O impacto do esforço formativo dos pais e mães no sucesso escolar dos alunos de um agrupamento de escolas TEIP
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299 1 2 2 ŶĂDŽƵƌĂnjWĞĚƌŽEƵŶĞƐĞ:ŽĆŽ^ĂŵƉĂŝŽ 1 &ĂĐƵůĚĂĚĞ ĚĞ WƐŝĐŽůŽŐŝĂ Ğ ĚĞ ŝġŶĐŝĂƐ ĚĂ ĚƵĐĂĕĆŽ hŶŝǀĞƌƐŝĚĂĚĞ ĚŽ WŽƌƚŽ 2 ŐƌƵƉĂŵĞŶƚŽ sĞƌƟĐĂů ĚĞ ^ŽƵƐĞůŽ >5HVXPR@7UDEDOKDU VREUH DV UHSUHVHQWDo}HV DFHUFD GD LPSRUWkQFLD GD HVFRODUL- ]DomR FRQVWLWXL XPD GDV SULRULGDGHV GR SURMHFWR7(,3GR$JUXSDPHQWRGH(VFRODV HP HVWXGR H WUDGX]-VH QXP FRQMXQWR GH DFo}HVGLYHUVL¿FDGDVTXHYLVDPSURPRYHU RYDORUGDHVFRODULGDGHHQWUHRVDOXQRVGR $JUXSDPHQWRPDVWDPEpPMXQWRGDVVXDV IDPtOLDVHGD&RPXQLGDGH(GXFDWLYDHP JHUDO(QWUHHVVDVDFo}HVR$JUXSDPHQWR tem vindo a promover em parceria com o &entro de 6eJXranoa 6ociaO a IreTXrncia de cXrVoV ()$ por paiV e mmeV doV aOXnoV que frequentam o Agrupamento. 1o momento em que o 3roMecto 7(,3 Ve apro[ima do Veu tprminuV quiVemoV VaEer se esta aposta na formação dos pais tinha tido impacto nos resuOtados escoOares dos respectivos ¿Ohos. A proposta de comunicação que se fa] tem por oEMectivo dar conta desse estudo reaOi]ado no presente ano e que pretende correOacionar o esforço formativo dos pais e mães de aOunos do Agrupamento que se haviam inscrito em cursos ()A com o sucesso escoOar dos respectivos ¿Ohos. 1. Introdução São muitos e relativamente coincidentes os estudos que associam o sucesso escolar das crianças e jovens com a escolaridade dos seus progenitores. Muitos desses estudos partem da linha da anilise sociolygica produ]ida por Bourdieu e Passeron (sd) na década de setenta do século passado, e estudam a desigualdade social de origem familiar, nas suas diversas facetas, que depois é reproduzida pela escola (Stoer & Silva, 2005; Silva, 2010). Numa tentativa de fugir ao determinismo que concluía a obra daqueles dois autores, uma parte signi¿cativa de estudos posteriores trm vindo a dar conta de iniciativas, e a estudar outras variiveis associadas, quer ao sucesso escolar, quer à escolarização dos pais dos alunos, como forma de modi¿car a representação e as priticas das famílias face ao processo de escolarização. Ao mesmo tempo, esses estudos tendem a alertar para a importância da escola como agente essencial para quebrar a lógica da reprodução social das desigualdades (Stoer & Silva, 2005; Silva, 2010). &ompulsimos, assim um conjunto de estudos que têm em comum a ideia que cabe à escola ter consciência dessa correlação e de organizar os seus projectos educativos de modo a contrariar a tendência e assim promover a igualdade de oportunidades entre os alunos que a frequentam. Por outro lado, encontrimos outro conjunto de estudos que se orientam para as formas de relação escola família (Silva, 2010). Entre uma tendência e outra é possível encontrar outras linhas de pesquisa que correlacionam as representações dos pais sobre a importância da escolarização com a disponibilidade para uma maior participação na vida escolar dos seus ¿lhos (Mouraz,2005; Mouraz 200). Entre estas ~ltimas é possível sustentar que as habilitações escolares dos pais aparecem como variivel importante na construção das percepções pessoais de competência, nas atribuições causais e no próprio rendimento escolar dos alunos (Mascarenhas, Almeida & Barca, 2005; Van Zanten, 2003), que a escolarização das mães tem um papel especial no desenvolvimento da relação entre a escola e a família, como no sucesso escolar (Coelho, 2008), ou que os níveis diferentes de escolaridade dos pais determinam propósitos e modos diferenciados de participação nas actividades propostas pelas escolas, bem como determinam diferentes expectativas face ao sucesso da escolaridade (+ill et al, 200) . )oi possível, ainda, estabelecer uma relação entre o background académico familiar e as escolhas vocacionais que os jovens fazem, bem como a permanência temporal com que essa inÀuência se faz sentir ( 'ustmann, 200; *rif¿n & Galassi, 2010). Ao mesmo tempo é possível também argumentar que as próprias famílias estão mais conscientes O IMPACTO DO ESFORÇO FORMATIVO DOS PAIS E MÃES NO SUCESSO ESCOLAR DOS ALUNOS DE UM AGRUPAMENTO DE ESCOLAS TEIP [154]
