O Investimento em investigação e desenvolvimento performance operacional da empresa: o caso português
Full text
O investimento em investigação e desenvolvimento e a performance operacional da empresa: o caso português por Alberto de Oliveira Ferreira Neto Dissertação de Mestrado em Finanças Orientada por: Miguel Augusto Gomes Sousa Setembro 2013
i Nota Biográfica do Autor Alberto Neto nasceu em 2 de Julho de 1987 e é natural de São Paulo, Brasil. Em Julho de 2010, concluiu a licenciatura em Gestão pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto com média de 16 valores. Em 2012, concluiu a parte curricular do Mestrado em Finanças pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto com média de 14 valores. Iniciou o seu percurso profissional em Agosto de 2010 através de um estágio na AICEP Portugal Global, tendo ingressado posteriormente na Deloitte Consultores, S.A., em Janeiro de 2011, empresa na qual encontra-se actualmente a exercer as suas funções profissionais.
ii Agradecimentos A presente passagem serve para agradecer a todas as pessoas que contribuíram directa ou indirectamente para a realização desta dissertação. Em primeiro lugar, gostaria de agradecer ao meu orientador, o Professor Miguel Sousa, cuja importante ajuda e total disponibilidade em todo o processo de desenvolvimento da dissertação foi fundamental para que fosse possível concretizar os objectivos pretendidos. Adicionalmente, gostaria de agradecer aos meus familiares, amigos (particularmente ao Pedro Silva) e colegas de trabalho (em especial, ao Rui Amaro e a Susana Enes) pelo apoio, companheirismo e força transmitida, sem os quais dificilmente conseguiria levar a cabo esta tarefa.
iii Sumário O investimento em investigação e desenvolvimento assume-se como um alicerce fulcral na capacidade de inovar por parte de muitas empresas. De facto, actualmente a investigação e desenvolvimento (I&D) é tida como um instrumento estratégico fundamental para preparar as empresas para as variáveis concorrenciais críticas que definirão a sua posição concorrencial no médio e longo prazo. A importância da I&D encontra-se bem patente no crescimento que este tipo de investimento tem registado ao longo dos anos, havendo na literatura um amplo consenso acerca do seu impacto positivo na produtividade e no valor das empresas, bem como na existência de efeitos de spillover para agentes externos às próprias empresas que realizam as actividades de I&D. Não obstante, em face do carácter incerto dos resultados passíveis de se obter em qualquer projecto de I&D realizado (uma vez que, de outra forma, não poderia ser considerado como tal), é legítimo questionar se os resultados positivos até então encontrados mantêm-se de forma transversal para qualquer mercado ou ciclo económico vivenciado. Neste contexto, a presente dissertação propõe-se a estudar o impacto do investimento em I&D na performance operacional no caso das empresas a actuar em Portugal, num contexto especialmente adverso que o país atravessa, designadamente ao nível do ambiente macroeconómico bastante desfavorável que se instalou desde a crise económica e financeira iniciada em 2008 com a crise americana do subprime. De referir que os resultados obtidos da análise empírica conduziram à conclusão de que, para o período em análise, as empresas com maior investimento em I&D apresentaram uma performance operacional globalmente fraca, verificando-se um ligeiro crescimento da rendibilidade e da produtividade, com decréscimo da eficiência. Ao ajustar a performance das empresas da amostra pela performance da indústria durante o mesmo período de tempo, apenas a rendibilidade apresentou um crescimento superior (embora marginal), tendo a produtividade e, particularmente, a eficiência, registado um desempenho inferior.
iv Abstract The research and development (R&D) investment is a core component for many companies’ innovative capacity. Indeed, nowadays R&D is considered a fundamental strategic instrument to prepare the companies to the critical competitive variables that will define its competitive position in medium and long run. The R&D importance is clearly expressed in the growth that this type of investment has been presenting throughout the years. There is a broad agreement in the literature about the R&D positive impact in the corporate productivity and value, as well as in the existence of spillover effects to external agents. Nevertheless, considering the uncertain feature of the possible results in any R&D project conducted (otherwise, it would not be considered as one), it is legitimate to question whether the positive results found in the literature so far are consistent in a broad way for any market or economic cycle. In this regard, this dissertation aims to study the impact of the R&D investment in the corporate operational performance for companies installed in Portugal, in a very adverse context that the country experienced nowadays , namely the significantly unfavorable macroeconomic environment that has been installed since the economic and financial crisis that began in 2008 with the American subprime crisis. The results led to the conclusion that, in the considered period for the analysis, the corporates with higher R&D investments presented an overall poor operational performance. Indeed, the profitability and productivity registered a slight increase, whilst the efficiency has fallen. The industry-adjusted corporate performance has shown that only the profitability presented a higher growth (although marginal) than the industry, while the productivity and, particularly, the efficiency, have registered an inferior performance comparing to the industry.
v Índice de Conteúdos Nota Biográfica do Autor .................................................................................................. i Agradecimentos ................................................................................................................ ii Sumário ............................................................................................................................ iii Abstract ............................................................................................................................ iv Índice de Conteúdos .......................................................................................................... v Índice de tabelas ............................................................................................................... vi 1. Introdução ..................................................................................................................... 1 2. Revisão de literatura ..................................................................................................... 3 2.1. O que é a I&D? ...................................................................................................... 3 2.1.1. Definição ......................................................................................................... 3 2.1.2. Principais tendências ao nível das despesas de I&D ....................................... 4 2.2. A importância da I&D para a performance e desenvolvimento das empresas ...... 8 2.2.1. A importância crescente dos activos intangíveis ............................................. 8 2.2.2. O contributo da I&D na melhoria da performance das empresas ................... 8 2.2.3. O desafio na captação do valor da I&D e da inovação .................................. 12 3. O impacto da I&D em Portugal .................................................................................. 14 3.1. Amostra ................................................................................................................ 14 3.2. Metodologia ......................................................................................................... 15 3.3. Informação Síntese da Amostra ........................................................................... 16 3.4. Rendibilidade ....................................................................................................... 21 3.5. Produtividade ....................................................................................................... 23 3.6. Eficiência .............................................................................................................. 25 3.7. Conclusão do capítulo da investigação empírica ................................................. 26 4. Conclusão .................................................................................................................... 27 5. Referências bibliográficas ........................................................................................... 30 Anexos ............................................................................................................................ 32
