scieee AI-readable full text Open interactive document viewer

A manutenção de edifícios no processo de conceção arquitetónica - modelo de apoio à decisão

Patrícia Andreia Ventura Pinto Fernandes Rocha

Full text

F ACULDA DE DE E NGE NHARI A DA U NIVER SIDADE DO P ORTO A MANUTENÇÃO DE EDIFÍCIOS NO PROCESSO DE CONCEÇÃO ARQUITETÓNICA Modelo de ap oio à decisão Patrícia Andreia Ventura Pinto Fernandes Rocha Mestre em Reabilita ção do Patri mónio Edificado p ela Faculdade de Engenh aria da Universidade d o Porto Dissertação subm etida para a defe sa da tese nece ssária à obtenção do grau de Doutor em Engenharia Ci vil Dissertação realizada sob a supervisã o de Professor Doutor Rui Manuel Gon çalves Calejo Rodrigues, do Departament o de Engen haria Civil da Faculdade de Engenh aria da Uni versidade d o Porto Porto, 2014 iii A todos que m e apoiam inc ondicionalment e "Temos que usa r a experiência naquilo qu e ela garante, mas também libe rtar-nos dela , naquilo qu e prende." Álvaro Joaqu im Melo Siza Vieira v AGRADECI MENTOS Ao concluir a pre sente di ssertação de d outorament o quero expressar o me u profundo e sincero agradecimento a todos o s que co ntribuíra m para a sua re alização. Não pretendendo diferenciar todos aqueles que de f orma direta ou indi reta me apoiaram, mas não po sso deixar de destacar as pessoas que tivera m um pap el fundamental ao long o da sua execuçã o. Ao meu orientador, Professor Do utor Rui Calej o Rod rigues, go staria d e agrad ecer as pala vras de incentivo e a enor me disponibilid ade e interesse m anifestados na orienta ção e apoio científic o à realização d o trabalh o, o que para mim se traduziu num grande privilégio profissi onal e também pessoal. À Eng.ª Cátia Cardoso Santos, gostaria de agradecer a colaboração prest ada na concretização do suporte informáti co do modelo de apoio à decisã o e na disponibil idade e interesse manifestados , e que co nduziu à primeira aplicação prática do modelo , na sua dissertaçã o de mestrado intitulada “Manutenção das soluçõ es construtivas de edifícios com valo r patrimonial. Elemento fonte de manutenção: pavimen tos“. À Eng. ª Dóris Queirós, Eng .º Pedro Rodrigu es e En g.º Eduard o Afonso, do P rojeto NIDEA-FE UP, gostaria de agrad ecer a disponib ilidade, os trabalhos facul tados, a simpatia sempre demonstrada e o acompanhamento n as v isitas e fetuadas aos edifícios do Centro Histórico do Porto disp onibilizad os e com o apoio da Porto Vivo - SRU. À Arq.ª Bárbara Rang el, gostaria de expressar o meu agradecimento pela disponib ilidade e por todo o apoio prestad o, simpatia e in centivos. À Porto Vivo – SRU, nom eadamente à Eng.ª M arga rida Guimarães, gostaria de expressar o meu agradecimento por todo o esfo rço e em penh o prest ad os e por todo o apoio no acompanhamento às visitas efetuadas aos edifíci os do Centro Histórico do Porto e que foram disponib ilizados pela referida instituição. À empresa 3M2P - Co nst rução e Reabilitação de Edifícios, Lda, nomeadam ente ao Eng.º Miguel Monteiro, gostaria de expressar o meu agradeci mento por toda a inf ormação di sponibiliz ada. Ao grupo de arq uitetos que acedera m fazer parte dos inq uiridos da aud itoria efetuada e em particular à autora de projeto do edifício objeto de estudo (ECG), na Rua Co rpo da Guarda, gost aria de agr adecer a am izade e disp onibilidade no auxílio à obtençã o dos d ados e de toda a inform ação necessária sobr e o referido edifício. À empresa Maisport o, nomeadamente ao Sr. Migu el Vaz, gostaria de agrad ecer o apoio e esclarecimentos pr estados no decorrer da vi sita ao edifício objet o de estudo. vii RESUMO O comporta mento de edifícios e m serviço é pr ofundamente condicionad o pela s decisões tomadas durante o pro cesso de c onceção durante o qual a problemática da m anutenção tem estado ausente. A d iversidade de o pções c om as qu ais se co nfronta( m) o(s) au tor(es) de projeto impede otimizar a sua decisão sem que tenha de recorrer a estudos multicritério. Essa possib ilidade permitirá incrementar a eficácia das soluções construtivas d o edifício. Uma ausência de planea mento da m anutenção d e e difícios co nduz ne cessariamente para um envelheciment o mais a celerad o dos edifíci os, que v ai co mprometer fatores d e cariz eco n ómico, social, cultural e de desenvolvimento sust entável. Todos os edifícios possuem um período de vida útil durante o qual deverão responder p ositivamente às exigências de desempenh o funcional, para as quais fo ram projetados de acordo com as necessidad es dos seus utentes. Isto só será po ssível com a definição de politicas e estratégias de manutenção concertadas com um Plano de M anutenç ão q ue garanta o seu com p ortamen to em serviço durante a sua vida útil, como é objetivo deste trabalho. É durante o process o de conceçã o que as decisões t omadas permitem sup ortar esse plan o. Apresenta-se uma met odologia de avaliação qualitativa, supor tada por um modelo de apoio à decisão multicritéri o desenvolvido para edifícios habitacionais. Foi desenvol vida como um instrumento de au xílio durante o processo de conceção ar quitet ónica que inclu i as questões da manutenção. A definição de dois indicadores – de importância ( Idi ) e de facilidad e ( I df ) e respeti va combinação de valores pe rmite d efinir o Índice de Manutenibilidad e ( Ime ) para cada processo de manutenção de uma dada so lução construtiva definida para cada elemento fonte de manutenção – EFM do edifício. Foram consideradas duas variáveis de decisão : os dese mpenhos funcionais (segurança, conforto, ad equação, durabilidade e economia) e os processos de manutençã o (inspeção, p ró-ação, l impeza, sustentabi lidade, correção, substituiçã o, cumpriment o le gal e condições de utiliz ação). Com base nos res ultad os obtidos na aplicação do mod elo de apoio à decisão, foi poss ível concluir sobre a importânci a que as questões de manutenção têm como garan tia do comporta mento em serviço dos edifícios e de como, també m, a sua in clusão nas fases preliminares de proje to po de constituir uma mais v alia duran te o processo de c onceção arquitetónica, dado que perm ite ao(s) autor(es) de projeto ter(e m) pr esente, através de u m c onjunto de recomenda ções à manutenção, quais as consequências das decisões tomadas que po dem interferir na perm anência da obra no tempo. PALAVRAS-CHAV E: Conceção arquitetónica, Manutenção de e difíci os, E strat égias de intervenção, Sistemas de apoi o à decisão ( DSS). ix ABSTRACT The buildin gs behaviour in service is profound ly affected by t h e decisions made during the design process, in w hich the issue of m aintenan ce has bee n hitherto overl ooked. The diver sity of o ption s with which project auth ors are face d prevents t he optimisation of their dec ision unless it is based on multicriteria assess ments. That possibility will all ow increasing the effici ency of bu ilding solutions. The absence of a maintenance plan will necessarily cause building s to experie nce a faster ageing process, w hich w ill c ompromi se economic, social, cul tural and sustaina ble development factors. All buildin gs have a defined s ervice life, durin g which they must positively respo nd t o the functional performance requirements for which they were designed, according their users' needs. This w ill only be possible through the definition of m aintenance policies and strategies, coordinated through a Maintenance Plan that can guarantee th eir p roper behav iour t hr oughout the entire servic e l ife, which is the goal o f this study. It is during the d esign proce ss that t he decisions that will allow supporting that plan ar e ma de. This study p resents a qual itative assessmen t method, based on a multicrit eria d ecision support system developed for residential buildings. It was developed as an aid instrument, to be used during the architectural design process, which includes maintenance issues. The definition o f two indicators - importance ( I di ) and ease ( I df ) - and the correspon ding c ombination of v alues allows defin ing the Maintainability Rate ( Ime ) for each maintenance process of a given building solution, defined for each o f t h e buildin g's m aintenance source elements - MSE. Two decision v ariables were considered: functional performances (safety , com fort, suitability, du rability and e conomy) and main tenance processes (inspe ction, pro- action, cleanin g, sustainabi lity, correction, replaceme nt, legal com pliance and conditions of use). Based on the results that were obtained thr ough the ap plication of the decisi on supp ort system, it was po ssible to reach co nclusions on the importanc e o f maintenance issu es as a guarantee of the buildin g's behavio ur during its service life, as well as on the way its integration into the preliminary design stages may be an ad ded value during the arch itectural design process, gi ven t hat is allows the project's au thor(s) to keep in mind, through a seri es of m aintena nce g uidelines, how t he consequences of their decisions may interfere in the d urability of the building over time. KEYWORDS : Architectural design, Building maintenance, Intervention strategie s, Decision support systems (DSS). Índice xvi 6.5.1. V ALORES FINAIS DO MA PA DE CÁLCULO : QUADRO SÍNT ESE ....... ........................... ................. .......193 6.5.2 Q UADROS SÍNTE SE : GRÁFICOS POLIGONAL E DE DENSID ADE ……....... .................... ........................ .194 6.5.3 F ICHA DE MANU TENIBILIDADE ……....... .................... ........................ ................ .......................196 6.5.4 P LANO DE M ANUTENÇÃO ……................................................... . ..........................................20 0 6.6 C ONSIDERAÇÕES FINAIS ....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ....... ....... ........ ....... ........ .... .... 202 7. METODOLOGIA DE AVALIAÇ ÃO: DESENVOLVIM ENTO DO MODELO DE APOIO À DECISÃO ... ....... ........ ....... ....... ........ ....... .... ....... ....... ........ ....... ....... ........ .............. 203 7.1 C ONSIDERAÇÕES PRELIMINA RES ....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ....... ....... ........ ....... ... .. 204 7.2 M ANUTENÇÃO V ERSUS R EABILITAÇÃO DE E DIFÍCIOS ............................................................... 206 7.2.1 A BORDAGEM DE C ONCEITOS FUNDAM ENTAIS ....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ....... ....... 208 7.3 D ESCRIÇÃO E ENQU ADRAMENTO HISTÓRICO , URBANO E SOCIAL ATÉ AO SÉCU LO XIX ........................ 219 7.3.1 S ISTEMA CONSTRUT IVO DA HAB ITAÇÃO BUR GUESA P ORTUENSE ATÉ AO SÉCU LO XIX ....... ....... ....... ..... 223 7.3.2 P RINCIPAIS SOLUÇÕES E M ATERIAIS CONSTRUT IVOS UTILIZA DOS ....... ....... ....... ........ ....... ........ ....... 226 7.3.3 S ÍNTESE GERAL DOS PRESSUPOSTOS DE APLICAÇÃO PARA O ÂMBIT O CONSIDERAD O ....... ....... ....... ..... 228 7.4 E LEMENTO FONTE DE MANU TENÇÃO PAREDE S EXTERIORE S - EFM 2 ....... ....... ....... ........ ....... ........ ..... 231 7.4.1 S OLUÇÕES EXISTENT ES : ESTRUTURA E SUPORTE DAS PAREDE S EXTERIORES ....... ....... ....... ........ ....... .. 2 32 7.4.2 S OLUÇÕES EXISTENT ES : REVESTIMENTO E ACABAMENTO DAS PA REDE S EXTERIORES ....... ....... ....... ..... 233 7.4.3 S OLUÇÕES EXISTENT ES : SISTEMAS CONTRUT IVOS TIPO ....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ... 23 4 7.4.4 P RINCIPAIS ANOMA LIAS FUNCIONAIS E CON STRUT IVAS ....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. .. 2 39 7.4.5 S OLUÇÕES DE INT ERVENÇÃO ....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ....... ....... ........ ....... ....... 243 7.4.5.1 T écnicas de Manutenção ........... ....... ............. ....... ........ ....... ....... ........ .... ...... ........ ..... 243 7.4.5.2 T écnicas de Reabilitação ............ ............. ....... ....... ........ ....... ....... ........ . .......... ....... ..... 245 7.4.6 C ARACTE RIZAÇÃO DAS SOLUÇÕES DE INT ERVE NÇÃO ....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ...... 249 7.4.7 M ATRIZ DE CORRE LAÇÃO : ANOMALIA PREEXIST ENTE / SO LUÇÃO DE INTERV ENÇÃO ....... ....... ....... ..... 250 7.4.8 A NÁLISE DOS RESULT ADOS : I MPLEM ENTAÇà O E VALIDAÇÃO ....... ....... ....... ........ ....... ........ ............ 25 8 7.4.9 R ECOMEND AÇÕES À MANUT ENÇÃO ....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ....... ....... ........ ..... 293 7.5 E LEMENTO FONTE DE MANU TENÇÃO PAVIME NTOS E TE TOS - EFM 3 ....... ....... ....... ........ ....... ........ .... 296 7.5.1 S OLUÇÕES EXISTENT ES : ESTRUTURA E SUPORTE DOS PAVIM ENTOS E TET OS ....... ....... ....... ........ ....... . 29 7 7.5.2 S OLUÇÕES EXISTENT ES : REVESTIMENTO E ACABAMENTO DOS PAVIM ENTOS E TETOS ....... ....... ....... .... 29 8 7.5.3 S OLUÇÕES EXISTENT ES : SISTEMAS CONTRUT IVOS TIPO ....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ... 29 9 7.5.4 P RINCIPAIS ANOMA LIAS FUNCIONAIS E CON STRUT IVAS ....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. .. 3 02 A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Mo delo de apoio à decisão xvii 7.5.5 S OLUÇÕES DE INT ERVENÇÃO ....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ....... ....... ........ ....... ....... 305 7.5.5.1 T écnicas de Manutenção .......... ........ ............ ....... ........ ....... ........ ....... ................. ........ 305 7.5.5.2 T écnicas de Reabilitação .......... ........ ............ ........ ....... ....... ........ ....... ... ........ ....... ....... 308 7.5.6 C ARACTE RIZAÇÃO DAS SOLUÇÕES DE INT ERVE NÇÃO ....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ...... 313 7.5.7 M ATRIZ DE CORRE LAÇÃO : ANOMALIA PREEXIST ENTE / SO LUÇÃO DE INTERV ENÇÃO ....... ....... ....... ...... 31 4 7.5.8 A NÁLISE DOS RESULT ADOS : I MPLEM ENTAÇà O E VALIDAÇÃO ....... ....... ....... ........ ....... ........ ...... …….3 21 7.5.9 R ECOMEND AÇÕES À MANUT ENÇÃO ....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ....... ....... ........ ..... 32 6 7.6 E LEMENTO FONTE DE MANU TENÇÃO COBERTU RA - EFM 4 ....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. . 329 7.6.1 S OLUÇÕES EXISTENT ES : ESTRUTURA E SUPORTE DA COBERT URA ....... ....... ....... ........ ....... ........ ........ 330 7.6.2 S OLUÇÕES EXISTENT ES : REVESTIMENTO E ACABAMENTO DA COBERTURA ....... ....... ....... ........ ....... .... 3 31 7.6.3 S OLUÇÕES EXISTENT ES : SISTEMAS CONTRUT IVOS TIPO ....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. .... 33 2 7.6.4 P RINCIPAIS ANOMA LIAS FUNCIONAIS E CON STRUT IVAS ....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ... 3 37 7.6.5 S OLUÇÕES DE INT ERVENÇÃO ....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ....... ....... ........ ....... ....... 340 7.6.5.1 T écnicas de Manutenção .......... ........ ............ ....... ........ ....... ........ ....... ................. ........ 342 7.6.5.2 T écnicas de Reabilitação .......... ........ ............ ........ ....... ....... ........ ....... ... ........ ....... ....... 343 7.6.6 C ARACTE RIZAÇÃO DAS SOLUÇÕES DE INT ERVE NÇÃO ....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ...... 348 7.6.7 M ATRIZ DE CORRE LAÇÃO : ANOMALIA PREEXIST ENTE / SO LUÇÃO DE INTERV ENÇÃO ....... ....... ....... ...... 35 0 7.6.8 A NÁLISE DOS RESULT ADOS : I MPLEM ENTAÇà O E VALIDAÇÃO ....... ....... ....... ........ ....... ........ ............. 3 60 7.6.9 R ECOMEND AÇÕES À MANUT ENÇÃO ....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ....... ....... ........ ..... 36 5 7.7 E LEMENTO FONTE DE MANU TENÇÃO VÃOS EX TERIORES - EFM 7.................................................. 368 7.7.1 S OLUÇÕES EXISTENT ES : ESTRUTURA E SUPORTE DOS VÃOS EXTE RIORES ....... ....... ....... ........ ....... ....... 369 7.7.2 S OLUÇÕES EXISTENT ES : REVESTIMENTO E ACABAMENTO DOS VÃOS EXT ERIORES ....... ....... ....... ........ .. 371 7.7.3 S OLUÇÕES EXISTENT ES : SISTEMAS CONTRUT IVOS TIPO ....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. .... 37 1 7.7.4 P RINCIPAIS ANOMA LIAS FUNCIONAIS E CON STRUT IVAS ....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ... 3 76 7.7.5 S OLUÇÕES DE INT ERVENÇÃO ....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ....... ....... ........ ....... ....... 379 7.7.5.1 T écnicas de Manutenção .......... ........ ............ ....... ........ ....... ........ ....... ................. ........ 379 7.7.5.2 T écnicas de Reabilitação .......... ........ ............ ........ ....... ....... ........ ....... ... ........ ....... ....... 381 7.7.6 C ARACTE RIZAÇÃO DAS SOLUÇÕES DE INT ERVE NÇÃO ....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ...... 384 7.7.7 M ATRIZ DE CORRE LAÇÃO : ANOMALIA PREEXIST ENTE / SO LUÇÃO DE INTERV ENÇÃO ....... ....... ....... ...... 38 4 7.7.8 A NÁLISE DOS RESULT ADOS : I MPLEM ENTAÇà O E VALIDAÇÃO ....... ....... ....... ........ ....... ........ ............. 3 91 7.7.9 R ECOMEND AÇÕES À MANUT ENÇÃO ....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ....... ....... ........ ..... 39 7 7.8 C ONSIDERAÇÕES FINAIS ....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ....... ....... ........ ....... ........ .... .... 399 Índice xviii [Parte III] CONTRIBUTO DO MODELO DE APOIO À DECISÃO COMO FERRAMENTA AUXILIAR PARA O PROCESSO DE CONCEÇÃO 8. O BJETO DE ESTUDO: HABITAÇÃO BURGUESA PORTUENSE ....... ....... ........ ....... ....... .... ..... 401 8.1 C ONSIDERAÇÕES PRELIMINA RES ....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ....... ....... ........ ....... ..... 402 8.2 E NQUADRAMENTO DO OBJETO DE E STUDO ....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ....... ....... ..... 402 8.2.1 D ESCRIÇÃO E E NQUADRAMENTO HISTÓRICO , URBANO E SOCIAL ATUAIS ....... ....... ....... ........ ....... ..... 402 8.3 P ROVA DO CONCEITO ....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ....... ....... ........ ....... ........ .... ...... . 403 8.3.1 A NÁLISE DO OBJET O DE ESTUDO ....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ....... ....... ........ ....... .. 4 03 8.3.2 C ARACTE RIZAÇÃO DA I NTERVE NÇÃO ARQUITET ÓNICA ....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. .... 406 8.3.3 C ARACTE RIZAÇÃO DOS ELEME NTOS FONTE DE MANUTENÇÃO ....... ....... ....... ........ ....... ........ ........... 4 12 8.3.3.1 Elemento fonte de manutenção paredes exteriores – EFM 2 ....... ....... ....... ........ ....... . 41 2 8.3.3.2 Elemento fonte de manutenção pavimentos e te tos – EFM 3 ....... ....... ....... ........ ....... 413 8.3.3.3 Elemento fonte de manutenção cobertura – EFM 4 ....... ....... ....... ........ ....... ........ ........ 4 13 8.3.3.4 Elemento fonte de manutenção vãos exte riores – EFM 7 ....... ....... ....... ........ ....... ....... 415 8.3.4 A NÁLISE DOS RESULT ADOS E RECOMEND AÇÕES À MA NUTENÇÃO ....... ....... ....... ........ ....... ........ ...... 4 1 6 8.3.4.1 Elemento fonte de manutenção paredes exteriores – EFM 2 ....... ....... ....... ........ ....... . 41 6 8.3.4.2 Elemento fonte de manutenção pavimentos e te tos – EFM 3 ....... ....... ....... ........ ....... 426 8.3.4.3 Elemento fonte de manutenção cobertura – EFM 4 ....... ....... ....... ........ ....... ........ ........ 4 30 8.3.4.4 Elemento fonte de manutenção vãos exte riores – EFM 7 ....... ....... ....... ........ ....... ....... 434 8.4 C ONSIDERAÇÕES FINAIS ....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ....... ....... ........ ....... ........ .... .... 441 9. CONCLUSÕES ........... ........ ....... ........ ....... ....... ... ........ ....... ........ ....... ........ ....... ................. .... 443 9.1 Ú LTIMAS CONSIDERAÇÕE S ....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ....... ....... ........ ....... ........ .... 444 9.2 T RABALHO DESENVOLVIDO E CONCLUSÕES PRINCIPA IS ....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. .... 444 9.3 P ERSPETIVAS DE D ESENVOLVIMENTO FUTUR O ....... ....... ....... ........ ....... ........ ................. ....... ....... . 450 REFERÊNCIA S BIBLIOGRÁFICAS ......... ....... ........ ....... ........ ....... ................. ........ ....... ....... ........ 453 ANEXOS ............ ........ ....... ........ ....... ....... .. ......... ....... ........ ....... ........ ....... ................. ........ ....... . 465 ANEXO A 2.1 - Q UADRO RESUMO C OMPARATIV O D AS EX IGÊNCIAS POR PA RTE DE V ÁRIOS AUTO RES ANALISADOS ........................................................................................... 465 ANEXO A 4.1 - E XIGÊNCIAS DE DESEMPE NHO FUNCIONAL E REQUISITOS PRESENTES NA DISSERTAÇÃO ..... 46 9 A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Mo delo de apoio à decisão xix ANEXO A 4.2 - Q UESTIONÁRIO - P ARTE 1……………………………………………………………………………..4 73 ANEXO A 6.1 - C ARACTERIZAÇÃO EXIGENCIAL PARA A AVALIAÇÃO D O INDICAD OR D E IMPORTÂNCIA ……………………………………………………………………………………………………………… ……………………. .47 9 ANEXO A 6.2 - Q UESTIONÁRIO – P ARTE 2 ............................................................................. 509 ANEXO A 6.3 - R ESULTADOS DO QUESTIONÁRI O – P ARTE 2 ......................................................... 515 ANEXO A 7.1 - ELEMENTOS FONTE DE MA NUTENÇÃO – EFM HABITAÇÃO BU RGUESA PORTUE NSE …………..549 ANEXO A 7.2 …………………………………… ……………… …………………………………………………………….555 ANEXO A 7.2 – FICHAS DE MANUTENIBILIDADE – EFM 2……………………………………….…………………….557 ANEXO A 7.2 – FICHAS DE MANUTENIBILIDADE – EFM 3……………………………………………………………..587 ANEXO A 7.2 – FICHAS DE MANUTENIBILIDADE – EFM 4………….………………….….…………………………..613 ANEXO A 7.2 – FICHAS DE MANUTENIBILIDADE – EFM 7………….………………………………………………….643 Índice xx ÍNDICE DE FIGURAS Capítulo 1 Fig. 1.1 - Peso dos segmentos da construçã o no período de 2007 a 2013, para Port ugal (%). (Fonte : Euroconstruct)… ………………………… ……………..………… ……………………… ……………………………………. 3 Fig. 1.2 - Estado de degrad ação avançad o. Lisboa ……………..………………… ……………………….….… …………….. 4 Fig. 1.3 - Estado de degrad ação avançad o. Porto.. ……………………………… …………………….…. …..………………. 5 Fig. 1.4 - Edifícios recentes com manifestaçõ es patológ icas (anomalias)... …………………… ………………...... 6 Fig. 1.5 - Peso d os segmentos da construção no an o de 2010 (%). (F onte: Euroc onstruct)……… ………... 7 Fig. 1.6 - Casa de chá da Bo a Nova. Interior. (F onte: Ema Ramos)…..… ……….……………… ……………………… 8 Fig. 1.7 - Casa de chá da Bo a Nova. Exterior. (Fon te: Ema Ramos).. ………….………………… …………………..… 9 Fig. 1.8 - Studi o Aalto. Helsínq uia. 1955. (intervencionad o posteriorment e em 1963) . ..... ....... ........ .11 Fig. 1.9 - Aalto H ouse. Helsí nquia. 1936……… ………………………………………… ……………………… ………………... 12 Capítulo 2 Fig. 2.1 - Vitruvius. H omo Bene Figu ratvs (Fonte: Maci el, 2006).……… ………………… ………..…………..... .... 19 Fig. 2.2 - Politica d e manut enção………………… ………..… ……….……………........ .................. .................. ... .... 28 Fig. 2.3 -Lei de e volução de custos, Lei de Sitter (Fonte : CEB-RILEM,198 4)...…………………… ……..………. 29 Fig. 2.4 - Projeto e Manutenção (consideraçã o d e fatores de manutenção na fase de projeto para fornecer subsídios para o Projeto da Manutenção). (Adaptado de Sanch es e Fabricio, 2008)…………… ………………………… ………………… ………………………… ………………………… ………… …….. 33 Fig. 2.5 - Curva de densida de da taxa de falha – TF……………… ………………………… ………..………….… …….… 36 Fig. 2.6 - Processo d e provisão de dados VUR (F onte: ISO 15686- 8, 2004)…………… ………………… …….... 47 Fig. 2.7 - Exemplo de aplicação para a exigência de des empenho funci onal conforto acús tico.…….… 62 Fig. 2.8 - Valore s mé di os europeus das principais causas de anomalias na construção (Fonte : Chamosa e Ortiz, 1984)…………… ………………………… ………………………… ………………………………. 64 Fig. 2.9 - Camp o de ação d o Facility Manage ment…… ………………………………… ………………………… ………… 66 Capítulo 3 Fig. 3.1 - Casa do Farol. Cas cais..………………… ………..………… .… ………… ......................... ............. ............. ... 75 Fig. 3.2 - Pólos de cria ção a rquitetónica…… ………..………….…………… ........................... ................. ........... . 92 Fig. 3.3 - Processo d e constru ção. (Fonte: Mallor y-Hill, 2004)..……… …………………… …….…………… ........ 102 Fig. 3.4 - Processo d e constru ção. (Fonte: De Gro ot, 1999).…..… ….…………… ......... .... ................. ......... 102 A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Mo delo de apoio à decisão xxi Capítulo 4 Fig. 4.1 - Passeio das Virtud es. Porto……………… …………………………… ……………………………… ………………… 109 Fig. 4.2 - O meio urbano e os d omínios prioritári os de ação..……… ………….………..……..… …….…………… 117 Fig. 4.3 - Estado de degrad ação que implica a ad oção de medidas c orretivas tardi as….…………….….. 118 Capítulo 5 Fig. 5.1 - Aalto Museum. Jyväskyla.. ........ ................. … .… ……………… ……………………………… ………………… 137 Fig. 5.2 - A impo rtância de um método e do conhecimento dos seus procedimentos. (Fonte : T he National Real Es tate Journa l 9, 1914).….……… ……………………… ………………………… ……………… 153 Capítulo 6 Fig. 6.1 - Aalto S tudio. Helsinq uia……………………… …………………………………………… ……………………… …..... 155 Fig. 6.2 - Ruas de C edofeita e da Picaria, respetiva mente. Porto… ………………………… ……...……….. ….… 157 Fig. 6.3 - Image m de uma f olha de progra mação do modelo.………….. ………………… ………….……… ……… 186 Fig. 6.4 - Exemplo de mapa d e cálculo: critérios e indicador de imp ortância… ………………………… ……. 187 Fig. 6.5 - Exemplo de mapa d e cálculo: nota inter média (peso) atribuída a o dese mpenho funcional ……………………………………………………………………………………………………………………………18 8 Fig. 6.6 - Exemplo de mapa d e cálculo: Nota inter média total atribuída à exigência d e desempenho funcional …………… ………………………… ……………………… …… …………………… ………………………… …….188 Fig. 6.7 - Exemplo de mapa de calculo: Indicador d e Facilidade atribuído à solução em análise, nota final e conversão atribuída a os desempenhos fu ncionais………………… …………………… ………. 189 Fig. 6.8 - Conversã o não-linear superi or: intervalo de valores e gráfic o correspond ente..…………….. 190 Fig. 6.9 - Conversã o polinomial: intervalo de valores e gráfico corr espondente ……………..……………… 190 Fig. 6.10 - Exempl o de mapa de cálcul o: Índice de Manutenibilid ade atribuído à sol ução em análise … …………………… ………………………… ………………………… ………………………………………… ……………… 191 Fig. 6.11 - Apres entação dos resultad os: Gráfico Po lig onal (exempl o)………………… ………...……… ……… 194 Fig. 6.12 - Apres entação dos resultad os: Gráfico de Den sidade (exemplo) …..………………...… ………….. 195 Fig. 6.13 - Ficha tip o de Manu tenibilidade (págin a 1)……………….…………… ……………………….…… ………… 197 Fig. 6.14 - Ficha tip o de Manu tenibilidade (págin a 2)……………….…………… ……………………………… ………. 198 Fig. 6.15 - Ficha tip o de Manu tenibilidade (restantes p áginas).. ….……………………… ………………… ………. 199 Capítulo 7 Fig. 7.1 - Aalto H ouse. Helsi nquia…………………… …………..……….….…… ……………………………… ………………. 203 Fig. 7.2 - Mapa d o Google d e localização dos edifícios visitados. Porto…………… ………..………………..… 205 Índice xxii Fig. 7.3 - Mapa d o Google d e localização dos edifícios visitados. Porto…………… ………..………………..… 205 Fig. 7.4 - Planta d o Porto d e 1833. Arquivo Hist órico do Porto …………………… ………………………… ……… .220 Fig. 7.5 – Zona de Miragaia e Ribeira-Barr edo… …………………… ………………………… ……..…………….……….. 221 Fig. 7.6 - Rua de C edofeita……… ………………… ………………………… ………… ……….…… ………………………………. 222 Fig. 7.7 - Rua de C osta Cabr al e Rua da Boavista , respetiva mente…………….……… …………… ……………... 223 Fig. 7.8 - Matrize s tipológicas da hab itação burguesa p ortuense (Fonte : Barata Fern andes, 1999).. 224 Fig.7.9 - Planta do Po rto com as principais fases de transformações desde o período Mercantilista até ao Contemp orâneo (Fonte: Barata Fernand es, 1999)…………… ……………………… …………..…… .225 Fig.7.10 - Esque ma de constituição d e uma parede e xterior tradicional ……………… ……………….… …….. 231 Fig.7.11 - Constituição das paredes exteriores, em t abique e alvenaria de pedra, respetivamente (Fonte: autora e e mpresa 3M2P) …………………………..… …………………………………… …………….. 232 Fig.7.12 - Constitui ção dos revestimentos em tabique (Fonte: empre sa 3M2P)… ……………………..… … 233 Fig.7.13 - Constitui ção do r evestimento exteri or das paredes de meaçã o (Fonte: empresa 3M2P).. 233 Fig.7.14 - Dan o global. Pare de exterior def ormada……………… ………………….…… ……………………………. … 240 Fig.7.15 - Aplicaçã o de isolament o tér mico p elo exterior. Rua da Pena Ventosa e Rua da Banharia, respetivamente… …………… ………………………… ………………………… ………………………..…………….. 248 Fig. 7.16 – Edifíci o na Zona da Ribeira- Barredo ……………………………….……… ……………………………… …….. 253 Fig. 7.17 – Edifíci o na Rua d e Sá Noronha ……………………………...……………… ………………………… …..…….… 253 Fig. 7.18 – Edifíci o na Rua Mouzinh o da Silveira… ……………………… ………...…………………… …………………. 254 Fig. 7.19 - Edifíci o na Rua Formosa. …………………… ………………………………………… ………………………… …….. 254 Fig. 7.20 – Edifíci o na Zona da Ribeira e Miragaia, resp etivamente……..… ……………………… ……………... 255 Fig.7.21 - Esque ma de constituição d e um pavimento e teto tradici onal……………… ……………….…..…. 296 Fig.7.22 - Constituição do pavimento em madeira e teto em estuque (Fonte : Dó ris Queirós e empresa 3M2P)…………… ………………………… ………………… …………………….………… ………………………………… 297 Fig.7.23 - Revestiment o e acabamento de teto: a) e strutura secundária: ba rrotes; b) estrutura secundária e rev esti mento: fasqui os e acabamento em est uque (Fonte : Dóris Queirós)…………… ……………………… ………………………… ………………………… …………………………… . 298 Fig.7.24 - Dan o local. Vigas de pavi mento deformadas ………………………… ………...…………… ………………. 302 Fig.7.25 - Dan os globais. (F onte: empresa 3M 2P)………………………………… ……..………………… ……….…… .303 Fig. 7 .26 - Técnicas de reforço local nos apoio s: a) frechal de madeira assente em cachorro de pedra; b) fixação de n ovas peças de madeira às antiga s (Fonte: Arriaga et al. , 2002)…………. …………………… ………………………… ………………………… ……………………… ………… …… 305 Fig. 7.27 - Técnicas de reforço local nos apoios: a) fixação de perfis me tálico s à parte sã da m adeira; b) introdução dos v arões ou cavilhas FRP e execução de c ofragem (Fonte: Arriag a et al ., 2002).………… …………………… ………………………… ………………………… ……………………… ……….… …. 306 A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Mo delo de apoio à decisão xxiii Fig. 7 .28 - Técnicas de re fo rço local a meio vão: reforço com novas peças ou vigas de m adeira fixadas às degradadas (F onte: Arriag a et al. , 2002)…… …………………… ……………………… ………………. 307 Fig. 7 .29 - Técnicas de ref orço local a meio vão: reforço com chapas m etálicas (Fonte : Arriaga et al., 2002)…………… ………………………… ………………… ………………………… ………………………… ………… . 307 Fig. 7.3 0 - Técnicas de reforç o local a meio vão: reconstruçã o da parte sup erior das vigas com c ola epoxídica (Fonte: Arriaga et al. , 2 002)………… ………………….…………….… ………………………….. 307 Figura 7 .31 - Té cni cas de re forço global: a) aplicação de vergalhões de aço (planta) (Fo nte: Lombardo et al. , 1997); b) Aplica ção de soalho dup lo (Fonte: Di Stefano, 1990)………… ……………. 309 Figura 7 .32 - Técnicas de reforço global: lajeta de betão armad o sobre pavimento de madeira (Fonte: Di Stefano, 199 0)………..…………… ………………… ………………………… …………………… .… ……..… 310 Fig. 7.33 - Esquema ge ral de execução de pavimento com estru tura de madei ra (Fonte: P imentel, 2012)…………… ………………………… ………………… ………………………… ………………………… ………… .. 311 Fig. 7.34 - Esquema ger al de execuçã o de pavimento c om estrutura de betão (F onte: Pimentel, 2012)…………… ………………………… ………………… ………………………… ………………………… ………… .. 311 Fig. 7.35 - E squema geral de exe cução de pavimento com estrutura metálica (Fonte: Pimentel, 2012)…………… ………………………… ………………… ………………………… ………………………… ………… .. 312 Fig. 7.36 - E squema geral de execução de pavimento com est rutura mista madeira-aço (Fonte: Pimentel, 2012) ……………………… ………………………… ………………………… ………………………..….. 313 Fig. 7.37 - Edifíci o na Rua de José Falcã o. (Fonte: empr esa 3M2P)…… ………………………… …..…...…….... 316 Fig. 7.38- Edifício na Rua Mouzi nho da Silveira . (Fonte: empresa 3M2 P)……………… …………..…...…….. 317 Fig. 7.39 - Edifíci o na Rua de José Falcã o. (Fonte: empr esa 3M2P)…… …………………………. …...………….. 317 Fig. 7.40 - Edifíci o na Rua da Banha ria…………………… …………………………………… ……………….…...… ……….. 318 Fig. 7.41 - Edifíci o na Rua Mouzin ho da Silveir a. (Font e: empresa 3M2P). .……………………...…… ………. 318 Fig.7.42 - Esque ma de constituição d e uma cobertu ra tradicional…… …………………… …..…..….…..…….. 329 Fig. 7.43 - Telhado de quatr o águas que ap oia nas pare des meação (Fonte: Anabel a Rodrigues)….. 330 Fig. 7.44 - Planta e corte de telhado de asna simples sem pendural (Font e: Pereira da Costa, 1955)…..……… …………………… ………………… ……………………………… ………………………… ………… … 330 Fig. 7.45 - C orte d e telha do de asna simples c om pendural e escor as (F onte: P ereira d a Cos ta, 1955)..………… …………………… ………………… ……………………………… ………………………… ………..... 331 Fig. 7.46 - Ligação das telhas com arga massa (F onte: Anabela Rodrigues )…………… …………...………….. 331 Fig. 7.47 - Ligaçõe s de prótese de t opo em peças de madeira (Fon te: Ceccoti, 19 98)……………… ……. 342 Fig. 7.48 - Repara ção de fe ndas com parafus os e reparação de fendas p or cintag em.……… …………… 343 Fig. 7 .49 - Técnica de reparação com produtos de e póxido; a) substituição pont ual com produtos de epóxido; (Fonte: Arriaga et al ., 2002)… ………………… ……………..………………..… …………..…….. 343 Fig. 7.50 - Técnica de reparação, substituiçã o parcial ou rec onstituição de secções de madeira, com reforço mediante estrutura sobrep osta (Fonte: Arr iaga et al., 2002)…………… ………………344 Índice xxiv Fig. 7.51 - Técnica de reparação, substituiçã o parcial ou rec onstituição de secções de madeira, com tirantes de aço (F onte: Arriag a et al. , 2002)….…….. …………… ………………………… ……………… 345 Fig. 7.52 - Técnica de reparação, substituiçã o parcial ou rec onstituição de secções de madeira, com estruturas internas e uniõe s metálicas (Font e: revista Arqu itetura Ibérica n.º0 19)……… 345 Fig. 7.53 - Por menor do sistema Roofzip (Fonte: www. 5).......... ....………….…………………...... .………...… 347 Fig. 7.54 - Por menor de aplicação de sub telhas; 1) telh as, 2) placa de subtelha, 3) isola mento térmico; 4) estrutura metálica lig eira; 5) acaba mento (Fonte: w ww.6)....……… ………..……… ……….…. 348 Fig. 7.55 – Edifíci o na Zona da Ribeira- Barredo …………………………………..………… ………………...……… …... 354 Fig. 7.56 - Edifíci o na Zona d a Ribeira-Barredo …………………………………..… ………………………....… ………... 354 Fig. 7.57 - Edifíci o na Rua Mouzinho da Silveir a. (Fonte: autora e www.7)...... ............. ..................... 355 Fig.7.58 - Edifício na Rua Mouzinho da Silveir a………………… ………………………… …………...………………..... 355 Fig. 7.5 9 - Projeto - casa na Rua do Outeiro. (arq .º César M achad o M oreira). (Fonte: rev ista Arquitetura Ibérica n.º020……… ………………………… ………..……………… … ……………. …………… 356 Fig.7.60 - Esque ma de constituição d e um vão tradici onal……………… ……………….… …………..……… ….... 368 Fig.7.61 - Desenhos de ferr agens de fechos: cr emona e ferrolho (Fonte: Pianca, 1 955) …………… ….. . 370 Fig.7.62 - Três tipos de v ãos considerad os: porta, janela de guil hotina, janela de peito e sacada de batente, respetiva mente.…………… ………………………… ……………………… ……………………………… 370 Fig.7.63 - Tratamen to de vã o exterior de madeira: afag ar e lixar para p osteriormente aplicar pin tura (Fonte: empresa 3 M2P)…… ………………………… ………………………… ……………………..……….…….. 371 Fig.7.64 - Descasque e fissuração da madeira da ca ixilharia (Font e: empresa 3 M2P)………… ………..… 377 Fig.7.65 - Adaptação de um caixilho com vidro simpl es para um com vidro dup lo. (Fonte: Conservancy, 199 2)………………… ………………………… ………………… ……………………………………. 382 Fig.7.66 - Caixilharia n ova em madeira, alumíni o e pvc, respetivamente… …………………… ……………..… 383 Figura 7.67 – Ed ifício na Ru a José Falcão. (Fon te: empresa 3M 2P)…………………… …………… ……………… 387 Figura 7.68 - Edifíci o na Rua de D. H ugo……………… ……………………………….………..….. ………………… ………. 387 Figura 7.69 - Edifíci o na Rua Mouz inho da Silveira ………………………………………. …..…………… ……………... 388 Figura 7.70 - Edifíci o na Rua Mouz inho da Silveira ……………………………….………..… …………… ……………… 388 Figura 7.71 - Edifíci o no Quar teirão das Cardosas ………………………………… ……………….……… ………………. 389 Capítulo 8 Fig. 8.1 - Habitação burguesa portu ense……………… ……………………… …….………………………… …………..….. 401 Fig. 8.2 - Fotografia a érea do quarteirã o Corpo da Gua rda e identificação do edifí cio objeto de estu do – ECG ……………… ………………………… ………………………… ……………………… ………………………………. … 404 Fig. 8.3 - Planta d o Quarteirão co m identificaçã o do edifício com o número 25…….…… …………..……. 404 Fig. 8.4 - Estado do edifício anterior à interven ção de 2003/20 04…………… …………….…………………. ….. 405 A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Mo delo de apoio à decisão xxv Fig. 8.5 - Plantas do edifício anteri ores à intervenção d e 2003/2004…… ……………….. ………………….….. 405 Fig. 8.6 - Estado atual d o edifício em 2013. (fachada pri ncipal e tardoz, resp etivament e).………..….. 406 Fig. 8.7 - Caixa de escadas e patamar de acesso a cada habitação …………………… …………………… …....… 407 Fig. 8.8 - Módu lo - elemento de hi erarquização fun ção “comer” e “dor mir”………………… …………….… 407 Fig. 8.9 - Zona co mum - Lavan daria………………… ………………… ………………………………………… …….……..… .408 Fig. 8.10 - Prumada d e distrib uição vertical das instala ções… ………………………… ……………….….……. …. .408 Fig. 8.11 - Rés do chão e ca ve. (zona de dupl o pé-direito)………… ………………………… ………….….……..…. 409 Fig. 8.12 - Vã o exteriores………… ………………………… ………………..……………………… ………………….….… …..… .409 Fig. 8.13 - Revesti mento de piso das escadas. (rés do chão e cave). ……………… …………………………..….. 410 Fig. 8.14 - Proj eto de arquitetura… …………………… …………………………………… ………………………. ….……..…. 410 Fig. 8.15 - Imagens p osteriores à inter venção de 20 03/2004….………… ………………… …………….….….….. 411 Fig. 8.16 - Paredes exterior es. Fachada principal e tardoz, resp etivamente… ………………… ….….…..…. 412 Fig. 8.17 - Vig amento em madeira e laje em be tão com vigas reforçadas c om perfis de ferro, respetivamente… …………… ………………………… ………………………… ……………………… …… ………. 413 Fig. 8.18 - Nova estrutura e m madeira da c obertura e restantes el ementos…… ………………………...…. 414 Fig. 8.19 - Acesso à cobertura e clarab óia, respe tivamente…………… ……………………………… …………..…. 414 Fig. 8.20 - Vã o exterior da fachad a principal………… ………… .… ………………………… ……………………………. … 415 Fig. 8.21 - Frestas da fa chada tardoz ………………… ………………………………………… ………………… ……………… 415 Fig. 8.22 - Fachada ta rdoz: revestimento em chapa de aço gal vanizado pintad o…………………………… 418 Fig. 8.23 - Humidade na pa rede da fachada pr incipal ao nível da ca ve. Utilizaçã o de desumidifica dor. ………………………… ……………………… ………………………… ……………………..… ………………………….… ... 421 Fig. 8.24 - Cond ensações superficiais n a parede e teto ………………………… ……………….……… …………...... 425 Fig. 8.25 - Z onas comuns – revesti mento no piso 0 e na habitação…. ………………… ….…………………..…. 427 Fig. 8.26 - Cond ensações superficiais n o teto do w.c. d o piso 2……….… …………………. …………………..…. 430 Fig. 8.27 - Elem entos estrut urais resistentes d e madeira da cob ertura..….………… ………….……….. ……. 434 Fig. 8.28 - Vão exterior d a fachad a tard oz… …………… ………………………… ……………………………… ……….………. 437 Fig. 8.29 - Comp onentes de fecho e ligações (d obradiça), respetiva mente….….… …………… …………… .438 Fig. 8.30 - Introduçã o de ve dantes na caixilharia da fac hada princip al..….…………… ……….………… ……. 439 Índice xxxii Quadro 7.63 - Matriz de Correlação: An omalia Pree xistente/Soluçã o de Intervenç ão (esquema final) ………………………… ………………………… ………………………………………… ………………………… …….. 