Riscos Associados ao IDE em Angola: O Caso das Empresas de Construção Portuguesas.
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Mestrado em Economia e Administração de Empresas Riscos Associados ao IDE em Angola: O Caso das Empresas de Construção Portuguesas Sérgio Paulo da Silva Pereira [email protected] Orientação Prof.ª Doutora Raquel Meneses Julho de 2012
i Agradecimentos À Professora Doutora Raquel Meneses, pela sua disponibilidade, competência e apoio contínuo no desenvolvimento deste estudo. Ao Eng.º Paulo Gonçalves, pela preciosa ajuda na divulgação do questionário junto de expatriados em Angola. A todos os respondentes do questionário, pelas úteis informações e valiosos comentários prestados. À minha família, pelo apoio e incentivo manifestados.
ii Resumo A atuação a nível internacional, em particular nos países emergentes e em desenvolvimento, acarreta um acréscimo de complexidade e é afetada por diversos fatores para os quais empresas de construção que operam maioritariamente nos seus mercados internos não estão normalmente bem preparadas. Nestas situações, estas estão expostas a diferentes ambientes, regulamentos, normas e crenças cognitivas ou culturais que podem aumentar os equívocos, atrasos e custos. A aquisição de conhecimento local permite reduzir as incertezas e planear e alcançar as expectativas propostas com maior precisão. Este trabalho apresenta uma investigação sobre o tema com o objetivo de caracterizar o risco do mercado de construção angolano, marcado atualmente por um forte dinamismo e oportunidades mas também ameaças. Com base no modelo de análise construído a partir da revisão da literatura foi realizado um estudo empírico com o intuito de responder à questão-chave: “Quais são os riscos críticos associados ao setor da construção em Angola para as empresas de construção portuguesas?” Este baseou-se na implementação de um inquérito direto a expatriados portugueses, a trabalhar atualmente no mercado de construção angolano, no sentido de aferir a sua perceção acerca da importância relativa dos diversos tipos de risco identificados. As políticas governamentais em Angola constituem uma das principais fontes de riscos devido aos elevados níveis de burocracia, restrições à repatriação de lucros e à emissão de vistos de trabalho, mau funcionamento da justiça, atrasos nos pagamentos ou até incumprimento dos contratos. De um ponto de vista mais operacional sobressaem a falta de qualidade da mão de obra local e o elevado preço dos materiais comprados localmente. A corrupção e a inadequada provisão de infraestruturas e serviços públicos são também realçadas. Não obstante estas dificuldades, o mercado de construção em Angola é associado, pela generalidade dos respondentes, a um elevado nível de atratividade. Constata-se ainda que a importância percecionada dos riscos varia em função do tipo de funções desempenhadas e nível de experiência adquirido pelos expatriados e respetivas empresas neste mercado. Palavras-chave: identificação de risco, perceção do risco, investimento direto estrangeiro, países emergentes e em desenvolvimento, setor da construção, Angola
iii Abstract The operation at international level, particularly in emerging and developing countries, causes an increase in complexity and is affected by several factors for which construction companies that operate mainly in their domestic markets are typically not well prepared. In these situations they are exposed to different environments, regulations and cognitive-cultural beliefs which may increase misunderstandings, delays and costs. The acquisition of local knowledge helps to decrease uncertainties allowing them to plan and achieve their expectations more accurately. This paper presents an investigation on the subject with the aim of characterizing the risk of the angolan construction market, currently characterized by strong dynamism and opportunities but also threats. Based on the analysis model constructed from the literature review, an empirical study was conducted in order to answer the key question: “What are the critical risks associated with the construction sector in Angola for portuguese construction companies?” This was based on the deployment of a direct survey to portuguese expatriates, currently working in the construction market of Angola, in order to gauge their perception about the relative importance of the various type of risks identified. Government policies in Angola are a major source of risk due to high levels of bureaucracy, restrictions on repatriation of profits and issuance of work permits, malfunction of justice, payment delays or even breach of contracts. From an operational point of view the lack of skilled labour and the high cost of materials purchased locally are emphasized. Corruption and inadequate provision of infrastructure and public services are also highlighted. Despite these difficulties, the construction market in Angola is associated, by most respondents, to a high level of attractiveness. It is further observed that the perception of risk importance varies according to the type of performed functions and levels of experience acquired by expatriates and their companies in this market. Keywords: risk identification, risk perception, foreign direct investment, emerging and developing countries, construction sector, Angola
iv Índice de Conteúdos Agradecimentos ........................................................................................................................................... i Resumo ....................................................................................................................................................... ii Abstract ..................................................................................................................................................... iii Índice de Conteúdos.................................................................................................................................. iv Índice de Tabelas ...................................................................................................................................... vi Índice de Figuras ...................................................................................................................................... vii Abreviaturas ............................................................................................................................................ viii Introdução .................................................................................................................................................. 1 Capítulo 1. Riscos Associados ao IDE em Angola: O Caso das Empresas de Construção Portuguesas. Revisão da Literatura. ..................................................................................... 5 1.1 Considerações introdutórias .......................................................................................... 5 1.2 IDE no setor da Construção .......................................................................................... 6 1.3 IDE e o Risco ................................................................................................................ 7 1.3.1 Modelos conceptuais de análise .......................................................................... 7 1.3.2 Risco do IDE em Países Emergentes e em Desenvolvimento ............................. 9 1.3.3 Risco do IDE na indústria da Construção .......................................................... 10 1.4 Proposta de um enquadramento holístico de análise do risco do IDE no setor da construção em países emergentes e em desenvolvimento....................................................... 11 1.4.1 Risco do país ..................................................................................................... 11 1.4.2 Risco da indústria ou mercado .......................................................................... 19 Capítulo 2. Riscos Associados ao IDE em Angola: O Caso das Empresas de Construção Portuguesas. Considerações Metodológicas. ...................................................................... 22 2.1 Considerações introdutórias ........................................................................................ 22 2.2 Abordagem metodológica adotada .............................................................................. 22 2.3 Fundamentação da população-alvo ............................................................................. 25 2.4 Descrição do inquérito e procedimento de recolha de dados ...................................... 25
v Capítulo 3. Riscos Associados ao IDE em Angola: O Caso das Empresas de Construção Portuguesas. Discussão dos Resultados............................................................................... 28 3.1 Considerações introdutórias ........................................................................................ 28 3.2 Análise descritiva e discussão dos resultados ............................................................. 28 3.2.1 Caracterização da amostra ................................................................................. 28 3.2.2 Fiabilidade do questionário ............................................................................... 29 3.2.3 Ranking dos riscos ............................................................................................. 30 3.3 Análise exploratória .................................................................................................... 39 3.3.1 Normalidade e homogeneidade da variância ..................................................... 39 3.3.2 Categoria profissional e âmbito de atividade da organização ............................ 40 3.3.3 Experiência profissional e antiguidade da organização em Angola .................. 42 Conclusão.................................................................................................................................................. 45 Referências ............................................................................................................................................... 47 Anexos. ...................................................................................................................................................... 52 Anexo 1 – Questionário .......................................................................................................... 52 Anexo 2 – Resultados da análise de concordância entre respondentes: r WG ........................... 57 Anexo 3 – Resultados dos testes de normalidade e homogeneidade de variâncias ................ 58
vi Índice de Tabelas Tabela 1 - Estudos sobre Riscos da Internacionalização na Construção ..................................... 10 Tabela 2 - Síntese da literatura relacionada com Risco de Internacionalização.......................... 12 Tabela 3 - Caraterização dos Respondentes ................................................................................ 29 Tabela 4 - Análise de Fiabilidade ao Questionário ..................................................................... 30 Tabela 5 - Hierarquia dos Riscos ................................................................................................ 31 Tabela 6 - Resultados do teste de diferença de Médias ............................................................... 40 Tabela 7 - Resultados da análise de Correlação (r s ) .................................................................... 43
vii Índice de Figuras Figura 1 - Investimento Direto Estrangeiro em Angola, 1990-2010. ............................................ 2 Figura 2 - Matriz Probabilidade-Impacto .................................................................................... 36 Figura 3 - Ordenação dos fatores de Risco e o correspondente Índice r WG ................................. 38
viii Abreviaturas AICEP Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal ASS África Subsaariana BNA Banco Nacional de Angola FMI Fundo Monetário Internacional HIV Human Immunodeficiency Virus IDE Investimento Direto Estrangeiro IRA Interrater Agreement OCDE Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico PIB Produto Interno Bruto PME Pequena e Média Empresa SPSS Statistical Package for Social Sciences UNCTAD United Nations Conference on Trade and Development USD United States Dollar
7 construção possa ser considerada como uma unidade residente, esta deve “possuir terrenos ou edifícios e/ou a unidade deve manter pelo menos um estabelecimento de produção no país e um plano de operação por tempo indeterminado ou por um longo período de tempo” (UNCTAD, 2009: 65). Além disso, a entidade deve, entre outras considerações, manter uma contabilidade completa e separada das atividades locais, pagar impostos ao país de acolhimento, ter uma presença física substancial, etc. (FMI, 1993). Segundo Chen (2008), as estratégias de entrada permanente implicam um forte compromisso para com um desenvolvimento de negócios de longo prazo no mercado de acolhimento: exigem mais recursos, envolvem mais risco e são menos flexíveis. Por outro lado, a entrada móvel pode ser normalmente associada a uma atitude oportunista do participante e a um comprometimento limitado de recursos (Chen, 2008). Apesar destas desvantagens verifica-se, desde a década de 90, uma tendência para uma presença mais sustentada e permanente das empresas de construção nos novos mercados (Chen, 2008). 1.3 IDE e o Risco 1.3.1 Modelos conceptuais de análise O estudo do risco ao nível do IDE apresenta-se na literatura com abordagens muito díspares (White e Fan, 2006). Face a isto, diversas tentativas têm sido levadas a cabo no sentido de padronizar a terminologia geral utilizada; um exemplo significativo é a norma ISO/IEC Guide 73: 2002 Risk Management-Vocabulary-Guidelines for use in standards (White e Fan, 2006). Apesar de ter sido adotada por algumas organizações e investigadores, esta terminologia é frequentemente modificada para melhor servir o propósito dos seus utilizadores (White e Fan, 2006). Uma das dificuldades, logo à partida, é a inexistência de uma definição geralmente aceite daquilo que é o risco no campo da gestão estratégica (Miller, 1992). Este apresenta-se na literatura com diferentes significados, pelo que pode ser entendido tanto como uma variância no desempenho ou, simplesmente, como a probabilidade de um resultado negativo que reduz o retorno inicialmente esperado (Bouchet et al., 2003). Para alguns autores, como é o caso de Miller (1992), o risco é definido como uma variação de desempenho, pelo que o impacto nos resultados da empresa pode ser positivo ou negativo. A outra abordagem (e.g. Meldrum 2000; White e Fan, 2006) adota uma postura mais prática e