vi Índice de tabelas Tabela 1 ……………………………………………………………………………………...…17 Tabela 2 ……………………………………………………………………………………...…19 Tabela 3 ……………………………………………………………………………………...…20 Tabela 4……………………………………………………………………………………..…..21 Tabela 5...…………………………………………………………………………………….…23 Tabela 6...……………………………………………………………………………………….25 Tabela A.1.…………………………………………………………………………………...…32 Tabela A.2.…………………………………………………………………………………...…33 Tabela A.3….………………………………………………………………………………...…34 Tabela A.4….....……………………………………………………………………………...…35 Tabela A.5.....………………………………………………………………………………...…36 Tabela A.6.…………………………………………………………………………………...…37
1 1. Introdução O investimento em Investigação e Desenvolvimento (doravante designada por “I&D”) assume um carácter prioritário em diversas empresas, sendo frequentemente observado o caso de várias empresas que alavancam as suas vantagens competitivas através deste tipo de investimento. De facto, na economia global e do conhecimento dos dias de hoje, a criação de factores de inovação que permitam às empresas incrementarem o seu nível de competitividade no mercado encontra-se, em muitos casos, directamente relacionada com a disponibilidade que as mesmas apresentam para a afectação de recursos à I&D. Com efeito, alguns dos resultados directos que este tipo de investimento pode apresentar consistem no desenvolvimento ou melhoria significativa de produtos ou processos produtivos nas empresas, os quais, em última instância, podem repercutir-se na sua performance operacional (nas diversas variáveis que a compõem, como os níveis de produtividade, de rentabilidade ou de eficiência). Não obstante, sendo a investigação e desenvolvimento, pela sua própria natureza, uma actividade na qual a incerteza encontra-se sempre presente, o retorno do investimento realizado assume-se como uma variável de difícil previsão, não sendo negligenciáveis os casos em que o investimento efectuado não se traduz em qualquer benefício para a empresa que o efectua. Neste âmbito, o caso português assume um apreciável interesse do ponto de vista do estudo empírico acerca do impacto da I&D na performance operacional das empresas aí instaladas por diferenciadas razões: i. As empresas a actuar em território nacional têm vindo, desde o início do século XXI, a aumentar significativamente o investimento em I&D, sendo que o país tem mesmo colocado algumas das suas maiores e mais importantes empresas entre os líderes de I&D a nível internacional. Com efeito, de acordo com o relatório “The 2012 EU Industrial R&D Investment Scoreboard”, divulgado pela Comissão Europeia, Portugal possui 6 empresas entre 1.000 empresas europeias que mais investem em I&D a nível mundial, sendo de destacar a Portugal Telecom, que ocupou a 97ª posição no ranking, tendo atingido o 6.º lugar a nível
2 mundial entre as empresas de telecomunicações que mais investem em investigação e desenvolvimento, em percentagem de receitas; ii. A economia portuguesa tem sido fortemente fustigada nos últimos anos (a partir do início da crise económica e financeira que teve origem na crise do subprime nos Estados Unidos da América, em 2008), havendo um clima de grande pessimismo no mundo empresarial, o qual tende naturalmente a repercutir-se numa retracção dos investimentos (quer em capital tangível, quer em capital intangível). Neste contexto, a presente dissertação propõe-se a estudar o impacto do investimento em I&D na performance operacional para o caso de um conjunto de empresas a actuar num país que se encontra num contexto macroeconómico altamente negativo e habitualmente caracterizado como detentor de um tecido empresarial frágil, com debilidades estruturais e pouco competitivo. A presente dissertação encontra-se organizada da seguinte forma: o capítulo 2 apresenta uma breve revisão de literatura académica sobre a I&D, tendo como objectivo a sua definição, caracterização, apresentação da literatura a nível do impacto na performance e desenvolvimento das empresas e evolução do investimento em I&D no contexto nacional e internacional. No capítulo 3, são apresentados os resultados do trabalho empírico realizado. Assim, é realizada a caracterização da amostra, seguindo-se a apresentação da metodologia adoptada, bem como as principais conclusões relativamente aos indicadores de (i) rendibilidade, (ii) produtividade e (iii) eficiência. Por fim, as conclusões finais serão expostas no capítulo 4.
9 outras formas de capital capazes de gerar importantes retornos, podendo mesmo constituir as mais importantes no longo prazo. Trata-se, pois, do caso do capital detido em I&D, o qual se traduz em distintas vertentes - know-how acumulado, perícia técnica ou patentes -, capital este que se encontra incorporado na esfera da empresa e dos respectivos colaboradores. Com efeito, estes autores referem que, desde o período pós-Segunda Guerra, tem-se verificado que o investimento realizado por parte da indústria neste tipo de capital tem vindo a tornar-se numa larga e crescente fatia do investimento total realizado. Neste âmbito, a literatura tem apresentado diversos estudos a denotar o contributo substancial dos investimentos em I&D (1) no crescimento da produtividade numa variedade de indústrias, bem como (2) a nível da geração de fluxos tecnológicos entre distintas indústrias. Ao nível da relação investimentos em I&D e crescimento da produtividade, Nadiri (1979) sintetiza um conjunto variado de resultados de estudos anteriores, realizados por outros autores, que demonstram evidência empírica no suporte desta corrente, como por exemplo: i) Mansfield (1965), que conclui que o aumento dos investimentos em I&D apresenta uma relação positiva com o crescimento da taxa de produtividade no contexto empresarial; ii) Leonard (1971), que derivou semelhantes conclusões, i.e., através da análise da relação entre crescimento de produtividade e intensidade de investimento em I&D (tendo este autor utilizado para tal a seguinte definição: o rácio de “I&D / vendas” e a relação de “número de cientistas e engenheiros afectos à actividades de I&D financiadas pela empresa por cada 1.000 colaboradores da empresa“), o autor concluiu que crescimento da produtividade pode ser explicado pela intensidade na investigação, horas trabalhadas totais e nível de especialização dos colaboradores (medido pelo número médio de anos completos de escolaridade); iii) Terleckyj (1974), que conclui que o investimento privado em I&D apresentava um forte efeito directo no crescimento da produtividade dos factores produtivos;
