A manutenção de edifícios no processo de conceção arquitetónica - modelo de apoio à decisão
Full text
F
ACULDA DE DE
E
NGE NHARI A DA
U
NIVER SIDADE DO
P
ORTO
A MANUTENÇÃO DE EDIFÍCIOS
NO PROCESSO DE CONCEÇÃO ARQUITETÓNICA
Modelo de ap oio à decisão
Patrícia Andreia Ventura Pinto Fernandes Rocha
Mestre em Reabilita ção do Patri mónio Edificado p ela Faculdade de Engenh aria
da Universidade d o Porto
Dissertação subm etida para a defe sa da tese nece ssária à
obtenção do grau de Doutor em Engenharia Ci vil
Dissertação realizada sob a supervisã o de
Professor Doutor Rui Manuel Gon çalves Calejo Rodrigues,
do Departament o de Engen haria Civil
da Faculdade de Engenh aria da Uni versidade d o Porto
Porto, 2014
iii
A todos que m e apoiam inc ondicionalment e
"Temos que usa r a experiência naquilo qu e ela garante,
mas também libe rtar-nos dela , naquilo qu e prende."
Álvaro Joaqu im Melo Siza Vieira
v
AGRADECI MENTOS
Ao concluir a pre sente di ssertação de d outorament o quero expressar o me u profundo e sincero
agradecimento a todos o s que co ntribuíra m para a sua re alização. Não pretendendo diferenciar
todos aqueles que de f orma direta ou indi reta me apoiaram, mas não po sso deixar de destacar as
pessoas que tivera m um pap el fundamental ao long o da sua execuçã o.
Ao meu orientador, Professor Do utor Rui Calej o Rod rigues, go staria d e agrad ecer as pala vras de
incentivo e a enor me disponibilid ade e interesse m anifestados na orienta ção e apoio científic o à
realização d o trabalh o, o que para mim se traduziu num grande privilégio profissi onal e também
pessoal.
À Eng.ª Cátia Cardoso Santos, gostaria de agradecer a colaboração prest ada na concretização do
suporte informáti co do modelo de apoio à decisã o e na disponibil idade e interesse manifestados , e
que co nduziu à primeira aplicação prática do modelo , na sua dissertaçã o de mestrado intitulada
“Manutenção das soluçõ es construtivas de edifícios com valo r patrimonial. Elemento fonte de
manutenção: pavimen tos“.
À Eng. ª Dóris Queirós, Eng .º Pedro Rodrigu es e En g.º Eduard o Afonso, do P rojeto NIDEA-FE UP,
gostaria de agrad ecer a disponib ilidade, os trabalhos facul tados, a simpatia sempre demonstrada e o
acompanhamento n as v isitas e fetuadas aos edifícios do Centro Histórico do Porto disp onibilizad os e
com o apoio da Porto Vivo - SRU.
À Arq.ª Bárbara Rang el, gostaria de expressar o meu agradecimento pela disponib ilidade e por todo o
apoio prestad o, simpatia e in centivos.
À Porto Vivo – SRU, nom eadamente à Eng.ª M arga rida Guimarães, gostaria de expressar o meu
agradecimento por todo o esfo rço e em penh o prest ad os e por todo o apoio no acompanhamento às
visitas efetuadas aos edifíci os do Centro Histórico do Porto e que foram disponib ilizados pela referida
instituição.
À empresa 3M2P - Co nst rução e Reabilitação de Edifícios, Lda, nomeadam ente ao Eng.º Miguel
Monteiro, gostaria de expressar o meu agradeci mento por toda a inf ormação di sponibiliz ada.
Ao grupo de arq uitetos que acedera m fazer parte dos inq uiridos da aud itoria efetuada e em
particular à autora de projeto do edifício objeto de estudo (ECG), na Rua Co rpo da Guarda, gost aria
de agr adecer a am izade e disp onibilidade no auxílio à obtençã o dos d ados e de toda a inform ação
necessária sobr e o referido edifício.
À empresa Maisport o, nomeadamente ao Sr. Migu el Vaz, gostaria de agrad ecer o apoio e
esclarecimentos pr estados no decorrer da vi sita ao edifício objet o de estudo.
vii
RESUMO
O comporta mento de edifícios e m serviço é pr ofundamente condicionad o pela s decisões tomadas
durante o pro cesso de c onceção durante o qual a problemática da m anutenção tem estado ausente.
A d iversidade de o pções c om as qu ais se co nfronta( m) o(s) au tor(es) de projeto impede otimizar a
sua decisão sem que tenha de recorrer a estudos multicritério. Essa possib ilidade permitirá
incrementar a eficácia das soluções construtivas d o edifício.
Uma ausência de planea mento da m anutenção d e e difícios co nduz ne cessariamente para um
envelheciment o mais a celerad o dos edifíci os, que v ai co mprometer fatores d e cariz eco n ómico,
social, cultural e de desenvolvimento sust entável. Todos os edifícios possuem um período de vida útil
durante o qual deverão responder p ositivamente às exigências de desempenh o funcional, para as
quais fo ram projetados de acordo com as necessidad es dos seus utentes. Isto só será po ssível com a
definição de politicas e estratégias de manutenção concertadas com um Plano de M anutenç ão q ue
garanta o seu com p ortamen to em serviço durante a sua vida útil, como é objetivo deste trabalho. É
durante o process o de conceçã o que as decisões t omadas permitem sup ortar esse plan o.
Apresenta-se uma met odologia de avaliação qualitativa, supor tada por um modelo de apoio à
decisão multicritéri o desenvolvido para edifícios habitacionais. Foi desenvol vida como um
instrumento de au xílio durante o processo de conceção ar quitet ónica que inclu i as questões da
manutenção. A definição de dois indicadores – de importância ( Idi ) e de facilidad e ( I df ) e respeti va
combinação de valores pe rmite d efinir o Índice de Manutenibilidad e ( Ime ) para cada processo de
manutenção de uma dada so lução construtiva definida para cada elemento fonte de manutenção –
EFM do edifício. Foram consideradas duas variáveis de decisão : os dese mpenhos funcionais
(segurança, conforto, ad equação, durabilidade e economia) e os processos de manutençã o
(inspeção, p ró-ação, l impeza, sustentabi lidade, correção, substituiçã o, cumpriment o le gal e
condições de utiliz ação).
Com base nos res ultad os obtidos na aplicação do mod elo de apoio à decisão, foi poss ível concluir
sobre a importânci a que as questões de manutenção têm como garan tia do comporta mento em
serviço dos edifícios e de como, també m, a sua in clusão nas fases preliminares de proje to po de
constituir uma mais v alia duran te o processo de c onceção arquitetónica, dado que perm ite ao(s)
autor(es) de projeto ter(e m) pr esente, através de u m c onjunto de recomenda ções à manutenção,
quais as consequências das decisões tomadas que po dem interferir na perm anência da obra no
tempo.
PALAVRAS-CHAV E: Conceção arquitetónica, Manutenção de e difíci os, E strat égias de intervenção,
Sistemas de apoi o à decisão ( DSS).
ix
ABSTRACT
The buildin gs behaviour in service is profound ly affected by t h e decisions made during the design
process, in w hich the issue of m aintenan ce has bee n hitherto overl ooked. The diver sity of o ption s
with which project auth ors are face d prevents t he optimisation of their dec ision unless it is based on
multicriteria assess ments. That possibility will all ow increasing the effici ency of bu ilding solutions.
The absence of a maintenance plan will necessarily cause building s to experie nce a faster ageing
process, w hich w ill c ompromi se economic, social, cul tural and sustaina ble development factors. All
buildin gs have a defined s ervice life, durin g which they must positively respo nd t o the functional
performance requirements for which they were designed, according their users' needs. This w ill only
be possible through the definition of m aintenance policies and strategies, coordinated through a
Maintenance Plan that can guarantee th eir p roper behav iour t hr oughout the entire servic e l ife,
which is the goal o f this study. It is during the d esign proce ss that t he decisions that will allow
supporting that plan ar e ma de.
This study p resents a qual itative assessmen t method, based on a multicrit eria d ecision support
system developed for residential buildings. It was developed as an aid instrument, to be used during
the architectural design process, which includes maintenance issues. The definition o f two indicators
- importance ( I di ) and ease ( I df ) - and the correspon ding c ombination of v alues allows defin ing the
Maintainability Rate ( Ime ) for each maintenance process of a given building solution, defined for
each o f t h e buildin g's m aintenance source elements - MSE. Two decision v ariables were considered:
functional performances (safety , com fort, suitability, du rability and e conomy) and main tenance
processes (inspe ction, pro- action, cleanin g, sustainabi lity, correction, replaceme nt, legal com pliance
and conditions of use).
Based on the results that were obtained thr ough the ap plication of the decisi on supp ort system, it
was po ssible to reach co nclusions on the importanc e o f maintenance issu es as a guarantee of the
buildin g's behavio ur during its service life, as well as on the way its integration into the preliminary
design stages may be an ad ded value during the arch itectural design process, gi ven t hat is allows the
project's au thor(s) to keep in mind, through a seri es of m aintena nce g uidelines, how t he
consequences of their decisions may interfere in the d urability of the building over time.
KEYWORDS : Architectural design, Building maintenance, Intervention strategie s, Decision support
systems (DSS).
Índice
xvi
6.5.1. V
ALORES FINAIS DO MA PA DE CÁLCULO
:
QUADRO SÍNT ESE
....... ........................... ................. .......193
6.5.2
Q
UADROS SÍNTE SE
:
GRÁFICOS POLIGONAL E DE DENSID ADE
……....... .................... ........................ .194
6.5.3
F
ICHA DE MANU TENIBILIDADE
……....... .................... ........................ ................ .......................196
6.5.4
P
LANO DE
M
ANUTENÇÃO
……................................................... . ..........................................20 0
6.6
C
ONSIDERAÇÕES FINAIS
....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ....... ....... ........ ....... ........ .... .... 202
7.
METODOLOGIA
DE
AVALIAÇ ÃO:
DESENVOLVIM ENTO
DO
MODELO
DE
APOIO
À
DECISÃO ... ....... ........ ....... ....... ........ ....... .... ....... ....... ........ ....... ....... ........ .............. 203
7.1
C
ONSIDERAÇÕES PRELIMINA RES
....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ....... ....... ........ ....... ... .. 204
7.2
M
ANUTENÇÃO V ERSUS
R
EABILITAÇÃO DE
E
DIFÍCIOS
............................................................... 206
7.2.1
A
BORDAGEM DE
C
ONCEITOS FUNDAM ENTAIS
....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ....... ....... 208
7.3
D
ESCRIÇÃO E ENQU ADRAMENTO HISTÓRICO
,
URBANO E SOCIAL ATÉ AO SÉCU LO XIX
........................ 219
7.3.1
S
ISTEMA CONSTRUT IVO DA HAB ITAÇÃO BUR GUESA P ORTUENSE ATÉ AO SÉCU LO XIX
....... ....... ....... ..... 223
7.3.2
P
RINCIPAIS SOLUÇÕES E M ATERIAIS CONSTRUT IVOS UTILIZA DOS
....... ....... ....... ........ ....... ........ ....... 226
7.3.3
S
ÍNTESE GERAL DOS PRESSUPOSTOS DE APLICAÇÃO PARA O ÂMBIT O CONSIDERAD O
....... ....... ....... ..... 228
7.4
E
LEMENTO FONTE DE MANU TENÇÃO PAREDE S EXTERIORE S
-
EFM
2 ....... ....... ....... ........ ....... ........ ..... 231
7.4.1
S
OLUÇÕES EXISTENT ES
:
ESTRUTURA E SUPORTE DAS PAREDE S EXTERIORES
....... ....... ....... ........ ....... .. 2 32
7.4.2
S
OLUÇÕES EXISTENT ES
:
REVESTIMENTO E ACABAMENTO DAS PA REDE S EXTERIORES
....... ....... ....... ..... 233
7.4.3
S
OLUÇÕES EXISTENT ES
:
SISTEMAS CONTRUT IVOS TIPO
....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ... 23 4
7.4.4
P
RINCIPAIS ANOMA LIAS FUNCIONAIS E CON STRUT IVAS
....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. .. 2 39
7.4.5 S
OLUÇÕES DE INT ERVENÇÃO
....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ....... ....... ........ ....... ....... 243
7.4.5.1 T écnicas de Manutenção ........... ....... ............. ....... ........ ....... ....... ........ .... ...... ........ ..... 243
7.4.5.2 T écnicas de Reabilitação ............ ............. ....... ....... ........ ....... ....... ........ . .......... ....... ..... 245
7.4.6 C
ARACTE RIZAÇÃO DAS SOLUÇÕES DE INT ERVE NÇÃO
....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ...... 249
7.4.7
M
ATRIZ DE CORRE LAÇÃO
:
ANOMALIA PREEXIST ENTE
/
SO LUÇÃO DE INTERV ENÇÃO
....... ....... ....... ..... 250
7.4.8
A
NÁLISE DOS RESULT ADOS
:
I
MPLEM ENTAÇÃ O E VALIDAÇÃO
....... ....... ....... ........ ....... ........ ............ 25 8
7.4.9
R
ECOMEND AÇÕES À MANUT ENÇÃO
....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ....... ....... ........ ..... 293
7.5
E
LEMENTO FONTE DE MANU TENÇÃO PAVIME NTOS E TE TOS
-
EFM
3 ....... ....... ....... ........ ....... ........ .... 296
7.5.1
S
OLUÇÕES EXISTENT ES
:
ESTRUTURA E SUPORTE DOS PAVIM ENTOS E TET OS
....... ....... ....... ........ ....... . 29 7
7.5.2
S
OLUÇÕES EXISTENT ES
:
REVESTIMENTO E ACABAMENTO DOS PAVIM ENTOS E TETOS
....... ....... ....... .... 29 8
7.5.3
S
OLUÇÕES EXISTENT ES
:
SISTEMAS CONTRUT IVOS TIPO
....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ... 29 9
7.5.4
P
RINCIPAIS ANOMA LIAS FUNCIONAIS E CON STRUT IVAS
....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. .. 3 02
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Mo delo de apoio à decisão
xvii
7.5.5 S
OLUÇÕES DE INT ERVENÇÃO
....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ....... ....... ........ ....... ....... 305
7.5.5.1 T écnicas de Manutenção .......... ........ ............ ....... ........ ....... ........ ....... ................. ........ 305
7.5.5.2 T écnicas de Reabilitação .......... ........ ............ ........ ....... ....... ........ ....... ... ........ ....... ....... 308
7.5.6 C
ARACTE RIZAÇÃO DAS SOLUÇÕES DE INT ERVE NÇÃO
....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ...... 313
7.5.7
M
ATRIZ DE CORRE LAÇÃO
:
ANOMALIA PREEXIST ENTE
/
SO LUÇÃO DE INTERV ENÇÃO
....... ....... ....... ...... 31 4
7.5.8
A
NÁLISE DOS RESULT ADOS
:
I
MPLEM ENTAÇÃ O E VALIDAÇÃO
....... ....... ....... ........ ....... ........ ...... …….3 21
7.5.9
R
ECOMEND AÇÕES À MANUT ENÇÃO
....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ....... ....... ........ ..... 32 6
7.6
E
LEMENTO FONTE DE MANU TENÇÃO COBERTU RA
-
EFM
4 ....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. . 329
7.6.1
S
OLUÇÕES EXISTENT ES
:
ESTRUTURA E SUPORTE DA COBERT URA
....... ....... ....... ........ ....... ........ ........ 330
7.6.2
S
OLUÇÕES EXISTENT ES
:
REVESTIMENTO E ACABAMENTO DA COBERTURA
....... ....... ....... ........ ....... .... 3 31
7.6.3
S
OLUÇÕES EXISTENT ES
:
SISTEMAS CONTRUT IVOS TIPO
....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. .... 33 2
7.6.4
P
RINCIPAIS ANOMA LIAS FUNCIONAIS E CON STRUT IVAS
....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ... 3 37
7.6.5 S
OLUÇÕES DE INT ERVENÇÃO
....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ....... ....... ........ ....... ....... 340
7.6.5.1 T écnicas de Manutenção .......... ........ ............ ....... ........ ....... ........ ....... ................. ........ 342
7.6.5.2 T écnicas de Reabilitação .......... ........ ............ ........ ....... ....... ........ ....... ... ........ ....... ....... 343
7.6.6 C
ARACTE RIZAÇÃO DAS SOLUÇÕES DE INT ERVE NÇÃO
....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ...... 348
7.6.7
M
ATRIZ DE CORRE LAÇÃO
:
ANOMALIA PREEXIST ENTE
/
SO LUÇÃO DE INTERV ENÇÃO
....... ....... ....... ...... 35 0
7.6.8
A
NÁLISE DOS RESULT ADOS
:
I
MPLEM ENTAÇÃ O E VALIDAÇÃO
....... ....... ....... ........ ....... ........ ............. 3 60
7.6.9
R
ECOMEND AÇÕES À MANUT ENÇÃO
....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ....... ....... ........ ..... 36 5
7.7
E
LEMENTO FONTE DE MANU TENÇÃO VÃOS EX TERIORES
-
EFM
7.................................................. 368
7.7.1
S
OLUÇÕES EXISTENT ES
:
ESTRUTURA E SUPORTE DOS VÃOS EXTE RIORES
....... ....... ....... ........ ....... ....... 369
7.7.2
S
OLUÇÕES EXISTENT ES
:
REVESTIMENTO E ACABAMENTO DOS VÃOS EXT ERIORES
....... ....... ....... ........ .. 371
7.7.3
S
OLUÇÕES EXISTENT ES
:
SISTEMAS CONTRUT IVOS TIPO
....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. .... 37 1
7.7.4
P
RINCIPAIS ANOMA LIAS FUNCIONAIS E CON STRUT IVAS
....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ... 3 76
7.7.5 S
OLUÇÕES DE INT ERVENÇÃO
....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ....... ....... ........ ....... ....... 379
7.7.5.1 T écnicas de Manutenção .......... ........ ............ ....... ........ ....... ........ ....... ................. ........ 379
7.7.5.2 T écnicas de Reabilitação .......... ........ ............ ........ ....... ....... ........ ....... ... ........ ....... ....... 381
7.7.6 C
ARACTE RIZAÇÃO DAS SOLUÇÕES DE INT ERVE NÇÃO
....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ...... 384
7.7.7
M
ATRIZ DE CORRE LAÇÃO
:
ANOMALIA PREEXIST ENTE
/
SO LUÇÃO DE INTERV ENÇÃO
....... ....... ....... ...... 38 4
7.7.8
A
NÁLISE DOS RESULT ADOS
:
I
MPLEM ENTAÇÃ O E VALIDAÇÃO
....... ....... ....... ........ ....... ........ ............. 3 91
7.7.9
R
ECOMEND AÇÕES À MANUT ENÇÃO
....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ....... ....... ........ ..... 39 7
7.8 C
ONSIDERAÇÕES FINAIS
....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ....... ....... ........ ....... ........ .... .... 399
Índice
xviii
[Parte III]
CONTRIBUTO
DO
MODELO
DE
APOIO
À
DECISÃO
COMO
FERRAMENTA
AUXILIAR
PARA
O
PROCESSO
DE
CONCEÇÃO
8. O BJETO DE ESTUDO: HABITAÇÃO
BURGUESA
PORTUENSE ....... ....... ........ ....... ....... .... ..... 401
8.1
C
ONSIDERAÇÕES PRELIMINA RES
....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ....... ....... ........ ....... ..... 402
8.2 E
NQUADRAMENTO DO OBJETO DE E STUDO
....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ....... ....... ..... 402
8.2.1
D
ESCRIÇÃO E E NQUADRAMENTO HISTÓRICO
,
URBANO E SOCIAL ATUAIS
....... ....... ....... ........ ....... ..... 402
8.3
P
ROVA DO CONCEITO
....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ....... ....... ........ ....... ........ .... ...... . 403
8.3.1
A
NÁLISE DO OBJET O DE ESTUDO
....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ....... ....... ........ ....... .. 4 03
8.3.2
C
ARACTE RIZAÇÃO DA
I
NTERVE NÇÃO ARQUITET ÓNICA
....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. .... 406
8.3.3
C
ARACTE RIZAÇÃO DOS ELEME NTOS FONTE DE MANUTENÇÃO
....... ....... ....... ........ ....... ........ ........... 4 12
8.3.3.1
Elemento fonte de manutenção paredes exteriores –
EFM
2 ....... ....... ....... ........ ....... . 41 2
8.3.3.2
Elemento fonte de manutenção pavimentos e te tos –
EFM
3 ....... ....... ....... ........ ....... 413
8.3.3.3
Elemento fonte de manutenção cobertura –
EFM
4 ....... ....... ....... ........ ....... ........ ........ 4 13
8.3.3.4
Elemento fonte de manutenção vãos exte riores –
EFM
7 ....... ....... ....... ........ ....... ....... 415
8.3.4
A
NÁLISE DOS RESULT ADOS E RECOMEND AÇÕES À MA NUTENÇÃO
....... ....... ....... ........ ....... ........ ...... 4 1 6
8.3.4.1
Elemento fonte de manutenção paredes exteriores –
EFM
2 ....... ....... ....... ........ ....... . 41 6
8.3.4.2
Elemento fonte de manutenção pavimentos e te tos –
EFM
3 ....... ....... ....... ........ ....... 426
8.3.4.3
Elemento fonte de manutenção cobertura –
EFM
4 ....... ....... ....... ........ ....... ........ ........ 4 30
8.3.4.4
Elemento fonte de manutenção vãos exte riores –
EFM
7 ....... ....... ....... ........ ....... ....... 434
8.4
C
ONSIDERAÇÕES FINAIS
....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ....... ....... ........ ....... ........ .... .... 441
9. CONCLUSÕES ........... ........ ....... ........ ....... ....... ... ........ ....... ........ ....... ........ ....... ................. .... 443
9.1
Ú
LTIMAS CONSIDERAÇÕE S
....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ....... ....... ........ ....... ........ .... 444
9.2
T
RABALHO DESENVOLVIDO E CONCLUSÕES PRINCIPA IS
....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. .... 444
9.3
P
ERSPETIVAS DE D ESENVOLVIMENTO FUTUR O
....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ....... ....... . 450
REFERÊNCIA S
BIBLIOGRÁFICAS ......... ....... ........ ....... ........ ....... ................. ........ ....... ....... ........ 453
ANEXOS ............ ........ ....... ........ ....... ....... .. ......... ....... ........ ....... ........ ....... ................. ........ ....... . 465
ANEXO
A
2.1
-
Q
UADRO RESUMO C OMPARATIV O D AS EX IGÊNCIAS POR PA RTE DE V ÁRIOS AUTO RES
ANALISADOS
........................................................................................... 465
ANEXO
A
4.1
-
E
XIGÊNCIAS DE DESEMPE NHO FUNCIONAL E REQUISITOS PRESENTES NA DISSERTAÇÃO
..... 46 9
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Mo delo de apoio à decisão
xix
ANEXO A 4.2 - Q
UESTIONÁRIO
-
P
ARTE
1……………………………………………………………………………..4 73
ANEXO
A
6.1
-
C
ARACTERIZAÇÃO EXIGENCIAL PARA A AVALIAÇÃO D O INDICAD OR D E IMPORTÂNCIA
……………………………………………………………………………………………………………… ……………………. .47 9
ANEXO
A
6.2
-
Q
UESTIONÁRIO
–
P
ARTE
2
............................................................................. 509
ANEXO
A
6.3
-
R
ESULTADOS DO QUESTIONÁRI O
–
P
ARTE
2 ......................................................... 515
ANEXO
A
7.1
-
ELEMENTOS FONTE DE MA NUTENÇÃO
–
EFM HABITAÇÃO BU RGUESA PORTUE NSE
…………..549
ANEXO
A
7.2
…………………………………… ……………… …………………………………………………………….555
ANEXO
A
7.2
–
FICHAS DE MANUTENIBILIDADE
–
EFM
2……………………………………….…………………….557
ANEXO
A
7.2
–
FICHAS DE MANUTENIBILIDADE
–
EFM
3……………………………………………………………..587
ANEXO
A
7.2
–
FICHAS DE MANUTENIBILIDADE
–
EFM
4………….………………….….…………………………..613
ANEXO
A
7.2
–
FICHAS DE MANUTENIBILIDADE
–
EFM
7………….………………………………………………….643
Índice
xx
ÍNDICE
DE
FIGURAS
Capítulo 1
Fig. 1.1 - Peso dos segmentos da construçã o no período de 2007 a 2013, para Port ugal (%). (Fonte :
Euroconstruct)… ………………………… ……………..………… ……………………… …………………………………….
3
Fig. 1.2 - Estado de degrad ação avançad o. Lisboa ……………..………………… ……………………….….… ……………..
4
Fig. 1.3 - Estado de degrad ação avançad o. Porto.. ……………………………… …………………….…. …..……………….
5
Fig. 1.4 - Edifícios recentes com manifestaçõ es patológ icas (anomalias)... …………………… ………………......
6
Fig. 1.5 - Peso d os segmentos da construção no an o de 2010 (%). (F onte: Euroc onstruct)……… ………...
7
Fig. 1.6 - Casa de chá da Bo a Nova. Interior. (F onte: Ema Ramos)…..… ……….……………… ………………………
8
Fig. 1.7 - Casa de chá da Bo a Nova. Exterior. (Fon te: Ema Ramos).. ………….………………… …………………..…
9
Fig. 1.8 - Studi o Aalto. Helsínq uia. 1955. (intervencionad o posteriorment e em 1963)
. ..... ....... ........ .11
Fig. 1.9 - Aalto H ouse. Helsí nquia. 1936……… ………………………………………… ……………………… ………………...
12
Capítulo 2
Fig. 2.1 - Vitruvius. H omo Bene Figu ratvs (Fonte: Maci el, 2006).……… ………………… ………..…………..... ....
19
Fig. 2.2 - Politica d e manut enção………………… ………..… ……….……………........ .................. .................. ... ....
28
Fig. 2.3 -Lei de e volução de custos, Lei de Sitter (Fonte : CEB-RILEM,198 4)...…………………… ……..……….
29
Fig. 2.4 - Projeto e Manutenção (consideraçã o d e fatores de manutenção na fase de projeto para
fornecer subsídios para o Projeto da Manutenção). (Adaptado de Sanch es e Fabricio,
2008)…………… ………………………… ………………… ………………………… ………………………… ………… ……..
33
Fig. 2.5 - Curva de densida de da taxa de falha – TF……………… ………………………… ………..………….… …….…
36
Fig. 2.6 - Processo d e provisão de dados VUR (F onte: ISO 15686- 8, 2004)…………… ………………… ……....
47
Fig. 2.7 - Exemplo de aplicação para a exigência de des empenho funci onal conforto acús tico.…….…
62
Fig. 2.8 - Valore s mé di os europeus das principais causas de anomalias na construção (Fonte :
Chamosa e Ortiz, 1984)…………… ………………………… ………………………… ……………………………….
64
Fig. 2.9 - Camp o de ação d o Facility Manage ment…… ………………………………… ………………………… …………
66
Capítulo 3
Fig. 3.1 - Casa do Farol. Cas cais..………………… ………..………… .… …………
......................... ............. ............. ...
75
Fig. 3.2 - Pólos de cria ção a rquitetónica…… ………..………….……………
........................... ................. ........... .
92
Fig. 3.3 - Processo d e constru ção. (Fonte: Mallor y-Hill, 2004)..……… …………………… …….……………
........
102
Fig. 3.4 - Processo d e constru ção. (Fonte: De Gro ot, 1999).…..… ….……………
......... .... ................. .........
102
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Mo delo de apoio à decisão
xxi
Capítulo 4
Fig. 4.1 - Passeio das Virtud es. Porto……………… …………………………… ……………………………… …………………
109
Fig. 4.2 - O meio urbano e os d omínios prioritári os de ação..……… ………….………..……..… …….……………
117
Fig. 4.3 - Estado de degrad ação que implica a ad oção de medidas c orretivas tardi as….…………….…..
118
Capítulo 5
Fig. 5.1
-
Aalto Museum. Jyväskyla.. ........ ................. … .… ……………… ……………………………… …………………
137
Fig. 5.2 - A impo rtância de um método e do conhecimento dos seus procedimentos. (Fonte : T he
National Real Es tate Journa l 9, 1914).….……… ……………………… ………………………… ………………
153
Capítulo 6
Fig. 6.1 - Aalto S tudio. Helsinq uia……………………… …………………………………………… ……………………… ….....
155
Fig. 6.2 - Ruas de C edofeita e da Picaria, respetiva mente. Porto… ………………………… ……...……….. ….…
157
Fig. 6.3 - Image m de uma f olha de progra mação do modelo.………….. ………………… ………….……… ………
186
Fig. 6.4 - Exemplo de mapa d e cálculo: critérios e indicador de imp ortância… ………………………… …….
187
Fig. 6.5 - Exemplo de mapa d e cálculo: nota inter média (peso) atribuída a o dese mpenho funcional
……………………………………………………………………………………………………………………………18 8
Fig. 6.6 - Exemplo de mapa d e cálculo: Nota inter média total atribuída à exigência d e desempenho
funcional …………… ………………………… ……………………… …… …………………… ………………………… …….188
Fig. 6.7 - Exemplo de mapa de calculo: Indicador d e Facilidade atribuído à solução em análise, nota
final e conversão atribuída a os desempenhos fu ncionais………………… …………………… ……….
189
Fig. 6.8 - Conversã o não-linear superi or: intervalo de valores e gráfic o correspond ente..……………..
190
Fig. 6.9 - Conversã o polinomial: intervalo de valores e gráfico corr espondente ……………..………………
190
Fig. 6.10 - Exempl o de mapa de cálcul o: Índice de Manutenibilid ade atribuído à sol ução em análise
… …………………… ………………………… ………………………… ………………………………………… ………………
191
Fig. 6.11 - Apres entação dos resultad os: Gráfico Po lig onal (exempl o)………………… ………...……… ………
194
Fig. 6.12 - Apres entação dos resultad os: Gráfico de Den sidade (exemplo) …..………………...… …………..
195
Fig. 6.13 - Ficha tip o de Manu tenibilidade (págin a 1)……………….…………… ……………………….…… …………
197
Fig. 6.14 - Ficha tip o de Manu tenibilidade (págin a 2)……………….…………… ……………………………… ……….
198
Fig. 6.15 - Ficha tip o de Manu tenibilidade (restantes p áginas).. ….……………………… ………………… ……….
199
Capítulo 7
Fig. 7.1 - Aalto H ouse. Helsi nquia…………………… …………..……….….…… ……………………………… ……………….
203
Fig. 7.2 - Mapa d o Google d e localização dos edifícios visitados. Porto…………… ………..………………..…
205
Índice
xxii
Fig. 7.3 - Mapa d o Google d e localização dos edifícios visitados. Porto…………… ………..………………..…
205
Fig. 7.4 - Planta d o Porto d e 1833. Arquivo Hist órico do Porto …………………… ………………………… ………
.220
Fig. 7.5 – Zona de Miragaia e Ribeira-Barr edo… …………………… ………………………… ……..…………….………..
221
Fig. 7.6 - Rua de C edofeita……… ………………… ………………………… ………… ……….…… ……………………………….
222
Fig. 7.7 - Rua de C osta Cabr al e Rua da Boavista , respetiva mente…………….……… …………… ……………...
223
Fig. 7.8 - Matrize s tipológicas da hab itação burguesa p ortuense (Fonte : Barata Fern andes, 1999)..
224
Fig.7.9 - Planta do Po rto com as principais fases de transformações desde o período Mercantilista até
ao Contemp orâneo (Fonte: Barata Fernand es, 1999)…………… ……………………… …………..……
.225
Fig.7.10 - Esque ma de constituição d e uma parede e xterior tradicional ……………… ……………….… ……..
231
Fig.7.11 - Constituição das paredes exteriores, em t abique e alvenaria de pedra, respetivamente
(Fonte: autora e e mpresa 3M2P) …………………………..… …………………………………… ……………..
232
Fig.7.12 - Constitui ção dos revestimentos em tabique (Fonte: empre sa 3M2P)… ……………………..… …
233
Fig.7.13 - Constitui ção do r evestimento exteri or das paredes de meaçã o (Fonte: empresa 3M2P)..
233
Fig.7.14 - Dan o global. Pare de exterior def ormada……………… ………………….…… ……………………………. …
240
Fig.7.15 - Aplicaçã o de isolament o tér mico p elo exterior. Rua da Pena Ventosa e Rua da Banharia,
respetivamente… …………… ………………………… ………………………… ………………………..……………..
248
Fig. 7.16 – Edifíci o na Zona da Ribeira- Barredo ……………………………….……… ……………………………… ……..
253
Fig. 7.17 – Edifíci o na Rua d e Sá Noronha ……………………………...……………… ………………………… …..…….…
253
Fig. 7.18 – Edifíci o na Rua Mouzinh o da Silveira… ……………………… ………...…………………… ………………….
254
Fig. 7.19 - Edifíci o na Rua Formosa. …………………… ………………………………………… ………………………… ……..
254
Fig. 7.20 – Edifíci o na Zona da Ribeira e Miragaia, resp etivamente……..… ……………………… ……………...
255
Fig.7.21 - Esque ma de constituição d e um pavimento e teto tradici onal……………… ……………….…..….
296
Fig.7.22 - Constituição do pavimento em madeira e teto em estuque (Fonte : Dó ris Queirós e empresa
3M2P)…………… ………………………… ………………… …………………….………… …………………………………
297
Fig.7.23 - Revestiment o e acabamento de teto: a) e strutura secundária: ba rrotes; b) estrutura
secundária e rev esti mento: fasqui os e acabamento em est uque (Fonte : Dóris
Queirós)…………… ……………………… ………………………… ………………………… …………………………… .
298
Fig.7.24 - Dan o local. Vigas de pavi mento deformadas ………………………… ………...…………… ……………….
302
Fig.7.25 - Dan os globais. (F onte: empresa 3M 2P)………………………………… ……..………………… ……….……
.303
Fig. 7 .26 - Técnicas de reforço local nos apoio s: a) frechal de madeira assente em cachorro de pedra;
b) fixação de n ovas peças de madeira às antiga s (Fonte: Arriaga et al. ,
2002)…………. …………………… ………………………… ………………………… ……………………… ………… ……
305
Fig. 7.27 - Técnicas de reforço local nos apoios: a) fixação de perfis me tálico s à parte sã da m adeira;
b) introdução dos v arões ou cavilhas FRP e execução de c ofragem (Fonte: Arriag a et al .,
2002).………… …………………… ………………………… ………………………… ……………………… ……….… ….
306
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Mo delo de apoio à decisão
xxiii
Fig. 7 .28 - Técnicas de re fo rço local a meio vão: reforço com novas peças ou vigas de m adeira fixadas
às degradadas (F onte: Arriag a et al. , 2002)…… …………………… ……………………… ……………….
307
Fig. 7 .29 - Técnicas de ref orço local a meio vão: reforço com chapas m etálicas (Fonte : Arriaga et al.,
2002)…………… ………………………… ………………… ………………………… ………………………… ………… .
307
Fig. 7.3 0 - Técnicas de reforç o local a meio vão: reconstruçã o da parte sup erior das vigas com c ola
epoxídica (Fonte: Arriaga et al. , 2 002)………… ………………….…………….… …………………………..
307
Figura 7 .31 - Té cni cas de re forço global: a) aplicação de vergalhões de aço (planta) (Fo nte: Lombardo
et al. , 1997); b) Aplica ção de soalho dup lo (Fonte: Di Stefano, 1990)………… …………….
309
Figura 7 .32 - Técnicas de reforço global: lajeta de betão armad o sobre pavimento de madeira (Fonte:
Di Stefano, 199 0)………..…………… ………………… ………………………… …………………… .… ……..…
310
Fig. 7.33 - Esquema ge ral de execução de pavimento com estru tura de madei ra (Fonte: P imentel,
2012)…………… ………………………… ………………… ………………………… ………………………… ………… ..
311
Fig. 7.34 - Esquema ger al de execuçã o de pavimento c om estrutura de betão (F onte: Pimentel,
2012)…………… ………………………… ………………… ………………………… ………………………… ………… ..
311
Fig. 7.35 - E squema geral de exe cução de pavimento com estrutura metálica (Fonte: Pimentel,
2012)…………… ………………………… ………………… ………………………… ………………………… ………… ..
312
Fig. 7.36 - E squema geral de execução de pavimento com est rutura mista madeira-aço (Fonte:
Pimentel, 2012) ……………………… ………………………… ………………………… ………………………..…..
313
Fig. 7.37 - Edifíci o na Rua de José Falcã o. (Fonte: empr esa 3M2P)…… ………………………… …..…...……....
316
Fig. 7.38- Edifício na Rua Mouzi nho da Silveira
.
(Fonte: empresa 3M2 P)……………… …………..…...……..
317
Fig. 7.39 - Edifíci o na Rua de José Falcã o. (Fonte: empr esa 3M2P)…… …………………………. …...…………..
317
Fig. 7.40 - Edifíci o na Rua da Banha ria…………………… …………………………………… ……………….…...… ………..
318
Fig. 7.41 - Edifíci o na Rua Mouzin ho da Silveir a. (Font e: empresa 3M2P). .……………………...…… ……….
318
Fig.7.42 - Esque ma de constituição d e uma cobertu ra tradicional…… …………………… …..…..….…..……..
329
Fig. 7.43
-
Telhado de quatr o águas que ap oia nas pare des meação (Fonte: Anabel a Rodrigues)…..
330
Fig. 7.44 - Planta e corte de telhado de asna simples sem pendural (Font e: Pereira da Costa,
1955)…..……… …………………… ………………… ……………………………… ………………………… ………… …
330
Fig. 7.45 - C orte d e telha do de asna simples c om pendural e escor as (F onte: P ereira d a Cos ta,
1955)..………… …………………… ………………… ……………………………… ………………………… ……….....
331
Fig. 7.46 - Ligação das telhas com arga massa (F onte: Anabela Rodrigues )…………… …………...…………..
331
Fig. 7.47 - Ligaçõe s de prótese de t opo em peças de madeira (Fon te: Ceccoti, 19 98)……………… …….
342
Fig. 7.48 - Repara ção de fe ndas com parafus os e reparação de fendas p or cintag em.……… ……………
343
Fig. 7 .49 - Técnica de reparação com produtos de e póxido; a) substituição pont ual com produtos de
epóxido; (Fonte: Arriaga et al ., 2002)… ………………… ……………..………………..… …………..……..
343
Fig. 7.50 - Técnica de reparação, substituiçã o parcial ou rec onstituição de secções de madeira, com
reforço mediante estrutura sobrep osta (Fonte: Arr iaga et al., 2002)…………… ………………344
Índice
xxiv
Fig. 7.51 - Técnica de reparação, substituiçã o parcial ou rec onstituição de secções de madeira, com
tirantes de aço (F onte: Arriag a et al. , 2002)….…….. …………… ………………………… ………………
345
Fig. 7.52 - Técnica de reparação, substituiçã o parcial ou rec onstituição de secções de madeira, com
estruturas internas e uniõe s metálicas (Font e: revista Arqu itetura Ibérica n.º0 19)………
345
Fig. 7.53 - Por menor do sistema Roofzip (Fonte: www. 5).......... ....………….…………………...... .………...…
347
Fig. 7.54 - Por menor de aplicação de sub telhas; 1) telh as, 2) placa de subtelha, 3) isola mento térmico;
4) estrutura metálica lig eira; 5) acaba mento (Fonte: w ww.6)....……… ………..……… ……….….
348
Fig. 7.55 – Edifíci o na Zona da Ribeira- Barredo …………………………………..………… ………………...……… …...
354
Fig. 7.56 - Edifíci o na Zona d a Ribeira-Barredo …………………………………..… ………………………....… ………...
354
Fig. 7.57 - Edifíci o na Rua Mouzinho da Silveir a. (Fonte: autora e www.7)...... ............. .....................
355
Fig.7.58 - Edifício na Rua Mouzinho da Silveir a………………… ………………………… …………...……………….....
355
Fig. 7.5 9 - Projeto - casa na Rua do Outeiro. (arq .º César M achad o M oreira). (Fonte: rev ista
Arquitetura Ibérica n.º020……… ………………………… ………..……………… … ……………. ……………
356
Fig.7.60 - Esque ma de constituição d e um vão tradici onal……………… ……………….… …………..……… …....
368
Fig.7.61 - Desenhos de ferr agens de fechos: cr emona e ferrolho (Fonte: Pianca, 1 955) …………… …..
. 370
Fig.7.62 - Três tipos de v ãos considerad os: porta, janela de guil hotina, janela de peito e sacada de
batente, respetiva mente.…………… ………………………… ……………………… ………………………………
370
Fig.7.63 - Tratamen to de vã o exterior de madeira: afag ar e lixar para p osteriormente aplicar pin tura
(Fonte: empresa 3 M2P)…… ………………………… ………………………… ……………………..……….……..
371
Fig.7.64 - Descasque e fissuração da madeira da ca ixilharia (Font e: empresa 3 M2P)………… ………..…
377
Fig.7.65 - Adaptação de um caixilho com vidro simpl es para um com vidro dup lo. (Fonte:
Conservancy, 199 2)………………… ………………………… ………………… …………………………………….
382
Fig.7.66 - Caixilharia n ova em madeira, alumíni o e pvc, respetivamente… …………………… ……………..…
383
Figura 7.67 – Ed ifício na Ru a José Falcão. (Fon te: empresa 3M 2P)…………………… …………… ………………
387
Figura 7.68 - Edifíci o na Rua de D. H ugo……………… ……………………………….………..….. ………………… ……….