8 analisa o risco como um resultado negativo. Com este significado, o risco só existe se implicar uma perda ou, pelo menos, como afirma Meldrum (2000), uma potencial redução do retorno esperado. Outra das dificuldades está relacionada com o facto de a investigação empírica existente adotar um tratamento isolado dos diversos tipos de risco não fornecendo, assim, uma base adequada e sistematizada para analisar as reais implicações das decisões estratégicas (Miller, 1992). Face a estas dificuldades, Miller (1992) procurou estabelecer um modelo integrado de análise do risco para empresas que operem internacionalmente. Para tal, começou por distinguir ‘risco’ de ‘incerteza’. ‘Risco’ corresponde à imprevisibilidade dos resultados da empresa, ao passo que ‘incerteza’ corresponde à imprevisibilidade ou deficiente informação acerca das variáveis ambientais ou organizacionais que afetam a performance da empresa. Assim, “a incerteza acerca das variáveis ambientais e organizacionais reduzem a previsibilidade da performance da empresa, ou seja, aumentam o risco” (Miller, 1992: 312). O modelo de Miller (1992) caracteriza as incertezas percecionadas pelos gestores a três níveis: (i) ambiente global, (ii) indústria e (iii) variáveis específicas da empresa. Baseados no trabalho de Miller (1992), White e Fan (2006) apresentam um modelo conceptual para uma análise integrada dos diferentes tipos de risco relevantes para o IDE. Definem risco como “a possibilidade de um evento ou mudança de comportamento imprevisto que tem um impacto negativo sobre um indicador chave de desempenho ou sobre a realização de algum objetivo estratégico, sendo este impacto suficientemente significativo para justificar uma resposta pelos decisores responsáveis” (White e Fan, 2006: 31). Tendo em conta o tipo de eventos que, segundo White e Fan (2006), são relevantes para o IDE, estes autores classificam o risco em quatro níveis: global, país, indústria e empresa. Destes, “… o risco mais importante no âmbito do IDE é o risco do país” (White e Fan, 2006: 147). O padrão de crescimento do IDE ao longo do tempo, a sua flutuação com os ciclos macroeconómicos e a sua distribuição entre diferentes países é fortemente explicado pelo nível de risco do país. Dentro do risco do país, o risco político constitui o componente mais importante, sendo que na literatura estas designações são muitas vezes utilizadas de forma indiferenciada (White e Fan, 2006). Acrescentam ainda que é altamente provável que a componente política seja mais importante em países em desenvolvimento e a componente económica nos países desenvolvidos (White e Fan,
9 2006). White e Fan (2006) partilham da ideia de Miller (1992) segundo a qual a análise das incertezas não pode ser efetuada de forma unidimensional: (i) o risco é uma noção complexa cujo tratamento não é simples, (ii) existe uma considerável sobreposição vertical, entre diferentes níveis de risco, e horizontal, entre os diferentes tipos e componentes de risco, e (iii) o risco é dotado de elevada especificidade em determinadas empresas e determinadas épocas. 1.3.2 Risco do IDE em Países Emergentes e em Desenvolvimento A classificação do grau de desenvolvimento dos países é difícil visto não existir uma única definição internacionalmente reconhecida (Olsson, 2002). Os principais critérios utilizados pelo FMI (2010) para distinguir economias avançadas e economias emergentes e em desenvolvimento são (i) o nível de rendimento per capita, (ii) a diversificação das exportações e (iii) o nível de integração no sistema financeiro global. Olsson (2002) define mercados emergentes como “os países que começaram a crescer mas que ainda não atingiram um estágio de desenvolvimento maduro e/ou onde há um potencial significativo de instabilidade económica ou política” (150). As características chave são, neste caso, a maturidade e a estabilidade. Existe uma vasta investigação acerca dos determinantes que influenciam a localização do IDE em países em desenvolvimento (e.g., Chakrabarti, 2001; Asiedu, 2002). A maior parte destes estudos empíricos usa a regressão interpaíses para identificar características que atraem o investimento, tais como: dimensão do mercado, custo de mão de obra, qualidade das infraestruturas, barreiras comerciais, crescimento económico, impostos e tarifas, instabilidade política, etc. (Gastanaga et al., 1998; Chakrabarti, 2001; Asiedu, 2002). Verifica-se, no entanto, que uma grande parte dos resultados empíricos é conflituosa entre si (Asiedu, 2002; Wyk e Lal, 2008). Segundo Chakrabarti (2001), a falta de consenso nas conclusões alcançadas, quer em importância relativa, quer na direção do impacto dos determinantes de IDE, pode ser explicado pela ampla diferença de perspetivas, metodologias de seleção da amostra e ferramentas analíticas utilizadas. Outra perspetiva é indicada por Asiedu (2002); ao verificar que alguns dos principais determinantes do IDE não têm impacto significativo nos países da ASS, esta autora aponta como possível justificação o facto de África ser percecionada como associada a um elevado nível de risco, particularmente no que toca à volatilidade das políticas
10 governamentais praticadas. Esta opinião é suportada por um estudo recentemente publicado, baseado num inquérito a mais de 500 investidores e líderes empresariais, segundo o qual África é ainda vista como sendo um lugar mais difícil para fazer negócios do que outras regiões emergentes (Ernst & Young, 2012). Independentemente destas diferenças regionais, a ideia de que quando as empresas operam em mercados emergentes estão expostas a níveis de risco superiores do que quando o fazem no mundo desenvolvido é consensual. Tal deve-se, em grande medida, ao facto de estes países serem caracterizados por uma maior instabilidade económica e política e mais vulneráveis a choques externos, tais como desastres naturais: “… é geralmente aceite que os riscos em mercados emergentes são mais elevados do que no mundo desenvolvido. Maior risco está associado a maiores lucros se, e só se, os riscos forem geridos de forma eficaz” (Olsson, 2002: 147). 1.3.3 Risco do IDE na indústria da Construção Num artigo em que fazem uma resenha da literatura publicada acerca da internacionalização na indústria da construção, Dikmen e Birgonul (2006) constatam que esta matéria tem recebido a atenção de muitos investigadores. Tabela 1 - Estudos sobre Riscos da Internacionalização na Construção Autores (data): Amostra (nº observações) País(es) Tipo de risco analisado Tipo de Estudo: Jaselskis e Talukhaba (1998) - Países em Desenvolvimento Diversos Descritivo Hastak e Shaked (2000) - - Riscos ao nível do País, Mercado e Projeto Propõe modelo para avaliação de riscos. Birgonul e Dikmen (2001) 39 (81%) Turquia Diversos Descritivo Kapila e Hendrickson (2001) - - Riscos Financeiros Descritivo Zarkada-Fraser e Fraser (2002) 37 (51%) Rússia Risco Político Exploratório Wang et al. (2004) 31 (8%) Países em Desenvolvimento Riscos ao nível do País, Mercado e Projeto Descritivo Fonte: Adaptado de Dikmen e Birgonul (2006). Acrescentam, no entanto, que muitas questões estão ainda por responder, nomeadamente: “Quais são os riscos específicos na internacionalização da construção?” (Dikmen e Birgonul, 2006: 725). Neste âmbito destacam os trabalhos sintetizados na
11 Tabela 1, relacionados com a gestão e identificação dos riscos específicos associados ao setor da construção em ambiente internacional. Na tentativa de sistematizar o processo de avaliação do risco relacionado com a expansão de operações ao mercado de construção internacional, Hastak e Shaked (2000) propõem um modelo constituído por três níveis de análise: macro (ou ambiente do país), mercado e projeto. Segundo estes autores, os modelos disponíveis para a avaliação dos riscos de construção internacional analisam principalmente o risco ao nível do país e não consideram o impacto e a propagação destes nos riscos ao nível do mercado ou do projeto. O nível macro (país) define o risco geral que um investidor enfrenta ao expandir as suas operações internacionalmente. O risco associado especificamente ao setor de construção num dado país é definido como o risco ao nível do mercado. O nível de risco do projeto, para além dos fatores de incerteza que lhe são intrínsecos, também inclui o impacto dos níveis macro e de mercado (Hastak e Shaked, 2000). 1.4 Proposta de um enquadramento holístico de análise do risco do IDE no setor da construção em países emergentes e em desenvolvimento Na presente secção é apresentada uma proposta de classificação dos riscos de IDE com base nos diferentes modelos referidos na primeira parte da revisão da literatura (Secção 1.3). Não sendo do âmbito do presente trabalho a análise de uma empresa ou projeto em particular, são assim considerados apenas dois níveis de risco genéricos ou sistemáticos: risco do país (1.4.1) e risco da indústria ou mercado (1.4.2). Para cada um dos níveis de risco referidos são definidos e apresentados os seus diferentes componentes tendo em conta aquilo que é referido na literatura acerca do risco no IDE em geral, risco de internacionalização para países emergentes e em desenvolvimento, e risco de internacionalização na indústria da construção (cf. Tabela 2). 1.4.1 Risco do país O risco do país resulta do envolvimento em transações comerciais internacionais, as quais implicam uma inevitável exposição ao desempenho e políticas de um estado soberano que não o do país de origem e ocorrem dentro de um contexto político, económico, financeiro e cultural que é, muitas vezes, alheio ao investidor estrangeiro (White e Fan, 2006). O risco do país pode ser subdivido em risco político, risco
12 Tabela 2 - Síntese da literatura relacionada com Risco de Internacionalização Nível: Componentes: Subcomponentes: Estudos sobre Investimento Direto Estrangeiro Países Emergentes e em Desenvolvimento Indústria da Construção 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 País Risco Político Instabilidade Política (P1) Política Governamental (P2 a P10) Instabilidade Social (P11 e P12) Risco Económico Riscos de Performance Económica (P13) Risco de Inflação (P14) Risco de Volatilidade Cambial (P15) Risco de Aumento das Taxas de Juro (P16) Risco da Dívida Soberana (P17) Riscos de Infraestruturas (P18) Risco Cultural (P19 a P21) Riscos Naturais (P22) Indústria /Mercado Riscos Operacionais Riscos Laborais (M1) Riscos de Fornecimento de Inputs (M2 a M9) Riscos Financeiros Risco de Custos de Inputs (M10 a M12) Risco de Liquidez (M13) Riscos de Competitividade (M14) Riscos de Volatilidade da Procura do Mercado (M15) Fonte: Autor. Nota - Estudos: (1) Miller (1992); (2) White e Fan (2006); (3) Bouchet et al. (2003); (4) Meldrum (2000); (5) Gastanaga et al. (1998); (6) Asiedu (2002); (7) Wyk e Lal (2008); (8) Olsson (2002); (9) Kapila e Hendrickson (2001); (10) Jaselskis e Talukhaba (1998); (11) Zarkada-Fraser e Fraser, C. (2002); (12) Birgonul e Dikmen (2001); (13) Hastak e Shaked (2000); (14) Wang et al. (2004).
13 económico, risco natural (Bouchet et al., 2003) e risco cultural (White e Fan, 2006). Risco político (P1 a P12) 1 pode ser definido como uma mudança inesperada no ambiente político no país de acolhimento seja qual for a sua natureza: uma mudança de regime, uma mudança de política ou um aumento na turbulência política (White e Fan, 2006). A relação de causalidade entre o risco político e os influxos de IDE não é clara nem consensual (Asiedu, 2002). Não obstante, alguns estudos identificam menores influxos de IDE para países menos desenvolvidos. Esta poderá ser a resposta das empresas multinacionais à fraca governação e predisposição local para práticas de corrupção (Wyk e Lal, 2008). Segundo Olsson (2002), a situação política em economias emergentes é geralmente a principal causadora do elevado nível de risco. Quanto à indústria da construção, dada a sua forte interdependência com a economia e com o clima político, apresenta uma forte suscetibilidade de ser afetada pela intervenção governamental (Zarkada-Fraser e Fraser, 2002). A instabilidade política num dado país pode não afetar diretamente um projeto de construção em particular mas, ao afetar o mercado de construção como um todo ou um outro mercado associado, pode ter assim um impacto indireto (Hastak e Shaked, 2000). É possível agrupar o risco político em três subcomponentes distintos: instabilidade política, risco da política governamental e risco de instabilidade social (White e Fan, 2006). A instabilidade política (P1) está associada a mudanças, reais ou potenciais, no sistema político e inclui também qualquer evolução democrática que possa interromper os negócios das empresas (Bouchet et al., 2003). Segundo White e Fan (2006), a guerra é a manifestação mais extrema de instabilidade política. Outras são as mudanças de regime, seja por meio de eleições ou por meios mais violentos. Algumas destas situações acarretam frequentemente a paralisação da produção em larga escala durante um longo período, a destruição substancial das capacidades produtivas e o risco potencial para a segurança pessoal e de propriedade. Segundo Olsson (2002), o poder em países emergentes e em desenvolvimento tende a ser concentrado e aberto ao abuso, mesmo em países nominalmente democráticos. O risco de política governamental está relacionado com todas as ações imprevistas e prejudiciais para as empresas estrangeiras tomadas pelas autoridades locais (Bouchet et 1 Codificação adotada (ver Anexo 1) para individual dos riscos incluídos no estudo empírico: P1 a P22 – Riscos do País; M1 a M15 – Riscos do Mercado.
