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PREVIH: Projeto de Educação de Pares para Trabalhadores do Sexo

Alexandra Oliveira

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  2 Ação & Tratamentos Nº31 5 PREVIH: Projeto de Educação de Pares para Trabalhadores do Sexo Alexandra Oliveira, FPCEUP No âmbito do projeto PREVIH, o GAT propôs-se a testar e a implementar um modelo de educação de pares para trabalhadores do sexo (TS) em parceria com a Agência Piaget para o Desenvolvimento (APDES) e - dade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto. Coube à APDES a implementação de um modelo metodológico de educação pelos pares, que pretendia usar TS como educadores de pares (EP) em equipas de redução de riscos, através do desenvolvimento da sua - ção dos seus recursos. Este projeto tinha dois objetivos: a obtenção da pares de TS nas equipas de redução de riscos e o desenvolvimento, a capacitação comunitária e o ativismo político dos mesmos. «A experiência no trabalho permite que tenhamos outra sensibilidade…» (Educador de pares 1) O primeiro objetivo privilegiou o acompanhamento dos EP e dos tutores das instituições que os acompanham, dividindo-se em três momentos: 1. Seleção do grupo-alvo da formação, efetuada pelas equipas - padamente os potenciais educadores de pares; - po-alvo, com o objetivo de desenvolver competências em educação de pares e redução de riscos; pares em projetos de redução de riscos, através do acompanhada integração junto dos EP e dos respetivos tutores. O último momento envolve o tutor, projeto e a metodologia de integração dos EP nas equipas, na medida em que possibilita um acompanhamento de proximidade aos mesmos e serve de mediador entre estes e as equipas, os técnicos e as estruturas da rede de serviços. Todo o processo inerente ao primei- - dos formandos, a sua formação e a integração em equipas na área da redução de riscos enquanto EP TS revelaram-se etapas bem desenhadas, convenientemente executadas e com resultados inquestionáveis. Os indicadores avaliativos da intepelos supervisores e patentes na sua avaliação, como sendo a capacidade de transmissão de conhecimentos, o estabelecimento de novos contactos, o trabalho em novos territórios de ação e a competência para dar respostas complementares às da equipa. «Nós servimos de modelos e » (Educador de pares 2) Por seu turno, o segundo objetivo dividiu-se em dois momentos, o da obtenção de uma intervenção ao nível da capacitação comunitária e o do incentivo ao ativismo e militância política. Para o conseguir foram incorporados na formação conteúdos que permitissem aos formandos conhecer o movimento internacional dos TS, a sua história, as diferentes formas que tem assumido, as lutas, as conquistas e seus marcos. Nos grupos de discussão pretendeu- - quiridos e consolidar uma conceção laboral do trabalho sexual e da autoconstrução enquanto ativista, abrindo caminho para a conscien- - lho coletivo pela reivindicação de direitos e, eventualmente, potenciar o surgimento da vontade de constituição de um coletivo. Embora essa constituição fosse um dos objetivos, interessava-nos que essa vontade emergisse do grupo. Quando tal de TS, nomeadamente o elevado número de imigrantes, a falta de - mente a condição de TS. Seguiu-se a elaboração de um texto fundaRelativamente às mulheres TS: – Do total de participantes, 68% têm idades entre 26 e 45 anos, 49,2% têm nacionalidade estrangeira, 42,2% têm escolaridade de nível secundário ou superior, 83,6% não estão empregadas e contexto de interior. – Cerca de 98% reporta ter usado o preservativo com o último cliente. – Aproximadamente 90% refere já ter feito o teste do VIH. Destes, dos quais 91% conhece o seu resultado. – Do total