Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia visual
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Leonor Mesquita Guimarães de Almeida Ribeiro Mestrado em Ciências do Consumo e Nutrição Departamento de Geociências, Ambiente e Ordenamento do Território 2015 Orientador Professor Doutor Luís Miguel Cunha, Professor Associado da FCUP Coorientadora Professora Doutora Ana Pinto de Moura, Professora Auxiliar da Universidade Aberta Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia visual
Todas as correções determinadas pelo júri, e só essas, foram efetuadas. O Presidente do Júri, Porto, / _/
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual i Agradecimentos Ao Professor Doutor Luís Miguel Cunha, meu orientador, por me ter dado a oportunidade de realizar este trabalho e por toda a dedicação e apoio prestado na execução do mesmo. À Professora Doutora Ana Pinto de Moura, minha coorientadora, pela disponibilidade, pelo apoio prestado, pelo enorme contributo, partilha de conhecimentos e dedicação a este trabalho. À minha família pelo, apoio, preocupação e incentivo prestados ao longo da realização deste trabalho. Aos meus amigos que me apoiaram na realização deste trabalho e compreenderam os momentos em que estive menos disponível. À Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, pela excelente qualidade da formação académica e pessoal que recebi durante todos estes anos como estudante.
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual ii Resumo São vários os motivos que concorrem para o consumo de infusões, nomeadamente os associados a fatores culturais e às propriedades sensoriais e hedónicas desta bebida. No entanto, os seus atributos sensoriais são fortemente influenciados por diversos fatores, nomeadamente os relacionados com as práticas de preparação da própria infusão. A presente investigação visa analisar o comportamento de preparação de infusões por parte dos consumidores, através de um estudo etnográfico por meio de observação de filmagens. Para o efeito, consideram-se três estudos interligados: i) estudo etnográfico sobre os rituais de preparação de chá em diferentes culturas; ii) estudo de mercado de chás e infusões na região do Grande Porto; iii) estudo de caso relativo à preparação de infusões por parte de consumidores portugueses. No estudo etnográfico considerou-se o paradigma qualitativo, recorrendo à análise de conteúdo de imagem, sendo que os vídeos foram analisados com auxílio do software QSR NVivo 10 ®. No estudo de mercado recorreu-se à observação direta para levantamento das infusões e chás existentes no mercado do Grande Porto, utilizandose na análise dos resultados, a estatística descritiva. O estudo de caso aplicado a consumidores portugueses contemplou duas abordagens: i) estudo etnográfico realizado através da observação por vídeo, capturando o momento de preparação de infusões, e ii) aplicação de questionário online sobre as práticas de consumo de chás e infusões. A primeira abordagem seguiu igualmente o paradigma qualitativo, enquanto que na segunda considerou-se a estatística descritiva e a Análise de Correspondências para avaliar uma questão de associação livre. No primeiro estudo etnográfico, verificou-se uma grande complexidade na execução dos rituais de preparação de chá em países asiáticos, quando comparados com rituais de países europeus. No estudo de mercado verificou-se que as recomendações estão aquém das condições ótimas de preparação. No estudo de caso, a abordagem do estudo etnográfico permitiu verificar que as indicações de preparação não estão a ser aplicadas pelos consumidores, nomeadamente o tempo de infusão. A abordagem do questionário online permitiu concluir que os consumidores que reportam um consumo de infusões mais frequente, são aqueles que menos associam ao consumo das infusões a sua tipologia ou composição, e dão uma maior relevância à dimensão emocional. Palavras-chave: infusões; chá; rituais de preparação; etnografia; consumo
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual iii Abstract There are many reasons that contribute to the consumption of infusions, particularly in relation to cultural factors and to sensory and hedonic properties of this drink. However, their sensory attributes are strongly influenced by several factors, including those related to the way of preparing the infusion itself. This research aims to analyse the behaviour of preparation of infusions by consumers, through an ethnographic study by observation of filming. For this purpose, we consider three linked studies: i) ethnographic study on the preparation of tea rituals in different cultures; ii) market study of teas and infusions in the Grande Porto region; iii) case study on the preparation of infusions by Portuguese consumers. On the ethnographic study it was considered the qualitative paradigm, using the analysis of the image content, and the videos were analysed using the QSR NVivo 10 ® software. For the market study, it was used the direct observation to survey the infusions and teas in the Grande Porto market, using descriptive statistics for the analysis of the results. The case study was applied to Portuguese consumers through two approaches: i) ethnographic study using video observation, capturing the moment of preparation of infusions, and ii) application of an online questionnaire about the consumption practices of teas and infusions. The first approach also followed the qualitative paradigm, while in the second it was considered the descriptive statistics and the Correspondence Analysis to assess a question of free association. In the first ethnographic study, there was found a great complexity performing the tea preparation rituals in Asian countries compared to rituals of European countries. In the market study, it was found that the recommendations fall short of optimum conditions of preparation. In the case study, the approach of the ethnographic study showed that the preparation instructions are not being applied by consumers, particularly the time of infusion. The approach of the online questionnaire concluded that consumers who report a more frequent consumption of infusions are those who least associate the consumption of infusions with their type or composition, and give greater importance to the emotional dimension. Keywords: infusions; tea; preparation rituals; ethnography; consumption
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual iv Índice Agradecimentos ............................................................................................................. i Resumo ........................................................................................................................ ii Abstract ........................................................................................................................ iii Lista de tabelas ............................................................................................................ vii Lista de figuras ............................................................................................................ xi 1. Enquadramento teórico ....................................................................................... 13 1.1. Caracterização de chá e infusão ..................................................................... 13 1.1.1. Caracterização de chá ........................................................................... 14 1.1.2. Caracterização de infusão ..................................................................... 15 1.2. Condições ótimas de preparação de chá e infusões........................................ 16 1.3. Importância da influência da cultura na escolha e preparação dos alimentos .. 18 1.3.1. Rituais de preparação de chá ................................................................ 22 1.3.1.1. Ritual chinês de preparação de chá ................................................ 22 1.3.1.2. Ritual japonês de preparação de chá ............................................. 23 1.3.1.3. Ritual coreano de preparação de chá ............................................. 25 1.3.1.4. Ritual britânico de preparação de chá ............................................ 25 2. Estudo empírico .................................................................................................. 27 2.1. Objetivo ........................................................................................................... 27 2.2. Material e métodos .......................................................................................... 27 2.2.1. Estudo etnográfico: preparação de chás nas culturas chinesas, japonesas, coreanas e britânicas ........................................................................ 27 2.2.1.1. Técnica de recolha de informação: Vídeo ....................................... 28 2.2.1.1.1. Análise do vídeo ........................................................................... 29 2.2.2. Estudo de mercado................................................................................ 30 2.2.2.1. Técnica de recolha de informação .................................................. 30 2.2.2.2. Local de recolha de informação ...................................................... 31 2.2.2.3. Análise de informação .................................................................... 31 2.2.3. Estudo de caso: preparação de infusões em lares portugueses ............ 31
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual v 2.2.3.1. Estudo etnográfico: vídeo ............................................................... 32 2.2.3.1.1. Material utilizado ........................................................................... 34 2.2.3.1.2. Amostra ........................................................................................ 34 2.2.3.1.3. Análise do vídeo ........................................................................... 34 2.2.3.2. Estudo quantitativo: questionário online ......................................... 35 2.2.3.2.1. Estrutura do questionário online ................................................ 35 2.2.3.2.2. Amostra..................................................................................... 35 2.2.3.2.3. Estatística ................................................................................. 35 2.3. Resultados ...................................................................................................... 37 2.3.1. Estudo etnográfico ................................................................................. 37 2.3.1.1. Caracterização da amostra ............................................................. 37 3.3.1.1.1. Elementos caracterizadores ........................................................ 37 2.3.1.2. Categorização ................................................................................ 42 2.3.1.2.1. Preparação do chá .................................................................... 46 2.3.1.2.2. Ato de entrega do chá ............................................................... 60 2.3.1.2.3. Arrumação final dos utensílios .................................................. 61 2.3.1.3. Resumo dos resultados .................................................................. 63 2.3.2. Estudo de mercado................................................................................ 65 2.3.2.1. Recolha de dados ........................................................................... 65 2.3.2.2. Análise dos dados obtidos .............................................................. 65 2.3.2.3. Resumo dos resultados .................................................................. 72 2.3.3. Estudo de caso ...................................................................................... 72 2.3.3.1. Estudo etnográfico: vídeo ............................................................... 72 2.3.3.1.1. Caracterização da amostra ....................................................... 72 2.3.3.1.2. Categorização ........................................................................... 76 2.3.3.1.3. Resumo dos resultados: vídeo .................................................. 87 2.3.3.2. Estudo quantitativo: questionário online ......................................... 90 2.3.3.2.1. Caraterização da amostra ......................................................... 90 2.3.3.2.2. Análise das respostas obtidas ................................................... 92
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual vi 3. Discussão ......................................................................................................... 100 4. Referências ....................................................................................................... 105 Anexos ..................................................................................................................... 111
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual vii Lista de tabelas Tabela 1 – Utensílios e artefactos utilizados na preparação e entrega do chá ............ 38 Tabela 2 - Elementos caracterizadores do entorno da preparação de chá .................. 41 Tabela 3 - Tempo de duração da preparação e entrega de uma infusão .................... 42 Tabela 4 - Categorização, com a identificação do número de fontes (vídeos) e de referências (períodos de tempo codificado) em cada uma das grandes categorias e subcategorias ............................................................................................................. 45 Tabela 5 - Percentagem dos períodos de tempo codificados para a categoria Aquecimento da água para infusão ............................................................................. 47 Tabela 6 - Transcrições dos vídeos codificadas em Aquecimento da água para infusão ................................................................................................................................... 47 Tabela 7 - Percentagem dos períodos de tempo codificados para a categoria Limpeza dos utensílios de preparação ...................................................................................... 47 Tabela 8 - Exemplos de algumas transcrições dos vídeos codificadas em Limpeza dos utensílios de preparação ............................................................................................. 48 Tabela 9 - Percentagem dos períodos de tempo codificados para a categoria Aquecimento do utensílio para infusão ....................................................................... 48 Tabela 10 - Exemplos de algumas transcrições dos vídeos codificadas em Aquecimento do utensílio de infusão .......................................................................... 49 Tabela 11 - Percentagem dos períodos de tempo codificados para a categoria Aquecimento do utensílio onde é servido o chá .......................................................... 49 Tabela 12 - Exemplos de algumas transcrições dos vídeos codificadas em Aquecimento do utensílio onde é servido o chá .......................................................... 50 Tabela 13 - Percentagem dos períodos de tempo codificados para a categoria Arrefecimento da água ................................................................................................ 50 Tabela 14 - Transcrições dos vídeos codificadas em Arrefecimento da água ............. 50 Tabela 15 - Percentagem dos períodos de tempo codificados para a categoria Introdução das folhas de chá ...................................................................................... 51 Tabela 16 - Exemplos de algumas transcrições dos vídeos codificadas em Introdução das folhas de chá ........................................................................................................ 51 Tabela 17 - Percentagem dos períodos de tempo codificados para a subcategoria Tempo de infusão - inferior a um minuto ..................................................................... 52 Tabela 18 - Exemplos de algumas transcrições dos vídeos codificadas em Tempo de infusão - inferior a um minuto ...................................................................................... 52 Tabela 19 - Percentagem dos períodos de tempo codificados para a subcategoria Tempo de infusão - superior a um minuto ................................................................... 53
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 14 0 500 1000 1500 1961 1963 1965 1967 1969 1971 1973 1975 1977 1979 1981 1983 1985 1987 1989 1991 1993 1995 1997 1999 2001 2003 2005 2007 2009 2011 Toneladas Ano Disponibidade de chá (toneladas) plantas (Guimarães et al., 2011). Em inglês a distinção dos dois conceitos é feita pela atribuição do termo “tea” para a infusão da planta Camellia sinensis e do termo “herbal tea” para qualquer outra infusão de plantas (Marcin, 1983). Para este trabalho será utilizada a terminologia “infusão” para designar uma infusão preparada a partir de qualquer planta, exceto da Camellia sinensis a qual será referida por “chá”. 1.1.1. Caracterização de chá O chá é uma das bebidas mais populares em todo o mundo, sendo consumido por uma grande variedade de idades e em todos os estratos sociais (Astill et al., 2001; Chacko et al., 2010; Hicks, 2009). A nível mundial, a China é o país com maior produção de chá. Seguindo-se a Índia, o Sri Lanka e o Quénia (FAOSTAT, 2014). Em Portugal, a quantidade de chá disponível para consumo tem vindo a aumentar nos últimos anos (Figura1). Entre 1961 e 2011 a disponibilidade de chá para consumo quadruplicou, em Portugal (FAOSTAT, 2014). O chá é maioritariamente consumido na Ásia, seguido do Norte de África, Estados Unidos da América e Europa (Chacko et al., 2010). O chá pode ser consumido sob a forma de chá verde, preto ou Oolong, dependendo do processamento após a colheita da planta. Para a produção de chá verde, as folhas de Camellia sinensis sofrem vaporização – o que evita a fermentação –, laminação e Figura 1 - Disponibilidade de chá em Portugal desde 1961 até 2011, em toneladas Fonte: FAOSTAT, 2014
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 15 secagem, obtendo-se um produto seco e estável. Após uma fermentação parcial do chá verde obtém-se chá Oolong e após uma fermentação completa obtém-se chá preto (Cabrera et al., 2006; Hayat et al., 2015). O chá também pode ser consumido sob a forma de chá vermelho, conhecido por Pu-erh, e chá branco. O chá maioritariamente produzido é o chá preto – 78% da produção mundial – sendo consumido em todo o mundo, seguido do chá verde – 20 % da produção mundial – consumido principalmente nos países asiáticos. O chá Oolong – 2% da produção mundial – é consumido com frequência no sul da China. (Chacko et al., 2010; Hayat et al., 2015). O chá está associado a uma forte componente social em várias sociedades. Em Inglaterra, desde que foi introduzido o hábito de beber chá no princípio do século XVIII, a melhor forma de demonstrar a amizade e hospitalidade para com os outros é oferecer uma chávena de chá. Na europa ocidental, antes da introdução do chá, as bebidas que surgiam em contexto social eram apenas bebidas alcoólicas, todas elas associadas aos homens. Com a introdução do chá, tornou-se mais fácil a socialização entre mulheres. Na China e no Japão, a primeira coisa que as pessoas fazem quando recebem alguém em suas casas é oferecer uma chávena de chá. Nestes países a arte e a cerâmica são altamente influenciadas pelo chá (Xiaoli, 2011). 1.1.2. Caracterização de infusão Uma infusão é o resultado da extração de compostos químicos de qualquer planta, pela sua imersão em água quente. As infusões podem ser feitas a partir das raízes, flores, folhas, ramificações e, inclusivamente, das sementes e frutos (Guimarães et al., 2011). Nas infusões, o tempo de extração dos compostos varia, geralmente, entre 5 e 10 minutos. Esta característica diferencia do chá, cujo tempo de infusão deve ser inferior a 5 minutos (Guimarães et al., 2011; Lee et al., 2008). O processo de infusão é distinto do processo de decocção, que consiste em ferver o conteúdo de planta previamente imerso em água (Guimarães et al., 2011). Vários estudos demonstram que infusões de misturas de plantas têm maior poder antioxidante. A utilização vulgar de infusões de várias plantas é baseada no conceito empírico da semelhança dos efeitos terapêuticos e na presunção da soma dos seus efeitos benéficos (Obon et al., 2014).
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 16 Segundo Sõukand e colaboradores, a maioria das 10 espécies de plantas mais utilizadas na preparação de infusões na Europa são conhecidas pelas suas propriedades digestivas e anti-inflamatórias, tais como Thymus serpyllum L., Achillea millefolium L. e Chamaemelum nobile (L.). A espécie utilizada em mais regiões da Europa é Origanum vulgare L.. Nesse estudo, foram identificados 99 géneros de plantas utilizadas em infusões. Os géneros mais comuns são os géneros Mentha, Ribes, Crataegus, Trifolium, Primula e Centaurium. Relativamente à família são destacadas as famílias Lamiaceae, Asteraceae e Rosaceae. Sõukand e colaboradores verificam diferenças na importância cultural do consumo de infusões, na Europa de Leste o consumo está associado a um maior valor cultural do que na Península Ibérica (Sõukand et al., 2013). No nordeste de Portugal, nomeadamente no Montesinho, as espécies de plantas mais utilizadas em infusões são: Melissa officinalis L., conhecida por cidreira; Tilia platyphyllos Scop., conhecida por tília; Foeniculum vulgare Mill., conhecida por funcho; e Matricaria recutita, conhecida por camomila. (Sõukand et al., 2013). 1.2. Condições ótimas de preparação de chá e infusões Vários estudos indicam que o conteúdo em cafeína e em polifenóis varia consideravelmente com o tempo de infusão (Keenan et al., 2011). O sabor, o cheiro e a aparência são alguns dos critérios mais importantes relativamente à preferência alimentar. O sentido do gosto é muito pessoal. A maioria das plantas utilizadas em infusões têm o gosto definido como agradável em determinados contextos culturais, em determinadas culturas está relacionado com sabores suaves ou frutados, noutras com chás aromáticos e noutras com sabores intensos. Sabe-se que o sabor de uma infusão depende em grande parte da concentração da planta e do modo de preparação (Sõukand et al., 2013). Segundo Astill e colaboradores, os tempos de extração de chá praticados pelos consumidores variam desde menos de 30 segundos até mais de 5 minutos, sendo que a média é inferior a 2 minutos (Astill et al., 2001). As recomendações nas embalagens variam desde 1 a 5 minutos (Keenan et al., 2011).
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 17 A extração de compostos da planta para a bebida pode ser afetada pela quantidade de conteúdo de planta utilizado, volume e temperatura da água, presença ou ausência de agitação, duração da infusão e a adição de outros ingredientes, como açúcar ou leite. A aplicação de diferentes métodos de preparação tem efeito na composição química da bebida, o que é de grande importância para o consumo, uma vez que pode alterar as suas características sensoriais (Silveira et al., 2014). É frequente observar o erro de aumentar o tempo de infusão para que o chá ou infusão fique mais “forte”. Segundo um perito em chás: “se quiser um chá mais forte, use mais chá e não mais tempo” (Marcin, 1983). Estudos demonstram que o chá é frequentemente preparado introduzindo água a ferver sobre uma saqueta de chá, ou 1 a 2 gramas de folhas de chá secas. Após um máximo de 5 minutos o chá é servido e, no caso da utilização de uma saqueta de chá, esta é retirada da água. É frequente haver alguma agitação durante a infusão (Milder et al., 2005). Para a infusão “chá-mate”, foi realizado um estudo por Silveira e colaboradores, no qual foram investigadas 3 variáveis: duração de infusão, temperatura e volume de água (Silveira et al., 2014). As condições ótimas de preparação da infusão de chámate são: 9 minutos de infusão em 100mL de água a uma temperatura de 72ºC, para um conteúdo de 2 gramas de chá-mate (Silveira et al., 2014). Para a infusão de Rooibos, as condições ótimas de preparação são: 5 minutos de infusão em água a ferver, com agitação apenas nos primeiros 5 segundos, em 100mL de água, por cada 2 gramas de conteúdo de planta (Koch et al., 2012). Para a infusão de lúcia-lima, uma temperatura da água de 96º C e um tempo de infusão de 6 minutos resultam numa maior aceitação por parte do consumidor (Rocha et al., 2015). As condições ótimas de preparação da infusão de erva-príncipe são uma temperatura de 99º C e um tempo de infusão durante 8,5 minutos (Rocha et al., 2015). A infusão de hortelã-pimenta apresenta um máximo de aceitação a uma temperatura de água de 95º C e um tempo de infusão de 4 minutos (Rocha et al., 2015). Para a infusão de tomilho limão, as condições ótimas de preparação são uma temperatura da água de 92º C e um tempo de infusão de 7 minutos (Rocha et al., 2015).
