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As ferramentas informáticas ao serviço do ensino do Português lingua estrangeira na Roménia

POP SIMINA LACRAMIOARA

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Simina Lăcrămioara Pop 2º Ciclo de Estudos em Português Língua Segunda / Língua Estrangeira Ensino-Aprendizagem do Português como Língua Estrangeira através das Tecnologias de Informação e Comunicação e das Ferramentas Multimédia Julho, 2014 Orientador: Professora Doutora Isabel Margarida Ribeiro de Oliveira Duarte Coorientador: Professora Doutora Maria de Fátima da Costa Outeirinho Classificação: Ciclo de estudos: Dissertação/relatório/ Projeto/IPP: Versão definitiva UNIVERSIDADE DO PORTO FACULDADE DE LETRAS Departamento de Estudos Portugueses e Estudos Românicos Simina Lăcrămioara Pop Ensino-Aprendizagem do Português como Língua Estrangeira através das Tecnologias de Informação e Comunicação e das Ferramentas Multimédia Dissertação para obtenção do grau de Mestre Mestrado em Português Língua Segunda / Língua Estrangeira Julho, 2014 1 Dissertação apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do grau de Mestre em Português Língua Segunda / Língua Estrangeira, realizada sob a orientação científica da Professora Doutora Isabel Margarida Ribeiro de Oliveira Duarte e da Professora Doutora Maria de Fátima da Costa Outeirinho. 2 Dedicatória Dedico este trabalho ao meu falecido pai que teria muito orgulho ao ver-me ter chegado até aqui. Agradecimentos Agradeço a Deus, à minha família, aos meus amigos e aos meus professores pelo apoio e pela confiança depositada em mim, pela ajuda incondicional, pelo amor e pela simpatia que sempre me ofereceram. Muito obrigada! 3 RESUMO O presente trabalho trata a questão da utilização de meios informáticos e de ferramentas multimédia no ensino do português como língua estrangeira, estudando este fenómeno a partir de diferentes pontos de vista considerados relevantes. A escolha do tema foi motivada por um fenómeno relativamente novo, ou seja, a penetração da tecnologia informática em quase todas as áreas da atividade humana e, portanto, no ensino de línguas também. O trabalho pretende estudar até que ponto esse fenómeno pode ter um impacto positivo sobre o processo de ensino-aprendizagem, através da otimização dos métodos de trabalho e da utilização dos meios específicos. Uma vez que a abordagem deste tema veio identificar uma deficiência na exploração com máxima eficiência das novas possibilidades de ensino-aprendizagem oferecidas pela tecnologia digital, o trabalho aqui apresentado deseja assinalar e promover novas direções para pesquisas futuras nesta área. O objetivo principal da tese é indicar criticamente meios e métodos modernos e divertidos de ensino e aprendizagem do português, uma vez que este idioma é um dos mais falados do mundo e é cada vez mais procurado, estudado e utilizado pelos estrangeiros. Por isso, o presente estudo pretende apoiar o trabalho do professor, oferecendo-lhe instrumentos suplementares para diversificar e tornar mais eficiente a sua missão e ao mesmo tempo motivar os alunos na sua aprendizagem do português. Palavras-chave: português língua estrangeira, ensino, aprendizagem, novas tecnologias, tecnologia da informação e da comunicação, multimédia, recursos. 4 ABSTRACT Teaching/Learning Portuguese as a Foreign Language through Information and Communication Technologies and Multimedia Tools This paper studies the use of electronic media and multimedia tools in teaching PLE, studying this phenomenon from different points of view considered relevant. The subject was motivated by a relatively new phenomenon, that is, the penetration of computer technology in almost all areas of human activity and therefore also in language teaching. The work seeks to investigate the extent to which this phenomenon can have a positive impact on the teaching-learning process, by optimizing working methods and use of specific strategies. Since the approach of this theme came to identify a deficiency in the exploration with maximum efficiency of new possibilities for teaching and learning offered by digital technology, the work presented here would draw and promote new directions for future research in this area. The main objective of this thesis is to indicate critical means of modern and fun teaching methods to learn Portuguese, given that it is one of the most spoken languages in the world and is increasingly sought out, studied and used by foreigners. Therefore, the study presented here aims to support the teachers´ work, offering additional instruments to diversify and make more efficient their mission while motivating students in their learning of Portuguese. Keywords: Portuguese foreign language, teaching, learning, modern technology, information and communication technology, multimedia, resources. 5 ÍNDICE I. Introdução II. A Língua Portuguesa no Mundo III. A relação entre as tecnologias de informação e comunicação e a educação 3.1 A oportunidade e o impacto das novas tecnologias sobre os métodos de ensino – aprendizagem das línguas estrangeiras 3.2 Vantagens e objetivos, precauções a ter e dificuldades na utilização das novas tecnologias 3.3 Valorizar as experiências das novas tecnologias IV. A utilização das TIC no processo de ensino-aprendizagem-avaliação do português como língua estrangeira 4.1 Contexto educacional de integração das TIC no estudo de PLE 4.1.1 A relação entre as novas tecnologias e a formação de competências específicas em português 4.1.2 Especificidades do ensino de PLE 4.2 Ferramentas informáticas que se podem utilizar no ensino de PLE 4.2.1 Recursos de informação e recolha de dados 4.2.2 Apresentações 4.2.3 Ferramentas para edição e publicação digitais 4.2.4 Aplicações multimédia 4.2.4.1 Proposta didática 1 4.2.5 Bibliotecas virtuais 4.2.6 Museus e monumentos virtuais 4.2.6.1 Proposta didática 2 4.2.7 Dicionários e enciclopédias online 6 4.2.8 Comunicação online 4.2.9 Portais web 4.2.10 Plataformas colaborativas 4.2.10.1 Ferramentas utilizadas no ensino a distância 4.2.10.2 Proposta didática 3 4.2.11 Aplicações para avaliação 4.3 Estratégias de ensino-aprendizagem específicas para o estudo do português como língua estrangeira, valorizadas pelas tecnologias de informação e comunicação 4.3.1 Métodos de ensino que utilizam as ferramentas TIC 4.3.2 Métodos complementares de avaliação possíveis através do uso das TIC 4.4 Exemplificação e avaliação de sítios que funcionam como ferramentas no processo de ensino-aprendizagem de PLE 4.4.1 http://www.linguasnet.com/lessons/home_pt.html 4.4.2 http://www.europensemble.eu/ 4.4.3 http://www.ppple.org/unidades-didaticas 4.4.4 http://cvc.instituto-camoes.pt/ 4.4.5 http://www.languagesbysongs.eu/page-01-por.htm 4.4.6 www.rtp.pt 4.4.6.1 Cuidado com a língua! 4.4.6.2 Bom Português 4.4.6.3 Grandes Portugueses 4.4.6.4 Falamos Português 4.4.6.5 A Alma e a Gente 4.4.6.6 www.ensina.rtp.pt 13 utilizados na sala de aula, como também a ferramentas de avaliação e autoavaliação, sendo estas uma parte fundamental do processo educativo. O objetivo deste capítulo é de incentivar os professores de português a utilizarem as novas tecnologias nas aulas e apoiálos neste percurso que muitas vezes os assusta e os inibe por causa da velocidade com que a tecnologia avança e com que os alunos a absorvem; na verdade, verifica-se com frequência uma subestimação das suas próprias competências por parte dos professores e uma sobrevalorização das competências dos alunos. É importante, como professores de PLE, aceitarmos as mudanças e integrar as novidades trazidas pela tecnologia para facilitarmos a missão de ajudar os alunos a integrarem de maneira eficiente e a longo prazo as competências linguísticas necessárias na área de PLE. Com a expansão que a língua portuguesa tem vindo a conhecer, a mesma divulgação só poderá continuar se for feita através de professores que compreendam a sociedade e as suas tendências tecnológicas atuais, de forma a adaptarem continuamente a maneira de abordar o ensino e as necessidades dos alunos e, para este determinado fim, transformarem e reinventarem os métodos didáticos e pedagógicos. Embora haja ainda uma certa reticência e resistência, por parte de alguns professores, em relação às novas mudanças que têm vindo a inovar o ensino a nível mundial, não se tem verificado o mesmo entre os alunos. Eles têm aceitado facilmente as novas tecnologias, têm-se adaptado sem dificuldades aos novos requisitos educativos e têm implementado com sucesso os métodos de aprendizagem que utilizam as ferramentas multimédia. Este fenómeno é universalmente válido e tem-se comprovado em todas as áreas do ensino e em todas as disciplinas. Na área do PLE, melhores e mais rápidos resultados foram alcançados desde a introdução no processo de ensino e aprendizagem de materiais que dispõem de gravações áudio e vídeo, de materiais interativos, de imagens, animações e jogos. Verificou-se, nos últimos anos, uma evolução na qualidade e quantidade dos manuais de PLE publicados e nos componentes que os integram (cds, dvds). Apesar disso, com a expansão em massa da Internet, o professor de PLE é capaz atualmente de pesquisar, realizar, utilizar e compartilhar os próprios materiais, reunindo na mesma atividade todos os recursos necessários para desenvolver as cinco competências previstas para uma língua estrangeira: compreensão de leitura, compreensão auditiva, competência estrutural, expressão escrita, expressão oral. Com a ajuda da Internet, a comunicação entre os professores de todas as partes do mundo intensificou-se. Hoje em dia, como professores e não só, esclarecemos dúvidas através da Internet, comunicamos com nativos em qualquer parte do mundo, temos acesso com mais facilidade a informações 14 relativamente aos assuntos que nos interessam e atualizamos a nossa base de dados culturais e didáticos. As distâncias e as barreiras geográficas desapareceram, a velocidade com que comunicamos e trocamos informações acelerou-se, as modalidades como interagimos com os outros intensificaram-se e diversificaram-se, os conhecimentos ampliaram-se e novos horizontes surgiram. E tudo isto graças às novas tecnologias. 15 II. A Língua Portuguesa no Mundo Segundo os estudos apresentados pelo Observatório da Língua Portuguesa (2010)2, a língua portuguesa é a 4ª mais falada no mundo com aproximadamente 250 milhões de falantes (ver figura 1). Figura 1 - As 10 línguas mais faladas no mundo 3 É a língua oficial de 8 países (Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Timor Leste) e de Macau (região autónoma da China) e fala-se em 5 continentes (Europa, América do Sul, África, Ásia, Oceânia)4 (ver figura 2). 2 “Constituído em Junho de 2008, o OLP - Observatório da Língua Portuguesa é uma associação sem fins lucrativos que tem por objetivos contribuir para o conhecimento e divulgação do estatuto e projeção no Mundo da Língua Portuguesa, estabelecer redes de parcerias visando a afirmação, defesa e promoção da Língua Portuguesa e formular políticas e decisões que concorram relevantemente para a afirmação da Língua Portuguesa como língua estratégica de comunicação internacional.” (cf: http://observatoriolp.sapo.pt/pt/quem-somos/introducao - Consultado em março de 2014). 3 Observatório da língua portuguesa. http://observatorio-lp.sapo.pt/pt/dados-estatisticos/as-linguas-maisfaladas/10-linguas-mais-faladas-no-mundo - Consultado em março de 2014. 4 http://observatorio-lp.sapo.pt/pt/dados-estatisticos/falantes-de-portugues-literacia. - Consultado em março de 2014. 16 Figura 2 - Distribuição da Língua Portuguesa no mundo5 Língua materna Língua oficial e administrativa Língua cultural ou secundária Comunidades de minorias lusófonas Crioulo de base portuguesa O português é uma língua românica que utiliza o alfabeto latino e é língua oficial, de trabalho ou de tradução obrigatória de várias organizações internacionais entre as quais: a União Europeia, o Mercosul (Mercado Comum do Sul), a União das Nações SulAmericanas, a Organização dos Estados Americanos, a União Africana, os Países Lusófonos. As novas tecnologias de comunicação estão a abrir novos desafios à difusão e ao uso da língua portuguesa, motivo pelo qual, a pedido do Instituto Camões (atualmente Camões - Instituto da Cooperação e da Língua) e com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, uma equipa de investigadores do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE - IUL) organizou um trabalho de investigação sobre a língua portuguesa, colmatado pela publicação do livro O Potencial Económico da Língua Portuguesa e pela exposição com o mesmo nome, no Parlamento Europeu de Bruxelas, em fevereiro de 2014. Estes investigadores6 confirmam a mesma posição da língua portuguesa no mundo (4º lugar), registando uma das taxas de crescimento mais elevadas, na Internet, 5 Geografia da Língua Portuguesa.http://pt.wikipedia.org/wiki/Geografia_da_l%C3%ADngua_portuguesa - Consultado em março de 2014. 6 Equipa liderada por Luís Reto, reitor do ISCTE-IUL, e constituída pelos investigadores José Paulo Esperança, Mohamed Azzim Gulamhussen, Fernando Luís Machado e António Firmino da Costa (cf:https://www.instituto-camoes.pt/comunicados-imprensa/mapotencial-economico-da-lingua portuguesa#sthash.QZNrnlrF.dpufConsultado em abril de 2014). 17 nas redes sociais e na aprendizagem como língua estrangeira. Eles dão outras informações de ordem estatística relevantes, segundo as quais o português é a língua mais falada do hemisfério sul, a quinta mais falada na Internet e a terceira nas redes sociais. (ver figura 3 e 4). Figura 3 - O português - a quinta língua mais utilizada na Internet 7 Figura 4 - O português - a terceira língua mais utilizada nas redes sociais 8 7 https://www.instituto-camoes.pt/images/pdf_noticias/expopelp_pefev14.pdf - Consultado em abril de 2014. 8 https://www.instituto-camoes.pt/images/pdf_noticias/expopelp_pefev14.pdf - Consultado em abril de 2014. 