14 al., 2003). Entre outras, são apontadas como eventuais ações governamentais o aumento significativo de impostos (P2), a instabilidade cambial resultante de reformas monetárias, o controlo direto dos preços, a restrição às importações ou exportações (política de comércio internacional – P3), a ameaça de take-over de empresas estrangeiras (nacionalização – P4), incentivos desfavoráveis ao investimento estrangeiro, criação de barreiras à repatriação de lucros (P5), limitações ao pagamento internacional (por meio de inconversibilidade da moeda ou bloqueio das transferências internacionais) e a repudiação de obrigações contratuais (P6) (White e Fan, 2006; Bouchet et al., 2003). A avaliação deste tipo de riscos exige a análise de muitos fatores, incluindo o relacionamento dos vários grupos de interesse no país, o processo de tomada de decisão no governo e a história do país (Meldrum, 2000). Relativamente à política governamental, Olsson (2002) realça o papel de regulamentação do governo (P10) e o funcionamento da justiça (P9) em países emergentes: deficiente aplicação, ou mesmo inexistência, de leis relativas a aspetos relevantes tais como falências ou direitos de propriedade; introdução repentina de novos regulamentos sem a devida ponderação e consulta de partes interessadas. No setor público da construção as entidades governamentais são atores fundamentais definindo as regras para o seu desenvolvimento e controlando as relações contratuais (Jaselskis e Talukhaba, 1998). A sua influência também se faz sentir no setor privado através da legislação/política acerca de licenças, códigos sanitários e de construção, salários mínimos, impostos, regras sobre a importação e disponibilidade de financiamento para projetos de construção. Wang et al. (2004) referem diversos aspetos relacionados com a política governamental, comummente enfrentados por empresas de construção em países emergentes: atraso na emissão de licenças ou recusa de aprovação de projetos; aplicação inconsistente de novos regulamentos e leis; influência desnecessária e injusta, por parte do governo local, nos processos judiciais e litígios contratuais; dificuldade na obtenção de quotas de importação/exportação; expropriação devida a pressões políticas, sociais ou económicas; parcerias obrigatórias com empresas locais; transferência de tecnologia obrigatória; tributação diferenciada (P7); regulamentação ambiental rigorosa. Às restrições de importação de materiais e equipamentos, Jaselskis e Talukhaba (1998) acrescentam ainda as dificuldades relacionadas com a obtenção de vistos para mão de
15 obra estrangeira (P8). Birgonul e Dikmen (2001) apontam igualmente a corrupção no sistema legal e a resolução de litígios muito morosa. De acordo com Miller (1992), a incerteza social “pode ser precursora da instabilidade política ou das incertezas de políticas governamentais” (315). Na verdade, os protestos sociais estão normalmente associados à frustração e visam alterar a política governamental ou mesmo, mais radicalmente, o regime político (Bouchet et al., 2003). Ao risco social correspondem ações coletivas de organizações como sindicatos, organizações não governamentais ou conjuntos informais de pessoas que, pacificamente ou não, democraticamente ou não, coagem as autoridades locais e/ou diretamente as empresas a fim de influenciarem a sua política e/ou as suas ações (Bouchet et al., 2003). White e Fan (2006) apontam como possíveis manifestações de instabilidade social a agitação civil, motins, protestos, terrorismo (P11) e a insegurança ou elevado nível de atividade criminal (P12). Nos mercados emergentes, os fatores sociais que podem dar origem a riscos incluem divisões tribais, a religião, a taxa de crescimento da população (em muitos países emergentes este crescimento está a colocar uma pressão acrescida nos recursos já de si escassos) e a saúde (o crescimento da população e os serviços de saúde inadequados implicam um baixo padrão de saúde; várias doenças tais como a malária, a febre tifoide e o HIV continuam problemáticas) (Olsson, 2002). O risco económico (P13 a P18) resulta de uma alteração significativa na estrutura económica ou na taxa de crescimento que produz uma mudança importante no retorno esperado de um investimento (White e Fan, 2006). Segundo Meldrum (2000), pode existir alguma sobreposição entre risco económico e risco político uma vez que ambos lidam com política. Olsson (2002) é da mesma opinião ao defender que as vulnerabilidades económicas em países emergentes podem estar associadas a debilidades estruturais ou à má gestão. A excessiva dependência de alguns destes países relativamente a algumas commodities, cujos preços flutuam descontroladamente, é um exemplo do primeiro aspeto. Quanto aos fatores relacionados com a deficiente intervenção estatal na economia, Olsson (2002) aponta a tendência para o controlo do Estado de alguns setores como os serviços públicos, os serviços financeiros e os transportes; a proteção excessiva da indústria nacional; o controlo e subsidiação de preços; mau investimento e gastos do governo muitas vezes desperdiçados em planos grandiosos e compra de armamentos; base tributária inadequada; frequente
16 monetarização da dívida com o consequente movimento inflacionário. Outras dificuldades de cariz económico, que estão normalmente associadas a países emergentes, são a reduzida dimensão e o baixo nível de sofisticação dos mercados financeiros (e.g. maioria dos países africanos) e mercados de capitais pouco diversificados, ilíquidos e com falta de transparência (Olsson, 2002). As obras de construção em países em desenvolvimento são normalmente financiadas recorrendo à poupança interna ou a recursos financeiros do exterior (Jaselskis e Talukhaba, 1998) pelo que o setor está exposto ao risco económico do país. O risco económico pode ser subdividido em risco de performance económica, risco de inflação, risco de volatilidade cambial, risco de aumento das taxas de juro, risco da dívida soberana e riscos de infraestruturas. O crescimento do PIB per capita constitui usualmente a medida utilizada para aferir o risco de performance económica (P13) de um país (White e Fan, 2006). Na literatura, a relação de causalidade entre o crescimento do PIB e o influxo de IDE está bem suportada (Wyk e Lal, 2008): o rápido crescimento económico aumenta a confiança dos investidores estrangeiros em levar a cabo o IDE nos setores industriais, bens de consumo duráveis e infraestruturas. O elevado crescimento de algumas economias emergentes, associado há enorme necessidade de quase todos os tipos de construção (e.g. setor energético, estradas, hospitais, habitação e manutenção de infraestruturas existentes) nestes países (Jaselskis e Talukhaba, 1998), tem constituído um importante fator de atração para empresas de construção de países industrializados (Birgonul e Dikmen, 2001). A taxa de inflação (P14) pode ser considerada como um indicador da qualidade da gestão económica de um país (White e Fan, 2006). As empresas, quando confrontadas com um ambiente de alta inflação, vão deparar-se com incertezas ao nível do planeamento e orçamentação de longo prazo; a literatura tende a apoiar o argumento de que a alta inflação ou hiperinflação em países em desenvolvimento inibe os fluxos de IDE (Wyk e Lal, 2008). O risco cambial (P15) inclui movimentos inesperados e adversos na taxa de câmbio ou uma mudança inesperada no regime cambial (Meldrum, 2000). Segundo White e Fan (2006), mesmo pequenas flutuações podem ser problemáticas se o valor da moeda do
23 forma de singularização dos poucos temas mais importantes e dominantes. (…) A imagem simplificada permite que tanto o investigador como o decisor se concentrem no que é importante…” (Sjöberg, 2000: 415). No campo da metodologia quantitativa, apesar de existirem métodos complexos para medir “intensidades subjetivas” estes não têm gerado dados superiores a métodos mais simples, pelo que, Sjöberg (2000) recomenda a utilização de métodos práticos e bem desenvolvidos de atitude e escala psicológica para a medição da perceção do risco. Segundo este autor, não é difícil medir as crenças e atitudes sobre perceção de risco: “As pessoas podem ser convidadas a fazer avaliações de dimensão do risco percebido numa escala, digamos, de 0 (nenhum risco) através de um número de categorias definidas até um máximo risco, talvez definida como um risco muito grande” (Sjöberg, 2000: 409). A este respeito, Miller (1993) adverte contra o uso casual de respostas únicas para representar construções ao nível organizacional. Sjöberg (2000) acrescenta ainda que escalas de categorias com um número limitado de respostas (5 a 7) parecem ser preferíveis; a existência de muitas categorias pode ser confusa. Quando um gestor se vê confrontado com um grande número de fontes de risco e com a consequente impraticabilidade de tentar geri-los a todos, a tendência natural é procurar definir e atribuir-lhes uma ordem de prioridade (Ward, 1999). Este processo pode ser “desconfortável” na medida em que é difícil identificar, a priori, quais os riscos mais significativos e definir para quantos destes vale a pena levar a cabo uma gestão específica e tratamento individual. Na investigação, a avaliação do risco em projetos de construção é tradicionalmente efetuada recorrendo à opinião de peritos, medindo diretamente a sua perceção de risco através de perguntas tais como “Qual a importância deste fator de risco?” (Lu e Mo, 2009). Vários tipos de escala numérica são utilizados para quantificar as respostas (e.g. importância, criticidade ou significância dos riscos). A pontuação média é posteriormente utilizada para classificar a importância relativa destes fatores de risco em ordem decrescente (e.g. Birgonul e Dikmen, 2001; ZarkadaFraser e Fraser, 2002; Wang et al., 2004). Uma abordagem alternativa, usualmente adotada, é a de considerar dois atributos para cada risco: o nível de probabilidade de ocorrência do risco() e o grau de impacto ou o nível de perda se o risco ocorre() (e.g. Zhi, 1995; Shen et al., 2001; Fang et al., 2004; Zou et al., 2007; El-Sayegh, 2008;
24 Roumboutsos e Anagnostopoulos, 2008; Chan et al., 2011). A importância do risco, representada por, pode ser assim descrita como função destes dois atributos: = ( , ) (2.1) É solicitado ao respondente que expresse a sua perceção acerca da probabilidade de ocorrência e do grau de impacto associado a um determinado fator em especial. O produto destes (“valor esperado”) é então tomado como base para gerar uma ordenação dos riscos: = (2.2) = ∑ (2.3) em que = avaliação da importância do risco pelo respondente ; = avaliação da probabilidade de ocorrência do risco pelo respondente ; = avaliação da severidade do impacto do risco pelo respondente ; = índice de importância do risco ; e = número total de respondentes. Apesar de largamente utilizada, esta última abordagem não está isenta de críticas, sendo que alguns autores consideram mesmo que o ranking dos riscos obtido de acordo com este método pode ser enganoso. Segundo Williams (1996), o tratamento correto dos riscos requer a consideração, de forma isolada, de ambas as dimensões referidas: impacto e probabilidade. Este autor acrescenta ainda que a utilização do método do “valor esperado” pode levar a que sejam ignorados riscos com uma menor probabilidade de ocorrência mas com um elevado nível de impacto nos objetivos do projeto (e.g. tsunami, terrorismo, etc.). Através da investigação empírica que levaram a cabo, Lu e Mo (2009) concluem que a classificação e ordenação dos riscos resultantes da aplicação dos dois métodos anteriormente referidos (tradicional ou “valor esperado”) é significativamente diferente. Apesar de não apontarem qual das duas metodologias será a mais correta, estes autores argumentam que o uso direto da perceção de risco (método tradicional) pode induzir uma maior atenção sobre os riscos com maior impacto e levar a que riscos que apresentem somente uma alta probabilidade de ocorrência sejam ignorados. Por outro lado, a abordagem do “valor esperado” permite