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 18 As condições ótimas de preparação de chá verde referem a utilização de 1,7 gramas de folhas de chá por 100 mL de água. A temperatura da água e o tempo de infusão recomendados são 60ºC durante 3 minutos, ou 80ºC durante 1 minuto (Lee et al., 2008). Temperaturas muito elevadas podem aumentar a extração de proteínas e pectinas, que são os principais componentes responsáveis pela degradação das caraterísticas sensoriais do chá verde (Xia et al., 2006). Para a preparação de chá preto as condições ótimas são: 1,25g de folhas de chá por 100mL de água acabada de ferver. O tempo de infusão deve ser de 3 a 4 minutos (Hicks, 2009). 1.3. Importância da influência da cultura na escolha e preparação dos alimentos Uma das características do ser humano é o facto de este ser capaz de fazer, transmitir, partilhar, alterar, rejeitar e recriar traços culturais no grupo social em que se encontra. A cultura consiste no conjunto de comportamentos, crenças, normas, atitudes, arranjos sociais e formas de expressão que formam um padrão descritível nas vidas dos membros de uma comunidade, país ou região (LeCompte e Schensul, 1999). Neste contexto, a alimentação assume-se como uma atividade humana fortemente ligada à vida social (Mintz e Bois, 2002), dado que a alimentação é frequentemente realizada em grupo, torna-se o foco de atividades simbólicas da sociedade (Fox, 2003). Na realidade, é a cultura que cria um sistema de regras para definir o que é ou o que não é comestível. Estas regras são transmitidas de geração para geração (enculturação): os mais velhos transmitem e compelem os mais novos a adotar os seus hábitos alimentares efetivos, práticos e com significado (Fieldhouse, 1995), muito embora o contacto com outras culturas restrinja o total mimetismo dos anteriores hábitos alimentares (aculturação) e possibilite a sua mudança (De Almeida e Afonso, 1997). Assim, a cultura vigente numa determinada sociedade influi no tipo de alimentos escolhidos, na forma de preparação e confeção dos alimentos, no modo de os servir (apresentação) e de os ingerir, bem como no número, ordem, composição, horário e local onde são realizadas as refeições (Fox, 2003), tornando as escolhas alimentares e as refeições atos estruturados e repetidos que possibilitam a distinção entre categorias sociais, refeições diárias e festividades (Marshall, 2005). Assim, servir em primeiro lugar a sopa, seguida do prato principal (peixe, carne) e, por último, a
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 19 sobremesa é um padrão estabelecido nas culturas ocidentais. Os franceses comem a salada depois do prato principal, enquanto que os americanos comem a salada antes do prato principal. Por sua vez, os ingleses acrescentam a salada ao próprio prato principal (Fox, 2003). Por outro lado, não basta consumir os alimentos, importa igualmente saber como consumi-los de um modo adequado (Marshall, 2005). Por exemplo, pegar nos alimentos com as mãos é considerado rigoroso em determinadas culturas, tais como a Índia, África Central, sul de África e o Médio Oriente; e repugnante nos países ocidentais. Introduzir os alimentos na boca com um garfo é uma grande falta de delicadeza em culturas asiáticas e do Médio Oriente, sendo que a ausência da utilização de talheres é uma barbaridade nas culturas ocidentais (Black, 2011). De igual modo, receber os convidados oferecendo alimentos de elevada qualidade faz parte da antiga tradição da hospitalidade, na qual se pretende impressionar, pela comida e pelo modo de apresentação, quem se recebe. Isto pode traduzir-se em preparar um chá no Japão e no Reino Unido ou servir pão e sal na Rússia. Nos países do Sudoeste Asiático, se os convidados não terminarem o prato que lhes foi servido, a hospitalidade dos anfitriões é fortemente afrontada. Em certas situações, os alimentos são servidos para marcar uma ocasião especial, enchendo a refeição de significado (Fox, 2003). Por exemplo, para os ingleses, o pudim de fruta (Christmas pudding) só se confeciona na época natalícia; o peru é raramente comido noutras alturas no ano; as panquecas são feitas apenas na terça-feira de carnaval e são confecionadas com uma grande cerimónia. Por sua vez, os norte-americanos raramente confecionam o peru inteiro exceto no dia de Ação de Graças; o eggnog, uma bebida tradicional norte-americana que combina leite, ovo e açúcar, servida com uma pitada de noz-moscada, podendo ainda ser adicionadas bebidas alcoólicas como o conhaque ou rum, é apenas servida na ceia de Natal. Na China, o leitão só é assado inteiro em casamentos, dado que cozinhar animais inteiros geralmente só ocorre em cerimónias e ocasiões festivas. O local de refeição varia consoante as características sociais, sendo que o local mais frequente em todas as culturas é em casa, quer na própria casa, quer em casa de familiares ou amigos. As refeições são também frequentemente consumidas em restaurantes, no local de trabalho ou de estudo (Bisogni et al., 2007). Na China, os alimentos são quase todos cozinhados, muito raramente são consumidos alimentos crus e as refeições incluem sempre cereais. Neste país é frequente haver apenas três refeições por dia: uma de manhã, uma a meio do dia e outra ao final do dia, sendo as duas últimas mais ricas em hidratos de carbono. O peixe é um alimento muito importante nas refeições japonesas, reflexo da proibição do consumo de carne entre o século VII e o século XIX, por parte dos imperadores. No Japão é frequente a utilização de molho de soja e de uma pasta de
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 20 feijão fermentada na preparação das refeições. Na cultura dos países ocidentais é frequente observar-se o consumo de três refeições quentes (de manhã, a meio do dia e ao final do dia) e refeições ligeiras constituídas por um ou dois alimentos entre as principais refeições. Nos países do norte da Europa, incluindo a Dinamarca, Finlândia, Noruega e Suécia, uma das refeições principais – variando entre a refeição a meio do dia ou a do final do dia – é constituída por carne e batatas cozidas, vegetais e pão (Meiselman, 2009). Na cultura judaico-cristã, que embebe grande parte dos países ocidentais, o peixe assume igualmente uma importância vital na alimentação dos seus povos. O consumo de peixe está associado a motivações de ordem religiosa: o cristianismo impunha como penitência, jejuns e a abstinência da carne e das gorduras animais numa boa parte do ano, o que tornava obrigatório o recurso a peixe para escapar a uma alimentação inteiramente vegetal (Sobral e Rodrigues, 2013). De facto, Portugal é o maior consumidor da Europa e com elevado conhecimento de compra/preparação de pratos à base de peixe (Moura et al., 2012). Muito embora o consumo de chá/infusões seja atualmente uma das bebidas mais populares a nível mundial (Lee et al., 2008), o seu consumo não assume o mesmo significado em diferentes culturas, sendo que o modo da sua preparação e consumo é igualmente muito variado, ao nível do uso do recipiente onde o chá/ infusão é preparado, da quantidade e temperatura da água, do tempo de infusão, da presença ou ausência de agitação durante a infusão, quer no que diz à permanência ou remoção do conteúdo de planta da água (Keenan et al., 2011). Estudos realizados na Europa demonstraram que a prática de preparação de chá em consumidores habituais varia consideravelmente entre diferentes países e, dentro de cada país, entre diferentes indivíduos: os tempos de infusão variam desde, menos de 30 segundos até mais de 5 minutos, sendo que a maioria das pessoas prepara o chá com um tempo de infusão inferior a 2 minutos. Por outro lado, a proporção de conteúdo de planta e água assume igualmente uma grande variação quer pela quantidade de conteúdo, quer pelo tamanho do recipiente utilizado, uma vez que influencia a quantidade de água requerida. A marca de chá e a quantidade de agitação durante a preparação são igualmente fatores importantes, devido à grande variedade de chás disponíveis no mercado e à valorização destas por parte do consumidor (Astill et al., 2001). Para além destes fatores, são igualmente importantes, a temperatura e qualidade da água (Kim et al., 2013). O método de preparação é distinto em diferentes países. Na China, as folhas de chá são imersas em água quente (100 °C para o chá preto, 70 °C a 80 °C para o chá verde, e 80 °C a 90 °C para o chá Oolong), durante 20 a 40 segundos, sendo que as mesmas folhas de chá são utilizadas repetidamente. No
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 21 Japão, as folhas de chá são embebidas em água quente e usadas apenas uma vez. No Reino Unido, é mais frequente o consumo de chá preto com adição de açúcar e/ou leite (Venditti et al., 2010) enquanto que na Coreia e no Japão o chá maioritariamente consumido é o chá verde. Na China, geralmente a primeira chávena da infusão é rejeitada e são consumidas as seguintes (Astill et al., 2001). Ora, a variação na forma de preparação da infusão tem um efeito notável na quantidade de compostos extraídos, o que influencia as suas características sensoriais e, consequentemente, o seu consumo (Astill et al., 2001; Keenan et al., 2011). São vários os motivos que levam ao consumo de chá. Há pessoas que consomem por questões culturais, outras pelos benefícios que pode trazer para a saúde e para o bem-estar, outras por motivos sociais e, ainda, pelo gosto do seu aroma e sabor (Lee e Chambers, 2007; Wu e Luo, 2010). Em países como a China e o Japão, o hábito de beber chá é visto como uma combinação da civilização material e espiritual (Jingxia e Zhaodan, 2012). As pessoas bebem chá não só para saciar a sede, mas também para curar problemas de saúde, apreciar o sentido visual, para relaxar e manter a calma. Nos países europeus, nomeadamente no Reino Unido, esta prática é apenas parte da vida social quotidiana (Cabrera et al., 2006). Na China e no Japão quando alguém recebe uma visita em sua casa, quer seja família, amigo ou desconhecido, a forma mais agradável de receber a visita, acolhê-la e tornar o momento relaxante é oferecendo imediatamente uma chávena de chá (Xiaoli, 2011). No entanto, a importância social atribuída ao chá tem vindo a diminuir e a tornar-se numa bebida de rotina, em certos países (Hannam, 1997). Muito embora em Inglaterra, em ocasiões especiais e encontros de família importantes, é utilizado o melhor serviço de porcelana chinês para servir o chá, é cada vez mais frequente introduzir uma saqueta de chá numa caneca, acrescentar água a ferver e ir bebendo o chá ao longo do dia, entre as diversas tarefas. O chá de folha solta tem vindo a ser substituído pelo chá em saquetas, por questões de conveniência tão próprias das sociedades ocidentais, refletindo a pertinência da perceção da falta de tempo (Moura e Cunha, 2005) e alterações culturais (Hannam, 1997). Quer dizer, o consumo de chá está associado a uma componente cultural e tradicional, enquanto que o consumo de infusões está mais relacionada com o aroma e, principalmente, com impacto na saúde e bem-estar (Wills et al., 2000). O consumo de infusões tem vindo a aumentar devido ao aumento da preocupação com a saúde por parte dos consumidores. As infusões são consumidas pelas suas propriedades sedativas, relaxantes ou estimulantes (Lasekan e Lasekan, 2012). A redução do risco
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 22 de doenças crónicas e a riqueza em antioxidantes e polifenóis promove o consumo desta bebida (Del Rio et al., 2010; Piljac-Žegarac et al., 2010). 1.3.1. Rituais de preparação de chá Segundo Cazeneuve (1985) “uma sociedade desprovida de qualquer ritual seria uma anomalia”. Os rituais são ações seguidas de consequências reais, tal como a linguagem, mas têm um significado maior, transmitem mais do que a linguagem (Cazeneuve, 1985). Um ritual é um tipo de atividade simbólica, constituída por comportamentos múltiplos que ocorrem numa sequência fixa, e tende a ser repetida ao longo do tempo. Os rituais são realizados com formalidade, seriedade e intensidade interior. As experiências individuais em rituais são variadas e complexas (Rook, 1985; Turner, 1998). Um ritual pode ser individual ou coletivo, mas mesmo quando é muito flexível para suportar uma margem de improvisação, permanece fiel a um conjunto de regras que constituem precisamente o que há nele de ritual. A repetição faz parte da própria essência do ritual (Cazeneuve, 1985). Os rituais oferecem um sentido de identidade comum e integração entre os participantes. Criam e sustentam tradições que ligam os indivíduos a comunidades e sociedades (Marshall, 2005). Os rituais refletem uma sabedoria partilhada em relação ao comportamento em determinadas ocasiões e estão inseridos em contextos sociais específicos. Durante um ritual, todos os participantes têm conhecimento dos procedimentos do mesmo (Marshall, 2005). Comer em contextos rituais pode transformar ou reafirmar as relações entre os participantes (Mintz e Bois, 2002). No contexto alimentar, atualmente, o comportamento ritualístico ainda é significativo, mas ocorre principalmente em situações concretas, como por exemplo um jantar formal. Esta é uma atividade altamente ritualizada em que a forma de consumo é tão importante como o que é consumido (Marshall, 2005). 1.3.1.1. Ritual chinês de preparação de chá Os primeiros relatos do chá na China, remontam a 2737 a.C.. Segundo uma lenda, o imperador Shen Nung durante uma viagem, enquanto os seus servos ferviam água para beber, caíram folhas de um arbusto – Camellia sinensis – sobre a água. Atraído pela fragância produzida pelo líquido resultante, o imperador provou a bebida e gostou. A partir desse momento, começou o costume de beber chá na China e mantém-se até aos dias de hoje (Marcin, 1983; Saberi, 2010).
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 23 O chá era consumido inicialmente como um medicamento e não como uma bebida. Mais tarde, os antigos chineses começaram a conhecer melhor o chá e este tornou-se numa bebida (Jingxia e Zhaodan, 2012). Na China, apesar de haver diferenças relativas ao costume de beber chá nas diferentes regiões, “entreter os convidados com chá” é uma regra básica de etiqueta. O chá não é usado apenas para receber os convidados, mas também em encontros com amigos. É comum reunir um pequeno grupo de amigos para conversar e trocar opiniões, enquanto desfrutam de uma chávena de chá. O contexto desta prática é para apreciar a beleza das folhas de chá, a cor da água, a perfeição do aquecimento do chá, a beleza do serviço de chá e o ambiente confortável que se cria “à volta da chávena de chá”. Os chineses preferem beber devagar e saborear lentamente o chá (Jingxia e Zhaodan, 2012). Um antigo ditado chinês diz que “Há sete necessidades básicas para a vida quotidiana. São elas: lenha, arroz, óleo, sal, soja, vinagre e chá”. Outro ditado chinês referindo-se às capacidades que uma pessoa talentosa consegue ou desejaria conseguir fazer são: “tocar um instrumento musical, ter um jogo de xadrez, caligrafia, escrever poesia, provar vinho e apreciar chá” (Jingxia e Zhaodan, 2012). Na China o chá é uma necessidade básica, independentemente dos aspetos materiais ou do estado de espírito (Jingxia e Zhaodan, 2012). 1.3.1.2. Ritual japonês de preparação de chá No Japão, o chá foi introduzido por um monge budista que levou sementes da planta Camellia sinensis da China para o Japão, durante a dinastia de Sui (589 – 618 d.C). O chá tornou-se rapidamente parte integrante da cultura japonesa (Chrystal, 2014). No final do século XII, foi introduzido um novo tipo de chá – matcha, que é chá verde em pó (Oshikiri, 2014). A cerimónia do chá foi introduzida no século XVI (1522 – 1591), por Sen Rikyu, na qual se prepara e apresenta o matcha (Chrystal, 2014). O Japão é um país com uma forte tradição de beber chá puro, isto é, sem adição de outros ingredientes. Diariamente, os japoneses bebem chá verde para acompanhar todas as refeições do dia (Jingxia e Zhaodan, 2012). A cerimónia do chá japonês é muito mais do que apenas beber chá (Ali et al., 2013), envolve um conjunto de ensinamentos morais, para além da preparação propriamente dita. No Japão existem “quatro regras da doutrina do chá”: a paz, o respeito, o silêncio e o constrangimento. Estas regras são fundamentais para a cultura japonesa relacionada com o chá. Durante a cerimónia do chá, as pessoas autoexaminam-se e
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 30 Codificação Tendo por base o material visual, procurou-se decompor o conteúdo transcrito em temas emergentes de forma transversal aos diversos vídeos: aspetos comuns que caracterizassem diferentes momentos da preparação de chá. A unidade de registo considerada nesta análise de conteúdo foi o segmento de vídeo que reflete a ideia central patente na prática de cada participante. Quer dizer, as categorias foram definidas a posteriori tendo em conta as características expressas nos vídeos. Estas devem ser exclusivas, homogéneas, pertinentes e adequadas aos objetivos do estudo (Bardin, 2009). Devem, ser igualmente consistentes ao longo do processo de codificação (Schensul et al., 1999). Posteriormente, procedeu-se à nova exploração destas unidades para realizar a codificação, recorrendo-se ao software QSR NVivo 10®, v. 10, quantificando a frequência das diversas categorias temáticas. A análise realizou-se tendo em conta o número de vídeos (fontes) e os períodos de tempo codificados (referências) para cada categoria e subcategoria. Elementos caracterizadores Dada a riqueza de informação contida nos vídeos, foi necessário fazer uma descrição dos elementos caracterizadores presentes nos vídeos. Esta descrição teve como objetivo facilitar a análise dos vídeos, desviando a atenção apenas para o que era realizado. Os elementos caracterizadores descritos foram: os utensílios usados na preparação e entrega do chá; e toda a amostra visualizada no vídeo – número de participantes, sexo, vestuário, local aparente, simultaneidade de preparação, tempo de duração de uma infusão e a presença ou ausência de aquecimento constante da água. 2.2.2. Estudo de mercado 2.2.2.1. Técnica de recolha de informação A observação direta foi a técnica aplicada para fazer o levantamento das infusões e chás existentes no mercado do Grande Porto. Pela observação, recolheu-se informação sobre as marcas de chá e infusão; os tipos de infusões e chás existentes; e as indicações do modo de preparação presentes nas embalagens.