316 Quadro 7.64 - Cara cterização das soluç ões de interv enção para pa vimentos e t etos……….….… …….. 316 Quadro 7.65 - S oluções de intervenção para pavim entos e tetos… ………..………… …………………. …..…… 319 Quadro 7 .66 - Resumo dos Indicadores de Facilidade introduzidos no mapa de cálculo e aplicados às soluções de inter venção para pavi mentos e tet os………………………… …..…..……………… .321 Quadro 7.67 - Valores fi nais do m apa de cálculo: quadro síntese, para t odas as soluções de intervenção para pavi ment os e tetos…… …………………… ………..……………………… ……… 322 Quadro 7.68 - Gráficos de De nsidade e Poligonal das soluções de intervençã o para pavimentos e tetos……………… ……………………….. ………………… ….……………………… ………………………… … … 323 Quadro 7.69 - Síntes e dos p rincipais sistemas cons trutivos tipo existentes para coberturas …..…….. 332 Quadro 7.70 - Síntes e das prin cipais soluções c onstrutivas existentes p ara coberturas… ……….…….. 333 Quadro 7.71 - Síntes e das prin cipais anomalias existen tes em cob erturas………… ………………….. ……… 338 Quadro 7.72 - Síntes e das prin cipais soluções tipo de i ntervenção para c oberturas………… …….…..… 348 Quadro 7.73 - Matriz de c orrelação: Soluçã o de Interve nção (Slx)/Anomal ia preexi stente (AFCx)… .351 Quadro 7.74 - Matriz de correlação fin al……………… ……………………………………… ……….………………. ……… 352 Quadro 7.75 - Cara cterização das soluç ões de interv enção para cob erturas………. ..………………. ……… 354 Quadro 7.76 - S oluções de intervenção para cobertura s…………….…………… …………… ……………….… …… 356 Quadro 7.77 - Resumo dos Indicadores de Facilidade intro duzidos nos mapas de cálculo e aplicados às soluções de int ervenção para coberturas ………………………………… …….……….……… .. 361 Quadro 7.78 - Valore s Finais dos mapas de cálculo: qu adro síntese, para todas as soluções de intervenção para c oberturas… ………………………… …..……………… ……….…………………….. 361 Quadro 7.79 - Gráfi cos de Densidad e e Poligonal das soluções de inter venção finais para coberturas ………………………… ………………………… ………………………………………… ………………………… …….. 363 Quadro 7.80 - Síntes e dos p rincipais sistemas cons trutivos tipo existentes para vãos exterior es.. …372 Quadro 7.81 - Síntes e dos p rincipais sistemas cons trutivos tipo existentes para vãos exterior es….. 373 Quadro 7.82 - Síntes e das prin cipais anomalias existen tes para vã os exteriores…… …………………. …… 377 Quadro 7. 83 - Síntes e compara tiva das p rincipais características p ara os diferentes materiais utilizados nos vã os exterior es…………………… ………………………… …………………………..… 383 Quadro 7.84 - Síntes e das prin cipais soluções tipo de i ntervenção para vãos exteriores.. ……………… 384 Quadro 7.85 - Matriz de c orrelação: Soluçã o de Intervenção (S lx) / Anomalia Pr eexistente (AFC x).. 385 Quadro 7 .86 - Matriz de Co rrelação: A nomalia preexistente / S olução de In tervenção (e squema final………..…… ………………………… …………………. ………..……………… ………………………………. 386 Quadro 7.87 - Cara cterização das soluç ões de interv enção para vã os exteriores… …………………….... . 386 Quadro 7.88 - S oluções de intervenção para vãos ex teriores………………… …..………………… …..………….. 389 A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Mo delo de apoio à decisão xxxiii Quadro 7 .89 - Resumo dos Indicadores de Facilidade introduz idos no mapa de cálculo e aplicados às soluções de inter venção para vã os exteriores…… ………………………………… …….…………. 392 Quadro 7.90 - Valores Fi nais do mapa de cálculo: quadro síntese, para tod as as soluções de intervenção para vãos exteri ores…………………… ………………… ……………………….………. .392 Quadro 7 .91 - Gráficos de Densidade e Poligonal das soluções de intervenção finais para vãos exteriores…… ………..………… ………………………… …………………………..… ……………..………… 394 Capítulo 8 Quadro 8.1 - Resumo comparativo dos Indicadores d e Facilidade introduzidos no m apa de cálcul o e aplicados às soluções de interven ção SIF2 e SIF5 e às so luções construtivas para a parede da fachada principal e da fachada tardoz do projeto do ECG , respetivamente…. ……………………… ……………..………… ……………………………… …………..…….. 416 Quadro 8.2 - Valo res finais do m apa de cálculo: quadro síntese, para a soluçã o de intervenção SI F2 para as paredes e xteriores………… ………………………. ……………………………………….. …………. 417 Quadro 8.3 - Valores finais do mapa de cálculo: quad ro síntese, p ara a soluçã o construtiva para as paredes exteriore s da fachada p rincipal do pr ojeto do ECG …………… ……………….… …… 417 Quadro 8.4 - Valo res finais do m apa de cálculo: quadro síntese, para a soluçã o de intervenção SI F5 para as paredes e xteriores………… ………………………… …….………………… … ………..… ………… 418 Quadro 8.5 - Valores finais do mapa de cálculo: quad ro síntese, p ara a soluçã o construtiva para as paredes exteriore s da fachada tardoz d o projeto d o ECG ………..….…… ………………… …. 418 Quadro 8.6 - Gráfico de Densidade e Poligonal das sol uções construtivas para paredes exteriores do projeto do ECG … ………………………… ….……………..….… ………………….…… ……..……..…………. .419 Quadro 8.7 - Resumo comparativo dos Indicadores d e Facilidade introduzidos no m apa de cálcul o e aplicado à solução de inter venção SIF5 e à solução construtiva para pavimentos e tetos do projeto do E CG …………… …………………….…. ………………………… …………..…………… ……….. 426 Quadro 8 .8 - Valores finais do mapa de c álcul o: quadro síntese, para t odas a solução de intervençã o SIF5 para os pavi mentos e t etos…………………… ……….…… ……..………………………..… ………. 426 Quadro 8.9 - Valores finais do mapa de cálculo: quadro síntese, para a solução co nstrutiva para os pavimentos e tet os do projeto do ECG ………………. ….……..…………… ……………….. ……….… 427 Quadro 8 .10 - Gráfico de Densidade e Poligonal das soluções construti vas para os pavimentos e t etos do projeto do E CG …………… ………….……………… ……….……………… ……………………..… ….…… 428 Quadro 8.11 - Resumo comparativo dos Indicadores de Facilidade introduzidos no m apa de cálculo e aplicado à solução de inte rvenção SIF2 e à solução construtiva para a cobertura do projeto do ECG. .…. …………………… ………………… ………………………… ………………………… ……. 430 Quadro 8 .12 - Valores finais do m apa de cálculo: quadro síntese, para a so lução de intervenção SIF2 para a cobertura ………………………… …………………..…. ………………………… …………..………..… 431 Quadro 8. 13 - Valores fina is d o mapa de cálculo: quadro sín tese, para a s olução c onstrutiva para a cobertura do pr ojeto do ECG …… ……..…………………. ………………… …………………..…… …… 431 Quadro 8.14 - Gráfico de D ensidade e Poligonal da solução construti va para a co bertura do projeto do ECG ………… ………………………… ………………………. ….……………………… ……………..… ……… 432 Índice xxxiv Quadro 8 .15 - Resumo comparativo dos Indicadores de Facilidade introduzidos no mapa de c álcul o e aplicado à solução de intervenção SIF4 e à solução construtiva para os vãos exteriores do projeto do E CG …….………………… ………………….….… ……………………………… …..………… 435 Quadro 8 .16 - Valores finai s do mapa de c álcul o: quadro síntese, para todas a solução de intervenção SIF4 para os vãos exteriores… ………………….…… ….….…………… ……………………..……… ….. 435 Quadro 8.17 - Valores finai s do mapa de cálcul o: quadro síntese, para a solução c onstrutiva para os vãos exteriores d o projeto do ECG ………… ………………………… ….………..………….. ………… 435 Quadro 8.18 - Gráfico de D ensidade e Poligonal da so lução construtiva para os vãos exteriores do projeto do ECG … ………………………… …………..……..…. ………………..……… ……………..……….. 436 LISTA DE ABREVIATURAS E NOMENCLATURAS ABRAMAN - Associ ação Bra sileira de Manuten ção AEM - Asociación Espan õla d e Mantenimiento AHP - Analytic Hi erarchy Process AIA - The American In stitut e of Architects AIJ - Architectural Institute of Japão AIMAN - Associaz one Italia na Manutenzione AKNW - Architek enkammer Nordrhein-Westfalen ANAH - Agence Nati onale d'A mélioration de l'Habitat APEMIP - Associaç ão dos Profissi onais e Empresas d e Mediação I mobiliária de Portu gal APFM - Associaçã o Portugu esa de Facility Manag ement APMI - Associaçã o Portuguesa de Manutenção In dustrial AQC - Agence Qual ité Construction ARB - Architects Registrati on Board ARCUK - Archit ects Registration C ouncil of the United Kingd om BD - Building Departement BIAU - Bienal de Arqu itetur a e Urbanism o BMI - Buildin g Maintenance Infor mation BNA - Koninklijke Maastsch appij tot Bevord ering der Bouwkunst bond van Nederl andse Architecten BPH - Bilan Patri moine Habitat CAE - Conselho d e Arquitec tos de Europa CAU - Conselho d e Arquitectura e Ur banismo CAUE - Conseil d'Arch itectu re, d'Urbanisme e t de l'Environn ement CIAM - Congress o Internaci onal de Arquit ectura Mode rna CIB - International Council for Research and Innovation in Building and Construction (Internati onal Council for Buildin g) CNAPPC - Ordine degli architetti , Planificatori, Paesaggisti e Conser vatori CNIM - Comité I taliano de Manu tenção A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Mo delo de apoio à decisão xxxv CSCAE - Conselho Superior de Colégios de Arqu itectos d e Espanha DLC - Design Life for Components DQM - The Design Quality Method DTI - Department of Trade and Indu stry EAAE - European Ass ociati on for Architectural Edu cat ion EFM - Elementos fonte de manutençã o EFNMS - Eur opean Federat ion of National Maint enance Societies ETICS - External Th ermal In sulation Composite S ystem EuroFM - Europe an Facility Management Net work EUROSAG - Th e European Confedera tion of Salari ed Architects Gr oups FIM - Federação Ib ero-Ame ricana de Manu tenção FIVU - Federaçã o Internacional Para a Vi venda e Urba nismo FFB - Fédération Française du Bâtiment FM - Facility Manage ment FMEA - Failure mode and e ffect analysis GBC - Green Buildin g Challen ge HBR - Homebu yer Report HHSRS - Housing Heal th an d Safety Rating Sy stem HKHS - Hong K ong Housing Socie ty IAB - Instituto de Arq uitect os do Brasil Idf - Indicador d e Importância Idi - Indicador de facilidade (manutibilidade) IFMA - Internati onal Facility Manag ement Associa tion Ime - Índice de Man utenibi lidade IPD - Integrated Pr oject Delivery IPQ - Institut o Português d a Qualidade ISO - International O rganization f or Standardizati on ITE - Inspección Técnica de Ed ifícios JIPM - Japan Institut e of Plant Maint enance JMA - The Japan Managem ent Association LCC - Life Cycle C ost LNEC - Laboratóri o Naciona l de Engenharia Ci vil MADMC - Métod os de apoio à decisã o multicritério MAEC - Mét odo de avaliaç ão do estado de c onservação de imóveis MANR - Método de avaliação das n ecessidades de reabili tação MCH - Metodologia de cert ificação das condi ções míni mas de habitabilidade MEDIC - Meth ode d’evaluation de scenarios d e degradation probabl es d’investissem ents correspondants MER Habitat - M éthodes d ´évaluation rapide Índice xxxvi MIME - Manual de Insp ecç ão e Manutençã o da Edificação OA - Ordem dos Arquit ectos PH - Patrimoine Hab itat PHE - Patrim oine Habitat & Envir onnement POE - Post Occup ancy Evaluation RGE - Regulament o Geral de Edificaç ões RGEU - Regulamen to Geral de Edificaç ões Urbanas RIBA - Royal Insti tute of Bri tish Architects RJUE - Regulamen to Jurídico da Urbaniz ação e Edificaç ão SADG - Société d es Archite ctes Diplômés par l e Gouvernement SBA - Stichting Bu reau Architectenr egister SDAP - Service D éparteme ntal de l'Architecture et du Patri moine SFA - Societe Fran çaise dês Architectes SINAT - Siste ma nacional de avalia ção técnica SMRP - Sociedade de Manutenção e Confiabilidad e Profissionais SPAB - Society for the Protecti on of Ancient Bu ildings SRU - Sociedade de Reabilitação Urb ana TF - Taxa de falha UIA - União Internaci onal d e Arquitectos VUE - Vida útil estimada VUP - Vida útil de projeto VUR - Vida útil d e referência WLC - Whole Lif e Cost ZEP - Zona Especial de Protecçã o ZIP - Zona de Inter venção Pri oritária A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de a poio à decisão 1 1 INTRODUÇÃO Juhani P allasmaa.” Una arquit ect ura de la humildad ”.2010. “Qualqu er a rquitect o reconhec erá que a ta refa d a a rqu itectu ra c onsiste em proporcion ar-nos o habitar no espaço , mas a sua segunda tarefa não pode se r ou tra que nã o seja med iar a nossa relação com a dimensão tempo ral, qu e é terrivelmente eféme ra, miste riosa e pa ssage ira, e q ue raramente é tida e m c onsideração . Assim, a ta refa da a rquitec tura é fazer-nos hab itar tant o no espaç o como no temp o ”. Capítulo 1 2 1.1 C ONSIDERAÇÕES PRELIMINA RES O setor da construção civil é considerado um dos maiores impulsionador es da economia de um país, pelo que a sua procura está largamente relacionad a co m o des envolvimento económico, cultural e social atual. Por ou tro lad o, é fácil depre ender que este setor é gerador de ef eitos multiplicadores, direta ou indireta mente em outr os setores de ati vidade. As necessidades de uma soc iedad e no que concer ne ao h abitar e ao satisfazer um co njunt o de exigências, assim como as nece ssidades de intervir no m eio urbano são consta ntes e permanentes. O setor da construçã o con trib ui pa ra garan tir e sta dinâ mica p orque in terfere no espaço e nos modos de viver, com particular incid ência nas memórias, nas referências, na c onstrução e na manut enção da identidade de u ma sociedade. Atualmente grande parte da população constrói o s eu quotidiano em a mbientes urbanos, pelo que as cidades representam o principal mo tor de resposta às suas necessidades. Contudo, a situação de degradação e vetustez das áreas c entrais das cidades é também h oje uma realid ade. Em Portugal, segundo os resultados dos Censos 2011 (INE, 2011), o número de edifícios destinados à habitação é de 3 544 389 e o número de alo jamentos de 5 878 756. Relativamente, ao recenseamento de 2 001, observa-se um aumento de 12,2 % e 16,3%, respetiva mente, o que significa que há m ais 384 346 edifícios e 823 834 alojamentos. Efetivamente, nas últimas décadas a construção em Portugal tem sido manifestamente im pulsionada, podendo se r considerada excessiva em algumas áreas e zonas do país. “ Entre 1991 e 2011 foram construídos mais de 80 000 alojamento s por ano, o que co rresponde a construir uma cida de ma ior do que Coimbra, po r ano , durante 20 ano s .” Ainda segundo os mesmos dados dos Censos 2 011 (INE, 20 11), “ o crescimento dos alojamento s relativamente aos Censos 2 001 foi de 1 6,3%, enquanto o número de famílias aumentou de 11,6% e a popula ção de apenas 1,9 %. Portugal tem, hoje, pe rto de 1 900 000 alojamentos s em o cupação permanente, que consumir am cerca de 200 m il milhões de euros de econ omias e de c apacida de de endividamento da s famílias .” As facilidades proporciona das pela banca, sup ortadas por uma política de apoio ao mercado de venda e redução das taxas de juro bancárias, associa das ao contínuo estado de congelamen to das rendas, conjugado com uma s ociedade vocacionada para o consumo, contribuíram para o investimento e m co nstru ção nova e no n egligencia r do p arque habitacional ex istente. P orém, o parque habitacional recente também não foi devida mente regulad o p or estudos capazes de ajustar as neces sidade s re ais dos meios urb anos, para o qual contribuiu a expansã o da cidade, criando-se zonas periféricas mais apelativas, com m elhores infraestruturas e ace ssibi lidades, onde e ra m ais fácil construir e construir n ovo. Os dados dos Ce nsos 2011 perm item co ncluir que existe um parque habitacional recente, parte dele sem o cupação perman ente, podendo ser considera do como excedentário, mas na re alidade este parque edificado no seu todo tem de ser c ontinua mente mantido e em determinado momento reabilitado ou de molido. Relativamente às intervenç ões de re abilit ação, estã o a s urgir alterações, pois segun do um e studo do Gabinete de Est udos da APEMIP - Asso ciação dos Profissionais e Em presas de Mediação Imobiliária de Portugal re fere que em m édia, durante o período e volutivo de 2001 a 2011, a representatividade das obras de reabilitação sobre a constru ção nova do s e difícios de habitação foi de 21,6%, tendo atingido o seu val or máxim o no ano de 2011 (2 8,5%). Isto justifica-se porqu e “ a situação de abrandamento da construção nova na economia nacional apresenta-se actualmente co mo um proce sso evol utivo, a gravado, p orém, pela conjun tura de A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de a poio à decisão 3 recessão económica ” . ( INOFOR, 2000). Mas deveria justificar-se porque “ sendo que a procura dirigida ao setor depende do grau de desenvolvi mento da economia, da conjuntura económica e do montante das despesas púb licas confirma-se que existe uma mudança de estrutura d o sector, pa ssando a manutenção/recupe ração a adquirir maior importânc ia, s empre que o grau de desenvolvimento de um país é superio r e que existe um grau de satisfação de engenha ria civil elevado ” (BME P, 2011). Curiosamente, em Portug al não foi o que acontece u, porque quando a conjuntura económica foi favorável a imp ortância da construção nova f oi prepo nderante. Toda a dinâmica da construção das últimas décadas contribuiu para que uma parte significativa do parque edificado seja recent e o u relativamente jovem. Segund o dados dos Censos 2011, o Índice de envelheciment o dos edifícios (relação existente entre o número de edifícios con struídos até 1960 e o número de edifí cios construídos após 2001 ) é de 176, o qu e significa que o número de edifícios construíd os até 1960 é menos do dobr o do que aqu eles que foram construíd os na última década. Atualmente, face a uma conjuntura m enos favoráve l es tão a haver sinais de maior importância na reabilitação. Segundo dados do INE, no 1º tri mestre de 2012, “ o número total de e difícios e fogos licenciad os em obras de reabilitação (ampliações, alterações e r econstruçõe s de edifícios) tem registado u ma importânci a crescent e fac e à s ob ras de construção nova ”. Comp arativamente, no 1 º trimestre de 2002, o s edifícios licenciados em o bras de reabilitação correspond iam a 16,9% do total de edifícios licenciad os, enquan to os fogos lic enciados neste tipo de obras r epresentavam apenas 6,5% d o total. Um a década m ais tarde, no 1º trimestre de 2012, o licencia mento de edifícios em obras de reabilitação representa 34,6% do total, enquanto os fo gos lice nciad os para o mesmo efeito correspondem a 30,6% dos fogos licenciados em todos os tipos de obra. A princip al aposta, até h á bem pouco tempo era sobretudo na construção nova, desc urando problemas como a d egradação do edificado ex istent e. Est a situação está sendo invertida, embora com sinais ainda inibidos, reconhecendo-s e a necessidade de p olíticas e programas de reabilitação em Portugal. Mas convém referir que, em relação à m anutenção de e difícios, pouco ou nada se menciona. A manut enção de edifícios é muito pou co refe renciada individualmente n a maioria dos dados estatísticos, sendo que muitas vezes é considerada como parte integrante dos binómios reabilitaçã o e conservaçã o, ou manuten ção e recuperaçã o, ou ainda da renovação e manutenção - R& M ( Fig.1.1 ). 40% 35 % 30% 25% 20% 15% 10% 5% 0% residenc ial não en genharia R&M R&M R&M residenci al civil residencia l não da eng. civil residencial Fig.1.1 - Peso do s segmento s da construção no p eríodo d e 2007 a 2013, p ara Po rtugal (%). 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 Capítulo 1 4 Considerando os val ores dos binó mios ainda m uito longe do razoável, fica clar o que a implementação da manutenção por si só está com certeza muito aqu ém do desejável. Não existe uma política de m anutenção de edi fícios em P ortugal. Segundo dados dos Ce nso s 2011 (INE, 2011), o esta do de conservação dos edifícios de habitação, revela que 1,7% dos edifícios se enc ontravam m uito degradados e 2 7, 3% necessi tavam de reparações. Em 2001, 3% dos edifícios apresen tavam-se m uito degradados e 38% tinham necessidades de reparação . Apesar de se verificar u ma melhoria neste indicad or, pelo facto de uma parte do parque habitacio nal ser relativamente rece nte (e ntre 2001 e 2011 construíram-se ce rca de 384 346 edifíci os), não invalida que, no seu todo, ainda seja necessário um conjunto de medidas consideráveis, no sentido de conservação e reabil itação dos edifícios degradados e co m necessidades de reparação, repr esentan do cerca de 1 027 872 edifícios habita cionais. E ainda se a estes v alores se juntar os edifícios de hab itação em ruína e todos os o utros edifícios não habitacionais com necessidad es de reparaçã o, o número de edifícios a nec essitar de intervenção no sentido de corrigir an omalias (medid as corretivas) é la rgamente c onsiderável. ( F ig.1.2 e Fi g.1.3 ) Fig.1.2 - E stado de d egradaçã o avan çado. Lisbo a. A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de a poio à decisão 5 Fig.1.3 - E stado de d egradaçã o avan çado. P orto. Os dados também co nfir mam ser consensual que as necessidades de intervenção em fase de serviç o se baseia m em medidas c orretivas, ou seja, após man ifestações de anomalias. Para além de alg um desconhecimento do fac to de que a manutenção não se baseia exclusivamente em me didas corretivas, também ex iste , por outro lado, a ideia de que um “ edifício d ura para sem pre”, isto porque são parcas as m edid as de implementação da ma nutençã o. É v erdade que a reabilitação começa a ter um maior pes o, m as este facto, deve-se sobretud o à conjuntura de recessão económica atual, em que não se o pta pela construção nova, mas por requacionar o existente. Mas, mesmo perante, uma intervenção de reabilitação, é precis o perce ber qu e “é necessári o m anter depo is de reabilitar”. Constata-se também que mesmo o s edifícios recentemente reabilitad os, p arte deles já apresentam anomalias, com necessidad es de intervenção. ( Fig.1.4 ) E sta sit uação pode ve rifica r-se tanto por erros ou opções menos adequad as durante a fase de projeto e execução como na fase d e utilização. Considera-se que as opções tomadas duran te o processo de conceção podem v ir a ser cruciais no comportament o do desempenho funcional dos edifícios. Efetivamente há uma série de critérios que devem ser devidamente ponderados, sendo de destacar a seleção de m ateriais, aproveitament o dos recursos, necessidad es energéticas , acessibilidades, segurança em geral, e ntre o utros. Todos e stes critérios fazem parte das várias e xigências de de sempenh o funcional a que o edifício de ve dar resposta. Capítulo 1 12 Fig. Fig. 1.9 - Aa lto Hou se. Helsínq uia.1936. As duas obras referenciada s (Fig. 1.8 e 1.9 ), dentr o de um vasto universo de obra s, permitem analisar a importância que as opções durante o processo de conceção têm na garantia do seu comportament o em serviço. As duas obras ultrapassam já co nsid eravelmente o ciclo de v ida de cinquenta anos, mas o que interessa so bretudo evidenciar são as o pções de projeto. S obre a evolução de toda a sua obra e qu estionando, em det erminado m omento, a s ideias fun cionalistas e racionalistas, Alvar Aalto adverte “ contra a st anda rização ex cessiva, o materialismo e o ênfase tecnológico da vida do século X X, enquanto propõe uma definição mais ampla do funciona lismo arquitetónico: Fazer uma arquitectura mais humana implica uma arquitectura melhor, o que significa um funciona lismo mais amp lo que o meramente t écnico ”. (Miller, 19 84) A conceção arquitetónica n os dois projetos reflete preocupações evident es, por um lado, em garantir a perm anência e resistên cia da o bra no tempo e, po r o utro, c onjugando este aspeto com as A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de a poio à decisão 13 necessidades humanas. Ambos conseguem det er-nos per ante uma lógica do conjunto, em dar resposta ás exigências e requisitos de desempenho funcional e, sim ultanea mente, a necessidade de garantir q ue as soluções perdurem no tempo (salv aguardando essencial mente exigências, como conforto, durabi lidade, segur ança e requisitos de aces sibilidad e, adaptabilidade, entre outros). Tendo considerado como e xemplo a obra destes d ois arquitetos referenciad os, pode afirmar-se que é efetivamente ao nível da conceção que se tomam as principais decisões, e estas podem vir a te r um papel determinante na d efinição do obj eto arquitetónico, com aspetos que interfer em no seu comportament o futuro e na sua m anutenção. Mas na m aioria das vezes, como já foi referido anteriormente, muitos des tes proble mas rela tivos ao comportamento em s ervi ço dos edifícios são atribuídos a opções não intencionais duran te o processo de conceção. Na v erdade, existe u ma preocupação efetiva em satisfazer um conjunto de exigências de desempenho funcional, mas na perspetiva de dar resposta a um programa pré-d efinido, não e stando subentendido de forma consciente que provavel mente essas ex igência s podem ser analisadas, também na perspeti va da manutenção. Um edifício pod e, de algu ma forma, ser c omparado ao corpo hu mano. Saarin en (1943) defende a existência de um modelo biológico e de um cresci mento orgânico para as cidad es, ao insistir s obre a importância da “saúd e” de um organismo e cada u ma das suas partes. Alegou que a cidade é um organismo vivo co mposto, devendo possuir uma o rdem física fund amentada na o rdem orgânica e que deveria ser cuidado sament e monotorizad a de “ qualquer doença que incidisse no o rganismo ”. Essa “ordem” é em muit o garantida por um a monot orização, por m edidas preventivas e co rreti vas quando o correrem m anif estações (pr é) patológi cas. No s edifícios acontece o mesmo, sendo que a manutenção contribu i de f orma decisiva para essa “ordem das c oisas”. A manutenção t em també m um papel não menos importante a o utro níve l, o de permitir reconciliar dois atos opo stos, o d e permanecer e/ou o de mudar. E m ambos, a manutenção através de um conjunto de operações e pro cediment os garante essa necessidade, porque a decisão de perman ecer, ou m udar o objeto arquitetónic o, tem sempre como pressuposto indispensá vel a implementação de uma forma de pr eservar e manter estes atos no tempo. Segundo Portas (2008), “ A necessidade de um aparelho metodológico seguro está, pr ecisamente, em saber situar e definir os limites dos instrumentos que utiliza (…) per mite quantificar e indicar as consequênci as de uma série de hipóteses de decisão (…). O instrumento me todológico é finalmente essencial na medida em qu e a arquitectura se torna trabalho de equipa , objeto de criação interdisciplinar… ” Por fim e de acordo com a necessidade de enquadr ar a questão da manutenção no processo de conceção arquitetónica, c onsidera-se im portant e desenvolver uma metodologia de avaliação através da definição de um modelo de apoio à dec isão para o autor de pro jet o que englobe as questões da manutenção, e cuj os resultados permitam contribuir para garan tir a “capaci dade de prever a resistência temporal do s ed ifícios, além das moda s efémeras”. ( Pallasmaa,201 0) 1.3  MBITO E OBJETIVOS DE INV ESTIGAÇÃO O o bjeti vo principal do presente trabalho é desenvolver um a metodologia de avaliação, que contribua para integrar o s aspet os da manutenção de edifícios durante o processo de conceção arquitetónica permitindo d otar o autor de projeto – arquiteto d e instrument os de auxílio no ato de decisão de f orma consciente e intencional. Com a e laboraçã o d este trabalho, pretende-se realçar a importância da manutenção de edifícios, não só durante o seu comporta mento em serviço, m as Capítulo 1 14 também durante o pro cess o de conceção, como forma de garantir a permanência da o bra no tem po. Sendo o universo do edificado existente muito vasto e diferenciado, o ptou-se por aplicar e validar a metodologia proposta, dentro do âmbito da reabilitação e , mais concretamente, para os edifícios até finais d o século XIX correspondentes ao perí odo de d esenvolvimento da habitação burguesa portuense. Perante a inexistência de um modelo que permiti sse dar respo sta aos objetivos pretendid os, desenvolveu-se uma metod ologia de av aliação suportada por um modelo de a poio à decisão - DSS cujo desenvolvimento t eve a colaboração de Santos ( 2012), que r ealizou a sua disserta ção de mestrado tendo como suporte o referido modelo e em que o aplicou ao elemento fonte de manutenção – pavimentos e te tos. De acordo com o objetivo principal do trabalho referido, foi definido o seguinte conjunto de obje tivos comple mentares: ▪ Reunir um conjunto de informação sobre o enquadramento do processo de conceção arquitetónica e de manutenção de edifíci os e so bre estratégias de interven ção no construído, analisand o tam bém o estado da situa ção atual do edificado existente ; ▪ Refletir sobre a manutenção de edifícios assumindo a sua im portância ao long o de toda a vida útil, como forma de g arantir as condições iniciais previstas que permitam perdurar e manter o compor tamento em ser viço dos edifíci os; ▪ Reunir um conjunto de informação sintetizada sobre a investigação operacional realizando uma análise crítica de vários modelos desenvolvidos no â mbito da reabilitação, conservaçã o e manutenção de edifícios, resumind o os principais pressupostos env olvidos no process o de apoio à decisão; ▪ D efinir o s vários e lementos fonte de manutençã o - E FM e sua composi ção para os edifícios da habitação burguesa portuense, aplicando o modelo a alguns deles e, posteriormente, ta mbém a um edifício já reabilitad o do centro histórico do P orto; ▪ Definir um Índice de Manutenib ilidade - Ime representand o a predisposiç ão de uma solução construtiva para o desempenho dos processos de manutenção. E as r espetivas Fichas de Manu tenibilidade de cada EFM. Em Portugal, não existe uma efetiva política de manutenção de edifícios. Por esse motiv o, é também um objetivo deste trabalho evidenciar esta área do conhecimen to e sensib ilizar a importância do seu planeamento, co mo uma mais valia para todos os intervenientes do processo de construção, pela valorização que es ta área assu me na garantia d o comporta mento em serviç o dos edifícios. 1.4 M ETODOLOGIA DE INVE STIGAÇÃO Como for ma de co ncretiz ar os pre ssupostos da p resente disserta ção, ef etua-se u ma rec olha de material bibliográfico sobre a temática da conceção arquitetónica, da m anu tenção de edifícios, analisando o estad o do conhecimento nestas áreas. Posterio rmente, consid erando que o conjun to de informação é vasto, extenso e, por vezes, algo contraditório, procura-se esclarecer alguns conceitos também no âmbito da reabilitação de edifícios, uma v ez que o mo delo de apo io à decisão – DSS, é aplicado aos edifícios pertencente s ao período correspondente da habitação burgu esa portuense. Analisam-se as e stratégia s de intervenç ão no c onstruído, ressalvando a importância de manter mesmo depois de reabilitar. De seguida, realiza-se um conjunto de visitas a edifícios objeto de reabilitação e o utros por reabilitar do c entro histórico do Porto com a colaboraçã o da SRU. Est as visitas revelam-se de grande utilidade para o desenvol vimento de tod o o trabalho de in vestigação. A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de a poio à decisão 15 A m etod ologia d e avaliação pretende com o desenv olvimento de um mo delo de apoio à decisão - DSS definir u m Índice d e Manutenibilid ade ( Ime ), e stabelec endo dois indicad ores – de imp ortância ( Idi ) e de facilidade ( Idf ). Relativa mente ao Indicador de im portância ( Idi ) é necessário realizar uma auditoria através de entrevistas e suportada por um questionári o que tem a participação de um conjunto de arquitetos. Para tal foi necessário previamente definir um conju nto de exigências e requisitos de dese mpenho funcional e de processos de manut enção considerados relevantes e que constituem as v ariáveis e critério s de decisã o. Re lativament e ao Indicador de facilidade ( I df ) é necessário desenvolver um co njunt o de parâmetros de av aliação que auxilie m o autor de projeto quando es te se depara perante a necessida de de definir uma determinada solução construtiva. A aplicação e validação do modelo são efetuadas para alguns elementos fonte de manutenção – EFM (paredes exteriores, pavimentos e tetos, cobertura e vãos e xteri ores) de edifícios da habitação portuense e tamb ém para u m caso de estudo de um edifício r eabilitado e habita do presentement e. Por último, o s resultados obtidos são analisados e aferidos e é avaliado o real contrib uto do modelo de apoio à decisão. De ressalvar que a avaliação é qualitativa, porque o modelo pretende ser um instrumento de auxilio no at o de decisão, sem nunca anular o papel principal qu e o autor de projeto- arquiteto tem em todo o proc esso, send o sempre ele o deciso r final. O m odelo de apoio à decisão é um instrumento de apoio e so bretudo, de alerta para eventuais consequênci as das questões da manutenção n o comporta mento em serviç o dos edifícios. 1.5 O RGANIZAÇÃO DA DISSERTAÇà O A presente d issertaçã o enco ntra-se organizada em trê s partes e n ove capítulos. ( Quadro 1.1 ) A primeira parte : Leitura (s) do c onhecimen to: enquad ramento na perspetiva de manu tenir (manutenção) e conceber (objeto arquitetónico) engloba os capítulos 1, 2 , 3 e 4. Pretende-se demonstrar a exi stência de uma problemática , explican do e expondo a tes e que se pretende v alidar. No capítulo 1 - Int r odução apresenta-se o tema a dese nvolver, salientand o-se a importância do domínio científico da manutenção de edifícios, justificando-se a necessidade de desenvolver este trabalho, expondo-se o âmbito, objetivos e a metodologia da investiga ção e realçando-s e a importância d o papel da man utenção de edifícios dur ante o processo de conceção arquite tónica. No c apítulo 2 - Enquadramento no domínio da ma nutençã o é realizada uma abordage m teórica no âmbito da m anutenção de edifícios, englobando a pesquisa bibliográfica efet uad a sobre o estado do conhecimento atual. Neste capítulo, são focados os aspetos relacionados com a contextualizaçã o internacional e nacional do tema, abordando também a necessidade da existência de políticas e planos de m anuten ção, de um a carac terização do com porta mento em serviço dos edifícios e também focando a área do conheciment o da gestão de edifícios. Tiram-se concl usões sobre o lé xico em torno das exigências e re quisitos de desemp enho funcional e referem-se trabalhos de investigação e pub licações internacionais e nacionais c o nsiderados i m portantes e m destacar. No capítulo 3 - En quadramen to n o d omínio da a rquitetura é realizada uma abordagem teórica no âmbito da conc eção arquitetónica e sobre o papel do arquiteto, englobando a pesquisa bibliográfica efetuada sobre o estado do conhecimento atual. Neste capítulo, são focados os aspetos relacionados com a c ontextualização i nternacional e nacional d o tema, procurando esclarecer os principais intervenientes n o process o, as necessidad es de apr o priação e de dar respost a às necessidade s dos utentes, abordand o os modos de habitar e o at o em si de projet ar. Aborda-se também a importância da formação do arquit eto, do fator experiência e da existência de um m étodo capaz de dar forma ao Capítulo 1 16 objeto arquit e tónico. Referem-s e trabalh os de investigação e publicaç ões intern acionais e nacionais considerados i mportantes em destacar. No capítulo 4 - Estratégias de intervenção para um entendimento orientador aborda-se o te m a da arquitetura como atividad e pluridisciplin ar e da importância do tempo na p erceção da me sma esclarecendo um co njunto de possibili dades que se apresenta m no ato d e c o nceção. E sclarece m-se também algu mas das pri ncipais insuficiências que durante o pro cesso de conceção p o dem afetar a manutenção de edifícios. E por último , descreve-se a auditoria realizada e respetivos questionários e analisam-se os result ado s. A segunda parte : Investig aç ão operaciona l c omo base para a definição de uma metodo logia de avaliação , engloba os c apítulos 5, 6 e 7. Pretende-se demonstrar e validar o modelo de apoio à decisão definid o para o trabalho de investigação. Ap re senta-se um breve re sum o s obre a evolução dos modelos de investigação o peraci o nal, e xplica-se o mo delo desenvolvido e aplica-se a um conjunto de elem entos fonte de manutenção - EFM (pare des exteri o res, pav imentos e tetos, cobertura e vã o exteriores) da habitação burg uesa portu ense. No c apítulo 5 - S istema de apoio à decisão , descre v e-se num bre ve resumo sobre a e volução dos principais modelos d e investigação operacional, faz endo quadros resum o com os principais objetivos , níveis de desagr egação, modo e critérios de avaliaçã o, as ponderações, as formas de cál c ulo e o s resultados finais. Posterior mente resume m-se os principais aspetos positivos e menos positivos dos modelos internaci onais e n acionais analisad os. No capítulo 6 - Metodologia de avaliação: proposta do modelo de apoio à decisão é desenvolvido e explicado em detalhe o modelo de apoio à decisão que teve a colab oração de Santos (2012), e os respetivos modos e critérios de avaliação, o s indicad ores de importânci a ( Idi ) e de facilidade ( Idf ), as ponderações, as formas de cálculo e o s r esultados fina is com a definiçã o de um Ín dice d e Manutenibilida de ( Im e ). Também se e xplica o que se prete nde com a atribuição do Índice e da sua importância em reunir um conjun to de informaçã o que pode ser disponibiliz ada atrav és de uma Ficha de Manutenibil idade, que permite po steriormen te integrar o Plano de manutenção inicial do edifício. No capítulo 7 - M etodolog i a de avaliação: desenvol vimento do modelo de apoio à decisão , tend o como objetivo aplicá-l o a edifícios pertenc entes ao período da habitação burguesa portuense, caraterizam-se as principa is soluções existentes e a no malias preexistentes para o co njunt o dos quatro elementos fonte de m anutençã o - EFM já referidos, e o conjunto de soluções de intervençã o, segundo uma m atriz de c orrelação. Esta matriz permite definir quais as soluções de intervenção mais correntes para estes edifícios, per mitindo depois aplicar o modelo a todas as solu ções consideradas e obter n o final o seu resp etivo Índice de Manute nibilidade e as respetiva s reco mendações à manutenção. A terceira parte : c ontrib uto do m odelo d e apoio à deci são c omo ferr am enta auxiliar para o processo de conceção , engloba os capítulos 8 e 9. P retende-se realizar uma descrição e enquadrament o da situaç ão atual da cidade d o Porto e, e m p articular, do seu centro h istórico. Realiza-se a prova do conc eito aplicando o m odelo a um edifício já reabilitado e habitado. O modelo é aplicado par a os mesmos el ementos fonte de manutenção – E FM do capítulo anterior. Isto permite, depois, tirar as dev idas c onclusões e aferir o s resultados para aspetos que possa m influenciar os resultados: conhecer as carac terísticas do meio (ou seja, o enq uad ramento em q ue a solução se insere) e as nec e ssidades do utente. No final e no último capítulo, tiram-se as conclusões da tese e define m -se persp e tivas de desenv olvimento futuro. A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de a poio à decisão 17 No capítulo 8 – Objeto de estudo: habitação burguesa portuense , faz-se uma descrição e enquadrament o da situação atual e aplica-se o model o a um e difíci o pertencente a o período mercantilista (definiçã o de Barata Fernandes, 19 99) e intervencionado em 2004. No final, compara m- se os resultados obtidos com os do capítulo ant erio r e retiram-se as de vidas conclu sões. No c apítulo 9 – Conclusões , faz-se uma sínt e se do trabal ho d esenvol vido, apresentam-se a s respetivas conclus õ es e sugerem- se perspetivas de desenvolvimento futuro. Quadr o 1.1 - Organiz ação d a dissertaçã o. Intro dução Atualida de do t ema e motivaç ão ............ .......... .......... ............ ........ . . . . . . . . . . . . Ambito e ob jetivos de in vestig ação ....... ............ ............. ......... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Metodologia de inv estigação ................................ .................. ........ . . . . . . Organizaçã o da dissertação CAPITULO 1 [Parte I]: Leitur a (s) do conhe cimento : enqu adramento na p erspetiva de manu tenir (m anute nção) e conc eber (ob jeto arqu itetón ico) Enquad ramen to no domínio da man uten ção Manut enção de edifício s Gestão da manut enção de edifícios Trabalhos d e investiga ção e p ub licações internacion ai s e naciona is CAPITULO 2 Enquad ramen to no domínio da arq uitetura Arquitetu ra e o p apel do arquiteto Conceção arq uitetónica Trabalhos d e investiga ção e p ub licações internacion ai s e naciona is CAPITULO 3 Estratégias d e inter venção para u m enten dimen to orient ador Arquitetu ra: permanência n(u m) tempo Processo de con ceção arquit etón ica e a man utenção de edifícios CAPITULO 4 [Parte II]: Investigação op eracional co mo b ase par a a de fi nição de uma meto dologia de avaliação Sistemas de apoio à decisão DSS Breve per spetiva histórica Aplicação d e metod ologias de avaliação Análise crítica CAPITULO 5 Meto dologia de avaliação: pro posta do modelo de apoio à decisão Identificação d os pre ssupostos p ara desen volvimen to d o modelo Definição do mod elo: e strutu ração e modelaçã o CAPITULO 6 Meto dologia de avaliação: desenvo lvimento d o mo delo Manut enção versus R eabilitaç ão d e Edifícios Elemento s fonte de manu ten ção EFM2, EFM3, E FM4, EFM 7 CAPITULO 7 [Parte III]: Contribu to do m odelo de apoio à decisão c omo ferramen ta auxiliar par a o p rocesso d e co nceção Objeto d e estu do: hab itação bur guesa po rtuense Enqu adrament o do o bjeto de estudo Prova do conceito CAPITULO 8 Conclu sões Trabalho desenvolvid o e conc lusõe s principais Perspetiva s de desenvol vime nto futu ro CAPITULO 9 A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de a poio à decisão 19 2 ENQUADR AMENT O NO DOMÍN IO DA MANUTEN ÇÃO Fig.2.1 - Vitru vius. Homo Bene Figur atvs. Fernando Távora. ” Da organiz aç ão d o espaç o ”. 1982. “Antes de arquitec to, o arquite cto é h omem , e homem que utiliza a sua profissão com o u m instrument o e m bene fício d os outros home ns, d a socieda de a que p ertenc e. P orque é homem e porque a su a a cção não é fatalmen te dete rminada , ele deve procu rar criar, aq uelas fo rmas que melho r serviço po ssam prestar q uer à socied ade q uer ao seu semelha nte, e para tal a sua acç ão imp licará, pa ra além do dram a d a esco lha, um sentido , um alvo, um d esejo permanen te de servir.” Capítulo 2 20 2.1 C ONSIDERAÇÕES PRELIMINA RES Neste capítulo é apresen tado um enquadramento do domínio da área do conheci mento da manutenção de edifícios. Apresenta-se a evolução de concei tos da manu t enção n o contexto internacional e naci onal, esclarecem-se políticas e estratégias de m anutenção abordando também a importância da d efinição de um plano d e manutenção c omo u m do cument o que aco mpanha o cadastro e que deve ser elaborado em função deste. A definição de políticas e e stratégias de manutenção concertadas com um Plano de Manuten ção permitem garantir o comportament o em serviço durante a sua v ida útil dos edifícios. Esclarece-se também da necessidade em dividir os edifícios nos vários e lement o s que o constituem. A estes e lementos atribui-se a designação de: Elementos Fonte d e Manut enção - EFM . Por o utro lado, prete nde- se analisar alguns m étodos e abordag ens sobre a vida útil dos edifícios, apesar desta análise gerar alguma discussão. Referem-se os principais agentes de deg radação potenciais geradores de m anifestaç õ es patológicas ou anomalias nos e difícios e que podem v ir a condicionar o comportament o em serviç o. Esclarece-se da importância que representam as exigências de desempenho fun cional, não só como garantia de sat isfação de um conjunto de nece ssida des do utente, mas também a im portância da manutenção em garanti-las. Po steriorm ente, aborda-se a área do co nheciment o da gestão de edifícios em que a manute nção é considerada u m a das atividade s entre outras. Destacam-se alguns dos traba lhos d e in vestigação e publicações internacion ais e nacionais, cuja leitura contribuiu para o desenvolvimento deste trabalho. Por último, ret iram-se as devidas considerações finais. 2.2 M ANUTENÇÃO DE EDIFÍCIOS 2.2.1 I NTRODUÇÃO A problemática da manutenção em Po rtugal não possui ainda uma discussão qu e corresponda à sua verdadeira escala. Continua- se a ass istir, a uma cr esc ente degradaçã o dos edifícios e da sua perda de funcionalidade e isto aco ntece, na maioria das vezes, pela falta de manut enção do e dificad o existente. Os edifícios conti nuam a ser co nstruíd os co m uma perspetiva de custo inicial mínimo para garantir a funcionalidade definid a. Todas e stas questões suscitaram um interesse particular em desenvolver o tema da manutenção de e difíci os e na perspetiva de o enquadrar no processo de conceção arquitet ónica. A manutenção na União Europeia foi influenci ada por dois períod os essenciais par a o desenvolvimento do concei to: (Fernandes Ro cha, 2005) ▪ Um pri meiro período no pós-guerra, com a introdução de princípios económicos e de durabilid ade que levavam a dem olir ou não os edifícios; ▪ Um segundo período, q ue provem de uma estagn ação do cresciment o populacional associado a um b e m-estar e conómico; neste context o, a indú stria da co nstruçã o volta- se para a manut enção e a r eabilitação, co mo condições de melhoram ento das exi gências de habitabilida de dos edifí cios existentes. Portugal não passou por ne nhum destes períodos e, talvez por isso, o nosso mercad o de m anuten ção e de reabilitaçã o tenha sido tratado com menor int eresse público e pri vado, face ao mercado da construção nova. A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de a poio à decisão 21 2.2.2 D EFINIÇÃO E EVOLUÇÃO DE CONCEITOS O conceito de manutençã o de edifícios, como a maioria dos conceit os, f oi s ofrendo alterações ao longo d o tempo, qu er na su a terminol o gia, qu er na sua génese, po dend o h oje ser definido c om o a “ combinaçã o de todas as ações técnicas e administrativas, lev adas a cabo num edifício, com o fim de manter ou devolver aos elementos e componentes um est ado que lhes permita desempenhar as funções para que fo r am pr ojetados. ” (ISO 1568 6 -1, 20 11) Do passado pode destacar -se o egiptólogo do iníci o do século XX Sir Flinders Petrie que escav o u a pirâmide de Kahun e qu e per mitiu concluir que já na Antiguid ade nesta civilização e xistia um conjunto de artifícies e respetiv os utensílios, cujo objetivo era a re paração de edifí cios e templos. As reparações resulta vam principal mente de pr o blem as de infiltra ções de humidad e, e utilizavam essencialmente materiais, tais co mo folhas de palma e gorduras de animais como fo rma de eliminação destas anomalias. No entant o, há outra referência de que utiliza v am folhas de cobre e betumes naturais par a a proteção dos edifíci os. (Fitch, 1982) Do período romano destaca-se Vitruvius Pollio, que no seu tratado de arqu itetura ” De Architectura ” , traduzido como “ Os De z Livros de Arquitectura ”, já referia detalhadame nte proce diment os necessários para manter e cuidar os edifícios da épo ca, assi m como construir os edifícios descrevendo minuci o samente t odos os elemento s e component es dos mesm os. (Maciel, 2006) O R enascimen to v eio m ais tarde ac e ntuar um r espeito pela Antiguidade clássica, com u m nov o interesse pelas artes, tendo sido imple mentadas medidas regulamentares, com o objetivo de preservação dos edifícios hi stóricos. Com a Revolução Industrial e a utilização de novos materiais e soluções construti vas, essencialmente através do e m prego d o ferro, gen e raliza-se a aplicação des te material a t ravés da realização de intervenções ativ as para a manutenção destas constr uçõ es. Os produt os anticorrosivos são talv ez o primeiro produto a interfer ir no mercado da manutenção de edifícios. (Cal ejo Rod rigues, 1989) Em m eados do século XIX, com o aparente envelhecimento dos e difíci os históricos resultante da ausência de aç ões de manutenção, William M orris publica em 1877, um Manifesto, juntamente com outros autores, membros fundadores da “ Society for t he Protection of Ancient Buildings” - SPAB , em que afirma “ save off deca y by d aily care” , respeitand o todos os estilos e tipos de construçã o. É no Reino Unid o , em 1964, que se assiste à publicação da 1 ª norma sobre m anu tenção, a BS 3811 (BSI, 1964). Esta nor ma é essencialmente voltada para a manutenção industrial, muito embora, hoje, alguns dos seus p rincípios aind a sejam utilizados. Em 1984, a definição do co nceito de m anutenção, da m esma norma BS 3811 (BSI, 1 984) é atualizad a sendo definida como: “ Combina ção de todas as açõ es levadas para manter o edifício ou para o reabilitar até uma condição aceitável. A manutenção de um edifício inclui tarefas como a limpeza, a inspecção, a r epa ração e a substituição d os vários sistemas ou co mponentes do edifí cio.” N este contexto, Speigh t (1980) refere que a atividade d a manutenção qu ando é negligenciada pode acarretar potenciais riscos. Citando e sta norma e a referência a “ condiç ão aceitável”, sugere que esta pode também, s er considera da como preservaçã o dos edifí cios, de acordo c om a fin alidade para a qual foram co nstru ídos e com um custo mínimo. Tamb ém refe re, por outro lado, que essa condição pode ser influenciad a por v ários fatores, incluin do o tipo de utilizaçã o e edific ação. Mais tarde, em 1986 a BS 8210 (BSI, 1986) defin e a manutenção de edifícios como: “ Conjunto de operações e activid ades, excluindo as limpezas diárias ou de rotina, necess árias à manutenç ão do desempenho do edifíc io e dos seus se rviços.” Esta norma define que uma const rução é um edifício ativo que precisa de manutenção par a assegurar q ue o seu val or não é depr eciado. Aponta para a Capítulo 2 28 De acordo com o s dados estatísticos do capítulo anterior (INE, 2011), existem atualment e cerca de 3 544 389 edifícios destinad o s à habitação, fora to dos o s outros não habitacionai s. Conseguir que todo este parque edifi cado exi stente e o restan te que entretanto venh a a const ruir-se permane ça e cumpra as c ondições iniciais prev istas durante toda a sua vida útil nece ssita de um a ve rdad eira política e estrat égia de m anutenção, concertad a com todos os intervenientes do processo de construção. 2.2.4 P OLÍTICA E ESTRATÉGIAS DE MAN UTENÇÃO A po lítica de manutenção pretende e stabelec er um conjunto de princípios baseados em v ários pressupostos de gestão e optimização de recursos necessários para a implementação e e xecuçã o dos vários procedimentos e ações entre as diversas estratégias de m anutenção. A determinação e a implementação de uma política de manutençã o depende da resposta a um conjunto de quest ões, que permita definir os vários parâmetros e condições necessários para delinear as estratégias de manutenção . ( Fig.2.2 ) Fig.2.2. - Política de manutençã o. Da política de m anutenção deve constar: “ os requisitos da política de manutenç ão, os objetivos e a estratégia de manutenção a ser em adoptados, o âmbito de aplicaçã o da polít ica, a atribuição da responsabilidad e pela implementação dos vários requisitos e métodos de revisã o da política de manutenção”. (Rap oso, 2010) Obtendo os vários parâ m etros e c ondições essenciais para gerir e optimizar o comportament o em serviço de u m edifíci o , q ue permita, e ntre outros aspet os, e v itar u ma degrad ação precoce, um controlo e redução dos custos diferidos, que garanta o cumprimento de um conjunto de exigências de desempenho funcional e respetivos requisitos, o u seja, permitind o desempenh ar as funções para o qual foi projetado, é e ntão possível delinear a estratégia de manutenção mais adequada. ( Quadro 2.3 ) Quadr o 2.3 - Estrat égias de m anut enção. M ANUTENÇÃO N à O PLANE ADA M ANUTENÇÃO INT E GRADA M ANUTENÇÃO PLANEADA M ANUTENÇÃO C ORRETIV A (Reativa,Cura tiva,Resolut iva) M ANUTENÇÃO I NTEGRAD A (Evoluída) M ANUTENÇÃO PREVENTIVA (Pró-ativa) Não u rgente pequena intervenção Urgente grande intervenção Sistema integr ado (corretiva + p reventi va + sistema de g estão integrado ) Sistemática (preventiva) Cond icionada (preditiva) Melhor amen to P OLÍTICA DE M ANUTENÇ ÃO O QUÊ ? C OMO ? Q UANTO C USTA ? Q UANDO ? Q UEM ? A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de a poio à decisão 29 Relativamente à manutenção corretiva (é considerad a tam bém reativa ou c ur ativa ou resolutiva), esta estratégia corresponde a uma manutenção mais elementar. D ada a oco rrência de uma manifestaçã o patológica ou anomalia procede-se à sua correção. É uma estratég ia não planeada que ocorre após uma manifesta ção que tenha d ecorrido de um proc esso de degradaç ão . É de algu m modo co nsens ual que, perante a manifestação de danos num edifício, é necessário atuar de m odo a repará-los. Não co rrigindo atempadam ente, pode suceder que os custos decorren tes sejam m aiores. A Lei de Sitter ( Fig. 2.3 ) de evolução dos custos mostra que os custos de correção crescem segund o uma pro gressão geométrica de razão cinc o. 125 100 50 25 5 t1 t2 t3 t4 PERI ODO DE TEMPO Fig. 2.3 - Lei d e evolução de c ustos, Lei de Sitt er.19 84. (P =Proj eto; E= Execuçã o; MP = Man utenção Planeada ; MC= Manutençã o Corr etiva). Sendo verdade a necessida de de atuar atempadam ente, deve contudo ser devidamente ponderada a necessidade de intervenç ão , se o s custos o ju stificam e quais as consequên cias em n ão agir de imediato. A le i de Sitter prevê o natural aumento dos custos, mas podem esses custos não justificar, logo à partida, uma respos ta tão rápida. Acima de t udo, devem ser identifi cadas as causas e origens da manifestação patológi ca o u anomalia e s ó depois analisar devidament e a n ecessidade de intervenção. Em Portugal , na fal ta de uma p olítica de manuten ção , esta es tratégia nã o p laneada é a que é naturalmente adotada, ou se ja, limita-se a atuar quando uma manifestação patológica apresenta danos consid eráveis e visíveis, ou quan do e xistam qu eixas por parte dos utentes, e nesta fase os custos de manutençã o são qu ase sempre maiores. Nã o representado global mente a melhor forma de atuar, esta est ratégia de manutenção é necessária e contribui para restabelecer as co ndições iniciais previstas de desempenho do e difício, mesmo apresentando dificuldades na sua implementação, por serem, na m aioria das vezes, situações não detetad as atempadamente, intervenç ões tardias e , nestes casos, n ormalmente com cus tos acrescido s a longo prazo. Relativamente à manuten ção preventiva (ou pr ó-ativa), esta estratégia corresponde a uma manutenção planeada, e portanto com resultad os muito satisfatórios. Esta estratégia caracteriza- se por atuar antes da manifestaçã o patológica ou anomalia, o u se ja, perante fenómenos de pré- patologia. Como tal, rec orre a um planeamento dos processos de manutençã o e segundo três formas de atuação: uma sistemátic a (ou preventiva), c o ndicionada (ou prediti v a) e de melh oramento. A forma de atuação sist emática c onsiste e m executar os v ário s pr o cessos ou o peraçõ es de manutenção tendo como base, “um planeamento com periodicidades fixas, p ermitindo uma r edução dos trabalhos ext r aordinários ”. (Fl ores, 2002) CUSTO REL ATIVO DA INTERV ENÇÃO P E MP MC Capítulo 2 30 A forma de atuação c ondi cionad a consiste em e xecut ar os processos o u o perações de manutenção, “ em função da análise do estado de degradação dos diver sos elem entos, plan e ando, em prime ira instância, as inspeçõ es e nã o as atividades a executa r ”. (Flores, 200 2) Enquanto que na m anutenção preventiva sistemática se determina atempadame nte os processos ou operações de m anutenção independent e mente do es tado de desempenho desses elementos, na manutenção pre ventiva con dicionada avalia-se pri meiro a ev olução do estad o de desempenho dos edifícios de modo a dete tar fenómenos de pré-patol ogia e só depois se define m o s procedi mentos e ações necessári os para a in tervenção. Por últim o, a m anutençã o preventiva de me lhora m ento visa “ evitar a insuficient e funcionalidad e dos elementos ” do edifício corrigindo “ defeitos, os quais, pela sua importância, origina m um comportamento inespe r ad o do elemento e m condições reais ”. (F lores, 2002) Numa perspetiva pessoal, c onsistindo a manutençã o de me lh oramento quer numa m elhoria po r substituição do elem ento por o utro d e carac te rísticas semelhantes, quer por substituição do elemento por o utro de melhores características, está-se, em particular na segu nda possibilidade, perante u ma intervenção de reabilitaçã o, não d e vendo ser co nsid erada u ma forma de atuação de uma estratégia de m anutenção. Relativamente à manutenção integrada , esta surge ess encialment e pela necessidade de implementar estratégias com uma v isão global recorrend o a vários me ios, entre eles, o suporte informático. Esta estratégia caracteriza-se por permit ir através de sistemas inte grados, reunir toda a informação necessári a quer para o registo cada stral, quer para a elaboração do plan o de manutenção e re spetiva intervenç ão. Na verdade e ste sistema integrado “evidencia-se fundamentalmente ao nível da troca de informação entre agentes de m anutenção no s entido de, em tempo real, pode rem ser conside r adas as implicações daí decorrentes ”. (Calej o , 2001) O ideal seria a possibilidade de optimização e registo de toda est a informação, q ue deveria acontecer já nas fases preliminares de projeto, permi tindo de st e modo , alertar e eliminar ev entuais falhas que decorressem de escolhas menos adequadas durante o processo de conceção. O desenvolvi mento deste trabalho de investigação tem como um dos seu s objetivos dotar o autor de projeto - arquiteto de instrumentos de auxilio n a escolha das s oluções, que po ssuam per m itir uma mais ad equada predisposição para garantir a imple m entação e execução dos v ários processos de manutenção e, consequente mente, garantir ou e xceder o seu co mportam ento em serviço duran te a vida útil. 2.2.5 P LANO DE MANUTENÇÃO DE EDIFÍCIOS Um P lano de Manutençã o é um do cument o que engl o ba um conjun to de espec ificações elaboradas no âmbit o da m anutenção , no sentido de defini r pre v isões e p lanear os procedimentos e aç õ es de manutenção. Este d o cumento de ve acompanhar o cada stro e deve ser elaborad o em função d este. Segundo a norma NP EN 13306 (2007), o Plano de manutenção é um “ conjunto es truturado d e tarefas que compreende m as atividad es, os procedimen tos, os r ecursos e a duração necessária para executar a manutençã o ”. O cadastro permite registar todas as existências, bem como as respetivas características dos elementos do edifíci o , ou se ja, “ tr ata-se das bases de dados de operação da manutenção, que se subdividem e m informação técnic a, económica e funci onal”. (Calejo, 2001) A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de a poio à decisão 31 No Plano de manutenção a desc rição das referidas es pecificações t em por objetivo “ prever e planear as v árias acções de manutenção, que decorrem ou que conduzem aos seu s cinco pilares base: inspecção, limpeza, pró-acção/gestão da vida útil, substituição e correcção.” (Calejo , 2001) A sua estruturação define-se e m função da n atureza da informaçã o disponív el e com base nas polí ticas a adotar. Segundo Calejo ( 2001), o Pl ano de Manutenç ão subdivid e-se em três partes : ▪ Manutenção preventiva “ pressupõe uma a ctuação com base em rotinas de inspecção e respectiva o bservação de sin tomas d e p ré-patolog ia. Es te p rocedimento tipific a uma intervenção condicionad a aos resultados da referida inspecção ”. Os procedimentos e ações de manutenção prev entiva, “ para além da correcção de falhas, do suprimento de necessidades e da monitorizaçã o, inc luem ope r açõ es destinadas a aumentar a fiabilida de e a operaciona lidade dos diversos elementos/equipamento s/ compo nentes, que constituem os edifíc ios ”; ▪ Gestão da vida útil “ re la ciona-se com a nec essidade de es t abelecer proced im entos para actuar antevendo-se a necessidade de substituição de componentes motivad a pelo fim de vida útil. Integra todo o conjunto de acções planeadas e s istemáticas , com base numa vida útil espectável para dete rminados componen tes da construção ”. O objetivo é procurar identificar “ a necessidade de r eposição de um componente, sempre que s e preveja o seu fim de vida útil ou que os dados de comportamento desse com ponente, noutras situaçõ es, permitam anteve r potenciais pa tologia s ”; ▪ Manu tenção corr etiva , “ ag rupam-se na manutençã o corr ectiva todo o conjunto de acções resultantes da identificação de manifestações patológicas ”. Estas aç ões destinam-se a “garantir a reparação de patologias e a prever defeitos cujo conhecimento podemos antever após sinto m as de pré-patolo gia ”. Em Itália, e de acordo com a L ei 109/94 que estabelece as áreas de regulação, que ajudam a definir o processo de manutenção em serviço, no seu artig o 16º diz que “ o projecto ex ecutivo t ambém deve ser acompanhado de plano de m anutençã o adequado ao trabalho e das suas partes e deve ser desenhado em termos de forma, o conteúdo, o tempo, gradualmente estabeleci da por regulamento, nos termos do artigo 3 º”. A norma italiana UNI 10604 ( 1997) sobre m anutenção, critérios de projet o , gestão e controlo em serviço da manutenção de imóveis, considera que um plan o de m anutenção deve conter : (Rap oso, 2010) ▪ ” A combinação das melhores est ratégias a serem ap licadas; ▪ Os p r ocedimento s de i nspecção periódi ca e r es pectiva periodic idade, q ue deve s er adequad a à criticidade do func ionamento do e lemento ou componente e as consequênci as decorrentes de ocorrência da falha; ▪ O cronograma das interve nções e das inspec ções; ▪ A relação dos m étodos utilizados nas inter vençõ es d e manutenção e das inspeç ões com o plano de seguranç a e saúde; ▪ Os operadores afe t os à ex ecução dos diverso s tipos de trabalho; ▪ Os critérios de m edição e controlo das actividad es; ▪ As relações entre as estimativa s dos custos d e manutenção e o custo total de manutenção”. De salientar que, existe u m vasto conjunto de legislaç ão para a manutenção de edifícios que engloba também a fase de projet o, das quais se destacam: a UNI 10224 (20 07) – “ Man utenção. P rincípios Capítulo 2 32 básicos de funcionamento da manutenção” , a norma UNI 10366 (2007) – “ Manutenção. Critérios de projeto da manutenção” , a norma UNI 10584 (1997) – “ Manutenção . Manutenção do s istema de informação” e a norma U NI 10749-1 (até parte 6) (2003) – “ M anutenção. Guia para a gest ão dos materiais para a m anutenção - Aspetos gerais e as questões or ganizac ionais” . Englobando um o utro conjunto de legislação, no sentido da gestão de co ntratos de manutenção, tem-se o ex empl o, da norma UNI 1068 5 (2007) – “ Manutenção. C ritérios par a a formulação de u m cont rato” . No Brasil tem-se desenvolvido um trabalh o consid eráve l na re gulamentaçã o da manutenção de edifícios. Entre o utras normas entende-se destacar as normas, da ABNT NBR 15575 (2013) d e desempenho, NBR 5674 ( 2011) sobre m anuten ção e a NBR 1403 7 (1998 ) (em re visão) s obre o manual de operação, us o e manutenção. A norma NBR 155 75 (2013) est ab elece o s requisitos mínimos de desempenh o , vida útil e de garantia para o s s istemas que compõe m as edificações. A norma NBR 5 674 (2011) estabelece os re quisit os para a gestão d o siste ma de m anutenção de edificações. E a norma NBR 14037 (1998) estabelece as diretrizes para elab o ração de manuais de uso, operação e m anutenção das edificações. Na norma NBR 5674 (201 1 ) é definido o progra ma de manutenção que c onsiste na “ determina ção das atividades essenciais de m anutenção , sua periodicidad e, r esponsáveis pela execução, documentos de referência, referências normativas, e recu rsos nec essário s, todos referidos individu almente aos sistemas, e quando aplicá vel aos elementos, compo nentes e equipamentos”. A sistematização d o programa (plan o) deve conter na sua estrutura : ▪ “Designaçã o do sistema, q uando apl icável aos elementos e compo nentes; ▪ Descrição da ati vidade; ▪ Periodicidade e m função de cada sistema, qu ando aplicá vel aos elementos e componentes, obs ervadas as prescrições do projeto ou as especificações técn icas; ▪ Identificação do s responsáveis; ▪ Documentação r eferencial e for mas de comprovação ; ▪ Modo de verifica ção do si stema; ▪ Custo”. Sempre que a em presa de construção tem i mplement ado um siste m a de ges tão da qualidade, ela é obrigada a entregar ao proprietário um m anua l do usuário (NBR 14037, 1998) constando procedimentos de m anutenção. M as o proprietário pode não implementar ess es procedimentos. Em Portugal sucede o me sm o relativa mente ao definid o no RGEU sobre a n ecessid ade de obras de conservação em cada oito anos. Co ntudo, no Brasil com a entrada em v igor da norm a NBR 15575 (2013), esta situação v ai ser alterada, pois exige aos projetistas/c onstrutores que os indicadores assumidos no projeto ocorram, efetivamente, na fase de u so e operação da edificação. Esta norma obriga a que a manut enção de v a atender às exigênci as do m anual do usuári o . Ou seja, com esta norma, o usuári o passa a ter re sponsabi lidade mais específica sobre a m anuten ção. Ele precisará de realizar a manutenção (pr incipalmente preventiva) e documentar esta realização. Caso contrário, perderá as garan tias. Também tem sid o desen volv ido um trabalho considerável sobre a nec essidade de dotar o auto r de projeto de instrument os que lhe permita m incluir a manutenção desde as fases preliminare s do projeto. A necessidade da existência de um projeto de m anutenção já na fase de projeto, que acompanhe todas as fases (anteprojet o, projet o le gal e pr ojeto exe cutiv o), é defendida por Sanches e Fabricio (2008), em que e ste conceito deve entender-se com o “ uma série de po sturas a serem tomadas em diferentes et apas do empr eendimento”. Posteriorme nte, é s obre as várias decisões tomadas durante A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de a poio à decisão 33 a fase de projeto que se vão definir os documentos e manuais para a fase de uso de um empreendimento. ( Fig. 2.4 ) De acordo com as várias etapas de projeto indicadas pela NBR 13532 (1995) , cada um a deve ser conduzida te ndo em consid eração fatores de manut enibilidad e (este conceito é equivalente ao de manutibilidade na norma portugu esa NP EN 13306 ( 2007) e repres enta a aptid ão ou facilidade e m executar procedi m entos de man utenção). PROJETO CONSTRUÇÃO UTILIZAÇÃO ( CONJUNTO DE POSTURA S TOMA DAS QUE CONTRIB UAM PAR A O AUMENT O DO GR AU DE ( DEFINIÇÃO D E PROGR AMAS , PROCEDIMENTOS E MANUTENIBI LIDADE , FORNECE NDO DIR ETRI ZES E SUBSIDI OS PARA A PROXIMA ETAPA ) P ERIODICI DADE DE SERVI ÇOS DE MANUT ENÇÃO , VISTORI AS , REPAROS E SUBSTITUIÇÕ ES ) Fig. 2.4 - Proj eto e Man utenç ão (con sideração de fato res d e manu tenção n a fase de projeto p ara forn ecer subsídi os par a o Pro jeto da Manu tenção). Adapta do de Sanches e Fabricio (20 08). Do pr ojeto de m anutenção deve constar, entre o utr o s, “ d efinições de pr ogramas de manutenção, procedimentos, periodicid ade de serviços, reparos e s ubstituições ”. O grau de manutenibilidade (facilidade) deve ser incluído durante a tomada de decisões nas etapas iniciais de um empreendimento , tornando todo o processo mais eficiente e econ ó mico. (Sanches, Fabrici o, 2008) Na ve rdade é no “ decorre r de cada etapa de projeto e execução de um empreendimento, que s e deve qualific ar a d ocumentação técnic a produz ida d e maneira que essa p ossa es clarecer questões relacionada s às etapas de operação, uso e manut enção e ser em sistematiz adas em forma de manuais ”. (NBR 1403 7, 1998) Ainda segund a a mesma norma “ o manual de operação, uso e manutenção das edificações tem por finalid ade inform ar os usuá r ios das características da edificaçã o, detalhar procedimentos recomendados para otimização do uso da edi ficação e contribuir para o aumento do ciclo de vida do edifíci o“. De referir a importância de incluir responsabi lidades em t odos os inter venientes no process o de construção e também no próprio utente e proprietário. Quando todos os interveni entes entenderem que só dest a forma é po ssível garantir o bem comum e a sustentabilidade do s e difícios para as gerações seguintes, com a perceção de que todos t êm um papel a desempenhar e uma responsabilidade em garan tir a manutençã o desse me smo bem, então es tar-se-á no bom caminh o. Na norm a ISO 15686-1 (2 011) é referid o ta m bém, a im portância da existência de um P lano d e manutenção, que permita planear a v ida útil de um e difício. São realçadas as ações de m anutençã o que podem de forma razoável ser antecipadas, e que de vem ser tidas em co nta no planeam ento da vida útil de um edi fício dev em incluir: ANTEPROJET O PROJETO LEGAL PROJETO EXECUTIVO OBRA OPERAÇÃO E USO PROJETO PAR A MANUT ENÇ ÃO PROJETO DA M ANUT ENÇÃO DECISÕES PROJETO DECISÕES DECISÕES VALIDAÇÃO VALIDAÇÃO VALIDAÇÃO DOCUMENTO S E MANUAIS AS BUILT RETROALIMENTAÇ ÃO Capítulo 2 34 ▪ Substituição d os revestim entos interiores ; ▪ Substituição e reparação do revestiment o de cobert uras e telhados; ▪ Substituições e al t erações de redes eléctrica s , de seg urança contra incêndi o, entre outras; ▪ Re paraçõ e s e alteraç ões das redes de drenagem ( estas são relativament e raras e ocorrem normalmente segu indo amp liações ou mudança de uso); ▪ Remoção parcial ou sub stituição de elemen t os co m funções de suport e de carga (normalmente durant e ref ormas ou alteraçõ es de us o). Pode concluir-s e do i menso trabalh o de regulação e regulamentaçã o da manutenção, qu e já existe noutros países, mas qu e e m Po rtugal, ainda muito falta fazer sobretud o na im po rtância que a sua implementação teria c omo mecanismo ess encial p ara a regulaçã o e r e gulament ação e na definiçã o de todos os inter v enientes d este domínio. Decorrente de diversas leitu ras e de acordo, com o defendido por Calejo (2004) sobre a inf o rmação que deve estar inserida num Plano de Manutençã o pode referir-se que deve con star: ▪ “Enumerar e defini r as intervenções que em cada u m dos p r ocessos de manut e nção deve ser feita e , igu almente, as respectiva s periodicidade, modos de actuação, pr iorida des e duração (se pos sível) de int ervenção e a lista de ocorrênc ias de correcção e reparação; ▪ Identificar as anomalia s r elevantes, causas e origens possíveis e mecan ismos de degradação ; ▪ Sistematizar as informaç ões obtidas nos pontos anteriores, estabelecer uma estratégia de manutenção qu e pode passa r por três opções (prio r idades de intervenção) : Não manter - opção radical, quando se entende que as mais valia s da intervenção não são superiores ao s custos (eco nómicos e não só de um a intervenção); Agir de imediato - é a deci são a tomar quando se r econhece a existência da patologia e se entende que a m esma interfere co m o desempenho operaciona l do edifício; Agir de forma programad a - é a escolha que se ve rifica quando a anomalia ide ntificada não tem efeit os na qualidade do edifício, no imediat o; é feita uma programaçã o d e quando inter vir, provavel mente e também para resolver outras situações s em elhantes. Trata-se de uma optimizaç ão de recursos ; ▪ O cronograma das inte r venções du rante a vida útil (actualizad o de acordo com a informação de retorno) ”. Para além desta s informações, deve aind a ser possív el obter os seguin tes dados: (Calejo, 2004) ▪ " Necessidades económicas; ▪ Necessidades e m meios huma nos; ▪ Tempos de inop eração/oc upação de espaç os ". Relativamente à inf o rmaçã o sobre a periodicidade convém referir qu e a mesma depende d e vári os fatores, podendo s er determinada de forma heurísti ca, através de outras experiências semelhant es e de dados já ex istentes e falando com especialistas de forma a determinar os vários ciclos dos períodos de tempo. E também de forma det e rminíst ica atra vés d e u m a si mulação probabilística de ocorrências de modo a obter os mesmos ciclos dos p eríodo s de t empo (assumind o o fator incerteza). Dos v ários fatores que podem influenciar a determinação dos ciclos de períodos de t emp o destacam- se: o tipo de utilização (fu nção habitacional o u não habitacional), a tax a de u tiliz ação (número de utentes, variações e ciclos de permanência), e stado de c onservação do edifício e o tipo de anomalias existentes (para edifíci o s e m fase de serviço), en t re outros. A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de a poio à decisão 35 Por úl timo, deve referir-s e que o Plan o d e m anutenç ão é um do c umento dinâmico e deve, sempre que surgem alterações às condições prev istas e de acordo com as necessidades daí deco rrentes, ser atualizado. 2.2.5.1 Process os e procedi mentos de manutençã o As várias estratégias de manutenção que podem ser implementadas nece ssitam, na prática, de ser suportadas por vários proc essos ou operaçõ es de ma nutenção e respeti vos procedi mentos e ações. Os principiais processos de manutenção foram denominados “big six” por Calejo (2004) e são: Inspeção , Pró-ação , Li mpeza , Correção , Substituição e C ondições de uti lização . Para cada um destes processos existe u m conju nto de procedimento s e, para cada u m destes, um con junto de ações. Relativamente ao proces so de Inspeção , e ste tem como objetivo “ col her indicad ores do comportamento dum edifício, que potenciem uma atuação antes da manifestação” (Calejo, 2004), o u seja, pretende identificar fenómenos de pré-pat ologia, embora uma estratégia não planeada também necessi te , n ormalmente de uma inspeção prévia. Têm muitas v ezes “associados mecanismos de m onito rização do comportamento que podem funcionar como m eios auxiliares de apoio ao di agnóstico”. (Calejo, 2 004) A implementaçã o deste proce sso depend e de alg uns procediment o s, como, a inspeção visual , métrica e laboratorial , e cada um deles tem um co nju nto de ações necessárias em função d o estado em que se apresen t a o edifício. De acordo com a norma B S 8210 (1986) as inspeçõe s devem ser realizadas segu indo os seguintes parâmetros: ▪ “Verificar a nec essidade d e e xecutar algu m tipo de in tervenção; ▪ Verificar se algu m processo de manu tenção está a s er correctamente executado ; ▪ Verificar razões de segurança relacionad as com requisitos regulamentares e recomendações de outras organ izações relevan tes”. Mais rece nte m ente, a norm a brasileira NBR 5 674 (2011) refere que as inspeções devem ser realizadas por meio de mo delos e laborados e ordenados de forma a facilitar os registos e considerand o: ▪ “ Um roteiro de inspec ções dos sistemas, subsistema s, e lementos, equipamentos e componentes da edifica ção ; ▪ As for mas de manifestação esper adas da degradaç ão na tural dos s istemas, subsistemas, elementos e equipamentos ou component es da edificação associadas à sua vid a útil, conforme indicaç ões do manual e que r esulte m em r isco à s aúde e segur ança dos usuários; ▪ As solicitações e reclamações dos usuá r ios ou p roprietários”. Os respetivos relat ó rios da s inspeções devem : ▪“Descrever a deg radação de cada sistema, subsistema, elemen to ou compon ente e equipamento da edif icação; ▪ Apontar sempre que possível, es timar a pe rda do seu desempenho; ▪ Recomendar ações para minimiza r os serviços de manutenção correctiva; ▪ Conter o prognó stico de ocorrências ” . Capítulo 2 36 Efetivamente, o processo de inspeção é funda mental na avaliaçã o do des e mpenho dos vários elementos do edifício e também permite verificar s e os restantes processos de m anutenção estão a ser corretamente realizados. Como forma auxiliar dev e ser do conhecimento o co nceito de taxa de falha – T F , ou seja, “o valor em percentagem associado à pr obabilid ade de deter mina do siste ma manifesta r uma falha num dado intervalo de tempo.” Es t e co nceito, é acima de tudo, aplicado na manute n ção in dustrial, m as pod e ser útil na prev isão de ne cessidades de manutenção e, em c oncreto, na inspeção. Segundo Cale jo (2001) “ admitindo por exemplo um intervalo de tempo anual, a taxa de falha seria a percentage m de ocorrências q ue de terminado EFM manife staria ne sse in tervalo de te mpo rela t iva mente ao total d e ocorrências”. A ta xa de falh a assume ao long o do tempo a for ma duma “cur v a em ban heira”. ( Fig. 2.5. ) 1 TF 0 T EMPO A B C Fig. 2.5 - Cur va de den sidade da taxa d e falha – TF. Na Fig.2.5 pode ver-se que a forma de curva “em b anheira” apresenta três p e ríodos distintos que podem indicar diferentes caracterís ticas de comporta mento do edifíci o ao longo do tempo: (Calejo, 2001) ▪ Juventud e do elemento - A : “ em que é evidente um decréscimo da den sidade de ocorrência ao longo do tempo” , e isto sucede nos primeir os ano s, logo após a conclusão do edifício”; ▪ Des empenh o corrente – B : “ durante o qual é expectável uma densidade de ocorrência constante” , ist o em situaçõ es normais de des empenho”; ▪ Fim de vida útil – C : “que se caracteriza por um crescimento expon encial da densidades de ocorrência” , e que corresponde a o período final do ciclo de vida d o edifício”. Paralelamente, Flores (2002) defende que é na fase de projeto que deve ser co nsidera do o planeamento das inspeçõe s (e dos restante s processos). Generica m ente, p odem respeitar-s e como linhas gerais tr ês períodos principais: ▪ Período inicial : “Realizar uma inspecção nos primeiros anos logo após a construção (entre 2 a 5 anos) pa ra avaliar o s eu comportamento expectável ”; ▪ Período intermédio: “ Realiz ar inspecções periódicas após as inter vençõ es (1 a 2 anos) de modo a avaliar o comportamento esperado dos com ponentes e materiais. (para os que são possíveis de de t erminar) ”; ▪ Período final : “ Realizar uma inspecção já próximo do final de cada ciclo de vida útil (2 a 5 anos do fim ) de modo a avaliar a tendência dos componentes e materiais para atingir o nível mínimo de qu alidade e a proxi midade com o seu estado limite de utilizaç ão ”. A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de a poio à decisão 37 Mesmo não send o de gen eralizar o s período s de tempo, p orque depende m das condições e est ad o do edifício, podem fornecer informaçã o adiciona l so bre a necessidade de se acautelar os procedimentos e ações ne s tes três períodos de tempo e, também, em relaçã o à possibilidad e de ocorrência de falhas. Voltando a referir a alteração d o atual RGEU, o RGE divide a inspeção em três tipos: c orren tes, técnicas e e speciais . A inspeção c orrente caracteriza -se “ pela s imples avaliaç ão do desempenho do edifício, no sentido de identificar sinais de pré-patologia”. Baseia-se essencialmente numa “ análise visual do edifício sustentada com possíveis sondagen s ou medições básicas”. Po de ser, ou não, realizada pelo própri o utente. A in speção técni ca carac t eriza-se pela ” verificaç ão d o desempenho do es tado d e func ionamento de equipamentos e instalaçõe s, tal como elevadores, sistemas de bombag em, sistemas de ventilaçã o mecânica, redes de aba stecimento de água , energia eléctrica, água e de drenagem de água s residuais, entre out r os“. Só deve ser realizada p or técnicos especializ ados. A inspeção especial caracteriza-se por “ apoiar e complementar as inspecções correntes para a conclusã o de uma an álise mais detalhada e aprofundar um diag nóstico d o elemento fonte de manutenção”. Só d eve ser realiz ada por técnicos especializad os. Relativamente ao processo de Pró-ação , este te m c omo objeti v o obter indicadores do funcionamento dos diversos elementos e garantir o seu correto desempenh o . Tam bém se podem incluir ações de insp eç ão e limpeza nes te processo. A implementação deste processo depende de alguns proc ediment os como a garantia do desempenh o durante a vida útil , ajuste fun cional e pró utilização . Este processo pode ser par ticularmente important e, perante o s fenómenos de pré-patologia, porque pode contribuir para prev enir o aparecimento de anomalias, ou o desenvolvimento de outras m ais graves, que i mpliquem uma sub stituição antecipa da do element o ou component e . Muitos dos componentes do s v ários e lementos que constituem um edifício n ecessitam de ajustes funcionais que garantam o se u desempenh o funci onal. Segundo Calejo (2001 ), a “ identificação de desadaptaçõ es funcion ais r evela-se como uma tarefa fundamental na prevenção de futuras patologia s pois uma das causas de degradaçã o e , como tal, fonte de custos, é jus t amente a utilização inadequa da de edifíc ios”. Não é um obje tivo da p ró-ação evitar o ap arecimento de fenómenos patológicos, mas conseguir ga rantir o seu corr eto desempenho. Por o utro lado, convé m ressalvar que, quando um determinado procediment o constituir uma o pção adicional a executar para um determinada solução construti va, e se não tiver sido realizada na fase de construção, pode ser necessário, posteri ormente, duran te a fase de serviço, executá-la. Neste caso, sendo u ma opçã o adi cional, deve ser conside ra da uma in tervenção de manutenção. Se o procedimento for no senti do de melhorar o dese mpenho e não constituir uma opção base adici onal, deve considerar-se u m a intervenção d e reabilitaçã o . No caso do procedimento de pró-utilização, este pretende corrigir deficientes utilizações que ocorram na fase de se rviço. Neste caso, será m ais fácil perceber com um exemplo, podendo referir- se a aplicação de tint as mais adequadas num lambrim que se encontr a permanen t emente sujo. Relativamente ao processo d e Lim peza , este tem como objetivo obter uma melhoria de desempenho técnico igual ao inicial mente prev isto e garantir a limpeza. Es te processo é, em geral, considerado de Capítulo 2 44 Os valores sugeridos de VUP para o s sistemas, elementos e componente s são atribuídos após a obtenção dos níveis das três categorias, o q ue posteriormen te p ermite consultar o Quadro 2.4 , e a partir da com binaçã o de v alores consegue-se definir em função da VUP da estrutura, que por defeito se considera de 50 anos para edifícios habitacionais (de acordo com a norma brasileira), uma percentagem que define o valor para a VU P dos vári o s sistemas, elementos e co mponentes. Esta norma justifica o valor de 50 anos de v ida útil, baseando-se “na entidade europeia Eur opean Organization for Technical Approvals (CIB Report Publication 294, 2004) que est abelece classes de VUP para edifica ções, consid erando para a VU P normal o período de 50 anos”. (NBR 15575, 2 013) Estimar a vida útil de um edifício é na ve rdade u m processo alg o complexo e , nesse se ntid o, têm surgido várias metodolo gias, desenvolvidas m ais re centemente, nomeadamente o s métodos determinísticos ou fatoriai s (basead os em v alores d eterminísticos e na v ida útil de referência), os probabilísticos (bas e ados e m dados estatísticos e probabilid ades), entre outros. Por ess e m otivo, considerou-se i m portante abordar de fo rma r esum ida nos subcapítulos seguintes, alguns aspetos consid erados importantes e presentes na no rma ISO 15686 e um dos métodos de determinaçã o da vida útil, corrente m ente utilizado - o Metódo fatorial. 