Eficiência energética: um desafio societal. Um ensaio metodológico na Àrea Metropolitana do Porto
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Eficiência Energética: um desafio societal Um ensaio metodológico na Área Metropolitana do Porto Joana Catarina Ribeiro Fernandes Magalhães Dissertação realizada no âmbito do Mestrado em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território orientada pela Professora Doutora Teresa Sá Marques Membros do Júri Professora Doutora Teresa Sá Marques Faculdade de Letras - Universidade do Porto Professora Doutora Helena Madureira Faculdade de Letras – Universidade do Porto Professora Doutora Fátima Loureiro Matos Faculdade de Letras - Universidade do Porto Classificação obtida: …. Valores
2 Sumário Agradecimentos ............................................................................................................................. 4 Resumo .......................................................................................................................................... 5 Abstract ......................................................................................................................................... 6 Índice de ilustrações ...................................................................................................................... 7 Índice de tabelas ............................................................................................................................ 9 Lista de abreviaturas e siglas ....................................................................................................... 10 Lista de Anexos ........................................................................................................................... 11 Introdução ................................................................................................................................... 12 1.1 Contextualização e objetivos de estudo............................................................................. 12 1.2 Metodologias adotadas ...................................................................................................... 12 1.3. Estrutura da dissertação .................................................................................................... 13 Parte I – Desenvolvimento teórico e conceptual ......................................................................... 14 Capítulo 1 – Enquadramento conceptual .................................................................................... 15 1.1. Da sustentabilidade à eficiência energética e o novo quadro comunitário ................... 15 Capítulo 2. – A eficiência energética na habitação ..................................................................... 22 2.1 Tipo e Tipologia do edifício .............................................................................................. 23 2.2 Zonas climáticas e localização do edifício ........................................................................ 25 2.3 Conforto térmico e as características exteriores do edifício .............................................. 28 2.4 Orientação e captação da energia solar ............................................................................. 31 2.5 Arrefecimento da habitação: ventilação e arrefecimento do solo ..................................... 36 2.6 Certificado energético ....................................................................................................... 38 Capítulo 3. A eficiência energética nos equipamentos domésticos ............................................. 40 3.2 Etiquetagem Energética..................................................................................................... 40 3.1 Caracterização dos consumos ............................................................................................ 42 3.3 Equipamentos elétricos ..................................................................................................... 43 3.4 Lista de boas práticas para a eficiência energética: ........................................................... 48 Parte II – Desenvolvimento empírico ......................................................................................... 50 Capítulo 4. Caso de estudo .......................................................................................................... 51 4.1 Enquadramento territorial ................................................................................................. 51 4.2 Análise ao consumo de energia no setor doméstico (2010) .............................................. 52 4.3 Metodologia ...................................................................................................................... 57 4.4 Apresentação da estrutura do inquérito ............................................................................. 59 4.5 Caracterização da amostra ................................................................................................. 61
3 4.6 Análise dos resultados ....................................................................................................... 63 4.6.1 Caracterização do agregado familiar .......................................................................... 63 4.6.2 Caracterização do edifício .......................................................................................... 66 4.6.3 Consumos de energia e equipamentos ........................................................................ 76 4.6.4 Comportamentos eficientes ........................................................................................ 83 Considerações finais .................................................................................................................... 87 Referências bibliográficas ........................................................................................................... 90 Anexos......................................................................................................................................... 94
4 Agradecimentos O meu percurso académico de 5 anos na Faculdade de Letras da Universidade do Porto termina com a entrega desta dissertação. Momentos que aqui vivi ficarão sempre lembrados e todos aqueles que me acompanharam e apoiaram nesta jornada já mais serão esquecidos. Por tudo o que me deram, incondicionalmente, agradeço à minha família. Agradeço á minha orientadora, Professora Doutora Teresa Sá Marques, a sua paciência e disponibilidade para esclarecer e apoiar em todas as questões desde o primeiro dia da elaboração desta dissertação. Agradeço à Engenheira Eunice Fontão e ao Engenheiro Vítor Leal pela ajuda, pelos esclarecimentos e pela disponibilidade. A professora Helena Lobo, à Professora Ana Ferreira, à professora Elsa Pacheco, ao Professor Joaquim Sampaio e às suas respetivas escolas o meu muito obrigado por terem colaborado nesta investigação. Às minhas colegas e amigas, Margarida e Catarina, um agradecimento especial, pela companhia em “Maratonas de tese” que fizemos neste último ano. Ao Diogo e ao Samuel por me terem ajudado sempre que precisei. Aos colegas de mestrado por estes dois anos fantásticos. Aos amigos, não precisando de enumerar nomes, o meu especial obrigado por todos apoio demonstrado nesta fase. A pergunta “Então e essa tese?” por vezes fazia toda a diferença. À cidade do Porto por tudo o que me deu. .
5 Resumo Falar sobre eficiência energética é cada vez mais importante devido aos elevados consumos de energia. Mas será que as pessoas sabem o que é a eficiência energética? E o que é a eficiência energética na habitação? Será que quando falamos de eficiência energética esta associa-se exclusivamente aos equipamentos elétricos? Como se relaciona orientação das fachadas de uma habitação com a eficiência energética? Esta pesquisa procura dar contributo para responder a estas questões. A presente dissertação exibe um estudo sobre a eficiência energética na habitação. Tem como principal objetivo analisar e esclarecer o conceito de eficiência energética segundo as orientações nacionais e europeias. Este estudo foca-se na caracterização exterior e interior do edifício. São abordadas temáticas como a localização e a tipologia do edifício, os materiais de construção, o tipo de equipamentos interior do alojamento (entre outros), pois estes fatores interferem com o conforto do edifício. Adotou-se uma metodologia de investigação, suportada num inquérito por questionário a um grupo de estudantes do ensino secundário (e respetivos agregados familiares) da Área Metropolitana do Porto. Assim, trata-se de um ensaio metodológico tendo em vista a realização de uma investigação sobre a eficiência energética, os níveis de conhecimento e os comportamentos das famílias da AMP. Portanto, esta investigação traduz-se numa caracterização subjetiva relativamente à eficiência energética de uma habitação. Palavras-chave: Sustentabilidade; Eficiência energética; Energia; Consumos energéticos; Habitação.
6 Abstract The talk about energy efficiency is increasingly important due to high energy consumption. But do people know what is energy efficiency? And what is energy efficiency in dwelling? Is that when we speak of energy efficiency that is associated exclusively to eletrical equipment? How it relates orientation of the facades of a dwelling with energy efficiency? This research intends answering these questions. This dissertation shows a study on energy efficiency in dwelling. It has the purpose to examine the concept of energy efficiency in accordance with national and European guidelines. This study focuses on the outer characterization and inside the building. The presents themes adressed are the location and building materials, the type of equipment inside the housing, among others, as these factors interfere with the comfort of the building. It adopted a research methodology, supported a questionnaire survey to a group of high school students (and their households) of Porto Metropolitan Area (AMP). Thus, it´s a methodological test with the purpose to conduct a research on energy efficiency, levels of knowledge and behaviors of families of AMP. So this research translate into a subjective characterization for energy efficiency of a dweeling. Keywords: Sustainability; Energy efficiency; Energy; Energy consuption; dweeling.
7 Índice de ilustrações Figura 1: Triângulo da sustentabilidade ..................................................................................... 15 Figura 2: Diagrama de Shankey ................................................................................................. 17 Figura 3: Sequência para a eficiência energética (Elaboração própria) ..................................... 18 Figura 4: Metas do POSEUR ..................................................................................................... 21 Figura 5: Fatores de caracterização da habitação (elaboração própria). .................................... 23 Figura 6: Distribuição dos concelhos de Portugal segundo as zonas climáticas ........................ 26 Figura 7: Percurso do sol em diferentes alturas do ano. ............................................................ 33 Figura 8: Influência do percurso do sol nas fachadas durante o ano. ........................................ 35 Figura 9: Exemplo de uma casa eficiente: Casa de Jacob II ...................................................... 36 Figura 10: Exemplo de ventilação de 2 fachadas opostas. ......................................................... 37 Figura 11: Exemplo de ventilação feita pelo solo. ..................................................................... 38 Figura 12: Etiquetagem energética (a imagem da esquerda refere-se à etiquetagem antiga e a da direita é a etiquetagem recente) ................................................................................................... 41 Figura 13: Repartição dos consumos de eletricidade ................................................................. 42 Figura 14: Etiqueta Energy Star ................................................................................................. 45 Figura 15: Percentagem de alojamentos por concelho no total de alojamentos em Portugal. ... 51 Figura 16:Número de alojamentos (à esquerda) e o estado de degradação das habitações construídas até 1980 (à direita) no noroeste de Portugal. ............................................................ 52 Figura 17: Repartição do consumo de energia final por setor em Portugal, 2010 ..................... 53 Figura 18: Consumo de alojamentos por tipo de fonte. ............................................................. 54 Figura 19: Principais destinos da eletricidade dentro da habitação. .......................................... 55 Figura 20: Tipo de lâmpadas utilizadas na habitação. ............................................................... 56 Figura 21: Esquema síntese da metodologia aplicada (elaboração própria) .............................. 58 Figura 22: Área de estudo onde foi implementação do inquérito por questionário. .................. 61 Figura 23: Número de elementos do agregado familiar. ............................................................ 64 Figura 24: Escolaridade dos elementos do agregado familiar. ................................................... 64 Figura 25: Média de idade dos elementos do agregado familiar. ............................................... 65 Figura 26: Intervalo de tempo em que a habitação é ocupada. .................................................. 65 Figura 27: Ano de construção da Habitação. ............................................................................. 66 Figura 28: Percentagem de habitações com certificado energético. .......................................... 67 Figura 29: Forma de ocupação da habitação. ............................................................................. 67
8 Figura 30: Tipologia da habitação e o número de pisos da habitação. ...................................... 69 Figura 31: Percentagem de habitações que sofreram reabilitação e o tipo de reabilitação. ....... 70 Figura 32: Habitações com edifícios vizinhos. .......................................................................... 71 Figura 33: Dimensão da rua onde está inserida a habitação....................................................... 72 Figura 34: Habitações que fazem sombreamento e o tipo de sombreamento. ........................... 72 Figura 35: Percentagem de habitações que fazem ventilação. ................................................... 73 Figura 36: Habitações com humidade (%). ................................................................................ 73 Figura 37: Temperatura no inverno no interior da Habitação. ................................................... 74 Figura 38 Grau de satisfação dos inquiridos em relação ao conforto térmico. .......................... 75 Figura 39: Características da habitação. ..................................................................................... 75 Figura 40: Fontes de energia utilizadas na habitação e os principais destinos. ......................... 76 Figura 41: Valor médio da fatura da energia nos meses de verão e nos meses de inverno (Euros). ........................................................................................................................................ 77 Figura 42: Utilização de aquecimento na habitação. .................................................................. 78 Figura 43: Utilização de aparelhos de arrefecimento na habitação. ........................................... 79 Figura 44 Consumos de energia na habitação (%) (perceção do inquirido). ............................. 80 Figura 45: Caracterização dos eletrodomésticos na habitação. .................................................. 81 Figura 46: Número de horas de luz natural na habitação e o número de janelas. ...................... 82 Figura 47: Luz artificial e o tipo de Lâmpadas. ......................................................................... 83 Figura 48: Caracterização dos comportamentos dos inquiridos. ............................................... 85
9 Índice de tabelas Tabela 1: Relação entre o tipo de edifício e o fator forma. ........................................................ 24 Tabela 2: Síntese explicativa dos diferentes tipos de lâmpadas ................................................. 47 Tabela 3 Segmentação da AMP e os possíveis inquéritos a realizar .......................................... 62 Tabela 4: Distribuição dos inquéritos obtidos pelas segmentações da AMP (elaboração própria) ..................................................................................................................................................... 63 Tabela 5: Síntese dos resultados do inquérito à eficiência energética na habitação (elaboração própria). ....................................................................................................................................... 86
16 ambiental, qualidade do serviço, gestão da procura e participação” (Sá, 2010:20). Assim, o papel da geografia, que se ocupa “das relações sociedade/espaço, sociedade/natureza”, encontra-se disponível para impulsionar o debate em torno da sustentabilidade (Madureira,2005:9). Para Oliveira Fernandes, “a temática da energia é um fator de bem-estar dos cidadãos e de produção de riqueza e de desenvolvimento de uma qualquer sociedade”, cruzando um século de abundância tecnológica e económica que levou ao surgimento de níveis atuais de desenvolvimento socioeconómico e “às expressões de industrialização e urbanização de hoje” (AdEPorto, 2014:17). A revolução energética em curso tem como meta final a promoção de alterações na forma como gerámos energia, na eficiência da conversão da energia final em energia útil, e como resultado da introdução de transformações na forma como utilizamos a energia. (Felizes,2010:20). O diagrama de Sankey, da Matriz de Energia da Área Metropolitana do Porto/Norte do Douro, refere-se à existência de três formas de energia: a energia primária, a energia final e a energia útil. Portanto “a conversão entre cada uma far-se-á, em geral, com as paredes que refletem as limitações da física ou das tecnologias” (AdEPorto, 2014:34). A energia primária refere-se aos recursos energéticos, a energia útil é a energia necessária para garantir as funções (ex. iluminação), já a energia final refere-se à forma de comercialização (ex. eletricidade). Estes conceitos podem-se observar no exemplo dado na Matriz de Energia da AMP/Norte do Douro, na representação do diagrama de Sankey (figura 2) traduzindo a cadeia energética afeta ao setor dos edifícios residenciais.