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 31 2.2.2.2. Local de recolha de informação Para o estudo, foi recolhida a informação em supermercados e hipermercados do Grande Porto. Também foi recolhida a informação relativa às indicações de preparação das infusões do Cantinho das Aromáticas, uma vez que este trabalho faz parte de um projeto para esta empresa. As cadeias de supermercados e hipermercados consultadas foram: Continente, Pingo Doce, Jumbo e Hipercor. A recolha decorreu durante os meses de março a setembro de 2015. Foram escolhidas as principais cadeias de supermercados e hipermercados de Portugal, a fim de recolher o maior número de marcas de infusões e chás possível. 2.2.2.3. Análise de informação Após o levantamento de toda a informação relativa às marcas, tipos de infusões e chás, e recomendações das embalagens, procedeu-se à sistematização da informação considerando-se a seguinte informação: marca, tipo de infusão (chá, infusão ou mistura), designação de referência, modo de apresentação (folha solta ou saqueta) e recomendações presentes nas embalagens: o tempo de infusão, a temperatura da água, a quantidade de produto e a quantidade de água. Nos casos em que a indicação da temperatura da água dizia água fervente, água a ferver ou recém-fervida, a temperatura foi referida como 100º C. Para a análise foram excluídas todas as infusões medicinais, uma vez que não se adequavam aos objetivos desta investigação. A informação recolhida foi transcrita para a base de dados em Microsoft Office Excel®. Na análise dos resultados, recorreu-se à estatística descritiva, utilizando-se tabelas de frequências, bem como representações gráficas, procurando-se uma sistematização e síntese adequadas para os resultados. 2.2.3. Estudo de caso: preparação de infusões em lares portugueses O estudo de caso aplicado a consumidores portugueses contemplou duas abordagens: i) estudo etnográfico realizado através da observação por vídeo, capturando o
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 32 momento de preparação de infusões, através de uma câmara de vídeo, modelo Benq DC E1050; ii) aplicação de questionário online sobre o consumo de chás e infusões. 2.2.3.1. Estudo etnográfico: vídeo Sendo este um estudo etnográfico realizado através da observação por vídeo para o estudo de caso foram feitos vídeos que capturaram o momento de preparação de infusões, através de uma câmara. As câmaras de vídeo permitem captar uma boa informação visual e auditiva (Dufon, 2002; Henry e Fetters, 2012). A utilização de uma câmara de boa qualidade é necessária para uma colheita eficaz de dados (Henry e Fetters, 2012). Quando a gravação é realizada pelo próprio investigador, poderá ser utilizado o tripé, de forma a capturar a imagem o mais amplamente possível, tal como recomendado por Garcez e colaboradores (2011). O processo de filmagem depende do fim a que se destina a gravação. Para efeitos de investigação, em que o vídeo é usado apenas para fins analíticos e não para divulgação pública, é aceitável um maior nível de imperfeição técnica. Quando a filmagem é aplicada em investigação, geralmente requer: gravação do evento completo, usando longos períodos de tempo; amplos ângulos de visão; ausência de manipulação do ambiente circundante e do que é dito pelos participantes. É necessário filmar o evento completo, ou pelo menos a sequência completa da atividade a analisar, caso se trate de um estudo relativo à estrutura ou organização de um evento, uma vez que a interpretação pode ser influenciada pela ordem dos acontecimentos. Deste modo, a melhor opção, principalmente quando se trata da análise do decurso de um evento, é filmar o evento do início ao fim (Dufon, 2002). Assim, foi filmado o evento completo da preparação de uma infusão por parte dos participantes. Em estudos etnográficos realizados com base em gravações de vídeo, é importante que o investigador permaneça por detrás da câmara e esta deve manter-se oculta o máximo possível. Os participantes devem “esquecer-se” que estão sob observação, a fim de garantir uma maior naturalidade do evento (Dufon, 2002). Uma vez que vários estudos indicam que há uma alteração de comportamento devido à presença da câmara (Henry e Fetters, 2012). A gravação pode ser realizada pelo investigador, por um profissional audiovisual ou pelos próprios participantes. O primeiro caso permite ao investigador um maior
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 33 controlo do processo de filmagem. Por outro lado, a análise dos dados fica limitada ao que é captado pela câmara, uma vez que o investigador ocupa-se exclusivamente do controlo da gravação. A segunda opção é a filmagem ser realizada por um profissional, o que proporciona uma melhor qualidade do produto final do ponto de vista técnico. No entanto, é mais dispendioso economicamente, mais intrusivo relativamente ao número de pessoas presentes e o profissional audiovisual pode ter diferentes pontos de vista do investigador. Na terceira opção são os participantes do estudo que fazem a gravação, o que pode ser muito interessante quando estes pertencem a uma cultura diferente do investigador, uma vez que podem surgir diferenças no comportamento de filmagem de influência cultural (Dufon, 2002). Para o presente estudo, a filmagem foi realizada pelo próprio investigador, após uma explicação do objetivo do estudo e do que seria filmado aos participantes. Frequentemente é necessário efetuar um pré-teste, a fim de definir o tempo de gravação e o posicionamento da câmara mais adequados aos objetivos do estudo. Características como o tempo de gravação, o tipo de câmara, quem irá realizar a gravação, se estará fixa ou móvel, o posicionamento, entre outras, são estabelecidas pelo investigador, sempre de acordo com os seus objetivos de estudo. A câmara deve ser inicialmente apresentada aos participantes, para que se familiarizem com a ideia de serem filmados (Garcez et al., 2011). Assim, foi realizado um pré-teste, a fim de testar a qualidade da imagem e o melhor posicionamento da câmara. Tendo sido estabelecido que o melhor seria a câmara não permanecer fixa, uma vez que os movimentos dos participantes durante a preparação ocultariam alguns momentos relevantes para o estudo. As filmagens foram feitas do modo menos intrusivo possível, de forma a que os resultados sejam mais realistas, uma vez que o comportamento pode ser distinto quando as pessoas se sentem sob observação (Smith-Morris et al., 2014). Para tal, pediu-se aos participantes que preparassem uma infusão como o fazem habitualmente. Foi, também, registado o tipo de água utilizada para a realização da infusão, bem como o tipo de infusão utilizada e a marca, quando possível. Nos casos em que a infusão não se encontrava no registo feito no estudo de mercado, foram registadas as indicações de preparação das respetivas infusões.
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 34 2.2.3.1.1. Material utilizado As infusões utilizadas foram as que os participantes dispunham em suas casas, na sua maioria, infusões disponíveis nos hipermercados. Para as filmagens foi utilizada uma câmara fotográfica, com capacidade para gravar vídeos de boa qualidade de imagem. 2.2.3.1.2. Amostra Os participantes do estudo são consumidores com uma frequência de infusão igual ou superior a duas vezes por mês, sendo este considerado um consumo frequente de infusões. Foi igualmente questionada a possibilidade de os participantes serem filmados nos próprios lares a preparar uma infusão. De acordo com as respostas dadas e a disponibilidade dos potenciais participantes, foram selecionados 12 indivíduos para participar no estudo, tendo a recolha de informação decorrido durante o mês de setembro de 2015. 2.2.3.1.3. Análise do vídeo Transcrição: Descrição do vídeo Tal como foi realizado para o estudo etnográfico da preparação de chás nas culturas chinesas, japonesas, coreanas e britânicas, após a obtenção dos vídeos, procedeu-se à transcrição dos vídeos (ver secção 2.2.1.1.1. – transcrição; descrição do vídeo). Desta forma, conseguiu-se uma descrição detalhada de cada segmento de vídeo com significado (Heath e Hindmarsh, 2002). Procurou-se, mais uma vez, transmitir fielmente todos os acontecimentos dos vídeos. Codificação A análise de conteúdo foi a técnica aplicada após a transcrição, tal como realizado para o estudo etnográfico da preparação de chás em diversas culturas (ver secção 2.2.1.1.1. – codificação). Elementos caracterizadores da preparação da infusão A fim de melhor analisar e interpretar a preparação das infusões por parte dos participantes, foi registada a informação relativa à matéria-prima da preparação: marca e tipo de infusão utilizada, às indicações de preparação presentes nas respetivas embalagens e o tipo de água utilizada, uma vez que este é um dos fatores que alteram as características sensoriais da infusão. Foi, também, registada informação relativa ao
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 35 utensílio para aquecimento da água; utensílio de infusão; tempo de infusão; utilização de água a ferver ou não; adição da água sobre o conteúdo de planta ou introdução do conteúdo de planta na água. 2.2.3.2. Estudo quantitativo: questionário online 2.2.3.2.1. Estrutura do questionário online Recorreu-se a um questionário sobre o consumo de chás e infusões, a fim de caracterizar o perfil do consumo de chás e infusões. No questionário foram recolhidas as seguintes informações (ver Anexo 4): i) frequência de consumo de chás e infusões; ii) tipos de chás e infusões consumidas mais frequentemente; iii) utensílio de preparação de infusões; iv) modo de apresentação mais frequente das infusões consumidas (saqueta, folha solta, solúvel); v) tipo de água utilizada na preparação de infusões; vi) remoção do conteúdo da água após a infusão; vii) controlo do tempo de infusão; viii) locais de compra de chás e infusões; ix) associação livre da palavra infusão; x) características sociodemográficas. O questionário foi aplicado online, com recurso à tecnologia Google Forms ® entre os dias 11 e 18 de setembro de 2015. 2.2.3.2.2. Amostra A amostra não foi selecionada segundo qualquer parâmetro. Após a formulação do questionário em formato online, o link foi enviado através de correio eletrónico e redes sociais, a fim de chegar ao maior número possível de pessoas sem qualquer restrição. Foi estabelecido um número mínimo de 150 respostas, com o objetivo de se obter resultados representativos da população portuguesa. 2.2.3.2.3. Estatística A informação recolhida foi transcrita para a base de dados em Microsoft Office Excel®. Na análise dos resultados, recorreu-se extensivamente à estatística descritiva, utilizando-se diferentes estatísticas, tabelas de frequências, bem como distintas representações gráficas, procurando-se uma sistematização e síntese adequadas para os resultados. Na análise das respostas relativa à associação livre do consumidor quando pensam em infusões (questão 13) considerou-se a seguinte abordagem. As respostas obtidas foram analisadas segundo a frequência de palavras mencionadas. De todas as palavras obtidas, foram criadas categorias e subcategorias e, posteriormente, agruparam-se as palavras nas respetivas categorias. Foram definidos 3 grupos de
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 36 consumidores tendo em conta a frequência de consumo de infusões: i) reduzida (menos de uma vez por semana), ii) moderada (menos de 5 vezes por semana) e, iii) elevada (cinco ou mais vezes por semana). No cálculo das frequências de palavras e categorias, não foi tido em conta se a proveniência das palavras pertencia ou não ao mesmo respondente. Foi avaliada a existência de diferenças estatísticas entre os grupos de consumidores, através do teste de qui-quadrado. Seguidamente, foi utilizado um teste de qui-quadrado por célula (recorrendo ao teste exato de fichas), a fim de identificar a fonte de variação do qui-quadrado global. Por último, realizou-se uma análise de correspondência da tabela de frequências obtida, a fim de visualizar a relação entre as categorias e os grupos de consumidores, seguindo a metodologia expressa por Ares et al. (2015). (Ares et al., 2014)
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 37 2.3. Resultados 2.3.1. Estudo etnográfico 2.3.1.1. Caracterização da amostra Os vídeos foram selecionados e extraídos do YouTube® de 28 de maio a 7 de junho de 2015. No total, foram extraídos 12 vídeos, sendo 3 por cada país (China, Japão, Coreia e Reino Unido). Os endereços URL com a ligação aos vídeos, estão disponíveis em anexo (ver Anexo 1). Para a identificação dos países recorreu-se às siglas de cada país abaixo indicadas: ⁻ China – CHN ⁻ Japão – JPN ⁻ Coreia – KOR ⁻ Reino Unido – UK 3.3.1.1.1. Elementos caracterizadores Na Tabela 1 apresenta-se a caracterização do entorno dos utensílios e artefactos utilizados na preparação e entrega do chá, sendo essa descrição realizada para cada fonte (vídeo).
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 38 Tabela 1 – Utensílios e artefactos utilizados na preparação e entrega do chá Fonte CHN1 CHN2 CHN3 JPN1 JPN2 JPN3 Artefactos/ utensílios (nome do utensílio no idioma do país) Preparação - bandeja de preparação; - bule grande; - bule pequeno de barro; - jarra de vidro transparente; - coador em forma de colher; - chávenas de chá pequenas de cerâmica; - recipiente de cerâmica para as folhas de chá; - espátula para o chá; - objetos em forma de animais; - pano - bandeja de preparação; - bule grande; recipiente grande de cerâmica para rejeitar água; - taça para infusão com tampa de cerâmica; - pinça para pegar nas chávenas; - chávenas de chá pequenas de cerâmica; - recipiente de cerâmica para as folhas de chá; - espátula para o chá - bandeja de preparação; - bule grande; bule pequeno de barro; - bule médio de barro; - pinça para pegar nas chávenas; - chávenas de chá pequenas (cerâmica e vidro); - funil de barro; - espátula para o chá; - objetos em forma de animais; - coador de cerâmica; - base para tampa; - pano - lenço vermelho (fukusa); - taça de chá de cerâmica (chawan); - recipiente com chá em pó (natsume); - espátula para o chá (chashaku); - batedor (chasen); - concha de bambu (hishaku); - panela com água a ferver(kama); - recipiente grande de cerâmica; - base para tampa; - recipiente para rejeitar água; - lenço branco - lenço vermelho (fukusa); - taça de chá de cerâmica (chawan); - recipiente com chá em pó (natsume); - espátula para o chá (chashaku); - batedor (chasen); - concha de bambu (hishaku); - panela com água a ferver(kama); - recipiente grande de cerâmica; - recipiente para rejeitar água; - lenço branco - lenço azul (fukusa); - taça de chá de cerâmica (chawan); - recipiente com chá em pó (natsume); - espátula para o chá (chashaku); - batedor (chasen); - concha de bambu (hishaku); - panela com água a ferver(kama); - recipiente grande de cerâmica; - base para tampa; - lenço branco Ato de entrega - Base para cada chávena de chá - Base para cada chávena de chá (sem ato de entrega) (sem ato de entrega) (sem ato de entrega) (sem ato de entrega)
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 39 Fonte KOR1 KOR2 KOR3 UK1 UK2 UK3 Artefactos/ utensílios (nome do utensílio no idioma do país) Preparação - bandeja de preparação; - lenço vermelho; - bule pequeno de cerâmica; - bule grande; - taça de cerâmica; - chávenas de chá pequenas de cerâmica; - recipiente de cerâmica para as folhas de chá; - espátula para o chá; - base para tampa; - recipiente para rejeitar água; - pano branco - bandeja de preparação; - lenço vermelho; - bule pequeno de cerâmica; - bule grande de cerâmica; - taça de cerâmica; - chávenas de chá pequenas de cerâmica; - recipiente de cerâmica para as folhas de chá; - espátula para o chá; - base para tampa; - recipiente para rejeitar água; - pano branco - lenço vermelho; - bule pequeno de cerâmica; - bule grande de cerâmica; - taça de cerâmica; - chávenas de chá pequenas de cerâmica; - recipiente de cerâmica para as folhas de chá; - espátula para o chá; - base para tampa; - recipiente para rejeitar água; - pano branco - bule de cerâmica; - colher de chá de metal; - chávena de chá de cerâmica; - coador; - jarra de cerâmica com leite; - embalagem metálica de chá - chaleira; - bule de cerâmica; - colher de chá de metal; - chávenas de chá de cerâmica; - coador; - jarra de cerâmica com leite; - recipiente de metal com folhas de chá - chaleira; - bule de cerâmica; - colher de chá de metal; - chávenas de chá de cerâmica; - coador; - jarra de cerâmica com leite; - embalagem metálica com folhas de chá Ato de entrega - base para cada chávena de chá; - bandeja para entregar o chá - base para cada chávena de chá; - bandeja para entregar o chá - base para cada chávena de chá; (sem ato de entrega) (sem ato de entrega) (sem ato de entrega) Pela descrição dos utensílios e artefactos utilizados representados na Tabela 1, verifica-se que o ritual chinês é sempre realizado sobre uma bandeja de preparação. Neste país são geralmente utilizadas pinças para manusear as chávenas e objetos em forma de amimais sobre a bandeja de preparação, nomeadamente dragões, tão Tabela 1 (continuação) – Utensílios e artefactos utilizados na preparação e entrega do chá
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 46 Através da leitura da Tabela 4, verifica-se que no total de 102 referências, a grande categoria que se destaca com maior número de referências é a Preparação do chá, com 92 referências codificadas. Considerando as categorias da grande categoria Preparação do chá, verifica-se que as categorias Aquecimento do utensílio para infusão, Introdução das folhas de chá, Tempo de infusão e Utensílio para infusão são únicas para as quais há em todos os vídeos pelo menos um período de tempo codificado. Segue-se uma análise mais detalhada dos resultados que constam na Tabela 5. Serão, também apresentados os períodos de tempo transcritos e codificados que melhor representam cada categoria ou subcategoria. 2.3.1.2.1. Preparação do chá Para esta grande categoria foram definidas as seguintes categorias: i) Aquecimento da água para infusão; ii) Limpeza dos utensílios de preparação; iii) Aquecimento do utensílio para infusão; iv) Aquecimento do utensílio onde é servido o chá; v) Arrefecimento da água; vi) Introdução das folhas de chá; vii) Tempo de infusão; viii) Utensílio para infusão; ix) Homogeneização do chá; x) Ato de servir o chá na chávena; xi) Primeira infusão; xii) Adição de leite. De seguida procede-se uma análise mais detalhada para cada categoria e subcategoria. Aquecimento da água para infusão Para esta categoria foram codificados apenas 2 vídeos representantes do Reino Unido (UK2 e UK3). Em ambos os vídeos há a introdução de água numa chaleira e o aquecimento da chaleira para aquecer a água. Sendo que no vídeo UK2 o período de tempo correspondente ao aquecimento da água para infusão é 7,77% do tempo total do vídeo. No vídeo UK3 este período de tempo corresponde a 12,93% do tempo total do vídeo. Na Tabela 5 considera-se a duração de tempo correspondente a esta fase da preparação do chá, face ao tempo total do vídeo, em percentagem. Na Tabela 6 estão expostas as transcrições do vídeo, correspondentes ao período de tempo codificado para esta categoria.