18 O estudo prevê que em 2050 o número de falantes de português será aumentado com pelo menos 100 milhões, o que o colocará na terceira posição entre as línguas mais faladas na Europa, depois do inglês e do espanhol (Reto, 2012). A língua de Camões tem vindo a ganhar cada vez mais visibilidade no estrangeiro, uma vez que foi introduzida nos currículos escolares de vários países europeus, africanos, americanos e chineses. O número de falantes de português tem vindo a aumentar e segundo a UNESCO, o português é a língua que mais tem crescido após o inglês e o espanhol e que mais potencial tem para ser uma língua internacional. É a mesma organização que destaca o facto de Portugal ser um dos países com maior número de monumentos classificados como Património da Humanidade, o que revela mais uma vez a sua importância histórica e cultural e que pode representar um dos motivos que faz com que o país seja tão visitado e a língua cada vez mais estudada. (cf: http://movv.org/2009/06/23/ - Consultado em abril de 2014). Estudos realizados pelo Reino Unido concluíram que o português é uma das línguas do futuro e será largamente estudado e utilizado nos próximos anos, não só no espaço britânico, mas em todo o mundo. Relativamente a este assunto, o Instituto Camões afirmou: “Outros estudos recentes têm vindo a indicar que a projeção da língua portuguesa se deve principalmente ao número de falantes de língua materna, ao número de países de língua oficial portuguesa, à presença e crescimento na Internet, à cultura, sobretudo ao nível da tradução de originais e, desde há alguns anos, à ciência, devido a um forte crescimento da produção de artigos em revistas científicas”. (cf:http://expresso.sapo.pt/estudo-identifica-lingua-portuguesa-comoidioma-para-o-futuro-no-reino-unido=f842270 - Consultado em abril de 2014). Há várias instituições e organizações que tiveram um papel significativo na divulgação da língua portuguesa no mundo e Portugal continua ainda a fazer esforços para que este processo prossiga e se desenvolva através de várias entidades públicas e privadas entre as quais se destacam: Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, a Fundação Calouste Gulbenkian, a Fundação para a Ciência e a Tecnologia, que apoiam do ponto de vista material e financeiro a expansão da língua portuguesa, oferecendo bolsas de estudo, livros e materiais educativos, disponibilizando recursos e bibliotecas online, incentivando e alocando fundos para projetos e investigações nesta área. O objetivo principal neste sentido é de expandir o ensino da língua e cultura portuguesas no estrangeiro e promover o português como língua de comunicação internacional. 19 Vários outros países, por exemplo, o Brasil, têm vindo a apostar e a investir também na aprendizagem da língua portuguesa, apoiando cada vez mais os interessados com bolsas de estudo, estágios de formação, materiais e recursos necessários para o efeito. É neste contexto de divulgação e desenvolvimento dos meios de ensino e aprendizagem do português que a importância da língua se veio a concretizar cada vez mais. Os laços políticos, diplomáticos e financeiros e os acordos culturais com os países de língua oficial portuguesa tornaram o idioma mais popular ainda e o interesse pelo seu estudo aumentou significativamente. Os media e a Internet também facilitaram a divulgação, o acesso e o conhecimento da língua portuguesa, uma vez que esta está presente em todos estes domínios da tecnologia. Apesar de cada vez mais pessoas aprenderem o português, é preciso que seja adotado muito mais pelas organizações internacionais e pela ciência. Por este motivo, vários movimentos lusófonos9 junto com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) lutam atualmente para que a língua portuguesa se torne também uma das línguas oficiais da Organização das Nações Unidas (ONU). Ao ponto de alcançar uma projeção internacional cada vez maior e oferecendo uma larga perspetiva de carreira, o português começou a ser introduzido nos meios de trabalhos existentes em toda a parte do mundo, oferecendo boas oportunidades de desenvolvimento e crescimento pessoal e profissional. O português é uma língua de cultura que dá acesso a variadas literaturas e culturas e, num mundo em mudança, o português é uma língua do futuro, uma língua a descobrir. § Neste capítulo, foram apresentadas algumas breves informações sobre a língua portuguesa e foram referidos alguns dados estatísticos atuais relativamente à posição que esta ocupa no mundo, na Internet e nas redes sociais, com o objetivo de se mostrar a sua importância e se fazer previsões sobre o seu desenvolvimento no futuro próximo. 9 Lusófono é o adjetivo que vem da palavra lusofonia que significa o conjunto de identidades culturais existentes em países falantes da língua portuguesa. Embora haja vários movimentos que criticam o uso deste adjetivo, ele continua ainda a ser utilizado por comodidade, sem intenções de entrar em polémicas ou de ofender alguém. Segundo Regina Brito (2011): „„A lusofonia em que acreditamos é aquela que respeita e valoriza as variedades nacionais, conhecendo as suas diferenças, e que não confere a nenhum povo a posição de “senhor” da língua portuguesa. [...] Entendemos que a lusofonia só pode fazer sentido se concebida como um espaço simbólico, linguístico e cultural, cuja identidade se constrói em movimento, numa dinâmica de conhecimento e reconhecimento identitários.‟‟ 20 § O desenvolvimento da língua portuguesa, o aumento de interesse por ela e a forma como foi divulgada estão relacionados com a implementação das novas tecnologias na educação e no ensino das línguas em geral, que veio a facilitar a aprendizagem e a expansão da língua também a nível virtual (ver figura 3 e 4, pag. 17). 21 III. A relação entre as tecnologias de informação e comunicação e a educação “A evolução tecnológica obriga-nos a rever o paradigma educacional da era digital e obriga-nos a pensar numa nova pedagogia baseada na interatividade, na personalização e na capacidade de aprender e pensar de forma autónoma.” (Monteiro et al., 2012: 5) 3.1 A oportunidade e o impacto das novas tecnologias sobre os métodos de ensino – aprendizagem das línguas estrangeiras “A educação e as tecnologias são indissociáveis” (Kenski, 2007) e quando são bem utilizados levam ao sucesso do processo didático. O quadro geral e as políticas comunitárias para o estudo assistido por computador são justificadas através dos objetivos estratégicos da União Europeia, afirmados nos documentos10 elaborados pela Comissão Europeia, orientados para o crescimento da qualidade da educação e da competitividade dos recursos humanos. O caminho a seguir para atingir estes objetivos visa especialmente uma transformação dos sistemas de educação da Europa, para assimilar as novas tecnologias, para as utilizar eficientemente, para aumentar o acesso aos recursos educativos digitais e para criar novos meios virtuais de aprendizagem. O objetivo estratégico da União Europeia estabelecido pelo Conselho Europeu de Lisboa (23-24 de março de 2000) e reafirmado em Estocolmo (23-24 de março de 2001) é que: “A União Europeia se torne na economia baseada no conhecimento mais dinâmica e competitiva do mundo, capaz de garantir um crescimento económico sustentável, com mais e melhores empregos, e com maior coesão social‟‟11. Por isso, reforçou-se a ideia de os estados membros deverem adotar estratégias coerentes relativamente à aprendizagem ao longo da vida, “lifelong learning‟‟, e à aprendizagem chamada moderna, baseada em recursos informáticos. A Agenda Social Europeia (2000) realçou, também, a importância 10 Quadro Europeu Comum de Referência para a Aprendizagem das Línguas e Avaliação de Competências (http://www.dgidc.min-edu.pt/ensinobasico/index.php?s=directorio&pid=88); Portefólio Europeu de Línguas (http://www.dgidc.min-edu.pt/outrosprojetos/index.php?s=directorio&pid=76 - Consultado em abril de 2014).); Europass (https://europass.cedefop.europa.eu/pt/documents/curriculum-vitae). – Consultados em junho de 2014. 11Conclusões da Presidência, Conselho Europeu de Lisboa, 23-24 de março de 2000 http://www.europarl.europa.eu/summits/lis1_pt.htm - Consultado em fevereiro de 2014. 22 do acesso à aprendizagem ao longo da vida para qualquer pessoa, especialmente na área das línguas, da informática e das tecnologias de comunicação. Com o mesmo objetivo, o Conselho Europeu de Estocolmo ratificou o relatório relativamente aos objetivos dos sistemas educativos e de formação profissional, adotado pelo Conselho de Educação, e reafirmou a importância da educação e da formação ao longo da vida, sublinhando a prioridade da União Europeia de melhorar as competências de base, nomeadamente as competências linguísticas, as da TIC e as competências digitais. O uso dos computadores no ensino de línguas modernas não é uma novidade para o nosso tempo. A tecnologia, em sentido genérico, foi introduzida como ferramenta de aprendizagem na década de 60, uma tendência conhecida como Computer Assisted Language Learning12 (CALL)13. Nos anos 60 e início dos anos 70, as primeiras manifestações de CALL foram baseadas no modelo behaviorista de aprendizagem. Estas consistiam em atividades simples de gramática, sintaxe e tradução, e o computador avaliava os exercícios repetidos sistematicamente pelos alunos. Pode-se dizer que estas tentativas foram apenas uma transferência, em formato virtual, do conteúdo dos cursos tradicionais. A perspetiva comunicativa surgiu nos anos 70 e início dos anos 80, em resposta ao modelo behaviorista. A principal diferença entre os dois pontos de vista é que, no que concerne à comunicação, para a aprendizagem de línguas não é relevante a capacidade de usar formas linguísticas determinadas, mas o modo como são usadas estas formas na comunicação. A gramática deve ser ensinada dedutivamente e implicitamente e os alunos terão de produzir as suas próprias mensagens orais e escritas, em vez de usar frases préfabricadas. Estas propostas são baseadas nas teorias cognitivas que definem a aprendizagem como um processo criativo de descoberta, de expressão e de desenvolvimento pessoal. A tecnologia contribuiu para esta mudança de visão. As ferramentas utilizadas ofereciam cada vez mais possibilidades de trabalho individual. A última etapa, chamada integrativa, é baseada na abordagem sociocognitiva da aprendizagem de uma língua que considera primordial o uso da linguagem em um contexto comunicativo real e significativo. O objetivo fundamental é estabelecer uma comunicação em função das necessidades do aluno, utilizando textos autênticos, para uma melhor e mais rápida aquisição da linguagem. Os conhecimentos adquiridos serão utilizados em situações 12 Aprendizagem de Línguas Assistida por Computador. 13 As siglas em inglês são mantidas. CALL é internacionalmente a sigla consolidada em pesquisas sobre ensino e aprendizagem de línguas e tecnologia. 29 analogia. Este processo é controlado pelos alunos e orientado pelo professor para a procura de informações, leitura crítica e criação de documentos, e os resultados variam de indivíduo para indivíduo. Deste modo, a aprendizagem não só facilita a transmissão de informação e a comunicação, mas enfatiza a autonomia e a responsabilidade do aluno. Por outro lado, os instrumentos das TIC promovem a interação social e a colaboração, ou seja, a aprendizagem colaborativa. Para Dillenbourg (1999), a aprendizagem colaborativa é uma situação de aprendizagem na qual duas ou mais pessoas aprendem ou tentam aprender algo juntas. A própria palavra colaboração tem este sentido de “fazer junto”, de trabalhar em conjunto, em interação, tendo uma única meta, tal como dito por Barros (1994): “Colaborar (co-labore) significa trabalhar junto, que implica no conceito de objetivos compartilhados e uma intenção explícita de somar algo – criar alguma coisa nova ou diferente através da colaboração, se contrapondo a uma simples troca de informação ou de instruções.” Este método coloca o aluno no centro do processo de ensino-aprendizagem, havendo uma menor intervenção do professor e, por consequência, proporcionando mais responsabilidade ao discente. A Internet apresenta-se neste caso como a ferramenta adequada para colocar em operação as pedagogias colaborativas (Torres 2004:64) e o papel do professor no contexto colaborativo, para além de incentivar e organizar as atividades, é de fornecer materiais electrónicos ou links e orientar o processo de pesquisa, descoberta, interação e comunicação. Este tipo de aprendizagem é facilitado pelas ferramentas das TIC que permitem o trabalho em equipa e levam ao cultivo de atitudes sociais, à troca de ideias, à cooperação e ao desenvolvimento da personalidade. Enfatizam-se os procedimentos que os alunos usam para criar uma mensagem e o processo de aprendizagem é abordado a partir da perspetiva de realização de uns trabalhos finais. O trabalho em equipa incentiva todos os membros do grupo e leva-os a encontrar a melhor solução, a criticar e a comunicar. As atividades clássicas de redação de uma carta ou um e-mail são complementadas por outras que envolvem o uso de redes sociais, de grupos virtuais, de jogos em rede, onde os participantes se expressam através de mensagens orais ou escritas e aprendem junto com os outros, chegando a desenvolver conteúdos comuns. Desta forma, reforça-se a vantagem fundamental de utilizar as TIC: a atividade colaborativa. Através das redes e dos fóruns, os estudantes e os professores de vários pontos do planeta podem compartilhar os seus projetos de ensino-aprendizagem, utilizando as ferramentas digitais. De acordo com Hiltz (1998), existem estudos que demonstram que as estratégias colaborativas de aprendizagem aumentam o envolvimento dos alunos e provocam um maior empenho no processo de 30 aprendizagem, e que os métodos colaborativos são mais efetivos do que os métodos tradicionais na promoção da aprendizagem e do sucesso dos estudantes. Hoje em dia, com as novas tecnologias, tanto os professores como os alunos beneficiam facilmente de informação (livros, jornais, vídeos, filmes, música, programas de televisão e de rádio) na língua que se estuda, o que é de extrema importância para o ensino e que muda radicalmente a maneira como acumulamos novos conhecimentos. Segundo Kenski (2007), as TIC e o ciberespaço, como novo espaço pedagógico, oferecem grandes possibilidades e desafios para a atividade cognitiva, afetiva e social de alunos e professores, mas para que o avanço decorrente delas se concretize, é preciso olhá-los por uma nova perspetiva. § O capítulo III focalizou-se sobre a introdução das novas tecnologias na área da educação e neste caso, o impacto que estas tiveram sobre o ensino das línguas. Foram apresentadas as principais vantagens, mas também as dificuldades e as precauções que se devem ter quando se adotam as ferramentas tecnológicas na sala de aula. Fizemos também propostas de alguns dos recursos mais utilizadas nas aulas de línguas estrangeiras para fazer apresentações, visionar