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Gestão do desporto universitário: Relatório de Estágio profissionalizante no Centro de Desporto da Universidade do Porto

Sofia Manuel Dias Gomes Rios

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Gestão do Desporto Universitário Relatório de estágio profissionalizante no Centro de Deporto da Universidade do Porto Orientador: Dr. Bruno Augusto Teixeira de Almeida Supervisor: Prof. Doutor José Pedro Sarmento Rebocho Lopes Sofia Manuel Dias Gomes Rios Porto, setembro de 2015 Relatório de Estágio Profissionalizante apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, com vista à obtenção do grau de mestre em Gestão do Desporto referente ao curso do 2.º ciclo (DecretoLei nº 74/2006, de 24 de março, alterado pelo Decreto-Lei nº 107/2008, de 25 de junho e pelo Decreto-Lei nº 230/2009, de 14 de setembro) Ficha de Catalogação Rios, S. M. D. G. (2015). Gestão do Desporto Universitário. Relatório de estágio profissionalizante no Centro de Desporto da Universidade do Porto: S.M.D.G. Rios. Relatório de Estágio Profissionalizante para a obtenção do grau de Mestre em Gestão Desportiva, apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. PALAVRAS-CHAVE: GESTÃO DE DESPORTO, EVENTOS DESPORTIVOS, DESPORTO UNIVERSITÁRIO, COMPETIÇÕES UNIVERSITÁRIAS, CENTRO DE DESPORTO DA UNIVERSIDADE DO PORTO. Para a minha mãe, “A winner is a dreamer who never gives up” Nelson Mandela Para os meus amigos, “ Nada é realmente nosso até o partilharmos” C. S. Lewis “When people are determining, they can overcome anything” Nelson Mandela V Agradecimentos Gostaria de manifestar os meus mais sinceros agradecimentos a todos aqueles que de alguma forma contribuíram para a realização deste trabalho. Ao Dr. Bruno Almeida agradeço por ter tido a amabilidade de me acolher na sua Instituição e orientar o meu estágio. Assim como pela confiança e valiosas críticas que me ajudaram ao longo do trabalho. Ao Professor Doutor Pedro Sarmento fico grata por ter aceite supervisionar o meu relatório de estágio, bem como pelo apoio, incentivo e motivação prestados e valiosas sugestões que enriqueceram a mesma. Ao Dr. Daniel Vieira agradeço o tempo disponibilizado para me ensinar assim como a paciência incessante no esclarecimento de dúvidas e troca de ideias ao longo do estágio. Ao Professor Doutor Rui Garcia e à Professora Doutora Maria José Carvalho por me encaminharem a ingressar na Gestão Desportiva. Ao Dr. Miguel Monteiro pelas longas conversas entre gabinetes. Ao meu “partner” João Pereira pela amizade e discussões constantes mas produtivas que ajudaram a fortalecer o nosso trabalho. Aos colegas do CDUP-UP por me terem integrado no vosso local de trabalho. Aos escoteiros que me formaram como pessoa e ensinaram princípios fundamentais de vida. Às minhas equipas de futsal, futebol de 7 e rugby de 7 que proporcionaram grandes momentos desportivos e de convívio. Agradeço também a todos os meus amigos que ao longo deste ano estiveram nos bastidores a torcer por mim e que consentiram a minha ausência em inúmeros momentos de convívio. Agradeço aos meus pais e avó, em especial à minha mãe, pela paciência, amor, carinho e apoio incondicional que sempre me deram. Muito obrigada aos atletas e todas as pessoas que conheci ao longo deste ano e trabalho que contribuíram para ter experiências fantásticas. VII Índice Geral Agradecimentos ................................................................................................. V Índice Geral ...................................................................................................... VII Índice de Figuras ............................................................................................... XI Índice de Tabelas ............................................................................................ XIII Resumo ........................................................................................................... XV Abstract ......................................................................................................... XVII Abreviaturas ................................................................................................... XIX INTRODUÇÃO ................................................................................................... 1 1 CARACTERIZAÇÃO DAS CONDIÇÕES DE ESTÁGIO .............................. 5 1.1 Enquadramento biográfico .................................................................... 7 1.2 Expectativas iniciais em relação ao estágio .......................................... 9 1.3 Plano de Estágio ................................................................................. 10 2 ENQUADRAMENTO DA PRÁTICA PROFISSIONAL ................................ 19 2.1 Macro contexto .................................................................................... 21 2.1.1 Desporto Universitário Internacional ............................................. 21 2.1.2 Desporto Universitário em Portugal .............................................. 30 2.1.3 Evolução do Desporto Universitário na Universidade do Porto .... 36 2.2 Enquadramento Institucional ............................................................... 40 2.2.1 História do CDUP-UP ................................................................... 40 2.2.2 Enquadramento administrativo do CDUP-UP na Universidade do Porto ...................................................................................................... 41 2.3 Caracterização do Centro de Desporto da Universidade do Porto (CDUP-UP) ................................................................................................... 43 VIII 2.3.1 Caracterização Funcional ............................................................. 44 2.3.2 Caracterização física das instalações do CDUP-UP .................... 47 2.3.2.1 Pólo I – Centro da Cidade ...................................................... 47 2.3.2.2 Pólo II – Asprela ..................................................................... 49 2.3.2.3 Pólo III – Campo Alegre ......................................................... 50 2.4 Caracterização dos Serviços Desportivos promovidos pelo CDUP-UP .. ............................................................................................................ 51 2.4.1 Atividades de Representação ....................................................... 52 2.4.2 Atividades de Fitness/Recreação ................................................. 53 2.4.2.1 Atividades Aquáticas .............................................................. 53 2.4.2.2 Atividades de Fitness ............................................................. 53 2.4.2.3 Atividades de Musculação e Cardiofitness ............................. 54 2.4.2.4 Modalidades Regulares ......................................................... 54 2.5 Objetivos Estratégicos e Operacionais do CDUP-UP (2014/2015) ..... 54 2.5.1 Objetivos Estratégicos .................................................................. 55 2.5.2 Objetivos Operacionais ................................................................. 55 3 INSTRUMENTOS DE GESTÃO E APOIO À ORGANIZAÇÃO DE ATIVIDADES DESPORTIVAS .......................................................................... 57 3.1 Eventos desportivos ............................................................................ 59 3.2 Gestão de eventos desportivos ........................................................... 61 3.3 Estrutura organizacional de um evento desportivo ............................. 63 4 REALIZAÇÃO DA PRÁTICA PROFISSIONAL .......................................... 67 4.1 Competição ......................................................................................... 70 4.1.1 Estrutura da Competição Universitária ......................................... 70 4.1.1.1 Campeonatos Académicos do Porto ...................................... 72 4.1.1.2 Campeonatos Nacionais Universitários/ Torneios Nacionais Universitários .......................................................................................... 73 4.1.1.3 Campeonatos Europeus Universitários .................................. 74 4.1.1.4 Campeonatos Mundiais Universitários ................................... 75 IX 4.1.1.5 Universíadas .......................................................................... 75 4.1.1.6 XXVIII Jogos Galaico Durienses ............................................ 75 4.1.2 Competições internas ................................................................... 76 4.1.2.1 IV Jogos Universitários .......................................................... 77 4.2 Procedimentos operacionais e administrativos ................................... 77 4.2.1 Procedimentos operacionais ........................................................ 79 4.2.1.1 Como preparar uma Comitiva da U.Porto para uma competição em 25 passos ......................................................................................... 79 4.2.2 Procedimentos administrativos ..................................................... 81 4.2.2.1 Procedimentos administrativos externos ................................ 81 4.2.3 Procedimentos administrativos internos ....................................... 82 4.2.3.1 Documentos de controlo ........................................................ 82 4.2.3.2 Documentos de informação ................................................... 83 4.2.3.3 Documentos sistematização .................................................. 83 4.3 Promoção e Imagem ........................................................................... 89 4.3.1 Campanha de divulgação nas Faculdades ................................... 89 4.3.2 Receção dos alunos do 1ºano da U.Porto .................................... 90 4.3.3 Site do CDUP-UP ......................................................................... 92 4.3.4 Organização e Participação em Eventos ...................................... 93 4.3.5 VII Gala do Desporto da Universidade do Porto ........................... 93 4.4 Outras tarefas desenvolvidas no CDUP-UP ........................................ 94 4.5 Síntese do trabalho desenvolvido durante o estágio no CDUP-UP .... 95 4.5.1 Época desportiva 2014/2015 em números ................................... 97 5 REFLEXÃO FINAL E CONSIDERAÇÕES FUTURAS ............................... 99 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................ 105 ANEXOS ........................................................................................................ 114 Anexo I ........................................................................................................ 116 Anexo II ....................................................................................................... 