25 formar nos respondentes uma visão mais compreensiva e abrangente da perceção subjetiva do risco (Lu e Mo, 2009). Ward (1999) acrescenta que, numa fase mais precoce de uma análise de risco, quando as informações sobre os riscos individuais são limitadas e a especificação da sua importância não necessita de ser muito precisa, esta última abordagem poder ser conveniente. Em resposta às limitações apontadas à abordagem do “valor esperado”, Andi (2006) faz uma análise e tratamento separado para as dimensões de probabilidade e impacto do risco no seu estudo. El-Sayegh (2008), apesar de ordenar a importância dos riscos em função do produto da probabilidade com o impacto, apresenta também no seu estudo uma matriz probabilidade-impacto através da qual compara a posição relativa dos riscos para ambas as dimensões referidas. 2.3 Fundamentação da população-alvo O papel dos expatriados e repatriados, enquanto portadores de conhecimento dentro das multinacionais, tem sido reconhecido em vários estudos (e.g. Makela, 2007; Crowne, 2009; Enderwick, 2011). Tradicionalmente, os expatriados são vistos como ‘exportadores’ de conhecimento e de práticas organizacionais da sede para as subsidiárias (Makela, 2007). Mais recentemente, a literatura tem também vindo a reconhecer a importância da transferência de conhecimento de volta para a organização de origem durante a repatriação. “As informações recolhidas a partir de expatriados e repatriados podem ser úteis na instituição de mudanças produtivas na organização, tais como um melhor entendimento do mercado local, conhecimento sobre a cultura estrangeira, a compreensão do ambiente macroeconómico e/ou infraestrutura de distribuição.” (Crowne, 2009: 141). Dadas as suas experiências, é provável que estes funcionários adquiram conhecimentos e competências que muitas vezes não podem ser obtidos a partir de outros meios tais como a formação ou literatura (Crowne, 2009). Face a outras fontes de informação às quais as empresas podem recorrer, tais como agências de informação pública, missões no exterior, intermediários de exportação, etc., o recurso aos expatriados pode ser particularmente atraente dado permitir obter um elevado nível de conhecimento com menor custo (Enderwick, 2011). 2.4 Descrição do inquérito e procedimento de recolha de dados Com base na revisão da literatura foi construído um questionário, constituído na sua maioria por perguntas fechadas, com o objetivo de aferir a perceção dos inquiridos
26 relativamente à relevância dos diversos riscos identificados. Previamente à sua implementação, este foi ajustado com base no feedback de um pré-teste realizado junto de académicos e alguns respondentes pertencentes à população-alvo em causa. O propósito da investigação foi claramente explicado a todos os respondentes sendo garantida a estrita confidencialidade do questionário. Este é constituído por três partes principais (Anexo 1). A primeira parte destina-se a recolher a opinião do respondente acerca do mercado de construção em Angola, designadamente no que toca a aspetos operacionais, financeiros, competitividade, etc. que podem afetar a operação das empresas de construção portuguesas (15 riscos). A segunda parte destina-se a recolher a opinião genérica acerca do contexto político, económico e cultural do país (Angola) (22 riscos). Em ambas as questões referidas é solicitado ao respondente que, para cada risco em causa, expresse a sua perceção relativamente à: Probabilidade de ocorrência destes eventos e/ou das empresas de construção portuguesas se depararem com estas dificuldades (); Impacto (severidade das consequências) nas empresas de construção portuguesas admitindo que estes problemas/riscos ocorrem (). Para a aferição da probabilidade de ocorrência e da potencial severidade do impacto dos diferentes riscos foi adotado um sistema de classificação numa escala do tipo Likert, com 5 pontos (1:muito improvável, 2:improvável, 3:neutro, 4:provável, 5:muito provável e 1:muito pequeno, 2:pequeno, 3:moderado, 4:grande, 5:muito grande, respetivamente). A terceira parte destina-se a recolher informações gerais acerca dos respondentes (categoria profissional, anos de experiência profissional em Angola e habilitações literárias) e das respetivas organizações (âmbito de atividade principal e antiguidade de laboração em Angola). Apesar do presente estudo se centrar na atividade específica das empresas de construção (empreiteiros) foram também incluídos respondentes a trabalhar em empresas de todo o espetro de serviços relacionados com o setor da construção, nomeadamente, empresas de fiscalização, gabinetes de projeto e empresas de consultadoria. Acredita-se que, apesar de o âmbito de atividade ser distinto, a forte inter-relação no funcionamento destas gera um grande conhecimento no que diz respeito à realidade das empresas de construção. Para além destas questões relacionadas com
27 aspetos demográficos, foi incluída nesta parte uma pergunta aberta (facultativa) onde é solicitada a indicação de outros riscos, não incluídos no questionário, relacionados com Angola ou com o seu mercado de construção, e considerados relevantes para as empresas de construção portuguesas. Por fim, foi incluída uma questão em que é solicitada a opinião genérica do respondente relativamente ao grau de atratividade do mercado de construção angolano para as empresas de construção portuguesas. Os potenciais respondentes foram identificados através de contactos pessoais e através da rede social Linkedin (http://pt.linkedin.com/). Foi adotada a técnica de amostragem do tipo bola de neve (snowball): na parte final do questionário e no próprio email de apresentação é solicitado ao respondente que o reencaminhe para outros expatriados portugueses da sua rede de contactos, desde que a trabalhar no setor da construção em Angola. A amostragem do tipo bola de neve é comummente utilizada quando é difícil identificar os membros da população desejada sendo que, muitas vezes, esta constitui a única opção possível (Saunders et al., 2009). O questionário foi implementado online através da ferramenta de inquéritos disponibilizada pela empresa de software baseado na web SurveyGizmo (http://www.surveygizmo.com/). A colocação online foi efetuada no dia 5 de abril de 2012 e foram obtidas, durante o referido mês, um total de 66 respostas (58 completas e 8 parciais). Respostas múltiplas de um mesmo respondente foram evitadas através de um browser cookie que impede mais do que uma resposta por computador. Foi também possível, através da ferramenta de inquéritos referida, identificar os dados geográficos (país, cidade e coordenadas geográficas) relativos ao local em que cada respondente acedeu ao questionário. Grande parte dos respondentes (62,1%) foi localizada em Luanda, Angola. A maioria dos restantes (21,2%) encontrava-se em Portugal, o que pode ser, em parte, justificado pela coincidência com o período de férias da Páscoa. Algumas respostas pontuais foram localizadas na Namíbia, Brasil e Quénia.
28 Capítulo 3. Riscos Associados ao IDE em Angola: O Caso das Empresas de Construção Portuguesas. Discussão dos Resultados. 3.1 Considerações introdutórias O Capítulo 3 contém uma análise descritiva (Secção 3.2) e exploratória dos dados (Secção 3.3). Na Secção 3.2 é efetuada uma breve caracterização dos respondentes (Secção 3.2.1), é testada a fiabilidade do questionário com recurso ao índice alfa de Cronbach (Secção 3.2.2) e é apresentada a hierarquia dos riscos com base nos resultados obtidos através do questionário (Secção 3.2.3). Através da análise exploratória (Secção 3.3) pretende-se averiguar eventuais diferenças na perceção dos riscos entre os respondentes. Com o intuito de definir o tipo de testes estatísticos a empregar (paramétricos ou não paramétricos) foi previamente testada a hipótese de normalidade da distribuição e homogeneidade das variâncias para as variáveis em estudo (Secção 3.3.1). Na Secção 3.3.2 são analisadas as diferenças na perceção dos riscos em função da categoria profissional e do âmbito de atividade da organização dos respondentes (diferença de médias). Na Secção 3.3.3 é examinada a forma como a experiência profissional dos respondentes e a antiguidade das suas organizações em Angola se relacionam com a perceção dos riscos (análise de correlação). No apoio à análise estatística efetuada foi utilizado o software SPSS - Statistical Package for Social Sciences, versão 20. 3.2 Análise descritiva e discussão dos resultados 3.2.1 Caracterização da amostra A Tabela 3 apresenta um sumário do perfil dos respondentes. Apesar do número total de respostas ser limitado (66, das quais 58 são completas) a confiabilidade dos resultados do inquérito deverá ser elevada uma vez que uma grande proporção dos respondentes ocupa uma posição elevada na hierarquia das suas empresas (58,6% executivos, administradores ou em cargos de direção/chefia) e possui elevadas habilitações literárias (93,1% com ensino superior). Quanto à sua experiência profissional em Angola,
29 excluindo o valor extremo (outlier) de um respondente com 28 anos, a média desta variável situa-se nos 4,58 anos (s = 3,13 anos). Tabela 3 - Caraterização dos Respondentes Categoria Respondentes Número % Categoria profissional Administração/Executivo Direção/Chefe de departamento Quadro técnico Administrativo/Controlo de Gestão 8 26 21 3 13.79 44.83 36.21 5.17 Anos de experiência em Angola < 4 anos 4-8 anos > 8 anos 27 24 7 46.55 41.38 12.07 Âmbito de atividade da organização Empreiteiro Gabinete de Projetos Fiscalização Consultadoria 46 6 3 3 79.31 10.34 5.17 5.17 Antiguidade da organização em Angola < 10 anos 10-20 anos 21-30 anos >30 anos 25 20 7 6 43.10 34.48 12.07 10.34 Fonte: Autor. A maioria dos respondentes trabalha em empresas de construção (79,3%). Uma grande parte das empresas representadas está implantada em Angola há menos de 10 anos (43,1%). No entanto, dada a grande variabilidade obtida na antiguidade das empresas em Angola (média de 16,34 anos; s = 16,61 anos), fica patente a representação na amostra de empresas da mais recente vaga de investimento neste país bem como daquelas que já estão consolidadas neste mercado. 3.2.2 Fiabilidade do questionário A fiabilidade de uma medida (ou neste caso questionário) refere-se à sua capacidade de refletir a construção que se está a medir. Se um instrumento de medida dá sempre os mesmos resultados, quando aplicado a alvos estruturalmente iguais, podemos confiar no significado da medida e dizer que esta é fiável (Fang et al., 2004; Field, 2009).
30 A fiabilidade/consistência interna do questionário implementado no presente estudo (grau de correlação entre os itens incluídos na escala) foi testada com recurso à medida mais comummente utilizada para este efeito: o índice alfa de Cronbach () (Fang et al., 2004; Field, 2009). Este índice estima o quão uniformemente os itens de uma escala contribuem para a soma não ponderada do instrumento, variando de 0 a 1. Esta propriedade é conhecida por consistência interna da escala pelo que o pode ser interpretado como o coeficiente médio de todas as estimativas de consistência interna que se obteriam se todas as divisões possíveis da escala fossem feitas (Field, 2009). Apresentam-se na Tabela 4 os valores de de Chronbach obtidos. Segundo Field (2009), se um questionário for constituído por subescalas o teste deve ser aplicado separadamente para cada uma destas. O teste foi então aplicado isoladamente aos dois níveis de risco constituintes do questionário – risco do país (P1 a P22) e risco da indústria ou mercado (M1 a M15) – e aos dois tipos de questões que o compõe – probabilidade de ocorrência e severidade do impacto. Tabela 4 - Análise de Fiabilidade ao Questionário Grupo de Risco Índice alfa de Cronbach ( ) Probabilidade Impacto Risco do País (P1 a P22) .836 .893 Risco do Mercado (M1 a M15) .737 .807 Fonte: Autor. É geralmente aceite que para valores de superiores a .7 o instrumento ou teste é classificado como tendo fiabilidade apropriada (Fang et al., 2004; Field, 2009). Os resultados mostram que os itens incluídos em ambas as escalas de risco são fiáveis uma vez que todos os valores de variam entre .74 e .89. 3.2.3 Ranking dos riscos Com base nos resultados do questionário, e adotando a escala numérica apresentada na Secção 2.4, calcularam-se, para cada risco, as médias dos valores de probabilidade de ocorrência ( é ) e da severidade do impacto ( é ). Através da aplicação das equações 2.2 e 2.3 foi obtido o respetivo índice de importância (), com base no qual se efetuou a ordenação final dos riscos apresentada na Tabela 5.