um filme ou ouvir um documento áudio. § O impacto das tecnologias de informação e comunicação na educação e no ensino das línguas traduziu-se em mudanças também no campo do PLE. O português, como qualquer outra língua estrangeira, beneficiou plenamente das novas possibilidades de ensino e aprendizagem, ganhando mais visibilidade e divulgação. Os professores de português como língua estrangeira, ao contrário do que acontecia uns anos atrás, dispõem hoje em dia de uma variedade de recursos e ferramentas que podem utilizar nas aulas, dependendo apenas das suas habilidades de as selecionar, adaptar e saber aproveitar ao máximo as suas potencialidades. § 31 IV. A utilização das TIC no processo de ensino – aprendizagem – avaliação do português como língua estrangeira 4.1 Contexto educacional de integração das TIC no estudo de PLE “As tecnologias de informação e comunicação não são mais uma ferramenta didática ao serviço dos professores e alunos (...) elas são e estão no mundo onde crescem os jovens que ensinamos (...)” (Adell, 1997:67). A partir dos anos 90 o computador tornou-se numa ferramenta de trabalho significativa no campo das línguas estrangeiras. O computador como meio de acesso e difusão de informação junto com a Internet mostraram ser um poderoso instrumento de promoção de novas formas de comunicação, revelando verdadeiras oportunidades na aprendizagem de uma língua (Warschauer, 2000). As novas mudanças na educação e nos métodos de ensino e aprendizagem trouxeram grandes e óbvios benefícios também ao ensino do português como língua estrangeira. O ensino do português como língua estrangeira veio a alinhar-se às tendências existentes no ensino relativamente à utilização das novas tecnologias de informação e comunicação, começando a integrá-las de forma eficiente e com bons resultados. Com a ajuda das TIC, foram criados e desenvolvidos recursos e ferramentas específicos para o ensino de PLE e desta maneira apareceram os primeiros cds, vídeos, programas interativos, dicionários e enciclopédias virtuais. O desenvolvimento das habilidades e das competências linguísticas tornou-se mais fácil de conquistar com o uso das TIC, e cada vez mais professores começaram a adotar as novas tecnologias na planificação, preparação e realização das aulas. Pouco a pouco, com o desenvolvimento da comunicação virtual apareceram as comunidades de falantes de português, os fóruns de discussões, os chats, as redes sociais. A procura do português, para comunicar, para fazer pesquisas, para partilhar, para socializar, intensificou-se. A introdução das TIC no estudo formal do PLE realizou-se gradualmente, como aconteceu no caso das outras disciplinas também, na medida em que os alunos e os professores foram integrando as ilimitadas possibilidades que este novo mundo oferecia. O português foi ganhando cada vez mais autonomia e mais visibilidade tanto no mundo real, como virtual. O acesso a informação e a facilidade de divulgação de materiais didáticos que auxiliam os interessados na aprendizagem do PLE, aumentaram significativamente o interesse pela 32 língua e pela cultura portuguesa. A Internet facilitou e espalhou este fenómeno, o português tornando-se numa das línguas mais faladas no mundo virtual e nas redes sociais. Se há uns anos atrás era muito difícil encontrar um professor de português no estrangeiro, hoje em dia é suficiente entrar na Internet e encontrar lá todos os recursos necessários para aprender sozinho ou acompanhado. As tecnologias de informação e comunicação são atualmente uma parte integrante do processo de socialização, fazendo parte do dia-a-dia das pessoas. Hoje em dia, é muito fácil falar com pessoas em qualquer parte do mundo, em tempo real. As barreiras da distância foram ultrapassadas e a aprendizagem de línguas com a ajuda dos nativos é cada vez mais comum. O português não é exceção e as ferramentas informáticas atuais contribuíram para que isso fosse possível. A introdução da TIC nas aulas de PLE e nos processos educativos em geral contribuiu largamente para um melhoramento dos resultados dos alunos. Isto deve-se ao facto de as TIC se adaptarem às necessidades de aprendizagem dos alunos e de ensino dos professores. O processo de aprendizagem pode ser personalizado, adaptado às necessidades de todos os alunos, e o ensino não se limita mais aos 50 minutos passados na sala de aula, mas pode ser praticado “em qualquer momento e em qualquer lugar‟‟(Anghel, 2008:32) fora do espaço escolar também. 4.1.1 A relação entre as tecnologias e a formação de competências específicas em português O objetivo fundamental do estudo da língua portuguesa, enquanto língua estrangeira, é a aquisição e o desenvolvimento de habilidades linguísticas por parte dos alunos, necessárias para uma comunicação adequada situacionalmente ou socialmente aceite, adquirindo conhecimentos, habilidades e atitudes específicas, a níveis equivalentes àqueles previstos no Quadro Europeu Comum de Referência (ver figura 5).15 15 O Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas é um guia usado para descrever os objetivos a serem alcançados pelos estudantes de línguas estrangeiras na Europa. Foi elaborado em 2001 pelo Conselho da Europa, no âmbito do Projeto Políticas Linguísticas para uma Europa Plurilingue e Multicultural. Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas – Aprendizagem, ensino, avaliação, Colecção: Perspectivas actuais/educação, Conselho da Europa, Edições Asa, Porto, Portugal 2001. Versão online: http://www.dgidc.min-edu.pt/outrosprojetos/index.php?s=directorio&pid=191&ppid=70 – Consultado em março de 2014. 33 Utilizador proficiente C2 É capaz de compreender, sem esforço, praticamente tudo o que ouve ou lê. É capaz de resumir as informações recolhidas em diversas fontes orais e escritas, reconstruindo argumentos e factos de um modo coerente. É capaz de se exprimir espontaneamente, de modo fluente e com exactidão, sendo capaz de distinguir finas variações de significado em situações complexas. C1 É capaz de compreender um vasto número de textos longos e exigentes, reconhecendo os seus significados implícitos. É capaz de se exprimir de forma fluente e espontânea sem precisar de procurar muito as palavras. É capaz de usar a língua de modo flexível e eficaz para fins sociais, académicos e profissionais. Pode exprimir-se sobre temas complexos, de forma clara e bem estruturada, manifestando o domínio de mecanismos de organização, de articulação e de coesão do discurso. Utilizador independente B2 É capaz de compreender as ideias principais em textos complexos sobre assuntos concretos e abstractos, incluindo discussões técnicas na sua área de especialidade. É capaz de comunicar com um certo grau de espontaneidade e de à-vontade com falantes nativos, sem que haja tensão de parte a parte. É capaz de exprimir-se de modo claro e pormenorizado sobre uma grande variedade de temas e explicar um ponto de vista sobre um tema da actualidade, expondo as vantagens e os inconvenientes de várias possibilidades. B1 É capaz de compreender as questões principais, quando é usada uma linguagem clara e estandardizada e os assuntos lhe são familiares (temas abordados no trabalho, na escola e nos momentos de lazer, etc.) É capaz de lidar com a maioria das situações encontradas na região onde se fala a língua-alvo. É capaz de produzir um discurso simples e coerente sobre assuntos que lhe são familiares ou de interesse pessoal. Pode descrever experiências e eventos, sonhos, esperanças e ambições, bem como expor brevemente razões e justificações para uma opinião ou um projecto. 34 Utilizador elementar A2 É capaz de compreender frases isoladas e expressões frequentes relacionadas com áreas de prioridade imediata (p. ex.: informações pessoais e familiares simples, compras, meio circundante). É capaz de comunicar em tarefas simples e em rotinas que exigem apenas uma troca de informação simples e directa sobre assuntos que lhe são familiares e habituais. Pode descrever de modo simples a sua formação, o meio circundante e, ainda, referir assuntos relacionados com necessidades imediatas. A1 É capaz de compreender e usar expressões familiares e quotidianas, assim como enunciados muito simples, que visam satisfazer necessidades concretas. Pode apresentarse e apresentar outros e é capaz de fazer perguntas e dar respostas sobre aspectos pessoais como, por exemplo, o local onde vive, as pessoas que conhece e as coisas que tem. Pode comunicar de modo simples, se o interlocutor falar lenta e distintamente e se mostrar cooperante. Figura 5 – Níveis de referência QUECR16 Portanto, as competências gerais de comunicação em português, derivadas das competências-chave para a educação ao longo da vida, são: o A capacidade de compreender, exprimir e interpretar pensamentos, sentimentos e factos, por escrito ou oralmente, em português (ouvir, falar, ler, escrever), numa variedade de contextos socioculturais, em função das necessidades ou dos desejos do sujeito; o Habilidades de compreensão intercultural, de expressão cultural e de mediação; o Compreensão de mensagens orais; o Produção de mensagens orais; o Compreensão de mensagens escritas; o Produção de mensagens escritas. 16 http://www.dgidc.min-edu.pt/outrosprojetos/index.php?s=directorio&pid=191&ppid=70 – Consultado em março de 2014. 35 Para ajudar ao desenvolvimento destas competências no ensino da língua portuguesa, o uso das novas tecnologias pode oferecer oportunidades de visualização, comunicação, organização gráfica e representação. Utilizando as novas tecnologias (computador, Internet, recursos multimédia, recursos interativos) nas aulas de PLE criamse situações de aprendizagem em que os alunos “se esquecem‟‟ de facto que estão a aprender uma língua nova, sendo levados a concentrar-se no tema, a aprendizagem sendo deste modo natural, rigorosa e atrativa. Os professores de português devem construir os seus percursos educativos em estrita conformidade com as necessidades, as motivações, as características e os recursos dos alunos. Deste modo, respeitando os interesses do aluno em aprender a língua, o professor de português deve adaptar os conteúdos de aprendizagem às necessidades práticas e situacionais de comunicação do aluno, ao seu nível etário e aos seus conhecimentos. Ao mesmo tempo, o professor deve conhecer tanto a metodologia adequada de ensino como os recursos que disponibiliza aos alunos: livros didáticos, obras de referência (dicionários, gramáticas), meios audiovisuais e informáticos. A incorporação das TIC permite também uma abordagem intercultural (QECRL, 2001), dimensão obrigatória no processo de ensino-aprendizagem de uma língua moderna. Os alunos usam o português e entram em contato com outras culturas em tempo real. A gama diversificada de atividades de que os alunos e os professores dispõem, é ilimitada: desde a visita virtual de uma cidade ou museu, até ao desenvolvimento de projetos sobre temas culturais, a conversas no Skype, a chats no Facebook ou a trabalhos partilhados no Twitter. Alguns dos objetivos e das vantagens da utilização das TIC nas aulas de PLE são: o Desenvolver a capacidade de aprendizagem interativa; o Incentivar a capacidade de aprendizagem inovadora; o Aumentar a motivação dos alunos no processo de aprendizagem; o Consolidar as habilidades de investigação; o Facilitar o acesso a informações, apresentadas em modos de visualização diferentes; o Determinar uma atitude positiva dos alunos em relação à aprendizagem da língua portuguesa; o Ter acesso a informações culturais e de atualidade dos países de língua portuguesa; o Facilitar a comunicação com os nativos; 36 o Ter acesso a documentos áudio e vídeo úteis no desenvolvimento das capacidades de compreensão oral e ricos em informações de ordem cultural; o Conhecer aspetos relacionados com a história, a geografia, a cultura dos povos de expressão portuguesa; o Introduzir os alunos na realidade social, política e cultural dos países de língua portuguesa; o Permitir o acesso a documentos, livros, filmes, bibliotecas virtuais, programas de televisão e de rádio em português; o Familiarizar os alunos com os meios de comunicação virtual; o Facilitar a troca de informações/e-mails/fotos com pessoas que se interessam pela língua e cultura portuguesa, em qualquer parte do mundo; o Incentivar a interação com nativos e outras pessoas a aprender português; o Criar uma base de dados com materiais, recursos de PLE e partilhá-los com os outros; o Esclarecer dúvidas, pesquisar informações, consultar dicionários de português. Sugestões do uso das TIC na formação de competências específicas para as línguas, que se adaptam também ao português como língua estrangeira: Competências específicas em português Exemplos de atividades TIC Receber mensagens orais ou escritas em diferentes situações de comunicação - realizar exercícios de correspondência: imagem-palavra, palavra-imagem; - ilustrar um texto lido através de um desenho; - utilizar jogos educacionais de reconhecimento de palavras; - realizar e resolver um puzzle linguístico; - usar jogos educativos de gramática, palavras cruzadas; Produzir mensagens orais ou escritas adequadas a certos contextos de comunicação - representar graficamente palavras cruzadas; - realizar um documento que contenha um diálogo-imaginário, sobre um tema; - escrever um convite, uma carta, um postal; 37 - realizar um cartão, um cartaz, uma publicidade; Interações na comunicação oral ou escrita - realizar uma página web personalizada; - criar um blogue pessoal ou da turma; - enviar emails; Transferência e mediação de mensagens orais ou escritas em diferentes situações de comunicação - realizar um concurso de histórias ilustradas através de dispositivos; - realizar um trabalho sobre um certo tema, utilizando uma enciclopédia, um dicionário ou uma biblioteca online; - realizar um álbum com informações e imagens tiradas de uma enciclopédia online; - realizar fichas de orientação turística (trajeto, distâncias, representação de objetivos turísticos); - realizar uma página web com conteúdo interdisciplinar (Língua Portuguesa, Geografia, História, Cultura); - realizar uma página web para um evento específico (ex. Santos Populares, 25 de Abril, Natal, Carnaval); - realizar galerias de fotos; 4.1.2 Especificidades do ensino de PLE A língua portuguesa é um todo múltiplo numa pluralidade de mundos. Desta forma, ensinar português é ensinar o social, o humano, o político, o histórico, o geográfico e o económico dos povos de expressão portuguesa, com referências às suas culturas, identidades, diversidades, contradições.17 Neste contexto, a formação do professor de língua portuguesa como língua estrangeira precisa de ser diferenciada da formação do professor de língua portuguesa como língua materna. Não é suficiente ser falante de uma língua para ter sucesso no ensino daquela língua aos estrangeiros. O ensino de português a falantes de outras línguas 17http://www.siple.