de participantes, 86,1% refere ter recebido preservativos gratuitamente no último ano. Os resultados obtidos em ambos os estudos apontam no sentido de que os esforços nacionais desenvolvidos para a prevenção e controlo do VIH/ Sida têm sido positivos. Não obstante, alguns dos dados encontrados até ao momento vêm reforçar a pertinência de continuar a desenvolver estratégias integradas de intervenção com as populações de HSH e TS e, particularmente, com subgrupos em maior risco. »   2 6 Ação & Tratamentos Nº31 No âmbito do projeto PREVIH realide substâncias em trabalhadores do sexo (TS). O objetivo era conhecer e a descrição da relação entre o consumo das mesmas, comportamentos de risco e a infeção VIH. O questionário contemplou apenas indicadores sobre as prevalências de consumo por substâncias em três períodos – ao longo da vida, 12 meses e 30 dias e vias de administração, não existindo indicadores sobre a frequência, quantidade ou contextos de consumo. Participaram no estudo 1040 TS. Percebeu-se que esta amostra distingue-se da população em geral relativamente às prevalências de consumo das várias substâncias elencadas. Se, por um lado, a prevalência do consumo de álcool e de medicamentos sem receita médica é inferior, por outro há um maior consumo de substâncias ilícitas. Neste grupo, e independentemente do período temporal, as substâncias com maior prevalência de consumo são o álcool, a cocaína, a canábis, os medicamentos (com ou sem receita), a heroína e a metadona. Não existindo grandes diferenças entre as prevalências de consumo nos últimos - mar que a taxa de continuidade ao longo do último ano é elevada. A via de administração de heroína e cocaína mais comum é a fumada, menor incidência, sendo no grupo dos consumidores de heroína que esta prática é mais comum. Entre as anfetaminas o consumo é essencialmente por via oral. Para analisar a relação entre tipo- - nos últimos 12 meses. Em relação ao género, e em concordância com estudos nacionais e internacionais noutras populações, - - sumo. No grupo feminino é mais os seus problemas e as propostas para os resolver. Independentemen- - vo e da forma que venha a tomar, nasce no seio de um grupo de TS uma proposta de união consistente e fundada na consciência da falta de reconhecimento social e legal da sua atividade. O facto de se tratar fundamental – qualquer movimento emancipatório tem maiores hipóteses de ser bem-sucedido e de representar o grupo que representa - munidade. «Nós somos a ponte, nós somos os olhos, vemos » (Educador de pares 3) O processo e os métodos através dos quais este foi e está a ser implementado, bem como a sua con- - - vel noutros momentos e com outros grupos. Assegurar a continuidade entre as diferentes fases do projeto tem sido uma preocupação de todos os envolvidos, sobretudo tendo em conta que nunca antes em Portugal tinha sido implementado um projeto de EP com TS. PREVIH: consumo de substâncias em TS Ludmila Carapinha, SICAD TS: Prevalências de Consumo, por Substância Psicoativa Trabalhadores do Sexo 2010 Inq. População Geral 2007 Substâncias PLV P12M P30D PLV P12M P30D Álcool 48.7 44.1 39.8 79.1 70.6 59.6 Medicamentos 19.4 14.3 10.9 nd nd nd Medic. s/ receita 4.8 3.9 2.7 19 12 9.9 Metadona 6.3 4.9 4.2 nd nd nd Cannabis 23.7 14.5 11.0 12 3.6 2.4 Ecstasy 5.6 2.1 1.2 1.3 0.4 0.2 Anfetaminas 2.0 0.7 0.4 0.9 0.2 0.1 LSD 2.4 0.3 0.2 0.6 0.1 0.1 Cogumelos 1.5 0.3 0.3 0.8 0.1 0.1 Cocaína 23.9 16.5 14.0 1.9 0.6 0.3 Heroína 14.0 7.8 6.8 1.1 0.3 0.2 Outras 0.4 0.2 0.1 nd nd nd Fonte: PREVIH(2010) Fonte: Balsa (2007)2 TS: Prevalências de Consumo de Qualquer Substância Psicoativa n % Longo da Vida PLV 686 66 Últimos 12 Meses P12M 632 61 Últimos 30 Dias P30D 579 57 Fonte: PREVIH (2010)1 «