300 [Atas do XI Congresso da Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação, Instituto Politécnico da Guarda, 30 de junho a 2 de julho de 2011] de algumas destas correlações e passam elas próprias a valorizar e a desenvolver priticas educativas que pretendem que sejam facilitadoras do sucesso escolar dos seus descendentes (Vieira, 2006). Ao criar os Territórios Educativos de ,ntervenção prioritiria, (TE,P2) (despacho normativo 502008),o legislador comete à escola a responsabilidade de promover o sucesso educativo que constitui uma condição bisica para a equidade social, bem como a tarefa do desenvolvimento comunitirio sem o qual a promoção do sucesso estaria sem dúvida comprometida. É nesse contexto que o estudo que damos conta neste texto deve ser enquadrado. Trabalhar sobre as representações acerca da importância da escolarização constitui uma das prioridades do projecto TEIP do Agrupamento de Escolas em estudo e traduz-se num conjunto de acções diversi¿cadas que visam promover o valor da escolaridade entre os alunos do Agrupamento, mas também junto das suas famílias e da Comunidade Educativa em geral. As razões próximas desta linha de trabalho residem na baixa quali¿cação académica da maioria dos pais dos alunos, que esti associada a ocupações pro¿ssionais indiferenciadas, e se reÀecte nas expectativas que os alunos constroem sobre o seu próprio futuro e por extensão também no seu sucesso escolar. Sendo este um problema de fundo e antigo que aÀige o Agrupamento, e ainda antes de este ser considerado um TEIP ( o que aconteceu em Setembro de 2009), tem vindo a ser estimulada, em parceria com o Centro de Segurança Social, a frequência de cursos EFA por pais e mães dos alunos que frequentam o Agrupamento. No momento em que o Projecto TEIP se aproxima do seu términus quisemos saber se esta aposta na formação dos pais tinha tido impacto nos resultados escolares dos respectivos ¿lhos. É objectivo especí¿co deste texto correlacionar o esforço formativo dos pais e mães de alunos do Agrupamento, que se haviam inscrito em cursos EFA, com o sucesso escolar dos respectivos ¿lhos. 2. Metodologias Do ponto de vista metodológico, este é um trabalho descritivo que se centra nos alunos adultos dos cursos EFA, inscritos desde 2006, que têm ¿lhos a frequentar o Agrupamento de Escolas em estudo. A investigação aquilata a importância actual da escolaridade realizada por aqueles sujeitos, na sua vida pessoal e pro¿ssional e no impacto que o facto de ser de novo aluno tevetem no modo como perspectivam a escolaridade dos seus próprios ¿lhos. Num segundo eixo de anilise, pretendeu-se estudar as correlações existentes entre o efeito da frequência formativa dos pais com a qualidade do sucesso escolar dos ¿lhos. Para dar cumprimento ao primeiro eixo foi administrado um questionirio sobre as representações acerca da importância da escolarização e para trabalhar a segunda dimensão foi realizado uma recolha de dados documental dos registos de avaliação e outros, existentes no Agrupamento, de modo a poder correlacionar as representações dos pais, consideradas globalmente, com a prestação escolar dos ¿lhos. 2 questionirio continha perguntas de “cafetaria” para caracterizar brevemente os inquiridos quanto ao género, idade, habilitações académicas obtidas até 31 de Dezembro de 2011, pro¿ssão, habilitações académicas do c{njuge e respectiva pro¿ssão, n de ¿lhos e n de ¿lhos a estudar no Agrupamento em estudo. Numa segunda parte, o questionirio incluía um conjunto de itens organizado em quatro grupos, capazes de avaliar a representação dos inquiridos acerca da importância das razões que os levaram a inscrever-se num Curso EFA ou RVCC; sobre as características do Curso e exigências de adaptação que obrigou o respondente; acerca do caricter substantivo que o Curso adquiria na interação entre o progenitor inquirido e o ¿lho estudante e, ¿nalmente, sobre a importância da escolaridade nas representações acerca do futuro dos ¿lhos. Esta segunda parte do questionirio assumiu a forma de uma escala de tipo lickert com 5 opções de resposta em dois tipos diferenciados de ordem; a ordem da importância para o primeiro grupo das razões e a ordem da frequência para as outras três categorias. 