17 Fonte: AdEPorto, 2014:34 Figura 2: Diagrama de Shankey Presentemente o ser humano, demostra uma grande dependência face à energia. Esta dependência, está associada aos atuais estilos de vida, pois a energia é hoje essencial para o desenvolvimento das sociedades, sendo mesmo necessária nas suas habitações, interferindo diretamente na qualidade de vida da população. As habitações para além de satisfazer as condições mínimas das necessidades dos indivíduos alcançam outros cuidados necessários que “vão muito além da mera proteção contra situações hostis” (Matos, 2001).
18 Figura 3: Sequência para a eficiência energética (Elaboração própria) O elevado e exagerado consumo de energia levou ao aparecimento de um conceito para equilibrar este problema, a eficiência energética (Figura 3). A eficiência energética está assim, relacionada com uma utilização racional do consumo de energia, “este conceito baseia-se na implementação de estratégias e medidas para combater o desperdício de energia ao longo de todo o processo de transformação, que vai desde a aquisição de recursos energéticos até à utilização de energia, acompanhando todo o seu processo de produção e distribuição” (Rodrigues, 2011:13), ou seja, a eficiência energética consiste na utilização da energia de forma mais racional, poupando na fatura energética e melhorando o meio ambiente. Assim, a eficiência energética é uma noção muito pertinente nos nossos dias, pois depende da sustentabilidade energética e da necessidade de intervir em questões comportamentais dentro da esfera social, económica e ambiental, com a finalidade de otimizar o consumo de energia. Vivemos numa era marcada pela aceleração do aquecimento global e pelo declínio económico, social e ambiental, segundo o texto de opinião de João Sousa (presidente do colégio de engenharia mecânica da ordem dos engenheiros técnicos), a eficiência energética surge, assim, como um vetor estratégico para a sustentabilidade (Sousa:1).
19 Cabe aos governos, empresas e ao cidadão em geral implementar medidas responsáveis que alterem os comportamentos e hábitos das populações. Atualmente existe um esforço no desenvolvimento de ferramentas na área do planeamento energético, pois começam a surgir planos energéticos a vários níveis (Leal,2010:2). O ponto de partida começou com o protocolo de Quioto em 1997, um tratado jurídico internacional, que impôs limites nas emissões para a atmosfera de CO2 e outros gases responsáveis pelo aumento do efeito de estufa (GEE) e o aquecimento global (Rodrigues,2011:2). Presentemente a política energética europeia visa (Comissão Europeia, 2012:4): “Garantir o aprovisionamento energético; Assegurar que os preços da energia não travam a sua competitividade; Proteger o ambiente, e em especial, lutar contras as alterações climáticas; Desenvolver redes energéticas”. O comissário europeu da energia, Gunther Oettinger, defende que estes objetivos são desafios aliciantes que a União Europeia enfrenta, devendo desempenhar uma iniciativa atrativa em torno do panorama europeu e mundial (Comissão Europeia, 2012:1). Contudo, a União Europeia delega a cada estado membro a opção de desenvolver as fontes de energia que entenderem mas sem esquecer os seus objetivos comuns. Estas medidas de eficiência energética verificam-se tanto a nível europeu como a nível nacional. Em Portugal foi publicada a Resolução do Conselho de Ministros n.º 20/2013 que aprovou o Plano Nacional de Ação para a Eficiência Energética (Estratégia para a Eficiência Energética - PNAEE 2016) e o Plano Nacional de Ação para as Energias Renováveis (Estratégia para as Energias Renováveis - PNAER 2020), invalidando as Resoluções do Conselho de Ministros n.ºs 80/2008, de 20 de maio e 29/2010, de 15 de abril. Segundo a Resolução do Conselho de ministros nº 20/2013, o PNAEE e o PNAER “são instrumentos de planeamento energético que estabelecem o modo de alcançar as metas e compromissos internacionais assumidos por Portugal em matéria de eficiência energética e de utilização de energia provenientes das fontes renováveis”. Estes planos têm como finalidade orientar e fazer cumprir todos os compromissos arcados por Portugal, diminuir significativamente, as emissões de gases com efeito de estufa, apostando numa diversidade de
20 fontes de energias primárias do país e aumentando a eficiência energética e a economia com um uso eficiente dos recursos promovendo um aumento da competitividade económica. (Resolução de Conselho de Ministros nº 20/2013). O Governo Português, atualmente, tem como referência o Acordo de Parceria 2020 em que estão expressas as prioridades de financiamento dos fundos estruturais europeus destinados ao período 2014-2020. Estes fundos comunitários são um instrumento “essencial para incentivar e transformar o crescimento da economia, que deve ter nos bens e serviços transacionáveis, ou seja, nas exportações o seu principal motor para combater o desemprego e a exclusão social de forma duradoura” (Portugal 2020 1 ). O programa Portugal 2020 organiza-se em torno de três eixos temáticos principais, são eles a “competitividade e internacionalização”, o “capital humano e a inclusão social e emprego” e ainda a “sustentabilidade e eficiência no uso dos recursos”. (Portugal 2020 2 ). No âmbito dos objetivos desta dissertação deve-se realçar o eixo da sustentabilidade e eficiência no uso dos recursos, sustentado no programa operacional da sustentabilidade e eficiência no uso de recursos, designado por POSEUR, que envolve 2.2 mil milhões de euros de fundos. A estratégia deste programa fixa-se em três eixos essenciais (Figura 4): O eixo I que visa apoiar a transição para uma economia com baixas emissões de carbono em todos os setores; O eixo II visa promover a adaptação às alterações climáticas e a gestão e prevenção de riscos; O eixo III baseando-se em proteger o ambiente e promover a eficiência na utilização dos recursos. 1 Retirado do portal do Governo de Portugal: http://www.portugal.gov.pt/pt/os-temas/portugal2020/portugal-2020.aspx 2 Retirado do portal do Governo de Portugal: http://www.portugal.gov.pt/pt/os-temas/portugal2020/portugal-2020.aspx
21 Fonte: POSEUR, Site: https://poseur.portugal2020.pt/pt/po-seur/sobre-o-programa/ Figura 4: Metas do POSEUR O eixo temático da eficiência energética enquadra-se no eixo I, patente no Plano Nacional de Ação para a Eficiência Energética e no Plano Nacional de Ação para as Energias Renováveis, que pretende uma “transição para uma economia com baixas emissões de carbono assente nas áreas da eficiência energética e a produção de energias renováveis”. (Portugal 2020 3 ). A principal prioridade deste eixo será apoiar a eficiência energética, a gestão inteligente de energia e a utilização das energias renováveis nas infraestruturas públicas, como os edifícios públicos ou ainda o setor residencial. Em relação ao setor residencial pretende-se aumentar a sua eficiência energética, tendo como indicadores de realização a “diminuição anual estimada das emissões de gases com efeito de estufa” e ainda o “número de agregados familiares com um consumo de energia melhorado” (POSEUR, 2020 4 ). As medidas a adotar para a concretização deste objetivo assentará, segundo o POSEUR 2014-2020: Na promoção da adoção de sistemas passivos (isolamento, sombreamentos, entre outros); No uso de equipamentos mais eficientes que permitam reduzir o consumo de energia final; Nas ações de sensibilização para a promoção da eficiência energética e de apoios à produção de energias para o autoconsumo, a partir de fontes de energia renováveis, no setor da habitação de particulares. 3 Retirado do portal do Governo de Portugal: http://www.portugal.gov.pt/pt/os-temas/portugal2020/portugal-2020.aspx 4 Retirado do portal do Governo de Portugal: http://www.portugal.gov.pt/pt/os-temas/portugal2020/portugal-2020.aspx Portugal 2020 POSEUR Apoiar a transição para uma economia de baixas emissões de carbono em todos os setores. Eficiência energética no setor residencial. Promover a adaptação às alterações climáticas e gestão de prevençao do risco. Proteger o ambiente e promover a eficiência na utilização dos recursos.
22 Capítulo 2. – A eficiência energética na habitação Para construir uma casa eficiente em termos energéticos é necessário ter em conta inúmeros fatores, que possam criar condições favoráveis para todo o edifício, devendo desempenhar todas as funções adequadas que proporcione um conforto térmico adequado, pois as características arquitetónicas e construtivas dos edifícios têm uma influência determinante nas condições de conforto no seu interior (Europe, 2008:11). Logo, um edifício tem de ser projetado e construído de acordo com as condições climatéricas do local (onde está implementada) tornando-se num edifico eficiente na utilização da energia. Para tal teremos de aprofundar alguns dispositivos construtivos integrados no edifício, designados por sistemas “passivos”, em que o principal objetivo é aquecer e arrefecer de forma natural o edifício, e caso esta opção não seja possível deverá recorrer-se a meios mecânicos. No caso do aquecimento (na estação fria) “estes sistemas pretendem maximizar a captação do sol no inverno, através de vãos envidraçados bem orientados e dimensionados, aos quais se podem associar elementos massivos (como é o caso do isolamento), que permitirão o armazenamento de energia solar e sua utilização em horas posteriores” (Gonçalves & Graça, 2004:33). Os sistemas de aquecimento passivos referem-se aos ganhos diretos 5 , aos ganhos indiretos 6 e ainda ganhos isolados 7 . Já o arrefecimento (na estação quente) pretende tirar partido das fontes frias para o arrefecimento do edifício. As fontes frias no verão podem ser o solo (apresenta temperaturas inferiores ao ar exterior) e o ar exterior que em partes do dia apresentam temperaturas inferiores às do interior do edifício. Como refere Hélder Gonçalves e João Graça devido às grandes amplitudes térmicas diárias no período de Verão pode ser eficaz o uso da ventilação nesses períodos, especialmente, à noite e início da manhã (Gonçalves & Graça, 2004:40). 5 Os ganhos diretos proporcionam um aquecimento acelerado do espaço, em que os vãos envidraçados devem estar voltados para sul (Gonçalves & Graça, 2004:34). 6 Os ganhos indiretos correspondem à massa térmica interposta entre a superfície de ganho e o espaço a aquecer, esta massa térmica absorbe a energia solar que nela incide sendo depois transferido para o espaço (Gonçalves & Graça, 2004:39). 7 Nos sistemas de ganhos isolados, a captação e o armazenamento dos ganhos solares é feita numa área independente dos edifícios, funcionando como um espaço estufa (Gonçalves & Graça, 2004:38).
