scieee AI-readable full text Open interactive document viewer

Reparação de vigas de madeira danificadas por esmagamento com compósitos de carbono-epóxido

R. D. S. G. Campilho,M. F. S. F de Moura,A. M. G. Pinto,J. J. L. Morais,C. L. Santos,J. J. M. S. Domingues

Abstract

Este trabalho consiste num estudo experimental e numérico relativo ao comportamento de vigas de madeira reparadas solicitadas à flexão em quatro pontos, inicialmente danificadas numa secção intermédia por esmagamento na zona de compressão. A reparação cons iste na remoção do material danificado e colagem de um remendo de carbono-epóxido para restituição da rigidez e resistência iniciais da viga. A an álise numérica pelo Método dos Elementos Finitos inclui modelos de dano coesivos para modelar a iniciação e propagação do dano no adesivo, interlaminar no remendo e no interior da madeira através de diferentes planos de propagação. A metodologia numérica proposta foi validada em termos de modo de rotura, rigidez inicial, e carga máxima suportada da viga sem dano, da viga danificada mas não reparada e da viga reparada com diferentes comprimentos de sobreposição do remendo. Os resultados obtidos mostraram que a metodologia proposta é adequada na simulação do comportamento destas reparações.

Full text

II Jornada Luso-Brasileira de Ensino e Tecnologia em Engenharia – JLBE 2009 Instituto Politécnico do Porto Portugal REPARAÇÃO DE VIGAS DE MADEIRA DANIFICADAS POR ESMAGAMENTO COM COMPÓSITOS DE CARBONO-EPÓXIDO Campilho, Moura, Pinto, Morais,R. D. S. G. [1], M. F. S. F. [1], A. M. G. [2], J. J. L.[3], Santos, Domingues,C. L.[3], J. J. M. S. [2] [1] Departamento de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Rua Dr. Roberto Frias, s/n, 4200-465 Porto, Portugal – raulcampi- [email protected] [2] Departamento de Engenharia Mecânica, Instituto Superior de Engenharia do Porto, Rua Dr. António Bernardino de Almeida, 431, 4200-072 Porto, Portugal – [email protected] [3] CITAB/UTAD, Departamento de Engenharias, Quinta de Prados, 5001-801 Vila Real, Portugal Resumo Este trabalho consiste num estudo experimental e numérico relativo ao comportamento de vigas de madeira reparadas solicitadas à flexão em quatro pontos, inicialmente danificadas numa secção intermédia por esmagamento na zona de compressão. A reparação consiste na remoção do material danificado e colagem de um remendo de carbono-epóxido para restituição da rigidez e resistência iniciais da viga. A análise numérica pelo Método dos Elementos Finitos inclui modelos de dano coesivos para modelar a iniciação e propagação do dano no adesivo, interlaminar no remendo e no interior da madeira através de diferentes planos de propagação. A metodologia numérica proposta foi validada em termos de modo de rotura, rigidez inicial, e carga máxima suportada da viga sem dano, da viga danificada mas não reparada e da viga reparada com diferentes comprimentos de sobreposição do remendo. Os resultados obtidos mostraram que a metodologia proposta é adequada na simulação do comportamento destas reparações. Palavras-chave: Método dos Elementos Finitos, Modelos de Dano Coesivos, Reparação, Madeira. 1. INTRODUÇÃO A madeira é dos materiais de construção mais antigos no mundo, tendo sido amplamente usada para a construção de estruturas de grandes dimensões como pontes, edifícios, armazéns, casas residenciais, infrastuturas para linhas de comboio, entre outras. As vantagens deste material incluem a sua disponibilidade em quase todas a partes do mundo, a aparência natural e agradável e a elevada resistência à tracção e à compressão. Além disso, as estruturas de madeira apresentam uma longevidade elevada, desde que sujeitas a uma manutenção cuidada. No entanto, é sabido que na ausência de manutenção, a madeira deteriora-se devido à acção de insectos e fungos, para além da variação dimensional decorrente de alterações na humidade atmosférica. A importância da reparação de vigas de madeira, tema deste trabalho, advém