387
Figura 7.69 - Edifíci o na Rua Mouz inho da Silveira ………………………………………. …..…………… ……………...
388
Figura 7.70 - Edifíci o na Rua Mouz inho da Silveira ……………………………….………..… …………… ………………
388
Figura 7.71 - Edifíci o no Quar teirão das Cardosas ………………………………… ……………….……… ……………….
389
Capítulo 8
Fig. 8.1 - Habitação burguesa portu ense……………… ……………………… …….………………………… …………..…..
401
Fig. 8.2 - Fotografia a érea do quarteirã o Corpo da Gua rda e identificação do edifí cio objeto de estu do
– ECG ……………… ………………………… ………………………… ……………………… ………………………………. …
404
Fig. 8.3 - Planta d o Quarteirão co m identificaçã o do edifício com o número 25…….…… …………..…….
404
Fig. 8.4 - Estado do edifício anterior à interven ção de 2003/20 04…………… …………….…………………. …..
405
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Mo delo de apoio à decisão
xxv
Fig. 8.5 - Plantas do edifício anteri ores à intervenção d e 2003/2004…… ……………….. ………………….…..
405
Fig. 8.6 - Estado atual d o edifício em 2013. (fachada pri ncipal e tardoz, resp etivament e).………..…..
406
Fig. 8.7 - Caixa de escadas e patamar de acesso a cada habitação …………………… …………………… …....…
407
Fig. 8.8 - Módu lo - elemento de hi erarquização fun ção “comer” e “dor mir”………………… …………….…
407
Fig. 8.9 - Zona co mum - Lavan daria………………… ………………… ………………………………………… …….……..…
.408
Fig. 8.10 - Prumada d e distrib uição vertical das instala ções… ………………………… ……………….….……. ….
.408
Fig. 8.11 - Rés do chão e ca ve. (zona de dupl o pé-direito)………… ………………………… ………….….……..….
409
Fig. 8.12 - Vã o exteriores………… ………………………… ………………..……………………… ………………….….… …..…
.409
Fig. 8.13 - Revesti mento de piso das escadas. (rés do chão e cave). ……………… …………………………..…..
410
Fig. 8.14 - Proj eto de arquitetura… …………………… …………………………………… ………………………. ….……..….
410
Fig. 8.15 - Imagens p osteriores à inter venção de 20 03/2004….………… ………………… …………….….….…..
411
Fig. 8.16 - Paredes exterior es. Fachada principal e tardoz, resp etivamente… ………………… ….….…..….
412
Fig. 8.17 - Vig amento em madeira e laje em be tão com vigas reforçadas c om perfis de ferro,
respetivamente… …………… ………………………… ………………………… ……………………… …… ……….
413
Fig. 8.18 - Nova estrutura e m madeira da c obertura e restantes el ementos…… ………………………...….
414
Fig. 8.19 - Acesso à cobertura e clarab óia, respe tivamente…………… ……………………………… …………..….
414
Fig. 8.20 - Vã o exterior da fachad a principal………… ………… .… ………………………… ……………………………. …
415
Fig. 8.21 - Frestas da fa chada tardoz ………………… ………………………………………… ………………… ………………
415
Fig. 8.22 - Fachada ta rdoz: revestimento em chapa de aço gal vanizado pintad o……………………………
418
Fig. 8.23 - Humidade na pa rede da fachada pr incipal ao nível da ca ve. Utilizaçã o de desumidifica dor.
………………………… ……………………… ………………………… ……………………..… ………………………….… ...
421
Fig. 8.24 - Cond ensações superficiais n a parede e teto ………………………… ……………….……… …………......
425
Fig. 8.25 - Z onas comuns – revesti mento no piso 0 e na habitação…. ………………… ….…………………..….
427
Fig. 8.26 - Cond ensações superficiais n o teto do w.c. d o piso 2……….… …………………. …………………..….
430
Fig. 8.27 - Elem entos estrut urais resistentes d e madeira da cob ertura..….………… ………….……….. …….
434
Fig. 8.28 -
Vão exterior d a fachad a tard oz…
…………… ………………………… ……………………………… ……….……….
437
Fig. 8.29 - Comp onentes de fecho e ligações (d obradiça), respetiva mente….….… …………… ……………
.438
Fig. 8.30 - Introduçã o de ve dantes na caixilharia da fac hada princip al..….…………… ……….………… …….
439
Índice
xxxii
Quadro 7.63 - Matriz de Correlação: An omalia Pree xistente/Soluçã o de Intervenç ão (esquema final)
………………………… ………………………… ………………………………………… ………………………… ……..
316
Quadro 7.64 - Cara cterização das soluç ões de interv enção para pa vimentos e t etos……….….… ……..
316
Quadro 7.65 - S oluções de intervenção para pavim entos e tetos… ………..………… …………………. …..……
319
Quadro 7 .66 - Resumo dos Indicadores de Facilidade introduzidos no mapa de cálculo e aplicados às
soluções de inter venção para pavi mentos e tet os………………………… …..…..………………
.321
Quadro 7.67 - Valores fi nais do m apa de cálculo: quadro síntese, para t odas as soluções de
intervenção para pavi ment os e tetos…… …………………… ………..……………………… ………
322
Quadro 7.68 - Gráficos de De nsidade e Poligonal das soluções de intervençã o para pavimentos e
tetos……………… ……………………….. ………………… ….……………………… ………………………… … …
323
Quadro 7.69 - Síntes e dos p rincipais sistemas cons trutivos tipo existentes para coberturas …..……..
332
Quadro 7.70 - Síntes e das prin cipais soluções c onstrutivas existentes p ara coberturas… ……….……..
333
Quadro 7.71 - Síntes e das prin cipais anomalias existen tes em cob erturas………… ………………….. ………
338
Quadro 7.72 - Síntes e das prin cipais soluções tipo de i ntervenção para c oberturas………… …….…..…
348
Quadro
7.73
-
Matriz de c orrelação: Soluçã o de Interve nção (Slx)/Anomal ia preexi stente (AFCx)…
.351
Quadro 7.74 - Matriz de correlação fin al……………… ……………………………………… ……….………………. ………
352
Quadro 7.75 - Cara cterização das soluç ões de interv enção para cob erturas………. ..………………. ………
354
Quadro 7.76 - S oluções de intervenção para cobertura s…………….…………… …………… ……………….… ……
356
Quadro 7.77 - Resumo dos Indicadores de Facilidade intro duzidos nos mapas de cálculo e aplicados
às soluções de int ervenção para coberturas ………………………………… …….……….………
.. 361
Quadro 7.78 - Valore s Finais dos mapas de cálculo: qu adro síntese, para todas as soluções de
intervenção para c oberturas… ………………………… …..……………… ……….……………………..
361
Quadro 7.79 - Gráfi cos de Densidad e e Poligonal das soluções de inter venção finais para coberturas
………………………… ………………………… ………………………………………… ………………………… ……..
363
Quadro 7.80 - Síntes e dos p rincipais sistemas cons trutivos tipo existentes para vãos exterior es..
…372
Quadro 7.81 - Síntes e dos p rincipais sistemas cons trutivos tipo existentes para vãos exterior es…..
373
Quadro 7.82 - Síntes e das prin cipais anomalias existen tes para vã os exteriores…… …………………. ……
377
Quadro 7. 83 - Síntes e compara tiva das p rincipais características p ara os diferentes materiais
utilizados nos vã os exterior es…………………… ………………………… …………………………..…
383
Quadro 7.84 - Síntes e das prin cipais soluções tipo de i ntervenção para vãos exteriores.. ………………
384
Quadro 7.85
-
Matriz de c orrelação: Soluçã o de Intervenção (S lx) / Anomalia Pr eexistente (AFC x)..
385
Quadro 7 .86 - Matriz de Co rrelação: A nomalia preexistente / S olução de In tervenção (e squema
final………..…… ………………………… …………………. ………..……………… ……………………………….
386
Quadro 7.87 - Cara cterização das soluç ões de interv enção para vã os exteriores… …………………….... .
386
Quadro 7.88 - S oluções de intervenção para vãos ex teriores………………… …..………………… …..…………..
389
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Mo delo de apoio à decisão
xxxiii
Quadro 7 .89 - Resumo dos Indicadores de Facilidade introduz idos no mapa de cálculo e aplicados às
soluções de inter venção para vã os exteriores…… ………………………………… …….………….
392
Quadro 7.90 - Valores Fi nais do mapa de cálculo: quadro síntese, para tod as as soluções de
intervenção para vãos exteri ores…………………… ………………… ……………………….……….
.392
Quadro 7 .91 - Gráficos de Densidade e Poligonal das soluções de intervenção finais para vãos
exteriores…… ………..………… ………………………… …………………………..… ……………..…………
394
Capítulo 8
Quadro 8.1 - Resumo comparativo dos Indicadores d e Facilidade introduzidos no m apa de cálcul o e
aplicados às soluções de interven ção SIF2 e SIF5 e às so luções construtivas para a
parede da fachada principal e da fachada tardoz do projeto do ECG ,
respetivamente…. ……………………… ……………..………… ……………………………… …………..……..
416
Quadro 8.2 - Valo res finais do m apa de cálculo: quadro síntese, para a soluçã o de intervenção SI F2
para as paredes e xteriores………… ………………………. ……………………………………….. ………….
417
Quadro 8.3 - Valores finais do mapa de cálculo: quad ro síntese, p ara a soluçã o construtiva para as
paredes exteriore s da fachada p rincipal do pr ojeto do ECG …………… ……………….… ……
417
Quadro 8.4 - Valo res finais do m apa de cálculo: quadro síntese, para a soluçã o de intervenção SI F5
para as paredes e xteriores………… ………………………… …….………………… … ………..… …………
418
Quadro 8.5 - Valores finais do mapa de cálculo: quad ro síntese, p ara a soluçã o construtiva para as
paredes exteriore s da fachada tardoz d o projeto d o ECG ………..….…… ………………… ….
418
Quadro 8.6 - Gráfico de Densidade e Poligonal das sol uções construtivas para paredes exteriores do
projeto do ECG … ………………………… ….……………..….… ………………….…… ……..……..………….
.419
Quadro 8.7 - Resumo comparativo dos Indicadores d e Facilidade introduzidos no m apa de cálcul o e
aplicado à solução de inter venção SIF5 e à solução construtiva para pavimentos e tetos
do projeto do E CG …………… …………………….…. ………………………… …………..…………… ………..
426
Quadro 8 .8 - Valores finais do mapa de c álcul o: quadro síntese, para t odas a solução de intervençã o
SIF5 para os pavi mentos e t etos…………………… ……….…… ……..………………………..… ……….
426
Quadro 8.9 - Valores finais do mapa de cálculo: quadro síntese, para a solução co nstrutiva para os
pavimentos e tet os do projeto do ECG ………………. ….……..…………… ……………….. ……….…
427
Quadro 8 .10 - Gráfico de Densidade e Poligonal das soluções construti vas para os pavimentos e t etos
do projeto do E CG …………… ………….……………… ……….……………… ……………………..… ….……
428
Quadro 8.11 - Resumo comparativo dos Indicadores de Facilidade introduzidos no m apa de cálculo e
aplicado à solução de inte rvenção SIF2 e à solução construtiva para a cobertura do
projeto do ECG. .…. …………………… ………………… ………………………… ………………………… …….
430
Quadro 8 .12 - Valores finais do m apa de cálculo: quadro síntese, para a so lução de intervenção SIF2
para a cobertura ………………………… …………………..…. ………………………… …………..………..…
431
Quadro 8. 13 - Valores fina is d o mapa de cálculo: quadro sín tese, para a s olução c onstrutiva para a
cobertura do pr ojeto do ECG …… ……..…………………. ………………… …………………..…… ……
431
Quadro 8.14 - Gráfico de D ensidade e Poligonal da solução construti va para a co bertura do projeto
do ECG ………… ………………………… ………………………. ….……………………… ……………..… ………
432
Índice
xxxiv
Quadro 8 .15 - Resumo comparativo dos Indicadores de Facilidade introduzidos no mapa de c álcul o e
aplicado à solução de intervenção SIF4 e à solução construtiva para os vãos exteriores
do projeto do E CG …….………………… ………………….….… ……………………………… …..…………
435
Quadro 8 .16 - Valores finai s do mapa de c álcul o: quadro síntese, para todas a solução de intervenção
SIF4 para os vãos exteriores… ………………….…… ….….…………… ……………………..………
….. 435
Quadro 8.17 - Valores finai s do mapa de cálcul o: quadro síntese, para a solução c onstrutiva para os
vãos exteriores d o projeto do ECG ………… ………………………… ….………..………….. …………
435
Quadro 8.18 - Gráfico de D ensidade e Poligonal da so lução construtiva para os vãos exteriores do
projeto do ECG … ………………………… …………..……..…. ………………..……… ……………..………..
436
LISTA
DE
ABREVIATURAS
E
NOMENCLATURAS
ABRAMAN - Associ ação Bra sileira de Manuten ção
AEM - Asociación Espan õla d e Mantenimiento
AHP - Analytic Hi erarchy Process
AIA - The American In stitut e of Architects
AIJ - Architectural Institute of Japão
AIMAN - Associaz one Italia na Manutenzione
AKNW - Architek enkammer Nordrhein-Westfalen
ANAH - Agence Nati onale d'A mélioration de l'Habitat
APEMIP - Associaç ão dos Profissi onais e Empresas d e Mediação I mobiliária de Portu gal
APFM - Associaçã o Portugu esa de Facility Manag ement
APMI - Associaçã o Portuguesa de Manutenção In dustrial
AQC - Agence Qual ité Construction
ARB - Architects Registrati on Board
ARCUK - Archit ects Registration C ouncil of the United Kingd om
BD - Building Departement
BIAU - Bienal de Arqu itetur a e Urbanism o
BMI - Buildin g Maintenance Infor mation
BNA - Koninklijke Maastsch appij tot Bevord ering der Bouwkunst bond van Nederl andse Architecten
BPH - Bilan Patri moine Habitat
CAE - Conselho d e Arquitec tos de Europa
CAU - Conselho d e Arquitectura e Ur banismo
CAUE - Conseil d'Arch itectu re, d'Urbanisme e t de l'Environn ement
CIAM - Congress o Internaci onal de Arquit ectura Mode rna
CIB - International Council for Research and Innovation in Building and Construction (Internati onal
Council for Buildin g)
CNAPPC - Ordine degli architetti , Planificatori, Paesaggisti e Conser vatori
CNIM - Comité I taliano de Manu tenção
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Mo delo de apoio à decisão
xxxv
CSCAE - Conselho Superior de Colégios de Arqu itectos d e Espanha
DLC - Design Life for Components
DQM - The Design Quality Method
DTI - Department of Trade and Indu stry
EAAE - European Ass ociati on for Architectural Edu cat ion
EFM - Elementos fonte de manutençã o
EFNMS - Eur opean Federat ion of National Maint enance Societies
ETICS - External Th ermal In sulation Composite S ystem
EuroFM - Europe an Facility Management Net work
EUROSAG - Th e European Confedera tion of Salari ed Architects Gr oups
FIM - Federação Ib ero-Ame ricana de Manu tenção
FIVU - Federaçã o Internacional Para a Vi venda e Urba nismo
FFB - Fédération Française du Bâtiment
FM - Facility Manage ment
FMEA - Failure mode and e ffect analysis
GBC - Green Buildin g Challen ge
HBR - Homebu yer Report
HHSRS - Housing Heal th an d Safety Rating Sy stem
HKHS - Hong K ong Housing Socie ty
IAB - Instituto de Arq uitect os do Brasil
Idf - Indicador d e Importância
Idi - Indicador de facilidade (manutibilidade)
IFMA - Internati onal Facility Manag ement Associa tion
Ime - Índice de Man utenibi lidade
IPD - Integrated Pr oject Delivery
IPQ - Institut o Português d a Qualidade
ISO - International O rganization f or Standardizati on
ITE - Inspección Técnica de Ed ifícios
JIPM - Japan Institut e of Plant Maint enance
JMA - The Japan Managem ent Association
LCC - Life Cycle C ost
LNEC - Laboratóri o Naciona l de Engenharia Ci vil
MADMC - Métod os de apoio à decisã o multicritério
MAEC - Mét odo de avaliaç ão do estado de c onservação de imóveis
MANR - Método de avaliação das n ecessidades de reabili tação
MCH - Metodologia de cert ificação das condi ções míni mas de habitabilidade
MEDIC - Meth ode d’evaluation de scenarios d e degradation probabl es d’investissem ents
correspondants
MER Habitat - M éthodes d ´évaluation rapide
Índice
xxxvi
MIME - Manual de Insp ecç ão e Manutençã o da Edificação
OA - Ordem dos Arquit ectos
PH - Patrimoine Hab itat
PHE - Patrim oine Habitat & Envir onnement
POE - Post Occup ancy Evaluation
RGE - Regulament o Geral de Edificaç ões
RGEU - Regulamen to Geral de Edificaç ões Urbanas
RIBA - Royal Insti tute of Bri tish Architects
RJUE - Regulamen to Jurídico da Urbaniz ação e Edificaç ão
SADG - Société d es Archite ctes Diplômés par l e Gouvernement
SBA - Stichting Bu reau Architectenr egister
SDAP - Service D éparteme ntal de l'Architecture et du Patri moine
SFA - Societe Fran çaise dês Architectes
SINAT - Siste ma nacional de avalia ção técnica
SMRP - Sociedade de Manutenção e Confiabilidad e Profissionais
SPAB - Society for the Protecti on of Ancient Bu ildings
SRU - Sociedade de Reabilitação Urb ana
TF - Taxa de falha
UIA - União Internaci onal d e Arquitectos
VUE - Vida útil estimada
VUP - Vida útil de projeto
VUR - Vida útil d e referência
WLC - Whole Lif e Cost
ZEP - Zona Especial de Protecçã o
ZIP - Zona de Inter venção Pri oritária
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de a poio à decisão
1
1
INTRODUÇÃO
Juhani P allasmaa.” Una arquit ect ura de la humildad ”.2010.
“Qualqu er a rquitect o reconhec erá que a ta refa d a a rqu itectu ra c onsiste
em proporcion ar-nos o habitar no espaço , mas a sua segunda tarefa não
pode se r ou tra que nã o seja med iar a nossa relação com a dimensão
tempo ral, qu e é terrivelmente eféme ra, miste riosa e pa ssage ira, e q ue
raramente é tida e m c onsideração . Assim, a ta refa da a rquitec tura é
fazer-nos hab itar tant o no espaç o como no temp o ”.
Capítulo
1
2
1.1
C
ONSIDERAÇÕES PRELIMINA RES
O setor da construção civil é considerado um dos maiores impulsionador es da economia de um país,
pelo que a sua procura está largamente relacionad a co m o des envolvimento económico, cultural e
social atual. Por ou tro lad o, é fácil depre ender que este setor é gerador de ef eitos multiplicadores,
direta ou indireta mente em outr os setores de ati vidade.
As necessidades de uma soc iedad e no que concer ne ao h abitar e ao satisfazer um co njunt o de
exigências, assim como as nece ssidades de intervir no m eio urbano são consta ntes e permanentes. O
setor da construçã o con trib ui pa ra garan tir e sta dinâ mica p orque in terfere no espaço e nos modos
de viver, com particular incid ência nas memórias, nas referências, na c onstrução e na manut enção da
identidade de u ma sociedade.
Atualmente grande parte da população constrói o s eu quotidiano em a mbientes urbanos, pelo que
as cidades representam o principal mo tor de resposta às suas necessidades. Contudo, a situação de
degradação e vetustez das áreas c entrais das cidades é também h oje uma realid ade.
Em Portugal, segundo os resultados dos Censos 2011 (INE, 2011), o número de edifícios destinados à
habitação é de 3 544 389 e o número de alo jamentos de 5 878 756. Relativamente, ao
recenseamento de 2 001, observa-se um aumento de 12,2 % e 16,3%, respetiva mente, o que significa
que há m ais 384 346 edifícios e 823 834 alojamentos. Efetivamente, nas últimas décadas a
construção em Portugal tem sido manifestamente im pulsionada, podendo se r considerada excessiva
em algumas áreas e zonas do país. “ Entre 1991 e 2011 foram construídos mais de 80 000 alojamento s
por ano, o que co rresponde a construir uma cida de ma ior do que Coimbra, po r ano , durante 20 ano s .”
Ainda segundo os mesmos dados dos Censos 2 011 (INE, 20 11), “ o crescimento dos
alojamento s
relativamente aos Censos 2 001 foi de 1 6,3%, enquanto o número de famílias aumentou de 11,6% e a
popula ção de apenas 1,9 %. Portugal tem, hoje, pe rto de 1 900 000 alojamentos s em o cupação
permanente, que consumir am cerca de 200 m il milhões de euros de econ omias e de c apacida de de
endividamento da s famílias .”
As facilidades proporciona das pela banca, sup ortadas por uma política de apoio ao mercado de
venda e redução das taxas de juro bancárias, associa das ao contínuo estado de congelamen to das
rendas, conjugado com uma s ociedade vocacionada para o consumo, contribuíram para o
investimento e m co nstru ção nova e no n egligencia r do p arque habitacional ex istente. P orém, o
parque habitacional recente também não foi devida mente regulad o p or estudos capazes de ajustar
as neces sidade s re ais dos meios urb anos, para o qual contribuiu a expansã o da cidade, criando-se
zonas periféricas mais apelativas, com m elhores infraestruturas e ace ssibi lidades, onde e ra m ais fácil
construir e construir n ovo.
Os dados dos Ce nsos 2011 perm item co ncluir que existe um parque habitacional recente, parte dele
sem o cupação perman ente, podendo ser considera do como excedentário, mas na re alidade este
parque edificado no seu todo tem de ser c ontinua mente mantido e em determinado momento
reabilitado ou de molido.
Relativamente às intervenç ões de re abilit ação, estã o a s urgir alterações, pois segun do um e studo do
Gabinete de Est udos da APEMIP - Asso ciação dos Profissionais e Em presas de Mediação Imobiliária
de Portugal re fere que em m édia, durante o período e volutivo de 2001 a 2011, a representatividade
das obras de reabilitação sobre a constru ção nova do s e difícios de habitação foi de 21,6%, tendo
atingido o seu val or máxim o no ano de 2011 (2 8,5%).
Isto justifica-se porqu e “ a situação de abrandamento da construção nova na economia nacional
apresenta-se actualmente co mo um proce sso evol utivo, a gravado, p orém, pela conjun tura de
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de a poio à decisão
3
recessão económica ” . ( INOFOR, 2000). Mas deveria justificar-se porque “ sendo que a procura dirigida
ao setor depende do grau de desenvolvi mento da economia, da conjuntura económica e do montante
das despesas púb licas confirma-se que existe uma mudança de estrutura d o sector, pa ssando a
manutenção/recupe ração a adquirir maior importânc ia, s empre que o grau de desenvolvimento de
um país é superio r e que existe um grau de satisfação de engenha ria civil elevado ” (BME P, 2011).
Curiosamente, em Portug al não foi o que acontece u, porque quando a conjuntura económica foi
favorável a imp ortância da construção nova f oi prepo nderante. Toda a dinâmica da construção das
últimas décadas contribuiu para que uma parte significativa do parque edificado seja recent e o u
relativamente jovem. Segund o dados dos Censos 2011, o Índice de envelheciment o dos edifícios
(relação existente entre o número de edifícios con struídos até 1960 e o número de edifí cios
construídos após 2001 ) é de 176, o qu e significa que o número de edifícios construíd os até 1960 é
menos do dobr o do que aqu eles que foram construíd os na última década.
Atualmente, face a uma conjuntura m enos favoráve l es tão a haver sinais de maior importância na
reabilitação. Segundo dados do INE, no 1º tri mestre de 2012, “ o número total de e difícios e fogos
licenciad os em obras de reabilitação (ampliações, alterações e r econstruçõe s de edifícios) tem
registado u ma importânci a crescent e fac e à s ob ras de construção nova ”. Comp arativamente, no 1 º
trimestre de 2002, o s edifícios licenciados em o bras de reabilitação correspond iam a 16,9% do total
de edifícios licenciad os, enquan to os fogos lic enciados neste tipo de obras r epresentavam apenas
6,5% d o total. Um a década m ais tarde, no 1º trimestre de 2012, o licencia mento de edifícios em
obras de reabilitação representa 34,6% do total, enquanto os fo gos lice nciad os para o mesmo efeito
correspondem a 30,6% dos fogos licenciados em todos os tipos de obra.
A princip al aposta, até h á bem pouco tempo era sobretudo na construção nova, desc urando
problemas como a d egradação do edificado ex istent e. Est a situação está sendo invertida, embora
com sinais ainda inibidos, reconhecendo-s e a necessidade de p olíticas e programas de reabilitação
em Portugal. Mas convém referir que, em relação à m anutenção de e difícios, pouco ou nada se
menciona.
A manut enção de edifícios é muito pou co refe renciada individualmente n a maioria dos dados
estatísticos, sendo que muitas vezes é considerada como parte integrante dos binómios reabilitaçã o
e conservaçã o, ou manuten ção e recuperaçã o, ou ainda da renovação e manutenção - R& M ( Fig.1.1 ).
40%
35 %
30%
25%
20%
15%
10%
5%
0%
residenc ial não en genharia R&M R&M R&M
residenci al civil residencia l não da eng. civil
residencial
Fig.1.1 -
Peso do s segmento s da construção no p eríodo d e 2007 a 2013, p ara Po rtugal (%).
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
Capítulo
1
4
Considerando os val ores dos binó mios ainda m uito longe do razoável, fica clar o que a
implementação da manutenção por si só está com certeza muito aqu ém do desejável. Não existe
uma política de m anutenção de edi fícios em P ortugal.
Segundo dados dos Ce nso s 2011 (INE, 2011), o esta do de conservação dos edifícios de habitação,
revela que 1,7% dos edifícios se enc ontravam m uito degradados e 2 7, 3% necessi tavam de
reparações. Em 2001, 3% dos edifícios apresen tavam-se m uito degradados e 38% tinham
necessidades de reparação . Apesar de se verificar u ma melhoria neste indicad or, pelo facto de uma
parte do parque habitacio nal ser relativamente rece nte (e ntre 2001 e 2011 construíram-se ce rca de
384 346 edifíci os), não invalida que, no seu todo, ainda seja necessário um conjunto de medidas
consideráveis, no sentido de conservação e reabil itação dos edifícios degradados e co m necessidades
de reparação, repr esentan do cerca de 1 027 872 edifícios habita cionais.
E ainda se a estes v alores se juntar os edifícios de hab itação em ruína e todos os o utros edifícios não
habitacionais com necessidad es de reparaçã o, o número de edifícios a nec essitar de intervenção no
sentido de corrigir an omalias (medid as corretivas) é la rgamente c onsiderável. ( F ig.1.2 e Fi g.1.3 )
Fig.1.2 - E stado de d egradaçã o avan çado. Lisbo a.
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de a poio à decisão
5
Fig.1.3 - E stado de d egradaçã o avan çado. P orto.
Os dados também co nfir mam ser consensual que as necessidades de intervenção em fase de serviç o
se baseia m em medidas c orretivas, ou seja, após man ifestações de anomalias. Para além de alg um
desconhecimento do fac to de que a manutenção não se baseia exclusivamente em me didas
corretivas, também ex iste , por outro lado, a ideia de que um “ edifício d ura para sem pre”, isto
porque são parcas as m edid as de implementação da ma nutençã o. É v erdade que a reabilitação
começa a ter um maior pes o, m as este facto, deve-se sobretud o à conjuntura de recessão económica
atual, em que não se o pta pela construção nova, mas por requacionar o existente. Mas, mesmo
perante, uma intervenção de reabilitação, é precis o perce ber qu e “é necessári o m anter depo is de
reabilitar”.
Constata-se também que mesmo o s edifícios recentemente reabilitad os, p arte deles já apresentam
anomalias, com necessidad es de intervenção. ( Fig.1.4 ) E sta sit uação pode ve rifica r-se tanto por erros
ou opções menos adequad as durante a fase de projeto e execução como na fase d e utilização.
Considera-se que as opções tomadas duran te o processo de conceção podem v ir a ser cruciais no
comportament o do desempenho funcional dos edifícios. Efetivamente há uma série de critérios que
devem ser devidamente ponderados, sendo de destacar a seleção de m ateriais, aproveitament o dos
recursos, necessidad es energéticas , acessibilidades, segurança em geral, e ntre o utros. Todos e stes
critérios fazem parte das várias e xigências de de sempenh o funcional a que o edifício de ve dar
resposta.
Capítulo
1
12
Fig.
Fig. 1.9 - Aa lto Hou se. Helsínq uia.1936.
As duas obras referenciada s (Fig. 1.8 e 1.9 ), dentr o de um vasto universo de obra s, permitem analisar
a importância que as opções durante o processo de conceção têm na garantia do seu
comportament o em serviço. As duas obras ultrapassam já co nsid eravelmente o ciclo de v ida de
cinquenta anos, mas o que interessa so bretudo evidenciar são as o pções de projeto. S obre a
evolução de toda a sua obra e qu estionando, em det erminado m omento, a s ideias fun cionalistas e
racionalistas, Alvar Aalto adverte “ contra a st anda rização ex cessiva, o materialismo e o ênfase
tecnológico da vida do século X X, enquanto propõe uma definição mais ampla do funciona lismo
arquitetónico: Fazer uma arquitectura mais humana implica uma arquitectura melhor, o que significa
um funciona lismo mais amp lo que o meramente t écnico ”. (Miller, 19 84)
A conceção arquitetónica n os dois projetos reflete preocupações evident es, por um lado, em garantir
a perm anência e resistên cia da o bra no tempo e, po r o utro, c onjugando este aspeto com as
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de a poio à decisão
13
necessidades humanas. Ambos conseguem det er-nos per ante uma lógica do conjunto, em dar
resposta ás exigências e requisitos de desempenho funcional e, sim ultanea mente, a necessidade de
garantir q ue as soluções perdurem no tempo (salv aguardando essencial mente exigências, como
conforto, durabi lidade, segur ança e requisitos de aces sibilidad e, adaptabilidade, entre outros).
Tendo considerado como e xemplo a obra destes d ois arquitetos referenciad os, pode afirmar-se que
é efetivamente ao nível da conceção que se tomam as principais decisões, e estas podem vir a te r um
papel determinante na d efinição do obj eto arquitetónico, com aspetos que interfer em no seu
comportament o futuro e na sua m anutenção. Mas na m aioria das vezes, como já foi referido
anteriormente, muitos des tes proble mas rela tivos ao comportamento em s ervi ço dos edifícios são
atribuídos a opções não intencionais duran te o processo de conceção. Na v erdade, existe u ma
preocupação efetiva em satisfazer um conjunto de exigências de desempenho funcional, mas na
perspetiva de dar resposta a um programa pré-d efinido, não e stando subentendido de forma
consciente que provavel mente essas ex igência s podem ser analisadas, também na perspeti va da
manutenção.
Um edifício pod e, de algu ma forma, ser c omparado ao corpo hu mano. Saarin en (1943) defende a
existência de um modelo biológico e de um cresci mento orgânico para as cidad es, ao insistir s obre a
importância da “saúd e” de um organismo e cada u ma das suas partes. Alegou que a cidade é um
organismo vivo co mposto, devendo possuir uma o rdem física fund amentada na o rdem orgânica e
que deveria ser cuidado sament e monotorizad a de “ qualquer doença que incidisse no o rganismo ”.
Essa “ordem” é em muit o garantida por um a monot orização, por m edidas preventivas e co rreti vas
quando o correrem m anif estações (pr é) patológi cas. No s edifícios acontece o mesmo, sendo que a
manutenção contribu i de f orma decisiva para essa “ordem das c oisas”.
A manutenção t em també m um papel não menos importante a o utro níve l, o de permitir reconciliar
dois atos opo stos, o d e permanecer e/ou o de mudar. E m ambos, a manutenção através de um
conjunto de operações e pro cediment os garante essa necessidade, porque a decisão de perman ecer,
ou m udar o objeto arquitetónic o, tem sempre como pressuposto indispensá vel a implementação de
uma forma de pr eservar e manter estes atos no tempo.
Segundo Portas (2008), “ A necessidade de um aparelho metodológico seguro está, pr ecisamente, em
saber situar e definir os limites dos instrumentos que utiliza (…) per mite quantificar e indicar as
consequênci as de uma série de hipóteses de decisão (…). O instrumento me todológico é finalmente
essencial na medida em qu e a arquitectura se torna trabalho de equipa , objeto de criação
interdisciplinar… ”
Por fim e de acordo com a necessidade de enquadr ar a questão da manutenção no processo de
conceção arquitetónica, c onsidera-se im portant e desenvolver uma metodologia de avaliação através
da definição de um modelo de apoio à dec isão para o autor de pro jet o que englobe as questões da
manutenção, e cuj os resultados permitam contribuir para garan tir a “capaci dade de prever a
resistência temporal do s ed ifícios, além das moda s efémeras”. ( Pallasmaa,201 0)
1.3
Â
MBITO E OBJETIVOS DE INV ESTIGAÇÃO
O o bjeti vo principal do presente trabalho é desenvolver um a metodologia de avaliação, que
contribua para integrar o s aspet os da manutenção de edifícios durante o processo de conceção
arquitetónica permitindo d otar o autor de projeto – arquiteto d e instrument os de auxílio no ato de
decisão de f orma consciente e intencional. Com a e laboraçã o d este trabalho, pretende-se realçar a
importância da manutenção de edifícios, não só durante o seu comporta mento em serviço, m as
Capítulo
1
14
também durante o pro cess o de conceção, como forma de garantir a permanência da o bra no tem po.
Sendo o universo do edificado existente muito vasto e diferenciado, o ptou-se por aplicar e validar a
metodologia proposta, dentro do âmbito da reabilitação e , mais concretamente, para os edifícios até
finais d o século XIX correspondentes ao perí odo de d esenvolvimento da habitação burguesa
portuense.
Perante a inexistência de um modelo que permiti sse dar respo sta aos objetivos pretendid os,
desenvolveu-se uma metod ologia de av aliação suportada por um modelo de a poio à decisão - DSS
cujo desenvolvimento t eve a colaboração de Santos ( 2012), que r ealizou a sua disserta ção de
mestrado tendo como suporte o referido modelo e em que o aplicou ao elemento fonte de
manutenção – pavimentos e te tos. De acordo com o objetivo principal do trabalho referido, foi
definido o seguinte conjunto de obje tivos comple mentares:
▪ Reunir um conjunto de informação sobre o enquadramento do processo de conceção
arquitetónica e de manutenção de edifíci os e so bre estratégias de interven ção no
construído, analisand o tam bém o estado da situa ção atual do edificado existente ;
▪ Refletir sobre a manutenção de edifícios assumindo a sua im portância ao long o de toda a
vida útil, como forma de g arantir as condições iniciais previstas que permitam perdurar
e manter o compor tamento em ser viço dos edifíci os;
▪ Reunir um conjunto de informação sintetizada sobre a investigação operacional
realizando uma análise crítica de vários modelos desenvolvidos no â mbito da
reabilitação, conservaçã o e manutenção de edifícios, resumind o os principais
pressupostos env olvidos no process o de apoio à decisão;
▪ D efinir o s vários e lementos fonte de manutençã o - E FM e sua composi ção para os
edifícios da habitação burguesa portuense, aplicando o modelo a alguns deles e,
posteriormente, ta mbém a um edifício já reabilitad o do centro histórico do P orto;
▪ Definir um Índice de Manutenib ilidade - Ime representand o a predisposiç ão de uma
solução construtiva para o desempenho dos processos de manutenção. E as r espetivas
Fichas de Manu tenibilidade de cada EFM.
Em Portugal, não existe uma efetiva política de manutenção de edifícios. Por esse motiv o, é também
um objetivo deste trabalho evidenciar esta área do conhecimen to e sensib ilizar a importância do seu
planeamento, co mo uma mais valia para todos os intervenientes do processo de construção, pela
valorização que es ta área assu me na garantia d o comporta mento em serviç o dos edifícios.
1.4
M
ETODOLOGIA DE INVE STIGAÇÃO
Como for ma de co ncretiz ar os pre ssupostos da p resente disserta ção, ef etua-se u ma rec olha de
material bibliográfico sobre a temática da conceção arquitetónica, da m anu tenção de edifícios,
analisando o estad o do conhecimento nestas áreas. Posterio rmente, consid erando que o conjun to de
informação é vasto, extenso e, por vezes, algo contraditório, procura-se esclarecer alguns conceitos
também no âmbito da reabilitação de edifícios, uma v ez que o mo delo de apo io à decisão – DSS, é
aplicado aos edifícios pertencente s ao período correspondente da habitação burgu esa portuense.
Analisam-se as e stratégia s de intervenç ão no c onstruído, ressalvando a importância de manter
mesmo depois de reabilitar.
De seguida, realiza-se um conjunto de visitas a edifícios objeto de reabilitação e o utros por reabilitar
do c entro histórico do Porto com a colaboraçã o da SRU. Est as visitas revelam-se de grande utilidade
para o desenvol vimento de tod o o trabalho de in vestigação.
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de a poio à decisão
15
A m etod ologia d e avaliação pretende com o desenv olvimento de um mo delo de apoio à decisão -
DSS definir u m Índice d e Manutenibilid ade ( Ime ), e stabelec endo dois indicad ores – de imp ortância
( Idi ) e de facilidade ( Idf ). Relativa mente ao Indicador de im portância ( Idi ) é necessário realizar uma
auditoria através de entrevistas e suportada por um questionári o que tem a participação de um
conjunto de arquitetos. Para tal foi necessário previamente definir um conju nto de exigências e
requisitos de dese mpenho funcional e de processos de manut enção considerados relevantes e que
constituem as v ariáveis e critério s de decisã o. Re lativament e ao Indicador de facilidade ( I df ) é
necessário desenvolver um co njunt o de parâmetros de av aliação que auxilie m o autor de projeto
quando es te se depara perante a necessida de de definir uma determinada solução construtiva. A
aplicação e validação do modelo são efetuadas para alguns elementos fonte de manutenção – EFM
(paredes exteriores, pavimentos e tetos, cobertura e vãos e xteri ores) de edifícios da habitação
portuense e tamb ém para u m caso de estudo de um edifício r eabilitado e habita do presentement e.
Por último, o s resultados obtidos são analisados e aferidos e é avaliado o real contrib uto do modelo
de apoio à decisão. De ressalvar que a avaliação é qualitativa, porque o modelo pretende ser um
instrumento de auxilio no at o de decisão, sem nunca anular o papel principal qu e o autor de projeto-
arquiteto tem em todo o proc esso, send o sempre ele o deciso r final. O m odelo de apoio à decisão é
um instrumento de apoio e so bretudo, de alerta para eventuais consequênci as das questões da
manutenção n o comporta mento em serviç o dos edifícios.
1.5
O
RGANIZAÇÃO DA DISSERTAÇÃ O
A presente d issertaçã o enco ntra-se organizada em trê s partes e n ove capítulos. ( Quadro 1.1 ) A
primeira parte : Leitura (s) do c onhecimen to: enquad ramento na perspetiva de manu tenir
(manutenção) e conceber (objeto arquitetónico) engloba os capítulos 1, 2 , 3 e 4. Pretende-se
demonstrar a exi stência de uma problemática , explican do e expondo a tes e que se pretende v alidar.
No capítulo 1 - Int r odução apresenta-se o tema a dese nvolver, salientand o-se a importância do
domínio científico da manutenção de edifícios, justificando-se a necessidade de desenvolver este
trabalho, expondo-se o âmbito, objetivos e a metodologia da investiga ção e realçando-s e a
importância d o papel da man utenção de edifícios dur ante o processo de conceção arquite tónica.
No c apítulo 2 - Enquadramento no domínio da ma nutençã o é realizada uma abordage m teórica no
âmbito da m anutenção de edifícios, englobando a pesquisa bibliográfica efet uad a sobre o estado do
conhecimento atual. Neste capítulo, são focados os aspetos relacionados com a contextualizaçã o
internacional e nacional do tema, abordando também a necessidade da existência de políticas e
planos de m anuten ção, de um a carac terização do com porta mento em serviço dos edifícios e
também focando a área do conheciment o da gestão de edifícios. Tiram-se concl usões sobre o lé xico
em torno das exigências e re quisitos de desemp enho funcional e referem-se trabalhos de
investigação e pub licações internacionais e nacionais c o nsiderados i m portantes e m destacar.
No capítulo 3 - En quadramen to n o d omínio da a rquitetura é realizada uma abordagem teórica no
âmbito da conc eção arquitetónica e sobre o papel do arquiteto, englobando a pesquisa bibliográfica
efetuada sobre o estado do conhecimento atual. Neste capítulo, são focados os aspetos relacionados
com a c ontextualização i nternacional e nacional d o tema, procurando esclarecer os principais
intervenientes n o process o, as necessidad es de apr o priação e de dar respost a às necessidade s dos
utentes, abordand o os modos de habitar e o at o em si de projet ar. Aborda-se também a importância
da formação do arquit eto, do fator experiência e da existência de um m étodo capaz de dar forma ao
Capítulo
1
16
objeto arquit e tónico. Referem-s e trabalh os de investigação e publicaç ões intern acionais e nacionais
considerados i mportantes em destacar.