125 XVII Abstract The current report was elaborated within the context of the professional internship of sports management, and reflects all the work developed along the 2014/2015 season at the Department of Competition in Sports Center of the University of Porto. This institution was considered to be the most adequate to receive the professional internship as it is one of the institutions of reference in the national university sport, and it is responsible for managing the facilities and sport activities of the University of Porto. This report is divided into six chapters: the first is focused on the personal plan and in the definition of guidelines and goals for the internship; the second is based on a theoretical contextualization of university sports as well as the characterization of the CDUP-UP; the third is related to the management and support instruments for the organization of sport events; the fourth refers to the attainment of professional practice; the fifth is based on a critical reflection of the internship; and the sixth relates to bibliographic references. The goals of the internship covered the planning and organization of the Committees of the U. Porto that participated in national and international university sports competitions, the promotion and disclosure of the brand U.Porto, the increase of the Department's financial sustainability, and efficiency of the management processes. In practice, the activities developed in the internship focused on the achievement of a set of tasks of administrative and operational nature that contributed to the organization and participation in Committees of the U.Porto at university sport events. In order to meet the goals, some helping procedures to its management were created, which proved to be important instruments in decision making. KEYWORDS: SPORTS MANAGEMENT, SPORTS EVENTS, UNIVERSITY SPORTS, UNIVERSITY COMPETITION, UNIVERSITY SPORTS CENTER OF PORTO. XIX Abreviaturas AAEE - Associação de Estudantes da Universidade do Porto AE – Associação de Estudantes AUSF – Associação Asiática de Desporto Universitário CAP – Campeonatos Académicos do Porto CDUP – Centro Desportivo Universitário do Porto CDUP – AD - Centro Desportivo Universitário do Porto-Associação Desportiva CDUP-UP – Centro de Desporto da Universidade do Porto CEU – Campeonatos Europeus Universitários CMU – Campeonatos Mundiais Universitários CNU - Campeonatos Nacionais Universitários CUL – Campeonatos Universitários de Lisboa CUP - Centro Universitário do Porto CUSI - Associação Estudantes de Desporto Italiana EUSA - Associação Europeia de Desporto Universitário FADEUP – Faculdade de Desporto da Universidade do Porto FADU – Federação Académica de Desporto Universitário FAP – Federação Académica do Porto FASU - Federação Africana de Desporto Universitário FISU - Federação Internacional de Desporto Universitário FPDU – Federação Portuguesa de Desporto Universitário ICS - Confederação Internacional de Estudantes IES - Instituições de Ensino Superior europeias INDU – Inspeção Nacional de Desporto Universitário ISEF – Instituto Superior de Educação Física NCS – Norte, Centro e Sul ODUPA - Organização Pan-Americana do Desporto Universitária OUSA - Organização do Desporto Universitário da Oceânia TNU – Torneios Nacionais Universitários U.Porto – Universidade do Porto INTRODUÇÃO 3 O presente documento foi elaborado no âmbito de estágio profissionalizante relativo ao 2º ano do Mestrado de Gestão Desportiva, da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, sob a orientação do diretor do Centro de Desporto da Universidade do Porto, Dr. Bruno Almeida, e supervisão do Prof. Dr. Pedro Sarmento, docente da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. Este relatório pretende descrever as atividades desenvolvidas ao longo do estágio, bem como servir de auxílio a futuros gestores no planeamento e organização de eventos no âmbito do desporto universitário. O local de acolhimento do estágio foi a unidade orgânica Centro de Desporto da Universidade do Porto (CDUP-UP), cuja sede se situa na rua da Boa Hora, nº20 no Porto. Este organismo autónomo da Universidade do Porto (U.Porto), cujas instalações estão distribuídas pela cidade do Porto, é responsável por dinamizar o desporto universitário na U.Porto, a par com as Associações de Estudantes. A Universidade do Porto é reconhecida internacionalmente pelo seu desempenho ao nível da produção científica que é traduzido na colocação desta Instituição entre as melhores do mundo na maior parte dos rankings internacionais (Newsletter UP, 2015). A nível nacional é a Instituição com a mais alta taxa de preenchimento de vagas de acesso ao Ensino Superior e a Universidade portuguesa com o maior número de candidatos em primeira opção (Newsletter UP, 2014). São cerca de 4000 os estudantes que ingressam todos os anos nesta “muy nobre” Universidade e é fundamental transmitir informação de todas as valências e serviços que esta possui, inclusive o serviço desportivo. O serviço desportivo universitário direcionado para a comunidade académica assume-se por isso como um claro meio de prática desportiva permitindo ao estudante desenvolver as suas aptidões físicas, através metas e objetivos tangíveis a par do desenvolvimento académico. O desporto torna-se por vezes uma fuga temporária ao ensino académico transformando-se num momento lúdico e de interação. A gestão de um serviço com estas características deverá por isso ter em conta o seu público-alvo e adaptar a sua oferta desportiva aos seus utilizadores oferecendo produtos atraentes mas que sejam financeiramente sustentáveis. É 4 igualmente importante possuir uma estrutura organizada que permita a simplificação de processos e que consiga fornecer à instituição informação em tempo real dos fatores controláveis. A oportunidade de fazer o estágio no CDUP-UP traduziu-se numa experiência prática de gestão na área de competição e a integração numa equipa multidisciplinar favoreceu a interação de ideias, enaltecendo o serviço desportivo nos diversos campos de atuação. A premissa subjacente ao trabalho desenvolvido, “onde todos ajudam nada custa”, permitiu o contacto com diferentes realidades, uma vez que não estávamos condicionados a uma única tarefa, mas envolvidos nas diversas áreas alocadas às nossas funções. Nesse sentido este relatório foi estruturado em seis partes: a primeira focada no plano pessoal enquanto estagiária integra uma breve biografia e descrição das expectativas face ao estágio, bem como define as linhas orientadoras e objetivos do plano de estágio. A segunda retrata a evolução do desporto universitário a nível internacional e nacional, enquadrando-o na U.Porto. Esta parte contempla também a caracterização da instituição, instalações e serviço desportivo do CDUP-UP. A terceira prende-se nos instrumentos de gestão e apoio à organização de eventos desportivos. Já a quarta refere-se às atividades desenvolvidas ao longo do estágio e a quinta baseia-se numa reflexão crítica do estágio, incluindo perspetivas futuras. A sexta diz respeito apenas às referências bibliográficas. 1 CARACTERIZAÇÃO DAS CONDIÇÕES DE ESTÁGIO 12 processos de gestão da competição. Uma vez que tinha experiência de terreno, consegui também identificar algumas limitações que o serviço desportivo possuía pelo que apresentei algumas ideias para incorporar ao plano de estágio tais como: melhorar as relações diplomáticas com as associações de estudantes e favorecer a comunicação entre estudantes e o CDUP-UP. O trabalho ao longo do ano foi desenvolvido em conjunto com outro colega de gestão desportiva, João Pereira, que foi alocado posteriormente pelo diretor do CDUP-UP à mesma área. Deste modo, atendendo ao trabalho conjunto utilizarei inúmeras vezes o plural no capítulo de realização da prática profissional. De acordo com Roche (2005) é necessário que para cada objetivo se utilizem um conjunto de ações específicas, gerando uma consistência organizacional. Deste modo, para atingir os objetivos descritos planeou-se um conjunto de ações espaço - temporais estruturadas com base no conhecimento empírico do coordenador do departamento e com uma breve auscultação da literatura. Se nos focarmos nos objetivos a atingir, os cinco pilares que lhes estão subjacentes e sob os quais as ações devem ser focadas são: os utentes, os recursos humanos, a gestão financeira, a comunicação e controlo de qualidade do serviço. Os recursos humanos são uma dimensão de extrema importância na eficácia organizacional de uma instituição desportiva (Winand, 2010; Chelladurai, 1999). É por isso fundamental que os colaboradores das diferentes áreas se identifiquem com os valores e funcionamento da organização, para que a oferta de serviços e produtos aos utentes seja mais eficaz. Torna-se fulcral que os elementos mais experientes dispensem um pouco do seu tempo para integrar, auxiliar e ambientar novos elementos, bem como os responsáveis de departamentos realizem formações no sentido de atualizar e reforçar as competências pessoais e profissionais dos funcionários e auscultem regularmente o seu grau de satisfação. Num meio precário, em que a maioria dos trabalhadores são prestadores de serviços, como é o caso do CDUP-UP, maior esforço tem sido feito no sentido de transmitir tais valores e fazer compreender a metodologia de trabalho. 13 No plano de estágio está latente a preocupação com a integração, uma vez que o primeiro mês foi totalmente dedicado a aprofundar a metodologia de trabalho da instituição e a incorporar as dinâmicas da equipa de trabalho. Deste modo, foram selecionadas pelo orientador de estágio um conjunto de pequenas tarefas dos diversos departamentos de forma a promover a interação estagiáriafuncionários, a par da responsabilidade de assessorar o coordenador de departamento das atividades de competição. No que toca ao público-alvo deste serviço desportivo, e atendendo que se trata de desporto universitário, o foco são os estudantes, mas também se proporcionam atividades para professores, funcionários e antigos alunos. No âmbito das atividades de competição os estudantes são os nossos utentes principais e para podermos atingir o objetivo de aumentarmos o reconhecimento nacional e internacional, devemos continuar a ser líderes na Federação Académica de Desporto Universitário (FADU) ao nível de resultados desportivos, tentando sempre ultrapassar o número de medalhas conquistadas em anos anteriores e organizar cada vez mais eventos desportivos nacionais, como o caso dos Campeonatos Nacionais Universitários (CNU). Em relação à capacidade financeira, à semelhança de outras entidades públicas, o orçamento tem vindo a ser reduzido de ano para ano, pelo que um bom planeamento poderá ser uma mais-valia, na tomada de decisões. Segundo Misener (2009) a capacidade financeira e infraestruturas dos processos são algumas das componentes chave na eficácia organizacional. Uma vez que as atividades de competição na U.Porto utilizam grande parte do financiamento disponível afeto às atividades de representação (elaboração de comitivas universitárias para participarem nos CNU), é necessário avaliar o custo/benefício de cada representação. Neste sentido é fundamental ter-se um conhecimento real dos custos de representação bem como de todos os serviços conexos, de forma a podermos tomar decisões conscientes e sustentadas, e que tornem o Serviço Desportivo minimamente sustentável. Atualmente as instituições vivem muito da imagem que passam através dos órgãos de comunicação; é portanto necessário ter cuidado na forma como essa informação é transmitida, para que passe uma imagem clara e 14 esclarecedora. Igualmente importante é o alcance, neste caso a difusão de informação por toda a comunidade da U.Porto, uma vez que grande parte não conhece, nem utiliza o serviço desportivo de uma forma regular (Sampaio, 2014). Um dos trabalhos que foi realizado ao longo deste ano prendeu-se com a divulgação das atividades à comunidade, bem como o trabalho do reforço da marca Universidade do Porto sob o slogan “A melhor Universidade do País, a melhor escolha para fazeres desporto”. A comunicação não é só unidirecional, o serviço desportivo deve fazer um esforço por tentar chegar mais perto dos seus utentes, estando aberto e disponível para os ouvir e acolher todas as sugestões. Um bom método de aproximação foi a implementação de reuniões regulares com as associações de estudantes e esclarecer dúvidas em tempo útil aos seus utentes. A qualidade dos serviços de uma entidade pode ser comprovada através da certificação ISO 9001. Apesar do CDUP-UP atualmente não ser uma entidade certificada, começa a dar os primeiros passos nesse sentido. A preocupação continuada com os seus utentes levou o diretor a estabelecer como meta para o ano letivo 2014/2015, a auscultação do grau de satisfação dos seus utentes com o serviço desportivo. Deste modo, cada departamento ficou encarregue de definir a melhor maneira de auscultar o seu público-alvo. Nesse sentido, um dos objetivos do meu plano de estágio foi auscultar os atletas sobre o grau de satisfação do serviço de representação da U.Porto. Para tal foi enviado um questionário aos atletas/treinadores após cada representação, com o intuito de avaliar as questões logísticas ligadas à Comitiva da U.Porto. As Tabelas 1 e 2, presentes nas páginas seguintes, apresentam os objetivos iniciais do plano de estágio, bem como alguns meios para os atingir. 