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=235:6-especificidades-doensino-de-ple&catid=64:edicao-4&Itemid=109 – Consultado em março de 2014. 38 compreende uma especificidade própria. É preciso ter uma formação específica que lhe revele o conhecimento de como ensinar a língua para não falantes da língua portuguesa. Não se pode contar unicamente com o conhecimento empírico que todos temos da nossa própria língua. Não é suficiente apenas a simples qualificação de professor de português. Um professor de português que não estudou disciplinas na área de PLE, encontrará muitas dificuldades e ficará totalmente desorientado numa sala de aula com alunos de nacionalidades diferentes. E não nos estamos a referir apenas a ajudar um estrangeiro a desembaraçar-se em português. Para dissipar qualquer confusão, estamos a falar de ensinar um falante de outro idioma a desenvolver certas capacidades linguísticas, nomeadamente a falar, a compreender, a escrever e a ler em português. E aqui as dificuldades dos alunos diferem: um aluno italiano terá menos dificuldade em aprender português do que um aluno checo, enquanto um aluno checo terá menos dificuldades do que um aluno chinês. Numa turma formada, por exemplo, por alunos de várias nacionalidades, o professor de PLE terá de adaptar os materiais e os métodos de ensino em função das dificuldades de cada um; terá de individualizar o processo de ensino-aprendizagem. Este é o principal desafio do professor de PLE, que dificilmente será superado por qualquer outro professor nativo sem preparação adequada nesta área. A aprendizagem de PLE deve ser progressiva, através de objetivos delineados e de conteúdos selecionados, que introduzam gradualmente estruturas cada vez mais complexas da língua. Os estrangeiros têm uma série de dificuldades que um falante materno de uma língua normalmente não identifica como tal, e não é por falar português que alguém pode responder de forma clara a estas dúvidas. O professor de PLE tem de passar por um processo longo e rigoroso de estudo e de compreensão dos aspetos que em português podem levantar problemas aos falantes de outras línguas, para depois encontrar a maneira mais clara e eficaz de os transmitir e de responder às dúvidas dos alunos. Por exemplo, no caso dos alunos romenos, eles têm muita dificuldade em fechar as vogais, porque o romeno é uma língua com uma pronúncia muito aberta. A colocação dos acentos e a pronúncia das palavras que levam acento representa também uma dificuldade para os alunos desta nacionalidade. Do ponto de vista morfológico, são as contrações das preposições que levantam mais problemas como também o uso do infinitivo pessoal, dado que em romeno este tempo é sempre impessoal. Por isso, o professor de PLE deve aprender a observar a própria língua de uma perspetiva diferente, exterior, que na verdade, só é possível com a experiência da sala de aula. É preciso vestir a pele do aluno estrangeiro, perceber a maneira como ele raciocina na sua própria língua, para ultrapassar a 45 importância é também a possibilidade de criar o próprio podcast. Os alunos podem recorrer a esta ferramenta para gravarem a própria voz e ouvirem em que medida a sua pronúncia se aproxima da de um nativo e corrigir ou melhorar os aspetos menos bons. Tratando-se de um recurso muito adequado para a tecnologia móvel, permite a sua utilização pelo aprendente em qualquer tempo e lugar, para além da sala de aula. Concluindo, este recurso é de extrema importância no ensino de PLE e tem como objetivo formar ouvintes competentes e mais fluentes. Com o desenvolvimento da competência auditiva, as outras competências também evoluem e isto faz com que o estudante tenha um nível de língua cada vez mais elevado. 4.2.4 Aplicações multimédia As aplicações gráficas e multimédia são programas digitais com conteúdo gráfico e / ou multimédia, como por exemplo, os documentos áudio (podcasts)20 ou os documentos vídeo. Para processar imagens podem ser utilizados os seguintes programas: Photopaint, Photoshop, Inkscape, Gimp, IrfanView, Corel Paint, MS Office Picture Manager ou as aplicações disponíveis online: Flickr, Picasa, Aviary.com etc. Para processar documentos áudio-vídeo podem utilizar-se os programas: Any Audio Converter, Audacity, Media Cope, Movie Maker ou as aplicações disponíveis online: aviary.com. Any Audio Converter – aplicação de conversão de documentos áudio. Muitas vezes, os professores de português deparam-se com este problema: dispõem de um documento áudio que gostavam de utilizar numa aplicação como por exemplo Windows Media Player ou Winamp, mas o seu formato não é compatível com os formatos aceites por estas aplicações. Neste caso há duas opções: encontra-se um outro programa que reconhece o respetivo formato do documento áudio ou transforma-se o áudio num formato reconhecido pelas aplicações que se têm no computador. A segunda opção é muito mais útil e prática porque dispensa ter que instalar um número grande de programas no 20 “Podcast é o nome dado ao arquivo de áudio digital, frequentemente em formato MP3 ou AAC (este último pode conter imagens estáticas e links), publicado através de podcasting na Internet. O termo foi criado em 2004 pelo jornalista Ben Hammersley, nas páginas do jornal britânico The Guardian, quando misturou os termos “pod” (contração da locução portable device, que significa reproductor portátil) e broadcasting (difusão).” (www.wikipedia.com – Consultado em abril e 2014) 46 computador e poupa espaço no disco. O programa de conversão dos documentos áudio é gratuito e pode ser descarregado da Internet. Esta aplicação pode processar um número grande de formatos áudio: MP3, MP4, WMA, WAV, AVI, WMV, FLV, MOV, MPEG. Pode utilizar-se também para transformar documentos vídeo de YouTube ou Google Vídeo em documentos áudio MP3, WMA, WAV e outros, estes sendo apenas os mais utilizados. O programa pode ser extremamente útil para transformar e adaptar documentos áudio necessários nas aulas de português, utilizando-os nos exercícios de compreensão oral, de fonética, etc. Aviary.com Em geral, os programas específicos através dos quais se podem realizar aplicações multimédia não são gratuitos. Por isso é difícil utilizá-los nas escolas. Existem, porém, variantes online, que são grátis e com as quais é fácil de trabalhar. Um exemplo é a plataforma aviary.com, que oferece a possibilidade de realizar e editar imagens, processar documentos áudio, criar música, captar imagens do ecrã, realizar certos efeitos gráficos, etc. 4.2.4.1 Proposta didática 1 que engloba as ferramentas informáticas acima apresentadas (recursos de informação e recolha de dados, apresentações, ferramentas de edição e publicação digitais, aplicações multimédia): Tema do trabalho: O fado da Amália Rodrigues Público-alvo: Alunos do 10º ano (14-15 anos) Objetivos: Dar a conhecer - algumas informações sobre o fado - a importância artística e cultural da fadista Amália Rodrigues - alguns temas musicais cantados pela fadista O processo didático será realizado pelos alunos sob a orientação do professor e terá como objetivo final apresentar um produto multimédia com informações, música, imagens e vídeos sobre o fado e sobre Amália Rodrigues. Para este fim, a turma será dividida em 3 grupos. Atividade 1: Pede-se ao primeiro grupo que faça uma pesquisa na Internet, utilizando as ferramentas de recolha e processamento de dados indicadas e que recorra a um documento word para juntar e transformar a informação relevante encontrada. 47 Atividade 2: Pede-se ao segundo grupo que procure na Internet músicas, imagens e vídeos sobre o fado e a fadista Amália Rodrigues, utilizando as ferramentas informáticas necessárias para processar os produtos encontrados (transformar o formato de uma música, cortar o tamanho de um vídeo, ampliar uma imagem, colar várias imagens, etc.) Atividade 3: Pede-se ao terceiro grupo que utilize os produtos realizados pelos colegas (informação textual, imagens, canções, vídeos) para realizar uma apresentação em power point ou prezi, adicionando os efeitos especiais que considerem necessários. O produto final pode ser apresentado à turma inteira por uma ou várias pessoas que participaram no projeto. 4.2.5 Bibliotecas virtuais Nesta época de passagem de uma cultura de papel para uma cultura eletrónica, começou também a automatização das bibliotecas e a interconexão delas em redes. A biblioteca clássica transformou-se numa biblioteca virtual. A biblioteca virtual pode ser também designada por biblioteca eletrónica, biblioteca sem muros ou biblioteca digital por ser formada por coleções de dados eletrónicos ou documentos digitalizados, divulgados através de uma rede de computadores assegurada pela Internet. Segundo Leiner (1998), “Uma biblioteca digital é a coleção de serviços e de objetos de informação, com organização, estrutura e apresentação que suportam o relacionamento dos utilizadores com os objetos de informação, disponíveis direta ou indiretamente via meio eletrónico / digital.” 21 Uma outra definição adequada seria também a seguinte: “Uma Biblioteca Digital é um agrupamento de meios informáticos, de armazenamento e de comunicações, conjuntamente com o conteúdo e software necessários a reproduzir, emular e estender os serviços fornecidos pelas bibliotecas convencionais baseadas em papel e em outros meios de coleção, catalogação, busca e disseminação de informação. Uma biblioteca digital de serviço completo terá de alcançar todos os serviços das bibliotecas tradicionais e também de explorar as conhecidas vantagens do armazenamento digital, pesquisa e comunicação” (Gladney et al., 1994, cit. in Isaías, 1999, pp. 16). O objetivo deste conceito é selecionar, organizar e distribuir a informação, conservando a integridade dos documentos digitalizados. Este tipo de biblioteca é acessível 21Cf:http://www.ead.pt/ead/pt/comunicacao.32/newsletter.53/wano2006.biblioteca_digital_uma_realidade_vi rtual.a382.html – Consultado em abril de 2014. 48 à distância, podendo ser utilizada simultaneamente por vários utilizadores de todo o mundo. Uma biblioteca virtual normalmente é composta por:  fac-símiles de obras (imagens digitalizadas que são idênticas ao documento original). Eles são usados principalmente para documentos raros que contêm imagens, mapas, etc., que de outra forma dificilmente poderiam ser disponibilizados ao público.  textos (obtidos por digitalização, seguidos de programas de reconhecimento de texto, no caso das obras que não têm fotos). A vantagem é que esses textos podem ser processados diretamente como citações e inseridos quando necessário em programas de processamento de texto. Deste ponto de vista, pode-se dizer em geral, que a Internet se tornou a maior biblioteca virtual do mundo, operando em paralelo com outras redes de bibliotecas eletrónicas. A Internet, meio por excelência de transmissão de informações, tem diferentes aspetos únicos, como por exemplo a capacidade de memória, a transportabilidade e a ubiquidade da informação. A web está cheia de informações de todas as áreas, sob várias formas:  páginas de livros ou jornais, mas também formas bem diferentes, como por exemplo multimédia ou interativas;  informações organizadas como nas bibliotecas, a fim de serem facilmente acessíveis a partir de palavras-chave, catálogos, números de série mas também informações organizadas em função de outros princípios ou simplesmente não organizadas. Neste último caso, no entanto, para obter uma informação, utilizam-se motores de busca gerais;  informações sob a forma de e-books, que são livros eletrónicos, virtuais, que podem ser comprados e descarregados da Internet em dispositivos próprios, para serem lidos mais tarde. Vantagens das bibliotecas virtuais: Os esforços financeiros e os trabalhos investidos na criação destas bibliotecas foram recompensados através de uma série de vantagens, tais como: 49  o utilizador tem acesso a uma grande quantidade de documentos num único lugar, sem deslocação física. Basta apenas ter um computador ou um leitor de ebooks;  têm acesso à biblioteca um maior número de utilizadores (utilizadores de todo o mundo através da Internet);  um documento pode ser consultado simultaneamente por vários utilizadores;  os documentos originais são protegidos face ao tratamento negligente ou mal-intencionado;  existe a possibilidade relativamente simples de criar uma cópia eletrónica de segurança (backup) de toda a biblioteca;  o backup pode ser transferido para um servidor diferente em outro lugar, para excluir a perda de dados em caso de força maior (incêndio, inundação, terremoto, ato de terrorismo, etc.);  funcionam 24 horas por dia e permitem o acesso à distância. Bibliotecas digitais portuguesas:  BND - Biblioteca Nacional Digital  Espaço de obras da BND  DGE – Biblioteca Digital  Biblioteca Digital da Universidade do Porto  Biblioteca Digital da Universidade de Lisboa  Biblioteca Digital do Instituto Camões  Biblioteca Digital da Casa Fernando Pessoa  Biblioteca Digital de Estatísticas Oficiais  Biblioteca Digital da Universidade do Minho  Biblioteca Digital do ICEP  Biblioteca Digital da Universidade Aberta  Biblioteca Digital do Centro de Estudos Galegos  Biblioteca Digital da Fundação Mário Soares  Biblioteca Digital da Assembleia da República  Biblioteca do Conhecimento On Line  Biblioteca On Line em seis idiomas  Biblioteca Infoeuropa do Centro de Informação Europeia Jacques Delors 50 4.2.6 Museus e monumentos virtuais Os museus e os monumentos virtuais representam um conceito moderno e atual que vem responder às necessidades temporais e espaciais da conjuntura europeia e internacional. Deste modo, eles são um progresso da cultura, promovida através de uma das mais conhecidas inovações da técnica moderna: a Internet. Com a virtualização, os museus tornaram-se acessíveis a toda a gente, para serem explorados e divulgados em qualquer parte do mundo. No ensino de PLE, o acesso a museus virtuais permite uma melhor compreensão da cultura portuguesa e uma facilidade na sua divulgação. Hoje em dia é possível visitar virtualmente todos estes espaços de cultura que facilitam a aprendizagem e a acumulação de informações e conhecimentos. A aprendizagem torna-se mais divertida e os alunos conseguem conhecer vários aspetos culturais de Portugal sem se deslocarem da própria escola ou do próprio país. É um desafio para qualquer pessoa e os professores devem deixar-se levar à descoberta destas novas fontes de ensinoaprendizagem para atualizarem os seus recursos pedagógicos. Para o professor de português como língua estrangeira o acesso a estes recursos é importantíssimo, dado o facto de poder introduzir “as visitas virtuais” nas aulas de cultura, de história ou geografia, o resultado podendo ser tão ou mais profícuo que uma visita real. No caso dos estrangeiros que estudam português fora de Portugal (ou de outros países de expressão portuguesa), estas oportunidades são únicas e devem ser integradas no processo de aprendizagem para facilitarem a aquisição de conhecimentos culturais e sociais. Alguns sítios onde se encontram museus e monumentos virtuais disponíveis para visualização online são: o sítio do Instituto dos Museus e da Conservação, da Secretaria Regional da Educação, Ciência e Cultura do Governo dos Açores, Google Art Project, o Portal Cultura Online, o sítio do Igespar, 360º Portugal e muitos outros.22 Alguns dos museus e monumentos já disponíveis virtualmente:  Museu Grão Vasco (Viseu)  Museu Nacional de Arte Antiga (Lisboa)  Museu Nacional de Soares dos Reis (Porto) 22 http://www.culturacores.azores.gov.pt/videos/visitasvirtuais/ - Consultado em março de 2014. http://www.imc-ip.pt/- Consultado em março de 2014. http://www.google.com/culturalinstitute/collection/parques-de-sintra?projectId=art-projectConsultado em março de 2014. www.culturaonline.net - Consultado em março de 2014. http://www.igespar.pt/en/ - Consultado em março de 2014. 