31 Tabela 5 - Hierarquia dos Riscos ID Risco Índice de Importância Probabilidade Impacto Ord. é Ord. é Ord. P8 Vistos de Trabalho 21.29 1 4.59 1 4.56 1 P9 Funcionamento da Justiça 19.54 2 4.51 3 4.17 5 P19 Corrupção 19.42 3 4.56 2 4.17 4 M13 Atrasos Pagamentos 19.12 4 4.20 10 4.47 2 M3 Qualidade Mão de Obra Local 18.42 5 4.41 4 4.08 7 P20 Burocracia 18.32 6 4.36 5 4.05 8 P5 Repatriação de Lucros 18.25 7 4.25 8 4.12 6 P6 Incumprimento de Contratos pelo Estado 17.85 8 3.98 12 4.31 3 M10 Preço Materiais de Construção 17.58 9 4.35 6 3.92 10 P18 Infraestruturas e Serviços Públicos 17.24 10 4.25 7 3.92 11 M11 Custo Equipamentos de Construção 16.79 11 4.20 9 3.85 14 P16 Taxas de Juro 16.02 12 3.85 13 4.00 9 P17 Dívida Pública 16.00 13 3.81 15 3.92 12 P10 Regulamentação do Estado 15.64 14 3.85 14 3.88 13 M1 Instabilidade Laboral 14.95 15 4.08 11 3.61 19 M15 Volatilidade Procura do Mercado 14.76 16 3.67 16 3.79 15 M14 Concorrência e Competição 14.29 17 3.67 17 3.67 17 M9 Qualidade Fornecedores 13.86 18 3.64 18 3.65 18 P21 Cultura 13.56 19 3.56 19 3.42 22 P13 Crescimento Económico 13.22 20 3.27 24 3.75 16 P7 Protecionismo a Empresas Locais 12.92 21 3.41 20 3.49 21 M2 Quantidade Mão de Obra Local 12.30 22 3.27 22 3.32 27 M4 Quantidade Materiais de Construção 12.23 23 3.29 21 3.50 20 P12 Insegurança e Atividade Criminal 11.93 24 3.19 26 3.36 26 P15 Taxas de Câmbio 11.71 25 3.19 27 3.36 25 P14 Inflação 11.63 26 3.27 23 3.37 24 M8 Quantidade Fornecedores 11.38 27 3.23 25 3.24 28 M7 Qualidade Equipamentos de Construção 10.85 28 3.17 28 3.18 30 M6 Quantidade Equipamentos de Construção 10.74 29 3.12 30 3.23 29 M5 Qualidade Materiais de Construção 10.64 30 3.12 29 3.12 32 P2 Impostos 10.37 31 3.02 31 3.10 33 P3 Quotas de Importação/Exportação 9.97 32 2.90 32 3.02 34 P1 Instabilidade Política 9.31 33 2.39 36 3.41 23 P4 Expropriação/Nacionalização 8.95 34 2.47 34 3.14 31 P11 Instabilidade Social 8.02 35 2.42 35 2.95 35 P22 Riscos Naturais 7.63 36 2.53 33 2.78 36 M12 Custo Mão de Obra Local 3.29 37 1.64 37 1.74 37 Fonte: Autor. De acordo com o índice de importância (escala 1-25), o risco mais significativo ( = 21.29, = 5.51) está relacionado com dificuldades para obtenção de vistos de trabalho para mão de obra estrangeira (P8). Em Angola, a demora para obtenção de um visto de trabalho obriga as empresas a recorrerem temporariamente ao visto ordinário
32 (visto de turista ou de negócios de curta duração), o qual só pode ser renovado até um máximo de 90 dias. Com o objetivo de eliminar barreiras ao desenvolvimento das atividades das empresas e do investimento nos territórios de ambos os Estados foi assinado, em 15 de setembro de 2011, um protocolo entre Portugal e Angola sobre facilitação de vistos (de curta e de longa duração). No entanto, de acordo com o reportado pela AICEP (2011b) em dezembro desse ano, as melhorias esperadas na celeridade processual e na facilitação de concessão de vistos ainda não se verificaram totalmente. Dois dos respondentes defendem que o facto da obtenção de vistos por parte de angolanos para Portugal ser mais demorado e restrito do que o processo inverso pode constituir uma possível justificação para a não resolução deste problema (réplica, por parte das autoridades angolanas, à não reciprocidade no tratamento). Um outro aponta que o facto de os vistos serem de curta duração (três anos, no máximo quatro) tem como consequência um enfoque excessivo dos expatriados no curto prazo, levando a atitudes de “falta de civismo, arrogância e elevada falta de honestidade”. O segundo risco considerado como mais importante ( = 19.42, = 6.72) é o mau funcionamento da justiça (P9). Este está usualmente relacionado com a resolução morosa de litígios, com a não aplicação consistente das leis ou com a inexistência de um quadro legal relativamente a aspetos relevantes associados ao funcionamento das empresas estrangeiras (e.g. falências, direitos de propriedade, etc.). Os resultados obtidos vão de encontro ao que é apresentado pela Doing Business 2012. No indicador enforcing contracts, o qual mede a eficiência do sistema judicial na resolução de uma disputa comercial nos tribunais locais, Angola está posicionada em 181 no ranking de 183 economias (World Bank, 2012). Segundo a AICEP (2011b), as diferenças entre os dois sistemas jurídicos (português e angolano) não devem ser subestimadas uma vez que é aqui que residem muitos dos principais conflitos contratuais. A este respeito, um dos respondentes realça a inexistência de regulamentação no setor da construção e a falta de enquadramento legal relativo a obras públicas. O terceiro risco considerado como mais importante está relacionado com o elevado nível de corrupção (P19) enfrentado pelas empresas estrangeiras ( = 19.42, = 6.13). Este é visto como um importante obstáculo ao normal desenvolvimento das atividades económicas, sendo normalmente associado à imposição de um custo adicional nos negócios e à incerteza quanto aos custos efetivos. Angola é
39 respondentes, os riscos considerados como mais importantes (maior probabilidade e maior impacto) são também mais dominantes e característicos em Angola. Quando questionados acerca da atratividade do mercado de construção angolano para as empresas portuguesas (última questão do questionário; escala 1-5), verifica-se um forte consenso entre os respondentes ( )* =.738 ) na sua classificação como sendo moderada/alta (> = 3.60, = 0.724). Face aos resultados obtidos na análise dos riscos, os quais revelaram uma importância não negligenciável para a grande maioria destes, poderá daqui especular-se que a atratividade do mercado estará associada a uma expetativa de maior rentabilidade (margens de lucro) no curto prazo e/ou a um elevado potencial de crescimento do mercado no longo prazo. 3.3 Análise exploratória 3.3.1 Normalidade e homogeneidade da variância A normalidade da distribuição das variáveis foi aferida com base no teste de Kolmogorov–Smirnov. Este compara os valores da amostra com um conjunto de valores normalmente distribuídos, com a mesma média e desvio-padrão (Field, 2009). A distribuição de cada uma das variáveis foi analisada para a amostra global assim como para as amostras correspondentes aos grupos que se pretendem comparar (ver Secção 3.3.2): quadros de chefia vs. quadros técnicos e empreiteiros vs. outros âmbitos de atividade. A verificação da homogeneidade das variâncias entre os grupos (outro dos pressupostos relativos aos testes paramétricos) foi levada a cabo com base no teste de Levene. Este testa a hipótese nula de que as variâncias em grupos diferentes são iguais, isto é, a diferença entre os desvios é zero (Field, 2009). Através da análise dos resultados (Anexo 3) é possível constatar que o pressuposto de homogeneidade das variâncias entre os grupos se verifica para a maior parte das variáveis (i.e. p > .05). Todavia, o mesmo não se verifica relativamente ao pressuposto de normalidade das distribuições. Todas as variáveis apresentam uma distribuição significativamente diferente da normal (i.e. p < .05) para a amostra global. Com algumas exceções, é também possível verificar que a maioria das variáveis apresenta uma distribuição significativamente diferente da normal (i.e. p < .05) para cada um dos grupos referidos. Face ao exposto, foram utilizados testes não paramétricos para analisar os dados obtidos.
40 3.3.2 Categoria profissional e âmbito de atividade da organização Tendo em vista averiguar possíveis disparidades (diferenças de médias) na perceção entre respondentes, estes foram organizados de duas formas distintas: em função da sua categoria profissional e em função do âmbito de atividade da organização em que trabalham. Na primeira (categoria profissional), a amostra é agrupada em quadros de chefia (administradores/executivos e diretores/chefes de departamento; 58.6%) e em quadros técnicos (engenheiros, arquitetos, encarregados, administrativos, etc.; 41.4%). Pretende-se assim avaliar se as funções desempenhadas e a posição na hierarquia da empresa explicam diferenças na perceção dos riscos. Na segunda subdivisão (âmbito de atividade da organização), a amostra é separada pelos expatriados que trabalham em empresas de construção (empreiteiros; 79.3%) e noutras categorias (gabinetes de projeto, empresas de fiscalização e empresas de consultadoria; 20.7%). Com esta análise pretende-se validar a opção de incluir os expatriados a trabalhar nestas empresas (que não os empreiteiros) no estudo (Secção 2.4). Para identificar diferenças na perceção dos riscos para os grupos anteriormente referidos foi adotado o teste de Mann–Whitney. Este corresponde ao equivalente não paramétrico do teste t para amostras independentes (independent t-test) e funciona através da identificação de diferenças na posição relativa das variáveis (rankings) em grupos distintos (Field, 2009). Os resultados são apresentados na Tabela 6. Tabela 6 - Resultados do teste de diferença de Médias ID Risco Ord Probabilidade ( @ ) Impacto ( A ) (a) Quadros chefia vs. Quadros técnicos Empreiteiro vs. Outros Quadros chefia vs. Quadros técnicos Empreiteiro vs. Outros M2 Quantidade Mão de Obra Local 22 .034 M12 Custo Mão de Obra Local 37 .045 M15 Volatilidade Procura do Mercado 16 .009 P2 Impostos 31 .028 P9 Funcionamento da Justiça 2 .041 P14 Inflação 26 .015 P15 Taxas de Câmbio 25 .018 P16 Taxas de Juro 12 .045 .016 P17 Dívida Pública 13 .001 .005 P19 Corrupção 3 .048 Fonte: Autor. Nota: (a) – ordenação dos riscos obtida com base em IR (Tabela 5); exact p < .05, two-tailed
41 Segundo a opinião dos quadros de chefia, a probabilidade de ocorrência dos riscos de taxas de juro (Mdn = 4,00), dívida pública (Mdn = 5,00) e volatilidade da procura no mercado (Mdn = 4,00) é significativamente superior do que a percecionada pelos quadros técnicos (Mdn = 4,00, Mdn = 3,00 e Mdn = 3,00, respetivamente), U = 286.50, z = -2.00, p < .05, r 3 = -.26; U = 215.50, z = -3.17, p < .01, r = -.42; U = 249.00, z = - 2.61, p < .01, r = -.34. A severidade do impacto dos riscos de taxa de juro (Mdn = 4,50) e de dívida pública (Mdn = 5,00) é também percecionada de forma significativamente mais gravosa pelos quadros de chefia do que pelos quadros técnicos (Mdn = 4,00 e Mdn = 3,50, respetivamente), U = 264.00, z = -2.40, p < .05, r = -.32; U = 240.50, z = -2.79, p < .01, r = -.37. A justificação para estas diferenças encontradas na perceção dos riscos poderá ser atribuída às funções e responsabilidades profissionais inerentes a cada um dos grupos. Sendo os quadros de chefia responsáveis pela gestão global da empresa, nomeadamente no que toca à estabilidade, volume de negócio e financiamento, poderão ser assim mais sensíveis a estes problemas do que os quadros técnicos. Para além destes, o impacto da eventual falta de mão de obra local (Mdn = 4,00) e da corrupção (Mdn = 5,00) são também percecionados como mais importantes pelos quadros de chefia do que pelos quadros técnicos (Mdn = 2,50 e Mdn = 4,00, respetivamente), U = 277.00, z = -2.12, p < .05, r = -.28; U = 292.00, z = -1.97, p < .05, r = -.26. A análise dos resultados demonstra assim que a perceção da importância dos riscos por parte dos quadros de chefia é tendencialmente superior (mais gravosa) à dos quadros técnicos. Os expatriados a trabalhar em empresas de construção (Mdn = 3,00) consideram como mais provável um elevado nível de imposto dirigido a empresas estrangeiras do que os que trabalham noutras empresas (Mdn = 2,50), U = 169.00, z = -2.15, p < .05, r = -.28. Por outro lado, os riscos económicos do país relacionados com a inflação (Mdn = 4,00) e volatilidade cambial (Mdn = 4,50) são vistos como mais prováveis pelos respondentes de empresas de outros âmbitos de atividade do que dos de empreiteiros (Mdn = 3,00 para ambos os riscos), U = 158.00, z = -2.37, p < .05, r = -.31; U = 159.00, z = -2.35, p < .05, r = -.31. Quanto à severidade do impacto dos riscos, os respondentes associados aos empreiteiros percecionam o mau funcionamento da justiça (Mdn = 5,00) e o eventual agravamento do custo da mão de obra local (Mdn = 1,50) como potencialmente 3 A magnitude do efeito (effect size), representado por r, corresponde à medida estandardizada (e por isso comparável) da dimensão do efeito observado. Calculado com base na equação = B √D ⁄. Para r = .1: efeito pequeno, r = .3: efeito médio e r = .5: efeito grande (Field, 2009).