2.2.7.1 Norma ISO 15686 A atualidade do conteúdo desta norma resi de na necessidade de prever e controlar os custos dos edifícios ao longo da sua vi da útil garantindo o seu comportament o em serviço. A primeira parte da ISO 15686 fo rnece uma metodol ogia para previsão da vida útil e estima o tempo de m anutenção necessário e de substitui ç ão de componentes. A ISO 1 568 6-1 (2 011) define o s princípios gerais, a ISO 15686-2 (2001) refere a previsão da v ida útil e respetiv o s ensaios, a ISO 15686-3 ( 2002) aborda a aud itoria à durabilid ade, a ISO 15686-5 (20 08) refere a manutenç ão planeada e reativa e o custo do ciclo de vida (LCC), a ISO 15686-6 (2004) o proce dim ento do impacto ambiental, a ISO 15686-8 (2004) a vida útil de referência e a ISO 15686-10 (2010) o des empenho funcional. Esta norma corrobora a im portância que as decisões tomad as na fase de projeto vêm a desempenhar posteriormente, durante a vida útil. O projet o de um edifício tem de dar resp osta a um conjunt o vasto de condicionantes e exigências de desempenho funcional. Entre as várias co ndicionantes, as partes da presente norma refo rçam aspetos como: as co ndições am bientai s; o p rojeto e a qualidade das suas especificaç õ es; o tipo de materi ais escolhidos ; o nível de qualidad e de execução; as a ções de manutenção e o próprio uso, entre o utros. No quadr o seguin te ( Qua dro 2.8 ), apresentam-se o s val o res míni m os de tempo de vida útil de projeto- VUP para o s componentes do edifício a consi derar na fa se de pr ojeto: A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de a poio à decisão 45 Quadr o 2.8 - Valores mín imos de tempo d e Vida ú til de pro jeto p ara os compo nente s do edifício – DLC (nor ma ISO 15686-1, 20 11). V IDA ÚTIL DE PROJETO C OMPONENTE S ESTRUTURAIS INACESSÍVEIS C OMPONENTE S DE SUBSTITUIÇÃO ONEROSA OU DI FÍCIL C OMPONENTE S FACILMENTE SUBSTITUÍVEIS I NSTALAÇÕES E TRABALHOS EXTERIORES Ilimitado Ilimitado 100 40 25 150 150 100 40 25 100 100 100 40 25 60 60 60 40 25 25 25 25 25 25 15 15 15 15 15 10 10 10 10 10 Como a duração da vida útil de um edifício é calculada de forma probabilística, o objeti vo é co nsegu ir determinar, com base num prognóstic o, um modo fiável usando os dados disponíve is, de modo a obter a combinaçã o m ais vantajosa dos custos iniciais, de manutenção e de exploração ao lo ngo da vida útil do edifíci o. A norma refere a v antage m de plan ear a vida útil d urante a fase de proje to. Este critério de v e ser incluído uma vez que a escolha dos element os e dos seus produtos e componentes deve t er em conta os pressupostos que devem ser garantidos dur ante a vida útil de acordo com as n e cessidades dos ute ntes e as necessidades de m anutenção. De seguida, repro duzem-se as várias etapas a considerar durant e o projeto di vididas em cinco fa ses: Na 1 ª fase - Programa base dev em ser discutidas entre o dono de obra e o proj ectista determinadas condições decisiva s em todo o processo projectual , pelo que deve ser estabelecid o o seguinte: ▪ “ A vida de projec to do edifí cio e o desempenho fu ncional requerido de todas as suas partes ao longo desse pe ríodo de t e mpo; ▪ Cr itério s mensuráveis de desempenho funcio nal, incluindo uma definição dos níveis não aceitáveis desse de s empenho que implicarão a subs tituição d o item em causa; ▪ Quais as partes do edifício que devem ser r epa ráveis, susceptíveis de manutenção ou substituíveis ao lon go da vi da de projecto do edifício”. Na 2ª fase - Estudo Prévio , as escolhas de pr ojeto dev em verificar: ▪ “Se a vida de projecto po de ser alcançada no âmbito dos cond icionamentos do projeto disponibil idades orçamentais, prazo de execução, exigências de desempenho, manutenção e caracte r ísticas especifica s do local) ; ▪ Se o projecto satisfaz as exigências de desempenho definidas pelo cliente, na fase de programa (por exemplo , para compon entes não subs t ituíveis); ▪ Se foi tido em consideração que acções de substituição, manutenção ou melhoria não deverão causar interrupções desnecessá r ias na utilização do edifício (e lemento s inacessíveis ou dificilmente acessíveis devem ter uma vida útil pelo menos igu al é do edifício)”. Na 3ª fase - P rojeto , a seleção dos produt os a aplica r num e difíci o é de finida com m aior rig or nesta fase pelo que o cum pri mento do desempenho re qu erido deverá ser verificad o. Para uma correcta verificação deve s e r tido em conta que o desempenh o depende: ▪ “Das cond ições ambientai s; ▪ Do projecto e da qua lidade das suas especificações; ▪ Do tipo de mate riais escol hidos; Capítulo 2 46 ▪ Do nível de qualida de da execuç ão; ▪ Das acções de man utençã o levadas a cabo; ▪ Do uso”. Na 4ª fase - Est imativa da vida útil , deve ser v erificado se as esc o lhas efetuadas na fase anterior salvaguardam a v ida de pro jeto definida nas 1ª e 2ª fases. Se a vida útil estimada for igual o u superior à v ida de projecto definida e se o custo do ciclo de v ida da edificação f or aceitável poderá passar- se para a 5ª fase. Na 5ª fase - Preparação de d ocumentação , o cu mprimento total da integração do plan eamento da vida útil nas diferentes fases de projeto traduz-se pela preparação de toda a doc umentaçã o de projeto necessária para a execução da obra. O objetivo da estimativa da vida útil de um edifício é verificar se o edifí cio exced e a vida de projeto, com alg uma fiabilidade. Para isso a estimati va deverá: ▪ “ Reduzir as incert ezas; ▪ Procurar utilizar dados dis poníveis de qualid ade reconhecid a; ▪ Ter em conta a variabilidade; ▪ Ser usado para s ervir de orientação e não de pre scrição”. Numa perspetiva pess o al, existem algumas co nsidera çõ es a tecer. O planea mento das várias fases de projeto e os pres supostos a garantir perm ite m auxili ar o autor de projeto a incluir as questões de manutenção durante o processo de conceção. Mas, de acordo com o Quadro 2.8 , os v alores míni m os de tempo de v ida útil de projeto para os componentes d o edifício, se consider armos a vida útil d e projeto de 60 anos, tem de t er uma vida útil para os de mais difícil substituição de 60 anos o u de 40 para os restantes. As instalações ficam nos 25 anos. Co mo s e pode verificar, p ara um edifício com uma vida útil de projeto de 60 anos, garantir que t odos os component es facilment e substituíveis tenham vidas úteis de projeto de 40 anos não s erá fácil (po r ex emplo um revesti m ento com tinta necessitará de se r subs tituíd o e repintado antes d os 40 anos). Este planeamento, apes ar de tudo, permite perceber a im portância de incluir as questõ es de m anutenção nas fases preliminares de projeto. 2.2.7.2 M ETÓDO FATORIAL A norma ISO 15686-1 (2000) refere a imp o rtância em se conseguir deter minar uma estimativa da vida útil para o s principais componen tes do e difício. Com a revisã o da n orma em 2011, mantém-se esta n e cessidade, que é suportada por um método fatorial baseado numa vida útil de refe rência - VUR , que é corrigida e ajustada por fatores d eterminísticos. A desc rição do m étodo é realizada na norma ISO 1 5686-8 (2004). A obtenção da vida útil estimada – VUE é realizada at ravés da seguin te expressão: Vida útil estimad a ( VUE ) = vida útil de referên cia ( VUR) x A x B x C x D x E x F x G Estimated ser vice life ( ESL) = RSL x facto r A x facto r B x factor C x facto r D x facto r E x facto r F x factor G Os fatores (modificadores) de A a G re presentam, respetivamente: A - qualidade do material ou componente; B - nível de qualidad e do proje to; C - nível de qualidade da execuçã o; D - caracterís ticas do am biente interior; E - características do ambiente exte rior ; F - características do uso; G - nível de manutenção. O primeiro valor a deter m inar é a v ida útil de referência - VUR . E, neste sentido, a norma sugere que a obtenção dest e valor deve verificar-se de acord o com: ( Fig. 2.6 ) A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de a poio à decisão 47 Fig. 2.6 - Pro cesso de pro visã o de da dos VUR (norma ISO 1 5686-8, 2004). De modo a deter m inar a provisã o dos dados de ve recorrer-se a: ▪ “ Fabrican tes de produtos de construção; ▪ Ensaios e Teste s; ▪ Organizaçõ es de aprovaç ão técnica (documentos de homologação, entre outros); ▪ Detentores de bases de d ados; ▪ Outros fo rnecedores de da dos”. Na ve rdade e log o à partida, a determinaçã o da VUR baseia-se numa considerável incerteza, uma vez que depende da “qualidade” e veracidade das bases de dados recolhidas para o efe ito. Contudo, se os resultados se baseare m, essencialmente, em ensaios e testes, ou por meio de simulaçã o dos agentes de degradaçã o , os dados serã o m ais pr ecisos. D e a cordo c o m a norma ISO 15686 (2000) a atribuição de valores aos vários fatores situa-se entre 0,8 e 1,2. Para além desta classificação final são definid os parâmetros para cada um destes fatores de modo chegar-se ao valor final. Os valores finais representam um d e svio em relação às condições de ref erência (vida útil de referê ncia) apresentando-se sempre próximo do valo r 1,0 (unidade). Daqui se pode concluir que, se o valor for inferior à unidad e, implica a redução da vida útil, se o resultado final for superior à unidad e, significa um aumento da vida útil do co mponente. Contudo, independ entemente do método utilizad o para chegar a uma pre visão da v ida útil, deve qualquer avaliação dos as petos a consid erar ter em conta o s agent es de degra dação, os efeit os da intensidade e da variação da ação desses agentes e a sobreposição dos ef eitos da ação de vários deles. (ISO 156 86-1, 2000) Relativamente aos fatores, to dos têm a mesma importância (peso) na obtenção da classificação final, o que lev anta o utras questões. Centrando em dois destes fatores, o B - níve l de qualidade do projeto e o G - nível de m anut enção, e no contexto português a co ndiçã o para obtenção do valor máx imo de Provisão de dado s VUR Obten ção de dados a p artir de fonte s Dados de acesso VUR base d e dados Aceitáv e l Formatação de dados Dados gerai s (não f ormatado como dados VUR) não sim Capítulo 2 48 1,2 é de que para o fator A o projeto t em de e star de “ acordo com D.L. 555/99 e Port aria 1110/2001 incluind o no P rojecto de execução os desenhos à escala adequada ao trabalho a e xecutar em obra, a definição de todos os produtos a aplicar, bem como caderno de encargos e respectivas especifica ções técnicas ” e para o caso do fator G , que pr etende avalia r a necessidade de manutenção e a facilidade de reparação, é a tribuído o valor m áxi mo “ s e necess itar de manutenç ão normal ou só de lavage m periódica (com intervalos superiores a 10 anos) e se a reparação é fácil e pode ser realizada com os produtos cor rentes no mercado ”. Nesta situação haverá um aumento da VUR (se tod o s os outros fatores forem superi o res a 0,8). Relativamente a e stes d ois fatores nã o há alteraçã o da VUR, se a c lassifi cação for de 1 (e ta mbém para todos os outros fator e s 1) e nesse sentido, para o fator B se o projeto estiver “ de acordo com D.L. 555/99 e Portaria 1110/2001 incluindo no Projecto de Execução memória descritiva com descrição sistemática das pr incipai s soluções construtivas adoptadas ” e para o fator G se “necessitar de manutenção frequente (intervalos entre 3 a 10 an os) e se a reparação é fácil e pode ser r ealizada com produtos co rrentes no mercado e sem neces sitar d e intervenção além da zo na a reparar”. Por últi mo, de referir que, independentemente do metódo utilizado, de acor do com a norma ISO 15686-1 (200 0 ) a vida útil é “ o pe ríodo de tempo depois da a instalação, durante o qual um edifício ou a p arte de um edifício at inge ou excede o seu dese mpenho, que lhes é exigido” . Enquanto que e m 2000 é dada particular at enção ao m etódo fatorial, na revisão da norma em 2011 não existe u m a cláusula efe tiva so bre este mé tod o, refe rind o na parte 8 somente que “ esta fornece orientações sobre a disposição, selecção e form atação de dados de r eferência, e que, através do método em questão, a aplicação destes mesmo s dados será necessária para o cálculo de vida útil est imada ”. Entretanto o CSTB em parceria com o P olitecni co di M ilano desenvolveu uma base de dados com os valores da VUR, de m odo a disponibilizar a to dos os intervenientes que pretendam utilizar e ste método uma forma coerente e que perm ita m inimizar alguma subjetividade associada à e scolha dos valores dos fatores. Em 2 011, também a FEUP re aliza um trabalho semelhante co m o mesmo objetivo. Numa perspetiva pessoal deve referir-se que os parâmetros de avaliação pod e m ser para m uitos componentes e produtos algo vagos e im precisos , não só porque m uitos deles são recentes no mercado, não perm itindo reunir os dados necessári os para definir a VUR e muito menos saber no caso da m anutenção, dur abilidade e condições de uso o seu desempenh o, mas também porque basta que todos tenham classificam 1, com exceção de um deles, para que haja sempre um a redução (0,8) ou au mento (1,2) da v ida útil e stimada. Também, as co ndições ao nível de pro jet o e de manutenção para obte nção das classifi cações finais têm os mesmos problemas. O utra das debilidades deste m étodo é o facto de e ste não ser sensível à incerteza associada à variabilidade dos fenómenos que podem ocorrer n o processo de degr adação e também alguns dos fatores co mo o fator E - caracterís ticas do ambiente exterior, englob a agentes di versos e cuja influência (ação do vento, temperatura, entre outros) é bastante v ariável e het erogénea. Existem outros métodos qu e se ajustam igualmen te na determinação da vida útil do s componentes e produtos, nomeada me nte o Metódo “ Methode d’E valuation de scenarios de D egrada tion probables d’Investissement s Co rrespond ants” - M EDIC , o Me tódo Monte Carlo (modelo de simulaçã o ), o Metódo ALANI e métodos d e prioridade . (Calej o , 2001) A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de a poio à decisão 49 2.2.8 A GENTES DE DEGRADAÇÃO Efetivamente e como já foi referido, um edifício “ não dura para sempre”, em parte porque está sujeito a agentes de degradação que vão provocar uma degradaçã o gradual ao longo da sua vida útil (e em particular no s eleme ntos e nos seus comp o nentes e materiais). A norma ISO 15686-1 (2011) define degradação como “ a alteração ao long o do tempo da composição, microestrutura e propriedades de um produto, material ou componente que r esulta numa r edução do seu desempenho”. E sta norma pro põe uma classificação para os agentes de degradação que afetam a vida útil dos elemen tos do edifício, de acordo co m a sua natureza. N o Quadro 2.9 resu m em-se os principais agentes de degrad ação e que são os segu intes: Quadr o 2.9 - Agente s de degr adação (norma ISO 15686 -1 (2 011), ada ptado da n orma ISO 6241). N ATUREZA C LASSE E XEMPLOS Gravitação Sobrecarga, ação da neve. Forças ou d eformaçõe s impo stas ou restringida s Formação, exp ansão e con tra ção de gelo, desliza mento e de slocament o de terras. Energia cin ética Impactos, te mpestad es de areia , choqu e pela ação contínu a da água . Agentes Mecân icos Vibrações e r uídos Abertura de tún eis, vibrações devidas a tráfego ou dome sticas. Radiação Raios solares, U V, rad iação ra dioativa. Eletricidad e Reações eletro lítica s, iluminaç ão. Agentes Eletromagné ticos Magnetismo Campos magn éticos. Agentes Térmico s Níveis extr emos ou alteraçõe s ráp idas de temperatura Calor, frio, geada, ch oque tér mico, fogo. Águas e solv entes Humidad e do ar, humida de do solo, precipitação , álcool. Agentes oxid antes Oxigénio, d esinfetante s. Agentes redu tores Sulfuretos, a moníaco. Ácidos Ácido carb ónico, excre mentos de pássaros. Bases Cimentos, h idróxido s, cal. Sais Nitrato s, fosfatos, cloreto s, ge sso. Agentes Químicos Químicos n eutros Calcário, gord ura, óleo, tin ta. Vegetação e microorga nismos Bactérias, bolores, fungo s, ra ízes. Agentes Biológicos Seres vivo s Roedore s, térmitas, la rvas, p ássaros. Capítulo 2 50 Na v erdade, o processo de perda de desempenho de um e difíci o desen volve-se durante a sua vida útil, send o que, para além destes agentes, é de considerar o utros fatores que podem contribuir para a degradação no meadame nte: (CIB W086, 1993) ▪ ”Defeitos a montante da utilização (er ros de promoção, es tudos e projetos e de construção); ▪ Erros de utilizaçã o; ▪ Agentes externo s (acção c limática, poluiç ão, entre ou tros); ▪ Agentes internos ( t empera tura, vapor de água ); ▪ Outras causas (a cidentais )”. No Quadro 2.1 0 seguinte resum e m-se estes pri ncipais fatores e agent e s: Quadr o 2.10 - Outro s fatores e agente s de degrada ção. F ATORES DE DEGR ADAÇÃO E XEMPLOS Erros d e con ceção e execuç ão Ações humana s (in)direta s Insuficiências n a conce ção e e xecução d o proj eto, inadequ ação n as escolhas (m ateriais, conh ecimento das questõe s ambientai s, etc. ), informação insuficiente. Erros d e utilização Ações humana s diretas Ausência ou inadequ ação d e manutenção , uso indevido, van dalismo, negligê ncia. Agentes exte rnos Ações indir etas Poluição atmosférica (pa rtícul as e poeira s emitidas por cha minés industriai s; gase s, sendo os mais important es o dióxido de carbo no (COz), o dióxid o d e enxofre (SOz), o ozo no (Or) e o monó xido d e carbono (CO13), o funcionament o de e quipa mentos (de construção, agrícolas, etc .), alt erações de n ível freático. Agentes inter nos Ambiente inte rior Variaçõe s da temperatu ra do ar, hu midade relativa do ar, temperatura radian te, ventilação. Desastres na turais Sismo, cheias, temp es ta des, trov oadas e desliz a mento de terr as. Outras c ausas (acidentais) Desas tres devidos a causas humanas imprevisíveis Incêndio, choq ue, explosão e inu ndações. Como se pode constatar, os agentes e outros fatores de degradação que contrib uem para a perda de desempenho de um edifício são em númer o considerável, sendo por isso necessário desenvolv er estudos e m odelos que perm itam p erceber com o se proc essa a p erda de d esempenho dos elementos, ou seja, o comporta mento em ser v iço do edifício. Um dos m odelos já foi e xemplificad o na Fig.2.5 , a “curva em banheira”, que admite a existência de uma probabili dade de falha, durante a vida útil do edifício, indica ndo fases do cicl o, em que há uma maior pr obabilidade de ocorrência de falha ou, dito de outra for ma, de ocorrência u m a manifestaçã o patológica ou anomalia. Na verda de, a ação do s agen te s de degr adaç ão int er essa na medida em que est es po ssam causar no s vári os element os do edifí cio uma ocorr ência de manif est açõe s pa tológic as que pr ovoquem a sua degr adaç ão. ( Quadr o 2.11 ) Em termos apropriados, uma manifestação patológic a é a expressão resultante de um mecanismo de degradação e a patol ogia é uma ciência for mada por um conjunto de teorias qu e serve para explicar o mecanis mo e a cau sa d a ocorrência d e deter m inada manifestação p atoló gica ou an omalia. A A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de a poio à decisão 51 patologia estuda as manifestações patológicas que podem vir a ocorrer em uma construção. Na verdade, uma manifestaçã o patológica ou anomalia surg e porque e xiste u m conjunto de exigências que não estão a ser cumprid as. Quadr o 2.11 - Ocorrência de man ifestaçõe s. O CORRÊNCIA DE M ANIFESTAÇÕE S Causas da oco rrência da degrad ação Efeitos da oco rrência da degrad ação Manifestação patológica Origem da ocorrência da degrad ação (agentes) Mecanismo s de ocorrência d egradação Causas da oco rrência Efeitos da oco rrência Anomalia Construtiva Funciona l Manifestação Lógica Origem da o corrência Mecanismo s de ocorrência P or último , par a o c o mporta m ent o em serviço de um edifício , o que inter essa é identificar as principiais ano malias qu e condu z am a manif es taç ões p at ológica s que induz am a um não cumprimen to de u m c omporta ment o devid o esper ad o. 2.2.9 E XIGÊNCIAS E REQUISITOS DOS EDIFÍCIOS O ser humano sempre sentiu nece ssidade de se proteg er do ambiente exterior. O instinto de sobrevivência foi-o dotand o da v ontade de estabelecer lim ites e fronteiras, não s ó pela necessidade primária de proteção, mas também de uma definição d e como garantir a sua permanência no t empo. (Fernandes Rocha, 2005) Para o ser humano o e spaço só existe se for quantificável, pois é complicado defin ir algo abstrato. Na verdade, cada so ciedade foi encontrand o u m sistema distinto de o rganizar o seu espaço, o u seja, o seu te rritóri o de acordo com o seu modo de v id a, a sua cultura e a sua est ruturaçã o s ocial, correspondendo acima de tudo a u m a necessidade relacionada co m questões de identidade e d e pertença a um lu gar. Simultaneament e a c onstrução t eve que a companh ar as exig ê ncias da evolução do te m po, qu e passaram também pela necessidade de conceção de nov as formas, que melhor respondiam às nova s solicitações. E essas solicitações surgem do facto , de que to do o construído possui característi cas que tem de satisfazer as necessid ades do ser hu mano que o utiliza – o utente, pois é essa a sua função primária. As exigências são isso mesmo, o objetivo em si. (Fernan des Rocha, 200 5) Concretamente o co nceit o de exigência e requisito tem sido utilizado com algumas imprecisões e incorreções, sendo m uitas v ezes referenciados de forma indiferenciável, para querer dizer a mesma coisa o u inve rtendo os seus papéis. P aralela m ente a estes conceitos é t ambé m re ferenciada a denominação “ d esempenho” ou “funcional “ para classificar quer o termo exigência quer o termo requisito. Deste modo , será re levante destacar, no contexto nacional e interna cional, o s principais conceitos e t ermin ologias asso ciadas a esta t emátic a e a sua e voluçã o. O resumo das ex igências referidas por aut ores refer enciados ao longo do texto e outros enc o ntra-se, tam bém, no ANEXO A 2 . 1 . Em Portugal, o conceito de exigência fun cional começa a ser divulgado no LNEC n o final da década de 60 por Gomes (1971) que publica uma memória do LNEC em que defin e quais as e xigências funcionais das habita ções e o seu m odo de satisfa ção. (Fernandes Rocha, 20 05) Capítulo 2 52 Segundo o autor, “ A habita ção tem de se adaptar a esta complexidade da vida, compensando – com apoio no equipamento comunitário circunvizinho – as insatisfações e o desenc anto do dia-a-dia; e parece cada vez mais evidente que e sta adaptação tem de ser dinâmica ajustando- se sucessivamente às novas ex igências dos habi tantes”. É efetivament e assumida a i mportância que a satisf ação dos utentes têm na conceção arqu itetónica e como fo rma de materializar essas intençõ es, ter-se-ia de dar resposta a um conjunt o de exigências funci onais. Estas se riam previstas de forma hierárquica de importância e a sua avaliação s eria qualitati va e não quantitativa, porque, segun do o a utor, no estado atual d os conhecimentos científicos e técnic os não se conseguiri am justificar d e outra forma. Acima de tudo, considera que são as e xigências hu manas que determina m as exigências funcionais, e que as me smas depende m, entre o utros factores, “ de usos e costumes, de estádios de evolução social, de condiç ões económicas, que não s ão uniformes e gerais ”, e também do P aís, da região e da época em que se inserem. Segundo o autor, e por sequência da sua importância relativa as exigências funci onais a considerar c o nsistiam em: ▪ Exigências de Seguran ça pretendem garantir a prote ção da vida dos ut entes; ▪ Exigências de Saúde v isam assegurar as condições primárias da vida fisiológica da habitação; ▪ Exigências de Conforto , estas complementa m as exigências primarias de saúde, desde que devidament e enquadr adas e ajustadas; ▪ Exigências de Sa tisfação correspondem a o usufruto d a habitação; ▪ Exigências de Econo mia relacio nadas com todas as anteriores, mas com implicações que as excedem. Percebe-se que, para o autor, a defin ição de exigência funcional decorr e de uma necessidade d e satisfação de um conjunto de exigências humanas concretas, de acordo com a sua importância no funcionamento da habitação e das atividades que poderão decorrer. Contudo, assume que o conjunto de exigências definidas poderão estar incompletas e que as mesmas serão discutíveis, mas na subdivisão e especificação das me smas não refere qualquer outra denominação, sendo atribuíd o somente o termo de exigência. Neste caso o autor considera que a exigência Saúde e Co nforto seriam complementares. O termo Conforto é denominado também como bem-estar, daí a associação por parte do autor. Consid era-se que não fará sentido consider ar como exigência a Satisfação, uma v ez que ca da uma é-o e m função de um mod o de satisfação exigi do pelos ut entes. Posteriormente o utros autores, c omo Correia Gomes (1992), definem també m as exigências funcionais para a fase de util ização do edifício e que c onsistiam e m: (Fernandes R o cha, 2005) ▪ Exigências de Segurança , estrutural, contra riscos de incêndi o, contra intrusões e contra riscos de utilizaçã o; ▪ Exigências de E stanquidade ; ▪ Exigências de Conforto higr otérmico, acústic o, térmico; ▪ Exigências de Ambiente s ocial , atmosféric o; ▪ Exigência de Hi giene ; ▪ Exigência de Durab ilidad e ; ▪ Exigência de Cus to Global ; ▪ Exigência de Adap tação à utilização . O autor considera a exigê ncia Ambiente atmosféric o como tendo a ver com o ar no interior do edifício, em q ue o ar deve possuir “ uma pureza que nã o ponha em causa a saúde e o co nfor to dos seus utentes ”, ou seja, trata-se de uma variaçã o de termin ologia, p o is tem os m esmos pressup ostos que a exigência de saúde, no cas o anterior. A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de a poio à decisão 53 Proença (1992) define a seg uinte lista de exigências funcionais de edifícios de habi tação: (Fernan des Rocha, 2005) ▪ Exigências de Seguran ça ; ▪ Exigências de Habi t abilidad e ; ▪ Exigências de E conomia . Nesta divisão a exigência Habitabilidade engloba a speto s relaci onados com o confor to, higiene, estanquidade e aspeto. O termo habitabilidade rem ete para a definição de “ qualidade do q ue é habitável” e, nesse sentido , deveria estar subjacente a to das as exigências, dado que não se t rata de questões de so brevivência , e uma ve z que to das pr e tendem que o edifício cumpra determinados critérios para u m a determinada função, podendo também estar em causa um d eterminad o us o específico. Algumas teses de d outorament o e mestrado vê m também referind o a design ação de exigência funcional, exigência d e desempenh o e requisit o com algumas inc oerências que c o nvém salientar. Amorim Faria (1996) apresenta na FEUP a tese de doutoramento “ Divisórias leves prefabricadas ”. O autor pr ocura apresentar o s principais conceitos relacionados com a abordagem dos edifícios numa perspetiva sistémica. Num dos capí t ulos refere que “ Ao encaramos o e difício do ponto de vista funcion al falamos de órgão e não de sub-sistemas . A decomposição funci onal de um edifício seria mais adequa da no âmbito da conceção arquitetónica” . Por o utro lado, já ass umia a existência de algumas incoerências nas designações de exigência de dese mpenho e de exigência funcional, quer em documentos de língua inglesa e francesa, quer em alguma s publicações em língua nacional. O mesmo autor considera qu e “o prolongamen to do conceito de exigência funciona l do utente aos órgãos dos edifícios não pare ce um procedimento correto” e explica que “em muitas situações onde seria mais apropriado usar a designação de exigência de desempenho se tenha utilizad o o t ermo exigência func ional”. Também Rodrigu es (200 3) aborda o mesmo assunto ao referir que “para satisfazer as necessidades dos utentes o edifício deve realizar todas as funções qu e permitam concretiza r es s e objectivo, ou seja, os diversos órgãos do edifício devem r ealizar em conjunto as funçõ es nece ssárias à completa satisfação d as necessidades dos utentes. Deste m od o, as exigênc ias funci onais surgem como as funções que o edifíc io deve satisfazer na sua gl obalidade”. Mais à frent e o m esmo autor refere que “ as exigência s funcionais devem estar associadas ao ponto de vista global do e difíc io, porque se associadas a os órgãos do s edifícios estarão a definir propriedades desses m esmos órgãos para o que será mais correto utilizar o termo exigência de desempenho ”. Por seu lado, Amorim Faria (1996) referia que “ um órgão de um edifício é então uma sua subdivisão funcion al que asse gura uma ou mais das sua s funções com características semelhan tes e necessárias à satisfação das necessidades do utente. As necessidad es do utente são normalmente designadas por exigências funci onais do ut ente”. Pretende-se demonstrar que efe tivamente a defin ição destes co nceit o s tem sido largamente discutida e mes mo cronologica m ente existe m variações considerá veis na defin ição e discussão d o s mesmos. Atualmente vários autores vão utilizando estes conceitos no se u estado de arte , Moreira da Costa (19 95) L ucas (2005), Po rtugal Lopes ( 2005), Gonçalves (2008), Torres (2009), Paulino (2009), entre outros. Branco Pedro (2000) apresenta um programa de qualid ade arquitetónica habitacional aplicáv el na conceção, análise e avaliação do nível físico dos espaços e comparti mentos. O progra ma foi Capítulo 2 60 comportamento em serviço : como todo o edifício, estrutura ou unidade de construção funciona, ou um sistema, o u compone nte o u parte dele funci ona realmente, de acordo com o local e us o pretendido. perfo rman ce: (of a facility) b ehaviour in ser vice (3.2) of a f ac ility (3.8) for a specifi ed use. NOTE The sco pe of this performan ce is of th e facil ity as a system, includin g its subsy stem s, components and materials, a nd th eir in teractio ns, such a s a coustical, hygrot hermal, econo mic an d so on, as well as the relat ive impor tance (3.24) of each pe rform ance requirem ent (3.20). desempenh o: (de uma faci lity ) comportamen to em serviço de u ma facility para u m uso especific o . NOTA: o âmbito deste desempenho é o do facility como um sistema, incluindo o s seus subsiste mas, componente e m ateriais, e as suas interacções, tais como a acústica, higrotér mico, econó m ico e assim por diant e, bem como a i mportância relati v a de cad a requisito de dese m penho. Na norma ISO 15686-1 (20 11) a definição de performanc e é: perfo rman ce: qualita tive level of a critical pro perty at any point in time considered . desempenh o: nível qualitativo exigid o para uma d eterminada propriedad e crítica. Nesta parte 10 da norm a a perfor mance de um edifício, ou suas partes, pode definir-se como o comportament o em se rviç o que deverá ter num dad o m omento, para dar resp osta para um uso específico. Contud o , na m esma norma p arte 1, o conceito de p erformance pressupõe um ní vel qualitativo que lhe é exigido. Ou seja, o conceito de performance já tem associa do, ta mbém, u m a avaliação do s eu desempenho, enquanto na parte 10 a sua avaliação é realizada atrav és do seu nível de desempenh o. A norma ISO 15 686-10 (2010) define: perfo rman ce requirem ent: performance (3. 19) de manded o r expected of a facility (3.8) for a specified u se. NOTE Ada pted from ISO 6707 -1:2004, d efinition 9. 1.16. exigência de de sempenho : desempenho exigid o ou esp erado de uma facil ity para um us o especifico. NOTA: adaptad o da ISO 67 07-1:2004, definiçã o 9.1.16. Na norma ISO 15 686-1 (2011) a definição de perfo r mance requirement é : perfo rman ce requirem ent: minimum acceptable le vel of a critical pro perty. exigência de de sempenho : é o nível mínim o exigido para uma d e terminada pr o priedade críti c a. Na parte 10 d esta norma a “exigência de desempen ho” t raduz o comportame nto em serviço que é exigido a um edifício ou suas partes para as quais foi pro jetado para dar resposta, e que poderão ser critérios como conf o rto, dura bilidade, etc. Contudo, a parte 1 desta m esma norma associa este co nceit o a um nível mínimo exigido, pressupondo ta m bém uma avaliação. level of perfor manc e: number indicat ing t he relat ive p erforman ce ( 3.19) r equired or provided for one topic (3.33) o n a predetermined scale (3.25 ) from the level o f th e least (performan ce) to the level o f the most (performan ce). NOTE The l evel of per formance may b e th e con sequenc e of several di stinct perfor mances behaviours in service (3.2), of whi ch one may be fu nct ional performanc e (3.11), which a ct in comb ination . A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de a poio à decisão 61 nível de desempenh o : núm ero que indica o desempenho relativo requerido ou pro vido para um tópico, numa predeter m inada escala, a partir do nív el m ínimo (desempenho) até ao nível m áximo (desempenho). NOTA: o níve l de d esempenho poderá ser consequência de vários des empenhos distintos comportament o em s erv iç o, dos quais um pode ser o desempenho funciona l , que atuam de forma combinada. É definido também o co nceito de “ desempenho funcional ”: e “ exigência de desempenho funcio nal ” na norma ISO 15 686-10 (2010): function al perfor manc e: (of a facility) perfor mance (3.19 ) of a fac ility (3.8) to support required function (s ) (3.10) under sp ecified u se cond itions. desempenh o funcional: d e sempenho de uma facility sob condiç ões de uso especi fico para suportar a função requerida. function al perfor manc e requiremen t: typ e and level of fu nctiona lity (3.15) that is requ ired by stakeholder s (3.30) of a facility (3.8), building or other con structed as set (3.1 ), o r of an a ssembly, component or p roduct thereof, or o f a mo vable asset , for a specifi c function (3.10) exigência de desempenh o funcional: tipo e nível de funcionalidade que é requerido pelas part e s interessadas de uma facility , edifício ou o utros bens construídos, o u mesmo duma montagem, componente ou produt o , ou bem construído m ó vel para uma funçã o especifica. A denominação de exigência de “desempenho fu ncional” pressupõe a sua aplicação a um uso específico, m as também de acordo com uma função requerida, o u seja, co nsidera à partida a satisfação do utent e para uma funçã o . Por último e para além do níve l de desempenho já referido são definidos outros tr ês n íveis de avaliação n a n o rma 15686-10 (201 0 ): “ n ível d e funcionali dade ”, “ nível d e s erviço ” e “ níve l limite ”, definidas da seguin te forma: level o f function ality: n umb er indicating the re lati ve functionality (3.13) requ ired for a user (3.34) group or customer for one topic (3. 