF da ESV, participa e dinamiza as seguintes atividades: - Semanas FitnessGram -> Alunos do ensino Básico e Secundário; - Corta-mato escolar -> Alunos ensino Básico e Secundário; - Torneio Futebol Cursos Profissionais e CEF`s -> Alunos Cursos Profissionais e CEF`s da ESV; - Ações de sensibilização Suporte Básico de Vida -> Alunos ensino Secundário; - Congresso Juvenil Escolar do Agrupamento Valongo -> Alunos ensino Básico e Secundário; - Atribuição de Menção de Mérito Desportivo e Artístico -> Alunos ensino Básico e Secundário; - Passeio Desporto Escolar -> Alunos do Desporto Escolar; - Rastreio de Indicadores de condição Cardiovascular -> Professores, técnicos apoio ação escolar e Pais e Encarregados de Educação do Agrupamento de Escolas de Valongo; - Torneio de StreetBasket -> Alunos ensino Básico e Secundário;
Enquadramento da Prática Profissional 49 - Torneio de Voleibol -> Alunos ensino Básico e Secundário; - Torneio de Futebol -> Alunos ensino Básico; - Torneio Badminton -> Alunos ensino Básico e Secundário; - Torneio Andebol -> Alunas ensino Básico e Secundário; - Dia da Educação Física -> Alunos do ensino básico da Escola EB 2,3 de Sobrado; - Caminhada/Passeio BTT/ Gincana da Prevenção Rodoviária Valongo/Sobrado -> Comunidade Escolar do Agrupamento das Escolas de Valongo; - Atividades físicas e desportivas para as escolas do 1º ciclo do Agrupamento de Escolas de Valongo -> Alunos das Escolas de 1º Ciclo do Agrupamento de Escolas de Valongo. 3.2.2.Caracterização da turma - conhecer a minha turma Neste Capítulo 3 relativo ao enquadramento da prática profissional não podia faltar a referência e breve análise ao grupo que mais marcou o meu EP e quem sem dúvida alguma mais o enriqueceu, a minha turma. Mas como é que isto aconteceu? Sorteio? Escolha minha? Eis a questão que irei responder nas próximas linhas. O Professor Cooperante deu-nos liberdade para escolhermos a turma que mais se adequava a nós, a que preferíamos, a que possivelmente pelo pouco contacto que obtivemos com eles pudesse gostar mais de algum de nós. Então o processo decorreu da seguinte forma: Na primeira semana de aulas o Professor Cooperante lecionou as aulas e nós observámos as 4 turmas, na semana seguinte usamos o sistema de rotatividade de forma a cada um de nós liderar as 4 turmas. Após este período de observação e contacto prévio, o núcleo de estágio reuniu e escolhemos então cada uma a sua turma sem qualquer tipo de problema. A minha opção recaiu na turma CT1 do 11º ano, do Curso de Ciências e Tecnologia, era composta por 32 alunos, sendo que apenas 24 estavam inscritos na disciplina de EF. Destes, 17 são do sexo masculino e sete do sexo
Enquadramento da Prática Profissional 50 feminino. Contudo, no segundo período, uma das alunas mudou de turma e deixou de realizar as aulas de EF. A média de idades no início do ano letivo era 16,3 anos. As minhas aulas eram as terças-feiras à tarde e às sextas-feiras de manha (2 blocos de 90 minutos). Mas porquê a escolha esta turma? Esta turma desde os primeiros momentos me despertou enorme interesse, eles são cheios de energia, maioritariamente rapazes, alguns com o peito um bocado exposto ao perigos que esta idade ainda não conhece, mas o desafio da turma ser considerada pelo núcleo de estágio “complicada” levou-me aceitar. São alunos faladores é verdade, mas considero possuidores no geral de uma aptidão para o desporto muito boa e penso que bem estimulados e motivados para as tarefas seria uma turma que me dava fortes probabilidades de ter prazer a lecionar as aulas, esse era o meu objetivo sempre que planeava uma aula e sempre que pisava o pavilhão para dar inicio à mesma. Não realizei nenhuma ficha para recolher dados a fim de caracterizar a turma, fui à reunião do conselho de turma e a diretora da mesma forneceu-me os dados recolhidos por ela e que nas próximas linhas apresentarei. Relativamente à situação de emprego dos pais apenas 2 estão desempregados, enquanto que em relação as mães o número de desempregados sobe para 4. Contudo, é de notar que 14 pais possui um curso superior e 11 pelo menos o ensino secundário. No que diz respeito aos familiares com quem vivem os alunos, verificase que na maioria, o agregado familiar circunscreve-se apenas ao pai, mãe e irmão/irmã. Apenas dois alunos vivem só com a mãe e um com o tio. No que concerne ao número de irmãos podemos verificar que 32,1 % (9 alunos) da turma não têm irmãos,50,0 % (14 alunos) têm apenas um irmão e 17.9 % (5 alunos) têm 2 irmãos. O Encarregado de Educação assume uma importância acentuada na educação do aluno, uma vez que tem como função, entre outras, monitorizar o seu desempenho dentro e fora da escola. Posto isto, 82,1 % dos casos (23 alunos) a função de Encarregado de Educação é desempenhada pela mãe, em 7,1 % dos casos (2 alunos) é o pai que desempenha essa função, em 7,1% (2 alunos) é o próprio e em 3,6 % (1 aluno) é o Tio.
Enquadramento da Prática Profissional 51 Nenhum dos alunos teve qualquer problema de saúde grave, apenas 5 alunos referiram possuir problemas de visão, 3 têm problemas de alergias, 1 tem asma e 1 tem instabilidade rotuliana. Das respostas ao modo como se deslocavam para a escola e consequentemente para casa, a maioria dos alunos diz viver relativamente perto da escola por pertenceram ao concelho de Valongo: 12 alunos demoram cerca de 5-10 minutos a chegar à escola fazendo-o a pé, 9 fazem-no de autocarro demorando entre 10 a 20 minutos e 4 deslocam-se de carro, demorando cerca de 5 minutos. Finalizando, todos os alunos possuem computador e todos têm acesso à Internet, a maior parte ocupa os tempos livres a praticar desporto como por exemplo Futebol, Hóquei, Atletismo, Natação e Ciclismo. 5 alunos andam no Ginásio uma na Dança e um no Ténis. Alguns referem ainda, o gosto pela leitura e pela música e há uma aluna que anda nos Escuteiros. Todas estas informações foram muito importantes para eu começar a conhecer os alunos, mas rapidamente me apercebi de uma coisa em particular, pensei que ia conhecer os alunos mais rápido, contudo fui-me apercebendo que estava enganado. A descoberta foi constante ao longo de todo o ano, cada semana de aulas foi importante para aprender qualquer coisa mais sobre eles e com eles. Decidi adotar uma postura de líder, com alguma rigidez, o essencial era tentar encontrar o perfeito equilíbrio para melhorar a relação professor/aluno e consequentemente o processo de ensino e aprendizagem. Segui um processo gradual que como qualquer outra coisa tem avanços e recuos, fases boas e fases menos boas. Contudo com a ajuda do núcleo de estágio e do professor cooperante consegui resolver os problemas associados à indisciplina e criar um clima de aprendizagem que foi evoluindo ao longo do ano letivo. 3.2.3.O núcleo de estágio – 3 em 1 Se no subcapítulo anterior considerei fundamental no meu EP a turma e a importância foi tao grande que era impossível referir aqueles com quem passei a maior parte do tempo e me ajudaram a superar as fases menos boas
Enquadramento da Prática Profissional 52 e enalteceram as vitórias conseguidas. O núcleo de estágio. O clima que se estabelece entre os elementos que compõem o núcleo de estágio é um dos aspetos mais influentes no desenvolvimento harmonioso do EP. Confesso, que estava com uma enorme curiosidade em conhecer os parceiros que me acompanhariam ao longo do ano. Felizmente tive a oportunidade de integrar um grupo fantástico constituído pelos professores estagiários, Carlos Pimenta e João Sequeira, e pelo Professor Cooperante José Andrade. Tal como referi anteriormente, não tinha um conhecimento aprofundado sobre os meus colegas, o Carlos conhecia apenas de algumas saídas noturnas e porque desempenhou funções na Associação de estudantes na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto e por ser membro da Federação Académica do Porto. Todo este currículo fazia antever alguém com competências fortes na área de gestão e que podia ser muito útil na organização de possíveis eventos na escola. O João era uma pessoa completamente estranha e que teria de esperar para conhecê-lo e fazer então uma apreciação. Desde o início do estágio, que optámos pelo método de delegar funções quando o trabalho coletivo surgia. Foi o método que achámos melhor, de forma a não sobrecarregar nenhum de nós com demasiado trabalho e também porque assim assumíamos a responsabilidade de uns para com os outros. Tal como referi na breve caracterização do Carlos, na delegação de tarefas tentamos sempre explorar as potencialidades de cada um de modo a que máxima complementaridade surgisse. Só assim conseguimos aumentar a nossa eficácia no cumprimento dos objetivos comuns que assim o estágio nos foi exigindo. Apresentámos sempre muita energia e entusiasmo para o desenvolvimento das tarefas e reconhecemos o contributo de todos, respeitando como é lógico, a individualidade de cada um. A par destes intervenientes importa salientar o papel que a orientação pedagógica tem neste processo. Segundo Carvalho (2009), o orientador educacional desempenha um papel complexo e de grande responsabilidade e, por isso, é fundamental que este possua uma boa formação, revele personalidade e se mantenha em constante atualização.
Enquadramento da Prática Profissional 53 Segundo Guerrieri (1976, cit. Por Hynes-Dusel, 1999, p. 186) os estagiários reconhecem o Professor Cooperante como o elo principal de todo o processo de estágio, designando-o “most significant person”, porque passam mais tempo com ele do que com qualquer outro professor. Estaria a ser mentiroso se não reconhecesse que a disponibilidade e o acompanhamento prestados pelo Professor Cooperante foram uma das chaves principais para o sucesso que eu alcancei. Ter seguido muitas das suas sugestões possibilitou-me melhorar constantemente a prática. Estabelecemos uma relação, confiança, honestidade, empatia encorajamento o que espelhou melhorias significativas no desempenho de todo o núcleo de estágio. Como súmula, considero que a partilha de experiências foi fulcral para a minha evolução profissional e pessoal, aspetos que me levam a afirmar que os elementos do núcleo foram fundamentais ao longo deste meu percurso, considerando ainda que sem eles teria sido impossível construir um puzzle tao completo. 3.2.4.O grupo de Educação Física “…eu ajudo a minha colega e a minha colega ajuda-me a mim…” “somos pessoas diferentes a construir o mesmo objetivo…é mais tranquilo” Professores do 2º ciclo envolvidos em experiências de ensino cooperado (cit. por Morgado, 2004, p. 42) Cada vez mais a experiência e a investigação exigem cooperação entre professores, sendo que esta se constitui um instrumento fundamental para o desenvolvimento profissional (citado por Morgado, 2004, p. 42). Entendo que a cooperação entre professores que trabalharam juntos em prol de objetivos comuns, constitui uma excelente estratégia para a aquisição de competências, sobrepondo-se ao individualismo e à competitividade. Sendo assim, segundo Santana (2004), numa profissão tão complexa como a de ser professor, urge trocar experiências e saberes, atenuar inquietações e colocar dúvidas, pois se nos isolarmos ficaremos fragilizados e
Enquadramento da Prática Profissional 54 empobrecidos profissionalmente, devido à carência de reflexão coletiva. Pegando e também partilhando a opinião deste autor, considero que me entreguei de corpo e alma a este grupo de trabalho, acreditando que ao estabelecer uma boa relação com eles a minha integração na escola seria mais fácil. Fiquei muito agradado com a forma como o grupo me recebeu, em poucas semanas eu sentia-me verdadeiramente “em casa”. Um aspeto muito importante que contribuiu para esta fácil integração foi o facto de o professor cooperante ter solicitado para ir às reuniões de início de ano, nomeadamente, às dos conselhos de turma e do departamento de expressões. Face à disponibilidade do grupo de EF foi me possível partilhar experiências, discutir propostas, construir soluções e melhorar o nosso desempenho coletivamente. O grupo de EF é constituído por 11 professores, 3 do sexo feminino e 8 do sexo masculino. Em jeito de conclusão considero que os ensinamentos de todos estes intervenientes, contribuiu para melhorar as minhas atuações, colmatar lacunas e essencialmente preparar-me para a docência.