15 Tabela 1 – Plano de estágio profissionalizante Entidade recetora: Centro de Desporto da Universidade do Porto Estagiária: Sofia Manuel Dias Gomes Rios Orientador de Estágio: Dr. Bruno Almeida Data de início: 1 de setembro Data de fim: 15 julho Supervisor: Prof. Dr. Pedro Sarmento Duração: 11 meses; 43 semanas; 1720 horas Objetivos a atingir Meios para os atingir  Compreender o funcionamento da Instituição e integração na equipa de trabalho  Assistir a reuniões  Assessorar o coordenador do departamento  Colaborar em tarefas com outros departamentos  Aumentar o reconhecimento nacional e internacional do CDUP-UP  Organizar Campeonatos Nacionais Universitários  Aumentar o nº de medalhas conquistadas face ao ano anterior  Participar em Campeonatos Europeus Universitários  Melhorar a eficiência dos processos de gestão interna do departamento de competição  Criar documentos de controlo e planeamento das atividades  Melhorar relação com as Associações de Estudantes da U.Porto (AAEE)  Agendar de reuniões periódicas  Disponibilizar material para as atividades das associações  Coorganizar eventos  Apoiar a promoção e imagem do serviço desportivo  Divulgação da imagem CDUP-UP  Combater os custos de representação  Identificar os custos reais de representação e planear estratégias de redução  Avaliar o grau de satisfação dos atletas  Elaborar inquéritos e análisar os resultados  Organizar eventos para a comunidade UP  Propor e organizar atividades internas 16 Tabela 2 - Plano de estágio profissionalizante ao longo de 11 meses. Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abril Maio Junho Julho 1. Integração 2. Reconhecimento 3. Gestão 4. AAEE 5. Promoção e Imagem 6. Custos 7. Satisfação 8. Eventos Integração – Deverá decorrer nos primeiros meses como forma de ambientação ao local de trabalho; Reconhecimento desportivo – Pretende-se que o CDUP-UP se destaque em todas as competições, pelo que é importante que se participe em todos os CNU. Prevê-se que as competições apenas sejam interrompidas no mês de Janeiro devido aos exames; Gestão interna – Até janeiro sugere-se que sejam meses de adaptação e incorporação de rotinas e métodos de trabalho ligados ao departamento. Como em janeiro as competições estarão interrompidas, será o mês dedicado à dinâmica do próprio departamento. Prevê-se que nessa altura já tenha alguma experiência em preparar a logística da competição e seja capaz de fazer sugestões e criar documentos que visem poupar tempo e recursos ao departamento; AAEE – Deverão ocorrer no início de cada trimestre reuniões com as Associações de Estudantes para avaliar as necessidades desportivas das mesmas e estabelecer-se parcerias para a realização de eventos desportivos para os estudantes; Promoção e Imagem – O objetivo é que cada vez mais estudantes, professores, funcionários conheçam o serviço desportivo e que queiram estar envolvidos com o mesmo, portanto desde setembro pensa-se ser fundamental a participação em eventos de promoção e divulgação imagem do CDUP-UP; Custos de representação – É necessário desde cedo ter um controlo real dos custos de representação para que possam ser analisados e implementadas medidas para reduzir os mesmos. Estimou-se que os primeiros meses de provas seriam para perceber a logística envolvente à preparação de uma Comitiva da U.Porto e ter noção dos valores reais envolvidos na representação, para que depois em janeiro se pudesse fazer uma análise comparativa com o ano anterior e decidir as medidas de redução a implementar; Satisfação dos estudantes – Como forma de auscultação do grau de satisfação dos estudantes-atletas com o serviço desportivo de competição prevê-se a realização de inquéritos aos atletas; Evento – Prevê-se a realização de um evento desportivo de competição interna para a Comunidade U. Porto de 3 em 3 meses, com vista a estabelecer uma maior proximidade entre agentes desportivos. 18 2 ENQUADRAMENTO DA PRÁTICA PROFISSIONAL 21 2.1 Macro contexto 2.1.1 Desporto Universitário Internacional O desporto universitário surgiu em Inglaterra no séc. XIX, através do visionário Thomas Arnold, que conseguiu reconhecer que a prática desportiva era essencial para o desenvolvimento integral dos jovens. Thomas Arnold depreendeu da sua experiência como responsável de uma escola de rugby que as atividades lúdicas e práticas tornavam os jovens envolvidos e comprometidos e, por isso, poderia ser um importante recurso a ser aproveitado na educação dos jovens. Ao incutir-lhes responsabilidade e tentando criar “jovens cavalheiros” conseguiu afastar os jovens dos maus vícios da sociedade e reformar a educação em Inglaterra (Graves, 2007). Segundo Kay (1997) o Desporto no Ensino Superior deve ser entendido como um conjunto de ações voltadas para os estudantes que promovam o contacto social e respeito pelos outros, através da atividade desportiva. Gerando assim benefícios para o estudante e para o contexto em que está inserido. Já Gallien (2001) vai mais longe e reforça que o desporto universitário tem um papel preponderante na transmissão de valores aos jovens. A faixa etária dos estudantes universitários encontra-se compreendida, por norma, entre os 18-25 anos, e corresponde ao período preferencial da fase de maturação de um jovem adulto. Nesse sentido, as experiências e os valores adquiridos durante esta fase tendem a ter um reflexo indiscutível nas decisões e escolhas de vida futuras. De acordo com Firea (1983) os estudantes universitários ocupam frequentemente papéis de liderança na sociedade, tornando-se grandes pontos de partida para a reformulação da mesma. Sarmento (2002a) vai de encontro a esta premissa, uma vez que defende que os estudantes universitários são um grupo extremamente atrativo para a classe política, pois possuem uma grande capacidade de se envolver em tudo que lhes chama a atenção, tornando-se um elemento social muito particular face aos seus níveis de intervenção elevados e à sua proximidade face à entrada na vida ativa. Esta disponibilidade dos jovens 28 O CE da EUSA reúne ordinariamente duas vezes por ano e é formado por um presidente, dois vice-presidentes, um tesoureiro e nove assessores. O Secretário-geral (CEO) é contratado pelo CE da EUSA e está sob a dependência direta do Presidente A EUSA é responsável pela organização dos Campeonatos Europeus Universitários e mais recentemente pelos EUSA GAMES. A grande diferença na participação internacional é que nas competições sob a égide da FISU as participações são da responsabilidade da FADU, nas provas da EUSA a participação é feita pelas Instituições de Ensino Superior (IES) europeias. 29 Figura 2 – Organograma da estrutura da FISU 30 2.1.2 Desporto Universitário em Portugal O desporto nas escolas portuguesas remonta a 1936, com o aparecimento da Mocidade Portuguesa. A entidade paramilitar, responsável pela Educação em Portugal nesta época foi a promotora das primeiras competições desportivas escolares e encontros desportivos nacionais. A Mocidade Portuguesa, assente num espírito militarista e nacionalista regulava o desporto escolar e universitário no país (Kuim, 1993; DicasUM, 2009). A Inspeção Nacional do Desporto Universitário (INDU) serviço integrado na Direção dos Serviços Universitários foi criada com o intuito inspecionar, controlar e organizar o desporto em todas as Instituições de Ensino Superior. Em 1945 a INDU realiza os primeiros campeonatos universitários, denominados Campeonatos Universitários da Mocidade Portuguesa. Nesses campeonatos participavam os melhores atletas das Instituições de Ensino, representando as Escolas/Universidades a que pertenciam (Rocha,1969). Um dos grandes impulsionadores do desporto universitário em Portugal foi o Dr. Armando Rocha, que ocupou funções de subinspetor e inspetor do desporto universitário de 1951 a 1969. Durante o seu mandato Portugal:  1955 - Filia-se na FISU, após relatório explicativo do Dr. Armando Rocha sobre a Semana Internacional de Desporto Universitário da FISU em Dortmund.  1955 - Participa na Semana Internacional de Desporto em S. Sebastien com uma delegação de 40 atletas.  1954 – 1957 – Marca presença em encontros com outros Centros Desportivos Universitários Internacionais.  1957 – Participa nos Jogos Mundiais Universitários de Paris.  1959 – Participa nas 1asUniversíadas.  1963 – Cria o I Plano de Fomento do Desporto Universitário, que serviu de base ao desenvolvimento do I e II Plano Gimnodesportivos.  1968 – Ganha a candidatura às Universíadas de 69, as quais não se vieram a realizar por questões políticas (entrave de Salazar à imprensa). 