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 47 Tabela 5 - Percentagem dos períodos de tempo codificados para a categoria Aquecimento da água para infusão Fonte Duração em relação ao tempo total do vídeo (%) UK2 7,77 UK3 12,93 Tabela 6 - Transcrições dos vídeos codificadas em Aquecimento da água para infusão Fonte Transcrição do vídeo UK2 Uma senhora coloca água de uma torneira numa chaleira e aquece a água. UK3 Uma senhora enche uma chaleira com água de uma torneira e aquece a água da chaleira. Limpeza dos utensílios de preparação Para esta categoria foram codificados 4 vídeos: três representantes do Japão e um representante da Coreia (JPN1, JPN2, JPN3 e KOR1). Nesta categoria foram codificados os períodos de tempo em que se verificou um ato de limpeza dos utensílios com um lenço ou pano, antes da sua utilização na preparação do chá. Na Tabela 7 considera-se a duração de tempo correspondente a esta fase da preparação do chá, face ao tempo total do vídeo, em percentagem. Na Tabela 8 estão expostas as transcrições dos vídeos para os períodos de tempo codificados nesta categoria, que melhor a representam. Tabela 7 - Percentagem dos períodos de tempo codificados para a categoria Limpeza dos utensílios de preparação Fonte Duração em relação ao tempo total do vídeo (%) JPN1 7,56 JPN2 9,33 JPN3 22,12 KOR1 4,93
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 48 Tabela 8 - Exemplos de algumas transcrições dos vídeos codificadas em Limpeza dos utensílios de preparação Fonte Transcrição do vídeo JPN1 A senhora pega num lenço vermelho (fukusa), estica-o e dobra-o. Seguidamente, passa o lenço pelo boião com o chá em pó (natsume), desdobra o lenço e volta a dobrá-lo da mesma forma. Depois faz passar pelo lenço a espátula para o chá em pó (chashaku). Por fim, ordena os utensílios. Processo realizado com muita calma e delicadeza. KOR1 A senhora retira a tampa do bule. Pega no pano branco e passa o pano pela espátula para o chá. Processo realizado com calma e delicadeza. Aquecimento do utensílio para infusão Para esta categoria foram codificados os 12 vídeos. Em todos os vídeos há um momento dedicado ao aquecimento do utensílio onde é realizada a infusão posteriormente ao aquecimento, através da introdução de água quente no seu interior. Na Tabela 9 considera-se a duração de tempo correspondente a esta fase da preparação do chá, face ao tempo total do vídeo, em percentagem. Na Tabela 10 estão expostas as transcrições dos vídeos para os períodos de tempo codificados nesta categoria, que melhor a representam. Tabela 9 - Percentagem dos períodos de tempo codificados para a categoria Aquecimento do utensílio para infusão Fonte Duração em relação ao tempo total do vídeo (%) CHN1 3,00 CHN2 2,50 CHN3 3,70 JPN1 16,05 JPN2 14,33 JPN3 36,28 KOR1 19,70 KOR2 17,59 KOR3 14,98 UK1 8,27 UK2 10,68 UK3 10,88
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 49 Tabela 10 - Exemplos de algumas transcrições dos vídeos codificadas em Aquecimento do utensílio de infusão Fonte Transcrição do vídeo CHN1 Uma senhora introduz água quente no interior do bule de barro onde será preparada a infusão. Seguidamente rega o bule com água quente. Processo realizado com delicadeza. JPN1 A senhora pega numa concha de bambu (hishaku) e no lenço. Com o lenço, retira a tampa de uma panela de ferro com água a ferver (kama). Depois, com a concha, transfere água da panela para uma taça de chá de cerâmica (chawan). Pega num batedor (chasen), introduz o batedor na água da taça e agita suavemente. Por fim pousa o batedor na mesa, rejeita a água e seca a taça com um lenço branco. Processo realizado com delicadeza. KOR1 A senhora retira a tampa de um bule pequeno de cerâmica e coloca-a sobre uma base para a tampa. Pega num pano branco e num bule grande com água a ferver. Seguidamente, introduz água a ferver numa taça de cerâmica. Pega na taça e transfere toda a água contida no seu interior para o bule de cerâmica. Pousa o pano branco e coloca a tampa no bule e espera uns segundos. A água permanece no bule enquanto continua a preparação. Processo realizado com calma e delicadeza. UK2 A senhora introduz a água quente num bule de cerâmica. Seguidamente refere que a água do bule é rejeitada. Aquecimento do utensílio onde é servido o chá Para esta categoria foram codificados 6 vídeos: três representantes da China e três representantes da Coreia (CHN1, CHN2, CHN3, KOR1, KOR2, KOR3). Nestes dois países verifica-se a introdução de água quente no utensílio onde posteriormente será servido o chá, a fim que o aquecer. Na Tabela 11 considera-se a duração de tempo correspondente a esta fase da preparação do chá, face ao tempo total do vídeo, em percentagem. Na Tabela 12 estão expostas as transcrições dos vídeos para os períodos de tempo codificados nesta categoria, que melhor a representam. Tabela 11 - Percentagem dos períodos de tempo codificados para a categoria Aquecimento do utensílio onde é servido o chá Fonte Duração em relação ao tempo total do vídeo (%) CHN1 31,41 CHN2 51,67 CHN3 7,41 KOR1 36,62 KOR2 22,13 KOR3 31,60
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 50 Tabela 12 - Exemplos de algumas transcrições dos vídeos codificadas em Aquecimento do utensílio onde é servido o chá Fonte Transcrição do vídeo CHN1 A senhora pega na jarra transparente. Introduz a água contida na jarra dentro de três chávenas de chá de cerâmica verde. Introduz a água na totalidade sobre as chávenas. KOR1 A senhora pega no bule e introduz a água quente nas três chávenas de chá, enchendo uma de cada vez. Transfere toda a água contida no bule para as chávenas de chá e pousa o bule na bandeja. A senhora dá seguimento à preparação do chá enquanto a água permanece nas chávenas. Processo realizado com calma e delicadeza. Arrefecimento da água Para esta categoria apenas foram codificados os 3 vídeos representativos do ritual de preparação da Coreia (KOR1, KOR2, KOR3). Em todos os vídeos se verificou a transferência de água quente para uma taça e, após algum tempo, a utilização dessa água para a infusão. Na Tabela 13 considera-se a duração de tempo correspondente a esta fase da preparação do chá, face ao tempo total do vídeo, em percentagem. Na Tabela 14 estão expostas as transcrições dos vídeos para os períodos de tempo codificados nesta categoria. Tabela 13 - Percentagem dos períodos de tempo codificados para a categoria Arrefecimento da água Fonte Duração em relação ao tempo total do vídeo (%) KOR1 27,62 KOR2 21,74 KOR3 17,59 Tabela 14 - Transcrições dos vídeos codificadas em Arrefecimento da água Fonte Transcrição do vídeo KOR1 A senhora pega novamente no pano branco e no bule grande com água a ferver e introduz água na taça de cerâmica. A água permanece na taça enquanto a senhora dá prosseguimento à preparação de chá. KOR2 As senhoras pegam novamente no pano branco e no bule grande com água quente. Introduzem água na taça de cerâmica e pousam o pano branco. A água permanece na taça enquanto prosseguem a preparação do chá. Processo realizado com calma e delicadeza. KOR3 A senhora pega no bule grande com água quente e introduz água na taça. A água permanece na taça enquanto a senhora continua a preparação.
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 51 Introdução das folhas de chá Para esta categoria foram codificados todos os vídeos. Em todas as preparações de chá há um momento em que são introduzidas as folhas de chá ou o chá em pó no interior do utensílio onde se realiza a infusão. Na Tabela 15 considera-se a duração de tempo correspondente a esta fase da preparação do chá, face ao tempo total do vídeo, em percentagem. Na Tabela 16 estão expostas as transcrições dos vídeos para os períodos de tempo codificados nesta categoria, que melhor a representam. Tabela 15 - Percentagem dos períodos de tempo codificados para a categoria Introdução das folhas de chá Fonte Duração em relação ao tempo total do vídeo (%) CHN1 8,78 CHN2 10,63 CHN3 10,65 JPN1 7,25 JPN2 10,33 JPN3 12,39 KOR1 7,28 KOR2 8,10 KOR3 11,73 UK1 7,52 UK2 7,77 UK3 12,24 Tabela 16 - Exemplos de algumas transcrições dos vídeos codificadas em Introdução das folhas de chá Fonte Transcrição do vídeo CHN1 A senhora pega no recipiente de cerâmica com as folhas de chá. Pega numa espátula. Com o auxílio da espátula empurra as folhas de chá para o interior do bule de barro. Guarda a espátula e pousa o recipiente das folhas de chá. JPN2 A senhora pega na espátula e no boião com o chá em pó. Retira duas vezes chá do boião para o interior da taça e bate com a espátula na extremidade da taça para que não fique chá na espátula. Depois pousa o boião e a espátula sobre este. Processo realizado com delicadeza. KOR1 A senhora retira a tampa do recipiente de cerâmica com as folhas de chá, pega no recipiente e transfere as folhas de chá diretamente para a espátula. Pousa o recipiente na bandeja e coloca a tampa. Depois introduz as folhas de chá no bule de cerâmica e pousa a espátula na bandeja. Processo realizado com calma e delicadeza. UK2 A senhora abre um recipiente de metal com folhas de chá e transfere 3 colheres de chá para o interior de bule.
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 52 Tempo de infusão Em todos os vídeos foi possível observar um tempo de infusão, deste modo foram codificados os 12 vídeos, nesta categoria. Para facilitar a análise desta categoria, definiu-se duas subcategorias: inferior a um minuto e superior a um minuto. Na subcategoria inferior a um minuto foram codificados 7 vídeos: três representantes da China, três representantes do Japão e um representante da Coreia (CHN1, CHN2, CHN3, JPN1, JPN2, JPN3, KOR3), sendo que este último se destaca por ter um tempo de infusão muito próximo de um minuto, contrariamente ao que se verifica nos restantes países. Na Tabela 17 considera-se a duração de tempo correspondente a esta fase da preparação do chá, face ao tempo total do vídeo, em percentagem. Na Tabela 18 estão expostas as transcrições dos vídeos para os períodos de tempo codificados nesta subcategoria, que melhor a representam. Tabela 17 - Percentagem dos períodos de tempo codificados para a subcategoria Tempo de infusão - inferior a um minuto Fonte Duração em relação ao tempo total do vídeo (%) CHN1 3,00 CHN2 0,42 CHN3 3,47 JPN1 8,18 JPN2 7,00 JPN3 3,54 KOR1 14,01 Tabela 18 - Exemplos de algumas transcrições dos vídeos codificadas em Tempo de infusão - inferior a um minuto Fonte Transcrição do vídeo CHN1 Tempo de infusão. Enquanto espera, a senhora coloca o coador sobre a jarra de vidro. JPN1 Tempo de infusão. A senhora pega no batedor, inclina ligeiramente a taça e agita vigorosamente o seu conteúdo. KOR3 Tempo de infusão. A enquanto o chá infunde, a senhora coloca a tampa no bule pequeno. Pega nas chávenas com água quente e rejeita a água de cada chávena num recipiente para rejeitar a água. Na subcategoria superior a um minuto foram codificados 5 vídeos: dois representantes do ritual de preparação da Coreia e três do Reino Unido (KOR1, KOR2, UK1, UK2, UK3). De salientar que nos vídeos representantes do Reino Unido, o tempo de infusão
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 53 apenas foi referido, não se verifica esse tempo durante o vídeo. Na Tabela 19 considera-se a duração de tempo correspondente a esta fase da preparação do chá, face ao tempo total do vídeo, em percentagem. Na Tabela 20 estão expostas as transcrições dos vídeos para os períodos de tempo codificados nesta subcategoria, que melhor a representam. Tabela 19 - Percentagem dos períodos de tempo codificados para a subcategoria Tempo de infusão - superior a um minuto Fonte Duração em relação ao tempo total do vídeo (%) KOR1 14,13 KOR2 23,12 UK1 6,02 UK2 21,36 UK3 10,20 Tabela 20 - Exemplos de algumas transcrições dos vídeos codificadas em Tempo de infusão - superior a um minuto Fonte Transcrição do vídeo KOR1 Tempo de infusão. Enquanto a infusão ocorre, a senhora coloca a tampa no bule. Pega nas chávenas com água quente, rejeita a água das três chávenas num recipiente para rejeitar água e seca ligeiramente com o pano branco. UK1 Tempo de infusão. A senhora refere que esperou três a quatro minutos para o chá infundir. Utensílio para infusão Em todos os vídeos se verificou a utilização de um utensílio para infusão, no entanto o utensílio não foi sempre o mesmo. Por este motivo, definiu-se duas subcategorias: taça e bule. Para a subcategoria taça, foram codificados quatro vídeos: um representante da China e três do Japão (CHN2, JPN1, JPN2 e JPN3). Nesta subcategoria codificaram-se os períodos do tempo em que ocorria a introdução de água quente sobre as folhas de chá ou o chá em pó numa taça. Na Tabela 21 considera-se a duração de tempo correspondente a esta fase da preparação do chá, face ao tempo total do vídeo, em percentagem. Na Tabela 22 estão expostas as transcrições dos vídeos para os períodos de tempo codificados nesta subcategoria, que melhor a representam.
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 54 Tabela 21 - Percentagem dos períodos de tempo codificados para a subcategoria Utensílio para infusão - taça Fonte Duração em relação ao tempo total do vídeo (%) CHN2 5,21 JPN1 7,86 JPN2 8,33 JPN3 10,62 Tabela 22 - Exemplos de algumas transcrições dos vídeos codificadas em Utensílio para infusão - Taça Fonte Transcrição do vídeo CHN2 A senhora pega no bule com água quente e introduz a água na taça, sobre as folhas de chá. Coloca a tampa na taça. JPN3 A senhora retira a tampa de um recipiente cerâmica. Com a concha, transfere água a ferver da panela para a taça de chá, sobre o chá em pó. Processo realizado com calma e delicadeza. Na subcategoria bule foram codificados 8 vídeos: dois representantes da China, três da Coreia e três do Reino Unido (CHN1, CHN3, JPN1, JPN2, JPN3, KOR1, KOR2, KOR3, UK1, UK2 e UK3). Nesta subcategoria codificou-se os períodos do tempo em que ocorria a introdução de água quente sobre as folhas de chá num bule. Na Tabela 23 considera-se a duração de tempo correspondente a esta fase da preparação do chá, face ao tempo total do vídeo, em percentagem. Na Tabela 24 estão expostas as transcrições dos vídeos para os períodos de tempo codificados nesta subcategoria, que melhor a representam. Tabela 23 - Percentagem dos períodos de tempo codificados para a subcategoria Utensílio para infusão - bule Fonte Duração em relação ao tempo total do vídeo (%) CHN1 4,62 CHN3 3,24 KOR1 5,14 KOR2 3,95 KOR3 4,23 UK1 5,26 UK2 9,71 UK3 10,20
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 55 Tabela 24 - Exemplos de algumas transcrições dos vídeos codificadas em Utensílio para infusão - bule Fonte Transcrição do vídeo CHN1 A senhora introduz água quente no bule de barro com as folhas de chá no seu interior. Enche até transbordar e coloca a tampa do bule. Seguidamente rega o bule com a água quente. KOR3 A senhora pega na taça de cerâmica e transfere a água contida no seu interior para o bule pequeno, sobre as folhas de chá. UK2 A senhora introduz água a ferver da chaleira dentro do bule, sobre as folhas de chá. Homogeneização do chá Nesta categoria foram codificados 2 vídeos representantes do ritual de preparação do chá da China (CHN1 e CHN3). Em ambos os vídeos se observa a transferência do chá após a infusão do bule onde foi realizada a infusão para outro utensílio, para que haja uma homogeneização do chá, quando este for servido. Na Tabela 25 considera-se a duração de tempo correspondente a esta fase da preparação do chá, face ao tempo total do vídeo, em percentagem. Na Tabela 26 estão expostas as transcrições dos vídeos para os períodos de tempo codificados nesta categoria. Tabela 25 -Percentagem dos períodos de tempo codificados para a categoria Homogeneização do chá Fonte Duração em relação ao tempo total do vídeo (%) CHN1 14,55 CHN3 10,42 Tabela 26 - Transcrições dos vídeos codificadas em Homogeneização do chá Fonte Transcrição do vídeo CHN1 A senhora coloca o coador na jarra de vidro. Transfere o chá do bule de barro para a jarra. Depois retira o coador da jarra e coloca na bandeja de preparação. Processo realizado com delicadeza. CHN3 A senhora coloca o coador no bule médio. Depois pega no bule pequeno de barro e transfere o chá resultante da primeira infusão para o bule médio. Transfere todo o conteúdo do bule pequeno até à última gota. Depois retira o coador do bule médio e coloca a tampa. Nos vídeos codificados nesta categoria, também se verificou a existência de um momento que consistia no aquecimento do utensílio para homogeneização do chá. Para facilitar a análise dos vídeos, criou-se uma subcategoria intitulada Aquecimento
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 62 transcrição do vídeo, correspondente ao período de tempo codificado para esta categoria. Tabela 41 - Percentagem dos períodos de tempo codificados para a categoria Limpeza dos utensílios Fonte Duração em relação ao tempo total do vídeo (%) JPN1 12,35 Tabela 42 - Transcrição do vídeo codificado em Limpeza dos utensílios Fonte Transcrição do vídeo JPN1 A senhora que preparou o chá coloca outra taça de chá à sua frente. Com a concha, transfere água do recipiente grande de cerâmica para a taça de chá. Introduz o batedor na água da chávena, agita suavemente e pousa o batedor na mesa. Depois rejeita a água contida na taça. A senhora pega no lenço vermelho, dobra-o e faz passar a espátula pelo lenço. Processo realizado com calma e delicadeza. Ordenação dos utensílios Para esta categoria foi codificado apenas um vídeo representante do Japão (JPN1), no qual se observa um período de tempo em que a senhora que preparou o chá coloca por ordem os utensílios usados na preparação do chá. Neste vídeo, o período de tempo correspondente a esta ordenação é 14,35% do tempo total do vídeo. Na Tabela 43 considera-se a duração de tempo correspondente a esta fase do ritual de preparação do chá, face ao tempo total do vídeo, em percentagem. Na Tabela 44 está exposta a transcrição do vídeo, correspondente ao período de tempo codificado para esta categoria. Tabela 43 - Percentagem dos períodos de tempo codificados para a categoria Ordenação dos utensílios Fonte Duração em relação ao tempo total do vídeo (%) JPN1 14,35
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 63 Tabela 44 - Transcrição do vídeo codificado em Ordenação dos utensílios Fonte Transcrição do vídeo JPN1 A senhora desdobra o lenço vermelho, volta a dobrá-lo e coloca-o no kimono. Pega na taça de chá com a espátula sobre esta e coloca-a um pouco mais à frente na mesa. Seguidamente, transfere água do recipiente grande de cerâmica para a panela com água a ferver. Coloca a tampa na panela e no recipiente grande de cerâmica. Pousa a concha de bambu na mesa. Levantase o transporta consigo o recipiente para onde foi rejeitada a água e sai da sala. Depois regressa, leva consigo a taça, a espátula, o batedor e o boião de chá, e sai novamente. Regressa novamente e agradece aos convidados. 2.3.1.3. Resumo dos resultados Na análise de conteúdo foram identificadas três grandes categorias: preparação do chá, ato de entrega do chá e arrumação final dos utensílios, sendo que a primeira foi a que teve mais referências codificadas. Entre as categorias definidas na grande categoria preparação do chá, apenas para as categorias aquecimento do utensílio de infusão, introdução das folhas, tempo de infusão e utensílio para infusão foram codificados períodos de tempo em todos os vídeos. Isto significa que nos quatro países analisados o ritual da preparação de chá passa por uma etapa de aquecimento do utensílio de infusão, de introdução das folhas de chá ou do chá em pó nesse utensílio, um período de tempo para infusão variável e todas utilizam um utensílio para infusão – que pode ser um bule ou uma taça. A visualização de um período de tempo dedicado ao aquecimento da água para infusão, apenas ocorre em vídeos representantes do Reino Unido. Em todos os vídeos representantes do ritual japonês, é possível observar um momento de limpeza dos utensílios de preparação prévia à sua utilização na preparação do chá. Para a categoria aquecimento do utensílio onde é servido o chá são codificados os três vídeos representantes da China e os três representantes da Coreia. Quanto ao arrefecimento da água antes de realizar a infusão, este apenas se verifica nos três vídeos representantes da Coreia, o que significa que a temperatura da água no momento da infusão é inferior a 100º C A introdução das folhas de chá no utensílio de infusão é essencial para a preparação de qualquer infusão, por isso em todos os vídeos é possível visualizar um momento em que ocorre essa introdução das folhas de chá ou o chá em pó no utensílio de preparação. Relativamente ao tempo de infusão verifica-se uma diferença entre os países analisados: a China e o Japão têm um tempo de infusão muito curto, apenas de alguns segundos, enquanto que na Coreia e no Reino Unido, é possível observar um tempo de infusão superior a
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 64 um minuto, sendo maior no Reino Unido é que superior a três minutos. Num dos vídeos na Coreia (KOR1) verifica-se um tempo de infusão inferior a um minuto, no entanto este é bastante superior em relação aos restantes vídeos codificados na subcategoria inferior a um minuto, a percentagem de duração desse momento codificado é semelhante aos restantes vídeos da Coreia, codificados na subcategoria superior a um minuto. Em relação aos utensílios de infusão, nos vídeos representantes do Japão apenas se verifica a utilização de uma taça (chawan). Na Coreia e no Reino Unido, a infusão é sempre realizada num bule. Na China é possível visualizar a utilização de um bule em alguns casos e a utilização de uma taça noutro caso. A homogeneização do chá apenas se verificou no ritual chinês. Em todos os vídeos representantes da China, Japão e Reino Unido foram codificados períodos de tempo na categoria ato de servir o chá na chávena, uma vez que nestes países a utensílio de infusão utilizado é um bule (ou uma taça com o efeito de bule – CHN2). No Japão esta etapa não se verifica já que o utensílio de infusão é o mesmo em que é servido o chá. Em relação à primeira infusão, na China esta é rejeitada e apenas é bebida uma segunda infusão das mesmas folhas de chá. Por último, relativamente à adição de leite, apenas foi verificada nos vídeos representantes do Reino Unido. Na grande categoria ato de entrega do chá apenas foram codificados os vídeos, que continham a entrega do chá. No ritual chinês verifica-se que ocorre sempre uma entrega para a comunidade. No ritual coreano, foram verificados os dois casos: uma entrega direta à pessoa, em que a senhora que preparou o chá colocou as chávenas dos convidados numa bandeja e deslocou-se para as entregar; e uma entrega para a comunidade em que as chávenas foram colocadas na frente na mesa de preparação, para que os convidados se deslocassem a fim de recolher a sua chávena. Na grande categoria arrumação final dos utensílios apenas foi codificado um vídeo representante do ritual japonês (JPN1), no qual se verificou que no final da cerimónia de preparação e entrega do chá a senhora que preparou o chá limpa e coloca os utensílios que foram utilizados na preparação por ordem, deixando o local preparado para a realização de outra cerimónia do chá. No vídeo codificado é dedicada uma grande percentagem do tempo total a esta tarefa (14,35%).