55 4. REALIZAÇÃO DA PRÁTICA PROFISSIONAL "O saber que a prática docente espontânea ou quase, “desarmada”, indiscutivelmente, produz é um saber de experiência feito, a que falta a rigorosidade metódica que caracteriza a curiosidade epistemológica do sujeito. Este não é o saber que a rigorosidade do saber e do pensar correto procura. Por isso, é fundamental que, na prática da formação docente, o aprendiz de educador assuma o indispensável pensar certo, não é um presente dos deuses, nem se encontra nos livros de professores que, iluminados intelectuais, escrevem desde o centro do poder, mas, pelo contrário, o pensar certo que supera o ingênuo tem que ser produzido pelo próprio aprendiz em comunhão com o formador.” Paulo Freire, 1996
56
Realização da Prática Profissional 57 O EP representa um processo constante de ação-reflexão, que se torna fundamental para evitar a acomodação do professor e para conseguir alcançar um melhor fazer (Borsoi, 2008). Esta atitude é uma condição essencial para a promoção da evolução, transformando-se num processo de ação-reflexãoação, no sentido em que se torna possível a alteração na realidade e que a prática fornece elementos para teorizações que podem acabar por alterar a prática primeira (Silva & Krug, 2008). Foi com as minhas crenças apoiadas neste pressuposto ou linha de pensamento que encarei este ano letivo, experimentava e vivenciava a prática, e depois, adotava uma postura reflexiva, com o objetivo de evoluir e perceber as melhores estratégias para o sucesso da prática profissional. Posto isto, neste capítulo do relatório, importa analisar todo o meu processo de reflexão, tendo em conta os problemas, as atividades, as dificuldades, as estratégias, a avaliação, o controlo e um infinito de situações que influenciaram e permitiram o desenvolvimento e a realização da prática profissional. Para percebermos melhor esta realização, é feita uma separação de forma a contemplar as áreas de desempenho previstas no Regulamento de Estágio Profissional, nomeadamente a área I referente à “Organização e Gestão do Ensino e Aprendizagem”, a área II e III respeitante à “Participação na Escola e Relações com a Comunidade”, finalizando com a área IV relacionada com o “Desenvolvimento Profissional” (Matos, 2011b). 4.1.Àrea 1 – Organização e Gestão do Ensino e Aprendizagem A área de desempenho “Organização e Gestão do Ensino e Aprendizagem” engloba a conceção, o planeamento, a realização e a avaliação do ensino. A conceção é fundamental, é a análise que efetuamos, no início do ano letivo, às condições gerais e locais da educação, de modo a enquadrarmos a prática profissional e desse modo agirmos de acordo com os princípios que a regem de uma forma contextualizada.
Realização da Prática Profissional 64 O planeamento anual tem como objetivos: - Orientar o processo de ensino-aprendizagem, de acordo com uma sequência lógica e progressiva; - Tomar conhecimento dos Programas Nacionais de Educação Física; - Ter a perceção dos recursos materiais e espaciais disponíveis na escola; - Definir os objetivos por matéria a lecionar. Na ESV o calendário escolar define que o primeiro período inicia-se a 17 de setembro e termina a 14 de dezembro, o que resulta em vinte e cinco sessões de 90 minutos; o 2ºperiodo inicia-se a 2 de janeiro e termina a 15 de março, vinte sessões de 90 minutos; o 3º período inicia-se a 2 de abril de 2013 e termina a 7 de junho, o que resulta em vinte sessões de 90 minutos. Quadro 1 – Excerto do Planeamento anual da turma 11ºCT1. As modalidades abordadas em cada período são definidas pelo grupo de Educação Física, através da Planificação 2012/2013 (Anexo nº1), para não existirem vários anos de escolaridade a abordar a mesma modalidade, devido a questões limitativas de espaços e materiais. Para o 11º ano as modalidades para cada período são: 1º período: voleibol e futebol; 2º período: badminton e futebol; 3º período: futebol. Apesar desta distribuição o núcleo de estágio reuniu e decidiu o seguinte: o Voleibol foi a primeira modalidade a ser abordada no 1º Período, decidi-mos apenas abordar o futebol no 3º período visto que era transversal em todos. Ou seja, ficou definido apenas a lecionação de uma modalidade por 2 5 9 12 16 19 23 26 30 3 7 10 14 17 21 24 28 31 4 7 Ter Sex Ter Sex Ter Sex Ter Sex Ter Sex Ter Sex Ter Sex Ter Sex Ter Sex Ter Sex 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 P P E E P P P P P P E E P P P P P P E E AL F F F F F F F F F F F F F FG F F F F AL Legenda: P Pavilhão E Exterior F Futebol FE Feriado FG Fitnessgram AL Aula Livre Junho Dia Nº Aula Espaço Unidade Didática Semana Mês Abril Maio
Realização da Prática Profissional 65 período com o principal objetivo de favorecer a aprendizagem dos alunos. Ficou assim definido para cada período as seguintes Unidades Didáticas visíveis no quadro nº2. Quadro 2 – Unidades Didáticas e número de aulas da turma 11º CT1 Unidade Didática Aulas para cada UD Aulas por Período 1º Período Apresentação Fitnessgram Corta-Mato Aula Livre Voleibol 21 25 2º Período Fitnessgram Aula Livre Semana Aberta Badminton 16 20 3º Período Fitnessgram Trabalho Teórico Aula Livre Futebol 16 20 Apesar das alterações realizadas no sentido de melhorar o planeamento e evitar possíveis alterações, como é logico, estes dados não eram inalteráveis, podiam vir a sofrer alterações pontuais caso fosse necessário. A proposta foi aceite pelo Professor Cooperante e na realidade consegui abordar as modalidades de uma forma contínua, e não houve necessidade de ser alterada ao longo do ano. Gostava de referir que a elaboração deste documento não foi uma tarefa muito complicada. De facto beneficiei de vários fatores para que tal acontecesse. O roulement está muito bem construído, aspeto comprovado pelo facto de nunca ter ficado sem espaço para dar aula. A organização do Grupo de EF é fantástica, as modalidades estão distribuídas de forma a que não haja problemas com material nem com troca dos espaços da aula. E por último, o
Realização da Prática Profissional 66 Professor Cooperante foi fundamental, ajudou-me muito na realização do planeamento anual. 4.1.2.2.Unidade Didática Contrariamente ao planeamento anual, o conceito de unidade didática (UD) não era novo para mim, pois já havia sido trabalhado em situações do meu passado recente. Contudo, nunca tinha realizado sozinho uma UD que viesse a ser aplicada, considerando humildemente que muito ainda tinha aprender acerca da construção deste instrumento importantíssimo de trabalho para o professor. Uma UD não é mais que uma unidade de matéria apresentada no plano anual, ou seja, são planos de amplitude média correspondentes a extensão de cada um dos blocos de aprendizagem considerados nos planos a longo prazo. A duração de cada unidade depende do volume e da dificuldade das tarefas de ensino e de aprendizagem, de princípios psicopedagógicos e didático metodológico, acerca da organização e estruturação do processo pedagógico do estado de desenvolvimento da personalidade dos alunos (Bento, 2003). Após estar definido no planeamento anual a extensão e sequência das modalidades a abordar ao longo do ano letivo, a construção da Unidade Didática implica uma maior especificação dos conteúdos de ensino bem como acerca da forma como serão lecionados. A Unidade Didática (Quadro nº 3) é constituída pelo número de aulas que se pretende desenvolver toda uma modalidade e os conteúdos a ensinar. Este documento abrange toda a informação técnica e tática sobre a modalidade e ainda, toda a informação de todos os ajustamentos realizados ao longo da respetiva modalidade. Ao construir uma Unidade Didática realizamos ainda uma reflexão que explica toda a tabela, o porque de determinado conteúdo ser lecionado na aula x e não na aula y, por exemplo. As Unidade Didáticas construídas ao longo do ano letivo foram sempre grandes, permitindo-me exercitar mais uma modalidade que o habitual. Digo o
Realização da Prática Profissional 67 habitual, porque em conversas com colegas estagiários apercebi-me que eu era dos únicos que lecionava uma disciplina por período. Mesmo se recuar até ao meu secundário facilmente me lembro de ter mais do que uma modalidade por período. A construção de Unidades Didáticas grandes permitiu-me aprofundar mais os conteúdos e promover aprendizagens consolidadas pelos alunos, mas por outro lado impossibilitou-me de abordar mais modalidades desportivas. Quadro 3 – Exemplo de uma Unidade Didática de Voleibol As Unidades Didáticas são partes fundamentais do programa de uma disciplina, constituem “unidades fundamentais integrais do processo pedagógico” e ditam aos professores e alunos as várias etapas de aprendizagem, de uma forma clara e distinta (Bento, 2003).