33) on a predetermined dem and scale (3.26) from the level of th e least (functiona lity) to t he level of t he most ( function ality). NOTE The level o f fun ctionali ty may be the consequen ce o f severa l distinct fun ctions (3.10) requ ired to a ct in combinatio n. EXAMPL E Scale of integer s from 0 to 9. nível de funcional i dade : númer o que ind ica a f uncionalid ade r elativa reque rida por u m utente, grupo ou cliente para um t ópico, numa predetermi nada escala exigida, a par tir do nív el mínimo (funcionalidade) a té ao nív el máximo (funcionalid ade). NOTA: o ní vel de funcional idade pode ser consequên c ia de v arias funções distin tas, requeridas para atuar em conjunto. EXEMP LO escala de inteir os de 0 a 9. level of serv iceability : nu mber in dicatin g the relati ve serv iceab ility (3.29) [capa bility o f a facility (3.8)] for a user (3.34) group o r custom er for o ne top ic (3.33) on a predetermin ed supply scale (3.2 7) fro m the lev el of the least (servic eability) t o the m ost (serviceab ility). NOTE The lev el of serviceab ility may be the consequen ce of several di stinct phy sical feat ures (3.9) actin g in combinatio n. EXAMPL E Scale of integer s from 0 to 9. Capítulo 2 62 nível de ser viço : núme ro que indica o serviço relati v o (capacidade de facility ) para um utente, grup o ou cliente para um tó pico, numa predeterminada escala proposta, a partir do níve l mínimo ( serviço ) até ao nível máxi mo (serviço). NOTA: o nível de s erv iço pode ser consequênci a de várias características físicas distintas, requeridas para atuar em conjun to. EX EMPLO: escala de inteiros de 0 a 9. thre shold level: num ber ind icating the level o f fun ctionali ty (3.15 ) whi ch, if not p rovided, would significan tly or completely i mpair the abili ty of user s (3.34) to carry out their inten ded activiti es or op eratio ns . nível limite: número que indica o nível de funci o nalid ade, que se não provid o, poderá prejudicar significativament e ou com pletamente a capacidade dos utentes em realizare m as suas actividad e s destinadas ou op erações. Relativamente a uma aval iação de pe r formance o u functional performance p odem existir vári o s níveis. Sendo o “ nível de desempenho “ o que é requerid o por um requisito numa determinada escala, o “ nível de serviço ” será a resposta que se propõe para satisfação de um det erminado utente, o “ nível de funcionalidad e ” o que é requerido por um utente numa determinada es cala exigida e por último, o “ nível lim ite ” o nível a partir do qual o edifício ou as suas partes entra m em obsolescência, ou seja, deixam d e dar resp osta à satisfaçã o dos utentes. Como exe m plo, considera-se para a função habitação, a exigência Co nf orto acústico e o requisit o redução de ruído. Relativa m ente ao “desempenho”, ou seja, ao comportame nto em serviço num determinado mo mento específico, o valor é 35Rw. O “desempenho funcional”, para a funçã o habitação e para o uso específico a considerar seria Rw> 33Rw. O “ nível de serv iço”, ou seja, a capacidade que se propõe como resposta ao requisito seria 3 8Rw. O “nível d e desempenho” e “ nível de funcionalidade” s eria um v alor v ariável e ntre 33 e 54 Rw , como valo res m ínimos e m áximos. ( Fig.2.7 ) ESCALA 0 9 33 Rw 35 3 8 5 4Rw Fig. 2.7 - Ex emplo de ap licaçã o para a exigência d e desemp enho fu ncional conforto a cústico. A manutenção, com o fim de m anter ou devolver aos elementos e component es um est ado que lhes permita desempenhar as funções para que foram pro jetados, t raduzir-se-ia em manter o valor 38Rw, ou seja, o valor d e garantia do nív el de serviç o proposto. A norm a 15686-10 (2010) sugere que, mesmo que não tenham ocorrido alteraç ões dos utentes e das funções, os níveis de fun c ionalidade e de serviço dev em ser inspecionados após cinco anos e verificados se s e mantêm adequ ados. O Quadro 2 .12 , que s e se gue, apresenta algu mas das c onclusões obtidas, após a anális e da norma ISO 1 5686, para um conju nto de conceitos essenciais para o desenvolvi mento do presente trabalho de investigaçã o: A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de a poio à decisão 63 Quadr o 2.12 - Resumo de alg uns conceitos p resent es nas n ormas ISO 1 5686-1 ( 2011) e I SO 15686 -10 (2010 ). Principais defini çõe s. C RITÉRIOS GERAI S C RITÉRIOS ESPECIF ICOS A VALIAÇÃO E XIGÊNCIAS (requirement) R EQUISITOS (topic) N IVEIS (level) desempenho (perf ormance) comporta mento em servi ço relac ionado com o USO exigido/ espera do (demand/ expect ed) desempenho (perf ormance) exigido/ provi do (demand/ provi ded limite (thre shold) obsole scência (obsol escence) desempenho funcional (func tional requi rement) desempenho sob co ndições de uso para suport ar a função requer ida relac ionado com o USO + FUNÇÃO requer ido (reque red) funcionalidade (func ionality) requer ido pelo utent e (requi red demand scale) serviço (serv iceability) escala forne cida (suppl y scale) Ao lo ngo deste subcapítul o expôs-se o estado do conhecimento relativamente a um conjunto de conceitos que têm sido amplament e utilizados ao long o de vários anos. Essencialmente a partir dos ano s 60 tem-se abordad o de f orma sistemática teoria sobre o conceito de performance. Muit o desse t rab alho foi sendo desenv olvido pela Comissão de trabalho do CIB, tendo sido referido desde o iníci o , como sendo um co nceito relacionado com o que é exigido ao edifício ou às partes do edi fício, e não uma ten t ativa de descr ever como eles devem ser construídos. Inicialmente foi-s e abordando o estudo do outp ut performance e dos seus atri butos, estes últimos também relacionados com exigências do utente e métodos de avaliaçã o. O conceito foi sendo alargado e utiliz ado de forma generali zada, como u ma avaliação do des empenho de um edifíci o e das suas partes. Mais recentemente, e com o desenvolvimento das normas ISO, em p articular da norm a ISO 15686, foi determinad o um conjunto de t ermos e definiçõ es sobre o comportam ento de um e difíci o durante a sua vida útil, motivo pela qual se consider o u importante abordá-la neste subcap ít ulo. 2.3 G ESTÃO DA MANUTENÇÃO DE EDIFÍCIOS 2.3.1 I NTRODUÇÃO Neste subcapítulo faz-se um breve re sumo s obre a área do conhecim ento da gestão de edifíci os, enquadran do-a no âm bito do presente trabalho de inv estigação, no se ntid o em que, para garantir o comportament o em serviç o de um edifício, é necess ário implemen tar deter minados procedimentos e aç ões ao longo da s u a v ida útil. S endo um d os o bjetivos incluir a manutenção nas fases preliminares de pr ojeto, é fundamental ter conheci mento do domínio da manutenção e também da gestão dos edifícios, de mod o a esclarecer e identifica r as implicaç ões e co ntribu ições deste domínio do conheciment o no comportament o em serviço. Segundo Calejo (2004), a área do conhecimento da gestão de e difíci os, pretende “caracterizar todo o conjunto de acções, pr oced imentos, que é necessário afectar a um edifício após a s ua construção de forma a optimiza r o seu desempenho”. Alguns dos principais fato res que co ndici onam o comportamento de um edifício já foram focados, nos subcapítulos anterior es, em particular os agentes q ue influenciam o seu processo de degradação. Capítulo 2 64 “Estes agentes cond icionam fortemente a qualid ade do edifício mas é também import ante s alienta r que o utente deve estar atento e proceder a ope rações de inspec ção e reparações, uma vez que este é o responsável pela manu te nção do edifí cio”. Calejo (2004) Na v erdade, o papel do utente é primordial, porque é a partir dele q ue surg e uma necessidad e de intervir no ambiente urbano o u à escala do edifíci o, mas é também, em larga m edida, dele que depende a garantia de que o edifíci o v ai responder às necessidades iniciais propostas durant e a sua vida útil. Daqui se co nclui que a atividade d a m anutenção, e da construção em geral, está intimamente ligada à satisfação das necessidades hum anas, pelo que tem de resp onder a u m conjunto de exigências de desempenho funci onais, necessidades e regras, ditadas pela circunstância do lugar e dos seus ut ente s. Resumindo, é p o ssível estruturar a gestão da manu tenção e m três atividades fundamentais: a técnica; a económica; a fun cional. A atividade técnica “engloba todos os processos r elaciona dos com o desempenho do edifício, dos seus elementos ou compon entes”. A atividade económica ”integra todos os processos finan ceir os ou contabilísticos r elacionados com o edifí cio decorre ntes dos encargos com o seu financia mento”. A atividade funcional “ ass ume t odas as questões decorrentes da utilizaçã o do edifíc io num determina do contexto o qual se pode caracterizar pelos utentes, pela legislação, pela s relações co m próximos, etc.” (Fernan des Rocha, 2005 adaptad o de Calejo 2004) A gestão de edifícios é, as sim, um conjunto de pro cedimentos e ações, plane ados e o rganizad os, sujeitos a controlo e liderança, com o objetivo de satisfaz er as exigências de desempenho funcionais pretendidas para o edifício, mediante os recursos disponíveis. Como tal, deve ser im plementad a desde a fase de projeto e até ao fim do ciclo de vida do edifício. É importante que todos os intervenientes envol vidos, desde o do n o de obra, a utor de projeto, construt or, utente, gestor de edifício e empresa de m anu tenção de condomínios , tenham consciência do se u papel enquanto responsáveis, e m garantir o cumpriment o do desempenh o funcional do edifí cio. Têm sido re alizados, ao longo dos ano s, vários estudos internacionais e nacionais sobre as principais causas de anomalias nos edifícios. Desde os estudos do CSTB (1991), da AQC (2006), dos e spanhóis (Chamosa e Ortiz, 1984), es tes últimos reuniram inform ação sobre vários e studos europeus relativamente às principais causas de anomalias na construçã o, e tam bém com o s dados relativos à situação espanhola. ( Fig.2.8 ) Fig. 2.8 - Valo res m édios euro peus das pr incipais cau sas de an omalias na con strução. Em todos os estudos as principais causas centram-se e m erros ou falhas da fase de projeto e execução. Estes dados revelam a impor tância que as opções conceptuais v ão ter no comportamento em s erviço dos edifíci os e o conhecimento das principais anomalias, causas e origens e d o processo de degradação. Um a das justificações apontadas r elaciona-se com os prazo s reduzidos para a elaboração do projeto e u ma ausência de instru mentos de auxílio que permita m analisar os vários problemas existentes em toda a sua extensão. Uma dessas ausências é, e fetivam ente, a existência de Projeto (43%) Execução ( 38 %) Materiais ( 14 %) Outras causas ( 5 %) A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de a poio à decisão 65 instrumentos de auxílio para a t omada de decis õ es n o domínio da manutenção e respeti vas implicações futura s. Para alé m das quest ões relacionadas com as opções conceptuais, durante a fase de comportament o em serviço há que t er pa rticular preocupação em reunir to da a informação do edifício que seja necessária para o seu co rreto funcionamento e utilização. O Manual de se rviço é, assim, um documento que permite, quer ao gestor d o edifício, quer ao utente, saber quais os procediment os e ações previstos e necessários para garantir o seu des empenho durante a v ida útil. São consti tuídos por dois document o s: o manual de manutenção (vocacionado para o gestor) e o manual de utilização (vocacionado para o utente). De acordo co m a norma prN P 4483 (2008), u m manual de manutenção de ve inclu ir: ▪ O âmbito do sis tema de gestão de manutenção, deta lhes e justificaçã o de quaisquer exclusões; ▪ Os procedimento s documentados estabelecid os para o sistema de gest ão de ma nutenção, ou a eles refer entes; ▪ Uma descriçã o da interação en tre os processo s dos siste mas de gestão da manu te nção. De acordo co m Calejo (2001), u m manual de utilizaç ão deve incluir : ▪ “Características relevantes dos dive r sos compon entes e elemento s do edifício; ▪ Recomendaçõ es para um a adequada utilização e manutençã o; ▪ Lista de mate riais aplicados e respecti vas referências; ▪ Informações relativas aos fornecedores dos diversos compon entes e elementos, de forma a facilitar o contacto e m caso d e necessidade; ▪ Direitos e deve r es dos uten tes; ▪ Primeiras acçõ es a realizar aquan do da entrada no e difício; ▪ Regulamentos e legislaçã o referentes ao cond omínio, qu ando aplic ável; ▪ Precauções de utiliz ação quanto ao u so e manutenção”. Após a conclusão da obra este m anual é funda m ental na garantia de satisfação das necessidades dos utentes e do conjunto de exigências de desempenho funcional estabelecidas previamente durante o processo de conceção e que t êm de ser ve rificadas e c umprid as n o decorrer da vida útil de um edifício. 2.3.2 F ACILITY MANAGEMENT O Facility Managemen t - FM é uma área de conheci mento qu e surge nos Estados Unidos da América, em 1980 , com a fundação da National Facility Management Association , em Ann Arbor, Michigan, pelas m ãos de um grupo de 40 profissionais em Facility Manag ement , est and o relacionad o com a complexidade ver ificada na g estão de alguns edif ícios, como hospitais e centros comerciais d e grande dimensão. Envolve várias áreas do co nheci mento ao nível da prestação de serviços, e na optimização do desempenho das organizações en volvidas, assu mindo a especialização de to do s o s out s ourcing . De acordo com a norma EN 15221-1 (2006) e EN 15221-2 ( 2006) a definição de Facility M anagement é a integração dos process os dentro de uma organizaçã o para manter e desenvolver os serviços de apoi o acordados e melh orar a eficácia das suas ac tividades primárias. As áre as principais do seu core business são: a envolvente edificada, a limpeza e higieniz ação, recepção e segurança, catering / condições de salubrid ade dos funcionário s, serviços de publicidade e gestão de image m e o alug uer de equipa mentos. ( Fig. 2.9 ) Capítulo 2 66 O RG A NI ZA Ç ÃO ed ifíc io co m un i ca çõ es e ne rgi a tr an spo rte s ca te rin g se gu ran ça e tc . FM GE ST ÃO D IAG NÓS TICO A CON SE LHA ME NT O M ONO TOR IZ AÇ ÃO Fig. 2.9 - Campo de ação do F acility Managem ent. Em 1982, é criada a “ Internation al Facility Management Ass ociation” - IFMA , resultado da e xpansão internacional da Nation al Facili ty Management Assoc iation , fundada dois anos antes. O FM ganha expressão na E ur opa, mais tarde, com o apareciment o da “European Facility Management Network” - EuroFM , que vem facilitar o intercâmbio de informações e conhecim entos. Tratand o-se de um tema atual e bastante recente, o FM é resultado de uma mudança de paradigma no que co ncern e à forma como é encarada a g e stão d os edifícios. Em P ortugal, o FM é uma área pouco desenv olvida. É principalmente nos EUA, Alemanha, Holanda e Inglaterra que se verificam os d e senvolviment o s mais n o táveis, como re sul tado de um meio empresarial ativ o e atento aos n ovos nichos de m ercado e às possibili dades de negóci o. Contudo, surge em 200 6 a “ Associação Portuguesa de Facility Management ” - APFM , após terem sido identificados os poten ciais agentes desta áre a em Portugal, assumindo-s e c omo uma associação nacional de profissionais individua is, sem fins lucrativos, com diversos associad os re presentativ os de todos os sect ores relaciona dos com o FM. No que diz respeito à normalizaçã o, a APFM é m embr o correspondent e no Instituto Português da Qualidade - IPQ no âmbito d a participação na Comissã o Técnica CT348, para normalizaçã o na área do FM. Tem ainda participado , por convite, na Comissã o Técnica CT94/SC01, cuja missão é definir uma norma portuguesa de sistemas de gestão da manutenção. O FM deve ser considerado uma área de negócio que p ode ter um p otencial considerável e m Portugal. 2.3.3 C USTO DE MANUTENÇÃO E O CICLO DE VIDA DOS EDIFÍCIOS Os custos associados a um edifício vão m uito para a lém dos custos com o investimen to inicial até à conclusão da obra. Posteriormente e até atingir o seu fim de ciclo de v ida, o s encargos com o edifício são muito representativos e devem ser estimados na medida do possível, com a determinação de um custo global. O custo global pode ser dividido em c ustos iniciais (Ci) e custos diferidos ( Cd). ( Quadro 2.13 ) A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de a poio à decisão 67 Quadr o 2.13 - Custo Globa l d e um edifício . C USTOS I NICIAIS I NVESTIMENTO FI XO Terreno Projeto * A Construção Licenças E XPLORAÇÃO Energia Gestão (água, gá s, eletricida de, resídu os) U TILIZAÇÃO Encargo s pessoal Impostos (IMI , etc.) Segurança C USTOS D IFERIDOS M ANUTENÇÃO (cíclicos e an uais) Inspeção Limpeza Medidas Pró-ati vas Medidas de corr ecção Medidas de sub stituiçã o *A Deveriam incluir -se ta mbém aqui estudos de impact o ambienta l, que englob aria m proble mas como a poluição , o trá fego, etc. Relativamente aos custos diferidos o u de s erviç o, os custos de explora ç ão são definidos como todos os cus tos gerados pelo edifício pelo facto deste fornecer u m “serviço”, portanto quando o edifício não se encontra a ser utili zado não se quantifica m. Nestes custos estã o inseridos o s gast o s c om a energia, a água, resíduos, entre o utros. O s custos de utili zação são aqueles que deco rrem da sua utilização e da atividade exercida (funçã o e modo de uso). Nestes custos estão in seridos o s encargos com o pessoal, impostos, entre outros. Os custos de manuten ção são todos os c ustos que decorrem com a implementação dos vári os process os de man utenção e estima-se que c orresponda m a cerca de 1 a 2% do cust o da construção. Um dos instru mentos atuais para quantificar o s cust os globais é a análise através do Life Cycle Cost - LCC , ou seja, o c usto do ciclo de vida. Este método faz refletir a estrutura c íclica de e ncargos com um edifício em serviço, não sendo na prática mais do que um método de valor actual com ê nfas e num maior número de encargos cíclicos. O custo global ( CG ) expressa-se, neste método, por meio de um único número que adiciona custos iniciais com o valor atual de custos diferid os, de acordo com a equação: CG = CI + ∑ Cam + Cae + Cau + ∑ Ccm (1+ a)^n (1+a)^kM Em que: ▪ CG , custo global ▪ CI, custo total inicial ▪ Cam, custos anu ais com manutençã o ▪ Cae, custos anuais de exp loração ▪ Cau, custos anuai s de utili zação ▪ Ccm, custos cícli cos de ma nutenção ▪ M, periodicidad e dos cust os cíclicos ▪ N, vida útil ▪ a, taxa anual m édia equivalente de atualização n - 1 k - 1 n - N k - IN/MI Capítulo 2 68 Esta formulação pode aplicar-se ao edifício na globalidade ou, por o utro lado, aplicar as componentes, ele m entos ou equipamentos da c o nstrução da segu inte forma (Cal ejo , 200 1): C G = Σ x CG Em que: ▪ CG , custo global ▪ CGi, custo global do comp onente, elemento ou equipamento “i ” de um edifício ▪ E, número de c o mponentes, elem entos ou equipa mentos dum edifício Este método possui algu ma fragili dade uma vez que im plica a utilização de alguns dados de difícil determinaçã o, como seja m a taxa anual m édia equiva lente de atuali zação “a” e a periodicidade dos custos cíclicos “M” e a vida útil “ N”, gerando uma incer teza significati va. Esta fragilidade fo i contornada utilizando Mé todos de incerteza, que consistem em introduz ir a incerteza dos dados no s resultados finais, passando est es a sere m considerados como um intervalo e não como um valor fixo. Os m étodos de análise de sensibi lidade, análise c usto-b enefício e anális e de risco t êm também como base este conc eito. (Calejo, 2001) Outro método utilizad o é o “ Whole Life Cost” - WLC , ou seja, o custo total de vida, que considera o período de vida física da construção, ou seja, t ambém os custos residuais (destinados a recuperar a vida útil física do edifício). O cust o total de vida expressa-se de ac ordo com a eq uação seguinte: WLC = I + (OM + E + R) x t – S Em que: ▪ I, investimento inicial ▪ OM, despesas corr e ntes ▪ E, custos energétic o s ▪ R, reposição e su bstituição de ele m entos ▪ S, valor residual ▪ t, taxa de atualizaçã o (em rigor, pode m existir taxas de a tualização diferenc iadas para OM, E e R) De referir que, de ac ordo com vários estudos, 9 0% dos custos do WLC sã o determinados p or decisões tomadas durante a fase de projeto . Mas como o método não se encontra o ptimizado, no m omento da decisão, só em cerca de 10% dos casos é que estes dad os são utilizados. (Gasp ar, 2002). De acordo com o exposto no Quadro 2.14 entende-se que uma decisão de projeto deve ser baseada em critérios de a v aliação, q ue estão relacionad os com um conjunto de exigências d e desempenho. i i=1 i=E A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de a poio à decisão 69 Quadr o 2.14 - Decisõe s de pr ojeto. Avaliaçã o de um p rodu to no co ntexto:Exigên cias de d esempenho. (norma ISO 15686-6, 20 04). Por últim o e de acord o co m a norma ISO 15686-5 (200 8) de referir que a princi pal diferença entre os dois métodos verifica-se com a inclusã o de um conjunto de e xternalidad es e de custos de não- construção vastos (como custos de impacto ambiental, custos e benefícios sociais, custos financeir o s, custos intangíveis e rendas de fluxos, entre outros). Em ambos só se devem incluir custos atuais que o influenciam e con o micamente e, como tal, o s custos intangíveis que não fore m avaliados economicamente , não são i ncluídos na análise. 2.4 T RABALHOS DE INV ESTIGAÇÃO E PUBLICAÇÕES INTERNACIONAIS E NACIONAIS 2.4.1 I NTRODUÇÃO O presente capítulo termina com uma exposição dos principais t rabalhos desenvolvidos no do mínio da manutenção de edifício s no contexto nacional e internacional e considerad o s relevantes para o desenvolvimento do trabal ho de inv e stigação. De salientar o trabalho de Rap o so (2010) que realiza na sua tese de doutoram ento uma síntese do estado do conhecimento no domín io da manutençã o e da gestão de edifíci os com os documentos que considerou evidenciar, nu ma síntese cronológica bastante minucio sa. 2.4.2 J ORNADA S , S EMINÁRIOS E CONFERÊNCIAS Em 1 985 e posteriormente em 1994, o LNEC realizou o “ Encont ro sobre Conservaçã o e Re abilitaçã o de Edifícios de Habitaçã o”. Do s vários temas abordados ressalva-s e no 1º Encontr o a comunicação de Martins (1985), em que o referido autor aborda a falta de informação como um dos principiais obstáculos ao cál culo da s estimativas dos trabalhos necessários à manut enção d e edifíci o s. Considerando que a e stimativa da v ida útil para cada elemento de construçã o não estava ainda devidamente estudada. Mais tarde, no 2º E ncontr o destacam-se as comunica ç ões de Abrantes e Calejo (1994) sobre o “ Plan eamento das açõ es de man utenção em parque s habitac ionais”. Origem da s exigências Avaliação/co mparação Verificação d as exigência s Opções de projeto briefing exigencias objetivos regulamentos Opções de projeto no contexto de aplicação Opções de projeto 1 Opções de projeto 2 Avaliação técni ca Avaliação econó mica Avaliação ambiental Capítulo 3 76 3.1 C ONSIDERAÇÕES PRELIMINARES Neste capítulo é apresen tado um enquadramento do domínio da área do conheci mento da arquitetura. Apresen ta-se o estado atual da arquitetura e do seu estatuto e nquanto profissão no contexto internacional e nacional, esclarecem- se algumas práticas envolvidas durante o processo de conceção arquitetónica, focando quer os intervenien tes no processo, quer o ato em si de projetar e os mecanismos envolvidos, quer o papel do autor de projeto- o arquiteto. E fetivament e, os serviços prestados pelos arquiteto s nos diferent e s países d a Europa diferem na sua legislação, n os seus sistemas e de como (e mesmo se) a profissã o é regulamentada. Assim, existem variações nas qualificações exigidas aos arqu itetos em cada país. Pretende esclarecer-se também a importância em se desenvolvere m metodol ogias que sirva m como sup orte de apoio à prátic a da arq uitetura. Destacam-se alguns dos traba lhos d e in vestigação e publicações internacion ais e nacionais, cuja leitura contribuiu para o d ese nvolvim ento deste trabalho de investigação. Por último, re tiram -se as devidas considera ções finai s. 3.2 A ARQUITETURA E O PAPEL DO ARQ UITETO 3.2.1 I NTRODUÇÃO Adequar o discurso de um arquiteto sobre o enquadramento do domínio da arquitetura, e o que ela deve representar h oje e sempre co m a devida i mparcialidade, p ode revelar- se uma tarefa alg o ingrata. Como disciplina pluridisciplin ar deve refl etir sobre a sua capacidade de transformar tudo aquilo que a rodeia, construind o formas e e spaços nos quais o homem tem de viver, dissertando sobre o relaci o namento que tem de se estabelecer entre tod o s o s interv enientes no processo de conceção arquitetónic a, encontrando for mas de m ate rializar o objeto arquitetónico e o meio urbano, ao tentar adequ ar da melh or forma possível o devido equilíb rio entre teoria e da p rática. Segundo o Architec ts´ Council of Europe (2011) e xistem na Europa cerca de 523 000 arquitetos qualificados num total de 33 países. D e acordo com o s mesmos dados, em Portug al existem cerca de 19 401 arquitet os para 1 0.6 milhões de habitantes num rácio de 1. 83/1000, r eportando ao m esmo ano. De acordo com o regula mento de deontol ogia disponibilizad o pela Ordem do s Arquiteto s (2001), os deveres do arquiteto no desempenho da sua atividade, no seu artigo artigo 7°, são que “ O arquitecto deverá pôr no desempenho das tarefas que lhe compete todo o saber, e xperiência e d edicação, compatibiliz ando os interesses do seu cliente ou em pregad or com os seus deveres profissionais e para com a comunidade, obrigando-se a ter em conta o bem-estar daqueles que utiliz am os edifícios e espaços urbanos que pr ojecta ”. O papel do arquitet o é ca da vez mais um ato integrador e conciliador so bre a forma como pod e sugerir caminhos para o fu turo, procurando preser var, manter e cuidar o ed ificado existente e construindo o novo, sempr e de acordo com as necessid ades da comunidade e procuran do através de um conjunto de e xigências correspond er a esse “be m -estar”. Hoje a ati vidade d a arquitetura atravessa uma crise, muito embora já e m 1964, não s endo u m período declarado de “ crise”, “ era um tempo que de facto apresentava al gumas dificuldad es específicas que se traduziam culturalmen te em não menores perplexidades ” (Vieira de Almeida , 2008). Na verdade todos os mo ment os apres entam sempre as suas complexida des e contradições e também com o refere “na arquitectura, como e m tudo, a cr ise faz pa r te da evoluç ão das coisas”. E mais adiante diz “ nos anos 90, Baudrilla rd viria a estigmatizar uma época como a nossa em que A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de a poio à decisão 77 existe cada ve z m ais info rmação e ca da vez menos sentido, apontando qu e era e é – a qu antidade excessiva de informação que gera essa d esqual idade do s entido, o que acrescento eu, necessariamente se traduz numa autêntica degrad ação d a própria i nformação”. Porém, h oje as dificuldad es apresentadas no exercíci o da profissão são de outra ord e m de grandeza , porque, sem encomenda de obra , a arqu itetura fica refém de si pr ó pria. 3.2.2 D EFINIÇÃO E E VOLUÇÃO DE CONCEIT OS Sendo extremamente v asto o conjunt o de conceitos associados à arqu itetura enquanto exercício teórico e prátic o , entendeu-se ressalvar, sob a forma de síntese analítica, algumas abordagens na qual a mesma s e foi suportan do e est ab elecendo r eferências. Esta abordage m consubstancia-se em alguns excertos da disserta ção de mestrado r ealizada em 2 005. (Fernandes Rocha,2005 ) Vitruvius Pollio será porventura um dos primeiros a re ferir a importância de m anter e cuidar os edifícios. Segundo o autor, toda a construção t em de ter em conta a solidez ( firmita s ), a sua utilidade ( utilitas ) e a sua beleza ( ven ustas ), ou, traduzindo, a sua du rabilidade, utilidad e e estética. A arqu itetura deve sup ortar-se de si stemas constr utiv os e t ec nológic os ( firmitas ), ou seja, d eve realizar-se através d o emprego de m ateriais e si stemas constru tivos adequad o s, de acordo c om os princípios para o qual surgiu a necessidade de co nceb er algo ( utilitas ), que servindo-se da capacidade arquitetónica tende a que a solidez ( firmitas ) e a utilidade ( utilitas ) anulem as suas incompatibilida des recípro cas para se transfor marem, em paralelo com a c o mponente estética ( venustas ), na sua v erdadeira essên cia. (Maciel, 2 006) Desde as civilizações antigas, do Egito e da Grécia, a arquitetura foi sendo uma resposta a funções e exigências, nã o apenas físicas, mas também sóci o-culturais, m as também ao desejo de viver num mundo “belo“ e agradá ve l. Na Idade Média a arquitetu ra é, acima de tudo, o reflexo de um a filosofia de v ida de um povo cristão crente numa figura divina, superior à condição humana. Com o G ó tico o grande acontecimento é a “descoberta” da perspetiva por Filippo Brunelleschi, e m que a valorização do “eu” na qualidade do homem culto, conheced or do mundo e de todas as ciências, é um indício que adivinha a chegada do homem artista do Renascimento. No Re nascimen to e e ssencialmente a partir do século XVII , co meça a surgir uma construçã o vocacionada para os gran des arquitetos da ép o ca, valendo m ais tarde não tanto pelos espaç os que cria mas e sobretudo pel a sua estética, co m o Barroco. A partir do século X VIII a arquitetura é posta ao s erviço de edifícios públicos que compunh am o sistema estrutural urban o de uma nova sociedad e com o utros val ores e necessidades, como foi o caso de hospitais, e scolas, entre outros. O sé culo XX traz a par com a revolução industrial uma das maiores transfor mações no me io urbano e à forma como a sociedade até então se organiza, pro porcionando um ritmo muito m ais ace lerado na produção e criação de novos concei tos, novos pr odutos, uma n ova visão do espa ço e do te mpo. Muito através da Bauhau s fundad a em 1919, surge o Funcionalism o como uma adaptação da for m a à função e adquirindo u m papel importante , em que uma forma só será sign ificati v a na medida em que seja também funcional. A arquitetura funcional colocou o homem como o objeto da sua razão, construindo-se edifíci os q ue serv iam indiferent emente para qualquer homem e qua lquer lugar. Por outro lado, Fran k Lloyd Wright av ançava co m uma arquitetura “ orgânica“, em que para cada homem e para cada local haveria um o bjeto arquitetónico especifico. Por sua vez, o s países nórdicos, dentro Capítulo 3 78 do seu equilíbrio, realiza m uma arq uitetura de síntese do s op ostos atrá s referi dos, tend o em Alvar Aalto o seu melhor represen tante. Durante o movimento mo derno, Le Corbusier é responsável pelo afastament o do que restava de uma prática académica baseada na herança dos Tratados, desenvolvendo um novo sistema proporcional de modo a o rdenar “as dimensões daquilo qu e contém e daquilo que é contido”. Desenvolve o sistema Modul or relacio nand o a escala humana com o edifício at rv es de um co junto de regras de proporção (c onjugan do a dimensão estética da seção Áurea, as séri es de Fibonac ci e as proporções do corp o huma no). Também Mi es van der R ohe (a partir do s ano s 40) introduz um novo conceito no proc esso de conceção, de o rdem, disciplina e rigor arquitetó nico. Tudo é pensado em função de um grande rigor de pormenores, d e soluções técnica s e construtiv as. Segundo Zevi (1992), “após um sé culo de arquitectur a predominantemente decorativa, escu ltural, o movimento moderno, n a t e ntativa de levar a arquite ctura pa ra o campo que lhe é próprio, baniu a decoração dos edifícios, insistindo na tese de qu e os únic os valores arquitectóni cos legítimos são os volumétricos e espa ciais. A a rquitectura raciona lista voltou-se para os valores vol umétricos, enquanto o movimento orgânic o se fi xou nos espaciais ”. A arquitetura é na verdade o r eflexo do tempo e da sociedade em que se insere, e toda aquela que se co nsiderou m anter foi a que resistiu a todo o conjunto de ex periências, de com plexidades e contradições, mas t ambé m a que de monstrou ser a que melhor representa va cada época, e o que cada sociedade entendia qu e melhor se adequ ava às suas necessi dades. O mesmo autor sobre esta questão refere ”Quando F. L. Wright publicou suas obras, de 1887 a té 1941, t endo de escolher um título que abrangesse sua investigação, não propôs In the Nature of Materials, a natureza dos materiais ?... E qu ando muitos críticos qu erem de fender a a rquitetura moderna, não começam a fa lar do concreto e do aço? (…) Por que r azão o gótico resistiu tanto tempo nos países nórdicos, enqu anto teve tão breve duração nas regiões meridiona is? Porque no sul os r aios de sol caem quase perpendicula rmente e, po r isso, o efeito maior do contraste de sombras deriva das cornijas, das saliências horizontais; já nos países setentrionais, o sol é mais baixo e se us raios mais tangencia is; por isso, as linhas verticais são as mais eficazes no uso da l uz como instrumento arquitetónico”. Estas observações refe renciad as por Zev i (1992) corrobora m como a arquitetura, e mbora se ndo primeiro um a resposta às necessidades de cada época, tem também sempre prese nte como preocupações encontrar a me lh or forma de corresponder às exigências, não de forma arbitrária, m as concertada c om as condic ionantes existentes em cada m omento. A se leção de fo rmas, materiais, técnicas e sistemas construtivos foram sendo desenvolvidos e te stados para permitire m dar re sposta a um conjunto de exigências para satisfação das n ecessidades do utente, e as que perm anece m são as que foram sendo consideradas mais eficazes em toda a sua plenitud e e de acordo com o conhecimento pr esente. 