23 Figura 5: Fatores de caracterização da habitação (elaboração própria). Do ponto de vista energético a qualidade de um edifício está, também, dependente de um conjunto de fatores, como as características de construção, a tipologia, a localização ou mesmo a ventilação (Figura 5). 2.1 Tipo e Tipologia do edifício Existe um conjunto de estratégias bioclimaticas “destinadas a influenciarem a forma do edificio, bem como, os seus processos, sistemas e componentes construtivas” e as estratégias a adotar num determinado edificio devem ser previamente selecionadas, tendo em atenção o clima especifico do local, ou seja, “a função do edificio e consequentemente o modo de ocupação e operação do mesmo, com o objetivo de promoverem um bom desempenho em termos de adaptação do clima” (Gonçalves & Graça, 2004:11). O aumento do consumo de energia na habitação é consequência da “evolução das tipologias de construção” bem como, a distribuição espacial (Magalhães, 2014:37). Portanto o tipo e a tipologia da habitação são essenciais para um bom desempenho térmico. No inverno o calor dentro da habitação é constantemente transmitido para o exterior da habitação através das Caracterização da Habitação Tipologia Localização Características de construção Ventilação
24 superfícies externas do edifício, ou seja as paredes, janelas, telhados, etc. e desta forma, quanto maior for a superfície (S) que envolve o volume (V) climatizado, maior será a transferência de calor (Rodrigues, 2011:19). De acordo com o Manual da Eficiência Energética nos Edifícios (2008) os edifícios (a nível energético) devem ter um fator de forma (FF) baixo (Europe,2008:8).Por este motivo, como se ilustra na Tabela 1, uma moradia independente é menos eficiente em termos energéticos do que um edifício de vários pisos (Rodrigues, 2011:19). Assim, edifícios maiores necessitam de mais energia do que os edifícios menores, bem como os edifícios isolados são fontes de maior consumo quando comparado com os edifícios geminados (Magalhães, 2014:38). Fonte: (Europe, 2008:8) Tabela 1: Relação entre o tipo de edifício e o fator forma. Quando falamos de edifícios de vários pisos, estamos perante possíveis situações de salubridade e gastos energéticos. Segundo Eunice Fontão (2015) os pisos intermédios possuem necessidades energéticas menores quando comparado com os pisos extremos (piso térreo e cobertura) (Fontão, 2015:108). O edifício independente pode ser mais eficiente que um edifício geminado, banda, etc., pois ao estar isolado consegue-se tirar partido de todas as orientações do edifício, ou seja, um edifício isolado tem todas as frentes expostas, comparado com os edifícios agrupados que apenas têm três frentes expostas (Fontão, 2015:39). Portanto, não existe um edifício ideal, todo o tipo de edifícios (casa isoladas, geminadas, em banda ou bloco) possuem vantagens e desvantagem. Um edifício ao ser geminado ou em banda pode estar mais protegido e melhor isolado, porém um edifício isolado com todas as frentes expostas, e com bons materiais de construção pode promover um Tipo do edifício FF Moradia independente Cerca de 0,80 Moradia geminada Cerca de 0,65 Edifício de um piso Cerca de 0,50 Edifício de vários pisos Cerca de 0,30
25 desempenho energético adequado, pois quanto mais compacta é a forma do edifício, tanto mais reduzida são as suas perdas e por isso terá um melhor balanço térmico global (Moita, 1985:41). 2.2 Zonas climáticas e localização do edifício Para perceber as necessidades térmicas do edifício é essencial ter em conta a sua localização. Estas necessidades estão comtempladas no RCCTE (Regulamento de Características de Comportamento Térmico dos Edifícios) que estabelece requisitos de qualidade para os novos edifícios de habitação e de pequenos edifícios de serviços sem sistemas de climatização, nomeadamente ao nível das características envolventes, limitando as perdas térmicas e controlando os ganhos solares excessivos utilizando apenas os sistemas passivos (Europe, 2008:8), ou seja, caracteriza o conjunto de comportamentos térmicos dos edifícios. O clima define-se como um conjunto de condições atmosféricas que caracterizam uma determinada zona geográfica (Dicionário Enciclopédico Espasa, 2000:13). Segundo o RCCTE o território português está dividido em 6 zonas climáticas onde são combinadas em 3 zonas de inverno (I) e 3 zonas de verão (V) (figura 6).
32 Todos os edifícios devem assegurar o acesso à luz e à radiação solar (Fontão, 2015:35). As preocupações em consagrar o direito ao sol começaram já na época dos romanos, pois estes com a preocupação de poupar madeira para o aquecimento utilizavam a radiação que incidia na habitação que obedecia a um conjunto de regras de acordo com a localização geográfica. Temos como exemplo a “casa-átrio” que possuía janelas e sistemas de sombreamento devidamente posicionados sem janelas a norte e a fachada a sul (Sá, 2010:374). A capacidade de um edifício de captar a radiação solar nos períodos em que existe maior necessidade de energia (no inverno) e ter a menor superfície exposta à luz do sol quando existe a necessidade de dissipar o calor (no verão) determinando assim um certo grau de conforto, são duas condições a considerar. Acontece que os edifícios podem ser muito eficientes no inverno mas poucos eficientes no verão, ou vice-versa. Existem, no entanto, alguns tipos de edifícios que tem boas prestações tanto no inverno como no verão. Portugal tem condições meteorológicas extremas no verão e no inverno, ou seja, situações de frio e situações de calor e para tal as habitações devem ser adaptadas a tais ocorrências. Uma boa captação de energia solar constitui um fator primordial para o conforto térmico de uma habitação e Portugal apresenta uma boa fonte de calor e luz que deve ser aproveitada na construção das habitações de forma eficiente contribuindo assim para o melhor desempenho do edifício. Portanto, as áreas com um clima mediterrâneo apresentam uma necessidade dupla, uma proteção solar no verão e o aquecimento no inverno. Atualmente é viável atingir estes objetivos, empregando sistemas simples de proteção de janelas (Europe, 2008:9). São sistemas vitais à eficiência de um edifício, tendo por objetivo controlar a entrada de luz solar e bloquear a luz direta do sol durante o verão enquanto permitem a penetração da luz do sol durante o inverno. Nas aberturas para o exterior (janelas) deve-se apostar num conjunto de vidro, caixilho, e persianas, como é o exemplo dos vidros duplos, assim a eficácia dos sombreamentos está dependente do seu tipo e da sua dimensão (Moita, 1985:68). A proteção das janelas podem ser feitas por unidades fixas (telheiros, palas, varandas ou alpendres). Também existem sistemas de proteção externas móveis (por exemplo, toldos, estores, etc.), proteção de sistemas fixos (por exemplo, guarda sois verticais e horizontais, alpendres, etc) ou plantas trepadeiras e arbustos desde que tenham folhagem caducas de forma a permitir a entrada de radiação na estação de inverno. A proteção solar deverá possuir uma “dimensão adequada, tendo em conta quer requisitos de inverno, quer no verão e (…) devem ser concebidos de acordo com as condições específicas de latitude (…) e assim, para combater os efeitos de verão
33 a casa deverá possuir alguns elementos de proteção nas zonas de acesso, como os pátios, pórticos, arcos, etc” (Europe,2008:9). Os sombreamentos exteriores ao edifício são mais recomendáveis porque os sistemas de sombreamento no interior da casa pode contribuir para o “aquecimento suplementar do ambiente por efeito de convecção” (Moita, 1985:68) Também, é necessário conhecer os diferentes percursos do sol no decorrer de um dia e nas diferentes estações do ano para aproveitar os ganhos solares no interior do edifício nas estações frias e por sua vez restringir a sua entrada nas estações quentes. É relevante mencionar que o estudo da “forma do edifício e das obstruções à incidência de radiação solar designa-se habitualmente por “geometria da insolação ou geometria solar (…), que inclui os efeitos de palas e sombreamento do próprio edifício, bem como os efeitos sombreadores devido aos edifícios vizinhos, às árvores, à vegetação, e à forma urbana do espaço circundante (praças, ruas, avenidas, etc)” (Gonçalves & Graça, 2004:5). O percurso do sol, como se pode observar na figura 7, varia ao longo do dia e do ano. Fonte: Gonçalves & Graça, 2004:6 Figura 7 - Percurso do sol em diferentes alturas do ano. A localização do sol ao longo do ano, influência em muito a localização das fachadas da habitação e o tipo de vidros utilizados nessas mesmas fachadas. Anualmente, constata-se que, fachadas envidraçadas voltadas para sul recebem mais radiação do que as fachadas em outras direções e sendo, no verão, as fachadas que possuem maior facilidade de proteção. Portanto, nas
34 fachadas voltadas para sul, durante o inverno, é essencial captar a radiação solar porque paredes voltadas a sul são mais propicias a obter maiores ganhos pois, “o percurso do sol no inverno é vantajoso para esta orientação, uma vez que o seu percurso se efetua para azimutes muito próximos do Sul geográfico” (Gonçalves & Graça, 2004:6). No verão, a radiação solar numa habitação é dificil de controlar pois, “o percuso do sol, sendo próxima do zenite, apresenta um angulo de incidência com a normal um valor mais elevado” sendo necessário criar formas de sombreamento sobre os vidros nas fachadas voltadas a sul (Gonçalves & Graça, 2004:6). Numa fachada voltada a este, o dimensionamento dos vãos envidraçados devem ter em conta inumeras considerações, pois no inverno as fachadas nesta direção recebem pouca radiação, atingindo a fachada um número reduzido de horas e só durante a manhã (Freitas, 2008:32). Já no verão a radiação atinge em abundância a fachada principal, desde o nascer do sol até ao meio dia logo, “os anglos de incidência são próximos da perpendicular à fachada, o que maximiza a captação de energia solar, que nesta estação é indejejável” (Gonçalves & Graça, 2004:7), devendo estar nesta orientação as divisões da casa como os quartos, a cozinha, a casa de banho, o escritório ou a entrada (Sá,2010:380). Nas fachadas voltadas para oeste, acontece exatamente o mesmo que as fachadas voltadas para Este, sendo apenas o período de dia de incidência da radiação solar que difere. No inverno as fachadas voltadas para oeste recebem pouca radiação num número reduzido de horas durante a tarde. Já no verão a incidência da radiação solar é abundante durante bastantes horas no período da tarde, ou seja, desde o meio dia até ao pôr do sol. As fachadas nesta orientação devem estar nas escadas, corredores ou depósitos (Sá, 2010:381). A orientação das fachadas é problemática no Verão pois “ estas fachadas são responsáveis por grandes cargas térmicas no edificio, sendo necessário ter um maior cuidado com elas, quer em termos de áreas, tipos de vidros e sombreamentos.” (Gonçalves & Graça, 2004:6). As fachadas voltadas a norte são menos problemáticas em termos de radiação solar, contudo são consideradas muito frias, pois no inverno não recebem radiação solar direta e no verão recebem uma pequena fração de radiação direta do sol no principio da manhã e no final da tarde (Freitas, 2008:32). Assim, os anexos secundários, as garagens, arrecadações, adegas, dispensas devem ser a norte (Sá, 2010:380).