31 Por muitas outras conquistas foi o Dr. Amando Rocha responsável, desde a Criação de Centros Desportivos Universitários (na década de 50), à reabilitação de estruturas desportiva e à implementação das chamadas “quartas-feiras desportivas”. Durante os anos que esteve como inspetor o Dr. Armando Rocha lutou pelos seus ideais e alertou para diversas problemáticas como: sobrecarga de aulas, que tornava difíceis os estudantes envolverem-se em atividades extracurriculares, falta de docentes e monitores especializados em educação física, que pudessem instruir e acompanhar o desporto nas Universidades e falta de instalações desportivas. Defendeu também a introdução de uma disciplina de desporto obrigatório nos primeiros anos de Ensino Superior, uma vez que considerava que a sociedade estava a ficar sedentária, o desporto tinha cada vez menos praticantes e a condição física dos jovens estava a tornar-se deficiente. Também escreveu algumas reflexões sobre a desigualdade de género, tema controverso nesta época, visto que as mulheres não estavam autorizadas a participar nas Competições Universitárias pelos Centros Desportivos Universitário. Figura 3 – Friso cronológico dos primeiros acontecimentos do desporto universitário em Portugal 32 Em 1969 o Dr. Armando Rocha cessa as suas funções como inspetor, deixando um legado marcante na história do desporto universitário (Rocha,1969). Na década seguinte, a responsabilidade do desporto universitário varia de entidade para entidade, passando para a alçada da Direção Geral dos Desportos e posteriormente para a Direção Geral do Ensino Superior, mas sempre com a preocupação de a manter sob a dependência estatal. Em 1987, numa tentativa do desporto universitário funcionar sem influência estatal, é criada a Federação Portuguesa de Desporto Universitário (FPDU). Federação que teve um período de curta duração, uma vez que não foi criada por iniciativa das Universidades, estudantes ou Associações de Estudantes. Em 1990, sob vontade dos estudantes participarem mais ativamente no planeamento do desporto universitário, é criada com o apoio das principais Associações Académias, a Federação Académica de Desporto Universitário (FADU). A FADU foi fundada com o intuito de organizar, incentivar e dinamizar o desporto no Ensino Superior. As principais vertentes que o desporto universitário assumiria seriam, desporto recreativo e de competição. De realçar que durante este ano foi também redigida a Lei de Bases do Sistema Desportivo (Lei nº1/1990 de 13 de Janeiro), que integra o desporto universitário no seu 7º artigo onde responsabiliza os estabelecimentos de Ensino Superior por regular a prática desportiva das respetivas comunidades, dotandoas de quadros técnicos e apoio ao movimento associativo. Para além disso, responsabiliza também as associações de estudantes pela organização e desenvolvimento do desporto no Ensino Superior (Assembleia da República, 1990). De acordo com esta linha orientadora, esteve Sarmento (2002a), que defendia que o desporto universitário para cumprir o fim para que tinha sido criado, deveria ter como principal função permitir a prática desportiva sistemática a um maior número de estudantes e que os principais responsáveis por essas práticas fossem as associações de estudantes e departamentos específicos das universidades. 33 Em 1993, a FADU é aceite como membro da FISU e em 1995 é reconhecida com o Estatuto de Utilidade Pública Desportiva (DR nº244 II Série de 21710/95) (Morais, 2010). Atualmente, a FADU é uma federação multidesportiva dirigida exclusivamente por estudantes constituída pelos seguintes órgãos sociais eleitos de 2 em 2 anos em Assembleia Geral: Presidente, Direção (Administrador e VicePresidentes), Conselho Fiscal, Conselho de Justiça, Conselho de Disciplina e Mesa de Assembleia Geral. A Assembleia Geral é o órgão deliberativo máximo da FADU e é constituída por delegados designados pelas associações de estudantes que fazem parte da FADU, delegados individuais eleitos pelos estudantes, representantes das entidades parceiras (Comité Olímpico, Confederação de Desporto de Portugal, Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, Associação Portuguesa de Ensino Superior Privado) e por representantes das entidades fundadoras (Associação Académica da Universidade da Beira Interior, Madeira, Aveiro, Trás-os-Montes e Alto Douro, Algarve, Minho, Açores, Évora, Coimbra, Associação Desportiva do Ensino Superior de Lisboa e a Federação Académica do Porto). A Assembleia Geral exerce a função de eleger ou destituir os órgãos da FADU, aprovar estatutos, bem como plano de atividades e orçamentos. A Mesa de Assembleia Geral é o órgão a quem compete orientar e moderar a Assembleia Geral, bem como tratar das convocatórias da mesma e a legalidade da sua execução. No que diz respeito ao Presidente, este é responsável por representar à FADU e conduzir a sua política, bem como regular o funcionamento e colaboração de todos os seus órgãos. Já a Direção é o órgão que se dedica à administração da FADU, competindo-lhe entre outras tarefas: aprovar regulamentos, organizar competições desportivas, elaborar o plano de atividades e orçamento e zelar pelo cumprimento dos regulamentos e estatutos. O Conselho Fiscal trata de regular a matéria no âmbito da contabilidade, sendo responsável entre as demais medidas por: verificar a regularidade do 34 registos contabilísticos, verificar o património da FADU, emitir parecer sobre o plano de atividades e orçamento e controlar as verbas pagas pelos associados. O Conselho de Disciplina é responsável por apreciar e punir, de acordo com as regras e regulamentos, as infrações disciplinares em matéria desportiva. Por outro lado o Conselho de Justiça julga matéria de facto e de direito e tem a competência de conhecer os recursos das decisões disciplinares (FADU, 2014a). A estrutura da FADU encontra-se representada na Figura 4. Atualmente a FADU conta com cerca de 8000 praticantes filiados dispersos por mais de 100 clubes desportivos universitários, possui 43 modalidades (coletivas e individuais) e coorganiza cerca de 60 CNU por época desportiva. 35 Figura 4 - Organograma da estrutura da FADU 36 2.1.3 Evolução do Desporto Universitário na Universidade do Porto “O movimento desportivo não varia apenas de uma Universidade para outra, mas dentro da própria Universidade” Paul de Knop O movimento desportivo na U.Porto esteve durante muitos anos ao cuidado do Centro Desportivo Universitário do Porto (CDUP). O CDUP foi criado em 1949, sob a denominação de Centro Universitário do Porto (CUP). O CUP foi um organismo fundado com o objetivo de fomentar a cooperação entre estudantes e professores afetos à Mocidade Portuguesa, sendo a sua componente desportiva materializada no CDUP (UP, 2011a). O CDUP funcionava como um clube desportivo voltado para os estudantes da U.Porto e era o principal responsável pela participação das equipas universitárias nos Campeonatos Universitários da época. Uma vez que as estruturas desportivas da cidade do Porto eram escassas e os estudantes, atendendo à sua sobrecarga horária, tinham pouco tempo livre para praticar desporto, levou à intenção de construir uma instalação desportiva exclusiva para estudantes e que respondesse às suas necessidades. Desta forma o CDUP influenciou a Inspeção Nacional do Desporto Universitário para que se construísse um Estádio Universitário na U.Porto. Projeto esse que viria a ser realizado, com o apoio do Dr. Armando Rocha, em 1951. Em 28 de abril de 1953 o Estádio Universitário é inaugurado, com a cobertura de toda a imprensa que considera a instalação uma obra-prima, quer ao nível das infraestruturas como ao nível da localização. O Estádio Universitário era composto por um campo de futebol de 11, uma pista de atletismo com as dimensões máximas e um pavilhão que permitia a prática de andebol, basquetebol e voleibol, tornandose uma instalação desportiva de referência (UP, 2011b). Nas décadas seguintes muitos foram os estudantes universitários que disfrutaram destas instalações. Contudo, em meados de 80 a sociedade estava a tornar-se cada vez mais ociosa e sedentária, os estudantes chegavam ao Ensino Superior com fracos hábitos de prática desportiva e era urgente alterar essa tendência. Nesse sentido, o Reitor Prof. Doutor Alberto Amaral e o Engº 37 Cipriano Alegre, à data presidente do CDUP, criaram um grupo de trabalho que escrevesse um relatório reformulador do desporto universitário da U.Porto. O relatório elaborado pelos Drs. Pompílio Ferreira, Francisco Costa e Pedro Sarmento fazia referência à criação/inclusão de infraestruturas cobertas, nomeadamente pavilhões gimnodesportivos, nas diversas Instituições de Ensino, bem como à adaptação da estrutura orgânica dessas mesmas Instituições, para que pudessem incorporar um técnico responsável desportivo (Sarmento, 2002a). O objetivo das medidas propostas no relatório era que os estudantes pudessem praticar desportos de recreação ou rendimento com um mínimo de qualidade. Para solucionar o problema de falta de pavilhões gimnodesportivos, os autores sugeriam em alternativa à construção, as parcerias com alguns clubes desportivos para aluguer de instalações, a cedência de alguns horários nas instalações do CDUP e ainda a utilização das futuras instalações do Instituto Superior de Educação Física (ISEF), atual Faculdade de Desporto da U.Porto (FADEUP). Quanto à implementação em cada instituição de um técnico responsável pelo desporto formado em Educação Física, tinha como objetivo ser um apoio às direções das AAEE, uma vez que estes teriam como funções: a sensibilização dos estudantes para a prática desportiva, criação de núcleos desportivos pretendidos pelos alunos, integrar as atividades desenvolvidas na faculdade no plano regional e nacional, apoiar as representações nacionais e internacionais e promover os intercâmbios desportivos com outras Universidades. O respetivo plano de atividades e orçamento seria realizado em conjunto com a AAEE e submetido para aprovação para o Conselho Diretivo. O CDUP teria a função de ser o responsável por dinamizar as atividades desportivas para toda a Academia e deveria dar resposta às atividades recreativas dos estudantes, funcionários, diplomados e docentes, bem como de atividades de rendimento (com exceção dos diplomados). Enquanto o desporto não tivesse visibilidade suficiente o CDUP constituiria escalões de formação para preparar os pré-universitários, escalões esses que teriam carácter provisório. A estrutura do CDUP também teria de se adaptar e assentar numa direção, constituída por estudantes, que teria por base um gabinete de 44 Valores Enquanto serviço autónomo da U.Porto o CDUP-UP rege-se pelos mesmos valores institucionais: ética, rigor, transparência, igualdade de acesso e tratamento, qualidade e inovação. Público – Alvo Estudantes, antigos estudantes (Alumni), docentes, investigadores, funcionários da U.Porto e externos (clubes, empresas, federações,…) 2.3.1 Caracterização Funcional O regulamento orgânico do Centro define a sua estrutura funcional, desta forma o trabalho desenvolvido pelo CDUP-UP pode ser compartimentado, como referido anteriormente, em 2 áreas de atuação fundamentais: organização e gestão de atividades desportivas e gestão de instalações desportivas (Figura 6). No que se refere à organização e gestão de atividades desportivas, podem ser distinguidos dois departamentos: o departamento de competição e o departamento de recreação. O departamento de competição tem como coordenador técnico o Dr. Daniel Vieira e destina-se às atividades de representação (divididas em regionais, nacionais e internacionais). As atividades podem ser de organização própria ou de outrem. O departamento de recreação tem como coordenador o Dr. Miguel Monteiro e está dividido de acordo com a sua tipologia: atividades sistemáticas e atividades pontuais. As atividades sistemáticas referem-se a programas de atividades desenvolvidos ao longo do ano e estão agrupadas em quatro áreas de acordo com a sua natureza: fitness, atividades aquáticas, musculação e modalidades regulares. Cada uma destas áreas possui um coordenador desportivo. 