Realização da Prática Profissional 68 4.1.2.3.Plano de Aula Construir o plano de aula nem sempre se revelou muito fácil, principalmente numa fase inicial, o meu maior problema na altura era o tempo que demorava a elaborá-los. Tinha alguma dificuldade em definir os objetivos gerais da aula, os objetivos específicos para cada exercício assim como os critérios de êxito. Não era grave, mas por não estar completamente à vontade na realização desta tarefa precisava de muito tempo (às vezes 2/3 horas) para pesquisar informação e exercícios. Tempo este que nesta fase inicial era muito preciso e também necessitava dele para as outras tarefas de estágio. Contudo, apesar destas dificuldades iniciais, posso afirmar que a evolução que demonstrei no processo de planeamento foi bastante positiva e significativa. Um processo que no início era difícil e longo tornou-se uma tarefa mais fluída que cada vez mais fui desenvolvendo e consequentemente, a riqueza das minhas aulas foi aumentando. Geralmente existe uma regra geral para a estruturação das aulas de Educação Física, apresenta três partes distintas: a parte preparatória ou inicial destinada à ativação geral e específica dos alunos, na qual eu realizei quase sempre jogos com características semelhantes à modalidade que estava a lecionar; a parte fundamental que é a parte mais importante da aula, ocupa a maior parte do tempo da aula e é a parte onde se pretende atingir os objetivos fundamentais da aula; por último, surge a parte final que tem como principal objetivo o retorno à calma e, em algumas situações, foi utilizada para fazer uma revisão dos conteúdos abordados mostrando aos alunos quais os principais aspetos que necessitam de melhorar, mas também em alguns casos, para transmitir informações importantes à turma (exemplo: o teste escrito e matéria a estudar). Esta é uma proposta apenas, tal como diz Bento (2003), a estrutura da aula utilizada, dividida em três partes deve apenas, ser entendida como uma das propostas possíveis de construção de uma aula. O plano de aula (quadro nº4) é um documento pessoal, ajudou a manter a organização, a não me esquecer de nenhum elemento importante para o
Realização da Prática Profissional 69 normal funcionamento da aula. Nos meus planos de aula inseri os seguintes domínios: unidade e função didática, nº aula, nº da sessão, local, data, hora, nº alunos, material, objetivo específico e o sumário. O tempo de cada exercício, desde o tempo real ao tempo parcial, ou seja, a hora que o exercício começa a se posto em prática e a duração do mesmo. É importante salientar que o plano de aula era considera como uma linha de orientação, mas que se tornava flexível e maleável. Esta característica surge para apelar à capacidade do professor em adaptar as tarefas pensadas a priori aos acontecimentos que vão surgindo durante a realização da prática. Bento (2003) salienta que na estrutura da aula de Educação Física deve ser evitado todo o espirito de esquematismo e de formalismo. Bento (2003) refere ainda que existem numerosas propostas de esquema de aula, cada uma delas caracterizadas por esquematizações variadas, mas sem que nenhuma possa afirmar a pretensão de validade universal. Quadro 4 – Exemplo de um plano de aula de Voleibol. Após a lecionação de cada aula realizei sempre uma reflexão sobre os aspetos positivos e negativos, tentando com isso encontrar as melhores estratégias e pensar em como melhorar da próxima vez. “No exercício da manchete pude observar que a maioria dos alunos tem dificuldades em contactar a bola com o terço medio anterior do antebraço,
Realização da Prática Profissional 70 originando assim um mau controlo da mesma. Ou seja, o meu feedback tem que ir ao encontro da correção deste erro e a solução passa por consciencializar os alunos para no momento em que fazem a manchete se preocuparem principalmente por realizar uma boa anteversão dos ombros e aproximar os cotovelos, o que automaticamente vai originar uma superfície de contacto nos antebraços praticamente lisa.” (Excerto da Reflexão da Aula nº6, 16-10-2012) 4.1.3.Realização Depois de conceber e planear segue-se a realização, fase onde colocamos em prática tudo o que foi pensado, adquirido e planeado. Contudo, este não é um processo simples e reto. Não chega pôr em prática o que foi planeado, é necessário entender a complexidade de todo o processo, para dessa forma estarmos preparados para antecipar e adaptar-nos às circunstâncias. Com o decorrer das aulas, mais propriamente do processo de ensinoaprendizagem, defini e ajustei variadas estratégias a respeito das técnicas de ensino. Estas estratégias por mim utilizadas tiveram impacto em mais do que uma dimensão (confiança, gestão e instrução), de acordo com a envolvência e interligação nos períodos de ensino, pelo que procurei, não só apresentar as estratégias relativas a cada dimensão como, também, demonstrar a influência das mesmas nas restantes dimensões. No que diz respeito ao modo de abordagem das modalidades ao longo do ano letivo foi sempre da base para o topo, estando presente em todas as aulas formas jogadas, assim como formas de jogo reduzido para motivar, dificultar, estimular e facilitar os alunos, de acordo com as tarefas pretendidas. O aspeto competitivo foi algo que também transportei sempre para o interior das minhas aulas. Tentei sempre nunca relaxar ao longo da aula, para uma maior aquisição de informação, por parte dos alunos é necessário um grande esforço por parte do professor na instrução clara e nos feedbacks a transmitir ao longo de toda a
Realização da Prática Profissional 71 aula. O objetivo é passar uma mensagem clara para o aluno, sem que cause qualquer tipo de dúvida. Como é logico, para alcançar os objetivos propostos para as aulas tive de adotar um modelo de ensino, pretendia que o aluno tivesse experiencias satisfatórias, autonomia ao nível dos processos cognitivos, de consciência e de tomada de decisão, favorecendo sempre o desenvolvimento de competências na prática do jogo. O modelo de ensino que adotei, foi o Modelo de Abordagem Progressiva ao Jogo (MAPJ), um dos vários modelos de ensino abordados no 1º ano de mestrado. Este modelo desenvolvido por Mesquita (2006) tem a característica de unir num só modelo várias conceções do Modelo de Ensino do Jogo para a Compreensão (Bunker & Thorpe, 1982) e do Modelo Desenvolvimental (Rink, 1993). Coloquei este modelo em prática por que considero ser o mais completo e por desenvolver a modalidade assentando em três objetivos: reduzir barreiras no desenvolvimento; aperfeiçoar a aquisição de competências; ganhar fidelização ao desporto (Mesquita, 2010¹). O Modelo de Abordagem Progressiva ao Jogo (MAPJ) tem o objetivo de desenvolver o aluno na sua globalidade, considerado ser uma “formação desportiva, ética e culturalmente fundamentada”, desenvolvendo neste ponto várias dimensões como a motora, pessoal, cognitiva e social (Mesquita, 2010¹). Realizei vários jogos simplificados (1x1; 2x2; 3x3 e 4x4) com o objetivo de colocar os alunos a pensar estrategicamente, desenvolverem competências e melhorarem nas tomadas de decisão. Por vezes, foi necessário realizar modificações nas situações de jogo formal para “incrementar o fluxo de jogo” ou “educar a atenção na leitura de jogo” (Mesquita, 2010¹). Refiro-me às modificações por representação e modificações por exagero. Nas modificações por representação alterava o número de jogadores por equipa, dimensões do campo de jogo, estando em condições de afirmar que consegui atingir bons resultados, os alunos mudavam os comportamentos e adaptavam-se facilmente.
Realização da Prática Profissional 72 Nas modificações por exagero o objetivo era focar atenção dos alunos num determinado conteúdo técnico ou tático de modo a conseguir que eles utilizassem esse aspeto várias vezes durante os jogos. Os alunos sentiam-se confortáveis com esta modificação, porque não alterava o objetivo principal da modalidade e ainda acrescentava mais um objetivo, era aliciante para eles. Este modelo corresponde a uma intervenção pedagógica no qual pretende abordar o jogo de uma forma progressiva, tendo em conta as capacidades dos alunos de modo a estabilizar e regular os processos alcançados (Mesquita, 2006). 4.1.3.1.O inicio… Sexta-feira, dia 28 de Setembro de 2012, tudo teve inicio… a minha primeira aula. “confesso que fiquei um pouco ansioso e com enorme vontade de iniciar a lição o mais rápido possível, senti necessidade de ir para a prática; Foi o meu primeiro contacto com eles, o tempo ajudou e houve possibilidade de fazermos aula prática no exterior, ainda bem, porque para foi melhor do que ter de ir para uma sala dar uma aula teórica logo no primeiro contacto com os alunos; São alunos faladores é verdade, mas considero possuidores no geral de uma aptidão para o desporto muito boa e penso que bem estimulados e motivados para as tarefas será uma turma que me vai dar prazer dar aulas, esse é o meu objetivo sempre que planeio uma aula e sempre que piso o pavilhão para dar inicio à mesma.” (Excerto da Reflexão da Aula nº1, 28-09-2012) ¹ Mesquita, I. (2010). Documentos de circulação interna. Desenvolvimento curricular (2010/2011). Porto: FADEUP Na minha cabeça este momento não tinha sido apenas um simples “início”, era na realidade aquilo que eu já ansiava há muito, lecionar, e na verdade marcou-me profundamente. Quando iniciei a aula senti-me realmente
Realização da Prática Profissional 73 um professor e rapidamente comprovei que tinha escolhido o caminho certo e que este é realmente o futuro que eu desejo para mim. Nas primeiras aulas o principal objetivo era observar a turma e perceber o seu modo de funcionamento. Fui recolhendo o, maior número de informações, quer através da caracterização da turma, quer pelo que ia observando ao longo das aulas. De referir ainda, o apoio importante que tanto o Professor Cooperante e o restante núcleo de estágio tiveram nesta fase, deram a segurança e proporcionaram-me o bem-estar ideal para que eu tivesse sucesso. 4.1.3.2.Ganhar a confiança e estabelecer o controlo da turma Tenho mais ou menos uma noção de todos os professores que passaram por mim enquanto estudante e é fácil perceber que houve muitas mudanças ao longo dos anos. Os métodos de ensino são constantemente modificados, distinguimos facilmente os professores que terminaram a sua licenciatura há mais tempo e verificamos que os métodos de ensino são diferentes. Desde os professores mais antigos até aos mais recentes. O saber ensinar destaca-se muito nesta disciplina e na maneira como se transmite, a exatidão da linguagem e o saber adaptar-se a todas as limitações existentes nos alunos é uma das características essenciais para um bom professor de Educação Física. Contudo, senti-me sempre bem ao iniciar uma aula, nunca senti nenhum tipo de constrangimento por falar para um grupo desconhecido. Sentia alguma ansiedade aquando do início de uma nova aula e algum receio em não conseguir responder às exigências dos alunos, assim como fazer os ajustes necessários ao meu trabalho de modo a conseguir maiores sucessos por parte deles. A minha turma tinha transitado toda junta do ano anterior, o meu professor cooperante já a conhecia e sabia quais poderiam ser os alunos mais problemáticos. Naquele momento inicial esta informação por um lado, tranquilizou-me, mas por outro responsabilizou-me, no sentido de que teria de
Realização da Prática Profissional 80 De um modo ou de outro, ou seja, através da minha demostração prática ou através da visualização de imagens durante a prática surgiu a necessidade de emitir feedbacks pedagógicos. "No exercício da manchete pude observar que a maioria dos alunos tem dificuldades em contactar a bola com o terço medio anterior do antebraço, originando assim um mau controlo da mesma. Ou seja, o meu feedback tem que ir ao encontro da correção deste erro e a solução passa por consciencializar os alunos para no momento em que fazem a manchete se preocuparem principalmente por realizar uma boa anteversão dos ombros e aproximar os cotovelos, o que automaticamente vai originar uma superfície de contacto nos antebraços praticamente lisa.” (Excerto da Reflexão da Aula nº6, 16-10-2012) Mesquita (1997) refere que o feedback é a reação do professor à prestação do aluno. Em Educação Física, o feedback pedagógico pode ser definido como uma informação concedida ao aluno no sentido de ajudá-lo a repetir os comportamentos motores corretos, eliminar os incorretos e alcançar os resultados previstos (Pieron, citado por Serra, 2011). Uma das dificuldades que as vezes senti foi não conseguir observar o erro. Mas porquê? Porque talvez na minha mente ainda não possuía o movimento bem delineado, logo, estudar e observar a forma correta de o realizar foi sempre o passo seguinte. O Professor deve conhecer o modelo de execução correta, globalmente e analiticamente, saber posicionar-se para facilitar a deteção dos erros e treinar esta capacidade, pois só assim vai conseguir perceber as causas dessas incorreções e posteriormente as corrigir (Mesquita, 1997). Não é suficiente emitir apenas as correções, estas devem ser de qualidade, a informação a dar deve ser pensada, a forma como se transmite também, bem como, a sua frequência. É importante que o professor apos emitir o feedback inicial, espere para ver a execução do aluno e confirme se este conseguiu realizá-lo corretamente, para prescrever de novo se necessário (Rosado & Mesquita, 2009).