do grande uso da madeira como material estrutural, adicionado ao elevado número de potenciais mecanismos de dano possíveis neste material, que muitas vezes levam à necessidade da substituição de membros de madeira de dimensões muito elevadas, com as dificuldades associa- II Jornada Luso-Brasileira de Ensino e Tecnologia em Engenharia – JLBE 2009 Instituto Politécnico do Porto Portugal das. A dificuldade de obtenção de vigas de elevadas dimensões é outro factor que realça a importância da reparação destas vigas em vez da sua substituição. Existem poucos trabalhos publicados sobre a reparação de estruturas de madeira, sendo que os que existem estão limitados a análises experimentais e, muitas vezes, as técnicas de reparação propostas não são fáceis de aplicar. Além disso, ainda não foram desenvolvidas metodologias eficazes para previsão do comportamento de reparações adesivas de estruturas de madeira, que seriam extremamente benéficas para eliminação do tempo necessário e custos decorrentes da realização de ensaios experimentais, tradicionalmente necessários para permitir a utilização generalizada destas técnicas de reparação. Dos poucos trabalhos que focam a reparação de estruturas de madeira com compósitos, o trabalho recentemente publicado de Akbiyik et al. (2007) deve ser mencionado. Estes investigadores estudaram a reparação de vigas de madeira de grandes dimensões danificadas por fendas horizontais ao longo do seu comprimento, utilizando diversas técnicas. Estas consistiram na utilização de varões metálicos em diferentes configurações ligando as porções inferior e superior das vigas, e a utilização de placas de compósitos de vidro-epóxido ligadas com parafusos nas faces laterais da zona danificada da viga. Esta última técnica revelou-se particularmente benéfica na restituição das características iniciais das vigas, proporcionando uma área de secção recta equivalente superior nas zonas danificadas. O trabalho de Lopez-Anido et al. (2005) foca a reparação de pilares de madeira submersos em água do mar após deterioração, utilizando materiais compósitos reforçados a fibras e um material de enchimento. O método proposto consiste no revestimento do pilar de madeira deteriorado com algumas camadas de um compósito de carbono-epóxido. O espaço entre o revestimento e o pilar de madeira é preenchido com um material de enchimento que garante a transmissão de esforços entre o pilar e o revestimento. Apesar de não terem sido feitas reparações em condições reais de utilização, a viabilidade do método proposto foi comprovada em laboratório com provetes em tamanho real. Este trabalho consiste num estudo experimental e numérico relativo à reparação de vigas de madeira solicitadas à flexão em quatro pontos, inicialmente danificadas numa secção intermédia por esmagamento na zona de compressão. A reparação consiste na remoção do material danificado e colagem de um remendo de carbono-epóxido com o adesivo Araldite® 2015. Foram estudados três comprimentos de sobreposição do remendo (LO): 10, 20 e 30 mm. A análise numérica pelo Método dos Elementos Finitos utiliza modelos de dano coesivos para modelar a iniciação e propagação do dano no adesivo, interlaminar no remendo e no interior da madeira através de diferentes planos de propagação. A validação da metodologia descrita foi efectuada em termos de modo de rotura, rigidez inicial e carga máxima suportada da viga sem dano, da viga danificada não reparada e da viga reparada com diferentes valores de LO. 2. MODELO DE DANO COESIVO 2.1 Descrição do modelo Um modelo de dano coesivo em modo misto (I+II), baseado em elementos de interface de espessura nula, é usado para simular o início e propagação do dano. Como o modelo desenvolvido tem como finalidade principal a simulação de uma camada fina de um adesivo dúctil (Araldite®2015), foi utilizada uma lei trapezoidal entre as tensões (σ) e os deslocamentos relativos (δr δ) de nós homólogos de um dado elemento de