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 65 2.3.2. Estudo de mercado 2.3.2.1. Recolha de dados O estudo de mercado foi realizado entre o dia 3 de março de 2015 e 11 de setembro de 2015. A recolha de informação em cada hipermercado foi realizada no período de tempo abaixo indicado: ⁻ Continente: de 3 a 18 de março de 2015 ⁻ Pingo Doce: de 17 a 19 de março de 2015 ⁻ Hipercor: de 1 a 3 de abril de 2015 ⁻ Jumbo: de 13 a 14 de abril de 2015 ⁻ Cantinho aromáticas: 11 de setembro de 2015 2.3.2.2. Análise dos dados obtidos A recolha dos produtos de chá e infusões, bem como as informações relativas ao modo de preparação contidas nas embalagens, originou uma tabela que se encontra em Anexo 2. Foram identificados 327 produtos e 21 marcas, a saber: Ahmad Tea; Twinings; Lipton; Tetley; Tley; Continente gourmet; Cuida te; Continente; Pingo Doce; El Corte Inglés; Auchan; Gorreana; Celestial seasonings; LinTea; Yogi tea; Happy Flora; Raízes da natureza; Diese; Cem por cento; Salutem; Cantinho das Aromáticas. Foram identificados 4 tipos de chá: branco, preto, verde e vermelho, sendo que os três primeiros para além de serem comercializados na forma pura, existem também com adição de aromas diversos – aromatizados –, nomeadamente aromas de frutas. Foram também identificadas infusões e, ainda, misturas de chá com infusões de outras plantas. Na Tabela 45 encontra-se o número de referências registadas em cada marca, distinguidas pelos diferentes tipos de chá e por infusões e modo de apresentação. Para a execução da Tabela 45, as misturas de chá com outras plantas foram consideradas tendo em conta o tipo de chá.
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 66 Tabela 45 - Número de referências em função da marca, tipo de chá ou infusão e modo de apresentação Marca Nº de referências Tipo Modo de apresentação Chá preto Chá verde Chá branco Chá vermelho Infusões Saquetas Folha solta Ahmad tea 27 12 6 0 0 9 21 6 Twinings 21 3 5 0 0 13 21 0 Lipton 27 11 4 1 0 11 27 0 Tetley 25 4 4 1 0 16 25 0 Tley 19 2 4 1 0 12 19 0 Continente gourmet 2 2 0 0 0 0 0 2 Cuida te 6 1 2 0 0 3 0 6 Continente 10 3 2 0 0 5 10 0 Pingo Doce 6 1 1 0 0 4 6 0 El Corte Inglés 6 1 1 0 1 3 6 0 Auchan 12 2 1 1 0 8 12 0 Gorreana 7 4 3 0 0 0 3 4 Celestial seasonings 2 0 1 0 0 1 2 0 LinTea 2 0 0 0 0 2 2 0 Yogi tea 10 0 1 0 0 9 10 0 Happy flora 35 1 1 0 1 32 0 35 Raízes da natureza 17 0 2 0 0 15 16 1 Diese 11 0 3 1 2 5 11 0 Cem por cento 19 0 1 0 1 17 19 0 Salutem 33 0 4 0 0 29 15 18 Cantinho das Aromáticas 30 0 0 0 0 30 6 24 Total 327 47 46 5 5 224 231 96 De acordo com a Tabela 45, dos 327 produtos totais, 224 são infusões (69%), 103 (31%) são chás, sendo que dos chás, 5 são chá branco e chá branco aromatizado, 47 são chá preto e chá preto aromatizado, 46 são chá verde e chá verde aromatizado, 5 são chá vermelho (Pu-erh). A maioria dos produtos é comercializada em saquetas (71%) e apenas 29% é comercializada em folha solta.
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 67 Os tempos de infusão indicados nas embalagens variam entre 2 e 10 minutos (ver Figura 3, Figura 4 e Figura 7). Foram registados 25 produtos (8%) sem informação relativamente ao tempo de infusão. As figuras que se seguem indicam os tempos de infusão recomendados pelas diferentes marcas nas embalagens, segundo cada tipo de chá e infusão. Na Figura 3 encontram-se representados os tempos de infusão recomendados, registados nas embalagens de chá preto, para cada marca. Na Figura 4 encontram-se representados os tempos de infusão recomendados, registados nas embalagens de chá verde, para cada marca. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Tempo de infusão (minutos) Lipton Tley Continente Pingo Doce Auchan Continente gourmet Ahmad tea Tetley Cuida te Happy flora El corte inglés Figura 3 - Tempos de infusão recomendados para a preparação de chá preto presentes nas embalagens das marcas registadas
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 68 Figura 4 - Tempos de infusão recomendados para a preparação de chá verde presentes nas embalagens das marcas registadas Na Figura 5 encontram-se representados os tempos de infusão recomendados, registados nas embalagens de chá branco, para cada marca. Figura 5 - Tempos de infusão recomendados para a preparação de chá branco presentes nas embalagens das marcas registadas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Tempo de infusão (minutos) Lipton Twinings Tley Cuida te Continente Auchan Happy flora Ahmad tea Tetley Pingo Doce El corte inglés Celestial seasonings Raízes da natureza Diese Cem por cento Salutem 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Tempo de infusão (minutos) Lipton Tley Auchan Tetley Celestial seasonings Diese
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 69 Na Figura 6 encontram-se representados os tempos de infusão recomendados, registados nas embalagens de chá vermelho, para cada marca. Figura 6 - Tempos de infusão recomendados para a preparação de chá vermelho presentes nas embalagens das marcas registadas Na Figura 7 encontram-se representados os tempos de infusão recomendados, registados nas embalagens de infusões, para cada marca. Figura 7 - Tempos de infusão recomendados para a preparação de infusões presentes nas embalagens das marcas registadas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Tempo de infusão (minutos) El corte inglés Happy flora Diese Cem por cento 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Tempo de infusão (minutos) Ahmad tea Twinings Lipton Tetley Tley Cuida te Continente Pingo Doce El corte inglés Auchan LinTea Happy flora Raízes da natureza Diese Cem por cento Salutem Cantinho das Aromáticas Celestial seasonings
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 70 Apenas foi recomendada uma temperatura da água inferior a 100ºC para as infusões da marca Cantinho das Aromáticas, chá verde, branco e misturas contendo estes 2 tipos de chá. Foram registados 34 produtos (10%) sem indicação da temperatura da água. Em relação à quantidade de produto de planta em chás e infusões comercializados sob a forma de folha solta a informação é variada, esta surgiu em gramas, número de colheres (sopa, sobremesa e café) e número de folhas. Foram registados 43 produtos (13%) sem informação de quantidade de produto de planta. Relativamente à informação da quantidade de água foram identificadas as seguintes indicações: uma chávena, 200ml, um bule, 0,5L, 1L, 300ml. Foram registados 77 produtos (24%) sem recomendação em relação à quantidade de água. Segue-se uma análise em relação à informação recolhida em marcas mais relevantes. ⁻ Ahmad: Ausência de informação em relação à quantidade de água em todos os produtos. Nos produtos em folha solta, ausência de informação sobre quantidade de produto. Todas as infusões são comercializadas em saqueta e o tempo de infusão recomendado é 5 minutos, ausência de informação sobre a temperatura da água e quantidade de produto. ⁻ Twinings: Todos os produtos são comercializados em saquetas. Relativamente ao tempo de infusão, verificou-se ausência de informação quer em embalagens de chá, que em embalagens de infusões. No entanto, verificou-se recomendações de tempos de infusão de 2 a 3 minutos apenas para chás e tempos de 3 a 5 minutos apenas para infusões. Para chá verde e chá verde aromatizado a temperatura indicada é 95º C. Indicações de 100º C apenas surgem em infusões. ⁻ Lipton: Todos os produtos são comercializados em saquetas. A quantidade de produto e de água recomendada são sempre as mesmas em todos os produtos (uma saqueta em 200ml de água). Para as infusões, o tempo de infusão indicado é sempre 4 a 5 minutos e a temperatura da água 100º C. Para os chás e misturas os tempos indicados nas embalagens são 2 e 2 a 3 minutos. A temperatura recomendada também é de 100º C, exceto para os chás verde e branco cuja recomendação é de 90º C. ⁻ Tetley: Todos os produtos são comercializados em saquetas. O tempo de infusão recomendado é sempre o mesmo – 3 a 5 minutos – independentemente do tipo de chá ou infusão. A temperatura indicada nas embalagens é 100º C para todos os produtos, exceto para o chá verde, chá verde aromatizado e chá branco, cuja recomendação é de 90º C.
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 71 ⁻ Tley: Todos os produtos são comercializados em saquetas. Para as infusões, o tempo de infusão recomendado é de 3 minutos e as quantidades de conteúdo de chá e de água são uma saqueta por chávena. A temperatura da água é 100º C para todos os tipos de chás e infusões. ⁻ El Corte Inglés: Todos os produtos são comercializados em saquetas. Todas as indicações de preparação são iguais, independentemente do tipo de chá ou infusão: tempo de infusão – 5 minutos; temperatura da água – 100 °C; quantidade de produto – 1 saqueta por pessoa; sem informação quanto à quantidade de água. ⁻ Auchan: Todos os produtos são comercializados em saquetas. Todas as indicações de preparação são iguais, independentemente do tipo de chá ou infusão: tempo de infusão – 2 a 3 minutos; temperatura da água – 100 °C; quantidade de produto – 1 saqueta; quantidade de água – 1 chávena. ⁻ Gorreana: Ausência de informação em relação ao tempo de infusão. Apresenta a temperatura de infusão mais baixa de todos os produtos registados: 75º C para chá verde em saqueta. ⁻ Yogi tea: Todos os produtos são comercializados em saquetas. Ausência de qualquer indicação de preparação em todas as embalagens. ⁻ Happy flora: Todos os produtos são comercializados em folha solta. As indicações de preparação variam consoante a infusão ou o tipo chá. Em relação à temperatura da água, as indicações referem sempre 100º C, exceto na infusão de folículos de sene que não tem qualquer informação relativa à temperatura da água. ⁻ Raízes da natureza: Para as infusões as indicações são sempre as mesmas: tempo de infusão – 3 a 5 minutos; temperatura da água – 100 °C; quantidade de produto – 1 saqueta; quantidade de água – 1 chávena. ⁻ Salutem: O tempo de infusão e a temperatura da água indicado nas embalagens é 4 a 6 minutos e 100º C para todas as infusões e chás. Para produtos em folha solta, as recomendações de quantidade de produto e quantidade de água são 2 colheres de sopa por cada litro de água, em todos os produtos de folha. Para os produtos em saqueta as recomendações são 1 saqueta para uma chávena ou 3 saquetas para um bule. ⁻ Cantinho das Aromáticas: Os tempos de infusão variam consoante o tipo de infusão, bem como a temperatura da água, sendo que esta é sempre inferior a 100º C. Em todos os produtos em folha solta a quantidade de produto é sempre
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 78 período de tempo em cada uma das seguintes categorias: Aquecimento da água, Arranjo do conteúdo de planta, Introdução de água no utensílio de infusão e tempo de infusão. Segue-se uma análise mais detalhada dos resultados que constam na Tabela 50. Serão, também apresentados os períodos de tempo transcritos e codificados que melhor representam cada categoria ou subcategoria. Aquecimento da água Nesta categoria foram codificados os 12 vídeos. Em todos os vídeos há um momento dedicado ao aquecimento da água para infusão, no entanto a forma de aquecimento não é igual em todos os vídeos. Na Tabela 51 considera-se a duração de tempo correspondente a esta fase da preparação da infusão, face ao tempo total do vídeo, em percentagem. Na Tabela 52 encontram-se as transcrições dos vídeos para os períodos de tempo codificados nesta categoria, que melhor a representam. Tabela 51 - Percentagem dos períodos de tempo codificados para a categoria Aquecimento da água Fonte Duração em relação ao tempo total do vídeo (%) P1 30,80 P2 7,42 P3 44,48 P4 44,88 P5 4,47 P6 54,59 P7 64,11 P8 60,78 P9 41,34 P10 24,00 P11 56,84 P12 57,91 Média 40,96
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 79 Tabela 52 - Exemplos de algumas transcrições dos vídeos codificados em Aquecimento da água Fonte Transcrição do vídeo P1 A participante introduz água da torneira numa chaleira, liga a chaleira e aquece a água. Enquanto a água aquece continua com a preparação e espera até que a água ferva. P4 A participante introduz a caneca no micro-ondas e liga-o durante um minuto para aquecer a água. Enquanto a água aquece, permanece no local à espera. Depois abre o micro-ondas, toca na caneca para verificar o aquecimento e retira a caneca do micro-ondas. P6 O participante introduz água da torneira numa chaleira e coloca a água a aquecer. Espera um pouco e dá seguimento à preparação da infusão. Arranjo do conteúdo de planta Para esta categoria foram codificados os 12 vídeos. Em todos os vídeos se verifica um momento no qual os participantes preparam o conteúdo de planta para a infusão, que consiste em retirar a saqueta da embalagem ou introduzir a folha solta no infusor. Na Tabela 53 considera-se a duração de tempo correspondente a esta fase da preparação da infusão, face ao tempo total do vídeo, em percentagem. Na Tabela 54 encontram-se as transcrições dos vídeos para os períodos de tempo codificados nesta categoria, que melhor a representam. Tabela 53 - Percentagem dos períodos de tempo codificados para a categoria Arranjo do conteúdo de planta Fonte Duração em relação ao tempo total do vídeo (%) P1 4,23 P2 4,95 P3 8,70 P4 14,36 P5 11,92 P6 17,83 P7 20,42 P8 6,31 P9 3,45 P10 20,49 P11 8,67 P12 10,07 Média 10,95
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 80 Tabela 54 - Exemplos de algumas transcrições dos vídeos codificados em Arranjo do conteúdo de planta Fonte Transcrição do vídeo P3 A participante pega num infusor, abre uma embalagem metálica com as folhas da infusão e coloca algumas folhas no infusor. Seguidamente, retira a tampa do bule e coloca o infusor no interior do bule. P9 A participante pega numa embalagem de infusões em saquetas, retira uma saqueta e coloca-a dentro de uma caneca. P12 A participante retira a tampa de embalagem da infusão, pega num infusor e coloca algumas folhas no interior do infusor. Depois introduz o infusor numa chávena de chá e coloca a tampa na embalagem da infusão. Introdução de água no utensílio de infusão Para esta categoria foram codificados os 12 vídeos. Em todos os vídeos se verifica um momento no qual os participantes introduzem a água no utensílio de infusão. No entanto, esta introdução não ocorre sempre na mesma altura da preparação. Em alguns casos é realizada logo no início da preparação, noutros casos é realizada após a fervura da água. Na Tabela 55 considera-se a duração de tempo correspondente a esta fase da preparação da infusão, face ao tempo total do vídeo, em percentagem. Na Tabela 56 encontram-se as transcrições dos vídeos para os períodos de tempo codificados nesta categoria, que melhor a representam.