No capítulo 4 - Estratégias de intervenção para um entendimento orientador aborda-se o te m a da
arquitetura como atividad e pluridisciplin ar e da importância do tempo na p erceção da me sma
esclarecendo um co njunto de possibili dades que se apresenta m no ato d e c o nceção. E sclarece m-se
também algu mas das pri ncipais insuficiências que durante o pro cesso de conceção p o dem afetar a
manutenção de edifícios. E por último , descreve-se a auditoria realizada e respetivos questionários e
analisam-se os result ado s.
A segunda parte : Investig aç ão operaciona l c omo base para a definição de uma metodo logia de
avaliação , engloba os c apítulos 5, 6 e 7. Pretende-se demonstrar e validar o modelo de apoio à
decisão definid o para o trabalho de investigação. Ap re senta-se um breve re sum o s obre a evolução
dos modelos de investigação o peraci o nal, e xplica-se o mo delo desenvolvido e aplica-se a um
conjunto de elem entos fonte de manutenção - EFM (pare des exteri o res, pav imentos e tetos,
cobertura e vã o exteriores) da habitação burg uesa portu ense.
No c apítulo 5 - S istema de apoio à decisão , descre v e-se num bre ve resumo sobre a e volução dos
principais modelos d e investigação operacional, faz endo quadros resum o com os principais objetivos ,
níveis de desagr egação, modo e critérios de avaliaçã o, as ponderações, as formas de cál c ulo e o s
resultados finais. Posterior mente resume m-se os principais aspetos positivos e menos positivos dos
modelos internaci onais e n acionais analisad os.
No capítulo 6 - Metodologia de avaliação: proposta do modelo de apoio à decisão é desenvolvido e
explicado em detalhe o modelo de apoio à decisão que teve a colab oração de Santos (2012), e os
respetivos modos e critérios de avaliação, o s indicad ores de importânci a ( Idi ) e de facilidade ( Idf ), as
ponderações, as formas de cálculo e o s r esultados fina is com a definiçã o de um Ín dice d e
Manutenibilida de ( Im e ). Também se e xplica o que se prete nde com a atribuição do Índice e da sua
importância em reunir um conjun to de informaçã o que pode ser disponibiliz ada atrav és de uma
Ficha de Manutenibil idade, que permite po steriormen te integrar o Plano de manutenção inicial do
edifício.
No capítulo 7 - M etodolog i a de avaliação: desenvol vimento do modelo de apoio à decisão , tend o
como objetivo aplicá-l o a edifícios pertenc entes ao período da habitação burguesa portuense,
caraterizam-se as principa is soluções existentes e a no malias preexistentes para o co njunt o dos
quatro elementos fonte de m anutençã o - EFM já referidos, e o conjunto de soluções de intervençã o,
segundo uma m atriz de c orrelação. Esta matriz permite definir quais as soluções de intervenção mais
correntes para estes edifícios, per mitindo depois aplicar o modelo a todas as solu ções consideradas e
obter n o final o seu resp etivo Índice de Manute nibilidade e as respetiva s reco mendações à
manutenção.
A terceira parte : c ontrib uto do m odelo d e apoio à deci são c omo ferr am enta auxiliar para o
processo de conceção , engloba os capítulos 8 e 9. P retende-se realizar uma descrição e
enquadrament o da situaç ão atual da cidade d o Porto e, e m p articular, do seu centro h istórico.
Realiza-se a prova do conc eito aplicando o m odelo a um edifício já reabilitado e habitado. O modelo
é aplicado par a os mesmos el ementos fonte de manutenção – E FM do capítulo anterior. Isto
permite, depois, tirar as dev idas c onclusões e aferir o s resultados para aspetos que possa m
influenciar os resultados: conhecer as carac terísticas do meio (ou seja, o enq uad ramento em q ue a
solução se insere) e as nec e ssidades do utente. No final e no último capítulo, tiram-se as conclusões
da tese e define m -se persp e tivas de desenv olvimento futuro.
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de a poio à decisão
17
No capítulo 8 – Objeto de estudo: habitação burguesa portuense , faz-se uma descrição e
enquadrament o da situação atual e aplica-se o model o a um e difíci o pertencente a o período
mercantilista (definiçã o de Barata Fernandes, 19 99) e intervencionado em 2004. No final, compara m-
se os resultados obtidos com os do capítulo ant erio r e retiram-se as de vidas conclu sões.
No c apítulo 9 – Conclusões , faz-se uma sínt e se do trabal ho d esenvol vido, apresentam-se a s
respetivas conclus õ es e sugerem- se perspetivas de desenvolvimento futuro.
Quadr o 1.1 - Organiz ação d a dissertaçã o.
Intro dução
Atualida de do t ema e motivaç ão ............ .......... ..........
............ ........ . . . . . . . . . . . .
Ambito e ob jetivos de in vestig ação ....... ............ .............
......... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Metodologia de inv estigação ................................
.................. ........ . . . . . .
Organizaçã o da dissertação
CAPITULO 1
[Parte I]:
Leitur a (s) do conhe cimento : enqu adramento na p erspetiva de manu tenir (m anute nção) e
conc eber (ob jeto arqu itetón ico)
Enquad ramen to no domínio
da man uten ção
Manut enção de edifício s
Gestão da manut enção de edifícios
Trabalhos d e investiga ção e p ub licações internacion ai s e
naciona is
CAPITULO 2
Enquad ramen to no domínio
da arq uitetura
Arquitetu ra e o p apel do arquiteto
Conceção arq uitetónica
Trabalhos d e investiga ção e p ub licações internacion ai s e
naciona is
CAPITULO 3
Estratégias d e inter venção
para u m enten dimen to
orient ador
Arquitetu ra: permanência n(u m) tempo
Processo de con ceção arquit etón ica e a man utenção de
edifícios
CAPITULO 4
[Parte II]:
Investigação op eracional co mo b ase par a a de fi nição de uma meto dologia de avaliação
Sistemas de apoio à decisão
DSS
Breve per spetiva histórica
Aplicação d e metod ologias de avaliação
Análise crítica
CAPITULO 5
Meto dologia de avaliação:
pro posta do modelo de
apoio à decisão
Identificação d os pre ssupostos p ara desen volvimen to d o
modelo
Definição do mod elo: e strutu ração e modelaçã o
CAPITULO 6
Meto dologia de avaliação:
desenvo lvimento d o mo delo
Manut enção versus R eabilitaç ão d e Edifícios
Elemento s fonte de manu ten ção EFM2, EFM3, E FM4, EFM 7
CAPITULO 7
[Parte III]:
Contribu to do m odelo de apoio à decisão c omo ferramen ta auxiliar par a o p rocesso d e co nceção
Objeto d e estu do: hab itação
bur guesa po rtuense
Enqu adrament o do o bjeto de estudo
Prova do conceito
CAPITULO 8
Conclu sões
Trabalho desenvolvid o e conc lusõe s principais
Perspetiva s de desenvol vime nto futu ro
CAPITULO 9
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de a poio à decisão
19
2
ENQUADR AMENT O NO
DOMÍN IO
DA
MANUTEN ÇÃO
Fig.2.1 - Vitru vius. Homo Bene Figur atvs.
Fernando Távora. ” Da organiz aç ão d o espaç o ”. 1982.
“Antes de arquitec to, o arquite cto é h omem , e homem que utiliza a sua
profissão com o u m instrument o e m bene fício d os outros home ns, d a
socieda de a que p ertenc e. P orque é homem e porque a su a a cção não é
fatalmen te dete rminada , ele deve procu rar criar, aq uelas fo rmas que
melho r serviço po ssam prestar q uer à socied ade q uer ao seu semelha nte,
e para tal a sua acç ão imp licará, pa ra além do dram a d a esco lha, um
sentido , um alvo, um d esejo permanen te de servir.”
Capítulo
2
20
2.1
C
ONSIDERAÇÕES PRELIMINA RES
Neste capítulo é apresen tado um enquadramento do domínio da área do conheci mento da
manutenção de edifícios. Apresenta-se a evolução de concei tos da manu t enção n o contexto
internacional e naci onal, esclarecem-se políticas e estratégias de m anutenção abordando também a
importância da d efinição de um plano d e manutenção c omo u m do cument o que aco mpanha o
cadastro e que deve ser elaborado em função deste. A definição de políticas e e stratégias de
manutenção concertadas com um Plano de Manuten ção permitem garantir o comportament o em
serviço durante a sua v ida útil dos edifícios.
Esclarece-se também da necessidade em dividir os edifícios nos vários e lement o s que o constituem.
A estes e lementos atribui-se a designação de: Elementos Fonte d e Manut enção - EFM . Por o utro
lado, prete nde- se analisar alguns m étodos e abordag ens sobre a vida útil dos edifícios, apesar desta
análise gerar alguma discussão. Referem-se os principais agentes de deg radação potenciais
geradores de m anifestaç õ es patológicas ou anomalias nos e difícios e que podem v ir a condicionar o
comportament o em serviç o.
Esclarece-se da importância que representam as exigências de desempenho fun cional, não só como
garantia de sat isfação de um conjunto de nece ssida des do utente, mas também a im portância da
manutenção em garanti-las. Po steriorm ente, aborda-se a área do co nheciment o da gestão de
edifícios em que a manute nção é considerada u m a das atividade s entre outras.
Destacam-se alguns dos traba lhos d e in vestigação e publicações internacion ais e nacionais, cuja
leitura contribuiu para o desenvolvimento deste trabalho. Por último, ret iram-se as devidas
considerações finais.
2.2
M
ANUTENÇÃO DE EDIFÍCIOS
2.2.1
I
NTRODUÇÃO
A problemática da manutenção em Po rtugal não possui ainda uma discussão qu e corresponda à sua
verdadeira escala. Continua- se a ass istir, a uma cr esc ente degradaçã o dos edifícios e da sua perda de
funcionalidade e isto aco ntece, na maioria das vezes, pela falta de manut enção do e dificad o
existente. Os edifícios conti nuam a ser co nstruíd os co m uma perspetiva de custo inicial mínimo para
garantir a funcionalidade definid a. Todas e stas questões suscitaram um interesse particular em
desenvolver o tema da manutenção de e difíci os e na perspetiva de o enquadrar no processo de
conceção arquitet ónica.
A manutenção na União Europeia foi influenci ada por dois períod os essenciais par a o
desenvolvimento do concei to: (Fernandes Ro cha, 2005)
▪ Um pri meiro período no pós-guerra, com a introdução de princípios económicos e de
durabilid ade que levavam a dem olir ou não os edifícios;
▪ Um segundo período, q ue provem de uma estagn ação do cresciment o populacional
associado a um b e m-estar e conómico; neste context o, a indú stria da co nstruçã o volta-
se para a manut enção e a r eabilitação, co mo condições de melhoram ento das exi gências
de habitabilida de dos edifí cios existentes.
Portugal não passou por ne nhum destes períodos e, talvez por isso, o nosso mercad o de m anuten ção
e de reabilitaçã o tenha sido tratado com menor int eresse público e pri vado, face ao mercado da
construção nova.
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de a poio à decisão
21
2.2.2
D
EFINIÇÃO E EVOLUÇÃO DE CONCEITOS
O conceito de manutençã o de edifícios, como a maioria dos conceit os, f oi s ofrendo alterações ao
longo d o tempo, qu er na su a terminol o gia, qu er na sua génese, po dend o h oje ser definido c om o a
“ combinaçã o de todas as ações técnicas e administrativas, lev adas a cabo num edifício, com o fim de
manter ou devolver aos elementos e componentes um est ado que lhes permita desempenhar as
funções para que fo r am pr ojetados. ” (ISO 1568 6 -1, 20 11)
Do passado pode destacar -se o egiptólogo do iníci o do século XX Sir Flinders Petrie que escav o u a
pirâmide de Kahun e qu e per mitiu concluir que já na Antiguid ade nesta civilização e xistia um
conjunto de artifícies e respetiv os utensílios, cujo objetivo era a re paração de edifí cios e templos. As
reparações resulta vam principal mente de pr o blem as de infiltra ções de humidad e, e utilizavam
essencialmente materiais, tais co mo folhas de palma e gorduras de animais como fo rma de
eliminação destas anomalias. No entant o, há outra referência de que utiliza v am folhas de cobre e
betumes naturais par a a proteção dos edifíci os. (Fitch, 1982)
Do período romano destaca-se Vitruvius Pollio, que no seu tratado de arqu itetura ” De Architectura ” ,
traduzido como “ Os De z Livros de Arquitectura ”, já referia detalhadame nte proce diment os
necessários para manter e cuidar os edifícios da épo ca, assi m como construir os edifícios
descrevendo minuci o samente t odos os elemento s e component es dos mesm os. (Maciel, 2006)
O R enascimen to v eio m ais tarde ac e ntuar um r espeito pela Antiguidade clássica, com u m nov o
interesse pelas artes, tendo sido imple mentadas medidas regulamentares, com o objetivo de
preservação dos edifícios hi stóricos.
Com a Revolução Industrial e a utilização de novos materiais e soluções construti vas, essencialmente
através do e m prego d o ferro, gen e raliza-se a aplicação des te material a t ravés da realização de
intervenções ativ as para a manutenção destas constr uçõ es. Os produt os anticorrosivos são talv ez o
primeiro produto a interfer ir no mercado da manutenção de edifícios. (Cal ejo Rod rigues, 1989)
Em m eados do século XIX, com o aparente envelhecimento dos e difíci os históricos resultante da
ausência de aç ões de manutenção, William M orris publica em 1877, um Manifesto, juntamente com
outros autores, membros fundadores da “ Society for t he Protection of Ancient Buildings” - SPAB , em
que afirma “ save off deca y by d aily care” , respeitand o todos os estilos e tipos de construçã o.
É no Reino Unid o , em 1964, que se assiste à publicação da 1 ª norma sobre m anu tenção, a BS 3811
(BSI, 1964). Esta nor ma é essencialmente voltada para a manutenção industrial, muito embora, hoje,
alguns dos seus p rincípios aind a sejam utilizados.
Em 1984, a definição do co nceito de m anutenção, da m esma norma BS 3811 (BSI, 1 984) é atualizad a
sendo definida como: “ Combina ção de todas as açõ es levadas para manter o edifício ou para o
reabilitar até uma condição aceitável. A manutenção de um edifício inclui tarefas como a limpeza, a
inspecção, a r epa ração e a substituição d os vários sistemas ou co mponentes do edifí cio.” N este
contexto, Speigh t (1980) refere que a atividade d a manutenção qu ando é negligenciada pode
acarretar potenciais riscos. Citando e sta norma e a referência a “ condiç ão aceitável”, sugere que esta
pode também, s er considera da como preservaçã o dos edifí cios, de acordo c om a fin alidade para a
qual foram co nstru ídos e com um custo mínimo. Tamb ém refe re, por outro lado, que essa condição
pode ser influenciad a por v ários fatores, incluin do o tipo de utilizaçã o e edific ação.
Mais tarde, em 1986 a BS 8210 (BSI, 1986) defin e a manutenção de edifícios como: “ Conjunto de
operações e activid ades, excluindo as limpezas diárias ou de rotina, necess árias à manutenç ão do
desempenho do edifíc io e dos seus se rviços.” Esta norma define que uma const rução é um edifício
ativo que precisa de manutenção par a assegurar q ue o seu val or não é depr eciado. Aponta para a
Capítulo
2
28
De acordo com o s dados estatísticos do capítulo anterior (INE, 2011), existem atualment e cerca de 3
544 389 edifícios destinad o s à habitação, fora to dos o s outros não habitacionai s. Conseguir que todo
este parque edifi cado exi stente e o restan te que entretanto venh a a const ruir-se permane ça e
cumpra as c ondições iniciais prev istas durante toda a sua vida útil nece ssita de um a ve rdad eira
política e estrat égia de m anutenção, concertad a com todos os intervenientes do processo de
construção.
2.2.4
P
OLÍTICA E ESTRATÉGIAS DE MAN UTENÇÃO
A po lítica de manutenção pretende e stabelec er um conjunto de princípios baseados em v ários
pressupostos de gestão e optimização de recursos necessários para a implementação e e xecuçã o dos
vários procedimentos e ações entre as diversas estratégias de m anutenção. A determinação e a
implementação de uma política de manutençã o depende da resposta a um conjunto de quest ões,
que permita definir os vários parâmetros e condições necessários para delinear as estratégias de
manutenção
.
( Fig.2.2 )
Fig.2.2. - Política de manutençã o.
Da política de m anutenção deve constar: “ os requisitos da política de manutenç ão, os objetivos e a
estratégia de manutenção a ser em adoptados, o âmbito de aplicaçã o da polít ica, a atribuição da
responsabilidad e pela implementação dos vários requisitos e métodos de revisã o da política de
manutenção”. (Rap oso, 2010)
Obtendo os vários parâ m etros e c ondições essenciais para gerir e optimizar o comportament o em
serviço de u m edifíci o , q ue permita, e ntre outros aspet os, e v itar u ma degrad ação precoce, um
controlo e redução dos custos diferidos, que garanta o cumprimento de um conjunto de exigências
de desempenho funcional e respetivos requisitos, o u seja, permitind o desempenh ar as funções para
o qual foi projetado, é e ntão possível delinear a estratégia de manutenção mais adequada. ( Quadro
2.3 )
Quadr o 2.3 - Estrat égias de m anut enção.
M
ANUTENÇÃO N Ã O PLANE ADA
M
ANUTENÇÃO INT E GRADA
M
ANUTENÇÃO PLANEADA
M
ANUTENÇÃO
C
ORRETIV A
(Reativa,Cura tiva,Resolut iva)
M
ANUTENÇÃO
I
NTEGRAD A
(Evoluída)
M
ANUTENÇÃO PREVENTIVA
(Pró-ativa)
Não u rgente
pequena
intervenção
Urgente
grande
intervenção
Sistema integr ado
(corretiva + p reventi va +
sistema de g estão
integrado )
Sistemática
(preventiva)
Cond icionada
(preditiva)
Melhor amen to
P
OLÍTICA DE
M
ANUTENÇ ÃO
O
QUÊ
?
C
OMO
?
Q
UANTO
C
USTA
?
Q
UANDO
?
Q
UEM
?
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de a poio à decisão
29
Relativamente à manutenção corretiva (é considerad a tam bém reativa ou c ur ativa ou resolutiva),
esta estratégia corresponde a uma manutenção mais elementar. D ada a oco rrência de uma
manifestaçã o patológica ou anomalia procede-se à sua correção. É uma estratég ia não planeada que
ocorre após uma manifesta ção que tenha d ecorrido de um proc esso de degradaç ão .
É de algu m modo co nsens ual que, perante a manifestação de danos num edifício, é necessário atuar
de m odo a repará-los. Não co rrigindo atempadam ente, pode suceder que os custos decorren tes
sejam m aiores. A Lei de Sitter ( Fig. 2.3 ) de evolução dos custos mostra que os custos de correção
crescem segund o uma pro gressão geométrica de razão cinc o.
125
100
50
25
5
t1 t2 t3 t4
PERI ODO DE TEMPO
Fig. 2.3 - Lei d e evolução de c ustos, Lei de Sitt er.19 84. (P =Proj eto; E= Execuçã o; MP = Man utenção Planeada ;
MC= Manutençã o Corr etiva).
Sendo verdade a necessida de de atuar atempadam ente, deve contudo ser devidamente ponderada a
necessidade de intervenç ão , se o s custos o ju stificam e quais as consequên cias em n ão agir de
imediato. A le i de Sitter prevê o natural aumento dos custos, mas podem esses custos não justificar,
logo à partida, uma respos ta tão rápida. Acima de t udo, devem ser identifi cadas as causas e origens
da manifestação patológi ca o u anomalia e s ó depois analisar devidament e a n ecessidade de
intervenção.
Em Portugal , na fal ta de uma p olítica de manuten ção , esta es tratégia nã o p laneada é a que é
naturalmente adotada, ou se ja, limita-se a atuar quando uma manifestação patológica apresenta
danos consid eráveis e visíveis, ou quan do e xistam qu eixas por parte dos utentes, e nesta fase os
custos de manutençã o são qu ase sempre maiores. Nã o representado global mente a melhor forma de
atuar, esta est ratégia de manutenção é necessária e contribui para restabelecer as co ndições iniciais
previstas de desempenho do e difício, mesmo apresentando dificuldades na sua implementação, por
serem, na m aioria das vezes, situações não detetad as atempadamente, intervenç ões tardias e ,
nestes casos, n ormalmente com cus tos acrescido s a longo prazo.
Relativamente à manuten ção preventiva (ou pr ó-ativa), esta estratégia corresponde a uma
manutenção planeada, e portanto com resultad os muito satisfatórios. Esta estratégia caracteriza- se
por atuar antes da manifestaçã o patológica ou anomalia, o u se ja, perante fenómenos de pré-
patologia. Como tal, rec orre a um planeamento dos processos de manutençã o e segundo três formas
de atuação: uma sistemátic a (ou preventiva), c o ndicionada (ou prediti v a) e de melh oramento.
A forma de atuação sist emática c onsiste e m executar os v ário s pr o cessos ou o peraçõ es de
manutenção tendo como base, “um planeamento com periodicidades fixas, p ermitindo uma r edução
dos trabalhos ext r aordinários ”. (Fl ores, 2002)
CUSTO REL ATIVO
DA INTERV ENÇÃO
P E MP MC
Capítulo
2
30
A forma de atuação c ondi cionad a consiste em e xecut ar os processos o u o perações de manutenção,
“ em função da análise do estado de degradação dos diver sos elem entos, plan e ando, em prime ira
instância, as inspeçõ es e nã o as atividades a executa r ”. (Flores, 200 2)
Enquanto que na m anutenção preventiva sistemática se determina atempadame nte os processos ou
operações de m anutenção independent e mente do es tado de desempenho desses elementos, na
manutenção pre ventiva con dicionada avalia-se pri meiro a ev olução do estad o de desempenho dos
edifícios de modo a dete tar fenómenos de pré-patol ogia e só depois se define m o s procedi mentos e
ações necessári os para a in tervenção.
Por últim o, a m anutençã o preventiva de me lhora m ento visa “ evitar a insuficient e funcionalidad e dos
elementos ” do edifício corrigindo “ defeitos, os quais, pela sua importância, origina m um
comportamento inespe r ad o do elemento e m condições reais ”. (F lores, 2002)
Numa perspetiva pessoal, c onsistindo a manutençã o de me lh oramento quer numa m elhoria po r
substituição do elem ento por o utro d e carac te rísticas semelhantes, quer por substituição do
elemento por o utro de melhores características, está-se, em particular na segu nda possibilidade,
perante u ma intervenção de reabilitaçã o, não d e vendo ser co nsid erada u ma forma de atuação de
uma estratégia de m anutenção.
Relativamente à manutenção integrada , esta surge ess encialment e pela necessidade de
implementar estratégias com uma v isão global recorrend o a vários me ios, entre eles, o suporte
informático. Esta estratégia caracteriza-se por permit ir através de sistemas inte grados, reunir toda a
informação necessári a quer para o registo cada stral, quer para a elaboração do plan o de
manutenção e re spetiva intervenç ão.
Na verdade e ste sistema integrado “evidencia-se fundamentalmente ao nível da troca de informação
entre agentes de m anutenção no s entido de, em tempo real, pode rem ser conside r adas as
implicações daí decorrentes ”. (Calej o , 2001)
O ideal seria a possibilidade de optimização e registo de toda est a informação, q ue deveria acontecer
já nas fases preliminares de projeto, permi tindo de st e modo , alertar e eliminar ev entuais falhas que
decorressem de escolhas menos adequadas durante o processo de conceção. O desenvolvi mento
deste trabalho de investigação tem como um dos seu s objetivos dotar o autor de projeto - arquiteto
de instrumentos de auxilio n a escolha das s oluções, que po ssuam per m itir uma mais ad equada
predisposição para garantir a imple m entação e execução dos v ários processos de manutenção e,
consequente mente, garantir ou e xceder o seu co mportam ento em serviço duran te a vida útil.
2.2.5
P
LANO DE MANUTENÇÃO DE EDIFÍCIOS
Um P lano de Manutençã o é um do cument o que engl o ba um conjun to de espec ificações elaboradas
no âmbit o da m anutenção , no sentido de defini r pre v isões e p lanear os procedimentos e aç õ es de
manutenção. Este d o cumento de ve acompanhar o cada stro e deve ser elaborad o em função d este.
Segundo a norma NP EN 13306 (2007), o Plano de manutenção é um “ conjunto es truturado d e
tarefas que compreende m as atividad es, os procedimen tos, os r ecursos e a duração necessária para
executar a manutençã o ”.
O cadastro permite registar todas as existências, bem como as respetivas características dos
elementos do edifíci o , ou se ja, “ tr ata-se das bases de dados de operação da manutenção, que se
subdividem e m informação técnic a, económica e funci onal”. (Calejo, 2001)
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de a poio à decisão
31
No Plano de manutenção a desc rição das referidas es pecificações t em por objetivo “ prever e planear
as v árias acções de manutenção, que decorrem ou que conduzem aos seu s cinco pilares base:
inspecção, limpeza, pró-acção/gestão da vida útil, substituição e correcção.” (Calejo , 2001) A sua
estruturação define-se e m função da n atureza da informaçã o disponív el e com base nas polí ticas a
adotar.
Segundo Calejo ( 2001), o Pl ano de Manutenç ão subdivid e-se em três partes :
▪ Manutenção preventiva “ pressupõe uma a ctuação com base em rotinas de inspecção e
respectiva o bservação de sin tomas d e p ré-patolog ia. Es te p rocedimento tipific a uma
intervenção condicionad a aos resultados da referida inspecção ”. Os procedimentos e
ações de manutenção prev entiva, “ para além da correcção de falhas, do suprimento de
necessidades e da monitorizaçã o, inc luem ope r açõ es destinadas a aumentar a
fiabilida de e a operaciona lidade dos diversos elementos/equipamento s/ compo nentes,
que constituem os edifíc ios ”;
▪ Gestão da vida útil “ re la ciona-se com a nec essidade de es t abelecer proced im entos para
actuar antevendo-se a necessidade de substituição de componentes motivad a pelo fim
de vida útil. Integra todo o conjunto de acções planeadas e s istemáticas , com base numa
vida útil espectável para dete rminados componen tes da construção ”. O objetivo é
procurar identificar “ a necessidade de r eposição de um componente, sempre que s e
preveja o seu fim de vida útil ou que os dados de comportamento desse com ponente,
noutras situaçõ es, permitam anteve r potenciais pa tologia s ”;
▪ Manu tenção corr etiva , “ ag rupam-se na manutençã o corr ectiva todo o conjunto de acções
resultantes da identificação de manifestações patológicas ”. Estas aç ões destinam-se a
“garantir a reparação de patologias e a prever defeitos cujo conhecimento podemos
antever após sinto m as de pré-patolo gia ”.
Em Itália, e de acordo com a L ei 109/94 que estabelece as
áreas de regulação, que ajudam a definir o
processo de manutenção em serviço, no seu artig o 16º diz que “ o projecto ex ecutivo t ambém deve
ser acompanhado de plano de m anutençã o adequado ao trabalho e das suas partes e deve ser
desenhado em termos de forma, o conteúdo, o tempo, gradualmente estabeleci da por regulamento,
nos termos do artigo 3 º”.
A norma italiana UNI 10604 ( 1997) sobre m anutenção, critérios de projet o , gestão e controlo em
serviço da manutenção de imóveis, considera que um plan o de m anutenção deve conter : (Rap oso,
2010)
▪ ” A combinação das melhores est ratégias a serem ap licadas;
▪ Os p r ocedimento s de i nspecção periódi ca e r es pectiva periodic idade, q ue deve s er
adequad a à criticidade do func ionamento do e lemento ou componente e as
consequênci as decorrentes de ocorrência da falha;
▪ O cronograma das interve nções e das inspec ções;
▪ A relação dos m étodos utilizados nas inter vençõ es d e manutenção e das inspeç ões com o
plano de seguranç a e saúde;
▪ Os operadores afe t os à ex ecução dos diverso s tipos de trabalho;
▪ Os critérios de m edição e controlo das actividad es;
▪ As relações entre as estimativa s dos custos d e manutenção e o custo total de
manutenção”.
De salientar que, existe u m vasto conjunto de legislaç ão para a manutenção de edifícios que engloba
também a fase de projet o, das quais se destacam: a UNI 10224 (20 07) – “ Man utenção. P rincípios
Capítulo
2
32
básicos de funcionamento da manutenção” , a norma UNI 10366 (2007) – “ Manutenção. Critérios de
projeto da manutenção” , a norma UNI 10584 (1997) – “ Manutenção . Manutenção do s istema de
informação” e a norma U NI 10749-1 (até parte 6) (2003) – “ M anutenção. Guia para a gest ão dos
materiais para a m anutenção - Aspetos gerais e as questões or ganizac ionais” . Englobando um o utro
conjunto de legislação, no sentido da gestão de co ntratos de manutenção, tem-se o ex empl o, da
norma UNI 1068 5 (2007) – “ Manutenção. C ritérios par a a formulação de u m cont rato” .
No Brasil tem-se desenvolvido um trabalh o consid eráve l na re gulamentaçã o da manutenção de
edifícios. Entre o utras normas entende-se destacar as normas, da ABNT NBR 15575 (2013) d e
desempenho, NBR 5674 ( 2011) sobre m anuten ção e a NBR 1403 7 (1998 ) (em re visão) s obre o
manual de operação, us o e manutenção. A norma NBR 155 75 (2013) est ab elece o s requisitos
mínimos de desempenh o , vida útil e de garantia para o s s istemas que compõe m as edificações. A
norma NBR 5 674 (2011) estabelece os re quisit os para a gestão d o siste ma de m anutenção de
edificações. E a norma NBR 14037 (1998) estabelece as diretrizes para elab o ração de manuais de
uso, operação e m anutenção das edificações.
Na norma NBR 5674 (201 1 ) é definido o progra ma de manutenção que c onsiste na “ determina ção
das atividades essenciais de m anutenção , sua periodicidad e, r esponsáveis pela execução,
documentos de referência, referências normativas, e recu rsos nec essário s, todos referidos
individu almente aos sistemas, e quando aplicá vel aos elementos, compo nentes e equipamentos”. A
sistematização d o programa (plan o) deve conter na sua estrutura :
▪ “Designaçã o do sistema, q uando apl icável aos elementos e compo nentes;
▪ Descrição da ati vidade;
▪ Periodicidade e m função de cada sistema, qu ando aplicá vel aos elementos e
componentes, obs ervadas as prescrições do projeto ou as especificações técn icas;
▪ Identificação do s responsáveis;
▪ Documentação r eferencial e for mas de comprovação ;
▪ Modo de verifica ção do si stema;
▪ Custo”.
Sempre que a em presa de construção tem i mplement ado um siste m a de ges tão da qualidade, ela é
obrigada a entregar ao proprietário um m anua l do usuário (NBR 14037, 1998) constando
procedimentos de m anutenção. M as o proprietário pode não implementar ess es procedimentos. Em
Portugal sucede o me sm o relativa mente ao definid o no RGEU sobre a n ecessid ade de obras de
conservação em cada oito anos. Co ntudo, no Brasil com a entrada em v igor da norm a NBR 15575
(2013), esta situação v ai ser alterada, pois exige aos projetistas/c onstrutores que os indicadores
assumidos no projeto ocorram, efetivamente, na fase de u so e operação da edificação. Esta norma
obriga a que a manut enção de v a atender às exigênci as do m anual do usuári o . Ou seja, com esta
norma, o usuári o passa a ter re sponsabi lidade mais específica sobre a m anuten ção. Ele precisará de
realizar a manutenção (pr incipalmente preventiva) e documentar esta realização. Caso contrário,
perderá as garan tias.
Também tem sid o desen volv ido um trabalho considerável sobre a nec essidade de dotar o auto r de
projeto de instrument os que lhe permita m incluir a manutenção desde as fases preliminare s do
projeto.
A necessidade da existência de um projeto de m anutenção já na fase de projeto, que acompanhe
todas as fases (anteprojet o, projet o le gal e pr ojeto exe cutiv o), é defendida por Sanches e Fabricio
(2008), em que e ste conceito deve entender-se com o “ uma série de po sturas a serem tomadas em
diferentes et apas do empr eendimento”. Posteriorme nte, é s obre as várias decisões tomadas durante
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de a poio à decisão
33
a fase de projeto que se vão definir os documentos e manuais para a fase de uso de um
empreendimento. ( Fig. 2.4 )
De acordo com as várias etapas de projeto indicadas pela NBR 13532 (1995) , cada um a deve ser
conduzida te ndo em consid eração fatores de manut enibilidad e (este conceito é equivalente ao de
manutibilidade na norma portugu esa NP EN 13306 ( 2007) e repres enta a aptid ão ou facilidade e m
executar procedi m entos de man utenção).
PROJETO CONSTRUÇÃO UTILIZAÇÃO
(
CONJUNTO DE POSTURA S TOMA DAS QUE CONTRIB UAM PAR A O AUMENT O DO GR AU DE
(
DEFINIÇÃO D E PROGR AMAS
,
PROCEDIMENTOS E
MANUTENIBI LIDADE
,
FORNECE NDO DIR ETRI ZES E SUBSIDI OS PARA A PROXIMA ETAPA
)
P ERIODICI DADE DE SERVI ÇOS DE MANUT ENÇÃO
,
VISTORI AS
,
REPAROS E SUBSTITUIÇÕ ES
)
Fig. 2.4 - Proj eto e Man utenç ão (con sideração de fato res d e manu tenção n a fase de
projeto p ara forn ecer subsídi os par a o Pro jeto da Manu tenção). Adapta do de
Sanches e Fabricio (20 08).
Do pr ojeto de m anutenção deve constar, entre o utr o s, “ d efinições de pr ogramas de manutenção,
procedimentos, periodicid ade de serviços, reparos e s ubstituições ”. O grau de manutenibilidade
(facilidade) deve ser incluído durante a tomada de decisões nas etapas iniciais de um
empreendimento , tornando todo o processo mais eficiente e econ ó mico. (Sanches, Fabrici o, 2008)
Na ve rdade é no “ decorre r de cada etapa de projeto e execução de um empreendimento, que s e deve
qualific ar a d ocumentação técnic a produz ida d e maneira que essa p ossa es clarecer questões
relacionada s às etapas de operação, uso e manut enção e ser em sistematiz adas em forma de
manuais ”. (NBR 1403 7, 1998) Ainda segund a a mesma norma “ o manual de operação, uso e
manutenção das edificações tem por finalid ade inform ar os usuá r ios das características da
edificaçã o, detalhar procedimentos recomendados para otimização do uso da edi ficação e contribuir
para o aumento do ciclo de vida do edifíci o“.
De referir a importância de incluir responsabi lidades em t odos os inter venientes no process o de
construção e também no próprio utente e proprietário. Quando todos os interveni entes entenderem
que só dest a forma é po ssível garantir o bem comum e a sustentabilidade do s e difícios para as
gerações seguintes, com a perceção de que todos t êm um papel a desempenhar e uma
responsabilidade em garan tir a manutençã o desse me smo bem, então es tar-se-á no bom caminh o.
Na norm a ISO 15686-1 (2 011) é referid o ta m bém, a im portância da existência de um P lano d e
manutenção, que permita planear a v ida útil de um e difício. São realçadas as ações de m anutençã o
que podem de forma razoável ser antecipadas, e que de vem ser tidas em co nta no planeam ento da
vida útil de um edi fício dev em incluir:
ANTEPROJET O
PROJETO
LEGAL
PROJETO
EXECUTIVO
OBRA
OPERAÇÃO
E USO
PROJETO PAR A MANUT ENÇ ÃO
PROJETO DA M ANUT ENÇÃO
DECISÕES
PROJETO
DECISÕES
DECISÕES
VALIDAÇÃO
VALIDAÇÃO
VALIDAÇÃO
DOCUMENTO S
E MANUAIS
AS BUILT
RETROALIMENTAÇ ÃO
Capítulo
2
34
▪ Substituição d os revestim entos interiores ;
▪ Substituição e reparação do revestiment o de cobert uras e telhados;
▪ Substituições e al t erações de redes eléctrica s , de seg urança contra incêndi o, entre outras;
▪ Re paraçõ e s e alteraç ões das redes de drenagem ( estas são relativament e raras e ocorrem
normalmente segu indo amp liações ou mudança de uso);
▪ Remoção parcial ou sub stituição de elemen t os co m funções de suport e de carga
(normalmente durant e ref ormas ou alteraçõ es de us o).
Pode concluir-s e do i menso trabalh o de regulação e regulamentaçã o da manutenção, qu e já existe
noutros países, mas qu e e m Po rtugal, ainda muito falta fazer sobretud o na im po rtância que a sua
implementação teria c omo mecanismo ess encial p ara a regulaçã o e r e gulament ação e na definiçã o
de todos os inter v enientes d este domínio.
Decorrente de diversas leitu ras e de acordo, com o defendido por Calejo (2004) sobre a inf o rmação
que deve estar inserida num Plano de Manutençã o pode referir-se que deve con star:
▪ “Enumerar e defini r as intervenções que em cada u m dos p r ocessos de manut e nção deve
ser feita e , igu almente, as respectiva s periodicidade, modos de actuação, pr iorida des e
duração (se pos sível) de int ervenção e a lista de ocorrênc ias de correcção e reparação;
▪ Identificar as anomalia s r elevantes, causas e origens possíveis e mecan ismos de
degradação ;
▪ Sistematizar as informaç ões obtidas nos pontos anteriores, estabelecer uma estratégia de
manutenção qu e pode passa r por três opções (prio r idades de intervenção) :
Não manter - opção radical, quando se entende que as mais valia s da intervenção não
são superiores ao s custos (eco nómicos e não só de um a intervenção);
Agir de imediato - é a deci são a tomar quando se r econhece a existência da patologia e
se entende que a m esma interfere co m o desempenho operaciona l do edifício;
Agir de forma programad a - é a escolha que se ve rifica quando a anomalia ide ntificada
não tem efeit os na qualidade do edifício, no imediat o; é feita uma programaçã o d e
quando inter vir, provavel mente e também para resolver outras situações s em elhantes.
Trata-se de uma optimizaç ão de recursos ;
▪ O cronograma das inte r venções du rante a vida útil (actualizad o de acordo com a
informação de retorno) ”.
Para além desta s informações, deve aind a ser possív el obter os seguin tes dados: (Calejo, 2004)
▪ " Necessidades económicas;
▪ Necessidades e m meios huma nos;
▪ Tempos de inop eração/oc upação de espaç os ".
Relativamente à inf o rmaçã o sobre a periodicidade convém referir qu e a mesma depende d e vári os
fatores, podendo s er determinada de forma heurísti ca, através de outras experiências semelhant es e
de dados já ex istentes e falando com especialistas de forma a determinar os vários ciclos dos
períodos de tempo. E também de forma det e rminíst ica atra vés d e u m a si mulação probabilística de
ocorrências de modo a obter os mesmos ciclos dos p eríodo s de t empo (assumind o o fator incerteza).
Dos v ários fatores que podem influenciar a determinação dos ciclos de períodos de t emp o destacam-
se: o tipo de utilização (fu nção habitacional o u não habitacional), a tax a de u tiliz ação (número de
utentes, variações e ciclos de permanência), e stado de c onservação do edifício e o tipo de anomalias
existentes (para edifíci o s e m fase de serviço), en t re outros.
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de a poio à decisão
35
Por úl timo, deve referir-s e que o Plan o d e m anutenç ão é um do c umento dinâmico e deve, sempre
que surgem alterações às condições prev istas e de acordo com as necessidades daí deco rrentes, ser
atualizado.
2.2.5.1
Process os e procedi mentos de manutençã o
As várias estratégias de manutenção que podem ser implementadas nece ssitam, na prática, de ser
suportadas por vários proc essos ou operaçõ es de ma nutenção e respeti vos procedi mentos e ações.
Os principiais processos de manutenção foram denominados “big six” por Calejo (2004) e são:
Inspeção , Pró-ação , Li mpeza , Correção , Substituição e C ondições de uti lização . Para cada um destes
processos existe u m conju nto de procedimento s e, para cada u m destes, um con junto de ações.
Relativamente ao proces so de Inspeção , e ste tem como objetivo “ col her indicad ores do
comportamento dum edifício, que potenciem uma atuação antes da manifestação” (Calejo, 2004), o u
seja, pretende identificar fenómenos de pré-pat ologia, embora uma estratégia não planeada
também necessi te , n ormalmente de uma inspeção prévia. Têm muitas v ezes “associados
mecanismos de m onito rização do comportamento que podem funcionar como m eios auxiliares de
apoio ao di agnóstico”. (Calejo, 2 004)
A implementaçã o deste proce sso depend e de alg uns procediment o s, como, a inspeção visual ,
métrica e laboratorial , e cada um deles tem um co nju nto de ações necessárias em função d o estado
em que se apresen t a o edifício.
De acordo com a norma B S 8210 (1986) as inspeçõe s devem ser realizadas segu indo os seguintes
parâmetros:
▪ “Verificar a nec essidade d e e xecutar algu m tipo de in tervenção;
▪ Verificar se algu m processo de manu tenção está a s er correctamente executado ;
▪ Verificar razões de segurança relacionad as com requisitos regulamentares e
recomendações de outras organ izações relevan tes”.
Mais rece nte m ente, a norm a brasileira NBR 5 674 (2011) refere que as inspeções devem ser
realizadas por meio de mo delos e laborados e ordenados de forma a facilitar os registos e
considerand o:
▪ “ Um roteiro de inspec ções dos sistemas, subsistema s, e lementos, equipamentos e
componentes da edifica ção ;
▪ As for mas de manifestação esper adas da degradaç ão na tural dos s istemas, subsistemas,
elementos e equipamentos ou component es da edificação associadas à sua vid a útil,
conforme indicaç ões do manual e que r esulte m em r isco à s aúde e segur ança dos
usuários;
▪ As solicitações e reclamações dos usuá r ios ou p roprietários”.