51  Museu Nacional do Azulejo (Lisboa)  Palácio Nacional da Ajuda (Lisboa)  Palácio Nacional de Mafra (Mafra)  Palácio Nacional de Queluz (Queluz)  Palácio Nacional de Sintra (Sintra)  Museu Diocesano de Arte Sacra (Funchal)  Museu de Alberto Sampaio (Guimarães)  Museu Nacional de Arqueologia (Lisboa)  Museu Monográfico de Conimbriga (Coimbra)  Museu Marítimo de Ílhavo (Aveiro)  Convento de Cristo (Tomar)  Mosteiro da Batalha (Batalha)  Mosteiro de Alcobaça (Alcobaça)  Mosteiro dos Jerónimos (Lisboa)  Torre de Belém (Lisboa)  Citânia de Briteiros (Guimarães) 4.2.6.1 Proposta didática 2. Sugestão de atividade que utiliza um museu/monumento virtual: Tema: História de amor de D. Pedro e Dona Inês de Castro Público-alvo: Alunos do 12º ano (17-18 anos) Objetivo: Dar a conhecer aspetos da história e da cultura portuguesa através de uma visita virtual Numa aula de cultura em que se fala sobre a história de amor de D. Pedro e Dona Inês de Castro o professor pode fazer uma visita virtual ao Mosteiro de Alcobaça23 para mostrar aos seus alunos os túmulos dos dois amantes. Como a visita virtual oferece a possibilidade de ver os túmulos de vários ângulos e permite aproximar e afastar a imagem, o professor pode pedir aos alunos que façam uma breve descrição por escrito dos túmulos, dos ornamentos e dos elementos que mais lhes chamaram a atenção para depois conversar com eles sobre a sua exuberância e beleza, se era uma coisa comum para aquela época, 23http://www.360portugal.com/Distritos.QTVR/Leiria.VR/Patrimonio/Alcobaca/JAVA/TranseptoSul.html - Consultado em abril de 2014. 52 sobre os símbolos existentes nos túmulos, etc. A visita vai permitir que os alunos memorizem e se lembrem com mais facilidade da história de amor dos dois protagonistas, vai fazer com que eles apreciem a beleza dos túmulos e dos ornamentos e vai contribuir para uma melhor aquisição de conhecimentos históricos e culturais. 4.2.7 Dicionários e enciclopédias virtuais Uma das maiores e mais impressionantes vantagens da nova tecnologia é que ela permite armazenar grandes quantidades de informações e depois aceder a elas de qualquer parte do mundo. Por isso, não tardaram em aparecer também os dicionários e as enciclopédias virtuais que parecem ter ultrapassado a glória dos mesmos em papel. A divulgação daqules é muito mais rápida e a sua utilização também, porque é mais fácil e acessível para todos. Já ninguém compra dicionários e enciclopédias pesados e caros para guardar numa estante na biblioteca pessoal, uma vez que pode ter toda essa informação, bem organizada e ilustrada, nos dispositivos virtuais. Embora exista uma grande quantidade de dicionários e enciclopédias virtuais com acesso gratuito, para consultar alguns é preciso pagar. Mas de qualquer modo, o leque de ofertas é tão variado e grande, que, sem dúvida nenhuma, o leitor-utilizador poderá consultar e procurar as informações de que precisa do conforto da sua casa, sem se deslocar para ir a uma biblioteca ou a um centro de pesquisa. Na área do PLE, o ensino e a aprendizagem tornaram-se mais fáceis com a ajuda destas ferramentas virtuais. Os alunos podem pesquisar informações nas enciclopédias virtuais, podem consultar palavras e expressões nos dicionários espalhados por todo o espaço virtual e podem esclarecer muitas dúvidas sem a ajuda de um professor. Na área das traduções, os dicionários são indispensáveis e os alunos podem fazer uma série de trabalhos com a ajuda destes recursos que se tornaram tão necessários e práticos para o bom desenvolvimento do estudo e do ensino em geral. Alguns exemplos de enciclopédias e dicionários virtuais:  Infopédia – Dicionários e Enciclopédias Porto Editora24  Enciclopédia Virtual da Expansão Portuguesa25  Wikipedia – A enciclopédia Livre26 24 http://www.infopedia.pt/que_intro.jsp - Consultado em março de 2014. 25 http://www.fcsh.unl.pt/cham/eve/- Consultado em março de 2014. 53  Enciclopédia Digital Master Online27  Pesquisa Mundi – Enciclopédia de Ciência28  Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira29  WikiCiências – Enciclopédia online em língua portuguesa30  Dicionário Priberam31  Léxico – Dicionário de Português Online32  Dicionário do Aurélio Online – Dicionário da Língua Portuguesa33  DT – Dicionário Terminológico para consulta em linha34  ILTEC – Instituto de Linguística Teórica e Computacional35  Ciberdúvidas da Língua Portuguesa36  Wikidicionário – Dicionário Livre37 4.2.8 Comunicação online A comunicação online facilitou todas as áreas da existência humana, entre as quais a educação também. Utilizamos este tipo de comunicação na educação tanto para fins de transmissão de mensagens como para ensinar ou aprender. Hoje em dia, com a abertura do ensino e a criação do ensino à distância, os alunos e os professores comunicam em qualquer parte do mundo através de meios e aplicações virtuais. A comunicação online pode ser síncrona ou assíncrona. As aplicações mais conhecidas para comunicar na Internet são: Outlook Express, Windows Live, Windows Mail. 26 http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikip%C3%A9dia - Consultado em março de 2014. 27 http://www.enciclopedia.com.br/ - Consultado em março de 2014. 28 http://www.pesquisamundi.org/2011/05/enciclopedia-de-ciencia-em-portugues.html - Consultado em março de 2014. 29 http://www.fmsoares.pt/aeb/biblioteca/pesquisa_autores.php?autor=4463 - Consultado em março de 2014. 30 http://wikiciencias.casadasciencias.org/wiki/index.php/P%C3%A1gina_principal - Consultado em março de 2014. 31 http://www.priberam.pt/dlpo/ - Consultado em março de 2014. 32 http://www.lexico.pt/ - Consultado em março de 2014. 33 http://www.dicionariodoaurelio.com/ - Consultado em março de 2014. 34 http://dt.dgidc.min-edu.pt/ - Consultado em março de 2014. 35 http://www.iltec.pt/- Consultado em março de 2014. 36 www.ciberduvidas.com - Consultado em março de 2014. 37 http://pt.wiktionary.org/wiki/Wikcion%C3%A1rio:P%C3%A1gina_principal - Consultado em março de 2014. 54 As aplicações para realizar conferências áudio e vídeo mais utilizadas são: Yahoo Messenger, Skype, Live@Edu.  A comunicação síncrona – programas de mensagens instantâneos Os programas de mensagens instantâneos permitem que os utilizadores comuniquem em tempo real. Os alunos e os professores podem organizar conferências (áudio e vídeo) com vários participantes, podem debater ideias das lições realizadas na sala de aulas, podem fazer anúncios sobre certos eventos que irão decorrer, podem comunicar com pessoas de outros países, podem realizar sessões de trabalho online, etc. Yahoo!Messenger é um programa de mensagens instantâneas em tempo real, criado pela companhia americana Yahoo!. Yahoo! Messenger é um dos mais populares softwares de socialização e interação social na Internet, podendo ser descarregado gratuitamente. Os utilizadores podem utilizar um único registo (Yahoo! ID) para todos os serviços da companhia. Skype é um programa gratuito que permite aos seus utilizadores efetuar chamadas telefónicas com voz e vídeo na Internet, utilizando técnicas de tipo Voz sobre IP (VoIP)38. As chamadas para os outros utilizadores Skype são gratuitas, seja qual for a cidade ou o país de onde se fala, enquanto as chamadas normais para a rede clássica (fixa) são pagas. A qualidade do som e do vídeo é normalmente muito boa. Há também outras funções adicionais gratuitas, como por exemplo telefonia, vídeo, mensagens instantâneas (chat), transferência de arquivos, conferências telefónicas e vídeoconferências. Google Talk. O gigante Google também criou o seu próprio programa de mensagens instantâneas, tão eficiente e competitivo como os acima indicados. No mundo globalizado em que vivemos, a troca de informações e a comunicação são cada vez mais valorizadas. Com uma interface simples, o Google Talk traz o básico dos recursos de mensagens instantâneas de texto e voz. Para utilizar o programa basta ter uma conta Gmail e os contactos são transferidos automaticamente para o Google Talk, para poder conversar facilmente com apenas alguns cliques. É possível utilizar o programa enquanto se está na 38 “Voz sobre IP, também chamada de VoIP (Voice over Internet Protocol), telefonia IP, telefonia Internet, telefonia em banda larga ou voz sobre banda larga é o roteamento de conversação humana usando a Internet ou qualquer outra rede de computadores baseada no Protocolo de Internet, tornando a transmissão de voz mais um dos serviços suportados pela rede de dados.” - http://pt.wikipedia.org – Consultado em abril de 2014. 61 Como esta plataforma tem messenger incorporado, pode-se falar sobre qualquer alteração, com os colegas que trabalham o mesmo documento. Para colaborar em equipa na criação de um documento-texto, ficha de cálculo ou apresentação, basta entrar no menu share (partilhar) e anotar os endereços de email dos membros da equipa. É possível também escolher a opção de uns poderem editar os documentos e outros apenas visualizá-los. A sua utilização elimina a necessidade de enviar através de email as ideias pessoais ou as várias variantes de um documento. Nesse caso, a pessoa que coordena o trabalho teria que ler e adaptar muitos ficheiros, recebidos de várias pessoas. Quando se utiliza o Google Drive, todas as pessoas fazem alterações ao mesmo documento, adicionando ou modificando informações e dados.  Fóruns44 e Blogues45 Com o surgimento das novas tecnologias, a comunicação entre os alunos e os professores ultrapassou o espaço da sala de aula. Os fóruns são espaços virtuais colaborativos onde as pessoas comunicam, trocam ideias, debatem vários assuntos e temas. No caso do PLE, os tópicos são relacionados com a língua e a cultura portuguesa e as conversas são acessíveis a todos os utilizadores do grupo de discussão. Este método moderno de comunicação favorece a interação, tanto entre os alunos, como entre os alunos e o professor. Estes podem fazer perguntas, esclarecer dúvidas, trabalhar em conjunto no caso de um projeto por exemplo, e podem ter acesso à informação sempre que quiserem, porque as conversas ficam gravadas no histórico do fórum. A informação fica armazenada e é fácil de aceder a qualquer momento. Segundo Santos (2000), uma grande vantagem dos fóruns é a possibilidade de ler as mensagens (por exemplo, resposta a dúvidas) dos colegas, ver a resposta do professor, voltar a ler se necessário, ver o histórico de cada uma delas de forma a saber quem a leu ou quem respondeu à mesma. O fórum permite o uso com facilidade da tecnologia e facilita e incentiva a comunicação e o diálogo fora da sala de aula também. Os fóruns de discussão promovem a envolvência de todos os alunos, uma melhor cooperação e uma aprendizagem colaborativa. Os alunos com dificuldades de participação na sala de aula, ultrapassam normalmente este tipo de barreira quando comunicam virtualmente. “A facilidade tecnológica levou à adoção do formato blogue como ferramenta de aprendizagem em situações mais ou menos formais. E escola, como agente 44 Exemplo de fórum de PLE: http://forumple.wordpress.com/ - Consultado em abril de 2014. 45 Exemplo de blogue de PLE: http://portugueslestrangeira.blogspot.pt/ - Consultado em abril de 2014. 62 educativo da sociedade, não se alheou deste contexto tecnológico. Do âmbito pessoal, o blogue passou a ser dinamizado também por escolas, por turmas ou por grupos ligados a projetos concretos ” (Tavares & Barbeiro, 2011:16). O Blogue, portanto, também pode ser utilizado como um recurso didático que facilita a comunicação entre pessoas com interesses comuns, neste caso a língua portuguesa. Como estratégia pedagógica, o blogue pode ser um espaço de partilha de dados entre, por um lado, os alunos e a escola em geral e, por outro, a família e a comunidade, de acesso a informação especializada, de comunicação e debate, de integração e convívio. Ele pode ser escrito por uma ou várias pessoas, que podem publicar informações, imagens, vídeos, sons, links sobre o tema por este abordado. Os professores e os alunos podem ser coautores dos conteúdos publicados o que desenvolve a confiança e a criatividade dos alunos que sentem os seus trabalhos valorizados. No caso do PLE, o método pode ser utilizado com o objetivo de treinar a expressão escrita, desenvolver a capacidade de seleção de informação e incentivar a aquisição de conhecimentos. Embora o professor seja sempre o mediador e o regulador das atividades e do espaço, os alunos ganham autonomia e espírito de cooperação/colaboração. Um blogue é também uma ferramenta de divulgação, por isso, os trabalhos, os resultados, os interesses e as performances dos alunos sendo expostos, tornam-se conhecidos e valorizados.  