10 iv) Griliches (1973), que, tendo por base uma amostra alargada de 883 empresas com avultados investimentos em I&D, observou que a contribuição da I&D para o crescimento da produtividade diferia consideravelmente entre as indústrias, efeito explicado, segundo o autor, pelas variações no rácio “produção / stock de capital de I&D” entre as indústrias. Por fim, Nadiri (1979), no âmbito do seu estudo realizado, também conclui acerca da relação positiva entre investimento em I&D e crescimento de produtividade, uma vez que este encontra evidências de redução das taxas de crescimento de produtividade (no contexto da indústria transformadora norte-americana) explicadas pela redução no ritmo de crescimento dos investimentos em I&D. Outro relevante estudo em defesa da I&D como um vector essencial para a criação de valor nas empresas consiste no estudo realizado por Warusawitharana (2011), o qual alia a I&D à inovação e aos investimentos em capital físico, como condições essenciais para a concretização do respectivo incremento de valor. Com efeito, o autor encontra evidência de que as empresas investem em I&D tendo como objectivo incrementar a probabilidade de gerar inovações bem-sucedidas. Neste âmbito, e para que seja possível materializar estas inovações, as empresas necessitam de efectuar investimentos em capital físico. De acordo com o autor, a introdução de inovações bem-sucedidas reflecte-se directamente em crescimento da rentabilidade e do valor das empresas. Com efeito, o autor conclui que, no contexto das empresas analisadas na sua amostra, observou-se um elevado aumento na rentabilidade após a introdução de inovações bem-sucedidas (quantificado, em média, em cerca de 38%), verificando-se ainda que estes ganhos possuíam um carácter marcadamente permanente na esfera da empresa. Estes resultados foram igualmente confirmados na análise de um subgrupo da amostra, um conjunto de indústrias altamente intensivas em I&D, o que aponta para uma maior robustez e validade das conclusões retiradas. Outro resultado bastante interessante, e que posiciona-se na linha de defesa da significativa importância da I&D para a performance das empresas, consiste na relação positiva encontrada entre a I&D e a variabilidade de ganhos futuros. A este propósito, refira-se o estudo de Pandit et al. (2011), no qual os autores encontram evidência acerca de uma relação positiva entre a performance operacional futura e a qualidade do
11 conjunto de patentes detidas por uma empresa, sendo esta relação mais forte para as empresas mais produtivas e inovadoras. Neste âmbito, concluiu-se que a volatilidade da performance operacional futura é negativamente relacionada com a qualidade das patentes e esta relação é mais forte para as empresas com maiores despesas de I&D e maior portfólio de patentes. De um modo geral, as empresas com investimentos em I&D que são mais produtivas exibem maior e menos volátil performance operacional futura. Não obstante, é igualmente importante realçar que o impacto da I&D não se limita unicamente à esfera da empresa que a realiza, havendo um efeito de transmissão/disseminação por todo um conjunto de agentes. De facto, no que respeita à geração de efeitos de spillover entre indústrias, verifica-se na literatura a existência de alguns estudos que denotam a geração de crescimento de produtividade em determinadas indústrias, em virtude da realização de investimentos em I&D noutras indústrias. Neste âmbito, a literatura examina os spillovers gerados entre indústrias, países e regiões, através do conhecimento obtido com actividades de I&D, analisandose o efeito da I&D promovida por outros agentes na produtividade de determinada empresa. Como realça Nadiri, (1979), esta ligação é facilmente visível no caso dos bens provenientes de determinadas indústrias, como, por exemplo, os computadores (cujo desenvolvimento obriga frequentemente a realização de fortes investimentos em I&D), os quais, ao serem aplicados em indústrias que, tradicionalmente, não levam a cabo actividades de I&D significativas por si mesmas, podem despoletar elevados crescimentos de produtividade na sua actividade. Do mesmo modo, o autor também refere que quanto maior a ligação/proximidade entre as indústrias, maior a velocidade e magnitude dos efeitos indirectos observados. Na revisão bibliográfica efectuada no seu paper, Nadiri, (1979) refere alguns importantes estudos, realizados por outros autores, que contribuíram para a demonstração do efeito de spillover gerado pela realização de actividades de I&D por determinados agentes, designadamente: i) O já referido estudo de Terleckyj (1974), no qual, tendo por base 33 indústrias transformadoras e não transformadoras (para o período 1948-1966), foi estimada a contribuição da I&D incorporada em bens adquiridos (de empresas de outras
12 indústrias), tendo constatado um forte efeito indirecto de spillover interindústrias a nível do crescimento da produtividade; ii) Evans (1976), que estudou o contributo das despesas de I&D da NASA para o crescimento da produtividade agregada nos Estados Unidos da América, tendo identificado um efeito significativo deste tipo de despesas através da transmissão de avanços técnicos inter-indústrias. No entanto, embora os diversos resultados referidos pareçam apontar no mesmo sentido (i.e., da forte e crescente importância da I&D na produtividade quer da empresa que a realiza, quer de outros agentes externos), a literatura não é unânime, encontrandose também evidências contrárias, i.e., a apontar no sentido de uma suposta perda de importância da I&D no fomento da produtividade das empresas. De facto, de acordo com o estudo de Maisse e Bronwyn (1996), no âmbito do qual foram analisados dois grupos de empresas (um de empresas francesas e outro de empresas norte-americanas), cada qual com cerca de 1.000 empresas, concluiu-se que o contributo das despesas de I&D no crescimento da produtividade ou das vendas apresentou uma diminuição na década de 1980 face à década anterior, para ambos os países. Embora estes resultados não invalidem a influência da I&D na produtividade das empresas, os mesmos contribuem certamente para o debate acerca do grau de eficácia (ou a sua evolução) deste tipo de investimento sobre a respectiva produtividade. 2.2.3. O desafio na captação do valor da I&D e da inovação O investimento em I&D acarreta incerteza substancial sobre os resultados do próprio investimento, o que complica a tarefa de obter estimativas fiáveis sobre o impacto desse investimento no valor das empresas. Neste âmbito, destaca-se o estudo de Palmon e Yezegel (2012), pela apresentação de uma perspectiva bastante ampla acerca das principais dificuldades enfrentadas na captação do valor da I&D e da inovação numa empresa, em face da natureza intangível subjacente às mesmas. No contexto da revisão bibliográfica levada a cabo no referido estudo, os autores referem estudos anteriores, realizados por outros autores, os quais apresentam argumentos acerca da dificuldade na avaliação desta classe de activos, como por exemplo:
13 i) Kothari et al. (2002), que demonstram que os investimentos em I&D geram benefícios futuros que são três vezes mais incertos do que os gerados pelos investimentos em capital físico; ii) Aboody e Lev (2000), que argumentam que os investimentos em I&D introduzem maior assimetria de informação do que outros tipos de investimentos, apontando como razões o carácter idiossincrático/singular que cada projecto de I&D apresenta para a empresa, o facto de os investimentos em I&D não serem transaccionados em mercados organizados nos quais os investidores conseguem obter informação do respectivo valor e produtividade gerado e, ainda, devido ao facto de, no caso dos Estados Unidos da América, os princípios contabilísticos geralmente aceites requererem que os investimentos em I&D sejam imediatamente levados a custos e não exijam a divulgação do valor ou produtividade gerada deste tipo de investimentos nos relatórios financeiros emitidos pelas empresas; iii)Amir e Lev (1996), Xu et al. (2007) e Lev e Zarowin (1999), denotam as lacunas nos modelos actuais de reporte de informação, designadamente mais pronunciadas nas empresas intensivas em I&D; iv) Adicionalmente, Boone e Raman (2001), que basearam a sua análise na componente de selecção adversa do “bid-ask spread”, concluem que a informação assimétrica é positivamente associada ao investimento em I&D; v) Por fim, Barth e Kasznik (1999), concluíram que os investimentos em I&D são positivamente relacionados com recompras de acções, o que sugere uma maior assimetria de informação para empresas intensivas em I&D. No entanto, importa também realçar que há evidência de que os investimentos em I&D são efectivamente incorporados no valor de uma empresa. A este nível, como é referido por Hall e Hayashi (1989), a literatura apresenta evidência no sentido de que o nível de capital de I&D detido pelas empresas configura uma importante componente do valor de mercado das empresas, verificando-se ainda um maior valor bolsista para as empresas consideradas altamente inovadoras.