interface (Fig. 1). De facto, estas leis são as mais adequadas para a simulação de adesivos dúcteis que, após um comportamento inicial elástico, apresentam um patamar de tensões considerável antes da rotura (Marques e da Silva, 2008). É assim necessário o conhecimento das resistências locais na extremidade da fenda ( σ u,i,i=I, II) e das taxas críticas de libertação de energia (Ji ic,=I, II). A iniciação do dano é prevista usando o seguinte critério de tensões quadrático II Jornada Luso-Brasileira de Ensino e Tecnologia em Engenharia – JLBE 2009 Instituto Politécnico do Porto Portugal 22 III I u,I u,II II u,II I 1if 0 if 0 σσ σ σσ σσ σ   += >       =≤ (1) onde σi ,(i=I, II) representa a tensão num dado ponto de integração do elemento de interface no modo respectivo. A iniciação do amaciamento das tensões é prevista por um critério quadrático de deslocamentos semelhante à equação (1), levando a 22 2m,I 2m,II 2,I 2,II 1 δδ δδ   +=       (2) onde δ 2,i(i=I, II) representam os deslocamentos relativos em cada modo puro na iniciação do amaciamento das tensões e δ 2m,i(i=I, II) os respectivos deslocamentos em modo misto. A propagação do dano é simulada pelo critério energético linear III Ic IIc 1 JJ JJ += (3) A área do trapézio mais pequeno da Fig. 1 representa a energia libertada em cada modo, enquanto que a área do trapézio maior corresponde ao valor de Jicno modo respectivo. Quando a equação (2) é satisfeita, há propagação de dano e as tensões são anuladas, com a excepção das normais compressivas. O trabalho de Campilho et al. (2008a) apresenta uma explicação detalhada do modelo descrito. Fig. 1 – Lei de amaciamento trapezoidal para modo puro e modo misto. 2.2 Determinação dos parâmetros coesivos A camada de adesivo foi modelada numericamente utilizando o modelo de dano coesivo apresentado. As relações iniciais entre σeδr δem modo puro I ou II, para δ<δ 1,i(Fig. 1), são definidas pelos parâmetros de rigidez (ei i, =I, II), sendo assim simulado o comportamento elástico da camada de adesivo. Estes parâmetros são definidos pelo rácio entre o módulo de elasticidade longitudinal ou ao corte (Eou G, respectivamente) e a espessura da camada de σ u,i σ ,i σ i δ ㅭ,i δ 1,i δ ,i δu ,i δ i Modelo em modo puro Modelo em modo misto Jic(i= I, II) Ji(i= I, II) δ2 ,i δ 2m,i II Jornada Luso-Brasileira de Ensino e Tecnologia em Engenharia – JLBE 2009 Instituto Politécnico do Porto Portugal adesivo (tA). Os valores de EeGforam determinados experimentalmente (Marques e da Silva, 2008) com testes à tracção de adesivo em bruto e testes Thick Adherend Shear Test (TAST), respectivamente (E=1850 MPa; G=650 MPa). Para a completa caracterização das leis coesivas em modo puro I e II, os valores de σ u,i, δ 2,ieJictambém devem ser determinados. Enquanto Jicpode ser determinado por testes convencionais de caracterização à fractura, os restantes parâmetros devem ser definidos por um método inverso aplicado a geometrias coladas onde o adesivo apresente uma espessura idêntica à da estrutura simulada (Campilho et al., 2008b). Isto porque uma camada fina de adesivo se comporta de forma diferente do adesivo em bruto, devido ao efeito de restrição das deformações provocado pelos materiais adjacentes, mais rígidos do que o adesivo. Neste trabalho, as leis coesivas de uma camada de adesivo com tA=0,2 mm e interlaminares do remendo de carbono-epóxido em modos puros I e II foram obtidas por um método inverso, utilizando os ensaios Double Cantilever Beam (DCB) e End-Notched Flexure (ENF), respectivamente. Num trabalho prévio (Campilho et al., 2008b) apresenta-se uma explicação detalhada deste método, a determinação destes parâmetros e as leis coesivas finais para o adesivo e laminado compósito, utilizados neste trabalho. A fractura da viga de madeira nos planos RL (plano longitudinal da viga) e LR (plano transversal da viga) também é considerada no trabalho numérico desenvolvido, pois estes modos de rotura ocorreram experimentalmente. Os parâmetros coesivos da madeira no plano RL foram obtidos do trabalho de Silva (2005). Os parâmetros relativos ao plano LR foram estimados de valores típicos para o material em causa. 