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 81 Tabela 55 - Percentagem dos períodos de tempo codificados para a categoria Introdução de água no utensílio de infusão Fonte Duração em relação ao tempo total do vídeo (%) P1 5,64 P2 22,26 P3 9,44 P4 2,39 P5 17,88 P6 8,73 P7 8,98 P8 8,60 P9 4,31 P10 9,37 P11 16,38 P12 8,56 Média 10,21 Tabela 56 - Exemplos de algumas transcrições dos vídeos codificados em Introdução de água no utensílio de infusão Fonte Transcrição do vídeo P4 A participante começa por introduzir água da torneira dentro de uma caneca. P8 A participante pega na chaleira com a água a ferver e introduz água na chávena de chá. P10 A participante pega na chaleira e coloca a água a ferver no interior do bule, sobre o infusor. Por fim pousa a chaleira e coloca a tampa no bule. Na subcategoria Agitação foi codificado apenas um vídeo, no qual se verificou a presença de agitação do conteúdo de planta na água durante a introdução de água no utensílio de infusão. Na Tabela 57 considera-se a duração de tempo correspondente a esta subcategoria, face ao tempo total do vídeo, em percentagem. Na Tabela 58 encontra-se a transcrição do vídeo para o período de tempo codificado nesta subcategoria.
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 82 Tabela 57 - Percentagem do período de tempo codificado para a subcategoria Introdução de água no utensílio de infusão - Agitação Fonte Duração em relação ao tempo total do vídeo (%) P2 22,26 Tabela 58 - Transcrição do vídeo codificado em Introdução de água no utensílio de infusão - Agitação Fonte Transcrição do vídeo P2 A participante desliga a chaleira antes que a água ferva e introduz aos poucos a água sobre a saqueta. Agitando a saqueta ao mesmo tempo que introduz a água na chávena, fazendo movimentos para cima e para baixo. Seguidamente pousa a chaleira. Tempo de infusão Para esta categoria foram codificados os 12 vídeos. Em todos os vídeos se verifica um momento no qual ocorre a infusão. Verificou-se uma grande variação neste tempo. Na Tabela 59 considera-se a duração de tempo correspondente a esta fase da preparação da infusão, face ao tempo total do vídeo, em percentagem. Na Tabela 60 encontram-se as transcrições dos vídeos para os períodos de tempo codificados nesta categoria, que melhor a representam. Tabela 59 - Percentagem dos períodos de tempo codificados para a categoria Tempo de infusão Fonte Duração em relação ao tempo total do vídeo (%) P1 59,78 P2 32,64 P3 33,80 P4 29,32 P5 19,37 P6 17,10 P7 15,11 P8 16,63 P9 49,38 P10 36,30 P11 9,63 P12 17,62 Média 28,06
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 83 Tabela 60 - Exemplos de algumas transcrições dos vídeos codificados em Tempo de infusão Fonte Transcrição do vídeo P1 Tempo de infusão. A participante espera um pouco e retira-se enquanto ocorre a infusão. P5 Tempo de infusão. Enquanto espera que ocorra a infusão, a participante pega na saqueta e agita-a com movimentos para cima e para baixo. P7 Tempo de infusão. Enquanto a infusão ocorre, a participante pega na chaleira (com o infusor no seu interior) e agita-a. Após alguns segundos, a participante abre a chaleira para verificar a cor da infusão. Na subcategoria Agitação foram codificados 7 vídeos, nos quais se verificou a presença de agitação do conteúdo de planta na água durante o tempo de infusão. Na Tabela 61 considera-se a duração de tempo correspondente a esta subcategoria, face ao tempo total do vídeo, em percentagem. Na Tabela 62 estão expostas as transcrições dos vídeos para os períodos de tempo codificados nesta subcategoria, que melhor a representam. Tabela 61 - Percentagem dos períodos de tempo codificados para a subcategoria Tempo de infusão - Agitação Fonte Duração em relação ao tempo total do vídeo (%) P2 32,64 P4 29,32 P5 19,37 P6 17,10 P7 15,11 P11 9,63 P12 17,62 Média 20,11
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 84 Tabela 62 - Exemplos de algumas transcrições dos vídeos codificados em Tempo de infusão - Agitação Fonte Transcrição do vídeo P4 Tempo de infusão. Enquanto espera, a participante agita ocasionalmente o infusor na caneca. P6 Tempo de infusão. Enquanto espera que ocorra a infusão, o participante agita ocasionalmente o infusor na água. P11 Tempo de infusão. Enquanto ocorre a infusão, a participante agita a saqueta na água, fazendo movimentos para cima e para baixo durante todo o tempo de infusão. Remoção do conteúdo de planta da água Nesta categoria foram codificados 11 vídeos. O único vídeo no qual não se verificou a remoção do conteúdo de planta durante a preparação foi o P7. Na Tabela 63 considera-se a duração de tempo correspondente a esta fase da preparação da infusão, face ao tempo total do vídeo, em percentagem. Na Tabela 64 encontram-se as transcrições dos vídeos para os períodos de tempo codificados nesta categoria, que melhor a representam. Tabela 63 - Percentagem dos períodos de tempo codificados para a categoria Remoção do conteúdo de planta da água Fonte Duração em relação ao tempo total do vídeo (%) P1 3,02 P2 2,47 P3 5,72 P4 4,79 P5 4,47 P6 9,10 P8 2,87 P9 4,02 P10 5,27 P11 1,93 P12 1,51 Média 4,11
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 85 Tabela 64 - Exemplos de algumas transcrições dos vídeos codificados em Remoção do conteúdo de planta da água Fonte Transcrição do vídeo P4 A participante retira o infusor da caneca e segura o infusor fora da água para que saia a água do interior do infusor. P8 A participante retira a saqueta da chávena, segurando durante algum tempo a saqueta sobre a chávena, para que caiam algumas gotas da saqueta. P12 A participante retira o infusor da água, batendo ligeiramente com o infusor no canto da chávena, para retirar toda a água do infusor coloca-o de lado. Na subcategoria Agitação foram codificados apenas 2 vídeos, nos quais se verificou a presença de agitação do conteúdo de planta na água durante a sua remoção no utensílio de infusão. Na Tabela 65 considera-se a duração de tempo correspondente a esta subcategoria, face ao tempo total do vídeo, em percentagem. Na Tabela 66 estão expostas as transcrições dos vídeos para os períodos de tempo codificados nesta subcategoria, que melhor a representam. Tabela 65 - Percentagem dos períodos de tempo codificados para a subcategoria Remoção do conteúdo de planta da água - Agitação Fonte Duração em relação ao tempo total do vídeo (%) P1 3,02 P10 5,27 Média 4,11 Tabela 66 - Transcrição dos vídeos codificados em Remoção do conteúdo de planta da água - Agitação Fonte Transcrição do vídeo P1 A participante regressa, pega da saqueta e agita-a na água, fazendo movimentos para cima e para baixo. Seguidamente retira a saqueta da água. P10 A participante retira a tampa do bule, pega no coador e com a outra mão agita um pouco o infusor. Depois retira-o do bule, batendo ligeiramente no canto do bule, para sair a água do interior no infusor. Ato de servir a infusão Nesta categoria foram codificados 4 vídeos. Na Tabela 67 considera-se a duração de tempo correspondente a esta fase da preparação da infusão, face ao tempo total do vídeo, em percentagem. Na Tabela 68 encontram-se as transcrições dos vídeos para os períodos de tempo codificados nesta categoria, que melhor a representam.
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 86 Tabela 67 - Percentagem dos períodos de tempo codificados para a categoria Ato de servir a infusão Fonte Duração em relação ao tempo total do vídeo (%) P3 2,73 P6 4,73 P7 4,08 P10 13,47 Média 6,25 Tabela 68 - Exemplos de algumas transcrições dos vídeos codificados em Ato de servir a infusão Fonte Transcrição do vídeo P3 A participante serve a infusão numa chávena de chá. P6 O participante coloca a tampa no bule e serve a infusão da chávena, sem encher a chávena na totalidade. P10 Pega no bule e serve na chávena de chá, fazendo passar a infusão por um coador. Por fim pousa o coador e coloca a tampa no bule. Adição de açúcar Nesta categoria foram codificados 4 vídeos. Na Tabela 69 considera-se a duração de tempo correspondente a esta fase da preparação da infusão, face ao tempo total do vídeo, em percentagem. Na Tabela 70 encontram-se as transcrições dos vídeos para os períodos de tempo codificados nesta categoria, que melhor a representam. Tabela 69 - Percentagem dos períodos de tempo codificados para a categoria Adição de açúcar Fonte Duração em relação ao tempo total do vídeo (%) P2 32,15 P5 8,94 P8 16,63 P12 12,08 Média 17,45
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 87 Tabela 70 - Exemplos de algumas transcrições dos vídeos codificados em Adição de açúcar Fonte Transcrição do vídeo P5 A participante pega num pacote de açúcar e introduz um pouco de açúcar numa chávena de chá. P8 Tempo de infusão. Enquanto ocorre a infusão, a participante pega numa colher de chá e retira do recipiente com açúcar uma colher. Depois adiciona na chávena e mexe com a colher, mantendo a saqueta na chávena. P12 A participante pega numa embalagem de açúcar, retira uma colher de chá de açúcar e adiciona à infusão. Por fim mexe um pouco com a colher a infusão. Adição de água fria Nesta categoria foram codificados 2 vídeos. Na Tabela 71 considera-se a duração de tempo correspondente a esta fase da preparação da infusão, face ao tempo total do vídeo, em percentagem. Na Tabela 72 encontram-se as transcrições dos vídeos para os períodos de tempo codificados nesta categoria, que melhor a representam. Tabela 71 - Percentagem dos períodos de tempo codificados para a categoria Adição de água fria Fonte Duração em relação ao tempo total do vídeo (%) P5 11,92 P6 3,64 Média 7,78 Tabela 72 - Transcrição dos vídeos codificados em Adição de água fria Fonte Transcrição do vídeo P5 A participante pega numa garrafa com água fria e introduz na chávena até encher a chávena. P6 O participante pega numa jarra com água fria e adiciona água fria à chávena com a infusão preparada. 2.3.3.1.3. Resumo dos resultados: vídeo Relativamente a este estudo, pela descrição dos utensílios verifica-se que o aquecimento da água é realizado numa chaleira ou no micro-ondas. Os utensílios para realização da infusão variam entre bule, chávena de chá, caneca e a própria chaleira onde é aquecida a água. Apenas a participante P1 cumpriu o tempo indicado e 8 dos 12 participantes mantiveram um tempo de infusão inferior a 1
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 94 mais frequente, seguida da caneca. Na Figura 12 encontra-se o número de respostas obtidas para cada utensílio. Na opção “outra” foram referidos as seguintes respostas: i) cafeteira elétrica, ii) chaleira elétrica, iii) fervedor, iv) garrafa, v) medidor, vi) preparado. Figura 12 - Utensílio de infusão, em percentagem (n=199) Na questão “Sob que forma costuma consumir as infusões?”, pretendeu-se identificar a forma de apresentação do conteúdo de planta mais frequente na preparação de infusões. Nesta questão 75% dos participantes referiu a utilização de infusões em saqueta e apenas 2% referiu a utilização de infusões solúveis. Na Figura 13 encontrase a percentagem de respostas para cada modo de apresentação das infusões. Figura 13 - Forma de apresentação das infusões consumidas, em percentagem (n=154) Na questão “Para preparar a infusão, normalmente utiliza”, procurou-se saber o tipo de água utilizada na preparação de infusões. Do total de respondentes, 80% indica a utilização de água da torneira, 10% utiliza água filtrada e 10% utiliza água mineral (ver Figura 14). 41,7% 32,7% 19,1% 3,5% 3,0% Bule Caneca Chávena Outra Copo 23% 75% 2% Folha solta Saqueta Solúvel
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 95 Figura 14 - Tipo de água utilizada na preparação de infusões, em percentagem (n=154) A questão “O que utiliza para preparar a infusão?” destinou-se apenas aos respondentes que indicaram a utilização de infusão em folha solta (n=36). Com esta questão pretendeu-se identificar o utensílio de filtragem do conteúdo de planta mais utilizado pelos consumidores. A maioria dos respondentes (33%) indicou a utilização da folha solta, ou seja, não utilizam qualquer utensílio que retenha o conteúdo de planta durante a infusão, 31% indicou a utilização de um bule com coador incorporado, 25% utiliza um cesto para infusão e apenas 11% referiu a utilização de um infusor (ver Figura 15). Figura 15 - Utensílio para o conteúdo de planta utilizado na preparação de infusões em folha solta, em percentagem (n=36) Na questão “Normalmente, quando prepara a infusão retira a saqueta/folha solta do recipiente (bule, chávena, etc.) após algum tempo ou não?”, verifica-se que 80% dos respondentes retira o conteúdo de planta do utensílio de infusão e 20% não retira (ver Figura 26). 80% 10% 5% 5% Água da torneira Água filtrada (filtros tipo Brita) Água mineral natural de marca de distribuidor Água mineral natural de marca de fabricante 31% 25% 33% 11% Bule com coador incorporado Cesto para infusão Folha solta Infusor
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 96 Figura 16 - Remoção ou permanência do conteúdo de planta na água, em percentagem (n=152) Na questão “Como controla o tempo de infusão?” verifica-se que a maioria dos respondentes (61%) controla o tempo de infusão pela cor da infusão, 24% mantém a infusão durante um tempo de repouso variado e 15% controla o tempo com o relógio ou temporizador (ver Figura 17). Figura 17 - Forma de controlo do tempo de infusão, em percentagem (n=121) Na questão “Onde compra habitualmente o chá?” verifica-se que os chás em saquetas são adquiridos maioritariamente no supermercado e os chás em folha solta são adquiridos maioritariamente em lojas de chá, ervanárias e no mercado. Foi indicada a compra de chá solúvel em lojas de chá e no mercado (ver Figura 18). Na questão “Onde compra habitualmente as infusões?” verifica-se que as infusões em saquetas são adquiridas maioritariamente no supermercado e as infusões em folha solta são adquiridas maioritariamente em lojas de infusões, ervanárias e no mercado. Apenas foi indicada a compra de infusões solúveis no supermercado. (ver Figura 19). 20% 80% Não retiro Retiro 24% 15% 61% Após um tempo de repouso variado Com o relógio / temporizador Pela cor da infusão
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 97 Figura 18 - Locais de compra de chás, em função do modo de apresentação do conteúdo de planta (n=268) Figura 19 - Locais de compra de infusões, em função do modo de apresentação do conteúdo de planta (n=243) Na questão “Quando pensa em infusões quais as três primeiras palavras que lhe surgem na mente?”, obtiveram-se 480 termos individuais (n=480). Faz-se notar que a categoria mais frequente de termos associados corresponde à ‘composição’ das infusões: as plantas – subcategoria mais relevante, com mais de 120 citações –, os frutos ou as especiarias que as constituem, sendo esta mais associada pelos consumidores menos frequentes. A dimensão ‘Sensorial’, nas componentes relacionadas com a sua aparência, o odor, o sabor e as sensações térmicas – a segunda subcategoria mais frequente, com 55 citações – apresenta-se como a segunda mais frequente, logo seguida da dimensão das ‘Emoções’, na qual emerge a ‘Calma’, com 27 citações, como a mais frequente. Na Tabela 74 encontra-se a frequência de menção de palavras agrupadas em diferentes categorias, resultantes da resposta à questão de associação livre “Quando pensa em infusões, quais as três palavras que lhe surgem mente?”, de acordo com a classificação da frequência de consumo de infusões reportada pelos respondentes. -10 10 30 50 70 90 110 130 150 Supermercado Loja de chá Ervanária Mercado Folha solta Saqueta Solúvel 0 20 40 60 80 100 120 140 160 Supermercado Loja de infusões Ervanária Mercado Folha solta Saqueta Solúvel
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 98 Tabela 74 – Frequência de menção de palavras agrupadas em diferentes categorias, resultantes da resposta à questão de associação livre “Quando pensa em infusões, quais as três palavras que lhe surgem mente?”, de acordo com a classificação da frequência de consumo de infusões reportada pelos inquiridos. Os resultados expressam o tratamento de 480 termos individuais Associações Frequência de consumo de infusões Total Categoria (exemplo de subcategoria ou palavra) Reduzida (n=83) Moderada (n=70) Elevada (n=37) (n=190) Composição (camomila, cidreira, chá, tília, limão, especiarias) 85 (+++) 54 17 (- - -) 156 Sensorial (aparência, odor, sabor, calor) 39 (- -) 48 28 115 Emoções (calmo, relaxado, reconfortado) 27 (-) 28 24 (++) 79 Saúde e bem-estar (drenante, digestivo, saudável) 20 18 11 49 Espaço e tempo (ar livre, estudar, Inverno, manhã) 10 13 7 30 Preparação (apresentação do produto, modo de preparação, utensílios) 13 6 3 22 Produto alimentar (alimentos e bebidas) 12 5 4 21 Natureza (natural, artificial) 5 2 1 8 SR (sem resposta) 38 36 16 90 +/- indicação de contagem significativamente superior/inferior às dos restantes segmentos, sendo que um símbolo representa p<0,100, dois símbolos, p <0,050, e três símbolos, p < 0,001, de acordo com o teste exato de Fisher aplicado a cada célula da tabela de contingência Figura 20 - Representação das categorias de palavras associadas e da classificação da frequência de consumo de infusões, resultante da Análise de Correspondências aos resultados da categorização das palavras obtidas na resposta à questão “Quando pensa em infusões, quais as três palavras que lhe surgem mente?”. As categorias a negrito sublinhado correspondem a categorias para as quais se verificam diferenças significativas do nível de citação entre grupos de consumidores. Composição Emoções Espaço e tempo Natureza Preparação Produto alimentar SR Saúde e bem-estar Sensorial Elevada Moderada Reduzida -0,3 -0,2 -0,1 0 0,1 0,2 0,3 -0,4 -0,3 -0,2 -0,1 0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 F2 (12,42 %) F1 (87,58 %) Gráfico simétrico (eixos F1 e F2: 100,00 %) Associações Frequência de consumo de infusões
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 99 Da análise do mapa resultante da Análise de Correspondências (Figura 20) salienta-se uma maior associação de termos emocionais por parte dos inquiridos que reportam consumir as infusões com uma elevada frequência (cinco ou mais vezes por semana) e a dimensão sensorial a estar menos associada por parte dos consumidores menos frequentes (consumindo menos de uma vez por semana).