2 questionirio foi aplicado aos pais dos alunos do Agrupamento que foram ou são alunos do mesmo, que foram convidados a participar, para o que se deslocaram à sede do Agrupamento, onde preencheram o questionirio disponível on-line. Pretendia-se assim eliminar a probabilidade de o questionirio ser preenchido por outras pessoas, que não os seus destinatirios naturais. A recolha de dados documentais diz respeito a todos os alunos do Agrupamento, cujos pais (pelo menos um deles) foi ou é aluno do Agrupamento. Por esse facto o n de dados coligidos diz respeito à totalidade desses alunos, e não coincide com o n de pais respondentes. Os dados documentais aqui tratados dizem respeito aos resultados escolares dos alunos em causa nos anos lectivos anteriores (2009 e 2010), operacionalizado no n de classi¿cações negativas obtidas ( medida de insucesso) e no n de classi¿cações obtidas iguais ou superiores ao nível ( medida da qualidade do sucesso). Para poder fazer um juízo de impacto recorreu-se à comparação homóloga nos dois anos lectivos referidos. A inexistência de dados disponíveis em tempo útil, para o presente ano lectivo, impede uma apreciação mais sustentada. 3. Resultados 3.1.'ados do 4uestionirio Responderam ao questionirio 3 pais de alunos a estudar no Agrupamento e que também frequentam ou frequentaram neste estabelecimento cursos EFA, ou estiveram inscritos no sistema RVCC. A idade média dos respondentes era de 35 anos. Quanto ao género, 6 são homens e 28 são mulheres. A escolaridade dos respondentes em 31 de Dezembro de 2010 era maioritariamente o 2 e o 3 ciclo (12 pessoas em cada uma das categorias). 9 respondentes tinham o ensino secundirio. Quanto às habilitações literirias dos c{njuges, elas são habitualmente mais baixas, sendo que 15 tinham o 2 ciclo, tinham apenas o 1 ciclo e o 9 ano de escolaridade. Quanto à pro¿ssão e porque a maioria dos respondentes pertencia ao género feminino, constatou-se que existiam 12 desempregadas e 11 domésticas que totalizam 65% do universo dos inquiridos. Quanto à pro¿ssão do c{njuge, que é maioritariamente do sexo masculino registaram-se 1 desempregado; 1 reformado por invalidez; 13 trabalhadores da construção civil e a¿ns.
301 [Atas do XI Congresso da Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação, Instituto Politécnico da Guarda, 30 de junho a 2 de julho de 2011] O curso que frequenta Esti a ser foi mais difícil do que tinha pensado: aconteceu algumas vezes 12 (3%); 10 aconteceu poucas vezes (28%) Tem um caricter mais pritico que a sua experiencia escolar anterior fazia supor : aconteceu frequentemente 9 (25%); 9 aconteceu sempre (25%); 7 aconteceu algumas vezes (20%) Exigiu que se adaptasse de novo à exigência de estudar: aconteceu frequentemente12 (3%); 9 aconteceu sempre (25%); 7 aconteceu algumas vezes (20%) Obrigou a mudar os seus métodos de trabalho: 10 aconteceu sempre (28%); aconteceu frequentemente 7 (20%); 7 nunca aconteceu (20%); 7 aconteceu algumas vezes (20%) Obrigou a mudar os seus horirios e os da sua família: 13 aconteceu sempre (37%); aconteceu frequentemente 11 (31%). Exigiu que se adaptasse de novo à exigência de fazer testes: 9 nunca constatar que na generalidade as razões elencadas são muito importantes. Todavia aquela que congrega mais as respostas dos respondentes é aquela que identi¿ca a possibilidade de ajudar os ¿lhos como razão mais comum. As anilises estatísticas feitas permitiramnos constatar existir uma diferença signi¿cativa entre as mulheres e os homens no que diz respeito à razão “ aumentar a quali¿cação