3. TRABALHO EXPERIMENTAL A Fig. 2 a) representa a geometria e parâmetros característicos da reparação (a=300 mm, b=20 mm, h=20 mm, d=7,5 mm, tA=0,2 mm, tH=1,2 mm, LO=10, 20 e 30 mm). A reparação consiste na remoção, em forma de semi-circulo, do material esmagado na zona de compressão da viga de madeira e colagem de um remendo. A Fig. 2 b) mostra a configuração do ensaio de flexão em quatro pontos, utilizada neste trabalho (S=260 mm, S’=130 mm, e=20 mm). a) b) Fig. 2 – Técnica de reparação utilizada para a viga danificada por esmagamento e parâmetros característicos (a) e configuração de ensaio em flexão em quatro pontos (b). Foram consideradas vigas de madeira de Pinus Pinaster. Os remendos consistem em laminados unidireccionais de carbono-epóxido (Texipreg HS 160 RM, SEAL®) com 8 camadas e as fibras orientadas segundo a direcção longitudinal da viga (eixo Lna Fig. 2). Utilizouse o adesivo Araldite®2015 e fios de pesca com diâmetro de 0,2 mm, de forma a garantir a espessura desejada para a camada de adesivo (Campilho et al., 2008b). O adesivo foi curado à temperatura ambiente durante uma semana. Os testes de flexão em quatro pontos foram realizados com uma máquina de ensaios Instron®1125 equipada com uma célula de carga de 100 kN, à temperatura ambiente e em controlo de deslocamentos (2 mm/min). Foram testados dez provetes para cada geometria, tendo sido sempre obtidos pelo menos sete resultados válidos. II Jornada Luso-Brasileira de Ensino e Tecnologia em Engenharia – JLBE 2009 Instituto Politécnico do Porto Portugal 4. TRABALHO NUMÉRICO As simulações numéricas foram efectuadas no ABAQUS®, incluindo elementos finitos de interface com diferentes leis coesivas. Foi efectuada uma análise bi-dimensional com elementos sólidos rectangulares de estado plano de tensão e oito nós, incluindo não-linearidades geométricas. A Fig. 3 mostra a malha utilizada para a reparação com LO=10 mm (a) e respectivo detalhe na zona da reparação (b). Foram utilizadas condições de simetria verticais a meio do comprimento da viga (linha AAna Fig. 3 e Fig. 4). A viga de madeira e o remendo de carbono-epóxido foram modelados como materiais elásticos ortotrópicos (cujas propriedades se encontram nos trabalhos de Silva (2005) e Campilho et al. (2005), pela ordem respectiva). A localização dos elementos de interface com diferentes leis foi estabelecida tendo em consideração os modos de rotura obtidos experimentalmente, estando exemplificada na Fig. 4. Para além da rotura no adesivo, considerou-se a rotura interlaminar do remendo de carbonoepóxido a uma distância de 0,15 e 0,30 mm da camada de adesivo (correspondendo às interfaces entre a 1ª e 2ª, e a 2ª e 3ª camadas mais próximas do adesivo, respectivamente). Na viga de madeira, considerou-se roturas nos planos RL e LR. No primeiro caso, consideraram-se distâncias de 0,4 e 0,8 mm à camada de adesivo, correspondendo aos valores limite medidos nos provetes após ensaio. A possibilidade de roturas transversais também foi equacionada na linha de simetria vertical da reparação e debaixo do cilindro de deslocamento. Para as leis coesivas da madeira e do remendo, utilizou-se o método da função da penalidade até σ u,i(Fig. 1), considerando ei=106N/mm3. Nestes casos, também se consideraram leis triangulares ( δ 2,i= δ 1,ina Fig. 1), devido à ausência de plasticidade nestes materiais. a) b) Fig.3–Malhautilizada para a reparação com LO=10 mm (a) e respectivo detalhe da zona da reparação (b). Fig.4–Localização dos elementos finitos de interface com diferentes leis coesivas. 