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 100 3. Discussão A presente investigação teve como objetivo analisar o comportamento de preparação de chá e infusões por parte dos consumidores em diferentes contextos culturais. Para o efeito, foram realizados três estudos: um estudo etnográfico no qual foram observados por meio de vídeos os rituais de preparação de quatro países distintos com forte tradição no consumo de chá (China, Japão, Coreia e Reino Unido); um estudo de mercado, no qual foram registadas as marcas e tipos de chá e infusões existentes no mercado da região do Grande Porto, bem como as recomendações de preparação presentes nas embalagens; por último foi realizado um estudo de caso, que consistiu num estudo exploratório etnográfico no qual se observava o modo de preparação de infusões por parte de consumidores portugueses nos seus próprios lares, através da gravação vídeos, bem como a aplicação de um questionário sobre os comportamentos de consumo de chás e infusões, com associação livre ao consumo de infusões. Assim, pela observação dos vídeos do ritual de preparação de chá (ver secção 1.3.1.), considerando o tempo de preparação da bebida, utensílios e artefactos utilizados, constata-se que a preparação do chá nos países asiáticos analisados (China, Japão, Coreia do Sul) é mais demorada comparativamente à correspondente preparação no Reino Unido: neste país, o tempo máximo de duração da preparação do chá – 1 minuto e 44 segundos – é inferior ao tempo mínimo observado nos restantes países, sendo este de 3 minutos e 25 segundos, observado no Japão (JPN3). Por outro lado, confirma-se que os rituais asiáticos de preparação do chá são mais complexos, quer ao nível do número de utensílios utilizados, quer ao nível da indumentária das mulheres que preparam o dito chá. Na realidade, no Reino Unido, os utensílios usados especificamente para a preparação de chá são a chaleira, o bule e as chávenas de chá (Wang, 2011), contrastando com a parafernália de artefactos usados nos países asiáticos (Ali et al., 2013). No Japão utilizam um lenço de seda (fukusa), uma taça de chá (chawan), um recipiente com o chá em pó (natsume), uma espátula para o chá (chashaku), um batedor (chasen), uma concha de bambu (hishaku), uma panela com água a ferver (kama), um recipiente para rejeitar a água e um lenço branco; na China recorre-se a uma bandeja de preparação, dois ou três bules, uma espátula para o chá, objetos em forma de animais, um recipiente com as folhas de chá e chávenas de chá; e na Coreia do Sul os vídeos evidenciaram a utilização de uma bandeja de preparação, um lenço vermelho, um bule, uma taça para arrefecimento da água, um recipiente com as folhas de chá, uma espátula para o chá e chávenas de chá. Por
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 101 outro lado, no Japão e na Coreia do Sul, as mulheres que preparam o chá encontramse vestidas com um traje tradicional, o que não se verifica nos vídeos representantes da China. Tal pode resultar do facto do ritual de preparação do chá neste país ter vindo a banalizar-se (Hannam, 1997). Por sua vez, no Reino Unido o vestuário é casual, sendo que esta é uma diferença cultural em relação aos restantes países. Igual observação em relação ao local de preparação: no Japão e na Coreia do Sul a cerimónia de preparação do chá é realizada numa sala de chá tradicional, na China é realizada ou numa sala ou numa cozinha, e no Reino Unido é realizada numa cozinha comum. Para o caso japonês, o ritual do chá, considerando as suas regras e artefactos, aproxima o homem do sagrado (Kangasjärvi, 2012), permitindo reduzir a ansiedade do dia-a-dia, dado que tudo é feito com delicadeza e harmonia (Donnelly, 2007). Os utensílios são tratados com todo o cuidado e mantidos limpos. Neste contexto, o ritual do chá pela repetição dos gestos e da reutilização dos utensílios apela à paz e à pacificação (Kangasjärvi, 2012). A preparação do chá, realizada por uma mulher, decorre numa sala à parte (Mittwer, 2008), afastando-nos dos espaços ordinários das atividades humanas (Sakuae e Reid, 2012). Para os chineses o chá é uma necessidade básica, é bebido num contexto de apreciação não só do chá, mas também do seu entorno e cuidado na preparação. Por isso a cerimónia de preparação é realizada com delicadeza e contém elementos decorativos relacionados com o país, como objetos em forma de dragões, sobre o qual é regada a primeira infusão do chá (Richardson, 2010). Na Coreia do Sul o ritual de preparação do chá tem um passado associado a eventos com um nível de seriedade relevante, tais como cerimónias da realeza e treinos militares, sendo um ritual com movimentos calmos e rigorosos (Seookgyeong, 2004). Por outro lado, a preparação do chá seguindo as práticas britânicas de exigir tempo e contemplar determinados procedimentos no seu cerimonial (Wang, 2011), a verdade é que o tempo despendido, os artefactos utilizados e a delicadeza nos gestos não é comparável à realidade vivenciada nos vídeos para o ritual do chá nos países asiáticos: o ritual de preparação de chá britânico é mais simples e com menos simbolismo que nas outras culturas analisadas. Não descurando a importância associada ao ritual do chá na realidade britânica, quer ao nível da socialização das mulheres quer no apoio dos soldados nas guerras, enquanto bebida energética e reconfortante, quer na estruturação das refeições (Xiaoli, 2011). Neste contexto, a pertinência do fator “conveniência” e a perceção da falta de tempo moldam práticas alimentares na esfera do quotidiano ocidental (Moura e Cunha, 2005). De referir ainda
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 102 que os vídeos sobre a preparação do chá no Reino Unido não contemplam o ato de entrega do chá (grande categoria de análise: “ato de entrega do chá”), mitigando a preocupação da partilha e do convívio. Esta ocidentalização é igualmente reforçada no estudo de caso da realidade portuguesa (ver secção 2.3.3.1.), aquando da preparação de infusões em lares, sendo que nem sempre as práticas associadas à preparação desta bebida correspondem às propostas na informação constante nas embalagens das infusões, conforme constatado no estudo de mercado realizado (ver secção 2.3.2.). De facto, os tempos de infusão observados nas filmagens são notoriamente inferiores ao tempo de infusão recomendado e presente nas embalagens, analisadas (ver secção 2.3.3.1.1.), sendo que apenas uma participante cumpriu o tempo de infusão ideal para a preparação da bebida que ingeriu e que constava na embalagem (tempo ideal confrontando com o tempo da participante), sendo que 8 dos 12 participantes mantiveram um tempo de infusão inferior a 1 minuto. Este tempo de infusão é muito reduzido, tendo em conta as condições ótimas de preparação de infusões, que variam entre 5 a 10 minutos, levando a uma extração incompleta dos compostos químicos e aromáticos da planta, diminuindo a qualidade da infusão (Silveira et al., 2014). De igual modo, verifica-se que a maioria dos participantes (n= 9) utiliza chávena/caneca em detrimento do bule, o que pode afetar as características sensoriais das infusões (Sõukand et al., 2013). De notar que este aspeto é reforçado no inquérito ao consumo, embora numa menor dimensão, onde apenas 54 % dos inquiridos refere utilizar bule, e destes, apenas 65 % refere utilizar apenas o bule. Por outro lado, o ato de servir a infusão observa-se apenas em 4 de 12 registos, sendo que o utensílio de infusão não é o mesmo onde é bebida a própria infusão, tendo sido utilizado o bule ou a chaleira. Estas práticas que não apelam à convivialidade mas ao isolamento, no sentido de que o consumo da infusão é individual, utilizando-se diretamente a chávena/caneca, são igualmente reforçadas nos resultados obtidos no questionário sobre o consumo de chás e infusões (ver secção 2.3.3.2.) Na realidade, nas palavras de associação espontânea relacionadas com as infusões encontram-se apenas dois registos, em 480, que remetem indiretamente para a convivialidade: ‘família’ e ‘amizade’. A preocupação em acelerar a preparação da bebida é notória. Neste sentido, 7 participantes agitaram o conteúdo da planta (saqueta, folha seca) na água durante o tempo de infusão, 2 participantes agitaram o conteúdo da planta na água durante a remoção do conteúdo da planta e um participante agitou a bebida durante a introdução da água no utensílio de infusão, neste caso numa chávena. Salienta-se que no
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 103 inquérito ao consumo 80 % dos inquiridos referiram retirar a saqueta ou as folhas do contacto com a água e que 61 % destes determinava o tempo para a remoção baseando-se na aparência – cor da infusão. Face ao exposto, no sentido de proporcionar uma adequada preparação das infusões, considera-se que os operadores do agroalimentar que comercializam infusões deverão fortalecer as suas vias de comunicação junto dos seus consumidores, em particular enaltecendo visualmente a informação constante na embalagem da bebida, no sentido de alertar o consumidor para as boas práticas de preparação e de consumo. No entanto, os operadores económicos da indústria agroalimentar reclamam as limitações de espaço para divulgação de marketing que surgiram com a implementação do novo regulamento de informação ao consumidor: o Regulamento (UE) N.º 1169/2011 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 25 de outubro, relativo à prestação de informação aos consumidores sobre os géneros alimentícios (Carrilho, 2015). Por outro lado, nas campanhas comunicacionais importa apelar ao prazer associado ao consumo das infusões, promovendo a convivialidade que a mesma pode transportar, elementos caracterizadores aliás da dieta mediterrânica (Dernini e Berry, 2015) a que os Portugueses se associam (Rodrigues et al., 2008; Silva et al., 2009) e que as culturas asiáticas e os britânicos recuperam com o chá. De salientar que a dimensão mais hedónica relacionada com o consumo, sendo este um dos critérios mais valorizados pelos consumidores portugueses (Cunha et al., 2009), já é marcadamente associada pelos inquiridos neste trabalho, na medida em que o conjunto de palavras que se agrupam sobre a categoria ‘Sensorial’ corresponde ao segundo maior grupo, em termos globais. Mais ainda, os inquiridos que reportam uma menor frequência de consumo das infusões correspondem ao que apresenta uma frequência menor de associação de palavras dessa categoria, reforçando a sua menor experiência com o produto e uma reduzida expectativa face às suas características sensoriais. Apesar desta diferença marcada na associação da dimensão sensorial, é de salientar que a proporção de inquiridos que referiu utilizar água da torneira não varia com a frequência do consumo de infusões, mantendo-se transversalmente em torno dos 80 %. No entanto, faz-se notar que a quase totalidade dos inquiridos reside na Região Norte do País, onde tipicamente a água da torneira tem uma menor concentração de iões, contrastando com as águas mais calcárias das Regiões Centro e Sul. Ainda numa dimensão comunicacional, importa salientar que os consumidores que reportam um mais frequente consumo de infusões, são aqueles que menos associam
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 110 Smith-Morris, C., Lopez, G., Ottomanelli, L., Goetz, L. e Dixon-Lawson, K. (2014). Ethnography, Fidelity, and the Evidence that Anthropology Adds: Supplementing the Fidelity Process in a Clinical Trial of Supported Employment. Medical Anthropology Quarterly, 28(2), 141-161. Sobral, J. M. e Rodrigues, P. (2013). O “fiel amigo”: o bacalhau e a identidade portuguesa. Etnográfica, 17(3), 619-649. Sõukand, R., Quave, C. L., Pieroni, A., Pardo-de-Santayana, M., Tardío, J., Kalle, R., Łuczaj, Ł., Svanberg, I., Kolosova, V., Aceituno-Mata, L., Menendez-Baceta, G., Kołodziejska-Degórska, I., Pirożnikow, E., Petkevičius, R., Hajdari, A. e Mustafa, B. (2013). Plants used for making recreational tea in Europe: a review based on specific research sites. Journal of Ethnobiology and Ethnomedicine, 9, 58-70. Turner, V. (1998). Símbolos en el ritual Ndembu. In H. M. V. Velasco (Ed.), Lecturas de antropología social y cultural (2 ed. ed., pp. 635-663). Madrid: Cuadernos de la UNED. Venditti, E., Bacchetti, T., Tiano, L., Carloni, P., Greci, L. e Damiani, E. (2010). Hot vs. cold water steeping of different teas: Do they affect antioxidant activity? Food Chemistry, 119(4), 1597-1604. Wang, N. (2011). A Comparison of Chinese and British Tea Culture. Asian Culture and History, 3(2). Wills, R. B. H., Bone, K. e Morgan, M. (2000). Herbal products: active constituents, modes of action and quality control. Nutrition Research Reviews, 13(01), 47-77. Wu, Z. C. e Luo, J. N. (2010). An Empirical Study of Herbal Tea Consumption Motivation-Based on the Concept of Cultural Marketing. Marketing Science Innovations and Economic Development, 586-590. Xia, T., Shi, S. e Wan, X. (2006). Impact of ultrasonic-assisted extraction on the chemical and sensory quality of tea infusion. Journal of Food Engineering, 74(4), 557-560. Xiaoli, M. A. (2011). Tea in a Historical and Anthropological Perspective: An Interview with Alan Macfarlane. Journal of Cambridge Studies, 6(4), 117-127.
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 111 Anexos Anexo 1 – Links de acesso aos vídeos do YouTube ® Japão: JPN1: https://www.youtube.com/watch?v=lL9BiNuImws JPN2: https://www.youtube.com/watch?v=zmTPqD65bEM JPN3: https://www.youtube.com/watch?v=l0qsGLtwl-4 China: CHN1: https://www.youtube.com/watch?v=j3tA3fFCP34 CHN2: https://www.youtube.com/watch?v=H_7JLC-EoAg CHN3: https://www.youtube.com/watch?v=MtWVkv_dw_c Coreia: KOR1: https://www.youtube.com/watch?v=5AmYjztNe4A KOR2: https://www.youtube.com/watch?v=xQUdynuJRPg KOR3: https://www.youtube.com/watch?v=h07uoGC7wFY Reino Unido: UK1: https://www.youtube.com/watch?v=1-8LbiVjmXc UK2: https://www.youtube.com/watch?v=jYRmVVdM98I UK3: https://www.youtube.com/watch?v=wziqKyRIelI
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 112 Anexo 2 – Tabela com estudo de mercado Marca Tipo de infusão Designação da referência Modo de apresentação Tempo de infusão (minutos) Temperatura da água (°C) Quantidade de produto Quantidade de água Ahmad Tea Chá preto English breakfast Folha solta 5 a 7 Sem informação Sem informação Sem informação Chá preto English breakfast Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta por pessoa Sem informação Chá preto aromatizado Earl grey Folha solta 3 a 5 100 Sem informação Sem informação Chá preto aromatizado Earl grey Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta por pessoa Sem informação Chá preto aromatizado Earl grey descafeinado Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta por pessoa Sem informação Chá preto aromatizado English tea No.1 Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta por pessoa Sem informação Chá preto aromatizado English tea No.1 Folha solta 3 a 5 100 Sem informação Sem informação Chá preto Darjeeling tea Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta por pessoa Sem informação Chá preto Darjeeling tea Folha solta 5 a 7 Sem informação Sem informação Sem informação Chá preto Ceylon tea Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta por pessoa Sem informação Chá preto Ceylon tea Folha solta 3 a 5 100 Sem informação Sem informação Chá preto Evening tea descafeinado Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta por pessoa Sem informação Chá verde Chá verde Folha solta 3 a 5 100 Sem informação Sem informação Chá verde Chá verde Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta por pessoa Sem informação Chá verde aromatizado Chá verde com framboesa e romã Saqueta 3 a 5 Sem informação Sem informação Sem informação Tabela 1 - Dados recolhidos das embalagens no estudo de mercado
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 113 Marca Tipo de infusão Designação da referência Modo de apresentação Tempo de infusão (minutos) Temperatura da água (°C) Quantidade de produto Quantidade de água Ahmad Tea Chá verde aromatizado Chá verde morango de kiwi Saqueta 3 a 5 Sem informação Sem informação Sem informação Chá verde aromatizado Chá verde e menta Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta por pessoa Sem informação Mistura Chá verde e jasmim Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta por pessoa Sem informação Infusão Infusão de rosa e cereja Saqueta 5 Sem informação Sem informação Sem informação Infusão Infusão de rooibos e canela Saqueta 5 Sem informação Sem informação Sem informação Infusão Infusão mixed berries Saqueta 5 Sem informação Sem informação Sem informação Infusão Infusão limão e gengibre Saqueta 5 Sem informação Sem informação Sem informação Infusão Infusão camomila e citronela Saqueta 5 Sem informação Sem informação Sem informação Infusão Infusão de hortelã e limão Saqueta 5 Sem informação Sem informação Sem informação Infusão Infusão de rosa mosqueta e cereja Saqueta 5 Sem informação Sem informação Sem informação Infusão Infusão detox Saqueta 5 Sem informação Sem informação Sem informação Infusão Infusão de lúcia-lima Saqueta 5 Sem informação Sem informação Sem informação Twinings Chá preto Earl grey Saqueta Sem informação Sem informação Sem informação Sem informação Chá preto Earl grey descafeinado Saqueta Sem informação Sem informação Sem informação Sem informação Tabela 1 (continuação) - Dados recolhidos das embalagens no estudo de mercado
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 114 Marca Tipo de infusão Designação da referência Modo de apresentação Tempo de infusão (minutos) Temperatura da água (°C) Quantidade de produto Quantidade de água Twinings Chá preto English breakfast tea Saqueta Sem informação Sem informação Sem informação Sem informação Chá verde Pure green tea Saqueta 2 a 3 95 1 saqueta por pessoa Sem informação Chá verde aromatizado Chá verde e limão Saqueta 2 a 3 95 1 saqueta por pessoa Sem informação Chá verde aromatizado Chá verde e menta Saqueta 2 e 3 95 1 saqueta por pessoa Sem informação Chá verde aromatizado Chá vede e arando Saqueta 2 a 3 95 1 saqueta por pessoa Sem informação Mistura Chá verde e jasmim Saqueta 2 a 3 95 1 saqueta por pessoa Sem informação Infusão Infusão de limão e gengibre Saqueta 3 a 5 100 Sem informação Sem informação Infusão Infusão de hortelãpimenta Saqueta 3 a 5 100 Sem informação Sem informação Infusão Infusão de rooibos Saqueta 3 a 5 100 Sem informação Sem informação Infusão Infusão de amora, ginseng e baunilha Saqueta 3 a 5 100 Sem informação Sem informação Infusão Infusão de arando e framboesa Saqueta 3 a 5 100 Sem informação Sem informação Infusão Infusão de mirtilo e maça Saqueta 3 a 5 100 Sem informação Sem informação Infusão Infusão de morango e framboesa Saqueta 3 a 5 100 Sem informação Sem informação Infusão Infusão de camomila Saqueta 3 a 5 100 Sem informação Sem informação Tabela 1 (continuação) - Dados recolhidos das embalagens no estudo de mercado