Os respetivos relat ó rios da s inspeções devem :
▪“Descrever a deg radação de cada sistema, subsistema, elemen to ou compon ente e
equipamento da edif icação;
▪ Apontar sempre que possível, es timar a pe rda do seu desempenho;
▪ Recomendar ações para minimiza r os serviços de manutenção correctiva;
▪ Conter o prognó stico de ocorrências ” .
Capítulo
2
36
Efetivamente, o processo de inspeção é funda mental na avaliaçã o do des e mpenho dos vários
elementos do edifício e também permite verificar s e os restantes processos de m anutenção estão a
ser corretamente realizados.
Como forma auxiliar dev e ser do conhecimento o co nceito de taxa de falha – T F , ou seja, “o valor em
percentagem associado à pr obabilid ade de deter mina do siste ma manifesta r uma falha num dado
intervalo de tempo.” Es t e co nceito, é acima de tudo, aplicado na manute n ção in dustrial, m as pod e
ser útil na prev isão de ne cessidades de manutenção e, em c oncreto, na inspeção. Segundo Cale jo
(2001) “ admitindo por exemplo um intervalo de tempo anual, a taxa de falha seria a percentage m de
ocorrências q ue de terminado EFM manife staria ne sse in tervalo de te mpo rela t iva mente ao total d e
ocorrências”. A ta xa de falh a assume ao long o do tempo a for ma duma “cur v a em ban heira”. ( Fig.
2.5. )
1
TF
0
T
EMPO
A
B
C
Fig. 2.5 - Cur va de den sidade da taxa d e falha – TF.
Na Fig.2.5 pode ver-se que a forma de curva “em b anheira” apresenta três p e ríodos distintos que
podem indicar diferentes caracterís ticas de comporta mento do edifíci o ao longo do tempo: (Calejo,
2001)
▪ Juventud e do elemento - A : “ em que é evidente um decréscimo da den sidade de
ocorrência ao longo do tempo” , e isto sucede nos primeir os ano s, logo após a conclusão
do edifício”;
▪ Des empenh o corrente – B : “ durante o qual é expectável uma densidade de ocorrência
constante” , ist o em situaçõ es normais de des empenho”;
▪ Fim de vida útil – C : “que se caracteriza por um crescimento expon encial da densidades de
ocorrência” , e que corresponde a o período final do ciclo de vida d o edifício”.
Paralelamente, Flores (2002) defende que é na fase de projeto que deve ser co nsidera do o
planeamento das inspeçõe s (e dos restante s processos). Generica m ente, p odem respeitar-s e como
linhas gerais tr ês períodos principais:
▪ Período inicial : “Realizar uma inspecção nos primeiros anos logo após a construção (entre
2 a 5 anos) pa ra avaliar o s eu comportamento expectável ”;
▪ Período intermédio: “ Realiz ar inspecções periódicas após as inter vençõ es (1 a 2 anos) de
modo a avaliar o comportamento esperado dos com ponentes e materiais. (para os que
são possíveis de de t erminar) ”;
▪ Período final : “ Realizar uma inspecção já próximo do final de cada ciclo de vida útil (2 a 5
anos do fim ) de modo a avaliar a tendência dos componentes e materiais para atingir o
nível mínimo de qu alidade e a proxi midade com o seu estado limite de utilizaç ão ”.
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de a poio à decisão
37
Mesmo não send o de gen eralizar o s período s de tempo, p orque depende m das condições e est ad o
do edifício, podem fornecer informaçã o adiciona l so bre a necessidade de se acautelar os
procedimentos e ações ne s tes três períodos de tempo e, também, em relaçã o à possibilidad e de
ocorrência de falhas.
Voltando a referir a alteração d o atual RGEU, o RGE divide a inspeção em três tipos: c orren tes,
técnicas e e speciais . A inspeção c orrente caracteriza -se “ pela s imples avaliaç ão do desempenho do
edifício, no sentido de identificar sinais de pré-patologia”. Baseia-se essencialmente numa “ análise
visual do edifício sustentada com possíveis sondagen s ou medições básicas”. Po de ser, ou não,
realizada pelo própri o utente.
A in speção técni ca carac t eriza-se pela ” verificaç ão d o desempenho do es tado d e func ionamento de
equipamentos e instalaçõe s, tal como elevadores, sistemas de bombag em, sistemas de ventilaçã o
mecânica, redes de aba stecimento de água , energia eléctrica, água e de drenagem de água s
residuais, entre out r os“. Só deve ser realizada p or técnicos especializ ados.
A inspeção especial caracteriza-se por “ apoiar e complementar as inspecções correntes para a
conclusã o de uma an álise mais detalhada e aprofundar um diag nóstico d o elemento fonte de
manutenção”. Só d eve ser realiz ada por técnicos especializad os.
Relativamente ao processo de Pró-ação , este te m c omo objeti v o obter indicadores do
funcionamento dos diversos elementos e garantir o seu correto desempenh o . Tam bém se podem
incluir ações de insp eç ão e limpeza nes te processo.
A implementação deste processo depende de alguns proc ediment os como a garantia do
desempenh o durante a vida útil , ajuste fun cional e pró utilização .
Este processo pode ser par ticularmente important e, perante o s fenómenos de pré-patologia, porque
pode contribuir para prev enir o aparecimento de anomalias, ou o desenvolvimento de outras m ais
graves, que i mpliquem uma sub stituição antecipa da do element o ou component e .
Muitos dos componentes do s v ários e lementos que constituem um edifício n ecessitam de ajustes
funcionais que garantam o se u desempenh o funci onal. Segundo Calejo (2001 ), a “ identificação de
desadaptaçõ es funcion ais r evela-se como uma tarefa fundamental na prevenção de futuras
patologia s pois uma das causas de degradaçã o e , como tal, fonte de custos, é jus t amente a utilização
inadequa da de edifíc ios”. Não é um obje tivo da p ró-ação evitar o ap arecimento de fenómenos
patológicos, mas conseguir ga rantir o seu corr eto desempenho.
Por o utro lado, convé m ressalvar que, quando um determinado procediment o constituir uma o pção
adicional a executar para um determinada solução construti va, e se não tiver sido realizada na fase
de construção, pode ser necessário, posteri ormente, duran te a fase de serviço, executá-la. Neste
caso, sendo u ma opçã o adi cional, deve ser conside ra da uma in tervenção de manutenção. Se o
procedimento for no senti do de melhorar o dese mpenho e não constituir uma opção base adici onal,
deve considerar-se u m a intervenção d e reabilitaçã o .
No caso do procedimento de pró-utilização, este pretende corrigir deficientes utilizações que
ocorram na fase de se rviço. Neste caso, será m ais fácil perceber com um exemplo, podendo referir-
se a aplicação de tint as mais adequadas num lambrim que se encontr a permanen t emente sujo.
Relativamente ao processo d e Lim peza , este tem como objetivo obter uma melhoria de desempenho
técnico igual ao inicial mente prev isto e garantir a limpeza. Es te processo é, em geral, considerado de
Capítulo
2
44
Os valores sugeridos de VUP para o s sistemas, elementos e componente s são atribuídos após a
obtenção dos níveis das três categorias, o q ue posteriormen te p ermite consultar o Quadro 2.4 , e a
partir da com binaçã o de v alores consegue-se definir em função da VUP da estrutura, que por defeito
se considera de 50 anos para edifícios habitacionais (de acordo com a norma brasileira), uma
percentagem que define o valor para a VU P dos vári o s sistemas, elementos e co mponentes.
Esta norma justifica o valor de 50 anos de v ida útil, baseando-se “na entidade europeia Eur opean
Organization for Technical Approvals (CIB Report Publication 294, 2004) que est abelece classes de
VUP para edifica ções, consid erando para a VU P normal o período de 50 anos”. (NBR 15575, 2 013)
Estimar a vida útil de um edifício é na ve rdade u m processo alg o complexo e , nesse se ntid o, têm
surgido várias metodolo gias, desenvolvidas m ais re centemente, nomeadamente o s métodos
determinísticos ou fatoriai s (basead os em v alores d eterminísticos e na v ida útil de referência), os
probabilísticos (bas e ados e m dados estatísticos e probabilid ades), entre outros.
Por ess e m otivo, considerou-se i m portante abordar de fo rma r esum ida nos subcapítulos seguintes,
alguns aspetos consid erados importantes e presentes na no rma ISO 15686 e um dos métodos de
determinaçã o da vida útil, corrente m ente utilizado - o Metódo fatorial.
2.2.7.1
Norma ISO 15686
A atualidade do conteúdo desta norma resi de na necessidade de prever e controlar os custos dos
edifícios ao longo da sua vi da útil garantindo o seu comportament o em serviço.
A primeira parte da ISO 15686 fo rnece uma metodol ogia para previsão da vida útil e estima o tempo
de m anutenção necessário e de substitui ç ão de componentes. A ISO 1 568 6-1 (2 011) define o s
princípios gerais, a ISO 15686-2 (2001) refere a previsão da v ida útil e respetiv o s ensaios, a ISO
15686-3 ( 2002) aborda a aud itoria à durabilid ade, a ISO 15686-5 (20 08) refere a manutenç ão
planeada e reativa e o custo do ciclo de vida (LCC), a ISO 15686-6 (2004) o proce dim ento do impacto
ambiental, a ISO 15686-8 (2004) a vida útil de referência e a ISO 15686-10 (2010) o des empenho
funcional.
Esta norma corrobora a im portância que as decisões tomad as na fase de projeto vêm a desempenhar
posteriormente, durante a vida útil. O projet o de um edifício tem de dar resp osta a um conjunt o
vasto de condicionantes e exigências de desempenho funcional. Entre as várias co ndicionantes, as
partes da presente norma refo rçam aspetos como: as co ndições am bientai s; o p rojeto e a qualidade
das suas especificaç õ es; o tipo de materi ais escolhidos ; o nível de qualidad e de execução; as a ções de
manutenção e o próprio uso, entre o utros.
No quadr o seguin te ( Qua dro 2.8 ), apresentam-se o s val o res míni m os de tempo de vida útil de
projeto- VUP para o s componentes do edifício a consi derar na fa se de pr ojeto:
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de a poio à decisão
45
Quadr o 2.8 - Valores mín imos de tempo d e Vida ú til de pro jeto p ara os compo nente s do edifício – DLC (nor ma
ISO 15686-1, 20 11).
V
IDA ÚTIL DE
PROJETO
C
OMPONENTE S
ESTRUTURAIS
INACESSÍVEIS
C
OMPONENTE S DE
SUBSTITUIÇÃO
ONEROSA OU DI FÍCIL
C
OMPONENTE S
FACILMENTE
SUBSTITUÍVEIS
I
NSTALAÇÕES E
TRABALHOS
EXTERIORES
Ilimitado Ilimitado 100 40 25
150 150 100 40 25
100 100 100 40 25
60 60 60 40 25
25 25 25 25 25
15 15 15 15 15
10 10 10 10 10
Como a duração da vida útil de um edifício é calculada de forma probabilística, o objeti vo é co nsegu ir
determinar, com base num prognóstic o, um modo fiável usando os dados disponíve is, de modo a
obter a combinaçã o m ais vantajosa dos custos iniciais, de manutenção e de exploração ao lo ngo da
vida útil do edifíci o.
A norma refere a v antage m de plan ear a vida útil d urante a fase de proje to. Este critério de v e ser
incluído uma vez que a escolha dos element os e dos seus produtos e componentes deve t er em
conta os pressupostos que devem ser garantidos dur ante a vida útil de acordo com as n e cessidades
dos ute ntes e as necessidades de m anutenção. De seguida, repro duzem-se as várias etapas a
considerar durant e o projeto di vididas em cinco fa ses:
Na 1 ª fase - Programa base dev em ser discutidas entre o dono de obra e o proj ectista determinadas
condições decisiva s em todo o processo projectual , pelo que deve ser estabelecid o o seguinte:
▪ “ A vida de projec to do edifí cio e o desempenho fu ncional requerido de todas as suas partes
ao longo desse pe ríodo de t e mpo;
▪ Cr itério s mensuráveis de desempenho funcio nal, incluindo uma definição dos níveis não
aceitáveis desse de s empenho que implicarão a subs tituição d o item em causa;
▪ Quais as partes do edifício que devem ser r epa ráveis, susceptíveis de manutenção ou
substituíveis ao lon go da vi da de projecto do edifício”.
Na 2ª fase - Estudo Prévio , as escolhas de pr ojeto dev em verificar:
▪ “Se a vida de projecto po de ser alcançada no âmbito dos cond icionamentos do projeto
disponibil idades orçamentais, prazo de execução, exigências de desempenho,
manutenção e caracte r ísticas especifica s do local) ;
▪ Se o projecto satisfaz as exigências de desempenho definidas pelo cliente, na fase de
programa (por exemplo , para compon entes não subs t ituíveis);
▪ Se foi tido em consideração que acções de substituição, manutenção ou melhoria não
deverão causar interrupções desnecessá r ias na utilização do edifício (e lemento s
inacessíveis ou dificilmente acessíveis devem ter uma vida útil pelo menos igu al é do
edifício)”.
Na 3ª fase - P rojeto , a seleção dos produt os a aplica r num e difíci o é de finida com m aior rig or nesta
fase pelo que o cum pri mento do desempenho re qu erido deverá ser verificad o. Para uma correcta
verificação deve s e r tido em conta que o desempenh o depende:
▪ “Das cond ições ambientai s;
▪ Do projecto e da qua lidade das suas especificações;
▪ Do tipo de mate riais escol hidos;
Capítulo
2
46
▪ Do nível de qualida de da execuç ão;
▪ Das acções de man utençã o levadas a cabo;
▪ Do uso”.
Na 4ª fase - Est imativa da vida útil , deve ser v erificado se as esc o lhas efetuadas na fase anterior
salvaguardam a v ida de pro jeto definida nas 1ª e 2ª fases.
Se a vida útil estimada for igual o u superior à v ida de projecto definida e se o custo do ciclo de v ida
da edificação f or aceitável poderá passar- se para a 5ª fase.
Na 5ª fase - Preparação de d ocumentação , o cu mprimento total da integração do plan eamento da
vida útil nas diferentes fases de projeto traduz-se pela preparação de toda a doc umentaçã o de
projeto necessária para a execução da obra. O objetivo da estimativa da vida útil de um edifício é
verificar se o edifí cio exced e a vida de projeto, com alg uma fiabilidade. Para isso a estimati va deverá:
▪ “ Reduzir as incert ezas;
▪ Procurar utilizar dados dis poníveis de qualid ade reconhecid a;
▪ Ter em conta a variabilidade;
▪ Ser usado para s ervir de orientação e não de pre scrição”.
Numa perspetiva pess o al, existem algumas co nsidera çõ es a tecer. O planea mento das várias fases de
projeto e os pres supostos a garantir perm ite m auxili ar o autor de projeto a incluir as questões de
manutenção durante o processo de conceção. Mas, de acordo com o Quadro 2.8 , os v alores míni m os
de tempo de v ida útil de projeto para os componentes d o edifício, se consider armos a vida útil d e
projeto de 60 anos, tem de t er uma vida útil para os de mais difícil substituição de 60 anos o u de 40
para os restantes. As instalações ficam nos 25 anos. Co mo s e pode verificar, p ara um edifício com
uma vida útil de projeto de 60 anos, garantir que t odos os component es facilment e substituíveis
tenham vidas úteis de projeto de 40 anos não s erá fácil (po r ex emplo um revesti m ento com tinta
necessitará de se r subs tituíd o e repintado antes d os 40 anos). Este planeamento, apes ar de tudo,
permite perceber a im portância de incluir as questõ es de m anutenção nas fases preliminares de
projeto.
2.2.7.2
M
ETÓDO FATORIAL
A norma ISO 15686-1 (2000) refere a imp o rtância em se conseguir deter minar uma estimativa da
vida útil para o s principais componen tes do e difício. Com a revisã o da n orma em 2011, mantém-se
esta n e cessidade, que é suportada por um método fatorial baseado numa vida útil de refe rência -
VUR , que é corrigida e ajustada por fatores d eterminísticos. A desc rição do m étodo é realizada na
norma ISO 1 5686-8 (2004). A obtenção da vida útil estimada – VUE é realizada at ravés da seguin te
expressão:
Vida útil estimad a ( VUE ) = vida útil de referên cia ( VUR) x A x B x C x D x E x F x G
Estimated ser vice life ( ESL) = RSL x facto r A x facto r B x factor C x facto r D x facto r E x facto r F x factor G
Os fatores (modificadores) de A a G re presentam, respetivamente: A - qualidade do material ou
componente; B - nível de qualidad e do proje to; C - nível de qualidade da execuçã o; D - caracterís ticas
do am biente interior; E - características do ambiente exte rior ; F - características do uso; G - nível de
manutenção.
O primeiro valor a deter m inar é a v ida útil de referência - VUR . E, neste sentido, a norma sugere que
a obtenção dest e valor deve verificar-se de acord o com: ( Fig. 2.6 )
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de a poio à decisão
47
Fig. 2.6 - Pro cesso de pro visã o de da dos VUR (norma ISO 1 5686-8, 2004).
De modo a deter m inar a provisã o dos dados de ve recorrer-se a:
▪ “ Fabrican tes de produtos de construção;
▪ Ensaios e Teste s;
▪ Organizaçõ es de aprovaç ão técnica (documentos de homologação, entre outros);
▪ Detentores de bases de d ados;
▪ Outros fo rnecedores de da dos”.
Na ve rdade e log o à partida, a determinaçã o da VUR baseia-se numa considerável incerteza, uma vez
que depende da “qualidade” e veracidade das bases de dados recolhidas para o efe ito. Contudo, se
os resultados se baseare m, essencialmente, em ensaios e testes, ou por meio de simulaçã o dos
agentes de degradaçã o , os dados serã o m ais pr ecisos. D e a cordo c o m a norma ISO 15686 (2000) a
atribuição de valores aos vários fatores situa-se entre 0,8 e 1,2. Para além desta classificação final
são definid os parâmetros para cada um destes fatores de modo chegar-se ao valor final. Os valores
finais representam um d e svio em relação às condições de ref erência (vida útil de referê ncia)
apresentando-se sempre próximo do valo r 1,0 (unidade). Daqui se pode concluir que, se o valor for
inferior à unidad e, implica a redução da vida útil, se o resultado final for superior à unidad e, significa
um aumento da vida útil do co mponente.
Contudo, independ entemente do método utilizad o para chegar a uma pre visão da v ida útil, deve
qualquer avaliação dos as petos a consid erar ter em conta o s agent es de degra dação, os efeit os da
intensidade e da variação da ação desses agentes e a sobreposição dos ef eitos da ação de vários
deles. (ISO 156 86-1, 2000)
Relativamente aos fatores, to dos têm a mesma importância (peso) na obtenção da classificação final,
o que lev anta o utras questões. Centrando em dois destes fatores, o B - níve l de qualidade do projeto
e o G - nível de m anut enção, e no contexto português a co ndiçã o para obtenção do valor máx imo de
Provisão de dado s VUR
Obten ção de
dados a p artir de
fonte s
Dados de acesso
VUR
base d
e
dados
Aceitáv e
l
Formatação
de dados
Dados gerai s
(não f ormatado
como dados VUR)
não
sim
Capítulo
2
48
1,2 é de que para o fator A o projeto t em de e star de “ acordo com D.L. 555/99 e Port aria 1110/2001
incluind o no P rojecto de execução os desenhos à escala adequada ao trabalho a e xecutar em obra, a
definição de todos os produtos a aplicar, bem como caderno de encargos e respectivas especifica ções
técnicas ” e para o caso do fator G , que pr etende avalia r a necessidade de manutenção e a facilidade
de reparação, é a tribuído o valor m áxi mo “ s e necess itar de manutenç ão normal ou só de lavage m
periódica (com intervalos superiores a 10 anos) e se a reparação é fácil e pode ser realizada com os
produtos cor rentes no mercado ”. Nesta situação haverá um aumento da VUR (se tod o s os outros
fatores forem superi o res a 0,8).
Relativamente a e stes d ois fatores nã o há alteraçã o da VUR, se a c lassifi cação for de 1 (e ta mbém
para todos os outros fator e s 1) e nesse sentido, para o fator B se o projeto estiver “ de acordo com
D.L. 555/99 e Portaria 1110/2001 incluindo no Projecto de Execução memória descritiva com
descrição sistemática das pr incipai s soluções construtivas adoptadas ” e para o fator G se “necessitar
de manutenção frequente (intervalos entre 3 a 10 an os) e se a reparação é fácil e pode ser r ealizada
com produtos co rrentes no mercado e sem neces sitar d e intervenção além da zo na a reparar”.
Por últi mo, de referir que, independentemente do metódo utilizado, de acor do com a norma ISO
15686-1 (200 0 ) a vida útil é “ o pe ríodo de tempo depois da a instalação, durante o qual um edifício
ou a p arte de um edifício at inge ou excede o seu dese mpenho, que lhes é exigido” . Enquanto que e m
2000 é dada particular at enção ao m etódo fatorial, na revisão da norma em 2011 não existe u m a
cláusula efe tiva so bre este mé tod o, refe rind o na parte 8 somente que “ esta fornece orientações
sobre a disposição, selecção e form atação de dados de r eferência, e que, através do método em
questão, a aplicação destes mesmo s dados será necessária para o cálculo de vida útil est imada ”.
Entretanto o CSTB em parceria com o P olitecni co di M ilano desenvolveu uma base de dados com os
valores da VUR, de m odo a disponibilizar a to dos os intervenientes que pretendam utilizar e ste
método uma forma coerente e que perm ita m inimizar alguma subjetividade associada à e scolha dos
valores dos fatores. Em 2 011, também a FEUP re aliza um trabalho semelhante co m o mesmo
objetivo.
Numa perspetiva pessoal deve referir-se que os parâmetros de avaliação pod e m ser para m uitos
componentes e produtos algo vagos e im precisos , não só porque m uitos deles são recentes no
mercado, não perm itindo reunir os dados necessári os para definir a VUR e muito menos saber no
caso da m anutenção, dur abilidade e condições de uso o seu desempenh o, mas também porque
basta que todos tenham classificam 1, com exceção de um deles, para que haja sempre um a redução
(0,8) ou au mento (1,2) da v ida útil e stimada. Também, as co ndições ao nível de pro jet o e de
manutenção para obte nção das classifi cações finais têm os mesmos problemas. O utra das
debilidades deste m étodo é o facto de e ste não ser sensível à incerteza associada à variabilidade dos
fenómenos que podem ocorrer n o processo de degr adação e também alguns dos fatores co mo o
fator E - caracterís ticas do ambiente exterior, englob a agentes di versos e cuja influência (ação do
vento, temperatura, entre outros) é bastante v ariável e het erogénea.
Existem outros métodos qu e se ajustam igualmen te na determinação da vida útil do s componentes e
produtos, nomeada me nte o Metódo “ Methode d’E valuation de scenarios de D egrada tion probables
d’Investissement s Co rrespond ants” - M EDIC , o Me tódo Monte Carlo (modelo de simulaçã o ), o
Metódo ALANI e métodos d e prioridade . (Calej o , 2001)
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de a poio à decisão
49
2.2.8
A
GENTES DE DEGRADAÇÃO
Efetivamente e como já foi referido, um edifício “ não dura para sempre”, em parte porque está
sujeito a agentes de degradação que vão provocar uma degradaçã o gradual ao longo da sua vida útil
(e em particular no s eleme ntos e nos seus comp o nentes e materiais).
A norma ISO 15686-1 (2011) define degradação como “ a alteração ao long o do tempo da
composição, microestrutura e propriedades de um produto, material ou componente que r esulta
numa r edução do seu desempenho”. E sta norma pro põe uma classificação para os agentes de
degradação que afetam a vida útil dos elemen tos do edifício, de acordo co m a sua natureza. N o
Quadro 2.9 resu m em-se os principais agentes de degrad ação e que são os segu intes:
Quadr o 2.9 - Agente s de degr adação
(norma
ISO
15686 -1
(2 011), ada ptado da n orma
ISO
6241).
N
ATUREZA
C
LASSE
E
XEMPLOS
Gravitação Sobrecarga, ação da neve.
Forças ou d eformaçõe s impo stas ou
restringida s
Formação, exp ansão e con tra ção de
gelo, desliza mento e de slocament o de
terras.
Energia cin ética Impactos, te mpestad es de areia ,
choqu e pela ação contínu a da água .
Agentes
Mecân icos
Vibrações e r uídos Abertura de tún eis, vibrações devidas
a tráfego ou dome sticas.
Radiação Raios solares, U V, rad iação ra dioativa.
Eletricidad e Reações eletro lítica s, iluminaç ão.
Agentes
Eletromagné ticos
Magnetismo Campos magn éticos.
Agentes
Térmico s
Níveis extr emos ou alteraçõe s ráp idas
de temperatura
Calor, frio, geada, ch oque tér mico,
fogo.
Águas e solv entes Humidad e do ar, humida de do solo,
precipitação , álcool.
Agentes oxid antes Oxigénio, d esinfetante s.
Agentes redu tores Sulfuretos, a moníaco.
Ácidos Ácido carb ónico, excre mentos de
pássaros.
Bases Cimentos, h idróxido s, cal.
Sais Nitrato s, fosfatos, cloreto s, ge sso.
Agentes
Químicos
Químicos n eutros Calcário, gord ura, óleo, tin ta.
Vegetação e microorga nismos Bactérias, bolores, fungo s, ra ízes.
Agentes
Biológicos Seres vivo s Roedore s, térmitas, la rvas, p ássaros.
Capítulo
2
50
Na v erdade, o processo de perda de desempenho de um e difíci o desen volve-se durante a sua vida
útil, send o que, para além destes agentes, é de considerar o utros fatores que podem contribuir para
a degradação no meadame nte: (CIB W086, 1993)
▪ ”Defeitos a montante da utilização (er ros de promoção, es tudos e projetos e de
construção);
▪ Erros de utilizaçã o;
▪ Agentes externo s (acção c limática, poluiç ão, entre ou tros);
▪ Agentes internos ( t empera tura, vapor de água );
▪ Outras causas (a cidentais )”.
No Quadro 2.1 0 seguinte resum e m-se estes pri ncipais fatores e agent e s:
Quadr o 2.10 - Outro s fatores e agente s de degrada ção.
F
ATORES DE DEGR ADAÇÃO
E
XEMPLOS
Erros d e con ceção e
execuç ão Ações humana s (in)direta s
Insuficiências n a conce ção e e xecução d o proj eto,
inadequ ação n as escolhas (m ateriais, conh ecimento
das questõe s ambientai s, etc. ), informação
insuficiente.
Erros d e utilização Ações humana s diretas Ausência ou inadequ ação d e manutenção , uso
indevido, van dalismo, negligê ncia.
Agentes exte rnos Ações indir etas
Poluição atmosférica (pa rtícul as e poeira s emitidas
por cha minés industriai s; gase s, sendo os mais
important es o dióxido de carbo no (COz), o dióxid o d e
enxofre (SOz), o ozo no (Or) e o monó xido d e carbono
(CO13), o funcionament o de e quipa mentos (de
construção, agrícolas, etc .), alt erações de n ível
freático.
Agentes inter nos Ambiente inte rior Variaçõe s da temperatu ra do ar, hu midade relativa
do ar, temperatura radian te, ventilação.
Desastres na turais Sismo, cheias, temp es ta des, trov oadas e desliz a mento
de terr as.
Outras c ausas
(acidentais) Desas tres devidos a causas
humanas imprevisíveis Incêndio, choq ue, explosão e inu ndações.
Como se pode constatar, os agentes e outros fatores de degradação que contrib uem para a perda de
desempenho de um edifício são em númer o considerável, sendo por isso necessário desenvolv er
estudos e m odelos que perm itam p erceber com o se proc essa a p erda de d esempenho dos
elementos, ou seja, o comporta mento em ser v iço do edifício. Um dos m odelos já foi e xemplificad o
na Fig.2.5 , a “curva em banheira”, que admite a existência de uma probabili dade de falha, durante a
vida útil do edifício, indica ndo fases do cicl o, em que há uma maior pr obabilidade de ocorrência de
falha ou, dito de outra for ma, de ocorrência u m a manifestaçã o patológica ou anomalia.
Na verda de, a ação do s agen te s de degr adaç ão int er essa na medida em que est es po ssam causar no s
vári os element os do edifí cio uma ocorr ência de manif est açõe s pa tológic as que pr ovoquem a sua
degr adaç ão. ( Quadr o 2.11 )
Em termos apropriados, uma manifestação patológic a é a expressão resultante de um mecanismo de
degradação e a patol ogia é uma ciência for mada por um conjunto de teorias qu e serve para explicar
o mecanis mo e a cau sa d a ocorrência d e deter m inada manifestação p atoló gica ou an omalia. A
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de a poio à decisão
51
patologia estuda as manifestações patológicas que podem vir a ocorrer em uma construção. Na
verdade, uma manifestaçã o patológica ou anomalia surg e porque e xiste u m conjunto de exigências
que não estão a ser cumprid as.
Quadr o 2.11 - Ocorrência de man ifestaçõe s.
O
CORRÊNCIA DE M ANIFESTAÇÕE S
Causas da oco rrência
da degrad ação
Efeitos da oco rrência
da degrad ação
Manifestação
patológica Origem da ocorrência
da degrad ação
(agentes)
Mecanismo s de
ocorrência d egradação
Causas da oco rrência Efeitos da oco rrência
Anomalia Construtiva
Funciona l
Manifestação
Lógica Origem da o corrência Mecanismo s de
ocorrência
P or último , par a o c o mporta m ent o em serviço de um edifício , o que inter essa é identificar as
principiais ano malias qu e condu z am a manif es taç ões p at ológica s que induz am a um não
cumprimen to de u m c omporta ment o devid o esper ad o.
2.2.9
E
XIGÊNCIAS E REQUISITOS DOS EDIFÍCIOS
O ser humano sempre sentiu nece ssidade de se proteg er do ambiente exterior. O instinto de
sobrevivência foi-o dotand o da v ontade de estabelecer lim ites e fronteiras, não s ó pela necessidade
primária de proteção, mas também de uma definição d e como garantir a sua permanência no t empo.
(Fernandes Rocha, 2005)
Para o ser humano o e spaço só existe se for quantificável, pois é complicado defin ir algo abstrato. Na
verdade, cada so ciedade foi encontrand o u m sistema distinto de o rganizar o seu espaço, o u seja, o
seu te rritóri o de acordo com o seu modo de v id a, a sua cultura e a sua est ruturaçã o s ocial,
correspondendo acima de tudo a u m a necessidade relacionada co m questões de identidade e d e
pertença a um lu gar.
Simultaneament e a c onstrução t eve que a companh ar as exig ê ncias da evolução do te m po, qu e
passaram também pela necessidade de conceção de nov as formas, que melhor respondiam às nova s
solicitações. E essas solicitações surgem do facto , de que to do o construído possui característi cas que
tem de satisfazer as necessid ades do ser hu mano que o utiliza – o utente, pois é essa a sua função
primária. As exigências são isso mesmo, o objetivo em si. (Fernan des Rocha, 200 5)
Concretamente o co nceit o de exigência e requisito tem sido utilizado com algumas imprecisões e
incorreções, sendo m uitas v ezes referenciados de forma indiferenciável, para querer dizer a mesma
coisa o u inve rtendo os seus papéis. P aralela m ente a estes conceitos é t ambé m re ferenciada a
denominação “ d esempenho” ou “funcional “ para classificar quer o termo exigência quer o termo
requisito. Deste modo , será re levante destacar, no contexto nacional e interna cional, o s principais
conceitos e t ermin ologias asso ciadas a esta t emátic a e a sua e voluçã o. O resumo das ex igências
referidas por aut ores refer enciados ao longo do texto e outros enc o ntra-se, tam bém, no
ANEXO
A 2 . 1 .
Em Portugal, o conceito de exigência fun cional começa a ser divulgado no LNEC n o final da década de
60 por Gomes (1971) que publica uma memória do LNEC em que defin e quais as e xigências
funcionais das habita ções e o seu m odo de satisfa ção. (Fernandes Rocha, 20 05)
Capítulo
2
52
Segundo o autor, “ A habita ção tem de se adaptar a esta complexidade da vida, compensando – com
apoio no equipamento comunitário circunvizinho – as insatisfações e o desenc anto do dia-a-dia; e
parece cada vez mais evidente que e sta adaptação tem de ser dinâmica ajustando- se sucessivamente
às novas ex igências dos habi tantes”. É efetivament e assumida a i mportância que a satisf ação dos
utentes têm na conceção arqu itetónica e como fo rma de materializar essas intençõ es, ter-se-ia de
dar resposta a um conjunt o de exigências funci onais. Estas se riam previstas de forma hierárquica de
importância e a sua avaliação s eria qualitati va e não quantitativa, porque, segun do o a utor, no
estado atual d os conhecimentos científicos e técnic os não se conseguiri am justificar d e outra forma.
Acima de tudo, considera que são as e xigências hu manas que determina m as exigências funcionais, e
que as me smas depende m, entre o utros factores, “ de usos e costumes, de estádios de evolução
social, de condiç ões económicas, que não s ão uniformes e gerais ”, e também do P aís, da região e da
época em que se inserem. Segundo o autor, e por sequência da sua importância relativa as
exigências funci onais a considerar c o nsistiam em:
▪ Exigências de Seguran ça pretendem garantir a prote ção da vida dos ut entes;
▪ Exigências de Saúde v isam assegurar as condições primárias da vida fisiológica da
habitação;
▪ Exigências de Conforto , estas complementa m as exigências primarias de saúde, desde
que devidament e enquadr adas e ajustadas;
▪ Exigências de Sa tisfação correspondem a o usufruto d a habitação;
▪ Exigências de Econo mia relacio nadas com todas as anteriores, mas com implicações que
as excedem.
Percebe-se que, para o autor, a defin ição de exigência funcional decorr e de uma necessidade d e
satisfação de um conjunto de exigências humanas concretas, de acordo com a sua importância no
funcionamento da habitação e das atividades que poderão decorrer. Contudo, assume que o
conjunto de exigências definidas poderão estar incompletas e que as mesmas serão discutíveis, mas
na subdivisão e especificação das me smas não refere qualquer outra denominação, sendo atribuíd o
somente o termo de exigência. Neste caso o autor considera que a exigência Saúde e Co nforto
seriam complementares. O termo Conforto é denominado também como bem-estar, daí a
associação por parte do autor. Consid era-se que não fará sentido consider ar como exigência a
Satisfação, uma v ez que ca da uma é-o e m função de um mod o de satisfação exigi do pelos ut entes.
Posteriormente o utros autores, c omo Correia Gomes (1992), definem també m as exigências
funcionais para a fase de util ização do edifício e que c onsistiam e m: (Fernandes R o cha, 2005)
▪ Exigências de Segurança , estrutural, contra riscos de incêndi o, contra intrusões e contra
riscos de utilizaçã o;
▪ Exigências de E stanquidade ;
▪ Exigências de Conforto higr otérmico, acústic o, térmico;
▪ Exigências de Ambiente s ocial , atmosféric o;
▪ Exigência de Hi giene ;
▪ Exigência de Durab ilidad e ;
▪ Exigência de Cus to Global ;
▪ Exigência de Adap tação à utilização .
O autor considera a exigê ncia Ambiente atmosféric o como tendo a ver com o ar no interior do
edifício, em q ue o ar deve possuir “ uma pureza que nã o ponha em causa a saúde e o co nfor to dos
seus utentes ”, ou seja, trata-se de uma variaçã o de termin ologia, p o is tem os m esmos pressup ostos
que a exigência de saúde, no cas o anterior.
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de a poio à decisão
53
Proença (1992) define a seg uinte lista de exigências funcionais de edifícios de habi tação: (Fernan des
Rocha, 2005)
▪ Exigências de Seguran ça ;
▪ Exigências de Habi t abilidad e ;
▪ Exigências de E conomia .
Nesta divisão a exigência Habitabilidade engloba a speto s relaci onados com o confor to, higiene,
estanquidade e aspeto. O termo habitabilidade rem ete para a definição de “ qualidade do q ue é
habitável” e, nesse sentido , deveria estar subjacente a to das as exigências, dado que não se t rata de
questões de so brevivência , e uma ve z que to das pr e tendem que o edifício cumpra determinados
critérios para u m a determinada função, podendo também estar em causa um d eterminad o us o
específico.
Algumas teses de d outorament o e mestrado vê m também referind o a design ação de exigência
funcional, exigência d e desempenh o e requisit o com algumas inc oerências que c o nvém salientar.
Amorim Faria (1996) apresenta na FEUP a tese de doutoramento “ Divisórias leves prefabricadas ”. O
autor pr ocura apresentar o s principais conceitos relacionados com a abordagem dos edifícios numa
perspetiva sistémica. Num dos capí t ulos refere que “ Ao encaramos o e difício do ponto de vista
funcion al falamos de órgão e não de sub-sistemas . A decomposição funci onal de um edifício seria
mais adequa da no âmbito da conceção arquitetónica” . Por o utro lado, já ass umia a existência de
algumas incoerências nas designações de exigência de dese mpenho e de exigência funcional, quer
em documentos de língua inglesa e francesa, quer em alguma s publicações em língua nacional. O
mesmo autor considera qu e “o prolongamen to do conceito de exigência funciona l do utente aos
órgãos dos edifícios não pare ce um procedimento correto” e explica que “em muitas situações onde
seria mais apropriado usar a designação de exigência de desempenho se tenha utilizad o o t ermo
exigência func ional”.
Também Rodrigu es (200 3) aborda o mesmo assunto ao referir que “para satisfazer as necessidades
dos utentes o edifício deve realizar todas as funções qu e permitam concretiza r es s e objectivo, ou seja,
os diversos órgãos do edifício devem r ealizar em conjunto as funçõ es nece ssárias à completa
satisfação d as necessidades dos utentes. Deste m od o, as exigênc ias funci onais surgem como as
funções que o edifíc io deve satisfazer na sua gl obalidade”.
Mais à frent e o m esmo autor refere que “ as exigência s funcionais devem estar associadas ao ponto
de vista global do e difíc io, porque se associadas a os órgãos do s edifícios estarão a definir
propriedades desses m esmos órgãos para o que será mais correto utilizar o termo exigência de
desempenho ”.
Por seu lado, Amorim Faria (1996) referia que “ um órgão de um edifício é então uma sua subdivisão
funcion al que asse gura uma ou mais das sua s funções com características semelhan tes e necessárias
à satisfação das necessidades do utente. As necessidad es do utente são normalmente designadas por
exigências funci onais do ut ente”.
Pretende-se demonstrar que efe tivamente a defin ição destes co nceit o s tem sido largamente
discutida e mes mo cronologica m ente existe m variações considerá veis na defin ição e discussão d o s
mesmos. Atualmente vários autores vão utilizando estes conceitos no se u estado de arte , Moreira da
Costa (19 95) L ucas (2005), Po rtugal Lopes ( 2005), Gonçalves (2008), Torres (2009), Paulino (2009),
entre outros.
Branco Pedro (2000) apresenta um programa de qualid ade arquitetónica habitacional aplicáv el na
conceção, análise e avaliação do nível físico dos espaços e comparti mentos. O progra ma foi
Capítulo
2
60
comportamento em serviço : como todo o edifício, estrutura ou unidade de construção funciona, ou
um sistema, o u compone nte o u parte dele funci ona realmente, de acordo com o local e us o
pretendido.
perfo rman ce: (of a facility) b ehaviour in ser vice (3.2) of a f ac ility (3.8) for a specifi ed use.
NOTE The sco pe of this performan ce is of th e facil ity as a system, includin g its subsy stem s, components and
materials, a nd th eir in teractio ns, such a s a coustical, hygrot hermal, econo mic an d so on, as well as the relat ive
impor tance (3.24) of each pe rform ance requirem ent (3.20).
desempenh o: (de uma faci lity ) comportamen to em serviço de u ma facility para u m uso especific o .
NOTA: o âmbito deste desempenho é o do facility como um sistema, incluindo o s seus subsiste mas,
componente e m ateriais, e as suas interacções, tais como a acústica, higrotér mico, econó m ico e
assim por diant e, bem como a i mportância relati v a de cad a requisito de dese m penho.
Na norma ISO 15686-1 (20 11) a definição de performanc e é:
perfo rman ce: qualita tive level of a critical pro perty at any point in time considered .
desempenh o: nível qualitativo exigid o para uma d eterminada propriedad e crítica.
Nesta parte 10 da norm a a perfor mance de um edifício, ou suas partes, pode definir-se como o
comportament o em se rviç o que deverá ter num dad o m omento, para dar resp osta para um uso
específico. Contud o , na m esma norma p arte 1, o conceito de p erformance pressupõe um ní vel
qualitativo que lhe é exigido. Ou seja, o conceito de performance já tem associa do, ta mbém, u m a
avaliação do s eu desempenho, enquanto na parte 10 a sua avaliação é realizada atrav és do seu nível
de desempenh o.
A norma ISO 15 686-10 (2010) define:
perfo rman ce requirem ent: performance (3. 19) de manded o r expected of a facility (3.8) for a specified u se.
NOTE Ada pted from ISO 6707 -1:2004, d efinition 9. 1.16.
exigência de de sempenho : desempenho exigid o ou esp erado de uma facil ity para um us o especifico.