14 3. O impacto da I&D em Portugal Nesta secção, é apresentado o trabalho empírico bem como as principais conclusões alcançadas relativamente ao impacto ao nível da performance operacional da I&D empresarial em Portugal. 3.1. Amostra Com o objectivo de obter uma amostra de empresas que permita identificar o impacto do investimento em I&D na respectiva performance operacional, recorreu-se à base de dados SABI, bem como as informações divulgadas pela Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), do Ministério da Educação e Ciência (MEC), no âmbito do Inquérito ao Potencial Científico e Tecnológico Nacional (“IPCTN”). Com efeito, em primeiro lugar, recorreu-se ao IPCTN, o qual constitui a fonte de informação estatística oficial relativa a actividades de I&D em Portugal. Trata-se de uma operação de âmbito censitário, em conformidade com os critérios definidos a nível internacional pelo Eurostat e em articulação com a OCDE, tendo como referência o Manual de Frascati. A lista principal do IPCTN, no que respeita ao I&D a nível empresarial, consiste na lista com as 100 empresas com maiores despesas em actividades de I&D. Neste contexto, foi possível identificar nos inquéritos de 2008 e 2009 um conjunto alargado de empresas (cerca de 115 empresas, com informação reportada a nível das despesas de I&D em 2008 e em 2009), sendo as empresas presentes neste inquérito as que apresentaram maiores despesas em I&D no respectivo ano. De seguida, recorreu-se à base de dados SABI disponibilizada pela Bureau van Dijk, de forma a obter as informações contabilísticas de cada empresa, bem como informações ao nível do sector de actividade. A este nível, para cada empresa da amostra procurou-se obter informação para o período entre 2008 e 2011 9 , sendo que foram excluídas todas as empresas para as quais não foi possível obter dados relativos a 9 Refira-se que, no período de elaboração da presente dissertação, a SABI apenas dispunha de dados até ao ano de 2011.
15 todos os anos do horizonte temporal em questão. Neste sentido, a amostra passou a constituir-se por 59 empresas. 3.2. Metodologia De forma a perceber o impacto que o investimento em I&D apresenta ao nível da performance operacional da empresa, foram utilizados com proxy dessa performance, tal como em outros estudos 10 , três indicadores, a saber: (i) Margem EBITDA 11 , como medida de rendibilidade, (ii) Rendibilidade do activo 12 , como medida de produtividade e (iii) Rotação do activo 13 , como medida de eficiência. Importa realçar que estes indicadores encontram-se relacionados entre si, uma vez que a Rendibilidade do activo corresponde ao produto entre a Margem EBITDA e a Rotação do activo. Neste contexto, a análise da Margem EBITDA e da Rotação do activo permite concluir se uma eventual variação positiva na Rendibilidade do activo (produtividade) pode ser atribuída à capacidade da empresa manter ou melhorar a sua margem (rendibilidade) ou se advém de uma melhor utilização dos seus activos (eficiência). Refira-se que todas as variáveis utilizadas são apresentadas antes de juros e impostos, o que permite expurgar dos resultados da nossa análise outros efeitos que não resultem exclusivamente da actividade operacional das empresas, de que são exemplos os benefícios fiscais a que as empresas podem usufruir com a realização de actividades de I&D, no âmbito do Sistema de Incentivos Fiscais à Investigação e Desenvolvimento Empresarial, o qual vigora em Portugal desde 1998. Neste contexto, o impacto da I&D na performance operacional da empresa será aferido com base na evolução daqueles indicadores entre 2009 e 2010 e entre 2009 e 2011 14 (para uma análise de valores acumulados, i.e., de um horizonte temporal mais alargado, a qual é importante em face dos efeitos da I&D que possam ocorrer não apenas no curto prazo, como em frequentes casos assim o ocorre), sendo a evolução da performance operacional calculada então com base na seguinte fórmula: 10 Vide Kaplan (1989), Jain e Kini (1994), Guo et al. (2011); Mendes (2011) e Alves (2012) 11 EBITDA / Volume de Negócios (EBITDA – “Earnings Before Interests, Taxes, Depreciation and Amortization”) 12 EBITDA / Total do Activo 13 Volume de Negócios / Total do Activo 14 Foi igualmente efectuada a análise para os períodos entre 2008 e 2010 e entre 2008 e 2011, porém os resultados obtidos demonstraram-se bastante similares.
16 Fórmula 1: Yit+j – Yit, onde y representa o indicador, i a empresa, t o ano de 2009 e j assume o valor de 1 para a variação 2009-2010 e o valor 2 para a variação 2009-2011. Por outro lado, tendo em vista evitar que os resultados apresentados sejam dominados por valores extremos (outliers), analisaremos as mediadas das variações em detrimento da análise das médias, seguindo a norma verificada nos estudos já citados. Os resultados relativos à análise da performance operacional serão, posteriormente, ajustados pelos mesmos indicadores relativos ao sector (considerando a CAE Rev. 3 de cada empresa), conforme os dados obtidos através da base de dados da Central de Balanços do Banco de Portugal. Os valores ajustados foram obtidos através da subtracção da evolução dos indicadores para cada empresa pelo valor médio 15 da evolução desses mesmos indicadores calculados para o sector onde a empresa actua, durante o mesmo período. Por fim, foi realizado o teste Wilcoxon a fim de testar se a mediana calculada para cada um dos indicadores é significativamente diferente de zero. 3.3. Informação Síntese da Amostra A Tabela 1 apresenta a distribuição por sector das 59 empresas que compõem a amostra, indicando como a mesma é distribuída em termos relativos para os diferentes sectores. Refira-se que a caracterização por sector das empresas participadas é feita com base no NACE Ver. 2 (Nomenclatura Estatística das Actividades Económicas na Comunidade Europeia), o qual é equivalente ao CAE Rev. 3 (Classificação Portuguesa de Actividades Económicas). Como é possível constatar, as empresas da amostra dispersam-se entre diferentes sectores, havendo uma maior concentração de empresas das indústrias transformadoras e das actividades de informação e de comunicação. Por outro lado, é igualmente apresentado na Tabela 1 o peso relativo da I&D (medido em função do activo) para os 15 Nesta análise, seria mais aconselhável o uso da mediana em detrimento do valor médio. Não obstante, tal não se demonstrou exequível pela indisponibilidade destes dados, pelo que a análise da variação ajustada pela variação verificada no sector deve ser feita de forma prudente.