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 115 Marca Tipo de infusão Designação da referência Modo de apresentação Tempo de infusão (minutos) Temperatura da água (°C) Quantidade de produto Quantidade de água Twinings Infusão Infusão de framboesa e equinácea Saqueta Sem informação Sem informação Sem informação Sem informação Infusão Infusão de pêssego e maracujá Saqueta Sem informação Sem informação Sem informação Sem informação Infusão Infusão de limão Saqueta Sem informação Sem informação Sem informação Sem informação Infusão Infusão de manga e morango Saqueta Sem informação Sem informação Sem informação Sem informação Infusão Infusão de groselha, ginseng e baunilha Saqueta Sem informação Sem informação Sem informação Sem informação Lipton Mistura Chá de frutos silvestres Saqueta 2 a 3 100 1 saqueta 200 ml Mistura Chá de frutos vermelhos Saqueta 2 a 3 100 1 saqueta 200 ml Mistura Chá de pêssego e manga Saqueta 2 a 3 100 1 saqueta 200 ml Chá preto aromatizado Chá de limão Saqueta 2 a 3 100 1 saqueta 200 ml Infusão Cidreira Saqueta 4 a 5 100 1 saqueta 200 ml Infusão Camomila Saqueta 4 a 5 100 1 saqueta 200 ml Infusão Tília Saqueta 4 a 5 100 1 saqueta 200 ml Chá verde Chá verde Saqueta 2 a 3 90 1 saqueta 200 ml Chá verde aromatizado Chá vede jasmim Saqueta 2 90 1 saqueta 200 ml Chá branco aromatizado Chá branco e romã Saqueta 2 a 3 90 1 saqueta 200 ml Tabela 1 (continuação) - Dados recolhidos das embalagens no estudo de mercado
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 116 Marca Tipo de infusão Designação da referência Modo de apresentação Tempo de infusão (minutos) Temperatura da água (°C) Quantidade de produto Quantidade de água Lipton Chá preto aromatizado Yellow label Saqueta 2 a 3 100 1 saqueta 200 ml Infusão Digestão fácil Saqueta 4 a 5 100 1 saqueta 200 ml Infusão Morroco Saqueta 4 a 5 100 1 saqueta 200 ml Infusão Andalusia Saqueta 4 a 5 100 1 saqueta 200 ml Infusão Lúcia-lima Saqueta 4 a 5 100 1 saqueta 200 ml Chá verde aromatizado Chá verde com framboesa e romã Saqueta 2 90 1 saqueta 200 ml Chá preto aromatizado Chá preto com morango e framboesa Saqueta 2 a 3 100 1 saqueta 200 ml Chá verde aromatizado Chá verde com limão e macaroon Saqueta 2 90 1 saqueta 200 ml Chá preto aromatizado Chá preto com maracujá e framboesa Saqueta 2 a 3 100 1 saqueta 200 ml Infusão Menta Saqueta 4 a 5 100 1 saqueta 200 ml Infusão Noite tranquila Saqueta 4 a 5 100 1 saqueta 200 ml Infusão Maça e canela Saqueta 4 a 5 100 1 saqueta 200 ml Infusão Cidreira e mel Saqueta 4 a 5 100 1 saqueta 200 ml Chá preto aromatizado Rich earl grey Saqueta 2 a 3 100 1 saqueta 200 ml Chá preto aromatizado Chá preto com baunilha e caramelo Saqueta 2 a 3 100 1 saqueta 200 ml Chá preto aromatizado Chá preto com morango e menta Saqueta 2 a 3 100 1 saqueta 200 ml Chá preto aromatizado Chá preto com aroma a muffin de mirtilo Saqueta 2 a 3 100 1 saqueta 200 ml Tabela 1 (continuação) - Dados recolhidos das embalagens no estudo de mercado
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 117 Marca Tipo de infusão Designação da referência Modo de apresentação Tempo de infusão (minutos) Temperatura da água (°C) Quantidade de produto Quantidade de água Tetley Infusão Rooibos e laranja Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Infusão calm (camomila e limão) Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Infusão pick me up (frutos do bosque) Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Infusão serenity (cidreira e mel) Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Infusão warmth (rooibos, canela e laranja) Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta 1 chávena Chá preto English breakfast Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta 1 chávena Chá verde Chá verde Saqueta 3 a 5 90 1 saqueta 1 chávena Chá verde aromatizado Chá verde com mel e limão Saqueta 3 a 5 90 1 saqueta 1 chávena Infusão Cidreira Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Frutos vermelhos Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta 1 chávena Chá preto Chá preto descafeinado Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Cidreira e mel Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Camomila Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Romã e framboesa Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Mirtilo e açaí Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Canela e pêra Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Tília Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta 1 chávena Tabela 1 (continuação) - Dados recolhidos das embalagens no estudo de mercado
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 118 Marca Tipo de infusão Designação da referência Modo de apresentação Tempo de infusão (minutos) Temperatura da água (°C) Quantidade de produto Quantidade de água Tetley Infusão Lúcia-lima Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Menta Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Rooibos e baunilha Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta 200 ml Chá preto aromatizado Chá preto com maçã e canela Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta 1 chávena Chá preto aromatizado Chá preto com limão Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta 200 ml Chá verde aromatizado Chá verde aromatizado de manga Saqueta 3 a 5 90 1 saqueta 1 chávena Chá verde aromatizado Chá verde aromatizado de menta Saqueta 3 a 5 90 1 saqueta 1 chávena Chá branco Chá branco Saqueta 3 a 5 90 1 saqueta 1 chávena Tley Infusão Lúcia-lima Saqueta 3 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Tília Saqueta 3 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Menta Saqueta 3 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Camomila Saqueta 3 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Chá vermelho Saqueta 3 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Cidreira e mel Saqueta 3 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Cidreira Saqueta 3 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Cidreira e limão Saqueta 3 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Camomila e mel Saqueta 3 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Sabores exóticos Saqueta 3 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Erva príncipe Saqueta 3 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Delícia e frutos Saqueta 3 100 1 saqueta 1 chávena Chá verde aromatizado Chá segredo tropical Saqueta 2 a 3 100 1 saqueta por pessoa Sem informação Chá verde Chá verde Saqueta 3 100 1 saqueta 1 chávena Tabela 1 (continuação) - Dados recolhidos das embalagens no estudo de mercado
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 119 Marca Tipo de infusão Designação da referência Modo de apresentação Tempo de infusão (minutos) Temperatura da água (°C) Quantidade de produto Quantidade de água Tley Chá verde aromatizado Chá verde, mel, limão e ginseng Saqueta 3 100 1 saqueta 1 chávena Chá preto aromatizado Chá de frutos silvestres Saqueta 3 100 1 saqueta 1 chávena Chá verde Chá verde descafeinado Saqueta 2 a 3 100 1 saqueta por pessoa Sem informação Chá branco Chá branco Saqueta 2 a 3 100 1 saqueta 1 chávena Chá preto aromatizado Chá de maçã e canela Saqueta 2 a 3 100 1 saqueta por pessoa Sem informação Contimente Gourmet Chá preto English breakfast tea Folha solta 2 a 4 100 1 colher de chá por pessoa 1 bule Chá preto Darjeeling tea Folha solta 2 a 4 100 1 colher de chá por pessoa 1 bule Cuida te Chá preto Earl grey Folha solta 3 a 5 Sem informação 2g 1 chávena Chá verde Chá verde China Gunpowder Folha solta 2 a 3 Sem informação 2g 1 chávena Chá verde aromatizado Chá verde hortelã marroquino Folha solta 2 a 3 90 2g 1 chávena Infusão Frutas do bosque Folha solta 8 a 10 90 2g 1 chávena Infusão Maracujá e laranja Folha solta 8 a 10 90 2g 1 chávena Infusão Rooibos dolce vita Folha solta 7 a 9 90 2g 1 chávena Continente Chá preto Chá preto Saqueta 2 a 3 100 1 saqueta por pessoa Sem informação Chá preto Chá preto descafeinado Saqueta 2 a 3 100 1 saqueta por pessoa Sem informação Chá preto aromatizado Chá preto com maçã e canela Saqueta 2 a 3 100 1 saqueta por pessoa Sem informação Tabela 1 (continuação) - Dados recolhidos das embalagens no estudo de mercado
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 126 Marca Tipo de infusão Designação da referência Modo de apresentação Tempo de infusão (minutos) Temperatura da água (°C) Quantidade de produto Quantidade de água Diese Mistura Chá verde e ginseng Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta 1 chávena ou bule Chá verde Chá verde Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta 1 chávena ou bule Chá verde Chá verde biológico Saqueta 3 100 1 saqueta 1 chávena ou bule Infusão Camomila Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta 1 chávena ou bule Infusão Hipericão kneip Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta 1 chávena ou bule Infusão Cidreira e mel Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta 1 chávena ou bule Infusão Camomila biológica Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta 1 chávena ou bule Chá branco Chá branco biológico Saqueta 3 100 1 saqueta 1 chávena ou bule Mistura Chá vermelho e hortelãpimenta Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta 1 chávena ou bule Infusão Energia mental Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta 1 chávena ou bule Cem por cento Infusão Cavalinha Saqueta 4 a 5 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Príncipe Saqueta 4 a 5 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Hortelã Saqueta 4 a 5 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Pau d’arco Saqueta 4 a 5 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Folha de oliveira Saqueta 4 a 5 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Anis Saqueta 4 a 5 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Camomila Saqueta 4 a 5 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Funcho Saqueta 4 a 5 100 1 saqueta 1 chávena Tabela 1 (continuação) - Dados recolhidos das embalagens no estudo de mercado
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 127 Marca Tipo de infusão Designação da referência Modo de apresentação Tempo de infusão (minutos) Temperatura da água (°C) Quantidade de produto Quantidade de água Cem por cento Infusão Rooibos Saqueta 4 a 5 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Equinácea Saqueta 4 a 5 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Cidreira Saqueta 4 a 5 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Tília Saqueta 4 a 5 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Mirtilo Saqueta 4 a 5 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Açaí Saqueta 4 a 5 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Barbas de milho Saqueta 4 a 5 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Alcachofra Saqueta 4 a 5 100 1 saqueta 1 chávena Infusão Gengibre Saqueta 4 a 5 100 1 saqueta 1 chávena Chá verde Chá verde e mel Saqueta 3 < 100 1 saqueta 1 chávena Chá vermelho Chá vermelho (Pu-erh) Saqueta 3 a 5 100 1 saqueta 1 chávena Salutem Mistura Chá verde com ginseng Saqueta 4 a 6 100 1 saqueta / 3 saquetas 1 chávena / 1 bule Infusão Camomila Saqueta 4 a 6 100 1 saqueta / 3 saquetas 1 chávena / 1 bule Infusão Sene Saqueta 4 a 6 100 1 saqueta / 3 saquetas 1 chávena / 1 bule Infusão Erva príncipe Saqueta 4 a 6 100 1 saqueta / 3 saquetas 1 chávena / 1 bule Infusão Erva príncipe Folha solta 4 a 6 100 2 colheres de sopa 1 L Infusão Flor de laranjeira Saqueta 4 a 6 100 1 saqueta / 3 saquetas 1 chávena / 1 bule Infusão Flor de laranjeira Folha solta 4 a 6 100 2 colheres de sopa 1L Mistura Chá verde com algas e limão Saqueta 4 a 6 100 1 saqueta / 3 saquetas 1 chávena / 1 bule Infusão Tília Saqueta 4 a 6 100 1 saqueta / 3 saquetas 1 chávena / 1 bule Tabela 1 (continuação) - Dados recolhidos das embalagens no estudo de mercado
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 128 Marca Tipo de infusão Designação da referência Modo de apresentação Tempo de infusão (minutos) Temperatura da água (°C) Quantidade de produto Quantidade de água Salutem Infusão Cavalinha Saqueta 4 a 6 100 1 saqueta / 3 saquetas 1 chávena / 1 bule Infusão Cavalinha Folha solta 4 a 6 100 2 colheres de sopa 1L Chá verde Chá verde Saqueta 4 a 6 100 1 saqueta / 3 saquetas 1 chávena / 1 bule Chá verde Chá verde Folha solta 4 a 6 100 2 colheres de sopa 1L Infusão Lúcia-lima Saqueta 4 a 6 100 1 saqueta / 3 saquetas 1 chávena / 1 bule Infusão Quebra-pedra Saqueta 4 a 6 100 1 saqueta / 3 saquetas 1 chávena / 1 bule Infusão Quebra-pedra Folha solta 4 a 6 100 2 colheres de sopa 1L Infusão Carqueja Saqueta 4 a 6 100 1 saqueta / 3 saquetas 1 chávena / 1 bule Infusão Carqueja Folha solta 4 a 6 100 2 colheres de sopa 1L Infusão Rooibos Saqueta 4 a 6 100 1 saqueta / 3 saquetas 1 chávena / 1 bule Infusão Rooibos Folha solta 4 a 6 100 2 colheres de sopa 1L Infusão Pau d’arco Saqueta 4 a 6 100 1 saqueta / 3 saquetas 1 chávena / 1 bule Infusão Pau d’arco Folha solta 4 a 6 100 2 colheres de sopa 1L Infusão Cidreira Saqueta 4 a 6 100 1 saqueta / 3 saquetas 1 chávena / 1 bule Infusão Cidreira Folha solta 4 a 6 100 2 colheres de sopa 1L Infusão Erva S. Roberto Folha solta 4 a 6 100 2 colheres de sopa 1L Infusão Hipericão do kneip Folha solta 4 a 6 100 2 colheres de sopa 1L Tabela 1 (continuação) - Dados recolhidos das embalagens no estudo de mercado
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 129 Marca Tipo de infusão Designação da referência Modo de apresentação Tempo de infusão (minutos) Temperatura da água (°C) Quantidade de produto Quantidade de água Salutem Infusão Malvas (folha) Folha solta 4 a 6 100 2 colheres de sopa 1L Infusão Oliveira Folha solta 4 a 6 100 2 colheres de sopa 1L Infusão Hortelãpimenta Folha solta 4 a 6 100 2 colheres de sopa 1L Infusão Pés de cereja Folha solta 4 a 6 100 2 colheres de sopa 1L Infusão Barbas de milho Folha solta 4 a 6 100 2 colheres de sopa 1L Infusão Alcachofra Folha solta 4 a 6 100 2 colheres de sopa 1L Infusão Dente-de-leão Folha solta 4 a 6 100 2 colheres de sopa 1L Cantinho das Aromáticas Infusão Alfazema Bio Folha solta 5 85 3 g 1 L Infusão Camomila Bio Folha solta 5 90 3 g 1 L Infusão Cavalinha Bio Folha solta 5 85 3 g 1 L Infusão Equinácea Bio Folha solta 5 90 3 g 1 L Infusão Erva-cidreira Bio Folha solta 5 85 3 g 1 L Infusão Erva-príncipe Bio Folha solta 5 90 3 g 1 L Infusão Tomilho-limão Bio Folha solta 7 85 3 g 1 L Infusão Hipericão-dogerês Bio Folha solta 7 85 3 g 1 L Tabela 1 (continuação) - Dados recolhidos das embalagens no estudo de mercado
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 130 Marca Tipo de infusão Designação da referência Modo de apresentação Tempo de infusão (minutos) Temperatura da água (°C) Quantidade de produto Quantidade de água Cantinho das Aromáticas Infusão Hortelã vulgar Bio Folha solta 5 80 3 g 1 L Infusão Hortelãpimenta Bio Folha solta 5 75 3 g 1 L Infusão Limonete Bio Folha solta 7 90 3 g 1 L Infusão Manjericão Bio Folha solta 7 85 3 g 1 L Infusão Perpétua-roxa Bio Folha solta 10 90 3 g 1 L Infusão Tomilho belaluz Bio Folha solta 5 85 3 g 1 L Infusão Manjericãolimão Bio Folha solta 7 85 3 g 1 L Infusão Manjericãocanela Bio Folha solta 7 85 3 g 1 L Infusão Lote reserva: erva-príncipe Folha solta 5 90 3 g 1 L Infusão Lote reserva: hortelãpimenta Folha solta 5 80 3 g 1 L Infusão Lote reserva: limonete Folha solta 7 85 3 g 1 L Infusão Lote reserva: tomilho-limão Folha solta 7 85 3 g 1 L Infusão Erva-cidreira Bio Saqueta 5 90 1 saqueta 1 chávena Infusão Erva-príncipe Bio Saqueta 5 90 1 saqueta 1 chávena Infusão Hortelãpimenta Bio Saqueta 5 90 1 saqueta 1 chávena Infusão Limonete Bio Saqueta 5 85 1 saqueta 1 chávena Infusão Tomilho belaluz Bio Saqueta 5 85 1 saqueta 1 chávena Infusão Tomilho-limão Bio Saqueta 7 85 1 saqueta 1 chávena Tabela 1 (continuação) - Dados recolhidos das embalagens no estudo de mercado
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 131 Marca Tipo de infusão Designação da referência Modo de apresentação Tempo de infusão (minutos) Temperatura da água (°C) Quantidade de produto Quantidade de água Cantinho das Aromáticas Infusão Tisana: Amor perpétuo Folha solta 5 90 3 g 1 L Infusão Tisana: Conspiração d’ouro Folha solta 7 85 3 g 1 L Infusão Tisana: especialidade da casa Folha solta 7 85 3 g 1 L Infusão Tisana: doce menta Folha solta 5 85 3 g 1 L Tabela 1 (continuação) - Dados recolhidos das embalagens no estudo de mercado
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 132 Anexo 3 – Composição de referências de chás e infusões Tabela 2 - Composição de algumas referências de chás e infusões Marca Designação da referência Composição Ahmad Infusão detox funcho, hortelã-pimenta, folhas de bétula, rosmaninho, raiz de dente leão, folhas de urtiga, raiz de gengibre, folhas de amora doce Lipton Chá de frutos silvestres chá preto, aroma, frutos silvestres, morango Lipton Chá de frutos vermelhos Chá preto, aroma, framboesa, amora, mirtilo Lipton Infusão digestão fácil Menta, lúcia-lima, rooibos, camomila, alcaçuz, hortelãpimenta, aroma, cidreira, casca de limão Lipton Infusão Morroco Canela, chicória, roseira brava, alcaçuz, cascas de laranja, aroma, menta Lipton Infusão Andalusia Maçã, roseira brava, chicória, canela, aroma, alcaçuz, casca de laranja, gengibre, casca de limão, casca de lima, cascas de toranja, flor de laranjeira Lipton Infusão noite tranquila Lúcia-lima, tília, lavanda, aroma, folhas de laranjeira, camomila, cidreira Tley Chá vermelho Infusão de rooibos, folha de laranja, flor de hibisco, aroma de laranja Tley Infusão sabores exóticos Hibisco, Maçã, Rosa Canina, Laranja, Aroma de Laranja Tley Infusão delícia de frutos Flor Hibisco, Rosa Canina, Maçã, Cereja, Laranja, Aroma Frutos Silvestres Tley Chá segredo tropical Chá verde, aroma de baunilha, aroma de côco Auchan Infusão aromas da noite Folha lúcia-lima, folha de laranja, cidreira, flor de laranjeira, aroma de laranja, tília Celestial seasonings Infusão Wild berry Hibisco, frutos de roseira-brava, chicória tostada, casca de laranja, folhas de amora preta, aromas naturais, ácido cítrico Yogi tea Infusão biológica detox anis, dente de leão e alcaçuz Diese Energia mental folha de gingko biloba e raiz de ginseng Cantinho das Aromáticas Tisana: Amor perpétuo Manjericão-canela, erva-príncipe, mistura de perpétuas Cantinho das Aromáticas Tisana: Conspiração d’ouro Tomilho-limão, tomilho bela-luz, alfazema, perpétuaroxa Cantinho das Aromáticas Tisana: Especialidade da casa Manjericão, tomilho-limão, alecrim, hortelã-pimenta, calêndulas Cantinho das Aromáticas Tisana: Doce menta Hortelã-vulgar, hortelã-pimenta, agastache
FCUP Avaliação do comportamento de consumo de infusões: um estudo exploratório baseado na etnografia Visual 133 Anexo 4 – Questionário online sobre o consumo de chás e infusões, apresentado no Google Forms ® - imagens de ecrã
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