NOTA: adaptad o da ISO 67 07-1:2004, definiçã o 9.1.16.
Na norma ISO 15 686-1 (2011) a definição de perfo r mance requirement é :
perfo rman ce requirem ent: minimum acceptable le vel of a critical pro perty.
exigência de de sempenho : é o nível mínim o exigido para uma d e terminada pr o priedade críti c a.
Na parte 10 d esta norma a “exigência de desempen ho” t raduz o comportame nto em serviço que é
exigido a um edifício ou suas partes para as quais foi pro jetado para dar resposta, e que poderão ser
critérios como conf o rto, dura bilidade, etc.
Contudo, a parte 1 desta m esma norma associa este co nceit o a um nível mínimo exigido,
pressupondo ta m bém uma avaliação.
level of perfor manc e: number indicat ing t he relat ive p erforman ce ( 3.19) r equired or provided for one topic
(3.33) o n a predetermined scale (3.25 ) from the level o f th e least (performan ce) to the level o f the most
(performan ce).
NOTE The l evel of per formance may b e th e con sequenc e of several di stinct perfor mances behaviours in service
(3.2), of whi ch one may be fu nct ional performanc e (3.11), which a ct in comb ination .
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de a poio à decisão
61
nível de desempenh o : núm ero que indica o desempenho relativo requerido ou pro vido para um
tópico, numa predeter m inada escala, a partir do nív el m ínimo (desempenho) até ao nível m áximo
(desempenho).
NOTA: o níve l de d esempenho poderá ser consequência de vários des empenhos distintos
comportament o em s erv iç o, dos quais um pode ser o desempenho funciona l , que atuam de forma
combinada.
É definido também o co nceito de “ desempenho funcional ”: e “ exigência de desempenho funcio nal ”
na norma ISO 15 686-10 (2010):
function al perfor manc e: (of a facility) perfor mance (3.19 ) of a fac ility (3.8) to support required function (s )
(3.10) under sp ecified u se cond itions.
desempenh o funcional: d e sempenho de uma facility sob condiç ões de uso especi fico para suportar a
função requerida.
function al perfor manc e requiremen t: typ e and level of fu nctiona lity (3.15) that is requ ired by stakeholder s
(3.30) of a facility (3.8), building or other con structed as set (3.1 ), o r of an a ssembly, component or p roduct
thereof, or o f a mo vable asset , for a specifi c function (3.10)
exigência de desempenh o funcional: tipo e nível de funcionalidade que é requerido pelas part e s
interessadas de uma facility , edifício ou o utros bens construídos, o u mesmo duma montagem,
componente ou produt o , ou bem construído m ó vel para uma funçã o especifica.
A denominação de exigência de “desempenho fu ncional” pressupõe a sua aplicação a um uso
específico, m as também de acordo com uma função requerida, o u seja, co nsidera à partida a
satisfação do utent e para uma funçã o .
Por último e para além do níve l de desempenho já referido são definidos outros tr ês n íveis de
avaliação n a n o rma 15686-10 (201 0 ): “ n ível d e funcionali dade ”, “ nível d e s erviço ” e “ níve l limite ”,
definidas da seguin te forma:
level o f function ality: n umb er indicating the re lati ve functionality (3.13) requ ired for a user (3.34) group or
customer for one topic (3. 33) on a predetermined dem and scale (3.26) from the level of th e least
(functiona lity) to t he level of t he most ( function ality).
NOTE The level o f fun ctionali ty may be the consequen ce o f severa l distinct fun ctions (3.10) requ ired to a ct in
combinatio n. EXAMPL E Scale of integer s from 0 to 9.
nível de funcional i dade : númer o que ind ica a f uncionalid ade r elativa reque rida por u m utente,
grupo ou cliente para um t ópico, numa predetermi nada escala exigida, a par tir do nív el mínimo
(funcionalidade) a té ao nív el máximo (funcionalid ade).
NOTA: o ní vel de funcional idade pode ser consequên c ia de v arias funções distin tas, requeridas para
atuar em conjunto. EXEMP LO escala de inteir os de 0 a 9.
level of serv iceability : nu mber in dicatin g the relati ve serv iceab ility (3.29) [capa bility o f a facility (3.8)] for a
user (3.34) group o r custom er for o ne top ic (3.33) on a predetermin ed supply scale (3.2 7) fro m the lev el of the
least (servic eability) t o the m ost (serviceab ility).
NOTE The lev el of serviceab ility may be the consequen ce of several di stinct phy sical feat ures (3.9) actin g in
combinatio n. EXAMPL E Scale of integer s from 0 to 9.
Capítulo
2
62
nível de ser viço : núme ro que indica o serviço relati v o (capacidade de facility ) para um utente, grup o
ou cliente para um tó pico, numa predeterminada escala proposta, a partir do níve l mínimo ( serviço )
até ao nível máxi mo (serviço).
NOTA: o nível de s erv iço pode ser consequênci a de várias características físicas distintas, requeridas
para atuar em conjun to. EX EMPLO: escala de inteiros de 0 a 9.
thre shold level: num ber ind icating the level o f fun ctionali ty (3.15 ) whi ch, if not p rovided, would significan tly
or completely i mpair the abili ty of user s (3.34) to carry out their inten ded activiti es or op eratio ns
.
nível limite: número que indica o nível de funci o nalid ade, que se não provid o, poderá prejudicar
significativament e ou com pletamente a capacidade dos utentes em realizare m as suas actividad e s
destinadas ou op erações.
Relativamente a uma aval iação de pe r formance o u functional performance p odem existir vári o s
níveis. Sendo o “ nível de desempenho “ o que é requerid o por um requisito numa determinada
escala, o “ nível de serviço ” será a resposta que se propõe para satisfação de um det erminado utente,
o “ nível de funcionalidad e ” o que é requerido por um utente numa determinada es cala exigida e por
último, o “ nível lim ite ” o nível a partir do qual o edifício ou as suas partes entra m em obsolescência,
ou seja, deixam d e dar resp osta à satisfaçã o dos utentes.
Como exe m plo, considera-se para a função habitação, a exigência Co nf orto acústico e o requisit o
redução de ruído. Relativa m ente ao “desempenho”, ou seja, ao comportame nto em serviço num
determinado mo mento específico, o valor é 35Rw. O “desempenho funcional”, para a funçã o
habitação e para o uso específico a considerar seria Rw> 33Rw. O “ nível de serv iço”, ou seja, a
capacidade que se propõe como resposta ao requisito seria 3 8Rw. O “nível d e desempenho” e “ nível
de funcionalidade” s eria um v alor v ariável e ntre 33 e 54 Rw , como valo res m ínimos e m áximos.
( Fig.2.7 )
ESCALA
0
9
33 Rw 35 3 8 5 4Rw
Fig. 2.7 - Ex emplo de ap licaçã o para a exigência d e desemp enho fu ncional conforto a cústico.
A manutenção, com o fim de m anter ou devolver aos elementos e component es um est ado que lhes
permita desempenhar as funções para que foram pro jetados, t raduzir-se-ia em manter o valor 38Rw,
ou seja, o valor d e garantia do nív el de serviç o proposto.
A norm a 15686-10 (2010) sugere que, mesmo que não tenham ocorrido alteraç ões dos utentes e das
funções, os níveis de fun c ionalidade e de serviço dev em ser inspecionados após cinco anos e
verificados se s e mantêm adequ ados.
O Quadro 2 .12 , que s e se gue, apresenta algu mas das c onclusões obtidas, após a anális e da norma
ISO 1 5686, para um conju nto de conceitos essenciais para o desenvolvi mento do presente trabalho
de investigaçã o:
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de a poio à decisão
63
Quadr o 2.12 - Resumo de alg uns conceitos p resent es nas n ormas ISO 1 5686-1 ( 2011) e I SO 15686 -10 (2010 ).
Principais defini çõe s.
C
RITÉRIOS GERAI S
C
RITÉRIOS ESPECIF ICOS
A
VALIAÇÃO
E
XIGÊNCIAS
(requirement)
R
EQUISITOS
(topic)
N
IVEIS
(level)
desempenho
(perf ormance)
comporta mento
em servi ço
relac ionado
com o
USO
exigido/
espera do
(demand/
expect ed)
desempenho
(perf ormance)
exigido/
provi do
(demand/
provi ded
limite
(thre shold)
obsole scência
(obsol escence)
desempenho
funcional
(func tional
requi rement)
desempenho
sob co ndições
de uso para
suport ar a
função
requer ida
relac ionado
com o
USO
+
FUNÇÃO
requer ido
(reque red)
funcionalidade
(func ionality)
requer ido
pelo
utent e
(requi red
demand
scale)
serviço
(serv iceability)
escala
forne cida
(suppl y
scale)
Ao lo ngo deste subcapítul o expôs-se o estado do conhecimento relativamente a um conjunto de
conceitos que têm sido amplament e utilizados ao long o de vários anos.
Essencialmente a partir dos ano s 60 tem-se abordad o de f orma sistemática teoria sobre o conceito
de performance. Muit o desse t rab alho foi sendo desenv olvido pela Comissão de trabalho do CIB,
tendo sido referido desde o iníci o , como sendo um co nceito relacionado com o que é exigido ao
edifício ou às partes do edi fício, e não uma ten t ativa de descr ever como eles devem ser construídos.
Inicialmente foi-s e abordando o estudo do outp ut performance e dos seus atri butos, estes últimos
também relacionados com exigências do utente e métodos de avaliaçã o. O conceito foi sendo
alargado e utiliz ado de forma generali zada, como u ma avaliação do des empenho de um edifíci o e das
suas partes.
Mais recentemente, e com o desenvolvimento das normas ISO, em p articular da norm a ISO 15686,
foi determinad o um conjunto de t ermos e definiçõ es sobre o comportam ento de um e difíci o durante
a sua vida útil, motivo pela qual se consider o u importante abordá-la neste subcap ít ulo.
2.3
G
ESTÃO DA MANUTENÇÃO DE EDIFÍCIOS
2.3.1
I
NTRODUÇÃO
Neste subcapítulo faz-se um breve re sumo s obre a área do conhecim ento da gestão de edifíci os,
enquadran do-a no âm bito do presente trabalho de inv estigação, no se ntid o em que, para garantir o
comportament o em serviç o de um edifício, é necess ário implemen tar deter minados procedimentos
e aç ões ao longo da s u a v ida útil. S endo um d os o bjetivos incluir a manutenção nas fases
preliminares de pr ojeto, é fundamental ter conheci mento do domínio da manutenção e também da
gestão dos edifícios, de mod o a esclarecer e identifica r as implicaç ões e co ntribu ições deste domínio
do conheciment o no comportament o em serviço.
Segundo Calejo (2004), a área do conhecimento da gestão de e difíci os, pretende “caracterizar todo o
conjunto de acções, pr oced imentos, que é necessário afectar a um edifício após a s ua construção de
forma a optimiza r o seu desempenho”.
Alguns dos principais fato res que co ndici onam o comportamento de um edifício já foram focados,
nos subcapítulos anterior es, em particular os agentes q ue influenciam o seu processo de degradação.
Capítulo
2
64
“Estes agentes cond icionam fortemente a qualid ade do edifício mas é também import ante s alienta r
que o utente deve estar atento e proceder a ope rações de inspec ção e reparações, uma vez que este é
o responsável pela manu te nção do edifí cio”. Calejo (2004)
Na v erdade, o papel do utente é primordial, porque é a partir dele q ue surg e uma necessidad e de
intervir no ambiente urbano o u à escala do edifíci o, mas é também, em larga m edida, dele que
depende a garantia de que o edifíci o v ai responder às necessidades iniciais propostas durant e a sua
vida útil. Daqui se co nclui que a atividade d a m anutenção, e da construção em geral, está
intimamente ligada à satisfação das necessidades hum anas, pelo que tem de resp onder a u m
conjunto de exigências de desempenho funci onais, necessidades e regras, ditadas pela circunstância
do lugar e dos seus ut ente s.
Resumindo, é p o ssível estruturar a gestão da manu tenção e m três atividades fundamentais: a
técnica; a económica; a fun cional. A atividade técnica “engloba todos os processos r elaciona dos com
o desempenho do edifício, dos seus elementos ou compon entes”. A atividade económica ”integra
todos os processos finan ceir os ou contabilísticos r elacionados com o edifí cio decorre ntes dos
encargos com o seu financia mento”. A atividade funcional “ ass ume t odas as questões decorrentes da
utilizaçã o do edifíc io num determina do contexto o qual se pode caracterizar pelos utentes, pela
legislação, pela s relações co m próximos, etc.” (Fernan des Rocha, 2005 adaptad o de Calejo 2004)
A gestão de edifícios é, as sim, um conjunto de pro cedimentos e ações, plane ados e o rganizad os,
sujeitos a controlo e liderança, com o objetivo de satisfaz er as exigências de desempenho funcionais
pretendidas para o edifício, mediante os recursos disponíveis. Como tal, deve ser im plementad a
desde a fase de projeto e até ao fim do ciclo de vida do edifício. É importante que todos os
intervenientes envol vidos, desde o do n o de obra, a utor de projeto, construt or, utente, gestor de
edifício e empresa de m anu tenção de condomínios , tenham consciência do se u papel enquanto
responsáveis, e m garantir o cumpriment o do desempenh o funcional do edifí cio.
Têm sido re alizados, ao longo dos ano s, vários estudos internacionais e nacionais sobre as principais
causas de anomalias nos edifícios. Desde os estudos do CSTB (1991), da AQC (2006), dos e spanhóis
(Chamosa e Ortiz, 1984), es tes últimos reuniram inform ação sobre vários e studos europeus
relativamente às principais causas de anomalias na construçã o, e tam bém com o s dados relativos à
situação espanhola. ( Fig.2.8 )
Fig. 2.8 - Valo res m édios euro peus das pr incipais cau sas de an omalias na con strução.
Em todos os estudos as principais causas centram-se e m erros ou falhas da fase de projeto e
execução. Estes dados revelam a impor tância que as opções conceptuais v ão ter no comportamento
em s erviço dos edifíci os e o conhecimento das principais anomalias, causas e origens e d o processo
de degradação. Um a das justificações apontadas r elaciona-se com os prazo s reduzidos para a
elaboração do projeto e u ma ausência de instru mentos de auxílio que permita m analisar os vários
problemas existentes em toda a sua extensão. Uma dessas ausências é, e fetivam ente, a existência de
Projeto
(43%)
Execução
(
38
%)
Materiais
(
14
%)
Outras causas
(
5
%)
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de a poio à decisão
65
instrumentos de auxílio para a t omada de decis õ es n o domínio da manutenção e respeti vas
implicações futura s.
Para alé m das quest ões relacionadas com as opções conceptuais, durante a fase de comportament o
em serviço há que t er pa rticular preocupação em reunir to da a informação do edifício que seja
necessária para o seu co rreto funcionamento e utilização. O Manual de se rviço é, assim, um
documento que permite, quer ao gestor d o edifício, quer ao utente, saber quais os procediment os e
ações previstos e necessários para garantir o seu des empenho durante a v ida útil. São consti tuídos
por dois document o s: o manual de manutenção (vocacionado para o gestor) e o manual de utilização
(vocacionado para o utente).
De acordo co m a norma prN P 4483 (2008), u m manual de manutenção de ve inclu ir:
▪ O âmbito do sis tema de gestão de manutenção, deta lhes e justificaçã o de quaisquer
exclusões;
▪ Os procedimento s documentados estabelecid os para o sistema de gest ão de ma nutenção,
ou a eles refer entes;
▪ Uma descriçã o da interação en tre os processo s dos siste mas de gestão da manu te nção.
De acordo co m Calejo (2001), u m manual de utilizaç ão deve incluir :
▪ “Características relevantes dos dive r sos compon entes e elemento s do edifício;
▪ Recomendaçõ es para um a adequada utilização e manutençã o;
▪ Lista de mate riais aplicados e respecti vas referências;
▪ Informações relativas aos fornecedores dos diversos compon entes e elementos, de forma a
facilitar o contacto e m caso d e necessidade;
▪ Direitos e deve r es dos uten tes;
▪ Primeiras acçõ es a realizar aquan do da entrada no e difício;
▪ Regulamentos e legislaçã o referentes ao cond omínio, qu ando aplic ável;
▪ Precauções de utiliz ação quanto ao u so e manutenção”.
Após a conclusão da obra este m anual é funda m ental na garantia de satisfação das necessidades dos
utentes e do conjunto de exigências de desempenho funcional estabelecidas previamente durante o
processo de conceção e que t êm de ser ve rificadas e c umprid as n o decorrer da vida útil de um
edifício.
2.3.2
F
ACILITY MANAGEMENT
O Facility Managemen t - FM é uma área de conheci mento qu e surge nos Estados Unidos da América,
em 1980 , com a fundação da National Facility Management Association , em Ann Arbor, Michigan,
pelas m ãos de um grupo de 40 profissionais em Facility Manag ement , est and o relacionad o com a
complexidade ver ificada na g estão de alguns edif ícios, como hospitais e centros comerciais d e grande
dimensão.
Envolve várias áreas do co nheci mento ao nível da prestação de serviços, e na optimização do
desempenho das organizações en volvidas, assu mindo a especialização de to do s o s out s ourcing . De
acordo com a norma EN 15221-1 (2006) e EN 15221-2 ( 2006) a definição de Facility M anagement é a
integração dos process os dentro de uma organizaçã o para manter e desenvolver os serviços de apoi o
acordados e melh orar a eficácia das suas ac tividades primárias.
As áre as principais do seu core business são: a envolvente edificada, a limpeza e higieniz ação,
recepção e segurança, catering / condições de salubrid ade dos funcionário s, serviços de publicidade e
gestão de image m e o alug uer de equipa mentos. ( Fig. 2.9 )
Capítulo
2
66
O RG A NI ZA Ç ÃO
ed ifíc io
co m un i ca çõ es
e ne rgi a
tr an spo rte s
ca te rin g
se gu ran ça
e tc .
FM
GE ST ÃO
D IAG NÓS TICO
A CON SE LHA ME NT O
M ONO TOR IZ AÇ ÃO
Fig. 2.9 - Campo de ação do F acility Managem ent.
Em 1982, é criada a “ Internation al Facility Management Ass ociation” - IFMA , resultado da e xpansão
internacional da Nation al Facili ty Management Assoc iation , fundada dois anos antes. O FM ganha
expressão na E ur opa, mais tarde, com o apareciment o da “European Facility Management Network”
- EuroFM , que vem facilitar o intercâmbio de informações e conhecim entos. Tratand o-se de um tema
atual e bastante recente, o FM é resultado de uma mudança de paradigma no que co ncern e à forma
como é encarada a g e stão d os edifícios.
Em P ortugal, o FM é uma área pouco desenv olvida. É principalmente nos EUA, Alemanha, Holanda e
Inglaterra que se verificam os d e senvolviment o s mais n o táveis, como re sul tado de um meio
empresarial ativ o e atento aos n ovos nichos de m ercado e às possibili dades de negóci o.
Contudo, surge em 200 6 a “ Associação Portuguesa de Facility Management ” - APFM , após terem
sido identificados os poten ciais agentes desta áre a em Portugal, assumindo-s e c omo uma associação
nacional de profissionais individua is, sem fins lucrativos, com diversos associad os re presentativ os de
todos os sect ores relaciona dos com o FM.
No que diz respeito à normalizaçã o, a APFM é m embr o correspondent e no Instituto Português da
Qualidade - IPQ no âmbito d a participação na Comissã o Técnica CT348, para normalizaçã o na área do
FM. Tem ainda participado , por convite, na Comissã o Técnica CT94/SC01, cuja missão é definir uma
norma portuguesa de sistemas de gestão da manutenção. O FM deve ser considerado uma área de
negócio que p ode ter um p otencial considerável e m Portugal.
2.3.3
C
USTO DE MANUTENÇÃO E O CICLO DE VIDA DOS EDIFÍCIOS
Os custos associados a um edifício vão m uito para a lém dos custos com o investimen to inicial até à
conclusão da obra. Posteriormente e até atingir o seu fim de ciclo de v ida, o s encargos com o edifício
são muito representativos e devem ser estimados na medida do possível, com a determinação de um
custo global. O custo global pode ser dividido em c ustos iniciais (Ci) e custos diferidos ( Cd). ( Quadro
2.13 )
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de a poio à decisão
67
Quadr o 2.13 - Custo Globa l d e um edifício .
C
USTOS
I
NICIAIS
I
NVESTIMENTO FI XO
Terreno
Projeto * A
Construção
Licenças
E
XPLORAÇÃO
Energia
Gestão
(água, gá s, eletricida de, resídu os)
U
TILIZAÇÃO
Encargo s pessoal
Impostos (IMI , etc.)
Segurança
C
USTOS
D
IFERIDOS
M
ANUTENÇÃO
(cíclicos e an uais)
Inspeção
Limpeza
Medidas Pró-ati vas
Medidas de corr ecção
Medidas de sub stituiçã o
*A Deveriam incluir -se ta mbém aqui estudos de impact o ambienta l, que englob aria m proble mas como a
poluição , o trá fego, etc.
Relativamente aos custos diferidos o u de s erviç o, os custos de explora ç ão são definidos como todos
os cus tos gerados pelo edifício pelo facto deste fornecer u m “serviço”, portanto quando o edifício
não se encontra a ser utili zado não se quantifica m. Nestes custos estã o inseridos o s gast o s c om a
energia, a água, resíduos, entre o utros. O s custos de utili zação são aqueles que deco rrem da sua
utilização e da atividade exercida (funçã o e modo de uso). Nestes custos estão in seridos o s encargos
com o pessoal, impostos, entre outros. Os custos de manuten ção são todos os c ustos que decorrem
com a implementação dos vári os process os de man utenção e estima-se que c orresponda m a cerca
de 1 a 2% do cust o da construção.
Um dos instru mentos atuais para quantificar o s cust os globais é a análise através do Life Cycle Cost -
LCC , ou seja, o c usto do ciclo de vida. Este método faz refletir a estrutura c íclica de e ncargos com um
edifício em serviço, não sendo na prática mais do que um método de valor actual com ê nfas e num
maior número de encargos cíclicos. O custo global ( CG ) expressa-se, neste método, por meio de um
único número que adiciona custos iniciais com o valor atual de custos diferid os, de acordo com a
equação:
CG
= CI +
∑
Cam + Cae + Cau +
∑
Ccm
(1+ a)^n
(1+a)^kM
Em que:
▪ CG , custo global
▪ CI, custo total inicial
▪ Cam, custos anu ais com manutençã o
▪ Cae, custos anuais de exp loração
▪ Cau, custos anuai s de utili zação
▪ Ccm, custos cícli cos de ma nutenção
▪ M, periodicidad e dos cust os cíclicos
▪ N, vida útil
▪ a, taxa anual m édia equivalente de atualização
n
-
1
k
-
1
n
-
N
k
-
IN/MI
Capítulo
2
68
Esta formulação pode aplicar-se ao edifício na globalidade ou, por o utro lado, aplicar as
componentes, ele m entos ou equipamentos da c o nstrução da segu inte forma (Cal ejo , 200 1):
C G =
Σ x
CG
Em que:
▪ CG , custo global
▪ CGi, custo global do comp onente, elemento ou equipamento “i ” de um edifício
▪ E, número de c o mponentes, elem entos ou equipa mentos dum edifício
Este método possui algu ma fragili dade uma vez que im plica a utilização de alguns dados de difícil
determinaçã o, como seja m a taxa anual m édia equiva lente de atuali zação “a” e a periodicidade dos
custos cíclicos “M” e a vida útil “ N”, gerando uma incer teza significati va. Esta fragilidade fo i
contornada utilizando Mé todos de incerteza, que consistem em introduz ir a incerteza dos dados no s
resultados finais, passando est es a sere m considerados como um intervalo e não como um valor fixo.
Os m étodos de análise de sensibi lidade, análise c usto-b enefício e anális e de risco t êm também como
base este conc eito. (Calejo, 2001)
Outro método utilizad o é o “ Whole Life Cost” - WLC , ou seja, o custo total de vida, que considera o
período de vida física da construção, ou seja, t ambém os custos residuais (destinados a recuperar a
vida útil física do edifício). O cust o total de vida expressa-se de ac ordo com a eq uação seguinte:
WLC = I + (OM + E + R) x t – S
Em que:
▪ I, investimento inicial
▪ OM, despesas corr e ntes
▪ E, custos energétic o s
▪ R, reposição e su bstituição de ele m entos
▪ S, valor residual
▪ t, taxa de atualizaçã o
(em rigor, pode m existir taxas de a tualização diferenc iadas para OM, E e R)
De referir que, de ac ordo com vários estudos, 9 0% dos custos do WLC sã o determinados p or decisões
tomadas durante a fase de projeto . Mas como o método não se encontra o ptimizado, no m omento
da decisão, só em cerca de 10% dos casos é que estes dad os são utilizados. (Gasp ar, 2002).
De acordo com o exposto no Quadro 2.14 entende-se que uma decisão de projeto deve ser baseada
em critérios de a v aliação, q ue estão relacionad os com um conjunto de exigências d e desempenho.
i
i=1
i=E
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de a poio à decisão
69
Quadr o 2.14 - Decisõe s de pr ojeto. Avaliaçã o de um p rodu to no co ntexto:Exigên cias de d esempenho. (norma
ISO 15686-6, 20 04).
Por últim o e de acord o co m a norma ISO 15686-5 (200 8) de referir que a princi pal diferença entre os
dois métodos verifica-se com a inclusã o de um conjunto de e xternalidad es e de custos de não-
construção vastos (como custos de impacto ambiental, custos e benefícios sociais, custos financeir o s,
custos intangíveis e rendas de fluxos, entre outros). Em ambos só se devem incluir custos atuais que
o influenciam e con o micamente e, como tal, o s custos intangíveis que não fore m avaliados
economicamente , não são i ncluídos na análise.
2.4
T
RABALHOS DE INV ESTIGAÇÃO E PUBLICAÇÕES INTERNACIONAIS E NACIONAIS
2.4.1
I
NTRODUÇÃO
O presente capítulo termina com uma exposição dos principais t rabalhos desenvolvidos no do mínio
da manutenção de edifício s no contexto nacional e internacional e considerad o s relevantes para o
desenvolvimento do trabal ho de inv e stigação. De salientar o trabalho de Rap o so (2010) que realiza
na sua tese de doutoram ento uma síntese do estado do conhecimento no domín io da manutençã o e
da gestão de edifíci os com os documentos que considerou evidenciar, nu ma síntese cronológica
bastante minucio sa.
2.4.2
J
ORNADA S
,
S
EMINÁRIOS E CONFERÊNCIAS
Em 1 985 e posteriormente em 1994, o LNEC realizou o “ Encont ro sobre Conservaçã o e Re abilitaçã o
de Edifícios de Habitaçã o”. Do s vários temas abordados ressalva-s e no 1º Encontr o a comunicação de
Martins (1985), em que o referido autor aborda a falta de informação como um dos principiais
obstáculos ao cál culo da s estimativas dos trabalhos necessários à manut enção d e edifíci o s.
Considerando que a e stimativa da v ida útil para cada elemento de construçã o não estava ainda
devidamente estudada. Mais tarde, no 2º E ncontr o destacam-se as comunica ç ões de Abrantes e
Calejo (1994) sobre o “ Plan eamento das açõ es de man utenção em parque s habitac ionais”.
Origem da s
exigências
Avaliação/co mparação
Verificação d as exigência s
Opções de projeto
briefing
exigencias
objetivos
regulamentos
Opções de projeto
no contexto de
aplicação
Opções de
projeto 1
Opções de
projeto 2
Avaliação
técni ca
Avaliação
econó mica
Avaliação
ambiental
Capítulo
3
76
3.1
C
ONSIDERAÇÕES PRELIMINARES
Neste capítulo é apresen tado um enquadramento do domínio da área do conheci mento da
arquitetura. Apresen ta-se o estado atual da arquitetura e do seu estatuto e nquanto profissão no
contexto internacional e nacional, esclarecem- se algumas práticas envolvidas durante o processo de
conceção arquitetónica, focando quer os intervenien tes no processo, quer o ato em si de projetar e
os mecanismos envolvidos, quer o papel do autor de projeto- o arquiteto. E fetivament e, os serviços
prestados pelos arquiteto s nos diferent e s países d a Europa diferem
na sua legislação, n os seus
sistemas e de como (e mesmo se) a profissã o é regulamentada. Assim, existem variações nas
qualificações exigidas aos arqu itetos em cada país.
Pretende esclarecer-se também a importância em
se desenvolvere m metodol ogias que sirva m como sup orte de apoio à prátic a da arq uitetura.
Destacam-se alguns dos traba lhos d e in vestigação e publicações internacion ais e nacionais, cuja
leitura contribuiu para o d ese nvolvim ento deste trabalho de investigação. Por último, re tiram -se as
devidas considera ções finai s.
3.2
A
ARQUITETURA E O PAPEL DO ARQ UITETO
3.2.1
I
NTRODUÇÃO
Adequar o discurso de um arquiteto sobre o enquadramento do domínio da arquitetura, e o que ela
deve representar h oje e sempre co m a devida i mparcialidade, p ode revelar- se uma tarefa alg o
ingrata. Como disciplina pluridisciplin ar deve refl etir sobre a sua capacidade de transformar tudo
aquilo que a rodeia, construind o formas e e spaços nos quais o homem tem de viver, dissertando
sobre o relaci o namento que tem de se estabelecer entre tod o s o s interv enientes no processo de
conceção arquitetónic a, encontrando for mas de m ate rializar o objeto arquitetónico e o meio urbano,
ao tentar adequ ar da melh or forma possível o devido equilíb rio entre teoria e da p rática.
Segundo o Architec ts´ Council of Europe (2011) e xistem na Europa cerca de 523 000 arquitetos
qualificados num total de 33 países. D e acordo com o s mesmos dados, em Portug al existem cerca de
19 401 arquitet os para 1 0.6 milhões de habitantes num rácio de 1. 83/1000, r eportando ao m esmo
ano.
De acordo com o regula mento de deontol ogia disponibilizad o pela Ordem do s Arquiteto s (2001), os
deveres do arquiteto no desempenho da sua atividade, no seu artigo artigo 7°, são que “ O arquitecto
deverá pôr no desempenho das tarefas que lhe compete todo o saber, e xperiência e d edicação,
compatibiliz ando os interesses do seu cliente ou em pregad or com os seus deveres profissionais e para
com a comunidade, obrigando-se a ter em conta o bem-estar daqueles que utiliz am os edifícios e
espaços urbanos que pr ojecta ”.
O papel do arquitet o é ca da vez mais um ato integrador e conciliador so bre a forma como pod e
sugerir caminhos para o fu turo, procurando preser var, manter e cuidar o ed ificado existente e
construindo o novo, sempr e de acordo com as necessid ades da comunidade e procuran do através de
um conjunto de e xigências correspond er a esse “be m -estar”.
Hoje a ati vidade d a arquitetura atravessa uma crise, muito embora já e m 1964, não s endo u m
período declarado de “ crise”, “ era um tempo que de facto apresentava al gumas dificuldad es
específicas que se traduziam culturalmen te em não menores perplexidades ” (Vieira de Almeida ,
2008). Na verdade todos os mo ment os apres entam sempre as suas complexida des e contradições e
também com o refere “na arquitectura, como e m tudo, a cr ise faz pa r te da evoluç ão das coisas”. E
mais adiante diz “ nos anos 90, Baudrilla rd viria a estigmatizar uma época como a nossa em que
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de a poio à decisão
77
existe cada ve z m ais info rmação e ca da vez menos sentido, apontando qu e era e é – a qu antidade
excessiva de informação que gera essa d esqual idade do s entido, o que acrescento eu,
necessariamente se traduz numa autêntica degrad ação d a própria i nformação”. Porém, h oje as
dificuldad es apresentadas no exercíci o da profissão são de outra ord e m de grandeza , porque, sem
encomenda de obra , a arqu itetura fica refém de si pr ó pria.
3.2.2
D
EFINIÇÃO E
E
VOLUÇÃO DE CONCEIT OS
Sendo extremamente v asto o conjunt o de conceitos associados à arqu itetura enquanto exercício
teórico e prátic o , entendeu-se ressalvar, sob a forma de síntese analítica, algumas abordagens na
qual a mesma s e foi suportan do e est ab elecendo r eferências. Esta abordage m consubstancia-se em
alguns excertos da disserta ção de mestrado r ealizada em 2 005. (Fernandes Rocha,2005 )
Vitruvius Pollio será porventura um dos primeiros a re ferir a importância de m anter e cuidar os
edifícios. Segundo o autor, toda a construção t em de ter em conta a solidez ( firmita s ), a sua utilidade
( utilitas ) e a sua beleza ( ven ustas ), ou, traduzindo, a sua du rabilidade, utilidad e e estética.
A arqu itetura deve sup ortar-se de si stemas constr utiv os e t ec nológic os ( firmitas ), ou seja, d eve
realizar-se através d o emprego de m ateriais e si stemas constru tivos adequad o s, de acordo c om os
princípios para o qual surgiu a necessidade de co nceb er algo ( utilitas ), que servindo-se da capacidade
arquitetónica tende a que a solidez ( firmitas ) e a utilidade ( utilitas ) anulem as suas
incompatibilida des recípro cas para se transfor marem, em paralelo com a c o mponente estética
( venustas ), na sua v erdadeira essên cia. (Maciel, 2 006)
Desde as civilizações antigas, do Egito e da Grécia, a arquitetura foi sendo uma resposta a funções e
exigências, nã o apenas físicas, mas também sóci o-culturais, m as também ao desejo de viver num
mundo “belo“ e agradá ve l.
Na Idade Média a arquitetu ra é, acima de tudo, o reflexo de um a filosofia de v ida de um povo cristão
crente numa figura divina, superior à condição humana. Com o G ó tico o grande acontecimento é a
“descoberta” da perspetiva por Filippo Brunelleschi, e m que a valorização do “eu” na qualidade do
homem culto, conheced or do mundo e de todas as ciências, é um indício que adivinha a chegada do
homem artista do Renascimento. No Re nascimen to e e ssencialmente a partir do século XVII , co meça
a surgir uma construçã o vocacionada para os gran des arquitetos da ép o ca, valendo m ais tarde não
tanto pelos espaç os que cria mas e sobretudo pel a sua estética, co m o Barroco.
A partir do século X VIII a arquitetura é posta ao s erviço de edifícios públicos que compunh am o
sistema estrutural urban o de uma nova sociedad e com o utros val ores e necessidades, como foi o
caso de hospitais, e scolas, entre outros.
O sé culo XX traz a par com a revolução industrial uma das maiores transfor mações no me io urbano e
à forma como a sociedade até então se organiza, pro porcionando um ritmo muito m ais ace lerado na
produção e criação de novos concei tos, novos pr odutos, uma n ova visão do espa ço e do te mpo.
Muito através da Bauhau s fundad a em 1919, surge o Funcionalism o como uma adaptação da for m a à
função e adquirindo u m papel importante , em que uma forma só será sign ificati v a na medida em que
seja também funcional. A arquitetura funcional colocou o homem como o objeto da sua razão,
construindo-se edifíci os q ue serv iam indiferent emente para qualquer homem e qua lquer lugar. Por
outro lado, Fran k Lloyd Wright av ançava co m uma arquitetura “ orgânica“, em que para cada homem
e para cada local haveria um o bjeto arquitetónico especifico. Por sua vez, o s países nórdicos, dentro
Capítulo
3
78
do seu equilíbrio, realiza m uma arq uitetura de síntese do s op ostos atrá s referi dos, tend o em Alvar
Aalto o seu melhor represen tante.
Durante o movimento mo derno, Le Corbusier é responsável pelo afastament o do que restava de
uma prática académica baseada na herança dos Tratados, desenvolvendo um novo sistema
proporcional de modo a o rdenar “as dimensões daquilo qu e contém e daquilo que é contido”.
Desenvolve o sistema Modul or relacio nand o a escala humana com o edifício at rv es de um co junto de
regras de proporção (c onjugan do a dimensão estética da seção Áurea, as séri es de Fibonac ci e as
proporções do corp o huma no).
Também Mi es van der R ohe (a partir do s ano s 40) introduz um novo conceito no proc esso de
conceção, de o rdem, disciplina e rigor arquitetó nico. Tudo é pensado em função de um grande rigor
de pormenores, d e soluções técnica s e construtiv as.
Segundo Zevi (1992), “após um sé culo de arquitectur a predominantemente decorativa, escu ltural, o
movimento moderno, n a t e ntativa de levar a arquite ctura pa ra o campo que lhe é próprio, baniu a
decoração dos edifícios, insistindo na tese de qu e os únic os valores arquitectóni cos legítimos são os
volumétricos e espa ciais. A a rquitectura raciona lista voltou-se para os valores vol umétricos, enquanto
o movimento orgânic o se fi xou nos espaciais ”.
A arquitetura é na verdade o r eflexo do tempo e da sociedade em que se insere, e toda aquela que
se co nsiderou m anter foi a que resistiu a todo o conjunto de ex periências, de com plexidades e
contradições, mas t ambé m a que de monstrou ser a que melhor representa va cada época, e o que
cada sociedade entendia qu e melhor se adequ ava às suas necessi dades.
O mesmo autor sobre esta questão refere ”Quando F. L. Wright publicou suas obras, de 1887 a té
1941, t endo de escolher um título que abrangesse sua investigação, não propôs In the Nature of
Materials, a natureza dos materiais ?... E qu ando muitos críticos qu erem de fender a a rquitetura
moderna, não começam a fa lar do concreto e do aço? (…) Por que r azão o gótico resistiu tanto tempo
nos países nórdicos, enqu anto teve tão breve duração nas regiões meridiona is? Porque no sul os r aios
de sol caem quase perpendicula rmente e, po r isso, o efeito maior do contraste de sombras deriva das
cornijas, das saliências horizontais; já nos países setentrionais, o sol é mais baixo e se us raios mais
tangencia is; por isso, as linhas verticais são as mais eficazes no uso da l uz como instrumento
arquitetónico”.
Estas observações refe renciad as por Zev i (1992) corrobora m como a arquitetura, e mbora se ndo
primeiro um a resposta às necessidades de cada época, tem também sempre prese nte como
preocupações encontrar a me lh or forma de corresponder às exigências, não de forma arbitrária, m as
concertada c om as condic ionantes existentes em cada m omento. A se leção de fo rmas, materiais,
técnicas e sistemas construtivos foram sendo desenvolvidos e te stados para permitire m dar re sposta
a um conjunto de exigências para satisfação das n ecessidades do utente, e as que perm anece m são
as que foram sendo consideradas mais eficazes em toda a sua plenitud e e de acordo com o
conhecimento pr esente.
3.2.3
C
ONTEXTO INTERNACIONAL E NACIONAL
Interessa nesta contextualiza ção abordar a forma como a atividade da arquitetura se encontra e
regulamentada a prática profissi onal, em particular no s vários países da Europa e em Portugal, quais
os principais aspetos e comparações possív eis que devem ser ressalvad o s, assim como identificar
organismos e entidades internacionais e nacionais que desenvolvam trabalho de divulgaçã o,
promoção e pesquisa da arquitetura.
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de a poio à decisão
79
O Architect s´ Council of Europe (2011) realizou um estudo sobre o acesso à profissão do arquitet o na
Europa. O sistema de reconhecimento m útu o das qualificações do s arquitet os demonstrado através
da directiva “ Professional Qua lifications Directive ” (PQD) 2005/36/EC é verificado pelo conheciment o
dos siste mas de fo rmação existentes e m cada país (conheci m ento por parte das organizações
profissionais e regula m entares e, por parte do s arq uitetos individuais qu e planeam migrar ou
exportar serviços). É assim, importante realizar uma síntese com alguns dos principais dados
fornecidos no e studo e que se sistematiza da segui nte fo rma: país, número de arqui tetos, número de
habitantes, re spetivo rácio, título profissional e entidad e competente. De seguida, apresenta-se esta
Informação que se procura sintetizar da melhor for ma:
▪ Alemanha , 123 745 arquitetos, 82 milhões de habitantes e um rácio de 1.51/1000. Título
profissional: Arq uiteto, Arquiteto paisagista, Urbanista e Arqu iteto de interiores. O
arquiteto não tem direitos exclusivos. A profissão encontra-se protegida por Lei em cada
“zona”. Entidad e co mpetente: 16 câmaras de arquitetos, r epresentadas n a N ational
Chamber of Architects (BAK). Cada “ zona” te m os seus próprios regulamentos. O registo
na câmara é obrigat ó rio pa ra usar o título;
▪ Bélgica , tem 13 500 arqu itetos, 10 .5 m ilhões de habitantes e um rácio de 1.28/1000.
Título profissional: Arquitet o ou Arqu iteto-engenh eiro. A profissão encon tra-se
protegida pela Lei de 20/02/1939. Entidade competente: National Council of the Orders
of Architects (CNOA) e 10 c onselhos provinciais ;
▪ B ulgária , tem 2 9 00 arquitetos, 7.6 m ilhões de habitantes e um rácio de 0.38/1000. Título
profissional: Arquiteto, Arquiteto paisagista e Urbanista. A profissão encontra-se
protegida p ela Lei dos Cha mbers of A rchitects and Engineers in the Inves tment D esign .