17 anos de 2008 e 2009, respeitante à média de cada sector. É, pois, visível, numa análise temporal, que o peso relativo da I&D mantém-se quase constante na generalidade daqueles sectores, sendo de realçar, no entanto, o aumento de 11 p.p. (pontos percentuais) no caso das actividades de informação e de comunicação. Por outro lado, é igualmente este sector o que apresenta maior representatividade dos investimentos em I&D comparativamente ao valor dos activos das empresas que o compõem. Tal resultado é compreensível à luz do facto de que trata-se de um sector em que a fronteira tecnológica é sistematicamente rompida com a introdução de novas tecnologias disruptivas, as quais envolvem fortes investimentos em I&D. Realça-se, a título de exemplo, o caso da Portugal Telecom, a qual integra o sector em questão, tratando-se da empresa que mais investe em I&D no país, sendo igualmente uma das empresas com maior investimento em I&D a nível mundial, tal como anteriormente referido. Refira-se, no entanto, e numa análise agregada, que o peso da I&D em qualquer um destes sectores pode ser considerado relativamente marginal face à dimensão das empresas que os compõem (de facto, em nenhum caso é, por exemplo, ultrapassado a barreira de 1% de investimento em I&D face ao respectivo activo). Tabela 1: Distribuição das empresas da amostra por sector Sector Número de empresas Percentagem Peso I&D no Activo 2008 (média sector) Peso I&D no Activo 2009 (média sector) Actividades administrativas e dos serviços de apoio 1 1,69% 0,10% 0,13% Actividades de consultoria, científicas, técnicas e similares 6 10,17% 0,27% 0,30% Actividades de informação e de comunicação 11 18,64% 0,68% 0,77% Comércio por grosso e a retalho; reparação de veículos automóveis e motociclos 7 11,86% 0,03% 0,03% Construção 2 3,39% 0,03% 0,03% Electricidade, gás, vapor, água quente e fria e ar frio 2 3,39% 0,16% 0,10% Indústrias extractivas 1 1,69% 0,06% 0,07% Indústrias transformadoras 26 44,07% 0,36% 0,37% Transportes e armazenagem 3 5,08% 0,06% 0,05% Total 59 100,00% - -
18 As características das empresas da amostra são apresentadas na Tabela 2. Nesta tabela, é possível observar o peso da I&D (em termos relativos e absolutos) nas empresas da amostra. Tendo em atenção o valor do investimento médio em I&D nos anos de 2008 e 2009, verifica-se que, entre as empresas da amostra, apresentam um valor mediano (médio) igual a 1,8 milhões de euros (7,3 milhões de euros), observandose ainda que a empresa que mais despendeu em I&D (com base na média entre 2008 e 2009) investiu um total de 174 milhões de euros por ano. Estes valores elevados são, contudo, compreensíveis e esperados, sendo as empresas da amostra parte do grupo das empresas que mais investem em I&D em Portugal. De facto, em termos relativos, verifica-se que o peso da I&D no activo daquelas empresas é bastante superior aos valores sectoriais observados na tabela anterior (mediana de 2,97% e média de 9,82% da I&D sobre o activo, tendo em conta a média destas variáveis entre 2008 e 2009), o que é novamente comprovado ao verificar-se os valores deste rácio ajustados à indústria. Esta análise permite, pois, concluir que o investimento em I&D levado a cabo por estas empresas é significativamente superior não apenas em termos absolutos, mas também quando considerada a dimensão das empresas (utilizando-se o activo como proxy da respectiva dimensão). Ao analisarmos as variáveis EBITDA, volume de negócios e activo, verifica-se que a mediana e a média das empresas da amostra (em 2008) registam valores bastante significativos (e muitos superiores, em termos médios, ao verificado no conjunto da totalidade das empresas portuguesas), o que leva-nos à conclusão de que são as grandes empresas que mais investem em I&D, quer em termos absolutos quer relativos (conforme já referido), facto que pode ser interpretado como uma consequência natural da sua maior capacidade financeira para a afectação de recursos neste tipo de investimento.
25 3.6. Eficiência A análise da Tabela 6 permite verificar a evolução da rotação do activo (Volume de Negócios/Activo). A sua análise leva-nos a concluir que o nível de eficiência das empresas em análise praticamente estagnou entre 2009 e 2010 (ligeiro aumento de 0,09 pontos percentuais), tendo decrescido no período temporal mais alargado (2009 a 2011) (redução de 0,80 pontos percentuais) 18 . No que respeita à comparação a indústria, observa-se uma significativa diferença desfavorável para as empresas da amostra, tendo as mesmas registado uma evolução na eficiência muito aquém das restantes empresas. Com efeito, este efeito sentiu-se principalmente entre 2009 e 2010, período no qual a eficiência das restantes empresas enquadradas nos diferentes sectores evoluiu muito favoravelmente (mais 23,57 pontos percentuais) 19 , sendo que, entre 2009 e 2011, ainda que a diferença na variação da eficiência tenha continuado a agravar-se, esta efectuou-se a um ritmo bastante menos acelerado (mais 24,03 pontos percentuais, entre os dois anos). Refira-se que os valores obtidos para a variação na mediana ajustados à indústria são estatisticamente significativos para um nível de significância de 1%. Por outro lado, tal como esperado, é na eficiência que reside o principal driver de perda de produtividade das empresas da amostra, em termos comparativos com a restante indústria. Tabela 6: Alterações nas variáveis de eficiência nas empresas da amostra Volume de Negócios/Activo Variação 2009-10 Variação 2009-11 Variação na mediana (em p.p.) 0,09 -0,80 Observações 59 59 Variação ajustada à indústria (em p.p.) -23,57*** -24,03*** Observações 59 59 *, **, *** estatisticamente diferente de zero para um nível de significância de 10%, 5% e 1%, respectivamente. 18 Para os períodos entre 2008 e 2010 e entre 2008 e 2011, a queda em termos da evolução da eficiência foi ainda mais acentuada. 19 A acentuada divergência no crescimento da eficiência entre as empresas da amostra e das empresas dos sectores em que as mesmas se integram deve-se fundamentalmente: (i) ao crescimento no volume de negócios muito acima na indústria em comparação com a amostra e (ii) ao crescimento do activo nas empresas da amostra e o decréscimo, em semelhantes proporções, do activo na indústria.
26 3.7. Conclusão do capítulo da investigação empírica Como foi possível observar ao longo do presente capítulo, as empresas utilizadas na amostra (recolhidas com base no IPCTN, inquérito estatístico que apresenta as empresas com maior investimento em I&D a nível internacional) apresentavam as seguintes características: São empresas de grande dimensão (vide valores de EBITDA, volume de negócios e activo apresentados na Tabela 2); No ano de 2008 (início da crise económica), apresentavam indicadores de performance operacional similares ou superiores em comparação à indústria: nível bastante aproximado no caso da rendibilidade; nível superior no caso da produtividade; e nível bastante superior no caso da eficiência (vide tabela 3); Apresentam um crescimento de rendibilidade entre 2009 e 2011, mesmo quando ajustado à indústria, ainda que de forma não acentuada (ressalva-se que, entre 2009 e 2010, a rendibilidade da indústria cresceu acima das empresas da amostra) (vide tabela 4); Apresentam um crescimento residual da produtividade entre 2009 e 2011, cenário que é no entanto alterado quando ajustado à indústria (entre 2009 e 2010 e entre 2009 e 2011, visto que a produtividade da indústria cresceu acima das empresas da amostra) (vide tabela 5); Apresentam um crescimento quase negligenciável de eficiência entre 2009 e 2010 e decrescimento no período global de análise (2009 a 2011), sendo a comparação com as restantes empresas da indústria bastante desfavorável (em ambos os períodos de análise, a eficiência indústria cresceu acima dos 20 pontos percentuais face às empresas da amostra) (vide tabela 6).