Glogster – Uma nova ferramenta-recurso Glogster é uma plataforma web que permite aos seus utilizadores que realizem cartazes online chamados “Glogs‟‟ com fotos, vídeos, textos, áudios, filmes da Internet ou pessoais, links, etc.  Permite a criação de um ambiente único, seguro, online, interativo, que pode ser facilmente monitorizado pelos professores.  Representa um meio digital novo e criativo para os professores que têm o objetivo de ajudar os alunos no processo de aprendizagem e de fazer este processo mais dinâmico e divertido.  É uma maneira de expressar a criatividade dos alunos.  É muito útil para realizar trabalhos de casa ou projetos/portefólios.  Pode ser utilizado como ficha de trabalho pelo professor, para apresentar um projeto, etc.  É uma interface simples e fácil de conceber para introduzir os conceitos básicos junto dos alunos. 63  Apresenta uma série de mecanismos de trabalho em equipa, para permitir que os utilizadores publiquem e partilhem as próprias criações e colaborem com os outros membros.  É uma valiosa ferramenta de estudo porque estimula a criatividade e a aprendizagem.  É um instrumento que favorece o desenvolvimento das habilitações dos alunos, permitindo-lhes registar progressos a vários níveis. 4.2.10.1 Ferramentas utilizadas no ensino a distância  Moodle46 Moodle é um espaço virtual de aprendizagem, uma plataforma de Learning Management System ou sistema de gestão de aprendizagem que permite o blended learning47 ou o ensino a distância (e-learning48) com a possibilidade de aulas online centradas na interação e construção colaborativa do conteúdo educacional. Através desta sala de aula virtual, os estudantes têm acesso aos recursos e materiais disponibilizados pelos professores, podem publicar atividades, esclarecer dúvidas ou participar em debates e discussões no fórum, entre várias outras ofertas de recursos. Algumas instituições portuguesas49 adotaram com sucesso este tipo de ensino no caso do PLE, disponibilizando cursos de português inteiramente online ou híbridos (semi-presenciais/blended-learning). Esta opção acaba por ser extremamente útil no caso dos que querem aprender o português sem se deslocarem do próprio país e dos que querem continuar a formação na área do PLE de qualquer lugar do mundo onde se encontram. É preciso apenas ter um computador e acesso à Internet, para estudar e frequentar cursos onde quer que se esteja. Segundo Tavares & Barbeiro (2011), estas plataformas apresentam grandes vantagens de partilha e construção do conhecimento, sublinhando o seu potencial comunicativo e o suporte pedagógico que dão à educação. 46 Abreviação de Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment. 47 O modelo combinado ou blended-learning (b-learning) consiste numa combinação entre o modelo tradicional, de ensino presencial, e os modelos de ensino a distância. (Florim, 2013:19). 48„„Modalidade de ensino a distância que possibilita a autoaprendizagem, com a mediação de recursos didáticos sistematicamente organizados, apresentados em diferentes suportes tecnológicos de informação, veiculados através da internet.‟‟(Florim, 2013:18). 49 Universidade Aberta, Universidade de Aveiro, Instituto Camões, entre outros. 64 4.2.10.2 Proposta didática 3 (utilizando os portais web, os dicionários e as bibliotecas digitais, as plataformas colaborativas etc.): Tema: Tradução de um poema português Público-alvo: Os alunos do 11º ano (16-17 anos) Objetivos: - familiarizar os alunos com a literatura portuguesa - familiarizar os alunos com as ferramentas linguísticas disponíveis online - incentivar o trabalho colaborativo O professor divide a turma em grupos e pede a cada grupo que entre no portal de literatura acima referido e traduza para o romeno um poema português à escolha (autores diferentes). Cada aluno do grupo terá de traduzir uma estrofe do poema e terá de colaborar com os colegas para que a tradução da sua parte se encaixe no poema. Para esta atividade os alunos irão utilizar apenas os dicionários e as bibliotecas online. No final do trabalho eles terão de ler a sua tradução final em frente da turma e publicá-la no blogue da escola. 4.2.11 Aplicações para avaliação A avaliação da aprendizagem é parte integrante de qualquer processo educativo ou formativo. São múltiplos os instrumentos que podem ser utilizados para realizar a avaliação e as tecnologias de informação e comunicação ajudam também na realização deste processo. Para as atividades de avaliação e não só (as aplicações servem também para o treino das estruturas gramaticais ou para verificar a compreensão oral e escrita) podem ser utilizados softwares educacionais como Hot Potatoes ou QuizFaber. Estas aplicações facilitam o trabalho do professor, na criação de testes, e do aluno também na sua resolução. Com estas ferramentas, é possível realizar testes, publicá-los e resolvê-los online ou imprimi-los e resolvê-los na sala de aula, em suporte de papel. Para além do grande número de possibilidades de perguntas que oferecem, estes instrumentos de avaliação permitem também a incorporação de conteúdos multimédia, como imagens, vídeos, sons, sítios, o que faz com que o teste fique mais rico em detalhes, mais divertido e com mais potencial de aprendizagem para o aluno. Os exercícios realizados com a ajuda destas ferramentas são úteis tanto para treinar os conteúdos aprendidos como para avaliar os conhecimentos dos alunos. No caso dos testes realizados online, o aluno recebe os resultados no final, o que pode ser bastante motivador. 65 A aplicação Hot Potatoes permite tanto a criação de exercícios como também a configuração deles como páginas web, muito fácil de aceder com a ajuda de um navegador (browser), sendo muito úteis no processo de avalização, seja qual for o nível ou a disciplina. A aplicação é composta por 6 programas: JQuiz, JMatch, JClose, JCross, JMix e JMasher, cada um com funções diferentes.  JQuiz – Cria exercícios com perguntas, escolha múltipla, escolha dual, resposta curta.  JClose – Cria exercícios de preenchimento de espaços livres. O utilizador trabalha com um texto ao qual faltam certas palavras e, por isso, deve encontrar as palavras adequadas para resolver o exercício.  JMatch – Cria exercícios de emparelhamento e ordenação. Do lado esquerdo aparece uma lista com itens fixos (imagens ou texto) e do lado direito itens misturados. O programa pode ser utilizado para emparelhar palavras com as suas definições, imagens, traduções, ou para ordenar frases para formar um texto ou um diálogo.  JCross – Cria palavras cruzadas que podem ser completadas online.  JMix – Utiliza-se para criar exercícios com frases misturadas, muito bons para fixar definições. O utilizador vai dispor de várias palavras que terá de colocar na ordem correta, exercício útil para o treino de estruturas sintáticas.  JMasher – Agrupa os exercícios sob um nome genérico, oferece um aspeto uniforme, cria ligações e uma página de índex. QuizFaber é uma aplicação que permite a criação, fácil e rapidamente, de testes, questionários e exercícios multimédia. Esta ferramenta pode ser utilizada nas lições de avaliação para todos os anos e disciplinas. Utilizando este recurso, podem ser criados e geridos vários tipos de itens, exercícios variados, incluindo os seguintes tipos base:  Exercícios de escolha múltipla com resposta única – single choice – onde apenas uma variante está correta.  Exercícios de escolha múltipla com resposta múltipla – multiple choice – onde uma ou várias opções estão corretas.  Exercícios com escolha dual – onde a resposta considerada correta deve ser escolhida de duas variantes possíveis (Verdadeiro/Falso, Sim/Não; Correto/Incorreto). 66  Perguntas com resposta aberta – previstas com um espaço onde o aluno escreverá a sua resposta.  Exercícios de preenchimento de espaços – onde são mencionadas as palavras que completam uma afirmação ou que etiquetam os vários elementos de um diagrama.  Exercícios de correspondência – onde as perguntas são organizadas em duas listas – uma lista com afirmações e uma lista com as respostas. O aluno deve indicar que resposta da segunda lista corresponde a cada afirmação da primeira lista. O professor pode estabelecer um tempo limite para responder a todas as perguntas e no final do teste serão afixadas a pontuação, a nota final e a resposta final a cada pergunta. As páginas podem ser personalizadas escolhendo uma certa cor, um certo tipo de letra ou incluindo-se imagens e/ou documentos áudio. 4.3. Estratégias de ensino-aprendizagem específicas para o estudo do português como língua estrangeira, valorizadas pelas tecnologias de informação e comunicação Os métodos pedagógicos modernos junto com as mais recentes soluções TIC levam ao crescimento do grau de envolvimento dos alunos durante as aulas e ao aumento da eficácia no processo educacional. Os novos métodos interativos obrigam o aluno a ter opiniões argumentadas, a compreender a lógica dos eventos e a trabalhar em grupo. Nas aulas de PLE em que são utilizados os instrumentos TIC, visa-se organizar as atividades de tal maneira que estas impliquem todos os alunos, a um nível correspondente às suas habilitações. Os alunos aprendem sempre que procuram uma informação, navegam na Internet, utilizam um programa para fazer a correspondência entre a imagem e o texto, quando veem um filme documentário. O professor de PLE deve seguir três passos quando realiza as lições onde são utilizadas as ferramentas TIC: a projeção, a organização e a realização da atividade de ensino-aprendizagem-avaliação, com base em um objetivo.  A Projeção A projeção pode ser realizada por um período maior de tempo (um semestre, um ano letivo) ou por um tema ou capítulo que pode ser tratado durante um período limitado de tempo (algumas lições, algumas semanas ou meses). Para esta etapa, o professor procura a realização das seguintes atividades: 67  Decide para que conteúdo e para que lição serão utilizadas as ferramentas TIC.  Estabelece as atividades a realizar pelos alunos.  Estabelece as tarefas de modo que todos os alunos sejam implicados na elaboração e apresentação dos produtos. As tarefas devem ser claras, simples e realizáveis pelos alunos.  Estabelece as competências específicas que os alunos vão criar ou consolidar através da utilização das ferramentas TIC.  Estabelece os objetivos didáticos das atividades que irão ser realizadas.  Cria cenários das lições em que são utilizados os instrumentos TIC.  Verificar se a sala de aulas tem os meios técnicos necessários para a realização da lição que utiliza os instrumentos TIC.  A Organização A organização das atividades pode ser realizada junto com os alunos. Nesta etapa o professor deve seguir algumas sugestões úteis:  Elaborar e debater com os alunos um conjunto mínimo de noções/palavras-chave. Estas podem ajudá-los na pesquisa e no processamento da informação digital.  Fazer algumas recomendações em relação aos instrumentos TIC que os alunos devem utilizar, em função da sua eficácia na aquisição das competências específicas, e dos meios técnicos disponíveis na sala de aulas/laboratório/gabinete fónico. De qualquer modo, é preferível que os alunos tenham a liberdade de escolher os instrumentos necessários para realizarem as aplicações TIC. O professor vai verificar se os alunos utilizam pelo menos os instrumentos TIC previstos pelos programas escolares e ensinados nas disciplinas desta área. O papel dele é também de incentivar os alunos a utilizarem instrumentos TIC novos, complexos, embora com menos divulgação.  A Realização  Os alunos realizam a atividade utilizando as ferramentas TIC em ritmo próprio.  Os alunos aprendem em geral, neste tipo de atividades, através da descoberta e da resolução de problemas. O professor vigia a atividade e dá explicações suplementares.  O professor oferece um feedback a cada aluno ou grupo de alunos em parte. 68  Se a atividade consta em apresentar uns produtos finais pelos alunos, o professor guia a análise crítica dos produtos TIC realizados por eles, englobando também uma parte de debate acerca do conteúdo dos instrumentos TIC utilizados para cada produto.  Os alunos/os grupos fazem a própria autoavaliação do trabalho.  Os colegas podem também avaliar os trabalhos dos colegas mostrando os pontos fortes e os pontos fracos.  O professor faz a avaliação da atividade realizada pelos alunos, de elaboração e apresentação de um produto, com notas/qualificativos, com base em critérios de avaliação claros e objetivos. 4.3.1Métodos de ensino que utilizam as ferramentas TIC 1. O projeto Este método oferece mais do que qualquer método de ensino ativo-participativo, através da formação diferenciada do aluno. Para usar de maneira eficiente este método e integrar tudo aquilo que o computador pode oferecer, são muito importantes os passos que o professor realiza na planificação e projeção da unidade de ensino. Os projetos ajudam os alunos a assumir papéis ativos e resolver problemas, tomar decisões, fazer pesquisas e recolher ou organizar documentação. O projeto é um método ativo que integra a tecnologia e realiza abordagens particularizadas, sobre temas anteriormente indicados aos alunos. Este método desenvolve conhecimentos e capacidades, promove a pesquisa e comprova a aprendizagem através de resultados. Ensina aos alunos como gerir o projeto e o tempo destinado a cada atividade. São coordenadas atividades comuns no grupo. Os alunos vão conversar entre eles e vão trocar informações. Os projetos focam-se em objetivos operacionais correspondentes às competências específicas ou aos objetivos de referência. Nos projetos educativos, a ordem das etapas é a seguinte:  Escolher o tema do projeto e incentivar o aluno.  Formar os grupos/as equipas de trabalho.  Planificar as etapas de trabalho e distribuir as responsabilidades.  Realizar a pesquisa e a execução do projeto.  Monitorizar e controlar o projeto.  Apresentar os resultados e a avaliação dos resultados. 69 2. A problematização É uma estratégia que desenvolve o pensamento e a criatividade dos alunos, que devem acumular novos conhecimentos. As situações/as perguntas problemáticas são dirigidas aos alunos que devem pensar e resolver os problemas, redigindo respostas claras e curtas que possam defender. Os softwares educativos, os produtos realizados pelos alunos ou as aplicações online utilizam muito este método, desenvolvendo a criatividade e a capacidade de encontrar soluções e respostas para os mais variados problemas. 