35 Fonte: Gonçalves & Graça, 2004:6-7 Figura 8Influência do percurso do sol nas fachadas durante o ano. Regra geral, é preferível que a exposição solar das superfícies a Este e Oeste sejam reduzidas, pois estes dois sentidos são irradiados principalmente durante o verão, em que a entrada da radiação é bastante difícil de controlar, pois esta radiação faz-se perpendicular às janelas. As fachadas voltadas a Norte devem-se evitar pois sofrem grande influência do frio de inverno, já as paredes voltadas a Sul devem existir numa habitação, pois são mais fáceis de proteger da luz do sol durante o verão e no inverno têm ganhos de radiação solar. Um dos melhor exemplo de uma habitação adaptada às condições climáticas é a casa de Jacobs II (Figura 9) do ano de 1943 desenhada pelo arquiteto Frank Lloyd Wright. Em que a fachada Sul durante o inverno recebe radiação desde o nascer ao por do sol e no verão produz sombramaneto para diminuir a incidência da radiação solar, estando a fachada virada a norte enterrada para que as perdas sejam minimizadas. No inverno o percurso do sol faz-se prependicular aos vidraçais das fachadas voltadas para sul, facilitando a entrada de radiação para o edificio. No verão o percurso do sol é mais proximo do zénite e a sua incidencia nos vãos envidraçados voltados a sul fazse em grandes anglos, reduzindo os ganhos solares. No inverno as fachadas voltadas a nascente recebem pouca radiação num periodo de poucas horas no periodo da manhã. No verão as fachadas a nascente possuem a radiação durante longas horas no periodo da manhã, próxima da prependicular captando maior energia.
36 Fonte: portal da engenharia e arquitetura 10 Figura 9Exemplo de uma casa eficiente: Casa de Jacob II Assim, através deste exemplo constata-se que se deve, no inverno, promover os ganhos da radiação solar, com as fachadas principais voltadas para sul enquanto no verão se deve criar mecanismos para restringir a mesma radiação. 2.5 Arrefecimento da habitação: ventilação e arrefecimento do solo As trocas de ar dentro da habitação são essenciais para o conforto, permitindo uma renovação do ar e evitando problemas como a humidade. Ventilação Antes de mais é essencial distinguir a ventilação natural de infiltrações do ar. A ventilação natural está associada a atos voluntários dos indivíduos que vivem na habitação para a procura de uma atmosfera mais adequada. As infiltrações de ar associam-se a uma situação de desconforto involuntário tolerável causado pela deficiência na construção (Moita,1985: 71). A ventilação natural é um processo simples (figura 10), que possibilita o arrefecimento dos edifícios graças à diferença das temperaturas existentes no interior e exterior. O nosso clima 10 Engenharia e arquitetura site: http://www.engenhariaearquitetura.com.br/noticias/463/A-Casa-Passivade-Frank-Lloyd-Wright.aspx
37 caracteriza-se por importantes amplitudes diárias no período de verão, que poderão atingir cerca de 20 ºC (dia-noite) (Gonçalves & Graça, 2004:40). A ventilação noturna permite expulsar os ganhos no interior do edifício, mas também, será possível fazer a ventilação durante o dia desde que a temperatura exterior seja inferior à temperatura do edifício. Assim, “a ventilação natural é um processo promovido pelas diferenças de pressão de um lado e outro das janelas, portas, chaminés e frinchas, quer por origem na diferença de temperaturas interior-exterior, quer por ação direta do vento sobre as edificações”, sendo imprescindível numa habitação, pois remove o calor no interior do edifício e estabelece um conforto térmico, não só por diminuir a temperatura no interior, mas ainda, por acelerar as trocas evaporativas à superfície do corpo dos ocupantes (Gonçalves & Graça, 2004:43). Fonte: Gonçalves & Graça, 2004:43 Figura 10Exemplo de ventilação de 2 fachadas opostas. A renovação do ar no interior do edifício associado à poluição dos metabolismos dos seus habitantes e o funcionamento dos equipamentos no seu interior podem levar ao surgimento de problemas como os cheiros, a humidade, as condensações, fungos, originar a degradação dos materiais no seu interior (Gomes,2010:38). Assim, um edifício precisa de ser ventilado sendo necessário existir uma troca de ar entre o exterior e o interior por ventilação natural, fruto de uma ação mecânica através de uma ventilação forçada de forma regulada e controlada. Qualquer destes processos induz no edifício uma carga térmica (quente e fria) que importa ter em atenção no balanço térmico de qualquer edifício (Gonçalves & Graça, 2004:9). A renovação do ar interior é necessária por questões de salubridade 11 , mas a ventilação também evita condensações interiores, como é o caso da humidade. 11 Salubridade consiste na conjunção de uma temperatura adequada, ar interior isento de poluentes e uma luminosidade adequada. (Fontão,2015)
38 Assim, no verão a ventilação natural ocupa um grande destaque para o arrefecimento noturno dos edifícios, pois está associada à inércia térmica torna-se especialmente importante, porque permite que o calor acumulado durante o dia seja libertado no período da noite, sendo restabelecida a capacidade de acumular e absorver o calor excessivo do dia seguinte (Sá, 2010:396). No inverno, quando a temperatura exterior é baixa deve-se limitar a sua infiltração no edifício. No entanto, no seu interior é necessário existir troca de ar para manter a salubridade do edifício, devendo-se assim garantir um mínimo recomendável de ventilação possível. Arrefecimento do solo No verão o solo apresenta temperaturas inferiores à temperatura exterior, ou seja, o solo representa uma grande fonte fria. O sistema representado na figura 11 consiste no arrefecimento do edifício através do solo, sendo o ar exterior arrefecido no solo e posteriormente introduzido no edifício (Gonçalves & Graça, 2004:47). 2.6 Certificado energético O Decreto-lei nº 78/2006 definiu o sistema nacional dos certificados energéticos e da qualidade do ar interior dos edifícios (SCE), estipulando a obrigatoriedade de apresentação do certificado de eficiência energética para todos os novos edifícios e frações autónomas e para todos aqueles que sejam vendidos ou alugados e posteriormente os reabilitados (Europe,2008:45), surgindo com a finalidade de melhorar o desempenho energético e ambiental do parque edificado. Fonte: Gonçalves & Graça, 2004:43 Figura 11Exemplo de ventilação feita pelo solo.
39 O certificado energético facilitará aos cidadãos europeus o conhecimento detalhado da competência térmica e energética dos edifícios. Este certificado (Anexo 1) compreende informação com as características de consumo energético dos edifícios, em termos de Climatização e Águas Quentes Sanitárias, ou seja, inclui informação das características construtivas do imóvel, portanto a composição das envolventes (ex. paredes, coberturas, pavimentos), também os equipamentos relacionados com a Climatização e ainda a produção de Águas Quentes Sanitárias. Indica ainda medidas de melhoramento para a diminuição dos consumos de energia (por exemplo colocar vidros duplos, isolamento, etc) (Adene,2010:61).
40 Capítulo 3. A eficiência energética nos equipamentos domésticos Para perceber se uma habitação é eficiente será necessário conhecer, também, os equipamentos domésticos, bem como os hábitos de uso e a potência de cada equipamento. O aumento do consumo de energia de uma habitação deve-se à ineficiência dos equipamentos, mas também ao elevado consumo de energia que advém dos maus procedimentos e hábitos de utilização dos equipamentos. Este aumento deve-se, também, sobretudo a razões comportamentais por parte dos consumidores. É também necessário ter em consideração o tempo de duração e substituição dos equipamentos. Os eletrodomésticos, como o forno elétrico, o ar condicionado, a máquina de lavar, os frigoríficos, e as fontes de luz são essenciais nas nossas habitações. Assim, é necessário quando se adquire um eletrodoméstico analisar a etiquetagem energética pois, “tal como acontece com os edifícios também os eletrodomésticos possuem certificados de eficiência energética” (Andrade, 2012:4). Este capítulo abordará o tema dos eletrodomésticos, começando por uma caracterização do consumo, seguida de uma explicação de como funciona a etiquetagem energética para os eletrodomésticos considerados, atualmente, indispensáveis nos alojamentos, sem esquecer os sistemas de iluminação e climatização. 3.2 Etiquetagem Energética Ao comprar um eletrodoméstico a primeira condição a ter em conta é a análise da etiquetagem energética, sendo um instrumento, sobretudo, informativo para quem utiliza estes aparelhos de uso obrigatório permitindo, assim, ao consumidor perceber com rapidez a eficiência energética de um equipamento para uma maior poupança no consumo de energia. A etiquetagem energética, estabelece um “valor máximo para o consumo energético do aparelho quando não está a ser utilizado ou quando está em modo de espera (stand-by)” (ADENE,2010:17). A diretiva do conselho 92/75/CEE de 13 de outubro de 1992 estipulou um quadro legal da etiquetagem energética no espaço europeu e desde 1995 que esta etiquetagem foi transportada para o direito nacional pelos decretos-Lei nº41/94, de 11 de fevereiro, nº 241/98 de 16 de julho e nº18/2000 de 28 de fevereiro, oferecendo ao comprador uma escolha mais informada quanto ao
41 tipo de produto. A nova etiquetagem energética da diretiva nº 2010/30/UE de 19 de maio de 2010 é sobreposta em frigoríficos, máquinas de lavar roupa e loiça, sendo a sua utilização obrigatória. Fonte: Novo Guia da Eficiencia Energética (ADENE,2012) Figura 12: Etiquetagem energética (a imagem da esquerda refere-se à etiquetagem antiga e a da direita é a etiquetagem recente) A etiqueta energética é constituída por 7 classes de eficiência, identificada por código de cores que, no passado, iam desde a cor verde correspondendo à letra A (mais eficiente) até á cor vermelha correspondendo à letra G (menos eficiente). Recentemente, (desde 2012) existe uma nova etiquetagens energética, onde foram adicionadas mais três classes (A+, A++, A+++), e eliminadas as classes E, F e G, mantendo as mesmas cores. Todavia podem coexistir as duas etiquetagens (EDP, 2012:6), porém a nova etiquetagem é comum em toda a Europa (ADENE, 2012:19) (figura 12). Acima de tudo é importante optar por eletrodomésticos adaptados às necessidades do consumidor, não basta que o eletrodoméstico seja denominado como eficiente, mas que se adapte às necessidades dos consumidores, por exemplo, um frigorífico de capacidade de 100 litros de
48 3.4 Lista de boas práticas para a eficiência energética: A eficiência energética numa habitação tem de obedecer a um conjunto de boas práticas, ou seja, várias ações que contribuam para a poupança da energia. Então, será necessário expôr algumas soluções úteis que contribuam para a otimização dos consumos, portanto apresenta-se um conjunto de boas práticas: Comprar equipamentos com etiqueta energética de classe A ou melhor. Não compre um equipamento com mais capacidade do que necessita. Coloque o frigorífico ou o congelador num local fresco e ventilado, afastado de possíveis fontes de calor: radiação solar, forno, etc. Limpe, pelo menos uma vez por ano, a parte traseira do frigorífico. Certifique-se que as borrachas das portas dos frigoríficos estão em boas condições e fecham bem de modo a evitar perdas de frio. Nunca coloque alimentos quentes no frigorífico. Quando tira um alimento do congelador, para consumi-lo no dia seguinte, descongele-o no frigorífico em vez de no exterior. Deste modo, terá ganhos gratuitos de frio. Abra a porta do frigorífico o menos possível e feche-a rapidamente. Evitará um gasto inútil de energia. Escolha a capacidade da sua máquina de lavar de acordo com as suas necessidades. Se necessita de passar a loiça por água antes de a meter na máquina, utilize água fria. Uma boa manutenção das máquinas de lavar melhora o comportamento energético: limpe frequentemente o filtro. Aproveite ao máximo a capacidade da sua máquina e coloque-a em funcionamento sempre com carga completa. Aproveite o calor do sol para secar a roupa. Não abra o forno desnecessariamente. Cada vez que o faz está a perder no mínimo 20% da energia acumulada no seu interior. Uma boa ideia é ligar a televisão e todos os equipamentos audiovisuais (sistema de som, DVD, descodificador digital, etc.) a uma ficha múltipla com botão ON e OFF. Ao desligarmos este botão, apagaremos todos os aparelhos, conseguindo-se poupanças superiores a 40 euros por ano.