42 mais importantes do que os respondentes de outras empresas (Mdn = 3,50 e Mdn = 1,00, respetivamente), U = 178.50, z = -2.04, p < .05, r = -.27; U = 181.00, z = -2.04, p < .05, r = -.27. A análise dos resultados demonstra assim que, de forma global, existe uma elevada similitude entre os respondentes associados aos empreiteiros e aos associados a empresas de outro âmbito de atividade uma vez que, das 74 questões (37 riscos) que constituem o questionário, estes só apresentem diferenças com significância em 5 destas. De referir ainda que não foram encontradas diferenças significativas na perceção da atratividade do mercado entre quadros de chefia (Mdn = 4,00) e quadros técnicos (Mdn = 4,00), U = 345.00, z = -1.10, ns, r = -.15, e entre os respondentes de empreiteiros (Mdn = 4,00) e de empresas de outro âmbito de atividade (Mdn = 3,00), U = 192.00, z = -1.79, ns, r = -.24. 3.3.3 Experiência profissional e antiguidade da organização em Angola Para analisar a influência da experiência adquirida pelos expatriados (anos de experiência profissional em Angola) e pela respetiva organização (antiguidade da organização em Angola) na perceção dos riscos recorre-se à análise de correlação. Para efetuar a análise bivariada de correlação foi adotado o, já anteriormente referido, coeficiente de correlação de Spearman (r s ), também usualmente designado por Spearman´s rho. O teste de correlação mais correntemente utilizado, o coeficiente de correlação de Pearson (r), requer apenas que os dados sejam intervalares para que este represente uma medida precisa da relação linear entre duas variáveis (Field, 2009). No entanto, para estabelecer a significância do coeficiente de correlação é necessário cumprir o pressuposto de os dados serem normalmente distribuídos (mais especificamente, que a distribuição de frequências das médias das amostras da mesma população – sampling distribution – siga uma função de probabilidades normal), o que não se verifica no presente caso (Secção 3.3.1). Por seu lado, o coeficiente de correlação de Spearman (r s ) é um teste não paramétrico cuja única restrição é a de que os dados sejam, no mínimo, ordinais (os dados distribuem-se segundo uma certa ordem). Tal como o teste de Mann–Whitney (e a generalidade dos testes não paramétricos), a análise do teste de Spearman (r s ) funciona com base na posição relativa dos dados (ranking) e não nos seus valores efetivos (Field, 2009). Os resultados são apresentados na Tabela 7.
43 Tabela 7 - Resultados da análise de Correlação (r s ) ID Risco Ord Probabilidade ( @ ) Impacto ( A ) (a) Experiência profissional em Angola Antiguidade da organização em Angola Experiência profissional em Angola Antiguidade da organização em Angola M1 Instabilidade Laboral 15 .38** M8 Quantidade Fornecedores 27 .31* M12 Custo Mão de Obra Local 37 .39** .27* M15 Volatilidade Procura do Mercado 16 -.30* P1 Instabilidade Política 33 -.33* P2 Impostos 31 -.29* -,29* P3 Quotas de Importação/Exportação 32 -.29* .28* .39** P8 Vistos de Trabalho 1 -.29* -.28* P11 Instabilidade Social 35 -.35** -.27* P12 Insegurança e Atividade Criminal 24 -.30* Fonte: Autor. Nota: (a) – ordenação dos riscos obtida com base em IR (Tabela 5); estatisticamente significativo a *p < .05, **p < .01 (two-tailed) A experiência profissional dos expatriados (anos em Angola) está significativa e positivamente relacionada com a perceção da probabilidade de ocorrência do risco de instabilidade laboral, ; =.38,< < .01 . Inversamente, quanto maior a experiência profissional em Angola menor é a perceção do risco de instabilidade política ( ; = −.33,< < .05), impostos a empresas estrangeiras ( ; =−.29,< < .05), dificuldades na obtenção de quotas de importação/exportação ( ; =−.29, < < .05), e instabilidade social ( ; =−.35,< < .01). Sob o ponto de vista do impacto dos riscos, a experiência profissional em Angola correlaciona-se negativamente com os impostos ( ; = −.29,< < .05), instabilidade social ( ; =−.27,< < .05) e insegurança e atividade criminal ( ; =−.30,< < .05). Poderá assim daqui inferir-se que profissionais com maior experiência em Angola têm, globalmente, uma visão menos gravosa dos possíveis riscos (probabilidade e impacto). Similarmente, num estudo recentemente publicado acerca da perceção da atratividade de África enquanto destino de IDE, constataram-se diferenças consideráveis nas opiniões em função do nível de experiência prévia adquirido. Investidores e líderes empresariais com menor (ou nenhuma) experiência em África têm, de uma forma contrastante, uma perceção negativa deste mercado citando como principais obstáculos a instabilidade política, a corrupção e a insegurança (Ernst & Young, 2012). No caso especifico do presente estudo, uma possível justificação para o facto pode ser adiantada com base na opinião de um dos respondentes, segundo o
44 qual, a perceção prevalecente e divulgada em Portugal acerca da sociedade civil angolana (corrupção, direitos, liberdades e garantias, etc.) é muito empolada. A probabilidade do risco de dificuldades para obtenção de vistos de trabalho ( ; = −.30,< < .05) e o seu respetivo impacto ( ; =−.28,< < .05) são negativamente relacionadas com a experiência (antiguidade) das empresas dos respondentes em Angola. Respondentes destas empresas também consideram o risco de volatilidade da procura no mercado menos provável, ; =−.30,< < .05. Esta propensão poderá ser justificada pelo facto destas empresas (mais antigas no mercado) serem tendencialmente de maior dimensão e, consequentemente, possuírem estruturas organizativas que lhes permitam gerir melhor estes riscos. Por outro lado, a probabilidade e o impacto do risco de elevado nível salarial dos trabalhadores locais ( ; =.39, < < .01 e ; =.27,< < .05, respetivamente) e de dificuldades na obtenção de quotas de importação/exportação ( ; =.28,< < .05 e ; =.39, < < .01 , respetivamente) está significativamente relacionada com a antiguidade das empresas dos respondentes em Angola. O impacto da eventual insuficiência de fornecedores e/ou subempreiteiros disponíveis é também percecionado como mais gravoso por respondentes destas empresas, ; =.31,< < .05. De referir ainda que a perceção do grau de atratividade do mercado de construção angolano não se correlaciona de forma significativa com o nível de experiência dos respondentes ( ; =.04, ) ou das suas empresas em Angola ( ; =.10, ).
45 Conclusão A expansão da atividade das empresas para mercados externos, caraterizados atualmente por uma constante e rápida mutação, requer inevitavelmente a consideração dos riscos associados. Esta é especialmente importante para setores que são altamente dependentes do clima geral, económico e político, bem como altamente suscetíveis à intervenção do governo, como é o caso da construção. Neste contexto, Angola apresenta um enorme potencial enquanto mercado de construção, necessitando urgentemente de infraestruturas. No entanto, o potencial do seu futuro está intimamente interligado com a implementação e progresso das suas reformas. Face à literatura existente, o presente estudo pretende providenciar uma visão holística acerca dos riscos associados à internacionalização através de IDE, no setor da construção, acompanhada por evidência empírica sobre a realidade de um país (Angola) com elevado destaque ao nível do investimento internacional. Os resultados deste estudo poderão ser úteis no campo da gestão do risco no setor da construção, particularmente para empresas que estejam atualmente a ponderar a entrada no mercado angolano, bem como para aquelas que atualmente já lá se encontrem instaladas. Com base numa revisão da literatura foram identificados trinta e sete riscos associados ao IDE, no setor da construção, para países emergentes e em desenvolvimento, e categorizados em dois níveis distintos: riscos do país e riscos do mercado ou indústria. Aproveitando o conhecimento e a experiência adquiridos pelos expatriados portugueses a trabalhar atualmente no setor da construção em Angola, foi implementado um inquérito com o objetivo de aferir a sua perceção acerca da importância relativa destes riscos para as empresas de construção portuguesas. Dezanove foram avaliados como prováveis ou muito prováveis de ocorrer em Angola ( é > 3.5) e vinte foram identificados como tendo um grande ou muito grande impacto nas empresas ( é > 3.5). Os 10 principais riscos encontrados são (1) a dificuldade para obtenção de vistos de trabalho, (2) o mau funcionamento da justiça, (3) a corrupção, (4) o atraso nos pagamentos, (5) a falta de qualidade da mão de obra local, (6) a burocracia, (7) as dificuldades para repatriação de lucros, (8) o incumprimento de contratos pelo Estado, (9) o elevado preço dos materiais de construção comprados localmente e (10) a insuficiente e inadequada provisão de infraestruturas e serviços públicos. Os riscos
46 classificados como pertencentes ao nível de risco do país, e particularmente aqueles relacionados com as políticas governamentais, são considerados como mais importantes do que os arrolados especificamente ao mercado ou setor da construção. Verificou-se, tendencialmente, um maior grau de concordância entre os respondentes relativamente aos riscos classificados como mais importantes. A maioria dos riscos considerados foi associada a um elevado nível de importância, ficando patente a preocupação prevalecente no âmbito do setor e a necessidade premente de melhores estratégias de gestão de risco. Não obstante estes resultados, o mercado de construção em Angola é, ainda assim, associado pela generalidade dos respondentes a um elevado nível de atratividade. A perceção da importância dos riscos por parte dos quadros de chefia é tendencialmente superior à dos quadros técnicos, particularmente para os relacionados com as taxas de juro, dívida soberana e volatilidade da procura no mercado. Há uma grande semelhança na forma como respondentes de empreiteiros e respondentes pertencentes a empresas de outro âmbito de atividade (gabinetes de projeto, empresas de fiscalização e empresas de consultadoria) classificam a importância dos riscos em causa. Profissionais com maior experiência em Angola têm, tendencialmente, uma visão menos gravosa dos possíveis riscos, particularmente no que toca aos riscos políticos relacionados com instabilidade política, instabilidade social e insegurança e atividade criminal. Respondentes pertencentes a empresas com mais antiguidade em Angola, e provavelmente de maior dimensão, atribuem uma menor importância aos riscos de dificuldades para obtenção de vistos de trabalho e de volatilidade da procura no mercado. A principal limitação do estudo reside no facto de as conclusões tiradas serem apenas indicativas, dada a pequena dimensão da amostra. Não obstante, os resultados da pesquisa poderão ser valiosos para futuros estudos nesta área. Os principais riscos identificados, tratados de forma genérica no presente estudo, poderão ser particularizados em investigações futuras e a análise pode ser complementada com a identificação e avaliação de medidas práticas para a sua mitigação. Outra investigação futura similar poderá permitir comparar os resultados obtidos neste estudo com outros mercados de interesse para as empresas de construção portuguesas, nomeadamente, Moçambique, Cabo Verde ou Brasil.
47 Referências AICEP (2010), “Angola – Dossier de Mercado.” http://www.portugalglobal.pt/PT/Biblioteca/Paginas/Homepage.aspx , acedido em 18 dezembro 2011. AICEP (2011a), “Angola – Ficha de Mercado.” http://www.portugalglobal.pt/PT/Biblioteca/Paginas/Homepage.aspx , acedido em 18 dezembro 2011. AICEP (2011b), “Angola – Oportunidades e Dificuldades do Mercado.” http://www.portugalglobal.pt/PT/Biblioteca/Paginas/Homepage.aspx , acedido em 12 maio 2012. Andi (2006), “The importance and allocation of risks in Indonesian construction projects.” Construction Management and Economics, 24 (1), 69-80. Asiedu, E. (2002), “On the determinants of foreign direct investment to developing countries: Is Africa different?” World Development, 30(1), 107-119. Birgonul, T. e Dikmen, I. (2001), “Risks borne by foreign contractors doing business in Turkey”, in Akintoye, A. (ed.) Proceedings of ARCOM (Association of Researchers in Construction Management), University of Salford, 5(2), 845-853. Bouchet, M.; Clark, E. e Groslambert, B. (2003), Country Risk Assessment: A Guide to Global Investment Strategy. Chichester: Wiley. Caves, E. (1971), “International corporations: the industrial economics of foreign investment.” Economica, 38(149), 1-27. Chakrabarti, A. (2001), “The determinants of foreign direct investment: Sensitivity analyses of cross-country regressions.” Kyklos, 54(1), 89-114. Chan, D.; Chan, A.; Lam, P.; Yeung, J. e Chan, J. (2011), “Risk ranking and analysis in target cost contracts: Empirical evidence from the construction industry.” International Journal of Project Management, 29(6), 751-763. Chen, C. (2008), “Entry mode selection for international construction markets: The influence of host country related factors.” Construction Management and Economics, 26(3), 303-314.