3. O brainstorming Representa um método que desenvolve a criatividade dos alunos através do exercício do pensamento divergente, que solicita o encontro de uma situação própria para os problemas propostos. O método pode ser utilizado através de grupos de discussões, fóruns ou documentos colaborativos (por exemplo Google docs). Cada um dos participantes pode adicionar as próprias ideias num espaço comum de trabalho. O facto de os alunos se encontrarem em sítios diferentes pode ser um fator de desinibição, que pode levar à coragem de expressar umas ideias novas. Realiza-se a seguir um processo de seleção e no final as soluções encontradas podem ser redigidas com a ajuda de um editor de textos. 4. O trabalho em grupo/equipa é uma modalidade simples e rápida de aprendizagem e colaboração. Para uma pergunta podem encontrar-se várias respostas. As atividades que implicam o debate das respostas obrigam os alunos a descobrirem e sintetizarem a essência das informações e depois apresentá-las claramente e concentradamente. Os alunos utilizam as TIC observando-se um a outro ou realizando alternadamente as tarefas de trabalho. 5. A volta à sala pressupõe que cada grupo visualize no final da atividade os produtos realizados pelos outros. Desta maneira, podem observar que existem modalidades alternativas de seleção e apresentação da informação e das imagens que vão adotar e utilizar no futuro. 6. A técnica do mosaico. Este método baseia-se num princípio relativamente simples: cada grupo de estudo recebe uma parte específica de um problema que deve tratar do próprio ponto de vista. Para que isto aconteça, os alunos de cada grupo vão ser “peritos‟‟ numa determinada parte do problema. Cada grupo vai documentar-se (utilizando os materiais 70 postos à disposição no computador pelo professor ou utilizando a Internet) apenas sobre a parte que lhe foi atribuída pelo professor. Quando os grupos consideram que os seus membros atingiram o nível de especialização necessário, os alunos vão redividir-se em outros grupos: os novos grupos vão ser formados por “um perito‟‟ de cada grupo anterior. Desta maneira realiza-se o “mosaico‟‟ das partes do mesmo problema que devem através de um esforço dos novos grupos constituídos, harmonizar-se e funcionar como um todo. A atividade pode ser realizada dentro da sala de aulas ou através de um grupo de discussões. Os instrumentos TIC facilitam a colaboração, os alunos pesquisam na Internet para encontrar informações e para realizar tarefas, como por exemplo traduzir uma estrofe de um poema em português. A seguir, realiza-se uma edição bilingue do mesmo poema, que posteriormente poderia ser utilizada para o sítio da turma, da escola ou para um blogue pessoal. 4.3.2 Métodos complementares de avaliação possíveis através do uso das TIC Os métodos alternativos de avaliação são frequentemente usados no ensino de línguas estrangeiras. Há vários programas que podem fazer avaliações e oferecer um feedback imediato. Melhorar as atividades de avaliação é o objetivo constante de qualquer professor. Neste sentido, é bom ter em conta o seguinte:  Devem ser utilizadas todas as formas de avaliação possíveis na atividade de ensinoaprendizagem (qualquer formação começa por uma avaliação inicial ou de diagnóstico, continua com uma avaliação formativa e acaba com uma avaliação sumativa).  Devem utilizar-se todos os métodos possíveis de examinação dos alunos (exames orais, escritos, práticos), partindo da ideia que cada tipo de avaliação tem as suas vantagens e os seus limites, o que quer dizer que nenhuma categoria deve ser privilegiada em desfavor de outra.  Promover métodos alternativos de avaliação (projetos, portefólios, autoavaliação, etc.) com o objetivo de tornar a avaliação mais agradável e mais adaptada aos indivíduos que são o objeto dela, sem eliminar as avaliações tradicionais. 77 possibilidade de escolher o português que se quer ensinar e o país cuja cultura se quer aprofundar. Os materiais tratam temas variados como gastronomia, turismo, literatura, tradições locais, etc., e como estão em fase de teste, ainda poderão sofrer alterações. Vantagens:  Diversidade linguística e cultural.  Disponibilidade para melhorar (aceitam propostas).  Focalização em aspetos culturais.  Variedade dos temas tratados. Desvantagens:  As unidades didáticas não são unitárias (por exemplo, alguns níveis ou países têm muitas unidades didáticas, outros muito poucas; as formas de tratamento não são as mesmas em todas as unidades didáticas: em algumas predomina a segunda pessoa do singular “tu‟‟, noutras a terceira pessoa do singular “você‟‟, embora se trate do mesmo país. Pior ainda é quando na mesma unidade tratam o estudante ora por tu, ora por você).  As unidades didáticas de Portugal têm pouca informação e poucos exercícios, enquanto as unidades didáticas de Moçambique, por exemplo, são mais atrativas, com desenhos, animações, música, cores, muito mais dinâmicas e cativantes para os alunos.  Há temas que se repetem várias vezes no mesmo nível (por exemplo, o tema gastronómico).  Não há uma sequência lógica e gradual entre as unidades; por exemplo, a primeira lição do nível 1 (Portugal) não se poderia realizar com uma turma de nível inicial por tratar assuntos gramaticais que só se estudam mais tarde.  Os materiais precisam ainda de muitas adaptações por parte dos professores.  Não há uma delimitação clara entre os níveis.  Não se pode estabelecer a faixa etária a que estas unidades didáticas se destinam (há unidades ou partes de uma unidade com exercícios muito específicos para crianças e outras unidades ou partes da mesma unidade que tratam assuntos muito sérios e complexos, próprios dos adultos). 78 4.4.4 http://cvc.instituto-camoes.pt/ O Centro Virtual Camões foi desenvolvido pelo Instituto Cultural Camões – Instituto de Cooperação e de Língua, pertencente ao Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal. O Instituto Camões tem como missão apoiar o ensino e a divulgação da língua e cultura portuguesas no estrangeiro, assegurar a presença de leitores de português nas universidades estrangeiras e gerir a rede de ensino de português no estrangeiro a nível básico e secundário. Em virtude do cumprimento desta missão, foi criado o centro virtual Camões, que disponibiliza recursos na área de ensino e aprendizagem da língua, de traduções e de ensino à distância. A área Aprender: a brincar, a ouvir, a falar, a ler disponibiliza matérias como jogos, histórias, contos, documentos áudio, programas de televisão, pequenos textos, exercícios de gramática, guia de conversação, etc., que ajudam o aluno a adquirir as principais competências em português, através de atividades divertidas e animadas. A área Conhecer disponibiliza os seguintes recursos: Biblioteca Digital Camões, Bases Temáticas, Exposições Virtuais, Percursos Virtuais, Mapa Etno-Musical, etc. Todos estes recursos são extremamente úteis para o conhecimento da cultura e da língua portuguesa, explorando fontes áudio e vídeo seguras e de confiança. A biblioteca digitalizada representa também uma valiosa ferramenta didática e oferece a possibilidade de consultar livros e documentos em português, sem pagar ou se deslocar de casa/sala de estudo. A área Ensinar oferece a possibilidade de descarregar fichas práticas para o ensino de PLE, de aceder a Programas de Cultura Portuguesa, A Comunidade de Prática de PLE/PL2 ou a Técnicas de Comunicação em Português. A área Traduzir (Tecnologias da Língua) fornece glossários, recursos e outras ferramentas da área das traduções. A área Ensino a Distância dá acesso à plataforma de ensino a distância que disponibiliza cursos online de português como língua estrangeira, cursos de português para fins específicos, cursos de formação contínua de professores, etc. Vantagens:  Variedade de recursos e materiais.  Qualidade dos materiais.  Oferta de cursos de português a distância. 79  Oferta de materiais para a área das traduções.  Materiais de cultura e civilização portuguesa. Desvantagens:  Materiais insuficientes para níveis mais elevados (C1-C2).  Falta de atualizações (os materiais são os mesmos há alguns anos; não foram adicionados novos materiais). 4.4.5 http://www.languagesbysongs.eu/page-01-por.htm A apresentação do sítio, os objetivos e o público-alvo a que se destina são apresentados logo na primeira página. O sítio web é o resultado de três projetos Europeus Grundtvig de Parceria de Aprendizagem: “Languages and Integration through Singing”, dedicado às línguas italiana, romena e russa, “French and Spanish language competence through songs” (FRESCO), relativo ao espanhol e ao francês e “Find A Delightful Opportunity to learn Portuguese through Internet and songs” (FADO), dedicado ao português. O objetivo deste sítio, desenvolvido por uma equipa de professores de diferentes países, é disseminar um método para o ensino/aprendizagem de línguas estrangeiras a partir de músicas gravadas num suporte vídeo ou karaoke. Os documentos produzidos podem ser utilizados em sala de aula pelos professores de línguas: italiano, romeno, russo, francês, espanhol e português como língua estrangeira, por alunos que desejam praticar mais em casa, bem como por pessoas que querem estudar de maneira autodidata um destes idiomas. As competências linguísticas mínimas necessárias para os utilizadores deste método devem situar-se pelo menos ao nível A1 Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas (QECR). O projeto incide sobre os níveis de língua situados entre A2 e B2. A página “Karaoke e exercícios” inclui para cada canção a letra, o vídeo, um karaoke, uma ficha de trabalho e um ficheiro que fornece as respostas às perguntas ou a chave dos exercícios, permitindo assim aos alunos realizar a autoavaliação. Além dos exercícios de gramática, a ficha de trabalho contém informações sobre a história, a cultura e os costumes do país cuja língua é estudada, bem como os temas musicais, glossários, explicações gramaticais e exercícios orais a partir do suporte karaoke. 80 Para permitir aos utilizadores (professores e alunos) a escolha de atividades mais adequadas às suas necessidades, no início de cada ficha de trabalho é especificado: 1. O nível do QECR ao qual corresponde cada canção; 2. Os objetivos específicos: aspetos de gramática e vocabulário exercitados pelas canções; 3. A duração das atividades. Também foram incluídas no sítio as orientações gerais para os professores interessados na aplicação do método e eventualmente na criação de outros materiais didáticos.54 O projeto LIS (Língua e Integração através da Canção) é um projeto inovador que visa o ensino de línguas estrangeiras adotando um método didático moderno e eficaz, ou seja, através de canções que têm a função de tornar a aprendizagem mais simples, mais divertida, mais aliciante, mais fácil e mais eficaz. Muitos especialistas que estudaram os efeitos da música sobre o psíquico humano provaram que a música é uma excelente terapia e cura, não só para os seres humanos como também para as plantas e os animais. O ensino através de canções tem efeitos positivos porque facilita a memorização e a acumulação de informação não é mais vista como um processo pesado e moroso. O método adequa-se a qualquer idade e os resultados comprovaram a eficiência desta técnica didática, pouco explorada até agora, mas tão valiosa e cativante. Para além dos benefícios que a música proporciona, a exploração das letras das canções permite aprender e aprofundar tanto questões de gramática e vocabulário, como temas culturais e civilizacionais. Vantagens:  Promove um método de ensino inovador e divertido.  Os materiais foram realizados por profissionais na área de PLE.  A base de dados é atualizada em permanência com novos materiais.  Aceitam-se sugestões e estão abertos para melhorar.  A eficácia do projeto consta nos resultados e no feedback obtido.  Disponibilizam outros links com recursos de PLE.  As unidades didáticas são complexas, muito bem elaboradas e pensadas para explorar de melhor maneira todas as potencialidades da canção.  Variedade de géneros musicais. 54 http://www.languagesbysongs.eu/page-01-por.htm - consultado em abril de 2014. 81  As unidades exploram todas as competências linguísticas: compreensão do oral, compreensão de leitura, expressão escrita, expressão oral, competência estrutural, etc.  Indicações metodológicas para os docentes de PLE.  Boa apresentação e realização dos conteúdos e do sítio em geral.  Facilidade em trabalhar com o sítio e com os recursos.  Exigências tecnológicas mínimas.  Resultados rápidos e duradouros (comprovados).  Descontração na aprendizagem através de atividades lúdicas. Desvantagens:  Falta de materiais para níveis superiores (C1-C2). 4.4.6 www.rtp.pt O sítio da Rádio e Televisão de Portugal, embora não seja um espaço específico para aprender português, disponibiliza ferramentas de divulgação da cultura e de acesso a informações de índole educativo e cultural. A televisão foi desde sempre um “educador” das massas e a RTP tem desempenhado com sucesso, várias vezes, este papel. Relativamente ao ensino do português, o professor de PLE pode beneficiar de vários programas que a RTP disponibiliza online, para utilizar na sala de aula e tirar proveito com os seus alunos. 4.4.6.1 Cuidado com a língua55 é um programa didático56, informativo e ao mesmo tempo divertido que nos ensina a origem das palavras/das expressões e nos apresenta tanto temas variados e curiosidades linguísticas como os erros mais frequentes (realizados pelos nativos), com o objetivo de nos dar a conhecer melhor a língua portuguesa. “A vertente didática e ao mesmo tempo informativa e lúdica, divertida e com algum humor deste programa, é contextualizada com uma descrição dos conteúdos de cada episódio, o que facilita a sua utilização para autoaprendizagem. Cada episódio tem seis/sete temas («Língua Viva», «Curiosidades Linguísticas», «Confusões Linguísticas», «Português Maltratado», «Como Diz», «Palavras com 55 “Cuidado com a Língua! tem a autoria de José Mário Costa, responsável do sítio na Internet Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, com a participação da professora Maria Regina Rocha e do jornalista João Lopes Marques, que escreveu os guiões dos programas.” (cf:http://www.rtp.pt/programa/tv/p21216 - consultado em abril de 2014). 56 Disponível grátis online e em livro + cd nas livrarias. 