49 Sempre que possível, utilize luz natural. Preferir cores claras nas paredes e tetos. Aproveitará melhor a iluminação natural e poderá reduzir a artificial. Não deixar luzes acesas em divisões que não estão a ser utilizadas. Reduza ao mínimo a iluminação ornamental em zonas exteriores (jardins, etc.). Adaptar a iluminação às suas necessidades e dê preferência à que é localizada. Para além de poupar, conseguirá ambientes mais confortáveis. Liguar o aquecimento só após ter arejado a casa e fechado as janelas. Para ventilar completamente uma habitação é suficiente abrir as janelas por um período de 10 minutos. Não é necessário mais tempo para a renovação do ar. Instalar toldos, fechar as persianas e correr as cortinas são sistemas eficazes para reduzir a subida de temperatura nas nossas casas. Um duche pode consumir cerca de quatro vezes menos água que um banho de imersão. Trocar as torneiras independentes de água fria e água quente por aquelas que misturam as águas de diferentes temperaturas. Colocar nas torneiras redutoras de caudal de água.
50 Parte II – Desenvolvimento empírico
51 Capítulo 4. Caso de estudo 4.1 Enquadramento territorial A escolha da área de estudo com maior representatividade para caracterizar a habitação a nível energético foi feita com base em 2 critérios, o número de alojamentos por concelho, e o seu estado de degradação. O número de alojamentos (figura 15) permite conhecer a sua distribuição e por sua vez perceber onde existe maior representatividade. A intensidade edificatória é sobretudo intensa à volta de Lisboa (mais elevado) e do Porto. Todavia, estas especificidades não são só nas áreas metropolitanas pois também existe uma representatividade no Algarve, e vai “pontuando no restante território, sobretudo as periferias das cidades médias (Marques, 2004:170). Ao olhar para o mapa do noroeste de Portugal (figura 16) verifica-se que o maior número de alojamentos encontra-se agrupado sobretudo no Grande Porto. Fonte: INE, Censos da População, 2011 Figura 15: Percentagem de alojamentos por concelho no total de alojamentos em Portugal.
52 O estado de degradação (figura 16/Anexo3) influência desde logo a eficiência nos edifícios, pois um edifício mais antigo é um edifício que necessita de mais intervenção, caso contrário está perante um elevado grau de degradação. Os concelhos do Porto e Vila Nova de Gaia correspondem ao maior número de edifícios com o estado de degradação mais elevado. Até a década de 80 o mercado habitacional foi muito constante. Pois a partir de 1985 verificou-se um aumento das licenças para a habitação. Esta situação foi consequência da entrada de Portugal na União Europeia implicando transformações sociais e económicas (Borges, 2011:32). Um edifício anterior ao ano de 1980 é considerado antigo segundo as recomendações relativas ao concurso para os planos estratégicos urbanos (2020). 4.2 Análise ao consumo de energia no setor doméstico (2010) Os edifícios são sinónimos de desenvolvimento das sociedades, pois promovem a qualidade de vida das pessoas e no seu interior deve existir o máximo de conforto possível (Craveiro, 2007:27). Fonte: INE, Censos da População, 2011 Figura 16:Número de alojamentos (à esquerda) e o estado de degradação das habitações construídas até 1980 (à direita) no noroeste de Portugal.
53 As condições de vida associadas à permanência na habitação levam à necessidade de criar melhores situações de conforto térmico, qualidade do ar, provocando um aumento do consumo de energia (Fontão, 2015:1). Na habitação o consumo de energia depende de diversos fatores, como o local onde está situada a habitação, a sua qualidade e tipo de materiais de construção, os níveis de isolamento e ainda os equipamentos utlizados e o uso que cada residente lhe dá. O consumo energético no setor doméstico está muito associado aos rendimentos das famílias, refletindo impactos na posse e utilização dos aparelhos elétricos, como também, associase à maior ou menor eficiência dos aparelhos elétricos ou do próprio edifício e, aos próprios hábitos de consumo de energia das famílias (Rodrigues, 2011:28). Assim, a habitação demonstra a condição social das populações (Matos, 2001). Cada indivíduo hoje em dia consome mais energia do que aquela que necessita. Segundo a ADENE “serão apenas necessários 35 anos para duplicar o consumo mundial de energia e menos de 55 anos para triplicar” (ADENE,2010:13). Os últimos inquéritos ao consumo de energia no setor doméstico são referentes ao ano de 2010, realizados pelo INE e a DGEG. Estes inquéritos permitem conhecer os hábitos da população portuguesa, ou seja, perceber o modo como as famílias portuguesas vivem e como são os alojamentos que habitam, para a caracterização do seu consumo. O consumo da energia global no setor doméstico apresentou em 2010 um crescimento. A repartição do consumo de energia final por setor apresentava os transportes como o maior consumidor, seguindo-se a indústria e depois o setor doméstico (figura 17). Fonte: INE/DGEG – Inquérito ao Consumo de Energia no Setor Doméstico (2010) Figura 17: Repartição do consumo de energia final por setor em Portugal, 2010 18% 37% 31% 2% 12% Doméstico Transportes Indústria Agricultura e pescas Serviços
54 No setor doméstico as fontes consumidas são variadas, contudo as que ocupam maior destaque são a eletricidade (38,1%), seguindo-se a lenha (36,3%), o GPL (16,3%), e ainda o gás natural (8,3%) (figura 18). Fonte: INE/DGEG – Inquérito ao Consumo de Energia no Setor Doméstico (2010). Figura 18: Consumo de alojamentos por tipo de fonte. A idade dos alojamentos afeta desde logo o consumo de energia (Anexo 4). Em edifícios mais antigos, as perdas de energia são mais frequentes, sendo a época de construção uma variável de extrema importância na análise do consumo de energia dentro do parque habitacional. Assim, segundo os ICESD 2011, os alojamentos construídos antes de 1940 correspondem a 7,5% e, as habitações posteriores a 2000 representam 10,8%. O período mais forte em construção das habitações corresponde às décadas de 80 e 90 com 37,6%. Em relação às condições básicas de habitabilidade nos alojamentos (Anexo 5) verifica-se que a maioria das habitações possui água canalizada (99,4%) e água canalizada quente (97,5%). Em relação à orientação das fachadas das habitações, atestamos que a maioria das orientações dessas fachadas encontram-se voltadas para ocidente e para oriente. Enquanto as habitações voltadas a sul são em menor número o que significa que, como vimos anteriormente, as fachadas nesta direção seriam mais favorecidas pelos sistemas solares passivos, ou seja, restringiam a entrada de radiação solar no verão e facilitava a sua entrada no inverno. No que se refere ao tipo de vidros (Anexo 7) utilizados verifica-se que, um grande número de habitações 40,1% 8,5% 3,6% 1,8% 99,9% 19,8% 9,7% 56,1% 11,8% 0,0% 20,0% 40,0% 60,0% 80,0% 100,0% 120,0% lenha carvão gasóleo de aquecimento solar térmico eletricidade gás natural GPL canalizado GPL garrafa butano GPL garrafa propano
55 (até 2010) possui vidro simples. Quando comparado com a utilização do vidro duplo, este ocupa uma posição reduzida. Uma percentagem reduzida de alojamentos tem isolamento (Anexo 6) nas paredes exteriores. Em termos percentuais, o isolamento nas paredes exteriores existe em 21,1% e 17,1% das coberturas possui isolamento. As despesas dos alojamentos (Anexo 8) com a energia em média atingem os 840 euros, estes valores da fatura incide, essencialmente, sobre a eletricidade. Ao analisar os tipos de utilização da eletricidade (figura 19) constata-se que o principal destino no uso da eletricidade é a cozinha 12 (40,5%), seguida dos equipamentos elétricos 13 (32,9%), a iluminação (13,6%), o aquecimento do ambiente (9,1%), o aquecimento de águas (2,4%) e por fim o arrefecimento do ambiente (1,6%). Fonte: INE/DGEG – Inquérito ao Consumo de Energia no Setor Doméstico (2010). Figura 19: Principais destinos da eletricidade dentro da habitação. Em relação aos equipamentos utilizados para o aquecimento do ambiente (Anexo 9) realçase sobretudo as lareiras abertas (24%), o aquecedor elétrico independente (61,2%) e o aquecedor a GPL independente (7,1%). Quanto ao arrefecimento dos alojamentos é apenas utilizado por 22,6% dos inquiridos. 12 A Cozinha inclui Fogão com forno, Placa, Forno independente, Fogareiro, Lareira, Micro-ondas, Exaustor/extrator, Frigorífico (com e sem congelador), Combinado, Arca congeladora, Máquina de lavar loiça, Máquina de lavar e secar roupa, Máquina de secar roupa e Máquina de lavar roupa. 13 Os Equipamentos Elétricos incluem Aspirador, Aspiração central, Ferro de engomar, Máquina de engomar, Desumidificador, Televisão, Rádio, Aparelhagem, Leitor de DVD, Computador, Impressora e Impressora/Fax. 14% 9% 2% 2% 40% 33% Iluminação Aquecimento do ambiente Arrefecimento do ambiente Aquecimento de àguas Cozinha Equipamentos elétricos
56 Para o aquecimento de águas (Anexo 10) verifica-se que o principal meio utilizado é o esquentador, em 78,6% dos alojamentos, as caldeiras (11,9%) e os termoacumuladores (11,2%). Nas cozinhas portuguesas (Anexo 11) encontramos inúmeros eletrodomésticos e de todos os tamanhos (Anexo 12). Dos equipamentos utilizados para preparar alimentos/refeições, o fogão com forno (65,5%) e a placa (36,3%) são os equipamentos com maior utilização dentro de uma cozinha. A máquina de lavar roupa é utilizada em 91% dos alojamentos seguindo-se o frigorífico com congelador, em 58,3% dos alojamentos, e a arca congeladora com cerca de 47,6 %. O eletrodoméstico de cozinha menos utlizado é a máquina de secar roupa (3,2%). No que se refere aos aparelhos de entretenimento e informática (Anexo 13), é de destacar que a televisão domina, ou seja, 99,6% dos alojamentos possuem televisão e existem em média 2 equipamentos por alojamento. O computador está em 59,4 % dos alojamentos. Na iluminação, segundo o ICESD (2010), os tipos de lâmpadas utilizadas com maior predominância é a tradicional, ou seja, as lâmpadas utilizadas são as incandescentes (81%) enquanto as lâmpadas economizadoras correspondem a 67,7%. As lâmpadas Led, em 2010, ainda não representavam um valor significativo (3,2% dos alojamentos). Fonte: INE/DGEG – Inquérito ao consumo de Energia no setor Doméstico (2010) Figura 20: Tipo de lâmpadas utilizadas na habitação. Em 2010, os equipamentos elétricos com classe A ou melhor estavam em 54% dos alojamentos, com destaque para a máquina de lavar loiça (Anexo 14). Assim o setor doméstico representa um lugar significativo no consumo de energia final, onde a eletricidade é a principal fonte de energia consumida. O principal destino da eletricidade 0,00% 10,00% 20,00% 30,00% 40,00% 50,00% 60,00% 70,00% 80,00% 90,00% LED Halogéneo Economizadoras Fluorescentes tubulares ou compactas Incandescente
57 refere-se à cozinha, aos equipamentos elétricos e à iluminação. Destes equipamentos o que registam maior consumo são a máquina de lavar roupa e o frigorífico. No que diz respeito às lâmpadas, conclui-se que o principal tipo a ser utilizado, em 2010, corresponde às lâmpadas clássicas. Estas apesar de serem mais baratas possuem menor período de duração e também são as que mais energia consome. Das habitações em estudo, verifica-se que o período de construção corresponde essencialmente às décadas entre 80 e 90. O que leva a concluir que são habitações relativamente recentes. Estas habitações apresentam deficiências tanto no isolamento como no tipo de vidros utilizados. Pois esta situação intervém diretamente com o conforto térmico do edifício. 4.3 Metodologia Ao fazer a investigação bibliográfica sobre o tema da eficiência energética no setor residencial, verifiquei que apesar de ser um conceito muito utilizado, não é muito explorado por diversas áreas científicas. Quando falamos de práticas de eficiência energética nas habitações, tendencialmente lembramos logo, por exemplo, o desligar a televisão no ecrã em vez do comando. A eficiência energética é mais do que isso, e a população em geral não tem essa perceção. Questões como o sombreamento, a ventilação, a localização/orientação, etc., não são de imediato associadas ao conceito de eficiência energética. Posto isto, está identificado o problema, e é necessário pôr as pessoas a pensarem se vivem ou não numa habitação eficiente, sendo assim necessário soluciona-lo. Para conhecer as características e as práticas em termos dos consumos energéticos optouse pela aplicação de um inquérito por questionário, pois esta técnica colocará os inquiridos a refletir os diversos assuntos a abordar. Conhecer a habitação pelo lado de quem a habita é muito importante, pois para além de satisfazer as condições mínimas relativas às necessidades dos indivíduos é também reflexo de sobrevivência. As preocupações com a habitação vão muito além da mera proteção contra situações hostis (Matos, 2001: 9), surgindo também preocupações com o isolamento, com a ventilação, com a iluminação (etc.). Assim, através do inquérito consegue-se elucidar os diversos temas que envolvem a eficiência energética de um alojamento e entender a perceção que os indivíduos têm da habitação.