48 Crowne, A. (2009), “Enhancing knowledge transfer during and after international assignments”, Journal of Knowledge Management, 13(4), 134-147. Dikmen, I. e Birgonul, T. (2006), “A review of international construction research: Ranko Bon's contribution.” Construction Management and Economics, 24(7), 725-733. El-Sayegh, M. (2008), “Risk assessment and allocation in the UAE construction industry “ International Journal of Project Management, 26(4) , 431-438. Enderwick, P. (2011), “Acquiring overseas market knowledge: a comparison of strategies of expatriate and immigrant employees”, Journal of Asia Business Studies, 5(1), 77-97. Ernst & Young (2012), “Building bridges: Ernst & Young's attractiveness survey 2012 - Africa”, http://emergingmarkets.ey.com/africa-attractiveness-survey-2/, acedido em 14 maio 2012. Fang, D.; Li, M.; Fong, P. e Shen, L. (2004), “Risks in Chinese construction market - Contractors' perspective.” Journal of Construction Engineering and Management, 130(6), 853-861. Field, A. (2009), Discovering statistics using SPSS, 3rd ed., London: Sage. FMI (1993), “Balance of Payments Manual.” http://www.imf.org/external/np/sta/bop/bopman.pdf, acedido em 9 outubro 2011. FMI (2010), “World Economic Outlook: Rebalancing Growth – Statistical Appendix.” http://www.imf.org/external/pubs/ft/weo/2010/01/pdf/statapp.pdf , acedido em 15 outubro 2011. Gastanaga, M.; Nugent, B. e Pashamova, B. (1998), “Host country reforms and FDI inflows: how much difference do they make?” World Development, 26(7), 12991314. Hastak, M. e Shaked, A. (2000), “ICRAM-1: Model for international construction risk assessment.” ASCE Journal of Management in Engineering, 16(1), 59-69.
55 3 - Categoria profissional* [ ] Administração/Executivo [ ] Direção/Chefe de departamento [ ] Quadro técnico (Diretor de obra, Projetista, Fiscal, Arquiteto, Encarregado, etc.) [ ] Administrativo/Controlo de Gestão [ ] Outra (especifique) 4 - Anos de experiência profissional em Angola* 5 - Habilitações literárias* ( ) Ensino Superior ( ) Ensino Secundário ( ) Ensino Básico (até ao 9º ano de escolaridade) 6 - Designação da empresa em que trabalha (facultativo) 7 - Âmbito de atividade principal da sua organização* [ ] Empreiteiro [ ] Fiscalização [ ] Gabinete de Projetos [ ] Consultadoria [ ] Outra (especifique) 8 - Número de anos de laboração da sua organização em Angola* 9 - Refira outros aspetos (riscos) que não estejam incluídos no presente questionário, relacionados com Angola ou com o seu mercado de construção, que considere relevantes para empresas de construção portuguesas. (facultativo) 10 - Tendo em conta as oportunidades e as potenciais ameaças associadas ao mercado de construção angolano atual indique qual é, na sua opinião, o grau de ATRATIVIDADE deste para as empresas de construção portuguesas.* Muito Baixa ( ) 1 ( ) 2 ( ) 3 ( ) 4 ( ) 5 Muito Alta
56 POR FAVOR REENCAMINHE O PRESENTE QUESTIONÁRIO PARA OUTROS EXPATRIADOS PORTUGUESES QUE EVENTUALMENTE CONHEÇA. Para qualquer esclarecimento, comentário adicional ou para solicitar um resumo dos resultados obtidos, por favor contacte [email protected]. Muito obrigado pela sua colaboração.
57 Anexo 2 – Resultados da análise de concordância entre respondentes: r WG ID Risco Probabilidade Impacto Ord. é s )* Ord. é s )* P8 Vistos de Trabalho 1 4.59 0.75 0.722 1 4.56 0.79 0.685 P9 Funcionamento da Justiça 3 4.51 0.90 0.597 5 4.17 1.07 0.428 P19 Corrupção 2 4.56 0.70 0.754 4 4.17 0.97 0.532 M13 Atrasos Pagamentos 10 4.20 1.03 0.474 2 4.47 0.73 0.735 M3 Qualidade Mão de Obra Local 4 4.41 1.01 0.493 7 4.08 1.04 0.457 P20 Burocracia 5 4.36 0.91 0.590 8 4.05 1.06 0.441 P5 Repatriação de Lucros 8 4.25 0.98 0.524 6 4.12 1.10 0.395 P6 Incumprimento de Contratos pelo Estado 12 3.98 0.99 0.509 3 4.31 0.99 0.513 M10 Preço Materiais de Construção 6 4.35 0.85 0.639 10 3.92 1.03 0.472 P18 Infraestruturas e Serviços Públicos 7 4.25 0.88 0.610 11 3.92 1.06 0.443 M11 Custo Equipamentos de Construção 9 4.20 0.93 0.566 14 3.85 1.06 0.442 P16 Taxas de Juro 13 3.85 1.01 0.486 9 4.00 0.98 0.517 P17 Dívida Pública 15 3.81 1.17 0.319 12 3.92 1.18 0.305 P10 Regulamentação do Estado 14 3.85 1.06 0.434 13 3.88 1.02 0.481 M1 Instabilidade Laboral 11 4.08 1.10 0.395 19 3.61 0.93 0.571 M15 Volatilidade Procura do Mercado 16 3.67 1.07 0.426 15 3.79 1.06 0.438 M14 Concorrência e Competição 17 3.67 0.92 0.579 17 3.67 1.00 0.503 M9 Qualidade Fornecedores 18 3.64 0.87 0.621 18 3.65 0.90 0.592 P21 Cultura 19 3.56 1.29 0.168 22 3.42 1.26 0.203 P13 Crescimento Económico 24 3.27 1.22 0.262 16 3.75 1.20 0.283 P7 Protecionismo a Empresas Locais 20 3.41 1.15 0.343 21 3.49 1.17 0.321 M2 Quantidade Mão de Obra Local 22 3.27 1.45 0.000 27 3.32 1.38 0.044 M4 Quantidade Materiais de Construção 21 3.29 0.99 0.511 20 3.50 1.15 0.335 P12 Insegurança e Atividade Criminal 26 3.19 1.24 0.233 26 3.36 1.40 0.021 P15 Taxas de Câmbio 27 3.19 1.20 0.285 25 3.36 1.21 0.263 P14 Inflação 23 3.27 1.05 0.451 24 3.37 1.07 0.433 M8 Quantidade Fornecedores 25 3.23 1.05 0.449 28 3.24 1.10 0.399 M7 Qualidade Equipamentos de Construção 28 3.17 1.09 0.406 30 3.18 1.02 0.478 M6 Quantidade Equipamentos de Construção 30 3.12 1.02 0.484 29 3.23 1.09 0.403 M5 Qualidade Materiais de Construção 29 3.12 0.97 0.531 32 3.12 1.22 0.254 P2 Impostos 31 3.02 1.11 0.388 33 3.10 1.20 0.281 P3 Quotas de Importação/Exportação 32 2.90 1.20 0.281 34 3.02 1.29 0.164 P1 Instabilidade Política 36 2.39 1.16 0.327 23 3.41 1.59 0.000 P4 Expropriação/Nacionalização 34 2.47 1.30 0.149 31 3.14 1.60 0.000 P11 Instabilidade Social 35 2.42 1.04 0.462 35 2.95 1.47 0.000 P22 Riscos Naturais 33 2.53 1.07 0.425 36 2.78 1.08 0.413 M12 Custo Mão de Obra Local 37 1.64 0.83 0.652 37 1.74 0.90 0.595 Média s )* Atratividade global do Mercado 3.60 0.72 0.738
58 Anexo 3 – Resultados dos testes de normalidade e homogeneidade de variâncias Tests of Normality - Kolmogorov-Smirnov a Grupo: Amostra global Riscos Probabilidade Impacto Statistic df Sig. Statistic df Sig. M1 ,276 66 ,000 ,240 66 ,000 M2 ,177 66 ,000 ,234 66 ,000 M3 ,373 66 ,000 ,252 66 ,000 M4 ,221 66 ,000 ,213 66 ,000 M5 ,238 66 ,000 ,188 66 ,000 M6 ,229 66 ,000 ,190 66 ,000 M7 ,258 66 ,000 ,232 66 ,000 M8 ,222 66 ,000 ,210 66 ,000 M9 ,268 66 ,000 ,226 66 ,000 M10 ,309 66 ,000 ,216 66 ,000 M11 ,290 66 ,000 ,209 66 ,000 M12 ,323 66 ,000 ,341 66 ,000 M13 ,329 66 ,000 ,358 66 ,000 M14 ,251 66 ,000 ,218 66 ,000 M15 ,213 66 ,000 ,216 66 ,000 P1 ,191 59 ,000 ,249 59 ,000 P2 ,206 59 ,000 ,195 59 ,000 P3 ,212 59 ,000 ,207 59 ,000 P4 ,176 59 ,000 ,183 59 ,000 P5 ,320 59 ,000 ,297 59 ,000 P6 ,237 59 ,000 ,353 59 ,000 P7 ,232 59 ,000 ,189 59 ,000 P8 ,402 59 ,000 ,422 59 ,000 P9 ,386 59 ,000 ,307 59 ,000 P10 ,201 59 ,000 ,224 59 ,000 P11 ,202 59 ,000 ,170 59 ,000 P12 ,202 59 ,000 ,185 59 ,000 P13 ,165 59 ,000 ,211 59 ,000 P14 ,229 59 ,000 ,213 59 ,000 P15 ,223 59 ,000 ,198 59 ,000 P16 ,194 59 ,000 ,218 59 ,000 P17 ,218 59 ,000 ,245 59 ,000 P18 ,292 59 ,000 ,255 59 ,000 P19 ,396 59 ,000 ,296 59 ,000 P20 ,321 59 ,000 ,273 59 ,000 P21 ,207 59 ,000 ,174 59 ,000 P22 ,213 59 ,000 ,182 59 ,000 Statistic df Sig. Atratividade global do Mercado ,312 58 ,000 a. Lilliefors Significance Correction