45 As atividades pontuais dizem respeito a atividades esporádicas de curta duração, como por exemplo: os campos de férias, formações, entre outras, que podem no entanto ser partilhadas com o Departamento de Competição no caso das competições internas. Cada um dos coordenadores técnicos é responsável pela gestão de duas instalações desportivas. O Dr. Daniel Vieira tem a seu cargo o pavilhão desportivo Luís Falcão e o Estádio Universitário e o Dr. Miguel Monteiro, o Complexo Desportivo da Boa Hora e o Espaço Desportivo da FADEUP. No CDUP-UP existe ainda um departamento de Comunicação e Imagem sob a tutela direta do Diretor, em que o principal objetivo é o tratamento da comunicação interna e externa das atividades desenvolvias. Neste departamento está afeto um técnico superior em regime de prestação de serviços. O Diretor do CDUP-UP é nomeado pelo Reitor, como referido anteriormente, que é desde a sua criação o Dr. Bruno Almeida. 46 Figura 6 - Organograma da estrutura funcional do CDUP-UP 47 Fazem ainda parte do quadro do CDUP-UP um assistente administrativo e três assistentes operacionais, os restantes colaboradores são contratados em regime de prestação de serviços e em part-time (8 rececionistas, 2 funcionários para a limpeza e cerca de 30 técnicos das mais diversas atividades/modalidades desportivas). Todos os anos o CDUP-UP recebe também estagiários do 12º ano provenientes de cursos Tecnológicos de Desporto, bem como estagiários da licenciatura e mestrados da FADEUP que mediante os seus conhecimentos académicos e nível de estudos são enquadrados na realização das tarefas do dia-a-a-dia, bem como na organização, preparação e gestão de eventos. 2.3.2 Caracterização física das instalações do CDUP-UP Uma vez que a cidade do Porto se depara com a problemática de não possuir um Campus Universitário que reúna todas as unidades orgânicas, é essencial que existam instalações desportivas que consigam dar resposta às necessidades desportivas dos estudantes dispersos pela cidade. Justificando assim que o CDUP-UP tenha instalações desportivas espalhadas pelos 3 polos universitários: polo I (Centro da cidade), polo II (Asprela) e polo III (Campo Alegre). 2.3.2.1 Pólo I – Centro da Cidade Complexo Desportivo da Boa Hora O Complexo Desportivo da Boa Hora, como o próprio nome indica localiza-se na Rua da Boa Hora, número 20/26, freguesia de Cedofeita, Porto. O Complexo situado no Pólo I fica próximo da Reitoria da U.Porto, das Faculdades de Direito, Farmácia e Instituto de Ciências Biomédicas (ICBAS). O Complexo Desportivo da Boa Hora, para além de albergar no edifício central a Sede Administrativa do CDUP-UP, é constituído por um pavilhão 48 desportivo, três salas de fitness e uma piscina (que neste momento se encontra desativada) e 2 balneários. O pavilhão possui as dimensões de 28x15m e está preparado para jogar voleibol e basquetebol. As salas de fitness são mais pequenas, duas delas possuem 100 m2 e a outra 200 m2. Uma das salas pequenas está equipada para desportos de combate (karaté, judo, taekwondo, kickboxing), já a outra recebe aulas como pilatos, yoga e step. A sala grande possui um conjunto de espelhos ao redor e espaldares e está vocacionada para aulas de dança (danças de salão, djembel). A Sede Administrativa (Figura 7) é constituída por um edifício com 3 pisos. No piso térreo situa-se a arrecadação administrativa, a arrecadação de equipamentos e vestuário social. O primeiro piso destina-se à sala de reuniões, à exposição de troféus e à copa para funcionários. Já o segundo piso está reservado aos gabinetes: diretor, coordenadores técnicos, coordenador administrativo e comunicação e imagem. Figura 7 - Entrada do Complexo Desportivo da Boa Hora (extraída de Público,2013) 49 2.3.2.2 Pólo II – Asprela Pavilhão Desportivo Luís Falcão O Pavilhão Desportivo Luís Falcão localiza-se no Pólo II, junto à cantina da Faculdade Engenharia, na Travessa da Lama, número 61, freguesia de Paranhos, Porto (Figura 8). O PLF é um pavilhão multidesportivo de piso de madeira flutuante com as dimensões de 40x20m e com marcações para basquetebol, andebol, futsal, badminton e voleibol. Do pavilhão fazem parte 4 balneários, agrupados 2 a 2 com sistema de chuveiros comuns, receção e arrecadação. Faculdade de Desporto da U.Porto O CDUP-UP celebrou desde o ano letivo de 2005/06, um protocolo com a FADEUP, que lhe permite usufruir de algumas das suas instalações dentro de um horário pré-estabelecido para a realização das suas atividades. Figura 8 - Pavilhão Luís Falcão 50 Abrangidos pelo protocolo estão as seguintes instalações da Faculdade de Desporto (Figura 9): o campo de futebol de 11 de relva sintética (100mx68m), o pavilhão multidesportivo com uma nave (65xm30) que inclui um campo multidesportivo (40x20m) e uma caixa de areia, o pavilhão de ginástica rítmica (25x35m), a sala de musculação (200m2), a sala de desportos adaptados (100m2), a piscina de 25 m2 (com 6 pistas), um ringue sintético de futsal, um ringue de cimento, a parede de escalada e os balneários da faculdade. 2.3.2.3 Pólo III – Campo Alegre Estádio Universitário – Prof Jayme Rios de Sousa O Estádio Universitário localiza-se no Pólo III, junto às Faculdades de Ciências e Arquitetura, na Rua das Estrelas, freguesia de Massarelos, Porto (Figura 10). O que outrora fora uma instalação de referência encontra-se agora bastante degradado e em fase de contínua manutenção. Com uma dimensão de aproximadamente 4 hectares é constituído por uma pista de atletismo de 400 metros com 8 corredores e zona de saltos (caixa de areia), um ringue exterior (outrora ringue de hóquei), dois courts de ténis, um Figura 9 - Faculdade de Desporto da Universidade do Porto 51 circuito de manutenção, um campo relvado de futebol de 11 e um pavilhão multidesportivo com duas naves (40x20m e 30x20m). No exterior possui ainda uma bancada fixa com a capacidade de 800 lugares sentados e 4 balneários. Já o pavilhão possui duas naves desportivas em piso de madeira, designadas por nave A e B. A nave A tem marcações para a prática voleibol, basquetebol, badminton, andebol e futsal e possui uma bancada fixa com capacidade de 400 lugares. A nave B é mais pequena, possuindo apenas marcas para basquetebol, voleibol e futsal. O complexo contempla ainda 6 balneários para atletas, 1 de árbitros, 1 gabinete médico, 1 sala de fisioterapia e inúmeras arrecadações e salas de reuniões. Neste complexo está ainda situada a sede do CDUP-AD, fruto do acordo de transação celebrado. 2.4 Caracterização dos Serviços Desportivos promovidos pelo CDUP-UP O Serviço Desportivo proporcionado pelo CDUP-UP à Comunidade U.Porto pode ser categorizado em: atividades de competição e atividades de Fitness/ recreação.. Para além destas, são também apresentadas um conjunto de modalidades de prática regular. Estas modalidades e atividades são agregadas em programas, que são disponibilizadas aos utentes sob a forma de Figura 10 - Estádio Universitário Prof. Jayme Rios de Sousa 52 cartões com diferentes custos, consoante a sua abrangência e regularidade de utilização. Apesar das atividades estarem disponíveis a toda a Comunidade U.Porto, os estudantes, fruto da sua condição profissional, tem preços privilegiados. 2.4.1 Atividades de Representação O serviço de representação do CDUP-UP é responsável pelas equipas de competição da Universidade do Porto, tanto a nível regional, nacional e internacional. De destacar que nos últimos anos a U. Porto teve o privilégio de acolher e organizar diversos eventos desportivos internacionais de renome mundial, como o Campeonato do Mundo Universitário de Rugby (2010), Campeonato da Europa Universitário de Voleibol de Praia (2013) e Campeonato do Mundo Universitário de Voleibol de Praia (2014), sendo que este último foi condecorado pela FISU como o melhor mundial universitário organizado em 2014. A oferta desportiva na Universidade do Porto é vastíssima, sendo que os estudantes ou recém-diplomados podem representar a U.Porto em mais de 40 modalidades individuais e coletivas. As modalidades variam de ano para ano consoante o calendário de provas da FADU. Os estudantes participaram na época desportiva 2014/2015 nas seguintes categorias individuais: atletismo (pista coberta, ar livre, corta-mato, triatlo), combate (judo, karaté, kickboxing e taekwondo), aquáticos (surf, bodyboard, canoagem, remo, vela, natação), raquetes (squash badminton, ténis, ténis de mesa, padel), montanha (BTT, trail, orientação) e outros (tiro com arco, xadrez rápidas e semi-rápidas, setas, golfe, karting, ginástica, esgrima, escalada, equitação). Já nas modalidades coletivas contamos com a presença de equipas nos campeonatos de andebol feminino, basquetebol 3x3, corfebol, futebol de 7, futebol de praia, futvólei, hóquei em patins, polo aquático, rugby de 7, rugby de praia e voleibol de praia. 53 2.4.2 Atividades de Fitness/Recreação 2.4.2.1 Atividades Aquáticas As atividades aquáticas são realizadas na piscina da FADEUP sob a supervisão da coordenadora desportiva do CDUP-UP, Prof. Marisa Sousa. O CDUP-UP coloca há disposição um conjunto de atividades aquáticas para diversas faixas etárias e com diferentes níveis de especificidade: natação para adultos, natação avançada, natação para crianças, natação adaptada, natação livre e hidroginástica. Natação para adultos: direcionada para utentes que pretendam aprender a nadar, melhorar a sua técnica, desenvolver a capacidade cardiorrespiratória ou apenas manter a sua condição física geral. A natação avançada é dirigida para nadadores ou ex-nadadores, que pretendam treinar com regularidade e intensidade física elevada e serve ainda para recrutar estudantes para a seleção da U.Porto que participa nos CNU; Natação adaptada: direcionada para utentes com qualquer tipo de deficiência que queiram praticar exercício físico/desportivo com intuito de aprender a nadar, aperfeiçoar técnica ou simplesmente como uma atividade de lazer; Natação livre: prevista para utentes que pretendam usufruir da piscina de uma forma espontânea e independente; Natação kids: é voltada para crianças dos 4-13 anos que queiram aprender a nadar e a melhorar da técnica de nado; Hidroginástica: é uma atividade de recreação e tonificação muscular, que consiste numa série de exercício dentro de água, utilizando o próprio corpo como instrumento de trabalho. 2.4.2.2 Atividades de Fitness As atividades de fitness decorrem nas salas de rítmica e desporto adaptado na FADEUP, bem como no Pavilhão Luís Falcão e nas salas de fitness 60 os micro eventos estão essencialmente vocacionados para campeonatos e torneios com menor relevância competitiva. Os pequenos eventos tem um impacto muito restrito mas atraem patrocinadores que não têm tanto interesse em divulgar a marca mas reforçar os laços com os atuais clientes, desenvolver laços nos meios em que se inserem e também atrair novos clientes (Pedro et al. 2005). Quanto à periodicidade os eventos podem ser caracterizados como: eventos de oportunidade, únicos, esporádicos ou permanentes. Os eventos de oportunidade como o próprio nome indica são aqueles cuja oportunidade temporal permitiu que se realizassem, não estando no calendário das Instituições organizadoras, já os eventos únicos, são aqueles que foram previamente planeados e calendarizados e se manifestam num único evento não contemplando outras edições futuras. Os eventos esporádicos à semelhança dos únicos também são calendarizados, mas a data não é fixa, podendo ocorrer em intervalos de tempo não definidos, esporadicamente. Quanto aos permanentes caracterizam-se por serem eventos contínuos que estão calendarizados e que decorrem numa mesma altura do ano, com intervalos de tempo entre eventos bem definidos (Madeira et al. 2007) Torna-se difícil medir o impacto que os eventos poderão ter em cada um dos indivíduos que neles participam, quer sejam atletas, espectadores, membros do staff/coordenação e a própria comunidade uma vez que o carácter da experiência individual é muito subjetivo. No entanto pode-se tentar manifestar a sua importância através dos benefícios que podem trazer à comunidade: a nível de promoção turística, valorização política, receitas fiscais, rentabilização das estruturas locais, dinamização da economia e desenvolvimento do desporto (Correia, 2001). Os eventos são cada vez mais utilizados nas pequenas, médias e grandes organizações porque proporcionam a possibilidade: de atingir num curto espaço de tempo e de uma só vez o público-alvo da organização, permitem criar relações com os clientes, servem para expandir a imagem da organização, permitem apresentar novos serviços de uma maneira dinâmica e atrativa para os clientes, entre outros (Giacaglia, 2004). 