27 4. Conclusão A investigação e desenvolvimento tem ocupado um papel central na agenda do mundo empresarial, sendo afectado a estas actividades milhares de milhões de euros todos os anos para a realização de novos projectos. Conforme verificado, a literatura disponibiliza um conjunto variado de estudos nos quais são enumerados os diversos benefícios económicos (tanto a nível do valor gerado como a nível do impulso à melhoria da performance) usufruídos a partir dos resultados obtidos da I&D, quer na empresa que a realiza quer noutros agentes externos que indirectamente dela beneficiam. Neste contexto, pretendeu-se estudar o impacto da I&D na performance operacional das empresas a actuar em Portugal, tendo como período de análise o contexto recente da economia nacional, o qual é caracterizado por uma acentuada adversidade do ambiente macroeconómico. Não obstante, atendendo ao esforço verificado nos últimos anos por parte das empresas portuguesas na aposta na I&D, o qual tem-se reflectido num forte crescimento a nível nacional nas despesas de I&D desde o início da década anterior, representa especial interesse observar se os recursos afectos à este tipo de investimento consubstanciavam uma forma de mitigar os efeitos da crise, através da introdução de novas inovações que permitissem o lançamento de novos ou melhorados produtos ou processos capazes de alavancar a performance operacional destas empresas ou, se os investimentos em questão pendiam mais para o lado dos custos numa análise de custo-benefício, dirimindo a sua capacidade competitiva nos mercados. Deste modo, recorreu-se à uma amostra composta por 59 das empresas que mais investem em I&D a nível nacional, tendo sido caracterizadas em função da sua dimensão, esforço absoluto e relativo em investimentos em I&D e, bem assim, a sua performance operacional no período de início da crise económica originada com a crise do subprime nos Estados Unidos da América. Como foi possível observar, no que respeita à rendibilidade, esta manteve-se acima das restantes empresas das correspondentes indústrias que integram as empresas da amostra, ainda de forma pouco pronunciada.
28 Menos positivo foi o saldo referente à produtividade, tendo-se observado um crescimento de produtividade entre 2009 e 2011, o qual, entanto, que muda de figura quando este indicador é ajustado à indústria (entre 2009 e 2010 e entre 2009 e 2011, a produtividade da indústria cresceu acima das empresas da amostra). Por fim, no que respeita à eficiência, adicionalmente a esta ter apresentado um crescimento quase negligenciável entre 2009 e 2010 e um decrescimento no período global de análise (2009 a 2011) para as empresas da amostra, a comparação com as restantes empresas da indústria releva uma forte discrepância no desempenho deste indicador (em ambos os períodos de análise, a eficiência indústria cresceu acima dos 20 pontos percentuais face às empresas da amostra). Assim, de acordo com o conjunto de resultados obtidos na análise empírica efectuada, é possível constatar que, no global, a evolução da performance operacional das empresas com fortes investimentos em I&D, no período analisado, situou-se abaixo da performance verificada nas restantes empresas que compõem os sectores nos quais as mesmas se inserem. Neste contexto, é plausível concluir-se que o investimento em I&D realizado não permitiu construir as vantagens competitivas necessárias e materializar os benefícios que seriam esperados a nível da performance das empresas, configurando, eventualmente, uma relação desfavorável numa lógica de custo-benefício, pelo menos no curto prazo e porventura justificado pelo actual contexto da economia portuguesa. Por fim, a título de sugestão de áreas de investigação futura, indicam-se as seguintes possibilidades: O estudo do grau de eficácia da atribuição de incentivos financeiros e fiscais à investigação e desenvolvimento, quer no impacto a nível do aumento das despesas de I&D, quer no impacto que este efeito combinado produz na performance operacional da empresa; O estudo da análise custo-benefício entre a melhoria da competitividade das empresas com a atribuição de incentivos à I&D e a perda de receita fiscal, por forma a avaliar a razoabilidade da existência deste tipo de incentivos; De igual forma, atendendo a que a presente dissertação apresenta um horizonte temporal de análise relativamente restrito em face da escassez de dados fiáveis e
29 publicamente disponíveis sobre as despesas anuais de I&D por empresa, uma vez que o IPCTN apenas iniciou a divulgação destes dados a partir de 2008 e a SABI apenas ainda dispõe de informação contabilística até ao ano de 2011, apresenta particular interesse a realização de um estudo com o alargamento do período de análise, de forma a poder inferir com evidências mais extensas acerca do impacto da I&D na performance operacional num período mais alargado.
30 5. Referências bibliográficas Alves, J. G., 2012. A intervenção do Estado no Mercado de Private Equity em Portugal. Dissertação do Mestrado em Finanças - Faculdade de Economia da Universidade do Porto. Baglieri, E., Chiesa, V., Grando, A. E Manzini, R., 2001. Evaluating Intangible Assets: The Measurement of R&D Performance. Research Division Working Paper No. 01/49. Bremser, W.G., Barsky, N.P., 2004. Utilizing the balanced scorecard for R&D performance measurement. R&D Management, Vol. 34, No 3, pp. 229-238. Guo, S., Hotchkiss, E. S. e Song, W., 2011. Do Buyouts (Still) Create Value?. Journal of Finance, 66, p. 479–517. Hall, B. e Hayashi, F., 1989. Research and Development as an Investment. NBER Working Paper No 2973. Jain, B. A. e Kini, O., 1994. The Post-Issue Operating Performance of IPO Firms. Journal of Finance 49. Kaplan, S., 1989. The effects of management buyouts on operating performance and value. Journal of Financial Economics 24, pp. 217-254. Mairesse, J., Bronwyn, H. H., 1996. Estimating the Productivity of Research and Development: An Exploration of GMM Methods Using Data on French and United States Manufacturing Firms. NBER Working Paper No 5501. Mendes, J. P., 2011. Private Equity in Portugal - An analysis of the portfolio companies operating performance. Dissertação do Mestrado em Finanças - Faculdade de Economia da Universidade do Porto. Nadiri, M.I., 1979. Contributions and Determinants of Research and Development Expenditures in the U.S. Manufacturing Industries. NBER Working Paper No 360. Palmon, D. e Yezegel, A., 2012. R &D Intensity and the Value of Analysts’ Recommendations. Contemporary Accounting Research Vol. 29 No. 2 (Summer 2012) pp. 621–654.