64 Fonte: Inquérito à eficiência energética na habitação. Figura 23: Número de elementos do agregado familiar. Fonte: Inquérito à eficiência energética na habitação. Figura 24: Escolaridade dos elementos do agregado familiar. Ao olhar para as habilitações académicas dos agregados (Figura 24) verificamos que, a percentagem mais elevada corresponde ao 9º ano com 21%, o 6º ano e o 12º ano possuem também uma percentagem elevada (ambas possuem 16%) e 9% dos inquiridos possuem ensino superior. Porém 26% dos elementos dos agregados familiares não lhes foi atribuída nenhuma resposta. Esta questão, relacionada com os níveis de escolaridade, é de alguma relevância, pois, em Portugal o nível de escolaridade e a presença de crianças no agregado familiar, afeta os comportamentos de poupança de energia na habitação (Mills & Scheich, 2012:10). 12% 30% 41% 13% 3% 2% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% 45% 2 elementos 3 elementos 4 elementos 5 elementos 6 elementos mais de 7 elementos 1% 10% 16% 21% 16% 7% 2% 26% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30%
65 Fonte: Inquérito à eficiência energética na habitação. Figura 25: Média de idade dos elementos do agregado familiar. Concretamente o nosso objeto de investigação dirige-se a agregados de três/quatro indivíduos, cujos pais tem dominantemente entre os 40 e os 50 anos e os filhos entre os 11 e os 20 anos (figura 25). Os conhecimentos dos inquiridos sobre estas questões resultam, em parte, da idade dos elementos do agregado familiar. Num agregado familiar com jovens existe conhecimentos atualizados, e a presença de crianças em agregados familiares levam ao surgimento de preocupações com o ambiente futuro (Mills & Schleich, 2012:10) Através do período de ocupação das habitações pelas famílias, consegue-se compreender quando é que as famílias usufruem da habitação, pois a população europeia usa a habitação em média cerca de 80% a 90% do tempo despendido no do edifício (Pinheiro,2006:19). O intervalo de tempo que as famílias inquiridas mais utilizam a casa corresponde ao período a partir das 20 horas (47%) (Figura 26). O período da manhã possui a menor percentagem, com apenas 9%. O período do dia entre as 14h e as 20h também representa um valor relevante, tratando-se da ocupação da habitação por parte dos filhos. Fonte: Inquérito à eficiência energética na habitação. Figura 26: Intervalo de tempo em que a habitação é ocupada. 7% 23% 5% 11% 27% 7% 2% 2% 20% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 0-10 anos 11-20 anos 21-30 anos 31-40 anos 41-50 anos 51-60 anos 61-70 anos Mais de 70 anos em branco 15% 9% 19% 47% 10% 0% 10% 20% 30% 40% 50% todo o dia 8h-14h 14h-20h Apartir das 20h Em branco
66 4.6.2 Caracterização do edifício Fonte: Inquérito à eficiência energética na habitação. Figura 27: Ano de construção da Habitação. A habitação assume um papel fundamental na vida de todas as famílias, e para fazer a caracterização é importante saber o seu ano de construção, dado que é um indicador para a análise da eficiência energética. Como referido na parte conceptual, genericamente quanto mais antigo é um edifício maior é a probabilidade de ser ineficiente energeticamente. As evoluções tecnológicas no setor da construção, como o desenvolvimento de novos materiais, diminuíram a necessidade em utilizar energia para a climatização provocando um melhoramento em termos térmicos e energéticos, assim no decorrer dos anos criam-se e melhoram-se as técnicas construtivas (Grilo,2012:18) assim os edifícios recetes devem tentar colmatar possíveis problemas. Nos resultados dos inquéritos verificou-se que as maiorias das habitações foram construídas entre os anos de 1991 e 2007 (Figura 28), e que as habitações anteriores a 1950 correspondem apenas a 3%. Cerca de 27% dos inquiridos não responderam a esta questão e também 27% das respostas referem-se à opção “Não sabe”. Os certificados energéticos nos edifícios entraram em vigor e são obrigatórios desde 2008 (ADENE, 2009:2), e possuem informações relativas às características do consumo energético na habitação. Observa-se que cerca de 69% dos inquiridos não possuem certificado energético das suas habitações e 10% dos inquiridos não sabem se as habitações possuem certificado energético (Figura 29). A maioria das habitações que têm certificado energético corresponde aos anos de construção entre 1991 e 2007 (Anexo17). 2% 1% 16% 43% 11% 27% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% 45% 50% Antes de 1900 1901-1950 1951-1990 1991-2007 Após 2007 Sem resposta
67 Fonte: Inquérito à eficiência energética na habitação. Figura 29: Forma de ocupação da habitação. Ao analisar a figura 29 percebe-se que um grande número dos alojamentos inquiridos são habitações próprias, mas é necessário distinguir as habitações que têm ou não prestação ao banco, pois as habitações com prestação ao banco correspondem a 39% e as habitações sem prestação representam 28%. As habitações arrendadas correspondem a 22%, as habitações sociais a 7%, e 3% a “outra situação”. Segundo Yvonne Phillips (2012) os proprietários das habitações estão mais dispostos a fazer intervenções de melhoria na habitação quando comparado com inquilinos. Assim, os donos 39% 28% 7% 22% 3% 1% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% 45% Habitação Própria (é o proprietário) com prestação ao banco; Habitação Própria (é o proprietário) sem prestação ao banco; Habitação Social; Arrendada; Outra Situação; Sem resposra. Sim 21% Não 69% Não sabe 10% Sim Não Não sabe Fonte: Inquérito à eficiência energética na habitação. Figura 28: Percentagem de habitações com certificado energético.
68 das habitações estão dispostos a investir nos seus alojamentos para os melhorar enquanto os inquilinos não têm essa preocupação (Phillips, 2012:7). A tipologia da habitação influência os seus próprios consumos, evidentemente ao comparar uma moradia com um apartamento atesta-se que onde existe maior consumo de energia é nas moradias (Grilo, 2012:72). João Grilo (2012) defende que numa moradia “a área em contacto com a envolvente em relação ao volume do ar interior tende a ser maior que num apartamento”, asssim para garantir o conforto no interior da moradia será necessário aumentar o consumo de energia para a sua climatização. O mesmo autor associa ainda as tipologias das habitações aos rendimentos familiares, porque quem tem mais rendimentos tem maior facilidade em viver em moradias, logo podem utilizar a energia sem necessitar de se preocupar em moderar o consumo (Grilo, 2012:72). Então, ao analisar a figura 30 comprova-se que os agregados familiares na sua maioria vivem em apartamentos (46%). As casas isoladas são habitadas apenas por 27% das famílias seguindo-se as casas geminadas ou em banda ocupadas por 24%. Portanto, as famílias inquiridas no que diz respeito à otimização da energia apresenta resultados favoráveis pois, como foi referido no parágrafo anterior, os apartamentos representam menores gastos de energia. Em média as habitações possuem entre 2 a 3 pisos que está representado com 47% e acima dos 6 pisos corresponde a percentagem de 9%. Em relação aos apartamentos é necessário referir que as famílias inquiridas habitam sobretudo pisos intermédios (28%), ou seja, são pisos mais protegidos, em relação aos pisos extremos, pois estão menos expostos às condições climatéricas adversas. De acordo com Eunice Fontão (2015), os pisos intermédios possuem menores necessidades energéticas quando comparadas com os pisos da cobertura e térreos (Fontão, 2015:108).
69 Em Portugal as consequências da elevada utilização da habitação (várias décadas) refletese no ciclo de vida da construção (Grilo, 2012:20), por isso é necessário fazer várias intervenções na habitação. A reabilitação na habitação consiste numa intervenção que melhora a qualidade tanto a nível energético como térmico (Santos, 2012), porém quando analisamos os resultados dos inquiridos verificamos que normalmente os alojamentos não sofreram qualquer reabilitação. Verifica-se assim que a maioria das habitações não sofreram qualquer tipo de reabilitação (cerca de 41%), então só 28% é que referiram que sofreram reabilitação. Analisando o tipo de reabilitação (Figura 31) que ocorreu nos edifícios apuramos que os inquiridos na sua maioria referiam que a reabilitação consistiu em reparar e pintar. Concretamente não podemos encarar isto como uma reabilitação, mas sim apenas uma reparação. Em relação às outras hipóteses de resposta, apuramos que 14% dos alojamentos sofreram 27% 28% 8% 10% 24% 2% 1% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% Casa isolada; Apartamento em edifício com vários pisos (habitando os pisos intermédios); Apartamento em edifício com vários pisos (habitando o rés-do-chão); Apartamento em edifício com vários pisos (habitando o ultimo piso); Casa geminada ou em banda; Outro sem resposta Tipologia da habitação 16% 48% 26% 5%4% 1% Número de pisos da Habitação 1 Piso 2-3 Pisos 4-5 Pisos 6-7 Pisos Mais de 8 Pisos Em Branco Fonte: Inquérito à eficiência energética na habitação. Figura 30: Tipologia da habitação e o número de pisos da habitação.