Realização da Prática Profissional 81 Neste subcapítulo analisamos a instrução de forma separada, mas no decorrer da aula é importante que tudo esteja interligado, pois coabitam juntos e influenciam se mutuamente. Esta separação decorreu apenas para melhor percebermos as várias responsabilidades. 4.1.3.5.O Infoponto e a plataforma Moodle Ainda não passaram assim tantos anos desde a minha saída do Ensino Secundário e ingresso no Ensino Superior. Os tempos vão passando, as escolas vão se modernizando, as tecnologias vão aumentando, e nos dia de hoje, uma escola moderna apresenta todas as condições físicas e tecnológicas aos alunos. A Escola Secundária de Valongo não foge à regra e de à uns anos para cá decidiu modernizar-se e entrar na era da informática e tecnologias. Se nos meus tempos de escola os sumários e as faltas eram registados nos chamados “Livros de Ponto”, nos dias de hoje na ESV esse registo faz-se através do uso de uma plataforma conectada na rede da escola designada “Infoponto”. Tal se passa também com outro suporte online mais conhecido para mim, pois utilizo-o com alguma frequência na faculdade e que se chama plataforma “Moodle”. Estas duas ferramentas de trabalho foram utilizadas por mim e pelo restante núcleo de estágio semanalmente e permitiu-nos desenvolver um trabalho muito mais motivante para nós. No Infoponto tínhamos a possibilidade de consultar o horário das nossas turmas e aula a aula escrevermos o sumário, bem como marcar as faltas caso existissem. Também era nesta plataforma que no final de cada período registávamos as classificações finais dos alunos. Todos os professores da turma têm acesso ao registro de cada aluno, assim como, o diretor de turma.
Realização da Prática Profissional 82 Figura 3 – Excerto do Infoponto: Horário do Professor Cooperante Figura 4 – Excerto do Infoponto: Sumário do 11ºCT1 Na plataforma Moodle tínhamos a possibilidade de criar uma página da disciplina. Coloquei sempre toda a informação relativa ao trabalho escrito, desde normas de redação, critérios para colocar as referências bibliográficas, prazos de entrega e um fórum de apoio, caso fosse necessário esclarecer dúvidas em horários fora das aulas. Aquando da abordagem de cada modalidade também colocava toda a matéria que servia de apoio para o teste escrito, assim como, os vídeos que passava nas aulas e possíveis resultados de competições realizadas ao longo das unidades didáticas. O teste escrito era realizado na plataforma também, os alunos tinham um fim de semana para o realizar e era constituído por 20 perguntas de escolha múltipla e cerca de 20 minutos para o realizar. Por último, gostava de referir ainda outro aspeto importante, a “cara” da página da turma era alterada todas as semanas, ou seja, todas as terças-feiras mudava a imagem que servia de boas vindas à página. O objetivo era colocar imagens motivadoras relacionadas com o desporto e tornar a página mais apelativa.
Realização da Prática Profissional 83 Figura 5 – Excerto do Moodle: Página do 11ºCT1 Em suma, queria referir que estas duas ferramentas de trabalho foram extremamente úteis e sem elas a minha experiência enquanto professor tinha ficado mais empobrecida. 4.1.3.6. 3º Período – o alcançar de metas Apesar da turma estar perfeitamente controlada, não existirem casos de indisciplina, até ao início do 3º período deixei arrastar um problema que devia ter sido solucionado muito mais cedo, os atrasos. Não acontecia sempre, mas de vez em quando um ou outro aluno chegavam atrasados, era algo que estava a falhar nos meus padrões de exigência, queria ter toda a gente a tempo e horas na aula. Outro aspeto que me levou a encontrar novas estratégias para este período foi o facto da modalidade a lecionar ser o Futebol e como a turma era constituída maioritariamente por rapazes muito competitivos, as raparigas principalmente, iam ser alvos de críticas por parte deles. Foi necessário encontrar estratégias de equilibrar a balança. É importante percebermos que o sucesso das aulas de EF se encontra dependente da forma como estas são abordadas. Para isso, selecionar estratégias de ensino e aplicação de métodos de ensino, implica uma grande
Realização da Prática Profissional 84 capacidade de conceção/planeamento, uma estruturação cuidada dos conteúdos a desenvolver e fundamentalmente exige comprometimento e uma entrega total do professor aos seus alunos. Resolvi aplicar aquilo que chamei “meio MED”, ou seja, utilizei nesta unidade didática algumas características do Modelo de Educação de Desportiva, no sentido de combater alguns problemas devidamente identificados e que nas linhas a baixo vou descortinar. O facto de o MED ser uma novidade para a generalidade da turma, levou-me acreditar que a sua aplicação poderia elevar os níveis motivacionais dos alunos, incluir os menos habilidosos e mantê-los permanentemente interessados. Segundo Siedentop (1994) este modelo de ensino tem como principal objetivo proporcionar aos estudantes experiencias de aprendizagem autênticas, entusiásticas, onde predomine o equilíbrio entre a inclusão e a competição. Aplicar estas estratégias foi sem dúvida uma experiencia completa e enriquecedora, destaco que os alunos se revelaram muito recetivos desde o inicio e aderiram fielmente a esta medida inovadora no ensino, dai que a sua aplicação tenha sido considerada para mim muito positiva. Inicialmente comecei por formar quatro grupos de acordo com as classificações obtidas na avaliação diagnostica, o objetivo era formar equipas equilibradas. Cada equipa possuía um capitão que foi escolhido no seio do grupo e desde a primeira até à última aula existiu vários momentos de competição que contabilizaram para um resultado final e apuramento do grande vencedor. Para combater os atrasos construi folhas de presenças que tinham de ser assinadas por cada um no início de cada aula. Como sempre os alunos tinham 5 minutos para se apresentar, caso não conseguissem chegar a tempo a equipa sofria um ponto de penalização. “Estou achar muito positivo este sistema de penalização para as faltas de atraso, os alunos têm chegado mais cedo à aula e sinto que as coisas estão muito mais organizadas…; Estou a conseguir manter tudo muito mais controlado, aspeto que me está a manter muito satisfeito e motivado, por outro
Realização da Prática Profissional 85 lado, estou a perceber que os alunos já encaram o início da aula com muito mais rigor.” (Excerto da Reflexão da Aula nº45, 19-04-2012) Um outro aspeto novo era o aquecimento, no sentido de aumentar a responsabilidade e autonomia decidi que cada grupo teria de preparar e lecionar 2 aquecimentos durante a unidade didática. O plano era enviado com uma semana de antecedência, corrigido por mim e novamente entregue ao grupo. No final da aula os grupos restantes preenchiam uma ficha de estrelas de modo a classificar o aquecimento. “O aquecimento foi dinâmico, divertido, direcionado para a prática porque conteve bola e um aspeto positivo foi o facto de terem adicionado música, o que na minha opinião é um fator que transmite energia aos alunos.” (Excerto da Reflexão da Aula nº44, 16-04-2012) “…um aquecimento o máximo direcionado com a modalidade que estamos abordar e se possível ajustar o aquecimento aos exercícios e conteúdos que vamos abordar posteriormente. Para finalizar esta parte quero referir que o grupo manteve a turma atenta e conseguiu realizar todos os exercícios a que se propôs, um dos aspetos que mais gostei foi a liderança imposta pelo Daniel Dias e o Daniel Campos.” (Excerto da Reflexão da Aula nº45, 19-04-2012) Um outro problema que consegui resolver foi a desvalorização de capacidades que os alunos com melhor aptidão para o futebol criavam aos alunos menos aptos. Em todas as aulas era atribuído por mim e pelos alunos pontos de fair-play por equipa, quem vencesse somava pontos para a classificação final. Os resultados foram evidentes, os mais fracos foram constantemente ajudados pelos mais fortes, e se no início da unidade didática existiam ainda algumas críticas, no final elas deixaram de existir.
Realização da Prática Profissional 86 Em suma, importa reforçar que através desta experiencia foi possível testar algumas características de uma nova metodologia de ensino, portanto, considero ter melhorado as minhas competências profissionais e pedagógicas, facto este que contribuiu largamente para o aumento do meu campo de intervenção didático-metodológico. A aplicação deste modelo de ensino em turmas que sejam capazes de assumir este compromisso, provavelmente será extremamente lucrativo, desde que os alunos encarem os desafios com seriedade e dedicação. 4.1.4.A importância da reflexão para a realização Quando pensamos na palavra “professores”, concluímos que trata-se de pessoas, com identidades únicas, com valores, com crenças e características cognitivas distintas. Ser professor é aquela profissão onde se ensina. Quando falamos de alguém que ensina numa escola, colégio, universidade ou em outro estabelecimento de ensino qualquer a palavra “Professor” está relacionada com a docência. As crianças são singulares, as turmas também, os professores idem, então parece-me que existe uma necessidade constante de adaptar a pratica à turma e/ou aluno em questão. Isto só se torna possível com um conhecimento crítico e reflexivo que permite ao professor adaptar-se às diferentes realidades. O conceito de prática reflexiva surge como uma forma dos professores interrogarem as suas práticas de ensino, possibilitando-lhes uma oportunidade para voltarem atras e reverem acontecimentos e praticas. Só com esta associação da reflexão com o objetivo de melhorar a prática é que é possível o desenvolvimento do professor (Oliveira & Serrazina, 2002). Segundo Schön (1992) o professor que evoluir tem de ficar confuso. Sem essa confusão é impossível reconhecer um problema que necessita de uma explicação. Conjuntamente com esta confusão está presente a indecisão e a multiplicidade de opções, que obrigam o professor a pensar e a tentar perceber e escolher o melhor caminho a percorrer. A reflexão surge para eliminar a tal confusão instalada, tem como base a vontade, o pensamento, as
Realização da Prática Profissional 87 atitudes de questionamento e curiosidade, na procura da verdade e da justiça (Dewey, citado por Alarcão (1996). A reflexão assume então uma importância elevada porque permite-nos ter noção daquilo que fizemos e do que podemos fazer futuramente, beneficiando no final a ação. Inicialmente analisamos o acontecimento baseando-nos nos conhecimentos já adquiridos, resultado da nossa experiencia ou de informação recolhida. Depois desta primeira análise reorganizamos essas referências teóricas. É com esta relação que surge o desenvolvimento das competências do professor, na medida em que este analisa a sua ação com base nos seus conhecimentos e fundamentos, mas procura reorganiza-los para evoluir e melhorar a sua prática (Alarcão, 1996). Mas se pensarmos que a reflexão por si só chega, estamos enganados, ela tem de ter força para provocar a ação e conferir ao professor a oportunidade para este se desenvolver, levando-o a um processo de questionamento e de procura de soluções para que lhe seja possível repensar o seu ensino (Silva, 2009). Durante este ano de estágio, a reflexão é crucial para entendermos as opções e decisões tomadas e desse modo perceber de que forma a atuação pode ser alterada e melhorada. Se não assumirmos esta predisposição para refletir é impossível ao jovem professor evoluir e aumentar a sua competência. A reflexão é portanto, um instrumento de desenvolvimento do professor, condição indispensável para o docente alterar os seus atos após a aquisição de novos conhecimentos. Os professores adquirem oportunidades para o seu desenvolvimento, tornando-os profissionais mais responsáveis, melhores e mais conscientes (Oliveira & Serrazina, 2002). Toda a reflexão que realizei este ano não foi apenas sobre aquilo que acontecia nas minhas aulas, mas também, observando a prática realizada pelos meus colegas de estágio e de outros professores de EF da ESV. Posso afirmar que toda esta observação, de diferentes professores e modos de ensinar diferentes permitiram-me retirar ensinamentos para a minha própria prática.