31 Pandit, S., Wasley, C.E. e Zach, T., 2011. The Effect of Research and Development (R&D) Inputs and Outputs on the Relation between the Uncertainty of Future Operating Performance and R&D Expenditures. Simon School Working Paper No. FR 09-05. Warusawitharana, M., 2011. Research and Development, Profits and Firm Value: A Structural Estimation. Board of Governors of the Federal Reserve System. Páginas Web consultadas: www.oecd.org http://www.pofc.qren.pt/ www.sifide.adi.pt http://www.dgeec.mec.pt Outra documentação: Manual Frascati. Proposed Standard Pratice for Surveys on Research and Experimental Development, OCDE, 6 td, 2002.
32 Anexos Tabela A.1: Despesas de I&D em percentagem do PIB Country 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Australia 1,47 .. 1,65 .. 1,73 .. 2,01 .. 2,26 .. 2,20 .. Austria 1,93 2,05 2,12 2,24 2,24 2,46 2,44 2,51 2,67 2,71 2,79 2,75 Belgium 1,97 2,07 1,94 1,87 1,86 1,83 1,86 1,89 1,97 2,03 2,00 2,04 Canada 1,91 2,09 2,04 2,04 2,07 2,04 2,00 1,96 1,92 1,94 1,85 1,74 Chile .. .. .. .. .. .. .. 0,31 0,37 0,41 0,42 .. Czech Republic 1,17 1,16 1,15 1,20 1,20 1,35 1,49 1,48 1,41 1,47 1,56 1,85 Denmark .. 2,39 2,51 2,58 2,48 2,46 2,48 2,58 2,85 3,16 3,07 3,09 Estonia 0,60 0,70 0,72 0,77 0,85 0,93 1,13 1,08 1,28 1,43 1,63 2,41 Finland 3,35 3,32 3,36 3,44 3,45 3,48 3,48 3,47 3,70 3,94 3,90 3,78 France 2,15 2,20 2,24 2,18 2,16 2,11 2,11 2,08 2,12 2,27 2,24 2,24 Germany 2,47 2,47 2,50 2,54 2,50 2,51 2,54 2,53 2,69 2,82 2,80 2,88 Greece .. 0,59 .. 0,57 0,56 0,60 0,59 0,60 .. .. .. .. Hungary 0,81 0,93 1,00 0,94 0,88 0,94 1,01 0,98 1,00 1,17 1,17 1,21 Iceland 2,67 2,95 2,95 2,82 .. 2,77 2,99 2,68 2,65 3,11 .. .. Ireland 1,11 1,09 1,10 1,16 1,23 1,25 1,25 1,29 1,46 1,70 1,71 1,70 Israel 4,29 4,58 4,57 4,29 4,29 4,43 4,51 4,86 4,77 4,49 4,34 4,38 Italy 1,04 1,08 1,12 1,10 1,09 1,09 1,13 1,17 1,21 1,26 1,26 1,25 Japan 3,00 3,07 3,12 3,14 3,13 3,31 3,41 3,46 3,47 3,36 3,25 3,39 Korea 2,30 2,47 2,40 2,49 2,68 2,79 3,01 3,21 3,36 3,56 3,74 4,03 Luxembourg 1,65 .. .. 1,65 1,63 1,56 1,66 1,58 1,66 1,72 1,48 1,43 Mexico 0,34 0,36 0,40 0,40 0,40 0,41 0,38 0,37 0,41 0,44 0,46 0,43 Netherlands 1,94 1,93 1,88 1,92 1,93 1,90 1,88 1,81 1,77 1,82 1,85 .. New Zealand .. 1,12 .. 1,17 .. 1,14 .. 1,18 .. 1,31 .. 1,30 Norway .. 1,59 1,66 1,71 1,57 1,51 1,48 1,59 1,58 1,76 1,68 1,66 Poland 0,64 0,62 0,56 0,54 0,56 0,57 0,56 0,57 0,60 0,67 0,74 0,76 Portugal 0,73 0,77 0,73 0,71 0,74 0,78 0,99 1,17 1,50 1,64 1,59 1,49 Slovak Republic 0,65 0,63 0,57 0,57 0,51 0,51 0,49 0,46 0,47 0,48 0,63 0,68 Slovenia 1,38 1,49 1,47 1,27 1,39 1,44 1,56 1,45 1,66 1,85 2,09 2,47 Spain 0,91 0,92 0,99 1,05 1,06 1,12 1,20 1,27 1,35 1,39 1,39 1,33 Sweden .. 4,13 .. 3,80 3,58 3,56 3,68 3,40 3,70 3,60 3,39 3,37 Switzerland 2,47 .. .. .. 2,82 .. .. .. 2,87 .. .. .. Turkey 0,48 0,54 0,53 0,48 0,52 0,59 0,58 0,72 0,73 0,85 0,84 0,86 United Kingdom 1,82 1,79 1,80 1,75 1,69 1,72 1,74 1,77 1,78 1,84 1,80 1,77 United States 2,71 2,72 2,62 2,61 2,55 2,59 2,65 2,72 2,86 2,91 2,83 2,77 GERD as a percentage of GDP
33 Tabela A.2: Percentagem das despesas de I&D empresarial realizadas no total das despesas de I&D Country 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Australia 47,83 .. 52,53 .. 54,34 .. 58,04 .. 61,10 .. 58,00 .. Austria .. .. 66,84 .. 67,75 69,78 70,41 70,56 69,32 68,09 68,09 68,09 Belgium 72,29 72,97 70,42 69,68 69,06 68,01 69,28 69,54 68,26 66,26 66,24 67,13 Canada 60,30 61,67 57,55 57,08 56,77 55,81 56,66 55,80 54,13 52,49 50,31 51,28 Chile .. .. .. .. .. .. .. 34,73 40,42 33,32 38,69 .. Czech Republic 59,96 60,18 61,08 60,99 62,43 63,17 65,07 61,93 61,89 60,01 62,04 60,34 Denmark .. 68,58 69,02 69,10 68,04 68,25 66,94 69,87 69,90 69,78 68,18 67,57 Estonia 22,51 33,62 30,68 33,88 38,96 45,08 44,44 47,15 43,20 44,69 50,16 63,17 Finland 70,91 71,10 69,87 70,49 70,12 70,83 71,30 72,30 74,25 71,42 69,63 70,46 France 62,51 63,19 63,25 62,62 63,10 62,12 63,08 62,98 62,73 61,69 63,16 63,44 Germany 70,33 69,87 69,24 69,73 69,79 69,34 70,00 69,99 69,25 67,56 67,09 67,33 Greece .. 32,66 .. 32,06 31,07 30,98 30,04 28,59 .. .. .. .. Hungary 44,32 40,09 35,47 36,73 41,12 43,18 48,28 50,33 52,57 57,24 59,81 62,42 Iceland 56,36 58,87 57,20 51,76 .. 