3.2.3 C ONTEXTO INTERNACIONAL E NACIONAL Interessa nesta contextualiza ção abordar a forma como a atividade da arquitetura se encontra e regulamentada a prática profissi onal, em particular no s vários países da Europa e em Portugal, quais os principais aspetos e comparações possív eis que devem ser ressalvad o s, assim como identificar organismos e entidades internacionais e nacionais que desenvolvam trabalho de divulgaçã o, promoção e pesquisa da arquitetura. A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de a poio à decisão 79 O Architect s´ Council of Europe (2011) realizou um estudo sobre o acesso à profissão do arquitet o na Europa. O sistema de reconhecimento m útu o das qualificações do s arquitet os demonstrado através da directiva “ Professional Qua lifications Directive ” (PQD) 2005/36/EC é verificado pelo conheciment o dos siste mas de fo rmação existentes e m cada país (conheci m ento por parte das organizações profissionais e regula m entares e, por parte do s arq uitetos individuais qu e planeam migrar ou exportar serviços). É assim, importante realizar uma síntese com alguns dos principais dados fornecidos no e studo e que se sistematiza da segui nte fo rma: país, número de arqui tetos, número de habitantes, re spetivo rácio, título profissional e entidad e competente. De seguida, apresenta-se esta Informação que se procura sintetizar da melhor for ma: ▪ Alemanha , 123 745 arquitetos, 82 milhões de habitantes e um rácio de 1.51/1000. Título profissional: Arq uiteto, Arquiteto paisagista, Urbanista e Arqu iteto de interiores. O arquiteto não tem direitos exclusivos. A profissão encontra-se protegida por Lei em cada “zona”. Entidad e co mpetente: 16 câmaras de arquitetos, r epresentadas n a N ational Chamber of Architects (BAK). Cada “ zona” te m os seus próprios regulamentos. O registo na câmara é obrigat ó rio pa ra usar o título; ▪ Bélgica , tem 13 500 arqu itetos, 10 .5 m ilhões de habitantes e um rácio de 1.28/1000. Título profissional: Arquitet o ou Arqu iteto-engenh eiro. A profissão encon tra-se protegida pela Lei de 20/02/1939. Entidade competente: National Council of the Orders of Architects (CNOA) e 10 c onselhos provinciais ; ▪ B ulgária , tem 2 9 00 arquitetos, 7.6 m ilhões de habitantes e um rácio de 0.38/1000. Título profissional: Arquiteto, Arquiteto paisagista e Urbanista. A profissão encontra-se protegida p ela Lei dos Cha mbers of A rchitects and Engineers in the Inves tment D esign . Entidade comp etente: Chamber of Architec ts in Bulga r ia (CAB); ▪ Chipre , tem 43 0 arquitet os, 790 000 habitant es e um rácio d e 0.54/1 000. Título profissional: Arquite t o. Enti dade competente: Cyp r us Architects Associ ation (CAA); ▪ C roácia , t em 2737 arquitetos, 4.4 milhões de habita ntes e um rácio de (0.62/1 000). Título profissional: Arquiteto (pode s er regis t ado como Arquiteto-urbanista, arquiteto paisagista, arquiteto de in teriores). A profissã o encontra-se protegida pelas L eis: Architecture, Enginee ring, P lanning and Construction Pr ofessions Act ( Official Gazete No. 152/08) , Spatial Planning and Building Act (Official Gaz ete No. 76/2007) e Statu tes of the Croatian Chamber of Architects (Official Gazete N o. 64/09 e No.129/1 0). Entidade competente: C r oatian Chamber of Arch itects (CCA); ▪ Dinamarca , tem 7000 arquitetos, 5.5 m ilhões de habitantes e um rácio de 1 .27/1000. Título profissi onal: Cand.arch. e/ou Arquite to MAA (se fo r m embro do Danish Architects Association ). A profissão não se enco ntra regula mentada, mas no entanto, para se trabalhar no setor da construção, tem de se ter um seguro. U m dos requisitos para a obtenção do seguro é o número de anos de experiência profissional na área de arquitetura. Entidade competente : Não ex iste. Registo voluntário na associação de arquitetos dinamarque se s; ▪ Espanha , tem 50 532 arquitetos, 46 milhões de habitantes e um rácio de 1.1/1000. T ítulo profissional: Arquitet o e Arquiteto técnico. A profissão encontra-se protegida pela Lei de 1974, pel o Decreto-lei de 1977 e pelo Ato de constru ção 1999. Entidade competente: Ministério da educação através do Co nselho dos arquitetos (composto por 18 conselhos regionais); ▪ E stónia , tem 600 arquitetos, 1.3 milhões de habit antes e um rácio de 0.46/1000. Título profissional: Arquite t o valida do. Entidade compet ente: UEA; Capítulo 3 80 ▪ Finlândia , tem 3050 arquitetos, 5 .3 milhões de habitantes e um rácio de 0.57/1000. Título profissional: Arquitet o . Entidade competente: não existe (cerca de 80% dos arquitetos são membros voluntários da Finn ish Association of A rchitects (SAFA)) ; ▪ França , tem 29 700 arquit etos, 63.7 milhões de habit antes e um rácio de 0.47/1000. Título profissional: Arquiteto (HMONP). A profissão encon t ra-se protegida pela Lei de 1977. Entidade competente: Council of t he Order of Architects (26 conselhos regionai s e um conselho naci onal); ▪ Grécia , tem 15 800 arquitetos, 11.2 milhões de habitan tes e um rácio de 1.41/1000. Título profissional: Arquiteto o u Arquiteto-engenh eiro. O arqu iteto nã o tem direito exclusivo. O título está protegid o sob a condição de que o arquiteto é qu alificado e cred enciado pela Technical Chamber . A interv enção do arquit eto (não obrigatória) é , em geral, limitada ao proj eto. A figura central da operação de construçã o é o engenh eiro. A atividade encontra-se regulada pela Le i 1930. Entidade competente: Te chnica l Chamber of Architects and Engineers of Greece ; ▪ Hungria , tem 10 000 arquitetos, 10 milhõ es de habitantes e um rácio de 1/1000. Títul o profissional: Arquite t o. Enti dade competente: Cha m ber of Hun garian A rchitects (MEK); ▪ Irlanda , tem2600 arquitetos, 4 .4 m ilhões de habitantes e um rácio de (0.59/1000). Título profissional: Arquit eto. A profissão não se en contra regulamentada. Entidade competente: Royal In stitut e of the Architects of I r elan d (RIAI); ▪ Itália , tem 1 45.000 arquit etos, 59.6 milhões de habitantes e um rácio de 2.43/1000. Título profissional: Doutor em Arquitetura. A at ividade encontra-se protegida pela L ei 24/06/1923 e pelo decreto 23/10/1925. Entidade c ompetente: Ordem composta por um conselho naci onal (CNAPPC) e conselh o s provinciais ( o registo é obrigat ó rio); ▪ Luxemburgo , tem 680 arquitetos, 500 000 habitantes e um rácio de 1 .36/ 1 000. Título profissional: Arquiteto. (todos os pedidos de construção t êm de ser assinados por um arquiteto) A atividade encontra-se protegida pela Lei de 13/12/1989 pela P ortaria Gand- Ducal de 17/06/1992 e pela Lei de 28/12/1988. Entidade compe tente: M inistr y of the Middle Classes through the Association of Architect s and Con sulting Engineers (Ordre des Architects et des In génieurs -Conseils, OAI) ; ▪ Malta , te m 500 arquitetos, 410 600 habitantes e um rácio de 1.21/1000. Título profissional: Perito. Entida de co mpetente: pain el nomeado pelo Ministry of R esources and Rural Affairs e por representantes do def Kamra tal-Periti + Kamra tal Periti ( Chamber of Architec ts & Ci vil Engineers ); ▪ Noruega , tem 4 000 arqu itetos, 5 milhões de habitantes e um rácio de 0.8/1 000. Título profissional: Arquiteto MNAL (volun tário). A profissão não se encontra regulamentada. Embora exista necessidad e de aprovação por parte das autoridades, para obter a licença de construção. Entidade competente: não é o brigat ório o registo, mas existem duas associações: A ssoci ation o f Consulting Archi tect Companies of Norway (Arkitektbedriftene i Norge ) e a National Association of Norwegian A r chitects (NA L ); ▪ Holanda , tem 10 00 0 arquiteto s, 16.4 m ilh ões de habitan tes e um rá cio de 0.61/10 00. Título profissional: Arquit eto. A profissã o não se e ncontra regulamentada, em bora esteja protegido o título profissional a quem estiver registado com o SBA. Entidade competente: SBA. Os arq uitetos regis tados pode m tornar-s e me mbros d o Bo nd van Nederlandse A rchitecten (B NA), a única associa ç ão profi ssional existente. ▪ Polónia , te m 13 500 arquitetos, 38.1 m ilhões de habitantes e um rácio de 0.3 5/1000. Título profissi o nal: M agist er inzyni er ar chitec t - abb r .: mgr inz. arch (Membro do IAR P). Entidade comp etente: Chamber of Architec ts of the R epublic of Polan d (IARP); A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de a poio à decisão 81 ▪ Reino Unido , t em 3 3 000 arquitetos, 6 1.2 milhões de habitantes e um rácio de 0.54/1000. Título profissional: Arquit eto. A pro fissão encontra-se regulamentada pelo A ct 19 97 . Não tem dir eito exclusivo, m as tem de estar inscrito no ARB. Entidade co mpetente: Architects Registration Board (ARB). Cer c a de 8 0% dos arq uitetos estão inscritos n o Royal Institute of B ritish Arch itects (RIBA); ▪ Esl ováq uia , tem 1628 arquitetos, 5.4 m ilhões de habitantes e um rácio de 0.3/1000. Título profissional: Arquiteto a utorizado. A profissão enc ontra-se pr o tegida. Entidade competente: Slova k Chamber of A r chitects ; ▪ Eslo vénia , tem 1420 arq uite tos, 2 m ilhões de habit antes e um ráci o de 0.71/1000. Título profissional: Arq uiteto auto rizado. Entidade co m petente: Zbornica za arhi tekturo in prostor Slovenije - ZA P S; ▪ Suécia , t em 5 400 arquitetos, 9 milhões de habitantes e um rácio de 0.6/1000. Título profissional: Arqu iteto SAR/MSA (voluntári o ). A pro fissão nã o se enco ntra regulamentada. Entidade competente: o registo não é obrigatório. Mas existe um a associação de arquit et os su ecos: Svenska Arkitek ters Riksförbund (SAR) ; ▪ Suíç a , tem 5300 arquit e tos, 9.2 m ilh ões de habitantes e um rácio de 0 .71/1 000. Título profissional: REG A ( R egisto suíç o dos arquitetos). Ent idade competente: Swi ss Society of Engineers and Archit e cts (S ociété Suisse des Ingéni e urs et des Archit ects, SIA); ▪ República Checa , tem 3300 arquitetos, 10 .4 milhões de habitantes e um rácio de 0.32/1000. Título pro fissio nal: Arquiteto autorizado (Ing Arch / Acad Arch.). Entidade competente: Czech Chamber of A rchitects (CCA); ▪ T urquia , t em 37 948 arquitetos, 70.6 milhões de habitantes e um rácio de 0 .54/1000. Título profissional: Arquit eto. Entidade competente: Chamber of Architect s of Turkey (CAT); ▪ P ortu gal , t em 19 401 ar quitetos, 10.6 milhões de habitantes e um rácio de 1.83/1000. Título pr o fissional: Arquiteto. A pr ofissão e ncontra-se regulamentada pela Lei n. 31/2009. Entidade competen te: Ordem dos Arqui tetos (OA). A presente exposição pretende enquadrar a prática profissional dos arquitetos na Europa, salientando-se que a Itália é o país com o maior nú m ero de arquitetos p o r ha bitante, seguida pela Alemanha, Portugal, Gréci a e Luxemburgo. No sentido inverso, situa-se a Eslo váquia, seguida pela República Checa e pela Bulg ária. De referir também que na maioria dos denominad o s de “países nórdicos” não existe a obrigatoriedade de regis t o numa entidade competente , sendo suficiente a conclusão do curso com a atribuição do t ítulo profissional. Por outro lado, em alg uns países a prática profissional não se enco ntr a protegida o u regulament ada por e ntid ade compete nte o u legislação e m vigor, como são os casos d a Dinamarca, Noruega, Irlanda, Holanda e Su é cia. De seguida, realiza-se uma síntese como forma de identificar a evo lução da re gulamentação da prática profissional, em alg uns dos países referenciados anteriormente, assim como os principais organismos e en tidades internacionais e nacionais. No contexto in ternacional e e uropeu a Fr ança possui já um conjunt o de organi zações que tem u m longo percurs o efetuado que se iniciou em finais do século XIX. Ce rca de dez anos após a criação da licenciatura em arquitetura é c riada em 1877 uma instituição de utilidade pública denom inada “ Société des Architectes Dip lômés par le Gouve rnemen t” - SADG , tendo alterad o, e m 1979, o nome para “ Societé Française des Architec tes” - SFA . Um dos seus principais o bjetivos é o de reunir os titulares com diploma d e arquiteto para o G overno – DPLG e de todos os outros diplo mas de Capítulo 3 82 arquitetos d o ensino superior e outros membros associados (n ão arquitetos), a fim de lhes proporcionar u m conjunto de informações no d omínio da sensibiliz ação e solida riedade. Em 1904, é criada a “ Féd ération Française du Bâtiment ” - FFB , u ma organização profissional com federações regionais, q ue tem como objetivo principal assegurar a defesa da profissão junto da administração, d os poderes púb licos, dos decisores ec onómicos e dos act o res da construçã o . Em 1971 é criada a “ Agen ce Nationa le d'Amélioratio n de l'Habitat “ - ANAH , uma instituiçã o pública que tem como o bjetivo principal implementar uma política nacional de desenvolvi mento, d e recuperação e melh o ria do parqu e edificado privad o existente. A ANA H aconselha os pr oprietários que pret endem realizar obras e atribui s ubsídios com o objetivo de melhorar o confo rto dos utentes privados. Em 1 977, é criada a “ Or dr e des architectes“ pela Lei de 3 de jan e iro de 1977. S egundo a mesma, a “ arquitectu ra é expressão da cultura e é de interess e público ”. Esta Lei rep re senta o d esejo d o legislador em preservar e promover a qualidade arqu itetónica. Dotada de u m regime jurídico e de uma autonomia financeira, encontra-se sob a tutela do Ministério da Cultura. Segu ndo o artigo nº 2 do Código de Deveres, refere que a missão do arquit e to é “ a de participar em tudo que diz res peito ao acto de construção e de ordenamento do territ ório, actuando geralment e como interveniente principal”. Por decreto de 6 d e ma rço de 1 979, surge o “Service Départemen tal de l'Architecture et du Patrimoine ” - SDAP , serviços descentralizad o s do Ministério da Cultura e da Comunicação à escala departamental. Há u m SDAP instalado em cada sed e de concelho col ocado sob a autoridade lo cal. Em 1996, eles f oram ligados administra tiv amente e exclusiva m ente ao Minis tério da Cultu ra. O SDAP tem à disposiçã o de todos os cidadãos o s pro jetos desenv olvidos ou já previamente aprovados e com pareceres anteriores, incluind o os proprietári o s dos monumentos históricos ou dos habitantes de setores pr otegidos. Tem três o bjetiv os principais: os de consultad oria, monitorização e conservação d o património: ▪ Te m u m papel de primeiro plano na promoçã o da arquitetura e da q ualidade do desenh o urbano, tend o em conta o contexto e as condiç õ es de in tegração; ▪ Emitem pareceres sobre todos o s projet os que impliquem alteraç õ es em áreas protegidas - construídas ou naturais – c o m a ambiçã o de melhorar o seu des empenho e quali dade; ▪ Tem a resp onsabilidade da direção da arquitetura e do patri mónio (catedr ais, castelos, et c.) e asseguram o cumprimen to do s trabalhos em ed ifícios classificados sob o título d e Monumentos his tóricos. Paralelamente a estes organi smo s instituci o nais reguladores da atividade da arqui tetura e do arquiteto enquan to p rofissão, surg em outr os relacion ados com a qualidade da construção e com a satisfação dos uten t es. Assim, em 1982, é criada a “ Agence Qualité Constru ction ” - AQC , que tem como objetivo principal promover a qualidade junto de grandes em presas que fo ram precursoras na área da c onstrução. Nos anos 90 surgem as primeiras certificações. Agrupa associações profissionais de dive rsas áreas como construtores, industriais, segurad oras, projetistas, organismos de certificação e ainda organizaçõ es governamentais. H oje o seu objetivo principal é prevenir as patologias e melhorar a qualidade da construção, com trabalho realizad o como as especificaçõe s da “ Pathologie du Bâtim ent. “ Em 2005, surge a Cer qual que t em co mo objetivo a certificação do “ Patrimoine Habitat ” - PH e do “Patrimoine Hab itat & Environnement ” - PHE , destinad as às operações de r eabilitação d e edifícios, nomeadamente, habitação cole tiva existente e conjuntos de habitações individuais, e o “Le Bilan A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de a poio à decisão 83 Patrimoine Habitat ” na realização de u m diagnóstico do património. A certificação “P atrimoine Habitat” ou “P atrimoine Habitat & Environnement” subdivide-se em duas fases: a primeira consiste na elaboração de um relatório técnic o e documental apoiado em registo s fotográficos, após vistoria do est ado de conservação do edifício - “ Bilan Patrimonie Habitat” - BPH ; a segun da fase trata da certificação do pr o duto liga do a um pr ograma de reabilitação. Mais recentemente, e segund o dados da ” Fédération Française du Bâtiment” – FFB , a construção e m França sofreu em 2008 um declínio no volume de trabal ho de cerca de 1.5%, tend o chegado em 2009 a cerca de 4%. Po r outro lado, a construção nova representa cer ca de 75% do trabalh o dos arquitetos contra cerca de 25% face a trabalh os de reabilitação. No Reino Unido, o registo o ficial da figura do arquiteto data de 1931. Nesse mesmo ano é criado o “ Architects Registraction Act “ , tendo sido alargado o registo, mais tarde, também à Irlanda do Norte de acordo com s upervisã o da Ordem do Conselho , mais t ard e em 1938. E ste registo requer a aprovação da “A rchitects Registration Council of the United Kingdom” - ARCUK . Em 1997, o Parlamento esta belece uma Lei reguladora q ue define os parâmetros de registo por parte dos arquitetos, alterando a anterior de 1931-1938. O “ Architects Registration Board” - ARB fica com poderes de algu ma forma m ais definidos, com a no va Lei de 1997. O documento pretende uma melhor definição das cond ições de registo, da definição do papel do arquiteto, da sua conduta profissional. Para a prática da profissão todos os arquitetos têm de estar registad os no ARB. O “ Royal Institute of Br itish Architects” - RIBA é criado em 1834, com o objetivo de co nstituir um avanço geral da arquitetura civ il, e para promover e f acilitar a aquisição de conheciment o nas v árias artes e ciências relacionadas entre elas. Em E spanha, é criado em 1929 o “Conselho Superior de Colégios de Arquitectos de Espanha” - CSCAE por iniciativa das socieda des de arquitetos então e xistentes, e ratificad o em 1931 pelas Cort es Constituintes m ediante Lei. Os Colégi os constitue m uma organizaçã o plural, r e speitosa de todas as peculiaridades territoriais m ediante uma auton o mia de cada um, mas unitária através do C o nselh o Superior dos Colégi os q ue garante o interesse comu m e geral d e todos. Atual m ente o CSCAE reúne 26 C olégios. Existe um registo obrigatório como ato de controlo do Colégio que corresponde legalmente, à permissã o de exercer como condiçã o necessária de validação e eficácia dos t raba lhos profissionais e e m conformidade com o disp osto no a rtículo 2 do Real Decreto 1000/2010, de 5 de agosto. Em 1996 é criado um grupo de trabalh o denominado “ Hábitat Ii Minister io de Fomento ”, com o o bjetivo de coordenar e impulsionar a participação geral dos diversos setores interessados. O CSCAE é membr o do Comit é Nacional " Hábitat II " d o Ministéri o de Fomento d esde 1996. Na Ho landa, o “Koninklijke Maastschappij tot Bevordering der Bouwkunst bond van Nederlandse Architecten “ - BN A , inser ido no Royal In s titute of Dutch A rchitects r epresenta a organização profissional dos arquitetos nos Países Baixos. Tem como antecessores a “ Society for t he Advancement of Architecture ” e a “ Associa tion of Dutch Architects ”, que foram criadas em 1 842 e 1908, re spetiv amente, mas em 191 9 fundiram-se para criar o presente Instituto. Rece be patrocíni o real em 1957. Não é contudo obrigatória a inscrição para o exercício da profissão, basta os arquitetos encontrare m-se inscritos no “ Stichting Bureau Architectenregister“ - SBA , se ndo o referido título protegido pela Lei A rchitects Title de 1988. Em Itália, a “Ordine degli architetti, Planificatori, P aes aggisti e Conservatori ” - CNAPPC é criada pelo Ministério da justiça com a L ei 1395 -1323 e tem como antecess or o Conselho Nacional dos Arquitetos, na sequência da entrada em vigor do D ecreto 328/01. Está dividida em vários departament os correspon dentes às v árias províncias . Segundo o art . 4, paragra fo 2º da Co nstituiçã o italiana: “Todo o cidadão tem o deve r de executar de acordo com as suas pos sibilid ades, e e scolhas Capítulo 3 84 individu ais tarefa ou função que contribua para o progresso material ou espiritual da soci edade”. A profissão de arquiteto é uma ex pressão da cultura e da tecnologia que impõe d everes, e tem historicamente reconhecid o o seu papel na transfo rmação física do territóri o , na valorização e conservação das paisagens, urbanas e naturais, do pa trimónio históric o e artístico e do planeament o da cidade e do território. Na Alemanha, é criado em 1 970 o “Architekenkam mer Nordrhein-Westfal en” - AKNW . É necessário realizar uma prova de conh e cimentos e ter dois anos d e experiência profissional para se ser membr o. Desde 2005, todos o s membros tê m anualmente de prestar provas de forma a docum entar a sua prestação pr ofissional. No contexto internaci o nal n ão europeu destaca m-se dois países : o Brasil e o Jap ão . No Brasil, é criado em 1921 o “ Instituto Brasileiro de Arquitetura” e mais t arde, a “ S ociedade Central Arquitetos”. Entre tanto, estas duas instituições dão lugar, em 1924, ao “Instituto Central de Arquitetos ”. Por volta de 1934 e apó s uma reforma estatutária surge o “ Instit uto de Arquitetos do Brasil ” - I AB , que se m an tém até ao s dias atuais sob essa denominação. O P lan o nacional do IAB tem trabalhado pela descentraliz ação da atuação e partic ip ação dos departament os nas gestões regionais e no plano internaci o nal pela ampliação e fortalecimento das relaç õ es do Institu to com as entidades do exterior. Em 2011, sur ge o “ Conselh o de Arquitectura e Urbanismo” - CAU que pretende “Reafirmar a importância da arquitectura como manifestação cultural, necessária à emancipação de um povo, instrumento eficaz para o dese nvolvim ento de cidades republicanas, democráticas e constituintes de ci dadania nesse país de múltiplas temporalida des”. No Jap ão, é criado em 1886 o “ Architectu ral Insti tute of Japã o ” - AIJ . E sta as sociação tem c e rca de 35.000 m embros. É um a organização sem fins lucrativos para arquitetos, engenheiros e pesquisadores de construç ão em todas as áreas da arquitetura. O principal objetivo d o Instituto é divulgar os projetos dos seus membros para aumentar a qualidade arquitetónica no Japão. Investigadores, oficiais de outras associações de arquitetura o u outros órgãos públicos, também podem ser me m bros. No co ntext o nacional, é criada, em 1998, a “ Ordem dos Arquitectos” - OA , através do Decreto-Lei n.º 176/98, s e ndo uma assoc iação pú blica para a profissão de arquiteto e para a arquitetura. Tem contudo uma longa história ass ociativa cuja orige m formal remonta a 1863 (Ass ociação dos Arquitetos Civis Portugu eses). A primeira referência a uma agrem iação portu guesa envolvendo arquitetos remonta a 1602, com a criação da Irm anda de de São Lucas. Hoje, representa todos os que exercem a profissã o de arq uiteto. T em sede naci onal em Lisboa e duas Sedes regionais: a Secção Regional do Norte no Porto, e Secção Re gional do Sul em Lisboa. Tem também várias De legaçõ es e Núcleos em t odo o País. Para alé m, destes organismos regulamentad ores da profissão, e xistem também, outros organis mos internacionais e grup os de trabalh o de divulgaçã o, das quais se destaca m: ▪ União Internaciona l de Arquitetos - UIA é criada em 1948 na Lausana, Suíça. O principal objetivo é contribuir e facilitar os contatos entre o s arquitetos, a fim de enriq uecer os conhecimentos e ideias entre todos ; ▪ Con selho de Arquitetos de Europa - C AE é criado em Tre viso pela fusão do CLAEU- “Comité Europeu d e Arqui t ectos da Eu r opa Unida” e o CEA - “Con selho Euro peu de Arquitectos ”, e Assembleia Co nstituinte celebrada em 1990. O CAE agrupa as A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de a poio à decisão 85 organizações de arquite tos dos países me m bros da União Eur opeia e as o rgan izações dos arquitetos da Suíça e Noruega, sendo membros o bservadores das Organiza ções d e Chipre, Estónia, Hungria, L ituânia, Polónia, Re públi ca Checa, Eslo vénia e Turquia. O principal objetivo visa uma dedicação para uma melhor compreensão dos valores culturais promovendo os mais altos padrões de ensino e prática da arquitetura tentando garantir e promover a independência e a integrid ade da profissão da arquitetu ra na União Europeia, en contran do um consens o entre os membros da o rganização ; ▪ Green Building Challenge - GBC é um projeto de cooperação e ntre os distin tos países que tem como objetivo o dese nvolvim ento de uma metodologia de av aliação do comportament o ecológico dos edifícios e cuja segunda fase cul m inou num Congress o Internacional realiz ado em Maastricht, Holand a, em 2000; ▪ Federação internacional para a vivenda e urbanis mo - FIVU é criada em 1913, e tem como obj etivo principal promover intercâmbi o s relat ivos a edificação e ao urbanismo entre os arquitet o s a nível mundial ; ▪ European Ass ociation for Architectural Educat ion - EAAE é criada em 1975 , sendo uma associação internacional biling ue (inglesa e francesa), sem fins lucrativos, que tem como objetivo principal a t roc a de ideias e pessoas dentro do campo da edu cação e investigação arquit e tónica, assim como m elhorar a b ase de conheciment o e qualidad e de ensino do d esenho arqu it etónico e urban o ; ▪ T he European Confederation of Salaried Architects Groups - EUROSAG , criada acerca de 18 anos como um manifesto, m as foi rejeitad o pelo RIBA Council. As reuniões estão agora a se r gerida s pela instituição no país de acolhi mento tendo sido o encon t ro m ais recente da responsabili dade do Instituto Real de Arquitetos H o landeses. Os tem as principais abordados são relacionad os com as pressões co merciais, políticas e sociais enfrentados pelos arquitec tos e para o significado e as im plicaçõ es d o meio a mbiente construído. Conforme se constata, o estatuto da profissão de arqu iteto sofreu, e ssencialm ente a partir do início do século XX, u m a efetiva determinaçã o da sua i mportância na sociedade. O arquiteto como interveniente em todo o p rocesso de definição da obra de arquitetura t em, como se v erificou, organismos reguladores da sua ativ idad e, que se iniciaram na Europa no Pós-Gue rra, numa altura em que as necessidades de rec onstrução das cid ades eram fund amentais. Hoje, todos o s restantes o rganismos internacionais o ficiais são preponderantes para divulgar a prática da arquitetura, para garan tir e prom over a sua atividade e integridade da profissão e também pela troca de experiências e cooperação entre os v ários países. O papel da arquitetura e do arquitet o são, deste mod o , incontornáveis n o crescimento e de senvolvimento da sociedad e e das cidades. 3.3 C ONCEÇÃO ARQUITETÓNIC A 3.3.1 I NTRODUÇÃO Referenciando Portas (2008), Ben evolo terá pro ferido num Co ngresso em Turim que “se gastou muito tempo a discutir sobre o adjetivo: como se fazia arquitectura moderna, em r elação à antiga – e muito pouco sobre o subs tantivo: como se modificava o próprio con ceito de arquitectura no novo quadro cultural ”. Tendo o movimento para a arquitetu ra moderna te rminado há m ais de cinquen ta anos, Po rtas (2008) consid era que “ o que interessa procurar no passado é aquilo que mudou, não nas formas nem sequer nos conteúdos, mas na própria noção de arquitectura e nos seus limites em Capítulo 3 92 Pode considerar-se, como afirma Vieira de Almeida (2008), que o espaço da arquitetura é um espaço vivenciado, cultural m ente enquadrado e definid o. Po dem existir arquitetos que, atendendo ao espaço, o percebe m , apenas o u quase como estrutura preexistente e del e apenas reco rte m fatias para os seus pr o jetos, cas o dum Mies van der Rohe, em que pod e ria dizer a riq ueza expressiva da matéria espacial resulta ambígua. Pode m e xistir arqu itetos que, e ntend endo os diferentes sistemas em que o espaço da arquitetura se define, decidam instaurar o se u próprio e spaço expressivo, como genialmente o fez um Llyod Wright. Podem e xistir arquitetos que delibera damente cultivam o desconhecimento do sentido es paço espacial da arq ui tetura, mas estes serão os mais limitados. O arquiteto, com a experiência e a maturidad e iner e nte, irá tendencialmente co nstruir a sua própria linguag em que correspond a com a sua forma de pr o jetar. Neste raciocínio o mesmo autor define como pólos de criação arquitetónica t rês: o da coe rência interna, o da coer ência externa e o da coerência da ling uagem. ( Fig.3.2 ) Coerê ncia de linguagem C A B Coerê ncia Inte rna Coerên cia extern a (programa) (enqua dramento, lugar, paisagem) Fig. 3.2 - Pólo s de criação arq uitetón ica. A co erência interna (pólo A) agrupa to da a discussão sobre a noção de função e corresponde à resposta a uma f o rmulaçã o de um programa, resp osta que e m g e ral é estruturada em te rm os de organigrama-analíti c o. A co erência externa (pólo B) tem pelo menos igual peso na conceção arquitetónica e corresponde ao enquadrament o de tudo o que de exterior à im ediata conformação da arquitetura é determinant e para um seu delimitar concreto. Nest e pólo agrupam- se todas as dete rminant es de lugar e paisagem, bem como as d eterminaçõ es das preexistências pa trimo niais que a localizaçã o em si co mpreende. O terceiro pó lo (C) será o da co erência da linguagem que ganha importância com a maturidade profissional e com a escolha e criação de uma linguag em particular de arquitetura, que lhe corresponda. Contudo salvaguarda que pode decidir-se anular qualquer dos aspetos que eles enquadra m, e mesmo alterar a o rdem de sua importância. Aqu i assume-se o papel da experi ência do arquiteto como u m factor importante para o ato de projetar. Este fator tem um papel preponderan te em todo o process o de co nceçã o. Como a tal “ espécie de corr edor atravé s do qual é necessário pa ssar p ara chegar, mas que não nos ensina sobre a arte de caminh ar ”(Gregotti, 1975), assim se rá o percurso do arquiteto determinante na c oncretizaçã o de cada obra. Nos pro jetos sobre o existente, o ato de projectar torna-se mais complexo, aperfeiç o ado, enriquecido por novos compo rta m entos e instrumentos. So bre es t e aspeto c onsidera qu e o m otivo é o me sm o, ou seja, vê o artefacto como ruína apenas num segundo momento, depois o u durante a e laboração do projeto; não estuda antes A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de a poio à decisão 93 a ruína com o os arqueólog os. Depois está a q uestão dos materiais : se deve i ntervir no antig o com materiais modern os, aço e vidro, ou com mat eriais antigos, a p edra. E acrescenta : “Mas quem disse que a ped ra é m ais antiga que o vidro, a adjectivação depende da utilização que se faz. Não per cebo este manifesto pseudo-ético segund o o qual o antigo é o antigo e o novo é o novo, porque o antigo é antig o e novo contemporan eamente, foi novo na altu ra da mudanç a da linguag em.” Numa arquite tura não deve existir apenas um sistema de sentido- fo rmal, construtivo, de programa, mas deve existir, acima de tudo, um esp aço que aceite também c o ntradiç ões tornando-o u m motivo de qualidade. Lacerda (2007) salienta o facto de o mo do de projetar e ver a arquit etura terem sofrido muitas alterações, mais ao níve l do conteúdo do que da sua fo rma, e que as facilidades/dificuldades de realização, interpreta ção que o arquiteto inv estiga dura nte o processo de realização de proj eto ou construção, contextualiza m as le ituras que se fazem desses próprios edifícios. Estes aspetos variam conforme os níveis culturai s/intelectuais, económicos e sociais dos intervenientes em questão e das suas c apacidades de aprendizagem ou estruturas de perso nalidade e de id e ntidade pessoal. A força de um bom pr ojeto encontr a-se acima de tudo nos próprios intervenientes de todo esse processo e nas suas capacidades de percecionarem e interpretarem o que os rodeia. D e facto, i sso é verdade e foi já referido, de como todos os intervenient es e a capacidad e de perceção do auto r de projeto – o arquiteto, de tudo o que o ro deia, são fundamentais para a co ncretizaçã o d o mesmo. Mas essa concretização necessita de um método suportado por um plano de t rabalh os nas várias fases de projeto. Em Portugal, as várias fas e s de pr ojeto estão re gula mentadas atra vés da Port aria 701H/2 008, que define as seguintes fase s, algumas das quais podem ser suprimidas na sua apresentação fo rmal, por acordo entre o do no da obra e o autor de projeto: P rograma Preliminar, Programa Base, Estudo Prévio, Antepr ojeto ou Proj e to Base e Pr ojeto de Exec ução e Assistência t écnica. Sendo m ais o u m enos do conhecimento comum estas fases de projeto, interessa fo car, no co ntext o internacional, como é realiz ado o mesmo faseament o . D estacam-se dois documentos, o da norma ISO 15686-10 (2 010) e o Plano de trab alho do RIBA que se mantinha d esde 1991 e o novo em 2013. Relativamente à norma ISO 15686-10 (2010) é apre sentado o esquema com t odas as fases d o c iclo de vida de um edifíci o, inclui ndo a fase de projeto ( Portfolio managenment e Portfolio delivery ). No Anexo B desta norma é estabelecida a c omparação entre esta norma e outra norma, a ISO 29481-1. No Quadro 3.2 ap resenta-s e a respetiva traduçã o de a cordo com a referida n orma: Quadr o 3.2 - Fases de p rojeto (norma ISO 15686-10, 2010 ). F ASEAMENTO SUB - FASES P RINCIPAIS TAREF AS Estratégia Portfolio strate gy Desenvolver e manter a estra tégia de portfólio , plan ear e definir priorida des de projeto . Exigências Portfolio req uirement s Criar e manter o estud o estratégico p ara o portfolio. Portfolio Portfolio o peration s Iniciação Project initiatio n Estabelecer o estudo e stratég ico para o projeto específico, incluind o o n egócio e outra s exigências, e r ealizar uma reu nião Capítulo 3 94 Quadr o 3.2 - Fases de p rojeto (norma ISO 15686-10, 2010 ). (continu ação) F ASEAMENTO SUB - FASES P RINCIPAIS TAREF AS com o client e. Portfolio Portfolio o peration s Iniciação Project initiatio n Iniciar e autoriz ar o in ício do projeto para satisfazer as ne cessidade s. Conce ção Concep tion o f need Identificar as op ções d e soluç ões potenciais de a cordo co m as necessidad es que permitam p lanear a viabil idad e; Criar um do cumento de p ré-e studo, q ue inclui as exig ências gerai s do cliente. Analisar a viab ilidade da s opç ões da solução ap resentad a na Fase de con ceção; Realizar e studo d e viabilidade de aco rdo com a opçã o recomen dada, incluin do o processo d e obtenção . Viabilidade Feasibility Definir o estu do pr évio do proj eto. Autor ização Authoriza tion Selecionar o contra to de a cordo co m a opção r ecomendada Definir o orça mento e o utros documento s necessário s Obter as dev idas apro vações finan ceiras. Fases pré -projeto Pre-project stages Primeiro cont rato First proc urement Conduz ir o con trato d e acordo com o processo ap rovado. Projeto con ceptual inicial Initial o r outline conce ptual design Definir os p rincipais el emento s e opçõe s de projeto de acord o com a s olução selecionada . Projeto pre liminar Preliminary de sign Desenvolver o p rojeto at é à fa se de execução. Desenvolver um estud o de manu tenção . Projeto de e xecução Detailed (coo rdinated ) design Desenvolver o p rojeto d e exe cução e todos os d ocumentos r espetiv os com a s especificaçõe s técnica s. Contr ato d e obra Constructio n procu rement Realizar o co ncurso e ad judica ção d a ob ra; Inform ação Product ion in formation Finalizar t odo o processo (doc umentação , etc.). Constr ução Constructio n Construção da ob ra. Entrega d e pr ojeto Project delivery Entrega (c onclusão da o bra) Commissioning Preparar a entrega d a obra , atualizar documentos n ecessário s e ver ificar todo o processo d e entrega. De referir que es ta nor ma d efine as fases seguin tes do ciclo de vida do edifíci o , send o qu e, após a última fase de Entrega de projeto, existem mais t rês fases: compor tamento em se rviço, mudança de status e fim de vida, que inclui a sua d esconstrução, r e ciclagem e de m olição. A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de a poio à decisão 95 De salien tar o fa cto de a norma prever um estudo d e manut enção ainda nas f ases preli m inares de projeto, que posterior mente, durante a fase de comp ortamento em ser viço, é implementada, com os procedimentos e ações definid os e com a respetiva m onotorizaçã o . A norma define em concret o para a fase de comportamento em serviço e relati vamente à manutenção: uma manutenção de rotina com intervalos prog ram ados, uma manutenção de tarefas especiais e o rdens de serviç o, uma manutenção preditiva de condição, uma monitorização com inspeções, m anter os dados atualizados e a condição de estado dos principais sistemas e componentes d o edifício, e atual izar os dados BIM. Relativamente ao Plano de trabalh o do RIBA (1991), este é di vidido em 1 2 fases e está inclu ído no “Architect´s Handbo ok of Practise Management” (1991). No Quadro 3.3 apresenta-se a respetiv a tradução de ac ordo com o referido p lano de trabalh o s: Quadr o 3.3 - Fases de p rojeto (RIBA, 199 1). F ASEAMENTO P RINCIPAIS TAREF AS I NTERVENIENTE S Inicio Incep tion Reunião co m cliente. Cliente e d emais inter essados , arquiteto . Viabilidade Feasibility Realizar e studos das exi gência s do cliente, das con dições d o loca l, os planos, custos, etc., de a cord o com as neces sidades das de cisões a ter em conta. Cliente, arqu iteto, engenh eiro s e QS de acord o com a n atureza do projeto. A pró xima fase inic ia-se o est udo do arq uiteto for considerado suficientem ente detalhado Desenvolver o estudo com brevidade. Propo stas Outline Pro posals Realizar e studos sobre a s necessidade s dos utent es, eventuais p roblema s técnicos , planos, projeto e cu stos, de a cordo com as nece ssidade s das decisõe s a ter em conta . Cliente, arqu iteto, engenh eiro s e QS e todo s os técnicos d e especialidad es nece ssários. Desenvolvi mento do estudo fi nal, desenhos do a rquiteto do p rojeto e estudos pr elimina res dos engenheiro s, prepara ção do plano de custos e memoria d escriti va completa. Esquema d o projeto Sche me De sign Submissão d a pro posta a todas as aprovaçõe s. Cliente, arqu iteto, engenh eiro s e QS e todo s os técnicos d e especialidad es nece ssários e entidad es para ap rovação. O estud o não deve se r modificado a par tir deste p onto Projeto comp leto de cada par te e componente d o edifí cio com a colabora ção de to da a equipa envolvida. Projeto de execução Detail De sign Orçamentação. Arquiteto, QS, engenh eiros e especialista s e empre iteiro (s e já definido). Capítulo 3 96 Quadr o 3.3 - Fases de p rojeto (RIBA, 199 1). (contin uação) F ASEAMENTO P RINCIPAIS TAREF AS I NTERVENIENTE S Inform ação Product ion In formation Preparação final de d ocument os e desenhos. Arquiteto, engenheiro s e especialista s e empre iteiro (s e já definido). Plano de quan tidades Bills of Quantit ies Elabo ração do plan o de quan tidades e do cumentos p ara concurso. Arquiteto, QS, engenh eiros e especialista s e empre iteiro. Concu rso Tender Act ion Ações reco mendada s no NJC C - Code o f proced ure for selec tive tende ring. Arquiteto, QS, engenh eiros e especialista s e empre iteiro. Planeamen to d e projeto Project Plannin g Ações de aco rdo com o Plano de trabalh os RIBA. Empreiteiro e sub- empreiteir os. Operaç ões em obra Operations o n Sit e Ações de aco rdo com o Plano de trabalh os RIBA. Arquiteto, QS, engenh eiros, empreiteiro, sub-empr eiteiros e cliente. Conclu são Complet ion Ações de aco rdo com o Plano de trabalh os RIBA. Arquiteto, QS, engenh eiros, empreiteiro e c liente. Análise dos trab alhos efetuad os. Feedba ck Feedba ck Inspeções de fi m de ob ra. Est udo s de utiliza ção. Arquiteto, QS, engenh eiros, empreiteiro e c liente. Entretanto houve u ma atualização do Plano de trabal ho e o novo é dividid o em oito fases, agrupando alguma informação que se encontrava dividid a no P lano de trabalho anterior. No Quadro 3.4 apresenta-se a r espetiva tr adução de acord o com o re ferido Plano de tr abalho: Quadr o 3.4 - Fases de p rojeto ( RIBA, 2013). F ASEAMENTO P RINCIPAIS TAREF AS Definição estraté gica Strateg ic Definitio n Identificar o projeto d e negóci o do cliente, o estud o estrat égico e o utros requisitos nucl eare s do pro jeto. Desenvolver o s objeti vos do p rojeto, in cluindo os ob jetivos de q ualidad e e os outc omes d o pro jeto, aspetos sustentá veis, o orçament o do pro jeto e outros p arâmetro s ou restri ções. Desenvolver o estudo inicial d o p rojeto. Realiza r estudos d e viabilidad e e rever informa ções d o local. Prepar ação e estudo Preparation and Brief Preparar a entrega d e um Pla no e a avaliação d e risco. Preparar o projeto de conceç ão, in cluindo prop ostas preliminare s para o projeto estrut ural, d as instala ções, as especificaçõ es e infor maçõe s, e um estudo p reliminar de cust os. Preparar a s Estratégia s mais r elevantes do projeto de acord o co m o programa. (Pla nos de Su stent abilid ade, M anut enção e Operacion al). Definir o Plano de Segu rança e Saúde e re ver a a valiação de risco. Projeto de Co nceção Concep t Design Acordar a s necessárias a lteraç ões e conc luir o estudo final do pr ojeto. A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de a poio à decisão 97 Quadr o 3.4 - Fases de p rojeto (RIBA, 201 3). (contin uação) F ASEAMENTO O BJETIVOS DAS PRINCI PA IS TARE FAS Preparar o projeto , incluin do as várias p ropostas d os projet os de especialidad es definido s para o p rojeto estrutu ral e d as insta lações, as especificaçõe s e infor mações, a in formação de cu stos, e as estraté gias de projeto de acord o com o p rograma. Rever os Plano s de Su stentab ilidade, Manu tenç ão e Estratégia Operaciona l) e a avalia ção de r isco. Projeto Develop ed Desig n Rever e atua lizar o Pla no d e Segurança e Saú de e a avalia çã o d e risco. Preparar o projeto de execuçã o de aco rdo com o projeto de matrix d e responsabilidad es e e stratégi as que in cluam a in formação arq uitetónica , estrutural, e das instalaçõ es d o pro jeto do edifício, os sub- empr eiteiros especialista s e toda a demais especifica ção d e com o pro gra ma. Rever e atua lizar os Plan os de Sustentabilid ade, M anut enção e Operaciona l) e a avalia ção de r isco. Projeto técn ico Technic al Design Rever o Plan o de con strução e consequen te at ualizaçã o do Plano d e Segurança e Saú de. Execução d e acordo com o pro grama de con strução e r esolu ção de eventuais q uestões qu e possa m surgir na obra. Rever e atua lizar os Plan os de Sustentabilid ade. Constr ução Constructio n Atualizar o Plan o de Seguran ça e Saúd e. Atualizar toda a informação do p rojeto n ecessária. Entrega d a obr a Hando ver and Close Out Entrega da ob ra e conclu são do Con trato do edifício. Implementar as medid as defi nida s nos Planos, in cluin do a realização d e uma avaliação POE, de desem penho do pr ojeto, ent re outros. Empreender o s serviço s de uti lização de acord o com a Tab ela d e serviços. Utilização In Use Garantir a atua lização d as informações d o proj eto, con forme necessário , em resposta ao constant e feed back d o cliente até o final d a vida út il do edifício. A fase de utilização inclui informação atualizada do projeto final em concordância com o feedback do cliente e o desenvolvimen to das o perações de manutenção. No novo document o do plano de trabalhos do RIBA (2013), é reduzido o faseamento do plano de trabalhos em relação ao anterior , mas, para além da defin ição das principais t arefas, é dado to do um outro