59 Tests of Normality - Kolmogorov-Smirnov a Grupo: Empreiteiros Outro âmbito de atividade Riscos Probabilidade Impacto Probabilidade Impacto Statistic df Sig. Statistic df Sig. Statistic df Sig. Statistic df Sig. M1 ,249 46 ,000 ,284 46 ,000 ,323 12 ,001 ,304 12 ,003 M2 ,173 46 ,001 ,209 46 ,000 ,180 12 ,200* ,284 12 ,008 M3 ,417 46 ,000 ,297 46 ,000 ,325 12 ,001 ,226 12 ,091 M4 ,232 46 ,000 ,208 46 ,000 ,226 12 ,091 ,206 12 ,170 M5 ,219 46 ,000 ,189 46 ,000 ,333 12 ,001 ,309 12 ,002 M6 ,233 46 ,000 ,200 46 ,000 ,166 12 ,200* ,161 12 ,200* M7 ,276 46 ,000 ,210 46 ,000 ,260 12 ,024 ,254 12 ,032 M8 ,208 46 ,000 ,223 46 ,000 ,250 12 ,037 ,200 12 ,200* M9 ,286 46 ,000 ,252 46 ,000 ,230 12 ,080 ,191 12 ,200* M10 ,311 46 ,000 ,242 46 ,000 ,400 12 ,000 ,207 12 ,163 M11 ,302 46 ,000 ,233 46 ,000 ,400 12 ,000 ,197 12 ,200* M12 ,331 46 ,000 ,314 46 ,000 ,374 12 ,000 ,490 12 ,000 M13 ,338 46 ,000 ,378 46 ,000 ,401 12 ,000 ,354 12 ,000 M14 ,273 46 ,000 ,262 46 ,000 ,293 12 ,005 ,261 12 ,024 M15 ,183 46 ,001 ,230 46 ,000 ,323 12 ,001 ,352 12 ,000 P1 ,188 46 ,000 ,262 46 ,000 ,166 12 ,200* ,201 12 ,194 P2 ,213 46 ,000 ,198 46 ,000 ,235 12 ,067 ,230 12 ,080 P3 ,210 46 ,000 ,213 46 ,000 ,226 12 ,091 ,207 12 ,167 P4 ,178 46 ,001 ,192 46 ,000 ,184 12 ,200* ,151 12 ,200* P5 ,362 46 ,000 ,312 46 ,000 ,323 12 ,001 ,262 12 ,022 P6 ,213 46 ,000 ,376 46 ,000 ,354 12 ,000 ,309 12 ,002 P7 ,224 46 ,000 ,198 46 ,000 ,321 12 ,001 ,264 12 ,021 P8 ,388 46 ,000 ,428 46 ,000 ,499 12 ,000 ,460 12 ,000 P9 ,411 46 ,000 ,333 46 ,000 ,270 12 ,016 ,195 12 ,200* P10 ,215 46 ,000 ,217 46 ,000 ,218 12 ,120 ,205 12 ,176 P11 ,180 46 ,001 ,169 46 ,002 ,280 12 ,010 ,197 12 ,200* P12 ,231 46 ,000 ,204 46 ,000 ,245 12 ,045 ,317 12 ,002 P13 ,174 46 ,001 ,213 46 ,000 ,184 12 ,200* ,273 12 ,014 P14 ,261 46 ,000 ,240 46 ,000 ,281 12 ,010 ,240 12 ,056 P15 ,239 46 ,000 ,213 46 ,000 ,284 12 ,008 ,172 12 ,200* P16 ,192 46 ,000 ,239 46 ,000 ,241 12 ,054 ,205 12 ,174 P17 ,222 46 ,000 ,254 46 ,000 ,263 12 ,022 ,238 12 ,059 P18 ,299 46 ,000 ,263 46 ,000 ,309 12 ,002 ,251 12 ,036 P19 ,424 46 ,000 ,333 46 ,000 ,257 12 ,028 ,314 12 ,002 P20 ,311 46 ,000 ,274 46 ,000 ,325 12 ,001 ,238 12 ,059 P21 ,211 46 ,000 ,192 46 ,000 ,200 12 ,198 ,207 12 ,167 P22 ,223 46 ,000 ,200 46 ,000 ,220 12 ,114 ,201 12 ,195 Empreiteiros Outro âmbito de atividade Statistic df Sig. Statistic df Sig. Atratividade global do Mercado ,321 46 ,000 ,257 12 ,028 *. This is a lower bound of the true significance. a. Lilliefors Significance Correction
60 Tests of Normality - Kolmogorov-Smirnov a Grupo: Quadros chefia Quadros técnicos Riscos Probabilidade Impacto Probabilidade Impacto Statistic df Sig. Statistic df Sig. Statistic df Sig. Statistic df Sig. M1 ,294 34 ,000 ,271 34 ,000 ,314 24 ,000 ,251 24 ,000 M2 ,186 34 ,004 ,254 34 ,000 ,180 24 ,043 ,190 24 ,025 M3 ,438 34 ,000 ,280 34 ,000 ,339 24 ,000 ,265 24 ,000 M4 ,209 34 ,001 ,229 34 ,000 ,280 24 ,000 ,181 24 ,041 M5 ,255 34 ,000 ,212 34 ,000 ,266 24 ,000 ,208 24 ,008 M6 ,298 34 ,000 ,207 34 ,001 ,222 24 ,003 ,185 24 ,033 M7 ,257 34 ,000 ,218 34 ,000 ,297 24 ,000 ,291 24 ,000 M8 ,170 34 ,014 ,190 34 ,003 ,293 24 ,000 ,273 24 ,000 M9 ,238 34 ,000 ,230 34 ,000 ,324 24 ,000 ,257 24 ,000 M10 ,352 34 ,000 ,234 34 ,000 ,310 24 ,000 ,237 24 ,001 M11 ,370 34 ,000 ,240 34 ,000 ,251 24 ,000 ,205 24 ,010 M12 ,319 34 ,000 ,344 34 ,000 ,357 24 ,000 ,362 24 ,000 M13 ,386 34 ,000 ,445 34 ,000 ,301 24 ,000 ,268 24 ,000 M14 ,245 34 ,000 ,223 34 ,000 ,240 24 ,001 ,246 24 ,001 M15 ,214 34 ,000 ,222 34 ,000 ,175 24 ,054 ,172 24 ,064 P1 ,178 34 ,008 ,255 34 ,000 ,199 24 ,015 ,243 24 ,001 P2 ,190 34 ,003 ,187 34 ,004 ,265 24 ,000 ,203 24 ,012 P3 ,195 34 ,002 ,265 34 ,000 ,267 24 ,000 ,159 24 ,117 P4 ,218 34 ,000 ,191 34 ,003 ,219 24 ,004 ,221 24 ,004 P5 ,330 34 ,000 ,307 34 ,000 ,318 24 ,000 ,298 24 ,000 P6 ,274 34 ,000 ,369 34 ,000 ,191 24 ,024 ,346 24 ,000 P7 ,235 34 ,000 ,222 34 ,000 ,250 24 ,000 ,167 24 ,082 P8 ,433 34 ,000 ,431 34 ,000 ,382 24 ,000 ,428 24 ,000 P9 ,433 34 ,000 ,340 34 ,000 ,302 24 ,000 ,244 24 ,001 P10 ,227 34 ,000 ,218 34 ,000 ,171 24 ,067 ,214 24 ,006 P11 ,227 34 ,000 ,197 34 ,002 ,219 24 ,004 ,131 24 ,200* P12 ,211 34 ,001 ,189 34 ,003 ,198 24 ,016 ,244 24 ,001 P13 ,163 34 ,023 ,220 34 ,000 ,166 24 ,088 ,197 24 ,016 P14 ,260 34 ,000 ,234 34 ,000 ,204 24 ,011 ,196 24 ,018 P15 ,242 34 ,000 ,197 34 ,002 ,235 24 ,001 ,247 24 ,001 P16 ,269 34 ,000 ,294 34 ,000 ,215 24 ,006 ,213 24 ,006 P17 ,326 34 ,000 ,333 34 ,000 ,195 24 ,019 ,183 24 ,037 P18 ,296 34 ,000 ,280 34 ,000 ,310 24 ,000 ,226 24 ,003 P19 ,433 34 ,000 ,348 34 ,000 ,346 24 ,000 ,205 24 ,010 P20 ,382 34 ,000 ,340 34 ,000 ,260 24 ,000 ,214 24 ,006 P21 ,250 34 ,000 ,178 34 ,008 ,156 24 ,134 ,190 24 ,025 P22 ,222 34 ,000 ,205 34 ,001 ,182 24 ,038 ,225 24 ,003 Quadros chefia Quadros técnicos Statistic df Sig. Statistic df Sig. Atratividade global do Mercado ,296 34 ,000 ,326 24 ,000 *. This is a lower bound of the true significance. a. Lilliefors Significance Correction
61 Test of Homogeneity of Variance - Levene Grupos: Empreiteiros vs. Outros Riscos Probabilidade Impacto Statistic df1 df2 Sig. Statistic df1 df2 Sig. M1 2,646 1 56 ,109 ,551 1 56 ,461 M2 ,493 1 56 ,486 ,104 1 56 ,748 M3 ,001 1 56 ,976 ,121 1 56 ,729 M4 ,696 1 56 ,408 ,077 1 56 ,782 M5 5,493 1 56 ,023 ,784 1 56 ,380 M6 2,500 1 56 ,119 ,710 1 56 ,403 M7 ,002 1 56 ,966 ,118 1 56 ,733 M8 ,888 1 56 ,350 ,397 1 56 ,531 M9 ,015 1 56 ,903 ,518 1 56 ,475 M10 1,140 1 56 ,290 ,031 1 56 ,862 M11 3,138 1 56 ,082 ,569 1 56 ,454 M12 2,919 1 56 ,093 9,520 1 56 ,003 M13 2,358 1 56 ,130 ,349 1 56 ,557 M14 ,222 1 56 ,640 ,160 1 56 ,691 M15 7,874 1 56 ,007 1,712 1 56 ,196 P1 ,022 1 56 ,884 ,110 1 56 ,741 P2 ,816 1 56 ,370 1,398 1 56 ,242 P3 ,000 1 56 ,993 ,234 1 56 ,631 P4 ,115 1 56 ,736 ,286 1 56 ,595 P5 4,796 1 56 ,033 ,581 1 56 ,449 P6 2,692 1 56 ,106 3,030 1 56 ,087 P7 ,000 1 56 ,991 1,961 1 56 ,167 P8 4,767 1 56 ,033 4,169 1 56 ,046 P9 3,486 1 56 ,067 5,433 1 56 ,023 P10 ,648 1 56 ,424 ,774 1 56 ,383 P11 2,439 1 56 ,124 2,183 1 56 ,145 P12 ,575 1 56 ,452 ,233 1 56 ,631 P13 ,133 1 56 ,717 ,037 1 56 ,848 P14 ,102 1 56 ,750 1,847 1 56 ,180 P15 2,109 1 56 ,152 ,232 1 56 ,632 P16 ,591 1 56 ,445 ,664 1 56 ,419 P17 3,596 1 56 ,063 1,732 1 56 ,194 P18 1,224 1 56 ,273 3,483 1 56 ,067 P19 ,512 1 56 ,477 ,229 1 56 ,634 P20 ,086 1 56 ,771 1,460 1 56 ,232 P21 ,531 1 56 ,469 ,657 1 56 ,421 P22 ,000 1 56 ,990 ,142 1 56 ,708 Empreiteiros vs . Outros Statistic df1 df2 Sig. Atratividade global do Mercado ,188 1 56 ,666
62 Test of Homogeneity of Variance - Levene Grupos: Quadros chefia vs . Quadros técnicos Riscos Probabilidade Impacto Statistic df1 df2 Sig. Statistic df1 df2 Sig. M1 3,785 1 56 ,057 ,467 1 56 ,497 M2 ,508 1 56 ,479 4,210 1 56 ,045 M3 1,527 1 56 ,222 ,004 1 56 ,950 M4 1,391 1 56 ,243 ,008 1 56 ,927 M5 ,021 1 56 ,885 ,643 1 56 ,426 M6 1,579 1 56 ,214 1,645 1 56 ,205 M7 1,247 1 56 ,269 ,508 1 56 ,479 M8 7,541 1 56 ,008 3,377 1 56 ,071 M9 1,372 1 56 ,246 ,000 1 56 ,986 M10 1,035 1 56 ,313 ,148 1 56 ,701 M11 ,279 1 56 ,600 ,070 1 56 ,792 M12 ,531 1 56 ,469 ,180 1 56 ,673 M13 ,439 1 56 ,511 ,002 1 56 ,961 M14 ,107 1 56 ,744 ,463 1 56 ,499 M15 1,175 1 56 ,283 5,291 1 56 ,025 P1 ,159 1 56 ,691 ,091 1 56 ,765 P2 ,457 1 56 ,502 ,174 1 56 ,678 P3 ,896 1 56 ,348 2,899 1 56 ,094 P4 ,003 1 56 ,953 ,203 1 56 ,654 P5 2,266 1 56 ,138 2,268 1 56 ,138 P6 ,462 1 56 ,500 4,223 1 56 ,045 P7 1,206 1 56 ,277 ,104 1 56 ,748 P8 ,062 1 56 ,804 ,199 1 56 ,657 P9 1,973 1 56 ,166 2,141 1 56 ,149 P10 1,968 1 56 ,166 ,818 1 56 ,370 P11 ,960 1 56 ,331 ,260 1 56 ,612 P12 ,789 1 56 ,378 ,094 1 56 ,760 P13 ,040 1 56 ,842 5,579 1 56 ,022 P14 ,149 1 56 ,701 ,047 1 56 ,828 P15 ,299 1 56 ,587 2,124 1 56 ,151 P16 ,031 1 56 ,860 ,243 1 56 ,624 P17 3,294 1 56 ,075 5,190 1 56 ,027 P18 1,467 1 56 ,231 1,160 1 56 ,286 P19 8,106 1 56 ,006 ,208 1 56 ,650 P20 1,069 1 56 ,306 ,081 1 56 ,777 P21 ,303 1 56 ,584 ,310 1 56 ,580 P22 ,433 1 56 ,513 ,346 1 56 ,559 Quadros chefia vs . Quadros técnicos Statistic df1 df2 Sig. Atratividade global do Mercado 3,297 1 56 , 075