5. RESULTADOS No que diz respeito aos modos de rotura, nas simulações numéricas conseguiu-se reproduzir de forma fiel os modos de rotura experimentais. Sendo assim, para a viga sem dano, a rotura ocorreu transversalmente no plano LR debaixo do cilindro de deslocamento (Fig. 5 a). A-A A-A II Jornada Luso-Brasileira de Ensino e Tecnologia em Engenharia – JLBE 2009 Instituto Politécnico do Porto Portugal Fig. 5 – Roturas numéricas: no plano LR debaixo do cilindro de deslocamento para a viga sem dano (a) e na linha de simetria AApara a viga danificada não reparada (b). Fig. 6 – Roturas numéricas: inicialmente na madeira a 0,15 mm da camada de adesivo e posteriormente na linha de simetria AApara a reparação com LO=10 mm (a) e no plano LR debaixo do cilindro de deslocamento para a reparação com LO=30 mm (b). Fig. 7 – Roturas experimentais: inicialmente na madeira próximo da camada de adesivo e posteriormente na linha de simetria AApara a reparação com LO=10 mm (a) e no plano LR debaixo do cilindro de deslocamento para a reparação com LO=30 mm (b). Considerando a viga danificada não reparada (Fig. 5 b), a rotura deu-se por tracção na linha de simetria AA- , devido à menor área de secção recta. Para as reparações com LO=10 e 20 mm, registou-se iniciação do dano na viga de madeira, a uma distância de 0,15 mm da camada de adesivo, com rotura final na linha de simetria AA- . A Fig. 6 a) mostra a rotura final para a reparação com LO=10 mm. Para LO=30 mm (Fig. 6 b), a rotura é idêntica à viga sem dano, o que significa que a zona da reparação deixou de ser a zona menos resistente da viga, como acontecia para as reparações com um valor de LOmais reduzido. Este comportamento sugere que a resistência da viga sem dano é restituída totalmente com este valor de LO.AFig. 7 apresenta dois exemplos de rotura experimental: para a reparação com LO=10 mm (a) e LO=30 mm (a). A Fig. 8 mostra, como exemplo, uma comparação entre as curvas forçadeslocamento (Pδ ) experimentais e numéricas para a viga danificada não reparada (a) e para a viga reparada com LO=10 mm (b). Para a viga não reparada, observa-se uma boa concordância entre os valores experimentais e numéricos de rigidez elástica (K). A força máxima sustentada (Pm), correspondente a uma rotura transversal no plano de simetria AA- (Fig. 5 b), foi ligeiramente sobrestimada numericamente. O comportamento experimental da viga reparada com LO=10 mm foi simulado correctamente, tendo sido observado em ambos os casos uma b) a) A-A b) A-A a) b) A-A a) A-A II Jornada Luso-Brasileira de Ensino e Tecnologia em Engenharia – JLBE 2009 Instituto Politécnico do Porto Portugal queda de Pantes de ser atingido Pm,para δ≈ 3 mm. Este evento correspondeu ao primeiro estágio de dano para esta reparação já mencionado, consistindo numa rotura da viga de madeira a 0,15 mm da camada de adesivo, ao longo da sobreposição com o remendo. Após este evento, a reparação comportou-se de forma semelhante à viga não reparada, sustentando ainda esforços durante um certo deslocamento. O valor de Pmcorrespondeu a uma rotura transversal na linha de simetria A-A. A Fig. 6 a) mostra a rotura final para esta reparação, sendo visíveis os dois mecanismos de dano descritos. Fig. 8 – Comparação entre as curvas Pδ experimentais e numéricas para a viga danificada não reparada (a) e reparada com LO=10 mm (b). A Fig. 9 apresenta uma comparação entre os resultados experimentais médios e numéricos de K(a) e Pm(b), incluindo o desvio padrão dos primeiros (LO=0 mm corresponde à viga danificada não reparada). No que diz respeito aos valores de K, as previsões numéricas foram de uma forma geral aceitáveis, sendo que apenas para a viga não reparada (LO=0 mm), Kfoi subestimado. Observou-se experimentalmente que o valor de Kpara a viga danificada não reparada é apenas ligeiramente inferior ao da viga sem dano, embora numericamente a diferença seja mais elevada. Aumentando LO, observa-se experimentalmente um aumento gradual de K, tendência que também foi obtida numericamente. Fig.9–Kem função de LO(a) e Pmem função de LO(b). A Fig. 9 b) permite destacar não só a boa concordância entre os valores experimentais e numéricos de Pm, para todas as geometrias testadas, mas também