Realização da Prática Profissional 88 Refletir nem sempre foi fácil e tal como comprova o excerto a baixo, eu próprio fiquei surpreendido quando dei por mim e em vez de estar a descrever a minha aula (tendência das reflexões iniciais) eu realmente estava a identificar os meus problemas e tentava procurar soluções. “No exercício da manchete pude observar novamente que a maioria dos alunos continua com dificuldades em contactar a bola com o terço medio anterior do antebraço, ou seja, o meu feedback tem que ir ao encontro da correção deste erro e a solução passa por consciencializar os alunos para que no momento em que fazem a manchete se preocuparem principalmente por realizar uma boa anteversão dos ombros e aproximar os cotovelos,…; Tal como referi na introdução desta reflexão, os deslocamentos e a posição base ainda apresentam deficiências, então as minhas correções também devem incidir neste aspeto e sobretudo consciencializa-los que a manchete é um gesto técnico que se faz na zona média do corpo, para receber bolas baixas.” (Excerto da Reflexão da Aula nº7, 19-10-2012) Em suma, considero que a prática reflexiva que realizei ao longo deste ano, ajudou-me a corrigir erros, colmatar dificuldades, procurar soluções e melhorar as minhas potencialidades, conseguindo direcionar toda e qualquer reflexão para pensar e preparar as ações futuras. 4.1.5.Avaliação A avaliação é uma temática muito aprofundada na área das Ciências da Educação, existindo bastante informação sobre este campo. A avaliação não é algo exógeno ao processo de ensinoaprendizagem, nem independente das suas componentes que envolvem esse mesmo processo (Moura, 1998). Ao longo de um ano letivo, realizam-se vários tipos de avaliação, assim como a avaliação diagnóstica, a formativa e a sumativa. As avaliações diagnosticas servem para aferir o nível inicial em que os alunos se encontram; a avaliação formativa, serve para avaliar ao longo das aulas de modo a
Realização da Prática Profissional 89 perceber a progressão dos alunos; e a avaliação final deve ter em conta toda a evolução do aluno e avalia se ele realiza a tarefa com êxito ou não. A literatura tem apostado muito neste ponto, pois pretende defender a necessidade de se pensar na avaliação com parte que integra o processo de ensino aprendizagem, e não apenas um ato onde julgamos os alunos. Ao falarmos de avaliação, rapidamente nos associamos ao rendimento dos alunos como se esta fosse algo que recai, exclusivamente, sobre os alunos, menosprezando os restantes intervenientes no processo de desenvolvimento de um curriculum (Pacheco, 1995). Ao longo do ano avaliei todas as aquisições de competências dos meus alunos nos diferentes domínios e matérias definidas, sempre contando com ajuda do Professor Cooperante. De acordo com o Departamento de Educação Física os critérios de avaliação estão divididos em quatro grandes áreas: Atividades Físicas (A), Aptidão Física (B), Conhecimentos (C) e Atitudes e Valores (D). Na área das “Atividades Físicas” o aluno deve utilizar com eficácia as suas ações motoras no sentido de resolver situações problema e conhecer as regras e os princípios organizativos das atividades abordadas, utilizando ambos eficazmente nos exercícios propostos. Na área da “Aptidão Física” o aluno deve encontrar-se na Zona Saudável de Aptidão Física (ZSAF – bateria de testes Fitnessgram), nomeadamente nas capacidades de força, resistência e flexibilidade. Na área relativa aos “Conhecimentos” o aluno deve conseguir obter uma aprendizagem dos processos de desenvolvimento e manutenção da condição física. E ainda, uma aprendizagem dos conhecimentos relativos à interpretação e participação nas estruturas e fenómenos sociais extraescolares, no seio das quais se realizam as atividades físicas. Por fim, na área das “Atitudes e Valores” o aluno deve possuir eficácia no empenhamento nas atividades escolares. Responsabilidade do aluno no ato Educativo e adequar o comportamento no relacionamento interpessoal e de grupo. Conformidade da assiduidade e da pontualidade com o definido nos diplomas que regem a escola.
Realização da Prática Profissional 96 pela Presidente do Agrupamento de Escolas de Valongo dos diretores de turma (Paula Sinde)…” (Excerto da Reflexão da Reunião Geral de Pessoal Docente e não docente: 1009-2012) Por fim, tenho que referir as reuniões que na minha perspetiva foram as mais importantes e aquelas que me permitiram evoluir mais enquanto professor, As reuniões do núcleo de estágio. Eram realizadas todas as terças e sextas-feiras de manha e tinham como finalidade reunir com o Professor Cooperante de modo a ajudar-nos e orientar a tarefa enquanto professores. Apos a reunião de sexta, usando o sistema de rotatividade entre os estagiários, realizamos sempre uma ata sobre todos os temas que tinham sido discutidos nessa semana. “Iniciada a reunião, tomou a palavra o Orientador de Estágio e logo debruçou-se sobre o ponto número um, o Teste escrito a realizar às nossas quatro turmas. O teste foi realizado no moodle, decidimos estruturá-lo com vinte questões de escolha múltipla e com limite de tempo (vinte e cinco minutos). Aproveitámos ainda esta reunião para rever as perguntas e decidir que pontuação atribuir a cada uma delas.” (Excerto da Ata nº4: 03-12-2012) Em modo de conclusão, é importante referir a minha satisfação por ter participado em todas estas reuniões obtendo assim um contributo para o meu crescimento profissional. Partilhei ideias, criticas, propostas, justifiquei, argumentei, mas sobretudo, durante este ano senti-me um verdadeiro Professor.
Realização da Prática Profissional 97 4.2.2.O papel do diretor de turma “O diretor de turma é o professor que acompanha, apoia e coordena os processos de aprendizagem, de maturação, de orientação e de comunicação entre professores, alunos e pais.” Marques (2002) Uma das características do EP é a necessidade de vivenciar o maior número de atividades, cargos e funções, no ambiente escolar, adotando a docência como uma profissão que engloba muito mais tarefas do que apenas a lecionação de aulas. Beneficiei do facto do meu Professor Cooperante estar encarregue de uma direção de turma, possibilitou-me acompanhar e recolher mais de perto informações e dados relativos a esta importante função pedagógica. O diretor de turma (DT) é um “elemento chave” na relação educativa, uma vez que é a partir dele que se estabelece uma ligação entre todos os intervenientes do processo de ensino-aprendizagem (alunos, professores, pais, funcionários e estruturas de orientação educativa) (Alho & Nunes, 2009). Durante a minha caminhada neste ano letivo, pude constatar que um DT possui uma tarefa extremamente complexa, pois tem responsabilidades não só na realização de tarefas do foro administrativo (registo de faltas, coordenação de reuniões, entre outras), mas também relacionadas com o domínio humano (conhecer os problemas da turma de acordo com a multiplicidade e particularidades de cada aluno). Hoje em dia, a profissão “professor” tem como função cada vez mais encarregar-se de burocracias, e por vezes, dá-se pouca importância ao facto de antes do professor está um educador e apenas vemos esta ligação como uma simples relação professor/aluno. O educador só vai conseguir ajudar e educar os alunos, se estiver próximo deles, e estabelecer uma relação de confiança mutua, com convívio diário tem que se assumir uma prioridade. Em alguns casos o DT, para além de “psicólogo” e “assistente social”, tem que
Realização da Prática Profissional 98 assumir o papel de “substituto de pai e mãe”, para que os alunos com mais carências possam receber afeto e apoio. Com a experiencia que tive, fiquei a perceber melhor a importância que o DT assume ao ser um mediador entre a escola e a família, não se limitando apenas a cumprir o mínimo do que lhe é exigível, a parte humana de cada um influência muito neste processo. Pude observar vários professores que desempenhavam esta função, a grande maioria possuía um dossier que os acompanhava diariamente ou quando necessitavam de tratar assuntos relativos à turma. Esse dossier contém informações acerca de todos os alunos da turma, como tal uma das minhas funções enquanto auxiliar do meu Professor Cooperante era organizar constantemente toda a informação. Com este trabalho fiquei a conhecer melhor os alunos, compreendia-os melhor e aquando das reuniões com os Encarregados de Educação a comunicação era mais fácil. Contudo, ao contrário de outros DT’s, que tinham turmas complicadíssimas, nos tivemos a sorte de estar encarregues de uma turma de 12º ano, com excelentes classificações, sem problemas graves de saúde e em casa, portanto, a nossa tarefa ficou um pouco mais fácil. Concluindo, ser DT, é orientar individualmente cada aluno, de uma equipa de professor e de famílias, é ser “o eixo em torno do qual gira a relação educativa” (Marques, 2002). Para complementar este pressuposto, toda a sua intervenção deve se centrar na liderança, recorrendo sempre a uma postura democrática (Silva, 2007). Paralelamente lidera uma equipa pedagógica (Conselho de Turma), como tal deve aproximar todos os elementos que a constituem e organizar o planeamento dos projetos de turma. Apesar de todo este trabalho e dificuldade parece-me a mim ser uma alegria enorme acompanhar o crescimento dos alunos em todas as áreas de ensino, dentro e fora do contexto escolar. 4.2.3.Corta-Mato Escolar O tradicional Corta-Mato da Escola Secundária de Valongo foi a primeira atividade em que todo o planeamento e conceção ficaram a cargo do nosso
Realização da Prática Profissional 99 núcleo de estágio e do núcleo do ISMAI. Como tal, ambicionávamos desenvolver um evento em que as coisas corressem bem e a comunidade escolar ficasse com boa impressão de nossa. Esta foi a minha primeira organização de um corta-mato escolar, já tinha participado mas apenas como atleta, o que me dava alguma experiência em saber como decorre mais ou menos a prova, mas não conhecia os bastidores. Decidi focar a minha análise à realização do evento em dois tópicos, ou seja, vou focar os pontos positivos e os pontos negativos e tentar encontrar a solução ou sugestão para os resolver. Positivamente considero o seguinte: - O número de participantes: aumentamos os números de inscritos em comparação com o ano anterior e esta adesão pode originar um maior entusiasmo para os anos posteriores; - A boa relação entre os dois Núcleos de Estagiários: conseguimos entendermo-nos muito bem os seis e o resultado foi uma divisão de tarefas equilibrada em que todos se empenharam para tudo correr bem; - Boa organização: a equipa de professores de Educação Física mais uma vez demonstrou que quando organiza algo as coisas correm bem, obtive alguns feedbacks de alguns professores que me disseram que gostaram muito, estava tudo muito bem organizado; - Boa disposição dos alunos; - Ninguém se lesionou: quando realizamos uma atividade desportiva sabemos que corremos sempre algum risco, mas felizmente não houve nenhum caso a registar; - As condições climatéricas foram ótimas. Negativamente considero o seguinte: - A contagem de voltas através dos elásticos: é necessário arranjar outra estratégia para contabilizar as voltas, cria-se muita confusão aquando da passagem dos alunos em grande número por esta zona e muitos não conseguem recolher os elásticos todos;