61 3.2 Gestão de eventos desportivos A gestão de eventos pode ser dividida em diversas etapas. A nomenclatura pode diferir ligeiramente de autor para autor, no entanto é consensual que a gestão de eventos inclui sempre (i) uma ideia e planeamento dessa mesma ideia, mais simples ou mais complexo dependendo do tipo de evento, (ii) o próprio evento e a (iii) avaliação do mesmo. Segundo Sarmento (2010) o evento divide-se em 3 fases essenciais: préevento, evento e pós-evento. A primeira fase contempla as etapas de ideia, conceção e planeamento, a segunda diz respeito à realização do próprio evento e a terceira corresponde à avaliação do mesmo internamente e perante terceiros. Defende também, tal como Ferrand (1995) e Parente et al. (1999), que estas fases incluem um conjunto de tarefas operacionais e burocráticas que tornam a realização do evento possível (citado por Almeida, 2001) (Figura 11). Pré-evento A ideia consiste numa reflexão individual ou em grupo, que pode ser ou não original, e é o elemento base de qualquer evento. A ideia é concebida com base em experiências anteriores ou simplesmente de forma abstrata e pretende Figura 11 - Fases e etapas de um evento desportivo. 62 ser um esboço da atividade a realizar. Nesta etapa pretende-se que estejam claramente identificadas as mais-valias do evento, para tentar convencer os demais para que se realize, quanto mais estruturada estiver a ideia, incluindo detalhes ao nível das infraestruturas desportivas, transportes, alimentação, orçamento geral, programa social, mais fácil será convencer os decisores políticos que será vantajoso realizá-la. A ideia deverá ser traduzida num pequeno relatório de exequibilidade com a finalidade de ser apresentada aos órgãos de decisão. A etapa de conceção por sua vez corresponde ao desenvolvimento da ideia para que posteriormente se consiga colocá-la em prática. Esta é a fase em que os decisores políticos decidem assumir o seu apoio ao evento, é definido o “núcleo duro” da organização resultando na elaboração de uma candidatura que formaliza a intenção de realizar a atividade. O planeamento inicia-se logo após a conceção e é fundamental para o bom desenrolar do evento. Segundo Pires (1995), o planeamento é o meio através do qual se realiza qualquer objetivo estratégico. O planeamento é realizado em função dos recursos e meios disponíveis e reside na informação essencial acerca das atividades necessárias para execução do evento bem como define os intervenientes responsáveis dessas mesmas atividades e as funções que desempenham (estrutura da organização). Nesta fase são temporizadas as ações a desenvolver e tem em atenção os mais diversos indicadores (data, local, duração, designação, tipo, orçamento, parceiros, apoios, concorrência). É ainda a fase onde são ponderados os principais riscos associados ao evento (clima, atrasos, transportes, avarias, acidentes), e são previstas soluções alternativas. Esta informação é compilada no dossier de realização que servirá de guião para todo evento Evento No que toca à realização do próprio evento, toda a atenção está focada nas atividades previamente planeadas, eventuais problemas detetados deverão ser solucionados da forma menos perturbadora possível sendo determinante. 63 que os agentes envolvidos tenham treino e formação específica para que seja diminuído o tempo de resposta (Sarmento, 2010). Pós – evento A quarta fase prende-se com a avaliação do evento, devendo ser analisados os pontos positivos e negativos de todo o processo anterior. O processo de avaliação deve englobar ainda uma autoavaliação com todos os membros envolvidos na organização bem como uma heteroavaliação por parte dos parceiros e entidades envolvidas (Tabela 3). Tabela 3 Tarefas operacionais&burocráticas ao longo do evento desportivo Tarefas Operacionais Tarefas Burocráticas Ideia Levantamento das necessidades Relatório exequibilidade Contacto com decisores políticos Conceção Decisão política Dossier candidatura Escolher a Comissão Organizadora Planeamento Planear todo o evento Dossier realização Evento Acompanhar o desenrolar do evento - Avaliação Auscultar os parceiros Relatório avaliação Avaliar internamente 3.3 Estrutura organizacional de um evento desportivo As organizações dos eventos dependem de pessoas para o planeamento e organização do próprio evento (Tavares, 2007). Para que os eventos ocorram é necessário que algum indivíduo ou grupo de indivíduos trabalhe para que as coisas aconteçam. Esta premissa aplica-se a 64 todos os eventos independentemente de serem de maior ou menor dimensão. Nesse sentido, os eventos desportivos tem por base uma estrutura coordenadora que os suporta, a chamada Comissão Organizadora. A Comissão Organizadora é responsável por liderar todo o processo de organização do evento desportivo, a sua constituição dependerá da complexidade e dimensão do evento a organizar e a sua estrutura será idealizada tendo em conta as necessidades organizativas do evento em questão. Sarmento (2010) apresenta o exemplo de uma estrutura organizativa para um evento desportivo (Figura 12). Nesta estrutura estão contemplados para além da Comissão Organizadora, 6 departamentos: financeiro, jurídico, operações, logística, marketing e risco. Estes departamentos dependem da Comissão Organizadora, mas estão dotados de autonomia controlada dentro das suas áreas específicas. Figura 12 - Estrutura organizacional de um evento desportivo (extraído de Sarmento, 2010) 65 O departamento financeiro é responsável pela contabilidade e todo o controlo financeiro do evento. É também quem elabora os respetivos orçamentos e responsável pelo controlo dos mesmos. O departamento jurídico tem essencialmente o carácter consultivo e providencia esclarecimentos legais e normativos à Comissão Organizadora e restantes departamentos. O departamento jurídico é também responsável por tratar de outros assuntos de natureza jurídica como autorizações, licenciamentos, seguros, protocolos, contratos, entre outros. É um departamento que poderá ser suprimido se o evento tiver pequenas ou micro dimensões. O departamento das operações inclui um conjunto de ações que correspondem às necessidades básicas dos intervenientes no evento. Estas vão desde o transporte de todos os intervenientes diretos (jogadores, árbitros, juízes, dirigentes e voluntários), ao seu alojamento e alimentação, passando por um conjunto de outras operações também essenciais como a acreditação, a segurança, cerimónias protocolares, assistência médica, relações públicas, manutenção das instalações e equipamentos e gestão dos recursos humanos, voluntariado e profissional. A logística por sua vez corresponde a um conjunto de atividades administrativas e técnicas que permitem que os eventos sejam viáveis (ex: utilização de tecnologia e software específico, obtenção de recursos materiais). No que se refere ao departamento de marketing, este foca-se no plano de promoção e divulgação do evento, bem como no estabelecimento de parcerias estratégicas com os patrocinadores a fim de obter benefícios financeiros ou ao nível da visibilidade. A imagem e marca do evento são também projetadas e pensadas pelo departamento de marketing. Quanto ao departamento de risco, como os eventos tem um grau muito elevado de imprevisibilidade, este tem como função prever e resolver de forma antecipada situações de risco que ponham em causa o normal funcionamento do evento. 66 4 REALIZAÇÃO DA PRÁTICA PROFISSIONAL 69 Tal como referido no início deste relatório, como resultado da reunião de início de ano com o orientador/diretor do CDUP-UP, fiquei alocada ao departamento de competição do CDUP-UP. O departamento de competição do CDUP-UP teve como principais objetivos para a época desportiva 2014/2015: (i) manter a liderança nas participações nos CNU, através da conquista do troféu universitário de clubes, (ii) aumentar o número de participantes nas equipas da U.Porto, (iii) melhorar o serviço desportivo de representação e (iv) divulgar a marca U.Porto a nível nacional e internacional. Para que tais objetivos fossem atingíveis foi estabelecida uma linha de ação que passou por: 1Criar condições para que a U.Porto estivesse presente em todos os CNU indo de encontro às espectativas e interesses de um maior número de estudantes; 2Modificar o site do CDUP-UP de forma que seja mais apelativo e funcional; 3Responder em tempo útil (máx 5 dias) aos e-mails dos interessados em fazer parte das equipas da Universidade; 4Criar um conjunto de procedimentos internos que sistematize informação e torne o departamento mais ágil e com uma capacidade de resposta mais atempada; 5Divulgar a marca U.Porto tanto a nível interno como externo, através da promoção junto das faculdades, da organização de CNU e da participação nos Campeonatos Europeus Universitários (CEU). Baseando-me nesta linha de ação dividi este capítulo em 4 partes: competição, procedimentos operacionais/administrativos, promoção e imagem e outras tarefas. 76 Participam nos Jogos Galaico Durienses 6 Universidades (3 Portuguesas e 3 Espanholas): Universidade do Porto, Universidade do Minho, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Universidade de Vigo, Universidade de Santiago de Compostela e Universidade da Corunha. As modalidades variam todos os anos e são escolhidas numa reunião prévia com os responsáveis dos serviços desportivos universitários de cada uma das Instituições. Uma particularidade dos Jogos Galaico Durienses é que são mistos, tendo em consideração uma equidade de género (metade homens e metade mulheres). A organização da XXVIII edição dos Jogos Galaico-Durienses esteve a cargo da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), decorreu nos dias 25 e 26 de novembro de 2014, em Vila Real, e as modalidades eleitas para esta competição foram: o voleibol, andebol e natação mistos (Figura 14). A comitiva da U.Porto foi constituída por 31 membros: 3 oficiais, 3 técnicos e 26 atletas (13 rapazes e 13 raparigas). 4.1.2 Competições internas Figura 14 - Cartaz dos XXVIII Jogos Galaico Durienses 77 Na época desportiva 2014/2015 as competições internas realizadas pelo departamento de Competição foram diminutas, apenas centrando-se na IV edição dos Jogos Universitários. 