académica” que é mais valorizada pelo género masculino ( t 2.1 para um p0.05) e para a satisfação da exigência da Segurança Social que é mais importante para as mulheres( t 2.1 para um p0.05). Re¿ra-se ainda que as duas pessoas que têm apenas o 1 ciclo valorizaram ao miximo esta razão, enquanto desvalorizaram comparativamente as restantes. Também a idade parece ser elemento explicativo dos resultados daqueles dois itens: quem tem mais de 35 anos valoriza mais o item que refere a exigência da Segurança Social( t 2.6 para um p0.05), enquanto quem tem idade inferior valoriza mais a obtenção do certi¿cado académico( t 2.5 para um p0.05). As pessoas em situação de desemprego valorizam mais do que as outras o motivo da ajuda aos ¿lhos na sua escolaridade( t 2.9 para um p0.05). Em geral, os respondentes têm de 1 a 3 ¿lhos (média 1.5) sendo que, em média, 1 deles estuda no Agrupamento. Razões que motivaram a sua inscrição no curso Aumentar a sua quali¿cação académica muito importante 16 (5%); razão principal 13 (37%) Aprender mais conhecimentos: muito importante 18 (51%); 12 razão principal (3%) Poder ajudar o(s) seu(s) ¿lho(s): : muito importante 17 (8%); 9 razão principal (25%) Obter um certi¿cado académico e pro¿ssional: muito importante 16 (5%); 10 razão principal (28%) Satisfazer uma exigência da Segurança Social: nada importante 62 (51%); 12 pouco importante (1%) Completar estudos que tinha interrompido antes: 13 razão principal (37%); muito importante 11 (31%); Considerando a ¿gura n 1 é possível )LJXUD±%R[SORWUHVXPRGDVUD]}HVTXHOHYDUDPRVSDLVGRVDOXQRVDLQVFUHYHUVHQRVFXUVRV()$H59&&
302 [Atas do XI Congresso da Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação, Instituto Politécnico da Guarda, 30 de junho a 2 de julho de 2011] a ajudar os ¿lhos nas tarefas escolares. Algumas vezes é a frequência com que os papéis se invertem e são os pais que pedem ajuda aos ¿lhos para realizarem as suas tarefas escolares. Das variiveis independentes consideradas apenas a situação de desemprego ajuda a explicar a maior valorização que as pessoas nessa condição dão à possibilidade de assim poder ajudar melhor os seus ¿lhos, (t 2.5 para um p0.05) tal como antes ji se havia constatado nas razões de frequência da escolaridade de segunda oportunidade. +abitualmente fala com os seus ¿lhos sobre o futuro Fala-se disso para o(s) estimular a estudar e a ser(em) melhor(es) aluno(s: 22 aconteceu sempre (63%); aconteceu frequentemente 7 (20%). Fala-se quando os resultados escolares ¿cam longe das expectativas: 1 aconteceu sempre (0%); 12 aconteceu frequentemente (3%). Costuma fazer-lhes ver como a vida é difícil: 22 aconteceu sempre (63%); 6 aconteceu frequentemente (17%) Costuma lembrar-lhe(s) a importância de que a frequência teve interferência nos horirios das famílias obteve um acordo dos respondentes. Nenhuma das variiveis independentes: o género, a idade ou a escolaridade, explicam discriminatoriamente estes resultados. +abitualmente fala com os seus ¿lhos do curso que frequenta Para pedir ajuda em alguma tarefa: 11 aconteceu frequentemente (31%); 8 aconteceu algumas vezes (23%); 6 nunca aconteceu (17%). Para lhe dar como exemplo o seu esforço de ter voltado a estudar: aconteceu frequentemente 15 (3%); 12 aconteceu sempre (3%). Para ajudar o seu ¿lho em alguma tarefa escolar: 10 aconteceu sempre (28%); 7 aconteceu frequentemente (20%); 7 aconteceu algumas vezes (20%); 6 nunca aconteceu (17%) Ter voltado a frequentar a escola é o argumento que os pais inquiridos usam como exemplo de esforço pessoal a dar aos seus ¿lhos (¿gura 3). Com um resultado mais disperso, a escolaridade dos pais volta a ser assunto de conversa frequente quando estes se disponibilizam aconteceu (25%); 9 aconteceu algumas vezes (25%); 7 aconteceu algumas vezes (20%) Exige-lhe trabalhos que lhe parecem semelhantes aos que o(s) seu(s) ¿lho(s) realiza: 9 aconteceu algumas vezes (25%): 8 aconteceu frequentemente (23%); 8 nunca aconteceu (23%); Os