Realização da Prática Profissional 100 - Perda de Dorsais: penso que acrescentar ao papel autocolante um alfinete a prender os dorsais evitaria que se perdessem pelo caminho e depois é constrangedor porque alunos bem classificados que cheguem sem o dorsal, têm que ser desclassificados; - A ficha de resultados: necessitávamos de alguma rotina com aquele ficheiro em Excel, o ficheiro estava o excelente, mas se não fosse um professor do grupo de EF que fez um trabalho muito bom ajudar-nos, nós íamos ter problemas em ser rápidos a publicar as classificações. Pesando estes prós e contras, considero que esta atividade foi um verdadeiro sucesso, fruto de toda a dedicação com que os organizadores se envolveram na sua dinamização e também não podemos deixar de valorizar o empenho fantástico dos alunos. Apenas por terem participado já foi um motivo de orgulho para nós. 4.2.4.Semana Aberta A Semana Aberta decorre na última semana de aulas do 2º Período. É uma semana cultural, em que este ano o tema principal era a “Cooperação pela Água” e decorrem inúmeras atividades dinamizadas por todos os departamentos curriculares, onde é possível a todo o agrupamento participar. O nosso núcleo de estágio participou, logicamente, nas atividades propostas pelo departamento de expressões e ficamos com a inteira responsabilidade de organizar o dia do 1º Ciclo e o torneio de badmintom. O Dia do 1º Ciclo, é uma atividade desportiva que decorre na ESV, destinada aos alunos do 1º ciclo das escolas do agrupamento. Para que a organização desta atividade pudesse ser preparada com a devida antecedência todos os esforços foram feitos nesse sentido, Assim com cerca de 2 meses de antecedência foram entregues convites a 4 escolas da freguesia, das quais 3 aceitaram participar na atividade. O objetivo foi criar atividades diversificadas; de modalidades diferentes das tradicionais e que proporcionassem novas experiências aos alunos
Realização da Prática Profissional 101 O método de distribuição dos alunos desenvolveu-se através de 2 circuitos (atividades no pavilhão, roteiro pela ESV), sendo que cada escola estaria em cada um destes circuitos ao mesmo tempo, havendo uma dinâmica de rotatividade que proporcionaria uma manhã preenchida de atividades. Nas atividades que decorreram no pavilhão, foram criadas 5 estações por onde os alunos circulavam, sendo estas o Goalball, o Bowling, Jogos tradicionais, Tração com corda e Uni-Hoquéi. A escolha das atividades foi sem dúvida um sucesso, pois eram diversificadas e ao mesmo tempo divertidas para todas as crianças. A atividade foi um sucesso, no entanto quem busca a perfeição procura sempre encontrar os fatores negativos, para refletir sobre estes e procurar soluções para que não voltem a acontecer. Na manhã da própria atividade, fomos obrigados ainda a tratar da impressão e organização de alguns documentos para que as escolas tivessem disponíveis durante a atividade, devíamos ter sido mais rápidos a tratar da documentação, mas o balanço final é claramente positivo. No que diz respeito ao Torneio de Badminton, tenho a dizer que se realizou no pavilhão Polidesportivo e foi direcionado para o ensino Básico (7º, 8º e 9º anos) e Secundário. Ficamos um pouco surpreendidos, com o número de inscrições, não fizemos uma propaganda gigantesca, apenas colocamos cartazes pelos pavilhões e solicitamos aos professores de EF para insistirem com os alunos a inscrever-se. O certo é que obtivemos 312 inscrições, mais 35 que no ano passado Para que o torneio se desenrolasse a um bom ritmo, cada um dos estagiários tinha uma função específica, que ia rodando, entre criar boletins de jogo, efetuar a chamada, chamar os alunos que iriam jogar em cada momento, colocação das músicas e auxiliar os árbitros, isto porque, a tarefa de arbitrar coube aos alunos que eram derrotados em cada jogo, ficando no campo onde haviam jogado. Um receio que tínhamos devido ao número elevado participantes era o de não conseguir realizar o torneio todo dentro do tempo disponível, mas a
Realização da Prática Profissional 102 dinâmica que criámos resultou perfeitamente e foi possível dentro do tempo disponível realizar todos os jogos previstos e entregar no final os prémios. Os prémios foram medalhas para o primeiro e segundo lugar fornecidas pela Escola Secundária de Valongo. Julgo que o trabalho desenvolvido, foi de grande qualidade, o que permitiu que esta atividade fosse um grande sucesso. Tudo foi possível devido ao grande trabalho que todos nós cumprimos e toda a dedicação que prestamos neste torneio, assim como a antecedência com que começamos a preparar toda a atividade, de forma a ter a capacidade de resolver todos os imprevistos que pudessem surgir. 4.2.5.Sábados Fantásticos Os Sábados Fantásticos foram duas atividades que decorreram nos dois últimos sábados de Manhã do mês de Março envolvendo crianças com idades entre os 4 e os 10 anos de idade. A primeira atividade decorreu na biblioteca municipal de Valongo e a segunda na biblioteca municipal de Ermesinde. Ambas as atividades foram fruto de uma boa parceria das bibliotecas em questão com a ESV. As duas atividades foram inteiramente desenvolvidas pelo núcleo de estágio da FADEUP, contando ainda com a colaboração do nosso professor cooperante. Inicialmente desloquei-me às duas bibliotecas para conhecer os respetivos espaços, saber que atividades eram possível realizar e os materiais necessários. Perante os espaços disponíveis, a faixa etária das crianças e com o material disponível na ESV coloquei no planeamento jogos lúdicos para desenvolver a coordenação dos membros inferiores e superiores, jogos de equilíbrio, velocidade de reação, mimica e dança. Foi com bastante agrado que vi a forma como esta atividade estava a decorrer, o entusiasmo que estava presente era tanto que passava aos próprios pais das crianças que sorridentes observavam os seus filhos. Cada atividade demorou cerca de duas horas, mas a envolvência com as crianças foi
Realização da Prática Profissional 103 tanta e a proximidade era quase nula que nem eu nem os meus colegas nos apercebemos que o tempo estava a passar tao rápido. Não vou esquecer estas duas manhãs tao cedo, foram para mim dois momentos muito enriquecedores ao nível do carinho, dos sorrisos, da alegria visível no rosto de todas as crianças que participaram nas atividades. 4.2.6. Ação de Formação – “Construção de Materiais para a prática de atividade física na escola” A realização desta ação de formação foi um dos momentos mais importantes do nosso percurso, sendo sem dúvida alguma atividade que maior competência da nossa parte exigiu, porque naquele momento fomos formadores para adultos, mais especificamente, professores. Inicialmente tínhamos convidado um professor da FADEUP para realizar a formação, mas era-lhe impossível comparecer na data que pretendíamos. A sugestão imediata dele foi incentivar-nos a realizar nos mesmos (os 3 estagiários) a ação de formação e ajudava-nos na sua preparação. Assim aconteceu, agarramos a ideia e desenvolvemo-la, não com a ajuda desse professor, mas com o auxílio do professor Tiago Cunha. Desde o primeiro momento que encaramos este desafio com toda a responsabilidade que o mesmo exigia, acreditamos que eramos capazes de promover uma ação que pudesse ser muito útil para quem viesse a usufruir dela. O principal objetivo da nossa ação era experienciar a construção de materiais desportivos através da utilização de materiais recicláveis tendo em vista uma valorização do ensino da Educação Física, e consequentemente, experimentar modalidades desportivas menos exploradas no quadro de ensino da Educação Física. Achamos esta temática importante porque devido à grande heterogeneidade dos jovens destas idades, ganha grande importância a improvisação de material. Esta improvisação também ganha pleno sentido por razões afetivas e de segurança pois, quer na iniciação quer nas aulas de
Realização da Prática Profissional 104 Educação Física, o uso de material de competição pode ser evitado. E finalmente porque entendemos que a ESV possui muitas carências de material para a prática do atletismo. Utilizamos as instalações da Escola Básica do 2º, 3º Ciclo de Sobrado e durante três horas acolhemos sete professoras do primeiro ciclo do ensino básico. As inscrições foram abertas para todo o agrupamento, mas apenas tivemos quinze inscrições, digo “apenas” porque achava que esta temática fosse suscitar interesse por parte dos docentes. Mais desiludido fiquei quando vi apenas sete professoras. Contudo no final o meu pensamento era outro, estava extremamente satisfeito, criou-se um clima muito próximo por sermos poucos e aquela distância que poderia existir não se notou. Posso afirmar que a formação foi para as professoras, mas eu próprio aprendi algo mais naquelas três horas. No final entregamos um diploma de participação e um inquérito para mais tarde nos enviarem por e-mail. Os feedbacks foram ótimos e não tenho duvidas que acertamos em cheio na temática, se fosse amanha voltaria a realizar o mesmo. “Agradeço a gentileza. A Formação foi um momento agradável e produtivo. Cumprimentos.” (Excerto da opinião de um participante) 4.3. Área 4 – Desenvolvimento Profissional Ao longo dos tempos têm-se verificado mudanças e inovações no modo como as instituições de ensino desenvolvem a formação profissional. Sendo assim, ao falar do tema “profissão” assume-se como algo contemporâneo, umas vez que novas modalidades profissionais surgem e, ao mesmo tempo, outras passam de “moda” e caem consequentemente em desuso. Contudo, a maneira como é desenvolvida a formação profissional integra o conhecimento da ação de forma apetrechar as pessoas de conhecimentos e meios para concretizarem os objetivos pessoais.
Realização da Prática Profissional 105 Rios (1999) lembra que a competência atualmente requerida vai além da dimensão técnica, do saber fazer, dos conhecimentos, das técnicas e das estratégias. É nesse sentido que nesta área de desempenho vou apresentar fatores que contribuíram para o meu desenvolvimento profissional, ao longo desta etapa da minha formação inicial. O estágio profissional. 4.3.1.Projeto de Formação Individual O Projeto de Formação Individual (PFI) foi um dos fatores que fortemente contribuiu para o meu desenvolvimento profissional neste ano de estágio. O PFI surge no Estágio Profissional, como um documento de apoio ao professor estagiário. O documento serve de guia ao longo do estágio, não como um mapa de atividades, mas sim como um conjunto de dificuldades, problemas e barreiras ao seu desenvolvimento enquanto professor. Assim sendo, é possível afirmar que ao longo do ano letivo em que se desenvolve o Estágio Profissional, o estudante estagiário começa a sua intervenção já com uma importante linha norteadora. Dizendo de outra forma, constatei que apos a realização do PFI, fiquei com uma importante fonte de reflexão acerca das principais dificuldades, tendo-me concedido a oportunidade de trabalhar para as desenvolver ou melhorar ao longo do ano de estágio. Uma das muitas características deste referido documento, senão a principal é o facto de ser um projeto reflexivo, coloca em questão todas as decisões a serem tomadas. Considero que este argumento é suficientemente relevante para o estudante estagiário encarar o projeto como algo com capacidades para o formar e contribuir para a sua formação profissional. Outro aspeto importante, é que o PFI assume-se como um verdadeiro ponto de partida para este ano de estágio. É um trabalho muito pessoal, que apela muito e apenas se desenvolve através da reflexão. Devido ao facto de ser um projeto reflexivo caracteriza-o como formador e, assim, com a
Realização da Prática Profissional 112 citado por Junior e Santos (2007). Para a criança que possui visão normal se desenvolver, necessita de um campo de estimulação cada vez maior, ao invés da criança com deficiência, que deve procurar esse campo de estimulação no seu próprio corpo. A partir daí, começa a descobrir o seu meio ambiente, descobrindo em si mesma o que as outras crianças com visão normal encontram no ambiente: a motivação e o estímulo para realizar qualquer tipo de ação. 4.3.2.4.Objetivos e Hipóteses Objetivos Geral: Desenvolver um programa de Atividade Física, orientada em aulas regulares, visando reduzir as suas dificuldades e aumentar as capacidades organo-funcionais da aluna com Glaucoma. Específicos: - Melhorar a sua noção corporal, lateralidade e amplitude de movimentos. - Desenvolver os níveis de flexibilidade - Melhorar a prática de atividade física. - Desenvolver a integração nas aulas de Educação Física Hipóteses Hipótese 1A atividade física contribui para o desenvolvimento global da aluna com Glaucoma. Hipótese 2 – O número de aulas despendidas durante este estudo são suficientes para verificar alterações significativas no desenvolvimento global da aluna com glaucoma.