4.1.2.1 IV Jogos Universitários Os Jogos Universitários são competições com a duração 1 ou 2 dias, cujo público-alvo são os estudantes e recém-diplomados da U.Porto. Para além do objetivo de proporcionar o convívio desportivo entre os diversos estudantes, tem ainda o propósito de ser um momento de dar a conhecer aos atletas os desportos realizados na U.Porto e recrutá-los para as seleções da Universidade. Os Jogos Universitários incidem principalmente sobre modalidades individuais, uma vez que são as modalidades que os CAP por norma não contemplam. A IV edição dos Jogos Universitários teve lugar na semana de 14 a 20 de novembro (Figura 15) e teve mais de 90 participantes, em modalidades como: badminton, ténis de mesa, ténis, karting, padel, tiro com arco, karaté e xadrez. O torneio de badminton, ténis de mesa e ténis foi realizado em colaboração com a FAP, as restantes modalidades foram organizadas apenas pelo CDUP-UP. 4.2 Procedimentos operacionais e administrativos Figura 15 - Cartaz dos IV Jogos Universitários 78 As decisões estratégicas dentro do departamento de competição estão centradas no coordenador técnico, sendo que as tarefas operacionais foram desempenhadas por mim e pelo meu colega de estágio, João Pereira. No âmbito do planeamento da participação das comitivas da U.Porto nas competições universitárias, existe um conjunto de tarefas operacionais que se devem ter em consideração antes e durante a competição. Na fase que antecede a competição devem ser consideradas algumas questões como: marcação de treinos (número de treinos, horário e local dos mesmos), o recrutamento de atletas e processo de seleção, devem ser analisadas as condições de transporte, alojamento, alimentação para a prova bem como ser definido o vestuário (equipamentos de competição e de passeio) a utilizar na respetiva competição. Durante a competição é necessário controlar os horários das atividades, assegurar reportagem fotográfica, comunicar em tempo real os resultados para o departamento de comunicação, providenciar alimentação e acautelar as condições de segurança e conforto para que os atletas possam disfrutar ao máximo das competições. Após a competição é necessário proceder à avaliação da respetiva participação da Comitiva da U.Porto e verificar se o respetivo material inerente à mesma foi devolvido. No entanto, estas operações não existem só por si, são complementadas por um conjunto de procedimentos administrativos externos e internos que servem de suporte a estas atividades. Consideram-se os procedimentos administrativos externos aqueles que são obrigatórios pelos organismos tutores da competição para o registo das comitivas nas provas (FAP, FADU, EUSA), bem como o processo de candidatura à realização das mesmas. Os procedimentos administrativos internos são aqueles que permitem organizar e sistematizar a informação, para que possa ser transmitida ou consultada a qualquer momento por elementos coordenadores da Instituição. 79 4.2.1 Procedimentos operacionais As comitivas da U.Porto são constituídas por: estudantes-atletas, treinadores, oficiais (técnicos do CDUP-UP) e dependendo das características da modalidade por acompanhamento médico (fisioterapeuta). Para que as Comitivas da U.Porto possam participar nas competições universitárias existe um conjunto de operações organizativas nos bastidores, que passam pela verificação da(s) inscrição(ões), atribuição do equipamento a utilizar, marcação do meio de transporte para o local da competição, definição/ marcação do local de alojamento (se necessário) e alimentação. Atendendo à complexidade da delegação e tipologia de competição, todos os procedimentos deverão ser considerados em conjunto já que a sua interligação define o tipo decisão a ser tomada. Existe por isso a necessidade de cumprir com o definido e preencher uma “check-list” (ver 4.2.1.1) onde constam todas as tarefas a executar. Tendo em consideração critérios de sustentabilidade financeira é necessário ainda ter em consideração a duração, horário e local da competição bem como o número de elementos que compõem a comitiva. 4.2.1.1 Como preparar uma Comitiva da U.Porto para uma competição em 25 passos Antes da competição: 1. Avisar treinadores e atletas da competição 2. Publicitar treinos 3. Pedir convocatória ao treinador 4. Inscrever atletas nas provas 5. Verificar a validade das inscrições 6. Definir meio transporte 7. Definir local de alojamento 8. Definir local de alimentação 9. Fazer saco de equipamentos 80 10. Enviar informação aos atletas sobre a prova e local de encontro 11. Publicar notícia sobre a prova 12. Requisitar fundo de maneio 13. Comprar e preparar lanches Durante a competição: 14. Entregar equipamentos e controlar a sua devolução 15. Distribuir lanches 16. Tirar fotografias 17. Enviar resultados para o departamento de comunicação 18. Assegurar o cumprimento de horários 19. Auxiliar a Comitiva no que for necessário Após a competição: 20. Verificar equipamentos e coloca-los na lavandaria 21. Entregar comprovativos de despesas 22. Enviar inquéritos de satisfação atletas e treinador 23. Justificar faltas para as secretarias 24. Fazer relatório de atividades 25. Atualizar resultados na base de dados dos atletas Para além das tarefas operacionais inerentes a qualquer Comitiva foi necessário assegurar um conjunto de outras operações para organizar os CNU: (i) elaborar os dossiers de candidatura, (ii) estabelecer parcerias com Câmaras e Juntas de Freguesia para cedência de instalações desportivas (iii) definir ações na área da comunicação para promoção dos eventos, (iv) disponibilizar material de competição, (v) definir cerimónias protocolares, (vi) montar infraestruturas, (vii) assegurar a colocação da imagem U.Porto no recinto de competição, (viii) facultar apoio médico. Quanto aos aspetos técnicos de cada competição ficaram sob a responsabilidade da FADU. 81 4.2.2 Procedimentos administrativos 4.2.2.1 Procedimentos administrativos externos Fazem parte dos processos administrativos externos as inscrições dos atletas e oficiais nas provas de carácter regional, nacional e internacional, bem como as candidaturas elaboradas para a realização dos CNU. Inscrições O processo de inscrição de um atleta nas competições universitárias pressupõe o cumprimento e a recolha de um de conjunto de documentos como: certificado de elegibilidade académica, foto, BI e comprovativo de exame médico desportivo válidos para que possa ser considerada válida. O facto de existirem plataformas online para este registo facilita este processo que no entanto terá que ser sempre verificado e validado pelo clube em que o estudante se predispõe a representar. No caso da U. Porto, cabe ao CDUP-UP efetuar esta validação e por consequência ao seu departamento de competição. O registo nos CNU/TNU será efetuado online através da plataforma da FADU (www.plataformafadu.pt), assim como o dos CAP (www.cap.fap.pt) e dos CEU (www.eusa.eu/events/championships). Na época desportiva 2014/2015 foram inscritos nas provas de representação 669 atletas. Candidaturas A decisão de candidatura aos CNU/TNU partem de uma estratégia delineada no início do ano letivo e que tem como principais objetivos (i) a promoção da marca U.Porto e (ii) a rentabilização de custos das atividades de representação. 82 As candidaturas foram realizadas tendo em conta a formulação de parcerias com Câmaras Municipais, Junta de Freguesias, empresas municipais e outras associações desportivas (ex: Grupo Desportivo 4 Caminhos) no sentido de cedência de instalações, obtenção de autorizações e/ou organização técnica da competição. Para a formulação das candidaturas ter-se-á que incluir informação como: data, localização, recursos humanos envolvidos, estrutura da Comissão Organizadora, programa, instalações desportiva, sugestões de alojamento e alimentação, tipo de parcerias e o respetivo orçamento. (Anexo I). No início da época desportiva 2014/2015 a U.Porto candidatou-se a realizar apenas 3 CNU: natação piscina curta, canoagem e remo. Contudo no decorrer da época desportiva e atendendo a conjetura global de falta de candidaturas à FADU para uma série de modalidades, a U.Porto disponibilizouse para organizar mais 2 CNU e 3 TNU: ténis de pares, natação piscina longa, polo aquático, trail e rugby de praia, respetivamente. 4.2.3 Procedimentos administrativos internos Ao nível dos procedimentos administrativos internos do departamento de competição foi-nos lançado o desafio de elaborarmos um conjunto de documentos modelo para servirem de suporte à organização das comitivas da U. Porto que foram divididos em três categorias: controlo, informação e sistematização. 4.2.3.1 Documentos de controlo Estabeleceu-se que para se ter uma noção das atividades desenvolvidas ao longo do tempo se criaria um calendário anual de atividades (Anexo II), onde seriam colocados todos os eventos que o departamento de competição estivesse envolvido ao longo da época desportiva. Para que todos os funcionários pudessem estar envolvidos, optou-se por se colocar um cronograma gigante na 83 parede do departamento, de forma a estar acessível a todos. Para controlar as tarefas do dia-a-dia necessárias ao funcionamento do próprio departamento e para se perceber se estávamos ou não a cumprir com os objetivos préestabelecidos para o departamento nesta época desportiva, foram criados: o calendário de controlo mensal de inscrições (Anexo III), o controlo de medalhas (Anexo IV), a ficha de controlo de exames médicos (Anexo V) e ficha de controlo inscrições na FADU (Anexo VI). 4.2.3.2 Documentos de informação O documento de informação para a comitiva da U.Porto, denomina-se ficha de competição. Na ficha de competição estão expressos os elementos que fazem parte da comitiva (atletas, oficiais, treinadores) e respetivos contactos, o local e data de realização da competição, informação sobre o ponto de encontro de partida para a prova e horário e informação adicional sobre o local da prova (contactos PSP, bombeiros, táxis, hospital). A ficha inclui também informação sobre o CDUP-UP para efeito de seguros, bem como informações para os oficiais relativa a transportes, alojamento e alimentação (Anexo VII). A ficha de competição é enviada (formato pdf) aos participantes com uma antecedência mínima de 5 dias antes da competição. Por norma a ficha de competição faz-se acompanhar das informações específicas das provas disponibilizadas aos agentes participantes. Para os treinadores além destes dois documentos é também disponibilizado o regulamento exaustivo das respetivas provas. O documento de comunicação enviado para o departamento de comunicação e imagem do CDUP-UP, denomina-se ficha de comunicação e é similar à ficha de competição, apenas para dizer que é enviado em formato editável (Excel) e explicita as faculdades de cada um dos atletas (Anexo VIII). 