70 intervenções nas janelas através da colocação de vidros duplos e cerca de 24% das respostas referem-se à colocação de isolamentos nas paredes e nas coberturas. A substituição de lareira aberta por recuperador de calor representa 5% e as intervenções no aquecimento central representa 4% dos alojamentos. Ao analisar o ano de construção das habitações que sofreram reabilitação (Anexo 18) apuramos que são edifícios construídos sobretudo entre 1991 e 2007, seguindo-se as habitações construídas entre 1951 a 1990. A menor percentagem de habitações reabilitadas concentram-se nos anos anteriores a 1950, o que é naturalmente estranho. Assim, as habitações reabilitadas têm idades entre os 8 e os 55 anos, ou seja, temos habitações relativamente recentes e habitações consideradas antigas. Sim 28% Não 41% sem resposta 31% Percentagem de habitações que sofreram reabilitação Sim Não sem resposta 5% 14% 10% 12% 4% 5% 46% 4% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% 45% 50% mudar janelas vidro simples mudar janelas vidro duplo isolamento na cobertura isolamento térmico nas paredes Aquecimento central substituir laleira aberta por recuperador de calor reparar e pintar não sei Tipo de reabilitação (%) Fonte: Inquérito à eficiência energética na habitação. Figura 31: Percentagem de habitações que sofreram reabilitação e o tipo de reabilitação.
71 Outra questão importante a ter em consideração, refere-se aos edifícios vizinhos (Figura 32) da habitação, pois estes interferem na própria habitação, porque provocam sombreamento, e também podem impedir a circulação do ar. Então, segundo os inquéritos à eficiência energética verificamos que a maioria dos edifícios não possuem edifícios vizinhos (41%), contudo há uma elevada percentagem de respostas em branco (30%). Estes edifícios vizinhos (29%) estão localizados na sua maioria nas laterais (45%). Existe uma percentagem significativa de edifícios tanto na frente como na traseira do edifício (28% cada). A largura recomendada para as ruas ronda os 10 metros. De acordo com Eunice Fontão (2015) a largura mínima de uma faixa de rodagem é 7 m e os passeios 1,5 metros (Fontão,2015). As ruas onde estão inseridas as habitações dos inquiridos (Figura 33) são na sua maioria de duas dimensões distintas. São ruas menores do que a altura do edifício (31%) ou ruas maiores que a altura do edifício dos inquiridos (30%). Com esta questão permite-nos observar que 30% das habitações sofrem com o sombreamento dos edifícios vizinhos (edifícios maiores) e 50% dos inquiridos não têm estes problemas, pois os edifícios vizinhos não cobrem o edifício do inquerido (edifícios menores ou iguais à habitação do inquirido). Contudo, é de realçar que existe uma elevada percentagem de respostas com a opção “Não sabe” (20%). O que leva a concluir que os inquiridos não têm a perceção da dimensão da rua onde está inserida a habitação. Sim 29% Não 41% Em branco 30% Percentagem de habitações com edifícios vizinhos (%) 45% 28% 28% 0% 10% 20% 30% 40% 50% Lateral da habitação Frente da habitação Atrás da habitação Localização dos edifícios vizinhos (%) Fonte: Inquérito à eficiência energética na habitação. Figura 32: Habitações com edifícios vizinhos.
72 Fonte: Inquérito à eficiência energética na habitação (elaboração própria). Figura 33: Dimensão da rua onde está inserida a habitação As questões dos sombreamentos (Figura 34) também são importantes no que diz respeito aos sistemas passivos de uma habitação pois, devem controlar a entrada da radiação solar mas não devem impedir a invisibilidade total. Por exemplo, os estores permitem limitar a radiação solar contudo, interferem na iluminação natural necessitando depois de recorrer à iluminação artificial. A questão da invisibilidade total por vezes é adotada nas habitações para proteção da privacidade no seu interior (Palhinhas, 2009:37). Nos nossos inquéritos, as habitações que fazem sombreamento correspondem a 68% do total dos alojamentos. O sistema de sombreamento mais comum nas habitações são as cortinas (70%) (não sendo o mais adequado) seguindo-se os estores interiores (15%) e exteriores (5%). Os sistemas de sombreamento utilizados pelos inquiridos não são 100% eficazes pois apesar de limitar a entrada da radiação solar também limita a entrada de luz. 30% 31% 19% 20% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% Maior que a altura do edifício Menor que a altura do edifício Igual à altura do edifício Não Sabe 68% 32% Percentagem de habitações que fazem sobreamento (%) Sim Não 70% 5% 15% 1% 8% 1% 0% 20% 40% 60% 80% Cortinas Estores exteriores Estores interiores Não tem Não precisa Outros Sistemas de sombreamento (%) Fonte: Inquérito à eficiência energética na habitação. Figura 34: Habitações que fazem sombreamento e o tipo de sombreamento.
73 As habitações precisam de fazer a sua ventilação natural, pois este processo cria um ambiente saudável no interior do edifício (Gomes, 2010:5) removendo todos os poluentes e a humidade renovando o ar (por exemplo, o calor excessivo). Contudo, este processo deve ser controlado para que não surjam correntes de ar incómodas ou perdas energéticas em meses mais frios (Viegas, s.d:32). Portanto, o gráfico da figura 35 demostra que as habitações dos inquiridos são bem ventiladas, e este processo é feito todos os dias durante todo o ano (73%) havendo 3% das habitações que nunca faz ventilação. Fonte: Inquérito à eficiência energética na habitação. Figura 35: Percentagem de habitações que fazem ventilação. Um dos principais problemas na generalidade das habitações refere-se às contaminações que se criam no interior das casas e que são prejudiciais para a saúde, ou seja, a humidade (Figura 36). Cerca de 40% das habitações dos inquiridos têm humidade nas diversas divisões da casa. Ter 73% 1% 6% 17% 3% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% Todos os dias durante todo ano Todos os dias mas só no verão Só nos dias mais quentes Raramente Nunca 40% 59% 1% Percentagem de habitações com humidade (%) Sim Não Em branco 34% 20% 24% 13% 4% 4% 1% 0% 10% 20% 30% 40% Divisões da habitação com humidade (%) Fonte: Inquérito à eficiência energética na habitação. Figura 36: Habitações com humidade (%).
80 Fonte: Inquérito à eficiência energética na habitação. Figura 44 Consumos de energia na habitação (%) (perceção do inquirido). Portanto, a perceção do inquirido está de acordo com os equipamentos que usam, de uma forma não contínua, ou seja, segundo a perceção dos inquiridos concluímos que as suas escolhas devem-se ao simples ato de ligar e desligar, pois dá a ideia de os usar muitas vezes, por exemplo um frigorífico como está continuamente ligado acaba por cair no esquecimento. Segundo Rui Gaspar e Dalila Antunes, a idade adequada para substituir os equipamentos (para garantir a eficiência total), corresponde a um período de 5 anos, mas atualmente esta substituição é realizada ao fim de 11 a 15 anos (Gaspar e Antunes, 2011:2). No estudo realizado nesta dissertação verificou-se que os equipamentos dentro das habitações possuem idades variadas. Os equipamentos mais velhos são os frigoríficos e os congeladores, com uma idade a rondar os sete anos, já os equipamentos mais recentes correspondem aos computadores, com idades médias de quatro anos e a televisão com cinco anos de utilização (Figura 45). A distribuição média dos equipamentos de uma habitação é de um aparelho por função que desempenha, por exemplo, em média existem um frigorífico, um congelador, uma máquina de lavar loiça, etc. Contudo, subsistem dois aparelhos que são representados em maior número nas habitações, existem em média três televisores, e dois computadores dentro dos alojamentos. 15% 8% 17% 7% 2% 7% 18% 17% 9% Frigorífico Arca congeladora Iluminação Aquecimento Arrefecimento Forno Elétrico Máquina de lavar roupa Equipamentos de audiovisuais Informática
81 Para garantir uma boa iluminação deve-se analisar as necessidades de luz que as diversas divisões da casa necessitam, já que nem todos os espaços requerem a mesma luminosidade, nem durante o mesmo tempo, nem com a mesma intensidade (ADENE, 2012:40). A luz natural de uma habitação é essencial e deve ser aproveitada sempre que possível nas diferentes divisões de uma habitação. Ao observar a figura 46, conclui-se que em média todas as divisões da casa possuem uma boa iluminação natural, usufruindo 1,18 1,1 1,6 0,72 0,78 3,47 1,08 0,82 0,55 0,62 0,65 2,17 0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5 4 Número médio de eletrodomésticos nas habitações 7,44 7,05 6,11 65,19 5,05 5,9 6,38 6,34 5,48 6,93 3,87 0 1 2 3 4 5 6 7 8 Média de idade dos eletrodomésticos Fonte: Inquérito à eficiência energética na habitação. Figura 45: Caracterização dos eletrodomésticos na habitação.
82 nas distintas divisões um período superior a 4h. A maior parte das habitações possuem entre uma a duas janelas, por divisão. Em relação à luz artificial (Figura 47) verifica-se que, as salas possuem quatro lâmpadas e estão em funcionamento em média quatro horas. Na cozinha existem duas lâmpadas e estão ligadas num período de quatro horas por dia, nos quartos existem duas lâmpadas e estão ligadas num período de três horas por dia. Os inquiridos, na sua maioria não sabem caracterizar as lâmpadas utilizadas nas suas habitações. Com as respostas que obtemos concluímos que as lâmpadas Leds começam a ganhar destaque em muitas habitações, todavia ainda existem habitações que nas suas divisões usam 15 26 18 24 61 63 72 72 130 107 114 106 47 50 46 53 0 20 40 60 80 100 120 140 Sala cozinha quarto 1 quarto 2 Número médio de horas que a habitação recebe a luz natural menos 1h 2h-3h mais de 4h branco 4% 4% 1% 4% 76% 83% 93% 86% 15% 9% 3% 7%3% 1% 0% 0%3% 3% 3% 3% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Sala cozinha Quarto 1 Quarto 2 Número de janelas nas diferentes divisões da habitação 0 janelas 1-2 janelas 3-4janelas mais de 4 janelas Em branco Fonte: Inquérito à eficiência energética na habitação. Figura 46: Número de horas de luz natural na habitação e o número de janelas.
83 lâmpadas clássicas. Segundo as respostas estamos perante duas situações extremas, ou seja, as lâmpadas clássicas consomem mais energia e têm um curto período de tempo de utilização, já as lâmpadas Leds possui características completamente inversas às referidas anteriormente. 4.6.4 Comportamentos eficientes Os hábitos e os comportamentos dos inquiridos interferem, diretamente, nos padrões do consumo de energia, mas nem sempre os bons hábitos e os comportamentos são adotados, pois 3,94 2,47 2,31 2,34 4,1 4,36 3,44 3,11 0 1 2 3 4 5 Sala Cozinha Quarto 1 Quarto2 Número de horas por dia de luz artificial utilizada e o número de lâmpadas nas diversas divisões da habitação nº de lâmpadas em média nº de horas de luz artificial 73 11 41 47 82 45 9 58 66 83 48 12 40 64 90 44 14 36 68 90 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Clássicas Compactas Florescentes Led's Branco Tipo de lâmpadas e sua localização dentro da habitação Sala cozinha quarto 1 quarto 2 Fonte: Inquérito à eficiência energética na habitação. Figura 47: Luz artificial e o tipo de Lâmpadas.