a inutilidade de reparar a viga com LO=10 mm, uma vez que esta solução causa apenas um aumento marginal de Pm. Este comportamento é explicado pela já referida rotura inicial na viga de madeira próximo da camada de adesivo (visível na Fig. 8 (b) pela queda de Ppara δ≈ 3 mm), resultando num comportamento posterior idêntico à viga não reparada. Valores mais elevados de LOlevam a um 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 012345678910 δ [mm] P[N] Experimental Numérico b) 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 012345678910 δ [mm] P[N] Experimental Numérico a) 0 400 800 1200 0 102030Semdano LO[mm] K[N/mm] Experimental Numérico Tendência numérica a) 0 2000 4000 6000 0102030Semdano LO[mm] P m [N] Experimental Numérico Tendência numérica b) II Jornada Luso-Brasileira de Ensino e Tecnologia em Engenharia – JLBE 2009 Instituto Politécnico do Porto Portugal aumento gradual de Pm, sendo atingida a resistência da viga sem dano para LO=30 mm. De uma forma geral, pode-se afirmar que o comportamento das diferentes vigas testadas foi reproduzido de forma muito aceitável pelas simulações numéricas realizadas, mostrando que a metodologia numérica seguida neste trabalho é adequada para simular este tipo de reparações adesivas. 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste trabalho apresentou-se um estudo experimental e numérico do comportamento de uma viga de madeira sem dano, danificada não reparada e reparada com um remendo de carbono-epóxido com diferentes comprimentos de sobreposição, colado com um adesivo dúctil. Foi utilizada uma metodologia numérica para simular o início e propagação do dano nos diferentes constituintes da reparação. Esta metodologia consiste na utilização de modelos de dano coesivos, cujos parâmetros das respectivas leis em modos puros I e II foram obtidos por um método inverso. Este método consiste na determinação inicial da taxa crítica de libertação de energia em modo puro I ou II utilizando ensaios de caracterização à fractura (ensaio Double Cantilever Beam e ensaio End-Notched Flexure para modo puro I e II, respectivamente), e na estimativa dos parâmetros restantes das leis coesivas através do ajuste entre as curvas forçadeslocamento experimentais e numéricas destes ensaios. Observou-se que as simulações numéricas capturaram de forma muito razoável o comportamento experimental das reparações, em termos de modo de rotura, rigidez elástica e força máxima sustentada, o que mostra que a metodologia numérica seguida neste trabalho é adequada para simular este tipo de reparações adesivas. Relativamente às diferentes reparações estudadas, observou-se que um comprimento de sobreposição do remendo de 30 mm permite restituir a resistência da viga de madeira sem dano. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AKBIYIK et al.Feasibility investigation of the shear repair of timber stringers with horizontal splits. Construction and Building Materials, v. 21, p. 991-1000, 2007. CAMPILHO et al.Modelling single and double-lap repairs on composite materials. Composites Science and Technology, v .65, p. 1948-1958, 2005. CAMPILHO et al.Using a cohesive damage model to predict the tensile behaviour of CFRP single-strap repairs. International Journal of Solids and Structures, v. 45, p. 14971512, 2008a. CAMPILHO et al.Modelling the tensile fracture behaviour of CFRP scarf repairs. Composites Part B: Engineering, accepted for publication, 2008b. LOPEZ-ANIDO et al.Repair of wood piles using prefabricated fiber-reinforced polymer composite shells. Journal of Performance of Constructed Facilities, v. 19, p. 78-87, 2005. MARQUESE.A.S.eDASILVAL.F.M. Joint strength optimization of adhesively bonded patches. The Journal of Adhesion, v. 84, p. 917-936, 2008. SILVA, M. A. L. Estudo das Propriedades de Fractura em Modo II e em Modo III da Madeira de Pinus pinaster Ait. 2005 Dissertação (Mestrado em Engenharia Mecânica) – Faculdade de Engenharia, Universidade do Porto.