Entidade comp etente: Chamber of Architec ts in Bulga r ia (CAB);
▪ Chipre , tem 43 0 arquitet os, 790 000 habitant es e um rácio d e 0.54/1 000. Título
profissional: Arquite t o. Enti dade competente: Cyp r us Architects Associ ation (CAA);
▪ C roácia , t em 2737 arquitetos, 4.4 milhões de habita ntes e um rácio de (0.62/1 000). Título
profissional: Arquiteto (pode s er regis t ado como Arquiteto-urbanista, arquiteto
paisagista, arquiteto de in teriores). A profissã o encontra-se protegida pelas L eis:
Architecture, Enginee ring, P lanning and Construction Pr ofessions Act ( Official Gazete No.
152/08) , Spatial Planning and Building Act (Official Gaz ete No. 76/2007) e Statu tes of the
Croatian Chamber of Architects (Official Gazete N o. 64/09 e No.129/1 0). Entidade
competente: C r oatian Chamber of Arch itects (CCA);
▪ Dinamarca , tem 7000 arquitetos, 5.5 m ilhões de habitantes e um rácio de 1 .27/1000.
Título profissi onal: Cand.arch. e/ou Arquite to MAA (se fo r m embro do Danish Architects
Association ). A profissão não se enco ntra regula mentada, mas no entanto, para se
trabalhar no setor da construção, tem de se ter um seguro. U m dos requisitos para a
obtenção do seguro é o número de anos de experiência profissional na área de
arquitetura. Entidade competente : Não ex iste. Registo voluntário na associação de
arquitetos dinamarque se s;
▪ Espanha , tem 50 532 arquitetos, 46 milhões de habitantes e um rácio de 1.1/1000. T ítulo
profissional: Arquitet o e Arquiteto técnico. A profissão encontra-se protegida pela Lei de
1974, pel o Decreto-lei de 1977 e pelo Ato de constru ção 1999. Entidade competente:
Ministério da educação através do Co nselho dos arquitetos (composto por 18 conselhos
regionais);
▪ E stónia , tem 600 arquitetos, 1.3 milhões de habit antes e um rácio de 0.46/1000. Título
profissional: Arquite t o valida do. Entidade compet ente: UEA;
Capítulo
3
80
▪ Finlândia , tem 3050 arquitetos, 5 .3 milhões de habitantes e um rácio de 0.57/1000. Título
profissional: Arquitet o . Entidade competente: não existe (cerca de 80% dos arquitetos
são membros voluntários da Finn ish Association of A rchitects (SAFA)) ;
▪ França , tem 29 700 arquit etos, 63.7 milhões de habit antes e um rácio de 0.47/1000. Título
profissional: Arquiteto (HMONP). A profissão encon t ra-se protegida pela Lei de 1977.
Entidade competente: Council of t he Order of Architects (26 conselhos regionai s e um
conselho naci onal);
▪ Grécia , tem 15 800 arquitetos, 11.2 milhões de habitan tes e um rácio de 1.41/1000. Título
profissional: Arquiteto o u Arquiteto-engenh eiro. O arqu iteto nã o tem direito exclusivo.
O título está protegid o sob a condição de que o arquiteto é qu alificado e cred enciado
pela Technical Chamber . A interv enção do arquit eto (não obrigatória) é , em geral,
limitada ao proj eto. A figura central da operação de construçã o é o engenh eiro. A
atividade encontra-se regulada pela Le i 1930. Entidade competente: Te chnica l Chamber
of Architects and Engineers of Greece ;
▪ Hungria , tem 10 000 arquitetos, 10 milhõ es de habitantes e um rácio de 1/1000. Títul o
profissional: Arquite t o. Enti dade competente: Cha m ber of Hun garian A rchitects (MEK);
▪ Irlanda , tem2600 arquitetos, 4 .4 m ilhões de habitantes e um rácio de (0.59/1000). Título
profissional: Arquit eto. A profissão não se en contra regulamentada. Entidade
competente: Royal In stitut e of the Architects of I r elan d (RIAI);
▪ Itália , tem 1 45.000 arquit etos, 59.6 milhões de habitantes e um rácio de 2.43/1000. Título
profissional: Doutor em Arquitetura. A at ividade encontra-se protegida pela L ei
24/06/1923 e pelo decreto 23/10/1925. Entidade c ompetente: Ordem composta por um
conselho naci onal (CNAPPC) e conselh o s provinciais ( o registo é obrigat ó rio);
▪ Luxemburgo , tem 680 arquitetos, 500 000 habitantes e um rácio de 1 .36/ 1 000. Título
profissional: Arquiteto. (todos os pedidos de construção t êm de ser assinados por um
arquiteto) A atividade encontra-se protegida pela Lei de 13/12/1989 pela P ortaria Gand-
Ducal de 17/06/1992 e pela Lei de 28/12/1988. Entidade compe tente: M inistr y of the
Middle Classes through the Association of Architect s and Con sulting Engineers (Ordre des
Architects et des In génieurs -Conseils, OAI) ;
▪ Malta , te m 500 arquitetos, 410 600 habitantes e um rácio de 1.21/1000. Título
profissional: Perito. Entida de co mpetente: pain el nomeado pelo Ministry of R esources
and Rural Affairs e por representantes do def Kamra tal-Periti + Kamra tal Periti
( Chamber of Architec ts & Ci vil Engineers );
▪ Noruega , tem 4 000 arqu itetos, 5 milhões de habitantes e um rácio de 0.8/1 000. Título
profissional: Arquiteto MNAL (volun tário). A profissão não se encontra regulamentada.
Embora exista necessidad e de aprovação por parte das autoridades, para obter a licença
de construção. Entidade competente: não é o brigat ório o registo, mas existem duas
associações: A ssoci ation o f Consulting Archi tect Companies of Norway
(Arkitektbedriftene i Norge ) e a National Association of Norwegian A r chitects (NA L );
▪ Holanda , tem 10 00 0 arquiteto s, 16.4 m ilh ões de habitan tes e um rá cio de 0.61/10 00.
Título profissional: Arquit eto. A profissã o não se e ncontra regulamentada, em bora
esteja protegido o título profissional a quem estiver registado com o SBA. Entidade
competente: SBA. Os arq uitetos regis tados pode m tornar-s e me mbros d o Bo nd van
Nederlandse A rchitecten (B NA), a única associa ç ão profi ssional existente.
▪ Polónia , te m 13 500 arquitetos, 38.1 m ilhões de habitantes e um rácio de 0.3 5/1000.
Título profissi o nal: M agist er inzyni er ar chitec t - abb r .: mgr inz. arch (Membro do IAR P).
Entidade comp etente: Chamber of Architec ts of the R epublic of Polan d (IARP);
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de a poio à decisão
81
▪ Reino Unido , t em 3 3 000 arquitetos, 6 1.2 milhões de habitantes e um rácio de 0.54/1000.
Título profissional: Arquit eto. A pro fissão encontra-se regulamentada pelo A ct 19 97 .
Não tem dir eito exclusivo, m as tem de estar inscrito no ARB. Entidade co mpetente:
Architects Registration Board (ARB). Cer c a de 8 0% dos arq uitetos estão inscritos n o
Royal Institute of B ritish Arch itects (RIBA);
▪ Esl ováq uia , tem 1628 arquitetos, 5.4 m ilhões de habitantes e um rácio de 0.3/1000. Título
profissional: Arquiteto a utorizado. A profissão enc ontra-se pr o tegida. Entidade
competente: Slova k Chamber of A r chitects ;
▪ Eslo vénia , tem 1420 arq uite tos, 2 m ilhões de habit antes e um ráci o de 0.71/1000. Título
profissional: Arq uiteto auto rizado. Entidade co m petente: Zbornica za arhi tekturo in
prostor Slovenije - ZA P S;
▪ Suécia , t em 5 400 arquitetos, 9 milhões de habitantes e um rácio de 0.6/1000. Título
profissional: Arqu iteto SAR/MSA (voluntári o ). A pro fissão nã o se enco ntra
regulamentada. Entidade competente: o registo não é obrigatório. Mas existe um a
associação de arquit et os su ecos: Svenska Arkitek ters Riksförbund (SAR) ;
▪ Suíç a , tem 5300 arquit e tos, 9.2 m ilh ões de habitantes e um rácio de 0 .71/1 000. Título
profissional: REG A ( R egisto suíç o dos arquitetos). Ent idade competente: Swi ss Society of
Engineers and Archit e cts (S ociété Suisse des Ingéni e urs et des Archit ects, SIA);
▪ República Checa , tem 3300 arquitetos, 10 .4 milhões de habitantes e um rácio de
0.32/1000. Título pro fissio nal: Arquiteto autorizado (Ing Arch / Acad Arch.). Entidade
competente: Czech Chamber of A rchitects (CCA);
▪ T urquia , t em 37 948 arquitetos, 70.6 milhões de habitantes e um rácio de 0 .54/1000.
Título profissional: Arquit eto. Entidade competente: Chamber of Architect s of Turkey
(CAT);
▪ P ortu gal , t em 19 401 ar quitetos, 10.6 milhões de habitantes e um rácio de 1.83/1000.
Título pr o fissional: Arquiteto. A pr ofissão e ncontra-se regulamentada pela Lei n.
31/2009. Entidade competen te: Ordem dos Arqui tetos (OA).
A presente exposição pretende enquadrar a prática profissional dos arquitetos na Europa,
salientando-se que a Itália é o país com o maior nú m ero de arquitetos p o r ha bitante, seguida pela
Alemanha, Portugal, Gréci a e Luxemburgo. No sentido inverso, situa-se a Eslo váquia, seguida pela
República Checa e pela Bulg ária. De referir também que na maioria dos denominad o s de “países
nórdicos” não existe a obrigatoriedade de regis t o numa entidade competente , sendo suficiente a
conclusão do curso com a atribuição do t ítulo profissional. Por outro lado, em alg uns países a prática
profissional não se enco ntr a protegida o u regulament ada por e ntid ade compete nte o u legislação e m
vigor, como são os casos d a Dinamarca, Noruega, Irlanda, Holanda e Su é cia.
De seguida, realiza-se uma síntese como forma de identificar a evo lução da re gulamentação da
prática profissional, em alg uns dos países referenciados anteriormente, assim como os principais
organismos e en tidades internacionais e nacionais.
No contexto in ternacional e e uropeu a Fr ança possui já um conjunt o de organi zações que tem u m
longo percurs o efetuado que se iniciou em finais do século XIX. Ce rca de dez anos após a criação da
licenciatura em arquitetura é c riada em 1877 uma instituição de utilidade pública denom inada
“ Société des Architectes Dip lômés par le Gouve rnemen t” - SADG , tendo alterad o, e m 1979, o nome
para “ Societé Française des Architec tes” - SFA . Um dos seus principais o bjetivos é o de reunir os
titulares com diploma d e arquiteto para o G overno – DPLG e de todos os outros diplo mas de
Capítulo
3
82
arquitetos d o ensino superior e outros membros associados (n ão arquitetos), a fim de lhes
proporcionar u m conjunto de informações no d omínio da sensibiliz ação e solida riedade.
Em 1904, é criada a “ Féd ération Française du Bâtiment ” - FFB , u ma organização profissional com
federações regionais, q ue tem como objetivo principal assegurar a defesa da profissão junto da
administração, d os poderes púb licos, dos decisores ec onómicos e dos act o res da construçã o .
Em 1971 é criada a “ Agen ce Nationa le d'Amélioratio n de l'Habitat “ - ANAH , uma instituiçã o pública
que tem como o bjetivo principal implementar uma política nacional de desenvolvi mento, d e
recuperação e melh o ria do parqu e edificado privad o existente. A ANA H aconselha os pr oprietários
que pret endem realizar obras e atribui s ubsídios com o objetivo de melhorar o confo rto dos utentes
privados.
Em 1 977, é criada a “ Or dr e des architectes“ pela Lei de 3 de jan e iro de 1977. S egundo a mesma, a
“ arquitectu ra é expressão da cultura e é de interess e público ”. Esta Lei rep re senta o d esejo d o
legislador em preservar e promover a qualidade arqu itetónica. Dotada de u m regime jurídico e de
uma autonomia financeira, encontra-se sob a tutela do Ministério da Cultura. Segu ndo o artigo nº 2
do Código de Deveres, refere que a missão do arquit e to é “ a de participar em tudo que diz res peito
ao acto de construção e de ordenamento do territ ório, actuando geralment e como interveniente
principal”.
Por decreto de 6 d e ma rço de 1 979, surge o “Service Départemen tal de l'Architecture et du
Patrimoine ” - SDAP , serviços descentralizad o s do Ministério da Cultura e da Comunicação à escala
departamental. Há u m SDAP instalado em cada sed e de concelho col ocado sob a autoridade lo cal.
Em 1996, eles f oram ligados administra tiv amente e exclusiva m ente ao Minis tério da Cultu ra.
O SDAP tem à disposiçã o de todos os cidadãos o s pro jetos desenv olvidos ou já previamente
aprovados e com pareceres anteriores, incluind o os proprietári o s dos monumentos históricos ou dos
habitantes de setores pr otegidos. Tem três o bjetiv os principais: os de consultad oria, monitorização e
conservação d o património:
▪ Te m u m papel de primeiro plano na promoçã o da arquitetura e da q ualidade do desenh o
urbano, tend o em conta o contexto e as condiç õ es de in tegração;
▪ Emitem pareceres sobre todos o s projet os que impliquem alteraç õ es em áreas protegidas -
construídas ou naturais – c o m a ambiçã o de melhorar o seu des empenho e quali dade;
▪ Tem a resp onsabilidade da direção da arquitetura e do patri mónio (catedr ais, castelos, et c.) e
asseguram o cumprimen to do s trabalhos em ed ifícios classificados sob o título d e
Monumentos his tóricos.
Paralelamente a estes organi smo s instituci o nais reguladores da atividade da arqui tetura e do
arquiteto enquan to p rofissão, surg em outr os relacion ados com a qualidade da construção e com a
satisfação dos uten t es.
Assim, em 1982, é criada a “ Agence Qualité Constru ction ” - AQC , que tem como objetivo principal
promover a qualidade junto de grandes em presas que fo ram precursoras na área da c onstrução. Nos
anos 90 surgem as primeiras certificações. Agrupa associações profissionais de dive rsas áreas como
construtores, industriais, segurad oras, projetistas, organismos de certificação e ainda organizaçõ es
governamentais. H oje o seu objetivo principal é prevenir as patologias e melhorar a qualidade da
construção, com trabalho realizad o como as especificaçõe s da “ Pathologie du Bâtim ent. “
Em 2005, surge a Cer qual que t em co mo objetivo a certificação do “ Patrimoine Habitat ” - PH e do
“Patrimoine Hab itat & Environnement ” - PHE , destinad as às operações de r eabilitação d e edifícios,
nomeadamente, habitação cole tiva existente e conjuntos de habitações individuais, e o “Le Bilan
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de a poio à decisão
83
Patrimoine Habitat ” na realização de u m diagnóstico do património. A certificação “P atrimoine
Habitat” ou “P atrimoine Habitat & Environnement” subdivide-se em duas fases: a primeira consiste
na elaboração de um relatório técnic o e documental apoiado em registo s fotográficos, após vistoria
do est ado de conservação do edifício - “ Bilan Patrimonie Habitat” - BPH ; a segun da fase trata da
certificação do pr o duto liga do a um pr ograma de reabilitação.
Mais recentemente, e segund o dados da ” Fédération Française du Bâtiment” – FFB , a construção e m
França sofreu em 2008 um declínio no volume de trabal ho de cerca de 1.5%, tend o chegado em 2009
a cerca de 4%. Po r outro lado, a construção nova representa cer ca de 75% do trabalh o dos arquitetos
contra cerca de 25% face a trabalh os de reabilitação.
No Reino Unido, o registo o ficial da figura do arquiteto data de 1931. Nesse mesmo ano é criado o
“ Architects Registraction Act “ , tendo sido alargado o registo, mais tarde, também à Irlanda do Norte
de acordo com s upervisã o da Ordem do Conselho , mais t ard e em 1938. E ste registo requer a
aprovação da “A rchitects Registration Council of the United Kingdom” - ARCUK .
Em 1997, o Parlamento esta belece uma Lei reguladora q ue define os parâmetros de registo por parte
dos arquitetos, alterando a anterior de 1931-1938. O “ Architects Registration Board” - ARB fica com
poderes de algu ma forma m ais definidos, com a no va Lei de 1997. O documento pretende uma
melhor definição das cond ições de registo, da definição do papel do arquiteto, da sua conduta
profissional. Para a prática da profissão todos os arquitetos têm de estar registad os no ARB. O “ Royal
Institute of Br itish Architects” - RIBA é criado em 1834, com o objetivo de co nstituir um avanço geral
da arquitetura civ il, e para promover e f acilitar a aquisição de conheciment o nas v árias artes e
ciências relacionadas entre elas.
Em E spanha, é criado em 1929 o “Conselho Superior de Colégios de Arquitectos de Espanha” - CSCAE
por iniciativa das socieda des de arquitetos então e xistentes, e ratificad o em 1931 pelas Cort es
Constituintes m ediante Lei. Os Colégi os constitue m uma organizaçã o plural, r e speitosa de todas as
peculiaridades territoriais m ediante uma auton o mia de cada um, mas unitária através do C o nselh o
Superior dos Colégi os q ue garante o interesse comu m e geral d e todos. Atual m ente o CSCAE reúne
26 C olégios. Existe um registo obrigatório como ato de controlo do Colégio que corresponde
legalmente, à permissã o de exercer como condiçã o necessária de validação e eficácia dos t raba lhos
profissionais e e m conformidade com o disp osto no a rtículo 2 do Real Decreto 1000/2010, de 5 de
agosto. Em 1996 é criado um grupo de trabalh o denominado “ Hábitat Ii Minister io de Fomento ”, com
o o bjetivo de coordenar e impulsionar a participação geral dos diversos setores interessados. O
CSCAE é membr o do Comit é Nacional " Hábitat II " d o Ministéri o de Fomento d esde 1996.
Na Ho landa, o “Koninklijke Maastschappij tot Bevordering der Bouwkunst bond van Nederlandse
Architecten “ - BN A , inser ido no Royal In s titute of Dutch A rchitects r epresenta a organização
profissional dos arquitetos nos Países Baixos. Tem como antecessores a “ Society for t he
Advancement of Architecture ” e a “ Associa tion of Dutch Architects ”, que foram criadas em 1 842 e
1908, re spetiv amente, mas em 191 9 fundiram-se para criar o presente Instituto. Rece be patrocíni o
real em 1957. Não é contudo obrigatória a inscrição para o exercício da profissão, basta os arquitetos
encontrare m-se inscritos no “ Stichting Bureau Architectenregister“ - SBA , se ndo o referido título
protegido pela Lei A rchitects Title de 1988.
Em Itália, a “Ordine degli architetti, Planificatori, P aes aggisti e Conservatori ” - CNAPPC é criada pelo
Ministério da justiça com a L ei 1395 -1323 e tem como antecess or o Conselho Nacional dos
Arquitetos, na sequência da entrada em vigor do D ecreto 328/01. Está dividida em vários
departament os correspon dentes às v árias províncias . Segundo o art . 4, paragra fo 2º da Co nstituiçã o
italiana: “Todo o cidadão tem o deve r de executar de acordo com as suas pos sibilid ades, e e scolhas
Capítulo
3
84
individu ais tarefa ou função que contribua para o progresso material ou espiritual da soci edade”. A
profissão de arquiteto é uma ex pressão da cultura e da tecnologia que impõe d everes, e tem
historicamente reconhecid o o seu papel na transfo rmação física do territóri o , na valorização e
conservação das paisagens, urbanas e naturais, do pa trimónio históric o e artístico e do planeament o
da cidade e do território.
Na Alemanha, é criado em 1 970 o “Architekenkam mer Nordrhein-Westfal en” - AKNW . É necessário
realizar uma prova de conh e cimentos e ter dois anos d e experiência profissional para se ser membr o.
Desde 2005, todos o s membros tê m anualmente de prestar provas de forma a docum entar a sua
prestação pr ofissional.
No contexto internaci o nal n ão europeu destaca m-se dois países : o Brasil e o Jap ão .
No Brasil, é criado em 1921 o “ Instituto Brasileiro de Arquitetura” e mais t arde, a “ S ociedade Central
Arquitetos”. Entre tanto, estas duas instituições dão lugar, em 1924, ao “Instituto Central de
Arquitetos ”. Por volta de 1934 e apó s uma reforma estatutária surge o “ Instit uto de Arquitetos do
Brasil ” - I AB , que se m an tém até ao s dias atuais sob essa denominação. O P lan o nacional do IAB tem
trabalhado pela descentraliz ação da atuação e partic ip ação dos departament os nas gestões regionais
e no plano internaci o nal pela ampliação e fortalecimento das relaç õ es do Institu to com as entidades
do exterior. Em 2011, sur ge o “ Conselh o de Arquitectura e Urbanismo” - CAU que pretende
“Reafirmar a importância da arquitectura como manifestação cultural, necessária à emancipação de
um povo, instrumento eficaz para o dese nvolvim ento de cidades republicanas, democráticas e
constituintes de ci dadania nesse país de múltiplas temporalida des”.
No Jap ão, é criado em 1886 o “ Architectu ral Insti tute of Japã o ” - AIJ . E sta as sociação tem c e rca de
35.000 m embros. É um a organização sem fins lucrativos para arquitetos, engenheiros e
pesquisadores de construç ão em todas as áreas da arquitetura. O principal objetivo d o Instituto é
divulgar os projetos dos seus membros para aumentar a qualidade arquitetónica no Japão.
Investigadores, oficiais de outras associações de arquitetura o u outros órgãos públicos, também
podem ser me m bros.
No co ntext o nacional, é criada, em 1998, a “ Ordem dos Arquitectos” - OA , através do Decreto-Lei n.º
176/98, s e ndo uma assoc iação pú blica para a profissão de arquiteto e para a arquitetura. Tem
contudo uma longa história ass ociativa cuja orige m formal remonta a 1863 (Ass ociação dos
Arquitetos Civis Portugu eses). A primeira referência a uma agrem iação portu guesa envolvendo
arquitetos remonta a 1602, com a criação da Irm anda de de São Lucas. Hoje, representa todos os que
exercem a profissã o de arq uiteto. T em sede naci onal em Lisboa e duas Sedes regionais: a Secção
Regional do Norte no Porto, e Secção Re gional do Sul em Lisboa. Tem também várias De legaçõ es e
Núcleos em t odo o País.
Para alé m, destes organismos regulamentad ores da profissão, e xistem também, outros organis mos
internacionais e grup os de trabalh o de divulgaçã o, das quais se destaca m:
▪ União Internaciona l de Arquitetos - UIA é criada em 1948 na Lausana, Suíça. O principal
objetivo é contribuir e facilitar os contatos entre o s arquitetos, a fim de enriq uecer os
conhecimentos e ideias entre todos ;
▪ Con selho de Arquitetos de Europa - C AE é criado em Tre viso pela fusão do CLAEU-
“Comité Europeu d e Arqui t ectos da Eu r opa Unida” e o CEA - “Con selho Euro peu de
Arquitectos ”, e Assembleia Co nstituinte celebrada em 1990. O CAE agrupa as
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de a poio à decisão
85
organizações de arquite tos dos países me m bros da União Eur opeia e as o rgan izações
dos arquitetos da Suíça e Noruega, sendo membros o bservadores das Organiza ções d e
Chipre, Estónia, Hungria, L ituânia, Polónia, Re públi ca Checa, Eslo vénia e Turquia. O
principal objetivo visa uma dedicação para uma melhor compreensão dos valores
culturais promovendo os mais altos padrões de ensino e prática da arquitetura tentando
garantir e promover a independência e a integrid ade da profissão da arquitetu ra na
União Europeia, en contran do um consens o entre os membros da o rganização ;
▪ Green Building Challenge - GBC é um projeto de cooperação e ntre os distin tos países que
tem como objetivo o dese nvolvim ento de uma metodologia de av aliação do
comportament o ecológico dos edifícios e cuja segunda fase cul m inou num Congress o
Internacional realiz ado em Maastricht, Holand a, em 2000;
▪ Federação internacional para a vivenda e urbanis mo - FIVU é criada em 1913, e tem
como obj etivo principal promover intercâmbi o s relat ivos a edificação e ao urbanismo
entre os arquitet o s a nível mundial ;
▪ European Ass ociation for Architectural Educat ion - EAAE é criada em 1975 , sendo uma
associação internacional biling ue (inglesa e francesa), sem fins lucrativos, que tem como
objetivo principal a t roc a de ideias e pessoas dentro do campo da edu cação e
investigação arquit e tónica, assim como m elhorar a b ase de conheciment o e qualidad e
de ensino do d esenho arqu it etónico e urban o ;
▪ T he European Confederation of Salaried Architects Groups - EUROSAG , criada acerca de
18 anos como um manifesto, m as foi rejeitad o pelo RIBA Council. As reuniões estão
agora a se r gerida s pela instituição no país de acolhi mento tendo sido o encon t ro m ais
recente da responsabili dade do Instituto Real de Arquitetos H o landeses. Os tem as
principais abordados são relacionad os com as pressões co merciais, políticas e sociais
enfrentados pelos arquitec tos e para o significado e as im plicaçõ es d o meio a mbiente
construído.
Conforme se constata, o estatuto da profissão de arqu iteto sofreu, e ssencialm ente a partir do início
do século XX, u m a efetiva determinaçã o da sua i mportância na sociedade. O arquiteto como
interveniente em todo o p rocesso de definição da obra de arquitetura t em, como se v erificou,
organismos reguladores da sua ativ idad e, que se iniciaram na Europa no Pós-Gue rra, numa altura em
que as necessidades de rec onstrução das cid ades eram fund amentais.
Hoje, todos o s restantes o rganismos internacionais o ficiais são preponderantes para divulgar a
prática da arquitetura, para garan tir e prom over a sua atividade e integridade da profissão e também
pela troca de experiências e cooperação entre os v ários países. O papel da arquitetura e do arquitet o
são, deste mod o , incontornáveis n o crescimento e de senvolvimento da sociedad e e das cidades.
3.3
C
ONCEÇÃO ARQUITETÓNIC A
3.3.1
I
NTRODUÇÃO
Referenciando Portas (2008), Ben evolo terá pro ferido num Co ngresso em Turim que “se gastou
muito tempo a discutir sobre o adjetivo: como se fazia arquitectura moderna, em r elação à antiga – e
muito pouco sobre o subs tantivo: como se modificava o próprio con ceito de arquitectura no novo
quadro cultural ”. Tendo o movimento para a arquitetu ra moderna te rminado há m ais de cinquen ta
anos, Po rtas (2008) consid era que “ o que interessa procurar no passado é aquilo que mudou, não nas
formas nem sequer nos conteúdos, mas na própria noção de arquitectura e nos seus limites em
Capítulo
3
92
Pode considerar-se, como afirma Vieira de Almeida (2008), que o espaço da arquitetura é um espaço
vivenciado, cultural m ente enquadrado e definid o. Po dem existir arquitetos que, atendendo ao
espaço, o percebe m , apenas o u quase como estrutura preexistente e del e apenas reco rte m fatias
para os seus pr o jetos, cas o dum Mies van der Rohe, em que pod e ria dizer a riq ueza expressiva da
matéria espacial resulta ambígua. Pode m e xistir arqu itetos que, e ntend endo os diferentes sistemas
em que o espaço da arquitetura se define, decidam instaurar o se u próprio e spaço expressivo, como
genialmente o fez um Llyod Wright. Podem e xistir arquitetos que delibera damente cultivam o
desconhecimento do sentido es paço espacial da arq ui tetura, mas estes serão os mais limitados. O
arquiteto, com a experiência e a maturidad e iner e nte, irá tendencialmente co nstruir a sua própria
linguag em que correspond a com a sua forma de pr o jetar.
Neste raciocínio o mesmo autor define como pólos de criação arquitetónica t rês: o da coe rência
interna, o da coer ência externa e o da coerência da ling uagem. ( Fig.3.2 )
Coerê ncia de linguagem
C
A B
Coerê ncia Inte rna
Coerên cia extern a
(programa) (enqua dramento, lugar, paisagem)
Fig. 3.2 - Pólo s de criação arq uitetón ica.
A co erência interna (pólo A) agrupa to da a discussão sobre a noção de função e corresponde à
resposta a uma f o rmulaçã o de um programa, resp osta que e m g e ral é estruturada em te rm os de
organigrama-analíti c o.
A co erência externa (pólo B) tem pelo menos igual peso na conceção arquitetónica e corresponde ao
enquadrament o de tudo o que de exterior à im ediata conformação da arquitetura é determinant e
para um seu delimitar concreto. Nest e pólo agrupam- se todas as dete rminant es de lugar e paisagem,
bem como as d eterminaçõ es das preexistências pa trimo niais que a localizaçã o em si co mpreende.
O terceiro pó lo (C) será o da co erência da linguagem que ganha importância com a maturidade
profissional e com a escolha e criação de uma linguag em particular de arquitetura, que lhe
corresponda.
Contudo salvaguarda que pode decidir-se anular qualquer dos aspetos que eles enquadra m, e
mesmo alterar a o rdem de sua importância. Aqu i assume-se o papel da experi ência do arquiteto
como u m factor importante para o ato de projetar. Este fator tem um papel preponderan te em todo
o process o de co nceçã o. Como a tal “ espécie de corr edor atravé s do qual é necessário pa ssar p ara
chegar, mas que não nos ensina sobre a arte de caminh ar ”(Gregotti, 1975), assim se rá o percurso do
arquiteto determinante na c oncretizaçã o de cada obra. Nos pro jetos sobre o existente, o ato de
projectar torna-se mais complexo, aperfeiç o ado, enriquecido por novos compo rta m entos e
instrumentos. So bre es t e aspeto c onsidera qu e o m otivo é o me sm o, ou seja, vê o artefacto como
ruína apenas num segundo momento, depois o u durante a e laboração do projeto; não estuda antes
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de a poio à decisão
93
a ruína com o os arqueólog os. Depois está a q uestão dos materiais : se deve i ntervir no antig o com
materiais modern os, aço e vidro, ou com mat eriais antigos, a p edra. E acrescenta :
“Mas quem disse que a ped ra é m ais antiga que o vidro, a adjectivação depende da utilização que se
faz. Não per cebo este manifesto pseudo-ético segund o o qual o antigo é o antigo e o novo é o novo,
porque o antigo é antig o e novo contemporan eamente, foi novo na altu ra da mudanç a da
linguag em.” Numa arquite tura não deve existir apenas um sistema de sentido- fo rmal, construtivo,
de programa, mas deve existir, acima de tudo, um esp aço que aceite também c o ntradiç ões
tornando-o u m motivo de qualidade.
Lacerda (2007) salienta o facto de o mo do de projetar e ver a arquit etura terem sofrido muitas
alterações, mais ao níve l do conteúdo do que da sua fo rma, e que as facilidades/dificuldades de
realização, interpreta ção que o arquiteto inv estiga dura nte o processo de realização de proj eto ou
construção, contextualiza m as le ituras que se fazem desses próprios edifícios. Estes aspetos variam
conforme os níveis culturai s/intelectuais, económicos e sociais dos intervenientes em questão e das
suas c apacidades de aprendizagem ou estruturas de perso nalidade e de id e ntidade pessoal. A força
de um bom pr ojeto encontr a-se acima de tudo nos próprios intervenientes de todo esse processo e
nas suas capacidades de percecionarem e interpretarem o que os rodeia. D e facto, i sso é verdade e
foi já referido, de como todos os intervenient es e a capacidad e de perceção do auto r de projeto – o
arquiteto, de tudo o que o ro deia, são fundamentais para a co ncretizaçã o d o mesmo. Mas essa
concretização necessita de um método suportado por um plano de t rabalh os nas várias fases de
projeto.
Em Portugal, as várias fas e s de pr ojeto estão re gula mentadas atra vés da Port aria 701H/2 008, que
define as seguintes fase s, algumas das quais podem ser suprimidas na sua apresentação fo rmal, por
acordo entre o do no da obra e o autor de projeto: P rograma Preliminar, Programa Base, Estudo
Prévio, Antepr ojeto ou Proj e to Base e Pr ojeto de Exec ução e Assistência t écnica.
Sendo m ais o u m enos do conhecimento comum estas fases de projeto, interessa fo car, no co ntext o
internacional, como é realiz ado o mesmo faseament o . D estacam-se dois documentos, o da norma
ISO 15686-10 (2 010) e o Plano de trab alho do RIBA que se mantinha d esde 1991 e o novo em 2013.
Relativamente à norma ISO 15686-10 (2010) é apre sentado o esquema com t odas as fases d o c iclo
de vida de um edifíci o, inclui ndo a fase de projeto ( Portfolio managenment e Portfolio delivery ). No
Anexo B desta norma é estabelecida a c omparação entre esta norma e outra norma, a ISO 29481-1.
No Quadro 3.2 ap resenta-s e a respetiva traduçã o de a cordo com a referida n orma:
Quadr o 3.2 - Fases de p rojeto (norma
ISO 15686-10, 2010 ).
F
ASEAMENTO
SUB
-
FASES
P
RINCIPAIS TAREF AS
Estratégia
Portfolio strate gy
Desenvolver e manter a estra tégia
de portfólio , plan ear e definir
priorida des de projeto .
Exigências
Portfolio req uirement s
Criar e manter o estud o
estratégico p ara o portfolio.
Portfolio
Portfolio o peration s
Iniciação
Project initiatio n
Estabelecer o estudo e stratég ico
para o projeto específico,
incluind o o n egócio e outra s
exigências, e r ealizar uma reu nião
Capítulo
3
94
Quadr o 3.2 - Fases de p rojeto (norma
ISO 15686-10, 2010 ).
(continu ação)
F
ASEAMENTO
SUB
-
FASES
P
RINCIPAIS TAREF AS
com o client e.
Portfolio
Portfolio o peration s
Iniciação
Project initiatio n Iniciar e autoriz ar o in ício do projeto para
satisfazer as ne cessidade s.
Conce ção
Concep tion o f need
Identificar as op ções d e soluç ões
potenciais de a cordo co m as necessidad es
que permitam p lanear a viabil idad e;
Criar um do cumento de p ré-e studo, q ue
inclui as exig ências gerai s do cliente.
Analisar a viab ilidade da s opç ões da
solução ap resentad a na Fase de con ceção;
Realizar e studo d e viabilidade de aco rdo
com a opçã o recomen dada, incluin do o
processo d e obtenção .
Viabilidade
Feasibility
Definir o estu do pr évio do proj eto.
Autor ização
Authoriza tion
Selecionar o contra to de a cordo co m a
opção r ecomendada
Definir o orça mento e o utros documento s
necessário s
Obter as dev idas apro vações finan ceiras.
Fases pré -projeto
Pre-project stages
Primeiro cont rato
First proc urement
Conduz ir o con trato d e acordo com o
processo ap rovado.
Projeto con ceptual inicial
Initial o r outline conce ptual
design
Definir os p rincipais el emento s e opçõe s
de projeto de acord o com a s olução
selecionada .
Projeto pre liminar
Preliminary de sign
Desenvolver o p rojeto at é à fa se de
execução.
Desenvolver um estud o de manu tenção .
Projeto de e xecução
Detailed (coo rdinated ) design
Desenvolver o p rojeto d e exe cução e
todos os d ocumentos r espetiv os com a s
especificaçõe s técnica s.
Contr ato d e obra
Constructio n procu rement Realizar o co ncurso e ad judica ção d a ob ra;
Inform ação
Product ion in formation
Finalizar t odo o processo (doc umentação ,
etc.).
Constr ução
Constructio n Construção da ob ra.
Entrega d e pr ojeto
Project delivery
Entrega (c onclusão da o bra)
Commissioning
Preparar a entrega d a obra , atualizar
documentos n ecessário s e ver ificar todo o
processo d e entrega.
De referir que es ta nor ma d efine as fases seguin tes do ciclo de vida do edifíci o , send o qu e, após a
última fase de Entrega de projeto, existem mais t rês fases: compor tamento em se rviço, mudança de
status e fim de vida, que inclui a sua d esconstrução, r e ciclagem e de m olição.
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de a poio à decisão
95
De salien tar o fa cto de a norma prever um estudo d e manut enção ainda nas f ases preli m inares de
projeto, que posterior mente, durante a fase de comp ortamento em ser viço, é implementada, com os
procedimentos e ações definid os e com a respetiva m onotorizaçã o . A norma define em concret o
para a fase de comportamento em serviço e relati vamente à manutenção: uma manutenção de
rotina com intervalos prog ram ados, uma manutenção de tarefas especiais e o rdens de serviç o, uma
manutenção preditiva de condição, uma monitorização com inspeções, m anter os dados atualizados
e a condição de estado dos principais sistemas e componentes d o edifício, e atual izar os dados BIM.
Relativamente ao Plano de trabalh o do RIBA (1991), este é di vidido em 1 2 fases e está inclu ído no
“Architect´s Handbo ok of Practise Management” (1991). No Quadro 3.3 apresenta-se a respetiv a
tradução de ac ordo com o referido p lano de trabalh o s:
Quadr o 3.3 - Fases de p rojeto (RIBA, 199 1).
F
ASEAMENTO
P
RINCIPAIS TAREF AS
I
NTERVENIENTE S
Inicio
Incep tion Reunião co m cliente. Cliente e d emais inter essados ,
arquiteto .
Viabilidade
Feasibility
Realizar e studos das exi gência s do
cliente, das con dições d o loca l, os
planos, custos, etc., de a cord o com
as neces sidades das de cisões a ter
em conta.
Cliente, arqu iteto, engenh eiro s e
QS de acord o com a n atureza do
projeto.
A pró xima fase inic ia-se o est udo do arq uiteto for considerado suficientem ente detalhado
Desenvolver o estudo com
brevidade.
Propo stas
Outline Pro posals
Realizar e studos sobre a s
necessidade s dos utent es,
eventuais p roblema s técnicos ,
planos, projeto e cu stos, de a cordo
com as nece ssidade s das decisõe s
a ter em conta .
Cliente, arqu iteto, engenh eiro s e
QS e todo s os técnicos d e
especialidad es nece ssários.
Desenvolvi mento do estudo fi nal,
desenhos do a rquiteto do p rojeto
e estudos pr elimina res dos
engenheiro s, prepara ção do plano
de custos e memoria d escriti va
completa.
Esquema d o projeto
Sche me De sign
Submissão d a pro posta a todas as
aprovaçõe s.
Cliente, arqu iteto, engenh eiro s e
QS e todo s os técnicos d e
especialidad es nece ssários e
entidad es para ap rovação.
O estud o não deve se r modificado a par tir deste p onto
Projeto comp leto de cada par te e
componente d o edifí cio com a
colabora ção de to da a equipa
envolvida.
Projeto de execução
Detail De sign
Orçamentação.
Arquiteto, QS, engenh eiros e
especialista s e empre iteiro (s e já
definido).
Capítulo
3
96
Quadr o 3.3 - Fases de p rojeto (RIBA, 199 1). (contin uação)
F
ASEAMENTO
P
RINCIPAIS TAREF AS
I
NTERVENIENTE S
Inform ação
Product ion In formation
Preparação final de d ocument os e
desenhos.
Arquiteto, engenheiro s e
especialista s e empre iteiro (s e já
definido).
Plano de quan tidades
Bills of Quantit ies
Elabo ração do plan o de
quan tidades e do cumentos p ara
concurso.
Arquiteto, QS, engenh eiros e
especialista s e empre iteiro.
Concu rso
Tender Act ion
Ações reco mendada s no NJC C -
Code o f proced ure for selec tive
tende ring.
Arquiteto, QS, engenh eiros e
especialista s e empre iteiro.
Planeamen to d e projeto
Project Plannin g
Ações de aco rdo com o Plano de
trabalh os RIBA. Empreiteiro e sub- empreiteir os.
Operaç ões em obra
Operations o n Sit e
Ações de aco rdo com o Plano de
trabalh os RIBA.
Arquiteto, QS, engenh eiros,
empreiteiro, sub-empr eiteiros e
cliente.
Conclu são
Complet ion
Ações de aco rdo com o Plano de
trabalh os RIBA.
Arquiteto, QS, engenh eiros,
empreiteiro e c liente.
Análise dos trab alhos efetuad os.
Feedba ck
Feedba ck Inspeções de fi m de ob ra. Est udo s
de utiliza ção.
Arquiteto, QS, engenh eiros,
empreiteiro e c liente.
Entretanto houve u ma atualização do Plano de trabal ho e o novo é dividid o em oito fases, agrupando
alguma informação que se encontrava dividid a no P lano de trabalho anterior. No Quadro 3.4
apresenta-se a r espetiva tr adução de acord o com o re ferido Plano de tr abalho:
Quadr o 3.4 - Fases de p rojeto (
RIBA, 2013).
F
ASEAMENTO
P
RINCIPAIS TAREF AS
Definição estraté gica
Strateg ic Definitio n
Identificar o projeto d e negóci o do cliente, o estud o estrat égico e o utros
requisitos nucl eare s do pro jeto.
Desenvolver o s objeti vos do p rojeto, in cluindo os ob jetivos de q ualidad e
e os outc omes d o pro jeto, aspetos sustentá veis, o orçament o do pro jeto
e outros p arâmetro s ou restri ções.
Desenvolver o estudo inicial d o p rojeto. Realiza r estudos d e viabilidad e e
rever informa ções d o local.
Prepar ação e estudo
Preparation and Brief
Preparar a entrega d e um Pla no e a avaliação d e risco.
Preparar o projeto de conceç ão, in cluindo prop ostas preliminare s para o
projeto estrut ural, d as instala ções, as especificaçõ es e infor maçõe s, e
um estudo p reliminar de cust os.