84 os indivíduos não mudam os seus comportamentos de forma natural. A mudança de comportamentos geralmente é realizada no sentido de lhes trazer benefícios, pois um indivíduo quando muda os seus comportamentos é porque foi influenciado por alguém (amigo/vizinho), ou então quando se compromete num lugar público (McMakinetal et al. 2002:3). Segundo Andrea McMakinetal, Elisabeth Malone e Regina Lundgren (2002) as pessoas estão mais disponíveis a adotar medidas de eficiência energética quando (McMakinetal et al,2002:3): Quando os indivíduos percebem que estas condutas conduzirão a benefícios para elas mesmas (por exemplo o aumento do conforto térmico, saúde ou a redução de custos); Quando é uma oportunidade de saber e controlar o que consomem; Quando existe um fácil acesso à informação e a medidas que apoiem e caracterizem os comportamentos eficientes. Em relação aos comportamentos dos inquiridos (Figura 48) verificou-se que 78% das famílias têm preocupações com o consumo de energia. Sendo-lhe pedido para enumerar algumas boas práticas, referiram como o mais importante o aproveitamento do sol para secar a roupa e utilização da luz natural (ao máximo). Também existe a preocupação em não deixar os aparelhos em standby. Práticas como o arejar a casa em horas mais frescas, e ligar o aquecimento após arejar as habitações, são essenciais para o conforto na habitação. Há uma reduzida percentagem de respostas, que indicam não ter preocupações com a eficiência energética nas casas, e manifestam não ter interesse no que consomem.
85 78% 22% Percentagem de agregados familiares com preocupações de eficiência energético(%) sim Não 0% 2% 4% 6% 8% 10% 12% 14% 16% trocar lâmpadas incandescentes clássicas por lampadas Led´s eletrodomésticos de classe A ou melhor manter o frigorifico ou forno com a porta sempre fechada aproveitar a luz natual aproveitar o sol para secar roupa ligar aquecimento após arejar a casa arejar a casa nas horas mais frescas desligar a tv no botão não colocar alimentos quentes dentro do frigorífico instalar contador bihorário as torneiras com redutor do caudal Preocupações com o consumo (%) 0% 20% 40% 60% 80% Falta de informação de como poupar energia Não pensa no que consome Os produtos que consomem menos são sempre mais caros Motivos por não terem preocupações com o consumo Fonte: Inquérito à eficiência energética na habitação. Figura 48: Caracterização dos comportamentos dos inquiridos.
86 Síntese dos resultados obtidos na análise aos inquéritos: Quadro sítese dos resultados obtidos do inquérito por questionário 4 Elementos do agregado familiar (Pais e 2 filhos) Baixas qualificações Idades dos elementos entre os 10 e os 20 anos e os 41 e 50 anos Contruídas entre 1991-2007 Apartamentos (próprias) 2 Pisos 2 Janelas (em cada divisão) Cortinas nas janelas As ruas são maiores ou menores que a altura do edifício Não tem edifícios vizinhos Sem certificado energético Não sofreu reabilitação Fria no inverno Quente no verão Sem humidade Arejada Boa iluminação natural Possui eletrodomésticos (cozinha/lazer/outros) Duas a quatro Lâmpadas por divisão Lâmpadas clássicas e LEDs Fatura energética: 80 a 100 euros Período de maior ocupação da habitação: a partir das 20h Satisfeitos com o conforto térmico Preocupações com o consumo Tabela 5: Síntese dos resultados do inquérito à eficiência energética na habitação (elaboração própria). Agregados familiares Comportamentos Habitação
87 Considerações finais Finda a elaboração deste trabalho é preciso enumerar algumas conclusões de modo a resumir tudo o que foi abordado e os resultados obtidos. Os objetivos propostos para esta dissertação visavam avaliar e caracterizar a eficiência energética na habitação de um modo subjetivo. Tendo com objetivo complementar a caracterização dos comportamentos dos inquiridos que vivem na habitação. O cerne desta dissertação foram os dados obtidos através do inquérito por questionário, que abordavam o tema da eficiência na habitação, realizado a um grupo de estudantes do ensino secundário. Abordando temas desde a caracterização do edifício, dos equipamentos até à caracterização dos comportamentos dos próprios inquiridos. Analisando os resultados obtidos com a implementação do inquérito conduziram a alguns dados conclusivos: Os agregados familiares são constituídos por pais e um ou dois filhos com idades entre os 41 e os 51 anos e os 11 e os 20 anos. As habitações são ocupadas sobretudo a partir das 20h, pois é o tempo em que toda a família se encontra em casa. As habitações foram construídas principalmente a partir de 1991 (relativamente recente) contudo não possuem certificado. São apartamentos que ocupam pisos intermédios e nas suas divisões em média possui duas janelas, o que permite concluir que ao existir mais do que uma abertura nas diversas divisões promovendo uma ventilação. O sombreamento das janelas é sobretudo feito com cortinas. Não sendo o melhor método e também faz o mesmo com a iluminação natural. Os edifícios em média também não são muito altos, pois a maioria dos edifícios possuem 2 pisos. Normalmente estes edifícios não possuem edifícios vizinhos, logo não existe problemas com a circulação do ar (na rua) nem com o sombreamento dos edifícios altos. Também no que se refere à dimensão da rua, esta não é constante pois as ruas podem ser maiores ou menores que a altura do edifico onde está inserido. Também segundo os inquiridos, verifica-se que a casa é bem arejada (evitando contaminações e renovando o ar) e com uma boa iluminação natural evitando assim o uso de iluminação artificial. As casas possuem eletrodomésticos básicos/necessários/normais numa habitação.
88 Nas divisões existem duas lâmpadas em média podendo ser classificadas de Leds ou Clássicas, ou seja, a mais eficiente para menos eficiente. Quanto aos comportamentos dos inquiridos verifica-se que os inquiridos estão satisfeitos com o conforto térmico da habitação e também mencionaram as suas preocupações com as questões relacionadas com a eficiência energética. Com a análise destes resultados, surgiram outras conclusões. Verifica-se que existiam várias questões em que a resposta foi “ Não sei”. Os temas abordados foram: O ano de construção Certificados energéticos Reabilitação Dimensão da rua Temperatura no interior do edifício Tipo de lâmpadas. Ao constatar esta situação percebe-se que existem questões que os inquiridos não sabem responder, sendo necessário criar medidas que motivem e impulsionem as pessoas a conhecer melhor a habitação. Em relação ao inquérito por questionário verifica-se que ficaram questões por colocar. No que diz respeito ao agregado familiar é necessário saber mais informações para poder ser melhor caracterizado (exemplo os rendimentos). Também na caracterização da habitação é necessário acrescentar mais questões, como por exemplo, o número de divisões e os sistemas de sombreamento. Em relação aos comportamentos este devem ser mais explorado. E ainda os eletrodomésticos são já bastante antigos e precisam de substituição. Não é possível concluir se estamos perante uma habitação eficiente pois existem as duas versões, ou seja, existem boas e más prática e umas influenciam as outras. O que se pode concluir então é que os edifícios são relativamente recentes possuindo uma boa iluminação natural, são consideradas habitações arejadas. Existe alguma preocupação com o consumo por exemplo a utilização de lâmpadas LED. Por outro lado, as habitações são frias no inverno e quentes no verão, não têm certificado energético e para fazer o são sombreamento das janelas usam sobretudo cortinas e as ruas são menores à altura do edifício, ou seja, existe dificuldades de circulação do ar e provocando sombreamento. Assim, a melhor forma de promover a eficiência energética na habitação será através de implementação de medidas que atuem de forma integrante, modificando os comportamentos,
89 fazendo a substituição dos equipamentos e executar melhorias construtivas. Resta-me concluir que com esta investigação adquiri um vasto conjunto de conhecimentos, abordando conceitos até então desconhecidos. Foi sem dúvida dos maiores desafios. Também tenho de destacar todo o processo de elaboração até à implementação do inquérito, pois, foi bastante desafiante envolvendo contactos com imensas pessoas.
96 Anexo 3 Mapa: Edifícios construídos até ao ano de 1980 e o seu estado de degradação.
97 Anexo 4 Caracterização do Parque Habitacional por ano de construção em Portugal, 2010 Fonte: INE/DGEG – Inquérito ao consumo de Energia no setor Doméstico (2010) (Página: 21)
98 Anexo 5 Condições de habitabilidade dos alojamentos, por NUT I, 2010 Fonte: INE/DGEG – Inquérito ao consumo de Energia no setor Doméstico (2010) (Página: 23) Anexo 6 Número de alojamentos com isolamento em Portugal, 2010 Fonte: INE/DGEG – Inquérito ao consumo de Energia no setor Doméstico (2010) (Página: 25)
99 Anexo 7 Tipologia dos vidros por orientação de fachadas e por NUTS I, 2010 Fonte: INE/DGEG – Inquérito ao consumo de Energia no setor Doméstico (2010) (Página: 25)
100 Anexo 8 Consumo e despesas total de energia no alojamento e no transporte – Portugal e NUT I, 2010 Fonte: INE/DGEG – Inquérito ao consumo de Energia no setor Doméstico (2010) (Página: 27)
101 Anexo 9 Alojamentos que utilizam equipamentos para aquecimento do ambiente por tipo de equipamento em Portugal, 2010 Fonte: INE/DGEG – Inquérito ao consumo de Energia no setor Doméstico (2010) (Página: 76)
102 Anexo 10 Alojamentos que utilizam equipamentos para aquecimento de águas por tipo de equipamentos em Portugal, 2010. Fonte: INE/DGEG – Inquérito ao consumo de Energia no setor Doméstico (2010) (Página: 78) Anexo 11 Alojamentos que utilizam equipamentos na cozinha por tipo de equipamentos em Portugal, 2010. Fonte: INE/DGEG – Inquérito ao consumo de Energia no setor Doméstico (2010) (Página: 80)
103 Anexo 12 Alojamentos que utilizam Grandes eletrodomésticos por tipo de equipamento, em Portugal, 2010. Fonte: INE/DGEG – Inquérito ao consumo de Energia no setor Doméstico (2010) (Página: 83) Anexo 13 Alojamentos que utilizam equipamentos de entretenimento e de informática por tipo de equipamento em Portugal, 2010. Fonte: INE/DGEG – Inquérito ao consumo de Energia no setor Doméstico (2010) (Página: 89)
104 Anexo 14 Distribuição das classes de eficiência por tipo de equipamentos em Portugal, 2010. Fonte: INE/DGEG – Inquérito ao consumo de Energia no setor Doméstico (2010) (Página: 97)
105 Anexo 15 Repartição dos elementos do agregado familiar (AMP,2015). Fonte: Inquérito à eficiência energética na habitação Anexo 16 Periodo de ocupação dos elementos do agregado familiar. Fonte: Inquérito à eficiência energética na habitação 16% 20% 3% 36% 25% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% Pai Mãe Avós Filhos Outros 4% 5% 10% 32% 3% 5% 12% 23% 4% 0% 1% 1% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% Todo o dia 8h-14h 14h-20h Apartir das 20h Pais Filhos outros