Realização da Prática Profissional 113 4.3.2.5.Material e Métodos Nesta abordagem, seguimos o método de estudo de caso. Um estudo de caso consiste numa análise, de descrição detalhada, que procura compreender de uma forma intensa a sua realidade particular, De acordo com Bell (1997), um estudo caso proporciona uma oportunidade para analisar, de uma forma mais ou menos aprofundada, um problema. Para André (1997), os estudos de caso são importantes pela sua função heurística, pois oferecem conhecimentos que clarificam o assunto em pesquisa, promovendo avanços na área em estudo e, paralelamente, ajudam a entender a dinâmica educativa. 4.3.2.5.1.Caracterização da aluna Esta aluna tem 17 anos de idade, frequenta o 12º ano de escolaridade na Escola Secundária de Valongo e pertence a um grupo de alunos que beneficiam de acompanhamento especial. A psicóloga da escola e o professor de educação física trabalham em conjunto com o objetivo de melhorar a prática de atividade física. Aluna apresenta uma deficiência visual, designada, Glaucoma Congénito Bilateral. Apresenta acuidade visual no Olho Direito reduzida a perceção luminosa e no Olho Esquerdo de 1/11 (um décimo) com a melhor correção. Já foi submetida a múltiplas cirurgias em ambos os olhos e atualmente apresenta um bom controlo na tensão bilateral. Encontra-se sob vigilância médica frequente. A família da aluna é constituída pelos pais e mais um irmão do sexo masculino, pertencendo à classe baixa. Pode-se considerar uma pessoa independente, no que respeita à sua autonomia pessoal, não necessita de ajuda para realizar as atividades básicas diárias (comer, vestir, higiene pessoal). Um aspeto importante é que devido ao avançar da doença e com a diminuição da acuidade visual, ela resolveu por aconselhamento médico iniciar aulas de braile.
Realização da Prática Profissional 114 4.3.2.5.2.Procedimentos Metodológicos Este estudo foi possível graças à minha inserção no núcleo de estágio da FADEUP, ficando definido que a minha intervenção decorreria durante o 3º Período. Gostava de referir ainda, que foram solicitadas as devidas autorizações aos pais, assim como o consentimento da aluna em participar neste projeto. Antes de por em prática o meu programa, realizei uma adaptação com aluna, durantes as ultimas duas semanas de aulas do 2º período. O grande objetivo era familiarizar-nos, criando laços de amizade para que o trabalho decorresse de uma forma mais harmoniosa. Posso dizer que pelo facto de a aluna já conviver bem com a sua doença foi muito fácil a nossa aproximação. Determinei realizar 14 sessões de 90 minutos (duas vezes por semana) durante as aulas de educação física da turma dela. O meu colega de estágio realizava o plano de aula relativo à modalidade em questão, neste caso foi o basquetebol, e eu procedia às respetivas alterações de acordo com o planeamento específico. A seguinte tabela foi construída com base nas principais dificuldades da aluna, de acordo com as capacidades que eu e o Professor Cooperante achámos que deviam ser exercitadas no Basquetebol. Quadro 6 – Plano de Intervenção Prático Meses Abril Maio Dias 5 16 19 23 26 30 3 7 10 14 17 24 28 31 Aulas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 Conteúdo As Ca Ca Ca Cvg Cvg Cvg C C Or Or J J Af Técnica Tática Legenda As Avaliação sumativa Ca Capacidade auditiva Cvg Capacidade verbal e gestual C Coordenação Or Orientação espaço temporal
Realização da Prática Profissional 115 J Jogo Af Avaliação final Numa última fase, os dados recolhidos foram tratados e realizamos uma reflexão crítica de natureza qualitativa sobre os resultados obtidos, com o intuito de aferir a evolução/melhoria da aluna e constatar as diferenças na sua caracterização. Utilizei o método de Observação Direta e Sistemática, onde frequentemente usei o Registo de Acontecimentos com a técnica de Incidentes Críticos. Deste modo, foi possível estudar o comportamento da aluna ao longo das sessões. Atendendo à natureza peculiar do estudo, optei por uma atitude de observador participante, cooperando de um modo consciente e sistemático no trabalho desenvolvido com aluna. Ou seja, como observador, participei ativamente na ação com o intuito de recolher os dados e simultaneamente, interagir com a aluna. A observação respeitou dois momentos essenciais: Observação Inicial – análise do estado inicial da aluna; Observação Final – análise do estado final da aluna e avaliação da caracter qualitativo. 4.3.2.6.Apresentação dos resultados O presente capitulo tem como objetivo, apresentar e discutir os resultados obtidos após aplicação da minha proposta de intervenção. Dado que o presente estudo, propõe uma descrição detalhada do desempenho da aluna e atendendo à diversidade da informação, os resultados são agrupados por categorias e apresentadas em três domínios: motor, cognitivo e socio-afetivo; e em Situação de Jogo. No domínio motor, para além da descrição observada recorri a uma ficha normativa, para me auxiliar a melhor descrever aluna. Ainda acrescentar que todo o trabalho desenvolvido nas aulas de basquetebol com aluna foi com uma bola vermelha de gizo.
Realização da Prática Profissional 116 4.3.2.6.1.Observação Inicial Domínio Motor 1. Coordenação: Neste campo a aluna demonstra imensas dificuldades, pois considero que a baixa visão originou a perda de coordenação. a. Sempre que se desloca rapidamente no sentido de se posicionar no campo ou com o jogador que lhe vai passar a bola frequentemente tropeça; b. Tem a passada muito curta; c. Os membros inferiores raramente relaxam, encontram-se quase sempre em extensão, o que dificulta o deslocamento; d. Tem dificuldades em distinguir o membro superior esquerdo do direito; e. Raramente agarra uma bola à primeira; f. Confunde-se aquando da receção da bola, recebendo aleatoriamente com a mão esquerda ou com a mão direita a bola, independentemente da sua posição em campo; g. Frequentemente coloca as mãos à frente do rosto para se proteger. 2. Orientação espaço temporal: Neste campo a aluna não possui qualquer noção de como se deve orientar no terreno de jogo a. São poucas as vezes que se orienta para a tabela; b. São poucas as vezes que se orienta corretamente para o colega que vai passar a bola; c. Frequentemente encontra-se de costas para a bola porque não se apercebe da presença dela; d. Dificuldade em distinguir os corredores de jogo e colocar-se num deles; e. Não tem preocupação em orientar os apoios para o alvo.
Realização da Prática Profissional 117 3. Técnica: Apenas abordamos a receção, o passe e o lançamento porque era os gestos requeridos para o jogo condicionado que aluna aprendeu a. Receção: muitas deficiências técnicas, mãos sobrepostas, receção a um apoio de vez em quando e olhar quase sempre desviado da bola; b. Tripla ameaça: não sabe o que significa; c. Passe: movimento técnico melhor executado pela aluna. Apenas algumas incorreções ao nível dos cotovelos e no avançar de um apoio; d. Lançamento em apoio: pouco êxito na concretização do ponto, lançamento apenas com uma mão e extensão total do corpo. Estes dados foram recolhidos através de anotações e do uso da seguinte tabela: Quadro 7 – Registo Inicial do Domínio Motor Domínio Motor Pontos Avaliados Mau Suficiente Bom Observações Coordenação Deslocamentos X Passada -- -- -- Muito curta Ação membros Inferiores X Lateralidade X Receção da bola X Ação dos Membros Superiores X Orientação Espaço Temporal Orientação em relação à tabela X Orientação em relação aos colegas X Orientação em relação à bola X Colocação no terreno de jogo X Orientação dos apoios para o alvo X Técnica Receção X Tripla Ameaça X Passe em apoio X Lançamento em apoio X
Realização da Prática Profissional 118 Domínio cognitivo Neste domínio foi possível observar que a aluna: Ainda não reconhece o som da bola especial; Não esta habituada a orientar-se através da voz dos colegas; Não interage com os colegas durante o jogo para solicitar que lhe passem a bola; Não levanta a mão alvo para pedir a bola; Desconhece muitos aspetos regulamentares do jogo; Desconhece noções táticas como o passe e corte, organização ofensiva e defensiva. Isto deve-se ao facto da pouca experiencia em modalidades coletivas, pois apenas realiza educação física há dois anos. Domínio Sócio afetivo Neste domínio foi possível observar: É totalmente independente; Demonstra muita simpatia e vontade de aprender, não se esquecendo nunca de agradecer com um sorriso o facto de a estarmos ajudar; É bastante tímida, tem medo de assumir protagonismo porque sabe que possui limitações; Tem muita falta de iniciativa, tenta sempre procurar o seu canto onde ninguém dê por ela. Situação de Jogo Neste momento a aluna não realiza jogo. Apenas o jogo dos 10 passes e de uma forma muito condiciona, no que respeita às regras. 4.3.2.6.2.Observação Final Domínio Motor
Realização da Prática Profissional 119 1. Coordenação: Neste campo ocorreram pequenas alterações positivas, principalmente quando o exercício ou situação de jogo era mais lento. A baixa visão é de facto um grande entrave à evolução da aluna. a. Melhorou bastante os deslocamentos nas situações mais controladas dos exercícios, onde os colegas estavam muito condicionados a velocidade de execução diminuía. Quando o ritmo do exercício aumenta ela tropeça mais frequentemente; b. Conseguiu alongar a passada; c. A aluna já flete as pernas, percebeu que se deslocava melhor e também recebia a bola em melhores condições aquando da flexão dos membros inferiores; d. O problema de lateralidade praticamente deixou de existir; e. O número de bolas rececionadas à primeira melhorou consideravelmente; f. Continuou a confundir-se aquando da receção da bola, recebendo aleatoriamente com a mão esquerda ou com a mão direita, independentemente da sua posição em campo; g. A tendência para proteger a cara diminuiu, mas mesmo assim ainda é um uso frequente nas situações mais rápidas. 2. Orientação espaço temporal: Sofreu poucas alterações neste aspeto, continua com muitas dificuldades de orientação e colocação em campo. a. São ainda poucas as vezes que se orienta para a tabela; b. Corrigiu a sua orientação em relação aos colegas. O colega que tinha a bola habituou-se a chamar pelo seu nome e ela automaticamente orientava-se no seu sentido; c. Embora já reconheça o barulho (gizo) da bola, ainda tem dificuldades em perceber onde se encontra. Demora sempre 1 a 2 segundos no mínimo; d. Já consegue distinguir os corredores de jogo, mas contínua com dificuldades em colocar-se no seu; e. Orienta os apoios para o alvo. Grande evolução.