trabalhos que você desenvolveu (bem como os outros estudantes da sua turma) surpreenderam pela boa qualidade: 16 aconteceu sempre (6%); aconteceu frequentemente 12 (3%) Permitiu-lhe sentir-se mais capaz de enfrentar qualquer situação da sua vida: 15 aconteceu sempre (3%); 1 aconteceu frequentemente (0%). Figura 2 – Boxplot resumo dos itens que avaliam os cursos em que os pais estavam estão inscritos Globalmente considerados, os itens do questionirio que avaliam o curso frequentado permitem concluir que a capacitação pessoal e a constatação da qualidade dos trabalhos desenvolvidos são os dois traços que os respondentes consideram que aconteceram frequentemente (¿gura 2). Também a a¿rmação )LJXUD±%R[SORWUHVXPRGRVLWHQVTXHDYDOLDPRVFXUVRVHPTXHRVSDLVHVWDYDPHVWmRLQVFULWRV
303 [Atas do XI Congresso da Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação, Instituto Politécnico da Guarda, 30 de junho a 2 de julho de 2011] que frequentam o Agrupamento e cujos pai ou mãe frequentaram também cursos EFA ou do sistema RVCC nos últimos 3 anos lectivos. Como se vê na tabela 1, dos 51 alunos inscritos no 2 e 3 ciclos, o n de casos de alunos com níveis negativos aumentou ligeiramente (de 9 para 11) bem como o n de classi¿cações iguais ou superiores a - passou de 20 para 21, pese embora o n médio de níveis mais elevados ter decrescido (de 5.3 para .5). Considerados os progressos individuais, encontrimos 9 alunos que aumentaram o n de negativas de um ano para o outro, nos dois anos considerados, e 13 itens mais valorizados pela maioria dos pais quando inquiridos sobre o teor das conversas sobre o futuro que estabeleciam com os seus ¿lhos (¿gura ). Ê ainda de assinalar que neste bloco de itens nenhum pareceu pouco importante aos pais respondentes. Nenhuma das variiveis independentes tem poder explicativo sobre as respostas obtidas aos itens. 3.2. Recolha Documental Recolhemos dados documentais sobre a presente situação escolar de 81 alunos dos diplomas escolares: 2 aconteceu sempre (68%); 5 aconteceu frequentemente (1%). Costuma lembrar-lhe(s) a importância de se ser competente no desempenho de uma pro¿ssão: 23 aconteceu sempre (65%); 8 aconteceu frequentemente (23%). Costuma lembrar-lhe(s) a importância de fazer uma formação de qualidade: 25 aconteceu sempre (71%); 6 aconteceu frequentemente (17%); A qualidade da formação e a importância dos diplomas escolares foram os dois )LJXUD±%R[SORWUHVXPRGDLQWHQomRGDVFRQYHUVDVFRPRV¿OKRVVREUHRVFXUVRVIUHTXHQWDGRVSHORV3DLV 1U GH UHWHQo}HV Nº de alunos inscritos do 5º ao 9 anos Nº de alunos inscritos do -i ao 4 anos Nr &lass NeJatiYas 9Nr &lass ! 4 9Nr &lass NeJatiYas Nr &lass ! 4 Nº aEsoluto 8 14 1 95 Nº de alunos 8 51 9 11 21 Ppdia 1 155 2 452 7aEela 1 ± 4uadro resuPo da situaomo escolar dos alunos analisados nos dois ~ltiPos anos lectiYos ± coPSaraomo KoPyloJa
304 [Atas do XI Congresso da Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação, Instituto Politécnico da Guarda, 30 de junho a 2 de julho de 2011] Coelho, Joaquim Pinto ( 2008). Sucesso ou insucesso na matemitica no ¿nal da escolaridade obrigatória, eis a questão Anilise Psicológica, (XXVI): 663-678 Dustmann, Christian (200) . Parental background, secondar\ school track choice, and Zages. Oxford Economic Papers, 56, (2), 209-230 Grif¿n, D. & Galassi, J. P. (2010). Exploring parental perceptions of barriers to academic success in a rural middle school: A case study. ProfessionaO 6chooO &ounseOing 1, 87-100. Hill, Nancy; Castellino, Domini; Lansford, Jennifer ; NoZlin, Patrick; Dodge, .enneth; Bates, John; & Pettit, Gregory. (200). Parent Academic Involvement as Related to School Behavior, Achievement, and Aspirations: Demographic Variations Across Adolescence . &hiOd 'eveOopment, 75, (5 ) 191-1509. Mascarenhas, Suely, Almeida, Leandro & Barca, Alfonso (2005).Atribuições causais e rendimento escolar: Impacto das habilitações escolares dos pais e do género dos alunos. Revista Portuguesa de Educação, 18(1), 