Preparar a s Estratégia s mais r elevantes do projeto de acord o co m o
programa. (Pla nos de Su stent abilid ade, M anut enção e Operacion al).
Definir o Plano de Segu rança e Saúde e re ver a a valiação de risco.
Projeto de Co nceção
Concep t Design
Acordar a s necessárias a lteraç ões e conc luir o estudo final do pr ojeto.
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de a poio à decisão
97
Quadr o 3.4 - Fases de p rojeto (RIBA, 201 3). (contin uação)
F
ASEAMENTO
O
BJETIVOS DAS PRINCI PA IS TARE FAS
Preparar o projeto , incluin do as várias p ropostas d os projet os de
especialidad es definido s para o p rojeto estrutu ral e d as insta lações, as
especificaçõe s e infor mações, a in formação de cu stos, e as estraté gias
de projeto de acord o com o p rograma.
Rever os Plano s de Su stentab ilidade, Manu tenç ão e Estratégia
Operaciona l) e a avalia ção de r isco.
Projeto
Develop ed Desig n
Rever e atua lizar o Pla no d e Segurança e Saú de e a avalia çã o d e risco.
Preparar o projeto de execuçã o de aco rdo com o projeto de matrix d e
responsabilidad es e e stratégi as que in cluam a in formação arq uitetónica ,
estrutural, e das instalaçõ es d o pro jeto do edifício, os sub- empr eiteiros
especialista s e toda a demais especifica ção d e com o pro gra ma.
Rever e atua lizar os Plan os de Sustentabilid ade, M anut enção e
Operaciona l) e a avalia ção de r isco.
Projeto técn ico
Technic al Design
Rever o Plan o de con strução e consequen te at ualizaçã o do Plano d e
Segurança e Saú de.
Execução d e acordo com o pro grama de con strução e r esolu ção de
eventuais q uestões qu e possa m surgir na obra.
Rever e atua lizar os Plan os de Sustentabilid ade.
Constr ução
Constructio n
Atualizar o Plan o de Seguran ça e Saúd e.
Atualizar toda a informação do p rojeto n ecessária. Entrega d a obr a
Hando ver and Close Out Entrega da ob ra e conclu são do Con trato do edifício.
Implementar as medid as defi nida s nos Planos, in cluin do a realização d e
uma avaliação POE, de desem penho do pr ojeto, ent re outros.
Empreender o s serviço s de uti lização de acord o com a Tab ela d e
serviços.
Utilização
In Use Garantir a atua lização d as informações d o proj eto, con forme necessário ,
em resposta ao constant e feed back d o cliente até o final d a vida út il do
edifício.
A fase de utilização inclui informação atualizada do projeto final em concordância com o feedback do
cliente e o desenvolvimen to das o perações de manutenção. No novo document o do plano de
trabalhos do RIBA (2013), é reduzido o faseamento do plano de trabalhos em relação ao anterior ,
mas, para além da defin ição das principais t arefas, é dado to do um outro conjunto de
recomendações so bre o programa, o planeamento e o utras informações de suporte para a execução
das v árias tarefas. As preocup ações c o m a m anutenção são neste no v o Plan o d e trabalho incluídas
nas fases preliminares de pr ojeto, apesar de as principai s tarefas que define são, e ssencialm ente, no
domínio das estra tégias de sustentabilidade.
Em Portugal, há pois ainda um lo ngo caminho a percorrer nesse sentido, devendo a manutenção não
só ser incluída na fase de utilização (apropriaçã o ), mas t ambém durante o processo de conceção, ou
seja, nas fases pr eliminares de projeto.
Capítulo
3
98
3.3.6
F
ORMAÇÃO DO ARQUITETO
A prime ira condição da memória situa-se nu ma escolha sobre o que fazer so breviver e o que
esquecer, mas para que exi sta esquecimento é necessário que te nha m existido co isas para recordar
e depois para fazer reviver. O c onhecimento do arquiteto, e o que e le própri o irá construir, será
objeto do que apreend eu na sua formação como profissional e com o pessoa, e que,
necessariamente, se molda rá ao lo ngo dos anos, fruto também da experiência e vivências adquirid as.
No processo criativo t udo é impo rtante, porque nada prece de nada. Assim, a base do conheciment o
do arquiteto é fund amental, isto é, o conhecimen to para e nã o apenas em si.
O autor Purini (2009) refere que “ P ara pensar , desenhar, c onstruir a arquitectura, é n ecessário
conhecê-la . Conhecê-la significa, antes de mais habitá-la… para apreciar os valores visivo-tacteis, dos
seus m ateriais, pa ra constatar como a luz a constrói, para avaliar de que forma enfrenta a prova do
contexto ”. É i mportante o conhe cimento d a his t ória d a arquitetura, mas ta m bém nã o é m enos
importante o conheciment o da natureza do s temas que surgem em todas as épocas da arquitetura,
ou seja, de nada se rviria este conh ecimento s e n o moment o central da co mposição es ta não fosse
totalmente esquecid a.
Relativamente à formação do arquiteto, Vitruvius Pollio (Maciel, 2 006) considera ser conveniente
que o arquiteto possa, em todas as artes e doutrina s, fazer mais do que aquel e s que, através dos
seus e sforços e das suas reflexões, elevaram cada um dos ramos d o c o nhecimento à m ais alta
ilustração. Coisa esta que, efetivamente, nã o se p ode verificar. Na verdade, todo o conhecimento
subjacente ao ato de projeta está muit o ligad o a o conhe cimento científico, o nde a o bserva ção,
colocação de hip óteses, a reflexã o e a síntese te m por base a razã o que a materializ a.
Vieira de Alm eida (2008) re fere que, “ para aqueles que têm medo de que a tentativa de um
entendimento nacionaliza dor ve nha prejudicar a espontaneida de da criação, ape nas pode dizer que é
sua convicção ai nda que o ensino da arquitectura terá sempre algo de hermétic o, que se não pod e
verdadeiramente ensinar mas apenas talvez aprende r. Como a arquitectura ela mesma, a pedagogia
a ela r elativa é obrigatoriamente aberta, dependendo a capacidad e de f ormação, em ultima
instância, da capacidad e d e autoformação de cada aluno. Cada arquitecto ser á necessariamente um
autodida cta”.
Na realidade p rojetar, e nq uanto ato de cria ção, não é uma atividade contínua, pois h á se mpre
dúvidas q ue originam con stantes avanços e re t rocessos. A ativ idade do arquiteto é um a tarefa
complexa, pois implica a interação de um número considerável de v ariáveis. E convé m também não
esquecer que a arquit etura não é o bra de um únic o interveniente. Ela é fruto do trabalho de u ma
númerosa e quipa com uma pluralidade de competên cias té cnicas, coordenadas pelo arquiteto. A
formação do arquite to prop orciona-lhe um acesso a instrumentos que lhe v ão p e rmitir desenvolver
uma deter minada lin guage m própria. Todas as coisas de que a arquitetura faz uso são apr o priadas
conforme critéri os internos à própria criação. E aqui, co nvém nã o esquecer um a fase não me nos
importante, e que já foi referida, a da apr o priaçã o.
Segundo o m esmo aut o r, o s asp etos d a ética profissional defin em -se na ati tude que se souber
manter durante a fase de projeto, em relação àquela da fase de uso, deixand o consciente m ente bem
definido a fase de us o/apropriação do processo da a rquitetura. Nesta última fase do processo
decide-se também do e mpenhament o ideo lógic o da arquitet ura que se pro jeta. E aqui existem dois
aspetos o postos : o eximir-se voluntariament e de lev ar a sua definição fo rmal tão longe que
constranja, ou mesmo impeça, a intervenção d o uso co mo vetor de criação, comprometendo-s e a
não anu lar o factor abertu ra. E não de v e r estringir a sua d efinição f ormal tã o ce do qu e s e exima à
sua responsabilidade de ori entar esse uso, essa ab e rtura.
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de a poio à decisão
99
Durante a formação académica do arquiteto, para além da importância em dar-lhe a conhecer toda a
história da arquitetura, todos os tratados, princípios e regula m entos, é também necessário per mitir
dotá-lo de pensa mento crítico e liv re de “víci os”. Louis Kahn referiu nu m texto s obre a importância
da formação do arquitet o ( extraíd o de Q uar oni, 1987), uma história sobre a sua experiência
profissional, que s e entende repr oduzir:
“Antes de mais quero dizer que a arquitectura não existe. Existe uma obra de arquitectura. E uma
obra de arquitectura é uma ofer ta à arquitectura na esperança de que est a obra possa fazer parte do
tesouro d a arquitectura (..) Pensamos só na es tupenda e xpressão artística que foi in spirada por
Adriano. Adriano queria u m lug ar em que cada qual pudesse participar do mesmo m odo nos ritua is
religiosos. O resul tado foi o Panteão. E que esplêndida inter pretação nos deu! (…)
Vou contar-vos uma experiênc ia escolar muito recente. O tema a tratar era um Mosteiro. Partimos do
pressuposto de que até hoje nunca existiu nenh um. Eu era um eremita que tinha toda a ideia de
socializar alguns elementos e juntá-los num único l ugar. Devíamos esquecer as palavras monge,
refeitório, capela, cela.
Durante duas semanas não fizemos nada. Logo uma aluna disse: e u creio que a cela é o elemento
mais importante desta comuni dade e que a cela dá direito à capela a existir, a capela dá direito a
existir o refeitório e que o refeitório ob tém o seu direito a existir a partir da cela, como também o
lugar de retiro e as oficinas”.(…)
Devo reconhece r que os p rojectos destes dois alunos er am bastante soltos, mas a inspiração das suas
palavras foi muito orientadora para toda a turma. O a luno mais brilhante da t urma, um r apaz inglês,
fez um magnífico projecto ond e introduziu novos elementos. Po r exemplo, a exigênc ia de um percurso
que dominasse a composição. Colo cou o r efeitório a uma milha de distância do centro do mosteiro
para tr ás do r etiro, dizendo que para o retiro era uma honra estar próximo do mosteiro que se devia
dedicar uma par te importan te da construção.
Estou cert o de que se lhes tivesse dado antes uma l ista com os requisitos, a tur ma não ter ia tido
ideias deste tipo. O núcleo original do c onceito do Mosteiro nã o se perdeu, antes pelo cont rário, ao
reconsiderar o seu espírito acabou-se por compreendê-lo m elhor. E é es ta a razão do meu interesse
neste núcleo, na s ua realização form al, no seu significado form al, na realização das partes
inseparáveis du ma entidad e em uma entidade.
Por isso conside ro essencial que o arquitecto não siga nunca uma lis ta, o programa que lhe é dado,
mas que o considere s ó como um ponto de partida no que se r efere à quantidade, nunca à qualidade.
Pela m esma r azão de que o pr ograma n ão é arquitectura, mas simple s mente uma indicação, como
poderia ser a receita para o farmacêutico. ”
Numa perspetiv a pessoal, na formação do arquitet o tem de fazer parte a aproximação ao real e
concreto, com o devido conhecimento de todos os instrumentos existentes ao seu dispor. Ente nde-
se que o P lano de trabalho co mo metodologia par a a c oncretizaçã o de um p rojeto é fu ndamental,
como ferramenta de trabalho. Também é ve rdad e que tem de existir o devido equilíb rio entre as
exigências nec essárias par a dar c umprimento às n ecessidades d o cliente /utente e entre t o do o
processo c riativ o. É fundamental durante a formaç ão do arquiteto haver u ma lib erdade no se u
pensamento crítico que lhe permita abordar o projeto construindo uma linguagem própria, m as
dando-lhe simultaneament e, durante o seu percurso de fo rmaçã o, os meios necessários para que
entenda que to das as exigências necessárias e obrigatórias devem estar subentendidas desde o
inicio.
Capítulo
3
100
3.3.6.1 Relaçã o Arquiteto/ Cliente
O arquiteto Siza Vieira referiu um dia que para ele a arquitetura e ra um tema de espaço e de
relacionamento, de infind áv el relacionam ento. E num sentido mais restrito, também o é, com o
cliente, na m edida em que o futuro “sucesso” da o bra depende muito da relação que e xistir entre o
arquiteto e o cliente. Desde o início existem ex pet ativas legítimas de parte a parte . Da parte do
cliente, se as suas exigências e anseios estão present e s e expressas no projeto, se o arquite to captou
os seus desejos. Da part e do arquiteto, prete nde corresponder e satis fazer essas exigências e em
simultâneo, molda-las de acordo com o seu sentido do lugar, da identidade, das referências que
considerou proe m inentes para o projeto, de ac ordo com a leitur a que fez desde o iníci o.
Atualmente tem-se algo b analizado a discussão sobr e os espaços da arquite t ura, dada a crescente
divulgação de s oluções ar quitetónicas. Além do ma is, exist e, hoj e, mais um intermediário nes ta
relação que é o promot or que contribui muitas vezes, para uma visão deturpad a do o bjeto final, isto
porque o ato de com unic ar entre o clie nte e o arquiteto de ve ser o m ais evidenciado. Para além
deste novo interveniente, também existe uma t endên cia cre scente para um núme ro cada v ez maior
de especialid ades en volvidas, que requerem po r parte do arquite to e c oordenad or de t odo o
processo uma análise mais aprofundada durante o pro cesso de conceção arquitetónica, mas que
ainda não teve os resultados desejáveis, com vista a uma melhoria do comportamento do edifício em
serviço.
Em Portugal, a Lei nº 31/2009 estabelece a qualificação pro fissional exigível ao s técnicos
responsáveis pela elab oração e subscrição de pro jetos, pela fiscalizaçã o de obra e pela direção de
obra. A manifesta necessidad e em garantir a devida articulação entre t odos, incluindo o cliente, é um
dos papéis chav e para o “su cesso” da obra de arqu itetura.
3.3.6.2
Método
O projeto de arquite tura é sempre concebido com o intuito de resolver um problema relativo à
atividade do Homem que é clarificado com o estabelecimento de um programa. Quem define o
programa é o cliente, pois é ele quem clarifica as necessidades e os pressu postos que pretende para
o projeto. A atividade do arquiteto é complexa, pois implica a interação de um número considerável
de variáveis. O progra ma, se ndo o ponto de partida para o in ício de todo o p rocesso de conceção,
tem de ser confr o ntado com o Lugar, o espaço físi co.
Peter Zumthor ( 2009) refere que o ato de projetar não é nenhu m pr o cesso linear que nos leva a
relacionar, de modo lógico e direto, a histó ria da arquitetura a um novo edif ício, porque, n o seu
centro, encontra-se a confrontação com as questões do seu te mpo. No se u m omento de c riação, a
arquitetura está ligad a de uma maneira especial ao presente. Aquele M o mento.
A te mática do método de projetar e do dualism o aparente do projeto é con siderada por Portas
(2005), no sentido em que a arqu itetura aparece como uma luta entre dois caminhos possíveis de
decisão: o que procura encontrar novas soluções para contextos de funções que não têm meio
adequado para se desenvo lv erem, e um que procura usar e criar uma linguagem não verbal, em que
a pesquisa teórica aparece em diss ociação e ntre o des ign e a “significação”, que se e ncontram
presentes na formação das estruturas arquitet ónicas, e que traduzem uma polarização tipo,
“engenharia ” e “arte” entre outros.
Este modelo p retende realçar a falta de um m odelo compreensiv o d as interações entre o ní ve l
“satisfação de nece ssid ades funcionais” e o nível “expressão de valores culturais”, ou seja, entre
sistema funcional e estrut ura significante. Como referenciado no Quadro 3.5 , isto depois traduz-se,
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de a poio à decisão
101
se nt ido d a dia cr on ia, p or ta nt o d a c o n c re tiz aç ã o d o es pa ço /te m po d e o b ra
se nt ido d a for m a liz aç ão , p or ta nto d as in va ria nc ia s s óc io -c u ltu r ais
M OD EL OS D ISC IPL IN AR ES
DE AS PIR AÇ ÕES E ES TR UT UR AS
si ste m a s d o s
co m po rta m e nt os
dis fun çã o s ent ida
re alid ade
ne ce ssitad a
R
si ste m a s d as
si gn ific aç õ e s
co mu ni caç ão des ej ada
ps ic ol. so cio l. g eo gr. , .. .
av a lia çã o
U S O
ob so len cên ci a
(m e ta pro jec to)
?
es pec ifi ca ção de ob jec tiv os
?
de com po s. em su b p rob le ma s
?
op tim iz. de sub so luç õe s p ad rão
"L O CU S "
(o bje cto )
?
pa rt ic ula riz açã o d os da dos
?
ve rif. do s ti pos q. se rve m
?
in teg raç ão d e d ifer en ça s l oc ai s
M OD EL OS DA S
AS PIR AÇ ÕE S
M OD EL O
TI PO LO G IC O
PR OJ EC TO
m . de scr itiv os
s im bóli c os
m. es tru tu rai s
si m ból ico s, i có nic os
m . ic óni co s
pr op orc ion ais
?
en con tr o d e s ign os ele me nta re s
?
co nju gaç ão "fr as es " e spa ci ai s
?
en co ntr o f orm a s ge né ri cas (t ipo s)
?
co nfr on to co m u m sit io
?
m ode laç ão po r u m a uto r
?
de se nho d a form a p rec isa
M OD EL OS S EM IO LÓ G IC OS
LE XIC OS/ ES TR UTU RA S- ES PA ÇO S
(li ngu a)
"P O ES IS "
(li ngu ag em )
re alid ade
mo difica da
R ´
EX PRE SSÃ O DA
NE CE SSID AD E
RE ALI ZA Ç ÃO
DA OB RA
co ns um o
cr it ic a
en tr op ia
T ´/
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T ´´´ /
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op er açã o d e t ra nsfo rma çã o d a i nfo rm açã o
re sid uo i rred utive l da t ra nsfo rma çã o
de limit açã o d o c amp o e spe cí fico
do de sen ho ar qu ite ctón ico
numa dicotomia da realidad e necessitada R , e na realidade mo dificada R´ , o nde o esquema
sequencial dos model o s é influenciado pela operação de transformação da inform ação/resíduo
irredutível da tran sformação T/R . Nu ma dialética do sistema de comportame ntos e sistemas das
significações.
Quadr o 3.5 - Modelo do pr ocesso de con ceção (Po rtas, 200 5).
Assim sendo, o projeto, que é a génese do proc esso de conceção, é susceptível de decomposição em
sucessões de sub-problemas segundo um conjunto de operações reconhecíveis na seguint e
sequência:
▪ Programação ou definição do proble ma;
▪ Análise e construçã o de mod elo apropriad o;
▪ Síntese de soluç ões, simul ação;
▪ Avaliação e sele ção e, ou re-p rogramação;
▪ Desenvolvi mento e comunicação à fase seguinte …(etc., etc., …).
Com est a sequência prete nde-se ga rantir u m maior grau de co ntrol o no p roce sso de decisão. Mas,
de um modo geral, encontram-se na própria formulação dos problemas: na construção do programa
por integraçã o de múltiplo s modelos disciplinares , e na construção dos mo delos de descoberta que
guiam a transfor mação do p rograma na solução.
Claro que, sem a introdução estruturante de conceit os, ou esquemas, ou ideias formais que resolva m
e orientem, não “ existe desenho ” . A essência, nesta fase, é conseguir estabelecer perante cada
situação previsível, um conjunto de bases ou regras de interpretação suficientement e universais para
um det erminado nível de objectivos, que permitam compreender o sentido de cada programa. Aqui
surge o meta-projecto. Est e procede por uma espécie de análise lógica da arquitetura examinand o as
necessidades genéricas e soluções tipológicas. Será uma v isão da est rutura das co isas a que o
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de ap oio à decisão
109
4
ESTRATÉ GIAS
DE
INTER VENÇÃO
PARA
UM
ENTEN DIMENTO
ORIEN TADOR
Fig. 4.1 - Pa sseio das Virtu des. Porto .
Alexandre Al ves Co sta. “ Ide ologia s do p atrimónio e intervenç ão a rquitectóni ca ”. 1995.
“(…) Ho je ao considerar-se q ue cada c aso é um c aso e que a t eoria da
intervenç ão nascerá d e c ada circu nstânc ia nu nca ge n eralizáve l -
circunstâ ncia de que faze m parte nã o só a ex pressão da individua lidade
de ca da autor, com o a obrigação étic a de um rigoroso e e xaustivo
reconh ecime nto histórico e arqueo lógico do edifício a transformar.
(…) Assim foi com obras ce n trais na histo ria da arquite ct ura (… ) qu e
usaram o real, qu e contém o seu p assado e o futuro d esejado ,
enco ntrando a regra, a sua , a p artir do existente, c aso a caso e sempre
legível, em cad a o bra. E esp ero que , c omo dizia Álvaro Siza, «t udo venha
a ser reconhe cido como pat rimónio colectivo e, n essa c ondiç ão, objecto
de mu dança e de co ntinuidade».”
Capítulo
4
110
4.1
C
ONSIDERAÇÕES PRELIMINARES
Neste capítulo é apresenta do um c onjunto re flex ões sobre a co nceçã o arquitetónica, a manutenção
de edifíci os e a i mportância desta última ser incluída nas fases preliminares de pro jeto. Ap ó s, nos
dois capítulos anteri ores, se ter realizado um enquadramento no domínio da manutenção de
edifícios e da arquitetura, revela-se necessário abo rdar estas ques tões para que durante o processo
de conceçã o se ja possível encontrar estratégias de intervençã o que garantam a permanência n(u m)
tempo da arqu itetura.
Esclarecem-se quais são os principais problemas que afet am a manutenção de edifícios e os que
podem ser analisados e “previstos ” ainda durante o processo de conceçã o. Realiza-se uma breve
síntese do que se considera re levante retirar da análise ao estado d o conhecimento e fetuada nos
capítulos anteriores e con duz-se a realização de uma aud itoria, realizada junto de um conjunto de
arquitetos, como forma de entender c omo são tidas em conta as questões da manutenção a nível
conceptual nos seus projet os.
Nunca o auto r de projeto - arquiteto teve tantas opções à sua disposição, mas também nunca a
coordenação e re sponsab ilidades envolvidas foram tão complexas, daí a importância de uma
estrutura estratégica e metodológica de apoio e orientação ao seu trabalh o.
Apresentam-se os respetiv os resultados e conclus ões decorrentes dos questi onários apres e ntados
durante as entre v istas efet uadas. Por últi mo, retiram-se as d evidas consideraç õ es finais.
4.2
A
RQUITETURA
:
PERMANÊNCIA N
(
UM
)
T
EMPO
Tudo precisa de (um) tempo. A arquitetura como atividade pluridiscipli nar precisa de tempo para
perceber e prever a passagem do tempo na sua obra. As sociedades, pela forma como na maioria das
vezes, e ncaram as ques tões arquitetónicas, levam a assumir a possibilidade de que a construçã o de
um edifício será para que ele “dure para sem pre” (como t ambé m já referido). A verdade é que to dos
os edifício s têm um ciclo de vida, v ariável, mas com um fim. Em muitas situações, alguns v alores
arquitetónicos e culturai s sobrepõem-se à sua deterioração verifican do-se um esforço de
manutenção dos m esmos. Devemos co mprometer a noç ão de que o “edifício deve durar para
sempre”, mes mo tendo co nsciência de que el e afinal não tem essa capacidade ?
É na ve rdade com o tempo que se percebe o “ sucess o” da o bra de arquitetura. Muito recentemente,
o arquiteto Siza Vieira ( 2013) numa e ntrevista que deu sobre o projeto para o Chiado refere que “o
tempo é um g rande arquiteto, quem não conta com o tempo não vai lá”. Para e le o sucesso do
projeto vem da ev olução qu e tiveram as decis ões tomadas nas fase s preliminares de projeto.
Hoje, há uma cre scent e co nsciencialização da perceç ão de que todos os edifíci os têm um temp o de
vida e que depend e em muito da forma como são construídos e das opções tomadas. A for ma como
os edifícios envelhecem t em uma relação directa com essas o pções que pas sam, essencialmente,
pela escolha do s materiais e das soluções co nstru tivas empregues. O s vário s materiais e
componentes da construção têm ciclos de vida diferentes, e isso deve se r devid amente estudado e
contemplad o no momento d e decidir o projeto p o r parte do arquitet o.
Também nã o é menos imp ortante a utilização de tod os os recursos disponíveis numa nece ssidad e de
construir edifícios m ais eficientes e sus tentáveis, em muito pela pos sibilidad e de escassez de alguns
dos recursos, num entendimento so bre o modo como o arquiteto tem hoje de projetar, construir e
pensar, de c omo manter a o bra de arqui tetura. A arquitetura tem de saber lid ar com todos est es
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de ap oio à decisão
111
aspetos, sendo de ressalvar a importância da definição de e stratégias de intervenção e res petiva
metodologia a intr o duzir aind a durante a fase de conc eção.
Por outro lad o , a diversid ade de novos materiais , de soluções c onstrutivas e de novas t ecnol ogias
implica uma grande e quidad e nas decisões do arquiteto. Isto faz com que a arquitetura seja um
exercício, cada vez m ais, re vestido de grande c omplexidad e, sendo determinant e para o “suce sso” da
obra de arquitetura, como re ferido no capítulo anterior, garantir a rel ação e ntre to dos os
intervenientes no processo e e ncontrar o devido equilíb rio entre a t eoria e a prática no exercício da
profissão.
Um dos temas que im porta referir, e que te m dominad o a atualida de, é a questã o da
sustentabilidade na constru ção. Não só porque se tem tornad o comum abordar est e tema, m as
porque ex iste uma reduç ão de alguns re cursos n aturais, o proble ma do aquecimen to global do
planeta e dos resídu os sólidos proveni e ntes da c onstrução e da dem olição de edifícios, entre outros.
São várias as iniciativas que pretendem alertar para a implementaç ão de práticas de
sustentabilidade, d esde a s Conferências Mundiais para o Desenvolviment o e Meio Ambiente às
recentes Diretivas da União Europeia, de que é o exemplo a Agenda 21 (CIB, 1999). Este documento
contém recomendações e referências específicas sobre como alcançar um desenvol v imento
sustentável e que e nglobe o setor da c o nstrução.
De acordo com este docu mento a co nstruçã o sustentável é: “O resultado da ap licação dos princípios
de desenvolvim ento s usten t ável ao ciclo global da construção, desde a extracçã o e beneficiaçã o das
matérias-prima s, passand o pelo planeamento, projecto e construção de edifícios e infr a-estrutu r as,
até à sua desconstrução final e gestão dos resíduos delas resultante s (...) é um processo holístico que
visa restaura r e manter a harmonia entre o amb iente construído, criando ao mesmo tempo,
aglomerados humanos que reforcem a dig nidade human a e encorajem a equidad e económica”.
Hoje, m ais d o que nun ca, ex iste uma vasta quantidade de pressupostos que não pod em ser
negligenciados, sob pena de comprometer as necessidades das gerações futuras, e que devem ser
considerados durante o processo de conceção de um e difício. També m é v erdade a necessidade de
metodologias que suporte m todos os pressupos tos considerados em cada projeto, que permitam
contribuir para garantir a perman ê ncia no temp o da obra d e arquitetura.
4.2.1
E
STRATÉGIAS DE INTERVENÇÃO NO CONSTRUÍDO
A q uestão da co nceçã o em arquitetura remete para o problema da c riação. Ao criar algo, pensa-se
numa primeira fase na f o rma e na s ua função. Ao pretender-se materializar algo, estabelece-se um
método ou no m ínimo linhas orientadoras. Para encontrar a tal forma recorre-se necessariamente à
nossa vivência, à nossa experiência, àquilo que se observa, mas p e rante hesitações e dificuldades
específicas deste processo é necessário interiorizar um conjunto de esquemas de rac iocíni o que
orientem e o rganize m o percurso mental. O método, o u os m étodos dev em ser encarados como um
meio de auxílio que orientam o percurs o criativo. Isto porque o s problem as não se resolvem
automaticamen te, ou na pior das hipóteses re solvem-se por eles p róprios atrav és do livre arbítrio,
mas não será esse o percurso que interessa. O método permite encontrar a so lução para um
determinado pr oblema e isso c onsegue-se co m trabalho, inspiraçã o e planeamen to.
Em 1980, Christo pher Alexand er (1980), aborda a linguagem dos modelos de co nceção ( design
patterns ), distinguindo entre diagramas de exigências, de forma e de construç ão. O diagrama de
exigências define as restrições e as limita ções que se tem de ter em conta pa ra um determinada
situação. O diagrama formal define uma organização f ormal precisa das co nsequ ências funci o nais
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4
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previsíveis, pel o me nos ideal. O diagrama construtivo ass o cia, s egundo el e, a explicação formal e a
explicação funcional do objeto a conceber. Um dos exemplos de diagrama co nstru tivo representa o
fluxo de trânsito de uma rua bastante movimenta da. Muito mais do que indicar o número da
quantidad e de veículos, é nece ssário v erificar a espessura da linha que represe nta a rua em função
da intensidade da cir c ulaçã o. (Jormakka, 2 008).
Na realidad e, a concretiza ção da construçã o do o bjeto arquit etónico engloba estes três aspectos:
formal, funcional e e xigencial. A lingu agem modelo de Christ o pher Alexander (1980) assenta na
decomposição das tarefas em problemas parciais, em o s resolver e também em integrá-los num
conjunto hierárq uico. As soluções encontradas prod uzem uma “qualidad e an ónima” comum à
arquitetura e que consiste em quinz e element os de base: o s níveis de escala, o s centros for tes, os
limites, a rep etição em alternân cia, o espaço positivo, um a fo rma adequada, um a simetria loc al, a
sobreposição na profundid ade e a ambiguid ade, o contraste , as linhas de declive, a dureza, o e co, o
vazio, a simplicidad e e a tra nquilidade interior, a não divisão. (Jor makka, 2008).
O me smo autor c onsidera a arquitetura como um pro cesso sem fim, cujo resultado será m ais
completo se o arquiteto con seguir ajudar os utentes a enco ntrar os modelos adequados. Os modelos
são definidos se gundo um m étodo hierárquico. Uma das dificuldades está em combinar as s oluções
encontradas de modo a que form em um conjunto har m onioso.
Toda a competência profissional depende da forma como o arquiteto assimila o discurso arquitetural
e como compreende o papel da arquitetura na sociedade. A intuição é também importante, uma ve z
que favo rece o acaso e a fo rma como o controlamo s. A inspiração não é de todo suficiente, daí a
capacidade intuitiva aliada ao fato r experiência ajudar a justificação dos meio s. A titulo de exemplo,
o acaso que se diz ter inspirad o Newton na sua teoria sobre a Lei da Gravidade, que aconteceu
supostamente quand o lhe caiu uma maçã sobre a cabeç a. O acaso mesmo quando aco ntece só
favorece as ment es que já se enc ontram previa mente prepa radas para tal. (Jor makka, 2008).
Segundo Pallasmaa (2005), “ A tarefa intemporal da arquitectura é a de criar vivê ncias, incorporações
de metáforas existenciais que concretizem e es trutu rem o nosso es tar no mundo”. Na v erdade, a
forma como a arquitetura t em implicações na atividade humana, não só na co ncretização e
orientação do seu dia-a-dia, na forma como pode interagir ou não, na definiçã o de identid ade, no
fundo na es trutur ação da vida de t odo o se r humano, torna-a a essência da realidade, e m que as
sociedades têm d e se dese nvolver e estruturar, a s sim como na de cada um , na vi vência do dia a dia.
A memória t em, assim, um papel fundamental porque perm ite que o espaço qu e nos rodeia adquira
significado, t ambé m porque “ nós transferi mos todos os lugares e cidades que visitamos, todos os
sítios que r econhecemo s para uma memória e ncar nada no nosso corpo ” ( Pallasmaa, 2005). Ao
identificarmos estes lugares, estes momentos, eles tornam-se parte da nossa exist ência, da no ssa
vivência. “A arquitetura é a arte de reconciliaçã o entr e nós próprios e o mund o, e a sua mediação
acontece através dos sentidos.” O autor aborda a importância que todos o s sentidos têm, e t ambé m
a im portância diferenciável que tem sido dado a um ou outro sentido, como é o c aso da visão.
Pretende també m, ex pr essar o significado do sentido tátil da nossa experiência no m undo, porque a
questão do sensorial pas sa muito pela n ossa pele, o modo como e la contata co m o q ue a rodeia, e
que é natural mente sentido at ravé s do t ato. Para o autor, a visão e a audiçã o são o s sentidos sociais
privilegiados, enquanto qu e os outros t rês são considerados sentidos arcaicos remanescent es por
terem uma função privada, e p o rque são, em geral, suprimidos pelo código da cultura. Utilizando
uma frase de Frank L lyod Wright de 1954, “ o que hoj e é mais necessário na arquitectura é aquilo que
também mais é preciso na vida - integridade. Assim como é para o ser humano, também é a mais
profunda qu alidade de um edifício…”.
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de ap oio à decisão
113
Hoje, mais do que nunca, a arquitetura deve se r e ntend ida como uma atividade integradora. E nesse
contexto é importante perceber como se pode passar de um estudo analítico do comportamento dos
vários elementos às soluçõ es concretas e como se devem concretizar esses aspe tos, que auxiliam no
controlo e conheciment o do comportam ento das soluções construtivas, d o s materiais, c ontribuindo
para o “suc esso” da o bra de arquitetura. É e vidente ta m bém que par te desse “sucesso ” advém da
intervenção con certada de todos o s intervenien tes no processo.
No mundo atual é cada ve z menos possível sab ermo s o essencial de tud o , daí a imp o rtância de se
estabelecerem m etodologi as de ap oio à prá tica, assim como de reflex õ es sobre os s e us resultados.
“ É pois absolutamente urgente procede r ao e studo de fundo que nos perm ita explicar com m étodos
muito precisos e s ignifica tivos as formações e m utações, o grau de inter vençã o e de eficácia da
arquitetura, no espaço e no tem po, desde o desen ho dos bancos à estr utura metr opolitana , não
apenas em plano histór ico , ou antropológico, ou ecológico, ou sociológico , conforme os casos. O
segundo mom ento é o da proposta de modelos ou integrais das necessidades, dos r ecursos
tecnológico s e dos princípios de respostas espac iais.” (Portas, 2008).
É muito importante o trabalho de investigação e de pesquisa. Cada problema que surge implica um a
estratégia e uma t omada de decisão, com uma m argem de adaptabilidade que tenha em conta uma
necessária adequação aos aspetos formais e funcionais.
O co njunt o de exigências a que cada solução
deve dar resposta nã o é homogén e o, uma v ez que a garantia do seu cumprimento se fará de acordo
com a sua importância relativa e as prioridad e s de resposta a cada o bra em causa. “ Na fase de
decisão, a hierarqu ização dos factore s vai ter o pape l da crítica ao ato criador, vincan do os vetores
que s e con sideram fixos e mar cantes, aquilo que deve s er dei xado com relativa indeterminaçã o e o
que pede maio r ou menor neu tralidade das formas envolventes ”. (Portas, 2008).
Considera-se, assim, que as decisões tomadas devem traduzir as prioridades desses fatores de
acordo com as necessidade s dos ute ntes e que são fundamentadas pelos resultados de investigaç ões
científicas, pelo trabalho teórico já dese nvolvido e pela e xperiência. Como tal, existe a necessidad e
de se estabelecer uma estratégia metodológica que permita saber situar e defini r os limit es dos
instrumentos que se utiliza, permitindo quantificar e/ou qualificar as consequências de uma série de
hipóteses de decisã o .
“É a extrema complexida de que tomam os problemas e a sua depend ência da investigação
sistemática, nomeadamente nas técnicas auxiliares, bem como a exigência de ensaiar em modelo
uma vasta ga ma de soluções e de prever as s uas consequência s, que impõem a s uperação da
operação simples e sincréti ca p ela qual, até agora, a «arquitectura acontecia». Mas a estrutura d a
decisão tem de existir previamente, para formular as hipóteses que ir ão ser e nsaiadas.” (Portas,
2008). Embora o aut o r considere que o problema conceptual da arq uitetura, ao ser visto co mo um
todo, não t orna possível a sua reso lução através destes instrumentos, em geral aplicáveis a funções
diretas (aspetos setoriais), a identificação de um méto do e do s seus respetiv os instrumentos de
decisão é m uito relevan te, e começa efetivam ente, na observação da realidade c om a identificação
das necessidad es dos seus futuros utentes, com um controlo das r espo stas d e acord o com as s uas
exigências, da escolha dos se us materiais e soluções construtivas, não esquecendo conceitos de
continuidade e integração como resposta à satisf ação dos seus utentes. Esta adequação ao
conhecimento do momento de existência que serve o espaço arquitetónic o é complementar do valor
simbólico que se comunica, atra vés da sua vivênci a e apropriação.
A arquitetura moderna, ao pretender uma m aior eficiência como consequência do seu pensamen to
racional am pli ou tamb ém o seu carácter de flexibil idade, o que contribuiu para que o o bjeto
arquitetónico se t o rnasse distorcido da realidade o bjetiva. A arqu itetura necess ita de regras, de s e
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definirem princípios e hierarqui as, de se estabel ecerem limites dentro dessa própria flexibi lidade,
que também não po de ser levada ao e xtremo. Ho je porém, a nova realida de da v ida é caracterizada
pela desilusão e falta de ídolos, pela fragmentaçã o, por romper valores e princípios ét icos, está vazia
de história e coerência estilística e é, em geral, uma co llage aleatória de consciên cias e horizontes
vitais. (Pallasmaa, 2010)
Por mais voltas que se d êem, nas sociedades que se vão desen v olvendo e evoluin do ao l ongo do
tempo, o e spaço arquitetón ico nelas presente terá sempre o dever de preservar o passado e permiti r
a possibili dade d e construi r a realid ade pres e nte as sente na continuid ade da cultura e da tradição.
Não e xisti m os somente nu ma realidade mate rial e espacial, também habitamos realidades culturais,
sociais e temporais. A arquitetura é esse ncialm e nte uma forma d e reconciliação e identificação, p ois
confere significado às coisas, e, além disso, situa o ser humano no espaço e num lugar, entre o
passado e o futuro. E existe associado um sentido d e perm anência. Essa permanência em termos de
processo de conceção consegue-s e, por um lado, com a eficácia da ligação entre todos os
intervenientes no processo de construção e, por o utro, com a definiçã o do conj unto de exigências e
ações a que o mesmo deve dar resposta, encontrand o so luções técnicas e construtivas que garantam
esse desempenho geral pre t endido.
Vários estudos tê m sido desenvolvid o s sobre as principais causas das ano m alias nos edifícios. Um dos
estudos desenvolvidos foi apresentado no c apítu lo 2 , subcapítulo 2.3.1 de Cha moza & Ort iz (1984),
e, posteriormente, é de dest acar o estudo do CSTC (1991). O que interessa reter é que, em ambos o s
estudos, as principais anomalias da construçã o são atribuídas aos erros ou falhas de projeto e
execução.
Independente m ente d o s fatores que possam interferir na avaliação do s indicadores de m anutenção
do espaço arquitetónico construíd o, os possív eis erros ou falhas durante o processo de conce ção
podem ser cat alizad o res da manutenção, neste caso, potenciad ores de u ma degrada ção mais
acelerada e rápida.
A importância do papel da manutenção desde a fas e de conceção é natural mente fundamentada,
pela forma como se pod e e deve atuar em todo o processo de construç ão. Tem-se também
consciência que, send o nesta fase que se colocam as questões fundamentais da arqui tetura, o
contributo da manutenção pode s er decisivo para o “sucesso” do objet o arquitetónico.
Considera-se, assim, importante abordar e perceber como na generalidade se pro cessa toda a
evolução conceptual desde que surge a intenção, ou seja, um cliente com uma necessidade que
pretende que s eja sa tisfeita. Sem pre tender particulariz ar a experiência como profissional, opta-se
por referenciar o arq.º Car valho Araújo (2007), nu ma entrevista e m 2007, com Nuno Rocha Vieira,
que reúne um c onjunto d e reflexões e m torno d a conceção em arquitetura que interessa aqui
reproduzir:
Foi-lhe colocada a questão do que é o “ clique” do projeto, e o mesmo referiu que este “surge m uitas
vezes associado a um mo mento de especu lação no projecto, que dá s empre muita vontade de, no
inicio dar asas à imaginação e criatividade, e eu não s ei se é por ai, ou seja, pre firo ter uma
abordagem muito mais racional de início e depois, quando as coisas estiverem consolid adas, mais ou
menos conseguidas, equilibradas, t ransforma r os lugares em qualquer coisa de melhor ou procurar a
potencialid ade desse lugar para criar alguma outra identid ade; e depois vem a segund a parte, que é
o cliente, e o clien te tem qu e nos ajudar a pr ocu rar essa tal identidade, que o projecto pode vir a ter,
e ai é uma parte que não depende de nós, mas que é importante termos aí uma força que nem
sempre é fácil, ou seja… é muito fácil agradar os clien tes, pa r ece-me, mas já não é assim tão fácil
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de ap oio à decisão
115
conseguir que o cliente est eja s atisfeito, mas satisfeit o com uma coisa com que se identifique e que
está bem.”