Realização da Prática Profissional 120 3. Técnica: Melhorou consideravelmente. a. Receção: as mãos nunca mais ficaram sobrepostas, recebeu excetuando raras vezes a um apoio (utilizou preferencialmente 2 apoios) e o olhar passou a ser dirigido para a bola; b. Aprendeu e aplicou com sucesso a posição de tripla ameaça, principalmente quando seguia as minhas indicações; c. Passe: o movimento já era bom, mas conseguiu colocar os cotovelos mais altos, que era o pretendido; d. Lançamento em apoio: Começou a lançar com as duas mãos e sucesso na concretização dos cestos aumentou. A distância ideal para executar era a cerca de 3 metros da tabela. Estes dados foram recolhidos através de anotações e do uso da seguinte tabela: Quadro 8 – Registo Final do Domínio Motor Domínio Motor Pontos Avaliados Mau Suficiente Bom Observações Coordenação Deslocamentos X Passada X Mais longa Ação membros Inferiores X Lateralidade X Receção da bola X Ação dos Membros Superiores X Orientação Espaço Temporal Orientação em relação à tabela X Orientação em relação aos colegas X Orientação em relação à bola X Colocação no terreno de jogo X Orientação dos apoios para o alvo X Técnica Receção X Tripla Ameaça X Passe em apoio X Lançamento em apoio X
Realização da Prática Profissional 121 Domínio cognitivo Neste domínio foi possível observar que a aluna: Reconhece o som da bola especial; Habituou-se a orientar-se através da voz dos colegas; Passou a interagir muito mais com os colegas durante o jogo para solicitar que lhe passem a bola; A mão alvo foi uma constante quando pedia a bola; Estudou e viu vídeos que lhe forneci com os aspetos regulamentares do jogo; Ficou a perceber o passe e corte, mas poucas vezes aplicava. Melhorou a organização ofensiva e defensiva, mas apenas quando ajudada. Teve dificuldades em assimilar os poucos conteúdos táticos que lhe foram pedidos. Domínio Sócio afetivo Neste domínio foi possível observar: A timidez praticamente desapareceu e passou a ser uma aluna muito ativa na aula. É bastante tímida. Situação de Jogo Realizou todas as aulas jogo condicionado. Os colegas não lhe podiam retirar a bola e ela nas marcações podia acompanhar um adversário colocando a mão no seu ombro (guia) e tentar desarmá-lo. As situações de jogo em que participou eram muito paradas e monótonas, mas foi importante para esta aluna ter tido a oportunidade de se sentir útil no seio da turma.
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Conclusões e Perspetivas para o Futuro 129 “Curiosidade, criatividade, disciplina e especialmente paixão são algumas exigências para o desenvolvimento de um trabalho criterioso, baseado no confronto permanente entre o desejo e a realidade.” Mirian Goldenberg Ao concluir mais uma etapa formativa, apercebo me do quão proveitoso e singular se revelou o meu EP. Este foi um “palco” privilegiado para a realização dos meus sonhos, onde foi possível desenvolver a minha conceção de ser professor, em contexto real de ensino. Descobri que a profissão docente não se resume apenas ao transmitir conteúdos específicos, exige educar e formar indivíduos, pois, acima de tudo, o professor deve contribuir para a formação do aluno enquanto cidadão, utilizando as estratégias necessárias e adequadas à sua realidade. Realmente posso afirmar que ao longo deste ano percebi a importância do planeamento e da reflexão. Passei pela experiência de ter que planear e alterar no momento as aulas ou porque o roulement estava errado ou as condições climatéricas impediam-me de lecionar a aula no exterior. Senti que se dominar todos os conteúdos que vamos abordar, se conhecer o material disponível e o espaço, torna-se muito mais fácil manter uma turma controlada e proporcionar-lhes um clima propício à aprendizagem. Os alunos são muito exigentes e exigem de dia para dia cada vez mais de nós. Dedicando mais tempo ao processo de planeamento e reflexão, melhorei a qualidade das aulas e consequentemente a eficácia do processo de Ensino - Aprendizagem. Não tenho a menor das dúvidas que uma das “peças-chave” deste meu período formativo foi o Professor Cooperante. A maneira como desempenhou o seu papel de supervisão foi fundamental para que eu melhorasse as minhas capacidades e competências, assim como a minha responsabilidade. Quando falo da maneira como desempenhou o seu papel, refiro-me ao seu objetivo constante de ter uma postura colaborativa, em vez de autoritária. Ao assumir essa postura, o Professor Cooperante conseguiu estimular o ambiente de trabalho criado, fazendo-me perceber a importância de realizar as
Conclusões e Perspetivas para o Futuro 130 minhas tarefas com o objetivo de aprender mais e não assumir-se apenas com um caracter de obrigatoriedade. Os aspetos de colocação na aula, transmissão de conteúdos, transição entre exercícios e resolução de problemas de indisciplina também contribuíram de forma fulcral para o meu crescimento enquanto profissional. Quem reparou constantemente nestes pormenores e me foi corrigindo foi o Professor Cooperante. Com estas melhorias na minha performance a relação com os alunos e a transição entre exercícios foi uma evolução fantástica. O professor Cooperante ajudou-me também a desenvolver uma atitude ativa, de pesquisa e procura constante e que contribuiu naturalmente para ganhar confiança na realização das diferentes tarefas de estágio. Considero que, mais do meu orientador, o Professor José Andrade, ao longo deste importante período da minha vida, foi um amigo. Logicamente neste processo de formação, existiram outros intervenientes que assumiram um papel fulcral. Estou a referir-me, como não podia deixar de ser, aos “meus” alunos, eles proporcionaram-me aprendizagens muito importantes. Cada um à sua maneira deu um contributo importante neste processo de construção pessoal e profissional. Foram eles que me conseguiram fazer perceber que o processo de ensino não é nem deve ser algo fechado, sistematizado, como se fosse retirado de um livro de receitas. Fiquei a perceber que cada atividade deve ser orientada para as especificidades de cada turma, pois cada aluno, cada turma, possui uma forma diferente de reagir às situações propostas. Tive várias experiencias alo longo das aulas que para mim, o exercício aplicar era fantástico, mas talvez não era o adequado para aquele grupo de alunos. Aprendi muito com eles, serão sempre os meus alunos. Realmente existiram muitas pessoas que ao longo desta etapa da minha formação inicial foram muito importantes, mas não é possível estar a enumerar aqui toda a gente, contudo, os meus colegas de estágio não podem deixar de contar com a minha referência. Foi com eles que passei por esta fase extremamente importante da minha vida e formação académica. Acima de tudo são dois amigos que ficam
Conclusões e Perspetivas para o Futuro 131 para minha vida e se pudesse escolher um dia gostaria muito de voltar a trabalhar com eles. Aprendi muito, em parte conseguimos desenvolver um clima de partilha de conhecimentos, de resolução conjunta de dificuldades, quase como se fossemos apenas um só. Obrigado amigos e até um dia… Outro aspeto que me ajudou e facilitou a aquisição de conhecimentos foi o facto de procurar constantemente respostas para os meus problemas. Considerava sempre o conhecimento como um processo inacabado, algo que pode sempre crescer e tomar outras dimensões, fez com que a pesquisa desenvolvida ao longo do ano letivo se tornasse predadora, não parando de procurar respostas enquanto não estivesse realizado com o resultado. Considero portanto que o conhecimento e a formação são processos inacabados e tenho a certeza que a formação não acaba aqui. O Estagio Profissional foi um período de enorme enriquecimento, que me fez olhar o futuro com mais confiança nas minhas capacidades e competências, sei perfeitamente que não atingi o cume da sabedoria, necessito de me formar continuamente. A minha formação enquanto professor, não termina aqui, apos esta profissionalização, ela vai continuar a desenvolver-se. Segundo Alarcão & Tavares (1987), embora a figura da supervisão possa desaparecer, na realidade esta assume uma nova forma designada de “auto supervisão”. Passamos a ter mais autonomia, responsabilizamo-nos pela nossa própria construção e passo a ser ajudado pelos meus colegas, no âmbito do grupo disciplinar. É importante desenvolver um historial de vivências neste campo e estarmos dispostos a enfrentar as exigências da nossa profissão. Como qualquer docentes, possuo esperança, reduzidas é certo, mas acredito que apesar da educação atravessar momentos difíceis, ser professor é uma profissão nobre que voltara a ser devidamente valorizada e respeitada se conseguirmos mudar a postura da sociedade. O futuro da nossa profissão é uma incógnita, mas também enquanto professores temos de lutar, pois somos os principais responsáveis pela mudança. Esta passagem pelo ensino foi curta, considero que passei pelo “meu mundo”, deixou marcas em mim e a realização deste relatório permitiu exprimir
Conclusões e Perspetivas para o Futuro 132 em palavras aquilo que vivi e senti ao longo deste ano, embora esteja perfeitamente consciente que as palavras por si só não chegam, as memórias que tenho na minha mente jamais serão esquecidas.
133 6. BIBLIOGRAFIA
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Anexos CXLIV Anexo II – Cartaz do corta mato
Anexos CXLV Anexo III – Cartaz do Torneio de Badminton
Anexos CXLVI Anexo IV – Plano da atividade dos sábados Fantásticos Jogo dos Balões Material: Balões 2 a 2 alunos fazem jogo de coordenação de sustentação do balão, sem o deixar cair: - Na testa; -Na barriga; - Nas Costas; - Lado a lado com a cabeça. “Bolinha Mandou” Material: Bolas de Andebol e Ténis O coordenador da atividade deve selecionar 4 a 20 truques fáceis com uma até três bolas, e que possam ser seguidos ao ritmo da sua voz. Início sem bolas com exercícios leves de aquecimentos e alongamentos, após isso peço para pegarem uma bola e digo: “bolinha para cima”. Depois anuncio: “bolinha pro lado”, e por fim, “bolinha para baixo”, todas sem que as crianças efetuem arremessos. É um processo para as crianças acostumarem-se a concentrar num foco e coordenar o movimento com uma voz de comando. Depois começo com técnicas de arremesso dizendo: “bolinha mandou ser jogada para mesma mão” e sigo: “bolinha mandou ser jogada por baixo das pernas”, “bolinha mandou...” Á partir disso um infindável mundo de opções surgem, com dinâmicas em duplas, em trios, sempre estabelecendo um diálogo lúdico aliado a prática de técnicas variadas. Jogo dos Arcos Material: 10 Arcos Os arcos encontram-se no espaço, dispostos em forma de círculo, sendo que os alunos se deslocam à volta dos mesmos, ao som da música. Quando esta parar, os alunos, individualmente, terão que se colocar dentro de cada arco. Jogo do Imita Turma dividida em grupos de 5 ou 6 alunos (vai depender de quantos tivermos), em fila indiana, circulam pelo espaço existente ao som da música. O primeiro aluno dessa fila realiza um movimento e os restantes terão de imitá-lo. Os restantes grupos ficam sentados ou ajoelhados, numa posição de alerta, prontos para mover-se assim que terminar o som da música. O grupo em movimento deve “virar estátua”, assim que a música terminar. Ao ritmo da música Material: Música e Sistema de som É colocado um CD com músicas de diversos ritmos (hip-hop; brasileira, musica popular, etc). Os alunos que se encontram em frente ao professor, terão que dançar ao ritmo de cada música, adequando os movimentos ao estilo musical, os restantes deverão imitar os colegas.
Anexos CXLVII Anexo V – Cartaz da ação de formação
Anexos CXLVIII Anexo VI – Relatório Médico da Aluna Portadora de Glaucoma