77-91 Ministério da Educação(2008). Programa Territórios Educativos de Intervenção Prioritiria (TEIP2). Despacho normativo n. 552008.Mouraz, Ana (200). Das priticas educativas familiares à participação dos pais no desenvolvimento do currículo escolar dos seus ¿lhos – sentido e limites. In J factor de cariz cultural, que tolera melhor o desemprego feminino, não deixa de ser uma contradição nos temos, que di¿culta a transmissão da importância da escolaridade aos estudantes. Por outro lado, se se atenta na evolução dos resultados dos alunos, ¿lhos de outros estudantes do Agrupamento, constata-se não existirem melhorias signi¿cativas de um ano para o outro, dos dois em anilise. É plausível dizer que a comparação de resultados de dois anos lectivos é pouco sustentivel para ajuizar o impacto da medida, e mesmo que existem muitos outros factores não controlados de que depende o sucesso escolar. Assim podemos concluir que o esforço do Agrupamento em promover a escolarização dos pais dos alunos cumpre o desígnio legar antes referido de desenvolver a comunidade. Espera-se que ao melhorar as representações dos Pais, acerca da importância da escolarização, possa torni-los mais exigentes quanto às expectativas que alimentam para e com os respectivos ¿lhos. . ReIerrncias %iEliogri¿cas Bourdieu, Pierre; Passeron, Jean-Claude (sd) A ReproduçãoEOementos para uma 7eoria do Sistema de Ensino. Ed. Vega, Lisboa. diminuíram o n de níveis superiores a também na passagem de um ano para o outro. O saldo positivo, para os mesmos referentes é, respectivamente de 5 e 12: 5 alunos que diminuíram o n de níveis negativos e 12 que aumentaram o n de classi¿cações iguais ou superiores a . Constatimos que 3 dos alunos que têm no seu currículo escolar uma retenção, correspondem a ¿lhos de famílias que são bene¿ciirias do rendimento de inserção. 4. Discussão dos resultados Os dados apresentados permitem validar a ideia que os pais, na sua generalidade, valorizam a escolaridade que frequentam e que a usam, quer para se quali¿carem, quer para ¿carem disponíveis para desenvolver priticas educativas familiares que ajudem os seus ¿lhos a ultrapassar as suas di¿culdades. Todavia, essa atitude positiva face à escolarização como veiculo de quali¿cação pessoal não parece ter sido su¿cientemente e¿caz, pelo menos até ao presente, para melhorar signi¿cativamente as condições pro¿ssionais dos inquiridos, que têm mais habilitações que os c{njuges, mas têm , no conjunto, maior índice de desemprego. Pese embora existir nesta equação outro )iJura 4 ± %o[Slot resuPo das circunstkncias e ¿nalidades Tue Musti¿caP as conYersas entre Sais e ¿lKos soEre o seu Iuturo
305 [Atas do XI Congresso da Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação, Instituto Politécnico da Guarda, 30 de junho a 2 de julho de 2011] Vieira, Maria Manuel (2006). Em torno da família e da escola: pertinência cientí¿ca, invisibilidade social. ,nteracç}es , 2, 291-305 Silva, Pedro ( Anilise sociológica da relação escola-família SocioOogia Revista do 'epartamento de SocioOogia da )/8P 9oO. ;; - Stoer, Stephen; Silva, Pedro (Orgs.) (2005), EscolaFamília, 8ma Relação em Processo de Recon¿guração, Porto, Porto Editora. Van Zanten, Agnes (2003) . Middle-class parents and social mix in French urban schools: Reproduction and transformation of class relations in education. ,nternationaO Studies in SocioOog\ of Education, 13, (2), 107-12. A Costa, A Neto-Mendes, e A Ventura. (org). Políticas e Gestão local da educação. Aveiro: Universidade de Aveiro, 313-322. Mouraz, Ana (2005). Cursos tecnológicos, entre a educação e o trabalho –representações de pais e professoresUm estudo de caso. In A.M. Martins, C.P. Sousa e L.A. Pardal. (org) Representações sociais, competências e trajectórias pro¿ssionais. Aveiro: U Aveiro. ( ed. em CD-rom). (ISBN 972789-177-2). Silva, P. (2003). EscoOa-)amtOia uma reOação armadiOhada. ,ntercuOturaOidade e reOaç}es de poder. Porto: Edições Afrontamento.