82 História», «Palavras Mutantes», e «Em Português nos (Des)Entendemos»), mas com a flexibilidade de se tratar um só assunto. […] O programa combina cenas ficcionadas, com imagens de atualidade e outras (arquivo, filmes, etc.), o grafismo, a animação, os diagramas, o vídeo e efeitos sonoros apropriados, misturados com imagens de depoimentos de especialistas ou em inquéritos de rua. A montagem acentua a vivacidade de uma língua tão variada como a nossa.” (cf: http://cvc.instituto-camoes.pt/cuidado-com-a-lingua-consultado em abril de 2014). Embora possa ser um bocadinho difícil para os alunos de nível elementar que vão precisar mais da ajuda e das explicações do professor, o programa é um instrumento excelente para os alunos com um nível mais avançado. O programa tem apenas alguns minutos mas é muito rico em informações de ordem linguística, lexical, gramatical e cultural. A maneira como o programa é apresentado facilita a memorização e as explicações são claras e fáceis de compreender (aparecem também escritas no ecrã). Cada episódio conta com a participação de um convidado, com a ajuda do qual, o apresentador nos revela os mistérios do mundo das palavras, explica-nos os sentidos dos ditados, o significado de vários termos, a ortografia correta das palavras, os contextos e os seus usos adequados. 4.4.6.2 Bom Português é um programa sobre a utilização, oral e escrita, correta das palavras. “Aprender, reaprender, descobrir, elucidar. A língua é, como todos dizem, traiçoeira. Mas nem por isso deve ser descurada. Como se escreve e fala ... em Bom Português!” (cf: http://www.rtp.pt/programa/tv/p22815consultado em abril de 2014). O programa encontra-se disponível online e já foi publicado um livro com os assuntos abordados no programa. É uma boa ferramenta de trabalho, esclarece dúvidas e testa o nosso conhecimento da língua. O programa é realizado sob a forma de inquéritos na rua, onde as pessoas são questionadas sobre o uso/grafia/sentido de uma palavra. Após várias respostas (corretas ou erradas) dá-se a solução e explica-se a escolha da mesma, porque é “assim que se fala em bom português”. 4.4.6.3 Grandes Portugueses foi um programa televisivo que combinava vários níveis de multimédia, informação, biografia, documentário e entretenimento, com o objetivo de incentivar os portugueses a nomear o Maior Português de sempre. Este podia ser um artista, um poeta, um escritor, um político, ou uma personalidade que tenha marcado a história do país, fosse em que domínio fosse. A população podia votar através da Internet, do telefone ou sms. Desta maneira, resultou uma lista com os 100 portugueses mais importantes de sempre. A RTP que realizou o programa disponibilizou também um 83 sítio para ele, onde se podem encontrar as biografias dos 100 portugueses, um vídeo com uma breve apresentação dos primeiros 90 e filmes mais complexos sobre os últimos 10 da lista (os finalistas). Cada finalista foi defendido por uma personalidade convidada que fez um documentário sobre o seu “protegido” para apresentar e destacar as qualidades e o legado desse Grande Português e para incentivar o voto nele. O sítio é extremamente útil nas aulas de PLE para aprender sobre as figuras mais importantes da história e da cultura portuguesa (literatura, arte, música, cinema, política, etc.). O professor pode visionar os vídeos com os alunos, pode pedir-lhes que realizem trabalhos/projetos sobre uma figura ou outra, podem fazer debates e apresentações sobre estas personalidades e sobre a importância delas para Portugal e para o mundo. 4.4.6.4 Falámos Português foi uma coprodução entre a RTP e a Universidade Aberta. “Falamos Português é um projeto que constitui um relevante contributo do serviço público de televisão para o ensino do português à distância e para a satisfação das necessidades educativas e culturais dos portugueses, dos luso descendentes, dos espectadores dos países africanos de língua portuguesa e de Timor Leste e de um crescente número de estudantes de outras nacionalidades. Trata-se de uma série de 24 programas, com 25 minutos de duração cada, tendo como objetivos o ensino, promoção e divulgação da Língua Portuguesa.” (cf: http://www.rtp.pt/programa/tv/p21516consultado em abril de 2014). Cada programa aborda um tema e é realizado num local diferente de Portugal, oferecendo muita informação cultural. No meio do programa temos explicações de gramática, de vocabulário e de fonética que ajudam o aprendente a compreender melhor o uso da língua e os seus vários registos. Os programas encontram-se em formato escrito (pdf) e vídeo e podem ser usados nas aulas de PLE para explorar a língua, as tradições, os costumes, as cidades portuguesas e as suas histórias e atrações. Os 25 temas abordados no programa são: Chegada a Portugal, Transportes Urbanos, Em Belém, Conhecer a Cidade, Cafés Literários, Termalismo em Portugal, Museus de Lisboa, Parque das Nações, Sintra, Quotidiano na Cidade, Gastronomia Portuguesa, Fazer Compras, Aromas e Sabores, Praticar Desporto, Festas e Tradições, Portugal, Uma Sociedade Moderna, Madeira, Açores, Autores Contemporâneos: Encontro com Júlio Pomar, Artesanato Português, No Castelo de São Jorge, Por Lisboa Antiga, O dia da Liberdade, No Porto, Por Aldeias e Vilas de Portugal. Os professores podem utilizar inteiramente o programa ou apenas uma parte dele para introduzir os alunos num determinado espaço, para lhes apresentar certo tema (a gastronomia por exemplo), para utilizar as explicações de gramática/vocabulário 84 apresentadas, para treinar a compreensão do oral, para conhecer um assunto específico da cultura portuguesa (ex.: os cafés literários), etc. As possibilidades de exploração destes recursos são inúmeras, basta o professor saber escolher e adaptar o conteúdo para o fim específico da sua aula. Este programa foi realizado por especialistas na área do português, mas como é bastante grande (25 minutos) e com muita informação, pode ser às vezes cansativo para o aluno e por isso o professor deve saber quando e como utilizar o recurso para poder ser processado pelo aprendiz de forma eficiente. Destina-se em primeiro lugar a estudantes de níveis mais avançados que conseguem perceber bem o português e a fluência dos nativos. É um recurso útil, desde que seja utilizado de maneira inteligente e em momentos adequados, tanto para as aulas de língua, como para as aulas de cultura. 4.4.6.5 A alma e a gente é um programa documentário apresentando por José Hermano Saraiva57 sobre os momentos e as personalidades decisivas da História de Portugal. “Cada programa traça a biografia de um português notável, com a evocação da sua época e o esclarecimento da sua contribuição para o denominador comum que é a Pátria Portuguesa. Cada figura será recordada no cenário mais adequado, e no caso de figuras literárias será feita uma síntese da obra com a leitura expressiva de alguns trechos mais significativos.” (cf: http://www.rtp.pt/programa/tv/p27203consultado em abril de 2014). Segundo os seus realizadores, o programa é uma verdadeira lição e estímulo sobre a arte de falar a língua portuguesa, uma vez que o autor e apresentador (José Hermano Saraiva) realizou este programa durante mais de trinta anos, utilizando o método do improviso verbal e nunca usando nenhum tipo de apoio escrito nas suas apresentações. Ele era simplesmente uma biblioteca humana, impressionando com os seus conhecimentos e memória. O programa, como os outros que já foram apresentados, pode ser utilizado, com alunos de nível mais avançado, para conhecer melhor o passado, a história, as personalidades mais marcantes e os lugares mais representativos de Portugal do ponto de vista histórico. O apresentador conta lendas, histórias, biografias, passando pelos lugares de que fala e filmando-os, portanto o aluno pode memorizar melhor os factos através da 57 José Hermano Saraiva (1919-2012) foi um dos mais prestigiados professores e historiadores portugueses. Ocupou também o cargo de Ministro da Educação e ficou conhecido postumamente pelo seu trabalho na área da História, da Cultura, da Literatura e da Televisão. (cf: http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=572385&tm=4&layout=121&visual=49consultado em abril de 2014) 85 contextualização e da visualização dos locais onde estes decorreram. Treina-se a compreensão oral dos alunos e acumulam-se informações de ordem cultural, literário, histórico e linguístico de uma maneira fácil. Os programas estão disponíveis online e podem ser visualizados grátis. 4.4.6.6 Ensina RTP www.ensina.rtp.pt Para além dos arquivos, dos programas e dos documentários que o sítio da RTP disponibiliza online, existe também o museu virtual da RTP e um sítio dedicado ao ensino que se chama Ensina RTP. Este compreende vários temas (Artes, Cidadania, Ciência, Concurso, Conhecer a RTP, Educação para os media, Filosofia, História, Português e RTP nas Escolas) e várias secções dedicadas aos adultos e às crianças. Alguns destes recursos podem ser utilizados nas aulas de PLE porque apresentam entrevistas, documentários, jogos que poderiam ser utilizados com êxito pelos alunos que aprendem português, tanto para adquirirem novos conhecimentos sobre a língua e a cultura portuguesa, como para treinarem o português. Como nos outros casos, depende do professor saber escolher e utilizar as ferramentas e os recursos necessários. “Estão disponíveis, numa primeira fase, vídeos, áudios, infografias e fotografias produzidas pelos diferentes canais da Rádio e Televisão de Portugal ao longo das últimas oito décadas. Para além de pequenos excertos de entrevistas ou programas, apresentamos também alguns grandes documentários com grande relevância para determinadas matérias escolares” (cf: http://ensina.rtp.pt/sobre/- consultado em abril de 2014). Podem ser encontradas entrevistas com figuras notáveis das letras, das artes, das ciências, bem como documentários sobre o património e a história. Na área do português é fácil visualizar vídeos com e sobre os maiores escritores da literatura portuguesa ou filmes realizados a partir dos grandes romances portugueses. É sempre bom diversificar e variar os recursos utilizados na aula e este sítio é mais uma ajuda neste sentido para o professor de PLE e para os outros que querem integrar as novas tecnologias na maneira como ensinam e transmitem a informação. Existem vários indicadores de qualidade dos sítios educativos que nos ajudam a distinguir os que são fiáveis e os que não o são. Entre eles mencionamos a proposta feita por Ana Carvalho (2006), que considera os seguintes elementos como essências: a identidade, a usabilidade, a rapidez de acesso, os níveis de interatividade, a informação, as atividades, a edição colaborativa online, o espaço de partilha e a comunicação. Com base 86 nestas características, apresentamos a seguir um quadro esquemático que nos ajude a avaliar melhor os sítios de aprendizagem de PLE acima referidos. o Identidade = nome do sítio, propósito/finalidade, autoridade, data de criação e a última atualização. o Usabilidade = facilidade de uso, estrutura, navegação e orientação, aspeto/interface do sítio. o Rapidez de acesso = rapidez interna de acesso, hiperligações ativas. o Níveis de interatividade = grau de envolvimento do utilizador. “Nível um – o utilizador vê, lê e ouve; clica nas hiperligações para aceder à informação, para navegar no sítio. Nível dois – o utilizador desloca ou movimenta objetos. Nível três – o utilizador preenche e envia, por exemplo, um formulário, um trabalho, esperando receber uma resposta. Nível quatro – o utilizador preenche e verifica, obtendo feedback imediato. Este caso aplica-se à procura de informação num motor de pesquisa, aos exercícios com correção automática, aos jogos com pontuação. O feedback imediato é estimulante para o utilizador e permite-lhe progredir na aprendizagem. Nível cinco – o utilizador constrói um texto colaborativamente online.” (Carvalho, 2006) o Informação = o sítio engloba informação em vários formatos: texto, imagem, som, vídeo, podcast, etc. O conteúdo deve ser correto, atualizado, adequado à temática abordada e com indicação do autor e da bibliografia. o Atividades = diversificadas (jogos, exercícios, pesquisas), claras, adequadas à informação disponibilizada e a vários níveis de aprendizagem. o Colaboração/Partilha/Comunicação = o sítio deve dispor de ferramentas de colaboração, de um espaço de partilha das informações e dos trabalhos, e de um espaço de comunicação (fóruns, email, chat) para esclarecimento de dúvidas, sugestões e propostas. Avaliação: Numa escala de 1 a 5, avalia-se o grau de correspondência com os critérios acima referidos (5 = corresponde totalmente; 4 = corresponde muito; 3 = corresponde bastante; 2 = corresponde pouco; 1= não corresponde). 93  PINTO, Maria. Qualidade e Avaliação dos Recursos Educativos na Internet. CRIE. Lisboa, 2005. (Disponível online: http://www.crie.minedu.pt/index.php?section=41consultado em junho de 2014).  RETO, Luís. Potencial económico da Língua Portuguesa-1ª ed.: Texto Editores, Lisboa, 2012.  REIS, C. & ADRAGÃO J.V. Didática do Português. Lisboa, Universidade Aberta, 1992.  SANTOS, Arnaldo M. Ensino à Distância & Tecnologias de Informação - elearning. FCA - Editora de Informática, 2000.  TAVARES, Clara Ferrão & BARBEIRO, Luís Filipe. As implicações das TIC no ensino da língua. Direção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular, Ministério da Educação. Lisboa, 2011.  TORRES, Patrícia Lupion. 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VII. Anexos 7.1 Sugestões metodológicas e exemplos de atividades didáticas de PLE, utilizando as novas tecnologias a) A letra do fado Barco Negro1 inclui uma referência à parte do corpo humano braço. Complete a imagem abaixo com os nomes das partes do corpo que aparecem na coluna da direita:2 cabeça orelha olho boca nariz peito pescoço mão braço perna corpo pé joelho b)3 1 Versos David Mourão Ferreira, Caco Velho; Interpretação Amália Rodrigues. 2 Fonte: http://www.languagesbysongs.eu/page-01-por.htm - Consultado em abril de 2014. 3 Fonte: http://cvc.instituto-camoes.pt/menu-aprenderConsultado em abril de 2014. c)4 4 Fonte: http://www.europensemble.eu/- Consultado em abril de 2014. d)5 5 Fonte: http://cvc.instituto-camoes.pt/menu-aprenderConsultado em abril de 2014. e) 6 6 Fonte: http://www.linguasnet.com/lessons/home_pt.htmlConsultado em abril de 2014. 7.2 Trabalhos e lições de PLE realizados com a ajuda das novas tecnologias pelos/com os alunos da Roménia (Cluj-Napoca) Cartaz realizado pelos alunos de PLE da Roménia (Cluj-Napoca) Lição sobre o corpo humano, os sentidos e as doenças mais comuns