conjunto de recomendações so bre o programa, o planeamento e o utras informações de suporte para a execução das v árias tarefas. As preocup ações c o m a m anutenção são neste no v o Plan o d e trabalho incluídas nas fases preliminares de pr ojeto, apesar de as principai s tarefas que define são, e ssencialm ente, no domínio das estra tégias de sustentabilidade. Em Portugal, há pois ainda um lo ngo caminho a percorrer nesse sentido, devendo a manutenção não só ser incluída na fase de utilização (apropriaçã o ), mas t ambém durante o processo de conceção, ou seja, nas fases pr eliminares de projeto. Capítulo 3 98 3.3.6 F ORMAÇÃO DO ARQUITETO A prime ira condição da memória situa-se nu ma escolha sobre o que fazer so breviver e o que esquecer, mas para que exi sta esquecimento é necessário que te nha m existido co isas para recordar e depois para fazer reviver. O c onhecimento do arquiteto, e o que e le própri o irá construir, será objeto do que apreend eu na sua formação como profissional e com o pessoa, e que, necessariamente, se molda rá ao lo ngo dos anos, fruto também da experiência e vivências adquirid as. No processo criativo t udo é impo rtante, porque nada prece de nada. Assim, a base do conheciment o do arquiteto é fund amental, isto é, o conhecimen to para e nã o apenas em si. O autor Purini (2009) refere que “ P ara pensar , desenhar, c onstruir a arquitectura, é n ecessário conhecê-la . Conhecê-la significa, antes de mais habitá-la… para apreciar os valores visivo-tacteis, dos seus m ateriais, pa ra constatar como a luz a constrói, para avaliar de que forma enfrenta a prova do contexto ”. É i mportante o conhe cimento d a his t ória d a arquitetura, mas ta m bém nã o é m enos importante o conheciment o da natureza do s temas que surgem em todas as épocas da arquitetura, ou seja, de nada se rviria este conh ecimento s e n o moment o central da co mposição es ta não fosse totalmente esquecid a. Relativamente à formação do arquiteto, Vitruvius Pollio (Maciel, 2 006) considera ser conveniente que o arquiteto possa, em todas as artes e doutrina s, fazer mais do que aquel e s que, através dos seus e sforços e das suas reflexões, elevaram cada um dos ramos d o c o nhecimento à m ais alta ilustração. Coisa esta que, efetivamente, nã o se p ode verificar. Na verdade, todo o conhecimento subjacente ao ato de projeta está muit o ligad o a o conhe cimento científico, o nde a o bserva ção, colocação de hip óteses, a reflexã o e a síntese te m por base a razã o que a materializ a. Vieira de Alm eida (2008) re fere que, “ para aqueles que têm medo de que a tentativa de um entendimento nacionaliza dor ve nha prejudicar a espontaneida de da criação, ape nas pode dizer que é sua convicção ai nda que o ensino da arquitectura terá sempre algo de hermétic o, que se não pod e verdadeiramente ensinar mas apenas talvez aprende r. Como a arquitectura ela mesma, a pedagogia a ela r elativa é obrigatoriamente aberta, dependendo a capacidad e de f ormação, em ultima instância, da capacidad e d e autoformação de cada aluno. Cada arquitecto ser á necessariamente um autodida cta”. Na realidade p rojetar, e nq uanto ato de cria ção, não é uma atividade contínua, pois h á se mpre dúvidas q ue originam con stantes avanços e re t rocessos. A ativ idade do arquiteto é um a tarefa complexa, pois implica a interação de um número considerável de v ariáveis. E convé m também não esquecer que a arquit etura não é o bra de um únic o interveniente. Ela é fruto do trabalho de u ma númerosa e quipa com uma pluralidade de competên cias té cnicas, coordenadas pelo arquiteto. A formação do arquite to prop orciona-lhe um acesso a instrumentos que lhe v ão p e rmitir desenvolver uma deter minada lin guage m própria. Todas as coisas de que a arquitetura faz uso são apr o priadas conforme critéri os internos à própria criação. E aqui, co nvém nã o esquecer um a fase não me nos importante, e que já foi referida, a da apr o priaçã o. Segundo o m esmo aut o r, o s asp etos d a ética profissional defin em -se na ati tude que se souber manter durante a fase de projeto, em relação àquela da fase de uso, deixand o consciente m ente bem definido a fase de us o/apropriação do processo da a rquitetura. Nesta última fase do processo decide-se também do e mpenhament o ideo lógic o da arquitet ura que se pro jeta. E aqui existem dois aspetos o postos : o eximir-se voluntariament e de lev ar a sua definição fo rmal tão longe que constranja, ou mesmo impeça, a intervenção d o uso co mo vetor de criação, comprometendo-s e a não anu lar o factor abertu ra. E não de v e r estringir a sua d efinição f ormal tã o ce do qu e s e exima à sua responsabilidade de ori entar esse uso, essa ab e rtura. A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de a poio à decisão 99 Durante a formação académica do arquiteto, para além da importância em dar-lhe a conhecer toda a história da arquitetura, todos os tratados, princípios e regula m entos, é também necessário per mitir dotá-lo de pensa mento crítico e liv re de “víci os”. Louis Kahn referiu nu m texto s obre a importância da formação do arquitet o ( extraíd o de Q uar oni, 1987), uma história sobre a sua experiência profissional, que s e entende repr oduzir: “Antes de mais quero dizer que a arquitectura não existe. Existe uma obra de arquitectura. E uma obra de arquitectura é uma ofer ta à arquitectura na esperança de que est a obra possa fazer parte do tesouro d a arquitectura (..) Pensamos só na es tupenda e xpressão artística que foi in spirada por Adriano. Adriano queria u m lug ar em que cada qual pudesse participar do mesmo m odo nos ritua is religiosos. O resul tado foi o Panteão. E que esplêndida inter pretação nos deu! (…) Vou contar-vos uma experiênc ia escolar muito recente. O tema a tratar era um Mosteiro. Partimos do pressuposto de que até hoje nunca existiu nenh um. Eu era um eremita que tinha toda a ideia de socializar alguns elementos e juntá-los num único l ugar. Devíamos esquecer as palavras monge, refeitório, capela, cela. Durante duas semanas não fizemos nada. Logo uma aluna disse: e u creio que a cela é o elemento mais importante desta comuni dade e que a cela dá direito à capela a existir, a capela dá direito a existir o refeitório e que o refeitório ob tém o seu direito a existir a partir da cela, como também o lugar de retiro e as oficinas”.(…) Devo reconhece r que os p rojectos destes dois alunos er am bastante soltos, mas a inspiração das suas palavras foi muito orientadora para toda a turma. O a luno mais brilhante da t urma, um r apaz inglês, fez um magnífico projecto ond e introduziu novos elementos. Po r exemplo, a exigênc ia de um percurso que dominasse a composição. Colo cou o r efeitório a uma milha de distância do centro do mosteiro para tr ás do r etiro, dizendo que para o retiro era uma honra estar próximo do mosteiro que se devia dedicar uma par te importan te da construção. Estou cert o de que se lhes tivesse dado antes uma l ista com os requisitos, a tur ma não ter ia tido ideias deste tipo. O núcleo original do c onceito do Mosteiro nã o se perdeu, antes pelo cont rário, ao reconsiderar o seu espírito acabou-se por compreendê-lo m elhor. E é es ta a razão do meu interesse neste núcleo, na s ua realização form al, no seu significado form al, na realização das partes inseparáveis du ma entidad e em uma entidade. Por isso conside ro essencial que o arquitecto não siga nunca uma lis ta, o programa que lhe é dado, mas que o considere s ó como um ponto de partida no que se r efere à quantidade, nunca à qualidade. Pela m esma r azão de que o pr ograma n ão é arquitectura, mas simple s mente uma indicação, como poderia ser a receita para o farmacêutico. ” Numa perspetiv a pessoal, na formação do arquitet o tem de fazer parte a aproximação ao real e concreto, com o devido conhecimento de todos os instrumentos existentes ao seu dispor. Ente nde- se que o P lano de trabalho co mo metodologia par a a c oncretizaçã o de um p rojeto é fu ndamental, como ferramenta de trabalho. Também é ve rdad e que tem de existir o devido equilíb rio entre as exigências nec essárias par a dar c umprimento às n ecessidades d o cliente /utente e entre t o do o processo c riativ o. É fundamental durante a formaç ão do arquiteto haver u ma lib erdade no se u pensamento crítico que lhe permita abordar o projeto construindo uma linguagem própria, m as dando-lhe simultaneament e, durante o seu percurso de fo rmaçã o, os meios necessários para que entenda que to das as exigências necessárias e obrigatórias devem estar subentendidas desde o inicio. Capítulo 3 100 3.3.6.1 Relaçã o Arquiteto/ Cliente O arquiteto Siza Vieira referiu um dia que para ele a arquitetura e ra um tema de espaço e de relacionamento, de infind áv el relacionam ento. E num sentido mais restrito, também o é, com o cliente, na m edida em que o futuro “sucesso” da o bra depende muito da relação que e xistir entre o arquiteto e o cliente. Desde o início existem ex pet ativas legítimas de parte a parte . Da parte do cliente, se as suas exigências e anseios estão present e s e expressas no projeto, se o arquite to captou os seus desejos. Da part e do arquiteto, prete nde corresponder e satis fazer essas exigências e em simultâneo, molda-las de acordo com o seu sentido do lugar, da identidade, das referências que considerou proe m inentes para o projeto, de ac ordo com a leitur a que fez desde o iníci o. Atualmente tem-se algo b analizado a discussão sobr e os espaços da arquite t ura, dada a crescente divulgação de s oluções ar quitetónicas. Além do ma is, exist e, hoj e, mais um intermediário nes ta relação que é o promot or que contribui muitas vezes, para uma visão deturpad a do o bjeto final, isto porque o ato de com unic ar entre o clie nte e o arquiteto de ve ser o m ais evidenciado. Para além deste novo interveniente, também existe uma t endên cia cre scente para um núme ro cada v ez maior de especialid ades en volvidas, que requerem po r parte do arquite to e c oordenad or de t odo o processo uma análise mais aprofundada durante o pro cesso de conceção arquitetónica, mas que ainda não teve os resultados desejáveis, com vista a uma melhoria do comportamento do edifício em serviço. Em Portugal, a Lei nº 31/2009 estabelece a qualificação pro fissional exigível ao s técnicos responsáveis pela elab oração e subscrição de pro jetos, pela fiscalizaçã o de obra e pela direção de obra. A manifesta necessidad e em garantir a devida articulação entre t odos, incluindo o cliente, é um dos papéis chav e para o “su cesso” da obra de arqu itetura. 3.3.6.2 Método O projeto de arquite tura é sempre concebido com o intuito de resolver um problema relativo à atividade do Homem que é clarificado com o estabelecimento de um programa. Quem define o programa é o cliente, pois é ele quem clarifica as necessidades e os pressu postos que pretende para o projeto. A atividade do arquiteto é complexa, pois implica a interação de um número considerável de variáveis. O progra ma, se ndo o ponto de partida para o in ício de todo o p rocesso de conceção, tem de ser confr o ntado com o Lugar, o espaço físi co. Peter Zumthor ( 2009) refere que o ato de projetar não é nenhu m pr o cesso linear que nos leva a relacionar, de modo lógico e direto, a histó ria da arquitetura a um novo edif ício, porque, n o seu centro, encontra-se a confrontação com as questões do seu te mpo. No se u m omento de c riação, a arquitetura está ligad a de uma maneira especial ao presente. Aquele M o mento. A te mática do método de projetar e do dualism o aparente do projeto é con siderada por Portas (2005), no sentido em que a arqu itetura aparece como uma luta entre dois caminhos possíveis de decisão: o que procura encontrar novas soluções para contextos de funções que não têm meio adequado para se desenvo lv erem, e um que procura usar e criar uma linguagem não verbal, em que a pesquisa teórica aparece em diss ociação e ntre o des ign e a “significação”, que se e ncontram presentes na formação das estruturas arquitet ónicas, e que traduzem uma polarização tipo, “engenharia ” e “arte” entre outros. Este modelo p retende realçar a falta de um m odelo compreensiv o d as interações entre o ní ve l “satisfação de nece ssid ades funcionais” e o nível “expressão de valores culturais”, ou seja, entre sistema funcional e estrut ura significante. Como referenciado no Quadro 3.5 , isto depois traduz-se, A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de a poio à decisão 101 se nt ido d a dia cr on ia, p or ta nt o d a c o n c re tiz aç ã o d o es pa ço /te m po d e o b ra se nt ido d a for m a liz aç ão , p or ta nto d as in va ria nc ia s s óc io -c u ltu r ais M OD EL OS D ISC IPL IN AR ES DE AS PIR AÇ ÕES E ES TR UT UR AS si ste m a s d o s co m po rta m e nt os dis fun çã o s ent ida re alid ade ne ce ssitad a R si ste m a s d as si gn ific aç õ e s co mu ni caç ão des ej ada ps ic ol. so cio l. g eo gr. , .. . av a lia çã o U S O ob so len cên ci a (m e ta pro jec to) ? es pec ifi ca ção de ob jec tiv os ? de com po s. em su b p rob le ma s ? op tim iz. de sub so luç õe s p ad rão "L O CU S " (o bje cto ) ? pa rt ic ula riz açã o d os da dos ? ve rif. do s ti pos q. se rve m ? in teg raç ão d e d ifer en ça s l oc ai s M OD EL OS DA S AS PIR AÇ ÕE S M OD EL O TI PO LO G IC O PR OJ EC TO m . de scr itiv os s im bóli c os m. es tru tu rai s si m ból ico s, i có nic os m . ic óni co s pr op orc ion ais ? en con tr o d e s ign os ele me nta re s ? co nju gaç ão "fr as es " e spa ci ai s ? en co ntr o f orm a s ge né ri cas (t ipo s) ? co nfr on to co m u m sit io ? m ode laç ão po r u m a uto r ? de se nho d a form a p rec isa M OD EL OS S EM IO LÓ G IC OS LE XIC OS/ ES TR UTU RA S- ES PA ÇO S (li ngu a) "P O ES IS " (li ngu ag em ) re alid ade mo difica da R ´ EX PRE SSà O DA NE CE SSID AD E RE ALI ZA Ç ÃO DA OB RA co ns um o cr it ic a en tr op ia T ´/ R ´ T ´/ R ´ T ´ ´/ R ´ ´ T ´´´ / R ´ ´´ T /R op er açã o d e t ra nsfo rma çã o d a i nfo rm açã o re sid uo i rred utive l da t ra nsfo rma çã o de limit açã o d o c amp o e spe cí fico do de sen ho ar qu ite ctón ico numa dicotomia da realidad e necessitada R , e na realidade mo dificada R´ , o nde o esquema sequencial dos model o s é influenciado pela operação de transformação da inform ação/resíduo irredutível da tran sformação T/R . Nu ma dialética do sistema de comportame ntos e sistemas das significações. Quadr o 3.5 - Modelo do pr ocesso de con ceção (Po rtas, 200 5). Assim sendo, o projeto, que é a génese do proc esso de conceção, é susceptível de decomposição em sucessões de sub-problemas segundo um conjunto de operações reconhecíveis na seguint e sequência: ▪ Programação ou definição do proble ma; ▪ Análise e construçã o de mod elo apropriad o; ▪ Síntese de soluç ões, simul ação; ▪ Avaliação e sele ção e, ou re-p rogramação; ▪ Desenvolvi mento e comunicação à fase seguinte …(etc., etc., …). Com est a sequência prete nde-se ga rantir u m maior grau de co ntrol o no p roce sso de decisão. Mas, de um modo geral, encontram-se na própria formulação dos problemas: na construção do programa por integraçã o de múltiplo s modelos disciplinares , e na construção dos mo delos de descoberta que guiam a transfor mação do p rograma na solução. Claro que, sem a introdução estruturante de conceit os, ou esquemas, ou ideias formais que resolva m e orientem, não “ existe desenho ” . A essência, nesta fase, é conseguir estabelecer perante cada situação previsível, um conjunto de bases ou regras de interpretação suficientement e universais para um det erminado nível de objectivos, que permitam compreender o sentido de cada programa. Aqui surge o meta-projecto. Est e procede por uma espécie de análise lógica da arquitetura examinand o as necessidades genéricas e soluções tipológicas. Será uma v isão da est rutura das co isas a que o A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de ap oio à decisão 109 4 ESTRATÉ GIAS DE INTER VENÇÃO PARA UM ENTEN DIMENTO ORIEN TADOR Fig. 4.1 - Pa sseio das Virtu des. Porto . Alexandre Al ves Co sta. “ Ide ologia s do p atrimónio e intervenç ão a rquitectóni ca ”. 1995. “(…) Ho je ao considerar-se q ue cada c aso é um c aso e que a t eoria da intervenç ão nascerá d e c ada circu nstânc ia nu nca ge n eralizáve l - circunstâ ncia de que faze m parte nã o só a ex pressão da individua lidade de ca da autor, com o a obrigação étic a de um rigoroso e e xaustivo reconh ecime nto histórico e arqueo lógico do edifício a transformar. (…) Assim foi com obras ce n trais na histo ria da arquite ct ura (… ) qu e usaram o real, qu e contém o seu p assado e o futuro d esejado , enco ntrando a regra, a sua , a p artir do existente, c aso a caso e sempre legível, em cad a o bra. E esp ero que , c omo dizia Álvaro Siza, «t udo venha a ser reconhe cido como pat rimónio colectivo e, n essa c ondiç ão, objecto de mu dança e de co ntinuidade».” Capítulo 4 110 4.1 C ONSIDERAÇÕES PRELIMINARES Neste capítulo é apresenta do um c onjunto re flex ões sobre a co nceçã o arquitetónica, a manutenção de edifíci os e a i mportância desta última ser incluída nas fases preliminares de pro jeto. Ap ó s, nos dois capítulos anteri ores, se ter realizado um enquadramento no domínio da manutenção de edifícios e da arquitetura, revela-se necessário abo rdar estas ques tões para que durante o processo de conceçã o se ja possível encontrar estratégias de intervençã o que garantam a permanência n(u m) tempo da arqu itetura. Esclarecem-se quais são os principais problemas que afet am a manutenção de edifícios e os que podem ser analisados e “previstos ” ainda durante o processo de conceçã o. Realiza-se uma breve síntese do que se considera re levante retirar da análise ao estado d o conhecimento e fetuada nos capítulos anteriores e con duz-se a realização de uma aud itoria, realizada junto de um conjunto de arquitetos, como forma de entender c omo são tidas em conta as questões da manutenção a nível conceptual nos seus projet os. Nunca o auto r de projeto - arquiteto teve tantas opções à sua disposição, mas também nunca a coordenação e re sponsab ilidades envolvidas foram tão complexas, daí a importância de uma estrutura estratégica e metodológica de apoio e orientação ao seu trabalh o. Apresentam-se os respetiv os resultados e conclus ões decorrentes dos questi onários apres e ntados durante as entre v istas efet uadas. Por últi mo, retiram-se as d evidas consideraç õ es finais. 4.2 A RQUITETURA : PERMANÊNCIA N ( UM ) T EMPO Tudo precisa de (um) tempo. A arquitetura como atividade pluridiscipli nar precisa de tempo para perceber e prever a passagem do tempo na sua obra. As sociedades, pela forma como na maioria das vezes, e ncaram as ques tões arquitetónicas, levam a assumir a possibilidade de que a construçã o de um edifício será para que ele “dure para sem pre” (como t ambé m já referido). A verdade é que to dos os edifício s têm um ciclo de vida, v ariável, mas com um fim. Em muitas situações, alguns v alores arquitetónicos e culturai s sobrepõem-se à sua deterioração verifican do-se um esforço de manutenção dos m esmos. Devemos co mprometer a noç ão de que o “edifício deve durar para sempre”, mes mo tendo co nsciência de que el e afinal não tem essa capacidade ? É na ve rdade com o tempo que se percebe o “ sucess o” da o bra de arquitetura. Muito recentemente, o arquiteto Siza Vieira ( 2013) numa e ntrevista que deu sobre o projeto para o Chiado refere que “o tempo é um g rande arquiteto, quem não conta com o tempo não vai lá”. Para e le o sucesso do projeto vem da ev olução qu e tiveram as decis ões tomadas nas fase s preliminares de projeto. Hoje, há uma cre scent e co nsciencialização da perceç ão de que todos os edifíci os têm um temp o de vida e que depend e em muito da forma como são construídos e das opções tomadas. A for ma como os edifícios envelhecem t em uma relação directa com essas o pções que pas sam, essencialmente, pela escolha do s materiais e das soluções co nstru tivas empregues. O s vário s materiais e componentes da construção têm ciclos de vida diferentes, e isso deve se r devid amente estudado e contemplad o no momento d e decidir o projeto p o r parte do arquitet o. Também nã o é menos imp ortante a utilização de tod os os recursos disponíveis numa nece ssidad e de construir edifícios m ais eficientes e sus tentáveis, em muito pela pos sibilidad e de escassez de alguns dos recursos, num entendimento so bre o modo como o arquiteto tem hoje de projetar, construir e pensar, de c omo manter a o bra de arqui tetura. A arquitetura tem de saber lid ar com todos est es A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de ap oio à decisão 111 aspetos, sendo de ressalvar a importância da definição de e stratégias de intervenção e res petiva metodologia a intr o duzir aind a durante a fase de conc eção. Por outro lad o , a diversid ade de novos materiais , de soluções c onstrutivas e de novas t ecnol ogias implica uma grande e quidad e nas decisões do arquiteto. Isto faz com que a arquitetura seja um exercício, cada vez m ais, re vestido de grande c omplexidad e, sendo determinant e para o “suce sso” da obra de arquitetura, como re ferido no capítulo anterior, garantir a rel ação e ntre to dos os intervenientes no processo e e ncontrar o devido equilíb rio entre a t eoria e a prática no exercício da profissão. Um dos temas que im porta referir, e que te m dominad o a atualida de, é a questã o da sustentabilidade na constru ção. Não só porque se tem tornad o comum abordar est e tema, m as porque ex iste uma reduç ão de alguns re cursos n aturais, o proble ma do aquecimen to global do planeta e dos resídu os sólidos proveni e ntes da c onstrução e da dem olição de edifícios, entre outros. São várias as iniciativas que pretendem alertar para a implementaç ão de práticas de sustentabilidade, d esde a s Conferências Mundiais para o Desenvolviment o e Meio Ambiente às recentes Diretivas da União Europeia, de que é o exemplo a Agenda 21 (CIB, 1999). Este documento contém recomendações e referências específicas sobre como alcançar um desenvol v imento sustentável e que e nglobe o setor da c o nstrução. De acordo com este docu mento a co nstruçã o sustentável é: “O resultado da ap licação dos princípios de desenvolvim ento s usten t ável ao ciclo global da construção, desde a extracçã o e beneficiaçã o das matérias-prima s, passand o pelo planeamento, projecto e construção de edifícios e infr a-estrutu r as, até à sua desconstrução final e gestão dos resíduos delas resultante s (...) é um processo holístico que visa restaura r e manter a harmonia entre o amb iente construído, criando ao mesmo tempo, aglomerados humanos que reforcem a dig nidade human a e encorajem a equidad e económica”. Hoje, m ais d o que nun ca, ex iste uma vasta quantidade de pressupostos que não pod em ser negligenciados, sob pena de comprometer as necessidades das gerações futuras, e que devem ser considerados durante o processo de conceção de um e difício. També m é v erdade a necessidade de metodologias que suporte m todos os pressupos tos considerados em cada projeto, que permitam contribuir para garantir a perman ê ncia no temp o da obra d e arquitetura. 4.2.1 E STRATÉGIAS DE INTERVENÇÃO NO CONSTRUÍDO A q uestão da co nceçã o em arquitetura remete para o problema da c riação. Ao criar algo, pensa-se numa primeira fase na f o rma e na s ua função. Ao pretender-se materializar algo, estabelece-se um método ou no m ínimo linhas orientadoras. Para encontrar a tal forma recorre-se necessariamente à nossa vivência, à nossa experiência, àquilo que se observa, mas p e rante hesitações e dificuldades específicas deste processo é necessário interiorizar um conjunto de esquemas de rac iocíni o que orientem e o rganize m o percurso mental. O método, o u os m étodos dev em ser encarados como um meio de auxílio que orientam o percurs o criativo. Isto porque o s problem as não se resolvem automaticamen te, ou na pior das hipóteses re solvem-se por eles p róprios atrav és do livre arbítrio, mas não será esse o percurso que interessa. O método permite encontrar a so lução para um determinado pr oblema e isso c onsegue-se co m trabalho, inspiraçã o e planeamen to. Em 1980, Christo pher Alexand er (1980), aborda a linguagem dos modelos de co nceção ( design patterns ), distinguindo entre diagramas de exigências, de forma e de construç ão. O diagrama de exigências define as restrições e as limita ções que se tem de ter em conta pa ra um determinada situação. O diagrama formal define uma organização f ormal precisa das co nsequ ências funci o nais Capítulo 4 112 previsíveis, pel o me nos ideal. O diagrama construtivo ass o cia, s egundo el e, a explicação formal e a explicação funcional do objeto a conceber. Um dos exemplos de diagrama co nstru tivo representa o fluxo de trânsito de uma rua bastante movimenta da. Muito mais do que indicar o número da quantidad e de veículos, é nece ssário v erificar a espessura da linha que represe nta a rua em função da intensidade da cir c ulaçã o. (Jormakka, 2 008). Na realidad e, a concretiza ção da construçã o do o bjeto arquit etónico engloba estes três aspectos: formal, funcional e e xigencial. A lingu agem modelo de Christ o pher Alexander (1980) assenta na decomposição das tarefas em problemas parciais, em o s resolver e também em integrá-los num conjunto hierárq uico. As soluções encontradas prod uzem uma “qualidad e an ónima” comum à arquitetura e que consiste em quinz e element os de base: o s níveis de escala, o s centros for tes, os limites, a rep etição em alternân cia, o espaço positivo, um a fo rma adequada, um a simetria loc al, a sobreposição na profundid ade e a ambiguid ade, o contraste , as linhas de declive, a dureza, o e co, o vazio, a simplicidad e e a tra nquilidade interior, a não divisão. (Jor makka, 2008). O me smo autor c onsidera a arquitetura como um pro cesso sem fim, cujo resultado será m ais completo se o arquiteto con seguir ajudar os utentes a enco ntrar os modelos adequados. Os modelos são definidos se gundo um m étodo hierárquico. Uma das dificuldades está em combinar as s oluções encontradas de modo a que form em um conjunto har m onioso. Toda a competência profissional depende da forma como o arquiteto assimila o discurso arquitetural e como compreende o papel da arquitetura na sociedade. A intuição é também importante, uma ve z que favo rece o acaso e a fo rma como o controlamo s. A inspiração não é de todo suficiente, daí a capacidade intuitiva aliada ao fato r experiência ajudar a justificação dos meio s. A titulo de exemplo, o acaso que se diz ter inspirad o Newton na sua teoria sobre a Lei da Gravidade, que aconteceu supostamente quand o lhe caiu uma maçã sobre a cabeç a. O acaso mesmo quando aco ntece só favorece as ment es que já se enc ontram previa mente prepa radas para tal. (Jor makka, 2008). Segundo Pallasmaa (2005), “ A tarefa intemporal da arquitectura é a de criar vivê ncias, incorporações de metáforas existenciais que concretizem e es trutu rem o nosso es tar no mundo”. Na v erdade, a forma como a arquitetura t em implicações na atividade humana, não só na co ncretização e orientação do seu dia-a-dia, na forma como pode interagir ou não, na definiçã o de identid ade, no fundo na es trutur ação da vida de t odo o se r humano, torna-a a essência da realidade, e m que as sociedades têm d e se dese nvolver e estruturar, a s sim como na de cada um , na vi vência do dia a dia. A memória t em, assim, um papel fundamental porque perm ite que o espaço qu e nos rodeia adquira significado, t ambé m porque “ nós transferi mos todos os lugares e cidades que visitamos, todos os sítios que r econhecemo s para uma memória e ncar nada no nosso corpo ” ( Pallasmaa, 2005). Ao identificarmos estes lugares, estes momentos, eles tornam-se parte da nossa exist ência, da no ssa vivência. “A arquitetura é a arte de reconciliaçã o entr e nós próprios e o mund o, e a sua mediação acontece através dos sentidos.” O autor aborda a importância que todos o s sentidos têm, e t ambé m a im portância diferenciável que tem sido dado a um ou outro sentido, como é o c aso da visão. Pretende també m, ex pr essar o significado do sentido tátil da nossa experiência no m undo, porque a questão do sensorial pas sa muito pela n ossa pele, o modo como e la contata co m o q ue a rodeia, e que é natural mente sentido at ravé s do t ato. Para o autor, a visão e a audiçã o são o s sentidos sociais privilegiados, enquanto qu e os outros t rês são considerados sentidos arcaicos remanescent es por terem uma função privada, e p o rque são, em geral, suprimidos pelo código da cultura. Utilizando uma frase de Frank L lyod Wright de 1954, “ o que hoj e é mais necessário na arquitectura é aquilo que também mais é preciso na vida - integridade. Assim como é para o ser humano, também é a mais profunda qu alidade de um edifício…”. A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de ap oio à decisão 113 Hoje, mais do que nunca, a arquitetura deve se r e ntend ida como uma atividade integradora. E nesse contexto é importante perceber como se pode passar de um estudo analítico do comportamento dos vários elementos às soluçõ es concretas e como se devem concretizar esses aspe tos, que auxiliam no controlo e conheciment o do comportam ento das soluções construtivas, d o s materiais, c ontribuindo para o “suc esso” da o bra de arquitetura. É e vidente ta m bém que par te desse “sucesso ” advém da intervenção con certada de todos o s intervenien tes no processo. No mundo atual é cada ve z menos possível sab ermo s o essencial de tud o , daí a imp o rtância de se estabelecerem m etodologi as de ap oio à prá tica, assim como de reflex õ es sobre os s e us resultados. “ É pois absolutamente urgente procede r ao e studo de fundo que nos perm ita explicar com m étodos muito precisos e s ignifica tivos as formações e m utações, o grau de inter vençã o e de eficácia da arquitetura, no espaço e no tem po, desde o desen ho dos bancos à estr utura metr opolitana , não apenas em plano histór ico , ou antropológico, ou ecológico, ou sociológico , conforme os casos. O segundo mom ento é o da proposta de modelos ou integrais das necessidades, dos r ecursos tecnológico s e dos princípios de respostas espac iais.” (Portas, 2008). É muito importante o trabalho de investigação e de pesquisa. Cada problema que surge implica um a estratégia e uma t omada de decisão, com uma m argem de adaptabilidade que tenha em conta uma necessária adequação aos aspetos formais e funcionais. O co njunt o de exigências a que cada solução deve dar resposta nã o é homogén e o, uma v ez que a garantia do seu cumprimento se fará de acordo com a sua importância relativa e as prioridad e s de resposta a cada o bra em causa. “ Na fase de decisão, a hierarqu ização dos factore s vai ter o pape l da crítica ao ato criador, vincan do os vetores que s e con sideram fixos e mar cantes, aquilo que deve s er dei xado com relativa indeterminaçã o e o que pede maio r ou menor neu tralidade das formas envolventes ”. (Portas, 2008). Considera-se, assim, que as decisões tomadas devem traduzir as prioridades desses fatores de acordo com as necessidade s dos ute ntes e que são fundamentadas pelos resultados de investigaç ões científicas, pelo trabalho teórico já dese nvolvido e pela e xperiência. Como tal, existe a necessidad e de se estabelecer uma estratégia metodológica que permita saber situar e defini r os limit es dos instrumentos que se utiliza, permitindo quantificar e/ou qualificar as consequências de uma série de hipóteses de decisã o . “É a extrema complexida de que tomam os problemas e a sua depend ência da investigação sistemática, nomeadamente nas técnicas auxiliares, bem como a exigência de ensaiar em modelo uma vasta ga ma de soluções e de prever as s uas consequência s, que impõem a s uperação da operação simples e sincréti ca p ela qual, até agora, a «arquitectura acontecia». Mas a estrutura d a decisão tem de existir previamente, para formular as hipóteses que ir ão ser e nsaiadas.” (Portas, 2008). Embora o aut o r considere que o problema conceptual da arq uitetura, ao ser visto co mo um todo, não t orna possível a sua reso lução através destes instrumentos, em geral aplicáveis a funções diretas (aspetos setoriais), a identificação de um méto do e do s seus respetiv os instrumentos de decisão é m uito relevan te, e começa efetivam ente, na observação da realidade c om a identificação das necessidad es dos seus futuros utentes, com um controlo das r espo stas d e acord o com as s uas exigências, da escolha dos se us materiais e soluções construtivas, não esquecendo conceitos de continuidade e integração como resposta à satisf ação dos seus utentes. Esta adequação ao conhecimento do momento de existência que serve o espaço arquitetónic o é complementar do valor simbólico que se comunica, atra vés da sua vivênci a e apropriação. A arquitetura moderna, ao pretender uma m aior eficiência como consequência do seu pensamen to racional am pli ou tamb ém o seu carácter de flexibil idade, o que contribuiu para que o o bjeto arquitetónico se t o rnasse distorcido da realidade o bjetiva. A arqu itetura necess ita de regras, de s e Capítulo 4 114 definirem princípios e hierarqui as, de se estabel ecerem limites dentro dessa própria flexibi lidade, que também não po de ser levada ao e xtremo. Ho je porém, a nova realida de da v ida é caracterizada pela desilusão e falta de ídolos, pela fragmentaçã o, por romper valores e princípios ét icos, está vazia de história e coerência estilística e é, em geral, uma co llage aleatória de consciên cias e horizontes vitais. (Pallasmaa, 2010) Por mais voltas que se d êem, nas sociedades que se vão desen v olvendo e evoluin do ao l ongo do tempo, o e spaço arquitetón ico nelas presente terá sempre o dever de preservar o passado e permiti r a possibili dade d e construi r a realid ade pres e nte as sente na continuid ade da cultura e da tradição. Não e xisti m os somente nu ma realidade mate rial e espacial, também habitamos realidades culturais, sociais e temporais. A arquitetura é esse ncialm e nte uma forma d e reconciliação e identificação, p ois confere significado às coisas, e, além disso, situa o ser humano no espaço e num lugar, entre o passado e o futuro. E existe associado um sentido d e perm anência. Essa permanência em termos de processo de conceção consegue-s e, por um lado, com a eficácia da ligação entre todos os intervenientes no processo de construção e, por o utro, com a definiçã o do conj unto de exigências e ações a que o mesmo deve dar resposta, encontrand o so luções técnicas e construtivas que garantam esse desempenho geral pre t endido. Vários estudos tê m sido desenvolvid o s sobre as principais causas das ano m alias nos edifícios. Um dos estudos desenvolvidos foi apresentado no c apítu lo 2 , subcapítulo 2.3.1 de Cha moza & Ort iz (1984), e, posteriormente, é de dest acar o estudo do CSTC (1991). O que interessa reter é que, em ambos o s estudos, as principais anomalias da construçã o são atribuídas aos erros ou falhas de projeto e execução. Independente m ente d o s fatores que possam interferir na avaliação do s indicadores de m anutenção do espaço arquitetónico construíd o, os possív eis erros ou falhas durante o processo de conce ção podem ser cat alizad o res da manutenção, neste caso, potenciad ores de u ma degrada ção mais acelerada e rápida. A importância do papel da manutenção desde a fas e de conceção é natural mente fundamentada, pela forma como se pod e e deve atuar em todo o processo de construç ão. Tem-se também consciência que, send o nesta fase que se colocam as questões fundamentais da arqui tetura, o contributo da manutenção pode s er decisivo para o “sucesso” do objet o arquitetónico. Considera-se, assim, importante abordar e perceber como na generalidade se pro cessa toda a evolução conceptual desde que surge a intenção, ou seja, um cliente com uma necessidade que pretende que s eja sa tisfeita. Sem pre tender particulariz ar a experiência como profissional, opta-se por referenciar o arq.