Tem de existir uma hierarqu ização dos pressupostos, em que numa primeira fas e “tento ser objetivo,
depois há um momento mais liber to” , o u seja numa primeira fase deve ter-se um discurso que leve a
conciliar o que o cliente pretende, com o luga r, d e ixand o a “poética” para uma segund a fase onde
talvez aí surja a diferenciação, a autoria. E r efere “Na primeira parte, procuramos estabelecer
garantias para que o projecto s eja coerente. Estamos a criar bases de sustentação para um
desenvolvimen to m ais ou menos aprofund ado mas já alicerçado numas bases muito sólidas, muito
correctas. É mais fácil a partir daí perceberes ou melhor, distanciares-te do entusiasmo, começando a
estar muito envolvido num projecto, começas-te a apaixonar por ele, e a paixão tem esse problema, é
uma cegueira… se não conseguires esse distanciamento, provavelmente é s levado por ela sem saber
se est ás a ser levado por esse caminho mais correcto, da razão. E então, se tivermos esta forma mais
racional e pragmática de abordar inicialmente as ques tões e se a re speitar mos, este princípio de
desenvolvimen to, o que vem a seguir já está mais agarrado; em termos de resposta já não corremos
tantos riscos de alguns desvi os menos conseguid os.” (Carvalho Araú jo, 2007)
A dete rminado momento tem de se definir quais os lim ites para o projeto, e quais os parâmetros em
que se baseiam. “ O pormenor, na arquitectura, é a base ou o mais importante num projecto. É
preciso entender o que é o pormeno r, e para mi m o pormeno r é rigor, ma s também só existe
pormenor se existir a tal id eia base. Sem ideia base não há pormenor, m as d epois há aqui uma
confusão generalizada do pormenor, que é o exagero de desenho onde ele não é necessár io. (…) Acho
que o porm enor tem de s er resolvido na abordagem, ma s quando se fala de pormenor é mais em
termos de porm enor técni co. De fa cto, acho que in ves timos muito no pormenor da abordagem, e o
resto é uma consequência do rigor do desenho e dos próprios ambientes que nos são s olicitados, nã o
é tanto com a preocupaçã o de dese nvolvi mento técn ico de determinados aspectos.” (Car valho
Araújo, 2007)
É muito importante o rigor desde o início do projeto, desde a análise inicial que é a que define um a
linguag em de conceção do projeto, o u seja, a f orma de pensar. M as convém não esquecer que a
arquitetura é uma pr ofissão multidisciplinar e cada vez mais abrang ente. “ A a rquitectura é também
um acto de gestão e um acto de estratégia, ou s eja, é preciso a e stra tégia, saber gerir.
Provavelmente, hoje co meçamos a valo rizar muito o pr ojecto do projecto.” (Carvalh o Araújo, 2007)
E voltando ao momento do “clique” para co ncluir que efetivamente não há uma re ceita. “ Essa
questão do clique é uma questão que não se pode explicar…Quando chegarmos a ess a resposta,
então o clique deixa de fazer sentid o. Está neste tipo de abordagem e de métod o de tr abalho que é
difícil de transmiti r. É um método de grande e m penho , mexemos em várias fe r ramentas, ten tamos
ajudar muita gente, informaç ão, sempre no sentido de sustenta r de uma forma mais eficaz as
respostas que que r emos faz er.” (Carvalho Araúj o, 2007)
Numa perspetiva pessoal, é do compromisso inicial na abordagem do projeto, da combinação da
ideia base com u m pr ograma e da sa tisfação de uma necessidad e do cli ente que o objeto
arquitetónico vai ganha ndo a licerces. É necessári o a lguma hierarquização do pensamento e dos
pressupostos de abordag em , para nu ma fase inicial cons eguir ser mais r acional, de m odo a
consolidar e e quilibrar a id e ia base, ou se ja, t ransfor mar o lugar conferindo-lhe uma identidad e que
vá necessariament e ao encontro do cliente, e à intenção e rigo r que o autor de projeto imp õe
naturalmente, ao co nsegu ir formular e fundamentar esse compro misso inicial. Pelo m eio s urge m
uma data de problemas que requerem muita coordenação e gestão de temp o, para que as soluções
encontradas determine m o pormenor da abordag em e o pormenor técnic o da arquitetura. O metódo
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vai perm itir concretizar a ideia base que entretanto foi ganhando forma, em que as ferramentas que
se v ão utilizando têm de ter também um papel essencial na concretização do objeto arquitetónico.
Definir um co njunt o de fe rramentas de apoio à decisão para as q uestões da manutenção é
manifestamente important e, quer para o pormenor da abordagem, quer para o pormenor técnico da
arquitetura.
Por últi mo, uma referência ao âmbito de intervençã o no co nstruíd o, que na presente tese ab orda o
edifício, mas es te também faz parte e enc ontra-se inserid o num context o urbano.
O espaço arquit etónico edificado desen volve-se tendo, co mo suporte espacial, siste mas em
permanente interação, e que pode m ser considera dos c o mo o sistema só cio-cultural, o sistema
técnico-funcional, o sistema eco nómico e o sistema ambiental. O primeir o é a base de suporte da
identidade urbana. O segundo é a base de suporte técnico para a materializaç ão do funcionamento
do meio urbano. O terceir o a base económica de suport e do desenvol vimento urban o e o q uarto o
suporte físico do m eio urban o. (Bre da-Vásquez et al ., 2000) Assim sendo, ele deve adequar-se a u m
conjunto de exigências co mo suporte para o processo de conceção e utilização. Estas condicionantes
de um edifício devem ser pond eradas ainda nas fases preliminares de projeto e devem ser analisada s
ao longo da sua vida útil.
Segundo Peña (2001), uma so lução arquite tónica deve t er e m consideração quatr o fatores
essenciais: função, forma, economia e te m po. Segundo o aut or, os edifícios são ent endidos como
objetos físico-espaciais do s quais intere ssa avaliar a flexibilid ade segundo critérios de extensibilidade
(possibilidade de am pliaç ão), convertibilida de ( capacidade de mo dificação da organização interna) e
versatilidade (p o livalência d os espaços).
O Quadro 4.1 demonstra os quatro fatores que o au tor co nsid era fundamentais na ab ordagem de
uma solução arqui tetónica:
Quadr o 4.1 - Qua tro fatores f unda mentais na ab ordagem da solução arquit etónica.
1 Pessoas
2 Atividade s
F
UNÇÃO
3 Relações
4 Lugar
5 Ambiente
F
ORMA
6 Qualid ade
7 Orçamen to inicial
8 Custos opera cionais
E
CONOMIA
9 LCC (custos d o ciclo de vida)
10 Passado
11 Presente
T
EMPO
12 Futuro
O espaço arquitet ónico edificado é caracterizad o na generalida de pelo seu m eio urbano. Segundo
Breda-Vázqu ez et al., (200 0), a qualidade e funcionalidade do meio urbano enquadram alguns
domínios prioritários de ação: a habitação, a mobilidade urbana, o ambiente urbano e o espaço
público. ( Fig. 4.2 )
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de ap oio à decisão
117
Ambiente urb ano
Habitação Meio urba no Espaço público
Mob ilidade Urban a
Figura 4.2 - O meio u rbano e os domínios p rioritário s de aç ão .
No meio urbano interage m divers os intervenien tes, sendo os principais a habitação, o espaço
público, o ambiente urbano e a mobilidade urbana. A habitação pretende assegurar um habitar
condigno, o espaço público co ntribui como e lemento fundamental de sociabilizaç ão , da qualidade de
vida e da competitividad e da cidade, est and o em causa e ssencialm ente ques tões re lacionadas com a
devolução do e spaço ao peão, a qualidad e do mobiliário e símbolos urbanos, a limpeza e tratamento
dos espaços, a ani m ação da ru a e o acesso a equ ipamentos e espaç o s de recreio e lazer.
No ambiente urbano é necessário um co ntrol o dos fatores “ de contaminaçã o do ar, solo e água e do
consumo acelerado do solo, o que ex ige a s alvagua rd a dos espaços naturais, a re cuperação de áreas
ambientalmente degradadas, um controlo da expansão urbana. Todos es tes domínios de ações
devem contribuir para facilitar e garantir a m obilidade ur bana, uma questão vital no futuro das
cidades, promovendo-se a mobilidade residencial, a modernização de infra-est ruturas e dos m eios de
transporte e o po licentris mo das grandes a glomera ções, entre outras questões ”. (Breda-Vázqu ez, et
al. , 2000).
No que respeita às questõ es da m anutenção e prete ndendo-se manter o u devolver ao s element os e
componentes de um espaço arquitetónico edificado um est ado que lhe permita desem p enhar as
funções para que foram proje tados, e xiste m que stões no domínio dos intervenientes no meio
urbano que dev em ser analisados. A hab itação, o es paço público em que se in sere, assi m como o
ambiente urbano num contexto mais abrangente defi nem o espaço arquite tónico que é constituíd o
por um c o njunto de sistemas. Neste caso, a habi tação como núcleo ce ntral de desenvolvimento da
atividade humana permite identificar as principais ex igências que influenciam o seu comportamento
durante a sua vida útil.
Relativamente ao espaço público e de acordo com os auto res Baptista Coelho e Branco Pedro (1998),
a sua abordagem convém ser analisada de acordo com várias escalas de apr oximação: da envolvente
da área residencial à vizinhança alargada, da v izinhança alargada à vizinhança próxima, da v izinhan ça
próxima ao e difíci o habitacional e do edifício habitacional à habitação. O espaç o urbano envolvente
é, assim, “sempre uma zon a de limi t e e de ligação, um espaço de par tida e de chegad a e um li m iar
integrando trechos de an imação e de equipamento que são lugar de encontro das diversas
vizinhan ças alargadas que delimita… ”. Tem contudo de se r referido que uma ab ordagem do espaç o
público envolvente relativamente às questões da manutenção implica um outro trabalh o
complementar de investigação, que neste pres ente trabalh o se traduz numa breve anális e, sendo o
âmbito de trabalh o o estud o e análise da manut enção do edifíci o.
Capítulo
7
220
saber quem, como, quand o e quanto custa mantê-lo, c omo forma de v iabi lizar a sua sustentabilida de
no presente e para o futuro.
Fig. 7.4 - Planta do Po rto de 1 833. Arqu ivo Hi stórico do Porto.
Para o enquadram ento do âmbit o do est udo, inter e ssa fazer uma análise arquitetónica dos seus
processos de transformação te nd o presente as três principais fases de desenvolvimento e expansão,
identificadas por Barata Fernandes (1999) e que este considerou: a cidade mercantilista, a cidade
iluminista e a cidade liberal, q ue corresponde m a três períodos de tran sformação.
A cidade me rcantilis ta corr esponde a um período que antece de a ação dos Almad as e situa-se e ntre
os sé culos XV e XVII. O período dos Almadas correspond e à cidade iluminista com conceitos também
implícitos na cidade pombal ina. O perío do liberal advé m da designaçã o aplica da pela histó ria. De
salientar, que estes perío dos não são estanques mas pretendem classificar de fo rma coerente as
transformações o corridas na casa burgu esa do P orto.
P
ERÍODO MERCANTILISTA
Este primeir o períod o local iza-se na área da Ribeira-Barredo, na baixa de Miragaia e nos quarteirõ es
da Sé e da Vitoria. ( Fig. 7.5 ) Neste período pode-se consid erar a tipologia da casa de um a frente sem
logradouro e a tipologia da casa de duas frentes com o u sem logradouro. As principais características
a considerar sã o:
▪ O uso polifuncional, no rés-do-chão, com um espaço independente ou dissimula do dentro
do espaço destinado a loja ou oficina, e nos restantes pisos destinados a habitação com
acesso geralmen te a partir d e uma escada de u m só lanço;
▪ Os compartim entos locali zados nos pisos sup eriores serviam para tud o, exceto a cozinh a
que se localizava se m pre n o último piso, por qu estõ es também de segurança;
▪ Os materiais utilizados na construçã o qu e são essencialmente o gran ito, a argila e a
madeira. E nquant o as par edes d o piso té rreo são em g ranito, nos pisos su periores,
podem ser em tabique. A e strutura dos pavimentos e da co bertura são em madeira, as
paredes in teriores são em g ranito n o piso térreo e nos restantes pi sos sã o em t aipa e,
mais tarde, são construídas em tabique. A argil a utiliza-se como enchimento da
estrutura de mad eira da tai pa.
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de ap oio à decisão
221
Fig. 7.5 - Zona de Miraga ia e R ibeira-Barr edo.
Entretanto, a casa de duas frentes c om a caixa de escadas central, ou seja, com a passagem da
mesma das traseiras para o centro, leva a uma altera ção da organização interna do lo te.
I
ntroduzem-
se novos elementos na casa, salientando-se desde logo a i nclusão de um maior número de
compartiment os, bem como uma nova relaçã o e ntre os pis o s. Por o utro lado, o papel da caixa de
escadas altera-se, articul ando as duas frentes e iluminando o s compartim entos interiores. Apesa r
desta alteração, o acesso do rés do chão para o primeir o piso continua a fazer-se maioritaria mente
por uma escada de tiro, loc alizada longitudin almente em relaçã o ao lote, junto à parede de meação e
normalmente co m um acesso indepen dente pel o exteri or.
P
ERÍODO ILUM INISTA
Este segund o perí o do lo ca liza-se essencialmente nas áreas de ex pansão almadina, como a rua do
Almada, a rua de Cedofeita e a rua de Santa Catarina. ( Fi g. 7.6 ) N este perí odo pode co nsiderar- se a
tipologia da casa de duas frentes co m logradour o . Dando co ntinuidad e ao processo de r enovação e
reestruturação qu e v inha sucedendo por toda a cidade, a casa iluminista acaba por manter os
fundamentos da tip ologia mercantilista final, m anten do uma relaçã o semelhant e da rua com o lote,
apesar d e “as frent es são sist ematicament e maiores, as construções mais profund as e os lotes têm
sempre uma área liv r e destin ada a logrado uro”. (Barata Fernand es, 1999)
Os pisos superiores, des tinad os à habitação, apresen tam algumas alteraçõe s, como o aumento da
profundidad e do lote, o número de compartiment os que é também maior, dispondo deste modo a
caixa de e scadas de uma c larab óia, cónica o u circular, o que permite ao mesmo tempo a iluminaçã o
de alcovas através de vãos interiores. Esta tipologia ad apta-se facilmente às difer e ntes características
do terreno, com u ma preocupaçã o de uma unidade de c onjunto da fachada principal da rua e na
relação com as parcelas adjacentes. As principais caracte rísticas a considerar para além das já
referidas, são:
▪ As construções apresenta m largura e profund idade significativament e maiores e o terren o
dispõe sempre de uma área exterior dest inada a logradouro. Nesta tipologia o desenho
de fachada tem u ma d ivisão tripartida dos vãos, que apres e ntam altur as
significativament e superior es e soluções variad as no remate superi o r das pad ieiras;
▪ Os acessos a partir do piso térreo são independent es e destinam-se a comércio e a acesso
à habitação;
▪ O primeir o piso tem u m espa ço voltado para a rua destinado a r e ceber as visitas,
continuando a c o zinha a ap arecer no últim o piso, próximo do telhad o;
Capítulo
7
222
▪ Uma utilização de materiais se melhantes aos d o período anterior, com exceção da
utilização do ferr o, nas gua rdas das varand as e sacadas.
Fig. 7.6 - Ru a de Cedof eita.
Por o utro lado, a preocup ação cre scente com as questões de segurança leva a que as paredes
exteriores, anteriorm e nte em tabique nos pisos superiores, se jam progres sivamente substi tuídas por
paredes em alvenaria de granito, pas sando os tabiques a se r utilizados apenas nos acrescentos ou
recuados, be m como na execução das p aredes divi sórias interiores.
A partir de m eados do século XVIII, verifica-se uma tendência para u ma linguagem de estilo
neopalladiano inglês, “ acentuado na utilização da janela de guilhotina , na utilizaçã o de m ezzanin os e
do emprego de aparelho rústico nos andares térreos e de fr ontões no remate das coberturas. A
introdução da platibanda e os problemas construtivos decorrentes do remate do telhado e conduç ão
de águas através de um alg eroz e tubos de queda é um e xemplo das novas questões colocadas pela
mudança d e linguagem formal”. (Bara ta Fernandes, 1999)
P
ERÍODO LIBE RAL
Este terceiro período surg e ainda nas áreas de expansão almadina e suas post eriores extensões a
partir da segunda metade do século XIX, em áreas como a rua da B oavista, a rua de Àlvares Cabral,
rua da Constituição e a rua de Cos ta Cabral. ( Fig. 7.7 ) P ara além de se manter a tipo logia tradicional
polifuncional surge outra tip ologia, que se carac teriza pela monofunci onalidade.
As principais carac t erísticas a considerar, para além das já ref eridas, são:
▪ A introdução das instala ções sanitárias adja centes à fachada tardoz ;
▪ O aumento do p é -direito dos pisos;
▪ A organização d os logradouros com jardins e h ortas.
A casa polifuncional ap resen ta também algumas cara cterísticas novas:
▪ A introdução de c ave sobrelevada, onde se situa m os espaços para arrumos e s erviços;
▪ O rés do chão destina-se à cozinha, situada nas t raseiras e os restantes compartimentos a
uma o cupação social. Os pisos superi ores destina m-se a u ma o cupação privada, e no
sótão, quando exis te, situa m-se os quartos da criadag em .
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de ap oio à decisão
223
Fig. 7.7 - Ru a de Costa Cab ral e Rua d a Boavista, re spetivam ente.
A habitação liberal tem u ma forte especificação habitacional onde o s compartimentos pas sam a ter
funções distintas, um conceito d e habitar que se distingu e dos antecedent es. Nesta nova tipologia e
como ref ere Barata Fern andes (1999), “conceb e -se a habitaçã o segun do uma complexa
hierarquização funcional e social, que ante riormente não se registava na espacia lidade da casa
corrente da burguesia de setecentos e pri m eiras déca das de oitocentos”. A caixa de escadas central
mantém-se, assim como a existência de clarab óia para iluminação. É constituída p or três ou quatro
pisos - cave, rés do chão, primeiro e segundo piso - com uma distribuição de funções, por piso, bem
precisa: serviço e a rrumos, sala e cozin ha e quartos.
Os materiais dominantes mantêm-se, como o granito, a m adeira e o ferro, dando uma sensação
aparente de co ntinuidad e, apesar de essa não existir em termos da matriz funcional. Destaca-se a
utilização do azulejo, como revest imen to da fachada em detrimento da habitual caiação, bem como
a adaptação da p o rta de en trada ao desnível d o piso sobrelevado.
Em síntese, pode concluir-se, da análise tipológica destes períodos sobre as transformações da
habitação burguesa p ortuense, que no Porto Mercantilista prevalece m as construções m istas de
habitação e oficina ou ar mazém, de di m ensão red uzida, co m uma frent e, de dois pisos, inseridas
num quarteirã o co nsolidad o; qu e no Porto Ilu m inista as co nstruç õ es se mantêm igualmente mistas,
com habitação de média ou grande dime nsão, co m duas frente s, com lograd ouro e mais de do is
pisos e que definiram novos arruament os; que no Porto L iberal as construções se lo calizam fora das
muralhas e se destinam unicamente para habitação, têm duas frentes com logradouro, e muitas
vezes també m com jardim.
7.3.1
S
ISTEMA CONSTRUT IVO DA HAB ITAÇÃO BUR GUESA P ORTUENSE ATÉ AO SÉCU LO
XIX
A aplicação de deter minadas técnicas construtivas e uso de m ateriais fo i em muito influenciada pelo
meio onde as diversas civili zações se desenvolvera m, pelos materiais enco ntrad os e pela capacidade
criativa do Homem em transformá-los e aplicá-los. Encontram-se características comuns em muitos
dos sistemas construtivos tradicionais, o que demonstra a existência de princípios que foram
cuidadosamente testados ao longo do temp o, tendo p revalecido os que foram d e monstrand o melhor
desempenho.
Na realidade, o objeto arquitetónico foi evoluind o na m edida em que os sistemas construtiv o s o
permitiram para aquele tempo da História específic o. Pode-se ainda ir mais longe ao afirmar que os
Capítulo
7
224
sistemas construti vos constitue m a base e as condici onantes principais da conceção e, co mo tal, do
próprio projeto. Ainda segund o T eixeira (2004) “Apesar das adversidades, todo s os exemplos que
marcaram a história da arquitectura, em todas as época s, são de uma coerênci a formal e construtiva
impar”. ( Fi g . 7.8 ) H oje não será muito diferent e, mas a crescente e rápida evoluçã o das novas
técnicas e materiais co ndu z a que as principais condicionan tes do pr ocesso de conceção não e steja m
muitas vezes devida me nte fundamentadas, o qu e leva a falhas, qu e p odem vir a ser det e tadas
tardiamente quand o o edifí cio já se encontra c o nstruído.
Em Portugal, as influências das técnicas d os sistemas c onstrutiv os e st ão m uito relacionadas c om os
povos que percorrera m a Península ibérica: os roma nos e os árabes. No Porto, as condicionantes
prendem-se com os m ater iais que existiam e eram facilmente empregues e ta m bém pela ativ idad e
portuária e marítima que deter minaram a influência de muitos dos sistemas c o nstrutiv os e materiais.
Segundo os autores Olivei ra e Galhano (2003), o Porto é de facto “ a cidade burguesa de Portugal,
mas por isso mesmo, a burguesia do Porto tem um sentido especial (…) aqui, o trabalho e o comércio
ascendem ao mais alto nível social (…)”. Mais tarde, e no decorr er do perí odo oitocentista, podemos
distinguir d e um modo gera l dois grandes gru pos:
▪ O da co ntinuidade com a tipo logia polifunci onal al madina e o da casa burguesa
monofuncional que estabelece uma rutura com aqu ela tipolo gia. No primeiro grupo
acresce a introdução de rudimentares instalações sa ni tárias nas traseiras dos edifícios, o
aumento da altura de cada piso, do aumento de áreas de arre cadação e armazen agem e
da organização dos logrado uros com jardins e hortas;
▪ O s egundo grup o corre s ponde à especialização de uma edificaçã o urban a numa s ó
função: a de habitar. Trata-se de edifícios exclusivamente destinados a habitação com
capacidade para satisfazer programas residenciais de maior complexidad e do que os
anteriores. São habit ações urbanas portuenses, de dois ou três pisos o u quatr o pisos,
com duas frentes e parede s de meação.
Fig. 7.8 - Ma trizes tip ológicas da ha bitação burgu esa portu ense .
Até ao século X VII, a hab itação organiza-se num ún ico espaço contínuo, só depois surge a
compartimentação de espaços. É constituída p or dois, três o u quatro pisos, se ndo o piso térreo
destinado a arrumos ou local de trabalho, não existe casa de banho e a cozinha localiza-se no últim o
piso, por motivos de segu rança. “D urante o Renascimento e o primeir o Barroco definiram-se uma
série de conceitos constru tivos baseados numa t end ência em analisar os edifícios por partes,
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de ap oio à decisão
225
definindo as suas características, pa ra a partir delas, e actuando s obre a execução, melho rar a sua
durabilida de”. ( Teixeira, 2004) O desenvolvimento de novos conceitos relativamen te à resistência de
alguns materiais e às técnicas considerad as, como a de execução dos trabalhos de alvenaria, são
determinantes p ara algumas das alt erações verificad as duran te os séculos XVII e XVIII.
No decorrer d o século XVI II e até finais do s éculo XIX vã o surgir novos c ontributos, m uito frut o de
repetidas experiência s im plementad as nos sistema s construtivos e do saber emp írico. ( Fig. 7.9 ) No
início do século XIX existe m duas formas de ab ordar os pr oblemas construti vos: (Teixeira, 20 04)
▪ “ A primeira, mais intuitiva e inicialmente mais eficaz, trata de encontrar na tradição os
métodos para faz er avançar o p r ocesso construti vo”;
▪ “ A seg unda, pretende i ncorporar o pouco que ain da se m anipula do conhecimento
científico”.
Fig.7.9 - Plan ta do Porto com as princip ais fases d e transfor mações d esde o p eríodo Mer cantilista até ao
Contemporân eo.
Com a expansão da cidade para fora das M uralh as, a cidade do Porto fo i-se transf ormando.
Consequentemente , na s e gunda m etade do século XIX surgem n ovas tip ologias d e habitação
burguesa, associadas a um dese nvolvim ento social e urbano, identifican do-se dois grupos tipológicos
no período do Porto Liberal, o da habitação polifuncional semelhante à desenvolvida no períod o
iluminista e a monofunci o nal. A primeira tipo logia desen volve-se essencial m ente no centro da
cidade, em que as alteraçõ es mais significativas em relação ao período anterior são a introdução de
instalações sanitárias, um aumento da altura dos pisos, das áreas de arrecadaç ão e d a organização
dos logradouros com jardins e hortas. “É o primeiro tipo de habitação urbana, de sér ie, que manifesta
e materializa uma efectiva divisão social e funcional da cida de: áreas de residênci a e áreas de
trabalho. Es te t ipo não prevê usos mistos e, pelo contrário, p ropõe uma tipologia de habitação de
maior complexida de e espec ializaçã o funcional”. (Barata Fernandes, 1999)
A segunda tipologia restringe a edificação a uma única função, a de habitar. Em relação à m atriz de
organização interna sofre grandes transformações. Do po nto de vista dos usos, esta tipologia
apresenta uma clara especialização espacial que revela conceitos de habitar distintos dos
precedentes. C omo princípi o da c omposição da fachada, mant ém-se a base dos três v ãos, c om
reforço d o e ixo ao nível do primeiro piso, traduzido na transf ormação da janela central em varanda
ou sacada.
Por últi mo, interessa ainda destacar uma v ariante desta t ipologia, semelhante em ter mos de matriz
interna, mas na rela ção com o lote com acess o directo da rua a o logradouro, atrav é s de uma
passagem lateral qu e per mite a entrada de u m veí culo. Pode concluir-s e que a habitação bu rguesa
liberal revela, de fact o, uma opção inequív oca e irre v ersível p ela m onofuncionalidad e,
correspondendo às necessidad es de ascensão s ocial.
Capítulo
7
226
7.3.2
P
RINCIPAIS SOLUÇÕES E M ATERIAIS CONSTRUT IVOS UTILIZA DOS
Como já foi descrito, as casas burguesas do Port o sofreram uma evolução que pressupôs uma
consequente transformaç ão tipol ógica da habitaçã o , contud o, existe m c aracterísti cas com uns e
mesmo semelhantes que se m antivera m a o long o do tempo , essencialment e no que respei ta a
materiais e técnicas co nstrutivas. De acord o com Te ix eira (2004), pode fazer-se uma sínte se, através
de um modelo abstrat o que reúna as características p rincipais dos três tipos e qu e permita identificar
os vários siste mas construtivos e mat eriais que estiver am na sua origem :
▪ Lote estreito e comprido , c om uma mé trica de largura variável entre os 4 e os 7 metros e
comprimento e ntre os 1 0 e os 3 0 m etros. A divis ão do lote é condicionada pelas
características dos m ateri ais construtiv os, designada mente o comprimento máximo
disponível para as vigas tra nsversais de madeira que sup ortam o piso ou as c oberturas;
▪ Edifícios contí guos , o que pressupõe a partilha das paredes de meação que se adapta
perfeitamente à morfologia dos quarteir ões. Estas paredes são em al v enaria de pedra
de granito, de apar elho irr e gular, podendo também ser alguns casos em tabique misto
(estrutura de m adeira pre enchida por pedra m iúda o u tijolo); as estruturas do s pisos e
da cobertura sã o composta s por vigas em for ma de pau s rolados;
▪ Est rutura secundária , no caso das paredes exteriores que das fachadas e stas sã o
constituída por, alvenaria de granito o u, quando se trat e de pisos que fora m sendo
acrescentados, são em tabique misto ou t abique simples. No caso das paredes interiores
e da com parti mentação da caixa de escadas, est as são geralmente em tabique simples
ou tabique simples reforçado;
▪ Estrutura principal horizo ntal , v ence a totalidade do v ão e assenta na estrutura v ertical.
Os sobrados ou pisos são constituídos por uma e strut ura de vigamento s ob a forma de
paus rolados em madeira de castanh o, que apoi am na parede de m eaçã o e são
estabilizados pelos t arugos, que fazem um travament o intermédi o. Sobre esta p rimeira
estrutura assenta dir e tamen te o tabuado do soalh o ;
▪ C obertura , o telhado é normalmente de quatro águas. A estrutura é em m adeira,
constituída por asnas apoiad as nas paredes de meação e espa çadas entre si cerca de 3
m, podend o ser interrompid o por uma clarab óia q ue po de p ossuir várias formas. É
construída com ferro e vidro e r evestida pelo exterior em telha ou chapa de zinco. A
nível estrutural utiliza m -se chamadas cad eias , que são vigas longitudinais que apoiam
nas vigas transv ersais e lim itam os vãos pretend idos;
▪ Estrutura da esc ada , composta por pernas (normalmente duas, utilizando-se três no caso
de maior largura) que se apoiam nos patamares, mais concretamente nas cad eias. Sobre
as pernas são colocados os esquadros o nde se pregam os cobertores e os espelhos. “As
paredes da caixa d e escadas são normalmente em tabique simples reforçado ou duplo
(situação que ap arece mais tardiamente), sendo no pri meiro caso, apoiada nas viga s que
limitam o vão da escada e r evestida dos dois lados por um tabuado, sobre o qual é
pregado o fasquiado de suporte às argamassas de reboco e acabamentos”. No segundo
caso, “é r evestida por um duplo tabuado, vertical e di agonal, apoiado diretamente sobre
os paus rolados através de prumos, coloca dos junto d as paredes de meação na l argura
dos vãos e dos patama res intermédios ”.
Os materiais e cons t ituintes mais utilizados são:
▪ Pedra , o granito é um material utilizado nas paredes de meação e nas paredes exteriores.
O granito azul é utilizado para a alvenaria o rdinária e a se r revestida por reboco. O
granito amarel o é utilizado em trabalhos d e cantaria. Estas são compostas por blocos
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de ap oio à decisão
227
predefinidos e apresenta m uma mé dia de largur a à v olta dos 30 e 70 cm,
respetivamente;
▪ Madeira de cast anho, em alguns casos , o pinho de Riga para o v igamento dos s obrados e
a estrutura das co berturas , e o pinho naci o nal, para as estruturas e r e vestimen tos d os
tabiques, soalhos e caixil harias exteriores e interiores. Nas c aixilh arias t amb ém são
utilizados o pinho manso e a casquinha. Mais tarde, mas me nos usual, também se utiliza
o mogno provenient e do Brasil e de África em t rab alhos a executar nas caixilharias,
lambrins e tetos ;
▪ Cal , um dos primeiros ligan tes que ex iste m na construção, que depende d as rochas
calcárias empregues e do seu processo de c alcinação. Os vário s tipos existentes podem
ser divididos em três grupos distinto s: a cal gorda, a cal m agra e a cal hidráulica. Os do is
primeiros grupos c onstitue m as cais aéreas ou comuns, po rque endurece m ao ar livre; o
terceiro grupo, as cais hid ráulicas, e ndurecem deb aixo de água, sendo classif icadas
conforme a sua origem e proveni ência;
▪ Gesso
é um material obtido por calcinação e é utilizado essencial mente na composição d o
estuque. Não é muito compatível com a pedra, ou ferro e neste último provoca a sua
oxidação. A sua aplicaçã o no exterior não e muito aconselhá vel, pela sua fraca
resistência e durabilid ade;
▪ A rgamas sa é utilizada no assentamento e re vestiment o de alvenarias e fun ciona como
proteção das suas superfícies. Existem basicamen te quatro tipos de argamassas
utilizadas: a ordinária (de cal), a argamassa bastarda (mista), a argamass a hidráulica e a
argamassa refractária. As a rgamassas mais utilizadas s ão as fabricadas à base de saibr o e
ou areia, utilizando a cal hi dráulica e a cal aérea com ligantes. As argamassas à base de
cal são compatíveis com todos os t ipos de alvenaria garantindo boa aderência,
capacidade de imper meabilização, permeabilidad e ao vapor de água, res istência
mecânica e durabilid ade. Os trabalhos manuais decorativos em estuque eram real izados
com uma m istura de pasta de cal e gesso o u somente com pasta de gesso, podendo se r
ainda aditivadas;
▪ A reia é um dos m ais importantes agregados para a constituição das argamass as. Os grãos
de areia, pela sua a ç ão mecâni ca, opõe m-se à contração ine v itável das arg am assas
durante a presa, porqu e sem a pr esença da areia a cal nunca faria presa;
▪ Ferro , a sua utilização na habitação burguesa surge no decorrer da revolução ind ustrial e
constitui o m etal mais utili zado. O ferro forjado ou fund ido é principalm ente aplicad o na
execução de: grades de v aran das, todo o tipo de ferrag ens, canalizaç ões, caixilhos d o s
lanternins e alguns elementos decora tivos. É tam bém empregue a chapa de ferro
zincada em caleiras, algerozes, rufos e como re vestimentos d e empenas, d e pisos
recuados, nas águas furtadas e em clarab óias. É c orrente aplicar-se um primário – o
zarcão , tinta de aparelho q ue ajuda a preserv ar da corrosã o;
▪ Chapa de zinco é em pregu e em chapas de rufo, caleiras, tubos de queda de águas
pluviais. Dado ser u m metal car o, é normal mente substituído pela chapa de ferro
zincada, uma vez que se rve de pro teção, preser vando-o da oxidaçã o ;
▪ Chumbo é utilizado para fixar peças de ferro a peças de cantaria e, em alguns casos, como
revestimento sob a forma de chapa, para rufos de algerozes, no encontro das cimalhas
com as platibandas, n o remate dos lanternin s. É também utilizad o e m canalizaç õ es para
águas correntes, gás ou esgot os;
Capítulo
7
228
▪ Telha é empregue na cobertura e a m atéria-pri m a é a argila. Inicialmente utiliza-se a t elha
Caleira Portugu esa e, m ais tarde, a telha Marse lh a que dispensa a apl icação de
argamassa de ass entamento e per m ite a execução d e maiores p e ndentes;
▪ Azulejo começa a ser utilizado a partir de me ados do século XIX, como revestimento
exterior de fachadas, e consistem em placas de barro o u louça geral mente de forma
quadrada o u ret angular, vidrados nu ma das faces, permitindo assim uma m elhor
aderência da face oposta;
▪
Tinta , o tratament o com pintura das superfícies do reboco ou de e stuques exteriores com
a aplicação de tinta permite, po r um lado, criar uma barreira de proteção contra as
intempéries e, por o utro, criar uma superfície esteticamente aceitável. Deve co nsid erar-
se quatro tip os de tinta: a tinta de cal, a tinta de cola, a tinta de leite e a tinta de ó leo;
▪ Asfalto é utilizad o na imperm eabilização das parede s exteriores no iníci o do século XI X;
▪ Betume é utilizado sob diversas formas, como massa de vidraceiro, na co locação dos
vidros em caixilhos de m adeira ou de ferro , c omo betume de canteiro, para encher as
falhas das pedras de cantaria e para unir lascas de m aiore s dimensões, como betume de
marceneiro, para betumar as superfícies das madeiras, tapar irregularidades para depois
receber a pintura de acabament o.
Esta descrição perm ite construir uma síntese do mo delo abstrato, que reúne a informação e as
características principais a co nsiderar para o objeto de e studo, e que ho je faz parte do património da
cidade do Port o.
7.3.3
S
ÍNTESE GERAL DOS PRESSUPOSTOS DE APLICAÇÃO PARA O ÂMBIT O CONSIDERAD O
O c omportament o d e u m edifício depende de u m co njunto d e fa to res internos e externos que
interferem na avaliação do es paço arquite tónico edificado. Este desenvolve-se tendo como suporte
espacial siste mas em permanente interação e qu e podem s er considerad o s c omo, o sis tema sócio-
cultural, o sistema técnico-fu ncional, o sistema económic o e o sistema ambien tal. Estes sistemas vão-
se al terando a o lo ngo do tempo, m as o que interessa é a sua caracterização e ponderaçã o no
momento da conceção, como garantia para u m determinado desempenho à escala do edifício,
segundo um a perspeti va para uma vida útil e spectável e pre viamente definida. Manter estas
condições implica que o edifício seja analisado e avaliado como um todo, mas também considerar
que depende de um conjunto de elementos que c onstituem o seu sis tema constru tivo.
Na perspetiva da manutenção pode considerar-se que um edifício é constituído por vários elementos
com mecanismos de degr adação independentes. A estes elementos atribui-se a designaçã o de
Elementos Fonte de Manutenção - EFM . A divisão do todo e m vários elemen t os e sistemas surge
pela nec essidade d e o timiz ação dos r ecursos de um edifício e tem levado à formula ç ão de várias
hipóteses de divi são em partes de u m e difíci o, s endo de salientar a f ormulação levada a cab o po r
Calejo (2001), onde se agrupa os E FM em classes, consoante a sua função, se ndo de referir o s
elementos edificados, os acabamentos e as instalações, que por sua ve z se dividem em v árias
subclasses.
No contexto do objeto de estudo co nsid erado neste trabalho de inves tigação - a habitação burguesa
portuense - dividem-se em 9 o s elementos fonte de manutenção: 1. Fundações; 2. Paredes ex teri ores;
3. Pavimentos e Tetos; 4. Cobertura ; 5. Paredes interiores; 6. Comunicações v erticais; 7. Vãos
exteriores; 8 .Vãos interiores e 9. Instalações. (
ANEXO
A 7.1 ) Os que vão ser analisados na dissertação
são os element os fonte de manutençã o : EFM2 , EFM3 , EFM4 e EFM7 .
A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica
Modelo de ap oio à decisão
229
Como referiu Barata Fern andes (19 99), “Para que este diálogo entre antigo e novo, se possa
instaurar, importa que o antigo possua ainda valores capa zes de entr ar no diálogo e que o novo s e
exprima com a linguagem do nosso tempo: não existe diálogo entre mortos. Não será conservada,
portanto, toda a história da cidade, mas aquela que tem ainda valor e que é necessária ao novo
desenho”. A reabilitação dev e ser e ncarada como um momento de avaliaçã o em que se reequaciona
a necessidade de execução, de um conjunto de operações destinadas a to rnar um e difício
novamente funcional, de acordo com os padrões atuais. É pois, um ato integrador de todas as ações
destinadas a garan tir o conhecimento das caract erísticas do edifíci o, do estud o das respetivas
anomalias funcionais e c onstrutivas que o af e tam, i ntroduzindo to das as decis ões que derivam das
intenções que pr esidem ao ato de reabilitar.
Considerou-se o âmbito de estudo, a habitação burguesa po rtuense, pelos motivos já apresentados ,
em particul ar pela relevância dos seus siste mas construtivos tradicionais, uma v ez que o grau de
conhecimento e des empenho estão bastant e bem est udados e desen volvidos.
Neste subcapítulo faz-se uma análise e caracterização das diferentes soluções passíveis de serem
objeto de intervenção, id entificand o-se os principais danos e anomalias re co rre ntes associados aos
vários elementos do sistem a co nstrutivo. É realizada uma descrição geral e abrangente das principais
técnicas de interven ção , de signadamente:
▪ A s técnicas de manutenção c onsistem em manter, pres e rvar e cui dar o existente
garantindo o seu desempenho funcional inicial, procurando apenas reparar e corrigir
falhas pontuais na e strutura o u nos revestimen tos e substituir de forma parcial ou total
em caso de rutura funcional ou quan do é atingid o o seu fim de ciclo;
▪ As técnicas de r eabilitação consistem num requacionar do desempenho funcional de
forma a garantir as exigências atuais, reco rrend o a uma alteração o u transfor mação do
existente com substi t uição parcial ou total dos seus elementos.
Tendo em c onta a espec ificidade deste tipo de intervenções, v erifica-se uma necessidad e de
sistematização da informação, c o mo for ma de p ermitir a avaliação da aplicabilidade das diferentes
técnicas às diferentes situações. Deste modo , elabora-se uma matriz de co rrelação entre as várias
soluções de intervenção e as principais anomalias v erificadas em edifícios existentes. Esta m atriz tem
como base a aplicabilidade verificada em casos concretos já intervencionad o s da habitação burguesa
portuense, bem como a referência a alguns trabalhos existentes já desenvolvid os. É definida uma
escala de aplicabilidade dividida em cinco graus de apreciaçã o: Não Aplicável (ao caso em concre to),
Aplicação Rara, Aplicaçã o Ocasional, Aplicação Frequ ente e Aplicaçã o Corrente.
( Quadro
7.6 )
Quadr o
7.6
-
Escala de ap licab ilidade.
N
ÃO APLICÁ VEL
A
PLICAÇÃO
R
ARA
A
PLICAÇÃO
O
CASIONAL
A
PLICAÇÃO FREQUENT E
A
PLICAÇÃO
C
ORRENTE
Sempre que as estrat égias de intervenção consideradas como as de m aior aplicabilidad e englobam
mais d o que uma s o lução de in tervenção, o que sucede em alguns casos (verificados nas Fichas de
Manutenibilida de,
ANEXO
A 7 .2 ), a cor que aparece re presentada na sua aplicabilidade face às
anomalias é a c or cinza.
De acordo com a nor ma EN ISO 9000 (2000), o termo qualid ade aplicado a produtos o u serviços
significa, “ grau de satisfação de requisitos dado por um conjunto de característica s intrínsecas. ”,
sendo que, o seu o bjetiv o é por definição na re speti va norm a “ algo que se p rocura obter ou atingir
Capítulo
7
236
1
2
3
4
5
6
0
5
10 cm
2
6
5
8
7
0
5
10 cm
Quadr o 7 . 8 - Síntese da s princip ais soluçõ es constru tivas exi stente s para p aredes exterior es.
C
ARACTERIZAÇÃO D A S PAREDES E XTERIORES EXISTENTES IDENTIFICAD AS
C
ÓDIGO
PE1
PE2
[Document text truncated for crawler view.]