4.2.3.3 Documentos sistematização 84 No que se refere aos documentos de sistematização estes foram concebidos para agregar informação de cada área específica e poderão ser utilizados por todos os departamentos do CDUP-UP. Contêm informações atualizadas relativas aos estudantes-atletas que integram as comitivas da U.Porto facilitando assim o contacto direto com estes pelos oficias e treinadores. Durante o estágio foram elaborados e aplicados os seguintes documentos (Anexo IX ao XVI):  Base de dados dos estudantes/atletas;  Inventário de equipamento/ vestuário desportivo;  Fichas de requisição de equipamentos desportivos;  Relatório de atividades;  Relatório de despesas das Comitivas;  Inquéritos de satisfação  Check-list de tarefas;  Base de dados de voluntários (online); Base de Dados dos Atletas No início da época desportiva 2014/2015 o departamento administrativo do CDUP-UP possuía uma base de dados dos atletas que nos anos anteriores tinham representado as equipas da U.Porto. No entanto, e após discussão interna foi opinião unânime que essa base de dados para além de desatualizada, não se adequava a todas as necessidades do departamento de competição. Surgiu então a necessidade de reformular a base de dados adaptando-a não só às exigências processuais da FADU mas por forma a incluir, para além dos dados pessoais e da faculdade, os dados relativos à situação de inscrição nas provas, dados médicos e resultados desportivos obtidos em cada uma das provas (Anexo IX). No seguimento desta necessidade foi elaborado um formulário online de intenção de participação nas provas. Os estudantes através do preenchimento do formulário manifestavam o seu interesse em representar a U.Porto e recebiam informação sobre as modalidades em que estavam interessados. Esta 85 ferramenta mostrou-se fundamental para não só ficarmos com os dados do atleta, como posteriormente procedermos ao seu contacto tendo em vista a sua participação e presença nos treinos das várias modalidades. A base de dados foi um dos documentos mais completos que tínhamos sobre os atletas e serviu de base para muitas outras tarefas como a elaboração da lista de estudantes com Estatuto Estudante-Atleta (298 atletas obtiveram o Estatuto através das equipas U.Porto). Equipamentos/ Vestuário Desportivo No início do Estágio, foi-nos referenciado pelo Diretor do CDUP-UP que pretendia que se procedesse a uma reformulação profunda na forma como era gerida a questão dos equipamentos/ vestuário desportivo para as delegações da U.Porto. Após análise da situação foram detetados os seguintes problemas: 1Ausência de um espaço comum para a arrecadação de todos os equipamentos; 2Insuficiente controlo na distribuição dos equipamentos aos atletas; 3Inexistência de fichas de controlo da distribuição e entrega do material; 4Inventário de material desatualizado. Assim, e após proposta nossa, foi destinada uma divisão da sede do CDUPUP que serviu para o armazenamento e controlo de todo o material desportivo (Figura 16). Após restruturação do espaço foram recolhidos todos os equipamentos, que estavam dispersos pelas várias instalações desportivas e procedeu-se à sua inventariação (Anexo X). Foram elaboradas fichas de requisição de equipamentos (Anexo XI) que serviu de base para a implementação de um novo procedimento de gestão dos equipamentos desportivos, onde os oficiais/ treinadores passaram a ter um papel bastante mais interventivo no que diz respeito ao controlo dos mesmos. Passou-se ainda a responsabilizar os estudantes/ atletas pela entrega dos equipamentos no final da competição sob pena de pagamento de uma verba por peça de vestuário. 92 Figura 21 – Mascote da Universidade do Porto nos CEU de futebol de 7. 4.3.3 Site do CDUP-UP Relativamente ao site oficial do CDUP-UP (www.cdup.up.pt), durante a época desportiva 2014/2015 foram sugeridas algumas reformulações no que toca à área da competição. O departamento de competição sugeriu que na área da competição, para além de um pequeno texto introdutório sobre as Comitivas da U.Porto e uma breve explicação da estrutura do desporto universitário a nível nacional e internacional, deveria também existir uma componente voltada para o atleta. Esta componente do atleta subdividir-se-ia em 3 temas: modalidades que pode praticar e respetivos horários de treinos, o procedimento de inscrição (preenchimento do formulário online do CDUP-UP) e o Estatuto EstudanteAtleta. Para além destas informações estaria patente em cada modalidade o respetivo Curriculum dos treinadores do CDUP-UP e as datas das CNU da época desportiva em questão. 93 4.3.4 Organização e Participação em Eventos O departamento de competição para além de garantir que os eventos que o CDUP-UP organiza primem pela qualidade e excelência, teve uma grande preocupação com a divulgação da marca U.Porto. Foram por isso utilizados uma série de materiais promocionais como: lonas, bandeiras e plumas que foram colocados em locais estratégicos de grande visibilidade nas competições organizadas. Nas atividades indoors (pavilhão, piscina) ou outdoors (praia, rio) a marca U.Porto esteve sempre presente em grande plano. No que toca às participações em eventos, todos os elementos que compunham as Comitivas da U.Porto tiveram que se apresentar com o vestuário oficial fornecido desde o início ao fim do evento. 4.3.5 VII Gala do Desporto da Universidade do Porto A Gala do Desporto da Universidade do Porto, para além de ser um momento de homenagem e reconhecimento aos atletas, treinadores e técnicos que tiveram excelente prestação ao longo da época desportiva, é um dos pontos altos da divulgação do trabalho no departamento de competição durante o ano letivo. Figura 22 - Marca U. Porto nos CAP,CNU e TNU organizados pelo CDUP-UP 94 A VII Gala do Desporto teve lugar no Salão Nobre do Edifício da Reitoria da U.Porto, no dia 15 de Julho, e contou com a presença de mais de 200 participantes (Figura 23). 4.4 Outras tarefas desenvolvidas no CDUP-UP Para além de organizar e preparar competições, chefiar Comitivas, criar procedimentos administrativos, bem como colaborar com o departamento de comunicação participei ao longo do ano num conjunto de outras ações:  Limpeza e recuperação da Sede Administrativa do CDUP-UP  Conferência - European Network of Academic Sports 2014 (Lille)  Marcações anuais de reservas de instalações desportivas  Organização de atividade de team-building para funcionários  Agendamento de treinos das equipas da U.Porto  Reuniões com as Associações de Estudantes  Reuniões internas do CDUP-UP  Gestão do e-mail do coordenador do departamento de competição Figura 23 - VII Gala do Desporto da Universidade do Porto 95  Esclarecimento de dúvidas aos utentes do CDUP-UP relacionadas com o departamento de representação 4.5 Síntese do trabalho desenvolvido durante o estágio no CDUP-UP Participação em eventos de competição:  XIX Jogos Galaico-Durienses (Vila Real)  2 CAPs  58 CNUs e 3 TNUs  CEU Ténis de mesa (chefe de delegação)  CEU de Futebol de 7 e Rugby de 7 (atleta) Participação noutros eventos:  Conferência - European Network of Academic Sports 2014 (Lille)  Receção aos alunos do 1º ano da U.Porto  Mostra da U.Porto Organização de eventos de competição:  IV Jogos Universitários  6 CNU e 2 TNU Organização de outros eventos:  VII Gala do Desporto da Universidade do Porto  Atividade Team building para funcionários  Atividade de promoção e divulgação do CDUP-UP nas Faculdades 96 Criação de Documentos Administrativos:  Calendário anual de atividades  Calendário controlo mensal de inscrições  Medalheiro  Ficha de controlo de despesas exames médicos  Ficha de controlo de despesas FADU  Fichas de competição  Fichas de comunicação  Base de dados estudantes-atletas  Inventário vestuário (equipamentos + vestuário social)  Fichas de requisição (equipamentos + vestuário social)  Relatório de atividades  Relatórios de despesas Comitiva  Inquéritos de satisfação-atividades de representação  Checklist com tarefas essenciais à organização da Comitiva  Base de dados para voluntários  Método online de controlo de medalhas (Medalheiro)  Método de verificar disponibilidade de treinos (via online) Ações de promoção:  Introdução de Mascote da Comitiva da U.Porto nos CNU  Propostas de melhoria do CDUP-UP  Reforçar a imagem da U.Porto sob o slogan “Melhor Universidade do País, melhor escolha para fazeres Desporto” As atividades acima apresentadas foram fruto de um trabalho conjunto com o meu colega de estágio João Pereira, no departamento de competição do CDUP-UP, na época desportiva 2014/2015, sob a supervisão do coordenador técnico Daniel Vieira. 97 4.5.1 Época desportiva 2014/2015 em números  669 Participações em provas de representação  434 Praticantes  37 Modalidades  Participação em 53 Competições Nacionais o 2 CAP o 48 CNU o 3 TNU  Participação em 12 Competições Internacionais o XXVIII Jogos Galaico Durienses o 11 CEU  Organização de 9 Competições o 6 CNU o 2 TNU o IV Jogos Universitários  Conquista de 196 Medalhas o 191 medalhas nos CNU (78 ouro, 55 prata e 58 bronze) o 5 medalhas nos CEUS (2 ouro, 2 prata e 1 bronze) 5 REFLEXÃO FINAL E CONSIDERAÇÕES FUTURAS 101 Hoje em dia o desporto vive das relações políticas e o desporto universitário não é exceção. O associativismo estudantil é uma ferramenta muito útil para a obtenção de uma grande rede de contactos nas mais diversas áreas e ferramentas de trabalho muito úteis num futuro profissional. Aprende-se das mais diversas formas a gerir pessoas e recursos, nem que seja por tentativa erro. Grupos de estudantes agregam-se nas AE por ideais comuns no sentido de proporcionar melhores condições pedagógicas, culturais e desportivas aos seus colegas. Sempre que uma lista de alunos é eleita, os estudantes estão a confiar noutros seus pares para defender os seus interesses, no entanto, cada lista propõe um longo plano de atividades para o mandato que inicia. A maior parte das AE, bem como a maioria das pessoas, gostam que lhe reconheçam o seu valor e por isso esforçam-se por elevar os padrões de qualidade e incorporarem uma componente inovadora durante o seu mandato. Dependendo dos membros da direção e do peso que atribuem ao desporto, este é mais ou menos valorizado, refletindo-se no seu programa de atividades. As AE que se preocupam, tentam ir de encontro às necessidades dos estudantes e por isso auscultam os mesmos e envolvem-nos. Este estágio profissionalizante serviu em primeira instância para perceber qual o papel do CDUP-UP neste meio estudantil. Concorrente ou parceiro das AAEE? Ambos fornecem um conjunto de atividades desportivas aos estudantes, as AAEE tem a mais-valia de estarem em contacto direto com os mesmos mas são organizações muito voláteis, fruto dos seus corpos sociais ser apenas constituído por estudantes e pela reduzida periocidade dos seus mandatos (1 ano). O CDUP-UP tem a vantagem de ter um corpo técnico profissional estável mas a grande dificuldade de passagem de comunicação para os estudantes das 14 Faculdades da U.Porto. A conclusão a que chego é que a necessidade é cada vez maior de um trabalho conjunto. A visão do terreno pertence maioritariamente às AAEE que devem passar o seu feedback das necessidades desportivas ao CDUP-UP que por sua vez dispõe dos profissionais que podem acompanhar e colaborar na 108 DR. (2013). Despacho nº 2052/2013 de 4 de fevereiro. Diário da República, 2ª série, nº24 DicasUM (2009). “Armando Rocha: o Sr.Desporto Universitário”. DicasUMinho. Consultado a 21 de agosto de 2015, disponivel em http://www.dicas.sas.uminho.pt/ModuleLeft.aspx?mdl=~/Modules/Event osJornal/EventosView.ascx&ItemID=2281&Mid=38&lang=ptPT&pageid=3&tabid=0. EUSA (2015). Events Calendar. European University Sports Association. Consultado a 23 de janeiro de 2015, disponível em http://www.eusa.eu/events/events-calendar. FADU (2014b). Regulamento de Provas Oficiais. Federação Académica de Desporto Universitário. Consultado a 7 de janeiro de 2015, disponível em http://www.fadu.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=44&It emid=390. FADU (2014c). Calendário de Provas Oficiais. 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