51,51 53,20 54,56 54,56 52,87 .. .. Ireland 71,62 70,08 68,83 67,51 65,75 65,52 66,15 65,92 64,73 68,30 68,69 68,98 Israel 76,80 77,29 76,05 74,44 75,74 77,71 78,08 80,71 79,63 79,58 79,21 80,25 Italy 50,07 49,08 48,33 47,25 47,81 50,36 48,78 51,86 53,56 53,30 53,91 54,16 Japan 70,96 73,67 74,44 74,98 75,19 76,45 77,16 77,89 78,46 75,76 76,51 76,96 Korea 74,05 76,18 74,89 76,09 76,72 76,85 77,26 76,24 75,37 74,26 74,80 76,53 Luxembourg 92,61 .. .. 89,10 87,78 86,44 86,07 83,67 77,89 75,89 67,61 68,48 Mexico 29,75 30,29 34,08 34,59 42,66 46,95 48,86 47,54 38,44 41,07 38,42 39,01 Netherlands 55,11 54,44 51,94 52,51 53,55 52,90 53,86 53,13 50,11 47,08 47,91 .. New Zealand .. 37,00 .. 40,78 .. 41,63 .. 42,71 .. 41,52 .. 45,45 Norway .. 59,73 57,43 57,32 54,51 53,50 53,43 52,54 53,17 51,57 51,24 52,07 Poland 36,09 35,83 20,34 27,42 28,68 31,75 31,54 30,36 30,93 28,50 26,63 30,13 Portugal 27,80 31,81 32,48 33,15 36,03 38,47 46,40 51,24 50,10 47,43 46,07 45,90 Slovak Republic 65,81 67,33 64,33 55,20 49,19 49,85 43,06 39,55 42,88 41,05 42,09 37,18 Slovenia 56,32 57,78 59,68 63,92 66,98 58,83 60,23 59,83 64,56 64,61 67,81 73,86 Spain 53,66 52,37 54,58 54,10 54,38 53,79 55,50 55,87 54,92 51,90 51,45 52,14 Sweden .. 77,47 .. 74,35 73,54 72,74 74,68 72,67 74,05 70,38 68,75 69,29 Switzerland 73,91 .. .. .. 73,74 .. .. .. 73,50 .. .. .. Turkey 33,44 33,74 28,70 23,23 24,18 33,83 37,03 41,26 44,23 40,00 42,55 43,19 United Kingdom 64,96 65,50 64,85 63,71 62,56 61,39 61,65 62,53 61,99 60,41 60,95 61,47 United States 74,58 72,61 69,97 69,28 69,37 69,39 70,10 70,84 71,55 69,71 68,27 68,35 Percentage of GERD performed by the Business Enterprise sector
34 Tabela A.3: Despesas de I&D empresarial em percentagem do PIB Country 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Australia 0,70 0,82 0,87 0,90 0,94 1,05 1,17 1,28 1,38 1,30 1,27 .. Austria .. .. 1,42 .. 1,52 1,72 1,72 1,77 1,85 1,84 1,90 1,87 Belgium 1,42 1,51 1,36 1,31 1,28 1,24 1,29 1,32 1,34 1,34 1,33 1,37 Canada 1,15 1,29 1,17 1,16 1,17 1,14 1,14 1,10 1,04 1,02 0,93 0,89 Chile .. .. .. .. .. .. .. 0,11 0,15 0,14 0,16 .. Czech Republic 0,70 0,70 0,70 0,73 0,75 0,86 0,97 0,92 0,87 0,88 0,97 1,12 Denmark .. 1,64 1,73 1,78 1,69 1,68 1,66 1,80 1,99 2,21 2,09 2,09 Estonia 0,14 0,24 0,22 0,26 0,33 0,42 0,50 0,51 0,55 0,64 0,82 1,52 Finland 2,37 2,36 2,35 2,42 2,42 2,46 2,48 2,51 2,75 2,81 2,72 2,66 France 1,34 1,39 1,42 1,36 1,36 1,31 1,33 1,31 1,33 1,40 1,41 1,42 Germany 1,74 1,73 1,73 1,77 1,75 1,74 1,78 1,77 1,86 1,91 1,88 1,94 Greece 0,15 0,19 0,18 0,18 0,17 0,19 0,18 0,17 .. .. .. .. Hungary 0,36 0,37 0,36 0,34 0,36 0,41 0,49 0,49 0,53 0,67 0,70 0,75 Iceland 1,50 1,74 1,69 1,46 .. 1,43 1,59 1,46 1,44 1,64 .. .. Ireland 0,80 0,77 0,76 0,78 0,81 0,82 0,83 0,85 0,94 1,16 1,17 1,17 Israel 3,30 3,54 3,47 3,19 3,25 3,44 3,52 3,92 3,80 3,58 3,44 3,51 Italy 0,52 0,53 0,54 0,52 0,52 0,55 0,55 0,61 0,65 0,67 0,68 0,68 Japan 2,13 2,27 2,32 2,36 2,36 2,53 2,63 2,70 2,72 2,54 2,49 2,61 Korea 1,70 1,88 1,80 1,89 2,06 2,15 2,32 2,45 2,53 2,64 2,80 3,09 Luxembourg 1,53 .. .. 1,47 1,43 1,35 1,43 1,32 1,29 1,31 1,00 0,98 Mexico 0,10 0,11 0,14 0,14 0,17 0,19 0,19 0,18 0,16 0,18 0,18 0,17 Netherlands 1,07 1,05 0,98 1,01 1,03 1,01 1,01 0,96 0,89 0,85 0,89 .. New Zealand .. 0,41 .. 0,48 .. 0,47 .. 0,50 .. 0,55 .. 0,59 Norway .. 0,95 0,95 0,98 0,86 0,81 0,79 0,84 0,84 0,91 0,86 0,86 Poland 0,23 0,22 0,11 0,15 0,16 0,18 0,18 0,17 0,19 0,19 0,20 0,23 Portugal 0,20 0,25 0,24 0,24 0,27 0,30 0,46 0,60 0,75 0,78 0,73 0,69 Slovak Republic 0,43 0,43 0,37 0,32 0,25 0,25 0,21 0,18 0,20 0,20 0,27 0,25 Slovenia 0,78 0,86 0,87 0,81 0,93 0,85 0,94 0,87 1,07 1,19 1,42 1,83 Spain 0,49 0,48 0,54 0,57 0,58 0,60 0,67 0,71 0,74 0,72 0,72 0,70 Sweden .. 3,20 .. 2,83 2,63 2,59 2,75 2,47 2,74 2,53 2,33 2,34 Switzerland 1,82 .. .. .. 2,08 .. .. .. 2,11 .. .. .. Turkey 0,16 0,18 0,15 0,11 0,13 0,20 0,21 0,30 0,32 0,34 0,36 0,37 United Kingdom 1,18 1,17 1,17 1,12 1,06 1,05 1,07 1,11 1,10 1,11 1,10 1,09 United States 2,02 1,97 1,83 1,81 1,77 1,80 1,86 1,93 2,04 2,03 1,93 1,89 BERD as a percentage of GDP