º Car valho Araújo (2007), nu ma entrevista e m 2007, com Nuno Rocha Vieira, que reúne um c onjunto d e reflexões e m torno d a conceção em arquitetura que interessa aqui reproduzir: Foi-lhe colocada a questão do que é o “ clique” do projeto, e o mesmo referiu que este “surge m uitas vezes associado a um mo mento de especu lação no projecto, que dá s empre muita vontade de, no inicio dar asas à imaginação e criatividade, e eu não s ei se é por ai, ou seja, pre firo ter uma abordagem muito mais racional de início e depois, quando as coisas estiverem consolid adas, mais ou menos conseguidas, equilibradas, t ransforma r os lugares em qualquer coisa de melhor ou procurar a potencialid ade desse lugar para criar alguma outra identid ade; e depois vem a segund a parte, que é o cliente, e o clien te tem qu e nos ajudar a pr ocu rar essa tal identidade, que o projecto pode vir a ter, e ai é uma parte que não depende de nós, mas que é importante termos aí uma força que nem sempre é fácil, ou seja… é muito fácil agradar os clien tes, pa r ece-me, mas já não é assim tão fácil A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de ap oio à decisão 115 conseguir que o cliente est eja s atisfeito, mas satisfeit o com uma coisa com que se identifique e que está bem.” Tem de existir uma hierarqu ização dos pressupostos, em que numa primeira fas e “tento ser objetivo, depois há um momento mais liber to” , o u seja numa primeira fase deve ter-se um discurso que leve a conciliar o que o cliente pretende, com o luga r, d e ixand o a “poética” para uma segund a fase onde talvez aí surja a diferenciação, a autoria. E r efere “Na primeira parte, procuramos estabelecer garantias para que o projecto s eja coerente. Estamos a criar bases de sustentação para um desenvolvimen to m ais ou menos aprofund ado mas já alicerçado numas bases muito sólidas, muito correctas. É mais fácil a partir daí perceberes ou melhor, distanciares-te do entusiasmo, começando a estar muito envolvido num projecto, começas-te a apaixonar por ele, e a paixão tem esse problema, é uma cegueira… se não conseguires esse distanciamento, provavelmente é s levado por ela sem saber se est ás a ser levado por esse caminho mais correcto, da razão. E então, se tivermos esta forma mais racional e pragmática de abordar inicialmente as ques tões e se a re speitar mos, este princípio de desenvolvimen to, o que vem a seguir já está mais agarrado; em termos de resposta já não corremos tantos riscos de alguns desvi os menos conseguid os.” (Carvalho Araú jo, 2007) A dete rminado momento tem de se definir quais os lim ites para o projeto, e quais os parâmetros em que se baseiam. “ O pormenor, na arquitectura, é a base ou o mais importante num projecto. É preciso entender o que é o pormeno r, e para mi m o pormeno r é rigor, ma s também só existe pormenor se existir a tal id eia base. Sem ideia base não há pormenor, m as d epois há aqui uma confusão generalizada do pormenor, que é o exagero de desenho onde ele não é necessár io. (…) Acho que o porm enor tem de s er resolvido na abordagem, ma s quando se fala de pormenor é mais em termos de porm enor técni co. De fa cto, acho que in ves timos muito no pormenor da abordagem, e o resto é uma consequência do rigor do desenho e dos próprios ambientes que nos são s olicitados, nã o é tanto com a preocupaçã o de dese nvolvi mento técn ico de determinados aspectos.” (Car valho Araújo, 2007) É muito importante o rigor desde o início do projeto, desde a análise inicial que é a que define um a linguag em de conceção do projeto, o u seja, a f orma de pensar. M as convém não esquecer que a arquitetura é uma pr ofissão multidisciplinar e cada vez mais abrang ente. “ A a rquitectura é também um acto de gestão e um acto de estratégia, ou s eja, é preciso a e stra tégia, saber gerir. Provavelmente, hoje co meçamos a valo rizar muito o pr ojecto do projecto.” (Carvalh o Araújo, 2007) E voltando ao momento do “clique” para co ncluir que efetivamente não há uma re ceita. “ Essa questão do clique é uma questão que não se pode explicar…Quando chegarmos a ess a resposta, então o clique deixa de fazer sentid o. Está neste tipo de abordagem e de métod o de tr abalho que é difícil de transmiti r. É um método de grande e m penho , mexemos em várias fe r ramentas, ten tamos ajudar muita gente, informaç ão, sempre no sentido de sustenta r de uma forma mais eficaz as respostas que que r emos faz er.” (Carvalho Araúj o, 2007) Numa perspetiva pessoal, é do compromisso inicial na abordagem do projeto, da combinação da ideia base com u m pr ograma e da sa tisfação de uma necessidad e do cli ente que o objeto arquitetónico vai ganha ndo a licerces. É necessári o a lguma hierarquização do pensamento e dos pressupostos de abordag em , para nu ma fase inicial cons eguir ser mais r acional, de m odo a consolidar e e quilibrar a id e ia base, ou se ja, t ransfor mar o lugar conferindo-lhe uma identidad e que vá necessariament e ao encontro do cliente, e à intenção e rigo r que o autor de projeto imp õe naturalmente, ao co nsegu ir formular e fundamentar esse compro misso inicial. Pelo m eio s urge m uma data de problemas que requerem muita coordenação e gestão de temp o, para que as soluções encontradas determine m o pormenor da abordag em e o pormenor técnic o da arquitetura. O metódo Capítulo 4 116 vai perm itir concretizar a ideia base que entretanto foi ganhando forma, em que as ferramentas que se v ão utilizando têm de ter também um papel essencial na concretização do objeto arquitetónico. Definir um co njunt o de fe rramentas de apoio à decisão para as q uestões da manutenção é manifestamente important e, quer para o pormenor da abordagem, quer para o pormenor técnico da arquitetura. Por últi mo, uma referência ao âmbito de intervençã o no co nstruíd o, que na presente tese ab orda o edifício, mas es te também faz parte e enc ontra-se inserid o num context o urbano. O espaço arquit etónico edificado desen volve-se tendo, co mo suporte espacial, siste mas em permanente interação, e que pode m ser considera dos c o mo o sistema só cio-cultural, o sistema técnico-funcional, o sistema eco nómico e o sistema ambiental. O primeir o é a base de suporte da identidade urbana. O segundo é a base de suporte técnico para a materializaç ão do funcionamento do meio urbano. O terceir o a base económica de suport e do desenvol vimento urban o e o q uarto o suporte físico do m eio urban o. (Bre da-Vásquez et al ., 2000) Assim sendo, ele deve adequar-se a u m conjunto de exigências co mo suporte para o processo de conceção e utilização. Estas condicionantes de um edifício devem ser pond eradas ainda nas fases preliminares de projeto e devem ser analisada s ao longo da sua vida útil. Segundo Peña (2001), uma so lução arquite tónica deve t er e m consideração quatr o fatores essenciais: função, forma, economia e te m po. Segundo o aut or, os edifícios são ent endidos como objetos físico-espaciais do s quais intere ssa avaliar a flexibilid ade segundo critérios de extensibilidade (possibilidade de am pliaç ão), convertibilida de ( capacidade de mo dificação da organização interna) e versatilidade (p o livalência d os espaços). O Quadro 4.1 demonstra os quatro fatores que o au tor co nsid era fundamentais na ab ordagem de uma solução arqui tetónica: Quadr o 4.1 - Qua tro fatores f unda mentais na ab ordagem da solução arquit etónica. 1 Pessoas 2 Atividade s F UNÇÃO 3 Relações 4 Lugar 5 Ambiente F ORMA 6 Qualid ade 7 Orçamen to inicial 8 Custos opera cionais E CONOMIA 9 LCC (custos d o ciclo de vida) 10 Passado 11 Presente T EMPO 12 Futuro O espaço arquitet ónico edificado é caracterizad o na generalida de pelo seu m eio urbano. Segundo Breda-Vázqu ez et al., (200 0), a qualidade e funcionalidade do meio urbano enquadram alguns domínios prioritários de ação: a habitação, a mobilidade urbana, o ambiente urbano e o espaço público. ( Fig. 4.2 ) A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de ap oio à decisão 117 Ambiente urb ano Habitação Meio urba no Espaço público Mob ilidade Urban a Figura 4.2 - O meio u rbano e os domínios p rioritário s de aç ão . No meio urbano interage m divers os intervenien tes, sendo os principais a habitação, o espaço público, o ambiente urbano e a mobilidade urbana. A habitação pretende assegurar um habitar condigno, o espaço público co ntribui como e lemento fundamental de sociabilizaç ão , da qualidade de vida e da competitividad e da cidade, est and o em causa e ssencialm ente ques tões re lacionadas com a devolução do e spaço ao peão, a qualidad e do mobiliário e símbolos urbanos, a limpeza e tratamento dos espaços, a ani m ação da ru a e o acesso a equ ipamentos e espaç o s de recreio e lazer. No ambiente urbano é necessário um co ntrol o dos fatores “ de contaminaçã o do ar, solo e água e do consumo acelerado do solo, o que ex ige a s alvagua rd a dos espaços naturais, a re cuperação de áreas ambientalmente degradadas, um controlo da expansão urbana. Todos es tes domínios de ações devem contribuir para facilitar e garantir a m obilidade ur bana, uma questão vital no futuro das cidades, promovendo-se a mobilidade residencial, a modernização de infra-est ruturas e dos m eios de transporte e o po licentris mo das grandes a glomera ções, entre outras questões ”. (Breda-Vázqu ez, et al. , 2000). No que respeita às questõ es da m anutenção e prete ndendo-se manter o u devolver ao s element os e componentes de um espaço arquitetónico edificado um est ado que lhe permita desem p enhar as funções para que foram proje tados, e xiste m que stões no domínio dos intervenientes no meio urbano que dev em ser analisados. A hab itação, o es paço público em que se in sere, assi m como o ambiente urbano num contexto mais abrangente defi nem o espaço arquite tónico que é constituíd o por um c o njunto de sistemas. Neste caso, a habi tação como núcleo ce ntral de desenvolvimento da atividade humana permite identificar as principais ex igências que influenciam o seu comportamento durante a sua vida útil. Relativamente ao espaço público e de acordo com os auto res Baptista Coelho e Branco Pedro (1998), a sua abordagem convém ser analisada de acordo com várias escalas de apr oximação: da envolvente da área residencial à vizinhança alargada, da v izinhança alargada à vizinhança próxima, da v izinhan ça próxima ao e difíci o habitacional e do edifício habitacional à habitação. O espaç o urbano envolvente é, assim, “sempre uma zon a de limi t e e de ligação, um espaço de par tida e de chegad a e um li m iar integrando trechos de an imação e de equipamento que são lugar de encontro das diversas vizinhan ças alargadas que delimita… ”. Tem contudo de se r referido que uma ab ordagem do espaç o público envolvente relativamente às questões da manutenção implica um outro trabalh o complementar de investigação, que neste pres ente trabalh o se traduz numa breve anális e, sendo o âmbito de trabalh o o estud o e análise da manut enção do edifíci o. Capítulo 7 220 saber quem, como, quand o e quanto custa mantê-lo, c omo forma de v iabi lizar a sua sustentabilida de no presente e para o futuro. Fig. 7.4 - Planta do Po rto de 1 833. Arqu ivo Hi stórico do Porto. Para o enquadram ento do âmbit o do est udo, inter e ssa fazer uma análise arquitetónica dos seus processos de transformação te nd o presente as três principais fases de desenvolvimento e expansão, identificadas por Barata Fernandes (1999) e que este considerou: a cidade mercantilista, a cidade iluminista e a cidade liberal, q ue corresponde m a três períodos de tran sformação. A cidade me rcantilis ta corr esponde a um período que antece de a ação dos Almad as e situa-se e ntre os sé culos XV e XVII. O período dos Almadas correspond e à cidade iluminista com conceitos também implícitos na cidade pombal ina. O perío do liberal advé m da designaçã o aplica da pela histó ria. De salientar, que estes perío dos não são estanques mas pretendem classificar de fo rma coerente as transformações o corridas na casa burgu esa do P orto. P ERÍODO MERCANTILISTA Este primeir o períod o local iza-se na área da Ribeira-Barredo, na baixa de Miragaia e nos quarteirõ es da Sé e da Vitoria. ( Fig. 7.5 ) Neste período pode-se consid erar a tipologia da casa de um a frente sem logradouro e a tipologia da casa de duas frentes com o u sem logradouro. As principais características a considerar sã o: ▪ O uso polifuncional, no rés-do-chão, com um espaço independente ou dissimula do dentro do espaço destinado a loja ou oficina, e nos restantes pisos destinados a habitação com acesso geralmen te a partir d e uma escada de u m só lanço; ▪ Os compartim entos locali zados nos pisos sup eriores serviam para tud o, exceto a cozinh a que se localizava se m pre n o último piso, por qu estõ es também de segurança; ▪ Os materiais utilizados na construçã o qu e são essencialmente o gran ito, a argila e a madeira. E nquant o as par edes d o piso té rreo são em g ranito, nos pisos su periores, podem ser em tabique. A e strutura dos pavimentos e da co bertura são em madeira, as paredes in teriores são em g ranito n o piso térreo e nos restantes pi sos sã o em t aipa e, mais tarde, são construídas em tabique. A argil a utiliza-se como enchimento da estrutura de mad eira da tai pa. A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de ap oio à decisão 221 Fig. 7.5 - Zona de Miraga ia e R ibeira-Barr edo. Entretanto, a casa de duas frentes c om a caixa de escadas central, ou seja, com a passagem da mesma das traseiras para o centro, leva a uma altera ção da organização interna do lo te. I ntroduzem- se novos elementos na casa, salientando-se desde logo a i nclusão de um maior número de compartiment os, bem como uma nova relaçã o e ntre os pis o s. Por o utro lado, o papel da caixa de escadas altera-se, articul ando as duas frentes e iluminando o s compartim entos interiores. Apesa r desta alteração, o acesso do rés do chão para o primeir o piso continua a fazer-se maioritaria mente por uma escada de tiro, loc alizada longitudin almente em relaçã o ao lote, junto à parede de meação e normalmente co m um acesso indepen dente pel o exteri or. P ERÍODO ILUM INISTA Este segund o perí o do lo ca liza-se essencialmente nas áreas de ex pansão almadina, como a rua do Almada, a rua de Cedofeita e a rua de Santa Catarina. ( Fi g. 7.6 ) N este perí odo pode co nsiderar- se a tipologia da casa de duas frentes co m logradour o . Dando co ntinuidad e ao processo de r enovação e reestruturação qu e v inha sucedendo por toda a cidade, a casa iluminista acaba por manter os fundamentos da tip ologia mercantilista final, m anten do uma relaçã o semelhant e da rua com o lote, apesar d e “as frent es são sist ematicament e maiores, as construções mais profund as e os lotes têm sempre uma área liv r e destin ada a logrado uro”. (Barata Fernand es, 1999) Os pisos superiores, des tinad os à habitação, apresen tam algumas alteraçõe s, como o aumento da profundidad e do lote, o número de compartiment os que é também maior, dispondo deste modo a caixa de e scadas de uma c larab óia, cónica o u circular, o que permite ao mesmo tempo a iluminaçã o de alcovas através de vãos interiores. Esta tipologia ad apta-se facilmente às difer e ntes características do terreno, com u ma preocupaçã o de uma unidade de c onjunto da fachada principal da rua e na relação com as parcelas adjacentes. As principais caracte rísticas a considerar para além das já referidas, são: ▪ As construções apresenta m largura e profund idade significativament e maiores e o terren o dispõe sempre de uma área exterior dest inada a logradouro. Nesta tipologia o desenho de fachada tem u ma d ivisão tripartida dos vãos, que apres e ntam altur as significativament e superior es e soluções variad as no remate superi o r das pad ieiras; ▪ Os acessos a partir do piso térreo são independent es e destinam-se a comércio e a acesso à habitação; ▪ O primeir o piso tem u m espa ço voltado para a rua destinado a r e ceber as visitas, continuando a c o zinha a ap arecer no últim o piso, próximo do telhad o; Capítulo 7 222 ▪ Uma utilização de materiais se melhantes aos d o período anterior, com exceção da utilização do ferr o, nas gua rdas das varand as e sacadas. Fig. 7.6 - Ru a de Cedof eita. Por o utro lado, a preocup ação cre scente com as questões de segurança leva a que as paredes exteriores, anteriorm e nte em tabique nos pisos superiores, se jam progres sivamente substi tuídas por paredes em alvenaria de granito, pas sando os tabiques a se r utilizados apenas nos acrescentos ou recuados, be m como na execução das p aredes divi sórias interiores. A partir de m eados do século XVIII, verifica-se uma tendência para u ma linguagem de estilo neopalladiano inglês, “ acentuado na utilização da janela de guilhotina , na utilizaçã o de m ezzanin os e do emprego de aparelho rústico nos andares térreos e de fr ontões no remate das coberturas. A introdução da platibanda e os problemas construtivos decorrentes do remate do telhado e conduç ão de águas através de um alg eroz e tubos de queda é um e xemplo das novas questões colocadas pela mudança d e linguagem formal”. (Bara ta Fernandes, 1999) P ERÍODO LIBE RAL Este terceiro período surg e ainda nas áreas de expansão almadina e suas post eriores extensões a partir da segunda metade do século XIX, em áreas como a rua da B oavista, a rua de Àlvares Cabral, rua da Constituição e a rua de Cos ta Cabral. ( Fig. 7.7 ) P ara além de se manter a tipo logia tradicional polifuncional surge outra tip ologia, que se carac teriza pela monofunci onalidade. As principais carac t erísticas a considerar, para além das já ref eridas, são: ▪ A introdução das instala ções sanitárias adja centes à fachada tardoz ; ▪ O aumento do p é -direito dos pisos; ▪ A organização d os logradouros com jardins e h ortas. A casa polifuncional ap resen ta também algumas cara cterísticas novas: ▪ A introdução de c ave sobrelevada, onde se situa m os espaços para arrumos e s erviços; ▪ O rés do chão destina-se à cozinha, situada nas t raseiras e os restantes compartimentos a uma o cupação social. Os pisos superi ores destina m-se a u ma o cupação privada, e no sótão, quando exis te, situa m-se os quartos da criadag em . A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de ap oio à decisão 223 Fig. 7.7 - Ru a de Costa Cab ral e Rua d a Boavista, re spetivam ente. A habitação liberal tem u ma forte especificação habitacional onde o s compartimentos pas sam a ter funções distintas, um conceito d e habitar que se distingu e dos antecedent es. Nesta nova tipologia e como ref ere Barata Fern andes (1999), “conceb e -se a habitaçã o segun do uma complexa hierarquização funcional e social, que ante riormente não se registava na espacia lidade da casa corrente da burguesia de setecentos e pri m eiras déca das de oitocentos”. A caixa de escadas central mantém-se, assim como a existência de clarab óia para iluminação. É constituída p or três ou quatro pisos - cave, rés do chão, primeiro e segundo piso - com uma distribuição de funções, por piso, bem precisa: serviço e a rrumos, sala e cozin ha e quartos. Os materiais dominantes mantêm-se, como o granito, a m adeira e o ferro, dando uma sensação aparente de co ntinuidad e, apesar de essa não existir em termos da matriz funcional. Destaca-se a utilização do azulejo, como revest imen to da fachada em detrimento da habitual caiação, bem como a adaptação da p o rta de en trada ao desnível d o piso sobrelevado. Em síntese, pode concluir-se, da análise tipológica destes períodos sobre as transformações da habitação burguesa p ortuense, que no Porto Mercantilista prevalece m as construções m istas de habitação e oficina ou ar mazém, de di m ensão red uzida, co m uma frent e, de dois pisos, inseridas num quarteirã o co nsolidad o; qu e no Porto Ilu m inista as co nstruç õ es se mantêm igualmente mistas, com habitação de média ou grande dime nsão, co m duas frente s, com lograd ouro e mais de do is pisos e que definiram novos arruament os; que no Porto L iberal as construções se lo calizam fora das muralhas e se destinam unicamente para habitação, têm duas frentes com logradouro, e muitas vezes també m com jardim. 7.3.1 S ISTEMA CONSTRUT IVO DA HAB ITAÇÃO BUR GUESA P ORTUENSE ATÉ AO SÉCU LO XIX A aplicação de deter minadas técnicas construtivas e uso de m ateriais fo i em muito influenciada pelo meio onde as diversas civili zações se desenvolvera m, pelos materiais enco ntrad os e pela capacidade criativa do Homem em transformá-los e aplicá-los. Encontram-se características comuns em muitos dos sistemas construtivos tradicionais, o que demonstra a existência de princípios que foram cuidadosamente testados ao longo do temp o, tendo p revalecido os que foram d e monstrand o melhor desempenho. Na realidade, o objeto arquitetónico foi evoluind o na m edida em que os sistemas construtiv o s o permitiram para aquele tempo da História específic o. Pode-se ainda ir mais longe ao afirmar que os Capítulo 7 224 sistemas construti vos constitue m a base e as condici onantes principais da conceção e, co mo tal, do próprio projeto. Ainda segund o T eixeira (2004) “Apesar das adversidades, todo s os exemplos que marcaram a história da arquitectura, em todas as época s, são de uma coerênci a formal e construtiva impar”. ( Fi g . 7.8 ) H oje não será muito diferent e, mas a crescente e rápida evoluçã o das novas técnicas e materiais co ndu z a que as principais condicionan tes do pr ocesso de conceção não e steja m muitas vezes devida me nte fundamentadas, o qu e leva a falhas, qu e p odem vir a ser det e tadas tardiamente quand o o edifí cio já se encontra c o nstruído. Em Portugal, as influências das técnicas d os sistemas c onstrutiv os e st ão m uito relacionadas c om os povos que percorrera m a Península ibérica: os roma nos e os árabes. No Porto, as condicionantes prendem-se com os m ater iais que existiam e eram facilmente empregues e ta m bém pela ativ idad e portuária e marítima que deter minaram a influência de muitos dos sistemas c o nstrutiv os e materiais. Segundo os autores Olivei ra e Galhano (2003), o Porto é de facto “ a cidade burguesa de Portugal, mas por isso mesmo, a burguesia do Porto tem um sentido especial (…) aqui, o trabalho e o comércio ascendem ao mais alto nível social (…)”. Mais tarde, e no decorr er do perí odo oitocentista, podemos distinguir d e um modo gera l dois grandes gru pos: ▪ O da co ntinuidade com a tipo logia polifunci onal al madina e o da casa burguesa monofuncional que estabelece uma rutura com aqu ela tipolo gia. No primeiro grupo acresce a introdução de rudimentares instalações sa ni tárias nas traseiras dos edifícios, o aumento da altura de cada piso, do aumento de áreas de arre cadação e armazen agem e da organização dos logrado uros com jardins e hortas; ▪ O s egundo grup o corre s ponde à especialização de uma edificaçã o urban a numa s ó função: a de habitar. Trata-se de edifícios exclusivamente destinados a habitação com capacidade para satisfazer programas residenciais de maior complexidad e do que os anteriores. São habit ações urbanas portuenses, de dois ou três pisos o u quatr o pisos, com duas frentes e parede s de meação. Fig. 7.8 - Ma trizes tip ológicas da ha bitação burgu esa portu ense . Até ao século X VII, a hab itação organiza-se num ún ico espaço contínuo, só depois surge a compartimentação de espaços. É constituída p or dois, três o u quatro pisos, se ndo o piso térreo destinado a arrumos ou local de trabalho, não existe casa de banho e a cozinha localiza-se no últim o piso, por motivos de segu rança. “D urante o Renascimento e o primeir o Barroco definiram-se uma série de conceitos constru tivos baseados numa t end ência em analisar os edifícios por partes, A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de ap oio à decisão 225 definindo as suas características, pa ra a partir delas, e actuando s obre a execução, melho rar a sua durabilida de”. ( Teixeira, 2004) O desenvolvimento de novos conceitos relativamen te à resistência de alguns materiais e às técnicas considerad as, como a de execução dos trabalhos de alvenaria, são determinantes p ara algumas das alt erações verificad as duran te os séculos XVII e XVIII. No decorrer d o século XVI II e até finais do s éculo XIX vã o surgir novos c ontributos, m uito frut o de repetidas experiência s im plementad as nos sistema s construtivos e do saber emp írico. ( Fig. 7.9 ) No início do século XIX existe m duas formas de ab ordar os pr oblemas construti vos: (Teixeira, 20 04) ▪ “ A primeira, mais intuitiva e inicialmente mais eficaz, trata de encontrar na tradição os métodos para faz er avançar o p r ocesso construti vo”; ▪ “ A seg unda, pretende i ncorporar o pouco que ain da se m anipula do conhecimento científico”. Fig.7.9 - Plan ta do Porto com as princip ais fases d e transfor mações d esde o p eríodo Mer cantilista até ao Contemporân eo. Com a expansão da cidade para fora das M uralh as, a cidade do Porto fo i-se transf ormando. Consequentemente , na s e gunda m etade do século XIX surgem n ovas tip ologias d e habitação burguesa, associadas a um dese nvolvim ento social e urbano, identifican do-se dois grupos tipológicos no período do Porto Liberal, o da habitação polifuncional semelhante à desenvolvida no períod o iluminista e a monofunci o nal. A primeira tipo logia desen volve-se essencial m ente no centro da cidade, em que as alteraçõ es mais significativas em relação ao período anterior são a introdução de instalações sanitárias, um aumento da altura dos pisos, das áreas de arrecadaç ão e d a organização dos logradouros com jardins e hortas. “É o primeiro tipo de habitação urbana, de sér ie, que manifesta e materializa uma efectiva divisão social e funcional da cida de: áreas de residênci a e áreas de trabalho. Es te t ipo não prevê usos mistos e, pelo contrário, p ropõe uma tipologia de habitação de maior complexida de e espec ializaçã o funcional”. (Barata Fernandes, 1999) A segunda tipologia restringe a edificação a uma única função, a de habitar. Em relação à m atriz de organização interna sofre grandes transformações. Do po nto de vista dos usos, esta tipologia apresenta uma clara especialização espacial que revela conceitos de habitar distintos dos precedentes. C omo princípi o da c omposição da fachada, mant ém-se a base dos três v ãos, c om reforço d o e ixo ao nível do primeiro piso, traduzido na transf ormação da janela central em varanda ou sacada. Por últi mo, interessa ainda destacar uma v ariante desta t ipologia, semelhante em ter mos de matriz interna, mas na rela ção com o lote com acess o directo da rua a o logradouro, atrav é s de uma passagem lateral qu e per mite a entrada de u m veí culo. Pode concluir-s e que a habitação bu rguesa liberal revela, de fact o, uma opção inequív oca e irre v ersível p ela m onofuncionalidad e, correspondendo às necessidad es de ascensão s ocial. Capítulo 7 226 7.3.2 P RINCIPAIS SOLUÇÕES E M ATERIAIS CONSTRUT IVOS UTILIZA DOS Como já foi descrito, as casas burguesas do Port o sofreram uma evolução que pressupôs uma consequente transformaç ão tipol ógica da habitaçã o , contud o, existe m c aracterísti cas com uns e mesmo semelhantes que se m antivera m a o long o do tempo , essencialment e no que respei ta a materiais e técnicas co nstrutivas. De acord o com Te ix eira (2004), pode fazer-se uma sínte se, através de um modelo abstrat o que reúna as características p rincipais dos três tipos e qu e permita identificar os vários siste mas construtivos e mat eriais que estiver am na sua origem : ▪ Lote estreito e comprido , c om uma mé trica de largura variável entre os 4 e os 7 metros e comprimento e ntre os 1 0 e os 3 0 m etros. A divis ão do lote é condicionada pelas características dos m ateri ais construtiv os, designada mente o comprimento máximo disponível para as vigas tra nsversais de madeira que sup ortam o piso ou as c oberturas; ▪ Edifícios contí guos , o que pressupõe a partilha das paredes de meação que se adapta perfeitamente à morfologia dos quarteir ões. Estas paredes são em al v enaria de pedra de granito, de apar elho irr e gular, podendo também ser alguns casos em tabique misto (estrutura de m adeira pre enchida por pedra m iúda o u tijolo); as estruturas do s pisos e da cobertura sã o composta s por vigas em for ma de pau s rolados; ▪ Est rutura secundária , no caso das paredes exteriores que das fachadas e stas sã o constituída por, alvenaria de granito o u, quando se trat e de pisos que fora m sendo acrescentados, são em tabique misto ou t abique simples. No caso das paredes interiores e da com parti mentação da caixa de escadas, est as são geralmente em tabique simples ou tabique simples reforçado; ▪ Estrutura principal horizo ntal , v ence a totalidade do v ão e assenta na estrutura v ertical. Os sobrados ou pisos são constituídos por uma e strut ura de vigamento s ob a forma de paus rolados em madeira de castanh o, que apoi am na parede de m eaçã o e são estabilizados pelos t arugos, que fazem um travament o intermédi o. Sobre esta p rimeira estrutura assenta dir e tamen te o tabuado do soalh o ; ▪ C obertura , o telhado é normalmente de quatro águas. A estrutura é em m adeira, constituída por asnas apoiad as nas paredes de meação e espa çadas entre si cerca de 3 m, podend o ser interrompid o por uma clarab óia q ue po de p ossuir várias formas. É construída com ferro e vidro e r evestida pelo exterior em telha ou chapa de zinco. A nível estrutural utiliza m -se chamadas cad eias , que são vigas longitudinais que apoiam nas vigas transv ersais e lim itam os vãos pretend idos; ▪ Estrutura da esc ada , composta por pernas (normalmente duas, utilizando-se três no caso de maior largura) que se apoiam nos patamares, mais concretamente nas cad eias. Sobre as pernas são colocados os esquadros o nde se pregam os cobertores e os espelhos. “As paredes da caixa d e escadas são normalmente em tabique simples reforçado ou duplo (situação que ap arece mais tardiamente), sendo no pri meiro caso, apoiada nas viga s que limitam o vão da escada e r evestida dos dois lados por um tabuado, sobre o qual é pregado o fasquiado de suporte às argamassas de reboco e acabamentos”. No segundo caso, “é r evestida por um duplo tabuado, vertical e di agonal, apoiado diretamente sobre os paus rolados através de prumos, coloca dos junto d as paredes de meação na l argura dos vãos e dos patama res intermédios ”. Os materiais e cons t ituintes mais utilizados são: ▪ Pedra , o granito é um material utilizado nas paredes de meação e nas paredes exteriores. O granito azul é utilizado para a alvenaria o rdinária e a se r revestida por reboco. O granito amarel o é utilizado em trabalhos d e cantaria. Estas são compostas por blocos A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de ap oio à decisão 227 predefinidos e apresenta m uma mé dia de largur a à v olta dos 30 e 70 cm, respetivamente; ▪ Madeira de cast anho, em alguns casos , o pinho de Riga para o v igamento dos s obrados e a estrutura das co berturas , e o pinho naci o nal, para as estruturas e r e vestimen tos d os tabiques, soalhos e caixil harias exteriores e interiores. Nas c aixilh arias t amb ém são utilizados o pinho manso e a casquinha. Mais tarde, mas me nos usual, também se utiliza o mogno provenient e do Brasil e de África em t rab alhos a executar nas caixilharias, lambrins e tetos ; ▪ Cal , um dos primeiros ligan tes que ex iste m na construção, que depende d as rochas calcárias empregues e do seu processo de c alcinação. Os vário s tipos existentes podem ser divididos em três grupos distinto s: a cal gorda, a cal m agra e a cal hidráulica. Os do is primeiros grupos c onstitue m as cais aéreas ou comuns, po rque endurece m ao ar livre; o terceiro grupo, as cais hid ráulicas, e ndurecem deb aixo de água, sendo classif icadas conforme a sua origem e proveni ência; ▪ Gesso é um material obtido por calcinação e é utilizado essencial mente na composição d o estuque. Não é muito compatível com a pedra, ou ferro e neste último provoca a sua oxidação. A sua aplicaçã o no exterior não e muito aconselhá vel, pela sua fraca resistência e durabilid ade; ▪ A rgamas sa é utilizada no assentamento e re vestiment o de alvenarias e fun ciona como proteção das suas superfícies. Existem basicamen te quatro tipos de argamassas utilizadas: a ordinária (de cal), a argamassa bastarda (mista), a argamass a hidráulica e a argamassa refractária. As a rgamassas mais utilizadas s ão as fabricadas à base de saibr o e ou areia, utilizando a cal hi dráulica e a cal aérea com ligantes. As argamassas à base de cal são compatíveis com todos os t ipos de alvenaria garantindo boa aderência, capacidade de imper meabilização, permeabilidad e ao vapor de água, res istência mecânica e durabilid ade. Os trabalhos manuais decorativos em estuque eram real izados com uma m istura de pasta de cal e gesso o u somente com pasta de gesso, podendo se r ainda aditivadas; ▪ A reia é um dos m ais importantes agregados para a constituição das argamass as. Os grãos de areia, pela sua a ç ão mecâni ca, opõe m-se à contração ine v itável das arg am assas durante a presa, porqu e sem a pr esença da areia a cal nunca faria presa; ▪ Ferro , a sua utilização na habitação burguesa surge no decorrer da revolução ind ustrial e constitui o m etal mais utili zado. O ferro forjado ou fund ido é principalm ente aplicad o na execução de: grades de v aran das, todo o tipo de ferrag ens, canalizaç ões, caixilhos d o s lanternins e alguns elementos decora tivos. É tam bém empregue a chapa de ferro zincada em caleiras, algerozes, rufos e como re vestimentos d e empenas, d e pisos recuados, nas águas furtadas e em clarab óias. É c orrente aplicar-se um primário – o zarcão , tinta de aparelho q ue ajuda a preserv ar da corrosã o; ▪ Chapa de zinco é em pregu e em chapas de rufo, caleiras, tubos de queda de águas pluviais. Dado ser u m metal car o, é normal mente substituído pela chapa de ferro zincada, uma vez que se rve de pro teção, preser vando-o da oxidaçã o ; ▪ Chumbo é utilizado para fixar peças de ferro a peças de cantaria e, em alguns casos, como revestimento sob a forma de chapa, para rufos de algerozes, no encontro das cimalhas com as platibandas, n o remate dos lanternin s. É também utilizad o e m canalizaç õ es para águas correntes, gás ou esgot os; Capítulo 7 228 ▪ Telha é empregue na cobertura e a m atéria-pri m a é a argila. Inicialmente utiliza-se a t elha Caleira Portugu esa e, m ais tarde, a telha Marse lh a que dispensa a apl icação de argamassa de ass entamento e per m ite a execução d e maiores p e ndentes; ▪ Azulejo começa a ser utilizado a partir de me ados do século XIX, como revestimento exterior de fachadas, e consistem em placas de barro o u louça geral mente de forma quadrada o u ret angular, vidrados nu ma das faces, permitindo assim uma m elhor aderência da face oposta; ▪ Tinta , o tratament o com pintura das superfícies do reboco ou de e stuques exteriores com a aplicação de tinta permite, po r um lado, criar uma barreira de proteção contra as intempéries e, por o utro, criar uma superfície esteticamente aceitável. Deve co nsid erar- se quatro tip os de tinta: a tinta de cal, a tinta de cola, a tinta de leite e a tinta de ó leo; ▪ Asfalto é utilizad o na imperm eabilização das parede s exteriores no iníci o do século XI X; ▪ Betume é utilizado sob diversas formas, como massa de vidraceiro, na co locação dos vidros em caixilhos de m adeira ou de ferro , c omo betume de canteiro, para encher as falhas das pedras de cantaria e para unir lascas de m aiore s dimensões, como betume de marceneiro, para betumar as superfícies das madeiras, tapar irregularidades para depois receber a pintura de acabament o. Esta descrição perm ite construir uma síntese do mo delo abstrato, que reúne a informação e as características principais a co nsiderar para o objeto de e studo, e que ho je faz parte do património da cidade do Port o. 7.3.3 S ÍNTESE GERAL DOS PRESSUPOSTOS DE APLICAÇÃO PARA O ÂMBIT O CONSIDERAD O O c omportament o d e u m edifício depende de u m co njunto d e fa to res internos e externos que interferem na avaliação do es paço arquite tónico edificado. Este desenvolve-se tendo como suporte espacial siste mas em permanente interação e qu e podem s er considerad o s c omo, o sis tema sócio- cultural, o sistema técnico-fu ncional, o sistema económic o e o sistema ambien tal. Estes sistemas vão- se al terando a o lo ngo do tempo, m as o que interessa é a sua caracterização e ponderaçã o no momento da conceção, como garantia para u m determinado desempenho à escala do edifício, segundo um a perspeti va para uma vida útil e spectável e pre viamente definida. Manter estas condições implica que o edifício seja analisado e avaliado como um todo, mas também considerar que depende de um conjunto de elementos que c onstituem o seu sis tema constru tivo. Na perspetiva da manutenção pode considerar-se que um edifício é constituído por vários elementos com mecanismos de degr adação independentes. A estes elementos atribui-se a designaçã o de Elementos Fonte de Manutenção - EFM . A divisão do todo e m vários elemen t os e sistemas surge pela nec essidade d e o timiz ação dos r ecursos de um edifício e tem levado à formula ç ão de várias hipóteses de divi são em partes de u m e difíci o, s endo de salientar a f ormulação levada a cab o po r Calejo (2001), onde se agrupa os E FM em classes, consoante a sua função, se ndo de referir o s elementos edificados, os acabamentos e as instalações, que por sua ve z se dividem em v árias subclasses. No contexto do objeto de estudo co nsid erado neste trabalho de inves tigação - a habitação burguesa portuense - dividem-se em 9 o s elementos fonte de manutenção: 1. Fundações; 2. Paredes ex teri ores; 3. Pavimentos e Tetos; 4. Cobertura ; 5. Paredes interiores; 6. Comunicações v erticais; 7. Vãos exteriores; 8 .Vãos interiores e 9. Instalações. ( ANEXO A 7.1 ) Os que vão ser analisados na dissertação são os element os fonte de manutençã o : EFM2 , EFM3 , EFM4 e EFM7 . A Manuten ção de edifícios no processo de conceção a rquitetónica Modelo de ap oio à decisão 229 Como referiu Barata Fern andes (19 99), “Para que este diálogo entre antigo e novo, se possa instaurar, importa que o antigo possua ainda valores capa zes de entr ar no diálogo e que o novo s e exprima com a linguagem do nosso tempo: não existe diálogo entre mortos. Não será conservada, portanto, toda a história da cidade, mas aquela que tem ainda valor e que é necessária ao novo desenho”. A reabilitação dev e ser e ncarada como um momento de avaliaçã o em que se reequaciona a necessidade de execução, de um conjunto de operações destinadas a to rnar um e difício novamente funcional, de acordo com os padrões atuais. É pois, um ato integrador de todas as ações destinadas a garan tir o conhecimento das caract erísticas do edifíci o, do estud o das respetivas anomalias funcionais e c onstrutivas que o af e tam, i ntroduzindo to das as decis ões que derivam das intenções que pr esidem ao ato de reabilitar. Considerou-se o âmbito de estudo, a habitação burguesa po rtuense, pelos motivos já apresentados , em particul ar pela relevância dos seus siste mas construtivos tradicionais, uma v ez que o grau de conhecimento e des empenho estão bastant e bem est udados e desen volvidos. Neste subcapítulo faz-se uma análise e caracterização das diferentes soluções passíveis de serem objeto de intervenção, id entificand o-se os principais danos e anomalias re co rre ntes associados aos vários elementos do sistem a co nstrutivo. É realizada uma descrição geral e abrangente das principais técnicas de interven ção , de signadamente: ▪ A s técnicas de manutenção c onsistem em manter, pres e rvar e cui dar o existente garantindo o seu desempenho funcional inicial, procurando apenas reparar e corrigir falhas pontuais na e strutura o u nos revestimen tos e substituir de forma parcial ou total em caso de rutura funcional ou quan do é atingid o o seu fim de ciclo; ▪ As técnicas de r eabilitação consistem num requacionar do desempenho funcional de forma a garantir as exigências atuais, reco rrend o a uma alteração o u transfor mação do existente com substi t uição parcial ou total dos seus elementos. Tendo em c onta a espec ificidade deste tipo de intervenções, v erifica-se uma necessidad e de sistematização da informação, c o mo for ma de p ermitir a avaliação da aplicabilidade das diferentes técnicas às diferentes situações. Deste modo , elabora-se uma matriz de co rrelação entre as várias soluções de intervenção e as principais anomalias v erificadas em edifícios existentes. Esta m atriz tem como base a aplicabilidade verificada em casos concretos já intervencionad o s da habitação burguesa portuense, bem como a referência a alguns trabalhos existentes já desenvolvid os. É definida uma escala de aplicabilidade dividida em cinco graus de apreciaçã o: Não Aplicável (ao caso em concre to), Aplicação Rara, Aplicaçã o Ocasional, Aplicação Frequ ente e Aplicaçã o Corrente. ( Quadro 7.6 ) Quadr o 7.6 - Escala de ap licab ilidade. N ÃO APLICÁ VEL A PLICAÇÃO R ARA A PLICAÇÃO O CASIONAL A PLICAÇÃO FREQUENT E A PLICAÇÃO C ORRENTE Sempre que as estrat égias de intervenção consideradas como as de m aior aplicabilidad e englobam mais d o que uma s o lução de in tervenção, o que sucede em alguns casos (verificados nas Fichas de Manutenibilida de, ANEXO A 7 .2 ), a cor que aparece re presentada na sua aplicabilidade face às anomalias é a c or cinza. De acordo com a nor ma EN ISO 9000 (2000), o termo qualid ade aplicado a produtos o u serviços significa, “ grau de satisfação de requisitos dado por um conjunto de característica s intrínsecas. ”, sendo que, o seu o bjetiv o é por definição na re speti va norm a “ algo que se p rocura obter ou atingir Capítulo 7 236 1 2 3 4 5 6 0 5 10 cm 2 6 5 8 7 0 5 10 cm Quadr o 7 . 8 - Síntese da s princip ais soluçõ es constru tivas exi stente s para p aredes exterior es. C ARACTERIZAÇÃO D A S PAREDES E XTERIORES EXISTENTES IDENTIFICAD AS C ÓDIGO PE1 PE2 [Document text truncated for crawler view.]